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Romantismo

L’appel à la nature contre l’ordre existant, le réveil des puissances nocturnes que les
Lumières avaient exilées de l’âme et du langage : tout cela est encore le patrimoine
européen de Rousseau transmis au Sturm und Drang par Herder, symbolisé par
Shakespeare et Spinoza, personiffié par Faust, devenu un monde dans la Révolution
et le napoléanisme. Et c’est à cette rédemption nouvelle de la nature que nous devons
– entre autres choses – l’approfondissement du langage poétique libéré des règles et
des allégories classicistes, rendu à sa magie primitive, promu au rang de « langue
maternelle de l’humanité » (Hamman), aussi bien que l’élargissement du domaine de
l’art et de la culture qui, affranchi des interdits rationalistes, englobe désormais la
chanson populaire de toutes les nations au même titre que Pindare, l’épopée nordique
et hindoue comme l’épopée homérique, l’art gothique aussi bien que l’art classique.
(PAPAIOANNOU, 1965, p. 7-8)

« Ainsi l’Âme du Monde de la cosmologie antique et du panthéisme de la Renaissance


prit une signification nouvelle et devint la Raison universelle dans le système de l’idéalisme
romantique » (PAPAIOANNOU, 1965, p. 9).

Hegel pousse jusqu’à ses plus extrêmes conséquences l’anthropocentrisme chrétien et


nie avec une égale véhémence aussi bien la vénération antique du cosmos n’est ni le
modèle de rationalité, ainsi que le pensait Platon, ni l’infini que vénérait Giordano
Bruno : ‘Oui, tout le système solaire est quelque chose de fini... seul l’esprit exprime
la véritable infinité’. (PAPAIOANNOU, 1965, p. 11)

Si l’idéalisme est l’affirmation d’un principe supérieur à la matière, la Vie est déjà
une première réalisation de ce principe : ‘l’action continuelle de la Vie est l’idéalisme
absolu’ car le vivant ne peut exister qu’au prix d’une continuelle ‘négation’ du monde
extérieur qu’il transforme en simple moyen de satisfaction de ses besoins.
(PAPAIOANNOU, 1965, p. 11)

“Os trabalhos marxistas – ou influenciados pelo marxismo – sobre o romantismo têm a


considerável vantagem de situar o fenômeno em um contexto social e histórico. Trata-se, em
nossa opinião, de uma condição absolutamente necessária – mas infelizmente muito
insuficiente – para analisar o romantismo e suas antinomias. O resultado é que encontramos
entre esses trabalhos o pior e o melhor. O pior é a historiografia stalinista, capaz de produzir
incongruências notáveis. [...] A ideia de que o romantismo seja uma forma cultural ‘burguesa’
aparece com frequência – sob formas mais nuançadas – na literatura marxista, mesmo em
autores mais prudentes do que Caudwell. [...] em nossa opinião, trata-se de uma incompreensão
radical, que simplesmente passa ao largo do essencial” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 28-
9).

“O essencial encontra-se em um certo número de análises marxistas, ou influenciadas


pelo marxismo, para as quais o eixo comum, o elemento unificador do movimento romântico,
em grande parte, se não na totalidade de suas manifestações nos principais centros europeus
(Alemanha, Inglaterra, França), é a oposição ao mundo burguês moderno. Essa hipótese nos
parece de longe a mais interessante e a mais produtiva. Entretanto, a maioria dos trabalhos que
se situam nesse terreno sofre de um grave inconveniente: como numerosos escritos não
marxistas mencionados acima, eles veem na crítica antiburguesa do romantismo somente o
aspecto reacionário, conservador, retrógrado” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 29 – grifos no
original).

“É o caso, em especial, de Karl Mannheim, um dos primeiros a desenvolver uma análise


sistemática da filosofia política romântica como manifestação da ‘oposição conservadora à
vivência burguesa-capitalista’, quer dizer, como movimento de ‘hostilidade ideológica às forças
portadoras do mundo moderno’. Esse texto – redigido em 1927, em uma época em que o autor
era muito próximo do marxismo e influenciado por Lukács – sugere paralelos muito
significativos entre a crítica romântica do caráter abstrato das relações humanas do universo
capitalista – desde Adam Müller até a Lebensphilosophie [filosofia da vida, vitalismo] do final
do século XIX – e certos temas desenvolvidos por Marx e seus discípulos (em especial Lukács).
Entretanto, o romantismo político e filosófico alemão (a literatura não é abordada no ensaio) é
entendido e analisado unicamente sob o ângulo do conservantismo” (LÖWY; SAYRE, 2015
[1992], p. 29 – grifos no original).

“György Lukács também é um dos pensadores marxistas que consideram o romantismo


uma corrente revolucionária, inclinada para a direita e para o fascismo. Entretanto, tem o mérito
de ter criado o conceito de ‘anticapitalismo romântico’ para designar o conjunto de formas de
pensamento no qual a crítica da sociedade burguesa se inspira em uma nostalgia passadista –
conceito que utilizará com grande perspicácia para estudar o universo cultural de Balzac
(LUKÁCS, 1974, p. 159)” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 30 – grifos nossos).

“Na verdade, Balzac ocupa o centro do debate entre os marxistas sobre o problema do
romantismo. Engels reconheceu em Balzac – na célebre carta endereçada a Miss Harkness – o
‘triunfo do realismo’ sobre seus próprios preconceitos políticos legitimistas (MARX; ENGELS,
1974, p. 198). Uma vasta literatura crítica seguirá com fidelidade e dogmatismo essa indicação
sumária, e os misteriosos ‘triunfos do realismo’ vão se tornar o lugar-comum de muitos
trabalhos sobre Balzac” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 30).

“[...] o pesquisador tcheco Jan O. Fischer [...] descreve com perspicácia a natureza dupla
do romantismo, voltado ora para o passado, ora para o futuro [...]” (LÖWY; SAYRE, 2015
[1992], p. 30).

“Convém, de preferência, partir de uma hipótese diferente para compreender a obra de


Balzac e de muitos outros autores românticos conservadores: o realismo e a visão crítica desses
autores não são em absoluto contraditórios com a sua ideologia ‘reacionária’, passadista,
legitimista ou tory. [...] é porque o olhar deles está voltado para o passado que eles criticam o
presente com tanta perspicácia e realismo. Evidentemente, essa crítica também pode ser feita –
e melhor – do ponto de vista do futuro, como fizeram os utopistas e revolucionários –
românticos ou não; mas é um preconceito – herdado das Luzes – conceber a crítica da realidade
social apenas de uma perspectiva ‘progressista’” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 31 – grifos
no original).

“Aliás, parece-nos que a categoria ‘realismo’, usada como critério exclusivo, é um


obstáculo para explicar a riqueza e a contribuição crítico-emancipadora do romantismo. Muitos
escritos marxistas têm como único eixo a definição do caráter ‘realista’ ou não de uma obra
literária ou artística, com discussões passavelmente bizantinas opondo ‘realismo socialista’,
‘realismo crítico’ e ‘realismo sem limites’. Essa foi uma das principais razões para sua atitude
frequentemente negativa em relação ao romantismo. Com efeito, muitas obras românticas ou
neorromânticas são deliberadamente não realistas: fantásticas, simbolistas e, mais tarde,
surrealistas. Ora, isso não diminui em nada seu interesse, tanto como crítica da realidade social
quanto como sonho de um mundo outro, radicalmente distinto do existente. Pelo contrário!
Seria preciso introduzir um conceito novo, o irrealismo crítico, para designar a oposição de um
universo imaginário, ideal, utópico e maravilhoso, à realidade triste, prosaica e desumana do
mundo moderno. Mesmo quando toma a forma aparente de uma ‘fuga da realidade’, esse
irrealismo crítico pode conter uma poderosa carga negativa implícita ou explícita de
contestação da ordem burguesa (‘filistéia’)” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 31).

Nessa óptica, comum sobretudo na França, o romantismo como estrutura de conjunto


não existiria antes da Revolução Francesa, sendo desencadeado pela desilusão que se seguiu à
tomada de poder pela burguesia. Uma transformação de ordem política torna-se, portanto, seu
catalisador. Entretanto, essa óptica não permite explicar a existência de correntes românticas
no século XVIII. Para nós, pelo contrário, o fenômeno deve ser entendido como uma resposta
a essa transformação mais lenta e mais profunda – de ordem econômica e social – que é o
advento do capitalismo, transformação que se inicia bem antes da Revolução Francesa. Com
efeito, é a partir de meados do século XVIII que surgem manifestações importantes de um
verdadeiro romantismo; no contexto de nossa concepção, a distinção entre romantismo e ‘pré-
romantismo’ perde sentido” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 38).

“Por outro lado, nenhuma das datas de conclusão que foram propostas é aceitável de
nosso ponto de vista: nem 1848 nem a virada do século marcam o fim ou mesmo a
marginalização do romantismo. Embora os movimentos artísticos deixem de ser chamados
assim no século XX, ainda é verdade que correntes tão importantes quanto o expressionismo e
o surrealismo, e autores eminentes como Thomas Mann, Yeats, Péguy e Bernanos carregam
muito profundamente a marca da visão romântica. Da mesma maneira, é difícil explicar certos
movimentos socioculturais recentes – em especial as revoltas dos anos 1960, a ecologia e o
pacifismo – sem referência a essa visão do mundo” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 38).

Hipótese dos autores: “que o romantismo é por essência uma reação contra o modo de
vida na sociedade capitalista” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 38). Neste sentido, a visão
romântica seria coextensiva ao próprio capitalismo. Concluem que “a visão romântica se instala
na segunda metade do século XVIII e ainda não desapareceu”.

Para eles, “o romantismo representa uma crítica da modernidade, isto é, da civilização


capitalista, em nome de valores e ideais do passado (pré-capitalista, pré-moderno). Pode-se
dizer que desde a sua origem, o romantismo é iluminado pela dupla luz da estrela da revolta e
do ‘sol negro da melancolia’ (Nerval)” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 38-9 – grifos no
original). Trata-se de um conjunto de elementos articulados segundo uma lógica, uma
“estrutura significativa – não necessariamente consciente (em geral, até não consciente) –
subjacente a uma diversidade muito grande de conteúdos e formas de expressão (literárias,
religiosas, filosóficas, políticas, etc.). Por estrutura significativa, [...], não designamos uma lista
indefinida de temas ideológicos, mas uma totalidade coerente organizada em torno de um eixo,
de uma viga. O elemento central dessa estrutura, do qual dependem todos os outros, é uma
contradição, ou oposição, entre dois sistemas de valores? Os do romântico e os da realidade
social dita ‘moderna’. O romantismo como visão de mundo constitui-se enquanto forma
específica de crítica da ‘modernidade’” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 39).
Como os autores entendem a modernidade?

Trata-se da “civilização moderna engendrada pela Revolução Industrial e a


generalização da economia de mercado” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 39). E O
COLONIALISMO?

As principais características da modernidade seriam: o espírito de cálculo


(Rechnenhaftigkeit), o desencantamento do mundo (Entzauberung der Welt), a racionalidade
instrumental (Zweckrationalität), a dominação burocrática. Todas são inseparáveis do
aparecimento do “espírito do capitalismo” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 39).

“As origens da modernidade e do capitalismo remontam à Renascença e à Reforma


Protestante [...], mas esses fenômenos só se tornarão hegemônicos no Ocidente a partir da
segunda metade do século XVIII, quando termina a ‘acumulação primitiva’ (Marx), quando a
grande indústria começa a deslanchar e o mercado se libera da dominação social (Polanyi)”
(LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 39-40).

“Devemos notar igualmente que o romantismo é, queira-se ou não, uma crítica moderna
da modernidade. Isso significa que, mesmo se revoltando contra ela, os românticos não
poderiam deixar de ser profundamente influenciados por sua época. Assim, ao reagir
afetivamente, ao refletir, ao escrever contra a modernidade, eles reagem, refletem e escrevem
em termos modernos. Longe de lançar um olhar exterior, de ser uma crítica vinda de um ‘além’
qualquer, a visão romântica constitui uma ‘autocrítica’ da modernidade” (LÖWY; SAYRE,
2015 [1992], p. 43 – grifos no original).

“Após estabelecer como primeiro momento e fundamento o repúdio à modernidade


capitalista, devemos especificar melhor nosso conceito, pois o romantismo representa uma
modalidade, uma tonalidade particular de crítica ao mundo moderno. De fato, na óptica
romântica essa crítica está vinculada à experiência de uma perda; no real moderno uma coisa
preciosa foi perdida, tanto no nível do indivíduo quanto no da humanidade. A visão romântica
caracteriza-se pela convicção dolorosa e melancólica de que o presente carece de certos valores
humanos essenciais, que foram alienados. Senso agudo da alienação, então, frequentemente
vivido como exílio; ao definir a sensibilidade romântica, Friedrich Schlegel fala da alma ‘sob
os salgueiros em luto pelo exílio’ (unter den Trauerweiden der Verbannung). A alma, sede do
humano, vive aqui e agora longe de seu verdadeiro lar ou de sua verdadeira pátria (Heimat); de
tal modo que, de acordo com Arnold Hauser, ‘o sentimento de privação do lar
[Heimatslosigkeit] e isolamento tornou-se a experiência fundamental’ dos românticos do início
do século XIX. E o próprio Walter Benjamin, fortemente impregnado dessa visão do mundo,
vê no apelo dos românticos alemães à vida onírica uma indicação dos obstáculos que a vida real
ergue no ‘caminho que a alma deve tomar para retornar ao lar’ (der Heimweg der Seele ins
Mutterland)” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 43).

“O romantismo propriamente dito, como resposta cultural global a um sistema


socioeconômico generalizado, é um fenômeno especificamente moderno” (LÖWY; SAYRE,
2015 [1992], p. 72).

“Na lenta transição secular do feudalismo para o capitalismo, os historiadores e os


economistas veem em geral dois momentos fortes, dois pontos de ruptura: em primeiro lugar,
a Renascença, em diferentes momentos em diferentes países, período de afrouxamento dos
vínculos sociais medievais e início do processo de ‘acumulação primitiva’; em segundo lugar,
e mais definitivamente, a Revolução Industrial do século XVIII, que conduz à hegemonia de
um sistema de produção capitalista baseado nas leis do mercado. É, portanto, esse segundo e
último momento – quando as tendências em curso havia muito tempo se transmutam em
sistema, quando se criam as bases da indústria moderna e se concretiza a dominação do mercado
sobre o conjunto da vida social – que assiste ao surgimento do romantismo” (LÖWY; SAYRE,
2015 [1992], p.73).

Na essência da modernidade, encontra-se o triunfo da razão instrumental, cuja face


exposta é o capitalismo; a grande vítima da razão iluminista foi a compaixão e o espírito
comunitário.

Desencantamento do mundo

“Trata-se menos de uma característica do que de uma privação essencial. [...] Podemos
considerar que o romantismo é, em grande medida, uma reação do ‘entusiasmo cavalheiresco’
contra ‘as águas geladas’ do cálculo racional e contra a Entzauberung der Welt, levando a uma
tentativa, muitas vezes desesperada, de reencantar o mundo” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992],
p. 58 – grifos no original).

Espírito de cálculo

“O éthos do capitalismo industrial moderno é a Rechenhaftigkeit, o espírito de cálculo


racional” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 58).

“Ora, numerosos são os românticos que sentem intuitivamente que todas as


características negativas da sociedade moderna – a religião do deus Dinheiro, que Carlyle
chama de ‘mamonismo’, o declínio de todos os valores qualitativos, sociais, religiosos, etc., a
dissolução de todos os laços humanos qualitativos, a morte da imaginação e do romanesco, a
aborrecida uniformização da vida, a relação puramente ‘utilitária’ dos seres humanos entre si e
com a natureza – decorrem desta fonte de corrupção: a quantificação mercantil. O
envenenamento da vida social pelo dinheiro e do ar pela fumaça industrial são entendidos por
vários românticos como fenômenos paralelos, resultantes da mesma raiz perversa” (LÖWY;
SAYRE, 2015 [1992], p. 58-9).

“Para a civilização industrial, as qualidades da natureza não existem: ela só leva em


conta as quantidades de matéria-prima que pode extrair dela” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992],
p. 60).

A mecanização do mundo

“Em nome do natural, do orgânico, do vivo e do ‘dinâmico’, os românticos manifestam


muitas vezes uma profunda hostilidade a tudo que é mecânico, artificial, construído.
Nostálgicos da harmonia perdida entre o homem e a natureza, e dedicando um culto místico a
esta última, observam com melancolia e desolação os progressos da maquinaria, da
industrialização, da conquista mecanizada do meio ambiente” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992],
p. 61).

“Um dos aspectos mais importantes dessa problemática é a crítica romântica da política
moderna como sistema mecânico – isto é, artificial, ‘inorgânico’, ‘geométrico’, sem vida e sem
alma. Essa crítica pode, por si própria, pôr em causa o Estado como tal [...]” (LÖWY; SAYRE,
2015 [1992], p. 62).

“Sem chegar tão longe, muitos dos românticos consideraram o Estado moderno,
baseado no individualismo, na propriedade, no contrato e na administração burocrática racional,
uma instituição tão mecânica, fria e impessoal quanto uma fábrica” (LÖWY; SAYRE, 2015
[1992], p. 63).

“A maioria dos românticos se une para criticar a percepção moderna (burguesa) do laço
político como contrato ‘matemático’ entre indivíduos proprietários e denunciar o Estado
moderno como arcabouço central de ‘engrenagens’ e ‘equilíbrios’, ou como máquina cega que
se torna autônoma e esmaga os seres humanos que a criaram. Entretanto, as alternativas
propostas são não apenas diversas, mas com frequência contraditórias, indo do retorno
tradicionalista a um ‘Estado orgânico’ (em geral monárquico) do passado até a rejeição
anarquista de toda forma de Estado em nome da livre comunidade social” (LÖWY; SAYRE,
2015 [1992], p. 63).

A abstração racionalista

“A economia capitalista, segundo Marx, baseia-se em um sistema de categorias


abstratas: o trabalho abstrato, o valor abstrato de troca, o dinheiro” (LÖWY; SAYRE, 2015
[1992], p. 63-4).

“Algumas críticas românticas da abstração racionalista são feitas do interior do próprio


racionalismo: é o caso da dialética hegeliana e neo-hegeliana – cuja ligação com o romantismo
foi notada por numerosos autores – que visa substituir a racionalidade analítica (o Verstand) da
Aufklärung por um nível superior e mais concreto da Razão (a Vernunft). É o caso também, um
século depois, da Dialética do esclarecimento, de Adorno e Horkheimer, que se pretende uma
‘autocrítica da Razão’ e uma tentativa de opor à racionalidade instrumental – a serviço da
dominação da natureza e dos seres humanos – uma racionalidade humana substancial” (LÖWY;
SAYRE, 2015 [1992], p. 64).

“Frequentemente, o combate ideológico dos românticos contra a abstração toma a forma


de um retorno ao concreto: no romantismo político alemão, aos direitos naturais abstratos
opõem-se os direitos concretos, históricos, tradicionais de cada país ou região; à Liberdade
abstrata, as “liberdades” concretas de cada estado social; às doutrinas universalistas, as
tradições nacionais ou locais, e às regras ou princípios gerias, os aspectos concretos,
particulares, específicos da realidade” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 64).

“A oposição romântica à abstração racional pode também se exprimir em termos de


reabilitação dos comportamentos não racionais e/ou não racionalizáveis. Isso se aplica
especialmente ao tema clássico da literatura romântica: o amor como emoção pura, impulso
espontâneo irredutível a qualquer cálculo e contraditório com qualquer estratégia racional de
casamento – o casamento por dinheiro, o ‘casamento de razão’. [...] Essa abordagem pode levar
a uma apreciação mais favorável da loucura, como ruptura derradeira do indivíduo com a
‘razão’ socialmente instituída. O tema do amor louco na poesia e na literatura surrealistas é a
sua expressão mais radical” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 65 – grifos no original).

A dissolução dos vínculos sociais

“Com efeito, os românticos sentem dolorosamente a alienação das relações humanas, a


destruição das antigas formas ‘orgânicas’ e comunitárias da vida social, o isolamento do
indivíduo em seu eu egoísta – que constituem uma dimensão importante da civilização
capitalista, cujo entro principal é a cidade” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 66).

[O diabo]

“Em um comentário sobre Hoffmann, Walter Benjamin observou que seus contos são
baseados na identidade entre o automático e o satânico, e a vida do homem moderno é o produto
de ‘um mecanismo artificial asqueroso, cujo núcleo é governado por Satanás’” (LÖWY;
SAYRE, 2015 [1992], p. 62).

Alemanha

“[...] no romantismo alemão, a crítica da modernidade política terá uma importância


particular” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 76).

Inglaterra

“[...] Principalmente nas artes, portanto, impõem-se e generalizam-se numerosos


elementos românticos, dos quais o mais importante é a nostalgia do passado. [...] Desenvolve-
se ao mesmo tempo um culto do sentimento, da subjetividade, sobretudo em seus aspectos
lúgubres e melancólicos, uma celebração da natureza e uma crítica do espírito mercantil e da
industrialização” (LÖWY; SAYRE, 2015 [1992], p. 77).

França

“Rousseau é o autor-chave na gênese do romantismo francês, porque, já na metade do


século XVIII, soube articular toda a visão do mundo romântico” (LÖWY; SAYRE, 2015
[1992], p. 79).

Bibliografia
LÖWY, Michael.; SAYRE, Robert. Revolta e Melancolia. Trad. Nair Fonseca. São
Paulo: Boitempo editorial, 2015 [1992]
LUKÁCS, György. Écrits de Moscou. Paris : Éditions Sociales, 1974
PAPAIOANNOU, Kostas. « Introduction ». In : HEGEL, G. W. F. La Raison das
l’Histoire. Introduction à la Philosophie de l’Histoire. Paris : Librairie Plon, 1965
MARX, Karl; ENGELS, Friedrich. Sobre literatura e arte, trad. Albano Lima, 4. Ed.
Lisboa: Estampa, 1974