Vous êtes sur la page 1sur 222

PROJETO ARARIBA

CIENCIAS
A..

-o
ano

Organizadora: Editora Moderna


Obra coletiva concebida, desenvolvida
e produzida pela Editora Moderna.

Editora responsável:
Maíra Rosa Carnevalle
Bacharel e licenciada em Ciências Biológicas
pela Universidade Federal de São Carlos (SP). Editora.

Componente curricular: CIÊNCIAS DA NATUREZA

4ª edição
São Paulo, 2014
Chegou o momento de estudar Ciências! a) O texto menciona uma "cultura sustentável".
Neste volume, escolhemos começar por nos­ Você sabe o que é isso? Troque ideias com seus
sa própria casa, o planeta Terra. Certamente colegas e com o professor.
você já ouviu como é importante cuidar dele, b) De acordo com o texto, é correto pensar que
e esta atividade vai ajudar a compreender que muitas pessoas passam fome porque não há ali­
a persistência, aliada a pequenas ações, tem mento suficiente no mundo para todos? Explique
grande valor. O trabalho não termina aqui; é sua resposta.
importante que ele continue fora da escola,
levando informações e exemplos de atitudes e) Em que lugares são adquiridos os vegetais que
legais para outras pessoas. Aprender e ensinar sua família consome? Algum desses alimentos é
são verbos que caminham juntos e que devem produzido em sua casa - no quintal, na horta,
ser praticados a vida toda! no pomar ou mesmo em vasos?
d) E na escola, existe um lugar reservado para
Para começo de conversa produzir alimentos para consumo próprio?
e) Converse com seus colegas: existem vantagens
Alimentos para todos? em produzir alimentos em casa? E na escola? E
no bairro? Que vantagens são essas?
Está previsto que [a população do mundo]
poderá passar de oito bilhões até o ano de f) Existe alguma relação entre plantar os próprios
2025. Com esta explosão, a construção de uma alimentos e cuidar do planeta? Com seus colegas,
cultura sustentável é um assunto que ganha conversem e procurem listar alguns exemplos.
importância. Muitas pessoas estão passando g) Se sua escola tivesse uma horta, você e seus
fome, embora exista alimento em abundância. colegas poderiam ajudar as pessoas carentes
Aproximadamente 852 milhões de homens, da comunidade? De que maneira?
mulheres e crianças sofrem pela falta de ali­
mento devido à pobreza, enquanto 2 bilhões
de pessoas não possuem uma alimentação
estável devido à falta de recursos financeiros
(Fonte: FAO, 2003). [...]
LEGAN, L. A escola sustentável: eco-alfabetização pelo ambiente.
2. ed. p. 36. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo/
Pirenópolis, GO: Ecocentro IPEC, 2007.
A Terra é o único A Terra
planeta conhecido Conhecer as interações entre os componentes vivos e não vivos da
que abriga vida. Terra é importante para preservar o meio ambiente e a vida. Vamos, então,
começar estudando o nosso planeta.
A Terra pode ser dividida em diferentes camadas.
A litosfera é a camada exterior de rocha sólida e solo.
A hidrosfera é o conjunto de toda a água do planeta presente em
oceanos, geleiras, rios, lagos, lagoas, depósitos subterrâneos, nos seres
vivos e no ar.
A atmosfera é a camada de gases que envolve o planeta.

A vida na Terra
Entre todos os planetas já conhecidos e estudados, a Terra é o único
que abriga seres vivos. A existência e a manutenção da vida em nosso
planeta são possíveis porque ele reúne condições como presença de
água líquida, composição ideal dos gases da atmosfera e temperatura
apropriada. Na tabela a seguir, algumas dessas condições da Terra são
comparadas com as dos outros planetas do Sistema Solar.

Terra Outros planetas do Sistema Solar


Possui atmosfera rica em gases, como o gás oxigê- Em geral, não possuem atmosfera ou, quando ela
Atmosfera nio, que é essencial para vários seres vivos, e o gás existe, contém gases nocivos à vida.
carbônico, que ajuda a manter o planeta aquecido.
Sua temperatura média é de aproximadamente Apresentam variação da temperatura bastante
15 ºC. significativa. Em Mercúrio, por exemplo, a
Temperatura
temperatura chega a 427 ºC durante o dia, caindo
para-173 ºC à noite.
Possui quantidade abundante de água em estado Não conhecemos nenhum outro planeta com água
Agua
líquido. em estado líquido.

A água em estado líquido é um dos elementos


essenciais à vida na Terra. Na fotografia, uma
ariranha (Pteronura brasilíensis) alimentando-se
de um peixe; esses dois animais apresentam
relação direta com o meio aquático. (Pantanal
mato-grossense, 2013.)
Um Un ,verso, diferentes are as de estudo,
, , ,

Compreender como a natureza funciona é as diferentes áreas se juntam, pois elas com­
uma tarefa que envolve o esforço de diferentes pi ementam os saberes e as habilidades umas
pesquisadores. Ao longo do tempo, os cientis- das outras.
tas foram dividindo esse estudo em diferentes Você pode perceber isso também no seu dia a
áreas, como a Astronomia (que estuda os as- dia. Entender ciências só é possível porque você
tros do céu), a Biologia (que estuda a vida), a sabe ler e compreender as palavras. Essas habi­
Química (que estuda os átomos e as moléculas) lidades são desenvolvidas nas aulas de Língua
ou a Física (que estuda as forças, a energia Portuguesa. A Matemática o ajuda a entender
e outras interações entre os elementos do as relações numéricas, os gráficos e os mapas
Universo). O conhecimento se amplia quando das aulas de Geografia, e assim por diante.

A biosfera
Há vida na Terra nos mais diferentes ambientes: das profundezas dos
De olho no tema
oceanos ao topo das altas montanhas. Seres vivos habitam ambientes
quentes, como os desertos africanos, e ambientes cobertos de gelo, como Imagine que você e seus
os polos norte e sul. colegas devem montar uma
O conjunto formado pelos seres vivos e pelo ambiente que eles ha­ equipe multidisciplinar de
cientistas para buscar indí­
bitam constitui a biosfera. A biosfera abrange regiões da litosfera, da
cios de vida em outros plane­
hidrosfera e da atmosfera. tas. Discuta com seus colegas:

LIMITES DA BIOSFERA • Quais profissionais com­


poriam a equipe? Quais
características eles bus­
10 quilômetros cariam nos planetas? Jus­
tifiquem suas escolhas.

3 quilômetros

O (Nível do mar)

2 quilômetros

A maioria dos organismos vive


em ambientes relativamente
próximos do nível do mar, mas
seres vivos também podem ser
encontrados em grandes altitudes
10 quilômetros
ou profundidades. (Imagem sem
escala; cores-fantasia.)

-
Fonte: RAVEN, P. H. et ai. Biology.
Nova York: McGraw-Hill, 2002.
O conjunto constituído O que é um ecossistema?
pelos componentes Um ecossistema corresponde ao conjunto formado pelos compo­
vivos e não vivos nentes vivos e não vivos de um ambiente, incluindo também as relações
de um ambiente é entre eles.
chamado ecossistema. Os ecossistemas apresentam características próprias e se diferenciam
quanto aos elementos que os compõem. São exemplos de ecossistemas:
lagos, recifes de corais, florestas, cavernas, entre outros.
A ciência biológica que estuda as interações dos seres vivos entre si e
com o ambiente é a Ecologia. A palavra Ecologia vem do grego oikos, que
significa casa, e logos, estudo, correspondendo, portanto, ao estudo da
casa ou do lugar onde se vive.

Ecossistemas: componentes vivos e não vivos


Os ecossistemas são formados por componentes vivos e compo­
nentes não vivos. Estes últimos também são chamados de fatores
físico-químicos. Entre os componentes não vivos encontram-se, por
exemplo, as rochas, a parte mineral do solo, a água, o ar, a luminosidade
ffl e a temperatura.
1
� Relações entre os organismos

! Em um ecossistema, os seres vivos interagem constantemente entre
si e também com os componentes não vivos nele presentes.
ffl O cuxiú-preto (Chiropotes satanas),
§ J
por exemplo, é um primata que vive
� nas florestas do Pará e do Maranhão.
� Conheça algumas de suas relações com
; outros seres vivos da mesma espécie ou
!
de espécies diferentes.

O cuxiú-preto (Chiropotes satanas) é um


dos primatas brasileiros mais ameaçados de
Observe dois ecossistemas bem extinção. Além de ter seu hábitat diminuído
diferentes: (A) Recife de corais, por causa do desmatamento decorrente

-
um tipo de ecossistema aquático. de atividades agropecuárias e de extração
(Laje de Santos, SP, 2011.) mineral, o animal tem sido caçado em virtude
(8) Ecossistema terrestre. de sua carne exótica e até mesmo de sua
(Pantanal mato-grossense, 2013.) cauda, utilizada como espanador de pó.
De acordo com a De onde vem o alimento?
forma como obtêm Todos os seres vivos precisam de alimentos, que constituem sua fonte
alimentos, os seres de energia, e de materiais para sobreviver, se desenvolver e se reproduzir.
vivos são classificados Eles podem obter alimento de duas formas: produzindo-o ou alimen­
em produtores, tando-se de outro organismo.
consumidores e • Os seres vivos classificados como produtores, em sua maioria, realizam
decompositores. fotossíntese, processo que utiliza água, gás carbônico e energia lumi­
nosa do Sol para a produção das substâncias que servirão de alimento.
Os organismos produtores são representados pelas plantas, predomi­ �
i
_g
nantes nos ambientes terrestres, pelas algas e por certas bactérias,
encontradas principalmente nos ambientes aquáticos. �
Saiba mais! �
<J) io
z
w
1<i
O SOL EAVIOA
(!J
O>

Os organismos produtores � "�


(plantas, algas e certas bac­ ::,
o. �o
!-8
:l
térias) utilizam a energia
z
da luz do Sol no processo � �
(!J
da fotossíntese, obtendo z

<J)
assim as substâncias de que -ti
necessitam para sobreviver, o
Como esses organismos
servem de alimento para
aqueles que não realizam
fotossíntese, podemos afir­
mar que todos os organis­
mos dependem direta ou
indiretamente do Sol. Por Exemplos de organismos produtores em
esse motivo, o Sol é consi­ diferentes ecossistemas: (A) Gramíneas
derado a principal fonte de em um campo. (Água Doce, se, 2010.)
energia para a vida na Terra. (8) Árvores em uma floresta. (Alta Floresta,
MT, 2012.) (C) Algas no mar. (Arquipélago
de São Pedro e São Paulo, PE, 2007.)

• Os seres vivos classificados


como consumidores são aque­
les que se alimentam de outros
organismos ou de partes desses
A vida na Terra depende organismos, como folhas, fru­
da energia proveniente tos, sementes e ovos. Todos os
da luz do Sol. (Lago Guaíba, animais, inclusive o ser humano,
Porto Alegre, RS, 2013.) A anta (Tapirus terrestris) é um
são consumidores. consumidor herbívoro.

m
L • Os decompositores são consumidores que se alimentam de organismos
mortos ou de resíduos deixados pelos seres vivos, como fezes e restos
vegetais. Por consumir matéria orgânica morta, os decompositores são
essenciais ao ecossistema, pois evitam o acúmulo de restos e dejetos,
transformando-os em nutrientes inorgânicos que, liberados no ambiente,
podem ser absorvidos pelos produtores. São representados por várias
espécies de fungos e bactérias e estão presentes em todos os ecossis­
temas. Além disso, quase todos os organismos decompositores são mi­
croscópicos, ou seja, só podem ser vistos com o auxílio de microscópios.

Exemplos de organismos
decompositores: (A) Bactérias
s decompositoras do solo (Bacil/us sp.).
(Imagem obtida com microscópio
eletrônico, colorizada artificialmente
:J
e com aumento de cerca de 6.300
vezes.) (B) Cogumelos da espécie
Galerina autumnalis decompondo
matéria orgânica na serrapilheira
de uma floresta. A serrapilheira é
a camada de restos orgânicos que
o recobre o solo das florestas e abriga
e �
o muitos organismos decompositores.
1
1

J,.;.,t,Hi.fUP
"

-8
o


� O QUE ACONTECE COM AS CASCAS?
o Material
"o • Frasco de vidro transparente e com tampa
; •
� Cascas de frutas

Procedimento
1. Coloque as cascas das frutas dentro do frasco de vidro.
2. Tampe o frasco de maneira que fique bem vedado.
3. Deixe o frasco durante uma semana em um local abrigado da luz, como
dentro de um armário, por exemplo.
4. Passado esse tempo, observe a montagem novamente.

Registre em seu caderno


1. O que aconteceu com as cascas de frutas? Descreva o que você observou
e registre por meio de desenhos.
2. Que processo natural está relacionado com o que você observou? Qual
é a importância desse processo natural?

De olho no tema
Saiba mais!
Faça urna tabela no caderno
Urubus, hienas, minhocas, moscas e outros seres vivos também podem se alimentar listando exemplos de orga­
de organismos mortos ou de resíduos. Contudo, não transformam a matéria orgâni­ nismos produtores, consu­
ca em nutrientes inorgânicos, por isso não são classificados como decompositores. midores e decompositores.
, 0 Onça-pintada - comprimento: 2 m
0 Ema - altura: 1,7 m
ALGUMAS ESPÉCIES E SEUS TAMANHOS APROXIMADOS
0 Arraia-pintada - comprimento: 1 m
© Cascudo - comprimento: 15 cm
@
@
!pê-roxo - altura: 25 m
Jacaré - comprimento: 3 m
0 Cervo-do-pantanal - comprimento: 2 m © Capivara - comprimento: 1,5 m @ Urubu-de-cabeça-vermelha -
0 Sucuri - comprimento: 9 m @ Carão - comprimento: 65 cm comprimento: 75 cm
© Pintado - comprimento: 1 m @ Caramujo - comprimento: 5 cm @ Capim - altura: 35 cm
0 Piranha - comprimento: 30 cm @ Tuiuiú - altura: 1,5 m ® Plantas aquáticas - tamanhos variados

Representação de uma comunidade


do Pantanal mato-grossense
(elaborada com base na ilustração do
biólogo Frederico Lencioni Neto).
(Os organismos não estão em
proporção de tamanho entre si;
��--� 1--------1.., Caramujo (11) ----1 Plantas aquáticas (17)
cores-fantasia. A situação não é real.)
GLOSSÁRIO eª d e ·,as a 11· mentares
Tróf'co· este adjetivo provém As relações alimentares entre os organismos nos ecossistemas podem
do grego trofos e refere-se a ser simplificadas nas cadeias alimentares ou cadeias tróficas . As ca­
nutrição, alimento ou processo
de alimentação. deias alimentares são formadas por uma sequência de interações entre
diferentes organismos que servem de alimento uns aos outros.
O exemplo abaixo mostra as relações alimentares entre três seres
vivos: a embaúba, o bicho-preguiça e a harpia. Além desses, também
estão representados os decompositores, indicados também por setas;
isso significa que eles promovem a decomposição de todos os organismos
dessa cadeia alimentar.

EXEMPLO DE CADEIA ALIMENTAR

No endereço http://
objetoseducacionais.
mstech.com.br/
ciencias/6_11_oa_x.html
você encontra um jogo
sobre cadeias alimentares
em que poderá testar
seus conhecimentos
identificando diferentes
cadeias e respondendo a
perguntas sobre o assunto.
Acesso em: maio 2015.

Produtor: Consumidor (herbívoro): Consumidor (carnívoro):


embaúba ( Cecropía sp.). bicho-preguiça (Bradypus sp.). harpia (Harpia harpyja).

I Decompositores: várias
espécies de bactérias e
� fungos. (Cores-fantasia.)

1l! Os elos das cadeias alimentares


De modo geral, as cadeias alimentares são compostas por um produtor,
um ou mais consumidores e decompositores. Cada um desses organismos
corresponde a elos que, juntos, formam uma cadeia.
Cada posição na cadeia alimentar é denominada nível trófico. Veja a
Plantas aquáticas ocupam o seguir os níveis tróficos mais comuns.
primeiro nível trófico de uma
cadeia alimentar. (Bonito, • Primeiro nível trófico: é ocupado pelos produtores, como as plantas
MS, 2011.) terrestres e aquáticas.

m
• Segundo nível trófico: é ocupado pelos consumidores primários, que
se alimentam de produtores. São também chamados herbívoros. É o
caso de algumas espécies de aruás, caramujos que se alimentam de
plantas aquáticas.
• Terceiro nível trófico: é ocupado pelos consumidores secundários,
animais carnívoros que se alimentam de consumidores primários. É o
Aruá (Pomacea sp.), caramujo
caso do carão, ave que pode se alimentar de aruás. que pode se alimentar de plantas
• Quarto nível trófico: é ocupado pelos consumidores terciários, aquáticas, ocupando o segundo
nível trófico de uma cadeia
também carnívoros, que se alimentam de consumidores secundários. alimentar.
É o caso da sucuri, serpente que pode se alimentar do carão.
Após o quarto nível, vêm o quinto, o sexto, e assim por diante.
Os decompositores alimentam-se de organismos mortos ou de
resíduos deixados pelos seres vivos de todos os níveis tróficos.
w

.;
;�
" ::;
e ::J
z
:::,

"�
a,
:::,

{l �w
z
�.,; a:
ü
�� z
Q

"
;;\

o. Carão (Aramus guarauna}, ave que pode se alimentar Sucuri ( Eunectes sp.), serpente que pode se alimentar
de caramujos aruás, ocupando o terceiro nível de consumidores secundários, como os carões, ocupando
trófico de uma cadeia alimentar. o quarto nível trófico de uma cadeia alimentar.

o.
a:

Teias alimentares
Nos ecossistemas, as cadeias alimentares não ocorrem isoladamen­
te, mas se interligam, formando as teias alimentares. Desse modo,
De olho no tema
um mesmo organismo pode participar de várias cadeias alimentares
dentro de uma teia. Na página 23, apresentamos um exemplo de teia Observando o esquema de
alimentar. Podemos ver que ela reúne várias cadeias alimentares, por teia alimentar da página 23,
exemplo: responda.

• Capim � Cervo-do-pantanal � Onça-pintada 1. Quais organismos são


produtores?
• Plantas aquáticas � Cascudo � Piranha � Sucuri � Urubu-de­
2. Quais organ ismos são
-cabeça-vermelha
consumidores primários?
Em uma teia alimentar, um mesmo organismo pode ocupar diferentes
3. Quais organismos po­
níveis tróficos, dependendo da cadeia analisada. É o caso da sucuri. Em
dem ocupar mais de um
uma cadeia, ela ocupa o terceiro nível trófico, pois se alimenta da capivara, nível trófico? Justifique
um consumidor primário. Já em outra, ela ocupa o quarto nível trófico, sua resposta.
alimentando-se da piranha, um consumidor secundário.
TEMAS 1 A 4 REGISTRE EH SEU CADERNO

ORGANIZAR O CONHECIMENTO e) Sabendo que o cachorro-do-mato é um dos


1. Construa uma tabela explicando a composição predadores naturais da capivara, monte o
das diferentes camadas da Terra. esquema de uma cadeia alimentar que inclua
as plantas aquáticas, a capivara e o cachorro­
2. Liste os componentes vivos e não vivos encontra­ -do-mato, além dos decompositores.
dos no ecossistema representado na ilustração.
ANALISAR
6. Leia o texto e responda.
O boto-cor-de-rosa é um mamífero encontrado
nas bacias do rio Amazonas e do rio Orinoco. Na
estação seca, habita os leitos dos rios. Na época
das chuvas, avança por áreas alagadas nas flores-
tas (igapós) e nas planícies (várzeas). Alimenta-se
de peixes, como a piranha, o tamuatá e o bagre,
de tartarugas, caranguejos e camarões.
$
�e
º
w
"
e
(.)
a: -�
o 1
(Imagem sem escala; cores-fantasia.
w
(.) �e
A situação não é real.)
w "
�"'
3. Forme uma cadeia alimentar com cada grupo de 8
:,:

e
8 ?
seres vivos (ou partes de seres vivos), unindo-os
o
!"
o
com setas. Boto-cor-de-rosa (lnia geoffrensis).
a) bactéria, orca, alga unicelular, kri/1 (microcrus­ (Rio Amazonas, 2011.) o

táceos), pinguim-imperador ;

b) flor, fungo, beija-flor, serpente
a) Identifique no texto o hábitat em que os botas- •
-cor-de-rosa vivem. ·e
e) folha, girafa, leão, cogumelo
b) Com base nas informações do texto, é possível i
4. Responda. saber o nível trófico que o boto-cor-de-rosa
a) Quais são os produtores de cada uma das ocupa em uma cadeia alimentar? Justifique.
cadeias alimentares formadas na atividade
7. Analise o esquema abaixo e faça o que se pede.
anterior? O que eles têm em comum?
b) Qual é a importância de bactérias e fungos Periquito
nas cadeias alimentares formadas? Árvore (frutos Serpente
e sementes)
5. Com base na imagem de abertura desta Unidade,
responda.
a) Quais camadas da Terra estão presentes na Gramínea >------ Gafanhoto ...---....i Camaleão
imagem? Explique.
b) Por que é possível afirmar que a imagem a) Identifique os produtores desse esquema.
retrata uma parte da biosfera? b) Quais organismos são consumidores primários?
e) Qual é o nível trófico da capivara? Explique. E secundários?
d) Os talha-mares voam rente à água, com a parte e) Quais organismos podem ocupar mais de um
inferior do bico submersa para capturar peixes nível trófico? Quais níveis eles ocupam?
ou camarões próximos à superfície. d) Quais organismos deveriam estar representa­
• A quais níveis tróficos os talha-mares dos no esquema para que ele fosse conside­
certamente não se enquadram? Explique. rado uma teia alimentar?
Elaborando perguntas
sobre relações alimentares
O estudo das relações alimentares é bastante complexo. Além da ob- ffl
servação direta, que demanda bastante tempo, muitas vezes é possível 1

saber o que um animal comeu por outros meios, como a análise de suas �
fezes. Para conhecer bem as relações alimentares de um ecossistema é 5
necessário o trabalho conjunto de muitos cientistas. �
A seguir, você e seus colegas realizarão uma atividade parecida. a:
ü
Reúnam-se para observar as relações alimentares em determinado local,
ffi
procurando identificar teias e cadeias alimentares. Essa observação é a
primeira etapa de investigação. Com as informações obtidas, vocês pode­
rão pensar em perguntas mais específicas que gostariam de responder
· ou te1as
50 b re as ca d e1as · O b servadas. A observação é a primeira etapa da
investigação.

1 Atividades 1

MATERIAL
• Lápis. • Caderno para anotações.
• Câmera fotográfica ou celular que possua essa função (opcional).
PLANEJAR E COLETAR DADOS
1. Com orientação do professor, escolham o local de estudo.
2. Decidam quais informações vocês devem anotar. Registrem o nome (caso
vocês saibam) ou características que permitam identificar os seres vivos
observados, como forma do corpo, tamanho, formato da folha (no caso
das plantas) etc. Se possível, fotografem esses seres vivos.
3. Identifiquem relações alimentares no ambiente. Sejam bastante cui­
dadosos e não toquem nos seres vivos, pois eles podem apresentar
mecanismos de defesa como estruturas pontiagudas e substâncias
tóxicas.
TRABALHAR COM AS INFORMAÇÕES COLETADAS
4. Com a ajuda do professor, procurem descobrir o nome dos seres que
vocês observaram. Para isso, utilizem as anotações e as fotografias.
5. Produzam um texto que resuma as observações do grupo: identificação
do local e data das observações; listagem dos seres vivos observados;
descrição das relações alimentares observadas.
6. Compartilhem o texto com os demais grupos.
7. Formulem perguntas mais específicas sobre as relações alimentares
observadas. Em seguida, reflitam e discutam sobre como essas questões
poderiam ser respondidas.
AVALIAR A ATIVIDADE
8. Quais foram suas maiores dificuldades durante a execução da atividade?
9. Vocês mudariam algum procedimento da atividade? Em caso afirmativo,
indiquem-no e expliquem por que e como deveria ser alterado.
. ' :�"'- ...,'q'

'. :· ·<'-:7".' ..
TEMA _ _ . . "·
-:;,
.�·"' t., ::,,.. , . · -
· -: ,: . .· -._.
.:
.

As características vantajosas q ue permitem a sobrevivência e a re-


produção dos seres vivos em certas condições ambientais são chamadas
A sobrevivência adaptações.
de seres vivos em A seguir, vamos estudar exemplos de adaptações a algumas condições
ambientais.
diferentes
ecossistemas
depende de suas
adaptações. Ad t ões rela ionad s gua
A água é fundamental para a vida. Grande parte do corpo dos seres
vivos é composta de água e todos os organismos precisam dela para
sobreviver. Assim, em um ambiente natural, podemos encontrar uma
relação entre a disponibilidade de água e as adaptações apresentadas
pelos organismos a essa condição ambiental.
Entre os seres vivos que habitam ambientes muito secos, por exem­
plo, podem ser encontradas adaptações que possibilitam aproveitar ao
máximo a água disponível e evitar sua perda excessiva.
Já os organismos que vivem em ambientes aquáticos apresentam
O aguapé (Eichhornia crassipes) adaptações específicas a esse meio. O aguapé, por exemplo, possui
possui adaptações que lhe
permitem sobreviver e reproduzir­ características que permitem o acúmulo de ar entre suas células, possi­
-se em ambiente aquático. bilitando a flutuação na água.

As plantas em ambientes secos


As plantas de ambientes secos apresentam adaptações que possi­
bilitam a absorção e a retenção de água em seu organismo. Conheça
algumas dessas adaptações:
• Raízes mais longas, que alcançam depósitos subterrâneos de água.
• Raízes muito ramificadas, que possibilitam a absorção de maior quan­
tidade de água.
• Folhas reduzidas ou modificadas em espinhos, que diminuem a perda
de água por transpiração.
• Camada de cera sobre as folhas e o caule, que evita a perda de água.
• Armazenamento de água em partes da planta, como o caule e a folha.

O mandacaru (Cereus jamacaru) é um cacto nativo do Brasil


que apresenta várias adaptações à baixa disponibilidade de
água, como folhas modificadas em espinhos, armazenamento
de água no caule e uma grossa camada de cera sobre o caule
" que impede a perda excessiva de água.

m

Os animais em ambientes secos �
Os animais que habitam ambientes secos também apresentam adap- <D


tações específicas. Entre elas, podemos citar: 1s

• Revestimento impermeável do corpo, que evita a perda excessiva de água. �
• Menor produção de urina e/ou produção de fezes mais secas, o que "'N
contribui para a diminuição da perda de água pelo organismo.
• Hábito de viver em tocas. Como nas tocas geralmente há mais umidade
que no ambiente externo, os animais só saem delas nos períodos menos Animais que habitam ambientes
quentes do dia. secos podem apresentar
revestimento impermeável do
corpo, evitando assim a perda de
água, como a pele grossa, com
placas rígidas, do jacaré-de­
-papo-amarelo ( Caiman latirostris).

A raposa-do-deserto (Vulpes
macrotis) só sai da toca nos
períodos menos quentes do dia,
uma adaptação comportamental que
reduz sua perda de água para o meio.

Uma lição a ser aprendida com o besouro-da-namíbia


O besouro-da-namíbia (Stenocara gracilipes) tecnologias capazes de captar água diretamente
tem uma adaptação peculiar para lidar com a fal­ do ar. Isso traria benefícios para a humanidade,
ta de corpos-d'água e de chuva em seu hábitat: uma vez que atualmente quase 3 bilhões de
a captação de água diretamente do ar. pessoas vivem em áreas com escassez de água.
Embora o deserto da Namíbia, no sul da África,
seja um dos lugares mais secos da Terra, durante
a noite e pela manhã nevoeiros provenientes
do Oceano Atlântico chegam até ele. O besouro
então se desloca até o alto das dunas e levanta
a parte traseira do corpo, de forma a aumentar
seu contato com o nevoeiro. Como nas suas cos­
tas há um sistema de canais capaz de captar as
microgotículas de água suspensas no nevoeiro,
essas microgotículas vão se agregando até for­
mar gotas maiores, que escorrem pelos canais O besouro-da-namíbia (Stenocara gracilipes)
até a boca do animal. levanta a parte traseira do corpo contra o nevoeiro,
possibilitando a captação de microgotículas de
Essa engenhosa adaptação tem sido pesquisa­ água que, uma vez agregadas, formam gotas
da por cientistas com o objetivo de desenvolver maiores que se dirigem até seu aparelho bucal.

m
Adaptações relacionadas a temp ratura
"' A temperatura varia ao redor da Terra. Os ecossistemas pr9ximos aos
!
� polos estão submetidos a um clima mais frio do que aqueles localizados
nas proximidades da linha do equador.
1
z Outro fator que influencia a temperatura de um ecossistema é a altitude:
!
� locais mais altos são mais frios do que aqueles próximos ao nível do mar.
Alguns organismos vivem em ecossistemas com temperaturas muito
baixas, ao redor de O ºC, ao passo que outros habitam ecossistemas muito
quentes, com temperaturas de até 50 ºC. Tanto os habitantes de lugares
frios como os de lugares quentes apresentam adaptações a essas condições.
Cachorro ( Canis /upus familiaris)
transpirando pela boca.
Os animais em ambientes quentes
Muitos como os seres humanos, podem resfriar o corpo por meio de
uma adaptação que conhecemos bem: a transpiração. Ao transpirar, o
organismo libera suor pela pele. A evaporação desse suor contribui para
ffl o resfriamento do corpo. Em outros como os cães, a transpiração ocorre
J pelas almofadas das patas, pela boca e pelo nariz.
; Alguns podem evitar a elevação da temperatura do corpo por meio de
�cil determinados comportamentos adaptativos, como abrigar-se em lugares
ffi como tocas e frestas de rochas e ter hábito noturno.
!l;

:,
:,:
Os animais em ambientes frios
Em ambientes muito frios, os animais podem apresentar diferentes
O roedor Jaculus jacu/us pode ser
adaptações. Veja alguns exemplos:
encontrado em regiões quentes
e secas da Ásia Central, da Arábia • Grossa camada de gordura sob a pele e/ou pelagem comprida e abun­
e do norte da África. Além de ter dante ajudam a reter calor no corpo.
hábito noturno e produzir uma
urina bastante concentrada e • Ourante o inverno rigoroso, alguns animais entram em um sono profundo
fezes secas, ele cava tocas para se
abrigar das altas temperaturas e chamado hibernação. Nesse período, a temperatura corporal diminui,
da baixa umidade de seu hábitat. tornando-se próxima à do ambiente, e o animal utiliza como fonte de ener­
gia a gordura acumulada em seu corpo durante a estação mais quente.
• Quando começa o inverno, alguns animais migram para lugares mais
quentes. As migrações podem ocorrer também por outros motivos,
-
• C m reprod UÇaO e b USCa de aI'1mentO. clima

Há uma população de baleias


jubarte (Megaptera novaeang/iae)
que habita o Atlântico Sul Ocidental.
Durante o verão, esses animais
ficam nas regiões polares para
alimentação. No inverno, migram
para a costa nordeste do Brasil,
especialmente o Banco de Abrolhos,
no sul da Bahia, com clima mais
quente, onde se reproduzem.

m
As plantas em ambientes frios
Algumas árvores de locais com invernos rigorosos perdem as folhas
no outono e entram em dormência, sobrevivendo ao frio do inverno.

w

.,
e ;:
g
·�
.2., �:i;


"t)

�w
�o a:
"' c3:i;
3.,
�"
o.
o

t!
� Uma mesma árvore do bordo
� (Acer sp.) na primavera (A}, no verão
(8), no outono (C) e no inverno
o
(D). (Connecticut, EUA.)

a:

VERIFICANDO A TEMPERATURA 3. Com um dos casacos de lã, cubram um dos potes


com água morna e façam o mesmo com um dos
Material
potes com água à temperatura ambiente. Deixem
• 4 potes de vidro idênticos com tampa.
os quatro potes no mesmo local.
• Água morna do chuveiro.
4. A cada dez minutos, meçam a temperatura da
• Água à temperatura ambiente. água em cada pote.
• 1 termômetro.
Registre em seu caderno
• 2 casacos de lã.
1. O que aconteceu com a temperatura em cada
Procedimento pote que inicialmente continha água morna?
1. Em grupos, encham dois potes com água morna e 2. Qual é a relação entre o que foi verificado na
os outros dois com água à temperatura ambiente. atividade e a pelagem espessa de alguns animais
2. Meçam e anotem em um caderno a temperatura que vivem em lugares frios?
da água nos quatro potes e fechem bem a tampa 3. O que ocorreu com os potes que inicialmente con­
de cada um deles. tinham água à temperatura ambiente? Explique.

III
TEMAS REGISTRE EH SEU CADERNO

ORGANIZAR O CONHECIMENTO É encontrado no Canadá, no norte dos Estados


1. Reproduza a tabela a seguir no caderno e dis­ Unidos, na Europa e na Ásia. Ele se alimenta de
tribua na coluna correspondente as adaptações muitos animais, como insetos, coelhos, roedores
abaixo relacionadas. e até de alguns tipos de aves e anfíbios. Por outro
• Transpiração lado, é presa de animais como corujas, linces, ga­
• Raízes mais longas viões, raposas e falcões. Durante os meses mais
• Grossa camada de gordura sob a pele quentes do ano, sua pelagem é marrom-aver­
• Migração melhada (com a parte ventral branca), áspera e
• Permanência em locais sombreados pouco densa, mas durante o inverno ela se torna
• Hibernação branca, sedosa e bastante densa.
• Revestimento impermeável do corpo a) Cite uma característica apresentada no texto
• Folhas reduzidas ou modificadas em espinhos que possibilita a sobrevivência do arminho no
clima frio do inverno.
Ambiente Ambiente Ambiente
quente frio seco b) A diferença na coloração da pelagem do armi­
nho durante o ano pode ser considerada uma
adaptação? Justifique.

ANALISAR COMPARTILHAR
2. Observe a tira e responda. 4. Leia o texto e faça o que se pede.
A divulgação científica é uma tarefa desafia­
dora, mas essencial para que as descobertas e as
polêmicas da Ciência se tornem acessíveis para
a população. É feita por diversos profissionais,
não somente cientistas, por meio de artigos de
revistas e jornais, livros, filmes, documentários,
blogs, exposições etc. Temas como as adaptações
a) Por que você acha que o Cascão prefere uma dos seres vivos fornecem ótimas oportunidades
planta como o cacto? para mostrar como a ciência pode ser intrigante.
b) Quais características permitem a sobrevivên­
cia de uma planta em ambientes secos, como
gosta o personagem?
3. Analise as fotos, leia o texto e faça o que se pede.
Marcelo Leite,
conhecido
jornalista brasileiro
especializado em
divulgação científica.

• Em grupo, façam uma pesquisa sobre a im­


portância da divulgação científica. Além disso,
selecionem exemplos de como essa divulgação
é realizada, assim como de pessoas envolvidas
nesse trabalho.
Arminho com pelagem típica Arminho com pelagem • Pensem em uma forma de divulgar o que
de primavera e verão. típica de inverno.
aprenderam sobre o assunto. Definam o pú-
0 arminho (Mustelaerminea) é um animal que blico-alvo, o meio de divulgação e o conteúdo
mede de 20 a 35 centímetros de comprimento. a ser apresentado.

m
A Ecologia tem história
A Ecologia como disciplina científica é um empreendimento recente. O termo foi
cunhado em 1866 pelo zoólogo alemão Ernest Haeckel, e os primeiros passos para
a organização da disciplina foram dados por volta de 1890. Contudo, observações e
registros das interações ecológicas se estendem desde as origens da Ciência, com as
civilizações grega e árabe - só para mencionar algumas -, ainda na Antiguidade, até
os dias de hoje.
AI-Jahiz, nascido em 776 d.C., em Basra, cidade do atual Iraque, foi um autor de
destaque em sua época e já reconhecia os efeitos dos fatores ambientais na vida dos
animais. Escreveu uma enciclopédia de 7 volumes, com histórias e observações sobre
mais de 350 animais. Aparentemente, foi um dos primeiros autores a discutir algo
semelhante às cadeias alimentares.

Os mosquitos saem à procura de sua comi­


da, uma vez que sabem, instintivamente, que
o sangue é a coisa que os faz viver. Logo que
avistam o elefante, hipopótamo ou qualquer
outro animal, eles sabem que a pele foi feita
para servir-lhes de alimento; e perfuram-na
com suas probóscides, certos de que suas
estocadas estão perfurando fundo o suficiente
e são capazes de alcançar e tirar o sangue.
Moscas, por sua vez, embora se alimentem de
muitas e diversas coisas, principalmente ca­
çam o mosquito... Todos os animais, em suma,
não podem existir sem comida, nem pode o
animal que caça escapar de ser caçado, por Página de O Livro dos animais, de AI-Jahiz,
escrito no século VIII d.C.
sua vez.
Trecho do livro The Book of animais, de Al-Jahiz, em: EGERTON, F. N. GLOSSÁRIO
2002. A History of the Ecological Sciences, part 6: Arabic Language
Science - Origins and Zoological Writings. Bulletin of the Ecological
Society ofAmerica, v. 83 (2), p.142-146. Disponível em: <http://esapubs. P SL•d apêndice alongado presente na cabeça de
org/bulletin/current/history_list/history_part6 .pdf>. Acesso em: alguns invertebrados.
mar. 2015. Traduzido pelos editores. =s e a: ato de perfurar com instrumento pontiagudo.

1 Atividades
1. De que forma a descrição de AI-Jahiz se aproxima 350 a.e., e que esse livro teria lhe inspirado em suas
do conceito de cadeia alimentar da Ecologia atual? obras. Da mesma forma, as histórias de AI-Jahiz se
Discuta com os colegas. tornaram populares e influenciaram outros autores.
2. Como você interpreta a última frase do texto? Discuta com os colegas a relação desses fatos com
3. Estudiosos acreditam que AI-Jahiz teve acesso a a importância para a Ciência da colaboração, do
uma tradução para o árabe do livro Historia Ani­ registro, da conservação e do acesso à informação
malium, escrito pelo filósofo grego Aristóteles em ao longo do tempo.

m
Meio ambiente

Explorar o tema vos do mundo. Como fazem parte da maioria


das cadeias alimentares dos oceanos, diversas
TEXTO 1 espécies dependem deles de alguma forma.
Estudos indicam que os recifes de corais abri­
O que são corais? gam 25% das espécies marinhas. Contudo, são
Os corais são animais marinhos que geral­ ecossistemas extremamente frágeis, sensíveis
mente vivem em colônias compostas de até a alterações na quantidade de luz solar que
milhões de indivíduos. Essas colônias são os recebem ou na temperatura da água onde vi­
principais formadores dos chamados recifes vem. E, quando são afetados, os outros seres
de corais, estruturas que podem alcançar ta­ vivos que dependem deles para alimentação,
manhos incríveis. A Grande Barreira de Corais, suporte ou proteção também são prejudicados.
localizada na costa da Austrália, por exemplo, Apesar de sua importância, os recifes de co­
possui mais de 2.000 quilômetros de extensão. rais estão ameaçados de extinção. De acordo
Os corais formadores de recifes desenvol­ com o projeto Reefs at Risk Revisited do World
vem-se melhor em águas claras e rasas das Resources Institute (WRI), cerca de 75% dos re­
regiões tropicais e subtropicais do planeta. A cifes de corais do mundo já estão ameaçados.
sobrevivência desses organismos está relacio­ Estima-se que, se a degradação continuar, esse
nada à sua associação com algas microscópicas número subirá para 90% até 2030 e para 100%
que vivem no interior de seus corpos. O coral em 2050. Além da degradação dos recifes e do
fornece um ambiente protegido para a alga viver ambiente marinho, acredita-se que uma das
e se reproduzir, enquanto a alga fornece ao coral principais ameaças aos corais é a elevação da
parte dos nutrientes que produz por meio da temperatura das águ as provocada pelo aque­
fotossíntese. Além disso, as algas são respon­ cimento global.
sáveis pela coloração diversificada dos corais. Assim como em outros países, a situação
Os recifes de corais são considerados um dos recifes de corais no Brasil também é preo­
dos ecossistemas mais complexos e produti- cupante •
@
:i;

Trecho da Grande Barreira de

Corais da Austrália (2014).
estas pequenas aves migratórias costumavam São José do Rio Preto {SP), como em Barretos
chegar no Brasil e de buscar informações com [SP], não chegou uma única andorinha-azul.
autoridades e ambientalistas nos locais onde Em Manaus [AM], das mais de 200 mil que
ele não pode visitar, Dalgas Frisch falou desa­ migravam todo ano, este ano [2006] deveria
nimado: "Perdemos mais de 90% das andori­ ter um quinto delas".[...]
nhas e batuíras que migram todos os anos dos A primeira consequência é ambiental.
Estados Unidos e Canadá para o Brasil fugindo Segundo os pesquisadores, cada andorinha se
do forte inverno no hemisfério norte. Foi uma alimenta de mais de 2 mil pequenos insetos
verdadeira desgraça". E a causa é conhecida: por dia, como pernilongos, mosquitos, brocas,
os furacões Katryna, Rita e Wilma. sugadores de cana-de-açúcar, vaquinhas-de­
"Para se entender um pouco a gravidade -feijão etc. Elas praticam o verdadeiro controle
da situação" - diz Dalgas- "a cidade de Ribei­ biológico de pragas [...].
rão Preto {SP) costumava receber na segunda
Fonte: GORGULHO, S. Catástrofe com as andorinhas-azuis. Folha do
semana de dezembro cerca de 100 mil ando­ Meio. Disponível em: <http://www.folhadomeio.com.br/publix/fma/
rinhas. Este ano [2006] não tinha 10 mil. Em folha/2006/02/aves165.html>. Acesso em: mar. 2015.

Atividades
OBTER INFORMAÇÕES PESQUISAR
1. Quando e por que as andorinhas-azuis viajam? 9. Pesquise sobre o mito grego de Procne e
2. Por que a viagem das andorinhas-azuis é anual? Tereu e escreva um texto contando essa
história. Em classe, compare sua pesquisa
3. Qual é a relação entre a mitologia grega e o com as dos colegas, levantando possíveis
nome científico da andorinha-azul? diferenças.
4. Por que os indígenas brasileiros deram às
10. "Elas praticam o verdadeiro controle bioló­
andorinhas o nome "taperá"?
gico de pragas [...]." Pesquise o significado
INTERPRETAR de "controle biológico" e relacione-o com o
exemplo das andorinhas.
5. Os furacões Katryna, Rita e Wilma ocorreram
entre agosto e outubro de 2005, afetando os REFLETIR
EUA, o México e ilhas caribenhas. Relacione
esse fato com o baixo registro de andorinhas 11. Nos Estados Unidos, as andorinhas-azuis
no Brasil no começo de 2006. foram quase extintas por perderem o há­
bitat onde se reproduzem, uma vez que as
6. A viagem empreendida pelas andorinhas­ florestas foram substituídas por extensas
-azuis todo ano pode ser considerada um tipo áreas agrícolas. No entanto, os agriculto­
de adaptação? Explique. res logo se depararam com um problema
7. Durante as estações quentes (primavera e grave: suas plantações foram fortemente
verão) no hemisfério sul, a proliferação de atacadas por insetos, tanto adultos como
insetos é maior que no resto do ano. Relacione larvas. Isso implicaria perda de parte da
esse fato com a catástrofe tratada no texto 2. produção e exigiria um grande gasto com
8. Quais consequências (ambientais, econômi­ agrotóxicos.
cas, de saúde pública etc.) a queda na popula­ • Suponha que você seja um agricultor dessa
ção de andorinhas que chegou ao hemisfério região e, com base em seus conhecimentos
sul entre o final de 2005 e o início de 2006 sobre a biologia da andorinha-azul, propo­
pode ter provocado? nha soluções para o problema exposto.

m
Um biorna é
O S b I• O mas
composto de O estudo da biosfera revela que as regiões da Terra diferem entre si
ecossistemas que com relação a vários aspectos ambientais, como o clima (principalmente
compartilham certas a regularidade das chuvas e a temperatura), o solo, a disponibilidade
de água e a altitude. Os seres vivos que habitam as diversas regiões do
características planeta estão sujeitos à influência desses fatores ambientais.
ambientais, como A biosfera é constituída de inúmeros ecossistemas distintos, que são
vegetação, fauna, agrupados em biornas. Biorna é um conjunto de ecossistemas contíguos
clima e relevo. que compõem um ambiente uniforme no que se refere a padrões de
vegetação, fauna, clima, relevo e solo.
Os ambientes terrestres do planeta podem ser agrupados em sete
GLOSSÁRIO biornas principais: tundra, taiga, floresta temperada, floresta tropical, sa­
vana, pradaria e deserto. Os biornas podem receber nomes particulares em
C g que está próximo
regiões diferentes; por exemplo, no Brasil, o biorna do tipo floresta tropical
ou vizinho; adjacente.
recebe o nome de Floresta Amazônica no norte e de Mata Atlântica no litoral.

..
TRÓPICO DE cANCER

EQUADOR

OCEANO

J]<ó�ICO _l?I_QPRICÓRfY!._O__
PACÍFICO
"'

:;;<---
E

O� L
CIRCULO POLAR ANTARTICO __
S�E-

2610 km
- Floresta tropical - Floresta temperada / �L---.....J
� I'
Savana -Taiga

Deserto Tundra
Fonte: RICKLEFS, R. E. A economia da natureza. 6. ed. Rio de Janeiro:
Pradarias
Guanabara Koogan, 2010.
Tundra Taiga
Apresenta clima com temperaturas baixas, ventos Conhecida também como floresta de coníferas, localiza-se
constantes e poucas chuvas. Os invernos são longos, em regiões que possuem verões curtos, moderados
rigorosos e escuros, e os verões, curtos. A vegetação e úmidos, em contraste com os invernos longos, rigorosos
é constituída principalmente de gramíneas e plantas e secos. Sua vegetação é constituída principalmente de
baixas. (Yukon, Canadá, 2008.) coníferas, árvores como os pinheiros, que suportam o frio
intenso e a neve. (Sibéria, Rússia, 2013.)
iis "'
ª""
-W
O:<
o::,
ü-
-;::
gg
6"'
<

� a.

"O

·;

"O
�� Floresta temperada Floresta tropical
o
Apresenta chuvas moderadas e bem distribuídas ao longo do Apresenta clima quente e úmido e chuvas durante todo
ano. As estações do ano são bem definidas, com temperaturas o ano. Sua vegetação é densa e constituída de árvores altas,
3� que podem variar bastante. Durante o outono, as folhas de além de plantas menores. É o biorna de maior biodiversidade
algumas árvores mudam de cor e caem. (Quebec, Canadá, 2006.) do mundo. (Parque Estadual de llhabela, SP, 2013.)
a.
o

o
"O


<

Pradaria Savana
Também denominada campo, está localizada em áreas Localiza-se em regiões com verões quentes e chuvosos e
predominantemente planas, com poucas árvores e cobertas invernos secos. É caracterizada por áreas com gramíneas
de gramíneas. Os invernos são frios, e os verões, amenos; no altas, arbustos e algumas árvores de pequeno porte.
verão se concentram as chuvas. (Wyoming, EUA, 2011.) (Reserva Nacional Masai Mara, Narok County, Quênia, 2013.)

De olho no tema
1. Observe o mapa dos principais biornas do mun­
do e responda: quais são os principais biornas
presentes no Brasil?
Deserto 2. Como se caracteriza um biorna?
Região onde as chuvas são raras. A vegetação é ausente ou
escassa e as temperaturas variam bastante. De acordo com 3. A distribuição de um biorna pode mudar com o
a situação geográfica, o deserto pode ser frio, temperado ou passar do tempo? Justifique.
quente. (Parque Nacional do Vale da Morte, Califórnia, EUA, 2011.)
Os domínios
Um domínio
Domínio morfoclimático é uma área geográfica onde há predomi­
morfoclimático é uma nância de certas características de clima, relevo, hidrografia, vegetação
região geográfica e solo. Isso significa que o domínio geralmente é constituído por um
que pode abranger biorna típico predominante, mas também pode incluir outros tipos de
vários biornas, biorna em menor proporção. Por exemplo, um domínio em que o biorna
predominante é o de floresta tropical também pode incluir outros
sendo um deles o biornas, como os de savana e de pradaria.
biorna predominante Portanto, o biorna corresponde a uma região geográfica com carac­
terísticas uniformes, enquanto o domínio morfoclimático pode ser
mais amplo e heterogêneo ao longo de sua extensão.

Domínios brasileiros
O Brasil pode ser dividido emseis domínios morfoclimáticos e em áreas
de encontro entre domínios, chamadas faixas de transição.

• Domínio Amazônico. Região localizada no norte do país, com predo­


minância do biorna do tipo floresta tropical.
• Domínio Atlântico. Região situada na área costeira, com predominân­
cia do biorna do tipo floresta tropical.
• Domínio do Cerrado. Região que ocorre principalmente no centro do
país, com predominância do biorna do tipo savana.
• Domínio das Caatingas. Região que prevalece no nordeste do país,
com predominância do biorna do tipo savana.
• Domínio das Pradarias. Região própria do sul do Brasil, com predo­
minância do biorna do tipo pradaria.
• Domínio das Araucárias. Região localizada no sul do Brasil, com
predominância do biorna do tipo floresta subtropical.
As faixas de transição são áreas que apresentam um conjunto de ca­
racterísticas dos domínios que as cercam. Nessas áreas, as mudanças nas
características de relevo, clima, vegetação e fauna ocorrem de maneira
gradual. O Pantanal mato-grossense, por exemplo, corresponde à área
indicada pela letra C no mapa da página seguinte; trata-se de uma área de
transição que possui características do domínio Amazônico e do domínio
do Cerrado.

m
A degradação da Mata Atlântica
u,

i�
)
Mais de 61 % da população brasileira e também os grandes polos �
industriais, petroleiros e portuários do Brasil estão localizados em áreas �
onde anteriormente havia Mata Atlântica. �
Originalmente, a vegetação da Mata Atlântica ocupava 12% do territó- ;
rio brasileiro, estendendo-se do nordeste ao sul do país. Hoje, por causa
da intensa ação humana, restam cerca de 8,5% da floresta original, o
que corresponde a menos de 1 % do território brasileiro. Os trechos de
floresta mais preservados encontram-se na faixa litorânea dos estados O muriqui-do-norte, Brachyteles
hypoxanthus, é uma espécie
de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Até mesmo endêmica da Mata Atlântica que
esses trechos de floresta estão sob constante ameaça em função de está ameaçada de extinção.
desmatamento, degradação, poluição e caça.
O crescimento urbano sem limites e a agropecuária são as principais
causas de desmatamento. Muitas espécies endêmicas da Mata Atlântica
encontram-se ameaçadas de extinção, principalmente em decorrência
da destruição do seu hábitat natural.
1
"�
u,
w

1 ��
"� ::,

� �o
a,

"O u,
15
;;; z
�� ri"z
.,;

1a. w

;?;

l'
)t

t
1
l

No endereço
Área de Mata Atlântica desmatada. (São Sebastião, SP, 2013.) www.sosma.org.br/
você encontra informa­
ções sobre a fundação
De olho no tema SOS Mata Atlântica, uma
organização não gover­
1. Na Mata Atlântica existem mais de 20 mil espécies de plantas, sendo que namental que possui pro­
8 mil delas são endêmicas. Explique o que são espécies endêmicas e a jetos de conservação da
importância de conservar os locais onde vivem essas espécies. diversidade biológica e
2. Escreva um parágrafo relacionando algumas causas de desmatamento da cultural da Mata Atlântica.
Mata Atlântica e suas consequências. Acesso em: maio 2015.
A Floresta Amazônica A Floresta Amazônica
é a floresta tropical Quase metade do território brasileiro é ocupado pelo domínio Ama­
de maior extensão do zônico. O principal biorna que compõe esse domínio é a floresta tropical,
planeta. que recebe o nome de Floresta Amazônica. Essa floresta está localizada
em nove países da América do Sul, tendo maior extensão no Brasil.
DOMÍNIO AMAZÔNICO
As principais características da Floresta Amazônica são:
• Clima marcado por calor intenso e chuvas abundantes.
• Vegetação exuberante, composta de várias espécies de plantas, incluindo
árvores altas, com grandes copas e muitas plantas que vivem sobre seus
troncos, além de árvores de menor porte, arbustos e plantas rasteiras.
• Uma imensa rede de rios que constitui a Bacia Amazônica (rio Amazonas e
N
NE
:
*L
SO SE todos os seus afluentes) e corresponde a uma grande reserva de água doce.
s

1 1020km 1
• Grande diversidade de animais, que exploram os diversos estratos da
floresta, desde a copa das árvores mais altas até o solo.
Gráfico de biomas
Como você pôde perceber no estudo desta Unidade, temperatura e
pluviosidade (quantidade de chuvas) estão entre as principais caracterís­
ticas dos biornas. De fato, com base nas médias anuais de temperatura e
pluviosidade de uma região, podemos inferir o biorna em que ela se insere. GLOSSÁRIO
Observe o gráfico a seguir, que permite relacionar a quantidade anual Inferir: supor com base em
de chuvas (no eixo vertical) com a temperatura média anual (eixo hori­ conhecimentos prévios sobre
determinado assunto.
zontal). Nesse gráfico estão representados três biornas, identificados
por A, B e C.

Alta


A
õ: u
.e.
fs

fs
.g

B e
Baixa
Baixa Alta
Temperatura média anual

f Atividades R TRE' EH SEU CA

J ETAÇ- para desenhar um círculo que represente a


Analise o gráfico e identifique os biornas A, B e C região onde vocês moram.
como tundra, deserto ou floresta tropical. 4 No Brasil, dados a respeito do clima (como tem­
Copie o gráfico no caderno, incluindo os bio­ peratura e pluviosidade) são pesquisados há
rnas A, B e C. Desenhe agora um novo círculo muito tempo. Boa parte dessas informações é
(D) para representar o biorna floresta tempe­ disponibilizada para a população em atlas e sites
rada. Qual posição esse biorna deve ocupar? de entidades que estudam fatores climáticos.
Por quê? Utilize essas fontes de pesquisa para obter as
médias anuais de pluviosidade e de temperatura
da região onde você vive.
Você diria que a temperatura média anual da Com base nas informações obtidas na atividade
região onde vive é alta ou baixa? E a pluviosi­ 4, reveja com os colegas a resposta para a ativi­
dade? Discuta essas questões com os colegas dade 3. Vocês mudariam o ponto do gráfico que
e decidam qual seria o melhor ponto do gráfico representa a região onde moram? Justifique.

m
O domínio do O Cerrado
Cerrado é constituído O domínio do Cerrado é o segundo maior domínio morfoclimático
principalmente pela brasileiro, ocupando cerca de 20% do território nacional. Está localiza­
savana, biorna que do principalmente na região central do país, abrangendo dez estados
apresenta grande brasileiros. O biorna predominante nesse domínio é a savana, que nessa
região recebe o nome de Cerrado.
biodiversidade.
O Cerrado é caracterizado por:
• Clima com verão chuvoso e inverno seco.
• Área cortada por três bacias hidrográficas: Tocantins, São Francisco
e Prata.
• Grande biodiversidade, a maior entre as savanas do mundo.
A paisagem do Cerrado foi e continua sendo muito modificada, restando
menos de 60% de sua área original. Muitos rios foram contaminados com
mercúrio por causa do garimpo, e a vegetação nativa foi desmatada para
OCEANO
a comercialização de madeira, a produção de carvão, a expansão urbana
ATLANTJCO
e a agropecuária.

O fogo
O fogo é um importante fator ecológico no Cerrado e influencia o ciclo
de vida de diversas espécies. Algumas plantas, por exemplo, só produzem
flores e frutos após eventos de queimadas.

Animais que habitam o Cerrado:


(A) lobo-guará (Chrysocyon
brachyurus), mamífero carnívoro,
do mesmo grupo dos cães, lobos
e raposas; (B) seriema da espécie
Cariama cristata, ave cujo canto
marcante pode ser ouvido a mais
de um quilômetro de distância. Fogo no Cerrado. (Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, GO, 2010.)

m
Eventos naturais como os raios podem provocar fogo na
vegetação, sobretudo na transição entre as estações seca e chuvosa,
1
(
quando as plantas estão secas.
No caso das queimadas naturais, o fogo geralmente não dura
muito porque logo em seguida chove e ele se apaga, deixando
apenas pe­quenos focos de incêndio. No entanto, atualmente muitas
queimadas decorrem de ações humanas, em especial aquelas
relacionadas à agro­pecuária. O uso frequente e indiscriminado do
No campo limpo há apenas
fogo em vastas áreas, ao contrário do fogo natural episódico, pode plantas rasteiras, com poucos
levar à diminuição da diversidade de espécies e à alteração da arbustos. (Palmas, TO, 2013.)
vegetação do Cerrado.

As fisionomias do Cerrado
O Cerrado abriga campos de herbáceas, com maior ou menor
presença de árvores e arbustos, o que resulta em fisionomias diferentes
da vegetação. Geralmente a vegetação apresenta características rela­
cionadas com o clima seco, o fogo e o solo ácido e de baixa fertilidade
dessa região.
FISIONOMIAS DO CERRADO
O cerradão apresenta árvores
Ê
15 0 de grande porte adaptadas ao
ambiente seco. (Parque Nacional
';;;" 10 10 das Emas, GO, 2014.)
....,
::::,

<t 5
GLOSSÁRIO
Campo limpo Campo sujo Campo cerrado Cerrado Cerradão Gradiente: variação gradativa,
isto é, que aumenta ou
No Cerrado, existe um gradiente de fisionomias relacionadas, que vai diminui pouco a pouco.
dos campos abertos sem árvores (campo limpo) às florestas fechadas (cerradão). Beneficiamento: operação
pela qual passam
determinados produtos
agrícolas antes de serem
industrializados ou
FRUTAS DO CERRADO distribuídos para o consumo.
As frutas do Cerrado ainda são pouco conhecidas de grande parte da popu­ Envolve etapas como
lação brasileira. Muitas delas, como a cagaita e o buriti, são ricas em vitaminas e limpeza, descascamento e
em outras substâncias que fazem muito bem para a saúde. O umbu, a mangaba, descaroçamento.
o cajá-manga e o murici são bastante utilizados em sucos e sorvetes.
O pequi é uma fruta muito apreciada na culinária do Cerrado. A tradição do
pequi na alimentação do Cerrado tem origem indígena. O nome da fruta vem do
tupi e significa "casca espinhosa", por causa de seu caroço repleto de espinhos. Faça uma pesquisa sobre
Com a retirada da vegetação para plantas endêmicas do Cer­
as atividades de agricultura e pecuá­ rado. Procure informações
ria na região, o número de árvores de sobre as adaptações que
muitas espécies diminuiu. No entanto, elas apresentam e que lhes
alguns projetos de conservação estão permitem sobreviver nesse
tentando preservar as riquezas naturais ambiente. Apresente suas
e culturais do Cerrado. Para isso, têm descobertas em um texto
sido adotadas estratégias de replantio explicativo. Você pode com­
e de beneficiamento e comercialização plementar com ilustrações
das frutas desse biorna. Pequi. ou fotografias.
A Caatinga é a savana A Caatinga
semiárida do Brasil. O domínio das Caatingas, que em tupi significa "mata branca", ocupa
cer­ca de 10% do território brasileiro, distribuindo-se pelos estados da
região Nordeste e por Minas Gerais. O principal biorna que compõe esse
domínio é a savana, ali chamada de Caatinga. A Caatinga ocorre
exclusivamente no Brasil. Apesar de às vezes ser considerada um biorna
pobre, apresenta grande diversidade de espécies de plantas, muitas das
quais são endêmicas.
As principais características da Caatinga são:
• Clima semiárido, quente e com pouca chuva.
• Chuvas concentradas principalmente entre janeiro e junho. No período
de seca, a temperatura do solo (que pode atingir 60 ºC) e a forte in­
cidência da luz solar aceleram a evaporação da água das lagoas e dos
rios, caracterizando a Caatinga seca. Durante o período de chuvas, a
água encharca o solo, as plantas formam folhas e o verde toma conta
da paisagem, caracterizando a Caatinga verde.
Mesmo durante a estiagem (período de seca), os rios São Francisco
e Parnaíba não secam completamente. Esses rios permanentes provêm
água durante todo o ano.
GLOSSÁ IO Mais de 30% da paisagem natural do domínio das Caatingas já foi
modificada. Atualmente ocorre um processo intenso de desertificação,
De e ifcação. processo
de modificação do ambiente em decorrência da substituição da vegetação natural por campos cultiva­
que leva à formação de uma dos e pastagens, principalmente por meio de queimadas. O desmatamento
paisagem seca ou de um para extração de madeira, utilizada na produção de lenha e de carvão
deserto propriamente dito.
vegetal, e a retirada de argila para olarias também ameaçam esse domínio.

(A) Caatinga seca. (B) Caatinga verde. Observe as diferenças da vegetação entre as duas fotos.
(Salgueiro, PE, 2010.)

m
Grande parte dos Pampas está devastada: 54% de sua paisagem
natural já foi modificada, dando lugar principalmente a pastos para
criação de gado e de outros rebanhos. Nesses pastos, o capim nativo é
substituído por capim exótico, isto é, que não é natural dessa região. A
intensa atividade agrícola, especialmente de arroz, milho, trigo e soja,
também tem contribuído para esse processo de degradação, promovendo
o desgaste do solo.

De olho no tema
1. Assim como a maioria
dos outros domínios
Paisagem de um banhado nos Pampas. (São José dos Ausentes, RS, 2008.)
morfoclimáticos do Bra­
sil, os Pampas estão
sendo devastados em
decorrência de uma
série de atividades hu­
manas. Nessa região,
uma das grandes res­
ponsáveis pela degrada­
ção tem sido a pecuária.
Em sua opinião, o que
favoreceu o desenvol­
vimento da criação de
Criação de ovelhas em área originalmente coberta por vegetação típica
animais nos Pampas?
dos Pampas. (Santana do Livramento, RS, 2011.)
2. Ao longo desta Unida­
de, foram mostrados
diferentes exemplos de
interferência humana
no ambiente; a maior
Quem vai cuidar dos Pampas? parte deles constitui
Os Pampas fazem parte de um dos biornas menos protegidos do agressões à nature­
Brasil. Este é o domínio morfoclimático com menor área de preser­ za. Por outro lado, há
vação. Nele estão localizadas diversas fontes importantes de água. muitas pessoas enga­
Sua vegetação abriga animais polinizadores fundamentais para a jadas na preservação
produção de vegetais utilizados na alimentação humana. O capim é ambiental. Com seus
colegas, citem exemplos
fonte de alimento para o gado. Suas paisagens, belíssimas, atraem
de pessoas, projetos ou
turistas em busca de contato com a natureza.
organizações que vocês
Pensando em todas essas características, que profissionais poderiam conheçam que sejam re­
participar de projetos e da formulação de leis de conservação dos Pam­ lacionados a esse objeti­
pas? Que questionamentos você deve ter em mente antes de responder? vo. Qual é a importância
Converse com seus colegas e apresentem as ideias ao professor. desse trabalho?
O Pantanal
O Pantanal é
O Pantanal é uma grande planície inundável e, no Brasil, ocupa cerca de
um ambiente 150 mil km2 , sendo encontrado nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso
caracterizado do Sul. Além do Brasil, o Pantanal estende-se pelo Paraguai e pela Bolívia.
por alagamentos
periódicos. Essa região caracteriza-se por:
• Clima marcado por verões úmidos e quentes e invernos secos e frios.
• Típico alagamento periódico dos rios, que está relacionado ao clima e
à baixa inclinação da região pantaneira.
Há dois períodos evidentes que caracterizam o alagamento periódico: o
das cheias, época em que até dois terços da área são cobertos pelas águas;
,,, e o das vazantes, quando as áreas alagadas secam gradativamente.

j O Pantanal abriga um grande número de espécies, muitas das quais


podem ser encontradas em outros domínios brasileiros.
As principais atividades humanas no Pantanal são a pecuária, a pesca,
o turismo, a mineração e a agricultura. Muitas vezes essas atividades são
realizadas de maneira ilegal e descontrolada, provocando a degradação
desse ambiente.

(A) Pantanal mato-grossense em época da cheia. (Poconé, MT, 2013.)


(8) O tuiuiú, Jabiru mycteria, também conhecido como jaburu,
é a ave-símbolo do Pantanal mato-grossense.

l
CHEIAS E VAZANTES NO PANTANAL

A cheia A vazante Os pastos, renovados pela maté-


Durante a estação das
chuvas, os rios transbor­ ria orgânica trazida pela água,
dam e alagam os campos, cre�cem verdes, atrai�do cervos,
_
[ capivaras e outros an1ma1s.
onde se formam banhados
e lagoas temporários.

Quando as chuvas param e os


Com a inundação, rios voltam a seus leitos, milhões
os peixes espalham-se por ----' de peixes ficam aprisionados nas Fonte: GOMES, L.; VILLELA, R.
toda a área inundada do lagoas. É um banquete para aves, A descoberta do paraíso. Veja,
Pantanal. jacarés e ariranhas. São Paulo: Abril, 2 jun. 1999.
Manguezais

Nas regiões tropicais do planeta, em algumas áreas de transição


entre ecossistemas terrestres e marinhos, encontramos os manguezais.
Nesses ambientes, há grande abundância de populações de seres vivos.
No Brasil, os manguezais são encontrados do Amapá a Santa Catarina,
podendo ser incluídos entre os ambientes naturais mais produtivos
de nosso país.
O manguezal é um ecossistema alagadiço, com solo de lama. É inundado
duas vezes ao dia durante as marés cheias e sofre grande influência da água
doce dos rios. A água nos manguezais é salobra, ou seja, menos salgada O guará (Eudocimus ruber) é uma
das aves típicas dos manguezais
que as águas oceânicas e mais salgada que as águas dos rios, tendo baixo
da América do Sul, geralmente
teor de gás oxigênio. encontrado em bandos.
As árvores do manguezal geralmente são dotadas de adaptações que
lhes permitem se fixar no solo mole desse ambiente. Além disso, algumas
espécies possuem adaptações que possibilitam a sobrevivência no solo
pobre em gás oxigênio.
Muitas famílias que habitam a região litorânea próxima aos manguezais
sobrevivem do extrativismo de animais desse ecossistema, como mariscos e
caranguejos. Os troncos das árvores do manguezal também são muitas vezes O caranguejo chama-maré
utilizados para a construção de casas, extração de lenha, carvão e tanino. (Uco sp.) é encontrado em
manguezais e muito apreciado
pelos guarás.

Manguezal, com detalhe do sistema de fixação das árvores.


(Ilha do Cardoso, Cananeia, SP, 2012.)
A compreensão das paisagens
O modo de se compreender e fazer ciência mudou muito ao longo do
tempo. Veja, por exemplo, estas duas representações científicas da Mata
Atlântica.
A primeira ilustração foi retirada da obra Flora brasiliensis, pro­
duzida por Carl Friedrich Philipp von Martius e colaboradores, entre
1840 e 1906, durante uma expedição científica no Brasil. Embora as
duas imagens representem o mesmo biorna, elas são claramente muito
diferentes. Na época em que Martius viveu, muitos cientistas que es­
tudavam as paisagens naturais julgavam importante descrevê-las em
detalhes, procurando até mesmo transmitir as sensações subjetivas
que esses locais proporcionavam. Atualmente, no entanto, a ciência
valoriza as informações objetivas, como o número de espécies e o
tamanho delas - informações presentes na ilustração mais atual, de
. Luiz Fernando Silva Magnago e colaboradores.

.
"'
"C
a:
<
CJ
-8
o
�o
.� a,
õ:
:,
o

õi

Q.
g,
'.8

i
z
o
"C


�,; � a,


e.

e.

Representação de trecho da Mata Atlântica obtida de: Flora brasiliensis, de C. F. P. 1 Atividades


von Martius et ai., v. 1, parte 1, prancha 36, 1906.
1. Converse com seus
18
colegas:
16 • Na visão de cada um
14 de vocês, quais infor-
12 mações na imagem
10 1 são objetivas? Quais
8
são subjetivas?
6
4
2. Quais são as princi-
2 pais diferenças entre
as duas imagens? Que
50m informações estão pre-
Representação de trecho da Mata Atlântica obtida de: Gradiente sentes em uma e ausen-
fitofisionômico-edáfico em formações florestais de Restinga no Sudeste do tes na outra?
Brasil, de L. F. S. Magnago et ai. Acta Boi. Bras., São Paulo, v. 24, n. 3, set. 2010.

1D
Animal precisa de registro Trocar ideias sobre o tema
Animais silvestres - tartarugas, papa­
gaios, araras, canários, curiós, tucanos, emas, 3. Um pai, à procura de um presente para o aniver­
jacarés, capivaras, coelhos, borboletas etc. - sário de 14 anos do filho, encontrou um vendedor
podem ser vendidos desde que tenham uma clandestino que lhe ofereceu um belo papagaio­
autorização especial. -de-peito-roxo. O pai ficou encantado e decidiu
levar a ave, uma gaiola com bebedouro e um
Lojas e sites que comercializam esses bichos
pacote de ração para aves. Ao ganhar um animal
precisam ser registrados no Ibama. O bicho
tão diferente e bonito, o garoto ficou muito feliz.
precisa ter nota fiscal com o número do registro
da loja, a espécie e a identificação individual Passada a euforia do momento, a gaiola com a ave
do animal. foi colocada na área de serviço e ninguém mais
Pássaros, por exemplo, devem portar uma deu atenção ao papagaio. O adolescente apenas
anilha, que é um anel plástico inviolável, conten­ fornecia água fresca e ração todos os dias e man­
do o número de identificação. Outras espécies tinha a gaiola limpa. Após dois meses, o animal
podem trazer um microchip com a identificação. começou a não querer comer e se tornou apático.
Pouco tempo depois, ele morreu.
O jovem proprietário da ave, sem entender a cau­
sa da morte de seu animal, resolveu se informar.
Descobriu, então, que a espécie de seu bicho de
estimação tem como hábitat matas secas e pi­
nheirais e que necessita de buracos em troncos
de árvores para fazer seu ninho. Descobriu ainda
que esse animal gosta de frutas e sementes,
o que fez o garoto lembrar que havia dado um
· pedaço de banana apenas uma vez ao papagaio.
Mutum-do-nordeste Depois de refletir, imaginou que o animal talvez
(Pauxi mitu) de tivesse morrido de desnutrição e depressão.
criadouro de Poços a) O que o pai deveria ter feito antes de comprar
de Caldas, MG o papagaio?
(2011). Note a anilha
t------i de identificação na b) Como o garoto deveria ter cuidado do papagaio?
85cm
pata do animal.
4. Suponha que você e seus pais estejam caminhando
Fonte: RAPPA, C. Bichos são transportados em canos e porta-malas
pelo tráfico de animais. Folha de S.Paulo, 4 maio 2013 na rua e uma pessoa se aproxime com uma caixa,
(Suplemento Folhinha). Disponível em: <http://www1.folha.uol.com. dizendo que vende papagaios. Mostra uma caixa
br/folhinha/2013/05/1272756-animais-silvestres-sao-vítimas-de­
comercio-proibido.shtml>. Acesso em: maio 2015. com cerca de 10 desses animais e diz que terá de
sacrificá-los se não conseguir vendê-los. O que
Interpretar vocês fariam nessa situação?

1. O tráfico de animais é a terceira atividade cri- Compartilhar


minosa mais lucrativa do mundo, ficando atrás 5. Em grupo, elaborem uma campanha de conscien­
apenas da venda ilegal de armas e drogas. Qual é tização sobre o comércio ilegal de animais silves­
a principal atitude que um cidadão pode ter para tres. Busquem informações no site do Ibama, de
ajudar a combater o comércio ilegal de animais ONGs como a Renctas e a WWF, em jornais, revistas
silvestres? Justifique. etc. Escolham um tipo de tráfico de animais, por
2. Cerca de 400 animais são retirados da natureza exemplo: aves do Brasil, marfim de elefantes e
por dia, mas 90% deles morrem antes mesmo de chifre de rinocerontes da África, golfinhos no Peru
chegar ao destino final. Quantos animais morrem etc. Façam uma videorreportagem de divulgação
enquanto um é vendido ilegalmente? dessa campanha.

m
Texto 1 bem próximo, a menos que as circunstâncias
que ameaçam a sua sobrevivência e reprodu­
ção melhorem.[...]
Entenda a classificação da Lista
Vermelha da IUCN Em perigo ou Endangered (EN): Quando a
melhor evidência disponível indica que uma
Em 1964, a União Internacional para a Con­ espécie provavelmente será extinta num fu­
servação da Natureza e dos Recursos Naturais turo próximo.[...]
{IUCN) criou o que veio a se tomar o maior catá­ Criticamente e m Perigo ou Em Perigo
logo sobre o estado de conservação de espécie de Crítico ou Critically Endangered (CR): [...] São
plantas, animais, fungos e protozoários de todo aquelas que enfrentam risco extremamente
o planeta: a Lista Vermelha de Espécies Amea­ elevado de extinção na natureza.[...]
çadas (em inglês, IUCN Red List ou Red Data List). Extinta na Natureza ou Extinct in the Wild
Segundo a própria organização, esta compi­ {EW): Uma espécie é presumida como tal
lação tem como objetivos: fornecer informações quando estudos exaustivos em seus hábitats
com base científica sobre o estado das espécies conhecidos e/ou esperados[...] não conseguem
e subespécies em um nível global; chamar a encontrar um único indivíduo. São espécies
atenção do público para a magnitude e a impor­ conhecidas por sobreviver apenas em cativeiro
tância da biodiversidade ameaçada; influenciar ou como uma população naturalizada fora de
legislações e políticas nacionais e internacio­ sua área natural.[...]
nais; e fornecer informações para orientar as Extinta ou Extinct, em inglês {EX): Quando
ações para conservar a diversidade biológica. não há qualquer dúvida razoável de que o
último indivíduo morreu, a espécie é consi­
Categorias derada "Extinta". O momento de extinção é
As espécies são classificadas em grupos, geralmente considerado como sendo a morte
definidos através de critérios que incluem a do último indivíduo da espécie.[...]
taxa de declínio da população - entendida A versão mais recente da Lista Vermelha foi
como o número de indivíduos por espécie-, o lançada em 19 de junho de 2012, na Cúpula
tamanho e distribuição da população, a área de da Terra da Rio +20. [ ... ]
distribuição geográfica e grau de fragmentação. Fonte: (O)ECO. Entenda a classificação da Lista Vermelha da IUCN,
Dicionário ambiental. Disponível em: <www.oeco.org.br/dicionario­
Pouco ambientaV27904-entenda-a-classificacao-da-lista-vermelha-da-iucn>.
Extinto preocupante Acesso em: maio 2015.
Ameaçado
1

@®® ®@
1
Texto 2
® @)
Segura ou pouco preocu pante ou Least Extinta da natureza, ararinha-azul
Concern, em inglês (LC): Esta é a categoria de uiue em cativeiros de quatro países
risco mais baixo [...]. Você não deve ter visto uma ararinha-azul
Quase ameaçada ou Near Threatened, em voando por aí. O animal é considerado extinto
inglês (NT): A espécie é incluída nesta catego­ na natureza: em 2000, a última sumiu.
ria quando [...] está perto de ser classificada Mas já deve ter visto a ararinha no cinema
ou provavelmente será incluída numa das ou na TV Ela é a estrela da animação Rio, do
categorias de ameaça[...] diretor brasileiro Carlos Saldanha.
Vulnerável ou Vulnerable (VU): Uma espécie No filme, a arara Blu, que mora nos Estados
está "Vulnerável" quando as melhores evidên­ Unidos, descobre ser a penúltima da espécie.
cias disponíveis indicam que enfrenta um risco Precisa viajar ao Rio para conhecer a única
elevado de extinção na natureza em um futuro fêmea e ter filhotes com ela.

m
---- -
- - - -
Casal de ararinhas-azuis
(Cyanopsitta spixi1) em cativeiro.

Jade e Blu, as ararinhas-azuis do filme Rio (2011).


Na vida real, é parecido. O Projeto Ararinha
na Natureza, associação entre o ICMBio (Insti­
tuto Chico Mendes de Conservação da Biodi­ ATIVIDADE
versidade) e empresas, luta para salvar a ave.
"I
Mas, diferentemente do filme, não restam OBTER INFORMAÇÕES
só duas aves no mundo. Atualmente são 86, 1. O que é a Lista Vermelha da IUCN?
; distribuídas em cativeiros do Brasil, da Ale­
manha, da Espanha e do Qatar. Z. Quais são os critérios usados para classifi­
car as espécies nas diferentes categorias
Existem dois cativeiros brasileiros, ambos da lista?
no interior de São Paulo. Os locais não são

} revelados, para evitar que as ararinhas sejam


roubadas por traficantes de animais silvestres.
O objetivo dos países que guardam as aves é
3. Qual é a diferença entre uma espécie clas­
sificada como "extinta na natureza" e uma
"extinta"?
o mesmo: fazer com que tenham filhotes para INTERPRETAR
que possam voltar ao hábitat natural, a Caa­
tinga nordestina, entre Bahia e Pernambuco. 4. Em qual categoria da Lista Vermelha a
"Precisamos ter 150 ararinhas em cativeiro ararinha-azul deve ser classificada de acor­
para que possamos soltá-las", explica Ugo do com as informações do segundo texto?
Vercillo, coordenador do ICMBio e do projeto, 5. No filme Rio, a ararinha-azul Blu nasce na
criado em 2012. Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro. Qual
"É importante que sempre tenhamos é o domínio morfoclimático dessa área? E
ararinhas em cativeiro, como uma poupança. qual é o domínio onde está localizado o ver­
Para isso, é preciso que nasçam 30 aves em dadeiro hábitat natural da ararinha-azul?
cativeiro por ano. Atualmente, nascem sete."
REFLETIR
A previsão é que em 2021 elas possam ser
soltas.[...] 6. Para reverter a condição de extinta na natu­
Como em Rio, as ararinhas se apaixonam. reza, uma solução pode ser a reintrodução
Costumam ter só um namorado ou namorada da espécie em seu hábitat natural. O Projeto
na vida. A reprodução nos cativeiros só ocorre Ararinha na Natureza, além de estabelecer
quando as aves encontram seus parceiros. uma população selvagem da espécie, tem
Fonte: WOLF, L. Extinta da natureza, ararinha-azul vive em cativei­
como objetivo garantir a proteção de seu
ros de quatro países. Folha de S.Paulo, 21 set. 2013 (Suplemento hábitat. Por que essa proteção do hábitat
Folhinha). Disponível em: <http://wwwl.folha.uol.com.br/
folhinha/2013/09/1345102-extinta-da-natureza-ararinha-azul­
é importante? Como ela pode ser realizada?
vive-em-cativeiros-de-quatro-paises.shtml>. Acesso em: maio 2015.

m
• •
Desde sua formação, A Terra
há cerca de Terra, com letra inicial maiúscula, é o nome do planeta onde vivemos,
4,6 bilhões de anos, situado no Sistema Solar. Mas terra também é a palavra usada para de­
a Terra vem signar o solo, que é a camada mais superficial do planeta; nesse caso,
ela é escrita com letra minúscula.
sofrendo constantes
Antigamente, não existia tecnologia para ver o planeta do espaço. As
transformações. pessoas apenas imaginavam como era sua forma. Muitos pensavam que
a Terra era plana, achatada como um livro. Essa ideia foi contestada por
filósofos e astrônomos gregos com base na observação de alguns fatos. Um �
deles é bem fácil de perceber: quando uma embarcação se afasta da costa, !
1
inicialmente vemos seu casco desaparecer no horizonte. Somente depois �

desaparecem o mastro e outras partes mais altas. �o
Atualmente, conhecemos a forma da Terra e sabemos que ela se as­
��
semelha a uma esfera, mas não é perfeitamente redonda.
o
A Terra se modifica
-8
Provavelmente, você já viu notícias sobre terremotos e vulcões que �
entraram em erupção. Esses fenômenos provocam mudanças drásticas �

na superfície da Terra. Veja as imagens a seguir.
o
"' 1
8
1-
"ª�
(/)
z a:

:::J

w
w

w
w

Imagens de satélite de uma mesma área antes (A) e depois (B) do devastador
tsunami ocorrido no Oceano Índico em dezembro de 2004. Essa onda gigantesca
foi causada por um terremoto subaquático e atingiu a costa sudoeste da Tailândia.

m
O exemplo do tsunami mostra que a Terra não permanece sempre
igual. A superfície de nosso planeta vem se modificando continuamente,
desde sua formação, há cerca de 4,6 bilhões de anos. Acredita-se que, no No portal do Banco Inter­
começo, a Terra era muito quente, coberta de vulcões; não havia ocea­ nacional de Objetos Digitais,
do Ministério da Educação,
nos. Com o tempo, sua temperatura diminuiu, a água se acumulou e isso
é possível acessar os obje­
culminou na formacão dos mares. tos digitais "O tsunami na
Comente com a turma que, no Brasil, são encontrados apenas vulcões extintos e os terremotos são, na

" ---------
maioria, de pequena intensidade, não causando grandes danos. Ásia" e "Simulador de ondas
do tsunami", que mostram
como se formou e se pro­
pagou a onda gigante que
atingiu diversos países em
2004. Para acessá-los, bus­
Q.
que no endereço http://
o
objetoseducacionais2.
mec.gov.br/
Acesso em: maio 2015.
"
o

{l

·� Esta representação artística ilustra a maneira como os pesquisadores imaginam


que seria a superfície da Terra em seus primórdios. Desde que se formou, nosso
{l
� planeta passou por muitas modificações. Essas mudanças nunca pararam de
"o acontecer: as transformações fazem parte da natureza.



Existe uma variedade de processos modificadores da Terra. O interior
De olho no tema 1.
Q. do planeta, por exemplo, é muito quente, constituído por rocha derretida
que participa da formação dos terremotos e das erupções vulcânicas. Já
.2'
Reúna-se com um colega
a energia proveniente do Sol aquece a água e o ar, movimentando-os. Os
.g
;i; e discutam se já viram o
� seres vivos também modificam a superfície do planeta. que acontece com as em­
"
Ii Algumas transformações da Terra são rápidas e provocam efeitos barcações quando elas se
afastam da costa em direção
bem perceptíveis, como um terremoto, uma erupção vulcânica ou um ao horizonte, Em seguida,
tsunami. A maioria das mudanças, no entanto, é muito mais difícil de procu rem explicar como
ser percebida, pois é lenta e acontece ao longo de milhões de anos. Uma veríamos uma embarcação
dessas mudanças lentas é a formação do solo: cada centímetro de solo afastando-se da costa se a
pode levar até 400 anos para ser formado. Terra fosse plana. Elaborem
desenhos ou esqu emas
que representem as duas
situações,

Todos os seres vivos interagem com


o ambiente e o modificam. As araras
Ara sp., por exemplo, fazem seus
ninhos na encosta de barrancos,
modificando a paisagem. (Parque
Nacional de Manu, Peru, 2006.)
O estudo do interior da Terra
Como j á vimos, a superfície da Terra modifica-se continuamente. O
As erupções que acontece no interior do planeta provoca diferentes efeitos em sua
superfície. Para entender como isso se dá, é preciso estudar a estrutura
dos vulcões, os
interna e a história da Terra.
terremotos e
Não é possível chegar até as camadas mais internas da Terra, pois a
outros fenômenos temperatura e a pressão são altíssimas. O interior do planeta só pode
naturais ajudam a ser estudado indiretamente; uma das formas de fazer isso é analisar
compreender como é "pistas", como tremores de terra ou o material que chega à superfície
pelas erupções vulcânicas.
a Terra internamente.
Quando um vulcão entra em erupção, por exemplo, vemos o material
avermelhado e quente que sai, com muita força, de seu interior. Esse
material é chamado de lava e é constituído principalmente de rocha
derretida. Podemos imaginar, portanto, que o lugar de onde a lava vem,
no interior da Terra, é muito quente. Podemos imaginar também que
esse material está submetido a uma pressão muito forte, pois
geralmente "espirra" ao ser expelido do vulcão.

Analisando tremores de terra


Há muito tempo a humanidade tenta
prever quando um terremoto vai acon­
tecer. Até hoje, não foi criado nenhum
método capaz de fazer isso com pre­
cisão, mas há diversos equipamentos
capazes de detectar os movimentos que
acontecem no interior da Terra.
Os sismógrafos são instrumentos
que monitoram, detectam e registram "
o:

sinais de tremores de terra. Com base "


nos dados obtidos, os cientistas po­
dem ter acesso a informações como
hora, duração e intensidade dos tre­
mores. Os registros possibilitam ainda
Cientista pesquisando vulcão identificar a origem dos tremores. Sismógrafo.
Kilauea. (Havaí, EUA, 2012.)

m 1

1
__J
DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DAS PRINCIPAIS PLACAS LITOSFÉRICAS

;�eL
S7f'ÇE

- - Área de afastamento de placas


- - Área de colisão de placas
.. I 2.170 km I

::;: Área de deslizamento de placas Fonte: Atlas geográfico: espaço mundial.São Paulo:
Modema,2013.p.19

Algumas evidências do movimento das placas tectônicas GLOSSÁRIO


Os continentes nem sempre foram como são hoje: eles já estiveram Al ado fóssil. qualquer
unidos e, ao longo de milhões e milhões de anos, foram se afastando. evidência de vida passada
(milhões de anos atrás),
Atualmente, sabe-se que as placas litosféricas juntaram-se e dividiram­ como restos de organismos
-se várias vezes ao longo da história do planeta. preservados em rochas
Entre as evidências dos movimentos das placas litosféricas está a ou marcas deixadas nos
sedimentos, como pegadas,
forma da costa dos continentes, como a América do Sul e a África, que excrementos, sementes etc.
parecem se "encaixar". Outra evidência são os achados fósseis de plan­
tas e de animais muito parecidos encontrados em formações rochosas
semelhantes, nos diferentes continentes, indicando que um dia eles já
estiveram unidos.

De olho no tema
Analise os mapas a seguir e compare-os com o mapa da distribuição das principais
placas litosféricas no planeta deste Tema. Você percebe alguma relação entre eles?
Qual? Explique.

Fonte: Adaptado de IBGE.Atlas geográfico escolar.


3.ed.Rio de Janeiro: JBGE, 2006.

m
Consenso científico·• um caminho tortuoso
Nos dias de hoje, a teoria das placas tectônicas A biologia trazia informação de apoio: fósseis
é amplamente aceita pela comunidade científica. de animais mais ou menos parecidos e do mesmo
Em outras palavras, podemos dizer que há con­ período podiam ser encontrados tanto na América
senso entre os cientistas sobre a estrutura da do Sul como na África [...].
Terra: aceita-se que a litosfera está dividida em A hipótese da deriva continental teve pouco êxito e
placas que flutuam sobre rocha derretida. Mas em geral não foi muito bem recebida pela comunidade
nem sempre foi assim. geológica. A verdade é que tinha uma grande falha:
"[...] Em 1912 o meteorologista e geólogo Alfred Wegener era incapaz de propor um mecanismo que
Wegener (1880-1930), propôs a ideia de que os explicasse os motivos desta deriva e a forma pela
continentes em algum momento estiveram com­ qual os continentes podiam vencer o enorme atrito
primidos em um só protocontinente que chamou que implicava arrastar-se sobre o leito marítimo [...].
de Pangeia ('todas as terras') e que ao longo do No entanto, em 1929, [ ... ] Arthur Holmes
tempo se havia partido, formando os continentes (1890-1965) trabalhou uma hipótese diferente:
atuais, que se haviam "movido" até o lugar que abaixo da crosta, existia um mar de rocha fundida (o
ocupam agora e que, em princípio, continuavam manto) e, dentro do manto, as zonas mais profundas
movendo-se. Wegener partia do fato desconcer­ e quentes subiam em forma de correntes de lava,
tante de que as costas da África e da América do elevando-se desde as profundezas até resfriar-se
Sul parecem encaixar-se como as peças separadas e voltar a cair, formando verdadeiros jatos de rocha
de um quebra-cabeças [...]. ardentes que sobem e depois, baixam. [...]
Em 1967 Dan McKenzie (1942-) utilizou pela
primeira vez o termo 'placas' em um artigo publica­
Eurásia
LAURÁSIA do na revista Nature para descrever esses blocos
:América
do Norte maciços que 'flutuavam' sobre o manto. Esse foi o
-- -,4.ifG E Ã -· -· - acontecimento que faltava à teoria, que pouco a
América África
do Sul \/11 p..tlP.. pouco passou a ser aceita no mundo científico. [...]
G O ti o 1ndia Austrália
Era o começo da tectônica de placas que, como
Antártica
toda boa teoria, permitiu explicar e prever muitos
Wegener chamou de Pangea (pan = todo; gea = Terra) o fenômenos que viriam e que, por sua vez, permiti­
supercontinente que teria começado a se fragmentar há
cerca de 220 milhões de anos. Inicialmente, essa divisão ram lapidá-la e melhorá-la."
teria gerado dois continentes: Laurásia, ao norte,
Fonte: MOLEDO, L.; MAGNANI, E. A estrutura da Terra e a teoria da
e Gondwana, ao sul. deriva continental. ComCiência - Revista Eletrônica de Jornalismo
Fonte: TEIXEIRA, W. et ai. (Orgs.) Decifrando a Terra. científico, jul. 2010. Disponível em: <www.comciencia.br/comciencia/
São Paulo: Oficina de Textos, 2000. p. 98. handler.php?section=8&edicao=58&id=734>. Acesso em: maio 2015.

1 Atividades
A teoria de Wegener tinha uma falha que determinou Com base no texto e nas informações acima, discuta
sua rejeição pela comunidade científica. Mas outros com os colegas:
fatores também podem ter contribuído para isso, por 1. Que parte do texto aponta a falha na teoria de We­
exemplo: a) o meio científico acreditava fortemente
gener? Explique essa falha.
que o interior da Terra era estático; b) Wegener era
muito jovem e, na época, não se valorizavam cientistas 2. Que fatores podem levar à rejeição ou aceitação de
com menos de 40 anos de idade; c) Wegener publicou uma teoria?
seus estudos em alemão, dificultando o acesso àqueles 3. Qual é o papel da comunidade científica no aperfei­
que não dominavam a língua. çoamento das teorias ao longo do tempo?

m
As rochas são · Tipos de rocha
classificadas Como sabemos, o planeta Terra está em constante transformação. Isso
de acordo com acontece também com as rochas que constituem a crosta terrestre. Po­
sua origem. Elas demos dizer que as rochas se formam e se transformam constantemente
no planeta. Isso significa que um tipo de rocha pode se transformar em
podem ser ígneas,
outro. Vamos, primeiro, conhecer alguns tipos de rocha, de acordo com
sedimentares ou sua formação.
metamórficas.
Rochas ígneas �
As rochas ígneas (ignis, do latim, significa "fogo") também são chama­ -8

das magmáticas. Essas rochas são produzidas pelo resfriamento e pela !


1
-8
solidificação do magma. �
Dependendo do local onde o material se solidificou, as rochas ígneas
'O


o

podem ser vulcânicas ou plutônicas. -�_,


a,


As rochas vulcânicas formam-se na superfície da Terra, quando a lava 1
dos vulcões extravasa e se solidifica rapidamente. O andesito, a pedra­
-pomes e o basalto são exemplos de rochas vulcânicas. o
'O


As rochas plutônicas são formadas quando o magma se solidifica �
lentamente abaixo da superfície terrestre, a muitos quilômetros de
profundidade. Normalmente têm o aspecto de uma rocha maciça, com o

minerais bem constituídos, de tamanhos diferentes. É o caso do granito.


a:

w
a:


©

(A) Fragmento (cerca de 15 cm)


de andesito, uma rocha ígnea
vulcânica. (B) Fragmento (cerca Falésias de basalto, um tipo de rocha Pedreira de extração de granito, um
de 20 cm) de riólito, uma rocha ígnea vulcânica. (Morro das Furnas, exemplo de rocha ígnea plutônica.
ígnea vulcânica porosa. Torres, RS, 2009.) (ltu, SP, 2009.)

m
Rochas sedimentares

As rochas sedimentares, como arenito, argilito, varvito e calcário, são ETAPAS DO PROCESSO
resultantes do acúmulo de fragmentos, em geral provenientes de outras DE SEDIMENTAÇÃO
rochas. Esses fragmentos são denominados sedimentos.
Acompanhe o esquema ao lado. O acúmulo de sedimentos pode ocorrer,
CD
por exemplo, na margem de um rio, no fundo do mar (1) ou em uma praia.
Como os sedimentos se acumulam continuamente, o material concentra-se
em camadas (2), e a parte que está embaixo é submetida a uma pressão
cada vez maior, de modo que acaba se compactando e endurecendo.
Camadas de
As rochas sedimentares podem apresentar camadas e, às vezes, conter sedimentos
restos de animais e plantas que viveram no planeta em épocas remotas,
os fósseis (3).
©
"'z
w

:::,

w
�m Camadas de
.,, "'
ü
e z
w sedimentos
-�
j a: Camada mais nova
,!l
"' (com fósseis de
,!l
o 0 organismos mais
� recentes)

m


� Camada mais antiga (com fósseis
de organismos mais antigos)
0
Esquema das etapas do processo
de sedimentação das rochas.
Rochas sedimentares. (Parque Geológico do Varvito, ltu, 2013.) (Imagens sem escala;
cores-fantasia.)
Rochas metamórficas Fonte: TEIXEIRA, W. et al. (Orgs.). Deci­
frando a Terra. São Paulo: Companhia
As rochas metamórficas são resultantes da transformação de todos Editora Nacional, 2009.

os tipos de rocha - ígneas, sedimentares e das próprias metamórficas-,


que estiveram submetidos a altas pressões e temperaturas nas partes
profundas da crosta. A ardósia, o mármore, o quartzito, o gnaisse e a
pedra-sabão (esteatito) são exemplos de rochas metamórficas.

0
"' �"'a: "'
ê"'a: �
w
:::,
"'êa:
w
§ �w>
J:
:::,

�> �o.w
J: J:
o
a,
w
ga: ��
a:
"'
::;
i15

Fragmentos de: (A) gnaisse (cerca de 15 cm), (8) ardósia (cerca de 20 cm) e (C) mármore (cerca de 15 cm).

m
As rochas se transformam
Desde o início da formação da Terra, as rochas vêm passando por
transformações. Cada tipo de rocha (ígnea, sedimentar e metamórfica)
pode transformar-se em outros tipos. As transformações ocorrem por
uma série de processos complexos. O granito, por exemplo, que é uma
rocha ígnea plutônica, quando submetido a altas pressões e tempera­
turas, pode se transformar num gnaisse, que é uma rocha metamórfica.
Submetido a outros processos na superfície terrestre, o granito pode se
transformar em arenito, que é uma rocha sedimentar.

As aplicações das rochas


As rochas são fundamentais para a civilização humana, tanto na cons­
trução de casas, edifícios e monumentos como na extração de minerais.
As rochas ígneas são amplamente utilizadas na construção civil, em pi­
sos, revestimento de paredes, tampos de pias de banheiros e de cozinhas,
em calçamentos de ruas e como um componente do concreto. Esse tipo
de rocha pode ser esculpido e transformado em objetos de decoração.
A pedra-pomes, por sua leveza e porosidade, é utilizada para a esfoliação
da pele e para o polimento de objetos, entre outros
usos.
As rochas metamórficas também são amplamente
empregadas na construção civil como revestimento
de pisos, paredes e bancadas de pias, bem como na
confecção de tampos de mesas e esculturas.
As rochas sedimentares, como os arenitos,
podem ser utilizadas como revestimento de
calçadas, pisos e paredes.

Rochas são empregadas na construção de


monumentos. A estátua "A Justiça", localizada no
Supremo Tribunal Federal (Brasília), por exemplo,
foi feita de granito pelo artista plástico mineiro
Alfredo Ceschiatti (1918-1989).
(Brasília, DF, 2008.)
Já os calcários são usados na agricultura para aumentar a fertilidade
do solo e, na construção civil, como matéria-prima para a fabricação de
cal e cimento. As rochas sedimentares também estão relacionadas com
importantes fontes de energia, já que nelas são encontrados depósitos
de combustíveis fósseis, como o petróleo.

Saiba mais!
O QUE O PETRÓLEO TEM A VER COM AS ROCHAS?
O petróleo é uma substância de origem orgânica, mais especificamente de origem
fóssil, que levou milhões de anos para ser formado. De maneira simplificada,
podemos dizer que o petróleo é resultante da decomposição de organismos do
passado, sob condições especiais.
Boa parte do petróleo existente no mundo está armazenado em rochas sedi­
mentares, no fundo dos mares. Depois de ser extraído, o petróleo é refinado
e dá origem a diferentes produtos, como gasolina, óleo diesel e lubrificantes,
entre outros. Por ser um produto não renovável, suas reservas se esgotarão; a
ciência e a tecnologia trabalham para desenvolver produtos que substituam o
petróleo algum dia.

De olho no tema
O carvão mineral é uma rocha formada por sedimentos de
plantas, animais e algas acumulados e submetidos a pressões
e temperaturas elevadas ao longo de milhões de anos.
Uma das características dessa rocha é que ela é combustí­
vel. Por isso, é utilizada na geração de energia elétrica nas
chamadas usinas termoelétricas.

1. Pelas informações do texto, é possível saber que tipo de


rocha (ígnea, sedimentar ou metamórfica) é o carvão
mineral?
2. Pesquise e responda: qual é a participação do carvão mine­
ral na geração de energia elétrica brasileira? Que problemas
ambientais esse tipo de geração de energia provoca? Mina de carvão mineral. (Minas do Leão, RS, 2008.)

m
Colecão de rochas
Como você pôde perceber ao estudar esta Unidade, a diversidade
de rochas é muito grande. Uma forma interessante de conhecer me­
lhor essa enorme variedade é fazer uma coleção de rochas. Você pode
iniciar sua coleção com amostras recolhidas perto de sua casa e, com
o passar do tempo, adicionar rochas coletadas em viagens, trazidas
por colegas etc.
Exemplo de coleção de rochas.

Atividades REGISTRE EM SEU CADERNO 1

MATERIAL
• Recipiente para armazenar as amostras de rochas (caixas vazias de
ovos ou recipientes plásticos com divisórias, por exemplo).
• Etiquetas adesivas para identificar as rochas. GLOSSÁRIO
• Caderno para catalogar as informações. Catalogar· listar informações
básicas sobre pessoas ou
• Opcional: lupa com poder de ampliação em torno de 10 vezes. coisas de maneira ordenada e
fácil de ser consultada.
PLANEJAR
1. Com a ajuda da turma e do professor, planejem como será feito o ca­
tálogo. Algumas informações importantes são: tipo de rocha (ígnea,
sedimentar ou metamórfica), nome da rocha (se vocês souberem),
data e local da coleta e o nome de quem a coletou. Tenham em mente
que cada amostra deverá ser etiquetada com um número de catálogo
diferente. Esse número deve ser registrado também no caderno, junto
com as demais informações sobre a rocha.
Z Definam o número de amostras que serão coletadas inicialmente e o
local onde a atividade será realizada.

COL TAR E CATA O AR


Ao encontrar uma amostra de seu interesse, procure identificar o tipo
de rocha com base no que você estudou no Tema 5. Nesta etapa, a lupa
pode ajudar bastante.
Coloque uma etiqueta com o número de catálogo na rocha, para que
Para saber mais sobre
mais tarde você possa preencher o caderno com as informações
a montagem de uma
sobre ela.
coleção de rochas, acesse
a página da internet: www.
cprm.gov.br/publique/
As amostras coletadas podem ser expostas para outras pessoas. Se cgi/cgilua.exe/sys/start.
possível, fotografem cada rocha e disponibilizem as imagens e as infor­ htm?infoid=1073
mações sobre elas num blog ou em redes sociais, para que mais pessoas &sid=129
possam conhecer a coleção de vocês. Acesso em: maio 2015.

m
Trabalho infantil na mineração
[...] O relatório de 96 páginas, "Labuta tóxica: trabalho infantil �a:"'
e exposição ao mercúrio nas minas de ouro de pequena escala

Í
da Tanzânia", descreve como milhares de crianças trabalham em �
minas de ouro de pequena escala, licenciadas e não licenciadas, na
Tanzânia, o quarto maior produtor de ouro da África. Elas cavam �
e perfuram jazidas instáveis e profundas, trabalham em locais
subterrâneos em turnos de até 24 horas, transportam e trituram
pesados sacos de minério de ouro. As crianças arriscam sofrerem
lesões pelo desmoronamento da jazida e em razão de acidentes
com ferramentas, além do risco de sofrerem danos à saúde, de Adolescentes tanzanianos
longo prazo, causados pela exposição ao mercúrio, por respirarem garimpando ouro em Shinyanga,
poeira e carregarem cargas pesadas.[...] Tanzânia (2010).
O emprego de crianças em minas perigosas é uma das piores
formas de trabalho infantil, conforme apontam os acordos inter­ GLOSSÁRIO
nacionais aos quais a Tanzânia é signatária.
Labu a: trabalho, serviço.
''A Tanzânia possui, no papel, leis firmes que proíbem o trabalho Si 0natá ia aquele que assina
infantil na mineração, mas o governo pouco fez para aplicá-las", um documento.
afirma Uanine] Morna [pesquisadora da Human Rights Watch]. málga a liga metálica
"Os auditores do trabalho precisam visitar regularmente minas em que um dos metais é o
licenciadas e não licenciadas e garantir que os empregadores mercúrio.
sejam punidos pelo uso do trabalho infantil."
As crianças mineradoras e as que moram nas proximidades das
áreas de mineração correm o grave risco de envenenamento por
mercúrio. O mercúrio ataca o sistema nervoso central e pode causar
invalidez permanente nas crianças[...]. Os mineradores, incluindo
as crianças, misturam o mercúrio com minério triturado e queimam
o amálgama do ouro com mercúrio para soltar o
ouro, se expondo ao gás venenoso do metal.[...]
A maioria dos mineradores adultos e crianças '--...,. w

não sabe desses riscos à saúde. Os profissionais


w
da saúde carecem de treinamento e instalações
e não possuem instrumentos para diagnosticar
w
ou tratar envenenamento por mercúrio.[...]
A Tanzânia ajudou a confeccionar um trata­
do global [chamado Convenção de Minamata]
para reduzir a exposição ao mercúrio em todo
o mundo, celebrado por mais de 140 governos
� EQUADOR
em janeiro de 2013.[...]
Trabalhar nas minas interfere na educação
das crianças. Crianças que trabalham na mine­ OCEANO
ATLÂNTICO
ração deixam de frequentar as aulas e, por fim,
acabam desistindo da escola. Professores conta­ N

ram à Human Rights Watch que a participação e IO


TfiÓ__P!_C9Jl!QP.J!IÇQ'!J'I
--
*
N
-
NE
-L-
0
o desempenho escolar diminuem quando minas SO SE
de ouro são abertas na região. Além disso, mui­ s

tos adolescentes procuram trabalhos de período


r.r:'11

O solo é fundamental O que é solo e como ele sustenta a vida?
para a manutenção Solo é a camada mais superficial da crosta terrestre e, em linguagem
da vida em nosso popular, é chamado de terra. É constituído de grãos minerais, água, ar,
planeta. seres vivos e restos de organismos mortos e em decomposição.

VIDA NO SOLO

Piolho-de-cobra

Centopeia
Roedor_______�

Orelha-de-pau (fungo)

Lesma

Tatuzinho-de-

Fungos e bactérias
(decompositores)

Formiga Minhoca
Representação de uma porção do solo mostrando que ela pode abrigar grande
diyersidade de organismos. (Imagem sem escala; cores-fantasia.)
Fonte: VÁRIOS AUTORES. Ecologia. Rio de Janeiro: Abril/Time-Life, 1995. (Coleção Ciência e Natureza)
Id
!
ffi
Intemperismo físico
ô O intemperismo físico, ou fragmentação das rochas, ocorre quando
�N agentes físicos, como as variações de temperatura, a ação do gelo, o cho­
z
que com partículas transportadas pelos ventos etc., quebram as rochas.
Por exemplo, com o calor do Sol, as rochas se dilatam. À noite, quando
esfriam, elas se contraem. Esse fenômeno, repetido durante longos
períodos, faz com que as rochas se quebrem em pequenos fragmentos.
Nos países de clima frio, o gelo também leva à fragmentação das rochas:
a água infiltra-se nas fraturas nelas presentes e, ao se transformar em
gelo, aumenta de volume, forçando e ampliando essas fraturas. Com a
repetição desse processo, as rochas se desagregam.

Intemperismo químico
O intemperismo químico, ou decomposição das rochas, acontece
Parque Estadual de Vila Velha,
quando os minerais que as constituem sofrem alterações em sua com­
onde podemos observar o
resultado do intemperismo posição. Os principais agentes do intemperismo químico são a água e
físico nas rochas. (Ponta Grossa, os gases da atmosfera. A água da chuva, que transporta substâncias
PR, 2014.)
presentes na atmosfera, promove a decomposição dos grãos minerais,
alguns deles fragmentados pelo intemperism·o físico. Com isso, ocorre
a formação de novos minerais e a composição inicial do solo se altera.

LIQUENS
Você já ouviu falar em liquens? Já viu algum?
Os liquens conseguem viver em locais com poucas condições para o
desenvolvimento de outras espécies, como superfícies de rochas expostas.
Eles também são encontrados em troncos de árvores e no solo. Os liquens
A cor marrom-avermelhada em auxiliam na formação do solo, pois liberam substâncias que intensificam
parte desse fragmento de rocha o intemperismo químico.
basáltica evidencia o processo de
intemperismo químico. A mudança
de cor evidencia a alteração da
composição mineral da rocha.

Liquens crescendo sobre rochas.

Faça uma pesquisa sobre os liquens e responda às questões a seguir.


1. O que são liquens?
2. Como os liquens conseguem viver em locais sem condições para o
desenvolvimento da maioria das outras espécies de seres vivos?

m
A composição do solo
O solo é constituído de materiais inorgânicos e materiais orgânicos.
• Materiais inorgânicos do solo são a água, o ar e os grãos minerais.
Os grãos minerais são originários das rochas e podem ser resultado
de intemperismo físico e químico. De acordo com o tamanho, esses
grãos são classificados em areia, silte e argila. A areia é o material
mineral composto de grãos maiores, com tamanho entre 0,06 e
2 milímetros. O silte é composto de grãos com tamanho entre 0,004
e 0,06 milímetro. A argila é constituída dos menores grãos minerais
do solo, com tamanho inferior a 0,004 milímetro.
• Materiais orgânicos do solo são organismos vivos (insetos, minhocas,
bactérias, fungos e outros) e matéria em decomposição, como restos Tamanho relativo das partículas
de areia, que estão na parte
de folhas e galhos de plantas, fezes de animais, entre outros. Juntos,
superior da escala, em
eles formam um material de coloração escura, o húmus, que favorece comparação com as partículas de
o enraizamento das plantas e a retenção de água. Todavia, os solos silte, que estão na parte inferior.
As partículas individuais de argila
com mais húmus não são necessariamente os mais férteis, pois nem não são visíveis mesmo com esse
sempre contêm a composição adequada de água e nutrientes de que aumento.
as plantas necessitam.

No endereço www.
planetseed.com/pt-br/
A fertilidade dos solos science/lab-activities/
As minhocas têm um papel importante na fertilidade do solo. Elas earth-science você
se alimentam de restos de plantas e de animais presentes no solo, e encontra experimentos
relacionados ao solo e ao
suas fezes cooperam para o crescimento das plantas. Além disso, ao
funcionamento da Terra.
cavar galerias, as minhocas deixam espaço para a entrada de água
Acesso em: maio 2015.
e de ar, aumentando a umidade e a aeração do solo.
Outros organismos também cooperam para a fertilidade do
solo. As formigas, por exemplo, cavam galerias, arejando o solo; as
bactérias e os fungos decompõem os materiais orgânicos do solo e
ajudam a liberar os nutrientes necessários para o desenvolvimento
das plantas.

De olho no tema
Você sabe de onde vêm as
frutas e as verduras que você
consome no seu dia a dia?
E o trigo para fazer o pão, o
macarrão e os biscoitos? E a
carne? Qual é a relação de
Minhocas (A) e formigas (8), ao cavarem galerias no solo, contribuem para todos esses alimentos com
sua umidade e aeração, pois abrem espaço para passagem de água e ar. o solo?

m
Cada tipo de solo Algumas características dos solos
tem características Se você já observou o solo de diferentes locais, deve ter percebido que
específicas. algumas características, como cor, quantidade de pedrinhas, de restos de
folhas e umidade, podem variar de um solo para outro. Vamos conhecer
algumas características utilizadas para analisar o solo.
• Coloração: a cor do solo varia de acordo com o material de origem e
a quantidade de matéria orgânica que contém. Quanto maior a quan­
tidade de matéria orgânica, mais escuro é o solo. Há solos brancos,
pretos, com diferentes tons de cinza, vermelho ou amarelo.
• Porosidade: está relacionada à quantidade e ao tamanho dos poros ou
espaços vazios que existem entre as partículas. Esses poros formam
depósitos de água e de gases (ar do solo).

POROSIDADE DE SOLOS ARENOSOS E ARGILOSOS

0 ©

Representação esquemática
comparando a porosidade de dois
tipos de solo. O solo (A) é mais
poroso que o solo (B),
pois os espaços entre suas Poros maiores Poros menores
partículas são maiores.
• Permeabilidade: está relacionada à comunicação entre os poros do
solo. Quanto maior a comunicação entre os poros, maior a permea­
bilidade do solo.
Tanto a porosidade quanto a permeabilidade são responsáveis pela
infiltração de água nas rochas localizadas abaixo dos solos. É essa infil­
tração de água que possibilita a formação de depósitos subterrâneos de
água, também chamados aquíferos. A porosidade e a permeabilidade
também são responsáveis pela entrada de ar no solo. O gás oxigênio, por
exemplo, é necessário para a respiração das raízes das plantas, assim
como de microrganismos e de outros seres que ali vivem.
• Estrutura: essa característica determina se o solo será solto ou terá
pedaços de terra maiores e mais sólidos, conhecidos como torrões.
• Consistência: está relacionada ao fato de o solo se manter solto ou
duro quando seco e pegajoso ou não quando molhado.
• Textura: depende da proporção entre areia, silte e argila no solo.

m
Tipos de solo
De acordo com a textura, os solos podem ser siltosos, arenosos, ar­
gilosos ou médios.
• Solos siltosos são solos mais jovens, pois contêm mais silte do que
areia e argila. São menos comuns no Brasil.
• Solos arenosos são aqueles em que predominam grãos de areia, com
menos argila e silte. Normalmente são pouco compactos, soltos e muito
permeáveis. Por terem pouca capacidade de reter água e nutrientes,
são mais secos e pouco férteis.
• Solos argilosos são aqueles em que predominam os pequenos grãos
de argila, embora também tenham areia e silte. Geralmente são pouco
porosos e têm baixa permeabilidade. Desse modo, possuem boa capa­
cidade de reter água e nutrientes para as plantas.
• Solos médios são aqueles que apresentam quase a mesma quantidade
de areia e argila, situando-se, por isso, entre os arenosos e os argilosos.
Podem ser favoráveis ao crescimento das plantas, mas tendem a ser
menos férteis que os solos argilosos.

IU·i11i·Hi·fUP Observe os diferentes tipos de


OBSERVANDO SOLOS solo de acordo com a textura.
(A) Solo arenoso. (8) Solo argiloso.
Material (C) Solo médio.
• Colher ou pá de jardim. • Folhas de jornal.
• Amostra de solo. • Palito de madeira.
• Copo plástico. • Lupa (opcional).
• Luvas.
Procedimento
Forme grupo com mais dois colegas. Usando luvas e acompanhados por
um adulto,- escolham um local para coletar uma amostra de solo com a co­
lher ou a pá de jardim. Pode ser próximo à casa de um de vocês, uma praça,
jardim ou plantação. A quantidade de amostra deve ser equivalente a um copo.
Na sala de aula ou no laboratório da escola, forrem uma mesa ou
parte de uma bancada com folhas de jornal. Despejem a amostra de solo
coletada. Com a ajuda de um palito de madeira, mexam na amostra para
observar as características desse solo: se tem muita ou pouca areia; qual é
a cor; se contém pequenos animais e galhos ou raízes de plantas etc. Caso
tenham uma lupa, examinem a amostra de solo com esse instrumento.
Anotem as observações no caderno. Troquem ideias com os integran­
tes dos outros grupos sobre as amostras de solo analisadas por eles e
compartilhem as observações.

Registre em seu caderno


1. As amostras de solo são todas iguais? Em que diferem?
2. Seria possível classificar os solos em relação à quantidade de húmus?
Que característica deveria ser observada para fazer essa classificação?

m
Uso dos solos brasileiros
No Brasil, fatores como a grande extensão do território e diferentes
tipos de solo possibilitam usos distintos da terra.
Grande parte dos solos brasileiros é usada na agricultura. A agricul­
tura cultiva não apenas alimentos para atender a população e para ser
exportados, mas também plantas usadas na produção de combustível e
de matérias-primas para a indústria.
A criação de animais também tem destaque no uso dos solos. Os
animais podem ser criados soltos ou confinados em espaços menores,
como currais ou galpões.

A agricultura é uma atividade que ocupa uma posição Cerca de 20% da área do território nacional é ocupada por
importante na economia de nosso país. Na imagem, cultivo pastagens para a criação de gado. Na imagem, criação de
de morango em Prudentópolis, PR (2014). bovinos em Aparecida do Taboado, MS (2013).

Outra atividade importante relacionada ao uso do solo é o extrati­


vismo, que consiste na retirada de recursos naturais com o objetivo de
obtenção de renda. O extrativismo vegetal é a extração de recursos ve­
getais do ambiente, como sementes, madeira, frutos etc. O extrativismo
mineral é a extração de minerais como ferro, manganês, cobre e alumínio.

De olho no tema
Na Região Norte do Brasil,
alguns recursos da Floresta
Amazônica são utilizados
de maneira sustentável por
cooperativas de moradores.
Uma dessas cooperativas
coleta e vende castanha,
extrai látex da seringueira e
óleo de copaíba.
• Esse tipo de atividade
está relacionado com o
O extrativismo foi uma das primeiras atividades econômicas realizadas no solo? Como? Que nome
Brasil. Na imagem, extração de ardósia, rocha metamórfica utilizada como piso recebe?
e revestimento na construção civil. (Felixlândia, MG, 2014.)

m
A erosão do solo pode levar ao assoreamento, que é o acúmulo de
materiais arrastados, normalmente pelas águas, em locais mais baixos de
rios,. lagos, córregos e açudes. O assoreamento pode chegar a impedir o
curso de rios e córregos, fazendo com que eles transbordem.
A erosão também pode acarretar a desertificação e a arenização
do solo, processos que transformam áreas próprias para a agricultura
em regiões não produtivas. Com a perda da parte mais superficial e
mais fértil do solo, que inclui a vegetação, as enxurradas carregam as
partículas mais finas (silte e argila), deixando apenas grãos de areia.

, ETAPAS DO PROCESSO DE EROSÃO

(1) A vegetação protege o solo contra a degradação provocada pela ação do Sol, do vento e das chuvas.
(2) Com o desmatamento, a erosão inicia-se.
(3) O solo desprotegido é atingido diretamente por chuva, vento e raios solares.
(4) O solo fica desertificado, com buracos profundos, e perde a fertilidade.
(Imagens sem escala; cores-fantasia.)
Fonte: LEPSCH, 1. F. Formação e conservação dossolos. São Paulo: Oficina de Textos, 2002.

Impermeabilização
Um processo de degradação do solo comum na área urbana é a im­
permeabilização, causada pela pavimentação do terreno, principalmente
por concreto ou asfalto, que impede a passagem da água da chuva. Sem
conseguir se infiltrar no solo, a água se acumula na superfície, podendo
provocar enchentes.

Poluição e contaminação
O crescimento populacional humano e a urbanização desordenada das
cidades são grandes causadores de impactos ambientais, responsáveis
por danos aos recursos naturais, como a água e o solo. As atividades
industriais, agrícolas, de mineração e domésticas podem ser fonte de
contaminação ambiental.
As indústrias podem gerar resíduos que são agentes de poluição e
con­taminação. As atividades de mineração, se não forem conduzidas
adequada­mente, podem causar remoção de grande quantidade de solo ou
sua poluição por substâncias tóxicas, gerando impactos no ambiente. A
falta de coleta e tratamento dos esgotos e do lixo também pode poluir o solo.
Diversas doenças podem ser transmitidas por microrganismos presentes no
solo contaminado.
O lixo sem tratamento adequado é um dos principais fatores de degrada­
ção do solo. Ele polui e contamina o ambiente, trazendo sérios riscos à saúde.
Um problema considerado grave
é o destino dos resíduos gerados Plásticos, pilhas, pneus, lâmpadas, materiais de construção, garrafas
pelas atividades humanas. de refrigerante, baterias de celular, material hospitalar, entre tantos
Na imagem, lixo e entulho outros, precisam receber destinação adequada.
descartados de forma inadequada
em Belém, PA ( 2014). A redução do consumo, o reaproveitamento e a reciclagem de pro­
dutos são alternativas para diminuir a quantidade de lixo gerada.

Algumas doenças relacionadas com o solo contaminado


O solo contaminado pode conter microrganismos capazes de transmitir algumas doenças, como
oxiuríase, tétano e amarelão. Veja no quadro as características dessas doenças.

Doença Causador Transmissão Sintomas Diagnóstico e Prevenção


tratamento
Verme Pelo solo, pela água ou O sintoma mais caracte- O diagnóstico é Cuidados de higiene pessoal,
Enterobius por alimentos contami- rístico é coceira na região realizado por meio como lavar as mãos antes das
::::,
o
cuIli
vermiculares, nadas por ovos do pa- anal, o que acontece so- do exame labora- refeições. Beber apenas água
cu.2 .e que parasita rasita. A contaminação bretudo à noite, quando as torial de fezes. O filtrada ou fervida e lavar bem

...
��::::, ecu
Ili
o intestino também pode ocorrer fêmeas do verme migram tratamento é feito as frutas e as verduras antes
·-X C: grosso dos de forma direta, quan- para depositar seus ovos. com medicamen- do consumo.
o cu hospedeiros. do a pessoa infectada Pode haver cólica, náuseas, tos específicos
coça a região anal e irritabilidade e perturba- prescritos pelo
leva a mão à boca. ções do sono. médico.
Vermes Pelo solo contaminado As larvas fixam-se no in- O diagnóstico é Construção de instalações
cu Ancylostoma por ovos dos parasitas, testino e causam pequenas realizado por meio sanitárias adequadas para
::::, Ili
duodeno/e dos quais sai uma larva hemorragias, levando a do exame labora- impedir a contaminação do solo
-cu ...
o,!!!
oE
ira o
ou Necatur que penetra a pele do pessoa a ficar com anemia torial de fezes. O pelas fezes dos doentes; uso
Ili americanus, hospedeiro. e, consequentemente, pá- tratamento é feito de calçados e medidas básicas
... o
e·.:;e:
ra - que parasitam lida, com a pele amarelada. com medicamen- de higiene pessoal.
c:t ra
o intestino Pode haver cólicas, náu- tos específicos
delgado dos seas e anemia profunda. prescritos pelo
hospedeiros. médico.
Bactéria Pela introdução da A bactéria produz uma O diagnóstico é Vacinação: crianças até cinco
Clostridium bactéria em ferimen- substância que pode pro- realizado por meio anos devem tomar a vacina
tetani, tos na pele. Essa bac- vocar rigidez muscular em de exame clínico tríplice, e todos, sem exceção,
conhecida téria vive no intestino diversas regiões do corpo. e o tratamento é devem ser vacinados com o
como bacilo de certos animais, sem feito com medica- reforço a cada dez anos. É reco-
...e:
o
ra tetânico. afetá-los, e pode con- mentas específi- mendado também usar luvas e
,cu taminar o solo. cos. As pessoas outros equipamentos de prote-
11
1-
contaminadas pre- ção ao utilizar ferramentas ou
cisam de interna- mexer no solo, e lavar com água
ção hospitalar. e sabão todos os ferimentos e
arranhões na pele para evitar
a contaminação pela bactéria.
O que conserva o solo? De olho no tema
Grandes extensões de área verde já foram, e ainda são, derrubadas 1. Cite dois fatores que
para abrir espaço para as atividades humanas. Entretanto, a manuten­ causam a degradação
ção da floresta é importante para a conservação da biodiversidade e da do solo.
qualidade do ar, para a manutenção do clima, entre outros processos. 2. Quais são as soluções
As atividades humanas devem ser planejadas e é preciso explorar os viáveis para esses pro­
recursos naturais de forma sustentável. Dessa maneira, pode-se evitar blemas?
o esgotamento desses recursos, sem comprometer seu uso pelas gera­ 3. Como a contaminação
ções futuras. A seguir, são citadas algumas atitudes que cooperam para do solo pode estar re­
a conservação dos solos. lacionada com a conta­
minação da água?
Manutenção da cobertura vegetal 4. Faça uma pesquisa para
Manter a cobertura vegetal evita a erosão, o empobrecimento do solo saber como é o recolhi­
e preserva a biodiversidade. Além de tornar a paisagem mais agradável, a mento do lixo em seu
presença de áreas verdes no ambiente urbano favorece a infiltração de água município e qual é a
no solo, ajudando a evitar enchentes e a diminuir a temperatura local. Em destinação dada a ele.
terrenos inclinados, a manutenção da vegetação ajuda a prevenir desmorona­ Depois, responda às
mentos. É preciso evitar, sempre que possível, a remoção de camadas de terra questões abaixo.
ou seu soterramento por outros solos, por restos de construção ou por lixo. a) Existe coleta seletiva?
b) Para onde o lixo residen­
Preservação e recomposição da mata ciliar cial é enviado?
As plantas das margens de nascentes, córregos, lagos e rios compõem e) Pilhas e baterias têm
a chamada mata ciliar. Sua preservação é necessária para manter os postos de coleta espe­
cursos de água e garantir a sobrevivência das espécies que deles depen­ cíficos?
dem. Com a destruição dessas matas, o solo fica desprotegido e a água
da chuva passa a cair diretamente sobre ele. Desse modo, sedimentos
e outros materiais retirados dos barrancos vão para os cursos de água,
podendo causar seu assoreamento.
A presença de áreas verdes,
Reflorestamento como praças e jardins, favorece
a infiltração da água no solo
As áreas desmatadas podem ser reflorestadas com plantas nativas urbano. Se o solo tiver perdido
típicas da região. Isso diminui o risco de deslizamentos em morros e a camada orgânica ou estiver
compactado, as árvores terão
ajuda a recuperar as áreas degradadas. o crescimento de suas raízes
prejudicado e poderão cair em
caso de ventos fortes.
(Praça Magalhães Pinto,
Uberaba, MG, 2012.)

\
\
Anualmente, Formas de cultivo prejudiciais ao solo
práticas agrícolas Os agricultores utilizam diversas técnicas para garantir a qualidade
inadequadas das colheitas. Nem todas as práticas são benéficas ao meio ambiente e
degradam milhões muitas delas causam a degradação dos solos. A seguir, listamos algumas
dessas práticas de cultivo.
de toneladas de solo
em todo o mundo. Uso de adubos químicos e de defensivos agrícolas
Os adubos são usados para corrigir a falta de nutrientes do solo, e os
defensivos, para proteger a plantação de insetos, plantas daninhas e outras
pragas. O uso desses produtos deve ser feito com base em análises periódi­
cas do solo e da plantação, sob a orientação de um profissional capacitado.
Quando não são empregados adequadamente, esses adubos podem
ocasionar a poluição do solo, de rios e lagos. Ao longo do tempo, esses pro­
dutos podem atingir os aquíferos, além de causar danos à flora e à fauna.
Aplicação de defensivos Queimadas
em plantação de laranjas.
(Bebedouro, SP, 2013.) As queimadas são incêndios na vegetação local; podem ser naturais
ou provocadas por agricultores e pecuaristas. Os casos mais comuns
são a queimada realizada antes da colheita da cana-de-açúcar, para a
produção de açúcar e álcool, e a queimada de pastagens e de florestas
nativas para iniciar uma atividade agrícola, pastoril ou mesmo uma cons­
trução. As queimadas diminuem a quantidade de húmus no solo, além de
prejudicar diversos seres vivos da região e contribuir para o aumento da
temperatura do planeta.
Colheita mecanizada da cana-de-açúcar
A queima da palha da cana-de-açúcar é rea­ Essa técnica só será vantajosa após a supe­
lizada para facilitar a colheita manual. Além de ração de alguns obstáculos, como o desemprego
emitir grande quantidade de gases que afetam causado pela mecanização e a necessidade de o
a qualidade do ar e cooperam para o aumento plantio ser feito em terreno plano, para permitir
da temperatura do planeta, essa ação causa a passagem das máquinas.
grande impacto nas cidades vizinhas e em ou­
tras plantações, que ficam cheias de fuligem
(partículas escuras deixadas pela fumaça).
Para diminuir esses danos, um acordo en­
tre produtores, fornecedores e o governo c;io
estado de São Paulo foi estabelecido em 2007.
Esse acordo, chamado Protocolo Agroambien­
tal, pretende eliminar toda queima da cana até
o ano de 2017 por meio da mecanização da
A colheita mecanizada da cana-de-açúcar ajuda a
colheita, em que o corte da cana e a separação diminuir os problemas causados pela queima da palha.
das folhas do caule são feitas por máquinas. (Bálsamo, SP, 2013.)

Desmatamento
É o processo de retirada da vegetação nativa. A ampliação da área
empregada nas atividades agropecuárias, o extrativismo vegetal e as
queimadas são algumas das principais causas do desmatamento no país.

O desmatamento prejudica a
sobrevivência de animais que
vivem no local, a biodiversidade
e até o clima da região. Na
imagem, área desmatada de
cerrado para ser utilizada
na agricultura. (Canarana,
MT, 2011.)

Compactação do solo
É a redução da porosidade do solo, que pode ser provocada pelo trá­
fego intenso de máquinas, pessoas ou outros animais. O solo pode ser
comparado a uma esponja de lavar pratos. Se pisamos na esponja, ela
se torna mais compacta, pois o tamanho dos poros diminui. Porém, se
tiramos o pé da esponja, ela volta à condição inicial. Isso não acontece
com o solo. Ao ser compactado, ele se torna gradualmente menos poroso.
Com isso, o gás oxigênio e a água não conseguem chegar às raízes das
plantas, que também têm dificuldade em se enraizar no solo compacto.
j A conservação do solo agrícola
As ati�i�ades agropecuária: devem ser esc��hidas de acordo com as
1 , _
i caractenst,cas do solo e do clima de cada reg,ao. Alem disso, algumas
� práticas agrícolas simples podem ser adotadas para conservar o solo.
ííl� Veja alguns exemplos.

Plantio direto
A plantação é realizada sem a queima, a retirada ou a incorporação de
Na técnica de plantio direto não substâncias químicas à camada orgânica. Desse modo, essa camada se
se retira do solo o que sobrou da mantém na superfície, protegendo o solo da erosão e da perda de água.
plantação anterior. É uma técnica
de conservação do solo muito
utilizada no Brasil. Na foto, cultivo
Adubação verde
de plantas de soja em que se nota Em vez do uso de adubos químicos, é possível incorporar nutrientes
ao solo por meio da �dubação orgânica, feita com restos de plantas,
palha de milho entre elas. (Bela
Vista do Paraíso, Paraná, 2011.)
esterco animal ou mesmo restos de alimento. O cultivo de plantas e a
posterior incorporação de material orgânico ao solo constituem a cha­
mada adubação verde. Para ser usada como adubo, a matéria orgânica
deve ser adequadamente preparada por meio da compostagem. Com o �
uso de adubos orgânicos é possível melhorar as características físicas do
1
"O

solo, tornando-o mais resistente à ação da água e dos ventos. i


��
Plantio em nível e estabelecimento de canais escoadouros o

GLOSSÁRIO
A plantação em nível é planejada em terrenos inclinados. Essa prática ��
Compostagem: processo evita a erosão porque as linhas de plantio cortam perpendicularmente
o caminho da água da chuva e da irrigação morro abaixo. Isso impede a
biológico de decomposição .8>
da matéria orgânica, como
restos de plantas e dejetos de água de ganhar velocidade e estimula sua infiltração no solo. "O


animais. Esse processo resulta Os canais escoadouros permitem que o excesso de água da chuva e �
da irrigação seja direcionado para fora dos limites da área plantada ou a
num composto orgânico
aplicável ao solo como adubo.
plantar. Desse modo, evitam-se a erosão e a perda de nutrientes do solo.
a:
êli

As fazendas agroecológi­
cas buscam minimizar os
impactos que suas ativi­
dades geram no ambiente.
Conheça como funciona
uma fazenda agroecológi­
ca no endereço
www.gentequecresce.
cnpab.embrapa.br/
personagens/catita/
fazend'nha_cat'ta.htm
Acesso em: maio 2015.

Em terrenos inclinados, a prática do plantio em nível evita a erosão.


Na foto, plantação de tomate em Guapiara, SP (2012).

fnm
Rotação de culturas
É a técnica que emprega a alternância periódica de culturas vegetais
em uma mesma área agrícola. Essa prática visa evitar o esgotamento
dos nutrientes do solo. Assim, é muito comum que essa alternância seja
realizada entre plantas leguminosas, como o feijão, a soja e o amendoim,
que enriquecem o solo, e plantas como o milho e os cereais, que podem
esgotar o solo. Por exemplo, em algumas regiões do Brasil, planta-se soja e,
após sua colheita, planta-se milho.

ROTAÇÃO DE CULTURAS
Plantação de amendoim Plantação de cereais Solo sem cultivo (em "descanso")

Representação da rotação de
culturas realizada por aldeias
africanas que alternam cultivas
de plantas que enriquecem o solo
(como o amendoim) com os de
plantas que esgotam o solo (como
os cereais). (Imagem sem escala;
cores-fantasia.)

Terraceamento
Consiste na construção de obstáculos perpendiculares ao caminho
das águas provenientes das chuvas e da irrigação em terrenos inclinados,
nos locais em que o solo tende a ser mais solto e a ter pouca matéria
orgânica. Essa técnica evita a erosão.

Manutenção da cobertura de vegetação


Prática que evita o impacto direto das águas provenientes das chuvas e
da irrigação, que podem compactar o solo argiloso ou arrastar partículas �

de solos mais arenosos. A cobertura do solo também evita a erosão eólica. �
Essa cobertura pode ser morta, formada por restos de cultura, ou viva,
o.
::,
N
':l
como no caso das florestas. ;t

Estabelecimento de quebra-vento
Consiste na plantação de árvores e arbustos ao redor da área de
cultivo agrícola para bloquear o caminho do vento, minimizando ou até
Plantação de cacau, na qual o
evitando a erosão eólica.
cultivo foi feito mantendo-se a
cobertura vegetal da floresta.
De olho no tema (Gandu, BA, 2008.)

1. No Brasil é comum o cultivo de cana-de-açúcar em grandes áreas. Depois


de alguns anos de sucessivos plantios, observa-se que o solo apresenta
deficiência de alguns nutrientes e as plantas podem ter seu crescimento
reduzido. Qual prática agrícola poderia ser utilizada para evitar o esgo­
tamento do solo sem o risco de degradá-lo? Explique.
2. Cite uma prática agrícola que contribui para a degradação do solo e pro­
ponha uma solução para o problema.
Estudo de solos no Brasil
Diversas instituições públicas e privadas, bem como cientistas, agricul­
tores e populações tradicionais (entre outros atores) contribuíram para os
estudos de solos no país.
Uma das instituições que desempenha papel importante nessa área é
a Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agronômica, criada em 1973.
A Embrapa Solos é uma de suas unidades. Conheça um pouco da sua história.

Nascimento da Embrapa Solos atual Embrapa Solos (Rio de Janeiro/RJ) - outras ativi­
[...] Em 1918 era instalado o Instituto de Química dades deram origem, também, à Embrapa Agrobiologia
Agrícola (IQA). Com a interrupção da circulação maríti­ (Seropédica/RJ). [...]
ma, devido à 1ª Guerra Mundial (1914-1918), o governo A Embrapa, conjuntamente com outras institui­
adotou medidas para minimizar a grande dependência ções nacionais, provocou uma revolução na produção
do Brasil aos gêneros importados. A substituição de agropecuária brasileira. Investimentos em tecnologia
importações dependia da aquisição de conhecimentos possibilitaram, entre outras inovações, a mecanização
científicos que auxiliassem na instalação de indústrias dos cultivos, a intensificação da irrigação, o uso de fertili­
essenciais como as de combustíveis, tecidos e alimentos. zantes e adubos, a correção de solos e o desenvolvimento
Logo, o IQA, além da análise de comestíveis, adubos, de cultivares adaptados às condições regionais. [... ]
inseticidas e fungicidas importados, passou a realizar Fonte: FAVARIN, A.; LAFORET, M. R.; ARCANJO, R. Embrapa Solos e suas
origens. Disponível em: <www.embrapa.br/solos/historia>.
também estudos de solos e de plantas de valor industrial. Acesso em: maio 2015.
A finalidade era o aproveitamento e processamento local
desses recursos. O ensino científico e prático fez parte
de suas atribuições iniciais. [...]
Demonstrando a relevância da pesquisa de solos
realizada pelo Instituto de Química Agrícola, em 1947
foi criada no espaço a Comissão de Solos, que deu início
aos primeiros levantamentos de solos no Brasil. [...]
Em 1962, o IQA era extinto, ao mesmo tempo que
outros órgãos da pesquisa agropecuária. [...]
Uma parte do acervo do IQA foi incorporada ao
Instituto de Óleos e o de Fermentação e, com a criação
da Embrapa, deu origem ao atual Centro Agroindústria
de Alimentos (Rio de Janeiro/RJ). Outra parte do IQA Instituto de Química Agrícola, na cidade do Rio de Janeiro,
foi reunida à extinta Comissão de Solos e deu origem à em 1940.

1 Atividades
1. De acordo com o texto, como o governo reagiu à 4. De acordo como o texto, quais foram as contribui­
interrupção da circulação marítima na 1ªGuerra ções da Embrapa para a agropecuária brasileira?
Mundial? Discutam criticamente as vantagens e desvanta­
2. Como as medidas mencionadas na atividade 1 gens dessas contribuições.
afetaram o Instituto de Química Agrícola? 5. Em sua opinião, qual é a importância de instituições
3. Qual é a relação entre o IQA e a Embrapa Solos? como a Embrapa Solos para a sociedade brasileira?

IDI
Meio ambiente

Explorar o tema co, na Bahia, e o do Cariris Velhos, na Paraíba,


estado que tem 54,88% de seu território clas­
Desertificação já atinge uma área sificado em alto nível de desertificação.[...]
de 230 mil km2 no Nordeste - A degradação do solo é um processo
silencioso - afirma Humberto Barbosa, pro­
[...] Como se não bastasse a falta de chuvas, fessor do Instituto de Ciências Atmosféricas e
o Brasil vê se alastrar no Nordeste um fenô­ coordenador do Lapis, responsável pelo estudo.
meno ainda mais grave: a desidratação do solo - No monitoramento por satélite fica evidente
a tal ponto que, em última instância, pode que as áreas onde o solo e a vegetação não res­
torná-lo imprestável. Um novo mapeamento pondem mais às chuvas estão mais extensas.
feito por satélite pelo Laboratório de Análise Em condições normais, a vegetação da Caa­
e Processamento de Imagens de Satélites da tinga brota entre 11 e 15 dias depois da chuva.
Universidade Federal de Alagoas {Lapis), que .Nestas áreas, não importa o quanto chova, a
cruzou dados de presença de vegetação com vegetação não responde, não brota mais.
índices de precipitação ao longo dos últimos
[...] Barbosa explica que a desertificação é
25 anos, até abril[de 2013], mostra que a região
um processo longo e a seca agrava a situação.
tem hoje 230 mil km2 de terras atingidas de
Segundo ele, em alguns casos, a situação é
forma grave ou muito grave pelo fenômeno.
difícil de reverter.[...]
A área degradada ou em alto risco de de­
gradação é maior do que o estado do Ceará. - Não existe dúvida de que o processo
Hoje, o Ministério do Meio Ambiente reco­ de degradação ambiental é grave e continua
nhece quatro núcleos de desertificação no aumentando - desabafa Aldrin Martin Perez,
semiárido brasileiro. Somados, os núcleos de coordenador de pesquisas do Insa. -A popula­
Irauçuba {CE), Gilbués {PI), Seridó {RN e PB) ção aumentou, o consumo aumentou. Há con­
e Cabrobó {PE) atingem 18.177 km2 e afetam sequências políticas, sociais e ambientais.[...]
399 mil pessoas. No Sul do Piauí, onde fica o núcleo de
Num artigo assinado por cinco pesqui­ Gilbués, são 15 os municípios atingidos. Nos
sadores do Instituto Nacional do Semiárido sete em situação mais grave, segundo dados
{Insa), do Ministério da Ciência e Tecnologia, do governo do estado, a desertificação atinge
são listados seis núcleos, o que aumenta a 45% do território de cada um. [...]
área em estado mais avançado de deserti­ Degradação intensa
ficação para 55.236 km2 , afetando 750 mil
brasileiros. A seca no Nordeste sempre existiu. O que
Os dois núcleos identificados pelos pesqui­ está em jogo agora não é só a falta de chuva,
sadores do Insa são o do Sertão do São Francis- mas a degeneração da terra. O solo frágil
exige preservação da vegetação de Caatinga 3. Compare os dados obtidos pelo Ministério do
e técnicas de manejo, inclusive de pastoreio. Meio Ambiente e pelo Ministério da Ciência e
Mas 30% da energia consumida no Nor­ Tecnologia sobre as áreas em estado avançado
deste vem da lenha, e o que queima é a mata de desertificação. Construa no caderno uma ta­
nativa. Segundo relatório do governo do Rio bela contendo, para cada ministério: número de
Grande do Norte, que divide com a Paraíba o núcleos reconhecidos, área atingida e número de
núcleo de desertificação do Seridó, além da re­ pessoas afetadas. Discuta com os colegas as pos­
tirada de lenha, a degradação vem do desmate síveis causas e consequências dessas diferenças
para abrir espaço para agricultura, pecuária, nas informações.
mineração e extração de argila do leito de rios
para abastecer a indústria de cerâmica.[ ...] Trocar ideias sobre o tema
- O Brasil ainda trata a seca como se fosse
o Zimbábue ou outros países muito pobres da Tomar uma decisão
África - afirma Barbosa. - Isso não é aceitá­ 4. Para aliviar os efeitos da desertificação e pre­
vel. Temos pesquisa, técnicas e ferramentas venir que o processo se intensifique, deve-se
para evitar que a degradação aconteça. Os po­ lidar com as atividades humanas que causam ou
líticos tratam a seca em ciclos de quatro anos, agravam o problema, como a exploração abusiva
que é a duração de seus mandatos. Se nada dos solos e a retirada da mata nativa para abrir
acontecer, as pessoas dos municípios atingidos espaço para agricultura, pecuária, mineração e
pela desertificação vão migrar para grandes extração de argila. Além disso, é importante iden­
centros, gerando outros problemas.[ ...] tificar e solucionar questões políticas, sociais e
Ano após ano, as pessoas não percebem econômicas que se relacionam ao uso do solo e
que a vida do solo está se esvaindo. Somente que podem levar à desertificação, como o uso de
ao cavar fendas é que se percebe que o solo técnicas agrícolas e de pastoreio agressivas ao
está cada vez mais raso e a camada de vida, solo e de métodos de irrigação inapropriados.
que são os 5 cm mais próximos à superfície, • Analise as medidas mencionadas acima. Se
está mais estreita ou quase inexiste.[ ...] você fosse o prefeito de uma cidade afetada
pela desertificação, como atuaria? Converse
Fonte: CARVALHO, C. Desertificação já atinge uma área de
230 mil km2 no Nordeste. O Globo, 9 jul. 2013. Disponível em: com seus colegas e avalie pontos positivos e
<http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/revista-amanha/ negativos de cada medida, para então tomar
desertificacao-ja-atinge-uma-area-de-230-mil-km-no­
nordeste-8969806>. Acesso em: maio 2015. sua decisão. Por fim, registre-a no caderno.
Interpretar 5. Em grupo e com a ajuda do professor, pesquisem
as medidas que governos de diferentes cidades
1. Com base na leitura do texto, o que você entende ou estados implementaram para lidar com o fenô­
por desertificação? meno da desertificação. Avaliem se essas medidas
Z. Segundo o texto, é possível dizer que a seca é a foram (ou têm sido) adequadas e suficientes e
principal causa da desertificação? Explique. anotem suas conclusões.
Gasto invisível de água
A água é usada em todas as atividades
humanas. Veja quanta água é gasta na
produção de alguns itens e em algumas
atividades do cotidiano.

-
-
Uma maçã

-
Um bifede 125g
de carne bovina

2 mil litros

-
Microchip

32 litros

-
Uma folha
de papel

10 litros

O = 1 litro de água
Estes valores incluem a água gasta em
todas as etapas de produção dos itens.

Agricultura e pecuária

N Indústria

fl' Doméstico
Sem água no estado A água e os seres vivos
líquido, não seria Acredita-se que os primeiros seres vivos surgiram na água. Com o pas­
possível a existência sar do tempo, surgiram outras formas de vida adaptadas aos ambientes
de vida tal como a terrestres, mas a água continua sendo o hábitat de muitos organismos,
como as algas e os peixes.
conhecemos.
Grande parte do corpo dos seres vivos é composta de água; os seres
humanos, por exemplo, têm cerca de 75% do organismo constituído de
água; uma maçã tem 80% de água; e um peixe, aproximadamente 65%.
Além de participar da composição dos seres vivos, a água é necessária
para mantê-los vivos. Nas plantas, por exemplo, ela é fundamental no
processo de absorção dos sais minerais do solo. Já em alguns animais,
auxilia no controle da temperatura corporal.
A água é vital para os seres vivos. Quando o organismo perde mais água
do que consegue repor, ocorre desidratação. Na espécie humana, a desi­
dratação representa uma das principais causas de mortalidade infantil.

FUNÇÕES DA ÁGUA NO CORPO HUMANO

Regula a
temperatura Umidifica
corporal a boca, os olhos
e o nariz
Faz parte
da composição
do sangue
Ajuda no
Ajuda a eliminar ----­ funcionamento
substâncias do do intestino
Grande parte do corpo
humano é composta de água. organismo
Ela está presente no sangue, Reduz o atrito
nos músculos e em diversas entre os ossos
outras partes do corpo.
(Imagem sem escala; Protege
cores-fantasia.) Faz parte da os órgãos
composição
dos ossos
Faz parte da
composição
dos músculos
A água no planeta
A água é uma substância bastante comum na superfície da Terra. Está
presente nos mares e oceanos, nos rios, em lagos e lagoas, nas geleiras,
no solo, em pequenas gotas suspensas no ar e nos seres vivos.
A maior parte da água presente na Terra é salgada e, portanto, im­
própria para o consumo de muitos animais, inclusive dos seres humanos.
Os gráficos mostram como está distribuída toda a água do planeta.
DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA NO PLANETA
- - --68,9%
___.__ geleiras e
neves de
calotas polares
97,5%
água
salgada 29,9%
águas
subterrâneas

2,5%----�
água 0,9%
doce umidade do
solo e dos
pântanos

Apenas uma pequena parte do total de água do planeta é de água doce.


Fonte: BORGHETII, N. R. B.; BORGHETII, J. R.; ROSA FILHO, E. F. Aquífero Guarani: a verdadeira
integração dos países do Mercosul. Curitiba: Edição dos Autores, 2004.

A hidrosfera
O conjunto formado por toda a água existente no planeta, incluindo
aquela retida nos seres vivos, recebe o nome de hidrosfera. As águas da
hidrosfera podem ser oceânicas, atmosféricas ou continentais.
Águas oceânicas
As águas oceânicas estão nos mares e nos oceanos. Essas águas são
salgadas por conterem muitos sais minerais dissolvidos, especialmente
o cloreto de sódio, conhecido como sal de cozinha. As águas oceânicas
Vulcão submarino do Oceano
são as mais abundantes da hidrosfera. Pacífico lançando fumaça escura
na água. Os processos vulcânicos
Águas atmosféricas que ocorrem nas fontes
hidrotermais nas profundezas do
As águas atmosféricas encontram-se na forma de vapor-d'água ou de mar contribuem para a salinidade
gotículas de água líquida, que constituem as nuvens. dos oceanos.

GLOSSÁRIO

POR QUE A ÁGUA DO MAR É SALGADA? Fonte hidrotermal: fratura


ou fenda nas rochas do fundo
Porque contém muitos sais minerais dissolvidos. Esses sais também estão pre­ do oceano por onde o magma
sentes na água de rios e lagos, porém em quantidades menores. Os sais minerais (material do manto terrestre)
encontram-se em rochas da superfície da Terra e são transportados pela água sai e se solidifica. Ao se
dos rios até o mar. infiltrar nessas fendas, a água
Outra fonte da salinidade dos oceanos são os processos vulcânicos que ocorrem se aquece e sua capacidade
de dissolver os minerais das
nas fontes hidrotermais nas profundezas do mar. Alguns vulcões encontrados
rochas aumenta. Isso explica
no fundo do mar liberam constantemente uma fumaça escura que é rica em sais por que essa água apresenta
minerais. Parte desses sais se dissolve na água, contribuindo para sua salinidade. muitos minerais dissolvidos.

m
Águas continentais
As águas continentais estão em rios, lagos e geleiras ou são águas
subterrâneas. A maior parte das águas continentais contém menos sais
minerais dissolvidos que as águas oceânicas. Por esse motivo, elas são
chamadas de água doce.
As águas das chuvas podem escoar pela superfície do solo, chegando
aos rios e lagos, ou podem se infiltrar no solo, preenchendo os espaços
entre as rochas. Neste último caso, elas formam depósitos subterrâneos
chamados aquíferos. Os locais onde as águas dos aquíferos atingem a
superfície constituem as nascentes.
Os rios e os lagos são as principais reservas de água doce utilizadas
pelos seres humanos. Entretanto, em muitas regiões esses recursos
não estão disponíveis em quantidade suficiente para toda a população.
Nesse caso, os seres hufT!anos perfuram poços para explorar as águas
subterrâneas ou buscam nascentes onde essas águas afloram.

ÁGUAS CONTINENTAIS E OCEÂNICAS

Águas subterrâneas

Representação de um trecho da superfície da Terra, próximo ao mar.


Nos detalhes, água armazenada nos espaços entre as partículas do solo (A)
e nas rachaduras das rochas (8).
(Imagem sem escala; cores-fantasia.)

Fonte: TEIXEIRA, W. et ai. Decifrando a Terra. São Paulo: Oficina de Textos, 2001.
Saiba mais!
O AQUÍFERO GUARANI
O aquífero Guarani recebeu esse nome em homenagem aos indígenas guarani,
que habitavam a área de sua localização na época da ocupação da América pelos
europeus.
Possui uma área de aproximadamente 1,2 milhão de km2, constituindo-se numa
importante reserva de água subterrânea da América do Sul. Estende-se pelo
Brasil (840.000 km2 ), Argentina (225.500 km2 ), Paraguai (72.000 km2 ) e Uru­
guai (58.500 km2). No Brasil, espalha-se pelo subsolo de 8 estados: Rio Grande
do Sul, Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e
Mato Grosso do Sul. GLOSSÁRIO
A extensão e, principalmente, a localização geográfica fazem do aquífero Guarani Manancial: depósito
um importante manancial hídrico, tanto para o abastecimento da população superficial ou subterrâneo de
como para o desenvolvimento socioeconômico da região de sua abrangência. água; mina; fonte; nascente.

LOCALIZAÇÃO DO AQUÍFERO GUARANI

CE RN

De olho no tema
1. Qual é a diferença entre
a água doce e a água
E
salgada? Qual desses
:� L tipos de água está pre­
S7fÇE
sente em maior quan­
Aquífero Guarani 1
� tidade na superfície da
Terra?
2. O aquífero Guarani é
formado por água doce
ou por água salgada?
60° 0
Como essa água se de­
Fonte: BORGHETII, N. R. B.; BORGHETII, J. R.; ROSA FILHO, E. F. Aquífero Guarani: a verdadeira posita nos aquíferos?
integração dos países do Mercosul. Curitiba: Edição dos Autores, 2004.
Para se tornar A água potável
apropriada para A água que utilizamos no dia a dia provém principalmente de rios,
o consumo, a lagos, represas e nascentes.
água deve passar Embora a maior parte da água obtida na natureza pareça clara, pura e
transparente, ela rararyiente é própria para o consumo. Nessa água pode
por tratamento
haver substâncias ou microrganismos nocivos à saúde, invisíveis a olho nu.
adequado, para Para ser potável, ou seja, própria para o consumo, a água precisa passar
eliminar impurezas por um tratamento que elimine as substâncias nocivas e os microrga­
e microrganismos nismos capazes de provocar doenças. Só então pode ser distribuída e
causadores de consumida pela população.

doenças.
As estações de tratamento de água
Estações de tratamento de água são locais especializados em tornar
a água doce obtida na natureza própria para o consumo.
Antes de entrar nas estações de tratamento, a água passa por redes
que impedem a entrada de animais aquáticos e objetos sólidos, como ga­
lhos. Em seguida, ela segue para uma série de tanques, onde é submetida
a um processo gradual de limpeza. Acompanhe na ilustração da página
seguinte as principais etapas do tratamento da água.

A distribuição e o uso da água tratada


A água tratada é distribuída para a população por tubulações subterrâ­
neas, chegando até casas, indústrias, hospitais etc. Nesses locais, ela pode
ser armazenada em reservatórios menores (caixas-d'água), de onde segue
para as torneiras, os chuveiros e os vasos sanitários.

Vista aérea de uma estação de


tratamento de água. (São Paulo,
SP, 2013.)
(1) Cidade: após o uso, a água e os
demais resíduos misturados a
r-------7j�j:ii�jijjjjjffiffi[füffimj�mtiüi)
_______ l�
ela recebem o nome de esgoto. :o
(2) Rede de esgoto: o esgoto é �
captado por uma rede de tubos �
e canos.
(3) Grades: antes de entrar na
estação de tratamento, ele
passa por grades, onde parte
da sujeira fica retida.
(4) Caixa de areia: a areia presente
no esgoto vai para o fundo
e a parte líquida com sólidos
suspensos segue para outro
compartimento.
(5) Oecantador primário: depo­
sitam-se as partículas mais
densas.
(6) Tanque de aeração: aqui ocorre
a multiplicação dos microrga­
nismos presentes no esgoto e
formação do lodo.
(7) Decantador secundário: a
parte sólida restante vai para
o fundo e a parte líquida pode
ser devolvida para a natureza
ou reaproveitada para limpar
ruas ou irrigar jardim.
(8) Rio.
Fonte: COMPANHIA DE SANEAMENTO BÁSICO DO ESTADO DE SÃO PAULO (SABESP). Tratamento do
(Imagem sem escala; cores-fantasia.) esgoto. Disponível em: <http://site.sabesp.com.br/uploads/file/asabesp_doctos(I'ratamento_Esgoto_
Liquido_impressao.pdf>. Acesso em: maio 2015.

Estudante do Pará cria projeto para purificar água com caroços de açaí
Quem acompanha as notícias de ciência deve os hábitos de consumo de água em Moju [...]:
ter visto que[...] foram anunciados os ganhadores 40% dos moradores ingerem água direto da
da XXVII edição do Prêmio Jovem Cientista [...]. torneira e 64% das pessoas tiveram doenças re­
Entre os trabalhos vencedores desta edição, que lacionadas ao consumo dessa água não tratada.
tinha o tema "Água - desafios da sociedade", um Para resolver a situação, o estudante resolveu
projeto se destaca [...]: o de Edivan Nascimento pesquisar as propriedades do açaí, [...] Edivan
Pereira, de 19 anos, aluno da Escola Estadual descobriu que o caroço do açaí é um material or­
de Ensino Médio Profª Ernestina Pereira Maia. O gânico rico em carbono. Isso torna o caroço ideal
trabalho de Edivan ganhou o merecido lQ lugar para produzir carvão, que pode ser usado em
na categoria Ensino Médio do Prêmio. filtros para purificar a água e torná-la potável.[...]
Morador de Moju, no Pará, Edivan criou uma Para concluir o experimento, Edivan testou
solução para a falta de tratamento adequado da a eficiência do carvão em um filtro simples e
água nas regiões periféricas e ribeirinhas do descobriu que a água tratada no filtro realmen­
município. Ele desenvolveu um tipo de carvão te se tornava adequada para consumo. E mais:
capaz de filtrar e purificar a água, tornando­ o carvão do caroço de açaí se mostrou mais
-a apropriada para consumo. E o mais bacana eficiente que o carvão ativado industrializado.
é que o material usado na pesquisa foi o açaí,
Fonte: VILAVERDE, C. Estudante do Pará cria projeto para purificar
uma fruta típica do local. [...] água com caroços de açaí. Superinteressante, 25 nov. 2013.
Disponível em: <http://super.abril.eom.br/blogs/
O projeto teve duas fases. A primeira parte supemovas/2013/11/25/estudante-do-para-cria-projeto-para­
foi a realização de uma pesquisa para descobrir purificar-agua-com-carocos-de-acai/>. Acesso em: maio 2015.
A cada ano, cerca Água contaminada
de um milhão A água é considerada contaminada se contiver organismos patogênicos
e trezentas mil ou apresentar substâncias tóxicas misturadas nela. Por esse motivo, a
crianças com menos água que não passou por tratamento não deve ser consumida. Até mes­
de 5 anos de idade mo a água tratada pode sofrer algum tipo de contaminação se não for
armazenada ou distribuída de forma adequada; Por isso, recomenda-se
morrem no mundo filtrar ou ferver a água tratada antes de consumi-la.
em consequência de
doenças transmitidas fontes de contaminação da água
pela água. Assim como ocorre com o solo, os principais responsáveis pela con­
taminação da água são os seres humanos e suas atividades industriais,
agrícolas e domésticas.

Contaminação industrial
GLOSSÁRIO Os processos industriais podem gerar uma série de resíduos tóxicos,
que muitas vezes são lançados diretamente nos rios, lagos ou mares.
Patogênico: que provoca ou
pode provocar doenças. Outras vezes, esses resíduos são depositados no solo, podendo, por
infiltração, atingir depósitos subterrâneos de água e contaminá-la.

Contaminação agrícola
Pesticidas usados no controle de pragas em lavouras podem ser
Os pesticidas aplicados nas arrastados pelas chuvas e chegar a rios e lagos ou infiltrar-se no solo e
plantações são arrastados pelas
contaminar os depósitos subterrâneos de água.
chuvas, podendo contaminar
rios e aquíferos. (Campos dos
Goytacazes, RJ, 2007.)
Contaminação doméstica
Os problemas mais comuns de contaminação da água são decorrentes
Assista ao episódio Ope­ do despejo de esgoto doméstico no ambiente, sem tratamento prévio.
ração água contaminada
Além de diversas substâncias tóxicas, como detergentes, esse esgoto
da série Invasão Plank­
ton no endereço http://
pode conter microrganismos causadores de doenças, presentes nas fezes
tvesco a mec.gov.br/tve/ de pessoas infectadas.
v deo?' I em=5393
Acesso em: maio 2015.
Os cuidados com a água
Como vimos, a água doce é um fecurso escasso e a água potável,
mais escassa ainda. Devemos usar a água com consciência e evitar seu
desperdício.
Outra medida importante é filtrar ou ferver a água que vem das es­
tações de tratamento antes de consumi-la. Os filtros caseiros de água
geralmente retêm impurezas suspensas, porém não eliminam micror­
ganismos causadores de doenças. Já a fervura da água, por pelo menos
A manutenção periódica das
15 minutos, mata a m_aior parte desses organismos. A adição à água de
torneiras ajuda a evitar o produtos químicos apropriados, como aqueles que contêm cloro em sua
desperdício de água. Uma torneira composição, também ajuda a eliminar microrganismos patogênicos.
gotejando pode desperdiçar 46
litros de água por dia.
De olho no tema
Em vários córregos, além do esgoto Imagine que você está num acampamento nas proximidades de um riacho.
despejado, há muito lixo. Nesse A água é extremamente límpida, transparente e sem cheiro.
ambiente precário, convivem seres
humanos, outros animais e plantas. 1. Essas características da água do riacho são suficientes para garantir que
(Natal, RN, 2012.) ela seja potável? Por quê?
Z. Que atitude deve ser tomada antes de beber essa água?
Doenças transmitidas pela água contaminada
Muitas doenças, como a amebíase e a hepatite,
são causadas pelo consumo de água contaminada ou
pelo contato com ela. Existem também doenças, como
a dengue, a febre amarela e a malária, que são trans­
mitidas por mosquitos que põem seus ovos em água
limpa (não contaminada), acumulada em pneus, vasos
e outros recipientes.
Atitudes coletivas também contribuem para a dis­
seminação dessas doenças. O descarte inadequado do
lixo, por exemplo, pode fazer com que esse material
se deposite em rios, lagos ou outros corpos d'água,
contaminando-os. Além disso, o líquido originado da
decomposição-do lixo orgânico pode se. infiltrar no
solo e contaminar os depósitos subterrâneos de água.
Ao descartar o lixo de forma adequada, preservamos
o solo e a água, cooperando para o bem-estar da Durante as enchentes, o risco de contrair leptospirose
sociedade de maneira geral. aumenta por causa do contato com águas contaminadas
por urina de ratos e outros animais portadores dos
Veja no quadro alguns exemplos de doenças que agentes causadores dessa doença. (Brumadinho,
podem ser transmitidas pela água. MG; 2012.)

-
IIUt..11�1•�..._., ���•••-•ll�l�lll!.,.,•111
"-r--
�•�

Doença
-- Causador Transmissão Sintomas Prevenção
Protozoário Entamoeba Ingestão de água ou Diarreia, dores abdo- Evitar a contaminação da água
histolytica, conhecido alimentos contami- minais e eliminação de pelas fezes de pessoas doentes,
Amebíase como ameba. nadas. sangue nas fezes. lavar bem os alimentos e manter
(disenteria hábitos de higiene, como lavar as
amebiana) mãosantes e após o uso do banhei-
ro e antes das refeições, além de
manter as unhas aparadas e limpas.
Vírus Hepatitis A (VHA). Ingestão de água ou Febre, dores de cabeça, Evitar o contato com pessoas
alimentos contami- indisposição e amarela- doentes e consumir apenas água
Hepatite A nadas. menta da pele. tratada e alimentos bem lavados.
Há uma vacina contra a hepatite A.

Bactéria Leptospira Animais portadores Dores de cabeça e de Evitar o contato com animais e
interrogans. da bactéria a elimi- garganta, dores museu- águas contaminados. Durante as
nam pela urina, e as lares, calafrios, febre e enchentes, aumentam os riscos de
Leptospirose pessoas infectam-se vômitos. contaminação, por isso não se deve
pelo contato com a andar na água das inundações.
água e o solo contami-
nadas com essa urina.
Vírus do tipo F/avivirus. Picada do mosquito Febre, dores de cabeça, Combater a proliferação dos mos-
Aedes aegypti, que dores nas articulações, quitas transmissores eliminando
Dengue deposita seus ovos manchas avermelhadas recipientes com água limpa onde
em águas limpas e na pele e hemorragias os mosquitos possam depositar
paradas. (sangramentos). seus ovos.
:,:
z
§

Atividades
1. Converse com os colegas
e com o professor: vocês
concordam que os pro­
lP Convenção das Nações Unidas para blemas ambientais são
o Combate à Desertificação e Mitigação
dos Efeitos das Secas. (Windhoek,
problemas mundiais?
Namíbia, 2013.) 2. Façam uma lista, na
lousa, dos três princi­
Preservar os recursos do planeta: pais problemas que, na
opinião de vocês, de­
um problema de todos veriam ser discutidos
Há algum tempo, pesquisadores concluíram que os problemas ambien­ por todos os países do
tais não afetam apenas um único país ou local: são problemas mundiais. mundo. Justifiquem a
O lixo gerado nos mares da China, por exemplo, pode chegar até as praias resposta.
3. Na sua opinião, cien­
do Havaí, a milhares de quilômetros de distância.
tistas são profissionais
Cuidar da água é uma preocupação mundial. Em 1994, cerca de 195 importantes para tra­
países, incluindo o Brasil, se uniram na Convenção das Nações Unidas para balhar também em en­
o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas (UNCCD, tidades políticas, auxi­
sigla em inglês). As áreas áridas, semiáridas e pouco úmidas são o foco de liando os governantes?
atenção dessa Convenção. Essas áreas são consideradas as que possuem Por quê?
os ecossistemas e as pessoas mais vulneráveis da Terra. 4. A Declaração Universal
A proposta da UNCCD é unir cientistas, políticos e a sociedade para dos Direitos Humanos,
produzir conhecimento, identificar prioridades de trabalho e formar pes­ em seu artigo 27, afir­
soas aptas a pôr em prática as soluções encontradas. Um dos objetivos ma que "todo ser hu­
da Convenção é trocar conhecimentos sobre as tecnologias de cuidado mano tem o direito de
com o ambiente adotadas em diferentes países. Outro objetivo é obter participar livremente
financiamento para pesquisas na área, a serem realizadas sempre com o da vida cultural da co­
trabalho conjunto de equipes de cientistas das diferentes nações. munidade, de fruir das
artes e de participar do
Essa é uma nova forma de funcionamento da ciência. Hoje é cada vez progresso científico e
mais frequente a colaboração de cientistas de diferentes partes do mun­ de seus benefícios". Em
do com o objetivo de ampliar os conhecimentos e solucionar questões grupo, discutam como
ambientais que afetam a todos. Além disso, essa forma de fazer ciência vocês relacionariam
alinha-se com posições recentes que defendem que todos os avanços esse artigo ao que foi
científicos devem estar comprometidos com o bem-estar e os direitos apresentado no texto.
humanos fundamentais das pessoas.
A água passa A água na natureza
continuamente A água pode ser encontrada na natureza em três diferentes estados
de um estado físico físicos: sólido, líquido e gasoso. Veja alguns exemplos.
• No granizo, nas geleiras e nos icebergs, encontra-se água no estado sólido
para outro.
(gelo). Outro exemplo é a neve, composta de minúsculos cristais de gelo.
• Em oceanos, mares, rios, lagos e nuvens, a água está presente no
estado líquido. As nuvens são formadas por um conjunto de pequenas
gotas de água.
• O ar que respiramos (parte da atmosfera) contém grande quantidade de
vapor-d'água, que é água no estado gasoso. O vapor-d'água não é visível.

A água é um recurso essencial à


vida; é tema recorrente de diferentes
expressões artísticas, como nas obras
ao lado. (A) A maior parte da água na
Terra está no estado líquido, como nos
oceanos. (Paraíso, 2011, de Rodolpho
Tamanini Netto, óleo sobre tela, 50 cm
x 60 cm.) (8) Parte da água do planeta
está no estado sólido, como em forma
de neve. (Monte Yuga na província de
Bizen, 1858, de Utagawa Hiroshige,
xilogravura, 22 cm x 34,3 cm.)
As mudanças de estado físico da água
Na natureza, a água passa constantemente de um estado físico para
outro. Mudanças de estado físico podem ocorrer quando a água passa
por processos de aquecimento ou resfriamento. Veja alguns exemplos. Sublimação
• Quando a água líquida é resfriada e passa para o estado sólido (gelo),
Condensação
essa mudança de estado físico é denominada solidificação. ou liquefação
• Ao aquecer o gelo até fazê-lo passar para o estado líquido, temos uma
mudança de estado físico denominada fusão. SÓLIDO GASOSO
Ex.: gelo Ex.: vapor­
• Quando a água líquida é aquecida e passa para o estado gasoso (vapor), -d'água

J
ocorre a vaporização, que pode ser lenta ou rápida. A vaporização
lenta, como acontece com a roupa que seca no varal, recebe o nome Fusão Vaporização
de evaporação. A vaporização rápida, com formação de bolhas no
interior do líquido, como ocorre com a água numa panela levada ao Sublimação
fogo, é chamada de ebulição.
• O vapor-d'água na atmosfera é resfriado em grandes altitudes e pode
mudar para o estado líquido, formando as nuvens. É a condensação
ou liquefação.
Além dessas mudanças de estado físico, a água também pode passar
do estado sólido diretamente para o gasoso ou do estado gasoso dire­
tamente para o sólido, sob determinadas condições ambientais. Esse
processo é denominado sublimação.

ii·\11i.tii·fHP
VAPORIZAÇÃO DA ÁGUA

Material
• 2 lenços de papel.
• 1 saco de papel.
• 1 saco plástico.
• 2 pedaços de barbante .
• Um pouco de água. (Imagem sem escala;
cores-fantasia.)

Procedimento 4. Após o período de 4 horas, abra os sacos e toque


1. Umedeça de forma similar os lenços de papel e os lenços de papel para verificar a umidade.
coloque um deles dentro do saco de papel e o Registre em seu caderno
outro dentro do saco plástico.
2. Feche os sacos com o barbante e deixe-os em 1. Houve diferença entre a umidade do lenço que
local ensolarado por cerca de 4 horas. estava no saco de papel e a do lenço que estava
no saco plástico?
3. Anote o que você prevê que irá acontecer com
os lenços de papel em cada saco e por quê. Essa 2. A sua hipótese inicial estava correta? Caso contrá­
será sua hipótese. rio, elabore uma explicação para o que ocorreu.
A água muda
continuamente de A quantidade de água da hidrosfera praticamente não varia.
estado físico e de Entretanto, a água está continuamente mudando de estado físico
ambiente, em um e de ambiente. Esse processo é denominado ciclo da água ou ciclo
processo chamado hidrológico.
O calor proveniente do Sol é a principal fonte de energia que mantém
ciclo da água.
o ciclo da água: ele _é responsável pela evaporação da água nos oceanos,
mares, rios, lagos e no solo, assim como pela água liberada pela transpi­
ração de plantas, animais e outros seres vivos.

ESQUEMA DO CICLO HIDROLÓGICO

Nas camadas frias da atmosfera,


a água se condensa e forma as nuvens.

Devido ao calor proveniente do


Sol, a água evapora de rios, lagos,
oceanos, solo, seres vivos etc.
e vai para a atmosfera.
As características As características da água
da água garantem a É raro encontrar água pura na natureza. Normalmente, ela contém sais
continuidade da vida minerais, além de microrganismos e outros materiais. Já a água potável,
na Terra. própria para consumo, contém sais, mas deve estar livre de substâncias
nocivas e organismos causadores de doenças, é incolor (não tem cor),
inodora (não tem cheiro) e insípida (não tem sabor).
Além dos aspectos cor, odor e sabor, a água apresenta outras pro­
priedades importantes. Na verdade, são essas propriedades que fazem
da água um líquido fundamental para o surgimento e a manutenção da
vida na forma como a conhecemos no planeta. Três dessas propriedades
são: a tensão superficial, a capilaridade e a capacidade de dissolução.

Tensão superficial
Você já observou insetos caminhando sobre uma poça de água? Eles
conseguem fazer isso por causa da tensão superficial.
A tensão superficial é uma propriedade que faz com que a superfície da
água se comporte como se fosse uma película muito fina e elástica. Isso
ocorre na superfície de todos os líquidos, mas a tensão superficial da água
é particularmente grande, quando comparada à da maioria dos líquidos.
Por causa da tensão superficial, a água e outros líquidos formam gotas.
Quando uma quantidade bem pequena de água cai de uma bica, por exemplo, a
Alguns insetos, como o percevejo tensão superficial leva à formação de pequenas esferas que, com a velocidade
da espécie Aquarius najas,
conseguem caminhar sobre
da queda, se distorcem, adquirindo o formato de gota. Em contato com uma
a água em função da tensão superfície, como o interior de um copo limpo, a gota de água tende a se desfa­
superficial desse líquido. zer, molhando o copo. Mas há superfícies que repelem a água e não molham.
Nesse tipo de superfície, a água tende a formar grandes gotas quase esféricas.

eap,'Iar,'dad e .

Quando encostamos um guardanapo na água, podemos perceber que


ela tende a se espalhar pelo papel. Mesmo que o papel esteja na vertical,
a água sobe aos poucos. Isso acontece com a água, assim como com mui­
tos outros líquidos, porque ela é conduzida através das fibras do papel,
que agem como tubos muito finos, chamados de capilares (daí o termo
capilaridade para designar essa propriedade).
A maioria das plantas também possui tubos que são responsáveis pela
condução de substâncias (nutrientes e água, por exemplo) pelo corpo
A propriedade da tensão
superficial permite a formação do vegetal. São os vasos condutores, que podem ser encontrados em
de gotas de água. pequenas gramíneas ou mesmo em grandes árvores.
A capilaridade contribui para o processo de subida da água pelos vasos
condutores das p lantas. Nesse caso, a água percorre os vasos desde as
raízes até aS folhas.
Capacidade de dissolução
A capacidade que uma substância tem de se dissolver em outra é de­
nominada solubilidade. Quando dissolvemos um sólido em um líquido,
chamamos o sólido de soluto e o líquido de solvente. A água recebe o
nome de solvente universal por ter a capacidade de dissolver grande
número de substâncias. De acordo com a solubilidade, as substâncias
são classificadas em solúveis (quando se dissolvem) ou insolúveis A água sobe a certa altura nos
(quando não se dissolvem). tubos. Quanto mais fino for o
tubo, maior será a altura da coluna
Pode-se dizer que a vida tal como a conhecemos depende da de água. (Imagem sem escala;
capacidade de dissolução da água. As paredes das células dos seres cores-fantasia.)
vivos mantêm suas estruturas porque são constituídas de material
insolúvel em água. Os nutrientes, como os sais minerais e os açúcares,
são transportados até as células pelo sangue, pois são solúveis em água
(l�mbre-se de que o sangue é constituído em grande parte por água).
A solubilidade varia de acordo com a temperatura do solvente. Assim,
um copo de água quente dissolve maior quantidade de soluto que a
mesma quantidade de água fria.

14·i11i·Hi.fUP
ADIÇÃO DE SUBSTÂNCIAS À ÁGUA Material
• Água. • Areia.
• Sal. • Óleo de cozinha.
• Açúcar. • 5 copos plásticos transparentes.
• Farinha de trigo. • 1 colher de sobremesa.
Procedimento
1. Em grupo, encham um copo com água até um pouco
acima da metade. Despejem no copo uma colher de sal.
Observem o que ocorre.
2. Agitem a solução com a colher durante aproximada­
mente um minuto. Deixem-na repousar e observem.
3. Anotem suas observações.
4. Repitam os procedimentos anteriores, substituindo o
sal pelos demais ingredientes: açúcar, farinha de trigo,
areia e óleo de cozinha. Utilizem um ingrediente por vez.
Registre em seu caderno
1. O que aconteceu com cada um dos ingredientes?
2. Elaborem uma explicação para o que aconteceu em cada
caso, usando na resposta os termos soléavel e insolúvel.
Testando a tensão superficial da água
A tensão superficial da água pode ser alterada?
Nesta atividade, você e seus colegas, com a ajuda do professor, vão
planejar e executar um experimento para responder à questão acima.
Antes de começarem, porém, temos algumas orientações.

1. É preciso delimitar melhor a questão inicial. Esse é um procedimento


comum em ciência: muitas vezes, a pergunta que nos intriga é muito
ampla ou muito complexa, dificultando a realização de testes capazes
de levar a uma resposta. Por isso, em grupo, testem a seguinte hipótese:

1 A adição de uma substância pode alterar a tensão superficial da água.

Sugerimos que vocês testem a adição das seguintes substâncias:


• AÇUCar.
,
• Detergente '
• Sal de cozinha.
Z É preciso saber como essa proprieda­
de da água se manifesta. Por exemplo,
é graças à tensão superficial que
diversas gotas de água podem ser
agrupadas sobre uma moeda, como
mostra a imagem ao lado. Para que
esse fenômeno possa ser utilizado
no experimento, entretanto, deve ser
possível mensurá-lo de alguma for­
ma. Converse com seus colegas sobre
essa e outras situações em que a ten­
são superficial é perceptível e, juntos,
decidam qual é a mais adequada para
o experimento. A tensão superficial permite
que gotas de água se
Planejem todas as etapas do experimento e descrevam claramente o agrupem sobre uma moeda.
procedimento que vocês vão seguir. Se for necessária alguma altera­
ção no procedimento durante a execução do experimento, registrem
o que foi feito.
Caso vocês obtenham um resultado que não haviam previsto, não se
assustem! Isso é bastante comum em ciência. Discutam os prováveis
motivos desse fato e, se necessário, alterem o experimento para cor­
rigir eventuais falhas.
Ao final, apresentem para os demais grupos os resultados obtidos por
vocês e vejam se todos chegaram às mesmas conclusões. Caso haja GLOSSÁRIO
conclusões diferentes, discutam os possíveis motivos. Mensurar: tirar ou calcular
uma medida.
TEXTO 2 Trocar ideias sobre o tema
Descarte irregular de medicamentos
afeta reprodução de peixes 3. Como- o descarte incorreto de medicamentos
afeta os seres humanos e outros animais?
O descarte irregular de remédios pela rede
de esgoto faz com que os peixes masculinos 4. Na sua opinião, a responsabilidade pelo
percam a capacidade de fecundar óvulos e, em descarte correto de medicamentos deve ser
casos mais graves, até desenvolvam ovas, ca­ somente dos fabricantes desses produtos?
racterística feminina. Essa é a constatação do Justifique.
professor do Instituto de Química da Unicamp 5. De acordo com o Texto 2, o descarte correto de
(Universidade Estadual de Campinas) Wilson medicamentos seria suficiente para evitar a
Jardim, em uma pesquisa no rio Atibaia, que contaminação das águas? Explique.
abastece 90% de Campinas.[ ...]
Segundo Wilson, uma das grandes vilãs 6. Forme grupo com mais dois colegas. Cada inte­
para a situação é a pilula anticoncepcional, . grante do grupo deverá entrevistar os pais ou
que tem efeito direto nas glândulas sexuais responsáveis e anotar as respostas dadas às
nos animais.[... ] seguintes perguntas.
Jardim também ressaltou que o descarte I. De que maneira os medicamentos vencidos
irregular, normalmente feito por pessoas que ou que não foram usados são descarta­
jogam medicamentos sem uso no vaso sani­ dos?
tário ou na pia, ou mesmo em algum pequeno
II. Você acha que os medicamentos descartados
rio perto de casa, não é o único problema. "Há
diretamente no lixo ou na rede de esgoto
também o descarte natural, que vai junto com
podem contaminar a água de rios e lagos?
a urina e as fezes. Esse é impossível de se con­
trolar, então, o foco tem que mudar. Além do Explique.
trabalho de conscientização, tem que haver III. Como você poderia contribuir para evitar a
o trabalho bom de saneamento dos esgotos", contaminação do meio ambiente pelos me­
explicou.[ ...] dicamentos?
Fonte: SCHIAVONI, E. Descarte irregular de remédio faz peixes
perderem capacidade de reprodução, mostra pesquisa. UOL notícias, Compartilhar
Meio ambiente, 10 jan. 2013. Disponível em: <http://noticias.uol.
com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2013/01/10/ 7. Em sala de aula, compartilhem com os demais
descarte-irregular-de-remedio-faz-peixes-perderem-capacidade-de­
reproducao-mostra-pesquisa.htm>. Acesso em: maio 2015. colegas as respostas obtidas nas entrevistas.
• Proponham medidas que poderiam ajudar a
Obter informações minimizar o problema do descarte incorreto
1. De que maneira o descarte incorreto de medica­ de medicamentos.
mentos pode contaminar a água? • Todos os alunos da sala, em conjunto, deverão
Z. É possível observar na figura da página anterior elaborar um documento com as principais
que uma propriedade da água está relacionada propostas feitas pela classe. Esse documento
com sua contaminação por medicamentos des­ poderá ser divulgado para a comunidade em
cartados de forma inadequada. Que propriedade forma de cartazes e panfletos ou por meio de
é essa? blogs.
Acredita-se que a atmosfera primitiva era composta de gás nitrogênio, gás carbônico, dióxido de enxofre (SO,)
e uma pequena quantidade de gás hidrogênio (H2). A mudança para a composição atual foi lenta e se iniciou
após o surgimento dos microrganismos fotossintetizantes, que promoveram o acúmulo do gás oxigênio (0,) na
atmosfera.

A Terra é envolvida Características da atmosfera


por uma camada de A atmosfera é a camada gasosa que envolve a Terra. Ela é formada por
gases, a atmosfera. uma mistura de gases que chamamos de ar. Entre os principais gases
constituintes do ar atmosférico estão: o gás nitrogênio (N2 ), o gás oxigênio
(0 2 ), o gás carbônico ((0 2 ), o§ gases nobres e o vapor-d'água.
É possível que os alunos tenham alguma
dificuldade em diferenciar altitude e
Logo que o planeta Terra surgiu, ele não possuía atmosfera. Essa cama­
altura. Altura é a distãncia vertical entre da gasosa se formou aos poucos e, no começo, era constituída por gases
um ponto e qualquer outro. A medição
da altitude, por outro lado, exige que se diferentes dos atuais.
considere o nível do mar.
Se julgar oportuno, comente que, �
em 2006, foi descoberto um novo
-1l
elemento, chamado provisoriamente de
Ununócio (Uuo). Esse elemento foi
Camadas da atmosfera e
obtido artificialmente em laboratório por
cientistas estadunidenses e russos, e foi A atmosfera se estende por muitos quilômetros acima da superfície -1l"'
incluído na família dos gases nobres. �
terrestre. Não é possível estimar com precisão onde termina a atmos­ -1lo
GLOSSÁRIO fera e começa o espaço interplanetário. Por esse motivo, para fins de "'
ci
��
estudo, a atmosfera foi dividida em camadas: troposfera, estratosfera,
Altitude: distância vertical ê
mesosfera, termosfera e exosfera. �
entre um ponto e o nível do mar. .8>
Gases nobres família Na camada mais próxi ma da superfíci e da Terra, a troposfera, os :g
.g
composta dos gases hélio, gases constituintes do ar se encontram em mai or quanti dade. Com o à\
neônio, argônio, criptônio, aumento gradual da altitude , a quantidade de gases diminui pouco a
xenônio e radônio.
pouco, isto é, o ar se torna cada vez mais rarefeito.

A EXISTÊNCIA DO AR Procedimento
Como podemos nos certificar de que o ar existe, 1. Em grupo, coloquem o guardanapo de papel no
se não podemos vê-lo? Podemos, por exemplo, sentir fundo do copo, de modo que ele não caia quando
o vento e observá-lo carregando folhas caídas e poei­ o copo for virado de cabeça para baixo.
ra, ou sentir um sopro sobre nossa mão. A seguir pro­ 2. Com o copo nessa posição e tampando o furo
pomos outra forma de comprovar a existência do ar. com o dedo, mergulhem-no na bacia com cuida­
do até que o fundo fique cerca de 1 centímetro
Material
• 1 copo descartável
acima do nível da água. Não deixem de manter
sempre o furo tampado com o dedo.
(transparente, se possível) 3. Retirem o copo com cuidado, sempre na posição
com um pequeno vertical e sem tirar o dedo do furo. Verifiquem
furo no fundo (cerca de o que aconteceu com o guardanapo. Registrem
1 mm de diâmetro). o resultado,
Esse furo será feito 4. Repitam o procedimento removendo o dedo
pelo professor. do furo antes de retirar o copo da água. Re­
• 1 guardanapo de papel. gistrem o resultado e discutam as diferenças
• 1 bacia funda, com água. observadas.
I

• A troposfera é a camada de ar mais próxima da Terra, com cerca de 16 quilômetros de altura.


É a camada da atmosfera que contém a maior quantidade de gases.
À medida que aumenta a altitude, o ar torna-se mais rarefeito. Isso dificulta a respiração de
uitos seres vivos. Com o aumento da altitude, a temperatura também diminui. A maioria dos
os atmosféricos, como as chuvas, os ventos e os relâmpagos, acontece na troposfera.

{Imagem sem escala; cores-fantasia.) Fonte: Atmosfera. Revista do Observatório Nacional, n. 3, 2011. Disponível em:
<WWW.on.br/pequeno_cientista/conteudo/revista/pdf/atinosfera.pdf>.
Acesso em: maio 2015.
O ar é formado por A composição do ar
uma mistura de O ar atmosférico é constituído por uma mistura de diferentes gases,
gases. Cada gás entre eles o gás'-!litrogênio, o gás oxigênio, o gás carbônico, os gases nobres
tem características e o vapor-d'água.
O gás nitrogênio e o ,gás oxigênio são os gases mais abundantes no ar:
próprias. 78% do ar é composto de gás nitrogênio e 21 %, de gás oxigênio. Esses

'''''''''''''''
dois gases representam, portanto, 99% do total de gases da atmosfera.

'''''''''''''''
Os gases do ar não estão distribuídos igualmente por toda a extensão
da atmosfera, pois a composição do ar varia com a altitude. Alguns gases,
''''''''''''''' como o oxigênio, predominam nas camadas inferiores, tornando-se raros

''''''''''''''' nas camadas superiores. Nelas é maior a proporção de outros gases, como

'''''''''''''''
os gases nobres. O vapor-d'água também está presente no ar em quanti­

'''''''''''''''
dades variáveis, de acordo com o local ou o clima.

'''''''''' Características de alguns componentes do ar


• Gás nitrogênio
• Gás oxigênio Gás oxigênio
• Outros gases atmosféricos
Muitos seres vivos, como os animais e as plantas, respiram o gás
Se fosse possível coletar o ar em
100 garrafas idênticas e separar oxigênio. Apenas algumas espécies de microrganismos sobrevivem na
seus componentes, teríamos ausência desse gás, como é o caso da bactéria causadora do tétano.
78 garrafas com gás nitrogênio,
21 garrafas com gás oxigênio e
uma garrafa com uma mistura dos
demais gases.
(Imagem sem escala; cores-fantasia.)

Algumas técnicas de combate a


incêndios consistem em evitar
o contato do gás oxigênio do
ambiente com o combustível
das chamas. Essa é a função dos
extintores de incêndio à base de gás
carbônico, que espalham C0 2 sobre
as chamas. Desse modo, evita-se
que o gás oxigênio entre em contato
com o combustível, e a combustão é
interrompida. Na imagem, bombeira
tenta apagar fogo com extintor à
base de gás carbônico.
O gás oxigênio também participa do processo de queima ou combustão. i
Nesse processo, os materiais que queimam são chamados de combustíveis; §
são exemplos a madeira, o carvão e a gasolina. Para que esses materiais

queimem, é necessária a presença do gás oxigênio, que por esse motivo é õº
denominado comburente. Além disso, a combustão só tem início quando �
se fornece energia, com uma faísca elétrica ou uma pequena chama, por
exemplo. Nesse caso, a fonte de energia é chamada de fonte de ignição.

Gás nitrogênio
É o gás mais abundante na atmosfera. Os seres vivos necessitam de
nitrogênio, mas a maior parte deles não consegue obtê-lo diretamente do Algumas sementes utilizadas
ar. Alguns microrganismos são capazes de transformar o gás nitrogênio na alimentação humana, como
em substâncias que as plantas absorvem pelas raízes. Ao se alimentar o feijão, a soja, a ervilha e o
grão-de-bico, são ricas em
dessas plantas, os animais obtêm o nitrogênio d� que necessitam. proteínas e, por isso, têm alto
teor de nitrogênio. Quando nos
Gás carbônico alimentamos dessas sementes,
obtemos parte do nitrogênio
Embora esteja presente em baixa concentração no ar, o gás carbô­ necessário ao nosso organismo.
nico participa de diversos processos importantes para os seres vivos. É
indispensável na fotossíntese, na qual é utilizado,junto com água e luz, para
produzir alimento pelos seres fotossintetizantes, e é produto da respiração
dos seres vivos. Também é responsável por reter parte do calor na atmosfera
no fenômeno natural chamado efeito estufa, que mantém as temperaturas
na atmosfera dentro de limites adequados para a existência da vida.

Vapor-d'água Relembre com os alunos o ciclo da água abordado na Unidade 5.

Ajuda a regular o clima por meio do ciclo da água. Sua quantidade varia de
acordo com o clima de cada região e das coridiçõ_es do tempo em determina­
do momento. Algumas regiões do planeta, como a am�zônica, apresentam De olho no tema
altos índices de umidade relativa do a·r-·e ê:hÜvàs quase o ano todo. Já Em dias quentes, a superfície
outras são bem secas, corçio o sertão nordestino e os desertos. A umidade externa de um copo de água
do ar está relacionada com a quantidade de vapor-d'água. bem gelado fica úmida, cheia
Para mais informações sobre nuver1s (tipos, formação e constituição), consulte o site <www.inmet.gov.br/ html/ de gotículas de água. Conver­
informacoes/sobre_meteorologia/atlas_ nuvens/atlas
_ __ nuvens.html>. Acesso em· maio 2015.
se com seus colegas e, com
As nuvens se formam base em seus conhecimentos
com a condensação do sobre a composição do ar e
vapor-d'água presente as mudanças de estado físico
na atmosfera. Ao da água, expliquem de onde
encontrar camadas
vem essa água que aparece
mais frias da
atmosfera, o vapor­ fora do copo.
d'água se condensa
e produz inúmeras
gotículas de água
(nuvem). Essas
gotículas se aglomeram
\..
até atingir um
tamanho em que
tendem a cair como
chuva. (Cloud Study,
1821, de John
Constable. Óleo
sobre papel,
24,7 cm x 30,3 cm.)
O ar se expande e pode ser comprimido
Vimos que, como todos os gases, o ar ocupa todo o espaço dis­
ponível em um ambiente. Por exemplo, quando retiramos parte do
ar do interior de uma garrafa de vidro fechada, o ar restante ocu­
pa todo o espaço disponível nela. Essa propriedade é chamada de
expansibilidade.
O ar também pode ser comprimido. Certa quantidade de ar ocupa de­
terminado espaço, mas podemos levá-lo a ocupar um espaço menor por
meio da compressão. Essa propriedade é chamada de compressibilidade.
O ar comprimido possui diversas aplicações práticas e pode ser usado,
por exemplo, nos pneus de automóveis, motos e bicicletas, assim como
nos cilindros de ar utilizados por mergulhadores e alpinistas.
U)
w

m. 8w
"'
"O
e

.
-�
1 z
Estocar o ar em cilindros ou botijões
.
"O
"'
"O
o
�z
cil
o
a:
facilita seu uso e seu transporte.
Cilindros de mergulho contendo
'"
;,; �
o uma mistura de gases comprimidos
� w
o possibilitam ao mergulhador
explorar grandes profundidades.
U)
�a.
Na foto, mergulho desportivo
em recifes de corais em Bali,
.g na Indonésia (2008).
;/;


·e
·et
"O
EXPANSIBILIDADE E COMPRESSIBILIDADE 3. Retire a garrafa com o balão da bacia e aguarde al­
Material guns minutos até que ela esfrie. Essa etapa é muito
importante para evitar que a garrafa se quebre em
• 1 balão de borracha. • 1 bacia.
virtude da alteração brusca de temperatura.
• 1 elástico de borracha. • Cubos de gelo.
4. Substitua a água da bacia pelos cubos de gelo.
• 1 garrafa de vidro. Introduza novamente a garrafa na posição
• Água morna de chuveiro. vertical. Aguarde alguns instantes e observe

ii1%1Hi -------------. o que acontece.

Cuidado ao manusear a garrafa de vidro! Peça Registre em seu caderno


a um adulto que supervisione a atividade. 1. O que aconteceu quando a garrafa com o balão
foi colocada na bacia com água morna? Explique.
Procedimento
2. O que aconteceu quando a garrafa com o balão foi
1. Acople o balão de borracha à boca da garrafa. colocada na bacia com cubos de gelo? Explique.
Use o elástico para mantê-lo firme. 3. A que conclusão podemos chegar com essa
2. Coloque água morna do chuveiro na bacia e insira atividade, tomando como base as propriedades
a garrafa na posição vertical dentro dela. Aguarde de expansibilidade e de compressibilidade dos
alguns instantes e observe o que acontece. gases?
A pressão atmosférica
No endereço p://
O ar está presente desde o nível do mar até altitudes de centenas
de quilômetros. Essa grande camada de ar faz com que tudo aquilo que
você está na superfície terrestre fique submetido a uma pressão, a pressão
encontra ani,mações e atmosférica.
experimentos sobre o
Como a pressão atmosférica está relacionada à camada de ar acima
funcionamento da
atmosfera. Explore, por
da superfície terrestre, podemos afirmar que ela varia de acordo com
exemplo, Movimentos na a altitude: quanto maior a
atmosfera e Medindo a altitude, menor será a cama­
pressão atmosférica. da de ar e, portanto, menor
Acesso em: maio 2015. será a pressão atmosférica.
Vale lembrar que, em
grandes altitudes, há pro­
porcionalmente menos ga­
ses que em altitudes próxi­
mas ao nível do mar. Dessa
maneira, à medida que a
altitude aumenta, o ar se
expande, a pressão atmosfé­
rica diminui gradativamente
e o ar fica mais rarefeito.

Em altitudes elevadas, como a do Monte Everest, localizado


na fronteira entre a China e o Nepal, o ar se torna rarefeito e
alguns alpinistas precisam de máscara de gás oxigênio para
respirar. Na foto, a japonesa Junko Tabei ao lado do xerpa Ang
Tshering, duas semanas antes de chegarem ao topo do Everest,
em 1975. Junko Tabei foi a primeira mulher a realizar esse feito.

Menor pressão . . ..
atmosférica

3.000 metros
de altitude
As setas brancas
representam a
intensidade da
.. . ...
. · ... .. . .
pressão ao nível
do mar e sobre

.. . .
a montanha.

.........
· · .. Maior pressão
: . ·.. : :-:.:·. atmosférica
Nível do mar
(altitude zero)

Ao se levar um balão fechado e cheio de gás de uma praia para o alto de uma montanha, observa-se que no alto da montanha
o balão parece mais cheio que na praia, embora apresente a mesma quantidade de ar em seu interior. Isso acontece porque a
pressão atmosférica sobre a parede externa do balão diminui, provocando a expansão do ar em seu interior. Os pontos nas colunas
de ar representam as moléculas dos gases presentes no ar, em maior quantidade ao nível do mar e, gradativamente, em menor
quantidade, mostrando que o ar se torna mais rarefeito à medida que a altitude aumenta. (Imagem sem escala; cores-fantasia.)
O experimento de Torricelli
A pressão atmosférica é medida com um instrumento chamado ba­ Tubo de vidro
1
rômetro. O funcionamento da maioria dos barômetros baseia-se em - - Espaço vazio
um experimento realizado em 1643 pelo cientista italiano Evangelista mercúrio
(sem ar)
Torricelli. com 76 cm
Ao nível do mar, Torricelli pegou um tubo de vidro de cerca de 1 me­ de altura
tro de altura, fechado em uma das pontas, e o encheu com mercúrio.
Tampou a boca do tubo e virou-o ao contrário, colocando a abertura
dentro de um recipiente, também cheio de mercúrio. Ao destapar o
tubo, ele observou que a coluna descia até atingir certa altura (igual
a 76 centímetros), restando em seu interior um pequeno espaço vazio
(ver figura ao lado). Torricelli repetiu a experiência várias vezes, e
em diversas altitudes, verificando que, ao nível do mar, a coluna de Recipiente com mercúrio
mercúrio tinha sempre a mesma altura. No entanto, à medida que a
Esquema do equipamento usado
altitude aumentava, essa coluna diminuía (e o espaço vazio no interior por Torricelli, ao nível do mar.
do tubo aumentava). As setas, em vermelho, ilustram
a pressão atmosférica que age
Torricelli concluiu que a coluna de mercúrio não descia mais por ser sobre a superfície do recipiente.
impedida pela pressão atmosférica que atuava sobre o recipiente. (Imagem sem escala;
cores-fantasia.)

De olho no tema
João, um estudante do 7º ano, montou uma "mágica" depois de uma aula de
Ciências. Ele vedou a boca de uma garrafa de refrigerante com uma rolha. Bem
no centro da rolha colocou um canudo, tendo o cuidado de vedar bem o espaço
entre o canudo e a rolha. Então, desafiou seus amigos a beber o refrigerante,
mas nenhum deles conseguiu. Explique por que ninguém foi capaz de beber o
refrigerante.
Campeonato de aviões de papel !
Não é tarefa simples projetar um avião de papel �
que consiga permanecer no ar, alcançar longas �UJ
a:

distâncias ou até fazer acrobacias! É por isso que 1


Q.

todo ano acontecem diversas competições de aviões �


de papel ao redor do mundo, que são avaliados em �
diferentes categorias. Nesta atividade, vocês vão
projetar aviões de papel e organizar um campeonato
para vê-los em ação!

Competidor em uma das etapas do


Campeonato Mundial de Aviões de Papel
em Toulouse, França (2015).

1 Atividades
MATERIAL
Papéis de variados tipos e tamanhos.
• Instrumento de medida de distância (trena ou fita métrica).
• Cronômetro.
• Outros materiais que julgar necessários (tesouras de pontas arre­
dondadas, cola etc.).
PROCEDIMENTOS
1 Cada aluno deverá escolher a categoria em que 6. Os participantes da categoria acrobacia podem
deseja competir: distância, tempo de voo ou escolher livremente como lançar o avião e de­
acrobacia. vem ser julgados em três critérios: técnica de
2 Para as categorias distância e tempo de voo, é fabricação do avião, criatividade {arte e design)
importante padronizar o papel utilizado pelos e desempenho durante o voo.
competidores. Pode ser definido, por exemplo,
que todos devem usar folhas de papel sulfite no INTERPRETAR E REFLETIR
formato A4. Nessas categorias, os aviões devem 7. Quais características você observou nos aviões
ser feitos somente por meio de dobras no papel, que alcançaram maiores distâncias? E naqueles
sem cortar, rasgar ou colar. que permaneceram mais tempo no ar?
3 Na categoria acrobacia, o avião pode ser feito de 8. Por que a categoria acrobacia tem mais liberdade
qualquer tipo ou tamanho de papel e podem ser no uso de materiais e técnicas?
usadas outras técnicas de construção além da 9 É possível projetar um avião que seja compe-
dobradura de papel. titivo em mais de uma categoria? Justifique.
Determinem o dia para a competição, que deverá Discutam a importância das regras menciona­
acontecer em ambiente fechado, protegido do vento. das nos procedimentos 2, 4 e 5.
Os participantes das categorias distância e Converse com os colegas sobre o processo de
tempo de voo deverão lançar o avião de um construção do seu avião: você se baseou em
mesmo ponto {pode-se fazer uma marcação no seus conhecimentos cotidianos e científicos
chão), deixando o corpo relativamente estático, sobre os materiais e o ar ou se valeu de testes
com os dois pés firmes no solo. de tentativa e erro?
As condições da O que são fenômenos atmosféricos?
atmosfera podem As chuvas, os ventos e as variações de temperatura do ar são alguns
ser estudadas e exemplos de fenômenos·atmosféricos. O conjunto desses fenômenos em
previstas pelos determinada região e em determinado instante constitui o que os meteo­
rologistas chamam de tempo. O tempo pode mudar de um dia para o outro
meteorologistas com ou mesmo de uma hora para outra. A ciência que estuda as variações do
base na observação tempo e os fenômenos atmosféricos em geral é a Meteorologia.
dos fenômenos Observando-se as condições do tempo de uma região durante alguns
anos, nota-se que alguns padrões se repetem: chove mais em determi­
atmosféricos.
nada época do ano que em outra, a temperatura aumenta e diminui de
acordo com as estações do ano e assim por diante. O padrão de variação
GLOSSÁRIO do tempo que é observado ao longo dos dias, meses e anos em determi­
ss.r.; grandes porções nada região é chamado clima.
da atmosfera que apresentam
características uniformes As variações da temperatura do ar
de temperatura, pressão
As regiões próximas da linha do equador recebem mais calor proveniente
e umidade.
a descarga elétrica que das radiações solares do que as regiões próximas dos polos. Além disso,
ocorre entre duas nuvens ou a quantidade de calor recebida varia de acordo com as estações do ano.
entre uma nuvem e o solo, As variações na quantidade de calor recebida nas várias regiões do
acompanhada de relâmpago
e trovão.
planeta criam massas de ar com temperaturas distintas umas das outras.
clarão causado O encontro de massas de ar com temperatura, pressão e umidade diferentes
pelo raio. leva à formação de nuvens e à ocorrência de chuvas, por exemplo.
,ao ruído estrondoso
causado pelo raio. As chuvas
O calor do Sol aquece o solo, e este, consequentemente, aquece o ar que
está logo acima. Quando é aquecido, o ar se expande e sobe para partes
mais altas da troposfera, carregando vapor-d'água. Nas partes mais altas
da atmosfera, a temperatura é menor que nas proximidades da superfície
terrestre, de modo que esse ar perde calor e se resfria. Quando isso ocorre,
o vapor-d'água se condensa em inúmeras gotículas, formando as nuvens.
Nas nuvens, as gotículas se juntam até atingir um tamanho em que
tendem a cair na forma de chuva. Chuvas fortes podem vir acompanhadas
de raios , relâmpago s e trovões . Em condições especiais de temperatura
e pressão, as gotículas podem se congelar ainda nas nuvens, dando origem
à neve e ao granizo.
Sugerimos a utilização das figuras da Unidade 7 para mostrar aos alunos a inclinação do eixo terrestre e o
ciclo das estações do ano. Aproveite para relacionar a inclinação do eixo e a quantidade de calor recebida
em cada região do globo.
Chuva forte em Porto Alegre, RS (2012), acompanhada de raio (descarga
elétrica) e relâmpago (efeito luminoso causado pelo raio). Cerca de 50 a 100
descargas elétricas acontecem a cada segundo no mundo, a maioria delas em
regiões tropicais. O Brasil é o país com a maior ocorrência de raios.
Os ventos
O ar está em contínuo movimento ao redor de todo o globo terrestre.
Podemos distinguir movimentos verticais, em que o ar sobe ou desce, e
movimentos horizontais, em geral muito mais intensos que os verticais,
que conhecemos como vento.
Os movimentos verticais são gerados pelo aquecimento ou pelo resfria­
mento das massas de ar. O calor proveniente do Sol aquece o solo e o mar,
que, consequentemente, aquecem o ar. O ar aquecido se expande, torna-se
mais rarefeito, o que gera uma região de menor pressão atmosférica, e sobe,
formando uma corrente ascendente. Ao ganhar altitude, o ar é resfriado, se
contrai, torna-se mais der.1so e, portanto, gera uma região de maior pressão
atmosférica. Assim, ele desce, formando uma corrente descendente. Esse
movimento de subida e descida do ar é chamado de convecção.
Os movimentos horizontais do ar, o vento, sã·o gerados pelo aquecimen­
to não uniforme da superfície terrestre. Por causa de inúmeros fatores,
como latitude e cobertura de nuvens, algumas partes da atmosfera são
GLOSSÁRIO mais aquecidas que outras. A massa de ar aquecida tende a subir e o
Latitude: distância, medida em espaço ocupado por ela é substituído por uma massa de ar mais fria das
graus, de um ponto do globo regiões vizinhas. Essa movimentação caracteriza o vento.
terrestre em relação à linha
do equador.
O vento carrega grandes quantidades de vapor-d'água e de nuvens,
distribuindo o calor na atmosfera e interferindo na formação das chuvas.

FORMAÇÃO DO VENTO

Região de maior Região de menor


pressão atmosférica pressão atmosférica
(aquecimento)
Na região B, que é mais quente,
o ar se aquece e se expande,
gerando uma região de menor
pressão atmosférica. A região A,
com ar mais frio, é uma região de
maior pressão atmosférica
que a região B.

Maior
pressão
atmosférica
Corrente de ar frio Corrente de ar
descendente quente ascendente
O ar na região B, aquecido, se
eleva, e o ar mais frio da região A
se move para ocupar o seu lugar,
gerando o vento. Os movimentos
horizontais ocorrem sempre de
um lugar mais frio para um lugar
mais quente.
(Imagens sem escala;
cores-fantasia.)
A brisa marítima e a brisa continental PROCESSO DE FORMACÃO DAS
BRISAS MARÍTIMAS
Próximo aos oceanos, as correntes de convecção atmosférica dão ori­ E CONTINENTAIS
gem às brisas marítimas e às brisas continentais. As brisas marítimas
se formam porque, durante o dia, o solo se aquece mais rapidamente que
a água do mar. O calor do solo aquece o ar que está acima dele. Esse ar
então sobe, sendo substituído pelo ar mais frio que estava sobre a água.
Dessa maneira, durante o dia ocorrem as brisas marítimas, que sopram
do mar em direção ao continente. Durante a noite, o solo esfria mais
rapidamente que o mar, bem como o ar sobre ele. Nesse período, a brisa
sopra do continente em direção ao mar, constituindo a brisa continental.
A acão do vento sobre o relevo
O vento pode modificar o relevo, atuando no desgaste das rochas e
dos solos, bem como no transporte dos fragmentos de um lugar para
outro (relembre a Unidade 4).
O vento sozinho exerce pouca ação intempérica sobre as rochas. No
entanto, quando o vento carrega poeira e grãos de areia, essa ação é
pronunciada, pois esses materiais, ao se chocar com as rochas, intensi­
ficam o processo de desgaste.
Além de atuar no desgaste de rochas, o vento modifica as paisagens
pelo transporte de partículas, como poeira e areia, e outros materiais, As setas vermelhas representam
depositando-os em outro local. As dunas são um exemplo da ação do o movimento do ar aquecido.
vento na paisagem pela deposição de areia. (Imagens sem escala;
cores-fantasia.)
Fonte: Esquema elaborado com base
De olho no tema em dados obtidos em: <www.cptec.
inpe.br>. Acesso em: maio 2015.

1. Pesquise sobre o clima da região onde você mora, incluindo detalhes dos
fenômenos atmosféricos mais comuns durante o ano.
2. Algumas aves de grande porte, como os urubus, voam em grandes altitudes.
Você já deve ter observado essas aves voando em círculos e ganhando alti­
tude, sem bater as asas constantemente. Proponha uma explicação de como
essas aves conseguem ganhar altitude sem bater as asas, relacionando esse
fenômeno com a temperatura e o movimento vertical das massas de ar.

Rochas com desgaste


provocado principalmente
pelo vento. (Fronteira
entre Brasil e Venezuela,
2011.)
A chuva ácida
A atividade industrial e os automóveis
em circulação, além de outras ações hu­
manas, liberam poluentes na atmosfera,
como os gases com nitrogênio e enxofre.
Esses poluentes combinam-se com o vapor­
-d'água e o gás oxigênio, formando ácidos.
Quando dissolvidos na chuva, esses ácidos
originam a chamada chuva ácida. Ao cair
no solo, nos rios e nos lagos, a chuva ácida
causa danos em plantas, animais, algas e
microrganismos.
O problema da chuva ácida afeta as
regiões mais industrializadas, onde a quan- Observe o efeito da chuva ácida sobre a estátua do profeta Jeremias,
de autoria do mestre Aleijadinho. (A) Estado da obra em 2004.
tidade de poluentes é maior. Florestas que (B) Estado da obra em 2011. (Congonhas do Campo, MG.)
ficam perto de IOCaiS COm muitas indústrias também sofrem os efeitos da chuva ácida. Nos centros urbanos
' a chuva
c m cr talin A opacidade é re ultado da degeneraçã
o o is o s o

ácida pode danificar monumentos , esta' tuas e pre' d'1 os •

O ozônio
o ozonio e um gas que existe naturalmente na estratosfera e em menor
,... • , , •
pelo desencadeament o de respostas imunes em seres

concentraCãO também na troposfera, o ozônio é produzido na estratosfera


'
os linfócitClS T matadores (natural kil/ers). Dessa forma,

onde forma uma camada. Essa camada de ozônio é importante porque ab- infecções por bactérias. fungos. parasitas e vírus.

sorve boa parte da radiação ultravioleta proveniente do Sol, impedindo-a I De olho no tema
de chegar à superfície da Terra. O excesso de radiação ultravioleta pode
causar, por exemplo, câncer de pele, enfraquecimento do sistema imunitário O Brasil é o segundo maior
e catarata, uma doença dos olhos, por isso esses raios devem ser evitados. produtor de etanol do mundo
e o maior exportador mundial
Em razão principalmente da poluição urbana e da prática de queima­
desse produto. Na década de
das na agricultura, a presença de ozônio em baixas altitudes mais que 1970, o governo brasileiro
dobrou no último século. Na troposfera, a alta concentração de ozônio é lançou o Programa Nacional
prejudicial à saúde humana por causar infecções respiratórias, irritação do Álcool (Proálcool) em
nas mucosas do nariz e da garganta, tosse, aumento dos ataques de virtude da crise mundial do
petróleo. No início do século
asma e dores de cabeça, entre outros problemas.
XXI, o governo retomou o
Há alguns anos descobriu-se que sobre o continente antártico há incentivo ao uso de etanol
uma região na qual a concentração de ozônio na estratosfera é muito como combustível, com o
menor que em outras regiões do planeta. Essa região é conhecida como desenvolvimento dos veí-
buraco na camada de ozônio e acredita-se que ela seja decorrente da cuias "flex'', disponíveis no
emissão de determinados gases. mercado desde 2003. Pro-
cure informações a respeito
Esse problema ambiental exigiu a adoção de algumas reformas políti­ de biocombustíveis. Qual é a
cas e econômicas que ajudaram a reduzir a emissão de gases poluentes. importância da pesquisa de
Pesquisas recentes indicam que a camada de ozônio está se recuperando novas fontes de energia al­
e os pesquisadores acreditam que, se essa recuperação se mantiver na ternativas ao petróleo? Qual
taxa atual, até a metade deste século essa camada poderá voltar aos é a relação entre a busca
por energias renováveis e o
níveis de 1980 - ano em que os cientistas notaram pela primeira vez a
aquecimento global?
acão nociva das atividades humanas sobre ela.

(m
TEMAS 4E 5

ORGANIZAR O CONHECIMENTO consequência da diminuição da camada de ozô­


nio. As pessoas foram orientadas a usar óculos
1. Transcreva as etapas para a formação do vento,
escuros, camisetas de manga longa e chapéu
colocando-as em ordem e substituindo as letras
sempre que se expusessem ao Sol. Por que essas
pelos termos correspondentes, escolhidos no
recomendações foram feitas?
quadro a seguir. A primeira etapa é a frase V.
3. Leia o trecho a seguir.
expande aquece sobe Dunas, manguezais, praias, cidades. No Delta
ocupa fria menor vento do Parnaíba, um embate constante entre o ho­
mem e a natureza. [...]
I. O ar expandido (A) para camadas mais altas
da troposfera, gerando uma região de (B) As dunas estão avançando. Invadindo a cidade.
pressão. E eles não sabem quanto tempo ainda poderão
ficar por aqui. "
II. O ar aquecido se (C).
Dona Joana Preta está preocupada. "Eu me
III. O solo (D) a camada de ar mais próxima. mudei de lá para cá e o morro me botou para
IV. Essa movimentação de massas de ar forma correr. Agora tô aqui e tô preocupada de novo que
o (E). ele vai me botar pra correr de novo. Eu não sei.
V. O calor do Sol aquece o solo de uma região. Deus aí é quem sabe", conta dona Joana Preta.[...]
Fonte: Dunas ameaçam cidades no Delta do Parnaíba. Globo
VI. A massa de ar (F) (região de maior pressão), Repórter, 4 out. 2013. Disponível em: <http://g1.globo.com/
que está próxima à região aquecida, (G) o globo-reporter/noticia/2013/10/dunas-moveis-ameacam­
cidades-no-delta-do-pamaiba.html?utm_source=gl&utm_
espaço deixado pelo ar quente que se elevou. medium=email&utm_campaign=sharethis>.
Acesso em: maio 2015.
ANALISAR a) Que agente deve ser o principal responsável
2. No mês de outubro de 2010, uma grande região pela movimentação das dunas?
do sul do Chile entrou em estado de alerta de­ b) Explique como o agente em questão também
vido aos altos índices de radiação ultravioleta, provoca o desgaste das rochas e as remodela.

�-�
COMPARTILHAR
4. Considere a tirinha e faça o que se pede.


t3
!J

g
o
UJ

a) Na tirinha, a Magali propõe a plantação de e possa trazer benefícios. Em grupo, pesquisem


árvores como uma opção para melhorar o como e onde é possível plantar árvores em seu
cenário do aquecimento global. Explique a município, bem como os cuidados de que elas
relação entre o plantio de árvores e seu desen­ precisam para se desenvolver. Com base nessas
volvimento e a diminuição do gás relacionado informações, elaborem um guia para orientar a
ao aquecimento global. comunidade a atuar na arborização do municí­
b) Alguns conhecimentos são necessários para que pio e, assim, também contribuir na redução do
o plantio de árvores seja feito de forma correta aquecimento global.
POR UMA NOVA ATITUDE Meio ambiente

Explorar o tema Mas o quanto essa poluição afeta a nos-


sa saúde? Especialistas dizem que respirar
TEXTO 1 o ar de São Paulo equivale a fumar dois
cigarros por dia. "A gente tem uma perda
Carros são responsáveis por 90% da capacidade pulmonar. Isso explica por
da poluição do at em São Paulo que se morre mais de bronquite crônica, de
Quando circulam pelas ruas da cidade, os asma, de enfisema pulmonar e de câncer de
automóveis emitem poluentes e partículas finas, pulmão nas cidades poluídas", aponta Paulo
que ficam suspensas na atmosfera. Especialistas Saldiva, do Laboratório de Poluição da USP
dizem que respirar o ar da capital paulista [Universidade de São Paulo]. [...]
equivale a fumar dois cigarros por dia.
Fonte: Carros são responsáveis por 90% da poluição do ar em São
O principal motivo da poluição do ar de Paulo.Jornal Nacional, 4 maio 2011. Disponível em: <http://g1.globo.
com/jornal-nacional/noticia/2011/04/carros-sao-responsaveis­
São Paulo é o trânsito, e respirar esse ar todos por-90-da-poluicao-do-ar-em-sao-paulo.htmi>. Acesso em: maio 2015.
os dias pode provocar problemas sérios de
saúde[...].
O rapaz passa o lenço no rosto e fica surpre­ TEXTO 2
so com o que vê: o pedaço de pano ficou preto.
"É muita poluição, muitos carros passando na O exemplo de Bogotá
rua no dia a dia", afirma. Bogotá era o patinho feio da América do Sul,
Em São Paulo, os carros são responsáveis por sofria com a violência e com a poluição, mas
90% da poluição do ar. O problema cresce junto no final do século passado começou uma mu­
com o tamanho da frota. Já são sete milhões dança que a transformou em cidade exemplo
de veículos emplacados na capital paulista. de sustentabilidade na América do Sul.
Quando circulam pelas ruas da cidade, ou pior,
quando ficam parados nos congestionamen­ Em 1998, o então prefeito da cidade, Enri­
tos, eles emitem poluentes e partículas bem que Pefi.alosa, colocou em prática o projeto
finas, que ficam suspensas na atmosfera, e nós do Transmilênio, um sistema de corredores
acabamos respirando.[...] exclusivos onde circulam ônibus rápidos.
Congestionamento na avenida Vinte e Três de Maio,
na cidade de São Paulo (2013). Os veículos emitem
poluentes e partículas bem finas que ficam suspensos
no ar que respiramos. Essa poluição pode provocar
perda da capacidade pulmonar e doenças como o
câncer de pulmão.
Ciclovia na cidade de Bogotá, Colômbia (2013).
As ciclovias foram criadas como alternativa de
mobilidade dentro da cidade e, até o ano de 2010,
pelo menos 54% das famílias utilizavam bicicletas
como meio de transporte.

O Transmilênio já apresentou ótimos Obter informações


resultados. Em 2010, foi constatado que houve 1. Qual é o principal problema citado no texto l?
diminuição do tempo médio das viagens em
2. Como Bogotá resolveu seus problemas com
32% e ganhos no âmbito da saúde.
poluição?
Além da implantação do sistema Transmi­
lênio, foram adotadas outras medidas visando Trocar ideias sobre o tema
à melhoria da mobilidade urbana: criação de
faixas exclusivas para a circulação de trans­ 3. Em alguns estados brasileiros, existem órgãos
porte coletivo, restrição de carros particulares públicos responsáveis pela medição dos níveis
no centro da cidade nos horários de pico e a de poluição atmosférica. Pesquise se no estado
criação de cerca de 360 quilômetros de ciclo­ onde você mora há um órgão com essa finalidade.
vias por toda a cidade. Você acha que a ausência desse tipo de informa­
As ciclovias criadas como uma solução ção pode fazer falta para a população?
para o problema da mobilidade urbana são, Refletir
em sua maioria, permanentes. Aos domingos
e feriados, essa malha de ciclovias se amplia 4. Em sua opinião, as soluções adotadas na cidade
e grandes avenidas são fechadas para uso de Bogotá poderiam ser adotadas na cidade
exclusivo das bicicletas. onde você mora?
5. Qual é o principal meio de transporte que você
A iniciativa rende bons frutos. Em 2010, e sua família usam durante a semana? E nos fi­
apenas 13% da população possuía carro, nais de semana? Em sua opinião, seria possível
enquanto 54% das famílias utilizavam a bici­ escolher um dia da semana para usar um meio
cleta como meio de transporte, resultando na de transporte não poluente, como a bicicleta?
diminuição de 40% do tráfego de automóveis.
Compartilhar
Mas é na hora de respirar que os moradores
de Bogotá podem festejar. Em 2010, todas es­ 6. Organize em sua escola um dia com menos
sas medidas já haviam resultado na redução carros. Com a ajuda do professor, escolha um
de 40% da emissão de poluentes e na melhora dia para que todos os funcionários, professores
significativa da qualidade do ar. e alunos venham para a escola de transporte
coletivo, de carona, de bicicleta ou a pé. Faça
Texto elaborado com base em: Secretaria de Mobilidade de Bogotá. Dis­ uma campanha para conscientizar todos sobre
ponível em: <www.movilidadbogota.gov.co>. Transmilênio. Disponível
em: <www.transmilenio.gov.co/es>. Revista Horizonte Geográfico. Dispo- a importância da adoção de alternativas menos
nível em: <http://horizontegeografico.com.br/exibirMateria/ poluentes. Anuncie o evento no site da escola e
1659>. Pensamento Verde. Disponível em: <www.pensamentoverde.
com.br/cidades-sustentaveis/transito-qualidade-vida­
nas redes sociais, mobilize seus colegas, pais e
populacao-bogota/>. Acessos em: maio 2015. professores. Incentive as pessoas a participar.
Micróbios em alta "Ficamos surpresos de encontrar uma por­
centagem tão alta de bactérias", conta a bióloga
Estudo encontra quantidade inesperada de Natasha de Leon-Rodriguez, autora principal
bactérias em regiões elevadas da atmosfera. do estudo, da Universidade Georgia Tech, nos
Esses microrganismos podem ter importante Estados Unidos. "Isso indica que os microrga­
papel no clima, na formação de nuvens e chuva nismos podem ter um impacto ainda maior
e na dispersão de doenças pelo mundo. do que se pensava na formação de nuvens,
substituindo ou suplementando as partículas
de poeira e sal que normalmente servem de
núcleo para formação de gelo."

Bactérias viajantes
A maior parte das amostras de ar estudadas
foi coletada pela equipe de cientistas supervisio­
nada pelo microbiólogo Konstantinus Konstan­
tinides, também da Georgia Tech, antes, durante ��
e depois dos furacões tropicais Earl e Karl, que "O

-�
atingiram a costa dos Estados Unidos em 2010.
Os pesquisadores usaram aviões da Nasa para sobrevoar �
o olho do furacão Earl e coletar amostras de ar a cerca de "' ��
(.)
"O
15 km de altitude. �z o
.;
O>

� ��
Pesquisadores norte-americanos coletaram
amostras de ar de regiões da atmosfera loca­ l
Q.

!
o
lizadas a até 15 km de altitude e descobriram "'
8a: o
que há muito mais micróbios por lá do que "' "O


se pensava: cerca de 20% das partículas em a:

suspensão são bactérias. A descoberta não é
z
<( �
importante apenas para biólogos; ela pode ·e
,g
influenciar o que se sabe sobre o clima.
Isso porque as bactérias têm papel na for­
mação de nuvens, chuva e neve. Elas oferecem
a superfície ideal para que o vapor-d'água se
condense em gotículas que compõem a nuvem.
Além disso, certos gêneros de bactérias, como Mais de 100 tipos de bactérias foram encontrados
as Pseudomonas, possuem em sua membrana nas camadas mais altas da troposfera. Alguns
externa uma proteína que desencadeia a for­ desses tipos participam da formação de gelo.
mação de cristais de gelo quando em contato
com a água. Para isso, eles usaram filtros de ar acoplados
a um furo na parede de um avião da Nasa, a
Estudos anteriores já haviam descrito a agência espacial americana. Os pesquisadores
importância das bactérias nesses processos
climáticos, mas, na maioria dos casos, a análise também analisaram amostras coletadas em ou­
feita era de micróbios coletados em altitudes tros voos intercontinentais sobre terra e oceano.
mais baixas. A pesquisa atual, publicada na Eles encontraram mais de 100 tipos diferen­
revista científica Pnas, analisou os microrganis­ tes de bactérias nas amostras, das quais 17 es­
mos da parte mais alta da troposfera, onde era tavam presentes em todas as coletas. A análise
menos provável encontrar tantas bactérias em do material revelou ainda que elas viajam pelo
função da alta exposição a raios ultravioleta, mundo durante eventos climáticos como os
mortais aos micróbios. furacões.Ao olhar para os exemplares coletados
Na época de Copérnico não se conheciam os planetas Urano e Netuno nem o planeta-anão Plutão.
Urano foi o primeiro planeta a ser descoberto por meio de um telescópio, em 1781. Netuno e Plutão
foram descobertos em 1846 e 1930, respectivamente.

Os modelos geocêntrico, e heliocêntrico


Os astrônomos da Antiguidade haviam observado que o Sol, os planetas
e as estrelas pareciam girar em torno da Terra. Foi proposto então que a
Terra ficava no centro do Universo e os demais astros giravam a seu redor.
Essa ideia se tornou conhecida como modelo geocêntrico (geo, em grego,
quer dizer Terra). O filósofo grego Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) foi um
dos defensores desse modelo.
No século III a.e., o filósofo e matemático Aristarco de Sarnas
(310 a.C.-230 a.C.) percebeu que o Sol é maior que a Terra e que a Terra
é maior que a Lua. Aristarco sugeriu, então, um modelo heliocêntrico
(hé/ios, em grego, quer dizer Sol), no qual a Lua girava em torno da Terra
e a Terra girava em torno do Sol. No entanto, essa ideia não ganhou
força e o modelo foi abandonado por vários séculos.
Em 1543, essa ideia foi retomada pelo monge e astrônomo polonês
Nicolau Copérnico (1473-1543), que defendeu e aperfeiçoou o modelo
heliocêntrico de Aristarco. No modelo de Copérnico, o Sol está no cen­
tro do Universo e os planetas Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter
e Saturno transitam ao seu redor, formando caminhos denominados
órbitas. Nesse modelo, a Lua continuava orbitando em torno da Terra.
No início do século XVII, o astrônomo alemão Johannes Kepler
(1571-1630) analisou os dados sobre as posições dos planetas obtidos
por Tycho Brahe (1546-1601), astrônomo dinamarquês. Kepler propôs
que as órbitas percorridas pelos astros em torno do Sol têm a forma de
elipses. De maneira simplificada, uma elipse é a forma de um círculo
levemente achatado.
Atualmente, considera-se que o Sol é o centro do Sistema Solar, e não
o centro do Universo, e que os planetas, planetas-anões (planetoides),
satélites naturais, cometas e asteroides movem-se em torno dele.

Modelo geocêntrico: a Terra é o centro do Modelo heliocêntrico: o Sol é o centro do Universo;


Universo. (Imagem sem escala; a Terra e os outros astros giram ao redor dele.
cores-fantasia.) {Imagem sem escala; cores-fantasia.)
Sondas espaciais
As sondas espaciais são naves sem tripulação
enviadas para o espaço para realizar obser­
vações, testes e experimentos. Elas carregam
equipamentos de laboratório, câmeras foto­
Concepção
gráficas e comunicadores (que transmitem, por artística da
ondas de rádio, as informações obtidas para a sonda espacial
Terra). Essas naves são enviadas para explorar Voyager 1.
regiões que até o momento são inacessíveis aos
seres humanos. As sondas Voyager 1 e 2 foram lançadas em
Os planetas Vênus, Marte, Mercúrio, Júpiter, 1977 pela Nasa (sigla em inglês para Adminis­
Saturno, Urano e Netuno já foram estudados tração Nacional da Aeronáutica e do Espaço).
por sondas espaciais. Entre as análises que elas Inicialmente, elas exploraram os planetas Júpi­
realizaram, estão a composição da atmosfera, ter e Saturno e seus entornas. As informações
a velocidade dos ventos e as características da coletadas permitiram o estudo de vulcões ativos
superfície desses planetas. em Io, uma das luas de Júpiter, e de detalhes
O Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra, dos anéis de Saturno.
foi lançado pela ex-União Soviética. Ele coletou Em 2013, a sonda Voyager 1 atingiu a dis­
informações sobre as camadas superiores da tância de 19 bilhões de quilômetros do Sol e
atmosfera e, por isso, é também considerado a se tornou o primeiro objeto fabricado pelo ser
primeira sonda espacial. humano a deixar o Sistema Solar.

Esquema dos caminhos


percorridos pelas
sondas Voyager 1 e 2.
A linha verde mostra
o caminho percorrido
pela sonda Voyager 1
no Sistema Solar; a
linha roxa representa o
caminho feito pela sonda
Voyager 2. (Imagem sem
escala; cores-fantasia.)

Entrando na rede De olho no tema

No site www.stellarium.org/pt_BR é possível bai­ A partir da imagem computadorizada da Via Láctea e


xar um programa gratuito de simulação do céu.
dos modelos heliocêntrico e geocêntrico mostre que
Com esse programa você pode fazer viagens simu­
ladas pelo céu, por astros, constelações etc. o nosso entendimento sobre o Universo mudou ao
longo do tempo.
Acesso em: jun. 2015.
Ao observar o céu O Sistema Solar
à noite, notamos O Sistema Solar é formado por uma estrela, oito planetas com seus
que ele é imenso; satélites naturais e anéis, cinco planetas-anões, asteroides e cometas.
no entanto, o que As estrelas são astros que emitem luz e calor. O Sol está no centro do
vemos é apenas Sistema Solar e é a estrela mais próxima da Terra.
Os planetas giram em torno do Sol aproximadamente no mesmo plano
uma pequena
e no mesmo sentido. É como se os planetas estivessem sobre um disco e
parte do Universo. esse disco girasse em torno de seu centro, onde estaria localizado o Sol.
Com instrumentos Os cientistas acreditam que o Sistema Solar tenha surgido de uma
especiais, os nuvem de gás e poeira há aproximadamente 4,6 bilhões de anos.
cientistas "enxergam"
O Sol
muito além do que
O Sol apresenta diâmetro em torno de 1.390.000 km e tem a mesma
conseguimos ver. idade do Sistema Solar. Apenas para exemplificar, dentro do Sol caberiam,
aproximadamente, 1 milhão e 300 mil planetas Terra. O Sol é formado
principalmente pelo elemento químico hidrogênio (73%), seguido do hélio
(25%), que é praticamente inexistente na atmosfera da Terra.
De todo material existente no Sistema Solar, cerca de 99% está
concentrado no Sol.
Os cientistas estimam que a temperatura do Sol chegue a 6.000 °C
na superfície e a 15.000.000 ºCem seu interior. Essa estrela fornece luz
e calor, que são fundamentais para a vida na T erra.

GLOSSÁRIO
Diâmetro: segmento de
reta que une dois pontos
de uma superfície esférica
e que passa pelo seu centro.

Diâmetro
�_ _ Centro
da esfera

,,- --- ------ '


Imagem do Sol capturada pela sonda espacial Soho, em 2011. A pequena
esfera azul na parte inferior da imagem representa a Terra, para se
ter uma noção da diferença de tamanho existente entre esses astros.
GLOSSÁRIO Os planetas
Trajetória: caminho percorrido Planeta é um astro que gira em torno de uma estrela e não emite
por um corpo em movimento. luz, mas a reflete. Ele deve ser aproximadamente esférico e ser o corpo
celeste dominante na sua trajetória, isto é, enquanto gira em torno da
estrela, o planeta não encontra nenhum astro em sua órbita.
Existem oito planetas no Sistema Solar: Mercúrio, Vênus, Terra, Mar­
te, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Os quatro primeiros são planetas
rochosos; os outros são planetas gasosos.
O maior planeta do Sistema Solar é Júpiter, que tem 142.984 km de
diâmetro. Mercúrio, com 4.878 km de diâmetro, é o menor.
Os satélites naturais
Satélites naturais, também conhecidos como luas, são astros que
giram em torno de um astro maior que eles. Assim como os planetas,
eles não emitem luz, apenas a refletem. Esses satélites são formados
por rochas e gelo. Alguns satélites têm atmosfera, como Titã, o maior
satélite de Saturno. Por apresentarem composição química diferente, a
atmosfera desses satélites é distinta da atmosfera terrestre.
O satélite natural que gira ao redor da Terra é chamado Lua (escrita
com a primeira letra maiúscula), tem 3.480 km de diâmetro e é formado
de rochas. Apenas Mercúrio e Vênus não têm satélites naturais; todos
os outros planetas do Sistema Solar possuem, pelo menos, um satélite
natural. É o caso do planeta Marte, que possui dois satélites: um chamado
Fobos, e o outro, Deimos.
Os planetas-anões
Um planeta-anão é um astro arredondado que gira em torno de uma
estrela, mas que encontra outros astros em sua trajetória.
Hoje são conhecidos 5 planetas-anões (ou planetoides) no Sistema
Solar: Ceres, Plutão, Éris, Makemake e Haumea. Com exceção de Ceres, os
demais estão além da órbita de Netuno. Os planetas-anões são formados
por rochas e gelo e alguns deles possuem luas. Os planetas-anões Plutão
e Éris têm atmosfera, porém, elas são diferentes da atmosfera terrestre.
Os corpos menores
Asteroides e cometas são exemplos de corpos menores do Sistema Solar.
Os asteroides são fragmentos rochosos e metálicos menores que a
Lua; seu tamanho pode chegar a alguns quilômetros. A maioria dos aste­
roides conhecidos localiza-se entre as trajetórias de Marte e de Júpiter,
numa região denominada Cinturão de Asteroides, e depois da trajetória
de Netuno, na região chamada Cinturão de Kuiper.
Os cometas constituem um conjunto de pequenos corpos compostos
Os asteroides têm forma irregular
essencialmente de gelo misturado com poeira, que giram em torno do Sol.
e diversos tamanhos. Na imagem, Eles têm um núcleo sólido, com menos de 10 km de diâmetro. Quando se
o asteroide Gaspra, que mede aproxima do Sol, o cometa derrete parcialmente e desenvolve duas caudas,
cerca de 20 km de comprimento e
está localizado no Cinturão uma de gás e a outra de poeira. Essas caudas podem se estender por mi­
de Asteroides. lhões de quilômetros, podendo algumas vezes ser vistas da Terra a olho nu.
Saiba mais!
EXOPLANETAS
Planetas extrassolares, também chamados de exoplanetas, são planetas que
não pertencem ao Sistema Solar.
O primeiro exoplaneta foi observado em 1989. No final de 2013, os cien­
tistas já co_nheciam 1.056 desses astros. Em 1995 foi descoberto o primeiro
exoplaneta que se movimenta em torno de uma estrela parecida com o Sol. Os
astrônomos acreditam que a maioria das estrelas semelhantes ao Sol possui
exoplanetas.
O telescópio espacial Kepler foi lançado em 2009 pela Nasa para explorar
outros sistemas planetários. Um de seus objetivos é identificar planetas seme­
lhantes à Terra. Entre as descobertas por ele realizadas estão planetas que giram
em torno de duas estrelas e um sistema planetário parecido com o Sistema Solar,
com sete planetas ao redor de uma estrela.
Também foi observado um exoplaneta que tem quase o mesmo tamanho
da Terra, batizado de Kepler 78b. Por estar muito perto da estrela que orbita,
estima-se que sua temperatura seja muito alta e, por isso, sua superfície
encontre-se derretida, formando um oceano de lava.
Uma das expectativas dos cientistas é detectar planetas capazes de abrigar
vida fora do Sistema Solar.

Concepção artística do telescópio espacial Kepler, usado


na procura de planetas fora do Sistema Solar.

De olho no tema
Os astrônomos se dedicam a procurar planetas fora do Sistema Solar desde o final
do século XX. Uma de suas motivações é a possibilidade de encontrar um planeta em
um sistema planetário semelhante ao nosso e que poderia ser habitado pelos seres
humanos. Discuta com os colegas algumas das características que um exoplaneta
deve apresentar para que possa ser povoado por seres humanos.
Os planetas não estão representados com tamanhos proporcionais por uma questão de escala.
Para que isso acontecesse, os planetas gasosos deveriam ter aproximadamente o dobro
do diâmetro apresentado nessa representação esquemática. No entanto, os tamanhos dos
planetas rochosos e dos planetas-anões estão em proporção entre si. Da mesma forma, os
tamanhos dos planetas gasosos estão em proporção entre si. (Cores-fantasia.)
Fonte: Elaborado com base nos dados da Agência Espacial dos Estados Unidos {Nasa). Disponível em:
<http://solarsystem.nasa.gov/planets/index.cfm>. Acesso em: fev. 2014.

Haumea Makemake Éris


6.432.000.000 km 6.783.000.000 km 10.180.000.000 km
Não determinado Não determinado Não determinado
2 ............................. Não possui ............................. 1
Descoberto em 2003, recebeu esse nome Depois de Plutão, é o objeto mais brilhante Atualmente, é considerado o maior dos
como homenagem à deusa havaiana no Cinturão de Kuiper. Foi descoberto planetas-anões e também o maior corpo
da fertilidade e do nascimento. Sua em 2005 e seu nome remete a um deus do celeste conhecido do Cinturão de Kuiper.
composição parece ser de rocha recoberta povo nativo da Ilha de Páscoa (Chile). Descoberto em 2003, seu nome é uma
por uma fina camada de gelo. homenagem à deusa grega da discórdia.
...........................................................................................................................................................................................................................................................................
.;

a:
w
a,
w

Haumea Éris

Plutão Makemake

Netuno

Saturno

Marte Júpiter Saturno Urano Netuno


228.000.000 km 778.000.000 km 1.427.000.000 km 2.871.000.000 km 4.498.000.000 km
6.780 km 139.920 km
··········································· 116.460 km
··········································· 50.720 km 49.240 km
...........................................
...................................................
2 64 62 27 13
Também é conhecido como É o maior planeta do É um planeta gasoso, Tem anéis, mas são de Foi descoberto por
Planeta Vermelho, pois Sistema Solar. É um conhecido como Planeta difícil visualização. É meio de cálculos
suas rochas, solo e céu têm planeta gasoso e tem dos Anéis. Esses anéis um planeta gasoso e matemáticos, e não por
coloração avermelhada. Visto anéis, que são bem são constituídos apresenta coloração observação. Tem anéis
da Terra, seu brilho varia menos evidentes que os principalmente de azulada produzida pela de difícil visualização e é
bastante ao longo de sua de Saturno. rochas e gelo. combinação de gases um planeta gasoso.
trajetória em torno do Sol. em sua atmosfera.

..
Cinturão de Kuiper

Plutão

Haumea

Makemake

Éris

8 9 10 11
As dimensões do Sistema Solar
A maioria das ilustrações do Sistema Solar não apresenta a noção GLOSSÁRIO
correta de suas dimensões. Uma forma mais acurada de representar
Acurada: cuidadosa, precisa.
o Sistema Solar é usar um modelo tridimensional, como o que vamos
construir a seguir.
O primeiro passo para a construção do modelo é definir a escala
que será utilizada. Por exemplo, se adotarmos a escala 600.000.000 : 1
(lê-se "seiscentos milhões para um"), nosso modelo será 600 milhões de
vezes menor que o Sistema Solar real. Nessa situação, a Terra teria apro­
ximadamente 2 centímetros de diâmetro, mas a distância entre ela e o Sol
seria de 250 metros!
Por outro lado, se adotarmos a escala 600.000.000.000: 1 (seiscentos
bilhões para um), o planeta Terra em nosso modelo estaria a 25 centíme­
tros do Sol, mas seria tão pequeno que mal conseguiríamos vê-lo a olho nu.
Como você pode perceber, é muito difícil construir um modelo do
Sistema Solar utilizando a mesma escala para o tamanho dos astros e
para a distância entre eles. Por esse motivo, vamos adotar duas escalas
diferentes.

Atividades
CONSTRUIR O MODELO
2. Escolham objetos esféricos com dimensões pró­
1 Em grupo, decidam uma escala para o tamanho ximas às que vocês calcularam para representar
dos astros e uma escala para a distância entre os astros. Como o Sol é muito maior que os
eles. Copie a tabela no caderno e complete-a com planetas, ele pode ser omitido do modelo, caso
os valores que vocês calcularem. vocês considerem necessário.

Distância 1 3. Com a ajuda de uma trena, organizem os astros


Diâmetro
Diâmetro Distância média até o Sol
na escala nas distâncias calculadas.
Astro médio* até o Sol* na escala
adotada
(quilômetros) (quilômetros) adotada
(centímetros) INTERPRETAR E REFLETIR
(metros)
233 33
Sol 1.400.000 1 4. Observe o modelo concluído. Quais são as dife­
O 82 010 renças que você nota entre ele e as ilustrações
Mercúrio 4.900 58.000.000
2 02 018 do Sistema Solar deste livro?
Vênus 12.100 108.000.000
213 O 25 5 Quais são as vantagens que você percebe na.
Terra 12.800 150.000.000
113 O 38 representação por modelo em comparação com
Marte 6.800 228.000.000
23 33 1 30 a representação por ilustrações? E quais são as
Júpiter 140.000 778.000.000 1 desvantagens?
19 42 2 38
Saturno 116.500 1.427.000.000

Urano 50.800 2.871.000.000


8 47 4 79 r.o P P
8 20 7 50 Se possível, fotografem o modelo que vocês pro­
Netuno 49.200 4.500.000.000
duziram e criem legendas para essas imagens.
* Valores aproximados.
Compartilhem essas fotografias com os colegas
Fonte dos dados: <http://astro.if.ufrgs.br/ssolar.htm>.
Acesso em: maio 2015. da escola.

m
A Terra está A Terra executa um movimento complexo em sua órbita em torno do
Sol. Para entender melhor esse movimento, os estudiosos o separaram
em constante
em partes. Estudaremos aqui a rotação e a translação.
movimento.
Cada parte desse O movimento de rotacão
movimento provoca Durante um dia, temos a impressão de que o Sol nasce próximo ao
efeitos diferentes leste, percorre o céu e se põe próximo ao oeste. As outras estrelas e a
Lua também parecem se mover da mesma maneira no céu noturno.
no planeta, como as
No entanto, se pudéssemos observar a Terra do espaço, constata­
estações do ano e a ríamos que é a Terra que gira em torno de um eixo imaginário dando a
sucessão dos dias. impressão de que são os outros astros que estão girando em torno de nós.
O eixo imaginário terrestre é uma linha reta imaginária que passa
do Polo Sul ao Polo Norte e que está inclinada em relação ao plano da
órbita terrestre e aos raios solares.
A Terra demora cerca de 24 horas para dar uma volta completa em
torno de seu eixo. Esse movimento recebe o nome de rotação e corres­
ponde ao período de um dia. A sucessão de dias e noites é explicada pelo
movimento de rotação da Terra.

No movimento de rotação, a Terra


gira ao redor do eixo imaginário
li·l11i·Hi·fUf
O SENTIDO DO MOVIMENTO DE ROTAÇÃO DA TERRA
terrestre. É dia na região da
superfície terrestre que está Material
virada para o Sol e noite na região • Papel. • Caneta ou lápis. • Tesoura sem ponta .
oposta. {Imagem sem escala;
cores-fantasia.) Procedimento
Fonte: FUNBEC. Investigando a Terra. 1. Desenhe no papel um círculo.
Versão brasileira. São Paulo:
McGraw-Hill do Brasil, v. 1, 1973. 2. Com o auxílio da tesoura, recorte esse círculo.
3. Em um dos lados do círculo, escreva a palavra "Polo Norte" e desenhe
uma seta indicando o sentido anti-horário de rotação da Terra.
4. Do outro lado (no verso do papel), escreva a palavra "Polo Sul".
5. Segure o círculo com o lado "Polo Norte" voltado para você e gire-o no
No endereço da internet
sentido indicado pela seta. Peça a um colega que observe o sentido de
http://portaldo
movimento do disco com o lado "Polo Sul" voltado para ele.
professor.mec.gov.br/
storage/recursos/9504/ Registre em seu caderno
movimentos.swf há jogos Para um observador que esteja acima do Polo Norte, o sentido de ro­
e informações sobre os tação da Terra é anti-horário. Dizemos que um corpo se move em sentido
movimentos de rotação e anti-horário quando seu movimento é circular e no sentido contrário dos
de translação da Terra. ponteiros de um relógio. Se você estivesse no espaço exatamente acima do
Acesso em: nov. 2014. Polo Sul, como descreveria o sentido de movimento de rotação da Terra?
O movimento de translacão

Além de girar em torno do seu eixo, a Terra também gira em torno do


Sol. Esse movimento recebe o nome de translação.
A Terra demora aproximadamente 365 dias e 6 horas para dar uma
volta completa ao redor do Sol. Como em um ano consideramos somente
os dias, a cada quatro anos se acumulam 24 horas que não foram con­
sideradas no calendário que adotamos. É por isso que existem os anos
bissextos, com 366 dias.
A trajetória da Terra ao redor do Sol é também chamada de órbita
terrestre. Ela é aproximadamente circular, e o Sol ocupa uma posição
um pouco deslocada do centro. O movimento da Terra em torno
do Sol é chamado de translação.
Como ocorrem as estações do ano As setas indicam o sentido desse
movimento para um observador
Alguns povos antigos já percebiam o ciclo das estações do ano: a su­ fora da Terra e acima do Polo
cessão de períodos quentes (verões) e frios (invernos) intercalados por Norte. (Imagem sem escala;
períodos mais amenos (primaveras e outonos). cores-fantasia.)
Fonte: FUNBEC. Investigando a Terra.
A sucessão das estações do ano é resultante do movimento de trans­ Versão brasileira. São Paulo:
lação da Terra e da inclinação do seu eixo imaginário em relação aos McGraw-Hill do Brasil, v. 1, 1973.

raios solares.
A inclinação do eixo imaginário e a curvatura da Terra· influem direta­ GLOSSÁRIO
mente na recepção dos raios solares, fazendo com que haja regiões do
Hemisfério: cada uma das
globo terrestre mais quentes e outras mais frias. Desse modo, quando é duas metades de uma esfera.
verão no Hemisfério Sul, é inverno no Hemisfério Norte. Após seis meses No caso da Terra, considera-se
as estações se invertem. Como na região do equador a mudança na incli­ toda a região ao norte da linha
do equador como Hemisfério
nação é pequena, não há grande mudança na recepção da luz do Sol ao Norte e a região ao sul
longo do ano e as estações são muito parecidas. Observe no esquema a da linha do equador como
seguir que os hemisférios no verão estão mais expostos aos raios solares Hemisfério Sul.
do que nas outras estações.
CICLO DAS ESTAÇÕES DO ANO
De olho no tema

--�
HN: Primavera

\ ��\
Durante o dia, podemos de­
terminar alguns dos pontos
cardeais apenas observando

• �•
HN, Vecão� a trajetória do Sol. Determi­

\ ��. •
,· HS:Óotooo
" HN: Inverno ne quais são esses pontos

�! cardeais e por que isso é


possível.
'

HS,fomao �t""º H
; / HS: Verão

HN: Hemisfério Norte


Fonte: FUNBEC. Investigando a
HS: Primavera HS: Hemisfério Sul
Terra. Versão brasileira. São Paulo:
McGraw-Hill do Brasil, v. 1, 1973.

O ciclo das estações marca a passagem de um ano. As setas amarelas indicam


o movimento de translação, e as setas cor-de-rosa, o movimento de rotação.
(Imagem sem escala; cores-fantasia.)
Satélite natural O satélite natural da Terra
da Terra, a Lua A Lua é o satélite natural da Terra. A distância entre a Lua e a Terra é de
apresenta várias cerca de 384.000 km. A Lua realiza um movimento de translação ao redor
fases enquanto se da Terra e de rotação ao redor de si mesma.
movimenta no céu. O diâmetro da Lua é de 3.480 km e, comparado com o diâmetro da
Terra (12.800 km), verificamos que a Lua é, aproximadamente, quatro
vezes menor.
A análise das amostras do solo lunar mostrou que esse satélite é
formado por materiais semelhantes aos encontrados na Terra.
Existem algumas teorias sobre a origem da Lua. A mais aceita é a de
que um astro do tamanho de Marte chocou-se com a Terra, lançando para
o espaço fragmentos dos dois astros. A Lua seria o resultado da união
desses fragmentos.

A superfície da Lua
A Lua não possui luz própria, porém é visível da T erra porque reflete
a luz do Sol que ilumina sua superfície. Assim como a Terra, a Lua é
rochosa. Nela, não há atmosfera e, até o momento, não se encontrou
água no estado líquido, o que impossibilita a existência de vida tal como
a conhecemos.
Com a ausência de atmosfera, a Lua fica desprotegida dos meteoroides,
Crateras na superfície lunar.
que se chocam contra ela. Essas colisões vêm acontecendo há bilhões de
anos, o que fez (e ainda faz) surgirem inúmeras crateras em sua superfície.

As fases da Lua
A todo instante, a Lua vai ocupando uma nova posição no céu, em razão
de seu movimento de translação em torno da Terra, que leva aproxima­
damente um mês para se completar. À medida que se movimenta, a Lua
apresenta diferentes aparências, que são denominadas fases.
O lado da Lua voltado para o Sol está sempre iluminado. As fases
Os movimentos de rotação
e translação da Lua têm representam o quanto dessa face iluminada pode ser observado da Ter­
aproximadamente a mesma ra. Esse fenômeno já era conhecido pelos filósofos gregos Anaxágoras
duração. É por esse motivo que da
Terra sempre vemos o mesmo lado (SOO a.C.-428 a.C.) e Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.).
da Lua. A imagem acima mostra O
lado da Lua que não conseguimos
Quatro fases recebem nomes específicos: Lua Nova, Quarto Crescente,
enxergar da superfície terrestre. Lua Cheia e Quarto Minguante.

mm
, Esquema do ciclo das fases da

��--·
Quarto Minguante
Lua. Na figura, vemos diferentes
posições que a Lua ocupa no
espaço vista do Hemisfério
Sul. Isso resulta em diferentes
aspectos do satélite quando
i
t\ ,�:.�
a::
<(
observado da superfície terrestre.
_J Esse ciclo dura aproximadamente

..e .
o
U'l Lua Nova ,.., · Terra Lua Cheia um mês. As setas indicam o
• • •
\�.-
N

I
::, sentido de translação da Lua.

t , _. ,t
_J
(Imagem sem escala;
cores-fantasia.)
Fonte: FARNDON, J. Dicionário escolar da
( -._ _,, Terra. Porto: Civilização Editora, 1996.

Quarto Crescente

1 No endereço da internet
LUA NOVA LUA CHEIA- www.zenite.nu/02/2-fases.
A Lua está entre o Sol e a Terra. VISTA DO BRASIL php, é possível consultar o
Aspecto: Não é visível. A Terra está entre o Sol calendário lunar e outras
e a Lua. informações sobre a Lua.
.

"C
Horário: Nasce às seis da manhã
e se põe às seis da tarde . Aspecto: Disco luminoso. Acesso em: maio 2015.
-� Horário: Nasce às seis da tarde
1 e se põe às seis da manhã.
�.
{l

"C
o
De olho no tema

�.
;;;
"' Suponha que a Lua não reali-
QUARTO CRESCENTE- QUARTO MINGUANTE- 3
VISTA DO BRASIL VISTA DO BRASIL zasse o movimento de rotação,
mas continuasse a orbitar em
o Aspecto: Semicírculo, Aspecto: Semicírculo,
il torno da Terra. Se observada
-o
com a parte iluminada com a parte iluminada
o
da Terra, ela apresentaria sem-
voltada para o oeste. voltada para o leste.
"C

; pre a mesma imagem durante


t'
<(
Horário: Nasce ao meio-dia Horário: Nasce à meia-noite todos os dias do mês? Explique
{i
e se põe à meia-noite. e se põe ao meio-dia. sua resposta.
o.

Projeto Galaxy Zoo - voluntários fazem descobertas astronômicas


O Galaxy Zoo (zoológico de galáxias) é um voluntários classificaram centenas de milhões
projeto colaborativo, via internet, em que mi­ de imagens dos telescópios mais poderosos do
lhares de pessoas colaboram para estudar o mundo - e ao fazê-lo criaram um mapa mais
céu. Leia abaixo um pouco sobre ele: detalhado do Universo conhecido do que se
"As imagens do [telescópio] Hubble são as considerava possível. Seu trabalho deu origem a
últimas publicadas em um site da web chamado mais de 30 trabalhos científicos revistos por pa­
Galaxy Zoo, que em seus cinco anos de existência res, a pelo menos uma descoberta fundamental,
se tornou, talvez, o maior projeto científico de a inúmeras amizades on-line e talvez até alguns
participação em massa já concebido. Existem namoros à luz das estrelas..."
mais de 250 mil "zooítas" ativos de todas as Fonte: ADAMS, T. Internacional, Carta Capital, 27 mar. 2012.
Disponível em: <www.cartacapital.eom.br/internacional/
idades, e entre eles esses "cientistas cidadãos" galaxy-zoo-e-a-nova-aurora-da-ciencia-cidada>.
Acesso ·em: maio 2015.
Para Gargaglioni, uma forma de corrigir a i 2
poluição luminosa é contar com uma legislação
nacional que fixe normas para planejamento
e instalação de novos pontos luminosos, com
controle no entorno de áreas de preservação
ambiental. Evidentemente, a economia de
energia que cada brasileiro pode e deve fazer
é fundamental. Em casa, a recomendação é
para que se usem luminárias externas que só
iluminem "para baixo",nunca árvores,jardins e
fachadas. Gargaglioni também sugere cortinas
nas janelas para que o mínimo de luz utilizada
no interior de casa "vaze" para o exterior.
Fonte: FORNER, V. Luzes apagam estrelas... Revista Terra da Gente. Imagem de satélite da Terra vista à noite mostra como as
Campinas, 16 jan. 2014. Disponível em: <WWW. cidades perdem parte de sua luz para o espaço. Além de
revistaterradagente.com.br/ecos/NOT,0,0,916619,Luzes+apagam representar um desperdício econômico, esse fenômeno
+estrelas--.aspx>. Acesso em: mar. 2015. dificulta o trabalho dos observatórios. (Agosto, 2014.)

TEXTO 2
Obter informações
Avanço urbano prejudica 1. Quais são os problemas causados pela poluição
observação do céu na RMC luminosa?
2. Como a poluição luminosa afeta os observatórios?
A poluição luminosa prejudica observação do
céu na Região Metropolitana de Campinas 3. Para diminuir a poluição luminosa, como deve ser
a iluminação?
Apesar de estar em localização privilegia­
da, a observação de constelações, planetas e Trocar ideias sobre o tema
galáxias no céu da Região Metropolitana de
Campinas (RMC) está ameaçada pela expansão Refletir
da poluição luminosa,causada principalmente 4. Entre os efeitos da poluição luminosa estão o
pela iluminação irregular de residências, em­ brilho alaranjado sobre as cidades, a dificuldade
preendimentos comerciais, pontes e vias. As para dormir por causa da luz que entra pela janela
queimadas também são outro problema, uma e enxergar poucas estrelas no céu noturno. Você
vez que deixam o céu turvo e empoeirado[...]. sente alguns efeitos desse tipo de poluição? Cite-os.
O alerta é do astrônomo Júlio Lobo, que tra­ 5. Quais atitudes você pode adotar no seu dia a dia
balha no Observatório Municipal de Campinas para diminuir o desperdício de luz e a poluição
Jean Nicolini há mais de 30 anos. Fundado em luminosa?
1977, o observatório localizado no distrito de 6. Escreva um e-mail para o setor de urbanismo
Joaquim Egídio é pioneiro no Brasil e inaugurou da prefeitura de sua cidade apontando suas
o turismo astronômico na região.[...]. observações sobre a iluminação pública em seu
Segundo Lobo, no início das atividades do bairro e alertando sobre os problemas causa­
observatório era possível ver cerca de 6 mil dos pela poluição luminosa. Inclua sugestões
estrelas a olho nu em Joaquim Egídio. Hoje,são para a solução desse problema.
aproximadamente 2 mil.[...] O astrônomo avisa
que se não forem tomadas medidas urgentes Compartilhar
para conter a expansão da iluminação irregular 7. Em grupo, observem como é a iluminação nas
nas proximidades do observatório, a visualiza­ áreas externas da escola. Com base nessas ob­
ção vai ser reduzida de forma expressiva.[...] servações, proponham à administração da escola
Fonte: BACHETTI, B. Avanço urbano prejudica observação do céu possíveis adequações para amenizar a poluição
na RMC. Correio Popular. Campinas, 27 jan. 2014. Disponível em: luminosa ou para diminuir o desperdício de luz.
<http://correio.rac.com.br/_conteudo/2014/01/ especiaVregiao_
metropolitana/148752-avanco-urbano-prejudica-observacao- Compartilhem com seus amigos e familiares as
do-ceu-na-rmc.html>. Acesso em: mar. 2015. observações e propostas apresentadas.
Mitos e estações no céu Tupi-Guarani aquelas que interceptam o caminho imagi­
nário que chamamos de eclíptica, por onde
A observação do céu sempre esteve na base aparentemente passa o Sol, e próximo do
do conhecimento de todas as sociedades do qual encontramos a Lua e os planetas. Essas
passado, submetidas em conjunto ao desdo­ constelações são chamadas de zodiacais.
bramento cíclico de fenômenos como o dia e a As principais constelações indígenas estão
noite, as fases da Lua e as estações do ano.[...] localizadas na Via Láctea (Tapi'i Rape), a faixa
Diferentes entre si, os grupos indígenas esbranquiçada que atravessa o céu, onde as
tiveram em comum a necessidade de siste- estrelas e as nebulosas aparecem em maior
matizar o acesso a um rico e variado ecossis­ quantidade, facilmente visível à noite. A Via
tema de que sempre se consideraram parte. Láctea é conhecida como Caminho da Anta
Mas não bastava saber onde e como obter ou como Morada dos Deuses pela maioria das
alimentos. Era preciso definir também a época etnias dos tupis-guaranis.
apropriada para cada uma das atividades de
subsistência. Esse calendário era obtido pela Os desenhos das constelações ocidentais
leitura do céu. [ ...] são feitos pela união de estrelas. Mas para os
tupis-guaranis, as constelações são constituí­
Constelações na Via Láctea das pela união de estrelas e, também, pelas
As constelações formam figuras imaginá­ manchas claras e escuras da Via Láctea, sendo
rias, criadas há mais de 6 mil anos para reunir mais fáceis de imaginar. Muitas vezes, apenas
grupos de estrelas (jaxy tatá), aparentemente as manchas claras ou escuras, sem estrelas,
próximas, visíveis a olho nu, tendo em vista formam uma constelação.[ ...]
que nomear cada uma delas era uma tarefa di­ O terceiro aspecto que diferencia as cons­
fícil. A maioria dos povos antigos observava as telações tupis-guaranis das ocidentais está
constelações ao anoitecer e as utilizavam como relacionado ao número delas conhecido pelos
calendário e orientação. Cada cultura tinha indígenas. A União Astronômica Internacio­
as suas próprias constelações. As constelações nal (UAI) utiliza um total de 88 constelações,
dos tupis-guaranis diferem das concepções das distribuídas nos dois hemisférios terrestres,
sociedades. enquanto certos grupos indígenas já nos
Primeiro as principais constelações oci­ mostraram mais de cem constelações, vistas
dentais registradas pelos povos antigos são de sua região de observação.[ ...]
Reforce com os alunos a importância do uso das unidades de medida. Mostre a eles que afirmar, por
exemplo, que um objeto mede 1 O não deixa claro do que se trata, uma vez que o número sem unidade de
medida não traz significado: o objeto pode medir 10 metros, 10 centímetros, 10 milímetros etc.

Todos os materiais Os materiais têm massa


têm massa e volume. De maneira simplificada, podemos dizer que a massa é a quantidade
de determinado material. Um mesmo material pode ter diferentes massas,
dependendo da quantidade analisada, assim como materiais diferentes
podem ter a mesma massa.
CALIBRAÇÃO DE Para conhecer a massa de um material, utilizamos balanças. Existem
BALANÇAS diversos tipos de balança, como a de braços iguais e a eletrônica.
As balanças são aparelhos de Geralmente utilizamos as unidades quilograma (kg) ou grama (g)
uso cotidiano, principalmente para expressar a massa de um material (1 kg equivale a 1.000 g).
na medição de artigos de con­ Uma balança como a da figura A compara diferentes massas. Porém, há balanças de molas
que medem o peso (que é uma força) e calculam a massa, mostrando-a no visor.
sumo. Muitas vezes o valor de
um produto está associado 0 A balança de braços
iguais (A) compara
à sua massa. Por exemplo, 0 as massas de duas
porções de materiais.
quando compramos batatas Ao se nivelarem os
na feira, geralmente pagamos braços, determina-se a
pela quantidade em massa massa desconhecida,
que levamos. Para garantir pois ela será igual à
massa já conhecida
a correta determinação da
do material de
massa de um material, a comparação. A balança
balança deve estar calibrada. eletrônica (B) indica
diretamente a massa
do material.
está relacionado à força da
• tem vo I ume
O S mater1• a1s A puxa os objetos para baixo.

Volume é a medida do espaço ocupado por determinado material.


Para medir o volume de líquidos, podemos usar um copo graduado.
Na calibração de uma balança, Geralmente empregamos as unidades litro (L) ou mililitro (ml) para
um objeto de massa conhecida
- chamado padrão - é medido
indicar o volume de um material (1 L equivale a 1.000 ml).
para verificar se o valor Também podemos medir o volume dos gases e dos sólidos.
atribuído pelo equipamento
coincide com sua massa.
Como dois materiais não podem ocupar o mesmo espaço simulta­
neamente, para medir o volume de um corpo sólido é possível proceder
da seguinte forma: colocamos uma medida conhecida de água em um
recipiente graduado e, depois, mergulhamos nele o objeto sólido cujo
volume queremos conhecer, como uma bolinha, por exemplo. O volume
da bolinha será a diferença entre os níveis de água antes e depois da
imersão do objeto no recipiente. Veja o exemplo.

Após mergulhar a bolinha no recipiente, o nível da água passou de


400 ml para 600 ml. Para determinar o volume da bolinha, calcula-se
a diferença entre o nível da água antes e depois da imersão do objeto:
Bolinha 600 ml - 400 ml = 200 ml
4:,.;..f.tJi,fUP
COMO MONTAR UMA BALANÇA CASEIRA : • Canetinha de marcação permanente.
Você aprendeu que é possível medir o volume de � • Régua.
um material pelo deslocamento do nível da água em : • Fita adesiva.
um recipiente. Nesta atividade, você vai montar uma :
balança caseira para medir a massa de um material � Procedimento
com base nesse princípio.
. 1.
: Montagem da balança
Forme um grupo com 3 colegas. O professor vai for­
Material :
• 2 garrafas PET de 2,5 L ou de 2 L. . 2. necer três garrafas PET já cortadas a cada grupo.

• 1 garrafa PET de 3 L. : Com as garrafas cortadas em mãos, encaixem a


parte inferior da garrafa menor na garrafa do
• Água. mesmo tamanho que teve o bico cortado, formando
• Objeto com massa de 1 kg (1 pacote de sal ou de : uma cápsula. Passem fita adesiva no local da junção
açúcar, por exemplo). das duas peças para que as partes não se soltem.
• Objeto com massa de 500 g. 3. Coloquem a cápsula dentro da garrafa de 3 L que
teve o bico cortado. Ela será a base da balança. Se­
Garrafa PET Garrafas PET
gurando a cápsula encostada no fundo da garrafa
"� de 3 L de 2 L
maior, coloquem água no espaço que ficou entre
·;
��
1
a cápsula e a garrafa até cerca de 2 cm da borda.
""'
"� Calibração da balança fundo da garrafa para que a água não transborde
A:_ ____ A-___ _ 4. Soltem a cápsula, mantendo-a livre dentro da base
:s�
com água. Com a caneta, marquem na garrafa o
o nível do líquido. Essa marcação representará a
.Q>
massa zero.
"o

� .: 5. Coloquem o objeto de 1 kg sobre a cápsula. No­
tem que o nível da água se desloca para cima.
Façam, então, a marcação na garrafa do nível da
o
água observado. Essa marcação corresponde a
1.000 g (ou 1 kg).

: 6. Com a régua, meçam a distância entre o nível


inicial (massa zero) e o nível final (1.000 g) da
o água. Dividam essa distância em dez partes iguais
e façam uma escala graduada na garrafa. Cada
o
parte será equivalente, portanto, a 100 g.

Utilizacão da balanca
7. A massa de um material será determinada pelo
nível que a água atinge na escala graduada.
Coloquem o objeto de 500 g sobre a cápsula e
verifiquem se a balança que vocês construíram
Garrafa funciona de forma adequada.
da água
de 3 L correspondente Registre em seu caderno

�. q
com o bico a 1kg
cortado 1. A balança funciona corretamente? Expliquem.
Ní,el íaícíal 2. É possível medir a massa de qualquer objeto
(massa zero) nessa balança caseira? Expliquem.
À temperatura Os estados físicos
ambiente, cada
Os diferentes tipos de material podem ser encontrados na natureza
material apresenta
em estados físicos distintos, sendo os mais conhecidos o sólido, o líquido
um estado físico e o gasoso.
característico. À temperatura ambiente (cerca de 25 ºC), cada material apresenta
um estado físico característico. Por exemplo, a borracha é sólida, a água
Alguns gases, quando submetidos a é líquida e o ar é gasoso.
condições específicas, podem chegar a
um estado físico denominado plasma.
As estrelas, por exemplo, são feitas
de plasma.
O estado sólido
Em determinada temperatura, os materiais sólidos apresentam forma
definida e volume constante. Além disso, cada material sólido possui
características específicas, como a elasticidade, a maleabilidade, a
resistência e a transparência.

O arame é maleável, mas não • Elasticidade. É a capacidade que um material


possui elasticidade, uma vez que,
depois de flexionado, não volta
tem de recuperar total ou parcialmente sua
espontaneamente à forma inicial. forma depois de esticado (desde que não se
Na foto, esculturas de arame.
rompa). É o caso das tiras de borracha, por
exemplo.
• Maleabilidade. É a característica que permite
a um material ser moldado. São exemplos de
materiais maleáveis os papéis, alguns tipos
de plástico e o arame.
• Resistência. É a capacidade que um material
sólido tem de suportar esforços antes de se
deformar. O ferro, por exemplo, é um material
resistente e, por isso, é utilizado na construção
de ferramentas, edifícios e pontes.
• Transparência. Um material é transparente
quando permite a passagem da luz através dele.
Um exemplo de material transparente é o vidro.
Quando não permitem a passagem da luz, os
materiais são chamados opacos. A madeira é
um exemplo de material opaco.
Existem muitas outras características dos materiais sólidos que, uma
vez identificadas para cada material específico, podem possibilitar a
criação de novas tecnologias.
Durante a

Ct·ini·Hi·fUP
prática de
exercícios
físicos
com faixas
COMPARAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DE DIFERENTES MATERIAIS elásticas,
Forme dupla com um colega. Selecionem dez materiais diferentes que é possível
vocês utilizam no dia a dia escolar e comparem-nos quanto à elasticidade, verificar duas
características
à maleabilidade, à resistência e à transparência. desse
• material: a
Elaborem uma tabela listando os materiais selecionados e suas respec­ elasticidade e
tivas características. a resistência à
deformação.

A tecnologia dos skates


Ao criar equipamentos para um skatista, são consideradas diversas
características de materiais sólidos.

Transparência Mareabilidade
A viseira é feita de material O interior dos capacetes
ao mesmo tempo resistente é revestido de materiais
e transparente para proteger maleáveis para absorver
os olhos do skatista e permitir o impacto e proteger a
a visualização da pista. cabeça em caso de queda.
�-

O estado líquido
Em dada temperatura, os materiais líquidos têm forma variável e vo­
� lume constante. Assim, um líquido adquire a forma do recipiente em que
ª
� está contido sem alterar seu volume.
� Qualquer líquido em repouso, dentro de um recipiente, possui super-
fície completamente plana e horizontal. Quando inclinamos o recipiente,
observamos que a superfície do líquido em seu interior se mantém na
Os líquidos podem assumir formas
variáveis. Na foto, todas as mesma altura.
garrafas contêm o mesmo volume Vasos comunicantes são recipientes de formas e tamanhos diferentes
de 500 ml de líquido.
conectados pelo fundo. Ao despejar líquido em um dos vasos, observa-se
que esse líquido escoa entre os demais vasos até atingir a mesma altura
em todos.

.;
!!s ��
� e
8
º j

,,,
U.J 'C


o

Nos vasos comunicantes, a altura da superfície do líquido em relação :3


à mesa é a mesma em todos os recipientes, ainda que os vasos tenham �
formas e tamanhos diferentes ou sejam inclinados.


APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO O princípio dos vasos comunicantes é aplicado em diversas situações. ;
DOS VASOS COMUNICANTES Por exemplo, o vaso sanitário mantém sempre o mesmo nível de água em �
NO VASO SANITÁRIO
decorrência do princípio dos vasos comunicantes.
Assento
Outro exemplo prático do uso de vasos comunicantes é o visor de
volume de tanques industriais. �

A água escoa pelo sifão até que


todo o líquido esteja no mesmo
nível. (Imagem sem escala;
cores-fantasia.)

Para saber a quantidade de líquido dentro de um tanque, basta olhar o


visor, que geralmente é um cano transparente conectado à base do tanque
e disposto paralelamente a ele. (Imagem sem escala; cores-fantasia.)
Como os sólidos, os líquidos apresentam diversas características. Entre
elas, podemos citar a viscosidade e a volatilidade.
• Viscosidade. É a resistência de um líquido ao escoamento. Quanto mais
lentamente um líquido escorre por uma abertura ou pelas paredes do
recipiente em que está armazenado, mais viscoso ele é. Por exemplo,
a tinta plástica e o mel são mais viscosos que a água.
• Volatilidade. É a passagem do estado líquido para o estado gasoso.
Quanto maior a facilidade de um líquido para evaporar, mais volátil ele é.
O perfume, por exemplo, é um líquido muito volátil, por isso seu volume A tinta plástica é um líquido
diminui com o tempo se o frasco que o contém fica aberto. Isso acon- viscoso.
tece porque alguns componentes do perfume evaporam rapidamente.

O estado gasoso De olho no tema


Os materiais gasosos têm forma e volume variáveis.
Um gás adquire a forma do recipiente em que se encontra e ocupa Dois quadros devem ser
pendurados exatamente à
todo o espaço dentro dele. Assim, o volume de um gás é o volume do
mesma altura na parede.
recipiente que o contém.
• Com o auxílio de uma
Uma mesma quantidade de gás pode expandir e ocupar um volume
maior ou pode ser comprimida e ocupar um volume menor. Esse estado mangueira transparente
e água, proponha um
da matéria pode ser percebido em muitas aplicações práticas. Quando
modo de alcançar o re­
enchemos o pneu do carro ou da bicicleta, por exemplo, estamos colo­
sultado desejado, apli­
cando ar (que é uma mistura de gases) dentro dele, ocupando todo o
cando o princípio dos
seu volume. O amortecimento da bicicleta, em parte, ocorre por causa
vasos comunicantes.
da compressão e da expansão do ar contido nos pneus.

IU·l11i·Hi·fHP
A ESPUMA DE BARBEAR É UM SÓLIDO, UM LÍQUIDO OU UM GÁS?
Às vezes, pode ser difícil determinar o estado físico de um material.
Observe as características da espuma de barbear e defina se esse ma­
terial é um sólido, um líquido, um gás ou uma mistura desses estados.

Material
• Espuma de barbear. • Moeda de 5 centavos.
• Papel toalha. • Lupa .

Procedimento
1. Em grupo, coloquem uma pequena quantidade
de espuma de barbear sobre uma folha de papel
toalha e observem. 4. Deixem a espuma de barbear na folha de papel
toalha de um dia para o outro. No dia seguinte,
2. Com cuidado, coloquem a moeda sobre a espuma
observem.
e observem. A espuma de barbear se comporta
mais como um sólido, um líquido ou um gás? Registre em seu caderno
3. A espuma de barbear é um material leve. Com o Qual é o estado físico da espuma de barbear?
auxílio da lupa, observem a espuma. O que a torna Discutam em grupo suas observações e apresentem
um material leve? as conclusões aos demais colegas.
Sifão
O sifão é um equipamento muito simples e útil para transferir líquidos
de um recipiente para outro. O princípio de funcionamento dele é o mes­
mo dos vasos comunicantes. Para montar um sifão, precisamos apenas
de uma mangueira.

1 Atividades RE ST E SE CAOER O 1

MATERIAL
• Mangueira com aproximadamente 1 metro de comprimento.
• 2 recipientes fundos para água (por exemplo: balde com capacidade
para 10 litros).
PROCEDIMENTO
1. Encha um dos recipientes com água limpa e coloque-o sobre um supor­
te, como uma cadeira ou mesa. Posicione o outro recipiente no chão,
próximo do primeiro.
Z Coloque a mangueira dentro do recipiente cheio, de modo que a água
entre nela.
3. Mantendo uma das pontas da mangueira no fundo do recipiente com
água, tampe a outra ponta com o dedo e leve-a até o recipiente vazio.
4. Tire o dedo da ponta da mangueira e observe.
ANALISAR
5 O que aconteceu quando você tirou o dedo da ponta da mangueira?
6. Repita o procedimento alte­
rando a altura do recipiente
vazio em relação ao cheio.
O que acontece?
AMPUAR
7. O transporte de água de
um local para outro é uma
das principais necessidades
da nossa sociedade. Mui­
tas vezes, também é preciso
transportar outros líquidos.
Em quais situações o sifão
pode ser utilizado com essa
finalidade?
As transformacões na natureza
Transformações físicas podem ser observadas a todo momento na
natureza. Entre as inúmeras transformações físicas, podemos citar a
quebra de galhos das árvores, o aparecimento de rachaduras nas rochas
e as diferentes etapas do ciclo da água.
Na natureza também ocorrem diversas transformações químicas.
Entre elas, podemos citar, por exemplo, a digestão dos alimentos pelos
animais e a formação de fezes e de urina. A decomposição de matéria
orgânica também envolve transformações químicas: no solo, restos ve­
getais (como folhas, flores e galhos), organismos mortos, fezes e urina
são transformados quimicamente em componentes mais simples, que, Laranja recoberta por bolor.
por sua vez, podem ser absorvidos e utilizados pelas plantas.
A decomposição
Você já observou uma laranja estragada? Sua consistência, seu cheiro
e seu sabor são bem diferentes daqueles de uma laranja fresca. Além
disso, ela pode ficar recoberta de bolor, que tem cor esverdeada. Essas
mudanças são evidências de que a laranja passou por transformações
Os fungos lançam sobre
químicas.
a laranja substâncias que
O bolor sobre a laranja é formado por fungos que se alimentam dela. transformam os materiais
Nesse processo, eles transformam os materiais que compõem a fruta em que a compõem em
substâncias que podem ser
açúcares, água, sais minerais e outras substâncias. Dessa maneira, eles absorvidas por eles.
transformam quimicamente a laranja, resultando no seu apodrecimento.
Esse tipo de transformação da matéria or­
gânica recebe o nome de decomposição.
Além dos fungos, várias bactérias tam­
bém são capazes de alterar a composição Os fungos
absorvem os
dos alimentos e de outros materiais, como nutrientes da
a madeira e o couro. laranja, obtendo,
�--,_,=.,.. assim, mate­
riais que lhes
Representação da estrutura do bolor da laranja em permitem viver e
a _d
c�s�c a �l a_---"-"-'=-----..:.-----'-""'--....._..___..,__"""
a _an_j_
a �t
duas ampliações. (Imagem sem esc ala; c ores-fantasia.) L- multiplicar-se.

O continente de plástico
Uma enorme quantidade de plástico é des­ objetos plásticos. Um desses lixões flutuantes
cartada pelas pessoas em todo o mundo, todos fica no Oceano Pacífico, próximo à Califórnia e ao
os dias. Por ser um material de degradação Havaí. A extensão desses dejetos é maior do que
lenta, o plástico permanece muito tempo no a área dos estados de São Paulo, Minas Gerais,
ambiente. Goiás e Rio de Janeiro!
Há algum tempo, tripulantes de navios per­ O lixo mata os animais, que o confundem com
ceberam, em certos lugares do oceano, "ilhas" comida ou se enroscam nele, além de poluir as
de lixo flutuante, a maior parte formada por águas e intoxicar as pessoas que pescam nelas.
A polêmica das sacolinhas
A reportagem a seguir trata da "polêmica das sacolinhas
de mercado", que esteve em debate ao longo do ano de 2012
na cidade de São Paulo. Leia o texto com atenção e, em grupo,
discutam as questões a seguir.
-
[...] O ano de 2012 foi marcado pela questão da sacolinha
plástica e da briga entre supermercados e entidades de direitos
do consumidor, tudo em nome do meio ambiente. Em janeiro,
elas deixaram de ser distribuídas nos supermercados[da cidade]
As sacolas retornáveis são uma
de São Paulo, depois voltaram, foram proibidas novamente e, no alternativa às sacolinhas de
fim do ano, tudo está como sempre esteve. plástico.
O assunto rendeu tanta repercussão que, em novembro, o Minis­
tério do Meio Ambiente criou um grupo para pontuar os padrões
de consumo sustentável de sacolas plásticas descartáveis e avaliar
seus impactos no meio ambiente.
Uma coisa é certa, nunca a sacola plástica ficou tão em voga na
maior cidade do país. O assunto foi parar nas mesas de bar, jornais
e até mesmo foi discussão nos almoços de família.[...]
De acordo com dados da associação de direitos do consumidor
Proteste, as sacolas plásticas duram 200 anos quando são enterradas
junto com o lixo comum. Caso sofram radiação solar, somem em um
ano.A demora na deterioração deste material é, sem dúvida, um gran­
de problema ambiental, mas a principal questão está no processo de
fabricação destas sacolas. Feitas de polietileno (oriundo do petróleo
e do etileno), sua produção é altamente poluente ao meio ambiente.
[...l
No dia 25 de janeiro [de 2012] os supermercados de São Paulo
deixaram de distribuir gratuitamente as sacolinhas de plástico
para seus clientes.[...] Em fevereiro, os supermercados paulistas
foram obrigados a fornecer sacolas biodegradáveis gratuitamente.
[...] Em junho, outra reviravolta: o Ministério Público derrubou o fim
de sacolinhas plásticas e os estabelecimentos tiveram de voltar a
distribuí-las em cumprimento ao Código de Defesa do Consumidor.
[...] com idas e vindas, a Associação Paulistas de Supermercados
jogou a toalha e resolveu voltar a distribuir as sacolas plásticas,
desta vez com mensagens de conscientização sobre o problema
do plástico para o meio ambiente.
Fonte: Retrospectiva 2012: relembre a polêmica das sacolinhas plásticas em São Paulo, 31 dez. 2013.
Disponível em: <http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/2012-12-13/retrospectiva-
2012-relembre-a-polemica-das-sacolinhas-plasticas-em-sao-paulo.html>. Acesso em: maio 2015.

j Atividades REGISTRE EH SEU CADERNO 1

1. Que motivos levaram à proibição da distribuição 3. Qual foi o papel da ciência nessa polêmica das sa­
de sacolinhas de plástico nos supermercados? colinhas? Além dos argumentos científicos, quais
2. Por que a proibição da distribuição de sacolinhas outros tiveram importância no debate?
foi cancelada?
OFICINA 1
RE:GISTRe: e:H se:u CADe:RNO

PROCEDIMENTO
Existem diversos tipos de fósseis. Os
moldes são fósseis formados a partir de 1. Preencha o fundo de um copo com a massa de
impressões deixadas por seres vivos nas modelar.
rochas, como no caso de uma pegada. Já 2. Pressione sobre a superfície da massa de mode­
as réplicas são fósseis formados a partir lar o material a partir do qual será feito o modelo
do preenchimento dessas impressões. do fóssil, como uma folha. Na massa de modelar
deve ficar a impressão do material; no caso da
folha, as nervuras devem ficar bem evidentes.
OBJETIVO
3. Em outro copo plástico, faça uma mistura de gesso
• Entender como são formados os fósseis do : e água. Para meio copo de água use 5 colheres
tipo molde e réplica, relacionando os modelos : de gesso.
confeccionados na atividade com os fenômenos
ocorridos na natureza. 4. Despeje a mistura de gesso e água no copo com a
massa de modelar.
MATERIAL
• Massa de modelar.
id%iH1------------.....
O gesso nunca deve ser descartado no ralo.
• Materiais para fazer os fósseis, como conchas e Jogue o que sobrar direto no lixo.
folhas de plantas.


• Gesso. 5. Quando o gesso estiver seco e duro, retire-o do
copinho e observe o que foi formado.
• Água.
• Copos plásticos.

3cm

Fóssil de trilobite de
cerca de 475 milhões
de anos atrás.

Atividades
1. Que materiais você utilizou para fazer os
fósseis?
2. Onde foi formado o molde, na massa de
modelar ou no gesso? E a réplica?
3. Pesquise sobre o processo de formação de
um fóssil e responda:
a) O que representam a massa de modelar e
o gesso na fossilização?
b) Qual é a importância do estudo desses
tipos de vestígios dos seres vivos?
(Imagens sem escala; cores-fantasia.)
OFICINA 2

REGISTRE EH SEU CADERNO

PROCEDIMENTO
A Meteorologia é a ciência que estuda
os fenômenos atmosféricos. As previsões 1. Sobreponha uma tira de papel à outra, em forma
do tempo são feitas com base no estudo de cruz. Use a fita adesiva ou a cola para que não
de dados obtidos em algumas estações se soltem.
meteorológicas. Vários instrumentos 2. PEÇA A UM ADULTO que use o alfinete para prender
auxiliam nas medições de temperatura, a cruz na extremidade do palito, passando o alfinete
pressão atmosférica, quantidade de chu­ também pelas miçangas (uma por baixo e outra por
va, velocidade dos ventos etc. cima da cruz), conforme mostrado na figura 2a.
3. Com a tesoura, faça uma ranhura na lateral de
OBJETIVO cada um dos copos. A ranhura deve ser comprida o
suficiente para que as tiras de papelão atravessem
• Construir, em grupos, e sob a supervisão de
o copo (figura 2b). Em apenas um deles, pinte uma
adultos, uma pequena estação meteorológica.
faixa larga ao longo da borda externa. Encaixe os
Com o auxílio de aparelhos simples, interpretar
copos nas extremidades da cruz, passando pela
fenômenos naturais vivenciados cotidianamente. ranhura (figura 2c).
I - O anemômetro 4. Use a massa de modelar para fazer a base e manter
o anemômetro em pé. Procure instalar o anemô­
MATERIAL metro em um local onde haja vento.
• Palito de madeira (por exemplo, palito de churras­
co ou para fazer pipa).
• 2 tiras de papelão ou papel-cartão (18 cm de
comprimento e 2 cm de largura).
• 4 copinhos plásticos pequenos (como os de café).
• Alfinete. Figura 2a Figura 2b
• Tesoura com pontas arredondadas.
• 2 miçangas (bolinhas com furo).
• Fita adesiva ou cola.
• Massa de modelar.
Figura 2c
• Caneta que marque plástico.
(Imagens sem escala;
• Régua. cores-fantasia.)

Anemômetro, aparelho
utilizado para medir a
velocidade dos ventos.
5. Conte o número de voltas que o aparelho dará em
1 minuto, tendo como referência o copo pintado.
Quanto maior o número de voltas, maior é a velo­
cidade do vento.
6. Por uma semana, observe o equipamento, sempre
no mesmo horário. Anote os resultados e tire sua
Figura 1 (Imagens sem escala; cores-fantasia.) conclusão.
�>. OFICINA 2
II - O pluviômetro : PROCEDIMENTO
MATERIAL :• 1. Use a caneta para copiar a escala da régua no pote
plástico - 3 cm são suficientes. O ponto inicial deve
• Pote plástico sem tampa e com o fundo plano. ser o fundo do pote.
• Régua. : Z. Coloque o pluviômetro em local exposto à chuva,
• Caneta que marque plástico. distante de árvores e edifícios.
: III - O termômetro
figura 3 Providencie um termômet ro adequado para
• : medir temperaturas do ambiente.
t
... e .,
t:
t..

(Imagem sem escala;


.. cores-fantasia.)
Pluviômetro,
Ê aparelho
utilizado
para medir a
quantidade de Termômetro
chuva. de ambiente.

Atividades
Agora que os aparelhos para sua estação meteoroló­ Z. Usem os dados das suas observações e
gica já foram construídos, eles podem ser utilizados elaborem um informe noticiário sobre as
para fazer medições. Façam observações por, pelo condições do tempo nessa semana.
menos, uma semana e anotem em seu caderno os
resultados. Em seguida, comparem com o que vocês 3. Qual foi a maior dificuldade enfrentada pelo
aprenderam sobre fenômenos meteorológicos. grupo na realização da atividade? De que
1. Façam uma tabela conforme as orientações maneira o problema foi solucionado?
a seguir.
4. Listem ao menos três motivos pelos quais
a} Descrevam o local onde foram instalados os
é importante fazer previsões meteorológi­
aparelhos. Façam desenhos, se necessário.
cas. Justifiquem suas respostas.
b} Inventem símbolos para representar as
diferentes condições do tempo. 5. Pesquise quais são os fatores que determi­
e} Observem a condição do tempo, nos mes­ nam o aparecimento de chuvas no Brasil e
mos horários, durante alguns dias {pelo na região onde foram feitas as medições
menos uma semana). Anotem, usando os meteorológicas.
símbolos.
d} Anotem os dados de velocidade do vento, 6. Pesquise em que localidades do Brasil há
quantidade de chuvas e temperatura. maior incidência de ventos. Verifique os
e} Procurem relacionar os dados colhidos problemas que isso tem causado à popu­
nos aparelhos aos dados que são comuns lação dessas regiões e de que maneira a
na estação do ano atual. população tem lidado com eles?
OFICINA 3
REGISTRE EH SEU CADERNO

Experimento 1
Os balões de ar quente podem voar
4. Com a "boca" do copo virada
devido ao comportamento do ar ao ser
aquecido. para baixo e segurando-o
pelo fundo, aproxime-o da
chama de forma que a en­
OBJETIVO volva sem tocar a "boca" do
copo na superfície da água.
• Realizar experimentos simples em que se verifica Permaneça nessa posição
e se compreende o comportamento do ar quando por cerca de 5 segundos e depois abaixe o copo
aquecido, associando com o controle do voo em lentamente, colocando na água.
um balão de ar quente,
Experimento 2
MATERIAL 5. Repita o procedimento anterior, mas dessa vez co­
• Vela. • Água. loque o copo na água, sem esperar os 5 segundos.
Não encoste a "boca" do copo no fundo da bacia.
• Bacia. • Copo de vidro.
Experimento-controle
PROCEDIMENTO
6. Repita o experimento 2 com a vela apagada.
i,iU,iHM--------------. 7. Durante o experimento anote todas as suas
Esta atividade inclui a manipulação de uma observações na forma de uma tabela, como a do
vela acesa, o que pode provocar acidentes. modelo a seguir.
O professor vai realizá-la como demonstração Observa- Observa- Observações
para os alunos. ções do ções do do experi-
experi- experi- mento-
mento 1 mento 2 -controle
1. Acenda a vela e pingue algumas gotas de parafina Comportamento
derretida no centro da bacia vazia (sem aproximar da vela
a chama da parede da bacia). Comportamento
da água logo de-
2. Prenda a vela no fundo da bacia encostando a pois que o copo
é mergulhado
extremidade sem pavio na parafina ainda quente.
Comportamento
3. Coloque água na bacia até cerca de metade da da água ao final
altura da vela. do experimento

Atividades
1. O que acontece com a vela quando o copo 4. Pesquise sobre o funcionamento de um
é colocado na água? Por quê? balão de ar quente e relacione com o que
foi observado no experimento.
Z. O que acontece com o nível da água dentro
do copo depois que a vela se apaga em cada 5. Balões e dirigíveis foram utilizados pelos
um dos experimentos? O mesmo ocorre no seres humanos para voar bem antes de os
experimento-controle? Por quê? aviõesserem seguros para esse fim. Converse
com os colegas sobre as diferenças entre os
3. Há alguma diferença entre o que ocorre balões e os aviões. Na sua opinião, qual meio
nos experimentos 1 e 2? Explique por quê. de transporte aéreo é mais seguro? Por quê?
OFICINA 4
REGISTRE EM SEU CADERNO

• Pequenos galhos e folhas secas.


Você já deve ter ouvido falar em reci­
clagem de plástico, vidro, papel e metal, • Terra com minhocas.
mas e reciclagem de lixo orgânico,já ouviu • Luvas de jardinagem.
falar? Pois é: restos de comida como cascas
e sementes de frutas e legumes, cascas de PROCEDIMENTO
ovo e pó de café podem ser transformados 1. Enrole a tela, produzindo um cilindro com apro­
e utilizados como adubo. Os processos ximadamente 1 m de diâmetro.
que ocorrem na natureza para a formação
de húmus podem ser reproduzidos pelo 2. Prenda as laterais da tela com os arames plas­
ser humano por meio da compostagem. tificados. Não é preciso fechar o fundo. O cesto
Com isso, boa parte do que seria descar­ está pronto.
tado como lixo orgânico pode ser transfor­ 3. Coloque o cesto de pé em um local com terra e
mado em nutrientes para as plantas. arejado (como um jardim) e distribua os apoios
em torno dele. Em seguida, forme uma pilha de
OBJETIVOS camadas intercaladas de: 1º) restos de alimentos;
2 º) pequenos galhos e folhas secas; e 3º) terra.
• Montar uma composteira.
• Propor medidas para a redução dos resíduos por 4. O composto deverá ser umedecido diariamente,
mas sem encharcar. Se possível, armazene água
meio da compreensão da função da compostagem.•
da chuva para esse propósito.
MATERIAL 5. Já na primeira semana, o composto deve­
• Tela plástica de galinheiro, com 3,5 m de compri­ rá apresentar certo aquecimento. Você poderá
mento e 90 cm de largura (você pode encontrar sentir o calor aproximando sua mão do centro
em lojas de produtos agrícolas). da pilha.

• Pedaços de arame plastificado (do tipo usado para 6. O composto estará pronto quando estiver escuro,
fechar pacotes de pão de forma). frio e com cheiro de terra, o que deverá demorar
cerca de 2 a 3 meses para acontecer.
• Estruturas de apoio (três pedras grandes, por
exemplo) para manter o cesto em pé. Evitando e solucionando problemas
• Restos de alimentos (exceto carnes e derivados), O quadro abaixo apresenta um resumo dos
como: cascas de frutas e legumes, cascas de principais tipos de problema que podem ser
ovos, pó de café, sementes de frutas, restos encontrados na preparação do composto e suas
de flores e partes de hortaliças. respectivas soluções.

Sintoma 1 Causa 1 Solução


Cheiro Falta de gás oxigênio por causa de: Revolva a pilha para arejá-la. Adicione
desagradável. • compactação da pilha; materiais ricos em carbono para absorver a
• encharcamento; umidade ou para aumentar a quantidade de
• excesso de material rico em nitrogênio. carbono.

A pilha não está aque- Falta de nitrogênio. Falta de umidade. A pilha Coloque material rico em nitrogênio. Molhe a
cendo. precisa ser revolvida. O composto está pronto. pilha, mas sem encharcar. Revolva a pilha.

A pilha está úmida e só Pilha muito pequena. Aumente o tamanho da pilha.


aquece no centro.

Fonte: CAMPBELL, S. Manual de compostagem para hortas e jardins. São Paulo: Nobel, 1999.
OFICINA 5

REGISTRE EM SEU CADERNO

É possível utilizar a água para marcar intervalos de tempo?

OBJETIVO
• Construir um aparelho que possibilite marcar um intervalo de tempo usando água.
MATERIAL
• 2 recipientes plásticos transparentes, em que um deles se encaixe no outro, mas
não até o fundo.
• Relógio que marque segundos.
• Caneta hidrográfica.
• Água.
PROCEDIMENTO
1. PEÇA A UM ADULTO que, com uma agulha bem fina, faça um furo no centro do fundo
do recipiente que será encaixado em cima do outro.
2. Coloque o dedo no furo e encha esse recipiente com água. Indique com caneta,
pelo lado de fora, a marca do nível inicial da água.
3. Pegue esse recipiente e encaixe-o dentro do outro, que está vazio.
4. Olhe no relógio a hora em que a água começar a pingar.

Atividades
1. Quanto tempo a água levou para sair total­ a} Haverá diferença no tempo de es­
mente do espaço marcado? A água pingou vaziamento entre os dois relógios?
de maneira uniforme? Justifique.
2. Se esse experimento fosse realizado da b} O aluno sabia de antemão que o relógio
mesma maneira em lugares diferentes (no feito anteriormente pingava 30 gotas em
Pará ou em Goiás, por exemplo}, haveria di­ um minuto. Esse conhecimento prévio
ferença na marcação do tempo? Justifique. será útil para medir as horas no novo
3. Que fatores influem na determinação do relógio? Justifique sua resposta.
tempo nesse tipo de relógio?
5. Na Antiguidade, conseguia-se estimar o
4. Responda ao que se pede levando em con­ tempo nos relógios com base nos inter­
sideração a seguinte situação: o tempo de valos de ocorrência de eventos físicos
esvaziamento do recipiente de um relógio da natureza. Exemplos desses relógios
de água é de meia hora. Utilizando a mesma são o relógio solar e o relógio de água.
base, um aluno decide fazer outro relógio Atualmente, existem relógios de quartzo
desse tipo usando um recipiente maior e relógios nucleares. Pesquise sobre o
que o do relógio anterior e marcando esse funcionamento desses relógios, procuran­
recipiente em outro lugar. Contudo, ele do semelhanças entre o mecanismo dos
faz um furo no recipiente igual ao feito no relógios modernos e o dos antigos reló­
relógio de água anterior. gios solares e de água.
REGISTRE EM SEU CADERNO

• Solo - Contém argila, areia ou restos de seres


Não é necessário ir a lugares distantes vivos?
para estudar um ambiente. Isso pode ser
feito, por exemplo, no pátio da escola, no • Água - Como é o suprimento de água: artificial,
quintal de casa, em um terreno próximo natural ou uma combinação dos dois?
ou em um parque ou praça. Faça um bom • Ar - Como é a circulação de ar? Há ocorrência
planejamento, que inclua: de ventos? É abafado?
• Atividades preparatórias: escolher o • Temperatura - Meçam-na em vários momentos:
local a ser investigado, elaborar um ao chegar, durante o estudo do ambiente e ao
guia de trabalho e preparar o mate­ ir embora. Anotem os horários das medições.
rial necessário.
• Luminosidade - Analisem a luminosidade em
• Atividades no campo: observar o diferentes pontos do local.
local e levantar dados por meio de
medições, anotações, desenhos, es­ 3. Observem as plantas e identifiquem, por exemplo:
quemas e fotografias. os tipos (árvores, arbustos, ervas, trepadeiras,
musgos etc.), os tamanhos e a presença de flores
• Atividades posteriores: organizar e ou frutos. Anotem os nomes, se souberem. Anali­
analisar os dados obtidos e elaborar sem também a distribuição dos diferentes tipos
um relatório sobre a investigação. de plantas (isoladas ou em grupos, à sombra ou
expostas à luz solar etc.); façam esquemas para
ilustrar a distribuição.
OBJETIVO 4. Procurem os animais ou seus vestígios no solo,
• Realizar e registrar observações sobre um am- debaixo de rochas e de folhas e em outros locais.
biente terrestre. Usem a lupa, se necessário. Registrem o nome
deles, assim como a quantidade, os tamanhos
MATERIAL aproximados, onde foram encontrados, que ativi­
• Caderno. dades estavam realizando etc. Se não souberem o
nome do organismo, anotem suas características
• Lápis ou caneta. de forma detalhada.
• Régua e fita métrica. 5. Tentem encontrar organismos que não sejam nem
• Lupa. plantas nem animais e registrem.
• Termômetro 6. Busquem também evidências de interações:
de ambiente. • dos organismos entre si;
O termômetro e a lupa são instrumentos frágeis • entre os organismos e o ambiente.
e sensíveis que podem se quebrar facilmente.
7. Fotografem tudo o que acharem pertinente,
O professor dará instruções sobre o uso e o
pois isso servirá de apoio para a elaboração do
transporte desses instrumentos.
relatório.
PROCEDIMENTO
1. O planejamento inicial será feito pelo professor. Ele iúUtiHM--------------,
decidirá o local e a data apropriados para a visita
Alguns organismos podem provocar acidentes
e dividirá a classe em grupos.
ao entrar em contato com nossa pele. Toque-os
2. Caracterizem os fatores ambientais desse local, somente se o professor autorizar.
por exemplo:
IJi>->. OFICINA 6

Praças e parques
são locais
interessantes
para se fazer
uma investigação
de campo.

Atividades
1. Em grupos, elaborem um relatório com base preencham os elos faltantes com orga­
nos dados coletados informando: nismos que, embora não tenham sido ob­
• Data e horário da observação. servados, poderiam se encaixar na cadeia
• Tipo (parque, jardim, pomar, banhado etc.) e alimentar.
localização (endereço) do ambiente es­tudado. • Para cada cadeia alimentar elaborada,
• Descrição dos fatores ambientais e de • indiquem os níveis tróficos (primeiro,
como é o lugar, o que existe em volta. segundo, terceiro etc.) e o tipo de orga­
• Listagem dos animais encontrados e suas nismo de cada nível (produtor, decompo­
características. sitor, consumidor primário, consumidor
secundário etc.).
• Listagem das plantas encontradas e suas
características. 4. Com os colegas de outros grupos, comparem
• Listagem de outros seres vivos encontra- os esquemas e as cadeias alimentares pro­
dos e suas características. duzidas. Apontem semelhanças e diferenças.
• Descrição das interações detectadas.
5. Suponha que o ambiente estudado sofra
Incluam fotos e desenh os para ilustrar os
uma catástrofe natural, como uma seca
dados. Não se esqueçam de acrescentar
prolongada. O que aconteceria às plantas e
legenda às imagens. A listagem pode ser feita
aos animais? As mudanças nesse ambiente
afetariam as áreas próximas? Por quê?
z. Acrescentem um esquema do local, repre­
6. Vocês notaram interferências humanas no
sentando o máximo de componentes do
ambiente estudado? Em caso afirmativo,
ambiente que conseguirem. Oriente os alunos
a
citem essas alterações e classifiquem-nas
3. De acordo com algumas das interações como prejudiciais, benéficas ou neutras?
observadas, montem uma ou mais cadeias No caso de alterações prejudiciais, propo­
alimentares. Se elas ficarem incompletas, nham soluções para o problema.
OFICINA 7
REGISTRE EM SEU CADERNO

PROCEDIMENTO
Gnômon significa "relógio de sol" em
grego e é o instrumento astronômico 1. É aconselhável que a atividade seja realizada
mais antigo do qual se tem conhecimen­ numa manhã bastante ensolarada, por volta de
to. O gnômon era utilizado pelos povos 10 horas e 30 minutos.
antigos como um indicador das horas ao
longo do dia. •;i%ii++---------------,
Os relógios solares são geralmente Caso sua cidade esteja em horário de verão,
formados por uma haste e uma superfície comece a atividade uma hora mais tarde.
plana, contendo marcações que indicam
as horas. A sombra da haste projetada na Z. Fixe a haste numa superfície plana e marque com
superfície funciona como um ponteiro, um giz o ponto A na extremidade da sombra.
que se desloca de acordo com a variação
da localização do Sol. 3. Amarre um pedaço de barbante na base da haste
e estique-o até o ponto A.
4. Amarre o giz nessa extremidade do barbante (o
ponto A) e desenhe uma circunferência no chão
(figura 1).
5. Quando a sombra atingir a circunferência nova­
mente, marque esse ponto com o giz, indicando-o
como B (figura 2).
6. Pegue outro pedaço de barbante e estenda-o do
ponto A até o ponto B. Trace essa linha com o giz.
7. Coloque o transferidor sobre a linha traçada.
8. Pegue o barbante que está amarrado na base do
gnômon e comece a esticá-lo, de modo que ele
º
forme um ângulo de 90 com a linha AB.
9. Trace com o giz essa nova linha e marque os pontos
que cruzam a circunferência, C e D. O meio-dia
Relógio solar na Praia de Areia Preta (Natal, RN, 2005). "verdadeiro" aconteceu no momento em que a
sombra do gnômon esteve sobre a linha CD (figura 3).

OBJETIVO 10. Com o auxílio do transferidor, trace uma linha


º
que forme um ângulo de 90 com a linha CD.
• Determinar as horas do dia por meio de um relógio Marque em uma extremidade o número 6 (cor­
solar de construção simples. respondente às 6 horas) e na outra o número 18
MATERIAL (correspondente às 18 horas).

. • Haste de, aproximadamente, 1 metro (cabo de 11. Pegue o transferidor e coloque-o sobre a linha
vassoura). que une os números 6 e 18, de modo que forme
º
um ângulo de 90 com a linha CD.
• Barbante.
lZ. A partir do ponto D, marque 6 pontos na circun­
• Relógio.
ferência até o número 6 e outros 6 pontos até o
• Giz. número 18. A distância entre um ponto e outro
º
• Transferidor. deve ser de 15 .