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NEUROPSICOLOGIA – 2º SEMESTRE 2009

Porto, 19 de Fevereiro de 2009


Doutor Enrique Justo

TEMA 0: APRESENTAÇAO DO PROGRAMA

Neuropsicologia – dentro das varias disciplinas da psicobiologia uma chama-se neuropsicologia.


Definição – disciplina que estuda a relação entre o cérebro e o comportamento centrando-se no
córtex cerebral por isso nas funções superiores do comportamento.

Vamos ver como o cérebro produz comportamento. Quais as funções superiores? Motora,
perceptiva, a memória, linguagem, função executiva (controlo, supervisão e execução de
comportamentos). Cada uma destas funções será um tema.

PROGRAMA:
Tema 1 – Introdução à neuropsicologia. Tema introdutório para contextualizar a neuropsicologia:
perspectiva histórica, definição, métodos para a estudar e relação com outras disciplinas.

Tema 2 – Especialização hemisférica. Não é um tema especifico de nenhuma função superior


concreta. Os nossos hemisférios são idênticos desde uma perspectiva anatómica e mto diferentes
desde uma perspectiva funcional: há funções desenvolvidas pelo hemisfério esquerdo e outras
pelo hemisfério direito. Vamos aprofundar sobretudo a perspectiva funcional. Aqui entram os
princípios de assimetria cerebral; as variações na assimetria cerebral e os síndromes disconectivos.

Tema 3 – Neuropsicologia das funções motoras e transtornos relacionados (Apraxias) – para


estudar as nossas funções superiores vamos abordar desde a sua disfunção ou seja a alteração da
função. A função motora são as praxis em movimento; vamos estudar as alterações dos
movimentos devido a dano cerebral, devido a dano neurológico e por isso vamos estudar as
apraxias.

Tema 4 – Neuropsicologia das funções perceptivas e transtornos relacionados (Agnosias) –


veremos todos os nossos sistemas sensoriais (aqueles que vimos o semestre passado),
concretamente, o que acontece quando há uma disfunção nas áreas cerebrais responsáveis por
esses sistemas. Denominam-se agnosias – há uma agnosia especifica para cada modalidade
sensorial.

Tema 5 – Neuropsicologia e disfunções da memória – vamos estudas as amnésias. Alterações da


memoria devido a danos cerebrais. Quais são as principais áreas cerebrais implicados na memoria;
quais os diferentes tipos de memoria; quais os diferentes tipos de amnésias.

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Tema 6 – Neuropsicologia da linguagem (afasias, alexias e agrafias) – alterações da linguagem
devido a danos no cérebro. O que acontece qd alguma dessas áreas não funciona.

Tema 7 – Síndromes pré-frontais – há duas áreas fundamentais: motoras e as áreas responsáveis


pelas nossas funções executivas. Vamos estudar o que acontece qd há danos pré-frontais. Quais
são os sintomas que caracterizam este tipo de danos.

No fundo vamos ver como se produz comportamento através do cérebro. Já vimos como funciona
o cérebro anatomicamente (no semestre passado), agora vamos ver qual é o resultado desse
comportamento. Ao estudar a alteração estamos a estudar tb a normalidade. Em todos os temas
vamos falar de sintomas, síndromes e patologias relativos à aplicação clínica do funcionamento do
cérebro.

Em todos e cada um dos temas vamos dedicar uma parte à avaliação destes processos. Vamos ver
procedimentos para a avaliar os lóbulos cerebrais. Como avaliar a linguagem para saber se está ou
não está alterada. É fundamental assistir às aulas tutoriais. Toda esta parte da matéria está
dedicada à avaliação destes funções que podem ser avaliadas de mtas formas:
 Um procedimento é através dos testes de tipo psicométrico. Há uma pontuação e esse número
está a dizer o funcionamento dessa pessoa naquilo que estamos a medir.
 Nas aulas tutoriais vamos ver o funcionamento desses testes. Nas aulas teóricas só se vai
mencionar os testes para depois aprofundar nas aulas práticas. A nível teórico é preciso
conhecer os testes, depois a prática consiste em saber aplicar o teste, saber avalia-lo. Vamos
dedicar 1h por semana para cada uma das funções.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
 Gil, R. (2007). Neuropsicologia. Barcelona: Elsseiver-Masson
 Junqué, C. e Barroso, J. (2001). Neuropsicologia. Madrid: Síntesis
 Tirapu, J.; Rios, M.; and Maestú, F. (2008). Manual de neuropsicologia. Viguera editores

Pontos escritos:
 03 de Abril 09
 05 de Junho 09

Porto, 26 de Abril de 2009

TEMA 1: INTRODUÇAO À NEUROPSICOLOGIA

INTRODUÇÃO
Aviso: Há pouca bibliografia sobre este tema. Duas partes centrais:
1ª Parte – definir e compreender o que é a neuropsicologia, o seu objecto de estudo e a sua
metodologia. Quais os seus objectivos e quais os métodos que usa a neuropsicologia para atingir
esses objectivos.
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2ª Parte – ver a historia da neuropsicologia. A Neuropsicologia tem mto pouco tempo (por volta
de 35 anos), no entanto, os seus antecedentes históricos existem desde que o homem começou a
ter curiosidade por si próprio.

1ª PARTE – DEFINIÇAO, OBJECTO DE ESTUDO E METODOLOGIA

I. DEFINIÇÃO E OBJECTO DE ESTUDO


Definição – existem mtas definições de neuropsicologia. Vamos ver uma simples e depois analisa-
la. A neuropsicologia é uma área da psicologia que estuda a relação entre a dinâmica funcional do
cérebro e o comportamento em condições normais e patológicas.

Análise da definição:
 É uma área da psicologia – É importante que isto fique bem claro. Estamos a falar de
psicologia e não de neurologia, não é uma área da medicina.
 Estuda a relação entre a dinâmica funcional do cérebro e comportamento – o acento está na
dinâmica funcional ou seja no funcionamento do cérebro. O que interessa em neuropsicologia
é como funciona o cérebro. O cérebro esta constituído por estruturas interligadas
funcionalmente, formando sistemas responsáveis por comportamentos e capacidades. Por isso
a neuropsicologia não é neuroanatomia (isso foi o que vimos o semestre passado).
 Estuda tanto em situações normais como patológicas – vai estudar o resultado do
funcionamento do cérebro normal e o resultado do funcionamento do cérebro patológico.
Segundo se estude o cérebro normal ou patológico fala-se de um tipo de neuropsicologia ou
de outro.

Objecto de estudo
Esta área tem como objecto de estudo as alterações cognoscitivas, emocionais e os transtornos da
personalidade provocadas por lesões cerebrais, ou seja, por danos no cérebro. Dito de outra
maneira, as alterações provocadas no cérebro com dano.

Estrutura anatómica central da neuropsicologia – córtex cerebral


Dentro das estruturas e áreas anatómicas que vimos no semestre passado, o que agora interessa é
o córtex cerebral onde estão localizadas todas as nossas funções superiores. Por isso a N centra-se
no estudo do córtex cerebral. Todos os transtornos neuropsicológicos são provocados por danos
no córtex cerebral de forma directa ou indirecta (deformação na própria área ou em outra que
tenha repercussões nesta).

Interdisciplinaridade de neuropsicologia
A N é uma área da psicologia. É uma disciplina que faz parte da psicobiologia – disciplina que
estuda as bases biológicas do comportamento. Como disciplina da psicobiologia na
neuropsicologia vamos encontrar conhecimentos que correspondem a mtas outras disciplinas. Se
começarem a pensar no que vimos o semestre passado pode-se reparar que para saber e
conhecer bem a neuropsicologia é preciso saber algo de:

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 Psicologia,
 Filosofia,
 Neurociências dos sistemas (estudo de como os neurónios se organizam formando redes
neuronais responsáveis pelas diferentes capacidades);
 Embriologia (desenvolvimento do sistema nervoso desde as primeiras fases do
desenvolvimento até estar completamente formado);
 Física (potencial de acção);
 Quimica – neurotransmissores, que são substancias químicas: bioquímica; neuromolecular
 Biologia celular e biologia do desenvolvimento
 Medicina (neuroanatomia que é uma área da medicina – mas para a neuropsicologia não basta
a neuroanatomia, pq nesta o acento são as funções e não a sua anatomia). Existe uma guerra
entre neurólogos e psicólogos para ver quem fica com a neuropsicologia. Áreas: neurologia;
neuroanatomia; neurofisiologia; neuroimagiologia (quase não podemos imaginar a
neuropsicologia sem a imagem; TAC; Ressonacia magnética;… nenhuma explica o
comportamento mas todas elas ajudam a compreender o funcionamento cerebral e as
alterações provocadas por danos no cérebro); neuroradiologia; medicina nuclear.
Por isso a N implica o estudo de mtas e variadas áreas de conhecimento desde a filosofia até à
medicina nuclear; de todas já falamos um pouquinho e vamos continuar…

II. OBJECTIVOS GERAIS DA NEUROPSICOLOGIA:


a) Descrever de forma científica as manifestações patológicas das actividades nervosas
superiores – descrever as alterações emocionais do comportamento ou personalidade
provocadas por danos no cérebro. Já estamos a concretizar mais o que denominamos
processos cognitivos complexos ou funções superiores.

b) Conhecer a fisiopatologia das alterações observadas – vamos observar uma alteração, ou


seja, um comportamento alterado e o que queremos saber é qual o dano cerebral responsável
por essa alteração.

c) Diagnostico de tipo clínico, de tipo neuropsicológico e de tipo topográfico cerebral de um


transtorno do comportamento – estamos a estudar comportamento e isto não se pode
esquecer. Qd realizamos o diagnóstico, este deve incluir estes três aspectos: clínico;
neuropsicológico (relação cérebro-comportamento) e topográfico (que faz referencia à área
concreta do cérebro).

d) Estudar a influencia da experiencia e da aprendizagem no substrato neurofuncional – como a


experiencia determina o funcionamento cerebral, ou seja, a plasticidade neuronal? Vamos
estudar como uma pessoa que tem um dano cerebral determinado, através da sua
aprendizagem e da sua experiencia, as consequências desse dano cerebral são modificadas
antes e após o dano cerebral:

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 Um dano cerebral nunca é igual em duas pessoas pq a experiencia de cada pessoa é única.
Como a experiencia determina o funcionamento do cérebro, as consequências em cada um
vão ser diferentes.
 Uma vez que aparece o dano cerebral, a recuperação desse dano cerebral depende da
aprendizagem e da experiencia. Exemplo: Duas pessoas com um tumor bi-frontal da
mesma idade: ambos têm uma realidade parecida com manifestações idênticas, mas uma
vez que se desenvolve o tumor, a recuperação desse tumor vai depender da aprendizagem,
experiencia e da reabilitação de cada um. Se um realiza actividades, se houver estimulação
e desenvolver experiencias, esse cérebro vai ter uma maior plasticidade neuronal e por isso
vai desenvolver capacidades. Isto vai desenvolver a reserva cerebral (aspectos de tipo
fisiológico – neurónios e contactos sinápticos) que vai levar a uma maior reserva cognitiva
(capacidades).
 Explicação - Factores ambientais – fazem referencia à influencia do meio no
funcionamento do cérebro. Sendo assim, a reabilitação é um factor ambiental pq é algo
exterior ao organismo.
 Alzheimer – duas pessoas em que começa a aparecer o Alzheimer (normalmente a doença
começa 20-25 anos antes de aparecerem os sintomas) com aproximadamente 35 anos:
Uma tem mta reserva cerebral e cognitiva – os sintomas vão aparecer aos 70 anos; outra
tem pouca reserva cerebral – sintomas vão aparecer aos 50 anos.
 A estimulação é necessária em toda a nossa vida, qd uma pessoa se reforma mais ainda, pq
temos menos capacidade para criar contactos sinápticos, pois perdemos mtos e criamos
poucos. Mas qto mais nos estimulemos então mais contacots sinápticos criamos.

e) Estudar as representações internas dos fenómenos mentais – um fenómeno mental é por


exemplo a memoria, a linguagem. Em N vamos estudar qual é a representação interna no
nosso cérebro da memoria, da linguagem. Pq compreendemos e expressamos linguagem? Pq
há uma área que provoca que a representação oral da palavra vai activar-se….

f) Realizar terapia denominada racional e fisiopatologica (reabilitação) – Racional faz referencia


à capacidade, ou seja recuperar/reabilitar as capacidades. Ao recuperar as capacidades tb
estamos a realizar recuperação fisiopatologica (se consigo recuperar a memoria a curto prazo
após um dano é pq havia mais neurónios responsáveis pela memoria a curto prazo). Mtas
vezes os conceitos de reabilitação cognitiva e neuropsicológica são utilizados como sinónimos,
mas uma faz parte da outra.
 Dentro da reabilitação neuropsicológica está a reabilitação cognitiva (consiste em
recuperar as funções cognitivas – atenção, memoria, linguagem…). A reabilitação
neuropsicológica é mais do que a cognitiva; esta consiste em recuperar e alterar o
comportamento.
 Numa reabilitação neuropsicológica é preciso vários profisiionais na cognitiva basta um
neuropsicológico. São por isso complementarias. (aclarar um pouco mais…)

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g) Realização de programas de investigação – para crescer e melhorar devem-se realizar
programas de investigação a nível clínico, aplicado ou básico, de forma a conhecer melhor a
relação entre cérebro e comportamento.

III. ESTRUTURAÇAO DA NEUROPSICOLOGIA


 Tipos de investigação – A neuropsicologia estuda a actividade mental, ou seja, o resultado do
funcionamento do cérebro. Para estudar essa actividade mental podemos diferenciar dois
tipos de investigação:
o Básica – consiste em estudar os processos cognitivos normais (estudar a atenção,
estudar a memoria, etc.), desenvolvendo instrumentos que nos permitam avaliar as
diferentes capacidades.
o Aplicada ou clínica – é a investigação que se realiza em casos clínicos. Uma pessoa tem
um dano cerebral e estuda-se o seu comportamento antes e depois desse dano. Se há
uma alteração do comportamento de determinada forma e há um dano em tal área,
isso significa que essa área é responsável por essa função. Ex. Tumor no hipocampo –
leva a que se perda a memoria – Conclusão: alterações na memória provocam
alterações no hipocampo e vice-versa e por isso o hipocampo é responsável pela
memória.
 Tipos de neuropsicologia – metodologias utilizadas – Para estudar a relação cérebro-
comportamento a N vai utilizar as seguintes metodologias:
o Experimental – com a finalidade de investigação. É utilizada quase exclusivamente em
animais, não em humanos pois tende a provocar a patologia observando-se o que
acontece a seguir.
o Clínica – como o nome indica consiste no estudo de situações clínicas e patológicas de
forma a possibilitar a intervenção clínica de avaliação e/ou tratamento.
 Para realizar tratamento sempre tem que haver avaliação. Mas mtas vezes na
pratica diária do neuropsicólogo a sua pratica fica na avaliação e não há
tratamento. Ex. Em neuropsicologia forense o único objectivo é avaliar.
 Outras vezes pela avaliação detectam-se determinadas patologias – a finalidade
pode ser simplesmente avaliar se o seu lóbulo frontal funciona ou não e o
porquê.
o Clínico-experimental – combina os dois métodos anteriores. Estuda o comportamento
associado, centrando-se no estudo dos processos clínicos complexos relativos às
funções superiores.
 Existem distintos tipos de neuropsicologia para as diferentes funções superiores
tais como: neuropsicologia das gnosias; neuropsicologia da percepção;
neuropsicologia da atenção; neuropsicologia da memória; neuropsicologia da
linguagem; neuropsicologia das praxias; neuropsicologia do raciocínio.
 Grupos etários de incidência: crianças e adultos – Podemos encontrar dois grandes grupos
etários de incidência, ou seja, dois grandes grupos de estudo que são as crianças e os adultos.
São duas Neuropsicologias que em relação aos seus interesses são idênticas; a diferença é o
como se vai estudar o funcionamento cerebral:

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o Crianças (neuropsicologia pediátrica/desenvolvimento) – O seu cérebro está em
desenvolvimento e por isso qq dano cerebral, pode modificar-se exactamente pq o
cérebro ainda não está acabado. Isto significa que o que se altera não é o dano mas as
suas consequências, ou seja, há mtas possibilidades de recuperação (quase infinita).
Dito de outra maneira o dano já não se pode alterar mas pode-se recuperar.
o Adultos (neuropsicologia do adulto) – Nos adultos o cérebro é definitivo ou quase e por
isso os danos cerebrais vão provocar alterações comportamentais que para serem
alteradas supõe uma cuidadosa e intensa reabilitação.
 Dentro da N do adulto devemos estabelecer outra diferença, o grupo dos
idosos, pois o funcionamento cerebral de um idoso é diferente do
funcionamento cerebral de um não idoso. A plasticidade neuronal diminui com
a idade e por isso a maior idade menor capacidade de recuperação. Nas
crianças a possibilidade de recuperação é quase infinita, nos idosos a
capacidade é mínima.
 À medida que avança a idade há menor memoria, pq os neurónios morrem, há
menos conexões sinápticas, com menor capacidade e em menor número. A
morte cerebral não acontece de forma igual em todas as áreas cerebrais, vamos
perder neurónios naquelas áreas que sejam mais afectadas e que normalmente
costumam ser o hipocampo ou os lóbulos cerebrais.

Distinguir: recuperação total Vs diminuir a progressão de uma doença


Uma coisa é não poder recuperar e outra é não poder diminuir a progressão de uma doença pq se
pode. Nas doenças de tipo degenerativo, como Alzheimer, como o nome indica, o percurso implica
perder de forma progressiva capacidades. Ex. Memória – desde que aparecem os primeiros
problemas de memoria até que se perde quase totalmente a memoria vão passar 10-15 anos. Se
nessa pessoa realizamos tratamento Neuropsicológico a perda de memória pode chegar a durar
uns 25-30 anos, ou seja, a pessoa vai morrer antes de perder totalmente a memoria. Não há forma
de evitar a evolução da doença, mas pode fazer-se que a sua evolução seja mais lenta. Isto
significa que a pessoa vai morrer com mto melhor qualidade de vida.

Nota: Atenção o que altera o comportamento é o funcionamento do cérebro e não a sua


estrutura. Há exames que só mostram a estrutura mas não o funcionamento.

IV. METODOLOGIA CIENTIFICA


 Método lesional, funcional e experimental – A neuropsicologia procura descrever de forma
cientifica a relação entre o cérebro e o comportamento; por isso a neuropsicologia utiliza o
método cientifico. Dentro do método cientifico em neuropsicologia podemos utilizar o método
lesional, funcional ou o método instrumental:
o Método lesional – Está baseado em lesões, provocando-as ou analisando-as, seja na
vida ou pós-morte. Método: inactivação funcional transitória – inactivamos um
hemisfério ou outro com anestesia, por exemplo, introduzir uma substancia química
que inactiva uma metade do cérebro. A maioria das epilepsias são temporais
esquerdas. Antes da intervenção convém saber se a linguagem está no hemisfério
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esquerdo ou direito, então dormimos o hemisfério esquerdo e se a pessoa falar então
está no direito senão está no esquerdo.
o Método funcional – por meio de técnicas ver o funcionamento do cérebro. Mostram o
funcionamento do cérebro qd a pessoa está a realizar uma actividade. Ver quais as
áreas cerebrais que se activam qd a pessoas está a realizar uma actividade de memoria;
registar uma actividade metabólica: qual a actividade metabólica do cérebro durante
uma determinada actividade: ver o que o cérebro consome, onde se consome mais
glicose…;
o Métodos instrumentais – são métodos que nos permitem separar sensorialmente o
acesso do cérebro a estímulos. Separamos a apresentação dos estímulos para ver o
tempo de reacção do cérebro. Segundo o tempo de reacção significa que foi para o
hemisfério direito ou esquerdo; interferência motora – ler é com o hemisfério
esquerdo, e por isso vai ter mais dificuldades em realizar algo com a mão direita pois é
da responsabilidade do hemisfério esquerdo que já está a realizar uma actividade.
 Instrumentos:
o Técnicas informáticas
o Técnicas neuropsicológicas
o Técnicas electrofisiológicas
o Técnicas neuroanatómicas
o Técnicas neurofuncionais
 Modelos
o Qualitativo
o Quantitativo psicométrico

Vamos ver diversos tipos de técnicas e instrumentos para avaliar e interpretar o funcionamento do
cérebro de forma qualitativa e quantitativa.

Porto, 05 de Março de 2009

2º PARTE: FUNDAMENTOS HISTORICOS DA NEUROPSICOLOGIA

I. INTRODUÇAO
Para falar da historia da N vamos dividir o período histórico em função da forma de estudar a
relação entre o cérebro e o comportamento. Podemos dividir os antecedentes históricos em duas
hipóteses:
 Hipótese do cérebro – desde esta hipótese considera-se o cérebro como a fonte do
comportamento. Esta perspectiva foi denominada por localizacionismo pq a função estaria
localizada, ou seja, a cada área atribui-se uma função. Bases:
o O cérebro esta constituído por 2 hemisférios simétricos que interagem por uma
estrutura denominada corpo caloso.

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o Desde uma base anatómica os diferentes autores vão sugerir que as diferentes áreas
corticais são responsáveis pelas diferentes funções. Isto significa uma relação quase
directa entre uma área e uma função.
 Hipótese do neurónio – é mais moderna. O seu princípio básico é o que já conhecemos: o
neurónio é a unidade básica do sistema nervoso. Se isto é o pressuposto básico, o que
estudamos o semestre passado foi a hipótese do neurónio. Assim, estudamos que:
o O nosso SN está constituído por células que são autónomas (cada uma funciona de
forma independente), mas estas células interagem pelas sinapses, sem estarem
comunicadas fisicamente.
o O SN é um sistema de fibras interconectadas por neurónios que se conectam uns com
os outros formando uma rede continua.

Vamos ver os principais contributos à neuropsicologia desde cada uma destas hipóteses. Hoje em
dia a hipótese do neurónio é considerada mais certa. O conhecimento é sp um contínuo, de tal
forma que a hipótese do neurónio é um aperfeiçoamento da hipótese do cérebro.

II. HIPOTESE DO CEREBRO


Falar da hipótese do cérebro é falar de quando o homem começou a preocupar-se pelo seu
comportamento. O primeiro contributo directo pode-se considerar no século IV-V antes de Cristo.
Os seus antecedentes têm mto tempo. Qd falamos de antecedentes históricos de uma ciência é
preciso começar pelas origens da ciência. Qq área cientifica tem os seus antecedentes há 2500-
3000 anos.

Hipócrates (430-379 AC) – é tb o pai de mtas outras áreas cientificas. Não era psicologia
propriamente qd Hipocrates estabeleceu que no cérebro estão as nossas sensações e a nossa
inteligência. Podemos definir a inteligência de mtas e variadas formas; mas sem dúvida nenhuma
todos concordamos que a inteligência é um conjunto de capacidades. Se Hipócrates dizia que o
cérebro é o responsável pela inteligência já estava a falar de neuropsicologia sem saber.

Platão (420-347 AC) – é outro antecedente. Platão falava da alma tripartida e localizava no corpo
essas três partes da alma: uma no coração; outra no ventre e outra no cérebro. A que estava no
cérebro era a parte racional, a alma racional.

Aristóteles (384-322 AC) – Tese cardiocentrista: o coração é o centro do intelecto; mas para que
funcionasse a capacidade mental o cérebro tinha a função de arrefecer o sangue aquecido pelo
coração.

Galeno (129-199 DC) – áreas do cérebro responsáveis pelas nossas sensações e funções motoras.
Estava a localizar áreas responsáveis pelas diferentes capacidades: sensações pelo cérebro e os
músculos pelo cerebelo.

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Descartes (1596-1650) – método cartesiano – quase que começa aqui o inicio da ciência como se
concebe hoje em dia. Dualismo mente-corpo. A alma interage com o corpo através duma
estrutura do cérebro, a glândula pineal. Estava a abordar funções superiores.

Franz Joseph Gall (1758-1828) e Gaspard Spurzheim (1776-1832) - Frenologia


Um século depois aparece um grande contributo à neuropsicologia sobre a localização no cérebro
das nossas capacidades, a Frenologia. Foi criada, desenvolvida e assassinada por Franz Joseph Gall
(1758-1828) e Gaspard Spurzheim (1776-1832).

Contributos da frenologia
 A frenologia localizou áreas especificas no cérebro responsáveis pelas diferentes funções,
elaborou mapas funcionais do cérebro, diferentes dos mapas funcionas que já existiam antes
por Galeno. Isto significa uma imagem do cérebro na qual apareciam diferentes áreas
representadas em pontos concretos. Foi um grande antecedente da cartografia cerebral, do
que hoje conhecemos como neuroimagem.
 Tb foram pioneiros em estabelecer que o nosso cérebro é formado por células em
funcionamento que se conectam por estruturas sub-corticais. Estudaram a relação córtex-
subcortex.
 Foram eles que falaram pela primeira vez do cérebro dual, ou seja, do cérebro dividido em dois
hemisférios independentes. Para os frenólogos um hemisfério funcionava sem saber o que
outro estava a fazer e vice-versa; hoje em dia sabe-se que não é assim.
 Outro contributo importante é que apoiavam as suas hipóteses em dados empíricos. Isto não
era habitual na altura. Apresentavam dados concretos que apoiavam os seus resultados.

As principais propostas da frenologia podem ser resumidas em 4 aspectos:


1. Consideravam que os aspectos morais, intelectuais e psicológicos dependem da organização
funcional do cérebro.
2. Cada faculdade psicológica depende de uma região cerebral.
3. O grau e qualidade das faculdades psicológicas depende da massa cerebral associada.
4. As faculdades morais, intelectuais e psicológicas são inatas.
Destas 4 propostas exceptuando a primeira as outras são todas falsas, são para esquecer.

Criticas à frenologia
 Critica à segunda proposta – A segunda proposta dizia que cada faculdade psicológica depende
de uma região cerebral – é certo apenas em parte. Depende do que entendemos por região
cerebral. Eles entendiam uma pequena região cerebral e não áreas que fazem referencia a um
conjunto de várias regiões. As funções não dependem duma parte específica concreta, nem as
mais localizadas, mas de um conjunto de regiões. Se assim fosse e houvesse um dano não
havia a possibilidade de reabilitação.
 A terceira hipótese é que qt maior massa maior capacidade. Ora isto não é correcto. O que
eles diziam é que se temos mta memoria então a área responsável pela memoria tem uma
protuberância; se temos pouca memoria vai haver um sulco e isso manifesta-se no crânio

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(segundo eles a massa cerebral não está em contacto com o crânio). Assim, observando o
crânio determinava-se a capacidade das pessoas. Curiosamente eles davam dados empíricos,
mas nenhum dos dados iam em contra das suas hipóteses, todos eram confirmatórios. Ora isto
em ciência não é possível. Eles baseavam-se na observação. Ex. Memoria.
o Observavam que os estudantes sentados nas primeiras filas da sala eram estudantes
com olhos que quase saltavam do crânio. Se os estudantes tinham os olhos assim tem
que haver uma área mto desenvolvida que estava a empurrar os olhos para fora.
o Localizavam áreas como a memoria, a linguagem, a consciência, a fé, a capacidade para
fazer mal. Localizar a área da fé no cérebro é difícil, pq se é difícil definir o que é a fé
como vamos atribuir uma área responsável disso. O que interessa são as implicações
que isso tinha: olhando para a cabeça das pessoas podia-se determinar quem tinha fé
ou não; e se tinham mta ou pouca.
o Olhando para a cabeça de uma pessoa diziam que era um assassino ou não. Conta-se
que Joseph Gall dedicava-se a percorrer diferentes cidades com estas teorias
mostrando as capacidades das pessoas a partir do seu crânio. Numa destas viagens deu
com um músico que já tinha morrido. Mostraram-lhe um crânio que disseram que era
desse músico e ele confirmou a sua hipótese; mas era o crânio dum assassino.
 Outras criticas – A frenologia foi ridiculizada pelos científicos da época e quase esquecida.
Quase pq não podemos esquece-la até pq tem contributos importantes. Mas tb pq teve
repercussão na literatura popular. Há pessoas que ainda hoje dizem que a forma da nossa
cabeça mostram as nossas capacidades.
o É preciso ter a capacidade de distinguir o que é cientifico do que não é cientifico. É
preciso recolher dados empíricos que vão demostrar o que é cientifico do que não é
cientifico. Assim, distinguir um artigo cientifico de um não cientifico.
o Resumo:
 Os mapas que elaboraram no cérebro tinham mtos erros e uns poucos acertos,
mas tb serviram de base para estudos posteriores.
 Para a frenologia todo o comportamento emana do cérebro. Isso é certo.
 Ao localizarem regiões responsáveis para as funções enganaram-se… Mas para a
área da linguagem a frenologia deu um gde contributo.
 É uma barbaridade dizer que se temos mais área cerebral temos mais
capacidades. A plasticidade cerebral vem dizer o contrário, não é a massa, mas
o maior número de áreas cerebrais implicadas nessa função.

Bouillard, Dax, Auburtin (passos para a localização da linguagem)


Continuando com o localizacionismo, a linguagem junto com a função motora foi onde se
centraram os estudos nessa altura. Os grandes estudos de localização da linguagem devemos
situa-los em França no inicio do século XIX, concretamente em autores como Bouillard, Dax,
Auburtin. Inicialmente de uma forma primitiva, já empírica, mas pouco cientifica. Diziam que a
linguagem estava no hemisfério esquerdo, que o ser humano tem 2 gdes funções: a linguagem e a
funçao motora e que quase todos somos dominantes no lado direito o que significa que o nosso
hemisfério dominante é o hemisfério esquerdo pq os movimetos são contra-laterais. Então a
linguagem que é uma funçao tão importante, assim como a motora devem estar no hemisfério
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esquerdo. Por isso, o hemisfério esquerdo é o dominante e o direito o subordinado. Hoje em dia
sabemos que a linguagem tende a estar no hemisfério esquerdo (danos no direito não afecta a
linguagem). Nota – não existem hemisférios dominantes, mas simplesmente hemisfério
dominante para alguma função.

Paul Broca (1824-1880) e Carl Wernick (1848-1904) – Localizaçao precisa da linguagem


Mas a localização exacta da linguagem devemos a dois autores Paul Broca e Carl Wernick:
 Paul Broca – foi o primeiro a localizar a linguagem através do estudo dum caso clínico. Broca
identificou a área da linguagem no lóbulo frontal esquerdo, na 3 circunvolução na parte
inferior (área que denominamos área de Broca). Foi por acaso. Um paciente que chegou à sua
consulta e este mal falava. Dizia apenas tan tan (e algo mais que Broca não se atreveu a
descrever). Tan tan morreu e observou que naquela zona faltava massa cerebral; o resto do
cérebro era normal. Conclusão lógica: esta tem que ser a área responsável da linguagem; pois
um dano nesta área provoca problemas na linguagem a nível motor e expressivo. Broca tb
contribuiu para mostrar que há uma diferenciação hemisférica que não é inata, ou seja é fruto
da educação e da civilização, ou dito de outra maneira da estimulação que a pessoa recebe.
 Wernick (alemão) – naquela altura os cientistas tinham por costume reunir-se a cada certo
tempo e comunicar à comunidade cientifica o que se estava a descobrir. Reuniam-se em
sociedades e apresentavam os seus trabalhos, divulgando posteriormente as novidades qd
voltavam às suas cdades. Qd Wernick conheceu as conclusões do caso tan tan entrou em
contacto com Broca para dizer que estava a estudar pessoas com danos na linguagem e que os
danos eram na circunvolução temporal superior posterior do hemisfério esquerdo. Assim,
pessoas com uma lesão na circunvolução temporal superior posterior do hemisfério esquerdo
possuem um transtorno relativo à perda da capacidade de compreensão da fala. Conclusão: há
mais do que uma área responsável pela linguagem. Qd se juntaram observaram que num caso
dava-se na produção da linguagem (motora-movimento – Broca) e outro era responsável pela
compreensão da linguagem (som – Wernick). Se numa compreendemos e na outra produzimos
estas duas áreas tem que estar conectadas. Assim descobriu que existem um conjunto de
fibras que comunicam as duas áreas denominada feixe arqueado. Assim, qd há danos nas
fibras do feixe arqueado há alteração na linguagem.

Goltz (1834-1902) – Antilocalizacionismo


Teoria que defende não haver áreas responsáveis por determinadas funções. Sp que há uma
teoria tende a haver a posição contraria, daqui surgiu, o antilocalizacionismo. Houve pessoas que
diziam que não haviam áreas responsáveis pelas funções, mas que o cérebro funciona como um
todo, como Goltz. Para demonstrar isto, Goltz optou pela via mais contundente que é tirar o
cérebro (córtex). Se tiramos o cortex e continuam a haver funções, então é que o encéfalo é
responsável dessas funções. Fez a experiencia com cães. Apanhou em 5 cães e tirou-lhes o
cérebro, não o encéfalo todo, tirou-lhes o córtex somente. Tirando essa parte o cão continuava
vivo por alguns dias, movia-se, comia, bebia, ou seja, conseguia realizar funções básicas de
sobrevivência. Assim, a função motora não está só no córtex cerebral, mas no cerebelo, no tronco

12
cerebral… O cão não procurava alimentos, não tinha medo, ou seja, tinha perdido o instinto de
sobrevivência…

John Huglings Jackson (1835-1911) – Hierarquização do SNC


O principal contributo do localizacionismo veio por John Jackson que dividiu o SNC em três níveis
de funcionamento:
 Inferior localizado na medula e tronco encefálico;
 Intermédio situado no córtex motor e cortex sensorial motor;
 Nível superior situado nos lóbulos frontais.
Tb estabeleceu que todas as partes do SNC estão envolvidas nas funções superiores, mas cada
parte tem um contributo próprio e especifico. Isto provoca que qd há uma lesão no SNC nunca
desaparece completamente a função. O que vai acontecer é uma desorganização da função. Essa
função fica desorganizada. Estes foram os antecedentes principais da segunda hipótese, a
hipótese do neurónio.

III. HIPOTESE DO NEURONIO


Destacar 4 nomes, dos quais 3 já conhecemos:
 Santiago Ramon e Cajal (1852-1934) – doutrina do neuronio
 Camilo Golgi – identificou as partes do neurónio pelo método de ticción.
 D. O. Hebb (1945- ) – introduziu o conceito de unidade funcional, significa que as células
individuais que são autónomas ao serem activadas, desenvolvem sinapses e formam uma
unidade funcional.
 Alexander Romanovich Luria (1902-1977) – até ao ano 2009 é o nome mais importante em
neuropsicologia.

Luria nasceu no ano 1902 e morreu em 1977. No ano 1973 Alexander Luria definiu e estabeleceu o
que é a neuropsicologia. Elaborou uma metodologia para avaliar o dano cerebral e desenvolveu os
princípios básicos da N actual. Desenvolveu uma teoria da localização sistémica dinâmica das
funções. Contributo:
 Luria diz que toda a actividade mental e humana é um sistema funcional complexo e é
realizada por uma combinação de estruturas cerebrais que funcionam de uma forma
organizada. Cada estrutura dá o seu contributo para o sistema funcional como um todo.
 Estabeleceu que uma função depende de um sistema funcional e que uma área cerebral esta
implicada em diferentes funções. Isto significa que uma área cerebral é responsável por várias
funções e uma função depende do funcionamento de várias áreas cerebrais. Ideia tomada de
Broca-Wernick. Este é o maior contributo de Luria para a neuropsicologia.

Antes de 1973 a palavra neuropsicologia aparece apenas em 2 obras: Hebb com uma obra: A
organização do comportamento: uma teoria neuropsicológica (1949). No ano 1960 Lashley publica
um livro chamado A neuropsicologia de Lashley. Tanto um como o outro não definem a
neuropsicologia e apenas falam sobre ela.

13
Porto, 12 de Março de 2009

TEMA 2 – ESPECIALIZAÇAO HEMISFERICA

I. INTRODUÇÃO
Vamos tratar dos aspectos gerais relativos ao funcionamento entre os dois hemisférios cerebrais.
Em algumas funções há um hemisfério que participa mais na realização dessa função. Em mtas das
funções são necessários os dois hemisférios para o seu bom funcionamento. Vamos ver a
importância da comunicação entre os dois hemisférios. Divisão do tema:
 Pequena abordagem histórica
 Especialização hemisférica em seres humanos
 Metodologias que utilizamos em neuropsicologia aplicadas a esta área
 Preferência manual; linguagem; como são as diferenças sexuais: existem assimetrias funcionais
enquanto ao sexo; enquanto à preferência manual e da linguagem
 Alguns transtornos qd não há comunicação correcta entre os hemisférios

Estamos a falar de assimetrias cerebrais. No semestre passado estudamos que o cérebro é


simétrico; quase todas as estruturas cerebrais são simétricas. Essa simetria cerebral que
estudámos é igual à simetria que existe no resto do nosso corpo (simetria corporal). O nosso corpo
é simétrico em quase tudo. No entanto, quando analisamos e aprofundamos na simetria corporal
vemos que não é tão simétrico quanto isso. Com raio x vemos que temos um só coração; um
fígado; um estômago; etc. No nosso cérebro acontece exactamente o mesmo. Quando
começamos a aprofundar no estudo da simetria cerebral, vemos que esta é apenas aparente a
nível anatómico e especialmente a nível funcional.

A assimetria apesar de ser anatómica e neuroquímica é fundamentalmente funcional. Vamos ver


que existem manifestações no nosso comportamento que são o resultado, a consequência ou a
causa dessa assimetria; por exemplo a preferência manual. Significa que no mínimo nesse aspecto
o nosso cérebro não funciona igual; pois sabemos que uma parte do nosso corpo é controlada por
um hemisfério e outra parte é controlada por outro hemisfério. Isso significa que uma parte do
nosso cérebro funciona melhor de um lado para algumas coisas. Não é apenas a preferência
manual mas tb preferência lateral: as pernas; preferência auditiva (é mais complicado de avaliar
de uma forma simples, sem técnicas); preferência ocular ou dominância ocular. Maioritariamente
a preferência ocular, auditiva e manual estão relacionadas. Se os dois hemisférios cerebrais
funcionassem exactamente igual utilizaríamos indistintamente os dois braços, etc. Podemos falar
de dominância cerebral relativamente às funções. Assim, o HE é dominante para algumas funções
e o HD para outras.

II. PEQUENA ABORDAGEM HISTORICA


Falar da assimetria cerebral supõe falar da linguagem pq foi a função mais estudada, mais
localizada e mais estabelecida na assimetria cerebral.

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Bouillard – localizou a linguagem nos lóbulos frontais: reparou que qd havia danos nos lóbulos
frontais havia danos na linguagem. Não lateralizou…

Marcel Dax (1836) – estabeleceu a função linguística da linguagem (fala) no hemisfério esquerdo.
É um claro antecedente de assimetria cerebral. Se a linguagem está no hemisfério esquerdo então
este tem que ser diferente do direito.

Paul Broca (1861) – em relação à linguagem foi mais específico: hemisfério esquerdo, no lóbulo
frontal, na terceira circunvolução inferior. Assim, considerou tb que a preferência manual e a fala
localizam-se no hemisfério esquerdo.

John Jackson (1868) – hierarquização do SNC até ao ponto de considerar a dominância cerebral
esquerda. Este conceito introduzido no ano de 1868 significa que o hemisfério dominante é o
responsável de uma função. Como na altura as funções que se estudavam e que eram mais
relevantes eram a linguagem e a motora, então o hemisfério esquerdo é responsável pela
linguagem e função motora e por isso era o hemisfério dominante. Isto levou a que durante mto
tempo falava-se de dominância do hemisfério esquerdo e que o direito era o subordinado.

Wernick – localizou uma zona responsável pela compreensão da linguagem. Mais uma evidência
de assimetria cerebral funcional.

Liepmann – ele relacionou o hemisfério esquerdo com determinadas apraxias que são as
alterações dos movimentos relativos a danos cerebrais. Se reconheceu apraxias no hemisfério
esquerdo, isto significa que o hemisfério esquerdo é responsável pelos movimentos voluntários.
Isto dava mais força à ideia de Jackson da dominância cerebral do hemisferio esquerdo.

2ª guerra mundial (O.L. Zangwill na Gra Bretanha; H.L. Teuber nos EUA e A.R. Luria na URSS)
Até aqui tudo eram pequenas evidencias de assimetria cerebral tirando o cérebro do tan tan. Os
grandes estudos da assimetria cerebral e portanto o conhecimento da lateralidada dos
movimentos cerebrais começou na 2ª grande guerra. Foi através dos estudos da lesão. A lesão não
intencional, fruto dos acidentes de guerra, permitiu o estudo e tratamento. A probabilidade de
lesão era grande. O próprio Luria já estudava neuropsicologia com os soldados com danos
cerebrais. A metodologia era simples: se uma pessoa tem uma lesão no hemisfério esquerdo e
afecta a linguagem então é pq essa área é responsável pela linguagem.

Anos 70
Posteriormente a finais dos anos 70 começaram a realizarem-se estudos em sujeitos
comissurotomizados. É uma técnica cirúrgica que consiste em seleccionar uma área para
anestesiar. Neste caso, o corpo caloso que é responsável pela intercomunicação hemisférica.
Assim, deixaria de haver comunicação e um hemisfério não sabe o que estava a fazer o outro.
Azamica e Sperry realizaram esta técnica que é cirúrgica e química. Hoje em dia realiza-se ainda
em epilepsia com o objectivo que a epilepsia não passa de um hemisfério para outro. Se no
hemisfério esquerdo esta a produzir-se uma produção anormal de impulsos eléctricos nada
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impede que passa para o outro hemisfério. Por isso selecciona-se e anestesia-se o corpo caloso
para que não haja intercomunicação. Se temos o sujeito comissurotomizado podemos aplicar
técnicas para ver qual é o hemisfério que está a processar determinado estímulo ou função.

Anos 80 (estudos com animais)


Também se realizaram estudos com animais que tiveram um grande êxito nos anos 80.
Determinaram que existe lateralização cerebral e que esta lateralização é filogenética. Um dos
principais problemas é o que os animais não desenvolvem as mesmas funções que os humanos,
por exemplo a linguagem. Por isso a sua generalização aos humanos é relativa, mas permitiram
desenvolver técnicas mto úteis.

Hoje em dia
Hoje em dia a forma mais pratica de estudar a assimetria cerebral é por meio das técnicas de
neuroimagem pelas quais vemos o cérebro a funcionar qd desempenha uma função. Isto em
sujeitos normais, ou seja com o cérebro intacto.

III. ESTUDOS DE ASSIMETRIA REALIZADOS COM HUMANOS


O que mais nos interessa nos estudos da assimetria cerebral são os estudos que foram realizados
em sujeitos humanos. Qd estudamos a lateralização de sujeitos humanos ou assimetrias cerebrais
há 2 tipos:
 Assimetrias funcionais
 Assimetrias anatómicas ou neuroquímicas

1. Assimetrias anatómicas ou neuroquímicas


As assimetrias anatómicas podemos estuda-las num ser vivo ou morto; as neuroquímicas já não se
podem realizar depois da morte.

a. Assimetrias anatómicas
Estudos pós-morte:
 Planum temporale – Uma das grandes assimetrias cerebrais a nível anatómico é a que
encontramos no planum temporale. É uma área dorsal posterior à área auditiva primaria e que
é responsável pela a compreensão da linguagem (área de wernick que está no plano
temporal).
o O planum temporale está relacionado com a lateralização da linguagem que está
lateralizada no hemisfério esquerdo. O plano temporal do hemisfério esquerdo e
direito são diferentes. O plano temporale no hemisfério esquerdo é maior
consideravelmente que no hemisfério direito. Não é uma pequena diferença
anatomicamente, mas considerável.
o Existem alguns casos onde a linguagem está lateralizada no hemisfereio direito. Neste
caso o plano temporale do hemisfério direito é maior que o esquerdo mas a diferença é
menor que no outro caso; neste caso é apenas um pouco maior e não
consideravelmente como no outro caso; por isso a assimetria é menor neste caso.

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 Sulco de silvius ou sulco lateral – Outra assimetria anatómica faz referencia ao sulco de silvios
que separa o lóbulo frontal do parietal e temporal. O sulco de silvius do hemisfério esquerdo é
mais horizontal e mais comprido que o do hemisfério direito. A assimetria entre ambos é
proporcional à assimetria do plano temporal. Esta assimetria do sulco de silvius está
relacionada com outras duas assimetrias que se dão nas áreas peri-silvianas (à volta do sulco),
concretamente:
o Ópérculo (são circonvoluçoes). Na área do giro angular e supramarginal; nessa área
está o giro angular (associado à escrita);
o No plano temporal está tb a área de wernick que vem a seguir à área autitiva.
 Pars operculares – terceira circunvolução frontal inferior tb conhecida como pars operculares
(área de broca). No hemisfério esquerdo o pars operculares deve ser maior que o hemisfério
direito.
 As assimetrias não afectam apenas o hemisférios cerebral, por exemplo o núcleo posterior
lateral do tálamo é maior no tálamo esquerdo que no tálamo direito.

Estudos em pessoas vivas a partir de técnicas de neuroimagem:


 Ventrículo lateral esquerdo é maior do que o direito em concreto o corno (hasta) occipital do
ventrículo lateral esquerdo.
 Patologias e simetria – Tb em estudos ao vivo observamos que qd existe patologia cerebral
precoce o nº de simetrias tende a ser maior. Por exemplo nos casos de epilepsia precoce. Qd
observamos o cérebro de uma criança com epilepsia vemos que nesse cérebro há mais
simetrias que numa criança normal. Explicação:
o Temos estado a falar de plasticidade cerebral, áreas mais desenvolvidas que outras.
Essa área é maior pq tem maior actividade. Um cérebro com patologia precoce significa
que não foram desenvolvidas determinadas áreas, ou seja, essas áreas vão funcionar
menos, e por isso o hemisfério direito vai ser utilizado para substituir a falta de
funcionamento do outro. Por isso são mais simétricos. Dito de outra maneira, o nosso
cérebro vai assumir em outras áreas essa função.
o Para os epilépticos tem que se aplicar o teste de Wada. Como se está a produzir uma
actividade eléctrica excessiva e não controlada então o cérebro está a mandar
informações falsas (não vemos nos olhos mas no cérebro), por isso, manda algumas
informações à visão; ao cheiro; aos ouvidos; antes dum ataque de epilepsia. Isso é o
inicio de uma actividade eléctrica mto maior que acaba com uma crise compulsiva. O
mais grave de uma crise epiléptica são as quedas. Há um período de treino. As
epilepsias são corticais, depois a propagação pode ser sub-cortical.
 Todas estas assimetrias estão relacionadas com a linguagem

b. Assimetrias a nível neuroquímico


Vamos falar dos neuro-transmissores:
 Um dos núcleos do tálamo, o pulminar do hemisfério esquerdo produz mais norepirefrina que
o do hemisfério direito.
 No hemisfério direito há maior concentração de norepirefrina no complexo ventro-basal.

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 Também existe no hemisfério esquerdo uma maior actividade e concentração na região da
circunvolução temporal media da colinacentiltransferase.

Temos tb assimetrias a nível bio-quimico e tb a nível funcional.

Porto, 19 de Março de 2009

IV. METODOLOGIAS QUE UTILIZAMOS NESTA ÁREA


No estudo da assimetria cerebral (lateralização) podemos destacar 3 tipos de aproximações
segundo o tipo de sujeito do estudo:
 Sujeitos com lesão cerebral
 Sujeitos comissurotomizados
 Sujeitos neurologicamente normais
Vamos ver nestes três tipos de abordagens diferentes contribuições dos estudos da assimetria
cerebral.

a. Sujeitos com lesão cerebral


Estes estudos conhecem-se tb com o nome de estudos clínicos pq são casos clínicos de sujeitos
com danos cerebrais. A comissorotomia é uma téncica que se aplica em casos onde não se
considera que haja lesão cerebral propriamente dita. Em que consiste o estudo de sujeitos com
lesão cerebral? Consiste em observar as consequências de uma lesão num dos dois hemisférios
vendo que essa lesão no outro hemisfério não vai provocar as mesmas consequências. A
metodologia é simples: se uma lesão no HE provoca um efeito numa função que não acontece no
HD significa que o HE é o responsável da função em causa. Exemplo – linguagem: se um sujeito
tem uma lesão no HE e fica alterada a linguagem e outro tem a mesma lesão no HD e não tem
alterada a linguagem então é que a linguagem está relacionada com o HE. No método científico
falamos de maioria estatística e não absoluta, por isso aquela pequena percentagem de pessoas
que tem a linguagem no HD não põe em causa as respectivas conclusões.

O que acontece no HD? Qual a sua especificidade?


O HE é considerado como o verbal enquanto que o HD relaciona-se com habilidades espaciais e
musicais. O que é automático depende do HD; o que é voluntário depende do HE. Passamos da
ideia de que o HE era o dominante para afirmar que os dois hemisférios são dominantes, mas cada
um em relação a determinadas funções especificas; por isso muda-se a ideia de dominância
cerebral. A nível pratico as lesões no HE são mais visíveis na medida em que alteram a vida diária
de uma forma mais significativa.

Trabalho conjunto de ambos hemisférios em cada uma das funções


Curiosamente cada um dos hemisférios intervém nas funções específicas que são da dominância
do outro. O HD está implicado em alguns aspectos do processamento verbal e o HE está ligado a
aspectos de processamento não verbal. Isto significa que nenhum hemisfério tem a exclusividade

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em nenhuma função. Isto não vai em contra da dominância exclusiva relativa a algumas funções:
dominante sim, mas exclusivo não.

Importância dos instrumentos de avaliação em função do estudo da lesão


Para detectar isto o mais importante são os instrumentos de avaliação. Se não avaliamos bem os
dois hemisférios não podemos saber até que ponto há alteração da linguagem. Ex. Podemos
avaliar a compreensão e compreende; avaliamos a denominação e denomina; avaliamos a
repetição e repete; a produção da linguagem e produz. Conclusão aparente: não tem alterada
nenhuma função. Depois pedimos para cantar (algo que é do HD) algo que conhece bem e não é
capaz. Significa que tem alterada alguma função do hemisfério direito. Por isso os procedimentos
para avaliar o HE não vão detectar esses aspectos que são da responsabilidade do HD. Ex. Palavra
que rime com a anterior (é do HD).

Dificuldades e cuidados a ter


As coisas não são tão claras e tão contundentes na prática. Não podemos e não devemos
estabelecer uma relação tão directa entre lesão e função. Cuidados a ter:
 Alteração da função e áreas associadas – Qd há uma lesão numa área podemos perguntar-nos
se essa lesão altera unicamente a área afectada ou se altera tb as áreas associadas. A resposta
foi dada por Wernick com o conceito de conexão ou desconexão (se numa área está a
compreensão da linguagem e na outra a sua produção, então, é pq estão ligadas entre elas).
Tb Luria estabeleceu que uma área é responsável por varias funções e uma função é realizada
por várias áreas. Ex. qd temos uma lesão na área de broca e não produzimos linguagem esse
défice pode ser devido a um dano especifico na área de broca ou a uma disfunção nas áreas
associadas. O dano numa área pode alterar o funcionamento das áreas associadas e o dano
nas áreas associadas pode alterar uma função especifica.
 Áreas primarias, secundarias e terciárias – A maior parte da plasticidade neuronal acontece
nas áreas secundarias e terciárias. Qd o dano é nas áreas primarias a recuperação é mto mais
difícil e complicada. O nosso cérebro tende a atribuir essa função a outra área.
 Compensaçao cerebral – Outra dificuldade para estudar sujeitos com lesão cerebral é a
compensação pq a lesão tende a ser compensada com o outro hemisfério. Por isso é tão difícil
avaliar os deficits. As vezes não se avalia bem e tiram-se conclusões que não são correctas.

A recuperação depende de muitas variáveis


Sabemos que qd uma pessoa tem dano cerebral a recuperação do seu funcionamento pode ser
em maior ou menor grau dependendo de mtas variaveis mas sp há uma recuperação espontânea.
 Recuperaçao espontânea – Se conseguíssemos isolar uma pessoa que sofre de um dano
cerebral de todas as variaveis externas chegaríamos à conclusão que houve uma recuperação
espontânea. Isto significa que existe uma dimensão da recuperação que é efeito da acção do
próprio cérebro e não de qq tipo de estimulação exterior. Ex. uma pessoa anamesica passsdo
alguns dias recupera dados da memoria sem qq ter recebido qq intervenção exterior. No
entanto a recuperação espontânea é mto limitada e insuficiente.

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 Por isso é tão importante a estimulação e reabilitação onde tem que haver um trabalho activo
e consciente do paciente. Qq área pode ser substituída no nosso cérebro. Se uma pessoa
nascer sem a área de broca esta será recuperada por outras vias, no entanto, obviamente, qt
mais velha for mais difícil é.

Curiosidade – Filogeneticamente qd existe algo nos animias que não se utiliza evolutivamente
desaparece. O cérebro dos seres humanos desapareceu evolutivamente? Não! Ora, se
utilizássemos apenas uma pequena parte do cérebro o resto tenderia a desaparecer. Isto põe em
questão aquela teoria de que só utilizamos uma pequena parte do nosso cérebro.

b. Sujeitos comissurotomizados
Sujeitos onde foi seleccionado o corpo caloso para que os dois hemisférios não se comuniquem e
por isso são condições óptimas para estudar a lateralização cerebral a partir de algumas técnicas.
Esta é estudada pela modalidade visual e auditiva apresentando estímulos.

Vias visuais
O que captamos no campo visual esquerdo vai para o direito e fica ai pq não há comunicação
entre os hemisférios e vice versa. Se conseguimos apresentar estímulos de forma independente
em cada campo visual, então podemos reconhecer funções específicas de cada hemisfério a partir
de determinadas técnicas. Ex. Taquistoscopio – apresentar estímulos de forma independente em
cada campo visual. Há estímulos quiméricos (ou estimulação quimérica) que estão constituídos
por duas partes de dois objectos diferentes. Ex. Metade de uma cara e metade dum barco – se
apresentamos este estimulo e apresentarmos cada metade num campo visual (cara do lado direito
e barco do lado esquerdo) e se seguidamente lhe perguntar para me dizer o que está a ver; ele
dirá que vê uma cara. A razão é que o barco vai para o HD e como o HE é o responsável da fala
para que falasse a informação teria que passar do HD para o HE o que não é possível por causa da
ausência do corpo caloso.

Dificuldade: uma das dificuldades do Taquistoscopio é que o nervo óptico está constituído por dois
tipos de fibras contra laterais e ipsi laterais e por isso o estimulo vai sp aos dois hemisfério desde a
captação de cada olho. Há testes que permitem aplicar estímulos só por uma via concreta de tal
forma que a informação só chegue a um hemisfério.

Porto, 26 de Março de 2009

Como a via visual dá-se ao mesmo tempo em cada retina por meio de vias ipsi laterais e contra
laterais há outra técnica denominada Lentes Z (Zaidel) permite apresentarmos o estímulo em cada
hemiretina.

Explicação das vias ipsi laterais e contra laterais


Temos a hemiretina central ou interna e a hemiretina lateral ou externa. Se apresentarmos um
estimulo na hemiretina central esquerda será comunicada para o HD; se apresentarmos um
estimula na hemiretina laterial esquerda irá para o HE. Isto significa:
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 Que a hemiretina central ou interna é contralateral
 A hemiretina lateral ou externa é ipsi lateral.

Modalidade auditiva – técnica de audição dicotica


A técnica consiste em apresentar estímulos de forma simultânea nos dois ouvidos. Cada via
auditiva é ipsi lateral e contra lateral assim como a via visual. Qd apresentamos estímulos nos dois
campos auditivos a via ipsi lateral fica inibida/desactivada. Isto significa que se apresentarmos um
estimulo simultaneamente ao ouvido direito e esquerdo o que apresentamos pelo ouvido direito
chega ao HE e o que apresentamos no esquerdo chega ao HD.

Se do lado direito dissermos casa e do lado esquerdo dissermos carro e a seguir perguntar-mos
que ouve? Como a vida ipsi lateral é inibida, então, ele dirá que está a ouvir a casa que é o que
chega ao HE que é o da linguagem. Verbalmente o hemisfério que domina é o esquerdo. O sujeito
vai informar do que está no hemisfério esquerdo pq não tem conhecimento do que está no
hemisfério direito.

Se lhe pedirmos para desenhar com a mão esquerda desenhará então carro pq a mão esquerda
corresponde ao HD. Ele desenhará o que tem no HD. A nível motor o lado esquerdo é controlado
pelo HD. Assim a mão direita vai desenhar aquilo que está no HE.

Distinguir comunicação inter-hemisférica das vias sensoriais


Uma coisa é que a informação não passa de um hemisfério para outro que se dá no corpo caloso;
outra são as vias sensoriais que se dá a nível do corpo encefálico. as vias sensoriais motoras são
contralaterais e continuam a ser nos sujeitos comissurotimizados. O que desaparece é a pasagem
da informação dum hemisfério para o outro.

Modalidade táctica
Faz referencia a nomear objectos que estão situados na mão. Se o cérebro esta
comissurotomizado o cérebro vai nomear o que esta na mão direita (a via táctil é contra lateral),
pq esta é a informação que passa para o HE responsável pela linguagem.

Problemas e dificuldades
Todos estes estudos apresentam importantes limitações:
 Comussurotomia aplica-se em sujeitos com epilepsia grave que são sujeitos que já têm dano
cerebral pois tem certas compensações cerebrais de forma a cobrir o deficit.
 São estudos pouco homogéneos – sujeitos com características mto diferentes. Em investigação
cientifica os grupos devem ser o mais homogéneo possível. Qt mais heterogéneo é o grupo
mais fracas são as conclusões.
 As comussurotomias não vão evitar totalmente a transferência de informação. O corpo caloso
não é a única comissura (entre as outras a mais importante é a comissura anterior). A
comissura anterior permite que a informação visual passe de um hemisfério para outro na

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ausência do corpo caloso. Estes procedimentos não garantem com certeza absoluta que não
há transferência entre os hemisférios.
 Dificilmente a selecção abarca todo o corpo caloso pode ficar uma parte não anestesiada que
permite passar a informação.
 O individuo pode desenvolver estratégias compensatórias para passar a informação

Estas técnicas foram úteis para desenvolver técnicas de informação, mas é preciso ter cuidado
com as conclusões. É preciso que a técnica seja mto bem aplicada cuidando todas essas variáveis
irregulares.

c) Sujeitos normais
Foram aplicados estes mesmos procedimentos que com os sujeitos comissurotomizados, mas com
sujeitos em estado normal. Técnicas:
 Lente Z – esta técnica funciona perfeitamente num sujeito normal. Estimulo na hemiretina
lateral direita e pedimos uma resposta manual e fazemos o mesmo para o outro lado de forma
a ver os tempos de reacção e resposta dos estímulos… (falta qq coisa)
 Técnicas concorrentes – vai ser mais lento qd as duas actividades são do mesmo hemisférios.
Se estivermos a ler, para dar golpes com a mão ao mesmo tempo será mais fácil dar pancadas
com a esquerda pq é da responsabilidade do HD. Por outro lado temos maior dificuldade em
ler qd bato com a mão direita. As dificuldades vão aparecer qd o hemisfério está
sobrecarregado de actividades.

Outras técnicas
Existem outras técnicas para estudar a lateralização em sujeitos normais. Quais? Lateralizaçao de
estímulos ou a especialização hemisférica? Podemos ver o cérebro funcionando de tal forma que
assim podemos ver se está a funcionar o HE ou o HF. São as técnicas de imagem funcional.

V. ASSIMETRIA CEREBRAL, PREFERENCIA MANUAL E DIFERENÇAS SEXUAIS


Deixemos os estudos da assimetria cerebral para centrar-nos nos dois indicadores principais de
assimetria cerebral:
 Linguagem
 Função motora

a) Preferência manual e assimetria cerebral


Está relacionada com a lateralização da linguagem. Isto significa:
 Predominância da mão direita – os danos no HD dificilmente vão provocar transtornos afásicos
(da linguagem).
 Predominância da mão esquerda – os transtornos afásicos podem aparecer tanto com lesões
no HE como com lesões no HD; pq existe mta probabilidade que a linguagem esteja menos
lateralizada e por isso um dano no HD pode alterar a linguagem.
 Continuo entre a esquerda e a direita – A preferência manual não é um fenómeno
unidimensional, não é um fenómeno de tudo ou nada, é uma variável contínua. Ser direitos

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não significa ser exclusivamente direitos e vice-versa. A preferência manual direita-esquerda é
um contínuo entre um lado e outro. Também a lateralização da linguagem é um contínuo
entre um e o outro podendo estar em diferentes partes destes contínuos.
 Preferência manual e linguagem inversamente proporcionais – Estes contínuos são opostos
(inversamente proporcionais): se a preferência para escrever é fortemente do lado esquerdo
então a tendência é que a linguagem seja sobretudo do lado direito, ou melhor neste caso que
esteja nos dois hemisférios. Os esquerdos tendem a ser mais bilateralizados: estatisticamente
um canhoto é mais habilidoso com a mão direita que um esquerdo com a mão esquerda.

Centramo-nos sobretudo na preferência manual e lateralização da linguagem pq são as que estão


mais directamente relacionadas. No entanto há outras preferências: pernas; visual; auditiva.

b) Diferenças sexuais e assimetria cerebral


Vamos falar da lateralização da linguagem dentro de um contexto de diferenças sexuais. A
linguagem não é igual nos homens do que nas mulheres. Há outras diferenças a nível cerebral
entre homens e mulheres: De forma geral:
 De forma geral – o homem tem mais desenvolvidas as actividades do HD e as mulheres mais
desenvolvida as actividades do HE. As mulheres tem mais recursos linguísticos e os homens
mais recursos espaciais (Capacidade de orientação, habilidades de tipo Visio-perceptico(caça),
conduzir, orientação na cidade).
o Isto está determinado filogeneticamente.
o Os factores de tipo ambiental influenciam essas diferenças. A mulher desenvolveu mais
essa habilidade do que o homem; o homem treinou mais as habilidades de tipo
espacial. Segundo o período histórico as actividades linguísticas e espaciais são umas
ou outras.
 Linguagem – Com as mulheres acontece o mesmo que com os esquerdinos pois a linguagem
está mais bilateralizada que os homens.
o Qd há danos no HE os homens apresentam mais alterações da linguagem que as
mulheres.
o Qd há afasia as mulheres recuperam mais e mais rapidamente do que os homens.
o Mas tb qd há danos no HD as mulheres vão ter mais probabilidade de apresentar
transtornos afásicos que os homens.

Diferença na organização funcional dentro do próprio hemisferio


A diferença na lateralizaçao da linguagem entre mulheres e homens é tb na sua organização
funcional dentro do próprio hemisfério:
 No caso dos homens a linguagem esta dentro do HE na zona mais posterior do que nas
mulheres.
 Nas mulheres a linguagem participa no HE tanto nas áreas anteriores como posteriores, no
homem é sobretudo nas posteriores.
o Por isso nos transtornos vasculares é mais comum a afasia nos homens que nas
mulheres pq estes transtornos dão-se sobretudo na zona posterior.

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o Dentro do HE há mais áreas desenvolvidas na linguagem nas mulheres do que nos
homens.

VI. DESCONEXAO INTERHEMISFÉRICA


Estivemos a falar durante todo este tema de especializçÃo hemisférica. Cada hemisfério
responsável por algumas funções. Para desenvolver as funções respectivas é fundamental a
comunicação entre eles. Por isso existem casos patológicos onde a transferência de informação
entre hemisférios não se dá, ou seja onde há uma desconexão inter-hemisferica. São os síndromes
inter-hemisfericos ou desconectados. Vamos aprofunda-los mais em cada ponto do programa. De
forma geral:
 Anomia táctil esquerda – incapacidade para nomear objectos que estão na mão esquerda.
 Alexia táctil – incapacidade para ler devido a dano cerebral. Incapacidade para ler com a mão
esquerda (letras com releve)
 Apraxia ideomotoroa unilateral esquerda
 Agrafia esquerda – transtorno da escrita devida a lesão cerebral no corpo caloso.
 Alexitimia – é a dificuldade para expressar verbalmente sentimentos e emoções. As emoções
estão principalmente no HD mas para verbaliza-las tem que ser transferidas para o HE.
 Apraxia construtiva direita

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