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PROCESSO Nº: 0800654-61.2015.4.05.

8500 - APELAÇÃO

RELATÓRIO

O DESEMBARGADOR FEDERAL CID MARCONI: Apelação interposta pela Universidade


Federal de Sergipe -UFS, em face da sentença que julgou procedente o pedido, para anular o ato
que determinou a opção do Autor por um dos cargos por ele ocupados (Professor do Estado de
Sergipe e Assistente Administrativo da UFS), condenando a Autarquia ao pagamento da
indenização pelos danos materiais, consistente no pagamento dos valores mensais que o Autor
teria direito, caso não tivesse que ter optado pela exoneração do cargo de Professor do Estado
de Sergipe, desde a data da exoneração, até o trânsito em julgado desta sentença; bem como ao
pagamento pelos danos morais, arbitrados em R$ 30.000,00 (trinta mil reais).

Disse que é servidor da UFS, no cargo de Assistente Administrativo desde 20/05/1980, e que
ingressou no Estado de Sergipe, no cargo de Professor de Ensino Fundamental, em 03/09/1986,
e que após 25 (vinte e cinco) anos exercendo os dois cargos, recebeu "CONVOCAÇÃO" em
22/06/2011, emitido pela UFS, solicitando a entrega de diversos documentos, como declaração e
contracheques da segunda fonte pagadora.

Após a entrega dos documentos requeridos, foi o demandante surpreendido com o Ofício
13/2011/DAAS/GRH, de 30/08/2011, no qual havia uma determinação para que escolhesse um
dos dois cargos.

Diante do ofício recebido, o Autor optou pelo cargo na UFS, sendo exonerado do Estado de
Sergipe em 07/12/2011.

Aduz que a cumulação é possível uma vez que o cargo de Assistente em Administração exige
conhecimento técnico, sendo notória a possibilidade de cumulação de cargo técnico com cargo
de professor, razão pela qual requer a invalidação do ato que determinou a opção por um dos
cargos e a consequente anulação da exoneração do cargo ocupado no Estado de Sergipe.

Alberga os seus pedidos na decadência da revisão da acumulação, nos termos do art. 54, §1º, da
Lei nº 9.784/99 e na possibilidade da acumulação do cargo de técnico com o de professor.

Sustenta que o seu prejuízo mensal deve ser reparado pela UFS que, em decorrência de ato
indevido, pediu exoneração do cargo ocupado no Estado de Sergipe, após 25 (vinte e cinco) anos
de serviço, sendo sua última remuneração no valor de R$ 1.349,59 (mil trezentos e quarenta e
nove reais e cinquenta e nove centavos), em 09/2011.

Nas suas razões, a UFS alegou que: a) A Constituição Federal de 1988 proíbe a acumulação
remunerada de cargos públicos; permitindo a cumulação somente em casos excepcionais, desde
que preenchidos os requisitos nela previstos; b) "...considera-se cargo técnico aquele para cujo
exercício seja indispensável e predominante a aplicação de conhecimentos científicos obtidos em
nível superior de ensino ou que o servidor tenha habilitação em curso legalmente classificado
como técnico, conforme o art. 3º do Decreto n.º 35.956, de 2 agosto de 1954."; c) "...o cargo
ocupado pelo autor na UFS de assistente em administração (NÍVEL MÉDIO-NÃO EXIGÊNCIA DE
QUALIFICAÇÃO TÉCNICA ESPECÍFICA) não está enquadrado como cargo de nível técnico,
assim inacumulável com outro cargo público."; d) "A parte autora não sofreu ameaça capaz de
causar dano a si próprio ou à sua família. Na verdade, foi apenas notificado para exercer o direito
de optar por um dos cargos que acumulava e que, até então, eram considerados de acumulação
irregular. E tudo isso foi feito dentro da lei, com contraditória e ampla defesa, com prevê o art. 5º,
LV, da CF".
Contrarrazões apresentadas. Sentença sujeita ao reexame necessário. É o relatório.

mft

PROCESSO Nº: 0800654-61.2015.4.05.8500 - APELAÇÃO


VOTO

O DESEMBARGADOR FEDERAL CID MARCONI: Compulsando os autos, verifico que, em


grande parte, a v. sentença deve ser mantida, pelos mesmos argumentos expendidos pelo douto
Magistrado "a quo", in verbis:

"(...)

Quanto ao mérito.

No mais, a jurisprudência do STJ firmou o entendimento de que o cargo público de técnico, que
permite a cumulação com o de professor nos termos do art. 37, XVI, b, da Constituição Federal, é
o que exige formação técnica ou científica específica, requer familiariedade com a metodologia
empregada no exercício do mister, a fim de demonstrar conhecimento específico em um área
artística ou do saber (RMS 7570/PB, DJ 22.11.99, Rel. Min. Gilson Dipp).

Assim, os cargos técnicos que não exigem uma formação ou especialização específica, como os
que têm como requisitos para investidura tão-somente nível fundamental ou nível médio, não
podem ser cumulados com outro cargo público, como no caso, o de professor.

Nesse sentido, os julgados abaixo:

ADMINISTRATIVO. ACUMULAÇÃO ILÍCITA DE APOSENTADORIAS. ACUMULAÇÃO DE


CARGOS. PROFESSOR E TÉCNICO EM POLÍTICAS CULTURAIS. IMPOSSIBILIDADE.

1. Conforme consignado pela Corte local, está "evidenciada a impossibilidade de cumulação das
aposentadorias outrora percebidas pelo impetrante. uma vez que o cargo de técnico em assuntos
culturais não possui natureza técnica, pois não demanda formação profissional específica para o
respectivo exercício".

2. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, cargo técnico é aquele


que requer conhecimento específico na área de atuação do profissional, com habilitação
específica de grau universitário ou profissionalizante de 2º grau.

3. É possível verificar que o cargo ocupado pelo recorrente, "Técnico em Políticas


Culturais", exige apenas nível médio (fl. 50, e-STJ), não se enquadrando, portanto, na
definição acima. (destaquei)

4. Recurso Ordinário não provido.

(RMS 42.392/AC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em


10/02/2015, DJe 19/03/2015)

CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE


SEGURANÇA. ACUMULAÇÃO DE CARGOS PÚBLICOS. PROFESSOR E MONITOR
EDUCACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO IMPROVIDO.

1. Havendo compatibilidade de horários, é permitida a acumulação remunerada de um cargo de


professor com outro técnico ou científico, nos termos do art. 37, inc. XVI, letra "b", da Constituição
Federal.

2. As atribuições do cargo de Monitor Educacional são de natureza eminentemente burocrática,


relacionadas ao apoio à atividade pedagógica. Não se confundem com as de professor. De outra
parte, não exigem nenhum conhecimento técnico ou habilitação específica, razão pela qual
é vedada sua acumulação com o cargo de professor. (destaquei)

3. Recurso ordinário improvido.

(RMS 22.835/AM, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em
28/02/2008, DJe 19/05/2008)

CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE


SEGURANÇA. ACUMULAÇÃO DE CARGOS PÚBLICOS. PROFESSOR E TÉCNICO
JUDICIÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE. OPÇÃO. PROCEDIMENTO. VIOLAÇÃO DOS
PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. NÃO-OCORRÊNCIA.
OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO ESTADUAL. RECURSO IMPROVIDO.

1. "Não é possível a acumulação dos cargos de professor e Técnico Judiciário, de nível médio,
para o qual não se exige qualquer formação específica e cujas atribuições são de natureza
eminentemente burocrática" (RMS 14.456/AM, Rel. Min. Hamilton Carvalhido, Sexta Turma).
(destaquei)

2. A circunstância de o servidor público, em substituição, exercer funções para as quais se requer


graduação em Direito não possibilita a acumulação, tendo em vista que o texto constitucional
excepciona a regra de inacumulabilidade tão-somente para os titulares de cargos públicos, e não
de funções, havendo nítida distinção a respeito.

3. Constatado o acúmulo indevido de cargos, o servidor público do Estado de Roraima deverá ser
intimado para apresentar sua opção. A ausência de manifestação do interessado é que dará
início ao processo administrativo disciplinar, em que deverão ser observados os princípios
constitucionais da ampla defesa e do contraditório, nos termos da Lei Complementar Estadual
53/01.

4. Recurso ordinário improvido.

(RMS 21.224/RR, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em
16/08/2007, DJ 01/10/2007, p. 294)

CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE


SEGURANÇA. ACUMULAÇÃO DE CARGOS PÚBLICOS. PROFESSOR APOSENTADO E
AGENTE EDUCACIONAL. IMPOSSIBILIDADE. CARGO TÉCNICO OU CIENTÍFICO. NÃO-
OCORRÊNCIA. RECURSO IMPROVIDO.

1. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria de servidores civis ou


militares com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os acumuláveis
na atividade, os cargos eletivos ou em comissão, segundo o art. 37, § 10, da Constituição
Federal.

2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido que cargo técnico ou científico, para fins
de acumulação com o de professor, nos termos do art. 37, XVII, da Lei Fundamental, é
aquele para cujo exercício sejam exigidos conhecimentos técnicos específicos e
habilitação legal, não necessariamente de nível superior.

3. Hipótese em que a impetrante, professora aposentada, pretende acumular seus proventos com
a remuneração do cargo de Agente Educacional II - Interação com o Educando - do Quadro dos
Servidores de Escola do Estado do Rio Grande do Sul, para o qual não se exige conhecimento
técnico ou habilitação legal específica, mas tão-somente nível médio completo, nos termos da Lei
Estadual 11.672/2001. Suas atribuições são de inegável relevância, mas de natureza
eminentemente burocrática, relacionadas ao apoio à atividade pedagógica.

4. Recurso ordinário improvido.

(RMS 20.033/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em
15/02/2007, DJ 12/03/2007, p. 261)

A Lei nº 11.091/2005, de 12/01/2005, que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreira dos
Cargos Técnico-Administrativos em Educação, no âmbito das Instituições Federais de Ensino
vinculadas ao Ministério da Educação, traz como requisito para investidura do cargo de
Assistente em Administração, o ensino médio profissionalizante ou médio completo +
experiência de 12 meses.

Conforme se vê no art. 5º, inciso II, da referida lei, os cargos de mesma hierarquia, classificados a
partir do requisito de escolaridade, nível de responsabilidade, conhecimentos, habilidades
específicas, formação especializada, experiência, risco e esforço físico para o desempenho de
suas atribuições, estão divididos em níveis de classificação, a saber, "A" a "E", sendo que no
nível D, encontra-se o cargo de Assistente em Administração, exercido pelo autor na UFS, os
cargos de Técnico em Enfermagem, em Contabilidade, em Tecnologia da Informação, entre
outros, exigindo quando não o curso médio profissionalizante, o ensino médio completo com
especialização ou ensino médio completo + experiência profissional de no mínimo 06 meses a 24
meses.

Segundo entendimento da CAAC - Comissão para Apuração de Acumulação de Cargos da UFS


(fl. 13 do PA), o acórdão nº 408/2004, da 1ª Câmara do TCU, manifestou-se no sentido de que "a
conceituação de cargo técnico ou científico, para fins de acumulação permitida pelo texto
constitucional, abrange os cargos de nível superior e os cargos de nível médio cujo
provimento exige a habilitação específica para o exercício da atividade profissional, a
exemplo do técnico em enfermagem, do técnico em contabilidade, entre outros." e, com base em
entendimento jurisprudencial do TRF da 5ª Região, concluiu (id 303077 - Pág. 4):

Considerando a jurisprudência acima mencionada, concluímos que o cargo de Assistente em


Administração não tem natureza técnica ou científica, cujo requisito para o seu provimento é
tão somente o segundo grau completo, não exigindo nenhuma formação específica para o
seu provimento.

Ora, tal entendimento destoa da exigência contida na Lei Federal nº 11.091/2005, que impõe para
o provimento do cargo de Assistente em Administração, o ensino médio profissionalizante ou o
ensino médio completo com a experiência de no mínimo 12 meses.

O TRF da 5ª Região já decidiu pela possibilidade de cumulação do cargo de professor com o de


assistente em administração com fulcro na referida lei e de acordo com o entendimento do STJ,
in verbis:

ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL. CUMULAÇÃO DE CARGO TÉCNICO DE


ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO E DE PROFESSOR ESTADUAL. POSSIBILIDADE.
DECADÊNCIA RECONHECIDA. APELAÇÃO IMPROVIDA. 1. A UFS - UNIVERSIDADE
FEDERAL DE SERGIPE interpõe recurso de apelação contra sentença do MM. Juízo Federal da
3ª Vara da Seção Judiciária de Sergipe, que julgou procedente o pedido deduzido na inicial,
garantindo à autora o direito de cumular os proventos referentes ao cargo técnico de Assistente
em Administração com os de Professor Estadual e, por consequência, declarou extinto o
processo com exame de mérito, com fundamento no art. 269, I, do CPC. 2. "A jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça assentou o entendimento de que o cargo público de técnico, que
permite a acumulação com o de professor nos termos do art. 37, XVI, b, da Constituição Federal,
é o que exige formação técnica ou científica específica." (STJ. Primeira Turma. RMS 32031/AC.
Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI. Julg. 17/11/2011. Publ. DJe 24/11/2011). 3. Em relação à
natureza técnica do cargo em que se deu a aposentação da autora/apelada, verifica-se que a Lei
11.091/2005, em seu anexo II, fixou as qualificações necessárias para o exercício do cargo de
Assistente em Administração (ensino médio profissionalizante ou ensino médio completo +
experiência de 12 meses), não havendo como não o considerar um cargo técnico, para efeito da
CF e do art. 3º, parágrafo único, alínea a, do Decreto 35.956/54. 4. Precedentes deste Tribunal
Regional Federal: TRF5. AGTR 08011522020134050000. Rel. Des. Federal MANOEL
ERHARDT. Julg. 31/10/2013; TRF5. Quarta Turma. AC 08000337720134058001. Rel. Des.
Federal MARGARIDA CANTARELLI. Julg. 07/01/2014. 5. É certo que não há que se falar em má-
fé por parte da servidora que demonstre a inaplicabilidade do prazo decadencial de cinco anos
fixado no art. 54 da Lei 9.784/99. A servidora exerceu o cargo de professora estadual desde
1972, tendo tomado posse no cargo federal no já longínquo ano de 1981, encontrando-se já
aposentada dos dois cargos, sem que a cumulação tenha sido considerada ilegítima pela
Administração Pública durante todo esse tempo. 6. Apelação improvida.

(AC 576676/SE, Rel. Desembargador ROGÉRIO FIALHO MOREIRA, QUARTA TURMA,


UNÂNIME, julgado em 16/12/2014, DJE 18/12/2014, p. 241)

O autor pleiteou em antecipação dos efeitos da tutela que fosse determinado ao Estado de
Sergipe a sua reintegração no mesmo cargo/função e lotação anteriormente ocupados e o
restabelecimento do seu salário no prazo de 05 (cinco) dias.

Quanto a este pedido, conforme já explanado acima, este Juízo Federal não tem competência
para apreciar e emitir quaisquer decisões.

Assim, cabe ao autor requerer a anulação da referida portaria e buscar a sua reintegração
administrativamente ou judicialmente na esfera estadual.

Em relação à UFS, pleiteia o autor indenização pelos danos materiais, quantificados estes pelo
pagamento dos lucros cessantes em valor correspondente à remuneração recebida pelo autor
junto ao Estado de Sergipe desde sua indevida exoneração (07/12/2011) até seu efetivo
reingresso, e pelos danos morais sofridos advindos de sua conduta arbitrária.

A obrigação de indenizar nasce a partir da prática de um ato ilícito, cujos requisitos mínimos são:
1) conduta (ação ou omissão); 2) dano patrimonial ou moral (extrapatrimonial); 3) nexo de
causalidade entre a conduta e o dano. A exigência de culpa "lato sensu" (culpa ou dolo) é exigida
para se distinguir a responsabilidade subjetiva da objetiva (independente de culpa).

Conforme já explanado acima, a conduta da UFS em instaurar procedimento administrativo em


face do requerente impondo-lhe a escolha dos cargos por ele exercidos quando estes eram
passíveis de cumulação está eivada de ilegalidade, devendo, portanto, arcar com os prejuízos
dela advindos.

O nexo de causalidade entre o ato ilícito e o evento danoso é facilmente verificado na medida em
que o autor somente efetuou o pedido de exoneração junto ao Estado de Sergipe após a
interpelação por parte da UFS determinando-lhe a opção.

O autor pediu exoneração do cargo de professor do Estado de Sergipe em razão de equivocado


entendimento de impossibilidade de acumulação desse cargo com o de Técnico de Assistente de
Administração na UFS, manifestação de vontade viciada, totalmente justificável na situação em
que se encontrava.

Quanto à caracterização do tipo de dano, o dano material atinge diretamente o patrimônio,


entendido como o conjunto de bens apreciáveis economicamente, tendo como finalidade a
colocação do lesado em um estado anterior a prática do ato ilícito. Ademais, sua comprovação é
necessária.

Assim sendo, resta delimitado o dano material, que consistirá na reparação econômica através do
pagamento dos valores mensais que teria direito autor desde a data em que pediu exoneração ao
Estado de Sergipe não podendo esta se estender até o seu efetivo reingresso, tendo em vista que
caberá ao autor buscá-lo perante os órgãos estaduais, respeitando-se, obviamente, o prazo
prescricional previsto no art. 9º, do Decreto nº 20.910/1932 que assim dispõe:

Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a
interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo."

Quanto ao dano moral, a questão efetivamente se resume ao que se chama de "qualificação


jurídica" do fato, ou seja, ao problema de se saber se o evento descrito nos autos configura um
ato capaz de causar danos morais, passíveis, por conseguinte, de gerar direito à indenização
pecuniária.

Pois bem. Sabe-se que o dano moral é aquele que, distinguindo-se do dano patrimonial, ocorre
em atributos da personalidade como a dor, angústia, consternação, vergonha, humilhação, enfim,
ataques à honra subjetiva.

Na hipótese, entendo que o evento apontado não tem potencialidade danosa suficiente a causar
danos morais, mormente quando realizados com finalidade pública e sem qualquer mácula aos
direitos oriundos da personalidade do Autor/Apelado.

Forrado nessas razões, dou provimento, em parte, à Apelação e à Remessa Necessária, tida por
interposta, para afastar a condenação da UFS em danos morais. É como voto.

mft

PROCESSO Nº: 0800654-61.2015.4.05.8500 - APELAÇÃO


APELANTE: FUNDACAO UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE
APELADO: MANOEL MISSIAS DOS SANTOS FILHO
ADVOGADO: GILMARIO OLIVEIRA NASCIMENTO JUNIOR
RELATOR(A): DESEMBARGADOR(A) FEDERAL CID MARCONI - 3ª TURMA
ORIGEM : JUÍZO DA 1ª VARA FEDERAL/SE- JUÍZA TELMA MARIA SANTOS MACHADO
EMENTA

CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. SERVIDOR PÚBLICO. CUMULAÇÃO DE CARGO


TÉCNICO DE ASSISTENTE EM ADMINISTRAÇÃO E DE PROFESSOR ESTADUAL.
POSSIBILIDADE. DANOS MATERIAIS. DIREITO. DANOS MORAIS. DESCABIMENTO.

1. Apelação interposta pela Universidade Federal de Sergipe -UFS, em face da sentença que
julgou procedente o pedido, para anular o ato que determinou a opção do Autor por um dos
cargos por ele ocupados (Professor do Estado de Sergipe e Assistente Administrativo da UFS),
condenando a Autarquia ao pagamento da indenização pelos danos materiais, consistente no
pagamento dos valores mensais que o Autor teria direito, caso não tivesse que ter optado pela
exoneração do cargo de Professor do Estado de Sergipe, desde a data da exoneração, até o
trânsito em julgado desta sentença; bem como ao pagamento pelos danos morais, arbitrados em
R$ 30.000,00 (trinta mil reais).

2. O Autor/Apelado é servidor da UFS, no cargo de Assistente Administrativo desde 20/05/1980, e


ingressou no Estado de Sergipe, no cargo de Professor de Ensino Fundamental, em 03/09/1986.
Em 2011, recebeu um ofício da UFS, determinando que o mesmo escolhesse um dos dois
cargos, diante da suposta impossibilidade de cumulação, tendo o Requerente optado pelo cargo
exercido na UFS, sendo exonerado do Estado de Sergipe em 07/12/2011.

3. "A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça assentou o entendimento de que o cargo


público de técnico, que permite a acumulação com o de professor nos termos do art. 37, XVI, b,
da Constituição Federal, é o que exige formação técnica ou científica específica." (STJ. Primeira
Turma. RMS 32031/AC. Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI. Julg. 17/11/2011. Publ. DJe
24/11/2011).

4. Em relação à natureza técnica do cargo que o Apelado ocupa na UFS, verifica-se que a Lei
11.091/2005, em seu anexo II, fixou as qualificações necessárias para o exercício do cargo de
Assistente em Administração (ensino médio profissionalizante ou ensino médio completo +
experiência de 12 meses), não havendo como não o considerar um cargo técnico, para efeito da
CF e do art. 3º, parágrafo único, alínea a, do Decreto 35.956/54. Precedentes: TRF5. AGTR
08011522020134050000. Rel. Des. Federal Manoel Erhardt. Julg. 31/10/2013; TRF5. Quarta
Turma. AC 08000337720134058001. Rel. Des. Federal Margarida Cantarelli. Julg. 07/01/2014.

5. Configuração do dano material, que consistirá na reparação econômica através do pagamento


dos valores mensais que teria direito o Requerente, desde a data em que pediu exoneração ao
Estado de Sergipe, com juros e correção monetária, nos moldes do Manual de Cálculos da
Justiça Federal, não podendo esta se estender até o seu efetivo reingresso, tendo em vista que
caberá ao Autor buscá-lo perante os órgãos estaduais, respeitando-se, obviamente, o prazo
prescricional previsto no Decreto nº 20.910/1932.

6. Ausência de potencialidade danosa suficiente a causar danos morais, mormente quando


realizadas com a finalidade pública e sem qualquer mácula aos direitos oriundos da
personalidade do Autor/Apelado. Apelação e Remessa Necessária, tida por interposta,
providas em parte (item 6).

mft

PROCESSO Nº: 0800654-61.2015.4.05.8500 - APELAÇÃO


ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, em que são partes as acima identificadas.

Decide a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, dar
provimento, em parte, à Apelação e à Remessa Necessária, nos termos do relatório e voto do
Desembargador Relator, que passam a integrar o presente julgado.

Recife (PE), 25 de fevereiro de 2016.

Desembargador Federal CID MARCONI

Relator

mft