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Bíblia e SBB - 35 - A saga da NTLH II

Hoje quero continuar a discussão iniciada quando me pus a responder a consulta de um


ouvinte que pediu, se possível, um "senhor" esclarecimento sobre a Nova Tradução na
Linguagem de Hoje, visto ser uma tradução que está ganhando mais e mais espaço nas
igrejas.

Já tive oportunidade de dizer que é difícil falar tudo sobre essa tradução, pois isto certamente
iria virar um livro. Talvez a gente até devesse escrever um livro assim, em função do interesse
e da discussão em torno da Nova Tradução na Linguagem de Hoje. O problema com muitas
pessoas é que elas não querem nem tentar entender por que a tradução ficou desse jeito; elas
simplesmente não gostam e isso basta. E não gostam, em grande parte, porque ficou diferente
do texto bíblico que elas conhecem ou aprenderam até de cor faz muito tempo.

Hoje, quero tocar num ponto bastante sensível. Trata-se da suspeita, especialmente
entre luteranos, de que a NTLH tem um viés sinergista, reflexo da mentalidade sinergista da
equipe de tradução. Para que se entenda isto, preciso primeiro explicar o que é sinergismo. O
termo sugere "cooperação". E sinergismo é dar a entender ou afirmar que posso colaborar com
a minha salvação. Se penso ou digo que posso crer por minhas próprias forças, na hora que eu
bem quiser e decidir, isto é sinergismo. Luteranos têm horror ao sinergismo. Eles até receiam
dizer a alguém: "Crê no Senhor Jesus", pois isto poderia ser entendido de forma sinergista.
Entendemos, com razão, que a fé e a salvação são dádivas de Deus. Agora, é um exagero
dizer que não se pode dizer a alguém "crê no Senhor Jesus", pois na própria Bíblia este convite
foi feito a pessoas.

E o que isso tem a ver com a Nova Tradução na Linguagem de Hoje? É que tem gente que
pensa que ela favorece esse ponto de vista do "sinergismo". Um dos textos suspeitos é, por
exemplo, João 1.12: "Porém alguns creram nele [em Jesus] e o receberam, e a estes ele
[Deus] deu o direito de se tornarem filhos de Deus". Tem sinergismo aí? Não que eu veja.
Talvez na afirmação "o direito de se tornarem filhos de Deus". Acontece que isto exatamente é
o que está escrito, no original grego. O problema só existe porque a gente conhece o texto de
Almeida, que diz: "mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos
de Deus". Este serem feitos é claramente passivo, e faz com que o texto da NTLH soe vago ou
suspeito. Mas a tradução de Lutero diz exatamente o mesmo que aparece na NTLH.

Vamos ver outro exemplo, em que se dá o contrário, ou seja, em que a suspeita de sinergismo
está em outro lugar. Trata-se do famoso texto de Romanos 12.2: "E não vos conformeis com
este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente". Assim diz em Almeida. Tem
sinergismo aí? Pode até ter, dependendo de como se lê o texto. O convite "transformai-vos"
parece sugerir que a pessoa (o cristão) tem como fazer isto por conta própria. Neste caso, é
bom que se explique, a tradução de Almeida não é bem exata. No original temos um verbo na
voz passiva: "sede transformados". E a NTLH acertou na mosca: "Não vivam como vivem as
pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa
mudança da mente de vocês". Aqui fica bem claro que essa transformação é obra de Deus.
Portanto, nem sinal de sinergismo na NTLH. Por outro lado, existe um grande potencial
sinergista na tradução de Almeida: "transformai-vos pela renovação da vossa mente". Claro,
esta afirmação não pode ser isolada; ela precisa ser colocada no contexto maior de toda a
Bíblia.

Agora, por que ninguém reclama da tradução de Almeida? Porque estamos acostumados com
o texto. Porque julgamos que ele está acima de qualquer suspeita. Porque nem sempre
entendemos bem o que lá está escrito. E por que saímos à caça de problemas na NTLH?
Porque é um texto diferente, um texto que nos acorda, e aí a gente presta atenção nos
detalhes. E também porque suspeitamos de saída que ela tem problemas - talvez porque
alguém nos colocou uma pulguinha atrás da orelha. Perfeita ela não é, como nenhuma outra
tradução é perfeita. Nem mesmo Almeida é infalível. A única coisa que não podemos retocar é
o original. Quanto se trata de uma tradução, ela sempre pode ser reformada. Isto vale para a
NTLH, para o texto de Almeida, para todas elas. E a gente precisa de todas elas, para
diferentes propósitos ou finalidades. Mas isto já é outra história.