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Peter Mark

“Portuguese” style and luso-african identity.

CONSTRUCTING IDENTITY: ARCHITECTURE

Pg.9

Os prédios construídos para os indivíduos ou dos grupos nos dizem muito sobre suas vidas, de
suas profissões, da sua posição econômica, e da imagem do status social que eles desejavam
projetar. Na Sene Gâmbia e na Bissau, como em outros lugares da África Ocidental, o estilo
arquitetônico e a tecnologia construtiva responde as mudanças para as condições climáticas
locais e ambientais. A existência de elementos similares na arquitetura de dois grupos pode
consistir uma evidencia do contato ou do empréstimo; alternativamente, similaridades podem
refletir uma evolução independente de soluções paralelas no desenvolvimento das
edificações. A história não é sempre habilidosa em determinar quais destes processos
históricos foi empregados.

Edificações também tem uma história, ou antes de tudo, histórias, que são mais subjetivas. O
importante papel que a arquitetura desempenhou na construção de imagens de uma
determinada sociedade, que em parte, deriva do óbvio fato de que a arquitetura
frequentemente caracteriza a cultura material mais saliente. A maneira a qual os membros de
uma cultura veem e interpretam suas próprias edificações, que são vistas diferentemente
pelos que estão de fora, desempenham um significante papel em articular as imagens externas
destas sociedades. Consequentemente, um dado estilo arquitetônico pode ter múltiplas
histórias e vários significados. Cada uma destas histórias reflete atitudes discretas na direção
de uma cultura arquitetônica cujos membros construíram e viveram netas edificações.

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A história, ou a sequência destas histórias, associadas com a arquitetura luso-africana e dos


seus vizinhos da Costa Superior da Guiné reflete a mudança de status social e econômico dos
luso-africanos na África Ocidental. Parte da rede de comércio mundial e das diásporas do
comércio hemisférico durante o século XVI e XVII, os luso-africanos eram associados com o
estilo “português” da arquitetura, ou da maison à la portugaise, variantes as quais eram
encontradas nas comunidades distantes no Brasil. Descrições das habitações luso-africanas e
das ilustrações da arquitetura afro-brasileira oferecem uma evidencia gráfica do movimento
das pessoas – comerciantes europeus e euro-africanos, assim como, dos escravos africanos –
entre a Costa da Guiné e o Brasil. Contudo, na segunda metade do século XIX, observadores
coloniais franceses na Sege Gâmbia tinham redefinido a arquitetura “portuguesa”. Os prédios
agora eram vistos com evidencia da decadência tanto da cultura portuguesa e da África
Ocidental. Este processo de redefinição fazia parte da leitura sobre a difusão colonial da
cultura e da história da África, de uma maneira congruente com a percepção europeia sobre a
superioridade da cultura europeia (e da concomitante inferioridade da cultura africana).
Ultimamente, a história da arquitetura é mais do que a própria estrutura. Isto é sobre o
significado atribuído por estas estruturas, tanto por aqueles que a construíram, como por
pessoas de fora. Neste caso a arquitetura pré-colonial do sudeste da Sene Gâmbia e Bissau, de
todos os grupos que concerne – africanos, euro-africanos e europeus – a percepção dos
símbolos edificados de quem viveu neles, e de que tipo de pessoas estes habitantes eram. A
arquitetura servia tanto como um instrumento de auto definição, e como um instrumento de
definição externa. Além disso, a arquitetura era tanto uma marca de identidade simbólica e
subjetiva.

Os prédios que constituem o foco deste estudo eram, com poucas exceções, construídos de
terra ou barro seco ao sol (taipa), geralmente com cobertura de sapé. Estas estruturas, é claro,
não existem mais. Muitas destas vilas também desapareceram ou mudaram de local. Alguma
delas sucumbiram pela guerra, outras por mudanças ao curso dos rios e ao lado dos canais,
nos quais eram construídos, ou o desaparecimento das rotas comerciais que lhe davam vida
econômica. Entretanto, algum dia, arqueólogos vão estudar os sítios em que estas vilas foram
formadas. Mas a arqueologia foi mal feita no sudeste da África. Apesar disto, a história da
arquitetura local antes de 1850 permanecera uma história sem os edifícios próprios.

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A história da arquitetura pré-colonial é dado pela grande fata de representações visuais destas
estruturas desaparecidas. A reconstrução das formas casas da Sene Gâmbia, se é obrigado usar
principalmente fontes escritas. Estas descrições se encontram nas narrativas de viagem, uma
referencia direta nos registros portugueses do século XVI e XVVII, e dos ocasionais registros
missionários. Com a exceção dos autores cabo verdianos citados acima, estas fontes são quase
todas escritas por europeus. Quão confiáveis eles são? Descrições de viajantes de casas,
mesquitas e fortificações tendem a ser simples. Usualmente, os dados brutos das descrições
visuais podem ser separados por um viés etnográfico. O viés cultural que caracteriza muitas
das narrativas do século XVIII e XIX, não costumam levar a distorções significativas da forma
física das habitações dos líderes políticos locais, ou das estruturas defensivas, ou dos poucos
prédios monumentais que existiam na Sene Gâmbia.

Mesmo assim, as imagens da arquitetura da Sene Gâmbia do século XIX são muito raras. Ao
final do século XVII, Jean Barbot ilustrou fortes e outros prédios, mas Barbot ,não fez desenhos
de observação nesta parte da costa. Um pequeno número de mapas do século XVII e XVIII
incorpora imagens de casa sistematicamente e das paredes de vilas. Dois mapas em particular
(fig. 3.e 4,do capítulo 2) associados com a narrativa de viagem de Michael Jajolet de la Courbe
podem ter incluído imagens derivadas de observações próprias. Ainda aqui, também, as
imagens tendem a ser esquemáticas e genéricas.

A mais acurada descrição da arquitetura doméstica do século XIX da Guiné Bissau e pode, de
fato, não vir da África, mas do Brasil. Durante e depois de sete anos residindo no Brasil (1637-
1644), o artista holandês Frans Post fez numerosas ilustrações e pinturas de casas coloniais
portuguesas. Fechado laços comerciais e uma atividade comercial escravista ligava os
mercadores brasileiros e luso africanos da Cosa da Guiné Superior. A ilustrações de Post (12-
14, capítulo 3) retratam algumas casas coloniais que aparecem incorporando elementos do
estilo português, um estilo ao gosto do que foi trazido ao novo mundo pelos comerciantes
luso-africanos e escravos. Até a mais significante das cenas de Post sobre a vida dos escravos,
retrata as habitações que foram claramente feitas pelos africanos, que pareciam refletir os
protótipos da África Ocidental. Estas pinturas mostram indiretamente mas evidenciam
detalhes visuais das formas arquitetônicas da África Ocidental do fim da metade do século
XVII.

Da segunda metade do século XIX, muitos visitantes franceses a Sene Gâmbia fizeram
desenhos da região, representando alguns edifícios. A grande extensão de representações são
aquelas feitas por Hyacinthe Hecquard, que foi quem viajou por Casamance em Futa Jalon em
1850-1851 e quem retratou feitorias de Ziguinchor e Carabane (fig. 18, capítulo; fig. 21,
capítulo 6). Trinta anos depois, a expedição de Bayol para o Rio Pongo de Juta Jalon era
abundantemente era ilustrada pelo artista chamado Noirot. Em ambos os casos, no entanto, o
principal registro visual de Futa Jalon, uma área que fica fora do foco do presente estudo.
Apenas ao final do período considerado no presente estudo, iniciado em 1889, quando o
sudeste da Sene Gâmbia foi documentada por fotografia.

Pg.11-12

As últimas duas décadas do século XIX constitui um divisor de águas na história do sudeste da
Sene Gâmbia. Em 1886, os franceses adquiriram a Casamance, e o posto administrativo de
Ziguinchor, de Portugal. Os luso-africanos que haviam habitado a região desde o século XVII,
perderam tanto sua autonomia política e os precedentes do seu papel econômico formal no
comércio. O estabelecimento da administração da colonização francesa marginalizou os
poucos restantes. Desenvolvido por um discurso de identidade cujos parâmetros foram
determinados pelos europeus, os “portugueses” foram efetivamente redefinidos sua antiga
identidade , que era uma vaga lembrança de sua reputação como mestre construtores. Ainda
até esta memória foi subsumida por um discurso etnocêntrico que depreciou a cultura africana
e essencialmente redefiniu as casas em estilo “português”, como os europeus inspiraram a
moradia.

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CAPÍTULO 01

THE EVOLUTION OF “PORTUGUESE” IDENTITY: LUSO-AFRICANS ON THE UPPER GUINEA COAST


FROM THE SISTEENTH CENTURY TO EARLY NINETEENTH CENTURY

THE STABLISHMENT OF EARLY PORTUGUESE COMMUNITIES

Durante o fim do século XV e XVI Portugal estabeleceu comércio ao longo da Costa da Guiné
Superior, que era a parte da Costa Atlântica que se estendia de Senegal à Serra Leoa. A
ascendência portuguesa no comércio africano começou no século XV com á exploração
marítima. No início de 1600, entretanto, a união monárquica entre Portugal e Espanha
começou a minar a supremacia portuguesa. Este processo foi cumplice para a conquista do
nordeste brasileiro pelos Holandeses, no início de 1630, com o estabelecimento do posto
comercial em Goré Island fora da Costa Senegalesa, em 1621. Uma geração depois, os
franceses estabeleceram em St.Louis na boca do River Senegal em 1659,seguido pela captura
de Gorée em 1678 marcada pelo crescimento da presença comercial francesa. Os britânicos
começaram uma importante atuação ao mesmo tempo. O estabelecimento da guarnição
inglesa do forte James, no baixo do River Gâmbia, pouco depois da metade do século, marcou
o início da rivalidade comercial e militar entre os franceses e ingleses, que continuaria até os
fins das guerras napoleônicas em 1815.

Pg.12-13

Emigrantes de Portugal (alguns eram judeus que procurara escapar das perseguições
religiosas), que eram chamados de lançados, se estabeleceram ao longo da costa, onde muitos
deles se casaram com as mulheres das comunidades locais. No final do fim do século XVII, os
descendentes destas uniões, os luso-africanos, ou “portugueses”, como eles se chamavam, nos
centros comerciais de Petite Côte em Senegal, no sul de Serra Leoa (fig. 1 e 2). Descendentes
de imigrantes portugueses, da Ilha de Cabo Verde, e na África Ocidental, os luso-africanos
desenvolveram uma cultura que era em si mesma um síntese de elementos africanos e
europeus. Ricas documentais históricas permitem um estudo de caso sobre as mudanças de
formas que os luso-africanos se identificaram ao longo dos três séculos. Muitos mercadores
“portugueses” do Cabo Verde, incluindo André Alvares de Almada (1590) e André Donelha
(1570-1625), escreveu acontecimento

RECONSTRUCTING WEST AFRICA ARCHITECTURAL HISTORY: IMAGES OF SEVENTEENTH-


CENTURY “PORUGUESE”-STYLE HOUSES IN BRAZIL.

A forma básica da arquitetura em estilo “português” não era única na África


Ocidental. No século XVIII estruturas similares eram construídas para além do Oceano Índico.
Um relatório do início do século XVIII da ilha francesa de Reúnion reflete o alcance geográfico
deste estilo, ou pelo menos, da denominação “português”, já que os parâmetros deste termo
variam, unidos pela característica comum da varanda: “Os elementos de distinção..., entre
outros, são as varandas, um pequeno pórtico que forma a entrada da casa, em uma maneira
portuguesa”.

Mesmo dentro de um limite de área geográfica mais limitada a Costa da Guiné


Superior, tanto as formas, como os materiais usados pelas casas em estilo “português”
variaram durante os três séculos, os quais, se têm sua existência documentada. Certas
características, entretanto, eram fundamentais para o idioma. As casas eram quadradas ou
retangulares, sendo usualmente caídas no seu exterior, e eles tinham um alpendre, ou uma
varanda, ou um pequeno, semifechado vestíbulo de entrada. Materiais de construção,
variavam de acordo com os recursos do proprietário e com o uso de um, ou outro material
local, ou importado. Assim, os telhados podiam ser de sapê, ou de telhas cerâmicas. Em Sene
Gâmbia, as paredes eram geralmente de banco (de terra seca ou barro) ou tijolos secos, ou
ocasionalmente, de pau a pique ou adobe , ou ocasionalmente madeira, mas raramente, até
que no século XIX, a mínimo minoria era de pedra.

Outra variante da casa “portuguesa” é detalhada por Thomas Astley, cuja descrição de
1745 deriva de Morre e Labat:
Suas casas não tem nada além do chão como piso que, no entanto, é elevado à 3 e dois pés,
para mantê-lo seco. Eles constroem por um longo tempo, dividindo-as em várias salas, de
pequenas janelas, por conta do calor. Eles sempre têm um alpendre aberto em todos os lados,
por lá recebem visitas, comem..., e tratam de negócios.

Pg.60

A característica comum que definiu a casa em estilo “português”, tanto em Réunion e


na África Ocidental era o alpendre. É certo que esta característica variava de um vestíbulo a
uma varanda percorrendo o comprimento da edificação. Na versão da África Ocidental, os
alpendres estavam presentes, eles eram suportados por forquilhas. Na Gâmbia, Francis Moore
observa:

[O francês] têm duas ou três casas belas casas construídas com barro, como as casas
portuguesas, com paredes com 10 pés de altura, cobertos por palha, sendo suportado por
forquilhas resistentes e com um espaço deixado entre a parede o a cobertura para a passagem
do ar.

O espaço que Morre se refere é aquele deixado para entrada do ar noturno, que
circula para resfriar a habitação. Técnicas construtivas similares são usadas hoje em dia no
sudeste de Jolas (do qual, eram ancestrais do século XVI dos chamados Floups). A cobertura é
erguida por estacas que estão ancoradas no topo da parede de banco. A foto tirada em Buluf
(norte de Jola) comunidade de Elana, feita em 1955, mostra como o sistema era efetivo para
suspender a cobertura acima da estrutura de sua casa. Isto permite a circulação de ar no topo
da casa (fig. 7)

Pg.60-61

O estilo “português” não era monolítico; em vez disto, ela variou com o tempo, a
depender da localização geográfica. A grande diversidade de características associadas com as
casas em estilo “português” sugere que se faça um estudo histórico destes edifícios, levando
em conta a especificidade geográfica e o período em que foram construídos. Referências das
casas de estilo "português" em diferentes regiões, que não se apoiem por descrições
detalhadas ou por outras evidências, não se referem necessariamente a esse mesmo estilo
arquitetônico. Eram prédios similares que eram construídos em áreas geográficas distantes
umas das outras, mas apenas a existência de uma conexão histórica direta entre as duas
regiões, pode se estabelece uma probabilidade de que estas construções tenham de fato uma
relação entre si.

A história da maisons à la portugaise são mais complicadas pelo fato de que não haver
ilustrações detalhadas destas estruturas na África Ocidental, durante o século XVII, até o início
do XVIII, pelo que se sabe. Nenhum dos primeiros cronistas portugueses em Cabo Verde as
ilustraram em seus escritos. O primeiro viajante que as ilustrou em seus trabalhos, com
razoáveis e bons desenhos, foi Jean Barbot. Muitos destes desenhos descrevem a colonização
da costa. Alguns destes, embora não tenham desenhado com o olhar para o detalhe
arquitetônico, mostrou edifícios que podem ser de estilo “português”.
As ilustrações de Barbot de Rufisque, a presente Dakar (fig. 8) descrevem duas casas
retangulares próximas do centro da vila, que de outra forma, é composta de pequenas casas
redondas com tetos cônicos. Muitos luso-africanos ainda viviam em Rufisque, em 1681. As
duas estruturas retangulares contrastam com os outros edifícios na imagem, podendo
representar casas em estilo “português”. Eles estão lado a lado são as maiores estruturas
retratadas. Ultimamente, entretanto, no tratamento sumário de Barbot, não se mostra quais
materiais foram usados na construção, ou de fato, não há nenhum detalhamento.

Pg.62

Desenhos de Barbot detalharam fortes europeus ao longo da Gold Coast (Costa


Dourada), e também representam casas retangulares e prédios comerciais. Pouca destas
estruturas têm uma linha de telhado que possa sugerir a presença de uma varanda, ou de um
alpendre coberto. Particularmente notável na ilustração do holandês Fort Batensteen dee
Butre é a segunda casa a esquerda, ao pé da colina.

Na ilustração de Barbot de Accra, uma casa, situada à esquerda do forte português de


São Francisco Xavier, tem um telhado de dois bicos, sugerindo a presença exterior de um
alpendre. Lá, em um posto comercial português da Gold Coast, é provavelmente ter uma
descrição da uma casa em estilo “português”. É certo que dado a minúscula escala do
desenho, esta ilustração é de interesse primário e anedótico.

Outras poucas fontes do século XVII contêm ilustrações. Este não é, entretanto,
claramente desenho de uma testemunha ocular que representa estas casas. Apesar das
ilustrações de Olfert Dapper serem frequentemente citadas como documentos históricos, ele
mesmo nunca visitou a África; poucas, se houverem, das ilustrações da primeira edição de
trabalhos de Dapper são baseados em desenhos de observação. Mesmo as representações dos
fortes costeiros feitos por Dapper são mais um reflexo de uma fantasia europeia, do que uma
realidade africana; eles carecem da precisão presente nos desenhos de Barbot. Similarmente,
as casas africanas de Dapper foram igualmente baseadas em modelos europeus. Estas
ilustrações não eram usualmente usadas por historiadores de arquitetura vernacular da África
Ocidental.

ILLUSTRATIONS OF CAPE VERDEAN ISLANDS HOUSES

Mais de setenta anos após a publicação póstuma dos textos ilustrados de Barbot,
publicada por Joseph Corry em seu Observation upon the Windward Coast of Africa (1807).
Este trabalho foi ilustrado com gravuras baseadas nos desenhos do próprio autor. Os desenhos
de Corry incluem vistas da ilha de Goreé, que foi recém fundada como colônia inglesa de Serra
Leoa (atualmente Freetown), e a Porto Praya, Santiago, na Ilha de Cabo Verde. Esta
panorâmica paisagem tem uma razoável precisão, ainda que falte algum detalhe
arquitetônico. Sua datação relativamente atrasada levanta outro problema: o estilo
arquitetônico em Goreé, Freetown e Santiago do século XIX provavelmente diverge do modelo
inicial da maisons à la portugaise.

Pg.62-63
O panorama de Santiago de Corry (fig. 9), o mais importante sobre a Ilha de Cabo
Verde, é significante pela descrição das casas. A cena inclui três prédios que estão perto da
enseada à direita do promontório e ao o meio da imagem. Esta retangular e singular estrutura
de casa térrea, tem uma cobertura baixa de quatro águas. Pequenas janelas das paredes
sugerem um primeiro piso com muitos quartos horizontalmente alinhados; isto é
remanescente da descrição das “cazas” luso-africanas em Gambia, feita por Astleys em 1745:
“Eles tinham edifícios muito longos, divididos internamente por muitos quartos, com pequenas
janelas, em decorrência do calor”. Mas na vista distante de Corry não fica claro se estas casas
têm varanda ou vestíbulos. Enquanto, de forma geral, se mostra consistente com as casas em
estilo “português”, a pequena escala as representações fornecem uma tentadora
generalização de uma estrutura esboçada.

A partir do século XVI, a população da Ilha de Cabo Verde se manteve fechada ao


contato com os continentes adjacentes. Laços comerciais foram complementados por
migração de todos os lados, estabelecendo o que George Brooks tem chamado de nexo
econômico, social e cultural. Realmente, as comunidades luso-africanas da Sene Gâmbia, no
Rio da região da Guiné, e na Ilha de Cabo Verde compartilham em comum a identidade
cultural “portuguesa”. Esta sociedade crioula constituiu, segundo sugere José da Silva Horta,
“não apenas um mundo luso-africano, mais especificamente, um mundo cabo-verdiano-luso-
africano” (José da Silva Horta, 2000, p.104). Material cultural que consistia em um elemento da
identidade luso-africana. É possível que as casas em estilo “português” existissem desde o
início da Ilha de Cabo Verde. Concebivelmente, as ilhas serviram como ponto para a difusão
das técnicas arquitetônicas ibéricas, o que poderia fornecer evidencias para a arquitetura em
estilo “português”.

Pg.63-64

Infelizmente, as imagens pré século XIX são tão raras das Ilhas, quanto são para o
continente. A ilustrações das narrativas de Joseph Corry estão entre as primeiras que existem.
Ilustrações da metade do século XIX têm sobrevivido. Estas imagens arquitetônicas posteriores
não consistem em uma evidência histórica do século XVII. Mesmo assim, estas ilustrações, que
são primeiramente da ilha de Santiago, fazem uma breve consideração descritiva, dado apenas
a sugerir como os prédios em Cabo Verde poderiam ter sido.

No século XVII a cidade de Ribeira Grande, a qual foi abandonada no século XIX,
continha expressivos prédios e mansões. Destas estruturas incluíam uma catedral
(remanescentes, dos quais ainda existe) e numerosas casas térreas. Algumas destas casas são
claramente visíveis em litografias da metade do século XIX de artistas anônimos. As casas são
retangulares e as fachadas são caiadas (ou barradas), e têm duas janelas pequenas, cada uma
de um lado da porta de entrada. Uma característica digna de nota é o telhado de quatro águas.
Entretanto, nem as varandas, nem os alpendres estão visíveis. Similarmente, mesmo as casas
rústicas, sem o telhado inclinado de quatro águas, aparecerem em litográficas da mesma série.
Algumas destas simples habitações podem ser encontradas até hoje, por exemplo na
comunidade de Calheta. Lá ,tanto a casa de duas ou de quatro águas podem ser vistas lado a
lado (fig. 10).
Se alguma destas simples habitações se aproximassem das construções de Santiago do
século XVII é incerto. É possível que este estilo de casa não se alterou muito ao longo do
século, ou duas vezes nas ilustrações após 1864. De outro maneira, como a ausência da
varanda ou do alpendre pode claramente indicar, as casas dessas ilhas não eram idênticas as
casas em estilo “português” Sene Gâmbia.

Pg. 65

SEVENTEENTH – CENTURY DUTCH BRAZIL

Para a parte continental da Sene Gâmbia, como para a Ilha de Cabo Verde, as
narrativas de viagens fornecem um pouco da preciosa documentação sobre a arquitetura luso-
africana antes do século XIX. De fato, o detalhe nos desenhos e nas aquarelas de Hyacinthe
Hecquard de 1850 (a maioria permanece inédita) estão entre as representações detalhadas
das habitações africanas. Para as primeiras imagens das maisons à la portugaise, é preciso
olhar para outra parte do império mercantil português. Existem ilustrações das casas em estilo
“português”, mas elas são do Brasil do século XVII.

A Costa da Guiné Superior era parte do primeiro sistema comercial global europeu,
uma rede mundial que ligava a África Ocidental à Europa, Ásia, e o Novo Mundo. No Brasil, no
início dos anos de 1540, os colonos portugueses se estabeleceram através de uma economia
agrária baseadas no trabalho escravo para produção de açúcar. No início do século XVII, este
sistema foi fortemente dependente da importação de trabalhadores escravos da África
Ocidental. O comércio escravo, foi formalmente estabelecido no Brasil em 1518, com a
concessão do primeiro assiento [contrato real] se garantiu não só uma nova oferta de mão-de-
obra, mas também um regular e direto contato entre o nordeste brasileiro e o Costa Superior
da Guiné, e da Ilha de Cabo Verde.

No século XVI, relativamente poucos escravos eram mandados ao Brasil. O número de


africanos na Bahia em 1600 foi estimado em apenas 7.000. A origem deste início para a
escravidão foi diversa, é certo que a Costa da Guiné foi a mais representativa durante este
primeiro período. Em 1620, grande parte do tráfico veio da Angola, apesar dos navios
negreiros de Cacheu e de Cabo Verde terem ainda representado uma parcela significativa do
comércio no início de 1640. Na Holanda brasileira (Pernambuco, nordeste da Bahia), as
importações da Angola superam as importações da Costa da Guiné, somente após 1643, pela
ocupação holandesa em Angola. O total de escravos impostados pelos holandeses ao Brasil
entre 1636 e 1651, foram de 14.073 de Angola e 11.437 da Costa da Guiné.

No final do ano de 1640, a proporção de angolanos traficados havia se expandido.


Durante este período, os Rios Cabo Verdianos da região da Guiné estavam a princípio ligados
comercialmente a América Espanhola. Mesmo assim, alguns cativos e, especialmente aqueles
transportados pelos vasos ingleses e franceses, ainda eram enviados para a Costa da Guiné
Superior. Seguido da ocupação holandesa em Luanda em 1641, o comércio português cresceu
em números de cativos vindos da Ilha de Cabo Verde para o Brasil. Foi apenas em 1660 que a
porcentagem de cativos, que orginalmente eram da Sene Gâmbia, caiu para 5 porcento do
total das importações.
Pg.65-66

Claramente, a origem dos escravos da Bahia e de Pernambuco era diversa ao longo do


século XVII. É fato de que o a Costa da Guiné Superior estava desproporcionalmente
representada entre os primeiros escravos brasileiros, e isso pode ter tido implicações na
cultura material dos afro-brasileiros. Em outras palavras, enquanto aspecto significante da
cultura material, o que inclui o estilo das casas, muito se deve a representação de um
amalgama da influência da Costa da Guiné e da Angola, isso não seria irracional se atribuir a
uma importância primária, e finalmente durante a elaboração das formas da casa doméstica
entre os escravos brasileiros, da Costa da Guiné Superior.

Não apenas cativos africanos, mas igualmente os portugueses seguiram a rota do


tráfico da África para o Novo Mundo. No Brasil, os colonos portugueses encontraram um clima
semelhante ao da Costa da Guiné, e fizeram uma comparação de demandas dos projetos de
arquitetura. Colonos portugueses no Brasil construíram uma ampla variedade de habitações.
Proprietários de ricas plantações desfrutaram de um nível de prosperidade desconhecido para
os luso-africanos da Sene Gâmbia. Seus sobrados eram grandes e mais imponentes do que
qualquer casa luso-africana do século XVII. Casas de fazenda brasileiras tem pouca relação com
o início das habitações “portuguesas” na Costa da Guiné. Se as diásporas lusitanas
contribuíram para difundir o estilo de arquitetura doméstica da Guiné Superior no Brasil, então
é para as habitações mais modestas dos colonos brasileiros menos ricos que podemos
procurar semelhanças com as casas em estilo “português” da África Ocidental.

A conexão histórica entre a arquitetura doméstica da Costa da Guiné e os prédios


coloniais do século XVI e XVII no Caribe e no Brasil foi proposto por Jay Edwards, um
antropólogo sobre a cultura material do novo mundo. Edward observa que a arquitetura
vernacular europeia no novo Mundo podia ter sido derivada, não primariamente dos
protótipos da renascença europeia, como anteriormente se tinha como hipótese, mas sim das
Antilhas. Edward ainda postula que as “casas crioulas das Antilhas”, que eram caracterizadas
por um alpendre, ou por uma varanda, e as vezes eram levantadas acima do solo, tendo a
fachada caiada, por vezes, foram inspiradas pelas tradições vernaculares da África Ocidental.
Edwards compreende uma revisão teórica amplamente aceita exclusivamente pela origem
europeia do alpendre. Sua proposta é impressionante, pois ele estava trabalhando
cronologicamente em uma retrospectiva, como um esforço para estabelecer as origens da
arquitetura crioula francesa no Novo Mundo. A teoria de Edwards tem a vantagem adicional
de englobar elementos específicos da arquitetura presente em tradições construtivas diversas,
podendo de fato terem derivado de mais de uma fonte.

Pg.66-67

Em 1630, os holandeses capturaram Recife e Olinda, no Nordeste do Brasil, de


Portugal. Por 24 anos, até a colonização portuguesa retornar em 1654, os holandeses
colonizaram o Brasil pela companhia Holandesa das Índias Ocidentais. Em 1637, Johan
Maurício de Nassau foi apontado como governador geral holandês no Brasil, um posto que
ocupou por sete anos. Maurício era um importante patrono das artes e dos estudos de
ciências naturais, dois ramos de esforço intelectual que eram bem relacionados na Europa do
século XVII. Como governador, ele patrocinou a magistral Historia Naturalis Brazilae (1648),
um compendio de conhecimento geográfico e de ciência natural sobre a colônia. Em ordem do
registro da paisagem, da diversidade de população que vivia na colônia, e da arquitetura
militar e doméstica brasileira-, Maurício trouxe dois artistas profissionais holandeses: Albert
Eckhout (1610-1664) e Frans Post (1612-1680). De 1637 a 1644, os dois pintores criaram um
registro pictórico do Brasil para a Holanda, de maneira compreensiva, detalhada, e como um
grande trabalho etnográfico e, como um significante trabalho histórico.

“PORTUGUESE”-STYLE HOUSES EM FRANS POST´S WORK.

Frans Post é conhecido a princípio pela produção artística dos sete anos que esteve no
Brasil. Sua obra sobre o mundo colonial é fenomenal; inclui 800 desenhos com a descrição de
animais, plantas, fortificações, e casas. Enquanto no Brasil, Post pintou pelo menos sete
paisagens panorâmicas. Após o seu retorno à Holanda, pintou mais de 100 paisagens
adicionais. Poust era particularmente adepto a renderização de arquiteturas. De fato, eram
ocasionalmente especulações que Johan Maurits empregou especificamente para fazer
detalhamento em planta e de ilustrações de fortificações portuguesas, o que teria sido a
preocupação com a recém instalado governo holandês. O artista transmite a forma e descreve
claramente a localização dos fortes, das plantações, casas, engenhos de cana, e capelas, e
também as casinhas dos indígenas e dos escravos africanos. Sua atenção com o detalhe
arquitetônico é tão preciso, tanto dos materiais, quanto das técnicas construtivas, que estão
frequentemente evidentes.

Os desenhos e as pinturas de Frans Post providenciam o registro das formas


arquitetônicas e dos estilos do início do século XVII no nordeste brasileiro, no momento da
passagem do controle holandês, para os portugueses. Muitas das estruturas que Proust
representou e detalhou eram do princípio da colonização portuguesa. Estes prédios que ele
descreveu desde casas de fazenda, às simples casas térreas, abrangendo a toda uma gama de
habitações que foram construídas durante a ocupação portuguesa.

Pouca das pequenas casas coloniais aparecem incorporando elementos do estilo


“português”. O trabalho de Post oferece uma evidencia visual que sugere que alguns colonos
Portugueses – ou luso-africano – no Brasil adaptaram elementos arquitetônicos que eram
originários da Guiné. E algumas das habitações escravas pintada por Post foi construído no
estilo Português. A forte evidência levantada pela hipótese de Edwards dá que, a arquitetura
crioula do Novo Mundo tem raízes na África. Paradoxalmente as primeiras representações das
casas em estilo “português” não vieram da África, mas do Brasil do século XVII.

Pg.67-68

A comparação das representações de Frans Post e das pequenas casas brasileiras do


século XVI, e das escritas que descrevem as maisons à la Potugaise da Sene Gâmbia sugeridas
nas pinturas e desenhos de Post, que documentam a variante da casa em estilo português.
Entretanto as pinturas de paisagens de Post foram feitas após seu retorno à Europa, onde
retrabalhou o material captado no Brasil, para atender as convenções artísticas da pintura de
paisagem, onde ele não fez alterações substanciais sobre a arquitetura.
Estudiosos do trabalho de Post discordam se os desenhos, a maioria dos quais
carregam a inscrição “1645”, representam a data que originalmente foram produzidos no
Brasil, finalizados e datados após seu retorno à Europa, e se ele, como em muitas de suas
pinturas, que foram feitas na Holanda depois dos esboços anteriores terem se perdido. É
provável que os desenhos sejam do trabalho que Post fez originalmente no Brasil.

No período de 1647 a 1669, Post fez mais de 100 pinturas que representam
cuidadosamente os estilos de construção no Brasil. Na criação destes trabalhos, como
Whitehead e Boeseman argumentam, ele deve ter confiado em esboços feitos no Brasil.
Mesmo que o prédio os prédios na paisagem de Post fossem ligeiramente retrabalhados a
partir dos desenhos originais (e, de fato, elas parecem ter recebido uma interpretação
romantizada com um verniz adicional, similar as representações de casas posteriores de
Hobbeman), mesmo assim, Post mantém uma atenção escrupulosa atenta ao detalhe
arquitetônico. Consequentemente, estes trabalhos finalizados são importantes documentos
para a história da arquitetura brasileira (e afro-brasileira).

THE MARCGRAF MAP

Além de pinturas de paisagem, outra série de ilustrações de cenas e de arquiteturas


brasileiras, que parecem se basear nos desenhos de Post. Em 1643, George Marcgraf criou um
mapa do Brasil, também sobre o patrocínio de Johan Maurits. Este mapa permaneceu como a
representação cartográfica mais precisa do país dede o século XIX. O mapa de Marcgraf –
atualmente uma série de mapas – são ilustrações e gravuras que oferecem panoramas da vida
brasileira. Na composição e no estilo, estas vinhetas que evocam os trabalhos de Post; elas
eram provavelmente baseadas diretamente em seus desenhos.

Pg.68-69

O mapa foi o primeiro publicado por Johan Blaeu em 1646. Um ano depois, as placas
de cobre originais foram publicadas em Amsterdam por Caspar Barlaetus em seu Rerum per
Octennium in Brasilia. Em seus detalhes e precisões, as gravuras de Macgraf sugerem
fortemente e diretamente, como uma conexão com o trabalho de Post. Isto pode ser visto na
comparação das casas de fazenda. Os mapas incorporam as gravuras que retratam as casas de
fazenda por de trás das plantações de açúcar (fig. 11). A habitação retangular. No piso superior
existem aposentos levantados por pilares, acima do piso superior, e sem a presença de janelas.
A estrutura é convertida em uma cobertura baixa de quatro águas que se estende sobre uma
galeria semi-fechada. Este alpendre se estende por todo comprimento do piso superior. Este
prédio demonstra um clássico exemplo português na casa grande no Brasil. A representação é
muito similar às casas de fazenda de 1652 pintadas por Post, que está no Rijksmuseum. A
gravura de Marcgraf certamente quase se baseia na arquitetura ilustradas por Post, da qual, as
pinturas das casas de fazenda possuem similar atenção aos detalhes. E se as gravuras de
Marcgraf derivaram das arquiteturas ilustradas nos trabalhos de Post. O Mapa de Macgraf,
além disso, oferece a evidência que sugere a influência luso-africana na arquitetura vernacular,
da forma que as paisagens acabadas Post não.

Uma ilustração do Mapa de Marcgraf descreve uma cena de rio, com uma plantação
como plano de fundo. Ao lado do moinho que fica uma pequena habitação com um telhado de
quatro águas, com beirais que se estendem abaixo da fachada e projetada afrente dela, para
criar um espaço protegido. Esta é uma estrutura humilde; e não é uma casa de fazenda. Na
forma a habitação é retangular, com janelas pequenas e com paredes renderizadas na gravura
como superfícies sombreadas, sugerindo que esse artista procurou representar a caiação.

Pg.69-70

Esta insuspeita estrutura mostra as características típicas das casas em estilo


“português” da África Ocidental. No lado direito da fachada, o artista parece ter esboçado dois
postes. Estes postes suportam a extensão do telhado, criando um pequeno alpendre. Elas são
semelhantes as forquilhas descritas por Francis Moore (1738) na Gambia, as marcas
características das casas em estilo “português” lá. Isto não é possível, com base na impressão
bastante desgastadas nas gravuras de Allart em 1657, que determina os materiais construtivos
das casas construídas. Em outros aspectos, entretanto, estas habitações assemelham-se às
descrições das casas da Sene Gâmbia, exceto pelas telhas, que raramente são encontradas na
África Ocidental antes do século XIX.

Esta moradia nada comum, de longe, tanto nesta escala, como em sua simplicidade as
casas de dois andares (térrea) dos ricos luso-brasileiros agricultores de açúcar, incorporam
uma continuidade arquitetônica transatlântica. A descrição sugere uma distinção no estilo da
arquitetura doméstica, que se evolveu através da interação com os portugueses na África
Ocidental, e com os luso-africanos da Costa da Guiné Superior, igualmente se disseminou ao
Brasil português no primeiro terço do século XVII. Mas enquanto na África Ocidental as
maisons à la portugaise que eram associadas aos ricos comerciantes, em última análise, era
um símbolo de status social entre os portugueses e africanos do Brasil no século XVII, dos
membros menos ricos da comunidade luso-brasileira que habitavam edifícios que eram
construídos neste estilo.

O estilo poderia ser visto como trazido para o Novo Mundo pelos mercadores de
escravos luso-africanos, que desempenharam um importante papel para o início da
exportação de escravos para a Costa da Guiné Superior. Isto coincide com as casas que eram
construídas pelos imigrantes portugueses que haviam peregrinado pela África Ocidental.
(HIPÓTESE) Alternativamente, este estilo de arquitetura poderia ter sido criado
independentemente no Brasil, como produto da interação entre os imigrantes portugueses e
os escravos trazidos da costa da Guiné. As similaridades podem refletir uma interação entre os
mesmos dois grupos culturais que criaram os estilos de casas “portuguesas” no Brasil e na
África Ocidental, e em paralelo, responde a limitação dos meios materiais que as pessoas
tinham como desafio para desenvolver casas situadas em climas comparáveis. O resultado foi
a criação de um idioma que era muito próximo do estilo “português”, exceto pela cobertura
com telhas, presente nas ilustrações do século XVII do nordeste brasileiro, que poderiam ser
ilustrações das maisons à la portugaise da África Ocidental.

Não está claro quantos colonos portugueses no Brasil já haviam passado algum tempo
na Guiné Superior e na Ilha de Cabo Verde. Dez anos depois, da fundação da Bahia em 1549, a
Coroa Portuguesa autorizou diretamente o tráfico de escravos da África para o Brasil. Em 1570,
a rápida expansão das plantações de açúcar foi criada uma crescente demanda por
trabalhadores africanos. Durante o início do período a esmagadora maioria de cativos vinham
da Guiné Superior. Mercadores cabo verdianos e luso-africanos eram os que estavam
profundamente ligados ao comércio escravo. É provável que algum deles, eventualmente se
instalaram no Brasil, principalmente pela expansão das plantações agrícolas e do crescimento
do preço do açúcar, que trouxe rapidamente o crescimento da prosperidade dos portugueses
brasileiros, ao mesmo tempo que fome e seca afligiam a Ilha de Cabo Verde.

Pg.69-70

As pinturas de Frans Post concentram-se em fortalezas, casas de fazenda, estações


missionárias, e plantações de açúcar, o visual incorpora economia, social, e o poderio militar.
Representação de habitações dos índios e africanos escravos despossuídos e dos colonos
pobres são frequentemente consignadas como pano de fundo. Ainda, a observação de Post
aos detalhes arquitetônicos é tão precisa, que até estas características anedóticas ou de fundo
fornecem um registro histórico da paisagem arquitetônica do Brasil do século XVII. As imagens
mais distantes oferecem informações sobre o estilo das casas vernaculares. Whitehead e
Boeseman observam, “parece bem provável que as cenas descritas fossem realmente feitas
por observação, embora fossem redesenhadas, elas podem ser verdadeiramente um autêntico
registro”.

Pg.71-72

Uma das pinturas de Post, intitulada simplesmente Distant Landscape whit Church
Ruins, Chapel anda Farms (Wide Landscapes with Buildings, de acordo com Joaquim de Souza
Leão), mostra uma paisagem bifurcada na meia distância por um rio (fig. 12). Além da água, à
esquerda da figura há uma pequena vila. Os prédios são modestos, excetos pelas ruínas da
igreja de estuque. Ao lado da igreja fica uma pequena capela e, quatro ou cinco austeras casas
retangulares. Imediatamente a frente da capela, quase escondida pelas copas das árvores, está
uma estrutura quadrada que se assemelha a uma casa em estilo “português” das ilustrações
de Macgraf. As paredes rebocadas brilhando a luz do sol, sugerindo a caiação. Abaixo da
cobertura de sapé de quatro águas, com duas paredes voltadas para o espectador. Ambas
paredes são interrompidas por longas e retangulares paredes. Estas aberturas parecem ser
parte de uma galeria ou varanda. Os mesmos elementos arquitetônicos que dominam o piso
superior das casas de fazenda pintadas por Post aparecem aqui em uma escala muito reduzida.
Em vez de representar uma versão reduzida da casa grande, no entanto, esta pequena
estrutura, suas paredes externas parcialmente abertas para a brisas do rio, podem refletir um
protótipo comum. Esta pequena habitação caiada retangular, muito parecido com as casas das
gravuras de Marcgraf, têm forma similar as formas da maisons à la portugaise da África
Ocidental.

Estes prédios se assentam em uma elevação, logo acima da margem do rio. Esta
varanda faceia a água, estando aberta para a brisa que sopraria de noite e de madrugada. A
localização e, a orientação maximizam o efeito de resfriamento do ambiente imediato. Na
África Ocidental, as fontes históricas raramente especificam a orientação das casas em estilo
“português”, mas elas eram invariavelmente próximas a fontes de água, mesmo que
primariamente fossem próximas de rotas comerciais (cf. Zingiuchor). Em Vintang, a maisons à
la portugaise eram construídas na encosta, observando o Riacho Vintang. No século XVII, o rei
Floup de Bolole construiu sua casa em estilo “português” próximo da corrente, em parte como
uma proposta puramente defensiva, mas também, concebivelmente, para receber as brisas
refrescantes.

No Brasil e na Sene Gâmbia, não teria demorado muito para que os portugueses
aprendessem as vantagens seleção longo do aprendizado, as vantagens da seleção de
localidades adjacentes a – se a topografia permitir, ou da vista – corpos d’água. Na Sene
Gâmbia, eles teriam isso de seus vizinhos. Atualmente, entre os Jolas de Casamance
(descendentes dos Floups), a palavra para anoitecer (geresse) deriva de “erus” [brisa], “o ar
refrescante das correntes que são resultantes das variações da temperatura diurna. Tal o
conhecimento local era muito difundido pelo dia, após a ventilação do teto ou, das condições
do ar”.

Um importante aspecto, da pequena casa em Distant Landscape with Church Ruinsm


Chapel and Farms, de Frans Post, notadamente diferente das maisons à la portugaise do
século XVII e XIII, da África Ocidental. Mesmo assim, invisível por de trás das copas da árvore
que partem a tela, com estas habitações com uma série de finos postes. Como as grandes
casas de fazenda nas pinturas de Post, essa casa modesta também é elevada. O acidente de
composição da máscara o piso inferior nos chama atenção para o provável protótipo da África
Ocidental. A casa brasileira pode ter evoluído através da adição de um piso térreo com
arcadas, ou de um subsolo elevado ao estilo “português”.

Casas elevadas com espaço de armazenamento no piso térreo e salas superiores eram
também características na Louisiana francesa e na colonial Carolina do Sul. Os modelos norte-
americanos, no entanto, datam do século XVIII. Estruturas elevadas começaram a ser comuns
na arquitetura colonial do século XIX, na África Ocidental. Quartos do segundo andar tinham
pouca humidade a era abertos para as brisas frescas. Mas nas últimas décadas do século, eles
eram encontrados pelas colônias francesas e apresentavam uma certa variação estilística, bem
como, nas possessões britânicas e germânicas.

Pg.73

HISTORICAL CROSS-CURRENTS IN NEW WORLD ARCHITECTURE

As fontes históricas que influenciaram as edificações luso-brasileiras foram


extraordinariamente complexas. Elementos arquitetônicos similares existiam por muitas
tradições diversas. A presença da varanda, ou dos vestíbulos, ou do largas galerias fechadas
que podem ser rastreados em mais de uma região geográfica. Mesmo assim, o comércio entre
o África Ocidental e o Brasil e, a presença de colonos cabo-verdianos e luso-africanos no Brasil
sugere uma conexão histórica com as casas em estilo “português” na Costa da Guiné.

IMPORTANTE Guiné Superior e o nordeste brasileiro eram ambos parte


de uma cultura e de uma esfera econômica portuguesa. Se descentes dos colonos portugueses
chegaram com soluções similares aos problemas técnicos construtivos de ambas as regiões,
estas soluções não evoluíram de forma totalmente independente. Em vista dos laços
comerciais e do fluxo de seres humanos, durante o século XVII, a influência do África Ocidental
sobre a arquitetura brasileira não é uma surpresa. Na verdade, ele prefigura e fornece uma
imagem espelhada da disseminação do estilo arquitetônico afro-brasileiro do Brasil de volta
aos portos comerciais costeiros da Nigéria, Daomé e Togo, um processo que ocorreu quando
os comerciantes afro-brasileiros migraram de volta para a África Ocidental dois séculos depois.

Numerosas sociedades da Europa e da África – não há menção da Ásia – tinham


desenvolvido alguma forma de varanda ou de galeria. De fato, junto com o complexo de tipos
que direta, ou indiretamente interagiam entre as muitas destas cultural, torna impossível
rastrear as influências estilísticas de uma cultura para outra simplesmente com base na
presença ou, da ausência desta característica arquitetônica.

O subsequente desenvolvimento da arquitetura vernacular brasileira é incrivelmente


complexa. Na metade do século XVII muito escravos não foram importados da Costa da Guiné
Superior, mas vieram de outros lugares do África Ocidental. Na segunda metade do século,
laços diretos entre o Brasil e a Sene Gâmbia começaram a se atenuar e a influência da Sene
Gâmbia na cultura afro-brasileira diminuiu. Derivado de maneira significante da arquitetura
dos indígenas da África Ocidental, o estilo de construção distintivo que os europeus na África
Ocidental denominaram de maisons à la portugaise, influenciada pela arquitetura doméstica
brasileira do fim do século XVI e início do XVII.

Pg.73-74

Nos dois séculos seguintes, é provável que os estilo afro-brasileiro 


IMPORTANTE, caracterizado pela varanda e quartos elevados, influenciou a arquitetura em
toda bacia do Caribe. Jay Edwards sugere que estes elementos se difundiram para a América
aado Norte pelo intermédio dos refugiados holandeses que se estabeleceram nas Antilhas
depois do retorno do Brasil ao domínio de Portugal em 1654. Ele conheceu as complexas
influências que poderiam ter inspirado o que ele chama de arquitetura crioula do Novo
Mundo. A influência brasileira é uma das sete forças possíveis que ele enumera. Mesmo assim,
eu acredito que ele superestimou o papel dos holandeses como intermediários entre os
colonos portugueses, e na colonização francesa e inglesa.

Todas estas quatro nações Europeias eram ativamente engajadas no tráfico escravo
pelo Atlântico. Na África Ocidental, todos eles eram expostos a arquitetura africana e luso-
africana. (a experiência de Francis Moore na Gambia onde, em 1732, ele foi obrigado a
construir uma fábrica comercial em estilo “português”, é um caso à parte). É provável que a
similaridade entre as construções em estilo “português”, francesas, e inglesas crioulas do
Novo Mundo se deram pela combinação de fatores. Todos os colonizadores europeus
enfrentaram desafios semelhantes na construção de habitações adequadas ao clima tropical e
semitropical, todos eram familiarizados com as soluções destes problemas, que a pricípio
estavam articulados à África Ocidental, e todos dependiam muito dos escravos da África
Ocidental dado pelo trabalho braçal e pela perícia técnica em um ambiente tropical e
subtropical.

BRAZILIAM SLAVE ARCITECTURE

Os escravos africanos trouxeram seu conhecimento arquitetônico para o Brasil e


influenciaram os primeiros estilos de construção vernacular brasileira. Os escravos, sem
dúvida, construíram a casa dos colonos menores, como a ilustrada no Marcgraf Map. Alguns
cativos da África Ocidental, incluindo escravos Mande, tiveram uma experiência na África
construindo edifícios de dois andares com varandas. Sua expertise técnica não pode ser
descartada como um possível fator no desenvolvimento da arquitetura das plantações no
Brasil e no Novo Mundo. Além disso, é provável que as casas dos próprios escravos
incorporaram as formas arquitetônicas da Sene Gâmbia e da costa superior da Guiné, no final
do século XVI e no final do século XVII. Influência da região teria sido particularmente forte
durante o período inicial, quando uma alta proporção de cativos vinha da parte superior da
Guiné.

A arquitetura escrava foi claramente documentada por Frans Post. O trabalho anterior
na National Gallery de Praga,intitulado Paisagem Brasileira com Fazendas, Ruínas e Grupos
Figurativos, ele descreve um grupo de africanos; atrás deles, a uma meia distância , há três
pequenas habitações. A mais próxima delas era perto o suficiente para mostrar os detalhes
estruturais. O prédio é pequeno e retangular, com apenas um ou dois quartos, com um baixo
telhado vermelho. A frente desta cabana, parcialmente obscurecida por uma folhagem em
primeiro plano, consiste em uma parede caiada e uma entrada avarandada, ou vestíbulo,
estruturado por postes de madeira. A presença das figuras africanas indica claramente que
esta é uma habitação escrava. Esta pintura, com esta descrição etnográfica detalhada, sugere
que alguns escravos africanos no Brasil construíram casas similares, embora semelhantes a
maison à la portugaise.

Pg.74-75

Post em 1656 pintou Brazilian Landscape, agora em Wadworth Aheneum em Hartford,


Connecticut (fig. 13), que descreve um grupo de escravos vestidos, dançando festivamente no
primeiro plano. A esquerda e acima dele está uma habitação retangular, com um telhado de
sapê e paredes de terra. A porta de entrada encontra-se na extremidade estreita da casa e é
protegido por uma varanda. Quatro postes sem adorno sustentam a varanda, e tem um
telhado de sapê que fica em um quadro de ramos. O prédio também fica em uma colina com
vista para o corpo d’água.

Pg.75-76

Post em Brazilian Landscape with Huts and Casa Grande (1659) (fig. 14), qual é do
Carmeen Thussen-Bornemisza Collection em Madri, descreve a plantação com uma casa
grande no fundo, escravos dançando no primeiro plano e, em uma meia distância há cinco ou
seis casas de escravos. Estas habitações rusticas mostram uma variedade de formas, todas são
basicamente retangulares ou quadradas, apesar de um pouco irregulares no formato. O mais
próximo e o maior mostra traços do caiado; ela também tem um teto que fica na frente da
entrada. Esta varanda é sombreada por uma inclinação do telhado, que por sua vez é
suportada por quatro postes, reminiscência da varanda e das forquilhas descritas por Moore
na Gambia. Parcialmente escondido detrás desta casa de escravos, tem uma habitação com
um telhado de quatro águas cujo beiral se estende além das paredes externas, que formam
uma área de sombra, Este desenho é similar à forma da varanda ainda encontrado em algumas
habitações do século XX, entre a população de Jola e Majak em Casamance e Guinea-Bissau.
Isso também se assemelha as fachadas das casas em estilo português descrita no Marcgraf
Map.
Parenteticamente, a simples forma retangular com cobertura de quatro águas,
semelhante as casas de fazenda do século XIX e XX, de Santiago e da Ilha de Cabo Verde. Se
alguém assume que as casas cabo-verdianas do século XVII se assemelham mais a estas
estruturas mais recentes, então, as Ilhas podem ter desempenhado um papel no século XVII,
articulado a um estilo comum em ambos os lados do Atlântico. Mercadores cabo-verdianos
podem ter comprado suas construções no estilo do Novo Mundo.

Pg.76-77

Uma terceira paisagem, o qual Post pintou, no retorno para a Holanda descreve a
habitação escrava de modo semelhante às descrições da arquitetura Luso-africano, do XVII e
XVIII. Brazilian Landscape with Natives [sic.] on a Road Approaching a Village, datado de 1665,
descreve seis africanos no primeiro plano e, a sua direita, a casa de fazenda de dois andares e
uma capela. Mais abaixo na encosta, com vista para o corpo d´água, tem três estruturas
retangulares simples, com cobertura de sapê, e beirais suspensos e paredes rústicas que não
estão caiadas, onde fica aparente a feitura de barro seco. Um prédio tem um pequeno pórtico
preso a parede final. Estas estruturas humildes são construídas com materiais simples que são
claramente feitas por escravos, para o seu próprio uso. Essencialmente as casas da África
Ocidental foram transportadas para o novo mundo, estas habitações mostravam as
características da arquitetura em estilo português. Elas não eram, entretanto, caiadas.

Aqui, se enfrenta um problema fundamental com a identificação das imagens das


casas em estilo português no novo mundo. Estas marcas são difíceis de se diferenciar de uma
genérica representação de uma simples casa de adobe com uma varanda, de uma específica
edificação em estilo português. O contexto histórico da metade do século XVII, no nordeste
brasileiro, com sua população africana misturada da Costa da Guiné Superior, Costa da Guiné,
e do patrimônio angolano, que complica ainda mais a questão. Em 1650, as habitações
escravas na realidade constituíram um amalgama de estilos de diferentes regiões das quais os
cativos vieram. A Costa da Guiné Superior inicialmente se fez um determinado papel na
articulação na arquitetura escrava brasileira. Mesmo assim, o estilo vernacular “português” da
Sene Gâmbia deveria ser modificado em formas análogas as que foram importadas na metade
do século XVII, pelo domínio numérico de escravos angolanos. Consequentemente, as imagens
de Frans Post das casas escravas em Pernambuco deveriam ser vistas como uma
representação genérica da arquitetura vernacular afro-brasileira, ou da representação de
uma genérica variante do estilo “português”.

POSTSCRIPT

Qualquer prédio que sobreviveu na Sene Gâmbia, oferece uma concreta ilustração do
início das casas “portuguesas”? Nosso conhecimento do século XVI e XVII permanece geral e
um pouco conjectural. Mesmo as imagens brasileiras de Post constituem apenas evidências
indiretas do estilo “português” da África Ocidental. Os poucos prédios da era colonial que
aparecem refletem descrições e ilustrações anteriores, no entanto, existem em Casamance.

Até 1886, quando do início da possessão francesa, Zinguinchor era a comunidade


comercial do extremo norte de Casamance. A antiga parte da cidade existe sobrados que se
assemelham as casas “portuguesas” pintadas por Post. Um bom exemplo do estilo
“português” do final do século XIX (fig. 15) pode, de fato, datar da era do controle português.
Esta estrutura retangular dos sobrados era cercada pelos três lados por uma varanda aberta. O
telhado avança para cobrir a varanda. Exceto pela ausência de um telhado inclinado, este
prédio era muito similar as pequenas casas de lavoura feitas em várias ilustrações de Post.

Na velha França no quarto colonial de Zinguichor, uma vez dilapidado na virada do


século, a habitação para uma família oferece um belo exemplo da casa térrea em estilo
“português” (Fig. 16, 17). Esta casa retangular caiada cercada por varandas, mantém muito da
elegância clássica, apesar da sua condição precária. Casas quase idênticas eram construídas
pelos franceses em outros lugares como o África Ocidental, por volta de 1910.

Pg.77-78

Estes prédios podiam ter sua arquitetura descendente do estilo “português”, sendo
diretamente modelados pelas casas anteriores. Mas além disso, é possível que este estilo
relativamente descomplicado, fosse independentemente reinventado no século XIX. Apesar de
não representar necessariamente uma continuidade de uma tradição arquitetônica, estas
casas ilustram formas físicas de pelo menos alguns de seus antecedentes do século XVIII.

O importante corpo da arquitetura desenhada e pintada a óleo. criado pelo artista


holandês Frans Post durante e depois de sua estadia no Brasil, entre os anos de 1637 e 1644,
forneceu a documentação visual de três tipos de casas, cada um dos quais evoca a arquitetura
luso-africana. Estes alpendres ou varandas (casa grande) e, próximos dos protótipos do África
Ocidental, das pequenas habitações de brasileiras dos portugueses menos abastados.

O terceiro grupo de habitações que se assemelham as descrições do século XVI das


casas em estilo “português” da Costa da Guiné Superior, que eram casas de campo rústicas
feitas pelos escravos brasileiros para seu próprio uso.

A forma arquitetônica referente a Costa da Guiné Superior da Maison à la poutugaise


era um produto cultural internacional assimilad entre os africanos, europeus e euro-africanos.
A propagação deste estilo de casa doméstica do África Ocidental , para o Brasil e, enfim, de
volta ao África Ocidental refletiu a complexa forma de interações culturais. O que resultou na
arquitetura afro-brasileiro, que era próxima a associada com a expansão do império
ultramarino português do século XVI e do tardio XIX, o que pode ser visto em última instância a
uma transformação do idioma da arquitetura no Atlântico.