Vous êtes sur la page 1sur 8

linguística

para o ensino superior 3

História do
português
Carlos Alberto
alberto Faraco
FaraCo
Sumário

Primeiras palavras........................................................................................................................7

Apresentação.....................................................................................................................................9

Introdução........................................................................................................................................... 13

Capítulo 1 – Sociedade, estado-nação, língua, cultura...................................... 15


1.1 Sociedade................................................................................................................................. 15
1.2 Estado-nação.......................................................................................................................... 16
1.3 Língua ...................................................................................................................................... 35
1.4 Que características tem o processo de mudança linguística?........................... 43
1.5 O que é, então, contar a história de uma língua?.................................................... 46
1.6 Cultura...................................................................................................................................... 50

Capítulo 2 – História da língua portuguesa e de suas culturas........... 61


2.1 As origens................................................................................................................................ 61
2.2 O Condado Portucalense................................................................................................... 69
2.3 Nasce o Reino de Portugal................................................................................................ 70
2.4 A língua românica do Noroeste ibérico começa a ser escrita........................... 74
2.5 A língua românica do Noroeste ibérico se expande para o Sul........................ 78
2.6 Batismo da língua de Portugal....................................................................................... 86
2.7 Breve balanço histórico..................................................................................................... 92
2.8 A língua portuguesa sai da Europa............................................................................... 95
2.9 As consequências linguísticas da expansão portuguesa.................................. 105

Capítulo 3 – A língua portuguesa se torna hegemônica no Brasil.... 123


3.1 O português brasileiro heterogêneo e polarizado.............................................. 123
3.2 A unificação territorial e política do Brasil e seus efeitos linguísticos...... 126

5
História do português • Carlos Alberto Faraco
6
3.3 Línguas indígenas e línguas gerais ........................................................................... 130
3.4 Línguas africanas.............................................................................................................. 144
3.5 Bases do português popular brasileiro................................................................... 147
3.6 O português brasileiro culto......................................................................................... 149
3.7 Caminhos modernos........................................................................................................ 152
3.8 O Brasil multilíngue e multicultural......................................................................... 154
3.9 O nome da língua no Brasil........................................................................................... 161
3.10 Uma ou duas línguas?...................................................................................................... 171

Capítulo 4 – Para saber mais............................................................................................ 177


Capítulo 1............................................................................................................................. 177
Capítulo 2............................................................................................................................. 177
Capítulo 3............................................................................................................................. 179

Anexos................................................................................................................................................. 181
Primeiras palavras

Uma das principais missões da Associação Brasileira de Linguística [ABRALIN]


é divulgar o conhecimento da área em camadas cada vez mais amplas da po-
pulação, tentando se fazer presente na sociedade como agente de educação
completo, não apenas como órgão de debates acadêmicos internos.
Essa missão tem se realizado pelo recurso a instrumentos e canais variados,
mediante iniciativas de diferentes naturezas, entre as quais a promoção de
redes internacionais, a produção de eventos em sedes tradicionalmente
afastadas dos principais centros acadêmicos, o uso de mídia alternativa ao
texto escrito para popularizar as diferentes disciplinas da área e um empe-
nho social articulado com outras instâncias acadêmico-sociais.
A Coleção Linguística para o ensino superior, da Parábola Editorial, editada
por Tommaso Raso e Celso Ferrarezi, apresenta-se como uma iniciativa am-
pla, especificamente pensada para oferecer aos alunos do ensino superior
um quadro completo das disciplinas linguísticas, com um olhar para o pa-
norama internacional da área e meios de divulgação adequados aos nossos
tempos. Por essa razão, a coleção tem a chancela da ABRALIN.
Faltava ao panorama editorial e educacional do país um instrumento
como este, capaz de aproximar ainda mais o Brasil do padrão vigente em
meios universitários internacionais. A ABRALIN, sempre atenta aos meios
necessários para o fortalecimento da área no País, sem nunca perder de
vista o compromisso com a qualidade, apoia e parabeniza a iniciativa da
Parábola Editorial.
Miguel Oliveira Jr.
Presidente da ABRALIN

7
Introdução

Você certamente já ouviu falar que a língua tem história. Portanto,


ela não é uma realidade estática; está sempre em movimento no eixo
do tempo, passando por sucessivas mudanças estruturais e lexicais.
E certamente você também já ouviu falar que a língua é a expressão
da cultura de seus falantes. Supõe-se, portanto, um vínculo estrei-
to entre língua e cultura, entre língua e as práticas culturais da(s)
sociedade(s) que a fala(m).
É sobre essas grandes questões que vamos conversar neste livro. Seu
núcleo será a apresentação de aspectos da história da língua portu-
guesa e das culturas com ela correlacionadas.
De início, porém, vamos buscar responder, no capítulo 1, às seguin-
tes perguntas:
ü que características tem o processo de mudança linguística?
ü o que é contar a história de uma língua?
ü de que modo a língua expressa a cultura?
São temas que envolvem grande complexidade, mas que são in-
dispensáveis para armarmos o quadro de referências teóricas que
orientará nossa apresentação da história da língua portuguesa e das
culturas com ela correlacionadas.
Temos também de esclarecer o que entendemos por língua e por cul-
tura. Ambos os conceitos nos levarão a dois outros a eles vinculados:
sociedade e estado-nação, o que também faremos no capítulo 1.
13
História do português • Carlos Alberto Faraco
14
Vamos tratar esses conceitos de forma articulada. E vamos também
insistir em seu caráter sempre heterogêneo, ou seja, não vamos nos
deixar iludir pelo uso singular desses termos e acreditar que eles se
referem a realidades simples e homogêneas. Cada um desses termos
designa uma totalidade sempre complexa, heterogênea, contraditó-
ria e em movimento.
Nosso percurso vai combinar quadros conceituais vindos da sociolo-
gia, da história, da antropologia, da linguística e da sociolinguística.
O estudo da história das línguas e das respectivas culturas tem ne-
cessariamente uma dimensão inter- e multidisciplinar.
No capítulo 2, vamos centrar a discussão em aspectos gerais da his-
tória da língua portuguesa e de suas culturas, reservando o capítulo
3 para a situação específica da língua portuguesa no Brasil.
No fim do livro, estão várias indicações bibliográficas para quem de-
seja se aprofundar nos temas do livro. Há também alguns anexos com
tabelas cronológicas que sintetizam as principais informações do li-
vro para facilitar a leitura da narrativa histórica dos capítulos 2 e 3.
Capítulo
1
Sociedade, estado-nação,
língua, cultura

Como ponto de partida, assumimos o grande pressuposto de que


ninguém vive num vácuo. O ser humano é caracteristicamente um
ente social, um ente que vive em sociedade.

1.1 Sociedade
Entendemos sociedade como uma totalidade complexa no interior
da qual transcorre a vida humana em todos os seus aspectos (eco-
nômicos, políticos, culturais e psicológicos); nela se dão as práticas
coletivas dos grupos e das classes sociais. Ela é, por isso (e aqui
estamos pensando, principalmente, nas sociedades industriais e
pós-industriais contemporâneas), uma totalidade heterogênea,
contraditória, simultaneamente integrada e fragmentada e em
constante devir:
ü heterogênea porque é constituída por diferentes grupos envol-
vidos nas mais diversas atividades e manifestando os mais dis-
tintos padrões de comportamento e concepções ideológicas;
ü contraditória porque os distintos grupos e classes sociais —
sendo ocupantes de diferentes posições nas hierarquias socio-
econômicas e nas consequentes redes de poder e dominação
— têm interesses e valores distintos que conflitam entre si;
ü simultaneamente integrada (porque há fatores que agregam,
como a ordem jurídica e o imaginário compartilhado) e frag-
mentada (porque há fatores que diferenciam e dividem, como
15
História do português • Carlos Alberto Faraco
16
as desigualdades econômicas, os desequilíbrios nos mecanis-
mos de poder e as diferenças de concepções ideológicas);
ü em constante devir porque as dinâmicas heterogêneas e con-
traditórias das incontáveis atividades que ocorrem em seu in-
terior lhe dão movimento no eixo do tempo, provocando mu-
danças em suas configurações.
Em outras palavras, as sociedades têm história. É no interior des-
sasjátotalidades
Você ouviu falarque
queas línguastem
a língua existem. ElasEla
história. são, por
não consequência,
é uma realidade
também heterogêneas, contraditórias, simultaneamente integradas,
estática; está sempre em movimento no eixo do tempo, passando por
fragmentadas e em constante devir.
sucessivas mudanças estruturais e lexicais. E certamente você também
Da mesma forma, é no interior dessas totalidades que se realizam
já ouviu falar que a língua é a expressão da cultura de seus falantes.
as práticas culturais. Por isso, as culturas são também heterogêneas,­
Supõe-se um vínculo estreito entre língua e cultura, entre língua e as
contraditórias, simultaneamente integradas e fragmentadas e em
práticas culturais
constante da(s)
devir. sociedade(s)
Vamos, que aexpandir
mais adiante, fala(m). essa discussão sobre
línguaessas
É sobre e cultura.
grandes questões que vamos conversar neste livro. Seu
núcleo será a apresentação de aspectos da história da língua portugue-
sa e1.2
das Eculturas com ela correlacionadas. Apresentamos aqui uma his-
stado-nação
tória sociopolítica e cultural da língua portuguesa. Para cumprir esse
Desde que os modernos estados-nação se consolidaram a partir do
objetivo, combinamos quadros conceituais oriundos da linguística, da
século XVIII, há uma tendência, nos estudos de natureza sociológica,
sociolinguística, da antropologia,
a associar sociedade da sociologia
e estado-nação. Ou seja,edelimitam-se
da história. O estudo
totalida-
da história
des sociaisdaspelas
línguas e das respectivas
fronteiras culturas tem
dos estados-nação. Sãonecessariamente
estes entes que,
umem princípio,
caráter inter- dão à sociedade seu ordenamento político-jurídico.
e multidisciplinar.
Podemos, então, conceituar o estado-nação como o conjunto de ins-
tituições através das quais se exerce o poder político em nome do
povo (da nação) sobre determinado território e sobre a formação
social que ocupa esse território.
Na contemporaneidade, vivemos num estado-nação (é dele que re-
cebemos a nacionalidade e a cidadania) em meio a outros muitos
estados-nação. O mapa político do mundo é, hoje, um mosaico colo-
rido de estados-nação.
Esse ente político, moldado na Europa ocidental em substituição ao
estado dinástico e absolutista, se disseminou de tal forma pelo mun-
do que acabou se tornando não só o principal modelo de ordem polí-