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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA DO JUIZADO ESPECIAL

CÍVEL DA COMARCA DE CAMPINAS/SP

Processo n.º 1040333-96.2018.8.26.0114

SANDRO MACIEL DE CARVALHO, brasileiro, solteiro, portador do


RG de n.º 26.434.377-3 SSP/SP, delegatário do Serviço Público Notarial afeto ao 5º Tabelião de
Notas de Campinas, cuja Serventia Extrajudicial encontra-se devidamente instalada na Rua Maria
Monteiro, n.º 536, Cambuí, Campinas/SP, nos autos da AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS
MATERIAIS E MORAIS que lhe move PAULO DOS SANTOS, processo em epígrafe, vem
respeitosamente perante a presença de Vossa Excelência, mediante seus advogados e
bastantes procuradores que a esta subscrevem, interpor nos termos do art. 41 da Lei
Federal n.º 9.099/95, tempestivamente, RECURSO INOMINADO e respectivas razões em
memorial anexo, que, mediante recolhimento necessário de preparo, sendo recebidas e
reconhecidas em seu duplo efeito devolutivo e suspensivo, sejam remetidas ao E. Órgão
Competente Julgador.

Termos em que,
Pede deferimento.
Campinas/SP, aos 30 de maio de 2019.

HERICK BERGER LEOPOLDO


OAB/SP N.° 225.927
RAZÕES DE RECURSO INOMINADO

Recorrente: Sandro Maciel Carvalho.


Recorrido: Paulo Coppola dos Santos
Origem: 1ª Vara do Juizado Especial Cível da Comarca de Campinas/SP
Proc. n.º 1040333-96.2018.8.26.0114

Egrégio Colégio Recursal


C. Turma
D. Julgadores

A sentença proferida pelo MM. Juíz a quo, com todo o respeito


e consideração aos fundamentos esposados, não deve prevalecer, pois a matéria examinada
e sua fundamentação não estão em sintonia com os sapientes entendimentos manifestados
pelo Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para casos semelhantes aos dos
autos, merecendo sua integral reforma para efetividade da Justiça.

1. BREVE HISTÓRICO DOS FATOS

Alegou o Recorrido em sua exordial, que ao efetuar um


determinado negócio, vendendo um imóvel com matrícula no Terceiro Oficial de Registro de
Imóveis de Campinas sob o nº 61.675, recebendo parte do pagamento em espécie e parte
em dação em pagamento.

Alegou o Recorrido que, para a formalização do contrato


através de escritura de venda e compra, houve pedido de emissão de certidão atualizada dos
bens, sendo que, a matrícula referente ao bem recebido pelo Recorrido (documento público)
foi emitida em 02 de abril de 2.015.

O Recorrido alegou ainda ter tomado cautela na aquisição do


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imóvel e que pagou todos os emolumentos, não só pela lavratura do ato notarial, mas
também pelo seu registro no 3º RI local, conforme nota emitida pelo 5° Tabelião de Notas de
Campinas.

Contudo, o Recorrido alegou ter sido surpreendido, pois quando


foi fazer o registro da escritura na matricula do imóvel, tomou conhecimento da prenotação
existente no documento, ao receber a nota de devolução, datada de 10 de junho de 2.016.

O Recorrido aduziu que a prenotação continha a informação de


que recaía sobre o bem prenotação impeditiva de celebração de alienação, datada de 12 de
setembro de 2.000, sendo que o mesmo cartório de registro de imóveis realizou a averbação
da prenotação.

Alegou o Recorrido que, diante do ocorrido, precisou desfazer o


negócio através de lavratura de nova escritura, com o pagamento de todas as taxas e
emolumentos novamente.

Em virtude do que ocorreu, o Recorrido pleiteou a condenação


dos Réus no pagamento de indenização por danos materiais pelos prejuízos que teve no
valor atualizado de R$ 27.356,28 (vinte e sete mil trezentos e cinquenta e seis reais e vinte e
oito centavos), em razão de suas despesas com o pagamento das taxas e emolumentos, e
danos morais pelos dissabores experimentados no valor de R$ 11.089,02 (onze mil oitenta e
nove reais e dois centavos), referente a 50% (cinquenta por cento) do valor gasto com a
escritura.

Nesta oportunidade, o Recorrente apresentou contestação


alegando que (i) jamais descumpriu qualquer norma da NCGJ; (ii) que em nenhum momento
agiu de forma displicente com relação ao Recorrido a assinar o contrato (iii) que
disponibilizou todo a informação necessária ao Recorrido (iv) que o Recorrido o procurou

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para registrar a escritura de permuta ciente das restrições contidas no imóvel envolvido no
negócio.

Ato contínuo, a D. Magistrada proferiu sentença julgando


procedente em parte os pedidos do Recorrido, conhecendo o pedido de indenização
somente contra os responsáveis pelas serventias extrajudiciais a época dos fatos no valor de
R$ 27.356,28 a título de danos materiais e R$ 10.000,00 a título de danos morais de forma
solidaria.
Irresignado com a r. sentença a quo, visto entender que os
fatos acontecidos foram interpretados em favor exclusivamente do Recorrido, insurge-se
com o presente Recurso Inominado no intuito de reformá-la.

Com efeito, é a síntese do necessário.

2. DA RESPONSABILIDADE DO 5º TABELIÃO DE NOTAS DE CAMPINAS

Hora Nobres Julgadores, insta proferir algumas considerações


inicialmente antes das razões da reforma do decisum.

O Recorrido é uma pessoa que pratica negócios imobiliários


com frequência, segundo declarações suas em sua exordial, fls. 02 e na audiência:

“O autor tem por empreendimento a compra de bens imóveis, a reforma ou construção, nos
casos de terreno, e posterior venda.”

Portanto é uma pessoa que comumente dispõe de certa


experiência neste tipo de negócio e que esta acostumada com os tramites legais que
envolvem este tipo de transação.

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Não pode se considerar uma pessoa leiga ou que nunca tenha
lhe dado com esta situação, pelo contrario esta habituado a fazer este tipo de negócio
objeto da suposta lesão sofrida pelo Recorrido e que alega culpa exclusiva do Recorrente e
do delegário responsável à época pelo 3º Registro de Imóveis de Campinas, Fraterno de
Almada Junior.

Pois bem nobres julgadores como visto, ao que parece o


Recorrido sabia da situação em que se encontrava o imóvel que fora permutado, confirmado
por ele em audiência que tinha consciência das restrições contidas na certidão de matricula
do Imóvel de fls. 12-17, inclusive com a prenotação visível, não podendo assim alegar
ignorância ou mesmo desconhecimento dos fatos.

E alega que foi impedido de registrar o referido imóvel


envolvido na transação comercial, por culpa exclusiva deste Recorrente, sendo que havia o
prévio conhecimento das restrições que envolviam aquele negócio imobiliário, e agora tendo
frustrado a realização de tal transação comercial, tenta se locupletar da suposta torpeza
frente aos elementos necessários para concretizar o negócio, imputando todo o prejuízo à
custa do Recorrente.

Que nada mais fez do que cumprir a vontade das partes,


conforme as Normas que regem o registro de atos entre particulares pelas serventias
extrajudiciais.

A alegada hipossuficiência pelo Recorrido induziu a Magistrada


a decidir equivocadamente, punindo os Réus pelos prejuízos que ele mesmo deu causa.

Portanto na prolação da r. sentença a magistrada para


condenar o Recorrente solidariamente assim definiu o ato em questão:

Destarte, uma vez constante informação de prenotação do imóvel objeto de compromisso de


compra e venda na matrícula fornecida pelo 3º Cartório de Registro de Imóveis de Campinas,

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o ato da escritura deveria ser obstado pelo Tabelião, impedindo a transmissão do bem
imóvel.
Assevere-se que a falha na prestação do serviço público notarial está presente na cópia da
Escritura lavrada, às fls. 24 dos autos...

Pois bem assevera a Magistrada que a escritura lavrada pelo


Recorrente, estava eivada de vícios, e que mediante as restrições contidas na matricula do
imóvel conforme certidão de fls- 12-17 emitidas pelo 3º Registro de Imóveis de Campinas a
época pelo Sr. Fraterno de Melo Almada Junior deveria ser obstado por este Recorrente.

Como bem denotado também pela Magistrada em suas


fundamentações para justificar a condenação, alegou que a prenotação de fls. 17, constava
de forma genérica, não especificando detidamente as restrições que constavam na matrícula
daquele imóvel objeto do negócio.

Portanto a responsabilidade das informações contidas naquela


certidão fornecida pelo responsável a época pelo 3º Registro de Imóveis de Campinas, cabia
somente a este, não podendo o Recorrente invadir a competência quanto ao documento
emitido, e tão somente ao que foi delegado para prestar o serviço notarial.

Toda a informação contida nos documentos notariais e


registrais são de responsabilidade do respectivo Tabelião ou Registrário responsável à época
dos fatos.
Não pode este Recorrente responder por informações contidas
em documentos que são fornecidos por outros órgãos ou serviços extrajudiciais.

Segue o Decreto 93.240/86 que regulamentou a Lei Federal


7.433/85 para que se possam esclarecer algumas considerações sobre a responsabilidade
deste Recorrente:

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Art 1º Para a lavratura de atos notariais, relativos a
imóveis, serão apresentados os seguintes documentos e
certidões:

IV - a certidão de ações reais e pessoais reipersecutórias,


relativas ao imóvel, e a de ônus reais, expedidas pelo
Registro de Imóveis competente, cujo prazo de validade,
para este fim, será de 30 (trinta) dias;
(...)
§ 3º A apresentação das certidões previstas no inciso IV,
deste artigo, não eximirá o outorgante da obrigação de
declararar na escritura pública, sob pena de
responsabilidade civil e penal, a existência de outras
ações reais e pessoais reipersecutórias, relativas ao
imóvel, e de outros ônus reais incidentes sobre o mesmo.

Art 2º O Tabelião fica desobrigado de manter, em


cartório, o original ou cópias autenticadas das certidões
mencionadas nos incisos III e IV, do artigo 1º, desde que
transcreva na escritura pública os elementos necessários
à sua identificação, devendo, neste caso, as certidões
acompanharem o traslado da escritura.

No artigo 1º, § 3º, do Decreto acima, citado pela douta


Magistrada em sua sentença, resta claro que as informações sobre ônus ou restrições que
recaem sobre o imóvel é de responsabilidade do outorgante, portanto a pessoa que
negociou com o Recorrido, no caso do contrato de permuta estabelecido entre os
interessados.

O Recorrente somente deu aso a vontade das partes, caberia


aos envolvidos além da cautela a boa fé objetiva em um negócio jurídico.

-7-
Portanto a norma não afasta a responsabilidade dos envolvidos
no negócio imobiliário, principalmente com relação a outorga todas as informações
prestadas são de responsabilidade dos mesmos, e os riscos do negócio não podem serem
assumidos por este Recorrente pois ele não faz parte desta relação jurídica, apenas prática
um ato para a qual foi delegado, que consiste em celebrar a escritura conforme a vontade
das partes, restrito apenas a formalidade que a Lei exige.

Segue o Provimento CG nº 40/2012 que alterou o capitulo XIV


da NSECGJ( Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça):

1.2. O Tabelião de Notas, cuja atuação pressupõe


provocação da parte interessada, não poderá negar-se a
realizar atos próprios da função pública notarial, salvo
impedimento legal ou qualificação notarial negativa.
(...)
2.2. A consultoria e o assessoramento jurídicos devem ser
prestados por meio de informações e de
esclarecimentos objetivos, particularmente sobre o
melhor meio jurídico de alcançar os fins desejados
pelas partes, os efeitos e consequências dos fatos,
atos e negócios jurídicos a serem documentados, e
visar à tutela da autonomia privada e ao equilíbrio
substancial da relação jurídica, de modo a minimizar
as desigualdades materiais e a proteger os
hipossuficientes e os vulneráveis, tais como as
crianças e os adolescentes, os idosos, os
consumidores, os portadores de necessidades
especiais e as futuras gerações.

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Todavia como exposto nas Normas da Corregedoria Geral da
Justiça, o Tabelião não pode se negar a efetuar atos de sua natureza delegatária.

O exercício do Serviço Público tem origem na delegação que o


Poder Público faz ao Tabelião de Notas, profissional do direito que é por ele previamente
habilitado e permanentemente fiscalizado, conforme preceitua o artigo 236 da Constituição
Federal de 1.988 e o artigo 3º da Lei Federal nº 8.935/94.

Enquanto ao particular é lícito fazer o que não for proibido por


lei, o Tabelião de Notas, por tratar-se de delegatário de um Serviço Público, tem seus atos
adstritos ao que ela literalmente determina, conforme dispositivo inserto no artigo 37,
“caput”, da Constituição Federal de 1.988.

Na condição de delegatário do Poder Público, o Tabelião de


Notas tem o dever de formalizar juridicamente a vontade das partes, intervindo apenas e tão
somente a molde de atribuir forma legal aos atos jurídicos pretendidos por elas enquanto
usuárias do Serviço Público Notarial conforme artigo 6º, I e II, da Lei Federal 8935/94.

Importante observar que o Tabelião de Notas atua adstrito ao


princípio do dever de exercício, de modo que não pode se negar a atribuir forma jurídica à
manifestação de vontade deduzida pelas partes, não lhe sendo sequer facultado o direito de
escolher entre exercer ou não exercer o Serviço Público.

O emérito doutrinador e filósofo do direito Caio Mário da Silva


Pereira, valendo-se das preciosas lições dadas por Savatier, define a regra matriz da culpa,
assentando a ideia central acerca da falta de cumprimento de uma obrigação em face a um
dever preexistente, senão vejamos:

“Savatier, ao definir a culpa, afirma que é necessário


assentar ser impossível fazê-lo sem partir da “noção de
dever”, que ele analisa, em várias hipóteses ou espécies

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(deveres legais, deveres de família, deveres morais,
obrigações de observar regulamentos, dever geral de não
prejudicar a outrem etc.). Como coroamento de todo esse
processo analítico, define: A culpa é a inexecução de um
dever que o agente podia conhecer e observar.” (PEREIRA.
Caio Mário da Silva. Responsabilidade Civil. 2ª Ed.
Forense:1990, página74)

E se o Recorrente não violou um dever, ao revés, atuou de


forma rigorosamente adstrita às obrigações impostas pela sua atividade, que exige analise
formal dos documentos que lhe são apresentados, ele não agiu com culpa, assim, não há
ilicitude que lhe foi imputada nos termos do artigo 188, I, do Código Civil em vigor:

“Art. 188. Não constituem atos ilícitos:


I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido; ”

De toda forma é nítido que o Recorrido subestima os Nobres


Julgadores, acreditando que pode através do judiciário recuperar o prejuízo que a ele mesmo
o provocou.

Quem teria a responsabilidade de fato são os envolvidos no


negócio principalmente o outorgante, que nem se quer foi citado na ação e que não agiu
com probidade, pois omitiu informação importante para o resultado da permuta entre ele e
o Recorrido.

Ademais como visto anteriormente o Recorrido assumiu o risco


do negócio pretendido, quando em suas declarações durante o prosseguimento do processo
declarou ter ciência da prenotação existente na certidão fornecida pelo 3º RI de Campinas,
mas que mesmo assim deu seguimento ao negócio no afã de se obter provavelmente um
bom lucro com o negócio pretendido.

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Mas com o impedimento encontrado na hora de registrar o
imóvel no 3º RI de Campinas, o Recorrido se viu obrigado a desfazer o negócio pactuado com
o outorgante no contrato de permuta que havia feito com este.

E mediante o prejuízo que lhe acometeu procurou assim através


da assistência do Estado reaver a reparação contra o Recorrente e não contra de fato quem
lhe causou este prejuízo neste caso a outorgante na qual efetuaria a transação imobiliária.

Portanto não merece prosperar qualquer alegação aventada


contra os Recorrido e sua suposta responsabilidade pelos danos que ocorreu.

Todas as circunstâncias demonstram que uma transação


imobiliária feita entre o Recorrido e um terceiro, foi frustrada pela falta de prudência de um
e a má fé de outro, e querem agora reaver todo o prejuízo que na verdade foi causado pelo
Recorrido a si mesmo, alegando falha na prestação do serviço pelo Recorrido.

Que ademais o juízo a quo erroneamente aplicou a condenação


em valores aquém dos prejuízos supostamente acometidos pelo Recorrido, pois definiu que
o valor do ITBI também deveria compor a condenação, só que esquece que o Recorrido não
retém tal tributo pois ele é repassado inteiramente a Prefeitura.

O recorrido deveria ter ido a Prefeitura requerer o estorno do


ITBI que pagou, por não ter concretizado o negócio, não caberia ao Recorrente ressarcir estes
valores pagos, pois estão aquém da sua competência.

Não pode este Recorrente se responsabilizar por ônus que não


é da sua competência, desta forma a sentença extrapolou os limites da lide impondo
obrigação que legalmente não compete ao Recorrente, decidindo contra disposição literal da
norma.

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3. DA FALTA DE NEXO CAUSAL E DA RELAÇÃO JURIDICA ENTRE AS PARTES

Alega o Recorrido que o Recorrente foi responsável pelos


prejuízos que teve com a frustação do negócio desfeito.

Porém

Já na parte das escrituras públicas segue orientação na Seção V,


com relação aos atos praticados no Tabelionato:

SEÇÃO V
DAS ESCRITURAS PÚBLICAS
Subseção I
Das Escrituras Relativas a Bens Imóveis
59. As escrituras relativas a bens imóveis e direitos
reais a eles relativos devem conter, ainda:
a) a localização completa do imóvel: para os bens
imóveis urbanos ou rurais georreferenciados, é
suficiente a menção ao número da matrícula e ao
Registro de Imóveis, enquanto, para os bens imóveis
objeto de transcrição, a descrição deve ser integral e
pormenorizada;
b) título de aquisição do alienante, com referência à
natureza do negócio jurídico, ao instrumento que o
documenta, à matrícula e ao registro anterior, ao seu
número e ao Registro de Imóveis;
c) exame da documentação da propriedade do
imóvel, obrigando a apresentação de certidão
atualizada do Registro de Imóveis competente, bem
como a de ações reais e pessoais reipersecutórias e

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de ônus reais, com prazo de validade de 30 (trinta)
dias;
d) indicação dos alvarás ou mandados, nas escrituras
lavradas em decorrência de autorização judicial;
e) apresentação das certidões dos distribuidores do
foro das Justiças Estadual, Federal e Trabalhista, ou a
expressa dispensa pelo adquirente e declaração do
alienante, sob pena de responsabilidade civil e penal,
de que o imóvel encontra-se livre e desembaraçado
de quaisquer ônus reais, judiciais ou extrajudiciais, e
sobre a existência de outras ações reais e pessoais
reipersecutórias, relativas ao imóvel, e de outros ônus
reais incidentes sobre o mesmo;

Pois bem, ao reconhecer as restrições e mesmo assim dar


continuidade no negócio o Recorrido anuiu expressamente, dando-se por satisfeito com as
condições ali pactuadas, e os efeitos subsequentes. E não há que se falar em pessoa leiga,
pois o mesmo declarou que faz sempre negócios desta natureza, conhecendo previamente
todos os tramites legais que o cercam, portanto age com deslealdade quando alega torpeza
sobre o que aconteceu.

Ora, Nobres Julgadores, o que ficou comprovado foi que a


Recorrente se arrependeu posteriormente a assinatura do contrato de permuta, que do
ponto de vista jurídico nada impede que ele rescinda o contrato desde que responda pelas
consequências advindas do que fora pactuado, pois como rege a Lei foi lido e confirmado a
vontade das partes em estabelecer o negócio, não seria justo dar guarida a
irresponsabilidade das pessoas na assumpção de contratos, gerará verdadeira insegurança
jurídica nas relações contratuais.

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Em suma, é evidente que o Recorrido não comprovou suas
alegações solidamente, de modo que não restou provado que o Recorrente descumpriu suas
obrigações na função de delegatário do 5º Tabelionato de Notas de Campinas, a
contraprestação lhe fora disponibilizada, mas infelizmente por motivos pessoais adstritos a
indisponibilidade da transferência do bem pretendido, o negócio foi desfeito.

Assim, a sentença merece ser totalmente reformada por


medida de Justiça, contra os equívocos cometidos.

3. DA INEXISTENCIA DO PREJUIZO ALEGADO

Em que pese o respeito pelo D. magistrada a quo, e seu


entendimento explicitado na sentença, mas a forma como foi proferida, equivale ao
julgamento por revelia, eis que somente foram consideradas as alegações feitas pelo
Recorrido.

Pleiteou o Recorrido a condenação dos Recorrentes a


indenização por danos materiais e morais totalizando o pedido inicial de R$ 38.445,30,
sendo que na prolação da r. sentença a Magistrada arbitrou o valor total de R$ 37.356,28.

Ocorre que no aditamento tempestivo à contestação (fls. 96-


97), este Recorrente demonstrou que o Recorrido já havia recebido dos Srs. Roseli Lopes
Sioto e José Carlos Sioto outorgantes, o montante de aproximadamente R$ 37.000,00 pelos
prejuízos referentes ao ITBI e aos emolumentos das duas escrituras realizadas.

Esta informação foi confirmada pelos depoimentos das


testemunhas Roseli Lopes Sioto e José Roberto Bagaroli Filho, em audiência promovida em
02/04/2019.

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Ora vejam Nobres Julgadores, mesmo com tais provas
demonstrando que o Recorrido já fora ressarcido pelos outros permutantes dos alegados
prejuízos materiais e morais que sofreu, o D. Juízo a quo, ainda assim, condenou este
Recorrente solidariamente ao pagamento de indenização por danos morais e materiais, o
que não se pode admitir!

É evidente que, se houve o ressarcimento de supostos danos


materiais e morais, tais prejuízos deixam de existir, não havendo o que se falar novamente
em indenização pelo mesmo motivo, sob pena de se configurar enriquecimento ilícito e
gerar grande injustiça!

Assim, nota-se que o D. Juízo a quo omitiu-se quanto a tese


trazida pelo Recorrente em sede de aditamento da contestação (fls. 96-97), ignorando,
outrossim, o fato de tal alegação ter sido comprovada nos autos por meio de prova
testemunhal, condenando este, mesmo assim, ao pagamento de indenização de supostos
danos que o Recorrido já fora ressarcido!

Assim, deve os Nobres Julgadores sanar tal omissão apontada,


realizando o julgamento justo, de acordo com as provas produzidas pelas partes, e reparar a
violação ocorrida do art. 371 do CPC.

Pois como dito as provas contrapõe os pedidos de


ressarcimento dos supostos prejuízos, que de fato já foram pagos ao Recorrido pelos
outorgantes citados acima. Portanto tenta o Recorrido se locupletar mais uma vez de
vantagem à custa da justiça da alegada torpeza quanto ao negócio, mas tudo demonstra
certa habilidade deste que tanto foi ressarcido extrajudicialmente como agora consegue a
prestação jurisdicional para repetir a indenização já conseguida.

Considerando, desse conglomerado complexo diretivo


atribuído aos Nobres Julgadores para decidir, analisando a r. sentença recorrida,
identificamos a ausência de fundamentação na decisão que condenou este Recorrente

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solidariamente a pagar indenização por danos morais e materiais ao recorrido, sem sequer
apontar as provas que serviram de base para o seu convencimento.

Portanto, ao Julgador, cabe seguir o princípio da legalidade, pois


assim é a formação do nosso Estado de Direito. Contrariar isso é decidir sem fundamentar.

Como explanado acima, para fundamentar e dar validade a uma


decisão, é necessário que o objeto jurídico protegido associado a punição tenham relação,
sob pena de ausência de fundamentação e como visto o pleito inicial carece de razão, sendo
que o Recorrido omitiu a informação do ressarcimento da outra parte envolvida no negócio
que alega ter tido prejuízo, na intenção de se locupletar de vantagem indevida.

Assim, a sentença merece ser reformada por medida de Justiça


para julgar IMPROCEDENTE os pedidos do Recorrido.

Diante do exposto, necessária a reforma da r. sentença a quo.

4. DO PEDIDO

Ex positis, respeitosamente REQUER a Recorrente que:

1. Julgar improcedentes os pedidos de indenização contra este


Recorrente - por não ter havido qualquer prejuízo como comprovado, e muito menos
responsabilidade deste Recorrente pelos atos promovidos no exercício da delegação a frente
do 5º Tabelionato de Notas da Comarca de Campinas – e a total reforma da sentença para
afastar a condenação solidaria aplicada ao Recorrente, e assim, mediante a atividade
jurisdicional, concretize a efetiva aplicabilidade da Justiça;

2. O presente Recurso Inominado seja conhecido e dado pleno


provimento, a fim de que seja reformada a r. decisão a quo, dos autos mediante nova
decisão, para julgar improcedente os pedidos de indenização contra este Recorrente;

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3. Seja o Recorrido condenado nas custas e honorários
advocatícios.

Termos em que,
Pede deferimento.
Campinas/SP, aos 31 de maio de 2019.

HERICK BERGER LEOPOLDO


OAB/SP N. ° 225.927

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