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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE COMUNICAÇÃO, TURISMO E ARTES - CCTA


BACHARELADO EM ARTES VISUAIS

ESTÉTICA KANTIANA E O JUÍZO DE GOSTO

JOÃO PESSOA
2019
JOSÉ PEDRO DA CUNHA MOTA JUNIOR

ESTÉTICA KANTIANA E O JUÍZO DE GOSTO

Trabalho apresentado à disciplina de História da


Estética - do Bacharelado de Artes Visuais da
Universidade Federal da Paraíba - ministrada pelo
Professor Gabriel Bechara.

JOÃO PESSOA
2019
Kant define a experiência estética como puramente contemplativa. Destarte, não é
passível de ser fundada em conceitos. Precisamos, contudo, observar em que tipo de relação,
segundo o filósofo, se desenvolve este ato contemplativo. Portanto, para perfeito
entendimento de como se desenha a estética kantiana, sob o prisma de sua Crítica da
Faculdade do Juízo, é fundamental a previa compreensão do conceito de “desinteresse”.

O que garantiria uma experiência estética legítima, é que este ato seja desinteressado,
ou seja, é necessário que ele seja livre de qualquer relação de utilidade ou interesse entre o
observador e o objeto. Quando lemos um livro de Machado de Assis pelo prazer inerente ao
próprio ato, esta atividade é genuinamente estética. O que não ocorreria caso a atividade tenha
qualquer interesse além do que oferece no instante da prática em si. Esta mesma atividade
perderia seu predicado estético caso envolvesse qualquer conveniência que não o ato reflexivo
em que se dá a contemplação, verbi gratia, a leitura da mesma obra com pretensões
acadêmicas, seja a produção de fichamentos, análise de estilo literário ou outra qualquer
preocupação que não o prazer proporcionado pelos sentidos.

Suplantado este conceito fundamental, nos debruçamos sobre o juízo de gosto, que na
Analítica do Belo, é apresentado como estético, em contraponto ao juízo de entendimento.
Este seria objetivo, lógico, de natureza meramente teórica, configurando-se como juízo
determinante. Por outro lado, o juízo de gosto é reflexivo e imaginativo, independe de
conceitos ou regras, valorizando apenas a relação subjetiva entre o ser cognoscente e o ser
cognoscível, e as sensações dadas pelos sentidos, sempre pautadas pelo desinteresse. A
qualidade estética de determinado objeto, que nos levará a determinado juízo de gosto, não
está no que ele objetivamente é ou apresenta ser, física ou conceitualmente, mas sim naquilo
que ele representa de subjetivo, que só pode se dar em sua relação particular com o sujeito
que o observa.

À primeira vista, esta colocação do juízo de gosto – juízo estético, ou percepção do


Belo – no âmbito da subjetividade, pode nos levar a presumir uma peculiaridade do gosto. No
entanto, embora classifique o gosto como subjetivo, ou seja, próprio a cada sujeito, Kant
afirma que é possível se chegar a uma universalidade deste juízo, o que configura uma
antinomia a qual, para o autor, é resolvida através da ideia de censo comum. Ora, se todos
podem olhar para uma rosa e experimentar o Belo, por mais que ele não esteja objetivamente
na matéria observada, alguma universalidade se concebe, originando, ao menos, uma
pretensão de que determinada experiência estética possa ser vivenciada por qualquer
observador que se permita experimentá-la. Assim sendo, o juízo de gosto, segundo Kant,
gozaria de universalidade.

Corrobora para o fortalecimento desta assertiva, que este encontro do sujeito com o
Belo, passa por um jogo entre as faculdades de imaginação e entendimento, jogo que pode ser
experimentado por outro observador, tendo o mesmo sentimento partilhado. Concebendo
assim, a suposta universalidade, e diferenciando o juízo de gosto, do que seria uma juízo de
preferência, não universal.

Por fim, precisamos contrapor o conceito de Sublime ao de Belo. Enquanto este está
arraigado em sua relação com o objeto, o Sublime consegue exceder este limite, relacionando-
se com emoções mais intensas ou violentas, envolvendo então a razão. Ele não se prende ao
objeto e um eventual prazer estético consonante à percepção de beleza. Mas sensibiliza
através de uma lista não exaustiva de sentimentos, como medo, angústia, aflição e etc. Como
afirma Kant, o Sublime comove, enquanto o Belo atrai. Interessante observar que o
romantismo é o primeiro movimento que rompe com a adoração do Belo, predominante na
Arte Clássica, dando protagonismo ao Sublime.

Em tempo, faz-se necessário ressaltar que a pretensão de universalidade para o juízo


de gosto defendida por Kant, será principalmente observada nas experiências estéticas
proporcionadas pela natureza. Por conseguinte, não nos surpreende que a visão kantiana vá
privilegiar o Belo Natural em detrimento do Belo na Arte. Neste, o conceito de universalidade
apresentar-se-á dotado de maior fragilidade, principalmente, quando levarmos em conta a arte
moderna e contemporânea, que dividem opiniões a respeito de seu valor estético.