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Anais

O desvelamento enunciativo de “Roda-viva”:


semiótica aplicada à obra de Chico Buarque de
Holanda (regime 64-85) 308

The enunciative unveiling of “Roda-Viva”: applied semiotic to the work of


Chico Buarque de Holanda (64-85 regime)

Bárbara Taynara Silvestre Castro Capelari (UFMS-G)


Igor Iuri Dimitri Nakamura (UFMS-G)

RESUMO: O objetivo deste trabalho é analisar a construção do sentido na letra da canção Roda-viva,
de Chico Buarque de Holanda, tendo como referencial teórico os estudos semióticos de linha
francesa. Para tanto, explana-se o modelo de análise do percurso gerativo de sentido e, a partir dos
seus níveis e componentes sintático-semânticos, interpreta-se a letra do corpus da pesquisa. Deste
modo, depreende-se que, no corpus, a relação de dominação e impotência, explicitada no jogo modal
do querer-fazer e não-poder-fazer na estrutura actancial, se camufla, discursivamente, nas isotopias
do tempo e da circularidade, cujo plano de fundo é a categoria semântica do movimento. Conclui-se,
portanto, que o fazer persuasivo em contraste com a modalização do sujeito oprimido desvela, do
âmbito enuncivo ao enunciativo, traços histórico-sociais do regime ditatorial brasileiro.

PALAVRAS-CHAVE: Discurso. Chico Buarque de Holanda. Ditadura.

ABSTRACT: The objective of this study is to analyze the construction of the meaning in the lyrics of
the “Roda-Viva” song, by Chico Buarque de Holanda, having as theoretical reference the semiotic
studies of French line. For this purpose, the generative path analysis model of meaning is explained
and, from their levels and syntactic-semantic components, the letter of the corpus of the research is
interpreted. Thus, it is deduced that, in the corpus, the relationship of dominance and impotence,
explained in modal game of the “want-to-do” and “can’t-do” in the actantial structure, camouflages
itself, discursively, in time isotopies and circularity, whose background is the semantic category of the
movement. It is concluded, therefore, that the persuasive doing in contrast to the modalization of the
oppressed subject reveals, from the enuncive scope to the enunciative, historical and social traits of
the Brazilian dictatorship.

KEYWORDS: Discourse. Chico Buarque de Holanda. Dictatorship.

Introdução

In: CONGRESSO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM, 4, 2016, Cornélio Procópio. Caderno de resumos. Cornélio Procópio: UENP, 2016.
Anais

Este estudo constitui-se de uma leitura semiótica da letra da canção Roda-viva,


de Chico Buarque de Holanda, composta durante o regime militar dos anos 1964-
1985. Portanto, objetiva-se depreender a construção do sentido da letra do corpus,
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tendo como fundamentação teórica o modelo de análise da semiótica francesa, no
que tange à abstração da significação, das estruturas superficiais às mais profundas
do discurso. Para tanto, realiza-se uma descrição do percurso metodológico da
semiótica, da linhagem greimasiana às tendências atuais, e seus devidos conceitos
junto à sua devida aplicação na análise do discurso da letra da pesquisa.

Deste modo, este trabalho se subdivide cinco em etapas, além da introdução e


da conclusão: inicialmente, expõe-se a letra Roda-viva, de Chico Buarque de
Holanda; em seguida, explana-se sobre o histórico do método da semiótica de linha
francesa; feito isso, realiza-se um levantamento de premissas junto a um recorte
teórico-metodológico; e na sequência, analisa-se a letra do corpus mediante os
conceitos semióticos.

A canção “Roda-viva”, de Chico Buarque de Holanda

A canção Roda-viva compõe, como sexta faixa, o álbum Chico Buarque de


Holanda – volume 3, lançado em 1968, e constitui-se, estruturalmente, de quatro
oitavas com refrão intercalado, de forma que este, após a última oitava, se repete
três vezes, como se observa na leitura da letra:

Tem dias que a gente se sente

Como quem partiu ou morreu

A gente estancou de repente

Ou foi o mundo então que cresceu

A gente quer ter voz ativa

No nosso destino mandar

Mas eis que chega a roda-viva

In: CONGRESSO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM, 4, 2016, Cornélio Procópio. Caderno de resumos. Cornélio Procópio: UENP, 2016.
Anais

E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante


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Rodamoinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente

Até não poder resistir

Na volta do barco é que sente

O quanto deixou de cumprir

Faz tempo que a gente cultiva

A mais linda roseira que há

Mas eis que chega a roda-viva

E carrega a roseira pra lá

Roda mundo, roda-gigante

Rodamoinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração

A roda da saia, a mulata

Não quer mais rodar, não senhor

Não posso fazer serenata

A roda de samba acabou

A gente toma a iniciativa

Viola na rua, a cantar

Mas eis que chega a roda-viva

E carrega a viola pra lá

Roda mundo, roda-gigante

Rodamoinho, roda pião

O tempo rodou num instante

In: CONGRESSO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM, 4, 2016, Cornélio Procópio. Caderno de resumos. Cornélio Procópio: UENP, 2016.
Anais

Nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira


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Um dia a fogueira queimou

Foi tudo ilusão passageira

Que a brisa primeira levou

No peito a saudade cativa

Faz força pro tempo parar

Mas eis que chega a roda-viva

E carrega a saudade pra lá

Roda mundo, roda-gigante

Rodamoinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante

Rodamoinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração

Roda mundo, roda-gigante

Rodamoinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração

(HOLANDA, 1968)

Gênese do método e dos modelos de análise

A semiótica francesa surgiu como tal através dos estudos da semântica


estrutural desenvolvidos por A. J. Greimas (1978), linguista e lexicólogo lituano que
propôs um modelo de análise de conteúdo em nível transfrástico, após leituras de

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Saussure, Hjelmslev, É. Souriau e V. Propp. Este modelo, denominado percurso


gerativo de sentido, objetiva abstrair o sentido das camadas mais simples às mais
complexas, perpassando em seu percurso, as gramáticas ou níveis fundamental,
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narrativo e discursivo, subdivisíveis em componentes sintático e semântico.

Entretanto, outros modelos teórico-metodológicos de análise emergiram a partir


das contribuições do percurso gerativo de sentido, como a semiótica das paixões
(GREIMAS & FONTANILLE, 1993) e a semiótica tensiva (ZILBERBERG, 2006,
2011), entre outras tendências.

Delimitação e premissas

Ao ponderar-se o percurso metodológico da semiótica francesa, de Greimas às


tendências posteriores, faz-se necessário delimitar o arcabouço teórico em si e em
sua explanação e aplicabilidade. Desta forma, a semiótica aplicada à Roda-viva
pondera a letra da canção, em sua imanência textual, conteudística, distanciando-
se, portanto, de uma semiótica da música ou da canção.

No que tange à explanação, sintetizam-se os componentes semântico-


sintáticos dos níveis do percurso gerativo de sentido e as demais tendências
semióticas (semiótica tensiva, semiótica das paixões, entre outras), linearmente, isto
é, tópico por tópico de forma homogeneizada.

Já com relação à aplicabilidade, cada nível e componente do percurso gerativo


de sentido é, após a sua devida explanação, posto em prática na análise de Roda-
viva, segundo os tópicos estabelecidos, de modo a possibilitar uma abstração
didática e gradual dos conceitos, do seu funcionamento e do sentido da letra.

A transformação da roda-viva: operações sintáticas fundamentais

A sintaxe do nível fundamental ou profundo trata das operações sintáticas ou


transformações, no domínio sêmico, em que se tem, segundo Fiorin (1990, p. 20):
“a) afirmação de a, negação de a, afirmação de b; b) afirmação de b, negação de b,
afirmação de a”. Esse jogo de afirmação x negação de termos a e b podem ser

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transcritos em uma relação esquematizada por Greimas (1975, p. 151-2) como: seja
S₁ → -S₁, seja -S₁ → S₂.

Assim, observa-se que a letra Roda-viva se baliza em um jogo de afirmação e 313

negação dos termos /liberdade/ e /opressão/, através dos quais a opressão da roda-
viva é afirmada, em uma assertividade final, como se nota em:

O samba, a viola, a roseira

Não quer mais rodar, não senhor

Foi tudo ilusão passageira

Que a brisa primeira levou

(HOLANDA, 1968)

Nota-se que ‘samba’, ‘viola’ e ‘roseira’ não desejam rodar (negação da


liberdade ou não-liberdade), pressupondo um ‘querer rodar’ anterior (liberdade
pressuposta), de modo a culminar com a ilusão levada pela brisa (a opressão).

Além da assertividade do termo /opressão/, há a operação sintática dos termos


/resistência/ e /rendição/, cuja assertividade é a rendição do sujeito que canta. Como
exemplo, tem-se o ‘ir ao sentido contrário da corrente’ como /resistência/, termo que
se desdobra em uma negação ou /não-resistência/ do não poder resistir as águas, a
ponto de a volta do barco transmitir o não cumprimento da resistência, isto é, o
termo /rendição/:

A gente vai contra a corrente

Até não poder resistir

Na volta do barco é que sente

O quanto deixou de cumprir

(HOLANDA, 1968)

Além das transformações +liberdade, –não-liberdade, +opressão e


+resistência, –não-resistência, +rendição, são inúmeras as demais operações

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sintáticas de asserção e negação (+ ou -) sobre as quais Roda-viva se assenta:


partida/ida > não-partida/não-ida > retorno/volta (‘ir à corrente’ e ‘volta do barco’);
vida > não-vida > morte (‘sentir-se como quem morreu’); ação/atividade > não-
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ação/não-atividade > inação/inatividade (‘cultivar a roseira’ e ‘não cultivá-la);
dinamicidade > não-dinamicidade > estaticidade (‘estancar-se de repente’ e
‘crescer’), entre outras.

Da opressão e da liberdade: timia, axiologia e quadrado semiótico

As operações sintáticas instauram um jogo de oposições, definidoras de


categorias semânticas, na semântica fundamental ou profunda, de modo que +a, –a,
+b figura-se na oposição a X b, definíveis pelo valor (axiológico) positivo ou negativo
empregado pela categoria da timia (disposição afetiva dos elementos), expressa em
/euforia/ X /disforia/. Ademais, as categorias semânticas, enquanto estruturas
elementares da significação, podem ser também esquematizadas visualmente, em
sua lógica, no quadrado semiótico, segundo Greimas & Courtés (2013, p. 400).

De posse de tais apontamentos, compreende-se que, em Roda-viva, os termos


/liberdade/ e /opressão/ compõem uma categoria semântica, ligada por uma relação
(a espoliação), assim como os demais termos justapostos em oposições
fundamentais. Além disso, axiologicamente, /liberdade/ e /opressão/ recebem um
investimento de valor, no qual a /liberdade/ enquadra-se como elemento positivo,
euforia, em contraste com a /opressão/, enquadrado como elemento negativo, na
disforia. Logo, ao se considerar a categoria semântica opositiva /liberdade/ X
/opressão/, tem-se um montante de categorias, axiologizadas pela timia, como:

Quadro 1 – Timia e categorias semânticas opositivas de Roda-viva

CATEGORIA SEMÂNTICA
EUFÓRICO DISFÓRICO
ESPOLIAÇÃO /liberdade/ x /opressão/
COFRONTO /resistência/ x /rendição/
CAMINHO /partida ou ida/ x /retorno ou volta/
EXISTENCIA /vida/ x /morte/

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EXERCÍCIO /ação ou atividade/ x /inação ou inatividade/


MOVIMENTO /dinamicidade/ x /estaticidade/
Fonte: autoria própria

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Portanto, sendo cada categoria semântica articulável visualmente, enquanto


estrutura elementar da significação, no quadrado semiótico, tem-se o seguinte
montante de categorias/estruturas do nível fundamental em Roda-viva:

Imagem 1 – Quadrado semiótico de Roda-viva

Fonte: autoria própria

Ou seja, o sentido de Roda-viva pode ser abstraído das estruturas mais


profundas e visualizado no quadrado semiótico, de modo que, segundo Greimas &
Courtés (2013, p. 402), esquematizam-se em ↔ a relação de contradição, em ←--→
a relação de contrariedade, em → a relação de complementariedade, obtendo-se,
portanto, em S₁ – S₂ o eixo dos contrários, em S₁ – -S₁ o eixo dos subcontrários, em
S₁ – -S₁ o esquema positivo, em S₂ – -S₂ o esquema negativo, em S₁ – -S₂ a dêixis
positiva e em S₂ – -S₁ a dêixis negativa. De uma forma geral, ilustra-se, por
exemplo, a relação entre S₂ – -S₁ ou /opressão/ e /não-liberdade/, que ocupam a

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dêixis negativa do quadrado semiótico, pois se concatenam em um jogo de


complementariedade (-S₁ → S₂), do não-eufórico ao disfórico.

Da tensividade e das modalidades tensivas na opressão da roda-viva 316

Na construção de uma semiótica tensiva, Zilberberg (2011) analisa o espaço


tensivo coexistente entre os elementos ‘a’ e ‘b’, expressos axiologicamente pela
categoria tímica /euforia/ x /disforia/, das estruturas elementares da significação e,
para tanto, conceitua três conceitos-chaves: a dependência (quanto à estrutura), a
foria (quanto à direção) e o afeto (quanto ao valor) (idem, ibidem, p. 11). Nesta
perspectiva, Zilberberg (ibidem) esmiúça o jogo tensivo subjacente ao quadrado
semiótico e propõe os conceitos de intensidade e extensidade (idem, ibidem, p. 89),
correspondentes, respectivamente, ao sensível e ao inteligível, com graus de maior
ou menor tensividade, expressos a partir de um esquema visual de tensão, em uma
correlação inversa, se +intensidade (ascendência), e conversa, se +extensidade
(descendência) (ibid., p. 93). Assim sendo, a tensão situada no vazio dos termos
estanques da categoria tímico-fórica torna-se uma tensividade fórica, uma vez que a
variante se correlaciona com o estado tensivo e também axiológico, apreendido pelo
sujeito.

Ponderando tal teorização, na canção de Chico Buarque de Holanda, o chegar


da roda-viva condiz com o aumento da tensão apreendida pelo sujeito, isto é, com a
intensidade, na medida em que a opressão do extenso, inteligível, externo, age no
intenso, sensível, interno, do sujeito, em coerência com o seu aumento disfórico.
Logo, no domínio das modalidades tensivas de Zilberberg (2011) e sua respectiva
esquematização, obtém-se a seguinte correlação inversa:

Imagem 2 – Extensidade e intensidade em Roda-viva

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Fonte: autoria própria

Percebe-se, pois, que os termos /opressão/ e /liberdade/ alternam-se no


espaço tensivo, ou melhor, tratando-se de tensão, quanto maior a opressão, menor
a liberdade e vice-versa, na medida em que se confluem tais termos na relação
entre intensidade X extensidade, engendrado pelo grau de tensividade analisáveis.

Denúncia e dominação: Programas, percursos e esquemas da narrativa

No desenho sintático da superfície do texto ou sintaxe narrativa de superfície,


enunciados elementares (de estado e de fazer) associam o ator da narrativa, grosso
modo, o sujeito à posse (conjunção) ou não-posse (disjunção) de um objeto , no qual
se contém um valor, tal qual observa Fiorin (1990, p. 21). Esses enunciados,
conforme sistematiza Barros (2005, p. 39), se hierarquizam dentro de programas
narrativos (transformações em torno dos atores e seu estado com o objeto de valor),
estes dentro de percursos do destinador-manipulador (que atribui competência para
o fazer do sujeito), do sujeito (de estado ou de fazer) e do destinador-julgador (que
sanciona o sujeito) e, por conseguinte, os percursos dentro do esquema narrativo
canônico, decomponível, conforme aponta Fiorin (1990, p. 22-23) nas etapas de
manipulação (sedução, provocação, tentação e intimidação), performance,
competência (querer, poder, saber e dever) e sanção. Amiúde, na semiótica
narrativa, Courtés (1979, p. 80) faz menção ao modelo actancial, aproveitado por

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Greimas de É. Souriau, e que se delineia pelas implicações entre destinador e


destinatário com o objeto e entre adjuvante e oponente com o sujeito.

Na letra de Chico, nota-se a presença de inúmeros programas narrativos (de 318

base ou PNb, em torno do ator principal, e de uso ou PNu, em torno dos demais
atores), esquematizados sob a fórmula PN = F [S₁ → (S₂ ∩U Ov)], sendo programa
narrativo (PN) equivalente à função do sujeito de fazer (S₁) empregada na
transformação (→) do sujeito de estado (S₂) em conjunção (∩) ou disjunção (U) do
objeto de valor (Ov) ou de valor modal (Ov/m), como se nota em:

 PNb = F ‘dominação’ [S₁ ‘roda-viva’ → (S₂ ‘actante coletivo’ U Ov/m


‘liberdade/poder’)]
 PNu = F ‘renúncia’ [S₁ ‘actante coletivo’→ (S₂ ‘actante coletivo’ U Ov
‘liberdade’)]
 PNu = F ‘denúncia’ [S₁ ‘eu/cantor’ → (S₂ ‘narratário/público’ ∩ Ov/m
‘história/saber’)]

No programa narrativo da dominação, percebe-se o embate entre a roda-viva e


o sujeito ‘actante coletivo/a gente’, principalmente, nos 7º e 8º versos das oitavas:
“Mas eis que chega a roda-viva / E carrega (...) pra lá” (HOLANDA, 1968). Porém,
além do programa da dominação, há o programa da renúncia desse sujeito para
com o objeto de valor ‘liberdade’, perceptível na chegada da roda-viva também nos
7º e 8º versos das oitavas. Ademais, o programa da denúncia é empregado pelo que
se pode denominar de ‘eu-cantor’ (de “[eu] Não posso fazer serenata” (idem,
ibidem)), que narra para alguém, o narratário ou público ouvinte, a dominação da
roda-viva e a falta do objeto de valor ‘liberdade’ do actante coletivo, de forma a levar
o ‘saber’ sobre engendramento ou ‘história’.

Os programas narrativos enquadram-se nos percursos do destinador-


manipulador, do sujeito e do destinador-julgador: o destinador-manipulador consiste
no próprio ‘eu-cantor’, que, a partir da manipulação (provocação ou descrença do
fazer) do sujeito, estabelece o contrato da união (do ‘eu’, do ‘actante coletivo’) e o

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destina, com o saber, à luta, ao confronto, à resistência, contudo, sob a sanção


negativa do destinador-julgador ‘roda-viva’, que se apropria da liberdade, da voz
ativa, da saudade, da competência do ‘poder’, entre outros objetos de valores, desse
319
sujeito. Logo, delineia-se o esquema narrativo canônico e suas quatro tradicionais
etapas (manipulação, competência, performance e sanção), projetadas no plano de
fundo do nível superficial da letra.

A propósito do modelo actancial descrito por Courtés (1979, p. 80), constata-se


a seguinte esquematização em Roda-viva:

Imagem 3 – Modelo actancial de Roda-viva

Fonte: autoria própria

Nota-se que o destinador ‘eu-cantor’ e o destinatário ‘público-ouvinte’ implicam-se com


o objeto ‘liberdade’, enquanto que o sujeito ‘actante coletivo’ (o ‘povo’, na forma coloquial
marcada ‘a gente’) tem, respectivamente, ao seu favor e desfavor, o adjuvante ‘música’ e o
oponente ou antissujeito ‘roda-viva’, para a procura de tal objeto, ou, em outras palavras, a
roda-viva é o obstáculo à conquista da liberdade pelo povo, mas este tem a seu favor a
música.

Do querer versus poder e da liberdade: modais, valores e objetos

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Na semântica narrativa de superfície, situam-se as modalidades, concebidas como


predicados que remetem a outro predicado (de ser ou de fazer). Em meio a isso, os termos
modais da competência (querer, poder, saber, dever) se articulam junto a duas modalidades
englobantes, o ser e o fazer, sendo, segundo Greimas & Courtés (2013, p. 315), 320

modalidades virtualizantes, o dever e o querer, e modalidades atualizantes o poder e o


saber, enquanto que são modalidades realizantes o ser e o fazer. Ainda no domínio da
semântica de nível narrativo, situam os objetos de valores e a tipologia do sujeito. Os
valores, conforme observa Greimas (1974, p. 17), podem ser classificados como valores
positivos ou negativos e valores imanentes ou transcendentes. Já os sujeitos classificam-se,
de acordo com Greimas & Courtés (2013) em sujeitos virtualizados (que não têm
competência para realização da performance), atualizados (que têm competência, mas não
realizam a performance) e realizados (que têm o ser e o fazer).

Em Roda-viva, observa-se o querer-fazer ou ter posse da voz ativa, em detrimento


com o não-poder-fazer, decorrente da presença da roda-viva, como no fragmento inicial da
letra:

A gente quer ter voz ativa

No nosso destino mandar

Mas eis que chega a roda-viva

E carrega o destino pra lá

(HOLANDA, 1968)

Faz-se necessário colocar que, conforme lembra Barros (2001, p. 53), a modalidade
/querer-fazer/ se denomina vontade ou volição, ao passo que a modalidade /não-poder-
fazer/ equivale à /impotência/. Assim, o sujeito ‘actante coletivo’ ou, grosso modo, o povo
possui a vontade/volição em atrito com a impotência, mediante o objeto de valor positivo e
imanente ‘liberdade’.

Desânimo e virtualização de um povo: entre paixões e apaixonados

As modalidades permitiram o desenvolvimento da Semiótica das paixões


(GREIMAS & FONTANILLE, 1991), uma vez que, para tal metodologia, a

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modalização torna o discurso passionalizado e ilustra, no nível epistemológico, a


tensividade e a foria, ou tensividade fórica, como simulacros associados ao sujeito.
Logo, Greimas e Fontanille (ibidem) elaboraram uma epistemologia das paixões,
321
com sistema taxionômico próprio, agrupando-as segundo os dispositivos modais que
as constituem, como, por exemplo, a estrutura modal da obstinação, equivalente a
/poder-não-ser, saber-não-ser, querer-ser/. (idem, ibidem, p. 66). Além disso, na
classificação das paixões, elas (as paixões) se subdividem, em seu nível
epistemológico (BARROS, 1990), em paixões simples e paixões complexas,
dependendo a estrutura modal em torno do modo de existência do sujeito. Não
obstante, a semiótica das paixões definiu, na sintaxe do seu microssistema
(GREIMAS & FONTANILLE, 1991, p. 128-9), os modos ou simulacros existenciais
do sujeito através da sintaxe do quadrado semiótico, expressada pela realização
(sujeito realizado, conjunto), virtualização (sujeito virtualizado, não-conjunto),
atualização (sujeito atualizado, disjunto) e potencialização (sujeito potencializado,
não-disjunto).

Em Roda-viva, observa-se a configuração da sintaxe intermodal do querer-


fazer e não-poder-fazer ou, respectivamente, da volição (vontade) e impotência de
S₁ (a gente) perante o fazer de seu antissujeito (roda-viva). Nessa perspectiva, S₁
(actante coletivo-povo) se virtualiza no querer-fazer (o querer ter voz ativa, o querer
cultivar, o querer cantar viola na rua, o querer que a saudade pare o tempo),
enquanto que se atualiza após cada não-poder-poder (o não poder ter voz ativa,
cultivar a roseira, cantar viola e parar o tempo, na chegada da roda-viva) e, por fim,
se potencializa mediante o fazer do antissujeito roda-viva, tornando-se, pois, sujeito
disjunto, sem apossar-se do seu objeto de valor. Ou seja, o modo de existência de
S₁ desenha-se em: virtualização → atualização → potencialização.

Acredita-se, pois, que a paixão decorrente da estrutura do dispositivo modal


/querer-fazer e não-poder-fazer/ é a paixão complexa de malquerença denominada
/desânimo/, segundo listagem de Barros (1990, p. 69), elemento passional que ora
virtualiza, ora potencializa S₁. É o desânimo que enreda, paralelamente, todas as
oitavas, do início ao último verso, isto é, do querer-fazer ao investimento do não-
poder-fazer do sujeito.

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A desapropriação da liberdade: pessoa, tempo e espaço


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A sintaxe discursiva trata da discursivização, isto é, da actorialização,


espacialização e temporalização, que, segundo Fiorin (1996), se articulam por meio
dos processos de debreagem (instauração dêitica no discurso) e embreagem
(retorno dêitico ao discurso), de caráter enunciativo (a partir dos dêiticos
eu/aqui/agora) ou enuncivo (a partir dos dêiticos ele/lá/então), os quais projetam as
categorias de pessoa, espaço e tempo da enunciação no enunciado, com
determinados efeitos de sentido, como aproximação e distanciamento, subjetividade
e objetividade.

Com base nessas ponderações, na letra de Chico Buarque de Holanda (1968),


tem-se, na actorialização, o engendramento do enunciador da enunciação-
enunciada pelo uso coloquial debreado do termo ‘a gente’, em substituição do
pronome ‘nós’. Assim, enunciador, narrador e interlocutor confluem, na narrativa,
com o mesmo ator, ou seja, sincretizam-se no enunciado. Porém, o enunciador
realiza a embreagem enunciativa, ao desvelar o sua impotência (não-poder-fazer) e
se reafirmar, no discurso, como um ‘eu’: “[eu] Não posso fazer serenata” (idem,
ibidem).

A espacialização, por sua vez, se desenvolve sob a forma de espaço +aberto,


+natural e +cognitivo (‘corrente da tormenta’ e ‘jardim da roseira’, por exemplo),
demarcado pelo ‘lá’, com efeito de sentido de objetividade e distanciamento,
enquanto que o espaço pressuposto pelo ‘aqui’ é não demarcado. Portanto, o
espaço distante, objetivo, reflete a perda ou desapropriação da liberdade do sujeito,
na enunciação-enunciada.

Já na temporalização, o tempo do ‘agora’ é delimitado pela +concomitância,


com traços, ora de +anterioridade, ora de +não anterioridade. Então, passado e
presente são debreados, sendo o tempo passado (‘então’) associado à liberdade e o
tempo presente (‘agora’) à ausência dela.

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Da dissimulação do enunciador: as modalidades veridictórias

Nas modalidades que envolvem o ser e o seu termo contrário, o parecer, as 323

denominadas modalidades veridictórias, de acordo com Greimas & Courtés (2013, p.


532), a transição, efetuada a partir dos eixos do quadrado semiótico, articula a
verdade (ser x parecer), a mentira ou dissimulação (parecer x não-ser), a falsidade
(não-parecer x não-ser) e o segredo (não-parecer x ser).

Em Roda-viva, o interlocutor ‘eu-cantor’ não parece um eu tão somente, devido


ao sincretismo com o[s] não-eu[s] ou o[s] outro[s], mas o é (/não-parecer/ x /ser/), ao
passo que a roda-viva não é, necessariamente, uma roda-viva, mas parece, devido
às ações, ao carregar x de y a z (/parecer/ x /não-ser/), configurando o quadrado da
veridicção:

Imagem 3 – Modalidades veridictórias

Fonte: Greimas & Courtés (2013, p. 532)

In: CONGRESSO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM, 4, 2016, Cornélio Procópio. Caderno de resumos. Cornélio Procópio: UENP, 2016.
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Deste modo, o eu-cantor oculta-se na somatória eu + outro = nós/ a gente, da


mesma forma que a roda-viva se dissimula enquanto tal pelo discurso do narrador e
seu fazer persuasivo (fazer-crer-ser e fazer-crer-parecer).
324

ELEMENTOS DE SEMÂNTICA ESTRUTURAL

Em sua Semântica estrutural, Greimas (1973) esmiúça a significação


manifestada e, para isso, analisa o efeito de sentido, o semema (Sm), como
combinatória entre o sema nuclear (Ns) e o sema contextual (Cs), sendo o sema
nuclear pertencente ao nível semiológico e o sema contextual “o denominador
comum a toda classe de contexto” (RECTOR, 1978, p. 154). Assim, para Greimas
(1973, p. 62), o semema expressa-se pela fórmula: Sm = Ns + Cs.

Em Roda-viva, faz-se necessário observar, pois, o lexema <roda> (cuja raiz é


rod–), tão recorrente no texto e, para isso, aponta-se que um traço essencial do
núcleo sêmico do efeito de sentido, o semema, de tal lexema é a +circularidade.
Inicialmente, esse lexema aparece em: “Mas eis que chega a roda-viva / E carrega o
destino pra lá” (HOLANDA, 1968). Nesse sentido, o nível da manifestação do seu
efeito de sentido, o semema, equivale à combinatória do traço +circularidade, com
os traços contextuais de +vida, +dinamicidade, +intangibilidade e
+dimensionalidade, junto, respectivamente, aos lexemas “vida”, “carregar”
(movimento dinâmico), “destino” (intangível) e “lá” (referido à distância, dimensão).
Além dessas categorias contextuais, o lexema <roda> aparece, nas oitavas da letra
referindo-se a “roseira”, “viola” e “saudade”, variando do tangível ao intangível.

O lexema <roda> aparece ainda, ao longo do refrão, em:

Roda mundo, roda-gigante

Rodamoinho, roda pião

O tempo rodou num instante

Nas voltas do meu coração

(HOLANDA, 1968)

In: CONGRESSO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM, 4, 2016, Cornélio Procópio. Caderno de resumos. Cornélio Procópio: UENP, 2016.
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Nessa perspectiva, <roda> comporta os traços +circularidade e +grandeza na


lexia complexa ‘roda mundo’, na medida em que, nos demais lexemas, seus traços
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se ampliam: ‘roda-gigante’ (+circularidade, +ludicidade, +grandeza), ‘rodamoinho’
(+espiralidade ou espiral, +aeriformidade) e ‘roda pião’ (+circularidade, +ludicidade,
+pequenez).

Ponderando tal levantamento, observa-se a variante contextual na significação


de <roda>, ao longo da letra de Chico Buarque, podendo apenas afirmar-se a
circularidade como traço recorrente, fixo no núcleo sêmico do semema. De uma
forma mais abrangente, a significação do elemento lexical ‘roda’ se desnuda
complexadamente.

FIGURAS E TEMAS

Na semântica discursiva, conforme observa Barros (2005), estudam-se os


processos de figurativização e tematização, além das recorrências de figuras e
temas, as denominadas isotopias, sendo as figuras a representação concreta e
sensível da existência e os temas os traços que as unem e são por elas revestidos.

Na letra de Chico Buarque (HOLANDA, 1968), os temas presentes (como o


confronto, por exemplo) são recobertos por figuras (corrente, barco) ligadas a
isotopias comuns (isotopia do fluvial), mas que, através da metaforização, obtém-se
uma combinatória (isotopia da luta, no caso), conforme se observa na listagem da
figurativização e tematização de Roda-viva:

Quadro 2 – Temas e figuras de Roda-viva

PERCURSO ISOTOPIA TEMAS METÁFORAS


FIGURATIVO (figuras) (percurso) (conexões)
partida, morte despedida despedida, morte tempo
estancamento, crescimento parada inatividade tempo
corrente, barco fluvial confronto luta
roseira, cultivo cuidado atividade/exercício esperança
saia, mulata arte popular impedimento retardamento
serenata, samba arte popular impedimento retardamento
ilusão, brisa intangibilidade efemeridade liquidez
peito, saudade passado nostalgia apego
roda gigante, pião ludicidade superioridade dominação

In: CONGRESSO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM, 4, 2016, Cornélio Procópio. Caderno de resumos. Cornélio Procópio: UENP, 2016.
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roda-viva movimento desapropriação dominação


a gente fusionalidade pluralidade/união política
Fonte: autoria própria

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Nota-se, pois, que a figura do sujeito ‘a gente’, associada à isotopia da
fusionalidade (eu + ele[s] = outros), constitui o tema da pluralidade/união popular,
uma vez que se tem a forma coloquial. A pluralidade/união popular, implicadas com
a fusionalidade, remetem à metáfora da política. Por outro lado, a figura ‘roda-viva’
compõe a metáfora da dominação, uma vez que a isotopia do movimento reveste o
tema que a envolve: a desapropriação da liberdade.

Portanto, política e dominação, além também das demais metáforas (tempo,


luta e etc.), consolidam o tema central de Roda-viva: a retratação e denúncia de um
período marcado pela dominação, pelo impedimento, pelo retardamento das artes e
cultura popular. Retratação esta, desvelada na enunciação-enunciada a partir da
depreensão dos conectores de isotopias (metáforas) que poetizam temas e figuras,
tornando demasiadamente abstrato o conteúdo do texto.

Conclusão

Constatou-se, que Roda-viva, de Chico Buarque de Holanda (1968), se baliza


na categoria semântica /liberdade/ versus /opressão/, suscetível de esquematização
tímica no quadrado semiótico. Não obstante, notou-se que o destinador-manipulador
‘eu-cantor’ leva, com a competência modal do saber cedida ao destinatário ‘público’,
o sujeito ‘povo/actante coletivo’ a uma performance, sendo sua sanção a privação da
liberdade, de modo a desenhar-se o programa narrativo da dominação. Viu-se
também que sujeito o narrador (enunciador pressuposto) manipula a enunciação por
meio da objetividade das debreagens enunciativas actancial, espacial e temporal,
embora se desvele como um ‘eu-cantor’ e, através da metaforização, figurativiza
seus temas com isotopias variadas, metaforizando, por meio das figuras ‘a gente’ e
‘roda-viva’, a política e a dominação.

In: CONGRESSO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM, 4, 2016, Cornélio Procópio. Caderno de resumos. Cornélio Procópio: UENP, 2016.
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Ademais, ressalta-se que a metodologia da semiótica greimasiana (níveis


fundamental, narrativo, discursivo e suas devidas sintaxe e semântica), junto às
suas bases e tendências, permite a abstração do sentido por intermédio de uma
327
análise textual, imanente, sem, contudo, prender-se à estrutura e afastar-se da
enunciação, neste sentido, enunciação-enunciada.

Deste modo, conclui-se que a riqueza poética da letra de Roda-viva convida o


leitor e ouvinte a uma viagem temporal metaforizada, em que subjazem a
dominação, a opressão, a busca de um povo pela liberdade e, de uma forma geral, a
retratação crítica de uma época sob um viés passional. Tal convite conduz a uma
retomada histórica ao regime militar brasileiro, instituído durante os anos 1964-1985,
sua política, repressão e anacronismo artístico e intelectual.

Entretanto, faz-se necessário ressaltar que a tessitura da retomada e


retratação de um período, imbricadas no âmbito mais abstrato de uma letra, só é
possível mediada pela genialidade de Chico Buarque de Holanda. Com maestria,
Chico não se restringe ao ‘o que se diz’, mas, do contrário, embarca seu texto no
‘como se diz’, ao interdito, oculto a cada nível de leitura, atestando-se, assim, como
um dos maiores compositores da Música Popular Brasileira de todos os tempos.

Referências

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São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 2001.

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328
FIORIN, José Luiz. Elementos de análise do discurso. 2. ed. São Paulo: Contexto,
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GREIMAS, Algirdas Julien. Semântica estrutural: pesquisa de método. Trad. Haquira


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______. Sobre o sentido: ensaios semióticos. Trad. Ana Cristina Cruz Cézar [et al.].
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GREIMAS, Algirdas Julien & COURTÉS, Joseph. Dicionário de semiótica. Trad.


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RECTOR, Monica. Para ler Greimas. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1978.

ZILBERBERG, Claude. Elementos de semiótica tensiva. Trad. Ivã Carlos Lopes, Luiz
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