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O Índice de Envelhecimento no Brasil e no mundo

José Eustáquio Diniz Alves


Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

As novas projeções demográficas divulgadas pela Divisão de População da ONU (revisão 2019)
deixam claro que o processo de envelhecimento populacional caminha a passos largos no
mundo e de maneira muito mais acelerada no Brasil.

Um forma de aferir quantitativamente o envelhecimento populacional é por meio do Índice de


Envelhecimento (IE) que mede a relação entre a população idosa e a população jovem de 0 a 14
anos de idade. A linha que divide a população adulta da população idosa varia historicamente,
no espaço e no tempo, pois há diversos critérios definir a linha base do envelhecimento.

O gráfico abaixo mostra o Índice de Envelhecimento para o mundo, entre 1950 e 2100, para três
categorias de idosos: 60 anos e mais, 65 anos e mais e 80 anos e mais de idade. Nota-se que em
1950 havia 23 idosos de 60 anos e mais, para cada 100 jovens de 0 a 14 anos na população, 15
idosos de 65 anos e mais para cada 100 jovens e somente 1,6 idosos de 80 anos e mais para cada
100 jovens. Os idosos eram ampla minoria na estrutura etária mundial em meados do século
passado.

Com a queda das taxas de fecundidade e o estreitamento da base da pirâmide populacional, o


percentual de idosos foi aumentando nas décadas seguintes e se acelerou bastante no século
XXI. Um IE menor do que 100 significa uma população jovem e um IE igual ou maior do que 100
significa uma população idosa. Assim, considerando os idosos de 60 anos e mais, o mundo terá
uma estrutura etária envelhecida em 2050, quando o IE chegará a 101 idosos para cada 100
jovens. Considerando os idosos de 65 anos e mais, o mundo terá uma estrutura etária
envelhecida mais para a frente, em 2073, quando o IE chegará a 100,3 idosos para cada 100
jovens. Mas no caso dos idosos da “quarta idade” o IE chegará ao máximo de 46,4 pessoas de
80 anos e mais para cada 100 jovens de 0 a 14 anos.
O gráfico abaixo mostra o Índice de Envelhecimento para o Brasil, entre 1950 e 2100, para as
mesmas categorias de idosos. Nota-se que em 1950 havia somente 11,7 idosos de 60 anos e
mais, para cada 100 jovens de 0 a 14 anos na população brasileira, 7,2 idosos de 65 anos e mais
para cada 100 jovens e menos de 1 idoso de 80 anos e mais para cada 100 jovens. Os jovens
eram ampla maioria na estrutura etária brasileira em meados do século passado.

Mas a transição da fecundidade começou na segunda metade da década de 1960 e o número


médio de filhos por mulher caiu de pouco mais de 6 para menos de 2 filhos por mulher, num
intervalo de 40 anos. Desta forma, a base da pirâmide populacional se estreitou, enquanto os
demais grupos etários se alargaram. Como a transição da fecundidade foi rápida no Brasil, a
transição da estrutura etária também será rápida. O Brasil terá um dos processos de
envelhecimento populacional mais intensos e rápidos do mundo.

Assim, o Brasil será considerado um país idoso em 2030, se consideramos os idosos de 60 anos
e mais. Considerando os idosos na categoria 65 anos e mais passará a ter uma estrutura
envelhecida em 2038. E o mais impressionante é que, considerando as pessoas da “quarta
idade”, o IE ultrapassará 100 no ano de 2077, quando o Brasil terá mais idosos de 80 anos e mais
do que jovens de 0 a 14 anos. A tabela abaixo compara os números dos dois gráficos para alguns
anos selecionados.
Indubitavelmente, o futuro do século XXI terá um peso proporcional crescente dos idosos,
qualquer que seja a categoria a ser utilizada para definição do início da velhice. O impacto
econômico do envelhecimento tende a trazer dificuldades para o crescimento do Produto
Interno Bruto e para o aumento do bem-estar geral da população, com efeitos desafiadores
sobre o sistema de proteção social e de saúde. Mas o envelhecimento populacional também
traz novas oportundidades. Os governos, as famílias e a iniciativa privata precisam ter sabedoria
para fazer com que as oportunidades do fenômeno do envelhecimento populacional sejam
maiores do que as externalidades negativas.