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O modelo tecnicista de educação

Segundo Demerval Saviani:

"A partir do pressuposto da neutralidade científica e inspirada nos


princípios de racionalidade, eficiência e produtividade, a pedagogia
tecnicista advogou a reordenação do processo educativo de maneira a
torná-lo objetivo e operacional. De modo semelhante ao que ocorreu no
trabalho fabril, pretendeu-se a objetivação do trabalho pedagógico.
Buscou-se, então, com base em justificativas teóricas derivadas da
corrente filosófico-psicológica do behaviorismo, planejar a educação de
modo a dotá-la de uma organização racional capaz de minimizar as
interferências subjetivas que pudessem pôr em risco sua eficiência. Se na
pedagogia tradicional a iniciativa cabia ao professor e se na pedagogia
nova a iniciativa deslocou-se para o aluno, na pedagogia tecnicista o
elemento principal passou a ser a organização racional dos meios,
ocupando o professor e o aluno posição secundária. A organização do
processo converteu-se na garantia da eficiência, compensando e
corrigindo as deficiências do professor e maximizando os efeitos de sua
intervenção".
A pedagogia tecnicista surge nos Estados Unidos na segunda metade do século XX
e chega ao Brasil entre as décadas de 60 e 70, inspirada nas teorias behavioristas
da aprendizagem, onde dever-se-ia moldar a sociedade à demanda industrial e
tecnológica da época.

Esta Pedagogia encontrava-se de acordo com o modelo capitalista, fazendo parte


de sua engrenagem e com o objetivo de, dentro deste sistema, formar indivíduos
“competentes” para o mercado de trabalho.
O professor não era valorizado, assim como o aluno também não era, mas sim a
tecnologia, a indústria, o capital. O professor torna-se o especialista, responsável
por "passar" ao aluno verdades científicas incontestáveis. Ou seja, a escola não
trabalhava a reflexão e criticidade nos alunos.
Esta proposta foi utilizada no período do regime militar do país, onde era necessário
formar mão-de-obra para o mercado de trabalho. Aqui temos o formato
behaviorista de ensino, onde eram utilizados estímulos, reforços negativos e
positivos para se obter a resposta desejada, moldando o comportamento do sujeito,
de forma a controlar a conduta individual. Era ensinado apenas o necessário para
que os indivíduos pudessem atuar de maneira prática em seus trabalhos.

Os conteúdos estavam embasados na objetividade do conhecimento e os métodos


eram programados passo-a-passo, com uso de livros didáticos, principalmente.

O diálogo entre professor e alunos era apenas técnica, com o intuito de transmitir
o conhecimento de maneira eficaz.

A avaliação estava pautada na verificação formal, analisando a realização dos


objetivos propostos.

Este tipo de pedagogia ainda é vista nos dias de hoje em muitos cursos, onde nota-
se forte utilização de manuais didáticos, permanecendo o caráter instrumental
e técnico.

http://cantodestudo.blogspot.com/2011/05/o-modelo-tecnicista-de-educacao.html