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Engenharia de Energia Solar

Processos e Sistemas

Tradução da 2a Edição
Soteris A. Kalogirou
Tradução
Luciana Arissawa
Revisão Técnica
Prof. Dr. Giuliano Arns Rampinelli
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Do original: Solar Energy Engineering – Processes and Systems – Second Edition
Tradução autorizada do idioma inglês da edição publicada por Academic Press, um selo editorial da
Elsevier Inc.
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© 2016, Elsevier Editora Ltda.
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ISBN 978-85-352-8004-3
ISBN (versão digital): 978-85-352-8005-0
Edição original: ISBN: 978-0-12-397270-5

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Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ

K22e Kalogirou, Soteris


2. ed. A. Engenharia de energia solar: processos e sistemas / Soteris A. Kalogirou; [tradução Luciana
Arissawa]. – 2. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
864 p.: il.; 24 cm
Tradução de: Solar energy engineering: processes and systems
Apêndice
Inclui bibliografia e índice
ISBN 978-85-352-8004-3
1. Energia elétrica – Produção. 2. Energia solar. 3. Energia – Fontes alternativas. I. Arissawa,
Luciana. II. Título.
16-30379 CDD: 621.3121
CDU: 621.311
Prefácio da 2a edição

A 2a edição deste livro incorpora uma série de modificações. Estas incluem a


correção de pequenos equívocos e erros de digitação identificados na 1a
edição. No Capítulo 1 há uma atualização sobre a Seção 1.4 a respeito da
situação climática, referindo-se agora ao ano de 2011. A seção sobre energia
eólica (1.6.1) foi modificada e agora apresenta apenas uma breve introdução
ao tema e a tecnologia dos sistemas eólicos, uma vez que se incluiu um novo
capítulo englobando os referidos assuntos de forma mais ampla. As seguintes
seções passaram por atualização: Seção 1.6.2 sobre a biomassa, Seção 1.6.3
sobre energia geotérmica (a qual demonstra também detalhes sobre bombas
de calor acopladas à Terra), Seção 1.6.4 sobre hidrogênio, oferecendo mais
detalhes acerca da eletrólise, e a Seção 1.6.5 sobre energia dos oceanos, que
foi reforçada consideravelmente.
No Capítulo 2 as seções que abordam radiação térmica (2.3.2) e troca de
radiação entre superfícies (2.3.4) foram aprimoradas. Na Seção 2.3.9,
adicionaram-se mais detalhes sobre o equipamento para medição da radiação
solar. Além disso, um novo ponto 2.4.3 foi acrescido, descrevendo TMY tipo
3 em detalhes. Alguns dos gráficos neste capítulo estão melhores, e aqueles
que o leitor pode usar para obter dados úteis aparecem agora em impressão
maior no modo paisagem para serem mais visíveis. Isso se aplica também a
outros gráficos em outros capítulos.
No Capítulo 3 a seção sobre coletores planos foi melhorada pelo acréscimo
de mais detalhes sobre revestimentos seletivos e a exibição de coletores
solares é acrescentada na categoria coletores de ar. Novos tipos de projetos de
CPC assimétricos são agora explicitados na Seção 3.1.2. Um novo tópico
3.3.5 foi adicionado na análise térmica de coletores de serpentina e uma nova
Seção 3.3.6 expõe as perdas de calor em coletores colecionadores sem tampa
de vidro. A análise térmica de coletores de ar (Seção 3.4) foi melhorada com
a inclusão de coletores nos quais o ar flui entre a placa absorvente e a tampa
de vidro. Na Seção 3.6.4, sobre análise térmica de coletores parabólicos,
inclui-se a seção sobre o uso do vácuo no espaço anular.
No Capítulo 4 há uma nova Seção 4.6 sobre conversão dos parâmetros de
eficiência, além de um novo ponto na Seção 4.7: Avaliação da incerteza do
teste coletor solar. Atualizou-se a listagem dos vários padrões internacionais,
bem como a descrição e o status atual das diversas normas.
No Capítulo 5 a Seção 5.1.1 sobre análise de sistemas de termossifão foi
aprimorada. O mesmo se aplica à Seção 5.1.2 sobre sistemas de
armazenamento integrados do coletor, na qual se demonstra um método para
reduzir as perdas térmicas à noite. Na Seção 5.4.2, aperfeiçoou-se a análise de
conjunto de sombreamento, perda de tubos e dutos, e acrescentou-se uma
seção de coletores parcialmente sombreados. O status de vários padrões
internacionais na Seção 5.7 foi atualizado. Finalmente, acrescentaram-se
novos exercícios.
No Capítulo 6 houve modificação na Seção 6.2.1 sobre construção civil,
incluindo uma seção sobre materiais de mudança de fase. A Seção 6.2.3 sobre
o isolamento térmico foi melhorada e expandida com a adição das
características de materiais isolantes e vantagens e desvantagens dos
isolamentos externo e interno.
No Capítulo 7 a Seção 7.3.2 acerca das células de combustível teve o
acréscimo de diagramas dos vários tipos de células de combustível. Há
melhorias na Seção 7.4 sobre secadores solares, com o acréscimo de mais
alguns detalhes no que concerne aos vários tipos de secadores, além de
observações gerais sobre o processo de secagem.
O Capítulo 8foi modificado com a adição de mais análises dos sistemas de
dessalinização. Particularmente, um diagrama de single-slope solar still
(destilador solar de inclinação única) é então apresentado, bem como as
equações de projeto para a Seção 8.4.1 sobre o processo multiestágio em
flash, o processo de ebulição de vários efeitos na Seção 8.4.2, processo de
compressão de vapor na Seção 8.4.3 e osmose reversa na Seção 8.4.4.
O Capítulo 9foi consideravelmente reestruturado. Em particular, a Seção
9.2.2 sobre os tipos de tecnologia fotovoltaica, a Seção 9.3.2 englobando
inversores, a Seção 9.3.4 sobre rastreadores de potência de pico e a Seção
9.4.5 a respeito dos tipos de aplicações foram aprimoradas com novos dados.
Neste último capítulo, acrescentou-se uma nova seção sobre sistemas
fotovoltaicos integrados à edificação (BIPV). Incluiu-se também a Seção 9.6,
descrevendo inclinação fixa, rastreadores, sombreamento e considerações
acerca da inclinação de espaçamento. A Seção 9.7 sobre concentração PV foi
atualizada e, na Seção 9.8 de sistemas híbridos PV/T, duas abordagens sobre
o projeto de água e recuperação de calor do ar foram incluídas, bem como
uma seção sobre água e sistemas de ar de aquecimento BIPV/t.
No Capítulo 1, a Seção 10.2 sobre sistemas de coletores parabólicos e a
10.3 acerca dos sistemas de torre de energia foram modificadas com a adição
de pormenores dos novos sistemas instalados. Uma nova Seção 10.6 sobre
sistemas de torres ascendente das usinas de vento inclui as etapas iniciais e
demonstração das primeiras plantas e análise térmica. Além disso,
aperfeiçoou-se a Seção 10.7 sobre piscinas solares com o acréscimo de uma
nova seção sobre os métodos de extração do calor, descrição de duas piscinas
solares experimentais, além da última seção sobre aplicações, o que
aprimorou questões relacionadas com alguns valores de custo.
No Capítulo 1, uma nova Seção 11.1.4 foi acrescentada, descrevendo a
modificação do programa f-chart usado para o projeto de sistemas de
termossifão de aquecimento solar da água. Há modificação da Seção 11.5.1
com o acréscimo de detalhes de TRNSYS 17 e bibliotecas Tess e STEC. O
Capítulo 1 apresenta quase nenhuma modificação comparado ao da 1a edição.
Finalmente, nesta 2a edição, há um novo capítulo sobre sistemas de energia
eólica. Este se inicia com uma análise das características do vento, o modelo
unidimensional de turbinas eólicas, uma pesquisa das características de
turbinas eólicas, questões econômicas e problemas de exploração de energia
eólica.
Agradeço às pessoas que se comunicaram comigo a fim de explicitar os
vários erros encontrados na 1a edição. Dedico agradecimentos especiais a
Benjamin Figgis por sua ajuda no Capítulo 9e também a Vassilis Belessiotis
e Emanuel Mathioulakis por rever a seção sobre análise de incertezas nos
testes de coletor solar. Agradeço a George Florides por revisar a seção sobre
as bombas de calor geotérmicas.
Soteris Kalogirou
Chipre University of Technology
Prefácio da 1a edição

Tanto a origem quanto o desenvolvimento da humanidade se basearam na


energia solar. Por meio desta, determinam-se os processos mais básicos de
vida na Terra, tais como a fotossíntese e o ciclo de chuvas. Desde o início da
história, o homem descobriu os benefícios do uso adequado da energia solar.
Apesar disso, somente a partir dos últimos 40 anos, a energia solar vem sendo
aproveitada por meio de equipamentos especializados e usada como uma
fonte alternativa de energia, principalmente por ser de graça e por não
provocar prejuízos ao meio ambiente.
O motivo principal da elaboração deste livro surgiu após uma série de
publicações na revista Progress in Energy and Combustion Science. O
propósito desta obra é auxiliar estudantes de graduação, de pós-graduação e
engenheiros no conhecimento sobre os princípios e aplicações dos sistemas
básicos de energia solar e seus processos. O livro pode ser usado tanto nos
primeiros semestres quanto ao final do curso de Engenharia, explorando os
sistemas solares térmicos. No primeiro semestre, os capítulos gerais podem
ser úteis como introdução à energia solar ou às fontes renováveis de energia,
o que pode ser feito por meio da seleção das partes descritivas, excetuando a
maioria das especificações matemáticas, as quais podem vir a ser abordadas
de acordo com o nível do curso. Quanto à segunda parte, são pré-requisitos os
estudos de termodinâmica e transferência de calor. O livro também pode ser
utilizado como um guia de referência para os engenheiros atuantes que
objetivam compreender o modo como os sistemas solares funcionam e como
projetá-los. Uma vez que a obra contempla uma diversidade de exemplos
resolvidos, pode ser usado para autoaprendizado. No livro, aplica-se
exclusivamente o Sistema Internacional de Unidades (SI).
O conteúdo do livro abrange uma grande variedade de tecnologias para a
conversão de energia solar para o fornecimento de água quente, aquecimento,
resfriamento, secagem, dessalinização e eletricidade. No capítulo introdutório
são analisados os problemas ambientais relacionados com a energia e as
condições climáticas. Há também uma breve introdução histórica acerca da
energia solar, abordando alguns detalhes sobre as primeiras utilizações. O
capítulo é concluído com uma revisão das tecnologias de energias renováveis
que não serão abordadas no livro.
O Capítulo 2apresenta uma análise da geometria solar, o modo como se
calculam os efeitos de sombreamento, além dos princípios básicos da
transferência de calor por radiação. Conclui-se com uma recapitulação dos
instrumentos de medição de radiação solar e o método para elaborar um ano
meteorológico típico.
Os coletores solares são os principais componentes de qualquer sistema
solar, por isso, no Capítulo 3 após uma revisão dos vários tipos de coletores,
explicitam-se as análises óticas e térmicas, tanto da placa plana quanto dos
coletores concentradores. A análise dos coletores planos aborda os sistemas
do tipo ar e água, ao passo que a análise dos coletores concentradores inclui o
coletor parabólico composto e o cilíndrico-parabólico. O capítulo expõe,
ainda, a análise da segunda lei para sistemas solares térmicos.
Já o Capítulo 4trata dos métodos experimentais para determinar o
desempenho dos coletores solares e descreve os vários testes necessários a
fim de determinar a eficiência térmica dos referidos coletores. Ademais, são
discutidos os métodos necessários para determinar o modificador do ângulo
de incidência no coletor, a constante de tempo do coletor e o ângulo de
aceitação para coletores concentradores. O método de teste dinâmico é
também explicitado. É apresentada uma revisão de normas europeias
utilizadas para este fim, bem como métodos de teste de qualidade e detalhes
do sistema de certificação Solar Keymark. Finalmente, o capítulo descreve as
características dos sistemas de aquisição de dados.
O Capítulo 5aborda os sistemas de aquecimento de água por meio da
energia solar. Ambos os sistemas passivos e ativos são descritos em seguida,
bem como as características e a análise térmica dos sistemas de
armazenamento de calor dos sistemas de água e de ar. Os métodos de projeto
modular e matricial, além das características de termostatos diferenciais são
posteriormente descritos. Por fim, é abordada a metodologia de cálculo da
demanda de água quente, assim como os padrões internacionais usados para
avaliar a performance do aquecedor solar de água. O capítulo também inclui
modelos de sistemas simples e considerações práticas para a instalação de
sistemas solares de aquecimento de água.
O Capítulo 6trata de sistemas de aquecimento e de refrigeração de
ambientes. Inicialmente, são dados os métodos para estimar a carga térmica
em edifícios. Em seguida, são apresentadas algumas características gerais de
projeto passivo de ambiente, seguidas pelo projeto ativo do sistema. Sistemas
ativos incluem tanto os baseados em ar quanto aqueles à base de água. Os
sistemas solares de arrefecimento descritos abordam os sistemas de adsorção
e de absorção. Este inclui os sistemas de brometo de lítio em água e de água-
amoníaco. Por fim, demonstram-se as características para o arrefecimento da
energia solar mediante sistemas de refrigeração de absorção.
Os sistemas de aquecimento de processos industriais são descritos no
Capítulo 7 Primeiramente, as considerações gerais de design são dadas, nas
quais os sistemas solares industriais de ar e de água são examinados.
Posteriormente, apresentam-se as características dos métodos de geração de
vapor, seguidas por aplicações químicas, que incluem a melhora de
combustíveis e células de combustível. O capítulo também inclui uma
descrição de secadores solares passivos e ativos, além das estufas.
Os sistemas de dessalinização solar são examinados no Capítulo 8 Este
inicialmente analisa a relação entre água e energia, a demanda e o consumo,
assim como a relação de energia e dessalinização de água. Depois, apresenta-
se a análise exergética dos processos de dessalinização, seguida de uma
revisão dos sistemas de dessalinização direto e indireto. O capítulo também
inclui uma revisão dos sistemas de dessalinização à base de energias
renováveis e os parâmetros a serem considerados na seleção do processo de
dessalinização.
Embora o livro apresente principalmente os sistemas solares térmicos, os
sistemas fotovoltaicos também são examinados no Capítulo 9 Inicialmente,
expõem-se as características gerais dos semicondutores, seguidas por
módulos e equipamentos fotovoltaicos e equipamentos relacionados.
Posteriormente, são analisadas as possíveis aplicações e métodos para
projetar sistemas fotovoltaicos (FV). Por fim, o capítulo analisa os sistemas
de energia solar fotovoltaica concentrada e o sistema híbrido
fotovoltaico/térmico (FV/T).
O Capítulo 1 trata dos sistemas de energia solar térmica. A princípio, são
mostradas as considerações gerais de projeto; adiante, apresentam-se as três
tecnologias principais: concentradores cilíndrico-parabólico, torre central e
disco parabólico (ou disco-Stirling). Em seguida, há uma análise térmica dos
ciclos básicos de estações de energia solar térmica. Finalmente, são
examinadas as piscinas solares, que consistem em um grande coletor solar e
um sistema de armazenamento que pode ser usado para geração de energia
solar.
No Capítulo 1, são demonstrados os métodos para projeto e modelagem de
sistemas de energia solar. Estes incluem a metodologia e programa ƒ-chart, o
método de utilizabilidade, Φ, e o método de inutilizabilidade. O capítulo
também inclui a descrição de diversos processos que podem ser empregados
para a modelagem e simulação dos sistemas de energia solar, além de um
breve detalhamento das técnicas de inteligência artificial usadas na
modelagem dos sistemas de energia renovável, previsão de desempenho e
controle. O capítulo termina com a análise das limitações das simulações.
Um projeto de sistema solar não é completo se não incluir uma avaliação
econômica. Esse é o assunto do último capítulo do livro, que inclui a
descrição da análise do ciclo de vida e o valor do dinheiro no tempo. O
estudo do ciclo de vida é então apresentado através de uma série de exemplos
que incluem a otimização do sistema e a estimativa do tempo de retorno do
investimento. Subsequentemente, demonstram-se os métodos P1 e P2,
finalizando com o estudo das incertezas da análise econômica.
Os Apêndices incluem nomenclatura, lista de definições, vários diagramas
solares, dados para a irradiação espectral terrestre, propriedades termofísicas
dos materiais, curvas de saturação água-vapor, equações para as curvas do
coletor parabólico composto (CPC), dados meteorológicos para diversas
localizações, além de tabelas para análise financeira.
O material apresentado neste livro é baseado em mais de 25 anos de
experiências na área e em fontes de informação bem estabelecidas. As
principais fontes são os melhores periódicos, tais como Solar Energy e
Renewable Energy, as importantes conferências bienais como ISES, Eurosun
e o Congresso Mundial de Energias Renováveis; além de relatórios de várias
sociedades de especialistas. Foram utilizados vários padrões da Organização
Internacional para Padronização, especialmente no que diz respeito à
avaliação de desempenho do coletor (Capítulo 4 e ao teste completo do
sistema (Capítulo 5.
Em muitos exemplos, sugere-se o uso de planilhas de cálculo, pois
variações nos parâmetros de entrada podem ser testadas rapidamente.
Recomenda-se, portanto, que os estudantes elaborem arquivos de planilha
necessários para esse propósito.
Finalmente, gostaria de agradecer à minha família – minha esposa Rena e
meus filhos Andreas e Annad – pela paciência ao longo do extenso decurso
de elaboração desta obra.
Soteris Kalogirou
Chipre University of Technology
Sumário

Capa

Folha de Rosto

Copyright

Prefácio da 2ª edição

Prefácio da 1ª edição

Sumário

Capítulo 1 | Introdução
1.1 Introdução geral às tecnologias de energias renováveis
1.2 A demanda de energia e as energias renováveis
1.3 Problemas ambientais relacionados à energia
1.3.1 Chuva ácida
1.3.2 A destruição da camada de ozônio
1.3.3 Mudança climática global
1.3.4 Energia nuclear
1.3.5 Tecnologias de energias renováveis
1.4 Situação climática
1.4.1 Temperatura global
1.4.2 Dióxido de carbono
1.4.3 Metano
1.4.4 Monóxido de carbono
1.4.5 Óxido nitroso e hexafluoreto de enxofre
1.4.6 Halocarbonos
1.4.7 Nível do mar
1.5 Uma breve história da energia solar
1.5.1 Sistemas fotovoltaicos
1.5.2 Dessalinização solar
1.5.3 Secagem solar
1.5.4 Construções solares passivas
1.6 Outros sistemas de energia renovável
1.6.1 Energia eólica
Uma breve introdução histórica à energia eólica
Sistemas de tecnologia de energia eólica
1.6.2 Biomassa
A produção sustentável de biomassa para energia
Biocombustíveis
1.6.3 Energia geotérmica
Bombas de calor geotérmicas
1.6.4 Hidrogênio
1.6.5 Energia oceânica
A energia das ondas
Energia das marés
Conversão de energia oceânica térmica
Exercício
Referências

Capítulo 2 | Características ambientais


2.1 Avaliação do tempo
2.1.1 Equação do tempo
2.1.2 Ajuste da longitude
2.2 Ângulos solares
Declinação, δ
Ângulo Horário, h
Ângulo de altitude solar, α
Ângulo de azimute solar, α
Nascer do sol, pôr do sol e duração do dia
Ângulo de incidência, θ
2.2.1 Ângulo de incidência para as superfícies em movimento
Rastreamento completo
Eixo inclinado N-S com inclinação ajustada diariamente
Eixo polar N-S com rastreamento L-O
Eixo horizontal L-O com rastreamento N-S
Eixo horizontal N-S com rastreamento L-O
Comparação
2.2.2 Diagramas do caminho do sol
2.2.3 Determinação da sombra
2.3 Radiação solar
2.3.1 Geral
2.3.2 Radiação térmica
2.3.3 Placas transparentes
2.3.4 Troca de radiação entre superfícies
2.3.5 Radiação solar extraterrestre
2.3.6 Atenuação atmosférica
2.3.7 Irradiação Terrestre
2.3.8 Radiação solar global em superfícies inclinadas
Modelo de céu isotrópico
Outros modelos de radiação
Modelo Klucher
Modelo de Hay-Davies
Modelo Reindl
Insolação em superfícies inclinadas
2.3.9 Equipamentos de medição da radiação solar
2.4 O recurso solar
2.4.1 Ano meteorológico típico
2.4.2 Ano meteorológico típico, segunda geração
2.4.3 Ano meteorológico típico, terceira geração
Exercícios
Referências

Capítulo 3 | Coletores de energia solar


3.1 Coletores estacionários
3.1.1 Coletores de placa plana (FPC)
Materiais de vidro
Placas absorvedoras dos coletores
Construção de coletor
3.1.2 Coletor parabólico composto (CPC)
3.1.3 Coletor de tubo evacuado (ETC)
3.2 Coletores concentradores com rastreador solar
3.2.1 Coletor parabólico em calha (PTC)
Construção da parábola
Mecanismos de rastreamento
3.2.2 Coletores Fresnel
3.2.3 Refletor de disco parabólico (PDR)
3.2.4 Coletor de campo heliostático (HFC)
3.3 Análise térmica de coletores de placa plana
3.3.1 Radiação solar absorvida
3.3.2 Perdas de energia do coletor
3.3.3 A distribuição de temperatura entre os tubos e o fator de
eficiência do coletor
3.3.4 Fator de remoção de calor, fator de fluxo e eficiência térmica
3.3.5 Coletor serpentina
3.3.6 Perdas de calor de coletores sem vidro
3.4 Análise térmica dos coletores de ar
3.5 Considerações práticas para coletores de placa plana
3.6 Coletores concentradores
3.6.1 Análise ótica do coletor parabólico componente
3.6.2 Análise térmica dos coletores parabólicos compostos
3.6.3 Análise ótica dos coletores parabólicos em calha
Eficiência ótica
3.6.4 Análise térmica de coletores parabólicos em calha
Consideração do vácuo no espaço circular
3.7 Análise da segunda lei
3.7.1 Taxa mínima de geração de entropia
3.7.2 Temperatura ideal do coletor
3.7.3 Coletor não-isotérmico
Exercícios
Referências

Capítulo 4 | Desempenho de coletores solares


4.1 Eficiência térmica do coletor
4.1.1 Efeito da vazão mássica
4.1.2 Coletores em série
4.1.3 Requisitos normalizados
Coletores com Cobertura de Vidro
Coletores sem Cobertura de Vidro
Utilizando um simulador solar
4.2 Modificador do ângulo de incidência do coletor
4.2.1 Coletores de placas planas
4.2.2 Coletores concentradores
4.3 Ângulo de aceitação do coletor concentrador
4.4 Constante de tempo do coletor
4.5 Método de teste do sistema dinâmico
4.6 Conversão dos parâmetros de eficiência
4.7 Avaliação de incertezas em teste de coletor solar
4.7.1 Adequação e incertezas em resultados de testes de eficiência
4.8 Resultados dos testes de coletor e seleção preliminar de coletor
4.9 Métodos de teste de qualidade
4.9.1 Teste de pressão interna
4.9.2 Teste de resistência a alta temperatura
4.9.3 Teste de exposição
4.9.4 Teste de choque térmico externo
4.9.5 Teste de choque térmico interno
4.9.6 Penetração de chuva
4.9.7 Teste de congelamento
4.9.8 Teste de resistência a impacto
4.10 Normas europeias
4.10.1 Solar Keymark
4.11 Sistemas de aquisição de dados
4.11.1 Coletores de dados portáteis
Exercícios
Referências

Capítulo 5 | Sistemas solares de aquecimento de água


5.1 Sistemas passivos
5.1.1 Sistemas de termossifão
Desempenho teórico dos aquecedores solares de água por termossifão
Circulação reversa nos sistemas de termossifão
Configuração do tanque vertical versus horizontal
Proteção contra congelamento
Termossifões rastreadores
5.1.2 Sistemas de armazenamento integrados do coletor
5.2 Sistemas ativos
5.2.1 Sistemas de circulação direta
5.2.2 Sistemas indiretos de aquecimento de água
5.2.3 Sistemas de aquecimento de água a ar
5.2.4 Sistemas de bombeamento de calor
5.2.5 Sistemas de aquecimento em piscina
Perda de calor por evaporação
Perda de calor por radiação
Perda de calor por convecção
Água de composição
Ganho de calor da radiação solar
5.3 Sistemas de armazenamento de calor
5.3.1 Armazenamento térmico de sistema a ar
5.3.2 Armazenamento térmico de sistema a líquido
5.3.3 Análise térmica de sistemas de armazenamento
Sistemas de água
Sistemas de ar
5.4 Desenho do módulo e do arranjo
5.4.1 Desenho do módulo
5.4.2 Desenho do arranjo
Sombreamento
Expansão térmica
Corrosão galvânica
Tamanho do arranjo
Trocadores de calor
Perdas de tubo e duto
Coletores parcialmente sombreados
Proteção contra sobretemperatura
5.5 Controlador de temperatura diferencial
5.5.1 Localização ou posicionamento de sensores
5.6 Demanda de água quente
5.7 Avaliação de desempenho do aquecedor de água solar
Teste de avaliação
Procedimentos de correlação caixa preta
Simulação de computador e teste
5.8 Modelos de sistema simples
5.9 Considerações práticas
5.9.1 Tubos, suportes e isolamento
5.9.2 Bombas
5.9.3 Válvulas
5.9.4 Instrumentação
Exercícios
Referências

Capítulo 6 | Aquecimento e resfriamento solar de ambientes


6.1 Estimativa de carga térmica
Ganho de calor
Carga térmica
Taxa de extração de calor
6.1.1 O método do balanço de calor
6.1.2 O método de função de transferência
Funções de transferência de parede e telhado
Paredes, tetos e pisos
Vidros
Pessoas
Iluminação
Eletrodomésticos
Ventilação e infiltração de ar
6.1.3 Taxa de extração de calor e temperatura ambiente
6.1.4 Método de graus-dia
6.1.5 Construção de transferência de calor
6.2 Design de aquecimento passivo de ambiente
6.2.1 Construção civil: efeitos de massa térmica
Efeitos de massa térmica casual
Efeitos de massa térmica intencionais
Características de uma parede de armazenamento térmico
Desempenho de paredes de armazenamento térmico
O uso dos materiais de mudança de fase
6.2.2 Forma da construção e orientação
6.2.3 Isolamento
6.2.4 Janelas: Espaços solares
6.2.5 Brises
6.2.6 Ventilação natural
6.3 Aquecimento e resfriamento solar de ambientes
6.3.1 Aquecimento do ambiente e água quente de serviço
6.3.2 Sistemas de ar
6.3.3 Os sistemas de água
6.3.4 Local do aquecedor auxiliar
6.3.5 Sistemas de bombas de calor
6.4 Resfriamento solar
Refrigeração solar por absorção e adsorção
Sistemas mecânico-solares
Condicionamento de ar solar
6.4.1 Unidades de adsorção
6.4.2 Unidades de absorção
Sistemas de absorção de água-brometo de lítio
Análise termodinâmica
Concepção de sistemas de absorção de efeito único de LiBr-água
Sistemas de absorção de amônia-água
6.5 Refrigeração solar por absorção
Exercícios
Referências

Capítulo 7 | Processo de aquecimento industrial, aplicações


químicas e secadores solares
7.1 Processo de aquecimento industrial: considerações gerais sobre
design
7.1.1 Sistemas solares industriais de ar e água
7.2 Sistemas solares de geração de vapor
7.2.1 Métodos de geração de vapor
7.2.2 Design de tanque de expansão
7.3 Aplicações químicas solares
7.3.1 Reforma de combustíveis
7.3.2 Células de combustível
Características básicas
Química da célula de combustível
Tipos de células de combustível
Célula de combustível alcalina (CCA)
Célula de combustível de ácido fosfórico (CCAF)
Célula de combustível de carbonato fundido (CCCF)
Célula de combustível de óxido sólido (CCOS)
Células de combustível com membrana de troca de prótons (CCMTP)
7.3.3 Processamento de materiais
7.3.4 Desintoxicação solar
7.4 Secadores solares
7.4.1 Secadores solares ativos
Tipo distribuído
Tipo integral
Tipo modo misto
7.4.2 Secadores solares passivos
Tipo distribuído
Tipo integral
Tipo modo misto
7.4.3 Observações gerais
7.5 Estufas
7.5.1 Materiais de estufa
Exercícios
Referências

Capítulo 8 | Sistemas solares de dessalinização


8.1 Introdução
8.1.1 Água e energia
8.1.2 Demanda de água e consumo
8.1.3 Dessalinização e energia
8.2 Processos de dessalinização
8.2.1 Análise exergética de sistemas de dessalinização
8.2.2 Análise de exergia de sistemas térmicos de dessalinização
8.3 Sistemas de coleta direta
8.3.1 Classificação dos sistemas de destilação solar
8.3.2 Desempenho de destiladores solares
8.3.3 Comentários gerais
8.4 Sistemas coletores indiretos
8.4.1 O processo flash multiestágios
8.4.2 O processo de ebulição de efeito múltiplo
8.4.3 O processo de compressão de vapor
8.4.4 Osmose reversa
8.4.5 Eletrodiálise
8.5 Revisão dos sistemas de dessalinização de energia renovável
8.5.1 Energia termossolar
8.5.2 Lagos solares
8.5.3 Tecnologias solares fotovoltaicas
8.5.4 Energia eólica
8.5.5 Energia solar híbrida FV-eólica
8.5.6 Energia geotérmica
8.6 Processo de seleção
Exercícios
Referências

Capítulo 9 | Sistemas fotovoltaicos


9.1 Semicondutores
9.1.1 Junção p-n
9.1.2 Efeito fotovoltaico
9.1.3 Características das células fotovoltaicas
9.2 Módulos fotovoltaicos
9.2.1 Arranjos fotovoltaicos
9.2.2 Tipos de tecnologia PV
9.3 Equipamento relacionado
9.3.1 Baterias
9.3.2 Inversores
9.3.3 Controlador de carga
9.3.4 Seguidores do ponto de máxima potência
9.4 Aplicações
9.4.1 Sistema PV acoplado diretamente
9.4.2 Aplicações autônomas
9.4.3 Sistema conectado à rede
9.4.4 Sistema conectado-híbrido
9.4.5 Tipos de aplicações
Sistemas fotovoltaicos integrados à edificação
9.5 Projeto de sistemas fotovoltaicos
9.5.1 Cargas elétricas
9.5.2 Radiação solar absorvida
9.5.3 Temperatura da célula
9.5.4 Dimensionamento de sistemas fotovoltaicos
Sistemas fotovoltaicos conectados à rede
Sistemas fotovoltaicos autônomos
9.6 Inclinação e rendimento
9.6.1 Inclinação fixa
9.6.2 Rastreadores
9.6.3 Sombreamento
9.6.4 Inclinação versus espaçamento
9.7 Concentradores PV
9.8 Sistemas híbridos PV/T
Coletores PV/T com recuperação de calor líquido
Coletores PV/T com recuperação de calor e ar
9.8.1 Aplicações híbridas PV/T
9.8.2 Aquecimento de água e ar por BIPV/T
Exercícios
Referências

Capítulo 10 | Sistemas de energia termossolar


10.1 Introdução
10.2 Sistemas coletores concentradores cilíndrico-parabólicos
10.2.1 Descrição das usinas de energia PTC
10.2.2 Perspectivas para a tecnologia
10.3 Sistemas de torre central
10.3.1 Características do sistema
10.4 Sistemas de disco parabólico
10.4.1 Características do sistema de disco parabólico
10.5 Análise térmica das usinas de energia solar
10.6 Torres solares de vento ascendente
10.6.1 Primeiros passos e primeira demonstração
10.6.2 Análise térmica da estrutura de torre solar de vento ascendente
10.7 Lagos solares
10.7.1 Considerações práticas de design
10.7.2 Métodos de extração de calor
10.7.3 Estimativa de transmissão
10.7.4 Lagos solares experimentais
10.7.5 Aplicações
Exercícios
Referências

Capítulo 11 | Design e modelagem dos sistemas de energia solar


11.1 Método e programa f-chart
11.1.1 Desempenho e design de sistemas de aquecimento solar à base
de líquidos
Correção de capacidade de armazenamento
Correção da vazão do coletor
Correção de tamanho de carga de calor do trocador
11.1.2 Desempenho e design de sistemas de aquecimento solar
baseados em ar
Correção de tamanho de armazenamento Pebble-Bed
Correção da vazão de ar
11.1.3 Desempenho e design de sistemas solares de água de serviço
11.1.4 Sistemas termossifão para aquecimento solar da água
11.1.5 Considerações gerais
11.1.6 Programa f-chart
11.2 Método de Utilizabilidade
11.2.1 Utilizabilidade de hora em hora
11.2.2 Utilizabilidade diária
11.2.3 Design de sistemas ativos com método de utilizabilidade
Utilizabilidade horária
Utilizabilidade diária
11.3 Os métodos Φ e f-chart
11.3.1 Correção de perdas do tanque de armazenamento
11.3.2 Correção do trocador de calor
11.4 Método de inutilizabilidade
11.4.1 Sistemas de ganho direto
11.4.2 Paredes de armazenamento do coletor
11.4.3 Captação ativa com sistemas de armazenamento passivo
11.5 Modelagem e simulação dos sistemas de energia solar
11.5.1 Programa de simulação TRNSYS
11.5.2 Programa de simulação WATSUN
11.5.3 Programa de simulação POLYSUN
11.6 Inteligência artificial em sistemas de energia solar
11.6.1 As redes neurais artificiais
Neurônios biológicos e artificiais
Princípios de redes neurais artificiais
Seleção de parâmetros de rede
Arquitetura de retropropagação
Arquitetura de rede neural de regressão geral
Método de grupo de manipulação de dados de arquitetura de rede
neural
Aplicações de ANNs em sistemas de energia solar
11.6.2 Os algoritmos genéticos
Aplicações GA em sistemas de energia solar
Programas GENOPT e TRNOPT
11.6.3 A lógica fuzzy
Funções de adesão
Operações lógicas
Regras SE-ENTÃO
Sistema de inferência fuzzy
Aplicações de sistemas fuzzy em sistemas de energia solar
11.6.4 Sistemas híbridos
11.7 Limitações das simulações
Exercícios
Referências

Capítulo 12 | Análise econômica da energia solar


12.1 Análise do ciclo de vida
12.1.1 Custo do ciclo de vida
12.2 O valor temporal do dinheiro
12.3 Descrição do método de análise de ciclo de vida
12.3.1 Exemplos de custo de combustível de sistemas de energia não
solares
12.3.2 Exemplo do sistema água quente
12.3.3 Exemplo de otimização do sistema de água quente
12.3.4 Tempo de retorno
Sem descontar a economia de combustível
Economia de combustível com desconto
12.4 O método P1, P2
12.4.1 Otimização usando o método P1, P2
12.5 Incertezas na análise econômica
Tarefa
Exercícios
Referências

Capítulo 13 | Sistemas de energia eólica


13.1 Características de vento
13.1.1 Perfis de velocidade do vento
13.1.2 Variação da velocidade do vento com o tempo
13.1.3 Representação estatística da velocidade do vento
13.1.4 Recursos eólicos
13.1.5 Recurso eólico do mapa múndi
13.1.6 Estudo detalhado da velocidade do vento
13.2 Modelo unidimensional para turbinas eólicas
13.3 As turbinas eólicas
13.3.1 Tipos de turbinas eólicas
13.3.2 Características da potência das turbinas eólicas
13.3.3 Turbinas eólicas offshore
13.3.4 Parques eólicos
13.4 As questões econômicas
13.5 Problemas de exploração de energia eólica
Exercícios
Referências

Apêndice 1 | Nomenclatura

Apêndice 2 | Definições
Apêndice 3 | Diagramas do sol

Apêndice 4 | Irradiação espectral terrestre

Apêndice 5 | Propriedades termofísicas de materiais

Apêndice 6 | Equações para as curvas das Figuras de 3.38-3.40

Apêndice 7 | Dados meteorológicos

Apêndice 8 | Fatores de valor presente

Índice
CAPÍTULO

1
Introdução
1.1Introdução geral às tecnologias de energias
renováveis
O sol é a única estrela do nosso sistema solar localizada em seu centro. A
Terra e outros planetas orbitam o sol. A energia que vem do sol, na forma de
radiação solar, sustenta quase toda a vida na Terra por meio da fotossíntese e
conduz o clima e o tempo da Terra.
Aproximadamente 74% da massa solar é hidrogênio, 25% é hélio e o resto é
composto por pequenas quantidades de elementos mais pesados. O sol tem
uma temperatura de superfície de 5.500K, dando-lhe uma cor branca, que,
por causa da dispersão atmosférica, parece amarela. O sol gera a sua energia
por intermédio da fusão nuclear de hidrogênio em hélio. A radiação solar é a
principal fonte de energia para a superfície da Terra e pode ser aproveitada
em uma variedade de processos naturais e sintéticos. O mais importante é a
fotossíntese, utilizada pelas plantas para capturar a energia da radiação solar e
convertê-la para a forma química. Geralmente, a fotossíntese é a síntese de
glicose a partir da luz solar, dióxido de carbono e água, com o oxigênio como
produto residual. É indiscutivelmente o processo bioquímico mais
importante, e quase toda vida na Terra depende dele.
Basicamente, todas as formas de energia no mundo como o conhecemos são
de origem solar. Petróleo, carvão, gás natural e madeira são originalmente
produzidos por meio de processos fotossintéticos, seguidos de complexas
reações químicas em que a vegetação em decomposição é submetida a altas
temperaturas e fortes pressões por um longo período de tempo. Mesmo a
energia eólica e a energia maremotriz ou energia das marés tem origem solar,
já que são causadas por diferenças na temperatura em várias regiões do
planeta.
Desde a Pré-história, o sol secou e preservou os alimentos da humanidade.
Ele também evaporou a água do mar para obter sal. Desde que os humanos
começaram a racionalizar, eles reconheceram o sol como a força motriz por
trás de cada fenômeno natural. Esse é o motivo pelo qual muitas tribos pré-
históricas consideravam o sol como um deus. Muitos escritos do Egito antigo
dizem que a Grande Pirâmide, uma das maiores realizações da engenharia
humana, foi construída como uma escada para o sol (Anderson, 1977).
Já nos tempos pré-históricos as pessoas perceberam que o bom uso da
energia solar é benéfico. O historiador grego Xenofonte, em sua
“memorabilia”, registra alguns dos ensinamentos do filósofo grego Sócrates
(470-399 a.C) em relação às orientações corretas para habitações, a fim de se
ter casas que eram frias no verão e aquecidas no inverno.
A maior vantagem da energia solar, comparada a outras formas de energia,
é que ela é limpa e pode ser fornecida sem poluição do ambiente. Ao longo
do século passado, combustíveis fósseis forneceram a maior parte de nossa
energia, porque eles eram mais baratos e mais convenientes que a energia
advinda de fontes alternativas de energia e, até recentemente, a poluição do
meio ambiente era só uma pequena preocupação.
Doze dias de 1973, depois da invasão do exército egípcio através do Canal
de Suez, em 12 de outubro, mudaram a relação econômica do combustível e
da energia de modo que, pela primeira vez, uma crise internacional foi criada
com a ameaça da “arma-petróleo” sendo usada como parte da estratégia
árabe. Tanto o preço quanto as questões políticas da arma foram rapidamente
materializadas quando seis membros do Golfo na Organização dos Países
Exportadores de Petróleo (OPEP), reuniram-se no Kuwait e abandonaram a
ideia de realizar consultas de preços junto às companhias de petróleo,
anunciando, ao mesmo tempo, que estavam subindo o preço de seu petróleo
bruto em 70%.
O rápido aumento da demanda do petróleo ocorreu principalmente por
causa das quantidades crescentes de petróleo sendo produzido a custo muito
baixo, tornando-se disponível durante os anos 1950 e 1960 no Oriente Médio
e no norte da África. Para os países consumidores, o petróleo importado
estava barato em comparação com a produção interna de energia advinda de
combustíveis sólidos.
As reservas mundiais de petróleo comprovadas são iguais a 1.341 bilhões
de barris (2009), as reservas mundiais de carvão correspondem a 948.000
milhões de toneladas (2008) e as reservas mundiais de gás natural equivalem
a 178,3 trilhões de m3 (2009). A taxa atual de produção é de 84,7 milhões de
barris de petróleo por dia, 21,9 milhões de toneladas de carvão por dia e 9,05
bilhões de m3 de gás natural por dia. Portanto, o principal problema é que as
reservas comprovadas de petróleo e gás, de acordo com as atuais taxas de
consumo, seriam suficientes para atender a demanda somente por mais 42 e
54 anos, respectivamente. As reservas de carvão estão em uma melhor
situação; elas seriam adequadas para, pelo menos, os próximos 120 anos.
Se tentarmos ver as implicações destas reservas limitadas, seremos
confrontados com uma situação na qual o preço dos combustíveis irá acelerar
à medida que as reservas forem diminuindo. Considerando que o preço do
petróleo se estabeleceu firmemente como líder de todos os preços de
combustíveis, a conclusão é que os preços de energia irão aumentar
continuamente nas próximas décadas. Além disso, há uma crescente
preocupação acerca da poluição do meio ambiente provocada pela queima de
combustíveis fósseis. Esse assunto é abordado no Tópico 1.3.
A energia do sol tem sido usada tanto pela natureza quanto pela
humanidade ao longo do tempo e de diversas maneiras, desde o cultivo de
alimentos até a secagem de roupas; ela também tem sido deliberadamente
aproveitada para realizar vários outros trabalhos. A energia solar é usada para
aquecer e refrigerar edifícios (tanto ativa quanto passivamente), aquecer a
água para uso doméstico e industrial, aquecer piscinas térmicas, geladeiras
elétricas, operar bombas e motores, dessalinizar água para torná-la potável,
gerar eletricidade, aplicações químicas e muitas outras operações. O objetivo
deste livro é apresentar vários tipos de sistemas usados para aproveitar a
energia solar, detalhes de engenharia, maneiras de projetá-las juntamente com
alguns exemplos e estudos de caso.
1.2A demanda de energia e as energias renováveis
Muitas fontes de energia alternativa podem ser usadas no lugar de
combustíveis fósseis. A decisão sobre qual tipo de fonte de energia deve ser
utilizada em cada caso precisa se basear na economia, no meio ambiente e em
considerações acerca da segurança. Devido ao impacto desejável ao meio
ambiente e aos aspectos de segurança, é amplamente acreditado que a energia
solar deveria ser utilizada no lugar de outras formas de energia alternativa,
porque ela pode ser fornecida de modo sustentável e sem agredir o meio
ambiente.
Se a economia mundial se expande a fim de satisfazer as expectativas dos
países de todo o mundo, a demanda energética tende a aumentar, mesmo que
sejam feitos laboriosos esforços para aumentar a otimização do uso da
energia. Agora, geralmente acredita-se que as tecnologias de energia
sustentável podem atender à crescente demanda com preços que são iguais ou
inferiores àqueles geralmente previstos pela energia convencional. Em
meados do século XXI, as fontes de energias renováveis podem ser
responsáveis por três quintos do mercado mundial de eletricidade e dois
quintos do mercado de combustíveis usados diretamente1.
Além disso, fazer a transição para uma economia de uso intensivo de
energia renovável proporcionaria benefícios para o meio ambiente e outros
benefícios não mensuráveis em termos econômicos padrão. É previsto que,
até 2050, a emissão global de dióxido de carbono (CO2) reduziria em 75%,
aos níveis de 1985, desde que a eficiência energética e as energias renováveis
sejam amplamente adotadas. Além do mais, esses benefícios poderiam ser
alcançados sem nenhum custo adicional, porque se espera que a energia
renovável seja competitiva em relação à energia convencional* (Johanson et.
al., 1993).
Esta promissora perspectiva para as energias renováveis reflete
impressionantes ganhos técnicos feitos durante as últimas duas décadas,
como os sistemas de energia renovável que beneficiaram o desenvolvimento
da eletrônica, biotecnologia, ciência de materiais e outras áreas. Por exemplo,
as células de combustível desenvolvidas originalmente para o programa
espacial abriram as portas para o uso do hidrogênio como um combustível
não poluente para o transporte.
Além disso, pelo fato de em sua maioria os equipamentos de energia
renovável serem pequenos, as tecnologias de energia renovável podem
avançar em um ritmo mais rápido que o das tecnologias convencionais.
Enquanto as grandes instalações de energia exigem extensa construção no
campo, em sua maioria os equipamentos de energia renovável podem ser
construídos em fábricas, onde é mais fácil se aplicar técnicas de fabricação
modernas que facilitem a redução de custos. Esse é um parâmetro decisivo
que a indústria de energia renovável deve considerar numa tentativa de
reduzir custos e aumentar a confiabilidade dos produtos manufaturados. A
pequena dimensão dos equipamentos também faz do tempo desde o design
inicial até a operação mais curto; por fim, todas as melhorias podem ser
facilmente identificadas e incorporadas rapidamente em projetos ou processos
modificados.
De acordo com o cenário do uso intensivo de energias renováveis, a
contribuição de energia renovável intermitente, até meados deste século, seria
elevada a 30% (Johanson et al., 1993). Uma alta taxa de penetração das
energias renováveis intermitentes seria facilitada pela ênfase em sistemas
geradores de energia avançados e movidos a turbinas de gás natural. Tais
sistemas de geração de energia – caracterizados pelo baixo custo de capital,
alta eficiência termodinâmica e a flexibilidade da variação de potência
elétrica em resposta rápida às alterações de produção dos sistemas de geração
de energia – poderiam possibilitar o estoque de energia renovável
intermitente a preço baixo, com pouca ou nenhuma necessidade de
armazenamento de energia.
Os elementos-chave de um futuro com uso intensivo de energia renovável
são propensos a apresentarem as seguintes características-chave (Johanson et
al., 1993):
1. Haveria uma diversidade de fontes de energia, a relativa abundância que
variaria de região para região. Por exemplo, a eletricidade poderia ser
fornecida por meio de várias combinações de energia hidrelétrica, fontes
intermitentes de energia renovável (vento, termoelétrica solar, fotovoltaica
(PV)), biomassa2 e fontes geotérmicas. Os combustíveis podem ser
fornecidos pelo metanol, etanol, hidrogênio e metano (biogás) derivado de
biomassa, suplementado com hidrogênio derivado eletroliticamente de
fontes renováveis intermitentes.
2. A ênfase seria dada à mistura eficiente das energias renovável e
convencional. Isso pode ser alcançado com a introdução de vetores de
energia, tais como o metanol e o hidrogênio. É também possível extrair
mais energia útil de tais fontes renováveis, como a energia hídrica e a
biomassa, que são limitadas pelo meio ambiente e pelas restrições de uso
da terra. A maioria das exportações de metanol poderia se originar na
África Subsaariana e na América Latina, onde vastas áreas degradadas são
adequadas para o reflorestamento, que não serão necessárias para cultivo.
Cultivar a biomassa em tais terras, a fim de produzir metanol e hidrogênio,
proporcionaria um poderoso motor econômico para a restauração dessas
terras. A exportação do hidrogênio elétrico-solar poderia advir de regiões
do Norte da África e do Oriente Médio, que possuem boa exposição ao sol.
3. A biomassa seria amplamente usada. A biomassa seria produzida de forma
sustentável e convertida eficientemente em eletricidade e em combustíveis
líquidos e gasosos, usando tecnologia moderna sem contribuir para o
desmatamento.
4. Energias renováveis intermitentes proveriam, efetivamente, uma larga
quantidade das exigências totais, sem a necessidade de novas tecnologias
de armazenamento elétrico.
5. O gás natural teria um papel importante no apoio ao crescimento de uma
indústria de energia renovável. Turbinas a gás natural, que possuem baixos
custos e podem rapidamente se ajustar à produção elétrica, podem fornecer
um excelente apoio para as energias renováveis intermitentes em redes de
energia elétrica. O gás natural também poderia ajudar a lançar uma
indústria do metanol a partir da biomassa.
6. Um futuro de uso intensivo de energias renováveis introduziria novas
escolhas e competição entre os mercados de energia. Crescendo o
comércio de combustíveis e gás natural, diversificaria o amálgama de
fornecedores e produtos comercializados, o que aumentaria a concorrência
e reduziria a possibilidades de rápidas flutuações de preços e interrupções
de fornecimento. Isto também conduziria, eventualmente, a uma
estabilização dos preços mundiais de energia, com a criação de novas
oportunidades de fornecimento de energia.
7. Grande parte da energia produzida a partir de fontes renováveis seria
alimentada em grandes redes elétricas e comercializada por empresas de
energia elétrica, sem a necessidade de armazenamento elétrico.
Um futuro de uso intensivo de energia renovável é tecnicamente viável, e as
perspectivas de que, em poucos anos, uma ampla variedade de tecnologias de
energias renováveis se tornará competitiva em relação às fontes de energias
convencionais são muito boas. No entanto, para alcançar tal penetração das
energias renováveis, as condições de mercado existentes precisam mudar. Se
os seguintes problemas não forem abordados, a energia renovável entrará no
mercado relativamente devagar:
• As empresas privadas não são suscetíveis a fazer investimentos necessários
para o desenvolvimento das tecnologias renováveis porque os benefícios
estão distantes e não são facilmente recuperados.
• As empresas privadas não investirão em grandes volumes de tecnologias
de energia renovável disponíveis porque os custos da energia renovável
não serão, de modo geral, significantemente menores do que os custos da
energia convencional.
• O setor privado não investirá em tecnologias disponíveis no mercado com
a justificativa de que os benefícios externos surgiriam da implementação
generalizada.
Felizmente, as políticas necessárias para se alcançar os objetivos de
aumentar a eficiência e expansão dos mercados de energia renovável estão
em plena consonância com os programas necessários de incentivo à inovação
e à crescente produtividade em toda a economia. Dado o ambiente político
adequado, a indústria energética adotará inovações, impulsionada pelas
mesmas pressões competitivas que revitalizaram outras grandes empresas
manufatureiras ao redor do mundo. As empresas de energia elétrica já
deixaram de ser monopólios protegidos, aproveitando economias de escala
nas grandes usinas de geração para serem gestores competitivos de portfólios
de investimentos, que combinam um conjunto diverso de tecnologias, indo
desde a geração avançada, transmissão, distribuição, a equipamentos de
armazenamento para otimizar dispositivos de gasto de energia, nas condições
dos clientes.
Capturar o potencial das energias renováveis exige novas iniciativas
políticas. As seguintes iniciativas políticas são propostas por Johanson et al.
(1993) a fim de incentivar a inovação e o investimento em tecnologias
renováveis:
1. Os subsídios que reduzem artificialmente os preços dos combustíveis que
competem com as energias renováveis devem ser removidos ou incentivos
equivalentes deveriam ser dados às tecnologias de energia renovável.
2. Impostos, regulamentações e outros instrumentos políticos deveriam
assegurar que as decisões de consumo sejam baseadas no custo total da
energia, incluindo o meio ambiente e os custos externos não refletidos no
preço de mercado.
3. O apoio do governo para pesquisa, desenvolvimento e demonstração das
tecnologias de energia renovável deveria aumentar com o intuito de refletir
os papéis críticos que as tecnologias de energia renovável podem assumir
integrando os objetivos energéticos com o meio ambiente.
4. As regulamentações governamentais de empresas de energia elétrica
deveriam ser cuidadosamente revistas, para assegurar que os investimentos
em novos equipamentos de geração sejam condizentes com um futuro uso
intensivo de energia renovável e as vantagens que estão envolvidas,
demonstradas em programas de novas tecnologias de energia renovável.
5. Políticas destinadas ao incentivo do desenvolvimento da indústria de
biocombustíveis devem estar estreitamente coordenadas com os programas
de desenvolvimento da agricultura nacional e com os esforços de
restauração das terras degradadas.
6. Instituições nacionais deveriam ser criadas ou fortalecidas com a
implementação de programas de energia renovável.
7. Fundos de desenvolvimento internacionais disponíveis para o setor de
energia deveriam ser cada vez mais voltados para as energias renováveis.
8. Uma forte instituição internacional deveria ser criada a fim de assistir e
coordenar programas – nacionais e regionais – para aumentar o uso das
energias renováveis, apoiar a avaliação das opções de energia e sustentar
centros de excelência especializados em áreas de pesquisa de energia
renovável.
O tema para integração de todas essas iniciativas, no entanto, deveria ser
uma política energética que vise o desenvolvimento sustentável. Não será
possível fornecer a energia necessária para produzir um padrão de vida
decente para os pobres do mundo, ou sustentar o bem-estar econômico dos
países industrializados de formas ecologicamente saudáveis se o uso das
fontes de energia continuar como hoje. O caminho para uma sociedade
sustentável requer um uso mais eficiente da energia e uma mudança para uma
variedade de fontes de energia renovável. Em geral, o principal desafio para
os criadores de políticas, nas próximas décadas, é desenvolver políticas
econômicas que simultaneamente satisfaçam o desenvolvimento
socioeconômico e desafios ambientais.
Tais políticas podem ser implementadas de várias maneiras. Os
instrumentos políticos preferidos variarão de acordo com o nível de iniciativa
(local, nacional ou internacional) e da região. Em nível regional, as opções
preferidas refletirão diferenças na dotação de recursos renováveis, estágios de
desenvolvimento econômico e características culturais. Neste caso, a região
pode ser um continente inteiro. Um exemplo disso é a declaração da União
Europeia (UE) em relação à promoção das energias renováveis como uma
medida fundamental para garantir que a Europa atinja suas mudanças
climáticas objetivadas pelo Protocolo de Kyoto.
De acordo com a decisão, fundamental para a ação da Comissão Europeia
(CE) em assegurar que a UE e os estados-membros cumpram suas “metas
Kyoto” é o Programa Europeu para as Alterações Climáticas, lançado em
2000. Sob esta estrutura, a Comissão, os estados-membros e as partes
interessadas identificaram e desenvolveram uma série de medidas
econômicas para reduzir as emissões.
Até o momento, 35 medidas foram implementadas, incluindo o Regime de
Comércio de Emissões da UE e iniciativas legislativas, com o intuito de
promover fontes de energia renováveis para a produção de eletricidade, a fim
de expandir o uso de biocombustíveis em transporte rodoviário e melhorar a
performance energética das construções. Anteriormente, a CE propôs um
pacote integrado de medidas para estabelecer uma nova política energética
para a Europa, de modo que poderia ampliar as ações de combate contra as
alterações climáticas e aumentar a segurança energética e a competitividade
na Europa; as propostas colocaram a UE em curso para se tornar uma
economia de baixo carbono. O novo pacote define uma gama de metas
ambiciosas a serem cumpridas até 2020, incluindo a melhoria da eficiência
energética em 20%, o aumento em 20% da quota dos renováveis no mercado
e o aumento em 10% da porcentagem de biocombustíveis no transporte de
combustíveis. Sobre a emissão de gases de efeito estufa (GEE), a CE propõe
que, como parte de um novo acordo mundial para evitar que mudanças
climáticas atinjam níveis perigosos, os países desenvolvidos deveriam reduzir
suas emissões em uma média de 30% dos níveis de 1990.
Como um primeiro passo concreto para essa redução, a UE faria um
compromisso firme e independente de reduzir suas emissões em pelo menos
20%, mesmo antes de um acordo global ser alcançado e independentemente
do que os outros fazem.
Muitos cenários descrevem como a energia renovável se desenvolverá nos
próximos anos. Em um cenário de uso intensivo de energia renovável, o
consumo global de recursos renováveis atinge um nível equivalente a 318 EJ
(exa, E = 1018) por ano de combustíveis fósseis, até 2050 – uma taxa
comparável com o total de energia consumida no mundo em 1985, que foi
igual a 323 EJ. Apesar de este número parecer muito alto, é menos que 0,01%
de 3,8 milhões de EJ de energia solar que atinge a superfície terrestre a cada
ano. O total de energia elétrica produzida por meio de fontes renováveis
intermitentes (~ 34 EJ/a) seria menos que 0,003% da radiação solar que recai
sobre a terra e menos que 0,1% da energia disponível a partir do vento. A
quantidade de energia direcionada para a recuperação a partir da biomassa
pode chegar a 206 EJ/a até 2050, o que também é pouco comparado com a
taxa (3800 EJ/a) na qual as plantas convertem a energia solar para biomassa.
Os níveis de produção considerados não são, portanto, suscetíveis à limitação
da disponibilidade de recursos. Um número de outras considerações práticas,
no entanto, limita os recursos renováveis que podem ser usados. O cenário de
uso intensivo de energia renovável considera que a biomassa poderia ser
produzida de modo sustentável e não colhida em florestas virgens. Cerca de
60% da oferta de biomassa viriam de plantações estabelecidas em terras
degradadas ou do excesso de terra agrícola e o resto viria de resíduos de
operações agrícolas ou florestais. Por fim, as quantidades de vento,
temperatura solar e energia fotovoltaica que podem ser economicamente
integradas em sistemas de geração elétrica são muito sensíveis aos padrões de
demanda energética e às condições meteorológicas. O valor marginal dessas
fontes de eletricidade intermitentes tipicamente declina em sua participação
total enquanto o mercado elétrico cresce.
Ao fazer um uso eficiente da energia e expandir o uso das tecnologias de
energias renováveis, o mundo pode esperar por um fornecimento adequado
de combustíveis fósseis para o século XXI. Todavia, em algumas instâncias
regionais, o declínio na produção de combustível fóssil pode ser esperado por
causa da restrição de recursos. A produção de petróleo fora do Oriente
Médio, em um cenário de uso intensivo de energia renovável, declinaria
lentamente, de modo que um terço estimado dos recursos convencionais
recuperáveis, em última análise, permanecerão no solo em 2050. Nesse
contexto, o total dos recursos convencionais de petróleo diminuiria de cerca
de 9900 EJ, em 1988, para 4300 EJ em 2050. Embora os recursos de gás
natural remanescentes sejam comparáveis aos de petróleo convencional, com
um investimento adequado em dutos e outros componentes de infraestrutura,
o gás natural poderia ser a principal fonte de energia por muito anos.
A próxima seção revisa algumas das consequências ambientais mais
importantes do uso das formas de energia convencionais. Segue-se uma
revisão das tecnologias de energia renovável que não estão incluídas neste
livro.
1.3Problemas ambientais relacionados à energia
A energia é considerada um agente primordial na geração de riqueza e um
fator significativo no desenvolvimento econômico. A importância da energia
no desenvolvimento econômico é reconhecida universalmente e dados
históricos verificam que há uma forte relação entre a disponibilidade de
energia e a atividade econômica. Muito embora no início dos anos 1970,
depois da crise do petróleo, a preocupação fosse o custo de energia, durante
as duas últimas décadas, o risco e a degradação ambiental tornaram-se mais
aparentes. A evidência crescente dos problemas ambientais é devido a uma
combinação de muitos fatores, desde que o impacto das atividades humanas
no meio ambiente cresceram dramaticamente. Isto decorre do crescimento
populacional mundial, consumo de energia e atividade industrial. Alcançar
soluções para os problemas ambientais, que a humanidade encara hoje,
requer ações de desenvolvimento sustentável com potencial de longo prazo.
Concernente a isso, os recursos de energia renovável parecem ser um dos
mais eficientes e de soluções eficazes.
Há alguns anos, a maioria das análises ambientais e de controle legal de
instrumentos estava concentrada em poluentes convencionais, tais como o
dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx), partículas e monóxido
de carbono. Recentemente, contudo, as preocupações ambientais se
estenderam para o controle de nocivos poluentes do ar, que são geralmente
substâncias químicas tóxicas e prejudiciais, mesmo em pequenas doses, bem
como os outros poluentes de importância global, como o dióxido de carbono
(CO2). Além disso, o desenvolvimento das estruturas e processos industriais
trouxeram novos problemas ambientais. O dióxido de carbono como um GEE
desempenha um papel vital no aquecimento global. Estudos mostram que ele
é responsável por mais ou menos dois terços do aumento do efeito estufa.
Uma contribuição significante para o CO2 emitido para a atmosfera é a
queima de combustível fóssil (EPA, 2007).
A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e
Desenvolvimento (ECO-92), realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992,
abordou os desafios de se alcançar o desenvolvimento sustentável em nível
mundial. O objetivo do desenvolvimento sustentável não pode acontecer sem
grandes mudanças no sistema mundial de energia. Desse modo, a Agenda 21,
que foi aprovada na ECO-92, atentou para “novas políticas e programas,
conforme apropriado, para aumentar a contribuição de sistemas de energia
rentáveis, ecologicamente seguros e confiáveis, em particular as novas e
renováveis, por meio de menos poluição e produção mais eficiente de
energia, transmissão, distribuição e uso”.
A divisão de desenvolvimento sustentável do Departamento das Nações
Unidas de Economia e Assuntos Sociais definiu desenvolvimento sustentável
como “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem
comprometer a habilidade das próximas gerações de suprir as suas próprias
necessidades”. A Agenda 21, ou Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento, foi adotada por 178 governos. Este é um
abrangente plano de ação para ser tomado de modo global, nacional e local
pelas organizações do sistema de Nações Unidas, governos e grupos
majoritários em cada área na qual existam impactos humanos no meio
ambiente (Nações Unidas, 1992). Muitos fatores podem contribuir para a
obtenção do desenvolvimento sustentável. Hoje, um dos principais fatores
que precisam ser considerados é a energia e um dos assuntos mais
importantes é a exigência de uma fonte de energia que seja totalmente
sustentável (Rosen, 1996; Dincer e Rosen, 1998). A segurança do
fornecimento de energia é geralmente aceita por ser necessária, mas não um
requisito suficiente para o desenvolvimento dentro de uma sociedade.
Ademais, para que haja desenvolvimento sustentável dentro de uma
sociedade, é necessário que o fornecimento sustentável de energia e a
utilização dos recursos energéticos sejam seguros. Tal fornecimento, em
longo prazo, deve estar prontamente disponível a preços razoáveis,
sustentável e capaz de ser utilizado para todas as tarefas necessárias sem
causar impactos sociais negativos. Esta é a razão por meio da qual existe uma
ligação estreita entre fontes renováveis de energia e desenvolvimento
sustentável.
Desenvolvimento sustentável é um conceito político importante.
Juntamente com a definição dada, pode-se considerar como um
desenvolvimento que não deve carregar as sementes da destruição, porque tal
desenvolvimento é insustentável. O conceito de sustentabilidade tem sua
origem na pesca e no manejo florestal em que as práticas de gestão vigentes,
como a sobrepesca ou cultivo de uma única espécie, funcionam por tempo
limitado, produzindo resultados cada vez menores e, eventualmente, põem os
recursos em perigo. Portanto, as práticas de manejo sustentável não devem
apontar para o rendimento máximo no curto prazo, mas por menores
rendimentos que podem ser sustentados ao longo do tempo.
A poluição depende do consumo de energia. Em 2011, o consumo diário de
petróleo era de 87,4 milhões de barris. Apesar das consequências bem
conhecidas da combustão de combustível fóssil para o ambiente, é esperado o
aumento para 123 milhões de barris por dia até o ano 2025 (Worldwatch,
2007). Um grande número de fatores é importante para determinar os níveis
de produção e consumo de energia futuros. Tais fatores incluem o
crescimento populacional, performance econômica, preferências do
consumidor e desenvolvimento tecnológico. Além disso, as políticas
governamentais a respeito de energia e desenvolvimentos no mercado
mundial de energia certamente desempenham um papel fundamental no nível
e no padrão de produção e consumo de energia futuros (Dincer, 1999).
Em 1984, 25% da população mundial consumiram 70% do fornecimento
total de energia, enquanto os 75% restantes da população ficaram com 30%.
Se a população total tivesse o mesmo consumo per capita, como os países-
membros da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento
têm em média, isso resultaria em um aumento da demanda de energia
mundial de 1984, de 10 TW (tera, T = 1012) para aproximadamente 30 TW. O
esperado aumento na população de 4,7 bilhões, em 1984, para 8,2 bilhões em
2020 elevaria o número para 50 TW.
A demanda total primária de energia, no mundo, aumentou de 5.536
GTOE3 em 1971, para 11.235 GTOE em 2007, representando um aumento
médio anual de cerca de 2%. É importante, no entanto, que o crescimento
mundial médio de 2001 para 2004 foi de 3,7%, com o aumento de 2003 para
2004 sendo de 4,3%. A taxa de crescimento está aumentando principalmente
por causa do crescimento muito rápido da Ásia-Pacífico, que registrou um
aumento médio, de 2001 para 2004, de 8,6%.
Os principais setores que utilizam fontes primárias de energia incluem a
energia elétrica, transporte, aquecimento e indústria. Os dados da Agência
Internacional de Energia mostram que a demanda energética quase triplicou
de 1971 para 2002. Isto acontece porque a eletricidade é uma forma muito
conveniente de energia para transportar e usar. Embora o uso de energia
primária tenha aumentado em todos os setores, as suas participações relativas
diminuíram, exceto para transporte e energia elétrica. A participação relativa
da energia primária para a produção de eletricidade no mundo aumentou de
cerca de 20%, em 1971, para cerca de 30%, em 2002, conforme a eletricidade
se tornou a forma preferida de energia para todas as aplicações.
Impulsionado pelos grandes aumentos na China e na Índia, o consumo de
energia mundial pode continuar a aumentar a taxas que vão de 3 a 5%, por
pelo menos mais alguns anos. Todavia, essas altas taxas de crescimento não
podem perdurar. Mesmo com um aumento de 2% ao ano, a demanda primária
de energia de 2002 dobraria até 2037, e triplicaria até 2057. Com essa
esperada alta demanda de energia para daqui 50 anos, é importante olhar para
todas as estratégias disponíveis, a fim de cumprir a demanda futura,
especialmente as de eletricidade e transporte.
Atualmente, 95% de toda a energia para o transporte vem do petróleo. Por
consequência, os recursos petrolíferos disponíveis, suas taxas de produção e
preços influenciam muito as futuras mudanças no transporte. Um óbvio
substituto para o petróleo seriam os biocombustíveis, como o etanol, metanol,
biodiesel e biogás. Acredita-se que o hidrogênio seja uma outra alternativa,
porque, se pudesse ser economicamente produzido a partir de fontes de
energia renováveis, poderia fornecer uma alternativa de transporte limpo para
o futuro.
O gás natural será usado para aumentar rapidamente as taxas, com o intuito
de compensar a queda na produção de petróleo; contudo, pode não durar
muito mais tempo do que o próprio petróleo, considerando as altas taxas de
consumo. O carvão é o recurso fóssil mais disponível e o mais problemático,
levando em consideração as preocupações ambientais. Tudo indica que o
carvão continuará a crescer na produção de energia ao redor do mundo, em
virtude do aumento esperado na China, Índia, Austrália e outros países. Isso,
porém, seria insustentável do ponto de vista ambiental; a menos que as
tecnologias de carvão limpo com captação de carbono sejam implementadas.
Outro parâmetro a ser considerado é a população mundial. É esperado que a
população dobre até a metade deste século e, como o desenvolvimento
econômico certamente continuará a crescer, é esperado que a demanda global
de energia também aumente. Por exemplo, o país mais populoso, a China,
aumentou seu consumo primário de energia em 15% de 2003 a 2004. Hoje
em dia, existem muitas evidências que sugerem que o futuro do nosso planeta
e das gerações vindouras será negativamente afetados se os humanos
continuarem degradando o meio ambiente. Atualmente, três problemas
ambientais são internacionalmente conhecidos a chuva ácida, a destruição da
camada de ozônio e a mudança climática global. Essas questões serão
abordadas com mais detalhes nas seguintes subseções.
1.3.1Chuva ácida
A chuva ácida é uma forma de esgotamento da poluição na qual SO2 e NOx,
produzidos por meio da queima de combustíveis fósseis, são transportados
por longas distâncias através da atmosfera, onde reagem com moléculas de
água para produzir ácidos depositados na Terra por precipitação, causando
danos para os ecossistemas que são extremamente vulneráveis à acidez
excessiva. Por isso, é óbvio que a solução para o problema de deposição da
chuva ácida requer um controle apropriado dos poluentes SO2 e NOx. Esses
poluentes causam ambos os problemas regional e de transfronteira de
precipitação ácida.
Recentemente, a atenção também tem sido voltada para outras substâncias,
como os compostos orgânicos voláteis (COVs), cloretos, ozônio e resquícios
de metal que podem participar de um complexo conjunto de transformações
químicas na atmosfera, resultando em chuvas ácidas e na formação de outra
massa de ar regional poluente.
É sabido que algumas atividades ligadas à energia são as principais fontes
de chuva ácida. Além disso, COVs são gerados por uma variedade de fontes e
incluem uma diversidade de compostos. Obviamente, quanto mais energia se
gasta, mais se contribui para a chuva ácida; portanto, a maneira mais fácil de
reduzir a chuva ácida é reduzindo o consumo de energia.
1.3.2A destruição da camada de ozônio
O ozônio presente na estratosfera, em altitudes entre 12 e 25 km, faz o papel
de manutenção do equilíbrio natural para a Terra por meio da absorção da
radiação ultravioleta (UV)(240-320 nm) e da radiação infravermelha (Dincer,
1998). Um dos problemas ambientais globais é a destruição da camada de
ozônio estratosférica, causada pelas emissões de clorofluorcarbonetos
(CFCs), halons (compostos orgânicos clorinados e bromados) e NOx. A
destruição da camada de ozônio pode levar ao aumento dos níveis de
radiação UV danosa atingindo o solo, causando assim o aumento das taxas de
câncer de pele e danos para os olhos humanos, além de ser prejudicial para
muitas espécies biológicas. Note-se que as atividades relacionadas à energia
são apenas parcialmente (direta ou indiretamente) responsáveis pelas
emissões que ocasionam a destruição da camada de ozônio. O fator mais
significativo na destruição do ozônio são os CFCs, que são amplamente
usados em aparelhos de ar-condicionado e equipamentos de refrigeração,
como os refrigeradores, e as emissões de NOx, que são produzidas pelos
processos de queima de combustíveis fósseis e de biomassa, desnitrificação
natural e fertilizantes nitrogenados.
Em 1998, o tamanho do buraco na camada de ozônio sobre a Antártida era
de 25 milhões de km2, ao passo que, em 2012, era de 18 milhões de km2. Era
de cerca de 3 milhões de km2 em 1993 (Worldwatch, 2007). Pesquisadores
esperam que o buraco na camada de ozônio antártica permaneça grave nos
próximos 10-20 anos, seguidos de um período de cicatrização lenta. A
recuperação total está prevista para 2050; contudo, a taxa de recuperação é
afetada pelas mudanças climáticas (Dincer, 1999).
1.3.3Mudança climática global
O termo efeito estufa tem sido usado geralmente para o papel que exerce toda
a atmosfera (principalmente para vapor de água e nuvens) em manter a
superfície terrestre quente. Recentemente, porém, ele tem sido cada vez mais
associado com a contribuição de CO2, que, estima-se, tenha uma contribuição
de cerca de 50% no efeito estufa antropogênico. Somado a isso, muitos
outros gases, tais como o CH4, CFCs, halons, N2O, ozônio e peróxido acetil
nitrato (também conhecido como GEEs), produzidos pela indústria e
atividades domésticas, podem contribuir para este efeito, resultando no
aumento da temperatura da Terra. O aumento das concentrações atmosféricas
de GEEs eleva as quantidades de calor aprisionado (ou diminui o calor
irradiado pela superfície terrestre), aumentando assim a temperatura da
superfície da Terra. De acordo com Colonbo (1992), a temperatura da
superfície terrestre aumentou cerca de 0,6oC ao longo do século passado e,
como consequência, é estimado que o nível do mar tenha subido, talvez, 20
cm. Essas mudanças podem ter uma ampla gama de efeitos nas atividades
humanas em todo o mundo. O papel de vários GEEs é resumido por Dincer e
Rosen (1998).
Segundo a UE, a mudança climática está acontecendo. Existe um consenso
generalizado entre os principais cientistas mundiais de que o aquecimento
global está sendo causado principalmente pelo dióxido de carbono e outros
GEEs emitidos por atividades humanas, especialmente a queima de
combustíveis fósseis e o desmatamento.
Uma reprodução do clima dos últimos 420.000 anos foi feita recentemente
a partir dos dados do núcleo de gelo Vostok, na Antártida. Um núcleo de gelo
é uma amostra do núcleo de acumulação de neve e gelo, ao longo de muitos
anos, que recristalizou e capturou bolhas de ar de períodos anteriores. A
composição desses núcleos de gelo, especialmente a presença de isótopos
hidrogênio e oxigênio, fornece um panorama do clima na época. Os dados
extraídos do núcleo de gelo fornecem um registro permanente da temperatura
e da composição atmosférica. Dois parâmetros de interesse são a
concentração de CO2 na atmosfera e a temperatura. Estes são mostrados na
Figura 1.1, considerando 1950 como o ano de referência. Como pode ser
visto, os dois parâmetros seguem uma tendência similar e têm uma
periodicidade de cerca de 100.000 anos. Se considerarmos, todavia, o
momento de escritura deste livro, dezembro de 2012, o nível de CO2, que é
392,92 ppm (www.co2now.org), o mais alto índice registrado, pode-se
entender a implicação que isso teria na temperatura do planeta.

FIGURA 1.1

Temperatura e concentração de CO2 do núcleo de gelo Vostok.


Os seres humanos, por intermédio de sua economia e outras atividades,
contribuem para o aumento da concentração atmosférica de vários GEEs. Por
exemplo, os lançamentos de CO2 pela queima de combustíveis fósseis,
emissões de metano advindas das crescentes atividades humanas e os
lançamentos de CFCs contribuem para o efeito estufa. As previsões mostram
que as concentrações atmosféricas de GEEs, principalmente devido à queima
de combustíveis fósseis, continua a aumentar, de acordo com as taxas atuais,
de modo que a temperatura da Terra pode subir outros 2-4oC no próximo
século. Se esta previsão se realizar, o nível do mar pode subir 30-60 cm antes
mesmo do fim deste século (Colonbo, 1992). Os impactos de tal aumento do
nível do mar podem ser facilmente entendidos e incluem a inundação de
povoados costeiros, o deslocamento de zonas férteis de agricultura para
altitudes maiores e a queda da disponibilidade de água doce para a irrigação e
outros usos essenciais. Assim, tais consequências colocariam em perigo a
sobrevivência de populações inteiras.
1.3.4Energia nuclear
A energia nuclear, embora não-poluente, apresenta uma série de riscos
potenciais durante a fase de geração de energia e, principalmente, na
eliminação dos resíduos radioativos. Os efeitos da energia nuclear no meio
ambiente afetam o ar, a água, o solo e a biosfera (pessoas, plantas e animais).
Hoje em dia, em muitos países, as leis regulam qualquer liberação radioativa
em usinas de energia nuclear. Nesta seção, alguns dos problemas ambientais
mais graves associados com a produção de eletricidade a partir de energia
nuclear serão descritos. Estão incluídos somente os efeitos relacionados com
a energia nuclear e não com as emissões de outras substâncias ligadas ao
ciclo termodinâmico normal.
O primeiro item a ser considerado é que os gases radioativos precisam ser
removidos dos sistemas de suporte ao sistema de refrigeração do reator. Os
gases removidos são comprimidos e armazenados. Os gases são
periodicamente testados por amostras e podem ser liberados somente quando
a radioatividade estiver menor do que os níveis aceitáveis, de acordo com
determinados padrões. Lançamentos dessa natureza são feitos com
pouquíssima frequência. Normalmente, todos os potenciais caminhos através
dos quais os materiais radioativos poderiam ser lançados para o meio
ambiente são monitorados por monitores de radiação (Virtual Nuclear
Tourist, 2007).
As usinas nucleares liberam líquidos que são ligeiramente radioativos.
Níveis muito baixos de vazamentos podem ser permitidos a partir do sistema
de refrigeração do reator para o sistema de refrigeração secundário do
gerador de vapor. Todavia, em qualquer caso em que a água radioativa possa
ser liberada para o meio ambiente, ela pode ser armazenada e os níveis de
radioatividade reduzidos, por meio de processos de trocas iônicas, para níveis
inferiores àqueles permitidos pela regulamentação.
Dentro da usina nuclear, uma série de sistemas pode conter líquidos
radioativos. Esses líquidos devem ser armazenados, limpos, amostrados e
verificados em níveis abaixo dos aceitáveis antes do lançamento. Como no
caso de liberação de gases, detectores radioativos monitoram os caminhos de
lançamento e isolam-nos (válvulas fechadas), se os níveis de radiação
excederem o ponto de ajuste pré-definido (Virtual Nuclear Tourist, 2007).
Os efeitos relacionados à mineração nuclear são semelhantes aos de outras
indústrias e incluem a geração de resíduos e poluição de água. As usinas de
moagem de urânio naturalmente processam materiais radioativos. As
emissões atmosféricas radioativas e a contaminação do solo local foram
evidenciados até que regras mais rigorosas forçassem a limpeza destas áreas.
Tal como acontece com outras indústrias, as operações em usinas nucleares
resultam em resíduos; alguns deles, no entanto, são radioativos. Os materiais
radioativos sólidos deixam as usinas somente por dois caminhos:
• Os resíduos radioativos – roupas, panos, madeira – são compactados e
colocados em tambores. Esses tambores precisam ser completamente
desidratados. Os tambores são muitas vezes verificados pelas agências
reguladoras, no local de recebimento. Aterros especiais devem ser usados.
• A resina gasta pode ser muito radioativa e é transportada em recipientes
especialmente projetados.
Geralmente, os resíduos são divididos em duas categorias: resíduos de
baixo nível (LLW – Low level wast) e resíduos de alto nível (HLW – High
level wast). Os resíduos de baixo nível são transportados das usinas nucleares
e incluem os resíduos sólidos, tais como roupas contaminadas, resinas
esgotadas ou outros materiais que não podem ser reutilizados ou reciclados.
Em sua maioria as vestimentas anticontaminação são lavadas e reutilizadas;
contudo, eventual​mente, assim como as roupas normais, elas se desgastam.
Em alguns casos, a incineração ou a supercompactação pode ser usada para
reduzir a quantidade de resíduos que precisam ser armazenados em aterros
especiais.
A sigla HLW inclui os conjuntos de combustível, hastes e resíduos
separados do combustível gasto, depois de removido do reator. Atualmente, o
combustível gasto é armazenado nos terrenos de usinas de energia nuclear,
em piscinas de armazenamento ou em grandes tonéis de metal. Para
transportar o combustível utilizado, tonéis de transporte especiais têm sido
desenvolvidos e testados.
Originalmente, a intenção era de que o combustível utilizado pudesse ser
reprocessado. A quantidade limitada de resíduos altamente radioativos
(também chamado de HLW) devia ser colocada em hastes de vidro rodeadas
por metal com baixas propriedades de degradação ou corrosão a longo prazo.
O objetivo era armazenar essas hastes em recipientes especialmente
projetados onde poderiam ser recuperadas nos primeiros 50-100 anos e então,
inutilizadas por 10.000 anos. Vários locais subterrâneos podem ser usados
com esse propósito, como os domos salinos, formações de granito e de
basalto. O objetivo é ter locações geologicamente estáveis com chances
mínimas de infiltração. A intenção é recuperar o plutônio e combustível de
urânio inutilizado e depois reutilizá-los em qualquer reprodutor ou reator
térmico como combustível de óxido misto. Hoje em dia, França, Grã-
Bretanha e Japão usam esse processo (Virtual Nuclear Tourist, 2007).
1.3.5Tecnologias de energias renováveis
As tecnologias de energias renováveis produzem energia comercializável,
convertendo fenômenos naturais em formas úteis de energia. Essas
tecnologias utilizam a energia solar e seus efeitos diretos e indiretos na Terra
(radiação solar, vento, quedas d’água e plantas variadas, ou seja, biomassa),
forças gravitacionais (marés) e o calor do núcleo terrestre (geotérmica), como
recursos através dos quais a energia é produzida. Esses recursos têm um
potencial energético massivo, contudo, eles são geralmente difusos e não são
totalmente acessíveis. A maioria deles é intermitente e eles possuem
variabilidades regionalmente distintas. Essas características dão espaço para
dificuldades técnicas e econômicas, que podem ser resolvidas. Hoje em dia,
um progresso significativo é feito por meio da eficiente melhora de coleta e
conversão, diminuindo os custos iniciais e de manutenção, aumentando,
assim, a confiabilidade e a aplicabilidade dos sistemas de energia renovável.
Em todo o mundo, o desenvolvimento e a pesquisa no campo dos sistemas e
recursos das energias renováveis têm sido desenvolvidos nas duas últimas
décadas. Os sistemas de conversão de energia, baseados em tecnologias de
energia renovável, parecem ser rentáveis em comparação com o previsto alto
custo do petróleo. Além disso, sistemas de energia renovável podem ter um
impacto benéfico no meio ambiente, na economia e nos assuntos políticos do
mundo. Ao final de 2001, a potência total dos sistemas de energia renovável
instalados era equivalente a 9% do total da geração de energia (Sayigh,
2001). Como visto anteriormente, pelo fato de aplicar um cenário de uso
intensivo de energia renovável, o consumo global de fontes renováveis, até
2050, poderia atingir 318 EJ (Johanson et al., 1993).
Os benefícios decorrentes da instalação e operação de sistemas de energia
renovável podem ser separados em três categorias: economia de energia,
geração de novos postos de trabalho e diminuição da poluição ambiental.
O benefício da economia de energia deriva da redução do consumo de
energia elétrica e diesel, convencionalmente usados para fornecer energia.
Esse benefício pode ser diretamente traduzido em unidades monetárias, de
acordo com a correspondente produção, ou evitar as despesas de capital na
compra de combustíveis fósseis importados.
Outro fator de importância considerável em muitos países é a habilidade
das tecnologias de energias renováveis de gerar empregos. A penetração das
novas tecnologias conduz ao desenvolvimento de novas atividades
produtivas, contribuindo para a produção, distribuição de mercado e operação
de equipamento pertinente. Especificamente para o caso dos coletores de
energia solar, a criação de emprego está principalmente relacionada com a
construção e instalação dos coletores. Este último é um processo
descentralizado, uma vez que requer a instalação do equipamento em cada
construção ou para cada consumidor individual.
O benefício mais importante dos sistemas de energia renovável é a
diminuição da poluição do meio ambiente. Isto é conseguido por meio da
redução de emissão de ar, devido à substituição da eletricidade e dos
combustíveis convencionais. Os efeitos mais importantes da poluição do ar
no ambiente natural e humano são seus impactos na saúde pública,
agricultura e no ecossistema. É relativamente simples mensurar os impactos
financeiros sobre esses efeitos quando se referem a bens comercializáveis,
tais como os produtos agrícolas; no entanto, quando se trata de bens não-
comercializáveis, como a saúde humana e o ecossistema, as coisas se tornam
mais complicadas. Deve-se notar que o nível de impacto ambiental e, por
conseguinte, a poluição social dependem largamente da localização
geográfica das fontes de emissão. Ao contrário dos poluidores convencionais,
o custo social do CO2 não varia com as características geográficas da fonte, já
que cada unidade de CO2 contribui igualmente para a mudança climática e os
custos resultantes.
Todas as fontes de energias renováveis combinadas representam somente
22,5% de participação na produção de eletricidade do mundo (2010), de
modo que a energia hidroelétrica fornece quase 90% deste montante.
Todavia, conforme as tecnologias de energias renováveis amadurecem e se
tornam ainda mais competitivas no futuro, elas estarão em condições de
substituir uma fração maior de combustíveis fósseis para a geração de
eletricidade. Portanto, substituir combustíveis fósseis por energia renovável
para a geração de eletricidade deve ser uma parte importante de qualquer
estratégia de redução de emissão de CO2 na atmosfera e no combate mundial
contra a mudança climática.
Neste livro, a ênfase é dada aos sistemas termossolares. Os sistemas
termossolares não poluem e oferecem uma proteção significativa ao meio
ambiente. A redução dos GEEs poluidores é a principal vantagem de se
aproveitar a energia solar. Portanto, os sistemas termossolares deveriam ser
empregados sempre que possível para alcançar um futuro sustentável.
Os benefícios dos sistemas de energia renovável podem ser resumidos
como segue (Johanson et al., 1993):
• Desenvolvimento econômico e social. A produção de energia renovável,
em especial a biomassa, pode fornecer desenvolvimento econômico e
oportunidades empregatícias, especialmente em áreas rurais, que, caso
contrário, teriam oportunidades limitadas para o crescimento econômico. A
energia renovável pode ajudar, assim, a reduzir a pobreza em áreas rurais e
reduzir a pressão da migração urbana.
• Restauração da terra. Aumentar a biomassa para a energia em terras
degradadas pode fornecer o incentivo e o financiamento necessário para
restaurar terras arrendadas, quase inutilizadas por práticas agrícolas ou
florestais anteriores. Embora as terras cultivadas para energia não sejam
restauradas de modo a recuperarem sua condição original, a recuperação
destas terras para plantações de biomassa suportaria o desenvolvimento
rural, prevenindo a erosão, e proporcionando um melhor habitat para a vida
selvagem do que no presente.
• Redução da poluição atmosférica. As tecnologias de energia renovável,
como o metanol e o hidrogênio como combustível para veículos movidos a
células, produzem praticamente nenhuma das emissões associadas com a
poluição do ar urbano e deposição ácida, sem a necessidade de controles
adicionais onerosos.
• Redução do aquecimento global. O uso de energia renovável não produz
dióxido de carbono e outras emissões de gases do efeito estufa que
contribuem para o aquecimento global. Mesmo o uso massivo de
combustíveis de biomassa não contribui para o aquecimento global, uma
vez que o dióxido de carbono liberado, quando a biomassa é queimada, é
igual à quantidade absorvida atmosfericamente pelas plantas que são
cultivadas para o combustível de biomassa.
• Diversidade de fornecimento de combustível. Haveria um substancial
comércio inter-regional de energia em um futuro de uso intensivo de
energia renovável, envolvendo uma diversidade de operadoras e
fornecedoras de energia. Os importadores de energia poderiam escolher
entre mais produtores e tipos de combustíveis do que eles podem hoje em
dia, e, portanto, seriam menos vulneráveis ao monopólio da manipulação
de preço ou rupturas inesperadas de abastecimento. Tal competição levaria
a menores oscilações de preços de energias, levando, eventualmente, à
estabilização do preço do petróleo mundial. O crescimento do mercado de
energia mundial poderia, inclusive, oferecer novas oportunidades para os
fornecedores de energia. As perspectivas para o comércio de combustíveis
a álcool, como o metanol, derivados de biomassa e hidrogênio, são
especialmente promissoras.
• Redução dos riscos de proliferação de armas nucleares. Os recursos
renováveis competitivos reduziriam os incentivos para a construção de
uma grande infraestrutura mundial de apoio à energia nuclear, evitando,
assim, grandes aumentos da produção, transporte e armazenamento de
plutônio e outros materiais radioativos que poderiam ser canalizados para a
produção de armas nucleares.
Os sistemas solares, incluindo os sistemas termossolar e os sistemas
fotovoltaicos, oferecem vantagens para o ambiente sobre o uso de fontes de
energia convencionais para a geração de energia. Os benefícios decorrentes
da instalação e operação dos sistemas de energia solar se dividem em duas
categorias principais: as questões ambientais e as questões socioeconômicas.
De um ponto de vista ambiental, o uso das tecnologias de energia solar tem
várias implicações positivas que incluem (Abu-Zour and Riffat, 2006):
• A redução de emissão dos GEEs (principalmente o CO2 e NOx) e de
emissão de gases tóxicos, particularmente o SO2),
• Recuperação de áreas degradadas,
• Exigência reduzida para linhas de transmissão dentro da rede elétrica, e
• Melhoria da qualidade dos recursos hídricos.
Os benefícios socioeconômicos das tecnologias solares incluem:
• Aumento da independência energética nacional e regional,
• Criação de oportunidades de emprego,
• A reestruturação do mercado de energia, devido à penetração de uma nova
tecnologia e o crescimento de novas atividades de produção,
• Diversificação e segurança (estabilidade) de fornecimento de energia,
• Aceleração da eletrificação de comunidades rurais em áreas isoladas, e
• Economia de moeda estrangeira.
É interessante notar que nenhum projeto artificial pode evitar completamente
algum impacto ao meio ambiente. Os aspectos negativos dos sistemas de
energia solar para o meio ambiente incluem:
• Poluição resultante de produção, manutenção e demolição dos sistemas,
• Ruídos durante a construção,
• Deslocamento de terra, e
• Poluição visual.
Esses impactos adversos apresentam dificuldades, porém são desafios
técnicos solucionáveis.
A quantidade de radiação solar que incide sobre a atmosfera solar,
continuamente, é de 1,75 × 105 TW. Considerando uma transmitância de 60%
através da cobertura de nuvens da atmosfera, 1,05 × 105 TW atinge a
superfície da Terra continuamente. Se a irradiação solar em apenas 1% da
superfície da Terra pode ser convertida em energia elétrica com uma
eficiência de 10%, isso proveria uma base de recursos de 105 TW, enquanto
o total da necessidade de energia global para 2050 está projetado em cerca de
25-30 TW. O presente estado das tecnologias de energia solar é tal que a
eficiência de células fotovoltaicas individuais é superior a 20%, células com
concentração solar apresentam eficiências da ordem de 40%, e os sistemas
termossolares proporcionam eficiência de 40-60%.
Os módulos fotovoltaicos diminuíram seus custos em cerca de $30/W para
$0,8/W nas últimas três décadas. A $0,8/W o custo do módulo, o custo global
do sistema é em torno de $2,5-5/W (dependendo do tamanho da instalação), o
que é ainda demasiadamente alto para o consumidor médio. Contudo, a
energia solar fotovoltaica já é rentável em muitas aplicações isoladas. Com as
medidas líquidas e incentivos governamentais, tais como as leis de fomento e
outras políticas, mesmo as aplicações conectadas à rede, como a integração
de sistemas fotovoltaicos em edificações, tornam-se rentáveis. Como
resultado, o crescimento mundial da energia solar fotovoltaica foi em média
superior a 30% por ano durante os últimos cinco anos.
O uso de energia termossolar utilizando coletores solares concentradores foi
a primeira tecnologia solar que demonstrou seu potencial para geração de
energia elétrica. Um total de 354MWe de usinas de energia termossolar tem
operado continuamente na Califórnia desde 1985. O progresso em relação à
energia termossolar paralisou durante um tempo por causa das pobres
políticas e da falta de pesquisa e desenvolvimento. Todavia, nos últimos
cinco anos, houve um ressurgimento do interesse nessa área, e uma série de
usinas de energia termossolar ao redor do mundo foi construída e muitas
estão em construção. O custo da energia a partir dessas usinas (que até agora
se encontra entre $0,12-$0,16/kWh) tem o potencial para ir até $0,05/kWh,
com aumento de escala e criação de um mercado de massa. Uma vantagem da
energia termossolar é que a energia térmica pode ser armazenada de forma
eficaz, e combustíveis, tais como o gás natural e a biomassa, podem ser
usados como apoio, a fim de garantir o funcionamento contínuo.
1.4Situação climática
Uma boa fonte de informação sobre a situação climática, no ano de 2011, é o
relatório publicado pelo Centro Nacional de Dados Climáticos dos Estados
Unidos (CNDC), que resume as condições climáticas globais e regionais e
coloca-as no contexto de registros históricos (Blunden e Arndt, 2012). Os
parâmetros examinados são a temperatura global e os vários gases
encontrados na atmosfera.
1.4.1Temperatura global
Segundo a organização Administração Oceânica e Atmosférica Nacional e
baseado nos registros do CNDC dos EUA, a temperatura tem aumentado,
gradualmente, a uma taxa entre 0,71 e 0,77oC por século, desde 1901, e entre
0,14 e 0,17oC por década, desde 1971. Os dados mostram que 2011 foi o
nono ano mais quente desde que os registros começaram, em 1979; 0,13oC
acima da média de 1981-2010, ao passo que a tendência de alta para 1979-
2011 foi de 0,12oC por década (Blunden e Arndt, 2012). As temperaturas
anormalmente elevadas afetaram a maioria das áreas terrestres em 2011, com
o efeito mais evidente na Rússia, enquanto temperaturas anormalmente
baixas foram observadas em partes da Austrália, noroeste dos Estados Unidos
e centro e sudeste da Ásia. Medida globalmente, a temperatura da superfície
terrestre, em 2011, variou, de acordo com a instituição que realizou a análise,
entre 0,20 e 0,29oC acima da média de 1981-2010; classificando-se de quinto
a décimo dos mais quentes já registrados, dependendo do conjunto de dados.
Apesar dos dois episódios do La Niña (o primeiro mais forte e o segundo
mais fraco), as temperaturas médias das superfícies global e marítima
permaneceram acima da média ao longo do ano, classificando-se como 11a ou
12a mais quente já registrada. A temperatura global da superfície marítima,
em 2011, foi entre 0.,02 e 0,09oC acima da média de 1981-2010, de acordo
com a escolha do conjunto de dados. As temperaturas da superfície do mar
média, anual, foram acima da média nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico
Ocidental, e abaixo da média em todo o oceano Pacífico leste e equatorial, sul
do Atlântico e algumas regiões oceânicas do sul (Blunden e Arndt, 2012).
A maioria dos dez anos mais quentes já registrados ocorreu na última
década. A temperatura global, de 1850 até 2006, é mostrada na Figura 1.2,
juntamente com os valores médios de 5 anos. Como pode ser visto, há uma
tendência de crescimento que é mais grave a partir de 1970.

FIGURA 1.2

Temperatura global desde 1850.

1.4.2Dióxido de carbono
O dióxido de carbono emitido de fontes naturais e antropogênicas (i.e.,
queima de combustível fóssil) é dividido em três reservatórios: atmosfera,
oceanos e biosfera terrestre. O resultado do aumento da queima de
combustíveis fósseis tem sido o aumento do CO2 atmosférico de cerca de 280
ppm (partes por milhão de mol de ar seco fracionado), do início da
Revolução Industrial, para cerca de 329 ppm em dezembro de 2012 (ver
Figura 1.3). O dióxido de carbono, na verdade, aumentou em 2,10 ppm desde
2010 e ultrapassou 390 ppm, pela primeira vez, desde que os registros
instrumentais começaram. Cerca de metade do CO2 emitido permanece na
atmosfera e o restante vai para as duas outras reservas: oceanos e a biosfera
terrestre – o que inclui as plantas e o carbono do solo.
FIGURA 1.3

Níveis de CO2 nos últimos 1000 anos.

Em 2010, as emissões de carbono antropogênico para a atmosfera


cresceram globalmente para mais de 9,1 ± 0,5 Pg/a (piga, P = 105). A maior
parte desse aumento resultou de um aumento de 10% nas emissões da China,
o maior país emissor de CO2 a partir de combustível fóssil do mundo.
Durante os anos 1990, a captação líquida pelos oceanos foi estimada em 1,7 ±
0,5 Pg/a, e pela biosfera terrestre, 1,4 ± 0,7 Pg/a. Os fluxos brutos atmosfera-
oceano e atmosfera-biosfera terrestre (i.e., fotossíntese e respiração) são da
ordem de 100 Pg/a. As variações atmosféricas interanuais do aumento de CO2
não são atribuídas às variações de emissão de combustível fóssil, mas sim às
pequenas mudanças nesses fluxos líquidos. A maioria das tentativas de
explicação para a variabilidade interanual do aumento do CO2 atmosférico se
concentra em flutuações climáticas de curto prazo (por exemplo, o El
Niño/Oscilação Sul e arrefecimento pós-montanha de Pinatubo), mas os
mecanismos, especialmente o papel da biosfera terrestre, são mal
compreendidos. Até agora, cerca de 5% dos combustíveis fósseis
convencionais têm sido queimados. Se a combustão for interrompida hoje, é
estimado que daqui a cem anos, 15% do total de carbono emitido
permaneceria na atmosfera, e o restante permaneceria nos oceanos.
Em 2011, a média global do mol fracionado de CO2 foi de 390,4 ppm, um
pouco mais do que 2,1 ± 0,09 ppm de aumento, a partir de 2010. Isso foi
ligeiramente superior ao aumento médio de 2000 a 2010, de 1,96 ± 0,36
ppm/a. O recorde de concentração de CO2 em 2012 (392,92 ppm) continua
uma tendência de aumento do CO2 atmosférico, uma vez que os valores da
era industrial eram cerca de 280 ppm. Isso reforça a tendência constante e
ascendente dos GEEs abundantes e de longa duração. Desde 1900, o CO2
atmosférico aumentou cerca de 94 ppm (132%), com um aumento anual
médio de 4,55 ppm, desde 2000.
1.4.3Metano
A contribuição do metano (CH4) para a força radioativa antropogênica,
inclusive os efeitos diretos (2~70%) e indiretos (2~30%), é cerca de 0,7
W/m2, ou cerca de metade do CO2. Além disso, as mudanças na carga do CH4
retroalimentam a química atmosférica, afetando as concentrações de hidroxila
(OH) e ozônio O3. O aumento do CH4, desde a era pré-industrial, é
responsável por cerca de metade do estimado aumento de O3 no fundo
troposférico, durante esse tempo. Deve-se notar que as mudanças na
concentração de OH afeta a vida de outros GEEs, tais como os hidro-cloro-
fluorcabonetos (HCHC) e os hidrofluorcarbonetos (CFCs). O metano possui
potencial de aquecimento global (PAG) de 25; isto significa que, integrada a
um longo prazo de 100 anos, a força radioativa de um determinado pulso de
emissões de CH4 é estimada a ser 25 vezes maior do que um pulso de mesma
massa de CO2.
Em 2011, o CH4 aumentou cerca de 5 ± 2 ppb (partes por bilhão, 109, por
fração molar de ar seco), principalmente devido a aumentos no Hemisfério
Norte. A média de concentração global de metano (CH4), em 2011, foi de
1803 ppm.
O ozônio estratosférico sobre a Antártida, em outubro de 2012, atingiu um
valor de 139 unidades de Dobson (UD) e uma média mundial de cerca de 300
UD. A UD é a medida mais básica usada na pesquisa sobre ozônio. A
unidade é nomeada de tal forma por causa de G. M. B. Dobson, um dos
primeiros cientistas a investigar o ozônio atmosférico. Ele projetou o
espectrômetro Dobson, que é o instrumento padrão para se medir o ozônio a
partir do chão. O espectrômetro Dobson mede a intensidade da radiação UV
solar em quatro comprimentos de onda, duas que são absorvidas pelo ozônio
e as outras duas que não são. Uma unidade Dobson é definida com uma
espessura de 0,01 mm, de acordo com as CNTP (condições normais de
temperatura e pressão = 0oC e 1 atm). Por exemplo, quando em uma área todo
o ozônio é comprimido para CNTP, ele se espalha uniformemente até mesmo
fora da área e forma uma placa de 3 mm de espessura, então, a camada de
ozônio sobre a área é de 300 UD.
1.4.4Monóxido de carbono
Ao contrário do CO2 e do CH4, o monóxido de carbono (CO) não absorve a
radiação infravermelha terrestre com intensidade, porém, afeta o clima
através de sua composição química. A química do CO afeta a OH (o que
influencia o tempo de vida do CH4 e dos CFCs) e o O3 troposférico (o que é
por si só um GEE); assim, as emissões de CO podem ser consideradas
equivalentes às emissões de CH4. As emissões atuais de CO podem contribuir
mais para a força radioativa, que perdura por décadas, do que as emissões
antropogênicas de óxido nitroso.
Uma vez que o tempo de vida do CO é relativamente curto (poucos meses),
a anomalia de aumento dos níveis de CO na atmosfera desaparece
rapidamente e os níveis de CO rapidamente voltam aos níveis pré-1997. Os
níveis do monóxido de carbono, em 2011, foram comparáveis aos
encontrados no início dos anos 2000. A média global da fração molar de CO,
em 2011, foi de cerca de 80,5 ppm, um pouco abaixo do valor de 2010.
Desde 1991, pouca tendência em médias globais de CO tem sido observada.
1.4.5Óxido nitroso e hexafluoreto de enxofre
O óxido nitroso atmosférico (N2O) e o hexafluoreto de enxofre (SF6) estão
presentes em concentrações mais baixas que as de CO2, mas a força
radioativa de cada um deles é muito maior. O óxido nitroso é o terceiro GEE
mais forte, enquanto cada molécula de SF6 é 23,900 vezes mais eficaz como
um absorvente de infravermelho que uma molécula de CO2 e tem uma vida
atmosférica entre 500 e 3200 anos.
A concentração de ambas as espécies tem crescido a uma taxa linear: N2O a
0,76 ppb/a (0,25% por ano), desde 1978 e SF6 a uma taxa de 0,22 ppt (partes
por trilhão, 1012, por fração molar de ar seco) por ano (~5%/a) desde 1996. A
concentração de 324,3 ppb de N2O, em 2011, adicionou uma força radioativa
de cerca de 0,17 W/m2 acima da concentração de cerca de 270 ppb de N2O
pré-industrial. O valor de 2011 representa um aumento de 1,1 ppb sobre o
valor de 2010 e é maior que a taxa média de crescimento de 0,76 ppb/a
mostrada acima. O N2O atmosférico é também uma importante fonte de
óxido nítrico atmosférico (NO), um composto que ajuda a destruir
cataliticamente o O3 atmosférico. A concentração atmosférica de SF6 cresceu
devido à sua utilização como um isolante elétrico para a transmissão de
energia em todo o mundo. Sua concentração média global foi de 7,31 ppt ao
final de 2011, um aumento de 0,28 ppt sobre o valor de 2010. Enquanto a
força radioativa total do SF6, dos tempos pré-industriais até o presente, é
relativamente baixa, sua longa vida atmosférica, a alta taxa de crescimento na
atmosfera e o alto GWP são uma preocupação para o futuro.
1.4.6Halocarbonos
A preocupação acerca da destruição do ozônio estratosférico tem restringido
ou eliminado a produção de muitos halocarbonos. A eliminação dos
halocarbonos produzidos por humanos foi o resultado do Protocolo de
Montreal, de 1987, sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio.
Como resultado desses esforços, a proporção de mistura de muitos gases
destruidores da camada de ozônio tem diminuído na superfície terrestre, nos
últimos anos; este declínio continuou até 2011. Relatórios de muitos
laboratórios ao redor do mundo, que realizam medições de halocarbonos,
mostram que as proporções de mistura do CFC-12 troposférico, o gás
produzido pelo homem de maior longevidade e o mais abundante, destruidor
da camada de ozônio, teve seu ápice nos últimos anos. Essas medições
também mostram que as proporções de mistura de alguns gases halocarbonos
continuam a crescer globalmente. Os aumentos mais rápidos são dos HCFCs
e dos HFCs, que são gases normalmente usados como substitutos dos CFCs,
halons e outros que destroem a camada de ozônio. Embora HCFCs
contenham cloro (Cl), e destruam o O3 com eficiência reduzida em
comparação aos CFCs, os HFCs não participam de reações destruidoras de
O3.
As mudanças na influência radioativa direta dos halocarbonos de longa vida
podem ser estimadas a partir das mudanças observadas na proporção de
misturas atmosféricas, com conhecimento das eficiências dos rastros de gás
radioativos. Tal análise sugere que a força radioativa direta desses gases
estava ainda aumentando em 2011, embora em um ritmo mais lento que o
observado de 1970 a 1990.
1.4.7Nível do mar
A taxa média global de mudança do nível do mar calculada ao longo dos anos
1993-2011 é de 3,2 ± 0,4 mm/a. Em relação à tendência de longo prazo, o
nível do mar caiu sensivelmente em meados de 2010 e atingiu um mínimo
local em 2011. A queda tem sido associada com as fortes condições do La
Niña que prevaleceram ao longo de 2010-2011. O nível global do mar
aumentou acentuadamente durante o segundo semestre de 2011. O valor
global de 2011 é de 50 mm sobre o valor de 1995. As maiores anomalias
positivas foram no Pacífico Equatorial, ao largo da América do Sul. Os níveis
anuais do mar foram geralmente altos no oceano Índico tropical, com exceção
da forte anomalia negativa, no leste do oceano Índico. Os desvios do nível do
mar no oceano Atlântico mostraram partes de nível do mar relativamente alto
no Atlântico Sul, ao norte do Equador, e no Atlântico Norte subpolar.
1.5Uma breve história da energia solar
A energia solar é a fonte de energia mais antiga a ser usada. O Sol era
adorado por muitas civilizações antigas como um deus poderoso. A primeira
aplicação prática conhecida foi a secagem para a preservação de comida
(Kalogirou, 2004).
Provavelmente, a mais antiga aplicação em larga escala conhecida por nós
tenha sido o incêndio da frota romana, na baía de Siracusa, por Arquimedes,
o matemático e filósofo grego (287-212 a.C). Os cientistas discutiram este
evento por séculos. De 100 a.C até 1100 d.C, autores fizeram referência a
este evento, embora mais tarde, tenha sido criticado como um mito, pois não
haveria nenhuma tecnologia existente, na época, para a fabricação de
espelhos (Delyannis, 1967). A questão básica era se Arquimedes conhecia o
suficiente sobre a ciência da óptica para elaborar uma maneira simples de
concentrar a luz solar em um ponto em que os navios poderiam ser
queimados a partir de uma certa distância. No entanto, Arquimedes escreveu
um livro – On Burning Mirrors (Meinel e Meinel, 1976) –, que é conhecido
apenas por referências, já que nenhuma cópia sobreviveu.
O historiador grego Plutarco (46-120 a.C) se referiu ao incidente dizendo
que os romanos, vendo aquele mal indefinido oprimindo-os a partir de
nenhum meio visível, começaram a pensar que eles estavam lutando contra
os deuses.
Em seu livro, Optics, Vitélio, um matemático polonês, descreveu a queima
da frota romana em detalhes (Delyannis e Belessiotis, 2000; Delyannis,
1967): ”A lupa de Arquimedes era composta por 24 espelhos, os quais
convergiam os raios solares em um foco comum e produziam um grau extra
de calor.”
Proclo repetiu o experimento de Arquimedes durante o período bizantino e
queimou uma frota de guerra que sitiava Bizâncio, em Constantinopla
(Delyannis, 1967).
Mil e oitocentos anos depois de Arquimedes, Athanasius Kircher (1601-
1680) realizou alguns experimentos para atear fogo em um monte de lenha a
uma certa distância, a fim de ver se havia alguma validade científica na
história de Arquimedes, mas não há relatos sobreviventes de seus achados
(Meinel e Meinel, 1976).
Muitos historiadores, porém, acreditam que Arquimedes não usou espelhos,
mas os escudos dos soldados, dispostos em uma grande parábola, para focar
os raios de sol para um ponto comum em um navio. Esse fato mostrou que a
radiação solar poderia ser uma fonte poderosa de energia. Muitos séculos
depois, cientistas consideraram de novo a radiação solar como fonte de
energia, tentando convertê-la em uma forma utilizável para o uso direto.
Surpreendentemente, as primeiras aplicações da energia solar se referem ao
uso de coletores de concentração, que são, por sua natureza (construção de
forma precisa) e pela necessidade de seguir o sol, mais “difíceis” de adotar.
Durante o século XVIII, fornos solares capazes de derreter ferro, cobre e
outros metais foram construídos com ferro polido, lentes de vidro e espelhos.
Os fornos foram usados em toda a Europa e no Oriente Médio. Uma das
primeiras aplicações em larga escala foi o forno solar construído pelo
renomado químico francês Lavoisier, que, em 1774, construiu poderosas
lentes para concentrar a radiação solar (ver Figura 1.4). O forno atingiu a
notável temperatura de 1750oC. O forno usou uma lente de 1,32 m mais uma
lente secundária de 0,2 m para obter tal temperatura, a qual acabou sendo a
mais alta atingida em 100 anos. Outra aplicação de energia solar, neste
século, foi realizada pelo naturalista francês Boufon (1747-1748), que
experimentou vários dispositivos descritos por ele como “espelhos ardentes à
longa distância” (Delyannis, 2003).
FIGURA 1.4

Forno solar usado por Lavoisier em 1774.

Durante o século XIX, foram feitas tentativas de conversão da energia solar


em formas baseadas em geração de vapor de baixa pressão, a fim de operar
motores a vapor. August Mouchot foi pioneiro neste campo, por construir e
operar vários motores a vapor movidos pela energia solar, entre os anos de
1864 e 1878, na Europa e no norte da África. Um deles foi apresentado em
1878, na Exposição Internacional de Paris (ver Figura 1.5). A energia solar
obtida foi utilizada para produzir vapor para conduzir uma máquina de
impressão (Mouchot, 1978, 1880). A avaliação de uma máquina construída
em Tours, pelo governo francês, mostrou que era demasiado caro para ser
considerado viável. Outra máquina foi criada na Argélia. Em 1875, Mouchot
realizou um notável avanço na projeção de coletor solar, fazendo um sob a
forma de um cone refletor truncado. O coletor de Mouchot consistia em
placas de metal banhadas a prata e tinha um diâmetro de 5,4 m e uma área de
coleta de 18,6 m2. As partes móveis pesavam 1400 kg.

FIGURA 1.5

Coletor parabólico provendo uma impressão na Exposição de Paris, em 1878.


Abel Pifre, um contemporâneo de Mouchot, também fez motores solares
(Meinel e Meinel, 1976); Os coletores solares de Pifre eram refletores
parabólicos feitos de espelhos muito pequenos. Em forma, eles pareciam
bastante semelhantes aos cones truncados de Mouchot.
Os esforços continuaram nos Estados Unidos, onde John Ericsson, um
engenheiro americano, desenvolveu o primeiro motor a vapor acionado
diretamente pela energia solar. Ericsson construiu oito sistemas que possuíam
oito cubas parabólicas, usando água ou ar como meio de trabalho (Jordan e
Ibele, 1956).
Em 1901, A.G. Eneas instalou um coletor com foco de 10 m de diâmetro,
que impulsionava um aparato bombeador de água, em uma fazenda na
Califórnia. O dispositivo consistia em uma larga estrutura, como um guarda-
chuva aberto e invertido em um ângulo para receber o pleno efeito dos raios
solares nos 1788 espelhos que cobriam o interior da superfície. Os raios
solares se concentravam em um ponto focal onde a caldeira ficava localizada.
A água dentro da caldeira era aquecida a fim de produzir vapor, que por sua
vez impulsionava um motor convencional e uma bomba centrífuga (Kreith e
Kreider, 1978).
Em 1904, um padre português, Padre Himalaya, construiu um grande forno
solar. Ele foi exibido na Feira Mundial de St. Louis. Este forno pareceu
bastante moderno, em termos de estrutura, sendo um amplo, fora do eixo,
coletor parabólico (Meinel e Meinel, 1976).
Em 1912, Frank Shuman, em colaboração com C.V. Boys, construíram a
maior usina de bombeamento de água do mundo em Meadi, Egito. O sistema
começou a funcionar em 1913, usando longos cilindros parabólicos para
focar a radiação solar em direção a um longo tubo de absorção. Cada cilindro
parabólico tinha 62 m de comprimento e a área total do campo solar formado
pelos vários conjuntos cilindros parabólicos era de 1200 m2. O mecanismo de
energia solar desenvolveu o equivalente a 37-45 KW, continuamente, por um
período de 5 horas (Kreith e Kreider, 1978). Apesar do sucesso da usina, ela
foi completamente fechada em 1915, devido ao início da Primeira Guerra
Mundial e ao preço mais barato dos combustíveis.
Durante os últimos 50 anos, muitas variações foram projetadas e
construídas por meio de coletores solares concentradores, como via de
aquecimento ou transferência de calor para um fluido de trabalho que
alimentava o equipamento mecânico. As duas principais tecnologias de
coletores solares concentradores usadas são os receptores centrais que
apresentam foco pontual e os receptores distribuídos, empregando vários
pontos e apresentam uma linha focal para concentrar a radiação solar. Os
sistemas termossolares de receptores centrais usam campos de heliostatos
(espelhos com rastreador em dois eixos), para concentrar a energia solar em
um receptor montado em uma torre (SERI, 1987). A tecnologia de coletores
concentradores com receptores distribuídos inclui discos parabólicos, refletor
linear Fresnel, concentradores cilindro-parabólicos ou calhas parabólicas. Os
discos parabólicos são sistemas com rastreamento em dois eixos que utilizam
espelhos para concentrar a energia solar em um ponto do foco receptor. O
coletor concentrador cilíndrico-parabólico ou calha parabólica apresenta
superfícies refletoras com rastreamento em um eixo que concentram a
radiação solar em tubos receptores ao longo de suas linhas focais. Os
receptores térmicos variam de 100oC, em baixa temperatura, para algo
próximo de 1500oC nos discos parabólicos e nos sistemas de receptores
centrais (SERI, 1987).
Atualmente, muitas usinas de energia solar apresentam potência elétrica na
ordem do megawatt para produzir eletricidade ou calor de processo. A
primeira usina de energia solar comercial foi instalada em Albuquerque,
Novo México, em 1979. A usina era composta por 220 heliostatos e tinha
uma potência de 5 MW. A segunda usina foi construída em Barstow,
Califórnia, com uma produção térmica total de 35 MW. Em sua maioria, as
usinas de energia solar produzem eletricidade ou calor de processo para o uso
industrial e fornecem vapor superaquecido a 673 K. Assim, elas podem
fornecer eletricidade ou vapor para operar usinas de dessalinização
convencionais, de pequena capacidade, impulsionadas por energia térmica ou
elétrica.
Outra área de interesse, água quente e aquecimento doméstico, surgiu em
meados dos anos 1930, mas ganhou interesse na última metade da década de
1940. Até então, milhões de casas eram aquecidas por caldeiras de queima de
carvão. A ideia era aquecer a água e alimentar o sistema de radiador que já
havia sido instalado.
A fabricação de coletores solares para aquecimento de água começou no
início dos anos 1960. A indústria de coletores solares para aquecimento de
água expandiu muito rapidamente em muitos países do mundo. Os sistemas
solares de aquecimento de água comuns, em muitos casos, são do tipo
termossifão e consistem em dois coletores solares de placa plana, que
apresentam uma área de absorção entre 3 e 4 m2 e um tanque de
armazenamento com capacidade entre 150 e 180 litros. Um aquecedor de
imersão elétrica auxiliar ou um permutador de calor, para a produção de água
quente por sistema de aquecimento central, é usado no inverno, durante os
períodos de baixa insolação. Outro tipo importante de coletor solar de
aquecimento de água é o de circulação forçada. Nesse sistema, apenas os
coletores solares são visíveis no telhado; o tanque de armazenamento de água
quente está localizado dentro de casa e o sistema é completado com a
encanação, uma bomba, e o termostato específico. Obviamente, este tipo é o
mais atraente, principalmente por razões estéticas e arquitetônicas, embora
seja o mais caro, especialmente em relação às pequenas instalações
(Kalogirou, 1997). Mais detalhes sobre esse sistema estarão no Capítulo 5
1.5.1Sistemas fotovoltaicos
Becquerel descobriu o efeito fotovoltaico no selênio, em 1839. A eficiência
da conversão das “novas” células fotovoltaicas de silício, desenvolvida em
1958, foi de 11%, embora o custo fosse proibitivo ($ 1000/W). A primeira
aplicação prática de células fotovoltaicas foi no espaço, onde o custo não era
uma barreira, uma vez que nenhuma outra fonte estava disponível. A
pesquisa nos anos 1960 resultou na descoberta de outros materiais para
utilização em células fotovoltaicas, como o arseneto de gálio (GaAs). Eles
podem operar a temperaturas mais elevadas que o silício, porém mais cara. A
potência fotovoltaica global instalada, no final de 2011, era de 67 GWp
(Photon, 2012). As células fotovoltaicas são feitas de vários semicondutores,
que são materiais que são apenas moderadamente bons condutores de
eletricidade. Os materiais mais comumente usados são o silício (Si) e
compostos de sulfeto de cádmio (CdS), sulfeto de cobre (Cu2S) e arseneto de
gálio (GaAs).
As células de silício amorfo são compostas de átomos de silício em uma
fina camada homogênea, em vez de uma estrutura cristalina. O silício amorfo
absorve a radiação solar de modo mais eficaz que o silício cristalino; assim,
as células podem ser mais finas. Por essa razão, o silício amorfo é também
conhecido como tecnologia fotovoltaica de filmes finos. O silício amorfo
pode ser depositado sobre uma vasta gama de substratos, tanto rígidos quanto
flexíveis, o que o faz ideal para superfícies curvas e módulos “dobráveis”.
Células fotovoltaicas de silício amorfo são, contudo, menos eficientes do que
as células de silício cristalino, com uma eficiência típica de cerca de 6%,
porém, elas são mais fáceis e, portanto, mais baratas para produzir. O seu
baixo custo torna-as ideais para muitas aplicações nas quais a alta eficiência
não é um requisito e o baixo custo é importante.
O silício amorfo (a-Si) é uma liga de vidro de silício e hidrogênio (cerca de
10%). Muitas propriedades o tornam um material atraente para as células
fotovoltaicas de filmes finos:
1. O silício é abundante e ecologicamente seguro.
2. O silício amorfo absorve a radiação solar extremamente bem, então,
somente uma fina camada de célula solar ativa é necessária (cerca de 1mm
comparado com os 100mm de células solares cristalinas), assim, reduz-se
muito a necessidade de material de células solares.
3. Filmes finos de um a-Si podem ser depositados diretamente sobre
materiais de apoio de baixo custo, como vidro, folha, aço ou folha de
plástico.
Uma série de outros materiais promissores, tais como o telureto de cádmio
(CdTe) e disseleneto de cobre índio (CIS), agora estão sendo usados para
células e módulos fotovoltaicos. O atrativo dessas tecnologias é que elas
podem ser fabricadas em um processo industrial de custo relativamente
baixo, em comparação com as tecnologias de silício cristalino, mas eles
normalmente apresentam células e módulos mais eficientes que o silício
amorfo.
As células FV são encapsuladas formando os módulos fotovoltaicos que
produzem tensão e corrente específicas quando iluminadas. Os módulos FV
podem ser conectados em séries ou em paralelo, a fim de produzir tensões ou
correntes maiores. Os sistemas FV podem ser usados independentemente ou
em conexão com outras fontes de energia elétrica. As aplicações dos sistemas
FV incluem comunicações (na Terra e no espaço), poder remoto,
monitoramento remoto, iluminação, bombeamento de água e carregamento de
bateria.
Os dois tipos básicos de aplicações de FV são os sistemas fotovoltaicos
autônomos e os sistemas fotovoltaicos conectados à rede. Os sistemas FV
autônomos são usados em áreas remotas de difícil acesso ou que não
apresentam acessibilidade à rede elétrica. O sistema fotovoltaico autônomo é
independente da rede elétrica, com a energia produzida sendo normalmente
armazenada em baterias. Um sistema fotovoltaico autônomo típico é
constituído por módulos FV, baterias e um controlador de carga. Um inversor
também pode ser incluído no sistema para converter a corrente contínua (CC)
gerada pelos módulos FV em corrente alternada (CA) exigida pelos aparelhos
normais.
Nas aplicações conectadas à rede elétrica, o sistema FV é conectado à rede
elétrica local. Isso significa que, durante o dia, a eletricidade gerada pelo
sistema FV pode ser utilizada imediatamente (o que é normal em sistemas
instalados em escritórios e outros prédios comerciais) ou vendida para uma
concessionária de energia elétrica (o que é mais comum em sistemas
domésticos ou residenciais, onde o ocupante pode estar fora durante o dia). À
noite, quando o sistema fotovoltaico está inapto para o fornecimento da
energia necessária, a energia pode ser resgatada a partir da rede. Com efeito,
a rede atua como um sistema de armazenamento de energia, o que significa
que o sistema FV não precisa incluir o armazenamento a partir de baterias.
Quando os sistemas fotovoltaicos começaram a ser usados com aplicações
em larga escala comercial, há mais ou menos vinte anos, sua eficiência era
menor que 10%. Hoje, sua eficiência aumentou para cerca de 15%. Em
laboratórios de pesquisa e desenvolvimento a eficiência de células
fotovoltaicas podem ser maiores que 30%, mas isso ainda não apresenta
escala comercial. Apesar de que nos últimos 20 anos os sistemas Fvs sempre
apresentaram um custo elevado, o custo atual é por volta de $ 2500-
5000/kWe (dependendo do tamanho da instalação), e há boas perspectivas
para mais redução nos próximos anos. Mais detalhes sobre os sistemas Fvs
estão incluídos no Capítulo 9deste livro.
1.5.2Dessalinização solar
A falta de água sempre foi um problema para a humanidade. Por isso, uma
das primeiras tentativas de se aproveitar a energia solar foi no
desenvolvimento de equipamento adequado para a dessalinização da água do
mar. A destilação solar tem sido uma prática por um longo tempo (Kalogirou,
2005).
Já no século IV a.C, Aristóteles descreveu um método para evaporar a água
impura e então condensá-la para obter água potável. Contudo, historicamente,
é provável que uma das primeiras aplicações de dessalinização de água do
mar por meio de destilação tenha sido a representada no desenho mostrado na
Figura 1.6. A necessidade de obter água potável a bordo surgiu no momento
em que as viagens de longa distância foram possíveis. O desenho ilustra uma
descrição de Alexandre de Afrodísias, em 200 a.C, onde marinheiros fervem
a água do mar e suspendem grandes esponjas sobre a boca de um recipiente
de bronze para absorver a água que evaporava. No desenho, eles descobrem
que o líquido das esponjas era água doce (Kalogirou, 2005).

FIGURA 1.6

Marinheiros produzindo água doce por meio de destilação da água do mar.

A destilação solar tem sido praticada há muito tempo. De acordo com


Malik et al.(1985), o mais antigo trabalho documentado é o que um
alquimista árabe, no século XV, relatou para Mouchot, em 1869. Mouchot
informou que o alquimista árabe havia usado espelhos Damascus polidos
para destilação solar.
Até os tempos medievais, não existiam aplicações importantes de
dessalinização solar. Durante este período, a energia solar foi usada para
acionar alambiques para concentrar soluções alcoólicas diluídas ou extratos
herbais para aplicações medicinais, a fim de produzir vinho e vários óleos
perfumados. Os destiladores, ou alambiques, foram descobertos em
Alexandria, Egito, durante o período helenístico. Cleópatra, a sábia, uma
alquimista grega, desenvolveu muitos destiladores desse tipo (Bittel, 1959).
Um deles é mostrado na Figura 1.7 (Kalogirou, 2005). A parte superior do
recipiente foi chamada de ambix, que em grego significa “cabeça do
destilador”, embora essa expressão seja comumente aplicada ao todo. Os
árabes, que dominaram a ciência no século VII, em especial a alquimia,
nomearam os destiladores de Al-Ambiq, de onde veio o nome alambique
(Delyannis, 2003).
FIGURA 1.7

Alambique de Cleópatra.

Mouchot (1879), o renomado cientista francês que experimentou com a


energia solar, em um dos seus numerosos livros, menciona que, no século
XV, os alquimistas árabes usavam espelhos Damascus côncavos polidos para
concentrar a radiação solar em recipientes de vidro que continham água do
mar e assim produzir água doce. Ele também relata suas próprias experiências
com energia solar para destilar álcool, e um aparato que ele desenvolveu com
um espelho de metal com um foco linear no qual uma caldeira estava alocada
ao longo de sua linha central.
Mais tarde, durante o Renascimento, Giovani Batista Della Porta (1535-
1615), um dos mais importantes cientistas deste período, escreveu muitos
livros que foram traduzidos para o francês, italiano e alemão. Em um deles,
Magiae Naturalis, que surgiu em 1558, ele menciona três sistemas de
dessalinização (Delyannis, 2003). Em 1589, ele publicou uma segunda edição
na qual, no volume sobre destilação, são mencionados sete sistemas de
dessalinização. O mais importante deles é o aparato de destilação solar que
converte água salobra em água doce. Nesse caso, foram utilizados vasos
muito largos, expostos ao intenso calor dos raios solares para evaporar a água
e recolher o condensado em vasos colocados por baixo (Nebbia e Nebbia-
Menozzi, 1966). Ele também descreve um método de obtenção de água doce
a partir do ar (o que é conhecido atualmente como métodos de umidificação-
desumidificação).
Por volta de 1774, o grande químico francês Lavoisier usou grandes lentes
de vidro, montadas sobre elaboradas estruturas de apoio para concentrar a
energia solar sobre os conteúdos dos balões de destilação. A utilização de
refletores de vidro revestidos de prata – ou alumínio –, para concentrar a
energia solar para a destilação foi também descrita por Mouchot.
Em 1870, a primeira patente americana em destilação solar foi concedida ao
trabalho experimental de Wheeler e Evans. Quase tudo o que sabemos sobre
o funcionamento básico dos destiladores solares e dos correspondentes
problemas de corrosão está descrito nessa patente. Os inventores descrevem o
efeito estufa, analisando com detalhes a capa de condensação e re-
evaporação, e discutiram a superfície escura de absorção e a possibilidade de
problemas de corrosão. Eram necessárias operações de altas temperaturas,
assim como os meios de rotação para acompanhar a radiação solar incidente
(Wheeler e Evans, 1870).
Dois anos depois, em 1872, um engenheiro da Suécia, Carlos Wilson,
projetou e construiu a primeira grande usina de destilação em Las Salinas, no
Chile (Harding, 1883); assim, os alambiques solares foram os primeiros a
serem usados na produção de água destilada em larga escala. A usina foi
construída de modo a fornecer água doce para os trabalhadores e suas
famílias, em uma mina de salitre e de prata, localizada nas proximidades.
Eles usaram os efluentes da mina de salitre, de salinidade muito alta (140.000
ppm), como alimentadores dos alambiques. A usina foi construída com uma
estrutura de madeira e coberta com uma folha de vidro. Isso consistiu em 64
compartimentos, chegando a uma área de superfície total de 4450 m2 e o total
de superfície terrestre de 7896 m2. Foi produzido 22,70 m3 de água doce por
dia (4,9 l/m2). O alambique ainda operou por quarenta anos e foi abandonado
somente depois que um cano de água doce foi instalado, fornecendo água
para as regiões das montanhas.
No Primeiro Simpósio Mundial sobre Energia Solar Aplicada, que
aconteceu em novembro de 1955, Maria Telkes descreveu a usina de
destilação solar de Las Salinas e relatou que ela esteve em operação
continuamente por 36 anos (Telkes, 1956a).
O uso de concentradores solares em destilação solar foi relatado por Louis
Pasteur, em 1928, que usou um concentrador para focar raios solares em uma
caldeira de cobre com água. O vapor gerado a partir da caldeira era
conduzido para um condensador convencional que resfriava a água, e onde a
água destilada era acumulada.
A renovação do interesse em destilação solar ocorreu depois da Primeira
Guerra Mundial, à época em que vários novos dispositivos foram
desenvolvidos, tais como os do tipo telhado, pavio inclinado e alambiques
inflados.
Antes da Segunda Guerra Mundial existiam apenas alguns sistemas de
destilação solares. Um deles, projetado por C. G. Abbot, era um dispositivo
de destilação solar semelhante ao de Mouchot (Abbot, 1930, 1938). Ao
mesmo tempo, alguma pesquisa sobre destilação solar foi realizada na URSS
(Trofimov, 1930; Tekutchev, 1939). Durante os anos 1930-1940, a seca na
Califórnia deu início ao interesse pela dessalinização da água salgada. Alguns
projetos começaram, mas a depressão econômica naquele tempo não permitiu
qualquer pesquisa ou aplicação. O interesse cresceu mais intensamente
durante a Segunda Guerra Mundial, quando centenas de tropas aliadas
sofreram com a falta de água potável, enquanto estavam estagnados no Norte
da África, nas Ilhas do Pacífico e em outros locais isolados. Em seguida, uma
equipe do MIT, liderada por Maria Telkes, começou experimentos com
alambiques solares (Telkes, 1943). Ao mesmo tempo, o Comitê Nacional de
Defesa e Pesquisa dos EUA patrocinou uma pesquisa para desenvolver
dessalinizadores para uso militar no mar. Muitas patentes foram concedidas
(Delano, 1946a, b; Delano e Meisner, 1946) para pequenos aparelhos
individuais de plástico de destilação solar serem desenvolvidos, com o intuito
de serem usados em botes salva-vidas ou balsas. Eles foram projetados para
flutuar na água do mar quando inflado e foram amplamente usados pela
Marinha dos EUA, durante a guerra (Telkes, 1945). Telkes continuou a
investigar várias configurações de alambiques solares, incluindo os cobertos
por vidro e os alambiques solares de múltiplos efeitos (Telkes, 1951, 1953,
1956b).
A explosão demográfica urbana e a tremenda expansão da indústria, depois
da Segunda Guerra Mundial, trouxe para o foco novamente o problema da
qualidade da água. Em julho de 1952, o Escritório de Águas Salinas (EAS)
foi criado nos EUA, o principal objetivo era financiar a pesquisa básica sobre
dessalinização. O EAS promoveu a aplicação de dessalinização por meio de
pesquisa. Cinco usinas demonstrativas foram construídas e, entre elas, estava
uma usina de destilação solar em Daytona Beach, Flórida, onde foram
testados muitos tipos e configurações de alambiques solares (americanos e
estrangeiros) (Talbert et al., 1970). G.O.G. Loef, como consultor do EAS nos
anos 1950, também experimentou com os alambiques solares, tais como
alambique tipo bacia, evaporação solar com condensadores externos e
alambiques de múltiplos efeitos, na estação experimental do EAS em
Daytona Beach (Loef, 1954).
Nos anos seguintes, muitas usinas de destilação solar de pequena
capacidade foram construídas nas ilhas caribenhas pela Universidade McGill
do Canadá. Everett D. Howe, do Laboratório de Conversão da Água do Mar
da Universidade da Califórnia, Berkeley, foi outro pioneiro em alambiques
solares que realizou muitos estudos sobre destilação solar (Kalogirou, 2005).
O trabalho experimental em destilação solar também foi realizado no
Laboratório Nacional de Física em Nova Delhi, Índia, e no Instituto de
Pesquisa Química Marinha e Sal Central, Bhavnagar, Índia. Na Austrália, a
Organização de Pesquisa Industrial e Científica da Riqueza Comum
(OPICRC), em Melbourne, realizou uma série de estudos sobre destilação
solar. Em 1963, o protótipo de alambique do tipo bacia foi desenvolvido,
coberto com vidro e forrado com folha de polietileno preto (OPICRC, 1960).
As usinas de destilação solar foram construí​das com este protótipo de
alambique no deserto australiano, fornecendo água doce a partir de salinas
para as pessoas e os animais. Simultâneo a isso, V. A. Baum, na URSS,
estava experimentando com alambiques solares (Baum, 1960, 1961; Baum e
Bairamov, 1966).
Entre 1965 e 1970, usinas de destilação solar foram construídas nas Ilhas
Gregas, a fim de fornecer água doce para pequenas comunidades (Delyannis,
1968). O projeto dos alambiques, feito na Universidade Técnica de Atenas,
foi do tipo estufa coberta com vidro assimétrico com estrutura de alumínio.
Os alambiques eram alimentados com água do mar e foram cobertos com
vidros simples. A capacidade deles variou de 2044 a 8640 m3 por dia. Na
verdade, a instalação na ilha de Patmos é a maior usina de destilação solar já
construída. Em mais três Ilhas Gregas, outras três usinas de destilação solar
foram construídas. Nelas, foram alambiques cobertos com plástico (Tedlar)
com capacidades de 2886, 388 e 377 m3/dia, que supriram, no verão, as
necessidades de água doce do campus da Associação Cristã de Moços.
As usinas de destilação solar também foram construídas nas ilhas de Porto
Santo e Madeira, em Portugal e na Índia, sobre as quais não existem maiores
informações. Hoje, em sua maioria essas usinas não estão funcionando.
Apesar de muita pesquisa sobre alambiques solares estar sendo realizada, não
foram construídas recentemente usinas de destilação solar de grande
capacidade.
Uma série de usinas de dessalinização solar com sistemas convencionais de
dessalinização foi instalada em vários locais do Oriente Médio. Em sua
maioria essas usinas são de nível experimental ou demonstrativo. Um exame
desses simples métodos de produção de água destilada, juntamente com
alguns outros, mais complicados, é apresentado no Capítulo 8
1.5.3Secagem solar
Outra aplicação da energia solar é a secagem solar. Secadores solares têm
sido usados principalmente pela indústria agrícola. O objetivo na secagem de
um produto agrícola é reduzir seu teor de umidade a um nível que previna
contra a deterioração em um período de tempo que é considerado o período
de armazenagem seguro. A secagem é um processo duplo de transferência de
calor para o produto, de uma fonte de calor, e da transferência de massa de
umidade do interior do produto para sua superfície e da sua superfície para o
ar circundante. Por muitos séculos, os fazendeiros usavam apenas a secagem
ao sol. Recentemente, no entanto, os secadores solares têm sido usados, o que
é mais eficaz e eficiente.
A secagem por exposição ao sol é uma das aplicações mais antigas da
energia solar, usada para a preservação dos alimentos, como vegetais, frutas,
peixes e derivados de carne. Desde os tempos pré-históricos, a humanidade
usa a radiação solar como a única fonte térmica disponível para secar e
preservar todos os gêneros alimentícios necessários, para secar os tijolos de
suas casas e secar as peles de animais para vestuário.
A primeira instalação de secagem conhecida é do sul da França e data de
cerca de 8000 a.C. É, na verdade, uma pedra com a superfície pavimentada
usada para secar a colheita. A brisa ou a velocidade moderada do vento
natural eram combinadas com a radiação solar para acelerar a secagem (Kroll
e Kast, 1989).
Várias outras instalações foram encontradas ao redor do mundo, datadas
entre os anos de 7000 e 3000 a.C. Existem várias instalações combinadas,
utilizando radiação solar combinada com a circulação natural do ar, usadas
principalmente para a secagem de alimentos. Na Mesopotâmia, foram
encontradas várias áreas para a secagem ar-solar de material têxtil colorido e
placas de argila escritas. A primeira instalação ar-solar para secagem da
colheita foi encontrada no vale do rio Hindu e é datada de cerca de 2600 a.C
(Kroll e Kast, 1989).
O conhecido físico e filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C) descreveu em
detalhes o fenômeno da secagem e deu, pela primeira vez, explicações
teóricas sobre a secagem. Mais tarde, a biomassa e a madeira foram utilizadas
para acionar os primeiros fornos primitivos para a secagem de material de
construção, como tijolos e telhas, porém, a comida era exposta somente à
radiação solar direta (Belessiotis e Delyannis, 2011). A indústria da secagem
convencional começou no século XVIII, mas, apesar de todos os métodos
modernos desenvolvidos, a secagem por exposição ao sol continua sendo o
método principal para a secagem de pequenas quantidades de produtos
agrícolas em todo o mundo.
O objetivo de um secador é fornecer o produto com mais calor do que o
disponível nas condições ambientais, aumentando suficientemente a pressão
do vapor de umidade contida na colheita, favorecendo, assim, a migração da
umidade ligada à colheita e diminuindo significativamente a umidade relativa
do ar de secagem. Desse modo, aumenta-se a capacidade de transporte de
umidade e assegura-se um nível suficientemente equilibrado de umidade.
Na secagem solar, a energia solar é utilizada como a única fonte de
aquecimento ou uma fonte suplementar, e o fluxo de ar pode ser gerado por
convecção natural ou forçada. O processo de aquecimento pode envolver a
passagem do ar pré-aquecido através do produto ou expondo diretamente o
produto à radiação solar, ou a combinação dos dois. O principal objetivo é a
transferência de calor por convecção ou condução do produto úmido para a
massa de ar circundante, a temperaturas acima da temperatura do produto,
pela radiação, principalmente a partir do sol e um pouco de extensão em
torno de superfícies quentes, ou por condução de superfícies aquecidas em
contato com o produto. Mais informação sobre os secadores solares pode ser
encontrada no Capítulo 7
1.5.4Construções solares passivas
Finalmente, outra área da energia solar está relacionada com as construções
solares passivas. O termo sistema passivo é aplicado para as construções que
incluem, como parte integrante da edificação, elementos que recebem,
absorvem, armazenam e liberam a energia solar e, assim, reduzem a
necessidade de energia auxiliar para aquecimento de conforto. Esses
elementos têm a ver com a orientação correta das edificações, da dimensão
correta das aberturas, o uso de saliências e outros dispositivos de
sombreamento e o uso de isolamento e massa térmica.
Antes do advento do mecanismo de aquecimento e refrigeração, o projeto
de construções solares passivas era praticado por muitos anos como um meio
de proporcionar condições interiores confortáveis e proteger os habitantes de
condições climáticas extremas. As pessoas, naqueles tempos, consideravam
fatores como a orientação solar, massa térmica e a ventilação na construção
de edifícios residenciais, pautados principalmente na experiência de
transferência de conhecimento de geração para geração. Os primeiros
métodos de arquitetura solar e de planejamento urbano foram desenvolvidos
tanto pelos gregos quanto pelos chineses. Esses métodos especificam que, por
meio da orientação das edificações voltadas para o sul, luz e calor podem ser
fornecidos. Segundo a “memorabilia” de Xenofonte, mencionada na Seção
1.1, Sócrates afirmou: “Agora, supondo que uma casa tenha um aspecto do
sul, a luz solar, durante o inverno, se esconderá debaixo da varanda, mas no
verão, quando o sol percorre um caminho bem acima de nossas cabeças, o
telhado concederá um sombra agradável, não é mesmo?”. Esses conceitos,
juntamente com outros mencionados acima, atualmente são considerados pela
arquitetura bioclimática. Muitos desses conceitos são investigados no
Capítulo 6deste livro.
1.6Outros sistemas de energia renovável
Essa seção aborda brevemente outras formas de sistemas de energia
renovável. A maioria delas, exceto a energia eólica, não é abordada neste
livro. Mais detalhes desses sistemas podem ser encontrados em outras
publicações.
1.6.1Energia eólica
O vento é gerado por diferenças de pressão atmosférica, reguladas pela
energia solar. Do total de 175.000 TW da energia solar que chega à Terra,
cerca de 1200 TW (0,7%) são usados para conduzir o sistema de pressão
atmosférica. Esta força gera um reservatório de energia cinética de 750 EJ,
com um tempo de virada de 7,4 dias (Soerensen, 1979). Esse processo de
conversão ocorre principalmente nas camadas superiores da atmosfera, a mais
ou menos 12 km de altura (onde o “jet streams” ocorre). Se for assumir que
cerca de 4,6% da energia cinética está disponível na camada mais baixa da
atmosfera, o potencial eólico do mundo é da ordem de 55 TW. Por isso,
pode-se concluir que, de acordo com uma base puramente teórica e
desconsiderando o descompasso entre oferta e demanda, o vento poderia
suprir uma quantidade de energia elétrica equivalente à atual demanda de
eletricidade mundial.
Como consequência da relação cúbica (elevado à terceira potência) entre a
velocidade do vento e a potência eólica (e, portanto, energia), deve-se ter
cuidado na utilização de dados de velocidade média do vento (m/s) para
derivar dados de potência eólica (W/m2). As circunstâncias geográficas locais
podem conduzir a estruturas de mesoescala, que resultam em uma energia
muito maior do que a energia que seria calculada ou obtida a partir da
frequência de distribuição da velocidade do vento mais comumente usada
(Rayleigh). A velocidade do vento varia com altura, e um incremento,
digamos, de 25 m produz uma variação na energia disponível de 1,2
MWh/m2/a para cerca de 5MWh/m2/a nas regiões com um bom recurso
eólico. Níveis mais elevados de energia eólica são possíveis em áreas
montanhosas ou locais com topografia de funil, onde predomina o vento
através dos vales.
Uma breve introdução histórica à energia eólica
Em termos de capacidade, a energia eólica é a energia renovável mais
utilizada. Atualmente existem muitas fazendas eólicas que produzem
eletricidade. A energia eólica, na verdade, é uma fonte energética indireta do
sol. A sua utilização como energia remonta há 4000 anos, durante a aurora
dos tempos históricos. O vento era adorado, como o sol, como um deus. Para
os gregos, o vento era o deus Aeolos, o “homem alado”. Por causa do nome
divino, a energia do vento é às vezes referida como a energia eólica
(Delyannis, 2003).
Há cerca de 4000 anos, a energia eólica era usada para a propulsão de
barcos a vela. Na Antiguidade, essa era a única energia disponível para
conduzir os navios através da bacia do Mediterrâneo e através dos mares e,
até hoje, é usada para impulsionar pequenos barcos de lazer. Mais ou menos
na mesma época surgiram os moinhos de vento, usados principalmente para
moer diversos produtos agrícolas (Kalogirou, 2005).
Acredita-se que a origem dos moinhos de vento, embora não seja provada,
foram os templos de oração do Tibete. Os mais antigos moinhos de vento
primitivos foram encontrados em Neh, leste do Irã, e na fronteira do
Afeganistão (Major, 1990). Muitos moinhos de vento foram encontrados na
Pérsia, Índia, Sumatra e Bactria. Acredita-se, em geral, que muitos moinhos
de vento foram construídos pelos gregos que imigraram para a Ásia com as
tropas de Alexandre, o Grande (Delyannis, 2003). O documento escrito mais
antigo sobre moinhos de vento é um livro hindu de cerca de 400 a. C.,
intitulado Arthasastra of Kantilys, no qual existe uma sugestão do uso de
moinhos de vento para bombear água (Soerensen, 1995). O próximo registro
conhecido é de Heron de Alexandria, que o descreveu no século I d.C. Na
Europa Ocidental, os moinhos de vento surgiram depois, durante o século
XII, com a primeira referência escrita no período entre 1040 e 1180 d.C.
(Merriam, 1980). Originalmente, no século XII, eram moinhos do tipo
coluna, em que todo o aparato era montado em uma coluna, para que pudesse
ser movido em contato com o vento e, mais tarde, no século XIV, eram os
moinhos do tipo torre, nos quais somente a parte superior do moinho,
contendo as velas, poderia se mover (Sorensen, 2009a). A Revolução
Industrial e o advento da máquina a vapor trouxeram o fim do uso dos
moinhos de vento.
Uma nova utilização da energia eólica surgiu com a invenção da bomba de
água e foi usada extensivamente por fazendeiros dos Estados Unidos e,
posteriormente, em muitas partes do mundo. Trata-se de uma estrutura de
metal clássica, em forma de torre, carregando um rotor feito de palhetas de
aço galvanizado, conhecida como bombas de vento do tipo Califórnia
(Sorensen, 2009a).
O famoso matemático suíço, Leonhard Euler, desenvolveu a teoria da roda
de vento e equações relacionadas, que são, ainda hoje, os princípios mais
importantes dos aerogeradores. O ancestral das atuais turbinas eólicas de eixo
vertical foi desenvolvido por Darrieus (1931), mas foram necessários
cinquenta anos para serem comercializadas, nos anos 1970. Cientistas da
Dinamarca foram os primeiros a instalarem turbinas eólicas, durante a
Segunda Guerra Mundial, para aumentar a capacidade elétrica de sua rede.
Eles instalaram 200 kW de turbinas de moinho Gedser, que operaram até os
anos 1960 (Dodge e Thresler, 1989).
Sistemas de tecnologia de energia eólica
A exploração da energia eólica, hoje, utiliza uma vasta gama de tamanhos e
tipos de aerogeradores, o que abre um leque de diferentes performances
econômicas. Atualmente, existem pequenos aerogeradores de cerca de 300
kW e aerogeradores que apresentam potência na faixa de megawatt. Uma
fotografia de um parque eólico é mostrada na Figura 1.8.

FIGURA 1.8

Uma fotografia de um parque eólico.

A tecnologia das turbinas eólicas, em uso atualmente, tem somente 25 anos;


e os investimentos nesse campo têm sido, até agora, bastante modestos, se
comparados aos investimentos de outras fontes de energia. Quase todas as
turbinas eólicas produzidas pelas indústrias são do tipo eixo horizontal e a
maioria delas possui um rotor de três pás. No entanto, há alguns anos, as
máquinas têm sido construídas com duas pás, para reduzir os custos e
prolongar a vida útil das máquinas, tornando-as mais leves e flexíveis,
reduzindo a quantidade de componentes de alta tecnologia.
A Europa instalou 9616 MW de turbinas eólicas em 2011, um aumento de
11% em relação a potência instalada em 2010. A potência eólica do mercado
europeu de energia eólica quebrou recordes em 2011, segundo as estatísticas
anuais da Associação Europeia de Energia Eólica. A potência eólica
acumulada na União Europeia aumentou para 93,957 MW, o que pode gerar
190 TWh de eletricidade, numa média de vento anual, representando 6,3% do
consumo total de energia da UE. Em todo o mundo, até o final de 2011, 238
GW foram instalados, um aumento de 40,5 GW em relação a 2010. Essas
turbinas eólicas possuem a capacidade de gerar 500 TWh de eletricidade por
ano, o que é equivalente a cerca de 3% da energia elétrica consumida no
mundo. Durante o período 2005-2010, a instalação das turbinas eólicas
apresentaram um aumento médio de 27,6%.
Em 2009, quando a primeira edição deste livro estava sendo elaborada, a
Alemanha e a Espanha eram os países líderes em instalação de energia eólica
com 29.060 e 21.674 MW, respectivamente.* Há, porém, uma tendência
saudável do mercado europeu a uma menor dependência em relação à
Alemanha e à Espanha, de modo que todos os países da UE, exceto a
Eslovênia e Malta, estão investindo nesta tecnologia. Em 2011, 6480 MW da
potência eólica europeia foi instalada fora da Alemanha e Espanha.
Considerando a potência eólica total, exceto Alemanha e Espanha, lideram a
França com 6800 MW, a Itália com 6747 MW e o Reino Unido, com 6540
MW.
É claro que o investimento deve-se ao forte efeito do Diretivo de Energia
Renovável da UE, aprovado em 2001, que insta a CE e o conselho a
introduzir medidas de segurança que garantam legalmente a estabilidade da
eletricidade renovável, na Europa. Essas medidas confirmam que a legislação
específica para o setor é o meio mais eficiente de aumentar a produção de
eletricidade renovável.
A Alemanha instalou 2086 MW de turbinas eólicas, em 2011, 39% a mais
que em 2010, e está muito perto da marca de 30.000 MW do total de energia
eólica instalada. A Espanha foi o segundo maior mercado, com 1050 MW
(1463 MW em 2010, uma queda de 28%), enquanto o Reino Unido passou
para o terceiro lugar, instalando 1293 MW, em 2011, 29% a mais que em
2010. Em 2011, a Itália instalou 950 MW de nova capacidade; a França
instalou 830 MW e a Suécia instalou 763 MW. O Chipre, um país sem
recorde prévio de energia eólica, tem agora 134 MW de potência instalada. A
energia eólica em 12 países da UE alcançou 4287 MW, em 2011. A EU tem
catorze países, agora, que ultrapassam o limite de 1000 MW de potência
eólica.
Os investimentos realizados para alcançar esse nível de desenvolvimento
levaram a um acúmulo constante de experiência de campo e aprendizagem
organizacional. Tomados em conjunto, muitas pequenas melhorias de
engenharia, melhores práticas de operação e manutenção, melhores
perspectivas eólicas e uma variedade de avanços a mais têm levado à redução
de custos fixos.
Os avanços tecnológicos prometem contínuas reduções de custos. Por
exemplo, a queda de custos de controles eletrônicos tornou possível a
substituição de controles de frequência mecânica por sistemas eletrônicos.
Além disso, a moderna tecnologia de computadores tornou possível melhorar
substancialmente a concepção de pás e outros componentes.
O valor da eletricidade convertida pelos sistemas eólicos depende das
características do sistema interligado no qual ele está integrado, bem como
das condições do recurso eólico na região. Algumas áreas, particularmente
áreas costeiras quentes, têm ventos com padrões diários e sazonais que
satisfazem a demanda, enquanto há outras áreas que não são assim. As
análises realizadas no Reino Unido, Dinamarca e Holanda deixam claro que
os sistemas eólicos têm grande valor se inúmeros locais de geração estão
conectados, porque é provável que as flutuações de energia eólica de um
sistema de turbinas instaladas serão menores em áreas individuais do que em
áreas amplamente separadas.
Mais detalhes sobre os sistemas de energia eólica podem ser encontrados no
Capítulo 1.
1.6.2Biomassa
Energia da biomassa é um termo genérico aplicado à produção de energia
por intermédio de material orgânico e é dividido em duas grandes categorias:
• Biomassa lenhosa. Madeira florestal, resíduos e co-produtos, outros
materiais lenhosos incluindo desbaste e limpeza de florestas (conhecido
como aparições florestais), produtos de madeira não tratada, culturas
energéticas, como salgueiro, talhadia de rotação curta e miscanthus
(capim-elefante).
• Biomassa não lenhosa. Resíduos de origem animal, produtos urbanos
industriais e biodegradáveis derivados de processamento de alimentos,
culturas de alta capacidade energética, como bagaço, cana e milho.
A biomassa, principalmente sob a forma de resíduos industriais e agrícolas,
fornece eletricidade há muitos anos por meio dos geradores de energia de
turbinas a vapor convencionais. Os Estados Unidos têm, atualmente, mais de
8000 MWe de capacidade de geração alimentada por biomassa. As
tecnologias de conversão de turbina a vapor existentes são competitivas em
regiões onde os combustíveis de biomassa de baixo custo estão disponíveis,
mesmo que essas tecnologias sejam comparativamente ineficientes para os
pequenos espaços necessários para produção de energia de biomassa.
O desempenho dos sistemas elétricos de biomassa pode ser
consideravelmente melhorado, adaptando-se a biomassa para as tecnologias
avançadas de gaseificação desenvolvidas originalmente para carvão. A
biomassa é uma matéria-prima mais atrativa para a gaseificação do que o
carvão, porque é mais fácil para gaseificar e tem um teor muito baixo de
enxofre; por conseguinte, o caro equipamento removedor de enxofre não é
necessário. Os sistemas de energia de biomassa com turbinas de integração
de gaseificação, com eficiências acima de 40%, têm estado disponíveis
comercialmente desde o início dos anos 1990. Esses sistemas oferecem alta
eficiência e baixos custos por unidade de geração de energia de base em
escalas relativamente modestas de 100 MWe ou menos, e podem competir
com as usinas movidas a carvão, mesmo quando abastecidas com estoques de
biomassa relativamente caros.
Outra forma de energia relacionada com a agricultura é o biogás. Os
resíduos de origem animal são normalmente usados para a geração de
eletricidade a partir do biogás. Nesses sistemas, o esterco dos animais é
coletado e processado a fim de produzir metano, que pode ser utilizado
diretamente em um motor a diesel, acionando um gerador que produz
eletricidade. Isso pode ser alcançado por meio de dois processos: digestão
aeróbia e anaeróbia. A digestão aeróbia é o processo no qual existe a presença
de oxigênio, enquanto o termo anaeróbio significa a ausência de oxigênio e,
consequentemente, a digestão anaeróbia se refere a um tipo especial de
digestão, que funciona sem oxigênio. Todo esterco de origem animal é uma
fonte valiosa de bioenergia. Eles são normalmente processados a partir da
digestão anaeróbia. A digestão anaeróbia oferece soluções projetadas para
controlar e acelerar o processo de degradação natural que ocorre em esterco
armazenado. Um digestor anaeróbio é um sistema completamente fechado, o
que permite uma digestão mais completa dos intermediários orgânicos
odoríferos, encontrados nos estercos armazenados, em compostos menos
ofensivos (Wilkie, 2005). Benefícios similares podem ser obtidos também a
partir da digestão aeróbia, mas a complexidade e os custos operacionais são
maiores do que os dos sistemas anaeróbios. Além disso, os métodos aeróbios
consomem energia e produzem grandes quantidades de subprodutos, o que
requer disposição, em comparação com a quantidade significativamente
menor de subprodutos produzidos no processo anaeróbio. Do ponto de vista
da engenharia do processo, a digestão anaeróbia é relativamente simples,
mesmo que os processos bioquímicos envolvidos sejam muito complexos
(Wilkie, 2005). As aplicações da digestão anaeróbia podem estar na
temperatura ambiente (15-25oC), temperatura mesofílica (30-40oC) ou
termofílica (50-60oC); enquanto os digestores de fazendas operam
usualmente em temperaturas mesofílicas. Para que esses sistemas sejam
viáveis, grandes fazendas ou consórcio de fazendas são necessários. Esse
método também resolve o problema da elimininação do esterco e, como um
subproduto, temos a criação de um fertilizante muito bom. Nas subseções
seguintes, somente a biomassa e os biocombustíveis serão examinados.
A produção sustentável de biomassa para energia
O cenário do uso intensivo de energia renovável, descrito na Seção 1.2,
considera cerca de 400 milhões de hectares de plantação de bioamassa até o
segundo trimestre do século XXI. Se esta magnitude de biomassa é usada, as
questões levantadas são se os saldos líquidos de energia são suficientemente
favoráveis para justificar o esforço, se os altos rendimentos de biomassa
podem ser sustentados em áreas amplas e por longos períodos e se tais
plantações são ecologicamente aceitáveis (Johanson et al., 1993).
Alcançar altos rendimentos de plantações requer insumos energéticos,
especialmente para fertilizantes, colheita e transporte da biomassa. O teor
energético da biomassa colhida, entretanto, é tipicamente 10-15 vezes maior
do que os insumos de energia.
Todavia, é questionável se tais rendimentos elevados podem ser alcançados
ano após ano. O ponto é crítico porque os nutrientes essenciais são removidos
de uma área, no momento da colheita; se esses nutrientes não são
restabelecidos, a fertilidade do solo e a produtividade diminuirão com o
tempo. Felizmente, o reabastecimento é possível com boa gestão. Galhos e
folhas, as partes da planta onde os nutrientes tendem a se concentrar,
deveriam ser deixados nas áreas de plantio no momento da colheita; e os
nutrientes minerais recuperados como cinzas nas instalações de conversão de
energia deveriam retornar para os solos da plantação. Perdas de nitrogênio
podem ser restauradas por meio da aplicação de fertilizantes químicos;
requisitos de composição física podem ser mantidos baixos de acordo com a
escolha de espécies que são especificamente eficientes na utilização de
nutrientes. De modo alternativo, as plantações podem ser produzidas com
nitrogênio autossuficiente a partir do crescimento de espécies fixadoras de
nitrogênio, talvez misturadas com outras espécies. No futuro, será possível
reduzir os insumos de nutrientes por meio de aplicações de nutrientes
correspondentes às necessidades cíclicas das plantas.
As atividades intensivas de plantio e colheita também podem aumentar a
erosão, levando à queda de produtividade. Os riscos de erosão para as
culturas anuais de energia seriam semelhantes aos de cultura alimentar anual
e, por isso, o cultivo dessas culturas deve ser evitado em terras com tendência
à erosão. Para culturas como árvores e gramíneas perenes, as taxas médias de
erosão são baixas porque o plantio é raro, geralmente uma vez a cada 10-20
anos.
Uma desvantagem ambiental das plantações é que elas sustentam muito
menos espécies do que as florestas naturais. Assim, propõe-se aqui que as
plantações sejam estabelecidas não em áreas ocupadas por florestas naturais,
mas, ao contrário, em terras desmatadas e degradadas em países em
desenvolvimento e nas terras cultiváveis em excesso, em países
industrializados. Além disso, certa porcentagem de terra deve ser mantida em
estado natural como um san​tuário para os pássaros e para outros animais,
para ajudar a controlar as populações de pragas. Em suma, as plantações
realmente melhorariam o status quo, no que diz respeito à diversidade
biológica.
Biocombustíveis
Os recentes avanços nas tecnologias de destilação e mistura estão sendo
amplamente reconhecidos como uma influência na proliferação global de
biocombustíveis. A ideia de biocombustíveis não é nova; em tese, Rudolf
Diesel previu a significância dos biocombustíveis no século XIX, afirmando:
“O uso de óleos vegetais para motor a combustível parece insignificante hoje.
Porém, tais óleos podem se tornar, com o decorrer do tempo, tão importantes
quanto os derivados do petróleo e do carvão no presente momento”
(Cowman, 2007).
Os primeiros motores de ignição por compressão de Rudolf Diesel
funcionaram com óleo de amendoim, na Exposição Mundial de Paris. A
tendência atual em direção a uma maior utilização de biocombustíveis está
sendo impulsionada pela diversificação das fontes de energia usando
produtos renováveis, assim como a dependência de combustíveis à base de
carbono se tornam um problema e a necessidade de substituir o componente
éter metil-tércio-butílico (MTBE) usado, no mundo, em muitos produtos do
petróleo. A mudança por combustíveis com componentes MTBE começou
como uma questão ambiental em várias partes do mundo.
O etanol tem sido reconhecido como uma escolha natural para substituir o
MTBE, e a necessidade de misturar o etanol com produtos do petróleo é
agora uma exigência global. O Brasil tem sido líder mundial quando se trata
da capacidade de produzir etanol, mas os Estados Unidos estão tentando
ultrapassar este e outros países no hemisfério ocidental, por meio de um
crescimento rápido na produção. A legislação europeia definiu metas
substanciais para os próximos anos, e a Diretiva da UE 30/2009/CE
promoveu o uso de biocombustíveis com uma meta estabelecida de uso de
5,75%, em 2010. De acordo com a Diretiva 28/2009/CE, relativa à promoção
da utilização de energia proveniente de fontes renováveis, a taxa sobe para no
mínimo 10% em cada estado-membro, em 2020. Em relação à expansão do
uso de biocombustível na UE, a Diretiva visa assegurar o uso sustentável, o
que gera uma clara economia em rede de GEE sem impacto negativo na
biodiversidade e no uso de terra. A normatização do uso de biocombustíveis
já foi estabelecida, com os produtos de base não diluídas sendo definidas
como B100 (100% biodiesel) e E100 (100% etanol). A mistura subsequente
modificará este número, tal como uma mistura de 80% de gasolina e 20% de
etanol, definida como E20, ou uma mistura de 95% de diesel e 5% de
biodiesel, definida como B5 (Cowman, 2007).
O biodiesel pode ser usado em qualquer concentração com combustível
diesel à base de petróleo, e pouca ou nenhuma modificação é necessária para
os motores a diesel atuais. O biodiesel é um combustível renovável para
motores a diesel e é derivado de óleos vegetais e gordura animal, incluindo
óleos usados e gorduras. O óleo de soja é o principal óleo vegetal produzido
nos Estados Unidos e a principal matéria-prima para a produção de biodiesel.
O biodiesel não é o mesmo que um óleo vegetal em estado bruto; pelo
contrário, é produzido por um processo químico que remove a glicerina e
converte o óleo em ésteres metílicos.
Utilizando a atual infraestrutura de distribuição de petróleo, a mistura é
tipicamente levada a cabo no armazenamento ou terminal de carregamento.
Os locais mais comuns de mistura são o tanque de armazenamento, ou de
modo mais eficaz, o braço de carga. O requisito mais importante para este
processo é a medição exata do volume de cada produto. Isto pode ser feito
por meio de mistura sequencial ou razão de mistura, mas mais
vantajosamente, utilizando a técnica de mistura de fluxo lateral.
Embora os produtos do petróleo contendo MTBE possam ser misturados na
refinaria e transportados para o caminhão ou navio de carga terminais por
intermédio de dutos ou vagões, o combustível misturado com etanol contém
propriedades que tornam isso difícil. O etanol, por natureza, atrai qualquer
H2O encontrado pelo caminho ou nos tanques de armazenamento. Se isso
acontecer em uma mistura de 10% e a concentração de H2O na mistura do
combustível atingir 0,4%, o combinado de etanol e H2O sai da mistura. O
ponto exato de interrupção depende da porcentagem de etanol, quantidade de
melhorias e temperatura. Se esta interrupção ocorre, o etanol se combina com
a H2O e separa-se do combustível, decantando-se no fundo do tanque. A
mistura resultante sai da especificação e, para voltar à especificação correta
requer o envio do etanol contaminado para a usina de produção.
A solução para este problema é manter o etanol em um ambiente limpo,
seco e misturar o etanol com os produtos do petróleo quando os caminhões
ou tanques de transporte estiverem sendo abastecidos. Movendo-se a mistura
ao ponto de carregamento minimiza-se o risco de contaminação do
combustível por H2O.
Em geral, no processamento de biodiesel, a gordura ou o óleo é degomado
e, depois, é feita a reação com álcool, como o metanol, com a presença de um
catalisador para a produção de glicerina e ésteres metílicos (biodiesel). O
metanol é fornecido em excesso para ajudar na conversão rápida, e a parte
não utilizada é recuperada e reutilizada. O catalisador empregado é
geralmente o sódio ou o hidróxido de potássio, o qual já se encontra
misturado com o metanol (Cowman, 2007).
Embora o combustível produzido a partir da agricultura tenha tido somente
um uso marginal no contexto atual, existem benefícios políticos, ambientais,
legislativos e financeiros para a utilização de biocombustíveis. Com os preços
do petróleo persistindo altos e tendendo muito pouco à redução, a demanda
por biocombustíveis continuará a crescer e a proporcionar perspectivas
emocionantes de crescimento tanto para os investidores quanto para os
fabricantes de equipamentos.
1.6.3Energia geotérmica
As medições mostram que a temperatura do solo, abaixo de uma certa
profundidade, permanece relativamente constante ao longo do ano. Isso
acontece porque as flutuações de temperatura na superfície do solo diminuem
à medida que a profundidade do solo aumenta, devido à alta inércia térmica
do solo.
Existem diferentes fontes de energia geotérmica. Elas podem ser
classificadas em termos de medição de temperatura, como baixa (< 100oC),
média (100-150oC) e alta temperatura (> 150oC). O gradiente térmico na
Terra varia entre 15 e 75oC por km de profundidade; no entanto, o fluxo de
calor é anômalo em diferentes áreas continentais. O custo da energia elétrica
é geralmente competitivo, 0,6-2,8 centavos de dólar/MJ (2-10 centavos de
dólar/kWh), e 0,3% ou 177,5 bilhões de MJ/a (49,3 bilhões de kWh/a), de um
total mundial de energia elétrica gerada, no ano 2000, a partir de fontes
geotérmicas (Baldacci et al., 1998).
A energia geotérmica com base na tecnologia hidrotermal atual pode ser
localmente significativa naquelas partes do mundo onde há recursos
favoráveis. Cerca de 6 GWe de energia geotérmica foi produzida no início
dos anos 1990 e 15 GWe podem ser adicionados durante a próxima década.
Se a tecnologia geotérmica da rocha quente e seca for desenvolvida com
sucesso, o potencial geotérmico global será muito maior.
As usinas geotérmicas profundas de calor operam com sistemas de um ou
dois buracos. A alta despesa incorrida na abertura de buracos desencoraja o
uso desse método de obtenção de energia térmica. O sistema de injeção de
um buraco ou o uso de buracos únicos existentes, feitos durante a exploração
de petróleo bruto ou gás natural, reduzem os custos. Em sistemas de um
buraco, o buraco é adaptado para alocar dentro dele um permutador vertical
com um permutador de calor de cano duplo, no qual a água geotérmica é
extraída pelo interior do cano. As características publicadas permitem estimar
o fluxo de calor da energia geotérmica ganha como uma função da diferença
entre as temperaturas da água extraída e injetada nos diferentes volumes de
fluxos da água geotérmica. Em geral, os sistemas de duas camadas ou os
sistemas de dois buracos são mais vantajosos que os sistemas de um buraco
só. Mais detalhes sobre os sistemas geotérmicos relacionados à
dessalinização são dados no Capítulo 8
Bombas de calor geotérmicas
Nesses sistemas, os trocadores de calor do solo (TCS) são empregados para a
troca de calor com o chão (ver Capítulo 8 Seção 8.5.6). O solo pode ser usado
como uma fonte de energia, um dissipador de energia ou para
armazenamento de energia (Eckert, 1976). Para um uso eficiente do solo em
sistemas de energia, a sua temperatura e outras características térmicas devem
ser conhecidas. Estudos mostram que a temperatura do solo varia com a
profundidade. Na superfície, o solo é afetado por variações climáticas de
curto prazo, mudando de acordo com as variações sazonais à medida que a
profundidade aumenta. Em camadas mais profundas, a temperatura do solo
permanece quase constante ao longo das estações e anos e é geralmente mais
elevada do que a do ar ambiente durante os meses frios do ano e inferior
durante os meses mais quentes (Florides e Kalogirou, 2008). Por isso, o solo
é dividido em três zonas:
1. A zona de superfície onde ocorrem variações de temperatura de hora em
hora,
2. A zona rasa, com variações mensais, e
3. A zona profunda, onde a temperatura é quase constante durante todo o ano.

A estrutura e as propriedades físicas do solo são fatores que afetam a


temperatura em todas as zonas. A temperatura do solo é uma função da
condutividade térmica, calor específico, densidade, gradiente geotérmico,
teor de água e taxa do fluxo de água através do chão. Estudos realizados em
vários locais em Chipre (clima tipicamente mediterrâneo) mostram que, de
acordo com a formação do solo, a zona de superfície atinge uma
profundidade de 0,5 m. A zona rasa penetra até 7-8 m e, após isso, segue-se a
zona profunda. Além disso, a temperatura do solo da ilha, na zona profunda,
tem uma variação entre 18 e 23oC (Florides e Kalogirou, 2008).
O TCS ou os trocadores de calor da Terra (TCT) são dispositivos utilizados
para a exploração da capacidade térmica do solo e da diferença de
temperatura entre o ar ambiente e o solo. Um TCS é normalmente uma matriz
de canos enterrados, instalados no solo tanto horizontalmente quanto
verticalmente. Eles usam o solo como uma fonte de calor, quando operam no
modo de aquecimento e como dissipador de calor, quando funcionam no
modo de arrefecimento, com um fluido, geralmente ar, água ou uma mistura
de água e anticongelante, para transferir o calor do ou para o solo. Eles
podem contribuir para o condicionamento do ar de um espaço, para fins de
aquecimento de água e também para melhorar a eficiência de uma bomba de
calor.
As bombas de calor acopladas ao solo (BCASs) ou bombas de calor
geotérmicas são sistemas que combinam uma bomba de calor com um TCS,
para o processo de troca de calor, o que melhora a eficiência da bomba de
calor. Eles são, basicamente, de dois tipos: nomeadamente, o sistema
acoplado ao solo (malha fechada) ou o sistema águas subterrâneas (circuito
aberto). O tipo a ser usado é escolhido de acordo com as características
térmicas do solo, a terra disponível para instalação e a disponibilidade e
temperatura de água subterrânea.
As bombas de calor comuns usam um compressor acionado eletricamente
que comprime um refrigerante e aumenta sua pressão e, assim, a sua
temperatura. O refrigerante tem a capacidade de alterar o estado, do líquido
para o gasoso, quando aquecido e, geralmente, entra em ebulição a baixas
temperaturas. No modo de aquecimento, o refrigerante das bombas de calor
comum absorve o calor do ambiente e transforma-o em gás. Então, o gás é
comprimido mecanicamente e tem a sua temperatura elevada. O refrigerante,
nesse estágio, é de alta pressão e temperatura e troca calor com um meio de
baixa temperatura (gás ou líquido), à medida que passa por um condensador,
aquecendo o espaço condicionado. Tendo a sua temperatura diminuída,
retorna para o estado líquido e depois passa através de uma válvula de
expansão que se torna líquido a baixas temperatura e pressão. Em seguida, o
processo começa de novo com o refrigerante absorvendo calor do meio,
resfriando-o enquanto ele passa através de um evaporador.
As BCASs trocam calor com o solo, em vez da atmosfera. Um TCT e um
líquido circulando na bomba são partes que não estão incluídas nas bombas
de calor comuns e são usadas no processo da troca de calor. As bombas de
calor podem ser usadas tanto para o aquecimento quanto para a refrigeração
de construções. Isso é obtido por meio da inversão do ciclo, o que significa
que o condensador e o evaporador invertem as suas funções. A eficiência das
bombas de calor é descrita por um coeficiente de performance (COP), no
modo de aquecimento e a taxa de eficiência de energia (TEE), no modo de
refrigeração. O COP ou a TEE é a razão entre a taxa de produção de calor
líquido, liberada do total de energia absorvida, expressa em unidades
consistentes e sob condições nominais designadas, ou é a razão da capacidade
de refrigeração para o trabalho absorvido pelo compressor por unidade de
tempo. Às vezes, a eficiência é descrita pela performance sazonal, que é a
média da eficiência da bomba durante o período de aquecimento e
refrigeração ou a taxa de eficiência da energia sazonal de refrigeração, que é
o total de refrigeração liberado de um ar-condicionado durante o seu período
de utilização normal, anual, para refrigeração, dividido pelo total de energia
elétrica absorvida durante o mesmo período. O COP ou a TEE das BCASs
geralmente é maior do que aqueles das bombas de aquecimento comuns,
especialmente seu fator performance sazonal, devido ao fato de que a
temperatura do solo é mais estável durante o ano, mais fria no calor e mais
quente no inverno do que o ar ambiente (Florides et al., 2011).
Ambos os tipo de GHEs, de malha aberta ou fechada, são livres de
poluentes, já que o único efeito que eles têm sobre o solo é um pequeno
aumento ou diminuição da temperatura, em certa distância em torno do furo
de sondagem. A eficiência das BCASs depende da temperatura do
reservatório frio (RF) e da temperatura do reservatório quente (RQ). Para o
mesmo valor de RF, a eficiência do refrigerador torna-se maior quando RQ é
mais baixa, assim ocorre quanto menor a diferença entre RF e RQ, maior é o
COP. Em forma de equação, o ideal reversível Carnot do ciclo do COP é
dado por:
Por exemplo, calculando o COP termodinâmico de uma unidade ideal de ar-
condicionado, trabalhando em uma temperatura ambiente de 35oC em um
espaço com temperatura de 20oC, com uma temperatura de expansão de 5oC e
temperatura de compressão de 60oC, teremos um COP termodinâmico de
5,05[= 278/(333-278)]. Observe-se que esse número estará em torno de 3,7
para uma unidade real. Ao manter as mesmas variáveis como acima, mas
revertendo para um refrigerador acoplado ao solo, trocando calor com o solo
a 22oC e a temperatura de compressão reduzida para 35oC em vez de 60oC, o
COP termodinâmico aumenta para 9,26 [= 278/(308-278)] com óbvias
vantagens no consumo de eletricidade. Novamente, neste caso, o COP para
uma unidade real é em torno de 7,7. As BCASs são consideradas na melhoria
das bombas de aquecimento de água refrigerada comuns.
1.6.4Hidrogênio
O hidrogênio, embora seja o elemento mais comum no universo, não é
encontrado em sua forma pura na Terra e deve ser eletrolizado pela água ou
retirado do gás natural, os quais são processos de energia intensiva que
resultam em emissões de GEEs. O hidrogênio é um portador de energia e não
um combustível, como normalmente é afirmado de modo incorreto. O
hidrogênio produzido eletroliticamente pelo vento ou pelas fontes diretas de
energia solar e usado em células de combustível para veículos pode fornecer
transporte com emissão zero. Assim como para qualquer tipo de combustível,
procedimentos adequados de segurança devem ser seguidos. Embora os
riscos do hidrogênio sejam diferentes dos diversos combustíveis de
hidrocarbonetos em uso, eles não são maiores.
A questão básica é como produzir hidrogênio de modo limpo e eficiente. A
utilização do gás natural, carvão ou mesmo energia nuclear, para produzir
hidrogênio, de diversas maneiras derrota o propósito de se mover em direção
a um futuro alimentado por hidrogênio. Nos dois primeiros casos, são
emitidos gases de efeito estufa no processo de produção do hidrogênio,
enquanto que no último caso, é gerado desperdício nuclear.
Como um portador de energia quase ideal, o hidrogênio irá desempenhar
um papel crítico em uma nova infraestrutura descentralizada de energia que
pode fornecer energia para veículos, lares e indústrias. Contudo, o processo
de feitura do hidrogênio com energia de origem fóssil pode envolver níveis
significantes de emissão de GEEs.
Embora o elemento hidrogênio seja o mais abundante do universo, ele deve
ser extraído a partir de biomassa, água ou combustíveis fósseis antes que
possa assumir a forma de um portador de energia. Uma questão-chave no
futuro é promover a geração de eletricidade a partir do vento e, em seguida,
usar essa energia para produzir hidrogênio.
A extração de hidrogênio da água envolve um processo chamado eletrólise,
definido como uma divisão de elementos, usando uma corrente elétrica. A
energia fornecida a partir de uma fonte externa, como o vento ou a queima de
combustível fóssil, é necessária para conduzir uma reação eletroquímica. Um
eletrolisador usa DC para separar a água em suas partes componentes,
hidrogênio e oxigênio. Os componentes complementares no eletrolisador, tais
como bombas, válvulas e controles, são geralmente fornecidos com AC a
partir de uma conexão elétrica. A água é “desassociada” e os íons são
transportados por meio do elétrolito. O hidrogênio é coletado no cátodo e o
oxigênio no ânodo. O processo exige água pura.
A eletrólise da água é a decomposição da água (H2O) em oxigênio (O2) e
hidrogênio (H2) no estado gasoso. Isto é alcançado pela passagem de uma
corrente elétrica através da água.
Como mostrado esquematicamente na Figura 1.9, uma fonte de energia
elétrica em corrente contínua está ligada a dois eletrodos, que geralmente têm
a forma de placas, para aumentar a superfície, normalmente feitas a partir de
metais inertes (platina ou aço inoxidável). Faz-se aparecer o hidrogênio no
cátodo, o eletrodo carregado negativamente, e o oxigênio aparecerá no ânodo,
o eletrodo de carga positiva. Sob condições ideais, o número de moles de
hidrogênio gerado é o dobro do número de moles de oxigênio.
A eletrólise da água pura requer um excesso de energia ou o processo será
muito lento. A eficiência da eletrólise é aumentada com a adição de um
eletrólito, tal como um sal, um ácido ou uma base. Se a eletrólise é aplicada
em água pura, cátions de H+ acumularão no ânodo e os ânions de hidroxila
OH se acumularão no cátodo. A menos que um potencial muito alto seja
aplicado, a eletrólise de água pura é muito lenta, limitada pela condutividade
global.
Se um eletrólito solúvel em água for adicionado, a condutividade da água
aumenta consideravelmente. O eletrólito se desassocia em cátions e ânions;
os ânions se movem em direção ao ânodo e neutralizam o acúmulo de H+
carregado positivamente, ao passo que os cátions avançam em direção ao
cátodo e neutralizam o acúmulo de OH– carregado negativamente.
As células de eletrólise industriais são muito semelhantes às da unidade de
base mostrada na Figura 1.9, utilizando placas de platina ou favos de mel
como eletrodos de modo a aumentar a área de superfície do eletrodo.

FIGURA 1.9

Diagrama esquemático do processo de eletrólise.

Duas variações do processo básico são a alta pressão e a alta temperatura da


eletrólise. Na eletrólise de alta pressão, o hidrogênio é comprimido em cerca
de 120-200 bar. Ao pressurizar o hidrogênio no eletrolizador, a necessidade
por um compressor externo de hidrogênio é eliminada, enquanto o consumo
médio de energia por compressão interna é muito pequeno, da ordem de 3%.
A eletrólise de alta temperatura, também chamada de eletrólise de vapor,
pode combinar a eletrólise com um motor térmico. A alta temperatura
aumenta a eficiência da reação eletrolítica e o processo é muito eficaz, de
modo que a energia térmica é mais barata do que a eletricidade.
Apesar do grande interesse em hidrogênio, no entanto, há uma desvantagem
significativa para produzi-lo por meio de eletricidade gerada por
combustíveis fósseis, devido às emissões relacionadas ao processo de
eletrólise. O combustível de hidrogênio promete mitigar um pouco o GEE, se
a demanda de eletricidade advinda de combustíveis fósseis aumentar a
economia de desenvolvimento de hidrogênio. Por outro lado, utilizando-se de
hidrogênio produzido de modo limpo, pode-se mudar fundamentalmente a
nossa relação com o ambiente natural.
O hidrogênio eletrolítico pode ser atraente em regiões como a Europa, Sul e
Leste da Ásia, Norte da África e sudoeste dos Estados Unidos, onde as
perspectivas para combustíveis derivados de biomassa são limitadas, por
causa da alta densidade populacional ou falta de água. Além disso, como
acontece com a energia eólica, a produção de hidrogênio a partir do vento
seria compatível com o uso simultâneo da terra para outras finalidades, como
a pecuária ou a agricultura. A implantação em regiões desérticas, onde a terra
é barata e a insolação é boa, pode ser favorecida por sistemas de hidrogênio-
PV, porque é necessária pouca água para a eletrólise. O equivalente a 2-3 cm
de chuva por ano nos coletores – representando uma pequena fração do total
de precipitação, mesmo em regiões áridas – seria o suficiente.
O hidrogênio produzido eletroliticamente não será barato. Se o hidrogênio é
produzido a partir do vento e eletricidade PV, o custo correspondente do
hidrogênio eletrolítico pressurizado, para o consumidor, seria de cerca de
duas vezes mais que para o metanol a partir da biomassa; além disso, um
carro com célula de combustível de hidrogênio custaria mais do que um carro
com célula de combustível de metanol, por causa do custo adicional para o
sistema de armazenamento de hidrogênio. Apesar dessas despesas extras, o
custo do ciclo de vida do carro com célula de combustível de hidrogênio seria
marginalmente superior ao de um carro com motor de combustão interna
movido a gasolina, que é aproximadamente o mesmo que para um veículo
elétrico alimentado por bateria.
A transição para uma economia de energia em que o nitrogênio tenha um
papel importante poderia ser lançada com o hidrogênio derivado de biomassa.
O hidrogênio pode ser produzido termoquimicamente a partir de biomassa,
usando a mesma tecnologia de gaseificação que seria utilizada para a
produção de metanol. Embora as tecnologias de processamento de gás se
diferenciem daquelas usadas para a produção de metano, em cada caso os
processos tecnológicos estão bem estabelecidos. Portanto, de uma perspectiva
tecnológica, produzir hidrogênio a partir de biomassa não é mais difícil que
produzir metanol. O hidrogênio derivado de biomassa, entregue aos usuários
no setor de transporte, custaria normalmente apenas a metade do hidrogênio
produzido eletroliticamente a partir do vento ou de fontes FV.
É provável que a melhor forma de utilizar o hidrogênio seja com uma célula
de combustível. Uma célula de combustível é um dispositivo de conversão de
energia eletrotérmica no qual o hidrogênio é convertido em eletricidade.
Geralmente, as células de combustível produzem eletricidade a partir de
fontes externas de combustível (no lado do ânodo) e oxidante (no lado do
cátodo). Esses reagem na presença de um eletrólito. De modo geral, os
reagentes fluem para dentro e os produtos da reação fluem para fora,
enquanto o eletrólito permanece na célula. As células de combustível podem
operar continuamente, desde que o fluxo necessário seja mantido. Uma célula
de hidrogênio utiliza o hidrogênio como combustível e o oxigênio como
oxidante. As células de combustível são diferentes das baterias nas quais os
reagentes são consumidos, e que precisam ser repostos, enquanto as baterias
armazenam quimicamente a energia elétrica, em um sistema fechado. Além
disso, enquanto os eletrodos reagem com a bateria e mudam, na medida em
que a bateria é carregada ou descarregada, os eletrodos das células de
combustível são catalítica e relativamente estáveis. Mais detalhes das células
de combustível são apresentados no Capítulo 7
1.6.5Energia oceânica
As variadas formas de energia oceânica são abundantes, mas muitas vezes
disponíveis longe do local de consumo. Os oceanos do mundo têm a
capacidade de fornecer energia barata. Neste momento, existem poucas
usinas de energia oceânica, e a maioria é bem pequena.
A energia do oceano pode ser usada de três modos básicos (Energy Quest,
2007):
• O uso das ondas do oceano (conversão da energia de onda).
• O uso das marés altas e baixas do oceano e as correntes das marés
(conversão de energia de maré).
• O uso das diferentes temperaturas da água (conversão de energia oceânica
térmica (CEOT)).
Ao contrário das outras fontes de energias renováveis que dependem de
tecnologias sofisticadas e materiais avançados, como os sistemas
fotovoltaicos, em sua maioria os sistemas oceânicos de energia renovável são
inerentemente simples, uma vez que eles são feitos de concreto e aço. Além
disso, grande parte dos sistemas oceânicos depende de tecnologias
comprovadas, como os cilindros hidráulicos e turbinas hidroelétricas de baixa
pressão e impulsores. A fonte de energia oceânica é grande e é bem
compreendida. Ela é superior ao vento e à energia solar, uma vez que as
ondas oceânicas e as correntes marítimas em águas profundas mantêm suas
características em longas distâncias e o estado do mar pode ser facilmente
previsto, com precisão, com mais de 48h de antecedência. Portanto, embora a
energia das ondas seja variável, como em todos os casos das fontes de
energia renovável, ela é mais previsível do que a energia eólica ou solar. Da
mesma forma, as correntes das marés são criadas por causa da interação entre
as marés e o fundo do oceano e são, por isso, muito previsíveis e comumente
mais constantes do que as energias solar e eólica. Além disso, a alta
densidade da água faz com que os recursos se concentrem, de modo que a
água, se movendo, carrega uma grande quantidade de energia (Katofsky,
2008). A desvantagem dos sistemas oceânicos é a necessidade de aplicação
de sistemas mecânicos que devem ser robustos e suportar o inóspito ambiente
marinho.
Os sistemas de conversão de energia de ondas convertem a energia cinética
das ondas em energia mecânica, para acionar diretamente um gerador, a fim
de produzir eletricidade em uma construção especial, onde os movimentos
oscilatórios das ondas são convertidos em pressão de ar. Em sequência a isso,
uma turbina eólica especial é acionada e produz eletricidade. Obviamente,
quanto maior for a altura relativa das ondas, melhor. As ondas também
devem estar presentes durante muitas horas do ano.
Os sistemas de energia de maré também utilizam turbinas especiais ou
propulsores, localizados debaixo d’água, que convertem o movimento da
água devido à maré em energia mecânica, com o intuito de acionar um
gerador elétrico para produzir eletricidade. A maré é uma conse​quência da
rotação lunar em torno da Terra e da geografia local do fundo do mar e das
zonas costeiras. Esses sistemas são viáveis em locais onde a distância da
maré é estendida a centenas de metros. A grande vantagem desses sistemas é
que as marés são facilmente previsíveis.
Finalmente, os sistemas de CEOT se utilizam da diferença de temperatura
da superfície e das águas profundas para produzir energia. O ciclo Rankine,
que utiliza uma turbina de baixa pressão, é o ciclo de calor mais empregado
pela CEOT. Ambos os motores de ciclo fechado e ciclo aberto podem ser
empregados. Os motores de ciclos fechados usam refrigerantes (amônia ou R-
134a) como fluidos de alimentação, enquanto os motores de ciclo aberto
usam vapor produzido a partir da água do mar como um fluido de
alimentação. A CEOT também pode fornecer água fria como um subproduto,
que pode ser usado para ar-condicionado e refrigeração.
Os vários sistemas de energia oceânicos são brevemente descritos nas
seções seguintes.
A energia das ondas
A energia das ondas é o transporte de energia através das ondas de superfície
do oceano e do aproveitamento dessa energia para a produção de trabalho
útil, como a geração de eletricidade e a dessalinização da água do mar. O
equipamento usado para explorar a energia das ondas é chamado de
conversor de energia das ondas (CEO).
A energia cinética (movimento) existe nas ondas que se deslocam no
oceano e pode ser usada para alimentar a turbina. Esses sistemas convertem
fundamentalmente a energia cinética das ondas em eletricidade, capturando
tanto a oscilação vertical quanto o movimento linear das ondas. Os
dispositivos individuais variam de tamanho, de cerca de 100 kW para cerca
de 2 MW (Katofsky, 2008). No exemplo simples mostrado na Figura 1.10, a
onda emerge sobre uma câmara. As águas que sobem forçam o ar para fora
da câmara. O ar movente gira uma turbina que pode ativar um gerador.
Quando a onda desce, o ar flui através da turbina e volta para a câmara por
meio de portas que estão normalmente fechadas.
FIGURA 1.10

O princípio de operação do conversor de energia das ondas.

Este é somente um tipo de sistema de energia das ondas. Os outros usam


realmente o movimento de cima para baixo das ondas, para ativar um pistão
que se move para cima e para baixo, dentro de um cilindro. Esse pistão pode
também acionar um gerador. Em sua maioria os sistemas de energia das
ondas são muito pequenos e são aplicados, principalmente, para alimentar
uma boia de aviso ou pequenos faróis.
Apesar de existir um enorme potencial, a geração de energia das ondas não
é, hoje em dia, uma tecnologia comercial amplamente empregada. As
primeiras tentativas de usar este potencial datam de 1890. Só muito
recentemente, em 2008, o primeiro parque experimental de ondas foi aberto
em Portugal, no parque de ondas Aguçadoura.
As ondas são geradas por meio do vento que sopra sobre a superfície da
água do mar. Quando as ondas se propagam em uma velocidade mais lenta
que a velocidade do vento, na fronteira dos dois meios, uma transferência de
energia acontece do vento para as ondas. A altura da onda é determinada pela
velocidade do vento, a profundidade, a topografia do fundo do mar e pela
duração de tempo que o vento está soprando. Geralmente, quanto maiores as
ondas, mais poderosas elas são, ao passo que o potencial das ondas depende
também da densidade da água e da velocidade e comprimento da onda. Deve-
se notar que um limite prático existe e as variações de tempo ou distância não
produzirão grandes ondas e, portanto, quando este limite é alcançado, as
ondas estão totalmente desenvolvidas.
Uma das primeiras aplicações da energia das ondas foi construída por volta
de 1910, por Bochaux-Praceique, usada para alimentar sua casa em Royan,
uma pequena cidade litorânea perto de Bordeaux, na França. Esse foi o
primeiro CEO de água oscilante do tipo coluna. Subsequentemente, a
pesquisa sobre a energia das ondas realizada por Yoshio Masuda, nos anos
1940, foi muito importante, pois ele testou vários conceitos de dispositivos de
energia, no mar, para acionar as luzes de navegação.
O interesse na energia das ondas foi renovado na década de 1970, motivado
pela primeira crise do petróleo. Naquele tempo, alguns pesquisadores
investigaram novamente o potencial de geração de energia útil das ondas do
oceano e algumas importantes invenções foram produzidas, como o pato de
Salter ou pato de Edimburgo, desenvolvido por Stephen Salters, em 1974.
Este exemplar alcançou uma notável eficiência de 81%, já que o sistema
desenvolvido pode parar 90% do movimento das ondas e converter 90% da
energia para energia elétrica útil. Mais recentemente, o interesse na energia
das ondas como um sistema de energia renovável cresceu, devido aos
problemas de mudanças climáticas.
Os dispositivos de energia das ondas são classificados principalmente de
acordo com o método usado para capturar a energia da onda (ponto
absorvente ou boia, coluna de água oscilante, canais cônicos, retalhos de
oscilação), localização (litoral, região costeira, alto-mar) e o sistema de
fornecimento de energia (bomba com mangueira elastomérica, bomba para a
costa, turbina hidroelétrica, cilindro hidráulico e turbina de ar). Os canais de
refletores parabólicos ou inclinados são utilizados para ampliar a altura da
onda e criar uma coluna de água, que pode ser usada para acionar uma
turbina hidráulica de baixa pressão (Sorensen, 2009b). Outro projeto usa um
retalho que oscila por causa da ação do movimento das ondas, como um
pêndulo, e este movimento pode ser convertido em eletricidade a partir de
cilindros hidráulicos (Sorensen, 2009b). Uma vez que essa energia é
capturada e convertida em eletricidade, a energia deve ser transportada para o
ponto de utilização ou conectada à rede. Algumas das importantes aplicações
das CEOs são as seguintes:
• A CEO de metamorfose. Esse sistema, quando implantado, fica na
superfície do oceano e converte o movimento relativo entre a estática do
fundo do oceano e da boia flutuante em energia.
• A CEO Pelamis. Este é constituído de uma série de seções cilíndricas
semissubmersas ligadas por dobradiças. As ondas passam ao longo do
comprimento do conversor e as seções se movem uma em relação à outra e
os movimentos das seções induzidos pelas ondas são absorvidos por
cilindros hidráulicos, que bombeiam óleo de alta pressão através dos
motores hidráulicos. Finalmente, os motores hidráulicos acionam o motor
elétrico para a produção de eletricidade.
• O conversor de energia Wave Dragon. No Wave Dragon, grandes asas
refletoras concentram as ondas, que passam por uma rampa, dentro de um
reservatório em alto-mar. A água retorna para o oceano por meio da força
da gravidade via geradores hidrelétricos.
Embora a conversão de energia das ondas ainda esteja em um estágio inicial
de desenvolvimento e uma imagem realista de custos seja impossível de ser
feita, as estimativas iniciais dão valores de cerca de € 0,06– € 0,12 por kWh
(Sorensen, 2009b).
Energia das marés
Outra forma de energia oceânica é chamada de energia das marés. Essa é
uma forma de sistema de energia hidráulica que converte a energia das marés
em eletricidade. Quando a maré chega à costa, ela pode ser presa em
reservatórios por trás de barragens. Em seguida, quando a maré esvazia, a
água atrás da barragem pode ser liberada para fluir, exatamente como em
uma usina hidrelétrica comum. As tecnologias de maré também podem
empregar turbinas subaquáticas ou propulsores acionados pela água corrente.
Tais tecnologias também podem ser implantadas em rios e riachos.
A energia das marés tem sido usada desde o século XI, quando pequenas
barragens eram construídas ao longo de estuários oceânicos e pequenos
riachos. A água da maré por trás dessas barragens era usada para girar rodas
de água e moer grãos. Os sistemas de barragem da maré estão em operação
comercial em poucos lugares, mas o seu desenvolvimento é questionável por
causa do seu impacto ambiental, bloqueando grandes estuários (Katofsky,
2008).
A energia da maré funciona bem quando há um grande aumento das marés.
É necessário um aumento de pelo menos 5 m entre a maré baixa e a maré
alta. Existem poucos lugares na Terra onde essa mudança de maré ocorre.
Algumas usinas de energia já estão operando com essa ideia. Uma usina, a
estação La Rance, na França, produz energia suficiente a partir das marés
(240 MW) para abastecer 240.000 casas. Ela começou a produzir eletricidade
em 1966. Lá é produzido cerca de um quinto de uma usina nuclear comum ou
de uma usina de queima de carvão. É gerada 10 vezes mais energia do que a
segunda maior usina maremotriz do mundo, a usina canadense de Annapolis,
que gera 17 MW.
Embora a energia das marés não seja amplamente adotada, ela tem o
potencial de fornecer grandes quantidades de energia em um futuro próximo.
Comparados com outros sistemas de energia renovável, a grande vantagem
desses sistemas é que as marés são mais previsíveis que a energia eólica e a
energia solar. Apesar disso, os custos envolvidos ainda são relativamente
altos e existe uma disponibilidade limitada de áreas com alto potencial de
marés. Muitas conquistas tecnológicas recentes, no quesito projetos de
sistemas e turbinas, no entanto, com a adoção de novas turbinas axiais e de
fluxo cruzado, prometem um custo muito menor de energia elétrica
produzida.
As forças da maré são criadas por causa de variações periódicas na atração
gravitacional exercida pelos corpos celestes, e eles criam movimentos ou
correntes nos oceanos da Terra. A intensidade desses movimentos depende
principalmente da rotação da Terra, da posição da Lua e do Sol em relação à
Terra e da topografia do fundo do mar e do litoral. O maior efeito é devido às
características orbitais do sistema Terra-Lua e, em menor grau, do sistema
Terra-Sol. Em virtude das marés da Terra e das correntes serem por causa da
rotação da Terra e da interação gravitacional com a Lua e o Sol, esta forma de
fonte de energia é renovável e praticamente inesgotável. Outras correntes são
causadas por gradientes geotérmicos.
A conversão de correntes de maré é semelhante à conversão de energia
cinética a partir do vento. Portanto, muitos dos projetos propostos para
aproveitar esse potencial têm semelhanças com as turbinas eólicas. Como a
densidade da água é muito maior que a densidade do ar, mais estão presentes
as altas densidades de energia, o que leva a uma menor velocidade de
correntes exploráveis e turbinas de menor diâmetro.
Um gerador de maré converte a energia das marés e correntes em energia
elétrica útil. Como pode ser compreendido, quanto maior a variação da maré
e as altas velocidades das correntes marinhas, maior será o potencial da área
para a geração de eletricidade. A energia das marés pode ser classificada em
três métodos de geração:
• Gerador de corrente de maré. Os geradores de corrente de maré usam a
energia cinética da água em movimento para acionar as turbinas,
semelhante à maneira como as turbinas eólicas usam o vento.
• Barragem de maré. As barragens de maré usam a energia potencial criada
por causa da diferença de altura hidrostática entre as marés alta e baixa. As
barragens são de fato barragens construídas através da abertura de um
estuário de maré (ver Figura 1.11).
• Energia da dinâmica da maré. A energia da dinâmica da maré ainda não é
aplicada. Em princípio, é uma tecnologia que poderia converter a energia
cinética presente nos fluxos da maré ou correntes em eletricidade útil. Os
sistemas podem ser construídos em mar ou ocea​no, sem fechar uma área.
Para este efeito, turbinas do tipo eólicas podem ser usadas debaixo d’água.
Uma turbina axial compreende um propulsor com duas ou mais lâminas. A
turbina pode ser montada em uma torre fixada no fundo do mar, o que é mais
adequado para águas pouco profundas, ou pode ser implementada debaixo de
um suporte flutuante, para águas profundas. A fim de aumentar a eficiência
da turbina horizontal axial, o fluxo de água ao redor da turbina pode ser
controlado com uma carcaça. Esses projetos, todavia, são grandes
construções subaquáticas e para evitar problemas, as áreas das principais
rotas de navegação e pesca local devem ser evitadas (Sorensen, 2009b).
FIGURA 1.11

Princípio de operação da barragem de maré.

Conversão de energia oceânica térmica


Os sistemas de CEOT usam a diferença de temperatura entre a superfície e as
águas profundas para produzir energia. Essa ideia não é nova, na verdade,
remonta a 1881, quando um engenheiro francês de nome Jacques D’Arsonval
pensou o primeiro sistema de CEOT. A água do oceano fica mais gelada
quanto mais fundo se vai, a partir da superfície, e em uma grande
profundidade do oceano fica muito frio. É mais quente na superfície porque a
luz solar aquece a água.
As usinas de energia podem ser construídas, usando essa diferença de
temperatura para produzir energia. Uma diferença de pelo menos 21oC é
necessária entre a superfície da água mais aquecida e a água mais fria do
profundo oceano. Usando este tipo de fonte de energia, um sistema de CEOT
está sendo demonstrado no Havaí.
A CEOT se baseia no princípio da termodinâmica em que uma fonte de
calor e uma fonte de frio podem ser usadas para acionar um motor de calor. É
bem conhecido, a partir da lei da termodinâmica, que um motor de calor dá
maior eficiência e potência quando existe uma grande diferença de
temperatura. Nos oceanos, a diferença de temperatura entre a superfície e as
águas profundas é bastante baixa, na ordem de 20-25oC. Assim, o principal
desafio técnico da CEOT é gerar quantidades significativas de energia de
forma eficiente, a partir de pequenas diferenças de temperatura. As maiores
diferenças de temperatura podem ser encontradas nos trópicos, onde há
melhores possibilidades de CEOTs. Os oceanos tropicais têm temperaturas de
água de superfície entre 24oC e 33oC, considerando as temperaturas de 500 m
abaixo da superfície, a temperatura cai para entre 9oC e 5oC (Sorensen,
2009b). Mapas que mostram a magnitude dos recursos são apresentados por
Rajagopalan e Nihous (2013). A diferença de temperatura de
aproximadamente 20oC demonstra uma eficiência termodinâmica de 6,7%,
mas quando a energia de bomba é considerada, essa cai para cerca de 3% tais
como ciclos OTEC devem compensar com vários metros cúbicos por
segundo as taxas de fluxo de água do mar por MW líquida de eletricidade
produzida. Por exemplo, para gerar 1 MW de eletricidade em uma planta
OTEC, são requeridos 4 m3/s de água do mar quente e 2 m3/s de água do mar
fria. Para abastecer uma usina de 100 MW seria necessário um tubo de 11 m
de diâmetro (Sorensen, 2009b). Estes sistemas têm o potencial para oferecer
grandes quantidades de energia, embora uma variação de 1oC no recurso
térmico da água do mar corresponda a uma mudança na potência útil de 15%
(Rajagopalan e Nihous, 2013). Plantas OTEC; no entanto, podem funcionar
continuamente e fornecer uma carga à base de abastecimento de energia
elétrica.
O primeiro sistema operacional OTEC foi construído em Cuba nos anos
1930 e gerou 22 kW. O ciclo de aquecimento mais comumente utilizado para
a OTEC é o Rankine, que emprega uma turbina de baixa pressão, e sistemas
de ciclo podem ser fechados ou abertos. Os ciclos anteriores usam fluidos de
trabalho voláteis (refrigerantes), tais como amônia ou R-134a, enquanto os
motores de ciclo aberto utilizam vapor produzido a partir da água do mar.
Subprodutos de sistema OTEC consistem no fornecimento de grandes
quantidades de água fria, que podem ser utilizados para ar-condicionado ou
refrigeração de água doce e destilada a partir do mar, que pode se tornar uma
fonte de água doce. Além disso, a água fértil do oceano profundo pode
alimentar vários processos biológicos. Um diagrama esquemático de
possíveis aplicações de OTEC é mostrado na Figura 1.12.
FIGURA 1.12

Aplicações OTEC.

Três tipos de ciclos termodinâmicos podem ser utilizados para a OTEC:


aberto, fechado e híbrido. Um dos principais problemas é bombear a água do
mar fria do oceano profundo para a superfície. Isto pode ser alcançado por
bombeamento normal e dessalinização. Neste último, a dessalinização de
água do mar no fundo do oceano diminui quanto à densidade, e esta é a força
motriz para fazer subir até a superfície. Uma alternativa aos tubos de alto
custo, que trazem água fria para a superfície, é bombear um fluido de baixo
ponto de ebulição-vaporizado para a profundidade desejada, o que reduz o
volume de bombeamento, gerando custos baixos. Em qualquer caso, as
plantas OTEC requerem um longo tubo de entrada de diâmetro grande, o que
normalmente é de 1 km ou mais de comprimento, de modo a trazer água fria
para a superfície.
O OTEC de ciclo aberto usa a água quente da superfície para produzir
eletricidade diretamente por bombeá-lo em um recipiente com menor pressão,
o que provoca a sua ebulição. O vapor, produzindo pressão, impulsiona um
conjunto turbina/gerador de baixa pressão. O vapor produzido desta maneira
consiste em água doce pura, que é, finalmente, condensado por exposição a
baixas temperaturas a partir da água do oceano profundo. Este método produz
água doce também dessalinizada, o que é uma vantagem extra.
Sistemas de ciclo fechado usam um fluido com baixo ponto de ebulição, tal
como amoníaco ou outros fluidos refrigerantes, em expansão na turbina de
modo a gerar energia elétrica. Para alcançar esse objetivo, a água do mar
quente da superfície é bombeada através de um permutador de calor para
vaporizar o fluido volátil. A água fria, que é bombeada através de um
permutador de calor diferente, condensa o vapor, o qual é então recirculado
através do sistema.
Um ciclo híbrido, como o próprio nome indica, combina as características
de ambos os sistemas – aberto e fechado. Nesses sistemas, a água do mar
quente é alimentada numa câmara de vácuo, onde evapora em instantes,
como no processo de ciclo aberto. O vapor produz o fluido de trabalho, sendo
geralmente o amoníaco, de um circuito de ciclo fechado no outro lado do
evaporador. Em seguida, o fluido de trabalho vaporizado aciona uma
turbina/gerador, quando o vapor condensado no interior do permutador de
calor é usado para produzir água dessalinizada.
A OTEC tem o potencial de produzir grandes quantidades de energia
elétrica. Para essa finalidade foram propostos vários sistemas que geralmente
englobam três categorias; terrestre, prateleira com base e flutuante.
Instalações terrestres ou costeiras oferecem uma série de vantagens sobre
aquelas localizadas em água; não requerem amarração sofisticada, e os cabos
de alimentação são longos em comparação com os sistemas em mar aberto,
requerendo manutenção simples. Esses sistemas podem ser instalados em
áreas protegidas para garantir segurança contra tempestades e o clima. Além
disso, todos os produtos, tais como energia elétrica, água dessalinizada e água
fria podem ser facilmente transmitidos para a rede de malha e água.
Plantas OTEC à base de prateleiras podem ser montadas sobre uma
prateleira, a profundidades de até cerca de 100 m, para evitar a zona de onda
turbulenta e ficar mais perto da fonte de água fria. Este tipo de planta pode
ser fixada no fundo do mar, semelhante à maneira com a qual se emprega em
plataformas de petróleo em alto-mar. Por causa das condições encontradas ao
operar uma usina OTEC em águas mais profundas e em mar aberto, as
despesas envolvidas são maiores em comparação com os sistemas terrestres.
Há também problemas relacionados com as dificuldades acerca da condução
de eletricidade produzida e água doce. De fato, dependendo da distância da
planta a partir da costa, o fornecimento de energia pode requerer longos
cabos submarinos, o que torna menos eficazes as plantas montadas em
prateleiras.
Como seu nome sugere, as plantas flutuantes OTEC estão localizadas em
alto-mar nas plataformas especiais e, embora possam ser usadas para sistemas
de grande potência, apresentam uma série de dificuldades, por exemplo,
relacionadas com a fixação da plataforma com os cabos no fundo do mar e
com o fornecimento de energia. Para este último, os problemas são
semelhantes aos apresentados pelo sistema montado em prateleira, pois os
cabos conectados às plataformas flutuantes são mais propensos a danos,
especialmente durante as tempestades.

Exercício
Faça uma revisão do estado atual do consumo de energia, por setor e tipo de
combustível, bem como do estado atual da utilização de energias renováveis
no seu país. É altamente recomendado que você use dados do serviço de
estatísticas do seu país e a internet. Sugira várias medidas para aumentar a
contribuição das energias renováveis.

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* Nota da Revisão Técnica: Hoje a China é a líder mundial em instalação em energia eólica.
1 Isso está de acordo com um cenário de uso intensivo de energia renovável que satisfaria a demanda
energética juntamente com o aumento da produção econômica mundial, em meados do século XXI.
Nesse contexto, a demanda energética mundial continua a crescer, apesar de um rápido aumento da
eficiência energética.
* Nota da Revisão Técnica: Existem fontes renováveis que também são convencionais, por exemplo,
a fonte hídrica.
2 O termo biomassa se refere a qualquer matéria vegetal usada diretamente como combustível ou
convertida em combustível fluido ou eletricidade. A biomassa pode ser produzida a partir de uma
ampla variedade de fontes, tais como resíduos de produtos agrícolas e produtos de atividades
florestais, bem como a madeira, cana e outras plantas cultivadas especificamente como culturas
energéticas.
3 TPE = Tonelada de petróleo equivalente = 41,868 GJ (giga = 109).
CAPÍTULO

2
Características ambientais
O sol é uma esfera de matéria gasosa extremamente quente, com um diâmetro
de 1,39 × 109 m (ver Figura 2.1). O sol situa-se a cerca de 1,5 × 108
quilômetros de distância da Terra, portanto, uma vez que a radiação térmica
viaja com a velocidade da luz no vácuo (cerca de 300.000 km/s), após
abandonar o sol, a energia solar atinge nosso planeta em 8 min e 20 s. Como
pode ser observado a partir da Terra, a esfera solar forma um ângulo de 32
min de um grau. Isso é importante em muitas aplicações, especialmente para
o concentrador ótico, no qual o sol não pode ser considerado como uma fonte
pontual – e mesmo este pequeno ângulo é significativo na análise do
comportamento óptico do coletor. O corpo negro do sol apresenta uma
potente temperatura de 5.760 K. A temperatura na região central é muito mais
elevada. Na realidade, o sol é um reator de fusão nuclear, por meio do qual o
hidrogênio é transformado em hélio. A produção total de energia do sol é de
3,8 × 1.020 MW, que é igual a 63 MW/m2 da superfície do sol. Essa energia
irradia em todas as direções. A Terra recebe apenas uma pequena fração do
total de radiação emitida, equivalente a 1,7 × 1014 kW. No entanto, mesmo
com essa pequena fração, estima-se que 84 min de radiação solar que cai na
Terra corresponde à demanda mundial de energia para um ano (cerca de 900
EJ). Como pode ser visto a partir da Terra, o Sol gira em torno do seu eixo
aproximadamente uma vez a cada 4 semanas.
Observando da Terra, o caminho do Sol no céu varia ao longo do ano. A
forma descrita mediante a posição do sol, avaliada a cada dia no tempo exato
durante um ano inteiro, denomina-se analemma e assemelha-se à Figura 8,
alinhada ao longo de um eixo norte-sul. A variação mais clara quanto à
posição aparente do Sol ao longo do ano consiste em um movimento angular
acima de 47o (em virtude dos 23,5o de inclinação do eixo da Terra em relação
ao Sol) chamada de declinação (Secção 2.2). O movimento de norte a sul de
acordo com angulação é a principal causa para a existência de estações do
ano na Terra.
Conhecer o caminho do sol através do céu é necessário para calcular a
radiação solar que incide sobre uma superfície, o ganho de calor solar, a
orientação adequada de coletores solares, a colocação de coletores para evitar
sombreamento, bem como outros fatores que não consistem no principal foco
deste livro. O objetivo deste capítulo é descrever os movimentos do Sol em
relação à Terra, que dão ao Sol sua trajetória leste a oeste pelo céu. A
variação do ângulo de incidência solar e a quantidade de energia solar
recebidas são analisadas devido a uma série de superfícies fixas e de rastreio.
O ambiente, por meio do qual o sistema de energia solar funciona, depende
em particular da disponibilidade de energia solar. Por conseguinte, esta é
analisada detalhadamente. A condição geral meteorológica de uma
localização é necessária em muitos cálculos de energia. Este costuma ser
apresentado como um arquivo do ano meteorológico típico (TMY), cuja
descrição encontra-se na última parte deste capítulo.

FIGURA 2.1

Relação entre a Terra e o Sol.


2.1Avaliação do tempo
Nos cálculos de energia solar, o tempo solar aparente (TSA) deve ser
utilizado para expressar a hora do dia. O TSA se baseia no movimento
angular aparente do Sol no céu. O momento em que o sol cruza o meridiano
do observador consiste no meio-dia solar local. Ele geralmente não coincide
com as 12 h de uma localidade. Para converter o tempo padrão local (TPL)
para TSA, duas alterações são aplicadas: a equação do tempo (ET) e a
correção de longitude. Ambas serão analisadas a seguir.
2.1.1Equação do tempo
Devido a fatores associados à órbita da Terra em torno do Sol, a velocidade
orbital da Terra varia ao longo do ano, de tal modo que o TSA sofra ligeira
variação do tempo médio mantido por um relógio funcionando em uma taxa
uniforme. A variação é a chamada equação de tempo (ET). A ET surge
porque o comprimento de um dia, isto é, o tempo necessário para que a Terra
complete a rotação em torno do seu próprio eixo em relação ao Sol, não é
uniforme ao longo do ano. No decorrer deste, a duração média de um dia é de
24 horas; entretanto, a duração de um dia varia devido à excentricidade da
órbita da Terra e da inclinação do eixo da Terra a partir do plano normal da
sua órbita. Devido à elipticidade da órbita, a Terra está mais próxima do Sol
em 3 de janeiro e mais distante do Sol no dia 4 de julho. Portanto, a
velocidade em órbita da Terra é mais rápida do que sua velocidade média na
metade do ano (em torno de outubro a março) e mais lenta do que a
velocidade média na metade restante do ano (aproximadamente entre abril e
setembro).
Os valores da ET como uma função do dia do ano (N) podem ser obtidos a
partir das seguintes equações:
(2.1)
e
(2.2)

Uma representação gráfica da Equação (2.1) é mostrada na Figura 2.2, a


partir do qual a ET pode ser obtida diretamente.

FIGURA 2.2

Equação do tempo.

2.1.2Ajuste da longitude
O tempo do relógio padrão é contado a partir de um meridiano selecionado
próximo ao centro de uma zona de tempo ou de um meridiano padrão, o
meridiano de Greenwich, localizado à longitude de 0o. Uma vez que o sol
leva 4 min para alcançar 1o de longitude, convém adicionar ou subtrair o
período de correção de longitude em 4o (Padrão de longitude [PL] –
Longitude local [LL]) para a hora padrão da localidade. Essa correção é usual
para uma longitude específica, e a seguinte regra deve ser seguida no que diz
respeito à convenção de sinais. Caso o local fique a leste do meridiano
padrão, soma-se a correção com o tempo do relógio. Ficando a oeste, é feita a
subtração. A equação geral para o cálculo do TSA é:
(2.3)
onde
HPL (LST) = hora padrão local.
ET = equação do tempo.
LP (SL) = longitude padrão.
LL = longitude local.
HV (DS) = horário de verão (que é 0 ou 60 min).
Se um local está a leste de Greenwich, o sinal da Equação (2.3) é de
subtração (–), e se for a oeste, o sinal é de soma (+). Se for utilizado o horário
de verão, deve-se subtrair do HPL. O período HV depende de o horário de
verão estar em operação ou não. Este período é geralmente ignorado a partir
desta equação, considerado somente se a estimativa estiver na época do HV.

EXEMPLO 2.1
Encontre a equação do TSA para a cidade de Nicósia, Chipre.
Solução
Para a localidade de Chipre, a LP é 30oE. A cidade de Nicósia está em um
LL de 33,33o a leste de Greenwich. Por conseguinte, a correção de
longitude é – 4o × (30 – 33,33) = + 13,32 min. Assim, a Equação (2.3)
pode ser escrita como:
TSA = HPL + ET + 13,32 (min)
2.2Ângulos solares
A Terra faz uma rotação em torno de seu eixo a cada 24 horas e completa o
ciclo ao redor do Sol num período de aproximadamente 365,25 dias. Esta
rotação não é circular, mas segue uma elipse com o Sol localizado em um dos
focos, conforme evidencia a Figura 2.3. A excentricidade (e) da órbita da
Terra é muito pequena, equivalente a 0,01673. Por isso, a órbita da Terra em
torno do Sol é quase circular. A distância Terra-Sol (R) em periélio (distância
mais curta, em 3 de janeiro) e afélio (maior distância, em 4 de julho) é dada
por Garg (1982):
(2.4)

onde a = distância média Terra-Sol = 149,5985 × 106 km.


O sinal de soma na Equação (2.4) é para a distância Terra-Sol, quando a
Terra está na posição de afélio, e o sinal de subtração para a posição periélio.
O resultado da Equação (2.4) oferece os valores para a distância mais longa
igual a 152,1 × 106 km e para a menor distância igual a 147,1 × 106 km, como
mostrado na Figura 2.3. A diferença entre as duas distâncias é de apenas
3,3%. A distância média Terra-Sol (a) é definida como a metade da soma das
distâncias de periélio e afélio.
A posição do sol no céu muda dia a dia e de hora em hora. O entendimento
de que o sol está mais alto no céu no verão do que no inverno é comum. Os
movimentos relativos do Sol e da Terra não são simples, mas sistemáticos;
portanto, previsíveis. Uma vez por ano, a Terra se move ao redor do Sol em
uma órbita elíptica em uma dada configuração. Na medida em que a Terra faz
a sua rotação em torno do Sol, ela gira a cada 24 horas sobre seu eixo, em um
ângulo de 23o 27,14 min (23,45o) em relação ao plano da elíptica, que inclui o
plano orbital da Terra e do equador do Sol, como mostra a Figura 2.3.
O movimento perceptível mais evidente do Sol é que ele se move
diariamente em um arco no céu, atingindo seu ponto mais alto ao meio-dia.
Como o inverno se torna primavera e em seguida verão, os pontos do nascer e
do pôr do sol movem-se gradualmente para o norte ao longo do horizonte. No
Hemisfério Norte, os dias ficam mais longos porque o Sol nasce mais cedo e
se põe mais tarde, definindo cada dia, e o caminho do Sol torna-se mais alto
no céu. Em 21 de junho, o Sol está na sua posição mais ao norte em relação à
Terra. A isso se denomina solstício de verão e, durante este dia, o período
diurno é mais extenso. Seis meses depois, em 21 de dezembro, no solstício de
inverno, a inversão é efetiva, quando o Sol está em posição mais ao sul
(Figura 2.4). No meio do intervalo de seis meses, em 21 de março e 21 de
setembro, a extensão do dia é igual à extensão da noite. Tais períodos são
denominados equinócio de primavera e equinócio de inverno,
respectivamente. Os solstícios de verão e inverno consistem no oposto no
Hemisfério Sul; isto é, o solstício de verão ocorre em 21 de dezembro e o
solstício de inverno em 21 de junho. Nota-se que todas essas datas são
aproximadas e que existem pequenas variações (diferença de alguns dias) de
um ano para outro.
Tendo em vista os propósitos deste livro, a visão ptolomaica do movimento
do sol é utilizada na análise que segue, de modo mais simples; ou seja, uma
vez que todo movimento é relativo, convém considerar uma constante da
Terra e descrever o movimento aparente do Sol em um sistema de
coordenadas previstas da Terra, de acordo com sua origem no local de
interesse.
Para a maioria das aplicações de energia solar, são necessárias previsões
razoavelmente precisas acerca do local onde o sol surgirá no céu em um
determinado momento do dia e do ano. Segundo estudos de Ptolomeu, o Sol é
limitado para mover-se com 2 graus de latitude na esfera celeste; portanto, a
sua posição em relação a um observador na Terra pode ser totalmente descrita
mediante dois ângulos astronômicos, altitude solar (a) e azimute solar (z). A
seguir, uma descrição de cada ângulo, em conjunto com a formulação
associada. Um método aproximado para cálculo desses ângulos ocorre por
meio de diagramas do caminho do sol (Seção 2.2.2).
Antes de fornecer as equações de altitude solar e de ângulos de azimute, a
declinação solar e o ângulo horário precisam ser definidos. Estes são
necessários em todas as outras formulações de ângulos solares.
FIGURA 2.3

Movimento anual da Terra em torno do Sol.

FIGURA 2.4

Variações anuais da posição do sol no céu (Hemisfério Norte).

Declinação, δ
Como mostrado na Figura 2.3, o eixo de rotação da Terra (eixo polar) está
sempre inclinado a um ângulo de 23,45o a partir do eixo elíptico, que é
normal para o plano elíptico. O plano da eclíptica é o plano da órbita da Terra
em torno do Sol. À medida que a Terra gira em torno do Sol, é como se o
eixo polar estivesse se movendo em relação ao Sol. A declinação solar é a
distância angular dos raios do Sol ao norte (ou sul) do equador – a declinação
norte é designada como positiva. Conforme se observa na Figura 2.5,
corresponde ao ângulo entre o ponto central Terra-Sol e a projeção desta
linha no plano equatorial. As declinações norte do equador (verão no
Hemisfério Norte) são positivas, e as do sul são negativas. A Figura 2.6
mostra a declinação durante os equinócios e os solstícios. Pode-se visualizar
as faixas de declinação de 0o no equinócio da primavera para – 23,45o no
solstício de verão, 0o no equinócio de outono e 23,45o no solstício de inverno.

FIGURA 2.5

Definição de latitude, ângulo horário solar e declinação solar.

FIGURA 2.6

Variação anual de declinação solar.

A variação da declinação solar, ao longo do ano, é apresentada na Figura


2.7. A declinação, δ, em graus para qualquer dia do ano (N) pode ser
calculada aproximadamente pela equação (ASHRAE, 2007):
(2.5)

A declinação também pode ser dada em radianos4 pela fórmula Spencer


(Spencer, 1971):
(2.6)

onde G é chamado de ângulo dia, dada (em radianos) por:


(2.7)

A declinação solar durante qualquer dia pode ser considerada constante nos
cálculos de engenharia (Kreith e Kreider, 1978; Duffie e Beckman, 1991).

FIGURA 2.7

Declinação solar.

Como mostrado na Figura 2.6, os trópicos de Câncer (23,45oN) e


Capricórnio (23,45oS) são as latitudes nas quais o Sol está a pino (zênite)
durante os solstícios de verão e inverno, respectivamente. Outras duas
latitudes de interesse são os Círculos Ártico (66,5oN) e Antártico (66,5oS).
Como mostrado na Figura 2.6, no solstício de inverno, todos os pontos ao
norte do Círculo Polar Ártico estão em completa escuridão, ao passo que
todos os pontos ao sul do Círculo Polar Antártico recebem luz solar contínua.
O oposto ocorre para o solstício de verão. Durante os equinócios de
primavera e outono, os Polos Norte e Sul são equidistantes do Sol e o dia se
iguala à noite, sendo que ambos equivalem a 12 horas.
Como o número do dia, a hora do mês e o dia intermediário de cada mês
são frequentemente exigidos para os cálculos de geometria solares, a Tabela
2.1 é disposta para facilitar a consulta.
Tabela 2.1 Número de dias e dia médio recomendado para cada mês
Dia médio do mês
Mês Dia número Hora do mês Data N δ (graus)
Janeiro i k 17 17 – 20,92
Fevereiro 31 + i 744 + k 16 47 – 12,95
Março 59 + i 1416 + k 16 75 – 2,42
Abril 90 + i 2160 + k 15 105 9,41
Maio 120 + i 2880 + k 15 135 18,79
Junho 151 + i 3624 + k 11 162 23,09
Julho 181 + i 4344 + k 17 198 21,18
Agosto 212 + i 5088 + k 16 228 13,45
Setembro 243 + i 5832 + k 15 258 2,22
Outubro 273 + i 6552 + k 15 288 – 9,60
Novembro 304 + i 7296 + k 14 318 – 18,91
Dezembro 334 + i 8016 10 344 – 23,05

Ângulo Horário, h
O ângulo horário, h, de um ponto na superfície da Terra é definido como o
ângulo através do qual a Terra giraria para trazer o meridiano ao ponto
diretamente sob o Sol. A Figura 2.5 mostra o ângulo horário de ponto P como
o ângulo medido no plano equatorial da Terra entre a projeção do OP e a
projeção do centro da Terra-Sol para a linha central. O ângulo horário ao
meio-dia solar local é igual a zero, com cada 360/24 ou 15o de longitude
equivalente a 1 h, os horários vespertinos foram designados como positivos.
Expressado simbolicamente, o ângulo horário em graus corresponde a:
h = ± 0,25 (Número em minutos ao meio-dia solar local) (2.8)
onde o sinal de soma aplica-se às horas da tarde e o sinal de subtração às
horas da manhã.
O ângulo horário pode também ser obtido a partir do TSL; isto é, o tempo
solar local regulado:
h = (TSA – 12)15 (2.9)
Ao meio-dia solar local, TSA = 12 e h = 0o. Portanto, a partir da Equação
(2.3), o TSL (o tempo indicado pelos nossos relógios ao meio-dia solar local)
é:
TSL = 12 – ET ± 4(LS – LL) (2.10)

EXEMPLO 2.2
Encontre a equação para TSL ao meio-dia solar local para Nicósia,
Chipre.
Solução
Para saber a localização de Nicósia, Chipre, do Exemplo 2.1,
TSL = 12 – ET – 13,32 (min)

EXEMPLO 2.3
Calcule o tempo solar aparente em 10 de março às 2 h 30 (pm) da tarde
para a cidade de Atenas, Grécia (23o 40´E longitude).
Solução
A ET para 10 de março (N = 69) é calculada a partir da Equação (2.1), em
que o fator B é obtido a partir de Equação (2.2) como:
B = 360/364(N − 81) = 360/364(69 − 81) = − 11,87
ET = 9,87 sen (2B) – 7,53 cos (B) – 1,5 sen (B)
9,87 sen (– 2 × 11,87) – 7,53 cos (– 11,87) – 1,5 sen (– 11,87)
Portanto,
ET = − 11,04 min ~ − 11 min
O meridiano padrão para Atenas é de 30oE longitude. Portanto, a TSA às
2 h 30 (pm), a partir da Equação (2.3), é a seguinte:
TSA = 14:30 – 4(30 – 23,66) – 00:11 = 14:30 – 00:25 – 00:11
= 13:54; ou 01:54 pm

Ângulo de altitude solar, α


O ângulo da altitude solar é o ângulo entre os raios solares e o plano
horizontal, como mostrado na Figura 2.8. Ele está relacionado ao ângulo
zenital, Φ, que é o ângulo entre os raios solares e a vertical. Portanto,
Φ = α = π/2 = 90o (2.11)

FIGURA 2.8

Trajetória diária aparente do Sol no céu do nascer ao pôr do sol.

A expressão matemática para o ângulo da altitude solar é:


sen (α) = cos (Φ) – sen (L) sen (δ) + cos (L) cos (δ) cos (h) (2.12)
onde L = latitude local, definida como o ângulo entre uma linha a partir do
centro da Terra para o local de interesse e o plano equatorial. Valores do
norte do equador são positivos e os do sul são negativos.
Ângulo de azimute solar, α
O ângulo solar azimutal, z, é o ângulo dos raios do sol, medido no plano
horizontal a partir do sul (sul verdadeiro) para o Hemisfério Norte ou do
norte para o Hemisfério Sul; já o oeste se designa como positivo. A expressão
matemática para o ângulo de azimute solar é:
(2.13)

Esta equação é correta, desde que cos (h) > tan(δ)/tan(L) (ASHRAE, 1975).
Caso contrário, isso significa que o sol está por trás do E-W line, como
mostrado na Figura 2.4, e o ângulo de azimute para as horas da manhã é – π +
|z| e para as horas da tarde é π – z.
Ao meio-dia solar, por definição, o sol está exatamente sobre o meridiano,
que contém a linha norte-sul, e, consequentemente, o azimute solar está em
0o. Por conseguinte, ao meio-dia, a altitude αn é:
αn = 90o – L + δ (2.14)

EXEMPLO 2.4
Quais são os ângulos máximos e mínimos do meio-dia de altitude para
um local a 40o de latitude?
Solução
O ângulo máximo dá-se pelo solstício de verão, em que δ é máximo, isto
é, 23,5o. Portanto, o ângulo máximo da altitude ao meio-dia é de 90o – 40o
+ 23,5o = 73,5o.
O ângulo de altitude mínima ao meio-dia corresponde ao solstício de
inverno, onde δ é mínimo, ou seja, – 23,5o.
Portanto, o ângulo mínimo de altitude ao meio-dia é de 90o – 40o – 23,5o
= 26,5o.

Nascer do sol, pôr do sol e duração do dia


Diz-se que o sol nasce e se põe quando o ângulo de altitude solar é 0. Assim,
o ângulo horário ao pôr do sol, hss, pode ser determinado resolvendo a
Equação (2.12) para h quando α = 0o:
sen (α) = sen (0) = 0 = sen (L) sen (δ) + cos (L) cos (δ) cos (hss)
ou
que se reduz a:
cos (hss) = −tan (L) tan (δ) (2.15)
No qual hss é considerada como positiva ao pôr do sol.
Como o ângulo horário ao meio-dia solar local é 0o, cada 15o de longitude
equivale a 1 hora, o nascer e o por do sol a partir do meio-dia solar local é:
Hss = − Hrs = 1/15 cos–1 [−tan (L) tan (δ)] (2.16)
Os ângulos horários do nascer e pôr do sol para várias latitudes são
mostrados na Figura A3.1 do Apêndice 3.
O período de dia é o dobro da hora do sol, uma vez que o meio-dia solar
está no meio do nascer do sol e do horário do pôr do sol. Portanto, a duração
do dia em horas é:
Período do dia = 2/15 cos–1 [− tan (L) tan (δ)] (2.17)

EXEMPLO 2.5
Encontre a equação para o tempo padrão do sol para Nicósia, Chipre.
Solução
O TSL ao pôr do sol para a localização de Nicósia, Chipre, do Exemplo
2.1 é:
Tempo padrão do pôr do sol = Hss– ET – 13,32 min

EXEMPLO 2.6
Determine os ângulos solares de altitude e azimute em 2 h após o meio-
dia local em 16 de junho para uma cidade localizada a uma latitude de
40oN. Identifique também as horas do nascer e do pôr do sol, bem como a
duração do dia.
Solução
Da Equação (2.5), a declinação em 16 de junho (N = 167) é:

Da Equação (2.8), o ângulo horário, 2 horas após o meio-dia solar local,


é:
h = +0,25(120) = 30o
Da Equação (2.12), o ângulo solar de altitude é:
sen (α) = sen (40) sen (23,35) + cos (40) cos (23,35) cos (30) = 0,864
Portanto,
α = 59,75o
Da Equação (2.13), o ângulo solar de azimute é:

Portanto,
z = 65,67o
Da Equação (2.17), o período do dia é:
Período do dia = 2/15 cos–1 [− tan(40) tan (23,35)] = 14,83 h
Isto significa que o sol nasce às 12 – 7,4 = 4,6 = 04 h 36 pm no tempo
solar e estabelece-se
às 7,4 = 07 h 24 pm.

Ângulo de incidência, θ
O ângulo de incidência solar, θ, é o ângulo entre os raios solares e a normal
em uma superfície. Em um plano horizontal, o ângulo de incidência, θ, e o
ângulo de zênite, Φ, são os mesmos. Os ângulos que constam na Figura 2.9
estão relacionados com os ângulos de base, mostrados na Figura 2.5, com a
seguinte expressão geral para o ângulo de incidência (Kreith e Kreider, 1978;
Duffie e Beckman, 1991):
(2.18)
FIGURA 2.9

Diagrama dos ângulos solares

onde
β = ângulo de inclinação da superfície em relação à horizontal,
Ζs = ângulo de superfície azimute, o ângulo entre a normal até a superfície
do verdadeiro sul, a oeste é designado como positivo.
Para determinados casos, a Equação (2.18) se reduz a formas mais simples:
• Para superfícies horizontais, β = 0o e θ = Φ; a Equação (2.18) reduz a
Equação (2.12).
• Para superfícies verticais, β = 90o; a Equação (2.18) torna-se:
(2.19)
• Para uma superfície inclinada e voltada para o sul do Hemisfério Norte, Zs
= 0o a equação (2.18) reduz-se a:
que pode ser ainda mais reduzida para:
(2.20)
• Para uma superfície inclinada e voltada para o norte no Hemisfério Sul,
Zs= 180o a Equação (2.18) reduz-se a:
(2.21)
A Equação (2.18) é uma relação geral para o ângulo de incidência sobre
uma superfície de qualquer orientação. Conforme evidenciam as Eqs. (2.19)-
(2.21), pode ser reduzido a formas mais simples para casos específicos.

EXEMPLO 2.7
Uma superfície inclinada a 45o na horizontal e apontada a 10o a oeste do
sul está localizada a 35o de latitude N. Calcule o ângulo de incidência em
2 h após o meio-dia local em 16 de junho.
Solução
A partir do Exemplo 2.6 temos δ = 23,35o e ângulo horário = 30o. O θ
ângulo de incidência solar é calculado a partir da Equação (2.18):

Portanto,
θ = 39,72o

2.2.1Ângulo de incidência para as superfícies em


movimento
Em caso de coletores concentradores solares, um tipo de mecanismo de
rastreamento é usualmente empregado para permitir que o coletor acompanhe
o sol. Isso é feito com diferentes graus de precisão e métodos, tal como
indicado na Figura 2.10.
Os sistemas de rastreamento podem ser classificados pelo seu modo de
movimento, que podem ser sobre um único eixo ou em torno de dois eixos
(Figura 2.10 (a)). No caso de um único eixo, o movimento pode ocorrer de
várias formas: paralelo ao eixo da Terra (Figura 2.10 (b)), norte-sul (Figura
2.10 (c)), ou leste-oeste (Figura 2.10 (d)). As equações seguintes são
derivadas a partir da equação geral (2.18) e aplicam-se a aviões em
movimento, segundo indicação para cada caso. A quantidade de energia que
recai em uma superfície por unidade de área para os solstícios de verão e
inverno e para os equinócios com latitude de 35oN é pesquisada em cada
modo. Tal análise realizou-se mediante um modelo de radiação. Este é
afetado pelo ângulo de incidência, diversificando de acordo com cada
situação. O tipo de modelo utilizado aqui não é fundamental, uma vez que se
emprega apenas para fins de comparação.
Rastreamento completo
Para um mecanismo de rastreamento de dois eixos, mantendo a superfície em
questão continuamente orientada de modo a estar defronte do Sol (ver Figura
2.10 (a)) a todo momento, o ângulo de incidência, θ, é igual a:
cos (θ)= 1 (2.22)
Ou θ = 0o. Isto, é claro, depende da precisão do mecanismo. A configuração
de rastreio completo recolhe ao máximo possível a luz do sol. O desempenho
deste modo de rastreamento com relativa quantidade de radiação recolhida
durante um dia sob condições normais é mostrado na Figura 2.11.
A inclinação desta superfície (β) é igual ao ângulo do zênite solar (Φ), já o
ângulo de azimute de superfície (Zs) equivale ao ângulo de azimute solar (z).
FIGURA 2.10

Geometria do coletor sob vários modos de rastreamento.

Eixo inclinado N-S com inclinação ajustada diariamente


Para um plano móvel sobre um eixo norte-sul, com um único ajuste diário de
modo que a superfície normal coincida diariamente com o feixe de energia
solar ao meio-dia, θ é igual a (Meinel e Meinel, 1976; Duffie e Beckman,
1991):
(2.23)

Para este rastreamento, pode-se considerar que, quando o Sol está ao meio-
dia, o ângulo dos raios do sol e a normal do coletor pode ter uma declinação
de até 4o, desde que para pequenos ângulos cos(4o) seja igual a 0,998 ~ 1. A
Figura 2.12 apresenta o número de dias consecutivos em que o sol permanece
nesse intervalo de declinação de 4o ao meio-dia. Como pode ser visto na
Figura 2.12, a maior parte do tempo, o sol se mantém próximo, seja no
solstício de verão seja no solstício de inverno, movendo-se rapidamente entre
os dois extremos. Por quase 70 dias consecutivos, o sol situa-se a 4o em
posição máxima, passando por apenas 9 dias a 4o de abertura no equinócio.
Isso significa que um coletor inclinado de modo sazonal precisa ser ajustado
apenas ocasionalmente.
O problema encontrado com este e todos os coletores inclinados, caso se
utilize mais de um coletor, é que os coletores da frente projetam sombras
sobre os adjacentes. Portanto, em termos de utilização no campo, esses
coletores perdem seus benefícios caso se considere o custo da região. O
desempenho deste modo de rastreamento (ver Figura 2.13) mostra as curvas
pontiagudas típicas para esta formação.

FIGURA 2.11

Variação diária do fluxo solar, rastreamento completo.


FIGURA 2.12

Número de dias consecutivos em que o sol permanece em 4o de declinação.

FIGURA 2.13

Variação diária do fluxo solar: eixo N-S inclinado com inclinação ajustada diariamente.

Eixo polar N-S com rastreamento L-O


No caso de um plano ou superfície girada em torno de um eixo norte-sul
paralelo ao eixo da Terra, com ajuste contínuo, o ângulo θ é igual a:
cos (θ) = cos (δ) (2.24)
Esta configuração é apresentada na Figura 2.10(b). Como é possível
observar, o eixo coletor está inclinado ao eixo polar, que é equivalente à
latitude local. Por esta razão, a radiação solar é normal ao coletor nos
equinócios (δ = 0o) e o efeito cosseno atinge o máximo nos solstícios. Os
mesmos comentários sobre a inclinação do coletor e efeitos de sombreamento
aplicam-se aqui como na configuração anterior. A performance desta
montagem se destaca na Figura 2.14.

FIGURA 2.14

Variação diária do fluxo solar: eixo polar N-S com rastreamento L-O.

A performance tanto do equinócio quanto do solstício de verão, em termos


de radiação solar coletados, são essencialmente iguais; ou seja, a menor
massa de ar para o solstício de verão compensa o pequeno efeito da projeção
cosseno. A utilização do meio-dia do inverno, no entanto, é reduzida porque
esses dois efeitos se combinam. Havendo o intuito de aumentar a
performance no inverno, uma inclinação maior do que o local de latitude
seria necessária; mas a altura física de tal configuração não seria vantajosa no
que concerne à relação custo-benefício com a estrutura do suporte polar.
Outro efeito do aumento da inclinação é pelo sombreamento dos coletores
adjacentes para instalações multilinha.
A inclinação da superfície varia continuamente e é dada por:
(2.25a)
O ângulo de azimute de superfície é dado por:
(2.25b)

onde
(2.25c)

(2.25d)

(2.25e)

Eixo horizontal L-O com rastreamento N-S


Em casos de um plano girado em torno do eixo leste-oeste horizontal, com
ajuste contínuo para minimizar o ângulo de incidência, o ângulo θ pode ser
obtido a partir de (Kreith e Kreider, 1978; Duffie e Beckman, 1991):
(2.26a)

ou a partir desta equação (Meinel e Meinel, 1976):


(2.26b)

Evidencia-se a geometria de base desta configuração na Figura 2.10(c). Os


efeitos de sombreamento desta combinação são mínimos. O sombreamento
mais comum decorre do momento em que o coletor é desviado para o grau
máximo sul (δ = 23,5o) no solstício de inverno. Neste caso, o sol lança uma
sombra em direção ao coletor no norte. Isto revela uma vantagem uma vez
que se aproxima o coletor de rastreamento completo no verão (ver Figura
2.15), embora o efeito cosseno no inverno reduza amplamente a sua eficácia.
Esta montagem produz um perfil bastante “quadrado” de radiação solar, ideal
para nivelar a variação durante o dia. A performance no inverno, todavia, é
gravemente reduzida em relação à do verão.
A inclinação desta superfície é dada por:

FIGURA 2.15

Variação diária do fluxo solar: eixo horizontal L-O com rastreamento N-S.

tan (β) = tan(Φ) | cos(z) | (2.27a)


A orientação da superfície para este modo de controle se altera
entre 0o e 180o, caso o ângulo solar azimute ultrapasse ±90o. Para qualquer
hemisfério,
Se |z| < 90o, Zs = 0o (2.27b)
Se |z| > 90o, Zs = 180o
Eixo horizontal N-S com rastreamento L-O
Para um plano girado sobre um eixo norte-sul horizontal com regulação
contínua para minimizar o ângulo de incidência, o ângulo θ pode ser obtido a
partir de (Kreith e Kreider, 1978; Duffie e Beckman, 1991),
(2.28a)

ou a partir desta equação (Meinel e Meinel, 1976):


(2.28b)
A geometria básica desta configuração é mostrada na Figura 2.10 (d). A
maior vantagem desta configuração é que pequenos efeitos de sombreamento
são encontrados quando mais de um coletor é utilizado. Estes efeitos de
sombreamento estão presentes apenas nas primeiras e últimas horas do dia.
Neste caso, a curva da energia solar recolhida durante o dia é mais próxima
da curva de uma função cosseno (ver Figura 2.16).
A inclinação desta superfície é dada por:
(2.29a)

O ângulo de azimute da superfície (Zs) é de 90o ou – 90o, dependendo do


ângulo de azimute solar:
(2.29b)

FIGURA 2.16

Variação diária do fluxo solar: eixo horizontal N-S com rastreamento L-O.

Comparação
O modo de rastreio afeta a quantidade de radiação incidente sobre a
superfície do coletor, proporcionalmente ao cosseno do ângulo de incidência.
A quantidade de energia que incide sobre uma superfície por unidade de área,
considerando os quatro modos de rastreamento para os solstícios de verão e
inverno e os equinócios, é mostrada na Tabela 2.2. Realizou-se esta análise
com o mesmo modelo de radiação usado para traçar o fluxo solar das figuras
nesta seção. Mais uma vez, o tipo de modelo utilizado aqui não é importante,
por empregar-se apenas para fins comparativos. A performance dos vários
tipos de rastreadores é comparada com o rastreador em dois eixos, que coleta
o máximo de energia solar, como mostra a Tabela 2.2. Mediante esta
comparação, torna-se claro que o rastreador de eixo polar e o rastreador de
eixo horizontal N-S são os mais apropriados para rastreio em um eixo, uma
vez que sua performance é muito parecida com o desempenho do rastreador
em dois eixos.
Tabela 2.2 Comparação da Energia Recebida por Vários Modos de Rastreamento

Energia solar recebida (kWh/m2) Porcentagem de Rastreamento Completo


Modo de rastreamento E SV SI E SV SI
Rastreamento completo 8,43 10,60 5,70 100 100 100
L-O polares 8,43 9,73 5,23 100 91,7 91,7
N-S horizontais 7,51 10,36 4,47 89,1 97,7 60,9
L-O horizontais 6,22 7,85 4,91 73,8 74,0 86,2
E = equinócios, SV = solstício de verão, SI = solstício de inverno.

2.2.2Diagramas do caminho do sol


Para fins práticos, em vez de usar as equações anteriores, é conveniente obter
o caminho do sol representado em plano horizontal, num chamado diagrama
de caminho do sol, empregando-o para encontrar a posição do sol no céu, em
qualquer época do ano. Como pode ser visto a partir das Eqs.(2.12) e (2.13),
o ângulo de altitude do Sol (α) e o ângulo de azimute solar(z) são funções da
latitude (L), ângulo horário (h) e declinação (δ). Em um plano bidimensional,
apenas dois parâmetros independentes podem ser utilizados para
correlacionar os outros parâmetros; portanto, é usual para traçar diferentes
diagramas de caminho do sol para diferentes latitudes. Esses diagramas
mostram as variações completas de ângulo horário e declinação para um ano
inteiro. A Figura 2.17 mostra o diagrama do caminho do sol em 35o de
latitude N. Linhas de declinação constante são determinadas pelo valor dos
ângulos. Pontos de ângulos horários constantes são claramente indicados.
Utiliza-se esta figura em combinação com a Figura 2.7 ou as Eqs.(2.5)-(2.7);
isto é, para um dia de um ano, a Figura 2.7 ou as equações podem ser
utilizadas para estimar a declinação, as quais entrarão em conjunto com a
hora do dia e convertidas ao tempo solar usando a Equação (2.3) na Figura
2.17 para estimar os ângulos solares de azimute e de altitude. É fundamental
observar que a Figura 2.17 aplica-se para o Hemisfério Norte. Para o
Hemisfério Sul, o sinal da declinação deve ser invertido. As Figuras A3.2 até
a A3.4 do Apêndice 3 mostram os diagramas de caminho do sol para latitudes
N em 30o, 40o e 50o.

FIGURA 2.17

Diagrama da trajetória do sol em 35o de latitude N.

2.2.3Determinação da sombra
Na concepção de muitos sistemas de energia solar, diversas vezes é
necessário estimar a possibilidade de sombreamento de coletores solares. A
fim de determinar o sombreamento, é necessário conhecer a sombra projetada
em função do tempo durante cada dia do ano. Embora os modelos
matemáticos possam ser utilizados para este fim, um método mais simples é
apresentado graficamente aqui, o que é adequado para aplicações práticas
imediatas. Este método é geralmente suficiente, uma vez que o objetivo em
geral não é estimar com precisão a quantidade de sombreado, mas determinar
se uma posição sugerida para a disposição de coletores é ou não adequada.
A determinação da sombra é facilitada pela determinação de um ângulo de
energia solar orientado na superfície, chamado ângulo do perfil solar.
Conforme se evidencia na Figura 2.18, o ângulo do perfil solar, p, é o ângulo
entre a superfície em disposição normal e a projeção dos raios do sol em um
plano de uma superfície em disposição normal. Em termos de ângulo solar de
altitude, α, ângulo solar de azimute, z, e o ângulo de azimute de superfície, Zs,
o ângulo do perfil solar p é dado pela equação:
(2.30a)

Uma equação simplificada é obtida quando a superfície de frente para o sul,


Zs = 0o, é dada por:
(2.30b)

Frequentemente, o diagrama de caminho do sol é muito útil para determinar


o período do ano e a hora do dia em que o sombreamento ocorrerá em um
determinado local. Isto é ilustrado no exemplo seguinte.

EXEMPLO 2.8
Um edifício está localizado a 35o de latitude N e seu lado de interesse a
15o leste do sul. Analisaremos a época do ano em que o ponto x sobre o
edifício estará sombreado, como mostrado na Figura 2.19.
Solução
O limite superior do ângulo do perfil para o ponto de sombreamento x é
35o e 15o a oeste do sul verdadeiro. Este é o ponto A desenhado no
diagrama de caminho do sol, tal como se demonstra na Figura 2.20. Neste
caso, o ângulo do perfil solar é o ângulo da altitude solar. A distância x –
B é (8,42 + 122)1/2 = 14,6 m. Para o ponto B, o ângulo de altitude é tan (α)
= 8,4/14,6 → α = 29,9o. Da mesma forma, a distância x – C é (6,92 –
122)1/2 = 13,8 m; pelo ponto C, o ângulo de altitude é tan (α) = 8,4/13,8 →
α = 31,3o. Ambos os pontos são indicados no diagrama do caminho do sol
na Figura 2.20.
Portanto, o ponto x no lado de interesse é sombreado durante o período
indicado pela curva de BAC na Figura 2.20. É fácil determinar as horas
nas quais ocorrem sombreamentos,
enquanto que a época do ano é determinada pela declinação.

FIGURA 2.18

Geometria do ângulo do perfil solar, p, em uma disposição com janela projetada para fora.

FIGURA 2.19

Sombreamento da construção no Exemplo 2.8.


FIGURA 2.20

Diagrama da trajetória do Sol para o Exemplo 2.8.

Os coletores solares são normalmente instalados em várias strings


orientadas para o sul verdadeiro, no caso de sistemas instalados no
Hemisfério Norte. Existe, assim, uma necessidade de estimar a possibilidade
de sombreamento causado pelas strings frontais nas outras strings
subsequentes. O sombreamento máximo, neste caso, ocorre ao meio-dia solar
local, podendo a altitude do meio-dia ser facilmente estimada, αn, como dado
pela Equação (2.14) e verificar se a sombra forma tonalidades na segunda ou
nas posteriores strings do sistema. Geralmente, o sombreamento não ocorrerá
enquanto o ângulo do perfil for maior que o ângulo θs, formado pela parte
superior dos coletores da string dianteira e a extremidade inferior dos
coletores da segunda string (Figura 5.25). Se o ângulo do perfil em qualquer
altura for inferior a θs, logo uma parte dos coletores na segunda string e nas
strings posteriores apresentará sombreamento.

EXEMPLO 2.9
Encontre a equação para estimar o sombreamento causado por brise fixo
em uma janela.
Solução
O brise plano vertical fixo e a montagem da janela são apresentados na
Figura 2.21.
Do triângulo ABC, os lados AB = D, BC = w, e o ângulo A é z – Zs.
Portanto, a distância w é estimada por w =D tan(z – Zs).

FIGURA 2.21

Plano vertical fixo e janela para o Exemplo 2.9.

Os cálculos de sombra são examinados com mais detalhes no Capítulo 6


Seção 6.2.5.
2.3Radiação solar
2.3.1Geral
Todas as substâncias, corpos sólidos, líquidos e gases com temperatura acima
de zero absoluto emitem energia sob a forma de ondas eletromagnéticas.
A radiação fundamental para aplicações de energia solar é aquela emitida
pelo sol nas faixas de espectro ultravioleta, visível e infravermelho. Portanto,
a radiação do comprimento de onda importante para as aplicações de energia
solar está entre 0,15 e 3,0 µm. Os comprimentos de onda no espectro visível
encontram-se entre 0,38 e 0,72 µm.
Esta seção analisa, inicialmente, questões relacionadas à radiação térmica e
inclui conceitos básicos, radiação de superfícies reais e trocas de radiação
entre duas superfícies. A abordagem é seguida pela variação da radiação
extraterrestre, atenuação atmosférica, irradiação terrestre, e radiação total
recebida em superfícies inclinadas. Por fim, há uma breve descrição sobre
instrumentos de medição da radiação solar.
2.3.2Radiação térmica
A radiação térmica é uma forma de emissão e transmissão de energia que
depende inteiramente da temperatura e características da superfície emissora.
Não há necessidade de qualquer meio de propagação como nos outros modos
de transferência de calor, isto é, na condução e na convecção. A radiação
térmica é de fato uma onda eletromagnética, que se desloca à velocidade da
luz (C ≈ 300,000 km/s no vácuo). Esta velocidade de propagação está
relacionada com o comprimento de onda (λ) e de frequência (v) da radiação,
como determinado pela equação:
C = λv (2.31)
Quando um feixe de radiação térmica incide sobre a superfície de um corpo,
uma parte é refletida para longe da superfície, uma é absorvida pelo corpo e
outra é transmitida através do corpo. As diversas propriedades associadas a
esses fenômenos são a fração de radiação refletida, chamada refletividade (ρ);
a fração de radiação absorvida, a qual se denomina absortividade (α) e a
fração da radiação transmitida, a transmissividade (τ). As três estão
relacionadas na seguinte equação:
ρ+α+τ=1 (2.32)
Deve-se observar que as propriedades de radiação então definidas não são
apenas funções da própria superfície, mas também são funções de direção e
de comprimento da onda da radiação incidente. Portanto, a Equação (2.32) é
válida para as propriedades médias ao longo de todo o espectro de
comprimentos de onda. A seguinte equação é utilizada para expressar a
dependência destas propriedades no comprimento de onda:
ρλ+ αλ+ τλ= 1 (2.33)
onde
ρλ = refletividade espectral.
αλ = absortividade espectral.
τλ = transmissividade espectral.
A variação angular da absortância para tinta preta vem ilustrada na Tabela
2.3 para ângulos de incidência de 0-90o. A absortância para radiação difusa é
de aproximadamente 0,90 (Löf e Tybout, 1972).
Em sua maioria, os corpos sólidos são opacos, de modo que τ = 0 e ρ + α =
1. Se um corpo absorve toda a radiação térmica de tal modo que τ = 0, ρ = 0 e
α = 1, independentemente do caráter espectral ou da direção preferível da
radiação incidente, este corpo é chamado de corpo negro. Esta é uma
idealização hipotética que não existe na realidade.
Tabela 2.3 Variação Angular de Absorção do Corpo Negro

Ângulo de incidência Absortância


0-30 0,96
30-40 0,95
40-50 0,93
50-60 0,91
60-70 0,88
70-80 0,81
80-90 0,66
Reproduzido de LOF e Tybout (1972) com permissão da ASME.

Um corpo negro não é apenas um absorvedor perfeito de radiação térmica,


mas também um emissor que alcança limite máximo. A energia emitida por
um corpo negro é função da sua temperatura e não é distribuída
uniformemente ao longo de todos os comprimentos de onda. A taxa de
emissão de energia por unidade de área em um determinado comprimento de
onda é denominado a poder emissivo monocromático. Max Planck foi o
primeiro a obter uma relação funcional para o poder emissivo monocromático
de um corpo negro, em termos de temperatura e comprimento de onda. Isto
foi feito mediante a utilização da teoria quântica e da equação resultante,
chamada de equação de Planck para radiação de corpo negro, que é dada
por:
(2.34)

onde
Ebλ = poder emissivo monocromático de um corpo negro (W/m2 µm).
T = temperatura absoluta da superfície (K).
λ = comprimento de onda (µm).
C1= constante = 2πhc2o = 3,74177 × 108 W µm4/m2.
C2 = constante = hco/k = 1,43878 × 104 µm K.
h = constante de Planck = 6,626069 × 10–34 Js.
co = velocidade da luz no vácuo = 2,9979 × 108 m/s.
k = constante de Boltzmann = 1,38065 × 10–23 J/K.
A Equação (2.34) é válida para uma superfície no vácuo ou gás. Para outros
meios, é necessário modificar, substituindo C1 por C1/n2, no qual n é o índice
de refração do meio. Diferentemente da Equação (2.34) e o equivalente a 0, o
comprimento de onda correspondente ao valor máximo da distribuição pode
ser obtido, sendo equivalente a λmaxT = 2,897,8 µm K. A isso se denomina lei
do deslocamento de Wien. A Figura 2.22 mostra a distribuição espectral da
radiação de corpo negro a três fontes de temperatura. As curvas foram obtidas
utilizando a equação de Planck.
FIGURA 2.22

Distribuição espectral da radiação do corpo negro.

O poder emissivo total, Eb, e o poder emissivo monocromático, Ebλ, de um


corpo negro estão relacionados por:
(2.35)

Substituindo a Equação (2.34) pela Equação (2.35) e realizando os


resultados de integração na lei de Stefan-Boltzmann:
(2.36a)

Onde σ = constante de Stefan-Boltzmann = 5,6697 × 10–8 W/m2K4.


Em muitos casos, é necessário conhecer a quantidade de radiação emitida
por um corpo negro numa banda de comprimento de onda λ1→ λ2 específico.
Isto se obtém segundo mudança da Equação (2.35) como:
(2.36b)
Uma vez que o valor de Ebλ depende tanto de λ quanto de T, é preferível
utilizar as duas variáveis como:
(2.36c)

Portanto, para a faixa de comprimento de onda de λ1 → λ2, temos:


(2.36d)

o que resulta em Eb(0 → λ1T) – Eb (0 → λ2T). A Tabela 2.4 apresenta uma


tabulação de Eb (0 → λT) como uma fração do poder emissivo total Eb = σT4,
para diversos valores de λT, também chamado de fração de radiação emitida
por um corpo negro à temperatura T na faixa de comprimento de onda de λ =
0 para λ, ƒ0-λT ou para uma determinada temperatura ƒλ. Os valores não são
arredondados, pois a tabela original, sugerida por Dunkle (1954), registrou
λT, no micrômetro em graus Rankine (µm oR), que foram convertidos em
micrômetros Kelvin (µm K) na Tabela 2.4.
A fração de radiação emitida por um corpo negro à temperatura T na faixa
de comprimento de onda de λ = 0 para λ pode ser resolvida facilmente em um
computador, utilizando o formulário polinomial, com cerca de 10 termos de
somatórios para uma ideal precisão, sugerida por Siegel e Howell (2002):
(2.36e)

onde ω = C2/λT
Tabela 2.4 Fração de Radiação do Corpo Negro em Função do λT

λT (µm K) Eb (0 → λT)/σ T 4 λT (µm K) Eb (0 → λT)/σ T4 λT (µm K) Eb (0 → λT)/σ T 4

555,6 1,70E–08 4.000,0 0,48085 7.444,4 0,83166


666,7 7,56E–07 4.111,1 0,50066 7.555,6 0,83698
777,8 1,06E–05 4.222,2 0,51974 7.666,7 0,84209
888,9 7,38E–05 4.333,3 0,53809 7.777,8 0,84699
1.000,0 3,21E–04 4.444,4 0,55573 7.888,9 0,85171
1.111,1 0,00101 4.555,6 0,57267 8.000,0 0,85624
1.222,2 0,00252 4.666,7 0,58891 8.111,1 0,86059
1.333,3 0,00531 4.777,8 0,60449 8.222,2 0,86477
1.444,4 0,00983 4.888,9 0,61941 8.333,3 0,86880
1.555,6 0,01643 5.000,0 0,63371 8.888,9 0,88677
1.666,7 0,02537 5.111,1 0,64740 9.444,4 0,90168
1.777,8 0,03677 5.222,2 0,66051 10.000,0 0,91414
1.888,9 0,05059 5.333,3 0,67305 10.555,6 0,92462
2.000,0 0,06672 5.444,4 0,68506 11.111,1 0,93349
2.111,1 0,08496 5.555,6 0,69655 11.666,7 0,94104
2.222,2 0,10503 5.666,7 0,70754 12.222,2 0,94751
2.333,3 0,12665 5.777,8 0,71806 12.777,8 0,95307
2.444,4 0,14953 5.888,9 0,72813 13.333,3 0,95788
2.555,5 0,17337 6.000,0 0,73777 13.888,9 0,96207
2.666,7 0,19789 6.111,1 0,74700 14.444,4 0,96572
2.777,8 0,22285 6.222,1 0,75583 15.000,0 0,96892
2.888,9 0,24803 6.333,3 0,76429 15.555,6 0,97174
3.000,0 0,27322 6.444,4 0,77238 16.111,1 0,97423
3.111,1 0,29825 6.555,6 0,78014 16.666,7 0,97644
3.222,2 0,32300 6.666,7 0,78757 22.222,2 0,98915
3.333,3 0,34734 6.777,8 0,79469 22.777,8 0,99414
3.444,4 0,37118 6.888,9 0,80152 33.333,3 0,99649
3.555,6 0,39445 7.000,0 0,80806 33.888,9 0,99773
3.666,7 0,41708 7.111,1 0,81433 44.444,4 0,99845
3.777,8 0,43905 7.222,2 0,82035 50.000,0 0,99889
3.888,9 0,46031 7.333,3 0,82612 55.555,6 0,99918

Um corpo negro também é um emissor difuso perfeito, devido à sua


intensidade de radiação, Ib, é uma constante em todas as direções, dada por:
Eb = πIb (2.37)
É evidente que as superfícies reais emitem menos energia do que o corpo
negro correspondente. A relação entre o poder emissivo total, E, de uma
superfície real e o poder emissivo total Eb, de um corpo negro, ambos sob a
mesma temperatura, é chamada de emissividade (ε) de uma superfície real;
isto é,
(2.38)

A emissividade de uma superfície não é só uma função da temperatura da


superfície, mas também depende do comprimento de onda e da direção. Na
verdade, a emissividade dada pela Equação (2.38) é o valor médio ao longo
de toda a gama de comprimentos de onda em todas as direções; muitas vezes
referida como a emissividade hemisférica ou total. Semelhante à Equação
(2.38), para expressar a dependência do comprimento de onda, a
emissividade monocromática ou espectral, ελ, é definida como a razão entre a
energia de emissão monocromática, Eλ, de uma superfície real para o poder
emissivo monocromático, Ebλ, de um corpo negro, ambos sob o mesmo
comprimento de onda e temperatura:
(2.39)

A lei de Kirchoff de radiação afirma que, para qualquer superfície em


equilíbrio térmico, a emissividade espectral é igual à absortividade espectral:
(2.40)
ελ(T) = αλ(T)
A temperatura (T) é utilizada na Equação (2.40) para enfatizar que esta
equação aplica-se apenas quando a temperatura da fonte de radiação incidente
e do próprio corpo são as mesmas. Deve-se notar, portanto, que a
emissividade de um corpo sobre a Terra (em temperatura normal) não pode
ser igual à radiação solar (emitida a partir do Sol em T = 5,760 K). A
Equação (2.40) pode ser generalizada como:
ε (T) = α (T) (2.41)
A Equação (2.41) refere-se à emissividade total e ao longo de toda a
capacidade de absorção de comprimento de onda. Esta generalização, no
entanto, é estritamente válida apenas se o incidente e a radiação emitida
tiverem, para além do equilíbrio de temperatura nas superfícies, a mesma
distribuição espectral. Tais condições raramente acontecem de fato; para
simplificar a análise de problemas de radiação, no entanto, a hipótese de que
as propriedades monocromáticas são constantes em todos os comprimentos
de onda é muitas vezes considerada. O corpo com estas características é
chamado um corpo cinzento.
Semelhante à Equação (2.37) para uma superfície real, a energia radiante
que deixa a superfície inclui a emissão inicial e quaisquer raios refletores. A
taxa de energia radiante total emitida por uma superfície por unidade de área
é chamada radiosidade (J), dada por:
J = εEb + ρH (2.42)
onde
Eb = poder emissivo do corpo negro por unidade de área (W/m2).
H = irradiação incidente sobre a superfície por unidade de área (W/m2).
ε = emissividade da superfície.
ρ = refletividade da superfície.
Existem dois casos restritivos idealizados de reflexão da radiação: a
reflexão é denominada especular se o raio refletido segue em um ângulo com
a perpendicular à superfície igual ao ângulo formado pelo raio incidente; caso
o raio incidente seja refletido uniformemente em todas as direções é chamada
difusa. Superfícies reais não são nem totalmente especulares nem totalmente
difusas. Superfícies industriais adversas, no entanto, são muitas vezes
consideradas como refletoras difusas em cálculos de engenharia.
Uma superfície real é tanto um emissor e um refletor difuso e, por
conseguinte, tem radiosidade difusa; ou seja, a intensidade da radiação a
partir desta superfície (I) é constante em todas as direções. Portanto, a
equação seguinte é utilizada para uma superfície real:
J=π×I (2.43)

EXEMPLO 2.10
Um vidro com uma transmissividade de 0,92 é usado em uma
determinada aplicação para os comprimentos de onda de 0,3 e 3,0 µm. O
vidro é opaco em todos os outros comprimentos de onda. Supondo-se que
o sol seja um corpo negro a 5.760 K e excetuando a atenuação
atmosférica, determine a porcentagem de energia solar incidente
transmitida através do vidro. Se o interior da aplicação assume a
aparência de um corpo negro a 373 K, analise a porcentagem de radiação
emitida a partir do interior e transmitida através do vidro.
Solução
Para a radiação solar em 5.760 K, temos:

A partir da Tabela 2.4, por interpolação, temos:

Portanto, a porcentagem de radiação solar incidente sobre o vidro no


comprimento de onda 0,3–3 µm é:
Além disso, a percentagem de radiação transmitida através do vidro é
0,92 × 94,61 = 87,04%.
Para a radiação infravermelha emitida a 373 K, tem-se:

A partir da Tabela 2.4, temos:

A porcentagem de radiação infravermelha com emissão incidente sobre o


vidro no comprimento de onda de 0,3–3 µm é de 0,1%, e a porcentagem
desta radiação transmitida através do vidro é apenas de 0,92 × 0,1 =
0,092%. Este exemplo, de fato, demonstra o princípio do efeito estufa;
isto é, uma vez que a energia solar é absorvida pelos objetos interiores, é
efetivamente aprisionada.

EXEMPLO 2.11
Uma superfície tem uma emissividade espectral de 0,87 no comprimento
de onda inferior a 1,5 µm, 0,65 quanto ao comprimento de onda entre 1,5
e 2,5 µm, e 0,4 de comprimento de onda mais longo do que 2,5 µm. Se a
superfície é de 1.000 K, determine a emissividade média ao longo de todo
o comprimento de onda e a potência da emissão total da superfície.
Solução
A partir dos dados apresentados, tem-se:
A partir da Tabela 2.4, por interpolação, temos:

Portanto,

A energia de emissão média ao longo de todo o comprimento da onda é


dada por:
ε = 0,87 × 0,01313 + 0,65 × 0,14831 + 0,4 × 0,83856 = 0,4432
e o poder emissivo total da superfície é:
E = εσT4 = 0,4432 × 5,67 × 10–8 × 1.0004 = 25129,4 W/m2

As outras propriedades dos materiais podem ser obtidas usando a lei de


Kirchhoff dada pela Equação (2.40) ou Equação (2.41), como demonstrado
pelo seguinte exemplo:
EXEMPLO 2.12
A variação da capacidade de absorção espectral de uma superfície opaca é
de 0,2 até o comprimento de onda de 2 µm e 0,7 para os comprimentos de
onda maiores. Estime a capacidade de absorção média e a refletividade da
superfície de radiação emitida a partir de uma fonte a 2.500 K. Determine
também a emissividade da superfície média a 3.000 K.
Solução
A uma temperatura de 2.500 K:
λ1T = (2 µm)(2.500 K) = 5.000 µm K.
Portanto, segundo a Tabela 2.4:

A capacidade de absorção média da superfície é:

Como a superfície é opaca a partir da Equação (2.32): α + ρ = 1. Logo, ρ


= 1 – α = 1 – 0,383 = 0,617.
Usando a lei de Kirchhoff, a partir da Equação (2.41) ε(T) = α(T).
Assim, a emissividade média desta superfície em T = 3.000 K é:

Portanto, segundo a Tabela 2.4:

2.3.3Placas transparentes
Quando um feixe de radiação incide sobre a superfície de uma placa
transparente em um ângulo θ1, chamado ângulo de incidência, como
mostrado na Figura 2.23, parte da radiação incidente é refletida e o restante é
refratado, em um ângulo θ2, denominado ângulo de refração, à medida que
passa através da interface. O ângulo θ1 também é igual ao ângulo em que o
feixe é refletido de forma especular a partir da superfície. Ângulos θ1 e θ2 não
são iguais quando a densidade dos meios de propagação da radiação é
diferente. Os dois ângulos estão relacionados pela lei de Snell:
(2.44)

onde n1 e n2 são os índices de refração e n é a razão do índice de refração para


os dois meios que formam a interface. O índice de refração é o fator
determinante para as perdas de reflexão na interface. Um valor típico do
índice de refração é 1,000 para o ar, 1,526 para o vidro e 1,33 para a água.

FIGURA 2.23

Ângulos incidentes e refração do cruzamento de feixe em um meio com índice de refração n1 para um
meio com índice de refração n2.
Expressões para as componentes perpendiculares e paralelas da radiação
para superfícies lisas foram obtidas por Fresnel como:
(2.45)

(2.46)

A Equação (2.45) representa a componente perpendicular da radiação não


polarizada e a Equação (2.46) representa a componente paralela. Deve notar-
se que as componentes paralelas e perpendiculares referem-se ao plano
definido pelo feixe incidente e a superfície normal.
As propriedades são avaliadas por intermédio do cálculo da média das duas
componentes como:
(2.47)

Para incidência normal, ambos os ângulos são 0 e a Equação (2.47) pode


ser combinada com a Equação (2.44) para dar origem à:
(2.48)

Se um meio é o ar (n = 1,0), então Equação (2.48) torna-se:


(2.49)

De modo semelhante, a transmitância, τr (o r subscrito indica que apenas as


perdas de reflexão são consideradas), pode ser calculada a partir da
transmitância média entre as duas componentes como se segue:
(2.50a)

Para um sistema de envidraçamento com N coberturas do mesmo material,


pode-se provar que:
(2.50b)

A transmitância τα (o α subscrito indica que apenas uma perda de absorção é


considerada) pode-se calcular a partir de:
(2.51)

em que K é o coeficiente de extinção, podendo variar de 4 m–1 (para o vidro


de alta qualidade) de 32 m–1 (para o vidro de baixa qualidade), e L é a
espessura do vidro.
A transmitância, refletância e absortância de uma única cobertura
(considerando-se as perdas de reflexão e absorção) são dadas pelas
expressões a seguir. Estas funcionam para os componentes perpendiculares
de polarização, embora as mesmas relações possam ser usadas para as
componentes paralelas:
(2.52a)

(2.52b)

(2.52c)
Uma vez que, para coberturas coletoras práticas, τα raramente é menor que
0,9 e r é da ordem de 0,1, a transmitância de uma única cobertura torna-se:
(2.53)

A absortância de uma cobertura pode ser aproximada por negligenciar o


último termo da equação. (2.52c):
(2.54)

e a refletância de uma única cobertura pode ser encontrada (tendo em mente


que ρ = 1 – α – τ) como:
(2.55)

Para um sistema de duas coberturas não necessariamente com os mesmos


materiais, a seguinte equação pode ser obtida (o subscrito 1 refere-se à
cobertura exterior e o subscrito 2 para a cobertura interior):
(2.56)

(2.57)

EXEMPLO 2.13
Um coletor de energia solar utiliza uma única cobertura de vidro com
uma espessura de 4 mm. No espectro solar visível, o índice de refração do
vidro, n, é 1,526 e o seu coeficiente de extinção K é de 32 m–1. Calcula-se
a refletividade, a transmissividade e a absortividade da folha de vidro para
o ângulo de incidência de 60o e em incidência normal (0o).
Solução
Ângulo de incidência = 60o
Da Equação (2.44), o ângulo de refração θ2 é calculado como:

Da Equação (2.51), a transmitância pode ser obtida como:

Das Eqs.(2.45) e (2.46),

Das Eqs.(2.52a)-(2.52c), tem-se:

Incidência normal
Na incidência normal, θ1=0o e θ2=0o. Neste caso, τα é igual a 0,880. Não
há polarização na incidência normal; portanto, a partir da Equação (2.49),

Das Eqs.(2.52a)-(2.52c), tem-se:

2.3.4Troca de radiação entre superfícies


Quando se estuda as trocas de energia radiante entre duas superfícies
separadas por um meio não absorvente, deve-se considerar não apenas a
temperatura das superfícies e as suas características, mas também a
orientação geométrica entre as superfícies. Os efeitos da geometria na troca
da energia radiante podem ser convenientemente analisados definindo-se o
termo fator de visão, F12, que seria a fração da superfície de radiação partindo
de A1 que atinge a superfície A2. Se ambas as superfícies são negras, a
radiação que sai da superfície A1 e chega à superfície A2 é Eb1A1F12; já a
radiação partindo da superfície A2 e que chega à superfície A1 é Eb2A2F21.
Caso ambas as superfícies sejam negras e absorvam toda a radiação incidente,
a troca do saldo de radiação é dada por:
(2.58)
Se as duas superfícies apresentarem a mesma temperatura, Eb1 = Eb2 e Q12 =
0; logo,
(2.59)

Deve notar-se que a Equação (2.59) é estritamente geométrica por sua


natureza e válida para todos os emissores difusos, independentemente de suas
temperaturas. Portanto, a troca de radiação líquida entre duas superfícies
negras é dada por:
(2.60)
Da Equação (2.36a), Eb = σT 4; a Equação (2.60) pode ser assim
descrita:
(2.61)
no qual T1 e T2 são as temperaturas das superfícies A1 e A2, respectivamente.
Como o termo (Eb1 – Eb2) na Equação (2.60) é a diferença de potencial de
energia fazendo com que a transferência de calor, em uma analogia à rede de
circuito elétrico, o termo 1/A1F12 = 1/A2F21 representa a resistência devido à
configuração geométrica das duas superfícies.
Quando outras superfícies que não são corpos negros estão envolvidas na
troca de radiação, a situação é muito mais complexa, porque as reflexões
múltiplas de cada superfície devem ser consideradas. Superfícies opacas e
cinzentas, para as quais um ε = α, a refletividade ρ = 1 – α = 1 – ε. Da
Equação (2.42), a radiosidade de cada superfície é dada por:
(2.62)
A energia radiante envolvida que parte da superfície é a diferença entre a
radiosidade, J, deixando a superfície e a irradiação, H, incidente sobre a
superfície; isto é,
(2.63)

Combinando as Eqs. (2.62) e (2.63) e eliminando os resultados da radiação


H:
(2.64)

Portanto, a energia radiante envolvida que parte de uma superfície cinzenta


pode ser considerada como a corrente em um circuito elétrico equivalente
quando uma diferença de potencial (Eb – J) é superada pela resistência R = (1
= ε)/Aε. Esta resistência, denominada resistência superficial, deve-se à
imperfeição da superfície como emissora e absorvedora de radiação quando
comparada à superfície negra.
Ao considerar a troca de energia radiante entre duas superfícies cinzentas,
A1 e A2, a radiação deixando a superfície A1 e chegando à superfície A2 é
J1A1F12, onde J é a radiosidade, dada pela Equação (2.42). Do mesmo modo,
a radiação saindo da superfície A2 e entrando na superfície A1 é J2A2F21. A
troca de radiação entre as duas superfícies é dada por:
(2.65)
Portanto, devido à orientação geométrica que se aplica entre os dois
potenciais, J1 e J2, quando duas superfícies cinzentas trocarem energia
radiante, existe uma resistência, denominada resistência espacial, R = 1/A1F12
=1/A2F21.
Um circuito elétrico equivalente para duas superfícies cinzentas é ilustrado
na Figura 2.24. Ao combinar a resistência da superfície, (1 – ε)/Aε para cada
superfície e a resistência espacial (ou geométrica), 1/A1F12 =1/A2F21, entre as
superfícies, tal como mostrado na Figura 2.24, a taxa líquida de radiação
trocada entre as duas superfícies é igual à diferença de potencial total dividida
pela soma das resistências, dada por:

FIGURA 2.24

Circuito elétrico equivalente para troca de radiação entre duas superfícies cinzentas.

(2.66)

Em aplicações de energia solar, as seguintes orientações geométricas entre


duas superfícies são de particular interesse.
A. Para duas superfícies paralelas infinitas, A = A = A e F = 1, a Equação
1 2 12
(2.66) torna-se:
(2.67)

B. Para dois cilindros concêntricos, F12 = 1 e a Equação (2.66) torna-se:


(2.68)
C. Para uma pequena superfície convexa, A1, completamente cercada por uma
grande superfície côncava, A2, A1 e A2 << F12= 1, então a Equação (2.66)
torna-se:
(2.69)

A última equação aplica-se também para um coletor de placa plana com


cobertura que irradia para o ambiente, enquanto o caso B se aplica à análise
de um receptor concentrador cilíndrico parabólico, onde o tubo receptor é
colocado em um cilindro de vidro.
Como pode ser visto a partir das Eqs. (2.67) – (2.69), a taxa de transferência
de calor por radiação entre as superfícies depende da diferença da quarta
potência das temperaturas da superfície. Em muitos cálculos em engenharia,
no entanto, as equações de transferência de calor são linearizadas em termos
das diferenças de temperaturas para a primeira fonte. Para este fim, a seguinte
identidade matemática é usada:
(2.70)
Portanto, a Equação (2.66) pode ser descrita tal como:
(2.71)

com o coeficiente de transferência de calor por radiação, hτ, definido como:


(2.72)

Para os casos especiais mencionados anteriormente, as expressões para hr


são as seguintes:
Caso A:
(2.73)

Caso B:
(2.74)
Caso C:
(2.75)

Convém observar que a utilização dessas equações de radiação linearizada é


conveniente quando se aplica o método de circuito equivalente para analisar
os problemas que envolvem condução e/ou convecção, além de radiação. O
coeficiente de transferência de calor por radiação, hr, é tratado de forma
semelhante ao coeficiente de transferência de calor por convecção, hc, em um
circuito equivalente elétrico. Em tal caso, um coeficiente de transferência de
calor combinado pode ser disposto da seguinte maneira:
(2.76)

Nesta equação, supõe-se que a diferença de temperatura é a mesma entre o


fluido linear ambiente e as paredes do invólucro, além da superfície e
substâncias dos compartimentos.

EXEMPLO 2.14
O vidro de um coletor solar de placa plana de 1 × 2 m está a uma
temperatura de 80oC e tem uma emissividade de 0,90. O ambiente está a
uma temperatura de 15oC. Calcule as perdas de calor por convecção e
radiação se o coeficiente de transferência de calor por convecção é de 5,1
W/m2K.
Solução
Na análise a seguir, a cobertura de vidro é indicada por 1 subscrito e o
meio ambiente por 2. O coeficiente de transferência de calor por radiação
é dado pela Equação (2.75):
Portanto, da Equação (2.76),

Por fim,

EXEMPLO 2.15
Duas grandes placas paralelas são mantidas a temperaturas uniformes de
900 K e 400 K. Os valores de emissividade das duas superfícies são de
0,3 e 0,8, respectivamente. Qual é a transferência de calor por radiação
entre as duas superfícies?
Solução
Como as áreas das duas superfícies não são dadas, a estimativa é dada por
unidade de área das placas. Como as duas placas são muito grandes e
paralelas, a Equação (2.67) se aplica, por isso:

EXEMPLO 2.16
Dois grandes cilindros concêntricos têm diâmetros de 30 e 50 cm e são
mantidos a temperaturas uniformes de 850 e 450 K. Os valores de
emissividade das duas superfícies são de 0,9 e 0,6, respectivamente. Qual
é a transferência de calor por radiação entre os dois cilindros por unidade
de comprimento dos cilindros?
Solução
Para cilindros concêntricos, a Equação (2.68) se aplica, por isso:

2.3.5Radiação solar extraterrestre


A quantidade de energia solar por unidade de tempo, a uma distância média
da Terra a partir do Sol, recebida em unidade de área de uma superfície
normal ao Sol (perpendicular à direção de propagação da radiação) fora da
atmosfera terrestre é chamada constante solar, Gsc. Esta quantidade é difícil
de medir a partir da superfície da Terra em razão do efeito da atmosfera. Um
método para determinar a constante solar surgiu pela primeira vez em 1881
por Langley (Garg, 1982), que deu seu nome para as unidades de medida
como Langleys por minuto (calorias por centímetro quadrado por minuto).
Este foi modificado pelo sistema SI para Watts por metro quadrado (W/m2).
Quando o Sol está mais próximo da Terra, em 3 de janeiro, a constante
solar na borda externa da atmosfera da Terra é acima de 1.400 W/m2; quando
o Sol está mais distante, em 4 de julho, fica em torno de 1.330 W/m2.

FIGURA 2.25

Variação da radiação solar extraterrestre conforme a época do ano.

Ao longo do ano, a radiação extraterrestre medida na superfície normal em


relação à radiação no enésimo dia do ano, Gon, varia entre esses limites,
conforme indicado na Figura 2.25, apresentando variação de 3,3% e pode ser
calculada por (Duffie Beckman, 1991; Hsieh, 1986):
(2.77)

onde
Gon = radiação extraterrestre medida em superfície normal à radiação no
enésimo dia do ano (W/m2).
Gsc = constante solar (W/m2).
O último valor da Gsc é 1.366,1 W/m2. Este foi adotado nos anos 2000 pela
American Society for Testing and Materials (ASTM), que desenvolveu um
espectro de referência AM0 (ASTM E-490). A irradiância solar espectral
ASTM E-490 Air Mass Zero se baseia em dados de satélites, missões de
ônibus espaciais, aviões de alta altitude, sondagens de foguetes, telescópios e
irradiância espectral modelada. A distribuição espectral da radiação solar
extraterrestre a uma distância média da Terra-Sol é mostrada na Figura 2.26.
A curva do espectro da Figura 2.26 se baseia em um conjunto de dados
incluídos na norma ASTM E-490 (Solar Spectra, 2007).
Quando uma superfície é colocada em paralelo com o solo, a taxa de
radiação solar, GoH, incidente sobre essa superfície horizontal extraterrestre
num determinado momento do ano é dada por:

FIGURA 2.26

Curva padrão evidenciando uma constante solar de 1366,1 W/m2 e sua posição no espectro de radiação
eletromagnética.

(2.78)
O total de radiação solar, Ho, incidente sobre uma superfície
horizontal extraterrestre durante um dia pode ser obtido pela integração da
Equação (2.78) ao longo de um período do nascer do sol ao por do sol. A
equação resultante é:
(2.79)

Onde hss é a hora do pôr do sol em graus, obtidos a partir da Equação (2.15).
As unidades da Equação (2.79) são joules por metro quadrado (J/m2).
Para o cálculo da radiação solar extraterrestre sobre uma superfície
horizontal para um período de uma hora, a Equação (2.78) é integrada entre
os ângulos horário, h1 e h2 (h2 é maior). Portanto,
(2.80)

Deve-se notar que os limites de h1 e h2 pode definir um período de tempo


diferente de 1 h.

EXEMPLO 2.17
Determine a radiação extraterrestre normal e a radiação extraterrestre
sobre uma superfície horizontal em 10 de março às 2 h (PM), hora solar
para latitude em 35oN. Determinar também a radiação solar total sobre a
superfície horizontal extraterrestre para o dia.
Solução
A declinação em 10 de março (N = 69) é calculada a partir da Equação
(2.5):

O ângulo horário solar às 2 h é calculado a partir da Equação (2.8):


h = 0,25 (minutos a partir do meio-dia solar local) = 0,25 (120) = 30o
O ângulo horário ao pôr do sol é calculado a partir da Equação (2.15):

A radiação normal extraterrestre é calculada a partir da Equação (2.77):

A radiação extraterrestre sobre uma superfície horizontal é calculada a


partir da Equação (2.78):

O total de radiação sobre a superfície horizontal extraterrestre é calculado


a partir da Equação (2.79):

Há uma lista de definições relacionadas à radiação solar no Apêndice 2. O


leitor deve familiarizar-se com os diferentes termos e especificamente com
irradiância, que é a taxa da energia radiante, incidindo sobre uma superfície
por unidade de área da superfície (unidades, watts por metro quadrado
[W/m2] símbolo, G), enquanto que a irradiação é a energia radiante incidente
em uma superfície por unidade de área (unidades, joules por metro quadrado
[J/m2]), obtida pela integração da irradiância ao longo de um período de
tempo especificado como intervalo. Isso, em particular, se denomina
insolação. Os símbolos usados neste livro são H para insolação por um dia e I
para insolação durante uma hora. Os subscritos mais adequadamente usados
são G, H e I para radiação direta (B), radiação difusa (D), e radiação refletida
pelo solo ou albedo(R).
2.3.6Atenuação atmosférica
A radiação solar que atinge a superfície da Terra é reduzida a Gon, uma vez
que grande parte dela se dispersa, reflete-se de volta para o espaço, ou então é
absorvida pela atmosfera. Como um resultado da interação da atmosfera com
a radiação solar, uma parte dos raios originalmente colimados torna-se
dispersa ou não direcional. Parte dessa radiação espalhada atinge a superfície
da Terra por toda a abóbada celeste. A isto se denomina radiação difusa. A
radiação que vem diretamente da atmosfera é chamada de radiação direta. A
insolação recebida por uma superfície na Terra é a soma de radiação difusa e
a componente normal da radiação direta. A radiação solar em qualquer ponto
na Terra depende da:
1. Espessura da camada de ozônio
2. Distância percorrida através da atmosfera para chegar a esse ponto
3. Quantidade de névoa no ar (partículas de poeira, vapor de água, etc.)
4. Extensão da cobertura de nuvens

A Terra está rodeada por uma atmosfera que contém vários constituintes
gasosos, poeira em suspensão e há partículas sólidas e líquidas, além de
nuvens de vários tipos. À medida que a radiação solar atravessa a atmosfera
da Terra, as ondas de comprimento muito curto são absorvidas na ionosfera
em altíssima altitude. As ondas de comprimento relativamente mais longas,
principalmente no espectro ultravioleta, são então absorvidas pela camada de
ozônio (O3), localizada a cerca de 15-40 km acima da superfície da Terra. Na
parte baixa da atmosfera, as bandas de radiação solar na gama de
infravermelhos são absorvidas por vapor de água e dióxido de carbono. Na
região de comprimento de onda longa, uma vez que a radiação extraterrestre
é fraca e a absorção de H2O e de CO2 é mais forte, a quantidade de energia
solar que atinge a Terra é mínima.
Por isso, a radiação solar vai se exaurindo ao longo de seu trajeto através da
atmosfera antes de atingir a superfície terrestre. Supõe-se que a redução da
intensidade com o aumento do ângulo zenital do sol, na maioria das vezes, é
diretamente proporcional ao aumento da massa de ar; hipótese esta que
considera a atmosfera não estratificada no que diz respeito à absorção ou
dispersão de impurezas.
O grau de atenuação da radiação solar que viaja através da atmosfera da
Terra depende do comprimento do caminho e das características do suporte
que se cruzam. Nos cálculos de radiação solar, uma massa de ar padrão é
definida como o comprimento do caminho percorrido para alcançar o nível
do mar, quando o sol está no seu zênite (a vertical no ponto de observação).
A massa de ar está relacionada com o ângulo de zênite, Φ (Figura 2.27), sem
levar em conta a curvatura da Terra, pela equação:
(2.81)

FIGURA 2.27

Definição da massa de ar.

Portanto, ao nível do mar, quando o sol está diretamente em cima, ou seja,


quando Φ = 0o, m = 1 (massa de ar 1), no momento em que Φ = 60o, tem-se m
= 2 (massa de ar 2). Da mesma forma, a radiação solar fora da atmosfera da
Terra é a massa de ar zero. O gráfico da irradiância direta normal (espectro
solar) ao nível do solo para a massa de ar 1,5 é mostrado no Apêndice 4.
2.3.7Irradiação Terrestre
Um sistema solar com frequência deve ser avaliado no que concerne ao seu
desempenho em longo prazo. Portanto, é necessário estipular uma média de
dados acerca da insolação da localidade em estudo, diariamente a cada mês e
em longo prazo. A média diária da insolação total (soma da radiação direta e
difusa) incidente sobre uma superfície horizontal para cada mês do ano é
adquirida mediante diversas fontes de informações, tais como mapas de
radiação ou serviço meteorológico do país (ver Seção 2.4). Nessas fontes,
dados como a média da temperatura em 24 h, média diária de radiação solar
mensal em uma superfície horizontal H (MJ/dia m2), o índice de claridade
diária por mês, KT, são apresentados em conjunto com outros parâmetros, os
quais não são o foco aqui.5 O índice de claridade média mensal, KT, é
definido como:
(2.82a)

onde
H = média de radiação solar diária total mensal sobre uma superfície
horizontal terrestre (MJ/dia m2).
Ho = média de radiação solar diária total mensal sobre uma superfície
horizontal extraterrestre (MJ/dia m2).
A barra sobre os símbolos significa uma média de longo prazo. O valor de
Ho pode ser calculado a partir da Equação (2.79), por meio da escolha de um
determinado dia do ano em um dado mês para que a insolação extraterrestre
diária total seja estimada como sendo a mesma que o valor médio mensal. A
Tabela 2.5 apresenta os valores de Ho para cada mês em função da latitude,
juntamente com as datas recomendadas de cada mês, que resultariam nos
valores médios diários de Ho. O número do dia e da declinação de dia para as
datas recomendadas são apresentados na Tabela 2.1. Para os mesmos dias, a
média de insolação diária extraterrestre mensal sobre uma superfície
horizontal para vários meses em quilowatts-hora por metro quadrado
(kWh/dia m2) para latitudes entre – 60o e + 60o também consta no gráfico da
Figura A3.5 no Anexo 3, a partir do qual se pode intercalar com facilidade.
Na sequência da Equação (2.82a), o índice de claridade diária (KT) pode ser
definido como a razão entre a radiação para um determinado dia sobre a
radiação extraterrestre para esse dia:
(2.82b)
Do mesmo modo, o índice de claridade horária kT, pode ser definido por:
(2.82c)

Em todas essas equações os valores de H, H e I podem ser obtidos a partir


de medições da radiação solar total na horizontal, utilizando um piranômetro
(ver Seção 2.3.9).
Tabela 2.5 Média Diária Mensal da Radiação Solar sobre uma Superfície Horizontal (MJ/dia m2)
17 16 16 15 15 11 17 16 15 15 14
Latitude Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ag Set Out Nov 10 Dez
60/S 41,1 31,9 21,2 10,9 4,4 2,1 3,1 7,8 16,7 28,1 38,4 43,6
55/S 41,7 33,7 23,8 13,8 7,1 4,5 5,6 10,7 19,5 30,2 39,4 43,9
50/S 42,4 35,3 26,3 16,8 10,0 7,2 8,4 13,6 22,2 32,1 40,3 44,2
45/S 42,9 36,8 28,6 19,6 12,9 10,0 11,2 16,5 24,7 33,8 41,1 44,4
40/S 43,1 37,9 30,7 22,3 15,8 12,9 14,1 19,3 27,1 35,3 41,6 44,4
35/S 43,2 38,8 32,5 24,8 18,6 15,8 17,0 22,0 29,2 36,5 41,9 44,2
30/S 43,0 39,5 34,1 27,2 21,4 18,7 19,8 24,5 31,1 37,5 41,9 43,7
25/S 42,5 39,9 35,4 29,4 24,1 21,5 22,5 26,9 32,8 38,1 41,6 43,0
20/S 41,5 39,9 36,5 31,3 26,6 24,2 25,1 29,1 34,2 38,5 41,1 42,0
15/S 40,8 39,7 37,2 33,1 28,9 26,8 27,6 31,1 35,4 38,7 40,3 40,8
10/S 39,5 39,3 37,7 34,6 31,1 29,2 29,9 32,8 36,3 38,5 39,3 39,3
5/S 38,0 38,5 38,0 35,8 33,0 31,4 32,0 34,4 36,9 38,1 37,9 37,6
0 36,2 37,4 37,9 36,8 34,8 33,5 33,9 35,7 37,2 37,3 36,4 35,6
5/N 34,2 36,1 37,5 37,5 36,3 35,3 35,6 36,7 37,3 36,3 34,5 33,5
10/N 32,0 34,6 36,9 37,9 37,5 37,0 37,1 37,5 37,0 35,1 32,5 31,1
15/N 29,5 32,7 35,9 38,0 38,5 38,4 38,3 38,0 36,5 33,5 30,2 28,5
20/N 26,9 30,7 34,7 37,9 39,3 39,5 39,3 38,2 35,7 31,8 27,7 25,7
25/N 24,1 28,4 33,3 37,5 39,8 40,4 40,0 38,2 34,7 29,8 25,1 22,9
30/N 21,3 26,0 31,6 36,8 40,0 41,1 40,4 37,9 33,4 27,5 22,3 19,9
35/N 18,3 23,3 29,6 35,8 39,9 41,5 40,6 37,3 31,8 25,1 19,4 16,8
40/N 15,2 20,5 27,4 34,6 39,7 41,7 40,6 36,5 30,0 22,5 16,4 13,7
45/N 12,1 17,6 25,0 33,1 39,2 41,7 40,4 35,4 27,9 19,8 13,4 10,7
50/N 9,1 14,6 22,5 31,4 38,4 41,5 40,0 34,1 25,7 16,9 10,4 7,7
55/N 6,1 11,6 19,7 29,5 37,6 41,3 39,4 32,7 23,2 13,9 7,4 4,8
60/N 3,4 8,5 16,8 27,4 36,6 41,0 38,8 31,0 20,6 10,9 4,5 2.3

Para prever o desempenho de um sistema solar, são necessários valores


horários de radiação. Visto que na maioria dos casos esses tipos de dados não
estão disponíveis, os dados de radiação média diária de longo prazo podem
ser empregados para estimar a distribuição de radiação média em longo
prazo. Para esta finalidade, as correlações empíricas costumam ser utilizadas.
Duas dessas correlações frequentemente usadas são a correlação de Liu e
Jordan (1977) para a radiação difusa e a correlação de Collares-Pereira e Rabl
(1979) para radiação solar global.
De acordo com a correlação de Liu e Jordan (1977) tem-se,
(2.83)

onde
rd = razão da radiação difusa em uma hora em relação à difusa em um dia
(= ID/HD).
hss = ângulo horário solar (graus).
h = ângulo horário em graus; o ponto médio de cada hora.
Segundo a correlação Collares-Pereira:
(2.84a)

onde
r = razão da radiação total em uma hora em relação à radiação total em um
dia (=I/H)
α = 0,409 + 0,5016 sen (hss – 60) (2.84b)
β = 0,6609 – 0,4767 sen (hss – 60) (2.84c)

EXEMPLO 2.18
Dada a seguinte equação empírica,

onde HD é a média mensal diária de radiação difusa em superfície


horizontal ​– ver Equação (2.105a) –, estime a radiação total média e a
radiação difusa média às 11 h (AM) e 12 h (PM)no tempo solar do mês de
julho, sobre uma superfície horizontal, localizada a uma latitude de 35oN.
A média total de radiação diária mensal sobre uma superfície horizontal,
H, em julho, no local da superfície é 23,14 MJ/m2 por dia.
Solução
A partir da Tabela 2.5 a uma latitude de 35oN em julho, Ho= 40,6 MJ/m2.
Portanto,

Por conseguinte,

A partir da Tabela 2.5, a média diária recomendada para o mês é 17 de


julho (N = 198). A declinação solar é calculada a partir da Equação (2.5)
como:

O ângulo horário solar é calculado a partir da Equação (2.15) como:

O ponto médio entre 11 h (AM) – 12h(PM) é de 0,5 h de meio-dia solar,


ou o ângulo horário é – 7,5o. Portanto, a partir das Eqs.(2.84b), (2.84c) e
(2.84a), temos:

Da Equação (2.83) têm-se:

Por fim,
Média da radiação horária total = 0,123(23,14) = 2,85 MJ/m2 ou 2.850
kJ/m2
Média da radiação horária difusa = 0,113(7,31) = 0,826 MJ/m2 ou 826
kJ/m2

2.3.8Radiação solar global em superfícies inclinadas


Normalmente, os coletores não são instalados horizontalmente, mas sim em
um ângulo que aumente a quantidade de radiação interceptada e reduza as
perdas de reflexão e de cosseno. Por isso, o designer do sistema precisa de
dados sobre a radiação solar das referidas superfícies. Os dados de radiação
por estimativa ou mensuração, entretanto, estão muitas vezes disponíveis
tanto para a incidência normal quanto para superfícies horizontais. Logo, há
necessidade de converter esses dados de radiação solar em superfícies
inclinadas.
A quantidade de insolação sobre uma superfície terrestre de um referido
local em um dado tempo depende da orientação e da inclinação da superfície.
Uma superfície plana inclinada intercepta radiação direta (GBt), radiação
difusa (GDt) e (GGt) radiação solar refletida do solo; isto é,
(2.85)

Como mostrado na Figura 2.28, a radiação solar direta sobre uma superfície
inclinada é:
(2.86)

e sobre uma superfície horizontal,


(2.87)

onde
GBt = radiação solar sobre uma superfície inclinada (W/m2).
GB = radiação solar sobre uma superfície horizontal (W/m2).
Daqui resulta que,
(2.88)

no qual RB é chamado de fator de inclinação radiação solar direta. O termo


cos (θ) pode ser calculado a partir da Equação (2.86) e cos (Φ) a partir da
Equação (2.87). Assim, a componente direta da radiação solar de uma
superfície é:
(2.89)

Na Equação (2.88), o ângulo zenital pode ser calculado a partir da Equação


(2.12) ao passo que o ângulo de incidência θ, mediante a Equação (2.18); ou
ainda no caso específico de uma superfície fixa virada para o sul, pela
Equação (2.20). Portanto, a uma superfície fixa virada para o sul, com ângulo
de inclinação β, a Equação (2.88) torna-se:
(2.90a)

A Equação (2.88) também pode ser aplicada a outras superfícies fixas; neste
caso a equação apropriada para cos (θ) encontra-se na Seção 2.2.1. Por
exemplo, para uma superfície girada continuamente sobre um eixo leste-oeste
horizontal, a partir da Equação (2.26a), a razão entre a radiação direta sobre a
superfície no que concerne a uma superfície horizontal, em qualquer
momento, é dada por:
(2.90b)

FIGURA 2.28

Radiação direta em superfícies horizontais e inclinadas.

EXEMPLO 2.19
Calcule o fator de inclinação da radiação direta para uma superfície
situada em uma latitude de 35oN e inclinada a 45o às 2 h (PM) no horário
solar de 10 de março. Uma vez que a componente direta da radiação
horizontal é de 900 W/m2, determine a radiação solar direta na superfície
inclinada.
Solução
A partir do Exemplo 2.17, δ = – 4,8o e h = 30o. O fator de inclinação é
calculado mediante a radiação solar direta na
Equação (2.90a) como:
Por conseguinte, a radiação solar direta sobre a superfície inclinada se
calcula a partir da Equação (2.89):

Modelo de céu isotrópico


Diversos modelos estimam a radiação solar sobre uma superfície inclinada. O
primeiro é o modelo de céu isotrópico desenvolvido originalmente por Hottel
e Woertz (1942) e aperfeiçoado por Liu e Jordan (1960). De acordo com este
modelo, calcula-se a radiação conforme equação a seguir.
Radiação difusa em uma superfície horizontal,
(2.91)

onde
GR = radiação difusa do céu (W/m2 rad).
Radiação difusa em uma superfície inclinada,
(2.92)

onde β é o ângulo de inclinação da superfície, consoante a Figura 2.28.


Da Equação (2.91), o segundo termo da Equação (2.92) torna-se GR= GD/2.
Portanto, a Equação (2.92) vem a ser:
(2.93)

Do mesmo modo, obtém-se a radiação refletida do solo por ρG (GB + GD),


onde ρG representa o albedo do solo. Portanto, GGt é calculado conforme se
evidencia a seguir.
Radiação refletida do solo,
(2.94)

onde Gr é a radiação refletida do solo isotrópico (W/m2 rad).


Radiação refletida do solo em superfícies inclinadas,
(2.95)

Combinando as Eqs.(2.94) e (2.95), conforme anteriormente:


(2.96)

Portanto, inserindo as Equações (2.93) e (2.96) na Equação (2.85), tem-se:


(2.97)

A radiação global sobre uma superfície horizontal, G, é a soma da radiação


direta horizontal e da radiação difusa; isto é,
(2.98)

Por conseguinte, a Equação (2.97) pode ser descrita da seguinte maneira:


(2.99)

onde R é chamado de fator global de inclinação da radiação.


Outros modelos de radiação
O modelo de céu isotrópico é o mais simples, supondo que toda a radiação
difusa é distribuída uniformemente sobre a abóbada celeste e que a reflexão
sobre o solo é difusa. Um número de outros modelos tem sido desenvolvido
por diversos pesquisadores. Três destes modelos constam nesta seção: o
modelo Klucher, o modelo Hay-Davies e o modelo Reindl. Este último
evidenciou ótimos resultados na região do Mediterrâneo.
Modelo Klucher
Klucher (1979) verificou que o modelo isotrópico oferece bons resultados em
casos de céu nublado, porém apresenta menor eficiência quanto à irradiância
em condições de céu limpo e parcialmente nublado, no momento em que há
aumento da intensidade perto do horizonte e na região circunsolar do céu. O
modelo desenvolvido por Klucher demonstra a irradiação solar global em um
plano inclinado:
(2.100)

onde F’ é um índice de claridade dada por:


(2.101)

O primeiro dos fatores que modificam o componente difuso no céu leva em


conta a claridade no horizonte; o segundo considera o efeito da radiação
circunsolar. Sob céu nublado, o índice de claridade F’ torna-se 0 e o modelo
se reduz ao isotrópico.
Modelo de Hay-Davies
No modelo de Hay-Davies, a radiação difusa do céu constitui-se de um
componente isotrópico e circunsolar (Hay e Davies, 1980), ao passo que a
claridade no horizonte não é levada em consideração. O índice de anisotropia,
A, definido na Equação (2.102), representa a transmitância através da
atmosfera para a radiação direta:
(2.102)

Utiliza-se o índice de anisotropia para quantificar a parte da radiação difusa


tratada como circunsolar, com a porção restante de radiação difusa sendo
isotrópica. O componente circunsolar é suposto como posição do sol. A
irradiância global é, então, calculada por:
(2.103)
Considerou-se a reflexão a partir do solo como no modelo isotrópico.
Modelo Reindl
Além da radiação isotrópica difusa e da radiação circunsolar, o modelo
Reindl também representa claridade do horizonte (Reindl e colaboradores,
1990a, b), e emprega a mesma definição do índice de anisotropia, A, como
descrito na Equação (2.102). A irradiância total sobre uma superfície
inclinada, em seguida, pode ser calculada usando:
(2.104)

A reflexão sobre o solo é novamente tratada como no modelo isotrópico.


Devido ao período adicional na Equação (2.104), representando a claridade
do horizonte, o modelo Reindl fornece irradiâncias difusas ligeiramente
melhores do que o modelo Hay-Davies.
Insolação em superfícies inclinadas
A quantidade de insolação sobre uma superfície terrestre num determinado
local e tempo depende da orientação e da inclinação da superfície. No caso
dos coletores planos instalados a um determinado ângulo fixo, os designers
do sistema precisam de dados acerca da radiação solar sobre a superfície do
coletor. A maioria dos dados medidos, no entanto, consiste em qualquer
incidência normal ou horizontal. Por isso, muitas vezes é necessário
converter esses dados à radiação em superfícies inclinadas. Com base nestes,
uma aproximação razoável da radiação nas superfícies inclinadas pode ser
feita. Um método empírico para a estimativa da incidência da radiação global
média, diária e mensal, sobre uma superfície inclinada, foi desenvolvido por
Liu e Jordan (1977). Na sua correlação, o coeficiente total de radiação difusa
para uma superfície horizontal é expresso em termos de índice de claridade
mensal, KT, com a seguinte equação:
(2.105a)

Collares-Pereira e Rabl (1979) expressam o mesmo parâmetro, também


considerando o ângulo horário solar:
(2.105b)

onde
hss = ângulo horário solar
Erbs e colaboradores (1982) também demonstram a média mensal das
correlações diárias difusas, tendo em vista o período, como se segue:
(2.105c)

(2.105d)

Com a média diária mensal de radiação global, H, e a média diária mensal


de radiação difusa HD identificadas, a média diária mensal da radiação direta
sobre uma superfície horizontal pode ser calculada por:
(2.106)

Conforme a Equação (2.99), a seguinte pode ser escrita para a razão da


radiação total, R:
(2.107)

onde
Ht = média diária mensal da radiação incidente na superfície do coletor por
unidade de área (J/m2)
RB = razão da média mensal da radiação direta em plano inclinado e em
plano horizontal
O termo RB é a razão da média mensal da radiação direta em plano
inclinado e em plano horizontal. Na verdade, esta é uma função complexa da
transmitância atmosférica; todavia, de acordo com Jordan e Liu (1977), pode
ser estimada pela conexão da radiação extraterrestre sobre a superfície
inclinada em uma superfície horizontal para um dado mês. Quanto às
superfícies voltadas diretamente para o equador, tem-se:
(2.108)

Onde h´ss é ângulo horário solar em superfície inclinada (graus) dado por:
(2.109)
Observe que, para o Hemisfério Sul, o termo (L – β) das Eqs.(2.108) e
(2.109) muda para (L + β).
Em referência aos mesmos dias que os apresentados na Tabela 2.5, é
apresentada no Apêndice 3, Figuras A3.6 e A3.7, respectivamente, a média
da insolação terrestre mensal sobre uma superfície inclinada para vários
meses em latitudes entre – 60o e + 60o e para uma inclinação igual à latitude e
para uma inclinação com 10o acima da latitude, que consiste na inclinação
usual do coletor de sistemas de aquecimento solar de água.

EXEMPLO 2.20
Para o mês de julho, faça uma estimativa da média mensal diária de
radiação solar total sobre uma superfície voltada para o sul, em inclinação
de 45o a 35o de latitude N. A média de insolação diária mensal sobre uma
superfície horizontal é 23,14 MJ/m2 ao dia. A refletância sobre o solo é
igual a 0,2.
Solução
A partir do Exemplo 2.18, tem-se: HD/H = 0,316;δ = 21,2o e hss = 106o. O
ângulo horário solar para uma superfície inclinada é dado pela Equação
(2.109):

Assim, cos–1[–tan (35-45) tan (21,2)] = 86o. Portanto,


O fator RB é calculado pela Equação (2.108) como:

Da Equação (2.107)

Por fim, a média diária da radiação total na superfície inclinada no mês de


julho é:

2.3.9Equipamentos de medição da radiação solar


Certos parâmetros de radiação são necessários para concepção,
dimensionamento, avaliação de desempenho e pesquisa de aplicações de
energia solar. Estes incluem a radiação solar global, a radiação direta, a
radiação difusa e a duração do dia solar ou número de horas de brilho solar.
Vários tipos de instrumentos medem os valores instantâneos e integrais em
longo prazo, da radiação difusa, direta e da radiação global incidentes sobre
uma superfície. Esses equipamentos normalmente utilizam efeitos
termoelétricos e fotovoltaicos para medir a radiação. A descrição detalhada
destes equipamentos não está no escopo deste livro; nesta seção acrescenta-se
para o leitor, no entanto, o conhecimento dos tipos de equipamentos. Mais
detalhes sobre esses equipamentos podem ser facilmente encontrados na
internet em catálogos dos respectivos fabricantes.
Existem basicamente dois tipos de instrumentos de medição de radiação
solar: o piranômetro (ver Figura 2.29) e o pireliômetro (ver Figura 2.30). O
primeiro é utilizado para medir a radiação global (direta e difusa) dentro do
seu campo de visão hemisférica, ao passo que o segundo é um instrumento
usado para a medição da radiação solar direta. O piranômetro também pode
medir a radiação solar difusa, caso o sensor esteja à sombra da radiação direta
(ver Figura 2.31). Para esta finalidade, um sistema de sombreamento é
montado com o seu eixo inclinado a um ângulo igual à latitude do local
somada à declinação para o dia de medição. O sensor deve estar na região de
sombra a fim de medir apenas a radiação solar difusa. Desde que a região de
sombra encubra uma parcela considerável do céu, as medições exigem
correções para parte da radiação difusa obstruída pela região. Pireliômetros
são usados para medir a radiação solar direta, componente da radiação solar
necessária principalmente para prever o desempenho de coletores
concentradores solares. A radiação difusa é bloqueada mediante a montagem
do elemento sensor, na parte inferior de um tubo apontado diretamente para o
sol. Portanto, um sistema com rastreamento solar em dois eixos é necessário
para medir a radiação direta.
Por fim, a duração do dia solar é necessária para estimar a irradiação solar
total. A duração do dia solar é definida como o tempo durante o qual o sol é
intenso o suficiente para projetar uma sombra. Além disso, a duração do dia
solar foi definida pela World Meteorological Organization como o tempo
durante o qual a radiação solar direta excede o nível de 120 W/m2. Dois tipos
de instrumentos que registram a duração do dia solar são utilizados: o tipo de
focagem e um tipo com base no efeito fotoelétrico. O tipo com foco consiste
em uma esfera de vidro sólido, com cerca de 10 cm de diâmetro, montado de
forma concêntrica em uma parte de cavidade esférica cujo diâmetro dispõe-se
de tal forma que os raios do sol podem ser focados em um cartão especial
com o tempo de marcação, mantido no lugar por encaixes na cavidade. O
cartão de registro é queimado sempre que houver luz ou brilho solar. Assim,
a parte queimada do traçado fornece a duração da luz solar durante o dia. O
registro do sol baseado no efeito fotoelétrico consiste em duas células
fotovoltaicas, com uma célula exposta à radiação solar direta e a outra célula
sombreada a partir de um anel de sombreamento. A diferença de radiação
entre as duas células é a medida da duração da luz solar.
A International Standards Organization (ISO) publicou uma série de
normas internacionais que definem os métodos e instrumentos para a
medição da radiação solar. São estes:
FIGURA 2.29

Fotografia de um piranômetro.

FIGURA 2.30

Fotografia de um pireliômetro.
FIGURA 2.31

Fotografia de um piranômetro com anel de sombreamento para medição da radiação solar difusa.

• ISO 9059 (1990). Calibração da área de pireliômetros por comparação


com um pireliô​metros de referência. Esta norma descreve a calibração de
área de pireliômetros usando pireliô​metros de referência e estabelece os
procedimentos de calibração e da hierarquia de calibração para a
transferência da calibração. A norma destina-se principalmente para uso
em serviços de calibração e testes de laboratório a fim de permitir uma
qualidade uniforme de precisão dos fatores de calibração a serem
alcançados.
• ISO 9060 (1990). Especificação e classificação de instrumentos para
medição da radiação solar direta e hemisférica. Esta norma estabelece a
classificação e especificação de instrumentos para a medição da radiação
solar direta e hemisférica integrada ao longo da gama espectral de 0,3-3
µm. De acordo com a norma, piranômetros são radiômetros projetados
para medir a irradiância no receptor da superfície plana, que resulta da
ocorrência de fluxos radiantes do hemisfério acima, dentro da gama de
comprimentos de onda desejada. Pireliômetros são radiômetros concebidos
para medir a irradiância que resulta da intensidade de radiação solar a
partir de um ângulo sólido bem definido, cujo eixo é perpendicular ao
receptor da superfície plana.
• ISO 9846 (1993). Calibração de um pirômetro usando um pireliômetro.
Esta norma também inclui especificações para o anel de sombra usado para
bloquear a radiação direta, a medição da radiação difusa e os mecanismos
de apoio do anel.
• IS0 9847 (1992). Calibração de área de piranômetros por comparação
com um piranômetro de referência.
De acordo com a norma, as medidas exatas e precisas da irradiação solar
(hemisférica) global, são necessárias para:
1. Determinação da energia disponível para coletores solares de placa plana.
2. Avaliação da irradiância e da exposição radiante nos testes de tecnologias
de materiais das energias solar e não solar referidas.
3. Avaliação dos componentes solares difusos versus diretos para a análise
de energia, de modo que haja o mapeamento geográfico da energia solar
e auxílio na determinação da concentração de aerossol e poluição por
partículas e efeitos do vapor de água.
Embora as medições meteorológicas e de avaliação de recursos, em geral,
exijam piranômetros com orientação em eixos verticais, aplicativos
associados a coletores planos e o estudo da exposição ao sol de materiais
afins requerem calibrações de instrumentos inclinados em uma orientação
não vertical pré-determinada. Calibrações em ângulos de inclinação fixa têm
aplicações que buscam precisão em tecnologias de ponta, exigindo correções
para cosseno, inclinação e azimute.
Por fim, a International Standards Organization publicou um relatório
técnico “lSO/TR 9901:1990 – Field pyranometers – Recommended practice
for use”, cujo âmbito de aplicação é autoexplicativo.
2.4O recurso solar
A operação de coletores e sistemas solares depende da radiação solar e da
temperatura do ar ambiente. Uma das formas nas quais os dados de radiação
solar estão disponíveis consiste em mapas. Estes fornecem a impressão geral
da disponibilidade de radiação solar, excetuando detalhes sobre as condições
meteorológicas locais e, por isso, devem ser usados com cuidado. Uma
valiosa fonte para tais informações é o Meteonorm. Dois mapas que mostram
a radiação solar global anual média para os anos 1981-2000 na Europa e
América do Norte são mostrados nas Figuras 2.32 e 2.33, respectivamente
(Meteonorm, 2009). Estes se fundamentam em numerosas bases de dados
climatológicos e modelos computacionais. Mapas para outras regiões do
mundo podem ser obtidos a partir do site da Meteonorm (Meteonorm, 2009).
Outra forma de calcular a média de radiação solar, H, é pelo uso da seguinte
equação (pág. 1964):
(2.110)

onde
a e b = constantes empíricas
n = média diária mensal de horas de sol
N = média diária máxima possível mensal de horas de luz do sol, dada pelo
comprimento do dia (Equação (2.17)) pela média do dia de cada mês
mostrada na Tabela 2.1.
FIGURA 2.32

Radiação solar total anual sobre a superfície horizontal na Europa.

FIGURA 2.33
Radiação solar total anual sobre a superfície horizontal na América do Norte.

Como já se viu anteriormente, valores de Ho podem ser obtidos a partir da


Equação (2.79) e, para a média do dia de cada mês, adquirem-se os valores
diretamente da Tabela 2.5. É possível conseguir as constantes a e b a partir de
tabelas publicadas ou estimar por meio de dados medidos em um local.
Para o clima local, os dados sob a forma de TMY são geralmente
necessários. Consistiria em um ano típico, definido como um ano o qual
resume toda a informação climática, que caracteriza um período tão longo
quanto a vida média de um sistema solar. Deste modo, o desempenho em
longo prazo de um coletor ou de um sistema pode ser calculado pela
execução de um programa de computador ao longo do ano de referência.
2.4.1Ano meteorológico típico
Uma base de dados meteorológicos própria para a duração de um ano é
conhecida como teste de referência de ano (TRY) ou ano meteorológico
típico (TMY). Um TMY consiste em um conjunto de valores horários de
radiação solar e elementos meteorológicos de dados. É constituído por meses
selecionados em anos individuais, os quais se concatenam para formar um
ano completo. O TMY contém valores de radiação solar (global na horizontal
e direta), a temperatura ambiente, umidade relativa e velocidade e direção do
vento, para todas as horas do ano. A seleção de condições climáticas típicas
de um determinado local é muito importante em simulações de computador
para prever o desempenho dos sistemas solares e o comportamento térmico
dos edifícios, o que impulsionou vários pesquisadores tanto para coletar ou
medir longos períodos de dados observacionais ou selecionar um ano
especial, que parece ser típico de vários anos de dados. O uso pretendido de
um arquivo TMY destina-se para simulações de computador de sistemas de
conversão de energia solar e sistemas de arquitetura bioclimática (ver
Capítulo 1, Seção 11.5).
A adequação da utilização de um ano médio ou típico de dados
meteorológicos com um modelo de simulação para fornecer uma estimativa
do desempenho do sistema em longo prazo depende da sensibilidade de
desempenho do sistema para as sequências de tempo de hora em hora e
diariamente. Independentemente da forma como ele é selecionado, não é
possível esperar uma “média” do ano para obter as mesmas sequências de
tempo tais quais aquelas que ocorrem ao longo do tempo. No entanto, o
desempenho simulado de um sistema para uma “média anual” pode fornecer
uma boa estimativa do desempenho do sistema em longo prazo, se as
sequências de tempo que ocorrem no ano médio forem representativas das
que acontecem por um longo período ou no caso de o desempenho do sistema
ser independente das sequências de tempo (Klein e colaboradores, 1976).
Utilizando esta abordagem, o desempenho do sistema integrado de longo
prazo pode ser avaliado e o comportamento do sistema dinâmico pode ser
obtido.
No passado, foram feitas muitas tentativas para produzir tais bases de dados
para diferentes zonas climáticas em todo o mundo utilizando variadas
metodologias. Uma das mais comuns para gerar um TMY é proposta por Hall
e colaboradores (1978) usando o método estatístico Filkenstein-Schafer (FS)
(Filkenstein e Schafer, 1971).
O sistema de algoritmo FS é o seguinte: Em primeiro lugar, as funções de
distribuição cumulativa (CDF) são calculadas para cada parâmetro
meteorológico e cada mês, durante todo o período selecionado, bem como
sobre cada ano específico do período. No intuito de calcular as CDFs para o
parâmetro, os dados são agrupados em um número de compartimentos,
calculando-se as CDFs por contagem dos casos no mesmo compartimento.
O próximo passo é comparar a CDF de um parâmetro meteorológico, como
a radiação global horizontal, para cada mês de cada ano específico com o
respectivo CDF do compósito de longo prazo de todos os anos do período
escolhido.
O FS é a diferença média da CDF de longo prazo, CDFLT, e do mês
específico CDF, CDFSM, sob cálculo nos contentores utilizados para a
estimativa dos CDFs, dada por:
(2.111)

onde
N = número de classes (por padrão, N = 31).
zi = valor da estatística FS para o determinado mês do ano e parâmetro
meteorológico em consideração.
O passo seguinte é a aplicação de fatores de ponderação, WFJ, aos valores
estatísticos FS, um para cada um dos parâmetros considerados
meteorológicos, FSJ, correspondentes a cada mês durante o período
específico em seleção. Desta forma, uma soma ponderada, ou o valor médio,
WS, é derivado e este valor atribuído ao respectivo mês; isto é,
(2.112)

com
(2.113)

onde
M = número de parâmetros no banco de dados.
O usuário pode alterar os valores WF, analisando, assim, a importância
relativa de cada um dos parâmetros meteorológicos no resultado final.
Quanto menor for o WS, melhor a aproximação com um mês meteorológico
típico (TMM).
Aplicando este procedimento para todos os meses do período disponível,
pode-se configurar um ano composto pelos meses selecionados com os
menores valores de WS.
A raiz quadrada do desvio médio (RMSD) do total dos valores diários da
distribuição de irradiância solar global para cada mês de cada ano pode ser
estimada com relação à distribuição horária média de longo prazo e às
estatísticas FS. O RMSD pode ser computado, e para cada mês seleciona-se o
ano correspondente ao valor mais baixo. As estimativas são feitas de acordo
com a expressão:
(2.114)
onde x = valor médio de parâmetro sobre o número de classes (n = 31).
Um total de 8.760 linhas são incluídas em um arquivo TMY, cada uma
correspondendo a uma hora do ano. O formato do arquivo de TMY adequado
para versões anteriores do programa TRNSYS é o disposto na Tabela 2.6.
Tabela 2.6 Formato de Arquivo TMY Adequado Para o Programa TRNSYS Até a Versão 14

Mês do Hora do Ib I Temperatura de Velocidade do Direção do


ano Mês (kJ/m2)a (kJ/m2)b Bulbo Secoc Hrd Ventoe (m/s) Ventoe
1 1 0 0 75 60,47 1 12
1 2 0 0 75 60,47 1 12
1 3 0 0 70 57,82 1 12
1 4 0 0 70 57,82 1 12
1 5 0 0 75 58,56 2 12
– – – – – – – –
12 740 0 0 45 47,58 1 23
12 741 0 0 30 43,74 1 25
12 742 0 0 20 40,30 1 26
12 743 0 0 20 40,30 1 27
12 744 0 0 10 37,51 1 23
a Ib = Radiação solar normal direta (feixe) (integrada acima da hora anterior) em kJ/m2.
b I = Radiação solar global na horizontal (integrada acima da hora anterior) em kJ/m2.
c Graus × 10 (˚C).
d umidade relativa em kg de ar/kg de água × o10,000.
e Graus ÷ 10, expressa como 0 para o vento de norte, 9 para leste, 18 para o sul, e assim por diante.

2.4.2Ano meteorológico típico, segunda geração


Um formato TMY de tipo 2 é completamente diferente, além de ser composto
por muito mais campos. Este arquivo pode ser usado com programas de
análise detalhada de construção, tais como TRNSYS (versão 16), DOE-2,
BDA (Building Design Advisor) e Energy Plus. O arquivo TMY-2 também
contém um ano completo (8.760 itens de dados) de dados meteorológicos de
hora em hora. Cada registro de hora em hora no arquivo contém valores para
a radiação solar, temperatura de bulbo seco e variáveis meteorológicas, tais
como iluminância, precipitação, visibilidade e queda de neve. Dados de
radiação solar e iluminância estão se tornando cada vez mais necessários em
muitos programas de simulação. A fonte de dados e a incerteza são
simbolizados por dois caracteres que são anexados a cada valor de dados das
variáveis meteorológicas para indicar se o valor da variável meteorológica foi
medido, modelado, ou perdido, e fornecer uma estimativa da incerteza do
valor de dados. Ao incluir os símbolos para a incerteza, os usuá​rios podem
avaliar o potencial impacto da variabilidade dos dados meteorológicos no
desempenho de sistemas solares ou de edificações.
O primeiro registro de cada arquivo é o cabeçalho do arquivo que descreve
a estação. O cabeçalho do arquivo contém um número de cinco dígitos da
estação meteorológica, cidade, estado (opcional), fuso horário, latitude,
longitude e altitude. As posições de campo e definições desses elementos de
cabeçalho, em conjunto com os valores indicados para o TMY2 para Nicósia,
Chipre, (Kalogirou, 2003) são apresentados na Tabela 2.7.
Após o cabeçalho do arquivo, 8.760 registros de dados de hora em hora
fornecem o registro de 1 ano de dados da radiação solar, iluminância, e outros
dados meteorológicos, junto com os respectivos símbolos de fonte dos dados
e incerteza. A Tabela 2.8 dá posições de campo e definições de elementos de
cada registro de hora em hora (Marion e Urban, 1995). Cada registro de hora
em hora inicia-se com as posições de acordo com o ano (posições de campo
2-3) a partir do qual o mês típico foi escolhido, seguido pelo mês, dia, horas e
informações, assim como o restante dos dados, conforme evidencia a Tabela
2.8 (Kalogirou, 2003).
Para os elementos de radiação solar e de iluminância, os valores de dados
representam a energia recebida durante os 60 minutos anteriores à hora
indicada. Para variáveis meteorológicas (com algumas exceções),
observações ou medições foram feitas na hora indicada. Algumas das
variáveis meteorológicas têm observações, medições ou estimativas feitas em
base diária, em vez de hora em hora ou em intervalos. Consequentemente, os
valores de dados para profundidade de banda larga ótica do aerossol,
profundidade de neve e dias desde a última queda de neve representam os
valores disponíveis para a data indicada.
Com exceção da radiação extraterrestre horizontal e da radiação
extraterrestre direta, as duas posições de campo imediatamente após o valor
de dados fornecem símbolos para a fonte de dados e a incerteza tanto para
indicar se os dados foram medidos, modelados, ou perdidos em caso de não
haver, e fornecer estimativa da incerteza dos dados. O símbolo da fonte de
dados e da incerteza das radiações horizontal extraterrestre e direta
extraterrestre não são fornecidos, porque esses elementos foram calculados
utilizando equações consideradas para dar valores exatos. Símbolos de
incerteza para as outras quantidades são explicitados em Marion e Urbano
(1995).
Um exemplo do arquivo de Nicosia TMY-2, que mostra os dados para os
primeiros dias do mês de janeiro, incluindo os elementos de cabeçalho, pode
ser visto na Figura 2.34 (Kalogirou, 2003). Observe que o formato do TMY-2
para o programa Energy Plus é um pouco diferente do mostrado na Figura
2.34, uma vez que inclui após as condições de projeto de cabeçalho, feriados
e períodos extremos e dados em horário de verão.

FIGURA 2.34

Formato de arquivo TMY2.

Tabela 2.7 Elementos de cabeçalho no Formato TMY-2 (Somente o Primeiro Registro)


Posição do Valor
Campo Elemento Posição Usado
Número de 5
002-006 Número da estação meteorológica 17.609
dígitos
008-029 Cidade Cidade onde a estação está localizada (máximo de 22 caracteres) Nicósia
031-032 Estado Estado onde a estação está localizada (Abreviatura de 2 letras) _
Fuso horário: número de horas em que a hora local está à frente de
034-036 Fuso Horário 2
Greenwich (+ve L, –ve O)
038-044 Latitude Latitude da estação:
038 N = Norte do Equador N
040-041 Graus 34
043-044 Minutos 53
046-053 Longitude Longitude da estação:
046 O=Oeste L=Leste E
048-050 Graus 33
052-053 Minutos 38
056-059 Elevação Elevação da estação em metros acima do nível do mar 162

Tabela 2.8 Elementos de dados no Formato TMY-2 (Todos, Exceto o Primeiro Registro)
Posição
do Valor
Campo Elemento Usado Posição
Fuso-horário
002-009
local
Dois
002-003 Ano Ano
dígitos
004-005 Mês 1-12 Mês
006-00 Dia 1-31 Dia do mês
008-009 Hora 1-24 Hora do dia no fuso-horário local
Irradiação
Quantidade de radiação solar em Wh/m² recebida em uma superfície horizontal
010-013 extraterrestre 0-1415
na parte alta da atmosfera
horizontal
Irradiação
Quantidade de radiação solar em Wh/m² recebida por uma superfície normal
014-017 extraterrestre 0-1415
ao Sol na parte alta da atmosfera
normal direta
Irradiação global Quantidade total de radiação solar direta e difusa em Wh/m² recebida por uma
018-023
horizontal superfície horizontal
018-021 Valor de dados 0-1200
Símbolo para o
022 A-H, ?
valor de dados
Símbolo para
023 incerteza de 0-9
dados
Irradiação Quantidade de radiação solar em Wh/m² dentro de um campo de visão de 5,7o
024-029
normal direta centrado no Sol
024-027 Valor de dados 0-1100
Símbolo para
028 A-H, ?
fonte de dados
Símbolo para
029 incerteza de 0-9
dados
Irradiação Quantidade de radiação solar em Wh/m² recebida do céu (excluindo o disco
030-035
horizontal difusa solar) em uma superfície horizontal
030-033 Valor de dados 0-700
Símbolo para
034 A-H, ?
fonte de dados
035 Símbolo para 0-9
incerteza de
dados
Quantidade total média de iluminância direta e difusa em centenas de lux
Iluminância recebidos por uma superfície horizontal
036-041
global horizontal
0 a 1300 = 0 a 130.000 lux
036-039 Valor de dados 0-1300
Símbolo para
040 I, ?
fonte de dados
Símbolo para
041 incerteza de 0-9
dados
Irradiação Quantidade média de iluminância normal média em centenas de lux recebida
042-047
normal direta dentro de um campo de visão de 5,7o centrado no Sol
042-045 Valor de dados 0-1100 0 a 1100 = 0 a 110.000 lux
Símbolo para
046 047 I, ?
fonte de dados
Símbolo para
incerteza de 0-9
dados
Iluminância Quantidade média de iluminância em centenas de luz recebida a partir do céu
048-053
horizontal difusa (excluindo o disco solar) por uma superfície horizontal
048-051 Valor de dados 0-800 0 a 800 = 0 a 80.000 lux
Símbolo para
052 I, ?
fonte de dados
Símbolo para
053 incerteza de 0-9
dados
Luminância do
054-059 Quantidade média de Luminância no zénite celeste em dezenas de Cd/m²
zênite
054-057 Valor de dados 0-7000 0 a 7000 = 0 a 70.000 Cd/m²
Símbolo para
058 I, ?
fonte de dados
Símbolo para
059 incerteza de 0-9
dados
Cobertura total Área do domo celeste, em décimos, coberta por nuvens ou fenômenos
060-063 do céu 0-10 obscurecentes na hora indicada

060-061 Valor de dados A-F


Símbolo para
062 0-9
fonte de dados
Símbolo para
063 incerteza de 0-9
dados
Área do domo celeste, em décimos, coberta por nuvens ou fenômenos
Cobertura celeste
064-067 obscurecentes que impeçam a observação do céu ou nuvens em altitudes
opaca
maiores na hora indicada
064-065 Valor de dados 0-10
Símbolo para
066 A-F
fonte de dados
Símbolo para
067 incerteza de 0-9
dados
Temperatura de
068-073 Temperatura de bulbo seco em décimos de grau Centigrado na hora indicada
bulbo seco
–500 a
068-071 Valor de dados 500 a 500 = 50,0 a 50,0/oC
500
Símbolo para
072 A-F
fonte de dados
Símbolo para
073 incerteza de 0-9
dados
Temperatura de Temperatura de ponto de orvalho em décimos de grau Centigrado na hora
074-079
ponto de orvalho indicada.
–600 a
074-077 Valor de dados –600 a 300 = –60,0 a 30,0oC
300
Símbolo para
078 A-F
fonte de dados
Símbolo para
079 incerteza de 0-9
dados
080-084 Umidade relativa Umidade relativa em percentagem na hora indicada
080-082 Valor de dados 0-100
Símbolo para
083 A-F
fonte de dados
Símbolo para
084 incerteza de 0-9
dados
Pressão
085-090 Pressão atmosférica na estação em mbar na hora indicada
Atmosférica
700-
085-088 Valor de dados
1100
Símbolo para
089 A-F
fonte de dados
Símbolo para
090 incerteza de 0-9
dados
Direção do Direção do vento em graus na hora indicada. (N = 0 ou 360, E = 90, S = 180,
091-095
Vento W = 270). Para ventos calmos, direção do vento igual a zero
091-093 Valor de dados 0-360
Símbolo para
094 A-F
fonte de dados
Símbolo para
095 incerteza de 0-9
dados
Velocidade do Velocidade do vento em dezenas de metros por segundo na hora indicada. 0 a
096-100
vento 400 = 0 a 40,0 m/s
096-98 Valor de dados 0-400
Símbolo para
99 A-F
fonte de dados
Símbolo para
100 incerteza de 0-9
dados
101-106 Visibilidade Visibilidade horizontal em dezenas de quilômetros na hora indicada.
101-104 Valor de dados 0-1609 7777 = visibilidade ilimitada
Símbolo para
105 A-F, ? 0 a 1609 = 0,0 a 160,9 km
fonte de dados
Símbolo para
106 0-9 9999 = dados ausentes
incerteza de dado
107-113 Altura do teto Altura do teto em metros na hora indicada.
0-
107-111 Valor de dados 7777 = altura do teto ilimitada
30,450
Símbolo para
112 A-F, ? 88888 = cirrocumulus
fonte de dados
Símbolo para
113 incerteza de 0-9 99999 = dados ausentes
dados

114-123 Água presente – Condição da água presente demonstrada por um número de 10 dígitos.

Água de
124-128 Água de precipitação em milímetros na hora indicada
precipitação
124-126 Valor de dados 0-100
Símbolo para
127 A-F
fonte de dados
Símbolo para
128 incerteza de 0-9
dados
Profundidade Profundidade de banda larga ótica de aerossol (turbidez da banda larga) em
129-133
ótica de aerossol milhares no dia indicado.
129-131 Valor de dados 0-240 0 a 240 = 0,0 a 240
Símbolo para
132 A-F
fonte de dados
Símbolo para
133 incerteza de 0-9
dados
Profundidade da
134-138 Profundidade da neve em centímetros no dia indicado.
neve
134-136 Valor de dados 0-150 999 = dados ausentes
Símbolo para
137 AeF, ?
fonte de dados
Símbolo para
138 incerteza de 0-9
dados
Dias desde a
139-142 Quantidade de dias desde a última neve.
última neve
139-140 Valor de dados 0-88 88 = 88 ou mais dias
Símbolo para
141 A-F, ? 99 = dados ausentes
fonte de dados
Símbolo para
142 incerteza de 0-9
dados
Fonte: Marion e Urban (1995)

2.4.3Ano meteorológico típico, terceira geração


As mudanças entre TMY-2 e TMY-3 dizem respeito ao formato do arquivo e
pequenas mudanças no algoritmo de seleção de meses típicos. Tal fato muda
os critérios de constância implementados, agrupando melhor a seleção de um
TMM por períodos ou registros com menos anos. Além disso, o código que
priorizou a seleção de meses com dados solares em medição foi removido.
Avaliaram-se os efeitos dessas mudanças entre o algoritmo TMY-2 e TMY-3
como parte do processo de produção TMY-3 (Wilcox e Marion, 2008). Em
particular, algumas alterações em relação aos procedimentos TMY-2 foram
necessárias para adaptar a utilização de dados derivados a partir um período
de quinze anos somente. Em relação aos dados TMY-2, os meses com
valores de medição da radiação solar foram preferíveis para a seleção como
um mês típico. Os procedimentos TMY-3 não incluem este critério, uma vez
que os valores de radiação solar são incluídos nos dados TMY-3 a fim de
fornecer mais precisão da radiação solar.
Para os dados TMY-3, utilizando apenas quinze anos em vez de trinta para
selecionar um mês escolhido, exige que os controles de constância sejam
flexibilizados de modo a garantir que se possa selecionar o mês pretendido.
Já com os dados TMY-2, exclui-se o mês requerido mediante uma análise
mais aprofundada, caso venha a ser o mês com período maior. Para TMY-3,
o mês requerido só é excluído se houver duração maior do que qualquer outro
mês em estudo. Consequentemente, se os dois meses de escolha empatarem
em se tratando de maior período, não é excluído pelo processo TMY-3, ao
passo que o procedimento TMY-2 excetuaria os dois meses de escolha.
Como passo adicional, se o procedimento de constância de TMY-3 eliminar
todos os meses em estudo, desconsidera-se a constância e um mês é
selecionado a partir dos outros meses mais próximos da média em longo
prazo. Isso garante a seleção de um mês típico para TMY-3 com quinze anos
ou para conjuntos de dados menores. No entanto, nenhum TMY para um
local é apresentado, se o conjunto de dados for inferior a dez anos (Wilcox e
Marion, 2008).
Em geral, com exceção de algumas alterações aos critérios de ponderação,
que representam a importância relativa da radiação solar e os elementos
meteorológicos, os conjuntos de dados TMY-2 e TMY-3 foram criados
utilizando processos semelhantes aos desenvolvidos pelo Sandia National
Laboratories (Hall e colaboradores, 1978). O formato dos dados de TMY-3,
porém, é radicalmente diferente em comparação a TMY e TMY-2. Os
formatos mais antigos TMY utilizam layouts para otimizar o espaço de
armazenamento de dados. Tais formatos são difíceis de ler e revelam a
mesma dificuldade para importar campos de dados específicos em muitos
pacotes de software. Portanto, o formato de valores separados por vírgula
(CSV) é adotado em TMY-3, cuja característica é ubíqua, e muitos
programas e aplicativos existentes fornecem funções embutidas para lê-lo ou
analisá-lo. Para compatibilidade com os softwares existentes, o National
Renewable Energy Laboratory (NREL) produziu um aplicativo para
converter de TMY-3 para o formato TMY-2. Apesar das diferenças de
formato, os campos na TMY-3 são muito semelhantes aos do conjunto de
dados TMY-2. As principais diferenças consistem em unidades de medida,
que são SI ou equivalente no TMY-3, em adição de novos campos para
albedo da superfície e precipitação líquida e na remoção dos campos para o
tempo presente, profundidade da neve e dias desde a última queda de neve
que havia no TMY-2 (Wilcox e Marion, 2008). Esses campos foram
removidos por causa de mudanças incompatíveis na natureza dos dados de
origem ou porque os dados de origem não estavam disponíveis para muitas
estações. O formato de dados TMY-3 apresenta duas linhas de cabeçalho e
8.760 linhas de dados, cada qual com 68 campos de dados. A linha de
cabeçalho 1 contém os mesmos dados como os que são apresentados na
Tabela 2.7, com a diferença de que a “cidade” é substituída pelo “nome da
estação”, enquanto a linha de cabeçalho 2 contém o nome do campo de dados
e as unidades. O formato do campo do resto das linhas é semelhante ao
formato TMY-2 evidente na Tabela 2.8, exceto para os campos de dados de
hora local, que a princípio são modificadas para “data” em formato
DD/MM/AAAA e “hora” no formato HH:MM, além de outras alterações no
final dos campos de dados como descrito acima.
As erupções vulcânicas de El Chichón no México, em março de 1982, e
Monte Pinatubo, nas Filipinas, em junho de 1991, injetaram grandes
quantidades de aerossóis na estratosfera. Os aerossóis espalharam-se para o
norte e circularam em torno da Terra. Este fenômeno diminuiu visivelmente a
quantidade de radiação solar que atinge a Terra durante maio de 1982 até
dezembro de 1984 pelo El Chichón e de junho de 1991 a dezembro de 1994,
devido ao Pinatubo, após o qual os efeitos dos aerossóis diminuíram.
Consequentemente, não se utilizaram esses meses em qualquer dos
procedimentos TMY, por terem sido considerados como não típicos (Wilcox
e Marion, 2008). Os arquivos de dados TMY-3 de vários locais dos Estados
Unidos estão disponíveis para download a partir do site web do NREL
(NREL, 2012).

Exercícios
2.1 Usando um programa de planilha e as relações apresentadas neste capítulo,
crie um programa que calcule todos os ângulos solares de acordo com a
latitude, dia do ano, hora e inclinação da superfície.
2.2 Usando um programa de planilha e as relações apresentadas neste capítulo,
crie um programa que calcule todos os ângulos solares de acordo com a
latitude, dia do ano e da inclinação da superfície para todas as horas do dia.
2.3 Calcule
a declinação solar para os equinócios de primavera e outono, bem
como para os solstícios de verão e inverno.
2.4 Calcule as horas do nascer e pôr do sol, além da duração do dia para
equinócios da primavera e do outono e solstícios de verão e inverno em 45o
de latitude norte e 35o de longitude leste.
2.5 Determineos ângulos solares de altitude e azimute às 10 h da manhã, com
horário local para Roma, Itália, em 10 de junho.
2.6 Calcule
os ângulos solares de zênite e azimute, ao nascer e pôr do sol, bem
como a duração do dia em Cairo, no Egito, às 10 h 30 em 10 de abril.
2.7 Calculeas horas do nascer e pôr do sol e os ângulos de altitude e azimute
para Londres, Inglaterra, em 15 de março e 15 de setembro, nos horários
solares de 10 h e 15 h.
2.8 Qual
é o tempo solar, em Denver, Colorado, em 10 de junho, às 10 h am
em Mountain Standard Time?
2.9 Um coletor de placa plana em Nicósia, Chipre, está inclinado a 40o na
horizontal e direcionado 10o ao leste do sul. Calcule o ângulo de incidência
solar sobre o coletor nos horários solares de 10 h 30 e 14 h 30 em 10 de
março e 10 de setembro.
2.10A superfície vertical em Atenas, Grécia, defronta-se com 15o a oeste do
sul. Calcule o ângulo de incidência solar nos horários solares às 10 h e 15 h
nos dias 15 de janeiro e 10 de novembro.
2.11Usando o diagrama da trajetória do sol, identifique os ângulos de altitude
e azimute solar para Atenas, na Grécia, em 20 de janeiro, às 10 h.
2.12Duas fileiras de 6 m de largura por 2 m de altura de coletores de placa
plana com inclinação em 40o estão direcionados para o sul. Se esses
coletores se localizam em 35o de latitude N, usando o diagrama de
trajetória do sol, encontre os meses do ano e as horas do dia em que a
primeira fileira projete uma sombra sobre a segunda linha quando a
distância entre as linhas é de 3 m. Qual deve ser a distância de modo que
não haja sombreamento?
2.13Encontreo poder emissivo espectral do corpo negro em λ = 8 µm para
uma fonte a 400 K, 1.000 K e 6.000 K.
2.14Considerando que o sol é um corpo negro a 5.777 K, qual o comprimento
de onda no qual o poder emissivo monocromático máximo ocorre? Qual é
a fração de energia a partir desta fonte na parte visível do espectro na gama
de 0,38-0,78 µm?
2.15Quala porcentagem de radiação de corpo negro para uma fonte a 323 K
na região de comprimento de onda 6-15 µm?
2.16Uma folha de vidro de espessura de 2 mm tem um índice de refração de
1.526 e um coeficiente de extinção de 0,2 cm–1. Calcule a refletividade,
transmissividade e absortividade da folha de vidro em ângulos de
incidência de 0o, 20o, 40o e 60o.
2.17Considere um coletor de placa plana com uma cobertura de vidro exterior
de 4 mm de espessura K = 23 m–1, índice de refração de 1,526 e uma
cobertura interna Tedlar com índice de refração de 1,45. Calcule a
refletividade, a transmissividade e absortividade da folha de vidro a um
ângulo de incidência de 40o, tendo em vista que o Tedlar apresenta uma
espessura muito pequena; isto é, a absorção do material pode ser
negligenciada.
2.18Aplaca de vidro de uma estufa solar tem uma transmissividade de 0,90
para comprimentos de onda entre 0,32 e 2,8 µm, sendo completamente
opaca em comprimentos de onda mais curtos e mais longos. Se o Sol é um
corpo negro que emite energia radiante para a superfície da Terra, a uma
temperatura efetiva de 5.770 K e o interior da estufa está a 300 K, calcule a
porcentagem de radiação solar incidente transmitida através do vidro e a
porcentagem de radiação térmica emitida pelos objetos de interiores que
são transmitidos para fora.
2.19Um coletor solar de placa plana de 30 m2 está absorvendo a radiação a
uma taxa de 900 W/m2. A temperatura ambiente é de 25oC e coletor é de
0,85. Desconsiderando as perdas de condução e convecção, calcule a
temperatura de equilíbrio do coletor e da troca de radiação líquida com o
ambiente.
2.20Duas grandes placas paralelas são mantidas a 500 K e 350 K,
respectivamente. A placa quente tem uma emissividade de 0,6 e a mais fria
0,3. Calcule a transferência de calor por radiação líquida entre as placas.
2.21Encontrea radiação extraterrestre horizontal e direta às 2 h do horário
solar em 21 de fevereiro para latitude de 40o N e a radiação solar total
sobre uma superfície horizontal extraterrestre para tal data.
2.22Estime em média horária a radiação solar total e difusa incidentes sobre
uma superfície horizontal em Roma, Itália, no dia 10 de março, às 10 h e
13 h se a média diária mensal da radiação global for de 18,1 MJ/m2.
2.23Calculeos fatores de inclinação da radiação global e direta e a radiação
global e direta incidentes sobre uma superfície do Equador à 1 h após o
meio-dia solar local em 15 de abril. A superfície encontra-se a 40o de
latitude N e a refletividade do solo é de 0,25. Para esse dia, a radiação
direta na incidência normal é GB = 710 W/m2 e a radiação difusa na
horizontal é GD = 250 W/m2.
2.24Com uma superfície virada para o sul, localizada a 45o de latitude N e
inclinada em 30o a partir da horizontal, calcule os valores horários do fator
de inclinação da radiação direta no dia 10 de setembro.
2.25Um coletor localizado em Berlim, Alemanha, apresenta inclinação de 50o
e recebe uma média diária mensal de radiação global, H, igual a 17 MJ/m2
ao dia. Determine a média mensal dos fatores de inclinação da radiação
global e direta para outubro em uma área onde a refletância do solo é de
0,2. Além disso, estime a média diária mensal de radiação solar global na
superfície.

Referências
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4 Radianos podem ser convertidos em graus multiplicando por 180 e dividindo por π.
5 Os dados meteorológicos para várias localizações são mostrados no Apêndice 7.
CAPÍTULO

3
Coletores de energia solar
Coletores de energia solar são tipos especiais de trocadores de calor que
transformam energia solar em energia térmica em um fluido de transporte. O
principal componente de qualquer sistema solar é o coletor solar. Este é um
dispositivo que absorve a radiação solar, converte-a em calor e transfere o
calor para um fluido (geralmente ar, água ou óleo) que escoa através do
coletor. A energia solar coletada é transportada do fluido circulante
diretamente para a água quente ou, para um equipamento condicionador de
ambiente ou um tanque de armazenamento de energia térmica, por meio do
qual ele poderá ser retirado para uso à noite ou em dias nublados.
Há basicamente dois tipos de coletores solares: não concentradores ou
estacionários e concentradores. Um coletor não concentrador tem a mesma
área para interceptar e absorver radiação solar, enquanto um coletor solar
concentrador que rastreia o sol geralmente tem superfícies côncavas
reflexivas para interceptar e focalizar a radiação solar direta para uma área
menor de recepção, aumentando assim o fluxo de radiação. Os coletores
concentradores são adequados para aplicações em altas temperaturas.
Coletores solares podem também ser diferenciados pelo tipo de líquido de
transferência de calor usado (água, líquido não congelante, ar ou óleo de
transferência de calor), sendo eles com ou sem cobertura. Um grande número
de coletores solares está disponível no mercado. Uma lista abrangente é
mostrada na Tabela 3.1 (Kalogirou, 2003).
Este capítulo revisa os vários tipos de coletores atualmente disponíveis,
seguido pelas análises ótica e térmica de coletores.
3.1Coletores estacionários
Coletores de energia solar são basicamente diferenciados pelo seu movimento
– estacionários, rastreadores de um eixo e de dois eixos – e a temperatura de
operação. Primeiro, nós examinaremos os coletores solares estacionários.
Esses coletores são permanentemente fixos em uma posição e não rastreiam o
sol. Os três principais tipos de coletores estão nessa categoria:
1. Coletor de placa plana (FPC).
2. Coletor parabólico composto estacionário (CPC).
3. Coletor de tubo evacuado (ETC).

3.1.1Coletores de placa plana (FPC)


Um típico coletor solar de placa plana é mostrado na Figura 3.1. Quando a
radiação solar passa pela cobertura transparente e incide na superfície
absorvedora escurecida de alta absortividade, uma grande parte desta energia
é absorvida pela placa e transferida para o fluido de trabalho circulante nos
tubos, a fim de serem levadas para armazenamento ou uso. A parte inferior da
placa absorvedora e os dois lados são bem isolados para reduzir perdas por
condução. Os tubos por onde circula o fluido de trabalho podem ser soldados
na placa absorvedora ou podem ser uma parte integrante da placa. Os tubos
para circulação do fluido são conectados nas duas extremidades por tubos
horizontais de diâmetro largo. O coletor com tubos horizontal e vertical é o
design típico de coletores de placa plana. Uma alternativa é o design em
serpentina mostrado na Figura 3.1(a). Este coletor não apresenta o potencial
problema de uma distribuição de fluxo desigual nos vários tubos verticais do
design de tubos horizontais e verticais, mas coletores serpentina não podem
funcionar efetivamente em modo termossifão (circulação natural) e precisam
de um bombeamento para circular o fluido de transferência de calor (ver Cap.
5). A placa absorvedora pode ser uma superfície única na qual todos os tubos
verticais estão fixos, ou cada tubo vertical pode ser fixo em um plano vertical
separado. (ver Figura 3.1(b)).
Tabela 3.1 Coletores de Energia Solar

Tipo do Razão de Intervalo de Temperatura


Movimento Tipo do coletor absorvedor concentração Indicativo (oC)
Estacionário Coletor de placa plana Plano 1 30-80
(FPC)
Tubo coletor evacuado
Plano 1 50-200
(ETC)
Coletor parabólico
Tubular 1-5 60-240.
componente (CPC)
Rastreamento de Coletor parabólico
Tubular 5-15 60-300
eixo único componente (CPC)
Refletor Fresnel Linear
Tubular 10-40 60-250
(LFR)
Coletor de calha cilíndrica
Tubular 15-50 60-300
(CTC)
Coletor parabólico em
Tubular 10-85 60-400
calha (PTC)
Rastreamento de Refletor em disco
Pontual 600-2000 100-1500
dois eixos parabólico (PDR)
Coletor de campo
Pontual 300-1500 150-2000
heliostático (HFC)
Nota: A razão de concentração é definida como a área de abertura dividida pela área do receptor/absorvedor do coletor.

A cobertura transparente é usada para reduzir perdas por convecção da


placa absorvedora através da contenção do ar na camada entre a placa
absorvedora e o vidro. Ela também reduz perda de radiação do coletor,
porque o vidro é transparente à radiação de baixo comprimento de onda
recebida do sol, mas ela é praticamente opaca à radiação térmica de longo
comprimento de onda emitida pela placa absorvedora (efeito estufa).
As vantagens dos FPCs são que eles podem ser baratos para fabricar,
coletam ambas as radiações direta e difusa e são permanentemente fixos,
então não há necessidade de rastreamento do sol. Os coletores devem ser
orientados diretamente na direção do equador, apontando para o sul no
hemisfério norte e norte no hemisfério sul. O ângulo ideal de inclinação do
coletor é igual à latitude da localidade, com variações de 10o a 15o
aproximadamente, dependendo da aplicação (Kalogirou, 2003). Se a
aplicação for para resfriamento solar, então o ângulo ideal é a latitude – 10o
de modo que o sol será perpendicular ao coletor durante o verão, quando a
energia será mais necessária. Se a aplicação é aquecimento do ambiente,
então o ângulo ideal é a latitude + 10o; enquanto que para a produção anual
de água quente é a latitude + 5o, para ter relativamente melhor desempenho
durante o inverno, quando a água quente é mais necessária.
FIGURA 3.1

Coletor de placa plana típico. (a) Visão pictórica de um coletor de placa plana. (b) Fotografia de um
coletor de placa plana de tubos horizontais e verticais cortado.

Os principais componentes de um FPC, como mostrado na Figura 3.2, são


os seguintes:
• Cobertura. Uma ou mais camadas de vidro ou outro material transmissor
de radiação.
• Passagens de remoção de fluido de calor. Tubos, aletas ou passagens que
conduzem ou direcionam o fluido de transferência de calor da entrada para
a saída.
• Placa absorvedora. Placas planas, onduladas ou sulcadas, pelas quais os
tubos de circulação são ligados. Um método de ligação típico é a fixação
embutida disposta em detalhes na Figura 3.2. A placa é geralmente
revestida com uma camada de alta absortividade e baixa emissividade.
• Tubos horizontais e verticais. Tubos e dutos para permitir a circulação do
fluido.
Isolamento. Usado para minimizar a perda de calor pela parte posterior e
• pelas laterais do coletor.
• Recipiente ou caixa. O revestimento envolve os componentes supracitados
e protege-os da poeira, umidade, bem como qualquer outro material.

FIGURA 3.2

Visão explodida de um coletor de placa plana e detalhes do absorvedor.

Coletores de placa plana têm sido construídos em uma ampla variedade de


configurações e de vários materiais diferentes. Eles vêm sendo úteis para
aquecer fluidos como a água, água mais aditivo anticongelante ou ar. Seu
maior propósito é coletar o máximo de energia solar pelo menor custo
possível. O coletor também deve ter uma vida efetiva longa, apesar dos
efeitos adversos da radiação ultravioleta do sol, da corrosão e entupimento
devido à acidez, alcalinidade, ou da rigidez do fluido de transferência de
calor, congelamento da água, ou deposição de poeira ou umidade no vidro e
da ruptura do vidro por expansão térmica, granizo, vandalismo, além de
outras causas. Estas podem ser minimizadas pelo uso de vidro temperado.
Nas duas seções seguintes, mais detalhes são dados sobre os vidros para
cobertura e os materiais da placa absorvedora. A maior parte destes detalhes
também se aplica a outros tipos de coletores. A terceira seção se refere à
construção do coletor e tipos de configurações de absorvedores usados.
Materiais de vidro
O vidro tem sido amplamente usado para cobrir coletores solares porque ele
pode transmitir por volta de 90% da radiação solar de comprimento de onda
curto incidente, enquanto praticamente não transmite radiação de
comprimento de onda longo para fora pela placa absorvedora (ver Exemplo
2.10). O vidro de janela costuma ter alta quantidade de ferro e não é
adequado para uso em coletores solares. Vidros com baixa quantidade de
ferro têm uma transmitância relativamente alta para radiação solar
(aproximadamente 0,85-0,90 em incidência normal), mas sua transmitância é
essencialmente zero para radiação térmica de comprimento de onda longo
(5,0-50 µm) emitida por superfícies aquecidas pelo sol.
Filmes plásticos e folhas também possuem transmitância alta para
comprimentos de onda curtos, mas porque as variedades mais usadas também
têm bandas de transmissão no meio do espectro da radiação térmica; eles
podem ter transmitâncias de longos comprimentos de onda tão altos quanto
0,40. Adicionalmente, plásticos costumam ser limitados nas temperaturas que
podem suportar sem deteriorar ou passar por mudanças de dimensão. Apenas
alguns tipos de plástico podem resistir à radiação ultravioleta do sol por
longos períodos. Entretanto, eles não são quebrados por granizo e pedras, e
na forma de filmes finos, eles são completamente flexíveis e têm baixa
massa.
As classes comercialmente disponíveis de vidros de janela e estufa têm
transmitância de incidência normal de cerca de 0,87 e 0,85, respectivamente
(ASHRAE, 2007). Para radiação direta, a transmitância varia
consideravelmente com o ângulo de incidência.
Revestimentos antirreflexivos e texturas na superfície podem melhorar a
transmissão significativamente. O efeito de sujeira e poeira no vidro do
coletor pode ser bem pequeno, e o efeito de limpeza de uma chuva ocasional
é em geral adequado para manter a transmitância dentro de 2-4% de seu valor
máximo. A poeira é coletada principalmente durante o verão, quando as
chuvas são menos usuais, mas, devido à alta magnitude da irradiação solar
durante este período, a poeira protege o coletor do superaquecimento.
O vidro deve admitir irradiação solar e reduzir a perda ascendente de calor
tanto quanto possível. Embora o vidro seja virtualmente opaco à radiação de
longo comprimento de onda emitida pelas placas do coletor, a absorção de tal
radiação causa um aumento na temperatura do vidro e uma perda do calor
para a atmosfera circundante através de radiação e convecção. Esses efeitos
são analisados na Seção 3.3.
Vários protótipos de FPCs e CPCs isolados de forma transparente (ver
Seção 3.1.2) foram construídos e testados nos anos de 1990 (Spate e
colaboradores, 1999). Materiais transparentes de baixo custo e resistentes a
altas temperaturas (TI) foram desenvolvidos para que a comercialização
desses coletores se tornasse viável. Um protótipo FPC coberto por isolante
transparente foi desenvolvido e testado por Benz e colaboradores (1998), e a
eficiência do coletor provou-se comparável com aquelas dos ETCs (ver Seção
3.1.3). Entretanto, nenhum coletor comercial deste tipo está disponível no
mercado ainda.
Placas absorvedoras dos coletores
A placa do coletor absorve tanta radiação quanto possível através do vidro,
enquanto perde pouco calor quanto é possível para a atmosfera e para a parte
de trás do revestimento. As placas coletoras transferem o calor retido para o
fluido transportador. No intuito de maximizar a coleta de energia, o
absorvedor de um coletor deve ter um revestimento que tenha uma alta
absortância para a radiação solar (baixo comprimento de onda) e uma baixa
emitância para a re-radiação (longo comprimento de onda). Tal superfície é
referida como uma superfície seletiva. A absortância da superfície do coletor
para radiação solar de baixo comprimento de onda depende da natureza e da
cor do revestimento e do ângulo de incidência. Geralmente a cor preta é
usada, mas revestimentos de cores variadas têm sido propostos por
Tripanagnostopoulos e colaboradores (2000a, b), Wazwaz e colaboradores
(2002), Orel e colaboradores (2002), principalmente por razões estéticas.
Por um tratamento eletrolítico ou químico adequado, superfícies podem ser
produzidas com altos valores de absortância de radiação solar (α) e baixos
valores de emitância de longos comprimentos de onda (ε). Essencialmente,
superfícies seletivas típicas consistem em uma camada fina superior, que é
altamente absorvente à radiação solar de baixos comprimentos de onda, mas
relativamente transparente à radiação térmica de longo comprimento de onda,
depositada na superfície que apresenta uma alta refletância e baixa emitância
para radiação de comprimento longo de onda. Superfícies seletivas são
particularmente importantes quando a temperatura da superfície, coletora é
muito mais alta que a temperatura ambiente. O revestimento de absorvedor
mais barato é o de pintura preta fosca; porém, este não é seletivo, e o
desempenho de um coletor produzido deste modo é baixo, adequado para
temperaturas de operação não maiores do que 40oC acima da temperatura
ambiente.
Muitos métodos e materiais ou combinações de materiais têm sido usados
para obter uma propriedade desejada de seletividade espectral. Os variados
absorvedores seletivos podem ser divididos nas seguintes categorias:
1. Materiais intrínsecos ou absorvedores de massa.
2. Pilhas em conjunto ou pilhas em conjunto inverso.
3. Pilhas multicamadas (pilhas de interferência).
4. Partículas de metal em um dielétrico ou matriz de metal (cermets).
5. Rugosidade da superfície.
6. Efeitos quânticos de tamanho. (QSEs).

Uma revisão abrangente desses absorvedores é dada em Yianoulis e


colaboradores (2012).
Um coletor solar eficiente do ponto de vista energético deve absorver
radiação solar incidente, convertê-la em energia térmica e transmitir a energia
térmica para um fluido de transferência de calor com perdas mínimas em
cada passo. É possível usar vários princípios de design e mecanismos físicos
para criar uma superfície absorvedora da radiação solar. Absorvedores
solares, referidos como absorvedores em conjunto, são baseados em duas
camadas com diferentes propriedades óticas. Um revestimento semicondutor
ou dielétrico com alta absortância solar e alta transmitância infravermelha
sobre um material não seletivo altamente reflexivo, tal como o metal,
constitui um tipo de absorvedor em conjunto. Outra alternativa é revestir um
material não seletivo altamente absorvente com um espelho de calor que
tenha uma alta transmitância solar e uma alta refletância infravermelha
(Wackelgard e colaboradores, 2001).
Hoje, absorvedores solares comerciais são feitos por galvanoplastia,
anodização, evaporação, pulverização e aplicação de pinturas solares
seletivas. Dos muitos tipos de revestimentos seletivos desenvolvidos, o mais
amplamente usado é o preto cromado. Muito do progresso em anos recentes
tem sido baseado na implementação de técnicas de vácuo para a produção de
absorvedores de tipo aleta usados em aplicações de baixa temperatura. Os
processos químicos e eletroquímicos usados para sua comercialização foram
prontamente assumidos pela indústria de acabamento de metais. Os requisitos
dos absorvedores solares usados em aplicações de alta temperatura, entretanto
– isto é, emitância térmica extremamente baixa e estabilidade em alta
temperatura – foram difíceis de atingir com processos úmidos convencionais.
Portanto, uma deposição por pulverização de larga escala foi desenvolvida no
final dos anos 1970. Atualmente, as técnicas de vácuo são maduras,
caracterizadas por baixo custo, e têm a vantagem de ser menos poluentes do
que processos úmidos.
Quando a rugosidade de uma superfície é menor do que o comprimento de
onda de luz que se choca com a superfície, ela se comporta como um espelho;
quando ela é maior, absorve fortemente a luz de comprimentos de onda
menores. Alta absortância é aprimorada por reflexões múltiplas entre a
microestrutura piramidal, dendrita ou porosa. Às vezes os materiais com esta
propriedade são chamados de materiais discriminantes de frente de onda.
Algumas superfícies podem ser desenvolvidas com aspereza para obter
seletividade espectral por aprisionamento ótico da radiação solar. Tal
estrutura pode ser produzida por meio de corrosão com um ácido apropriado,
um procedimento chamado de texturização de superfície. Superfícies
apropriadamente texturizadas parecem ásperas e absorvem a energia solar
enquanto parecem altamente reflexivas e espelhadas à energia térmica. A
orientação de uma superfície texturizada afeta suas propriedades óticas e
pode melhorar a absorção e emissividade de um material espectralmente
seletivo.
Efeitos quânticos de tamanho (QSEs) podem ser utilizados para atingir alta
absorção na região de baixo comprimento de onda enquanto mantém
emitância térmica IR baixa. Estes ocorrem em filmes ultrafinos e manchas. A
espessura crítica para o QSE em um filme de metal é 2-3 nm, e para um
semicondutor degenerado, 10-50 nm.
Construção de coletor
Para coletores de aquecimento de fluidos, as passagens devem ser integrais
ou firmemente ligadas à placa absorvedora. Um grande problema é obter uma
boa ligação térmica entre tubos e placas absorvedoras sem incorrer em custos
excessivos, para materiais ou para o trabalho. Os materiais mais usados para
placas coletoras são cobre, alumínio e aço inoxidável. Extrusões plásticas
resistentes a UV são usadas para aplicações de baixa temperatura. Se toda a
área do coletor estiver em contato com o fluido de transferência de calor, a
condutância térmica do material não é importante. A perda convectiva de
calor em um coletor é relativamente insensível ao espaçamento entre o
absorvedor e a cobertura no alcance de 15-40 mm. O isolamento da parte de
trás de um coletor de placa plana é feito de fibra de vidro ou uma fibra
mineral que não retirará o gás a elevadas temperaturas. Fibras de vidro em
grade são insatisfatórias, porque os ligantes evaporam a altas temperaturas e
então condensam na cobertura do coletor, bloqueando a radiação solar
incidente.
A Figura 3.3 mostra vários desenhos de placa absorvedora para
aquecedores solares de água e ar usados com variados graus de sucesso. A
Figura 3.3(a) mostra um desenho completo com as conexões, nas quais as
passagens de fluido são integradas à placa para assegurar boa condução
térmica entre o metal e o fluido. As Figuras 3.3(b) e (c) mostram aquecedores
de fluido com tubos soldados, revestidos, ou presos a uma superfície superior
ou inferior de folhas ou tiras de cobre (ver também o detalhe na Figura 3.2).
Tubos de cobre são mais usados por causa de sua resistência superior à
corrosão e alta condutividade térmica.
Cimento térmico, clipes, fitas, ou fios trançados têm sido testados na
procura por métodos de ligação de baixo custo. As Figuras 3.3(d) mostra o
uso de tubulação retangular extrudida para obter uma área maior de
transferência de calor entre o tubo e a placa. Pressão mecânica, cimento
térmico ou brasagem podem ser usados para fazer a montagem. Convém
evitar a solda macia em razão da alta temperatura na placa encontrada em
condições de equilíbrio, o que poderia derreter a solda.
A grande diferença entre coletores baseados em ar e água é a necessidade
de desenvolver um absorvedor que supere o problema da transferência de
calor causado pelos baixos coeficientes de transferência de calor entre ar e o
absorvedor solar. O ar e outros gases podem ser aquecidos com coletores de
placa plana, particularmente se algum tipo de superfície estendida (Figura
3.3(e)) for usada para contrabalançar os baixos coeficientes de transferência
de calor entre o metal e o ar (Kreider, 1982). Pode-se empregar metal ou
matrizes de tecido (Figura 3.3(f)) (Kreider and Kreith, 1977; Kreider, 1982),
chapas de metal ondulado (Figura 3.3(g)) ou absorvedores porosos, com
superfícies seletivas aplicadas ao último quando um alto nível de
desempenho é necessário. O principal requisito desses desenhos é uma
grande área de contato entre a superfície absorvedora e o ar. A capacidade
térmica do ar é muito mais baixa do que a da água e, portanto, um maior
fluxo de volume de ar é necessário, resultando em uma potência maior de
bombeamento.
Outro tipo de coletor de ar, mostrado na Figura 3.3(h), é o transpirador.
Coletores de ar transpiradores são estruturas bem simples usadas para
aquecimento em edifícios. Este coletor consiste em uma folha de metal
escurecida e perfurada que é colocada próxima à frente da face sul do prédio.
Uma ventoinha força o ar do ambiente a passar através dos furos, que é então
aquecido e distribuído dentro do prédio, conforme se demonstra na Figura
3.3(h).
A redução de perda de calor do absorvedor pode ser atingida tanto por uma
superfície seletiva para reduzir a transferência de calor radiativo ou por
supressão de convecção. Francia (1961) mostrou que um favo feito de
material transparente, colocado em um espaço de ar entre o vidro e o
absorvedor, era benéfico.
Outra categoria de coletores, que não é mostrada na Figura 3.3, é a dos
coletores não cobertos ou não envidraçados. Estes são geralmente unidades
de baixo custo que podem oferecer uma energia solar de custo efetivo em
aplicações tais como pré-aquecimento de água para uso doméstico ou
industrial, aquecimento de piscinas ou aplicações de agricultura. Geralmente,
esses coletores são usados em casos, nos quais a temperatura de operação do
coletor está próxima à temperatura ambiente. Tais coletores, geralmente
chamados de coletor de placa plana sem cobertura, consistem em uma ampla
chapa absorvedora, feita de plástico, contendo pequenas passagens de fluido
(ver Figura 3.4). Materiais usados para coletores de placa plana sem
cobertura incluem polipropileno, polietileno, acrílico e policarbonato.
FIGURA 3.3

Vários tipos de configurações do coletor de placa plana para água e ar.


FIGURA 3.4

Fotografia de um coletor de placa absorvedora de plástico.

Os coletores de placa plana são de longe o tipo mais usado de coletor.


Coletores de placa plana são geralmente empregados para aplicações de baixa
temperatura, até 80oC, embora alguns novos tipos de coletores possam atingir
valores levemente acima, empregando isolamento a vácuo ou isolamento
transparente (Benz e colaboradores 1998). Devido à introdução de
revestimentos altamente seletivos, os coletores de placa plana atuais podem
atingir temperaturas de equilíbrio em mais de 200oC. Com estes coletores, é
possível obter uma boa eficiência até temperaturas de aproximadamente
100oC.
Ultimamente, algumas técnicas modernas de manufatura tais como o uso de
laser e máquinas de soldagem ultrassônicas têm sido introduzidas pela
indústria, aprimorando a velocidade e a qualidade das soldas. Ambas são
usadas para soldagem de aletas em tubos verticais, para melhorar a condução
de calor. A maior vantagem do método da solda ultrassônica é que a solda é
feita em temperatura ambiente; assim, evita-se a deformação das partes
soldadas. Porém, esta técnica deixa uma linha no absorvedor (no ponto de
solda), o que diminui levemente a área coletora escurecida. Soldas a laser
fornecem um bom selo entre o absorvedor e os tubos, sem apresentar a linha
fraca associada com a solda ultrassônica.
3.1.2Coletor parabólico composto (CPC)
Coletores parabólicos compostos (CPCs) são concentradores não espelhados.
Eles têm a capacidade de refletir para o absorvedor toda a radiação incidente
dentro de amplos limites. Seu potencial como coletor de energia solar foi
apontado por Winston (1974). A necessidade de mover o concentrador para
acomodar a orientação solar que muda pode ser reduzido mediante o uso de
uma calha com duas seções de uma parábola apontando uma para a outra,
como mostrado na Figura 3.5.
Concentradores parabólicos compostos podem receber de forma relativa
radiação incidente por uma ampla gama de ângulos. Ao usar múltiplas
reflexões internas, qualquer radiação que entra na abertura dentro da
aceitação do coletor pode tomar uma variedade de configurações. Ela pode
ser plana, bifacial, cunha ou cilíndrica, como mostra a Figura 3.5. Detalhes da
construção da forma do coletor são apresentados na Seção 3.6.1.
Dois tipos básicos de coletores CPC foram desenhados: simétricos e
assimétricos. CPCs geralmente empregam dois tipos principais de
absorvedores: o tipo folha com um tubo e absorvedores tubulares. O tipo
folha pode ser plano, bifacial ou cunha, expresso na Figura 3.5 para o tipo
simétrico, e apresentar canal único ou multicanal.
CPCs devem ter uma lacuna entre o receptor e o refletor para prevenir o
refletor de agir como uma aleta conduzindo o calor para longe do absorvedor.
Uma vez que a lacuna resulta em uma perda da área refletora e uma
correspondente perda de performance, ela deve ser mantida pequena. Isso é
mais importante para receptores planos.
FIGURA 3.5

Vários tipos de absorvedores de CPCs.

Para aplicações de temperaturas mais altas, um CPC rastreador pode ser


usado. Quando se utiliza o rastreamento, torna-se bem rude ou intermitente,
pois a taxa de concentração é pequena na maioria das vezes, e a radiação
pode ser coletada e concentrada por uma ou mais reflexões nas superfícies
parabólicas.
CPCs podem ser manufaturados tanto como uma unidade com uma abertura
e um receptor (ver Figura 3.5) ou como um painel (ver Figura 3.6(a)).
Quando construídos como um painel, o coletor parece um FPC, como
mostrado na Figura 3.6(b).
Outra categoria de coletores CPC é o tipo assimétrico. Este pode ser
combinado com uma configuração reversa ou de ponta-cabeça da placa
absorvedora. Seguindo as investigações iniciais neste tipo de sistema
apresentado por Kienzlen e colaboradores (1988), nestas configurações a
radiação é direcionada no lado de baixo da placa por um concentrador
estacionário da forma do CPC mostrada na Figura 3.7(a). Deste modo, perdas
de calor do absorvedor são significativamente reduzidas, porque o lado
superior da placa é bem isolado e as perdas convectivas são reduzidas, já que
a corrente convectiva é bloqueada pela própria placa. Outra configuração é o
desenho inclinado mostrado na Figura 3.7(b). Comparados com um coletor
de placa plana, esses desenhos têm eficiência ótica mais baixa devido às
perdas por espalhamento no refletor, mas melhor eficiência em temperaturas
mais altas.
Uma variação desta configuração é o coletor de placa plana do tipo CPC de
dois lados, investigado por Goetzberger e colaboradores (1992),
Tripanagnostopoulos e colaboradores (2000a, b). São também chamados de
coletores de placa plana solar bifacial, por ser irradiado em ambos os lados
do absorvedor. No desenho apresentado por Goetzberger e colaboradores
(1992), o absorvedor é “isolado” em todos os lados com um isolamento
transparente enquanto no desenho apresentado por Tripanagnostopoulos e
colaboradores (2000a, b) um simples vidro é disposto tanto em uma unidade
absorvedora espelhada CPC ou em três unidades CPC absorvedoras
espelhadas, como se verifica na Figura 3.8(a) e (b), respectivamente.
FIGURA 3.6

Painel coletor CPC com absorvedores cilíndricos. (a) diagrama esquemático. (b) foto de uma instalação
de painel coletor CPC.

3.1.3Coletor de tubo evacuado (ETC)


Coletores solares de placa plana simples e convencionais foram
desenvolvidos para uso em climas quentes e ensolarados. Seus benefícios,
porém, são amplamente reduzidos quando as condições estão desfavoráveis
durante dias frios, nublados e com vento. Ademais, influências climáticas,
tais como condensação e umidade, causam deterioração precoce de materiais
internos, resultando em desempenho reduzido e falha de sistema. Coletores
solares de tubo evacua​do operam diferentemente de outros coletores
disponíveis no mercado. Estes coletores solares consistem em um tubo de
calor dentro de um tubo evacuado, como mostrado na Figura 3.9. Em uma
instalação, muitos tubos são conectados à mesma variedade, segundo a
Figura 3.10.

FIGURE 3.7

(a) Coletor de placa plana invertido. (b) Coletor de placa plana inclinado.
FIGURA 3.8

Seção de um (a) coletor CPC com uma unidade espelho-absorvedora (b) Coletor CPC com três
unidades espelho-absorvedoras.

FIGURA 3.9

Diagrama esquemático de um tubo coletor evacuado.


FIGURA 3.10

Instalação ETC real.

Tabela 3.2 Características de um Sistema típico de tubos coletores evacuados


Parâmetro Valor
Diâmetro do tubo de vidro 65 mm
Espessura do vidro 1,6 mm
Comprimento do coletor 1965 mm
Material da placa absorvedora Cobre
Revestimento Seletivo
Área absorvedora 0,1 m2

Coletores de tubo evacuado revelam que a combinação de uma superfície


seletiva e um supressor de convecção efetivo pode resultar em bom
desempenho a altas temperaturas. O envelope a vácuo reduz as perdas por
convecção e condução, de forma que os coletores possam operar a
temperaturas mais altas que os FPCs. Como os FPCs, eles coletam radiação
direta e difusa, mas sua eficiência é maior em ângulos de incidência baixos.
Isto dá aos ETCs uma vantagem sobre os FPCs em termos de desempenho
diário.
ETCs usam materiais de fase de transição líquido-vapor para transferir calor
com alta eficiência. Estes coletores possuem um tubo de calor (um condutor
térmico altamente eficiente) colocado dentro de um tubo evacuado. O tubo,
cujo selamento é de cobre, fica então preso a um trocador que preenche o
tubo (placa absorvedora). Saliente acima do topo de cada tubo está uma ponta
de metal presa ao tubo selado (condensador do tubo de calor). O tubo de calor
contém uma pequena quantidade de fluido (p. ex., metanol) que passa por um
ciclo de evaporação-condensação. Neste ciclo, a radiação solar incidente
evapora o líquido e o vapor viaja para o dissipador de calor, onde ele
condensa e libera seu calor latente. O fluido condensado retorna para o
coletor solar e o processo é repetido. Quando esses tubos são montados, a
ponta de metal (condensador) projeta-se em um trocador de calor (tubo de
distribuição), conforme se observa na Figura 3.9. Água ou glicol flui através
do tubo de distribuição e coleta o calor dos tubos. O líquido aquecido circula
por outro trocador de calor e desprende seu calor para um processo ou a água
é armazenada em um tanque de armazenamento solar. Outra possibilidade é
usar o ETC conectado diretamente a um tanque de armazenamento de água
quente.
Visto que nenhuma evaporação ou condensação acima da temperatura de
mudança de fase é possível, o tubo de calor oferece uma proteção inerente ao
congelamento ou superaquecimento. Este controle de temperatura
autolimitante é uma característica única do coletor de tubo de calor evacuado.
FIGURA 3.11

Tubo coletor evacuado todo de vidro do tipo Dewar.

FIGURA 3.12

Arranjo de tubos coletores evacuados com refletores. (a) Refletor difuso plano. (b) Refletor CPC.

Coletores de tubos evacuados consistem em um tubo de calor dentro de um


tubo selado a vácuo. As características de um coletor típico são mostradas na
Tabela 3.2. ETCs no mercado exibem muitas variações de forma
absorvedora. Tubos a vácuo com refletores CPC são também comercializados
por vários produtores. Um desenho, apresentado recentemente em uma
tentativa de reduzir custo e aumentar o tempo de vida, mostrado na Figura
3.11, consiste em um ETC do tipo Dewar todo de vidro. Este utiliza os tubos
de vidro concêntricos, e o espaço entre os tubos é evacuado, criando um
revestimento a vácuo. Neste tipo de ETC, o revestimento seletivo é
depositado na superfície exterior de um tubo de vidro em forma de abóboda
em uma extremidade. Este tubo é então inserido em um segundo tubo de
maior diâmetro abobadado e são então ligados na extremidade aberta. A
vantagem deste desenho consiste no fato de ser feito inteiramente de vidro,
não sendo necessário penetrar o vidro para extrair calor do tubo, eliminando
perdas por vazamento e mantendo-o mais barato do que o sistema de único
envelope. Porém, estes são adequados apenas para sistemas de baixa pressão
e têm a desvantagem de que os tubos não podem ser drenados; se um tubo
quebra, todo o fluido pode ser perdido (Morrison, 2001). Isto é também
chamado de ETC de tubo molhado. Uma variação do ETC de tubo molhado é
um ETC normal de vidro único no qual água (ou qualquer outro fluido) flui
através do coletor tanto em um tubo U como em um tubo coaxial.
Como coletores de tubos evacuados são relativamente caros, o custo-
eficácia destes pode ser melhorado reduzindo-se o número de tubos e usando
refletores para concentrar a radiação solar nos tubos. Um refletor difuso
(refletividade, ρ = 0,6) montado atrás dos tubos, espaçado pelo diâmetro de
um tubo, como mostrado na Figura 3.12(a), aumenta a energia absorvida em
cada tubo em mais de 25% da incidência normal. Este sistema também
apresenta um aumento de 10% na coleta de energia em um dia inteiro por
causa dos efeitos do ângulo de incidência. É possível atingir mais
aprimoramento ao usar refletores do tipo CPC, como mostrado na Figura
3.12(b). Arranjos de tubo a vácuo com concentradores estacionários podem
ter temperaturas de estagnação excedendo 300oC.
Outro tipo de coletor desenvolvido recentemente é o coletor parabólico
integrado composto (ICPC). Este é um ETC no qual, no fundo do tubo de
vidro, um material reflexivo é fixado (Winston e colaboradores, 1999). Neste
caso, um refletor CPC, Figura 3.13(a), ou um refletor cilíndrico, Figura
3.13(b), é usado. O último não atinge a concentração do refletor formado,
mas tem um custo de manufatura bem baixo. Deste modo, o coletor combina-
se em uma unidade simples com as vantagens de um isolamento a vácuo e
uma concentração não espelhada. Em outro desenho, um rastreador ICPC é
desenvolvido adequadamente para aplicações de altas temperaturas (Grass e
colaboradores, 2000).
Coletores de tubo a vácuo são produzidos em vários tamanhos, com
diâmetros exteriores variando entre 30 e 100 mm. O comprimento usual
destes coletores é de aproximadamente 2 m.
3.2Coletores concentradores com rastreador solar
Para fornecimento de energia são necessárias altas temperaturas e estas
podem ser aumentadas ao diminuir a área na qual as perdas de calor ocorrem.
Temperaturas muito acima das atingíveis pelos FPCs podem ser atingidas se
uma grande quantidade de radiação solar for concentrada em uma área de
coleta relativamente pequena. Isto é feito ao interpor um dispositivo ótico
entre uma fonte de radiação e uma superfície absorvedora de energia.
Coletores concentradores têm certas vantagens sobre o tipo convencional de
placa plana (Kalogirou e colaboradores, 1994a). As principais vantagens são
as seguintes:
1. O fluido pode atingir temperaturas mais altas em um sistema concentrador
do que um sistema de placa plana da mesma superfície coletora de energia
solar. Isto significa que uma eficiência termodinâmica maior pode ser
atingida.
2. É possível um sistema concentrador atingir um ajuste termodinâmico entre
o nível da temperatura e a tarefa. A tarefa pode ser operar dispositivos
termiônicos, termodinâmicos ou outros de maiores temperaturas.
3. A eficiência térmica é maior por causa da pequena área de perda de calor
relativa à área receptora.
4. Superfícies refletoras necessitam de menos material e são estruturalmente
mais simples do que FPCs. Para um coletor concentrador, o custo por
unidade de área da superfície coletora solar é então menor do que aquele
de um coletor de placa plana.
5. Devido à área relativamente pequena do receptor, por unidade de energia
solar coletada, o tratamento da superfície seletiva e o isolamento a vácuo
para reduzir perdas de calor e melhorar a eficiência do coletor são
economicamente viáveis.
FIGURA 3.13

Tubos integrados CPC. (a) Parabólica componente interna. (b) Refletor circular com plano vertical fixo
absorvedor.

Suas desvantagens são as seguintes:


1. Sistemas concentradores coletam pouca ou nenhuma radiação difusa,
dependendo da taxa de concentração.
2. Alguma forma de sistema de rastreamento é necessária para fazer com que
o coletor siga o sol.
3. Superfícies refletoras solares podem perder sua refletância com o tempo e
precisar de limpeza periódica e remodelações.
Muitos projetos têm sido considerados para coletores concentradores.
Concentradores podem ser refletores ou refratores, podem ser cilíndricos ou
parabólicos, e podem ser contínuos ou segmentados. Receptores podem ser
convexos, planos, cilíndricos ou côncavos e podem ser cobertos com vidro ou
descobertos. Taxas de concentração, isto é, a taxa de abertura das áreas
absorvedoras, podem variar por várias ordens de magnitude, de tão baixo
como levemente acima da unidade para altos valores da ordem de 10.000.
Taxas maiores significam maiores temperaturas nas quais a energia pode ser
transferida, mas consequentemente estes coletores têm exigências para
precisão na qualidade óptica e o posicionamento do sistema óptico.
FIGURA 3.14

Coletor de placa plana com refletores planos.

Por causa do movimento aparente do sol pelo céu, coletores concentradores


convencionais devem seguir o movimento diário do sol. O movimento do sol
pode ser prontamente rastreado por dois métodos. O primeiro é o método
altazimute, que requer que o dispositivo rastreador se mova tanto em altitude
quanto em azimute, isto é, quando desempenhado corretamente, este método
permite que o concentrador siga o sol exatamente. Coletores solares
paraboloidais geralmente usam este sistema. O segundo método é o
rastreamento de um eixo, no qual o coletor rastreia o sol em apenas uma
direção, tanto do leste para o oeste como do norte ao sul. Coletores
parabólicos em calha (PTCs) geralmente usam este sistema. Estes sistemas
precisam de ajuste contínuo e preciso para compensar as mudanças na
orientação do sol. Relações de como estimar o ângulo de incidência da
radiação solar e a inclinação da superfície coletora para estes modos de
rastreamento são dados no Capítulo 2 Seção 2.2.1.
O primeiro tipo de concentrador solar, mostrado na Figura 3.14, é
efetivamente um coletor de placa plana embutido com refletores planos
simples, os quais podem aumentar acentuadamente a quantidade de radiação
direta atingindo o coletor. Isto é, na verdade, um concentrador porque a
abertura é maior do que o absorvedor, mas o sistema é estacionário. Uma
análise abrangente e um modelo de tal sistema são apresentados por Garg e
Hrishikesan (1998). O modelo facilita a previsão da energia total absorvida
pelo coletor a qualquer hora do dia para qualquer latitude em ângulos
aleatórios de inclinação, azimute do coletor e dos refletores. Este simples
aprimoramento dos FPCs foi inicialmente sugerido por Tabor (1966).
FPCs podem ser equipados com refletores planos, como mostrado na Figura
3.14 ou com um arranjo com dentes mostrado na Figura 3.15, apropriado para
instalações de coletores multilinha. Em ambos os casos, os refletores planos
simples e difusos podem aumentar significativamente a quantidade de
radiação direta que atinge o coletor. O termo refletor difuso denota um
material que não é um espelho, evitando a formação de uma imagem do sol
no absorvedor, o que cria uma distribuição de radiação irregular e tensões
térmicas.
Outro tipo de coletor, o CPC, já visto quando foi falado sobre os coletores
estacionários, é também classificado como concentrador. Este pode ser
estacionário ou rastreador, dependendo do ângulo de aceitação. Quando o
rastreamento é usado, este é bem rude ou intermitente, pois a taxa de
concentração é geralmente pequena e a radiação pode ser coletada em
concentração por uma ou mais reflexões nas superfícies parabólicas.
Como foi visto anteriormente, uma desvantagem de coletores
concentradores é que, exceto em taxas de concentração baixas, eles podem
usar apenas um componente direto da radiação solar, porque o componente
difuso não pode ser concentrado por quase todos os tipos. Porém, uma
vantagem adicional de coletores concentradores é que, no verão, quando o sol
se levanta bem ao norte da linha leste-oeste, o seguidor do sol, com seu eixo
orientado norte-sul, pode começar a captar radiação diretamente do sol bem
antes de um coletor de placa plana fixo e direcionado ao sul poder receber
qualquer coisa além de radiação difusa de uma porção do céu para a qual
esteja apontando. Então, em áreas relativamente sem nuvens, o coletor
concentrador pode capturar mais radiação por unidade de abertura do que o
coletor de placa plana.
FIGURA 3.15

Coletores de placa plana com refletores de dentes serrados.

Em concentradores coletores de energia solar é oticamente concentrado


antes de ser transferido o calor. A concentração pode ser obtida por reflexão
ou refração da radiação solar pelo uso de espelhos ou lentes. A luz refletida
ou refratada se concentra em uma zona focal, aumentando assim o fluxo de
energia em um alvo receptor. Coletores concentradores podem também ser
classificados em não espelhados ou espelhados, dependendo se a imagem do
sol é focada no receptor. O concentrador pertencente à primeira categoria é o
CPC, enquanto todos os outros tipos de concentradores pertencem ao tipo
espelhado. Os coletores da segunda categoria são:
1. Coletor parabólico em calha (PTC).
2. Refletor linear de Fresnel (LFR).
3. Refletor em disco parabólico (PDR).
4. Coletor de campo heliostático (HFC).

3.2.1Coletor parabólico em calha (PTC)


Para distribuir altas temperaturas com boa eficiência, é necessário um coletor
solar de alto desempenho. Sistemas com estruturas de luz e tecnologia de
baixo custo para processar aplicações de calor até 400oC poderiam ser obtidos
com PTCs. PTCs podem efetivamente produzir calor a temperaturas entre 50
e 400oC.
Coletores parabólicos em calha ou concentradores cilíndrico-parabólicos
são feitos entortando-se uma folha de material reflexivo em uma forma
parabólica. Um tubo de metal preto, coberto com tubo de vidro para reduzir
perdas de calor, é colocado ao longo da linha focal do receptor (ver Figura
3.16). Quando a parábola é apontada na direção do sol, raios paralelos
incidentes no refletor são refletidos no tubo receptor. A radiação concentrada
atingindo o tubo receptor aquece o fluido que circula através dele,
transformando a radiação solar em um calor útil. É suficiente usar um
rastreamento de eixo único do sol; portanto, módulos coletores longos são
produzidos. O coletor pode ser orientado em uma direção leste-oeste,
rastreando o sol de norte a sul, ou em uma direção norte-sul, rastreando o sol
de leste a oeste. As vantagens do primeiro modo de rastreamento é que um
ajuste pequeno no coletor é necessário durante o dia e uma abertura completa
sempre aponta para o sol ao meio-dia, embora o desempenho do coletor
durante as horas iniciais e finais do dia seja amplamente reduzido, devido aos
grandes ângulos de incidência (perda cosseno). Calhas parabólicas orientadas
para norte-sul têm sua perda cosseno maior ao meio-dia e a menor nas
manhãs e ao anoitecer, quando o sol está ao leste ou oeste. Fotografias de
coletores PTC são mostradas na Figura 3.17.

FIGURA 3.16

Esquema de um coletor parabólico em calha.

FIGURA 3.17
Fotos de coletores parabólicos em calha reais. (a) O EuroTrough (de
http://www.bp.de/en#sun/show/1043-EuroTrough_Collector). (b) Um coletor da Industrial Solar
Technology.

Em um período de um ano, um campo de calhas parabólicas horizontal


norte-sul coleta ligeiramente mais energia do que um horizontal leste-oeste.
Porém, o campo norte-sul coleta muita energia no verão e muito menos no
inverno (ver Capítulo 2 Seção 2.2.1). O campo leste-oeste coleta mais energia
no inverno do que o norte-sul e menos no verão, fornecendo uma saí​​da anual
mais constante. Portanto, a escolha da orientação geralmente depende da
aplicação e se mais energia é necessária no verão ou no inverno.
A tecnologia de calhas parabólicas é a mais avançada das tecnologias
térmicas solares por causa da considerável experiência com tais sistemas e do
desenvolvimento de uma pequena indústria comercial para produzir e
comercializar esses sistemas. PTCs são módulos embutidos, sustentados no
chão por pedestais nas duas extremidades.
Coletores parabólicos em calha são a tecnologia solar mais avançada para
gerar calor a temperaturas até 400oC para geração de eletricidade térmica
através do sol ou processar aplicações de calor. A maior aplicação deste tipo
de sistema é a estação de força do sul da Califórnia, conhecida como
Sistemas Geradores de Eletricidade Solar (SEGS), que tem uma capacidade
total instalada de 354 MWe (Keamey e Price, 1992). SEGS I é 14 MWe,
SEGS de II a VII são 30 MWe cada, e SEGS VIII e IX são 80 MWe cada.
Três desenhos de coletores têm sido usados nessas estações: LS-1 para SEGS
I, LS-2 para SEGS II-VII, e LS-3 para parte de SEGS VII, VIII e IX. Mais
detalhes deste sistema são dados no Capítulo 1. Outra importante aplicação
deste tipo de coletor está instalada na Plataforma Solar de Almeria, no sul da
Espanha, principalmente para fins experimentais, com uma capacidade total
instalada dos PTCs igual a 1,2 MW.
O receptor de uma calha parabólica é linear. Geralmente, um tubo é
colocado ao longo da linha focal para formar um receptor de superfície
externo (ver Figura 3.16). O tamanho do tubo, e, portanto, a taxa de
concentração, é determinado pelo tamanho da imagem do sol refletida e as
tolerâncias de manufatura da calha. A superfície do receptor é tipicamente
banhada com um revestimento seletivo que tem uma alta absortância para a
radiação solar, mas uma baixa emitância para a perda de radiação térmica.
Um tubo coberto de vidro é geralmente colocado em volta do tubo receptor
para reduzir a perda de calor por convecção do receptor, assim reduzindo
mais o coeficiente de perda de calor. Uma desvantagem do tubo coberto de
vidro é que a luz refletida do concentrador precisa passar pelo vidro para
atingir o absorvedor, adicionando uma perda de transmitância de
aproximadamente 0,9, quando o vidro está limpo. Em geral, o envelope de
vidro tem um revestimento antirreflexo para aumentar a transmissividade.
Um jeito de reduzir mais a perda de calor por convecção do tubo receptor e
assim aumentar o desempenho do coletor, particularmente para aplicações de
alta temperatura, é evacuar o espaço entre o tubo coberto de vidro e o
receptor. O comprimento total do tubo receptor de PTCs é geralmente de 25 a
150 m.
Novos desenvolvimentos no campo de PTCs apontam para a redução do
custo e aprimoramentos na tecnologia. Em um sistema, os espelhos coletores
podem ser lavados de modo automático, reduzindo drasticamente o custo de
manutenção.
Depois de um período de pesquisa e desenvolvimento comercial de PTCs
nos anos 1980 várias companhias entraram no campo, produzindo este tipo
de coletor para um alcance de temperaturas entre 50 e 300oC, todos eles com
um rastreamento de um eixo. Um exemplo é o coletor solar produzido pela
Industrial Solar Technology Corporation (IST). A IST levantou várias
instalações de processos de calor nos Estados Unidos que até o fim do último
século eram de 2700 m2 de área aberta de coletores (Kruger e colaboradores,
2000).
A calha parabólica da IST tem sido testada exaustivamente e avaliada no
Sandia National Laboratory (Dudley, 1995) e no German Aerospace Center
(DLR) (Kruger e colaboradores, 2000) para eficiência e durabilidade.
As características do sistema coletor IST são mostradas na Tabela 3.3.
Construção da parábola
Para atingir custo-eficiência na produção em massa, a estrutura do coletor
precisa possuir não apenas uma alta taxa rigidez-peso, para manter o
conteúdo do material em um mínimo, mas também ser passível de processos
de produção menos trabalhosos. Muitos conceitos estruturais foram
propostos, tais como estruturas de armação de aço com tubos de torque
central ou treliças em V e fibras de vidro (Kalogirou e colaboradores, 1994b).
Um desenvolvimento recente neste tipo de coletores é o desenho e
manufatura do EuroTrough, um novo PTC, no qual uma estrutura leve
avançada é usada para atingir geração de potência solar com custo-eficiência
(Lupfert e colaboradores, 2000; Geyer e colaboradores, 2002). Baseado em
dados de teste ambientais estipulados, vidros espelhados parecem ser o
material de espelho preferido, embora materiais reflexivos autoadesivos com
vida útil de 5-7 anos existam no mercado.
Tabela 3.3 Características do sistema coletor parabólico em calha IST.
Parâmetro Valor/Tipo
Ângulo do arco do coletor 70o
Superfície reflexora Acrílico prateado
Material receptor Aço
Abertura do coletor 2,3 m
Tratamento da superfície do receptor Níquel escurecido altamente seletivo
Absortância 0,97
Emitância (80oC) 0,18
Transmitância do envelope de vidro 0,96
Diâmetro do absorvedor externo 50,8 mm
Precisão do mecanismo de precisão 0,05o
Orientação do coletor Eixo na direção N-S
Modo de rastreamento L-O horizontal

Para o coletor EuroTrough, o assim chamado desenho de caixa de torque


foi selecionado, com menos peso e com menores deformações da estrutura do
coletor devido ao peso morto e ao vento, do que os desenhos de referência
(tubo de torque LS-2 ou o desenho LS-3 V em treliças; ambos aplicados nas
estações Californianas). Isto reduz a torsão e flexão da estrutura durante a
operação, além de resultar em um desempenho ótico maior e resistência ao
vento. O peso da estrutura de aço foi reduzido por volta de 14% quando
comparado com o desenho disponível para o coletor LS-3. O elemento
central do desenho em caixa é uma estrutura de 12 m de aço espaçada, tendo
uma seção de choque quadrada que suporta os braços para as facetas do
espelho parabólico. A caixa de torque constrói-se com apenas quatro partes
de aço. Isto leva a uma fabricação fácil, diminui o esforço necessário e, por
conseguinte, o custo para a montagem do local. A deformação estrutural do
novo desenho é consideravelmente menor que a do desenho anterior (LS-3),
que resulta em melhor desempenho para o coletor.
Outro método para produzir calhas parabólicas leves, desenvolvido pelo
autor, é com a fibra de vidro (Kalogirou e colaboradores, 1994b). Para a
produção da calha, um molde é necessário. A calha é de fato uma cópia
negativa do molde. Inicialmente, uma camada de fibra de vidro é colocada.
Cavidades produzidas com canais, cobertos com uma segunda camada de
fibra de vidro na parte de trás da superfície do coletor, fornecem um reforço
nas direções longitudinal e transversal para aumentar a rigidez, como
mostrado na Figura 3.18.
Mecanismos de rastreamento
Um mecanismo de rastreamento precisa ser confiável e capaz de seguir o sol
com certo grau de precisão, retornar o coletor à sua posição original no fim
do dia ou durante a noite, e rastrear durante períodos de cobertura de nuvens
intermitentes. Adicionalmente, mecanismos de rastreamento são usados para
a proteção de coletores; isto é, eles mudam o foco do coletor para protegê-lo
de condições ambientais e de trabalho perigosas, tais como rajadas de vento,
superaquecimento ou falha do mecanismo de fluxo de fluido térmico. A
precisão necessária para o mecanismo de rastreamento depende do ângulo de
aceitação do coletor. Este está descrito na Seção 3.6.3, e o método para
determiná-lo experimentalmente é dado na Seção 4.3.

FIGURA 3.18

Detalhes da parábola de fibra de vidro.


Variadas formas de mecanismos de rastreamento, ora complexos ou muito
simples, foram propostos. Eles podem ser divididos em duas grandes
categorias: sistemas mecânicos e eletroeletrônicos. Os sistemas eletrônicos
geralmente exibem confiabilidade maior e precisão de rastreamento. Estes
podem ser subdivididos em:
1. Mecanismos que empregam motores controlados eletronicamente através
de sensores, os quais detectam a magnitude da iluminação solar
(Kalogirou, 1996).
2. Mecanismos usando motores controlados por computadores, com controle
de feedback fornecido por sensores que medem o fluxo solar no receptor
(Briggs, 1980; Boultinghouse, 1982).
Um mecanismo de rastreamento desenvolvido pelo autor (Kalogirou, 1996)
usa três resistores de luz (LDRs), que detectam o foco, condições sol-nuvem,
dia-noite e fornecem instruções a um motor CC por meio de um sistema de
controle para focalizar o coletor, seguir aproximadamente o caminho do sol,
quando há nebulosidade, e retornar o coletor para o leste durante a noite.
O sistema, designado para operar com a precisão necessária de
rastreamento, consiste em um motor pequeno de corrente direta que gira o
coletor via uma redução da caixa multiplicadora. Um diagrama do sistema,
junto com uma tabela mostrando as funções do sistema de controle, é
apresentado na Figura 3.19. O sistema emprega três sensores, dos quais A é
instalado no lado leste do coletor sombreado pela armação, ao passo que os
outros dois (B e C) são instalados na armação do coletor. O sensor A age
como um sensor de “foco”, isto é, ele recebe a luz do sol direta apenas
quando o coletor é focado. Conforme o sol se move, o sensor A se torna
sombreado e o motor “liga”. O sensor B é o sensor “nuvem”, e a cobertura da
nuvem é assumida quando a iluminação cai abaixo de um certo nível. O
sensor C é o sensor da “luz do dia”. A condição, quando todos os três
sensores recebem a luz do sol, é traduzida pelo sistema de controle como dia
com nenhuma nuvem passando pelo sol e o coletor em uma posição focada.
As funções mostradas na tabela da Figura 3.19 são seguidas, desde que o
sensor C esteja “ligado”, ou seja, de dia.
Os sensores em uso são resistores de luz (LDRs). A principal desvantagem
dos LDRs é que eles não podem distinguir entre luz do sol direta e difusa.
Porém, é possível contornar tal fato com a adição de um resistor ao sistema,
que pode ser ajustado para luz do sol direta (i.e., valor limite). Isto é obtido
ao regular o resistor ajustável de modo que, para luz do sol direta, o nível
apropriado e lógico de entrada (i.e., 0) é estabelecido.

FIGURA 3.19

Mecanismo de rastreamento, diagrama do sistema

Como mencionado anteriormente, liga-se o motor do sistema quando


qualquer um dos três LDRs é sombreado. A ativação de qual tipo de sensor
depende da quantidade de sombreamento determinada pelo valor estabelecido
no resistor ajustável, isto é, o valor limite para a radiação necessária para
ativar os transmissores. O sensor A está sempre parcialmente sombreado.
Conforme o sombreamento aumenta, devido ao movimento do sol, um valor
é atingido que ativa o transmissor para a frente, ligando o motor para virar o
coletor e, portanto, volta a expor o sensor A.
O sistema também acomoda uma cobertura de nuvens, isto é, quando o
sensor B não está recebendo luz do sol direta, determinado pelo valor de
outro resistor ajustável, um temporizador é automaticamente conectado ao
sistema, o que liga o motor a cada 2 min por volta de 7 s. Como resultado, o
coletor segue aproximadamente o caminho do sol e, quando o sol reaparece,
o coletor é refocado pela função do sensor A.
O sistema também incorpora dois interruptores limite, a função consiste em
parar o motor nos casos de ir além dos limites rotacionais. Estes são
instalados em duas paradas, que restringem a rotação geral do coletor em
ambas as direções, leste e oeste. O coletor rastreia ao oeste enquanto é dia.
Quando o sol se põe e o sensor C determina que é noite, a energia é
conectada a um transmissor reverso, que muda a polaridade do motor e
rotaciona o coletor até seu movimento estar restrito pelo interruptor limite do
leste. Se não há sol durante a manhã seguinte, o temporizador é usado para
seguir o caminho do sol sob condição normal de nuvens. O sistema rastreador
descrito, compreendido de um motor elétrico e uma caixa de velocidades, é
para coletores pequenos. Para coletores grandes, unidades hidráulicas
potentes são necessárias.
O sistema de rastreamento desenvolvido pelo coletor EuroTrough é baseado
em um rastrea​mento “virtual”. A tradicional unidade de rastreamento com
sensores que detectam a posição do sol tem sido substituída por um sistema
baseado em cálculos da posição do sol usando um algoritmo matemático. A
unidade é implementada no EuroTrough com um encoder angular ótico de
13-bit (resolução de 0,8 mrad) mecanicamente acoplado ao eixo de rotação
do coletor. Comparando ambas as posições dos eixos do sol e do coletor por
um dispositivo eletrônico, uma ordem é enviada para o sistema de
acionamento para induzir o rastreamento.
3.2.2Coletores Fresnel
Coletores Fresnel têm duas variações: o coletor lente Fresnel (FLC),
mostrado na Figura 3.20(a), e o refletor Fresnel linear (LFR), que consta na
Figura 3.20(b). O primeiro é feito de material plástico e moldado de forma
que se localizem os raios solares em um ponto do receptor, enquanto que o
último baseia-se em um arranjo de tiras lineares espelhadas que concentram a
luz em um receptor linear. O coletor LFR pode ser imaginado como um
refletor em calha parabólica cilíndrica (ver Figura 3.20(b)), mas
diferentemente de calhas parabólicas, as tiras individuais não precisam de
uma forma parabólica. As tiras podem também ser montadas em um terreno
plano (campo) e concentrar luz em um receptor linear fixo montado em uma
torre. Uma representação de um elemento de um campo coletor LFR é
mostrada na Figura 3.21. Neste caso, grandes absorvedores podem ser
construídos e o absorvedor não tem que se mover. A maior vantagem deste
tipo de sistema é que ele usa refletores planos ou elasticamente curvados, os
quais são mais baratos do que refletores parabólicos de vidro.
Adicionalmente, estes são montados próximos ao chão, assim minimizando
requisitos estruturais.
O primeiro a aplicar este princípio foi o grande pioneiro solar Giorgio
Francia (1968), que desenvolveu ambos os sistemas refletores Fresnel
lineares e de dois eixos em Genoa, Itália, nos anos 1960. Estes sistemas
mostraram que temperaturas elevadas poderiam ser atingidas usando tais
sistemas, mas ele seguiu para o rastreamento de dois eixos, possivelmente
porque os revestimentos seletivos avançados e a óptica secundária não
estavam disponíveis (Mills, 2001).

FIGURA 3.20

Coletores Fresnel (a) lente do coletor Fresnel (FLC). (b) Coletor parabólico em calha linear do tipo
Fresnel.

FIGURA 3.21
Diagrama esquemático de um receptor virado para baixo iluminado de um campo LFR.

Em 1979, a Corporação FMC produziu um estudo de desenho de projeto


detalhado para estações de energia de 10 e 100 MWe para o Departamento de
Energia do EUA (DOE). A maior estação teria usado um absorvedor de
cavidade linear de 1.68 km montado em torres de 61 m de altura. O projeto,
entretanto, nunca foi colocado em prática, porque acabou o financiamento do
DOE (Mills, 2001).
Uma tentativa posterior de produzir um LFR rastreador foi feita pela
companhia israelense Paz no início dos anos 1990 por Feuermann e Gordon
(1991). Esta usou ótica do tipo CPC secundário eficiente e um tubo
absorvedor a vácuo.
Uma dificuldade com a tecnologia LFR é que a anulação do sombreamento
e o bloqueio entre os refletores adjacentes levam a um espaçamento maior
entre os refletores. O bloqueio pode ser reduzido por um aumento da altura
das torres absorvedoras, mas isto aumenta o custo. A tecnologia do refletor
compacto linear de Fresnel tem sido recentemente desenvolvida na
Universidade de Sydney na Austrália. Isto é, com efeito, um segundo tipo de
solução para o problema do campo refletor de Fresnel que não vem sendo
considerado até recentemente. Neste desenho, elementos lineares adjacentes
podem ser intercalados para evitar o sombreamento. O sistema clássico LFR
tem apenas um receptor e não há opção em relação à direção e à orientação
de um dado refletor. Porém, se é assumido que o tamanho do campo será
grande, como deve ser na tecnologia que supre eletricidade na classe de
megawatts, é razoável afirmar que haverá muitas torres no sistema. Se elas
estarão próximas o suficiente, então refletores individuais têm a opção de
direcionar a radiação solar refletida para ao menos duas torres. Esta variável
adicional na orientação do refletor fornece os meios para arranjos
acondicionados muito mais densos porque padrões de alternância na
orientação do refletor podem ser tais que refletores acondicionados
proximamente podem ser posicionados sem sombreamento ou bloqueio. A
intercalação dos espelhos entre duas torres receptoras é mostrada na Figura
3.22. O arranjo minimiza o bloqueio de feixes por refletores adjacentes e
permite altas densidades de refletores e baixas alturas de torres a serem
usadas. Espaçamento próximo de refletores reduz o uso do local, mas em
muitos casos, como em desertos, este não é um problema sério. O ato de
evitar grandes espaçamentos de refletores e alturas de torres é também um
importante problema de custo, quando o custo da preparação do solo, custo
da subestrutura do arranjo, custo da estrutura da torre, a perda térmica da
linha de vapor e o custo da linha de vapor são considerados. Se a tecnologia
está para ser locada em uma área com disponibilidade limitada de espaço, tal
como em áreas urbanas ou próximo a estações de energia existentes, um
arranjo de alta cobertura de solo pode levar a uma saída máxima do sistema
para uma dada área (Mills, 2001).

FIGURA 3.22

Diagrama esquemático mostrando intercalação de espelhos em um CLFR com sombreamento reduzido


entre os espelhos.

Uma boa revisão de aplicações de energia solar das lentes de Fresnel é dada
em Xie e colaboradores (2011). Isto inclui tanto sistemas espelhados ou não
espelhados.
3.2.3Refletor de disco parabólico (PDR)
Um refletor de disco parabólico (PDR), mostrado esquematicamente na
Figura 3.23(a), é um coletor de ponto focal que rastreia o sol em dois eixos,
concentrando a energia solar em um receptor localizado no ponto focal do
disco. A estrutura em disco deve rastrear completamente o sol para refletir o
feixe no receptor térmico. Para este propósito, mecanismos de rastreamento
similares aos descritos na seção anterior são empregados em dobro, e então o
coletor é rastreado em dois eixos. A Figura 3.23(b) mostra uma fotografia de
um coletor Eurodish.
O receptor absorve a energia solar radiante, convertendo-a em energia
térmica em um fluido circulante. A energia térmica pode então ser convertida
em eletricidade usando um gerador-motor, ligado diretamente ao receptor ou
transportada por meio de tubos para um sistema central de conversão de
energia. Sistemas de disco parabólico podem atingir temperaturas de até
1.500oC. Visto que os receptores são distribuídos por um campo coletor,
como calhas parabólicas, os discos parabólicos são frequentemente chamados
de sistemas de receptores distribuídos. Discos parabólicos têm várias
vantagens importantes (De Laquil e colaboradores, 1993):
1. Já que eles estão sempre apontando para o sol, são o mais eficiente de
todos os sistemas coletores.
2. Eles têm tipicamente taxas de concentrações na faixa de 600-2.000 e assim
são altamente eficazes em absorção de energia térmica e sistemas de
conversão de energia.
3. Eles são coletores modulares e unidades receptoras que podem funcionar
tanto independentemente como sendo parte de um sistema maior de discos.
O principal uso deste tipo de concentrador é para motores de disco
parabólico. Um sistema de motor de disco parabólico é um gerador elétrico
que usa luz do sol em vez de óleo cru ou carvão para produzir eletricidade.
As maiores partes do sistema são o disco concentrador solar e a unidade de
conversão de energia. Mais detalhes neste sistema são dados no Capítulo 1.
Sistemas de disco parabólico, que geram eletricidade de um conversor
central de energia coletam a radiação solar absorvida de receptores
individuais, repassam-na via um fluido de transferência de calor para os
sistemas de conversão de energia. A necessidade de circular o fluido de
transferência de calor pelo campo coletor gera problemas no design tais como
o layout dos tubos, requerimentos de bombeamento e perdas térmicas.
FIGURA 3.23

Coletor de disco parabólico. (a) Diagrama esquemático. (b) Foto de um coletor Eurodish.

3.2.4Coletor de campo heliostático (HFC)


Para entradas extremamente altas de energia radiante, podem ser usados uma
multiplicidade de espelhos planos ou heliostatos, que usam montagens
altazimute para refletir sua radiação solar incidente direta em um alvo em
comum, como mostrado na Figura 3.24. Isto é chamado de campo
heliostático ou coletor receptor central. Ao usar segmentos de espelho
levemente côncavos nos heliostatos, grandes quantidades de energia térmica
podem ser direcionadas na cavidade de um gerador de vapor para produzir
vapor a uma alta temperatura e pressão.
A energia absorvida do calor concentrado pelo receptor é transferida para
um fluido circulante que pode ser armazenado e mais tarde usado para
produzir energia. Receptores centrais têm várias vantagens (De Laquil e
colaboradores, 1993):
1. Eles coletam energia solar oticamente e transferem-na para um receptor,
assim minimizando a necessidade de transporte de energia térmica.
2. Eles atingem tipicamente taxas de concentração de 300-1500, logo, são
altamente eficazes, tanto ao coletar energia quanto para convertê-la em
eletricidade.
3. Eles podem convenientemente armazenar energia térmica.
4. Eles são bem grandes (geralmente mais que 10 MW) e assim beneficiam
economias de escala.

FIGURA 3.24
Esquema de um sistema receptor central.

Cada heliostato em uma instalação de receptores centrais tem de 50 a 150


m2 de superfície refletora, com quatro espelhos instalados em um pilar
comum, para economia, como mostrado na Figura 3.25. Os heliostatos
coletam e concentram a radiação do sol no receptor, que absorve a radiação
do sol concentrada, transferindo sua energia para um fluido de transferência
de calor. O sistema de transporte de calor, que consiste primariamente em
tubos, bombas e válvulas, direciona o fluido de transferência em um ciclo
fechado entre os sistemas receptor, de armazenamento e o de conversão de
energia. Um sistema de armazenamento térmico costuma armazenar a energia
coletada como calor sensível para transferência posterior ao sistema de
conversão de energia. Um sistema de conversão de energia consiste em um
gerador a vapor, uma turbina geradora, um equipamento de suporte, que
converte a energia térmica em eletricidade e a direciona para a grade
utilitária.

FIGURA 3.25

Detalhe de um heliostato.

Neste caso, raios solares incidentes são refletidos por grandes coletores
rastreadores espelhados, que concentram o fluxo de energia na direção de
trocadores de calor radiativos-convectivos, nos quais a energia é transferida
para um fluido térmico operante. Depois da coleta da energia pelo sistema
solar, a conversão da energia térmica em eletricidade tem muitas
similaridades com as estações de energia térmicas convencionais que usam
combustíveis fósseis (Romero e colaboradores, 2002).
Os sistemas coletores e receptores vêm em três configurações gerais. Na
primeira, os heliostatos cercam completamente a torre receptora; e o receptor,
que é cilíndrico, tem uma superfície de transferência de calor exterior. Na
segunda, os heliostatos são localizados ao norte da torre receptora (no
hemisfério norte), e o receptor tem uma superfície de transferência de calor
inclusa. Na terceira, os heliostatos são localizados ao norte da torre receptora,
e o receptor, que é um plano vertical, tem a superfície de transferência de
calor voltada para o norte. Mais detalhes destas estações são dados no
Capítulo 1.
3.3Análise térmica de coletores de placa plana
Nesta seção, é apresentada a análise térmica dos coletores. Os dois maiores
tipos, coletores de placa plana e concentradores, são examinados
separadamente. O parâmetro básico a considerar é a eficiência térmica do
coletor. Esta é definida como a razão entre a energia útil transferida e a
energia incidente na abertura do coletor. O fluxo incidente solar consiste em
radiação direta e difusa. Enquanto coletores de placa plana podem coletar
ambos, coletores concentradores podem utilizar radiação direta apenas se a
taxa de concentração é maior que 10. (Prapas e colaboradores, 1987).
Nesta seção, as várias relações necessárias para determinar a energia útil
coletada e a interação dos vários parâmetros construcionais no desempenho
de um coletor são apresentados.
3.3.1Radiação solar absorvida
A previsão do desempenho dos coletores requer informação da energia solar
absorvida pela placa absorvedora do coletor. A energia solar incidente em
uma superfície inclinada pode ser encontrada pelos métodos apresentados no
Capítulo 2 Consoante abordagem no capítulo referido, a radiação incidente
tem três componentes especiais: radiação direta, difusa e refletida pelo solo.
Este cálculo depende do modelo de radiação empregado. Usando o modelo
isotrópico de hora em hora, a Equação (2.97) pode ser modificada para
fornecer radiação absorvida, S, ao multiplicar cada termo pelo produto de
transmitância-absortância apropriado como segue:
(3.1a)

onde os termos [1 + cos(β)]/2 e [1 – cos(β)]/2 são os fatores de visão do


coletor no céu e do coletor ao chão, respectivamente. A mesma Equação pode
ser usada para estimar a média mensal de radiação solar absorvida, S, ao
substituir os valores de radiação direta horária e de radiação difusa com os
valores das médias mensais apropriados, HB e HD, RB com RB, e vários
valores (τα) com valores médios mensais, (τα) na Equação (3.1a):
(3.1b)
Mais detalhes disto são dados no Capítulo 1.
A combinação da cobertura com a placa absorvedora é mostrada na Figura
3.26, junto com um traço do raio da radiação. Como pode ser visto, da
energia incidente no coletor, τα é absorvido pela placa absorvedora; (1 – α)τ
que atinge a cobertura de vidro é radiação difusa; e (1 – α)τ é refletido de
volta à placa absorvedora. A reflexão múltipla de radiação difusa continua de
modo que a fração de energia solar incidente finalmente absorvida é:
(3.2)

Valores típicos de (τα) são 0.7-0.75 para vidro de janela e 0.85-0.9 para
vidro com baixo teor de ferro. Uma aproximação razoável da Equação (3.2)
para a maioria dos coletores solares práticos é:
(3.3)

A refletância da cobertura de vidro para radiação difusa incidente da placa


absorvedora, ρD, pode ser estimada pela Equação (2.57) como uma diferença
entre τα e τ em um ângulo de 60o. Para coberturas simples, os seguintes
valores podem ser usados para ρD:
Para KL = 0,0125, ρD = 0,15.
Para KL = 0,0370, ρD = 0,12
Para KL = 0,0524, ρD = 0,11.

FIGURA 3.26
Transferência de radiação entre a cobertura de vidro e a placa absorvedora.

Para um dado ângulo de inclinação, β, as seguintes relações empíricas,


derivadas por Brandemuehl e Beckman (1980), podem ser utilizadas no
intuito de encontrar o ângulo de incidência efetivo para radiação difusa do
céu, θe,D, e radiação refletida pelo solo, θe,G:
(3.4a)

(3.4b)

onde
β = ângulo de inclinação do coletor em graus.
A transmitância própria pode ser então obtida pela Equação (2.53),
enquanto a absortância dependente do ângulo de 0o a 80o pode ser obtida de
Beckman e colaboradores (1977):
(3.5a)

ou do ajuste polinomial para 0o e 90o de (Duffie e Beckman, 2006):


(3.5b)

onde
θe = ângulo de incidência efetivo (graus).
an = absortância ao ângulo normal de incidência, que pode ser encontrado a
partir das propriedades do absorvedor.
Subsequentemente, emprega-se a Equação (3.2) de modo a determinar (τα)D
e (τα)G. O ângulo de incidência, θ, do feixe de radiação necessário para
estimar RB pode ser usado para encontrar (τα)B.
Alternativamente, (τα)n pode ser encontrado a partir das propriedades do
material da cobertura e do absorvedor; pela Figura 3.27,observa-se o uso do
ângulo apropriado de incidência para cada componente da radiação a fim de
encontrar os três produtos de transmitância-absortância.
FIGURA 3.27

Curvas (τα)/(τα)n típicas para de uma a quatro coberturas de vidro.

Quando medidas da radiação solar incidente (It) estão disponíveis, em vez


de usar a Equação (3.1a), a seguinte relação pode ser usada:
(3.6)

onde (τα)av pode ser obtido de:


(3.7)
EXEMPLO 3.1
Para um dia de inverno de céu limpo, IB = 1,42 MJ/m2 e ID = 0,39 MJ/m2.
Refletância do solo é 0,5, ângulo de incidência é 23o, e RB = 2,21. Calcule
a radiação solar absorvida por um coletor tendo um vidro com KL =
0,037, a absortância da placa a incidência normal, an = 0,91, e o índice de
refração do vidro é 1,526. A inclinação do coletor é 60o.
Solução
Usando a Equação (3.5a) para o feixe de radiação a θ = 23o,

Para a transmitância, nós precisamos calcular τα e τr. Para o primeiro,


pode-se empregar a Equação (2.51). Da Equação (2.44), θ2 = 14,8o. Então,

Das equações (2.45) e (2.46) r⊥ = 0,054 e r|| = 0,034. Então, da Equação


(2.50a),

Finalmente, da Equação (2.53),

Alternativamente, a Equação (2.52a) poderia ser usada com os valores de


r acima para obter τ diretamente.
Da Equação (3.3),

Da Equação (3.4a), o ângulo de incidência efetivo para a radiação difusa


é:

Da Equação (3.5a), para a radiação difusa em θ = 57o, a/an = 0,949.


Da Equação (2.44), para θ1 = 57o, θ2 = 33o. Das Equações (2.45) e (2.46),
r⊥ = 0,165 e r|| = 0.
Da Equação (2.50a), τr = 0,858, e da Equação (2.51), τα = 0,957. Da
Equação (2.53),

e da Equação (3.3),

Da Equação (3.4b), o ângulo de incidência efetivo para radiação refletida


do solo é:

Da Equação (3.5a), para radiação refletida do solo a θ = 65o, a/an = 0,897.


Da Equação (2.44), para θ1 = 65o, θ2 = 36o. Das Equações (2.45) e (2.46),
r⊥ = 0,244 e r|| = 0,012.
Da Equação (2.50a), τr = 0,792 e da Equação (2.51), τα = 0,955. Da
Equação (2.53),

E da Equação (3.3),

De um modo diferente, da Equação (3.3),


(τα)n = 1,01 × 0,884 × 0,91 = 0,812 (note que para a transmitância o valor
para a incidência normal é usado, isto é, τn).
Da Figura 3.27, para o feixe de radiação a θ = 23o, (τα)/(τα)n = 0,98.
Então,

Da Figura 3.27, para radiação difusa a θ = 57o, (τα)/(τα)n = 0,89. Então,


Da Figura 3.27, para radiação refletida pelo chão a θ = 65o, (τα)/(τα)n =
0,76. Então,

Todos esses valores são muito similares aos valores previamente


encontrados, mas o esforço necessário é muito menor.
Finalmente, a radiação solar absorvida é obtida da equação (3.1a):

3.3.2Perdas de energia do coletor


Quando uma certa quantidade de radiação solar incide na superfície de um
coletor, a maior parte dela é absorvida e transferida para o fluido de
transporte, e é carregada como energia útil. Porém, como em todos os
sistemas térmicos, perdas de calor para o meio por vários modos de
transferência de calor são inevitáveis. A rede térmica para um FPC de
cobertura simples em termos de condução, convecção e radiação é mostrada
na Figura 3.28(a) e em termos da resistência entre placas na Figura 3.28(b). A
temperatura da placa é Tp, a temperatura de trás do coletor é Tb, e a radiação
solar absorvida é S. De um modo simplificado, as várias perdas térmicas do
coletor podem ser combinadas em uma resistência simples, RL, como
mostrado na Figura 3.28(c), de modo que as perdas de energia do coletor
podem ser escritas como:
(3.8)

onde
UL = coeficiente geral de perda de calor baseado na área do coletor Ac
(W/m2 K).
Tp = temperatura da placa (oC).
O coeficiente geral de perda de calor é uma função complicada da
construção do coletor e suas condições de operação, dado pela seguinte
expressão:
(3.9)

onde
Ut = coeficiente de perda do topo (W/m2 K).
Ub = coeficiente de perda de calor do fundo (W/m2 K).
Ue = coeficiente de perda de calor das beiradas do coletor (W/m2 K).

FIGURA 3.28

Rede térmica para um coletor de cobertura simples em termos de (a) condução, convecção, e radiação;
(b) resistência entre placas; e (c) rede coletoras simples.

Portanto, UL é a resistência de transferência de calor da placa absorvedora


para o ar ambiente. Todos esses coeficientes são examinados separadamente.
Deve-se notar que perdas nas beiradas não são mostradas na Figura 3.28.
Além de servir como uma armadilha de calor para admitir a radiação solar
de baixo comprimento e reter radiação térmica de longo comprimento, o
vidro também reduz a perda de calor por convecção. O efeito isolante do
vidro é aprimorado pelo uso de várias coberturas de vidro ou vidro mais
plástico.
Em condições de estado estacionárias, a transferência de calor da placa
absorvedora para a cobertura de vidro é a mesma que a energia perdida da
cobertura de vidro para o ambiente. Como mostrado na Figura 3.28, a
transferência de calor para cima da placa absorvedora a uma temperatura Tp
para a cobertura de vidro a Tg e da cobertura de vidro a Tg para o ambiente a
Ta é por convecção e radiação infravermelha. Para a perda de calor da
radiação infravermelha, a Equação (2.67) pode ser usada. Portanto, a perda de
calor da placa absorvedora para o vidro é dada por:
(3.10)

onde
Ac = área do coletor (m2)
hc,p-g = coeficiente de transferência de calor por convecção entre a placa
absorvedora e a cobertura de vidro (W/m2 K).
εp = emissividade infravermelha da placa absorvedora.
εg = emissividade da cobertura de vidro.
Para ângulos de inclinação até 60o, o coeficiente de transferência de calor
convectivo, hc, p-g é dado por Hollands e colaboradores (1976) para inclinação
do coletor (β) em graus:
(3.11)

onde o sinal positivo representa valores positivos apenas. O valor de


Rayleigh, Ra, é dado por:
(3.12)

onde
g = constante gravitacional, = 9,81 m2/s.
β› = coeficiente volumétrico de expansão; para gás ideal, β› = 1/T.
Pr = número de Prandtl.
L = distância do absorvedor para a cobertura de vidro (m).
ν = viscosidade cinética (m2/s).
As propriedades do fluido na Equação (3.12) são avaliadas na temperatura
média da lacuna (Tp + Tg)/2.
Para coletores verticais, a correlação de convecção é dada por Shewen e
colaboradores (1996) como:
(3.13)

O termo radiação na Equação (3.10) pode ser linearizado pelo uso da


Equação (2.73) na forma de:
(3.14)

Consequentemente, a Equação (3.10) torna-se:


(3.15)
no qual
(3.16)

Similarmente, a perda de calor da cobertura de vidro para o ambiente é por


convecção para o ar do ambiente (Ta) e a troca de radiação com o céu (Tsky).
Por conveniência, a transferência de calor por convecção-radiação combinada
é geralmente dada em termos de Ta apenas por:
(3.17)
onde
hcga = coeficiente de transferência de calor entre a cobertura de vidro e o
ambiente devido ao vento (W/m2 K).
hrga = coeficiente de transferência de calor por radiação entre a cobertura de
vidro e o ambiente (W/m2 K).
O coeficiente de transferência de calor por radiação é dado agora pela
Equação (2.75), notando-se que, ao invés de Tsky, Ta é usado para
conveniência, desde que a temperatura do céu não afete muito os resultados:
(3.18a)

Se a temperatura do céu for considerada:


(3.18b)

A atmosfera não tem uma temperatura uniforme. Ela irradia seletivamente


em certos comprimentos de onda e é essencialmente transparente no intervalo
de comprimento de onda de 8 a 14 micrometro, enquanto do lado de fora este
intervalo tem bandas absorvedoras cobrindo muito do espectro do
infravermelho distante. Várias relações foram propostas para associar Tsky (K)
com variáveis meteorológicas medidas. Duas delas são dadas aqui:
Correlação Swinbank (1963):
(3.18c)

Correção de Berdahl e Martin (1984):


(3.18d)

onde
Ta = temperatura ambiente (K)
Tdp = temperatura do ponto de orvalho (oC)
t = hora desde meia-noite.
Da Equação (3.17),
(3.19)

Desde que as resistências Rpg e Rga estejam em série, sua resultante é dada
por:
(3.20)

Portanto,
(3.21)

Em alguns casos, os coletores são construídos com duas coberturas de vidro


em uma tentativa de baixar as perdas de calor. Neste caso, outra resistência é
adicionada ao sistema mostrado na Figura 3.28 para levar em conta a
transferência de calor da cobertura de baixo para a de cima. Seguindo uma
análise similar, a transferência de calor do vidro de baixo a Tg2 para o vidro
de cima a Tg1 é dada por:
(3.22)
onde
hc,g2-g1 = coeficiente de transferência de calor por convecção entre duas
coberturas de vidro (W/m2 K).
hr,g2-g1 = coeficiente de transferência de calor de radiação entre duas
coberturas de vidro (W/m2 K).
O coeficiente de transferência de calor por convecção pode ser obtido pelas
equações (3.11 – 3.13). O coeficiente de transferência de calor de radiação
pode ser obtido de novo da Equação (2.73) e é dado por:
(3.23)

onde εg2 e εg1 são as emissividades infravermelhas da cobertura de vidro do


topo e do fundo.
Finalmente, a resistência Rg2-g1 é dada por:
(3.24)

No caso de coletores com duas coberturas, a Equação (3.24) é adicionada


aos valores da resistência na Equação (3.20). A análise do coletor de duas
coberturas é dada no Exemplo 3.2.
Nas equações anteriores, são necessárias soluções por iteração para o
cálculo do coeficiente de perda de calor do topo, Ut, pois as propriedades do
ar são funções da temperatura operante. Pelo fato de as iterações necessárias
serem tediosas e consumirem tempo, especialmente para o caso de sistemas
de múltiplas coberturas, uma estimativa simples de Ut é dada pela seguinte
Equação empírica com precisão suficiente para fins de projeto (Klein, 1975):
(3.25)

onde
(3.26)

(3.27)
(3.28)

Deve ser notado que, para o coeficiente de transferência de calor do vento,


não se apreendeu qualquer pesquisa bem estabelecida ainda, mas até isto ser
feito, a Equação (3.28) pode ser usada. O valor mínimo de hw para ar parado
é 5 W/m2oC. Portanto, se a Equação (3.28) der um valor mais baixo, este deve
ser usado como um mínimo.
A perda de energia do fundo do coletor é primeiramente conduzida pelo
isolamento e então por uma transferência de radiação infravermelha e por
convecção combinadas para o ar circundante. Pelo fato de a temperatura do
fundo do revestimento ser baixa, o termo de radiação (ht,b-a) pode ser
negligenciado; assim a perda de energia é dada por:
(3.29)

onde
tb = espessura do isolamento traseiro (m).
kb = condutividade do isolamento traseiro (W/m K).
hc,b-a = coeficiente de perda de calor por convecção da traseira para o
ambiente (W/m2K).
A resistência por condução do isolamento atrás da placa coletora rege a
perda de calor da placa coletora através da parte traseira do revestimento do
coletor. A perda de calor da traseira da placa raramente excede 10% da perda
acima. Valores típicos do coeficiente de perda de calor da superfície traseira
são 0.3-0.6 W/m2 K.
De um modo similar, o coeficiente de transferência de calor para a perda de
calor das beiradas do coletor pode ser obtido de:
(3.30)

onde
te = espessura do isolamento da beirada (m).
ke = condutividade do isolamento da beirada (W/m K)
hc,e-a = coeficiente de perda de calor por convecção da beirada para o
ambiente (W/m2 K).
Conforme UL na Equação (3.8) é multiplicado por Ac o coeficiente de perda
de calor das beiradas do coletor deve ser multiplicado por Ae/Ac, onde Ae é a
área total das quatro beiradas do coletor. O mesmo se aplica para o
coeficiente de perda de calor do fundo, que deve ser multiplicado por Ab/Ac se
as duas áreas não são a mesma.
Valores típicos do coeficiente de perda de calor das beiradas são 1,5-2,0
W/m2 K.

EXEMPLO 3.2
Estime o coeficiente de perda de calor do topo de um coletor que tem as
seguintes especificações:
Área do coletor = 2 m2 (1 × 2 m)
Inclinação do coletor = 35o
Número de coberturas de vidro = 2
Espessura de cada cobertura de vidro = 4 mm.
Espessura da placa absorvedora = 0,5 mm.
Espaço entre as coberturas de vidro = 20 mm.
Espaço entre a cobertura de vidro interna e o absorvedor = 40 mm.
Temperatura média do absorvedor, Tp = 80o = 353 K.
Temperatura ambiente = 15oC = 288 K.
Emissividade da placa absorvedora, = εp = 0,10.
Emissividade do vidro, εg = 0,88.
Velocidade do vento = 2,5 m/s.
Solução
Para resolver este problema, as temperaturas das duas coberturas de vidro
são supostas e então corrigidas por iteração, até que se atinja uma solução
satisfatória ao desenvolver as seguintes equações, obtidas com a
combinação das Equações (3.15), (3.17) e (3.22):

Entretanto, para economizar tempo neste exemplo, valores próximos dos


corretos são usados. Supondo que Tg1 = 23,8oC (296,8 K) e Tg2 = 41,7oC
(314,7 K), da Equação (3.14),

Similarmente, para as duas coberturas, nós temos:

Da Equação (3.18a) e notando-se que como nenhum dado é dado, Tsky =


Ta, nós temos:
Da Tabela A5.1, no Apêndice 5, as seguintes propriedades do ar podem
ser obtidas:
Para ½(Tp + Tg2) = ½(353 + 314,7) = 333,85 K,

Ao usar essas propriedades, o número de Rayleigh, Ra, pode ser obtido da


Equação (3.12) e ao notar-se que β’ = 1/T.
Para hc,p-g2,

Para hc,g2-g1,

Portanto, da Equação (3.11), nós temos o seguinte.


Para hc,p-g2,

Para hc,g2-g1,
O coeficiente de transferência de calor por convecção do vidro para o
ambiente é o coeficiente de perda do vento dado pela Equação (3.28).
Nesta Equação, o comprimento característico é o comprimento do coletor,
igual a 2 m.
Portanto,

Para checar se os valores assumidos de Tg1 e Tg2 estão corretos, os


coeficientes de transferência de calor são substituídos nas equações (3.15),
(3.17) e (3.22):

Como estas três respostas não são exatamente iguais, tentativas


posteriores devem ser feitas assumindo diferentes valores para Tg1 e Tg2.
Este é um processo árduo o qual, entretanto, pode ser facilitado pelo uso
de um computador e técnicas de inteligência artificial, tais como algoritmo
genético (ver Capítulo 1). Seguindo essas técnicas, os valores que
resolvem o problema são Tg1 = 296,80 K e Tg2 = 314,81 K. Estes dois
valores dão Qt/Ac = 143,3 W/m2 para todos os casos. Se assumirmos que
os valores Tg1 = 296.8 K e Tg2 = 314,7 K são corretos (lembre-se, eles
foram escolhidos para ser quase corretos desde o princípio), Ut pode ser
calculado de:
EXEMPLO 3.3
Repetir o exemplo 3.2 usando a Equação empírica (3.25) e comparar os
resultados.
Solução
Primeiro, os parâmetros constantes são estimados. O valor de hw já está
estimado no Exemplo 3.2 e é igual a 11,294 W/m2 K.
Da Equação (3.26),

Da Equação (3.27),

Portanto, da Equação (3.25),

A diferença entre este valor e o obtido no exemplo 3.2 é de apenas


4,6%, mas o último foi obtido com muito menos esforço.

3.3.3A distribuição de temperatura entre os tubos e o fator


de eficiência do coletor
Em condições de estado estacionário, a taxa de calor útil transferida por um
coletor solar é igual à taxa de energia absorvida pelo fluido de transferência
de calor menos as perdas de calor diretas ou indiretas da superfície para as
cercanias (ver Figura 3.29). Como visto na Figura 3.29, a radiação solar
absorvida é igual a Gt(τα), que é similar à Equação (3.6). A energia térmica
perdida do coletor para o ambiente por condução, convecção e radiação
infravermelha é representada pelo produto do coeficiente de perda de calor
total, UL, vezes a diferença entre a temperatura da placa, Tp, e a temperatura
ambiente, Ta. Portanto, em um estado estacionário, a taxa de energia útil
coletada de um coletor com área Ac pode ser obtida de:
(3.31)

FIGURA 3.29

Entrada de radiação e perda de calor de um coletor de placa plana.

A Equação (3.31) pode também ser usada para dar a quantidade de energia
útil transferida em joules (e não em taxa de watts), se a irradiância Gt (W/m2)
for trocada pela irradiação It (J/m2) e se multiplicarmos UL, que é dado em
watts por metro quadrado-graus Centígrados (W/m2oC), por 3600 para
converter de joules para joules por metro quadrado-graus Centígrados
(J/m2oC) para estimativas com passo de 1 hora.
Para modelar o coletor mostrado na Figura 3.29, devem ser formuladas
várias hipóteses que simplificam o problema. Essas hipóteses não estão
contra os princípios físicos básicos e são as seguintes:
1. O coletor está em um estado estacionário.
2. O coletor é do tipo de tubo vertical e horizontal fixos em uma chapa com
tubos paralelos.
3. Os tubos horizontais cobrem apenas uma pequena área do coletor e podem
ser desprezados.
4. Aquecedores fornecem um fluxo uniforme aos tubos verticais.
5. O fluxo através do isolamento traseiro é unidimensional.
6. O céu é considerado como um corpo negro para a radiação de longo
comprimento de onda a uma temperatura do céu equivalente. Como a
temperatura do céu não afeta muito os resultados, isto é considerado igual
à temperatura ambiente.
7. Gradientes de temperatura em volta dos tubos são desprezados.
8. Propriedades dos materiais são independentes da temperatura.
9. Nenhuma energia solar é absorvida pela cobertura.
10. O fluxo de calor pela cobertura é unidimensional.
11. A queda de temperatura pela cobertura é desprezível.
12. As coberturas são opacas à radiação infravermelha.
13. A mesma temperatura ambiente existe na frente e na traseira do coletor.
14. Efeitos de poeira na cobertura são desprezíveis.
15. Não há sombreamento na placa absorvedora.

O fator de eficiência do coletor pode ser calculado ao considerar a


distribuição de temperatura entre dois tubos do absorvedor do coletor e
considerando que o gradiente de temperatura na direção do fluxo é
desprezível (Duffie e Beckman, 2006). Esta análise pode ser feita ao
considerar a configuração chapa-tubo mostrada na Figura 3.30(a), onde a
distância entre os tubos é W, o diâmetro do tubo é D, e a espessura da chapa é
δ. Como a folha de metal é geralmente feita de cobre ou alumínio, que são
bons condutores de calor, o gradiente de temperatura pela chapa é
desprezível; portanto, a região entre a linha central separando os tubos e a
base do tubo pode ser considerada como um problema de aleta clássico.
A aleta, mostrada na Figura 3.30(b), é de comprimento L = (W – D)/2. Uma
região elementar de comprimento, Δx, e uma unidade de comprimento na
direção do fluxo são mostradas na Figura 3.30(c). A energia solar absorvida
por este elemento pequeno é SΔx e a perda de calor do elemento é ULΔ(Tx –
Ta), onde Tx é a temperatura local da placa. Portanto, um equilíbrio de energia
neste elemento dá:
(3.32)

onde S é a energia solar absorvida. Dividindo por Δx e achando o limite


conforme Δx atinge 0 dá:
(3.33)

As duas condições de contorno necessárias para resolver essa equação


diferencial de segunda ordem são:

Por conveniência, as seguintes duas variáveis são definidas:


(3.34)

(3.35)
FIGURA 3.30

Chapa de placa plana e configuração do tubo. (a) diagrama esquemático. (b) Balanço de energia para o
elemento do plano vertical fixo. (c) Balanço de energia para o elemento do tubo.

Portanto, a equação (3.33) torna-se:


(3.36)

que tem as condições de contorno:


e

A Equação (3.36) é uma equação diferencial linear homogênea de segunda


ordem cuja solução geral é:
(3.37)
A primeira condição de contorno dá C1 = 0, e a segunda condição de
contorno dá:

ou

Com C1 e C2 conhecidas, a Equação (3.37) torna-se:


(3.38)

Esta equação dá a distribuição de temperatura na direção x a qualquer y


dado.
A energia conduzida na região do tubo por unidade de comprimento na
direção do fluxo pode ser encontrada avaliando a lei de Fourier na base da
aleta (Kalogirou, 2004):
(3.39)

Porém, kδm/UL é simplesmente 1/m. A Equação (3.39) considera a energia


coletada apenas em um lado do tubo; para ambos os lados, a coleta de energia
é:
(3.40)

ou com a ajuda da eficiência da aleta,


(3.41)
onde o fator F na Equação (3.41) é a eficiência padrão da inclinação para
inclinações retas com um perfil retangular, obtidos de:
(3.42)

O ganho útil do coletor também inclui a energia coletada acima da região


do tubo. Esta é dada por:
(3.43)

Da mesma forma, o ganho de energia útil por unidade de comprimento na


direção do fluxo do fluido é:
(3.44)
Esta energia deve ser finalmente transferida para o fluido, que pode ser
expressa em termos de duas resistências como:
(3.45)
onde hfi = coeficiente de transferência de calor entre o fluido e a parede do
tubo (ver seção 3.6.4 para detalhes).
Na equação (3.45), Cb é a condutância de ligação, que pode ser estimada do
conhecimento da condutividade térmica, kb, a espessura média de ligação, γ, e
o comprimento da ligação, b. A condutância de ligação numa base de unidade
de comprimento é dada por (Kalogirou, 2004):
(3.46)

A condutância da ligação pode ser muito importante em descrever


precisamente o desempenho do coletor. Geralmente é necessário ter um bom
contato metal com metal de modo que a condutância de ligação seja maior
que 30 W/m K, e preferencialmente o tubo deve ser soldado à aleta.
Resolvendo a equação (3.45) para Tb, substituindo-a na equação (3.44), e
resolvendo a equação resultante para o ganho útil, nós temos:
(3.47)

onde F’ é o fator de eficiência do coletor, dado por:


(3.48)

Uma interpretação física de F’ é que ele representa a razão do ganho de


energia real e o ganho de energia útil que resultaria se a superfície
absorvedora do coletor tivesse estado à temperatura local do fluido. Deve-se
notar que o denominador da equação (3.48) é a resistência do fluido ao ar.
Esta resistência pode ser representada como 1/Uo. Portanto, outra
interpretação de F’ é:
(3.49)

O fator eficiência do coletor é essencialmente constante para qualquer


desenho de coletor e vazão mássica do fluido. A razão de UL e Cb, a razão de
UL e hfi, a eficiência da aleta, F, são as únicas variáveis que aparecem na
Equação (3.48) que podem ser funções da temperatura. Para a maioria dos
desenhos de coletores, F é a mais importante destas variáveis na
determinação de F’. O fator F’ é uma função de UL e hfi, cada qual tendo
alguma dependência na temperatura, mas não é uma função tão dependente
da temperatura. Adicionalmente, o fator de eficiência do coletor decresce
com o aumento das distâncias centro-ao-centro dos tubos e aumenta com o
aumento das espessuras do material e da condutividade térmica. Aumentando
o coeficiente de perda total diminui F’, enquanto ao aumentar o coeficiente
de transferência de calor do fluido-tubo aumenta-se F’.
Deve-se notar que se os tubos estão centrados no plano da placa e são
integrados à estrutura da placa como mostrado na Figura 3.3(c), o termo de
condutância da ligação, 1/Cb, é eliminado da equação (3.48).

EXEMPLO 3.4
Para um coletor tendo as seguintes características e ignorando a
resistência de ligação, calcule a eficiência da aleta e o fator de eficiência
do coletor:
Coeficiente de perda total = 6,9 W/m2oC.
Espaçamento do tubo = 120 mm.
Diâmetro exterior do tubo = 15 mm.
Diâmetro do interior do tubo = 13,5 mm.
Espessura da placa = 0,4 mm.
Material da placa = cobre.
Coeficiente de transferência de calor dentro dos tubos = 320 W/m2oC.
Solução
Da Tabela A5.3, no apêndice 5, para cobre, k = 385 W/moC.
Da Equação (3.34),

Da Equação (3.42),
Finalmente, da Equação (3.48) e ignorando a condutância de ligação,

3.3.4Fator de remoção de calor, fator de fluxo e eficiência


térmica
Considere um comprimento infinitesimal δy do tubo como mostrado na
Figura 3.31. A energia útil transferida para o fluido é q’uδy.

FIGURA 3.31

Fluxo de energia pelo elemento do tubo vertical.

Em condições de estado estacionárias, um equilíbrio de energia para n tubos


dá:
(3.50)

Dividindo por δy, encontrando o limite conforme δy aproxima-se de 0, e


substituindo a Equação (3.47) resulta na seguinte equação diferencial:
(3.51)

Separando as variáveis dá:


(3.52)
Assumindo as variáveis F’, UL e cp como constantes e fazendo as integrais
dá:
(3.53)

A quantidade nWL na Equação (3.53) é a área do coletor Ac. Portanto,


(3.54)

É geralmente desejável expressar o ganho de energia útil total do coletor em


termos da temperatura de entrada. Para fazer isto o fator de remoção de calor
do coletor precisa ser usado. O fator de remoção de calor representa a razão
do ganho de energia útil real que resultaria se a superfície absorvedora do
coletor estivesse à temperatura local do fluido. Expressado simbolicamente:
(3.55)
ou
(3.56)

Rearranjando resulta em:


(3.57)

Introduzindo a Equação (3.54) na Equação (3.57) resulta em:


(3.58)

Outro parâmetro geralmente usado na análise dos coletores é o fator de


fluxo. Este é definido como a razão de FR e F’ , dada por:
(3.59)

Como mostrado na Equação (3.59), o fator de fluxo do coletor é uma


função de apenas uma variável, a taxa sem dimensão de capacitância do
coletor, ṁcp/AcULF’, mostrada na Figura 3.32.
Se nós substituirmos o numerador da Equação (3.56) por Qu e S com Gt(τα)
da equação (3.6), então a seguinte equação é obtida:
(3.60)
Esta é a mesma Equação que (3.31), com a diferença de que a temperatura
do fluido de entrada (Ti) substitui a temperatura média da placa (Tp) com o
uso de FR.

FIGURA 3.32

Fator de fluxo do coletor como uma função da taxa de capacitância sem dimensão.

Na Equação (3.60), a temperatura do fluido de entrada, Ti, depende das


características do sistema completo de aquecimento solar e da demanda de
água quente do prédio. Porém, FR é afetada apenas pelas características do
coletor solar, o tipo do fluido, e a taxa do fluxo do fluido pelo coletor.
Da equação (3.60), o nível crítico de radiação também pode ser definido.
Este é o nível de radiação onde a radiação solar absorvida e o termo de perda
são iguais. Isto é obtido ao considerar o termo do lado direito da Equação
(3.60) igual a 0 (ou Qu = 0). Portanto, o nível de radiação crítico, Gtc, é dado
por:
(3.61)
Como nos testes de desempenho do coletor, que serão descritos no Capítulo
4 os parâmetros obtidos são o FRU0 e FR(τα), é preferível manter FR na
Equação (3.61). O coletor pode fornecer uma saída útil apenas quando a
radiação disponível é maior do que a crítica. A saída do coletor pode ser
escrita em termos do nível de radiação crítico como Qu = AcFR(τα)(Gt – Gtc)+,
o que implica que o coletor produza saída útil apenas quando a radiação solar
é maior do que as perdas térmicas e Gt é maior do que Gtc.
Finalmente, a eficiência do coletor pode ser obtida ao dividir Qu, equação
(3.60), por (GtA0). Portanto,
(3.62)

Para ângulos incidentes abaixo de cerca de 35o, o produto de τ × α é


essencialmente constante e as Equações (3.60) e (3.62) são lineares em
relação ao parâmetro (Ti – Ta)/Gt, enquanto UL permanece constante.
Para estimar o coeficiente de transferência de calor interior do tubo coletor,
hn, a temperatura média do absorvedor, Tp, é necessária. Esta pode ser
encontrada ao resolver as equações (3.60) e (3.31) simultaneamente, o que
dá:
(3.63)

EXEMPLO 3.5
Para o coletor esboçado no Exemplo 3.4, calcule a energia útil e a
eficiência se a área do coletor for 4 m2, a vazão mássica for 0,06 kg/s,
(τα) = 0,8, a radiação solar global para 1 h é 2,88 MJ/m2 e o coletor
operar a uma diferença de temperatura de 5oC.
Solução
A taxa de capacitância sem dimensão do coletor é:
Da Equação (3.59),

Portanto, o fator de remoção de calor é (F’ = 0,912 do exemplo 3.4):

Da Equação (3.60) modificada para usar It ao invés de Gt,

e a eficiência do coletor é:

3.3.5Coletor serpentina
A análise apresentada na seção 3.3.3 preocupa-se com a inclinação e a
montagem de tubos em uma configuração vertical-horizontal. A mesma
análise se aplica para um coletor de configuração em serpentina, mostrado no
lado direito da Figura 3.1(a), se os tubos são fixos para separar as aletas como
antes. Caso, porém, a placa absorvedora seja uma placa contínua, então um
desempenho reduzido é obtido e a análise é mais complicada. A análise
original deste arranjo para uma única dobra (N) foi feita por Abdel-Khalik
(1976) e, posteriormente, Zhang e Lavan (1985) elaboraram uma análise para
até quatro dobras. Nesta análise, o fator de remoção de calor, FR, é dado em
termos de vários parâmetros sem dimensão como se segue:
(3.64a)

onde
(3.64b)
(3.64c)

(3.64d)

(3.64e)

(3.64f)

(3.64g)

(3.64h)

(3.64i)

(3.64j)
(3.64k)

Deve-se notar que m é dado pela Equação (3.34) e Cb é dada pela Equação
(3.46). Reconhecendo que Ac é igual a NWL, a Equação (3.64b) pode ser
escrita como:
(3.65a)

Similarmente, ao aplicar a Equação (3.34) para m e aplicando a Equação


(3.64i) na Equação (3.64h):
(3.65b)

Finalmente, uma forma mais simples da Equação (3.64a) pode ser obtida ao
aplicar a Equação (3.64e) e fazendo algumas modificações simples:
(3.66)

3.3.6Perdas de calor de coletores sem vidro


Quando nenhum vidro é usado em um coletor de placa plana, não há perda de
transmitância, mas as perdas de radiação e convecção tornam-se bastante
importantes. Neste caso a Equação de desempenho básica, ao ignorar a
radiação refletida pelo solo, é dada por:
(3.67)
Ao adicionar e subtrair T4a ao último termo e fazendo algumas
manipulações simples nós temos:
(3.68a)

ou
(3.68b)

onde
(3.68c)

(3.68d)

(3.68e)

O termo GL dado pela Equação (3.68d) é a troca de radiação de longo


comprimento entre o absorvedor e o céu. Deve-se notar que se as perdas da
traseira e do final do coletor são importantes, estes devem ser adicionados ao
termo UL, embora sua magnitude seja muito menor do que as perdas de
convecção e de radiação. A eficiência pode ser obtida ao dividir a Equação
(3.68b) por AcGt, o que dá:
(3.69a)

ou
(3.69b)
onde
(3.69c)

O parâmetro Gn é chamado de radiação incidente na rede. Valores típicos


de ε/α são de aproximadamente 0,95.
Ao relacionar a emissividade do céu em termos da temperatura ambiente,
para céu limpo, a Equação (3.68d) torna-se (Morrison, 2001):
(3.70)
3.4Análise térmica dos coletores de ar
Um diagrama esquemático de um coletor solar de placa plana aquecido a ar
típico é mostrado na Figura 3.33. A passagem de ar é um duto estreito com a
superfície da placa absorvedora servindo como a cobertura do topo. A análise
térmica apresentada até agora aplica-se igualmente bem aqui, exceto para a
eficiência da aleta e a resistência de ligação.
Um balanço de energia da placa absorvedora de área (1 × δx) dá:
(3.71)
onde
hc,p-a = coeficiente de transferência de calor da placa absorvedora para o ar
(W/m2 K).
hr,p-b = coeficiente de transferência de calor por radiação da placa
absorvedora para a placa traseira, que pode ser obtido da Equação (2.73),
(W/m2 K).

FIGURA 3.33

Diagrama esquemático de um coletor aquecido a ar.

Um balanço de energia do volume da corrente de ar (s × 1 × δx) dá:


(3.72)

onde
hc,b-a = coeficiente de transferência de calor por convecção da traseira da
placa para o ar (W/m2 K).
Um equilíbrio de energia na área traseira da placa (1 × δx) dá:
(3.73)
Como Ub é muito menor do que Ut, Ul ≈ Ut. Portanto, desprezar Ub e
resolver a Equação (3.73) para Tb dá:
(3.74)

Substituindo a Equação (3.74) na Equação (3.71) dá:


(3.75)
onde
(3.76)

Substituindo a equação (3.74) na equação (3.72) dá:


(3.77)

Finalmente, combinando as equações (3.75) e (3.77) dá:


(3.78)

onde F’ = fator de eficiência do coletor para coletores de ar, dado por:


(3.79)

As condições iniciais da Equação (3.78) são T = Ti em x = 0. Portanto, uma


solução completa da equação (3.78) é:
(3.80)

Esta equação dá a distribuição de temperatura do ar no duto. A temperatura


do ar na saída para o coletor é obtida da Equação (3.80), usando x = L e
considerando Ac = WL. Portanto,
(3.81)
O ganho de energia da corrente de ar é então dado por:
(3.82)
Usando a equação para o fator de remoção de calor dado pela Equação
(3.58) e equação (3.82) dá:
(3.83)

Como S = (τα)Gt, a Equação (3.83) é essencialmente a mesma que a


Equação (3.60).

EXEMPLO 3.6
Estime a temperatura de saída e a eficiência do coletor mostrado na
Figura 3.33 para as seguintes especificações de coletor:
Largura do coletor, W = 1,2 m.
Comprimento do coletor, L = 4 m.
Profundidade do canal de ar, s = 15 mm.
Irradiância solar total, Gt = 980 W/m2
Temperatura ambiente, Ta = 15oC = 288 K.
Efetivo (τα) = 0,90.
Coeficiente de perda de calor, UL = 6,5 W/m2 K.
Emissividade da placa absorvedora, εp = 0,92.
Emissividade da placa traseira, εb = 0,92.
Vazão mássica de massa de ar = 0,06 kg/s.
Temperatura do ar de entrada, Ti = 50oC = 323 K.
Solução
Aqui nós precisamos começar a assumir valores para Tp e Tb. Para
economizar tempo, os valores corretos são selecionados; mas em uma
situação real, a solução precisa ser encontrada por iteração. Os valores
assumidos são Tp = 340 K e Tb = 334 K (estes precisam estar dentro de 10
K). Dessas duas temperaturas, a temperatura média do ar pode ser
determinada de:
do qual

O coeficiente de transferência de calor por radiação do absorvedor para a


placa traseira é dado por:

De Tm,air, as seguintes propriedades do ar podem ser obtidas do Apêndice


5:

Da mecânica dos fluidos o diâmetro hidráulico do canal de ar é dado por:

O número de Reynolds é dado por:

Portanto, o fluxo é turbulento, no qual a seguinte equação se aplica: Nu =


0,0158(Re)0,8. Como Nu = (hcD)/k, o coeficiente de transferência de calor
por convecção é dado por:

Da Equação (3.76),

Da Equação (3.79),

A radiação solar absorvida é:

Da Equação (3.81),

Portanto, a temperatura do ar média é ½(351 + 323) = 337 K, que é o


mesmo valor assumido antes. Se há uma diferença nos dois valores
médios, uma iteração é necessária. Este tipo de problema requer apenas
uma iteração para achar a solução correta ao usar os valores assumidos,
que dão a nova temperatura média.
Da Equação (3.58),

Da Equação (3.83),

Finalmente, a eficiência do coletor é:


FIGURA 3.34

Aquecedor solar de ar e sua rede de resistência térmica.

Outra questão do coletor de ar é ter um fluxo de ar entre a placa absorvedora


e a cobertura de vidro. Este caso é mostrado graficamente na Figura 3.34
junto com uma rede de resistência térmica.
Ao seguir um equilíbrio de energia na cobertura, placa e fluido fluindo
através do coletor, o seguinte conjunto de equações pode ser obtido:
(3.84a)

(3.84b)
(3.84c)

Nestas equações, hr,p-c representa o coeficiente de transferência de radiação


da placa absorvedora para a cobertura e é dado pela Equação (2.73) e
hc,c-a = coeficiente de transferência de calor por convecção da cobertura
para o ar (W/m2 K)
hc,p-a = coeficiente de transferência de calor por convecção da placa
absorvedora para o ar (W/m2 K)
Ao fazer algumas longas manipulações algébricas para eliminar Tp e Tc a
taxa de energia útil pode ser obtida de:
(3.85)

onde
(3.86a)

(3.86b)
3.5Considerações práticas para coletores de placa
plana
Por várias razões, o desempenho real de um FPC pode ser diferente de um
obtido de análise teórica apresentada nesta seção. A primeira razão é que o
fluido seguindo pelo coletor pode não ser uniforme por todos os tubos
verticais devido a erros de fabricação. A seção do coletor que recebe uma
vazão mássica menor terá um FR menor e, portanto, desempenho inferior.
Vazamentos em coletores de ar são outra razão para desempenho mais fraco.
Adicionalmente, para coletores multi-painel, com absorvedores serpentina,
que são instalados um próximo ao outro, as perdas nas beiradas são limitadas
ao primeiro e ao último coletor do arranjo, resultando em um melhor UL
comparado com aquele de um coletor simples.
Problemas relacionados à proteção contra congelamento de coletores são
tratados no Capítulo 5 O efeito de poeira coletada na cobertura de vidro do
coletor em um meio urbano parece ter efeito desprezível, e chuva ocasional é
adequada para limpar a superfície. Para aqueles que desejam levar em conta a
poeira em climas temperados, é sugerido que a radiação absorvida pela placa
do coletor seja reduzida em 1% e para climas secos e poeirentos em 2%
(Duffie e Beckman, 2006). A degradação de materiais da cobertura, porém,
pode afetar a transmitância e afetar seriamente o desempenho de longo prazo
do coletor. Isto é mais importante em coletores com coberturas de plástico. O
mesmo se aplica para revestimento da placa absorvedora. Adicionalmente, o
desenho mecânico do coletor pode afetar seu desempenho, como, por
exemplo, a penetração da água ou umidade no coletor, que poderia se
condensar na parte de baixo do vidro, reduzindo assim suas propriedades
significativamente. Uma descrição de testes de qualidade para verificar a
habilidade do coletor de superar este e outros efeitos é dada no Capítulo 4
No que se refere à manufatura de coletores, é importante ter um
revestimento do coletor que resistirá ao manuseio e instalação e ser capaz de
incluir elementos ao coletor e mantê-lo limpo da penetração de água e poeira
durante a vida do coletor. Em altas latitudes, os coletores devem ser
instalados com uma inclinação para permitir a neve escorregar pela
superfície.
A instalação de coletores está relacionada a três elementos: o transporte e
manuseio do coletor, a instalação dos suportes e as várias conexões dos
coletores. O primeiro está relacionado ao peso geral e o tamanho do coletor.
Para coletores pequenos (~ 2 m2), isto pode ser feito à mão; para coletores
maiores, a ajuda de máquinas é necessária. O suporte deve ser adequado para
resistir a ventos, enquanto que as conexões dos coletores podem ser a
operação que mais consome tempo, embora atualmente ajustes especiais de
bronze estejam disponíveis e que tornam o trabalho mais fácil. Aqui deve ser
dada atenção ao uso de materiais não similares, que podem levar à corrosão
eletrolítica.
Atenção a estes fatores pode garantir aos coletores muitos anos de operação
sem problemas, que é muito importante para tanto satisfazer os consumidores
como promover o uso da energia solar.
3.6Coletores concentradores
Como nós vimos na seção 3.2, coletores concentradores trabalham ao
interpor um dispositivo óptico entre a fonte de radiação e a superfície
absorvedora de energia. Portanto, para coletores concentradores, ambas as
análises ópticas e térmicas são necessárias. Neste livro, apenas dois tipos de
coletores concentradores são analisados: coletor parabólico composto e
coletor parabólico em calha. Inicialmente, são definidos a razão de
concentração e seu valor máximo teórico.
A razão de concentração (C) é definida como a razão da área de abertura e a
área do receptor-absorvedor; isto é,
(3.87)

Para FPCs sem refletores, C = 1. Para concentradores, C é sempre maior do


que 1. Inicialmente, a razão máxima possível de concentração é investigada.
Considere um concentrador circular (tridimensional) com abertura Aa e área
do receptor Ar localizada a uma distância R do centro do sol, como mostrado
na Figura 3.35. Nós vimos no Capítulo 2que o sol não pode ser considerado
uma fonte pontual, mas uma esfera de raio r; portanto, como visto da Terra, o
Sol tem um semiângulo, θm, que é o semiângulo aceitável para concentração
máxima. Se ambos o Sol e o receptor forem considerados como corpos
negros em temperaturas Ts e Tr, a quantidade de radiação emitida pelo sol é
dada por:
FIGURA 3.35

Esquema do sol e um concentrador.

(3.88)

Uma fração desta radiação é interceptada pelo coletor, dada por:


(3.89)

Portanto, a energia irradiada do sol e recebida pelo concentrador é:


(3.90)

Um receptor corpo negro (perfeito) irradia energia igual a ArσT4r, e uma


fração disso atinge o sol, dada por:
(3.91)

Nestas condições ideais, a temperatura máxima do receptor é igual àquela


do sol. De acordo com a segunda lei da termodinâmica, isto só é válido
quando Qr-s = Qs-r. Portanto, das Equações (3.90) e (3.91),
(3.92)

Como o valor máximo de Fr-s é igual a 1, a razão de concentração máxima


para concentradores tridimensionais é [sen(θm) = r/R]:
(3.93)
Uma análise similar para concentradores lineares dá:
(3.94)

Como foi visto no Capítulo 2 2θm é igual a 0,53o (ou 32›), então θm, o
semiângulo de aceitação, é igual a 0,27o (ou 16’). O semiângulo de aceitação
denota a cobertura de um meio da zona angular dentro da qual a radiação é
aceita pelo receptor do concentrador. A radiação é aceita dentro de um ângulo
de 2θm, porque a radiação incidente dentro deste ângulo atinge o receptor
depois de passar pela abertura. Este ângulo descreve o campo angular dentro
do qual a radiação pode ser coletada pelo receptor sem ter que rastrear o
concentrador.
As Equações (3.93) e (3.94) definem o limite superior de concentração que
pode ser obtido para um dado ângulo de visão do coletor. Para um CPC
estacionário, o ângulo θm depende do movimento do sol no céu. Para um CPC
que tem seu eixo em uma direção N-S e está inclinado da horizontal de modo
que o plano de movimento do sol seja normal à abertura, o ângulo de
aceitação é relacionado com o intervalo de horas nas quais é necessária a
coleta de radiação do sol; por exemplo, para 6 h de coleta útil de radiação
solar, 2θm = 90o (o sol viaja 15o/h). Neste caso, Cmax = 1/sen(45o) = 1,41.
Para um coletor rastreador, θm é limitado pelo tamanho do disco do sol,
erros de pequena escala, irregularidades na superfície do refletor e erros de
rastreamento. Para um coletor perfeito e um sistema de rastreamento, Cmax
depende apenas do disco do sol. Portanto,
Para um rastreador de eixo único, Cmax = 1/sen(16’) = 216
Para rastreamento completo, Cmax = 1/sen(16’) = 46.747.
Pode ser, portanto, concluído que a razão máxima de concentração para
coletores rastreadores de dois eixos é muito maior. Portanto, alta precisão
para o mecanismo de rastreamento e construção cuidadosa do coletor são
necessárias com uma maior razão de concentração, porque θm é bem pequeno.
Na prática, devido a vários erros, valores muito mais baixos do que esses
máximos são empregados.
EXEMPLO 3.7
Do diâmetro do Sol e da Terra e a distância média do Sol para a Terra,
mostrados na Figura 2.1, estime a quantidade de energia emitida pelo Sol,
a quantidade de energia recebida pela Terra, e a constante solar para uma
temperatura do sol de 5777 K. Se a distância de Vênus ao Sol é 0,71
vezes a distância média Sol-Terra, estime a constante solar para Vênus.
Solução
A quantidade de energia emitida do sol, Qs, é:

ou

Da Equação (3.90), a constante solar pode ser obtida como:

A área da Terra exposta à radiação do sol é τπd2/4. Portanto, a quantidade


de energia recebida da Terra = π (1,27 × 107) × 1,363/4 = 1,73 × 1014 kW.
Estes resultados se verificam com os valores especificados na introdução
do Capítulo 2
A distância média de Vênus para o Sol é 1,496 × 1011 × 0,71 = 1,062 ×
1011 m. Portanto, a constante solar de Vênus é:

3.6.1Análise ótica do coletor parabólico componente


A análise ótica dos coletores CPC lidam principalmente com o modo de
construir a forma do coletor. Um CPC de desenho Winston (Winston e
Hinterberger, 1975) é mostrado na Figura 3.36. É um concentrador linear de
duas dimensões consistindo de duas parábolas distintas, os eixos os quais são
inclinados em ângulos ±θc em relação ao eixo óptico do coletor. O ângulo θc,
chamado de semiângulo de aceitação do coletor, é definido como o ângulo
pelo qual uma fonte de luz pode ser movida e ainda convergir no absorvedor.
O coletor do tipo Winston é um concentrador não espelhado com uma razão
de concentração atingindo o limite superior permitido pela segunda lei da
termodinâmica, como explicado na seção anterior.
O receptor do CPC não tem que ser plano ou paralelo; mas, como mostrado
na Figura 3.5, pode ser bifacial, em cunha ou cilíndrico. A Figura 3.37
evidencia um coletor com um receptor cilíndrico; a porção mais baixa do
refletor (AB e AC) é circular, enquanto as partes superiores (BD e CE) são
parabólicas. Neste desenho, o requisito para a porção parabólica do coletor é
que, em qualquer ponto P, a normal do coletor deve bifurcar o ângulo entre a
linha tangente PG ao receptor e o raio incidente no ponto P em um ângulo θc
em relação ao eixo do coletor. Como a parte superior de um CPC contribui
pouco para a radiação que atinge o absorvedor, é geralmente truncada,
formando uma versão menor do CPC, que é também mais barata. CPCs são
geralmente cobertos com vidro para evitar poeira e outros materiais entrando
no coletor e reduzindo a refletividade de suas paredes. Truncamento
dificilmente afeta o ângulo de aceitação, mas resulta em economia
considerável de material e mudanças na razão altura-para-abertura, a razão de
concentração, e o número de reflexões.
Esses coletores são mais úteis como concentradores lineares ou do tipo
calha. A orientação de um coletor CPC está relacionada com seu ângulo de
aceitação (2θc, nas Figuras 3.36 e 3.37). O CPC bidimensional é um
concentrador ideal, isto é, funciona perfeitamente para todos os raios dentro
do ângulo de aceitação, 2θc. Também, dependendo do ângulo de aceitação do
coletor, o coletor pode ser estacionário ou rastreador. Um concentrador CPC
pode ser orientado com seu longo eixo ao longo tanto da direção norte-sul
como leste-oeste e sua abertura inclinada na direção do equador a um ângulo
igual à latitude local. Quando orientado ao longo da direção norte-sul, o
coletor deve rastrear o sol ao mudar seu eixo para ficar de frente para o Sol
continua​mente. Como o ângulo de aceitação do concentrador ao longo de seu
longo eixo é amplo, um ajuste de inclinação sazonal não é necessário. Ele
também pode ser estacionário, mas a radiação será recebida apenas durante as
horas que o sol estiver dentro do ângulo de aceitação do coletor.
Quando o concentrador é orientado com seu longo eixo ao longo da direção
leste-oeste, com um pouco de ajuste sazonal no ângulo de inclinação, o
coletor é capaz de capturar os raios de sol efetivamente pelo seu amplo
ângulo de aceitação ao longo de seu longo eixo. O ângulo mínimo de
aceitação neste caso deve ser igual ao ângulo máximo de incidência projetado
em um plano vertical norte-sul quando a saída do coletor é necessária. Para
coletores CPC estacionários montados deste modo, o ângulo de aceitação
mínimo é igual a 47o. Este ângulo cobre a declinação do sol do solstício de
verão ao do inverno (2 × 23,5o). Na prática, maiores ângulos são usados para
permitir que o coletor colete radiação difusa ao custo de uma razão de
concentração mais baixa. Razões de concentração de CPCs mais baixas
(menores que 3) são geralmente de grande interesse prático. Estas, de acordo
com Pereira (1985), são capazes de aceitar uma grande proporção de radiação
incidente difusa nas suas aberturas e concentrá-la sem a necessidade de
rastrear o sol. Finalmente, a frequência necessária do ajuste do coletor é
relacionada com a razão de concentração do coletor.

FIGURA 3.36
Construção de um coletor parabólico componente de receptor plano.

FIGURA 3.37
Diagrama esquemático do coletor CPC.

Assim, para C ≤ 3, o coletor precisa apenas de ajuste bienal, enquanto para


C > 10 o coletor necessita de ajuste quase diário; esses sistemas são também
chamados de quase-estáticos.
Concentradores do tipo mostrado na Figura 3.5 têm uma razão de
concentração da área que é uma função da aceitação do semiângulo, θc. Para
um sistema concentrador linear ideal, isto é dado pela Equação (3.94) ao
substituir θm por θc.

3.6.2Análise térmica dos coletores parabólicos compostos


A eficiência instantânea, η, de um CPC é definida como o ganho de energia
útil dividido pela radiação incidente no plano de abertura; isto é,
(3.95)

Na Equação (3.95), Gt é a radiação total incidente no plano de abertura. A


energia útil, Qu, é dada por uma Equação similar à Equação (3.60), usando o
conceito de radiação absorvida conforme:
(3.96)
A radiação absorvida, S, é obtida de (Duffie e Beckman, 2006):
(3.97)
onde
τc = transmitância da cobertura CPC.
τCPC = transmissividade do CPC para levar em conta a perda por reflexão.
As várias componentes da radiação na Equação (3.97) vêm da radiação que
incide na abertura dentro do ângulo de aceitação do CPC e são dados como se
segue:
(3.98a)

(3.98b)
(3.98c)

Nas Equações (3.98a)-(3.98c), β é o ângulo de inclinação de abertura do


coletor em relação à horizontal. Na Equação (3.98c), a radiação refletida pelo
solo é efetiva apenas se o coletor receptor “vê” o chão, isto é, (β + θc) > 90o.
Foi mostrado por Rabl e colaboradores (1980) que a insolação, GCPC, de um
coletor com uma concentração C pode ser aproximada muito bem por:
(3.99)

É conveniente exprimir a radiação solar absorvida, S, em termos de GCPC da


seguinte maneira:
(3.100)

ou
(3.101)

onde
τcover = transmissividade da cobertura de vidro.
τCPC = transmissividade efetiva do CPC.
αr = absortividade do receptor.
γ = fator de correção da radiação difusa, dada por:
(3.102)

O fator γ, dado pela equação (3.102), leva em conta a perda de radiação


difusa fora do ângulo de aceitação do CPC com uma concentração C. A razão
GD/Gt varia de aproximadamente 0,11 em um dia ensolarado bem limpo a por
volta de 0,23 para dias nublados.
Deve-se notar que apenas parte da radiação difusa efetivamente entra no
CPC, e isto é uma função do ângulo de aceitação. Para radiação isotrópica
difusa, a relação entre o ângulo de incidência efetivo e o semiângulo de
aceitação é dada por (Brandemuehl e Beckman, 1980):
(3.103)
A transmissividade efetiva, τCPC, do CPC leva em conta a perda por reflexão
dentro do coletor. A fração da radiação que passa pela abertura do coletor e
finalmente atinge o absorvedor depende da reflexividade especular, ρ, das
paredes do CPC e o número médio de reflexões, n, expresso
aproximadamente por:
(3.104)

Esta equação pode também ser usada para estimar τCPC,B, τCPC,D, e τCPC,G na
Equação (3.97), que são geralmente tratados como o mesmo. Valores de n
para CPCs completos ou truncados podem ser obtidos da Figura 3.38. Como
apontado antes, as extremidades superiores dos CPCs contribuem pouco para
a radiação que atinge o receptor, e geralmente CPCs são truncados por razões
econômicas. Como pode ser visto da Figura 3.38, o número médio de
reflexões é uma função da razão de concentração, C, e do semiângulo de
aceitação, θc. Para um concentrador truncado, a linha (1 – 1/C) pode ser
considerada como um limite menor para o número de reflexões para a
radiação dentro do ângulo de aceitação. Outros efeitos de truncamento são
mostrados nas Figuras 3.39 e 3.40. As Figuras 3.38-3.40 podem ser usadas
para projetar um CPC, como mostrado no seguinte exemplo. Para mais
precisão, as equações representando as curvas das Figuras 3.38-3.40 podem
ser usadas como dadas no Apêndice 6.

EXEMPLO 3.8
Encontre as características do CPC para um coletor com semiângulo de
aceitação θc = 12o. Encontre também suas características se o coletor é
truncado de modo que sua razão altura-para-abertura é 1,4.
Solução
Para um CPC completo, da Figura 3.39 para θc = 12o, a razão altura-para-
abertura = 2,8 e a razão de concentração = 4,8. Da Figura 3.40, a área do
refletor é 5,6 vezes a área de abertura; e da Figura 3.38, o número médio
de reflexões antes de atingir o absorvedor é 0,97.
Para um CPC truncado, a razão altura-para-abertura = 1,4. Então, da
Figura 3.39, a razão de concentração cai para 4,2; e da Figura 3.40, a área
do refletor-para-abertura cai para 3, indicando o quão significante é a
economia no material do refletor. Finalmente, da Figura 3.38, o número
de reflexões médio é ao menos 1 – 1/4,2 = 0,76.

EXEMPLO 3.9
Um CPC tem uma área de abertura de 4 m2 e uma razão de concentração
de 1,7. Estime a eficiência do coletor tendo os seguintes dados:
Radiação total = 850 W/m2.
Razão da radiação difusa para total = 0,12.
Absortividade do receptor = 0,87.
Emissividade do receptor = 0,12.
Refletividade do espelho = 0,90.
Transmissividade da cobertura de vidro = 0,90.
Coeficiente de perda de calor do coletor = 2.5 W/m2 K.
Fluido circulante = água.
Temperatura de entrada do fluido = 80oC.
Vazão mássica do fluido = 0,015 kg/s.
Temperatura ambiente = 15oC.
Fator de eficiência do coletor = 0,92.
FIGURA 3.38

Número médio de reflexões para CPCs completos e truncados.

FIGURA 3.39

Razão da altura da abertura para CPCs completos e truncados.


FIGURA 3.40

Razão de reflexão da área de abertura para CPCs completos e truncados.

Solução
O fator de correção da radiação difusa, γ, é estimado da Equação (3.102):

Da Figura 3.38 para C = 1,7, o número médio de reflexões para um CPC


completo é n = 0,6. Portanto, da Equação (3.104),

A radiação do absorvedor é dada pela Equação (3.101):

O fator de remoção é estimado da Equação (3.58):

A área do receptor é obtida da Equação (3.87):


O ganho de energia útil pode ser estimado da Equação (3.96):

A eficiência do coletor é dada pela Equação (3.95):

3.6.3Análise ótica dos coletores parabólicos em calha


A seção de choque de um coletor parabólico em calha é mostrada na Figura
3.41, na qual vários fatores importantes são mostrados. A radiação incidente
no refletor no arco do coletor (onde o raio do espelho, rr, é máximo) faz um
ângulo, φr, com a linha central do coletor, que é chamada de ângulo do arco.
A Equação da parábola em termos do sistema de coordenadas é:
(3.105)

onde ƒ = distância focal da parábola (m).


Para refletores polidos de alinhamento perfeito, o tamanho do receptor
(diâmetro D) necessário para interceptar toda a imagem solar pode ser obtido
por trigonometria e a Figura 3.41, dado por:
(3.106)

onde
θm = semiângulo de aceitação (graus).
Para um refletor parabólico, o raio r, mostrado na Figura 3.41 é dada por:
(3.107)
onde
φ = ângulo entre o eixo do coletor e o feixe refletido no foco; ver Figura
3.41.

FIGURA 3.41

Seção de um coletor parabólico em calha com receptor circular.

Conforme φ varia de 0 a φr, r aumenta de ƒ a rr e o tamanho da imagem


teórica aumenta de 2ƒ sen (θm) para 2rr sen (θm)/cos(φr + θm). Portanto, há
uma imagem se espalhando em um plano normal ao eixo da parábola.
No ângulo do arco, φr, a Equação (3.107) torna-se:
(3.108)

Outro parâmetro relacionado com o ângulo do arco é a abertura da


parábola, Wa. Da Figura 3.41 e trigonometria simples, pode ser encontrado
que:
(3.109)

Substituindo a Equação (3.108) na Equação (3.109) dá:


(3.110)

o que reduz para:


(3.111)

O semiângulo de aceitação, θm, usado na Equação (3.106) depende da


precisão do mecanismo de rastreamento e das irregularidades da superfície do
refletor. Quanto menores esses dois efeitos, mais próximo o θm está do ângulo
do disco do sol, resultando em uma imagem menor e uma concentração
maior. Portanto, a largura da imagem depende da magnitude das duas
quantidades. Na Figura 3.41, um coletor perfeito é assumido e o feixe solar é
mostrado acertando o coletor a um ângulo 2θm, e deixando no mesmo ângulo.
Em um coletor prático, porém, por causa da presença de erros, o ângulo 2θm
deve ser aumentado para incluir os erros também. Imagens alargadas podem
também resultar de modos de rastreamento usados para transversar o coletor.
Problemas também podem surgir devido a erros no posicionamento do
receptor relativo ao refletor, o que resulta em distorção, alargamento, e
deslocamento da imagem. Todos esses são levados em conta pelo fator de
interceptação, que é explicado mais tarde nesta seção.
Para um receptor tubular, a razão de concentração é dada por:
(3.112)
Ao substituir D e Wa pelas equações (3.106) e (3.110), respectivamente, nós
temos:
(3.113)

A razão de concentração máxima ocorre quando φr é 90o e sen(φr) = 1.


Portanto, ao substituir sen (φr) = 1 na Equação (3.113), o seguinte valor
máximo pode ser obtido:
(3.114)

A diferença entre esta Equação e a Equação (3.94) é que esta aplica-se


particularmente ao PTC com um receptor circular, enquanto que a Equação
(3.94) é o caso idealizado. Então, ao usar o mesmo semiângulo de aceitação
do sol de 16’ para o rastreamento de eixo único, Cmax = 1/πsen (16’) = 67,5.
De fato, a magnitude do ângulo do arco determina o material necessário
para a construção da superfície parabólica. O comprimento da curva da
superfície refletora é dado por:
(3.115)

onde
Hp = lactus rectum da parábola (m). Esta é a abertura da parábola no ponto
focal.
Como mostrado na Figura 3.42 para a mesma abertura, vários ângulos do
arco são possíveis. É mostrado também que, para diferentes ângulos do arco,
a razão foco-abertura, que define a curvatura da parábola, muda. Pode ser
demonstrado que, com um ângulo do arco de 90o, a distância média foco-
refletor e assim o espalhamento do feixe refletido é minimizado, de modo que
os erros de inclinação e rastreamento são menos pronunciados. A área da
superfície do coletor, porém, diminui conforme o ângulo do arco é
diminuído. Há assim uma tentação de usar menores ângulos do arco porque o
sacrifício da eficiência óptica é pequeno, mas a economia no custo do
material refletor é grande.

FIGURA 3.42

Comprimento focal da parábola e curvatura.

EXEMPLO 3.10
Para um PTC com um ângulo do arco de 70o, abertura de 5,6 m, e
diâmetro do receptor de 50 mm, estime a distância focal, a razão de
concentração, o raio do arco, e o comprimento da superfície parabólica.
Solução
Da Equação (3.111),

Portanto,

Da Equação (3.112), a razão de concentração é:

O raio do arco é dado pela Equação (3.108):

O lactus rectum da parábola, Hp, é igual a Wa em φr = 90o e ƒ = 2 m. Da


Equação (3.111),

Finalmente, o comprimento da parabola pode ser obtido da Equação


(3.115) ao relembrar que sec(x) = 1/cos(x):
Eficiência ótica
Eficiência ótica é definida como a razão da energia absorvida pelo receptor
pela energia incidente na abertura do coletor. A eficiência óptica depende de
propriedades ópticas dos materiais envolvidos, a geometria do coletor, e de
várias imperfeições surgindo da construção do coletor. Na forma da Equação
(Sodha e colaboradores, 1984):
(3.116)

onde
ρ = refletância do espelho.
τ = transmitância da cobertura de vidro.
α = absortância do receptor.
γ = fator de interceptação.
Af = fator geométrico.
θ = ângulo de incidência.
A geometria do coletor dita o fator geométrico, Af, que é uma medida da
redução efetiva da área de abertura devido a efeitos de incidência anormais,
incluindo bloqueios, sombras e perda de radiação refletida do espelho além
do fim do receptor. Durante alguma operação anormal de um PTC, alguns
dos raios refletidos de perto do fim do concentrador oposto ao sol não podem
atingir o receptor. Isto é chamado de efeito do final. A quantidade da área de
abertura é mostrada na Figura 3.43 e é dada por:
(3.117)

Geralmente, coletores deste tipo têm um acabamento de placas opacas para


impedir concentração indesejada ou perigosa para longe do receptor. Essas
placas resultam em um bloqueio ou sombreamento de uma parte do refletor,
que de fato reduz a área de abertura. Para uma placa estendendo de arco a
arco, a área perdida é mostrada na Figura 3.43 e dada por:
(3.118)
FIGURA 3.43

Efeito final e bloqueio em um coletor parabólico em calha.

onde
hp = altura da parábola (m).
Deve-se notar que o termo tan(θ) mostrado nas equações (3.117) e (3.118) é
o mesmo que o mostrado na Equação (3.116), e não se deve usá-lo duas
vezes. Portanto, para encontrar a perda total na área de abertura, Al, as duas
áreas, Ae e Ab, são somadas juntas sem incluir o termo tan(θ) (Jeter 1983):
(3.119)

Finalmente, o fator geométrico é a razão da área perdida pela área de


abertura. Portanto,
(3.120)

O parâmetro mais complexo envolvido na determinação da eficiência óptica


de um PTC é o fator de interceptação. Este é definido como a razão da
energia interceptada pelo receptor pela energia refletida pelo dispositivo
focalizador, isto é, a parábola. Seu valor depende do tamanho do receptor, os
erros do ângulo da superfície do espelho parabólico, e do espalhamento do
feixe solar.
Os erros associados com a superfície parabólica são de dois tipos: aleatórios
e não aleatórios (Guven e Bannerot, 1985). Erros aleatórios são definidos
como aqueles erros que são verdadeiramente aleatórios por natureza e,
portanto, podem ser representados por distribuições normais de
probabilidade. Erros aleatórios são identificados como mudanças aparentes
na largura do sol, efeitos de espalhamento causados por erros de inclinação
aleatórios (isto é, distorção da parábola devido a ventos), e efeitos de
espalhamento associados com a superfície refletora. Erros não aleatórios
surgem na fabricação, na montagem ou na operação do coletor. Estes podem
ser identificados como imperfeições no perfil do refletor, erros de
alinhamento e erros de localização do receptor. Erros aleatórios são
modelados estatisticamente, ao determinar o desvio padrão da distribuição de
energia total refletida, à incidência normal (Guven and Bannerot, 1986), e são
dados por:
(3.121)

Erros não aleatórios são determinados por um conhecimento do erro do


ângulo de desalinhamento β (isto é, o ângulo entre o raio refletido do centro
do sol e a normal ao plano de abertura do refletor) e o deslocamento do
receptor do foco da parábola (dr). Como os erros do perfil do refletor e o
deslocamento do receptor ao longo do eixo Y essencialmente têm o mesmo
efeito, um parâmetro único é usado e levam os dois em conta. De acordo com
Guven e Bannerot (1986), erros aleatórios e não aleatórios podem ser
combinados com os parâmetros geométricos do coletor, razão de
concentração (C), e o diâmetro do receptor (D) para gerar parâmetros de erro
universais para todas as geometrias de coletores. Estes são chamados
parâmetros universais, e um asterisco é usado para distingui-los dos
parâmetros já definidos. Usando os parâmetros de erro universais, a
formulação do fator de interceptação, γ, é possível (Guven e Bannerot, 1985):
(3.122)

onde
d* = parâmetro de erro não aleatório universal devido à deslocação do
receptor e dos erros de perfil do refletor, d* = dr/D.
β* = parâmetro de erro não aleatório devido a erros angulares, β* = βC.
σ* = parâmetro de erro aleatório universal, σ* = σC.
C = razão de concentração do coletor, = Aa/Ar.
D = diâmetro exterior do tubo vertical (m).
dr = deslocamento do foco do receptor (m).
β = erro de desalinhamento de ângulo (graus).
Outro tipo de análise comumente conduzida em coletores concentradores é
o traçado do raio. Este é o processo de seguir os caminhos de um grande
número de raios de radiação incidente através de um sistema ótico para
determinar a distribuição e intensidade dos raios na superfície do receptor.
Traçado do raio determina a distribuição de concentração de radiação no
receptor do coletor, chamado de razão de concentração local (LCR). Como
foi visto na Figura 3.41, a radiação incidente em um elemento diferencial de
área do refletor é um cone tendo um semiângulo de 16›. A radiação refletida
é um cone similar, tendo o mesmo vértice do ângulo se o refletor é perfeito.
A interseção deste cone com a superfície do receptor determina o tamanho da
imagem e o formato para aquele elemento, e a imagem total é a soma das
imagens de todos os elementos do refletor. Em um coletor real, os vários
erros delineados anteriormente, que aumentam o tamanho da imagem e
baixam a LCR, são considerados. A distribuição da LCR para um coletor de
calha parabólica é mostrada na Figura 3.44. A forma das curvas depende dos
erros aleatórios e não aleatórios mencionados acima e do ângulo de
incidência. Deve-se notar que a distribuição para metade do receptor é
mostrada na Figura 3.44. Outro modo mais representativo de mostrar esta
distribuição para o receptor todo está na Figura 3.45. Como pode ser visto, a
parte do topo do receptor essencialmente recebe apenas radiação solar direta
e uma concentração máxima para este coletor particular, por volta de 36 sóis,
ocorre a um ângulo de incidência 0 e a um ângulo β de 120o (Figura 3.44).
FIGURA 3.44

Razão de concentração local do receptor de um coletor parabólico em calha.

FIGURA 3.45

Uma visão mais representativa do LCR para um coletor com diâmetro do receptor de 20 mm e ângulo
do arco de 90o.

EXEMPLO 3.11
Para um PTC com uma área de abertura total de 50 m2, abertura de 2,5 m,
e um ângulo do arco de 90o, estime o fator geométrico e a área real
perdida a um ângulo de incidência igual a 60o.
Solução
Como φr = 90o, a altura da parábola hp = ƒ. Portanto, da Equação (3.111),

Da Equação (3.119):

A área perdida a um ângulo de incidência de 60o é:

O fato geométrico Af é obtido da Equação (3.120):

3.6.4Análise térmica de coletores parabólicos em calha


A análise térmica generalizada de um coletor solar concentrador é similar
àquela de um coletor de placa plana. É necessário derivar expressões
apropriadas para o fator de eficiência do coletor, F’; o coeficiente de perda,
UL; e o fator de remoção de calor do coletor, FR. Para o coeficiente de perda,
podem ser usadas relações padrões de transferência de calor para tubos
envidraçados. Perdas térmicas do receptor devem ser estimadas, geralmente
em termos do coeficiente de perda, UL, que é baseado na área do receptor. Os
métodos para calcular perdas térmicas de receptores coletores concentradores
não podem ser facilmente resumidos como para os de placa plana, porque
muitos desenhos e configurações estão disponíveis. Dois de tais desenhos são
apresentados neste livro: o PTC com um receptor de tubo descoberto e o tubo
envidraçado. Em ambos os casos, os cálculos devem incluir radiação,
condução e perdas por convecção.
Para um receptor de tubo descoberto e assumindo gradiente nulo de
temperatura ao longo do receptor, o coeficiente de perda por convecção e
radiação da superfície e condução pela estrutura de suporte é dado por:
(3.123)

O coeficiente de radiação linearizado pode ser estimado de:


(3.124)

Se um valor único de hr não é aceitável devido a grandes variações de


temperatura ao longo da direção do fluxo, o coletor pode ser dividido em
pequenos segmentos, cada um com uma constante hr.
Para o coeficiente de perda do vento, o número de Nusselt pode ser usado.
Para 0,1 < Re < 1000,
(3.125a)

Para 1000 < Re < 50.000,


(3.125b)

Estimativas das perdas por condução requerem conhecimento da construção


do coletor, isto é, o jeito que o receptor é sustentado.
Geralmente, para reduzir perdas por calor, um tubo de vidro concêntrico é
empregado em torno do receptor. O espaço entre o receptor e o vidro é
geralmente evacuado, no caso em que as perdas por convecção são
desprezíveis. Neste caso, UL, baseado na área do receptor Ar, é dado por:
(3.126)
onde
hr,c-a = coeficiente de radiação linearizado da cobertura ao ambiente
estimado pela Equação (3.124) (W/m2K).
Ag = área externa da cobertura de vidro (m2).
hr,r-c = coeficiente de radiação linearizado do receptor para a cobertura, dado
pela Equação (2.74):
(3.127)

Nas equações anteriores, para estimar as propriedades da cobertura de


vidro, a temperatura da cobertura de vidro, Tg, é necessária. Esta temperatura
é mais próxima da temperatura ambiente do que a temperatura do receptor.
Portanto, ao ignorar a radiação absorvida pela cobertura, Tg pode ser obtida
de um equilíbrio de energia:
(3.128)
Resolvendo a Equação (3.128) para Tg dá:
(3.129)

O procedimento de encontrar Tg dá-se por iteração, isto é, estimando UL da


Equação (3.126) ao considerar uma Tg aleatória (próxima a Ta). Então, se Tg
obtida da Equação (3.129) difere do valor original, faça a iteração.
Geralmente, não mais de duas iterações são necessárias.
Se a radiação absorvida pela cobertura precisar ser considerada, o termo
apropriado deve ser somado ao lado direito da equação (3.126). Os princípios
são os mesmos daqueles desenvolvidos antes, para os coletores de placa
plana.
Seguindo, o coeficiente de transferência de calor total Uo precisa ser
estimado. Isso deve incluir a parede do tubo, porque o fluxo de calor em um
coletor concentrador é alto. Baseado no diâmetro do tubo exterior, isto é dado
por:
(3.130)
onde
Do = diâmetro do tubo externo do receptor (m).
Di = diâmetro interior do tubo do receptor (m).
hfi = coeficiente de transferência de calor por convecção dentro do tubo
receptor (W/m2 K).
O coeficiente de transferência de calor por convecção, hfi, pode ser obtido
da equação padrão do tubo de fluxo:
(3.131)

onde
Re = número de Reynolds = ρVDi/µ.
Pr = número de Prandtl = cpmi/kf.
µ = viscosidade do fluido (kg/m s).
kf = condutividade térmica do fluido (W/m K).
Deve-se notar que a equação (3.131) é para o fluxo turbulento (Re > 2300).
Para fluxo laminar, Nu = 4,364 = constante.
Um modelo térmico detalhado de um PTC é apresentado por Kalogirou
(2012). Neste, todos os modos de transferência de calor foram considerados
em detalhe e o conjunto de equações obtido foi resolvido simultaneamente.
Para este propósito, o programa Solucionador de Equações de Engenharia
(EES) é usado o qual inclui rotinas para estimar as propriedades de várias
substâncias e pode ser chamado do TRNSYS (ver Capítulo 1, Seção 11.5.1)
que permite o desenvolvimento de um modelo que pode usar as capacidades
de ambos os programas.
A eficiência instantânea de um coletor concentrador pode ser calculada a
partir de um equilíbrio de energia do seu receptor. A equação (3.31) também
pode ser adaptada para usar com os coletores concentradores ao usar áreas
apropriadas para a radiação solar absorvida (Aa) e as perdas de calor (Ar).
Portanto, a energia útil transferida de um concentrador é:
(3.132)
Note que, porque os coletores concentradores podem utilizar apenas
radiação em feixe, GB é usado na equação (3.132) em vez da radiação total,
Gt, usada na equação (3.31).
O ganho de energia útil por unidade de comprimento do coletor pode ser
expressado em termos da temperatura local do receptor, Tr, como:
(3.133)

Em termos da transferência de energia para o fluido a temperatura local, Tf


(Kalogirou, 2004),
(3.134)

Se Tf é eliminada das equações (3.133) e (3.134), nós temos:


(3.135)

onde F’ é o fator de eficiência do coletor, dado por:


(3.136)

Como para o coletor de placa plana, Tr na equação (3.132) pode ser


substituído por Ti pelo uso do fator de remoção de calor, e a equação (3.132)
pode ser escrita como:
(3.137)
A eficiência do coletor pode ser obtida ao dividir Qu por (GBAa). Portanto,
(3.138)

onde
C = razão da concentração, C = Aa/Ar.
Para FR, uma relação similar à equação (3.58) é usada ao substituir Ac por Ar
e usando F’, dado pela equação (3.136), que não inclui os termos de
condutância do plano vertical fixo e de ligação, como nos FPCs. Esta
equação explica por altas temperaturas podem ser obtidas com coletores
concentradores. Isto acontece por quê os termos de perda de calor são
inversamente proporcionais a C; quanto maior a razão de concentração,
menor a perda.
Consideração do vácuo no espaço circular
Na análise apresentada até agora, as perdas por convecção no espaço circular
são ignoradas. Na verdade, a transferência de calor por convecção depende da
pressão circular. Em baixas pressões (<0,013 Pa), a transferência de calor é
por condução molecular, enquanto que a altas pressões é por convecção livre.
Quando o anel está sob vácuo (pressão <0,013 Pa), a transferência de calor
por convecção entre o tubo receptor e o envelope de vidro ocorre por
convecção molecular livre e o coeficiente de transferência de calor é dado por
(Ratzel e colaboradores, 1979):
(3.139)

Esta equação é aplicável para: Ra < (Dg/(Dg – Dr))4.


e
(3.140)

(3.141)

onde
kstd = condutividade térmica no gás circular a temperatura e pressão
padrões (W/moC)
Dr = diâmetro externo do tubo receptor (m)
Dg = diâmetro interior do envelope de vidro (m)
b = coeficiente de interação
λ = caminho livre médio entre colisões de uma molécula (cm)
a = coeficiente de acomodação
γ = razão dos calores específicos para o gás circular (ar)
Tr-g = temperatura média (Tr + tG)/2 (oC)
Pa = pressão do gás circular (mmHg) e
δ = diâmetro molecular de gás circular (cm).
A equação (3.139) superestima levemente a transferência de calor para
pressões muito baixas (<0,013 Pa). O diâmetro das moléculas de ar, δ, é igual
a 3,55 × 10–8 cm (Marshal, 1976), a condutividade térmica do ar é 0,02551
W/moC, o coeficiente de interação é 1,571, o caminho livre médio entre
colisões de uma molécula é 88,67 cm, e a razão dos calores específicos para o
ar circular é 1,39. Estes são para uma temperatura do fluido média de 300oC e
pressão igual a 0,013 Pa. Usando estes valores, o coeficiente de transferência
de calor por convecção (hc,r-c) é igual a 0,0001115 W/m2oC, que é a razão
pela qual geralmente é ignorado.
Se para maior precisão esta perda de calor é considerada a equação (3.126),
deve-se incluir hc,r-c no segundo termo, bem como a equação (3.128) para uma
estimativa apropriada de Tg.
Se o receptor é preenchido ou parcialmente preenchido com ar do ambiente
ou se o vácuo circular do receptor é perdido, a transferência de calor por
convecção entre o tubo receptor e o envelope de vidro ocorre por convecção
natural, e para este propósito a correlação para convecção natural em um
espaço circular (fechado) entre cilindros concêntricos horizontais pode ser
usada, encontrada em muitos livros sobre transferência de calor.

EXEMPLO 3.12
Um PTC de 20 m com uma largura de abertura de 3,5 m tem um tubo
receptor de diâmetro exterior de 50 mm, diâmetro interior de 40 mm e
uma cobertura de vidro de diâmetro de 90 mm. Se o espaço entre o
receptor e a cobertura de vidro for evacuado, estime o coeficiente total de
perda de calor do coletor, o ganho útil de energia e a temperatura de saída
do fluido. As seguintes informações são dadas:
Radiação solar absorvida = 500 W/m2.
Temperatura do receptor = 260oC = 533 K.
Emissividade do receptor, εr = 0,92.
Emissividade da cobertura de vidro, εg = 0,87.
Fluido circulante, cp = 1350 J/kg K.
Temperatura do fluido de entrada = 220oC = 493 K.
Vazão mássica de massa = 0,32 kg/s.
Coeficiente de transferência de calor dentro do tubo = 330 W/m2 K.
Condutividade térmica do tubo, k = 15 W/m K.
Temperatura ambiente = 25oC = 298 K.
Velocidade do vento = 5 m/s.
Solução
A área do receptor Ar = πDoL – π × 0,05 × 20 = 3,14 m2. A área da
cobertura de vidro Ag = πDgL = π × 0,09 × 20 = 5,65 m2. A abertura do
coletor não sombreada Aa = (3,5 – 0,09) × 20 = 68,2 m2.
Seguindo, a temperatura da cobertura de vidro, Tg, é assumida para
avaliar a transferência de calor por convecção e a radiação da cobertura
de vidro. Assume-se que ela é igual a 64oC = 337 K. A temperatura real
da cobertura de vidro é obtida por iteração ao desprezar as interações com
o refletor. O coeficiente de transferência de calor por convecção (vento)
hc,c-a = hw na cobertura de vidro pode ser calculado pela equação (3.125).
Primeiro, o número de Reynolds precisa ser estimado a temperatura
média ½(25 + 64) = 44,5oC. Portanto, da Tabela A5.1 no apêndice 5, nós
temos:

Agora

Portanto, a equação (3.125b) aplica-se, o que dá:


e

O coeficiente de transferência de calor, hr,c-a, da cobertura de vidro para o


ambiente, é calculado na equação (2.75)

O coeficiente de transferência de calor por radiação, hr,r-c, entre o receptor


e a cobertura de vidro, é estimado pela equação (3.127):

Como o espaço entre o receptor e a cobertura de vidro é evacuado, não há


transferência de calor por convecção. Portanto, baseado na área do
receptor, o coeficiente total de perda de calor do coletor é dado pela
equação (3.126):

Como UL é baseado no valor assumido de Tg, nós precisamos checar se a


suposição feita está correta. Usando a equação (3.129), nós temos:

Este é mais ou menos o mesmo que o valor assumido anteriormente.


Fator de eficiência do coletor pode ser calculado a partir da equação
(3.136):

O fator de remoção de calor pode ser calculado a partir da equação (3.58)


ao usar Ar ao invés de Ac:

A energia útil é estimada a partir da equação (3.137), usando o conceito


de radiação absorvida:

Finalmente, a temperatura de saída do fluido pode ser estimada de:

Uma outra análise geralmente feita para PTCs aplica um modelo


bidimensional por partes do receptor ao considerar a variação da
circunferência do fluxo solar mostrado nas Figuras 3.44 e 3.45. Tal análise
pode ser feita ao dividir o receptor em seções nodais longitudinais e
isotérmicas, como mostrado na Figura 3.46, e aplicando o princípio do
equilíbrio de energia para o vidro e os nódulos do receptor (Karimi e
colaboradores, 1986).
Os nódulos de vidro e absorvedor, mostrando os vários modos de
transferência de calor considerados, são mostrados na Figura 3.47. É
assumido que o comprimento de cada seção é bem pequeno de modo que o
fluido operacional na seção se mantém na temperatura de entrada. A
temperatura é ajustada em uma forma gradual no fim da seção longitudinal.
Ao aplicar o princípio do equilíbrio de energia aos nódulos de vidro e
absorvedor, nós temos as seguintes equações.
FIGURA 3.46

Modelo bidimensional por partes de uma montagem do receptor.


FIGURA 3.47

Nódulos de vidro generalizado e absorvedor, mostrando os vários modos de transferência de calor.

Para o nódulo de vidro,


(3.142)
Para o nódulo absorvedor,
(3.143)
onde
qG1 = radiação solar absorvida pelo nódulo de vidro i.
qG2 = troca de radiação da rede entre o nódulo de vidro i e as cercanias.
qG3 = transferência de calor por convecção natural e forçada do nódulo de
vidro i para as cercanias.
qG4 = transferência de calor por convecção do nódulo de vidro para o
absorvedor (pela lacuna).
qG5 = radiação emitida pela superfície interior do nódulo de vidro i.
qG6 = condução ao longo da circunferência do vidro do nódulo i para o i +
1.
qG7 = condução ao longo da circunferência do vidro de nódulo i para o i –
1.
qG8 = fração da radiação total incidente na superfície interior de vidro que é
absorvida.
qA1 = radiação absorvida pelo nódulo absorvedor i.
qA2 = radiação térmica emitia pela superfície exterior do nódulo absorvedor
i.
qA3 = transferência de calor por convecção do nódulo absorvedor para o de
vidro (pela lacuna).
qA4 = transferência de calor por convecção para o nódulo i do fluido
operante.
qA5 = troca de calor entre a superfície interior do absorvedor e o nódulo
absorvedor i.
qA6 = condução ao longo da circunferência do absorvedor do nódulo i para
o i + 1.
qA7 = condução ao longo da circunferência do absorvedor do nódulo i para
o i – 1.
qA8 = fração do total de radiação incidente no nódulo interior do
absorvedor que é absorvida.
Para todos esses parâmetros, relações de transferência de calor padrões
podem ser usadas. O conjunto de equações não-lineares é resolvido
sequencialmente para obter a distribuição de temperatura do receptor e a
solução é obtida por um procedimento iterativo. Nas equações (3.142) e
(3.143), os fatores qG1 e qA1 são calculados pelo modelo óptico, enquanto que
o fator qA5 é assumido como sendo desprezível.
Esta análise pode dar a distribuição de temperatura ao longo da
circunferência e o comprimento do receptor, então quaisquer pontos de alta
temperatura, que possam atingir a temperatura acima da temperatura de
degradação do revestimento seletivo do receptor, podem ser determinados.
3.7Análise da segunda lei
A análise apresentada aqui é baseada no trabalho de Bejan (Bejan e
colaboradores, 1981; Bejan 1995). A análise, entretanto, é adaptada para
coletores espelhados, porque a minimização da geração de entropia é mais
importante em sistemas de alta temperatura. Considere que o coletor tem uma
área de abertura (ou área total heliostática) Aa, e recebe radiação solar na taxa
Q* do sol, como mostrado na Figura 3.48. A transferência de calor solar em
rede, Q*, é proporcional à área do coletor, Aa, e o fator de proporcionalidade,
q* (W/m2), que varia com a posição geográfica na Terra, a orientação do
coletor, condições meteorológicas e a hora do dia. Na presente análise, q* é
assumido como sendo constante e o sistema está em uma condição estável;
isto é,
(3.144)

Para sistemas concentradores, q* é a energia solar que incide no refletor.


Para obter a energia que incide no receptor do coletor, a precisão do
mecanismo de rastreamento, os erros ópticos dos espelhos, incluindo sua
reflexão, e as propriedades ópticas do vidro receptor devem ser consideradas.
FIGURA 3.48

Modelo de coletor concentrador espelhado.

Portanto, a radiação incidente no receptor, q*o, é uma função da eficiência


óptica, que leva em conta todos esses erros. Para coletores concentradores, a
equação (3.116) pode ser usada. A radiação incidente no receptor é
(Kalogirou, 2004):
(3.145)

A radiação solar incidente é parcialmente transferida a um ciclo de energia


(ou usuário) como transferência de calor Q na temperatura do receptor, Tr. A
fração remanescente, Qo, representa a perda de calor do coletor-ambiente:
(3.146)

Para coletores concentradores espelhados, Qo é proporcional à diferença de


temperatura receptor-ambiente e à área do receptor como:
(3.147)

onde Ur é o coeficiente de transferência de calor total baseado em Ar. Deve-se


notar que Ur é a constante característica do coletor.
Combinando as equações (3.146) e (3.147), é aparente que a temperatura
máxima do receptor ocorre quando Q = 0, isto é, quando a transferência de
calor inteira Q* é perdida para o ambiente. A temperatura máxima do coletor
é dada em uma forma sem dimensão por:
(3.148)

Combinando as equações (3.145) e (3.148),


(3.149)
Considerando que C = Aa/Ar, então:
(3.150)

Como pode ser visto da equação (3.150), θmax é proporcional a C, isto é,


quanto maior a razão de concentração do coletor, maior são θmax e Tr,max. O
termo Tr,max na equação (3.148) é também conhecido como a temperatura de
estagnação do coletor, isto é, a temperatura que pode ser obtida sem
nenhuma condição de fluxo. Em uma forma sem dimensão, a temperatura do
coletor, θ = Tr/To, varia entre 1 e θmax, dependendo da taxa de transferência de
calor, Q. A temperatura de estagnação, θmax, é o parâmetro que descreve o
desempenho do coletor em relação à perda de calor coletor-ambiente, pois
não há fluxo pelo coletor e toda a energia coletada é usada para aumentar a
temperatura do fluido operante para a temperatura de estagnação, que é
fixada em um valor correspondente à energia coletada igual à energia perdida
para o ambiente. Assim, a eficiência do coletor é dada por:
(3.151)

Portanto ηc é uma função linear da temperatura do coletor. No ponto de


estagnação, a transferência de calor, Q, carrega zero exergia, ou potencial
zero para produzir trabalho útil.
3.7.1Taxa mínima de geração de entropia
A minimização da taxa de geração de entropia é a mesma que a maximização
da saída de energia. O processo de coleta de energia solar é acompanhado
pela geração de entropia acima do coletor, abaixo do coletor e dentro do
coletor, como mostrado na Figura 3.49.
O fluxo para dentro de exergia vindo da radiação solar incidente na
superfície do coletor é:
(3.152)
onde T* é a temperatura aparente do sol como uma fonte de exergia. Nesta
análise, o valor sugerido por Petela (1964) é adotado, isto é, T* é
aproximadamente igual a ¾Ts, onde Ts é a temperatura aparente de corpo
negro do sol, que é por volta de 5770 K. Portanto, a T* considerada aqui é
4330 K. Deve-se notar que, nesta análise, T* é também considerada
constante; e por isso seu valor é muito maior do que To, Ein é muito próximo
de Q*. A exergia de saída do coletor é dada por:
(3.153)

enquanto a diferença entre Ein e Eout representa a exergia destruída. Da Figura


3.49, a taxa de geração de entropia pode ser escrita como:
FIGURA 3.49

Diagrama de fluxo de exergia.

(3.154)

Esta equação pode ser escrita com a ajuda da Equação (3.146) como:
(3.155)

Ao usar as Equações (3.152) e (3.153), a Equação (3.155) pode ser escrita


como:
(3.156)

ou
(3.157)

Portanto, se nós considerarmos Ein constante, a maximização da exergia de


saída (Eout) é o mesmo que a minimização do total da geração de entropia,
Sgen.

3.7.2Temperatura ideal do coletor


Ao substituir as Equações (3.146) e (3.147) na Equação (3.155), a taxa de
geração de entropia pode ser escrita como:
(3.158)

Ao aplicar a Equação (3.150) na Equação (3.158) e fazendo várias


manipulações,
(3.159)

O termo sem dimensão, Sgen/UrAr, leva em conta o fato de que a taxa de


geração de entropia combina com o tamanho finito do sistema, que é descrito
por Ar = Aa/C.
Ao diferenciar a Equação (3.159) em relação a θ e fazendo-o 0, a
temperatura ideal do coletor (θopt) para geração de entropia mínima é obtida:
(3.160)

Ao substituir θmax por Tr,max/To e θopt por Tr,opt/To, a Equação (3.160) pode ser
escrita como
(3.161)

Esta equação estabelece que a temperatura ideal do coletor é a média


geométrica da temperatura máxima do coletor (estagnação) e da temperatura
ambiente. As temperaturas de estagnação típicas e temperaturas ideais
resultantes de operação para vários tipos de coletores concentradores são
mostradas na Tabela 3.4. As temperaturas de estagnação mostradas na Tabela
3.4 são estimadas ao considerar principalmente perdas de radiação do coletor.
Como pode ser visto dos dados apresentados na Tabela 3.4, para coletores
de alta performance, tais como o receptor central, é melhor operar o sistema a
altas taxas de fluxo para abaixar a temperatura por volta do valor mostrado ao
invés de operar a altas temperaturas para obter eficiência termodinâmica
maior do sistema coletor.
Tabela 3.4 Temperatura ideal do coletor para vários tipos de coletores concentradores

Tipo de coletor Razão de concentração Temperatura de estagnação (oC) Temperatura ideal (oC)
Calha parabólica 50 565 227
Disco parabólico 500 1285 408
Receptor central 1500 1750 503
Nota: Temperatura ambiente considerada = 25oC

Ao aplicar a Equação (3.160) à Equação (3.159), a taxa mínima


correspondente de geração de entropia é:
(3.162)

onde θ* = T*/To. Deve-se notar que, para placas planas e coletores de baixa
razão de concentração, o último termo da Equação (3.162) é desprezível, pois
θ* é muito maior que θmax – 1; mas não é para maiores coletores
concentradores, tais como o receptor central e os discos parabólicos, que têm
temperaturas de estagnação de várias centenas de graus.
Ao aplicar as temperaturas de estagnação mostradas na Tabela 3.4, para a
Equação (3.162), a entropia sem dimensão gerada contra as razões de
concentração do coletor consideradas aqui, como mostrado na Figura 3.50, é
obtida.
FIGURA 3.50

Entropia gerada e temperatura ideal versus a razão de concentração do coletor.

3.7.3Coletor não-isotérmico
Até agora, a análise foi conduzida considerando um coletor isotérmico. Para
um não-isotérmico, que é um modelo mais realista, particularmente para
PTCs compridos, e ao aplicar o princípio da conservação da energia,
(3.163)

onde x vai de 0 a L (o comprimento do coletor). A entropia gerada pode ser


obtida de:
(3.164)

Para um balanço geral de energia, a perda de calor total é:


(3.165)

Substituindo a Equação (3.165) na Equação (3.164) e fazendo as


manipulações necessárias, a seguinte relação é obtida:
(3.166)
onde θout = Tou/To, θin = Tin/To, Ns é o número de geração de entropia, e M é o
número de fluxo de massa dado por:
(3.167)

e
(3.168)

Se a temperatura de entrada é fixada, θin = 1, então a taxa de geração de


entropia é uma função de apenas M e θout. Estes parâmetros são
interdependentes porque a temperatura de saída do coletor depende da vazão
mássica de massa.

Exercícios
3.1 Para um coletor de placa plana com uma cobertura (FPC) de dimensões 3 ×
6 m, inclinados a 40o em relação à horizontal, determine o coeficiente de
perda de calor total. A temperatura do ambiente é 10oC e a velocidade do
vento é 4 m/s. A placa absorvedora tem espessura de 0,5 mm com uma
emissividade de 0,92. A cobertura de vidro tem 3,5 mm de espessura e está
localizada a 35 mm da placa absorvedora, e a emissividade do vidro é 0,88.
O isolamento é de fibra de vidro de espessura de 45 mm na traseira e 25
mm nas beiradas. A temperatura absorvedora média é 90oC. Estime o
coeficiente de perda de calor total usando ambos os métodos detalhado e
empírico e compare os resultados.
3.2 Para um FPC de dimensões 3 × 6 m, inclinado em 45o em relação à
horizontal, determine o coeficiente de perda de calor total. A temperatura
ambiente é de 5oC e a velocidade do vento é de 5 m/s. A placa absorvedora
tem espessura de 0,6 mm com uma emissividade de 0,15. As coberturas de
vidro têm espessura de 3,5 mm com uma lacuna de 20 mm e a do fundo é
localizada a 50 mm da placa absorvedora. A emissividade do vidro é de
0,88. O isolamento é de fibra de vidro de espessura 50 mm na traseira e 30
mm nas beiradas. A temperatura absorvedora média é de 90oC. Estime o
coeficiente de perda de calor total usando ambos os métodos detalhado e
empírico e compare os resultados.
3.3 UmFPC de área 4 m2 é testado durante a noite para medir o coeficiente de
perda de calor total. Água a 60oC circula pelo coletor com vazão
volumétrica de 0,06 1/s. A temperatura ambiente é de 8oC e a temperatura
de saída é 49oC. Determine o coeficiente de perda de calor total.
3.4 Para
um FPC de 2 × 6 m com duas coberturas, inclinado em 45o com a
horizontal, determine o coeficiente de perda de calor total. A temperatura
ambiente é de −5oC e a velocidade do vento é de 8 m/s. A placa
absorvedora tem espessura de 0,1 cm com uma emissividade de 0,93
mantida a 80oC. As coberturas de vidro têm espessura de 0,5 cm com uma
lacuna de 2,5 cm e a do fundo é localizada a 6 cm da placa absorvedora. A
emissividade do vidro é 0,88. O isolamento é de fibra de vidro de 7 cm de
espessura na traseira e 3 cm nas beiradas.
3.5 UmFPC de 3 × 6 com vidro único aponta para o sul, inclinado em 45o com
a horizontal. O coletor está localizado à latitude de 35oN, e em 21 de março
das 14:00 às 15:00 h, a irradiância solar na superfície do coletor é de 980
W/m2 e a temperatura ambiente é de 8oC. Estime o ganho de energia útil do
coletor se:
Coeficiente de perda de calor total = 5,6 W/m2oC.
Temperatura de entrada da água = 50oC.
Vazão mássica do coletor = 0,25 kg/s.
Coeficiente de transferência de calor por convecção do tubo interior = 235
W/m2 K.
Vidro único com n = 1,526 e KL = 0,037.
Placa absorvedora é seletiva, com αn = 0,92, espessura = 0,5 mm.
Tubos de cobre são usados para tubos verticais, com 13,5 mm de diâmetro
interior, 15 mm de diâmetro exterior, e 12 cm de distância entre os tubos
verticais.
3.6 Um coletor solar de placa plana com dimensões de 1 × 2 m tem oito tubos
de cobre verticais de 13,5 mm de diâmetro interior e 15 mm de diâmetro
exterior, montado em uma placa absorvedora de cobre de 0,5 mm de
espessura, que está a 85oC. A temperatura de entrada da água é 55oC e a
vazão mássica é 0,03 kg/s. Calcule o coeficiente de transferência de calor
por convecção dentro dos tubos verticais, a temperatura de saída da água, e
a radiação solar absorvida na superfície do coletor, assumindo uma
eficiência da aleta de 95%.
3.7 Ocoeficiente de perda de calor total de um FPC é 6,5 W/m2 K. A placa
absorvedora tem espessura de 0,4 mm e os tubos verticais têm 10 mm de
diâmetro interior e 12 mm de diâ​metro exterior. Se a distância entre os
centros dos tubos verticais é de 12 cm e o coeficiente de transferência de
calor por convecção do interior do tubo é 250 W/m2 K, estime o fator de
eficiência do coletor quando o material usado é alumínio e cobre.
3.8 Um coletor aquecedor de ar de vidro único que tem um canal de fluxo atrás
do absorvedor que tem largura de 1,5 m, 3,5 m de comprimento e 5 cm de
altura. A vazão mássica do ar é 0,045 kg/s e a temperatura de entrada do ar
é 45oC. A irradiância solar na superfície do coletor inclinado é de 920
W/m2 e o (τα) efetivo do coletor é 0,87. Quando a temperatura ambiente é
de 12oC, o coeficiente de perda de calor total é 4,5 W/m2 K. Se a
emissividade das superfícies do canal de fluxo de ar é 0,9, estime a
temperatura de saída do ar e a eficiência do coletor.
3.9 Um CPC tem um semiângulo de aceitação de 16o e seu eixo longo é
orientado ao longo da direção leste-oeste com uma inclinação de 45o. O
coletor está localizado a uma latitude de 35oN onde em 10 de março das
13:00 às 14:00 h, a componente direta da radiação na horizontal é de 1,3
MJ/m2 e a componente difusa da radiação é de 0,4 MJ/m2. Uma cobertura
simples de vidro é usada no concentrador, com KL = 0,032. Estime a
radiação absorvida para a hora indicada se a refletividade especular é de
0,85 e os valores de absortividade são 0,96 para incidência normal, 0,95
para ângulo de incidência de 20o, 0,94 para 40o e 0,89 para 60o. Qual é a
saída de energia útil do coletor por unidade de área de abertura se o
coeficiente de perda de calor total é 7 W/m2 K, o fator de remoção de calor
é 0,88, a temperatura ambiente é de 10oC, e a temperatura de entrada do
fluido de 55oC?
3.10Um coletor parabólico em calha tem um receptor de aço tubular com uma
cobertura e o espaço entre o receptor e o vidro é evacuado. O receptor tem
10 m de comprimento e tem um diâmetro externo de 5 cm e um diâmetro
interno de 4 cm. O diâmetro da cobertura de vidro é de 8 cm. Se a
superfície do receptor é seletiva com ε = 0,11 e está a 250oC, determine o
coeficiente de perda de calor total do receptor quando a temperatura
ambiente é de 24oC, a velocidade do vento é de 2 m/s, e a emissividade é
de 0,92.
3.11Parao problema anterior, se a abertura do coletor é de 4 m, o tubo
receptor é de aço, o coeficiente interior de transferência de calor por
convecção do receptor é 280 W/m2 K, e a radiação solar absorvida é de 500
W/m2 da área de abertura, estime o ganho de energia útil do coletor e a
temperatura de saída do coletor. O fluido circulante é óleo com um calor
específico de 1,3 kJ/kg K, circulando com vazão mássica de 1 kg/s e
entrando no receptor a 210oC.

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CAPÍTULO

4
Desempenho de coletores solares
O desempenho térmico de coletores solares pode ser determinado mediante
análise detalhada das características óticas e térmicas da concepção de
materiais do coletor e design deste (conforme descrito no Capítulo 3 ou por
testes de desempenho experimental sob condições controladas. Convém notar
que a precisão da análise de transferência do calor depende de suposições da
determinação dos coeficientes de transferência de calor, o que é difícil de
conseguir, devido às condições de limite de temperatura não uniforme que
existem em coletores solares. Tal análise é geralmente desenvolvida durante a
elaboração de protótipos, que são então testados em condições ambientais
definidas. Além disso, a verificação experimental das características do
coletor é necessária, devendo ser feita em todos os modelos fabricados de
coletor. Em alguns países, a comercialização dos coletores solares é permitida
somente após a emissão de testes certificados feitos por laboratórios
creditados de modo a proteger os clientes.
Uma série de normas descrevem os procedimentos de teste para o
desempenho térmico de coletores solares. As mais conhecidas são a ISO
9806-1: 1994 (ISO, 1994) e a ANSI/ASHRAE 93: 2010 (ANSI/ASHRAE,
2010). Estas podem ser utilizadas para avaliar o desempenho de ambos os
coletores solares – concentradores e de placa plana. O desempenho térmico
de um coletor solar é determinado, em parte, mediante a obtenção de valores
de eficiência instantânea para diferentes combinações de radiação solar
incidente, temperatura ambiente e temperatura de entrada do fluido. Isso
requer uma medição experimental da taxa de incidência da radiação solar
incidente sobre o coletor solar, bem como a taxa de adição de energia para o
fluido de transferência à medida que passa através do coletor – todas sob
condições de estado estacionário ou quase neste estado. Além disso, os testes
devem ser realizados para determinar as características de resposta térmicas
transientes do coletor. Também é necessária a variação de eficiência térmica
no estado de equilíbrio, com ângulos de incidência entre a componente direta
da radiação solar e a abertura normal do coletor, tendo em vista várias
posições solares e dos coletores.
A ISO 9806-1: 1994 e a ASHRAE 93: 2010 oferecem informações sobre
como testar coletores de energia solar que utilizam fluidos monofásicos com
uma vazão mássica fixa e não de armazenamento interno significativo. Os
dados podem ser utilizados para prever o desempenho do coletor, em
qualquer local e em qualquer condição de tempo acerca da resistência
(incluindo a temperatura de resistência), o tempo e a irradiância solar
conhecidos.
Os coletores solares podem ser testados por dois métodos básicos: sob
condições de estado estacionário ou utilizando um procedimento de teste
dinâmico. O primeiro método é amplamente utilizado e os procedimentos de
teste estão bem documentados nas normas para coletores solares com
cobertura de vidro e na ISO 9806-3: 1995 (ISO, 1995b) para coletores solares
sem cobertura de vidro. Nos casos do teste de estado estacionário, as
condições ambientais e de operação do coletor devem ser constantes durante
o período de testes. Para locais secos e claros, as condições ambientais
estáveis necessárias são facilmente satisfeitas e o período de teste requer
apenas alguns dias. Em muitos locais do mundo, no entanto, as condições de
equilíbrio podem ser difíceis de alcançar, e o teste será possível apenas em
determinados períodos do ano, principalmente durante o verão, e, mesmo
assim, podem ser necessários períodos estendidos de teste. Por essa razão,
foram desenvolvidos métodos de ensaio transiente ou dinâmico. O teste
transiente envolve o acompanhamento do desempenho do coletor para um
intervalo ou radiação e condições do ângulo incidente. Em subsequência, um
modelo matemático dependente do tempo é usado para identificar a partir dos
dados transientes dos parâmetros de desempenho do coletor. Uma vantagem
do método transiente é que ele pode ser usado para determinar uma gama
mais ampla de parâmetros de desempenho do coletor em comparação ao
método de estado estacionário. O método de teste dinâmico é adotado pela
norma EN 12975-2. As normas europeias são geralmente baseadas na ISO,
mas são mais rigorosas. Há uma breve abordagem delas na Seção 4.10.
No intuito de realizar os testes necessários com precisão e de forma
consistente, é requerido um anel de teste. Dois de tais anéis podem ser
utilizados: anéis coletores de teste de loop fechado e aberto, como mostrado
nas Figuras 4.1 e 4.2, respectivamente. Para os testes, os seguintes
parâmetros devem ser medidos:
1. Irradiância solar global no plano coletor, Gt.
2. Irradiação solar difusa na abertura do coletor.
3. Velocidade do ar acima da abertura do coletor.
4. Temperatura do ar ambiente, T .
a
5. Temperatura do fluido na entrada do coletor, T .
i
6. Temperatura do fluido na saída do coletor, T .
o
7. Vazão mássica de fluido, m:

Além disso, a área de abertura no coletor bruto, Aa, é necessária para medir
com precisão determinada. A eficiência do coletor, com base na área de
abertura do coletor bruto, é dada por:
(4.1)

FIGURA 4.1

Sistema de teste de circuito fechado.


FIGURA 4.2

Sistema de teste de circuito aberto.

Neste capítulo, o método de ensaio de estado estacionário é


minuciosamente descrito. O método dinâmico é apresentado ao final do
capítulo.
4.1Eficiência térmica do coletor
O teste de desempenho do coletor é realizado sob condições de estado
estacionário, com a energia radiante de equilíbrio caindo sobre a superfície do
coletor, uma taxa de escoamento de fluido constante, a velocidade do vento
constante e a temperatura ambiente. Quando uma temperatura de entrada de
fluido constante é fornecida ao coletor, pode-se manter uma temperatura de
saída constante de fluido a partir do coletor. Neste caso, o ganho de energia
útil a partir do coletor é calculado a partir de:
(4.2)

No Capítulo 3 vimos que a energia útil adquirida de um coletor solar é dada


por:
(4.3)
Além disso, a eficiência térmica é obtida dividindo Qu pela entrada de
energia (AaGt):
(4.4)

Durante os testes, o coletor é montado de tal maneira que a face do sol


esteja perpendicular; como resultado, o produto transmitância-absorvência
para o coletor corresponde ao da componente direta da radiação na incidência
normal. Portanto, o termo (τα)n é usado nas Equações (4.3) e (4.4), para
indicar que o produto normal de transmitância-absorvência é usado.
Da mesma forma, para a concentração de coletores, as seguintes equações
do Capítulo 3podem ser utilizadas para energia útil recolhida e eficiência do
coletor:
(4.5)

(4.6)

Observe que, neste caso, Gt é substituída por GB, uma vez que coletores que
estão concentrando podem utilizar apenas a componente direta da radiação
solar (Kalogirou, 2004).
Para um coletor operando sob irradiação constante e vazão mássica de
fluido, os fatores FR, (τα)n e UL são relativamente constantes. Portanto, as
Equações (4.4) e (4.6) apresentam comportamento linear em um gráfico de
eficiência versus o parâmetro de perda de calor (Ti – Ta)/Gt para o caso de
coletores planos (FPCs) e (Ti – Ta)/GB para o caso de coletores
concentradores (ver Figura 4.3). A intercepção (interseção da linha com o
eixo de eficiência vertical) é igual a FR (τα)n para os coletores planos e FRηo
para os concentradores. O declive da linha, ou seja, a diferença de eficiência
dividida pela diferença da escala horizontal correspondente, é igual a – FRUL
e – FRUL /C, respectivamente. Se os dados experimentais sobre a distribuição
de calor no coletor em várias temperaturas e condições solares são plotados
com eficiência tal qual o eixo vertical e ∆T/G (Gt ou GB é utilizado de acordo
com o tipo de coletor) como o eixo horizontal, a melhor linha reta através dos
pontos de dados correlaciona o desempenho do coletor solar com as
condições de temperatura. A intersecção da linha com o eixo vertical é o local
onde a temperatura do fluido que entra no coletor é igual à temperatura
ambiente, e a eficiência do coletor está no seu máximo. Na interseção da
linha com o eixo horizontal, a eficiência do coletor é zero. Esse estado
corresponde a um tal nível baixo de radiação ou a uma alta temperatura tal do
fluido no coletor, que as perdas de calor iguais à absorção solar e o coletor
não emitem calor útil. Essa condição, normalmente chamada de estagnação,
em geral ocorre quando nenhum fluido escoa no coletor. Esta temperatura
máxima (para um FPC) é dada por:
(4.7)

Como pode ser visto na Figura 4.3, a inclinação dos coletores


concentradores é muito menor do que aquela dos coletores de placa plana.
Isto resulta das perdas térmicas inversamente proporcionais à razão de
concentração, C. Esta é a maior vantagem dos coletores concentradores, isto
é, a eficiência dos coletores de alta concentração permanece à alta
temperatura de entrada; por isso esse tipo de coletor é adequado para
aplicações de alta temperatura.

FIGURA 4.3

Curvas típicas de desempenho do coletor.

Uma comparação da eficiência de vários coletores nos níveis de irradiância


de 500 e 1.000 W/m2 é mostrada na Figura 4.4 (Kalogirou, 2004). Cinco
representativos tipos de coletores são considerados:
• Coletor de placa plana (FPC).
• Coletor avançado de placa plana (AFP). Neste coletor, as elevações são
soldadas ultrassonicamente à placa absorvente, que também é galvanizada
com revestimento seletivo de cromo.
• Coletor estacionário parabólico composto (CPC) orientado com seu eixo
longitudinal no sentido leste-oeste.
• Coletor de tubo de vácuo (ETC).
• Coletor parabólico (PTC) com rastreamento L-O.
Como pode ser visto na Figura 4.4, quanto maior o nível de irradiação solar,
melhor é a eficiência e o desempenho dos coletores, tais como o CPC, ETC e
PTC, que apresentam alta eficiência, mesmo sob temperaturas mais altas de
entrada nos coletores. Deve-se notar que os níveis de radiação em exame são
considerados como radiação global para todos os tipos de coletores, exceto o
PTC, para o qual os mesmos valores de radiação são utilizados, mas são
considerados como radiação direta.
Na realidade, o coeficiente de perda de calor, UL, nas Equações (4.3)–(4.6)
não é constante, mas representa uma função do coletor de entrada e da
temperatura ambiente. Portanto,
(4.8)

Aplicando a Equação (4.8) nas Equações (4.3) e (4.5), temos o seguinte.


Para coletores planos:
(4.9)

FIGURA 4.4

Comparação da eficiência de vários coletores de dois níveis de irradiação: 500 e 1.000 W/m2.

e para coletores concentradores:


(4.10)
Portanto, para FPCs, a eficiência pode ser determinada conforme:
(4.11)

e se denotamos co = FR (τα)n e x = (Ti – Ta)/Gt, então:


(4.12)

E, para coletores concentradores, a eficiência pode ser escrita como:


(4.13)
e se denotamos ko = FRηo; k1 = c1/C, k2 = c2/C e y = (Ti – Ta)/GB, então:
(4.14)

A diferença de desempenho entre as placas planas e coletores


concentradores também pode ser vista a partir das equações de desempenho.
Por exemplo, o desempenho de um bom FPC é dado por:
(4.15)

Enquanto o desempenho da equação da Industrial Solar Technologies (IST)


PTC é:
(4.16)

Comparando as Equações (4.15) e (4.16), podemos ver que FPCs


geralmente têm uma eficiência de interceptação maior, porque suas
características óticas são melhores (nenhuma perda de reflexão), enquanto os
coeficientes de perda de calor dos coletores concentradores são muito
menores, uma vez que esses fatores são inversamente proporcionais à razão
de concentração.
Nas equações acima, ∆T ou (Ti – Ta) é frequentemente chamado como
redução de diferença de temperatura. A norma ISO 9806-1: 1994 permite o
uso de qualquer uma das (Ti – Ta) ou (Tm – Ta), onde Tm = (Ti + To)/2 é a
temperatura média do coletor, ao passo que PT 12975-2: 2006 só permite este
último. Neste caso, a equação de eficiência do coletor é modificada como
mostrado na Seção 4.6.
As Equações (4.11) e (4.13) incluem todo o projeto importante e fatores
operacionais que afetam o desempenho em estado estacionário, exceto a
vazão mássica do coletor e o ângulo de incidência solar. A vazão mássica
afeta de forma inerente o desempenho através da temperatura média
absorvente. Se a taxa de remoção de calor for reduzida, o aumento da
temperatura média absorvente, somado ao calor, é perdido. Se o fluxo de ar
aumenta, a temperatura do coletor e a absorção de perda de calor diminuem.
O efeito do ângulo de incidência solar é contabilizado pelo modificador do
ângulo de incidência, examinado na Seção 4.2.
4.1.1Efeito da vazão mássica
Dados de ensaios experimentais podem ser correlacionados para obter valores
de FR (τα)n e FRUL para um fluxo particular usado durante o teste. Se a vazão
mássica do coletor for alterada a partir do valor de teste durante o uso normal,
é possível calcular o novo FR para a nova vazão mássica utilizando a Equação
(3.58). A correção para a vazão mássica alterada pode ser feita, caso se
assuma que F’ não muda com a vazão mássica, devido a alterações nas hfi. A
razão r, por meio da qual os fatores FR (τα)n e FRUL são corrigidos, é dada por
(Duffie e Beckman, 1991):
(4.17a)

ou
(4.17b)

Para usar o conhecimento acerca das equações anteriores é exigido o termo


F’UL. Para as condições de ensaio que podem ser calculadas a partir da
Equação (3.58), segundo se conhece o termo FRUL a partir do teste de
desempenho. Portanto, reorganizando a Equação (3.58), obtemos:
(4.18)

Para coletores líquidos F’UL é aproximadamente igual para as condições de


teste e de uso, então, o valor estimado na Equação (4.18) pode ser usado em
ambos os casos na Equação (4.17a).
Para coletores de ar ou coletores de líquido, onde hfi depende bastante da
vazão mássica, F’ precisa ser estimado para o novo valor de hfi usando as
Equações (3.48), (3.79) ou (3.86a) de acordo com o tipo de coletor. Neste
caso, hfi é estimado a partir do número de Nusselt e do tipo de escoamento
determinado de acordo com o número de Reynolds. Por exemplo, para o
escoamento turbulento, emprega-se o número de Nusselt dado pela Equação
(3.131) em se tratando dos escoamentos em tubos internos. Para outros casos,
equações apropriadas podem ser utilizadas a partir de compêndios sobre
transferência de calor.
4.1.2Coletores em série
Os dados de desempenho para um único coletor solar não podem ser
aplicados diretamente a uma série de coletores conectados, se a vazão
mássica para a série for a mesma que para os dados do coletor de testes.
Entretanto, se N coletores do mesmo tipo estiverem ligados em série e o fluxo
for N vezes maior do que o fluxo de um único coletor usado durante o ensaio,
então os dados de desempenho de um único coletor podem ser aplicados. Se
dois coletores dispõem-se em uma ligação em série e a vazão mássica for
definida para um único fluxo de teste de coletor, o desempenho será menor
em comparação aos dois coletores ligados em paralelo com a mesma vazão
mássica através de cada coletor. A produção de energia útil a partir dos dois
coletores conectados em série é dada por (Morrison, 2001):
(4.19)
onde To1 = temperatura de saída do primeiro coletor de dados por:
(4.20)

Excetuando To1 das Equação (4.19) e (4.20), têm-se:


(4.21)

onde FR1, UL1 e (τα)1 são os fatores para o coletor único testado, e K é:
(4.22)

Para N coletores idênticos ligados em série com a vazão definida como a


vazão mássica de único coletor,
(4.23)

(4.24)

Se os coletores estão ligados em série e a vazão mássica por unidade de


área da abertura em cada linha da série de coletores for igual à vazão mássica
de ensaio por unidade de área da abertura, então nenhuma penalidade está
associada ao fluxo que não seja um aumento da queda de pressão do circuito.

EXEMPLO 4.1
Em cinco coletores em série, cada 2 m2 de área e FR1UL1 = 4 W/m2 oC a
uma vazão mássica de 0,01 kg/s, determine o fator de correção. A água é
circulada através dos coletores.
Solução
Da Equação (4.22)

O fator

Este exemplo indica que a ligação de coletores em série, sem aumentar a


vazão mássica de fluido de trabalho, em proporção ao número de
coletores, resulta em perda significativa na saída.

4.1.3Requisitos normalizados
Aqui, apresentam-se os vários requisitos das normas ISO para coletores com
e sem cobertura de vidro. A fim de obter uma lista mais abrangente dos
requisitos e detalhes sobre os procedimentos de teste, o leitor é aconselhado a
ler o padrão atual.
Coletores com Cobertura de Vidro
Para realizar o teste de estado estacionário de forma satisfatória, consoante a
ISO 9806-1: 1994, são necessárias certas condições ambientais (ISO, 1994):
1. Irradiância solar maior do que 800 W/m2.
2. Velocidade do vento mantida entre 2 e 4 m/s. Se o vento natural for
inferior a 2 m/s, um gerador de energia eólica artificial deve ser usado.
3. Ângulo de incidência da radiação direta em ± 2% do ângulo de incidência
normal.
4. Vazão mássica do fluido deve ser fixada em 0,02 kg/s m2 e o fluxo de
fluido deve ser estável em ± 1% durante cada teste, mas pode variar até
±10% entre diferentes testes. Outras taxas de fluxo podem ser usadas, se
for especificado pelo fabricante.
5. Para minimizar os erros de medição, uma subida da temperatura de 1,5 K
deve ser produzida de modo que um ponto seja válido.
Os pontos de dados que satisfazem esses requisitos devem ser obtidos para
um mínimo de quatro temperaturas de entrada dos fluidos, que são
uniformemente espaçados ao longo da faixa de operação do coletor. A
primeira deve estar dentro de ±3 K da temperatura ambiente, para obter com
precisão a intercepção de teste, e o último deve estar à temperatura de
funcionamento máxima do coletor especificado pelo fabricante. Se a água for
o fluido de transferência de calor, 70oC é normalmente uma temperatura
máxima adequada. Pelo menos quatro pontos de dados devem ser
independentes obtidos para cada uma das temperaturas de entrada de fluido.
Se não houver acompanhamento contínuo, então é necessário considerar um
número igual de pontos antes e depois do meio-dia solar local para cada
temperatura de entrada do fluido. Além disso, a cada ponto de dados, requer-
se um período de pré-condicionamento de pelo menos 15 minutos, utilizando
a temperatura de entrada de fluido indicada. O período de medição real deve
ser quatro vezes maior do que o tempo de passagem de fluido através do
coletor com um período mínimo de teste de 15 min.
Para estabelecer que existem condições no estado estacionário, os valores
médios de cada parâmetro devem ser feitos ao longo de períodos sucessivos
de 30 s e comparados com o valor médio durante o período de teste. A
condição de estado estacionário define-se como o período durante o qual as
condições de funcionamento estão dentro dos valores apresentados na Tabela
4.1.
Tabela 4.1 Tolerância de parâmetros medidos para coletores com cobertura de vidro
Parâmetro Desvio da média
Irradiância solar total ± 50 W/m2
Temperatura do ar ambiente ±1K
Velocidade do vento 2-4 m/s
Vazão mássica do fluido de massa ± 1%
Temperatura de entrada do fluido no coletor ± 0,1 K

Coletores sem Cobertura de Vidro


Coletores sem cobertura são mais difíceis para submissão de testes, porque o
seu funcionamento é influenciado não só pela radiação solar e pela
temperatura ambiente, mas também pela velocidade do vento. O último fator
influencia o desempenho do coletor em grande medida, uma vez que não há
cobertura de vidro. Um vez que é muito difícil encontrar períodos de
condições de vento constante (constante de velocidade de vento e de direção),
a ISO 9806-3: 1995 para teste de coletor sem cobertura de vidro recomenda
que se utilize um gerador de vento artificial a fim de controlar a velocidade
do vento em paralelo com a abertura do coletor (ISO, 1995b). A performance
dos coletores sem cobertura é também uma função do tamanho do módulo e
pode ser influenciada pelas propriedades de absorção de energia solar do
terreno circundante (geralmente o material da cobertura); então, de modo a
reproduzir estes efeitos a um tamanho mínimo do módulo de 5 m2,
recomenda-se o teste do coletor em uma seção de cobertura típica. Além dos
parâmetros medidos listados no início deste capítulo, a irradiação térmica de
onda longa no plano do coletor plano deve ser medida. Alternativamente, a
temperatura do ponto de orvalho pode ser medida, a partir da qual a
irradiação de ondas longas pode ser estimada.
Requisitos similares para o pré-condicionamento se aplicam aqui, como no
caso dos coletores com cobertura de vidro. No entanto, a duração do período
de ensaio em estado estacionário, neste caso, deve ser mais do que quatro
vezes a razão entre a capacidade térmica do coletor em relação à capacidade
térmica do líquido que flui através do coletor. Neste caso, o coletor é disposto
a operar sob condições de estado estacionário se, durante o período de testes,
os parâmetros medidos desviarem seus valores médios inferiores aos limites
apresentados na Tabela 4.2.
Tabela 4.2 Tolerância de parâmetros medidos para coletores sem cobertura
Parâmetro Desvio da média
Irradiância solar total ± 50 W/m2
Irradiância térmica de comprimento de onda ± 20 W/m2
Temperatura do ar ambiente ±1K
Velocidade do vento ± 0,25 m/s
Vazão mássica do fluido de massa ± 1%
Temperatura de entrada do fluido no coletor ± 0,1 K

Utilizando um simulador solar


Em países com condições climáticas inadequadas, o teste interno de coletores
solares com o uso de um simulador solar é recomendado. Simuladores solares
são geralmente de dois tipos: aqueles que usam uma fonte pontual de
radiação montada bem longe do coletor e aqueles com grande área de
múltiplas lâmpadas montadas perto do coletor. Em ambos os casos, deve-se
tomar cuidado especial para reproduzir as propriedades espectrais da radiação
solar natural. As características do simulador necessárias são também
especificadas na norma ISO 9806-1: 1994 e os principais são (ISO, 1994):
1. Irradiância média sobre a abertura do coletor não deve variar mais do que
± 50 W/m2 durante o período de teste.
2. Radiação em qualquer ponto da abertura do coletor não deve diferir acima
de ± 15% da radiação média sobre a abertura.
3. A distribuição espectral entre os comprimentos de onda de 0,3 e 3 µm deve
ser equivalente à de massa de ar de 1,5, tal como indicado na norma ISO
9845-1: 1992.
4. Irradiação térmica deve ser menor do que 50 W/m2.
5. Como em vários simuladores de lâmpadas, as características espectrais da
lâmpada matriz mudam com o tempo e, em caso de as lâmpadas serem
substituídas, as características do simulador devem ser determinadas em
uma base regular.
Simuladores solares podem ser divididos em três tipos principais: contínuo,
flash e pulso. O primeiro tipo é usado principalmente para testes de baixa
intensidade, variando de menos de um a vários sóis.
O segundo tipo é o simulador de flash. Este é o mais adequado para testar
células e módulos fotovoltaicos (PV). A medição com este simulador solar é
instantânea e dura aproximadamente o tempo do flash de uma câmera (vários
milissegundos). Alguns modelos permitem também a medição de corrente-
tensão (I-V) da PV. Com este simulador é possível aumentar intensidades em
até vários milhares de sóis. A principal vantagem deste simulador é que evita
a acumulação de calor no dispositivo de teste. A desvantagem é que, devido
ao rápido aquecimento e arrefecimento da lâmpada, a intensidade do espectro
de luz não é constante, o que pode criar problemas de fiabilidade das
medições repetidas.
O terceiro tipo de simulador solar é o de pulso. Este utiliza um obturador
entre a lâmpada e a amostra em teste para bloquear ou desbloquear
rapidamente a luz. As pulsações encontram-se tipicamente na ordem de 100
ms. Neste caso, a luz permanece ligada durante todo o período de duração do
teste e, portanto, este simulador oferece um compromisso entre os tipos
contínuo e de flash. As desvantagens deste simulador são o alto consumo de
energia e as relativamente baixas intensidades de luz do tipo contínuo. As
vantagens são a intensidade e o espectro de saída de luz estável e a baixa
carga térmica imposta aos corpos de prova.
4.2Modificador do ângulo de incidência do coletor
4.2.1Coletores de placas planas
O desempenho das Equações (4.9) e (4.11) para FPCs supõe que a incidência
da radiação solar é perpendicular ao plano do coletor, o que raramente ocorre.
Para as placas de cobertura de vidro de um CPE, a reflexão especular da
radiação ocorre, reduzindo, assim, o produto (τα). O modificador de ângulo
de incidência, Kθ, é definido como a proporção de (τα), em algum ângulo
incidente θ em incidência normal (τα)n. De acordo com a ISO 9806-1: 1994,
os dados são coletados para ângulos de incidência de aproximadamente 0o,
30o, 45o e 60o (ISO, 1994). Um gráfico de ângulo de incidência contra a
modificação do ângulo de incidência é demonstrado na Figura 4.5.
Se marcamos o modificador de ângulo de incidência contra 1/cos(θ) – 1,
observa-se uma linha reta que é obtida, como se mostra na Figura 4.6,
podendo ser descrita pela seguinte fórmula:
(4.25)

Para uma única cobertura de vidro, o fator bo na Equação (4,25), que é o


declive da linha na Figura 4.6, consiste em aproximadamente 0,1. A
expressão mais usual para o modificador é o ângulo de incidência de uma
equação de segunda ordem dada por:
(4.26)

Com o modificador do ângulo de incidência, a eficiência do coletor, a


Equação (4.11,) pode ser modificada como:
(4.27)

A equação para a energia útil recolhida, Equação (4,9), também é


modificada de forma semelhante.
FIGURA 4.5

Ângulo de incidência em gráfico modificado.

FIGURA 4.6

Lote de incidência do ângulo modificador em comparação a 1/cos(θ) – 1 para dois tipos de coletores
planos.

O modificador de ângulo de incidência para os coletores sem características


óticas simétricas pode ser aproximado pelo produto de dois modificadores de
ângulo de incidência ortogonal na longitudinal (l) e transversal (t) da
superfície plana do coletor [Kθ =Kθ,l Kθ,t], no qual se aplica em cada plano do
ângulo de incidência apropriado. Coletores que necessitam deste tratamento
são o tubo de vácuo, cujas coberturas são oticamente não simétricas.
4.2.2Coletores concentradores
Da mesma forma, para coletores concentradores, o desempenho das Equações
(4.10) e (4.13) descritas anteriormente é razoavelmente bem definido, desde
que a componente direta da radiação solar seja normal para a abertura do
coletor. Para outros ângulos de incidência, o termo eficiência ótica (ηo) é
muitas vezes difícil de ser descrito de modo analítico, porque depende da real
geometria concentradora, da ótica concentradora, da forma geométrica do
receptor e do receptor ótico, que podem diferir significativamente. À medida
que o ângulo de incidência da radiação direta aumenta, estes termos tornam-
se mais complexos. Felizmente, o efeito combinado desses parâmetros em
diferentes ângulos de incidência pode ser explicado por meio do modificador
de ângulo de incidência. Isto é simplesmente um fator de correlação para ser
aplicado à curva de eficiência, sendo uma função apenas do ângulo de
incidência entre a radiação direta e normal para o exterior, desenhada em
relação ao plano da abertura do coletor. Ele descreve como a eficiência ótica
do coletor muda conforme as variações do ângulo de incidência. Com o
modificador de ângulo de incidência, a Equação (4.13) torna-se:
(4.28)

Se a temperatura de entrada do fluido é mantida igual à temperatura


ambiente, o modificador de ângulo de incidência pode ser determinado a
partir de:
(4.29)

onde η(Ti = Ta) é a eficiência medida pelo ângulo de incidência desejada para
uma temperatura de entrada do fluido igual à temperatura ambiente. O
denominador na Equação (4.29) é a interseção de ensaio retirada do teste de
eficiência do coletor com a Equação (4.13), incluindo [Ƞo]n, sendo o
rendimento ótico normal, ou seja, em um ângulo de incidência normal.
Como exemplo, os resultados obtidos a partir de um dado teste são
indicados por pequenos quadrados na Figura 4.7. Ao usar um método de
ajuste de curva (ajuste polinomial de segunda ordem), a curva que melhor se
ajusta aos pontos pode ser obtida (Kalogirou e colaboradores, 1994.):
(4.30)
Para o coletor IST, o modificador de ângulo de incidência Kθ do coletor
dado pelo fabricante é:
(4.31)
4.3Ângulo de aceitação do coletor concentrador
Outro teste necessário para os coletores concentradores é a determinação do
ângulo de aceitação do coletor, que caracteriza o efeito de erros de orientação
angular do mecanismo de rastreio.
Isso pode ser encontrado por meio do mecanismo de rastreamento livre,
segundo a medida de eficiência em vários ângulos fora de foco, tal como o
sol viajando sobre o plano do coletor. Um exemplo é mostrado na Figura 4.8,
em que o ângulo de incidência normal, medido a partir do eixo para o
rastreamento (isto é, ângulo fora do foco) é representado graficamente contra
o fator de eficiência, isto é, a relação entre o máximo de eficiência em
incidência normal em relação à eficiência em um ângulo fora de foco
particular.
A definição do ângulo de aceitação do coletor é a gama de ângulos de
incidência (tal como medido a partir da normal ao eixo de acompanhamento),
na qual o fator de eficiência varia em não mais do que 2% do valor de
incidência normal (ASHRAE, 2010). Portanto, a partir da Figura 4.8, a
metade do ângulo de aceitação do coletor, θm, é de 0,5o. Este ângulo
determina o erro máximo do mecanismo de rastreamento.

FIGURA 4.7

Resultados de teste de modificador de ângulo de incidência em coletor de calha parabólica.


FIGURA 4.8

Resultados de teste do ângulo de aceitação em coletor de calha parabólica


4.4Constante de tempo do coletor
Um último aspecto do teste de coletor é a determinação da capacidade
térmica de um coletor, em termos de uma constante de tempo. Também é
necessário determinar o tempo de resposta do coletor solar para ser capaz de
avaliar o comportamento transitório do coletor e selecionar os intervalos de
tempo corretos para o estado quase constante ou testes de eficiência em
estado de equilíbrio. Sempre que existirem condições transitórias, as
Equações (4.9)–(4.14) não controlam o desempenho térmico do coletor, uma
vez que parte da energia solar absorvida é usada para aquecer o coletor e seus
componentes.
A constante de tempo de um coletor é o tempo necessário para que o fluido,
ao deixar o coletor, venha a atingir 63,2% do seu valor final constante, após
uma mudança de passo na radiação incidente. A constante de tempo do
coletor é uma medida do tempo necessário para a seguinte relação aplicada
(ASHRAE, 2010):
(4.32)

onde
Tot = temperatura de saída da água do coletor após o tempo t (oC).
Tof = temperatura final de saída da água do coletor (oC).
Ti = temperatura de entrada da água do coletor (oC).
O procedimento para realizar este teste apresenta-se a seguir. O fluido de
transferência de calor é circulado através do coletor para a mesma vazão
mássica que o utilizado durante os ensaios de eficiência térmica do coletor. A
abertura do coletor se encontra protegida da radiação solar, por meio de uma
tampa que reflete energia solar, ou, no caso de um coletor de concentração, o
coletor é desfocado e a temperatura do fluido de transferência de calor na
entrada do coletor é definida aproximadamente igual à temperatura do ar
ambiente. Quando o estado estacionário for alcançado, a tampa é removida e
as medições continuam até que as condições de estado estacionário avancem
novamente. Como finalidade deste ensaio, uma condição de estado
estacionário supõe que existe quando a temperatura de saída do fluido varia
menos de 0,05oC por minuto (ISO, 1994).
A diferença entre a temperatura do fluido na saída do coletor no tempo t e a
do ar circundante (Tot – Ta) (note que, para este teste, Ti = Ta) é representada
graficamente contra o tempo, a partir da condição do estado estacionário
inicial (To – Ta) e continuando até o segundo estado estável alcançado a uma
temperatura mais elevada (Tof – Ta), como mostrado na Figura 4.9.
A constante de tempo do coletor é definida como o tempo necessário para
que a temperatura de saída do coletor se eleve a 63,2% do aumento total de
(Toi – Ta) a (Tof – Ta) seguindo a etapa de aumento na irradiação solar no
tempo 0.
A constante de tempo especificada na norma ISO 9806-1: 1994, como
descrito anteriormente, ocorre quando o coletor aquece. Outra forma de
efetuar este teste, com especificação segundo ASHRAE 93: 2010, realizada
além do procedimento anterior por alguns pesquisadores, é medir a constante
de tempo durante o arrefecimento do coletor. Neste caso, novamente, o
coletor é operado com uma temperatura de entrada de fluido mantido a uma
temperatura ambiente. A energia solar incidente é então reduzida de forma
abrupta para 0 por qualquer blindagem FPC ou desfocagem de uma
concentração. As temperaturas do fluido de transferência são monitoradas
continuamente como uma função do tempo até que a Equação (4.33)
corresponda a:
(4.33)

onde
Toi = temperatura de saída da água inicial do coletor (oC).
O gráfico da diferença entre as diversas temperaturas do fluido, neste caso,
é demonstrado na Figura 4.10.
A constante de tempo do coletor, neste caso, é o tempo necessário para que
a temperatura de saída do coletor caia em 63,2% do aumento total de (Toi –
Ta) a (Tof – Ta), após a etapa de diminuição na irradiação solar no tempo 0
(ASHRAE, 2010).
FIGURA 4.9

Constante de tempo especificado na norma ISO 9806-1: 1994.

FIGURA 4.10

Constante de tempo, segundo especificação no ASHRAE 93: 2010


4.5Método de teste do sistema dinâmico
Para locais em que não há condições ambientais estáveis por longos períodos
de tempo, o método de teste do sistema transiente ou dinâmico pode ser
utilizado. Este método envolve a monitorização da resposta transitória de um
coletor ao longo de um certo número de dias, que incluem condições de
tempo nublado. Os dados de desempenho obtidos com o método dinâmico
permitem uma caracterização mais detalhada do coletor de desempenho em
comparação com o método do estado estacionário. As vantagens do método
de ensaio dinâmico são o período de teste muito mais curto e que ele pode ser
realizado em qualquer época do ano em condições de tempo variáveis. Após
o teste, os dados recolhidos ao longo de uma vasta gama de condições
operacionais são ajustados a um modelo matemático transiente do
desempenho do coletor. Os dados de teste são medidos a cada 5-10 min. Para
um coletor de vidro, o modelo a seguir para a coleta de energia útil transitória
poderia ser usado (Morrison, 2001):
(4.34)
Na qual ηo, a0, a1, c e os coeficientes de Kθ,B e Kθ,D são determinados pela
correlação dos dados de teste medido.
A Equação (4.34) é semelhante às equações de segunda ordem usadas para
o teste de estado estacionário, apresentadas no início deste capítulo, com a
adição de um termo transitório e ângulo de incidência modificadores para
ambas as radiações direta, Kθ,B, e difusa, Kθ,D.
Modelos que são mais complexos podem ser usados se o programa de teste
puder abranger uma vasta gama de condições de funcionamento. Em
qualquer caso, os dados temporários medidos são analisados, utilizando um
processo que compara um conjunto de coeficientes que minimizam os
desvios entre os débitos medido e previsto. O método deve ser tal que os
vários parâmetros sejam determinados o mais independentemente possível.
Para ser capaz de alcançar este requisito, são necessários dados eficazes; por
conseguinte, isto é requerido no intuito de controlar as condições
experimentais de forma que todas as variáveis influenciem de forma
independente o funcionamento do coletor em vários períodos durante os
testes. Além disso, uma grande variedade de condições de teste é necessária
para determinar os modificadores do ângulo de incidência com precisão. Uma
vantagem adicional do método é que o equipamento necessário vem a ser o
mesmo que o ensaio no estado estacionário mostrado nas Figuras 4.1 e 4.2,
significando que um centro de testes pode ter o mesmo equipamento e efetuar
em estado estacionário os testes dinâmicos em diferentes períodos do ano, de
acordo com as condições meteorológicas prevalecentes. A principal diferença
entre os dois métodos é que, no método dinâmico, os dados são gravados em
uma base contínua ao longo de um dia em uma média de mais de 5-10 min.
Devido à mais vasta gama de parâmetros de coletor que pode ser
determinada com o método dinâmico, é provável que possam substituir o
método de ensaio em estado estacionário, mesmo em locais que possuam
condições climáticas claras e estáveis.
4.6Conversão dos parâmetros de eficiência
Nas equações com representação do desempenho dos coletores solares
evidenciadas até agora, a temperatura de entrada do fluido foi usada. Em
algumas normas europeias, no entanto (p. ex., EN 12975-2: 2006), a
temperatura média é usada, Tm, definida como a média aritmética das
temperaturas de entrada e saída [(Ti + To)/2], sendo a eficiência traçada em
comparação a (Tm – Ta)/Gt. Nesse caso, o coletor de eficiência instantânea é
dado por:
(4.35)

no qual F’m é o fator significativo de eficiência do coletor de temperatura


Se o aumento da temperatura através do coletor for linear com a distância, o
que é o correto para a maioria das aplicações F’m = F’ e o fator de eficiência
do coletor é dado pela Equação (3.48).
Portanto, no caso em que Tm é utilizado para a realização do coletor, a
aplicação da Equação (4.35), como uma linha reta, a intercepção F’m(τα)n e a
inclinação F’mUL da curva estão relacionados com F’m(τα)n e FRUL,
respectivamente, eliminando η e To das Equações (4.2) e (4.4) e usando a
equação para Tm:
(4.36a)

(4.36b)

e
(4.36c)
(4.36d)

Para aplicar estas equações, a vazão mássica do fluido através do coletor


deve ser conhecida.
Da mesma forma, no caso em que se emprega To para o desempenho e a
eficiência do coletor é traçada em comparação a (To – Ta)/Gt, às vezes
aplicado no caso de coletores de ar, o coletor de eficiência instantânea é dado
por:
(4.37)

A Equação (4.37) também desenha como uma linha reta e, como


anteriormente, a F’o(τα)n e do declive da curva de F’oUL estão relacionados
com FR(τα)n e n FRUL, respectivamente, a partir de:
(4.38a)

(4.38b)

e
(4.38c)
(4.38d)
4.7Avaliação de incertezas em teste de coletor solar
A partir do procedimento descrito anteriormente neste capítulo para a
avaliação de performance dos coletores solares, é derivada a equação de
performance do coletor, que pode ser utilizada para prever rendimento sob
quaisquer condições. O objetivo básico dos testes de coletor é determinar a
eficiência térmica do coletor sob condições específicas e, como pode ser
visto, o comportamento do coletor pode ser obtido com qualquer modelo de
nó único de estado estacionário de dois ou três parâmetros, dado pelas
Equações (4.4) e (4.11), respectivamente, por um CPE ou a partir de um
modelo de estado quase dinâmico ou método de teste dinâmico, dado pela
equação (4.34).
Durante a fase experimental, as temperaturas de entrada e saída são
medidas, assim como a energia solar e as quantidades climáticas básicas,
enquanto a análise dos dados a partir do método de quadrados mínimos é
realizada sobre os dados de medição para determinar os vários parâmetros
das equações anteriores. Todas essas medições e cálculos apresentam
incertezas que precisam ser consideradas de acordo com o Anexo K de EN
12975-2:2006. Como mencionado na norma, o objetivo do anexo é apresentar
uma operação geral para a avaliação da incerteza no resultado do teste de
coletor solar realizado de acordo com o padrão. Os valores incertos são
expressos da mesma forma que os desvios padrão.
Deve-se notar que a metodologia proposta é uma das possíveis abordagens
para a avaliação de incerteza. A abordagem específica a ser seguida por um
laboratório de testes é muitas vezes recomendada pelo corpo de acreditação
responsável pela certificação do laboratório. A presente abordagem é dada
aqui, todavia, tal como está incluída no padrão acima mencionado.
Especificamente, considera-se que o comportamento do coletor possa ser
descrito por um parâmetro-M de modelo nó único de estado estacionário ou
quase dinâmico dado por:
(4.39)
onde
P1, P2, ..., PM são quantidades, os valores são determinados
experimentalmente por meio de testes
c1, c2, ..., cM são características constantes do coletor que são determinadas
por meio de testes.
No caso de um modelo de estado estacionário dado pela Equação (4.11), M
= 3, c1 = η0, c2 = U1, c3 = U2, p1 = 1, p2 = (Ti – Ta)/Gt e p3 = (Ti – Ta)2/Gt.
Durante a fase experimental, as várias quantidades mencionadas acima são
medidas em J estacionário ou pontos de estado quase dinâmicos, dependendo
do modelo usado. A partir dessas medidas primárias, os valores dos
parâmetros η, p1, p2, ..., pM são derivados de cada ponto de observação j, j = 1,
..., J. Geralmente, o procedimento de teste experimental conduz a uma
formação de um grupo de observações J que compreendem, para cada um dos
pontos de teste J, os valores de ηj, p1, j, p2, j, ..., pM, j.
Para determinar as incertezas, é preciso calcular o respectivo padrão
combinado de incertezas u(ηj), u(p1, j), ..., u(pM, j) em cada ponto de
observação. Além disso, na prática, essas incertezas quase nunca são
constantes e iguais para todos os pontos, mas cada ponto tem o seu desvio
padrão próprio que precisa ser estimado.
Segundo o padrão e Mathioulakis et. al. (1999), geralmente incertezas
padrão em dados experimentais são de dois tipos: Tipo A e Tipo B; o
primeiro tipo são as incertezas determinadas pelos meios estatísticos,
enquanto o segundo são as determinadas por outros meios.
O objetivo de uma medição é determinar o valor da grandeza medida, ou
seja, o valor da quantidade particular a ser medida. Uma medição, portanto,
começa com uma especificação adequada do que será medido, o método de
medição e o procedimento de medição. É agora amplamente reconhecido que,
mesmo quando todos os componentes conhecidos ou suspeitos de erros foram
avaliados, ainda há resquícios de incerteza sobre a correção do resultado
declarado, ou seja, ainda há dúvida sobre o quão bem o resultado da medição
representa o valor da quantidade que está sendo medida (BIPM et al., 2008).
A incerteza da medição é definida como o parâmetro relacionado com o
resultado de uma medição, caracterizando a dispersão dos valores que
poderiam ser razoavelmente atribuídos ao que está sendo medido (Sabatelli et
al., 2002).
As incertezas tipo A uA(s) derivam de análises estatísticas de medições
repetidas em cada ponto dos estados de operação do coletor de estado
estacionário ou quase dinâmico. Quando uma medição é repetida em
condições de repetibilidade, é possível observar uma dispersão de valores
medidos. As variações em observações repetidas tendem a aumentar porque
influenciam nas quantidades que podem afetar o resultado da medição, o qual
não se mantém completamente constante. Portanto, para o teste de estado
estacionário, a incerteza do Tipo A é o desvio padrão da média das medições
N tomada para cada quantidade medida durante o teste, dado por:
(4.40)

Como é evidente a partir da Equação (4.40), a incerteza tipo A depende das


condições específicas de medição e, portanto, pode ser reduzida por meio do
aumento da quantidade de medições (Sabatelli et al., 2002). No caso do teste
quase dinâmico, onde nenhuma média aritmética das medições repetidas é
usada, a incerteza uA(s) pode ser igual a zero.
De acordo com a sua própria natureza, as incertezas de tipo A dependem
das condições específicas do teste e elas incluem as flutuações das
quantidades de medidas durante a medição, que se encontram dentro dos
limites implícitos pelo padrão e as flutuações das condições de teste, tais
como a velocidade do ar e a irradiância difusa global.
As incertezas tipo B derivam de uma combinação de incertezas de toda a
medição, tendo em conta todos os dados disponíveis, tais como a incerteza do
sensor, a incerteza do registrador de dados e a incerteza resultante das
possíveis diferenças entre os valores medidos percebidos pela medição
(Mathioulakis et al., 1999). Portanto, as incertezas tipo B, sendo dependentes
dos instrumentos de medição, não podem ser reduzidas pelo aumento do
número de medições. As informações relevantes devem ser obtidas a partir de
certificados de calibração e outras especificações técnicas dos instrumentos
utilizados. A incerteza u(s) associada com a medição s é o resultado de uma
combinação da incerteza do tipo B uB(s), que é uma característica do ajuste
de calibração, e a incerteza do tipo A uA(s), que representa a flutuação
durante a amostragem de dados.
Em alguns casos, pode ser possível estimar apenas limites (limites superior
e inferior) para o valor de uma quantidade X, em particular, para indicar que
“a probabilidade de o valor X estar dentro do intervalo a– a a+, para todos os
efeitos práticos, é igual a um, e a probabilidade de que X esteja fora deste
intervalo é essencialmente zero”. Se não existe conhecimento específico
sobre essas possibilidades de valores i dentro do intervalo, pode-se somente
supor que é igualmente provável que X esteja em qualquer lugar dentro dele.
Então x, ou o esperado valor de x, é o ponto intermediário do intervalo, x =
(a– + a+)/2, com o associado incerteza padrão (BIPM et al., 2008):
(4.41)

Se existir mais de uma fonte independente de incerteza (Tipo A ou Tipo B)


uk, a incerteza final é calculada de acordo com a combinação geral da lei de
incertezas:
(4.42)

Por exemplo, os instrumentos que possuem duas incertezas, como o


piranômetro, que normalmente tem um erro não-linear, diz-se ±5 W/m2, e
temperatura dependente, diz-se ±5 W/m2 na real gama de funcionamento,
aplica-se a lei de propagação de erros, o respectivo incerteza padrão é dado
por:
(4.43)

O termo incerteza padrão combinada significa a incerteza padrão em um


resultado, quando o resultado é obtido, a partir de valores de um número de
outras quantidades (Mathioulakis et al., 1999). Para avaliar a incerteza padrão
combinada de um medidor, é necessário considerar todas as possíveis fontes
de erro. Isso envolve uma avaliação não somente do sensor de incertezas,
mas de toda a cadeia de dados adquirida. Na maioria dos casos, um parâmetro
Y é determinado indiretamente de N outras quantidades diretamente medidas
X1, X2, ..., XN por meio de uma relação funcional Y = ƒ(X1, X2, ..., XP). O
incerteza padrão no y estimado é dado pela lei de propagação de erro:
(4.44)

Em testes de eficiência de coletor solar, um exemplo de determinação


indireta é a determinação da eficiência instantânea, η, que decorre dos valores
de irradiação solar global no nível do coletor, a vazão mássica de massa
fluida, diferença de temperatura, área do coletor e capacidade de calor
específica. Nesse caso, o incerteza padrão u(ηj), em cada valor ηj de eficiência
instantânea, é calculado por meio da combinação do incerteza padrão com os
valores de quantidades primariamente medidas, levando em consideração sua
relação com a quantidade derivada η (EN 12975-2: 2006).
4.7.1Adequação e incertezas em resultados de testes de
eficiência
Para a análise dos dados recolhidos em testes, ao menos a adequação de área
é realizada, a fim de determinar os valores dos coeficientes c1, c2, ..., cM, para
qual o modelo de Equação (4.4) representa a série de observações J com
grande precisão. Na realidade, o desvio típico quase nunca é constante e igual
para todas as observações, mas cada ponto de dados (ηj, p1.j, p2.j, ..., pM.j)
possui seu próprio padrão de desvio (σj), usualmente o método mínimo
quadrado ponderado (MQP) é usado, o que calcula com base nos valores de
medida e suas incertezas, não só os parâmetros de modelo, mas também a sua
incerteza. No caso do MQP, a estimativa máxima de probabilidade dos
parâmetros modelo é obtida por meio da minimização da função χ2:
(4.45)

Onde u2j é a variação da diferença nj – (c1p1,j + c2p2,j + ... + cNpM,j) dado por:
(4.46)
Como pode ser entendido acima, é complicado achar os coeficientes
c1, c2, ..., cM e sua incerteza padrão por meio da minimização da função χ2,
por causa da não-linearidade presente na Equação (4.45). Um modo possível
de fazer isso com facilidade é encontrando as incertezas numericamente,
como segue (Press et al., 1996):
Seja K a matrix de N × M dos componentes ki,j construídos a partir de M, as
funções básicas são avaliadas em N valores experimentais de ΔT/Gt[=Ti*] e
(ΔT2/Gt[=Gt(Ti*)2], ponderados pela incerteza ui:
(4.47)

Seja L também um vetor de comprimento N dos componentes li construídos


a partir dos valores de ηi para adequar-se, ponderado pela incerteza ui:
(4.48)

A equação normal do problema do quadrado mínimo pode ser escrita como


segue:
(4.49)

Onde C é um vetor dos quais os elementos são coeficientes adequados.


Para os cálculos das variantes u2i, o conhecimento dos coeficientes c1, c2, ...,
cM é necessário, assim uma possível solução é usar os valores dos coeficientes
calculados por meio do padrão de adequação dos quadrados mínimos como
valores iniciais. Esses valores iniciais podem ser usados na Equação (4.46)
para o cálculo u2i, l = 1, ..., I e a formação da matriz K e do vetor L.
A solução da Equação (4.49) dá os novos valores dos coeficientes c1, c2, ...,
cM, que não são esperados para diferir notavelmente daqueles calculados pelo
padrão de adequação dos quadrados mínimos e usados como valores iniciais
para o cálculo de u2i.
Além disso, se Z = INV(KT.K) for a matriz da qual os elementos zk,k são os
quadrados das incertezas (variantes) e os elementos fora da diagonal zk,I = zl,k,
para k ≠ l são a covariante entre coeficientes adequados:
(4.50)
onde
(4.51)
O conhecimento da covariante entre os coeficientes adequados é
necessário se a intenção é calcular, em um próximo estágio, a incerteza u(η)
nos valores previstos de η, usando a Equação (4.44).
É preciso notar que a Equação (4.49) pode ser resolvida por um método
numérico padrão (por exemplo eliminação Gauss-Jordan). Também é
possível usar as funções de manipulação da matriz de planilhas.
Para uma visão mais detalhada dos diferentes aspectos de determinação de
incertezas em testes de coletores solares, veja também Mathioulakis et al.
(1999), Müller-Schöll e Frei (2000) e Sabatelli et al. (2002).
4.8Resultados dos testes de coletor e seleção
preliminar de coletor
O teste de coletor é necessário para avaliar a performance dos coletores
solares e comparar os diferentes coletores, a fim de escolher o mais
apropriado para uma aplicação específica. Como pode ser visto a partir das
Seções 4.1-4.5, os testes mostram como um coletor absorve a energia solar e
como ele perde calor. Eles também mostram os efeitos do ângulo de
incidência da radiação solar e os efeitos significativos da capacidade térmica,
que são determinados a partir da constante de tempo do coletor.
A seleção final de um coletor só deve ser feita após as análises de energia
do sistema completo, incluindo as condições meteorológicas realistas e
cargas realizadas durante um ano. Além disso, uma seleção preliminar dos
coletores com vários parâmetros de performance deveria ser realizada com o
intuito de identificar aqueles que melhor combinam com a carga. A melhor
maneira de alcançar este objetivo é a gama de parâmetro esperada ΔT/G para
a carga e clima em um gráfico de eficiência h que tenha uma função de
parâmetro de perda de calor, como indicado na Figura 4.11 (Kalogirou,
2004).

FIGURA 4.11

Eficiências de coletor de vários coletores líquidos.


As curvas de eficiência do coletor podem ser usadas para a seleção
preliminar do coletor. No entanto, as curvas de eficiência ilustram somente a
performance instantânea do coletor. Elas não incluem os efeitos de incidência
do ângulo, que variam ao longo do ano; efeitos de trocas de calor e
probabilidades de ocorrência de Ti, Ta, irradiação solar, sistema de perda de
calor ou controle de estratégias. A seleção final necessita da determinação da
saída de energia de um coletor em longo prazo, assim como os estudos de
performance de custo-benefício.
Estimar o desempenho anual de um coletor específico e de um sistema
requer o auxílio de ferramentas apropriadas, tais como o f-chart, WATSUN
ou TRNSYS. Esses são apresentados no Capítulo 1.
As equações de performance do coletor também podem ser usadas para
estimar a saída de energia diária do coletor. Isso é ilustrado por meio do
exemplo 4.2.

EXEMPLO 4.2
Considerando um FPC com as seguintes características:

Encontre a energia coletada durante o dia de acordo com as características


mostradas na tabela 4.3.

Tabela 4.3 Dado coletado do exemplo 4.2

Hora solar Temperatura ambiente Ta(oC) Radiação solar Gt(W/m2)

6 25 100
7 26 150
8 28 250
9 30 400
10 32 600
11 34 800
12 35 950
13 34 800
14 32 600
15 30 400
16 28 250
17 26 150
18 25 100

A área do coletor é 2 m2, localizado a 35oN de latitude, ele está virado


para o sul e posicionado a 45o da horizontal. A estimativa é feita em 16 de
junho e a temperatura constante de entrada do coletor é igual a 50oC.
Solução
Como as condições climáticas são dadas a cada hora, a estimativa é
realizada em uma base horária, durante as quais se considera que as
condições meteorológicas permanecem constantes. O parâmetro mais
difícil para se considerar é Ti, a temperatura de entrada do coletor, que
depende do sistema e de sua localização. Neste exemplo, isso é
considerado como uma constante durante todo o dia e é igual a 50oC.
A eficiência η é igual a Qu/AcIt. Portanto,

O ângulo de incidência necessário para a estimativa do modificador de


ângulo de incidência, Kθ, é obtido a partir da Equação (2.20). A
declinação no dia 16 de junho é 23,35o. Deve-se notar que, para a
estimativa de ΔT/G, a radiação usada é em W/m2, enquanto para a
estimativa de irradiação Qu é usado kJ/m2, obtido pela multiplicação de
W/m2 por 3,6. Os resultados são mostrados na Tabela 4.4.

Tabela 4.4 Resultados do exemplo 4.2

Hora de Sol Ta(oC) It(KJ/m2) ΔT/Gt(oC m2/W) θ (degrees – degraus) Kθ Qu(KJ)

6 25 360 0,250 93,9 0 0


7 26 540 0,160 80,5 0,393 0
8 28 900 0,088 67,5 0,806 215,6
9 30 1440 0,050 55,2 0,910 1185,4
10 32 2160 0,030 44,4 0,952 2399,8
11 34 2880 0,020 36,4 0,971 3605,5
12 35 3420 0,016 33,4 0,976 4460,8
13 34 2880 0,020 36,4 0,971 3605,5
14 32 2160 0,030 44,4 0,952 2399,8
15 30 1440 0,050 55,2 0,910 1185,4
16 28 900 0,088 67,5 0,806 215,6
17 26 540 0,160 80,5 0,393 0
18 25 360 0,250 93,9 0 0
Portanto, o total de energia coletado ao longo do dia = 19.273,4 kJ.
Neste exemplo, a utilização de um programa de folha de cálculo facilita bem as estimativas.

Portanto, o total de energia coletada durante o dia é 19.272,4 kJ. Nesse


exemplo, o uso de um programa de planilhas facilitaria muito as
estimativas.
4.9Métodos de teste de qualidade
Como vimos no Capítulo 3 os materiais usados para a construção do coletor
devem ser capazes de suportar, para além dos efeitos criados por causa da
circulação de fluidos (corrosão, incrustações etc.), os efeitos adversos da
radiação solar ultravioleta, o coletor também deve ter um tempo de vida de
operação de mais de vinte anos. Os coletores solares também são obrigados a
suportar operação térmica cíclica muitas vezes por dia e condições extremas
de operação, como congelamento, superaquecimento, choques térmicos,
impactos externos devidos a vandalismo e flutuações de pressão. A maioria
desses fatores ocorre simultaneamente.
É necessário, portanto, realizar testes em coletores solares a fim de
determinar sua qualidade. Em particular, a habilidade de um coletor de
resistir a condições extremas de operação é examinada como um padrão
específico internacional ISO 9806-2:1995 (1995a). Esta norma aplica-se a
todos os tipos de coletores solares, incluindo sistemas de coletor de
armazenagem integral, exceto coletor de rastreamento de concentração. Os
coletores precisam resistir a uma série de influências que podem ser
claramente identificadas e quantificadas, tais como as altas pressões internas
de fluidos, altas temperaturas e penetração de chuva, como mostrado na
Tabela 4.5. É necessário que os testes sejam aplicados na sequência
especificada na Tabela 4.5, para que uma possível degradação em um teste
seja exposta em um teste posterior.
Tabela 4.5 Sequência de testes de qualidade para coletores solares
Sequência Teste Coletor
1 Pressão interna A
2 Resistência à alta temperaturaa A
3 Exposição A, B e C
4 Choque térmico externob A
5 Choque térmico interno A
6 Penetração de chuva A
7 Resistência ao congelamento A
8 Pressão interna (reteste) A
9 Performance térmica A
10 Resistência a impacto A ou B
11 Inspeção final A, B e C
aPara absorvedores orgânicos, um teste de resistência à alta temperatura deveria ser feito antes, a fim de determinar a estagnação da temperatura do
coletor necessária para o teste de pressão interna.
bO teste de choque térmico externo pode ser combinado com o teste de exposição.

Para muitos testes de qualidade, ao coletor é necessário operar na


temperatura estagnada. Fornecida pelo coletor testado a uma temperatura de
entrada da água suficientemente alta, a equação de desempenho pode ser
usada para determinar a estagnação da temperatura. Utilizando a equação
(4.11) e denotando FR(τα)n como ηo,
(4.52)

4.9.1Teste de pressão interna


O absorvedor é o teste para avaliar a dimensão das pressões que deverá
suportar em operação. Para os absorvedores metálicos, o teste de pressão é
mantido durante 10 minutos, pode ser o máximo do teste de pressão
especificado pelo fabricante ou 1,5 vez o máximo de pressão do coletor
operante, declarado pelo fabricante, o que for menor.
Para absorvedores feitos de material orgânico (plástico ou elastômeros), o
teste de temperatura é a temperatura máxima do absorvedor que será
alcançada sob condições de estagnação. Isso acontece porque as propriedades
dos materiais orgânicos são dependentes da temperatura. Um dos conjuntos
alternativos de condições referenciais, dado pela Tabela 4.6, deve ser
utilizado para determinar o teste de temperatura, dependendo do clima em
que cada coletor será usado. O teste de pressão deveria ser de 1,5 vez o
máximo de pressão do coletor operante especificado pelo fabricante e deveria
ser mantido por pelo menos uma hora.
Para coletores de aquecimento de ar, o teste de pressão é a 1,2 vez o
máximo de pressão do coletor operante de diferença acima ou abaixo da
pressão atmosférica, como especificado pelo fabricante, mantido por 10
minutos.
4.9.2Teste de resistência a alta temperatura
Este teste é concebido para avaliar rapidamente se um coletor pode suportar
altos níveis de irradiação sem falhas, como quebra do vidro, colapso da
cobertura de plástico, derretimento ou absorção de plástico ou depósitos
significativos na capa do coletor de saída de gás do coletor de material.
O teste é realizado a uma temperatura igual à temperatura do coletor de
estagnação. O teste é realizado por, no mínimo, uma hora depois que um
estado de equilíbrio é alcançado. As condições necessárias neste teste são
mostradas na Tabela 4.6 com o adicional da velocidade do ar circundante,
que precisa ser menor do que 1 m/s.
Tabela 4.6 Referência de condições climáticas para o teste de resistência a alta temperatura

Classe A Classe B Classe C


Parâmetro climático Temperado Ensolarado Muito ensolarado
Irradiância solar global no plano coletor (W/m2) 950-1049 1050-1200 > 1200
Temperatura ambiente do ar 25-29,9 30-40 > 40

4.9.3Teste de exposição
O teste de exposição fornece uma indicação de baixo custo dos efeitos de
envelhecimento que são suscetíveis de ocorrer durante um longo período de
envelhecimento natural. Além disso, ele permite que o coletor “se estabeleça”
de tal forma que os testes de qualificação subsequentes sejam mais propensos
a gerar resultados reproduzíveis. Um coletor vazio é montado ao ar livre e
todo o seu encanamento é selado, a fim de prevenir o congelamento por meio
da circulação natural do ar, com exceção de um tubo, que é deixado aberto
para permitir a expansão livre do ar no absorvedor. Um dos conjuntos
alternativos de condições de referência, dado pela Tabela 4.7, deve ser
utilizado, dependendo do clima em que o coletor irá operar. Para cada classe
de condições de referência, o coletor é exposto por pelo menos 30 dias (que
não precisam ser consecutivos) que se passaram com o mínimo de irradiação
mostrada na Tabela 4.7.
Tabela 4.7 Referência de condições climáticas para teste de exposição, bem como para testes de choques térmicos
interno e externo
Classe A Classe B Classe C
Parâmetro climático Temperado Ensolarado Muito ensolarado
Irradiância solar global no plano coletor (W/m2) 850 950 1050
Irradiação diária global no plano coletor 14 18 20
Temperatura ambiente do ar (oC) 10 15 20
Nota: os valores dados para teste são mínimos.

4.9.4Teste de choque térmico externo


Os coletores, de tempos em tempos, podem ser expostos a tempestades
repentinas em dias de sol quente, causando um severo choque térmico
externo. Esse teste destina-se a avaliar a capacidade do coletor para suportar
tais choques térmicos sem falhar. Um coletor vazio é usado aqui, como em
testes anteriores preparados da mesma maneira. Um conjunto de jatos d’água
é disposto em um spray de água uniforme sobre o coletor.
O coletor é mantido em condições operantes de estado de equilíbrio, sob
um alto nível de irradiância solar por um período de uma hora antes de o
spray de água ser ligado. Em seguida, ele é resfriado pelo spray de água por
15 minutos antes de ser inspecionado. Aqui, novamente, um dos conjuntos
alternativos de referência, dado na Tabela 4.7, pode ser usado, dependendo
do clima em que o coletor irá operar e o fluido de transferência de calor deve
estar a uma temperatura menor do que 25oC.
4.9.5Teste de choque térmico interno
Os coletores, de tempos em tempos, precisam ser expostos a uma ingestão
súbita de fluido de transferência de calor e frio, em dias de sol quente. Isto
pode acontecer, por exemplo, após um período de desligamento, quando a
instalação é religada, enquanto o coletor está em uma temperatura de
estagnação. Este teste destina-se a avaliar a capacidade do coletor de suportar
tais choques térmicos sem falhar. Aqui, mais uma vez, um coletor vazio é
usado, como em testes anteriores preparados do mesmo modo; as mesmas
condições de referência, dadas na Tabela 4.7, podem ser usadas, dependendo
do clima em que o coletor irá operar, e o fluido de transferência de calor deve
ter uma temperatura menor do que 25oC.
4.9.6Penetração de chuva
O teste é concebido para avaliar em qual medida os coletores são resistentes à
penetração de chuva. Os coletores não devem permitir que, normalmente,
haja a entrada de chuva, tanto em queda livre como dirigida, através das
vedações de vidro, orifícios de ventilação ou orifícios de drenagem. Para esse
teste, o encanamento para fluidos de entrada e saída do coletor precisa ser
selado e o coletor precisa ser colocado junto com um equipamento de teste,
no ângulo raso à horizontal recomendado pelo fabricante. Se esse ângulo não
for especificado, então o coletor pode ser colocado em uma inclinação de 45o
para a horizontal ou menos. Os coletores projetados para serem integrados a
uma estrutura de telhado devem ser montados em um telhado simulado e ter o
seu lado inferior protegido. Outros coletores devem ser montados de modo
convencional sobre uma área aberta. O coletor deve ser pulverizado por todos
os lados, usando bicos de pulverização ou duchas, por um período de teste de
4 horas.
Para coletores que possam ser pesados, a pesagem deve ser feita antes e
depois do teste. Depois do teste, as superfícies externas do coletor devem ser
secas antes da pesagem. Durante a secagem, transporte e localização na
máquina de pesagem, o ângulo de inclinação do coletor não pode ser alterado
de forma perceptível. Para coletores que não podem ser pesados, a penetração
de água no coletor pode ser observada apenas por inspeção visual.
4.9.7Teste de congelamento
Esse teste destina-se a avaliar em qual medida os coletores de aquecimento de
água, que são pensados para serem resistentes ao congelamento, podem
suportar os ciclos de congelamento e descongelamento sem falhar. Esse teste
não se destina ao uso de coletores que são preenchidos com fluidos
anticongelantes. Dois procedimentos de teste são especificados: um para
coletores que são pensados para serem resistentes ao congelamento quando
cheios de água e outro para coletores pensados para resistirem ao
congelamento depois de serem drenados.
Para coletores pensados para serem capazes de suportar o congelamento, o
coletor é montado em uma câmara fria. O coletor precisa estar inclinado em
um ângulo raso à horizontal recomendado pelo fabricante. Se nenhum ângulo
for especificado pelo fabricante, então o coletor deverá ser inclinado segundo
um ângulo de 30oC para a horizontal. Os coletores sem cobertura devem ser
testados em uma posição horizontal, a menos que sejam excluídos pelos
fabricantes. Em seguida, o coletor é enchido com água à pressão da operação.
A temperatura da câmara fria é cíclica e, ao final de cada ciclo, o coletor é
reabastecido com água à pressão da operação.
Para os coletores pensados para serem resistentes ao congelamento depois
se serem drenados (isto é, eles empregam um sistema de drenagem inferior
para protegê-los do congelamento), o coletor é montado em uma câmara fria,
como antes, com as mesmas provisões para a inclinação do coletor. Em
seguida, o coletor é enchido com água mantida sob pressão da operação por
dez minutos, e então, drenado, usando o dispositivo instalado pelo fabricante.
Os conteúdos dos absorvedores são mantidos a −20 ± 2oC por pelo menos 30
minutos durante a parte de congelamento do ciclo e elevada acima de 10oC
durante a parte de descongelamento do ciclo, que é, mais uma vez, de no
mínimo 30 minutos de duração. O coletor precisa ser submetido a três ciclos
de congelamento-descongelamento.
4.9.8Teste de resistência a impacto
Este é um teste opcional concebido para avaliar em qual medida o coletor
pode suportar os efeitos de impactos pesados, como aqueles causados por
pequenos vandalismos ou a menor probabilidade de alguma ocorrência
durante a instalação. Os impactos pesados podem ser também causados por
pedras de granizo.
O coletor é montado tanto na vertical quanto na horizontal, sobre um
suporte rígido que precisa ter uma distorção ou deformação insignificantes,
no momento do impacto. Esferas de aço com 150 g de massa são usadas para
simular o impacto pesado. Se o coletor for montado horizontalmente, então
esferas de aço são jogadas na vertical; se o coletor é montado verticalmente,
então os impactos são dirigidos na horizontal por meio de um pêndulo.
O ponto de impacto deve ser não mais que 5 cm da borda da cobertura do
coletor e não mais do que 10 cm a partir do canto da cobertura do coletor, e
deve ser mudado muitos milímetros a cada vez que a esfera de aço é lançada.
Uma esfera de aço deve ser lançada contra o coletor 10 vezes a partir do
primeiro teste de altura; em seguida, 10 vezes depois do segundo teste de
altura, e assim por diante até que altura máxima do teste seja atingida. O teste
é interrompido quando o coletor exibe alguma danificação ou sobrevive ao
impacto de 10 esferas de aço ao máximo do teste de altura. Os testes de altura
começam a partir de 0,4 a 2,0 m em etapas de 20 cm.
Além dos testes de qualidade anteriores, o ISO desenvolveu uma variedade
de materiais e padrões de testes de qualidade do produto para coletores
solares. Os seguintes padrões de métodos de testes específicos para materiais
foram desenvolvidos:
• ISO 9553:1997. Energia solar – Métodos de teste para vedantes de
borracha pré-fabricados e selantes utilizados nos coletores.
• ISO 9808:1990. Aquecedores solares de água. Materiais elastoméricos
para absorvedores, conectando tubos e adequações – Métodos de
avaliação.
• ISO/TR 10217:1989. Energia solar – Sistemas de aquecimento de água –
Guia para seleção de material com foco em corrosão interna.
4.10Normas europeias
No âmbito do Comitê Europeu de Normalização, CEN (Comité Européen de
Normalisation), o funcionamento de um comitê técnico que lida com
coletores solares térmicos foi estabelecido. Especificamente, o CEN/TC 312,
“Sistemas solares térmicos e componentes”, foi criado em 1994, seguindo um
pedido da Federação Europeia da Indústria Solar Térmica (FEIST) para o
Secretariado central do CEN. O escopo do CEN/TC 312 é a preparação das
normas europeias para cobrir a terminologia, requisitos gerais, características
e métodos de teste dos sistemas solares térmicos e componentes.
O primeiro objetivo das normas europeias é facilitar a troca de bens e
serviços por meio da eliminação de barreiras técnicas para o comércio. O uso
das normas europeias pela indústria e pelos parceiros sociais e econômicos é
voluntário, a menos que a norma europeia esteja relacionada com a legislação
europeia (diretivas). Além disso, a conformidade com essas normas pode ser
um apoio para que os projetos solares obtenham subsídios de programas de
apoio – nacional e regional – aos sistemas de energia renovável (Kotsaki,
2001).
Para a elaboração das normas técnicas europeias, os documentos nacionais
correspondentes, assim como as normas internacionais (ISO), têm sido
levados em consideração. Deve-se notar que, comparadas com as normas
existentes, as normas europeias sob análise estão dando um passo à frente,
uma vez que incorporam novas funcionalidades, tais como os requisitos de
qualidade e confiabilidade.
Em abril de 2001, o CEN começou a publicar uma série de normas
relacionadas a coletores solares e teste de sistemas. Com a publicação de uma
dessas normas europeias, todas as normas nacionais relativas ao mesmo tema
e com disposições conflitantes foram (ou devem ser) retiradas pelas nações
da Comunidade Europeia. Algumas dessas normas foram revistas em 2006, e
depois passaram por uma segunda revisão sistemática de 5 anos. Segue uma
lista completa dessas normas:
• EN 12975-1:2006 + A1:2010. Sistemas solares térmicos e componentes –
Coletores solares – Parte 1: Requisitos gerais. Essa norma europeia
especifica os requisitos de durabilidade (incluindo resistência mecânica),
confiabilidade e segurança para os coletores solares de aquecimento de
líquidos. Ela também inclui as disposições para avaliação de conformidade
com esses requisitos. Deve-se notar que o A1:2010, no número de
referência da norma, denota uma pequena alteração que foi feita em 2010,
a fim de mudar o escopo da norma de modo a estender a sua aplicação
para, também, os coletores concentradores.
• EN 12975-2:2006. Sistemas solares térmicos e componentes – Coletores
solares – Parte 2: Métodos de teste. Essa norma europeia estabelece
métodos de teste para validação de durabilidade, confiabilidade e requisitos
de segurança para coletores de aquecimento de líquidos, como
especificado na EN 12975-1. Essa norma também inclui três métodos de
teste para a caracterização do desempenho térmico de coletores de
aquecimento de líquidos.
• EN 12976-1:2006. Sistemas solares térmicos e componentes – Sistemas
produzidos em fábrica – Parte 1: Requisitos gerais. Essa norma europeia
especifica os requisitos de durabilidade, confiabilidade e segurança para
sistemas solares produzidos em fábricas. Essa norma também inclui
disposições para a avaliação de conformidade com esses requisitos.
• EN 12976-2:2006. Sistemas solares térmicos e componentes – Sistemas
produzidos em fábrica – Parte 2: Métodos de teste. Essa norma europeia
especifica os métodos de teste para validação dos requisitos de sistemas
solares produzidos em fábrica, como especificado em EN 12976-1. Essa
norma também inclui dois métodos de teste para a caracterização da
performance térmica por meio de todo o sistema de teste.
• EN 12977-1:2012. Sistemas solares térmicos e componentes – Sistemas
personalizados – Parte 1: Requisitos gerais para aquecedores solares de
água e sistemas combinados. Essa norma europeia especifica os requisitos
de durabilidade, confiabilidade e segurança para grandes e pequenos
sistemas solares de aquecimento e refrigeração personalizados, com meio
de transferência de líquido aquecido, no circuito coletor, para construções
residenciais e aplicações similares. Essa norma também contém requisitos
sobre o processo de elaboração de grandes sistemas personalizados.
• EN 12977-2:2012. Sistemas solares térmicos e componentes – Sistemas
personalizados – Parte 2: Requisitos gerais para aquecedores solares de
água e sistemas combinados. Essa norma europeia se aplica aos pequenos
e grandes sistemas solares de aquecimento personalizados, com meio de
transferência para líquidos aquecidos, para uso em construções residenciais
e aplicações similares, e especifica métodos de teste para verificação dos
requisitos especificados na EN 12077-1. A norma também inclui um
método para caracterização de performance térmica e previsão do sistema
de performance de pequenos sistemas personalizados por meio de testes de
componentes e simulação de sistema.
• EN 12977-3:2012. Sistemas solares térmicos e componentes – Sistemas
personalizados – Parte 3: Métodos de testes de performance para provisão
de aquecimento solar de água. Essa norma europeia especifica os métodos
de teste para a caracterização de performance das provisões usadas em
pequenos sistemas personalizados, como especificado na EN 12977-1.
• EN 12977-4:2012. Sistemas solares térmicos e componentes – Sistemas
personalizados – Parte 4: Métodos de testes de performance para sistemas
de provisão combinados. Essa norma europeia especifica a caracterização
dos métodos de testes de performance de provisões, que são projetadas
para o uso em pequenos sistemas personalizados, como especificado em
EN 12977-1. As provisões testadas de acordo com este documento são
normalmente usadas em sistemas solares combinados.
• EN 12977-5:2012. Sistemas solares térmicos e componentes – Sistemas
personalizados – Parte 5: Métodos de teste de performance para
equipamento de controle. Essa norma europeia especifica os métodos de
testes de performance para equipamentos de controle, bem como os
requisitos de precisão, durabilidade e confiabilidade do equipamento de
controle.
• EN ISO 9488:1999. Energia solar – Vocabulário (ISO 9488:1999). Essa
norma europeia-internacional define termos básicos relacionados à energia
solar e foi elaborada em comum com a ISO.
A elaboração dessas normas tem sido alcançada por meio de uma ampla
colaboração europeia de todas as partes interessadas, como os fabricantes,
pesquisadores, institutos de teste e órgãos de normalização. Além disso, essas
normas promoverão uma competitividade justa entre os produtores de
equipamentos de energia solar no mercado, uma vez que os produtos de baixa
qualidade/baixo custo serão mais fáceis de ser identificados pelos
consumidores, com base em relatórios de teste uniformes, comparáveis em
toda a Europa.
O aumento da sensibilização do público acerca dos aspectos ambientais é
reforçado por essas normas, o que ajuda a garantir o nível de qualidade para o
consumidor e a proporcionar mais confiança na nova tecnologia de
aquecimento solar e produtos disponíveis.
4.10.1Solar Keymark
O esquema de certificação Solar Keymark foi iniciado pela FEIST, com o
intuito de evitar as barreiras do comércio interno europeu, devido aos
diferentes requisitos de regulação e esquemas de subsídio nacional.
Antes das normas europeias e do Solar Keymark estarem estabelecidos, os
produtos solares térmicos tiveram de ser testados e certificados de acordo
com as diferentes normas e requisitos nacionais. A ideia de Solar Keymark é
de que somente um teste e um certificado são necessários para cumprir todas
as exigências de todos os estados-membro da UE.
O esquema de certificação Solar Keymark foi introduzido para harmonizar
os requisitos nacionais para produtos solares térmicos, na Europa. O objetivo
é que, uma vez testado e certificado, o produto deve ter acesso a todos os
mercados nacionais. Esta meta já foi alcançada, com exceção de alguns
requisitos suplementares em alguns poucos estados-membro.
O esquema de certificação de CEN Solar Keymark está disponível para os
produtos solares térmicos, na Europa, desde 2003. O Solar Keymark afirma
conformidade com as normas europeias para os produtos solares térmicos. O
CEN Solar Keymark é a marca pan-europeia de certificação voluntária de
terceiros, demonstrando aos usuários e consumidores que o produto está em
conformidade com as relevantes normas europeias (Nielsen, 2007).
O Solar Keymark é um esquema de certificação keymark aplicado
especificamente para coletores e sistemas solares térmicos, indicando
conformidade com as seguintes normas europeias:
• EN12975. Sistemas solares térmicos e componentes-Coletores solares.
• EN12976. Sistemas solares térmicos e componentes-sistemas fabricados.
O Solar Keymark é a chave para o mercado europeu porque:
• Os produtos com o Solar Keymark têm acesso a todos os esquemas de
subsídio nacionais nos estados-membros da UE.
• Em alguns estados-membros (por exemplo, Alemanha), é agora obrigatório
que os coletores solares mostrem o selo Keymark.
• As pessoas esperam encontrar o Solar Keymark; em sua maioria os
coletores vendidos agora são certificados pelo Keymark.
Os principais elementos do certificado Keymark são:
• O teste de tipo, de acordo com as normas europeias (amostras de testes
para serem provados por um inspetor independente).
• Inspeção inicial do controle de produção da fábrica (sistemas de gestão de
qualidade em nível ISO 9001).
• Vigilância: inspeção anual do controle de produção.
• “Teste de vigilância” bianual: inspeção detalhada de produtos.
4.11Sistemas de aquisição de dados
Hoje, em sua maioria, os cientistas e engenheiros usam computadores
pessoais para aquisição de dados em pesquisa de laboratório, teste e medição,
além de automação industrial. Para realizar esses testes descritos neste
capítulo, bem como os testes de todo sistema, um sistema de aquisição de
dados de computador (SAD) é necessário.
Muitas aplicações usam placas de plug-in para adquirir dados e transferi-los
diretamente para a memória do computador. Outros usam o hardware remoto
SAD do PC, que é acoplado via paralelo, serial ou entrada USB. A obtenção
adequada de resultados a partir de um PC com base SAD depende de cada
um dos seguintes elementos do sistema:
• O computador pessoal.
• Transdutores.
• Condicionamento de sinal.
• Hardware SAD.
• Software.
O computador pessoal é integrado em todos os aspectos do registro de
dados, incluindo os gráficos sofisticados, aquisição, controle e análise. Os
modems conectados à internet ou a uma rede interna permitem um fácil
acesso aos sistemas de gravação de dados baseados em computadores
pessoais remotos a partir de, praticamente, qualquer lugar. Isso é muito
apropriado quando se utiliza um sistema de monitoramento solar real.
Quase todo tipo de transdutor e sensor está disponível com a interface
necessária para fazer com que o computador seja compatível. O transdutor
em si começa a perder a sua identidade quando integrado a sistemas que
incorporam características como a linearização, correção offset e
autocalibração. Isso eliminou a preocupação com os detalhes de
condicionamento de sinal e ampliação de saídas básicas do transdutor.
Muitas áreas industriais comumente empregam transmissores de sinal de
controle ou sistemas de manipulação de dados para converter o sinal de saída
do sensor primário em uma amplitude compatível do sinal comum. O sistema
necessário para a realização de vários testes descritos neste capítulo, no
entanto, precisa ser configurado, levando em consideração os requisitos das
normas sobre a precisão dos instrumentos utilizados.
A grande variedade de hardware SAD disponível torna difícil a tarefa de
configurar um SAD. O tamanho da memória, a velocidade de gravação e a
capacidade de processamento de sinal são as principais considerações na
determinação correta do sistema de gravação. A interferência térmica,
mecânica e eletromagnética, portabilidade e fatores meteorológicos também
influenciam a seleção.
Um digital SAD deve conter uma interface, que é um sistema que envolve
um ou vários conversores analógico-para-digital e, no caso de multicanais de
entrada, um multiplexador. Em sistemas modernos, a interface também
fornece excitação para transdutores, calibração e conversão de unidades.
Muitos SADs são projetados para aquisição rápida de dados e
armazenamento de grandes registros de dados, para posteriores gravações e
análises. Uma vez que os sinais de entrada foram digitalizados, os dados
digitais são essencialmente imunes ao ruído e podem ser transmitidos para
grandes distâncias.
Um dos transdutores de temperatura mais frequentemente usado é o
termopar. Esses são comumente usados para monitorar a temperatura com PC
com base em SAD. Os termopares são muito robustos, de baixo custo e
podem operar de acordo com um amplo intervalo de temperatura. Um
termopar é criado sempre que dois toques de diferentes metais e o ponto de
contato produzem uma pequena tensão de circuito aberto, como uma função
de temperatura. Essa tensão termoelétrica é conhecida como tensão de
Seebeck, em homenagem a Thomas Seebeck, que a descobriu em 1821. A
tensão é não linear em relação à temperatura. Todavia, para pequenas
mudanças na temperatura, a tensão é aproximadamente linear:
(4.53)

onde:
ΔV = mudança de tensão
S = Coeficiente de Seebeck
ΔT = mudança de temperatura
O coeficiente de Seebeck (S) varia com as mudanças de temperatura,
fazendo com que as tensões de saída dos termopares sejam não-lineares ao
longo de suas margens de operação. Muitos tipos de termopares estão
disponíveis; esses termopares são designados por letras maiúsculas que
indicam sua composição. Por exemplo, um termopar tipo-J tem um condutor
de ferro e um condutor constante (uma liga metálica de cobre e níquel).
As informações advindas de transdutores são transferidas para um gravador
de computador a partir de uma interface, como uma junção de impulso. Os
dados digitais são transferidos tanto pelo modo serial como pelo paralelo. A
transmissão em série significa que os dados são enviados por meio de uma
série de impulsos, de 1 bit por vez. Apesar de mais lentos que os sistemas
paralelos, as interfaces em série requerem apenas dois fios, o que reduz o seu
custo de cabeamento. A velocidade dos transmissores em série é avaliada de
acordo com a taxa de transmissão. Na transmissão paralela, a totalidade dos
dados é transmitida de uma vez só. Para fazer isto, cada bit de palavra de
dado precisa ter sua própria linha de transmissão; outras linhas são
necessárias para tempo e controle. O modo paralelo é usado para pequenas
distâncias ou quando são necessárias elevadas taxas de transmissão de dados.
O modo serial deve ser utilizado para comunicações de longa distância, nas
quais os custos de fiação são proibitivos.
Os dois padrões de interface de condução mais populares atualmente usados
são o IEEE 488 e a interface serial RS232. Devido à forma como o sistema
de condução IEEE 488 alimenta os dados, sua condução é limitada a um cabo
de comprimento de 20 m e requer uma conexão de interface em cada metro,
para uma boa conclusão. O sistema RS232 alimenta os dados, em série,
debaixo de dois fios, 1 bit por vez, portanto, uma linha RS232 pode ter mais
de 300 m de comprimento. Para distâncias maiores, ele pode alimentar um
modem para enviar dados sobre padrão de linhas telefônicas. Uma rede de
área local também pode estar disponível para a transmissão de informação;
com a interface apropriada, os dados de transdutor estão disponíveis para
qualquer computador ligado à rede local.
4.11.1Coletores de dados portáteis
Os coletores de dados portáteis geralmente armazenam sinais elétricos
(analógicos ou digitais) para armazenamento de memória interna. O sinal
advindo de sensores conectados é normalmente armazenado na memória, em
intervalos de tempo, que variam de amostragem de MHz a cada hora. Muitos
coletores de dados portáteis podem realizar linearização, dimensionamento
ou outros condicionamentos de sinal e permitir leituras registradas de valores
tanto instantâneos como médios. A maioria dos coletores de dados portáteis
modernos têm relógio embutido que registram a hora e a data, juntamente
com o sinal do transdutor de informações. Os coletores de dados portáteis
variam de entrada de canal único para 256 ou mais canais. Alguns
dispositivos de uso geral aceitam uma infinidade de entradas analógicas ou
digitais, ou ambas; outros são mais especializadas para uma medida
específica (por exemplo, um piranômetro portátil com capacidade embutida
de registro de dados), ou uma aplicação específica (por exemplo,
temperatura, umidade relativa, velocidade do vento e medida de radição solar
com registro de dados para aplicações de teste do sistema solar). Os dados
armazenados são geralmente baixados de coletores de dados portáteis, usando
uma interface serial ou USB com uma conexão direta temporária a um
computador pessoal. Os coletores de dados portáteis também podem baixar
os dados via modem, por meio de linhas telefônicas.

Exercícios
4.1 Para sete coletores em série, cada um com área de 1,2 m2, FR1UL1 =
7,5W/m2oC, e FR1(τα)1 = 0,79 a uma vazão mássica de 0,015 kg/s m2,
estime a energia útil coletada, se a água é distribuída pelos coletores, a
radiação solar disponível é 800 W/m2, e o ΔT (= Ti – Ta) é igual a 5oC.
4.2 Repitao Exemplo 4.2 para 15 de setembro, considerando que as condições
climáticas são as mesmas.
4.3 Encontre o FR(τα)n e FRUL para um coletor de área com os seguintes
resultados de teste de duração.
Qu (MJ) It (MJ/m2) Ti (C) Ta (C)

6,05 2,95 15,4 14,5


1,35 3,05 82,4 15,5

4.4 Para um coletor com FR(τα)n = 0,82 e FRUL = 6,05 W/m2oC, encontre a
eficiência instantânea quando Ti = Ta. Se a eficiência instantânea é igual a
0, Ta = 25oC e Ti = 90oC, qual é o valor da radiação solar caindo sobre o
coletor?
4.5 Os dados de um teste de coletor real é mostrado na seguinte tabela. Se a
área do coletor é 1,95 m2 e o teste de vazão mássica é 0,03 kg/s, encontre
as características do coletor FR(τα)n e FRUL.
4.6 Para um coletor de área 5,6 m2 com F’ = 0,893, UL = 3,85 W/m2oC, (τα)av =
0,79, e vazão mássica = 0,015 kg/m2s, encontre FR, QU e a eficiência
quando a água entra a 35oC, a temperatura ambiente é 14,2oC e o IT por
hora é 2,49 MJ/m2.
Número Gt (W/m2) Ta (oC) Ti (oC) To (oC)

1 851,2 24,2 89,1 93,0


2 850,5 24,2 89,8 93,5
3 849,1 24,1 89,5 93,3
4 855,9 23,9 78,2 83,1
5 830,6 24,8 77,9 82,9
6 849,5 24,5 77,5 82,5
7 853,3 23,9 43,8 52,1
8 860,0 24,3 44,2 52,4
9 858,6 24,5 44,0 51,9

4.7 As características de um coletor de aquecimento de água de área 2 m2 são


FR(τα)n = 0,79 e FRUL = 5,05 W/m2oC. Se o teste de vazão mássica é 0,015
kg/m2s, encontre as características do coletor corrigidas quando a vazão
mássica através do coletor é reduzida pela metade.
4.8 As características de um coletor de aquecimento de água são FR(τα)n =
0,77, FRUL = 6,05 W/m2oC, e bo = 0,12. O coletor opera um dia completo, o
que apresenta as características mostradas na seguinte tabela. Encontre, em
cada hora, a energia útil coletada por unidade de abertura de área e
eficiência do coletor. Estime também a eficiência diária.
Tempo I t (kJ/m2) Ta (oC) Ti (oC) θ (o)
8-9 2090 18,5 35,1 60
9-10 2250 20,3 33,2 47
10-11 2520 22,6 30,5 35
11-12 3010 24,5 29,9 27
12-13 3120 26,5 33,4 25
13-14 2980 23,9 35,2 27
14-15 2490 22,1 40,1 35
15-16 2230 19,9 45,2 47
16-17 2050 18,1 47,1 60

4.9 Para um sistema com coletor de cobertura com KL = 0,037 e αn = 0,92,


estime o modificador de ângulo de incidência constante (bo) baseado em
(τα) a uma incidência normal e a θ = 60o. A cobertura é feita de vidro com
n = 1,526.

Referências
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Thermal Performance of Solar Collectors.
BIPM, IEC, IFCC, ILAC, ISO, IUPAC, IUPAP, OIML, 2008. Evaluation of
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Measurement. http://www.bipm.org/utils/common/documents/jcgm/JCGM_
100_2008_E.pdf.
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John Wiley & Sons, New York.
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Performance of Glazed Liquid Heating Collectors Including Pressure Drop.
ISO 9806-2:1995, 1995a. Test Methods for Solar Collectors, Part 2:
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ISO 9806-3:1995, 1995b. Test Methods for Solar Collectors, Part 3: Thermal
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Transfer Only) Including Pressure Drop.
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sensitivity analysis. Energy Convers. Manage. 43 (17), 2287–2295.
CAPÍTULO

5
Sistemas solares de aquecimento de
água
Talvez a aplicação mais popular de sistemas solares seja o aquecimento de
água doméstica. A popularidade destes sistemas deve-se ao fato de que estão
envolvidos sistemas relativamente simples e de que os sistemas solares de
aquecimento de água são geralmente viáveis. Esta categoria de sistemas
solares pertence às aplicações de baixa temperatura.
O consumo comercial de calor de baixa temperatura no mundo é de
aproximadamente 10 EJ por ano para produção de água quente, equivalente a
6 trilhões de m2 de área coletora (Turkenburg, 2000). Em 2005, cerca de 140
milhões de m2 de área coletora térmica solar estavam em operação pelo
mundo, o que representa apenas 2,3% do potencial (Philibert, 2005).
Um aquecedor solar de água é uma combinação de um arranjo de coletores
solares, um sistema de transferência de energia e um tanque de
armazenamento. A parte principal do aquecedor solar de água é o arranjo de
coletores solares, que absorve a radiação solar e converte-a em calor. Este
calor é então absorvido por um fluido de transferência de calor (água, líquido
não congelante ou ar) que passa pelo coletor. Este calor pode ser então
armazenado ou usado diretamente. Como é compreendido, porções do
sistema de energia solar estão expostas a condições climáticas, devendo ser
protegidas de congelamento e superaquecimento causados por altos níveis de
radiação solar durante períodos de baixa demanda de energia.
Dois tipos de sistemas solares de aquecimento de água estão disponíveis:
• Sistemas diretos ou de malha aberta, nos quais a água potável é aquecida
diretamente no coletor.
• Sistemas indiretos ou de malha fechada, nos quais a água potável é
aquecida indiretamente por um fluido de transferência de calor que é
aquecido no coletor e passa por um trocador de calor para transferir seu
calor para a água doméstica ou de serviço.
Os sistemas diferem também em relação ao modo como o fluido de
transferência de calor é transportado:
• Sistemas de circulação natural (ou passivos).
• Sistemas de circulação forçada (ou ativos).
A circulação natural ocorre por transferência natural (sifão térmico),
enquanto os sistemas de circulação forçada usam bombas ou ventoinhas para
circular o fluido de transferência de calor pelo coletor. Exceto pelo
termossifão e sistemas de armazenamento integrado do coletor (ICS), que não
necessitam de controle, sistemas solares domésticos e de água quente de
serviço são controlados usando termostatos diferenciais. Alguns sistemas
também usam um trocador de calor ao lado da carga entre a corrente de água
potável e o tanque de água quente.
Sete tipos de sistemas de energia solar podem ser usados para aquecer água
doméstica e de serviço, como mostrado na Tabela 5.1. Os sistemas de
termossifão e ICS são chamados de sistemas passivos, porque nenhum
bombeamento é empregado, enquanto os outros são chamados de sistemas
ativos, visto que um bombeamento ou ventoinha é usado para fazer circular o
fluido. A fim de proteger contra congelamento, utilizam-se a recirculação e a
drenagem para sistemas solares de aquecimento de água, ao passo que a
drenagem de volta é usada para sistemas de aquecimento de água indiretos.
Tabela 5.1 Sistemas solares de aquecimento de água
Sistemas passivos Sistemas ativos
Sistemas de circulação direta (ou ativo de malha aberta)
Sistemas de circulação indireta (ou ativo de malha fechada), trocador de calor
Termossifão (direto ou indireto) interno e externo
Armazenamento integrado do Sistemas de ar
coletor
Sistemas de bombeamento de calor
Sistemas de aquecimento em tanque

Uma ampla gama de coletores tem sido usada para sistemas solares de
aquecimento de água, tais como placa plana, tubo evacuado e parabólico
composto. Em adição a esses tipos de coletores, sistemas maiores podem usar
tipos mais avançados, tais como a calha parabólica.
A quantidade de água quente produzida por um aquecedor solar de água
depende do tipo e tamanho do sistema, a quantidade de radiação solar
disponível no local e o padrão sazonal de demanda da água quente.
5.1Sistemas passivos
Dois tipos de sistemas pertencem a essa categoria: sistemas de termossifão e
de armazenamento integrado do coletor, os quais serão examinados nas
seções a seguir.
5.1.1Sistemas de termossifão
Sistemas de termossifão, mostrados esquematicamente na Figura 5.1,
aquecem água potável ou o fluido de transferência e usam convecção natural
para transportá-la do coletor para o armazenamento. O efeito do termossifão
ocorre porque a densidade da água diminui com o aumento da temperatura.
Portanto, pela ação da radiação solar absorvida, a água no coletor é aquecida
e assim expande, tornando-se menos densa e sobe pelo coletor no topo do
tanque de armazenamento. Lá ela é substituída pela água resfriada que
chegou ao fundo do tanque, fluindo para baixo do coletor. A circulação
continua enquanto o sol está brilhando. Como a força de condução é apenas
uma pequena diferença de densidade, tubos maiores que os normais devem
ser usados para minimizar a fricção. Linhas conectadas devem também ser
bem isoladas, para impedir perda de calor, e inclinadas, a fim de impedir a
formação de bolsões de ar que poderiam interromper a circulação.
FIGURA 5.1

Diagrama esquemático de um termossifão aquecedor solar de água.

As vantagens de sistemas de termossifão são que eles não dependem de


bombas ou controladores, são mais confiáveis e têm vida mais longa que
sistemas de circulação forçada. Além disso, eles não necessitam de um
fornecimento elétrico para operar e naturalmente modulam a vazão mássica
de circulação em fase com os níveis de radiação solar.
A principal desvantagem dos sistemas de termossifão consiste no fato de
que o tanque de armazenamento deve estar acima do coletor; eles são
unidades comparativamente altas, tornando-os pouco atraentes esteticamente.
Os dois tipos de sistemas termossifão são pressurizados e não pressurizados.
Em unidades de termossifão pressurizadas, a água da composição é da rede
elétrica da cidade ou unidades de pressão, e os coletores e tanques de
armazenamento devem ser capazes de resistir à pressão operante. Quando a
água da cidade é usada diretamente, válvulas de redução de pressão e
assistência devem ser instaladas para proteger os sistemas, porque a pressão
pode ser maior do que a pressão operante dos coletores e do tanque de
armazenamento. Em sistemas gravitacionais – geralmente instalados onde o
suprimento de água da cidade é intermitente – um tanque de armazenamento
de água fria é instalado no topo do coletor solar, suprindo tanto o cilindro de
água quente e as necessidades de água fria da casa. Isto torna a unidade
coletora mais alta e menos atraente.
Outra desvantagem do sistema relaciona-se com a qualidade da água usada.
Como o sistema é aberto, a água extremamente mineral ou ácida pode causar
depósito de partículas que entopem ou corroem as passagens do fluido
absorvedor.
Configurações típicas de coletores incluem o de placa plana, mostrado na
Figura 5.2(a), e coletores de tubo evacuado, mostrados na Figura 5.2(b).
Sistemas de termossifão podem ser construídos com dispositivos de
proteção contra congelamento, variando de válvulas de despejo ou
aquecedores no fundo do tubo vertical do coletor para áreas de congelamento
leve para resistência, ao congelamento inerente usando uma malha fechada de
circulação natural anticongelamento entre o coletor e o tanque (Morrison,
2001).
Desempenho teórico dos aquecedores solares de água por termossifão
O desempenho dos aquecedores solares de água por termossifão tem sido
estudado de forma extensiva por muitos pesquisadores, tanto experimental
quanto analiticamente. Entre os primeiros estudos estão os de Close (1962) e
Gupta e Garg (1968), que desenvolveram um dos primeiros modelos para o
desempenho térmico de um aquecedor de água solar por circulação natural
sem carga. Eles representaram a radiação solar e a temperatura ambiente por
séries de Fourier e foram capazes de prever um desempenho de um dia de tal
modo que concordasse substancialmente com experimentos.
Ong fez dois estudos (1974; 1976) para avaliar o desempenho térmico de
um aquecedor de água solar. Ele elaborou um sistema relativamente pequeno
com cinco termopares na superfície inferior dos tubos de água e seis
termopares na superfície inferior da placa coletora. Um total de seis
termopares foi inserido no tanque de armazenamento e empregado um
medidor de vazão com traçador corante. Os estudos de Ong parecem ser os
primeiros detalhados em um sistema termossifônico.
Morrison e Braun (1985) estudaram as características modeladoras e
operacionais de aquecedores solares de água por termossifão com tanques de
armazenamento verticais e horizontais. Eles descobriram que o desempenho
do sistema é maximizado quando o fluxo diário de volume do coletor é
aproximadamente igual ao fluxo de carregamento diário, e o sistema com um
tanque horizontal não se saiu tão bem quanto o com um tanque vertical. Esse
modelo tem sido também adotado pelo programa de simulação TRNSYS (ver
Capítulo 1, Seção 11.5.1). De acordo com este modelo, um sistema de
termossifão, que consiste em um coletor de placa plana e um tanque
estratificado, é disposto como se operasse em um estado estável. O sistema se
divide em N segmentos normais à direção do escoamento, e a equação de
Bernoulli para escoamento incompressível é aplicada a cada segmento. Para
condições estáticas a soma da queda de pressão em cada segmento é:
(5.1a)
FIGURA 5.2

Configurações de sistema de termossifão. (a) Configuração de coletor de placa plana. (b) Configuração
de coletor de tubo evacuado.

E a soma das mudanças na pressão em volta do ciclo é 0; isto é,


(5.1b)
onde
ρi = densidade de qualquer nódulo calculada como uma função da
temperatura local (kg/m3);
hfi = queda de fricção por um elemento (m); e
Hi = altura vertical do elemento (m).
Para cada intervalo de tempo a vazão mássica do termossifão deve
satisfazer unicamente a Equação (5.1b).
O desempenho térmico do coletor pode ser modelado ao dividi-lo em
nódulos de tamanhos iguais Nc. A temperatura no ponto médio de qualquer
modo do coletor k é dada por:
(5.2)
onde
ṁt = vazão mássica do termossifão (kg/s);
Ac = área do coletor (m2).
O parâmetro do coletor, F’UL, é calculado dos dados de teste do coletor
para FRUL a uma vazão mássica teste de ṁT pela Equação (4.18), que usando
o novo símbolo para a vazão mássica de teste é:
(5.3)

Finalmente, a energia útil do coletor é obtida de:


(5.4a)

Onde a razão r da Equação (4.17a) torna-se:


(5.4b)
A queda de temperatura ao longo dos tubos de entrada e saída do coletor é
geralmente bem pequena (pequena distância, canos isolados), e os tubos são
considerados como sendo nódulos simples, com capacitância térmica
desprezível. A análise da primeira lei dá as seguintes expressões para a
temperatura de saída (Tpo) dos canos:
(5.5)

A perda por fricção nos canos é dada por:


(5.6)

onde
d = diâmetro do tubo (m);
v = velocidade do fluido (m/s);
L = comprimento do tubo (m);
k = coeficiente de perda do ajuste; e
ƒ = fator de fricção.
O fator de fricção, ƒ, é igual a:
(5.7a)

(5.7b)

O coeficiente de perda do ajuste para várias partes do circuito pode ser


estimado ao usar os dados fornecidos na Tabela 5.2.
O fator de fricção para o fluxo de desenvolvimento nos tubos conectados e
os tubos verticais do coletor é dado por:
(5.7c)

A queda de pressão dos tubos horizontais do coletor, Ph, é igual à média da


mudança de pressão ao longo dos tubos horizontais de entrada e saída para
vazão mássica igual em cada tubo vertical, N, dado por:
(5.8a)

Tabela 5.2 Coeficiente de perda do ajuste para várias partes do circuito de termossifão

Parâmetro Valor k
Entrada do tanque para o tubo
0,5
conectado ao coletor
Perda devido a dobras nos tubos
conectados
Comprimento equivalente do tubo aumentado por 30 d para Re ≤ 2000 ou k
Dobras de 90o
= 1,0 para Re ≥ 2000
Comprimento equivalente do tubo aumentado por 20 d para Re ≤ 2000 ou k
45o de dobra
= 0,6 para Re > 2000
Mudança de seção transversal na junção dos tubos conectados e no tubo vertical
Expansão súbita k = 0,667(d1/d2)4 2,667 (d1/d2)2 + 2,0

Contração súbita k = 0,3259(d2/d1)4 – 0,1784 (d2/d1)2 + 0,5

Entrada de fluxo no tanque 1,0


Nota: Para diâmetros do tubo, d1 = diâmetro de entrada e d2 = diâmetro de saída.

(5.8b)

(5.9)

onde, da Equação (5.7a), ƒ = 64/Re (Re baseado na velocidade no tubo


horizontal e temperatura) e
(5.10)

Baseado na velocidade e temperatura de saída do tubo horizontal ,


(5.11)

Finalmente,
(5.12)

Para modelar o sistema completo, a interação do tanque de armazenamento


é necessária. Isso é projetado com o modelo de tanque de armazenamento
completamente estratificado, apresentado na Seção 5.3.3.
O procedimento para modelar o sistema completo é descrito a seguir.
Inicialmente, é avaliada a distribuição de temperatura em volta do ciclo do
termossifão para a vazão mássica do passo temporal anterior. A temperatura
do coletor é computada da temperatura média do conteúdo dos segmentos no
fundo do tanque com um volume igual ao fluxo de volume do coletor (ver
Seção 5.3.3). Depois de feita a tolerância para a perda de calor do tubo de
saída, com a Equação (5.6), a temperatura de cada um dos nódulos fixos Nc
usados para representar o perfil de temperatura do coletor é avaliada na
Equação (5.2). Finalmente, a temperatura do novo segmento de fluido
retornada ao tanque é computada da temperatura de saída do coletor e da
queda de temperatura pelo tubo de retorno ao tanque. Um novo perfil de
temperatura do tanque é então avaliado (ver Seção 5.3.3).
A pressão do termossifão devido a diferenças de densidade pelo ciclo é
determinada pelo perfil de temperatura do sistema. A diferença entre a queda
de pressão por fricção em torno do circuito e a pressão em rede do
termossifão é avaliada para esta vazão mássica. Estes valores e aqueles do
cálculo anterior, para vazão mássica e diferença de rede entre as pressões de
fricção e estáticas, são então usados para estimar o novo fluxo; este processo
é repetido até a Equação (5.1b) ser concluída. Este procedimento não é
adequado para cálculos à mão, mas é relativamente fácil de fazer com um
computador.
Um modo simples de estimar a vazão mássica que será criada em um
aquecedor de água solar por termossifão é assumir que há um aumento
constante de temperatura da água que flui pelo coletor e estimar a vazão
mássica que criará esta diferença de temperatura para o ganho estimado do
coletor. Considerando o desempenho básico do coletor na Equação (3.60) e
usando o conceito de radiação solar absorvida:
(5.13)
Resolvendo para a vazão mássica, temos:
(5.14)

Ao assumir que o fator de eficiência do coletor F’ é independente da vazão


mássica, substituindo a Equação (3.58) por FR e rearranjando dá-se:
(5.15)
O valor obtido da vazão mássica pode então ser usado para estimar F’ e, se
houver diferença, uma segunda iteração é feita.
Close (1962) comparou diferenças de temperatura computadas e
experimentais nos sistemas de coletores do tipo Australianos e descobriu que
existe uma diferença de temperatura de 10oC quando estes são bem
projetados e sem restrições de fluxo sérias.
Mais detalhes sobre o termossifão são dados no Capítulo 1, Seção 11.1.4.
Circulação reversa nos sistemas de termossifão
À noite, ou quando se deseja que o coletor esteja mais frio que a água no
tanque, a direção do fluxo do termossifão se reverte, assim resfriando a água
armazenada. Deve-se notar que o ciclo do coletor termossifão é controlado
pela estratificação térmica no ciclo do coletor e a seção do tanque, abaixo do
nível de retorno do fluxo do coletor. O maior problema no projeto do sistema
de termossifão é minimizar a perda de calor devido à circulação reversa à
noite, quando a temperatura do céu é baixa. Norton e Probert (1983)
recomendam que, para evitar fluxo reverso, a distância de separação do
tanque-coletor deve ser entre 200 e 2.000 mm. Uma maneira prática de
prevenir um fluxo reverso é colocar o topo do coletor a mais ou menos 300
mm abaixo do fundo do tanque de armazenamento.
A perda de calor noturna de um coletor é uma função da temperatura
ambiente do ar e da temperatura do céu. Se a temperatura do céu está
significativamente abaixo da temperatura ambiente, o resfriamento do coletor
fará com que o fluido passe pelo termossifão na direção contrária pelo
coletor, e o fluido pode ser resfriado abaixo da temperatura ambiente.
Quando o fluxo entra no tubo de retorno para o fundo do tanque, ele é
misturado com a água mais quente contida no tanque de armazenamento. A
combinação de resfriamento abaixo da temperatura ambiente no coletor e o
aquecimento no tubo de retorno causa um fluxo reverso em todas as
configurações de termossifão, independentemente da separação vertical entre
o topo do coletor e o fundo do tanque (Morrison, 2001).
Configuração do tanque vertical versus horizontal
Uma vez que a operação do sistema termossifão depende da estratificação da
água no tanque de armazenamento, tanques verticais são mais efetivos. É
também preferível ter um aquecedor auxiliar tão alto quanto possível no
tanque de armazenamento, como mostrado na Figura 5.1, para aquecer
apenas o topo do tanque com energia auxiliar quando é necessário. Isto é
importante por três razões:
1. Melhora a estratificação.
2. Perdas de calor do tanque são aumentadas linearmente com a temperatura
de armazenamento.
3. Como mostrado no Capítulo 4 o coletor opera com eficiência maior em
uma temperatura de entrada no coletor mais baixa.
Para reduzir a altura geral da unidade, porém, tanques horizontais são
frequentemente usados. O desempenho dos sistemas de termossifão de tanque
horizontal é influenciado pela condução entre a zona auxiliar de alta
temperatura no topo do tanque e a zona solar, inclusive pela mistura dos
pontos de injeção de fluxo (Morrison e Braun, 1985). O desempenho desses
sistemas pode ser melhorado ao usar tanques solares separados ou auxiliares
ou ao separar as zonas auxiliares e de pré-aquecimento com um defletor
isolador, como mostrado na Figura 5.3. Uma desvantagem do sistema de dois
tanques ou tanques segmentados é que a entrada de Sol não pode aquecer a
zona auxiliar até que haja demanda.

FIGURA 5.3

Configuração de um tanque segmentado com um defletor isolador.

Estratificação térmica em tanques horizontais rasos também depende no


grau de mistura no carregamento, na água de composição, nas entradas do
coletor no tanque. O carregamento deve ser feito do ponto mais alto possível,
enquanto a água de composição deve entrar no tanque pelo tubo de
distribuição ou por um difusor, de modo que seja introduzida no fundo do
tanque sem perturbar a estratificação da temperatura ou misturar a zona
auxiliar do topo com a zona solar. O fluxo de retorno do coletor também deve
entrar por um fluxo distribuidor de modo que ele se mova para sua posição de
equilíbrio térmico sem se misturar com camadas de fluido in​termediá​rio. Pelo
fato de o retorno do coletor ser quente, muitos fabricantes fazem uma
pequena dobra no tubo de entrada, apontado para cima.
Geralmente, a penalidade associada aos tanques horizontais é a de que o
tanque de profundidade rasa degrada a estratificação por causa da condução
pelas paredes do tanque e a água. Adicionalmente, conduções de sistemas
auxiliares interiores ao tanque entre as zonas auxiliar e solar influenciam o
desempenho solar. Para tanques horizontais com diâmetros maiores que 500
mm, há apenas uma perda relativamente pequena de desempenho relativa ao
tanque vertical, e os efeitos acima aumentam significativamente para tanques
de diâmetros menores (Morrison, 2001).
Proteção contra congelamento
Para localidades que têm um clima ameno, o aquecedor de água solar por
termossifão de ciclo aberto é o sistema mais amplamente indicado. Com
proteção contra congelamento, os sistemas de termossifão podem também ser
usados em localidades que tenham menores condições de congelamento. Esta
pode ser fornecida por válvulas de despejo de água, aquecimento elétrico no
tubo horizontal do coletor, ou tubos verticais cônicos para controlar o
crescimento do gelo no tubo vertical de modo que um plugue rígido e em
expansão seja evitado (Xinian e colaboradores, 1994). Todas essas técnicas
têm sido usadas com sucesso por fabricantes de aquecedores solares de água,
e sua adequação é provada em áreas com condições de congelamento leve.
Eles não são adequados, porém, em áreas com alto congelamento. Em tais
casos, o único desenho adequado é o uso de ciclos de anticongelamento no
coletor com um trocador de calor entre o coletor e o tanque e um fluido de
transferência de calor anticongelante circulando no coletor e no trocador de
calor. Para uma configuração de tanque horizontal, o sistema mais
amplamente adotado é o coberto ou o conceito de trocador de calor anular,
mostrado na Figura 5.4.
Tanques com trocadores de calor cobertos são fáceis de construir e
fornecem uma grande área de transferência de calor. Trocadores de calor
envolvidos são também usados em tanques verticais e sistemas de circulação
forçada, como pode ser visto na Seção 5.2.2. Fabricantes de tanques
horizontais geralmente usam um invólucro tão grande quanto possível,
cobrindo quase toda a circunferência e todo o comprimento do tanque de
armazenamento. O fluido de transferência de calor usual empregado nestes
sistemas é uma solução de glicol e água-etileno.

FIGURA 5.4

Conceito de trocador de calor envolvido.

Termossifões rastreadores
A possibilidade de ter tanto um aquecedor solar de água por termossifão
móvel ou um aquecedor no qual apenas a inclinação poderia ser movida
sazonalmente foi investigada por Michaelides e colaboradores (1999). O
desempenho aumentado do sistema foi comparado ao custo adicionado para
atingir o movimento dos aquecedores, sendo conseguido mesmo que a
mudança sazonal mais simples da inclinação do coletor não tenha um custo-
benefício comparável ao sistema fixo tradicional.
5.1.2Sistemas de armazenamento integrados do coletor
Sistemas de armazenamento integrados do coletor (ICS) usam o
armazenamento de água quente como parte do coletor, isto é, a superfície do
tanque de armazenamento é usada como o absorvedor coletor. Como em
outros sistemas, para melhorar a estratificação, a água quente é retirada do
topo do tanque e a água de composição fria entra no fundo do tanque no lado
oposto. Geralmente, a superfície do tanque de armazenamento é
seletivamente revestida para evitar perda de calor.
A desvantagem principal dos sistemas ICS é a alta perda térmica do tanque
de armazenamento para as cercanias, pois muito de sua área de superfície não
pode ser termicamente isolada, pois ela é exposta de modo intencional para
ser capaz de absorver a radiação solar. Em particular, as perdas térmicas são
maiores durante a noite e dias nublados com baixas temperaturas no
ambiente. Devido a essas perdas, a temperatura da água cai substancialmente
durante a noite, em particular durante o inverno. Várias técnicas têm sido
usadas para impedir isto de acontecer. Tripanagnostopoulos e colaboradores
(2002) apresentam um número de unidades experimentais nas quais uma
redução em perdas térmicas foi atingida ao considerar tanques cilíndricos
simples e duplos, propriamente colocados em calhas refletoras CPC
truncadas simétricas e assimétricas. Alternativamente, se for necessário um
suprimento de água quente por 24 horas, esses sistemas podem ser usados
apenas para pré-aquecimento e, em tal caso, deve ser conectado em série com
um aquecedor de água convencional.
Detalhes de uma unidade ICS desenvolvida pelo autor são apresentados
aqui (Kalogirou, 1997). O sistema emprega um coletor não espelhado CPC
do tipo cúspide. Um concentrador completamente desenvolvido em cúspide
para um receptor cilíndrico é mostrado na Figura 5.5. A curva particular
ilustrada tem um semiângulo de aceitação, θc, de 60o ou um ângulo completo
de aceitação, 2θc, de 120o. Cada lado da cúspide tem dois segmentos distintos
matematicamente, ligeiramente juntos em um ponto P relacionado a θc. O
primeiro segmento, do fundo do receptor ao ponto P, é o involuto da seção
transversal circular do receptor. O segundo segmento é do ponto P ao topo da
curva, onde a curva se torna paralela ao eixo y (McIntire, 1979).
FIGURA 5.5

Cúspide completamente desenvolvida.

Em relação à Figura 5.6, para um receptor cilíndrico, o raio, R, e o


semiângulo de aceitação, θc, a distância, ρ, ao longo da tangente do receptor
para a curva, são relacionados com o ângulo θ entre o raio e o fundo do
receptor e o raio e o ponto de tangência, T, pelas seguintes expressões para as
duas seções da curva (McIntire, 1979):

(5.16)

FIGURA 5.6

Coordenadas espelhadas para um concentrador em cúspide não espelhado ideal.

As duas expressões para ρ(θ) são equivalentes para o ponto P na Figura 5.5,
onde θ = θc + π/2. A curva é gerada ao incrementar θ em radianos, calcular ρ,
e então calcular as coordenadas X e Y, por:
(5.17)
A Figura 5.5 mostra uma curva completa, não truncada, que é uma solução
matemática para uma forma de refletor com uma razão de concentração
máxima possível. A forma do refletor mostrada na Figura 5.5 não vem a ser o
design mais prático e com melhor custo-benefício para um concentrador,
porque o material reflexivo não é efetivamente usado na porção superior do
concentrador. Como no caso do coletor parabólico composto, uma curva
cúspide teórica deve ser truncada em uma razão de concentração de altura
mais baixa e levemente menor. Graficamente, isto é feito ao desenhar uma
linha horizontal ao longo da cúspide em uma altura selecionada e descartando
a parte da curva acima da linha. Matematicamente, a curva é definida como
um valor do ângulo θ máximo menor que 3π/2 – θc. A forma da curva abaixo
da linha de corte não é modificada pelo truncamento, então o ângulo de
aceitação usado para construir a curva, usando a Equação (5.16), de uma
cúspide truncada é igual ao ângulo de aceitação da cúspide completamente
desenvolvida, da qual ela foi truncada.
Um ângulo grande de aceitação de 75o é usado neste desenho para que o
coletor possa coletar tanta radiação difusa quanto possível (Kalogirou, 1997).
A cúspide completamente desenvolvida, junto com a truncada, é mostrada na
Figura 5.7. O raio do receptor considerado na construção da cúspide é de 0,24
m. O cilindro real de uso, porém, é de apenas 0,20 m. Isso se faz no intuito de
criar uma lacuna no lado de baixo do receptor e no limite da cúspide para
minimizar as perdas óticas e de condução.
O design final é mostrado na Figura 5.8. A abertura do coletor é de 1,77 m2,
que, combinada com o diâmetro do absorvedor usado, dá uma razão de
concentração de 1,47 (Kalogirou, 1997). Deve-se notar que, como mostrado
na Figura 5.8, o sistema é inclinado na latitude local para funcionar
efetivamente.
FIGURA 5.7

Truncamento de um concentrador não espelhado.

Outra possibilidade considerada para reduzir as perdas térmicas noturnas


para o desenho mostrado na Figura 5.8, haja vista os achados de Eames e
Norton (1995) no uso de defletores para reduzir as correntes de convecção
fluindo pelo vidro que aumentam as perdas térmicas, é a inserção de um
segundo cilindro com diâmetro menor no espaço entre o cilindro principal e a
cobertura de vidro, por meio do uso de um pedaço pequeno de isolamento no
ponto de contato entre os dois cilindros e entre o cilindro secundário e a
cobertura de vidro como mostrado na Figura 5.8 com uma linha pontilhada.
Esta modificação oferece várias vantagens: capacidade de armazenamento
aumentada de 30%; o cilindro do topo fornece algum tipo de isolamento
(para perda de calor por radiação), pois o cilindro não foca o céu diretamente;
o cilindro do tipo cria uma restrição para o fluxo das correntes de convecção
(como o defletor faz); finalmente, o cilindro secundário é usado como um
pré-aquecimento para o principal e assim expor características de uma
unidade melhorada consideravelmente, pois a água de composição não entra
no cilindro principal de maneira direta. O cilindro extra aumentou o custo do
sistema ICS em 8%, enquanto o desempenho do sistema aumentou em mais
ou menos 7% (Kalogirou, 1998).
FIGURA 5.8

O sistema de água quente ICS solar completo.


5.2Sistemas ativos
Em sistemas ativos, água ou um fluido de transferência de calor é bombeado
pelos coletores. Estes são geralmente mais caros e um pouco menos
eficientes do que os dos sistemas passivos, particularmente se as medidas
anticongelamento forem necessárias. Adicionalmente, sistemas ativos são
mais difíceis de serem adaptados em casas, especialmente onde não há porão,
porque um espaço é necessário para o equipamento adicional, tal como o
cilindro de água quente. Cinco tipos de sistemas pertencem a esta categoria:
sistemas de circulação direta, sistemas de aquecimento de água indiretos,
sistemas de ar, sistemas de bombeamento de calor e sistemas de aquecimento
em piscina. Antes de dar detalhes desses sistemas, a vazão ideal é examinada.
Altas vazões têm sido usadas em aquecedores solares de água com
circulação bombeada para melhorar o fator de remoção de calor, FR,
maximizando assim a eficiência do coletor. Se o desempenho completo do
sistema é considerado, porém, em vez de haver um coletor como um
elemento isolado do sistema, nota-se que a fração solar pode ser aumentada
se uma baixa vazão mássica pelo coletor e um tanque estratificado
termicamente são usados. A estratificação pode também ser promovida pelo
uso de difusores de fluxo no tanque e nos trocadores de calor do ciclo do
coletor; para efeito máximo, porém, é necessário combinar essas
características com uma vazão baixa.
O uso de baixo fluxo influencia tanto o custo inicial do sistema quanto a
economia de energia. O custo inicial é afetado, porque o sistema requer um
bombeamento de baixa potência; a canalização dos coletores pode ser de
diâmetro pequeno (logo, menos cara e mais fácil de instalar), e os tubos
menores requerem espessura menor e isolamento térmico de baixo custo,
porque o valor R do isolamento depende da razão do diâmetro exterior para o
interior do isolamento. Além disso, sistemas de baixo fluxo podem usar uma
canalização de diâmetro muito baixo para o ciclo do coletor e, como
resultado, tubos de cobre flexíveis temperados podem ser usados, que são
muito mais fáceis de instalar. Neste caso, um tubo flexível pode ser torcido à
mão a fim de mudar a direção sem a necessidade de dobras acentuadas, o que
leva a uma queda de pressão maior.
De acordo com Duff (1996), o fluxo no ciclo do coletor deve estar no
alcance de 0,2-0,4 1/min m2 da área de abertura do coletor. O efeito da baixa
vazão é examinado no Capítulo 4 Seção 4.1.1. Com efeito, a penalidade para
vazão baixa é a redução da eficiência do coletor devido a um maior aumento
na temperatura do coletor para uma dada temperatura de entrada. Por
exemplo, para uma redução de 0,91 1/min m2 para 0,3 1/min m2, a eficiência
é reduzida em mais ou menos 6%; porém, a redução da temperatura de
entrada para os coletores por causa da estratificação melhorada no tanque
compensa mais do que a perda da eficiência do coletor. Os bombeamentos
necessários para a maior parte dos sistemas ativos são centrífugos de baixa
estática (também chamados de circuladores), que para aplicações domésticas
pequenas usam 3-50 W de energia elétrica para funcionar.
5.2.1Sistemas de circulação direta
Um diagrama esquemático de um sistema de circulação direta é mostrado na
Figura 5.9. Neste sistema, um bombeamento é usado para circular a água
potável do armazenamento para os coletores quando há energia solar
suficiente disponível para aumentar sua temperatura e então retornar a água
aquecida para o tanque de armazenamento até que seja necessária. O
bombeamento é controlado por um termostato diferencial que mede e
compara a temperatura na saída do coletor e no tanque de armazenamento e
opera a bomba sempre que uma certa diferença de temperatura existe. Mais
detalhes são dados na Seção 5.5.
Pelo fato de uma bomba ser usada para circular a água, os coletores podem
ser montados tanto em cima quanto embaixo do tanque de armazenamento.
Sistemas de circulação diretos frequentemente usam um tanque de
armazenamento simples equipado com um aquecedor de água auxiliar, mas
sistemas de armazenamento com dois tanques também podem ser usados.
Uma característica importante desta configuração é a válvula de checagem
com mola, que é usada para prevenir perdas de energia por circulação reversa
no termossifão quando a bomba não está funcionando.
Sistemas de circulação direta podem ser usados com água fornecida de um
tanque de armazenamento de água fria ou conectados diretamente ao
reservatório de água da cidade. Válvulas de redução de pressão e válvulas de
segurança de pressão são necessárias, porém, quando a pressão da água da
cidade é maior do que a pressão operacional dos coletores. Sistemas de
aquecimento de água diretos não devem ser usados em áreas onde a água é
extremamente mineralizada ou ácida, porque o depósito de partículas (cálcio)
pode obstruir ou corroer os coletores.
Sistemas de circulação diretos podem ser usados em áreas onde o
congelamento não é frequente. Para condições climáticas extremas, uma
proteção contra congelamento é geralmente fornecida ao recircular a água
morna do tanque de armazenamento.

FIGURA 5.9

Sistema de circulação direta.

Isso faz perder algum calor, mas protege o sistema. Nesse caso, é usado um
termostato especial que opere a bomba, quando a temperatura cai abaixo de
um certo valor. Tal recirculação de proteção contra congelamento deve ser
usada apenas para localidades onde o congelamento ocorra raramente (poucas
vezes no ano), pois o calor armazenado é jogado fora no processo. Uma
desvantagem deste sistema ocorre nos casos onde há falha de energia, no caso
em que a bomba não funcionará e o sistema poderá congelar. Em tal caso,
uma válvula de despejo pode ser instalada no fundo dos coletores para
fornecer proteção adicional.
Para proteção contra congelamento, uma variação do sistema de circulação
direta, chamado de sistema de drenagem, é usado (mostrado
esquematicamente na Figura 5.10). Neste caso, a água potável é também
bombeada do armazenamento para o arranjo de coletores, no qual é aquecida.
Quando uma condição de congelamento ou uma falha de energia ocorre, o
sistema drena automaticamente ao isolar o arranjo do coletor e a canalização
exterior do suprimento de água de composição com a válvula normalmente
fechada (NC), drenando-a com o uso de duas válvulas normalmente abertas
(NO), mostradas na Figura 5.10. Deve-se notar que os coletores solares e
canalização associada devem ser cuidadosamente inclinados para drenar a
canalização exterior do coletor quando a circulação para (ver Seção 5.4.2). A
válvula de checagem mostrada no tipo dos coletores na Figura 5.10 é usada
para permitir que o ar preencha os coletores e a canalização, durante a
drenagem, deixando-o escapar durante o enchimento. Os mesmos
comentários sobre pressão e depósitos de partículas aqui valem como no caso
dos sistemas de circulação direta.
5.2.2Sistemas indiretos de aquecimento de água
Um diagrama esquemático de sistemas indiretos de aquecimento de água é
mostrado na Figura 5.11. Neste sistema, a bomba também opera com um
termostato diferencial (ver Seção 5.5) e um fluido de transferência de calor
circula pelo ciclo do coletor fechado para um trocador de calor, onde seu
calor é transferido para a água potável.

FIGURA 5.10
Sistema de drenagem.

FIGURA 5.11

Sistema de aquecimento de água indireto

Os fluidos de transferência de calor mais usados são soluções de água-


etileno glicol, embora outros fluidos de transferência de calor como óleos de
silicone e refrigerantes possam ser usados. Quando se utilizam fluidos não
potáveis ou tóxicos, trocadores de calor de parede dupla devem ser
empregados; isto pode funcionar como dois trocadores de calor em série. O
trocador de calor pode ser localizado dentro do tanque de armazenamento, em
volta do tanque de armazenamento (capa do tanque), ou externo ao tanque de
armazenamento (ver Seção 5.3). Deve-se notar que o ciclo do coletor é
fechado; portanto, um tanque de expansão e uma válvula de segurança de
pressão são necessários. Proteção adicional contra temperatura pode ser
necessária para impedir o fluido de transferência de calor do coletor para
decompor ou tornar-se corrosivo.
Sistemas deste tipo usando soluções de água-etileno glicol são preferíveis
em áreas sujeitas a temperaturas de congelamento maiores, porque eles
oferecem boa proteção contra congelamento. Estes sistemas são mais caros
para construir e operar, pois a solução deve ser checada todo ano e mudada
em poucos anos, dependendo da qualidade da solução e das temperaturas do
sistema atingidas.
Configurações típicas de coletores incluem o trocador de calor interno
mostrado na Figura 5.11, um trocador de calor externo mostrado na Figura
5.12(a) e um trocador de calor em capa mostrado na Figura 5.12(b). Uma
regra geral a seguir é que o tanque de armazenamento deve estar entre 35 e
701/m2 de área de abertura do coletor, enquanto o mais amplamente usado é
501/m2. Mais detalhes nos trocadores de calor interno são dados na Seção
5.3.2.
Para proteção, uma variação do sistema indireto de aquecimento de água,
chamada de sistema de drenagem de retorno, é usada. Sistemas de drenagem
de retorno são geralmente sistemas de aquecimento de água indiretos, que
circulam água por um ciclo fechado do coletor para um trocador de calor, no
qual este calor é transferido para a água potável. A circulação continua
enquanto a energia utilizável está disponível. Quando o bombeamento da
circulação para, o fluido do coletor drena por gravidade para um tanque de
drenagem de retorno. Se o sistema é pressurizado, o tanque também serve
como um tanque de expansão quando o sistema está operando; neste caso, ele
deve ser protegido com válvulas de temperatura e alívio de pressão. No caso
de um sistema despressurizado (Figura 5.13), o tanque é aberto e ventilado
para a atmosfera. O segundo tubo direcionado dos coletores para o topo no
tanque de drenagem de retorno serve para permitir que o ar preencha os
coletores durante uma drenagem de retorno.
Em razão de o ciclo do coletor estar isolado da água potável, nenhuma
válvula é necessária para acionar a drenagem e o scaling não é um problema;
porém, o arranjo do coletor e a canalização exterior deve ser adequadamente
inclinada para drenar por completo. A proteção contra congelamento é
inerente ao sistema de drenagem de retorno, porque os coletores e a
canalização acima do teto estão vazios quando a bomba não está
funcionando. Uma desvantagem deste sistema é que a bomba com uma alta
capacidade estática de elevação é necessária para preencher o coletor quando
o sistema inicia.
FIGURA 5.12

Trocadores de calor externos e de capa. (a) Trocador de calor externo. (b) Trocador de calor de capa.

FIGURA 5.13

Sistema de drenagem de retorno

Em sistemas de drenagem de retorno, há uma possibilidade de os coletores


serem drenados durante períodos de insolação; portanto, é fundamental
selecionar coletores que possam resistir a períodos prolongados em condição
de estagnação. Tal caso pode acontecer quando não há carregamento e o
tanque de armazenamento atinge uma temperatura que não permite ao
termostato diferencial ligar a bomba solar.
Um design alternativo ao mostrado na Figura 5.13, adequado para sistemas
pequenos, consiste em drenar a água diretamente do tanque de
armazenamento. Neste caso, o sistema é aberto (sem um trocador de calor) e
não há necessidade de ter um tanque separado de drenagem de retorno;
porém, o sistema sofre das desvantagens dos sistemas diretos delineados na
Seção 5.2.1.
5.2.3Sistemas de aquecimento de água a ar
Sistemas de ar são sistemas indiretos de aquecimento de água porque o ar,
circulado pelos coletores de ar e através de dutos, é direcionado para um
trocador de calor ar-água. No trocador de calor, o calor é transferido para a
água potável, que também circula pelo trocador de calor e retorna para o
tanque de armazenamento. A Figura 5.14 mostra um diagrama esquemático
de um sistema duplo de tanques de armazenamento. Este tipo de sistema é
mais frequentemente utilizado, já que os sistemas de ar são geralmente
empregados para pré-aquecer água quente doméstica e, assim, o aquecedor
auxiliar é usado apenas em um tanque, como mostrado.
As vantagens deste sistema são que o ar não precisa ser protegido do
congelamento ou ebulição, não é corrosivo, não sofre de degradação do
fluido por transferência de calor, e é livre. Adicionalmente, o sistema
apresenta maior custo-benefício, porque nenhum valor de segurança ou
reservatório de expansão é necessário. As desvantagens são que o
equipamento de ar (dutos e ventoinhas) necessita de mais espaço do que
canalização e bombas, vazamentos de ar são difíceis de detectar e o consumo
de energia parasitário (eletricidade usada para mover as ventoinhas) é
geralmente maior do que os de sistemas líquidos.
FIGURA 5.14

Sistema de aquecimento de água a ar

5.2.4Sistemas de bombeamento de calor


Bombas de calor usam energia mecânica para transferir energia térmica de
uma fonte a uma temperatura mais baixa para uma fonte de maior
temperatura. A maior vantagem de sistemas de aquecimento por
bombeamento de calor movido a eletricidade, comparado com o aquecimento
por resistência elétrica ou combustíveis caros, é que o coeficiente de
desempenho de bombeamento de calor (razão do desempenho de
aquecimento com a energia elétrica) é maior do que a unidade para
aquecimento; então ele rende 9-15 MJ de calor para cada kilowatt-hora de
energia fornecida ao compressor, o que economiza na compra de energia.
O conceito do sistema original, proposto por Charters e colaboradores
(1980), era de um sistema com evaporação direta do fluido operacional do
bombeamento de calor no coletor solar. O condensador do bombeamento de
calor era na verdade um trocador de calor envolto no tanque de
armazenamento. Deste modo, o custo inicial do sistema e os requisitos de
energia parasitária do sistemas são minimizadas. Uma desvantagem possível
deste sistema é que a transferência de calor do condensador é limitada pela
convecção livre da parede do tanque, que pode ser minimizada ao usar uma
grande área de transferência de calor no tanque. Uma desvantagem mais
importante deste sistema é que o circuito de refrigeração do bombea​mento de
calor deve ser evacuado e carregado no local, o que requer equipamento
especial e expertise.
Essa desvantagem é removida ao usar sistemas de bombeamento de calor
solar compactos. Estes incorporam um evaporador montado do lado de fora
do tanque de armazenamento de água com convecção natural e circulação de
ar. Tal sistema precisa ser instalado do lado de fora e, se instalado adjacente
ao duto de ventilação na saída de uma construção, ele pode também funcionar
como uma unidade de recuperação de calor desperdiçado. As vantagens deste
sistema são que ele não tem requisito de energia parasitária e, pelo fato de o
sistema ser embalado, todos os seus componentes são montados na fábrica e
assim o sistema é carregado previamente. A instalação é como um simples
aquecedor de água elétrico, porque a unidade não necessita de conexão
elétrica de alta energia (Morrison, 2001).
5.2.5Sistemas de aquecimento em piscina
Sistemas de aquecimento solar em piscina não necessitam de tanque de
armazenamento separado, porque a própria piscina serve para o
armazenamento. Na maioria dos casos, a bomba de filtração da piscina é
usada para circular a água pelos coletores solares ou tubos plásticos. Para
uma operação de um dia inteiro, nenhum controle automático é necessário,
porque a piscina geralmente opera quando o sol está brilhando. Se tais
controles são empregados, eles são usados para direcionar o fluxo da água
filtrada para os coletores apenas quando a radiação solar está disponível. Isto
pode também ser atingido por uma simples válvula manualmente operada.
Normalmente, estes tipos de sistemas solares são designados para drenar na
piscina quando a bomba está desligada; assim os coletores são inerentemente
protegidos de congelamentos (ASHRAE, 2007).
O tipo primário de desenho do coletor usado para aquecer piscinas é o
coletor plástico preto e rígido feito de polipropileno (ver Capítulo 3 Seção
3.1.1). Adicionalmente, tubos plásticos ou coletores de tubos em chapas
podem ser usados. Em todos os casos, porém, uma grande área é necessária e
o topo de uma construção próxima pode ser usado para este propósito.
Recomendações para o desenho, instalação e comissionamento de sistemas
de aquecimento solar para piscinas, usando circulação direta da água da
piscina para os coletores solares, são dados no relatório técnico ISO/TR
12596:1995 (1995a). O relatório não lida com sistema de filtração no qual um
sistema de aquecimendo solar é frequentemente conectado. O material
apresentado no relatório é aplicável a todos os tamanhos de piscinas,
domésticas e públicas, que são aquecidas por energia solar, tanto sozinhas ou
em conjunção com um sistema convencional. Adicionalmente, o relatório
inclui detalhes de cálculos de carregamento de aquecimento. O carregamento
do aquecimento da piscina é a perda de calor total, menos qualquer ganho de
calor da radiação incidente.
A perda de calor total é a soma das perdas devido à evaporação, radiação e
convecção. Esse cálculo requer conhecimento da temperatura do ar,
velocidade do vento e umidade relativa ou pressão de vapor parcial. Outras
causas para perdas de calor, que têm um efeito muito menor, são turbulência
causada por nadadores, condução para o chão (geralmente desprezada) e
chuva, que em quantidades substanciais pode diminuir a temperatura da
piscina. A adição de água de composição deve ser considerada se a
temperatura difere consideravelmente da temperatura operacional da piscina.
Piscinas geralmente operam em uma gama pequena de temperaturas de 24-
32oC. Como a piscina tem uma grande massa, sua temperatura não muda
rapidamente.
O uso de uma cobertura na piscina reduz perdas de calor, particularmente
perdas evaporativas; porém, no projeto de um sistema de aquecimento solar
de piscina, não é possível saber com certeza quanto tempo a cobertura estará
no lugar. Ainda, a cobertura pode não ter um encaixe perfeito. Assim, uma
abordagem conservadora deve ser tomada quando se permite o efeito de
cobertura (ISO/TR 1995a).
Perda de calor por evaporação
A seguinte análise é para uma piscina em repouso como pelo ISO/TR
12596:1995 (1995a). A perda de calor evaporativa de uma piscina externa em
repouso é uma função da velocidade do vento e a diferença de pressão do
vapor entre a água da piscina e a atmosfera, dada por:
(5.18)
onde
qe = perda de calor por evaporação (MJ/m2 dia);
Pw = pressão de saturação de vapor de água à temperatura da água, tw
(kPa);
Pa = pressão parcial de vapor da água no ar (kPa); e
0,3 = velocidade do vento a uma altura de 0,3 m acima da piscina (m/s).
v

Se a velocidade do vento acima da piscina não pode ser medida, ela pode
ser obtida de dados climáticos pela aplicação de um fator de redução para o
grau da proteção contra o vento na piscina. Geralmente, a velocidade do
vento é medida a 10 m do chão (v10); portanto,
Para locais urbanos normais, v = 0,30v10
Para locais bem cobertos, v = 0,15v10
Para piscinas interiores, a baixa velocidade do ar resulta em uma taxa de
evaporação mais baixa do que geralmente ocorre em piscinas exteriores, e a
perda de calor evaporativa é dada por:
(5.19)
onde
Penc = a pressão parcial do vapor de água na área da piscina (kPa);
vs = velocidade do ar na superfície da piscina, tipicamente 0,02-0,05 (m/s).
Pressão parcial de vapor de água (Pa) pode ser calculada da umidade
relativa,
(5.20)

onde
Ps = pressão de saturação do vapor de água a temperatura do ar, ta (kPa).
A pressão de saturação do vapor de água pode ser obtida de:
(5.21)
A presença de nadadores na piscina aumenta significativamente a taxa de
evaporação. Com cinco nadadores por 100 m2, a taxa de evaporação tem que
aumentar em 25-50%. Com 20-25 nadadores por 100 m2, a taxa de
evaporação tem que aumentar por 70-100% mais do que o valor para uma
piscina em repouso.
Perda de calor por radiação
A perda de radiação por calor é dada por:
(5.22)

onde
qr = perda de calor por radiação (MJ/m2 dia);
εw = emissividade de longo comprimento da água = 0,95;
Tw = temperatura da água (K);
Ts = temperatura do céu (K); e
hr = coeficiente de transferência de calor por radiação (W/m2 K).
O coeficiente de transferência de calor por radiação é calculado de:
(5.23)

Para uma piscina interior, Ts = Tenc, ambas em Kelvins, e Tenc é a


temperatura das paredes da piscina. Para uma piscina exterior,
(5.24)

onde a emissividade do céu, εs, é uma função da temperatura do ponto de


orvalho, tdp, dada por (ISO, 1995b):
(5.25)

Deve-se notar que Ts pode variar de Ts ≈ Ta para céu nebuloso para Ts ≈ Ta –


20 para céu limpo.
Perda de calor por convecção
Perda de calor devido à convecção ao ar ambiente é dada por:
(5.26)
onde
qc = perda de calor por convecção para o ar ambiente (MJ/m2 dia);
v = velocidade do vento a 0,3 m acima das piscinas exteriores ou acima da
superfície da piscina para piscinas interiores (m/s);
tw = temperatura da água (oC); e
ta = temperatura do ar (oC).
Como pode ser visto da Equação (5.26), a perda de calor por convecção
depende em grande parte da velocidade do vento. Durante o verão, isto pode
ser negativo para piscinas exteriores, e, na verdade, a piscina ganhará calor
pela convecção do ar.
Água de composição
Se a temperatura da água de composição é diferente da temperatura operante
da piscina, haverá uma perda de calor, dada por:
(5.27)

onde
qmuw = perda de calor da água de composição (MJ/m2 dia);
mevp = taxa de evaporação diária (kg/m2 dia);
tmuw = temperatura da água de composição (oC); e
cp = calor específico da água (J/kgoC).
A taxa de evaporação diária é dada por:
(5.28)

onde
hfg = calor latente da vaporização da água (MJ/kg).
Ganho de calor da radiação solar
O ganho de calor devido à absorção da radiação solar pela piscina é dado por:
(5.29)
onde
qs = taxa de absorção da radiação solar pela piscina (MJ/m2 dia);
α = absortância solar (α = 0,85 para piscinas de cores leves; α = 0,90 para
piscinas de cores escuras); e
Ht = irradiação solar em uma superfície horizontal (MJ/m2 dia).
Deve-se notar que a absortância solar, α, depende da cor, profundidade e
uso da piscina. Para piscinas com uso intensivo e contínuo (como piscinas
públicas), uma redução adicional de 0,05 deve ser feita para o fator de
absorção (ISO/TR 1995a).

EXEMPLO 5.1
Uma piscina de 500 m2 de cores claras está localizada em um local
urbano normal, onde a velocidade do vento medida a 10 m de altura é de
3 m/s. A temperatura da água é de 25oC, e a temperatura do ar ambiente é
de 17oC, e a umidade relativa é de 60%. Não há nadadores na piscina, a
temperatura da água de composição é de 22oC, e a irradiação solar na
superfície horizontal para o dia é de 20,2 MJ/m2 dia. Quanta energia o
sistema solar deve suprir à piscina para manter sua temperatura em 25oC?
Solução
O equilíbrio de energia da piscina é dado por:

A velocidade a 0,3 m acima da superfície da piscina é 0,3 × 3 = 0,9 m/s.


As pressões parciais do ar e da água são dadas pelas Equações (5.20) e
(5.21). A pressão de saturação do vapor de água a temperatura do ar, ta, é
também dada pela Equação (5.21); portanto,
Da Equação (5.20),

A pressão de saturação do vapor de água pode também ser obtida da


Equação (5.21) ao usar tw ao invés de ta. Portanto,

Da Equação (5.18), as perdas de calor por evaporação são:

Da Equação (5.25),

Da Equação (5.24),

Da Equação (5.22), as perdas de calor por radiação são:

Da Equação (5.26), as perdas de calor por convecção são:

De tabelas de correntes, hfg, o calor latente de vaporização da água a 25oC


é igual a 2441,8 kJ/kg. Portanto, a taxa de evaporação diária é dada pela
Equação (5.28):

Da Equação (5.27), as perdas de calor devido a água de composição são:

Da Equação (5.29), o ganho de calor por radiação solar é:


Portanto, a energia necessária para o sistema solar manter a piscina a
25oC é:
5.3Sistemas de armazenamento de calor
O armazenamento térmico é uma das principais partes de sistemas de
aquecimento, resfriamento e geração de energia solares. Pelo fato de
aproximadamente metade do ano ficar no escuro em qualquer localidade, o
armazenamento de calor é necessário se o sistema solar tiver de operar
continuamente. Para algumas aplicações, tais como aquecimento de piscinas,
aquecimento de ar do dia e irrigação, operações intermitentes são aceitáveis,
mas muitos outros usos de energia solar necessitam operar à noite ou quando
o sol está escondido atrás de nuvens.
Geralmente o desenho e a seleção de equipamento de armazenamento
térmico é um dos elementos mais desprezados dos sistemas de energia solar.
Deve-se perceber, porém, que o sistema de armazenamento de energia tem
uma enorme influência em um custo geral, desempenho e confiabilidade do
sistema. Além disso, o design do sistema de armazenamento afeta outros
elementos básicos, tais como o ciclo do coletor e o sistema de distribuição
térmica.
Um tanque de armazenamento em um sistema solar tem várias funções,
destas, as mais importantes são:
• Melhoria da utilização de energia solar coletada ao fornecer capacitância
térmica para mitigar a disponibilidade solar e a incompatibilidade de
carregamento, melhorando a resposta do sistema a carregamentos de pico
súbitos ou perda de entrada solar.
• Melhoria da eficiência do sistema ao prevenir que o arranjo do fluido de
transferência de calor atinja rapidamente altas temperaturas, o que baixa a
eficiência do coletor.
Geralmente, a energia solar pode ser armazenada em líquidos, sólidos, ou
materiais de mudança de fase (PCM). Água é o meio de armazenamento mais
frequentemente usado para sistemas de líquidos, apesar de o ciclo do coletor
poder usar água, óleos, misturas de água-glicol, ou qualquer outro meio de
transferência de calor como fluido do coletor. Isto resulta de a água ser barata
e não tóxica, com uma capacidade alta de armazenamento, baseada em seu
peso e volume. Adicionalmente, como líquido, é fácil de transportar
utilizando bombas convencionais e encanamento. Para aplicações de
aquecimento de água em serviço e muitos aquecimentos de espaços de
construções, a água é normalmente contida em algum tipo de tanque, que é
geralmente circular. Sistemas de ar tipicamente armazenam calor em pedras
ou seixos, mas algumas vezes a massa estrutural da construção é usada.
Uma consideração importante é de que a temperatura do fluido entregue ao
carregamento deve ser apropriada para a aplicação de destino. Quanto mais
baixa a temperatura do fluido fornecida para os coletores, maior é a eficiência
dos coletores.
A localização do tanque de armazenamento deve também ser
cuidadosamente considerada. A melhor localização é interior, onde as perdas
térmicas são mínimas e a deterioração climática não será um fator. Se o
tanque não puder ser instalado dentro da construção, então ele deve ser
localizado do lado de fora acima do chão ou no teto. Tal tanque de
armazenamento deve ter um bom isolamento e boa proteção exterior do
isolamento. O tanque de armazenamento deve também ser localizado tão
próximo quanto possível dos arranjos do coletor para evitar longos percursos
no tubo.
5.3.1Armazenamento térmico de sistema a ar
O meio de armazenamento mais comum para coletores de ar são pedras.
Outro meio possível inclui PCM, água e a massa utilizada na construção.
Cascalho é amplamente usado como um meio de armazenamento, porque é
abundante e relativamente barato.
Em casos onde grandes oscilações de temperatura interior podem ser
toleradas, a estrutura inerente da construção pode ser suficiente para um
armazenamento térmico. Carregamentos que não requerem armazenamento
costumam ser os de melhor custo-benefício de coletores de ar, e o ar
aquecido dos coletores pode ser distribuído diretamente ao espaço.
Geralmente, o armazenamento pode ser eliminado em casas onde o arranjo de
saída raramente excede a demanda térmica (ASHRAE, 2004).
Os principais requisitos para um armazenamento em cascalho são bom
isolamento, baixo vazamento de ar e baixa queda de pressão. Muitos designs
diferentes podem cumprir estes requisitos. O recipiente é geralmente
construído de concreto, alvenaria, madeira ou uma combinação destes
materiais. O fluxo de ar pode ser vertical ou horizontal. Um diagrama
esquemático de um alicerce de fluxo vertical é mostrado na Figura 5.15.
Neste arranjo, o ar aquecido do sol entra no topo e sai pelo fundo. Este tanque
pode funcionar como efetivamente um alicerce de fluxo horizontal. Nesses
sistemas, é importante aquecer o alicerce com um fluxo de ar quente em uma
direção e recuperar o ar com fluxo de ar na direção oposta. Deste modo,
alicerces de cascalho funcionam como trocadores de calor contracorrente
efetivos.

FIGURA 5.15

Alicerce de pedras em fluxo vertical.

O tamanho das pedras para alicerces de cascalho varia de 35 a 100 mm em


diâmetro, dependendo do fluxo de ar, da geometria do alicerce e da queda de
pressão desejada. O volume das pedras necessário depende da fração de saída
do coletor que deve ser armazenada. Para sistemas residenciais, o volume de
armazenamento dá-se tipicamente no intervalo de 0,15-0,3 m3 por metro
quadrado da área do coletor. Para sistemas maiores, os alicerces de cascalho
podem ser bem grandes, e sua enorme massa e volume podem levar a
problemas de localização.
Outras opções de armazenamento para sistemas de ar incluem PCMs e
água. PCMs são funcionalmente atrativos por causa de suas altas capacidades
de armazenamento de calor volumétricas, pois eles precisam de apenas
aproximadamente um décimo do volume de um alicerce de cascalho
(ASHRAE, 2004).
Água também pode ser usada como um meio de armazenamento para
coletores a ar com o uso de um trocador de calor ar-água convencional para
transferir calor do ar para a água no tanque de armazenamento. Esta opção
tem duas vantagens:
1. Armazenamento de água é compatível com sistemas de aquecimento
hidrônicos.
2. É relativamente compacto; o volume de armazenamento de água
necessário é de aproximadamente um terço do volume do alicerce de
cascalho.
5.3.2Armazenamento térmico de sistema a líquido
Dois tipos de armazenamento de água para sistemas a líquido estão
disponíveis: pressurizados e não pressurizados. Outras diferenciações
incluem o uso de um trocador de calor externo e configurações de múltiplos
tanques. A água pode ser armazenada em tanques de cobre, metal
galvanizado ou concreto. Qualquer reservatório que seja selecionado, porém,
deve ser bem isolado, assim como os grandes tanques serem feitos com
acesso inteiro para manutenção. O valor recomendado para U é de ≈ 0,16
W/m2 K.
Sistemas pressurizados são abertos à rede fornecedora de água da cidade.
Armazenamento pressurizado é preferível para sistemas de serviço de
aquecimento de água pequenos, embora em casos como Chipre, onde o
fornecimento de água é intermitente, não seja adequado. O tamanho de
armazenamento típico é de mais ou menos 40-801 por metro quadrado de
área do coletor. Com armazenamento pressurizado, o trocador de calor está
sempre localizado no lado do coletor do tanque. Podem ser usadas tanto as
configurações internas e externas do trocador de calor. Dois principais tipos
de trocadores de calor internos existem: uma bobina imersa e um feixe de
tubos, como mostrado na Figura 5.16.
Às vezes, por causa do volume necessário de armazenamento, mais de um
tanque é usado em vez de um grande, caso tal tanque de grande capacidade
não esteja disponível. Tanques adicionais oferecem, em adição ao volume
extra de armazenamento, uma superfície de trocador de calor maior (quando
um trocador de calor é usado em cada tanque) e uma reduzida queda de
pressão no ciclo da coleta. Uma configuração de múltiplos tanques para
armazenamento pressurizado é mostrada na Figura 5.17. Deve-se notar que
os trocadores de calor estão conectados em um modo de retorno reverso para
melhorar o balanço do fluxo.
Um trocador de calor externo fornece maior flexibilidade, porque o tanque
e o trocador podem ser selecionados independentemente de outro
equipamento (ver Figura 5.18). A desvantagem deste sistema é o consumo de
energia parada, na forma de energia elétrica, que ocorre por causa do
bombeamento adicional.
Para sistemas pequenos, um arranjo de tanque trocador de calor interno é
geralmente usado, em razão de ter a vantagem de prevenir o lado da água do
trocador de calor de congelar. Porém, a energia necessária para manter a água
acima do congelamento é extraída do armazenamento, e assim o desempenho
geral do sistema é diminuído. Com um trocador de calor externo, uma
passagem secundária pode ser arrumada para desviar o fluido frio em volta
do trocador de calor até que ele tenha sido aquecido a um nível aceitável de
aproximadamente 25oC (ASHRAE, 2004). Quando o fluido de transferência
de calor é aquecido a este nível, pode entrar no trocador de calor sem causar
congelamento ou extração de calor do armazenamento. Se necessário, este
arranjo pode também ser usado com trocadores de calor internos para
melhorar o desempenho.
Para sistemas com tamanhos acima de cerca de 30 m3, o armazenamento
despressurizado costuma apresentar um maior custo-benefício do que o
pressurizado. Este sistema, porém, pode também ser empregado em pequenos
sistemas domésticos de coletor de placa plana, e, neste caso, a água de
composição é geralmente fornecida de um tanque de armazenamento de água
fria localizado no topo do cilindro de água quente.
FIGURA 5.16

Armazenamento pressurizado com trocador de calor interno

FIGURA 5.17

Arranjo de armazenamento de múltiplos tanques com trocadores de calor interno.

Armazenamento despressurizado para água e aquecimento de espaço pode


ser combinado com o suprimento de água pressurizado da cidade. Isto
implica o uso de trocador de calor no lado do carregamento do tanque para
isolar o ciclo de água potável de alta pressão da rede do ciclo de baixa
pressão do coletor. Um sistema de armazenamento despressurizado com um
trocador de calor externo é mostrado na Figura 5.19. Nesta configuração, o
calor é extraído do topo do tanque de armazenamento solar e a água resfriada
retorna para o fundo do tanque de modo que não distraia a estratificação. Da
mesma maneira, no lado do carregamento do trocador de calor, a água a ser
aquecida flui do fundo do tanque de armazenamento reserva, onde existe
água relativamente fria, e a água aquecida retorna para o topo. No local em
que um fluido de transferência de calor é circulado no ciclo do coletor, o
trocador de calor pode ter uma construção de parede dupla para proteger o
suprimento de água potável de contaminação. Um controlador de temperatura
diferencial (DTC) controla as duas bombas nos dois lados do trocador de
calor. Quando pequenas bombas são usadas, ambas podem ser controladas
pelo mesmo controlador sem problemas de sobrecarga. O trocador de calor
externo mostrado na Figura 5.19 fornece uma boa flexibilidade do sistema e
liberdade na seleção do componente. Em alguns casos, o custo do sistema e o
consumo de energia parasitário podem ser reduzidos por um trocador de calor
interno.

FIGURA 5.18

Sistema de armazenamento pressurizado com trocador de calor externo.

FIGURA 5.19

Sistema de armazenamento despressurizado com trocador de calor externo.

Estratificação é a coleta de água quente para o topo do tanque de


armazenamento e a água fria para o fundo. Isto melhora o desempenho do
tanque, porque água mais quente está disponível para uso e água mais fria é
fornecida para os coletores, o que permite que o coletor opere com maior
eficiência.
Uma outra categoria de armazenamento de água quente é o chamado
combustor solar. Estes são usados principalmente na Europa para preparação
de água quente doméstica e aquecimento de espaço. Mais detalhes nestes
dispositivos são incluídos no Capítulo 6 Seção 6.3.1.
5.3.3Análise térmica de sistemas de armazenamento
Aqui os sistemas de água e ar são examinados separadamente.
Sistemas de água
Para armazenamento completamente misturado ou não estratificado de
energia, a capacidade (Qs) de uma unidade de armazenamento líquido à
temperatura uniforme, operando a uma diferença de temperatura finita (ΔTs),
é dada por:
(5.30)

onde
M = massa da capacidade de armazenamento (kg).
O alcance de temperatura no qual uma unidade opera é limitado pelos
requisitos do processo. O limite superior é também determinado pela pressão
de vapor do líquido.
Um equilíbrio de energia do tanque de armazenamento dá:
(5.31)

onde
Qu = taxa de energia solar coletada entregue ao tanque de armazenamento
(W);
Ql = taxa de energia removida do tanque de armazenamento para o
carregamento (W); e
Qtl = taxa de perda de energia do tanque de armazenamento (W).
A taxa de perda de energia do tanque de armazenamento é dada por:
(5.32)

onde
(UA)s = produto do coeficiente de perda do tanque de armazenamento e da
área (W/oC);
Tenv = temperatura do ambiente onde o tanque de armazenamento está
localizado (oC).
Para determinar o desempenho de longo prazo do tanque de
armazenamento, a Equação (5.31) pode ser reescrita em uma forma de
diferença finita como:
(5.33)

ou
(5.34)

onde
Ts-n = nova temperatura do tanque de armazenamento depois de um
intervalo de tempo Δt (oC).
Esta equação supõe que as perdas de calor são constantes no período Δt. O
período de tempo mais comum para esta estimativa é de uma hora, porque os
dados de radiação solar estão também disponíveis em uma base horária.

EXEMPLO 5.2
Um tanque de armazenamento de água completamente misturado contém
500 kg de água, tem um produto UA igual a 12 W/oC e está localizado em
um cômodo cuja temperatura constante é de 20oC. O tanque é examinado
em um período de 10 h começando de 5 da manhã onde Qu é igual a 0, 0,
0, 10, 21, 30, 40 ,55, 65, 55 MJ. O carregamento é constante e igual a 12
MJ nas primeiras 3 horas, 15 MJ nas próximas 3 horas, e 25 MJ o resto
do tempo. Encontre a temperatura final no tanque de armazenamento se a
temperatura inicial é 45oC.
Solução
O intervalo de tempo estimado é 1 h. Usando a Equação (5.34) e
inserindo as constantes apropriadas, nós temos:
Ao inserir a temperatura inicial do tanque de armazenamento (45oC), Qu,
e Ql de acordo com o problema, a Tabela 5.3 pode ser obtida.

Tabela 5.3 Resultados para o Exemplo 5.2

Hora Qu (MJ) Ql (MJ) Ts (oC) Qtl (MJ)

5 0 12 38,7 1,1
6 0 12 32,6 0,8
7 0 12 26,6 0,5
8 10 15 24,1 0,3
9 21 15 26,9 0,2
10 30 15 33,9 0,3
11 40 25 40,8 0,6
12 55 25 54,7 0,9
13 65 25 73,1 1,5
14 55 25 86,4 2,3

Então para a primeira hora, às 5 da manhã:

Para a segunda hora às 6 da manhã:

O resto dos cálculos são mostrados na Tabela 5.3.


Portanto, a temperatura final do tanque de armazenamento é de 86,4oC.
Para esses cálculos, o uso de um programa de planilha é recomendado.

As equações de desempenho do coletor no Capítulo 4podem também ser


usadas com a determinação mais detalhada da temperatura do fluido de
entrada para estimar a saída de energia diária do coletor. Isso é ilustrado pelo
seguinte exemplo.

EXEMPLO 5.3
Repita o Exemplo 4.2 considerando que o sistema tenha um tanque de
armazenamento completamente misturado com 100 L e nenhum
carregamento. A temperatura inicial do tanque de armazenamento no
início do dia é de 40oC e a temperatura ambiente na área onde o tanque de
armazenamento está localizado é igual à temperatura do ar ambiente. O
valor UA do tanque é de 12 W/oC. Calcule a energia útil coletada durante
o dia.
Solução
Ao usar a Equação (5.34), a nova temperatura do tanque de
armazenamento pode ser considerada como a entrada do coletor. Isto é
correto para o presente exemplo mas não é muito correto na prática
porque algum grau de estratificação é inevitável no tanque de
armazenamento.

Tabela 5.4 Resultados do Exemplo 5.3

Tempo Ta (oC) It (kJ/m2) Ti (oC) ΔT/Gt (oC m2/W) θ (graus) Kθ Qu (kJ)

6 25 360 40,0 0,150 93,9 0 0


7 26 540 38,6 0,084 80,5 0,393 0,0
8 28 900 37,5 0,038 67,5 0,806 719,6
9 30 1440 38,4 0,021 55,2 0,910 1653,1
10 32 2160 41,7 0,016 44,4 0,952 2738,5
11 34 2880 47,5 0,017 36,4 0,971 3702,3
12 35 3420 55,1 0,021 33,4 0,976 4269,3
13 34 2880 63,1 0,036 36,4 0,971 3089,4
14 32 2160 67,3 0,059 44,4 0,952 1698,3
15 30 1440 67,5 0,094 55,2 0,910 475,8
16 28 900 64,6 0,146 67,5 0,806 0,0
17 26 540 60,6 0,231 80,5 0,393 0
18 25 360 56,9 0,319 93,9 0 0
Soma 18.346,3

Os resultados deste caso são mostrados na Tabela 5.4. Deve-se notar


que para uma nova temperatura do tanque de armazenamento a energia
útil coletada e Ti do passo de tempo anterior é usada. Por exemplo, às 9 h
da manhã:

onde Qu = 719,6 kJ (estimado às 8 da manhã usando Kθ = 0,806 e It = 900


kJ/m2) e ΔT/Gt = (37,5 – 28)/(900/3,6) = 0,038.
Portanto, a energia total coletada durante o dia = 18.346,3 kJ.
Como pode ser visto dos resultados deste exemplo, o desempenho do
coletor é de algum modo menor do que aquele do Exemplo 4.2, porque
uma maior temperatura de entrada resulta em eficiência menor do coletor.
Neste exemplo, também, o uso de um programa de planilha facilita
grandemente as estimativas.

A densidade da água (e outros fluidos) cai conforme a temperatura


aumenta. Quando a água quente entra dos coletores e sai para o carregamento
do topo do tanque e o fluxo de água fria (água fria retorna do coletor e do
suprimento de água de composição) ocorre no fundo, o tanque de
armazenamento irá estratificar-se por causa da diferença de densidade.
Adicionalmente, com água fria no fundo do tanque, a temperatura da água
fornecida à entrada do coletor é baixa, e assim o desempenho do coletor é
melhorado. Além disso, a água do topo do tanque, que está à maior
temperatura, pode encontrar uma demanda de aquecimento mais
efetivamente. O grau de estratificação é medido pela diferença de
temperatura entre o topo e o fundo do tanque de armazenamento, sendo
crucial para a operação efetiva de um sistema solar.
Há basicamente dois tipos de modelos desenvolvidos para simular a
estratificação: o multimodo e o fluxo tampão. No primeiro, o tanque
modelado é dividido em N nódulos (ou seções) e os balanços de energia são
escritos para cada nódulo. Isto resulta em um conjunto de N equações
diferenciais, que são resolvidas para as temperaturas dos N nódulos como
uma função do tempo. No último, assume-se que segmentos do líquido de
várias temperaturas se movem pelo tanque de armazenamento em fluxo
tampão e os modelos acompanham o tamanho, temperatura, além da posição
dos segmentos. Nenhum desses métodos é adequado para cálculos à mão;
porém, mais detalhes do modelo de fluxo tampão são dados aqui.
O procedimento é apresentado por Morrison e Braun (1985) e utilizado em
conjunção com um modelo de termossifão TRNSYS apresentado na Seção
5.1.1. Este modelo produz o grau máximo de estratificação possível. O
tanque de armazenamento é inicialmente representado por três segmentos de
fluidos. Inicialmente, a mudança das temperaturas do segmento do tanque,
devido à perda de calor para as cercanias e a condução entre os segmentos, é
estimada. A entrada de energia do coletor é determinada ao considerar um
tampão de temperatura constante do fluido de volume Vh( = ṁΔt/ρ) entrando
no tanque durante o passo de tempo Δt. O tampão do fluido entrando no
tanque é colocado entre segmentos existentes escolhidos para evitar
desenvolver uma inversão de temperatura.
O fluxo do carregamento é considerado em termos de um outro segmento
de fluido de volume, VL (= ṁLΔt/ρ), e temperatura TL, adicionado ou no fundo
do tanque ou no seu nível de temperatura apropriado. Segmentos de fluidos
são movidos para cima do tanque como um resultado da adição do novo
segmento de fluxo de carregamento. A mudança em rede do perfil no tanque
acima do nível de retorno do coletor é igual ao volume do carregamento, VL,
e aquele abaixo do retorno do coletor é igual a diferença entre o coletor e os
volumes de carregamento (Vh – VL). Depois de ajustar o fluxo de
carregamento, a entrada auxiliar é considerada, e se houver energia suficiente
disponível, segmentos acima do nível de entrada auxiliar são aquecidos à
temperatura do conjunto. De acordo com a situação, o segmento contendo o
elemento auxiliar é dividido de modo que apenas segmentos do tanque acima
do elemento sejam aquecidos.
Segmentos e frações de segmentos no novo perfil do tanque que estão fora
dos limites do tanque são retornados para o coletor e carregamento. A
temperatura média do fluido entregue ao carregamento é dada por:
(5.35)

onde j e a devem satisfazer:


(5.36)
e 0 ≤ a < 1.
A temperatura média do fluido retornada para o coletor é:
(5.37)

onde n e b devem satisfazer:


(5.38)

e 0 ≤ b < 1.
A principal vantagem deste modelo de tanque é que pequenos segmentos de
fluido são introduzidos quando a estratificação está se desenvolvendo,
enquanto zonas de temperatura uniforme, tais como aquelas acima do
aquecedor auxiliar, são representadas por grandes segmentos de fluidos.
Adicionalmente, o tamanho dos segmentos de fluido usados para representar
a estratificação da temperatura do tanque varia com a vazão mássica do
coletor. Se a vazão mássica do coletor é alta, haverá pouca estratificação na
porção pré-aquecida do tanque e o modelo algébrico produzirá apenas alguns
segmentos de tanque. Se a vazão mássica do coletor é baixa e o tanque está
estratificado, então segmentos pequenos do tanque serão gerados.
Geralmente, o número de segmentos gerados neste modelo não está fixo, mas
depende de muitos fatores, tais como o passo de tempo da simulação, o
tamanho do coletor, taxas de fluxo baixas, perdas de calor e entradas
auxiliares. Para evitar gerar um número excessivo de segmentos, segmentos
adjacentes são fundidos se eles tiverem uma diferença de temperatura menor
do que 0,5oC.
Sistemas de ar
Como vimos antes, em sistemas de ar, alicerces de cascalho são geralmente
empregados para armazenamento de energia. Quando a radiação solar está
disponível, o ar quente dos coletores entra no topo da unidade de
armazenamento e aquece as pedras. Conforme o ar flui para baixo, a
transferência de calor entre o ar e as pedras resulta em uma distribuição
estratificada dos cascalhos, tendo uma alta temperatura no topo e uma baixa
no fundo. Este é o modo de carga da unidade de armazenamento. Quando há
uma demanda de aquecimento, o ar quente é levado do topo da unidade e o ar
resfriado retorna ao fundo da unidade, fazendo com que o alicerce libere sua
energia armazenada. Este é o modo de descarga da unidade de
armazenamento em alicerce de cascalho. Diferente do armazenamento de
água, a estratificação de temperatura em unidades de armazenamento em
alicerce de cascalho pode ser facilmente mantida.
Na análise do armazenamento em alicerce de pedra, deve-se levar em conta
que tanto as pedras quanto o ar mudam de temperatura na direção do fluxo de
ar e existem diferenciais de temperatura entre as pedras e o ar. Portanto,
equações de balanço de energia separadas são necessárias para as pedras e o
ar. Nesta análise, as seguintes suposições são feitas:
1. O fluxo de ar forçado é unidimensional.
2. As propriedades do sistema são constantes.
3. A tranferência de calor por condução ao longo do alicerce é desprezível.
4. Não ocorre perda de calor para o ambiente.

Portanto, o comportamento térmico das pedras e do ar pode ser descrito por


duas equações diferenciais parciais acopladas (Hsieh, 1986):
(5.39)

(5.40)
onde
A = área da seção transversal do tanque de armazenamento (m2);
Tb = temperatura do material do alicerce (oC);
Ta = temperatura do ar (oC);
ρb = densidade do material do alicerce (kg/m3);
ρa = densidade do ar (kg/m3);
cb = calor específico do material do alicerce (J/kg K);
ca = calor específico do ar (J/kg K);
t = tempo (s);
x = posição ao longo do alicerce na direção do fluxo (m);
ṁ = taxa da vazão mássica do ar (kg/s);
ε = fração de vazio do material = volume do vazio/volume total do alicerce
(adimensional); e
hv = coeficiente de transferência de calor volumétrico (W/m3 K).
Uma equação empírica para a determinação do coeficiente de transferência
de calor volumétrico (hv) é:
(5.41)

onde
G = velocidade da massa de ar por metro quadrado da área frontal do
alicerce (kg/s m2).
d = diâmetro da pedra (m).
Se a capacidade de armazenamento de energia do ar dentro do alicerce é
desprezada, a Equação (5.40) é reduzida a:
(5.42)

Equações (5.39) e (5.42) podem ser também escritas em termos do número


de unidades de transferências (NTU) como:
(5.43)

(5.44)

onde
L = comprimento do alicerce (m).
O NTU adimensional é dado por:
(5.45)
O parâmetro θ, que é também adimensional na Equação (5.43), é igual a:
(5.46)

Para um estudo de longo prazo de sistemas solares de armazenamento de ar,


as duas equações diferenciais parciais acopladas, Equações (5.43) e (5.44),
podem ser resolvidas com uma aproximação de diferença finita com o auxílio
de um computador.
5.4Desenho do módulo e do arranjo
5.4.1Desenho do módulo
A maior parte dos sistemas comerciais e industriais precisam de um grande
número de coletores para satisfazer a demanda de aquecimento. Conectar os
coletores com apenas um conjunto torna difícil de assegurar a durabilidade e
a queda de pressão baixa. Seria também difícil balancear o fluxo de modo a
ter uma mesma vazão mássica por todos os coletores. Um módulo é um grupo
de coletores que pode ser agrupado em fluxo paralelo e fluxo paralelo
combinado em série. Fluxo paralelo é mais frequentemente usado porque é
inerentemente balanceado, tem uma queda de pressão baixa, e pode ser
drenado facilmente. A Figura 5.20 ilustra os dois desenhos de tubos de
coletores mais populares: conjuntos externos e internos.

FIGURA 5.20

Arranjos de conjuntos de coletores para módulos de fluxo paralelos. (a) Conjunto externo. (b) Conjunto
interno.

Geralmente, coletores de placa plana são feitos para conectar os tubos


principais da instalação em um dos dois métodos mostrados na Figura 5.20.
O conjunto de coletores externos tem uma conexão de diâmetro pequeno
porque ele é usado para carregar o fluxo por apenas um coletor. Portanto,
cada coletor é conectado individualmente ao conjunto de tubos, que não é
parte do painel do coletor. O conjunto de coletores internos incorpora vários
coletores com tubos grandes, que podem ser colocados lado a lado para
formar um fornecimento contínuo e um conjunto de retorno, então o conjunto
de tubos é integral a cada coletor. O número de coletores que podem ser
conectados depende do tamanho do tubo horizontal.
Conjunto de coletores externos são geralmente mais adequados para
sistemas pequenos. Conjuntos internos são preferíveis para sistemas maiores
porque eles oferecem um número de vantagens. Eles são econômicos porque
o sistema evita o uso de tubos extras (e ajustes), que precisam ser isolados e
propriamente suportados, e a eliminação das perdas de calor associadas ao
conjuntos externos, que aumenta o desempenho térmico do sistema.
Deve-se notar que o fluxo é paralelo mas os coletores estão conectados em
série. Quando os arranjos devem ser maiores do que um painel, uma
combinação de fluxo em série e paralelo pode ser usada, como mostrado na
Figura 5.21. Este é um desenho mais adequado em casos onde os coletores
são instalados em um teto inclinado.

FIGURA 5.21

Arranjo de conjuntos do coletor para módulos de fluxo paralelos combinados em série.

A escolha de arranjos em série ou paralelo depende da temperatura


requisitada pelo sistema. Coletores conectados em paralelo significa que
todos os coletores têm como entrada a mesma temperatura, enquanto que
quando uma conexão é usada, a temperatura de saída de um coletor (ou uma
linha de coletores) é a de entrada do próximo coletor (ou linha de coletores).
O desempenho de tal arranjo pode ser obtido das equações apresentadas no
Capítulo 4 Seção 4.1.2.
5.4.2Desenho do arranjo
Um arranjo geralmente inclui muitos grupos individuais de coletores,
chamados de módulos, para fornecer as caraceterísticas de fluxo necessárias.
Para manter o fluxo balanceado, um arranjo ou campo de coletores deve ser
construído de módulos idênticos. Basicamente, dois tipos de sistemas podem
ser usados: retorno direto e retorno reverso. No retorno direto, mostrado na
Figura 5.22, válvulas de balanceamento são necessárias para assegurar fluxo
uniforme pelos módulos. As válvulas de balanceamento devem ser
conectadas na saída do módulo para fornecer a resistência do fluxo necessária
para assegurar o preenchimento de todos os módulos em um início de
bombeamento. Sempre que possível, os módulos devem ser conectados em
um modo de retorno reverso, como mostrado na Figura 5.23. O retorno
reverso assegura que o arranjo seja auto-balanceado, pois todos os coletores
operam com a mesma queda de pressão: isto é, o primeiro coletor no
conjunto de suprimento é o último no conjunto de retorno, o segundo no lado
de suprimento é o segundo antes do último no retorno, e assim por diante.
Com um desenho apropriado, um arranjo pode drenar, que é um requisito
essencial para drenagem de retorno e proteção contra congelamento de
drenagem. Para isto ser possível, canalização para e dos coletores deve ser
inclinada adequadamente. Tipicamente, canalização e coletores devem
inclinar-se para drenar com uma inclinação de 20 mm por metro linear
(ASHRAE, 2004).
FIGURA 5.22

Canalização de arranjo de retorno direto.

FIGURA 5.23

Canalização de arranjo de retorno reverso.

Conjuntos de coletores externos e internos têm diferentes montagens e


considerações de encanamento. Um módulo com coletores arranjados
externamente pode ser montado horizontalmente, como mostrado na Figura
5.24(a). Neste caso, o tubo mais baixo deve ser armado como mostrado. A
inclinação do tubo superior pode ser tanto horizontal como armada na direção
dos coletores, de modo que ele possa drenar pelos coletores.
Arranjos com conjuntos internos são um pouco mais difíceis de projetar e
instalar. Para estes coletores drenarem, todo o reservatório deve ser inclinado,
como mostrado na Figura 5.24 (b). Retorno reverso sempre implica uma
rodada a mais no tubo, que é mais difícil de drenar, então algumas vezes
neste caso é mais conveniente usar retorno direto.
Coletores solares devem ser orientados e inclinados propriamente para
maximizar seu desempenho. Um coletor no hemisfério Norte deve ser
localizado para apontar para o sul e um coletor no hemisfério Sul deve
apontar para o norte. Os coletores devem apontar sul ou norte, dependendo
do caso, como possível, embora um desvio de até 10o seja aceitável. Para este
propósito, o uso de compasso é altamente recomendado.
O ângulo de inclinação ideal para coletores solares depende da longitude do
local. Para desempenho máximo, a superfície do coletor deve ser tão
perpendicular aos raios do sol quanto possível. A inclinação ideal pode ser
calculada para cada mês do ano, mas como uma inclinação fixa é usada, uma
inclinação ideal para o ano deve ser usada. Algumas diretrizes são dadas no
Capítulo 3 Seção 3.1.1.
Sombreamento
Quando grandes arranjos de coletores são montados em tetos planos ou no
nível do chão, múltiplas linhas de coletores são geralmente instaladas. Estas
linhas múltiplas devem ser espaçadas de modo que elas não façam sombra
umas nas outras em baixos ângulos do sol. Para este propósito, o método
apresentado no Capítulo 2 Seção 2.2.3, poderia ser usado. A Figura 5.25
mostra a situação de sombreamento. Pode ser mostrado que a razão do
espaçamento da linha para a altura do coletor, b/a, para um arranjo apontando
para o sul é dada por:
FIGURA 5.24

Montagem para módulos de drenagem de retorno. (a) Conjunto externo. (b) conjunto interno.

(5.47a)

Uma solução gráfica da Equação (5.47a) é mostrada na Figura 5.26, da qual


a razão b/a pode ser obtida diretamente do ângulo de sombreamento, θs, e a
inclinação do coletor, β, são mostrados. Deve-se notar que este é o
sombreamento que ocorre no meridiano (12:00 meio-dia), onde o ângulo do
azimute solar, z, é zero. Em qualquer outra hora a distância de sombreamento
bs, pode ser estimada usando o ângulo de azimute solar, z, ângulo de altitude
solar, α, de:
(5.47b)
Equações (5.47a) e (5.47b) desprezam a espessura do coletor, que é
pequena comparada com as dimensões a e b. Se a canalização, porém,
projeta-se acima dos painéis do coletor, ela deve ser levada em conta na
dimensão a do coletor. O único desconhecido na Equação (5.47a) é o ângulo
de sombreamento, θs. Para evitar o sombreamento completamente, isto pode
ser encontrado como sendo a elevação mínima anual ao meio-dia, o que
ocorre ao meio-dia de 21 de dezembro. Porém, dependendo da latitude, o
ângulo pode produzir lacunas da linha bem grandes (distância b), o que pode
não ser muito prático. Neste caso, um meio-termo é geralmente feito para
permitir algum sombreamento durante meses de inverno.

FIGURA 5.25

Geometria de sombreamento de coletor coluna-coluna.

Expansão térmica
Um outro parâmetro importante que precisa ser considerado é a expansão
térmica, que afeta os módulos de instalações de arranjos de multicoletores.
Considerações de expansão térmica merecem atenção especial em sistemas
solares por causa da gama de temperaturas dentro das quais os sistemas
operam. Expansão térmica (ou contração) de um módulo de coletores em
paralelo deve ser estimada pelo seguinte (ASHRAE, 2004):
(5.48)
onde
Δ = expansão ou contração do arranjo coletor (mm);
n = número de coletores no arranjo;
tmax = temperatura de estagnação do coletor (oC), ver Capítulo 4 Equação
(4.7); e
ti = temperatura do coletor quando instalado (oC).
Considerações de expansão são muito importantes, especialmente no caso
de conjuntos de coletores internos. Estes coletores devem ter uma placa
absorvedora, isto é, o conjunto absorvedor não deve ser preso ao
revestimento do coletor, de modo que ele possa mover-se livremente alguns
milímetros dentro do revestimento.

FIGURA 5.26

Solução gráfica do sombreamento de coluna do coletor.

Corrosão galvânica
Corrosão galvânica é causada pelo contato elétrico entre metais não-similares
em uma corrente de fluidos. É, portanto, muito importante não usar materiais
diferentes para a construção do coletor e canalização dos conjuntos. Por
exemplo, se cobre for usado para a construção do coletor, a canalização do
suprimento e do retorno deve também ser feita de cobre. Quando diferentes
materiais devem ser usados, uniões dielétricas entre os metais não-similares
devem ser usadas para impedir o contato elétrico. Um dos metais possíveis
usados para construir coletores, o alumínio é o mais sensível à corrosão
galvânica, por causa de sua posição na série galvânica. Esta série, mostrada
na Tabela 5.5, indica a atividade relativa de um metal contra outro. Metais
próximos da parte anódica da série tendem a corroer-se quando colocados em
contato elétrico com um outro metal que está mais próximo da parte catódica
da série em uma solução que conduza eletricidade, tal como a água.
Tabela 5.5 Série galvânica de metais comuns e ligas
Corroded End (Anodic): Parte corrosiva
Magnesium: Magnésio
Zinc: Zinco
Aluminum: Alumínio
Carbon steel: aço de carbono
Brass: latão
Tin: Estanho
Copper: cobre
Bronze: bronze
Stainless steel: aço inoxidável
Protected end (cathodic): parte protegida (catódica)

Tamanho do arranjo
O tamanho do arranjo do coletor depende do custo, telhado disponível ou
área terrestre, e o percentual de carregamento térmico que deve ser coberto
pelo sistema solar. Os primeiros dois parâmetros são diretos e podem ser
facilmente determinados. O último, porém, precisa de cálculos detalhados,
que considerem a radiação solar disponível, caracerísticas de desempenho
dos coletores escolhidos, e outros parâmetros menos importantes. Para este
propósito, métodos e técnicas que serão descritas em outros capítulos deste
livro podem ser usados, tais como o método f-chart, método utilizacional, e o
uso de programas de simulação de computador (ver Capítulo 1).
Deve-se notar que, porque os carregamentos flutuam em uma base sazonal,
não é efetivo um sistema solar ter de fornecer toda a energia necessária,
porque se o arranjo tem tamanho para lidar com os meses de carregamento
máximo ele será grande demais para os meses de baixo carregamento.
Trocadores de calor
A função de um trocador de calor é transferir calor de um fluido para outro.
Em aplicações solares, geralmente um dos dois fluidos é a água doméstica a
ser aquecida. Em sistemas solares fechados, ele também isola circuitos
operando a pressões diferentes e separa fluidos que não devem ser
misturados. Como foi visto na seção anterior, trocadores de calor para
aplicações solares podem ser colocados tanto dentro quanto fora do tanque de
armazenamento. A seleção do trocador de calor envolve considerações de
desempenho (em relação à área de troca de calor), separação de fluido
garantida (construção de parede dupla), material de troca de calor adequado
para evitar corrosão galvânica, tamanho físico e configuração (que pode ser
um problema sério em trocadores de calor interno), queda de pressão causada
(influencia o consumo de energia) e manutenção (fornecendo acesso para
limpeza e remoção de partículas).
Trocadores de calor externos devem também ser protegidos de
congelamento. Os fatores que devem ser considerados quando seleciona-se
um trocador de calor externo para um sistema protegido por um fluido não
congelante que está exposto ao frio extremo são: a possibilidade de
congelamento do lado da água do trocador de calor e a perda de desempenho
devido à extração de calor do armazenamento para aquecer o fluido de baixa
temperatura.
A combinação de um coletor solar e um trocador de calor funcionam
exatamente como um coletor sozinho com FR reduzido. O ganho de energia
útil de um coletor solar é dado pela Equação (4.3). O arranjo do trocador de
calor coletor é mostrado na Figura 5.27. Portanto, Eqs (4.2) e (4.3), com a
convenção de símbolos mostrada na Figura 5.27, podem ser escritas como:
(5.49a)

(5.49b)
FIGURA 5.27

Diagrama esquemático de um sistema a líquido com um trocador de calor externo entre os coletores
solares e o tanque de armazenamento.

O sinal positivo indica que apenas valores positivos devem ser


considerados.
Em adição ao tamanho e área de superfície, a configuração do trocador de
calor é importante para atingir desempenho máximo. O desempenho do
trocador de calor é expressado em termos de sua eficiência. Ao desprezar
quaisquer perdas da canalização, o ganho de energia do coletor transferido
para o fluido de armazenamento ao longo do trocador de calor é dado por:
(5.50)

onde
(ṁcp)min = menor valor das taxas de capacitância do fluido do coletor e
lados do tanque do trocador de calor (W/oC);
Tco = temperatura de entrada da corrente quente (ciclo coletor) (oC); e
Ti = temperatura de entrada da corrente fria (armazenamento) (oC).
A eficiência, ε, é a razão entre o calor transferido de fato e o calor máximo
que poderia ser transferido para um dado fluxo e condições de temperatura de
entrada do fluido. A eficiência é relativamente insensível à temperatura, mas
é uma função do desenho do trocador de calor. O projetista deve decidir qual
eficiência do trocador de calor será necessária para a aplicação específica. A
eficiência para um trocador de calor de contrafluxo é dada pelo seguinte:
Se C ≠ 1
(5.51)

Se C = 1,
(5.52)

onde NTU = número de unidades de transferência dadas por:


(5.53)

E a taxa de capacitância adimensional, C, é dada por:


(5.54)

Para trocadores de calor localizados no ciclo do coletor, o fluxo mínimo


geralmente ocorre no lado do coletor ao invés do lado do tanque.
Resolvendo a Equação (5.49a) para Tco e substituindo na Equação (5.49b)
dá:
(5.55)

Resolvendo a Eq. (5.50) para Tco e substituindo a Eq. (5.55) dá:


(5.56)
Na Equação (5.56), o fator de remoção de calor do coletor modificado leva
em conta a presença do trocador de calor e é dado por:
(5.57)

De fato, o fator F’R/FR é a consequência, no desempenho do coletor, que


ocorre porque o trocador de calor faz com que o lado do coletor do sistema
opere a uma maior temperatura do que um sistema similar sem um trocador
de calor. Isso pode também ser visto como um aumento na área do coletor
necessário para ter o mesmo desempenho que um sistema sem um trocador
de calor.

EXEMPLO 5.4
Um trocador de calor de contrafluxo está localizado entre um coletor e
um tanque de armazenamento. O fluido no lado do coletor é uma mistura
de água-glicol com cp = 3840 J/kgoC e uma vazão mássica de 1,35 kg/s,
enquanto que o fluido no lado do tanque é água com uma vazão mássica
de 0,95 kg/s. Se a UA do trocador de calor é 5650 W/oC, o glicol quente
entra no trocador de calor a 59oC, e a água do tanque está a 39oC, estime a
taxa de troca de calor.
Solução
Primeiro, as taxas de capacitância para os lados do coletor e do tanque
são necessárias, dadas por:

Da Equação (5.54), a taxa de capacitância adimensional do trocador de


calor é igual a:

Da Equação (5.53),

Da Equação (5.51),

Finalmente, da Equação (5.50),


EXEMPLO 5.5
Faça novamente o exemplo anterior; se FRUL = 5,71 W/m2oC e a área do
coletor é de 16 m2, qual a razão F’R/FR?
Solução
Todos os dados estão disponíveis no exemplo anterior. Então, da Equação
(5.57),

Este resultado indica que 2% a mais da área do coletor seria necessário


para o sistema com um trocador de calor entregar a mesma quantidade de
energia solar como um sistema similar sem um trocador de calor.

Perdas de tubo e duto


A equação de desempenho do coletor pode ser modificada para incluir
perdas de calor do ciclo da canalização do coletor. A análise é feita ao
considerar que existe uma queda de temperatura ΔTi da saída do tanque de
armazenamento para a entrada do coletor (Beckman, 1978). Assim, a entrada
de temperatura do coletor é Ti – ΔTi e a Equação (3.60) torna-se:
(5.58)
onde
Qpl = taxa de perdas no tubo [W)
As perdas no tubo podem ser obtidas da seguinte integral para ambas as
porções de entrada e saída:
(5.59)

onde
Up = o coeficiente de perda do tubo (W/m2 K)
A Equação (5.59) pode ser integrada, mas como os tubos são geralmente
bem isolados as perdas são bem pequenas e a integral pode ser aproximada
com precisão em termos das temperaturas de entrada e saída do coletor por:
(5.60)
onde
Ap,i = área do tubo interna (m2);
Ap,o = área do tubo externa (m2);
Estimando To da parte direita da Equação (3.31) e aplicando na Equação
(5.60), dá:
(5.61)

A diminuição da temperatura, ΔTi, devido a perdas de calor do tanque de


armazenamento para a entrada do coletor pode ser obtida com precisão
satisfatória de (Beckman, 1978):
(5.62)

Substituindo as Equações (5.61) e (5.62) na Equação (5.58) e fazendo


várias manipulações, a taxa de ganho de energia útil ao considerar o coletor e
sua canalização é dada por:
(5.63)

A Equação (5.63) pode ser escrita do mesmo jeito que a Equação (3.60) ao
usar valores modificados de (τα)’ e UL’ como:
(5.64a)

onde
(5.64b)
e
(5.64c)

Deve-se notar que a mesma análise pode ser aplicada a coletores de ar em


relação aos dutos de suprimento e retorno; neste caso, os símbolos
apropriados são usados para o duto em vez do tubo, isto é, Ud no lugar de Up,
Ad,i no lugar de Ap,i e Ad,o no lugar de Ap,o.
Coletores parcialmente sombreados
Em alguns casos, o sombreamento é inevitável ou pode ser aceito em alguns
dias durante o inverno, especialmente para aplicações de resfriamento solar,
onde o requisito máximo é durante o verão e efeitos de sombreamento são
mínimos devido ao alto ângulo de altitude do sol. Sombreamento geralmente
ocorre no fundo do coletor, na segunda e nas linhas subsequentes de um
arranjo. A parte sombreada recebe apenas radiação difusa enquanto a parte
não sombrea​da recebe tanto radiação direta quanto difusa. Quando o
sombreamento ocorre, o desempenho dos coletores pode ser estimado
considerando um valor médio de radiação sobre toda a área do coletor ou ao
considerar a análise detalhada apresentada aqui. Esta situação é apresentada
na Figura 5.28 onde como indicado as duas partes do coletor recebem
radiação Gt1 e Gt2. A temperatura entrando na primeira parte da área A1 é Ti e
a temperatura entrando na segunda parte da área A2 é To,l, isto é, a saída
hipotética da parte 1. Como o coletor é “uma unidade” os valores de FR e UL
são os mesmos para as duas partes, enquanto que o ângulo de incidência nas
duas partes são diferentes (fundo só recebe radiação difusa da cúpula de céu
que vê) o produto (τα) para as duas partes será diferente. Aplicando a
Equação (3.60) para as duas partes nós temos:
(5.65)
(5.66)

FIGURA 5.28

Coletor solar parcialmente sombreado

A taxa de energia útil da parte do fundo é igual a:


(5.67)

(5.68)
Ao aplicar a Equação (5.68) na Equação (5.66) para eliminar To,l, e
adicionando Eqs (5.65) e (5.66), para obter a taxa de ganho de energia útil
total do coletor todo, nós obtemos:
(5.69)
onde,
(5.70)

Em cálculos e conforme a posição do sol no céu muda continuamente, as


duas áreas A1 e A2 serão funções do tempo.
Proteção contra sobretemperatura
Períodos de alta irradiância e baixo carregamento resultam em
sobreaquecimento do sistema de energia solar. Sobreaquecimento pode
causar expansão do líquido ou pressão excessiva, que pode estourar a
canalização ou os tanques de armazenamento. Adicionalmente, sistemas que
usam glicóis são mais problemáticos, pois glicóis colapsam e tornam-se
corrosivos a temperaturas maiores do que 115oC. Portanto, o sistema requer
proteção contra esta condição. O sistema solar pode ser protegido de
superaquecimento por um número de métodos, tais como:
• Parar a circulação no ciclo de coleta até que a temperatura de
armazenamento diminua (em sistemas de ar);
• Descarregar a água aquecida do sistema e substituí-la com água de
composição; e
• Usar uma bobina trocadora de calor para rejeitar calor para o ar ambiente.
Como poderá ser visto na próxima seção, controladores estão disponíveis,
de modo que possam sentir a sobretemperatura. A ação normal tomada por tal
controlador é desligar a bomba solar a fim de parar a coleta de calor. Em um
sistema de drenagem de retorno, depois de os coletores serem drenados, eles
alcançam a temperatura de estagnação; portanto, os coletores usados para
estes sistemas devem ser designados e testados para suportar a
sobretemperatura. Em adição, painéis de drenagem de retorno devem suportar
o choque térmico do início quando água relativamente fria entra nos coletores
solares enquanto eles estão à temperatura de estagnação.
Em um ciclo fechado de sistema anticongelamento que tem um trocador de
calor, se a circulação para, altas temperaturas de estagnação ocorrem. Como
indicado anteriormente, estas temperaturas podem colapsar o fluido de
transferência de calor glicol. Para prevenir defeito de equipamento ou lesão
devido à pressão excessiva, a válvula de segurança de pressão deve ser
instalada no ciclo, como indicado nos vários diagramas de sistemas
apresentados mais cedo neste capítulo, e um meio de rejeitar o calor do ciclo
do coletor deve ser fornecido. A válvula de segurança de pressão deve ser
ajustada para atenuar abaixo da pressão operacional do componente com a
menor pressão operacional no sistema de ciclo fechado.

FIGURA 5.29

Rejeição de calor por um sistema de aquecimento solar usando um trocador de calor líquido-ar.

Deve-se notar que, quando a válvula de segurança de pressão está aberta,


ela descarrega uma solução anticongelamento cara, que pode danificar as
membranas do teto. Portanto, a descarga pode ser canalizada para os
recipientes para poupar o anticongelamento, mas o projetista de tal sistema
deve dar atenção especial às questões de segurança por causa das altas
pressões e temperaturas envolvidas.
Um outro ponto que deve ser considerado é que, se um ciclo do coletor
contendo glicol estagna, a decomposição química aumenta o ponto de fusão
do líquido e o fluido não será capaz de proteger o sistema de congelar-se.
A última opção indicada anteriormente é o uso de um trocador de calor que
despeje calor para o ar ambiente ou outra fossa. Neste sistema, a circulação
de fluido continua, mas esta é desviada do armazenamento por um trocador
de calor líquido-ar, como mostrado na Figura 5.29. Para este sistema, um
sensor é usado na placa absorvedora do coletor solar que liga o equipamento
de rejeição de calor. Quando o sensor atinge o ponto de alta temperatura, ele
liga a bomba e a ventoinha. Estas continuam a operar até que o controlador
de sobretemperatura sente que a temperatura está dentro do limite de
segurança e redefine o sistema ao seu estado de operação normal.
5.5Controlador de temperatura diferencial
Um dos componentes mais importantes de um sistema de energia solar é o
controlador de temperatura, porque um controle defeituoso é geralmente a
causa de um pobre desempenho de sistema. Em geral, sistemas de controle
devem ser tão simples quanto possível e devem usar controladores confiáveis,
que estão disponíveis atualmente. Um dos parâmetros críticos que precisam
ser decididos pelo projetista do sistema solar é onde localizar os sensores do
coletor, do armazenamento, de sobretemperatura e de temperatura de
congelamento. O uso de dispositivos confiáveis e de boa qualidade é
necessário para uma operação de muitos anos e livre de problemas. Como foi
visto nas seções anteriores deste capítulo, o sistema de controle deve ser
capaz de lidar com todos os modos de operação do sistema possíveis,
incluindo a coleta de calor, rejeição de calor, falha de energia, proteção
contra congelamento e aquecimento auxiliar.
A base do sistema de energia solar é o controlador de temperatura
diferencial (DTC), mostrado apenas como DT nos diagramas apresentados
anteriormente neste capítulo. Ele é simplesmente um termostato de diferença
de temperatura fixa (ΔT) com histerese. O controlador de temperatura
diferencial é um controlador comparativo com ao menos dois sensores de
temperatura que controlam um ou mais dispositivos. Tipicamente, um dos
sensores está localizado no topo do arranjo do coletor solar e o segundo no
tanque de armazenamento (Figura 5.30). Em sistemas despressurizados,
outros DTCs podem controlar a extração de calor do tanque de
armazenamento. Muitos outros controles usados nos sistemas de energia solar
são similares àqueles para sistemas de serviços de construções.
O DTC monitora a diferença de temperatura entre os coletores e o tanque
de armazenamento. Quando a temperatura dos coletores solares excede
aquela do tanque por uma quantidade determinada (geralmente 4-11oC), o
DTC liga a bomba de circulação. Quando a temperatura dos coletores cai
para 2-5oC acima da temperatura do armazenamento, o DTC para de
bombear. Em vez de controlar a bomba solar diretamente, o DTC pode operar
indiretamente através de um retransmissor de controle para operar uma ou
mais bombas e possivelmente fazer outras funções de controle, tal como a
ativação de válvulas de controle.

FIGURA 5.30

Controle de coletor básico com um controlador de temperatura diferencial.

O ponto da temperatura diferencial do controlador de temperatura


diferencial pode ser fixo ou ajustável. Se o ponto do controlador é fixo, o
controlador selecionado deve corresponder aos requisitos do sistema solar.
Um ponto diferencial ajustável torna o controlador mais flexível e permite
seu ajuste ao sistema específico ou condições do sistema solar, isto é,
diferentes ajustes no verão ou inverno. Um diferencial ideal no ponto de
ajuste é difícil de calcular, por causa das variáveis que mudam e das
condições. Tipicamente, o ponto de ajuste de ligamento é 5-9oC acima do
ponto de desligamento. O ideal em um ponto de ajuste é um equilíbrio entre a
coleta de energia ideal e evitar inícios e paradas bruscas da bomba. O
diferencial de temperatura de desligamento ideal deve ser o mínimo possível,
o que depende se há um trocador de calor entre os coletores e o tanque de
armazenamento.
Inícios e paradas frequentes da bomba, também chamados de ciclo curto,
devem ser minimizados, porque eles podem levar a falha prematura da
bomba. Ciclo curto depende em quanto ou quão frequentemente a
temperatura do sensor do coletor solar excede o ponto de ajuste de ligamento
e cai abaixo do ponto de desligamento. Esta é a resposta do sensor, e a
temperatura do fluido entrando no coletor. O que acontece na prática é que a
água no coletor começa a aquecer tão logo a condição de desligamento é
atingida e o fluxo para. Conforme a água se aquece, ela eventualmente atinge
o ponto de ajuste de desligamento, em tal ponto que a bomba é ligada e o
fluido circula pelo coletor. Portanto, o fluido quente no coletor é empurrado
no conjunto de retorno e reposto por água relativamente fria do conjunto de
suprimento, que é aquecida conforme se move pelo coletor. Um ciclo curto
da bomba pode significar que a água quente nunca atingirá o tanque de
armazenamento, especialmente se o tubo de retorno for longo. O método
mais comum de evitar o ciclo curto é o uso de ampla diferença de
temperatura entre os pontos de ligamento e desligamento. Isto, porém, leva
ao requisito de muita insolação para ligar a bomba, que perde energia no
coletor e pode nunca atingir o ponto de ligamento em períodos de baixa
insolação. Portanto, as diretrizes dadas nesta seção devem ser seguidas para
decidir o ajuste correto.
Se o sistema não tem um trocador de calor, um intervalo de 1-4oC é
aceitável para o ponto de desligamento. Se o sistema incorpora um trocador
de calor, um maior ponto de temperatura diferencial é usado para ter uma
transferência de calor efetiva, isto é, uma transferência maior de energia entre
os dois fluidos. O mínimo ou o diferencial de temperatura de desligamento é
o ponto no qual o custo para bombear a energia é igual ao custo da energia
sendo bombeada, no caso em que o calor perdido na canalização deve
também ser considerado. Para sistemas com trocadores de calor, o ponto de
desligamento está geralmente entre 3 e 6oC.
Em sistemas de ciclo fechado, um segundo sensor de temperatura pode ser
usado no tanque acima do trocador de calor para ajustar a bomba entre baixa
e alta velocidade e assim fornecer algum controle sobre a temperatura de
retorno ao tanque do trocador de calor. Furbo e Shah (1997) avaliaram o uso
de uma bomba com um controlador que varia o fluxo proporcionalmente à
temperatura do fluido operacional e encontraram que seu efeito no
desempenho do sistema é pequeno.
Na seguinte análise, o sensor do coletor é considerado como localizado na
placa absorvedora do coletor. Usando o conceito de radiação absorvida,
quando a bomba do coletor está desligada, a saída útil do coletor é 0 e a placa
absorvedora está a uma temperatura de equilíbrio dada por:
(5.71)

Portanto, o valor de S quando a temperatura da placa, Tp, é igual a Ti + ΔTON


é:
(5.72)

Usando a Equação (3.60) com a radiação solar absorvida, quando a bomba


está ligada, o ganho útil do coletor é:
(5.73)
Se nós substituirmos a Equação (5.72) na Equação (5.73)
(5.74)

Porém, a energia útil quando a bomba está ligada é também dada por:
(5.75)

De fato, a diferença de temperatura (To – Ti), ao ignorar as perdas de calor


dos tubos, é a diferença vista pelo DTC uma vez que o fluxo é ligado.
Consequentemente, ao combinar as Eqs (5.74) e (5.75), o ponto de
desligamento deve satisfazer a seguinte desigualdade porque de outro modo o
sistema se tornará instável:
(5.76a)

Se o sistema tem um trocador de calor do coletor então a Equação (5.50) é


usada em vez da Equação (5.75) e a desigualdade torna-se:
(5.76b)
5.5.1Localização ou posicionamento de sensores
A localização apropriada de sensores de temperatura no coletor é importante
para uma boa operação do sistema. O sensor deve ter um bom contato
térmico com a placa do coletor ou a canalização. Sensores dos coletores
podem ser localizados na placa do coletor, em um tubo perto do coletor, ou
no tubo de saída do coletor. A melhor localização é na placa do coletor, mas
não a mais fácil, porque desmantelar e modificar um coletor do arranjo é
necessário, o que precisaria ser feito no local. O mais fácil e talvez o melhor
ponto para a localização do sensor é no tubo saindo do coletor. Geralmente
uma peça T é usada e o sensor é colocado em um poço fundo com algumas
gotas de óleo, que assegura bom contato, como mostrado na Figura 5.31(a),
ou ao lado da peça T, como mostrado na Figura 5.31(b).

FIGURA 5.31

Colocação do sensor do coletor. (a) Poço fundo. (b) Ao lado da peça T.

O sensor do tanque de armazenamento deve ser localizado próximo ao


fundo do tanque, a aproximadamente um terço de sua altura. Se o sistema usa
um trocador de calor interno, o sensor é localizado acima do trocador de
calor. Idealmente, esta localização indicada é considerada um bom meio-
termo porque a localização baixa daria uma leitura falsa mesmo com a menor
demanda, que será reposta por água (fria) de composição, enquanto que uma
localização mais alta deixaria muita água a baixa temperatura, mesmo que a
energia solar esteja disponível.
Um sensor de proteção contra congelamento, se usado, deve ser localizado
em tal posição de modo que detecte a temperatura do líquido mais fria. Duas
localidades adequadas são a parte de trás da placa absorvedora e a entrada do
tubo do coletor para o conjunto de suprimento. Pelas razões indicadas
previamente, o último é preferível. O sensor de temperatura pode ser
localizado tanto no topo do tanque de armazenamento ou no tubo de saída do
coletor. Para o último, o sensor é visto em uma locação de uma maneira
similar ao sensor de temperatura do coletor.
5.6Demanda de água quente
O parâmetro mais importante que precisa ser considerado em um projeto de
um sistema de aquecimento de água é a demanda de água quente por um
certo período de tempo (horário, diá​rio, ou mensal). A demanda de energia,
D, requerida para a geração de água quente pode ser obtida se o consumo
volumétrico, V, é conhecido por um período de tempo requerido. Também
requisitadas são as temperaturas da água fria fornecidas pelas redes públicas,
Tm, e a distribuição de água, Tw. Então,
(5.77)

Se as duas temperaturas na Equação (5.77) são conhecidas por uma


aplicação particular, o único parâmetro do qual a demanda de energia
depende é o consumo volumétrico de água quente. Este pode ser estimado de
acordo com o período de tempo investigado. Por exemplo, para uma demanda
de água mensal, a seguinte equação pode ser usada:
(5.78)

onde
Ndays = número de dias em um mês;
Npersons = número de pessoas servidas pelo sistema de aquecimento de água;
e
Vperson = Volume de água quente requerido por pessoa.
O consumo volumétrico, V, varia consideravelmente de pessoa para pessoa
e de dia para dia. Tem a ver com os hábitos dos usuários, as condições do
clima da localidade e várias condições sócioeconômicas. Pode ser estimado
ao considerar o uso de água quente para várias operações. Operações típicas e
consumo para uso residencial são dados na Tabela 5.6. Mais detalhes e outras
aplicações, tais como o consumo de água em hotéis, escolas, e assim por
diante, podem ser encontrados em ASHRAE Handbook of Applications
(ASHRAE, 2007).
Além das quantidades mostradas na Tabela 5.6, a água quente é consumida
em lavagem automática de louças e lavagem de roupas, mas estas
quantidades de água quente são produzidas pela lavadora com eletricidade
como parte do processo de lavagem.
Tabela 5.6 Uso típico residencial de água quente por tarefa
Uso Fluxo
Preparação de comida 10-20
Lavagem de louças manual 12-18
Chuveiro 10-20
Banho 50-70
Lavagem de rosto e mãos 5-15

Tabela 5.7 Demanda diária de água quente para uma família de quatro pessoas em litros por pessoa
Diretriz Baixo Médio Alto
Consumo normal 26 40 54
Consumo máximo 66 85 104

Ao usar os dados mostrados na Tabela 5.6 para uma família de quatro


pessoas e tarefas diárias normais consistindo em preparações de duas
refeições, duas lavagens de louça manuais, um banho por pessoa, duas
lavagens de rosto e mão por pessoa por dia, os valores de demanda baixos,
médios e altos em litros por pessoa mostrados na Tabela 5.7 podem ser
obtidos. O caso de consumo máximo é quando o banho em chuveiro para
cada pessoa é substituído por um banho em banheira para cada pessoa por
dia.

EXEMPLO 5.6
Estime a demanda de energia de água quente para uma família de quatro
pessoas, com consumo normal médio, suprimento de água fria de 18oC,
temperatura de distribuição da água de 45oC.
Solução
De acordo com a Tabela 5.7, o consumo por dia por pessoa é 40 l.
Portanto, a demanda diária, V, é 160 l/dia ou 0,16 m3/dia. Da Equação
(5.65),
Em simulações horárias, a distribuição horária de demanda de água é
necessária. Embora a demanda de água quente esteja sujeita ao alto grau de
variação por dia e de consumidor para consumidor, é impraticável usar
qualquer coisa que não um perfil de carregamento repetitivo. Isto não é bem
correto durante o verão, quando o padrão de consumo é de certo modo maior.
Porém, durante este período, o requisito de temperatura da água quente não é
tão alto quanto durante o inverno. Consequentemente, o requerimento total de
energia térmica é razoavelmente constante durante o ano. O perfil de
demanda geralmente usado em simulações horárias é o perfil de Rand,
ilustrado na Figura 5.32. Este assume um consumo de água quente diário de
120 l a 50oC para uma família de quatro pessoas (30 l/pessoa).

FIGURA 5.32

Perfil de consumo diário de água quente.


5.7Avaliação de desempenho do aquecedor de água
solar
Muitos procedimentos de teste têm sido propostos por várias organizações
para determinar o desempenho térmico de aquecedores solares de água. O
teste do sistema completo pode servir a um número de propósitos. O teste de
sistema pode também ser usado como uma ferramenta de diagnóstico para
identificar falha e causas de falha no desempenho do sistema. Outros
propósitos incluem a determinação da mudança no desempenho como um
resultado da operação dentro de condições climáticas diferentes ou com um
perfil de carregamento diferente.
A International Organization for Standardization (ISO) publica uma série
de normas, de simples medidas e métodos de correlação de dados a métodos
de identificação de parâmetros complexos. ISO 9459 foi desenvolvida pelo
Technical Committee, ISO/TC 180 – Solar Energy, para ajudar a facilitar a
comparação internacional com os sistemas solares de aquecimento de água
doméstica. Pelo fato de um modelo de desempenho generalizado, que é
aplicável a todos os sistemas, não ter sido desenvolvido ainda, não foi
possível obter um consenso internacional para um método de teste e um
conjunto padrão de condições de teste. Portanto, cada método pode ser
aplicado por sua própria conta.
ISO 9459 abrange um total de cinco partes sobre testes de desempenho de
sistemas solares de aquecimento de água doméstica, as quais estão descritas
abaixo com seus status atuais:
ISO 9459-1:1993. Aquecimento solar, sistemas de aquecimento de água
domésticos. Parte 1. Procedimento de avaliação de desempenho usando
métodos de teste interiores. → Ativo.
ISO 9459-2:1995. Aquecimento solar, sistemas de aquecimento de água
doméstica. Parte 2. Métodos de teste exteriores para caracterização do
desempenho do sistema e predição do desempenho anual de sistemas
solares apenas. → Ativo (referenciado em EN 12976).
ISO 9459-3:1997. Aquecimento solar, sistemas de aquecimento de água
domésticos. Parte 3. Teste de desempenho para sistemas solares e
suplementares. → Retirado em 2005.
ISO/DIS 9459-4. Aquecimento solar, sistemas de aquecimento de água
doméstica. Parte 4. Caracterização do desempenho do sistema por testes
componentes e simulação de computador. → Em desenvolvimento
(ISO/FDIS 9459-4 publicado em Outubro 2012 [FDIS = Final Draft
International Standard]).
ISO 9459-5:2007. Aquecimento solar, sistemas de aquecimento de água
doméstica. Parte 5. Caracterização do desempenho do sistema por testes
do sistema completo e simulação de computador. → Ativo (referenciado
em EN 12976).
Portanto, ISO 9459 tem no momento três partes ativas dentro de três amplas
categorias.
Teste de avaliação
• ISO 9459-1 descreve os procedimentos teste para caracterizar o
desempenho de sistemas de aquecimento de água doméstica operados sem
impulsão auxiliar e para prever desempenho anual em quaisquer condições
climáticas e operacionais dadas. É adequado para testar todos os tipos de
sistemas, incluindo sistemas coletores de circulação forçada, termossifão e
freon-carregados. Os resultados permitem que os sistemas sejam
comparados dentro de condições solares, ambientes e de carregamento
idênticas.
• Os métodos de teste neste padrão definem os procedimentos para teste
interior de aquecedores de água solares com um simulador solar. As
características do simulador solar são definidas em ISO 9845-1:1992 (ver
Capítulo 4 Seção 4.1.3). A sequência inteira do teste geralmente dura 3-5
dias e o resultado é a contribuição solar diária para um conjunto de
condições. Um procedimento de teste interior no qual o simulador solar é
substituído por uma fonte de calor controlada, usada para simular o ganho
de energia, é também descrito. Este teste não tem sido amplamente
adotado.
Procedimentos de correlação caixa preta
• ISO 9459-2 é aplicável a sistemas apenas solares e sistemas de pré-
aquecimento solares. O teste de desempenho para sistemas apenas solares é
um procedimento “caixa preta”, que produz uma família de características
de “entrada-saída” para um sistema. Os resultados do teste podem ser
usados diretamente com valores médios diários de dados de irradiação
solar local, temperatura do ar ambiente e temperatura da água fria para
prever o desempenho anual do sistema.
• Os resultados dos testes feitos de acordo com ISO 9459-2 permitem
previsões de desempenho para uma gama de carregamentos de sistema e
condições de operação, mas apenas para uma abertura noturna.
• ISO 9459-2 é um dos métodos usados em EN 12976 para teste de
desempenho.
Simulação de computador e teste
• O padrão de desenho ISO/DIS 9459-6 (publicado até agora apenas como
ISO/FDIS-final draft international standard) sugere um procedimento para
caracterizar o desempenho anual do sistema e usa características
componentes medidas no programa de simulação de computador TRNSYS
(descrito no Capítulo 1, Seção 11.5.1). Os procedimentos para caracterizar
o desempenho dos componentes do sistema além de coletores são também
apresentados nesta parte futura do ISO 9459. Procedimentos especificados
no ISO 9806-1 (ver Capítulo 4 são usados para determinar o desempenho
do coletor, enquanto que outros testes são especificados para caracterizar o
tanque de armazenamento, trocadores de calor (se usados) e sistema de
controle.
• ISO 9459-5 apresenta um procedimento para teste dinâmico de sistemas
completos para determinar parâmetros de sistema para uso em um modelo
de computador. Este modelo pode ser usado com valores horários de dados
de irradiação solar local, temperatura do ar ambiente e temperatura da água
fria para prever o desempenho anual do sistema.
• ISO 9459-5 especifica um método para testes em laboratório exterior para
sistemas solares de água quente domésticos. O método pode também ser
aplicado para testes in situ e testes interiores ao especificar perfis
apropriados de desenho e perfis de irradiância para medidas interiores. O
desempenho do sistema é caracterizado por testes de sistema completo
usando uma abordagem “caixa preta”, isto é, nenhuma medida dos
componentes do sistema ou dentro do sistema é necessária. Instruções
detalhadas são dadas no procedimento de medida, processamento e análise
dos dados de medida e apresentação do relatório de teste.
• ISO 9459-5 é um dos métodos usados em EN 12976 para testes de
desempenho.
• Os resultados dos testes feitos de acordo com ISO/DIS 9459-4 ou ISO
9459-5 são diretamente comparáveis. Estes procedimentos permitem
previsões de desempenho para uma gama de carregamentos de sisema e
condições de operação. A desvantagem destes procedimentos é que um
modelo de simulação de computador detalhada é necessário.
Os procedimentos definidos em ISO 9459-2, ISO/DIS 9459-4 e ISO 9459-5
para prever o desempenho anual permitem a saída de um sistema a ser
determinado para uma gama de condições climáticas, enquanto que os
resultados dos testes feitos de acordo com ISO 9459-1 fornecem uma
avaliação para um dia padrão.
Um dos métodos de teste de sistema mais usados é o padrão ISO 9459-2.
Isto acontece, porque ele requer o menor investimento em equipamento e
habilidades de operação. Neste padrão, o sistema é precondicionado no início
de cada dia de teste e carregado na temperatura requisitada, Tc, então é
deixado operar com nenhum carregamento aplicado e as únicas medidas
necessárias são aquelas da radiação solar e da temperatura ambiente. O
monitoramento de energia é necessário no fim do dia, durante a extração
única, e isto pode ser atingido com uma temperatura manual simples e
medidas de volume ou com um sistema de aquisição de dados. O ganho de
energia diário é determinado para uma gama de dias limpos e nublados com
irradiação entre 8 e 25 MJ/m2 dia, com aproximadamente o mesmo valor de
(Ta – Tc) para cada dia. O parâmetro de correlação (Ta – Tc) é variado, porém,
ao testar para um intervalo de temperaturas do tanque iniciais, Tc, para cada
dia. A energia útil entregue no fim do dia, Qu, está correlacionada aos
resultados do teste por:
(5.79)
onde
α1, α2, α3 = coeficientes de correlação.
Os efeitos da estratificação térmica e mistura no tanque de armazenamento
são avaliados por um procedimento de cálculo de carregamento usando perfis
de temperatura medidos durante a retirada ao fim do dia.
O desempenho de longo prazo do sistema é determinado por um
procedimento de cálculo que leva em conta condições climáticas,
transferência de energia de cada dia e volume do carregamento.
Adicionalmente, um procedimento de passo de tempo de 1 h é especificaddo
para a determinação da perda de calor do período noturno e a transferência de
energia de cada dia.
5.8Modelos de sistema simples
As equações apresentadas neste capítulo podem ser combinadas e usadas para
modelar o sistema completo. O modelo inclui todos os componentes físicos
do sistema, tais como o coletor, o tanque de armazenamento, o trocador de
calor, carregamentos, perdas de calor dos componentes do sistema, tais como
os tubos e o tanque de armazenamento. Modelos detalhados resultam em um
conjunto de equações algébricas e diferenciais, com o tempo de variável
independente. As entradas destas equações são os dados meterológicos e
variações de carregamento (p. ex., perfil de retirada da água). O passo de
tempo para tal modelo é geralmente de 1 h, e para cálculos anuais, um
computador é necessário. Mais detalhes destes modelos são dados no
Capítulo 1. Nesta seção, nós lidamos com apenas modelos simples que
podem ser resolvidos por cálculos à mão ou com a ajuda de uma planilha.
De acordo com a configuração do sistema, as equações apresentadas na
Seção 4.1.1, para operar a uma vazão mássica diferente da usada no teste de
desempenho do coletor; Seção 4.1.2 para coletores em série e seções
anteriores de modo a considerar perdas no tubo em equações de desempenho,
para coletores parcialmente sombreados e o uso de um trocador de calor no
circuito do coletor; e Seção 5.5 em se tratando do controlador de temperatura
diferencial, necessitam ser considerados de um maneira lógica. Todas essas
modificações foram obtidas do modelo de desempenho básico dado pela
Equação (3.60). Geralmente começamos com os parâmetros de desempenho
do coletor, e, se necessários, adicionam as perdas no tubo, então o trocador de
calor, se presentes. O mais das vezes, iniciamos pelo coletor e movemo-nos
na direção do tanque de armazenamento.
Um modelo simples é considerar um tanque de armazenamento totalmente
misturado ou desestratificado fornecendo água quente a uma vazão mássica
fixa e uma temperatura de água de composição constante, Tmu. Portanto, ao
ignorar perdas de calor e considerando que o tanque de armazenamento está a
uma temperatura uniforme, Ts, Equação (5.31) para o tanque de
armazenamento pode ser combinado com Equação (4.3) para o coletor e
Equação (5.32) para perdas do tanque de armazenamento, para dar:
(5.80)
O termo central do lado direito desta equação é a energia entregue ao
carregamento através do carregamento do trocador de calor, que tem uma
eficiência εL. Se nenhum carregamento de trocador de calor é usado, o termo
εL(ṁLcp)min é substituído por ṁLcp, onde em ambos os casos ṁL é a vazão
mássica do carregamento. Isto é, na verdade, o mesmo que a Equação (5.31),
mas com vários termos inseridos na equação.
Para resolver esta equação, os parâmetros do coletor, tamanho do tanque de
armazenamento e coeficiente de perda, a eficiência e a vazão mássica de
massa do trocador de calor e os parâmetros meteorológicos são necessários.
Uma vez que estes são especificados, a temperatura do tanque de
armazenamento pode ser estimada como uma função do tempo.
Adicionalmente, os parâmetros individuais, tais como o ganho de energia útil
do coletor e as perdas do tanque de armazenamento, podem ser determinados
para um período de tempo ao integrar as quantidades apropriadas. Para
resolver a Equação (5.80), um método de integração de Euler simples pode
ser usado para expressar a derivada da temperatura dTs/dt como (Ts-n – Ts)/Δt.
Isto é similar a escrever a equação em uma forma de diferença finita, como
indicado na Seção 5.3.3. Portanto, a Equação (5.80) pode ser expressa como
uma mudança na temperatura do tanque de armazenamento por um período
de tempo necessário como:
(5.81)

A única precaução em usar este esquema de integração é escolher uma curta


etapa de tempo para assegurar a estabilidade. Uma vez que os dados
meteorológicos estão disponíveis em incrementos de hora, um período de
tempo de 1 h é também usado para resolver a Equação (5.81) se a
estabilidade é mantida. Uma boa verificação dos cálculos é checar o
equilíbrio de energia do tanque ao estimar a mudança de energia interna da
água, que deve ser igual à soma da energia útil fornecida ao coletor menos a
soma da energia para o carregamento e energia perdida. Na forma de
equação,
(5.82)
onde
Ts,i = temperatura inicial do tanque de armazenamento (oC);
Ts,f = temperatura final do tanque de armazenamento (oC).
Problemas deste tipo de análise são similares aos Exemplos 5.2 e 5.3.
Naqueles exemplos, o carregamento foi considerado conhecido, enquanto
aqui é calculado pelo termo do meio da Equação (5.81).

EXEMPLO 5.7
Estime o balanço de energia no Exemplo 5.2
Solução
Ao somar as várias quantidades na Tabela 5.3 do Exemplo 5.2, nós
temos:

Então, aplicando a Equação (5.82), temos:

o que dá:

o que indica que os cálculos estão corretos.


5.9Considerações práticas
A instalação de grandes arranjos do coletor apresenta problemas específicos
de canalização. Esta seção examina as questões relacionadas à instalação de
tubos, suportes e isolamento; bombas; válvulas; e instrumentação.
Geralmente, o encanamento envolvido nos sistemas de energia solar é
convencional, exceto em casos onde um fluido de transferência de calor
tóxico ou não potável é circulado no ciclo do coletor. Um guia geral é que
quanto menos complex