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Anais Eletrônicos do 14º Seminário Nacional de História da Ciência e da Tecnologia – 14º SNHCT

AS RELAÇÕES ENTRE O SABER E O FAZER: DA TÉCNICA PRIMITIVA ÀS


MODERNAS TECNOLOGIAS

Mario Sergio Cunha Alencastro*


Luciano Frontino de Medeiros

Palavras-chave: Tecnologia; Ciência; Epistemologia; História.

Introdução
A técnica é tão antiga quanto a humanidade. Para alguns antropólogos, o que
distinguiria os restos fossilizados de um homem em comparação com os de um hominídeo,
seria a presença, junto ao primeiro, de instrumentos por ele fabricados. Os seres humanos
sempre procuraram fabricar ferramentas e máquinas para melhorar suas condições de vida e
para serem eficazes em seu trabalho. Esses utensílios lhes permitiam realizar coisas que não
poderiam fazer apenas com o uso das mãos, ganhando tempo e reduzindo o sofrimento e a
fadiga do trabalho braçal.
Homo sapiens e homo faber seriam, portanto, dois aspectos da realidade humana.
Quando se refere ao homo sapiens, enfatiza-se a capacidade humana de conhecer a realidade,
de ter consciência do mundo que o cerca e de si mesmo. Já a denominação homo faber remete
à habilidade humana de fabricar artefatos e utensílios, através dos quais interage com a
natureza e a transforma.
Basta um olhar de superfície sobre a história, para notar que, durante séculos – e, por
que não dizer milênios – a técnica só foi empregada para ajudar os seres humanos em seus
trabalhos manuais e atividades físicas. Por muito tempo, ela se limitou a procedimentos
mecânicos que requeriam a intervenção direta das pessoas e não interferiam de forma tão
intensa na vida humana. Era uma fase em que o contato com a natureza era mais constante e
menos agressivo, permitindo ao ser humano um aprendizado mais direto com o meio natural.
A função primordial da técnica era tornar mais amena a sobrevivência, através da
transformação da natureza.
A partir do século XVI, porém, a técnica fez-se cada vez mais presente na vida das
pessoas, passando a constituir o coração das sociedades modernas. Tornou-se indispensável.
A invenção da tipografia de tipos móveis por Gutenberg, por volta de 1455, que fez com que a

*
Centro Universitário Internacional – UNINTER. Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela UFPR.

Centro Universitário Internacional – UNINTER. Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela UFSC.
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imprensa passasse a desempenhar um papel decisivo na difusão de ideias e até mesmo na


ampliação da consciência crítica da humanidade, alterando o conhecimento que se tinha do
mundo e de si, e os impulsos tecnológicos do século XX, tais como o aperfeiçoamento do
telefone, do telégrafo, da fotografia, do cinema, do rádio, da televisão, da informática e das
telecomunicações, são apenas alguns exemplos pontuais de como os avanços técnico-
científicos são capazes de modificar sensivelmente o modo de vida das pessoas.
O desenvolvimento técnico-científico evoluiu de tal forma que, atualmente, é quase
impossível agir independente dele. Aquilo que um dia foi uma simples ferramenta (um meio)
para facilitar a sobrevivência num ambiente hostil, talvez tenha assumido a condição
intrínseca de fim, pois, em muitas situações, a técnica moderna impõe às ações finalidades
inéditas, o que não seria possível imaginar antes do seu aparecimento (LADRIÈRE, sd:12).
Como se estabeleceram as relações entre o saber e o fazer ao longo do processo
histórico em que ciência e tecnologia assumiram papel preponderante na vida humana,
solapando as outras formas de conhecimento? Como se deu a retirada dos elementos mágicos
para explicar o mundo, não sobrando mais lugar para a religião e nem para o mito nas
concepções modernas de mundo tal como apontado por Max Weber (1982:165), no qual, num
estado de “desencantamento”, tudo teria se reduzido aos cálculos e meios técnicos?
Dadas estas questões, pretende-se neste ensaio apresentar algumas considerações de
cunho epistemológico acerca do papel assumido pela ciência e pela técnica em sua trajetória
histórica, com particular interesse nas representações atribuídas ao “fazer” e ao “saber” ao
longo de todo este processo.

As técnicas primitivas
As origens mais remotas da técnica talvez se encontrem no temor que o ser humano
sentia diante das tempestades e do medo despertado pelos animais ferozes que o ameaçavam.
Sendo o animal mais indefeso da criação, necessitou buscar mais poder para enfrentar o
poderio maior das forças naturais. Aos poucos, as soluções mágicas e místicas e os rituais
religiosos foram sendo substituídos por conhecimentos e habilidades utilizadas na busca do
seu poder sobre a natureza.
A técnica primitiva permitiu que os seres humanos criassem as ferramentas e os
instrumentos necessários para intervir na natureza, transformando-a em seu benefício. No seu
estado inicial, o utensílio funcionava como um prolongamento do corpo humano: o martelo
aumentando a potência do braço, e o arado funcionando como uma poderosa mão capaz de
escavar o solo. Dessa forma, enquanto os demais seres vivos se adaptavam às condições
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oferecidas pela natureza, os humanos, embora necessitassem também dessa adaptação, foram
conseguindo com que ela se moldasse ao seu modo de vida.
Assim, para a sobrevivência humana, foi importante o desenvolvimento da técnica, no
inicio um simples fazer manual, uma atividade voltada para a fabricação de instrumentos
rudimentares e, que aos poucos proporcionou o bem estar dos grupos humanos.
O filósofo José Ortega y Gasset (1963:75-78), denominou a técnica em seu estado
mais primitivo, de “técnica do acaso”. Quando os homens pré-históricos viram o fogo saltar
do atrito de pedras ou de outros elementos, teriam adquirido a técnica de acender fogueiras
por um acaso. Nesse estágio, a fabricação dos instrumentos não se diferenciava muito dos atos
naturais, dessa forma, os atos técnicos não seriam privativos de certos indivíduos mais aptos,
mas igualmente efetuados por todos de uma mesma comunidade.
As técnicas primitivas provavelmente tiveram sua origem em descobertas como o uso
do fogo, o polimento das pedras, o cozimento dos alimentos, etc., surgidas ainda no período
Paleolítico (3,5 milhões a 10.000 a.C.). O período histórico seguinte, o Neolítico (8000 a 5000
a.C.), é o resultado de uma verdadeira revolução técnica, pois ao descobrir a agricultura, o
pastoreio, a domesticação de animais, a cerâmica e a fabricação do vinho e da cerveja, foi
possível ao ser humano constituir as primeiras formas de organização social. A descoberta,
talvez acidental (técnica do acaso?), do bronze e do ferro são novas conquistas técnicas que
promoveram a transformação do mundo e das sociedades rurais patriarcais em cidades
governadas. Todas essas descobertas técnicas eram, no entanto, tidas como presente dos
deuses, sendo que agricultores, pastores, ferreiros e cozinheiros eram, de uma forma ou de
outra, sacerdotes ou mágicos e seus saberes sagrados e secretos – só transmissíveis aos
escolhidos por eles.

Abordagem clássica
Para Heidegger (1998:206) a história ocidental e moderna remonta ao mundo grego,
particularmente no que diz respeito ao conhecimento e ao teor dos saberes ocidentais. O saber
romano, medieval e até mesmo moderno, existe em ligação direta com o que os gregos
desenvolveram, o que exige um diálogo renovado com a Grécia no sentido de compreendê-los
em sua totalidade.
Foi somente no mundo grego, por volta do século VI a.C., que as técnicas evoluíram
do estado de saberes sagrados e mágicos, do estado primitivo e mítico, no qual os segredos do
saber fazer instrumentos e utensílios eram revelados aos homens pelos “deuses”, até as techné
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(τέχνη) – um fazer puramente humano, transmitido de geração a geração pelo ensino leigo. De
acordo com Milton Vargas (1994:13-14), trata-se do estado artesanal, no qual o mestre,
conhecedor dos processos técnicos, passa a ensiná-los aos neófitos aprendizes, de geração em
geração, perpetuando dessa forma o conhecimento técnico. Se a técnica pode ser considerada
tão antiga quanto o ser humano, a techné só teria aparecido na Grécia clássica.
Ortega y Gasset (1963:79-81) denomina esse estágio da técnica, de “técnica do
artesanato” ou “técnica do artesão”. Característica da velha Grécia, da Roma pré-imperial e
até da Idade Média, essa técnica, já mais consciente e aperfeiçoada, tinha suas atividades
ensinadas de geração em geração, incluindo a invenção e o aperfeiçoamento dos instrumentos.
É exatamente nesse estágio que aparecem certos homens dotados de maior habilidade e que se
encarregam das funções técnicas, dedicando-se exclusivamente a elas. São os artesãos, com
seus mestres e aprendizes. O aprendizado progride até o ponto de escreverem-se tratados para
o ensino das técnicas às gerações futuras.
A techné é um conhecimento prático, as habilidades e procedimentos adotados num
ofício, de modo a se obter os resultados desejados. Aristóteles (1992:116-118), no Livro VI
da Ética a Nicômaco, afirma que a techné (arte), tal como a arquitetura, é essencialmente uma
“disposição racional da capacidade de fazer”. Toda arte visa à geração e se ocupa em inventar
e em considerar as maneiras de produzir alguma. Já o conhecimento científico (theoria) seria
“o julgamento acerca de coisas universais e necessárias”, os primeiros princípios (invariáveis)
apreensíveis apenas pela sabedoria, a mais perfeita forma de conhecimento.
Nesse ponto, torna-se interessante revisitar a classificação proposta pelo Estagirita
para os diversos saberes, com base nos fins a que se propunham. A episthéme (ἐπιστήμη),
termo grego para o conhecimento verdadeiro e que se opunha a doxa (δόξα), opinião, seria um
conjunto organizado de conhecimentos que estaria dividido em (1) episthéme poietike (ciência
produtiva), de poiésis (ποιήσις) – produção; (2) episthéme praktiké (ciência da ação), de
práxis (πραξις) – ação; e episthéme theoretike (ciência teórica), de theoria (θεωρία) –
teorização, especulação.

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Figura 1 – Classificação de Aristóteles


Fonte: PETERS (1974:78).

A poiésis significa produção, manufatura (MÁRIAS, 1967:61). São os fazeres que


produzidos fora do sujeito e cuja finalidade é a produção de um objeto, de uma obra. A
techné, entendida como ofício, habilidade e arte (PETERS, 1974: 224) pertenceria ao campo
da poiésis. A medicina, arquitetura, mecânica, artesanato, comércio, pintura e escultura são
exemplos de techné, enquanto atividades humanas que resultam num produto ou numa obra.
Já a práxis (conduta, ação) eram as atividades que tinham nelas próprias seu próprio
fim, cuja finalidade era dirigir as ações humanas. Eram elas: a ética, a economia e a política.
A práxis era considerada superior à poiésis, porque continha em si suas próprias metas,
aproximando-as assim da autossuficiência, muito admirada pelos gregos (PETERS, 1974: 195
e MÁRIAS, 1967:61).
Por fim, tinha-se a theoria, o conhecimento especulativo, abstrato/puro que se afasta
do mundo da experiência concreta, sensível (PETERS, 1974:228). Teoria em grego
significava contemplação da verdade e os objetos de seu estudo eram aquelas coisas que
existem por si mesmas, independentemente de qualquer ação fabricadora, moral, econômica
ou política, sendo, portanto, considerado superior à práxis (MÁRIAS, 1968:61). A física, a
matemática e a metafísica faziam parte deste grupo. Quem se dedicasse ao estudo das ciências
teóricas precisava apenas da sua própria mente, tornando-se o tipo mais autossuficiente de
indivíduo, o ser humano superior, o filósofo.
No que tange às relações entre o fazer e o saber, os artesãos eram pessoas que
conheciam os meios para realizar coisas e obter determinados resultados. A técnica, enquanto
techné era então uma atividade que se preocupava com os problemas práticos. Milton Vargas
(1994:19-20) valeu-se do médico grego Hipócrates, para mostrar como funcionava a tecnhé.
Um dos livros deste médico chamava-se justamente Techné e tinha, como finalidade,
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transmitir aos aprendizes como fazer bem e eficientemente a medicina. É um tratado que parte
do princípio de que, na medicina, não se deveria tomar como objeto de preocupação explicar a
doença, mas sim curar o doente, o que mostra a característica da techné como conhecimento
prático aplicado e que visa objetivos específicos. A medicina, vista sob este ângulo, tinha
como objetivo curar as doenças, e para isso se valia de preceitos e receitas baseados na prática
dos médicos experientes e era passada aos aprendizes do ofício. Hipócrates dizia que a
medicina filosófica, baseada na filosofia da natureza, era inútil, sem interesse para o doente, e
que fugia, inclusive, ao dever do médico que é curar.
Sendo a techné um saber prático, relacionado com “o que” fazer e, muitas vezes, com
o “porque” fazer – veja o caso da medicina, cuja finalidade era salvar os doentes – não seria
capaz de dar conta das causas e dos primeiros princípios das coisas. Já a episthéme theoretike,
o conhecimento teórico (theoria) tratava das coisas universais e necessárias buscando a
essência da natureza. Para Heidegger (1998:204) ela poderia ser traduzida como “entender-se
com alguma coisa”, tratando-se de um saber que, em sua origem, não se diferenciava muito da
filosofia (φιλοσοφία) – a posse de um conhecimento que seja, ao mesmo tempo, o mais válido
e verdadeiro – pois era completamente realizado e se constituía numa visão (theoria)
competente de uma ordem de coisas (kosmos) previamente estabelecida. É o saber dos entes
em sua totalidade, em todos os seus graus, segundo as referências primeiras e mais simples.
Percebe-se, assim, que, na concepção grega clássica, existia uma dicotomia entre o
conhecimento teórico e prático. A concepção clássica de ciência, entendida como episthéme
theoretike privilegia o conhecimento e o saber (poder subjetivo), enquanto a técnica (techné)
privilegia a habilidade e o fazer (poder objetivo). A técnica, segundo essa visão, estaria ligada
a coisas a serem feitas e não a coisas a serem pensadas.
Posteriormente, durante o Império Romano e depois, por toda a Idade Média, o saber
técnico, a techné, não somente preservou-se como também se desenvolveu, sob o nome latino
de “artes”. Eram várias as artes e, a exemplo de gregos e romanos, nelas se incluíam, além da
arquitetura e medicina, a navegação, a caça, as artes militares e também o direito. Também
havia as belas artes, como a escultura e a pintura, bem como as artes “ocultas” ou “mágicas”,
como a mineração e a forjaria. Muitas dessas artes disputavam, entre si, a primazia da
formação humana, daqueles que tinham acesso aos saberes. Todas, no entanto, mantinham
aquelas características apontadas por Hipócrates, como necessárias para uma techné: um saber
dirigido não para a contemplação da realidade, mas um saber prático (VARGAS, 1994:19-
20).

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Cabe lembrar que, tal como ressaltado pelo historiador William Bark (1985:100-
101), na Idade Média, a busca da verdade e o conhecimento especulativo (episthéme
theoretike), ficariam a cargo da Teologia. Numa época caracterizada pelo pensamento
religioso, o conhecimento clássico e as realizações intelectuais se adpatariam aos novos
objetivos da vida humana, uma vida na qual a salvação se havia tornado a principal finalidade
do homem educado, e a Filosofia caminharia atrelada à Teologia.
É importante ressaltar que há certa arbitrariedade na divisão entre techné e theoria
aqui apresentadas. Mesmo nas concepções clássicas, os limites entre o saber e o fazer, theoria
e techné, não eram assim tão definidos. A palavra techné representa muito mais do que uma
atividade profissional qualquer, fundada sobre um saber especializado, pois se trata de uma
atividade que não se apoia apenas numa rotina, mas sobre regras gerais e conhecimentos
seguros, permitindo assim aproximá-la mais da teoria do que da simples empeiría ou
“prática”. Para Heidegger (1998:213-216), a techné não significava, portanto, um modo de
atividade entendido apenas como finalização da produção, mas algo relacionado como o “pré-
paro” e prontidão de cada dimensão do “des-encoberto”. A episthéme theoretike, o entender-
se com alguma coisa, e a techné, o reconhecer-se em alguma coisa, encontram-se, desta
forma, num parentesco tão próximo, que muitas vezes uma palavra é usada para significar a
outra.

O advento da ciência moderna


A ciência, anterior ao movimento conhecido como “Revolução Científica” – que teve
início no século XVI e prolongou-se até o século XVIII – estava atrelada à filosofia e, em
muitos casos, submissa à religião. A partir de Galileu, passou a ser uma ciência experimental,
adquirindo paulatinamente autonomia em relação às proposições da fé e às concepções
filosóficas, elevando-se assim ao status do que veio a ser conhecido como “ciência moderna”.
É através do experimento que os cientistas podem obter proposições verdadeiras sobre o
mundo. A ciência passa a ser composta por teorias sistematicamente controladas através de
experimentos.
A ideia de domínio do mundo pela ciência foi amplamente defendida por Francis
Bacon. Atribui-se a Bacon a criação do lema "saber é poder", que revela sua firme disposição
de ânimo de fazer dos conhecimentos científicos um instrumento prático de controle da
realidade, ou seja, do poder humano de controlar o mundo natural. Para ele, a natureza deveria
ser submetida aos “assaltos” das artes para revelar seus segredos, e assim permitir a expansão
do Império do Homem (BACON, 2000:78).
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Para Bacon, a ciência deveria valorizar a pesquisa experimental, com vistas a


proporcionar resultados objetivos para a humanidade. Ele também apresentou o conhecimento
científico como resultado de um método de investigação empírico-indutivo capaz de conciliar
a observação dos fenômenos, a elaboração racional de hipóteses e a experimentação
controlada para comprovar as conclusões obtidas.
Afim com esta ideologia, René Descartes, na 6ª meditação do Discurso do Método
(1637), afirmou que era possível ao ser humano chegar a conhecimentos que fossem úteis à
vida, e que a aplicação desses conhecimentos transformaria os humanos em “senhores e
possuidores da natureza” (DESCARTES, 2000:87). Ele também estabeleceu as condições
gerais e as bases matemáticas a que se deve subordinar toda e qualquer investigação
científica. Ao contrário de Bacon que enfatizava a experiência, Descartes valia-se do método
dedutivo e defendia a autoridade soberana da razão – racionalismo – na condução das
investigações científicas.
Ao defender, na segunda parte do Discurso do Método, que tudo pode ser dividido
em partes cada vez menores e que podem ser analisadas e estudadas separadamente, ou seja,
que a compreensão das partes permite compreender o todo, literalmente: “repartir cada uma
das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a
fim de melhor solucioná-las” (Ibid, 49), ele deu forma a uma abordagem reducionista para a
investigação científica, que teria fortes reflexos no desenvolvimento da ciência.
Fritjof Capra (2012:61) chama atenção para o fato de que coube a Isaac Newton, na
sua obra “Princípios matemáticos de filosofia natural”, propor a combinação dos
procedimentos metodológicos de Bacon e Descartes, unificando a busca da evidência
experimental, construída a partir da experimentação sistemática com a dedução baseada em
análises matemáticas. Ao unificar as duas abordagens metodológicas, Newton teria
desenvolvido a metodologia que as ciências naturais passaram a seguir desde então.
Afim com o reducionismo cartesiano, o modelo mecanicista newtoniano engendra a
concepção do mundo como uma máquina (relógio) cujas partes podem ser conhecidas através
da observação e da experimentação. Com Newton, consagrou-se no pensamento científico a
concepção de que as relações com o ambiente natural são determinadas pelas necessidades ou
interesses humanos, ou seja, a natureza existe para servir ao homem, selando definitivamente
o rompimento entre humanidade e natureza.
A ciência passa a ser um saber metódico e rigoroso, um conjunto de conhecimentos
metodicamente adquiridos, sistematicamente organizados e susceptíveis de transmissão por
processos pedagógicos de ensino. Agora, as causas dos fenômenos podem ser detectadas
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através de procedimentos de controle experimental. É curioso ressalvar que, mesmo tendo se


afastado das pretenções de contemplar as verdades universais, ambição da episthéme
theoretiké, a ciência moderna ainda se mantém fiel à sua vocação teórica, sempre buscando os
modelos explicativos para um fenômeno (ou conjunto de fenômenos) com a pretensão de
estabelecer a verdade sobre estes fenômenos, determinar sua natureza.

A técnica dos técnicos


A ciência moderna, uma vez metodologicamente organizada, foi então forçada a
amplificar seu raio de alcance, exigindo instrumentos de pesquisa cada vez mais precisos.
Para tanto, foram necessários cientistas com dotes artesanais ou artesãos com conhecimentos
científicos. Em outras palavras, unir o conhecimento teórico (dos cientistas) ao prático (dos
técnicos e artesãos). Viu-se, então, a passagem da máquina-utensílio à máquina como
instrumento de precisão, o que possibilitou conhecimentos mais exatos e também a produção
de novos conhecimentos.
Os primeiros sucessos aconteceram e as teorias científicas começaram a ser usadas
para a construção de máquinas e artefatos. O desenvolvimento da física, sobretudo a
mecânica, possibilitaria, no futuro, a aplicação desse conhecimento para a construção das
máquinas a vapor e de uma série de outros mecanismos. Surge o conceito de ciência aplicada,
a aplicação prática do conhecimento científico teórico a campos específicos da atividade
humana.
A consolidação do Capitalismo, nos séculos XVII e XVIII, acompanhada pela
eclosão da Revolução Industrial, fortaleceu ainda mais as ligações entre as ciências e a
necessidade da resolução de problemas técnicos. O mito do progresso, que surgiu com o
Iluminismo (século XVIII), para o qual a ciência e a tecnologia permitiriam ao ser humano
cada vez mais dominar ou domesticar a natureza, racionalizando e melhorando
indefinidamente suas condições de vida, bem como o Positivismo (século XIX), que
expressaria uma confiança absoluta nos benefícios da industrialização e no progresso
capitalista, guiados pela ciência e pela tecnologia, são emblemáticos neste processo.
Reforçou-se assim a possibilidade da aplicação de conhecimentos científicos para
resolver problemas técnicos. É o terceiro estágio na evolução da técnica, ao qual Ortega y
Gasset (1963:82-85) denominou de “técnica dos técnicos”. É nesse estágio que se dá o
trânsito da mera ferramenta do artesão para a máquina, que atua por si mesma. Esse autor via
no status adquirido pelas máquinas, cada vez mais importantes e sofisticadas, a marca
essencial dessa “técnica dos técnicos”.
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As transformações provocadas pelo desenvolvimento técnico intensificaram-se muito


a partir da metade do século XVIII e, principalmente, nos séculos XIX e XX, num processo
conhecido como Revolução Industrial, quando a ciência, definitivamente, foi colocada a
serviço da técnica, atendendo aos interesses do crescente processo de industrialização
capitalista.
Gilbert Hottois, com o termo “tecnociência”, reforça a maneira com que se faz a
ciência contemporânea em contrapartida à antiga, acontecendo de forma independente da
produção e da ação. A tecnociência evoca a ausência de uma hierarquia estável entre
pesquisa, descobertas e invenções técnicas e teóricas. A técnica e a teoria estão em constante
interação, e as pesquisas são caracterizadas de forma inerentemente dinâmica, ativa e
produtiva (HOTTOIS, 1997: 430).
De 1830 a 1914, por exemplo, cada um dos antigos ramos da ciência foi amplamente
desenvolvido, sendo que as grandes invenções que marcaram as etapas mais avançadas da
Revolução Industrial foram, em grande parte, produzidas nos laboratórios de física e química.
A ciência – uma ciência aplicada – agora colocada a serviço da indústria criou novas técnicas
de fabricação, até então desconhecidas. O próprio aumento da produção na indústria foi
devido, sobretudo, ao progresso técnico sustentado pela ciência, que proporcionou, não
somente meios de produção mais aperfeiçoados, como também modificou a própria forma de
trabalho e vida do ser humano.
Thomas Kuhn acrescentou que “a tecnologia desempenhou muitas vezes um papel
vital no surgimento de novas ciências, já que os ofícios são uma fonte facilmente acessível de
fatos que não poderiam ser descobertos casualmente” (KUHN, 2009:36). O desenvolvimento
de ferramentas e dispositivos que ampliaram de forma significativa a capacidade de percepção
do ser humano, tais como o telescópio, o espectrômetro, o microscópio eletrônico e o
tomógrafo permitiram tanto o desenvolvimento de ciências já estabelecidas quanto o
surgimento de novas ciências.
Richard Gregory afirmou que as ferramentas são inerentemente artefatos dotadores
de inteligência, permitindo ao ser que a desenvolve a potencial ampliação da ação sobre o
ambiente (GREGORY, 1981: 311). O progresso das ciências já permite atualmente que as
próprias máquinas e dispositivos engendrem cada vez mais processos inteligentes, derivados
das pesquisas da Inteligência Artificial, elevando o grau de interação homem-máquina a
níveis mais profundos e complexos. Tal progresso científico pode resultar em melhor
qualidade de vida, porém pode acelerar os aspectos mais negativos provenientes da
tecnologia, tais como a alienação social e a obsolescência programada.
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Sobre a questão do progresso da técnica sustentado pela ciência, Marcuse (apud


Habermas, 1975:45) afirmou que o próprio progresso técnico teria entrado em circuito
retroativo com o progresso da ciência moderna. Com a pesquisa industrial em grande escala,
ciência, técnica e valorização foram inseridas no mesmo sistema. Desta forma, a ciência e a
técnica invadiram e transformaram as esferas institucionais da sociedade, contribuindo para o
ocaso das antigas legitimações.

A tecnologização da epistemologia
Tecnologização é o termo utilizado por Edgar Morin (2013:109) para caracterizar a
infiltração da tecnologia na epistemologia da civilização hodierna. Trata-se da aplicação dos
esquemas tecnológicos, para além do trabalho manual e das máquinas artificiais, mas também
às concepções de sociedade, vida e ser humano. A tecnologização da epistemologia é,
portanto, a inserção do complexo de manipulação/simplificação/ racionalização, típicos da
tecnologia no âmago da vida social (Ibid, 112).
Como já abordado, o século XX presenciou o advento de uma nova etapa do
desenvolvimento técnico, isto é, da tecnologia, um conceito mais abrangente e com um
alcance maior do que o de técnica, pois envolve o conhecimento científico das operações
técnicas, uma “conjugação com as teorias científicas” (VARGAS, 1985:25). A tecnologia
começaria no ponto em que ciência e técnica se confundem, ou seja, “tecnologia é a junção de
técnica com ciência (logos em grego)” (FLORIANI, 2000: 226).
Ray Kurzweil eleva a tecnologia à categoria de fase evolucionária. Quando a vida
surge em um planeta, a emergência da tecnologia se dá como fato inevitável. Ela é a própria
“evolução acontecendo por outros meios”. A tecnologia segue além da simples criação e uso
de ferramentas, envolvendo um registro da fabricação e uma progressão no aprimoramento de
ferramentas. Da mesma forma como o código genético das formas primeiras de vida eram
compostos químicos, os registros das primeiras ferramentas utilizavam (e utilizam) a própria
linguagem escrita (KURZWEIL, 2007:34).
Neste sentido, Hans Jonas (1997: 22-23) assinalou que atualmente, o progresso
científico se desenvolve numa espécie de simbiose com o tecnológico, ou seja, para alcançar
seus objetivos teóricos a ciência necessita de uma tecnologia cada vez mais refinada. Ao
mesmo tempo, a tecnologia atuando no mundo, proporciona à ciência um laboratório em
grande escala, uma incubadora para novas perguntas, e assim sucessivamente, num imenso
circuito de retroalimentação.

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A cientificação da técnica a serviço da produção seria uma tendência de


desenvolvimento que marcaria o capitalismo na sua fase tardia, que se tornaria hegemônica, e
que colocaria ciência, tecnologia e indústria num mesmo circuito. A ciência produz a
tecnologia, que produz a indústria, que produz a sociedade industrial, que alimenta a ciência e
assim por diante (MORIN, 2013:107-108).
As formas de pensamento desenvolvidas pela tecnologia se propagaram aos
domínios não tecnológicos, exercendo sua influência inclusive nos modos de concepção da
realidade. É muito fácil descortinar atualmente uma série de princípios técnicos que se
implantaram completamente nas relações sociais de convívio, elevando, em muito, seu status
face às outras formas de conhecimento, incorporando inclusive uma espécie de caráter
ideológico, “que assume em si todas as esferas da cultura” (MARCUSE apud HABERMAS,
1993. p.49).
O princípio do aproveitamento integral, da utilidade, da eliminação dos pesos mortos
e das energias desaproveitadas – todos partícipes do mundo tecnológico – passaram a fazer
parte das relações humanas, inclusive dirigindo a distribuição das forças de trabalho nas mais
diversas organizações humanas.
Estabeleceu-se uma nova racionalidade na qual não há mais distinção entre o saber e o
fazer, entre ciência e técnica, entre teoria e prática. Tudo agora pertence a um mesmo circuito
e a tecnologia passa a ser o suporte epistemológico desta nova etapa.

Considerações finais
A “tecnologização da epistemologia” não é um problema de ordem apenas
especulativo, mas vital para o destino da humanidade. Sobre essa questão, Heidegger (1997)
ensinava que o mundo humano tinha se transformado em um universo técnico no qual todos
estão presos.
Se antes da revolução industrial a técnica era um tributo prestado à necessidade,
agora, como tecnologia, é a mais significativa tarefa humana. O domínio da natureza pelas
ciências e pelas tecnologias se transforma no projeto central das sociedades modernas. A
técnica, antes um simples meio, passa a ser, como moderna tecnologia a própria finalidade. A
tecnologia: “tem um impulso interior que lhe é próprio (KNELLER, 19890:259)”. “A
Tecnologia, filha dileta da Ciência, agora se posiciona como igual, em um amplexo tal que
novas formas de conhecimento são geradas, impulsionando o avanço científico de forma
exponencial, potencializado em suas manifestações interdisciplinares” (MEDEIROS,
2012:54).
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Para Heidegger (2002, p. 46-47), a tecnologia e seu modus vivendi (cálculo,


planejamento etc.), não seria mais um meio, um instrumento do qual o homem moderno se
serviria para seus objetivos. Ela já teria transformado internamente o ser humano. Pode-se
afirmar que: “um ideal tecnocientífico molda uma evolução que outrora era natural, alçando a
raça humana a um patamar diferenciado em relação às suas origens como espécie
autonômica” (MEDEIROS, 2012:55).
O domínio da técnica sobre a natureza, porém, veio acompanhado de inúmeros
resultados inesperados. A incrível extensão do poder alcançado pelo progresso técnico-
científico e da necessidade imperativa do seu emprego, conduziu a humanidade a uma espécie
de impotência em administrar as consequências imprevisíveis e, muitas vezes, destrutivas
deste mesmo progresso. Hans Jonas, incorporando uma visão para muitos considerada
pessimista, chama a atenção para este complicado paradoxo. Para ele: “o poder [tecnológico]
tornou-se autônomo, enquanto sua promessa transformou-se em ameaça, e sua perspectiva de
salvação em apocalipse (2006:236-237)”.
O progresso tecnológico dotou o homem de poder de ação que ultrapassa, em muito,
tudo o que poderia ter sido suposto anteriormente. O aparecimento das novas tecnologias,
propiciadoras de um crescimento brutal dos poderes humanos (de um homem que é ao mesmo
tempo sujeito e objeto de suas próprias técnicas), fez surgir o receio das nefastas
consequências dos grandes poderes tecnológicos em ação. Por essa razão, não há mais espaço
para argumentações em torno da neutralidade tecnológica, visto que sua penetração em todas
as esferas da vida social se constituiu numa nova racionalidade. O que fazer diante disso?
George Kneller (1980:293) chamou a atenção para o fato de que somente um público
cientificamente informado pode debater as múltiplas ramificações da ciência e da tecnologia
na vida cotidiana sem ceder a um otimismo superficial ou a uma hostilidade frenética.

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