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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE DIREITO
DIREITO PROCESSUAL CIVIL III
PROF. KLAUS COHEN KOPLIN

ANOTAÇÕES DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Julia Brito Ospina.


AULA DO DIA 14.03
- Unidade 1 – Teoria Geral da Execução. Temas comuns a ambos procedimentos
executivos (cumprimento de sentença e procedimento autônomo). Isso é um
procedimento didático do professor, porque o novo CPC não faz essa separação
em Teoria Geral da Execução.

- Unidade 2 – Trata da liquidação e do cumprimento de sentença. Direito


brasileiro atual voltou à sua raiz lusitana medieval: existência de dois
procedimentos executórios. Este é voltado à execução de sentença judicial ou
documentos a ela equiparados, como sentença judicial estrangeira ou sentença
arbitral. Esse procedimento é uma fase do procedimento comum. Portanto, o
procedimento comum começa com a petição inicial e finaliza com a obtenção do
direito subjetivo através deste procedimento de execução de sentença.

- Unidade 3 – Processo autônomo de execução de títulos extrajudiciais.

- Unidade 4 – Execuções especiais

 Execução Alimentícia, que pode resultar em prisão civil.


 Execução contra a Fazenda Pública.
 Execução Fiscal. Há até uma Lei Especial que é a Lei de Execuções
Fiscais (Lei Nº 6.830).

- Avaliação 1: 25/04

- Avaliação 2: 04/07

- Recuperação (substitui a nota ou da 1ª ou da 2ª) – 18/07


- Bibliografia:

 Fredie Didier Jr. – Curso de Direito Processual Civil, vol. 5


(www.academia.edv)
 Proview (jurisprudência)
 RT online é um site de artigos
 Marinoni, Arenhart, Mitidiero, Novo Curso de Processo Civil, Volume 2
(Teoria Geral da Execução e Cumprimento de Sentença) + Volume 3
(Processo autônomo)

- 04/04 – Aula Magna às 19h no Salão Nobre. Professor italiano Michele


Taruffo.

1. INTRODUÇÃO À TUTELA EXECUTIVA

1.1. Conceito de Execução


1.1.1. Realização prática do Direito a uma prestação (Didier Jr.)
1.1.2. Tipos de Direitos
I. Potestativos
II. Prestacionais
1.1.3. Crise de Adimplemento
1.1.4. Tipos de Execução
I. Execução (Coerção) direta (sub-rogação)
II. Execução (Coerção) indireta (indução)
1.1.5. Técnicas Executivas
I. Típicas (Penhora)
II. Atípicas (Art. 139, IV e 536, §1º)
1.1.6. Providências registrais – não execução

- Fredie conceitua a execução como realização prática (significando satisfazer)


do direito a uma prestação. Executar é realizar, mas na prática. Significa que é
realizar no mundo dos fatos. O direito só pode ser satisfeito no mundo dos fatos.
Nesse sentido a sentença condenatória não satisfaz direitos; é uma mera folha
de papel. Só é satisfeito quando se puder levantar o dinheiro. Então, essa
realização prática deve se dar no mundo dos fatos; enquanto ainda não houver
mudança no mundo dos fatos não há fase executória.
- “direito a uma prestação”: execução civil, a tutela executiva dos direitos é algo
que está relacionado a um tipo especifico de direito subjetivo que é o
prestacional, também chamado de direito a algo.

- Há dois grandes tipos de direitos subjetivos, sobretudo no direito privado. Em


primeiro lugar os direitos potestativos. Corresponde a um poder jurídico. Alguns
autores chamam de direito-poder. Conteúdo não é um comportamento que
alguém deve realizar; é o poder de influenciar de modo unilateral a vida de uma
pessoa, alterando a relação jurídica já existente. Ao direito potestativo não
corresponde um dever. Corresponde um estado de sujeição. Direito potestativo
surge dentro de uma relação jurídica, em que um é titular do poder e o outro está
em estado de sujeição. Um exemplo é o direito ao divórcio e o direito à demissão
(eu me demito e o patrão está sujeito a esta declaração). Então, a principio os
direitos potestativos nada tem que ver com execução, porque ou vou conseguir
a mudança na esfera jurídica privadamente, fora do judiciário (indo no cartório
conseguindo um divórcio consensual) ou a gente tem processos necessários,
em que o exercício do direito subjetivo é judicializado (por exemplo, se tem
crianças na jogada não se pode divorciar no cartório; é necessária ação judicial).
Tutela executiva tem direito a um direito a algo, a uma prestação. Estes se
sujeitam à decadência; o poder pode ser perdido com o tempo. Por exemplo, o
poder de realizar a anulação de um contrato.

- esses direitos são os direitos prestacionais. Tem como conteúdo do direito um


comportamento a ser praticado pelo outro sujeito da relação jurídica. A um direito
prestacional portanto corresponde um dever jurídico. Ao lado do dever, entra
uma figura que é a da exigibilidade do direito prestativo; isto é, a pretensão.
Quando venceu a dívida, surge um elemento novo que é o da pretensão. São os
direitos prestacionais que se sujeitam à prescrição: encobrimento da eficácia da
pretensão, conforme Pontes definiu. São os direitos prestacionais que
prescrevem, portanto; a possibilidade de exigir a prestação. Prescrição não é
extinção do direito; o direito continua havendo; significa somente uma
paralisação.

- com base no direito civil, os autores de processos costumam identificar quatro


prestações possíveis e cada uma tem influência sobre o processo de execução.
A prestação pode consistir 1) pagamento em quantia em dinheiro. Isso gera a
execução pecuniária. É a prestação mais comum. 2) entrega de coisa (distinta
do dinheiro). Pode ser coisa móvel, imóvel ou semoventes. Obviamente, cada
um desses bens oferecem dificuldades na sua apreensão. 3) em fazer e não
fazer. Somos uma civilização que quer serviços. Não necessariamente preciso
ter o carro, mas preciso poder usufruir. Fazer significa produzir algo
(fornecimento de um buffet para a festa de formatura). Quando eu tenho que
preparar a coisa para depois entrega-la, não é obrigação de dar; é obrigação de
fazer. Essa atenção à obrigação de fazer foi dada devida atenção somente em
94. Não fazer significa omissão (não divulgar um segredo industrial). 4) em
prestar declaração de vontade. Declaração de vontade pode ser uma prestação.
Exemplo do contrato de promessa de compra e venda de imóvel. Promete-se
comprar o imóvel, já vou pagando as prestações e o promitente vendedor
promete vender quando eu finalizar de pagar as prestações. Aqui pode ocorrer
problemas nessa relação; essa obrigação gera um tipo especifico de sentença:
sentença executiva lato sensu (sentença constitutiva, em outra classificação).

- portanto, em resumo, há dois tipos de direito, potestativos e prestacionais e a


execução significa a realização destas prestações (de pagar, de entregar coisa,
de fazer algo, não fazer, ou de declaração de vontade) na prática.

- cabe execução de sentença constitutiva? Para responder essa pergunta, teria


que saber que do direito potestativo pode surgir um direito prestacional. Esses
direitos portanto se relacionam, podendo um levar ao outro. Exemplos: direito
potestativo de resolução (desfazimento do contrato por não cumprimento de uma
prestação) do contrato por inadimplemento. Vou exercer esse direito em juízo. A
partir da resolução, as partes tem de voltar ao estado original oq eu significa que
tenho que devolver o que já recebi e indenizar prejuízos materiais e morais. A
partir do exercício de resolução surge a prestação de pagar, tanto na
necessidade de devolver o que foi pago, quanto na indenização. Outro exemplo
é que a partir do direito potestativo ao divórcio pode surgir o pagamento da
pensão alimentícia.

- então, para responder à pergunta tem que saber que a partir do exercício de
um direito potestativo pode surgir uma prestação.
- Dinamarco nos fala de crises. As vezes a crise é uma incerteza. Qual é a crise
que a tutela executiva visa solucionar? A crise do adimplemento. Ou seja, o titular
do dever jurídico descumpriu a sua prestação. Art. 786 fala em não satisfazer;
preciso do inadimplemento da obrigação.

- Distinção entre execução direta e indireta. Execução direta é chamada de


execução por sub-rogação. Sub-rogação significando substituição. Essa
execução implica exercício da força e da violência pelo Estado, para substituir o
comportamento devido; para realizar o que o devedor deveria ter feito e não fez.
Penhora online por exemplo é o Estado retirando a força o dinheiro da conta do
sujeito. Falar em execução direta nos remete ao poder judiciário. Reflexo disso
é que o árbitro da arbitragem ele não pode executar a sentença. Por isso que a
sentença arbitral é um titulo executivo, executável frente ao poder judiciário.
Exemplo de coerção direta: penhora (diferente penhor, que é um direito real de
garantia. Outros exemplos são busca e apreensão (móveis), imissão na posse
(imóveis).

- Em 1994, foi criado um artigo essencial no CPC, Art. 461. E a partir desse
momento é necessário abrir espaço para outro tipo de execução. A execução
indireta não envolve sub-rogação, substituição; aqui, o juiz não substitui o que
alguém deveria ter feito e não fez. Aqui, tem-se o uso da força para intimidar o
devedor a fim de que ele mesmo (não o juiz) cumpra a obrigação. Aqui a
estrutura é diferente. A prestação continua sendo um ato do devedor. Exemplos:
Multa coercitiva (“Astreinds”), prisão civil, retenção CNH e passaporte (vem
sendo discutido na jurisprudência.

- Execução direta combina mais com obrigação de pagar (não significa que seja
a única forma), de entregar coisa. Execução indireta combina mais com a
obrigação de fazer ou de não fazer. Grande novidade do CPC é que ele permite
permeabilidade entre as duas formas de execução.

- técnicas executivas são medidas concretas que o juiz vai tomar para conseguir
o meio. Instrumentalizam a obtenção do direito. São técnicas pré estabelecidas,
que foram tipificadas pelo legislador. A principal é a penhora. Mas há formas de
execução atípica, que o juiz cria. Art. 536 dá arsenal gigante ao juiz; tem-se aqui
o que se chama de cláusula geral. Multa diária, por exemplo. Nosso sistema é
flexível a ponto de haver a possibilidade de o juiz criar medidas atípicas onde
normalmente seria típica.

- Art. 139, IV bagunça o princípio da tipicidade dos processos executórios. Esse


inciso enfatiza os poderes executórios do juiz.

- será que toda mudança no mundo dos fatos é execução? Toda atividade pós
sentença é execução ou só uma parte? Há alguns atos do juiz que são chamadas
de providencias registrais, que são averbações realizadas no registro público.
Por exemplo, a sentença que determina o divórcio será averbada no registro civil.
Sentença de adjudicação também. Dúvida de vários autores é se essas medidas
registrais entram dentro do conceito de execução? Melhores autores dizem que
não; são efeitos anexas à sentença. Então, execução não é tudo; é satisfação
da prestação.

AULA DO DIA 21.03

1.2. Tutela Executiva, Sentença e Procedimento


1.2.1. Tutela executiva que é prestada em nova fase processual que se segue à sentença
heterossatisfativa, chamada de “fase de cumprimento de sentença”.
a) Faze cognitiva e fase “de cumprimento”
b) Sentença autossatisfativas
I. Sentença Declaratória – crise de certeza
II. Sentença Constitutiva – crise de estabilidade das relações jurídicas
III. Sentença Executiva que tutela obrigação de prestar declaração de vontade
c) Sentenças Heterossatisfativas
I. Sentença Condenatória
II. Sentença Mandamental
III. Sentença executiva Latu Sensu

- 1.2.1.1.
No caso deSentenças
a tutela executiva ser prestada “fase de cumprimento de sentença”,
declaratórias
a1.2.1.2. Sentença
execução se constitutiva
dá em uma fase do procedimento comum. Deve-se perceber que
existem duas funções jurisdicionais básicas: cognitiva (fase de conhecimento) e
executiva (fase de cumprimento de sentença – chamada assim desde 2005).
Antigamente havia dois processos separados; hoje, são duas fases de um
mesmo processo. Portanto, o procedimento comum começa com a petição inicial
e só termina com a satisfação do direito subjetivo, na fase de execução.

- segundo elemento que preciso ter muito claro é o fato de que temos dois tipos
básicos de sentença judicial. De um lado:

B) As sentenças autossatisfativas ou autossuficientes: são as sentenças que por


si só é suficiente para tutelar o direito do autor. Ou seja, não são necessárias
atividades judiciais posteriores a sentença para satisfazer. O que pode acontecer
é ter-se providências registrais. Providencias que vão ser materializadas em
registros públicos (LRP, Arts. 29, § 1º, a; 97; 100;167, I; 28, II; 14). Essas
sentenças não comportam execução.

- Observação: quando falamos em classificação de sentenças, temos


que ter em mente que as sentenças são mistas. Essa é uma das lições
que nos deixou Pontes de Miranda. Então quando chamo as sentenças
de autossatisfativas ou heterossuficiente estou pensando na eficácia
predominante da sentença. É preciso que perceba-se que dentro do
dispositivo sentencial existem outras eficácias secundárias. Na doutrina
brasileira, sobretudo na escola de SP, Dinamarco é o grande teorizador
de capítulos de sentença. De acordo com sua tese, que foi acolhida no
novo CPC, nos dispositivos da sentença existem vários capítulos. O que
são capítulos? São comandos, relativamente autônomos. São as partes
em que se desdobra o dispositivo. Todo o dispositivo tem dispositivos
principais (o que efetivamente tutela o direito do autor) e acessórios (por
exemplo, o capítulo relativo a cobrança de honorários. Toda sentença
tem isso. O juiz deverá condenar o vencido a pagar tais honorários). Eu
classifico a sentença de acordo com o dispositivo principal, mas tenho
que ter em mente que existem dispositivos acessórios.

- pode-se ter, sim, dois capítulos principais, principalmente quando na


petição inicial pede-se várias providencias, a serem atendidas ao mesmo
tempo. É o caso de cumulação de demandas, sobretudo cumulação
simples, em que peço providencia A + B (por exemplo, dano moral e dano
material). Tenho dois capítulos principais, nesse caso.
3 espécies de sentenças autossuficientes:

- a) Sentença declaratória. É a que predominantemente esclarece uma situação


duvidosa. E o que essa sentença esclarece? A existência ou inexistência de uma
relação jurídica. Ou do modo de ser de uma relação jurídica (observe-se que não
é com relação a fatos; é com relação a relações jurídicas). Essa sentença
declaratória aparece no Art. 19 do CPC. Exemplo: sentença que declara
inexistência de débito. Essa sentença não cria, não modifica e não extingue
nada. A inexistência do débito é prévia. Eu quero que o juiz vá ao mundo do
direito e esclareça aquela situação duvidosa. Por isso que essa sentença se
esgota no trânsito em julgado. Por isso que, aqui, se fala em crise de certeza.
Um sujeito afirma a existência daquela relação e o outro nega. A sentença
declaratória não se executa, ao menos o capítulo principal, porque a única coisa
que quero é a certeza e esclarecimento; não se quer alteração no mundo dos
fatos.

- b) Sentença Constitutiva. Constituir é diferente de declarar. Significa alterar o


mundo jurídico. Preciso me lembrar que existem três formas de alterar o mundo
do direito:

I) por meio da criação. Exemplo: sentença na ação de reconhecimento de


paternidade. Para o professor, sim ela declara o vinculo biológico, mas ela cria
e estabelece um novo vínculo que não existia até então, que é um vínculo
jurídico. Essa criação é dada pela sentença. Ela que vincula juridicamente duas
pessoas que até então estavam vinculados apenas biologicamente.

- Há outra polêmica que é a ação de usucapião. Alguns classificam como


declaratória e outros como constitutiva, mas a posição majoritária é de que é
declaratória, porque reconhece um direito de propriedade que eu já adquiri pela
posse de um imóvel durante dado tempo. Ela é declaratória, porque estaria
reconhecendo um direito que é anterior.

II) Por meio da mudança. Exemplo: alteração do registro civil do


transsexual. O fato já mudou; agora preciso transportar para o mundo do direito
essa alteração fática. Então, não comporta execução, porque não tenho nada
para transportar para o mundo dos fatos, justamente porque o fato já mudou
anteriormente do direito sofrer essa alteração.

III) Por meio da extinção. Pode-se pensar no divórcio, resolução


contratual, anulação do contrato por vício da vontade. Aqui, a mudança dos fatos
já ocorreu, também, só quero oficializar a situação.

- essas sentenças constitutiva soluciona uma crise de estabilidade das relações


jurídicas. Tenho que recorrer ao poder judiciário para que essa relação não se
torne mais instável, criando, mudando ou extinguindo. Essas sentenças, ainda,
pode-se dizer, que tutelam direitos potestativos.

- essa sentença não se sujeita à execução, primeiro porque é autossatisfativa,


porque muda só o mundo do direito e, terceiro, porque tutela direitos potestativos

- c) Sentença executiva que tutela obrigação de prestar declaração de vontade.


Por exemplo, tenho um pré-contrato (promessa de compra e venda) e depois
não celebrou por alguma razão (construtora que fale e não termina as
construções – Caso Encol por ex). Então tenho um tipo de sentença que ela
sozinha substitui os efeitos de declaração de vontade não prestada. Pego essa
sentença e averbo no registro de imóveis, e coloco o imóvel no meu nome. Não
precisa o réu se sujeitar a fazer algo. A sentença vale como declaração de
vontade. Artigo que contempla essa sentença é o Art. 501. É autossuficiente
porque a sentença vale por si só como declaração de vontade. Essa sentença
tutela direito prestacional. Só que é uma prestação estranha, que é a de emitir
uma manifestação de vontade. O problema é onde meter essa sentença. A
doutrina majoritária (Escola de SP) classifica-a como sentença constitutiva. O
problema dessa visão é que a sentença constitutiva existe para tutelar direitos
protestativos e aqui há direitos prestacionais. Pontes de Miranda classificou
como sentença executiva, mas executar aqui significa substituir um
comportamento que não foi prestado.

- em resumo, a linha doutrinária de Pontes, que é rival a escola de SP não define


isso como sentença constitutiva, chama de sentença executiva autossuficiente,
porque tutela um direito a uma prestação, porque substitui um comportamento,
que caracteriza a sentença executiva. Mas é importante atentar que é uma
sentença executiva autossuficiente, de modo que eu não preciso executá-la,
não preciso forçar o réu a prestar declaração, porque ela é autossuficiente, ela
já vale por si. O comando da sentença já produz todos os efeitos e pode transferir
inclusive o imóvel.

- C) Sentenças Heterossatisfativas. É esse tipo de sentença que interessa na


nossa cadeira. Hetero = outro. Então satisfação do direito se dá em outros atos
processuais, posteriores à sentença, ao trânsito em julgado. Portanto, temos
uma tutela prestada pela sentença que é incompleta, porque trata-se somente
de um esclarecimento. Qual a crise que essas sentenças visam solucionar? O
que Dinamarco chama de crise de adimplemento. Está em jogo um direito a uma
prestação e o réu não cumpriu essa prestação. Nesse caso, será necessário
uma outra fase para transpor ao mundo dos fatos o que a sentença colocou, que
é a chamada fase de cumprimento de sentença. Sentença, portanto, é um mero
passo no processos de concessão da tutela jurisdicional; apenas cria condições
para que a tutela se dê, porque esta será concedida somente na segunda fase
do procedimento.

Espécies de sentenças heterossatisfativas:

- a) Condenatória. Condenar = reprovar a conduta de alguém. Juiz quando


condena não se limita a reconhecer um direito, a criar um novo estado jurídico;
ele realiza um juízo de valor sobre o comportamento de alguém. Condenar é
estabelecer um dano justo. O normal na fase de cumprimento de sentença para
realizar a obrigação de pagar são técnicas sub-rogatórias, que substituem o
comportamento devido por meio de violência; o exemplo recorrente é a penhora.

- b) Mandamental. Se caracteriza pela ordem do juiz. Deve-se lembrar que o juiz


que condena não ordena e vice versa. Qual a diferença entre condenar e
ordenar? ___. Técnicas coercitivas como regras.

- c) Executiva Lato Sensu. Na obrigação de prestar declaração de vontade a


sentença se basta. Mas quando eu tenho deveres de entregar coisa contratuais
e não contratuais, tenho um tipo diferente de sentença executiva, que é
heterossatisfativa, que é insuficiente, porque não é a sentença que materializa a
coisa. Pontes de Miranda dizia que executar significa transferir bens, valor (bem
móvel, imóvel ou semovente); ingressa no patrimônio do autor algo que deveria
estar lá e não está. ___. Combina técnicas coercitivas indiretas e sub-rogatórias.

- Execução civil se aplica às três sentenças acima (condenatória, mandamental


e executiva lato sensu), mas também à capítulos acessórios (eficácias
secundárias) ligados a sentenças declaratórias, constitutivas e executiva
autossuficiente. Exemplo: vou executar a condenação de honorários que está
posta no dispositivo de uma sentença declaratória.

- Teoria Zavaski defende a execução de sentença declaratória em geral e de


execução da sentença de improcedência da ação declaratória negativa (aquela
em que eu peço a declaração da inexistência da relação. Se eu perco essa ação
o que a sentença expressa? Que existe a relação). Importante fazer essa
reflexão.

- então, em algumas situações a execução constitui uma fase do procedimento


comum que se segue à fase de conhecimento.

1.2.2. Tutela executiva que é prestada em processo autônomo, sem fase prévia de
conhecimento (“ação autônoma” ou “processo autônomo”)

a) Com base em título executivo que é fruto da atividade jurisdicional,


embora não civil ou não nacional (sentença penal condenatória, estrangeira
e arbitral – 515, § 1º)

b) Com base em título executivo que não é fruto da atividade jurisdicional


(784)

- Existem outras situações em que a tutela executiva é um processo autônomo,


sem fase anterior. Isso chama-se de processo autônomo de execução. Então, a
primeira distinção do ponto de vista procedimental é que existe a fase de
execução que se chama de fase de cumprimento de sentença e existe tb o
processo autônomo de execução. Essa é uma diferença básica cuja origem ver-
se-á no final desta aula. Este processo autônomo é um procedimento especial.
Existem duas situações que me levam a um processo autônomo.

a) Pode estar baseado em um título executivo que é fruto da atividade


judicial. Tenho certas situações, portanto (não todas) em que mesmo tendo um
titulo judicial eu terei de iniciar um processo novo. Às vezes a execução de
sentença não vai ser feita em uma fase do procedimento comum, mas autônomo
em relação ao procedimento original. Exemplos: sentença penal condenatória (a
execução da parte civil de uma sentença penal ocorre em um processo novo),
sentença estrangeira e arbitral (árbitro não pode executar sua própria sentença;
por isso a execução deve se dar em outro processo) – Art. 515, § 1º.

b) Normalmente, esse processo autônomo se destina a um titulo que não


é fruto da atividade judicial. A lista desses títulos está no Art. 784. Nesse caso o
indivíduo é citado para pagar e se ele não pagar inicia o processo executório
contra ele.

1.3. COGNIÇÃO, ADMISSIBILIDADE E MÉRITO NA EXECUÇÃO

a) Cognição (sempre presente)


a. Rarefeita (Kazuo Watanabe)
b. Incidentes Cognitivos
b) Admissibilidade: questões prévias
c) Mérito: inadimplemento + prática de atos executivos
d) Sentença?
e) Demanda: partes, pedido e causa de pedir

- Não há como visualizar uma fase de execução ou processo de execução


absolutamente puros. Sempre há algum tipo de análise prévia, ou mesmo
durante a execução. Cognição sempre estará presente de alguma forma. Por
isso o Watanabe cunhou de “cognição rarefeita,” porque ela é extremamente
limitada. Então, um mínimo de atividade intelectual o juiz fará sempre. Exemplo:
o juiz, no mínimo, precisará avaliar a existência de um título executivo (o que
trabalhar-se-á melhor mais adiante); ou seja, o documento que habilita a
execução. Contrato de abertura de crédito em conta corrente, conhecido como
cheque especial foi discutido anos no STJ até que eles concluíssem que não é
título executivo. Outro exemplo de questão de cognição que ele tem de decidir é
competência. Outro é os pressupostos processuais (legitimidade, interesse
processual).
- Mas dentro da fase de cumprimento e também dentro do processo autônomo
podem ter discussões paralelas em que o juiz só analisa e não vai executar nada.
Por exemplo, a discussão sobre os cálculos apresentados pelo autor. Outro
exemplo é a discussão sobre a desconsideração da personalidade jurídica.

- antes de examinar o mérito, também no processo autônomo e na fase de


cumprimento também há análise de admissibilidade, que alguns autores chama
de questões prévias. Primeiro a existência de título executivo, segundo,
competência. Terceiro, legitimidade. Quarto, interesse processual. A questão de
litispendência também é analisada. Eventualmente, também deverá enfrentar a
tarefa de coisa julgada. Então, há uma série de questões prévias (processuais)
antes de determinar a prática de atos de execução.

- uma velha questão que se sucede a isso é se existe questões de mérito na


execução? Professor entende que sim, tanto no cumprimento de sentença
quanto no processo autônomo, não sendo exclusivo da fase cognitiva. O mérito
na fase de conhecimento é diferente do mérito na fase de execução. Quer dizer,
quando falo em mérito, pensamos no Art. 487, que são as situações em que o
juiz resolve o mérito. Mérito é verificar existência do direito e aqui não, porque o
direito já foi verificado pela sentença ou, então, pelo próprio documento. O que
diz, portanto, a doutrina de Dinamarco? Mérito na execução consiste na
verificação do inadimplemento e da prática dos atos de execução. Prática do
mérito consiste na prática de atos de execução. Na cognição o mérito pode ser
decidido a favor do autor ou do réu, mas na execução não, pois o mérito é dar cabo às
práticas de execução em favor do autor/credor ou em favor de ninguém. A execução
têm desfecho de mérito único (em favor do autor/credor).

- Então tem sentença na fase de cumprimento de sentença? E no processo


autônomo? Sim, eles têm sentença e se encerram mediante sentença. Não é a
mesma sentença. A ideia é que a sentença declare a satisfação do direito. A
sentença que estudamos verifica a existência do direito; esta sentença não
verifica nada; é meramente declaratória, reconhecendo que a tutela do direito foi
prestada. Dizer isso não significa dizer que a tutela executiva é prestada na
sentença, em um único momento. É somente o reconhecimento de que a tutela
foi prestada; esta é prestada no curso do direito. Quando o juiz marca a data do
leilão, determina expedição do alvará, etc... ele está prestando tutela. Não é em
um ponto único; é ao longo do procedimento.

- essa sentença chega a formar coisa julgada para impedir a reabertura da


execução? A princípio sim, porque se há sentença de mérito, há coisa julgada
material.

- também temos na execução um elemento de teoria geral do processo que é a


demanda (exercício do direito de ação) executiva. Independentemente de ser
fase ou procedimento autônomo, o credor (que é quem é titular de uma
prestação) apresenta ao poder judiciário uma demanda. No cumprimento a
demanda é formalizada em um mero requerimento; no processo autônomo, aí
essa demanda se materializa como uma petição inicial. Então do ponto de vista
procedimental, pode ser uma requisição ou uma petição inicial. Então existe sim
demanda.

- deve-se lembrar que toda demanda tem partes, pedido e causa de pedir como
seus elementos. Partes: aqui chama-se de exequente (autor da demanda
executória) e de executado (o réu da demanda executória). Pedido: imediato ou
mediato.

2. NOÇÕES DE HISTÓRIA DA EXECUÇÃO

- Tenho dois procedimentos executórios: uma fase de procedimento de sentença


e um processo autônomo, que começa com petição inicial e citação.

2.1. TRADIÇÕES RIVAIS NA HISTÓRIA DO DIREITO EUROPEU E LUSO-


BRASILEIRO

Há duas maneiras de entender execução civil e elas brigam uma com a outra.
Existe uma tradição na Europa (Itália, França, Alemanha) que levou ao CC de
73 e existe uma tradição rival, que se formou no canto da Europa. No direito
medieval é que se vê a formação de dois procedimentos executórios distintos.

a) Dualidade dos procedimentos executórios no processo civil do direito comum


italiano medieval concservada em Portugal e no Brasil
I. Execução da sentença (sententia habet paratam executionem –
imploratio officium iudicis) – Martinus de Fano
Execução de sentença: é assim chamado por Martinus de Fano.
“sentença tem a execução aparelhada.” Significa que a sentença de alguma
forma prepara a sua execução e essa se dá por meio “do requerimento de que
o juiz exerça seu ofício. ” jurista medieval entendeu que a tarefa do juiz não é só
sentenciar, mas também executar aquilo que ele sentenciou.

II. Processus executivus para documentos de garantia (instrumenta


guarentigiata) – prática das cidades italianas medievais

Processo executivo: esse processo foi pensado para facilitar a tutela de


obrigações constantes de certos documentos, que eram chamados de
“documentos garantidos”. Eram lavrados por notários públicos, tabelionatos. O
sujeito confessava no tabelião a existência da dívida, o tabelião lavrava e ficava
conhecido como esse documento. É um procedimento misto, não somente
execução, mas também de cognição. Procedimento sincrético. Surgiu da prática
das cidades italianas medievais.

b) Unificação das vias executórias no processo francês (Sec. SVII – XIX) e a


crição do processo de execução praticamente sem cognição

É preciso enfatizar uma fratura no processo civil europeu. Trata-se do


surgimento do processo de execução, o que resulta na unificação das vias
executórias no processo francês. Sentença judicial é equiparada à “ata notarial”
e cria-se um único procedimento para executar sentenças e para executar outros
documentos que não sentença. Cria-se uma figura de processo de execução,
que não existia nos países luso-brasileiro. Outra característica é que nesse
processo há praticamente nada de cognição. por exemplo, se o executado
quisesse apresentar sua defesa ele teria que apresentar um novo processo.
Então, o desenho feito em França nessa época é que não havia direito de defesa
dentro do processo de execução; ele deve iniciar outro processo. Isso acaba
tendo reflexos no Brasil e vai se chamar de Ação de Embargos de Executado
(nova ação que dão origem a um novo processo).

- o processo civil do centro da europa foi pensado para não permitir o direito de
defesa. Então, eu não me defendo em outro processo; espécie de processo
incidental, de natureza cognitiva. No processo brasileiro entende-se que o
objetivo é retirar a força executiva do documento que amparou a petição inicial,
visando portanto uma ação desconstitutiva.

AULA DO DIA 28.03

 2.2. CPC DE 1939

CPC de 39 tentou atualizar o código de acordo com a tradição europeia


(Códigos alemães, austríacos), mas mantendo nossa tradição luso. Portanto,
esse código não é iconoclasta, querendo abolir tudo que se tinha, mas somente
atualizar.

a) Ação executória (execução de sentença)

De um lado, o código tratava da ação executória. Era relacionada à execução


de sentença. Do ponto de vista estrutural tinha que ajuizar uma nova ação que
dava origem a outro processo que era o de liquidação de sentença e posterior
realização prática por meio de ação executória no mesmo processo da
liquidação.

b) Ação executiva (misto de cognição e execução para outros documentos)

Outro procedimento que também era sincrético, que também misturava


elementos de cognição e execução era a ação executiva. Servia para executar
outros documentos, que estavam especificados em uma lista dentro do código.

Observa-se que trata-se de dois caminhos possíveis. Se eu tivesse uma nota


promissória, eu não precisaria esperar a cognição do processo de conhecimento,
a liquidação da sentença, para então entrar com uma ação executória. Eu posso
diretamente entrar com uma ação executiva.

- Há dois tipos de procedimentos: o procedimento comum e o da ação executiva.


O procedimento comum tem a fase de conhecimento, a fase de liquidação e
seguido da liquidação, tem-se a execução.

 2.3. CÓDIGO BUZAID (CPC/1973)


- Há aqui um rompimento com a tradição da dualidade de procedimentos e
implica na consagração do esquema adotado na Itália. Liebman fugido do
nazismo, traz consigo os debates da literatura italiana do final dos anos 30 e
início dos anos 40 e forma uma linha de pensamento, conhecida pela Escola de
São Paulo (existe a velha e a nova guarda. O nome essencial da velha guarda é
justamente Alfredo Buzaid. E da nova geração o nome central é Dinamarco).
Essa linha de pensamento não é uma linha crítica; assumiu sem espírito crítico
a doutrina italiana, simplesmente repetiu.

Traz-se a ideia de um processo único para realizar sentença e outros


documentos equiparados, sob o fundamento de que o nosso processo seria lento
e ineficaz (complexo de vira lata).

a) Cria “processo de execução” único para


I. Sentenças
II. Outros documentos equiparados

Onde estava esse procedimento único? Aparecia no Livro II dedicado ao


processo de execução. Em 73, portanto, tem-se a introdução de um elemento
exógino no direito brasileiro, chamado processo autônomo de execução, que
serve tanto para realizar o crédito estampado na sentença, previamente
verificado pelo poder judiciário, bem como o crédito que não foi previamente
verificado, que chamamos de títulos extrajudiciais.

Tecnicamente isso parece soar bem; talvez isso funcione na Itália, Alemanha
ou Suíça, mas isso não funcionou no nosso país, não produziu os efeitos
esperados

b) Elementos comuns: petição inicial, citação (nova), defesa por meio dos
embargos do executado, penhora e atos posteriores

 2.4. Código Reformado (CPC + minirreformas 2005-2006 – Leis 11.232


e 11.382)

a) Restabelecimento de procedimentos executórios


I. Fase de cumprimento de sentença (sem petição inicial, sem
citação e sem embargos)
II. Processo autônomo de execução de títulos executivos
extrajudiciais

Aqui, destrói-se o Livro II do CPC de 73. E de que maneira? Reestabelecendo


a dualidade de procedimentos executórios que a gente sempre teve com exeção
de 1973 até 2006. A reforma foi pragmática; eles pegaram uma parte do livro II
e meteram no livro I. O Art. 475 tratava de reexame necessário e acrescentaram
20 artigos, puxando regras de títulos executivo, sobre intimação do executado,
etc... e costuraram tudo dentro. Havia Art. 475 A até 475 R. O significado disso
é que acabou o processo de conhecimento. O que passou-se a ter foi um
processo misto; uma fase de conhecimento e uma fase de execução. Então
rigorosamente o nosso procedimento ordinário passou a ter execução, que não
tinha antes. A execução que era um processo autônomo se torna em uma
simples fase do procedimento ordinário. Posso usar duas linguagens: a fase de
conhecimento que vai terminar com o transito em julgado e depois a fase de
cumprimento de sentença. Portanto, onde se dá a execução? Na fase de
cumprimento de sentença.

E o que caracteriza essa fase? 1) Essa fase não tem uma petição inicial,
começa com um requerimento menos formal do que a petição (isso se mantém
até hoje, mencionado no Art. 513 e 503 do código atual). 2) Ainda, como regra
geral, não há nova citação do executado, a partir dessa reforma. Então, o que
acontece, aqui, é que há uma intimação (muito se discutiu a natureza desta
intimação) e que deveria ser feita por nota de expediente na pessoa do advogado
do requisitado. 3) Outrossim, houve alteração quanto ao meio de defesa:
aboliram-se os embargos da execução. Se deixou os embargos somente nos
processos autônomos de execução de titulo extrajudicial e se criou outra figura
que se chama de impugnação ao cumprimento de sentença. Essa figura é uma
defesa dentro dos autos, dentro da execução (não é como embargos que é
protocolado fora dos autos dando origem à uma nova ação) seria o semelhante
à contestação.
b) Retorno à tradição luso-brasileira ancorada na experiência medieval
(Athos Gusmão Carneiro)

Vários juristas fazem análise sobre essas mudanças, mas o que o professor
mais gosta é o Sálvio de Figueiredo Teixeira e Athos Gusmão Carneiro, que foi
um dos autores dessa mini reforma. Ele faz leitura dessa reforma como se fosse
um retorno à nossa tradição luso-brasileira; não que seja a mesma coisa.

Observação: a lista de títulos extrajudiciais no Código atual está no Art. 784.

Portanto, em resumo, até aqui, a nossa história iniciou com a dualidade de


meios executórios, em 76 abandonamos a dualidade, submetendo toda e
qualquer execução às mesmas regras e no ano de 2005 é publicada uma lei que
abandona a unificação e volta ao esquema original, mas de maneira um pouco
diferente.

 2.2. Novo CPC (Lei 13.105/2015)

Código de 2015 é mais parecido com o código reformado do que o


reformado era parecido ao CPC original de 73.

a) Aperfeiçoamento do sistema do CPC Reformado e manutenção da


dualidade de vias executórias
b) Detalhes do novo procedimento de cumprimento
a. Nomenclatura
b. Após o transito do julgado, processo para “arquivamento”

Fase de conhecimento é encerrada pelo trânsito em julgado. Após o


trânsito, o processo para e é arquivado administrativamente.

c. Iniciativa do credor (513 e 523)

Em seguida, preciso de uma nova manifestação de vontade do credor


(ponto 3), por meio de um requerimento. Isso está muito claro no Art. 513 e 523.
No Art. 513 tem-se uma importante regra do processo civil. Nele, o juiz não pode
dar inicio à fase de cumprimento de sentença quando é obrigação de pagar. Mas
se for obrigação de fazer ou de entregar coisa, a sequência é normal, não há
paralisação (é o que trata o § 1º).

O que pode acontecer entre o trânsito em julgado e a iniciativa do


exequente com o direito subjetivo? Poderá haver prescrição. Então, isso é
importante; como o procedimento não é extinto ele só é arquivado, ele segue
constando como ativo o que permite que corra a prescrição contra ele. Hoje em
dia, chama-se de prescrição intercorrente porque ela vai se operar enquanto o
processo ainda está correndo

Hoje, há dois prazos de prescrição: tem-se a prescrição que se refere ao


reconhecimento do direito e tem a ver com a fase de conhecimento e aí reinicia
o prazo prescricional e agora ele se refere a pretensão à realização do direito.
Portanto, duas pretensões: a do reconhecimento do direito e depois da
realização do direito. Aqui, então, estamos falando do prazo prescricional relativo
à pretensão executória.

Observe-se que, a prescrição intercorrente, aqui, é para tomar iniciativa


para requerer a execução, não para realizar o direito em si, como na prescrição
do processo penal de realização da pretensão punitiva.

d. Intimação para pagamento

Há, então, a intimação do exequente, na pessoa do advogado, para


realizar o pagamento.

e. Penhora, avaliação, depósito, alienação

Se ele não pagar no prazo de 15 dias, fica sujeito a penhora, avaliação,


deposito e alienação

f. Impugnação ao cumprimento de sentença

Ele também tem um prazo de 15 dias para se defender mediante


impugnação ao cumprimento de sentença

g. Sentença extingue

Se a impugnação for acolhida, a sentença pode encerrar a execução.


3. PRINCÍPIOS DA EXECUÇÃO

3.1. Conceito de Princípio

 Norma estruturante
 Norma mais importante
 Não sentido de Alexy e Humberto Ávila (princípios e regras)

- Aqui utiliza-se do conceito antigo de princípio, como sinônimo de normas mais


importantes, estruturantes, não no sentido de Alexy e Humberto Ávila. Segundo
o entendimento deles, algumas das normas da execução que chamamos de
princípio talvez fossem regras. Isso porque a teoria deles diferencia fortemente
os princípios e as regras. Tem-se a categoria das normas e tem-se tipos
diferentes de normas, que se estruturam em duas classes: 1) princípios. Normas
que determinam a realização de um valor, transformando em valor jurídico. 2)
Regras mandam realizar comportamento. Que proíbe, obriga, libera alguma
conduta. Três operações básicas do mundo do dever ser.

 PRINCÍPIOS ESPECÍFICOS

1. Princípio do título: “nulla executio sine titulo”

“Não há execução sem título.” Esse é o principal pilar sobre o qual se


assenta a tutela executiva. Art. 515 trata dos títulos executivos judicias e o Art.
784 trata dos títulos executivos extrajudiciais.

Sobre tutela provisória: Tutela provisória aparece nos Arts. 294 – 311.
Basicamente, estas são as medidas liminares e estas servem unicamente para
possibilitar o ingresso provisório no patrimônio do sujeito ou para possibilitar a
realização provisória da obrigação de fazer ou de entregar coisa. Portanto,
liminar é uma decisão provisória, precária e que pode ser revisada e modificada
a qualquer tempo. Liminar, portanto, é uma execução baseada na aparência,
verossimilhança. Art. 300 e 296 são os que falam disso. Há um problema teórico
de se as liminares violam ou não o princípio do título? Por que a sentença seja
um título é entendível; fica claro uma ideia de uma certeza jurídica. Mas uma
decisão liminar, geralmente interlocutória, baseada em juízo mera aparência,
passível de ser reformulada, a qualquer tempo, é possível de ser considerado
título? Ou é uma violação ao princípio do título? Aqui há duas visões possíveis:

1) alguns autores acham que em relação às liminares não se aplica o


princípio do título. Teria execução sem título permitido. Tutela provisória signficia
satisfação do direito. O juiz em liminar manda o ex-marido pagar pensão
alimentícia, manda o locador sair do imóvel, manda entregar o bem, ... Então,
liminar implica em execução.

2) outros autores dizem que a decisão concessiva da liminar é titulo


executivo. Mas não o título executivo do século XIX que veio do código francês
ou da doutrina italiana. Trata-se de um título executivo provisório. Nenhum autor
clássico classificaria assim, porque o título traz certo grau de certeza. Mas
considerando nossa modernidade líquida, faz sentido falar em um título
modernificado.

2. Princípio da patrimonialidade (responsabilidade patrimonial,


“realidade da execução).

Significa que a execução civil recai sobre o patrimônio da pessoa e não


sobre o seu corpo como acontecia no direito romano arcaico. Esse é o elemento
da responsabilidade que não é pessoal; é patrimonial. Eu como pessoa devo
mas quem responde pelo cumprimento da obrigação não é meu corpo, mas
meus bens. [PEGAR ANOTAÇÕES GUSTAVO].

A princípio toda execução de fazer ou não fazer descumprida se transf [...


– Gustavo].

Contudo, passou-se a dar mais importância para tutela específica da


obrigação, de modo que hoje ela é prioridade, só se convertendo em ultimo
caso.... [Gustavo + Didier]

Esse princípio foi relativizado porque nosso sistema voltou a permitir a


tutela específica de obrigações de fazer e não fazer. Não se fala aqui só de multa.
Ainda que o objetivo seja coagir o sujeito, recai sobre o patrimônio. Prisão civil,
retenção de cnh.

3. Princípio do resultado e da utilidade


Resultado significa que a tutela executiva se dá no interesse do credor;
deve-se propiciar a ele a satisfação do crédito. Ou seja, a tutela é voltada para
satisfação do direito a uma prestação; não quero reconhecer o direito, porque já
foi reconhecido na sentença ou já está no título executivo. Está consagrado em
vários momentos do código: Art. 797 – a execução é pensada no interesse do
exequente (por isso que Dinamarco diz que a execução é de resultado único; ou
ela satisfaz o exequente ou não satisfaz ninguém). A fase de conhecimento não;
é pensada em ambas as partes para o esclarecimento da verdade. Até mesmo
no Art. 772 fala dos poderes do juiz na execução.

Muito parecido com o resultado é o princípio da utilidade, que pode ser


resumido: não se admite execução da qual não decorra um resultado útil ao
credor. O objetivo da execução não é enriquecer o advogado, o Estado com
custas, ... é enriquecer o credor. Não pode, portanto, haver prejuízo ao
executado que não traga resultado útil ao exequente. O juiz não pode determinar
medidas executórias que prejudiquem a pessoa e não traga beneficio nenhum
ao credor. Só posso agredir o acusado se trouxer algum benefício prático para o
credor. Por isso a dificuldade quando o sujeito não tem bens. Não há muito o
que fazer por causa da ideia de patrimonialidade. O Art. 836 retrata bem isso,
dizendo que não se pode executar bens do executado se ele só for suficiente
para pagar custas que o autor gastou para dar início à ação e não satisfazer o
exequente

4. Princípio da especificidade (adequação) da execução (execução


específica.

Diz Chiovenda que a jurisdição deve alcançar ao titular do direito tudo aquilo
que ele teria direito de obter. Jurisdição como substituição. Já que não posso
realizar justiça privada, o que a justiça deve fazer é dar um resultado semelhante.
Então, toda execução nesse sentido é específica, porque deve trazer ao
exequente (o que aciona a justiça) exatamente aquilo que o ordenamento
assegura para ele. A execução deve alcançar aquilo (pagamento, fazer,
omissão, entrega de coisa) não outra coisa. Esse princípio claramente questiona
o Art. 1142 do Code Civil. Se tenho direito de uma coisa, por esse princípio, devo
receber essa coisa e não o equivalente em dinheiro. Portanto, se eu tenho direito
de exigir o dinheiro preciso ter um código de processo civil que tenha regras
específicas que propiciem o pagamento em dinheiro. Esse princípio é bem
retratado no Art. 499:

 “se o autor requerer” – autonomia e liberdade do sujeito. Ele pode não


querer e entrega do bem e aceitar uma indenização em dinheiro.
 “impossibilidade”

Só nessas duas hipóteses pode-se mudar o que o autor quer. Um sistema


que me obrigasse a me contentar com dinheiro quando eu quero o bem como o
código napoleônico, seria um sistema injusto.

5. Princípio da economia ou menor sacrifício para o executado


Dentre todos os meios disponíveis para promover a execução, deve
utilizar o menos oneroso para o executado. Mas isto está submetido ao princípio
do resultado. Só se pode apelar para o princípio da menor onerosidade se houver
mais de um meio disponível e todos eles trouxerem o mesmo resultado, aí sim
se deve escolher o que menos sacrifica. Primeiro se deve avaliar o resultado,
para depois pensar na menor onerosidade. Só se escolhe o meio menos
onerosos se também for igualmente efetivo para o exequente. Art. 805, e
também 847 (substituição da penhora).

6. Princípio da disponibilidade
Sendo titular/dono da prestação, ele dispõe da jurisdição estatal para a
execução. O exequente determina se e quando vai executar, bem como a
extensão do quanto vai exigir. Significa também que o exequente pode desistir
de toda a execução. Art. 775, direito de desistir da execução ou apenas de
alguma medida executiva, mas dependendo do momento da execução pode ser
preciso alguma manifestação do executado, conforme disposto no parágrafo
único; se extingue tudo sem precisar de manifestação nos casos em que só há
discussão processual; quando se estiver em discussão alguma questão de
mérito, se precisa da concordância do executado.

AULA DO DIA 04.04 – GUSTAVO.

7. Tranparência patrimonial
Princípio novo, a princípio parece não estar funcionando ainda na prática.
O executado tem o dever de revelar ao juiz quais são seus bens penhoráveis,
seus valores e onde se encontram. Art. 772, III estabelece quem tem o dever de
colaborar com o juiz a respeito dos bens que podem ser sujeitados à execução.
Art. 774, V diz que comete ato atentatório contra a justiça aquele executado que
intimado não prestar as devidas informações sobre seu patrimônio; o parágrafo
único estabelece multa para o não cumprimento. Relaciona-se com o princípio
da colaboração (do executado para com a justiça).

8. Tipicidade dos meios executórios – hoje relativizado pelo Art. 139, IV.

Estudado por Michele Tarufo, são as técnicas destinadas a perseguir a


execução. O juiz pode escolher a técnica que quiser ou existe uma lista a ser
respeitada? Nos países da civil law, tradicionalmente, se respeita o princípio da
tipicidade, que para cada tipo de prestação há um meio típico para se executar;
por exemplo, nas obrigações de pagar se utiliza técnicas sub rogatórias, como a
penhora. Dessa maneira, temos um sistema de execução engessado. Já no
direito anglo-americano, vigora outra lógica, a da atipicidade dos meios
executórios; o juiz determinará a técnica mais adequada para cada caso
concreto. O instituto do Contempt of Court versa sobre a possibilidade de o juiz
sancionar de diversas maneiras comportamentos de desacato à autoridade do
tribunal. Este instituto influenciou de alguma maneira o direito brasileiro também,
na possibilidade de fixação de multas diárias. Até 94, pelo menos, nossa tradição
foi totalmente da tipicidade dos meios executórios. Hoje há uma grande
discussão sobre isso, se ainda seguimos a tipicidade. O problema está no art.
139, IV, que determina medidas coercitivas indiretas, mesmo nas obrigações de
pagar; qual é a extensão deste artigo? Importante a leitura de Marinoni, em seu
curso, que entende que hoje vigora no Brasil a atipicidade para os títulos judiciais
e a tipicidade para os extrajudiciais. Para o gosto do professor, porém, é mais
adequada a visão de Didier, que detalhou melhor o assunto (texto no moodle),
onde se estabelece vários critérios para a aplicação do art. 139; diz o autor que
ainda vigora, via de regra, o princípio da tipicidade, porém há uma abertura em
nosso sistema para os meios atípicos, especialmente quando o cumprimento da
obrigação de pagar envolve também deveres acessórios de fazer ou não fazer,
como por exemplo a necessidade de o executado fornecer informações sobre
seus bens.

 PRINCÍPIOS GERAIS

Não são específicos da execução, mas que importam para ela também.

1. Princípio do Contraditório

Discutia-se se havia ou não o direito ao contraditório na execução. Hoje não


há dúvidas de que aplica-se o art. 5, LV da CRF também na seara executiva,
independentemente se na fase de cumprimento, onde a defesa se exerce
tipicamente pela impugnação, ou se no processo autônomo de execução de
título extrajudicial, onde a doutrina e a jurisprudência definiram meios atípicos
para se exercer a defesa, para além da propositura de nova ação de embargos
da execução, principalmente a exceção de pré-executividade, onde o executado
pode indicar ao juiz questões que deveriam ter sido analisadas de ofício. Em
geral não se usa a exceção de pré-executividade junto da ação de embargos. A
exceção é meio atípico e informal, não havendo prazo para sua proposição, mas
também não havendo efeito suspensivo automático. Obs: essa exceção pode
ser alegada na fase de cumprimento de sentença também. Hoje se entende o
contraditório como o direito de influenciar o convencimento do juiz e alterar os
rumos do processo, que se desdobra em três momento: ciência
(conhecimento/intimação acerca do andamento do processo), manifestação
(como a exceção de pré-executividade) e consideração (momento mais
importante, onde o juiz deve de fato analisar, ponderar acerca das alegações
das partes, conforme art. 489, §1º - acho).

2. Princípio da Colaboração

Art. 6; dever de o juiz prevenir a extinção do processo por questões


formais; dever de o juiz pedir esclarecimentos caso algo não esteja claro;
dever de o juiz sempre dialogar com as partes antes de decidir; e também o
dever de auxiliar, talvez o mais importante, de o juiz auxiliar o exequente no
sentido de remover obstáculos, e não ajudar propriamente. Colaboração com
o juiz/Estado, e não entre as partes necessariamente.
3. Princípio da Boa-Fé, Proporcionalidade, Adequação.

Temos também o princípio da boa-fé (objetiva, do art. 5 do CPC - não


contradição, venire, supressio), da adequação (sobretudo a judicial, de o juiz
conformar, adaptar as regras gerais para o caso concreto - relaciona-se também
com o art. 190, dos negócios jurídicos processuais) e também da
proporcionalidade (a aplicação do art. 139, por exemplo, deve se dar dentro de
parâmetros proporcionais).

AULA DO DIA 11.04

4. TÍTULO EXECUTIVO

 4.1. Noção de título executivo (Arts. 515 e 784, CPC)

a) Carnelutti: tem-se um debate na doutrina que se inicia com Carnelutti, por


volta dos anos 30. Esse autor foi criticado por Michelle Taruffo por sustentar que
o processo seria uma forma de se chegar à verdade. Carnelutti diz que titulo
executivo é e atua essencialmente como uma prova. É uma prova da existência
do crédito; prova da obrigação. E ele destaca que é uma prova legal, ou seja,
uma prova tarifada, de modo que a lei já estabelece um valor para essa prova.
Um valor que mostra de maneira abstrata a existência do direito de crédito.
Carnelutti, então, enxergou, por volta dos anos 30, no título executivo, uma
prova, com eficácia legal. Título executivo, nessa ótica, seria um mero
documento.

b) Liebman: esse jovem professor, ainda na Itália, estabelece polêmica com


Carnelutti, colocando a ideia de que titulo executivo não é prova, mas um ato
jurídico. Ato muito específico: que estabelece a sanção jurídica que vai ser
efetivada no processo de execução. Então, a reflexão do Liebman é muito mais
de teoria geral do direito. Ele pensa muito mais no conceito de execução como
atividade estatal de realização prática da sanção, da coação prevista na norma
jurídica. Para ele, executar é realizar a sanção, coação, força estabelecida
abstratamente na norma jurídica. Em outros palavras, exemplificadamente: na
lei de locações tem-se uma norma de que se for locatário tem-se que pagar o
aluguel. É o que está abstratamente estabelecido na norma. No caso concreto,
no prédio x, no apartamento y, o locatário não pagou o aluguel. Portanto, a norma
jurídica acarreta ao credor o poder de cobrar forçadamente o pagamento daquele
aluguel. Então, o que o juiz fará no processo de execução é realizar na prática
do caso concreto, aquela promessa violenta e coativa prevista abstratamente no
texto normativo. Mas para que isso aconteça preciso de um ato jurídico que
permita ao juiz exercer essa força jurídica. E esse ato jurídico é justamente o
título jurídico. Título executivo, nessa ótica, não é demonstrar fatos ou ser uma
prova, mas concretizar uma sanção, retratar uma violência, uma promessa
realizada abst5ratamente pelo legislador.

c) Didier Jr.: No Brasil, Miguel Reale diz que temos a tendência de sintetizar as
ideias. Então, Didier cria, aqui, uma espécie de “teoria eclética” sintetizando as
duas visões, de Carnelutti e Liebman, que é, no fim das contas, a mais recorrente
na doutrina (prova e ato). Trata-se de um ato documentado. É ato
consubstanciado em um documento. Título executivo, nessa ótica, teria dois
aspectos: o documental e o de ato jurídico (resultado de um comportamento
humano que pega um aspecto geral e torna em uma sanção específica). Pode-
se dizer que o aspecto do ato jurídico é mais visível no título executivo judicial
(Art. 515); ali vê-se um ato do Estado, essencialmente, seja de um juiz, seja de
um árbitro. Já no título executivo extrajudicial (Art. 784) fica mais ressaltado o
aspecto documental. Ali tem-se por exemplo contratos assinados por
particulares, cheque, nota promissória, títulos de crédito em geral, etc...

- Observa-se que Carnelutti se preocupou mais com o aspecto probatória, e


documental e Liebman se preocupou mais com o aspecto do ato jurídico. Aqui,
no Brasil, entende-se que as duas teorias estão corretas. Trata-se de um ato que
concretiza a sanção prevista na norma e normalmente esse ato vem encarnado
(não solto no espaço) em um documento (que não precisa ser em papel, pode
ser eletrônico, também).

 4.2. Posição Sistemática e Função

- Qual a posição e a função do título executivo na teoria do processo. Aqui,


também, tem-se duas visões.
a) Documento indispensável à propositura da ação – Art. 320 (Fredie Didier Jr.)

- Dizer que o título se enquadra como documento indispensável à propositura da


ação significa dizer que enxerga-se o título como um pressuposto processual,
portanto. Constituição para o desenvolvimento válido e regular do processo
(especialmente o processo de execução). Art. 320 diz que qualquer petição
inicial deve ser instruída com os documentos indispensáveis à propositura da
ação. Ora, o título executivo é o grande documento essencial para que se possa
desencadear a tutela jurisdicional executiva. Por exemplo, na ação de divórcio
seria essencial a certidão de casamento; em uma ação de reivindicação, é
essencial cópia da matrícula de imóvel.

- Então, para Freddie Didier título executivo não é condição da ação, até porque
o Código novo não menciona a expressão condição da ação. Se o código não
faz menção, significa que abandonou. Professor é mais adepto desta teoria
justamente por isso: porque não haveria de se falar em condições da ação, uma
vez que o CPC novo teria abandonado esta categoria.

b) Condição da ação (Dinamarco e Escola de São Paulo em geral)

- Título executivo atuaria, em uma segunda possibilidade, como condição da


ação. Um dos três elementos da ação seria o interesse processual (o que justifica
o uso do processo executivo). Eu só justificaria isso se eu apresentasse o título
executivo. Para os autores da Escola de SP em geral titulo executivo seria
condição da ação e mais especificamente interesse processual.

- Lembre-se que eram três condições da ação: possibilidade jurídica do pedido


(que o código nem fala mais), a legitimidade do pedido e o interesse processual.
Ora o título executivo estaria ligado ao interesse processual. É no título executivo
que eu justifico o interesse no processo de execução.

 4.3. Abstração

- Trata-se de uma das características mais essenciais do título executivo, ligado


à origem da ideia do direito europeu do processo autônomo de execução,
realizada em França e depois espalhada para Itália, Alemanha e depois América
Latina – processos de execução não tem conhecimento, serve para executar o
crédito e se eu quiser discutir alguma coisa tem de ser em uma ação separada,
que ficou conhecida, aqui no Brasil, como ação de embargos.

a) Execução independe da existência efetiva do direito

b) Juiz não investiga, a princípio, a existência do direito

- Dizer que abstração é uma das principais características do título executivo


significa dizer, em primeiro lugar, que a execução não depende da existência
efetiva do crédito. O juiz, quando está prestando a tutela executiva, seja no
processo autônomo seja na fase de cumprimento de sentença do procedimento
comum, não vai mais investigar a existência efetiva do direito. No caso do
cumprimento de sentença isso é muito claro: a investigação já foi feita na fase
de conhecimento; não vou ressuscitar a questão que já está coberta de coisa
julgada material. No caso do título extrajudicial (que se utiliza do processo
executivo autônomo) a lei não exige que haja essa investigação da existência do
direito; se o réu quiser provocar essa discussão, essa análise terá de ser
suscitada por ele, em um processo em separado, que se chama embargos da
execução.

- Quando se fala que o juiz não investiga a existência do direito não significa que
ele não possa fazê-lo, mas que terá de ser provocado pelo executado. No
processo autônomo o meio de provocação normal é chamado de embargos à
execução.

c) Cognição rarefeita (Kazuo Watanabe) – limitada + superficial

- A cognição é, portanto, rarefeita; ou seja, a cognição é limitada; juiz não analisa


todo o conflito, só alguns aspectos. Imagine-se que o juiz recebe a petição inicial
do processo de execução para julgar ou ele recebeu o requerimento de
cumprimento de sentença para despachar. Neste momento, a sua cognição é
extremamente limitada. O que ele vai fazer basicamente é se existe título ou não,
se ele é competente para processar a execução, se as partes são legítimas.
Cheque é título? Eu sou competente? Nome do autor e do executado está no
título? Foi afirmado o inadimplemento? Vou citar o executado no processo
autônomo ou intimar na fase de cumprimento de sentença. Então, é rarefeito
proque de um lado é extremamente limitada a alguns elementos somente, no
plano horizontal (não analiso a presença da obrigação) e também poderia dizer
que essa cognição é superficial/sumária, no plano vertical. Ela é limitada porque
o juiz não analisa tudo e é superficial porque tudo que o juiz tem são os
documentos carreados com a inicial ou com o requerimento do cumprimento de
sentença.

- Em resumo, o título executivo é dotado de abstração porque ele dispensa, ao


menos em um primeiro momento, qualquer exame a respeito do direito
mencionado ou corporificado no título.

 4.4. Eficácia

- Qual a eficácia do título executivo no procedimento civil?

a) Autorizar atos de execução


b) “Bilhete de Ingresso”

- Trata-se, aqui, do documento que autoriza a prática dos atos de execução.


Título Executivo, nesse sentido, é comparável a um bilhete de ingresso. Essa
analogia é muito boa: se entra na arena em que se vai travar a batalha pelo título.
Título executivo seria a pilha necessária que traz dentro de si a energia
necessária para ligar a execução.

c) Condição necessária e suficiente

- a doutrina em geral concebe o título executivo como condição para realização


da execução. Essa condição possui dois atributos: 1) trata-se de condição
necessária. Necessária, aqui, é no sentido de que se eu tirar o título executivo a
prática da execução não é mais autorizada. Necessária porque sem ela não se
justifica a prática da tutela jurisdicional executória. 2) trata-se de condição
suficiente. No sentido de que só ela basta; não preciso de outros requisitos, de
outros elementos para poder praticar efetivamente os atos executórios.

- Art. 798, Inc. I, alínea C e D parece se chocar com essa ideia. Ao ler-se estas
alíneas parece que se exige algo a mais do que o título executivo. O que os
autores nos explicam? José Garcia Medina fala que formalmente é um
documento separado, mas materialmente entende-se que essas provas
mencionadas nas letras c e d são, na verdade, parte do título; se integram a ele.
Ou seja, a prova que fala nessas letras são provas pré-constituídas que compõe
o título. Se preciso fazer perícia, convocar testemunha, de qualquer outro meio
de prova que não possa ser trazido para a petição inicial, não se pode executar
a obrigação; ela não é exigível.

d) Título e obrigação nele contida

- Esse item é muito importante. O CPC antigo misturava as coisas e impende a


nós separá-las: 1) de um lado, tem-se a identificação do título executivo (tenho
que investigar se o sujeito me apresentou um documento que esteja na lista do
Art. 515 ou 784); ou seja, trata-se da verificação se esse título preenche os
requisitos legais para ser título executivo. Este é um problema de subsunção
(encaixar o fato na norma). 2) outra coisa completamente diferente são os
requisitos da obrigação contida no título. E ver-se-á que a obrigação contida nele
precisa ser revestida de três características. O Código velho dava a entender
que essas três características eram do título, o que é errado; elas se referem à
obrigação. E quais são elas?

I) Certeza

II) Liquidez

III) Exigibilidade

- Não é o título que é certo, líquido e exigível; é a obrigação. Felizmente o CPC


de 2015 já corrigiu este equívoco. Isto está no Art. 783, que elenca três requisitos
da obrigação de prestar.

 4.5. Taxatividade e Tipicidade

- Tem-se que diferenciar os dois princípios.

a) Taxatividade: só o que está na lei


- De um lado títulos executivos são taxativos. Isso significa que só lei federal
pode criar título. Título executivo é só o que está constante em lei, portanto. Há
de se verificar o Art. 22, Inc. I da CF:

Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre:

I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo,


aeronáutico, espacial e do trabalho;

- CPC é lei federal, mas tem-se uma serie de outras leis federais, fora do CPC
que também estabelece outros títulos executórios. Então, esta matéria é meio
complicada porque não é só o CPC que traz elenco de títulos executórios.
Encontro em leis extravagantes outros exemplos de títulos executivos. Por
exemplo, Lei. 8.906 (Estatuto da OAB), no Art. 23 diz que o contrato escrito de
honorários constitui título extrajudicial. E assim acontece em várias leis
extravagantes.

- Então, não é uma matéria que se pode aumentar de acordo com a vontade e
arbitrariamente, porque execução é matéria, essencialmente, de violência, força
e os ordenamentos jurídicos europeus limitam o uso da força. É uma ideia
bastante liberal, aliás.

b) Tipicidade: enquadramento no tipo legal

- Aqui, ajuda muito o olhar para o processo penal; é a ideia do tipo penal. Preciso
conseguir realizar perfeito encaixe entre o fato concreto e o tipo penal definido
abstratamente pelo legislador. O mesmo ocorre com os títulos executivos: o
legislador estabeleceu uma “forma” para eles e eu preciso conseguir fazer o
perfeito encaixe. Perfeito encaixe, portanto, entre o documento que eu disponho
e a lista do Art. 515 ou 784. Princípio do título professor sugere lincar com o
princípio da legalidade, do direito penal. Parece surgir da mesma necessidade
liberal de conter a força do Estado.

c) E o Art. 190 do CPC?

- Há um Artigo que simplesmente questiona toda lógica que se aprende na


faculdade, que é o Art. 190. Se não houvesse este artigo, seria plenamente
possível afirmar que ninguém pode criar título executivo, porque eles são
taxativamente previstos na lei com a característica da tipicidade. Manuais se
restringem a dizer que ninguém pode criar títulos com base na autonomia da
vontade. Só que se tem esse artigo, que questiona essa ideia e que traz a noção
de negócio jurídico processual, que, dentro de alguns limites que não são
autoexplicativos (código não traz esses limites), tenho a possibilidade de mudar
o desenho do procedimento. Professor comenta que durante toda vida dele,
estudou-se que processo civil era temática de direito público e este se
caracteriza pela impossibilidade de ser modificado pela convenção das partes.

- Com base nesse artigo (que é uma cláusula geral de negociação processual)
Freddie fala em um novo princípio processual: o do autorregramento da vontade.
Chega a dizer que não se pode pensar em processo justo se não houver essa
margem de liberdade conferida às partes; tratar-se-ia de um processo arbitrário.

- Professor gosta desse artigo porque parece sintomático do processo histórico


que temos vivido. Mas a grande pergunta (para a qual não há resposta)
permanece: novos títulos executivos não previstos em lei podem ser criados?
Em geral, não se encontra essa discussão. Ideia do Freddie é de que, sim, pode-
se, devendo-se rever a ideia do princípio da taxatividade. Mas não é a visão
dominante. Jurisprudência e doutrina entendem que não posso criar títulos
executivos. Para o professor isso não parece razoável. Parece que cria uma
sensação de desconfiança social.

 4.6. Títulos Executivos Judiciais (Art. 515)

- Títulos provenientes do judiciário ou equiparados.

Inc. I – as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a


exigibilidade de obrigação de prestar (que são três: pagar quantia, fazer/não
fazer ou entregar coisa).

Por que a palavra exigibilidade está grifada? O CPC anterior, pós reforma
de 2005, trazia a expressão existência da obrigação de prestar. Então surgiu
uma discussão acerca da exequibilidade da decisão declaratória (texto no
moodle). Justamente porque o CPC anterior usava a palavra existência. Se criou,
então, a partir disso, por Teori Zavaski uma corrente na doutrina dizendo que
bastaria a sentença reconhecer a existência da relação para que essa sentença
fosse exequível. Ora, a sentença declaratória se limita a reconhecer a existência
de um direito.

Carlos Alberto Alvario de Oliveira tinha um artigo em que ele questiona


isso (execução de sentença declaratória?). Questionava isso, dizendo que a
verdadeira sentença declaratória reconhece a existência do direito e não o
inadimplemento, não o descumprimento do direito. Ora, discutir no processo de
execução acerca do descumprimento ou não do direito seria inviável. CAAO diz
que quando o Zavaski sustentava que haveria a possibilidade de executar a
sentença declaratória ele estaria tratando, em realidade, da sentença em que o
juiz chama de declaratória, mas que não é verdadeiramente uma sentença
declaratória pura, porque reconhece tanto a existência quanto o descumprimento
de direito. Essa discussão permanece até hoje.

Professor tem a impressão de que o legislador mudou o termo para


justamente deixar claro que o mero reconhecimento da existência da obrigação
não basta. Tenho que reconhecer também a exigibilidade do débito. E para tanto
tenho que afirmar o inadimplemento. Sendo assim, só seria exequível a sentença
que além de reconhecer a obrigação, também reconhece que ela é exigível,
passível de cobrança e que, portanto, a pessoa descumpriu a obrigação.

Em conclusão, esse inciso não quer dizer que se autoriza a execução da


sentença meramente declaratória e sim da sentença condenatória, executiva latu
sensu e da sentença mandamental (essa é a corrente majoritária: de que
somente as heterossatisfativas são exigíveis – o que se discute, ainda hoje, é se
as sentenças declaratórias e as constitutivas podem ser também executadas.
Posição do STJ tem entendido que sim, em alguns casos). O legislador colocou
a palavra exigibilidade, aqui, para justificar aqueles casos em que o juiz por falta
de técnica, por empregar uma expressão errada, chamou isso de meramente
declaratória. Tem que ter atestado na sua sentença o descumprimento daquela
obrigação.
Observação: A sentença mandamental e latu sensu foram instituídas por
Pontes de Miranda. Escola de São Paulo que é a outra corrente na doutrina não
é adepta dessa classificação quinaria das sentenças.

Outra discussão recorrente é sobre decisão liminar (a que concede tutela


provisória). Veja-se que o CPC fala genericamente em decisão. A discussão,
portanto, cinge-se a verificar se a decisão liminar era ou não título executivo e
se estaria diante de uma exceção ao princípio do título. Lembre-se que há duas
visões: ou eu vejo como exceção ao princípio do título ou vejo como uma espécie
de título executivo (é a visão admitida pela maioria dos autores). Decisões
liminares que geralmente são interlocutórias e não sentenças finais encaixam-
se perfeitamente nesse artigo (o que no ultimo código não era possível porque
utilizava-se da palavra sentença ao invés de decisão).

Outra observação relevante é a possibilidade de execução da decisão


parcial de mérito (Art. 356), quando juiz resolve uma parte da lide. § 2º deixa
claríssimo que esta decisão que não é sentença, mas sim uma decisão
interlocutória parcial de mérito, porque não encerra a fase, continuando para a
parte que não está madura.

Em resumo, este Inc. I contempla duas coisas que o Código anterior não
contemplava: 1) decisão liminar 2) decisão interlocutória parcial de mérito.

Inc. II – a decisão homologatória de autocomposição judicial.


Autocomposição aqui refere-se a mediação e conciliação. Essas negociações
ocorrem mediante estímulo do mediador e conciliador, terceiros que são
imparciais. Art. 165 explica a aplicabilidade da mediação (aproxima as partes) e
conciliação (apresenta propostas de resolução do conflito). Art. 487, inc. III, por
sua vez, elenca três resultados possíveis: 1) transação, em que cada um
sacrifica uma parte do seu interesse; envolve concessões mútuas. 2) renúncia
que envolve abrir mão do seu direito subjetivo. Apenas o autor se sacrifica
abrindo mao do seu direito. C) reconhecimento jurídico do pedido, em que o réu
se submete ao que o autor pediu.

- Chama-se de autocomposição porque são as partes que resolvem o


conflito. O juiz, ao encerrar o processo, não profere sentença de mérito, mas
homologar a resolução da lide que já foi alcançada pelos litigantes. Trata-se de
uma sentença homologatória. Pontes chamava essa sentença de sentença
transparente. Ela garante selo oficial a um ato celebrado entre as partes. Então,
essa autocomposição é chamada de judicial não porque o juiz resolve o conflito,
mas só homologa um acordo que foi feito entre as partes. Essa homologação
consiste em verificar se os requisitos de existência e validade estaõ presentes
(direito era disponível, as partes eram capazes, os advogados que assinaram
tinham poderes para transigir?)

Inc. III – decisão homologatória de autocomposição extrajudicial e


qualquer natureza. Eu compus o conflito fora do poder judiciário. Não havia nem
processo. Resolveu-se o conflito em uma mesa de bar. Novo CPC deu
ferramentas para que a autocomposição realizada em uma mesa de bar, em um
tribunal de mediação empresarial, ... seja transformada em título executivo de
natureza judicial. A princípio não tenho nada ali, nem um título executório, mas
posso transformar. Então o que acontece aqui? Vou realizar um procedimento
de jurisdição voluntária destinado a homologar o acordo extrajudicial. No STJ,
antigamente, isso não era possível; essas ações eram extinguidas porque não
havia previsão legal. Mas o novo CPC, nesse inciso, permite que as pessoas
promovam procedimento não litigioso, sem lide, sem conflito, cujo único objetivo
é conseguir que o juiz homologue aquele acordo realizado fora do poder
judiciário. O juiz mandará citar a parte contrária, que já aceitara (mediante uma
gravação feita no bar, por ex) e ao final desse procedimento de jurisdição
voluntária, surge a sentença judicial que homologa o acordo (nos mesmos
moldes do dito no inciso acima) e transforma esse acordo que não era nada em
título executivo judicial.

- o que acontecerá na fase de cumprimento de sentença? Se eu fizer esse


procedimento de jurisdição voluntária, as defesas do executado ficarão restritas
ao elenco do Art. 525, §1º. Não poderei discutir a capacidade das partes,
prescrição, se o direito era passível de autocomposição ou qualquer outra
matéria que ficaram para trás após a sentença homologatória. Então, se me servi
deste procedimento, a defesa do executado se chama de impugnação e segue
um rol restrito. Então, se em uma mesa de bar o sujeito me prometer que pagaria
o dinheiro que lhe devia, assinando em uma folha de papel, eu posso levar a
juízo e tentar conseguir uma sentença homologatória mediante procedimento de
jurisdição voluntária. Se eu conseguir, o guardanapo vira título executivo judicial
e vai ser realizado na fase de cumprimento de sentença, em que o devedor pode
alegar somente meia dúzia de hipóteses.

Observa-se que esse rol restrito é no que refere à fase executiva. Durante
o processo de conhecimento do procedimento de jurisdição voluntária, pode-se
alegar o que quiser. Até a sentença que homologa, pode-se alegar o que quiser.
Depois disso, no procedimento executório, é que restringe-se o rol de alegações,
porque precluiu o direito de alegar outras matérias que não aquelas.

Mas tem-se outro caminho para a autocomposição extrajudicial, que é o


que aparece no Art. 784, inc. IV.

Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais:

IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério


Público, pela Defensoria Pública, pela Advocacia Pública, pelos
advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado
por tribunal;

Trata-se de algum documento que tenha sido referendado (ou seja, não é
o guardanapo que assinei no bar) por alguma autoridade, como MP ou DPE. Por
exemplo, fui até o MP ou dentro do MP mesmo acontece alguma investigação e
foi lavrado o termo de transação. Se o meu acordo for referendado esse
referendo cumpre o mesmo papel da homologação judicial. Se eu levar o acordo
para ser referendado por essas entidades, o instrumento passa a ser título
executivo extrajudicial.

Em resumo: eu tenho o meu acordo extrajudicial (fora de processo – via


e-mail, guardanapo no bar, etc..). Esse acordo extrajudicial por si só não é título
executivo porque existem requisitos legais para tanto. A princípio ele é mera
prova da existência da dívida que eu juntaria no caso de um processo de
conhecimento. Eu tenho como transformar esse acordo em título executivo? Sim.
Há dois caminhos para tanto. 1) Posso transformar em título executivo
extrajudicial. O que tenho que fazer para tanto? tenho que leva-lo para ser
referendado (trata-se da mesma verificação que um juiz faria na homologação;
mas não se chama de homologação porque não é o juiz que faz o referendo)
pelas entidades do Art. 784, inc. IV. Executa-se mediante processo autônomo de
execução. Então, tem-se a petição inicial instruída com o acordo referendado, o
devedor é citado em 3 dias e se defende por meio de embargos à execução. O
que é importante ressaltar, aqui, é que a defesa se dá em processo incidental.
Nesses embargos à execução, o executado pode alegar qualquer matéria que
lhe seria licito arguir no processo de conhecimento (Art. 917, inc. VI). Abre-se
uma quota gigantesca que, em tese, faz com que o credor se prejudique, porque
vai se estar liberando o executado para trazer qualquer alegação na sua defesa.
Transforma-se a execução em, na realidade, um procedimento de anulação da
execução.

2) Mas há uma segunda possibilidade. Posso transformar esse acordo em


título executivo judicial. Ele será revestido da autoridade estatal. Nesse caso, se
eu levar ele até o juiz e ele homologá-lo (trata-se de um exame feito não por
promotor, defensor, advogado, conciliador, etc... mas por um juiz efetivamente)
mediante procedimento de jurisdição voluntária (é um procedimento especial da
fase de conhecimento), a consequência prática é que isso será executado na
forma de fase de cumprimento de sentença e não em processo autônomo
(porque o processo autônomo para títulos judiciais cinge-se às hipóteses dos
incisos de VI a IX, o que não é o caso), e considerando que trata-se de título
judicial, aplica-se o Art. 525, §1º, e as impugnações ao cumprimento de sentença
em que o executado, na sua defesa, fica restrito às matérias do Art. 525, § 1º.
Isso é melhor para o credor.

Ou seja, a escolha de qual título se vai fazer influi nas escolhas da defesa.

Inc. IV – isso aqui é direito das sucessões. Tenho título executivo próprio
do direito das sucessões chamado de certidão de partilha. Aparece Art. 665 do
CPC.

Ideia é que para eu, herdeiro, sucessor a título universal, para poder
receber minha porcentagem da herança (legatário recebe não uma
percentagem, mas um bem específico; inventariante é o que vai juntar os bens
do falecido e administrá-los até concluir o processo). Esse conjunto de
documentos é que se chama de formal de partilha. É um título com base no qual
o inventariante e os sucessores somente eles poderão reclamar a sua parcela.
Quem não é herdeiro, legatário; – sucessor em geral – quem for credor, por
exemplo) vou precisar de uma sentença formulada no processo civil.

Inc. V – aqui pode ser oficial de justiça, escrivão, conciliador ou mediador


judiciais, etc... Pode-se discutir se esse inciso é realmente necessário, porque,
havendo decisão judicial, pode estar englobado no Inc. I. O maior exemplo aqui
são os honorários do perito homologados pelo juiz. Como funciona? Juiz defere
a produção da prova pericial e indica o perito. Partes são intimidadas e elas tem
um prazo para impugnar o perito e apresentar quesitos. Perito então é intimado
para apresentar sua pretensão de honorários (ou seja, quanto ele quer receber
pelo seu trabalho) partes soa intimadas de novo para se pronunciar sobre isso,
havendo decisão do juiz sobre fixação da remuneração do perito.

Ideia é que em o perito não sendo pago, ele pega essa sentença que
aprovou seu valor de verba honorária e vai executar isso dentro do processo civil
porque essa decisão homologatória tem característica de título executivo.

Inc. VI – a partir daqui tem-se sentenças oriundas de uma justiça não


estatal ou fora do juízo civil. Sentença penal condenatória transitada em julgado
torna possível a cobrança da indenização civil. Se o valor não for liquido na
sentença penal condenatória em si, eu terei de mover um processo civil,
chamado de processo de liquidação por arbitramento. Tenho que saber qual o
valor do celular roubado por exemplo e o auto de avaliação indireta, muitas,
vezes é insuficiente.

Ponto importante aqui é que somente constitui título executivo no


processo civil (só posso penhorar o patrimônio do sujeito) se a sentença penal
tiver transitada em julgado. Este é um problema jurídico. O ordenamento tem
duas regras diferentes: para o civil (para a questão patrimonial) só posso
executar essa sentença penal transitou em julgado. Com a decisão do STF,
contudo, recentemente sobre a execução antecipada da pena, tem-se uma regra
diferente para a execução penal que já pode ser executada provisoriamente.
Percebe-se aqui que a regra com relação ao patrimônio é mais rigorosa do que
a regra sobre liberdade.
Inv. VII – tema muito interessante que não está claro no código é a
presença da autocomposição dentro da execução. Quem diz que o juiz não pode
designar audiência do Art. 334 no processo de execução? Lembre-se que o
árbitro para o CPC exerce jurisdição, de acordo com o Art. 3º, § 1º do CPC.
Justiça então é algo amplo que não se restringe à autoridade estatal; fala-se em
justiça multiportas.

Pode-se dizer que árbitro profere sentença e essa sentença compõe o


conflito, realizando o assentamento e dizendo quem tem razão (não se fala mais
em laudo arbitral). Mas o árbitro não tem o poder de executar a sentença,
exercendo a força porque não é um órgão estatal, devendo ser pedida ao Poder
Judiciário.

O procedimento continua sendo cunhado de cumprimento de sentença,


mas vai ter-se que fazer uma petição inicial; não é cumprimento de sentença
tradicional, porque agora ter-se-á que o processo mover no judiciário. E o réu
terá de ser citado exatamente porque é um novo processo; não é mais o
processo arbitral; é processo civil. É uma estrutura diferente do cumprimento de
sentenças de honorários que o professor faz. Ter-se-á que ter um processo novo
e uma citação porque o processo arbitral já acabou, o processo penal já acabou.
Estes teriam constituído o processo de conhecimento.

Mesmo raciocínio se aplica à sentença penal condenatória, porque ter-se-


á que aplicar a sentença em outro juízo que não é o penal; é um juízo civil; é um
novo processo, com nova petição inicial e nova citação.

Então as execuções do inc. VI ao IX são execuções diferentes; continuam


sendo execuções de título judicial, mas exigem formalmente uma petição inicial
e não um mero requerimento porque o processo não vai continuar para
execução. Além disso, exigem uma citação, porque o sujeito foi citado no crime,
na arbitragem, etc...

Pergunta da colega – nessas hipóteses, o executado vai se defender, na


execução, via impugnação com a limitação do Art. 525, § 1. Mas na arbitragem,
diferentemente, o Art. 32 e 33 da Lei da Arbitragem permitem, na impugnação,
levantar validade da sentença arbitral. Então, tendo a sentença arbitral, eu movo
uma ação de execução, que é autônoma, e o executado, quando se defender,
via impugnação, poderá discutir a validade da sentença ou do processo arbitral,
na forma do Art. 32. Portanto, inc. VI tem essa particularidade.

Sentença arbitral que constitui por si só título executivo é a sentença


arbitral nacional, doméstica, resultado da arbitragem doméstica. Ou seja,
sentença que foi proferida no território nacional. Mas tem-se a arbitragem
internacional, quando a sentença arbitral é produzida fora do país. Suponha-se
que um empresa brasileira e outra chinesa façam contrato de compra e venda e
adote nesse contrato uma clausula compromissória de que a arbitragem
resolução do conflito seja feita pela câmara internacional de comércio de Paris.
Então, tenho uma sentença proferida, em Paris, condenando a Petrobrás a
indenizar algum prejuízo a empresa chinesa. Mas aí tenho uma sentença arbitral
estrangeira. A ideia é que precisarei previamente homologar essa sentença
estrangeira (Art. 35 da Lei de Arbitragem).

Inc. VIII – a sentença estrangeira que trata esse inciso também inclui a
arbitral, não somente a judicial. A sentença neste inciso não é por si só título
executivo. Terei de testá-la para ver se não viola a ordem pública brasileira, se
não atenta aos direitos fundamentais brasileiros.

Com relação à sentença arbitral há uma discussão quanto a isso.


Convenção de Nova York diz que não posso submeter a sentença arbitral
estrangeira a requisitos mais onerosos que a sentença arbitral doméstica.
Portanto, há discussão sobre se essa exigência de homologação prévia é ou não
correta.

Competência para homologar sentenças estrangeiras, incluindo arbitral,


mudou na reforma do judiciário de 2005 alterou do STF para STJ, por meio da
emenda 45, na ideia de retirar o trabalho do STF. Isso está no Art. 105, Inc. I,
alínea i, CF.

Como funciona a execução depois da homologação pelo STJ? Eu vou


executar a decisão homologatória do STJ perante o juiz federal de primeiro grau.
Art. 109 da CF que trata da competência do juiz federal.
Inc. IX – Exequátur significa “cumpra-se”. É outro exame que o STJ tem
de fazer para ver se aquela decisão interlocutória solicitada pelo juízo estrangeiro
é compatível com nossa ordem pública. O mesmo teste de compatibilidade
preciso fazer, aqui, em relação à decisão interlocutória. Essa decisão será
sobrestada por meio de cartas rogatórias passivas. Então, o juiz estrangeiro
precisa de uma providência a ser tomada pelo juiz brasileiro, como citação,
prova, medida liminar a ser cumprida. Então, o STJ também terá de fazer essa
análise.

Inc. X – há alguns artigos do CPC que foram vetados e não estão em


vigor. Estranhamente, a ex presidente Dilma resolveu vetar alguns artigos que
tratavam de direito marítimo. Havia toda uma estruturação do direito marítimo.
Havia inclusive um tribunal marítimo, vinculado à marinha, e, portanto, ao poder
executivo. O novo CPC estava tratando a decisão do tribunal marítimo como
título executivo judicial. Existe uma lei que regulamenta o tribunal marítimo e o
que o CPC queria fazer era mudar a natureza da decisão do tribunal marítimo,
deixando de assumi-lo como meramente técnico para passar a ser tratado como
verdadeiro título executivo.

AULA DO DIA 18.04

 4.7. Títulos Executivos Extrajudiciais (Art. 784)

Inc. I – letra de câmbio e nota promissória Lei Uniforme de Genebra, tratado


internacional que disciplina esses títulos de crédito.

São títulos tipicamente cambiais, abstratos, se desgarrando do negócio


jurídico que lhes deu causa. Os dois primeiros circulam por meio daquela
assinatura que tem atrás do título chamada de endosso. E aí acontece algo
fundamental, o titulo circulando se desgruda do negócio que lhe deu causo e isso
significa que o devedor não poderá opor ao portador do título, ao endossatário,
as defesas que ele teria contra o credor originário.
Duplicata é um título de crédito tipicamente brasileiro. Ela é regida pela Lei
das Duplicatas e ela é um título causal, se justificando somente se existir um
negócio subjacente. Ela tem a ver com negócios mercantis. Duplicata surge de
uma compra e venda mercantil ou de uma prestação de serviços entre empresas.
Sobre duplicata tem-se que saber que [e um título sujeito a um aceite por parte
do devedor, devendo este reconhecer a obrigação materializada na duplicata,
que conforme dito é originado de negócio subjacente (compra e venda mercantil
ou de uma prestação de serviços entre empresas). Jurisprudência do STJ diz
que a duplicata sem aceite só poderá ser executada se estiverem presentes 2
requisitos básicos: 1) protesto. Este vai suprir a falta da concordância que não
foi dado pelo devedor. Se eu não precisasse do aceite poderia eu inventar uma
duplicata falsa (“eu te forneci 2000 litros de coca-cola e agora estou cobrando de
ti”). 2) é necessário que eu junte aos autos o comprovante de entrega e
recebimento, essencialmente, da mercadoria ou de prestação de serviço
realizado. E o comprovante nada mais é do que um mero pedaço de papel
pequeno. Isso é necessário para caracterizar o negócio jurídico subjacente que
é causa da criação. (REsp 844.191).

Inc. II - Novo CPC tentou organizar melhor a lista inserindo o inc. II. Escritura
publica é um documento lavrado pelo tabelião dotado de fé pública. Qualquer
obrigação de prestar lavrado pelo tabelião poderá ser executado, na noção de
que a palavra do tabelião tem garantia de legitimidade. Documento público. É
qualquer documento lavrado por autoridade pública. O que é autoridade pública?
Prefeito, câmara de vereadores, etc... No caso de documento público é
necessária assinatura pelo devedor. É preciso dar este reconhecimento à
existência do débito. Por exemplo, autorização de despesas firmada pelo
presidente da câmara de vereadores. Outro exemplo é o contrato administrativo,
firmado entre particular e público para fornecimento de mercadorias ou
prestação de serviços.

Inc. III – é o mais comum e é uma espécie de fonte de títulos executivos


extrajudiciais. Aqui, tem-se uma fonte imensa de títulos executivos. Comparando
com outros países, essa abertura deste inciso não tem em outros países.
Documento particular é um documento redigido por qualquer um; então, os
contratantes podem criar títulos executivos desde que sigam algumas cautelas
básicas. Primeira cautela é o documento ser assinado pelo devedor. Além disso,
deve ser assinado por duas testemunhas, chamadas de instrumentais. Elas
servem para corroborar e atestar a regularidade daquele documento, conferindo
legitimidade para a obrigação. Essa questão das testemunhas é realmente
levada a serio? O STJ de certa forma tem flexibilizado o requisito da assinatura
de duas testemunhas. Ele tem dito, em primeiro lugar, que essa assinatura das
duas testemunhas não precisa ser contemporânea à assinatura do documento,
pode ser depois. Isso parece esvaziar a ideia de que é necessária a presença
de duas testemunhas a atestar a regularidade do documento. Poderia se dizer
que induz à fraude, mas o STJ resolveu não engessar essa questão (REsp
541.267). Em segundo lugar, o STJ decidiu que a qualificação da testemunha
não é essencial.

Observação importante (possível prova): existe o chamado contrato de


confissão de dívidas, em que o devedor confessa o débito e repactua condições
para o pagamento que deve. Então, o STJ editou uma súmula número 300 e
entendeu que sim o contrato de confissão de dívidas constitui titulo executivo e
se encaixa no Inc. III. Já que confissão é titulo posso suprir eventual ausência de
título obtendo esta confissão do devedor.

Outra observação: existe contrato de abertura de crédito em conta corrente,


também conhecido como cheque especial. Aqui firma-se um contrato e
disponibiliza-se uma linha de crédito, mediante juros remuneratórios, mais taxa
de abertura de crédito, IOF, etc.... Grande pergunta do STJ foi: esse contrato é
ou não um título executivo? Posso pegar esse contrato e executar? STJ
entendeu que não se trata de título. Falta para este documento o elemento da
liquidez. Obviamente, não vai constar no contrato o quanto usou e efetivamente
se gastou. Tem-se um cheque em branco, um documento que não menciona o
valor que a pessoa gastou. Súmula 233 fala que não constitui título. Súmula 247
STJ entende que esse contrato é passível de cobrança via ação monitória, cobrar
dividas constante em documentos escritos que não tem eficácia de título
executivo. Ação monitória é uma ação de conhecimento abreviada, em que o
acusado se não se defender não haverá sentença.
Inc. IV – instrumento de transação referendado (assinado e chancelado)
pelo MP ou pela Defensoria Pública, Advocacia Pública (AGU, Procuradoria da
Fazenda Nacional, PGE, PGM), pelos advogados dos transatores ou por
conciliador ou mediador credenciado por tribunal. O CPC desconfia da mediação
e conciliação, exigindo o credenciamento. Se eu não levar a homologação mas
conseguir o referendo de quaisquer dessas partes, terei um título executivo,
depois o devedor se defende via embargos.

Inc. V – enquanto o Inc. III refere-se a qualquer contrato, percebe-se a


partir daqui a menção a contratos específicos. São contratos que serão títulos
executivos independentemente da assinatura das duas testemunhas. Este inciso
considera título executivo o contrato garantido que contém, portanto, uma
garantia real. Ou seja, uma garantia representada por uma coisa. Neste inciso,
há menção a hipoteca, primeiramente. Penhor incide sobre bens móveis e eis a
diferença com relação à hipoteca, que é uma garantia real imobiliária (portanto,
atinente a bens imóveis). Observe-se que não é penhora; é penhor, do verbo
empenhar, não penhorar. É o que a gente faz na Caixa Federal, quando levamos
as jóias da vó. Há outra garantia real bastante recorrente atualmente que é a
alienação fiduciária em garantia. Caução ___.

Benefício de Ordem: CC estabelece um direito para o fiador. Qual é esse


direito? Pleitear que primeiro sejam executados os bens do devedor principal. O
fiador é um obrigado subsidiário. Esse direito é disponível e o fiador pode abrir
mão do benefício de ordem. Nesse caso, o fiador passa a ser devedor solidário
junto com o afiançado.

Observe-se que fiança é diferente de aval. Este é uma garantia cambiária,


mercantil. Aval é uma garantia prestada para um título de credito. Em resumo,
fiança é uma garantia civil e aval é garantia mercantil, que só terá lugar em título
de crédito.

Qualquer contrato com garantia real ou pessoal pode-se transformar em


título executivo independentemente de assinatura de testemunha. Mera garantia
já fornece força executiva para o documento.
Inc. VI – só tem um contrato de seguro que é titulo executivo em
automático. O de vida, que resulta em morte. Ou seja quem vai executar o
contrato? Evidentemente não é o segurado. O beneficiário; as pessoas que
deveriam receber o seguro de vida em caso de falecimento. Mas se o segurado
teve lesões corporais, ou ficou inválido; ele não poderá executar o contrato com
base neste inciso.

Inc. VII – trata de um direito real chamado de enfiteuse. Ela existe no


direito privado e era regulada no CC de 1916 mas não existe mais no novo CPC;
ele não permite novas enfiteuses, mas as que existem permanecem até se
extinguirem. Basicamente trata-se da ideia de que o sujeito é proprietário de
direito e o outro é proprietário de fato. Terras de marinha (na beira da praia) é
um exemplo enfiteuse que temos atualmente: Estado é proprietário mas quem
faz uso somos nós, com nsosas casas. Este inciso trata de duas situações
relacionadas à enfiteuse. Foro é uma prestação periódica, anual, certa e
invariável. Valor que quem está explorando a enfiteuse paga para o dono. Há
outra prestação chamado laudêmio; pagamento devido ao bem alienado em
enfiteuse.

Inc. VIII – contrato de locação constituirá titulo executivo relativamente a


cobrança do aluguel. Só se for em contrato escrito o contrato de locação,
contudo. Outra coisa é que só aluguel de imóvel. Aluguel de carro, nesse sentido,
com fundamento nesse inciso não será possível.

Inc. IX – CDA é um documento lavrado pelo Estado, sendo fruto de um


procedimento administrativo chamado de lançamento tributário. Por meio desse
procedimento administrativo ele verifica a existência do crédito tributário. Lei 683
(Lei de Execuções Art. 2º, § 2º ao 6º). Aqui, está-se falando em execução fiscal,
que é a ação movida pelo Estado contra o indivíduo. Há possibilidade de
execução do indivíduo pelo Estado, que é a execução contra a fazenda pública,
mas não é o que se trata aqui.

Inc. XII nos dá a informação de que esse rol do Art. 784 não é taxativo.
TAC é uma transação celebrada com o MP em relação a quem está infringindo
normas ambientais. Art. 5º, § 6º atribui força executiva. Outro exemplo é o
contrato escrito de honorário advocatícios, presente na Lei 8906 (Estatuo da
ordem) no Art. 24. Não é necessário que ele esteja assinado por testemunha.
Ultimo exemplo é condenação do tribunal de contas.

 4.8. Casos Especiais

a) Cópia do título executivo – documentos em geral x título de crédito

Posso executar cópia do título executivo? Jurisprudência faz distinção que


documentos em geral, que não circulam, podem ser executados em cópia; e
títulos de crédito, que temos a circulação desse título (ele pode ser repassado
mediante endosso) e ele poderia ser executado varias vezes se eu pudesse
executar cópia do título.

b) Documento eletrônico – duplicata virtual

Exequibilidade de documento eletrônico: há um documento especifico que


é a duplicata virtual. As vezes ela não existe como documento escrito, é um
arquivo em cd e isso também habilita a realização da execução.

c) Título extrajudicial estrangeiro (Art. 784, §§ 1º e 2º)


d) Mas: Contrato de abertura de crédito em conta corrente (STJ Súmula
233) x Confissão de dívida oriunda de contrato de abertura de crédito
em conta corrente (STJ, Súmula 300)

Contrato de abertura de crédito em conta corrente a rigor não é titulo


executivo, mas se eu conseguir que o devedor assine um termo admitindo um
débito passa a valer um título executivo.

 4.9. Relação entre execução e processo de conhecimento

a) Propositura de ação para discutir a obrigação exposta no título não inibe


sua execução (Art. 784, § 1º)

O fato de eu ter uma ação de conhecimento em curso me inibe de pleitear a


execução? Se tenho um título executivo na mão, mas tenho ação de
conhecimento sobre ele fico como? Art. 784, § 1º. Ação revisional de contrato
em curso e esse contrato se encaixa em um dos incisos do Art. 784; o fato de
estar na pendencia de ação revisional não impede de executar. A lei não quis
abalar a força do título executivo. O que acontece é que eu posso conseguir
dentro da ação revisional a tutela provisória; ou seja, uma liminar para proibir a
execução do título.

Esta situação da letra A configura uma hipótese de conexão. A ação de


conhecimento e a de execução eventualmente ajuizada são conexas, devendo
ser julgada pelo juízo prevento. É o que diz o Art. 55, § 2º, inc. I do CPC.
Independentemente ou não de ter efeito suspensivo, as ações serão conexas.

Exemplo prático: Ação Rescisória – o mero ajuizamento da ação rescisória


não impede o sujeito de iniciar a execução.

b) Quem está munido de título executivo pode propor ação de conhecimento


para obter título judicial (Art. 785)

A letra b é o contrário: tem título executivo, mas ele poderia ao invés de propor
uma execução, propor uma ação de conhecimento e usar como prova pedindo
a condenação? CPC diz que sim, o mero fato de ter um título executivo não
impede ele de cobrá-lo por meio de ação de conhecimento. Parece um tanto
abestado fazer isso, porque ele poderia entrar diretamente com a execução e
naõ ter que passar por todo um processo demorado de conhecimento. Isso tem
a ver com as defesas do executado. Na fase de conhecimento ele pode alegar
qualquer defesa, mas quando tem nas mãos título de judicial está-se limitado às
defesas do Art. 525, § 1º.

5. REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA REALIZAR A EXECUÇÃO

- Se aplica tanto a execução de título judicial quanto de título extrajudicial.

 5.1. TÍTULO EXECUTIVO (Art. 783)

 5.2. CERTEZA, LIQUIDEZ, EXIGIBILIDADE da obrigação retratada no


título (Art. 783 e 786)
São requisitos da obrigação colocada no título, mas não se trata de
requisitos do título, em si.

a) Certeza – no título

Certeza significa uma obrigação inquestionável? Não significa uqe a


obrigação não possa ser controvertida, discutida e examinada. Significa a
presença de uma obrigação de prestar. Devo poder depreender uma obrigação
de prestar, mas se ela é verdadeira mesmo é outro problema. Resumindo
certeza não é indiscutibilidade.

b) Liquidez – Art. 786, § único

Liquidez significa possibilidade de se deduzir o objeto da obrigação – no caso


a obrigação de pagar, é o estabelecimento do valor. Não precisa ele trazer o
valor final; ele deve trazer os elementos necessários que me façam chegar no
cálculo final; no caso da obrigação de fazer é identificar aquilo que deve ser feito
ou omitido; no caso da obrigação de entregar é identificar a coisa a ser entrega.
(Art. 786, § único).

c) Exigibilidade

Exigibilidade significa a obrigação que pode ser imposta imediatamente.


Tem-se duas questões que se põe aqui: 2.1) contratos bilaterais. Exemplo:
contrato de sgeuro. STJ tem vasta jurisprudência sobre pagamento do prêmio
em contratos de seguro. 2.2) termo ou condição.

d) Sob pena de nulidade da execução (Art. 803, Inc. I)

 5.3. INADIMPLEMENTO

6. COMPETÊNCIA

 6.1. Competência para execução de títulos judiciais (Art. 516)


Este artigo estabelece vários foros concorrentes e abre margem para
diferentes estratégias, visando uma execução mais rápida. Inc. I trata da
competência originária do tribunal (exemplo é ação rescisória ___). Ter-se-á a
execução coletiva por um órgão colegiado. Outros exemplos são mandados de
segurança. O normal é a hipótese do Inc. II, em que a execução se dá no juízo
de primeiro grau. Inc. III – “juízo competente”, ou seja, o inciso não fala a qual o
juiz competente. Como descubro isso? Aqui, vou aplicar regras de competência
da parte geral. Normal aqui seria distribuir para o juízo civil do foro do devedor.

Não posso vetar texto integral de um inciso ou parágrafo. Então, a palavra


tribunal marítimo está ali mas sem nenhuma aplicabilidade

§ único - ___

 6.1. Competência para execução de títulos extrajudiciais (Art. 781 e 782)

Inc. II, III e IV são irrelevantes.

Inc. V – eventualmente posso ajuizar a demanda em uma comarca em que


foi assinado o contrato.

Art. 782, caput – trata-se da execução brasileira realizada pelo Estado.

Prova:

- sentenças e classificação – STJ tem entendido que sim pode-se executar


sentenças declaratórias e constitutivas desde que se tenha os requisitos de
liquidez, ...

- tem-se a sentença executiva latu sensu, que coloca na esfera do autor algo que
deveria estar lá dentro mas não está. cRetira um valor que está na esfera do réu
e coloca na esfera do autor. O problema é que há dois tipos de sentença
executiva. Tem-se a sentença executiva que é autossatisfativa. Quando ela é
autossatifativa? Quando nós temos obrigação de prestar a declaração de
vontade. Só que é uma sentença que não precisa ser executada porque CPC diz
que com o transito em julgado se produzirão todos os efeitos da declaração de
vontade.

- mais comum contudo é a sentença executiva heterossatisfativa. Nesse caso, a


fasse de execução é imperativa.

- conceito de execução.

- dois tipos de execução. Surgimento em 2005 reforma à execução.

AULA DO DIA 25.04

7. PARTES NA EXECUÇÃO

 7.1. NOMENCLATURA

Autor: exequente

Réu: executado

Não são a mesma coisa que credor e devedor.

Legitimação significa autorização dada pelo ordenamento para que a pessoa


configure como parte no processo. Portanto, quando penso em legitimação penso na
parte correta e não apenas no fato de a pessoa ser parte. Penso na correção; o que
precisa para a pessoa ser a parte correta, seja como autor/exequente (legitimação ativa)
seja como réu/executado (legitimação passiva).

Se não houver legitimidade, há extinção sem resolução de mérito por falta de


pressuposto processual (ou condição da ação se pensar-se do ponto de vista que o
CPC atual ainda acolhe isso).

 7.2. LEGITIMIDADE ATIVA

Aqui, o que deve-se lembrar é a distinção entre legitimação ordinária e


extraordinária.

7.2.1. ORDINÁRIA (Exequente = Credor)

Quando falo em legitimação ordinária existe uma coincidência entre a posição


de autor (neste caso, exequente) e a posição de credor. Ou seja, o exequente é o próprio
titular do direito de crédito. Artigo 18 diz do CPC diz exatamente que ninguém pode
pleitear em nome próprio direito alheio, a não ser que seja autorizado pelo ordenamento
jurídico. Trata-se, portanto, da regra geral. Aqui, a pessoa vem em nome próprio, ou na
petição inicial ou no requerimento para cumprimento de sentença, pleitear a tutela do
seu próprio direito de crédito. Posição material e processual coincidem.

Artigo 778 é o que trata da legitimação ativa ordinária.


Mas deve-se diferenciar a legitimação ativa ordinária primária da secundária.

7.2.1.1. PRIMÁRIA (Direta) - 778, caput.

É primária a legitimação quando o credor originalmente conste do título


executivo. Então, se eu abrir um título executivo, seja ele judicial ou extrajudicial, vai
aparecer o nome de alguém e esse sujeito será o legitimado ativo ordinário primário.

Então, o caput vai me falar que pode promover a execução forçada o credor a
quem a lei confere título executivo. Mas pode-se destrinchar isso em 3 situações
diferentes:

a. Credor do Título

Em primeiro lugar estou falando do credor mencionado no título, seja judicial ou


extrajudicial. É a pessoa que consta do cheque, apólice de seguro, letra de câmbio,
contrato assinado por devedor e duas testemunhas, etc...

Perito se encaixa aqui, porque ele é credor de título judicial, constante no inciso
V do Artigo 515 - “O crédito de auxiliar de justiça, quando as custas, emolumentos ou
honorários tiverem sido aprovados por decisão judicial”.

Outrossim, quando tem-se uma sentença trabalhista que habilita o crédito


trabalhista, este se atravessará na frente dos demais créditos na execução da empresa
em falência, encaixando-se neste item, aqui.

b. Advogado

Mas deve-se pensar também na figura do advogado. Normalmente, o nome dele


não consta do título executivo. Nominalmente/textualmente, a sentença ou o título
extrajudicial não menciona o nome do advogado. Mas deve-se lembrar que o Estatuto
da OAB (Lei nº 8.906) estabelece que os honorários de sucumbência pertencem ao
advogado. Isso está dito no Art. 23:

Art. 23. Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou


sucumbência, pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo
para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o
precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor.

Então, esse artigo confere ao advogado a posição de credor e deu a


possibilidade de ele incoar e iniciar a execução no capítulo relativo aos seus honorários.
Como funciona isso? Eu como advogado do vencedor posso requerer o cumprimento
de sentença, mediante petição, em meu próprio nome. Então, o exequente em relação
aos seus honorários é o próprio advogado. No RS tem uma lei estadual que concedeu
isenção de custas ao advogado quando se trata de execução de honorários. Significa
que não vou precisar pagar as custas relativas ao cumprimento de sentença.

Observe-se que poderia ter dois cumrpimentos de sentença: o da parte em


relação ao valor por exemplo de um dano moral colocado na sentença em favor dela e
um em separado em favor do advogado. Mas, apesar de a lei falar em direito autônomo,
a jurisprudência entende que advogado pode escolher; ele pode preferir que os
honorários sejam executados juntamente com o valor da parte..

O normal é fazer um cumprimento de sentença só e colocar-se o valor do cliente


e o advogado. Mas pode ser que o cliente tenha revogado meus poderes e eu não
advogo mais para ele. Nesse caso, entra o artigo da OAB, que delimita que eu,
advogada, posso fazer a execução autonomamente no meu nome, porque lá atrás
advoguei para ela.

c. Vítimas (ofendido) do crime

Crime é um ilícito penal que também pode repercutir na esfera civil. Vítimas são
aqueles que sofreram lesões na esfera penal, mas cujos efeitos repercutem em todo
ordenamento jurídico, incluindo a esfera cível. Então, essa vítima é o próprio credor,
sujeito e titular do direito subjetivo material. Aqui, o que tem-se é a execução de
sentença penal, via cumprimento de sentença, por novo processo, promovido pelo
autêntico credor, que é a vítima do crime.

7.2.1.2. SECUNDÁRIA (Derivada) - 778, § 1º

Aqui, a pessoa não é originalmente credora; não é o nome da pessoa que


está no título executivo. A pessoa adquiriu posteriormente a qualidade de credor; não
tem essa posição normal. Exequente não é, portanto, o credor originário. É pelo fato de
ter se tornado posteriormente credor que pode promover a execução. Se não fosse isso,
se não tivesse adquirido esse direito a posteriori, ter-se-ia que extinguir a execução,
porque não é o nome .

O artigo faz menção a poder promover a execução ou “nela prosseguir” –


significa que essa aquisição da qualidade de credor pode se dar no meio do processo.
Tem fatos que vão acontecer no meio da execução que farão com que se tenha que
trocar o exequente.

Esse parágrafo, também, fala em “sucessão”; trata-se de uma situação em que


o sujeito sucedeu o credor originário. Isso acontece em casos muito óbvios e em outros
nem tanto assim.

a. Sucessor “Mortis Causa” (Inc. II)

As situações narradas neste inciso trata da sucessão mortis causa. Sucessão


por causa da morte. Se é herdeiro do falecido credor. Observe-se que, se a execução
já começou também assumo a posição do credor no polo ativo. Nesse caso,
provavelmente haverá um incidente para incluir esse novo exequente, tirando-se o
exequente original.

Nestes casos deste inciso, tanto o herdeiro, como o espólio como os sucessores
podem promover a execução, se ela ainda não foi feita, e podem, também, prosseguir
nela, se já iniciada. Observe-se que o caso mais importante é o caso do herdeiro.

Espólio não tem personalidade jurídica, mas sim processual, podendo ser autor
ou réu, assim como condomínio e massa falida.

b. Sucessor “Inter Vivos” (Inc. III)

Aqui, fala-se do cessionário; do sujeito que adquiriu o crédito (adquirente). Se dá


por meio de um contrato, normalmente, em que o sujeito compra um crédito. Figura da
cessão de crédito e da cessão da posição contratual.

Tanto inciso I quanto II falam das hipóteses em que se adquire crédito, seja vivo,
seja morto.

c. Sub-rogado (Inc. IV):


Sub-rogado é o substituto. Aqui, tem-se situações em que uma pessoa por haver
substituído o credor originário assumiu a condição que a ele pertencia, de exequente.
Aqui, deve-se atentar para a figura do pagamento por sub-rogação (regulado nos arts.
346 e 347), em que aquele que paga dívida alheia se sub-roga nos direitos do credor.
Substituo o credor originário e vou cobrar do devedor. Há três situações aqui.

i.Chamamento ao Processo (132)

É uma modalidade de intervenção de terceiros. É utilizado nos casos de devedor


solidário, em que o réu chama um terceiro para que responda juntamente com ele. Art.
132 estabelece uma prerrogativa para o terceiro, para o chamado.

Art. 132. A sentença de procedência valerá como título executivo em favor do


réu que satisfizer a dívida, a fim de que possa exigi-la, por inteiro, do devedor
principal, ou, de cada um dos codevedores, a sua quota, na proporção que lhes
tocar.

Ou seja, se for o chamado a satisfazer a dívida, pode ele utilizar-se da sentença


de procedência para reembolsar a dívida inteira ou a sua parte/quota junto ao chamante.
Então, essa pessoa não era credora e satisfez a dívida do credor original. Como ela fez
isso, ela se sub-roga nos direitos dele e poderá promover a execução contra os demais
coobrigados.

Observa-se que este terceiro é chamado enquanto executado; se ele paga a


dívida, ele passa a configurar como exequente. Suponha-se que tem-se um processo
em fase de execução em que A, B e C são devedores, tendo que pagar a D uma
determinada quantia. B decide, então, que vai pagar tudo e, no mesmo processo, B que
era originalmente executado, passa a ser exequente, com direito de executar os demais,
incluindo o autor principal, D, que era originalmente o autor. Portanto, o autor principal,
D, cai fora, e B assume o lugar.

ii. Fiador (794, § 2º)

A mesma situação acontece com o fiador. Fiador é em princípio um obrigado


subsidiário, que deve garantir o pagamento do débito caso o devedor original não o faça.
Se ele arcar com o débito, ele poderá prosseguir na execução contra o devedor principal
(afiançado) para ser reembolsado com relação aquilo que pagou, na mesma lógica do
exemplo A, B, C e D exposto acima.

iii. Sócio (795, § 3º)

O sócio que pagar a dívida em favor da sociedade pode executar a sociedade


nos autos do mesmo processos para ser reembolsado. Aqui, o sócio promove a
execução contra a sociedade. Aqui, também é hipótese de sub-rogação.

Observação: todas essas hipóteses acima narradas são hipóteses de


legitimação ordinária porque a característica de exequente coincide com a do credor,
seja porque ele originalmente era o credor ou porque ele adquiriu esse direito
posteriormente, por sucessão ou sub-rogação.

7.2.2. EXTRAORDINÁRIA (Exequente ≠ Credor)

Aqui, o exequente não é credor. Aqui, há desconexão entre a relação


material e a processual. Mas isso acontece com autorização do ordenamento do
ordenamento jurídico. Tem alguma fonte do direito que permite que haja essa
desconexão, visto que não trata-se da regra geral. Trata-se da situação do Art. 18 do
CPC, na parte final “salvo quando houver autorização do ordenamento”. O exequente
está promovendo a execução em seu próprio nome, o que significa que é o nome dele
que consta na petição inicial ou no requerimento de cumprimento de sentença. Constará
“o MP vem perante vossa excelência requerer o cumprimento de sentença etc etc”. Mas
acontece que o MP não é o titular do crédito; ele tem autorização para tanto. É chamada
de hipóteses de substituição processual.

a. MP em Ação Civil Pública

MP poderá promover Ação Civil Pública em determinados casos (que não ver-
se-á agora). Tem-se que o direito objeto da ação não é do MP, mas um direito difuso
(pertencente a toda sociedade), um direito coletivo (pertencente a uma categoria ou uma
classe) ou é interesse individual-homogêneo (por exemplo, o de um grupo específico de
consumidores). Em ganhando o direito, apesar de não ser dele ele terá a legitimidade
de requerer o cumprimento de sentença. Observa-se que o MP não será advogado, ele
estará tendo autorização do ordenamento para pleitear, em nome próprio, direitos
sociais e individuais indisponíveis.

Quando professor falar da liquidação da sentença, ele vai explicar melhor como
funciona a liquidação e execução da sentença em processo coletivo).

Nos casos em que o MP é chamado ao processo por obrigatoriedade, como por


exemplo nos casos de incapaz, aí o MP não é parte; é interveniente chamado pelo
Código de Fiscal da Ordem Jurídica. Ele não vai, de regra, promover a execução (olhar
tópico sobre MP).

b. MP no CPP, artigo 68.

MP possui uma prerrogativa esdrúxula, dentro do desenho dado pela CF. Na CF,
o MP só podem postular a tutela de direitos que tenham interesse social ou que sejam
individuais e indisponíveis. MP não tem na CF a tarefa de tutelar direitos individuais
disponíveis. Isso é tarefa da advocacia. MP não tem essa tarefa; só com relação aos
direitos individuais indisponíveis (direito à saúde, moradia, ...). Então, MP pode ajuizar
uma ação individual em favor de uma dada pessoa para um medicamento, porque
trata-se de direito à saúde. Mas não pode pleitear o direito de indenização em face de
dano moral.

Então, aqui, tem-se um problema de inconstitucionalidade, no CPP. Esse artigo


68 foi feito em uma época em que não havia Defensoria Pública. Fazia sentido, na
época, atribuir essa tarefa ao MP. STF, hoje em dia, diz que é uma norma ainda
constitucional em trânsito para inconstitucionalidade. Ou seja, o Supremo salvou esse
artigo durante dado período: esse artigo só pode ser utilizado nos locais onde não haja
Defensoria Pública. Entende-se que é um artigo com uma função social muito
importante, mas nos locais em que a tutela de direitos individuais disponíveis é
efetuada pelo Defensoria Pública, não há a aplicação deste artigo. Quando às
Defensorias Públicas estiverem devidamente organizadas em todos os municípios,
não haverá necessidade de o MP cumrpir esse papel e a norma será taxada
inconstitucional. Nos casos em que não há a Defensoria, o MP, em seu próprio nome,
será o exequente e promoverá a execução na pessoa do credor, que é a vítima do
delito.

Todo o supramencionado diz respeito a situações de substituição processual,


em que o sujeito tem autorização do ordenamento para pleitear em seu próprio nome
direito que não é titular. Isso acontece em ações civis públicas (nas ações coletivas de
um modo geral), bem como nessa figura do Art. 68 do CPP (execução da indenização
civil quando a vítima for pobre).

 7.3. LEGITIMAÇÃO PASSIVA

Autorização do ordenamento jurídico para que a pessoa seja executada e figurar


em um cumprimento de sentença ou em processo autônomo na condição de executado.
Rigorosamente, colocam-se os mesmos problemas: tem-se uma legitimação passiva
primária e secundária.

7.3.1. PRIMÁRIA (Direta) - 779, I

Neste caso, estar-se-á diante do devedor que consta no título. Ou seja, o


executado é originalmente o devedor. Por exemplo, fui condenado por uma sentença a
pagar a indenização por danos morais. aparece o meu nome na sentença. Sou
legitimado passivo primário.

7.3.2. SECUNDÁRIA (Derivada)

Novamente, aqui, tenho pessoas que assumiram posteriormente a condição de


devedores. Quando fala-se em legitimação secundária, seja a ativa ou a passiva,
estamos falando em um erro de percurso; algo aconteceu e mudou-se as pessoas que
figuravam em um dos polos.

a. Sucessor “Mortis Causa” - Inc. II

Aqui, novamente surge a figura do herdeiro. Se é herdeiro para o bem (herda-se


um crédito), mas também se é para o mal (herda-se dívidas). Poderei, portanto, ser
executado em virtude de uma dívida deixado pelo morto. Observa-se que o morto
perdeu, uma vez morto, capacidade de ser parte, devendo colocar-se alguém no lugar
dele. contudo, deve-se ter em mente que isso só acontece no limite das forças da
herança, ou seja o herdeiro nunca responde pelo seu patrimônio pessoal, nunca os bens
dele, que já possuía antes da herança.

b. Sucessor “Inter Vivos” - Inc. III

Aqui, trata-se do cessionário, agora do débito. Pode parecer uma loucura – quem
seria doido de assumir o crédito de outra pessoa. É só pensar no direito empresarial em
que se tem fusões e aquisições de empresas. Uma sociedade que compra outra carrega
as dívidas da sociedade originária, que foi comprada. Tam e Gol se digladiando pelo
espólio da Avianca.

c. Fiador - Inc. IV

d. Titular do bem dado com garantia real - Inc. V

Aqui, tem-se a garantia do pagamento de algum débito. Por exemplo, um


contrato de franquia, em que o franqueado deve pagar ao franqueador royalties,
consistentes em uma taxa pela utilização da marca, knowhow e por tudo que o
franqueado recebeu. Normalmente, no contrato de franquia não se confia no franqueado
e para garantir o pagamento dos royalties por ele, pedimos uma garantia real a ele, que
vai assegurar mais segurança à negociação. Essas garantias são geralmente
representadas pela hipoteca, ou pela alienação fiduciária de um imóvel. Nesses casos,
a garantia do pagamento do débito é um bem imóvel. Ou seja, o imóvel foi hipotecado
ou foi objeto de alienação fiduciária em favor do credor/franqueador. O que acontece
aqui? O proprietário do bem dado em garantia (que pode ser franqueado, pode ser
parente dele, amigo, …) possui legitimidade passiva para figurar na execução. A lógica
é fácil: execução via recair sobre o patrimônio dele então é natural que possa exercer o
direito ao contraditório. Como vou danar alguém sem ouvi-lo?

Penhor e anticrese entram aqui neste rol, mas são com relação a bens móveis.

e. Responsável Tributário - Inc. VI - CTN, 128-135

Há situações em que a pessoa mesmo não sendo devedora do tributo,


responderá e será sujeito passivo na execução. Esses artigos tratam da execução fiscal:
da Fazenda contra o cidadão, que não é devedor, mas tem uma posição chamada de
responsável tributário.

f. Denunciação da lide - Artigo 128, § único

Trata-se de uma espécie de intervenção de terceiros. Aqui, o novo CPC resolve


um problema que existia antes. O que acontece hoje em dia? Eu sou autora em um
processo de acidente de trânsito contra outro motorista. Eu como autora, sabendo que
este motorista, tem seguro, posso denunciar a lide à seguradora. O que ocorria antes?
A vítima (no caso, eu, enquanto autora) tinha que primeiro executar o causador do
acidente e só depois executar a seguradora. Jurisprudência entendia que como não
havia relação direta entre a vítima/autora e a seguradora, não havia porque unir as
execuções. Novo CPC, em um caráter pragmático, conferiu ao autor/vítima/exequente
a possibilidade de executar diretamente contra a seguradora do motorista.

g. Avalista - Súmula 26, STJ.

Figura do aval deve ser distinguida da fiança. De fato, a lógica é a mesma do


fiador: avalista poderá executar o devedor principal, da mesma forma que o fiador.
Avalista que pagar a dívida poderá executar do devedor principal, com uma diferença
essencial que é não ter o benefício de ordem (sem poder pedir que primeiro sejam
executados os bens do avaliador). Avalista não é obrigado subsidiário; avalista é
obrigado principal junto com o devedor principal. Aval é uma garantia cambiária, na
verdade; um título de crédito e fiança é uma garantia civil/contratual. Súmula 26 do STJ
trata dessa questão.

Garantia de que se pagará por aquele título de crédito

AULA DO DIA 02.05

Uma coisa é o tema da legitimidade das partes na execução; saber quem


é o exequente e executado corretos. Fala-se em legitimidade ativa e legitimidade
passiva. Outro assunto diz respeito à responsabilidade patrimonial. Relevante aqui é
entender que existem pessoas que nada devem, e não são partes na relação material,
cujo patrimônio estará sujeito ao tema da execução.

8. RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL

8.1. CONCEITO

Parte dos autores faz referência a doutrina pandectista alemã. Brinz


trabalhou uma distinção bastante famosa no processo civil que ajuda a entender esse
esquema de responsabilidade patrimonial. É a distinção da figura do débito e de
responsabilidade. É mais uma distinção de direito material do que processual. A primeira
figura é a do débito. Aqui pensa-se em uma relação jurídica material; débito como o
dever de prestar. Exemplo: há o contrato de franquia empresarial. Eu adquiri o direito
de usar uma marca; estou me servindo do know how daquela empresa, sendo eu o
franqueado. Existe, portanto, o franqueador que é proprietário da marca, e fornece o
conhecimento empresarial específico que permitiu-me vencer no mercado; e há o
franqueado que vai firmar o contrato no sentido de explorar o ramo do fast food. Essa
pessoa jurídica do franqueado tem uma série de deveres, débitos, prestações periódicas
a pagar ao franqueador, como por exemplo royalties. Posso dizer aqui que o débito
confere ao franqueado.

Há outra figura chamada de responsabilidade. Aqui, não fala-se em


aspecto de direito material, mas sim do direito processual. Trata-se da sujeição a
execução forçada. Uma coisa é minha posição enquanto devedor; outra é a submissão
aos atos de execução forçada. Qual patrimônio efetivamente se sujeita à penhora e
outras formas de execução? Isso nos remete para responsabilidade. Aqui, estamos
falando de qual patrimônio vai responder pela execução; estou pensando na titularidade
dos bens e não quem é titular do débito. Fiador por exemplo não é devedor; não é um
dos polos de relação material; aqui há um contrato de garantia. Ao assumir a posição
de garantidor, o fiador que pode ser o próprio franqueado ele vai expor o seu patrimônio,
apresentando bens à execução. Fiador portanto não tem débito, porque não participa
da relação jurídica material; mas ainda assim, mesmo sem ter a obrigação de prestar,
ele acaba expondo não diretamentamente o seu patrimônio a atos de execução.

Uma coisa é saber quem é o executado e outra coisa é saber de quem é


o patrimônio que ficará sujeito à execução. Normalmente quando o patrimônio da
pessoa for responder e ela não for a executada, por uma ideia de que não posso ser
privado dos meus bens ou da minha liberdade sem processo justo, essa pessoa será
chamada para configurar no processo, seja como parte, seja como intervenção de
terceiros. Não é correto utilizar-se do patrimônio do sujeito sme garantir um processo
justo a ele.

8.2. RESPONSABILIDADE PRIMÁRIA

Quem deve, também responde. É a noção mais comum. Há coincidência


da figura do débito, como posição dentro da relação material com a responsabilidade
patrimonial; com a exposição aos atos da execução forçada que designamos como
responsabilidade.

Art. 789 - restrições são as impenhorabilidades. Então tirando essas


situações, a pessoa responderá e responderá com tudo que ela tem. Aqui o código não
deixa bem claro o que é a expressão "bens presentes"; entende-se como os bens que
eu tinha à época da constituição da obrigação. Mas posso entender como presentes
todos os bens que eu detinha quando do momento do início da execução. Importante
também saber que respondo com meus bens futuros; responsabilidade patrimonial não
é estática; está sujeito a se transformar. Lembrando que a responsabilidade de regra
recai sobre o patrimônio.

A propriedade não se confunde com a posse. O direito subjetivo de


propriedade não se confunde com o poder físico e fático a respeito do bem. Por exemplo,
imóvel alugado tem-se o locador, que é o proprietário do imóvel, que está no registro de
imóveis, mas por força do contrato de locação, o poder fático está com o locatário. O
CC define a posse como o exercício de fato de um dos poderes inerentes ao direito de
propriedade. Então, talvez os bens da pessoa que responde não estão com a pessoa
no momento; estão com terceiros. Só que isso não significa que os seus bens não
poderão ser executados. Há outra figura no direito das coisas, além da posse, que é a
detenção. Detentor é o motorista do ônibus; é o caseiro; é o zelador do imóvel; ele serve
a posse de outrem. Sou a empresa de ônibus, eu alugo o ônibus, mas não é o dono da
empresa que vai dirigir, e sim um motorista, empregado da empresa. Por meio da
detenção pode ser que o bem propriedade da pessoa que responde esteja no poder de
outrem. Terei que penhorar a empresa, mas ele está sendo conduzido pelo motorista.

8.3. RESPONSABILIDADE SECUNDÁRIA

Aqui tem-se a situação em que responderá o patrimônio da pessoa que


não deve. Existe a dissociação, porque a pessoa não participa (ao menos diretamente)
da relação material, mas a pessoa por algum motivo terá seu patrimônio sendo
executado.

Art. 790:

Inc. I - sucessor a título singular significa que ela adquiriu um único bem; ela não
é Herdeira. Execução de Direito real significa que o objeto da execução não é uma
obrigação mas um direito real. Por exemplo, direito de propriedade, ou o direito de
superfície, ou o direito de usufruto. Exemplo da ação reivindicatória: movo a demanda
porque eu na qualidade de dono tenho direito de ir atrás do bem que é meu. Se o réu
aliena este bem durante a execução, o terceiro que comprou, vai se inserir na execução.
Essa figura não deve mas ela sucedeu o proprietário originário, portanto pode-se dizer
que o bem dela continuará sujeita a execução. De nada adianta, portanto, passar o bem
adiante, porque ele permanecerá objeto da execução. Ação reipersecutória é uma ação
obrigacional; estou litigando não como dono, mas como credor. Mas em relação à
própria coisa; ela é móvel e isso torna o dono proprietário com a tradição. Só que
suponha-se que descubro que após feita a combinação de compra e venda, a empresa
vendeu a tv que eu comprei para outrem; não é ainda propriedade porque se transmite
somente com a tradição mas pode reivindicar.

Inc. II - Depende de cada tipo societário. Que lei é essa? Código Civil ou 6.404.
Esse inciso também abrange as regras relativas à desconsideração da personalidade
jurídica. Aqui eu não estou simplesmente alcançando o patrimônio do sócio, não basta
simplesmente a inexistência de patrimônio; é necessário provar um comportamento
abusivo do sócio. Art. 795.

Observe-se que estou falando de bens particulares dos sócios; não estou
falando das quotas do sócio quando ele é executado. Hoje existe a possibildiade d
epenhroar quotas de sociedade limitada.

Inc. III - Este terceiro é detentor ou possuidor e portanto nada deve, mas ele tem
a posse do bem do executado. Doutrinadores falam que isso não é responsabilidade
secundária; devia estar no Art. 789, porque esses bens pertencem ao executado. O
único ponto é que estão em poder de terceiros.

Inc. IV - Aqui, devo analisar cada tipo de regime de bens do casamento. 1)


comunhão universal, em que dois patrimˆnios separados tornam-se um único
patrimônio. 2) separação absoluta. Dois patrimÔnios que não se comunicam. 3)
comunhão parcial. Há três patrimônios. 2 particulares e um bolo comum. 4) Participação
final nos aquestos. Este inciso envolve três situações:

 Tenho dívidas contraídas por ambos os cônjuges ou companheiros. Aqui,


não faz diferença analisar o regime de bens porque os dois devem. Aqui,
coincidirão débito e responsabilidade, não devendo inclusive constar
aqui, mas no Art. 789.
 Dívida é contraída apenas por um dos cônjuges. Há uma regra geral de
proveito que aquela dívida gerou. Tenho que analisar a quem aproveitou
a dívida; se ela veio em proveito do casal (foi uma compra para economia
doméstica), os bens do outro cônjuge (aqui incluído união estável)
também responde, tanto os seus bens particulares, nos casos de regimes
em que há esse patrimônio exclusivo, como também a meação, que é a
metade do bolo comum que pertence a este outro cônjuge. Se a dívida
não resultou proveito ao casal, mas só ao que comprou, aí tem-se a
conclusão de que esses bens do cônjuge é que serão penhorados, tanto
individuais quanto sua parte na meação (1643, 1644, 1659, 1663).
 Obrigações ilícitas: os casos acima são obrigações lícitas. A ideia aqui é
que os bens do outro cônjuge, seja os particulares, seja a meação só
responde se houver prova de que o ato ilícto acarreta o enriquecimento
do casal. Dei um golpe, pratique um estelionato e não beneficiou apenas
a mim (botei crianças num colégio melhor, comprei carro para a mulher,
cartão de crédito sem limite). Eis o que diz a Súmula 251 STJ. Observe-
se que aqui é Önus de prova do exequente. Fala-se somente em meação
mas aplica-se também aos bens particulares do cônjuge.

Inc. V - Expressão ônus real me remete a objeto de terceiros que podem


ser bens imóveis (servidões, hipoteca, …). Como o mais comum é alienação, professor
assume como bem adquirido por terceiro. Só que esse bem é adquirido por fraude.
Basta saber aqui que quando um terceiro adquire um bem mediante intenção
fraudatória, ele adquire a propriedade, mas a execução segue este bem, mesmo tendo
mudado a propriedade, onde quer que ele esteja. O mais importante é examinar o
conhecimento do terceiro; a possibilidade real que ele pudesse ter conhecimento de que
estava adquirindo um bem mediante fraude. Trata-se aqui de fraude contra a execução.

Inc. VI - Observe-se que a fraude contra credores é causa de


anulabilidade, em que se desfaz o negócio retirando-o do mundo jurídico.,
diferentemente da fraude contra a execução. Aqui fala-se em "Ação autônoma" o que
nos remete a ideia de que fraude contra credores não pode ser analisada
incidentalmente nem no conhecimento nem na execução. Exige o ajuizamento de uma
ação autônoma, voltada especificamente para sua afirmação e a consequente anulação
do negócio jurídico. Ou seja, em virtude dessa alienação que foi gravado de ônus real
em fraude contra credores, pode ser penhorado o bem. Trata-se aqui, portanto, da
fraude contra credores.

Inc. VII - inciso próprio da desconsideração da pessoa jurídica. Existe


regulamentação específica no novo CPC sobre a desconsideração da pessoa jurídica.
Antigamente, era só regras de direito material; faltava a disciplina do procedimento a
ser respeitado. E se sabe que um dos pilares do novo CPC é o direito a um contraditório
forte e efetivo. E aqui tem-se uma importante manifestação deste contraditório forte e
efetivo. Isso está no Art. 133 e seguintes. A ideia é que para conseguir o reconhecimento
daqueles requisitos do Art. 50 do CC que autorizam a desconsideração eu precisarei
requerer esta de modo formal na própria petição inicial. Se eu quiser suscitar isso
depois, terei que provocar um incidente processual com citação do responsável.

Deve-se lembrar, ainda, que existe a desconsideração direta em que eu estou


executando a sociedade, a pessoa jurídica e por meio do incidente eu passo através do
véu representada por ela para atingir o patrimônio do sócio. Mas o novo CPC disciplinou
também a desconsideração inversa, que aparece muito no direito de família e
eventualmente no direito da empresa. Aqui executa-se o sócio, mas exatamente pela
situação de confusão patrimonial, ele não tem nada no seu nome. Exemplo: Carlos
Oliveira é dono da CAOA, uma montadora. Descobriu-se que esse senhor não tem bens,
não tem conta bancária. Qual ser humano que não tem conta bancária? Se descobriu
que na verdade tudo pertence a CAOA. Esse é um exemplo de desconsideração
inversa. Ter-se-á que passar pelo véu da pessoa jurídica e penhorar os bens da CAOA,
não dele, porque ele não tem nada.
Portanto o que se deve ter em mente é que no caso da desconsideração deve-
se ter um incidente, devendo citar-se o sujeito; não é só pelo fato de o sujeito não ter
patrimônio no seu nome que pode-se executar o sujeito. Não é só pelo fato de não haver
bens que se deve autorizar a desconsideração da pessoa jurídica.

Art. 794 fala dos bens do fiador. Lembre-se que os bens do fiador também se
sujeitam à execução. A princípio o fiador é responsável subsidiário, mas ele pode
renunciar ao benefício de ordem, se modo a responder solidariamente.

Art. 796 diz que antes da partilha quem responde é o espólio. Então, às dívidas
do morto não falecem junto com ele; às obrigações que ele contraiu continuam existindo
e eu enquanto credor do morto executarei o espólio (conjunto de bens e direitos que
dispõem de personalidade processual, também chamada de capacidade de ser parte).
Depois da partilha, o herdeiro responde, porque ele é o sucessor do morto. Essa
responsabilidade se limita às forças da herança, de modo que eu não responderei com
meu patrimônio pelas dívidas do morto; só os bens herdados por herança.

9. FRAUDE

9.1. FRAUDE CONTRA CREDORES (Art. 158 ao 165 do CC)

É regida pelo direito material. Vou encontrar as regras, portanto, no CC e


subsidiariamente, nas regras falimentares. Ação revocatória é quando posso anular
certos negócios realizados em período anterior à decretação de falência; período
suspenso.

Trata-se de um defeito do negócio jurídico, que gera anulabilidade. Isso significa


que o negócio jurídico em princípio é inválido. Trata-se aqui do plano da validade e não
o da eficácia.

Fraude contra credores caracteriza-se ainda que não haja nenhum processo em
curso; independe da pendência de qualquer demanda. Isso é essencial porque será
uma das diferenças com relação à fraude contra a execução.

Atinge somente o interesse do credor. Reconhece-se portanto somente o


Interesse privado do credor.

Fraude contra credores não pode ser analisada de modo incidental; deve ser
ajuizado um processo específico, com cognição exauriente e o nome dessa ação
depende do ramo do direito: ação pauliana e ação revocatória. STJ decidiu que
incidentalmente em embargos de terceiro não posso anular negócio jurídico. Além disso,
não pode ser reconhecida de ofício.

No direito civil, não se exige mais, mas classicamente a fraude contra credores
exige um elemento subjetivo e objetivo. Este é chamado o eventus damni. Trata-se do
prejuízo, dano para o credor. E o elemento subejtivo é chamado de conclilium fraudis
significando a vontade de fraudar. Estou alienando o bem para sacanear o credor e
diminuir a chance de ele receber crédito. Hoje em dia, o que interessa não é a vontade
de fraudar do credor, mas o conhecimento da fraude por parte do terceiro adquirente.
tenta-se deixar essa questão mais objetiva, de análise do comportamento do terceiro e
largar de mão um pouco do aspecto subjetivo (afinal, não há como adentrar a cabeça
do devedor para saber suas intenções).

9.2. FRAUDE À EXECUÇÃO (Art. 790, V; 792; 774, I CPC)


Fraude à execução não é causa de anulabilidade; ela afeta o plano da eficácia.
É ineficácia relativa, ainda. Significa que o ato existe, que ele é válido (não sendo nulo
ou mesmo anulado) e é parcialmente eficaz. Ou seja, esse ato jurídico gera efeitos no
direito civil, material (vou me tornar dono do bem); ele é eficaz para o direito tributário
(vou me tornar sujeito passivo do IPTU, IPVA, …). Só é ineficaz no plano do processo
executório, seja ela fase de cumprimento, seja ela processo autônomo, seja concursão
falimentar. Ou seja, mesmo o bem tendo sido transferido, mesmo o terceiro constando
na matrícula e se tornando dono o bem carrega junto a execução. Alienação foi ineficaz
apenas quanto ao processo de execução.

Fraude à execução só se configura quando há um processo em curso, seja de


conhecimento pelo procedimento comum, seja um processo autônomo de execução de
título extrajudicial. A fraude à execução no procedimento comum já se configura na fase
de conhecimento. Estudar-se-á às hipóteses e perceber-se-á que a fraude inicia quando
eu fui citado na fase de conhecimento, passei a ter ciência da demanda. Então, a
configuração da fraude acontece ainda na fase de conhecimento mas só vai surtir efeitos
na fase de ucmpriemnto de senteça.

Regulado por lei processual, nos Arts. acima já mencionados.

Essa fraude atinge o interesse público. E qual é ele? O interesse que se preste
a tutela jurisdicional na modalidade executiva; atenção a direitos.

Como o interesse é público esta fraude pode deve e será reconhecida na própria
execução. Além disso, pode ser reconhecida de ofício. Consequentemente a fraude
anterior não pode ser reconhecida de ofício.

Não há análise subjetiva do consilium fraudis. Irrelevante a intenção do


executado. O que interessa é a ciência da fraude. Novo CPC reforçou o interesse do
credor; piorou terrivelmente a situação do terceiro adquirente. Art. 792 diz que o terceiro
é quem tem que tomar cautela ao adquirir algo. A cautela diz a doutrina que é fazer a
pesquisa acerca da pessoa do credor com quem estou fazendo negócio e também
acerca do negócio. Existência de ações trabalhistas, por exemplo, é muito fácil de se
verificar. Há uma expressão em inglês chamada de due diligence, que tem o objetivo de
tratar dessa investigação prévia que a empresa adquirente deve fazer em relação a que
está sendo adquirida.

Necessidade do registro da admissão da execução. Portanto, não é a mera


distribuição; é quando é admitido o cumprimento de sentença ou o processo autônomo.
São cautelas para fazer configurar a fraude à execução.

AULA DO DIA 09.05

9.3. FRAUDE À EXECUÇÃO - Hipóteses e Requisitos

É um instituto do direito processual civil que acarreta ineficácia relativa e pode


sim ser apreciado de ofício e de modo incidental no curso do processo.

A. Hipóteses: Art. 792

O caput fala em onerar um bem. Isso significa estabelecer um direito real de


garantia. Então não é só a alienação, mas também a oneração (estabelecimento de um
ônus real, como hipoteca, penhor, …)

Inc. I - O objeto da demanda aqui é a própria coisa; direito real mais importante
é a propriedade então a minha reivindicação é do domínio. Posso ter milhares de bens
mas o simples fato de o réu passar o imóvel a um terceiro quando o veículo é o próprio
objeto da demanda já configura ato de fraude à execução. Portanto, esse inciso trata de
hipótese que independe da insolvência; independe de ele ter ou não outors bens no
patrimônio.

A expressão indica que o fundamento não é um direito real, mas sim


obrigacional, porque eu não seria dono da coisa. Quando a coisa é móvel só se torna
dono quando ela é entregue por meio da tradição. Antes da entrega, se é apenas o
credor, tem-se apenas o direito obrigacional de entrega da coisa. Mesmo assim, se
houver a alienação ou oneração ficará configurada a questão da fraude.

Há um requisito: desde que a pendência do processo tivesse sido averbada no


registro público. Mas nem todos os bens se sujeitam à registro; computadores, celulares
e móveis em geral não tem registro. Porque se exige o registro, então? Para proteger
não o executado, mas o terceiro adquirente e para poder caracterizar a má-fé no sentido
subjetivo de crença, conhecimento que a pessoa tem.

Então, neste inciso o executado não precisa ser insolvente; ele pode ter milhares
de bens mas se ele se livrar seja onerando seja alienando daquele bem em específico
já se configura a fraude.

Inc. II - Aqui, eu litigo sobre um crédito. Fica configurada a fraude contanto que
eu averbe a pendência da execução no registro. Aqui, incide o mesmo problema
anteriormente mencionado. Art. 828 estabelece o exequente obtém do escrivão uma
certidão. Tem-se entendido que essa certidão independe de ordem judicial; o próprio
escrivão fornece isso. Mas uma certidão do que? Não é certidão de que iniciei a
execução, mas de que foi admitida pelo juiz (ou seja, o juiz despachou a petição inicial
do processo de execução de título extrajudicial). Portanto, não basta a propositura da
ação; ela tem de ser

Isso é válido para o processo de cumprimento de sentença; posso conseguir a


certidão do escrivão que garanta que o pedido de cumprimento de sentença foi admitido
e consigo averbar isso no registro de imóveis.

Incisos II e III funcionam muito mais como requisitos do que hipóteses. Hipóteses
mesmo são os incisos I e o Inciso IV.

Inc. IV - aqui, tem-se essa hipótese em que havia uma ação em curso, pessoa
alienou seu patrimônio e ficou insolvente; ou seja, não tem outros bens livres no seu
patrimônio capazes de satisfazer o crédito. Dívida é superior ao patrimônio do sujeito.
Primeiro comentário a esse inciso é que ele fala de uma ação. Essa ação pode ser a
autônoma de execução de título extrajudicial como também a ação de conhecimento.
Fraude pode se configurar, portanto, ainda na fase de conhecimento

B. Requisitos - Súmula 375 STJ + NPC:

Artigo 792, parágrafo 2 não é tão bonzinho quanto a súmula. Tem-se dois
requisitos.

 Ajuizamento e citação em ação judicial (configura-se na fase de conhecimento,


mas só produz efeito na fase de cumprimento de sentença)

Esse requisito para configuração da fraude à execução pode se resumir à


litispendência, mas não no sentido que estamos acostumados. Significa o ajuizamento
e citação em uma determinada ação judicial. Portanto, se não tiver ação judicial em
curso não se configura fraude à execução; pode ser fraude contra credores, mas não
fraude à execução. O marco temporal aqui é a citação do executado.
Mas que tipo de ação é essa? Se for ação real ou persecutória (obrigação
contratual de entregar coisa) o objeto da demanda é a própria coisa (não um crédito) e
neste caso é irrelevante a insolvência. Mas se a ação versa sobre um crédito (sobre
ação de pagar quantia), então a fraude exige a insolvência.

Observe-se que isso pode se configurar já na fase de conhecimento, mas só vai


se configurar na fase de execução.

 Ciência do terceiro adquirente em relação a essa demanda:

Mas um segundo requisito é a obrigatoriedade da ciência do terceiro acerca da


litispendência, acerca da pendência da ação, da execução. Ele deve ter ciência da ação
de execução; que está adquirindo algo que futuramente pode ser utilizada como
penhora; que está embaraçando a promessa do Estado de fazer justiça.

Nosso direito anterior seguia a risca a ideia de que a má-fé não se presume e
colocava esse ônus sobre o exequente. Então o direito anterior piorava a situação deste.
Novo CPC contudo passou a adotar a posição clara de proteção ao credor; momento
de facilitar a satisfação do crédito no discurso de liberalismo, de Estado mínimo. Nessa
mudança de paradigma, tira-se a necessidade de demonstração da ciência do
exequente e colocar no terceiro adquirente e assim facilitar a demonstração da fraude.
Para que? Para ir atrás do bem, mesmo que tenha sido repassado para o terceiro.

Comentários sobre Holdings: é uma prática comum na se eu coloco no


patrimônio do filho, da mulher fica então existem ferramentas do direito societário em
que transfiro todos meus bens para a empresa e até certo limite impedir a configuração
da fraude.

Feito esse comentário, o novo processo civil exige que o terceiro que está sendo
beneficiado pelo direito real tenha conhecimento acerca da pendência do processo. E a
pergunta é como que se caracteriza essa ciência? Essa ciência vai ser dada por três
pontos:

o Averbação do Registro da admissão da execução

Vale também para o cumprimento de sentença. O exequente tem de conseguir


com o escrivão certidão de que a petição foi admitida ou de que iniciou-se a fase de
execução.

o Registro da penhora

Penhora se considera completa e acabada com a lavratura de um auto de


penhora; a averbação do registro tem apenas o objetivo de dar ciência a terceiros.
Portanto, aqui e acima tem-se requisitos que são do exequente. A súmula 375 (isso
mesmo?) e o código anterior termina aqui. Mas o novo CPC criou uma nova regra que
é a do parágrafo segundo e significa que evidentemente existem bens que não se
sujeitam a registros (bens móveis em geral). No direito anterior, eu teria enquanto
exequente provar a ciência do terceiro. Novo CPC redistribuir este encargo e agora
exige que o terceiro adquirente demonstre ter tomado cautelas na hora de aquisição do
bem. .

o Outros meios - quem deve procurar? Terceiro adquirente (Cautelas)!

Vou adquirir um cavalo que não está registrado. Será que vou perder depois em
execução? Eu que tenho que tomar estas cautelas e fazer pesquisas com relação ao
sujeito que está me vendendo o bem. Vou ter de pesquisar se há alguma ação em nome
do vendedor. Se há, pesquisar se esse sujeito vai ter bens. Mas quem em realidade na
prática do dia a dia ninguém toma essas cautelas. Mais do que isso, tenho que pesquisar
açÕes judiciais onde o vendedor se encontra e onde está o bem. Então, o que se vê
aqui é que claramente o código retirou o ônus do exequente e colocou no terceiro
adquirente

o Problema das alienações sucessivas

Código não pensou nos casos em que há sucessões sucessivas: p1 vende para
p2 que vende para p3 que vende para p4. Quanto mais forem os negócios sucessivos,
mais difícil vai ser demonstrar a má-fé. Depois de 4 negócios sucessivos não posso
exigir que o quarto adquirente faça uma pesquisa de todas essas compras para ver se
está pendente ação sobre aquele bem. Jurisprudência, então, vai dizer que quando há
reiteradas alienações sucessivas passa esse ônus a ser do exequente, e não mais do
terceiro comprador, porque quanto mais alienações tiver, mais difícil a demonstração de
que se procedeu à pesquisa necessária de que fala o parágrafo segundo.

C. Consequências do reconhecimento da fraude: ineficácia; penhora; multa (774, I


e parágrafo único)

Em primeiro lugar nós temos ineficácia relativa. A princípio não é ilícito negociar
durante a pendência de um processo judicial; o negócio é válido, mas apenas será
ineficaz no âmbito da execução. E essa ineficácia traz duas consequências: 1) Penhora.
Perante aquele processo (não todos) é como se a alienação não tivesse acontecido, o
que significa que ele vai sofrer a penhora do bem adquirido em fraude; 2) multa por ato
atentatório. No Art. 774 tem-se um elenco de situações que configuram atos atentatórios
à dignidade da justiça, trata-se de uma espécie de litigância de má-fé. Aqui, a ideia é
reprimir certas condutas de má-fé. Parágrafo único determina que a multa é tipificada
no valor de até 20% do valor atualizado da execução. Claro, se delimitar-se o valor da
dívida baixo então o valor da multa será baixo. Pensa-se que estou executando um
franqueado; neste caso, a multa pode chegar a milhões.

Sem prejuízo de outras sanções de natureza processual. O fato de eu incorrer


em ato atentatório a justiça pode me fazer incidir em outras medidas coercitivas do
processo civil, como multa por descumprimento de ordem judicial.

Averbação gera presunção absoluta de ciência ou meramente relativa? Então,


este ponto de saber qual o caráter da averbação do registro é importante. Há discussão
na doutrina mas o professor Araquem de Assis é referência quanto a isso; ele considera
que essas averbações gera presunção absoluta, que não admite prova em contrário. Se
eu não tive cautela mínima, eu tenho que realmente perder essa bem; o que eu teria de
opor contra isso?

9.4. Alienação do bem penhorado

Passo a terceiro a própria coisa sobre a qual já recaiu um ato de execução


específico. A penhora como veremos em seguida é um ato que individualiza a
responsabilidade patrimonial; a pessoa responde com tudo mas a pessoa tem um bem
sobre a qual já recaiu a tutela jurisdicional estatal. A fraude a execução é um desafio ao
Estado e a alienação do bem penhorado é mais ainda. Portanto, a alienação do bem
penhorado é a situação mais grave porque estou afrontando especificamente e
diretamente a realização do crédito, porque a penhora particularizou a responsabilidade
aptrimonial que era genérica; agora ela recai especificamente sobre um carro, por
exemplo.

Aqui, a ineficácia independe da configuração dos requisitos da fraude a


execução. Principal consequência é a sujeição à penhora. Significa que o terceiro que
comprou a coisa se sujeitará a execução para satisfação do crédito. Obviamente, ele
poderá se opor aos atos posteriores, no sentido do contraditório e da ampla defesa. E
ainda, tem-se a multa, passível de

É semelhante à fraude à execução. A diferença é conceitual: Essa acarreta um


desafio genérico ao poder judiciário; na alienação de bem penhorado há um desafio
específico, porque o ato de constrição já foi realizado pelo juiz.

10. PENHORA

10.1. CONCEITO DE PENHORA

Penhora é um ato estatal de força realizada pelo poder judiciário. É um ato que
particulariza a coerção patrimonial. Então antes da penhora o devedor responde por
todos os seus bens e, após, a tutela executiva recai sobre um bem ou alguns bens
específicos. Então, com a penhora, a responsabilidade patrimonial se particulariza. Mas
não se deve imaginar que os demais bens estão liberados. Ele continua respondendo
com todos os bens, mas eu separei alguns que respondem especificamente pela
penhora.

Ideia do ponto b é que a penhora ainda não implica a perda do direito de


propriedade. Não vai se falar em desapropriação, mas sim expropriação. O juiz não
desapropria, ele expropria. Mas a penhora não implica isso. A expropriação ocorrerá
com a venda do bem penhorado ou com a adjudicação do bem penhorado. Adjudicação
significa que o exequente ficará com o bem. Neste caso, pode-se dizer que o executado
perdeu a propriedade. Penhora, em realidade, e é o primeiro passo em um longo e
complexo procedimento de expropriação. Implica apenas a ineficácia do ato de
disposição perante a execução. Observe-se que ineficácia não é invalidade. Posso
vender bem penhorado e é válido, mas é ineficaz perante a execução. Isso
independente de eu ficar ou não insolvente, porque a responsabilidade já se concentrou
é a força estatal já incidiu sobre um bem específico.

Outro ponto é que penhora é diferente de aresto e portanto não tem finalidade
cautelar. Alguns autores brasileiros, por influência indevida do direito italiano quiseram
ver na penhora uma finalidade cautelar. Penhora é ato de execução/constrição, cujo
resultado é a obtenção do crédito. Tem finalidade satisfativa (o que não significa dizer
que ela efetivamente satisfaz; significa que ela e um primeiro passo num procedimento
que visa isso). Aresto, por sua vez, previsto no artigo 301 do CPC e uma medida
assecuratória que não tem como objetivo satisfazer ninguém, mas garantir a penhora.
Aresto é na verdade, uma medida que assegura que se tenha bens a serem penhorados
no futuro.

No arresto, tal qual a penhora, o oficial de justiça pega os bens e entrega a um


depositário. Parece o mesmo, no mundo dos fatos. Mas há uma diferença crucial: na
penhora o oficial pega bens e entrega para o depositário a fim de que eles sejam
vendidos é esta satisfaça o crédito. No aresto a entrega do bem e feita com o objetivo
de que o depositário cuide do bem, para que não seja extraviado, não suma, ... por
meio do arresto impede-se que os sujeito dilapidar o patrimônio é se torne insolvente.

Em resumo, o arresto cautelar tem como objetivo impedir que o sujeito se livre
do seu patrimônio e com isso frustre a execução. Arresto portanto visa simplesmente
assegurar a satisfação futura. Depois se precisar vou penhorar o bem arrestado. O que
o juiz determina com o arresto é que se entregue o bem para um depositário para que
cuide do bem. Arresto, portanto, é uma medida cautelar e difere da penhora. Sendo uma
medida cautelar, pode ser pedida a qualquer tempo, inclusive. Pode pedir-se medidas
cautelares na própria petição inicial da fase de conhecimento. Na verdade, pode-se
pedir medidas cautelares antes do próprio processo - tutela cautelar antecedente.
10.2. EFEITOS DA PENHORA

Tem-se duas ordens de efeitos; materiais e processuais.

A. Material:

Alteração na posse: Penhora do ponto de vista substancial do direito civil


implicará uma mudança na posse; não se perde a propriedade e nem a posse mas
muda-se a maneira como se possuía a coisa. Antes da penhora, o executado tinha a
chamada posse direta; ou seja, o poder físico e efetivo sobre o bem. Com a penhora, a
posse se desdobra tornando-se mediata. Este é um tema estudado por Savigny, no livro
Direito da Posse. Toda vez que se deixa um carro na garagem de um estacionamento,
por exemplo, essa posse se desdobra; o garageiro fica com a posse direta, porque tem
a coisa consigo, mas eu continuo com a posse mediata/indireta. Depositário fica com a
posse direta e o executado com a posse mediata.

Ineficácia dos atos de disposição.

E, por fim, tem-se a configuração de um crime (Art. 179). Mas esse crime não é
automático. Jurisprudência entende que o crime só se configura quando eu repasso o
bem para o terceiro. O crime não é vender a coisa; o crime é entregar o bem que foi
penhorado para o terceiro.

B. Processuais

Individualização da responsabilidade patrimonial. Ela se torna específica porque


recai sobre um bem, mas com a possibilidade de ampliar-se para outros bens.

Segundo, é o dever de guarda e conservação por parte do depositário. Isso quer


dizer que pode ter despesas com essa guarda e conservação. Ele terá de ser ressarcido,
posteriormente. Esse valor vai ser adicionado às custas do processo de execução.

Possibilidade de atribuição de efeito suspensivo aos embargos ou à


impugnação: Penhora não é um requisito para embargar. Não preciso sofrer a penhora
para protocolar os embargos e tampouco impugnar o cumrpimento de sentença. Tanto
um quanto o outro são independentes da penhora; ela não é condição para isso. A
penhora é condição sim para que se consiga o efeito suspensivo para os embargos e
impugnação. A princípio, pode-se embargar e impugnar mesmo com a penhora e o
processo seguirá o seu curso, de modo que vai sofrer-se a penhora em algum momento
e o bem vai ser vendido. Mas posso requerer a suspensão da execução até que os
meus embargos ou minha impugnação sejam julgados. Posso portanto requerer a
atribuição de efeitos suspensivo aos embargos ou à impugnação. É o mesmo que ocorre
no agravo de insturmento; este não suspende o curmpiemtno da decisáo agravada, mas
pode-se requerer ao relator a atribuição de efeito suspensivo. Agravo não suspende o
cumprimento da decisão agravada mas pode-se requerer atribuição de efeito
suspensivo. Há alguns requisitos para conseguir o efeito suspensivo. O que se deve
saber é que a penhora será um deles.

Direito de preferência sobre o produto da alienação: Possibilidade de penhoras


sucessivas é possível. Se tenho dívidas pequenas posso estabelecer várias penhoras
e aí digo que a penhora via estabelecer o efeito de direito de preferência sobre o produto
da alienação. Quem penhorou primeiro, ficará em primeiro lugar e assim por diante.
Posso portanto penhorar o mesmo bem várias vezes; o bem será vendido e o dinheiro
resultante vai ser entregue na ordem de preferência que consiste na ordem de
efetivação das penhoras.

10.3. BENS SUJEITOS À PENHORA


Em primeiro lugar, todos os bens que tenham repercussão econômica.
Novo CPC não tem uma regra expressa sobre isso, mas cabe o questionamento: a
sepultura poderia ser penhorada? A princípio é um bem fora do comércio, então posso
entender (mediante doutrina e jurisprudência majoritária) que o direito à sepultura é
impenhorável porque está fora das transações econômicas.

Além disso, bens presentes; ou seja, os bens que a pessoa tinha no


momento que adquiriu a obrigação (momento que causou o ato ilícito, por exemplo) e
especialmente no momento da execução. Mas também tem-se sujeição à penhora dos
bens futuros, adquiridos posteriormente, no curso da penhora e do processo de
execução. Se não for encontrado nada, suspende-se a penhora até que sejam
encontrados bens novos.

Estes bens são do executado. Mas também os bens do executado que estejam
com terceiros (por exemplo o bem locado) ou terceiro responsável (que adquiriu o bem
em fraude a execução, sociedade que adquiriu o bem por desconsideração da pessoa
jurídica, …).

Só podem ser penhorados bens suficientes (não todo o patrimônio


necessariamente; capaz de satisfazer a totalidade do crédito e não é o valor histórico,
mas o atualizado, incluindo juros, custas processuais. Além disso, só bes necessários.

O oficial de justiça pode penhorar os bens situados na comarca e nas comarcas


contíguas e da mesma região - isso já foi tratado quando falado em competência. Fora
disso, exige-se que seja feita carta (precatória quando não há subordinação de um juízo
a outro; de ordem quando o juízo de execução é o tribunal e a penhora deve ser
realizada em outro local; e de subordinação; por fim, é a rogatória).

10.4. BENS IMPENHORÁVEIS - Art. 833

Já sei dos bens que posso penhorar (semoventes, direitos, crédito, …).

Caput diz que ˜são impenhoráveis˜. O antigo CPC trabalhava com a expressão
"absolutamente impenhorável. STJ tirou dessa alteração no novo código a conclusão
de que o juiz poderia relativizar esse elenco de bens do novo código. E relativizar
significa que mesmo bens não constantes da lista podem ser penhorados.

Inc. I - exemplos: o Art. 533; trata da indenização pela prática de ato ilícito.
Contestações de erro médico são frequentemente trabalhadas pelo professor. Às vezes
é necessário pagar pensamento vitalício. Ou mesmo acidente de ônibus. Caput do 533
prevê que em situações semelhantes a indenização pode ser representada por um
pensionamento. A vítima vai ganhar uma renda enquanto viver correspondente ao que
tinha antes do acidente. E o caput diz que pode-se usar como técnica executiva a
constituição de um capital do qual se extraia o valor da pensão mensal. Um exemplo é
o imóvel: vou tirar o bem do patrimônio do devedor e vou estabelecer que o rendimento
daquele imóvel será direcionado para o exequente a título de pensionamento vitalício.
Pois bem, o § 1º estabelece que esse capital separado se tornará inalienável e portanto
impenhorável. Não poderei, neste sentido, penhorar esse capital em razão de outras
dívidas do executado porque alguém “chegou primeiro”; alguém depende muito mais
deste bem para auferir esse sustento. Art. 190, em tese, segundo o fórum permanente
de processualistas civis, (enunciado 19, 20 ou 21) o pacto de impenhorabilidade é um
negócio jurídico processual possível. Posso então ter um acordo entre devedor e
vendedor estabelecendo que este ou aquele bem será impenhorável. Quem se prejudica
aqui é o credor. Art. 1911.

Um dos princípios é a dignidade da pessoa humana. Tem-se toda uma proteção


ao executado que a partir do inciso II começarão a aparecer.
Inc. II - trata-se de bens que guarnecem a residência. Mas o que seriam a lógica
é que são impenhoráveis os bens que correspondem a um padrão médio de vida. O que
corresponde isso? Segundo jurisprudência, um telefone, microondas, ar condicionado.

Inc. III - trata-se de bens pessoais. Aqui, igualmente é salvo os de elevado valor.
Existem pessoas que necessitam de óculos, cadeira de rodas, aparelho ortopédico,
lente de contato. O Antigo código elencava alguns desses pontos. Atualmente, isso é
elencado pela jurisprudência. O que geralmente é elencado como bens de alto valor
aqui é por exemplo, roupas luxuosas, relógios rolex, etc…

Inc. IV - trata de salários, em geral. Tudo que é rendimento que o sujeito recebe,
em resumo. Claramente, pode-se perceber que não se trata de presunção absoluta,
porque segundo o parágrafo segundo não se aplica a penhora do pagamento de
obrigação alimentícia. Outra limitação deste parágrafo é que a impenhorabilidade não
se aplica à importâncias excedentes a 50 salários mínimos. Portanto, limitou a
impenhorabilidade do salário mínimo também no tocante ao valor das parcelas.

Até que momento o meu salário se considera impenhorável? O salário que


ganhei em 2015 é não gastei ainda é impenhorável? jurisprudência considera que essa
impenhorabilidade vale unicamente no mês que recebi esse salário, porque considera
que aquele valor não é essencial para sobrevivência. Então, se eu não gastei e apliquei
na caderneta de poupança ou em outro investimento aplicar-se-á não este inciso mas o
inciso X. Se, por outro lado, não for objeto de caderneta de poupança ou outro
investimento, será penhorado o valor.

Inc. V - seguindo a mesma lógica da dignidade humana, do mínimo existencial.


Aqui, insere-se o advogado dos advogados, carro do motorista de uber, sala do
advogado, até bens da microempresa que é tocada pelo próprio executado. Observe-
se que são bens necessários ou úteis ao exercício da profissão. Portanto, não precisa
que ele seja necessário; basta que seja útil; posso exercer minha profissão sem ele,
mas ele vai me trazer alguma facilidade. sou advogado e tenho um carro. Preciso de
carro para advogar? Não, mas facilita a ida ao foro.

AULA DO DIA 16.05

Inc. VI - Seguro de vida. Obviamente, essa impenhorabilidade não se refere ao


segurado, até porque já foi visto que o exequente não será o segurado mas sim o
beneficiário. então doutrina em geral diz que essa impenhorabilidade se refere à
expectativa de receber o seguro de vida. Estou pensando aqui na situação do
beneficiário do seguro de vida ou o potencial beneficiário que é executado e ele terá
essa questão do seguro impenhorável

Inc. VII - materiais necessários para obras em andamento. Tijolos, por exemplo,
porque isso poderia afetar a própria continuidade da obra. Esse inciso estabelece uma
ressalva importante que é que as próprias obras podem estar penhoradas e neste
sentido, na ideia de que o acessório segue o principal, a penhorabilidade da obra pode
afetar a impenhorabilidade do material necessário a ela.

Inc. VIII - Pequena propriedade rural. Nossa CF tentou proteger essa questão de
imóveis pequenos estabelecendo usucapião especial rural e uma das formas de
proteção consiste na impenhorabilidade. Mas no que consiste a pequena propriedade
rural? É aquela que não excede a um módulo rural. O estabelecimento de quanto seja
um módulo depende de cada região. Então, existe uma legislação regionalizada acerca
do que se consideraria um módulo. Se pensar-se no município de vitória dos palmares,
um dos mais extensos do estado do RS, não posso comparar com esteio, que é
considerado o menor município. Então, o que é considerado pequeno propriedade
depende do tamanho de cada município. E aqui tem-se a segunda condicionante que
é necessidade de trabalho familiar. A propriedade deve ser pequena, mas deve também
ser trabalhada, não podendo estar ali só para se acumular pedras, utilizar como
especulação.

Inc. IX - Recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação


compulsória em educação, saúde ou assistência social. Atividades essenciais que vão
reverter para a sociedade.

Inc. X - Aqui, há uma questão importante. Viu-se na aula passada no inciso IV


do artigo 833 que salário é equiparados são impenhoráveis. E neste inciso X,
estabelece-se a impenhorabilidade da caderneta de poupança. Mas é os demais tipos
de investimentos que mantém o patrimônio? Afinal, a poupança traz rendimento pífio.
Existem outros meios muito mais eficazes de auferir rendimentos como BTG, XP,
Derivativos, Bolsa, Títulos Públicos. A pergunta é: esses outros meios de rendimentos
também são impenhoráveis? Código não diz nada sobre isso. STJ tem considerado que
essa impenhorabilidade se estende, sim, a outros investimentos diversos da poupança.
Independentemente do tipo de investimento, contudo, o código estabelece um limite que
é o de 40 salários-mínimos (ideia de assegurar o que é razoável dentro do que é um
padrão médio de vida é também de não tornar o devedor imune ao pagamento dos seus
débitos).

A pergunta que fica: é 40 salários mínimos para caderneta de


poupança/investimento? ou tem-se que somar tudo e considerar todos os investimentos
para se chegar aos 40 salários mínimos? Obviamente, refere-se a um limite global.
Resumindo, a ideia é que se aplica uma vez só o limite de 40.

§ 2º - Além da limitação de 40 salários mínimos, é de 50 salários mínimos,


convém atentar para o § 2º deste mesmo artigo, que estabelece que essa
impenhorabilidade do incisos IV e X não se aplica ao pagamento da prestação
alimentícia. Tem-se aqui um verdadeiro conflito de necessidades: de um lado a do
devedor é de manutenção do seu mínimo existencial é de outro lado uma necessidade
ainda mais premente que é do exequente que pleiteia verba alimentar (tudo o que se
precisa para se ter uma existência digna, incluindo moradia, medicamentos, …). O
código, então, resolveu esse conflito em prol do credor da prestação alimentícia.

Inc. XI - fundo partidário, que é destinado aos partidos políticos brasileiros. CF


aposta na democracia pelos partidos, devendo se enquadrar neste sistema; não pode
exercê-la de maneira individual. Portanto, este inciso tem por objetivo a proteção da
democracia, da forma como ela foi pensada no Brasil.

Inc. XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias. Aqui a lógica


é de que estou vendendo apartamentos na planta e eu preciso dos recursos para poder
terminar a obra. parece semelhante à hipótese do inciso VII, no sentido de que há um
interesse em se terminar a obra.

Observação 1: discussão sobre possibilidade de mitigação do artigo 833,


especialmente da mitigação da impenhorabilidade de salários. já vi que posso penhorar
salário naquilo que exceder 0 salários mínimos é no que tange à pensões alimentícias.
Mas o STJ no AgResp 1.336.881 4ª Turma entendeu que era possível a penhora de
15% do salário do locatário/inquilino para pagar o valor da locação de imóvel residencial.
A ideia é de que o locatário deve ter separado previamente dinheiro para pagar o aluguel
(STJ dá uma certa lição de moral, para forçar o locatário a ter organização financeira).
Se não separou, azar do locatário, vai ser penhorado, vez que o locador também
depende desse dinheiro. Noção de que os 15% penhorado não afetaria a subsistência
do sujeito. Observa-se que essa dívida é muito específica, relacionada unicamente à
locação de imóvel residencial. Decisão preocupante para o devedor (não pode se
esconder atrás do inciso IV do artigo 833, vez que isso independe do limite de 50 salários
mínimos. Posso ganhar muito menos, pode também não dizer respeito com pensão
alimentícia e mesmo assim vai poder relativizar-se a impenhorabilidade do salário).

Observação 2: Enunciado 19 do Fórum Permanente de Processualistas Civis (os


enunciados aqui emitidos são propostas não vinculantes de interpretação da legislação
processual civil pátria. Não trata-se de doutrina; é um setor da doutrina; são ideias)
interpreta o artigo 190 do CPC, que inseriu a cláusula geral de negociação processual
no sentido de que as parte possam convencionar antes ou durante o processo sobre
direitos, deveres, ônus é também mudanças de mudanças de procedimentos. Mas esse
artigo, contudo, não deixa claro até onde se pode ir com esse negociação. Este
enunciado 19 vai propor que o pacto de impenhorabilidade seria um negócio possível e
viável a partir do artigo 190. Há acordo entre exequente e executado (possivelmente
antes do processo) em que coloca-se cláusula estabelecendo impenhorabilidade de
determinados bens.

10.5. BENS PENHORÁVEIS NA FALTA DE OUTROS (IMPENHORABILIDADE


EVENTUAL) - ARTIGO 834.

a. Frutos dos bens inalienáveis

Tradicionalmente este artigo tratava de bens relativamente impenhoráveis, mas


não faz mais sentido cunhar assim, visto que não existe mais bens absolutamente
impenhoráveis. Portanto, agora cunha-se de impenhorabilidade eventual. Então,
faltando outros bens, não havendo no patrimônio do executado nada que possa ser
penhorada, esse artigo estabelece a possibilidade de penhora de frutos de bens
inalienáveis, tanto os literais, como maçã, espiga de milho, trigo - que crescem em
campo - quanto os civis, como aluguéis e outros rendimentos periódicos gerados por
esses bens.

Observa-se que isso não se aplica a bens públicos. Aliás, em que pese essa
ideia de impenhorabilidade de bens público, na jurisprudência encontra-se inúmeras
situações de penhora bens públicos, sobretudo de contas públicas. Portanto, penhora
de valores que estão na conta do estado. Mas não chamam, neste caso, de penhora,
mas sim bloqueio ou sequestro. É o exemplo de situações em que uma criança precisa
de um medicamento x a ser fornecido pelo estado, que, falido, não o fornece. Neste
caso, vai-se “penhorar” (sequestrar, em realidade) valores das contas públicas para
adquirir esse medicamento. Ou seja, mesmo a impenhorabilidade de bens públicos não
e algo absoluto e tem sido relativizada diante de um interesse prioritário.

Além disso, há duas outras situações fora deste artigo em que também ter-se-á
essa situação de possibilidade de penhora:

b) Bem dado em garantia

Artigo 835, § 3º - deve-se lembrar que a penhora pode recair sobre o bem dado
em garantia, como a hipoteca, por exemplo. Então, esse artigo parágrafo 3 não vai
seguir a ordem regular da penhora; vai-se direto para aquele bem.

c) Faturamento de empresa

Artigo 866 - diz respeito à penhora do faturamento de empresa. Ideia não é


penhorar o faturamento da empresa; se possível, vai deixar-se isso de fora. Parece
combinar com a ideia da nova lei de falências que é o princípio de conservação da
empresa, até por uma questão social, porque a empresa afeta a coletividade. Só se
penhora o faturamento da empresa se não existirem outros bens.

Há algumas leis especiais no que tange a isso que merece atenção: art. 833 e
834 não esgotam todas as situações de impenhorabilidade. Existem outras hipóteses
fora do CPC em leis extravagantes que também configuram essa situação. Ver-se-á
aqui 2 situações:

1. Lei 8.036 em seu artigo 2º, § 2º estabelece a impenhorabilidade dos


valores depositados na conta vinculada ao fundo de garantia por tempo
de serviço, ou seja o FGTS. portanto, além do salário, também é
impenhorável o FGTS. isso vai me proteger caso eu seja demitido é deve
ser protegido.
2. Lei 8.009/90 estabelece a impenhorabilidade do bem de família, com uma
série de restrições e detalhes.
a) O foco da proteção desta lei é o resguardo do núcleo familiar.
Não se protege especificamente o devedor; protege-se o
devedor e a sua família. Quer-se resguardar as pessoas que
dependem do devedor é que residem juntamente com ele.
b) Bem de família = imóvel no qual a família reside.
c) Observa-se, contudo, que o conceito de família é muito amplo
é gera confusões: afinal o que e família? Considera-se bem
de família uma pessoa que mora sozinha com os gatos; ou
sozinho; ou com os avós? Por conta disso, importante atentar
para a Súmula 364 do STJ: entendeu que é impenhorável
também o imóvel de pessoas solteiras, separadas ou viúvas.
Portanto, pessoas que não tem família também estão no
abrigo da proteção representada por essa lei. Pessoas sem
família também devem ter a sua dignidade é direito à moradia
resguardados.
d) Artigo 3 estabelece exceções à regra de impenhorabilidade
do bem de família, do imóvel em que a pessoa reside. Faz
referência à:
I. dívidas trabalhistas. Pense-se nas dívidas com
empregada doméstica, caseiro, zelador, … Há um
conflito de dignidades aqui e optou-se por
preservar-se o lado trabalhista.
II. dívidas alimentares.
III. Tributos
IV. despesas de condomínio. Por isso não se deve
deixar de pagar quota condominial, porque, em
deixando-se, o próprio bem de família pode ser
penhorado para suprir essa dívida. Novo CPC
inclusive estabeleceu no artigo 784 que as quotas
condominiais quando aprovadas em assembleia
ou em estatuto são títulos extrajudiciais. Portanto,
indubitável que haverá nestes casos em que não
se paga às despesas de condomínio, a penhora
do bem de família.
V. Dívida contraída para aquisição do próprio imóvel.
isso já está colocado no artigo 833, § primeiro do
CPC. Impenhorabilidade do bem de família não é
oponível à execução de dívida contraída para
obtenção deste bem de família.
VI. Esta lei também determina, no seu inciso VII, a
penhorabilidade do bem de família do fiador no
contrato de locação. Se presta, portanto, à análise
econômica do direito. Ou seja, bem de família do
inquilino não e penhorável, mas o do fiador e.
Acessório está em posição pior que o principal,
portanto. Esse inciso VII foi objeto de julgamento
pelo próprio STJ é a grande pergunta é por que
isso? está de acordo com a CF? O STF
proclamou a constitucionalidade deste inciso. Um
dos votos vencidos foi o do Celso de Mello,
invocando o direito à moradia. A explicação para
esta penhorabilidade (porque penhorar o do fiador
é não o do inquilino) é no sentido de favorecer o
mercado de locação: o fato de saber, enquanto
locador, que vou poder avançar no bem de família
do fiador, me incentiva a colocar imóveis a
disposição para locação. Isso acaba promovendo
inclusive o próprio direito à moradia.

e) E se a pessoa não estiver residindo? a lógica dessa proteção


e resguardar a residência, então depende do caso. Por
exemplo, uma namorada que tem um apartamento mas nem
sempre está lá (às vezes está no namorado). Vai depender
do caso concreto e de análise jurisprudencial.
f) E quanto ao bem de família locado? Frequentemente,
aparece na jurisprudência. Ou seja, eu não resido no meu
apartamento próprio; ele está alugado a outrem. E com o
aluguel moro em um apartamento menor. A pergunta e: o fato
de o meu bem de família estar alugado a terceiro é eu não
morar ali torna ele automaticamente penhorável? Relativiza
a regra da impenhorabilidade? Tem-se súmula sobre isso; é
a 486/STJ:

É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja


locado a terceiros, desde que a renda obtida com a locação seja
revertida para a subsistência ou a moradia da sua família

g) Então, não tem problema que eu não esteja dentro do imóvel,


desde que alguma maneira eu use esse imóvel para auferir
renda (inciso IV do artigo 833) ou para morar em outro lugar.
Parece que aqui o ônus da prova de comprovar a
impreteribilidade da renda obtida é do devedor (executado)
que está alegando a impenhorabilidade.
h) É necessária a escritura pública do bem de família? Até onde
é do conhecimento do professor, isso não e exigido, não
precisando necessariamente averbar, registrar que aquele
bem é considerado bem de família.

10.6. ORDEM DE PENHORABILIDADE - ARTIGO 835

Trata da sequência a ser seguida pelo judiciário no momento da penhora. Já no


caput tem-se a palavra mágica que dá ideia da noção do dispositivo que e
“preferencialmente”: não se trata de uma ordem intangível, absoluta, podendo ser
alterada tanto pelo juiz quanto pelas partes.

Tem um enunciado do Fórum Permanente de Processualistas Civis de número


490, que entendeu ser possível, entre outros, o pacto de alteração de ordem de penhora.

Inciso I - primeiro bem pensado pelo legislador e o dinheiro, em espécie ou em


depósito, lembrando sempre da regra de 40 salários mínimos e a sua
impenhorabilidade. Aqui, há um problema em relação a súmula 417 do STJ, em que
entendeu que a penhora de dinheiro não é absoluta. O CPC, em contrapartida,
estabelece que tem ordem prioritária. O que está por trás do inciso I? princípio do
resultado; o dinheiro é o melhor bem para trazer resultado ao exequente, porque não
precisa-se leiloar, basta o juiz por meio de um alvará liberar o valor depositado em conta
bancária vinculada ao juízo é posta à disposição do magistrado. Também há a ideia de
que toda execução e específica: se estou no processo de execução para receber
dinheiro, então a prioridade de penhora será efetivamente o dinheiro.

Nós temos um procedimento próprio para a penhora de dinheiro chamado de


penhora eletrônica, em que o juiz se cadastra no Bacen Jud é pode penhorar
diretamente sua conta bancária. Isso é a primeira possibilidade ou a última? Primeira
coisa a ser feita é o comando no Bacen Jud, a penhora online? Ou só vou realizar a
penhora online se não encontrar nenhum bem para ser penhorado? STJ sedimentou a
ideia de que a penhora eletrônica deve ser a primeira tentativa de penhora a ser
realizada. A única condicionante e que a penhora online não é automática, não podendo
o juiz de ofício determinar isso, devendo ser requerido pelo exequente.

Inc. IV e V - Observa-se que os carros têm prioridades sobre imóveis (terrenos,


apartamentos, etc…) na ideia de que talvez vender o veículo seja mais fácil do que
alienar um imóvel

Inciso VI - móveis em geral (eletrodomésticos, bens suntuosos da residência).

Inciso VII - animais; não humanos podem ser penhorados. Cavalos de raça, cães
de raça, …

Inciso IX - iMPORTANTE. pode-se penhorar ações (portanto de sociedades


anônimas) e quotas de sociedades empresárias (sobretudo de sociedades limitadas) e
simples. A lógica e que o executado é quotista, de modo que posso penhorar a quota
dele dentro da Pessoa Jurídica, o que causa nesta um tumulto gigantesco na pessoa
jurídica. Este, aliás, e o objetivo central: gerar tumulto para que a Pessoa Jurídica pague
porque ao fim é ao cabo a quota em si não vale muito (o que se vai fazer com uma
quota). A ideia é muito mais de um meio coercitivo do que qualquer outra coisa.
Basicamente, a ideia é tentar transformar essa quota em dinheiro o máximo possível;
se não for possível, vou pedir a adjudicação da quota é isso significa literalmente “se
enfiar dentro de uma PJ”. Deve-se pensar que a sociedade limitada e uma sociedade
de pessoas, intuitu personae; então pode-se imaginar a bomba que será para a
administração da sociedade o exequente entrar como quotista. Portanto, tutela-se o
suprimento do crédito em pRol do caráter pessoal da sociedade limitada.

Inciso XII - IMPORTANTE. Posso penhorar bens incorpóreos; ou seja, posso


penhorar direitos. Portanto, posso penhorar direitos aquisitivos; ou seja, créditos em
geral que a pessoa pode obter. Então, esse inciso sinaliza a possibilidade de penhora
de crédito e de um direito específico que é o direito aquisitivo derivados de promessa
de compra e venda e de alienação fiduciária em garantia. Por exemplo, comprei um
veículo que foi financiado pelo banco e a garantia do financiamento é o próprio veículo
e se estabelece um direito de garantia em favor do banco chamado de alienação
fiduciária. O veículo portanto é do banco. Quando estou executando o adquirente do
veículo, não poderei penhorar o veículo em sí, porque ele não lhe pertence e sim ao
banco. O mesmo acontece com a promessa de compra e venda em relação a imóveis.
Não se é o dono do apartamento; se e o promitente comprador; tem-se um direito real
é futuramente, sim, ter-se-á o direito de propriedade quando se pagar todas as parcelas
do preço, mas no momento não.

Portanto, aqui não penhoro o veículo em si ou o imóvel em si; eu penhoro o


direito real do adquirente do veículo de utilizar-se da coisa e é isso que vai ser objeto de
leilão - o direito de utilizar-se da coisa.

Aqui, também, se depreende que o sujeito pode não ter nenhum direito mas pode
estar movendo uma ação contra alguém. Neste caso, exequente poderá penhorar o
direito que o sujeito terá no final da ação de indenização. Se a pessoa recebeu dinheiro
naquela ação cível, esse dinheiro vai ser redirecionado ao exequente.

§ 2º é interessante - penhorar dinheiro de pessoa jurídica é sempre uma


dificuldade. Ninguém tem dinheiro para nada, ainda mais neste contexto de crise. Todas
as lojas estão fechando. Então, a pessoa jurídica precisa deste dinheiro para pagar
tributos, salários, para investir. Tenho uma possibilidade muito interessante aqui que e
a substituição da penhora. Posso substituir a penhora do dinheiro. não por aquele carro
velho é podre. ideia de menor onerosidade está subordinada ao resultado. Mas esse
parágrafo equiparar ao dinheiro certos produtos chamados de fiança bancária e seguro
garantia judicial. Posso, então, enquanto pessoa jurídica, pedir que a penhora recaia
sobre um produto oferecido pelo banco chamado de seguro garantia judicial, que como
empresa faria sentido. libero meu dinheiro é consigo com um gasto muito inferior,
consigo dispor do meu capital de giro. Exemplo: uma empresa teve penhorado 105 mil
reais. Empresa, então, buscou um banco é ele ofereceu esse produto bancário chamado
de seguro garantia judicial é cobrou apenas 953 reais. Certamente a empresa de
calçados tinha muitas vantagens com o banco; nem sempre sai tão barato assim. Mas
certamente, bem menos do que o valor em dinheiro. Veja-se que essa medida e muito
interessante sob o ponto de vista da realidade empresarial.

Os próximos tópicos tratam de penhoras especiais.

10.7. PENHORA DE DINHEIRO – 854 (olhar anotações acima sublinhadas de verde)

Essa penhora e chamada de penhora eletrônica ou penhora online é foi


introduzida no processo comum em 2006 (já existia no processo do trabalho e fiscal)

Professor sugere um código comentado para estudar esses artigos - Marinoni.

O que eu preciso saber é que aparece no caput e que é necessário o


requerimento do credor. Em que pese o dinheiro seja prioritário, se exige requerimento
do exequente, tanto no cumprimento de sentença, quanto na ação autônoma de
execução de título extrajudicial. Se eu não requisitar isso, o juiz não poderá requisitar
tal providência é o sujeito vai cair na penhora tradicional, que é a de coisas. Esse artigo
significa a simplificação da tutela jurisdicional executiva

Essa tutela vai ser efetivada por meio eletrônico, o que significa que o juiz se
cadastrar em uma plataforma gerida pela autoridade supervisora do sistema financeiro
nacional - ou seja, o banco central - é essa plataforma se chama BACENJUD. O juiz
tem, então, um usuário e uma senha e ele que autoriza esse procedimento via meio
eletrônico.

Sobre procedimento: essa penhora se desenvolve em duas etapas/fases

1. Pesquisa e Bloqueio.
Banco Central vai identificar pelo meu CPF ou CNPJ todas as compras
efetuadas em meu nome. Por isso que o artigo 413, lá na petição inicial, manda colocar
cnpj ou cpf. Isso também vale para execução para poder viabilizar essa pesquisa. Feita
essa pesquisa vai haver o bloqueio da conta. Ou seja, o dinheiro continua na conta do
sujeito, mas está indisponível, de modo que não vai ter como utilizá-lo. Esse bloqueio
se dá sem ciência do executado. Não vou avisar que vou pesquisar e bloquear porque
ele vai dar um jeito de sumir com aquilo. A surpresa faz parte do negócio.

Mas o BACEN é um sistema burro, porque em determinados casos existe a


seguinte situação: há 10 contas é tem-se que penhorar mil reais. O sistema BACEN
penhora mil em cada conta bancária. Então, o CPC, sabendo disso, no parágrafo 1º
permite que o juiz ainda nessa etapa inicial de bloqueio em que o dinheiro ainda está na
conta do indivíduo, identifique esse bloqueio repetido ou excessivo, permitindo a
liberação deste valor. Há prazo de 24hrs para que essa determinação seja cumprida.

2. Penhora propriamente dita.

Depois de realizado o bloqueio é liberado valor que o BACENJUD tenha


bloqueado excessivamente, tem-se um procedimento em contraditório que ao final
culmina na penhora propriamente dita. Isso quer dizer o dinheiro vai sair da conta é vai
ingressar em conta bancária vinculada ao processo judicial, manejada unicamente pelo
juízo. É importante esse procedimento em contraditório porque por exemplo pode-se
estar diante de um bem impenhorável como o salário e neste caso o contraditório vai
determinar se o valor que foi bloqueado vai ser liberado, porque realmente trata-se de
bem impenhorável, ou se vai ser penhorado propriamente dito, porque não trata-se de
bem impenhorável.

o § 2º determina a intimação do executado para se manifestar acerca do bem


em um prazo de apenas 5 dias (código não diz isso mas talvez tenha-se que ouvir
também o exequente por conta do contraditório). Prazo processual então e dias úteis.
Intimação se dá na pessoa do advogado. É o que se diz aqui? Vou alegar
impenhorabilidade ou eventual excesso que tenha sido cometido neste processo. É o
executado que tem o ônus de alegar que a quantia que tem na conta dele é por exemplo
impenhorável porque é produto do seu salário. Mas deve provar isso, que é o que
estabelece o § 3º.

Portanto, posso me manifestar ou n”ao é finalmente o juiz decidirá. Trata-se de


uma decisão interlocutória é o artigo 1015 parágrafo único libera interposição de agravo
de instrumento para todas as decisões interlocutórias na execução. É esse é um dos
fatores que atravanca a execução, porque posso pedir efeito suspensivo ao relator. Mas
e o que o juiz decide? Decide por:

a. cancelar a penhora se demonstrar para ele que trata-se de bem


impenhorável; ou reduzir à indisponibilidade (há vezes em que penhora-
se mais do que o constante no título executivo).
b. Rejeitando as alegações do executado, e converte o bloqueio
(que o código chama de indisponibilidade) em penhora com a
transferência do valor para a conta vinculada, normalmente em um banco
público - na justiça estadual banrisul e na federal no banco do brasil.

10.8. PENHORA DE IMÓVEIS

Isso inclui também a penhora de veículos. Ela é realizada a distância, de modo


que não se apreende fisicamente o veículo/imóvel. Essa penhora é feita com base em
documentação a respeito do imóvel e do carro - certidão de matrícula é certidão do
cartório de registro de veículos automotores. Lembrar do exemplo do pitbull. Ao fim e ao
cabo, eu mesmo, exequente, vou adjudicar o bem. Como funciona isso?
O escrivão, tendo em mãos as certidões lavradas em cartório, vai lavrar o termo
de penhora (ver-se-á depois a diferença entre termo e auto de penhora. Auto é feito pelo
oficial de justiça fora do cartório, quando ele tem de apreender o bem; enquanto que
termo é um documento redigido pelo escrivão, dentro da sede do juízo). Só se precisará
pegar o bem fisicamente para realização do leilão judicial, mas não para a penhora.

Averbação da penhora na matrícula do imóvel/no registro do veículo automotor.


Essa averbação não é constitutiva da penhora; não preciso averbar a penhora para que
ela é efetiva; a penhora se considera perfeita é acabada com a lavratura do termo ou
auto. Objetivo portanto é dar ciência para terceiros. Pode ser realizado por meio
eletrônico (site academia.edu artigo de antônio cabral, falando sobre a influência da
tecnologia/informática no processo civil. Tem um tópico tratando da informatização da
execução)

Nomeação do depositário: não tem contato direto é físico do bem; ele cuida do
bem é tem despesas a arcar.

Quando penhora-se bens, tem-se uma série de sujeitos que têm de ser
intimados. NO caso de imóvel, tem-se que intimar cônjuge do executado, porque
dependendo do regime de bens o cônjuge pode ser proprietário da metade do imóvel
ou veículo, no que se chama de meação. Ou seja, o cônjuge que nem é executado,
poderá ser coproprietário por intermédio da meação (o que só não acontece no regime
de separação absoluta, não se forma um patrimônio comum) é por isso será intimado,
para fazer a defesa da sua parte. Está defesa poderá ser feita por dois meios:

1. Embargos à execução. Por que embargos? uso embargos quando me


insurjo contra a execução em si (não há título, dívida está prescrita, juízo
e incompetente, dívida já foi paga, etc…)
2. Embargos de terceiro, que são uma ação com procedimento especial de
jurisdição voluntária regulado pelo CPC. Esse foi o entendimento da
Súmula 134 do STJ. Neste caso eu vou pedir liminar para que o juiz libere
aquele imóvel, para conseguir a minha posse.

Quando se trata de bem divisível e tranquilo: separa-se a parte pertencente ao


cônjuge e está feito. No entanto, quando diz respeito a bem indivisível (apartamento,
por exemplo), o artigo 843 estabelece que esse bem será penhorado é será alienado,
levado a leilão, portanto é a meação do cônjuge recairá sobre o produto da alienação
do bem. Em outras palavras, a meação do cônjuge recairá sobre o dinheiro pelo qual o
bem foi arrematado. Então, o cônjuge vai perder o apartamento é vai receber a metade
do dinheiro que for obtido com a alienação. Pelo menos, o artigo estabelece direito de
preferência na hora de arrematar (ou seja, pagar em leilão judicial) os 50% relativos ao
outro cônjuge (exequente), para que se possa ficar com o bem.

10.9. PENHORA DE CRÉDITOS - Art. 860

Destaque de que trata o artigo são as colagens na capa do processo.

Observação: penhora de quotas e de ações. Tem um procedimento desenhado


no artigo 861. O código estabelece prazo de 3 meses (prorrogável - artigo 139, inciso
VI) para realização de um balanço patrimonial da sociedade e abrem-se basicamente 4
possibilidades (quando se adquire uma quota ou uma ação o código estabelece quatro
possibilidades):

1. Oferecimento aos demais sócios para que paguem por ela, e impedir que tenha
alguém estranho na sociedade. OBviamente alguém vai aumentar sua
participação na sociedade
2. Se isso não acontecer, proceder-se-á a liquidação da quota. Na prática, significa
que a quota será extinto, também impedindo a entrada de uma pessoa estranha,
mas haverá diminuição do capital social.
3. Outra possibilidade é a aquisição da quota pela própria sociedade, sem extinção
da quota ou redução do capital social.
4. Se nada disso funcionar, proceder-se-á ao leilão judicial. Código não deixa isso
claro em relação à sociedade limitadas, mas o professor sustenta haver a
possibilidade de adjudicação por parte do exequente (ficar com a coisa, ao invés
de vendê-la). Vou me jogar dentro de uma sociedade limitada. Obviamente que
aqui a ideia é dar um jeito de pressionar ao pagamento e não a vontade em si
de ser sócio.

10.10. DOCUMENTOS DA PENHORA - Art. 838/844

 Auto: redigido pelo oficial de justiça, significando que ele que vai sair do
cartório, se deslocando ao bem e realizará apreensão fora do juízo.
Redigirá um auto, relatando o ocorrido e nomeando o depositário (é ele
quem realiza ou o juiz?). Observe-se que se a avaliação não exigir
conhecimentos especializados, pode ser realizada pelo oficial de justiça.
 Termo: redigido pelo escrivão ou chefe de secretaria (JF) e faz a
apreensão (ficta) realizada em juízo.
 Averbação na matrícula: lembrando que não é constitutivo da penhora,
porque ela considera-se completa com a lavratura do termo ou do auto;
é só para ciência de terceiros.

AULA DO DIA 23.05

Deve-se lembrar que o oficial vai atribuir valor ao bem quando não forem
necessários conhecimentos específicos (de mercado financeiro, imobiliário, etc..). eve-
se destacar o parágrafo terceiro.

10.11. Intimação da Penhora

Novo CPC tem um contraditório forte como um dos seus principais pilares; por
isso tem-se um sistema específico de intimação para realização da penhora. Em
primeiro lugar, portanto, o artigo 841 determina a intimação do executado, na pessoa do
advogado por nota de expediente (serve para cumprimento de sentença também). § 3º
é bastante radical, porque estabelece que se a penhora for realizada na presença do
próprio executado (penhora de veículos e imóveis que não sejam impenhoráveis, por
exemplo), o sujeito é intimado na hora, no momento de realização da penhora.

Outra pessoa que precisa ser intimada, diz o artigo 842, é o cônjuge quando a
penhora recair sobre imovel ou um direito real que tenha por objeto bens imóveis.
Lembrando que pode-se penhorar direitos reais (usufruto, servidão, posse, etc..). E
dependendo do regime de bens do casamento, o cônjuge terá direito a meação (50%
doe propriedade sobre aquele bem) e por isso deve ser intimado para poder defender a
parte que lhe compete, a sua meação. Essa intimação não ocorre somente no regime
de separação absoluta, em que cada cônjuge tem seu patrimônio próprio. O cônjuge
intimado poderá se defender tanto via embargos de execução (ou impugnação ao
cumprimento de sentença), enquanto um meio de defesa, como também via embargos
de terceiro, enquanto ação de conhecimento de procedimento especial.
No artigo 674 delimita-se a intimação do terceiro proprietário do bem dado em
garantia. Portanto, não se é parte no processo e por mero equívoco acaba sendo
penhorado. Trata-se, assim, de um artigo que diz respeito à legitimidade ativa para
ajuizar essa ação. O § 2º, IV delimita que é considerado terceiro para fim de aplicação
do artigo:
IV - o credor com garantia real para obstar expropriação judicial do objeto de
direito real de garantia, caso não tenha sido intimado, nos termos legais dos atos
expropriatórios respectivos.

Esse sujeito não é executado, não é o dono do imóvel, não detém o direito de
propriedade sobre o imóvel, mas ocorre que este imóvel garante o pagamento de uma
dívida dele; ou seja, ele tem um direito de garantia sobre o imóvel, como uma hipoteca
por exemplo. Então, essa situação é a de outro credor que não é exequente, mas foi
penhorado o bem que é garantia do adimplemento da sua obrigação. Trata-se, aqui, do
credor hipotecário. Portanto o bem sobre o qual incide um direito de garantia é
penhorado, de modo que é óbvio que o sujeito dono da garantia vai perdê-la e terá a
possibilidade de ver seu crédito prejudicado. Assim, é conferido a ele o direito de
acompanhar a execução e eventualmente arrematar o bem.

Artigo 799, por fim, prevê intimação de uma série de pessoas:

Inc. I - justamente o que se falava no item anterior. É a ideia de que foi penhorado
um bem sobre o qual incide um direito real de garantia, de modo que deve-se intimar o
titular do direito real. Não é o titular do bem, porque este é o executado e sua intimação
está prevista no artigo 841.

Inc. II - isso consiste na intimação do titular de um direito real limitado. Existem


direitos reais que são menos extensos que a propriedade, que são limitados. Eles
consistem em um único atributo do direito de propriedade. O mais conhecido dentre
esses direitos limitados, é o usufruto, tendo-se o direito de usar e fruir. É comum o pai
doar bens para os filhos, mas para que os filhos até a morte não os venda ou abra mão
deles, ele fica com o direito de usufruto. Há outro direito que é mais restrito que é o
direito de uso (não se pode fruir, portanto) e, ainda, o direito de habitação, que surge no
contexto das relações familiares; trata-se só de morar, não se podendo fruir, nem usar.
O que ocorre neste inciso é que é penhorado o bem (geralmente um imóvel) sobre o
qual existe um direito real limitado e intima-se o titular dele.

III - trata-se do contrato de promessa de compra e venda, prevendo-se a


intimação do promitente comprador (ainda não se é proprietário propriamente dito),
quando for penhorado o bem sobre o qual recai a promessa de compra e venda. prometi
comprar um apartamento e este foi penhorado por uma dívida da construtora, por
exemplo, que está sendo executado. É a mesma lógica do inciso anterior: tenho um
direito sobre o imóvel então tenho direito de ser intimado.

Inc. IV - trata também da promessa de compra e venda, mas aqui a intimação é


a do promitente vendedor (a empresa que prometeu vender o imóvel, como IMEX,
Melnick). Aqui, a penhora não recai sobre o bem mas sobre o direito do promitente
comprador (o direito aquisitivo que tem quando da promessa de compra e venda). Aqui,
o promitente comprador é que está sendo executado; ele não tem bens, mas ele tem
um direito aquisitivo (lembre-se que não necessariamente posso penhorar coisas
corpóreas) que será objeto de penhora. Neste caso, deve-se intimar o titular do imóvel,
que é o promitente vendedor.

Inciso V e VI tratam do mesmo assunto em dois ângulos diferentes, conforme eu


tenha penhorada a coisa ou o direito sobre a coisa.
Inciso V - trata da intimação do superficiário, do enfiteuta ou do concessionário.
Neste caso a penhora recai sobre o imóvel submetido ao direito de superfície, enfiteuse
ou concessão, devendo intimar-se o titular do direito de superfície, de enfiteuse ou
concessão. Contrato da Arena do Grêmio descobriu-se, em dado momento, que o dono
da Arena tem um direito de superfície e não direito de propriedade (nem se sabe ao
certo quem é proprietário daquele terreno). Suponha-se que essa propriedade seja
objeto de penhora, o Grêmio poderá ser intimado para poder defender este seu direito
real.

Inciso VI - trata do mesmo assunto (direito real limitado), mas do ponto de vista
de intimação do proprietário, quando a penhora recair sobre o direito de superfície,
enfiteuse ou concessão. Aqui, por exemplo, quem estaria sendo executado seria o
Grêmio e quem seria intimado seria o proprietário, seja ele qual for. Observa-se que
aqui não aliena-se o bem, mas o direito em si.

Inc. VII - trata da intimação da sociedade quando a penhora recair sobre quota
ou ação. Neste caso, se colocará dentro da sociedade o adquirente, que é alguém novo
na sociedade, razão pela qual se permite a intimação da sociedade para acompanhar o
processo de execução.

Em resumo, intima-se o executado, seu cônjuge (com exceção do regime de


separação absoluta - prova), bem como pessoas titulares de direitos sobre o bem
penhorado ou o pessoas titulares do próprio bem penhorado.

10.12. Pluralidade de Penhoras sobre o mesmo bem

§ único do artigo 797 delimita não haver impedimento de que se penhore o


mesmo bem inúmeras vezes. Sempre que tiver um valor considerável e as dívidas que
geraram as penhoras não forem grandes, em tese, o bem pode satisfazer a todo mundo.
Então o fato de o bem estar penhorado, não impede que ele seja penhorado novamente,
de modo que pelo simples fato de sobre ele cair constrição judicial não há de se falar
em bem impenhorável. O caput deste artigo diz que a penhora confere ao exequente o
direito de preferência, de modo que, alienando-se o bem, o produto resultante vai ser
direcionado de acordo com a ordem dada. Quem penhorou em primeiro lugar tem
preferência.

Fredie Didier diz que esse artigo não pode ser interpretado isoladamente de
modo que devem ser aplicadas as regras da falência, que também tratem de direito de
preferência. O nome dessa matéria é concurso singular de credores (não é concurso
universal).

Suponha-se que está em execução civil e se quer penhorar um bem mas tem
ação de conhecimento trabalhista que não chegou em execução; está-se acertando a
existência de um crédito que talvez nem exista. Parece que não há de se falar em
concurso singular de credores, porque só ocorre quando tem-se outra demanda que
também esteja em fase de execução (ação de execução fiscal, execução trabalhista); a
mera existência de uma demanda de conhecimento trabalhista não confere a
preferência de um crédito trabalhista que não foi nem declarado pelo poder judiciário. O
que se pode fazer é pedir uma medida cautelar de arresto do bem.

10.13. Penhora considera-se perfeita com apreensão e depósito (839)

Lembrando que tem-se o auto de penhora e o auto de apreensão e depósito.

10.14. Modificações da Penhora

Tem-se três situações, que na verdade são quatro. Em primeiro lugar, tem-se a
A) substituição do bem penhorado, que significa trocá-lo por outro. Há dois
artigos que regem a substituição do bem penhorado. Portanto a circunstância é a
mesma mas ela pode ser apurada de modos diversos:

 Art. 847 trata da substituição do bem penhorado por iniciativa do


executado. O motivo para que isso se dê é o princípio da menor
onerosidade. Este princípio está submetido hierarquicamente ao
princípio do resultado, de modo que não adianta eu pedir a troca do
dinheiro por um carro velho e desvalorizado. O juiz não deve acolher esse
requerimento porque a penhora do carro nessas condições é prejudicial
para o exequente obter a tutela do crédito. Mas deve-se pensar que o
CPC de 2015 abriu espaço para autonomia privada, no artigo 190, então
nada impede que exequente e executado celebrem negócio exigindo a
substituição do dinheiro por um carro.

A lógica aqui é que precisa-se respeitar a efetividade da execução; por isso, o


último parágrafo determina que o juiz deve intimar o exequente para se manifestar.
Professor pensa, neste sentido, que o juiz não deveria indeferir de plano a substituição
do bem penhorado requerido pelo executado, ainda que seja absurdo. Vai que o
exequente concorde em substituir dinheiro pelo carro. .

 Artigo 848 é a substituição requerida pelas partes; ou seja, tanto pelo


exequente, como pelo executado. Aqui há uma lista de possibilidades

Inc. I - Quando a penhora não obedecer à ordem legal. Quando por exemplo o
juiz penhorou um carro, tendo dinheiro para penhorar.

Inc. II - quando a penhora não incidir sobre os bens designados em lei, contrato
ou ato judicial para o pagamento. Há de se destacar aqui o contrato.

Inc. IV - se tenho um bem que foi penhorado várias vezes, é natural que a
penhora recaia sobre outros que ainda não tenham sido penhorados. Então, sim, se
permite que um bem seja penhorado várias vezes

Inc. V - penhora de bens de pouca liquidez, que ninguém quer, como disquetes
e videocassetes.

Inc. VI - trata da tentativa de alienação judicial. Não apareceu ninguém para


arrematar a coisa

Parágrafo único - importante. Permite a substituição da penhora por fiança


bancária ou por seguro garantia judicial, desde que em valor não inferior ao do débito
constante da inicial, acrescido de trinta por cento. 30% é posto aqui para contemplar
custas, eventual correção monetária, etc.. Trata-se de uma ferramenta muito boa, que
deve ser utilizado (pesquisar mais pois prof não falou muito sobre - prova).

B) Redução ou ampliação da penhora: Na redução, por algum equívoco


operacional, foram penhorados bens em valor superior ao débito, de modo que
desconstitui-se a penhora com relação ao excesso. Outro movimento também é
possível: verifica-se que o crédito é superior ao valor do bem penhorado, de modo que
poder-se-á penhorar mais coisas. O artigo 850 que trata disso fala também do valor de
mercado (penhorei um carro com determinado valor e depois de um tempo deprecia;
pode-se ampliar o valor da penhora).

C) segunda penhora: houve um motivo que tornou ineficaz a penhora, de modo


que será realizada novamente.
Inc. I - quando a primeira penhora for anulada. Penhorei um carro e o executado
diz que o carro é indispensável à atividade e que é impenhorável. O juiz vai remover a
penhora sobre ele procurará outro bem para tanto

Inc. II - quando o produto da alienação do bem não for suficiente para pagar o
exequente. É quando o bem é arrematado por um valor baixo que não é suficiente para
pagar o exequente. Neste caso, não acaba a execução; haverá nova penhora sobre
outros bens até que o valor seja suficiente para suprir o crédito.

Inc. III - o exequente desistir da primeira penhora, pedindo uma segunda. Neste
caso, haverá nova oportunidade de impugnação ao cumpriemnto e de embargos à
execução, com relação àquele novo bem penhorado.

10.15. Depósito Judicial

 10.15.1. Ordem de Nomeação

Importante observar que não trata-se de um depósito contratual, convencional,


como quando deixa-se o carro em estacionamento. Trata de depósito imposto pelo juiz.
Artigo 840 trata da ordem de nomeação do depositário. Deve-se lembrar que não é mais
possível a prisão do depositário infiel, desde 2008 (súmula vinculante 25 STF e 149
STJ). Observe-se que a palavra “preferencialmente” dá entender de que não trata-se de
um rol taxativo, podendo ser convencionado em contrário por um negócio jurídico
processual.

Inc. I - O Branco que este inciso trata, para além do Banco do Brasil ou Caixa
Federal, é o banco público do qual o Estado ou o Distrito Federal possua mais da metade
do capital social integralizado, seja de economia mista seja empresa pública. Somente
na falta de algum dos bancos elencados, vai-se estes bens depositados para bancos
privados.

Governos dos Estados metem a mão nos depósitos judiciais. Isso foi
intensamente discutido em 2013 e 2014, quando os estados já tinham dívidas imensas,
e queriam alterar a parte de preferência para bancos públicos. Este artigo é estratégico,
porque se não existisse, senão todos, a grande parte dos estados já teria quebrado por
completo.

Inc. II - os móveis, os semoventes, os imóveis urbanos (observe-se que para


imóveis rurais há regra diferente) e os direitos aquisitivos sobre imóveis urbanos, em
poder do depositário judicial (Que é nomeado ou em determinada comarca existe sujeito
público específico para tanto).

Inc. III - engloba os imóveis rurais de forma geral e para não prejudicar a
atividade produtiva destas pessoas este bem é depositado nas mãos do próprio
executado, mediante caução (garantia), por exemplo, passando adiante a fazenda como
garantia.

§ 1º fala que o próprio exequente pode ser nomeado depositário, se não houver
depositário judicial, já que ele tem interesse em vender o bem.

§ 2º fala que o executado pode ser nomeado depositário, nos casos de difícil
remoção ou quando anuir o exequente.

Portanto, verifica-se 4 possibilidades de depositário: 1) banco; 2) terceiro


(auxiliar da justiça), que não seja nem exequente ou executado; 3) exequente, quando
não houver depositário judicial; 4) executado. Juntando o inciso III com o § 2º vê-se que
o executado poderá ser nomeado em três situações:
a. quando for imóvel rural
b. quando for um bem de difícil remoção. É o caso de penhora da fonte Carlos
Jardim, feita por um escultor famoso italiano, de mármore puro.
c. quando anuir o exequente. Neste caso, está-se diante de negócio jurídico
processual (artigo 190).

O normal, contudo, é o executado não ser depositário; é o bem ficar nas mãos
de um terceiro ou em um banco.

 10.15.2. Direitos e deveres do depositário:

a. dever de guarda e conservação da coisa.


b. direito à:
 remuneração, prevista no artigo 160. Mas quem remunera? Ao
fim e ao cabo, esses valores serão suportados pelo próprio
executado. No caso de depositário público as remunerações
seriam pagas pelo próprio poder judiciário.
 Tudo que gastar com a guarda e conservação é reembolsado a
ele, conforme previsto no artigo 161. Mas esse artigo também
trata da responsabilidade civil do depositário.

10.16. Avaliação

Penhorou-se, intimou-se as pessoas, lavrou-se auto de penhora e o auto de


depósito, e agora temos a fase de avaliação. Avaliação significa atribuir valor monetário
aos bens penhorados. Se está-se penhorando dinheiro, essa parte nem existirá. De
regra, essa atribuição de valor monetário, hoje, é feita pelo oficial de justiça. Isso é assim
desde a reforma de 2006, na intenção de simplificar as coisas e não necessitar de um
avaliador oficial (só quando realmente necessário). Pode, neste sentido, ser atribuído
valor por perito que o código no § único chama de avaliador, se for necessário
conhecimentos especializados. Talvez embarcações, lote de sacas de arroz. Trata-se
de uma exceção à regra de experiência comum, porque ultrapassa as forças comuns
do oficial.

O avaliador então elabora um laudo e o juiz vai obviamente se pronunciar sobre


este laudo e que vai haver contraditório em cima deste laudo e depois há o agravo de
instrumento para discutir no tribunal.

Chama-se atenção, aqui, para o artigo 873, que trata da situação da nova
avaliação. Avaliação é um ato formal, então não se vai ficar refazendo-a a bangu (até
porque tem uma série de atos posteriores também importantes neste processo). Mas
neste artigo estabelece-se três situações em que se pode requerer uma nova
avaliação.

Inc. I - ocorrência de erro ou dolo em relação ao oficial ou ao avaliador.

Inc. II - majoração ou minoração do bem penhorado. Trata-se de situação já


tratada de depreciação do carro ou valorização imobiliária.

Inc. III - aqui afigura-se claro que não são só as partes que podem requerer nova
avaliação, mas o próprio juiz exercendo seus poderes de direção processual, poderá
estabelecer isso, se houver dúvida fundada. Lembre-se do paradoxo probatório da prova
pericial, a que faz menção Danilo Knijnick e Michelle Taruffo: nomeia-se perito quando
o juiz não tem conhecimento técnico, mas esse mesmo juiz que não tem conhecimento
técnico algum terá de valorar a prova pericial. Aqui, a situação é semelhante a este
paradoxo, mas a diferença é que abre-se a possibilidade ao juiz de requisitar nova
avaliação e não de atribuir arbitrariamente um valor ele mesmo.

Aqui é importante a referência ao artigo 874, porque tendo uma nova avaliação,
pode-se ter que ajustar a penhora, reduzindo ou aumentando-a. Valor do bem
penhorado aumentou muito, então ver-se-á se consegue-se dividi-lo e com isso reduzir
a penhora.

Dispensa da avaliação: artigo 871 determina que não se procederá à avaliação


em determinados casos, que são 4:

 Consenso. Uma das partes aceita a estimativa feita pela outra, seja pelo
executado seja pelo exequente. Portanto, em primeiro lugar, tem-se que
é possível que o próprio executado extinga o valor do bem. Não
necessariamente o oficial de justiça vai atribuir valor; pode haver uma
estimativa feita pelo próprio executado. Por outro lado, o exequente
também pode fazer isso: ele faz a pesquisa prévia de bens e coloca na
petição inicial ou no requerimento de cumprimento de sentença a lista de
bens penhoráveis e já ali estima-se qual seria o valor de cada bem. Veja-
se que, neste caso, o único beneficiado será ele mesmo. Além deste
consenso na proposta trazida pela outra parte, pode-se pensar aqui em
negócio jurídico processual.

 Títulos ou mercadorias com cotação em bolsa. Não precisa-se avaliar


porque o bem já tem a avaliação de mercado.

 Títulos da dívida pública, que também tem cotação oficial.

 Veículos. Neste caso, a pessoa simplesmente traz o anúncio ou o print


de tela da tabela Fipe.

11. EXPROPRIAÇÃO

11.1. Noções e formas de expropriação:

Depois que realizei a penhora, que pode levar anos (intimações, nomeação de
depositário, realizou-se avaliação do bem), tem-se a etapa da alienação do bem
penhorado, que consiste na expropriação. Deve-se atentar para a diferença entre
expropriação e desapropriação. Esta é efetivada pelo poder judiciário com todo um
procedimento específico. O que se fala aqui é em expropriação, consistente na
transferência da propriedade do bem (para o exequente, para um terceiro, para um
familiar do acusado, etc..) para fins de pagamento da dívida.

Há três grandes técnicas expropriatórias, de execução direta, por sub-rogação


(substituição do comportamento devido):

1. Adjudicação. Significa entrega do bem penhorado ao exequente. Ao


invés de receber o dinheiro (veja que a execução deveria ser específica.
Se tenho direito de receber dinheiro, então é isso que devo receber) eu
posso optar por receber um valor diferente, consistente na própria coisa
penhorada. Trata-se de uma escolha do próprio exequente. Ver-se-á,
contudo, que não só o exequente pode adjudicar mas outras pessoas
que tem interesse no bem poderão também.
2. Alienação. Há duas modalidades de alienação:
a. Por iniciativa particular. Foi instituída com a reforma de 2006, e consiste em uma
alienação realizada privadamente pelo próprio exequente é que providencia a alienação
da coisa penhorada (providenciará um corretor, um site para fazer a divulgação, etc..
para agilizar a venda do bem). Deve-se pensar que a ideia é fugir da alienação judicial,
porque é uma “desgraça”, é mais demorado.
b. Pelo poder judiciário, chamado de leilão público, realizada pelo poder judiciário.
Antigamente, no código de 73 havia uma distinção entre praça e leilão, conforme o bem
fosse móvel ou imóvel. Hoje não há mais essa distinção, é tudo a mesma coisa. Esse
tipo de alienação como é muito demorado, deve-se tentar fugir disso, seja recorrendo à
adjudicação, seja recorrendo à alienação por iniciativa particular. Observa-se que,
inclusive, uma alternativa ao leilo tradicional é a possibilidade de realização de leilão por
meio eletrônico, que é regulada por regimentos de tribunais.

3. Apropriação de frutos e rendimentos. É algo um pouco diferente de


expropriação, porque não é a venda do bem em si mas dos frutos e
rendimentos. É parecido com a ideia de anticrese.

11.2. Adjudicação

 11.2.1. Conceito e caráter prioritário (825, I)

Deste artigo vê-se que a primeira coisa que deve ser tentada pelo juiz é a
adjudicação. A ideia portanto é que adjudicação é o meio preferencial, quando não há
possibilidade de obtenção do dinheiro, em si. O caráter prioritário dela implica em dizer
que ela será a primeira forma de expropriação, mas que também será a última, quando
não encontrar-se outros bem penhorados. Este caráter preferencial depreende-se
conjuntamente doa artigo 876 e 880.

 Quem pode adjudicar e quando

Em primeiro lugar, deve-se ter em mente que a adjudicação pode ocorrer em


qualquer momento após a avaliação (ou seja, deve-se ter o valor do bem para poder
entregá-lo, porque, dependendo do valor, não será suficiente a mera entrega; ter-se-á
que pagar valor, também ou realizar novas penhoras, porque terá uma questão de
diferença a ser acertada) e até o início da alienação judicial (leilão).

Quais são os sujeitos que podem requerer a adjudicação?

A) Exequente - 876, caput


B) Terceiros interessados nos bens - 876, §§ 5º (que por sua vez remete
para o artigo 889) e 7º:
 Exequente que penhorou o mesmo bem. De novo, a ideia de
concurso singular de credores. O sujeito que está no final da fila
de preferência, já vendo que não vai conseguir obter o produto da
alienação, poderia ter interesse em efetivar a adjudicação.
 Cônjuge. Lembre-se que o imóvel é indivisível e o cônjuge vai se
ferrar se o apartamento for penhorado, porque é dele também.
Ocorre que confere-se a ele a possibilidade de salvar o bem onde
ele mora, adjudicando o bem, mantendo-o para si e não
permitindo que se dê a alienação para outrem (lembrando que
caso o cônjuge não exerça a prerrogativa de requerer a
adjudicação, ocorrerá a alienação mediante leilão ou iniciativa
particular e daí ele terá direito à sua meação - 50% do valor da
venda). Observe-se que o código não faz referência a que
cônjuge de que tipo de separação de bens; a lógica seria não
estender para os cônjuges com separação absoluta, visto que nas
regras de intimação eles não são intimados exatamente porque
não haveria interesse. Mas há de se questionar, porque mesmo
na separação absoluta, o outro cônjuge estaria morando naquele
apartamento e em teoria teria interesse também, mas professor
não sabe dizer o que a doutrina delimita.
 Coproprietário do bem indivisível. Não é só no casamento civil ou
união estável que se forma patrimônio comum; pode-se fazer
entre amigos, irmãos, etc… tem mil motivos que podem gerar a
situação de condomínio, copropriedade.
 titulares de direitos reais limitados/sobre coisas alheias quando
penhorado o bem. São direitos pequenos, com menos extensão
que o direito de propriedade. Atente-se ao direito de laje que é
algo que surge recentemente com as favelas: construção de lajes,
casas uma em cima da outra, de maneira informal. Com o
governo Teme é que cria-se esse novo direito real. No rio grande
do sul, é chamado de direito de puxadinho, direito de hotelagem
(Lei 13.465/17). Cada novo andar vai receber uma matrícula e vai
ter um direito autônomo em relação às lajes inferiores.
 Proprietário quando penhorado o direito real limitado. Lembrando
que trata-se da mesma situação, só que ao contrário.
 Credor pignoratício, hipotecário, anticrético ou fiduciário. Tratam-
se de direitos reais de garantia que são parecidos com os direitos
reais limitados, mas tem a especificidade de garantir uma dívida
 Promitente comprador quando penhorado o bem
 Promitente vendedor quando penhorado direito aquisitivo
 UF, EE, MM quando bem tombado. Neste caso, estes bens
devem ser ofertados em primeiro lugar para os sujeitos de direito
público. Na prática, contudo, isso não funciona porque os estados
e municípios estão quebrados.
 Sócios, quando penhorada a quota do capital social.

 11.2.3. Valor do bem e valor do crédito - 876, § 4º

Tem-se que pagar algo para adjudicar? Se o valor da avaliação do bem foi igual
ao valor da dívida, do valor pleiteado em execução eu não preciso pagar nada; basta
solicitar a adjudicação e me torno proprietário do bem. Mas dificilmente o valor da
avaliação é exatamente igual ao valor da dívida. O normal e mais recorrente é o valor
da avaliação ser diferente, para mais ou para menos, em relação ao valor do crédito que
está sendo executado.

Assim, se o valor do bem (da avaliação) for menor que o valor do crédito - no
caso de pexincha de querer comprar um bem pelo preço menor de mercado -, então a
execução continuará pelo saldo restante. Ou seja, ter-se-á que penhorar mais bens e
abrir-se-á novamente a possibilidade de adjudicação. Se, por outro lado, o valor da
avaliação for maior que o valor do crédito (estou executando 80 mil e o valor da
avaliação é 150 mil. Teria 70 mil de diferença) - caso de compra de um apartamento dos
sonhos, a qualquer custo - o requerente da adjudicação (exequente ou terceiros
interessados) deposita a diferença.

 11.2.4. Procedimento

Deve haver um requerimento pelo exequente ou pelo terceiro (portanto, deverão


habilitar um advogado para tanto). Pode o executado adjudicar a coisa? Essa faculdade
existia no código anterior, mas não neste. Nada impede que fique com a coisa, mas terá
que obviamente pagar o valor para tanto.

Depois do requerimento, cria-se uma espécie de incidente em que tem-se que


ouvir a outra parte, consistente em um contraditório básico. Há prazo de 5 dias úteis
para manifestação do executado. Há, novamente, intimação de outras pessoas já
tratadas nesta aula e, por fim, o juiz decidirá, cabendo agravo de instrumento. Depois
que o juiz aprove a adjudicação, será lavrado um auto de adjudicação, uma espécie de
certidão lavrada pelo escrivão, em que ele vai narrar a ocorrência dessa questão da
adjudicação.

Questão importante é que depois da lavratura do auto, precisa-se transferir o


bem para o nome de quem adquiriu o bem e precisa-se tomar posse dele. É para isso
que faz-se a expedição da carta de adjudicação, também lavrado pelo escrivão: para
colocar o bem no nome de quem adquiriu. Ato contínuo, o juiz determinará a expedição
de um mandado chamado de mandado de imissão na posse (imóvel) ou entrega de
coisa móvel. Percebe-se então, que colocar o bem no nome da pessoa que adquiriu o
bem e colocar esse sujeito na posse são coisas diferentes. O ato de colocar o nome
pode ser feito inclusive a distância, mas o problema maior diz respeito à colocar o sujeito
na posse do bem, porque às vezes implica em atos com uso de força (por exemplo BM
retirar a força o sujeito que está no imóvel cuja propriedade é de quem adjudicou o bem,
seja o exequente ou o terceiro).

Recurso à decisão é o agravo de instrumento.

11.2.5. Atitudes do executado para impedir a adjudicação:

Com a adjudicação o executado vai perder a coisa para sempre. COm a penhora
não é perda, não é expropriação; é só primeiro passo. Há algumas possibilidades para
impedir, portanto, essa perda eterna, consistente na adjudicação:

a. remição da execução, no sentido de salvá-la. Posso remir toda a execução. Ou


seja, vou pagar o valor que está sendo executado (incluindo custas, honorários,
eventuais multas, ...), tirando dinheiro de algum lugar.
b. substituição do bem penhorado. Diferença para o anterior é que aqui não haverá
diretamente a extinção da execução (porque deverá intimar o executado, antes de
decidir propriamente).
c. remição do bem penhorado. Uma coisa é remir toda a execução e outra coisa é
remir o bem penhorado, única e exclusivamente. Neste caso, deposita-se em juízo o
valor única e exclusivamente daquele bem e salva-se aquele bem em específico,
prosseguindo a execução com relação aos demais bens penhorados.

AULA DO DIA 30.05

No final do tópico da última aula, falou-se em três possibilidades de como o


executado impede adjudicação do bem penhorado; ou seja, a perda da coisa. Foi falada
da remição da execução, que seria pagar o valor total do débito exequente. Depois,
substituição do bem penhorado por dinheiro no slide, mas deve-se tirar essa parte ˜por
dinheiro˜.

11.3. ALIENAÇÃO

Quando fala-se em alienação, deve-se entender que se está diante de um


negócio jurídico bilateral, muito semelhante a uma compra e venda. Aqui, no entanto, a
diferença é que a alienação é um negócio jurídico bilateral regido por direito público.
Exemplo supremo de negócio jurídico praticado dentro do processo. Trata-se de direito
público por conta de três fundamentos: 1) é celebrado dentro do processo judicial. 2)
esse negócio é regido majoritariamente por leis processuais, portanto não é regrado
pelas regras do Código Civil sobre compra e venda 3) uma das partes é sempre o poder
estatal, na figura do poder judiciário.
Então aparentemente pode parecer compra é venda mas essencialmente não é
por conta da ideia de que é de direito público.

Legislador montou uma ordem de preferência com relação à expropriação é ele


prefere sempre a adjudicação, por ser mais fácil é mais simples, tendo-se efetivamente
um resultado. Ideia portanto é tentar que o exequente prefira ficar com a coisa. Tem-se,
portanto, o caráter subsidiário da alienação.

Poderia dizer que existem três formas de alienação:

1) alienação por iniciativa particular. É uma novidade da reforma de 2006. Iniciativa


particular significa que não é um leiloeiro público que fará a alienação do bem. Venda
se dará em realidade pelo próprio exequente que e o maior interessado na alienação do
bem, para obter a satisfação do crédito. Código portanto tenta simplificar se mantendo
na tradição nova instaurada pela reforma de 2006.

2) Leilão judicial. Antigamente, havia diferenciação de praça e leilão. Praça se referia a


imóveis é era feito no prédio do foro (remonta à figura do direito romana). Novo CPC
unificou e uniformizou a nomenclatura, de modo que se não sair a alienação particular,
será feito por leilão. Tem-se aí duas modalidades:

2.1) Presencial; e realizada pelo leiloeiro público. Alternativa é o:

2.2.) Virtual (882, parágrafo 2). Ao invés da figura tradicional, que se conhece de filmes,
tem-se uma figura preferencial, que é vender o bem pela internet. O código, portanto,
estabelece uma prioridade pelo meio virtual.

1.3.4. ALIENAÇÃO POR INICIATIVA PARTICULAR - 880

Aqui há uma privatização da tarefa de oferecer o bem; trata-se da figura da


desjudicialização da execução, fora do poder do juiz, que será realizada pelo exequente
ou leiloeiro credenciado perante o poder judiciário (veja-se que neste caso não trata-se
exatamente de um auxiliar da justiça; e credenciado). Há uma regra básica sobre a
experiência profissional deste leiloeiro que é de no mínimo 3 anos. Professor equipara
esse leiloeiro ao perito, que também é credenciado perante o juiz.

Observa-se que o juiz estabelecerá um quadro e um desenho de modo que


quem fizer essa alienação não fará a alienação como bem quiser. Na cadeira do
semestre que vem, ver-se-á o que se chama de adequação jurisdicional do
processo. Novo CPC muitas vezes delega ao juiz a tarefa de desenhar o procedimento,
adequado este as particularidades do caso concreto. O princípio da adequação,
portanto, significa a necessidade de concretizar e trazer para o caso específico regras
gerais. Então, aqui, o juiz tem ampla possibilidade de fixar prazos para alienação, forma
de publicidade, preço mínimo, condições de pagamento, garantias e, se for o caso, a
comissão de corretagem (880, parágrafo 1). Para o professor, neste sentido, o juiz
criaria direito.

Mas não posso, contudo, delegar para cada juiz de cada estado, essa
necessidade de fazer o estabelecimento do processo de maneira soberana, então o
parágrafo 3 confere um poder normativa aos tribunais dizendo que eles poderão editar
disposições complementares, regulamentando o desenho geral, dentro daquele estado
ou dentro daquela região se for justiça federal. Há dois atos normativos no nosso TJ que
é o Provimento número 24 da corregedoria geral de justiça e outro é um convênio
celebrado com o conselho regional de corretores de imóveis.
Parágrafo 4 permite que em não havendo nenhum credenciado no local
(subseção da JF; comarca), a escolha do leiloeiro e escolha do exequente.

Formalização está no parágrafo 2. Percebe-se que não se trata de uma


privatização total da alienação; apenas a parte mecânica (anúncio, recebimento do bem,
etc…), mas como se trata de negócio jurídico de direito público a sua formalização se
dá no processo, mediante o termo de alienação.

Incisos I é II merecem destaque, porque além do termo, o adquirente, que é a


pessoa que ofereceu o lance dessa forma privada de alienação o. Posteriormente há a
expedição de uma carta de alienação, bem como um mandado de imissão na posse
para bens imóveis. Essa carta é necessária para autorizar o registro da propriedade no
nome do novo dono. Preciso de uma carta e na posse dela, vou colocar o imóvel
arrematado em meu nome. No caso do bem móvel, não preciso de carta, porque a
transferência se dá mediante a simples tradição (mandado de entrega da coisa); só
precisa-se da mera ordem de entrega

1.3.5. ALIENAÇÃO POR LEILÃO PÚBLICO

Alienação realizada pelo poder judiciário, mediante os auxiliares de justiça.


Conforme destacado tem-se duas modalidades, na tentativa de desburocratização.
Apesar da preferência delimitada pelo meio virtual em prol do presencial, nosso estado
é muito atrasado (fomos último estado a adotar o processo eletrônico), acaba que esse
leilão virtual não e o mais comum.

CNJ não realiza atividade jurisdicional, realiza controle administrativo


e financeiro do poder judiciário ("controle interno do judiciário"), formado por juízes.
Tem-se elaboração de metas, objetivos e pontos a cumprir. Eles podem regulamentar o
leilão realizado por meio eletrônico. O artigo 882, parágrafo 2 estabelece em nível
principiológico que se observem os princípios da publicidade, autenticidade e segurança
(preciso ter um usuário no site, deve ser exigido algum modo de verificação da
identidade da pessoa que está exigindo o lance - há algumas pessoas que não podem
fazer lances - etc…).

Não realizando-se o leilão virtual, tem-se o presencial, que e elencado em uma


série de artigos. Tem-se em primeiro lugar, um leiloeiro público, que poderá ser
penalizado pelo poder judiciário caso não conduza o processo da maneira correto.
Então, leva-se o bem ao leiloeiro, salvo os que são vendidos em bolsa (como ações).
Eis o que estabelece o artigo 883.

Artigo 884 estabelece uma série de tarefas para esse leiloeiro público (observe-
se que tem-se o leiloeiro particular, que é a figura do leilão realizado por particular é,
neste caso, o sujeito é aquele que tem bastante contatos, é um empresário, um
professor, o que quer que seja, mas que tem habilidade para negócios - e tem-se o
leiloeiro público, que e, na verdade, um profissional ligado ao poder judiciário, é que
exerce a profissão efetiva de leiloeiro.

A. Publicar o edital, anunciando a alienação.


B. Realizar o leilão onde se encontrem os bens ou no lugar designado pelo juiz
C. Expor aos pretendentes os bens ou amostras das mercadorias
D. Receber e depositar dentro de um dia à ordem do juiz, o produto da alienação
E. Prestar contas nos dois dias subsequentes ao depósito. Trata-se de prestação
de contas acidental. Na cadeira de tutelas, ver-se-á ação de prestação de contas. Tem-
se situações em que não haverá necessidade de entrar com essa ação, porque a
prestação de contas se dará no próprio processo.
O artigo 885 (prova) trata do preço vil, que é um valor abaixo do mínimo mediante
o qual o bem deverá ser arrematado (vendido) (observação: aquisição/venda chamo de
arrematação e proposta é chamada de lance). A ideia, aqui, é que o preço mínimo é o
peço de avaliação, desde que não seja vil. Então, o valor do bem será o da avaliação

São marcados dois leilões, assim como era disposto no código antigo. No CPC
anterior no primeiro leilão não poderia o bem ser arrematado por valor inferior ao preço
mínimo, e no segundo qualquer valor desde que não fosse preço vil. Hoje também
temos dois leilões, mas é possível já no primeiro leilão que saia por valor inferior ao
preço mínimo/avaliação, desde que não seja considerado vil. NÃO TENHO CERTEZA
QUANTO AOS TERMOS E ETC.

Preço vil significa preço inaceitável; não dá para arrematar um imóvel que vale
mil reais por 10 pila. Na ausência de fixação pelo juiz de quanto é este valor mínimo,
tem-se uma norma subsidiária, do artigo 891, que determina que é vil o valor inferior a
50% da avaliação.

Artigo 896 não trata exatamente de uma regra geral, mas dá um indício do que
o ordenamento jurídico poderia aceitar como valor não vil. Esse artigo trata do imóvel
de incapaz e define que ele não pode ser arrematado se não alcançar pelo menos 80%
do preço da avaliação. Dá para perceber aqui que mais de 80% não seria preço vil;
então sei que na hora de fixar, tenho um critério sistemático que não considera vil 80%
ou mais.

Então, em princípio o valor será o da avaliação, mas poderá ser inferior desde
que não considerado vil (ou seja, inferiores ao valor estipulado pelo juiz como o mínimo).
POr exemplo, avaliação e de 1 milhão; ninguém comprou por esse preço, aí o juiz fixa
um mínimo de 800 reais; abaixo disso será considerado vil, mas acima até rola, mesmo
que abaixo do valor de avaliação.

Regras relativas ao edital que antecede a alienação judicial. Tem-se artigo 886
que estabelece o conteúdo deste edital. Fala em valor da avaliação e o preço mínimo
(vil). Inciso III - quando for imóvel, não vou realizar leilão onde está o imóvel, mas no
lugar onde está o leiloeiro. Inciso V - tem-se dois leilões presenciais e tem de constar
neste edital a data, hora e local de ambos. Inciso VI - é importante porque será fonte de
nulidade (Art. 903, § 1º, I)

Parágrafo 2 é 3 do artigo 887 tem de ser atentados. Veiculação (divulgação) do


edital; prazo mínimo de 5 dias de antecedência (§1º); também causa de nulidade. Tem-
se aqui uma preferência (§ 2º): em regra, a divulgação do edital se dará na internet em
site do leiloeiro público Não funcionando isso, o juiz determina onde será afixado,
baseado nos usos e costumes, visando máxima eficácia.

11.3.5.7. INTIMAÇÕES - 889

Intimação de determinadas pessoas acerca da alienação judicial é promovida de


regra pelo poder judiciário. Esse artigo não é exaustivo, de modo que Fredie Didier
determina que temos um microssistema de intimação na execução (799, 804 é 889).
Tem-se que muitas pessoas terão de ser intimadas.

Inciso I - executado. Existem regras de como esse executado haverá de ser


executado. A ideia é que será intimado por meio do advogado, significando que é por
nota de expediente divulgada no diário da justiça. Mas se o sujeito não advogado, ele
será intimado por carta AR. Há uma regra especial no parágrafo único que diz que se
ele é revel (perdi prazo de contestação mas posso me apresentar nos autos) é não tem
advogado ou se não foi encontrado, a intimação será feita no próprio edital da execução.
POrtanto, a regra e que tenha dois editais: um da execução é outro da intimação, mas
quando e revel, há apenas um. Há duas formas de intimação por edital, portanto: quando
sujeito não e revel é tem advogado é a situação especial do parágrafo único.

Inciso II - penhorada a cota de um dos co proprietário. Cônjuge também se


aplica.

Inciso III - intima-se o titular do direito real, quando a penhora recai sobre o bem.
Neste inciso tem-se também o direito de laje.

Inc. IV - penhorou-se o bem material limitado. Aqui, intima-se o proprietário da


coisa. E a mesma coisa só que ao contrário. Aqui, o sujeito terá de avaliar o usufruto.
Ou seja, uma coisa e o valor do imóvel é outra coisa e o valor de usar é fruir esse bem.

Inc. V - se estou executando o contrato que gerou a penhora (banco que


emprestou dinheiro para comprar o apartamento é este e a garantia) então se e o credor
do processo. Observa-se que a hipoteca e um direito real de garantia significando que
esse imóvel está vinculado a outra dívida, então tenho que comunicar o outro que este
bem será utilizado para fins de penhora.

Inc. VI - promitente comprador quando for penhorado o próprio bem.

Inc. VII - Trata da situação contrária. Promitente vendedor quando a penhora


recair sobre direito aquisitivo da promessa.

Inc. VIII - união, Estado e Município.

Além desses, tem-se também a intimação da sociedade.

Se faltou uma dessas intimações, tem-se nulidade, objeto de agravo de


instrumento.

Quem pode oferecer o lance? Artigo 890 fala em quem tiver livre administração
de seus bens; ou seja, quem e dotado de capacidade civil plena. O estatuto do deficiente
estabelece que o deficiente e em princípio capaz. Então, nada impede que um lance
seja efetuado por um deficiente. Se ele não tem condições, tem-se a figura do apoiador.
Curador é um termo autoritário porque ele toma decisões pelo sujeito; apoiador, por
outro lado, ajuda a exercer a autonomia. Mas deve-se ter em mente também que esse
artigo também elenca uma série de pessoas que não podem oferecer lance, por conta
de ética profissional (por exemplo, é estranho ser lançador é advogado ao mesmo
tempo) e de probidade administrativa (proíbe MP, escrivão, etc…).

Observação: diz a doutrina que arremate vem da palavra de fechamento que é


o que é feito pelo leiloeiro: ele fecha o procedimento do leilão.

Após o arremate, tem-se o pagamento pelo arrematante (aquele que ofereceu


valor maior pelo bem) pode ser duas situações:

1) imediato - 892. De um modo geral, não pago exatamente no momento em que


estabeleci o lance. Tem-se um período delimitado para depositar o cheque, fazer a
transferência, etc.. Mas tem-se o pagamento dito:

2) parcelado - 895. Trata-se de uma atenção ao princípio do resultado, no sentido de


fazer com que haja efetividade na obtenção do crédito. Ideia de que: o que é melhor?
Receber parcelado ou não receber nada? Aqui, poderá se parcelar até 30x. Há dois
artigos que tratam do parcelamento do pagamento: 916 que se aplica ao executado é o
895 que se aplica ao arrematante. Ideia de que isso será decidido pelo juiz.
Formalização: preciso saber o momento decisivo para tanto que é o que aparece
no artigo 901. A partir da lavratura do auto, tem-se a arrematação (aceitação do lance
vencedor pelo leiloeiro) finalizada é acabada; tem-se, portanto, a sua formalização.
Neste auto, e uma descrição do leilão é características do lance. Esse documento tem
a finalidade de certificar o arremate. Mas deve haver a complementação deste ato, que
é feito pela carta de arrematação, no caso de bem imóvel. Eal será remetida ao
registrador do cartório de imóveis. Mas além da carta de arrematação, se for imóvel, eu
preciso de uma ordem judicial (mandado; não e uma ação judicial como dir-se-á abaixo)
de imissão de posse, para poder entrar no imóvel.

Existe no Brasil a possibilidade de execução extrajudicial feita por bancos, o que


e uma justiça efetuada pelas próprias mãos. Eles podem vender privadamente o bem
quando não paga o financiamento. Uma vez vendido ao arrematante o banco deve fazer
o que? Não há juiz na jogada; o banco mesmo fez a venda, leilão da caixa. O
arrematante tem de ajuizar uma ação judicial reivindicatória; não e uma ação
possessória porque é justamente o que ele está pedindo (a posse). A ação de imissão
de posse deve ser utilizada quando a pessoa que está obrigada a entregar o bem, não
o entrega. Neste caso, o sujeito que está no imóvel não está obrigado a nada, ele só
tem de cair fora. Mas no dia a dia da advocacia, por desconhecimento, chama-se de
ação de imissão de posse, o que na verdade é errado. Portanto, quando o próprio banco
vende o imóvel, a pessoa que comprou não consegue entrar naquele imóvel a força.
Então e necessário mover uma ação judicial para tanto.

No caso de bem móvel, precisa somente de uma ordem de entrega.

Desfazimento da arrematação: 903 (professor fará material específico).

11.3.6. SATISFAÇÃO DO CREDOR/EXEQUENTE

Modalidades aparecem no artigo 904. Mas como o dinheiro produto da


alienação, arrematação do bem passa a integrar o patrimônio do exequente? Isso
consta nas regras do 905 é 906 Esse dinheiro será depositado em uma conta vinculada
ao juízo e será levantado de duas formas:

1) mediante expedição de mandado (alvará). Neste caso, terá de se pegar o papel é


levar ao banco. É mais mão.

2) meio mais moderno que é por transferência eletrônica (alvará automatizado) a uma
conta fornecida pelo exequente, por petição.

Há possibilidade de levantar o valor, seja por alvará normal, seja por alvará
automatizado, pelo advogado da parte e não pelo exequente em si - artigo 105. Isso só
vai ocorrer se houver poder especial mencionado na procuração ("poder para receber é
dar valores"). Mesmo assim, na experiência do professor, tem-se enfrentado problemas.

Artigo 906, caput prevê a questão da quitação ao executado e o artigo 907 prevê
por sua vez que o que sobrar (depois que deduzi o principal, mais correção monetária,
juros, valor devido em sede penal, honorários sucumbencial, e custas processuais) e
devolvido ao executado.

Na próxima aula ver-se-á suspensão da execução. Trata-se da paralisação


temporária da execução.
Atentar para o fato de quando o executado não possuir bens penhoráveis.
Sistema oferece que suspenda-se a execução é durante a suspensão, tem-se um prazo
em que não corre o prazo prescricional.

Professor continuará na próxima aula!

AULA DO DIA 06.06

12. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO (Art. 921)

12.1. Causas de suspensão da execução

Inc. I - Art. 313 fala da suspensão do processo em geral, parte geral do Código.
A regra no caso de morte do advogado só acontece se for o único representante da
pessoa; se outorguei poderes a vários a morte não é fator a tanto. Estatuto da pessoa
com deficiência, estabelece que a deficiência não retira a capacidade civil plena. Inciso
II do 313 é a razão pela qual há o “no que couber” neste inciso do 921 - no 313 tem-se
uma regra geral, mas no 921 há uma regra especial/específica sobre suspensão
convencional do processo. Portanto, havendo uma regra específica, não há de se fazer
em regra geral. O inciso VI ao falar de força maior, delimita situações como inundações.
315 trata da apuração de fato criminoso; sentença penal condenatória só configura
como título executivo só após o trânsito em julgado.

Inc. II - “em todo” significa que a suspensão pode ser só em parte. Deve-se ver
qual a extensão dos embargos, se está apenas discutindo partes, juros, … para
determinar se esta extensão será total ou não. deve-se lembrar que os embargos não
tem efeito suspensório necessário. depende do requisito de garantia do juízo, que é
basicamente sofrer penhora ou do depósito ou outro meio aceito pelo ordenamento.
Aqui, deve-se adicionar uma referência à impugnação de sentença, que, por erro do
código não foi adicionado, também poderá sustar o cumprimento de sentença; trata-se
das hipóteses do artigo 525, § 6º.

Inc. III - é inciso importante. No processo civil, sobretudo no procedimento


comum do código, quando o executado não tem bens a execução ficará suspensa. ideia
é dar um tempo para ver se o exequente encontra algum outro bem ou considerando
que nosso patrimônio é dinâmico ver se aparece algum outro bem na conta dele. ver-
se-á que essa suspensão dura 1 ano e, dentro deste período de 1 ano, não corre o lapso
prescricional.

Inc. IV - Quando não aparecer ninguém para arrematar o bem e o alienante não
requerer a adjudicação nem indicar outros bens penhoráveis.

Inc. V - Ideia do artigo 916 e que o executado tem direito de dar uma entrada
(30%) é parcelar o resto da obrigação. Em princípio, trata-se de um direito dele.
infelizmente o legislador, limitou isso à execução de título extrajudicial. O legislador quis
excluir isso do cumprimento de sentença.

Mas existem outros casos de suspensão que não estão elencadas no artigo 921.

 Decretação da falência ou deferimento do pedido de recuperação judicial.


A lei de Falências, na lógica da par conditio creditorum, tenho que
paralisar às execuções individuais. A falência é uma espécie de falência
coletiva. Artigo 6º deixa pergunta no ar: para simplesmente a execução
individual? Neste caso, o credor deverá se habilitar na falência; não é
que desapareceu o crédito, mas que sua pretensão ela cairá na execução
concursal.
 Concessão de tutela provisória na ação rescisória (969). é óbvio que a
mera propositura de ação rescisória não paralisa, salvo quando houver o
deferimento de tutela provisória, que é uma liminar, que vai se manifestar
com efeito suspensivo.

12.2. Suspensão convencional da execução.

Isso está sinalizado no artigo 922. Suspensão voluntária no contexto da


execução é uma colher de chá convencionada para que a pessoa possa reunir
patrimônio é se organizar é fazer frente ao cumprimento da obrigação. grande questão
discutida é muito simples. essa suspensão está limitada ao prazo de 6 meses, isso
porque o artigo 313, § 4º faz essa limitação. Ele não poderá ficar suspenso para sempre;
ele tem de ser eliminado. STJ no precedente do slide de 2000 entendeu que essa
suspensão de que se fala, aqui, n”ao está limitada ao prazo de 6 meses; pode ser maior
ou menor. Claramente, tem-se uma regra especial é o STJ entendeu que essa regra
afasta a limitação temporal colocada pela regra geral.

12.3. Prescrição intercorrente na execução.

Isso é novo neste CPC; não existia antes. Em um primeiro momento, se não
forem localizados bens o juiz suspenderá o processo pelo prazo de 1 ano, não fazendo
diferença se for autônomo ou cumprimento de sentença. A prescrição ficou interrompida
pela citação na fase de conhecimento ou no próprio processo autônomo, de modo que
a prescrição zerou. deve-se lembrar que há duas prescrições: 1) visando a prescrição
da pretensão ao reconhecimento do direito. Essa ocorrerá na fase de conhecimento do
procedimento comum é se materializa na sentença; 2) prescrição da pretensão
executória, à satisfação, realização prática do direito. Então, e dessa segunda que se
está falando. A segunda tem mesmo prazo da primeira; se a primeira prescreve em 5
anos, então a segunda também.

Passado um ano ocorrem duas coisas: 1) arquivamento do processo. É


administrativo porque não e a baixa definitiva dos autos; ele continua constando como
um processo em curso (observe-se que há uma série de outras situações que ensejam
o arquivamento administrativo), podendo ser desarquivado a qualquer tempo. Mas o
que se faz para evitar este arquivamento? é consequentemente o que se faz para evitar
a consumação da prescrição intercorrente? o exequente deve ficar peticionando; não
basta o mero pedido de desarquivamento. peticionou solicitando medidas destinadas a
localização de bens (não trata-se de petições bobas, sem fundamento). Observa-se que
essa consequência não é essencialmente ruim. a parte ruim vem a seguir: 2) daí
recomeça a fluência do prazo prescricional. É chamado de intercorrente porque ela
“corre entre”. corre entre o processo. Esse assunto e esmiuçado no § 4º. Súmula 314
STJ e construção jurisprudencial feita para a execução fiscal; CPC inseriu no texto uma
regra prevista para execução fiscal.

Contraditório e o direito de influenciar e exercer convencimento. § 5º estabelece


que ___ (slide). Pode ser que a pessoa a quem beneficiasse o prazo prescricional
prejudicasse a esse. deve-se portanto dialogar para dizer sobre a prescrição no prazo
de 15 dias e só depois decreta. observe-se que decretação de ofício não significa sem
diálogo. Ele decide, mas ele ainda assim deve dialogar.

Portanto em resumo, suspende-se o processo por 1 ano e neste período não


corre o prazo prescricional; é arquivado e no mesmo instante recomeça a prescrição.
para evitar arquivamento e prescrição, peticiona-se e diligencie-se pedindo medidas
para encontrar bens.
13. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO (Art. 924)

13.1. HIPÓTESES PRINCIPAIS DE EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO

Aqui, temos de ver o artigo 924, não sendo exaustivo. (Pegar Marinoni Código
Comentado é ver algumas ponderações sobre esse artigo).

Inc. I - Indeferimento da petição inicial (fala-se em inicial mas vale também para
cumprimento de sentença). esse inciso faz alusão a um dever de diálogo, presente no
artigo 801 manda o juiz intimar o exequente para corrigir a petição inicial de título
extrajudicial se não estiver acompanhada de documentos indispensáveis. Portanto,
antes de indeferir a petição inicial, ele deve notificar a parte para que possa corrigir.
Trata-se de dever de diálogo é de colaboração. Ainda, junto com esse artigo 801,
professor aplicaria também o aritgo 321. Este estabelece que o juiz deve indicar o que
tem de se fazer; as vezes não se sabe o que o juiz quer. Caso não haja a
complementação devida, haverá extinção sem resolução de mérito.

Inc. II - essa satisfação pode se dar por ato voluntário do executado. neste caso,
tem-se algo semelhante ao chamado reconhecimento jurídico do pedido 487, quando o
réu reconhece que o autor tem razão. a empresa processada ao depositar a quantia
reocnheceu que o exequente tinha razão. Ideia de que se cumpriu é porque reconheceu
a pretensão. Mas essa satisfação pode ser forçada também; aí incide penhora, leilão,
etc... tudo que vimos nas últimas aulas. doutrina fala que essa extinção aqui se dá com
resolução de mérito. “Mérito” porque e satisfação do credor; tutela de mérito já foi
prestada.

Inc. III - exemplo principal é a transação (acordo para parcelamento; remissão -


equiparada à renúncia ao direito no 487), compensação (créditos e débitos recíprocos.
No CC as dívidas se extinguem até onde se compensarem) , confusão (às figuras de
credor é devedor se consolidaram na mesma pessoa. Executado adquiriu o crédito que
estava sendo objeto de execução. Executar por ex o pai é este morre, daí adquire a
dívida dele), novação.

Inc. V - prescrição intercorrente então tem a ver não só com a suspensão mas
também com a extinção. Se deixar passar por muito tempo pós ele ser desarquivado, o
juiz extingue a execução, proferindo sentença.

13.2. OUTROS CASOS

Observe-se que há outras situações não elencadas no artigo 924.

 Acolhimento da exceção de pré-executividade. trata-se de uma defesa informal


(a formal é a por embargos ou impugnação). É uma invenção dada pela doutrina,
pensada para veicular matérias de ordem pública que o juiz esqueceu de
analisar. Em nome da colaboração, que hoje é princípio expresso, a parte pode
lembrar (incompetência, ausência de título, prescrição, ilegitimidade da parte,
ausência de interesse processual). Via de regra se pede a extinção, mas se a
defesa não for total não acarretará na extinção.
 Acolhimento dos embargos
 Acolhimento da impugnação

Observe-se que nesses dois casos a extinção está condicionada ao que foi alegado, de
modo que só se extingue aquilo que foi questionado. Depende portanto da matéria
veiculada.

 Artigo 485 - extinção sem resolução de mérito.


 Lei 9099, artigo 53, § 4º - no procedimento sumariíssimo do JEC, a solução para
a ausência de bens penhoráveis no JEC não é a suspensão por 1 ano,
arquivamento e todo o processo supramencionado.

13.3. SENTENÇA

O art. 925 dispõe que independentemente do motivo, a execução só pode ser


extinta por sentença. Existe, portanto, sentença na execução, que é o que vai dar um
ponto final na execução. Agora talvez faça sentido o artigo 203, § 1º, que diz que
sentença é o que extingue uma fase processual (fase de conhecimento ou de
execução). No procedimento comum portanto poderei ter duas sentenças, a que
extinguiu a fase de conhecimento (reconhece o direito) e uma segunda extinguindo a
execução (declara que o direito já foi satisfeito ou que nunca mais poderá ser, porque
prescreveu, porque perdoou, ...).

A execução pode tramitar em tribunal. Se estou, por exemplo, executando


acórdão em ação rescisória, tramitará perante tribunal ou até tribunal superior. Neste
caso, a extinção será realizada mediante acórdão. Artigo 203 também se aplica a eles.
Tanto é que pode-se ter um acórdão interlocutório, acórdão despacho.

Função é totalmente diferente - tutela já foi prestada ou que não poderá mais ser
prestada. Função formal, voltada para encerramento do processo. É uma sentença
declaratória.

Extinção pode ser com ou sem resolução do mérito (terminativa), para efeitos do
artigo 485 é 487.

Recurso cabível é a apelação (por exemplo, juiz não intimou as partes antes de
decretar a prescrição, violando o dever de colaboração). Art. 1009. Em que situações
costuma-se apelar nessa sentença? Poderia ser objeto de pesquisa.

UNIDADE II - LIQUIDAÇÃO E CUMPRIMENTO DE SENTENÇA.

1. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA

1.1. NOÇÕES GERAIS

a) A princípio, liquidação combinaria com sentença (título judicial, portanto) e


não com título extrajudicial. Diz a doutrina que a sentença deve retratar todos os
elementos da obrigação. Quais são eles?

 An debeatur = se algo é devido. Significa existência efetiva do débito.


Deve estar na sentença; ela não pode ser condicional; deve dizer se
existe ou não o débito. Se ela não disser isso ela é omissa podendo ser
passível de embargos de declaração.
 Cui debeatur = a quem é devido. Significa quem é o credor. Se não
dissesse também seria incompleta e passível de embargos de
declaração.
 Quis debeat = quem é o devedor, quem vai ser o executado.
 Quid debeatur = qual prestação.
 Quantum debeatur = quanto é devido. Este quantum pode ser uma
quantia em dinheiro no caso da obrigação de pagar. Mas tem-se
igualmente a prestação de fazer/não fazer (sendo o quantum neste caso
o que deve ser feito ou não feito) e o mesmo na obrigação de entregar
coisa (o que deve ser entregue).

b) Esses 4 primeiros elementos estarão colocados necessariamente na


sentença, mas o quarto elemento nem sempre. Às vezes há situações em que a
sentença, validamente, por mera falta de informações no processo não consegue
especificar o quantum.

Liquidação então consiste justamente na explicitação do quantum debeatur.


Liquidar é explicitar o valor quando ele não está explícito, claro na sentença. Exatamente
por isso que o artigo 509 parágrafo 4º determina que, na liquidação, é vedado discutir a
existência da dívida; só explicita-se o quantum mesmo. Em princípio, o an debeatur já
deve estar explícito na sentença, de modo que não se pode alegar a não existência da
obrigação na liquidação. Executado, contudo, sempre vai dar um jeito de sustentar isso.
Mas o que não se alegou anteriormente no processo de conhecimento não pode ser
alegado aqui - eficácia preclusiva da coisa julgada.

c) A rigor, o pedido, apresentado na inicial, deve ser certo e determinado (artigo


322) e o juiz por seu turno tem de proferir uma sentença líquida (artigo 491). Eis a regra
geral. Contudo, existe o artigo 324, que autoriza, excepcionalmente, a proferir sentenças
ilíquidas em determinados casos. Nestes, tem-se que a sentença genérica é resultado
de um pedido também genérico. Ex: cara foi atropelado e está fazendo tratamento
quando entra com a ação e ainda não sabe quanto vai gastar com o tratamento.

O código não considera mais meros cálculos aritméticos como liquidação.


Código chegou à conclusão de que algum calcula toda e qualquer sentença vai ter (por
exemplo, correção monetária).

d) Tem-se duas formas de liquidação: a) por arbitramento, que envolve perícia;


(b) pelo procedimento comum (por artigos), em que tem-se que alegar e provar fatos
novos. O juiz deve indicar na sentença qual será a forma de liquidação, porém o STJ,
na Súmula 334, decidiu que a forma de liquidação indicada na sentença não transita em
julgada. Ou seja, não vou ter que necessariamente processar de acordo com o imposto
pelo juiz, seja arbitramento seja procedimento comum.

e) Legitimidade (ativa) para requerer a liquidação. Normalmente, é o credor


(artigo 509). É o mais comum. Mas o novo CPC conferiu legitimidade ao devedor
também para requerer a liquidação. Ideia de que quero me livrar logo do débito e baixar
o processo.

f) Liquidação e procedimento. Tem-se três possibilidades:

 Liquidação-incidente. Trata-se de situação quando a liquidação é mero


incidente. Trata-se de mera discussão, suscitada pelo executado, sobre
os cálculos que foram apresentados pelo exequente quando da
solicitação da execução. Essa discussão ocorre dentro da própria
execução, sem procedimento próprio, e sim de forma incidental. Não
existe liquidação por cálculos, apenas esse tipo de discussão
incidental (art. 786, p.ú. e 509, §2º). Professor por sua conta e risco é
que chamou de liquidação-incidente, mas em realidade nem consiste em
uma liquidação.

 Liquidação-fase. Aqui, pode ocorrer por arbitramento ou pelo


procedimento comum. Essa fase de liquidação é de conhecimento ou de
execução? Ela visa verificar a existência do direito ou satisfazê-lo na
prática? Professor pensa que liquidar é terminar de analisar o direito. É
terminar o julgamento de mérito a respeito do direito subjetivo. Não com
relação a sua existência, porque já foi feito antes, no final da fase de
conhecimento propriamente dita, mas quando estou explicitando o valor
estou terminando de acolher o pedido. mas com relação ao valor. Então,
a fase de liquidação ainda não é execução; trata-se de uma segunda fase
cognitiva; segunda fase de conhecimento. Tem-se a fase de
conhecimento propriamente dita, em que analisa-se aqueles três
primeiros pontos ditos no primeiro tópico e a fase de liquidação seria
uma segunda fase em que consta o valor, o quarto ponto que faltou na
primeira fase. Certamente não é execução porque a liquidação é um
pressuposto para a execução; só se pode executar obrigações líquidas,
certas e exigíveis.

 Liquidação-processo. Há situações excepcionais em que a liquidação


não é nem incidente, nem uma fase de algo que está tramitando, mas
sim um processo novo. Isso acontece:
o Sentença penal, que será executada no juízo cível no que tange
à reparação/indenização decorrente do crime (obviamente
execução da pena e da multa será no juízo penal). Se o juiz
criminal não fixou o valor da indenização (geralmente ele fixa um
patamar mínimo) eu vou ter que fazer um processo para liquidar
a sentença penal
o Sentença estrangeira. Esse processo novo começará no STJ
provavelmente, com reconhecimento da sentença estrangeira e
continuará com a liquidação.
o Liquidação individual de sentença coletiva. Suponha-se que
tenha uma sentença que condena toyota a indenizar todos os
prejuízos daqueles que compraram o carro x danificado. Isso é
uma sentença duplamente genérica, padecendo de duas
indeterminações:
 Primeiramente quanto ao quantum. Juiz na ação civil
pública não sabe o prejuízo de cada um. Tudo que ele
sabe é que gerou algum dano.
 Mas ela também não diz quem é o credor (cui debeatur).
Cada credor terá de se apresentar individualmente e dizer
que é credor.

É por conta dessa dupla indeterminação que se realiza a liquidação individual da


sentença coletiva. Deve-se ter em mente que serão duas coisas diferentes: o processo
de ação civil pública e apartado a liquidação individual da sentença proferida naquele
processo, que é coletiva. Deve-se pensar que frequentemente há uma série de
problemas enfrentados nessa seara. Pode-se pensar em Brumadinho, quando haver um
processo que transitar em julgado contra a Vale; ou mesmo Mariana. Depois disso, o
sujeito que morava nesses lugares, que perdeu a casa, alguém da família, terá de vir a
juízo e provar que está compreendido no grupo de prejudicados. Terá que por exemplo
comprovar que é sua residência, que é seu familiar.

g) Honorários: na liquidação há nova parcela de honorários? Regra geral é que


só se houver trabalho extra do advogado. Isso significa se houver briga, litígio, se houver
caráter contencioso; se houver, por exemplo, uma discussão sobre o laudo que o perito
apresentou. Se não houver insurgimento, não haverá cobrança de honorários. TJ tem
afastado na liquidação por cálculo essa possibilidade, até porque liquidação por cálculo
nem liquidação é considerada.

h) Art. 512: diferença entre liquidação provisória e liquidação definitiva, que não
é exatamente igual à diferença entre cumprimento provisório e definitivo. O código diz
que liquidação poderá ser realizada na pendência de recurso, não necessitando a
espera do trânsito em julgado. Então, a nomenclatura funciona da seguinte forma:
liquidação é considerada definitiva quando já aconteceu o trânsito em julgado e depois,
então, haverá a execução definitiva (observa-se que primeiro liquida-se e depois
executa-se). A liquidação provisória, do artigo 512 é a liquidação da sentença que ainda
não transitou em julgado. E ainda não transitou porque está no prazo para recurso ou
porque existe um recurso pendente de análise e julgamento.

Observa-se que não interessa os efeitos do recurso. o artigo 512 em nenhum


momento vincula a liquidação provisória aos efeitos do recurso, de modo que pode-se
proceder à liquidação provisória mesmo que o recurso tenha sido recebido com efeito
suspensivo. Quer dizer, mesmo com o efeito suspensivo, pode-se liquidar. O que não
se pode fazer é executar quando tem-se o efeito suspensivo, mas pode-se liquidar para
fins de agilizar, e deixar tudo preparado para que, quando transitar em julgado ou
quando terminar o efeitos suspensivo, se executa.

Portanto verifica-se aí a diferença entre cumrpimento e liquidação provisória.


Cumprimento provisório só se o recurso não tem efeito suspensivo; se ele tem efeito,
nem cumprimento provisório se pode proceder, porque não se pode executar nada. Mas
se pode liquidar (provavelmente vai cair em prova).

Artigo 512 traz algumas peculiaridades na liquidação provisória, delimitando que


isso será feito em autos apartados, porque os autos principais estão no TJ. Deve-se
fazer outro caderno portanto, com cópias do processo principal.

Obviamente que tem vezes que o recurso não impugna toda a sentença, só
algumas partes, aí poder-se-ia falar em execução parcial.

i) existem sentenças com partes líquidas e outras ilíquidas, como por exemplo,
aquelas que contam com uma parte de dano moral quantificada e outra parte com dano
material a quantificar. Art. 509 § 1º diz que posso promover simultaneamente execução
da parte líquida e a liquidação da parte ilíquida. Será confuso, porque ter-se-á duas
fases tramitando juntas. Ter-se-á uma fase ainda cognitiva que será a da liquidação,
juntamente com a fase executiva. Só que § 1º determina que isso ocorrerá em processos
apartados.

j) liquidação pode ser zero? Época das Ações da CRT, como exemplo, às vezes
o cálculo dava negativo. STJ vem entendendo que sim, pode, chegando à conclusão de
que não há valor nenhum a ser pago. Isso pode acontecer em execução de sentença
penal quando não se prova nenhum dano do crime. Credor, na liquidação civil da
sentença penal, não consegue fazer nenhuma prova, não tem documento, não tem
perícia, não tem testemunha. O que acontece é que em teoria dizer que a liquidação é
zero implica dizer que não há obrigação, afetando o próprio an debeatur. Como se sai
disso? Diz-se que a obrigação existe, mas é inexigível. É um jeito de fugir da crítica de
que isso afetaria a coisa julgada (porque se o poder judiciário disse que o crédito havia,
então a liquidação consiste só em pautar este valor e não em dizer que ele não existe).
Outro exemplo é a liquidação dos prejuízos na litigância de má-fé. Teoricamente,
quando se invoca a litigância de má-fé duas coisas acontecem: o litigante é multado e
ele tem de indenizar os prejuízos da outra parte, mas nem sempre ele vai demonstrar
prejuízo. Tem-se a obrigação e o an debeatur, mas ela não é exigível.

k) como se chama o provimento judicial que julga a liquidação? Sentença,


decisão interlocutória? Tem-se um problema teórico e prático (por conta de qual recurso
cabível), que não é resolvido por este código (o anterior dizia que era decisão
interlocutória, cabendo, então, agravo de instrumento). Darci Ribeiro entende que é
decisão interlocutória. Professor não concorda com isso.

1.2. Liquidação por Arbitramento


Arbitramento depende de perícia, de conhecimentos técnicos especializados,
que transcende as regras de aritmética e cálculo. Exemplo: tarifa dinâmica do uber, valor
devido a título de aluguéis pela ocupação de imóvel alheio (funciona assim: se invade
coisa que não é tua, a pessoa invadida pode cobrar um valor por aquela invasão. É uma
espécie de lucros cessantes pelo prejuízo que a pessoa teve; aqui faz-se perícia para
descobrir qual o valor do imóvel naquela região, por exemplo).

Só tem um artigo que fala disso, que é o artigo 510 e uma parte do 509. É uma
disciplina incompleta portanto.

Quanto ao cabimento, claramente tem-se 3 situações:

1. Quando prevista no título executivo. Na sentença por exemplo


2. Convencionado pelas partes - trata-se de um negócio jurídico processual.
As partes convencionaram que querem liquidação por arbitramento.
3. Quando o exigir a natureza da obrigação, envolvendo questões técnicas
que não foram solucionadas na fase de conhecimento. basicamente,
resume-se a cálculos, conhecimentos da medicina, contábeis. Professor
trabalhou em um processo de dissolução de sociedade e os
contabilidades tem uma equação específica para apurar o caixa dois.
portanto, não depende de meras cálculos, exigindo conhecimento mais
amplo.

Procedimento: parece óbvio que haverá um requerimento, em sendo uma fase


do procedimento comum. Este requerimento pode ser do credor ou do devedor.
Teoricamente deve haver a intimação da parte contrária. O normal seria o juiz aplicar
as regras da prova pericial e nomear um perito. Aí o perito diz se aceita o encargo e
quanto quer ganhar. Depois partes são intimadas para ver se aceitam o perito e se sim
oferecem quesitos. Aí o perito apresenta um laudo pericial, em determinado prazo (e
frequentemente o laudo é ruim e as partes apresentam quesitos complementares). Há
ainda a possibilidade de as partes trazerem um assistente técnico. Há ainda
possibilidade de ocorrência de audiência. Dentro deste procedimento, há um intenso
contraditório, portanto. E isso nem aparece no artigo 510, de modo que afigura-se
claramente incompleto para abordar esse procedimento.

No artigo 510 tem-se uma simplificação da prova parcial, dizendo que as partes
apresentarão pareceres e se for possível o juiz decidirá de acordo com estes pareceres,
talvez nem vindo-se a precisar de peritos. Busca este artigo fazer com que o juiz decida
independente de perito.

A decisão final é interlocutória ou sentença? o problema é a interpretação do


artigo 1.015. Tem uma interpretação, que é adotada pela maioria, é que trata-se de
decisão interlocutória, cabendo agravo de instrumento, entendendo que o artigo referido
diria que todas as decisões seriam interlocutórias na fase de liquidação (até porque o
código anterior também tratava dessa maneira, havendo portanto uma questão histórica
de fundo). Professor, contudo, não acha que todas as decisões referidas na liquidação
são interlocutórias. O que parece é dizer que existem decisões interlocutórias na
liquidação e essas cabe agravo.

1.3. Liquidação pelo Procedimento Comum

Antigamente era chamada de liquidação por artigos. Recorre-se a essa forma


quando tem-se que alegar e provar fatos novos, que não foram avaliados pelo juiz na
fase de conhecimento. Tive, por exemplo, que fazer um tratamento que nem sequer foi
alegado na petição inicial. Principal exemplo é a vítima de erro médico ou de acidente
de trânsito, mas também a própria sentença penal, em que ter-se-á que provar o dano,
não bastando dizer que fui vítima de crime.
Código não diz quase nada, dependendo 100% da doutrina e jurisprudência.
Código dá a entender que de regra far-se-á mero requerimento (não petição inicial) e aí
ter-se-á uma mera intimação na pessoa do advogado (e não citação), começando o
prazo para contestação e daí segue-se normalmente (réplica, decisão de saneamento,
audiência de instrução, decisão e recurso). Ter-se-, então, uma nova fase de liquidação
que será uma espécie de liquidação com procedimento comum versão 2.0.

O problema de delimitar que tipo de decisão é continua e fica ainda pior porque
procedimento comum termina por sentença. Mas professor acredita que permanecerão
tomando a decisão de que consiste em decisão interlocutória, cabendo agravo e não
apelação.

Por fim, tem-se as sentenças penais, estrangeiras ou individuais de processo


coletivo em que a liquidação é um novo processo. Em que pese o artigo 511, será um
procedimento comum verdadeiro, com petição inicial e citação.

AULA DO DIA 13.06

2. PROCEDIMENTO DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA

2.1. Execução sentença que tutela obrigação de pagar quantia (sentença condenatória)

CPC desenha o procedimento para obrigação de pagar e, portanto, para


sentenças obrigatória (que realiza um juízo de valor sobre a conduta do réu). Deve-se
lembrar que há dois tipos de procedimento para o cumprimento de sentença:

1) fase que se segue ao trânsito em julgado.

2) processo novo, distinto daquele em que houve a formação do título. Neste caso, exige
petição e citação (são os casos que já vimos, sentença arbitral, penal, estrangeira). Isso
está colocado no artigo 515, § 1º.

Tentando pensar no desenho do procedimento, tem-se duas etapas dentro do


cumprimento de sentença (deve-se considerar que vai haver variação no caso de
processo novo): 1) fase de cumpriemtno voluntário. Momento em que o devedor será
“estimulado a pagar por sua própria vontade. É voluntário mas não espontâneo. de
modo geral, o credor requer o cumpriemnto de sentença e diante disso o juiz intima o
devedor para efetuar o pagamento no prazo de 15 dias. Se ele pagar, encerra-se aí;
senão, inicia-se a segunda fase que eh ; 2) execução forçada (penhora, penhora online,
o Estado prescindindo da vontade do devedor, vai realizar o pagamento). Já foi
estudado esta segunda etapa. O que teria de peculiar nessa segunda etapa é a
impugnação ao cumprimento de sentença, se dando dentro é conjuntamente com a
execução forçada. Trata-se da da possibilidade defensiva do devedor. Impugnação, de
regra, não tem efeito suspensivo, não suspendendo a penhora (até porque para ter
efeito suspensivo, é necessário que se tenha sofrido a penhora).

2.1.2 Fase de cumprimento voluntário

Observação: o devedor pode tomar a iniciativa para iniciar o cumprimento de


sentença. É raro, mas é possível. Neste caso, não seria cumprimento voluntário e sim
espontâneo.

Após o trânsito em julgado, para tudo é recomeça a fluir o prazo prescricional


(prescrição intercorrente - lembrar os tipos de prescrição intercorrente) que foi
interrompido lá atrás com a citação. No processo civil, quando a sentença é
condenatória, condenando a obrigação de pagar, o juiz não pode iniciar o cumprimento
de ofício. por que? por conta de uma tradição história, ligada ao Código de Napoleão. A
mesma unificação que nos levou à unificação das vias executivas. Art. 513, § 1º. Mas
se trata-se de obrigação de fazer, a lógica da tutela específica é que o cumprimento se
dá de ofício, não requerendo-se de novo. O mesmo se dá com a obrigação de entregar
coisa. Nesses dois casos, tem-se uma lógica menos liberal e individualista. Art. 523
ratifica todo o exposto.

Requisitos do requerimento: o cumrpimento começa, então, de regra, com uma


petição chamada de requerimento de cumprimento de sentença. é bem mais simples
que uma petição inicial. Importante dar uma olhada nesses artigos. observação CPF e
CNPJ é importante porque BACENJUD vai fazer aquela pesquisa prévia por meio
desses dados. 799 - exequente no cumprimento de sentença tem a possibilidade de
averbar no registro de imóveis/veículos/aeronaves a admissão da execução. Então,
consigo uma certidão expedida por escrivão, dizendo que a execução foi admitida é daí
consigo averbar nas matrículas respectivas.

Despacho do requerimento: juiz não vai simplesmente autorizar, ele via fazer
examinação da sua própria competência, controla a legitimidade das partes e
principalmente o juiz pode de uma certa forma (não de maneira definitiva porque
depende do executor) questionar o valor da execução.

Neste sentido, tem-se a possibilidade de o juiz determinar o saneamento. Não


basta simplesmente autorizar correções ou eventualmente emenda do requerimento,
mas que o juiz diga exatamente o que deve ser feito, então dever-se-ia aplicar o final do
artigo 321, também.

Juiz pode não concordar com o valor dado pelo exequente. Juiz exerce uma
espécie de controle. Pode concluir que haja algum tipo de excesso. Professor chamou
de incidente de apuração; seria uma oportunidade de discussão de cálculos. A lógica
então é a seguinte: a execução se inicia com o valor demonstrado pelo exequente, ams
a partir da constrição realizada pelo juiz, a penhora passa a observar este valor. Juiz
pode valer-se de contabilista. Depois, em impugnação o executado se manifesta. Os §
3º é 4º tratam da possibilidade de o juiz requisitar o fornecimento de documentos em
poder od executado ou de terceiros.

Percebe-se que na execução há cognição. Desde o requerimento, já há análise


por parte do juiz. Trata-se da cognição rarefeita, que Watanabe menciona.

O que se segue ao despacho do requerimento, é a intimação do executado e o


artigo 513 traz uma série de regras esmiuçando a questão da intimação. Isso é muito
complexo porque envolve muitas coisas. A regra geral é a intimação na pessoa do
advogado, por meio de nota de expediente, disponibilizado no diário de justiça ou, no
caso do processo eletrônico, nele mesmo. Mas, no caso de não ter advogado constituído
nos autos, a intimação dá-se de maneira pessoal, por correio AR. Se mudar o endereço
é não avisar a justiça, será intimado no endereço antigo. § 4º - se deixou passar um
ano, o código está pensando que o exequente já esqueceu dessa condenação; então o
cpc estabelece que passando um ano, mesmo que o sujeito tenha advogado constituído,
a intimação é pessoal.

Artigo 219 coloca a diferença entre prazo material e prazo processual. O prazo
do artigo 523 de 15 dias é dias úteis ou corridos? Seria dias úteis, por tratar-se de prazo
processual. Em dobro quando litisconsórcio com procuradores diferentes é quando não
for processo eletrônico. Adianta-se que o prazo para impugnação de sentença é 15 dias
úteis é depois mais 15 dias para protocolar a sentença.
Observe-se que para início do prazo é necessária liquidez, mas é impossível
liquidez absoluta, de modo que o normal o início do prazo depende de mero cálculo
aritmético que possa ser feito pelo próprio devedor.

Consequências do descumprimento deste prazo. O que acontece se o


executado deixar passar o prazo para cumprimento de sentença. As três principais são:

1. Multa. Alguns autores acham que se trata de uma multa punitiva e


sancionatória, como Carlos Alberto de Oliveira. Porém existem autores
que enxergam uma medida coercitiva, indutiva, algo parecido com a
multa diária, astreinte, como por exemplo Rizzo Amaral. O montante é
fixado em 10%. Essa multa não incide quando ele é revel ou citado por
edital; tampouco quando não há patrimônio. Outra discussão é a base de
cálculo dessa multa. essa multa incide só sobre o valor do débito ou
também sobre custas e honorários? STF entendeu que incide só sobre o
valor da dívida.
2. Astreinte (eventualmente).
3. Honorários Advocatícios. Sem o pagamento espontâneo, são devidos
novos honorários, já que o advogado do credor/exequente terá um novo
trabalho de praticar atos processuais dentro da execução forçada
(Súmula 517/STJ). Honorários devidos ao advogado do
credor/exequente também em 10%.
4. Fato jurídico que faz nascer o direito aos honorários é a ausência do
pagamento espontâneo. Observe-se que não se trata de bis in idem
porque são credores diferentes (honorários pertencem ao advogado e a
multa e do Estado).
5. Expedição de mandado de penhora e avaliação. Inclui-se aqui a
penhora online, desde que o exequente a requeira

Executado pode concordar com o pagamento parcial. Neste caso, a multa e a


penhora incidirá sobre o saldo devedor.

Artigo 526 diz que o réu antes mesmo de ser intimado poderá comparecer em
juízo é oferecer ov alro que entender devido. trata-se de uma espécie de exceção ao
contrário. eu mesmo me apresento, eu mesmo faço o cálculo aritmético e consigo no
juízo a prestação devida. O § 1º fala que o autor poderá ser ouvido é impugnar o valor
depositado é de 5 dias. § 2º diz que sob a diferença incidirão a multa de 10% e
honorários advocatícios. Esse artigo faz uma própria ameaça para o devedor (não é
executado, porque é ele quem está propondo a execução).

2.1.3. Fase de execução forçada - penhora

2.1.4. Fase de defesa

Mecanismo mais conehcido é impugnação ao cumrpiemnto de senteça. Esse


termo impugnação também se usa nos processos novos (sentença arbitral, estrangeira
e penal), mas permanece possível, embora os livros digam o contrário recorrer a outros
meios defensivos, dentre os quais, a exceção de pré executividade. Exceção é um meio
informal de defesa, por meio do qual o executado lembra ao juiz de analisar matérias
que não dependem de instrução probatória, sobretudo matérias de ordem pública que
o próprio magistrado pode reconhecer de ofício.

Impugnação foi criada por Pontes de Miranda, no parecer que ele ofereceu no
caso da siderúrgica Mannesmann, em que ele fala que o executado pode colaborar com
o juiz, lembrando-o de analisar certas matérias de ordem pública. Depois a
jurisprudência reconheceu um meio defensivo informal, geralmente apresentado antes
dos embargos, chamados de exceção à executividade. A jurisprudência do STJ evoluiu,
passando a admitir esse meio informal em matérias de ordem dispositiva também,
desde que não exijam dilação probatória. Exceção de pré executividade é uma criação
jurisprudencial em que tinha-se que sofrer a penhora para poder embargar-se; trata-se
de uma simples petição. Artigo 518 não chama de exceção de pré executividade, mas
é disso que se trata. Bem verdade, que ele foi pensado para questões que surgem
depois do prazo de impugnação, mas no fim das contas serve para tudo.

Na jurisprudência do STJ visualiza a impugnação como defesa, e não valor de


embargos à execução; não dá origem a um novo processo como os embargos dão. Se
for comparar a impugnação com algo, comparar-se-ia à contestação. Só tem um
assunto anterior à sentença, é ao trânsito em julgado, que posso levantar na
impugnação, que é a nulidade da citação quando ocorreu à revelia. Mas prescrição,
compensação, discussão sobre valor da indenização, foi sepultado pelo trânsito em
julgado.

Portanto, a cognição é rarefeita, mas pode se tornar parcial e exauriente. Parcial


porque não se vai alegar o que se quiser; está-se restrita às matérias do 525, § 1º.

Prazo de 15 dias é automático, sem nota de expediente. Há preclusão, de modo


que se não alegou no prazo, esgota-se a possibilidade de alegar, com exceção de
matérias de ordem pública, como incompetência absoluta, impedimento do magistrado,
ilegitimidade das partes. O que se pode alegar? posso alegar o que eu quiser? No
cumprimento, não se é livre para levantar a defesa que se quiser; está-se adstrito ao §
1º do artigo 525:

Inc. I - Falta ou nulidade da citação (na fase de conhecimento). É a única matéria


da fase de conhecimento que passa por cima da coisa julgada material. Vício
transrescisório, que jamais se consolida é que inclusive perpassa o prazo de 2 anos da
ação rescisória. Tem-se a ação da querela nullitatis, ação específica para alegar a
nulidade pela ausência de citação.

Inc. II - é ilegitimidade para a pretensão executória, não para a ação.

Inc. III - Obrigação inexigível (falta de implemento do termo, da condição, de


alguma contraprestação) ou título inexequível (posso discutir a sentença por ex; uma
sentença penal condenatória, sim, mas ainda não transitou em julgado. Ou diante de
uma sentença meramente declaratória, que não impõe nenhuma obrigação, não há
título executivo.

Inc. IV - Uma hipótese específica de inexigibilidade da obrigação. Uma das


defesas do executado é a alegação de que a lei que baseou a sentença foi declarada
inconstitucional. aí tem-se um problema temporal: pq que acontecia, no cpc anterior, as
pessoas alegavam a inconstitucionalidade da lei federal é o STF reconheceu depois do
trânsito em julgado somente. § 14 delimita que a declaração de inconstitucionalidade
deve ser anterior ao trânsito em julgado. Mas se a declaração é posterior ao trânsito em
julgado, não poder-se-á utilizar-se da impugnação para fazer essa alegação, porque
estaria reabrindo uma matéria que foi coisa julgada.

Inc. V - Excesso de execução; para alegar isso então tenho que dizer qual o
valor correto. Há essa obrigação por parte do código, sob pena de rejeição liminar de
impugnação. Então, a princípio se alegar o excesso mas não disser o quanto e, será
rejeitada a impugnação. Mas esse artigo parte do pressuposto de que o executado
poderia descobrir sozinho o valor, mas às vezes pode estar nas mãos do exequente.

Impugnação não tem efeito suspensivo automático. Não é a simples


protocolização da defesa que retira a eficácia. Então, deve haver requerimento do efeito
suspensivo, precisa o juiz decidir é precisa-se cumprir determinados requisitos do artigo
525. São 3 requisitos e aparecem no § 6º. Tem-se basicamente 4 requisitos para a
atribuição de efeito suspensivo à impugnação:

1. Requerimento + decisão. Ou seja o efeito suspensivo é ope iudicis


2. Garantia do juízo para mostrar a seriedade da minha defesa.
Depositando caução, o próprio valor em juízo, etc...
3. Probabilidade dos argumentos (Fummus boni iuris). Fumaça do bom
direito.
4. Perigo na demora (Periculum in Mora).

Estes requisitos são basicamente os mesmos requisitos da tutela de urgência,


prevista no artigo 300. O juiz dará uma liminar em favor do acusado, sustando os atos.

Após a impugnação existe possibilidade de manifestação do exequente, espécie


de réplica, também com prazo de 15 dias úteis, mas não há as penas da revelia.

Nesse ínterim pode haver instrução, com envio do processo à


contadoria/contabilidade, ou até mesmo oitiva de testemunha.

Na execução o legislador liberou o agravo para tudo, sem limitações, incluindo


a decisão que rejeita a impugnação, acolhe no todo ou apenas parcialmente. Se a
execução for no tribunal tudo isso muda porque não vai-se utilizar agravo de
instrumento.

Essa decisão produz coisa julgada material? se decisão examinar o conteúdo da


obrigação, haverá.

AULA DO DIA 27.06

2.2.CUMPRIMENTO DDA PRESTAÇÃO DE FAZER E NÃO FAZER

2.2.1. Introdução

A fase de cumprimento de sentença era aplicável, até então, ao dever de


pagar. Esta fase diz respeito a prestações de fazer (exemplo: executar um prjeto
de reforma de uma casa; é uma obrigação de direito privado, contratual) e não
fazer (exemplo: o dever contratual de não divulgar informações privilegiadas. Um
engenheiro que trabalhe em uma empresa e ele tem acesso à fórmula do
produto; não poderá divulga-la, por força do contrato que ele entabulou).

O mais importante é que esse microssistema de tutela específica também


se aplica a prestações de fazer e não fazer de direito público, também. Observe-
se que o processo civil não engloba só direito privado; aqui se estende ao direito
público (direito tributário, direito administrativo, etc...). Portanto, a sentença
mandamental que tutela as prestações de fazer e não fazer, também alcança
deveres nesse sentido de direito público. Exemplo de dever de fazer de direito
público: dever de realizar internação hospitalar. Exemplo de não fazer de direito
público: obrigação de não prejudicar a propriedade do particular. Posso,
inclusive, demandar o estado, por meio de mandado de segurança.

Noção e evolução: aqui, deve-se partir do artigo 497, que viabiliza a tutela
específicas das obrigações de fazer e de não fazer. Tutela específica significa
que o juiz via forçar o próprio devedor a cumprir a obrigação, de modo que a
sentença vai determinar a prática de atos indutivos e coercitivos. Mas as vezes
essa ordem não é muito eficiente, porque o sujeito ainda com os meios
coercitivos, não quer cumprir, nesse caso tem-se a obtenção por resultado
prático equivalente, significando que o juiz vai substituir o comportamento devido
do sujeito. Essa obtenção do resultado devido se relacionaria com coerção
direta. Se refere à eficácia mandamental (juiz dá ordem e o sujeito obedece) e o
resultado equivalente à eficácia mandamental executiva lato sensu.

Exemplo: estabelecimento que faz muito barulho e emite-se uma ordem


do juiz para que cesse o barulho. O estabelecimento pode cumprir e cessar o
barulho, mas pode igualmente não cumprir e nesse caso o Estado, encarnado
no juiz, deve passar para um segundo estágio no desenvolvimetno da tutela dos
direitos; O juiz então interdita o lugar, chegando-se ao mesmo resultado que é o
silencia.

Mas observe-se que isso nem sempre foi possível no direito brasileiro
porque tem-se um princípio de origem medieval segundo o qual nemo ad factum
preaecise cofi potest - ninguém pode ser obrigado precisamente a prestar um
fato. O homem livre não pode ser obrigado aquilo que não quer. Esse princípio
se transformou em dogma no código civil francês, em 1804. E nosso código de
1973 incorporou este princípio, em um viés patrimonialista. Então, durante
século XX não se permitia tutela específica do crédito, tudo se convertia em
obrigação de pagar. Sentença condenatória era um verdadeiro dogma, era o
preferencial, segundo Ovídio.

Houve reforma nesse raciocínio, em 1994, na reforma do código Buzaid,


que criou o artigo 461 no CPC de 73, rompendo com este princípio
patrimonialista segundo o qual tudo se reduz ao dinheiro. Este artigo reintroduziu
(“re” porque já existia no direito português e nas ordenações do reino) a tutela
específica das obrigações de fazer e não fazer. E o novo CPC continuou este
processo de evolução aberto em 1994, adotando esse raciocínio nos artigos 536
e 537.

Além da tutela específica, há a tutela genérica (ressarcitória pelo


equivalente pecuniário). Tem-se portanto que não é que a sentença
condenatória deixou de existir e que deixou-se de possibilitar o pagamento em
detrimento do crédito específico. Em que pese toda essa reforma, o sistema
processual continua sendo um sistema liberal, no sentido de respeitar a inciativa
do cidadão. Por isso, o artigo 499 diz que a obrigação de fazer só será convertida
em perdas e danos em dois casos: (I) quando o autor requerer; (II) impossível a
tutela específica. Observe-se portanto que a indenização tem caráter subsidiário,
mas não é que deixou de existir.

Tutela pura contra ilícito: ilícito significa comportamento contrário a norma.


Existe uma tutela cujo objetivo é impedir o descumprimento de uma norma ou ao
menos reagir a este descumprimento. Existe diferença entre tutela contra dano
(preocupa-se com o prejuízo) e contra o ilícito. E o artigo 497, §
únicocorresponde, em parte, ao artigo 461 do código anterior, estabelecendo
uma tutela pura contra o ilícito. Então, hoje no direito brasileiro, não se precisa
misturar ilícito e dano. Posso buscar atitude do juiz voltada ao descumprimento
de uma norma, abstraindo completamente da existência de um dano. MP poderá
pleitear a comercialização simplesmente porque contraria normas sanitárias,
sem necessariamente comprovar a existência de dano. Isso parece fundamental
no direito ambiental, do idoso, criança e adolescente, consumidor, etc...

2.2.2. Meios de Coerção Indireta

Artigo 536 diz que o juiz poderá determinar as medidas necessárias à


satisfação do exequente. Estas medidas são coercitivas, substitutivas da
vontade. O § 1º se serve de uma técnica legislativa que é a da cláusula geral
dedicada à efetivação dos direitos. Cláusulas gerais consistem em textos vagos,
de onde se pode extrair princípios e até regras. Judith Martins Costa diz que
cláusulas gerais são fatores de mobilidade do sistema jurídico. Obviamente,
cláusula geral traz insegurança, mas é um grau de insegurança necessário, para
ter-se sistema que possa se movimentar.

Esta medida, observe-se, pode ser estabelecida oficiosamente, sem


necessidade de requerimento e o juiz deverá construir a medida mais adequada,
no caso concreto. Então, juiz cria, sim, direito, tendo um poder coercitivo. STJ
tem entendimento que, contudo, não se pode proceder à retenção do
passaporte, porque restriria o direito de ir e vir do cidadão; e entende-se que a
retenção da CNH só se houver patrimônio, para que não se incorra em uma
penalidade

Medida coercitiva não tem caráter indenizatório. Portanto, não é uma


clausula penal. Multa diária não é indenização, não é uma cláusula penal, é
apenas meio de coerção/intimidação para que o sujeito cumpra a tutela
específica. Não incide o art. 494 do CC. O valor da multa deve ser proporcional
a necessidade de coerção e não do dano.

Juiz pode conceder de ofício não estando vinculado ao pedido. Princípio


da Colaboração. Ele não está limitado ao meio coercitivo mencionado. Busca e
apreensão é um meio sub-rogatório e substitutivo, em que se vai passar por cima
da vontade do executado. O artigo 536 congrega meios indutivos e sub-
rogatórios – que passam por cima da sua vontade. E que este mandado será
cumprido por dois oficiais de justiça.

Sanções pelo descumprimento de ordem judicial. Multa coercitiva não é


indenização e tampouco é pena pela litigância de má-fé. Cumulativamente com
esta multa de litigância, que é punitiva, há a multa coercitiva, que é indutiva. § 3º
deixa muito clara essa distinção. Então, descumprimento de ordem judicial
acarreta três consequências: multa diária, multa por litigância de má-fé e
eventualmente na esfera penal a configuração do crime de desobediência.
Dessas três coisas, a multa diária é a que tem finalidade indutiva.

Há a defesa do executado, aqui, também, que determina no § 4º que se


defenderá por cumprimento de sentença, de modo que nos remete ao artigo 525,
no que couber. No que couber significa que este artigo 525 se adaptará ao
cumprimento de tutela específica. Por exemplo, excesso de execução é algo que
não se aplicaria, aqui.

2.2.2. Multa Coercitiva – 537

Função é de coerção psicológica, intimidando o réu, a fim de que cumpra


a decisão judicial. Esta multa não tem função punitiva, e não tem caracterização
de pena, portanto. Se o sujeito não tiver dinheiro não há como valer essa multa,
porque o ato de “assustar” não irá valer; tratar-se-á nesse caso de função de
pena, o que não é o caso. Mas esta multa também não tem caráter indenizatório,
tampouco.

Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poderá ser aplicada na fase de
conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ou na fase de execução, desde que seja
suficiente e compatível com a obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento
do preceito.

Depreende-se que esta multa pode ser estipulada a qualquer momento,


mesmo que depois de transitado em julgado. Primeira questão a tratar-se é o
valor da multa, a ser estipulado pelo juiz. Ele tem relação com qual fator? Com
o valor pecuniário da obrigação? Ora, o caput fala em valor compatível com a
obrigação. Ideia de que por exemplo, o valor da multa não pode ultrapassar o
valor estipulado no contrato. Uma leitura primeira poderia levar a esta conclusão.
Mas o artigo falar em valor compatível com a obrigação, devendo se tratar de
relação com a própria obrigação presente e não com o VALOR dela. Assim, não
parecer certo no entendimento do professor, considerar o entendimento de que
o valor da multa não pode ultrapassar o valor do contrato. Multa deve ser
proporcional a outros fatores, como essencialmente a capacidade de resistência
do réu. Quanto maior o poder econômico do réu, nesse sentido, maior deve ser
a multa. Este é o critério crucial a ser analisado e não simplesmente levar em
conta o valor do contrato, que é só um critério (ou quiçá nem deva ser critério
algum).

Pode-se pensar em 3 tipos de multa: (I) Multa coercitiva pode ser única,
incidindo uma única vez (parecia com a do 523). Geralmente aplicáveis a
obrigações de não fazer. Por exemplo, o sujeito está ameaçando expor a fórmula
da coca-cola. (II) Multa periódica. Terá um valor que incidirá sobre um dado
período e o período mais comum é o diário. Mas não é a única possibilidade de
período. É possível a multa estabelecida em outros perídoos, como mostra o
professor Guilherme Rizzo, a depender do ato praticaod. Pode ser um ato
praticado uma vez por semana; nesse caso, a multa será semanal. Pode, ainda,
ser mensal, anual, por hora, por dia, por segundos, ... (III) Multa Progressiva. Na
multa diária, tem-se um valor fixo que incide uma vez dentro do período de 24
horas. O valor individual, portanto, da multa é fixo; o que cresce é o valro
acumulado. Na multa progressiva o próprio valor individual da multa é que se
modifica. Ou seja, no primeiro dia é 1000 por dia; a partir do vigésimo dia é 5000
reais por dia. As alterações diárias pode ser para mais (que é o mais comum) ou
para menos.

TJRS passou a pensar em limitar no tempo da multa. Decidiu-se limitar


em 30 dias-multa. Professor critica limitar o valor acumulado da multa. Juiz quer
que não estabeleça um valor superior ao valor da obrigação, de modo que o
credor não se interessa nem mais pelo pagamento do crédito e sim da multa;
intuito é que a multa não assuma valores exorbitantes. Mas a lógica do devedor
é que basta ele pagar até determinado valor de multa que não precisará cumprir
o crédito. Na lógica do professor, não se deveria estabelecer um limite, devendo
incidir até o devedor cumprir a obrigação. Se não quer que chegue a 29434394
mil reais então que cumpra a obrigação.

Quem é o credor, beneficiário da multa? Há muitas possibilidades e houve


muita discussão com relação a isso, mas o § 2º, tentando adotar o critério de
Portugal, determinou que o valor da multa será devido ao exequente. A pergunta
é quem é o grande prejudicado pelo descumprimento da ordem? Texto final do
CPC diz que é o exequente e não o Estado. Mas há uma exceção, que aparece
no ECA, no artigo 214, em que também há sentença mandamental e inúmeras
obrigações de fazer; neste caso, o valor de eventual multa vai para um fundo
específico destinado à promoção de direitos da criança e do adolescente e não
para o Estado e tampouco para quem moveu a ação contra o adolescente - no
caso, o MP.

E o devedor? Ele seria a pessoa destinatária do cumprimento da


prestação, de fazer ou não fazer. Grande problema que se coloca é o Estado;
quem seria o agente público responsável pelo cumprimento da ordem? Existem
decisões judiciais que dizem que não adianta multar o Estado, significando punir
toda sociedade, porque por trás do Estado há sempre uma pessoa física que vai
sofrer as consequências daquela ordem. Por exemplo, se efetuar-se ordem de
entrega do diploma a um formando, não é a UFRGS que vai entregar o diploma;
é o reitor que enquanto pessoa física vai fazer essa entrega. Deve-se multar o
agente público fisicamente responsável pelo cumprimento da ordem. Por
exemplo, Estado tinha que fornecer tratamento médico e quem foi multado foi o
procurador do Estado porque ele que deveria providenciar o cumprimento da
ordem e impedir a morte de uma criança.

Necessidade de intimação pessoal do devedor para a incidência da


multa. STJ entendeu na súmula 410, que é posterior à reforma da execução, diz
que a intimação pessoal é condição necessária a incidência da multa. Isso
porque o ato de cumprir a ordem é feito pelo cliente não pelo advogado. Não
basta que o advogado seja intimado por nota de expediente. Contudo, o STJ
entendeu que a sumula continua compatível com a legislação de 2015, ainda
aplicada. Para que a pressão psicológica funcione, é mais útil que se intime
diretamente quem deve prestar algo, o devedor/executado, e não seu advogado.

Há um prazo para o cumprimento do preceito, a depender do tip de


prestação. Se é prazo para fornecimento de medicamento é tempo mais curto
do que prazo para fornecimento de buffet para uma festa. Nos termos da sumual
do 410 este prazo só terá início após intimação pessoal. Enquanto não houve
intimação pessoal, esse prazo não se inicia.

Há três aspectos a serem analisados no que tange à multa: incidência,


cobrança e liberação. A incidência é imediata, após o término do prazo
estipulado. E é essa incidência imediata que começa a exercer a pressão
psicológica. A cobrança, por outro lado, significa a execução efetiva da multa; ou
seja, cobrada e penhorada. Aqui se insere dentro da tutela específica a tutela
pecuniária, o que joga-nos para tudo que vimos anteriormente: penhora,
avaliação, deposita, para aferir o valor da multa. A multa, em consonância com
o § 3 do artigo 537, também é cobrada de maneira imediata, mesmo antes do
trânsito em julgado, só não acontecendo se a decisão que determinou a
cobrança da multa tiver sido impugnada com recurso com atribuição de efeito
suspensivo. Em resumo, pode-se cobrar a multa antes do trânsito em julgado,
em cumprimento provisório. Eis o que se depreende da parte que fala “A decisão
que fixa a multa é passível de cumprimento provisório”. Porém o § 3º é claro ao determinar
que é “permitido o levantamento do valor após o trânsito em julgado da sentença favorável à
parte.” Ou seja, o dinheiro fica na conta até a ocorrência do trânsito em julgado;
somente depois é que o valor poderá ser liberado. Portanto, a execução efetiva
da multa pode ser feita antes do trânsito em julgado e a liberação do valor por
meio de alvará só depois.

§ 1º dá ao juiz um poder ao juiz consistente em modificar o valor ou a


periodicidade da multa vincenda ou exclui-la. Posso então abater e modificar a
dívida que já acumulou e já venceu, que já incidiram? Parece que não, porque
trata-se de multa vincenda. Exemplo: 100 reais por dia para Telecom e chegou
em 1 milhão de reais; em agravo de instrumento pediu para abaixar o valor da
multa. Pode isso? Abaixar o valor da multa já vencida? Não há sumula a respeito,
o STJ tem decidido que o juiz pode alterar também a multa já vencida e diminui-
la.

Há uma ação chamada de ação exibitória de documentos, que não foi


abolida, visto que surge de leis de direito civil e não de processo. Se eu sou
contraente e essa contratação está consubstanciada em um documento eu
tenho direito a esse documento – pretensão de exibição de documento. STJ
sustenta não haver a possibilidade de procedimento específico para a ação
exibitóriaCJF faz encontros anuais para debater o CPC editou dois enunciados
dizendo que a pretensão a exibição existe, podendo ser manifestada tanto no
procedimento comum como pelo procedimento do artigo 381, da produção
antecipada de provas. Portanto, irrelevante o procedimento; o que interessa é
que continue existindo a pretensão material que se possa veicular.

Súmula 372: STJ sensibilizado pela TELECOM, entende que não cabe
multa coercitiva em ação de exibição de documentos. Qual o problema? É que
o novo CPC tem dois artigos que tratam de exibição de documentos, que é o 400
(exibição contra a parte), 403 (exibição de documentos a terceiros) indutivas,
coercitivas, mandamentais e condenatórias e o 403 é mais específico, falando
especificamente em multa. Então, tem-se uma súmula velha em razão de um
tipo específico de processo que foi o da TELECOM e um texto legal que não
parece mais sustentar essa posição.

UNIDADE III – EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL

1.PROCEDIMENTO DA EXECUÇÃO DE PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA


CONSTANES DE TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL

Este procedimento é especial. Então tem-se o procedimento comum e o


cumprimento de sentença é uma etapa do procedimento e tem-se um
procedimento especial que não é procedimento; e este procedimento especial é
destinada ao pagamento de quantia. Este procedimento é novo, começado do
zero. Este procedimento aparece em torno do artigo 800.

Procedimento começa com uma petição inicial, não um mero


requerimento. Artigos 798 e 799 estabelecem uma serie de requisitos para essa
petição. Mas estes artigos não esgotam o que deve constar na petição inicial;
devem ser complementados pelo artigo 319. O único que não tem sentido deste
artigo é requerer a produção de provas, porque o juiz não vai julgar a existência
do direito. Outra coisa é pedir audiência de conciliação, geralmente não se faz,
mas não se deve dizer que é impossível.

Há a documentação essencial à propositura da demanda:

 título executivo;
 memória de cálculo, demonstrando como se chegou no valor da
execução.
 Prova da prestação, no caso de houver prestação a cargo do exequente.

Despacho da inicial, em que juiz a analisa. Aqui, o juiz tem dever de


colaboração; se verificar irregularidade, ele não pode indeferir de plano; ele deve
intimar o exequente para corrigir o defeito no prazo de 15 dias; dever de
prevenção, no artigo 6º. Professor lê este artigo em conjunto com o artigo 321,
havendo a necessidade de indicação do que deve ser corrigido.
Juiz admite a petição ou a indefere depois de intimar o advogado. Deferir
significa que o juiz recebe a petição inicial, concede eventualmente alguma tutela
provisória, mas principalmente determina a citação do devedor e já determina
junto a penhora, a avaliação e a realização do depósito. No Artigo 827º juiz já
fixa honorários advocatícios e esse valor vem tarifado (10% do débito
exequente). Existe uma regra no § 1º o que a doutrina chama de sanção premial.
Se o executado pagar no prazo de 3 dias, fica 5%.

Exequente tem direito de ter lavrada uma certidão de que foi admitida a
execução e levar a outros registros para conhecimento de terceiros. O detalhe
que se deve atentar é que não basta a certidão de distribuição da execução;
deve ser a certidão de admissão. Objetivo é evitar fraude à execução.

Haverá, então, citação. 829 determina que o sujeito é intimado para pagar
em 3 dias ou opor embargos, em 3 dias. Seria prazo processual e seria dias
úteis. Entende-se que o prazo começa a correr imediatamente à citação, não
esperando-se o mandado ser juntado. Qual o meio de citação? Código anterior
não aceitava citação pelo correio e exigia que fosse feita pelo oficial de justiça.
Novo CPC não traz mais essa regra; então, a doutrina tem entendido que o novo
CPC liberou este tipo de citação.

Medida do 830 é chamado erroneamente como arresto; resumidamente,


consiste no oficial intimando o executado e não o encontra na sua residência. O
oficial com medo de que está se esquivando ou escondendo, tem possibilidade
de pegar bens que estão em casa dele. CPC chama isso de arresto. A pergunta
é: essa figura do artigo 830, que é chamado de arresto, trata-se da medida
cautelar de arresto prevista no artigo 301? Os melhores autores, Medina, Didier,
dizem que não é. A medida do 830 é um arresto executivo que consiste na
antecipação da eficácia da penhora. Não consistira em uma medida cautelar,
porque o oficial cumpre na hora, independentemente de decisão judicial. Trata-
se então de antecipação de penhora e a expressão mais adequada para
designar isso é a pré-penhora.

Não havendo pagamento, o oficial volta e cumpre a parte da penhora não


efetivada. [áudio da parte que fui ao banheiro].
Executado vai pleitear o pagamento parcelado no prazo para embargos e
ele terá de renunciar aos embargos. Se quiser-se pleitear o pagamento
parcelado desiste-se do direito à defesa. Isso porque é uma espécie de
reconhecimento jurídico do pedido; ele reconhece o débito e paga.

Caput dá a ideia de a pessoa vai reconhecer o crédito e vai depositar no


mínimo 30% de entrada. De modo que vê-se a exigência de uma entrada nesse
pagamento parcelado. E depois mais 6 parcelas mensais. Ideia é que o próprio
executado faz a conta e ele vai atualizando o valor todo mês.

Observe-se o § 5º em que determina que o não pagamento das prestações


acarreta na imposição de multa de dez por cento sobre o valor das prestações
não pagas.

5. Embargos à Execução – 914/920

Natureza: embargos não são uma contestação; é uma nova ação, uma ação
incidental. Poder-se-ia comparar os embargos à reconvenção, que será autuada
e dará origem a um novo processo, autuado em apenso ao processo principal.

Prazo: 15 dias, a contar de acordo com as regras normais do artigo 231,


conforme preceitua o artigo 915. Vê-se que aqui o prazo não é automático, ao
contrário do cumprimento em que é (haveria inconstitucionalidade nisso?).
Depois da citação, então, tem-se dois prazos: o prazo para pagar em 3 dias e o
prazo para embargar em 15 dias.

Juízo perante o qual se apresenta os embargos: no artigo 914, § 2º fala-se


da chamada execução por carta (principalmente por precatória). Citação em uma
comarca e tramite da ação de execução em outra. Este paragrafo determina que
os embargos podem ser propostos em qualquer juízo. O julgamento, entretanto,
é feito no juízo deprecante, onde tramita a ação de execução, a não ser que se
esteja unicamente a citação ou penhora que ocorreu no juízo deprecado.

Conteúdo: artigo 917, atentando-se especificamente para o inciso VI


(qualquer matéria que é lícito apresentar como defesa em processo de
conhecimento), ao contrário da impugnação em que se está limitada ao rol do
artigo 525 § 1º. Lembrando que se alegar-se excesso de execução, deve-se
apontar o valor devido, sob pena de indeferimento do pedido.

Efeito suspensivo: não tem efeito automático, precisando-se da garantia do


juízo e devendo-se fazer um requerimento e satisfazer-se certos requisitos.

Procedimento próprio: então o embargado é intimado para contestar os


embargos. Quem é o embargado? O exequente. O embargado é o executado. A
lógica é que o exequente não precisa ser citado, ele é só intimado na pessoa do
advogado. Se o juiz acolher os embargos, ele acabará extinguindo a execução
e inverterá os honorários.

PROVA:

Fraude, fraude à execução, fraude contra credores

Penhora, bens impenhoráveis, ordem de penhorabilidade, penhoras especiais


(penhora eletrônica, principalmente – duas etapas, consistentes no bloqueio e
depois a penhora propriamente dita), penhora de imóveis/veículos

Depósito, quem é o depositário, o que ele tem de fazer, o que não pode fazer,
se cabe ou não cabe prisão civil

Avaliação (pode ser o bem avaliado pelo oficial)

Adjudicação, quem pode (executado, mulher do executado, parente, ...)

Alienação do bem penhorado, por meio particular ou por leilão

Intimações, preço vil (se o juiz não estabelecer nada é considerado o preço vil).

Suspensão e extinção da execução. Sobretudo o problema da prescrição


intercorrente. O que se deve fazer para que o prazo se complete. Tem-se
também a extinção da execução e a sentença que não presta tutela e declara
extinto o processo de execução.

Cumprimento de sentença. Prazo para cumprimento voluntário.