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Índice

1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................................... 1

1.1. Objectivo do estudo ................................................................................................................. 2

1.1.1. Objectivo geral ...................................................................................................................... 2

1.1.2. Objectivos específicos .......................................................................................................... 2

1.2. Metodologia ............................................................................................................................. 2

2. REVISÃO DA LITERATURA ................................................................................................ 3

2.1. Origem da Jurisdição Constitucional em Moçambique ........................................................... 3

2.2. Conselho Constitucional .......................................................................................................... 5

2.2.1. Definição e natureza Jurídica ................................................................................................ 5

2.2.2. Composição, modo designação e mandato dos membros ..................................................... 6

2.3. Processo de Fiscalização da Constitucionalidade das normas ................................................. 7

2.4. Objecto da fiscalização da constitucionalidade da norma ....................................................... 8

2.5. Princípio da fiscalização de constitucionalidade ..................................................................... 9

2.6. Tipos de Fiscalização da Constituição ..................................................................................... 9

2.6.1. Fiscalização Preventiva ......................................................................................................... 9

2.6.2. Fiscalização Sucessiva (Abstracta e Concreta) ................................................................... 10

2.6.3. Fiscalização Concreta da Constitucionalidade.................................................................... 11

3. CONCLUSÃO ......................................................................................................................... 13

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................. 14


1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho de pesquisa debruçar-se-á sobre “Fiscalização da Constitucionalidade das
Normas” e realiza-se no âmbito da cadeira de Direito Constitucional. Em forma de contexto, as
normas constitucionais ocupam uma posição de primariedade e supremacia em relação a todas
outras normas legais. Assim, sempre que estas não se conformam com aquelas, está-se em
presença do vício da inconstitucionalidade. No contexto moçambicano, o Conselho
Constitucional é entendido, nos termos da Constituição vigente, como o órgão especializado na
administração da justiça constitucional, o que lhe confere natureza jurisdicional, ainda que não
seja formalmente designado por tribunal.

Neste trabalho, far-se-á uma breve reflexão sobre esta temática com o principal objectivo de
discorrer sobre o actual sistema de fiscalização de constitucionalidade moçambicano, revelando
as suas principais características e modo de funcionamento.

Vale ressaltar que não é o propósito deste trabalho esgotar o tema sob apreciação, mas apenas
aguçar o interesse dos leitores ou colegas para que se intensifiquem estudos de direito
constitucional, os quais, em matéria de fiscalização de constitucionalidade, revelam-se de suma
importância, seja para ressaltar aspectos positivos do sistema, seja para fundamentar críticas ao
mesmo, motivando mudanças necessárias.

Apesar do tema deste estudo ser um trabalho de avaliação, não se deixará de emitir juízos de
valor, afinal o propósito de qualquer trabalho científico não é apenas dar a conhecer, mas,
sobretudo, dar a pensar.

1
1.1. Objectivo do estudo

1.1.1. Objectivo geral


 Compreender a importância da fiscalização da Constitucionalidade das normas no
ordenamento jurídico moçambicano.

1.1.2. Objectivos específicos


 Analisar o processo de fiscalização da constitucionalidade das normas;

 Descrever o objecto e princípio dos tipos de fiscalização da constituição;

 Identificar os tipos de fiscalização da Constitucionalidade.

1.2. Metodologia
Para a efectivação deste trabalho, usar-se-á pesquisa bibliográfica, que consistiu na consulta dos
registos disponíveis, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos, como livros,
artigos e materiais específicos referentes ao tema “Fiscalização da Constitucionalidade das
normas”. E também na pesquisa bibliográfica utiliza-se dado de categorias teóricas já trabalhadas
por outros pesquisadores e devidamente registados.

Também proceder-se-á a análise documental, de cunho qualitativo, que consistiu no processo


analítico, a partir de fontes documentais oficiais, como decretos e Constituição da República de
Moçambique, que possibilitam a identificação, verificação e apreciação de documentos, para
ampliação e problematização dos conhecimentos preexistentes. O uso da análise documental
amplia o conhecimento, cujo entendimento necessita de um recorte histórico contextual,
permitindo a compreensão sobre os processos de evolução de práticas, comportamentos,
tendências e aplicação de algumas medidas.

2
2. REVISÃO DA LITERATURA

2.1. Origem da Jurisdição Constitucional em Moçambique


Moçambique tornou-se independente e constituiu-se em Estado soberano em 25 de Junho 1975.
A primeira Constituição da República (CRM) adoptou o regime político de democracia popular
fortemente inspirado, do ponto de vista ideológico, no modelo socialista. Consagrava o princípio
da constitucionalidade de forma indirecta e com alcance limitado mas não previa um sistema
autónomo e especializado de controlo da conformidade dos actos do poder público com a
Constituição.

Esta situação durou até finais de 1990, altura em que, por via de uma transição constitucional,
Moçambique adoptou o modelo de Estado Social e Democrático de Direito. Em consonância
com os fundamentos deste modelo de Estado, a Constituição de 1990 (CRM/90) proclamou a sua
supremacia formal e material na ordem jurídica interna, definindo-se desde logo no preâmbulo
como “...a lei básica de toda a organização política e social da República de Moçambique”.

Para além de constar do preâmbulo, a ideia-chave da supremacia da Constituição achava-se


positivada como princípio normativo vinculante no artigo 206, nos termos seguintes: “As normas
constitucionais prevalecem sobre todas as restantes normas do ordenamento jurídico”.

Tratava-se, certamente, da consagração expressa do princípio fundamental da


constitucionalidade das normas jurídicas, para cuja garantia a Constituição instituiu o Conselho
Constitucional integrando-o no sistema dos órgãos de soberania1 e definindo-o como “o órgão de
competência especializada no domínio das questões jurídico-constitucionais”2.

No rol das competências então atribuídas ao Conselho Constitucional pontificava o poder de


“apreciar e declarar a inconstitucionalidade e a ilegalidade dos actos legislativos e normativos
dos órgãos do Estado”, e este facto traduzia a inequívoca vontade do legislador constitucional de
conferir ao novo órgão de soberania o estatuto de principal guardião da Constituição e do Estado
de Direito então emergente no País.

1
Artigo 109 da CRM/90.
2
Artigo 180 da CRM/90.

3
Paralelamente, a Constituição confiou também aos tribunais em geral a missão de garantir a
constitucionalidade dos actos normativos, vinculando- os ao dever de não aplicar, em nenhum
caso, leis ou princípios contrários à ordem constitucional estabelecida.

Podemos assim afirmar que o sistema moçambicano de fiscalização da constitucionalidade


apenas ficou configurado a partir da Constituição de 1990, caracterizando-se essencialmente por
ser misto em virtude de conjugar elementos, por um lado, do modelo austríaco de controlo
sucessivo abstracto, concentrado num órgão especializado, por outro, do modelo americano de
controlo sucessivo concreto e difuso, designado “judicial review of legislation”, na expressão
inglesa.

É importante assinalar que o estabelecimento formal do Conselho Constitucional pela


Constituição de 1990 não foi seguido da criação das condições legais e institucionais requeridas
para a sua entrada em funcionamento. Aliás, esta situação estava prevista na própria Constituição
que inseria uma disposição cometendo ao Tribunal Supremo o exercício das competências do
Conselho Constitucional até que este iniciasse as respectivas funções.

O período transitório prolongou-se até Novembro de 2003, altura em que, pela primeira vez, foi
aprovada e entrou em vigor a Lei Orgânica do Conselho Constitucional, ao abrigo da qual
procedeu-se à designação dos membros que inauguraram o exercício da jurisdição constitucional
no país.

Em Novembro de 2004, o Parlamento moçambicano, no final da sua segunda Legislatura


multipartidária, concluiu o processo de revisão constitucional do qual resultou uma nova
Constituição formal e instrumental.

Com efeito, o texto de 2004 manteve o núcleo essencial da Constituição material de 1990. O
sistema constitucional estabelecido a partir de 1990, é actualmente desenvolvido e reforçado
pela Constituição vigente cujo texto foi aprovado em 20043. Com efeito, o Estado de Direito
Democrático e a separação dos poderes apareciam na Constituição anterior como princípios

3
Neste sentido, a seguinte declaração do preâmbulo da Constituição de 2004: “A Constituição de 1990 introduziu o
Estado de Direito Democrático, alicerçado na separação e interdependência dos poderes e no pluralismo (...). A
presente Constituição reafirma, desenvolve e aprofunda os princípios fundamentais do Estado moçambicano,
consagra o carácter soberano do Estado de Direito Democrático, baseado no pluralismo de expressão,
organização partidária e garantia dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos”.

4
políticos conformadores da organização do Estado e do poder político, mas de forma implícita,
sendo então apreensíveis a partir da interpretação e compreensão sistémica do texto
constitucional. Já na Constituição actual, os mesmos princípios aparecem expressamente
consagrados em disposições específicas (artigos 3 e 134).

Todavia, a revisão constitucional verificada desenvolveu e, nalguns casos, explicitou e clarificou


princípios e regras fundamentais do Estado de Direito Democrático, nomeadamente nos
domínios dos direitos, liberdades e garantias individuais, dos direitos económicos, sociais e
culturais, da organização do poder político, do sistema de administração da justiça e o da
garantia da constitucionalidade.

Neste último domínio, a Constituição de 2004 (CRM/2004) veio a tornar explícito o princípio de
que o Estado subordina-se à Constituição, tendo igualmente reafirmado e reforçado o princípio
da constitucionalidade dos actos normativos do poder público4.

O Conselho Constitucional adquiriu uma nova configuração e as suas competências foram


significativamente ampliadas, facto que ditou a actualização da sua Lei Orgânica, passando a
reger-se pela Lei nº 6/2006, de 2 de Agosto (LOCC).

2.2. Conselho Constitucional

2.2.1. Definição e natureza Jurídica


Como já foi referido, a Constituição de 1990 definia o Conselho Constitucional simplesmente
como “o órgão de competência especializada no domínio das questões jurídico-constitucionais”.

Na Constituição de 2004, o Conselho Constitucional continua a integrar o sistema dos órgãos de


soberania5, que compreende, igualmente, o Presidente da República, a Assembleia da
República, o Governo e os Tribunais. Não obstante, a sua definição aparece de forma diferente,
tendo passado de simples “...órgão de competência especializada no domínio das questões

4
Artigo 2, nºs 3 e 4 da CRM/2004.
5
De acordo com Francisco Domíngez, at al, deinem-se como órgãos de soberania “... aqueles que são elemento
necessário e indefectível de um determinado Estado, participando, enquanto tais, de forma imediata e decisiva, na
formação da vontade estatal, de forma que a sua desaparição ou transformação radical implicaria uma mudança
na estrutura mista do Estado. Estes órgãos, pela sua significativa relevância, são estabelecidos e configurados
directamente pela Constituição, que determina a sua composição, o modo e a forma de designação dos seus
membros, seu status institucional e o seu feixe competências”. (Jurisdición e Procesos Constitucionales, 2ª Edição.
Madrid: McGRAW-HILL, 2000, p. 2).

5
jurídico-constitucionais” para “...órgão de soberania, ao qual compete especialmente
administrar a justiça em matérias de natureza jurídico- constitucional” (art. 241, n.º 1).

Na nova definição sobressai um elemento incontornável para determinação da natureza jurídica


do Conselho Constitucional. Trata-se da expressão “administrar a justiça” que, desde logo,
aponta para a sua qualificação como órgão integrante do sistema de administração da
justiça, ou seja, órgão da função jurisdicional.

Partindo do pressuposto de que, no Estado de Direito, o princípio da separação dos poderes


demanda a reserva da função jurisdicional para os tribunais, podemos facilmente chegar à
conclusão de que o Conselho Constitucional é uma espécie de tribunal, que se distingue
essencialmente dos outros tribunais previstos na Constituição em virtude da especialização da
sua competência em razão da matéria, pois administra, especialmente, a justiça
constitucional, isto é, exerce a jurisdição em matérias de natureza jurídico-constitucional.

Esta concepção sofreu uma alteração fundamental no actual texto constitucional que define o
Conselho como “o órgão de soberania ao qual compete administrar a justiça em matérias de
natureza jurídico-constitucional”.

2.2.2. Composição, modo designação e mandato dos membros


No âmbito da composição do órgão é sintomático o afastamento pelo legislador
constitucional da expressão “membros”, que na Lei Orgânica de 2003 designava os
integrantes do Conselho Constitucional, introduzindo em sua substituição a designação de
“Juízes Conselheiros” (artigo 242), denominação constitucional comummente atribuída aos
juízes dos tribunais superiores em Moçambique.

Nos termos do nº 1 e 179, nº 1, alínea g) do Artigos 242 da CRM/2004, na sua composição, o


Conselho Constitucional integra sete Juízes Conselheiros, dos quais um (o Presidente do
Conselho) é nomeado pelo Chefe do Estado, nomeação sujeita à ratificação da Assembleia da
República que designa, por sua vez, cinco Juízes segundo o critério de representação
proporcional. O sétimo juiz é designado pelo Conselho Superior da Magistratura Judicial. Os
Juízes Conselheiros são designados para um mandato de cinco anos, passível de renovações
sucessivas não limitadas nos termos da Constituição.

6
2.3. Processo de Fiscalização da Constitucionalidade das normas
A constituição da república de 2004, manteve, no essencial, o já referido modelo misto de
fiscalização da constitucionalidade e da legalidade oriundo da Constituição de 1990, continuando
assim a pertencer ao Conselho Constitucional o exercício, em exclusivo, da fiscalização
sucessiva abstracta6 e aos tribunais o controlo sucessivo concreto por via incidental7. Contudo,
foram introduzidas duas inovações de capital importância, designadamente, a fiscalização
preventiva das leis a cargo do Conselho Constitucional e o controlo por este mesmo órgão das
decisões dos tribunais que recusem a aplicação de normas com fundamento na sua
inconstitucionalidade.

O surgimento do constitucionalismo e os seus sucessivos progressos, trouxe consigo a


necessidade de garantir de modo mais rigoroso a primazia da Constituição, no sentido de a
defender dos possíveis, potenciais e até mesmo, reais actos susceptíveis de a ferirem nas suas
normas e princípios. Uma das características fundamentais, senão mesmo a primordial que
caracteriza um Estado constitucional, é, sobretudo, o facto de a sua ordem jurídica se
fundamentar na Constituição. Assim sendo, fundamentar o Estado na Constituição, pressupõe a
primazia do princípio da constitucionalidade (Hegemonia Constitucional), ou seja, da submissão
de todos os actos e poderes do Estado à Constituição.

Em Moçambique (na Constituição da República) este princípio está consagrado de maneira


dispersa, e a título de exemplo, nas conjugações dos artigos 2, n.º 3, e 38 n.º 2. Portanto, quer isto
significar que a Constituição em Moçambique tem na ordem jurídica um carácter hegemónico,
em relação às demais fontes de Direito - princípio da prevalência da Constituição, ou seja, todos
os actos normativos têm para com ela, especial dever de obediência.

A Constituição, por ser o já referido fundamento do Estado, necessita de garantias, para que se
salvaguardem os seus ideais, e que se mantenha inalterável a sua hegemonia na ordem jurídica,
isto é, «meios que assegurem a observância, aplicação, estabilidade e conservação da lei
fundamental8»

6
Artigo 245 da CRM/2004.
7
Artigo 214 da CRM/2004.
8
GOMES CANOTILHO, J.J., "Direito Constitucional", Coimbra, Livraria Almedina, 1991.

7
De entre elas, surge-nos, precisamente a fiscalização/controlo da Constitucionalidade. As duas
expressões foram alvo de discussões doutrinárias, as quais nos dias que correm já não fazem
grande sentido, portanto, vamos desde já, usá-las indiscriminadamente (com preferência da
primeira) e deverão ser consideradas como tendo sentido sinónimo.

Por ora, e antes mesmo de entramos para o cerne da questão, vamos deixar ficar o sentido e
alcance da expressão Fiscalização da Constitucionalidade, as suas ramificações (análise não
muito exaustiva), para depois, nos focarmos na Fiscalização Concreta da Constitucionalidade.

A expressão Fiscalização da Constitucionalidade, compreendida no seu sentido literal, quer


significar todo o conjunto de garantias accionáveis (mecanismos de reacção), quando se está na
eminência, ou em face da existência de normas contrárias à Constituição, sem prejuízo das
situações em que se está diante de reais violações das normas constitucionais.

O presente processo de fiscalização da constitucionalidade foi desencadeado, perante o Conselho


Constitucional, por entidade que para tanto possui legitimidade, nos termos das disposições
conjugadas do artigo 214 e da alínea a) do nº 1 do artigo 247 da Constituição da República de
Moçambique (CRM).

O Conselho Constitucional é o órgão competente para apreciar e decidir a questão de


inconstitucionalidade em presença, ao abrigo do disposto na alínea a) do nº 1 do artigo 244,
conjugada com a alínea a) do nº 1 do artigo 247 da CRM. O nº 2 do artigo 245 da CRM
estabelece quem pode solicitar a declaração de inconstitucionalidade das leis e ilegalidade dos
actos normativos dos órgãos do Estado, permitindo-o, entre outros, a dois mil cidadãos.

2.4. Objecto da fiscalização da constitucionalidade da norma


Em relação ao objecto, a fiscalização da constitucionalidade e da legalidade apenas abrange os
actos normativos dos órgãos do Estado9, ou seja, os actos legislativos tanto da Assembleia da
República como do governo, respectivamente, as leis e os decretos-lei, os decretos normativos do
Presidente da República, os decretos regulamentares do governo e os actos do Governador do
Banco de Moçambique, no exercício das suas competências, revestem a forma de aviso do

9
Artigo 244, nº 1, alínea a), da CRM/2004.

8
Governador do Banco de Moçambique10. Nestes termos, embora também vinculados à
Constituição e à lei, não estão abrangidos pelo sistema de fiscalização da constitucionalidade e
da legalidade previsto, nomeadamente os actos de natureza política, jurisdicional e
administrativa

2.5. Princípio da fiscalização de constitucionalidade


A Lei Orgânica do Conselho Constitucional, Lei n.º 6/2006, de 2 de Agosto, consagra o princípio
do contraditório para os processos de fiscalização de constitucionalidade, que consiste em
notificar, após a admissão do pedido, do órgão autor da norma impugnada para, querendo, se
pronunciar dentro de um certo prazo (artigo 51). Neste sentido, perante um pedido de declaração
de inconstitucionalidade de uma lei, o Conselho Constitucional notifica a Assembleia da
República para se pronunciar sobre o mesmo. Este pronunciamento não é obrigatório, por isso a
Assembleia da República pode abster-se de emiti-lo, deixando o prazo que foi fixado esgotar-se,
e neste caso o processo prosseguirá os seus trâmites ulteriores (artigo 63, n.º 1 da LOCC- Lei
Orgânica do Conselho Constitucional).

A jurisprudência constitucional em Moçambique, quer em processos de fiscalização preventiva


quer em processos de fiscalização sucessiva, concreta ou abstracta, têm tido consequências
notórias para a concretização do princípio da constitucionalidade e o reforço do papel primacial
da Constituição no ordenamento jurídico. Além de clarificar normas sobre direitos, liberdades e
garantias, as decisões do Conselho Constitucional contribuem sobremaneira para o
desenvolvimento e consolidação da cultura jurídico-constitucional no seio da comunidade
nacional e dos órgãos do poder político.

2.6. Tipos de Fiscalização da Constituição


Nos termos do A Constituição moçambicana prevê dois tipos principais de fiscalização da
constitucionalidade, a fiscalização preventiva e a fiscalização sucessiva.

2.6.1. Fiscalização Preventiva


Por Fiscalização Preventiva devemos entender, a aferição da compatibilidade de determinada
lei/acto normativo dos órgãos do Estado diante das normas constitucionais. Dito por outas

10
Artigos 143 e 148 da CRM/2004.

9
palavras, a Fiscalização Preventiva significa todo o acto preventivo, accionado antes da
promulgação de determinada lei ou acto normativo.

No nosso sistema jurídico-constitucional, como se pode depreender da conjugação dos n.ºs 1, dos
artigos 246 e 54, respectivamente, da Constituição da República e da Lei Orgânica do Conselho
Constitucional, a faculdade de requer a apreciação preventiva da constitucionalidade das leis, é
reservada (salvo melhor entendimento) ao Presidente da República, isto é, sempre que a ele
sejam submetidos, diplomas legais para promulgação, poderá, solicitar a fiscalização prévia da
conformidade dos mesmos com a Constituição.

Quando o Conselho Constitucional declara a inconstitucionalidade de uma lei em processo de


controlo preventivo, o efeito da decisão é o veto obrigatório e devolução da lei à Assembleia da
República para reapreciação (artigo 246, n.º 5 da CRM). Nestes termos, podemos afirmar que, no
quadro da separação dos poderes, o Conselho Constitucional contribui para o funcionamento do
mecanismo de interdependência ou dos checks and balances na relação entre o Poder Legislativo
e o Poder Executivo.

2.6.2. Fiscalização Sucessiva (Abstracta e Concreta)


No âmbito da fiscalização sucessiva abstracta, assiste ao Conselho Constitucional o poder de
apreciar e declarar, com força obrigatória geral, a inconstitucionalidade das leis e a ilegalidade
dos demais actos normativos do Estado (artigo 245, n.º 1, da CRM). Em geral, os seus acórdãos
são de cumprimento obrigatório para todos os cidadãos, instituições e demais pessoas jurídicas,
não são passíveis de recurso e, no caso do seu incumprimento, o infractor incorre no
cometimento de crime de desobediência, se crime mais grave não couber (artigo 248 da CRM).

Por outro lado, a Fiscalização Sucessiva, que compreende a abstracta 11 e concreta, para além de
constituir uma garantia da primazia das normas constitucionais, tem a particularidade de só ser
accionada, ou seja, perante normas que já se encontram em vigor.

Na fiscalização sucessiva abstracta, a maioria dos pedidos de declaração de inconstitucionalidade


e de ilegalidade são apresentados por deputados da minoria parlamentar. Alguns dos pedidos têm
como objecto leis aprovadas pela Assembleia da República e promulgadas pelo Presidente da

11
Fiscalização Sucessiva é abstracta quando, for levada a cabo independentemente de qualquer aplicação concreta
(isto é, na resolução de um caso ou litígio concreto) da norma objecto de apreciação.

10
República, outros incidem sobre decretos presidenciais ou decretos do Conselho de Ministros,
que são, respectivamente, actos normativos do Presidente da República e do Governo.

Diferentemente do que acontece na Fiscalização Preventiva, em que só o Presidente pode


solicitar a apreciação da inconstitucionalidade das leis ou demais actos normativos, aqui, para
além dele, podem solicitar a apreciação sucessiva da constitucionalidade, o Presidente da
Assembleia da República, 2/3 dos Deputados da Assembleia da República, o Primeiro- Ministro,
o Procurador-Geral da República, o Provedor da Justiça e, dois mil Cidadãos.

Dito isto, passemos então a analisar exclusivamente a Fiscalização Concreta da


Constitucionalidade, à luz do sistema jurídico-constitucional moçambicano.

2.6.3. Fiscalização Concreta da Constitucionalidade


Os processos de fiscalização concreta da constitucionalidade são raros, contando-se apenas
quatro processos desde 2003, dos quais três iniciados pelo Tribunal Administrativo e o outro por
um Tribunal Aduaneiro. Em nenhum dos casos foi declarada a inconstitucionalidade ou a
ilegalidade, mas as decisões do Conselho Constitucional neste âmbito têm contribuído para
clarificar a delimitação da competência em razão da matéria entre os tribunais especializados e
os tribunais comuns.

A ocorrência deste tipo de processos confirma e reforça a posição do Conselho Constitucional


como órgão superior de justiça constitucional no País, na medida em que, em matéria de
constitucionalidade, aprecia e decide, em última instância, “recursos” das decisões de quaisquer
tribunais, incluindo o Tribunal Supremo e o Tribunal Administrativo.

A Constituição consagra a supremacia das suas normas no artigo 2, nº 4, ao dispor que “[a]s
normas constitucionais prevalecem sobre todas as restantes normas do ordenamento jurídico”.
Esta disposição exprime de forma inequívoca o princípio da constitucionalidade que vincula
todos os órgãos de soberania (artigo 134, in fine, da CRM), mas cuja garantia constitui tarefa
primordial e especial do Conselho Constitucional (artigo 244, n.º 1, alínea a) da CRM).

A Fiscalização da Constitucionalidade em Moçambique, nos termos da alínea a), do n.º 1, do


artigo 244 da Constituição da República, salvo melhor entendimento, recai sobre normas
jurídicas (sem prejuízo das demais alíneas deste artigo).

11
Quer isto dizer que, não é possível o controle de actos dos poderes públicos, tais como: actos
administrativos, os quais estão sujeitos apenas ao controle de legalidade pelos Tribunais
Administrativos; e actos jurisdicionais, os quais são objecto de recurso para os Tribunais
hierarquicamente superiores. Trata-se, portanto, da competência primordial do Conselho
Constitucional12, e daquela em que mais especificamente se manifesta e avulta o papel de
"guardião" ou garante último da Constituição, que esta mesma lhe confia.

A Fiscalização Sucessiva da Constitucionalidade, diz-se concreta, quando, ou melhor, porque,


ocorre aquando da aplicação pelos tribunais de determinada norma a um caso concreto, por sinal,
cuja conformação com a constituição é de alcance duvidoso. Portanto, trata-se de um modo de
controlo da Constituição que, cabe em primeira instância aos tribunais e, perante aquele em que a
causa se encontra a correr termos.

Nos termos conjugados dos artigos 214º e 247, n.°1, alínea a), da Constituição da República, e
do artigo 68 da Lei 6/2006, de 2 de Agosto, pode-se afirmar que, são conferidas aos tribunais as
competência para desencadearem o processo tendente à apreciação (pelo Conselho
Constitucional) da conformidade com a Constituição, das normas que se pretende aplicar a
determinado litígio, não obstante o facto de estarem legalmente adstritos ao dever de não aplicar
normas que considerem inconstitucionais. A competência que lhes é atribuída, permite, mais do
que deixar de aplicar determinada norma por considerá-la inconstitucional, posicionarem-se
perante a questão da inconstitucionalidade naquele caso específico.

Contudo, salienta-se o facto de, haver sempre recurso (remessa obrigatória e oficiosa) para o
Conselho Constitucional de três espécies de decisões dos Tribunais, nomeadamente: i) quando o
Tribunal se recusa a aplicar certa norma com fundamento na inconstitucionalidade ou
ilegalidade; ii) quando o tribunal aplicar norma, cuja constitucionalidade ou ilegalidade tenha
sido arguido pelas partes, no processo; e iii) quando aplique norma anteriormente declarada
inconstitucional ou ilegal pelo Conselho Constitucional.

12
Órgão de soberania, ao qual compete especialmente administrar a justiça, em matérias de natureza jurídico-
constitucional

12
3. CONCLUSÃO
Das abordagens feitas acima citadas, podemos afirmar que o sistema moçambicano de
fiscalização da constitucionalidade de normas apenas configurado na constituição da republica
da 1990, a qual adoptou o modelo do Estado Social e Democrático de Direito, consagrou
expressamente o princípio da constitucionalidade das normas jurídicas e instituiu o Conselho
Constitucional como órgão de soberania, de competência especializada no domínio das questões
jurídico-constitucionais.

Nesses termos, o Conselho Constitucional é definido, nos termos da Constituição vigente, como
o órgão especializado na administração da justiça constitucional, o que lhe confere natureza
jurisdicional, ainda que não seja formalmente designado por tribunal.

Por outro lado, podemos concluir que o modelo moçambicano de fiscalização da


constitucionalidade é misto uma vez compreende, além dos controlos preventivo e sucessivo
abstracto, concentrados no Conselho Constitucional, o controlo concreto exercido de forma
difusa por todos os tribunais.

Primeiro, a fiscalização preventiva da constitucionalidade, que apenas incide sobre leis


aprovadas pela Assembleia da República, somente pode ser desencadeada dentro do prazo fixado
para a promulgação da lei pelo Presidente da República, o único que, ao abrigo da Constituição,
detém a iniciativa processual (artigo 246 da CRM); e no que diz respeito a fiscalização sucessiva
pode ser abstracta ou concreta, abrange o controlo tanto da inconstitucionalidade como da
ilegalidade dos actos normativos dos órgãos do Estado, e o respectivo processo pode
desencadear-se a qualquer momento da vigência da norma e, tratando-se de controlo concreto,
na ocasião da aplicação da norma pelos tribunais ordinários ou de competência
especializada, como o Tribunal Administrativo (artigos 245 e 247 da CRM).

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4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CANOTILHO, J. J. Gomes. Direito constitucional e teoria da constituição. 6ª ed. Coimbra :


Almedina, 1991.
CANOTILHO, J.J. Gomes; MOREIRA, Vital. Constituição da República Portuguesa : anotada.
4ª ed. Coimbra: Coimbra Editora, 2007.
MIRANDA, Jorge. Manual de Direito Constitucional. Tomo V: Actividade Constitucional
do Estado. 3.ª Edição, Coimbra Editora, 2004.

MIRANDA, Jorge. Manual de Direito Constitucional, 2ª ed. Tomo VI. Coimbra: Coimbra
Editora, 2005.
MOÇAMBIQUE. Constituição da República. 2004.

MOÇAMBIQUE. Lei nº 6/2006 de 2 de Agosto, que aprova a Lei Orgânica do Conselho


Constitucional;

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