Vous êtes sur la page 1sur 60

DISCIPLINA

DIREITO CONSTITUCIONAL
AVANÇADO

Professora Fernanda Brasileiro


CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

1) CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

✓ Controle de constitucionalidade é o mecanismo que tem


a finalidade de garantir a supremacia da constituição.

✓ Fundamentos:
• Primar pela estabilidade constitucional do Estado,
mantendo a paz coletiva;
• Garantir a supremacia constitucional em face dos atos
do Poder Público;
• Assegurar os direitos e garantias fundamentais.
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

2) A INCONSTITUCIONALIDADE E SUAS ESPÉCIES

A) Classificação da inconstitucionalidade quanto à espécie:


• Por ação
• Por omissão

B) Classificação da inconstitucionalidade por ação:


• em razão de vício formal (nomodinâmica)
• em razão de vício material (nomeestática)
• em razão de vício parlamentar
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

C) A inconstitucionalidade por ação em decorrência de


vício formal pode ser:
• orgânica
• formal propriamente dita (vício no processo legislativo)
• vício formal objetivo (vício de iniciativa)
• vício formal objetivo (vício nas demais fases: quórum,
bicameralismo etc)
• por violação a pressupostos do ato (MP sem requisitos,
novos municípios etc)
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

D) Quanto à amplitude a inconstitucionalidade pode ser:


• total de nulidade
• parcial de nulidade

E) A inconstitucionalidade parcial pode ser:


• com declaração parcial sem redução de texto
• com interpretação conforme a constituição
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

3) SISTEMAS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

✓ São as matrizes das quais derivaram os diversos modelos


de justiça constitucional.

✓ Existem apenas dois sistemas de controle de


constitucionalidade: o americano e o austríaco.
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

3.1) SISTEMA AMERICANO

✓ Formalizado em 1803 com o julgamento do caso William Marbury


verus James Madison. ATIVIDADE: PESQUISAR ESTE CASO!

✓ Obra do Chief Justice da Suprema Corte Americana.

✓ Legado deste sistema:


• qualquer juiz pode averiguar a alegação da inconstitucionalidade,
diante do caso concreto, na vida de defesa ou exceção;
• importância da fiscalização de constitucionalidade no curso do
processo quando a aplicação de uma lei no caso concreto pode ser
questionada pela parte em razão da inconstitucionalidade do
referido ato normativo.
3.2) SISTEMA AUSTRÍACO OU EUROPEU CONTINENTAL

✓Formalizou-se com o advento da Constituição Austríaca em 1º/10/1920.

✓Obra de Hans Kelsen.

✓Legado deste sistema:


• fiscalização concentrada de normas, exercida por um órgão de
cúpula do Poder Judiciário – O Tribunal Constitucional;
• os atos legislativos e administrativos podem ser objeto do controle
abstrato de normas;
• apenas as normas vigentes podem ter a constitucionalidade
fiscalizada via abstrata;
• o TC pode usar a interpretação conforme à constituição;
• a decisão de inconstitucionalidade de uma lei produz efeitos a partir
da data de decisão (efeitos ex nunc).
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

4) MODELOS DE CONTROLE DE NORMAS

✓Provêm dos dois grandes sistemas acima


comentados.

✓ Modelo Português, Francês, Alemão,


Espanhol, Brasileiro etc.
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

4.1) MODELO BRASILEIRO

✓ Adota o controle misto, ou híbrido ou eclético, pois


mescla os controles políticos e jurisdicional.

✓ Controle político: exercido por órgão não pertencente


ao PJ. É um controle preventivo. Normalmente é o PL
ou o PE que o exerce.

✓ Controle jurisdicional: exercido apenas por juízes ou


tribunais.
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

4.1.1) Evolução do modelo brasileiro

• Constituição de 1824: não previu o controle de


constitucionalidade. Somente o PL podia suspender ou
revogar as leis. Adotava o dogma da supremacia do PL.

• Constituição de 1891: inaugurou a adoção do controle difuso


com competência do STF.

• Constituição de 1934: manteve o controle difuso. Incluiu a


competência do Senado para suspender a execução da lei,
decreto, regulamento ou deliberações declarados
inconstitucionais pelo PJ, emprestando efeito erga omnes às
decisões do STF. Criou a representação interventiva.
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

• Constituição de 1937: manteve o controle difuso e o quórum


especial para decretar a inconstitucionalidade.

• Constituição de 1946: restaurou o controle jurisdicional. Permitiu


exercício do controle difuso pelo STF em sede de RE. Com a EC
16/65 foi inaugurado o controle abstrato de constitucionalidade.

• Constituição de 1967 (EC 1/69)

• Constituição de 1988: avançou no controle de constitucionalidade,


sobretudo no modelo do controle concentrado ao ampliar o rol dos
legitimados para a propositura da ADI. Cabível MC para suspensão
imediata da eficácia do ato normativo considerado inconstitucional.
Controle abstrato (Jurisdição constitucional ordinária) teve seu
destaque diminuído.
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

5) CLASSIFICAÇÃO DO CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

A) QUANTO AO MOMENTO DO EXERCÍCIO DO CONTROLE


A.1) Controle de constitucionalidade preventivo
A.2) Controle de constitucionalidade repressivo
A.1) CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE PREVENTIVO

✓Também chamado de sucessivo ou prévio.

✓Visa a evitar que normas jurídicas inconstitucionais ingressem no


ordenamento jurídico.

✓Características:
• fiscaliza previamente a inconstitucionalidade normativa;
• incide quando o processo legislativo está em andamento;
• possui natureza política.

✓ Quem exerce o controle de constitucionalidade preventivo:


• Poder Legislativo: em sede de Comissões de Constituição e Justiça
(artigo 58, caput, CF/88) segundo trabalhos regulamentados pelos
regimentos internos das Câmara de Deputados (artigo 32 CF/88) e do
Senado Federal (artigo 101 CF/88);
• Chefe do Poder Executivo: via veto em projeto de lei no prazo de 15
dias contados do recebimento do projeto de lei aprovado pelo PL.
• Poder Judiciário: ao examinar ações cujo direito subjetivo ao
questionamento é apenas do parlamentar, via MS para questionar, por
exemplo, PEC que tem por objeto abolir cláusula pétrea.
EMENTA: AGRAVO INTERNO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO
CONSTITUCIONAL. CONTROLE PREVENTIVO DE CONSTITUCIONALIDADE
MATERIAL. VETO PRESIDENCIAL. MANUTENÇÃO DO VETO PELO CONGRESSO
NACIONAL. ART. 66, § 4º, DA CRFB/88. TRANSFORMAÇÃO EM NORMA JURÍDICA
COM VETO PARCIAL. LEI 13.327/2016. PRECEDENTES. PREJUDICIALIDADE DO
WRIT. PERDA SUPERVENIENTE DE OBJETO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.
1. O exercício da função legislativa se encerra com a apreciação do veto
presidencial pelo Poder Legislativo, o que prejudica a análise de mandado
de segurança que impugna o processo legislativo. Precedentes: MS 21.648,
Rel. Min. Octavio Gallotti, Rel. p/ Acórdão: Min. Ilmar Galvão, Tribunal Pleno, DJ
19.09.1997; MS 20.951, Rel. Min. Aldir Passarinho, Tribunal Pleno, DJ
21.08.1992, e MS 20.910, Rel. Min. Carlos Madeira, Tribunal Pleno, DJ
05.05.1989. 2. O mandado de segurança não pode ser utilizado como
mecanismo de controle abstrato da validade constitucional das leis e dos
atos normativos em geral, posto não ser sucedâneo da ação direta de
inconstitucionalidade. Precedentes: MS 32.809 AgR, Rel. Min. Celso de Mello,
Segunda Turma, DJe 30.10.2014, e MS 25.456 AgR, Rel. Min. Cezar Peluso,
Tribunal Pleno, DJ 09.12.2005. 3. In casu, o Congresso Nacional analisou e
manteve o veto presidencial ao art. 20 do PLC 36/2016, sendo o projeto de
lei transformado na Lei 13.327/2016, de sorte que o presente writ perdeu
seu objeto. 4. Agravo interno a que se NEGA PROVIMENTO. (MS 34439 AgR,
Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 27/10/2017, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-257 DIVULG 10-11-2017 PUBLIC 13-11-2017)
Ementa: Agravo Regimental em Mandado de Segurança. Ausência de Impugnação
Específica dos Fundamentos da Decisão Agravada. Inteligência do Art. 1.021, §1º,
CPC. Agravo Interno Manifestamente Improcedente. 1. Conforme dispõe o Art. 1.021,
§ 1º, CPC, é ônus do recorrente impugnar especificadamente os fundamentos da
decisão agravada. 2. No presente caso a parte agravante não impugnou os seguintes
fundamentos: 2.1.) a impossibilidade de controle prévio de constitucionalidade de
leis pelo Poder Judiciário, ressalvada a proposta de emenda constitucional tendente
abolir as cláusulas pétreas (art. 60, §4º, CRFB); 2.2.) a impossibilidade de
determinação para que outro Poder da República aprecie a constitucionalidade de
determinado projeto de lei à luz de específicos preceitos constitucionais; 2.3.) o
encaminhamento pelo Presidente da Mesa do Senado Federal após a aprovação pelo
Plenário daquela Casa Legislativa à Câmara dos Deputados circunscreve-se ao
domínio interna corporis do Poder Legislativo; e, por fim, 2.4.) não se pode
apequenar e desqualificar os trabalhos da Casa Revisora (art. 65, CRFB) no Processo
Legislativo. 3. O sistema da administração da Justiça, que tem como um de seus
vetores o Princípio da Duração Razoável do Processo, consagrado no art. 5º, LXXVIII,
CRFB, não convive harmoniosamente com recursos infundados ou temerários. 4.
Agravo regimental não conhecido e declarado manifestamente improcedente em
votação por maioria pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. (MS 34063 AgR,
Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 01/07/2016, PROCESSO
ELETRÔNICO DJe-212 DIVULG 04-10-2016 PUBLIC 05-10-2016)
Ementa: CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. CONTROLE
PREVENTIVO DE CONSTITUCIONALIDADE MATERIAL DE PROJETO DE
LEI. INVIABILIDADE. 1. Não se admite, no sistema brasileiro, o controle
jurisdicional de constitucionalidade material de projetos de lei (controle
preventivo de normas em curso de formação). O que a jurisprudência do STF
tem admitido, como exceção, é “a legitimidade do parlamentar - e
somente do parlamentar - para impetrar mandado de segurança com a
finalidade de coibir atos praticados no processo de aprovação de lei ou
emenda constitucional incompatíveis com disposições constitucionais
que disciplinam o processo legislativo” (MS 24.667, Pleno, Min. Carlos
Velloso, DJ de 23.04.04). Nessas excepcionais situações, em que o vício de
inconstitucionalidade está diretamente relacionado a aspectos formais e
procedimentais da atuação legislativa, a impetração de segurança é
admissível, segundo a jurisprudência do STF, porque visa a corrigir vício já
efetivamente concretizado no próprio curso do processo de formação da
norma, antes mesmo e independentemente de sua final aprovação ou não. 2.
Sendo inadmissível o controle preventivo da constitucionalidade
material das normas em curso de formação, não cabe atribuir a
parlamentar, a quem a Constituição nega habilitação para provocar o controle
abstrato repressivo, a prerrogativa, sob todos os aspectos mais abrangente e
mais eficiente, de provocar esse mesmo controle antecipadamente, por via de
mandado de segurança.
3. A prematura intervenção do Judiciário em domínio jurídico e político
de formação dos atos normativos em curso no Parlamento, além de
universalizar um sistema de controle preventivo não admitido pela
Constituição, subtrairia dos outros Poderes da República, sem
justificação plausível, a prerrogativa constitucional que detém de
debater e aperfeiçoar os projetos, inclusive para sanar seus eventuais
vícios de inconstitucionalidade. Quanto mais evidente e grotesca possa
ser a inconstitucionalidade material de projetos de leis, menos ainda se
deverá duvidar do exercício responsável do papel do Legislativo, de
negar-lhe aprovação, e do Executivo, de apor-lhe veto, se for o caso.
Partir da suposição contrária significaria menosprezar a seriedade e o
senso de responsabilidade desses dois Poderes do Estado. E se,
eventualmente, um projeto assim se transformar em lei, sempre haverá
a possibilidade de provocar o controle repressivo pelo Judiciário, para
negar-lhe validade, retirando-a do ordenamento jurídico. 4. Mandado de
segurança indeferido. (MS 32033, Relator(a): Min. GILMAR MENDES,
Relator(a) p/ Acórdão: Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em
20/06/2013, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-033 DIVULG 17-02-2014 PUBLIC
18-02-2014 RTJ VOL-00227-01 PP-00330)
A.2) CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE REPRESSIVO
✓ Incide após a promulgação da lei ou do ato normativo.

✓ Características:
• reprime a inconstitucionalidade;
• expurga o ato normativo do ordenamento jurídico;
• é um controle a posteriori, só podendo ser acionado depois que a lei estiver no
sistema;
• o principal realizador é o PJ.

✓ Quem exerce o controle de constitucionalidade repressivo:


i. Poder Legislativo:
• sustar atos que exorbitem o poder regulamentar, disso decorre a possibilidade
do CN editar decreto legislativo para sustar os decretos presidenciais (artigo 84,
IV, CF/88);
• sustar atos que exorbitem a delegação legislativa (artigo 49, IV, CF/88), disso
decorre a possibilidade do CN editar decreto legislativo para sustar os decretos
presidenciais (artigo 84, IV, CF/88);
• rejeitar medida provisória que considere inconstitucional (artigo 62, §§3º, 5º e
7º da CF/88);
• tribunal de contas (EC nº347 STF).
ii. Poder Executivo: negativa de cumprimento da lei (mas depois deverá impetrar
ADI).
iii. Poder Judiciário: controle difuso e controle concentrado.
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

B) QUANTO À COMPETÊNCIA

B.1) CONTROLE POLÍTICO


• Exercido pelo PL: exercido pela CD, SF ou Congresso Nacional;
• Exercido pelo Presidente da República por meio do veto jurídico.

B.2) CONTROLE JURÍDICO


• Concentrado: apenas determinado órgão judicial – origem Austria
Kelsen - exercido pelo STF.
• Difuso: qualquer juiz ou tribunal – origem EUA Marbury x Madison –
Chief Justice Marshall. Exercido por juízes e tribunais. O STF também
o realiza em sede de recurso extraordinário e recurso ordinário.
CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE

C) QUANTO À FINALIDADE

✓ Pode ser classificado em:

C.1) DIFUSO OU INCIDENTAL OU VIA EXCEÇÃO OU VIA DE


DEFESA: a solução de controvérsia envolvendo direitos
subjetivos depende da análise de constitucionalidade.

C.2) CONCENTRADO OU ABSTRATO, OU VIA DE AÇÃO, OU


VIA DIRETA, OU VIA PRINCIPAL: “em tese” independe de
caso concreto.
C.1) DIFUSO OU INCIDENTAL OU VIA EXCEÇÃO OU VIA DE DEFESA

✓Existente no Brasil desde a CF de 1891.

✓Qualquer parte pode suscitar questão de


inconstitucionalidade em ação judicial como questão
prejudicial, pois a questão principal depende dela. Depois
de decidida a questão prejudicial e que será resolvida a
questão principal.
✓A questão processual pode ser discutida:

• nos processos de conhecimento (rito ordinário ou


sumário), de execução ou cautelar; nas ações
constitutivas, declaratória ou condenatória;

• MS individual ou coletivo; HC, HD, MI, ADPF, ACP,


Ação popular e ações ordinárias.
✓A questão processual pode ser invocada pelas
seguintes pessoas:
• réu (na contestação, reconvenção e exceção);
• terceiros processuais (assistentes, litisconsortes,
oponentes etc);
• autor da ação (pouca importa a natureza da
ação);
• MP deve se manifestar sempre que for arguida a
inconstitucionalidade na via da defesa;
• Juiz de ofício.
✓A quem cabe julgá-la: juízes e tribunais.

✓STF também o exerce em sede de recurso ordinário


ou no caso de recurso extraordinário.

✓STJ também o exerce por meio do recurso


especial. A respeito Súmula 568 STJ.

✓Pode via ação civil pública: o efeito da declaração


é apenas inter partes. Não pode a ACP se converter
em ADIN.
✓Matérias sujeitas ao controle difuso:
• Lei ou ato normativo municipal em face da CEstadual. É possível
questionar tal constitucionalidade via controle concreto no TJ. Nos
dois casos não cabe RE ao STF. Se o artigo violado na CEstadual for
cópia do artigo da CF/88, cabe controle de constitucionalidade no TJ,
inclusive, com possibilidade de recurso extraordinário ao STF (neste
sentido vide RE 482771 AGR/SP, julgado em 07/07/2015);
• Lei ou ato normativo municipal em face da CF/88: no Brasil, só há
duas maneiras de questionar judicialmente este conflito: 1) via ADPF
e via controle difuso;
• Leis ou atos normativos distritais;
• Qualquer espécie normativa enumerada no artigo 59 CF/88 que
conflite com a CF/88.O efeito será apenas inter partes;
• tratados internacionais que conflitem com a CF/88;
• Leis estrangeiras internacionais que conflitem com a CF/88;
• Atos normativos privados (convenção de condomínio, estatuto de
sociedade) que violem a CF/88;
• Convenções coletivas de trabalho que violem a CF/88.
✓ Matérias que NÃO se sujeitam ao controle difuso:
• Leis ou atos normativos revogados por não recepção, ou seja,
por serem anteriores à CF/88;
• Normas constitucionais originárias (virgens). Se fossem normas
constitucionais derivadas (emendas constitucionais) poderia;
• Ato inconstitucional erga omnes só pode ser declarado via
controle concentrado;
• Crises de legalidade: não cabe fiscalizar desobediência das leis
ou atos normativos por parte de autoridades administrativas;
• Leis e atos de efeitos concretos;
• Súmulas, inclusive as vinculantes, porque não apresentam
característica de ato normativo;
• Ementas de leis diversas de seu conteúdo;
• Respostas do TSE;
• Normas regimentais do processo legislativo;
• Resoluções do CNJ e CNMP.
✓ Senado Federal no controle difuso: artigo 52, X, CF/88. Por meio
deste artigo o Senado torna pública a decisão do STF em sede de
controle difuso. Com a participação do Senado a declaração de
inconstitucionalidade da lei pelo STF alcança a todos (eficácia
erga omnes) por meio de resolução que suspenderá o ato
normativo. Em se tratando de controle difuso, a eficácia erga
omnes tratada no artigo 52, X, CF/88, só se aplica quando a
decisão for do STF.
✓Efeitos da declaração de inconstitucionalidade no
controle difuso:
• Efeitos retroativos ou ex tunc: desfaz todas ações
praticadas ao tempo dos atos contrários à CF/88.
• Efeitos vinculantes ou inter partes: a declaração de
inconstitucionalidade não tem o condão de tirar a lei
do sistema jurídico.
• Efeitos prospectivos (ou futuros, ex nunc, pro futuro,
a posteriori).
• Efeitos gerais (ou genéricos ou erga omnes): só se dá
quando o Senado publica a resolução suspendendo a
lei declarada inconstitucional por sentença definitiva
do Supremo.
EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL. AGRAVO INTERNO EM RECURSO
EXTRAORDINÁRIO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. CONFUSÃO COM O PEDIDO
PRINCIPAL. IMPOSSIBILIDADE. DECISÃO ALINHADA À JURISPRUDÊNCIA
DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou o entendimento no sentido
de se admitir o controle difuso de constitucionalidade em ação civil
pública desde que a alegação de inconstitucionalidade não se confunda
com o pedido principal da causa. Precedentes. 2. Agravo interno a que se
nega provimento, com aplicação da multa prevista no art. 557, § 2º, do
CPC/1973. (RE 595213 AgR, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO,
Primeira Turma, julgado em 01/12/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-
291 DIVULG 15-12-2017 PUBLIC 18-12-2017)
EMENTA Agravo regimental na reclamação. ADI nº 4.167/DF. Decisão reclamada
proferida após o julgamento definitivo do paradigma. Observância obrigatória.
Afronta à autoridade das decisões vinculantes e erga omnes do Supremo Tribunal
Federal. Agravo regimental não provido. 1. Não subsiste o agravo regimental
quando inexiste ataque específico aos fundamentos do pronunciamento monocrático
tido por merecedor de reforma, como consagrado no art. 317, § 1º, RISTF. 2. Na
ADI nº 4.167/DF, embora se tenha declarado, entre outras matérias, a
constitucionalidade de dispositivo da Lei nº 11.738/2008, a decisão foi modulada
para resguardar os efeitos da decisão cautelar deferida naquele autos para, “até o
julgamento final da ação, dar interpretação conforme ao art. 2º da Lei 11.738/2008,
no sentido de que a referência ao piso salarial é a remuneração e não, tão somente, o
vencimento básico inicial da carreira” (Rel. Min. Joaquim Barbosa, Tribunal Pleno,
DJe de 30/4/2009). 3. O STF é a instância competente para proferir a última
palavra em matéria constitucional, inclusive com efeito uniformizador de
jurisprudência no controle difuso, estando o TST submetido à eficácia
vinculante da decisão paradigma, não sendo legítima sua atuação no sentido de
negar essa eficácia para afirmar jurisprudência de Corte Superior da Justiça
especializada em matéria constitucional, com fundamento no art. 896 da CLT.
4. Agravo regimental não provido. (Rcl 19335 AgR, Relator(a): Min. DIAS
TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 07/05/2018, PROCESSO ELETRÔNICO
DJe-103 DIVULG 25-05-2018 PUBLIC 28-05-2018)
Ementa: CONTROLE DIFUSO DE CONSTITUCIONALIDADE DA EC 35/2001,
DOS §§ 4º e 5º DO ARTIGO 34 DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL E DE DECRETO
LEGISLATIVO ESTADUAL REALIZADO POR ÓRGÃO FRACIONÁRIO DE
TRIBUNAL. DESRESPEITO À CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO.
VIOLAÇÃO À SÚMULA VINCULANTE 10. EMBARGOS ACOLHIDOS COM
EFEITOS INFRINGENTES. 1. No exercício da atividade jurisdicional, posto um
litígio em juízo, o Poder Judiciário deverá solucioná-lo e para tanto,
incidentalmente, poderá analisar a constitucionalidade ou não de lei ou de ato
normativo, inclusive aqueles de efeitos concretos (controle difuso de
constitucionalidade). 2. A inconstitucionalidade de ato normativo estatal só pode
ser declarada pelo voto da maioria absoluta da totalidade dos membros do
tribunal ou, onde houver, dos integrantes do respectivo órgão especial, sob pena
de absoluta nulidade da decisão emanada do órgão fraccionário (Turma, Câmara
ou Seção), em respeito à previsão do art. 97 da Constituição Federal. 2. Embargos
de declaração ACOLHIDOS, com efeitos infringentes, para reformar o acórdão
embargado e, via de consequência, julgar procedente a reclamação. (Rcl 18165 AgR-
ED, Relator(a): Min. ALEXANDRE DE MORAES, Segunda Turma, julgado em
21/08/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-200 DIVULG 04-09-2017 PUBLIC 05-
09-2017)
C.2) CONCENTRADO OU ABSTRATO, OU VIA DE AÇÃO, OU
VIA DIRETA, OU VIA PRINCIPAL

✓Exercido apenas pelo órgão de cúpula do Poder


Judiciário ao apreciar a inconstitucionalidade das
leis ou atos normativos.

✓É concentrado porque só um tribunal pode realizá-


lo e pela via de uma ação própria (ou seja, não é
pela via de uma questão prejudicial ou secundária,
como acontece no controle difuso).
O CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE ABSTRATO OU CONCENTRADO SÓ PODE SER
MANEJADO POR AÇÕES PRÓPRIAS! ACP E MS NÃO PODEM SER SUCEDÂNEOS DE ADIN! :

EMENTA: AGRAVO INTERNO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO CONSTITUCIONAL.


CONTROLE PREVENTIVO DE CONSTITUCIONALIDADE MATERIAL. VETO PRESIDENCIAL.
MANUTENÇÃO DO VETO PELO CONGRESSO NACIONAL. ART. 66, § 4º, DA CRFB/88.
TRANSFORMAÇÃO EM NORMA JURÍDICA COM VETO PARCIAL. LEI 13.327/2016.
PRECEDENTES. PREJUDICIALIDADE DO WRIT. PERDA SUPERVENIENTE DE OBJETO. AGRAVO
INTERNO DESPROVIDO. 1. O exercício da função legislativa se encerra com a apreciação do
veto presidencial pelo Poder Legislativo, o que prejudica a análise de mandado de
segurança que impugna o processo legislativo. Precedentes: MS 21.648, Rel. Min. Octavio
Gallotti, Rel. p/ Acórdão: Min. Ilmar Galvão, Tribunal Pleno, DJ 19.09.1997; MS 20.951, Rel.
Min. Aldir Passarinho, Tribunal Pleno, DJ 21.08.1992, e MS 20.910, Rel. Min. Carlos Madeira,
Tribunal Pleno, DJ 05.05.1989. 2. O mandado de segurança não pode ser utilizado como
mecanismo de controle abstrato da validade constitucional das leis e dos atos normativos
em geral, posto não ser sucedâneo da ação direta de inconstitucionalidade. Precedentes:
MS 32.809 AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Segunda Turma, DJe 30.10.2014, e MS 25.456
AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, Tribunal Pleno, DJ 09.12.2005. 3. In casu, o Congresso Nacional
analisou e manteve o veto presidencial ao art. 20 do PLC 36/2016, sendo o projeto de lei
transformado na Lei 13.327/2016, de sorte que o presente writ perdeu seu objeto. 4.
Agravo interno a que se NEGA PROVIMENTO. (MS 34439 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX,
Tribunal Pleno, julgado em 27/10/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-257 DIVULG 10-11-
2017 PUBLIC 13-11-2017)
✓No Brasil:
• criado pela EC nº16, de 06/12/1965;
• apenas o STF pode exercitá-lo;
• acionado apenas por mecanismos abstratos
de defesa da constituição;
• também chamado de processo objetivo que
visa a regularidade da ordem constitucional.
✓Controle concentrado em sede de ação civil pública:
• Impossibilidade.
• Não pode a ACP ser usada como sucedâneo de ADIN.
• Também não cabe ACP em defesa de direitos difusos e
coletivos como sucedâneo de ADIN, mas o STF aceita
ACP em defesa de direitos individuais homogêneos,
pois neste caso a decisão só alcança grupo
determinado de pessoas, não usurpando o controle
concentrado de normas.
✓ Controle concentrado do processo legislativo:
• Impossibilidade.
• Só cabe controle concentrado/abstrato de atos
conclusos/de leis promulgadas.
• Para reprimir inconstitucionalidade do processo
legislativo deve ser provocado o controle difuso,
exercido por qualquer juiz ou tribunal no caso
concreto.
• O que o STF admite não é controle de
constitucionalidade de projeto de lei, mas sim
questionamento via MS.
✓STF como legislador negativo no controle
concentrado:
• o que ocorre pelo fato do STF retirar uma lei
do sistema jurídico;
• Tensão entre os poderes atualmente menos
impactante.
E M E N T A: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE – INSTRUMENTO DE
AFIRMAÇÃO DA SUPREMACIA DA ORDEM CONSTITUCIONAL – O PAPEL DO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COMO LEGISLADOR NEGATIVO – LEI
COMPLEMENTAR Nº 224/2000, DO ESTADO DE RONDÔNIA (ART. 64, “CAPUT” E
PARÁGRAFO ÚNICO) – A NOÇÃO DE
CONSTITUCIONALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE COMO CONCEITO DE
RELAÇÃO – A QUESTÃO PERTINENTE AO BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE –
POSIÇÕES DOUTRINÁRIAS DIVERGENTES EM TORNO DO SEU CONTEÚDO – O
SIGNIFICADO DO BLOCO DE CONSTITUCIONALIDADE COMO FATOR
DETERMINANTE DO CARÁTER CONSTITUCIONAL, OU NÃO, DOS ATOS ESTATAIS –
NECESSIDADE DA VIGÊNCIA ATUAL, EM SEDE DE CONTROLE ABSTRATO, DO
PARADIGMA CONSTITUCIONAL ALEGADAMENTE VIOLADO – SUPERVENIENTE
MODIFICAÇÃO/SUPRESSÃO DO PARÂMETRO DE CONFRONTO E DO TEXTO DA
NORMA ESTATAL IMPUGNADA – HIPÓTESE DE PREJUDICIALIDADE – EXTINÇÃO
ANÔMALA DO PROCESSO DE FISCALIZAÇÃO NORMATIVA ABSTRATA –
PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – AÇÃO DIRETA JULGADA
PREJUDICADA – PARECER DA PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA PELO NÃO
PROVIMENTO – RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. (ADI 2971 AgR,
Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, Tribunal Pleno, julgado em 06/11/2014,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-030 DIVULG 12-02-2015 PUBLIC 13-02-2015)
✓Amicus Curiae no controle concentrado de
constitucionalidade: deferimento a juízo do
relator.
AMICUS CURIAE NO CONTROLE CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE:

Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. PEDIDO DE


INGRESSO NO FEITO NA QUALIDADE DE AMICUS CURIAE APÓS A LIBERAÇÃO DO PROCESSO
PARA JULGAMENTO. INDEFERIMENTO. POSTULAÇÃO EXTEMPORÂNEA. MERA REITERAÇÃO
DE RAZÕES OFERECIDAS POR OUTROS INTERESSADOS. HIPÓTESE QUE NÃO JUSTIFICA A
HABILITAÇÃO DE AMICUS CURIAE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Compete ao relator admitir ou
não pedido de manifestação de terceiros, na qualidade de amici curiae, nas ações de
controle concentrado de constitucionalidade, tendo como norte a relevância da matéria e
a representatividade adequada dos postulantes (artigo 7º, § 2º, da Lei Federal 9.868/1999
e artigo 138, caput, do Código de Processo Civil), bem como a conveniência para a
instrução da causa e a duração razoável do processo (artigo 5º, LXXVIII, da Constituição
Federal). 2. In casu, a agravante postulou o ingresso no feito em momento posterior à
liberação do processo para julgamento, o que caracteriza pedido extemporâneo, conforme
a jurisprudência sedimentada desta Corte. A admissão do amicus curiae nas ações de
controle concentrado de constitucionalidade tem por escopo tão somente o fornecimento
de subsídios para o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional, não podendo implicar em
prejuízo ao regular andamento do processo. 4. A mera reiteração de razões oferecidas por
outros interessados, sem o acréscimo de subsídios fáticos ou jurídicos relevantes para a
elucidação da controvérsia, não justifica a admissão da habilitação de amicus curiae. 5.
Agravo desprovido. (ADPF 449 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em
18/05/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-116 DIVULG 12-06-2018 PUBLIC 13-06-2018)
✓Efeitos da declaração de inconstitucionalidade no
controle concentrado. Os efeitos são os seguintes:
a)efeitos gerais (erga omnes);
b)efeitos repristinatórios;
c)efeitos retroativos (ex tunc, ab initio ou ex
origine);
d)efeitos prospectivos (ex nunc, pro futuro ou a
posteriori);
e)efeitos vinculantes (vinculatórios ou vinculativos).
A) EFEITOS GERAIS (ERGA OMNES):
• atingem todos;
• São efeitos genéricos e automáticos que se
estendem a todos e não apenas aos
litigantes envolvidos no caso sub judice.
B) EFEITOS REPRISTINATÓRIOS:
• são os que revalidam normas revogadas, ressuscitando-lhes
automaticamente a eficácia.
• É uma eficácia automática, não necessitando constar
expressamente no acórdão da ADIN.
• A lei “B” ao ser publicada revogou a lei “A”. Se a lei “B” for
declarada inconstitucional pelo STF, a lei “A” é repristinada.
• Efeito previsto no artigo 11, §2º, da Lei 9.868/99 e reconhecida
pela jurisprudência do STF.
• A repristinação da lei revogada “A” ocorre porque a lei
revogadora “B” é nula desde a sua origem, não possuindo
sequer eficácia revogatória. Lei nula não gera efeitos jurídicos,
nem mesmo o de revogar diplomas normativos a ela anteriores.
• Efeito repristinatório do controle abstrato de normas # da
repristinação da norma.
C) EFEITOS RETROATIVOS (EX TUNC, AB INITIO OU EX
ORIGINE):
• desfaz desde a origem o ato declarado inconstitucional,
tornando nula todas as consequências do ato.
• Ex.: prisão provisória baseada em lei posteriormente
declarada inconstitucional pelo STF gera cabimento de
HC; condenação transitada em julgado baseada em lei
posteriormente declarada inconstitucional pelo STF gera
cabimento de revisão criminal para fulminar o ato
condenatório.
A REGRA É O EFEITO EX TUNC, SENDO EXCEÇÃO A MODULAÇÃO DOS EFEITOS:

REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL - PROCESSO OBJETIVO - GOVERNADOR DO ESTADO. A


representação processual do governador do estado no processo objetivo se faz por meio de
credenciamento de advogado, descabendo colar a pessoalidade considerado aquele que, à
época, era o chefe do Poder Executivo. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL - PROCESSO OBJETIVO
- GOVERNADOR DO ESTADO. Atua o legitimado para ação direta de inconstitucionalidade
quer mediante advogado especialmente credenciado, quer via procurador do Estado, sendo
dispensável, neste último caso, a juntada de instrumento de mandato. CONTROLE
CONCENTRADO DE CONSTITUCIONALIDADE - PROCEDÊNCIA DA PECHA DE
INCONSTITUCIONAL - EFEITO - TERMO INICIAL - REGRA X EXCEÇÃO. A ordem natural das
coisas direciona no sentido de ter-se como regra a retroação da eficácia do acórdão
declaratório constitutivo negativo à data da integração da lei proclamada inconstitucional, no
arcabouço normativo, correndo à conta da exceção a fixação de termo inicial distinto.
EMBARGOS DECLARATÓRIOS - OMISSÃO - FIXAÇÃO DO TERMO INICIAL DOS EFEITOS DA
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - RETROATIVIDADE TOTAL. Inexistindo pleito de
fixação de termo inicial diverso, não se pode alegar omissão relativamente ao acórdão por
meio do qual se concluiu pelo conflito do ato normativo autônomo abstrato com a Carta da
República, fulminando-o desde a vigência. MUNICÍPIOS - PARTICIPAÇÃO NA ARRECADAÇÃO
DO IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SERVIÇOS - INCONSTITUCIONALIDADE
DE LEI ESTADUAL - ALCANCE DA DECLARAÇÃO. A ofensa frontal da lei do Estado à
Constituição Federal implicou, no julgamento ocorrido, o afastamento retroativo à data do
surgimento de eficácia do ato impugnado. (ADI 2728 ED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno,
julgado em 19/10/2006, DJe-117 DIVULG 04-10-2007 PUBLIC 05-10-2007 DJ 05-10-2007 PP-00021 EMENT VOL-02292-
01 PP-00074 RTJ VOL-00202-02 PP-00516)
A REGRA É O EFEITO EX TUNC, SENDO EXCEÇÃO A MODULAÇÃO DOS
EFEITOS:

EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL. PENSÃO MILITAR. CÁLCULO DE PROVENTOS.


ART. 29 DA LEI 8.216/91. ADI 574/DF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE
LEI. EFICÁCIA EX-TUNC. ACÓRDÃO RECORRIDO PUBLICADO EM 23.8.2006. Emerge do
acórdão que ensejou o manejo do recurso extraordinário que o Tribunal Regional
aplicou a jurisprudência firmada no âmbito deste Supremo Tribunal Federal no
sentido da inconstitucionalidade do art. 29 da Lei 8.216/91 (ADI 574/DF, Relator
Ministro Ilmar Galvão, Pleno, DJ 11.3.1994), dispositivo que os recorrentes
pretendem aplicar à hipótese - cálculo da pensão, conforme o disposto no art. 3º da
Lei nº 3.765/60, com a redação dada pelo art. 29 da Lei nº 8.216/91 -, razão pela qual
não se divisa a alegada ofensa aos princípios constitucionais da irredutibilidade de
vencimentos e do direito adquirido. Não prospera o argumento de que os efeitos do
julgamento da ADI 574/DF não alcançariam os agravantes. A teor do art. 28,
parágrafo único da Lei 9.869/99 e da jurisprudência desta Corte, a eficácia das
decisões em controle concentrado de constitucionalidade, ao julgamento do mérito,
é ex tunc, ressalvada a hipótese de expressa modulação de efeitos. Agravo regimental
conhecido e não provido. (RE 538433 AgR, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira
Turma, julgado em 29/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-094 DIVULG 16-05-2014
PUBLIC 19-05-2014)
D) EFEITOS PROSPECTIVOS (EX NUNC, PRO
FUTURO OU A POSTERIORI):
• efeitos para o futuro;
• previsão no artigo 27 da Lei nº9.868/1999.
REGRA, EFEITO EX TUNC. EXCEÇÃO, EFEITO PROSPECTIVOS:

Ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE QUALQUER DOS


VÍCIOS PREVISTOS NO ART. 535 DO CPC. REJEIÇÃO. EFEITOS REFERENTES À DECLARAÇÃO DE
INCONSTITUCIONALIDADE. REGRA. EX TUNC. EXCEÇÃO. EFEITOS PROSPECTIVOS. 1. O
inconformismo, que tem como real escopo a pretensão de reformar o decisum, não há
como prosperar, porquanto inocorrentes as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade
ou erro material, sendo inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos
estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. In casu, conforme se extrai da leitura do voto
condutor, o constituinte estadual “estabelece uma nova forma de anistia, mais ampla e
abrangente que aquela prevista na Constituição Federal”, e ainda, “Por isso mesmo, em se
tratando de indenização por atos de exceção, vale somente as regras estritas dos arts. 8º e
9º do ADCT, sem possibilidade de ampliação do benefício.” 3. A regra referente à decisão
proferida em sede de controle concentrado é de que possua efeitos ex tunc, retirando o ato
normativo do ordenamento jurídico desde o seu nascimento. 4. A Lei nº 9.868/99, pelo seu
art. 27, permite ao Supremo Tribunal Federal, modular efeitos das decisões proferidas nos
processos objetivos de controle de constitucionalidade, in verbis: Art. 27. Ao declarar a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica
ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois
terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só
tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser
fixado. 5. Embargos de declaração rejeitados. (ADI 2639 ED, Relator(a): Min. LUIZ FUX,
Tribunal Pleno, julgado em 20/10/2011, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-068 DIVULG 03-04-
2012 PUBLIC 09-04-2012)
DECISÃO CONTROLE CONCENTRADO E EFEITO PROSPECTIVO OU EX NUNC:

EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AÇÃO DIRETA DE


INCONSTITUCIONALIDADE. LEI DO ESTADO DO PARÁ N. 7.621/2012. PEDIDO DE
MODULAÇÃO DOS EFEITOS. EMBARGOS PROVIDOS. 1. Satisfeitos os requisitos
para a modulação dos efeitos da decisão que declara a inconstitucionalidade de
ato normativo, tem o Supremo Tribunal Federal o dever constitucional de,
independentemente de pedido das partes, aplicar o art. 27 da Lei nº 9.868/99.
Precedentes. 2. In casu, a norma julgada inconstitucional dispunha, sem que se
observassem os requisitos formais estabelecidos pela Constituição Federal, que
reserva à lei complementar de iniciativa do Supremo Tribunal Federal a
disciplina acerca da promoção e remoção de magistrados. 3. Hipótese em que a
declaração de inconstitucionalidade com eficácia retroativa apresenta inegável
risco à segurança jurídica, em vista dos tempos em que vigeu a norma e das
inúmeras decisões proferidas pelos magistrados que foram promovidos ou
removidos sob seu auspício. 4. Embargos declaratórios conhecidos e providos
para esclarecer que a decisão de declaração de inconstitucionalidade da Lei do
Estado do Pará n. 7.621/2012 tem eficácia a partir da data da publicação do
acórdão embargado. (ADI 4788 AgR-ED, Relator(a): Min. EDSON FACHIN,
Tribunal Pleno, julgado em 07/02/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-060
DIVULG 27-03-2018 PUBLIC 02-04-2018)
DECISÃO CONTROLE CONCENTRADO E EFEITO PROSPECTIVO OU EX NUNC:

Ementa: CONSTITUCIONAL. CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA DE SERVIDORES (ART. 37, IX, CF).


LEI COMPLEMENTAR 12/1992 DO ESTADO DO MATO GROSSO. INCONSTITUCIONALIDADE.
MODULAÇÃO DE EFEITOS. 1. A Constituição Federal é intransigente em relação ao
princípio do concurso público como requisito para o provimento de cargos públicos (art.
37, II, da CF). A exceção prevista no inciso IX do art. 37 da CF deve ser interpretada
restritivamente, cabendo ao legislador infraconstitucional a observância dos requisitos da
reserva legal, da atualidade do excepcional interesse público justificador da contratação
temporária e da temporariedade e precariedade dos vínculos contratuais. 2. A Lei
Complementar 12/1992 do Estado do Mato Grosso valeu-se de termos vagos e
indeterminados para deixar ao livre arbítrio do administrador a indicação da presença de
excepcional interesse publico sobre virtualmente qualquer atividade, admitindo ainda a
prorrogação dos vínculos temporários por tempo indeterminado, em franca violação ao
art. 37, IX, da CF. 3. Ação direta julgada procedente, para declarar inconstitucional o art.
264, inciso VI e § 1º, parte final, da Lei Complementar 4/90, ambos com redação
conferida pela LC 12/92, com efeitos ex nunc, preservados os contratos em vigor que
tenham sido celebrados exclusivamente com fundamento nos referidos dispositivos, por
um prazo máximo de até 12 (doze) meses da publicação da ata deste julgamento.(ADI
3662, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. ALEXANDRE DE
MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 23/03/2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-080
DIVULG 24-04-2018 PUBLIC 25-04-2018)
DECISÃO CONTROLE CONCENTRADO E EFEITO PROSPECTIVO OU EX NUNC:
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 79 e 85 DA LEI
COMPLEMENTAR N. 64, DE 25 DE MARÇO DE 2002, DO ESTADO DE MINAS GERAIS. REDAÇÃO ALTERADA PELA LEI
COMPLEMENTAR N. 70, DE 30 DE JULHO DE 2003. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA E ASSISTÊNCIA SOCIAL
DOS SERVIDORES DO ESTADO DE MINAS GERAIS. APOSENTADORIA E BENEFÍCIOS ASSEGURADOS A SERVIDORES NÃO-
TITULARES DE CARGO EFETIVO. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 40, §13, E 149, §1º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
AÇÃO DIRETA JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE, DECLARANDO-SE INCONSTITUCIONAIS AS EXPRESSÕES
“COMPULSORIAMENTE” e “DEFINIDOS NO ART. 79”. INEXISTÊNCIA DE “PERDA DE OBJETO” PELA REVOGAÇÃO DA
NORMA OBJETO DE CONTROLE. PRETENSÃO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS. PROCEDÊNCIA. EMBARGOS DE
DECLARAÇÃO ACOLHIDOS PARCIALMENTE. 1. A revogação da norma objeto de controle abstrato de
constitucionalidade não gera a perda superveniente do interesse de agir, devendo a Ação Direta de
Inconstitucionalidade prosseguir para regular as relações jurídicas afetadas pela norma impugnada. Precedentes do
STF: ADI nº 3.306, rel. Min. Gilmar Mendes, e ADI nº 3.232, rel. Min. Cezar Pelluso. 2. A modulação temporal das
decisões em controle judicial de constitucionalidade decorre diretamente da Carta de 1988 ao consubstanciar
instrumento voltado à acomodação otimizada entre o princípio da nulidade das leis inconstitucionais e outros valores
constitucionais relevantes, notadamente a segurança jurídica e a proteção da confiança legítima, além de encontrar
lastro também no plano infraconstitucional (Lei nº 9.868/99, art. 27). Precedentes do STF: ADI nº 2.240; ADI nº 2.501;
ADI nº 2.904; ADI nº 2.907; ADI nº 3.022; ADI nº 3.315; ADI nº 3.316; ADI nº 3.430; ADI nº 3.458; ADI nº 3.489; ADI nº
3.660; ADI nº 3.682; ADI nº 3.689; ADI nº 3.819; ADI nº 4.001; ADI nº 4.009; ADI nº 4.029. 3. In casu, a concessão de
efeitos retroativos à decisão do STF implicaria o dever de devolução por parte do Estado de Minas Gerais de
contribuições recolhidas por duradouro período de tempo, além de desconsiderar que os serviços médicos,
hospitalares, odontológicos, sociais e farmacêuticos foram colocados à disposição dos servidores estaduais para
utilização imediata quando necessária. 4. Embargos de declaração acolhidos parcialmente para (i) rejeitar a alegação
de contradição do acórdão embargado, uma vez que a revogação parcial do ato normativo impugnado na ação direta
não prejudica o pedido original; (ii) conferir efeitos prospectivos (eficácia ex nunc) à declaração de
inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento de mérito da presente ação direta,
fixando como marco temporal de início da sua vigência a data de conclusão daquele julgamento (14 de abril de 2010) e
reconhecendo a impossibilidade de repetição das contribuições recolhidas junto aos servidores públicos do Estado de
Minas Gerais até a referida data. (ADI 3106 ED, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 20/05/2015,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-158 DIVULG 12-08-2015 PUBLIC 13-08-2015)
E) EFEITOS VINCULANTES (VINCULATÓRIOS OU
VINCULATIVOS):
• Oriundo do Direito Alemão.
• Submetem, ligam, prendem as decisões do STF à
comunidade como um todo, funcionando como um
parâmetro de observância geral e obrigatória.
• Este efeito decorre do fato do STF ser o guardião da
CF e ele ter o poder de deter a última palavra em
matéria constitucional.
✓Quem se submete ao efeito vinculante das decisões do
STF:

• juízes e tribunais: artigo 102, §2º, CF/88 + artigo 28,


PU, Lei nº9868/1999. Eles não podem rediscutir o
assunto já deliberado pelo STF;

• órgãos da administração pública direta e indireta de


todas os entes da federação brasileira: artigo 102,
§2º, CF/88 + artigo 28, PU, Lei nº9868/1999.
✓Quem não se submete ao efeito vinculante:

• o próprio STF, porque ele pode aprimorar o


entendimento constitucional;

• o PL: ele pode reproduzir a mesma norma declarada


inconstitucional em outra lei editada no futuro. O PL
não se submete ao efeito vinculante (não está proibido
de editar nova lei com o conteúdo da anterior
declarada inconstitucional), mas se submete ao efeito
geral/erga omnes que suspende o efeito da norma
declarada inconstitucional;

• o MP: por força do artigo 127 da CF/88.


✓Descumprimento do efeito vinculante da decisão
proferida em controle concentrado pelo STF: cabe
ajuizamento de Reclamação.
EFEITO VINCULANTE AO PJ E PE:

Agravo regimental em agravo de instrumento. 2. Direito Administrativo. 3.


Identidade de partes, de fundamentos e de pedidos entre a presente
demanda e o MS 98.001974-5. Incidência do art. 267, V, do CPC. 4.
Efetivação no cargo de Titular de Tabelionato com fundamento no art. 14 do
ADCT da Constituição do Estado de Santa Catarina. Impossibilidade.
Dispositivo declarado inconstitucional pelo STF. 5. Declaração de
inconstitucionalidade proferida pelo STF, em controle concentrado, possui
eficácia erga omnes e vincula tanto o Poder Judiciário quanto o Poder
Executivo. Efeitos ex tunc. Ausência de modulação de efeitos. 6. Ausência de
argumentos capazes de infirmar a decisão agravada. 7. Agravo regimental a
que se nega provimento. (AI 769510 AgR, Relator(a): Min. GILMAR MENDES,
Segunda Turma, julgado em 07/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-162
DIVULG 16-08-2012 PUBLIC 17-08-2012)
EFEITO VINCULANTE:

Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. SEGUNDO AGRAVO INTERNO NO RECURSO


EXTRAORDINÁRIO. ALCANCE DO ART. 21, § 2º, DO RI/STF. INTERPRETAÇÃO
LITERAL QUE SE MOSTRA EQUIVOCADA. DECISÕES DE MÉRITO EM
CONTROLE CONCENTRADO. EFICÁCIA ERGA OMNES E EFEITOS
VINCULANTES. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO FIXADO NO RE 574.706-RG.
PARADIGMA QUE ABORDA MATÉRIA DISTINTA. ISS. BASE DE CÁLCULO.
COMPETÊNCIA RESERVADA À LEI COMPLEMENTAR FEDERAL. 1. Não se
pode conferir ao art. 21, §2º, do RI/STF, a interpretação restritiva que lhe
pretende dar a parte agravante. 2. As decisões de mérito proferidas pelo
Supremo Tribunal Federal nas ações do controle concentrado de
constitucionalidade são dotadas de efeito vinculante e eficácia erga omnes.
3. A matéria discutida no RE 574.706-RG não guarda similitude com a
controvérsia posta nestes autos. 4. As municipalidades não dispõem de
competência para legislar sobre base de cálculo do ISS, tarefa reservada à
lei complementar federal. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (RE
804260 AgR-segundo, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Primeira
Turma, julgado em 27/10/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-262 DIVULG
17-11-2017 PUBLIC 20-11-2017)
CONTINUA...