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01/07/2019 Carf: distribuição de lucros de holding a detentor de direito é isenta de IR

DIREITO TRIBUTÁRIO

Carf: distribuição de lucros de holding a detentor de


direito é isenta de IRPF
Decisão do Carf, analisando estrutura considerada inédita, foi dada por unanimidade em abril

GUILHERME MENDES

21/06/2019 05:50
Atualizado em 25/06/2019 às 12:01 BRASÍLIA

(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

Uma decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) de niu que os


lucros distribuídos por uma holding diretamente a uma pessoa física são isentos do
Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). A decisão, de uma turma da 2ª Seção de
julgamento do tribunal, foi dada de maneira unânime em abril.

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01/07/2019 Carf: distribuição de lucros de holding a detentor de direito é isenta de IR

A tese xada pela turma na ocasião foi a de que “a distribuição de lucros é isenta se
dirigida a sócios e acionistas da empresa que promove a distribuição, não havendo
vedação legal no trespasse [transferência] de valor referente à distribuição
diretamente a um terceiro (detentor do direito), se o sócio bene ciado, mesmo por
ato não formalizado, demonstra esse desejo”. Desta forma, o contribuinte que
recorreu ao Carf evitou o recolhimento do IRPF sobre quase R$ 10 milhões
recebidos como lucros.

“A decisão, por ser unânime, deixa muito claro que não existe vedação legal a este
trespasse de dividendos”, comentou o advogado tributarista Bruno Marques Santo,
do escritório Finocchio & Ustra Sociedade de Advogados. “A scalização da Receita
ainda pode seguir na linha da autuação da Receita Federal, mas esta decisão
ajudará a dar um norte aos planejamentos”.

Recursos recebidos da holding


A Receita Federal autuou o recorrente em 2008, após este ter considerado cerca de
R$ 9,8 milhões como isentos de tributação pelo IRPF. Apesar de estes valores serem
provenientes de uma empresa chamada Mizu, o valor não teria sido depositado por
ela e sim pela RV, uma holding que controlava a Mizu. A RV possuía 80% da
participação da Mizu, e o recorrente tinha 99% das cotas da RV.

Quando apresentou suas razões, o recorrente considerou não ser necessário o


trânsito de tais valores pelas contas correntes da RV, uma vez que tais valores
estariam contabilizados pelas empresas envolvidas e seriam coincidentes em suas
datas.

Na 1ª instância, se determinou pela possibilidade a isenção. Como a decisão da


Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) supostamente se baseou em
premissa não discutida no auto de infração, a pessoa física recorreu ao Carf.

O Fisco, ao contrário da contribuinte, considerou que a operação não teve amparo


em nenhuma legislação, e que esta seria uma transação totalmente informal. Já o
recorrente a rmou que, por ser dono de 99% das ações da RV, a operação poderia
ocorrer sem maiores problemas. “Nada mais normal que a empresa autorizasse,
mesmo sem nenhum aparato formal, a transferência direta do que tinha como
direito da distribuição de lucros da Mizu para a conta corrente do recorrente”, alega a
defesa, nos autos.

Ao julgar, o relator do caso, conselheiro Rayd Santana Ferreira, pontuou que a


autuação se baseava em princípios equivocados. “Em nenhum momento há

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discussão ou dúvida acerca da participação social da RV Empreendimentos na


Mizu, ou seja, fato incontroverso aos olhos do scal (auto de infração)”, escreveu na
decisão. Ao considerar que não havia impedimento legal para a operação, Ferreira
votou por negar provimento, considerando incabível a operação.

Os sete conselheiros presentes à sessão


cancelaram a cobrança tributária

Para Brunno Marques Santo, a decisão chama a atenção para a desburocratização


da empresa familiar, e do conglomerado de empresas que usam uma holding
intermediária. “Nunca tivemos uma segurança de uma decisão, que xasse a tese
assim. Havia uma certa dúvida, onde não era possível passar uma segurança a
nossos clientes”, apontou.

O sócio do Duarte Garcia Serra Netto e Terra Advogados, Roberto Ribeiro,


considerou que a scalização foi feita com base em informações bancárias,
desconsiderando documentos contábeis e jurídicos. “Mas na impugnação ou, pelo
menos, no recurso, foi demonstrado que havia justi cativa para aquele pagamento
direto. Uma vez que tanto a empresa geradora do lucro quanto aquela que seja a
bene ciária direta tenham declarado adequadamente as declarações, não houve
ilegalidade”, ponderou Ribeiro, que analisou o caso a pedido do JOTA.

Segundo o tributarista, “não há obrigatoriedade do uxo nanceiro de passar para a


sócia pessoa jurídica quanto para a sócia pessoa física.”

Apesar de considerar a decisão correta, o sócio do Machado Meyer, Fernando


Colucci, não concorda com os pares, e considerou a operação como comum. “Minha
opinião, antes mesmo desta decisão, era de que [a operação de distribuição de
lucros como a analisada pelo Carf] é possível, não é um roteiro usual, mas não há
nenhum impedimento jurídico”, argumentou o tributarista.”Com esta decisão, não
muda nada, mas agora há, na jurisprudência, uma decisão bem especí ca”.

Processo citado na matéria


13896.004981/2008-34
Ronaldo Moreira Vieira x Fazenda Nacional

GUILHERME MENDES – Repórter

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