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Revisional de Cláusulas Contratuais c/c Repetição de Indébito e Pedido de

Tutela Provisória de Urgência

Para contrato de financiamento de automóvel em que hajam juros abusivos

AO JUÍZO DE DIREITO DE UMA DAS VARAS CÍVEIS DA COMARCA DE XXX

XXX, brasileiro, solteiro, autônomo, portador do RG nº XXX SSP/RN e inscrito


no CPF sob o nº XXX, residente e domiciliado na Rua XXX, XXX, CEP: XXX, por
meio de seu procurador e advogado Gilmar Fonsêca Júnior, OAB/RN nº
16.944, constituído consoante procuração em anexo, com endereço para
intimação na Travessa XXX, vem, respeitosamente perante Vossa Excelência,
propor a presente

AÇÃO REVISIONAL DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS C/C REPETIÇÃO DE


INDÉBITO E PEDIDO DE TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA
em desfavor da XXX, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o
nº XXX, com endereço na XXX, XXX, CEP: XXX, o que faz com supedâneo no
Código de Defesa do Consumidor, pelos fatos e fundamentos infra:
I – DO BENEFÍCIO DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA:

Postula a parte promovente, inicialmente, os benefícios da Justiça Gratuita, por


ser pobre na forma da lei, não podendo, sem prejuízo do próprio sustento e de
sua família, arcar com os emolumentos processuais e honorários advocatícios.

Com isso, pugna-se, desde logo, pela concessão dos benefícios da Justiça
Gratuita, preconizado no art. 98 do CPC/2015 e no art. 5º, LXXIV, da CF/88.

II – DOS FATOS:

O demandante realizou contrato de financiamento com a empresa ré em agosto


de 2016, a fim de poder comprar uma moto, no valor de R$ 7.939,17 (sete mil,
novecentos e trinta e nove reais e dezessete centavos), a ser pago em 48
(quarenta e oito) parcelas de R$ 317,10 (trezentos e dezessete reais e dez
centavos).

Contudo, ainda que seja pessoa de boa-fé e que costuma honrar as suas
obrigações contratuais, não possui condições financeiras para continuar com as
parcelas atuais, eis que, hoje em dia, se encontre em uma situação desfavorável.

Some-se a isso que as taxas de juros aplicadas pela demandada, de 3.06%


ao mês e 43.58% ao ano, se afiguram exorbitantes, desmensuradas e
bastante superiores às taxas médias de mercado, uma vez que, de acordo
com o Banco Central do Brasil, no período de agosto de 2016, a taxa média
anual de juros da operação foi de 1.96% ao mês e 26.17% ao ano.

No caso sob comento, em face da cobrança de juros extorsivos, percebe-se que


o demandante se encontra com notório prejuízo à sobrevivência e manutenção
da entidade familiar.

Além disso, no presente momento, o mesmo se encontra sendo autônomo não


possuindo renda fixa para pagar o alto valor das taxas, como atesta a
testemunha a seguir arrolada.
Assim sendo, imperiosa a intervenção jurisdicional para revisão dos
instrumentos contratuais formalizados entre o requerente e a requerida,
declarando-se a nulidade das cláusulas contratuais abusivas, adiante
especificadas, bem como reduzindo-se as taxas de juros ao limite estabelecido
pela taxa média de mercado apurada pelo Banco Central do Brasil para a
operação, vez que notória a abusividade da conduta perpetrada pela
demandada.

III. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS:

3.1 DA APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR:

À luz do disposto no § 2º do art. 3º da lei nº 8.078/90, entende-se por fornecedor


toda pessoa física ou jurídica que fornece produtos ou presta serviços mediante
remuneração do consumidor.

O consumidor, por seu turno, conforme se depreende do art. 2º do mesmo


Diploma Legal, pode ser definido como aquele que adquire ou utiliza produtos
ou serviços na qualidade de destinatário final.

Não se pode olvidar também que, in casu, as normas editadas pelo Banco
Central do Brasil não exaurem as relações havidas entre as instituições
financeiras e seus clientes, sendo plenamente aplicável o Código de Defesa do
Consumidor às relações entre os bancos e seus clientes, conforme já pacificado
pelo Supremo Tribunal Federal, na ADIN 2591:

Código de Defesa do Consumidor. Art. 5º, XXXII, da CB/88. Art. 170, v, da CB/88.
Instituições financeiras. Sujeição delas ao Código de Defesa do Consumidor,
excluídas de sua abrangência a definição do custo das operações ativas e a
remuneração das operações passivas praticadas na exploração da
intermediação de dinheiro na economia [art. 3º, § 2º, do CDC]. Moeda e taxa de
juros. Dever-poder do Banco Central do Brasil. Sujeição ao Código Civil. 1. As
instituições financeiras estão, todas elas, alcançadas pela incidência das
normas veiculadas pelo Código de Defesa do Consumidor. 2. "Consumidor",
para os efeitos do Código de Defesa do Consumidor, é toda pessoa física ou
jurídica que utiliza, como destinatário final, atividade bancária, financeira e de
crédito. (...) 4. Ao Conselho Monetário Nacional incumbe a fixação, desde a
perspectiva macroeconômica, da taxa base de juros praticável no mercado
financeiro. 5. O Banco Central do Brasil está vinculado pelo dever-poder de
fiscalizar as instituições financeiras, em especial na estipulação contratual das
taxas de juros por elas praticadas no desempenho da intermediação de dinheiro
na economia. 6. Ação direta julgada improcedente, afastando-se a exegese que
submete às normas do Código de Defesa do Consumidor [Lei n. 8.078/90] a
definição do custo das operações ativas e da remuneração das operações
passivas praticadas por instituições financeiras no desempenho da
intermediação de dinheiro na economia, sem prejuízo do controle, pelo Banco
Central do Brasil, e do controle e revisão, pelo Poder Judiciário, nos termos
do disposto no Código Civil, em cada caso, de eventual abusividade,
onerosidade excessiva ou outras distorções na composição contratual da
taxa de juros. ART. 192, DA CB/88. NORMA-OBJETIVO. EXIGÊNCIA DE LEI
COMPLEMENTAR EXCLUSIVAMENTE PARA A REGULAMENTAÇÃO DO
SISTEMA FINANCEIRO. 7. O preceito veiculado pelo art. 192 da Constituição
do Brasil consubstancia norma-objetivo que estabelece os fins a serem
perseguidos pelo Sistema Financeiro Nacional, a promoção do desenvolvimento
equilibrado do País e a realização dos interesses da coletividade. 8. A exigência
de lei complementar veiculada pelo art. 192 da Constituição abrange
exclusivamente a regulamentação da estrutura do sistema financeiro.
CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL. ART. 4º, VIII, DA LEI N. 4.595/64.
CAPACIDADE NORMATIVA ATINENTE À CONSTITUIÇÃO,
FUNCIONAMENTO E FISCALIZAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
ILEGALIDADE DE RESOLUÇÕES QUE EXCEDEM ESSA MATÉRIA. 9. O
Conselho Monetário Nacional é titular de capacidade normativa --- a chamada
capacidade normativa de conjuntura --- no exercício da qual lhe incumbe regular,
além da constituição e fiscalização, o funcionamento das instituições financeiras,
isto é, o desempenho de suas atividades no plano do sistema financeiro. 10.
Tudo o quanto exceda esse desempenho não pode ser objeto de regulação por
ato normativo produzido pelo Conselho Monetário Nacional. 11. A produção de
atos normativos pelo Conselho Monetário Nacional, quando não respeitem
ao funcionamento das instituições financeiras, é abusiva,
consubstanciando afronta à legalidade. (ADIN 2591/DF, STF – Plenário, Rel.
Min. EROS GRAU, julgada em 07.06.2006, g.n.). (Grifo meu)

Em igual norte, o Superior Tribunal de Justiça sumulou o entendimento de que:

Súmula 297. O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições


financeiras.

Verifica-se, portanto, que a incidência do Código de Defesa do Consumidor à


hipótese em tela constitui premissa da qual o julgador não pode se afastar,
notadamente em face da notória vulnerabilidade técnico-financeira do
requerente.

3.2 DO DIREITO DO CONSUMIDOR À INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA:

Como forma de facilitar a defesa dos direitos do consumidor, parte mais


vulnerável da relação consumerista, o Legislador Pátrio estabeleceu, no inciso
VIII, do art. 6º, da Lei nº 8.078/90, a inversão do ônus da prova, desde que
configurada a verossimilhança das alegações ou a hipossuficiência do
consumidor.

Sobre o instituto, Vidal Serrano Junior e Yolanda Alves Pinto Serrano pontificam
que: “indica o dispositivo consumerista que, com o propósito de facilitar a defesa
do consumidor e nos casos de verossimilhança ou hipossuficiência, pode o juiz
inverter o ônus da prova. As situações indicadas pelo Código de Defesa do
Consumidor como ensejadoras da inversão constituem, na verdade, regras de
aplicação sucessiva. Em primeiro lugar, servindo-se das regras de experiência,
deve o juiz verificar se a afirmação é verossímil, ou seja, se dentro de um critério
de plausibilidade, a afirmação se mostra cabível, com aparência de verdade. Não
havendo verossimilhança, deve o juiz analisar a existência de hipossuficiência,
quer em decorrência da dificuldade de provar à luz da falta de informações e de
conhecimentos específicos, quer em decorrência da dificuldade econômica da
prova. Vislumbre-se a situação do consumidor que, demandando sobre vício de
um telefone celular, tenha de se onerar com o pagamento da perícia. O valor da
prova, muitas vezes maior que o valor reclamado, certamente o afugentaria da
demanda, o que se revelaria incompatível com os fins perseguidos pelo instituto,
que é o de facilitar a defesa do consumidor” (In. Código de Defesa do
Consumidor Comentado, Saraiva: São Paulo: 2005, p. 49).

Na hipótese sob vergasta, evidentes se mostram os dois pressupostos de


aplicação da aludida regra, já que a demandante, além de não reunir boas
condições financeiras, é tecnicamente hipossuficiente frente à operadora do
plano de saúde.

Insofismável, pois, a aplicação, ao caso sub examine, da contemporânea


TEORIA DAS CARGAS PROBATÓRIAS DINÂMICAS, segundo a qual “as
regras sobre a distribuição do ônus da prova podem ser flexibilizadas no
caso concreto, quando se verificar que a sua rígida aplicação impedirá o
acesso de uma das partes à Justiça e a descoberta da verdade real, estando
a parte contrária em condições de produzir a prova sobre alegações de
fatos relevantes para o julgamento da causa.” E, complementando a lição,
Fábio Costa Soares assevera que: “O Código de Defesa do Consumidor
adotou os postulados da teoria das cargas probatórias dinâmicas no artigo
6º, VIII, na medida em que permite ao julgador mitigar e eliminar as
conseqüências da ausência de produção de prova sobre fatos relevantes do
julgamento da causa de acordo com as regras clássicas de distribuição do ônus
probandi, diante das circunstâncias do caso concreto reveladas pela
verossimilhança das alegações do consumidor ou da sua hipossuficiência,
sempre com base nas regras ordinárias de experiência.”[1]

Assim sendo, em sendo a detentora da prova documental, incumbe à


promovida apresentar em juízo comprovante bancário dos valores
efetivamente pagos pelo consumidor para quitação das parcelas do
contrato.

3.3 DA POSSIBILIDADE DE REVISÃO DAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS –


ONEROSIDADE EXCESSIVA – FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO – BOA-FÉ
OBJETIVA – PRINCÍPIO DA EQUIDADE NA RELAÇÃO CONSUMERISTA:
A defesa do consumidor é um direito fundamental, de natureza social, previsto
na Constituição. Uma das consequências deste reconhecimento é a vedação de
retrocesso social, sobretudo porque o art. 1º do CDC ressalta que suas normas
são estabelecidas nos termos do art. 5º, XXXII e 170, V da CF, representando,
pois, a concreção desses mandamentos constitucionais.

De acordo com o art. 1º, do CDC, as normas nele contidas são de ordem pública
e interesse social. São, portanto, cogentes para todas as relações de consumo,
devendo ser acatadas por parte de todo e qualquer poder regulamentar.

A possibilidade de modificação do conteúdo de uma cláusula abusiva, a fim de


restabelecer o equilíbrio da relação entre consumidor e fornecedor está prevista
no art. 6º, V e VI, e no artigo 51 do CDC.

O direito do consumidor é indisponível. É a própria natureza de direito


fundamental que determina a indisponibilidade dos direitos dos consumidores.
Desse modo, não podem ser objeto de renúncia ou disposição. Disponível é o
interesse do prestador de serviço ou o fornecedor do crédito, nunca o do
consumidor.

Como forma de mitigar o primado do “pacta sunt servanda” ou da intangibilidade


dos conteúdos dos contratos, estabelece o art. 6º, inciso V, da Lei 8.078/90, que
é direito básico do consumidor a modificação das cláusulas contratuais que
estabeleçam prestações desproporcionais em desfavor do hipossuficiente na
relação de consumo.

Sobre o tema, Nelson Nery Júnior[2] pontifica “que o direito básico do


consumidor não é o de desonerar-se da prestação por meio da resolução
do contrato, mas o de modificar a cláusula que estabeleça prestação
desproporcional, mantendo-se íntegro o contrato que se encontra em
execução, ou de obter revisão do contrato se sobrevierem fatos que tornem
as prestações excessivamente onerosas para o consumidor”.

Neste contexto, o art. 51, inciso IV, do CODECON prescreve a nulidade das
cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos ou serviços que
estabeleçam obrigações consideradas abusivas, iníquas, incompatíveis com a
boa-fé objetiva e a equidade ou que coloquem o consumidor em desvantagem
exagerada.

Ainda sobre o tema, Fabiana Rodriguez Barletta pontifica que: “O artigo sob
análise concede ao consumidor dois direitos baseados no mesmo fundamento
axiológico de preservação do contrato, com base nos princípios do Código do
Consumidor e mormente no princípio constitucional de defesa do consumidor. O
primeiro direito é o de modificar as cláusulas contratuais quando, no momento
da formação do ajuste, tiver ocorrido a lesão. O segundo direito é o de revisar
prestações que, por motivos supervenientes ao contrato, se mostrem lesivas e
se tornaram excessivamente onerosos.”[3] Em conclusão, a eminente
doutrinadora leciona que “O CDC adotou, objetivamente, o critério da
onerosidade excessiva como requisito suficiente para que o contrato possa ser
revisto e para que o equilíbrio contratual seja reinstalado na relação de
consumo”.

Magistral também o pensamento da ilustre consumerista Cláudia Lima


Marques[4]: “Na visão tradicional, a força obrigatória do contrato teria seu
fundamento na vontade das partes. Uma vez manifestada essa vontade, as
partes ficariam ligadas por um vínculo, donde nasceriam obrigações e direitos
para cada um dos participantes (...) A nova concepção do contrato destaca, ao
contrário, o papel da lei. É a lei que reserva um espaço para a autonomia da
vontade, para a auto-regulamentação dos interesses privados. Logo, é ela que
vai legitimar o vínculo contratual e protegê-lo. A vontade continua sendo
essencial à formação dos contratos jurídicos, mas sua importância e força
diminuíram, levando à relativização da noção de força obrigatória e
intangibilidade do conteúdo do contrato.

Nesta vertente, o princípio clássico de que o contrato não pode ser modificado
ou suprimido senão através de uma nova manifestação de vontade volitiva das
mesmas partes contratantes sofrerá limitações (...). Aos juízes agora é permitido
um controle do conteúdo do contrato, como no próprio Código Brasileiro de
Defesa do Consumidor, devendo ser suprimidas as cláusulas abusivas e
substituídas pela norma legal supletiva (art. 51 do CDC). É o intervencionismo
estatal que, ao editar leis específicas, pode, por exemplo, inserir no quadro
das relações contratuais novas obrigações com base no princípio da boa-
fé objetiva (...), mesmo que as partes não as queiram, não as tenham
previsto ou as tenham expressamente excluído do instrumento contratual.”

Assim sendo, considerando a onerosidade excessiva do contrato firmado


entre o requerente e a requerida, imperiosa a intervenção judicial para fins
de revisão das regras contratuais, notadamente das taxas de juros
aplicadas.

3.4 DA APLICAÇÃO DA TAXA MÉDIA DE MERCADO APURADA PELO


BANCO CENTRAL DO BRASIL – PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL
DE JUSTIÇA:

Imperiosa a intervenção judicial para limitação da cobrança de juros


remuneratórios ou compensatórios à taxa média de mercado, uma vez que,
conforme se infere da tabela infra, os percentuais cobrados pela demandada são
bem superiores e implicam em onerosidade excessiva.

De um exame ainda que perfunctório do aludido quadro demonstrativo, verifica-


se que a demandada cobra taxas de juros mensais acima da taxa média de
mercado para a operação, além de taxas anuais que, por si só, demonstra a
abusividade de tais encargos remuneratórios.

Trata-se de notória hipótese de descumprimento do princípio da boa-fé objetiva


que deve reger as relações consumeristas (art. 4º., inciso III, CDC). Como
assevera Rizzatto Nunes, a boa-fé objetiva: “é uma espécie de pré-condição
abstrata de uma relação ideal. Toda vez que no caso concreto, pro exemplo, o
magistrado tiver de avaliar o caso para identificar algum tipo de abuso, deve levar
em consideração essa condição ideal a priori, na qual as partes respeitam-se
mutuamente, de forma adequada e justa.” [5]

A boa-fé objetiva é norma de comportamento positivada também no art. 51, IV,


do CDC, que cria três deveres principais: um de lealdade e dois de colaboração
que são basicamente, o de bem informar (caveat venditor) o candidato a
contratante sobre o conteúdo do contrato e o de não abusar ou, até mesmo, de
se preocupar com a outra parte (dever de proteção).

Rui Rosado de Aguiar Júnior, a propósito da aplicação da cláusula geral de boa-


fé, pontifica que as pessoas devem comportar-se segundo tal desiderato antes
e durante o desenvolvimento das relações contratuais. Esse dever, para ele,
projeta-se na direção em que se diversificam todas as relações jurídicas: direitos
e deveres. Os direitos devem exercitar-se de boa-fé; as obrigações têm de
cumprir-se também de boa-fé.

Vale consignar que § 1º do art. 51 do Código de Defesa do Consumidor somado


ao inciso IV deste mesmo artigo é verdadeira norma geral proibitória de todos os
tipos de abusos contratuais.

O § 1º, ora citado, explica em três incisos o que vem a ser a expressão
“desvantagem exagerada” que é empregada no inc. IV do já mencionado art.
51. Cabe aqui a análise do inciso III do § 1º o qual estabelece que se presume
exagerada a vantagem que “se mostra excessivamente onerosa para o
consumidor, considerando-se a natureza e conteúdo do contrato, o interesse
das partes e outras circunstâncias peculiares ao caso”.

Com efeito, o CDC visa garantir o equilíbrio nas relações jurídicas de consumo
e, para tanto, traz mecanismos capazes de coibir a sobrevivência de
cláusulas que se mostrem excessivamente onerosas para o consumidor.
Nota-se que a repressão à onerosidade excessiva está ligada ao princípio da
isonomia contratual, que está disposto no art. 4º, n. III, e art. 6º, n. II, do CDC,
como base sólida das relações jurídicas de consumo.

Verificada a onerosidade excessiva apresentam-se três consequências: a) a


nulidade de cláusula por trazer desvantagem exagerada ao consumidor (art. 51,
IV c/c § 1º, III, CDC); b) o direito do consumidor de modificar a cláusula
contratual, a fim de ver preservado o equilíbrio contratual (art. 6º, V, CDC), c) a
revisão do contrato tendo em vista fatos supervenientes não previstos pelas
partes quando do fechamento do pacto (art. 6º, V, segunda parte, CDC).
E quanto à possibilidade de limitação dos juros remuneratórios aplicados
nos contratos bancários e nas operações de crédito quando ultrapassada
a taxa média de mercado, o SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA consolidou
o entendimento no REsp nº 1.061.530/RS:

DIREITO PROCESSUAL CIVIL E BANCÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO


REVISIONAL DE CLÁUSULAS DE CONTRATO BANCÁRIO. INCIDENTE DE
PROCESSO REPETITIVO. JUROS REMUNERATÓRIOS. CONFIGURAÇÃO
DA MORA. JUROS MORATÓRIOS. INSCRIÇÃO/MANUTENÇÃO EM
CADASTRO DE INADIMPLENTES. DISPOSIÇÕES DE OFÍCIO. DELIMITAÇÃO
DO JULGAMENTO.

Constatada a multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão


de direito, foi instaurado o incidente de processo repetitivo referente aos
contratos bancários subordinados ao Código de Defesa do Consumidor, nos
termos da ADI n.º 2.591-1. Exceto: cédulas de crédito rural, industrial, bancária
e comercial; contratos celebrados por cooperativas de crédito; contratos regidos
pelo Sistema Financeiro de Habitação, bem como os de crédito consignado.

Para os efeitos do § 7º do art. 543-C do CPC, a questão de direito idêntica, além


de estar selecionada na decisão que instaurou o incidente de processo repetitivo,
deve ter sido expressamente debatida no acórdão recorrido e nas razões do
recurso especial, preenchendo todos os requisitos de admissibilidade.

Neste julgamento, os requisitos específicos do incidente foram verificados


quanto às seguintes questões: i) juros remuneratórios;

ii) configuração da mora; iii) juros moratórios; iv) inscrição/manutenção em


cadastro de inadimplentes e v) disposições de ofício. [...]

I - JULGAMENTO DAS QUESTÕES IDÊNTICAS QUE CARACTERIZAM A


MULTIPLICIDADE.

ORIENTAÇÃO 1 - JUROS REMUNERATÓRIOS


a) As instituições financeiras não se sujeitam à limitação dos juros
remuneratórios estipulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33), Súmula
596/STF;

b) A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si


só, não indica abusividade;

c) São inaplicáveis aos juros remuneratórios dos contratos de mútuo


bancário as disposições do art. 591 c/c o art. 406 do CC/02;

d) É admitida a revisão das taxas de juros remuneratórios em situações


excepcionais, desde que caracterizada a relação de consumo e que a
abusividade (capaz de colocar o consumidor em desvantagem exagerada
– art. 51, § 1º, do CDC) fique cabalmente demonstrada, ante às
peculiaridades do julgamento em concreto. [...]. (REsp 1061530/RS, Rel.
Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 22/10/2008, DJe
10/03/2009). (Grifo meu)

Disciplinou a Corte da Legalidade que, ainda que as instituições financeiras não


se sujeitem à limitação dos juros remuneratórios estipulada na Lei da Usura
(Decreto 22.626/33), conforme prevê a Súmula 596 do Supremo Tribunal
Federal, e que a simples estipulação de juros remuneratórios superiores a 12%
ao ano não indique qualquer abusividade, não significa dizer que se pode praticar
livremente os juros compensatórios.

Com esse julgado paradigma, unificou-se o entendimento de que o Poder


Judiciário pode sim exercer o controle da taxa cobrada quando evidentemente
abusiva, ou seja, quando a vantagem auferida pela instituição financeira for
manifestamente excessiva, estabelecendo obrigação capaz de colocar o
consumidor em desvantagem exagerada – artigo 51, § 1º, do CDC –, de forma
incompatível com a boa-fé e equidade contratual.

O parâmetro balizador para verificação de abusividades no caso concreto,


segundo o Superior Tribunal de Justiça e os Tribunais Estaduais, é a taxa média
de mercado mensalmente divulgada pelo BACEN, calculada segundo
informações prestadas por diversas instituições financeiras, a qual bem
representa a autorregulação de mercado conforme modalidade de contrato,
categoria do tomador (pessoa física ou jurídica), origem do recurso e data de
assinatura, por determinação da Lei nº 4.595/64, artigo 37, e Lei nº 4.728/65,
artigo 3º, inciso IX; da Circular nº 2.957/99 e Comunicado nº 7.569/00 do BACEN.
Inclusive, impende asseverar que a taxa média de mercado considera o perfil de
clientes de acordo com a modalidade de contrato e ‘fatias’ de risco do crédito.

Demais disso, analisando especificamente casos de alteração de contratos


firmados, os Tribunais de Justiça Estaduais têm decidido que:

APELAÇÃO CÍVEL. NEGÓCIOS JURÍDICOS BANCÁRIOS. AÇÃO


REVISIONAL DE CONTRATO. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO PESSOAL.
CREFISA. JUROS REMUNERATÓRIOS: Demonstrada a abusividade dos juros
remuneratórios contratados, imperativa a limitação pela taxa média de mercado.
Precedentes do STJ. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS: Ausente expressa
pactuação de capitalização mensal de juros, vai admitida, no caso, apenas a
capitalização na periodicidade anual. MORA: Evidenciada a cobrança de
encargos abusivos no período da normalidade, é viável a descaracterização da
mora, consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça. COMISSÃO DE
PERMANÊNCIA: Ausente previsão de cobrança deste encargo no contrato,
despropositado foi o pedido do autor. De toda sorte, a cobrança de juros
remuneratórios após o vencimento é prática lícita, nos moldes da Súmula nº 296
do STJ, devendo ser observado, no caso, a limitação das taxas pactuadas pela
taxa média de mercado apurada pelo BACEN. REPETIÇÃO DO INDÉBITO OU
COMPENSAÇÃO: Demonstrada a cobrança indevida de valores, mostra-se
viável a repetição simples do indébito ou a compensação, consoante
jurisprudência do STJ. RECONVENÇÃO: Pretensão parcialmente procedente
para determinar que pague o reconvindo o valor exigido pela reconvinte após a
adequação dos encargos definidos neste julgado. CADASTRAMENTO
NEGATIVO: Evidenciada a cobrança de encargos abusivos no período da
normalidade, não se mostra viável inscrever o nome do autor em órgãos de
restrição ao crédito. ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA: Readequado. APELAÇÃO
PARCIALMENTE PROVIDA. (Apelação Cível Nº 70052053030, Décima Primeira
Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Luiz Roberto Imperatore de
Assis Brasil, Julgado em 27/02/2013)
CIVIL E CONSUMIDOR. REVISÃO DE CONTRATO. LIMITAÇÃO DA TAXA DE
JUROS REMUNERATÓRIOS À TAXA DE JUROS MÉDIA PRATICADA PELO
MERCADO. VIABILIDADE. TAXA DE JUROS CONTRATADA QUE É
SIGNIFICATIVAMENTE SUPERIOR À MÉDIA DE MERCADO DIVULGADA
PELO BANCO CENTRAL DO BRASIL. CONHECIMENTO E IMPROVIMENTO
DO RECURSO. PRECEDENTES.- É possível a revisão judicial dos contratos
bancários, de acordo com as normas insertas no Código de Defesa do
Consumidor.- A sentença recorrida foi publicada já na vigência do Código de
Processo Civil de 2015, de modo que incide o disposto no art. 85, § 11, ou seja,
condenação em honorários recursais. Em Primeiro Grau de jurisdição, houve
fixação de honorários em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação.
Majoro tal quantia para 15% (quinze por cento) sobre o valor da condenação
(Apelação Cível 2016.021172-9. 3ª. Câmara Cível. TJRN. Desembargador
Relator João Rebouças, julgado em 11.04.2017)

Com efeito, para que os contratos firmados entre o requerente e a requerida


cumpram sua função social e considerando o princípio da proteção da parte
vulnerável e hipossuficiente da relação consumerista, imperiosa a declaração da
nulidade da taxa de juros mensal e anual estabelecida, vez que admitir-se tal
cobrança de taxas de juros caracteriza consolidar o enriquecimento sem causa
da instituição financeira em detrimento da hipervulnerabilidade do consumidor.

3.5 COBRANÇA DE JUROS REMUNERATÓRIOS ABUSIVOS – DIREITO À


RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO – VEDAÇÃO DO ENRIQUECIMENTO SEM
CAUSA:

Dispõe o art. 42, parágrafo único, do CODECON que:

O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição do indébito,


por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção
monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável.

No caso sob comento, uma vez comprovada a abusividade da taxa de juros


remuneratórios mensal e anual aplicada aos contratos de empréstimo pessoal
firmados entre o demandante e a demandada, imperiosa a restituição do valor
cobrado em excesso nas parcelas mensais.

De um exame ainda que perfunctório da planilha supra, verifica-se que a


requerida percebeu, pelas operações de empréstimo não consignado, valores
bem superiores ao devido caso aplicadas as taxas médias de mercado de juros
compensatórios, de forma que tais montantes devem ser restituídos ao
consumidor, uma vez que o Código Civil, em seu art. 876, estabelece que “todo
aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir;
obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional antes de
cumprida a condição.”

Neste sentido, posiciona-se ORLANDO GOMES no sentido de que: "Não é a lei


que, direta ou indiretamente, faz surgir a obrigação de restituir. Não é a vontade
do enriquecido que a produz. O fato condicionante é o locupletamento injusto.
Evidentemente, o locupletamento dá lugar ao dever de restituir, porque a lei
assegura ao prejudicado o direito de exigir a restituição, sendo, portanto, a causa
eficiente da obrigação do enriquecimento, mas assim é para todas as obrigações
que se dizem legais". (GOMES, Orlando. Obrigações. Rio de Janeiro: Forense,
1996).

Ademais, estabelece o art. 884 do Código Civil: “aquele que, sem justa causa,
se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente
auferido, feita a atualização dos valores monetários.”

Em idêntico norte, a jurisprudência pátria assinala que:

AGRAVO REGIMENTAL. CONTRATO BANCÁRIO. CAPITALIZAÇÃO MENSAL


DOS JUROS. AUSÊNCIA DE PACTUAÇÃO. REEXAME DE PROVAS.
INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. REPETIÇÃO DO
INDÉBITO. POSSIBILIDADE. MORA. DESCARACTERIZADA. COBRANÇA DE
ENCARGOS ILEGAIS. INSCRIÇÃO DO NOME DO DEVEDOR EM
CADASTROS DE INADIMPLENTES. VEDAÇÃO. 1.- É inviável em sede de
Recurso Especial a interpretação de cláusulas contratuais e o reexame do
acervo fático-probatório dos autos. 2.- Este Superior Tribunal já firmou
entendimento de que não é necessária, para que se determine a compensação
ou a repetição do indébito em contrato como o dos autos, a prova do erro no
pagamento. 3.- A cobrança de encargos ilegais no período da normalidade
descaracteriza a mora do devedor. 4.- O julgamento de mérito que declara a
existência de encargos abusivos afasta a caracterização da mora, assim como
a possibilidade de inscrição do nome do contratante nos cadastros de proteção
ao crédito, devendo o consumidor permanecer na posse do bem alienado
fiduciariamente, o que enseja a manutenção do Acórdão impugnado no ponto.
5.- Agravo Regimental improvido. (STJ. AgRg no Ag 1407778/RS, Rel. Ministro
SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/09/2011, DJe 26/09/2011)

Portanto, incontestável é a obrigatoriedade de restituição do valor pago em


excesso pelo autor em face da cobrança de juros abusivos e acima da taxa
média de mercado apurada pelo Banco Central do Brasil, cujo montante
será apurado em sede de liquidação de sentença, após a apresentação das
planilhas dos valores efetivamente pagos por cada um dos contratos de
empréstimo pessoal não consignado.

3.6 DA TUTELA PROVISÓRIA DE URGÊNCIA – SUSPENSÃO DO


CONTRATO – REDUÇÃO DO VALOR DA PARCELA – APLICAÇÃO DA TAXA
MÉDIA DE MERCADO – REQUISITOS NORMATIVOS PREENCHIDOS:

Prescreve o art. 300 do CPC:

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado
útil do processo.

§ 1o Para a concessão da tutela de urgência, o juiz pode, conforme o caso, exigir


caução real ou fidejussória idônea para ressarcir os danos que a outra parte
possa vir a sofrer, podendo a caução ser dispensada se a parte economicamente
hipossuficiente não puder oferecê-la.

§ 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação


prévia.
§ 3o A tutela de urgência de natureza antecipada não será concedida quando
houver perigo de irreversibilidade dos efeitos da decisão.

In casu, a probabilidade do direito alegado se encontra consubstanciado


na farta prova documental acostada à exordial, que demonstram a
aplicação de taxas de juros remuneratórios em percentual superior ao ano
pela demandada, assim como a abusividade das mesmas face às taxas
médias de mercado apuradas pelo Banco Central do Brasil para
financiamento de veículos.

Já o fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação consiste no


fato de que, mês a mês, o demandante tem tido seus vencimentos e
vantagens bastante comprometidos com o desconto da parcela, uma vez
que, da renda disponível sobra pouco para suprimento das necessidades
básicas da entidade familiar.

Para a doutrinadora Teresa Arruda Alvim Pinto[6], a possibilidade de perigo de


dano irreparável constitui o "periculum in mora", e assim se justifica: "O perigo
de que, não sendo provavelmente concedida a medida pleiteada, ocorram
graves danos ao Autor, de molde a que a sentença a final, ainda que lhe conceda
pedido, terá sua eficácia concreta prejudicada pelo lapso de tempo decorrido
entre a propositura de ação e o seu desfecho. A medida desta" irreparabilidade
"é a perspectiva futura de sentença ter poder e força de satisfazer a pretensão
do requerente" in natura ". Não trata aqui, meramente, da invalidação do ato
violador de direito, pois esta, no campo estritamente jurídico, sempre poderá ser
realizada. Trata-se, isto sim, da possível inocuidade da sentença na esfera dos
fatos, no mundo, por assim dizer, material".

Outro não é o entendimento jurisprudencial a respeito:

Tutela antecipada deferida para sustar os descontos que o banco efetuava na


conta-salário do Autor, a título de pagamento de empréstimos bancários.
Decisão que visa garantir a sobrevivência do Autor e de sua família. Débito "sub
judice". Não é teratológica, contrária à lei ou à evidente prova dos autos tal
decisão. Inteligência das Súmulas 58 e 59 do TJRJ. Ausência de prejuízo ao
banco, pois seu crédito continua íntegro.” (Agravo de instrumento
2006.002.09742, JDS. DES. Antonio Iloizio Barros Bastos - Julgamento:
08/08/2006 – 12ª. Câmara Cível, TJ/RJ).

Conforme se aufere, o referido contrato acaba em agosto do presente ano,


de modo que faltam alguns meses para a quitação total. O que se visualiza
é que as taxas de juros não estavam corretas, de modo que ao haver a
repetição de indébito, o demandante nada mais teria a pagar à ré.

Logo, se requer a suspensão do contrato como tutela provisória, a fim de


que o demandante, pelos meses em que a demanda dure, não pague as
parcelas que faltam, uma vez que se encontra sem condições para tal.

Caso não seja, que haja a redução das parcelas para a taxa devida pelo
Banco Central.

IV. DOS PEDIDOS:

Ante o exposto, requer-se:

a) A concessão do benefício da gratuidade da justiça, por se tratar de pessoa


hipossuficiente de recursos financeiros, sem condições de arcar com despesas
de custas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo do seu próprio
sustento e do de sua família, nos termos do que preconiza o inciso LXXIV, no
art. 5º., da CF/88, bem como a Lei nº 1.060/50 e art 98 do CPC;

b) A decretação da inversão do ônus da prova, na forma do art. 6º, inciso VIII e


do art. 373, § 1º, do CPC, determinando-se à demandada que apresentar em
juízo comprovante bancário dos valores efetivamente pagos pelo
consumidor para quitação das parcelas do contrato nº XXX;

c) O deferimento, liminarmente e inaudita altera pars, da tutela provisória


de urgência, determinando-se, com supedâneo na possibilidade de revisão
do contrato para restabelecimento do equilíbrio contratual, da boa-fé
objetiva e coibição da onerosidade excessiva, à ré que proceda com a
suspensão do contrato de financiamento nº XXX ou, subsidiariamente, que
proceda com a redução da parcela, aplicando-se a taxa média de mercado,
em conformidade com os precedentes do Superior Tribunal de Justiça,
cominando-se ainda multa diária para a hipótese de descumprimento da
ordem judicial (art. 497, CPC);

d) A citação da demandada para, querendo, designar preposto para comparecer


à audiência a ser designada por este Juízo e apresentar defesa, sob pena de
decretação de revelia e aplicação da pena de confissão;

e) A procedência do pedido em todos os seus termos, com a consequente:

e.1. a revisão das taxas de juros remuneratórios mensal e anual aplicadas


aos contratos de financiamento firmado entre a demandada e o
demandante, limitando-as às taxas médias de mercados apuradas pelo
Banco Central do Brasil à época das respectivas contratações, em face da
onerosidade excessiva (art. 39 CDC), do descumprimento dos preceitos da boa-
fé objetiva (art. 4º, inciso III, CDC) e da quebra do equilíbrio contratual;

e.2. por conseguinte, que seja a demandada condenada a restituir ao


demandante os valores cobrados em excesso face à incidência de juros
remuneratórios abusivos, cujo montante será apurado em sede de liquidação
de sentença após a definição da taxa de juros a ser efetivamente aplicada aos
contratos de empréstimo pessoal com garantia de desconto da parcela em
crédito previdenciário;

e.3. a confirmação da tutela provisória de urgência, na forma supracitada;

e.4. a condenação da promovida ao pagamento de custas processuais e


honorários advocatícios.

Pretende provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito,


especialmente a prova documental, bem como o rol de testemunhas abaixo, a
fim de se provar a situação atual do demandante, sem prejuízo de qualquer outro
que se faça necessário durante o curso da instrução processual.

Dá-se à causa o valor de R$ 7.939,17 (sete mil, novecentos e trinta e nove


reais e dezessete centavos), ou seja, o valor financiado em contrato.
Nestes termos, pede deferimento.

Mossoró/RN, 11 de março de 2019.

Gilmar Fonsêca Júnior

OAB/RN nº 16.944

Rol de Testemunhas:

1. XXX, brasileiro, casado, autônomo, portador do RG nº XXX e inscrito no


CPF sob o nº XXX, residente e domiciliado na Rua XXX, XXX, CEP: XXX.

[1] In. Acesso do Consumidor à Justiça: Os Fundamentos Constitucionais do


Direito à Prova e da Inversão do ônus da Prova. Lúmen Júris. Rio de Janeiro, p.
177 e 179.

[2] Código de Defesa do Consumidor, 8ª edição - RJ, Forense Universitária, p.


536.

[3]FABIANA RODRIGUEZ BARLETTA, A revisão contratual no Código Civil e no


Código de Defesa do Consumidor. São Paulo: Saraiva. p. 137.

[4] MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor.


5ª. ed. Revista dos Tribunais, São Paulo, 2007, p. 275.
[5] In. Curso de Direito do Consumidor, Ed. Saraiva, 2004, p. 128.

[6] PINTO, Teresa Arruda Alvim. Mandado de Segurança contra Ato Judicial.
Revista dos Tribunais: Rio de Janeiro, p. 20.
Declaratória de Inexistência de Débito c/c pedido de Indenização por Danos
Morais c/c pedido de Restituição em Dobro da cobrança indevida c/c
liminar para determinar Suspenção Imediata dos Descontos c/c pedido de
exibição de documentos

Modelo de petição inicial (ação declaratória de inexistência de débito c/c pedido


de indenização por danos morais) adequada as disposições do novo Código de
Processo Civil - CPC/15, para acadêmicos e profissionais do Direito.

MM. JUÍZO DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DO FORO DA COMARCA DE


.../UF

“Nem sempre os códigos escritos compreendem que


a vida é muito mais multifacetada que os artigos, parágrafos incisos e alíneas.”

Alfredo Tranjan.

DEBORAH DE TAL

Brasileira, solteira, estudante de pedagogia/auxiliar administrativa do


PSF centro I, nascida aos 02/08/1995, natural de Campo Belo/MG, filha de
Ariandna de tal e José de tal, inscrita no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF
sob o nº ..., titular da Cédula de Identidade: ..., SSP/UF, portadora do endereço
eletrônico <...>, residente e domiciliada a ... CEP ..., vem, mui respeitosamente
a presença de Vossa Excelência, por meio de seu(s) procurador(es),
subscrevente(s), ‘in fine’ (vide docs. procuração em anexo), c/ fincas no artigo
42 do CDC c/c art. 300 e ss do Código de Processo Civil – CPC, com escritório
profissional a rua: Tiradentes, 300, 2º andar, centro, Campo Belo/MG, propor a
presente:

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO

C/C PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS


C/C PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DOBRO DA COBRANÇA INDEVIDA
C/C LIMINAR PARA DETERMINAR SUSPENÇÃO IMEDIATA DOS
DESCONTOS

C/C PEDIDO DE EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS

(APRESENTAÇÃO DE ORIGINAL DO SUPOSTO CONTRATO DE


EMPRÉSTIMO)

Em face BANCO SANTANDER S/A, pessoa jurídica de direito privado,


com sede na avenida: Presidente Juscelino Kubitschek, 2041/2235, bloco A,
Vila Olímpia, São Paulo/SP, CEP: 04543-11, regularmente inscrita no
CNPJ/MF sob o n.º 90.400.888/0001-42, pelo que passa a tecer as seguintes
considerações de fato e de Direito:

I - DOS FATOS

Recentemente a autora que hodiernamente tem 22 (vinte e dois) anos,


mora com sua mãe, e cursa pedagogia no CEMES, tomou posse como auxiliar
administrativa do PSF centro I, e para tal, foi necessário que a requerente
abrisse uma conta junto à requerida para receber seus vencimentos.

Ocorre que a cerca de 3 (três) ou 4 (quatro) meses, autora está


sofrendo descontos mensais em seus vencimentos de um suposto empréstimo,
cujas parcelas são de R$ 205,78 (duzentos e cinco reais e setenta e oito
centavos)

Todavia, a autora vive com sua mãe (servidora do TJMG) e com seu
irmão (advogado subscrevente ao final), não tendo qualquer despesa, e muito
menos razões para tecer qualquer empréstimo!

Angustiada, a autora chegou a procurar a requerida junto a agência


local na pessoa de seu gerente que lhe informou (após verificar atentamente a
questão) que havia ocorrido um ‘erro’ na agência e que tal empréstimo estaria
vinculado a uma conta parecida na verdade, que pertence a pessoa de
‘Richard de tal’. O gerente afirmou ainda à requente que tal problema seria
imediatamente solucionado, e ao receber seus vencimentos deste mês,
novamente fora-lhe descontada a importância de R$ 205,78 (duzentos e cinco
reais e setenta e oito centavos) indevidamente. A requerente ainda foi
informada que tal importância lhe seria devolvida com as devidas correções, e
até o presente, absolutamente nada foi restituído à requerente.

II - DO DIREITO

O direito da senhora Deborah Carollinne Alves e Silva, tem arrimo e


está fincado nos dispositivos legais abaixo-mencionados, sustentáculos desta
ação. A Carta Magna, em seu artigo 5º preconiza e positiva como direitos que:

“V - é assegurado o direito de resposta,


proporcional ao agravo, além da indenização por
dano material, moral ou à imagem;” (grifo nosso).

“X - são invioláveis a intimidade, a vida


privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito a indenização pelo dano
material ou moral decorrente de sua violação.” (grifo
nosso).

O Código de Defesa do Consumidor – CDC, sobre a questão elucida


em suas disposições gerais que “equipara-se a consumidor a coletividade de
pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de
consumo.” E mais adianta preconiza, ‘ipsis litteris’:

“Art. 42. Na cobrança de débitos, o


consumidor inadimplente não será exposto a
ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de
constrangimento ou ameaça.

Parágrafo único. O consumidor cobrado em


quantia indevida tem direito à repetição do indébito,
por valor igual ao dobro do que pagou em
excesso, acrescido de correção monetária e juros
legais, salvo hipótese de engano justificável.” (grifo
nosso)
Tal compreensão é pacífica, o que por se só já ensejaria a
indenização ora conclamada. Não obstante, existem outros tantos dispositivos
mais nos códigos escritos, confirmando a positividade do direito elencado, o
Código Civil - CC, através do art. 186 estabelece que:

“Aquele que, por ação ou omissão


voluntária, negligência ou imprudência, violar
direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.” (grifo
nosso).

Outrossim, a própria lei civil, estabelece a obrigação de indenizar como


conseqüência jurídica pelo ato ilícito consubstanciado na cobrança indevida,
(arts. 927 do CC), in verbis:

“Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e


187), causar dano a outrem, fica obrigado a
repará-lo.” (grifo nosso).

Por óbvio, deverá o réu então indenizar àquela a quem prejudicou! Sem
mencionar a possibilidade de que tal ocorrido venha a configurar eventual
‘apropriação indébito’, podendo os representantes do Banco Santander
responderem eventualmente pelo ilícito na esfera penal (art. 92 da Lei Federal
9.099/95).

Diante dos fatos expostos, presentes os três elementos


componentes da etiologia da responsabilidade civil, quais sejam: a
ofensa a uma norma preexistente ou erro de conduta; um dano; e o nexo
de causalidade entre uma e outra. Ante a invasão feita na vida da autora,
retendo aproximadamente 20% (vinte por cento de seus vencimentos), nos
últimos meses (face um empréstimo inexistente), alternativa não houve senão
clamar ao Judiciário que faça Justiça ao caso em tela.

III – DO ÔNUS DA PROVA


Narra o artigo 374, I, do Código de Processo Civil – CPC, que:

“Não dependem de prova os fatos:

I – notórios” (grifo nosso).

Sabe-se que a autora não tem qualquer despesa, e muito menos


motivos para fazer eventual empréstimo, portando e de acordo a redação do
artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor que assegura como sendo
direito básico do consumidor:

“VII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive


com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo
civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou
quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiência”

REQUER QUE O BANCO RÉU APRESENTE O ORIGINAL DO


CONTRATO IMEDIATAMENTE, se é que ele existe!?.

VI - DA TUTELA ANTECIPADA

A Lei Processual Civil, nos seus arts. 300 e seguintes, permite ao juiz,
que, provocado por requerimento, antecipe a tutela, observadas determinadas
exigências, ou seja, deve haver prova inequívoca dos fatos na inicial e em
seguida, entra a dose de verossimilhança das alegações das partes.

O motivo embasador do pedido de tutela antecipada, justifica-se pelo


fato de que o dano na vida da requerente, além de notório, é uma
crescente, e também tal decisão poderá (eventualmente ser revista ao longo
da instrução), razão pela qual a autora clama que seja determinada a citação
do réu, constando no mandado determinação para que o banco-réu se
abstenha de efetuar qualquer desconto na C/c 01-043075-8, Agência 3614,
até o término da ação.

V - DA POSSIBILIDADE DE ACORDO EM AUDIÊNCIA


A autora considera que o erro é uma realidade humana, razão pela
qual está disposto a fazer eventual acordo com a(o) requerida(o), motivo pelo
qual clama pela designação de AC.

VI – DA EXIBIÇÃO DE DOCUMENTO

A autora requesta que seja determinado ao réu que


apresente imediatamente aos autos o instrumento original do suposto
contrato.

VII - DOS PEDIDOS

1. Seja deferido o pedido de TUTELA ANTECIPADA, ‘initio litis’ e ‘inaudita


altera pars’, para determinar que a requerida se abstenha de efetuar
qualquer desconto na C/c 01-043075-8, Agência 3614, até decisão
final e também apresentar aos autos o instrumento original do
suposto contrato firmado pela ‘autora’;

2. A citação do réu via ‘AR’ para responder a presente ação (caso queira);

c) Após cumpridas as formalidades legais, seja julgada procedente a


presente ação, declarando inexistente a suposta dívida da autora com a
ré, determinando com fincas no artigo 42 do CDC, que a requerida restitua à
autora toda a importância injustamente retida, em dobro e acrescida de juros e
correção legal (em valor a ser apurado em sede de liquidação);

d) Seja a ré julgada procedente também o pedido de indenização por


danos morais, no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) ou outro a ser fixado
em sentença;

e) A condenação do requerido nas custas e honorários


advocatícios sucumbenciais, no percentual de 20% (vinte por cento) em caso
de eventual recurso (nos termos do artigo 55 da Lei Federal 9.099/95);

f) protesta pela produção de prova documental, testemunhal, bem


como outras que se façam necessárias ao deslinde da questão.
Dá-se à causa o valor de R$ 11.500,00 (onze mil e quinhentos reais)
para fins de alçada.

Termos em que,

P. Deferimento.

Campo Belo, 17 de dezembro de 2017.

DANIEL EDSON ALVES E SILVA

OAB/MG 158.749
AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CUMULADA COM
INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS COM PEDIDO DE TUTELA DE
URGÊNCIA

Operadora de telefonia móvel insere o nome do consumidor nos cadastros


restritivos de crédito por débitos referentes as contas telefônicas, provenientes
de contrato realizado por terceiros em seu nome(fraude), o qual o mesmo
desconhece.

EXMO. SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA VARA CÍVEL – COMARCA


xxxxx

(Nome da parte autora), (nacionalidade), (estado civil), (profissão),


portadora da carteira de identidade de n°. XXXXXXX, inscrita no CPF sob o n°.
XXXXXXX, residente e domiciliada nesta cidade sito XXXXXXXXX – endereço
eletrônico XXXXXXX, vem por sua advogada que subscreve a presente, com
endereço profissional nesta cidade sito XXXXXXXX, onde receberá notificações
e intimações, a presença de V.Exa., com fundamento nos artigos 14 e 84 do
Código de Defesa do Consumidor , propor

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE


DÉBITO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS
COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA

Em face da empresa (xxxxxx), pessoa jurídica, com endereço comercial


sito xxxxxx, inscrita no CNPJ sob o n°. xxxxxxx, pelos motivos de fato e de direito
que passa a expor:

DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA

A parte Autora (esclarecer os motivos a que faz jus a gratuidade de


justiça), não possuindo condições financeiras para arcar com o valor das custas
processuais sem prejuízo do seu sustento e de sua família. (em anexo
declaração de hipossuficiência)

Por tais razões, pleiteia-se os benefícios da Justiça Gratuita,


assegurados pela Constituição Federal, artigo 5º, LXXIV e pela Lei 13.105/2015
(CPC), artigo 98 e seguintes.

DOS FATOS

O Autor recebeu pelo correio, no mês de xxxxx, faturas para pagamento,


correspondente a duas linhas telefônicas da operadora, parte ré, as quais jamais
contratou, sendo elas:

- n°. (xxx) xxxxx, com vencimento em xxxxx, no valor de R$xxxxx e n°.


(xxxx) xxxxx, com vencimento em xxxxx, no valor de R$xxxxx. (Doc.J.)

Imediatamente, dia xxxx, o Autor entrou em contato com a parte ré


por telefone, impugnando-as, por não ter contratado qualquer das linhas
supracitadas, gerando o protocolo de números xxxxxxx

Foi esclarecido ao Autor, na ocasião da reclamação, que constava


no sistema da empresa a contratação das linhas e diante da impugnação
apresentada, estariam abrindo uma reclamação administrativa para apurar o
fato.

Enquanto o Autor ainda aguardava o resultado do processo


administrativo instaurado, seu nome foi inscrito nos cadastros restritivos de
crédito pela Ré, decorrente das cobranças contestadas. (anotação procedida no
dia xxxx – Doc.J.)

Não tendo o Autor outra opção para resolver a questão


apresentada, certo que a inscrição indevida está causando-lhe diversos
transtornos, pois denegriu seu bom nome, bem como está causando-lhe
privações creditícias, se faz necessário a propositura da presente ação.

DO DIREITO
A relação jurídica se amolda no conceito de relação de consumo
regulada pela Lei 8078/90, norma de ordem pública que tem por objetivo a
proteção e a defesa do consumidor.

A Constituição Federal atribui responsabilidade objetiva às pessoas


jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos quando o dano
decorre de conduta de seus agentes no exercício da atividade administrativa -
art. 37, § 6º, adotando a teoria do risco administrativo como fundamento da
responsabilidade objetiva, in verbis:

“Art. 37. A administração pública direta e indireta de


qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal
e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também,
ao seguinte: (...)

§ 6º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito


privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos
de dolo ou culpa.”

No mesmo sentido, o art. 14 caput do CDC consagrou a


responsabilidade objetiva do fornecedor, com base na teoria do risco do
empreendimento, na qual ele responde, independente de culpa, pelos danos
causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem
como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos, in
verbis:

“Art. 14. O fornecedor de serviços responde,


independentemente da existência de culpa, pela reparação dos
danos causados aos consumidores por defeitos relativos à
prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos. (...)
§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado
quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.”

A responsabilidade das empresas de telefonia, por fraudes praticadas


por terceiros, que resulte danos aos consumidores é objetiva e somente pode
ser afastada pelas excludentes previstas no parágrafo terceiro do artigo 14 do
CDC.

A culpa exclusiva de terceiros capaz de elidir a responsabilidade objetiva


do fornecedor de produtos ou serviços é somente aquela que se enquadra no
gênero de fortuito externo, ou seja, aquele evento que não guarda relação de
causalidade com a atividade do fornecedor, absolutamente estranho ao produto
ou serviço.

Para que se configure a excludente de responsabilidade é necessário


que o fato seja inevitável, imprevisível e totalmente estranho à atividade
desempenhada pelo fornecedor, o que no presente caso não ocorreu.

Isso porque, a fraude perpetrada por terceiro, se deu justamente no


exercício da atividade principal da ré, qual seja, a contratação de serviços de
telefonia, fazendo parte então, do próprio risco do empreendimento.

O Código Civil, no parágrafo único, do art. 927, reforça a


responsabilidade objetiva, decorrente dos riscos da atividade, in verbis:

“Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187),
causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano,


independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou
quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do
dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de
outrem.”
Dispõe o enunciado 89 da Súmula do Tribunal de Justiça do Estado do
Rio de Janeiro, in verbis:

“A inscrição indevida de nome do consumidor em


cadastro restritivo de crédito configura dano moral, devendo a
verba indenizatória ser fixada de acordo com as especificidades
do caso concreto, observados os princípios da razoabilidade e
proporcionalidade.”

“A pacífica jurisprudência do STJ é no sentido de que a inscrição


indevida em cadastro negativo de crédito, bem como o protesto indevido,
caracterizam, por si sós, dano in re ipsa, o que implica responsabilização por
danos morais.” (AgRg no AREsp 575650 / BA – Min Rel. Raul Araujo- Quarta
Turma)

E ainda,

A Súmula 479 do STJ fixa a responsabilidade objetiva das instituições


financeiras por fraudes e delitos praticados por terceiros:

“As instituições financeiras respondem objetivamente


pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e
delitos praticados por terceiros no âmbito de operações
bancárias.”

DO DANO MORAL

O dano moral emerge da dor, do vexame, da ofensa à honra e dignidade


que, fugindo à normalidade, interfere intensamente no comportamento
psicológico do indivíduo, causando-lhe aflição, angústia e desequilíbrio em seu
bem estar que, no caso, foi experimentado pelo Autor, que resulta do sentimento
de injustiça decorrente da restrição.

A responsabilidade da ré, portanto, está caracterizada, eis que


comprovado o dano, o serviço defeituoso prestado pelo fornecedor como fato
determinante do prejuízo e o constrangimento gerado ao Autor.

Ressalte-se, ainda, que não houve qualquer das hipóteses de exclusão


de responsabilidade previstas no art. 14, §3º, do CDC.

A reparação do dano moral deve ser capaz de compensar o abalo


psicológico, tristeza e sofrimento pelos quais passou o ofendido sem, contudo,
distanciar-se dos princípios norteadores para a correta apuração do quantum,
dentre os quais se destacam o da razoabilidade e o da proporcionalidade.

Sergio Cavalieri Filho leciona que “Cabe ao juiz, de acordo com o seu
prudente arbítrio, atentando para a repercussão do dano e a possibilidade
econômica do ofensor, estimar uma quantia a título de reparação pelo dano
moral” (Programa de Responsabilidade Civil, Atlas, 8.ª edição, 2008, página 91).

Neste sentido, a quantia pretendida a título de dano moral não é capaz


de causar enriquecimento ilícito ao Autor, compensando-o, ainda que
modicamente, pelo sofrimento e aborrecimento suportados em razão da conduta
da ré.

DO ÔNUS DA PROVA

O Autor é consumidor e hipossuficiente técnico e, em razão disso, o CDC


estabeleceu o equilíbrio necessário para uma relação harmônica entre os
personagens da relação de consumo invertendo o ônus da prova, conforme
dispõe o inciso VIII do artigo 6° do referido diploma legal:
“Art. 6º São direitos básicos do consumidor: (...)

VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive


com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil,
quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando
for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiências;”

De acordo com o art. 373, II do CPC, o ônus da prova incumbe ao réu,


quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do
Autor.

DA TUTELA DE URGÊNCIA

O Código de Processo Civil, em seu artigo 300, define que a tutela de


urgência deve ser deferida quando presentes, concomitante, a probabilidade do
direito e o perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo.

Dispõe ainda o parágrafo terceiro do artigo 84 do C.D.C, in verbis:

“Art. 84. Na ação que tenha por objeto o cumprimento da


obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela
específica da obrigação ou determinará providências que
assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento.
(...)

§ 3º Sendo relevante o fundamento da demanda e


havendo justificado receio de ineficácia do provimento final, é
lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação
prévia, citado o réu.”

O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº


1.061.530- RS, afetado ao regime dos recursos repetitivos, firmou entendimento
no sentido de que “o pedido de abstenção de inscrição/manutenção em cadastro
de inadimplentes formulado em antecipação de tutela e/ou medida cautelar,
somente será deferido se, cumulativamente: a) a ação for fundada em
questionamento integral ou parcial do débito; b) ficar demonstrado que a
cobrança indevida se funda na aparência do bom direito e em jurisprudência
consolidada do STF ou STJ; c) for depositada a parcela incontroversa ou
prestada a caução fixada conforme o prudente arbítrio do juiz.” (REsp 1061530
/ RS, Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, Julgamento: 22/10/2008)

Por todo o exposto, constata-se que encontram presentes os requisitos


necessários à concessão liminar dos efeitos da tutela provisória de urgência, que
comprovam, em sede de cognição sumária, a verossimilhança das alegações do
Autor e o perigo de dano de difícil reparação, caso não antecipada a tutela
pretendida, haja vista a inscrição indevida do bom nome do Autor por débito
ilegítimo.

JURISPRUDÊNCIA

"EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DECLARATÓRIA DE


INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS - ÔNUS DA PROVA - ART. 373, II, DO CPC/2015 -
NEGATIVAÇÃO DO NOME DO CONSUMIDOR - OCORRÊNCIA -
FRAUDE NA CONTRATAÇÃO - FORTUITO INTERNO - DANO
MORAL IN RE IPSA -VALOR DA INDENIZAÇÃO - RAZOABILIDADE
E PROPORCIONALIDADE. 1- Em se tratando de ação declaratória
de inexistência de débito, é do réu ônus de comprovar a existência da
relação jurídica que culminou na inscrição do nome do suposto
devedor em cadastros de restrição ao crédito, nos termos do artigo
373, inciso II, do CPC/2015. 2- De acordo com entendimento
sedimentado no STJ, invocar a prática de ato fraudulento por
terceiro não exime o fornecedor de produtos ou serviços do
dever de reparação pelos danos causados ao consumidor, vítima
da fraude. 3- A inscrição indevida do nome do consumidor no rol de
inadimplentes gera dano moral presumido (in re ipsa), prescindindo
de comprovação de ocorrência dos danos para que o responsável
pelo ato seja condenado ao pagamento de indenização. 4- O valor
dos danos morais deve ser arbitrado em observância aos princípios
da proporcionalidade e da razoabilidade, sem perder de vista a
vedação ao enriquecimento sem causa." (TJMG - Apelação Cível
1.0000.18.003993-5/001, Relator(a): Des.(a) Claret de Moraes , 10ª
CÂMARA CÍVEL, julgamento em 06/03/0018, publicação da súmula
em 08/03/2018) (GRIGOS NOSSOS)

“APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE


INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS. VÍCIO DO PRODUTO. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA.
AUSÊNCIA CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. DÉBITO
INEXISTENTE. CONSUMIDOR QUE TEVE O NOME INSCRITO
NOS CADASTROS RESTRITIVOS DE CRÉDITO. TEORIA DO
RISCO DO EMPREENDIMENTO. ART. 373, II, DO CPC. REDUÇÃO
DO DANO MORAL. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.
1- Teoria do risco do empreendimento e responsabilidade
objetiva. 2- Fraude perpetrada por terceiros. Enunciado sumular
nº 94: "Cuidando-se de fortuito interno, o fato de terceiro não
exclui o dever do fornecedor de indenizar". 3- Cuida-se de ação
na qual alega o autor ter recebido em seu aparelho celular, mensagem
informando da existência de um débito em aberto, podendo ser
negativado nos cadastros restritivos de crédito. Que em contado com
a empresa ré, foi informado da realização de compras em uma loja de
material de construção de Osasco/SP. Afirma, ainda, que a empresa
ré fala da existência de contrato de financiamento entre as partes,
sendo que nunca foi a São Paulo para realizar a compra mencionada.
4- Negativação indevida. Danos morais in re ipsa 5- Danos morais
configurados, mas que merecem redução para R$5.000,00. 6-
Precedentes: 0047734-08.2012.8.19.0038 - APELACAO
DES.FRANCISCO PESSANHA - Julgamento: 25/05/2016 -
VIGESIMA QUINTA CAMARA CIVEL CONSUMIDOR e 0125759-
78.2014.8.19.0001 - APELACAO JDS. DES. TULA BARBOSA -
Julgamento: 27/04/2016 - VIGESIMA QUINTA CAMARA CIVEL
CONSUMIDOR; 7- Recurso conhecido e parcialmente provido.
(0015024- 40.2015.8.19.0066 – APELAÇÃO – Des (a). JDS ISABELA
PESSANHA CHAGAS - Julgamento: 31/05/2017 - VIGÉSIMA
QUINTA CÂMARA CÍVEL - TJRJ)

“0040626-37.2015.8.19.0000 - AGRAVO DE INSTRUMENTO


- 1ª Ementa - Des(a). ELISABETE FILIZZOLA ASSUNÇÃO -
Julgamento: 01/10/2015 - SEGUNDA CÂMARA CÍVEL - AGRAVO DE
INSTRUMENTO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. NEGATIVAÇÃO DE
SOCIEDADES. INDEFERIMENTO DA PROVA ORAL. AUSÊNCIA
DE DEMONSTRAÇÃO DA NECESSIDADE. Contratos de adesão.
Prestação de serviços prestados pela agravada constantes de
realização de pesquisa e consulta de dados de pessoas jurídicas e
físicas nos cadastros do SPC e realização de protestos e
apontamentos sem a cobrança de custas iniciais de protesto.
Rescisão contratual pela agravante, procedendo a agravada a
inúmeras cobranças, efetuando 24 (vinte e quatro) anotações
negativas das agravantes em seu banco de dados. Até que haja
exame mais aprofundado e exauriente da lide, é inegável o risco
de dano irreparável ou de difícil reparação às agravantes, tendo
em vista que, por certo, as negativações inviabilizam a
continuidade dos seus negócios, sendo necessária a dilação
probatória para a verificação de licitude das cobranças
empreendidas pela agravada. ¿Nas ações que versem sobre
cancelamento de protesto, de indevida inscrição em cadastro restritivo
de crédito e de outras situações similares de cumprimento de
obrigações de fazer fungíveis, a antecipação da tutela específica e a
sentença serão efetivadas através de simples expedição de ofício ao
órgão responsável pelo arquivo dos dados.¿ (verbete de súmula 144
do E. TJ/RJ). Indeferimento de prova oral. Demanda que se refere a
alegado descumprimento contratual, havendo contrato escrito e tendo
inúmeras provas documentais adunadas aos autos, inexistindo
qualquer alegação de que o pacto foi elaborado de forma contrária ao
acordado na fase prévia à contratação, não demonstrando os
agravantes a relevância da prova oral ao deslinde do feito. RECURSO
PARCIALMENTE PROVIDO, NA FORMA DO ART. 557, §1º-A DO
CPC.”

DO PEDIDO

Por todo exposto requer:

Que seja deferido os benefícios da gratuidade de justiça;

Determinar a citação da parte Ré para querendo, oferecer no prazo legal


contestação aos termos da presente, sob pena de revelia;

Conceder a tutela de urgência, "inaudita altera pars", conforme disposto


no art. 300 do CPC, a fim de que seja oficiado o órgão responsável pelo arquivo
dos dados para que proceda a exclusão da restrição.

A inversão do ônus da prova (art. 6º, VIII, do CDC);

A procedência da presente ação, a fim de que seja declarada a


inexistência de débito em relação às contas telefônicas de número xxxxxxxx,
determinando, por conseguinte, que a ré proceda ao cancelamento dos
contratos, no prazo a ser fixado por V.Exa., sob pena de multa, no caso de
descumprimento da obrigação de fazer.

Requer que a Ré seja condenada a pagar ao Autor, a título de


indenização por dano moral, o valor de xxxxxx salários mínimos.

A parte Autora não deseja a realização de audiência de conciliação.


(art.319 CPC)

Condenar a parte Ré ao pagamento das custas e dos honorários


advocatícios;
Protesta ainda, por todos os meios de prova admitidos, especialmente
prova documental superveniente e pericial, se necessário for.

Dá-se a causa o valor de R$xxxxxx

T. Em que

P. Deferimento

Datar

Dr. (a) xxxx- OAB xxxxx


DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÍVIDA COM REPARAÇÃO POR
DANOS MORAIS com PEDIDO LIMINAR

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO ESPECIAL


CÍVEL DA COMARCA DE ____________________ –
ESTADO________________.

NOME COMPLETO, brasileiro, solteiro, repositor, portador do documento de


identidade RG n° ________________________, devidamente inscrito no CPF
sob o n° __________________, residente e domiciliado na (endereço completo),
vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência propor à presente:

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÍVIDA COM REPARAÇÃO


POR DANOS MORAIS com PEDIDO LIMINAR

em face de NOME COMPLETO, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no


CNPJ sob o n° ____________________________, com sede endereço
completo, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas.
DOS FATOS

O requerente é pessoa honesta e jamais deixou de honrar com suas obrigações.

Em dado momento, ao tentar utilizar-se do bom crédito que dispunha na praça,


foi surpreendido de maneira constrangedora que seu cadastro não teria sido
aprovado em virtude de seu CPF constar na lista de mau pagadores, sem
contudo dever a qualquer credor.

Surpreso com a informação recebida e ao mesmo tempo consciente que não


devia nada a ninguém, o Requerente dirigiu-se até à Associação Comercial da
cidade e solicitou um extrato e constatou que a Requerida havia inscrito seu
nome no rol dos maus pagadores, supostamente por uma dívida, sendo esta no
valor de R$ 667,50 (seiscentos e sessenta e sete reais e cinquenta centavos).
Cometeu ato ilícito a empresa quando inseriu indevidamente o CPF do autor no
cadastro de mau pagadores quando este jamais manteve qualquer relação
jurídica com aquela, seja por negligência, imperícia ou ainda imprudência,
devendo portanto, ser reparado pelos transtornos causados ao requerente.

Saliente se que, o autor teve seu cadastro negado junto ao comércio desta
cidade, ficando impossibilitado de efetuar qualquer compra à prazo pelo receio
de passar por novo vexame, já que tem seu CPF negativado junto ao Serviço de
Proteção ao Crédito.

DO DIREITO

Do Pedido Liminar

Conforme narrativa dos fatos, é imperioso que este douto juízo determine á
Requerida que retire o nome do autor de todo cadastro de mau pagadores
SPC/SERASA, haja vista ser o autor pessoa hipossuficiente e não ter tido
nenhuma relação jurídica com a Parte Ré.

Do periculum in mora

Conforme informações expostas, o CPF do Autor está indevidamente inserido


no SPC, com informações restritivas ao crédito, se encontra impedido de exercer
o pleno gozo de seu bom crédito na praça, visto que não é mau pagador, seu
bom nome é necessário ao pleno exercício de suas atividades pessoais e
comerciais. A demora no andamento processual não outorga ao Autor o conforto
da espera e isso poderá lhe trazer ainda mais prejuízos, havendo justo receio e
certeza de que não possa manter seus negócios, bem como a rotina da vida
cotidiana.

Do fumus bonis juris

Extrai-se do exposto na fundamentação da presente petição, que evidencia


incompatibilidade da manutenção do CPF do autor, eis que este jamais possuiu
qualquer relação jurídica com a empresa Ré, sendo que se trata notadamente
de cobrança indevida, desprovida de senso e fundamentação legal, já que a
Empresa Requerida agiu de maneira temerária ao inserir os dados do autor junto
aos órgãos de proteção ao crédito.

Da ausência de irreversibilidade na antecipação do provimento requerido

Salientamos que a antecipação de um dos efeitos da tutela não causará qualquer


prejuízo à Requerida. De clareza impar que a antecipação do provimento, que
deve ser deferido, não causará qualquer dano irreversível à demanda. Pois as
restrições cambiais e cadastrais somente promovem maiores dificuldades ao
Autor, impossibilitando o de gozar do seu bom crédito na praça, e, ademais, não
resolve os hipotéticos problemas da Requerida em relação ao Autor. Para não
dizer que a requerida, na hipótese de apresentar argumento em contrário de
forma consistente, poderá promover a pronta suspensão dos efeitos reclamados.

Em face das alegações e dos documentos anexados, o Autor pede seja-lhe


concedida, liminarmente, em antecipação de tutela, nos termos do artigo 273 do
código processual civil, inaudita altera pars, seja determinada
suspensão/cancelamento dos efeitos dos registros do SPC/SERASA, inseridos
pela parte requerida e que se abstenha a requerida de inserir novamente
qualquer informação negativa referente os mesmos fundamentos, sob pena de
multa diária a ser fixada pelo juízo, e em face dos princípios regentes da “política
nacional das relações de consumo”.
Do Pedido Liminar de Inversão do Ônus da Prova

A presente ação visa a declaração de inexistência de dívida por parte do autor


para com a empresa ré, bem como o recebimento de indenização por danos
morais causados ao requerente, em virtude da cobrança ilegal que culminou na
inclusão do seu nome no rol do SPC/SERASA.

No presente caso o ônus probandi deve ser invertido, pois, a comprovação do


direito do autor depende da apresentação, por parte da Ré, de toda a
documentação referente existência de um suposto título autêntico que lhe e
cobrado já que se encontra em seu poder exclusivo.

Dessa forma, deve se aplicar o disposto no art. 333, parágrafo único, II, do CPC
cumulado com o art. 6º. , VIII do CDC, eis que, em virtude dos consumidores
serem partes hipossuficientes nas relações de consumo, como ocorre no
presente feito, o CDC dispõe que ônus da prova deva ser invertido a seu favor,
conforme dispõe seu art. 6º. , VIII:

“a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus


da prova, a seu favor, no processo civil quando a critério do juiz, for
verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras
ordinárias de experiências”.

Assim, requer-se, desde já, a inversão do ônus da prova, de forma a incumbir a


parte requerida demonstrar a existência e autenticidade da dívida lançada em
nome do autor.

O Capítulo V do Livro III do Código de Processo Civil Brasileiro estabelece as


regras para a nulidade do negócio jurídico, a saber:

Art. 167 – É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulo,
se válido for na substância e na forma.
 1º. Haverá simulação nos negócios jurídicos quando:

I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas


às quais realmente se conferem, ou transmitem;

II – Contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não


verdadeira;

III – os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados.

 2º. Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa fé em face dos


contraentes do negócio jurídico simulado.

De tal maneira, o negócio jurídico que a Requerida alega ter celebrado para
poder, enfim negativar os dados do Requerente junto aos órgãos de proteção ao
crédito, são, portanto completamente nulos, não gerando assim, qualquer
obrigação pecuniária para o Autor, que em momento algum se beneficiou dos
serviços/produtos supostamente ofertados ou prestados pela Requerida.
Portanto, que seja declarado inexistente os débitos ora cobrados pela
Requerida, com base em nossa legislação pátria.

Da Inexistência da Dívida

Conforme anteriormente exposto, o Requerente nunca celebrou nenhum


negócio jurídico com a Requerida, não podendo, portanto, haver qualquer
exigência por parte da mesma na satisfação de débito, eis que inexistente.

Deste modo, sendo o ônus da prova invertido em favor do Consumidor


Requerente, fica obrigado a Requerida comprovar a regularidade da exigência
do crédito.

Ademais a inserção do nome do Requerente em tal cadastro fora feito de forma


totalmente irregular, haja vista que a ré não se preocupou em respeitar as
determinações legais previstas no artigo 43, § 2º do CDC, bem como das
determinações da própria súmula nº 359 do STJ, ambos demonstrados a seguir:

Art. 43 CDC – O consumidor, sem prejuízo do disposto no Art. 86, terá


acesso às informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados
pessoais e de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas
respectivas
fontes.

 2º – A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de


consumo deverá ser comunicada por escrito ao consumidor,
quando não solicitada por ele.

Súmula 359 STJ: Cabe ao órgão mantenedor do cadastro de proteção ao


crédito a notificação do devedor antes de proceder à inscrição.

Como se pode observar a partir da leitura destes enunciados era obrigatório que
Empresa Requerida, no mínimo, notificasse o autor desta ação de que seu nome
estaria sendo incluso no cadastro de proteção ao crédito caso este último não
viesse a realizar o pagamento da dívida que SUPOSTAMENTE devia a mesma.

Nestes termos é gritante o ato da ré, pois esta além de desrespeitar os ditames
legais expostos acima ainda taxou como mal pagador o Requerente, por uma
suposta dívida, que na realidade nem existia. Para agravar ainda mais o ato
desmedido da Empresa Requerida o autor ficara impedido de realizar compras
a prazo, pois devido o ocorrido seu nome mesmo estar constando como
inadimplente nos órgãos de proteção ao crédito.

Sendo assim, requer-se que a Empresa Requerida emita uma Declaração de


inexistência de débito, e que, consequentemente, o nome do autor seja retirado,
COM URGÊNCIA, da lista de inadimplentes dos órgãos de proteção ao crédito,
pois, Requerente nada deve à empresa, e anda assim está sendo penalizado
como se assim fosse, nas circunstâncias expostas acima.

Da Caracterização do Dano Moral


É inegável o dano causado à imagem do autor, transtornos de toda ordem, moral
e até financeira, pois, viu se obrigado a comprar à vista quando necessitava do
seu crédito disponível para parcelamento do pagamento.

Assim, pelo evidente dano moral que a empresa Ré provocou ao Autor, é de


impor-se a devida e necessária condenação, com arbitramento de indenização
ao Autor, que experimentou o amargo sabor de ter o “nome sujo” sem causa,
sem motivo, de forma injusta e ilegal.

Trata-se de uma “lesão que atinge valores físicos e espirituais, a honra,


nossas ideologias, a paz íntima, a vida nos seus múltiplos aspectos, a
personalidade da pessoa, enfim, aquela que afeta de forma profunda não
os bens patrimoniais, mas que causa fissuras no âmago do ser,
perturbando-lhe a paz de que todos nós necessitamos para nos conduzir
de forma equilibrada nos tortuosos caminhos da existência.”, como bem
define CLAYTON REIS (Avaliação do Dano Moral, 1998, ed. Forense).

E a obrigatoriedade de reparar o dano moral está consagrada na Constituição


Federal, precisamente em seu art. 5º, onde a todo cidadão é “assegurado o
direito de resposta, proporcionalmente ao agravo, além de indenização por
dano material, moral ou à imagem” (inc. V) e também pelo seu inc. X,
onde “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação.”

O Código de Defesa do Consumidor, Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990,


em seu artigo 6º, inciso VI, estipula como direito básico do consumidor “a efetiva
prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e
difusos”. Portanto, adota a tese da reparação dos danos morais, abarcada pelo
princípio lapidar da responsabilidade civil “neminen laedere”.

Assim, se aplicam ao presente caso as seguintes disposições do Código de


Defesa do Consumidor:
Art. 6º – São direitos básicos do consumidor:

VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais,


individuais, coletivos e difusos;

VII – o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à


prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,
coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e
técnica aos necessitados;

VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do


ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for
verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras
ordinárias de experiências;

Art. 43 – O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá acesso às


informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e
de consumo arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas
fontes.

 1º – Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos,


claros, verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não
podendo conter informações negativas referentes a período
superior a cinco anos.

 3º – O consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus


dados e cadastros poderá exigir sua imediata correção, devendo
o arquivista, no prazo de cinco dias úteis, comunicar a alteração
aos eventuais destinatários das informações incorretas.

Art. 83 – Para a defesa dos direitos e interesses protegidos por este Código
são admissíveis todas as espécies de ações capazes de propiciar sua
adequada e efetiva tutela.

Art. 84 – Na ação que tenha por objeto o cumprimento da obrigação de fazer


ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou
determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente
ao do adimplemento.

Vê-se, desde logo, que a própria lei já prevê a possibilidade de reparação de


danos morais decorrentes do sofrimento, do constrangimento, da situação
vexatória, do desconforto em que se encontra o autor.

“Na verdade, prevalece o entendimento de que o dano moral dispensa


prova em concreto, tratando-se de presunção absoluta, não sendo,
outrossim, necessária a prova do dano patrimonial” (CARLOS ALBERTO
BITTAR, Reparação Civil por Danos Morais, ed. RT, 1993, pág. 204).

Do Quantum a Ser Indenizado

E na aferição do quantum indenizatório, CLAYTON REIS (Avaliação do Dano


Moral, 1998, Forense), em suas conclusões, assevera que deve ser levado em
conta o grau de compreensão das pessoas sobre os seus direitos e obrigações,
pois “quanto maior, maior será a sua responsabilidade no cometimento de
atos ilícitos e, por dedução lógica, maior será o grau de apenamento
quando ele romper com o equilíbrio necessário na condução de sua vida
social”. Continua, dizendo que “dentro do preceito do ‘in dubio pro creditori’
consubstanciada na norma do art. 948 do Código Civil Brasileiro, o
importante é que o lesado, a principal parte do processo indenizatório seja
integralmente satisfeito, de forma que a compensação corresponda ao seu
direito maculado pela ação lesiva.”

Isso leva à conclusão de que diante da disparidade do poder econômico


existente entre a empresa ré e autor, e tendo em vista o gravame produzido à
honra deste e considerando que este sempre agiu honesta e diligentemente,
pagando suas dívidas e procurando evitar a todo custo que seu nome fosse
levado a protesto ou Serasa/SPC, necessário se faz que o quantum
indenizatório corresponda a uma cifra cujo montante seja capaz de trazer o
devido apenamento a empresa ré, e de persuadi-la a não mais deixar que ocorra
tamanho desmando contra as pessoas na qualidade de consumidores, e assim
coibir que outros casos semelhantes aconteçam.

Outrossim, deve-se levar em conta, ainda, o poder econômico da ré e o fato de


que a função sancionadora que a indenização por dano moral busca, só surtirá
algum efeito se atingir sensivelmente o patrimônio da empresa ré de forma que
a coíba deixar que a desorganização prejudique toda a coletividade que com ela
mantém relação de consumo.

Ainda, não deve se olvidar a desproporcionalidade da empresa ré e o autor, eis


que se a primeira se trata de uma empresa conhecida regionalmente não
merecendo maiores atenções quanto à capacidade financeira da Requerida.

Por outra banda, o Requerente trabalha honestamente como repositor, portanto


não configurando assim, enriquecimento ilícito com os efeitos da condenação a
título de reparação por danos morais nos valores ora requeridos.

A tutela de honra pessoal e da reputação econômica em Direito Privado, 1, 2),


“… é uma expressão especial do direito à honra”. Orlando Gomes (Introdução…,
98) anotou que no campo do Direito Civil, a proteção da honra se faz levando-se
em conta, precipuamente, as consequências patrimoniais do atentado. A
consequência da violação da fama e prestígio no meio comercial da vítima e o
estado deprimente do descrédito.

“Não é possível negar que quem vê injustamente seu nome apontado nos
tais Serviços de Proteção ao Crédito que se difundem por todo o comércio
sofre um dano moral que requer reparação” (TJRJ, Ap. cív. n. 3700/90, Rel.
Des. Renato Manesch, in ADCOAS/93 134760).

E é com esse entendimento, de que não há quem possa negar que a dor, o
sofrimento, e o sentimento deixam sequelas, trazem sulcos profundos, abatendo
a vítima, que se torna inerte, apática, indiferente a tudo e a todos, ainda mais se
tratando de um cidadão honesto e cônscio de suas responsabilidades que com
muito sacrifício luta para honrar.
DOS PEDIDOS

Tendo em vista as razões de fato e os dispositivos legais aplicáveis, requer o


Reclamante:

1. Seja concedida, liminarmente, inaudita altera pars, a imediata


suspensão/cancelamento do registro do CPF/dados pessoais do autor
junto ao SPC/Serasa ou qualquer outro órgão de proteção ao crédito
porventura existente cominando-se pena pecuniária diária à requerida,
num valor não inferior a R$ 500,00 (quinhentos reais) por dia em caso
de desobediência ao preceito.

2. b) Seja concedida, liminarmente, inaudita altera pars, a INVERSÃO


DO ÔNUS DA PROVA, de modo a determinar a empresa Ré a
comprovar a regularidade e autenticidade da dívida ora cobrada do
autor, que sem sombra de dúvida não existe.

3. c) Requer a citação da Requerida na forma da Lei, na pessoa de seu


representante, no endereço informado no preâmbulo desta inicial,
para, querendo, comparecer em audiência de conciliação/instrução e
julgamento a ser previamente designada, e apresentar resposta a
presente Ação no prazo legal sob pena de revelia.

4. d) A concessão dos benefícios da assistência judiciária gratuita, nos


termos da Lei 1.060/50;

5. e) A declaração da inexistência da dívida supra mencionada e cobrada


pela Requerida diante da sua absoluta ilicitude.

6. f) Requer, nos termos do art. 5º da Constituição Federal, a condenação


da Requerida no pagamento de verba indenizatória por dano moral
causado ao autor, no valor equivalente a 40 (quarenta) salários
mínimos a título de reparação por danos morais, com a devida
correção monetária e acrescida de juros a partir da citação, bem como
a condenação às custas processuais e honorários de sucumbência,
quando em grau de recurso.
Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito permitido,
especialmente juntada posterior de documentos, ouvida de testemunhas,
posteriormente arroladas, perícias, vistorias e demais meios probatórios que se
fizerem necessários ao andamento e julgamento do feito, tudo, de logo,
requerido.

Dá se a causa o valor de R$ 31.520,00 (trinta e um mil quinhentos e vinte


reais).

Nestes termos,

Pede e espera deferimento.

Cidade, dia mês e ano.

Advogado

OAB
[Modelo] Ação de Inexigibilidade e Inexistência de Débito C/c Indenização
por Danos Morais com Pedido de Tutela de Urgência Antecipada

Ação contra empresa prestadora de serviços que realizou cobrança indevida


com base em contrato forjado. Normatizado com o novo Código Processual Civil.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DA __


VARA CÍVEL DA COMARCA DE _________

(4 linhas)

PROCESSO NUMERO:

(5 linhas)

NOME COMPLETO, autuação completa, por seu advogado (doc. Anexo), vem,
respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, a fim de propor a presente

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE E INEXISTÊNCIA DE


DÉBITO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E COM PEDIDO DE
TUTELA DE URGÊNCIA ANTECIPADA

em face de XXXX S/A, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ n.


00.000.000/0000-00, autuação completa, pelos fatos e fundamentos que passa
a expor:
1. DA JUSTIÇA GRATUITA

Preliminarmente, pugnar-se-á de Vossa Excelência, pela concessão dos favores


da JUSTIÇA GRATUITA, com fulcro nos preceitos elencados no art. 4º da Lei nº
1060/50, e art. 5º, inciso LXXIV da CF/1988, que asseveram que a parte gozará
dos benefícios da Assistência Gratuita mediante simples afirmação, e a qualquer
tempo do processo, porquanto não possua a Requerente condições financeiras
de arcar com as custas e demais despesas do processo.

Para tanto, faz a juntada do documento necessário – declaração de


hipossuficiência.

2. DOS FATOS

1- A Requerente, no dia 16 de janeiro de 2015, recebeu em sua residência, pelo


serviço de correspondência, um pacote com 01 (um) modem internet móvel de
5GB, 01 (um) chip, 01 (um) Termo de Adesão de Pessoa Física para Planos de
Serviços Pós-Pagos e 01 (uma) DANFE, sem qualquer solicitação prévia ou
adesão contratual.

2- Para a surpresa da Requerente, ao observar o Termo de Adesão constatou


que foi realizado em seu nome, com seu CPF e com seu endereço, mas data
de nascimento, RG e nome da mãe, todos incorretos.

3- Tendo o Termo de Adesão, sendo FRAUDADO para contratação de um


serviço no valor total de R$95,90 (noventa e cinco reais e noventa centavos).

4- O produto (modem 4G e chip) enviado como ‘brinde/doação’, conforme a


natureza da operação descrita na DANFE 000000000, documento em anexo.

5- Ocorre que a Requerente, nunca manteve nenhum tipo de relação jurídica ou


contato com a Requerida que justificasse tal envio do produto e de serviço.

6- Sem entender, no mesmo dia, às 20:45, a Requerente entrou em contato com


a Requerida por meio de seu canal de atendimento ao consumidor. Atendida
pela atendente Tícia, protocolo 2015000000, buscou informações quanto a
adesão sem autorização.
7- Mas ao perceber que a mesma não sabia lhe informar o porquê deste
procedimento realizado pela Requerida, solicitou imediatamente o cancelamento
do produto e do serviço.

8- Ocorre que, novamente a Requerente foi surpreendida ao receber uma


cobrança em seu nome referente ao produto supramencionado, no valor de
R$15,47 (quinze reais e quarenta e sete centavos), referente ao período de
16/01/2015 a 20/01/2015, com vencimento para 10/02/2015, mesmo sem fazer
qualquer tipo de uso do aparelho ou serviço.

9- A Requerente, sem sequer, utilizar o modem e o chip, que se encontra até


hoje lacrado, realizou o pagamento (anexado aos autos) para se abster de
qualquer encargo ou multa posterior.

10- Então, no dia 07/03/2015, às 11:30, a Requerente entrou novamente em


contato com a Central de Atendimento ao Cliente, coincidentemente, sendo
atendida pela mesma atendente Tícia, protocolo 2015000001, pretendendo
entender o porquê da cobrança, sendo que havia solicitado o cancelamento.

11- A atendente lhe informou que houve um problema no sistema e que não teria
sido efetuado o devido cancelamento. Vindo a informar que teria de efetuar o
pagamento do período para que ocorresse o cancelamento.

12- Contudo a Requerente, pensando que havia resolvido seu problema com a
Requerida, continuou a receber cobranças mensais no valor de R$95,90,
acrescidas de juros e multa mensais.

13- Entrou em contato novamente com a Requerida e foi solicitado que a


Requerente fosse até uma loja física para tentar realizar o cancelamento.

14- Inconformada e cansada, mas consciente de que se não buscasse tentar


resolver rapidamente este problema, teria maiores ‘dores de cabeça’
posteriormente. Assim, seguiu a recomendação da atendente, locomoveu-se até
o Shopping X para registrar devido pedido de cancelamento.

15- Ao chegar no shopping, às 17:50 do mesmo dia, sendo atendida por José,
conforme protocolo 2015000002 (anexado aos autos), realizou o registro de
reclamação quanto as cobranças indevidas e o pedido de cancelamento do
respectivo produto e serviço sem autorização prévio.

16- No dia 27/05/2015, ao tentar efetuar compras para presentear seu filho que
comemoraria seu aniversário no dia 31 de maio, tomou conhecimento de que
seu nome havia sido protestado, sendo que foi impedida de efetuar a compra
dos produtos por constar seu nome no cadastro de inadimplentes, inserido pela
requerida por suposto débito.

17- A Requerente achando que nada podia piorar, no dia, 28/05/2015, no dia de
seu aniversário, para a surpresa da Requerente, recebeu notificação do SCPC,
informando desconto para regularização do débito pendente com a Requerida.
Ou seja, seu nome realmente se encontrava negativado junto aos órgãos de
proteção ao crédito.

18- Posteriormente, no dia 19/06/2015, a Requerente veio a receber, a


notificação oficial do SCPC, comunicando de que no dia 17/06/2015 foi realizado
o cadastro de seu nome no banco de inadimplentes, bem como, de que o
contrato havia sido cancelado por falta de pagamento e também a cobrança no
valor total de R$681,85 (seiscentos e oitenta e um reais e oitenta e cinco
centavos).

19- Entretanto, apesar de sempre explicar todo o problema e transtorno causado


e que nada deve, eles não resolvem o problema, e sim, atualmente vem fazendo
ligações de cobrança de forma agressiva e humilhante, como se a autora
devesse alguma coisa.

20- Portanto, nenhum dos pedidos de cancelamento realizados


antecipadamente pela parte autora foram efetuados pela Requerida.

21- Após inúmeras tentativas de resolver o problema amigavelmente, não tendo


mais a quem recorrer, ajuíza esta ação, esperando que se faça JUSTIÇA, pois
está completamente desamparada.

22- E por se tratar de uma relação de consumo, a Requerente vem a presença


de Vossa Excelência requerer a aplicação de danos morais e querer que a
Requerida retire o nome da Requerente dos Serviço Central de Proteção ao
Crédito – SCPC, SERASA e congêneres, e que o valor seja declarado inexigível
e inexistente por Vossa Excelência, visto que o suposto débito não existe e o
nome e documentos da Requerente estão sendo utilizados indevidamente, numa
clara FRAUDE.

3. DA TUTELA DE URGÊNCIA ANTECIPADA

Requer diante dos fatos, a declaração de nulidade de dívida, eis que


comprovadamente a autora nada deve. Pois, restou comprovadamente que a
autora nunca, sequer contratou os serviços ou firmou contrato com a ré,
requerendo pela imediata exclusão de seu nome junto aos órgãos competentes.

Sendo assim, lança-se mão do instituto da tutela de urgência antecipada,


insculpida no artigo 300 e 303, do Novo Código de Processo civil e artigo 84, do
Código de Defesa do Consumidor, permite que o juiz conceda a tutela específica
da obrigação de fazer ou não fazer e que garanta ao litigante detentor da maior
probabilidade do direito, a antecipação dos efeitos do provimento final de modo
a assegurar-lhe a eficácia deste, devendo estar evidenciada a verossimilhança
do direito do requerente e o perigo de a morosidade processual vir a acarretar-
lhe danos de difícil ou de impossível reparação.

A verossimilhança da alegação está devidamente demonstrada pelo Termo de


Adesão de Pessoa Física, anexado aos autos, que constam dados errôneos da
Requerente, estes fraudados pela Requerida ou por terceiro. Especialmente
porque há prova de que a Requerente nunca, sequer contratou serviços ou
produtos da Requerida, esta, sendo a origem da dívida inscrita no cadastro de
inadimplentes (SCPC, SERASA e outros), fato que por si só representa lesão
concreta e imediata.

Já quanto ao “periculum in mora” resta este evidenciado pelo prejuízo que terá
a Requerente em seu direito à imagem, em razão da demora na prestação da
tutela jurisdicional, notadamente pelo fato de que não deveria este aguardar até
a sentença, para ver seu nome excluído dos cadastros desabonadores, mesmo
sendo diligentes em suas dívidas e, nesse sentido, ser punido por uma conduta
abusiva da ré.
Destarte, por estarem preenchidos os requisitos para a concessão da tutela de
urgência antecipada, consoante os requisitos estabelecidos no Código de
Processo Civil, vem requer a Vossa Excelência a sua concessão, por ser de
legítimo direito.

De modo a fundamentar o pleito ora veiculado, lança-se mão do disposto nos


artigos 396 e 399, do Novo Código de Processo Civil, que determinam a exibição
dos documentos comuns as partes. Ora, é evidente que se salientar a
verossimilhança das alegações, necessária a antecipação ora pretendida nos
termos acima esboçados. RAZÃO pela qual requer pela expedição de Ofício
junto aos órgãos competentes para a exclusão do nome da autora da lista de
devedores.

4. DO CANCELAMENTO, EXCLUSÃO E DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO


DÉBITO

Relativamente a esse título, a Requerente insurge-se contra o ato praticado pela


Requerida no sentido de que a mesma realizou um contrato unilateralmente, sem
a anuência ou aceitação da, conforme os documentos juntados aos autos, que
demonstram que a Requerida ou terceiro fraudou os dados para efetuar a
contratação. Resultando, em cobrança indevida pela Requerida, em afronta ao
direito do consumidor.

Em face da inexistência do contrato e do débito presume-se a cobrança indevida


dos valores devendo, portando ser declarados nulos e inexistente por Vossa
Excelência.

5. DA INDENIZAÇAO POR DANOS MORAIS

Em decorrência deste incidente, a Requerente experimentou situação


constrangedora, angustiante, tendo sua moral abalada, face à indevida inscrição
de seu nome no cadastro de inadimplentes com seus reflexos prejudiciais, sendo
suficiente a ensejar danos morais, até porque, nunca teve nenhuma relação com
a Requerida, não imaginando que um incidente deste pudesse ocorrer.

Nunca esquecerá a maneira constrangedora que teve que sair da loja ao ter seu
crédito engajado sob a alegação de restrição junto ao cadastro de inadimplentes.
Foi muita humilhação, mesmo porque ninguém acreditou que a autora nada
devia a ninguém, muito menos para a Requerida que nunca, sequer, foi cliente.

O certo é que até o presente momento, a Requerente permanece com seu nome
registrado no cadastro de inadimplentes, por conta de um débito que não é seu,
e precisa que seja retirado para continuar sua vida, mesmo porque nada deve.

A empresa Requerida atualmente está agindo com manifesta negligência e


evidente descaso com a requerente, pois jamais poderia ter inserido o nome da
autora no cadastro dos serviços de proteção ao crédito.

Sua conduta, sem dúvida, causou danos à imagem, à honra e ao bom nome da
Requerente que permanece nos cadastros dos serviços de proteção ao crédito,
de modo que se encontra com uma imagem de mau pagadora, de forma
absolutamente indevida, eis que nada deve.

Dessa forma, o dano moral que se caracteriza pela afetação da reputação no


meio social e pelo sofrimento psíquico ou moral, a dor, a angústia e as
frustrações infligidas ao ofendido, já constitucionalizado a partir de 1988,
contemplado no art. 5º, incisos V e X, ganhou status de preceito fundamental,
assegurando o direito de indenização à vítima.

Senão veja-se:

“Art. 5º […]

V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da


indenização por dano material, moral ou à imagem.

(…)

X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,


assegurado o direito de indenização pelo dano material ou moral decorrente de
sua violação.”.

Neste diapasão, o entendimento doutrinário e jurisprudencial é no sentido de que


uma vez caracterizado o dano, deve ser indenizado, independentemente de
comprovação do prejuízo.
Eis o que leciona Yussef Sahid Cahali, em sua obra Dano Moral. In verbis:

“Acentua-se cada vez mais na jurisprudência a condenação daqueles atos que


molestam o conceito honrado da pessoa, colocando em dúvida a sua
credibilidade e o seu crédito. Definem-se como tais àqueles atos que, de alguma
forma, mostram-se hábeis para macular o prestígio moral da pessoa, sua
imagem, sua honradez e dignidade.”.

Não é diferente o entendimento jurisprudencial. Senão veja-se:

“A indenização por ofensa à honra alheia é devida independentemente da


comprovação da existência de um efetivo prejuízo, pois ‘dano, puramente moral,
é indenizável’”. (RE n.º 105.157-SP, Min. Octavio Gallotti, RTJ 115/1.383).

“A reparação do dano moral tem por fim ministrar uma sanção para a violação
de um direito que não tem denominador econômico. Não é possível sua
avaliação em dinheiro, pois não há equivalência entre o prejuízo e o
ressarcimento. Quando se condena o responsável a reparar o dano moral, usa-
se de um processo imperfeito, mas o único realizável para que o ofendido não
fique sem uma satisfação” (TARJ, AC n.º 5.036/96, Juiz Mauro Fonseca Pinto
Nogueira).

Por conseguinte, como já fixou este colendo Tribunal de Justiça:

“Caracterizada a ilicitude no procedimento, nasce para o réu a responsabilidade


de indenizar” (ACV n. 39.892, de Blumenau, rel. Des. Wilson Guarany).

Cumpre-nos asseverar que o entendimento jurisprudencial majoritário é no


sentido de que não há necessidade de prova efetiva do abalo de crédito, para a
caracterização da obrigação de indenizar o dano moral.

Ora, ao ser vítima de um contrato fraudado, tendo seu nome cadastrado nos
Órgãos de Proteção ao Crédito e toda dificuldade na dissolução do problema
amigavelmente, teve a Requerente que se socorrer de advogado para ajuizar a
presente ação, gerando - lhe mais transtornos e dispêndios financeiros, com a
contratação de serviços advocatícios.
Dessa forma, claro é que a empresa Requerida, ao cometer imprudente ato,
afrontou confessada e conscientemente o texto constitucional transcrito acima,
em razão da cobrança indevida por serviços e produtos não contratados,
devendo, por isso, ser condenada à respectiva indenização pelo dano moral
sofrido pela Requerente.

Já é sabido que o dano moral, por sua natureza, não oferece precisão
matemática de mensuração econômica.

Critérios como a intensidade da ofensa, a condição socioeconômica do ofendido


e do ofensor e a extensão da lesão têm orientado nossos Tribunais na fixação
dos danos extrapatrimoniais.

Desta forma, não tendo providenciado a retirada do nome da autora dos


cadastros dos serviços de proteção ao crédito, não pode a empresa Requerida
se eximir da responsabilidade pela reparação do dano causado, pelo qual
responde.

Sobre o tema, assim já decidiram os egrégios Tribunais de Justiça, in verbis:

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TELEFONIA - AÇÃO DECLARATÓRIA DE


NULIDADE CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS
LANÇAMENTO DO NOME DA AUTORA NO CADASTRO DOS DEVEDORES
DANO MORAL PRESUMÍVEL EXISTÊNCIA DE CULPA DA RÉ INDENIZAÇÃO
DEVIDA E BEM DOSADA MONOCRATICAMENTE INCIDÊNCIA DE
CORREÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO ARBITRAMENTO DA INDENIZAÇÃO
(SÚMULA 362 DO STJ) E DOS JUROS MORATÓRIOS DESDE A CITAÇÃO
(ARTIGO 405, DO CÓDIGO CIVIL) SENTENÇA PARCIALMENTE
REFORMADA. Recurso parcialmente provido. (TJ-SP - APL:
00103564920098260322 SP 0010356-49.2009.8.26.0322, Relator: Cristina
Zucchi, Data de Julgamento: 01/07/2013, 34ª Câmara de Direito Privado, Data
de Publicação: 06/07/2013)

Assim, também, por exemplo:

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TELEFÔNICOS AÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE


DÉBITO C. C. INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS LANÇAMENTO DO
NOME DO AUTOR NO CADASTRO DOS DEVEDORES DANO MORAL
PRESUMÍVEL EXISTÊNCIA DE CULPA DA RÉ INDENIZAÇÃO DEVIDA
FIXAÇÃO DA INDENIZAÇÃO EM R$ 3.000,00 NÃO ATINGE O CARATER
PEDAGÓGICO DA MEDIDA PRETENSÃO DE MAJORAÇÃO DA
INDENIZAÇÃO FIXAÇÃO EM R$ 8.000,00 QUE SE MOSTRA COMPATÍVEL E
RAZOÁVEL SENTENÇA REFORMADA PARCIALMENTE. Apelação da ré
desprovida. Apelação do autor provida. (TJ-SP - APL: 00021413220098260695
SP 0002141-32.2009.8.26.0695, Relator: Cristina Zucchi, Data de Julgamento:
01/07/2013, 34ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 06/07/2013)

E, para finalizar quanto a responsabilidade presumida da ré:

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TELEFONIA - AÇÃO DECLARATÓRIA DE


INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS LANÇAMENTO DO NOME DO AUTOR NO CADASTRO DOS
DEVEDORES DANO MORAL PRESUMÍVEL EXISTÊNCIA DE CULPA DA RÉ
INDENIZAÇÃO DEVIDA E BEM DOSADA MONOCRATICAMENTE SENTENÇA
MANTIDA. Apelação improvida. (TJ-SP - APL: 01878680620098260100 SP
0187868-06.2009.8.26.0100, Relator: Cristina Zucchi, Data de Julgamento:
01/07/2013, 34ª Câmara de Direito Privado, Data de Publicação: 06/07/2013)

Diante da nova realidade social e com altos níveis de custo de vida, data vênia,
é de extrema prudência considerar o “quantum” indenizar, senão vejamos nas
palavras de Hermenegildo de Barros:

“Embora o dano moral seja um sentimento de pesar íntimo da pessoa ofendida,


para o qual se não encontra estimação perfeitamente adequada, não é isso
razão para que se lhe recuse em absoluto uma compensação qualquer. Essa
será estabelecida, como e quando possível, por meio de uma soma, que não
importa única salvação cabível nos limites das forças humanas. O dinheiro não
os extinguirá de todo; não os atenuará mesmo por sua própria natureza; mas
pelas vantagens que seu valor permutativo poderá proporcionar, compensando,
indiretamente e parcialmente embora, o suplício moral que os vitimados
experimentam” (in RTJ 57, pp. 789- 790, voto de Ministro Thompson Flores)
No caso em estudo, é preciso não esquecer, determinadas circunstâncias que
justificam a fixação da condenação nesse patamar, como exemplo a falta de
honestidade com o cliente, que se prontifica a seguir os procedimentos
bancários, paga suas obrigações em dia e ao mesmo tempo é alvo de uma
empresa que não honra com a ética e com suas obrigações, vindo a cobrar
indevidamente valores exorbitantes de consumidores.

A única conclusão a que se pode chegar é a de que a irreparabilidade do dano


moral puro não mais se questiona no direito brasileiro, porquanto uma série de
dispositivos, constitucionais e infraconstitucionais, garantem sua tutela legal.

À luz do artigo 186 do Código Civil, aquele que, por ação ou omissão voluntária,
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que
exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Para que se caracterize o dano moral, é imprescindível que haja: a) ato ilícito,
causado pelo agente, por ação ou omissão voluntária, negligência ou
imprudência; b) ocorrência de um dano, seja ele de ordem patrimonial ou moral;
c) nexo de causalidade entre o dano e o comportamento do agente.

A presença do nexo de causalidade entre os litigantes está patente, sendo


indiscutível o liame jurídico existente entre eles, pois se não fosse a manutenção
do nome da Requerente no rol de inadimplentes a mesma não teria sofrido os
danos morais pleiteados, objeto desta ação.

Evidente, pois, que devem ser acolhidos os danos morais suportados, visto que,
em razão de tal fato, decorrente da culpa única e exclusiva da empresa
Requerida, esta teve a sua moral afligida, foi exposta ao ridículo e sofreu e ainda
sofre constrangimentos de ordem moral, o que inegavelmente consiste em meio
vexatório.

Dano moral, frise-se, é o dano causado injustamente a outrem, que não atinja ou
diminua o seu patrimônio; é a dor, a mágoa, a tristeza infligida injustamente a
outrem com reflexo perante a sociedade.

Neste sentido, pronunciou-se o E. Tribunal de Justiça do Paraná:


"O dano simplesmente moral, sem repercussão no patrimônio, não há como ser
provado. Ele existe tão-somente pela ofensa, e dela é presumido, sendo
bastante para justificar a indenização" (TJPR - Rel. Wilson Reback - RT
681/163).

Preconiza o Art. 927 do Código Civil:

"Art. 927. Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a
repará-lo".

Não se pode deixar de favorecer compensações psicológicas ao ofendido moral


que, obtendo a legítima reparação satisfatória, poderá, porventura, ter os meios
ao seu alcance de encontrar substitutivos, ou alívios, ainda que incompletos,
para o sofrimento. Já que, dentro da natureza das coisas, não pode o que sofreu
lesão moral recompor o "status quo ante" restaurando o bem jurídico imaterial
da honra, da moral, do auto estima agredidos, por que o deixar desprotegido,
enquanto o agressor se quedaria na imunidade, na sanção? No sistema
capitalista a consecução de recursos pecuniários sempre é motivo de satisfação
pelas coisas que podem propiciar ao homem.

Harmonizando os dispositivos legais feridos é de inferir-se que a reparação


satisfatória por dano moral é abrangente a toda e qualquer agressão às
emanações personalíssimas do ser humano, tais como a honra, dignidade,
reputação, liberdade individual, vida privada, recato, abuso de direito, enfim, o
patrimônio moral que resguarda a personalidade no mais lato sentido.

Indubitavelmente, feriu fundo à honra da autora ver seu nome protestado por um
título que nunca deveria existir, por não ter contratado o produto e serviço,
espalhando por todo e qualquer lugar que fosse, a falsa informação de que é
inadimplente. Daí a necessidade de observarem-se as condições de ambas as
partes. Em que pese o grau de subjetivismo que envolve o tema da fixação da
reparação, vez que não existem critérios determinados e fixos para a
quantificação do dano moral, a reparação do dano há de ser fixada em montante
que desestimule o ofensor a repetir o cometimento do ilícito.
E na aferição do quantum indenizatório, deve ser levado em conta o grau de
compreensão das pessoas sobre os seus direitos e obrigações, pois "quanto
maior, maior será a sua responsabilidade no cometimento de atos ilícitos e, por
dedução lógica, maior será o grau de apenamento quando ele romper com o
equilíbrio necessário na condução de sua vida social". Dentro do preceito do ‘in
dubio pro creditori' consubstanciada na norma do art. 948 do Código Civil
Brasileiro, o importante é que o lesado, a principal parte do processo
indenizatório seja integralmente satisfeito, de forma que a compensação
corresponda ao seu direito maculado pela ação lesiva.

Diante do narrado, fica claramente demonstrado o absurdo descaso e


negligência por parte da Requerida, que permaneceu com o nome da
Requerente até o presente momento inserido no cadastro de inadimplentes,
fazendo-a passar por um constrangimento lastimável.

Diante do exposto, requer a título de danos morais a condenação da Requerida


a indenização, em valor a ser arbitrado por Vossa Excelência, para que sirva de
elemento inibidor das práticas da Requerida e ao mesmo tempo de alento a todo
o sofrimento experimentado pela Requerente.

6. DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO

Este ficou comprovado a partir do momento em que a autora ao tentar efetuar


uma compra teve seu crédito negado, devido a má-fé e imprudência da
Requerida, requerendo desta forma pela aplicação do art. 42, do Código de
Defesa do Consumidor em indenizar a autora de no mínimo 02 (duas) vezes o
valor do suposto débito, hoje o valor protestado perfaz a quantia de R$681,85
(seiscentos e oitenta e um reais e oitenta e cinco centavos).

Artigo 42 da Lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990:

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a


ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à


repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano
justificável.

7. DA APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA CONSUMIDOR

7.1. DA RELAÇÃO DE CONSUMO

As leis brasileiras, por tempos, procuraram absterem-se de definições. De forma


geral o legislador esperava que a Doutrina e a Jurisprudência pudessem, em
conjunto, criar os conceitos sobre as figuras jurídicas abordadas pela Lei.

Como Lei indubitavelmente protetora, o Código de Defesa do Consumidor,


preservou para si as definições de seus principais e norteadores conceitos que
enseja.

Define então o CDC, como sendo consumidor; toda pessoa física ou jurídica que
adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final, sendo que a
Requerida é fornecedora de serviços, claramente enquadrados como figura
jurídica da relação de consumo, afeiçoando-se a relação em tela, como
RELAÇÃO DE CONSUMO, estando, pois, sobre a égide deste diploma.

O Artigo 173, § 4º, de nossa Constituição Federal prevê:

“A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos


mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros.”

7.2. DA VULNERABILIDADE DO CONSUMIDOR

Na relação de consumo, à qual se adapta a prestação de serviços


desempenhada pela Ré, é, sem sombra de dúvida o consumidor, vulnerável e
hipossuficiente perante o poderio financeiro da mesma, sendo certo que deve o
Judiciário não só determinar medidas assecuratórias ao direito do consumidor,
como inclusive, dar soluções alternativas para as questões controvertidas que
desta relação ganharam vida.

7.3. DA PROTEÇÃO LEGAL DOS CONSUMIDORES


Assiste aos consumidores a presunção legal da sua proteção. Esta presunção
está dita no 1º princípio em que se funda a Política Nacional das Relações de
Consumo, na qual o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor frente ao
fornecedor, assim dita no inciso I, do art. 4º, do CDC, in verbis:

“A política Nacional de Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento


das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde (…) I –
reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;
(…)”

Aos Juízes é permitida a intervenção nas relações de consumo, para dar


soluções alternativas às questões controvertidas que desta relação ganharam
vida.

Ao analisar a questão, Vossa Excelência não será um mero servidor da vontade


das partes, mas um ativo implementador da Justiça, tendo sempre como objetivo
a equidade das partes.

Assim ressalta o Código de Defesa do Consumidor em seus artigos 6º, VI e 14,


caput:

“- São direitos básicos do consumidor: VI – a efetiva prevenção e reparação de


danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos. (…). – O fornecedor
de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à
prestação de serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos.”

Hodiernamente, é inconteste a natureza dos serviços oferecidos pela Requerida,


quais sejam eles de caráter comunicativo ao consumidor através de sua
prestação de serviços. A aplicabilidade, portanto, das disposições do Código de
Defesa do Consumidor para o caso concreto, é inevitável.

Composto por normas de ordem pública, o CDC adota como regra a


responsabilidade objetiva dispensando, assim, a comprovação da culpa para
atribuir ao fornecedor a responsabilidade pelo dano, bastando a presença da
ação ou omissão, o dano e o nexo causal entre ambos.
Assim, diante da evidente relação de causa e efeito que se formou e ficou
demonstrada, surge o dever de indenizar independentemente da apuração de
culpa.

7.4. DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Outrossim, conforme já vastamente comentado, aplicando-se o Código de


Defesa do Consumidor, deflagra-se um dos direitos básico do consumidor,
esculpido no artigo 6º, VIII, concernente a inversão do ônus da prova.

A inversão, é certa, ocorre a critério do Juiz, observando-se alguns requisitos,


vejamos:

“VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus


da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil
a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiências”.

8. DOS PEDIDOS

Diante de todo o exposto, requer:

a) Se digne Vossa Excelência em deferir liminarmente e ‘inaudita altera pars’, na


forma de antecipação da tutela de urgência prevista no art. 303 do CPC,
determinando que a Requerida se abstenha de cobrar os valores indevidos, bem
como proceda a imediata exclusão do nome da Requerente do cadastro de
inadimplentes, sob pena de multa diária a ser estabelecida por Vossa
Excelência;

b) Tendo em vista que o Requerente não possui condições de arcar com as


custas processuais e honorários advocatícios, requer a Vossa Excelência lhe
seja deferido os benefícios da GRATUIDADE DA JUSTIÇA, em conformidade
com o disposto nas Leis nº 1.060/50 e 7.510/86, conforme documentação anexa;

c) A citação da Ré VIA AR, no endereço declinado no preâmbulo deste petitório,


para, querendo, conteste os termos da presente ação, sob pena de confissão e
revelia, sendo, ao final, proferida sentença julgando totalmente procedente o
pedido da Requerente, para o fim de declarar a inexistência do debito que está
sendo cobrado indevidamente, tornando definitiva a decisão liminar;

d) Deferir a produção de todos os meios de provas em direito admitidas,


notadamente a documental inclusa, testemunhal cujo rol apresentará
oportunamente, depoimento pessoal do representante legal da Requerida, sob
pena de confesso, além de outras que se fizerem necessárias, com a Inversão
do Ônus da Prova, com base no diploma consumerista;

e) A garantia do benefício do ônus da prova, pelo que reza o inciso VIII, do artigo
6º, do CDC;

f) A concessão dos benefícios da gratuidade da justiça.

g) Declarar a nulidade e inexistência do débito cobrado, como outros encargos


sem qualquer previsão legal, haja vista a inexistência de qualquer serviço;

h) Requer ainda, se digne V. Exa. De julgar procedente a presente ação, com as


cominações legais aplicáveis, com a consequente condenação da Requerida, a
título de danos morais, no pagamento de valor arbitrado por Vossa Excelência,
conforme o digno entendimento, nos moldes e parâmetros citados na
fundamentação da peça vestibular, acrescidos de juros de mora e devidamente
atualizada até a data do efetivo pagamento, bem como à restituição em dobro
do valor despendido pela Requerente, qual seja, R$15,47 (quinze reais e
quarenta e sete centavos);

i) Determinar a indenização dos valores protestados indevidamente em dobro,


hoje o valor protestado perfaz a quantia de R$861,85 (oitocentos e sessenta e
um reais e oitenta e cinco centavos) cominando-se o Requerido a penalidade
disposta no artigo 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor;

j) A condenação da Ré, ao pagamento das custas processuais, honorários


advocatícios e demais cominações de estilo.

k) Mandar que todas as publicações e intimações sejam feitas


EXCLUSIVAMENTE no nome do doutor ALBERTO X, OAB/SP 000.000, sob
pena de nulidade das intimações.
Pretende provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidos.

Dá-se à causa o valor de R$877,32 (oitocentos e setenta e sete reais e trinta


e dois centavos).

Termos em que,

Pede deferimento.

Cidade, data.

(assinatura digital)

Alberto X

OAB/ SP 000.000
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIEITO DA 00ª UNIDADE DO
JUIZADO ESPECIAL CÍVELDA CIDADE. – LJE, art. 4º, inc. I

MARIA DE TAL, casada, comerciária, residente e


domiciliada na Rua da X, nº. 0000, CEP 44555-666, na Cidade, possuidora do
CPF (MF) nº. 111.222.333-44, com endereço eletrônico ficto@ficticio.com.br,
comparece, com o devido respeito a Vossa Excelência, por intermédio de seu
patrono que abaixo assina, o qual, à luz do art. 77, inc. V c/c art. 287, caput, um
e outro do Estatuto de Ritos, indica-o para as intimações que se fizerem
necessárias, para, com fulcro nos arts. 186, 927 e 944, todos do Código Civil
Brasileiro; art. 5º, incs. V e X da Carta Política c/c Art. 42, do Código de Defesa
do Consumidor, ajuizar a presente

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO

c/c

REPARAÇÃO DE DANOS MORAIS,


contra XISTA EMPRESA DE TELEFONIA S/A, pessoa jurídica de direito
privado, estabelecida na Av. Delta, nº. 000, em Cidade (PP), inscrita no CNPJ
(MF) sob o nº. 33.444.555/0001-66, endereço eletrônico xista@xista.com.br, em
razão das justificativas de ordem fática e de direito, abaixo delineadas.

INTROITO

( a ) Benefícios da gratuidade da justiça (CPC, art. 98, caput)

A parte Autora não tem condições de arcar com as


despesas do processo. São insuficientes os recursos financeiros para pagá-las,
inclusive o recolhimento das custas iniciais.

Destarte, formula pleito da gratuidade da justiça,


fazendo-o por declaração de seu patrono, isso sob a égide do art. 99, § 4º c/c
art. 105, in fine, ambos do CPC, quando tal prerrogativa se encontra inserta no
instrumento procuratório acostado.

( b ) Quanto à audiência de conciliação (CPC, art. 319, inc. VII)

Lado outro, opta-se pela realização de audiência


conciliatória (CPC, art. 319, inc. VII), razão qual requer a citação da Promovida,
por carta (CPC, art. 247, caput) para comparecer à audiência designada para
essa finalidade (CPC, art. 334, caput c/c § 5º).

( 1 ) – EXPOSIÇÃO FÁTICA
A Promovente, em 00/11/2222, deslocou-se às
Lojas Tintas Ltda. Almejava comprar material para reforma da casa. Todavia,
fora impedida, pois seu nome se encontrava com restrições.

Em verdade, aquela sequer conhecia os motivos


da inserção do nome junto aos cadastros de inadimplentes.

Em conta disso, tivera que adquirir todos produtos


à vista, tendo-se em conta que a negativação impedia o parcelamento. Acosta-
se, para tanto, a devida Nota Fiscal. (doc. 01)

Decorrência disso, a Autora procurou obter


informações junto ao Serviço de Proteção ao Crédito. Para surpresa dessa, a
inscrição se deu por conta do não pagamento de débito contratual. Na hipótese,
seria contrato como fosse pretensa usuária de linha telefônica, o que se
comprova pelos documentos ora anexos. (docs. 02/03) Na verdade, desconhece
por completo qualquer enlace contratual nesse sentido.

Para além disso, aquela recebe diariamente


inúmeras de cobrança. Assim, sofre profundo desconforto mental, alterando sua
rotina de trabalho, seu repouso domiciliar.

Diante disso, outro caminho não há senão anular o


débito e pedir a reparação dos danos ocasionados.

HOC IPSUM EST


(2) – DO DIREITO

(2.1.) – RELAÇÃO DE CONSUMO CONFIGURADA

Entre Autora e Ré emerge inegável hipossuficiente


técnico-econômica, o que sobremaneira deve ser levado em conta no importe
deste processo.

Por isso, esta querela merece ser propulsada sob


o prisma do CDC. Até porque, a relação em estudo é de consumo, devendo, por
isso, maiormente, haver a inversão do ônus da prova (CDC, art. 6º, inc. VIII).

Lado outro, tratando-se de prestação de serviço,


cujo destinatário final é o tomador, no caso a Autora, há relação de consumo,
nos precisos termos do que reza o Código de Defesa do Consumidor:

Art. 2º Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza


produtos ou serviço como destinatário final.

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional


ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem
atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação,
importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou
prestação de serviços.

§ 1° (...)
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante
remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e
securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

Nesse passo, resulta pertinente a


responsabilização da Requerida, independentemente da existência da culpa.

De bom alvitre destacar a dicção do que estipula o


Código de Defesa do Consumidor:

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência


de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos.

Em abano a esse entendimento, insta transcrever


as lições de Fábio Henrique Podestá:

Aos sujeitos que pertencerem à categoria de prestadores de serviço, que não


sejam pessoas físicas, imputa-se uma responsabilidade objetiva por defeitos de
segurança do serviço prestado, sendo intuitivo que tal responsabilidade é
fundada no risco criado e no lucro que é extraído da atividade...

( ... )
Ademais, aplicável ao caso sub examine a doutrina do
“risco criado” (responsabilidade objetiva), igualmente posta no Código Civil, o
qual assim prevê:

CÓDIGO CIVIL

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica
obrigado a repará-lo.

Parágrafo único - Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de


culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente
desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos
de outrem.

Nesse compasso, lúcidas as lições de Pablo


Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho:

Muitos desconhecer, mas KARL LARENZ, partindo do pensamento de HEGEL,


já havia desenvolvido a teoria da imputação objetiva para o Direito Civil, visando
estabelecer limites entre os fatos próprios e os acontecimentos acidentais.

No dizer do Professor LUIZ FLÁVIO GOMES: ‘A teoria da imputação objetiva


consiste basicamente no seguinte: só pode ser responsabilizado penalmente por
um fato (leia-se a um sujeito só poder ser imputado o fato), se ele criou ou
incrementou um risco proibido relevante e, ademais, se o resultado jurídico
decorreu desse risco. ‘

Nessa linha de raciocínio, se alguém cria ou incrementa uma situação de risco


não permitido, responderá pelo resultado jurídico causado, a exemplo do que
corre quando alguém da causa a um acidente de veículo, por estar embriagado
( criado do risco proibido), ou quando se nega a prestar auxílio a alguém que se
afoga, podendo fazê-lo, caracterizando a omissão de socorro (incremento do
risco).

Em todo as essas hipóteses, o agente poderá ser responsabilizado penalmente,


e, porque não dizer, para aqueles que admitem a incidência da teoria no âmbito
do Direito Civil....

( ... )

O nexo de causalidade, por outro lado, fica


evidenciado quando, em razão da conduta da Ré, somada à atitude de terceiro
não identificado. Em conta disso, a Autora é cobrada de dívida que desconhece
por absoluto.

Além disso, como afirmado alhures,


irrefutável a falha na prestação do serviço, ante à inserção descabida do nome
da Autora nos órgãos de restrições, máxime quando sequer contratou os
préstimos daquela.

Nesses termos, configurados os pressupostos à


responsabilidade civil: conduta lesiva, nexo causal e dano.

( ... )

A inversão do ônus da prova, como definida na presente querela, foi acertada,


vez que a inversão é “ope legis” e resulta do quanto contido no Código de Defesa
do Consumidor.
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência
de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos.

[...]

§ 3º O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Nesse sentido, de todo oportuno evidenciar as


lições de Rizzatto Nunes:

Já tivemos oportunidade de deixar consignado que o Código de Defesa do


Consumidor constituir-se num sistema autônomo e próprio, sendo fonte primária
(dentro do sistema da Constituição) para o intérprete.

Dessa forma, no que respeita à questão da produção de provas, no processo


civil, o CDC é o ponto de partida, aplicando-se a seguir, de forma complementar,
as regras do Código de Processo Civil (arts. 332 a 443)....

( ... )

AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO C/C DANOS


MORAIS
TUTELA ANTECIPADA - JUIZADO ESPECIAL - NOVO CPC

Trata-se de modelo de petição inicial de Ação Declaratória de Inexistência de


Débito c/c Indenização por Danos Morais, com pedido de tutela antecipada de
urgência (Novo CPC, art. 300), aforada perante Juizado Especial Estadual, em
decorrência de negativação indevida.

FATOS

Narra a inicial que a promovente se deslocou à Lojas Tintas Ltda, quando


almejava comprar material para reforma de sua casa. Todavia, fora impedida,
pois seu nome se encontrava com restrições nos cadastros de inadimplentes.
Em verdade, a autora sequer conhecia os motivos da inserção do nome da
mesma junto aos cadastros de inadimplentes.

A promovente, por conta disso, tivera que adquirir todos os produtos à vista, uma
vez que com a negativação o parcelamento seria recusado em qualquer loja.

Mediante a recusa de parcelamento do débito na mencionada loja, a autora


procurou obter junto ao serviço de proteção ao drédito informações acerca da
inclusão de seu nome naquele banco de dados. Para sua surpresa, a inserção
de seu nome se deu por conta do não pagamento de débito contratual. Na
hipótese, seria contrato como pretensa usuária de linha telefônica, o que se
comprovara por meio de documentos colacionados com a inicial. A autora
desconhecia por completo qualquer enlace contratual nesse sentido.

Além da indevida inserção do nome no cadastro de inadimplentes, a autora


recebe diariamente inúmeras de cobrança. Assim, sofre profundo desconforto
mental, chegando a alterar sua rotina de trabalho e seu repouso domiciliar.

MÉRITO - NEGATIVAÇÃO INDEVIDA - INEXISTÊNCIA DE DÍVIDA - DANO


MORAL

Desse modo, a mesma deveria ser responsabilidade civilmente, inclusive com


apoio no CDC, por defeito na prestação de serviço, e, com isso,
com responsabilidade objetiva (CDC, art. 14). Ademais, aplicável ao caso sub
examine a doutrina da “teoria do risco criado”, a qual disposta no art. 927 do
Código Civil.

Diante disso, a autora pleitou, sem a oitiva prévia da parte contrária (CPC/2015,
9° parágrafo único, inc. I e art. 300, § 2º c/c CDC, art. 84, § 3º), independente
de caução (CPC/2015, art. 300, § 1º), tutela de urgência antecipatória no sentido
de que fosse deferida tutela provisória inibitória positiva de obrigação de
fazer (CPC/2015, art. 497 c/c art. 537), no sentido de determinar a exclusão do
nome da mesma dos cadastros de restrições.

Todavia, por cautela, delineou-se considerações doutrinárias acerca


da pertinência da utilização de tutela antecipada de urgência, mesmo em sede
de ações que tramitam perante os Juizados Especiais Estaduais.

Pediu-se a procedência dos pedidos de sorte a declarar nula a relação jurídica


em discussão, bem assim seus efeitos e, por consequência fosse condenada a
pagar verba indenizatória por danos morais. Requereu, ainda, fosse definida, por
sentença, a extensão da obrigação condenatória, o índice de correção monetária
e seu termo inicial, os juros moratórios e seu prazo inicial. (CPC/2015, art. 491,
caput)

Jurisprudência Atualizada desta Petição:

JUIZADO ESPECIAL CÍVEL. CONSUMIDOR. NEGATIVAÇÃO INDEVIDA.


INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO CONTRATUAL. DANO MORAL
CARACTERIZADO. VALOR ADEQUADO E RAZOÁVEL. JUROS
MORATÓRIOS. TERMO INICIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL
EXTRACONTRATUAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 54 DO STJ. JUROS
DEVIDOS DESDE A DATA DO EVENTO. RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO EM PARTE.
I. Trata-se de recurso inominado interposto pela parte autora em face da
sentença que julgou procedentes os pedidos iniciais para declarar a inexistência
do débito que motivou a inscrição do seu nome em cadastro de inadimplentes,
além de condenar a parte recorrida ao pagamento de R$ 1.500,00 (um mil e
quinhentos reais) a título de compensação por dano moral em razão da indevida
negativação. Em seu recurso, a parte autora sustenta que o valor arbitrado é
insuficiente para compensar o dano causado, pugnando pela sua majoração. II.
Recurso próprio, tempestivo e dispensado de preparo ante o pedido de
gratuidade de justiça. Contrarrazões apresentadas (ID 4542342). III. Não tendo
a parte recorrida logrado comprovar a existência da relação contratual que deu
origem à negativação do nome do consumidor, impõe-se a reparação a título de
danos morais em decorrência da indevida inscrição do nome do consumidor nos
cadastros restritivos de crédito. Trata-se de damnum in re ipsa, pois o desgaste
enfrentado suplanta liame de mero dissabor, irritação ou mágoa para ingressar
e interferir de forma intensa na dignidade da pessoa humana. A
responsabilidade, in casu, é objetiva, na forma do artigo 14 do CDC.
Precedentes: Acórdão n. 1012320, 07031111420168070003, Relator: Arnaldo
Corrêa Silva 2ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do
DF, Data de Julgamento: 26/04/2017, Publicado no DJE: 03/05/2017. Pág. : Sem
Página Cadastrada. lV. A indenização por danos morais possui três finalidades,
quais sejam, a prestação pecuniária serve como meio de compensação pelos
constrangimentos, aborrecimentos e humilhações experimentados pela parte
requerente, punição para a parte requerida e prevenção futura quanto a fatos
semelhantes. V. Não há um critério matemático ou padronizado para estabelecer
o montante pecuniário devido à reparação. O valor da reparação deve guardar
correspondência com o gravame sofrido, devendo o juiz pautar-se nos princípios
da proporcionalidade e da razoabilidade, sopesando as circunstâncias do fato e
as condições pessoais e econômicas das partes envolvidas, assim como o grau
da ofensa moral e sua repercussão. VI. Atento às diretrizes acima elencadas,
entendo o montante de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), arbitrado na
instância de origem, como suficiente para, com razoabilidade e
proporcionalidade, compensar os danos sofridos pela parte recorrente, sem,
contudo, implicar enriquecimento sem causa. VII. No que tange aos juros
moratórios, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido
de que o dano moral não originado em relação contratual tem como termo a quo
a data do evento danoso, pois incide a Súmula nº 54 daquele colendo Tribunal
(AgInt no AREsp 891.249/ RJ, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA,
TERCEIRA TURMA, julgado em 17/10/2017, DJe 27/10/2017; AgInt no AREsp
1060780/ SP, Rel. Ministra Maria ISABEL Gallotti, QUARTA TURMA, julgado em
07/11/2017, DJe 21/11/2017; AgInt nos EDCL no AREsp 862.889/ PR, Rel.
Ministro ANTONIO Carlos Ferreira, QUARTA TURMA, julgado em 24/10/2017,
DJe 30/10/2017). No caso, como a negativação foi reputada indevida por inexistir
comprovada relação contratual entre as partes, o dano moral tem natureza
extracontratual. Assim, a sentença merece reparo apenas para fixar a data do
evento (28.10.2016, CF. ID 4542282. Pág. 2), como o termo inicial para a
incidência dos juros de mora. VIII. Recurso conhecido e provido em parte para
fixar como termo inicial dos juros de mora o dia 28.10.2016, data do evento
danoso. Sem condenação em custas processuais e honorários advocatícios,
ante a ausência de recorrente vencido (art. 55 da Lei nº 9.099/95). IX. A Súmula
de julgamento servirá de acórdão, consoante disposto no artigo 46 da Lei nº
9.099/95. (TJDF; RInom 0700022-88.2018.8.07.0010; Segunda Turma Recursal
dos Juizados Especiais; Rel. Juiz Almir Andrade de Freitas; Julg. 11/07/2018;
DJDFTE 17/07/2018; Pág. 391)
Ação de rescisão contratual Multipropriedade C/C Declaratória de nulidade
de cláusulas, reparação de danos c/c pedido de tutela de urgência

EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) JUIZ (A) DE DIREITO DO


_____ JUIZADO ESPECIAL CIVEL DA COMARCA DE xxxxxxx/xxx.

(QUALIFICAÇÃO), por seu advogado legalmente constituída através do incluso


Instrumento de Mandato, vem respeitosamente à presença de V. Exª., com
especial fundamento no Código Brasileiro de Proteção e Defesa do Consumidor
e no mais atual entendimento jurisprudencial e doutrinário acerca da matéria,
propor, a presente:

AÇÃO ORDINÁRIA DE DESFAZIMENTO DE RELAÇÃO CONTRATUAL C/C


DECLARATORIA DE NULIDADE DE CLÁUSULAS, REEMBOLSO DE
PARCELAS ADIMPLIDAS E REPARAÇÃO POR DANOS MORAIS COM
PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA

em face do (QUALIFICAÇÃO) , pelos fatos e razões que passa a expor e provar:.


Da Concessão dos Benefícios da Gratuidade Judicia

Antes de adentrar aos fatos da presente demanda, requer os Autores à


concessão dos benefícios da assistência judiciária gratuita, tendo em vista que
não possui condições de arcar com as custas do processo, sem colocar em risco
o seu sustento próprio e o de seus familiares, conforme documento anexo.

Sendo assim, nos termos do disposto nos incisos XXXV e LXXIV do artigo 5º da
Constituição Federal, bem como no artigo 98 do CPC e artigo 2º, § único e artigo
4.º da Lei n.º 1.060/50, requer o deferimento de concessão dos benefícios da
gratuidade judicial.

DA COMPETÊNCIA TERRITORIAL

Cumpre explicitar a orientação dada pelo Código de Defesa do Consumidor


acerca da competência para ajuizamento da presente ação, in verb

“Art. 101. Na ação de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e


serviços, sem prejuízo do disposto nos Capítulos I e II deste título, serão
observadas as seguintes normas:

I - a ação pode ser proposta no domicílio dos autores.

Neste sentido é o posicionamento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e


Territórios, vejamos:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. RELAÇÃO DE CONSUMO. COMPETENCIA


ABSOLUTA. FORO DO DOMICÍLIO DO CONSUMIDOR. AGRAVO
DESPROVIDO.1. Versando o tema dos autos sobre relação de consumo, há de
se ter como absoluta a competência do foro do domicílio do consumidor para
processamento de ação que o envolva. (...) (Acórdão n.815652,
20120020250053AGI, Relator: FERNANDO HABIBE, Relator Designado:
ANTONINHO LOPES, 4ª Turma Cível, Data de Julgamento: 21/11/2012,
Publicado no DJE: 03/09/2014. Pág.: 179) [grifo nosso]

E mais:
CONFLITO DE COMPETÊNCIA. RELAÇÃO DE CONSUMO. FACILITAÇÃO DA
DEFESA DO CONSUMIDOR. CONSUMIDOR FIGURANDO COMOS
AUTORES. CASO DE COMPETÊNCIA RELATIVA. IMPOSSIBILIDADE DE A
COMPETÊNCIA SER DECLINADA DE OFÍCIO. ENTENDIMENTO DO
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. O entendimento do e. Superior Tribunal
de Justiça revela que deve ser compreendida, à luz do interesse do consumidor,
a conclusão de que, em relação de consumo, a competência é absoluta, sendo,
por isso, suscetível de declinação de ofício, com afastamento da Súmula nº 33
do Superior Tribunal de Justiça. Nessa direção, a competência territorial só pode
ser considerada absoluta, para fins de afastamento da Súmula 33/STJ, quando
isso se der em benefício do consumidor. 2. No caso de o consumidor figurar
comos autores, esse terá a opção de escolha, sendo, por isso, competência
relativa, insuscetível de ser declinada de ofício, de modo que, para tanto, é
necessária a oposição de exceção pela parte adversa para efeito de ser
declinada a competência. Agora, na hipótese de o consumidor figurar como réu,
a competência será absoluta, sendo possível, com efeito, a sua declinação de
ofício para o foro do domicílio do consumidor. 3. Conflito Negativo de
Competência acolhido para declarar a competência do Juízo de Direito da 16ª
Vara Cível de Brasília. (Acórdão n.811305, 20140020147743CCP, Relator: J.J.
COSTA CARVALHO, 2ª Câmara Cível, Data de Julgamento: 04/08/2014,
Publicado no DJE: 18/08/2014. Pág.: 79)

Com isto, procede-se o pedido dos requerentes em que a ação seja postulada
no próprio domicílio, sendo, portanto, declarada a nulidade absoluta ao disposto
na cláusula vigésima primeira do instrumento particular de contrato de promessa
de venda e compra de unidade imobiliária (anexado).

DESCRIÇÃO DOS FATOS

FUNDAMENTOS JURÍDICOS

1.1. Da Existência da Relação de Consumo

Primeiramente cabe esclarecer que é cristalina a relação de consumo


entabulada pelas partes, portanto a aplicação do Código de Defesa do
Consumidor se faz mister.
No caso concreto não há dúvida que se devem aplicadas as disposições do
Código de Defesa do Consumidor, eis que tal situação é derivada de uma relação
de consumo. A simples leitura dos artigos 2º e 3º, da Lei 8.078/90 (CDC) não
deixam dúvidas a este respeito.

Neste mear, indiscutível a caracterização de relação de consumo entre as partes,


apresentando-se as empresas Reqdas., como prestadora de serviços e,
portanto, fornecedora nos termos do art. 3º do CDC, e os autores como
consumidor, de acordo com o conceito previsto no art. 2º do mesmo diploma.
Assim descrevem os artigos acima mencionados:

“Lei. 8.078/90 - Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou
privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que
desenvolvem atividades de produção, montagem, criação, construção,
transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de
produtos ou prestação de serviços”.

“Lei. 8.078/90 - Art. 2º. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire
ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”.

No presente caso, sem qualquer dúvida, temos uma relação de consumo e, por
consequência, o contrato objeto desta ação deve ser absolutamente regido pelos
artigos 46 a 54 do Código Brasileiro de Proteção e Defesa do Consumidor, em
conformidade com todos os postulados da Teoria Geral do Direito do
Consumidor inserta nos artigos 1º a 7º do CDC

Aplicável ao caso concreto as disposições do CDC, em especial o artigo 6º VI e


VIII do referido Diploma legal, sobre a inversão do ônus da prova, in verbis:

Art. 6º. São direitos básicos do consumidor:

VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,


coletivos e difusos;


VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus
da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do Juiz, for verossímil
a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiências;

A hipossuficiência é flagrante, em vista da ergonomia técnica das prestadoras


que possuem absoluta vantagem técnica a ponto de detectar eventuais vícios à
realização de sua venda.

Como bem pontua Cláudia Lima Marques, sem qualquer dúvida, a proteção do
consumidor abrange os contratos imobiliários, à semelhança da presente
esgrima:

Quanto ao contrato de incorporação imobiliária, em que o incorporador faz uma


venda antecipada dos apartamentos, para arrecadar o capital necessário para a
construção do prédio, fácil caracterizar o incorporador como fornecedor,
vinculado por obrigação de dar (transferência definitiva) e de fazer (construir). A
caracterização do promitente comprador como consumidor dependerá da
destinação do bem ou da aplicação de uma norma extensiva, como a presente
no art. 29 do CDC. Interessante notar que qualquer dos participantes da cadeia
de fornecimento é considerado fornecedor e há solidariedade entre eles.” (p.
437).

Nas precisas palavras da Ministra Nancy Andrygui, do Superior Tribunal de


Justiça:

“A relação jurídica qualificada por ser "de consumo" não se caracteriza pela
presença de pessoa física ou jurídica em seus pólos, mas pela presença de uma
parte vulnerável de um lado (consumidor), e de um fornecedor, de outro.” (REsp
476.428/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em
19/04/2005, DJ 09/05/2005 p. 390).

Assim em vista da condição de consumidora adquirente para seu uso,


configurando-se consequentemente como destinatária final e hipossuficiente em
relação aos aspectos técnicos, indiscutível aplicação dos dispositivos legais
supra referenciados. Não restando dúvidas que o negócio jurídico tem respaldo
na Lei 8078/90 (Código de Defesa do Consumidor).

1.2. Da inversão do ônus da prova

No contexto da presente demanda, há possibilidades claras de inversão do ônus


da prova ante a verossimilhança das alegações, conforme disposto no artigo 6º
do Código de Defesa do Consumidor.

Aplicável ao caso concreto as disposições do CDC, em especial o artigo 6º VI e


VIII do referido Diploma legal, sobre a inversão do ônus da prova.

A hipossuficiência é flagrante, em vista do poderio econômico e alargada


vantagem técnica da Reqda., e da frágil situação da Reqte.,.

Desse modo, cabe as requeridas demonstrar provas em contrário ao que foi


exposto pela Reqte.,.

Resta informar ainda que algumas provas seguem em anexo. Assim, as demais
provas que se acharem necessárias para resolução da lide, deverão ser
observadas o exposto na citação acima, pois se trata de princípios básicos do
consumidor.

1.3. Do Princípio da transparência

O princípio da transparência especificamente no CDC demonstra que compete


ao fornecedor apresentar com clareza AS REAIS CONDIÇÕES DO PRODUTO
OU SERVIÇO, ainda mais ao considerar a comercialização de bens usados
como o empreendimento no caso em tela, tendo o fornecedor ocultado
inescrupulosamente os vícios com clara intenção de obter vantagem
indevida, deixando de exibir idoneidade nos negócios e conhecimento técnico
acerca do produto.

Pelo princípio da transparência, é preciso que os motivos pelos quais o


consumidor adquiriu determinado produto sejam levados em consideração na
exegese da relação de consumo. É o dever que tem o fornecedor de dar
informações claras, corretas e precisas sobre o produto a ser vendido ou sobre
o contrato a ser firmado, tudo tendo por escopo o princípio da boa fé inserta no
artigo 4º, inciso III do CDC, in verbis:

III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e


compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de
desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos
quais se funda a ordem econômica (artigo 170, da Constituição Federal), sempre
com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e
fornecedores;

Como bem disserta James Eduardo Oliveira:

A boa fé é elemento essencial na interpretação e na execução do contrato,


representando a fidelidade, a cooperação e o respeito mútuos que se devem
esperar e que se podem cobrar dos contratantes (Código de Defesa do
Consumidor Anotado e Comentado –– 3ª edição – Editora Atlas – pág.28).

No mesmo sentido, é o entendimento do Tribunal, senão vejamos:

“O princípio da boa-fé se aplica às relações contratuais regidas pelo CDC,


impondo, por conseguinte, a obediência aos deveres anexos ao contrato, que
são decorrência lógica desse princípio. O dever anexo de cooperação pressupõe
ações recíprocas de lealdade dentro da relação contratual. A violação de
qualquer dos deveres anexos implica em inadimplemento contratual de quem lhe
tenha dado causa (STJ – REsp. 595.631/SC, 3ª T, Rel. Min. Nancy Andrighi,
DOU 2.8.2004, p. 391).

Entre os direitos básicos do consumidor encontramos a da informação adequada


e clara:

Art. 6º - São direitos básicos do consumidor:

[...]

III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com


especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e
preço, bem como sobre os riscos que apresentem;
O contrato de consumo deve ser modelado num ambiente de absoluta
transparência. Falhando o fornecedor no dever de lealdade na fase pré-
contratual, responderá pelas consequências da frustração da expectativa
legítima do consumidor e também pelos danos causados pela deficiência da
informação.

Isto posto resta indubitável que quanto ao objeto da demanda não foram
observados tais aspectos, eis que patente o conhecimento do fornecedor quanto
aos vícios existentes do empreendimento. E ainda, questionado em diversas
oportunidades posteriores limitou-se a esquivas inescrupulosas e de pura má-fé,
o que caracteriza notadamente os Danos evidenciados e narrados na presente
demanda.

1.4. Do Princípio da Boa-fé

Nas relações de consumo entre fornecedores e consumidores a intenção maior


é a transparência, sendo imprescindível conjugar transparência e boa-fé. Na
verdade, a harmonia dos negócios entre fornecedores e consumidores é a
complementação dos dois princípios acima aludidos.

O Código Civil encartou o princípio da boa-fé como cláusula geral, no art. 422 in
verbis:

Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do


contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé.

O próprio texto confere a necessidade de articulação do princípio da boa-fé com


o da probidade, fato este que torna ainda mais fluente a pretensão de bem
respaldar os propósitos que envolvem não só as partes praticantes, como
também o objeto que produziu esta incontestável motivação.

A liberdade de contratar envolve a autonomia da vontade, podendo o particular


dispor do direito, desde que não envolva bem indisponível. Mas, em primeiro
lugar deve ser observado o fim social do contrato, a boa-fé, e a probidade, onde
o ofertante deve agir eticamente, sem que venha a ocultar eventuais falhas ou
vícios como os ora apresentados.
Ocorre, entretanto, que, fugindo à pressuposição normal, a coisa onerosamente
alienada apresenta um vício a ela peculiar e não comum às demais de sua
espécie, motivo este que os requerentes vem acionar a justiça.

A responsabilidade atribuída ao alienante é objetiva, sendo irrelevante se ele


tinha ou não conhecimento do vício. Entretanto, se agiu de má fé, ou seja, se
conhecia o defeito e não o informou ao adquirente, responde também por perdas
e danos, é o que realmente aconteceu.

Todos esses acontecimentos feriram a vontade de permanecer com o


empreendimento. Por essa razão, as partes Reqtes., buscam sua reparação.

1.5. Da propaganda enganosa e das cláusulas abusivas

As partes adversas ofendem a legislação em vigor, já que embasa sua posição


em cláusula nula de pleno direito, já que impõe aos autores condição totalmente
desvantajosa, gerando vantagem extremamente excessiva as Requeridas.

Doutra forma, elencou o legislador um sistema de proteção contra eventuais


abusos:

Art. 6º - São direitos básicos do consumidor:

(...)

IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais


coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou
impostas no fornecimento de produtos e serviços.

A respeito de tal norma, assim leciona James Eduardo Oliveira:

Todo o arcabouço engenhado para a defesa do consumidor está baseado nos


princípios da transparência, lealdade e boa-fé, com os quais são inconciliáveis
as cláusulas que refletem tão-somente o abuso da preponderância econômica
do fornecedor (ob.cit. pág.55).

A implicação prática de tal fato é, entre outras, que: são nulas de pleno direito as
cláusulas com vantagem manifestamente exageradas; são nulas de pleno direito
as cláusulas que transfiram os riscos do negócio ao consumidor. É assim que se
expressa o CDC, ex textus:

Art. 51 - São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais


relativas ao fornecimento de produtos e serviços que:

I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por


vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou
disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o
consumidor-pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações
justificáveis;

II - subtraiam ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga, nos


casos previstos neste Código;

[...]

IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o


consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé
ou a eqüidade;

Ademais, é do Tribunal o seguinte enunciado de súmula 35:

INCIDE CORREÇÃO MONETÁRIA SOBRE AS PRESTAÇÕES PAGAS,


QUANDO DE SUA RESTITUIÇÃO, EM VIRTUDE DA RETIRADA OU
EXCLUSÃO DO PARTICIPANTE DE PLANO DE CONSÓRCIO.

Nesse caso, o comportamento das requeridas, na qualidade de fornecedoras,


revela potestatividade, considerado abusivo tanto pelo CDC (art. 51, IV) quanto
pelo Código Civil (art. 122). Vejamos, a propósito, alguns arestos pátrios:

PROCESSO CIVIL – RESCISÃO DE CONTRATO – CONSÓRCIO -


DEVOLUÇÃO IMEDIATA DE QUANTIAS PAGAS – INDENIZAÇÃO POR
DANOS MORAIS – INDEFERIMENTO. 1. Em princípio, havendo pedido de
rescisão por parte do cooperado, a negativa da cooperativa em fazer acordo com
este último não dá ensejo ao pagamento de quantia a título de danos morais,
tanto mais quando não há controvérsia no que se refere à rescisão da avença,
ficando pendente, tão-somente a forma de restituição dos valores já pagos pelo
consumidor. 2. Sendo reconhecido ao cooperado o direito de se retirar do grupo
a qualquer tempo, é procedente a pretensão de devolução imediata das quantias
pagas, não havendo justificativa aceitável para se diferir o cumprimento da
obrigação pela cooperativa para período posterior ao encerramento oficial do
grupo ou mesmo que os valores sejam pagos de forma parcelada. (Apel. Cív. Nº
2004.01.1.110851-6; Órgão Julgador: Terceira Turma Cível do TJDF; Relator:
Des. José de Aquino Perpétuo; julgado em: 19 de setembro de 2005).

CIVIL. CONSÓRCIO. LONGO PRAZO DE DURAÇÃO. RETENÇÃO INDEVIDA


DO DINHEIRO DO CONSORCIADO. 1. Afigurando-se por demais onerosa a
cláusula que prevê a devolução dos valores recebidos do consorciado excluído
ou desistente após o encerramento do plano, de longa duração, deve-se
assegurar a este a restituição imediata das quantias pagas, sob pena de
homenagear-se o enriquecimento sem causa da administradora, que tem em seu
prol cláusula que lhe permite a substituição do desistente por outro, com o pronto
recebimento das quantias quitadas pelo excluído. 2. Cabe à administradora, tão-
somente, a retenção das quantias referentes às taxas de adesão e de
administração. 3. Considerando que houve sucumbência recíproca, as custas
serão rateadas, meio a meio, entre as partes e cada qual arcará com os
honorários dos causídicos por elas contratados. 4. Recursos dos autores e do
réu providos, em parte. (Apel. Cív. 2002 01 1 037034-5; Órgão Julgador: 2ª
Turma Cível do TJDFT; julgado em: 22/nov/2004).

No mesmo sentido, confiram-se os precedentes do STJ:

Consumidor. Recurso especial. Rescisão de contrato de compromisso de


compra e venda de imóvel. Incorporadora que se utiliza de sistema de "auto-
financiamento". Devolução das parcelas pagas pelo promitente-comprador, já
descontado o valor das arras, apenas após o término de toda a construção.
Aplicação dos princípios consumeristas à relação jurídica. Irrelevância do veto
ao 1º do art. 53 do CDC.

Análise prévia do contrato-padrão pelo Ministério Público. Irrelevância.

(...)
- Há enriquecimento ilícito da incorporadora na aplicação de cláusula que obriga
o consumidor a esperar pelo término completo das obras para reaver seu
dinheiro, pois aquela poderá revender imediatamente o imóvel sem assegurar,
ao mesmo tempo, a fruição pelo consumidor do dinheiro ali investido.

(...)

(STJ - REsp 633793/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA,


julgado em 07/06/2005, DJ 27/06/2005 p. 378)

RECURSO ESPECIAL - CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA


- RESILIÇÃO PELO PROMITENTE- COMPRADOR - RETENÇÃO DAS ARRAS
- IMPOSSIBILIDADE - DEVOLUÇÃO DOS VALORES PAGOS - PERCENTUAL
QUE DEVE INCIDIR SOBRE TODOS OS VALORES VERTIDOS E QUE, NA
HIPÓTESE, SE COADUNA COM A REALIDADE DOS AUTOS - MAJORAÇÃO
- IMPOSSIBILIDADE, NA ESPÉCIE - RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO.

1. A Colenda Segunda Seção deste Superior Tribunal de Justiça já decidiu que


o promitente-comprador, por motivo de dificuldade financeira, pode ajuizar ação
de rescisão contratual e, objetivando, também reaver o reembolso dos valores
vertidos (EREsp nº 59870/SP, 2º Seção, Rel. Min. Barros, DJ 9/12/2002, pág.
281). 2. As arras confirmatórias constituem um pacto anexo cuja finalidade é a
entrega de algum bem, em geral determinada soma em dinheiro, para assegurar
ou confirmar a obrigação principal assumida e, de igual modo, para garantir o
exercício do direito de desistência. 3. Por ocasião da rescisão contratual o valor
dado a título de sinal (arras) deve ser restituído ao reus debendi, sob pena de
enriquecimento ilícito. 4. O artigo 53 do Código de Defesa do Consumidor não
revogou o disposto no artigo 418 do Código Civil, ao contrário, apenas positivou
na ordem jurídica o princípio consubstanciado na vedação do enriquecimento
ilícito, portanto, não é de se admitir a retenção total do sinal dado ao promitente-
vendedor. 5. O percentual a ser devolvido tem como base de cálculo todo o
montante vertido pelo promitente-comprador, nele se incluindo as parcelas
propriamente ditas e as arras. 6. É inviável alterar o percentual da retenção
quando, das peculiaridades do caso concreto, tal montante se afigura
razoavelmente fixado. 7. Recurso especial improvido. (REsp. 1056704/MA – Rel.
Min. Massuami Uyeda – T3 – Terceira Turma – j. 28.04.2009).

E mais:

COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. RESILIÇÃO PELO COMPRADOR


POR INSUPORTABILIDADE DA PRESTAÇÃO. POSSIBILIDADE. RETENÇÃO
SOBRE PARTE DAS PARCELAS PAGAS. ARRAS. INCLUSÃO. CÓDIGO DE
DEFESA DO CONSUMIDOR, ARTS 51,II, 53 E 54. CÓDIGO CIVIL, ART.
924,I.[...]

II - O desfazimento do contrato dá ao comprador o direito à restituição das


parcelas pagas, porém não em sua integralidade, em face do desgaste no imóvel
devolvido e das despesas realizadas pela vendedora, como corretagem,
propaganda, administrativas e assemelhadas... III – Compreende-se no
percentual a ser devolvido ao promitente comprador todos os valores pagos à
construtora, inclusive as arras. (STJ – Resp.355.818/MG – 4ª T – Rel. Min. Aldir
Passarinho Júnior – DJU 25.8.2003, p. 311).

Sobre o tema, afirma Nelson Nery Júnior que:

“O CDC enumerou uma série de cláusulas consideradas abusivas, dando-lhes o


regime da nulidade de pleno direito (art. 51). Esse rol não é exaustivo, podendo
o juiz, diante das circunstâncias do caso concreto, entender ser abusiva e,
portanto, nula, determinada cláusula contratual. Está para tantos autoresizado
pelo caput do art. 51 do CDC, que diz serem nulas,"entre outras", as cláusulas
que menciona. Ademais, o inc. XV do referido artigo contém norma de
encerramento, que dá possibilidade ao juiz de considerar abusiva a cláusula
que"esteja em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor". Em
resumo, os casos de cláusulas abusivas são enunciados pelo art. 51 do CDC em
numerus apertus e não em numerus clausus "(Código Brasileiro de Defesa do
Consumidor comentado pelos autores do Anteprojeto". Rio de Janeiro: Forense
Universitária, 7ª edição, 2001, pág. 463).

Registre-se, nesta ansa, os comandos inseridos no artigo 4º e 6º do CDC,


aplicáveis à presente contenda:
Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o
atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade,
saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos,

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

(...)

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,


coletivos e difusos;

De outra parte, Excelência, não resta dúvida da responsabilidade das requeridas


para o caso em apreço, haja vista que se utilizou profissionais habilitados para
vender o seu produto. Vejamos, então, o que ordena o Código Consumerista:

Art. 34 - O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos


atos de seus propostos ou representantes autônomos.

A propósito, doutrina e jurisprudência são vozes uníssonas para a


responsabilização que se quer implementar, pois se o fornecedor necessita de
representantes autônomos para comercializar o seu produto ou o serviço, torna-
se automaticamente corresponsável pelos atos por ele praticados. Vejamos:

“A voz do representante, mesmo o autônomo, é a voz do fornecedor e, por isso


mesmo, o obriga.” (ANTÔNIO HERMAN DE VASCONCELOS E BENJAMIN,
Código Brasileiro de Defesa do Consumidor Comentado Pelos Autores do
Anteprojeto, 2, Ed. Forense Universitária, p. 162). “O fornecedor deve assumir
total responsabilidade pelos atos praticados por seus prepostos, representantes
autônomos ou terceirizados, resguardando-se o seu direito de regresso em face
de quem deu causa ao dano sofrido pelo consumidor.” (JOSÉ LUIZ TORO DA
SILVA, Noções de Direito do Consumidor, Ed. Síntese, p. 47).

“A solidariedade do fornecedor perante os atos de seus prepostos (agentes,


corretores, empregados, comissionistas, divulgadores etc), ainda que sejam eles
representantes autônomos, é proclamada materialmente pelo artigo 34 do CDC.”
(HÉLIO ZAGHETTO GAMA, Curso de Direito do Consumidor, 2. Ed. Forense, p.
103).

E mais:

“As empresas que, segundo se alegou na inicial, permite a utilização de sua


logomarca, de seu endereço, instalações e telefones, fazendo crer, através da
publicidade e da prática comercial, que era responsável pelo empreendimento
consorcial, é parte passiva legítima para responder pela ação indenizatória
proposta pelo consorciado fundamentada nesses fatos.” (STJ – REsp
139.400/MG, rel. Min. César Asfor Rocha, DJU 25.9.2000, p. 103).

E mais:

INDENIZAÇÃO. CORRETOR DE SEGUROS. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DO


VALOR PAGO PELO SEGURADO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA
SEGURADORA. ARTIGO 34 DO CDC. O contrato de seguro está protegido pelo
Código de Defesa do Consumidor, erigindo a responsabilidade solidária da
seguradora pelo dano provocado ao segurado em razão da atuação ilícita do
corretor, ex vi do artigo do referido texto legal.” (TJMG, Ap. Cível 310020-1, rel.
Juiz Silas Vieira, j. 22.8.2000).

Nesta esteira, o CDC, em seu art. 14, adotou a teoria do risco do


empreendimento, segundo a qual todo aquele que se dispõe a exercer alguma
atividade no campo de fornecimento de produtos e serviços tem o dever de
responder pelos fatos e vícios resultantes do empreendimento,
independentemente de culpa, ex vi, artigo 14, caput, e § 1º , II da Lei 8078/90
(Código de Defesa do Consumidor):

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência


de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 1º O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor


dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes,
entre as quais:
(...)

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

Temos, portanto, que os requerentes invocam em seu favor nulidade de


pleno direito de eventuais cláusulas que contenham data de ressarcimento,
imposições para uso do imóvel, penitência por “supostos” prejuízos
causados e a multa, tendo, por consectário, a repetição do indébito verificado,
corrigido monetariamente, não havendo em se falar de desconto de eventuais
despesas administrativas, haja vista que as mesmas inexistem.

A imposição de tais cláusulas aos autores é extremamente abusiva, devendo ser


declaradas nulas por esse inolvidável juízo, uma vez que destoantes do que
prescreve o artigo 51, incisos I e IV, pois exoneram responsabilidade do
fornecedor pela sua mora ou descumprimento contratual, colocam o consumidor
em desvantagem exagerada pela inclusão de prazo indeterminado para a
entrega do imóvel e também estabelecem obrigações iníquas, malévolas e
incompatíveis com a boa-fé.

1.6. Da rescisão contratual

É sabido que o Código de Defesa do Consumidor abraçou no seu artigo 6º, VI o


princípio básico do consumidor consubstanciado na “efetiva prevenção e
reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos”, de
sorte que em sintonia com o princípio constitucional de que ninguém é obrigado
a associar-se ou deixar de associar-se a qualquer grupo, infere-se que ao se
desvincular de determinada entidade o indivíduo deve, de imediato, receber
aquilo que lhe é devido, sob pena de violação do princípio que veda o
enriquecimento sem justa causa.

É incontroverso o direito assegurado ao demandante de pleitear a rescisão


contratual por descumprimento contratual das empresas demandadas e de ter o
direito a reembolso das parcelas efetivamente pagas, corrigidas
monetariamente, além da reparação pelos danos morais sofridos

Com efeito, em todo contrato bilateral presume-se a existência de uma cláusula


resolutiva tácita autorizando o lesado pelo inadimplemento a pleitear a resolução
do contrato, com perdas e danos. Confira-se o que dispõem os arts. 474 e 475
do Código Civil:

“Art. 474. A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito; a tática depende
de interpelação judicial.”

“Art. 475. A parte lesada pelo inadimplento pode pedir a resolução do contrato,
se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos,
indenização por perdas e danos.”

Certo é que a inexecução pode ser culposa ou não. Se o devedor não cumpre
as obrigações contraídas, pode o credor exigir a execução do contrato,
compelindo-o a cumpri-las, ou exigir que lhe pague perdas e danos, além da
resolução do contrato.

Assim o STJ pacificou o entendimento com a fixação do enunciado Súmula 543:

Súmula 543 - Na hipótese de resolução de contrato de promessa de compra e


venda de imóvel submetido ao Código de Defesa do Consumidor, deve ocorrer
a imediata restituição das parcelas pagas pelo promitente comprador -
integralmente, em caso de culpa exclusiva do promitente vendedor/construtor,
ou parcialmente, caso tenha sido o comprador quem deu causa ao desfazimento.
(Súmula 543, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 26/08/2015, DJe 31/08/2015)

Em verdade, todos os contratos bilaterais trazem, implícita ou explicitamente, a


condição resolutiva, em razão da qual o pactuado entre os interessados pode
ser desfeito por força de sua resolução. Clara é a lição de Sílvio Rodrigues:

“Condição resolutiva da obrigação. – Dado o inadimplemento unilateral do


contrato, pode o contratante pontual, em vez da atitude passiva de defesa, adotar
um comportamento ativo na preservação de seus direitos. De fato, se o
inadimplemento resulta de culpa de um dos contratantes, a lei concede ao outro
uma alternativa. Com efeito, pode ele: a) exigir do outro contratante o
cumprimento da avença; ou b) pedir judicialmente a resolução do contrato
Dessarte, a forma mais equânime e justa de resolução seria o retorno das partes
ao “status quo ante”, sendo devida a devolução integral da importância
despendida pela parte autora.

No mesmo sentido é o entendimento jurisprudencial, em situações símiles, como


se vê adiante:

PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. DESFAZIMENTO DO


NEGÓCIO EM RAZÃO DA IMPOSSIBILIDADE DE PERFECTIBILIZAR O
FINANCIAMENTO JUNTO Á CAIXA ECONÔMICA. PLEITO DE RESTITUIÇÃO
DO SINAL. RESCISÃO SEM ÔNUS À PARTE AUTORA. DESFAZIMENTO DO
CONTRATO POR FATO ALHEIO Á VONTADE DA AUTORA, NÃO
VERIFICADA MÁ-FÉ DA PROMITENTE COMPRADORA. VEDAÇÃO AO
ENRIQUECIMENTO INDEVIDO. CONTRATO SEM PREVISÃO EXPRESSA DE
MULTA POR QUEBRA CONTRATUAL OU RETENÇÃO DE ARRAS.
RESTITUIÇÃO DO SINAL SEM A PENALIDADE DO ART. 418 DO CC.
RETORNO DAS PARTES ao “status quo ante”.

- Situação peculiar dos autos que exige se reconheça a legitimidade passiva da


imobiliária e dos corretores, para que também respondam pela restituição de
valores à autora, tendo em vista que o desfazimento do negócio não deve vir em
prejuízo exclusivo do promitente vendedor. Afastada prefacial de ilegitimidade.

- Ainda que a princípio o distrato não afaste o direito dos corretores à respectiva
remuneração, no caso concreto reconhecer a responsabilidade exclusiva do
promitente vendedor em restituir a quantia de VALOR A RESTITUIR à autora é
risco de materializar-se o injusto. Desta feita, tenho que a forma mais equânime
de retorno das partes ao “status quo ante” é o desfazimento da promessa de
compra e venda, respondendo todas as partes envolvidas: promitente vendedor,
imobiliária e corretores, os quais restituirão à compradora os valores que esta já
alcançou, e a compradora, por sua vez, arcando com as despesas condominiais,
como já posto na sentença.RECURSO DESPROVIDO. (TJRS - Recurso Cível
Nº 71002641025, Terceira Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator:
Carlos Eduardo Richinitti, Julgado em 27/01/2011)

E mais:
AÇÃO DE COBRANÇA. COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. ARRAS.
DESFAZIMENTO DO NEGÓCIO, POR FATO NÃO IMPUTÁVEL ÀS
PROMITENTES COMPRADORAS. DIREITO AO RESSARCIMENTO DO SINAL
PAGO. Uma vez resolvido o contrato, sem culpa de qualquer das partes, deve-
se buscar o retorno das partes ao status quo ante, mediante a restituição integral
do sinal pago, não havendo espaço para aplicação das penalidades previstas no
art. 418 do CC, tampouco retenção de percentual das arras pagas a título de
cláusula penal, pois a incidência de multa pressupõe um agir culposo ou ao
menos voluntário do contratante, requisito não implementado no caso dos autos.
RECURSO DESPROVIDO. (TJRS - Recurso Cível Nº 71002095578, Terceira
Turma Recursal Cível, Turmas Recursais, Relator: Eugênio Facchini Neto,
Julgado em 24/09/2009). (grifei)

E, finalmente, o artigo 413 do mesmo Codex preleciona:

Art. 413. A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação
principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for
manifestamente excessivo, tendo em vista a natureza e a finalidade do negócio.

Assim, é direito do consumidor ter revistas cláusulas contratuais que se mostrem


excessivamente desproporcionais e/ou tornem o pactum extremamente oneroso
por fato superveniente.

No caso em tela, os autores pretende a rescisão do contrato firmado com as


requeridas, diante dos fatos narrados acima, com a retenção de, no máximo,
10% do valor pago.

Assim, requer seja declarada a rescisão do contrato, bem como nula todas as
clausulas abusivas do referido contrato particular de promessa de venda e
compra de unidade imobiliária para devolução de 100% (cem por cento) de
todo valor despendido com o empreendimento retendo-se, se o caso, NO
MÁXIMO o percentual de 10% (dez) por cento de tais valores, condenando
as requeridas à devolução do restante do valor, devidamente corrigido
monetariamente a partir de cada desembolso, em parcela única (Súmula 543,
STJ; Súmula 2 TJSP), conforme jurisprudência pátria:
APELAÇÃO. COMPRA E VENDA DE BEM IMÓVEL. RESCISÃO
CONTRATUAL. Ação de rescisão contratual c. C. Devolução de quantias pagas.
Sentença de procedência. Inconformismo das rés. RETENÇÃO DE
PERCENTUAL SOBRE VALORES PAGOS. Cláusula penal contratual para o
caso de rescisão por culpa do adquirente que é flagrantemente abusiva ao
estabelecer retenção de percentual do valor total do contrato, que, na prática,
implicaria em perda desproporcional dos valores pagos. Retenção de valores
que deverá se limitar a 10% sobre o total pago, conforme determinado pela
sentença recorrida, quantia suficiente para compensar despesas provenientes
da comercialização do imóvel. Descabida a retenção de valores pagos a título
de arras, uma vez tratar-se confirmação do negócio, sem natureza penitencial.
Precedentes. TAXA DE ASSESSORIA DE CONTRATO. Verbas não
discriminadas na inicial, que se limitou a pedir a devolução de 90% do montante
total pago. Valores pagos a título de “assessoria”, por outro lado, que são
indevidos, uma vez tratar-se de cobrança abusiva. Precedentes do STJ.
Sentença mantida. Sucumbência da apelante, que deverá arcar com as custas,
despesas processuais e honorários advocatícios, mantidos em 10% sobre o
valor da condenação. NEGADO PROVIMENTO AO RECURSO. (Tribunal de
Justiça de São Paulo, Apelação nº 1000961-50.2015.8.26.0663, 3ª Câmara de
Direito Privado, Relator Des. Viviani Nicolau, julgado em 19/09/2016). [g.n]

Vejamos, ainda, entendimento do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos


Territórios:

CIVIL, CONSUMIDOR E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. RECURSO


ADESIVO. CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL.
NÃO OBTENÇÃO DE FINANCIAMENTO. RESPONSABILIDADE DO
PROMITENTE COMPRADOR. DESISTÊNCIA DO COMPRADOR.
RESTITUIÇÃO PARCIAL DOS VALORES PAGOS. REDUÇÃO DA CLÁUSULA
PENAL PARA 10%. JUNTADA DE DOCUMENTO NAS RAZÕES DE
APELAÇÃO. PRECLUSÃO. DANO MORAL. INEXISTÊNCIA. MERO
ABORRECIMENTO. JUSTIÇA GRATUITA. REVOGAÇÃO. SUPERAÇÃO DA
CONDIÇÃO DE MISERABILIDADE DECLARADA. CAUSA ATUAL. AUSÊNCIA
DE COMPROVAÇÃO. APELO PARCIALMENTE PROVIDO. RECURSO
ADESIVO IMPROVIDO. Matéria fática. "Trata-se de pedido de rescisão de
contrato de promessa de compra e venda de imóvel, de restituição de todas as
quantias pagas na forma dobrada, de declaração de nulidade de cláusulas
contratuais abusivas, de condenação na compensação por dano moral e de
exoneração das cobranças relativas a taxas de condomínio".

1. Ação de resilição contratual e ressarcimento de danos decorrentes da


desistência dos promitentes compradores. 1.1. Sentença de parcial procedência
que rescindiu o contrato de promessa de compra e venda e condenou as rés ao
pagamento da diferença entre a quantia total paga e a retenção de 25% desta
(cláusula contratual 9.5), bem como restituir as despesas com despachante e
documentação. 1.2. Apelo dos autores para que a devolução dos valores pagos
seja integral, sem multa e incluindo o valor referente à avaliação do imóvel, bem
como a condenação a título de danos morais.1.3. Recurso adesivo para que não
seja suspensa por 5 anos a exigibilidade da obrigação de pagamento dos
honorários de advogado tendo em vista o valor que os autores receberão em
decorrência da condenação.

(...)

4. É abusiva a cláusula contratual que prevê a devolução de percentual de 25%


do valor pago a título de retenção. 4.1. Nos termos do artigo 51, IV do Código de
Defesa do Consumidor "São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas
contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que estabeleçam
obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em
desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade."
4.2.Aaludida cláusula é nula de pleno direito por não atender aos princípios da
proporcionalidade e razoabilidade ao colocar os autores em desvantagem
exagerada.

5. Nas hipóteses de resilição unilateral por desistência do promitente comprador,


a jurisprudência desta Casa, na esteira de precedentes do STJ, tem autorizado,
como regra, a retenção de 10% dos valores efetivamente quitados. 5.1. Confira-
se: "(...) Afigura-se razoável a aplicação do percentual de 10% sobre os valores
efetivamente desembolsados pelo promitente comprador, para se evitar o
enriquecimento ilícito de uma das partes, haja vista que, com a resilição
contratual, elas devem voltar ao status quo ante." (20150310115454APC,
Relatora: Leila Arlanch, 2ª Turma Cível, DJE 03/03/2016). (...) (Acórdão
n.1080530, 20150910242490APC, Relator: JOÃO EGMONT 2ª TURMA CÍVEL,
Data de Julgamento: 07/03/2018, Publicado no DJE: 12/03/2018. Pág.: 317/360)
[g.n]

Desse modo, considerando a rescisão contratual, que aqui se requer por cautela
o seu reconhecimento ou declaração, devem as Requeridas serem compelidas
a restituirem aos Requerentes os valores pagos, retendo-se, se o caso, NO
MÁXIMO o percentual de 10% (dez) por cento de tais valores. Saliente-se que
os valores a ser restituídos deverão ser devidamente corrigidos monetariamente
desde cada desembolso e acrescidos de juros de mora de 1% (um por cento) ao
mês, a contar da citação.

1.7. Da taxa de corretagem

Com respeito à comissão de corretagem, tem-se que a mesma deve ser paga
por aquele que contratou o serviço do corretor de imóveis ou da imobiliária para
intermediar o negócio conforme as suas instruções, não sendo razoável nem
justo que a autora pague por um serviço que não contratou.

Nesse sentido é o que dispõe o Novel Codex Civil, in literis:

Art. 722. Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude
de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência,
obriga-se a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções
recebidas.

Art. 724. A remuneração do corretor, se não estiver fixada em lei, nem ajustada
entre as partes, será arbitrada segundo a natureza do negócio e os usos locais.

Com efeito, usualmente quem paga a comissão é quem procura os serviços do


corretor, como, por exemplo, nos contratos de compra e venda, o vendedor é
quem terá a referida incumbência. A solução adotada é a mais lógica, visto que
aquele que contrata o corretor é quem deve efetuar o pagamento de sua
remuneração, visto que o terceiro não estabelece nenhuma relação jurídica com
este.
Vejamos, a propósito, o que têm decidido nossos tribunais a respeito do assunto:

PROMESSA DE COMPRA E VENDA - INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA -


UNIDADE HABITACIONAL EM CONDOMÍNIO - ATRASO NA ENTREGA DA
OBRA - CULPA DA CONSTRUTORA - RESCISÃO CONTRATUAL -
DEVOLUÇÃO DAS PARCELAS PAGAS - COMISSÃO DE CORRETAGEM
DEVIDA POR QUEM A CONTRATA - RECURSO NÃO PROVIDO.

Demonstrada a culpa da construtora quanto ao prazo para a entrega da obra,


correta é a decisão que rescinde o contrato e determina a esta a devolução dos
valores pagos pelo compromissário comprador, monetariamente corrigido,
desde o desembolso de cada parcela. A despesa com comissão de corretagem
deve ser suportada pela compromissária vendedora, se ela própria contratou
vendedor comissionado e com ele ajustou o percentual respectivo.

(TJPR - AC 3081205 PR 0308120-5 - Relator (a): Marcos S. Galliano Daros -


Julgamento: 28/02/2007 - Órgão Julgador: 16ª Câmara Cível - Publicação: DJ:
7324).

JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS - RECURSO INOMINADO - CONSUMIDOR -


CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL -
COMISSÃO DE CORRETAGEM - De regra paga pelo vendedor, salvo
estipulação clara e expressa em contrário. Ausência de previsão. Cobrança
abusiva pela falta de informação. Ofensa aos princípios da boa-fé objetiva e da
informação (ARTS. 4º, INCISOS I E III, E 6o INCISO III, DO CDC). Restituição
dos valores pagos de forma simples. Recurso conhecido e parcialmente provido.
1- É indevida a cobrança de comissão de corretagem da consumidora/adquirente
de imóvel se não há previsão contratual de pagamento do referido serviço,
impondo-se a devolução da quantia vertida a este título. 2- Na hipótese, inexiste
nos autos contrato de prestação de serviço para intermediação de compra e
venda de imóvel. E mais, não consta no contrato de promessa de compra e
venda, acostado às fls. 48/58, previsão expressa acerca do pagamento de
quantia a título de corretagem por parte do comprador. 3- De regra, quem paga
a comissão de corretagem é o vendedor, salvo estipulação clara e expressa em
contrário, e na mesma forma em que se operou o contrato principal de compra e
venda. 4- Em homenagem aos princípios da boa-fé objetiva e da informação,
caberia à empresa recorrida, no momento das tratativas do negócio, alertar o
consumidor de que haveria cobrança de comissão por corretagem, e sua
responsabilidade pelo pagamento. 5- Contudo, entendo que a falta de
informação não consiste em má-fé a atrair a devolução na forma dobrada,
devendo esta se processar na forma simples. 6- Recurso conhecido e
parcialmente provido. Sem custas adicionais. Sem honorários advocatícios, à
ausência de recorrente vencido. (TJDFT - Proc. 20110110711554 - (572767) -
Rel. Juiz Demetrius Gomes Cavalcanti - DJe 19.03.2012 - p. 299).

APELAÇÃO CÍVEL. COBRANÇA. COMISSÃO DE CORRETAGEM. 1. De regra,


a comissão de corretagem exige três requisitos básicos: a) a autorização do
vendedor para intervenção do corretor na realização do negócio; b) a
aproximação das partes pela ação do mediador, e c) obtenção de resultado útil,
ou seja, concretização da compra e venda. 2, prova segura acerca da presença
dos três requisitos, demonstrando a exigibilidade da comissão. 3. Apelação sem
provimento. Sentença Mantida.

(TJCE – AC 7590.2003.8.06.00341– Rel. Des. LINCOLN TAVARES DANTAS –


Órgão Julgador: 4ª Câmara Cível – j. 02.05.2008).

Sendo assim, todo o quantum desembolsado pelos requerentes devem ser


ressarcidos pelas empresas requeridas, a título de reembolso, acrescidos dos
juros e correções legais, não restando dúvida, pelos documentos trazidos à
colação, sobre o direito à repetição perseguido nesta querela.

DO DANO MORAL

No âmbito constitucional, não se pode olvidar que a Constituição Federal de


1988, no artigo 5º, inciso X, normatizou, de forma expressa, que são invioláveis
a intimidade, a vida privada e a honra e a imagem das pessoas, assegurando o
direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
Trata-se de previsão inserida no Título dos Direitos e Garantias Fundamentais,
ou seja, os bens jurídicos ali referidos são cruciais para o desenvolvimento do
Estado Democrático.
A concessão dos danos morais tem por escopo proporcionar ao lesado meios
para aliviar sua angústia e sentimentos atingidos. In casu, a falta de cumprimento
contratual pelas empresass requeridas, nas condições em que os fatos
ocorreram, enseja indenização por dano moral, que se traduz em uma forma de
se amenizar a dor e o sofrimento dos requerentes, afetados que ficaram em suas
dignidades, sendo certo que se é verdade que não há como mensurar tal
sofrimento, menos exato não é que a indenização pode vir a abrandar ou mesmo
aquietar a dor aguda.

A indenização por danos morais, como registra a boa doutrina e a jurisprudência,


há de ser fixada tendo em vista dois pressupostos fundamentais, a saber: a
proporcionalidade e razoabilidade. Tudo isso se dá em face do dano sofrido pela
parte ofendida, de forma a assegurar-se a reparação pelos danos morais
experimentados, bem como a observância do caráter sancionatório e inibidor da
condenação, o que implica o adequado exame das circunstâncias do caso, da
capacidade econômica do ofensor e a exemplaridade - como efeito pedagógico
- que há de decorrer da condenação.

Vejamos, a propósito, o que ensina o mestre Sílvio de Salvo Venosa em sua


obra sobre responsabilidade civil:

"Os danos projetados nos consumidores, decorrentes da atividade do fornecedor


de produtos e serviços, devem ser cabalmente indenizados. No nosso sistema
foi adotada a responsabilidade objetiva no campo do consumidor, sem que haja
limites para a indenização. Ao contrário do que ocorre em outros setores, no
campo da indenização aos consumidores não existe limitação tarifada." (Direito
Civil. Responsabilidade Civil, São Paulo, Ed. Atlas, 2004, p. 206).

Nas palavras do emérito Desembargador Sérgio Cavalieri Filho:

“...o dano moral não está necessariamente vinculado a alguma reação psíquica
da vítima. Pode haver ofensa à dignidade da pessoa humana se, dor, sofrimento,
vexame, assim como pode haver dor, sofrimento, vexame sem violação da
dignidade....a reação química da vítima só pode ser considerada dano moral
quando tiver por causa uma agressão à sua dignidade.” (Programa de
Responsabilidade Civil, 10ª edição, Atlas, 2012, São Paulo, pág.89).
A reparação do dano moral não visa, portanto, reparar a dor no sentido literal,
mas sim, aquilatar um valor compensatório que amenize o sofrimento provocado
por aquele dano, sendo a prestação de natureza meramente satisfatória. Assim,
no caso em comento, clarividente se mostra a ofensa a direitos extrapatrimoniais,
haja vista toda a angústia e transtorno que os requerentes e sua família vêm
sofrendo.

Com relação à prova do dano extracontratual, está bastante dilargado na


doutrina e na jurisprudência que o dano moral existe tão-somente pela ofensa
sofrida e dela é presumido, sendo bastante para justificar a indenização, não
devendo ser simbólica, mas efetiva, dependendo das condições
socioeconômicas dos autores, e, também, do porte empresarial das rés. É
corrente majoritária, portanto, em nossos tribunais a defesa de que, para a
existência do dano moral, não se questiona a prova do prejuízo, e sim a violação
de um direito constitucionalmente previsto.

Trata-se do denominado Dano Moral Puro, o qual se esgota na própria lesão à


personalidade, na medida em que estão ínsitos nela. Por isso, a prova destes
danos restringir-se-á à existência do ato ilícito, devido à impossibilidade e à
dificuldade de realizar-se a prova dos danos incorpóreos. Não é sem razão que
os incisos V e X do artigo 5º da CF/88 asseguram com todas as letras a
reparação por dano moral, senão vejamos:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:

V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da


indenização por dano material, moral ou à imagem;

X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,


assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de
sua violação;”

Sobre o assunto, disserta Cavalieri Filho, in literis:


“...o dano moral está ínsito na própria ofensa, decorre da gravidade do ilícito em
si. Se a ofensa é grave e de repercussão, por si só justifica a concessão de uma
satisfação de ordem pecuniária ao lesado. Em outras palavras, o dano moral
existe in re ipsa; deriva inexoravelmente do próprio fato ofensivo, de tal modo
que, provada a ofensa, ipso facto está demonstrado o dano moral à guisa de
uma presunção natural...” (Ob. cit. pág.97).

E ainda disserta o ilustre magistrado:

A reparação por dano moral não pode constituir de estímulo, se insignificante, à


manutenção de práticas que agridam e violem direitos do consumidor. Verificada
a sua ocorrência, não pode o julgador fugir à responsabilidade de aplicar a lei,
em toda a sua extensão e profundidade, com o rigor necessário, para restringir
e até eliminar, o proveito econômico obtido pelo fornecedor com a sua conduta
ilícita. A previsão de indenizações módicas ou simbólicas não pode ser
incorporada `a planilha de custos dos fornecedores, como risco de suas
atividades (ob. cit. pág.105).

Para o caso em apreço, assim têm se comportado a jurisprudência pátria, senão


vejamos:

APELAÇÃO - COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA - RESCISÃO -


INADIMPLEMENTO - IMÓVEL NÃO ENTREGUE - CULPA EXCLUSIVA DA
COOPERATIVA - RESTITUIÇÃO INTEGRAL E IMEDIATA - DEVIDA
INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL - 1- A rescisão do contrato de compromisso
de compra e venda por culpa exclusiva do compromissário vendedor implica na
devolução integral e imediata dos valores pagos pelos compromissários
compradores. 2- Embora a questão cuide de inadimplemento contratual, risco
inerente a qualquer negócio jurídico, é inegável a configuração do dano moral.
Houve, sem dúvida, abuso da boa-fé da adquirente, que foi iludida com a
promessa da casa própria, mas não pode usufruir do bem, não entregue. 3-
Reparação por dano morais concedida no valor de R$ 7.000,00, montante que
atende à moderação que se reclama nestes casos e está de acordo com a
orientação da jurisprudência do Tribunal. Recurso provido para excluir a dedução
de 20% das quantias pagas pela autora, bem como, para condenar a
cooperativas rés ao pagamento de indenização por danos morais. (TJSP - Ap
9172218-37.2007.8.26.0000 - São Paulo - 10ª CD.Priv. - Rel. Carlos Alberto
Garbi - DJe 30.10.2012 - p. 1211)

Doutro lado, os parâmetros judiciais para o arbitramento do quantum


indenizatório são delineados pelo prudente arbítrio do julgador, haja vista que o
legislador não ousou, através de norma genérica e abstrata, pré-tarifar a dor de
quem quer que seja. Por esse raciocínio, ao arbitrar o quantum da indenização,
deve o magistrado levar em conta "a posição social do ofendido, a condição
econômica do ofensor, a intensidade do ânimo em ofender e a repercussão da
ofensa", conforme orientação jurisprudencial.

Registre-se, nesta ansa, o comando inserido no artigo 6º do CDC, aplicáveis à


presente contenda:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

(...)

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,


coletivos e difusos;

Nesta esteira, o CDC, em seu art. 14, adotou a teoria do risco do


empreendimento, segundo a qual todo aquele que se dispõe a exercer alguma
atividade no campo de fornecimento de produtos e serviços tem o dever de
responder pelos fatos e vícios resultantes do empreendimento,
independentemente de culpa, ex vi, artigo 14, caput, e § 1º , II da Lei 8078/90
(Código de Defesa do Consumidor):

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência


de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 1º O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor


dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes,
entre as quais:
(...)

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

Coerente se faz a doutrina que indica que além de respeitar os princípios da


equidade e da razoabilidade, deve o critério de ressarcibilidade do dano moral
considerar alguns elementos como: a gravidade e extensão do dano, a
reincidência do ofensor, a posição profissional e social do ofendido e as
condições financeiras do ofendido e ofensor. Apenas para supedanear a decisão
meritória, o parâmetro que entende razoável os requerentes é o de que o valor
não deverá ser abaixo de R$ XXXXX (XXXXX).

Assim, no caso em comento, clarividente se mostra a ofensa a direitos


extrapatrimoniais, haja vista toda a angústia e transtorno que os requerentes
sofreram e ainda vem sofrendo, sendo, pois, parâmetro que se revela justo para,
primeiro, compensar os autores pela dor sofrida, sem, no entanto, causar-lhe
enriquecimento ilícito, e, segundo, servir como medida pedagógica e inibidora
admoestando o plano peticionado pela prática do ato ilícito em evidência.

DA TUTELA DE URGÊNCIA DE NATUREZA ANTECIPADA

O artigo 300 do Código de Processo Civil determina que poderá se antecipar os


efeitos da tutela do pedido inicial, desde que presentes elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou risco ao resultado
útil do processo, in verbis:

Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado
útil do processo

(...)

§ 2o A tutela de urgência pode ser concedida liminarmente ou após justificação


prévia

No caso dos autos, com relação à probabilidade do direito comprovada


documentalmente e com base na legislação em vigor, demonstrado está o direito
dos Autores de rescindirem o contrato formalizado com as partes adversas, bem
como, ter restituído os valores até então pagos, devidamente corrigidos.

O fundado receio de perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo é


descaradamente explícito, já que em permanecendo a obrigação de pagamento,
os autores está sujeito aos efeitos da mora, podendo ter seu nome maculado
junto aos órgãos de proteção ao crédito, bem como sofrer execução e
expropriação indevida de seus bens.

Aguardar o resultado final da presente demanda, sem aqui ter a pretensão de


fazer qualquer pré-julgamento, mas apenas embasado nas provas inequívocas
dos autos, será o mesmo que não ter efeito prático da tutela jurisdicional ora
pleiteada, já que poderá os Requerentes sofrerem mais prejuízos
financeiros/morais, tornando irreversível a situação, devendo a tutela
jurisdicional aqui buscada ser concedida de maneira imediata e não após longo
tempo de batalha judicial, como ocorre em feitos desta natureza.

Nesta esteira, o CDC, em seu art. 14, adotou a teoria do risco do


empreendimento, segundo a qual todo aquele que se dispõe a exercer alguma
atividade no campo de fornecimento de produtos e serviços tem o dever de
responder pelos fatos e vícios resultantes do empreendimento,
independentemente de culpa, ex vi, artigo 14, caput, e § 1º , II da Lei 8078/90
(Código de Defesa do Consumidor):

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência


de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 1º O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor


dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes,
entre as quais:

(...)

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;


Eis que, não se afigura lícito seja os ora Reqtes. obrigados a aguardarem
provimento final do presente feito, para terem definitivamente suspenso os
débitos realizados a obtenção do empreendimento, mormente porquanto, os
Reqtes. NADA DEVEM seja a que título for, diante do ato ilícito e abusivo
perpetuado pelas Requeridas e, sob o perigo de indevidos apontamentos
negativos futuros em seu nome que lhe carrete sérios e irreparáveis prejuízos de
ordem material e moral, os quais restam inequivocamente provados.

Assim, requer, liminarmente: i) a declaração de rescisão do contrato ii) sejam as


requeridas compelidas a não efetuarem qualquer tipo de cobrança relacionada
ao contrato pactuado judicial ou extrajudicial em nome dos Requerentes dos
Requerentes a contar do pedido de rescisão contratual (20/11/2018), bem como
que impossibilite as Requeridas de efetuarem quaisquer restrições em nome dos
Requerentes junto aos órgãos de proteção ao crédito, sob pena de fixação de
astreintes, em valor suficiente a desestimular as Requeridas de eventual intento
de resistir ou não cumprir a ordem.

DOS PEDIDOS

"EX POSITIS", requer primeiramente digne-se Vossa Excelência de, recebendo


a presente petição inicial com os documentos que a instruem, deferir o pedido
de JUSTIÇA GRATUITA, bem como que a presente demanda seja observada
sob a ótica da legislação consumerista como de fato se configura, invertendo-se
por consequência o ônus probatório

Em face do exposto, requer, que se digne Vossa Excelência de:

a-) A antecipação da tutela, “inaudita altera parte”, para o fim que seja declarada
a rescisão do contrato e seja as Rés compelidas a não efetuarem qualquer tipo
de cobrança relacionada ao contrato pactuado judicial ou extrajudicial em nome
dos Requerentes a contar do pedido de rescisão contratual , bem como que
impossibilitem as Requeridas de efetuarem quaisquer restrições em nome dos
Requerentes junto aos órgãos de proteção ao crédito, sob pena de fixação de
astreintes, em valor suficiente a desestimular as Requeridas de eventual intento
de resistirem ou não cumprirem a ordem, cuja medida ao final deverá ser
convertida em medida definitiva;
b-) Requer seja determinada a inversão do ônus da prova, nos termos do art. 6º,
VIII da Lei 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor).

c-) Sejam as Requeridas citadas e intimadas a comparecerem em audiência a


ser oportunamente designada por esse DD. Magistrado e, em querendo,
apresentar defesa que entenderem de direito, sob pena de sofrer os efeitos da
confissão e revelia;

Provado quanto baste e empós os ulteriores termos legais, julgar inteiramente


PROCEDENTE A AÇÃO, para o fim de:

d-) Declarar nulas as cláusulas contratuais que atentem contra os princípios


consumeristas, por serem abusivas e iníquas, uma vez que destoantes do que
prescreve o artigo 51, incisos I e IV, pois exoneram responsabilidade do
fornecedor pela sua mora ou descumprimento contratual, colocam o consumidor
em desvantagem exagerada pela postergação do reembolso, como também
estabelecem obrigações iníquas, malévolas e incompatíveis com a boa-fé,
devendo as empresas rés responderem integralmente pelo método comercial
desleal e abusivo imposto no contrato em lide;

e-) Declarar a rescisão do contrato travado entre os litigantes, determinando o


imediato ressarcimento aos requerentes do VALOR DA COMISSÃO DE
CORRETAGEM, VALOR DO SINAL e VALORES PAGOS INTERMEDIÁRIOS,
o que totaliza R$ XXXXXX (XXXX), acrescido de correção tendo por base o IGP-
M, a contar do arbitramento, com juros de mora de 1% ao mês, a contar da
citação, descontados os percentuais legais a título de distrato.

f-) Condenar as Requeridas a ressarcirem os danos morais indevida e


ilegalmente carreados aos Requeridos, requerendo sejam estes fixados em R$
XXXX (XXXX), valor este que, s.m.j.¸ entende ser razoável, dada a gravidade e
ilicitude da conduta adotada e perpetuada pelas Reqdas. em face do Reqtes. ou,
se este não for o entendimento deste Douto Julgador, que o valor seja arbitrado
em montante significativo de modo a efetivamente penalizar as Reqdas. e inibi-
las na continuidade de tão grave prática ilícita e por demais reprovável;
g-) A condenação das Rés ao pagamento das custas processuais e dos
honorários advocatícios no importe de 20% do valor total da condenação;

Protesta, ainda, a provar todo o alegado através de todos os meios de prova em


direito admitidos, juntada de novos documentos, perícias, o que desde já fica
expressamente requerido, além dos demais meios necessários, sem exceção de
quaisquer, para perfeita instrução da presente demanda.

Diante do exposto, informa haver interesse na designação de audiência


conciliatória,

Atribui-se à presente causa, apenas e tão somente, para efeitos de alçada, o


valor de R$ XXXXX (XXXX).

Termos em que,

Pede deferimento.

São Paulo, 25 de fevereiro de 2019.

(ADVOGADO)

OAB/XX nº XXX