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Sol Poente - 1929 

Tarsila do Amaral
Reprodução fotográfica
Eduardo Castanho/Itaú
Cultural

Tarsila do Amaral
Tarsila | T. do Amaral | Tarcila do Amaral | Tarsila Amaral |
Tharcilla do Amaral | Tharcilla

Born: 10/1/1886 (Brasil, São


Paulo, Capivari)
Died: 1/17/1973 (Brasil, São
Paulo, São Paulo)
Artistry:  pintor, desenhista, gravador, ilustrador
Análise

Biografia
Tarsila do Amaral (Capivari SP 1886 - São Paulo
SP 1973). Pintora, desenhista. Estuda escultura
com William Zadig (1884-1952) e com
Mantovani, em 1916, na capital paulista. No ano
seguinte tem aulas de pintura e desenho
com Pedro Alexandrino (1856-1942), onde
conhece Anita Malfatti (1889-1964). Ambas têm
aulas com o pintorGeorg Elpons (1865-1939).
Em 1920 viaja para Paris e estuda naAcadémie
Julian e com Émile Renard (1850-1930). Ao
retornar ao Brasil forma em 1922, em São Paulo,
o Grupo dos Cinco, com Anita Malfatti,Mário de
Andrade (1893-1945), Menotti del Picchia
(1892-1988) e Oswald de Andrade (1890-1954).
Em 1923, novamente em Paris, freqüenta o
ateliê de André Lhote (1885-1962), Albert
Gleizes (1881-1953) e Fernand Léger (1881-
1955). Entra em contato como o poeta Blaise
Cendrars (1887-1961), que a apresenta a
Constantin Brancusi (1876-1957), Vollard, Jean
Cocteau (1889-1963), Erik Satie, entre outros.
No ano seguinte, já no Brasil, com Oswald de
Andrade, Olívia Guedes Penteado (1872-1934),
Mário de Andrade e outros, acompanha o poeta
Blaise Cendrars em viagem às cidades históricas
de Minas Gerais. Realiza uma série de trabalhos
baseados em esboços feitos durante a viagem.
Nesse período, inicia a chamada fase pau-brasil,
em que mergulha na temática nacional. Em 1925
ilustra o livro de poemas Pau-Brasil, de Oswald
de Andrade, publicado em Paris. Em 1928,
pinta Abaporu, tela que inspira o movimento
antropofágico, desencadeado por Oswald de
Andrade e Raul Bopp (1898-1984). Em 1933,
após viagem à União Soviética, inicia uma fase
voltada para temas sociais com as
obras Operários e 2ª Classe. Em 1936 colabora
como cronista de arte no Diário de São Paulo. A
convite da Comissão do IV Centenário de São
Paulo faz, em 1954, o painelProcissão do
Santíssimo e, em 1956, entrega O Batizado de
Macunaíma, sobre a obra de Mário de Andrade,
para a Livraria Martins Editora. A retrospectiva
Tarsila: 50 Anos de Pintura, organizada pela
crítica de arte Aracy Amaral e apresentada
noMuseu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
(MAM/RJ) e no Museu de Arte Contemporânea da
Universidade de São Paulo (MAC/USP), em 1969,
ajuda a consolidar a importância da artista.

Comentário crítico
Nascida em Capivari, São Paulo, em 1886, a
pintora e desenhista Tarsila do Amaral inicia-se
nas artes em 1902, período em que freqüenta o
colégio Sacré Couer de Barcelona. Na escola
copia imagens religiosas. Em 1904, regressa ao
Brasil. Pouco tempo depois se casa com André
Teixeira Pinto, com quem tem sua única filha,
Dulce. O casamento não dura muito. Contra a
vontade da família, Tarsila se separa. Em 1913,
muda-se para São Paulo. Aprende piano, copia
pinturas e acompanha algumas discussões
literárias, sem saber direito a que se dedicaria. O
contato com as artes se estreita a partir de
1916, quando passa a trabalhar no ateliê do
escultor William Zadig, com quem aprende a
modelar. No mesmo ano, tem aulas com o
escultor Mantovani. Seu aprendizado continua
no curso de desenho com Pedro Alexandrino. Aí
conhece Anita Malfatti, já modernista, abrigada
na turma do professor acadêmico.
Posteriormente ela e alguns colegas do curso de
Pedro Alexandrino fazem aulas de pintura com
Georg Elpons, que lhes apresenta técnicas
diferentes das acadêmicas, como a aplicação de
cores puras, diretamente do tubo.

Estimulada pelo maestro Souza Lima, parte para


Paris em 1920. Quer entrar em contato com a
produção européia e aperfeiçoar-se. Ingressa
primeiro na Académie Julian, depois tem aulas
com Emile Renard. Nesse período, trava contato
com a arte moderna. Vê o que Anita Malfatti já
lhe havia contado. Conhece trabalhos de Pablo
Picasso (1881-1973), Maurice Denis (1870-
1943) e a produção dos dadaístas e futuristas. O
interesse coincide com o fortalecimento do
modernismo em São Paulo. De longe, Tarsila
recebe curiosa a notícia dos progressos do
grupo, na correspondência com Anita. Em abril
de 1922, dois meses depois da Semana de Arte
Moderna, volta ao Brasil para "descobrir o
modernismo".1 Conhece Mário de Andrade,
Oswald de Andrade e Menotti del Picchia. Com
eles e Anita, funda o Grupo dos Cinco. O
aprendizado europeu será digerido aqui, no
contato com o grupo. A artista pinta com cores
mais ousadas e pinceladas mais marcadas. Faz
retratos de Mário de Andrade e Oswald de
Andrade com cores expressionistas e
gestualidade marcada.

Em 1923 volta a Paris e passa a viver com


Oswald de Andrade. Retoma as aulas, mas em
outras bases: distância-se da educação
convencional, acadêmica. Quer estudar as
técnicas modernas. Nesse ano, se torna aluna de
André Lhote. Com ele, suas formas se
regularizam. Na mesma época, entra em contato
com os grandes nomes do modernismo
parisiense, como o poeta Blaise Cendrars, que a
apresenta a Constantin Brancusi, Vollard, Jean
Cocteau, Erik Satie e Fernand Léger. Chega a
frequentar o ateliê deste pintor cubista. Tem
aulas também com Albert Gleizes. A convivência
com os mestres vai influenciá-la
profundamente. Nesse período faz uma pintura
de inspiração cubista,2 no entanto, interessa-se,
cada vez mais pela figuração tipicamente
brasileira, de temas nacionais, como em A
Negra (1923) e A Caipirinha (1923).

Retorna para o Brasil com interesse voltado para


as coisas daqui. Viaja para conhecer o carnaval
carioca e as cidades históricas de Minas Gerais.
Tarsila utiliza as técnicas aprendidas no exterior
para figurar coisas de sua terra. A abordagem
geométrica da iconografia brasileira vai originar
a pintura Pau-Brasil em 1924. Sérgio Milliet
(1898-1966)descreve esses trabalhos como "a
captação sintética de uma realidade brasileira
sentimental e ingênua, de que haviam se
envergonhado antes os artistas do nosso
país".3 Em sua primeira individual, em 1926, na
Galerie Percier, em Paris, a artista mostra esses
trabalhos.

Em 1928, ela presenteia Oswald de Andrade com


o quadro Abaporu. A pintura estimula o escritor
a fundar o movimento antropofágico. Neste
período, a geometria é abrandada. As formas
crescem, tornam-se orgânicas e adquirem
características fantásticas, oníricas. Telas
como O Ovo, O Sono e A Lua, compostas de
figuras selvagens e misteriosas, aproximam-na
do surrealismo.

A partir da década de 1930, a vida de Tarsila


modifica-se bastante. No primeiro ano da
década separa-se de Oswald. Na mesma época,
ocupa, por um curto período, a direção
daPinacoteca do Estado de São Paulo (Pesp).
Viaja para a União Soviética no ano seguinte e
expõe em Moscou. A partir de 1933, seu
trabalho ganha uma aparência mais realista.
Influenciada pela mobilização socialista, pinta
quadros como Operários e 2ª Classe,
preocupados com as mazelas sociais.

Em 1935, muda-se para o Rio de Janeiro. Sua


vida é atribulada. A artista tem uma situação
doméstica confusa, repleta de afazeres e afasta-
se da pintura. Ocupa-se da disputa de posse de
sua fazenda e trabalha muito como ilustradora e
colunista na imprensa. A partir de 1936 colabora
regularmente como cronista no Diário de São
Paulo, função que ocupará até os anos de 1950.
Nessa época, seus quadros ganham um
modelado geométrico. As cores perdem a
homogeneidade e tornam-se mais porosas e
misturadas. Em 1938, recupera a propriedade,
retorna à São Paulo e sua produção volta à
regularidade. Reaproxima-se de questões que
animaram o período heróico do modernismo
brasileiro. A partir da segunda metade dos anos
de 1940, as inquietações do período pau-brasil
e da antropofagia são reformuladas, os temas
rurais voltam de maneira simples. Em algumas
telas, como Praia (1947) ePrimavera (1946), as
figuras agigantadas evocam o período
antropofágico, mas agora aparecem sob forma
mais tradicional, com passagens tonais de cor e
modelado mais clássico.

Em 1950, é feita a primeira retrospectiva de seu


trabalho, noMuseu de Arte Moderna de São
Paulo (MAM/SP). A exposição dá mais prestígio à
artista, nela as pinturas da fase "neo pau-brasil"
são mostradas pela primeira vez. O retorno a
temas nacionais anima Tarsila a pintar dois
murais de forte sentido patriótico. Em 1954,
terminaProcissão do Santíssimo, encomendado
para as comemorações do IV Centenário da
Cidade de São Paulo. Dois anos depois,
entrega O Batizado de Macunaíma, para a
Editora Martins. Em 1969, a crítica de arte Aracy
Amaral organiza duas importantes
retrospectivas do trabalho de Tarsila. Uma no
MAC/USP e outra no MAM/RJ. As mostras
consolidam sua importância para a arte
brasileira.
Notas
1
 AMARAL, Aracy. Tarsila: sua obra e seu tempo.
3. ed. rev. ampl. São Paulo: Edusp: Editora 34,
2003. p.70.

2
 Em 1924, ao retornar ao Brasil, Tarsila
responde afirmativamente à pergunta: "A
Senhora é cubista? ". Cf. AMARAL, Aracy. op. cit.
p. 141.

3 MILLIET, Sérgio. Uma exposição retrospectiva.

In: AMARAL, Aracy. op. cit. p. 454- 457.