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Linguística II UNIDADE 02 AULA 06

Adriana Sales Barros


Joseli Maria da Silva
Neilson Alves de Medeiros

INSTITUTO FEDERAL DE
EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
PARAÍBA

Análise do Discurso:
A vertente francesa e
a anglo-saxônica

1 OBJETIVOS DA APRENDIZAGEM

„„ Identificar o arcabouço teórico-metodológico da Análise


do Discurso nas vertentes francesa e anglo-saxônica;
„„ Refletir sobre as coincidências entre as vertentes de
Análise do Discurso francesa e anglo-saxônica;
„„ Compreender o modo de operacionalização da análise
discursiva nas práticas de linguagens inerentes à sociedade.
Análise do Discurso: A vertente francesa e a anglo-saxônica

2 Começando a história

Caro estudante,

Já conhecemos um pouco dos estudos semânticos e pragmáticos e foi possível


perceber que essas perspectivas priorizam o uso que fazemos da língua e não
apenas sua estrutura. Na esteira dessas orientações, passaremos a conhecer, a
partir de agora, a Análise do Discurso: a vertente francesa e a anglo-saxônica.

Na disciplina de Linguística I, nós já começamos a vislumbrar alguns fundamentos


desse campo. Nesta aula, procederemos ao aprofundamento dos estudos que
podem ser denominados como análises do discurso.

Entretanto, antes refletiremos sobre o referencial teórico-metodológico da Análise


Crítica do Discurso, após uma breve retrospectiva do referencial da Análise do
Discurso Francesa, uma vez que já a estudamos no módulo referente à Linguística
I. Em seguida, finalizaremos pontuando as coincidências entre as duas vertentes.
É chegada a hora de iniciarmos nossa caminhada.

3 Tecendo conhecimento

Iniciemos nossa trajetória detalhando sobre a teoria social do discurso,


apresentando seus conceitos-chaves, bem como o percurso do pensamento
teórico da Análise Crítica do Discurso, doravante ACD.

Para efeito das reflexões propostas para esta aula, passemos a tratar sobre as
definições de discurso, conforme postulações de alguns teóricos da Análise do
Discurso (AD).

DISCURSO É:

“A linguagem acima da frase e da oração.” (STUBBS, 1983, p. 1).

“É mais que apenas uso da linguagem: é uso da linguagem, seja ela falada
ou escrita, vista como um tipo de prática social.” (FAIRCLOUGH, 1998, p. 28).

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“O discurso constitui o social. Três dimensões são consideradas: o


conhecimento, as relações sociais e a identidade social (…). O discurso
é formado de relações de poder e investido de ideologias.” (FAIRCLOUGH,
1998, p. 8).

LOGO,

a visão de discurso que interessa à ACD está estreitamente ligada ao


situacional, institucional e social.

3.1 Análise Crítica do Discurso anglo-saxônica

Por volta dos fins da década de 80, duas publicações consolidam as bases para
os estudos críticos da linguagem: Language and Power (FAIRCLOUGH, 1989) e
Linguistic Processes in Socio-cultural Practice (KRESS, 1988), apresentando conceitos-
chaves como: discurso, gênero discursivo, prática discursiva-social, texto, ideologia
e poder. Atenção para a reflexão a seguir sobre cada um deles.

Discurso: visto como o uso da linguagem como forma de prática social, implicando
modo de ação e modo de representação. Como exemplo temos o discurso
médico, o discurso feminista etc.

Figuras 1 e 2

Discurso religioso Discurso científico

Além da noção de discurso, outros conceitos ganham importância no campo


da ACD, como gênero discursivo e prática discursiva. Vejamos suas possíveis
definições:

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Análise do Discurso: A vertente francesa e a anglo-saxônica

Gênero discursivo: é um conjunto estável de convenções ao qual está associado


um tipo de atividade social ratificada socialmente. Ex: documentário de televisão,
bate-papo informal etc.

Prática discursiva: é a dimensão do uso da linguagem que envolve processos de


produção, distribuição e consumo de textos. Considerando os diferentes tipos
de discurso, os fatores sociais, a forma linguística enquanto texto envolvendo as
linguagens: escrita e falada, sem se esquecer do elemento semiótico inerente
às práticas discursivas existentes em uma dada sociedade. Ex: discurso religioso
cristão-católico – prática discursiva – missa, gênero: folheto.

Essa segmentação dada no plano textual se estabelece em correspondência


ao rito eucarístico do qual o enunciado do folheto serve como objeto-suporte:

a) Ritos iniciais c) Liturgia Eucarística

1. Acolhida 13. Apresentação das oferendas


2. Saudação 14. Oração sobre as oferendas
3. Ato Penitencial
15. Oração eucarística
4. Hino de Louvor
d) Rito da Comunhão
5. Oração
16. Pai Nosso
b) Liturgia da Palavra
17. Canto de comunhão
6. Primeira Leitura (Antigo
18. Oração após a comunhão
Testamento)
19. Oração ao nosso patrono
7. Salmo Responsorial
(opcional)
8. Segunda Leitura (Novo
e) Ritos finais
Testamento)
20. Bênção e despedida
9. Aclamação ao Evangelho
21. Canto Final
10. Evangelho
Comunicados da Arquidiocese
(Homilia)
Leituras da Semana
11. Profissão de fé

12. Oração dos fiéis

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A partir do exemplo acima, podemos constatar que o discurso religioso cristão


reúne vários elementos que vão desde o gênero adotado até as práticas que
constituem esse discurso.

A prática social: é a dimensão relacionada aos conceitos de ideologia e poder. Ao


lado da ideia de prática discursiva e de discurso, são importantes, também, outros
conceitos, tais como ideologia e hegemonia. Reflitamos, pois, sobre a ideologia,
significações ou construções da realidade, construídas nas várias dimensões
das formas ou sentidos das práticas discursivas, contribuindo para a produção,
reprodução ou transformação das relações de dominação (ALTHUSSER, 2001c).

Já hegemonia–poder constitui um foco de luta constante com o objetivo


de construir, sustentar ou, ainda, quebrar alianças e relações de dominação
e subordinação, tomando formas econômicas, políticas e ideológicas. Ex: ver
discurso religioso mostrado acima.

Faz-se necessário, também, compreender a noção de texto na perspectiva da


ACD: concepção dialética entre as estruturas discursivas e os eventos centrada
em sua intertextualidade e sua capacidade de articulação de outros textos e
convenções. Ex: história em quadrinhos como texto semiótico.

Figura 3

Por falar em texto, o conceito de intertextualidade, ou seja, a relação existente entre


os mais diversos textos, integra a teoria social do discurso, sendo redimensionado
por Fairclough, que se apoia na ideia de heterogeneidade constitutiva de Authier-
Revuz (1992).

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Análise do Discurso: A vertente francesa e a anglo-saxônica

A heterogeneidade constitutiva tem a ver com a constituição de um tipo discursivo


através da combinação com elementos das ordens do discurso.

Para ficar mais claro o que vimos até agora, observemos as definições abaixo,
que resumem alguns dos conceitos centrais da ACD:

1) GÊNERO DISCURSIVO – prática discursiva referente a uma dada esfera da


atividade humana.

2) PRÁTICA DISCURSIVA – os diferentes tipos de discurso, os fatores sociais,


a forma linguística enquanto texto envolvendo as linguagens: escrita e
falada, sem se esquecer do elemento semiótico.

3) PRÁTICA SOCIAL – a teia que compõe as relações de ideologia e poder


numa dada prática discursiva configurada num gênero envolvendo sujeitos
sociais. Usadas três categorias que envolvem traços textuais formais: a força
dos enunciados, os tipos de atos de fala e a intertextualidade.

4) TEXTO – é organizado em quatro categorias principais: vocabulário, gramática,


coesão e estrutura textual. O vocabulário trata principalmente das palavras
individuais; a gramática, da combinação das palavras em oração e frases; a
coesão, da ligação das orações e frases; e a estrutura textual, das propriedades
maiores da estrutura textual. Esse arcabouço teórico-metodológico abrange
os aspectos tridimensionais de análise de textos: produção, propriedades
formais e interpretação.
Exercitando

De acordo com os conhecimentos adquiridos sobre os conceitos-chaves da


Análise Crítica do Discurso (ACD), identifique, no texto a seguir, o discurso, a prática
discursiva e social, o gênero discursivo, a estrutura discursiva – texto e a ideologia e
poder caracterizadores da situação de comunicação abaixo.

Figura 4

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3.2 Análise do Discurso francesa: uma retrospectiva

A Análise do Discurso de linha francesa é caracterizada por três etapas. Cada


uma das etapas vislumbra um trabalho cujo foco é a leitura interpretativa. Seu
idealizador, M. Pêcheux, defendeu que, a partir das noções de língua, discurso,
sujeito e formação discursiva-ideológica, associadas aos imaginários dos sujeitos,
é construída uma prática de leitura. Assim construiu seu arcabouço teórico:

1) AD-1: a noção de língua saussureana; a de sujeito como convocado a ser


totalmente assujeitado; e a de formação discursiva-ideológica – os discursos
construídos, cristalizados e legitimados numa dada sociedade;

2) AD-2: a noção de língua permanece a mesma, ou seja, proposta por Saussure,


a noção de sujeito está associada à interpelação dos indivíduos junto aos
aparelhos ideológicos de estado; e a noção de formação discursiva com
as alterações referentes às noções de interdiscurso e de pré-construído;

3) AD-3: desconstruindo para reconfigurar. É marcada com os deslocamentos


referentes às noções de língua para as de a-língua; a de sujeito puramente
ideológico, para o embate entre este e o outro sujeito psicanalítico-sujeito
desejante de Lacan; a noção de interdiscurso e pré-construído, reconstruída
com a de acontecimento discursivo e historicidades; e por fim a ampliação
da análise do corpus restrito para textos diversificados.

3.3 Análise do Discurso: as coincidências entre a vertente


francesa e a anglo-saxônica
Figura 5 Concepção
tridimensional
do discurso
TEXTO

PRÁTICA DISCURSIVA

PRÁTICA SOCIAL

Vamos aqui tratar das coincidências entre as vertentes francesa e a anglo-


saxônica de Análise do Discurso considerando a concepção tridimensional do
discurso, conforme quadro acima. Antes, porém, é interessante pontuar que
a ACD proposta por Fairclough é a vertente francesa de Análise do Discurso,
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Análise do Discurso: A vertente francesa e a anglo-saxônica

representada por Pêcheux e Chaureaudeau, tendo como objetivo investigar


a relação entre o social e o linguístico. Mostrado o viés teórico sob o qual está
assentada a ACD, passaremos às coincidências em ambas.

O primeiro sinal de convergência: ACD-ADF análise da linguagem em ação, dos


efeitos e sentidos sociais produzidos por meio de seu uso, o sentido social construído
e que testemunha a maneira pela qual os grupos sociais instauram seus interesses
no interior de sua própria comunidade e com outras comunidades estranhas.

Perceba que, em alguns momentos, o que muda, apesar de as trilhas constituírem


caminhos diferentes, a caminhada é constituída na e com a própria trilha. Assim,
embora Fairclough e Chareaudeau concebam o discurso no entrecruzamento do
linguístico e do social, esta prioriza o situacional e aquela, o social. Para Pêcheux,
o discurso é uma via de mão dupla, ou seja, o discurso tanto constitui como é
constituído socialmente. Essa dualidade do discurso é comum na tríade em foco.

Outra coincidência refere-se à concepção de sujeito. Para Fairclough, a produção


de sentido ocorre em três níveis distintos, porém, interdependentes entre si: o
ideacional, o interpessoal e o textual. A noção de sujeito proposta pela estudiosa
está no segundo nível: o interpessoal. Para Chareaudeau, o sujeito é concebido
como: cognitivo, comunicativo, ativo e/ou passivo. Para Pêcheux, o que existe
é o efeito-sujeito. Em síntese, as coincidências entre as vertentes francesa e
anglo-saxônica de análise do discurso estão relacionadas com as concepções de
linguagem e de discurso: linguagem em ação. Quanto à concepção de sujeito,
fica mostrado que, para Pêcheux, o sujeito é “assujeitado” às ideologias e aos
discursos. Para Chareaudeau, o sujeito é da “inconsciência” na absorção ideológica.
Em Fairclough, o sujeito é mais dinâmico aos participantes do evento discursivo,
pois representa seu propósito social a partir da consciência.

4 Aprofundando seu conhecimento

Figura 6
Introdução crítica à Análise do Discurso como
praticada nas mais diversas disciplinas, desde
a Linguística e a Sociolinguística até os estudos
culturais e sociológicos. O autor demonstra como
a preocupação com a análise do discurso pode ser
combinada em um caminho sistemático e frutífero,
com interesse em grandes problemas da análise
social e da mudança social.
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Abordagem interdisciplinar e elaborado com Figura 7


cuidado e rigor, tem como objetivo discutir a teoria
e o método em Análise Crítica do Discurso (ACD).
Oferece caminhos alternativos para a análise do
discurso de diversos tipos de texto, mostrando
que muitas categorias de análise tradicionalmente
estudadas são convocadas para a criação de sentidos
e podem ser reorganizadas numa perspectiva
textual/discursiva.

5 Trocando em miúdos

Nesta aula, aprendemos um pouco sobre duas vertentes conhecidas como


análises do discurso: uma de origem anglo-saxônica e outra de origem francesa.

A Análise Crítica do Discurso (ou anglo-saxônica) concebe o discurso como


constituído por três dimensões: o conhecimento, as relações sociais e a identidade
social. Além disso, o discurso também é compreendido a partir das relações de
poder e das ideologias que o subjazem.

A Análise do Discurso francesa (ADF), por sua vez, caracteriza-se por três etapas,
que envolvem uma leitura interpretativa, responsável pela concepção de língua,
sujeito, discurso e formação discursiva.

Em sua primeira fase, a ADF sustenta a ideia de sujeito totalmente assujeitado,


assim como a ideia de que a formação discursivo-ideológica seria cristalizada
numa dada sociedade.

Na segunda fase da AD, a noção de sujeito está associada aos aparelhos ideológicos
de estado e a formação discursiva passa a ser entendida com base na ideia de
interdiscurso.

Passando para a terceira fase, a AD abriga uma concepção de sujeito puramente


ideológico, além da ampliação da análise do corpus restrito para textos
diversificados.

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Análise do Discurso: A vertente francesa e a anglo-saxônica

Convidamos você, aluno, a fazer uma reflexão sobre o referencial teórico-


metodológico das vertentes francesa e anglo-saxônica de análise do discurso
a partir do texto a seguir. Dica: Registre sua reflexão em forma de comentário.
Figura 8

6 Autoavaliando

Ao conhecer as duas vertentes da Análise do Discurso, de que maneira essas


teorias mudam seu jeito de olhar os textos que circulam na sociedade? Qual é o
papel que a ideologia e os discursos cumprem nas leituras que fazemos desses
textos? Você consegue perceber o viés crítico que respalda esses campos teóricos?

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Referências

AUTHIER-REVUZ, Jacqueline. Heterogeneidade(s) enunciativa(s). Cadernos


lingüísticos, 19. Campinas, jul./dez. 1990, p. 25-42.

______. Palavras incertas: as não-coincidências do dizer. Campinas: Editora


da UNICAMP, 1998.

FAIRCLOUGH, Norman. Discurso e Mudança Social Izabel Magalhães,


coordenadora de tradução, revisão técnica e prefácio. Brasília: Editora Universidade
de Brasília, 2001.

PÊCHEUX, Michel. Ler arquivo hoje. In: ORLANDI, E. P. (Org.). Gestos de leitura.
2. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1997.

______. (1975) Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 3. ed.


Campinas: Editora da UNICAMP, 1997.

_______.(1978) Só há causa daquilo que falha ou o inverno político francês:


início de uma retificação. In: PÊCHEUX, M. Semântica e discurso: uma crítica a
afirmação do óbvio. 2. ed. Campinas: Editora da UNICAMP, 1997.

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