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Rio de Janeiro, 9 de abril de 2019

HISTÓRIA DA ARTE – EBA/UFRJ

Disciplina: ​Arte e Filosofia – 2019.1


Professor: ​Paulo da Costa
Estudantes: ​Deivid Rodrigues, Felipe Bedin, Emily Sales, Nathalia Lessa, Victor São Thiago

A partir da análise da introdução do livro “História da Arte”, de E. H. Gombrich, intitulada


“Sobre Artes e Artistas”, podemos destacar quatro questões enunciadas pelo autor:

1 – A inexistência de um parâmetro de certo ou errado na arte

O texto trata sobre não existir certo e errado quando o assunto é gostar ou não de uma obra,
desde que não haja preconceito nessa interpretação. Há uma tendência a só se admirar aquilo
que é realista e convencionado como belo. Como exemplo, são apresentados quadros de
Rubens e Dürer. Os dois representaram pessoas que amavam: Rubens pintou seu filho, uma
criança bonita, e Dürer sua mãe, com todos os detalhes de sua idade avançada. Sendo assim,
o último pode causar certa estranheza a princípio, mas quando esta é ultrapassada, é possível
a percepção de que ambas são belas obras.

2 – A inexistência da Arte com A maiúsculo

Segundo Gombrich, A Arte com A maiúsculo não existe, porque não se julga/classifica uma
obra, pintura, escultura, ou qualquer manifestação artística sem antes analisar a época, espaço
e contexto na qual ela foi feita. É importante lembrar que a arte tem múltiplos significados.
Por exemplo, objetos feitos em determinada época conta com ideias, crenças e valores
daquele tempo, que são diferentes dos atuais. Deve-se levar em consideração que nem toda
obra foi feita para se apreciar em museus, elas podem ter diversas funções e conjunturas.
3 – Não acredita que o “parecer com o real” deve ser o principal modo de valoração da
arte.

Gombrich diz que não acredita que o “parecer com o real” deve ser o principal modo de
valoração da arte. Toda arte, inclusive esta que busca uma semelhança com o real também é
convencional. Para provar seu ponto, Gombrich usa dois ótimos exemplos. O primeiro é
sobre a representação de cavalos em corrida. Durante séculos, pinturas mostraram os cavalos
congelados na ação com quatro patas no ar. Com o desenvolvimento da fotografia, entretanto,
provou-se que tal coisa não ocorre na realidade, entretanto durante algum tempo muitos ainda
olhavam para pinturas esperando ver os cavalos representados daquele outro modo.
O segundo exemplo que Gombrich se utiliza e que merece a ilustração aqui é o processo de
produção da obra de Caravaggio chamada “São Mateus e o Anjo”. Duas versões da mesma
obra, ambas de 1602. Feita por encomenda para o altar de uma igreja em Roma, a versão da
esquerda foi a primeira realizada. Foi rejeitada pela Igreja, por representar São Mateus de
uma forma humanizada. Nesta ação representada abaixo, o santo começa a escrever
milagrosamente, guiado por um santo. Nada mais apropriado do que mostrar o homem
simples que, tocado pela mão divina, ainda tem dificuldades de postura e manuseio dos
objetos de escrita. Entretanto, a Igreja achou que tal representação mundana de Mateus e do
anjo não era apropriada e preferiu a versão mais ascética.
A visão do artista capta do real aquilo que é sua essência e eleva esse momento percebido ao
status de poesia, de inspiração, o que aumenta a nossa dimensão e consciência. Diz o
pensador russo do século XX, A. Ziss: "O artista, perante os fenômenos da vida, procura
compreendê-los e, para isso,separa o essencial do secundário, o geral do particular, o
necessário do fortuito. Diferentemente dos acontecimentos vividos, os fatos com os quais
opera a autêntica arte realista não comportam nada de supérfluo. O artista "liberta", de algum
modo, o fenômeno retido do contingente e parcial que obscurece a essência. Reproduz não
toda a plenitude do real vivido, mas apenas os traços dominantes que encerram a "alma viva".
O real que nos solicita movimento é um desses infinitos aspectos de que é constituído e que
permite mil modos de enxergar, de traduzir, de falar, de perceber, de pintar. A realidade é a
potencialidade de tudo acontecer. Quando o artista cria uma obra de arte, ele está fornecendo
uma parte do real vista por ele, que apresenta à visão do público, a quem se liga, mesmo que
silenciosamente. É como se a obra do artista fosse uma especie de janela para ver o real.
4 – O risco daqueles que apreciam arte se tornarem figuras esnobes (pag 9)

Por último, o autor alerta para um risco eminente de que aqueles que se aventuram a
pesquisar arte sejam tomados por certa prepotência ou finjam interesse por algumas obras
simplesmente para receberem um selo de cultas. Gombrich destaca que o gesto da fruição
espontânea em torno da arte deveria preceder a tentativa inócua de apenas demonstrar
domínio de aspectos catalogáveis de uma obra.

Um exemplo que o autor traz é o da apreciação hipotética de alguma obra qualquer de


Rembrandt. Na anedota de Gombrich, uma pessoa interessada apenas em exibir seu
conhecimento a respeito de Rembrandt contemplaria um quadro seu e imediatamente
comentaria a presença do “chiaroscuro” (já que o pintor holandês é reconhecido por sua
iluminação de contrastes e uso desta técnica) apenas para demonstrar conhecimento do termo
e seguiria para outro quadro. ​Em gestos dessa natureza, o autor diagnostica um misto de
semiconhecimento e esbonismo que secundariza a relação da pessoa com a obra em si. Essa
postura exibicionista nada teria a ver com a fruição que a arte requer e, para Gombrich, é uma
tentação a ser combatida.

REFERÊNCIAS:

GOMBRICH, Ernst Hans. ​A história da arte.​ 16. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999. 688 p

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