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LUTA DE CLASSES

I- INTRODUÇÃO

Definir claramente o que é luta de classes não constitui tarefa das mais simples, dada a
extensão do assunto. Desta feita, a questão será abordada dentro de uma certa simplicidade, tanto
pela complexidade, tanto pela necessidade de um conhecimento mais aprofundado da questão.
O que se pretende com este texto é dar uma introdução à questão da luta de classes na
atualidade, como acontece na nossa sociedade e sua origem. Destina-se, portanto, a acrescentar
algum subsídio no entendimento do sistema capitalista e conseqüentemente, mostrar a importância
da consciência de classe por parte da classe trabalhadora, que é hoje cerca de 90% da população
brasileira.
Um indivíduo sem consciência de classe, é como aquele indivíduo que, ao ser atacado
pelo inimigo, começa a atirar desordenadamente para todos os lados, podendo atingir seus
companheiros, ou até mesmo o tiro sair pela culatra. Já o indivíduo que tem consciência de classe,
continuando a comparação, é aquele que conhece o inimigo, conhece suas armas e sabe exatamente
onde deve atirar. Só resta agora aplicarmos este raciocínio na questão política para termos uma idéia
do que seja a consciência de classe.
Nada como o simples e belo poema “O ANALFABETO POLÍTICO” de Bertold Brecht,
para nos mostrar a importância do assunto: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve,
não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do
feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O
analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe
o imbecil que de sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, o assaltante e o
pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas
nacionais e multinacionais.”

II- COMO SE DÁ A LUTA DE CLASSES

Segundo a definição de Aurélio Buarque de Hollanda, em termos sociais, classe é:


“grupo ou camada social que se organiza em sociedades estratificadas, e para cuja formação
contribuem, a divisão do trabalho, as diferenças de propriedades e de rendas, ou seja, a divisão de
riquezas”. São exatamente estas diferenças que provocam a LUTA DE CLASSES.
O entendimento de como acontece a luta de classes em nossa sociedade, passa
necessariamente pelo entendimento de algumas definições, tal como a definição de MAIS-VALIA.

A- A MAIS-VALIA
Como o próprio nome indica, o capitalismo é um sistema político que se fundamenta no
capital, ou de maneira mais clara, no lucro. Mas você já parou algum dia para tentar descobrir de
onde vem o lucro? Será que ele existe por si só? Pessoas afirmam que se alguém tem lucros, então
outro teve prejuízos. Será verdade? Se for, no Brasil existe uma classe que sempre tem lucros, então
quem está perdendo?
Para iniciarmos o assunto, precisamos fazer uma distinção entre BENS DE CONSUMO
DIRETO e MERCADORIAS. Um bem se transforma em mercadoria ao ser produzido não para o
consumo direto, mas para a troca ou venda. Um homem que faz um paletó para uso próprio
produziu um bem de consumo direto. Porém se ele o produziu para vender, então produziu uma
mercadoria.
As mercadorias só podem ser trocadas entre si por terem algo em comum: são produtos
do trabalho. Seu valor é dado pela dificuldade no feitio, isto é, o tempo social gasto para a sua
produção.

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Se foram necessárias 16 horas para a produção de um paletó e 8 para um sapato, o
primeiro tem o dobro do valor do segundo. Se a produção do paletó fosse um trabalho mais
especializado este teria maior valor ainda que o segundo. Portanto o valor de uma mercadoria é
determinado pelo tempo de “TRABALHO SOCIAL”, necessário para produzi-la.
Mas poderia parecer então, que um trabalhador lento produziria mercadoria mais
valiosa. Acontece que foi utilizado o termo “TRABALHO SOCIAL” e muitos aspectos estão
encerrados nesta qualificação de social. Ao dizer que o valor de uma mercadoria é determinado pela
quantidade de trabalho necessário para a sua produção, num determinado estado da sociedade, sob
certas condições sociais médias de produção, dentro de uma intensidade social média e uma
habilidade média do trabalhador empregado. A estas condições, chamamos de “MODO DE
PRODUÇÃO”, que se estende também às máquinas. Temos máquinas lentas e máquinas rápidas e
modernas, mas da mesma forma teremos um nível médio de equipamentos.
Com o capitalismo, como veremos mais adiante, os meios de produção (terra, fábricas,
máquinas etc.) foram através da história, se concentrando nas mãos de poucos. Restando ao
trabalhador uma única opção: vender a última mercadoria que lhe sobrou para sua sobrevivência, a
sua força de trabalho, a sua capacidade de trabalhar.
Mas, por qual preço deve esse trabalhador livre vender sua mercadoria? A sua força de
trabalho? Ora, como qualquer outra mercadoria, pelo total de “trabalho social” necessário para
produzi-la. Em outras palavras, o valor desta mercadoria peculiar, é igual a todas as coisas
necessárias à sua produção, ou seja, necessárias à manutenção da vida do trabalhador: roupas,
aluguel, transporte, saúde, alimentação, etc.. O que variará segundo as condições de cada país.
Como a mercadoria “força de trabalho” é mortal e se desgasta, ela deve ser
continuamente substituída. Portanto o salário deve pagar a manutenção de toda a FAMÍLIA do
trabalhador.
Chamamos a força de trabalho de “mercadoria peculiar”. Peculiar porque, pode criar um
valor superior ao que encerra. O trabalhador vende sua força de trabalho não apenas pelo tempo que
leva para produzir o valor de seu salário, e sim pelo valor de todo um dia de trabalho. Se o dia de
trabalho for de 8 horas e o trabalhador leva 3 horas para produzir o valor de seu salário, então
sobram 5 horas durante as quais não está trabalhando para si, mas para seu patrão. Estas 5 horas ou
a fração que elas representam do total trabalhado é a MAIS-VALIA e constitui o lucro do patrão. O
que acontece portanto é que o trabalhador produz algo de valor bastante superior ao que recebe para
produzi-la, esta diferença é exatamente o valor da mais-valia.
Existem várias formas usadas pelos capitalistas para aumentar a mais-valia, ou seja,
aumentar seus lucros, por exemplo: pagar baixos salários, aumentar a jornada de trabalho, forçar o
trabalho a um rítmo acelerado, usar a inflação, etc.. A inflação é um aumento generalizado dos
preços e na medida que determinados setores tem melhores reajustes que outros, isto pode trazer
lucros para uns em detrimento dos outros, ou seja, a exemplo do que acontece no Brasil, a inflação
pode ser usada para concentrar a renda nas mãos de uns poucos privilegiados. Imagine por exemplo,
que o primeiro dia trabalhado num mês, só será recebido no dia 10 do próximo mês sem sofrer
nenhum acréscimo; enquanto isso o valor da mercadoria produzida pelo trabalhador naquele
primeiro dia, tem reajustes ao bel prazer do patrão. Existem ainda, outras maneiras de aumentar a
mais-valia, usando formas mais sutis, que não serão citadas aqui. A mais-valia é, portanto, a medida
da exploração do trabalho assalariado no sistema capitalista e dá a forma de como se define a
divisão de classes: Donos x despossuídos, patrão x trabalhador, exploradores x explorados, capital x
trabalho, capitalistas x proletariados, etc. são alguns dos vários termos usados, para indicar a luta de
classes.

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B- A DIVISÃO DA MAIS-VALIA ENTRE OS CAPITALISTAS OU A DIVISÃO
DO LUCRO
Podemos afirmar que todos os capitalistas se apoderam de seu quinhão da mais-valia, é
fácil ver que, as empresas de prestação de serviços (empreiteiras), pagam mal seus trabalhadores e
vendem seus serviços a terceiros por preços bastante superiores. Este tipo de capitalista está
debruçado diretamente na fonte de onde jorra a valia, juntamente com os donos dos bens de
produção (grandes fazendeiros, industriais, etc.).
Mas e os outros? O comerciante e o banqueiro por exemplo, exploram seus
funcionários, mas não são capitalistas produtivos. De onde saem tantos lucros então?
Ora, não é preciso esforço para entender. Consideremos três personagens: um industrial,
um comerciante e um banqueiro. Suponhamos uma estorinha idêntica ao que ocorre na realidade,
respeitadas as proporções.
Vamos à estorinha: Um industrial desejando produzir certa mercadoria, compra 300,00
em matéria prima, paga 200,00 aos trabalhadores pela produção da mercadoria e 100,00 de custo de
manutenção de máquinas e equipamentos:
Custo da matéria prima..........................................300,00
Custo dos salários...................................................200,00
Custo de manutenção equipamentos......................100,00
--------------------------------------------------------------------
Preço de custo.........................................................600,00

O industrial sabe que o preço de mercado desta mercadoria é de 1.300,00 e quer ter um
lucro de pelo menos 400,00. Sabe também que pagará 200,00 de impostos. Então estabelece seu
preço de fábrica como sendo 1.200,00:
Preço de custo ............................................600,00
Lucro do industrial......................................400,00
Impostos......................................................200,00
-----------------------------------------------------------
Preço de fábrica.........................................1200,00

Lucro do governo = imposto (ICM, IPI, INPS, etc.)..........200,00


Lucro do industrial..............................................................400,00

O comerciante toma emprestado 1.200,00 do banqueiro a juros de 20%, compra a


mercadoria a preço de fábrica, vende-a a preço de mercado (1.800,00) e paga sua dívida ao
banqueiro (1.440,00):
Preço de mercado.............................................1.800,00
Preço de fábrica................................................1.200,00
Juros.....................................................................240,00
------------------------------------------------------------------
Lucro do comerciante...........................................360,00
Lucro do banqueiro...............................................240,00
Total do lucro = mais-valia = 1.200,00

Observe que o lucro total de 1200,00, que é exatamente o valor da mais-valia, foi
dividido entre todos os capitalistas, inclusive o governo.
Vale lembrar também, que na verdade os capitalistas não pagam impostos e sim o
consumidor final, aquele que compra o produto, ou seja, nós.
Assim se dá a mais valia. O capitalismo se mantém à medida que a mais-valia é mantida
e esta, por sua vez, é mantida na medida em que a classe trabalhadora é mantida alienada desta

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realidade. As armas para esta manutenção (a força, o poder político, o poder das idéias, a mídia, as
organizações sociais etc.) são a seguir discutidas.

C- A MANUTENÇÃO DA MAIS-VALIA
Os capitalistas conseguiram politicamente através da história, concentrar os bens de
produção em suas mãos e continuam a fazê-lo. É o que ocorreu, por exemplo, no Brasil com a
questão agrária, uma violenta concentração de terras nas mãos de poucos latifundiários nos últimos
30 anos. É notório também o mesmo tipo de concentração nos outros setores produtivos do país.
Basta observar que, cada vez aumenta mais a distância entre ricos e pobres. Resta à sobrevivência
do trabalhador, como já foi dito, vender sua última mercadoria: sua força de trabalho.
Ora, se já é ruim ser obrigado a vender sua força de trabalho por falta de outra opção,
maior infelicidade ainda é não ter quem a compre. Esta é uma das armas que os patrões possuem,
sabem usar e fazer tudo para mantê-la. Para isto dividem esta arma em dois fogos: O
DESEMPREGO e a FALTA DE ESTABILIDADE NO EMPREGO.
Esta massa desempregada, devido à sua característica, é muitas vezes chamada de
“EXÉRCITO DE RESERVA”. Ela é estrutural do capitalismo e se baseia no princípio da lei da
oferta e procura: quanto maior a oferta de trabalhadores se oferecendo para trabalhar, menor será o
valor de seus salários.
Aliado ao desemprego, temos a não estabilidade no emprego. Arma fartamente usada
pelos patrões para intimidar a luta da classe trabalhadora.
Os capitalistas em conjunto com o estado (outra arma), conseguem através do fomento
às migrações internas, ou através da introdução do progresso técnico (automação por exemplo),
ajustar a curto prazo a demanda de trabalhadores ao mercado de trabalho. Em outras palavras, como
boa parte das novas invenções desemprega trabalhadores e o êxodo rural (exemplo de migração)
aumentar a oferta de mão de obra nas cidades, os que perdem o emprego, além de curtirem o
desemprego atroz, contribuem para aqueles que permanecem empregados não ousem por as
manguinhas de fora, pois poderão ser imediatamente substituídos.
Assim, condições são impostas, os salários permanecem baixos e os trabalhadores são
impedidos de participar de suas organizações, sindicatos, partidos de trabalhadores etc.
Além disto, esta falta de estabilidade contribuí para a ROTATIVIDADE NO
EMPREGO. A rotatividade é como o conhecido pau-de-sebo nas festas juninas: diante de muitas
promessas, o trabalhador luta e se dedica ao trabalho, na esperança de alcançar uma posição melhor
no seu emprego, mas quando ele pensa que vai pegar o prêmio no final do pau-de-sebo, quando
pensa que vai subir de cargo, ele escorrega e na fábrica ele é demitido, entrando em seu lugar
alguém com o mesmo salário miserável do início de carreira.
É basicamente por estes dois motivos, que a questão da estabilidade no emprego deu
tanta polêmica na constituinte. Aliás, as questões mais polêmicas na constituinte, tinham como pano
de fundo, a manutenção da mais-valia nos moldes em que ela se encontra no Brasil, ou então a
tentativa de impedir as formas de luta dos trabalhadores. Uma boa forma de se certificar disto, é
consultar o livro ‘QUEM FOI QUEM NA CONSTITUINTE” do DIAP (Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar).
O livro “O que é Mais Valia” da Coleção Primeiros Passos dá uma boa visão do
assunto, assim como o Livro “História da Riqueza do Homem” de Leo Huberman.

D- A CONTENÇÃO DA LUTA DE CLASSES


Para que a situação de injustiça e exploração, permaneça como está, além do exposto
acima, existe na sociedade 2 tipos de poder que garantem esta continuidade: o PODER POLÍTICO
e o poder das idéias que é o PODER IDEOLÓGICO.

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O PODER POLÍTICO
O poder político é representado pelo Estado. Eles criaram todo um sistema de
instituições e leis para evitar que os trabalhadores possam mudar a situação.
O estado é constituído pelo sistema jurídico, pelo parlamento e o executivo. E trás
embutido o poder econômico, a burocracia e as forças de repressão.
Só para dar uma idéia, no último congresso antes da constituinte, haviam apenas 2
operários, cerca de 10 que realmente defendiam os trabalhadores e o restante ou eram patrões, ou
eram representantes destes.
No atual Congresso Constituinte foi criado um grupo político, o “CENTRÃO”, com
mais de 300 parlamentares, com o claro objetivo de derrubar todas as possíveis conquistas sociais.
Aqui em Minas a truculência do atual governador Newton Cardoso dispensa
comentários. A nível nacional Sarney entra com um plano de privatização das estatais a preço de
banana (ponto básico do capitalismo: a empresa privada), coloca em risco a educação pública e
gratuita e ainda lança outro plano econômico (plano verão), cujas conseqüências já conhecemos da
experiência do Plano Cruzado. Na prática, o Plano Cruzado foi uma ferramenta de congelamento
dos salários dos trabalhadores, atestou a falência de milhares de micro-empresas e o conseqüente
avanço dos grandes monopólios. Do jeitinho que os grandes capitalistas gostam. O grosso da
população empobreceu mais ainda.
Através dos impostos (que deveriam ser revertidos à população em forma de
benefícios), o governo consegue uma violenta transferência de renda, dos contribuintes e
consumidores para a iniciativa privada, em detrimento do social. Embutido nos preços da maior
parte das mercadorias de nosso uso diário, pagamos uma alta taxa de ICM (Imposto Sobre
Circulação de Mercadorias), noutras pagamos o IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) ou
os dois, pagamos ainda uma fortuna de INPS, de IR (Imposto de Renda) e as loterias também
recolhem uma grande fortuna. Ainda assim, sempre vemos o governo inventar novos impostos,
como o absurdo selo pedágio e a nova tentativa de aumentar a taxa de INPS a exemplo do que foi a
criação do compulsório sobre a gasolina, ainda durante o Plano Cruzado. Sobre o plano de metas
para aplicação do compulsório nunca mais vimos falar, muito menos da suposta devolução
prometida. Existem ainda vários impostos diferentes, como o IPVA (Imposto Sobre Propriedade de
Veículos Automotores), o IVV, etc.
A nível municipal, pagamos IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), ISS (Imposto
Sobre Serviços), Taxa de serviços prestados e o recente imposto municipal sobre a gasolina. Aliás a
gasolina seria várias vezes mais barata se sobre ela não incorressem pelo menos umas cinco
taxações diferentes. Os Estados (UF), tem participação em grande parte destes impostos além de
suas próprias taxações.
É claro que o estado precisa dos impostos para exercer sua função, isto pressupondo a
aplicação correta destes fundos. Mas você sabe o que acontece com tanto dinheiro? Ora, nosso
dinheiro é usado para comprar vários parlamentares “vendáveis”. Constituintes do “Centrão”
afirmavam publicamente que “é dando que se recebe”; Anibal Teixeira desviou uma fortuna a título
de troca de favores; Antônio Carlos Magalhães (o Toninho Malvadeza) fez várias concessões de
canais de rádio e TV a tais constituintes em troca de favores; o Sr. Newton Cardoso foi para Brasília
distribuir cheques, para quem votasse em favor dos cinco anos para Sarney, empréstimos a fundo
perdido (empréstimo que não precisa ser pago) são feitos a toda hora, de presidente para
governador, de governador para prefeito...Tudo a título de troca de favores. Na verdade é o nosso
dinheiro correndo solto na máquina da corrupção. E o que é pior, nosso próprio dinheiro está sendo
usado contra nós, contra o povo, contra a massa trabalhadora.
O ICM e o IPI quem paga é o consumidor; o IR do trabalhador é descontado
diretamente na fonte. Em contrapartida, além de os patrões pagarem IR sobre uma renda que o
próprio trabalhador criou, eles conhecem várias formas de sonegar impostos, muitas delas de forma
legal. Quer alguns exemplos? Pois bem, INCENTIVOS FISCAIS são verdadeiras fortunas que o

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governo deduz do IR de qualquer empresa que quiser investir na Amazônia, reflorestar em áreas
desmatadas, etc.. Aparentemente muito justo. Mas a realidade é outra. Indústrias reflorestam com
estes incentivos, consomem a madeira em seus próprios fornos ou a vendem, e tornam a reflorestar
com o dinheiro que seria público. Quem investe na Amazônia, além da redução do IR, são isentados
de outros impostos na compra de qualquer equipamento nacional ou estrangeiro. Vale dizer ainda
que, via de regra, qualquer empresa a ser instalada ganha o terreno para sua implantação. Com
tantas regalias, empresários compram verdadeiros latifúndios para usarem na especulação, na
criação extensiva de gado e outros negócios, grilam terras, desmatam indiscriminadamente, matam
índios, posseiros e seringueiros e até escravizam, vejam bem, ESCRAVIZAM trabalhadores (a
escravidão é uma realidade na Amazônia). Tudo isso com dinheiro público.
Os recursos públicos investidos nas empresas instaladas na Amazônia cobrem, em
alguns casos, até 75% do investimento total. Eis alguns incentivos que abrangem estas empresas:
a) Lei n° 5.714: desconto de 50% do imposto de renda;
b) Isenção do imposto de importação sobre equipamentos necessários à implantação dos
projetos (o Projeto Jari, por exemplo, importou uma fábrica inteira de celulose e a termelétrica do
Japão, sem pagar qualquer imposto).
c) Benefícios estaduais e municipais, como isenção do ICM e do IPI.
Hoje, a Amazônia está sendo retalhada entre diversos grupos econômicos que possuem
enormes extensões de terra para a criação de gado, exploração de minério ou madeira ou
simplesmente para especular com os preços da terra após certo tempo.
Veja alguns dos maiores latifundiários da Amazônia:
Wolkswagem Singer
Suift-armour Bradesco
Drury’s Sílvio Santos
Kitsui Sul América
Yakult Jumbo
Cônsul Liquigás
Banco Mitsubishi Andrade Gutierrez
Entre todos os projetos implantados na Amazônia chama a atenção do Projeto Jari, do
milionário norte-americano Daniel Ludwig. A área do projeto é estimada em 60.000 quilômetros
quadrados e abriga, entre outras coisas uma grande área para reflorestamento, uma fábrica de
celulose, uma termelétrica, uma grande serraria, uma fábrica de caulim, 3.500 hectares de plantação
de arroz, 15.000 cabeças de gado, estradas, ferrovias e uma favela com 20.000 habitantes.
O trabalhador médio recebe em torno de um salário mínimo por uma jornada de 12
horas diárias, vive longe da família (pois só é contrado como solteiro) e depende da empresa para
tudo: morar, comer, deslocar-se par qualquer lugar e para comprar qualquer coisa (as mercearias
também são da empresa). Ao chegar no local, o trabalhador já deve à Jari a sua passagem, o que,
somado aos descontos, quase sempre dá salários negativos. Na prisão de Monte Dourado, a
“capital” do projeto, sempre encontramos trabalhadores que tentaram desistir e abandonar a Jari
sem pagar suas dívidas (é uma das explicações de como se dá a escravidão na Amazônia).
É preciso ressaltar que, como o Jari, nesses projetos emprega-se uma tecnologia
avançadíssima, que significa o máximo de máquinas e o mínimo de homens. Resultado: os 337
projetos aprovados pela SUDAM até março de 1979 deram cerca de 18 empregos cada um. Obs.:
Estes dados sobre a Amazônia e o Projeto Jari foram tirados da revista Contra-ataque de 1980
editada pelo Núcleo Mineiro de Defesa da Amazônia.
A principal constatação no seminário internacional “A Amazônia e a Ecologia” na
UNICAMP neste final de ano, é que o modelo de ocupação da Amazônia implantado pelo governo
brasileiro a partir de 66 só levou à devastação da Amazônia e à dizimação de seus povos. A
antropóloga Manoela Carneiro de Cunha, da USP, citou um estudo do IPEA que mostra que dos
766 projetos agropecuários com incentivos fiscais aprovados pelo governo a partir de 66, apenas

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15% foram implantados e 73% estão em implantação, alguns por mais de 20 anos. Nove e meio
milhões de hectares da Amazônia estão ocupados por projetos agropecuários incentivados. Ela citou
que a agricultura e a pecuária não são economicamente viáveis na região. Citou ainda que o
extrativismo é a principal alternativa e é 5 vezes mais lucrativo que a agricultura e 15 vezes mais
que a pecuária. É bom lembrar que as reservas extrativistas era a principal reivindicação de Chico
Mendes, lhe custou a vida e continua sendo a principal reivindicação dos seringueiros desta região.
Outro exemplo: qualquer ricaço pode doar até 200 salários mínimos a um partido, que a
soma será deduzida do IR. Só que ao doar ele doa aos partidos de direita e ainda define qual
candidato será beneficiado. Claro que o escolhido é aquele que irá representar seus interesses no
Congresso, na Assembléia, ou na Câmara Municipal. Quer dizer, acabam fazendo campanha com
nosso dinheiro, o dinheiro público.
Último exemplo: uma empresa tem deduzido do IR, qualquer doação para fins artísticos
ou esportivos. Muito justo, só que as empresas exigem seu nome divulgado como patrocinadoras,
isto é, pagamos as propagandas destas empresas, que acabam se passando por boazinhas.
Só para terminar, vale lembrar que atualmente existem 150 tipos diferentes de
incentivos fiscais.
Depois de tudo isto, vem o Sarney, congela o salário dos servidores, tenta extinguir as
fundações, fecha contratações, incentiva a saída dos servidores públicos a entrega as estatais para as
multinacionais a preço de banana (privatização). Tudo com o pretenso intuito de “enxugar a
máquina administrativa, pois o déficit público (diferença entre o que se gasta e o que se arrecada)
anda muito alto”. E termina por chamar os partidos de esquerda, a CUT (Central Única dos
Trabalhadores), os grevistas etc., de forças antidemocráticas, de inimigos do progresso e coisas do
gênero.
Os livros: “Porque Sobem os Preços no Brasil”, “Pró-Álcool Rumo ao Desastre”, “A
Farsa do Petróleo” e “Escândalos Financeiros no Brasil” de Ricardo Bueno e Editora Vozes, dão
uma visão clara e simplificada de como anda a economia no Brasil (déficit público, bolsa de
valores, salários, inflação, dívidas interna e externa, overnight, estatais, etc.), o livro “O ABC do
Entreguismo no Brasil” (mesmo autor e editora) dá uma boa visão da servidão dos nossos
governantes aos interesses multinacionais, finalmente o livro “Por que faltam alimentos no Brasil”
(também o mesmo autor e editora) dá uma boa visão da situação econômica no setor rural e mostra
como a reforma agrária pode reverter a situação econômica brasileira.

O PODER IDEOLÓGICO
As idéias dos exploradores precisam ser espalhadas na sociedade, de acordo com seus
interesses, é a chamada IDEOLOGIA DOMINANTE. Ela é criada através de combinações e
transformações de valores, e do estabelecimento de normas e padrões culturais. Cria-se uma visão
de mundo, um conjunto de idéias que orienta a ação do indivíduo e passa a fazer parte de sua
própria personalidade. Só a título de exemplificar como as informações que recebemos no decorrer
da nossa vida são importantes na formação da nossa personalidade, vale lembrar que existem outros
países onde a morte é festejada, ou então que os esquimós oferecem suas esposas às visitas, assim
como nós oferecemos cafezinho aqui. Existem povos onde a mulher é a chefe da família etc..
Podem parecer aberrações, mas cada povo tem sua cultura e esta cultura é formada de acordo com
as informações que a criança recebe desde a sua mais tenra idade. Se um bebê esquimó for criado
no Brasil, com certeza ele irá adquirir os mesmos valores que nós. Da mesma forma um bebê
brasileiro educado lá adquiriria os valores esquimós.
Assim, a ideologia dominante é o processo pelo qual as idéias da classe dominante se
tornam universalizadas, para que o domínio se faça tanto no plano material (econômico, político,
social etc.), quanto no plano das idéias. A produção e a distribuição dessas idéias é feita através das
instituições sociais como a família, a escola e principalmente os meios de comunicação de massa,

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como os grandes jornais, revistas diversas, o rádio e destacada e assustadoramente a televisão. São
estes os meios usados para propagar e enraizar as idéias dos dominantes na população.
Essa ideologia passa a ser para o indivíduo uma força invisível, fora de seu controle. Ele
passa a ver seu próprio universo de acordo com esses padrões, sentindo isso como uma coisa
natural. Assim surge a ALIENAÇÃO: os homens passam a atribuir sua vida, sua forma de agir e
suas relações a forças superiores, incompreensíveis e fora de seu alcance.
Os meios de comunicação de massa, têm um papel destacado na propagação da
ideologia. Existe uma esmagadora hegemonia das transnacionais de origem e capital norte-
americanas nesta área. Cerca de 80% das notícias internacionais circulam pelo mundo através de 2
canais: a ASSOCIED PRESS e a UNITED PRESS INTERNATIONAL. Enquanto as principais
agências do terceiro mundo transmitem apenas 50 mil palavras por dia, só duas das grandes
agências norte-americanas emitem uma média diária de 8 milhões de palavras. Número suficiente
para que o terceiro mundo seja informado sobre a maneira como ele próprio vive, luta, sofre e
morre, por meio desse gigantesco emaranhado de difusão política.
Existe uma espécie de código, ao qual os jornalistas dos países capitalistas devem
obedecer. Este código é constantemente renovado de acordo com a conjuntura política do momento.
Por exemplo: Após a independência nicaragüense, qualquer notícia que menciona os contra-
revolucionários sustentados pelos EUA não deve trazer este termo, e sim “lutadores democráticos”
ou coisa parecida.
Temos uma série de variantes desinformativas a saber:
1) Informar só parte do acontecimento. Transcreve coisas que realmente ocorreram,
porém o leitor não tem por que saber que a parte omitida poderia dar um caráter
oposto ao que se deduz da parte publicada.
2) Suprimir parte de uma citação. A falta de uma linha num texto por exemplo, pode dar
outro sentido ao todo. Este método tem a vantagem (para eles) de o erro poder ser
explicado através de errata, caso seja questionado.
3) Isolar uma citação de seu contexto. A citação pode ser textual mas, pode adquirir
isoladamente um significado complementar diferente.
4) Distorcer um acontecimento mantendo parte da verdade, de modo que a inexatidão
proposta pelo resto da notícia pareça verdadeira. Na verdade quem receber a
notícia, fica com a impressão de que a agência que acrescentou a parte falsa, deu
uma notícia mais completa.
5) Usar título inexato ou tendencioso para uma notícia fielmente transcrita. Grande
número de leitores, correm os olhos pelas páginas dos jornais e revistas lendo
apenas os títulos. O autor da manobra aposta neste hábito para vender ao leitor a
notícia deformada.
6) Uso tendencioso de adjetivos ou aspas. Ex.: se uma notícia absolutamente verdadeira
contradiz a versão oficial, basta acrescentar por exemplo a palavra “suposto” (Ex.:
o suposto assassino) para que a notícia tome outro sentido e além disso desautorize
sua fonte.
Por sua vez as aspas podem dar margem a confusão ou denegrir uma atitude. Ex.: num
jornal saiu uma notícia com o seguinte título: Delegação Nicaragüense Denuncia na ONU
“Agressão” dos Contras, a notícia pode estar fielmente transcrita mas, a palavra agressão trazida
entre aspas, vende a impressão de que os nicaragüenses estão sempre denunciando agressões ou
inventando-as.
7) Simulação de estilo objetivo. Esta simulação é usada para dar uma aparência séria à
mais enganosa das informações.
8) Desequilibrar as informações. Quando não dá pra sonegar certa informação, que
pode desprestigiar os EUA (ou certos políticos, empresários, etc.), cita-se outra
notícia mesmo que velha, para contrabalançar. Quando os EUA invadiram Granada,

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as agências noticiosas sempre procuravam mencionar a presença soviética no
Afeganistão. Quando acontece um terrorismo da direita, sempre citam uma da
esquerda para contrabalançar. Se forem forçados a dar uma boa notícia das forças
populares, procuram contrabalançar lembrando uma ruim.
9) Apagar a História ou pelo menos torná-la nebulosa, ou seja, eliminar da História os
fatos que possam apresentar uma imagem cruel dos EUA, ou dos militares
brasileiros, etc. Ex: em 1985 foi feita uma pesquisa entre os estudantes japoneses, a
pergunta era: “Quem lançou a bomba atômica sobre Hiroshima?”. A grande maioria
respondeu: “Os Russos”, quando na verdade foram os EUA; Os seqüestros de
aviões ou de pessoas, são esvaziados de sua significância política e apresentados
como obras de bandidos enlouquecidos, etc..
10) Editorializar através dos títulos. O título pode chamar a atenção para certo artigo,
ou fazer exatamente o contrário. Ex.: o Jornal de Genéve noticiava com
estardalhaço os nomes dos novos recordistas num encontro esportivo entre vários
países. Quando o recordista foi um soviético, noticiou-se simplesmente: “Um
homem saltou 2,40 m”.
11) Uso de rótulos, adjetivos e definições de conotação negativa, ou para deturpar o
sentido dos mesmos. Ex.: quando se falava do presidente chileno Salvador Allende,
se dizia: “O presidente Marxista Salvador Allende...”; Líderes políticos
progressistas ou sindicalistas são descritos como “extremistas”, “rebeldes” ou
“radicais”; Os diplomatas de países progressistas são chamados de “teóricos”,
enquanto os de capitalistas são os diplomatas ou “pragmáticos (No Brasil as
entidades representativas da classe trabalhadora são grandes vítimas destas
orquestrações); A palavra “capitalista” (já bastante desgastada) está sendo trocada
pelos próprios capitalistas e pela grande imprensa, pelo termo “livre iniciativa” etc..
12) Exagerada ênfase dada a acontecimentos sem importância, juntando fatos isolados e
apresentando-os como um todo, sem que esse todo jamais tenha existido. Ao passo
que notícias que notavelmente poderiam trazer questionamentos, são esvaziados de
sua importância etc..
13) Fatos criados são ampliados e divulgados pela mídia dominante, mas quando são
desmentidos o desmentido não é divulgado. Entidades representativas dos
trabalhadores, partidos políticos de esquerda etc. são as principais vítimas deste
método no Brasil.
14) As manchetes de primeira página são amplamente usadas para dar mais ênfase a
assuntos de interesse. Isso ocorre de forma mais sistemática nas manchetes de rádio
e TV. Ex.: O noticiário matutino da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte tem uma
particularidade interessante, ela anuncia as principais notícias no início, após meia
hora ela faz um resumo do que já foi noticiado e anuncia o restante, terminado um
seguimento ela anuncia os destaques do próximo seguimento, num dos seguimentos
dá a notícia e ao final faz um resumo geral. Pois bem, no início da campanha
eleitoral, coincidiu de vir a BH num mesmo dia, os presidenciáveis Collor de Mello
e o Lula. A rádio Itatiaia falou na vinda de Collor a BH todas as cinco vezes
possíveis, e de Lula só falou em um dos seguimentos, sem ser anunciado uma vez
sequer, ou sem que fizesse parte de nenhum dos resumos. Outro exemplo: a TV
Globo tem ampliado de forma exagerada fatos que prejudicam a campanha do Lula,
tal como citado no item 12 acima, através do seus próprios telejornais,
destacadamente o Jornal Nacional, mas principalmente através das chamadas para o
telejornal que acontecem nos intervalos de novelas e outros programas.
15) As propagandas de jornais ou revistas vendidos em bancas feitas na TV, procuram
sempre trazer manchetes que de alguma forma prejudica os partidos de esquerda,

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ou qualquer tipo de coisa mais progressista em termos políticos, ou ainda que venda
de alguma forma idéias conservadoras. Observe as propagandas da Revista
manchete na TV Manchete, ou do Jornal O Globo na TV Globo.
É preciso salientar que a disseminação ideológica tem como objetivo final o interesse
econômico. A ideologia sustenta a exploração de uma minoria de pessoas ricas sobre uma maioria
pobre e dos países ricos sobre os pobres. Sustenta um novo tipo de colonização entre países, mais
moderno e mais sutil, o COLONIALISMO ECONÔMICO.
Esta disseminação ideológica não se dá apenas na distorção de notícias. A influência
dos meios de comunicação de massa, na legitimação ou criação de novos valores, é levada a termo,
principalmente através de novelas, histórias em quadrinhos, filmes, desenhos animados, programas
de televisão e de rádio etc., já que nem todo mundo lê, ouve, ou assiste notícias.
Nesse interesse econômico, uma das grandes preocupações é o estímulo ao
consumismo. O papel consumista dos meios de comunicação prepara o caminho, constrói a infra-
estrutura de dependência econômica e também ajuda as corporações multinacionais a venderem
seus produtos. Filmes, tanto para TV quanto para o cinema, são como cavalos de tróia. Carregam
dentro deles o veneno que contaminará as mentes e os corações dos povos subdesenvolvidos. No
filme eles vêem casas diferentes, lindas e confortáveis, roupas diferentes, eletrodomésticos
diferentes, salas de estar com gente sempre fumando e bebendo uísque, fantásticos modelos de
novos carros, enfim todos os bens de consumo possíveis e imagináveis. As necessidades e desejos
dessas populações pobres são estimuladas e eles caem nas armadilhas da política consumista,
mudam seu comportamento para adaptar-se aos propósitos e objetivos da indústria estrangeira.
Consumismo é isto, cria-se o produto e a necessidade de consumi-lo é criada usando o
emocional. A grande chantagem é feita principalmente sobre as crianças e os jovens. Para se
certificar disto basta observar os comerciais de TV.
Consumismo significa o incremento em consumo de manufaturas e produtos
industrializados, principalmente das multinacionais, assim como a importação de modernos bens de
consumo existentes no mercado de países ricos. A produção destes bens emprega na maioria das
vezes uma tecnologia sofisticada e diversificada. O produto final requer embalagem sofisticada,
considerável diversificação dos produtos e as exortações constantes e muito persuasivas da
publicidade para induzir os consumidores a comprar e despertar suas necessidades latentes.
A televisão se transformou no mais importante meio de comunicação de massas e
representa hoje, um grande desassossego para a área educacional. Hoje, adultos, jovens e crianças
discutem e dialogam possuidores que são do mesmo repertório, conhecendo as mesmas notícias,
assistindo à mesma novela e o mesmo filme, possuindo os mesmos argumentos. E esta mesma fonte
comum que realimenta os pensamentos é salientada pelo acesso á mesma mensagem decodificada,
proveniente da televisão e seus múltiplos programas. Os telespectadores se comportam como se
fossem “convidados de pedra”, isto é, mudos e incomunicáveis na frente da TV.
Não acontece invariavelmente com todos, mas a televisão teve a força para criar hábitos
no grosso da população. Basta observar o esquema montado pela família para assistir novelas. O
compromisso fica prá depois da novela, ou depois do filme. Tudo gira em torno dos horários da TV,
implicando em mudança de costumes, compromissos de vida familiar etc., ou já se cresce dentro
destes costumes. Quantos brasileiros hoje, têm o hábito de ter suas refeições diante da TV,
assistindo o que lhe parece melhor naquele momento? Sem dúvida é um número grande e crescente.
O potencial técnico, os recursos audiovisuais que a TV possui e a cômoda situação de
apenas receber informações já decodificadas e inclusive dentro de casa, gera uma espécie de
“vício”, de idolatria à telinha, uma verdadeira dependência. Ela pouco exige, por isso é considerada
como algo que atrofia o raciocínio, a crítica e a criatividade.
Situação ainda mais grave é a das crianças, cujos pais costumam fazer do televisor uma
“chupeta eletrônica”, que a mantêm ocupadas para não perturbar. Já em 1965 a UNESCO divulgou
que crianças de 6 a 16 anos passavam um média de 12 a 24 horas semanais em frente à TV,

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chegando a superar o tempo dedicado à escola. Será que após 2 horas diante da TV ou videocassete,
a criança ainda sentirá vontade de estudar? Especialistas afirmam que os programas infantis tiram a
capacidade criativa e o senso crítico das crianças, que são consideradas um elemento passivo, como
também mostram programas e desenhos animados que, longe de serem inofensivos, ensinam a fazer
justiça com as próprias mãos, difundem todo tipo de violência e criam uma obsessão pelo
desenvolvimento científico sem função social e o “levar vantagem em tudo”. A evasão de vários
cientistas do terceiro mundo para países mais desenvolvidos (a fuga de cérebros), encontra
explicação nesta obsessão pelo desenvolvimento científico, aliado às poucas condições de pesquisas
fornecidas pelos governos, muitas das vezes propositadamente.
Os desenhos animados exibidos pela televisão chilena produziram a maior fonte de
consumidores infantis da indústria transnacional de brinquedos. Os personagens “Os Donos do
Universo”, que atuam na série He-Man, comercializada no país pela empresa norte-americana
Mattels, tomaram conta, em apenas três meses, do mercado infantil chileno. A preferência era por
He-Man, seu inimigo Skeletor, o caríssimo castelo de Grays-Kull e várias outras mercadorias.
Pouco depois fenômeno semelhante se repetia no Brasil e em vários outros países latino-
americanos. O Centro de Pesquisas de Expressão Cultural e Artística (CENECAL), de Santiago do
Chile, concluiu que “os desenhos animados pela TV constitui a maior, mais ampla e mais profunda
mensagem de penetração social”.
Ao falar de televisão brasileira após 1965, passa-se necessariamente pelo chamado
padrão Globo de Qualidade. Este padrão foi se impondo tecnicamente ao longo do tempo e hoje, de
certa maneira, é o parâmetro segundo o qual, todas as outras emissoras procuram se orientar.
Em termos de produção artística teletransmitida existem basicamente dois caminhos: o
entretenimento e a reflexão. Acontece que a TV brasileira simplesmente ignora o segundo caminho
e se limita ao entretenimento. Isto se dá por escolha e também por imposição dos patrocinadores
que constituem a frente de fabulosas receitas.
A perda dos patrocinadores é algo impensável. Então tomemos novela, tomemos
enlatados e consumismo. A Globo tem transmissão diária de cerca de 4 horas de novela. Trata-se
de uma mercadoria “cultural” bem embalada, que distrai, faz rir, emociona arranca lágrimas, mas
que no fundo toma tempo, nada exige, nada acrescenta e vende valores deturpados. A novela por si
só e por estar entremeada de comerciais (propagandas) estimula grandemente o consumismo e é
ótima para formar determinadas opiniões. Vale lembrar que uma propaganda não vende somente
um produto, mas também um estilo de vida, é fácil confirmar isto nos comerciais de TV.
Só a título de exemplos a novela Mandala tomou a principal protagonista, a Jacasta,
como um exemplo de jovem bem intencionada, crítica, socialista e fiel a seus princípios. De repente
tornou-a uma industrial e a corrompeu. No fundo vendeu-se a imagem de que o poder corrompe a
todos e de que todo político é corrupto. É uma tentativa clara de massacrar o crescente grupo
político que sai dos partidos de esquerda brasileiros, que vem tentando resgatar o verdadeiro
objetivo da política, após tantos anos de ditadura e massacre cultural.
Na novela Que Rei Sou eu, a Globo vende sua própria imagem como denunciadora,
crítica e séria, ao satirizar a organização política brasileira, através do “Reino de Avilã (ou Avilan)”.
Não há dúvidas de que a organização política brasileira deve ser criticada, porém a Globo, além de
generalizar, não dá nome aos bois, isto é, não dá o nome dos verdadeiros culpados e a denúncia cai
no vazio, ficando a imagem de seriedade. Na verdade a novela tem vendido a imagem de um FFF
(alusão ao FMI) austero, bem intencionado, que fiscaliza e que nem sequer permite desvio de verba
para a campanha política governamental. Sabemos que não é verdade.
Na novela “O Salvador da Pátria”, a Globo fez um verdadeiro malabarismo com o
personagem principal: o Sassá Mutema. Depois de ser um bóia-fria analfabeto e preso por
assassinato, a Globo transforma o Sassá numa pessoa muito querida na cidade e depois o elege para
prefeito de Tangará. De casto ingênuo e manipulado, Sassá é transformado em corrupto e
manipulador e de um modo que só a Globo consegue, volta a ser bonzinho, bom prefeito e

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conhecido nacionalmente. A grande jogada foi quando finalmente, um sindicalista questiona o
Sassá com relação à falta de uma formação política e consciência de classe. Sassá desmoraliza o
sindicalista e diz que um bom político não precisa dessas coisas. Ficou a imagem de que a
consciência de classe não é necessária, não só pelo episódio do sindicalista, mas por todo decorrer
da novela. Outra imagem que ficou, é que o político bem intencionado no Brasil é reconhecido e
elogiado. Na verdade sabemos que o bom político no Brasil, além de enfrentar a forte pressão dos
grandes grupos econômicos, chega até mesmo a ser sabotado.
Já a “chupeta eletrônica” fica ao encargo do “Xou da Xuxa” pela manhã e na parte da
tarde as outras emissoras cuidam de preencher o resto do tempo diurno, com programas similares.
E o telejornalismo? É possível que alguém realmente queira se informar, limitando-se
aos jornais da Globo? Uma ou outra notícia tudo bem. Mas é preciso consultar outras fontes. Caso
contrário prevalecerá a desinformação. O Jornal Nacional tem disparado a maior audiência, porém
carrega o estigma de ser o que mais deturpa e omite informações. Na verdade o Jornal Nacional
encarna todos os vícios de desinformação.
Após o caso Chico Mendes, o telejornalismo da Globo centrou fogo na questão da
ecologia e tem feito várias denúncias. Porém, mais uma vez os grandes culpados não são apontados
e a denúncia cai no vazio, prevalecendo a imagem de seriedade para atingir outros objetivos.
No último momento, a Globo tem aproveitado desta imagem de seriedade para
prestigiar um de seus associados na sucessão presidencial, uma figura, que segundo alguns
sociólogos, se assemelha propositalmente com um galã de novela. É o ex-governador de Alagoas
Fernando Collor de Mello. A Globo por mais de um ano “malhou” políticos e marajás e depois
colocou Collor a dizer que foi caçador de marajás, que não gostava da classe política e coisas do
gênero. Apresentado como algo novo e diferente do que está aí, na verdade Collor vem de uma
família oligarca e tradicionalmente política. Filho do senador biônico da Arena, Arnon de Mello
(aquele que atirou e matou um suplente de senador em pleno Congresso) e neto do Ministro do
Trabalho durante a ditadura Vargas no Estado Novo (Lindolfo Collor), Collor se elegeu deputado
federal pelo PDS graças aos votos angariados na criação de 5.000 empregos nos seus últimos dias
como prefeito nomeado pela ditadura (Prefeito biônico) em Maceió. Como deputado federal
malufou ainda no PDS. Depois passou pro PMDB e embarcou no embuste do Plano Cruzado, que o
elegeu para governador de Alagoas. Porém, foi denunciado como o Newton Cardoso alagoano, num
manifesto à população divulgado pela Folha de São Paulo assinado por 81 entidades de Alagoas,
ainda antes de despontar nas pesquisas. O fato de Collor não ter processado judicialmente estas
entidades confirma a veracidade das múltiplas irregularidades de seu governo ali relatadas.
Fato interessante na questão das denúncias ecológicas da TV Globo, é que, apesar de ter
dado ampla cobertura ao caso Chico Mendes, em nenhum momento ela citou que Chico Mendes foi
o fundador do Partido dos Trabalhadores e da Central Única dos Trabalhadores do Acre, além de ter
sido candidato a deputado estadual pelo mesmo partido em 1982.
No domingo, dia que um maior número de pessoas poderia ver bons programas e ter
boas informações, há muitos enlatados, futebol, Sílvio Santos e quase não tem telejornalismo. De
certo tempo prá cá começou a haver uma pequena cobertura jornalística na Rede Manchete e TV-
Minas. Mas a grande audiência ficou por conta do Sílvio Santos e do sensacionalismo do
Fantástico, com todos seus vícios, para nos ensinar padrões de comportamento e que fala mais de
EUA que de Brasil.
É preciso destacar o domingo no SBT, onde Sílvio Santos é o grande “mercador de
sonhos e ilusões”. Nada melhor para encobrir as contradições da sociedade que esse programa
dominical. Ali é vendida a imagem de que o capitalismo dá a mesma oportunidade a todos, assim
como o ex-camelô Sílvio Santos venceu na vida pelo trabalho e esforço próprio – dono do império
do Baú da Felicidade, com mais de 16.000 funcionários, que diga-se de passagem são muito mal
remunerados e um dos maiores latifundiários da Amazônia.

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O que se esconde na sucessão de quadros deste programa é a manipulação das pessoas e
das emoções, o interesse puramente comercial nas músicas que se canta a todo momento, o
merchandising descarado e o autoritarismo com que é tratado o público que vai ao auditório, onde
há sempre alguém para convenientemente reger as vaias e aplausos.
Cantando, concorrendo a prêmios, julgando e aplaudindo, o auditório e por extensão os
telespectadores, acreditam estar participando, decidindo, opinando, não importando que tais atitudes
estejam invariavelmente previstas pela produção do programa e pelo apresentador, que insiste em
qualificar a todos de “colegas de trabalho”. Através do programa, os telespectadores poderão a nível
simbólico e de identificação, realizar seus sonhos e crer possível um mundo melhor, com prêmios
namoro na TV e até casamento. Aos que não têm essa sorte passa-se a idéia de que “o mundo é
assim mesmo” e que as coisas ruins acontecem “por vontade de Deus”. Assim evita-se de partir
para o pensamento crítico das atuais condições de vida.
Pedrinho A. Guareschi, doutor Ph. D. em sociologia e comunicação, faz uma análise das
técnicas psicológicas empregadas pelos meios de comunicação, para diluir determinados valores e
instalar novos. As técnicas mais importantes são: DILUIÇÃO e RECUPERAÇÃO.
Resumidamente diluição é uma estratégia pela qual o protesto converte-se em
impostura: consiste em banalizar um fenômeno estranho ao corpo social, ou um sintoma de mal
grave, de tal modo que ele apareça como um incidente isolado, separado do seu contexto social,
esse fenômeno pode, então, ser automaticamente rejeitado pela opinião pública como um
inconveniente passageiro. Ele faz parte do metabolismo do sistema, que reage a determinados
incidentes, tentando absorvê-los e eliminá-los. Faz parte de uma estratégia, consciente e/ou
inconscientemente organizada.
A segunda estratégia, a recuperação, baseia-se na utilização de um fenômeno
potencialmente tão perigoso ao corpo social, que ele serve para justificar a contínua necessidade do
sistema social existente e de seus valores, e muitas vezes, justificar também, a violência que fazem
parte do sistema. O fenômeno é traduzido à luz do dia e vivenciado, concretizado, reinterpretado
para o leitor, que deve ser protegido desses males. Tal foi o caso da Guerra do Vietnã, onde o
protesto era manipulado para justificar a vitalidade e os valores do sistema que produziu a guerra, e
não para terminar com a injustiça e a violência da própria guerra. Fato semelhante ocorreu com os
estudantes na China, onde os EUA usaram os fatos para difamar e também denegrir o socialismo. A
globo que tanto sensacionalismo fez em cima de coisa tão séria, onde houve tanto derramamento de
sangue, não citou em nenhum momento que os estudantes estavam pedindo era o socialismo de
fato. Que o tempo todo os estudantes cantavam o Hino da Internacional Socialista. Além disso
divulgou que a estátua construída pelos estudantes era a estátua da liberdade americana, quando na
verdade era a Deusa da Liberdade Chinesa. Um destes “fenômeno potencialmente tão perigoso ao
corpo social, que serve para justificar a contínua necessidade do sistema social existente e de seus
valores” é a tão propalada liberdade de imprensa, pregada pela imprensa direitista sempre que um
governo de esquerda ou de trabalhadores está no poder. É claro que todos nós defendemos a
liberdade de imprensa, mas esta liberdade existe? Um repórter pode publicar qualquer notícia
segundo sua visão? Ou sua notícia precisa passar pela censura do editor, que representa seu patrão
capitalista, que por sua vez precisa representar seus patrocinadores capitalistas para continuar a
sobreviver? Não existe notícia que não seja tendenciosa e nos países capitalistas não existe notícia
que não seja censurada. Só que neste caso ela ocorre a favor da direita capitalista e quando algum
governo de esquerda toma o poder e tenta qualquer tipo de intervenção no sentido de torná-la menos
tendenciosa, vem a “falácia da liberdade de imprensa”. Como pudemos ver no item anterior sobre o
“Poder Político” na contenção da luta de classes, a máquina de governo de um país capitalista, tal
como o Brasil já é toda aparelhada na defesa dos interesses capitalistas em todos os escalões de
poder do governo; quando um governo mais à esquerda ou representante dos trabalhadores toma o
poder nestes países e tenta mudar esta realidade, colocando pessoas de confiança no comando
destes escalões de poder, ele é automaticamente acusado de “aparelhamento” do governo, como

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mais um discurso, sempre ampliado pela mídia tendenciosa, para justifica a “contínua necessidade
do sistema social existente e de seus valores” nesta estratégia de “recuperação”.
Segundo Guareschi as histórias em quadrinhos, também são muito visadas pela
ideologia. O mundo de Disney é cheio de legitimações ideológicas, postas em ação através de
muitas técnicas diferentes. O estudo de Dorfman e Mattelart (1975b) chegou à conclusão de que os
livros e histórias em quadrinhos de Disney simbolizavam:
a) Consumismo – através de constante busca de tesouros pelo Pato Donald e outros, o
tema principal de mais de três quartos das histórias, (eles analisaram 100 histórias
em quadrinhos do Pato Donald);
b) Colonialismo – em sua maneira de estereotipar os moradores de países longínquos,
onde metade das histórias ocorrem como bons meninos ou nativos selvagens.
c) Imperialismo – através do costume de tomar e transladar tesouros estrangeiros para o
seu país, prática comum de Donald, seu tio rico Patinhas e outros.
d) Classismo – no fato de relatar os que se parecem com trabalhadores braçais como
criminosos.
e) Obsessão pelo lucro e o “levar vantagem em tudo” – através das histórias do Tio
Patinhas, que é apresentado como um excêntrico e não como o explorador que é.
O livro “Comunicação e Poder – A presença e o papel dos meios de comunicação de
massa estrangeiros na América Latina” de Pedrinho A. Guareschi, Editora Vozes, esclarece bastante
a questão dos meios de comunicação na dominação dos países pobres e ajuda a conhecer os
métodos usados. “Afundação Roberto Marinho” é um bom livro para quem desejar conhecer o
grande aparato da Globo, suas reais intenções no Brasil e como esta multinacional da comunicação
conseguiu se instalar no Brasil. Outra boa leitura nesta área é o livro “A Linguagem Autoritária –
Televisão e Persuasão”, de Maria Thereza Fraga Rocco, que trata de forma muito competente toda
esta questão, inclusive o programa Sílvio Santos.
Este emaranhado de situações cria no indivíduo a ideologia. A ideologia como um
sistema de representações é inseparável da experiência do dia a dia dos indivíduos. Dizer isso
significa afirmar que a ideologia impregna os hábitos, desejos, reflexos das pessoas, significa
também, afirmar que a grande maioria das pessoas atravessa a vida sem, talvez, nunca se dar conta
dos verdadeiros fundamentos dessas representações. É uma situação de existência que as pessoas
vivem, como se fosse uma situação de existência que as pessoas vivem, como se fosse uma natureza
social, e que é imposta sobre elas por um modo de produção que afeta todas as relações sociais. Ela
permite a inserção de indivíduos de uma forma natural nas atividades práticas que eles
desempenham no interior do sistema e, desta maneira, os capacita a participar na reprodução do
aparato de dominação, sem que se dêem conta de que eles próprios são cúmplices de sua própria
exploração. A ideologia encobre e disfarça os sinais que poderiam fazer alguém desconfiar de que
todas as instituições são instrumentos da coerção. Ela tenha aliviar a sociedade burguesa das
contradições do capitalismo, que, se não for mediada, corre o risco de revelar a incoerência dessa
mesma sociedade, destruindo sua unidade.
Esta reprodução do aparato de dominação tem seguimento em instituições como a
família, a escola, a igreja, etc., criando um ciclo vicioso, onde os indivíduos passam a ser fiscais
desta ideologia, sem se dar conta de que fiscaliza sua própria exploração.
Vejamos alguns exemplos:
Em geral o adolescente ainda está menos “enfeitiçado” pelo sistema ideológico e muitas
vezes assume o papel da crítica e da transformação. Então chega alguém e diz: “Ora meu caro, isto
são crises da adolescência, apenas um complexo de édipo mal resolvido”. É uma bela maneira de se
defender da ameaça que o adolescente representa. E o adolescente tenderá então a desqualificar suas
próprias emoções e pensamentos.
Se o adolescente não quer estudar é preguiçoso, e dessa forma se esquece dos erros dos
métodos de ensino, tradicionais, alienantes e que massacram a criatividade do jovem.

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Muitas vezes encontramos um adulto em franca crise, conflituando, questionando,
procurando mudanças. É um momento importante para ele, mas perigoso para o sistema, resultado:
a crise é rotulada de coisa de adolescente – “Realmente heim cara, com essa idade, pai de família,
ainda não sabe o que quer?”.
A classe dominante costuma dizer que o povo é pobre por causa do destino, da falta de
sorte... Dizem que primeiro a gente sofre aqui na terra prá depois ganhar o céu. Dizem que neste
sistema as oportunidades são iguais para todos. Ora, compare as oportunidades e perspectivas de um
trombadinha de 12 anos, nascido na favela, subnutrido, analfabeto, etc., com as de um filho de
banqueiro de mesma idade. O discurso não procede.
Os capitalistas sabem que é preciso “dividir prá governar” e estimulam a desunião.
Estimulam a não união dos países do terceiro mundo. Estimulam o egoísmo, o individualismo, a
competitividade… Estimulam a discriminação do negro, da mulher, do índio e do homossexual.
Basta assistir “Os Trapalhões” para que se veja ao mesmo tempo a mulher como objeto, a
discriminação do negro, do homossexual e um grande estímulo ao machismo.
Um exemplo claro de estímulo à desunião pode ser visto na universidade. Primeiro vem
o vestibular que além de selecionar principalmente os “melhores do bolso”, é um grande estímulo à
competição. Na UFMG os aprovados no vestibular para o mesmo curso, são divididos em dois
grupos que se matriculam em semestres diferentes e com turmas de outros cursos, mudando de
turma a cada período do ciclo básico. Observe que a matrícula em disciplinas isoladas fragmenta as
turmas; que alunos no ICEX (no campus da UFMG: ciclo básico) pouco conhecem da Escola de
Engenharia (no centro); que praticamente não existe alojamento na UFMG. Acontece também, que
a sobrecarga durante as aulas é enorme não dando tempo de se manter atualizado, enquanto as férias
mantêm os estudantes separados quase quatro meses no ano. Tudo isso são fatores que contribuem
para a desunião, para que não se crie laços mais profundos de amizade e união, ou seja, acabam
prevalecendo as amizades superficiais e este hábito leva ao individualismo, ao egoísmo, à
competitividade, além de a universidade criar ao universitário um sentimento de superioridade e
falta de consciência crítica. Esses sentimentos são premissas pro capitalismo. Na UFMG, graças a
este currículo concentrado em poucos meses e à falta de estímulos, o grosso dos estudantes está
sempre correndo atrás das provas e conseqüentemente, sempre a reboque do que lhes mandam fazer
e estudar. Isto cria certa dependência, uma necessidade de estar sempre aguardando ordens de
“superiores”. Isto funciona na verdade como um massacre à iniciativa e criatividade.
Outro exemplo de estímulo à desunião pode ser tirado de dentro do serviço público no
Brasil. Existe uma orquestração do governo em favor da iniciativa privada nacional e multinacional
nesta área. O objetivo final é a privatização (a baixo custo) das estatais rentáveis do país. Desta
feita, iniciou-se uma campanha de desmoralização da empresa pública e do funcionalismo público,
que a grosso modo consiste no seguinte:
1) São nomeadas chefias incompetentes intencionalmente, a maioria das vezes por
politicagem;
2) O funcionalismo está sendo viciado à ociosidade, por falta de lhes atribuírem funções
e serviços;
3) Os salários são desmotivadores e não há treinamento;
4) Estão forçando as estatais a serem deficitárias, enquanto se transfere renda para a
iniciativa privada. Exemplos disto dão para encher livros. São coisas do tipo juros
subsidiados só para grandes empresas (entenda-se mamatas), aço vendido às
montadoras de carro por 50% do custo, energia elétrica na indústria e 1/12 do valor
residencial, transportes da RFFSA subsidiados a particulares, etc.. São coisas muito
perniciosas, todas beneficiando as grandes empresas e que se generalizam em todos
setores estatais do país, forçando as estatais a serem deficitárias.
5) Proibição da contratação de funcionários, sob a alegação de falta de verba. Enquanto
isso libera-se verbas para a contratação de empreiteiras. Acontece que a empreiteira

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acaba trazendo um custo muito mais alto por funcionário, enquanto este funcionário
recebe salários miseráveis (é mais uma forma de transferir renda). E é aqui que está
a grande jogada para o estímulo à desunião: Grande parte das estatais hoje, tem
apenas os funcionários da parte burocrática contratados diretamente, uma parte são
funcionários de convênios, a limpeza é de uma empreiteira, a vigilância é de outra, a
manutenção já é de uma terceira empreiteira, etc... Assim cria-se uma grande
variação de salários e necessidades, o que acaba por provocar grande desunião dos
funcionários. Desta forma, as reivindicações não são atendidas, os movimentos
enfraquecem e as greves não dão resultados, provocando brigas internas,
estimulando a desunião, etc..
6) Finalmente é preciso ressaltar a grande desmoralização do funcionalismo via
imprensa (entenda-se Globo), que vende a imagem de que todo funcionário é
“marajá”, ocioso e incompetente. Na verdade, o grosso do funcionalismo público,
tem complementação salarial, para alcançar um salário mínimo.
A classe dominante tenta fazer com que o capitalismo integre a cultura do povo. Quer
que o povo ache natural a polícia espancar e prender grevistas, que o povo ache natural a censura.
Qualquer pequeno comerciante sabe que a venda por comissão é mais lucrativa, mas não sabem eles
que, a venda por comissão cria entre os trabalhadores a competição, o individualismo, aumenta a
mais-valia e não sabem que os pequenos comerciantes, pequenos empresários, pequenos
fazendeiros, etc., também estão na periferia do capitalismo.
Na nossa sociedade, uma pessoa se habitua a receber ordens desde criança. Os pais
decidem o que ela pode e não pode fazer, a maioria das vezes de forma bastante autoritária, sem
proporcionar uma certa liberdade de escolha e senso crítico. Decidem que cursos terão que
freqüentar, quais amigos podem ter, qual escola vai entrar, etc.. Na escola é a mesma coisa, sempre
tem um superior que sabe tudo, que decide tudo sozinho e dá ordens. Nunca uma criança é chamada
a comparecer na diretoria da escola para ter um “papo legal”, com certeza será reprimida. A igreja
conservadora age da mesma forma. A sociedade impõe preconceitos sem nenhum questionamento.
As pessoas habituam a estar sempre delegando poderes de decisão a outros, sempre delegando
poderes a quem lhe pareça superior. Assim, quanto mais as ordens se tornam vazias e abstratas,
maior a tendência das pessoas a aceitar fácil e cegamente qualquer autoridade, desde que ela se
apresente como bastante forte.
Obedecer sem saber porque, sem perguntar se está certo ou errado. Simplesmente
obedecer. Se a ordem é consumir o máximo, ele consome. Se a ordem é usar camisas “Rato de
Praia”, ele compra e usa. Se seu salário foi mal reajustado ele aceita. Se a constituinte proíbe o
aborto, a mulher aceita, sem questionar, sem perceber que estão decidindo sobre seu próprio corpo.
Ora, a maioria esmagadora dos constituintes são homens, nunca vão carregar um filho na barriga,
não sabem as pressões sociais que as mulheres sofrem e nem sequer sabe o que é necessidade
financeira. Ter uma opinião sobre determinado assunto, tudo bem. Daí a querer que todos pensem
igual a você, querer fazer sua vontade ser lei, é outro papo.
É isto que estão fazendo conosco. Estamos numa constante delegação de poderes. É
como diz Rubem Alves: “Se existe uma classe especializada em pensar de maneira correta
(especialistas, técnicos do governo, etc.), os outros estão liberados da obrigação de pensar e podem
simplesmente fazer o que eles mandam. Quando o médico lhe dá uma receita você faz perguntas?
Sabe como os medicamentos funcionam? Será que você se pergunta se o médico sabe como os
medicamentos funcionam? O médico manda e você compra e toma. Não pensamos. Obedecemos.
Não precisamos pensar, porque acreditamos que há indivíduos especializados em pensar. Pagamos
para que eles pensem por nós.”, continua R. Alves. “E depois ainda dizem por aí que vivemos numa
sociedade livre democrática. Como democrática se não opinamos? Como científica se pouco
pensamos e pouco sabemos? Se engenheiros e urbanistas dizem como devem ser nossas cidades,
onde o dinheiro público deve ser aplicado, assim acontece. Dizem que o álcool será a solução

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energética pro nosso país e a agricultura se altera para que a palavra dos técnicos se cumpra. Depois
dizem que o álcool não é mais a solução. É brincadeira. Afinal de contas para que serve nossa
cabeça? Ainda podemos pensar? Adianta pensar?” Marilena Chauí escreveu um ensaio sobre este
assunto que se chama “O Discurso Competente”.
Enquanto continuar assim será difícil uma mudança. Alguém aprendeu a ler sem ler?
Alguém aprende democracia sem vivê-la? Enquanto não se criar uma associação dos futuros
moradores de um conjunto habitacional, por exemplo, o material continuará sendo desviado por
alguém ou aparecerá algum beneficiado que já possui 5 ou 10 casas no centro. Para votarmos bem
precisamos exercitar nosso voto. Aliás, o povo brasileiro vota bem, só que ele vota de acordo com
as informações que recebe dos meios de comunicação.
O belíssimo filme “Um Grito de Liberdade”, pode dar uma boa visão de ideologia, se
precedido de uma leitura, mesmo que superficial da história da África do Sul e seu regime racista.
O Guia do Terceiro Mundo, da Editora Terceiro Mundo é um excelente material para este tipo de
leitura.
O livro “O Que é Ideologia”, da Coleção Primeiros Passos, da Marilena Chaui, já
considerado um Best Seller Brasileiro dá uma ótima visão do assunto. Também o livro “O Que é
Adolescência” contribui bastante, mostrando inclusive, a preferência do aparato ideológico pra cima
da juventude.

OS IMPÉRIOS DA EDITORA ABRIL E DA REDE GLOBO


Ao se dizer que existe uma esmagadora hegemonia das multinacionais, de origem e
capital norte-americanos na área da comunicação, não podemos deixar passar em branco essa
realidade brasileira. Por isso é sugestivo apresentar alguns dados acerca do poderio da Abril e da
Globo para o caso específico do Brasil e ver como esses dois impérios da comunicação tiveram sua
origem no grupo Time-Life dos EUA. Porém não se sabe com clareza até hoje, as tramóias e
conluios acontecidos, para a instalação no Brasil, destes gigantes da comunicação.
O gruo Time-Life (Time Corporation) é proprietário de quatro grandes revistas muito
conhecidas nos EUA e internacionalmente: a Revista Time, a Revista Life, a Revista Fortune e a
Revista Sports Illustrated. Além disso controla várias estações de rádio, uma casa editorial, fábricas
de papel, de madeira, de construção, poços de petróleo e propriedades imobiliárias. Ocupa a lista
das maiores corporações norte-americanas. Está vinculadas à Globo (também na Itália) e à Editora
Abril, que também atua no México e na Argentina. O Grupo Abril edita mais de 60 revistas no
Brasil, que perfazem mais de 60% da tiragem global de todas as revistas editadas no país.
A Abril explora campos estratégicos como o esporte (Placar), o turismo e lazer (4
Rodas, 2 Rodas, Guia 4 Rodas, Guia Abril), o campo rendoso das fotonovelas, da imprensa pseudo-
amorosa e da vaidade feminina (mais de uma dezena), o campo do sexo (Playboy), música,
arquitetura, produção rural etc., e dezenas de revistas de histórias em quadrinhos. As mais
importantes são: Veja, Exame, Placar, 4 Rodas, Saúde, Boa Forma, Sabrina, Capricho, Arquitetura
e Construção, Bizz, Casa Cláudia, 2 Rodas, Almanaque Capricho, Carícia, Cláudia, Colorir com
Água, Destaque e Brinque, Ilusão, Love Story, Manequim, Pintura Mágica, Playboy, Super
Interessante, Guia Rural, Horóspoco Capricho, Elle, Recreio, Carreteiro, Contigo, Júlia, Nova, Guia
Abril, Guia 4 Rodas, Livros (centenas), etc..
Além destas, a Editora Abril tem exclusividade sobre histórias em quadrinhos da Walt
Disney (Pato Donald, Mickey, Zé Carioca, Patinhas, etc.), enfim toda espécie de revistas em
quadrinhos de heróis e super heróis (Heróis da TV, Fantasma, Capitão América, etc.), no Brasil e
em todos os países da língua portuguesa e castelhano. Na verdade é difícil encontrar nas bancas
revistas de histórias em quadrinhos, que não sejam da Editora Abril ou da Editora Globo.
A história da Rede Globo e sua espantosa ascensão estão ligadas, em grande parte, à
penetração do capital estrangeiro no Brasil durante o período militar pós 64. Foram feitas várias
confabulações e maquinações, para burlar a legislação brasileira. Inicialmente foram introduzidos

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de forma indireta cerca de 5 milhões de dólares. Mas foi após sua inauguração em 1965, que
grandes somas de dinheiro foram derramadas na Globo.
O escândalo Globo-Time Life foi descoberto e uma Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) examinou o caso. Após a apuração da inconstitucionalidade, o então Presidente da República
General Castello Branco, em vez de cassar a concessão, deu 90 dias para que a situação se
regulariza-se. E nunca mais se falou mais nisso.
Não houve quem pudesse segurar, desde então, a Rede Globo. Servindo de porta-voz
não-oficial do governo, a Rede Globo superou de longe suas concorrentes. A Globo possui além de
dezenas de canais de TV, várias estações de rádio, um jornal, duas casas editoras, um centro de
produção de audiovisuais, um centro de teleducação, várias galerias de arte, a Indústria Eletrônica
S/A, Instalações de Telecomunicações Ltda, a Empresa de Promoções de Espetáculos Ltda –
VASGLO (Caparelli, 1980: 110-112). É a única cuja transmissão chega com qualidade, em todos os
rincões do país e tem um projeto de uma rádio dedicada a notícias para o futuro.
Não há dados concretos de relacionamento entre a Globo e a Abril aqui dentro do
Brasil. Contudo sabe-se que a Abril produz textos didáticos de apoio aos cursos televisivos da
Globo. Outro fato é que de alguma forma (não se sabe como), as revistas da Turma da Mônica,
antes da Abril, agora são da Editora Globo.
A Editora Globo, além de dezenas e dezenas de livros, à possui vários revistas (Globo
Rural, Xuxa, Trapalhões, He-Man, Faça Fácil, Speak Up, etc.).
É sempre tarefa difícil identificar o grau de ligação ou de dependência dos meios de
comunicação de massa brasileiros ou estrangeiros. O que interessa, contudo, é saber que esses
grupos se orientam, sempre, para o objetivo de conseguirem grandes lucros e, para isso, não hesitam
em servir a interesses escusos, sejam eles de dominação pública, ou de dominação ideológica.
Outro fato interessante é que, a Editora Abril se disfarça também em Editora Azul e
Editora Nova Cultural, e a Editora Globo é a extinta RGE (Rio Gráfica Editora).
As opções se tornam escassas, mas existem produções independentes ou alternativas
tais como produções de vídeo, bons livros, rádios piratas, intercâmbio de filmes entre sindicatos,
etc..
Dentre as boas publicações, vale citar os livros da Coleção Primeiros Passos da Editora
Brasiliense, que dão uma excelente visão de variados assuntos, sem aprofundar demais em cada
questão. Existem também, excelentes publicações da Editora Vozes, muito fáceis de serem
encontradas.
Em termos de publicação diária o jornal Folha de São Paulo é razoável, mais por falta
de melhor opção que por qualidade. O resto fica por conta de publicações internas de organizações
alternativas.
Tratando-se de revistas periódicas de notícias, a revista “Isto é” apresenta-se, por falta
de melhor opção, como uma das melhores publicações semanais. Uma boa revista de publicação
mensal é a Revista Cadernos do Terceiro Mundo, da Editora de mesmo nome, é de excelente
qualidade também a revista Teoria e Debate, já de publicação trimestral. Só a título de curiosidade,
veja o resultado de uma estatística feita em 10 números consecutivos da revista VEJA: 54% das
páginas continham apenas propagandas (páginas inteiras); mais 7% das páginas tinham algum tipo
de propaganda, totalizando 61% das páginas com propagandas, contra apenas 39% de páginas
inteiras com informações e 7% parcialmente preenchidas com propagandas.
Bons filmes podem ser encontrados em locadoras de filmes de vídeo cassete e cinema,
que abrangem também o lado informativo, político e histórico. Dentre eles pode-se citar:
- Salvador, Martírio de Um Povo;
- Estádio de Sítio;
- A Missão;
- O Nome da Rosa;
- Eles Não Usam Black-Tie;

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- Chove Sobre Santiago;
- Prá Frente Brasil;
- Jango;
- Cabra Marcado Para Morrer;
- Desaparecido;
- Um Grito de Liberdade; etc.
Além destes já existem várias produções independentes de vídeos e já existe também
um intercâmbio de vídeos entre sindicatos, associações artísticas, etc..

III- ORIGEM DA LUTA DE CLASSES ATUAL – UMA BREVE VISÃO HISTÓRICA

No final da Idade Média surgiu uma nova classe de indivíduos, que se caracterizava
pelas suas atividades lucrativas e por não exercer trabalho braçal ou artesanal. Era a classe burguesa
ou burguesia, surgida com o desenvolvimento econômico e o aparecimento das cidades, e que vai
gradativamente, infiltrando-se na aristocracia, passando a dominar a vida política social e
econômica a partir da Revolução Francesa. Era o surgimento do capitalismo.
Com o início do sistema capitalista, os países europeus empreenderam a conquista do
mundo, a partir do século XVI, e foram as riquezas das nações conquistadas, em especial o ouro e a
prata da Bolívia, Peru, México e mesmo do Brasil, que proporcionaram a primeira grande
acumulação de capital. Isso permitiu aos europeus enriquecidos transformar as invenções de
cientistas da época em tecnologias novas, que revolucionaram os sistemas produtivos e deram
nascimento à indústria moderna. Essa indústria, por sua vez, necessitava de matérias-primas e
mercados, e na busca desses dois objetivos formaram-se os grandes impérios coloniais. Os países
europeus repartiram entre si o planeta: os povos da Ásia, África, e América Latina foram brutal e
covardemente subjugados militarmente e muitos deles escravizados; suas economias foram
radicalmente mudadas e adaptadas às necessidades das metrópoles. Para justificar este tipo de
dominação e exploração, elaboraram uma ideologia, baseada em grande medida no racismo.
Em alguns países, a colonização durou cinco séculos, como em Angola, Moçambique
ou Trinidad-Tobago; em outros, durou apenas algumas décadas. Outros, como o Irã e a Tailândia,
nunca perderam sua independência formal, mas acabaram também sendo vítimas da exploração
econômica, que saqueou os seus recursos naturais e distorceu suas estruturas produtivas.
Na segunda metade do século XVIII aconteceram fatos relevantes, destacando-se a
Revolução Industrial na Inglaterra e a Revolução Francesa.
A Revolução Industrial na Inglaterra, foi caracterizada pela introdução em larga escala
de máquinas na produção, surgimento das fábricas e consolidação da burguesia industrial e da
classe operária.
Já nesse período, com o advento das máquinas, o capitalismo tomou grande impulso.
Houve uma violenta concentração dos bens de produção, nas mãos de poucos capitalistas
industriais, restando aos despossuídos apenas suas forças de trabalho como mercadoria. A jornada
de trabalho chegava a ter até 16 horas de trabalho. Crianças de 7 anos trabalhavam até 15 horas
diárias. As máquinas ocupavam o espaço dos trabalhadores. Milhões de pessoas morriam na
miséria. Havia uma forte repressão.
Freqüentemente os trabalhadores se revoltavam com as máquinas e as quebravam, sem
contudo, identificar o verdadeiro inimigo. Os magistrados como não podiam convencer os patrões a
obedecer à lei, mandavam para cadeia os homens que tentavam obrigá-los a isto. Já aí, os
trabalhadores percebiam a necessidade de conquistar o direito de voto e opinar na escolha dos
legisladores.
A Revolução Francesa é considerada a revolução burguesa clássica. Nela surgiram os
conceitos de direita e esquerda, a primeira Assembléia Nacional Constituinte e a prática do terror e
da guerra revolucionária.

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A burguesia que já gozava dos benefícios do capitalismo desejava o poder político das
mãos da nobreza e do clero, para isto aceitava lutar lado a lado com o resto do povo francês. A
distinção entre a burguesia e as camadas populares era clara e os primeiros não tinham a menor
intenção de dividir com estas camadas populares, o poder após a vitória. Isto ficou claro após a
primeira constituição do período, que foi considerada excessivamente democrática pelos burgueses
e também a repressão generalizada desencadeada por Robespierre, após a revolução.
Aqui é preciso abrir espaço para tratar o aparecimento de dois homens que
revolucionaram a análise histórica a partir de então. Trata-se de Karl Marx [1818-1883] e seu
colaborador Friedich Engels [1820-1895], cuja principal obra foram os 3 volumes de O CAPITAL –
Análise crítica da produção capitalista.
O que há de genial no trabalho de Marx é a sua aguçada visão da História, dos
movimentos sociais e a utilização de instrumentos de análise que ele próprio criou: o Materialismo
Histórico, ou o materialismo Dialético, cuja idéia central é que o mundo não é um complexo de
coisas acabadas, mas de processos em incessante movimento, onde o modo de produção da vida
material, a economia, condiciona todos os processos da vida social política e espiritual.
Marx estudou profundamente as sociedades do passado e dedicou a maior parte de sua
vida estudando as instituições econômicas de seu tempo. Desejava saber o que movimentava as
rodas da sociedade capitalista em que vivia.
Após o chamado Socialismo Utópico, Marx deu as cartas na definição e impulsão do
socialismo científico. O que caracterizava os socialistas utópicos, eram as propostas de uma
sociedade justa e fraterna, sem desigualdades. Porém, não apresentavam propostas de como chegar
a ela, isto e, acreditavam na boa vontade dos ricos e governantes de chegarem a ela. Por outro lado,
Marx descobriu que o capitalismo se baseia na exploração do trabalho, ou do trabalhador e que essa
exploração era mascarada, oculta… Marx desmascarou-a com a teoria da MAIS-VALIA e afirmou
que assim como a burguesia havia derrubado o sistema feudal, a força motora imediata da história:
a luta de classes entre os capitalistas e o proletariado, era a grande alavanca da revolução social.
Para Marx e Engels o proletariado, por ser quem mais sofre as contradições do capitalismo, não está
interessado em preservar um sistema, no qual não recebe sua justa parte. “A evolução do
capitalismo ao socialismo é inerente ao próprio capitalismo e o instrumento de transição é o
proletariado.”
A partir de então houve grande difusão do marxismo. O livro O Capital passou a ser o
livro mais lido no mundo (Só perdendo para a Bíblia). Os socialistas passaram a marcar presença na
História, sempre se opondo à burguesia capitalista, que já se concretizara de fato. Em 1871 acontece
a primeira experiência socialista: a Comuna de Paris. Derrotado na guerra contra a Prússia, o
governo francês negocia a paz em condições bastante desfavoráveis aos trabalhadores. A burguesia
tenta desarmar os operários, que se revoltam e proclamam a Comuna. A primeira experiência
socialista dura 72 dias e é massacrada militarmente pelo exército francês, com a ajuda do alto
comando prussiano.
É em 1917 que acontece a grande Revolução Russa. A concretização do regime Russo é
bastante complexa e não dá para ser detalhada aqui. Inicialmente houve guerras civis,
enfrentamentos com latifundiários e a burguesia, apoiados pelas nações imperialistas, que buscavam
derrubar o governo bolchevique. Em 1924 morre Lênin, estando o país numa situação econômica e
social gravíssima. Na década de 30 aprofunda-se a centralização em torno de Stalin. Considerado
por muitos como paranóico, Stalin muda os rumos da revolução, contrariando seus idealizadores:
aproveita-se de certos incidentes e sumariamente, através de processos judiciais forjados, fuzilou
quase toda velha guarda bolchevique. Calcula-se que pelo menos 1 milhão de comunistas foram
mortos e entre eles as melhores cabeças da Revolução Russa. Se foi Hitler o maior assassino de
comunistas no mundo, em segundo lugar indiscutivelmente vem Stalin.
Em 1941 a União Soviética é invadida pelas tropas nazistas. Na primeira fase da guerra,
sofre derrotas devastadoras que chegam a por em risco a própria sobrevivência do Estado Soviético.

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A luta contra a invasão, baseada na capacidade de resistência do Estado Socialista, nos recursos
naturais e econômicos da URRS e na firme resistência popular à invasão, permitiram a reação. Os
exércitos soviéticos ocuparam Berlim em 1945, coroando sua participação decisiva na vitória sobre
os nazistas.
Hoje, apesar de oferecer melhores condições de vida à sua população que o mundo
capitalista, a Rússia é bastante criticada, sobretudo devido ao predomínio da grande burocracia
Russa e seu regime político é tido por muitos, não como um socialismo ou comunismo, mas como
um capitalismo de estado. Porém, vários autores afirmam que este é um estágio necessário da
evolução ao comunismo.
A partir da década de 20, o mundo passa por fases entre períodos de estabilização do
capitalismo (tais como os movimentos fascistas que tomam o poder em alguns países,
destacadamente a Itália, ascenso das classes operárias (tais como as vitórias eleitorais das frentes
populares na França e na Espanha) e crises econômicas no mundo capitalista (causa da Revolução
de 30 brasileira).
Com o fim da segunda grande guerra, reorganiza-se politicamente o mundo. Nos países
libertados pelo exército soviético, o poder passa às mãos dos comunistas. Entre a URSS e os EUA
acentua-se a chamada “guerra fria”.
Nas últimas 4 décadas, há grande evolução rumo ao socialismo. Embora sempre sob
tentativas de invasões, sob boicotes econômicos, corte de relações etc., por parte dos países ricos
liderados pelos EUA, vários países do terceiro mundo se libertaram e instituíram governos
populares. Além dos países libertados pela Rússia no final da primeira guerra mundial, vale citar a
Coréia do Norte (1953); Cuba (1959), Vietnã, Laos e Camboja (1975); independência das antigas
colônias portuguesas na África, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Cabo Verde, coroados num
longo processo de luta armada Revolucionária (1975); Nicarágua (1979), etc..
O principal erro de algumas das principais revoluções socialistas foi a de não ter
envolvido a população nas decisões políticas. Desta forma, revoluções legitimamente populares e
bem intencionadas, acabaram se transformando em ditaduras. É bom lembrar que a principal crítica
do PSDB de Mário Covas e Fernando Henrique ao PT é de que o Lula quer transformar o Brasil
numa “República Sindical”, exatamente por que o PT quer o envolvimento da sociedade
politicamente organizada nas decisões políticas. O que ocorre é que todo o poder do estado está
organizado para defender o capitalismo e nas poucas cidades onde o PT começa a tomar o poder e
mudar os escalões do poder em favor dos trabalhadores, eles dizem que o PT está “aparelhando” o
governo (V. item O Poder Ideológico).
Os atuais países socialistas vivem constantemente sob algum tipo de pressão dos países
capitalistas ricos, sejam os boicotes econômicos, invasões, corte de relações ou mesmo formas mais
sutis de “sacanagens”, tais como a compra de habitantes para desestabilizar o país com simulações
de fugas em massa para embaixadas e coisas do gênero.
Uma das características da dominação, dos países ricos sobre o terceiro mundo nesta 2a
metade de século, é o grande número de regimes militares, instituídos através de golpes militares,
destacadamente na América Latina, inclusive no Brasil (1964). Alguns países se encontram em
processo mais avançado de resistência e luta armada (Chile, Peru, El Salvador, etc.), enfrentando de
perto o aparato militar norte-americano.
Temos assim um quadro de características comuns a todos países do Terceiro Mundo
(países subdesenvolvidos). Em primeiro lugar, O FATO DE TEREM SIDO COLÔNIAS DE
POTÊNCIAS ESTRANGEIRAS, em segundo lugar, o de terem sofrido no passado uma violenta
exploração econômica, que MODELOU SEUS SISTEMAS PRODUTIVOS EM TORNO DA
EXPORTAÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS. Logo a comum perda de capacidade de decidir em
função do interesse de suas maiorias, a ponto de, em muitos países, a atual política econômica
continuar sendo decidida nas matrizes de umas poucas multinacionais ou nas diretorias das grandes
corporações financeiras. Finalmente, a DOMINAÇÃO CULTURAL, que impôs padrões

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incompatíveis com a tradição e história dos seus povos. A implantação, em caráter universal, dos
valores da chamada “civilização ocidental cristã” conseguiu criar um sentimento de inferioridade
em relação às culturas dos países ricos. Os efeitos desse colonialismo cultural são duradouros e por
causa deles, as nossas classes alta e média estão fascinadas pela ideologia ocidental. Por último, os
meios de comunicação de massas controlados a partir dos centros de poder transnacional reforçam
os mecanismos culturais de dominação.
No início da década de 80, o processo de descolonização política está praticamente
acabado, com poucas exceções. No entanto, a independência de uma centena de países do Terceiro
Mundo não trouxe consigo a descolonização econômica. A ordem mundial construída nos últimos
dois séculos, não mudou substancialmente. A exploração continua embora em muitos casos se tenha
tornado mais sutil e menos visível, graças á ação dos grandes consórcios transnacionais.
Os mecanismos de dominação colonial, são basicamente os mesmos que mantêm a atual
ordem internacional. Em primeiro lugar estão as ferramentas da dominação econômica. Os países
capitalistas industrializados dependem das matérias-primas do Terceiro Mundo, para manter o
andamento de suas economias. Mas, apesar de os países produtores já terem avançado muito no
controle desses recursos, são os consumidores industrializados que dominam os mecanismos de
comercialização, os preços, as frotas que transportam as matérias-primas e as tecnologias para
extraí-las. Por outra parte, o sistema econômico atual organizou o processo produtivo de forma que
valoriza muito mais a transformação das matérias-primas em bens de consumo (a indústria), do que
a primeira fase (a extração). E a indústria está fundamentalmente, como é sabido, nas mãos dos
países capitalistas ricos, ou então, quando estão no terceiro mundo, são na sua maioria
multinacionais.
Imagine, por exemplo, o Japão. Trata-se de uma pequena ilha, superpopulada, cujos
recursos naturais e matérias primas estão esgotados. Porém, além de importar nossas matérias
primas a preços irrisórios, o Japão possui dezenas de multinacionais pelo terceiro mundo, que
pagam salários até dez vezes inferiores aos pagos no seu país de origem, e continuam a obter a
matéria-prima a preço de banana, dessa vez diretamente na fonte. Dessa forma qualquer país
enriquece. Além disso a remessa de lucros pro exterior sob as vistas grossas do governo daria para
escrever livros. O que diferencia a ilha Japão da ilha Cuba é exatamente a opção, ou não, pela
exploração do próprio homem e os boicotes econômicos que Cuba sofre.
Quando as nações do Terceiro Mundo fazem um esforço para se industrializar, correm o
risco de cair numa segunda armadilha: a de fazê-lo conforme o modelo dos países ricos, com o que
passam a depender de maquinaria que devem importar desses países. E quando essa maquinaria é
produzida no Terceiro Mundo, são os países industrializados que fornecem a tecnologia. Apenas 10
por cento dos cientistas que estudam no planeta, o fazem em países do Terceiro Mundo. O sistema
internacional de patentes garante aos países industrializados a propriedade, inclusive, daquelas
técnicas especialmente desenvolvidas para serem aplicadas nas áreas pobres do mundo.
O sistema financeiro internacional, criado em torno do dólar norte-americano, é outro
aspecto desse tipo de dominação. Seu traço mais visível é a contínua intervenção de instituições
como o Fundo Monetário Internacional (FMI), na fixação da política econômico-financeira dos
países do Terceiro Mundo. Estas políticas se fundamentam basicamente na manutenção do modelo
exportador. Para isso tome recessão, para que o consumo interno seja pequeno e se tenha o
excedente destinado à exportação. O superavit de exportação é praticamente todo ele destinado ao
pagamento dos serviços da dívida externa. Em outras palavras não fica nada aqui, o produto sai em
troca de dólares e os dólares saem para pagar a dívida externa.
Essas são as causas fundamentais do chamado “subdesenvolvimento” moderno,
caracterizado tanto pela submissão das economias locais às necessidades externas, como pela
dominação interna sobre as grandes maiorias camponesas, operárias e “marginalizadas” de forma
geral. Os dominadores internos (a velha oligarquia fundiária, a nova burguesia transnacionalizada,
as elites tecnocráticas, o empresariado monopolista, a imprensa burguesa, os especuladores, as

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oligarquias militares repressivas, as burocracias estatais, etc.) não têm qualquer interesse em mudar
o sistema atual. Pelo contrário, se beneficiam dele e procuram perpetuá-lo em estreita aliança com
os interesses estrangeiros.
O “subdesenvolvimento” é a outra face do desenvolvimento das potências capitalistas
industrializadas de hoje. A riqueza delas é, na sua maior parte, extraída do Terceiro Mundo, tanto
por saque direto (como no caso do ouro da América Latina), como o saque indireto (o colonialismo
econômico atual). É além disso, produto do trabalho dos homens do Terceiro Mundo, desde
escravos africanos dos séculos anteriores até trabalhadores, que em grande parte trabalham hoje no
Terceiro Mundo em função de multinacionais e da exportação e mesmo trabalhadores e intelectuais
migrantes (a chamada fuga de cérebros) de hoje.
O termo “subdesenvolvimento” é muito discutível, pois implica na valorização dos
níveis de desenvolvimento segundo os critérios ocidentais. Supõe-se que existam “etapas” de
desenvolvimento que todos os países deveriam percorrer. Os subdesenvolvidos estariam atrasados
na sua evolução e o seu problema seria encontrar um processo que possibilite uma “arrancada”
econômica. Porém, a maioria das propostas formuladas atualmente por intelectuais e cientistas do
Terceiro Mundo coincidem em contestar esta visão do crescimento econômico, e propor “outro
desenvolvimento”, a partir de diferentes bases e com metas divergentes. O historiador Leften S.
Stavrianos afirma que “muitos fenômenos que considerávamos típicos do Terceiro Mundo estão
despontando no nosso Primeiro Mundo” e cita entre eles os problemas do desemprego,
deslocamento de agricultores, pobreza, favelas, violação aos direitos humanos, discriminação de
minorias étnicas, etc..
A expressão “países em desenvolvimento” ou “países em vias de desenvolvimento” não
passa de um eufemismo. A maioria dos países do Terceiro Mundo não está em vias de melhorar sua
situação, nem de alcançar os industrializados. A verdade irrefutável é que o “desenvolvimento”
desses últimos só foi possível porque “subdesenvolveram-se” os demais. Estudos das últimas
décadas feitos por peritos das Nações Unidas mostram que o fosso entre ricos e pobres aumenta
assustadoramente, em vez de diminuir.
Em última análise, quando os povos estão em vias de se saírem vitoriosos em suas lutas
de libertação e as ferramentas econômicas e ideológicas são insuficientes para sustentar a
dominação, a ordem internacional e interna é normalmente garantida por meios militares. O estado
de equilibro na correlação de forças militares entre as potências capitalistas e socialistas faz com
que os pactos armado, como a OTAN e suas projeções regionais, sejam um elemento de contenção
das lutas anti-imperialistas. Aberta ou dissimuladamente, a OTAN apoiou os colonialistas
portugueses contra os movimentos de libertação em Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde,
Moçambique, São Tomé e Príncipe. O caso do Vietnã é por demais conhecido e os palestinos, os
namíbios e os combatentes contra o racismo na África do Sul conhecem na carne o respaldo da
OTAN aos regimes que os oprimem. Além disso, não é mais segredo o envolvimento da Agência de
Inteligência dos EUA – a CIA – na articulação das dezenas de golpes militares pelo mundo, nem do
trabalho prestado por tentáculos de setores conservadores do sindicalismo norte-americano, na
sustentação dos interesses dos poderosos, a exemplo dos sindicalistas Luís Antônio Medeiros e
Rogério Magri, precursores do chamado “Sindicalismo de Resultados”. Também começa a clarear o
motivo do aparecimento de tantas igrejas crentes originárias ou não dos EUA, por trás delas,
começa a aparecer as mãos da CIA. Finalmente, é no plano político que os esforços por quebrar a
unidade do Terceiro Mundo são mais intensos e freqüentemente tem sucesso. Não se deve esquecer
que nas sociedades dos países pobres também há pobres e ricos. E que as classes privilegiadas se
associam aos interesses transnacionais para explorar seus próprios povos. Dessa forma, a luta do
Terceiro Mundo por uma Nova Ordem Econômica Internacional, que substitua a criada durante a
era imperialista, também é a luta dos pobres nos países pobres para transformar a ordem social,
injusta no plano interno. Nessa batalha os povos já não estão sós. Metade do mundo industrializado
já deixou de ser capitalista e se solidariza ativamente com as forças libertadoras. Na outra metade,

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as forças progressistas internas compreenderam que a ordem atual é injusta e se esforçam para
mudá-la, não somente por um sentimento ético, mas também pelo seu próprio interesse em forjar
uma sociedade em que o valor fundamental não seja o consumismo desenfreado, mas o homem em
todas as suas dimensões. Não será uma luta fácil, pois o poder de convencimento através
principalmente da mídia, que faz com que os próprios explorados vejam o mundo através da ótica
dos exploradores, está praticamente toda ela nas mãos dos exploradores.
Um dos livros mais célebres e esclarecedores da História e sua ligação íntima com os
fatores econômicos (que na verdade nunca devem ser dissociados) é o livro História da Riqueza do
Homem de Leo Huberman, devendo o assunto ser complementado com literatura a partir de 1930.

IV- AS IDEOLOGIAS EMERGENTES

Os resultados desse capitalismo selvagem no Brasil são conhecidos: em 82 cerca de 22


milhões de trabalhadores no campo e na cidade ganhavam menos de um salário mínimo; 13 milhões
de trabalhadores estavam desempregados ou subempregados; o salário em certos momentos chega a
ser o menor do mundo; a dívida externa é a maior do mundo; de cada mil crianças que nascem
vivas, cem morrem antes de atingir um ano de idade; 70 por cento das crianças com menos de 6
anos de idade são subnutridas; há 25 milhões de crianças carentes; 20 milhões de brasileiros já tem
seu potencial intelectual reduzido, há 20 milhões de analfabetos acima de 10 anos e mais 5 milhões
entre 7 e 10 anos sem educação de espécie alguma; há 25 milhões de favelas nas cidades; a maior
favela do mundo fica no Rio de Janeiro; o maior bolsão de miséria do mundo fica no Vale do
Jequitinhonha; há 12 milhões de camponeses sem terra; as terras próprias para agricultura no Brasil
somam 356 milhões de hectares, 275 milhões estão nas mãos de latifundiários, dos quais 149
milhões não são explorados; centenas de trabalhadores rurais, ou pessoas envolvidas em conflitos
de terra (padres, posseiros, religiosos, sindicalistas, ecologistas, etc.), são assassinados por ano, sem
que haja punição dos culpados; uma grande concentração de terras urbanas nas mãos de poucos;
enfim, uma lista de problemas e tristes recordes que daria para encher dezenas de páginas.
Quem mantêm esta situação, já vimos acima: são os capitalistas que em conjunto com o
governo, as empresas, etc., garantem o poder político e ideológico. Também estão no cenário as
leis, as forças repressivas que são as várias polícias (civil, militar, estadual, federal), o exército, o
SNI (Serviço Nacional de Informações), etc., que sempre aparecem para “manter a ordem”.
Paralelamente, organizações dos dominantes são criadas, tais como a UBE (União
Brasileira de Empresários), a FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), sua similar
a FIEMG e de cada estado, a TFP (Tradição, família e propriedade: grupo religioso) e uma das mais
violentas: a UDR (União Democrática Ruralista), organização de grandes latifundiários de forte
poder econômico, que luta contra a reforma agrária e que através de jagunços, policiais e delegados
comprados, tem sido a responsável pela quase totalidade dos assassinatos no campo. Elegeram
vários constituintes e conseguiram inviabilizar a reforma agrária. Por último elegeram vários
prefeitos nas últimas eleições. É importante lembrar mais uma vez, a importância do aparato da
imprensa burguesa na sustentação desta situação.
No entanto, certas pessoas, dentre elas muitos adolescentes (os mais almejados pelo
aparato ideológico), sobrevivem ao massacre ideológico e cultural. Percebem o vazio, os erros e as
contradições do sistema dominante. Alguns, conscientes ou não, decidem assumir uma atitude de
protesto. Tornam-se rebeldes, contestam o autoritarismo, ou então, passam a assumir posições
originais, criativas, desviantes. Sejam nos hábitos de moradia, alimentação, na constituição da
família, nos projetos e idéias. São os pioneiros de um novo modo de vida, onde novos valores
colidem com os tradicionais e conservadores.
É evidente que algo de novo está surgindo. E não é o que “pinta na tela da Globo”, nem
“quem procura acha no SBT”. É um novo que surge de todos os lados, que nasce do povo, das
associações de bairro, dos movimentos de favela, dos autênticos sindicatos de trabalhadores, dos

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movimentos de mulheres, do movimento negro, do movimento indígena, das organizações
homossexuais, dos partidos de esquerda, dos avanços tecnológicos de fundo social, dos movimentos
artísticos, dos movimentos pacifistas, dos movimentos ecológicos, enfim de movimentos
alternativos partindo de todas as direções e sentidos.
Dentre estes vale destacar a atuação da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), que
embora possa parecer estranho atua de forma independente dos donos da imprensa; da CNBB
(Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros); e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que
atuaram de forma decisiva contra a ditadura militar e atuam até hoje. Já na década de 80, vale
destacar as importantes contribuições do PT (Partido dos Trabalhadores), CUT (Central Única dos
Trabalhadores), das CEB’s (Comunidades Eclesiais de Base), que são os alvos preferidos da
difamação pela grande imprensa e pelo próprio Papa.
Dentro das CEB’s, destaca-se a atuação da CPT (Comissão Pastoral da Terra), do CIMI
(Conselho Indigenista Missionário) e da CPO (Comissão Pastoral Operária).
Acontece que ninguém pode gerar transformações impunemente. Como já foi dito,
nossa civilização está embasada num sistema ideológico rígido e pouco flexível. Ele representa e
mantêm os interesses dos dominadores, que não querem perder seu poder.
É aí que surge o confronto. É aí que surge a repressão às greves, às passeatas, aos
movimentos reivindicatórios, à livre circulação de notícias, de informações. É aí que surgem as
campanhas de difamação, as perseguições políticas, as demissões, etc.. É a luta de classe, é o
confronto entre os explorados e os exploradores.

COMENTÁRIOS FINAIS

Após o exposto acima fica claro que temos que lutar por um nova ordem. Daí surge a
necessidade de luta pelo socialismo e o amadurecimento do assunto. O cuidado é em saber como
veicular o assunto para dissociá-lo das idéias divulgadas pela mídia capitalista, do que seja o
socialismo, ou o “comunismo” como enchem a boca para criticar. Segundo Paul Singer, socialismo
é o reflexo invertido do capitalismo, visa reverter o processo de concentração e proporcionar uma
melhor redistribuição da renda, devendo por isso ser superior ao capitalismo em todos aspectos. O
nosso socialismo brasileiro não quer obrigar a que todos tenham as mesmas condições, mas no
mínimo fazer com que todos tenham as mesmas oportunidades. É claro que não devemos tomar
como exemplo a primeira cartilha socialista e lutarmos para implantá-la no Brasil. Devemos
avançar, apoiados na experiência histórica de outros países, mas acima de tudo construir nosso
próprio socialismo, apoiados em nossa própria experiência de acordo com a nossa própria realidade,
história, costumes etc. Em outras palavras, o socialismo deve ser construído pela própria massa
trabalhadora organizada.
A partir daqui devemos avançar no entendimento e exercício de formas de participação
e democracia, nas discussões de questões de importância crucial, tais como a reforma agrária e seu
poder de mudança da realidade tanto da população rural como urbana, a questão da reforma urbana,
saúde, educação, distribuição de renda, sindicalismo, o fim da tutela militar, etc.
Sou daqueles que acredita que o Brasil deve ter duas vocações principais: turismo e ser
o celeiro do mundo.
Os países do primeiro mundo ao longo da história forçaram a barra para supervalorizar
os bens industrializados, em detrimento dos bens primários produzidos pelos países pobres. É por
isto que compram nosso minério de ferro a preço de banana e devolvem diversos produtos
industrializados a partir dele, a preço de ouro; é por isto que os EUA têm que dar dinheiro aos
produtores rurais de forma direta ou indireta, para que eles possam existir e produzir alimentos e é
por isto que para que os preços dos alimentos deles possam competir com os nossos, precisam
praticar o famoso protecionismo. Mal informado é quem compra a idéia de que economia baseada

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na agricultura é coisa dos séculos passados, pois a agroindústria carrega com ela uma das mais
desenvolvidas tecnologias de ponta do mundo, tanto nos maquinários, quanto no conhecimento. O
que não podemos é continuar a exportar apenas as matérias primas, pois estas são desvalorizadas
pelos países ricos enquanto apenas matérias primas e sim exportá-las já transformadas, ou seja,
industrializadas, com valor agregado.
Não é difícil criar condições para que o país cresça. Aqui vão algumas sugestões
rápidas, que não traduzem o socialismo, mas apenas reformas no nosso país, que se pudessem ser
aplicadas de forma séria, honesta e evidentemente com vontade política trariam um rápido
crescimento do país, lembrando que isto só não acontece pelos motivos já descritos anteriormente
neste texto:
1. Corrupção: Para que haja investimentos é preciso de dinheiro. Como vimos acima, o Brasil é
um dos países que mais arrecadam impostos no mundo e para que o dinheiro apareça e seja
aplicado corretamente é preciso um combate sério, contínuo e permanente à corrupção, à
sonegação de impostos etc;
2. Burocracia: Para que as decisões possam fluir e atingir seus objetivos é preciso um combate
sério, contínuo e permanente à burocracia;
3. Política de Juros: É necessário uma política de juros baixos para que as empresas prefiram
investir mais na produção que na especulação financeira. A lógica do combate à inflação de
demanda é contrária ao crescimento. O raciocínio é: se a inflação aumenta é porque há mais
procura de produtos do que oferta, então suba-se os juros para que a população tenha menos
dinheiro na mão. Só que esta lógica leva também à redução da produção, pois para as empresas
passa a ser mais atrativo o investimento no mercado financeiro que na produção. Como é que
um país pode crescer sem consumo e produção? Outra lógica perversa para a inflação de
demanda é a contenção dos salários para que a população tenha menos dinheiro e assim diminua
a procura, o que de alguma forma é também contemplado pelo aumento dos juros, pois se as
empresas passarem a preferir a especulação financeira em lugar de produzir, haverá menos
empregos e menos procura. O consumismo tal como descrito no item “O poder ideolígico” deve
ser combatido sim, mas não o consumo necessário à sobrevivência e à vida digna;
4. Reforma agrária: Vale lembrar que reforma agrária não é coisa de “comunista” e sim do próprio
capitalismo, todos os países capitalistas desenvolvidos no mundo fizeram reforma agrária de
uma forma ou de outra, seja na luta, seja nas taxações das propriedades improdutivas, ou até
mesmo historicamente pela divisão das heranças. A lógica da reforma agrária é simples. Há uma
legião de pessoas provenientes do campo que hoje incham as periferias das grandes cidades
brasileiras e que vivem em condições sub-humanas e que são habituados ao trabalho rural. Se as
propriedades rurais improdutivas pudessem ser distribuídas a estas famílias e estas pudessem
produzir de forma competitiva e terem seu dinheirinho, teríamos uma significativa redução de
desempregados que passariam a ser pequenos produtores rurais, que passariam a ser
consumidores, o que demandaria maior produção das indústrias, que por sua vez empregariam
mais, o que novamente aumentaria o consumo e assim por diante, aumento contínuo de
empregos, reinserção social, consumo e produção, ou seja, crescimento econômico. Mas não
pode ser uma reforma agrária baseada apenas em assentamento. É preciso crédito, política de
crédito, política de preços mínimos, estoques reguladores, orientação para produção, educação
para o cooperativismo etc. Um grande latifúndio ou toda uma região improdutiva podem ser
divididos em dezenas ou centenas de pequenas propriedades, que seriam pequenas empresas
rurais familiares. Estas pequenas empresas poderiam formar uma cooperativa. Uma cooperativa
pode, por exemplo, ter poucos tratores com uma agenda organizada de forma a atender todos os
cooperados a preço de custo; uma cooperativa negocia tanto as vendas quanto as compras em
bloco, ou seja, é muito mais barato comprar um tambor de herbicida numa distribuidora, do que
cada pequeno produtor comprar um litro do mesmo produto num pequeno comércio na ponta de
distribuição; é muito melhor a cooperativa negociar o conjunto da produção de seus cooperados

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e assim ter poder de negociação, do que cada pequeno produtor ser estrangulado pelos
atravessadores que terminam pagando o que querem; uma grande cooperativa pode ter
assistência de empresas governamentais como a Emater, IBC, IEF etc., ou até mesmo ter o seu
próprio agrônomo, veterinário, ou técnico que orientam nas rotações de cultura, na escolha das
culturas mais rentáveis e apropriadas, na forma de produção mais econômica e produtiva, nas
novas tendências etc.; uma cooperativa pode organizar escolas rurais ou exigi-las; uma
cooperativa pode ter seu próprio armazém ou silos de estocagem; enfim uma cooperativa tem
poder de barganha, força política etc.
5. Infra-estrutura: Para haver crescimento o país tem que ter infra-estrutura para suportá-lo. É
preciso, energia elétrica, energias alternativas ao petróleo, comunicação, transporte coletivo,
corredores de escoamento, principalmente via férrea e hidrovia, que são transportes mais
baratos, também bons criadores de emprego e mais fáceis e mais baratos no Brasil. Transporte
rodoviário é caro, antiecológico, poluidor, tanto para produtos quanto para o transporte coletivo.
O Brasil tem enormes prejuízos com carros parados no trânsito consumindo combustíveis, itens
de manutenção da frota e tempo dos motoristas, trabalhadores e toda sorte de pessoas que
poderiam estar fazendo coisas mais úteis que presas no trânsito;
6. Turismo: Poucos países no mundo têm o potencial turístico que tem o Brasil: praias,
ecoturismo, turismo rural, belezas naturais, o patrimônio histórico e cultural, artes, culturas e
artes regionais, gastronomias regionais, festivais, música, artes cênicas etc. Vale lembrar que
turismo é o investimento mais barato para se criar emprego, o que faz do turismo um dos mais
importantes mecanismos de reinserção social. A exemplo de países como a França, onde o
turismo representa parte importante no PIB, o Brasil precisa de um investimento firme no setor
do turismo, com políticas públicas firmes, diretrizes e uma rede de instituições que trabalham de
forma coordenada e sistemática para o desenvolvimento desta atividade, com incentivos para
uma formação popular de cultura turística no brasileiro, incentivos, escolas e cursos
relacionados ao turismo etc. A França sem o turismo seria outro país.
7. Ensino público: É um dos direitos básicos do ser humano. As pessoas precisam ter as mesmas
oportunidades. Toda pessoa tem que receber educação, formação, ensino, para ir tão longe
quanto sua capacidade permitir, tem que poder estudar o quanto quiser e quando quiser. Um
povo educado elegerá dirigentes honestos e competentes, não tolera corrupção, não desperdiça
seus recursos, não desanda a natureza, prospera mesmo em condições adversas. Não resta
dúvida de que a remuneração dos professores é o primeiro passo, pois sem ela fica inviável
fazer qualquer trabalho sério em educação. O professor mal remunerado, apenas por ter um
baixo salário é humilhado e desvalorizado perante a sociedade. Normalmente o aluno que
trabalha tem um salário melhor que o do professor. O professor estudou e não tem condições
dignas de sobreviver, como incentivar os estudantes a estudar? Que aluno vai querer ouvir o que
uma pessoa assim tem a dizer? E isto cria uma situação de “bola de neve” na degradação do
ensino, pois direciona os maus estudantes e maus profissionais para o ensino: os que escolhem
fazer uma licenciatura costumam estar entre os 30% piores alunos e em geral fazem por fazer ou
porque é a menos concorrida ou porque é a mais barata, em outras palavras, a situação dos
baixos salários no ensino degrada gradativamente o próprio ensino. É claro que só aumentar os
salários não resolve o problema, é necessário todo um investimento em reciclagem, estímulo
dos professores e também estímulo dos alunos. Além disso, salário por si só não motiva
ninguém, pois satisfeito este ponto, é necessária uma nova meta para se continuar motivado, tal
como demonstrado na teoria da “Hierarquia de necessidades” de Abraham Maslow;
8. Saúde pública: É também um dos direitos básicos do ser humano. Se apenas a corrupção e
desvios de verba que existe no sistema de saúde e previdência do Brasil fosse eliminada, a
realidade da saúde e previdência no país seria outra. Vale a pena recorrer à definição de saúde
pública de Edward Amory Winslow, que diz muito: saúde pública é "A arte e a ciência de
prevenir a doença, prolongar a vida, promover a saúde e a eficiência física e mental mediante o

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esforço organizado da comunidade. Abrangendo o saneamento do meio, o controle das
infecções, a educação dos indivíduos nos princípios de higiene pessoal, a organização de
serviços médicos e de enfermagem para o diagnóstico precoce e pronto tratamento das doenças
e o desenvolvimento de uma estrutura social que assegure a cada indivíduo na sociedade um
padrão de vida adequado à manutenção da saúde". Uma política de saúde séria precisa estar
integrada às políticas de saneamento básico (água tratada, esgoto etc.) e moradias. A educação
para a saúde e a saúde preventiva torna a saúde pública muito mais efetiva e mais barata para o
país, do que da forma como é praticada hoje;
9. Segurança: Acredito que na medida em que o país cresce economicamente e que as pessoas
passem a ter emprego, educação, saúde, saneamento, transporte coletivo e que vejam o dinheiro
dos impostos ser melhor aplicado, livre de corrupção etc. automaticamente haverá redução na
criminalidade. Mas resta uma parcela da criminalidade, talvez já a mais importante e que cresce
assustadoramente, que é a relacionada ao tráfico de drogas. Claro que é de extrema importância
a repressão, a polícia, as prisões, a fiscalização das fronteiras e do tráfico de armas etc. E neste
quesito talvez o mais importante seja um sistema de inteligência que possa infiltrar e desbaratar
o sistema de tráfico e o envolvimento da própria polícia. Mas ainda acredito que o principal
ponto de trabalho seja preventivo, pois só existe o traficante porque existe o usuário de drogas.
É quase inacreditável que escolas passem 3-4 anos sem nenhuma palestra anti-drogas para os
jovens. Julgo que o ideal seja voltar com uma disciplina na escola, tal como a velha “Moral e
Cívica”, mas que além da moral e cívica propriamente ditas, deveria dar ênfase a regras de
cidadania, direitos e deveres, ética, cortesia, educação, respeito, educação ecológica, prevenção
às drogas, educação sexual, educação no trânsito, trabalho, segurança etc. e talvez nem devesse
ter um professor, mas um coordenador que pudesse buscar pessoas na sociedade, que como
voluntários e especialistas pudessem abranger estes temas e preencher o horário destinado à
referida disciplina.
Importante é saber que nenhum destes 9 pontos acima ou os anteriormente citados irão
acontecer por magia. Todo o poder do estado, o poder ideológico, a mídia estão na mão dos
capitalistas e os mesmos não têm a menor intenção de entregarem a “galinha dos ovos de ouro”.
Será necessário à população se conscientizar, se organizar e ir à luta exigindo as mudanças
necessárias. A luta continua.

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