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Linguística II UNIDADE 03 AULA 08

Adriana Sales Barros


Joseli Maria da Silva
Neilson Alves de Medeiros

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

Interacionismo
Sociodiscursivo

1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM

„„ Vislumbrar o quadro teórico do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD);


„„ Identificar alguns pressupostos teórico-metodológicos do ISD;
„„ Compreender alguns princípios que constituem
a análise de textos no ISD.
Interacionismo Sociodiscursivo

Prezado estudante,

Chegamos ao terceiro momento de nossa disciplina. A unidade que se inicia a


partir de agora será composta por três aulas, que abordarão, respectivamente,
os temas sobre o Interacionismo Sociodiscursivo, a Multimodalidade e, por fim,
a Linguística Cognitiva. Esses três campos de estudo foram reunidos na última
unidade, devido ao seu caráter contemporâneo de emergência e difusão entre
os pesquisadores aqui no Brasil, além de ser uma tentativa de organizar as
teorias linguísticas em um percurso histórico de surgimento e consolidação.
Isso não significa, contudo, que essas três correntes sejam tão recentes, mas
sim que os trabalhos desenvolvidos nas últimas décadas têm provado que tais
teorias (ou campo teórico mais vasto, como o Interacionismo Sociodiscursivo)
se apresentam como terreno fértil para muitos estudos, ampliando mais ainda
o domínio da Linguística, que já não tem a produção verbal como seu objeto
isolado. Nas próximas aulas, portanto, você terá contato com essas vertentes e
esperamos que possa perceber o quanto elas fundamentam uma Linguística
renovadora, que congrega as atividades humanas, em suas várias instâncias,
além de focar outras formas de significação além do material verbal e escrutinar
a relação entre língua e mente.

2 Começando a história

Caro aluno, nesta aula aprenderemos sobre o Interacionismo Sociodiscursivo


(doravante, ISD), que se caracteriza como um quadro teórico muito amplo. Não
seria o caso, pois, de uma teoria, mas de um paradigma que congrega várias áreas
do saber e que tem o texto como um de seus objetos principais. Outras palavras-
chave no cenário sociodiscursivo seriam os termos atividade de linguagem e
discurso. Mesmo sem termos acesso ainda aos conceitos que se atribuem a esses
termos, já podemos inferir que essa perspectiva de estudo se pauta na linguagem
como um fenômeno dinâmico e não uma estrutura estática, isolada do uso. Por
conta de seu largo domínio, o ISD não pode ser descrito completamente em
apenas uma aula. Apesar disso, esperamos que você possa ter uma ideia inicial
sobre esse campo de estudos interessante.

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3 Tecendo conhecimento

3.1 O Interacionismo Sociodiscursivo:


uma breve apresentação

Quando nos deparamos com o ISD, temos à nossa frente um campo vasto que
agrega áreas diferentes, como a Filosofia, a Sociologia e a Psicologia, aliando-as à
Linguística e colocando a linguagem como um dos objetos privilegiados de estudo.

O ISD, devido à sua natureza altamente heterogênea e interdisciplinar, não


se caracteriza como uma teoria, mas sim como um campo que abriga várias
correntes empenhadas na compreensão do agir humano, levando em conta
sua complexidade nos processos históricos e sociais.

Não há como negar, portanto, que uma das palavras-chave do ISD é a interação.
Dessa forma, ganha destaque o diálogo entre áreas diferentes para explicar
fenômenos relacionados aos usos concretos da linguagem, estendendo-se à
sua natureza pragmática.

Enquanto campo interdisciplinar, podemos afirmar que o ISD orienta-se por


um programa integrado, em que encontramos alguns nomes importantes, tais
como Saussure na Linguística; Bakhtin na Filosofia da Linguagem; Habermas,
Spinoza e Marx na Filosofia; e Leontiev e Vygotsky na Psicologia. Com esses
autores, Bronckart (2006) estabelece alguns princípios que sustentam o ISD: a
noção do signo linguístico como imotivado e socialmente determinado, a noção
de polifonia e de gêneros do discurso, a adoção do monismo em oposição ao
dualismo positivista, a ideia de instrumento como fator de desenvolvimento
humano, bem como o conceito de mediação simbólica compõem o arcabouço
teórico do ISD. Esses conceitos, embora muito importantes, suscitam discussões
que não serão desenvolvidas nesse momento de nosso curso, haja vista a limitação
de espaço para esta aula. Nosso intuito, portanto, é apresentar um panorama
que ilustre, de modo razoável, o quadro do ISD.

Com uma base tão rica, as pesquisas que se valem do ISD também redimensionam
o alcance de seu olhar. Como afirma Cavalcanti (2006), a Linguística Aplicada (área
que se confunde muito com o advento do ISD) deixou de se restringir apenas
às pesquisas em sala de aula, trazendo para seu domínio estudos que visam à
compreensão do ser humano por meio dos usos que ele faz da linguagem nos
mais variados contextos.
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Além disso, acompanhando o agir humano, outro elemento central nos estudos
do ISD seria o texto. Definido por Bronckart (2006) como “qualquer produção de
linguagem situada, oral ou escrita que veicula uma mensagem linguisticamente
organizada e que tende a produzir um efeito de coerência no seu destinatário”, o
texto figura não apenas como um amontoado de palavras, mas como um evento
social, uma vez que sua organização se realiza de modo a atingir um efeito sobre
outra pessoa, em uma dada situação de uso. Uma vez que as ações humanas
interessam ao ISD e que tais fenômenos não podem ser apreendidos apenas
sob sua forma mais explícita (condutas perceptíveis), as análises centram-se nos
textos, que permitem um olhar mais aprofundado da organização linguístico-
discursiva. É nesse contexto, por exemplo, que Bronckart (1999) propõe a análise
do folhado textual, em que os discursos podem ser observados em camadas,
indo da situação de produção até os elementos mais internos ao texto.

Dentro do vasto universo do ISD, vamos nos ater, nesta aula, à apresentação de
algumas considerações sobre o texto e suas possíveis análises.

3.2 Níveis de análise de textos

No quadro teórico do ISD, Bronckart (2012) elege uma concepção de língua


para delimitar os aspectos teórico-metodológicos de suas análises. Para esse
autor, “uma língua natural só pode ser apreendida por meio das produções
verbais efetivas, que assumem aspectos muito diversos, principalmente por
serem articuladas a situações de comunicação muito diferentes” (BRONCKART,
2012, p. 69). Com essa afirmação, vemos que o ISD constitui uma perspectiva
funcionalista, já que seu enfoque repousa nas atividades relacionadas à língua
e não apenas nas regras do sistema linguístico.

Desse modo, podemos considerar que a metodologia adotada por Bronckart


tem caráter externo, pois não se limita à análise de aspectos internos à língua,
mas leva em conta a interdependência entre “características das situações de
produção e características dos textos” (BRONCKART, 2012, p. 71). Além disso,
alinhando-se a uma visão voltada para o uso efetivo da língua, o ISD, tal como é
apresentado por Bronckart, elege o texto como uma de suas unidades principais.
Ainda conforme o autor mais representativo desse campo, podemos compreender
texto da seguinte maneira:

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“A noção de texto pode ser aplicada a toda e qualquer produção de


linguagem situada, oral ou escrita.” (BRONCKART, 2012, p. 71).

“A noção de texto designa toda unidade de produção de linguagem que


veicula uma mensagem linguisticamente organizada e que tende a produzir
um efeito de coerência sobre o destinatário.” (BRONCKART, 2012, p. 71).

Os conceitos presentes acima revelam uma noção de texto como uma unidade
comunicativa, ou seja, pelo olhar do ISD, ao lidarmos com esses fenômenos, não
estamos apenas operando formas linguísticas, mas uma produção organizada em
função de uma situação particular. O texto, na qualidade de unidade comunicativa,
suscita a discussão em torno de outro ponto também contemplado por Bronckart.
Trata-se dos gêneros textuais.

O autor em questão considera que, no curso da história, as várias comunidades


verbais produzem diferentes “modos de fazer” textos. Basta pensarmos, por
exemplo, no gênero carta pessoal. Mesmo que as situações de produção desse
gênero variem muito entre si, não há como negar que esses textos apresentarão
certa padronização. Assim, podemos dizer que, ao fazermos uso de um determinado
gênero, ativamos um tipo de esquema que nos orienta nessa produção ou
compreensão. Mesmo diante desses traços em comum, as espécies de texto
podem sofrer mudanças, dando origem, inclusive, a outros gêneros. É o que
acontece, por exemplo, com o gênero e-mail pessoal, que tem suas raízes na
carta, mas não retém todas as características daquele gênero.

A tradição dos gêneros textuais estabelece uma necessidade de rotular todo


texto, enquadrando-o em determinado gênero. Mas, ao observarmos os textos
que fazem parte de nosso cotidiano, buscando nomeá-los, perceberemos que
essa tarefa vai se mostrar difícil e até impossível em alguns casos, haja vista
o fato de que não há nomes exatos para todos os gêneros. Em virtude dessa
característica, Bronckart utiliza a metáfora da nebulosa para se referir aos
gêneros. Alguns textos podem ser claramente designados como determinado
gênero enquanto outros apresentam contornos mais vagos, o que não destitui
sua importância e funcionamento.

Na análise de textos, um critério mais objetivo, segundo Bronckart, seria a


identificação das unidades e das regras linguísticas que entram na estruturação
e funcionamento de um gênero. Como você já viu em Leitura e Produção de
Textos I, os gêneros são construções que abrigam segmentos de diferentes tipos.
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É possível, portanto, verificar, dentro de um mesmo gênero, como um romance,


a variação entre porções mais expositivas, outras mais narrativas e outras mais
dialogais, por exemplo. Esses segmentos são estruturados por semelhanças
linguísticas, tais como os tempos verbais e os pronomes, por exemplo. Esses
elementos seriam responsáveis pela classificação dos gêneros sob o ponto de
vista linguístico, compreendendo um número finito que, por sua vez, promovem
a existência de múltiplos gêneros. Para muitas teorias da Linguística Textual,
os segmentos que compõem os gêneros são conhecidos como tipos de texto,
sendo renomeados por Bronckart (2012) como tipos de discurso, sob a alegação
de que essas sequências são resultado de uma “colocação em forma discursiva”
(BRONCKART, 2012, p. 76).

Filiando-se ao paradigma funcionalista de língua, o ISD, como visto em Bronckart


(2012), apresentaria uma metodologia de obtenção de dados e tratamento.
Em primeiro lugar, mantendo-se fiel à sua vocação interdisciplinar, a análise
sociodiscursiva centra-se nas “condições sociopsicológicas da produção dos textos
e depois, considerando essas condições, na análise de suas propriedades estruturais
e funcionais internas” (BRONCKART, 2012, p. 77). Nesse caso, podemos afirmar
que o ISD investigaria o texto de fora para dentro, isto é, partiria dos aspectos
que dizem respeito à situação de produção dessas unidades, prosseguindo a
análise sobre os traços internos e estruturais dos textos.

Em relação à coleta dos dados, opta-se pela obtenção de textos empíricos que
sejam representativos do conjunto de textos atestáveis em uma língua. Como é
de esperar a ocorrência de uma variação grande entre alguns textos, os textos
empíricos escolhidos serão aqueles reconhecidos como modelos valorizados pela
sociedade pela qual circulam. O segundo passo desse processo seria recolher
um número robusto de textos orais e escritos, produzidos por indivíduos com
perfis bem distintos: de crianças a adultos, por exemplo.

Para a realização da coleta de dados, o investigador pode lançar mão de duas


estratégias, dentre outras:
ūū selecionar textos ou trechos de textos definidos com
antecedência. Por exemplo: um estudioso decide
recolher exemplares de textos manuais de instrução de
celulares, chegando à quantia de cinquenta textos;
ūū outro procedimento diz respeito aos textos orais, em que
um participante da pesquisa é impelido a se posicionar
sobre um tema da atualidade, por exemplo.
A fim de não tornar a análise mais ampla, o investigador também deve se
esforçar em registrar o maior número de informações que cercam a situação
de comunicação em que o texto foi produzido. Com isso, prevalece um olhar
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que visa a reunir todos os aspectos dos gêneros textuais, como seu produtor,
receptor, suporte comunicativo, objetivos da interação, dentre outros aspectos.

A respeito da análise, Bronckart (2012) ressalta que esta pode ser realizada em
quatro fases sucessivas. Vejamos cada uma delas, com a ressalva de que nosso
espaço é limitado para nos aprofundarmos sobre esses procedimentos:

a) Procedimento de observação (ou leitura): trata-se de uma busca


de informação que inclui três observáveis:
ūū Observáveis de ordem semântica: nesse caso, o
pesquisador buscará compreender o efeito global
de significação que o texto produz no receptor;
ūū Observáveis de ordem léxico-sintática: como nós sabemos, a
gramática de uma língua separa seus elementos em grupos
específicos, como substantivos e verbos, por exemplo.
Considerando essa padronização, esse nível de análise busca
constatar quais categorias são mobilizadas pelo texto;
ūū Observáveis de ordem paralinguística: nesse nível, são
apontados os elementos que acompanham a produção
verbal e que têm importância na estruturação do texto.
No caso dos textos escritos, podemos citar os quadros,
imagens, esquemas, além dos títulos, paragrafação, fonte,
etc. Já os textos orais reúnem elementos como os silêncios,
as mudanças de tom, prolongamento de silabadas, etc.
b) Após a etapa da leitura, o texto passa por um recorte, em que se
delimitam os tipos de discurso nele presentes. Esse estágio tem
caráter provisório, uma vez que o pesquisador precisa validar seu
levantamento por meio de uma análise quantitativa.
c) Na análise quantitativa, aplica-se uma grade de análise, que permite
chegar a uma média de ocorrências dos tipos de discurso que são
responsáveis pela elaboração de determinado texto. Nessa grade,
são considerados, por exemplo, os tempos verbais, pronomes, tipos
de frases e organizadores textuais.
d) Por último, faz-se uma análise discriminante, cujo objetivo é, grosso
modo, identificar as combinações de unidades e de estruturas que
melhor caracterizam os diferentes tipos de discurso.

As etapas descritas acima comprovam que a análise de textos proposta por


Bronckart possui uma metodologia bem organizada, que se preocupa em
aliar aspectos internos do texto àqueles que pertencem ao nível mais externo,
relacionado ao contexto.

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Exercitando

Retome a aula 3 de Linguística II, que trata da Análise da Conversação, e responda


aos questionamentos abaixo:

1) A Análise da Conversação e o ISD possuem pontos em comum? Quais seriam?

2) Como essas duas perspectivas concebem a língua?

Para complementarmos essa breve exposição sobre o aparato teórico que se


desenvolve no ISD, passaremos a conhecer o folhado textual.

3.3 O folhado textual

Ainda na esteira da análise de textos, Bronckart (2012) defende que todo texto
seria organizado em três níveis, que interagiriam entre si, assemelhando-se a
uma cebola. Esse vegetal constitui uma unidade composta por várias camadas.

Figura 1 Da mesma maneira, o texto também seria


revestido por três camadas principais: a
infraestrutura, os mecanismos de textualização
e os mecanismos enunciativos. Essas camadas,
embora interdependentes, demonstram
níveis hierarquicamente dispostos, sendo
a infraestrutura o nível mais profundo e os
mecanismos enunciativos a camada mais
superficial. Observemos um pouco o que
significa cada uma delas:

a) Infraestrutura geral do texto: como afirma Bronckart (2012), esse


nível engloba o plano mais geral do texto, sendo identificado pelos
tipos de discurso que a unidade textual comporta. Além disso, essa
camada pode revelar o conteúdo temático desenvolvido no texto
e a articulação entre os tipos de discurso.
b) Mecanismos de textualização: esse nível tem relação estreita com
o processo de coesão textual, seja ela a coesão nominal, coesão
verbal ou a conexão.
c) Mecanismos enunciativos: nessa camada, o texto é analisado quanto
ao seu funcionamento pragmático, ou seja, de que maneira o texto
se configura na relação que se estabelece entre os interlocutores.
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Assim, revelam-se os posicionamentos presentes no texto, bem


como as vozes que aí se apresentam e os julgamentos e opiniões
sobre o tema.

Como visto acima, a metodologia empregada pelo ISD deixa claro que a análise
do texto ultrapassa os limites de sua estrutura interna, envolvendo aspectos
relacionados à produção discursiva, seus interlocutores, além dos gêneros
textuais e seu papel nas sociedades.

4 Aprofundando seu conhecimento

Com essa obra, considerada um clássico para os


Figura 2
estudiosos do Interacionismo Sociodiscursivo no Brasil,
você poderá dar os primeiros passos na corrente
interdisciplinar que vem ganhando vários adeptos,
sobretudo na Linguística Aplicada. O livro parte do
posicionamento epistemológico que embasa o campo
do ISD, passando pelos pressupostos de análise de
textos, até chegar à descrição mais detalhada de
alguns conceitos como sequências, tipos de discurso
e os mecanismos de estruturação dos textos.

5 Trocando em miúdos

Nesta aula, aprendemos que o ISD consiste em um campo que nasce da interseção
entre várias áreas de conhecimento. Dentre outros objetos, o texto figura como
um dos pontos centrais desse campo, trazendo para o centro do debate as noções
de gênero textual e tipos de discurso. Ao lado dessas questões, vimos que o
ISD dispõe de uma metodologia que busca atender ao caráter funcionalista da
língua, relacionando a estrutura interna do texto à sua situação de produção.
Para a realização de uma análise com esse teor, o ISD se vale da análise do
folhado textual.

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6 Autoavaliando

Ao ter acesso a um quadro panorâmico do ISD, de que maneira esse campo poderia
te auxiliar para o entendimento da Linguística como ciência da linguagem? Que
tipo de análise linguística se mostra mais completa? Aquela que está centrada
apenas em sua estrutura ou aquela que alia estrutura e funcionamento de textos?

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Referências

BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de linguagem, textos e discursos. Por um


Interacionismo Sociodiscursivo. São Paulo: EDUC, 2012.

CAVALCANTI, Marilda. Um olhar metateórico e metametodológico em pesquisa


em linguística aplicada. In: MOITA LOPES, Luiz Paulo (Org.). Por uma linguística
aplicada indisciplinar. São Paulo: Parábola, 2006.

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