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Filosofia do tédio

Lars Svendsen

Filosofia do tédio

Tradução:
Maria Luiza X. de A. Borges

Jorge ZAHAR Editor


Rio de Janeiro
Título original:
Kjedsomhetens filosofi

Esta obra foi originalmente publicada em 1999


por Universitesforlaget, de Oslo, Noruega

Copyright © 1999, Universitesforlaget

Copyright da edição brasileira © 2006:


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Esta tradução foi publicada com apoio financeiro de NORLA

Capa: Dupla Design

CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.

Svendsen, Lars, 1970-


S974f Filosofia do tédio / Lars Svendsen; tradução, Maria Luiza X. de A. Borges. –
Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006

Tradução de: Kjedsomhetens filosofi


ISBN 85-7110-962-1
1. Tédio. 2. Tédio na literatura. I. Título.

CDD 152.4
06-3956 CDU 159.942
Sumário

Prefácio 7

1. O problema do tédio 11
O tédio como problema filosófico, 11 | Tédio e modernidade, 21 |
Tédio e significado, 27 | Tédio, trabalho e lazer, 35 | Tédio e morte, 39 |
Tipologias do tédio, 43 | Tédio e novidade, 47

2. Histórias do tédio 52
Acédia: Tédio pré-moderno, 52 | De Pascal a Nietzsche, 55 | Tédio
romântico, de William Lovell a O psicopata americano, 64 | Sobre tédio,
corpo, tecnologia e transgressão: Crash, 87 | Samuel Beckett e a
impossibilidade do significado pessoal, 102 | Andy Warhol: A renúncia
ao significado pessoal, 110

3. A fenomenologia do tédio 118


Sobre os humores, 118 | Ontologia: A hermenêutica do tédio, 128

4. A ética do tédio 146


Que é um eu?, 146 | Tédio e história humana, 148 |
A experiência do tédio, 152 | Tédio e maturidade, 162

Posfácio 167
Notas 170
Índice onomástico 189
Prefácio

Minha razão para escrever este livro foi ter passado algum tem-
po profundamente entediado. O que me fez compreender a
importância do tópico, no entanto, foi a morte, relacionada ao
tédio, de um grande amigo. Cheguei ao ponto de ser obrigado
a concordar com Rimbaud: “O tédio não é mais o meu amor.”1
Estar entediado não era mais uma mera pose inocente ou uma
adversidade menor. De repente, a queixa de Rimbaud de
“morrer de tédio”2 – que, mais tarde, seria repetida em muitas
músicas de pop e rock, de “Bored to death” de G.G. Allin a
“Something to do” de Depeche Mode – tornou-se real. Tais
músicas destacaram-se como a trilha sonora de nossas vidas.
Eu acreditava que essa experiência não estava restrita a um pe-
queno círculo de amigos, mas que, na verdade, indicava um
sério problema com relação a significado em nossa cultura con-
temporânea como um todo. Investigar o problema do tédio é
tentar compreender quem somos e como nos ajustamos ao
mundo neste dado momento. Quanto mais eu pensava sobre
isso, mais o tédio me parecia inspirador para a compreensão da
cultura contemporânea. Vivemos numa cultura do tédio, e
} 7 {
8 } FILOSOFIA DO TÉDIO {

Filosofia do tédio é minha modesta tentativa de me reconciliar


com ela.
Num nível mais acadêmico, fui motivado por certa insatis-
fação com a filosofia contemporânea. Emmanuel Levinas des-
creve o pensamento contemporâneo como um pensamento
que passa através de um mundo sem rastros humanos.3 O tédio,
por outro lado, é humano – demasiado humano.
Este livro foi originalmente escrito como um ensaio, numa
ocasião em que eu havia planejado me dedicar ao lazer. Após ter
completado um longo projeto de pesquisa, iria relaxar e fazer...
nada. Mas isso se revelou absolutamente impossível. Obvia-
mente fui incapaz de não fazer coisa alguma. Pensei, então, que
o melhor era fazer alguma coisa, daí este livro.
Em geral, não temos nenhuma concepção bem definida
daquilo que nos atormenta. De fato, são muito poucos os que
têm um conceito bem fundamentado de tédio. Ele costuma ser
um rótulo em branco aplicado a tudo que não é capaz de pren-
der nosso interesse. É, sobretudo, algo com que vivemos, não
algo em que pensamos sistematicamente. Apesar disso, pode-
mos tentar desenvolver certos conceitos sobre ele, de modo a
compreender melhor o que nos aflige quando ele ataca. Este
livro é uma tentativa de desenvolver tais pensamentos sobre o
que é o tédio, quando surgiu, por que surgiu, por que nos aflige,
como o faz e por que não pode ser superado mediante nenhum
ato de vontade própria.
Permitam-me dizer, porém, que, embora tudo neste livro
seja abordado em termos de sua relação com o tédio, é claro que
esse é apenas um aspecto da existência humana. Minha intenção
não é, de modo algum, reduzir toda a vida a uma manifestação do
tédio.
É importante encontrar a forma certa para o assunto a ser
tratado. Certa vez comecei a ler um artigo filosófico sobre o
amor. Após algumas linhas, topei com a seguinte afirmação:
} PREFÁCIO { 9

“João ama Maria se, e somente se...” Nesse ponto, parei de ler.
Essa abordagem formalizada era imprópria para tratar um
assunto como o amor, porque o fenômeno real, com toda a pro-
babilidade, ficaria perdido no processo. Assim, o leitor não deve
esperar afirmações do tipo: “Pedro está entediado se, e
somente se...” Como Aristóteles assinala, não podemos procu-
rar alcançar o mesmo nível de precisão em todos os assuntos;
temos de nos contentar com aquele que o próprio assunto per-
mite. O tédio é um fenômeno vago, multiforme, e acredito que
um ensaio longo, e não uma dissertação estritamente analítica,
seja a forma mais adequada para investigá-lo. Assim, não pre-
tendo apresentar uma argumentação coesa, mas uma série de
esboços, na esperança de que nos aproximem de uma maior
compreensão do tédio. Sendo tão diverso, o fenômeno pede
uma abordagem interdisciplinar. Baseei-me, portanto, em tex-
tos de diversas áreas, como filosofia, literatura, psicologia, teo-
logia e sociologia.
O livro consiste em quatro partes principais: Problema,
Histórias, Fenomenologia e Ética. Na primeira, faço uma ampla
exposição dos vários aspectos do tédio e sua relação com a
modernidade. A segunda é dedicada a uma apresentação de cer-
tas histórias referentes a esse sentimento. Uma tese central aqui
é que o Romantismo constitui a base mais importante, em ter-
mos da história das idéias, para uma compreensão do tédio
moderno. A terceira seção focaliza as investigações fenomenoló-
gicas empreendidas por Martin Heidegger, e na quarta discuto
posturas que podemos adotar diante do tédio, bem como razões
para não o fazermos. Um fio tênue percorre essas quatro seções,
embora cada uma possa ser lida de maneira independente.
Tentei escrever este livro em estilo não-técnico, pois mui-
tos são os afetados pela experiência do tédio e quero que o texto
seja acessível a todos. Apesar disso, algumas passagens são bas-
tante árduas – isto se deve simplesmente ao fato de que o
10 } FILOSOFIA DO TÉDIO {

assunto, por vezes, é árduo. Durante meu processo de elaboração


do livro, comentários de amigos e colegas foram de valor inesti-
mável. Eu lhes agradeço por sua contribuição e também por
terem me suportado numa época em que fiquei praticamente
incapaz de falar sobre qualquer coisa que não o tema desta obra.
Devo um agradecimento especial a Ståle Finke, Ellen-Marie
Forsberg, Anne Granberg, Helge Jordheim, Thomas Nilsen,
Hilde Norrgrén, Erik Thorstensen e Knut Olav Åmås por seus
detalhados comentários sobre o manuscrito.