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LÍNGUA PORTUGUESA

ANO LECTIVO 2005/2006


9.º ANO DE ESCOLARIDADE / TURMA A
17 de NOVEMBRO de 2005
Regência n.º1

ROTEIRO DAS
AULAS N.º 31 e 32
A aula iniciar-se-á com a abertura da lição seguida da chamada a fim de
registar a ausência de algum aluno.
Esta aula terá como objectivo o estudo da Cena do Onzeneiro, do Auto
da Barca do Inferno, de Gil Vicente. Seguir-se-á o estudo dos Fenómenos
Evolutivos, ao Nível Fonético, de Queda. Por fim, os alunos abordarão o Texto
Argumentativo.
Os discentes deverão responder à pergunta:
- Que cena do Auto da Barca do Inferno estudaram na última aula?
Os discentes deverão responder que estudaram a cena do Fidalgo.
De seguida, a turma visualizará um acetato e deverá responder à
questão:
- A figura presente neste acetato é a do Fidalgo?
A resposta deverá ser negativa e os alunos deverão referir que os
elementos cénicos do Fidalgo não correspondem àquele presente neste
acetato.
- Que elemento cénico transporta a personagem deste acetato?
Os alunos deverão fazer referência à bolsa que o personagem
transporta.
- Acham que estes elementos são importantes quando estudam as
personagens?
Os discentes poderão referir a importância destes elementos na
identificação das personagens porque têm uma ligação umbilical com elas.
- Neste caso a personagem transporta uma bolsa. Para que serve uma
bolsa normalmente?
Os alunos deverão responder que estes objectos servem para
transportar coisas, desde dinheiro a alimentos.
- Conhecem as outras personagens e o cenário deste acetato?

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A turma deverá identificar o Diabo, o Anjo e as barcas. Os alunos
assumirão que estão na presença de um novo personagem e de uma nova
cena.
Seguir-se-á a leitura silenciosa da cena e, posteriormente, a leitura
expressiva da mesma.
Os alunos receberão uma ficha formativa (anexo 1) onde deverão anotar
vários aspectos da análise à cena do Onzeneiro, ao mesmo tempo que ela é
feita na aula. Estes registos deverão ser complementados com outros no
manual ou caderno diário dos alunos.
- Qual a personagem que chega ao “cais” nesta cena?
Os discentes deverão responder que é o Onzeneiro quem chega ao
“cais”.
- Sabem o que era um Onzeneiro e a que corresponde nos nossos
dias?
Os alunos deverão referir que era uma pessoa que emprestava dinheiro
com juros excessivos, aproveitando-se da dificuldades dos outros. Ser-lhes-á
explicado o sentido da palavra: ONZENA = cobrar juro a 11% e EIRO = sufixo
empregue em profissões. Os agiotas, usurários e penhoristas dos nossos
tempos são aqueles que mais se aproximam do Onzeneiro de Gil Vicente.
- Como já vimos no acetato ele transporta um adereço cénico, a bolsa,
qual o seu significado e a razão?
Os alunos deverão referir que a bolsa servia ao Onzeneiro para recolher
o dinheiro junto daqueles que lhe tinham pedido por empréstimo.
- Antes do inicio do diálogo surge uma informação onde se afirma quem
chega e a quem se dirige. Que nome se dá a estas informações?
Os alunos deverão responder que são Didascálias Intermédias e que
fornecem informações sobre o comportamento das personagens em palco.
- Qual o significado do verso 185?
Os alunos deverão responder que esta forma de tratamento funciona
como caracterização do Onzeneiro, considerando-o seu parente o Diabo
atribui-lhe a sua maldade.
- A chegada do Onzeneiro é inesperada?

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Os discentes deverão dizer que não, pois a primeira fala do Diabo
mostra que este estava à espera do Onzeneiro. Aliás, o Diabo diz que ele
demorou mais do que esperava.
- Qual a reacção do Onzeneiro à provocação inicial do Diabo?
Os alunos deverão referir que o Onzeneiro pretendia continuar vivo mais
tempo. Mas, enquanto recolhia o seu dinheiro morreu.
- Qual a razão que ele aponta para continuar vivo?
Espera-se que os alunos apontem o desejo de amealhar mais dinheiro
como a razão para a pretensão de continuar vivo.
- Qual o sentido do verso 189?
Os alunos deverão responder que a expressão significa morrer.
- Qual o recurso estilístico usado?
Os discentes deverão dizer que é um Eufemismo porque o Onzeneiro
usa uma expressão mais suave para evitar o efeito desagradável que tem a
palavra morrer.
- Nos versos seguintes o Diabo mostra-se espantado porque o dinheiro
não salvou o Onzeneiro da morte. Acham que o Diabo está mesmo
surpreendido?
Os alunos deverão referir que esta é uma fala irónica do diabo e também
é cómico de linguagem.
- Na fala seguinte o Onzeneiro diz que nem para o barqueiro lhe
deixaram trazer uma moeda. Será que o Onzeneiro tem noção do sítio e
situação em que se encontra?
Os discentes deverão dizer que esta fala não se ajusta à sua situação e
por isso estamos perante o cómico de situação.
- O que sucede nos versos seguintes?
Os alunos deverão referir que o Diabo pretende que o Onzeneiro entre
de imediato mas este pede-lhe que tenha calma pois acabou de morrer e que
pretende escolher a barca. Devem ainda referir que de forma subtil o
Onzeneiro procura sair dali mostrando-se desconhecedor de que barca é
aquela, até que em resposta à insistência do Diabo diz que prefere ir à outra
barca pois tem “avantagem”.
Após a referência à didascália os alunos deverão responder às
seguintes questões:

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- Como é a recepção do Anjo ao Onzeneiro?
Os alunos deverão referir que o Anjo mostra surpresa pela abordagem e
faz-lhe uma pergunta que funciona como um aviso de que ele não é bem vindo
àquela barca.
- No entanto, o Onzeneiro mostra determinação e certeza na sua
resposta. Será que o Onzeneiro tem noção da sua realidade?
A resposta deverá ser negativa, porque o Onzeneiro acredita que tem
lugar na barca da Glória, pois continua a acreditar que pode fazer o que quer
como fazia na Terra.
- Que tipo de Cómico temos nesses versos?
Os discentes deverão dizer que é cómico de carácter.
- Qual a resposta do Anjo à pretensão do Onzeneiro?
Espera-se que os alunos digam que o Anjo lhe rejeita a pretensão e para
que ele se dirija a quem o enganou, o Diabo. Deverão referir que os versos 214
e 215 são a sentença do Anjo, pois este afirma que nunca o levará na sua
barca. Caracteriza-o como alguém que praticou sempre o mal porque sempre
fez o que o Diabo quis.
- O Onzeneiro parece não perceber a acusação. Como o esclarece o
Anjo?
Os alunos deverão referir que o Anjo aponta o “bolsão” como prova do
seu crime. Aqui deverão, ainda, referir a importância do elemento cénico para a
condenação da personagem, como já o tinha sido para a identificação da
mesma.
- O Anjo refere que ele não pode entrar até porque o seu “bolsão”
ocuparia toda a barca. Qual o objectivo a atingir e como o faz?
A turma deverá referir que estão perante uma Hipérbole porque pretende
demonstrar que o tamanho da bolsa corresponde ao grande número de
pecados que cometeu em terra. E nem o facto de estar vazia serve de
atenuante .
- O Anjo refere que a bolsa está vazia mas não o coração. Neste e nos
versos seguintes estão elementos de caracterização do Onzeneiro.
Conseguem identificar esses elementos?
Os discentes deverão referir que todo o discurso de acusação do Anjo
tem como função apresentar argumentos de acusação e ao mesmo tempo

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caracterizar o Onzeneiro. O bolsão é prova da sua actividade e como tal
caracteriza-o como agiota e usurário, acusa-o de ter estado ao serviço do
Diabo ( v. 217) , continua a ser ganancioso e avarento (vv. 221-224) e a última
fala caracteriza o Onzeneiro de forma directa (“onzena”, “fea” e “filha de
maldição”). Os alunos deverão, igualmente, referir que o Onzeneiro tenta
defender-se argumentando que o seu “bolsão” está vazio e assim livre de
pecado.
- Qual o recurso estilístico presente no verso 227?
Os alunos deverão referir que o recurso expressivo presente é a
apóstrofe e poderão referir outros versos (v. 209, v. 225) onde o mesmo
recurso é usado.
- A quem se dirige o Onzeneiro e com que intenção?
Os alunos deverão referir que o Onzeneiro se dirige ao Diabo e que
pretende voltar ao mundo dos vivos para regressar com o seu dinheiro.
- Porque deseja o Onzeneiro regressar com o seu dinheiro e que
demonstra esta sua atitude?
Os discentes deverão afirmar que o Onzeneiro continua a acreditar que
com dinheiro tudo se consegue e que demonstra receio de ser mal recebido
pelo companheiro do Diabo (vv. 231-234) porque vem sem dinheiro. Os alunos
deverão igualmente referir a presença do cómico de carácter porque o
Onzeneiro refere uma situação contrária à sua condição física pretendendo
regressar ao mundo dos vivos. Também o facto de continuar a acreditar que o
dinheiro o pode salvar é característica do cómico de situação.
Nos versos seguintes os alunos deverão constatar que o Diabo apressa
a personagem a entrar e que o Diabo, apesar desta se mostrar reticente (v.
237), lhe diz que a sua entrada é inevitável (v. 239). De seguida deverão
responder a nova série de questões:
- Os versos 240 e seguintes têm um importante significado nesta cena.
Justifiquem a sua importância quer para a caracterização do Onzeneiro, quer
para o desfecho da cena.
Os discentes deverão evidenciar que o Diabo profere a sua sentença,
dizendo-lhe que servirá Satanás. O verso seguinte não só serve como
argumento de acusação para justificar a condenação, referindo que agora é a
sua vez de ajudar Satanás, como caracteriza o Onzeneiro que em vida sempre

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teve a ajuda do Diabo. Ora, se teve a ajuda de Satanás significa que praticava
o mal.
- No verso seguinte, qual a classe morfológica de “triste”?
Os alunos deverão referir que triste é um adjectivo, mas neste verso
encontra-se nominalizado e, assim, houve uma mudança de classe gramatical.
Os alunos deverão registar que este processo de formação de palavras se
designa por Derivação Imprópria. Este processo de formação de palavras
consiste no uso de outras já existentes, mas com outra função gramatical.
- Será que o Onzeneiro demonstra arrependimento no verso 242?
Os alunos deverão responder negativamente justificando que ele não
esboça qualquer frase de arrependimento daquilo que fez em terra e que em
nenhuma ocasião procura redimir-se daquilo que fez. E quando se apercebe
que não tem outra alternativa resigna-se e profere um desabafo de aceitação
daquilo que é acusado.
Os alunos constatarão que o Onzeneiro entra na barca do Inferno e aí
encontra o Fidalgo. Ser-lhes-á dito que “ Santa Joana de Valdês” era uma
personagem popular e bastante conhecida da corte, funcionando como forma
de juramento. Os discentes deverão responder às questões que se seguem:
- Como fica o Onzeneiro ao encontrar o Fidalgo na barca do Diabo?
Os alunos devem referir que o Onzeneiro fica muito espantado com a
presença do Fidalgo.
- Como se dirige o Onzeneiro ao Fidalgo? Poderá ser essa uma forma
de mostrar o seu espanto?
Os alunos devem responder que o Onzeneiro se dirige de maneira
formal e com muito respeito (“vossa senhoria”) ao Fidalgo. Ora, isto mostra o
respeito pela hierarquia e a posição de submissão que existia em relação aos
nobres. Daí o espanto de tão importante personagem se encontrar naquela
barca.
Os discentes serão convidados a reler os versos 114 a 121, do episódio
do Fidalgo. Deverão, depois, responder às questões:
- que sentimento parece prevalecer nesta fala do Fidalgo?
Os alunos deverão afirmar que, aparentemente, o Fidalgo estava
arrependido daquilo que em terra cometera.

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- A fala do Fidalgo, no verso 246 da cena do Onzeneiro, está em
consonância com essa leitura?
A resposta deverá ser negativa, pois neste verso o Fidalgo não se
mostra arrependido com o que fez em vida, atribuindo a sua presença naquele
espaço à vontade do Diabo.
- qual a reacção do diabo à conversa dos dois personagens?
Os discentes devem referir que o Diabo fica zangado com os dois e
ameaça-os de pancada, caso não deixem de falar.
- Que tipo de cómico temos neste último diálogo e porquê?
A turma deverá referir que há uma desadaptação das personagens à
sua situação, logo temos cómico de situação.
Os alunos serão questionados de modo a concluir e sistematizar alguns
aspectos já referidos e outros que só agora estarão aptos a responder:
- Qual o percurso cénico efectuado pelo Onzeneiro?
Os discentes deverão referir que o Onzeneiro chega ao cais, dirige-se à
barca do Inferno, depois à barca da Glória, retornando à barca infernal e,
finalmente, entra na barca do Inferno.
- quem pretende Gil Vicente criticar e o que pretende criticar da
sociedade?
Os alunos deverão dizer que Gil Vicente pretende criticar as pessoas
que cobravam juros excessivos (11%) e eram conhecidos por onzenas. Ele
pretendia criticar a ganância, a avareza, a mesquinhez e a exploração
daqueles que tinham necessidades. Gil Vicente critica a imoralidade dos
empréstimos que cobram juros acima da lei.
Terminada a análise ideológica, estilística e axiológica do episódio e o
respectivo registo, os alunos deverão iniciar o estudo dos Fenómenos de
Queda. Assim, para estabelecer uma ligação ao texto de Gil Vicente, serão
retirados exemplos da cena, registados no quadro e, nesse momento, serão
analisados pela turma, à excepção do processo de Apócope porque no texto
não existe um exemplo. Explicar-se-á que a queda de um ou mais elementos
origina uma evolução. Será, igualmente, explicado aos alunos que estes
fenómenos têm origem em palavras latinas que sofrem diferentes processos de
evolução até aos nossos dias. Ainda a este respeito, os discentes terão a

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oportunidade de ler e analisar uma ficha informativa, cujo conteúdo será
esclarecido.
Finalmente, ser-lhes-á possível definir Texto Argumentativo e sua
estrutura, após verificarem que o argumento é usado quer para a acusação,
quer para a defesa do Onzeneiro. Os discentes ficarão com este conteúdo
sistematizado quando lhes for entregue uma ficha formativa
Para concluir a aula, far-se-á a sistematização dos conteúdos
leccionados, registando-se o sumário no quadro e nos cadernos diários.

SUMÁRIO: Leitura e análise ideológica, estilística e axiológica da


cena do Onzeneiro, do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.
Os Fenómenos Fonéticos de Queda: aférese, síncope e
apócope.
Definição de Texto Argumentativo e sua estrutura.

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