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PODER JUDICIÁRIO DA UNIÃO


SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL
12 a VARA

PROCESSO N°: 1231-52.2018.4.01.3400


CLASSE 13101: AÇÂO PENAL
RÉUS: AGNELO SANTOS QUEIROZ E OUTROS

DECISÃO

1. Cuida-se de ação penal instaurada em desfavor de AGNELO SANTOS QUEIROZ

FILHO, AFRÂNIO ROBERTO DE SOUZA FILHO, FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ, JORGE LUIZ

SALOMÃO, LUÍS CARLOS BARRETO DE OLIVEIRA ALCOFORADO e NELSON TADEU FILIPPELLI

em razão da suposta prática das condutas tipificadas no artigo 288 do Código Penal; artigo

2°, §4°, II, da Lei nr. l 2.850/201 3; artigo 31 7 c/c o §1 °, do Código Penal; artigo l ° da Lei

9.61 3/98; artigo 333 c/c o §1°, do Código Penal, na forma do artigo 71, todos na forma do

artigo 69 do Código Penal Brasileiro.

2. A denúncia foi recebida em 20.04.201 8.

3. Em resposta à acusação, o acusado JORGE LUIZ SALOMÃO, por intermédio de

defensor constituído, aduz, preliminarmente, a ilicitude de prova obtida no cumprimento

de diligência de busca e apreensão que teria sido realizada em endereço diverso do

mandado judicial. Alega que a prova ilícita, consistente em mensagens de whatsapp, não

possui pertinência com o feito. Assere que a denúncia está amparada unicamente em

delações premiadas, inexistindo nos autos elementos corroborativos dos depoimentos

prestados pelos colaboradores. Alega a violação dos acordos de delações pelos

colaboradores que, segundo o acusado, não teriam agido com o legítimo propósito de
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colaboração em seus depoimentos. Aduz a inépcia da inicial em razão da ausência de

descrição das condutas. Alega a inexistência dos elementos nucleares do crime de

corrupção passiva imputado ao acusado. Afirma, relativamente aos crimes de associação

criminosa e organização criminosa, a inexistência de elementos que demonstrem a

articulação bem como a estabilidade, estrutura e permanência nas condutas imputadas.

Quanto ao crime de lavagem de dinheiro, aponta a inexistência de passagem nos

depoimentos dos colaboradores que demonstrem a associação do acusado aos atos de

lavagem de dinheiro. Alega que a conduta imputada ao acusado se limita a suposto

transporte de dinheiro que não pode ser considerado como corrupção ou lavagem de

dinheiro (fls. 3.240/3.270).

4. O acusado FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ, por intermédio de defensor

constituído, aduz preliminar de inépcia da inicial em razão da ausência de descrição das

condutas. Afirma, no que concerne aos crimes de fraude à licitação e lavagem de dinheiro,

que o Ministério Público Federal deixou de apontar quaisquer narrativas acerca de tais

crimes. Sustenta a ocorrência de bis in idem em relação ao crime de pertinência à

organização criminosa visto que as três denúncias ofertadas, embora divididas em núcleos

de atuação, dizem respeito ao mesmo conteúdo fático e identidade entre os seus

integrantes. No ponto, alega litispendência entre a presente ação e os autos nr. 1229-

82.201 8.4.01.3400 no caso de prosperar a imputação do crime previsto no artigo 2° da Lei

nr. 12.850/2013 nestes autos. Aduz a impossibilidade de combinação entre os crimes de

formação de quadrilha e organização criminosa tendo em vista tratar-se de dupla

valoração da mesma circunstância fática. Alega que por força do princípio da anterioridade

e do enunciado da súmula 711 /STF, a tipificação correta da conduta atribuída ao acusado

seria associação criminosa. No ponto, alega a ausência de justa causa visto que a narrativa

do Ministério Público Federal está amparada em declarações de colaboradores apenas.


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Afirma que a narrativa ministerial demonstra a ausência de estabilidade e permanência do

acusado na suposta associação criminosa em razão do afastamento de JOSÉ ROBERTO

ARRUDA do cargo no ano de 2010. Em relação ao crime de fraude à licitação, objeto das

denúncias ofertadas nos autos nr. 1229-82.2018.4.01.3400 e 1235-89.2018.4.01.3400,

sustenta a ocorrência de bis in idem tendo em vista tratar-se de um único certame. Afirma

que o crime de corrupção ativa, assim como as demais condutas, está amparado em

declarações de colaboradores apenas. Alega, ao admitir-se a narrativa constante da

denúncia, que o suposto crime de corrupção ativa atribuído ao réu seria decorrente do

crime de corrupção passiva imputado a ACNELO QUEIROZ e TADEU FILIPPELLI. Afirma que a

denúncia não logrou demonstrar o oferecimento ou a promessa de vantagem por parte do

acusado aos réus ACNELO QUEIROZ e TADEU FILIPPELLI. Alega a inexistência de menção ao

nome de FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ quanto ao crime de lavagem de dinheiro no tópico

relativo à adequação típica das condutas. Aduz que a denúncia não apresenta informação

relativa à ocultação e/ou dissimulação dos valores aptas a caracterizar o crime de lavagem

de dinheiro. A defesa arrolou testemunhas (fl. 331 0).

5. O acusado ACNELO SANTOS QUEIROZ FILHO, por intermédio de defensor

constituído, suscita preliminares de inépcia da inicial em razão da ausência de descrição

das condutas bem como ausência de justa causa. Afirma que a mensagem trocada entre

JORGE SALOMÃO e o acusado sobre ajuda para "uma reunião grande, pois as cortinas não

sobem" refere-se ao fato de que o irmão de JORGE SALOMÃO possui loja de decoração de

interiores que disponibiliza cortinas motorizadas. Acerca da alteração do objeto social da

TERRACAP - Projeto de Lei 427/2011) - alega que o convénio para a reforma do estádio

Mane Garrincha foi assinado em data anterior à eleição do acusado para o governo do

Distrito Federald 8/1 2/2009) e que o verdadeiro motivo da suspensão do convénio foi a

obrigatoriedade de alteração do objeto social da TERRACAP em razão dos compromissos


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assumidos com a FIFA e União para sediar os jogos da Copa do Mundo e das

Confederações. Afirma que a solicitação de maquete à Andrade Cutierrez se deu em razão

de compromisso firmado entre o consórcio e a FIFA. Alega que os dados financeiros

disponíveis no sítio eletrônico da TERRACAP demonstram solidez orçamentaria e

compatibilidade financeira da empresa pública para a construção do Estádio Nacional de

Brasília. Afirma que as provas acostadas aos autos tratam-se de registros fabricados pela

empresa leniente que poderiam ser produzidos por qualquer pessoa. Aduz não ter sido

indicado pelo Ministério Público Federal qualquer conduta de integração de associação

criminosa, solicitação de vantagem indevida em razão do cargo ou branqueamento de

valores sabidamente provenientes de crime. A defesa arrolou testemunhas (fls.

3.342/3.343)

6. O acusado AFRÂNIO ROBERTO DE SOUZA FILHO, por intermédio de defensor

constituído, suscita preliminares de inépcia da inicial em razão da ausência de descrição

das condutas e ausência de justa causa para a ação penal. Afirma a inexistência dos

requisitos necessários para a caracterização do crime de pertinência à organização

criminosa visto que referida associação delitiva sequer existia no ordenamento jurídico em

meados de 2008. Sustenta que embora a denúncia descreva a conduta referente à

organização criminosa, no tópico relativo à adequação típica das condutas, imputa o crime

de associação criminosa a fatos anteriores à Lei 12.850/2013. Afirma a ausência de

substrato mínimo para a continuidade do feito. Alega que a prova do suposto crime,

consubstanciada em planilha hipoteticamente confeccionada pelo acusado, constitui

substrato probatório de outra investigação policial instaurada para apurar supostas

irregularidades na obra do BRT Cama. A defesa arrolou testemunhas (fls. 3360/3361).

7. O acusado LUÍS CARLOS BARRETO DE OLIVEIRA ALCOFORADO aduz a

atipicidade da conduta bem como excludente de ilicitude e culpabilidade consistente no


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exercício regular de direito de contratar e de prestar serviços remunerados e declarados

nos termos da lei. Alega que o inquérito policial não apresenta qualquer indício do

recebimento ou repasse de propinas. Afirma que a acusação se baseia apenas em

declarações de lenientes e colaboradores. Alega contradição entre as datas das supostas

entregas de dinheiro conforme apontado pelo leniente Rodrigo Leite e as datas de registro

de entrada no edifício America Office Tower. Aduz que o contrato de prestação de serviços

de consultoria jurídica entre o escritório do acusado e a empresa Andrade Cutierrez foi

firmado em outubro/2011, aproximadamente 9 meses antes da suposta reunião em que o

ex-governador teria solicitado o repasse. Afirma que o escritório ao qual está vinculado

prestou serviços acerca de três temas: 1)consultoria para a construção do Estádio Nacional

de Brasília; 2)execução do Projeto Saúde do DF e 3)construção do Centro Financeiro

Internacional de Brasília. Quanto à compra de camisas pelo consórcio Brasília 2014, afirma

que nem o réu Alcoforado nem seu então clube de futebol recebeu qualquer doação de

camisas ou de valores vindos do Consórcio ou da Andrade Gutierrez. Alega que as camisas

foram adquiridas pelo consórcio, em nome do consórcio e no interesse do consórcio para

distribuição a seus funcionários e convidados. Relativamente à compra de ingressos pelo

consórcio Brasília/2014, alega não ter sido beneficiário do repasse de

R$300.000,00(trezentos mil reais). Afirma que não era sócio nem administrava o

restaurante Inácia à época da inauguração do Estádio Nacional de Brasília. Alega não ter

tido ciência do repasse de valores do Consórcio Brasília para a Federação Brasiliense de

Futebol uma vez que não praticou atos de gestão administrativa, financeira ou política

naquela entidade. Afirma que os valores pagos na compra dos ingressos pelo Consórcio

Brasília 201 4 foram todos utilizados para a realização do evento de inauguração do Estádio

Nacional, inexistindo qualquer elemento indicativo de desvio de finalidade. Aduz a

ineficácia probatória do acordo de leniência à vista de celebração de negócio jurídico


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processual contaminado por dolo. Alega que os colaboradores reconstruíram a acusação

após garantirem o benefício do perdão judicial. Assere que a acusação se baseia apenas em

declarações de lenientes e colaboradores ressentindo-se de elementos de prova. Sustenta a

efetiva e regular prestação de serviços ao ex-governador ACNELO QUEIROZ. Alega a

atipicidade da conduta visto que os pagamentos realizados ao escritório vinculado ao

acusado foram registrados em contabilidade oficial e com emissão de notas fiscais. A

defesa arrolou testemunhas (fls. 3453/3454).

8. O acusado NELSON TADEU FILIPPELLI, por intermédio de defensor constituído,

aduz preliminar de inépcia da inicial em razão da ausência de descrição das condutas e

ausência de justa causa face à deficiência de substrato mínimo probatório. Alega a

temeridade da acusação em razão da utilização de fotografias retiradas da internet para

confirmar a atuação espúria do acusado. Afirma a incompetência do Juízo para apuração

das condutas a si atribuídas tendo em vista que: 1) a planilha atribuída ao acusado

AFRÂNIO ROBERTO DE SOUZA FILHO, consistente em espécie de controle de pagamentos

relativos à propina supostamente solicitada pelo acusado, é objeto de investigação das

obras relativas ao BRT Sul em inquérito policial diverso; 2) o fato narrado na inicial de que

o acusado teria recebido cerca de 20 milhões de reais em contrapartida da obra como

doações eleitorais, seria de competência da Justiça Eleitoral, nos termos dos artigos 350 e

354-A do Código Eleitoral. A defesa arrolou testemunhas (fls. 3929/3930).

9. É o relato necessário.

FUNDAMENTO E DECIDO.

10. De início, em relação ao crime tipificado no artigo 90 da Lei n. 8.666/93,

forçoso reconhecer a ocorrência da extinção da punibilidade em razão da prescrição da


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pretensão punitiva estatal tendo em visa o transcurso de mais de 08(oito) anos entre a data

dos fatos (Concorrência 001 /2009) e a data do recebimento da denúncia.

11. Ressalto que o prazo prescricional para o crime em comento tem início a partir

do ajuste/conluio entre os licitantes porquanto prescinde do efetivo prejuízo para a sua

configuração.

l 2. Por oportuno, destaco:

"(...)

2. Nos termos da jurisprudência deste Soda/ido, "diversamente do que ocorre com

o delito previsto no art. 89 da Lei n. 8.666/1993, o art. 90 desta lei não demanda a

ocorrência de prejuízo económico para o poder público, haja vista que o dano se

revela pela simples quebra do caráter competitivo entre os licitantes interessados

em contratar, ocasionada com a frustração ou com a fraude no procedimento

licitatório. De fato, a ideia de vinculação de prejuízo Administração Pública é

irrelevante, na medida em que o crime pode se perfectibilizar mesmo que haja

benefício financeiro da Administração Pública." (REsp 1484415/DF, Rei. Ministro

ROGÉRIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA TURMAJulgado em 15/12/2015, DJe

22/02/2016), não havendo que se falar em necessidade de comprovação de

prejuízo à Administração ou mesmo na obtenção de lucro pelos agentes. "(STJ: H C

341.341/MC). No mesmo sentido: AgRg no RESP 1604318/SE, AgRgResp n.

1050984/AP.

"PENAL PROCESSO PENAL. FRAUDE EM PROCEDIMENTO LICITATÓRIO. CRIME

FORMAL DENÚNCIA APTA. DOSIMETRIA. AUTORIA E MATERIALIDADE

COMPROVADAS. APELAÇÕES DESPROVIDAS. 7. Não cabe falar, em acerto, em

inépcia da denúncia depois da condenação, que faz supor que a peça cumpriu a

sua finalidade, tanto que o processo chegou ao seu fim natural. Inepta seria a peça
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cujo vício de narrativa fosse tão grave que impossibilitasse a defesa dos acusados

ou mesmo a própria prestação jurisdicional. Na espécie, a denúncia atende aos

requisitos do art. 41 - CPP, embora com as naturais dificuldades em relação aos

crimes da lei de licitações, como no caso. 2. O delito previsto no art. 90 da Lei

8.666/1993 é formal, não exigindo para a sua consumação a efetiva ocorrência do

resultado. Não há como afastar o prejuízo ao erário, em razão da fraude ao

procedimento licitatório, tendo em vista que, o objetivo da licitação é exatamente

propiciar à administração contratar o serviço pelo menor preço. 3. Os acusados, de

forma livre e consciente, agiram para fraudar o procedimento licitatório, não

havendo prova alguma de que teriam praticado o fato induzidos pelo parecer do

procurador municipal, na forma como individualmente demonstrada pela sentença,

exaustivamente transcrita, sendo insuficientes as razões do recurso para afastar as

do decreto condenatório. 4. As chamadas circunstâncias judiciais, estabelecidas no

art. 59 do Código Penal, matéria do primeiro exame do julgador na fixação da

pena, traduzem fatos exteriores ao tipo penal. Assim, está correra a sentença

quando concluiu que a culpabilidade dos agentes não extrapola aquela inerente à

gravidade do próprio crime praticado, e que os motivos revelam-se ordinários

nesta espécie de delito, não havendo ajustes a considerar. 5. Apelações

desprovidas." CV^} : AP n. 2622-1 1 .201 1 .4.01 .381 3).

l 3. Diante do exposto, DECLARO EXTINTA A PUNIBILIDADE de FERNANDO MÁRCIO

QUEIROZ, relativamente à imputação do crime tipificado no artigo 90 da Lei 8.666/93, em

razão da prescrição da pretensão punitiva do Estado, em conformidade com o disposto nos

artigos 109, inciso IV e 117, inciso l do Código Penal e artigo 61 do Código de Processo

Penal.

14. Em relação à alegação de incompetência da Justiça Federal por se tratarem de

supostos crimes eleitorais, ressente-se de amparo legal. Isso porque, não há elementos
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nos autos que permitam concluir pela inexistência de crimes comuns e tão somente

eleitorais. No caso, a denúncia imputou aos réus a prática de crimes de corrupção ativa e

passiva e narrou ter sido a vantagem ilícita recebida, também, por meio de doação

eleitoral, o que, ao menos nesse Juízo preliminar, justifica a competência da Justiça Federal

sendo certo que a questão demanda o aprofundamento da instrução criminal.

l 5. No que se refere à alegação de inépcia da inicial quanto à imputação dos

crimes de lavagem de dinheiro e corrupção, carece de amparo legal. A denúncia narrou e

descreveu condutas que, ao menos em tese, consubstanciam os tipos penais imputados. A

verificação da efetiva prática de condutas tendentes a acobertar a origem ilícita do

dinheiro, com o propósito de emprestar-lhe a aparência de licitude, depende de provas e

dever ser objeto da instrução no curso da ação penal.

16. Com efeito, a denúncia descreve os fatos imputados aos acusados de modo

objetivo e claro de forma a viabilizar a ampla defesa e o contraditório. É certo que por se

tratar de denúncia contendo múltiplos acusados e diversos crimes supostamente

praticados em concurso, não se exige a descrição pormenorizada das ações de cada um

dos envolvidos, o que deverá ser comprovado no curso da instrução criminal: "Admite-se a

denúncia geral, em casos de crimes com vários agentes e condutas ou que, por sua própria

natureza, devem ser praticados em concurso, quando não se puder, de pronto,

pormenorizar as ações de cada um dos envolvidos, sob pena de inviabilizar a acusação,

desde que os fatos narrados estejam suficientemente claros para garantir o amplo

exercício do direito de defesa. Precedentes do STJ." (\-\C n. 84.202/MC,DJ de 29/10/2007).

l 7. De igual modo, não prospera a alegação de ausência de justa causa porquanto

a denúncia baseia-se em documentos que dão suporte probatório mínimo ao recebimento

da denúncia. Nesse sentido, registro "No exame das condições da ação e/ou da justa causa
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para o exercício da ação criminal, não se mós f rã imprescindível a obtenção de um juízo de

certeza acerca da autoria e da materialidade delitivas, indispensável apenas em caso de

eventual julgamento do mérito. Neste momento processual, cabe exclusivamente indagar

sobre a plausibilidade da pretensão acusatória" (STJ: AP n. 885/DF, Corte Especial, Dje de

10/12/2018).

l 8. Carece de verossimilhança a alegação de que a denúncia está amparada apenas

em declarações de colaboradores e lenientes porquanto novos elementos foram anexados

aos autos por meio de investigação policial.

19. Ainda que assim não fosse, na linha do julgado proferido nos autos do

Inquérito n. 3982, do Supremo Tribunal Federal, "o conteúdo dos depoimentos colhidos em

colaboração premiada não é prova por si só eficaz, tanto que descabe condenação

lastreada exclusivamente neles, nos termos do art. 4°, § 16, da Lei 12.850/2013. São

suficientes, todavia, como indício de autoria para fins de recebimento da denúncia (Inq

3.983, Rei. Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, Dje de 12.05.2016)." (STF: Inq 3982, 2a

Turma, Dje 05-06-201 7).

20. Referentemente à ilicitude da prova colhida em endereço diverso do mandado

de busca e apreensão ressalto que o consentimento (cf, fl.) do acusado supre a

determinação judicial, inexistindo nos autos elementos que permitam invalidá-lo. Ademais,

a prova colhida no escritório vinculado ao acusado sequer foi mencionada na inicial

acusatória.

21. Por oportuno, destaco:

CRIMINAL. HC. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE.

NULIDADE NÃO-VISLUMBRADA. FLAGRANTE PREPARADO. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE

TESTEMUNHAS DA PRÁTICA DELITIVA. IRRELEVÂNCIA. AUTO DE PRISÃO ASSINADO POR

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DUAS TESTEMUNHAS, QUE PRESENCIARAM A APRESENTAÇÃO DO ACUSADO À

AUTORIDADE POLICIAL BUSCA E APREENSÃO. AUSÊNCIA DE MANDADO

JUDICIAL. CONSENTIMENTO DO MORADOR. ILEGALIDADES NA DENÚNCIA. FALHAS

NÃO-VISLUMBRADAS. ENCAMINHAMENTO DAS DECLARAÇÕES DAS TESTEMUNHAS DO

POVO AO JUÍZO APÓS O OFERECIMENTO DA PEÇA ACUSATÓRIA. IRRELEVÂNCIA. FASE

INSTRUTÓRIA QUE PODERÁ SANAR EVENTUAIS DÚVIDAS. ILICITUDE DAS PROVAS QUE

FUNDAMENTARAM A ACUSAÇÃO. FALSIDADE DOS DEPOIMENTOS DAS TESTEMUNHAS.

QUANTIDADE DA DROGA APREENDIDA. ILEGALIDADES NÃO-DEMONSTRADAS DE

PRONTO. IMPROPRIEDADE DO MEIO ELEITO. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E

DENEGADA. Os defeitos por ventura existentes no auto de prisão em flagrante não têm

o condão de, por si só, contaminar o processo e ensejar a soltura do réu, ainda mais se

os autos demonstram ter havido o recebimento da denúncia. Não há flagrante

preparado, se evidenciado que o réu não foi, em princípio, induzido à prática do crime

pelos policiais, e/s que, estes, após receberem diversas denúncias anónimas a respeito

do envolvimento do acusado no tráfico ilícito de entorpecentes, estariam realizando

investigações sobre o mesmo, tendo-o seguido e efetivado a prisão, assim que

perceberam que o mesmo havia jogado um "pacote" na lixeira de um posto de gasolina.

A falta de testemunhas da prática delitiva não se presta para impedir a custódia em

flagrante, desde que, juntamente com o condutor, duas testemunhas que tenham

presenciado a apresentação do preso à autoridade policial assinem o auto de prisão,

hipótese verificada in casu, já que evidenciada a assinatura das duas testemunhas, da

autoridade policial, do conduzido, do escrivão e do condutor^O consentimento do

morador supre a determinação judicial oara o ingresso em residência, não havendo

qualquer exigência de que tal consentimento deva ocorrer na presença de testemunhas

do povo. Eventual inépcia da denúncia, em razão da existência de ilegalidades, só pode

ser acolhida quando demonstrada inequívoca deficiência a impedir a compreensão da

acusação, em flagrante prejuízo à defesa dos acusados, ou na ocorrência de qualquer

das falhas apontadas no art. 43 do CPP o que não se vislumbra in casu. O


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encaminhamento, ao Juízo, de declarações das testemunhas do povo após o

oferecimento da exordial acusatória não tem o condão de configurar nulidade, e/s que

durante a instrução criminal haverá oportunidade para maiores esclarecimentos a

respeito do que foi dito por elas na fase investigatória, já que as mesmas foram

arroladas pelo Ministério Público. O habeas corpus constitui-se em meio impróprio

para a análise de alegações controvertidas, que exijam o reexame do conjunto fático-

probatório como a apontada origem ilícita das provas que fundamentaram a acusação,

da falsidade dos depoimentos das testemunhas, bem como da quantidade de drogas,

tabletes ou porções apreendidas pelos policiais. Ordem parcialmente conhecida e

denegada. (STF, HC, Relator GILSON DIPP, DJ 16/09/2002, pag. 207, RT, Vol.

00809, DTPB)

22. A alegada ausência de contemporaneidade da prova obtida por meio de

aplicativo de celular e os fatos narrados na denúncia não enseja a ilicitude da prova

porquanto obtida no cumprimento regular de busca e apreensão e mediante decisão

judicial de afastamento de sigilo de dados.

23. Quanto à mencionada violação dos acordos de delação pelos colaboradores,

saliento que o Plenário do STF firmou entendimento no sentido de que a rescisão ou

revisão de acordo de colaboração premiada, homologada judicialmente, tem efeitos

somente entre as partes do acordo, não repercutindo na esfera jurídica de terceiros. Além

do mais, eventual revisão do acordo não implica na invalidação de provas obtidas a partir

dos depoimentos e documentos apresentados pelos colaboradores:

"PROCESSO PENAL. ACORDO DE COLABORAÇÃO PREMIADA. POSSIBILIDADE DE

RESCISÃO OU DE REVISÃO TOTAL OU PARCIAL. SUSTAÇÃO DE OFERECIMENTO DE

DENÚNCIA CONTRA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA NA SUPREMA CORTE.

DESCABIMENTO. ANÁLISE DE TESES DEFENSIVAS PELO STF. IMPOSSIBILIDADE.

PRECEDÊNCIA DO JUÍZO POLÍTICO DE ADMISSIBILIDADE PELA CÂMARA DOS


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DEPUTADOS. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 51, INCISO l, E 86, DA CRFB. PRECEDENTES.


EVENTUAL DESCUMPRIMENTO DE CLÁUSULAS DOS TERMOS DO ACORDO.
POSSIBILIDADE DE RESCISÃO TOTAL OU PARCIAL. EFEITOS LIMITADOS ÀS PARTES
ACORDANTES. PRECEDENTES. I. O juízo político de admissibilidade por dois terços da
Câmara dos Deputados em face de acusação contra o Presidente da República, nos
termos da norma constitucional aplicável (CRFB, art. 86, caput), precede a análise
jurídica pelo Supremo Tribunal Federal, se assim autorizado for a examinar o
recebimento da denúncia, para conhecer e julgar qualquer questão ou matéria
defensiva suscitada pelo denunciado. Precedentes. 2. A possibilidade de rescisão ou de
revisão, total ou parcial, de acordo homologado de colaboração premiada, em
decorrência de eventual descumprimento de deveres assumidos pelo colaborador, não
propicia, no caso concreto, conhecer e julgar alegação de imprestabilidade das provas,
porque a rescisão ou revisão tem efeitos somente entre as partes, não atingindo a
esfera jurídica de terceiros, conforme reiteradamente decidido pelo Supremo Tribunal
Federal. (STF, Questão de Ordem, INQ 4.483/DF, Ministro EDSON FACHIN, Plenário,
20.09.2017).

24. Quanto à alegação de litispendência entre estes autos e os autos nr. 1229-

82.2018.4.01.3400 em relação à imputação do crime de pertinência à organização

criminosa, formulada pela defesa de FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ, razão assiste à defesa.

25. Com efeito, a denúncia que deu origem aos presentes autos, especificamente

quanto à imputação de pertinência à organização criminosa (artigo 2°, caput, e artigo 2°,

§4°, inciso II, da Lei n. 12.850/2013) e associação criminosa/quadrilha (artigo 288 do

Código Penal), imputou aos réus FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ, ACNELO SANTOS QUEIROZ

FILHO, AFRÂNIO ROBERTO DE SOUZA FILHO, JORGE LUIZ SALOMÃO, LUÍS CARLOS BARRETO

DE OLIVEIRA ALCOFORADO e NELSON TADEU FILIPPELLI a associação/pertinência à

associação, mediante atuação em conjunto, ordenadamente e com divisão de tarefas com

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vistas à obtenção de vantagem mediante a prática de infrações penais, no caso, crimes no

contexto da reforma/construção do Estádio Nacional de Brasília Concorrência nr.

001 /2009 - NOVACAP.

26. Quanto à ação penal n. l 229-82.201 8.4.01.3400, em trâmite neste Juízo, em

relação à imputação de pertinência à organização criminosa e associação criminosa, infere-

se da denúncia ofertada contra os réus FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ, JOSÉ ROBERTO

ARRUDA, JOSÉ WELLINGTON MEDEIROS DE ARAÚJO e SÉRGIO LÚCIO SILVA DE ANDRADE

que, supostamente, trata-se de organização criminosa composta pelos acusados

mencionados, para a prática de crimes durante a reforma/construção do Estádio Nacional

de Brasília.

27. Pois bem, das denúncias ofertadas é possível constatar que se trata de suposta

única associação/organização criminosa complexa, com diversos núcleos de atuação,

inserida no mesmo contexto fático.

28. Desse modo, forçoso o reconhecimento da existência de litispendência quanto

à imputação de quadrilha/associação criminosa/pertinência à organização criminosa

deduzida na ação penal nr. 1231-52.2018.4.01.3400 e 1229-82.2018.4.01.3400,

porquanto há identidade de objeto - fatos imputados - e de partes, relativamente ao réu

FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ.

29. Por tal razão, deve ser declarada extinta a presente ação penal, tão somente

quanto à imputação de pertinência à organização criminosa/quadrilha/associação

criminosa em relação ao réu FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ.

30. Destarte, nos moldes do artigo 395, inciso II, do Código de Processo Penal c/c

o artigo 485, inciso V, do Código de Processo Civil, por ausência de pressuposto

processual (litispendência) DECLARO EXTINTA a ação penal nr. 1231-52.2018.4.01.3400,


FL:
PODER JUDICIÁRIO
SEÇAO JUDICIARIA DO DISTRITO FEDERAL 12" VF
Processo n° 1231-52.2018.4.01.3400

tão somente quanto à imputação de pertinência à organização criminosa em relação ao réu

FERNANDO MÁRCIO QUEIROZ.

31. Por fim, esclareço que em relação à adequação típica pretendida, no que se

refere à imputação dos crimes de quadrilha/associação criminosa e organização criminosa,

deverá ser realizada por ocasião da prolação da sentença, não sendo este o momento

oportuno para tanto.

32. No mais, não restaram configuradas as hipóteses conducentes à absolvição

sumária (artigo 397 do Código de Processo Penal). As defesas não trouxeram aos autos

quaisquer elementos capazes de infirmar o juízo preliminar de recebimento da denúncia.

33. As demais questões levantadas, tal como postas pelas defesas, constituem-se

questões de mérito e como tais, no momento oportuno, serão apreciadas.

34. Destarte, designo para o dia 09 de setembro de 2019, às 14hOO, a audiência

para a oitiva das testemunhas/colaboradores/lenientes António Raimundo Comes Silva

Filho, Fabrício Souza Baptista, Murilo Santos e Silva, Vanusa da Silva Pinto e Moacir

Anastácio de Carvalho.

35. Designo, também, para o dia 10 de setembro de 2019, às 14hOO, a audiência

para a oitiva das testemunhas/colaboradores/lenientes, Erivaldo Alves Pereira, Oswaldo

Machado Júnior, Sérgio Alexandre Monteiro de Bragança Saad, Rodrigo Ferreira Lopes,

Rodrigo Leite Vieira e Gustavo Rocha Alves de Oliveira.

36. Expedir cartas precatórias para intimação e oitiva das

testemunhas/colaboradores/lenientes Fabricius Simão, Rogério Nora de Sá, Clóvis Renato

Numa Peixoto Primo, Flavio Comes Machado Filho, Carlos José de Souza, Roberto Xavier de

Castro Júnior, Ricardo Curti Júnior, Eduardo Alcides Zanelatto, João Marcos de Almeida da
PODER JUDICIÁRIO
SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL 12'VF
Processo n° 1231-52.2018.4.01.3400

Fonseca, Marcus Vinícius Dutra Moresi e Igor Andrade Fonseca Homem mediante

videoconferência a ser agendada com este Juízo Deprecante.

37. Indefiro a oitiva de MARUSKA LIMA DE SOUSA HOLANDA como testemunha

arrolada pela defesa do acusado AGNELO SANTOS QUEIROZ FILHO porquanto trata-se de

corre nos autos da ação penal l 235-89.201 8.4.01.3400 que versa sobre fatos conexos.

38. Cientificar o Ministério Público Federal.

39. Registrar. Intimar.

Brasília/DF, 31 de maio de 201 9.


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POLLYANNA KELLY MACIEL MEDEIROS MARTINS ALVES
Juíza Federal Substituta

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