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Universidade Federal Fluminense

Políticas Públicas
Docente: Demian Melo
Discente: Roberto Vieira Arruda
Disciplina: Tópicos Especiais em História

A ideologia do Neoliberalismo tem uma implicação de conceitos relacionados


a dignidade e liberdade individual, algo que de primeira vista podem ser vistos como
valiosos e comoventes, do qual, países como o EUA possuem na sua história uma
ligação direta com estes temas. Mas o conceito de liberdade propagado pelo
neoliberalismo é algo totalmente controverso, pois, conforme HARVEY p.15 cita o que
ocorreu economicamente na interferência do EUA no Iraque no ano de 2003:

a total privatização da economia, plenos direitos de propriedade às


empresas estrangeiras com negócios iraquianos, o direito de as
empresas estrangeiras expatriarem os lucros e a retirada de· quase
todas as barreiras comerciais, incluindo serviços públicos, bancos e
finanças, meios de comunicação, indústrias manufatureiras, serviços,
transportes e construção.

Deste modo, podemos observar que para o neoliberalismo as liberdades de


mercado e de comércio são a priori para garantir quaisquer liberdades individuais,
mas que na verdade, são apenas desculpas para promover “(...) condições favoráveis
à acumulação lucrativa de capital pelos capitalistas domésticos e estrangeiros”
(HARVEY, p. 16).
Historicamente a primeira experiência neoliberal ocorreu no Chile na década
de 70 com o governo do Pinochet após o seu golpe patrocinado pelas elites burguesas
chilenas, no governo democraticamente eleito do Salvador Allende, do qual, possua
uma linha ideológica voltada para o socialismo. Neste contexto o Chile estava
passando por uma série de problemas econômicos e os teóricos econômicos
conhecidos como “the Chigado Boys” como Milton Friedman, foram convidados para
participar da reconstrução da economia chilena. (HARVEY, p.17).
As medidas feitas foram relacionadas a reverter as nacionalizações e privatizar
os ativos públicos e seguridade social, dando liberdade ao extrativismo dos recursos
naturais e exploração privada não-regulada destes locais, além de facilitar os
investimentos estrangeiros e direitos de livre comércio. Em curto prazo estas medidas
aqueceram a economia, mas não duraram muito tempo por conta da crise latino-
americana relacionada a dívida com o FMI.
Está experiência neoliberal no Chile serviu para coletar dados para as
aplicações desta ideologia que ocorreram na década de 80 com o governo de Reagen
no EUA e Thatcher na Inglaterra. Anterior a este processo, observamos a diminuição
da renda das classes burguesas frente as políticas econômicas relacionadas ao
Welfare States após a II Guerra Mundial em diversos locais do mundo. Na década de
70 com o capitalismo entrando em um novo ciclo de crise, Harvey destaca uma
acentuada queda dos ativos nas posses do 1% mais ricos dos EUA, com isto, as
experiências do Chile e também da Argentina demonstraram a possibilidade das
outras classes pagarem pela crise, além, de conseguirem aumentar o lucro dos seus
negócios durante este processo.
Está questão segundo HARVEY p.26 define que “(...) a neoliberalização foi
desde o começo um projeto voltado para restaurar o poder de classe”, sendo esta “(...)
um projeto político de restabelecimento das condições da acumulação do capital e de
restauração do poder das elites econômicas”. As consequências a longo prazo da
aplicação das políticas neoliberais tiveram profundo impacto no que tangue este setor
econômico:

Depois da implementação de políticas neoliberais no final dos anos


1770, a parcela da renda nacional do 1% mais rico dos Estados Unidos
disparou, chegando a 15% (bem perto de seu valor pré-Segunda
Guerra Mundial) perto do final do século. O 0,1% mais rico dos Estados
Unidos aumentou sua parcela da renda nacional de 2% em 1978 para
mais de 6% por volta de 1999, enquanto a proporção entre a
compensação mediana dos trabalhadores e o salário dos CEOs (Chief
Executive Officer) passou de apenas 30 para 1 em 1970 a quase 500
para 1 por volta de 2000. (HARVEY, p. 26)

Exemplos como estes, ocorreram em diversos locais do mundo após a década


de 80, como, Grã-Bretanha, China, Rússia e México, além da crescente desigualdade
social, aonde Harvey p.27 cita que "a diferença de renda entre os 20% da população
do mundo que vive nos países mais ricos e os 20% da população do mundo que vive
nos países mais pobres era de 74 para 1 em 1977, vindo de 60 para l em 1990 e de
30 para 1 em 1960”.
As consequências no estado da introdução das políticas neoliberais atingiram
diretamente os setores reguladores de políticas sociais. Em países como EUA e
Inglaterra, era certo o completo extermínio de quaisquer heranças deixadas pelo
Welfare States na década de 80, além do aumento da desigualdade e desemprego
para diminuir a inflação e restaurar o poder econômico da classe alta, tendo como
exemplo a redução dos impostos corporativos que sofreram uma redução de 70%
para 28% naquele contexto segundo Harvey p.31.
Além disso, Harvey p.38 mostra a grande diferença entre a ideologia liberal
com a neoliberal na relação estado com o mercado, demonstrando que os capitalistas
assumiam o prejuízo quando ocorriam perdas decorrentes de más decisões de
investimento, mas que atualmente, o estado é forçado a assumir os custos do
pagamento das dívidas realizadas em custos da vida e bem-estar da sua população.
Mas tudo isto não podia ser construído sem o apoio das massas, as políticas
neoliberais deveriam vir por canais democráticos, construindo um senso comum
profundamente enganoso, e obscurecendo problemas reais. Os canais para se
legitimar o neoliberalismo vieram por meios diversificados. Segundo Harvey p.49,
foram utilizados fortes influências ideológicas em corporações, meios de comunicação
e nas instituições da sociedade civil, como, universidades, escolas, igrejas,
associações profissionais, etc.
Essa alienação baseada em um pragmatismo relacionado a defesa das
liberdades individuais criam uma base popular, para que a elite restaurasse o seu
poder econômico e assim que eles conquistaram o poder político, segundo Harvey
p.50, utilizaram-se de meios de persuasão, cooptação, chantagem e ameaça para
manter o clima de consentimento para que o poder se perpetuasse, portanto, o uso
da força, via militar pelo estado ou econômica-intelectual pelo mercado, criava uma
impressão de que não existia alternativa a não ser aquelas medidas que estavam
sendo implementadas em todo o mundo.
Em solo americano tivemos a cidade de New York tomada como pioneira das
práticas neoliberais, aonde, o governo municipal estava passando por uma crise fiscal
na década de 70 e segundo Harvey p.54, há única maneira de “salvar” a cidade era
satisfazendo os banqueiros de investimento e reduzir o padrão de vida da maioria da
população local, o que demonstra claramente políticas de restruturação de classes,
aonde fez com que boa parte da infraestrutura social de New York sofresse prejuízo.
Desta forma, os neoliberais observaram a possibilidade de pegar o exemplo de
New York e expandi para parâmetros nacionais, mas para isto, era necessário criar
um instrumento político de classe com base popular, cuja os seus interesses fossem
representados, escondidos atrás de temas relacionados a religião e ao
conservadorismo e preconceitos sociais, advindos do partido republicano. A partir do
sistema de financiamento de campanha via entidades privadas que, segundo Harvey,
legalizaram a corrupção eleitoral, eram totalmente voltadas para o financiamento de
políticos de direita dentro do partido republicano. Sendo assim, Reagan chegou ao
poder, com uma base política segundo Harvey p.60, composta pela religião e pelo
nacionalismo cultural, e mediante ao racismo, homofobia antifeminismo disfarçados,
quando não ostensivos. Portanto naquele contexto, foi desviado a atenção do poder
corporativo e do capitalismo mediante aos problemas culturais e sociais que estavam
sendo criados.
As medidas realizadas por Reagan tinham como objetivo enfraquecer os
sindicatos, promovendo mudanças dos polos industriais para locais em que os
sindicatos eram fracos como no Sul dos EUA ou até mesmo para outros países, como
México e o Sudeste asiático, desta forma, segundo Harvey p.62, as corporações
podiam ameaçar com o fechamento de fábricas. Além disto, eles cooptavam aqueles
trabalhadores não sindicalizados e promoviam a especialização flexível e
flexibilização dos contratos de trabalho.
Além disto, o Governo Reagan promoveu a cultura neoliberal nas universidades
de economia, transformando estes locais segundo Harvey p.64, em campos de
treinamento para muitos estrangeiros que levam aquilo que aprenderam para seus
países de origem. Até os anos 90, a maioria dos departamentos de economia das
grandes universidades do EUA e seus aliados já estavam dominados pela ideologia
neoliberal de pensamento.
Na Grã-Bretanha a principal motivação que levou a Thatcher ao poder foi a
desmoralização do Partido Trabalhista. Na metade da década de 70 o país passava
por uma crise econômica e este teve que recorrer a créditos do FMI, do qual, teve que
se submeter a restrições orçamentárias e de austeridade ditadas pelo próprio órgão.
Assim, o Partido Trabalhista teve que impor medidas que iam de oposição ao seu
próprio eleitorado, do qual, acabou deflagrando grandes greves dos servidores
públicos que pararam boa parte das atividades econômicas do país, o que acabou
ocasionando o desfecho do governo trabalhista e a chegada de Thatcher ao poder no
início dos anos 80.
As primeiras medidas do seu governo foram diminuir o poder histórico dos
sindicatos britânicos e os gastos públicos:

Union Congress (a central sindical britânica) perdeu em cinco anos 17%


de seus membros). O poder de barganha do trabalho se enfraqueceu.
Alan Budd, conselheiro econômico de Thatcher, mais tarde sugeriu que
"as políticas dos anos 1980 de atacar a inflação estrangulando a
economia e os gastos públicos eram uma estratégia encoberta para
neutralizar os trabalhadores". O país criou aquilo que Marx denominou
"exército industrial de reserva" (HARVEY, p.68)

Thatcher privatizou diversas empresas estatais e começou a importar os bens


em que indústria nacional possuía sindicatos fortes com a de carvão e automobilística,
com o intuito de enfraquece-los e em apenas 10 anos, segundo Harvey p.69, o Reino
Unido foi transformado em um país de salários baixos e com uma força de trabalho
relativamente obediente. Portanto, observamos em Reagan e Thatcher os pioneiros
políticos nas agendas políticas neoliberais no EUA e Grã-Bretanha, do qual, deixaram
um legado a se cumprir pelos governos seguintes.
A introdução do neoliberalismo na prática foi bem diferente do que se pensava
na teoria. De acordo com Harvey p.74 na teoria o neoliberalismo diz que devemos
favorecer os direitos individuais à propriedade privada, as instituições de mercado e
livre funcionamento e do livre comércio, ou seja, realizar arranjos institucionais que
garantam as liberdades individuais através das obrigações contratuais livremente
negociadas entre os indivíduos no mercado, trazendo uma livre competição fazendo
com que cada um seja responsável pelo seu próprio bem-estar e ações, sucessos e
fracassos.
Através disto observamos contradições, aonde “(...) a competição costuma
resultar no monopólio ou no oligopólio à medida que empresas mais fortes vão
expulsando do mercado empresas mais fracas” (HARVEY, p.77), além disto, também
tem a questão ambiental, aonde as empresas privadas lançam resíduos tóxicos no
meio ambiente sem custos financeiros, a terceirização que acaba criando redes
subcontratais nas relações trabalhistas, o caráter especulativo das moedas, a ideia de
que a tecnologia consegue resolver quaisquer problemas, além dos problemas
políticos, que observam o regime democrático como um perigo para o livre mercado,
vendo instituições como FMI e Banco Central do EUA como tomadores de decisões
essenciais para o funcionamento do livre mercado.
Na prática, observamos o neoliberalismo alimentando o nacionalismo na guerra
das Falklands/Malvinas para favorecer reforças econômicas antagônicas aos
conceitos de liberdade dos indivíduos no governo da Thatcher, governos salvando
instituições financeiras que realizaram maus investimento:
O poder do Estado tem sido usado com frequência para resgatar
empresas ou evitar fracassos financeiros. Como foi o caso da crise de
poupança e empréstimo norte-americana de 1987/88, que custou aos
contribuintes cerca de 150 bilhões de dólares, ou o colapso do fundo
de derivativos Long Term Capital Management em 1997-98, que custou
3,5 bilhões. (HARVEY, p. 81)

Estes exemplos também ocorrem em um âmbito internacional, aonde vemos o


FMI renegociando a dívida do México para evitar a eventual falência deste país, do
qual, iria resultar na falência dos banqueiros de New York, estes, os maiores
detentores da dívida Mexicana dos anos 80. Para HARVEY p.84, “(...) isso se traduziu
em extrair mais-valia de populações empobrecidas do Terceiro Mundo para pagar aos
banqueiros internacionais. ” Estas renegociações se tornaram comuns para fazer com
que países dominados economicamente como Brasil, Argentina, Venezuela e Uruguai
aceitassem acordos para conseguirem pagar as suas dívidas.
O impacto do Neoliberalismo no Estado e sociedade estão fazendo com que a
concentração de renda e a desigualdade social se tornem cada vez mais acentuadas,
alimentando corporações oligárquicas em um comércio monopolista e colocando as
instituições estatais em novos aparelhos do mercado, transformando a história das
lutas sociais e a conquistas de direitos em meros empecilhos para a defesa do “livre
mercado” e das “liberdades individuais”.

Referências Bibliográficas

HARVEY, D. O Neoliberalismo: história e implicações. Tradução: Adail Sobral e Maria Stela


Gonçalves. São Paulo: Edições Loyola, 2008