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LA2M

DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL LTDA

Gestão de resíduos da
construção civil
Informações Gerais
 
 
Março de 2017 

A  presente  publicação  é  exclusiva  para  os  inscritos  no 


Curso de Gerenciamento de Resíduos Sólidos da LA2M. 
1. INTRODUÇÃO
Nos processos construtivos, até bem pouco tempo, quase sempre eram utilizadas matérias-primas não-
renováveis de origem natural. Extração de brita em pedreiras, saibro e outras argilas em jazidas naturais,
etc eram utilizados indiscriminadamente. Este modelo não apresentava problemas até recentemente, em
razão da abundância de recursos naturais e menor quantidade de pessoas incorporadas à sociedade de
consumo.
Com o advento do conceito da sustentabilidade, tal prática mostrou-se inadmissível e a necessidade de
novos procedimentos no setor da construção civil visando a produção sustentável fez com que fossem
buscados. Também contribuiu para isso a observação que, neste segmento da economia, o desperdício de
materiais tem sido muito significativo. Segundo analistas, cerca de 25% dos insumos que entram em um
processo de construção dele saem na forma de resíduos de diversas naturezas.
Com a intensa industrialização, advento de novas tecnologias, crescimento populacional e aumento de
pessoas em centros urbanos e diversificação do consumo de bens e serviços, os resíduos se transformaram
em graves problemas urbanos com um gerenciamento oneroso e complexo considerando-se volume e
massa acumulados,
Os denominados resíduos da construção civil (RCC) são os provenientes de construções, reformas,
reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de
terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas,
tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos,
tubulações, fiação elétrica, etc.
Os problemas se caracterizam por escassez de área de deposição de resíduos causadas pela ocupação e
valorização de área urbanas, altos custos sociais no gerenciamento de resíduos, problemas de saneamento
público e contaminação ambiental.
As causas da geração destes resíduos são diversas, mas pode-se destacar:
• A falta de qualidade dos bens e serviços, podendo isto dar origem às perdas de materiais, que saem das
obras na forma de entulho;
• A urbanização desordenada que faz com que as construções passem por adaptações e modificações
gerando mais resíduos;
• O aumento do poder aquisitivo da população e as facilidades econômicas que impulsionam o
desenvolvimento de novas construções e reformas; Resíduos da construção civil.
• Estruturas de concreto mal concebidas que ocasionam a redução de sua vida útil e necessitam de
manutenção corretiva, gerando grandes volumes de resíduos;
• Desastres naturais, como avalanches, terremotos e tsunamis;
A grande maioria das grandes cidades brasileiras, principalmente aquelas que apresentam acentuada
aceleração em seus processos de urbanização, apresentam significativos impactos ambientais provocados
pela inadequada gestão dos resíduos oriundos da construção civil, desde a sua geração e manejo até a sua
disposição final.
Em um metro quadrado de construção de um edifício são gastos em torno de uma tonelada de materiais,
demandando grandes quantidades de cimento, areia, brita, etc.
Média de geração de entulho de 0,12 ton/m2
Uma das formas de solução para os problemas gerados é a reciclagem de resíduos, em que a construção
civil tem um grande potencial de utilização dos resíduos, uma vez que ela chega a consumir até 75% de
recursos naturais. Na verdade, sabe-se que ações isoladas não irão solucionar os problemas advindos por
este resíduo e que a indústria deve tentar fechar seu ciclo produtivo de tal forma que minimize a saída de
resíduos e a entrada de matéria-prima não renovável.
De uma forma geral, estes ciclos para a construção tentam aproximar a construção civil do conceito de
desenvolvimento sustentável, entendido aqui como um processo que leva à mudanças na exploração de
recursos, na direção dos investimentos, na orientação do desenvolvimento tecnológico e nas mudanças
institucionais, todas visando à harmonia e ao entrelaçamento nas aspirações e necessidades humanas
presentes e futuras. Este conceito não implica somente multidisciplinariedade, envolve também mudanças
culturais, educação ambiental e visão sistêmica.

Os processos produtivos devem ser desenvolvidos visando a atender às suas necessidades presentes, mas
preservando sua viabilidade futura.
Desta forma, a reciclagem na construção civil pode gerar inúmeros benefícios citados abaixo:
- Redução no consumo de recursos naturais não-renováveis, quando substituídos por resíduos reciclados.
- Redução de áreas necessárias para aterro, pela minimização de volume de resíduos pela reciclagem.
Destaca-se aqui a necessidade da própria reciclagem dos resíduos de construção e demolição, que
representam mais de 50% da massa dos resíduos sólidos urbanos.
- Redução do consumo de energia durante o processo de produção. Destaca-se a indústria do cimento, que
usa resíduos de bom poder calorífico para a obtenção de sua matéria-prima (co-processamento) ou
utilizando a escória de alto forno, resíduo com composição semelhante ao cimento.
- Redução da poluição. por exemplo, para a indústria de cimento, que reduz a emissão de gás carbônico
utilizando escória de alto forno em substituição ao cimento portland.
A indústria da construção civil no Brasil, um dos pilares da economia nacional e o maior gerador de
empregos diretos e indiretos do país, também se caracteriza pela precariedade e/ou indisponibilidade de
dados e informações sobre a geração e o gerenciamento dos resíduos gerados na atividade, os resíduos da
construção civil – RCC.
O impacto ambiental causado pelo manejo inadequado desses resíduos através do assoreamento de corpos
d´água, obstrução de corpos de drenagem, atração de vetores em função do acúmulo de outros resíduos
nos chamados bota-foras, etc, se refletem de forma dramática, particularmente nos grandes centros
urbanos, nas inundações, na degradação da paisagem urbana com impactos sociais severos além de perdas
materiais.
No cenário internacional, vem se fortalecendo a ação articulada das empresas da indústria da construção
civil, com vistas à redução dos desperdícios e à otimização dos empreendimentos, racionalizando custos,
melhorando processos, tornando os edifícios mais eficientes do ponto de vista energético, do consumo de
água e que possam gerar impactos cada vez menores ao meio ambiente.
A idéia é de comprovar junto à opinião pública, aos seus clientes e fornecedores, que a indústria da
construção civil não compartilha a visão de ser um dos grandes vilões mundiais da degradação ambiental.
Do ponto de vista de políticas públicas, a resolução CONAMA 307/02, de 05 de julho de 2002, estabelece
a nível federal, diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil.
De acordo com a Lei Federal 12305, de 2 de agosto de 2010 (regulamentada pelo Decreto 7404, de 23 de
dezembro de 2010), que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, compete aos municípios e ao
Distrito Federal a elaboração do Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil,
instrumento para a implantação da gestão dos RCC. O plano deverá incorporar o Programa Municipal de
Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil e os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da
Construção Civil estes últimos a serem apresentados pelos grandes geradores de RCC e submetidos para
análise junto aos órgãos competentes.
No que diz respeito ao manejo dos RCC observa-se que a qualidade do ambiente urbano é comprometida
tanto pela ação do próprio gerador quanto pela inexistência ou ineficiência dos serviços de coleta e pela
disposição inadequada desses resíduos (lixões a céu aberto, terrenos baldios, etc). Os vilões, via de regra,
são o gerador ou o coletor/transportador, embora também se possa incluir o Poder Público Municipal
nesse grupo, geralmente por dificuldade técnica-gerencial, gerando alguns casos de negligência ou
eventual omissão.
O que chama a atenção na gestão dos RCC é a interrelação entre o ambiente da geração dos resíduos e
aquele do seu manejo, desde a coleta até a disposição final. De um lado, está a indústria da construção
civil, formal e informal, o maior empregador do país cuja economia representa cerca de 15% do PIB
nacional; do outro, a indústria da limpeza urbana. Ambas indústrias são dois gigantes da economia urbana
no Brasil e, no entanto, para viabilizar qualquer sistema de gerenciamento de RCC dependem, fortemente,
das operações de dezenas ou centenas de pequenas e micro empresas coletoras e transportadoras de
entulho. Esse fato, por si só, já evidencia a complexidade da gestão dos RCC.
Legisladores e tomadores de decisão no âmbito da formulação das políticas públicas desconhecem as
características da indústria de coleta e transporte dos RCC em particular, ponto nevrálgico de todo o
sistema, e assumem que o instrumento legal per si é suficiente para a gestão integrada dos RCC. Entender
o papel das empresas de coleta e transporte de entulho no sucesso da implantação e consolidação de um
sistema de gestão integrada de RCC torna-se, portanto, uma tarefa indispensável.
Para fazer frente a isso, autores sugerem a adoção de uma série de medidas desde a minimização da
geração dos RCC (da concepção do projeto arquitetônico até o final da construção da edificação),
passando por reutilização e reciclagem dos resíduos que venham a ser gerados, atualização das normas e
regulamentações sobre a gestão dos RCC até medidas de educação ambiental envolvendo todos os
agentes: geradores, coletores/transportadores, técnicos municipais e trabalhadores tanto da construção
civil quanto da limpeza urbana.
Para fazer frente a isso, autores sugerem uma abordagem de gestão diferenciada, focada na reciclagem
sustentável dos RCC, na adoção de medidas de prevenção à geração; recuperação ou reutilização
eficiente, a baixo custo, dos resíduos gerados; conscientização e responsabilidade ambiental; além de
participação de todos os agentes, públicos e privados.
O aproveitamento de resíduos oriundos de outras tipologias é uma das ações que devem ser incluídas nas
práticas comuns de produção de edificações, visando a sua maior sustentabilidade, proporcionando
economia de recursos naturais e minimização do impacto no meio-ambiente.
Da mesma maneira, o potencial do reaproveitamento e reciclagem de resíduos da construção em outros
segmentos da economia também é enorme, e a exigência da incorporação destes resíduos em
determinados produtos pode vir a ser extremamente benéfica, já que proporciona economia de matéria-
prima e energia.
2. POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS E A RESPONSABILIDADE DOS
GERADORES
O segmento construtivo, assim como os demais segmentos da indústria brasileira, tende a se adequar ao
novo cenário mercadológico imposto pelas novas regras no âmbito da legislação ambiental.
A Lei Federal 12305, de 2 de agosto de 2010 (regulamentada pelo Decreto 7404, de 23 de dezembro de
2010), que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, impõe importantes obrigações aos
empresários do setor no gerenciamento dos resíduos, para reciclagem, reuso ou reutilização, que, em
grande parte, são expostos ao meio ambiente sem nenhum tratamento ou mitigação.
O grande objetivo da legislação é conceber um modelo de gestão dos resíduos que permita o
estabelecimento de um “status quo” em que somente resíduos biodegradáveis sejam conduzidos para
disposição final nos aterros sanitários municipais. Pelo menos até que se consiga obter um processo
barato e economicamente eficiente para tratar também grande parte desses resíduos, minimizando
sobremaneira a ocupação dos aterros.
Com essa intenção futura, o processo de compostagem é hoje um dos mais estudados pelos interessados,
sendo constantemente aprimorado, inclusive com o desenvolvimento de novos equipamentos e
dispositivos.
A compostagem é um processo biológico em que os microrganismos transformam a matéria orgânica,
como estrume, folhas, papel e restos de comida, num material semelhante ao solo, a que se chama
composto, e que pode ser utilizado como adubo.

O objetivo descrito pode ser melhor entendido através do ciclo exposto na figura apresentada a seguir.
Uma abordagem bem focada da Lei 12305/2010 nos permite perceber que alguns artigos guardam estreita
relação com os interesses dos processos da construção civil, quais sejam:
Artigo 9o

Na gestão e gerenciamento de resíduos sólidos, deve ser observada a seguinte ordem de prioridade: não
geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final
ambientalmente adequada dos rejeitos.

§ 1o Poderão ser utilizadas tecnologias visando à recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos,
desde que tenha sido comprovada sua viabilidade técnica e ambiental e com a implantação de programa
de monitoramento de emissão de gases tóxicos aprovado pelo órgão ambiental.

§ 2o A Política Nacional de Resíduos Sólidos e as Políticas de Resíduos Sólidos dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios serão compatíveis com o disposto no caput e no § 1o deste artigo e com as
demais diretrizes estabelecidas nesta Lei.
Artigo 13o

Classifica os Resíduos sólidos de acordo com a NBR ABNT 10004:2004:

Para os efeitos desta Norma, os resíduos são classificados em:

a) resíduos classe I - Perigosos;

b) resíduos classe II – Não perigosos;


– resíduos classe II A – Não inertes.
– resíduos classe II B – Inertes.

Resíduos classe I - Perigosos

Aqueles que apresentam periculosidade, conforme definido abaixo:

Periculosidade de um resíduo: Característica apresentada por um resíduo que, em função de suas


propriedades físicas, químicas ou infecto-contagiosas, pode apresentar:

a) risco à saúde pública, provocando mortalidade, incidência de doenças ou acentuando seus índices;

b) riscos ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de forma inadequada.

 toxicidade: Propriedade potencial que o agente tóxico possui de provocar, em maior ou menor
grau, um efeito adverso em conseqüência de sua interação com o organismo.
 agente tóxico: Qualquer substância ou mistura cuja inalação, ingestão ou absorção cutânea tenha
sido cientificamente comprovada como tendo efeito adverso (tóxico, carcinogênico, mutagênico,
teratogênico ou ecotoxicológico).
 toxicidade aguda: Propriedade potencial que o agente tóxico possui de provocar um efeito adverso
grave, ou mesmo morte, em conseqüência de sua interação com o organismo, após exposição a
uma única dose elevada ou a repetidas doses em curto espaço de tempo.
 agente teratogênico: Qualquer substância, mistura, organismo, agente físico ou estado de
deficiência que, estando presente durante a vida embrionária ou fetal, produz uma alteração na
estrutura ou função do individuo dela resultante.
 agente mutagênico: Qualquer substância, mistura, agente físico ou biológico cuja inalação,
ingestão ou absorção cutânea possa elevar as taxas espontâneas de danos ao material genético e
ainda provocar ou aumentar a freqüência de defeitos genéticos.
 agente carcinogênico: Substâncias, misturas, agentes físicos ou biológicos cuja inalação ingestão e
absorção cutânea possa desenvolver câncer ou aumentar sua freqüência. O câncer é o resultado de
processo anormal, não controlado da diferenciação e proliferação celular, podendo ser iniciado por
alteração mutacional.
 agente ecotóxico: Substâncias ou misturas que apresentem ou possam apresentar riscos para um
ou vários compartimentos ambientais.
 DL50 (oral, ratos): Dose letal para 50% da população dos ratos testados, quando administrada por
via oral (DL – dose letal).
 CL50 (inalação, ratos): Concentração de uma substância que, quando administrada por via
respiratória, acarreta a morte de 50% da população de ratos exposta (CL – concentração letal).
 DL50 (dérmica, coelhos): Dose letal para 50% da população de coelhos testados, quando
administrada em contato com a pele (DL – dose letal).

ou uma das características descritas a seguir:


 Inflamabilidade

Um resíduo sólido é caracterizado como inflamável (código de identificação D001), se uma amostra
representativa dele, obtida conforme a ABNT NBR 10007, apresentar qualquer uma das seguintes
propriedades:

a) ser líquida e ter ponto de fulgor inferior a 60°C, determinado conforme ABNT NBR 14598 ou
equivalente, excetuando-se as soluções aquosas com menos de 24% de álcool em volume;

b) não ser líquida e ser capaz de, sob condições de temperatura e pressão de 25°C e 0,1 MPa (1 atm),
produzir fogo por fricção, absorção de umidade ou por alterações químicas espontâneas e, quando
inflamada, queimar vigorosa e persistentemente, dificultando a extinção do fogo;

c) ser um oxidante definido como substância que pode liberar oxigênio e, como resultado, estimular a
combustão e aumentar a intensidade do fogo em outro material;

d) ser um gás comprimido inflamável, conforme a Legislação Federal sobre transporte de produtos
perigosos (Portarianº 204/1997 do Ministério dos Transportes).

 Corrosividade

Um resíduo é caracterizado como corrosivo (código de identificação D002) se uma amostra representativa
dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, apresentar uma das seguintes propriedades:

a) ser aquosa e apresentar pH inferior ou igual a 2, ou, superior ou igual a 12,5, ou sua mistura com água,
na proporção de 1:1 em peso, produzir uma solução que apresente pH inferior a 2 ou superior ou igual a
12,5;

 Inflamabilidade

Um resíduo sólido é caracterizado como inflamável se uma amostra representativa dele, obtida conforme
a ABNT NBR 10007, apresentar qualquer uma das seguintes propriedades:

a) ser líquida e ter ponto de fulgor inferior a 60°C, determinado conforme ABNT NBR 14598 ou
equivalente, excetuando-se as soluções aquosas com menos de 24% de álcool em volume;

b) não ser líquida e ser capaz de, sob condições de temperatura e pressão de 25°C e 0,1 MPa (1 atm),
produzir fogo por fricção, absorção de umidade ou por alterações químicas espontâneas e, quando
inflamada, queimar vigorosa e persistentemente, dificultando a extinção do fogo;

c) ser um oxidante definido como substância que pode liberar oxigênio e, como resultado, estimular a
combustão e aumentar a intensidade do fogo em outro material;

d) ser um gás comprimido inflamável, conforme a Legislação Federal sobre transporte de produtos
perigosos (Portarianº 204/1997 do Ministério dos Transportes).

 Corrosividade

Um resíduo é caracterizado como corrosivo se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT
NBR 10007, apresentar uma das seguintes propriedades:

a) ser aquosa e apresentar pH inferior ou igual a 2, ou, superior ou igual a 12,5, ou sua mistura com água,
na proporção de 1:1 em peso, produzir uma solução que apresente pH inferior a 2 ou superior ou igual a
12,5;
b) ser líquida ou, quando misturada em peso equivalente de água, produzir um líquido e corroer o aço
(COPANT 1020) a uma razão maior que 6,35 mm ao ano, a uma temperatura de 55°C, de acordo com
USEPA SW 846 ou equivalente.

 Reatividade

Um resíduo é caracterizado como reativo (código de identificação D003) se uma amostra representativa
dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, apresentar uma das seguintes propriedades:

a) ser normalmente instável e reagir de forma violenta e imediata, sem detonar;

b) reagir violentamente com a água;

c) formar misturas potencialmente explosivas com a água;

d) gerar gases, vapores e fumos tóxicos em quantidades suficientes para provocar danos à saúde pública
ou ao meio ambiente, quando misturados com a água;

e) possuir em sua constituição os íons CN1- ou S2- em concentrações que ultrapassem os limites de 250
mg de HCN liberável por qulilograma de resíduo ou 500 mg de H2S liberável por quilograma de resíduo,
de acordo com ensaio estabelecido no USEPA - SW 846;

f) ser capaz de produzir reação explosiva ou detonante sob a ação de forte estímulo, ação catalítica ou
temperatura em ambientes confinados;

g) ser capaz de produzir, prontamente, reação ou decomposição detonante ou explosiva a 25°C e 0,1 MPa
(1 atm);

h) ser explosivo, definido como uma substância fabricada para produzir um resultado prático, através de
explosão ou efeito pirotécnico, esteja ou não esta substância contida em dispositivo preparado para este
fim.

 Toxicidade

Um resíduo é caracterizado como tóxico se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT
NBR 10007, apresentar uma das seguintes propriedades:

a) quando o extrato obtido desta amostra, segundo a ABNT NBR 10005, contiver qualquer um dos
contaminantes em concentrações superiores aos valores constantes no anexo F. Neste caso, o resíduo deve
ser caracterizado como tóxico com base no ensaio de lixiviação, com código de identificação constante no
anexo F;

b) possuir uma ou mais substâncias constantes no anexo C e apresentar toxicidade. Para avaliação dessa
toxicidade, devem ser considerados os seguintes fatores:

― natureza da toxicidade apresentada pelo resíduo;


― concentração do constituinte no resíduo;
― potencial que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, tem para migrar do
resíduo para o ambiente, sob condições impróprias de manuseio;
― persistência do constituinte ou qualquer produto tóxico de sua degradação;
― potencial que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, tem para degradar-se em
constituintes não perigosos, considerando a velocidade em que ocorre a degradação;
― extensão em que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, é capaz de
bioacumulação nos ecossistemas;
― efeito nocivo pela presença de agente teratogênico, mutagênico, carcinogênco ou ecotóxico,
associados a substâncias isoladamente ou decorrente do sinergismo entre as substâncias constituintes do
resíduo;

c) ser constituída por restos de embalagens contaminadas com substâncias constantes nos anexos D ou E;

d) resultar de derramamentos ou de produtos fora de especificação ou do prazo de validade que


contenham quaisquer substâncias constantes nos anexos D ou E;

e) ser comprovadamente letal ao homem;

f) possuir substância em concentração comprovadamente letal ao homem ou estudos do resíduo que


demonstrem uma DL50 oral para ratos menor que 50 mg/kg ou CL50 inalação para ratos menor que 2
mg/L ou uma DL50 dérmica para coelhos menor que 200 mg/kg.

Os códigos destes resíduos são os identificados pelas letras P, U e D, e encontram-se nos anexos D, E e F.

 Patogenicidade

Um resíduo é caracterizado como patogênico se uma amostra representativa dele, obtida segundo a
ABNT NBR 10007, contiver ou se houver suspeita de conter, microorganismos patogênicos, proteínas
virais, ácido desoxiribonucléico (ADN) ou ácido ribonucléico (ARN) recombinantes, organismos
geneticamente modificados, plasmídios, cloroplastos, mitocôndrias ou toxinas capazes de produzir
doenças em homens, animais ou vegetais.

Os resíduos de serviços de saúde deverão ser classificados conforme ABNT NBR 12808.

Os resíduos gerados nas estações de tratamento de esgotos domésticos e os resíduos sólidos domiciliares,
excetuando-se os originados na assistência à saúde da pessoa ou animal, não serão classificados segundo
os critérios de patogenicidade.

São também considerados perigosos todos os resíduos que constem nos anexos A ou B.

NOTA O gerador de resíduos listados nos anexos A e B pode demonstrar por meio de laudo de
classificação que seu resíduo em particular não apresenta nenhuma das características de periculosidade
especificadas na Norma.

Artigo 20o

Estão sujeitos à elaboração de plano de gerenciamento de resíduos sólidos:

I - os geradores de resíduos sólidos previstos nas alíneas “e”, “f”, “g” e “k” do inciso I do art. 13;

II - os estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços que:


a) gerem resíduos perigosos;
b) gerem resíduos que, mesmo caracterizados como não perigosos, por sua natureza, composição ou
volume, não sejam equiparados aos resíduos domiciliares pelo poder público municipal;

III - as empresas de construção civil, nos termos do regulamento ou de normas estabelecidas pelos órgãos
do Sisnama;
IV - os responsáveis pelos terminais e outras instalações referidas na alínea “j” do inciso I do art. 13 e,
nos termos do regulamento ou de normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e, se couber, do SNVS,
as empresas de transporte;

V - os responsáveis por atividades agrossilvopastoris, se exigido pelo órgão competente do Sisnama, do


SNVS ou do Suasa.
Parágrafo único. Observado o disposto no Capítulo IV deste Título, serão estabelecidas por regulamento
exigências específicas relativas ao plano de gerenciamento de resíduos perigosos.

Artigo 21o

Art. 21. O plano de gerenciamento de resíduos sólidos tem o seguinte conteúdo mínimo:

I - descrição do empreendimento ou atividade;

II - diagnóstico dos resíduos sólidos gerados ou administrados, contendo a origem, o volume e a


caracterização dos resíduos, incluindo os passivos ambientais a eles relacionados;

III - observadas as normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa e, se houver, o
plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos:
a) explicitação dos responsáveis por cada etapa do gerenciamento de resíduos sólidos;
b) definição dos procedimentos operacionais relativos às etapas do gerenciamento de resíduos sólidos sob
responsabilidade do gerador;

IV - identificação das soluções consorciadas ou compartilhadas com outros geradores;

V - ações preventivas e corretivas a serem executadas em situações de gerenciamento incorreto ou


acidentes;

VI - metas e procedimentos relacionados à minimização da geração de resíduos sólidos e, observadas as


normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, à reutilização e reciclagem;
VII - se couber, ações relativas à responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, na
forma do art. 31;

VIII - medidas saneadoras dos passivos ambientais relacionados aos resíduos sólidos;

IX - periodicidade de sua revisão, observado, se couber, o prazo de vigência da respectiva licença de


operação a cargo dos órgãos do Sisnama.

§ 1o O plano de gerenciamento de resíduos sólidos atenderá ao disposto no plano municipal de gestão


integrada de resíduos sólidos do respectivo Município, sem prejuízo das normas estabelecidas pelos
órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa.

§ 2o A inexistência do plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos não obsta a elaboração, a
implementação ou a operacionalização do plano de gerenciamento de resíduos sólidos.

§ 3o Serão estabelecidos em regulamento:

I - normas sobre a exigibilidade e o conteúdo do plano de gerenciamento de resíduos sólidos relativo à


atuação de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e
recicláveis;

II - critérios e procedimentos simplificados para apresentação dos planos de gerenciamento de resíduos


sólidos para microempresas e empresas de pequeno porte, assim consideradas as definidas nos incisos I e
II do art. 3o da Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006, desde que as atividades por elas
desenvolvidas não gerem resíduos perigosos.
Artigo 22o

Para a elaboração, implementação, operacionalização e monitoramento de todas as etapas do plano de


gerenciamento de resíduos sólidos, nelas incluído o controle da disposição final ambientalmente adequada
dos rejeitos, será designado responsável técnico devidamente habilitado.

Artigo 23o

Art. 23. Os responsáveis por plano de gerenciamento de resíduos sólidos manterão atualizadas e
disponíveis ao órgão municipal competente, ao órgão licenciador do Sisnama e a outras autoridades,
informações completas sobre a implementação e a operacionalização do plano sob sua responsabilidade.

§ 1o Para a consecução do disposto no caput, sem prejuízo de outras exigências cabíveis por parte das
autoridades, será implementado sistema declaratório com periodicidade, no mínimo, anual, na forma do
regulamento.

§ 2o As informações referidas no caput serão repassadas pelos órgãos públicos ao Sinir, na forma do
regulamento.

Artigo 33o

São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos
após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo
dos resíduos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de:

I - agrotóxicos, seus resíduos e embalagens, assim como outros produtos cuja embalagem, após o uso,
constitua resíduo perigoso, observadas as regras de gerenciamento de resíduos perigosos previstas em lei
ou regulamento, em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama, do SNVS e do Suasa, ou em normas
técnicas;

II - pilhas e baterias;

III - pneus;

IV - óleos lubrificantes, seus resíduos e embalagens;

V - lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista;

VI - produtos eletroeletrônicos e seus componentes.

§ 1o Na forma do disposto em regulamento ou em acordos setoriais e termos de compromisso firmados


entre o poder público e o setor empresarial, os sistemas previstos no caput serão estendidos a produtos
comercializados em embalagens plásticas, metálicas ou de vidro, e aos demais produtos e embalagens,
considerando, prioritariamente, o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio ambiente dos
resíduos gerados.

§ 2o A definição dos produtos e embalagens a que se refere o § 1o considerará a viabilidade técnica e


econômica da logística reversa, bem como o grau e a extensão do impacto à saúde pública e ao meio
ambiente dos resíduos gerados.

§ 3o Sem prejuízo de exigências específicas fixadas em lei ou regulamento, em normas estabelecidas


pelos órgãos do Sisnama e do SNVS, ou em acordos setoriais e termos de compromisso firmados entre o
poder público e o setor empresarial, cabe aos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes dos
produtos a que se referem os incisos II, III, V e VI ou dos produtos e embalagens a que se referem os
incisos I e IV do caput e o § 1o tomar todas as medidas necessárias para assegurar a implementação e
operacionalização do sistema de logística reversa sob seu encargo, consoante o estabelecido neste artigo,
podendo, entre outras medidas:

I - implantar procedimentos de compra de produtos ou embalagens usados;

II - disponibilizar postos de entrega de resíduos reutilizáveis e recicláveis;

III - atuar em parceria com cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais
reutilizáveis e recicláveis, nos casos de que trata o § 1o.

§ 4o Os consumidores deverão efetuar a devolução após o uso, aos comerciantes ou distribuidores, dos
produtos e das embalagens a que se referem os incisos I a VI do caput, e de outros produtos ou
embalagens objeto de logística reversa, na forma do § 1o.

§ 5o Os comerciantes e distribuidores deverão efetuar a devolução aos fabricantes ou aos importadores


dos produtos e embalagens reunidos ou devolvidos na forma dos §§ 3o e 4o.

§ 6o Os fabricantes e os importadores darão destinação ambientalmente adequada aos produtos e às


embalagens reunidos ou devolvidos, sendo o rejeito encaminhado para a disposição final ambientalmente
adequada, na forma estabelecida pelo órgão competente do Sisnama e, se houver, pelo plano municipal de
gestão integrada de resíduos sólidos.

§ 7o Se o titular do serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, por acordo setorial
ou termo de compromisso firmado com o setor empresarial, encarregar-se de atividades de
responsabilidade dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes nos sistemas de logística
reversa dos produtos e embalagens a que se refere este artigo, as ações do poder público serão
devidamente remuneradas, na forma previamente acordada entre as partes.

§ 8o Com exceção dos consumidores, todos os participantes dos sistemas de logística reversa manterão
atualizadas e disponíveis ao órgão municipal competente e a outras autoridades informações completas
sobre a realização das ações sob sua responsabilidade.

Artigo 38o

As pessoas jurídicas que operam com resíduos perigosos, em qualquer fase do seu gerenciamento, são
obrigadas a se cadastrar no Cadastro Nacional de Operadores de Resíduos Perigosos.

§ 1o O cadastro previsto no caput será coordenado pelo órgão federal competente do Sisnama e
implantado de forma conjunta pelas autoridades federais, estaduais e municipais.

§ 2o Para o cadastramento, as pessoas jurídicas referidas no caput necessitam contar com responsável
técnico pelo gerenciamento dos resíduos perigosos, de seu próprio quadro de funcionários ou contratado,
devidamente habilitado, cujos dados serão mantidos atualizados no cadastro.

§ 3o O cadastro a que se refere o caput é parte integrante do Cadastro Técnico Federal de Atividades
Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais e do Sistema de Informações previsto
no art. 12.

Artigo 51o

Sem prejuízo da obrigação de, independentemente da existência de culpa, reparar os danos causados, a
ação ou omissão das pessoas físicas ou jurídicas que importe inobservância aos preceitos desta Lei ou de
seu regulamento sujeita os infratores às sanções previstas em lei, em especial às fixadas na Lei no 9.605,
de 12 de fevereiro de 1998, que “dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e
atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências”, e em seu regulamento.

Artigo 52o

A observância do disposto no caput do art. 23o e no § 2o do art. 39 desta Lei é considerada obrigação de
relevante interesse ambiental para efeitos do art. 68 da Lei nº 9.605, de 1998, sem prejuízo da aplicação
de outras sanções cabíveis nas esferas penal e administrativa.
3. GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Sob o ponto de vista de uma abordagem técnica:

Gestão é o conjunto de decisões, ações e procedimentos adotados em nível estratégico para a consecução
de um objetivo.

Gerenciamento está ligado à operação das atividades relacionadas com a concretização desse objetivo.

Sendo assim, gerenciamento de resíduos sólidos é um Conjunto de práticas, intra organização, que
permite a organização e padronização das atividades do manejo de resíduos gerados na empresa, com
vistas a prevenção de impactos negativos ao meio ambiente e à saúde humana.
No gerenciamento dos resíduos sólidos de origem nos processos da construção civil, pode-se organizá-lo
através da execução de etapas sequenciais, como por exemplo:

1. Identificação das fontes geradoras

Esta etapa inicial é fundamental para que se avalie a possibilidade de intervir no processo com o objetivo
de evitar e/ou minimizar a geração de resíduos. Consiste na implantação de procedimentos que priorizam
a não geração dos resíduos. Estas ações podem variar de implantação de novas rotinas operacionais a
alterações tecnológicas no processo produtivo.

As fontes geradoras de resíduos devem ser identificadas e localizadas dentro das unidades e avaliadas
quanto ao impacto que sua atividade provoca no meio ambiente. Para cada fonte se deve verificar e listar
os resíduos sólidos provenientes de seus processos.

Melhorias podem ser obtidas sem a introdução de equipamentos caros ou avançadas técnicas gerenciais,
mas também simplesmente através de cuidados elementares no recebimento, na estocagem, no manuseio,
na utilização e na proteção dos materiais.

A seguir estão destacadas algumas dicas para minimizar a ocorrência de perdas no canteiro de obras:

• Produzir argamassa apenas na quantidade suficiente para o dia de trabalho, determinada previamente
pela área a ser executada no dia.

• Armazenar os blocos cerâmicos ou de concreto e as telhas formando pilhas com quantidades iguais
sobre paletes para evitar quebras e facilitar o transporte.

• Transportar blocos e sacos de cimento em carrinhos adequados, a fim de reduzir o risco de quebra dos
blocos e de rompimento dos sacos.

• Armazenar o cimento em local arejado e protegido de sol e chuva sobre estrado de madeira com 30 cm
de altura e distante 30 cm da parede.

A quantidade de sacos a serem empilhados vai depender do tempo em que ficarão armazenados. Assim,
deve-se empilhar 10 sacos se o tempo de armazenamento destes for superior a 10 dias e 15 sacos se o
tempo de armazenamento destes for inferior a 10 dias.

• Sempre que possível, evitar cortes de placas cerâmicas. Para isso, o uso de projetos com a coordenação
modular é essencial.

• Definir previamente o layout da central de concreto de forma a reduzir o caminho percorrido pelo
operário dos materiais até a betoneira.
• Manter o canteiro de obras limpo e organizado, pois influenciará o trabalhador a ser mais cauteloso no
manuseio dos materiais, além de reduzir a ocorrência de acidentes do trabalho.

2. Caracterização e segregação dos resíduos gerados

Nesta etapa são identificados os resíduos gerados em cada fonte e levantadas as suas características
visando a determinar a sua constituição.

Basicamente, consiste em estabelecer as substâncias componentes de cada resíduo de modo a facilitar a


sua classificação e possibilitar o processo de segregação dos mesmos na própria origem, procurando
evitar que resíduos comuns sejam misturados a outros com periculosidade.

Existe uma grande diversidade de matérias-primas e técnicas construtivas que afetam, de modo
significativo, as características dos resíduos gerados, principalmente quanto à composição e à quantidade.
Outros aspectos, como o desenvolvimento econômico e tecnológico da região, as técnicas de demolição
empregadas, e a estação do ano também podem interferir indiretamente na composição dos RCC. De
modo geral, podem existir componentes inorgânicos e minerais, como concretos, argamassas e cerâmicas,
e componentes orgânicos, plásticos, materiais betuminosos, etc. A variação da composição (em massa) é
estimada, em geral, em termos de seus materiais

Deve-se sempre observar as exigências de compatibilidade química dos resíduos entre si para que
acidentes sejam evitados.

A segregação dos resíduos na origem é importante para reduzir a quantidade de resíduos perigosos, evitar
reações indesejáveis e maximizar a reutilização, o reaproveitamento e a reciclagem.

É preciso conhecer as características dos resíduos para podermos definir a sua melhor destinação final,
isto é, uma destinação ambientalmente adequada!

3. Quantificação da geração

Para que se possa avaliar o dimensionamento dos dispositivos intermediários de coleta e os recipientes de
acondicionamento dos resíduos sólidos gerados torna-se necessário definir o quantitativo de cada tipo
gerado.

Isto permite otimizar a disponibilidade de recursos e espaço disponível nos canteiros de obras.

4. Classificação dos resíduos

Os resíduos devem inicialmente ser classificados na forma do disposto na NBR 10004/2004. A partir
dessa classificação preliminar é observada a classificação da Resolução Conama 307/2002, como
mostrada a seguir:
Em seguida, pode-se distinguir os tipos de destinação final ambientalmente adequada existentes para cada
resíduo.

Para assegurar o rastreamento dos resíduos perigosos, como também dos materiais reutilizáveis e
recicláveis, costuma-se lançá-los em uma planilha associados a todas as informações pertinentes a cada
um. Estes registros permitem o monitoramento de cada resíduo durante o processo de gerenciamento.

5. Manuseio

Para evitar riscos a operadores, funcionários e comunidade vizinha, deve-se determinar as condições
relacionadas ao manuseio dos resíduos sólidos e realizar operações que garantam a segurança do
transporte interno e armazenamento provisório.
Essas operações envolvem risco potencial de acidente, principalmente para os profissionais que atuam na
coleta, no transporte, no tratamento e no armazenamento dos resíduos no local.

Com o objetivo de proteger as áreas do corpo expostas ao contato com os


resíduos e outros riscos, os funcionários devem, obrigatoriamente, usar
Equipamento de Proteção Individual – EPI, conforme previsto na NR-6 do
Manual de Segurança e Medicina do Trabalho,

Cabe ao empregador dispor de equipamentos de proteção que se adaptem ao


tipo físico do funcionário. A adequação do peso da embalagem transportada
com o biotipo do funcionário é fundamental para evitar, principalmente, carga
biomecânica excessiva.

A necessidade de equipamentos de proteção coletiva (EPC) também deve ser


avaliada.

6. Acondicionamento

É a colocação do resíduo em embalagens adequadas para coleta, transporte, armazenamento e destinação


seguros. Deve-se observar a utilização do recipiente mais adequado ao tipo do resíduo e os limites de
enchimento devem ser obedecidos.

Existem normas que podem ser observadas na escolha dos recipientes, como:

– Codificação ABNT 13221 - Transporte terrestre de resíduos (Anexo A).


– NBR ABNT 14619 - Transporte terrestre de produtos perigosos - Incompatibilidade
química.
– Resolução 420/2004 ANTT de Produtos Perigosos
– Resolução CONAMA 275/01.

Os resíduos líquidos devem ser acondicionados em recipientes constituídos de material compatível com o
líquido armazenado, resistentes, rígidos e estanques, com tampa rosqueada e vedante.

No caso de resíduos orgânicos, copos plásticos descartáveis, papéis sujos ou outros passíveis de coleta
pública, deve-se utilizar recipiente com tampa e saco de lixo simples. A localização deve ser nas
proximidades do refeitório e de bebedouros.
7. Rotulagem

É toda inscrição, legenda, imagem ou toda matéria descritiva ou gráfica que seja inscrita, impressa,
estampada, gravada ou colada sobre a embalagem com a finalidade de apresentar características
específicas de um produto ou resíduo.

Devem-se utilizar rótulos (símbolos e expressões) para identificar os recipientes de acondicionamento,


carros de transporte interno e externo, salas e abrigos de resíduos (locais de armazenamento).

8. Armazenamento

É a contenção temporária de resíduos em área específica, denominada “ABRIGO DE RESÍDUOS”,


durante o aguardo da coleta externa, para a destinação visando ao tratamento ou à disposição final. Deve
ter identificação e os resíduos devem permanecer dentro dos contêineres devidamente identificados.

O local e a forma do armazenamento têm que ser informados ao órgão de controle ambiental.

Norma ABNT 12.235 – Armazenamento de produtos perigosos.

Norma ABNT 11174/90 - Armazenamento de resíduos classes II.

Para resíduos mais volumosos e pesados, como os de classe A, podem ser utilizadas baias fixas ou móveis
ou mesmo caçambas estacionárias em locais de fácil retirada pela empresa contratada. Já os resíduos
volumosos e leves, como papéis, plásticos, entre outros, podem ser dispostos em grandes caixas e ficar
abrigados em locais com cobertura e fácil acesso para remoção pela empresa contratada para a destinação
final.

No caso de restos de madeira, metal, papel, plástico e vidro em pequenas quantidades, podem ser
utilizadas bombonas, tambores ou mesmo coletores de lixo de tamanhos variados. No interior dos
recipientes podem-se colocar sacos de ráfia a fim de facilitar a coleta para o armazenamento final. Estes
recipientes podem ficar dispostos em cada pavimento do edifício em construção ou em locais estratégicos
definidos no projeto do layout do canteiro de obras.

9. Destinação final ambientalmente adequada

Destinação de resíduos que inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o


aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes do Sistema
Nacional de Meio Ambiente, do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e do Sistema Unificado de
Atenção à Sanidade Agropecuária, entre elas a disposição final (deposição no solo em aterros
licenciados), observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde
pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos.

RCC de Classe A devem ser reutilizados ou reciclados na forma de agregados. Contudo, quanto aos
resíduos das Classes B, C e D, não existe especificação formal de reciclagem ou reutilização para cada
tipo de resíduo.

A seguir são apresentadas algumas sugestões para a destinação final de componentes de obras.

O entulho de concreto, se não passar por beneficiamento, pode ser utilizado na construção de estradas ou
como material de aterro em áreas baixas. Caso passe por britagem e posterior separação em agregados de
diferentes tamanhos, pode ser usado como agregado para produção de concreto asfáltico, de sub-bases de
rodovias e de concreto como agregados reciclados; artefatos de concreto, como meio-fio, blocos de
vedação, briquetes, etc.

A madeira pode ser reutilizada na obra se não estiver suja e danificada. Caso não esteja reaproveitável na
obra, pode ser triturada e usada na fabricação de papel e papelão ou pode ser usada como combustível,
desde que em equipamento de queima adequado

O papel, papelão e plástico de embalagens, bem como o metal podem ser doados para cooperativas de
catadores; o vidro pode ser reciclado em novo vidro, em fibra de vidro, telha e bloco de pavimentação ou,
ainda, como adição na fabricação de asfalto;

O resíduo de alvenaria, incluindo tijolos, cerâmicas e pedras, pode ser utilizado na produção de concretos,
embora possa haver redução na resistência à compressão, e de concretos especiais, como o concreto leve
com alto poder de isolamento térmico. Pode ser utilizado também como massa na fabricação de tijolos,
com o aproveitamento até da sua parte fina como material de enchimento.

Os sacos de cimento devem retornar à fábrica para utilização como combustível na produção do cimento
(coprocessamento)

O gesso pode ser reutilizado para produzir o pó de gesso novamente ou pode ser usado como corretivo de
solo.
PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL (PGRCC)

A Lei 12305/2010 obriga a segregação dos entulhos na própria obra e a destinação adequada de todos os
resíduos da construção civil, já que a responsabilidade é do gerador.

A destinação inadequada destes resíduos é considerada pela legislação brasileira crime ambiental e, dessa
forma, a elaboração do PGRCC é indispensável para o cumprimento da legislação ambiental vigente em
nosso país.

No PGRCC - Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil é estimada a quantidade de cada


resíduo, por classe, resultantes de uma construção, assim como é estabelecida a caracterização, a
classificação e o manejo interno desses resíduos.

A destinação ambientalmente adequada para este tipo de resíduo também é determinada pelo Plano.

O inventário de resíduos é um documento necessário para o levantamento das informações acerca dos
resíduos sólidos gerados por um empreendimento da construção civil dentro de um período estabelecido.

A partir deste documento, pode-se desenvolver um PGRCC.


Sugestão de roteiro básico para a elaboração de um PGRCC

1 - INFORMAÇÕES GERAIS

1.1 - Identificação do empreendedor

 Pessoa Jurídica: Razão social, nome fantasia, endereço, CNPJ, responsável legal pela empresa
(nome, CPF, telefone, fax, e-mail);
 Pessoa Física: nome, endereço, CPF, documento de identidade.
 Responsável técnico pela obra: nome, CPF, endereço, telefone, fax, e-mail e CREA.
 Responsável técnico pela elaboração do PGRCC: nome, endereço, telefone, fax, e-mail e
inscrição do CREA.

 Cópia autenticada da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART no respectivo Conselho


Profissional.
 Equipe técnica responsável pela elaboração do projeto: nome, formação profissional e inscrição
em Conselho Profissional.

1.2 - Caracterização do empreendimento

 Localização: endereço completo (croquis de localização)


 Caracterização do sistema construtivo
 Apresentação de planta arquitetônica de implantação da obra, incluindo o canteiro de obras, área
total do terreno, área de projeção da construção e área total construída.
 Números totais de trabalhadores, incluindo os terceirizados
 Cronograma de execução da obra.

Obs. No caso de demolições, apresentar licença de demolição, se for o caso.

2 - ETAPAS DO PROJETO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

2.1 - Caracterização e quantificação dos resíduos sólidos

 Classificar os tipos de resíduos sólidos produzidos pelo empreendimento, adotando a


classificação da NBR ABNT 10004/2004, incluindo os resíduos de característica doméstica, se
houver.
 Estimar a geração média de resíduos sólidos de acordo com o cronograma de execução de obra
(em kg ou m3).

2.2 - Minimização dos resíduos

 Descrever os procedimentos que serão adotados para minimização da geração dos resíduos
sólidos, por classe.

2.3 - Triagem/segregação dos resíduos

 Priorizar a segregação na origem, neste caso, descrever os procedimentos a serem adotados para
segregação dos resíduos sólidos por classe e tipo.
 Caso a obra não possua espaço para segregação dos resíduos, esta poderá ocorrer em Áreas de
Triagem e Transbordo – ATT, devidamente licenciadas, com identificação da área e do
responsável técnico.
2.4 - Acondicionamento/armazenamento

 Descrever os procedimentos a serem adotados para acondicionamento dos resíduos sólidos, por
classe/tipo, de forma a garantir a integridade dos materiais.
 Identificar, na planta do canteiro de obras, os locais destinados à armazenagem de cada tipo de
resíduo.
 Informar o sistema de armazenamento dos resíduos identificando as características construtivas
dos equipamentos/abrigos (dimensões, capacidade volumétrica, material construtivo etc.).

2.5 - Transporte interno

 Descrever os procedimentos com relação ao transporte interno, vertical e horizontal dos RCC.

2.6 - Reutilização e reciclagem

 Descrever os procedimentos que serão adotados para reutilização e reciclagem dos RCC.

2.7 - Transporte externo

 O transporte dos RCC não poderá ser realizado sem um documento tipo Controle de Transporte
de Resíduos.
 Este documento contém a identificação do gerador, do(s) responsável(is) pela execução da coleta
e do transporte dos resíduos gerados no empreendimento, bem como da unidade de destinação
final.
 Identificar a empresa licenciada para a realização do transporte dos RCC, os tipos de veículos e
equipamentos a serem utilizados, bem como os horários de coleta, frequência e itinerário.

2.8 - Transbordo de Resíduos (se houver)

 Localização: endereço completo (croquis de localização)

2.9 - Destinação dos resíduos

 Descrever os procedimentos que deverão ser adotados com relação à destinação dos RCC por
classe de acordo com a Resolução CONAMA.
 Apresentar carta de viabilidade de recebimento/destinação de empresa licenciada para destinação
ou de Área de Triagem e Transbordo – ATT da classe/tipo de resíduo.