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A construção a 3

November 8, 2017 Tiago Martins Análise, Futebol, Táctica

São muitas as equipas que hoje em dia defendem numa estrutura de 1-4-4-2. Esta moda não é recente, e
chegou ao seu pico de perfeição com Simeone, que o aplicou no seu Atlético de Madrid. Esta estrutura
consegue ser defensivamente eficaz devido à existência de duas linhas de 4 que facilitam o controlo da
profundidade e da largura. Para além destes benefícios, permite que os dois pontas-de-lança pressionem os
defesas centrais adversários, retirando-lhes tempo e espaço para decidirem e executarem da melhor forma.
Como resposta lógica a esta moda, muitas equipas acrescentaram um outro jogador à fase de
construção, para auxiliarem os defesas-centrais na fase de construção. A ideia principal por trás desta
mudança é a criação de uma situação de superioridade numérica em zona recuada, permitindo que haja pelo
menos um jogador livre para executar a construção de jogo da equipa. Hoje em dia, esta é uma forma de
abordar o jogo que se verifica na grande maioria das equipas Europeias de topo. Mas nem todas as equipas o
fazem da mesma forma.
A forma mais simples e fácil de assegurar que temos 3 jogadores na fase de construção é utilizar um sistema
de 3 centrais. Este tipo de sistemas está novamente em voga no futebol Europeu, e uma das principais razões
que sustentam este regresso é o facto de se criarem superioridades numéricas em zonas recuadas (para além
das naturais preocupações defensivas que também sustentam esta escolha). A equipa do Chelsea é
provavelmente o exemplo mais notório.
A construção a partir de trás não é limitada a sistemas tácticos com três defesas. Treinadores que utilizam
outros sistemas tácticos criaram outras estratégias para ter o 3º homem a auxiliar os defesas centrais na fase
de construção. Pode ser argumentado que isto é uma forma muito mais flexível de se resolver o assunto; uma
construção a 3 pode não ser sempre necessária, já que diferentes adversários e determinadas situações de
jogo requerem outro tipo de abordagens. Quando a situação assim o requer, estas equipas conseguem, de
uma forma flexível, envolver um terceiro jogador na fase de construção.
A forma mais comum de o conseguir é através da “Saída Lavolpiana”. Esta é atribuída a Ricardo La Volpe
quando era seleccionador da Selecção Nacional do México, e ganhou notoriedade no Barcelona de Pep
Guardiola. Na “Saída Lavolpiana”, um médio recua para junto dos centrais na fase de construção, e este
movimento influencia o resto da equipa (os defesas laterais podem dar profundidade à equipa e os extremos
deslocam-se para dentro ocupando os espaços interiores). Um 1-4-4-3 transforma-se assim num 1-3-4-3.
O Inter de Spaletti e o Real Madrid de Zidane aplicam uma variante da “Saída Lavolpiana”. Em vez do médio
recuar para o espaço entre os dois centrais, posiciona-se ao lado de um deles. Esta é uma forma mais rápida e
subtil de chegar ao mesmo objectivo e elimina o perigo associado à “Saída Lavolpiana”, evitando uma maior
distância intra-sectorial entre os dois centrais para acomodar a entrada do médio.

Estas são algumas das diferentes estratégias que possibilitam a criação de superioridades numérica durante a
fase de construção, mas que também podem ser facilmente anuladas. Para ganhar uma vantagem real, as
equipas necessitam de criar vantagens espaciais através de posicionamentos e distâncias inter/intra sectoriais
adequadas aos contextos do jogo. Mas este é um tópico a desenvolver num outro momento.
AC Milan: Organização defensiva
October 12, 2017 ProScout Análise, Análise de Equipa, Futebol

Desde a derrota por 4-1 frente à Lazio, o AC Milan apresentou uma organização defensiva em 1-3-5-2, tendo
conseguido desde esse jogo 4 vitórias e uma derrota com um saldo de 12 golos marcados e 6 golos sofridos.
Apresentamos de seguida uma análise à organização defensiva da equipa italiana após observação do jogo
Sampdoria – AC Milan.
A equipa do AC Milan procura manter os alas subidos, na linha do pivot defensivo, estruturando-se em 1-3-5-2.
Consegue contrariar a 2.ª fase de construção dos adversários e impedir a sua progressão pelos seus extremos nos
corredores laterais. Quando necessário ajusta o posicionamento dos seus alas e transforma-se em 1-5-3-2.
Organiza-se defensivamente em bloco médio/baixo, com todos os jogadores no seu meio campo defensivo com o
guarda-redes Donnarumma e três defesas – Zapata, Bonucci e Romagnoli. Desta forma mantêm a última linha
defensiva baixa e revelam grande qualidade no controlo da profundidade e do corredor central defensivo.
Os alas Abate e Rodriguez procuram manter-se alguns metros à frente da linha dos defesas centrais numa linha
defensiva com os médios da equipa, a fim de condicionar o jogo ofensivo do adversário.
Três linhas defensivas bem definidas com os alas em linha com os médios da equipa, criando assim um bloco
de 5 jogadores, funcionando como tampão e primeira linha de pressão.

Os médios Biglia, Kessie e Bonaventura são responsáveis por impedir a 2.ª fase de construção e criação do
adversário no corredor central. E ainda têm as tarefas de dobrar os alas, principalmente Kessie e Bonaventura,
quando o adversário coloca bolas em profundidade nas suas costas e perseguir os médios adversários quando
estes fazem movimentos diagonais para os corredores laterais. Suso e Kalinic, os jogadores mais avançados
condicionam a construção do adversário, realizando a primeira linha de pressão.

Com o bloco mais baixo, mantêm-se os alas na linha dos médios, verificando-se nesta fase alguma fragilidade
nos corredores laterais, com as coberturas defensivas muito distantes do ala defensivo.
Os interiores do AC Milan têm um papel fundamental na sua organização defensiva, tanto a condicionar a
criação adversária pelo corredor central como efetuando as dobras aos alas quando estes procuram efetuar a
contenção numa zona mais ofensiva.
Zona de pressão bem definida, com aproximação e pressão coletiva da equipa do AC Milan, conseguindo
muitas recuperações de posse de bola no corredor lateral médio/defensivo e à frente da sua área, com realce
para os três defesas centrais.

Através do Videobserver foi possível analisar os dados de recuperações de posse de bola. Identificámos tanto
as zonas de pressão e a zona do campo na qual o Milan coloca os seus jogadores. A zona de pressão que
registou maior sucesso foi o corredor lateral direito. Verificou-se também uma tendência para a recuperação
de bola acontecer no setor médio defensivo. Confirmou-se assim que a equipa opta por um bloco
médio/baixo.






















06/10/2017

Guardiola e a “saída de 3” em 2017



Assistir às equipes treinadas por Guardiola é acompanhar uma diversidade infindável de cenários – embora
sempre alicerçados em dominação, controle, imposição e obsessão pelo gol. A partir desta ideia ele molda suas
equipes conforme as características dos jogadores disponíveis, o estudo do adversário, as circunstâncias do
confronto…conforme o contexto, enfim. Não é refém de uma distribuição rígida – até porque recorre a modelos
híbridos, permitindo ao espectador identificar diferentes desenhos nas fases ofensiva e defensiva.

Nesta temporada ele tem partido de duas plataformas. Em 9 jogos oficiais foram 6 com posicionamento inicial em
4-1-4-1 (ou 4-3-3 para os puristas); noutros 3 confrontos ele aplicou o 3-1-4-2 (ou 3-5-2, como queiram) – sistema
preterido a partir da 5ª rodada da Premier League.

O mais interessante para mim, entretanto, não é a alternância entre dois sistemas iniciais, mas sim a semelhança
entre a organização ofensiva destas duas plataformas: sempre partindo da “saída de 3” com um jogador à frente,
formando praticamente um losango para a construção das jogadas – a primeira fase da posse de bola.

Este relatório produzido pela empresa Wyscout apresenta o 3-1-4-2/3-5-2 utilizado na estreia fora de casa contra
o Brighton:

São 3 zagueiros, 1 volante, 2 meias, 2 alas abertos e 2 atacantes centralizados; já no confronto mais recente,
contra o Chelsea, a base foi o 4-1-4-1/4-3-3 – a tradicional linha defensiva de quatro com 2 zagueiros e 2 laterais,
1 volante, 2 meias, 2 extremos/pontas e um atacante de referência.
Partindo do 3-1-4-2, a construção com 3 homens não exige nenhum movimento. Na prática, os jogadores mantêm
seus posicionamentos iniciais, apenas projetando-se no campo adversário – ainda mais sendo este mais fraco,
e conhecedor de suas limitações ao permitir que Guardiola praticasse o jogo de imposição ofensiva e absoluto
controle da posse no campo de ataque:

Os 3 zagueiros estão no ataque, tendo o volante Fernandinho à frente (como se fosse um losango para a saída
de bola); os 2 alas estão em amplitude máxima simultânea (bem abertos, “pisando na linha” ao mesmo tempo) e
em profundidade (adiantados, na linha dos atacantes).
Além disso, os 2 meias e os 2 atacantes projetam-se, formando um quarteto de intensa movimentação no corredor
central, entre as linhas, alternando quem recua para buscar, quem ataca a profundidade (infiltração), quem
aproxima do ala com a bola para criar triângulos, enfim…aplicando com intensidade os princípios do jogo ofensivo
já conhecidos pelos frequentadores do blog.

Parêntese ao assunto do post (a semelhança entre a saída de 3 partindo de dois sistemas iniciais diferentes):
olhem a tensão que provoca sobre o adversário atacar praticamente com uma linha de 6 jogadores em
profundidade, tendo 2 abertos e 4 centralizados – ainda por cima com a qualidade técnica e a inteligência de
Silva, De Bruyne, Gabriel Jesus e Aguero. É caso para os zagueiros pedirem adicional por insalubridade!

Na prática, como já disse, todos estão nas suas regiões de atuação delimitadas pelo sistema tático. Agora vejam
a fase de construção da organização ofensiva contra o Chelsea, partindo do 4-1-4-1:

Também uma saída de 3 (o zagueiro Stones está fora da imagem); e, ao contrário do jogo contra o Brighton,
envolvendo uma complexa movimentação sincronizada:

• o lateral-direito Walker fecha na linha do zagueiro Otamendi para ser o 3º homem, com Stones por trás deles;
• o lateral-esquerdo Delph (meia de origem) fecha pela frente do volante Fernandinho, na linha do meia De
Bruyne;
• o meia-esquerda Silva adianta-se e centraliza;
• os 2 extremos (Sterling e Sané) são os responsáveis pela amplitude máxima simultânea, atuando
extremamente abertos e adiantados, na linha do atacante de referência Gabriel Jesus.
Na prática, com a bola o City saiu completamente da base em 4-1-4-1 para organizar-se no velho 3-4-3 com
meio-campo em losango da escola holandesa, muito utilizado na década de 90 por Barcelona e Ajax com Cruyff
e Van Gaal, por exemplo, e mais recentemente lembro o Atlético Nacional de Osório fazendo o mesmo, assim
como La U e Seleção do Chile com Sampaoli, e diversas equipes de Marcelo Bielsa.

Contra um time mais forte, ele conta com menos jogadores em profundidade sobre a linha defensiva adversária,
mas compensa com mais jogadores no corredor central, controlando o setor sem perder a agressividade. Na
amplitude, ao invés dos alas do 3-5-2, estão os extremos – mais incisivos e com maior capacidade de vitória
pessoal.

Se a gente for “viajar na maionese geométrica” podemos ver 3 sucessivos losangos nesta organização ofensiva:
o inicial, formado pela saída de 3 mais Fernandinho; o intermediário, com Fernandinho, Delph e os dois meias; e
o final, com Silva, os extremos e o atacante.
Escrevo apenas para ilustrar que na análise tática os sistemas iniciais são o que o próprio nome diz – pontos de
partida, apenas – e que o relevante é identificar movimentos, sincronias e padrões de comportamento. Afinal, são
dois sistemas diferentes, com jogadores de características diferentes, que levam ao mesmo propósito na fase de
construção – a saída de bola.

Já na organização defensiva as semelhanças acabam. Do 3-5-2 o City variou para defesa em 5-3-2 contra o
Brighton, enquanto contra o Chelsea sem a bola a equipe retornava ao posicionamento inicial em 4-1-4-1, como
se percebe nas imagens abaixo:

Encerro lembrando que o mesmo City, com o mesmo Guardiola – na temporada passada – e partindo do mesmo
4-1-4-1 apresentou-nos uma saída de 3 diferente (já falei disso no blog noutra vez): ao invés de fechar um lateral
como o 3º homem, recuou o volante central, fechou os 2 laterais como armadores tendo os 2 meias à frente,
mantendo extremos em amplitude máxima – um 3-4-3 com meio-campo em quadrado (ao invés de losango),
voltando no tempo ao W.M de Herbert Chapman no Arsenal dos anos 30:
Guardiola, enfim. Sempre uma aula, e uma inspiração.

Publicado por eduardocecconi on 06/10/2017 em Análises e marcado Análise de Desempenho, Análise de Performance, Análise
Tática, Evolução Tática, Football, Futebol, Modelo de Jogo, Momentos do Jogo, Organização Ofensiva, Princípios, Tática.