Vous êtes sur la page 1sur 2

Faculdade Dehoniana

PASTORAL I: FUNDAMENTOS
Filipe Henrique de Araújo
27/05/2019

EXERCÍCIO DE RESENHA

BINGEMER, M. C. L. Missão e serviço (das fontes aos novos desafios). Atualidade Teológica. Ano
VII, 2004, Fasc. 17, p 180-202.

Missão e serviço, duas palavras comuns que expressam o modus operandi de Jesus e, por
conseguinte, da Igreja. Tal forma de atuar já se encontra no seio da Trindade cujo missionário-servo
é a própria Pessoa do Filho, Jesus, que revelou seu senhorio através de seu trabalho missionário e
pelo esvaziamento da condição divina, para ser um “simples servo” de seu povo. Desse modo, a Igreja
deve seguir esse exemplo, ou não será a Igreja de Cristo.
A teologia da missão desenvolveu-se, paulatinamente, ao longo da história. Obviamente tal
desenvolvimento respondia aos diferentes contextos nos quais o Evangelho precisava ser anunciado.
Em uma macrovisão, vê-se que os primeiros destinatários da Boa-Nova foram os judeus, depois
espalhou-se pelo Império Romano e por todo “mundo conhecido” da antiguidade, até que diante da
descoberta do “Novo Mundo”, a América, a missão reinventa-se.
Se outrora a missão era essencialmente proselista, na atualidade é imperativo que o
missionário não se veja como alguém estranho a sociedade e a cultura na qual o Evangelho deve ser
anunciado. O missionário deve viver com o povo destinatário da Boa-Nova e em seu meio, mergulhar
na cultura e na sociedade, a fim de encontrar-se e servi ao Cristo presente nos mais pobres. Tal
inserção no tecido social deve ser procedido do diálogo, da valorização do humano e da prática do
amor.
A espiritualidade do profeta é muito bem expressa pelo ser profeta. Isto implica em sempre
ser movido pelo Espírito a fim de denunciar todas estruturas de opressão, anunciar e edificar o Reino
e, desse modo, fazer da vida um constante serviço ao próximo. Segue-se ao Cristo no pobre e vive-se
como o Cristo pobre, colocando-se os excluídos como principais destinatários do serviço.
O missionário, na atualidade, é aquele que inclui e dialoga, aquele que impelido pelo
Espírito, reconhece os sinais dos tempos e não olha para trás, mas sempre está aberto para o novo de
Deus. Assim, mesmo que não saiba o termo da história, vivencia cada dia na prática do serviço e
edificando o Reino. A missão não é uma propaganda da Igreja Católica, mas o anúncio de que Deus
é o Abba de todos, desse modo não se promove uma religião, mas busca-se a edificação do Reino
pela união de todos pela prática do amor e da fraternidade.
Portanto, a partir do Concílio Vaticano II a missão não deve ser compreendida como a
conversão a uma instituição, mas sim pela luta contra as estruturas e práticas que promovem a
desigualdade e que oprimem os pequeninos. A missão, traz consigo os sinais escatológicos do
Messias, isto é, traz a vida para todos aqueles que se encontram doentes, presos e massacrados por
estruturas más. Daí vê-se que a marca maior da missão é o serviço, a partilha, a promoção da vida.
A Igreja vive tempos obscuros, diante da mudança epocal, muitos grupos não sabendo como
se portar, aspiram um retorno a Trento e com isso fecham-se para os desafios do tempo presente e
apresentam respostas ultrapassadas, que aparentam grande piedade e ortodoxia. Entretanto, para
quem tem um mínimo conhecimento bíblico e da história da Igreja, verá que o Reino e a Igreja não
se desenvolveram “voltando atrás”, mas sempre olhando para frente e sempre abertos para as
inspirações do Espírito.
Quem coloca a mão no arado e olha para trás não é digno de Cristo e de seu Reino, se a
atualidade é marcada por inúmeras incertezas, as respostas serão encontradas se avançando para águas
profundas e não se enterrando os talentos. Sem enculturação, sem diálogo, a Igreja já não será a
presença de Cristo, já que quando Cristo se encarnou, Ele revestiu-se da condição humana,
respeitando-a e respondendo aos problemas de seu tempo, assim deve ser a Igreja e seus missionários,
2

revestidos do ser humano da atualidade, tomar consciência que o Evangelho precisa ser encarnado e
parar de ter aspirações excelsas, celestiais, mas sujar-se e servir, dando respostas aos problemas de
hoje e não de cinco séculos atrás. Pseudo conservadores tornam a Igreja caduca, esquizofrênica e
dispensável.
Se a Igreja quer ter uma palavra pertinente para a sociedade atual, ela não se pode ver
diferente dela, mas reconhecer que ela não é puramente celeste, mas também humana, com raízes
profundas nessa terra e é nesse solo que ela não deve apenas ostentar verdes folhas, mas é chamada
a dar frutos de paz, de justiça, de misericórdia. Frutos esses que promovem e edificam o Reino,
sobretudo ao devolver a dignidade aos mais pobres. Uma Igreja que enxerga que o inimigo é quem
tem uma outra religião e assim este precisa se converter, mas que prescinde e até mesmo crítica quem
luta contra a pobreza e a opressão não pode se denominar de Igreja cristã, pois a opção de Cristo foi
justamente pelo promoção dos pobres e pela incansável busca pela justiça, paz e misericórdia.

Referências:

BINGEMER, M. C. L. Missão e serviço (das fontes aos novos desafios). Atualidade Teológica. Ano
VII, 2004, Fasc. 17, p 180-202.