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Pré­ Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso  
A METAFÍSICA TRANSCENDENTAL NO CINEMA DE FICÇÃO 
 
Huli de Paula Balász 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pelotas, 2016 
 
 
 
 
 
Huli de Paula Balász 
 
 
 
 
A METAFÍSICA TRANSCENDENTAL NO CINEMA de FICÇÃO 
(Ou A Metafísica no Cinema ou o Transcendental no Cinema) 
 
 
 
Projeto  de  Trabalho de  Conclusão  de  Curso  apresentado ao Centro 
de  Artes  da  Universidade  Federal  de  Pelotas  como  requisito básico 
para a conclusão do Curso de Cinema e Audiovisual . 
 
Professor orientador: Guilherme Carvalho 
 
  
 
 
 
 
Pelotas­RS, 2016 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
1. ​INTRODUÇÃO​:  TEMA E PROBLEMATIZAÇÃO............................................3 
2. ​OBJETIVOS  
  2.1 GERAL .....................................................................................................3  
2.2 ESPECÍFICOS...........................................................................................3  
3. ​HIPÓTESE ​………………………………………………………………….…...4  
3. ​JUSTIFICATIVA ​...................................................................................................5 
4. ​METODOLOGIA DA PESQUISA​.......................................................................7 
5​. QUADRO TEÓRICO ​…………………………………………………….….…..8 
6. ​CRONOGRAMA ​...................................................................................................9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 ​Tema/Título​: Metafísica transcendental representa no cinema de ficção; 
 
Delimitação  do  tema​:  O  caráter  metafísico  e/ou  transcendental   representado  através  de 
cenas­chave  nos  filmes:  ​Corra  Lola,  Corra,  ​Waking  Life  e  O  ​Fabuloso  Destino  de  Amelie 
Poulain. 
 
Problematização​:  
O que caracteriza a metafísica?  
O que caracteriza o transcendental?  E como isso ocorre nas cenas que serão analisadas? 
Quando  e  de  que  maneira  o  conteúdo  de  um  determinado  roteiro  e  a   forma  como  é  dirigido  é 
capaz de agregar potencial metafísico e/ou transcendental à obra?  
 
2. OBJETIVOS 
Com  este  trabalho pretende­se avaliar o valor metafísico e trascendental agregado a cenas 
de  três  filmes  pré­selecionados.  Além  disso  pretende­se  investigar  os  conceitos  de  metafísica  e 
transcendência através da arte, contextualizando os mesmos no cinema.  
 
2.1 GERAL 
Investigar  quando  e  de  que  maneira  o  conteúdo  de  um  determinado  roteiro  de 
cinema  (não  o  roteiro  enquanto  forma/estrutura)  e  a forma como tal é dirigido é capaz de 
carregar potencial  metafísico e transcendental. 
 
2.2 ESPECÍFICO 
­O que e quem define metafísica e transcendência?  
­ Como ela se dá através dos filmes supracitados; 
­ Por que ela é relevante no Cinema (quem o vê e quem o faz); 
 
 
HIPÓTESE 
  O  cinema  como  arte  tem  a  capacidade  de  ascender  o  espiritual  quando  consegue  tocar 
aquele  que  o  faz  (e/ou  o  assiste)  em  esfera  íntima,  ou  podendo­se  dizer,  em  uma  camada  mais 
sutil do ser. 
A  arte  tem  transcendental  quando  traz  consigo capacidade de colocar o sujeito em estado 
de  contemplação,  ​carpe  diem;  reflexão.  Quando  busca  gerar  inquietação  que  o  tira  de  uma 
posição  inerte  e  superficial  de  se  analisar  a  si  mesmo  e  o  mundo , ou quando o faz se identificar 
com  uma  uma  verdade  que  é  própria,  algo  que  é  veemente  para  si.  Ocorre  quando  possui 
atributos  de  estimulação   pessoal:  aqueles  que  podem  levar  o  sujeito  a  repensar  sua  atitude  e 
pensamento  frente  à  própria  existência,  podendo  tal  reflexão   vir  a  desencadear  um  processo  de 
mudança  atingindo  de  níveis   densos  da  matéria  ­  físico,  mental  e  emocional  ­,  ao  mais  sutil­ 
espiritual. 
A  metafísica  ou  a  transcendência  se dá nos filmes citados no momento em que  o  que se é 
mostrado  na  cena  ultrapassa  os  valores  que  são,  até  o  momento,  conhecidos  e  consagrados  pela 
ciência  do  “mundo  real”.  O  metafísico  ocorre  em  cena  quando  traz  questionamento  de  algo  que 
não  é  palpável,  concreto.  O  transcendente  se  dá  quando   traz  questões  que  não  pertencem 
comumente ao cotidiano da sociedade.  
Com  tais  exposições  e  questionamentos  metafísicos,  o  cinema  também  pode  possuir 
caráter   transcendental  quando dotados de atributos que estimulam o reacender da fagulha de uma 
antiga  ideia,  inspiração, que por algum motivo acabou não se desenvolvendo; esperança. Quando 
reafirma  crenças  que  recoloca  o sujeito na posição de ativista, convicto da capacidade de realizar 
o que se tem como verdade. Em qualquer nível ou sentido. 
 
JUSTIFICATIVA  
 
Nos  últimos  momentos  de  curso  uma  questão  se  fez  pertinente:  Qual  o  motivo  de  ter 
entrado  nesta  área  e  o  que  pretendo  com  ela  a  partir  do  dado  momento?  Tal  questionamento foi 
decisivo  na  escolha  final  do  tema  a  ser  tratado aqui. O cinema pode ser considerado também um 
instrumento  de  aprimoramentos.   Tanto  de  cunho  individual  quanto  coletivo,  presumindo­se  de 
que  é  pouco  provável  que  um  não  vá  contribuir  de  certa  forma   com  outro.  Investigar  a 
transcendência  e  o  metafísico  através  da  arte,  especificamente  do  cinema,  é  reafirmar  meu 
objetivo inicial de fazer  cinema em busca de elevação através da auto­expressão, estudo, reflexão 
e catarse, por exemplo e estabelecer um foco para daqui em diante. 
 
Atualmente,  o  instituto  no  qual  curso  minha graduação de Cinema em Pelotas não possui 
muitas  análises  e  escritos  teóricos  no  sentido  deste  trabalho,  ficando  a  cargo  de  estudantes  de 
fora  e  da  filosofia  maiores  abordagens  sobre  este  assunto,  por  exemplo.  Este  trabalho  buscará 
preencher  essa  lacuna  ao  fazer  um  estudo  sobre  as  teorias  e  reflexões  filosóficas  acerca  da 
metafísica transcendental manifestada através do cinema.   
Este  trabalho  apresenta  conceitos,  provindos  majoritariamente  da  filosofia,   sobre  aura  e 
metafísica transcendental através da arte e contextualiza o cinema nestes estudos filosóficos.  
 
METODOLOGIA  
 
Quanto  à  escolha  dos  filmes  a   serem  analisados  neste  trabalho,  esta  deveu­se 
principalmente  aos  seguintes  critérios:  Identificação  de  metafísica  em  cenas  chaves  das  obras 
em  questão.  Tal  imaterialidade  presente  em  determinadas  cenas  dos  filmes  selecionados  possui 
caráter   antagônico  aquilo  que  a  Ciência  já  “conseguiu comprovar” e ao racional. No entanto não 
é  tratada  de  maneira  jocosa,  fictícia  ou  fantasiosa   no   filmes.   E,  por  assim  ser,  será  objeto  de 
estudo  neste trabalho. 
A​baixo  seguem  os  filmes  pré­selecionados  com  suas  respectivas  descrições  de  cenas  a 
serem analisadas neste trabalho. 
 
Filme 1 ­ ​Waking Life (EUA, 2001) 
Fragmento  de  Cena:  “Momento  Sagrado”:  Neste  fragmento,  duas  pessoas  em  uma  mesa  de   bar 
começam  citando  Truffaut  e Bazin e terminam por tentar vivenciar alguns segundos de momento 
sagrado  ao  se  olharem.  Na  conversa  há  exploração,  por  exemplo,  do silêncio, da profundidade e 
intimidade que há ao se olhar nos olhos e do “estar no presente” ou “carpe diem”.   

 
 
Filme 2­ ​Corra Lola, Corra (Alemanha, 1998) 
Fragmento  de  Cena  a:  Lola  (Franka  Potente)  entra  em  uma  ambulância  e  “ressucita”  um 
paciente;  
Fragmento de Cena b: Lola ganha jogo de roleta com grito estridente. 

 
Filme 3 ­ ​O fabuloso destino de Amelie Poulain (França; Alemanha, 2001) 
Fragmento  de  Cena:  Amelie  descreve  algumas  imagens  a  um  deficiente  visual  na  rua  e  em  seu 
momento  de  encantamento  e  plenitude,  este vira­se ao céu e se vê envolvido por uma energia de 
cor laranja. 
 
 
Em  relação  à   pesquisa,  irei  adotar  da  seguinte  metodologia  para  o estudo:  Reassistir o filme em 
questão;  Pesquisar  por  críticas e artigos científicos sobre os mesmos, pesquisar por investigações 
sobre  o  fragmento  específico  a  ser  analisado  e  pesquisar no campo da filosofia o que o conteúdo 
metafísico  de  tais  fragmentos  significam.  Após  isso  irei  contextualizar  tais  levantamentos  para 
cada filme em questão e para a proposta deste trabalho. 
 
QUADRO TEÓRICO 
 
Em  seu  livro  Esculpir  o  Tempo,  Tarkovski  afirma  que  o  objetivo  de  toda  arte,  que  não  a 
estritamente  comercial,  é  esclarecer  para  que  vive  o  homem  e  o  significado  de  sua  existência, 
como  que  justificar   às  pessoas  sua  aparição  neste  planeta,  ou  se  não  for  possível  justificar,  ao 
menos instigar um questionamento. (Tarkovski, 1998) . Pode­se aplicar a teoria do cineasta à arte 
do  cinema  tendo  como  função  também  gerar  reflexão,  quanto  a  existência,  e  o  mundo  atual.  A 
reflexão  quanto  à  existência  sugere  pensar  de maneira metafísica, uma vez que é pouco provável 
que  se  vá  refletir  sobre  existência  apenas  em  âmbito  físico  ou  prático,  levando  em consideração 
apenas  questões  materiais. Analisar o sentido de sua existência no mundo leva a pensar acerca de 
questões  de  ordem  mental  e  emocional.  Refletir  sobre  tais  questões  tem  o  potencial  de  gerar 
estado  de  espírito  elevado,  podendo  provocar  inclinação  para  o  bem:  “O  objetivo  da  arte  é 
preparar  uma  pessoa  para  a  morte,  arar  e  cultivar  sua  alma, tornando­a capaz de  voltar­se  para o 
bem.” (Tarkovski, 1998, pág 55) 
 
Para  Tarkovski  a  arte  é  vista  como  alimento,  como  um  impulso  para  a  experiência  espiritual  do 
ser,  não  significando  necessariamente  que  tem  poder  eminente  de  modificar  o  espectador  ou 
torná­lo  bom.  Mas  para  ele,  a  arte  tem  a  capacidade,  através do impacto e da catarse,  de tornar a 
alma  humana receptiva para o bem. Neste sentido, o autor metaforiza ao dizer  que a humanidade 
já  teria  virado  anjo  se  prestasse  atenção  à  experiência  da  arte  e  permitisse  que  ela  a  penetrasse 
intimamente gerando mudança no ser. (Idem, p. 61) 
Isso se aplica ao cinema quando, em determinados filmes,  verifica­se o potencial de despertar tal 
percurso naquele que contempla a arte: o de identificação, seguida pela comoção e ação.  
 
Como  se  verifica  no  fragmento  abaixo,  a  arte  pode  ser  entendida  também  como  um  meio  de 
aprimoramentos morais 
 
Considerou­se muitas vezes que as obras literárias em particular nos forneciam 
conhecimento moral, conhecimento de verdades morais que pode ser expresso em 
termos proposicionais, tal como conhecimento de como viver, como harmonizar bens 
diferentes, como tratar os nossos amigos e como tomar decisões morais. Considera­se 
que os romances, filmes, peças de teatro e contos visam educar as nossas emoções e 
ensinarnos valores morais. (Jenefer Robinson 2010 apud Nussbaum 1990, Robinson 2005).  
 
Dependendo  da  absorção  que  o  sujeito  espectador vier a ter da obra, tais aprimoramentos podem 
desencadear conhecimento, transcendência, ou elevação espiritual no mesmo. 
 
A noção de Kant de que a marca do génio é inventar “ideias estéticas” foi retomada por 
Hegel, que argumentou que a arte é um dos modos da consciência pela qual o homem 
chega ao conhecimento do Espírito Absoluto; especificamente, é o modo de 
consciência no qual as ideias ganham corpo numa forma sensual. Assim, para Hegel a 
arte era um meio importante para o conhecimento, mas era um tipo especial de 
conhecimento que não se poderia separar do meio em que se exprime. ( Idem, p.8) 
 
O  autor  Walter  benjamin  em  seu  texto  ​A  obra  de  arte  na  era  de  sua  reprodutibilidade  técnica, 
afirma  que  a  massa  hoje possui  necessidade de fazer as coisas ficarem mais próximas e ignorar o 
caráter   único  da  arte  e  todos  os  fatos  através  da  reprodutibilidade.  E  essas  necessidades  a 
distancia  da  aura   das  coisas  que  é  justamente  um  singular  composto  de  elementos  espaciais  e 
temporais,  como  a  aparição  única  de  algo  que  esteja  longe,  por  mais  perto  que  esteja. 
(BENJAMIN,  1955).  “Observar, em repouso,  numa tarde de verão, uma cadeia de montanhas no 
horizonte,  ou  um  galho,  que   projeta  sua  sombra  sobre  nós,  significa  respirar  a  aura  dessas 
montanhas, desse galho.” (BENJAMIN, idem, p. 4). 
Com  essa  definição  de  aura,  também  podendo  ser  vista,  segundo  ele,  a  unicidade  das  coisas, 
Benjamin  valida  a  existência  do  imaterial  presente  no  sujeito  e  universo,  se  tratando  de 
percepção  artística.  Seja  chamada  aura  ou  espírito,  o contemplar de tal situação ou obra desperta 
o sujeito à manifestação desse metafísico.   
Neste  trecho  Benjamin  fala  da  absorção  da  aura  atraves  de  um  exemplo  paisagístico,  de  ordem 
cotidiana.  Aqui  iremos  nos  valer  disso  para  analisar  a  manifestação  de  tal  aura  no  cinema. 
Entender como ela se dá em algumas cenas. 
 
Outros autores que serão utilizados durante a pesquisa: 
Hegel ( com seu conceito de ​espírito absoluto) 
Husserl (área da fenomenologia) 
Kant (com os conceitos acerca do  ​sublime e ​transcendental) 
Aristóteles ( com o tratado Metafísica) 
 
 
CRONOGRAMA DE TRABALHO 

Mês  Tarefa 

Março  Esboço dos possíveis temas (​ ​✓​) 
 

Abril  Escolha do tema(​ ​✓​) 

Maio  Estabelecer a delimitação do tema(​ ​✓​) 
Estabelecer os autores do quadro teórico (​ ​✓​) 
Entrega do Pré­projeto (​ ​✓​) 

Junho  Delimitar os textos dos referentes autores do quadro teórico(​ ​✓​) 
Entrega do Projeto(​ ​✓​) 
orientador(a)? (​ ​✓​) 

Julho  Tempo de pesquisa 

Agosto  Pesquisa e escrita 

Setembro  Qualificação, pesquisa e escrita 

Outubro  Pesquisa e escrita 
Simulação de banca 

Novembro  Escrita 

Dezembro  Finalização da escrita (com uma semana de antecedência) 
Entrega do Projeto e Defesa  
Submissão para revista científica (até fevereiro/2017) 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
BENJAMIN, Walter. ​A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica​. 1955. 
Disponível em: 
<​http://www.mariosantiago.net/Textos%20em%20PDF/A%20obra%20de%20arte%20na%20era
%20da%20sua%20reprodutibilidade%20t%C3%A9cnica.pdf​>. Acesso em 8 de maio de 2016. 
 
BORNHEIM, G. ​Uma Temática Hegeliana: a Morte da Arte.Páginas de filosofia da arte​. 
Rio de Janeiro: UAPÊ, 1998. p. 13­24. 
 
DIEHL, Astor Antônio. ​Pesquisa em Ciências aplicadas​. São Paulo: Prentice Hall, 2004. 
 
KANT, Immmnuel. ​Analítica da faculdade de Juízo Estética​. 1995 Disponível em: 
<​http://www.verlaine.pro.br/txt/analitica­belo­sublime.pdf​>. Acesso em: 15 de maio de 2016. 
 
ROBINSON, Jenefer. ​Problemas da Estética​. 2010. Disponível em: 
<​http://criticanarede.com/problemasdaestetica.html​>. Acesso em 11 de junho de 2016. 
 
TARKOVSKI, Andrei. ​Esculpir o tempo​. 2ª edição. Tradução Jefferson Luiz Camargo. São 
Paulo. Martins Fontes. 1998. Dipnível em : 
<​http://elcv.art.br/santoandre/biblioteca/_em_portugues/tarkovski_andrei_esculpir_o_tempo.pd​>
. Acesso em maio de 2016.