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RESUMO: Por meio deste trabalho faremos um breve relato sobre a

investigação criminal, de forma materializada, através do inquérito policial, como,


o que é o inquérito policial, suas principais características, e suas finalidades. O
inquérito policial é uma procedimento administrativo que, em regra, é feita pelas
polícias civis e federais, mais conhecida como polícia judiciária. O estudo
também mostrará que, por imperativo legal, o defensor terá acesso aos autos do
inquérito policial, porém, segundo o Superior Tribunal de Justiça, essa
possibilidade não será ilimitada, em decorrência da natureza inquisitiva da
investigação do Ministério Público na persecução penal.

Palavras-chave: Inquérito Policial, Policia Judiciária, provas,


investigação criminal, indiciado.

1. INTRODUÇÃO

Inquérito policial é caracterizado como um procedimento administrativo


persecutório, informativo, prévio e preparatório da ação penal. Tem como
objetivo reunir os elementos necessários para alcançar a materialidade e indícios
de autoria de um crime. A polícia judiciária (federal e civil) é responsável por
fazer o inquérito policial, tem como função investigar a ocorrência de infrações
penais. Em resumo, o inquérito policial nada mais é que um procedimento
administrativo estabelecido pela polícia federal e civil (polícia judiciária), atribuído
para a colheita de provas, verificação da existência dos crimes e quem foi seu
autor, seria o conjunto de informações que futuramente fornecerá o início da
ação penal. Será elaborado pela polícia judiciária, conforme os termos dos
artigos 4º e 12 do Código de Processo Penal.

Art. 4º A polícia judiciária será exercida pelas


autoridades policiais no território de suas respectivas
circunscrições e terá por fim a apuração das infrações
penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº
9.043, de 9.5.1995)

Parágrafo único. A competência definida


neste artigo não excluirá a de autoridades
administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma
função.

Art. 12. O inquérito policial acompanhará a


denúncia ou queixa, sempre que servir de base a uma
ou outra.

No artigo 4º do CPP foi ressalvada a competência das outras


autoridades para progredirem com o inquérito policial.

O inquérito policial não tem por finalidade produzir a acusação de uma


pessoa, mas sim de reunir provas sobre os fatos, sempre procurando a verdade.
O seu objetivo principal é a formação da opinião do representante do Ministério
Publico, mas não é só isso, pois também tem a colheita de provas urgentes, que
podem deixar de serem conhecidas, após o crime, assim como a composição
das indispensáveis provas pré-constituídas que podem servir de base para
a vítima, em alguns casos, para a propositura da ação privada.

Sua finalidade é a investigação do crime e a sua autoria, com a intenção


de fornecer elementos para o titular da ação penal, promovê-la em juízo, seja ele
o Ministério Publico ou particular. A investigação e o apontamento do autor
sempre teve por alvo a segurança da ação da justiça e do próprio acusado,
pois com a instrução prévia do inquérito, a policia judiciária reúne as provas
preliminares que possibilitam o apontamento de um delito e quem foi seu autor.

O inquérito policial, atividade da policia judiciária, não seria uma mera


peça de informação, ela é mais do que isso, ele também pode contribuir para
a decretação de medidas cautelares no caminhar da persecução penal, onde o
magistrado pode usá-lo como base para explanar decisões ainda antes de
iniciado o processo, como no caso de prisão preventiva ou na determinação de
interceptação telefônica.

2. DISPENSABILIDADE DO INQUÉRITO POLICIAL

A princípio, o Código diz que o inquérito policial serve de base para a


denúncia, mas se interpretarmos o artigo 12 do código de processo penal
gramaticalmente e literalmente, compreenderemos que o inquérito policial nem
sempre servirá como fundamento para um denúncia ou queixa. Portanto, o
promotor pode deixar o inquérito de lado se ele receber informações
consubstanciadas ( de qualquer pessoa) em provas de prática delitiva e autoria.
O próprio código de processo penal mostra em vários dispositivos a
dispensabilidade do inquérito policial, como por exemplo, nos artigos 27 – 39
, §5º – 46, §1º do código de processo penal.

Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá


provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos
em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por
escrito, informações sobre o fato e a autoria e
indicando o tempo, o lugar e os elementos de
convicção.

Art. 39. O direito de representação poderá ser


exercido, pessoalmente ou por procurador com
poderes especiais, mediante declaração, escrita ou
oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à
autoridade policial.

§ 5º O órgão do Ministério Público dispensará


o inquérito, se com a representação forem oferecidos
elementos que o habilitem a promover a ação penal, e,
neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze
dias.

Art. 46. O prazo para oferecimento da


denúncia, estando o réu preso, será de 5 dias, contado
da data em que o órgão do Ministério Público receber
os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu
estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver
devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16),
contar-se-á o prazo da data em que o órgão do
Ministério Público receber novamente os autos.

§ 1º Quando o Ministério Público dispensar o inquérito


policial, o prazo para
o oferecimento da denúncia contar-se-á da data em
que tiver recebida as peças de informações ou a representação.

Se o Ministério Público receber a notícia de um crime com provas de


sua existência e sua autoria, poderá dispensar o inquérito policial. Ou seja, o
inquérito não é, a rigor, indispensável para a propositura da ação penal.

3. Natureza jurídica do Inquérito Policial

O inquérito policial é puramente de natureza administrativa, com caráter


informativo e preparatório para a ação penal. Não tem a presença do juiz, pois é
regido através das regras do administrativo no geral.

Nele não se resulta a aplicação de sanção e caso ocorra eventuais


vícios, o processo no qual deu origem não será contaminado com tal, salvo, se
as provas forem ilícitas.

A seguir, mostraremos mais sobre o inquérito policial e


suas características. Como o inquérito policial é um procedimento administrativo
preliminar, possui algumas características que servem para diferenciá-lo, em
substância do processo. Algumas das características são:

ESCRITO: É o procedimento destinado a fornecer


elementos ao titular da ação penal. Por exigência legal o inquérito deve ser
escrito, artigo 9º do código de processo penal.

“Art. 9º Todas as peças do inquérito policial serão, num só


processo, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela
autoridade”.

INQUISITIVO: Ocorre quando as atividades persecutórias


ficam nas mãos de apenas uma autoridade e não há oportunidade para o
exercício do contraditório e da ampla defesa, ou seja, é desenvolvido sem o
contraditório e a ampla defesa.

SIGILOSO: É uma necessidade para que a autoridade


policial possa providenciar as diligências para o completo esclarecimento dos
fatos, sem que haja algum bloqueio na colheita de informações, com ocultação
ou destruição de provas, influência sobre as testemunhas (artigo 20 do código
de processo penal).
Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o
sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo
interesse da sociedade.

Parágrafo único. Nos atestados de


antecedentes que lhe forem solicitados, a autoridade
policial não poderá mencionar quaisquer anotações
referentes a instauração de inquérito contra os
requerentes. (Redação dada pela Lei nº 12.681, de
2012)

Em regra, o inquérito criminal é sigiloso, mas em algumas


situações pode se dar publicidade nas investigações, como por exemplo, nos
casos de retrato falado.

O sigilo não se opõe ao juiz, MP, Procurador da


Republica; e o advogado tem acesso aos autos do processo do inquérito desde
que a diligência já tenha sido documentada, mas se a diligência ainda está em
andamento, não terá direito de acessar os autos.

DISCRICIONARIEDADE: Quando o inquérito policial não


está atrelado a nenhuma forma previamente determinada, não tem rigor
procedimental de persecução em juízo.

AUTORIDADE: O delegado de polícia, presidente do inquérito policial


é autoridade pública A presidência do inquérito será sempre do delegado
(autoridade pública), artigo 144, §4 da CF.

Art. 144. A segurança pública, dever do


Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida
para a preservação da ordem pública e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos
seguintes órgãos:

I - polícia federal;

II - polícia rodoviária federal;

III - polícia ferroviária federal;

IV - polícias civis;

V - polícias militares e corpos de


bombeiros militares.

§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados


de polícia de carreira, incumbem, ressalvada a
competência da União, as funções de polícia judiciária
e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
OFICIOSIDADE: Basta a ocorrência do crime para
investigação dele, em casos de crimes de ação publica incondicionada.

INDISPONIBILIDADE: Uma vez iniciado, o inquérito


policial não poderá ser arquivado pelo delegado, artigo 17 do código de processo
penal.

“Art. 17. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de


inquérito.”

4. Notitia criminis

Segundo Guilherme Nucci: “É a ciência da autoridade policial da


ocorrência de um fato criminoso, podendo ser: a) direta, quando o próprio
delegado, investigando, por qualquer meio, descobre o acontecimento; b)
indireta, quando a vítima provoca a sua atuação, comunicando-lhe a ocorrência,
bem como quando o promotor ou o juiz requisitar a sua atuação. Nesta última
hipótese (indireta), cremos estar inserida a prisão em flagrante. Embora parte da
doutrina denomine essa forma de notitia criminis de coercitiva, não deixa ela de
ser uma maneira indireta de a autoridade policial tomar conhecimento da prática
de uma infração penal”. [3]

Configura-se uma notitia criminis o conhecimento espontâneo ou


provocado pela autoridade policial de um fato aparentemente criminoso. É todo
o fato que chega ao conhecimento da autoridade policial, seja de forma
espontânea, ou de forma provocada.

Dentro desse aspecto, temos três tipos de cognição, sendo elas:


Cognição imediata, tratando-se de quando a autoridade toma conhecimento do
fato infringente por meios de suas atividades rotineiras, ou seja, a obtenção do
conhecimento do fato por meios informais.

Cognição mediata, tratando-se de quando a autoridade toma


conhecimento do fato através de requerimento da vítima ou de quem possa
representá-la, requisição da Autoridade Judiciária ou Ministério Público, ou ainda
mediante representação. Neste segundo caso de cognição, o conhecimento é
tomado de uma maneira formal.

Por fim, a cognição coercitiva, que consiste no caso da prisão em


flagrante, que se tratando da chegada do autor à Delegacia, juntamente com a
notícia criminosa.
Temos o modelo de notitia criminis inqualificada, que trata-se da notícia anônima
do crime.

5. Início do Inquérito Policial

Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito


policial será iniciado:

I - de ofício;
II - mediante requisição da autoridade judiciária
ou do Ministério Público, ou a requerimento do
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-
lo.

§ 1o O requerimento a que se refere o no II


conterá sempre que possível:

a) a narração do fato, com todas as


circunstâncias;

b) a individualização do indiciado ou seus


sinais característicos e as razões de convicção ou de
presunção de ser ele o autor da infração, ou os motivos
de impossibilidade de o fazer;

c) a nomeação das testemunhas, com


indicação de sua profissão e residência.

§ 2o Do despacho que indeferir o requerimento


de abertura de inquérito caberá recurso para o chefe
de Polícia.

§ 3o Qualquer pessoa do povo que tiver


conhecimento da existência de infração penal em que
caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito,
comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a
procedência das informações, mandará instaurar
inquérito.

§ 4o O inquérito, nos crimes em que a ação


pública depender de representação, não poderá sem
ela ser iniciado.

§ 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade


policial somente poderá proceder a inquérito a
requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la.

DE OFÍCIO :

Para a instauração do inquérito policial, ou seja, para dar o impulso inicial


no inquérito policial utiliza-se o instrumento chamado de portaria. Portaria nada
mais é do que uma peça baixada pela autoridade policial narrando o fato,
circunstâncias, nomes do indiciado e vítima. A portaria impulsiona a instauração
do inquérito de ofício, pois trata-se de um crime de ação penal pública
incondicionada. Todas as diligências serão colocadas neste inquérito, sendo a
portaria, a regra geral.

Uma segunda opção de instauração de inquérito é quando a prova da


“notitia criminis” chega juntamente com o acusado, ou seja, tratando-se da
cognição coercitiva. É feita no momento em que o policial está no exercício de
seu direito e vem a prender o indivíduo.

Temos um terceiro modo de instauração, sendo ele pela


cognição imediata, que é quando se recebe um requerimento da própria
vítima ou de algum representante, e neste caso, o delegado fará a análise para
saber se está presente uma tipicidade subjetiva.

A cognição mediata também entra neste rol, sendo quando


a autoridade policial tem conhecimento do crime por intermédio de terceiros,
sendo por requerimento do ofendido, requisição do juiz ou do Ministério Público,
ou por delatio criminis, por exemplo.

POR REQUISIÇÃO DO JUIZ OU DO MINISTÉRIO


PÚBLICO :

Embora não seja a autoridade policial subordinada ao Ministério Público


e ao Juíz, não pode deixar de atender a requisição, salvo se ocorrer alguma
causa de extinção de punibilidade ou qualquer outro óbice processual. Requisitar
é exigir legalmente. A requisição deve conter, quando possível, todos os
necessários esclarecimentos sobre o fato incriminado, a individualização do
pretenso culpado ou suas características e o rol de testemunhas.

6. Requerimento do inquérito

Resume-se claramente à manifestação formal da vítima ou


de seu representante legal, postulado a persecução penal contendo a narrativa
do fato, a individualização do pretenso indiciado ou características e o rol de
testemunhas. A comunicação verbal é a forma mais comum de se noticiar a
prática delituosa.

7. Auto de prisão em flagrante

O autor de prisão em flagrante só pode ser


lavrado mediante requerimento da vítima ou de pessoa que a represente.

Como já mencionado por Renildo do Carmo Teixeira, a


prisão em flagrante é uma prisão cautelar e está prevista nos artigos 301 a 310,
do Código de Processo Penal.
Determina o artigo 301, do CPP, que nas situações de flagrância,
qualquer povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes deverão prender
quem quer que seja encontrado em flagrante delito.

É válido ressaltar que, as provas apresentadas pelo


condutor, testemunhas e às vezes pela própria vítima devem redundar para a
autoridade na fundada suspeita contra o conduzido com base na realidade e não
em mera presunção.
O número de testemunhas deverá ser de no mínimo duas, sendo
o condutor também considerado como testemunha.
Uma circunstância que poderá vir a ocorrer é de que o autuado não
queira, não saiba, ou não possa assinar o auto de prisão. Neste caso, será
assinado por duas testemunhas, que lhe tenham ouvido a leitura na presença do
acusado (artigo 304, parágrafo 3º, do Código de Processo Penal).
É importante mencionar que, o auto de prisão em flagrante será a
primeira peça do procedimento, se houver.

8. Delatio Criminis

Delatio criminis: é a comunicação verbal ou por escrito


prestada por terceiro identificado (pessoa diversa do ofendido), também
denominada delatio criminis simples.

Nos termos do § 3º do art. 5º do CPP, "qualquer pessoa do


povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação
pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e
esta, verificada a procedência das informações, mandará instaurar inquérito".

Essa modalidade de notitia criminis somente pode dar


ensejo à instauração de inquérito em crimes de ação pública incondicionada.
Todas as pessoas que, no exercício de funções públicas, tenham conhecimento
de crime de ação pública incondicionada têm o dever de comunicar o fato à
autoridade competente, sob pena de cometerem a contravenção penal tipificada
no art. 66, I, da Lei de Contravenções Penais (LCP) .

Trata-se de situação em que qualquer pessoa do povo, ao


tomar conhecimento do fato delituoso, leva-o à autoridade policial.

9. Dever de delatar

Toda pessoa que tiver conhecimento no exercício de função


pública da prática de um crime deve comunicar o fato à autoridade policial (artigo
66, inciso I, da LCP). É uma obrigação de quem exerce função de saúde, delatar.

Também quem no exercício da medicina ou de outra


profissão sanitária, tomar conhecimento da prática de infração penal, deverá
noticiá-la à autoridade policial (art. 66, II-L do CP). Nos crimes falimentares (Lei
11.101/05) a notitia criminis é dever do administrador judicial (art. 186).

10. Instauração do inquérito policial e seus atos iniciais

Caberá a autoridade policial o dever de instaurar o inquérito


policial de ofício, procedendo-se no artigo 6º do Código de Processo Penal,
segundo o Princípio da obrigatoriedade. Somente para clarear a ideia, o
princípio da obrigatoriedade diz que, a autoridade policial deve instaurar o
inquérito policial, procedendo-se nos termos do art. 6º do CPP. Não é uma
faculdade, é um dever. Recai sobre a polícia o princípio, pois ela é o órgão
obrigado a investigar.

a) dirigir-se ao local dos fatos visando início de apuração e


preservação do local (inciso I);
b) a apreensão de objetos após liberação pelos peritos (inciso II);
c) colheita de provas, como arrolar testemunhas, determinar
colheita de material para exame e outras diligências pertinentes, como por
exemplo, ver se há alguma câmera que tenha registrado o ato (inciso III);
d) ouvir o ofendido (inciso IV) – no júri não se despreza as provas
psicografadas, como o exemplo do Chico Xavier.
e) ouvir o indiciado. Deve ser instruído sobre o direito ao silêncio
(art. 5º ,LXIII da CF). Não é obrigatória a presença de advogado no interrogatório
policial. Exige-se as testemunhas instrumentárias (duas) que tenham ouvido a
leitura do interrogatório (inciso V) – o indiciado pode manter-se em silêncio, tanto
que é uma garantia constitucional. O interrogatório policial da à segurança de
duas testemunhas, para que aquilo que tenha sido posto no auto, no processo,
seja o mencionado pelo indiciado. A peça será nula, será imprestável se não for
lida diante de duas testemunhas;
f) reconhecimento de pessoas e coisas – arts. 226 a 228 do CPP
(inciso VI) – “a pessoa tem um conhecimento pessoal sobre suas coisas”. O
delegado vai fazer um alto de reconhecimento de objeto, dizendo que
compareceu naquela delegacia. Tal vítima, chamada de fulano, chamado a
indicar as características de tal objeto, será conduzido à sala de objetos
apreendidos. Lá será feito o reconhecimento, que será detalhado no laudo. Se
não convencer o delegado de que aquilo é seu, poderá ainda entrar com uma
ação para pegar seu bem. É prova de autoria, pois a medida em que se
reconhece o bem, e aquele foi um bem apreendido na mão de outrem, há a figura
de um crime (receptação – art. 180 do CP). Chama-se a vítima para saber quais
as características da pessoa que a atacou, (art. 9º do CPP), lavrando um auto
de conhecimento (ex.: assaltante tinha um dente quebrado, moreno, alto, cabelo
curto...), colocam-se pessoas com as mesmas características diante da vítima
para que ela reconheça (não podendo colocar pessoas que não tenham
semelhança com as características descritas pela vítima);
g) acareação (arts. 229 e 230 do CPP) – quando há divergências
relevantes entre as declarações prestadas no inquérito, precisamente indiciados,
entre indiciado e testemunhas, entre indiciado e vítima, entre testemunhas
(inciso VI) - se houver contradição entre as versões, o delegado irá usar de um
instrumento chamado de ‘acareação’ que visa resolver versões contraditórias,
apresentadas nos autos entre dois indiciados, entre duas testemunhas, entre
indiciado e testemunha, e entre indiciado e vítima. Se chama duas pessoas, e
pergunta-se as duas pessoas, o delegado irá insistir, fazendo perguntas, e talvez
identificando o erro;

h) exame de corpo de delito e outras perícias – art. 158 e


seguintes do CPP (inciso VII) – o exame de corpo de delito é um tipo de perícia,
mas chamamos de exame de corpo de delito, pois é feito no corpo, enquanto
exame pericial é algo feito em coisa.

Temos presentes no artigo 3º do decreto lei 12.037/2009 os


casos de identificação criminal.

Art. 3º Embora apresentado documento de


identificação, poderá ocorrer identificação criminal
quando:
I - o documento apresentar rasura ou tiver
indício de falsificação;

II - o documento apresentado for insuficiente


para identificar cabalmente o indiciado;

III - o indiciado portar documentos de


identidade distintos, com informações conflitantes
entre si;

IV - a identificação criminal for essencial às


investigações policiais, segundo despacho da
autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício
ou mediante representação da autoridade policial, do
Ministério Público ou da defesa;

V - constar de registros policiais o uso de


outros nomes ou diferentes qualificações;

VI - o estado de conservação ou a distância


temporal ou da localidade da expedição do documento
apresentado impossibilite a completa identificação dos
caracteres essenciais.

Parágrafo único. As cópias dos documentos


apresentados deverão ser juntadas aos autos do
inquérito, ou outra forma de investigação, ainda que
consideradas insuficientes para identificar o indiciado.

As modalidades de identificação criminal podem ser por


processo datiloscópico e fotográfico (artigo 5º da CPP), sendo o processo
datiloscópico o uso das impressões digitais, e o processo fotográfico sendo uma
identificação criminal com uma segurança a mais, pela foto do indiciado.

Identificação do indiciado – processo datiloscópico e folha de


antecedentes. Colher as impressões digitais do indiciado. Há vedação
constitucional ao civilmente identificado – art. 5º , LVIII da CF. A lei nº
10.054/2000 foi a primeira a disciplinar a questão. Foi sucedida pela lei nº
12.037/09 que a revogou. A nova lei não elenca crimes e explicita a
motivação legal da identificação.

Segundo a lei nº 12.037/09: art. 1º - o civilmente identificado


não será submetido a identificação criminal, salvo na hipótese do art. 3º. Art.
2º - a identificação civil é atestada pela carteira de identidade, carteira de
trabalho, carteira profissional, passaporte, carteira de identidade funcional;
outro documento público que permita a identificação do indiciado. (ex.: o
assaltante roubou os documentos de um prudentino, e quando foi preso em
flagrante mais pra frente, apresentou o documento que havia roubado,
aparecendo como réu primário, pois o prudentino não tinha nada com o
mundo do crime. Como réu primário, teve direito as “saidinhas”, e saindo, não
voltou, e com isso, promoveram um mandado de prisão contra o prudentino.
O prudentino conseguiu comprovar que era inocente com a carteira de
trabalho, mostrando que estava naquele dia trabalhando);

Casos de identificação criminal – art. 3º, I- o documento


apresentar rasura ou tiver indício de falsificação; II- o documento apresentado
for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado; III- o indiciado portar
documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si;
IV- a identificação criminal for essencial às investigações policiais, segundo
despacho da autoridade judiciária competente, que decidirá de ofício ou
mediante representação da autoridade policial, do Ministério Público ou da
defesa; V- constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes
qualificações; VI- o estado de conservação ou a distância temporal ou da
localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa
identificação dos caracteres essenciais;

Art. 5º, parágrafo único. Na hipótese do inciso IV do art. 3º, a


identificação criminal poderá incluir a coleta de material biológico para a
obtenção do perfil genético.

11. Considerações finais

O inquérito policial nada mais é do que uma das modalidades


de segurança adotadas no Brasil, em que visa à segurança no geral tanto física,
quanto jurídica. É o procedimento administrativo persecutório, informativo, prévio
e preparatório da ação penal. É um conjunto de atos concatenados, com unidade
e fim de perseguir a materialidade e indícios de autoria de um crime.

O arquivamento do inquérito é realizado a requerimento do


MP e mediante decisão judicial.

O arquivamento do inquérito pode fazer coisa julgada formal


ou material a depender do motivo do arquivamento. A principal vantagem, em
relação ao Inquérito Policial, está em que, no sistema de Juizado de Instrução a
colheita de provas encontra-se a cargo de autoridade desvinculada de
Administração, dotada de plena independência funcional, dificultando, assim,
que interesses diversos interfiram no bom andamento da investigação. Outra
vantagem está em que distingue-se o Juiz-Instrutor do Juiz-Julgador,
propiciando a este, na medida em que não intervém na investigação, um melhor
estado de ordem psicológica para o fim de julgar imparcialmente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DE ALMEIDA PEDROSO, Fernando. Processo Penal, O direito de


defesa: repercussão, amplitude e limites.

TÁVORA, Nestor. Curso de Direito processual penal


DE ALMEIDA SALLES JUNIOR, Romeu. Inquérito policial e ação penal

MARCÃO, Renato. Curso de Execução Penal.

CALDEIRA, Felipe. Processo Penal: informativos do STF e STJ


comentados e sistematizados.

DO CARMO TEIXEIRA, Renildo. Da prisão em flagrante.

<https://resumaoconcursos.wordpress.com/2013/01/05/inquerito-
policial/>

<http://webartigos.com/artigos/do-inquerito-policial/138730>

<http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/8844/Relatorio-final-de-
inquerito-policial-in-conclusivo>