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Linguística II UNIDADE 02 AULA 05

Adriana Sales Barros


Joseli Maria da Silva
Neilson Alves de Medeiros

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

A Pragmática

1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM

„„ Identificar as tendências que antecederam a Pragmática;


„„ Conhecer a gênese dos estudos da Pragmática;
„„ Refletir sobre a teoria dos atos de fala e a modalização.
A Pragmática

2 Começando a história

Ao ler o nome de nossa aula 5, talvez você, caro aluno, precise puxar pela memória,
situando-se quanto ao sentido que geralmente damos ao termo “pragmática”.
Quando dizemos que uma pessoa é pragmática, estamos nos referindo, muito
provavelmente, à sua natureza objetiva e eficiente em lidar com algum assunto
ou pessoas, não esquecendo, inclusive, o parentesco entre pragmática e a
palavra “prática”.

Iniciamos refletindo sobre essa acepção de pragmática com o propósito de


esclarecer que, no campo dos estudos da linguagem, a Pragmática ganha
novos contornos, sem perder, no entanto, seu vínculo com a ideia de prática,
de uso da linguagem. Outra informação importante reside no fato de que essa
disciplina não se origina na Linguística, mas advém da Filosofia, o que lhe confere
um caráter interdisciplinar. Desde que começamos a estudar a constituição
da ciência Linguística, vimos que as orientações nesse campo são diversas e
passam tanto pelos aspectos mais voltados para a sua estrutura quanto por
aqueles que extrapolam o material verbal, ou seja, o uso, o contexto, os falantes,
a enunciação e a cognição. A Pragmática traz um grande impacto no modo de
compreendermos a língua, que passa a ser vista, cada vez mais, como uma ação
e não apenas um sistema de regras.

Refazer os caminhos da Pragmática não é tarefa fácil. Seu uso moderno, segundo
Levinson (2007), remonta ao ano de 1930, quando o filósofo Charles Morris propôs
que a Semiótica – ciência geral dos signos – seria constituída por três instâncias: a
sintática, responsável pelo estudo da relação entre os signos; a semântica, cujo
interesse estaria na relação entre os signos e os objetos a que se referem; e, por
fim, a pragmática, que se debruçaria sobre a relação entre os signos e os seus
intérpretes. Percebe-se, com a definição de Morris, que a Pragmática parte da
complexa relação entre a língua e os seus usuários, lidando, portanto, com aspectos
psicológicos, biológicos e sociológicos que influenciam o funcionamento dos
signos (BLACK apud LEVINSON, 2007). Vale ressaltar, entretanto, que a Pragmática
compreende algumas orientações que, por conta do espaço disponível aqui, não
serão contempladas totalmente. Devido a isso, delimitaremos nossa exposição
em alguns pontos das teorias que cercam a Pragmática, deixando a tarefa de
aprofundamento para o componente curricular de mesmo nome de nossa aula,
que será cursado logo em breve.

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3 Tecendo conhecimento

3.1 Pragmática: uma tentativa de definição

Dentre tantas possibilidades de conceituar a Pragmática, dada a sua


heterogeneidade, Levinson (2007, p. 8) afirma que essa disciplina pode ser
entendida como “o estudo da linguagem a partir de uma perspectiva funcional”,
isto é, que ela tenta explicar as facetas da estrutura linguística por referência
às pressões e causas não linguísticas. Já Armengaud (2006, p. 9) ressalta que a
Pragmática é uma “disciplina jovem, farta, de fronteiras fluidas” e que se esforça
em responder a questões como: “que fazemos quando falamos? Que dizemos
exatamente quando falamos? Por que perguntamos a nosso vizinho de mesa se
ele pode nos passar o sal, quando é flagrante e manifesto que ele pode? Quem
fala e para quem? Quem fala e com quem?

Pelo que é exposto acima, fica patente que observar a linguagem sob o viés da
pragmática implica considerar que, ao proferirmos enunciados, não estamos
apenas organizando sentenças, relacionando-as e tornando-as texto. Mais que
isso: estamos executando uma ação.

Outros conceitos que são dados à Pragmática também corroboram sua vocação
para tratar do discurso. Para Diller e Récanati (apud ARMENGAUD, 2006, p. 11),
“a pragmática estuda a utilização da linguagem no discurso”. Jacques (apud
ARMENGAUD, 2006, p. 11), por sua vez, afirma que “a pragmática aborda a
linguagem como fenômeno simultaneamente discursivo, comunicativo e social”.

As definições feitas pelos diversos autores, embora nem sempre tão consensuais
entre si, levam-nos a perceber que a Pragmática consagra o paradigma
funcionalista na Linguística. A interação, suas marcas verbais e não verbais, bem
como seus efeitos passam a fazer parte, cada vez mais, da agenda da Linguística,
ou seja, os pesquisadores começam a incluir os aspectos do uso da língua em
suas teorias. Não é à toa que o crescimento dessas orientações demarca um
momento chamado “guinada (ou virada) pragmática” na Linguística.

Como já apontamos, diante do amplo domínio dos estudos pragmáticos,


discorreremos apenas sobre alguns aspectos desse domínio, iniciando por
algumas considerações que tratam da origem da Pragmática e passando, logo
em seguida, para alguns dos objetos importantes nessa área, como a teoria dos
atos de fala e a modalização.

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A Pragmática

3.2 O nascimento da Pragmática

Um estudioso que contribuiu para o delineamento do que conhecemos como


a Pragmática atual foi Charles Sanders Peirce, a quem se atribui a fundação da
Semiótica.

Como nos explica Armengaud (2007), na perspectiva de Peirce, não existe signo
em si e por natureza. Todo aspecto ou coisa pode se tornar um signo, contanto
que esteja no processo triádico da semiose. O que isso significa? Ao redefinir o
signo, não se limitando mais ao par indissociável significante e significado, como
fez Saussure, Peirce inova, propondo o signo como constituído por três itens:

a) O material significante: suporte ou traço perceptível;


b) O significado ou o representado: diz respeito ao objeto que é
representado;
c) O interpretante: é o efeito que o signo provoca naquele que o
recebe, dentro de um contexto de comunicação.

O gesto de Peirce em trazer o interpretante para o processo de semiose (de


produção de sentido para os signos) nos ajuda a entender que os signos não
possuem um sentido pronto, mas dependem da situação para ter efetivo sentido.
Para você entender melhor esse processo, vamos imaginar o seguinte caso:

Figura 1 Imagine um imigrante brasileiro que se


encontra em situação irregular nos Estados
Unidos e uma mulher, também brasileira,
que está casada com um americano e reside
naquele país há anos, tendo obtido a
cidadania americana. O homem em questão
acaba sendo descoberto e as autoridades americanas providenciam sua
extradição. Já a mulher, após anos de trabalho e dedicação aos seus filhos
e marido, consegue, finalmente, planejar uma viagem de férias ao Brasil.

Como será que ambos personagens acima descritos interpretam o


signo “Brasil” no enunciado: “Você vai para o Brasil”. Apesar de o objeto
representado ser basicamente o mesmo, poderíamos afirmar que o
interpretante será o mesmo em ambos os casos? A emoção que reveste
o signo Brasil em cada situação provavelmente não será a mesma. Para o
homem em situação ilegal, o signo Brasil pode soar, no contexto, como

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sinal de alívio por retornar à nação de origem e/ou de frustração, por


prejudicar seus planos. A mulher, por sua vez, receberá o signo Brasil com
alegria e nostalgia.

Com esse exemplo, fica claro que o interpretante, junto ao material significante e
ao significado, evidencia que a significação ocorre em função do uso situado da
linguagem. Ao lançar luz sobre esse traço, Peirce prenuncia um viés pragmático
de análise dos fatos da linguagem.

Além de Peirce, outro filósofo com importância no desenvolvimento dos estudos


que culminaram na Pragmática é Gottlob Frege. Conhecido por fundar a Semântica,
Frege distingue duas formas de linguagem: a linguagem científica, que visa
à determinação da verdade; e a linguagem comum, cujo funcionamento se
norteia pela comunicação. Embora tenhamos muito que dizer a respeito das
teorias de Frege, destacamos, aqui, o fato de que esse estudioso opta pela
descrição do verdadeiro e do falso nas sentenças, mas não deixa de reconhecer
o sentido “emotivo”, dedicado a exprimir os sentimentos, ou seja, o pensamento
de quem fala pode atribuir uma coloração a um enunciado. Some-se a isso a
importância do par sentido/referência: enquanto este diz respeito ao próprio
objeto sobre o qual se fala por meio de uma expressão linguística, pertencendo
ao âmbito extralinguístico, aquele tem a ver com o modo de disposição da
referência, o que permite, portanto, que sentidos diferentes sejam associados
a expressões linguísticas distintas, mas com a mesma referência. Para ficar mais
claro, consideremos o exemplo:

Quando falamos “estrela da tarde” e “estrela da manhã”, estamos atribuindo


sentidos diferentes a um mesmo referente: a saber, o planeta Vênus. Assim, o
referente Vênus possui dois sentidos, expressos por seus nomes na cultura popular.

Figuras 2 e 3

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A Pragmática

Ao lado de Peirce e Frege, Wittgenstein também contribui para o desenvolvimento


de uma perspectiva pragmática quando dá realce ao papel do uso na linguagem.
Segundo o filósofo (apud ARMENGAUD, 2007, p. 36), as mensagens ganham
sentido nos jogos de linguagem, que são atividades reguladas e partilhadas, isto
é, usamos a linguagem em consonância com algumas regras que são conhecidas
pela comunidade da qual fazemos parte. Apesar de ser impossível listar todos
os jogos de linguagem, podemos elencar alguns deles: descrever um objeto,
levantar hipóteses, inventar uma história, resolver charadas, pedir, agradecer,
contestar, amaldiçoar cumprimentar, etc. Repare, pois, que todas essas ações
não se realizam apenas no emprego de uma palavra em uma frase, mas no
uso dessas frases em situações concretas. Dessa forma, observa-se que falar é
muito mais que uma simples atividade de proferir palavras em frases. Trata-se,
portanto, de uma ação situada, uma prática que se realiza entre sujeitos sociais.

Chegando ao estágio mais concreto da fundação da Pragmática, podemos


mencionar Carnap. No caso desse filósofo, destaca-se, além da rejeição de
uma pragmática pura, a sustentação de que toda a Linguística não escapa à
Pragmática, uma vez que, em uma dada investigação, a referência explícita ao
falante implica uma investigação pragmática. Com isso, pode-se dizer que, pela
ótica de Carnap, a Linguística torna-se uma disciplina empírica.

Exercitando

Pelo que você pode observar, as informações que se apresentam acima não
dizem respeito exatamente à Pragmática, mas aos eventos que a antecederam.
No entanto, esses estudos são retomados aqui devido à sua importância na
formação dessa área, cujo foco é o uso, a relação entre a língua e aquilo que se
encontra fora dela.

Partindo dessa ideia, releia a primeira parte de nossa aula e identifique, em cada
teórico, aquilo que serviu para a consolidação da Pragmática.

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Agora que já vimos um breve panorama da formação da Pragmática, vamos


conhecer algumas de suas teorias.

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3.3 Conhecendo algumas teorias da Pragmática

Após termos lido e refletido sobre a origem da Pragmática, seu material de


estudo e sua aplicação, já podemos concluir que essa disciplina vai nos ajudar
a orientar nossos enunciados, nosso discurso, além de nos fazer perceber com
mais clareza o que pretende nosso interlocutor quando se dirige a nós utilizando
determinadas estruturas frasais, determinados elementos linguísticos. Isso não
ficará limitado ao texto escrito. Tendo como objeto de estudo a intenção, essa
ciência também analisa os gestos, os olhares, o comportamento etc.

Vamos dar um exemplo mais claro para você ficar atento e perceber com clareza
do que trata a Pragmática, embora já tenhamos certeza de que isso ficou muito
claro com a leitura que fizemos até então. Imagine-se em um consultório médico.

Figura 4

Todas as pessoas estão lá, em alguns casos, silenciosas, vendo aquele programa
de TV que nem sempre é interessante, mas vendo, geralmente ouvindo pouco,
porque “não é conveniente” que esses aparelhos nesses ambientes façam barulho.
Qual é a função da TV em consultórios médicos? Uma resposta bem rápida: distrair
os pacientes, a fim de que não percebam que estão parados, “impotentes”, tendo
que esperar sua vez. Em alguns outros consultórios, as pessoas, por ficarem
tanto tempo esperando, acabam entabulando conversa umas com as outras,
fazendo um pequeno “relatório” de sua “doença”, procurando simpatia de seus
interlocutores, afinal estão todos ali pelo mesmo motivo: não estão bem de
saúde e procuram uma solução médica. E após se ter efetivado a socialização,
para que serve a TV? Bem, sempre chegará alguém, e alguém, e alguém... Até
que a lista dos agendados para o dia esteja finda. Esses retardatários precisarão
da TV para se apoiar até que se sintam à vontade para participar da conversa do
grupo já instalado, concorda? Mesmo que, a essa altura, seja ainda mais difícil
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A Pragmática

ouvir a emissão, pois o grupo já está bem sintonizado, já ri, já comenta com o
“antigo desconhecido” sobre quem acabou de chegar, e por aí vai...

Vendo essa cena, como a construímos, e sem participar diretamente dela,


assumimos a posição de avaliadores (e talvez até juízes da situação), questionando-
nos e julgando, internamente, se isso é verdade, talvez até recordando momentos
semelhantes pelos quais já passamos. Nessa interação nossa, aqui, nesta aula, já
temos uma avaliação do porquê de se colocarem TV em consultórios médicos.
Esquecemos, inclusive, de citar as redes de wireless ou wi-fi, hoje praticamente
indispensáveis em qualquer ambiente, pois as pessoas aproveitam o tempo de
espera para acessar seus notebooks, tablets, celulares que disponham desse recurso
etc. Em todos esses casos, percebemos que as pessoas sentem a necessidade
de se comunicarem, trazem intenções em suas ações e em suas palavras, em
seus gestos. Assim como há uma intenção nesses processos de comunicação
interativa, dialógica, em que as pessoas trocam ideias, discutem, discordam,
refutam, renegociam seus julgamentos, na instalação de TV e de redes de
wireless em alguns consultórios médicos, também isso acontece. Os médicos
querem manter sua clientela e, de alguma forma, dizer que se preocupam com
ela, mesmo enquanto não está em atendimento individual. Os responsáveis pela
ambientação traduzem essa preocupação por meio de decoração apropriada, o
que envolve cores, jardinagem, estacionamento, bebedouros, cafezinhos, chás,
biscoitos etc.

Embora isso possa parecer “normal” e “inocente”, quando analisamos esse


contexto, e para isso nos servem os estudos da Pragmática, constatamos como
somos influenciados por esses detalhes. Não queremos estar em ambientes
tristes, sujos, com decoração agressiva, com tons fortes, com problemas de
acústica, e principalmente sendo mal recebidos. É isso mesmo. Quase tínhamos
esquecido! A(o) recepcionista, a(o) secretária(o), a(o) atendente. Esses profissionais
são peça-chave em locais em que se trabalha com o público, seja em escritórios,
bancos, hotéis, consultórios médicos, salões de beleza, bares, restaurantes...
Essas pessoas personificam o responsável por aquele local, por isso é necessário
que elas se posicionem e tenham total controle sobre suas emoções, sobre sua
forma de expressão, sobre o funcionamento da língua em uso, pois, a qualquer
momento, pode-se receber um agricultor, um professor, um advogado, uma dona
de casa, um adolescente, uma pessoa idosa, entre outros. E essa(e) atendente
deve estar preparada(o) emocional e linguisticamente para interagir, conversar
com esse(a) cliente.

E o que dizer das instituições públicas? Ora, nas instituições privadas ou particulares,
há um “patrão” facilmente identificável, é o dono (ou são os donos) da empresa. Se
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não há satisfação na prestação de serviços de seus colaboradores (ou empregados,


como dizem algumas pessoas que ainda não se atualizaram em relação aos
termos do novo tempo do empreendedorismo), esse patrão demite, substitui
esse funcionário. Esse processo, entretanto, não é tão simples, do ponto de
vista administrativo, para as instituições públicas, cujos servidores (este é o
termo adequado para esses trabalhadores) são submetidos a concurso público
e, quando aprovados, são nomeados para assumirem o cargo para o qual se
inscreveram, em local definido pela instituição. Para afastar o servidor que não
atende às necessidades ou expectativas do órgão ou que age inadequadamente
indo de encontro aos interesses institucionais, deve-se proceder a uma burocracia
intensa que depende do parecer e da ação de outros envolvidos, seus chefes
ou colegas de trabalho, os quais nem sempre querem se indispor com aquele
que está em avaliação. Em casos como esse, o conhecimento de alguns assuntos
próprios da Pragmática nos permite analisar a situação e opinar com segurança
sobre alguns aspectos que se tornam claro, como a seleção de palavras, o tipo
de frases (se longas, se curtas), o uso de voz passiva, o interesse em minimizar
o efeito das ações do servidor objeto da investigação, entre outros recursos.

Você deve estar se perguntando: quer dizer que o servidor público faz o que
quer e ninguém o pune? Seremos vítimas do mau atendimento ou da falta de
informação sempre? Evidentemente que não. Mas, para que tenhamos certeza
disso, precisamos ter conhecimento dos fatos, de nossos direitos, de nossas
responsabilidades. E, mais uma vez, precisamos fazer uso da argumentação
construída com recursos linguísticos que podem agir sobre o nosso interlocutor,
mesmo que ele seja algo “abstrato” do ponto de vista de materialização, como
é o caso do serviço público. Sabemos quem é o patrão nas empresas privadas,
mas esquecemos que, nas entidades públicas, trata-se do Poder Municipal, do
Poder Estadual e do Poder Federal. Quem personifica essas entidades são as
pessoas municiadas de poder administrativo para agir em seu nome, como é o
caso de prefeitos, governadores, presidente e todas as demais autoridades que
representam seus órgãos, como agências de INSS, bancos, hospitais, universidades,
escolas municipais, estaduais e federais onde encontramos seus diretores e seus
colaboradores. E isso vai se ampliando em cada instância ou repartição pública.

Quando estamos frente a frente com essas “autoridades” ou quando lemos seus
pronunciamentos ou comunicados, podemos analisar e identificar suas intenções:
o que está sendo dito? Como? Por quê? E, a partir dessas respostas, podemos ir
mais além: isso é bom ou ruim? Para quem? É possível mudar a situação? Como
isso pode ser feito? Que efeito essa ou outra palavra teria, caso fosse usada e
em que situação?

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A Pragmática

Veja só, meu colega de estudo, quando temos controle sobre essas informações,
temos também certo controle sobre o diálogo que estabelecemos com nossos
parceiros de discussão, de interação dialógica. Não se trata de manipular as
pessoas por meio de palavras, mas de termos condições de apresentar nossas
inquietações e segurança para propor mudanças, fazendo com que nosso
interlocutor confie no que dizemos porque estamos provando, com nosso “arquivo
de conhecimentos”, tanto de informações sobre a situação quanto de aspectos
linguístico-gramaticais. E esse conhecimento nos “autoriza” a agir dessa forma.

E já que estamos falando sobre “autorização” para agir sobre o outro, vamos
conhecer dois assuntos bem específicos que fazem parte da Pragmática e,
sem dúvida nenhuma, de nossas comunicações diárias: os atos de fala e a
modalização.

3.3.1 Atos de fala

Proposta do filósofo John L. Austin, essa teoria já recebeu outras contribuições.


Segundo Armengaud ([1942]; 2006), em sua essência, baseia-se na seguinte
convicção: “a unidade mínima da comunicação humana não é a frase nem qualquer
outra expressão. É a realização de alguns tipos de atos (performance)”. Esses atos
seriam realizados por algumas produções linguísticas como: afirmar, fazer uma
pergunta, dar uma ordem, prometer, descrever, desculpar-se, agradecer, criticar,
acusar, felicitar, sugerir, ameaçar, suplicar, desafiar, autorizar. E não se finda aí.
Não podemos, entretanto, continuá-la, pois nos faltaria espaço e tempo.

E vem a pergunta: como esses verbos ou expressões se tornam atos? Por que
se chamam atos de fala?

Se bem sabemos, estamos diariamente buscando respostas para nossas dúvidas e


tentando viver bem com nossos grupos, seja na família, no trabalho, nos estudos,
no lazer... Nem sempre, porém, temos sucesso na busca dessa paz. Às vezes
fazemos um comentário que não soa bem, as pessoas se magoam com o que
dissemos ou deixamos de dizer. Quando somos convencidos de que cometemos
um erro, o que fazemos? Pedimos desculpas. Ao produzirmos e verbalizarmos o
enunciado “Desculpe-me” ou “Perdoe-me”, não estamos apenas falando, emitindo
um som, estamos agindo com essas palavras, estamos querendo que o outro
aceite nosso arrependimento, confie em nossa intenção de nos reaproximar. É
assim que Austin nos apresenta sua teoria. Somos capazes de mudar situações,
de agir concretamente a partir da produção material de um enunciado.

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Essa relação também é vista em casamento, quando o padre pronuncia “Eu vos
declaro marido e mulher”. Essa convenção religiosa tem aceitação social, logo,
é respeitada dentro de nossa cultura e só em condições muito especiais é que
será anulada, perdendo seus efeitos legais e socioculturais.

Ampliando sua teoria, Austin afirma que, para que esses atos sejam considerados
como válidos, devem seguir as chamadas condições de felicidade, ou seja, é
necessário que a pessoa que faz uso do ato de dizer algo tenha respaldo legal
para fazê-lo. Assim, a frase “Eu vos declaro marido e mulher” só é válida, ou seja,
só atende às condições de felicidade, se for pronunciada por um padre sem
qualquer impedimento legal. Do mesmo modo acontece com o enunciado “Eu
prometo”. Essa promessa só será válida, só se tornará um ato de fala verdadeiro,
se aquele que promete, de fato, cumprir o que prometeu.

Vejamos o texto a seguir, publicado por Gustavo Adolfo da Silva (UERJ–UGF):

Inicialmente, Austin (1962) distinguiu dois tipos de enunciados: os constativos


e os performativos:

a) enunciados constativos são aqueles que descrevem ou relatam


um estado de coisas, e que, por isso, se submetem ao critério de
verificabilidade, isto é, podem ser rotulados de verdadeiros ou falsos.
Na prática, são os enunciados comumente denominados de afirmações,
descrições ou relatos, como Eu jogo futebol; A Terra gira em torno do
sol; A mosca caiu na sopa etc.

b) enunciados performativos são enunciados que não descrevem,


não relatam, nem constatam absolutamente nada, e, portanto, não
se submetem ao critério de verificabilidade (não são falsos nem
verdadeiros). Mais precisamente, são enunciados que, quando
proferidos na primeira pessoa do singular do presente do indicativo,
na forma afirmativa e na voz ativa, realizam uma ação (daí o termo
performativo: o verbo inglês to perform significa realizar). Eis alguns
exemplos: Eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo;
Eu te condeno a dez meses de trabalho comunitário; Declaro aberta
a sessão; Ordeno que você saia; Eu te perdoo.

Tais enunciados, no exato momento em que são proferidos, realizam a


ação denotada pelo verbo; não servem para descrever nada, mas sim
para executar atos (ato de batizar, condenar, perdoar, abrir uma sessão

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A Pragmática

etc.). Nesse sentido, dizer algo é fazer algo. Com efeito, dizer, por exemplo,
Declaro aberta a sessão não é informar sobre a abertura da sessão, é abrir
a sessão. São os enunciados performativos que constituem o maior foco
de interesse de Austin.

É preciso observar, no entanto, que o simples fato de proferir um enunciado


performativo não garante a sua realização. Para que um enunciado
performativo seja bem-sucedido, ou seja, para que a ação por ele designada
seja de fato realizada, é preciso, ainda, que as circunstâncias sejam adequadas.
Um enunciado performativo pronunciado em circunstâncias inadequadas
não é falso, mas sim nulo, sem efeito: ele simplesmente fracassa. Assim,
por exemplo, se um faxineiro (e não o presidente da Câmara) diz Declaro
aberta a sessão, o performativo não se realiza (isto é, a sessão não se abre),
porque o faxineiro não tem poder ou autoridade para abrir a sessão. O
enunciado é, portanto, nulo, sem efeito (ou, nas palavras de Austin, “infeliz”).

Aos critérios que precisam ser satisfeitos para que um enunciado


performativo seja bem-sucedido, Austin denominou “condições de
felicidade”. As principais são:

a) o falante deve ter autoridade para executar o ato (como no


exemplo acima);
b) as circunstâncias em que as palavras são proferidas devem ser
apropriadas (se o presidente da Câmara declara aberta a sessão,
sozinho, em sua casa, o performativo não se realiza, porque
não está sendo enunciado nas circunstâncias apropriadas).

Austin pretende, ainda, fixar alguns critérios gramaticais para definir os atos
performativos, como bem nos informa o autor acima:

Posteriormente, ao tentar fixar um critério gramatical para os enunciados


performativos (inicialmente, o critério verbo na primeira pessoa do singular
do presente do indicativo etc.), Austin esbarra em muitos problemas, pois
constata, entre outras coisas, que:

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3) Nem todo enunciado performativo tem verbo na primeira pessoa


do singular do presente do indicativo na forma afirmativa e na voz
ativa. Eis alguns exemplos:

Proibido fumar; Vocês estão autorizados a sair; Todos os funcionários estão


convidados para a reunião de hoje. Nesses exemplos, os atos de proibição,
autorização e convite se realizam sem o emprego de proíbo, autorizo
e convido;

4) Nem todo enunciado na primeira pessoa do singular do presente


do indicativo na forma afirmativa e na voz ativa é performativo. Eis
alguns exemplos: Eu jogo futebol; Eu corro; Eu estudo inglês. Nesses
exemplos, os atos de jogar futebol, correr e estudar inglês não se
realizam ao se enunciar tais sentenças.

Apesar disso, Austin não abandona, logo de início, a ideia de encontrar um


critério gramatical para definir os enunciados performativos, mas parece
que acaba encontrando mais problemas do que soluções. Um deles é a
constatação de que pode haver enunciados performativos sem nenhuma
palavra. É o caso, por exemplo, de enunciados como Curva perigosa e Virei
amanhã, que podem equivaler, respectivamente, a Eu te advirto que a curva
é perigosa e Eu prometo que virei amanhã. É o caso também dos imperativos,
como Feche a porta, cuja performatividade pode ser explicitada em Eu
ordeno que você feche a porta.

Há, porém, uma diferença entre esses dois tipos de performativo: Eu


ordeno que você saia é uma frase que tem uma indicação muito precisa
do ato que realiza: trata-se de uma ordem e nada mais. Já Saia é vago ou
ambíguo: pode ser uma ordem, um pedido, um conselho etc.

Face a essa constatação, Austin passa a propor a distinção performativo


explícito (para enunciados com performatividade explícita, como em Eu
ordeno que você saia), em oposição a performativo implícito, ou primário
(para enunciados sem performatividade explícita, como em Saia). O
performativo primário seria uma espécie de forma reduzida do performativo
explícito.

A partir dessa distinção, Austin constata que a denominação performativo


primário também se aplica aos enunciados constativos, e acaba admitindo
que a distinção constativo-performativo se desfaz, já que é possível
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A Pragmática

transformar qualquer enunciado constativo em performativo, bastando


antecedê-lo de verbos como declarar, afirmar, dizer, etc. Por exemplo: [Eu
afirmo que] A mosca caiu na sopa; [Eu digo que] vai chover; [Eu afirmo
que] A terra é redonda, etc.

Ao concluir que todos os enunciados são performativos (porque, no


momento em que são enunciados, realizam algum tipo de ação), Austin
retoma o problema em novas bases e identifica três atos simultâneos
que se realizam em cada enunciado: o locucionário, o ilocucionário e o
perlocucionário:

Austin, então, postula que todo ato de fala é ao mesmo tempo locucionário,
ilocucionário e perlocucionário. Assim, quando se enuncia a frase Eu
prometo que estarei em casa hoje à noite, há o ato de enunciar cada elemento
linguístico que compõe a frase. É o ato locucionário. Paralelamente, no
momento em que se enuncia essa frase, realiza-se o ato de promessa. É o
ato ilocucionário: o ato que se realiza na linguagem. Quando se enuncia
essa frase, o resultado pode ser de ameaça, de agrado ou de desagrado.
Trata-se do ato perlocucionário: um ato que não se realiza na linguagem,
mas pela linguagem.
Fonte: http://www.filologia.org.br/viiifelin/41.htm. Acesso em: 23 jan. 2014.

Assim, vemos que os atos de fala são responsáveis, segundo Austin, por muitas
ações. Seus estudos foram depois aperfeiçoados por outros pesquisadores,
entre eles, o filósofo John R. Searle. Ainda há muito que conversarmos sobre
esses estudos, porém, vamos deixar para outra ocasião, quando, quem sabe,
disporemos de mais espaço e tempo para atualizar nossas leituras.

Agora vamos conhecer outro assunto que faz parte dos estudos pragmáticos:
a modalização.

3.3.2 A modalização

Sobre esse processo, já antecipamos que se trata de um recurso linguístico para


definir qual a posição do locutor em relação ao que diz. Para sua realização, é
necessário que sejam utilizados os modalizadores, isto é, elementos linguísticos
diretamente ligados ao evento de produção do enunciado e que funcionam

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como indicadores de intenções, sentimentos e atitudes do locutor com relação


ao seu discurso, conforme nos orienta Koch (1987, p. 138).

Dependendo da intenção do falante ou locutor, é possível utilizar elementos


linguísticos, ou melhor, modalizadores com funções específicas. Partindo dessa
ideia, segundo Nascimento & Silva (2012), esses elementos podem ser classificados
da seguinte forma:

a) Epistêmicos – ocorrem quando o locutor expressa uma avaliação


sobre o valor de verdade do enunciado, revelando, também,
seu conhecimento a respeito do conteúdo veiculado. Estão
subdivididos em:
ūū Asseverativos – ocorre quando o falante considera
verdadeiro o conteúdo do enunciado, logo, se manifesta
demonstrando certeza do que diz. É o que se pode
ver no exemplo Com certeza haverá aula hoje.
Observe, caro colega de pesquisa, que a expressão em destaque
informa que o locutor está seguro do que diz, por isso se compromete
com esse discurso. Esse mesmo procedimento não se verifica quando
se utiliza outro tipo de modalizadores epistêmicos:
ūū Quase-asseverativos – esses modalizadores identificam a
cautela do locutor em relação ao que diz, pois ele não tem
certeza da informação, por isso prefere não se comprometer
totalmente. É o caso do exemplo É provável que haja aula hoje.
ūū Habilitativos – segundo os autores (NASCIMENTO & SILVA,
2012), dizem respeito ao processo que “ocorre quando o
falante expressa que algo ou alguém tem a capacidade
de realizar algo e assim o faz porque tem conhecimento
a esse respeito”. E dão como exemplo: Paulo pode realizar
essa prova. Ele estudou bastante esse conteúdo.
b) Deônticos – dizem respeito, a princípio, a questões de
obrigatoriedade ou de permissão. Para Castilho e Castilho ([1993]
apud NASCIMENTO & SILVA, 2012), esses modalizadores “indicam
que o falante considera o conteúdo da proposição como algo
que deve ou precisa ocorrer obrigatoriamente”. Outro linguista,
Cervoni, apresenta essa modalização em quatro eixos: o obrigatório,
o proibido, o permitido e o facultativo. Esse autor não especifica
cada um deles, mas nos deixa certa liberdade para entender que
a modalização deôntica vai além do caráter da obrigatoriedade.
Neves, outra linguista, divide essa modalização em dois tipos: a
de necessidade e a de possibilidade. E ainda se ve que a deôntica
pode exprimir também o desejo ou a vontade por parte do locutor.

97
A Pragmática

Assim, concluímos que é possível classificar a modalização


deôntica como:
ūū De proibição – Exemplo: Você não pode fumar aqui.
ūū De possibilidade – Exemplo: Todos podem entrar na sala agora.
ūū De obrigatoriedade – Exemplo: É obrigatório
que você siga as instruções do Edital.
ūū Volitiva – Exemplo: Eu gostaria que vocês fossem à festa comigo.
c) Avaliativos – com esse tipo de modalização, o locutor expressa
seu julgamento a respeito de algo, a respeito do enunciado.
Esses modalizadores, de alguma forma, apresentam uma maior
subjetividade do locutor frente ao que diz, denunciando seus
sentimentos, ou assim fazendo parecer ao interlocutor. É o que
vemos em enunciados como Lamentavelmente perdemos o prazo
de inscrição ou Embora tenhamos errado o caminho, chegaremos em
tempo, felizmente.
d) Delimitadores – aqueles que determinam uma fronteira dentro
do enunciado, e é sobre o que se coloca nesse limite que ocorre
a modalização. Veja o exemplo: Não me saí bem nesse exercício.
Isso pode ser entendido como: não me saí bem nesse exercício,
mas é possível que tenha me saído bem em outro. Meu insucesso
não foi total. Outro exemplo que podemos utilizar para esse tipo
de modalizador é Não aceite carona de estranho. Esse enunciado
permite inferir que, se a carona for oferecida por alguém conhecido,
então se pode aceitar. O alcance da modalização não é total, age
apenas sobre o termo grifado.

E qual seria a importância de conhecermos o fenômeno da modalização? Ora,


quanto mais conhecimento tivermos sobre os mecanismos da língua, mais chances
teremos de administrar e controlar nossos fluxos comunicativos, percebendo
as intenções do outro e, evidentemente, fazendo com que nosso interlocutor
entenda nosso intento e colabore para que este se realize. É assim, aliás, que se
pretende harmonizar os discursos e interagir sobre as ações sociais e dialógicas.

Exercitando
Figura 5 Já que estamos tratando dos efeitos que a modalização
produz no discurso, que tal você aceitar um desafio?

Faça uma busca por matérias, em jornais ou revistas, em


que autoridades – prefeitos, governadores, senadores ou
presidente – são entrevistadas. Identifique os termos que
contribuem para a modalização: que caráter a fala dessas
98
AULA 05

autoridades apresentam? Há traços de modalizadores epistêmicos, deônticos,


avaliativos ou delimitadores? De que maneira o contexto em que essas pessoas
se encontram determina esse(s) tipo(s) de discurso?

4 Aprofundando seu conhecimento

Para ampliar sua leitura sobre esses assuntos, seguem algumas sugestões:

1) Para maior aprofundamento sobre a Teoria dos atos de fala, sugerimos a


leitura do artigo de Danilo Marcondes de Souza Filho, professor titular do
Departamento de Filosofia – PUC - RJ, publicado no seguinte endereço
eletrônico:

àà http://www.pessoal.utfpr.edu.br/paulo/atos%20de%20fala.pdf

2) Sobre a modalização, indicamos: CERVONI, Jean. A Enunciação. São Paulo:


Ática, 1989 e KOCH, Ingedore V. Argumentação e Linguagem. São Paulo:
Cortez, 2012.

5 Autoavaliando

E agora que você leu um pouco sobre a Pragmática, já pode se avaliar, respondendo
às seguintes questões:

1) O que será que as pessoas querem que eu pense quando usam expressões
como eu acho...; sem sombra de dúvida...; do seu ponto de vista...; entre outras?

2) Que palavras eu utilizaria para dizer algo sem me comprometer porque


não tenho certeza da informação? E o que eu poderia utilizar se quisesse
convencer alguém de algo que para mim é a melhor/pior opção?

3) O que eu poderia dizer a meus alunos atuais (ou futuros) que agisse
diretamente sobre eles, ou seja, como professor ou professora, que possíveis
palavras minhas poderiam “realizar” ações?

99
A Pragmática

6 Trocando em miúdos

Em resumo, a Pragmática trata de fenômenos linguísticos que discutem,


identificam, apresentam as intenções e os efeitos das palavras de locutores na
produção e compreensão de enunciados. Seu conhecimento nos permite uma
maior aproximação com outros agentes das relações comunicativas, fazendo,
além de interagir com o outro, perceber o que se pretende nessas interações
dialógicas, facilitando a refutação, a anuência, a reflexão e, é claro, a possibilidade
de transformar contextos, adequando-os a nossas necessidades sociais.

Vimos, prezado colega, que estudiosos como Austin, por exemplo, preocupavam-se
em demonstrar que alguns verbos têm o poder de agir muito fortemente sobre
nossas ações, materializando-as, realizando-as. Vimos também que, ao produzir
nossos enunciados, ou atos ilocucionários, estamos “sintonizados” com nosso
interlocutor, e esperamos que ele também esteja conosco. Isso se comprova
nos diversos ambientes sociais que frequentamos, seja por questões culturais,
acadêmicas, sociais, como teatros, bancos, universidades, festas, consultórios
médicos etc., onde percebemos que, a partir da decoração, há um interesse em
que sejamos atingidos de alguma forma por sua produção.

Para mascarar, esclarecer ou enfatizar nossa intenção comunicativa, utilizamos


algumas estratégias linguísticas. Uma delas é o processo da modalização. Ao
fazermos uso dos modalizadores, estamos assumindo posturas convenientes
para nós. Assim, podemos asseverar algo ou demonstrar nossa insegurança sobre
essa afirmação, podemos dar ordens, permitir, demonstrar nosso julgamento
sobre certa situação ou objeto, podemos definir quanto de nosso enunciado
deve ser avaliado pelo outro... Enfim, podemos usar os modalizadores para dizer
como o dito deve ser dito.

Esperamos que nossa leitura tenha sido proveitosa e que você utilize esse
conhecimento para atuar com maior eficácia sobre os processos dialógicos de
seu dia a dia, facilitando a interação entre você e seus interlocutores.

100
AULA 05

Referências

ARMENGAUD, Françoise. A Pragmática. São Paulo: Parábola, 2006.

LEVINSON, C. Stephen. Pragmática. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

NASCIMENTO, Erivaldo P. A argumentação na Redação Oficial: Estratégias


semântico-discursivas em gêneros formulaicos. João Pessoa: Editora Universitária
da UFPB, 2012.

SILVA, Joseli M. da. O Processo de Modalização dos verbos dizer, gostar e


querer em estruturas oracionais complexas. Dissertação de Mestrado. UPFB:
João Pessoa, 2002.

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