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* Refletir: Por que estudar


SÓCIO- ANTROPOLOGIA?
*

TÂNIA MARIA SANTANA BOTÊLHO

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ANTROPOLOGIA? *
Publicou Adelino Machado Coelho Alterado mais de 3 anos atrás

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Apresentação em tema: "* Re etir: Por que estudar SÓCIO-


ANTROPOLOGIA? *"— Transcrição da apresentação:

1 * Re etir: Por que estudar SÓCIO- ANTROPOLOGIA? *


TÂNIA MARIA SANTANA BOTÊLHO

2 Socioantropologia Aplicada ao Direito


 OBJETIVOS:
Re etir sobre o Direito a partir de uma perspectiva sociológica.
Estabelecer a relação entre a realidade social e as normas jurídicas em
suas múltiplas manifestações.
Visualizar a realidade social do Direito e suas signi cações funcionais.

3 Através das atividades programadas para esta disciplina,


pretende-se que os alunos revisem conceitos e vivenciem a elaboração
de pesquisa com métodos sócio-antropológicos:
Identi car a Sociologia, sua história e suas principais abordagens e a
Sociologia do Direito, sua história e suas principais temáticas.
promover o estudo dos fundamentos da Sociologia jurídica e da
antropologia.
Proporcionar uma visão do pensamento dos clássicos da Sociologia e da
Antropologia.

4 CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
UNIDADE 1- Panorama histórico da sociologia
A re exão sociológica no século XIX. As bases da sociologia. Os
paradigmas clássicos.
Durkheim:método sociológico. Divisão do trabalho. O suicídio.
Weber:conceitos sociológicos básicos. Ação social. Sociologia das
religiões.
Marx:conceitos fundamentais. Classe, ideologia, modos de produção.

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5 1.1 Durkheim: método sociológico. Divisão do trabalho. O
suicídio.
Considerado Pai da Sociologia. Fundador da Escola Sociológica Francesa.
Nasceu em Épinal, a 15 de abril de De Família Judaica, foi educado na
França e na Alemanha, onde cursou Direito, Filoso a e Ciências Sociais.
Na Alemanha estudou também Psicologia das Sociedades Arcaicas e
Antropologia.

6 Nascimento 15 de abril de 1858 Épinal, França


Falecimento 15 de novembro de 1917 Paris,França
Nacionalidade Francês Ocupação Acadêmico, sociólogo, antropólogo,
lósofo Escola/tradição Positivismo, Funcionalismo, Evolucionismo
Principais interesses Sociologia, Antropologia, Ciência, Epistemologia,
Religião, Suicídio, Educação, Direito, Ética
Idéias notáveis Fato Social, Consciência coletiva,Anomia In uências
Comte, Spencer, Montesquieu, Rousseau, Maquiavel, Hobbes, Darwin,
Saint-Simon, Bonald
In uenciadosMauss, Manilowski, Radcli e-Brown, Lévi-Strauss

7 1.1.1 As obras
In uenciaram bastante a metodologia de todos os ramos das Ciências
Sociais. Seu primeiro livro de importância foi a própria tese de
doutoramento, “A Divisão do Trabalho Social”, onde demonstra a relação
entre o indivíduo e a coletividade, ou seja, a forma pela qual um gruo de
indivíduos se comporta e forma uma sociedade.

8 Ao realizar estudos sobre o relacionamento humano...


Aplicou métodos semelhantes ao usados nas Ciências Exatas, insistindo
no fato que as correlações puramente estatísticas só são adequadas
quando se estabelecem correlações lógicas.
Enfatizou a importância de estudar os “fatos sociais” ( como por
exemplo, as regras sociais e as crenças) que são objetivos para o
observador empírico e possuem aspectos morais porque afetam o bem-
estar do indivíduo.

9 Durkheim é também admirado pelo estudo dos problemas da


personalidade, realizado em sua obra “O Suicídio”(1897),
Em que a divisão do trabalho é tratada como um desenvolvimento
normal da sociedade humana, que propicia o aumento da iniciativa
pessoal em detrimento da autoridade exercida pela tradição. Entretanto,
o número crescente de suicidas nas sociedades desenvolvidas foi por ele
considerado um traço patológico na organização social.

10 Durkheim descreve três tipos de suicídios:


Altruísta: quando o indivíduo fortemente ligado a um grupo não
distingue entre seus próprios interesses e os do grupo, sendo capaz de
sacri car-se por ele. É o caso de soldados que sacri cam para salvar
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Para todos os efeitos ele argumenta como se as duas consciências
existissem separadas em cada indivíduo. Em última análise, é a
possibilidade de separá-las claramente que fundamenta a a rmação de
que, para ns de pesquisa cientí ca, os fatos sociais devem ser tratados
como coisas exteriores.
Durkheim acredita, que isso seja possível. Daí que para ele as
representações (incluindo o que temos chamado de interesses e valores)
só possam entrar de duas maneiras na Sociologia. Enquanto expressão
da consciência coletiva, as representações caem no domínio do objeto
da investigação sociológica. São, assim, fatos como quaisquer outros
fatos estudados pela Ciência, a partir de manifestações observáveis.

16 Durkheim comenta, dizer que os fatos sociais são coisas


equivale a opô-los às idéias como:
“(...) tudo o que o espírito não pode chegar a compreender senão sob a
condição de sair de si mesmo, por meio da observação e da
experimentação, passando progressivamente dos caracteres mais
exteriores e mais imediatamente acessíveis para os menos visíveis e
mais profundos.”

17 Como expressão da consciência individual do sujeito-


pesquisador, tudo o que as representações podem signi car para a
investigação sociológica é uma fonte de erros e deformações. Tratar os
fatos sociais implica então, segundo Durkheim, reconhecer que eles são
coisas ignoradas. Isso, porque “as representações que podem ser
formuladas no decorrer da vida, tendo sido efetuadas sem método e
sem crítica, estão, estão destituídas de valor cientí co e devem ser
afastadas.”

18 Ele refere geralmente a estas representações com pré-


noções
Ele refere geralmente a estas representações com pré-noções. Um
conhecimento perfeitamente depurado de pré-noções ( portanto da
in uência dos interesses e valores do pesquisador), isto é, o ideal de
objetividade cientí ca defendido por Durkheim para Sociologia. Tudo
que a primeira regra do método sociológico exige nesse sentido, a rma
ele, é que o pesquisador “se coloque num estado de espírito semelhante
ao dos físicos, químicos, siologistas, quando se aventuram numa região
ainda explorada de seu domínio cientí co.”

19 1.1. 2. Sociologia, a ciência das instituições.


A a rmativa de que os fatos sociais devem ser tratados como coisas
serve Durkheim para assinalar aquilo que os fatos sociais têm em
comum com todos os objetos da Ciência. A construção do objeto da
Sociologia supõe que se de na o que os fatos sociais têm de especí co,
isto é , aquilo que distingue de outras categorias de fatos.
Os primeiros esforços de Durkheim nesse sentido se encaminham para
o conceito de consciência coletiva. O autor mostra a preocupação de
traçar uma fronteira clara entre o individual e o social no domínio de
fatos
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20 A consciência coletiva
A consciência coletiva se caracteriza tanto por constituir um sistema de
crenças e sentimentos difundidos na sociedade como, também,
independente dos indivíduos, embora só através destes se realize.
Esclarece Durkheim que a origem da independência está em que a
consciência individual exprima apenas a natureza orgânica e psíquica de
cada membro da sociedade tomado separadamente, enquanto que a
consciência coletiva exprime a combinação de uma pluralidade de
indivíduos no processo de vida social.
O conceito de consciência coletiva é amplamente empregado em “A
Divisão do Trabalho Social”, onde analisa seu papel como um dos
princípios da integração dos indivíduos e grupos na sociedade.

21 1.1.3. FATOS SOCIAIS – REPRESENTAÇÕES COLETIVAS


Em “As Regras do Método Sociológico”, Durkheim trata o conceito de
representações coletivas em estreita conexão com o conceito, mais
abrangente, de fatos sociais.
“ é um fato social”, esclarece Durkheim, “toda maneira de fazer, xada ou
não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coação exterior; ou
ainda, que é geral no conjunto de cada sociedade tendo, ao mesmo
tempo, existência própria, independente de suas manifestações
individuais”.
“maneira de fazer”, entenda-se: maneira de agir, de pensar e de sentir, o
que inclui as representações coletivas. Estas, como todo fato social,
apresentam as seguintes características:

22 FATO SOCIAL E AS SUAS CARACTERÍSTICAS:


1. São exteriores à consciência individual.
2. possuem uma capacidade de coação sobre os indivíduos;
3. são a mesmo tempo gerais numa dada sociedade e independentes de
suas expressões individuais.
Se é verdade que são os próprios homens que elaboram as “maneiras de
fazer” vigentes nas sociedade, também é verdade que quase sempre elas
nos são legadas das gerações anteriores, de modo que as encontramos
já prontas. Além disso, mesmo quando participamos da sua elaboração,
o que fazemos em conjunto com uma multidão de outros indivíduos que
sequer conhecemos, de modo que o resultado nal da atividade comum
escapa inteiramente a nosso controle.

23 A relação de “síntese”
A relação dos indivíduos para com os produtos da atividade coletiva é
uma relação de “síntese” semelhantes a outras que se veri cam na
natureza – uma relação onde as propriedades de todos transcendem as
das partes que entram em sua composição.
Sublinha Durkheim: “para que exista fato social é preciso que pelo
menos vários indivíduos tenham misturado suas ações, e que dessa
combinação se tenha desprendido um produto novo. E como essa
síntese ocorre fora de cada um de nós ( uma vez que para ela concorre

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uma pluralidade de consciências), seu efeito é necessariamente xar,
instituir certas maneiras de agir e certos julgamentos que existem fora
de nós e que não dependem da vontade particular à parte.”

24 A primeira característica implica do ponto de vista da relação


entre sujeito e o objeto da Sociologia. Durkheim dá a impressão de
considerar a segunda característica dos fatos sociais – a capacidade de
coação sobre os indivíduos – com mera extensão da característica de
exterioridade. Como os fatos sociais existem fora de nós e não somos
capazes de suprimi-los ou modi cá-los à vontade, não temos outro
remédio senão nos conformar com sua existência.

25 Steven Lukes, um dos mais respeitados estudiosos da obra


de Durkheim,
Assinala que sob a noção de coercitividade a teoria durkheimiana
engloba, na verdade, diferentes aspectos da relação indivíduo-
sociedade. Ela se refere à existência de normas sociais apoiadas em
sanções que obrigam os indivíduos a obedecê-las. Em outros, à
existência de condições sociais que o indivíduo deve obrigatoriamente
levar em conta como meios necessários para alcançar os ns que se
propõe. Em outros contextos ainda, a noção se refere à in uência das
multidões sobre o comportamento individual. Finalmente, há referências
ao aprendizado das normas sociais pelos indivíduos, fazendo que eles as
obedeça espontaneamente ao mesmo tempo em que são comandadas
por elas.

26 Durkheim se refere `a coação social como algo que se apóia no


“prestígio” das representações coletivas.
A última característica dos fatos sociais – generalidade e independência –
Durkheim busca distinguir os fatos sociais, por um lado, de supostos
atributos universais da natureza humana, e, por outro, da sua realização
no comportamento individual. De outra parte, enquanto normas, os
fatos sociais são pensados como aquilo que governa a conduta do
indivíduo mas não se confunde com ela.

27 “...a ciência das instituições, de sua gênese e de seu


funcionamento”.
Maneiras de agir, de pensar e de sentir socialmente estabelecidas como
síntese exterior de uma pluralidade de ações individuais, e que uma vez
estabelecidas adquirem a capacidade de comandar essas ações sem, no
entanto, se confundir com elas. “Como se sabe, conclui Durkheim,
“existem um termo que exprime razoavelmente essa maneira de ser
muito especial, uma vez ampliado um pouco seu signi cado habitual: é o
termo instituição. Com efeito, pode-se chamar instituição toda a crença,
todo o comportamento pela coletividade, sem desnaturar o sentimento
da expressão; a Sociologia seria então de nida como a ciência das
instituições, de sua gênese e de seu funcionamento”.

28 INDIVÍDUO
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Quando o objeto da sociologia passa a ser tratado por Durkheim em
termos de representações coletivas e instituições: ele trata de separar o
social do individual como duas esferas independentes da realidade
humana. Insiste que “a sociedade não é mera soma de indivíduos; ao
contrário, o sistema formado por sua associação representa uma
realidade especí ca que tem suas próprias características”, e é “na
natureza dessa individualidade (...) que se deveriam buscar as causas
imediatas e determinantes dos fatos que lá aparecem.”

29 O SUBSTRATO DA VIDA SOCIAL


Durkheim invoca inúmeras vezes a diferença de substrato entre os fatos
sociais e as manifestações da consciência individual. “Os fatos sociais
não diferem dos fatos psíquicos apenas em qualidade; apresentam um
substrato diferente, não evoluem no mesmo meio, não dependem das
mesmas condições.” Isto signi ca a propósito a oposição entre
consciência coletiva e consciência individual. Enquanto essa oposição
exprimiria a natureza orgânica e psíquica de cada indivíduo
isoladamente, o substrato exprimiria a combinação de uma pluralidade
de indivíduos num processo de síntese social.

30 Durkheim explica sua concepção de substrato social:


“A sociedade tem substrato o conjunto de indivíduos associados. O
sistema que eles formam ao se unir – e que varia segundo sua
disposição na superfície do território, a natureza e o número das vias de
comunicação – constitui a base sobre a qual se estabelece a vida social.
As representações, que são a trama dessa vida social, decorrem das
relações que se estabelecem entre os indivíduos assim combinados, ou
entre os grupos secundários que se interpões entre o indivíduo e a
sociedade total.”
A distinção entre a “base”da vida social e a “trama”constituída pelas
representações

31 “morfologia social”
A distinção entre a “base”da vida social e a “trama”constituída pelas
representações é rica de implicações para o modelo de explicação
sociológica que Durkheim desenvolveu. A teoria durkheimiana considera
os fatos que constituem a base da vida social como pertencentes ao que
denomina “morfologia social”. Eles consistem no número e na natureza
das artes elementares de que se compõem a sociedade , a maneira
como são arranjadas, o grau de aderência que atingiram, a distribuição
da população sobre a superfície do território, o número e a natureza dos
canais de comunicação, a forma de habitação, etc. Observa Durkheim
que, embora representem “maneiras de ser”antes que “maneiras de
fazer”, os fenômenos da morfologia social também constituem fatos
sociais. Eles não só se impõem aos indivíduos com a força de uma
coação exterior como são o produto cristalizado de ação humana
submetida a normas sociais.

32 A relação
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explicada assim: policy. I agree.     
“A estrutura política de uma sociedade é apenas a maneira como
diferentes segmentos que o compõem adquiriram o hábito de viver uns
com os outros. Se suas relações são tradicionalmente estreitas, os
segmentos tendem a confundir-se; caso contrário tendem a distinguir-
se”.
Não confunde sua morfologia social com a Geogra a Humana, ou
Geogra a Econômica. Interessa-se apenas pela distribuição espacial da
população e alguns de seus atributos sociais e econômicos. Interessa
antes pela integração dos diferentes grupos ou “partes elementares” –
famílias, clãs, aldeias, tribos, cidades, Estados – na sociedade.

33 FISIOLOGIA SOCIAL
Sobre essa base se estabelece a trama da vida social constituída pelas
representações coletivas e, em termos mais gerais, pelos fatos atinentes
ao que Durkheim denomina “ siologia social” – as normas
institucionalizadas em vários graus de formalização ( “regras legais e
morais, dogmas religiosos, sistemas nanceiros, etc.”); as crenças e
práticas estabelecidas na sociedade como um todo ou menos estáveis,
mais ou menos passageiras, que expressam os aspectos ainda não
de nitivamente amoldados da vida social.

34 Durkheim sugere que a morfologia tem precedência sobre a


siologia em seu modelo de explicação sociológica.
Escreve que: “com efeito, se a condição determinante dos fenômenos
sociais consiste, como mostramos, no próprio fato da associação, isto é,
consoante as maneiras como estão agrupadas as partes constituintes da
sociedade. Por outro lado, dado que o conjunto determinado que deriva
da reunião dos diferentes elementos integrantes da composição de uma
sociedade constitui o meio interno dessa sociedade, tal como conjunto
dos elementos anatômicos, dispostos no espaço de certa maneira,
constitui o meio interno dos organismos, poder-se-á a rmar: a origem
primária de qualquer processo social de certa importância deve ser
procurada na constituição do meio social.”

35 ...
Por essa regra metodológica a Sociologia durkheimiana norteará o
estudo tanto da gênese como do funcionamento das instituições sociais,
as quais, são para Durkheim o objeto principal da Sociologia.

36 AS FORMAS DE SOLIDARIEDADE SOCIAL


Durkheim pretendia que a Sociologia, através da morfologia social,
chegasse a elaborar uma classi cação geral das sociedades segundo o
seu grau de complexidade de seu “meio social interno”. Em sua
concepção, a classi cação em espécies ou tipos homogêneos seria um
instrumento fundamental para o estabelecimento de comparações
válidas entre sociedade diferentes – único método pelo qual a Sociologia
poderia descobrir relações necessárias de causa e efeito entre os fatos
sociais.
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37 O próprio Durkheim não chegou a desenvolver tal esquema
classi catório.
Limitou a esboçar o que seriam as bases teóricas para sua elaboração,
inspirando-se em idéias interiores de Spencer.
Como Spencer, Durkheim acreditava que as “espécies”sociais, à
semelhança das espécies vivas, podem ser classi cadas numa escala
evolutiva das mais simples às complexas. Em “As Regras do método
Sociológico”, caracteriza a “horda” como espécie mais simples da
sociedade, apresentando-a como “um agregado social que não abrange
e que nunca abrangeu qualquer outro agregado mais elementar e que
se decompõe imediatamente em indivíduos”. De nida essa unidade
social irredutível, a Sociologia estaria apta a “construir a escala completa
dos tipos sociais”, distinguindo “tantos tipos fundamentais quantas são
as maneiras como estas se combinam entre si.”
Mais signi cativa e original, no entanto, é a contribuição durkheimiana
na caracterização dos dois tipos extremos de sociedade que
corresponderiam ao inferior e superior da escala evolutiva que deixou
apenas sugerida.

38 Tais tipos consistem em duas formas de “solidariedade


social”
Ou em dois princípios de integração entre indivíduos e grupos no
interior da sociedade: a solidariedade mecânica e solidariedade
orgânica.
SOLIDARIEDADE MECÂNICA: O PRINCÍPIO DAS SEMELHANÇAS
Do ponto de vista da oposição entre consciência coletiva e consciência
individual, isso implica que nas sociedades baseadas na solidariedade
orgânica a integração social será tanto maior quanto a consciência
individual se identi car com a consciência coletiva.

39 Com efeito, se a integração dos indivíduos e grupos na sociedade


se baseia inteiramente nas semelhanças entre eles, qualquer conduta
que se afaste, por pouco que seja, do tipo coletivo acarreta
necessariamente um enfraquecimento da solidariedade social. Por isso,
observa Durkheim, nas sociedades onde a solidariedade mecânica está
muito desenvolvida, “o indivíduo não se pertence (...), ele é literalmente
uma coisa, da qual a sociedade dispõe.”

40 A Solidariedade Mecânica
Para Durkheim, a solidariedade mecânica é o princípio que preside a
organização das sociedades ditas primitivas – como as tribais – onde se
observa realmente uma extraordinária homogeneidade econômica e
cultural entre clãs, famílias e os próprios indivíduos. Em “A Divisão Social
do Trabalho”ele defende a tese – posteriormente revista – de que o
papel deste tipo de solidariedade tende a declinar nas sociedades
modernas. Mas mesmo admitindo essa hipótese Durkheim não
pretendia que a solidariedade mecânica fosse o princípio exclusivo das
sociedades menos evoluídas. Ele via esse tipo de solidariedade antes
como um princípio de integração operante em todas as sociedades,das
mais simples às mais complexas, embora com graus diferentes.
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41 SOLIDARIEDADE ORGÂNICA: PRINCÍPIO DA DIFERENCIAÇÃO
Como conceitos extremos (polares), solidariedade mecânica e
solidariedade orgânica representam, nas palavras de Durkheim, “as duas
faces de uma única realidade, mas nem por isso têm a menor
necessidade de ser distinguidas.”
Pode-se dizer que enquanto a solidariedade mecânica é a integração
social baseada nas semelhanças, a solidariedade orgânica é a integração
realizada a partir da diferenciação entre indivíduos e grupos no interior
da sociedade.

42 Onde predomina esse princípio de integração, sublinha


Durkheim, a sociedade aparece com um “sistema de funções diferentes
e especiais, que unem relações de nidas”. Trata-se da solidariedade
produzida pela divisão de trabalho, que supõe precisamente a
diferenciação e a complementaridade de funções como forma de
cooperação e entre membros da sociedade.
Quando a divisão do trabalho é pouco desenvolvida, todos fazem de
tudo um pouco e cada grupo, às vezes cada indivíduo, precisa muito
pouco do concurso dos outros para aquilo que necessita para a
sobrevivência. Cabe então à força das crenças e costumes comuns ( à
consciência coletiva) manter os indivíduos e grupos integrados num todo
maior que eles próprios – a sociedade – vencendo a tendência ao
isolamento. Com o desenvolvimento da divisão do trabalho rompe-se a
tendência ao isolamento. Com o desenvolvimento a divisão do trabalho
supõe, no entanto, especialização.

43 E consequentemente, enquanto a solidariedade mecânica é


tanto mais forte quanto mais a consciência individual for recoberta pela
consciência coletiva, a solidariedade orgânica só se fortalece quando
“cada um tem uma esfera de ação que lhe é própria”e pode, assim,
a rmar sua individualidade. Durkheim esclarece que se por um lado
cada um depende mais estreitamente da sociedade quando mais
dividido esteja o trabalho, por outro a atividade de cada um é um tanto
mais pessoal quanto mais especializada.
É claro que solidariedade orgânica atinge seu máximo nas sociedades
modernas. Nela a indústria e o comércio levam às últimas
conseqüências a divisão do trabalho, ampliando em todos os níveis o
campo para a especialização dos indivíduos e grupos ao mesmo tempo
que os integra numa vasta teia de dependência mútua.

44 DIREITO E FORMAS DE SOLIDARIEDADE


Durkheim busca de nir um índice observável que lhe permita detectar a
in uência relativa a solidariedade mecânica e da solidariedade orgânica
em diferentes sociedades em distintas fases de sua evolução. Ele
encontra tal índice no direito. Para preservar a harmonia, a sociedade
deve assegurar acima de tudo a subordinação da consciência individual
à consciência coletiva, que é a pedra de toque da integração social. Por
isso, onde prevalece a solidariedade mecânica as leis proíbem e punem:

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45 1º Os desvios muito grandes da conduta individual em relação à
conduta prevista pela consciência coletiva.
2º As ofensas ao “órgão da consciência comum”- chefe tribal, hierarquia
religiosa, suserano feudal, Estado centralizado – visto por Durkheim
como símbolo que exprime, resume e garante o primado da consciência
coletiva.
A função primordial da punição e manter intacta a coesão social,
mantendo toda a vitalidade da consciência comum. À solidariedade
mecânica corresponde um tipo especial de direito: O DIREITO
REPRESSIVO.
Em contraste, onde predomina a solidariedade orgânica, a integração de
todo social não depende tanto da vigência de uma sistema de crenças e
sentimentos comuns a todos, mas de uma moral pro ssional para cada
atividade especializada e de normas legais que viabilizem sua
dependência mútua.

46 Segundo Durkheim, a sociedade que repousa o mais


completamente possível sobre a divisão do trabalho seus membros
permanecem unidos por laços que se estendem bem além dos breves
momentos de troca entre eles. Cada função que eles exercem é
constantemente dependente das demais, e forma com elas um sistema
solidário. Assim, da natureza da tarefa escolhida derivam deveres
permanentes. Em tais condições, a função do direito não é tanto punir as
condutas desviantes, mas impor a reparação dos prejuízos causados
pelo descumprimento das obrigações pro ssionais ou funcionais. Assim,
a solidariedade orgânica corresponde um outro tipo de direito: o direito
restitutivo.

47 CAUSAS DO PROGRESSO DA DIVISÃO DO TRABALHO


O que Durkheim classi ca como direito repressivo compreende tudo
aquilo que em linguagem jurídica se denomina direito penal; e o que ele
classi ca como direito restitutivo inclui o direito civil, o direito comercial,
o direito processual, o direito administrativo e constitucional, com
exclusão das regras penais que podem se encontradas nesses ramos do
Direito.
Comparando a extensão desses dois tipos de direito em diferentes
situações históricas, Durkheim conclui pelo aumento progressivo da
importância do direito restituitivo nas sociedades modernas.
O progresso da divisão do trabalho lhe aparece como o condutor do
processo evolutivo que liga as formas de sociedade mais simples às mais
complexas.

48 Quais causas explicam, entretanto, o progresso da divisão


do trabalho ao longo da evolução social?
Responde Durkheim que a divisão do trabalho progride devido ao fato
de que os segmentos sociais perdem sua individualidade, e as barreiras
que os separam se tornam permeáveis. Em outros termos, efetua-se
entre os segmentos sociais uma aderência que deixa a matéria social
livre para entrar em novas combinações. Fiel à orientação do seu
método, Durkheim busca assim explicar um processo relevante
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fazer” características da divisão de trabalho) por mudanças
concomitantes da morfologia social – a saber, progressiva coalescência
dos segmentos ou grupos secundários que compõem a sociedade.

49 Ele a rma que o sentido geral da evolução das sociedades


conduz de uma “estrutura segmentar” a uma “estrutura organizada”. Na
primeira, a debilidade dos laços entre segmentos sociais se traduz na
existência de “vazios morais” que os separam. A vida social se
degeneraliza quando tais vazios se somam, desaparecendo. Desse modo
a sociedade se torna madura para o aparecimento de formas mais
complexas de cooperação entre indivíduos e grupos. Portanto, a divisão
de trabalho progride tanto mais quanto mais existam indivíduos que
estejam su cientemente em contato para poder agir e reagir uns sobre
os outros.

50 Ele a rma que o sentido geral da evolução das sociedades


conduz de uma “estrutura segmentar” ( que se traduz em “vazios morais”
que os separam) a uma “estrutura organizada”. A sociedade se torna
madura para o aparecimento de normas mais complexas de cooperação
entre indivíduos e grupos.Destaca Durkheim que “se convencionarmos
chamar de densidade dinâmica ou moral a esse relacionamento e ao
comércio ativo que dele resulta, poderemos dizer que os progressos da
divisão do trabalho estão em relação direta com a densidade moral
dinâmica da sociedade.”

51 O aumento da densidade moral ou dinâmica é acompanhado e


exteriormente identi cável, pelo aumento da densidade material da
sociedade, ou seja, pelo estreitamento da distância física entre os
indivíduos. A progressiva “condensação” da sociedade pode ser
apreendida em três processos:
1º A concentração da população no território, traduzindo-se em
aumento da densidade populacional e acompanhando a união de
grupos anteriormente dispersos.
2º A formação e o desenvolvimento de cidades, cuja multiplicação e
crescimento têm por pressuposto precisamente o aumento da
densidade moral da sociedade.
3º O aumento do número e da rapidez das vias de comunicação e
transmissão.

52 FATO PATOLÓGICO E ANOMIA


Do ponto de vista de Durkheim, a Sociologia se dedica basicamente ao
estudo da gênese e do funcionamento das instituições sociais. A
explicação sociológica consiste, por um lado, na determinação das
causas do aparecimento das instituições( causas estas que devem ser
buscadas de preferência na constituição do meio social interno), e, por
outro lado, na determinação dos efeitos socialmente úteis.
Nesse sentido implica a rmar que as instituições “funcionam”, ou seja,
possuem funções sociais – as atividades por elas governadas
correspondem a determinadas necessidades da sociedade.
Durkheim preocupou em determinar a gênese das instituições ligadas à
divisão
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densidade dinâmica da sociedade. Ao mesmo tempo, ele indaga da
função da divisão do trabalho, caracterizando-a do ponto de vista dos
seus efeitos como princípio de integração social.

53 Na teoria durkheimiana o suposto de que toda instituição


cumpre ou pode ter cumprido uma função social determinada liga-se de
perto a outra concepção: a de que cabe ainda à Sociologia determinar o
caráter normal ou patológico dos fatos sociais. Durkheim lança mão
dessas noções para caracterizar, ao lado dos efeitos úteis, as
conseqüências por ele consideradas indesejáveis do progresso da
divisão do trabalho na sociedade moderna.

54 NORMAL VERSUS PATOLÓGICO


Durkheim assevera que “a função social deve ser procurada na relação
existente entre ele e determinado m social”. Como os ns ou
necessidades da sociedade mudam ao longo da evolução, muitas vezes
as instituições sobrevivem à sua função – já não produzem efeitos
socialmente úteis, mas por inércia continuam a existir.
Isso signi ca que a funcionalidade de uma instituição é um dado relativo
ao tipo de sociedade a que ela pertence e à fase de desenvolvimento em
que se esta se encontra.
O mesmo se aplica à distinção entre normal e o patológico. Partindo de
uma analogia entre sociedade e ser vivo, Durkheim de ne a normalidade
dos fatos sociais pela sua generalidade na “espécie”social a que
pertence.

55 Dado um fenômeno sociológico qualquer, assim como um


fenômeno biológico, para Durkheim são normais aquelas de suas
formas que se repetem em todos os casos observados, ou pelo menos
na maioria, invariavelmente ou variando dentro de limites estreitos. Em
Biologia tais limites são de nidos pelo “tipo médio” que reúne os traços
anatômicos e siológicos gerais numa espécie animal ou vegetal e
aquele que se afasta signi cativamente dele. Analogamente, em
sociologia, uma instituição, uma pratica costumeira, uma regra moral,
serão consideradas normais ou patológicas conforme se aproximem ou
afastem, respectivamente, do tipo “médio” da sociedade.

56 As “espécies”sociais mudam muito mais depressa que as


espécies biológicas. Isso cria um problema complicado para o sociólogo.
É muitas vezes, em períodos de transição acelerada, “o único tipo normal
no momento realizado e encontrado nos fatos, é o tipo vindo do
passado, que portanto não está mais em relação com as novas
condições de existência. Um fato pode, assim, persistir em toda a
extensão da espécie, embora não correspondendo mais às exigências da
situação.”
Ao lado da normalidade “de fato” representa pela generalidade do
fenômeno na espécie social correspondente, cabe ao sociólogo
determinar-lhe a normalidade “de direito”. Será considerado normal,
desse ponto de vista, o fenômeno que “se liga às condições de existência
da espécie considerada, seja como efeito mecanicamente necessário de
tais this
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57 DIVISÃO DE TRABALHO E ANOMIA
Como bem observa Steven Lukes, o critério “de direito”de normalidade -
correspondência do fenômeno às condições gerais de vida social – por
vago que seja, é necessário a Durkheim para de nir o caráter anormal
ou patológico de certos efeitos da divisão do trabalho, não em relação à
sociedade atual de sua época, mas a uma hipotética sociedade ajustada
do futuro.
Para Durkheim a divisão de trabalho é o fator preponderante de
integração social na sociedade moderna. Mas, para que a diferenciação
dos indivíduos e grupos trazida pela divisão do trabalho resulte em
solidariedade orgânica efetiva, não basta que eles se sintam solidários
por que são mutuamente dependentes – “é preciso ainda que por que
eles devem cooperar, se não em toda espécie de encontros pelo menos
nas circunstâncias mais freqüentes, seja predeterminada”.
A solidariedade orgânica requer uma regulamentação su cientemente
complexa das condições de cooperação entre indivíduos e grupos
diferenciados.

58 Na falta de regras especí cas, as condições de cooperação


deveriam ser rediscutidas em cada caso pelas partes interessadas. Com
isso os con itos se tornariam inevitáveis e recorrentes, e a solidariedade
seria mais virtual que real.
Mas é precisamente essa ausência de regras, ou seja, essa situação de
anomia, o que se observa em importantes aspectos da vida econômica
na sociedade moderna – assevera Durkheim.
Para ele, a fusão dos mercados locais em mercados nacionais e num
único mercado mundial rompeu o contato direto entre produtores e
consumidores. Em conseqüência “a produção sente falta de freios e
regras; ela só pode tatear às cegas e, assim é inevitável que a medida
exata não seja atingida, ocorrendo faltas e excessos. Vêm daí as crises
que periodicamente perturbam as funções econômicas. O crescimento
das crises locais e restritas, que são as falências, é, muito provavelmente,
uma efeito dessa mesma causa.”

59 Idêntica falta de regras é observada nas relações entre capital e


trabalho . Com o desenvolvimento da grande indústria, a intensi cação
do ritmo de trabalho e a in uência das grandes aglomerações
contribuem para aumentar as necessidades dos trabalhadores. Ao
mesmo tempo, nas novas condições de trabalho, o operário se vê
afastado da família e do contato direto com o empregador. “As novas
condições da vida industrial reclamam, naturalmente, uma nova
organização”, observa Durkheim; “porém, tais transformações
aconteceram com extrema rapidez e os interesses em con ito ainda não
tiveram temo de se equilibrar.”

60 ...
Durkheim assinala que em todos os casos é o estado de anomia em que
se encontram as relações sociais a razão pela qual a divisão do trabalho
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correspondência entre regras jurídicas e morais estabelecidas e as
condições sociais geradas pelo progresso da divisão do trabalho, o que
caracteriza uma situação anormal ou patológica.

61 Weber:conceitos sociológicos básicos. Ação social


Weber:conceitos sociológicos básicos. Ação social. Sociologia das
religiões.

62 ... Max Weber em 1894 Nascimento: 21 de abril de 1864


Erfurt, Alemanha
Falecimento:14 de junho de 1920 Munique, Alemanha.
Nacionalidade: alemã
Ocupação: Jurista, economista e sociólogo

63 ...
Principais trabalhos: * A ética protestante e o espírito do capitalismo *
Sistema econômico e sociedade
Cônjuge: Marianne Schnitger
Maximillian Carl Emil Weber (Erfurt, 21 de Abril de 1864 — Munique, 14
de Junho de 1920) foi um intelectual alemão, jurista, economista e
considerado um dos fundadores da Sociologia. Seu irmão foi o também
famoso sociólogo e economista Alfred Weber. Sua esposa era a
socióloga e historiadora de direito Marianne Schnitger.

64 ...
Foi o mais velho dos sete lhos de Max Weber e sua mulher Helene
Fallenstein. Seu pai, protestante, era uma gura autocrata. Sua mãe uma
calvinista moderada. A mãe de Helene tinha sido uma huguenote
francesa, cuja família fugira da perseguição na França. Ele foi,
juntamente com Karl Marx, Vilfredo Pareto e Emile Durkheim, um dos
modernos fundadores da Sociologia. É conhecido sobretudo pelo seu
trabalho sobre a Sociologia da religião.
De importância extrema, Max Weber escreveu a Ética protestante e o
espírito do Capitalismo. Este é um ensaio fundamental sobre as religiões
e a a uência dos seus seguidores. Subjacente a Weber está a realidade
econômica da Alemanha do princípio do século XX.

65 As obras ...
A idéia de Karl Marx sobre o determinismo econômico constituía o
grande desa o enfrentado por Weber. Por isso, em sua obra “A Ética
Protestante e o Espírito do Capitalismo”, procurou demonstrar que as
idéias religiosas e éticas são de importância fundamental. Buscou
também esclarecer os caracteres especí cos do capitalismo – regime
econômico de grande desenvolvimentos, principalmente nos países
protestantes (especialmente naqueles em predominava o calvinismo).
Este estudo o levou a pesquisar também a história religiosa e social da
Índia, da China e do povo judeu. O resultado desse trabalho foi
publicado
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66 Weber escreveu outros livros de grande importância...
Como “Ciência como Vocação, Economia e Sociedade”, “História
Econômica Geral e “Sobre Sociologia e Política Social”. Nessas obras
desenvolver os princípios metodológicos da História e da Sociologia
como ciências, e estudou as tendências futuras , propondo soluções
éticas para esses problemas.
Weber acreditava rmemente nos ideais democráticos e, embora não
negasse a racionalização (achava que o mundo se dirigia para a
racionalização total).

67 Durkheim nega por princípio toda distinção entre Sociologia e


Ciências Naturais no que se refere aos requisitos da objetividade
cientí ca. Max Weber parte do princípio de que existe uma distinção
para, numa linha de argumentação de grande originalidade, mostrar que
nem por isso a Sociologia está obrigada a se conformar com um padrão
inferior ou menos rigoroso de objetividade.

68 Weber, como Durkheim, considera a observação rigorosa dos


fatos a base insuperável do conhecimento cientí co em qualquer tempo.
Mas Durkheim inclui entre os “fatos”sociais o suposto básico do qual
pretende deduzir as próprias regras do seu método sociológico, ou seja,
que a sociedade constitui um todo orgânico integrado, exterior aos
indivíduos. Para Weber, o que a observação da vida social revela de
imediato é uma multidão de ações humanas cujo próprio caráter social
reside exclusivamente no signi cado interior, ou seja, no sentido
objetivo que possuem para os indivíduos que as praticam.

69 Para se dedicar ao estudo da classe especial de fenômenos que


são as ações humanas, o sociólogo, segundo Weber, pode conhecer seu
objeto de uma maneira inacessível ao cientista natural. Este limita-se a
estabelecer relação de causalidade mecânica exterior entre os
fenômenos. O sociólogo, por ser ele próprio homem, é capaz, além
disso, de compreender as ações humanas em suas conexões
signi cativas interiores.

70 E O QUE ISSO QUER DIZER?


Exemplo: O siologista, quando se pergunta “por que pulsa o coração?”,
busca uma explicação que se destacará as causas e os efeitos do pulsar
do coração na atividade do organismo. O sociólogo, quando se pergunta
“por que o empresário capitalista reinveste maior parte do lucro em vez
de esbanjá-lo?”, não quer conhecer apenas as causas e os efeitos do
investimento no conjunto da atividade econômica; quer antes saber dos
interesses, das idéias, dos motivos que levam o empresário, como ser
consciente e inteligente, a organizar sua atividade dessa maneira e não
de outra.

71 ...

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Mas só o indivíduo é capaz de atividade signi cativa, pois só ele – e não a
sociedade e grupos e seus grupos intermediários – tem consciência e
inteligência para dar sentido subjetivo a suas ações. Por isso as formas
de organização social, das mais simples às mais complexas, são na
Sociologia weberiana reduzidas ao mínimo denominador comum da
ação humana individual.

72 Se os indivíduos admitem corretamente a existência de


“formações sociais” como o Estado, a família, a Igreja, cabe ao sociólogo
tentar compreender essas representações e determinar exatamente
com elas in uenciam a ação efetiva dos que elas se orientam. E no plano
prático, “não são mais que desenvolvimentos e entrelaçamentos de
ações especí cas de pessoas individuais, já que tão-somente essas
podem sujeitos de uma ação orientada por seu sentido.”

73 Podendo aceitar a idéia durkheimiana de que a vida social


consiste principalmente de representações, Weber rejeitaria
terminantemente toda tentativa de descrevê-la em termos de
“representações coletivas” exteriores aos indivíduos e independentes de
sua vontade.
Para Weber a vida social constitui a trama inesgotável de ações
individuais cujas regularidades de fato ( aquelas de que se ocupa
especi camente a Sociologia) representam arranjos transitórios no uxo
contínuo e essencialmente caótico da História.

74 Mas, como produzir uma ciência do que em si mesmo é


desordenado – sociedade em perpétua mudança – quando se sabe que
o conhecimento cientí co supõe a ordenação do objeto estudado?
Weber encontra a solução desse dilema nos valores culturais do
pesquisador, que são os valores culturais do pesquisador, que são
valores da sua época e do grupo social que pertence.

75 Contrariando Durkheim, Weber considera que os valores não


podem ser pura e simplesmente jogados fora como pré-noções, mas
devem ser usados pelo qual o pesquisador introduz um princípio de
ordem na realidade, dela seleciona aspectos culturalmente signi cativos
para estudo.
“Todo conhecimento da realidade in nita mediante o espírito humano
nito baseia-se na premissa tácita de que só um fragmento de tal
realidade pode constituir o objeto da compreensão cientí ca, e que só
ele é “essencial” no sentido de ser “digno de ser conhecido.”

76 “ Esse caos só pode ser ordenado sob a condição de em cada


caso unicamente uma parte da realidade individual tem importância
para nós, já que só essa parte está relacionada com as idéias de valor
cultural com as quais abordamos a realidade. Só alguns aspectos dos
fenômenos particulares in nitamente diversos, precisamente aqueles
aos quais conferimos signi cado geral, merecem ser conhecidos, pois só
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77 Weber, como cientista, estima que só a observação dos fatos
pode dar resposta às questões levantadas a respeito da realidade. Mas,
a própria observação não lhe parece capaz de determinar que questões
são relevantes, isto é, quais aspectos da realidade social devem ser
selecionados para estudo. Tal seleção re ete necessariamente os valores
do pesquisador.
Do ponto de vista weberiano signi ca que a OBJETIVIDADE CIENTÍFICA
será sempre relativa a VALORES.

78 SOCIOLOGIA , A CIÊNCIA DA AÇÃO SOCIAL


Para Weber a Sociologia é uma ciência que pretende compreender a
ação social, interpretando-a, para dessa maneira explicá-la causalmente
em seus desenvolvimentos e efeitos. Em sua metodologia a
compreensão consiste na captação do sentido subjetivo de ação - algo
distinto dos nexos exteriores de causa e efeito que a envolvem. E ele
distingue a Sociologia e a História (ciência empírica da ação) das ciências
“dogmática”como “Jurisprudência, Ética, a Lógica, que se preocupam em
de nir o sentido “exato”, “verdadeiro”ou “justo” de seus objetos. A
Sociologia e a História só se interessam pelo sentido visado
subjetivamente pelos indivíduos no curso de sua atividade real, o sentido
pelo qual eles orientam suas ações práticas. Portanto, é necessário
compreender esse sentido para tornar inteligível a atividade humana.

79 A COMPREENSÃO - Compreender a ação humana, para Weber, é


captar seu sentido subjetivo. De compreender as ações de outras
pessoas, embora nem sempre se dê conta disso.
A COMPREENÃO ATUAL – esse tipo de captação de sentido que decorre
diretamente do curso observável da ação. É quase sempre possível
descobrir numa ação, por mais transparente que pareça, sentidos que
não podiam ser apreendidos à primeira vista.

80 COMPREENSÃO EXPLICATIVA – esta que não se detém no sentido


aparente da ação, mas apela para seu motivos subjacentes.
Em qualquer hipótese, seja a compreensão atual ou explicativa, damos
uma ação por compreendida quando seu sentido nos parece evidente.
Compreender é captar a evidência do sentido de uma ação,
independentemente de qualquer investigação cientí ca.
Para Weber, o grau máximo de evidência é o obtido na compreensão
intelectual de uma atividade racional. E é também o que torna
compreensível as ações nas quais se veri ca uma congruência racional
entre ns visados pelo indivíduo e os meios que ele emprega.

81 TIPO IDEAL E CAUSALIDADE


Na Sociologia weberiana a compreensão é um instrumento básico, mas
não é tudo.
A acão de tipo ideal decorre da concepção acerca de a in nita
complexidade do real diante do alcance limitado dos conceitos
elaborados pela mente humana. Todo conceito seleciona alguns
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aspectos da realidade in nita, enquanto exclui outros. Seleção que
sempre é, consciente ou inconsciente, orientada por valores.
Na construção de um tipo ideal, o sociólogo seleciona aspectos da ação
humana que considera culturalmente relevantes para o estudo. Ele faz
segundo seus valores.
Do ponto de vista weberiano essa simples escolha de um tema de
investigação já implica uma seleção baseada em critérios de valor.

82 Weber indica que a seleção não termina na escolha do


problema
Weber indica que a seleção não termina na escolha do problema. É
óbvio que verá grande variedade de respostas e situações, e cada uma
delas bastante complexa por si só.
A QUESTÃO, ENTÃO É COMO POR ORDEM NESSA CONFUSÃO DE
DADOS?
EXEMPLO: O TRABALHO DAS MULHERES FOR DE CASA
A metodologia weberiana indica como correto o seguinte procedimento:
o pesquisador deve partir de pontos de vista escolhidos unilateralmente
para estabelecer, com a máxima clareza possível, um ou vários tipos de
motivos que levam as mulheres casadas a trabalhar ou não trabalhar
fora. Um motivo típico é o econômico;outro poderia ser a necessidade
de realização pessoal.

83 ...
Poderiam ser criados numerosos tipos semelhantes enfocando
diferentes aspectos da mesma situação.
Para Weber, uma dimensão qualquer da ação humana admite sempre
construção de vários tipos, sem que nunca se esgote a complexidade
in nita da realidade.
OS TIPOS IDEAIS NÃO CONSTITUEM MAIS DO QUE HIPÓTESE DE
INTEPRETAÇÃO QUE DEVEM SER CONFIRMADAS OU DESMENTIDAS PELA
IMPUTAÇÃO CAUSAL OU PELA OBSERVAÇÃO ESTATÍSTICA.

84 Tipo de ação social


A interpretação da ação humana através de tipos ideais vota-se para
apreensão do sentido subjetivo da ação. É pelo seu sentido subjetivo
que uma ação se de ne ou não como social, do ponto de vista
weberiano. (Galliano,1981, p.78)
O que importar xar como essencial é que, é social a ação cujo sentido
visado subjetivamente se refere a ações de outros, de tal maneira que o
seu sentido não seria o mesmo se – segundo a percepção do sujeito – os
outros não agissem ou pudessem agir desta ou daquela maneira.

85 Segundo o critério weberiano, o próprio contato entre os


homens pode não ter caráter social. Weber cita o exemplo de dois
ciclista, que se chocam acidentalmente, para ilustrar essa possibilidade;
como o acidente se caracteriza precisamente pelo fato de que um não
notou ou não soube prever as ações do outro, seu encontro é tão vazio
de conteúdo
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86 Weber constrói os conceitos sociológicos básicos a partir de uma
tipologia geral de ação social. Distingue quatro categorias de ação por
seu sentido subjetivo:
A ação racional com relação a ns (um objetivo) é determinada por
expectativas no comportamento tanto de objetos do mundo exterior
como de outros homens e utiliza essas expectativas como condições ou
meios para alcance de ns próprios racionalmente avaliados e
perseguidos. É uma ação concreta que tem um m especí co, por
exemplo: o engenheiro que constrói uma ponte.

87 A ação racional com relação a valores é aquela de nida pela


crença consciente no valor - interpretável como ético, estético, religioso
ou qualquer outra forma - absoluto de uma determinada conduta. O
ator age racionalmente aceitando todos os riscos, não para obter um
resultado exterior, mas para permanecer el a sua honra, qual seja, à
sua crença consciente no valor, por exemplo, um capitão que afunda
com o seu navio.

88 A ação afetiva é aquela ditada pelo estado de consciência ou


humor do sujeito, é de nida por uma reação emocional do ator em
determinadas circunstâncias e não em relação a um objetivo ou a um
sistema de valor, por exemplo, a mãe quando bate em seu lho por se
comportar mal.
A ação tradicional é aquela ditada pelos hábitos, costumes, crenças
transformadas numa segunda natureza, para agir conforme a tradição o
ator não precisa conceber um objeto, ou um valor nem ser impelido por
uma emoção, obedece a re exos adquiridos pela prática.
A AÇÃO RACIONAL COM RELAÇÃO A FINS ÉA QUE GERALMENTE
PROPORCIONA AO PESQUISADOR, DE ACORDO COM Weber, o grau
máximo de evidência interpretativa.

89 OPORTUNIDADE E ESTRUTURA SOCIAL


Quanto à relação social, Weber esclarece que ela deve ser entendida
como conduta de vários – “referida reciprocamente conforme seu
conteúdo signi cativo, orientando-se por essa reciprocidade”.Ele a rma:
“A relação social consiste só exclusivamente – ainda que se trate de
formações sociais como Estado, igreja, corporação, matrimônio, etc. – na
probabilidade de que determinada forma de conduta social, de caráter
recíproco pelo seu sentido, tenha existido, exista ou venha a existir. Isso
deve ser sempre considerado, para evitar a substancialização desses
conceitos.”
Weber aplica a noção de oportunidade à análise das atividades sociais
duradouras que constituem o objeto especí co da sociologia. Esta
aplicação serve para evitar a substancialização e explicitar o signi cado
da ação humana individual como única base real dos conceitos
sociológicos.

90 ALIENAÇÃO: É na vida econômica que a alienação tem origem


quando o operário vende sua força de trabalho, o produto não mais lhe
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mais projeta ou concebe o que vai executar (separação entre pensar e
agir) • O ritmo do trabalho é dado exteriormente e não obedece ao
próprio ritmo natural do seu corpo • O produto do trabalho do operário
subtrai-se à sua vontade, à sua consciência e ao seu controle, e o
produtor já não mais se reconhece no que produz. O produto surge
como um poder separado do produtor, como uma realidade soberana e
tirânica que o domina e ameaça – fetichismo da mercadoria. • A
MERCADORIA SE HUMANIZA e o próprio homem se desumaniza, se
rei ca (res=coisa).

91 Ele explica que são quatro os tipos fundamentais da


atividade social duradoura:
1ª Atividade societária, corresponde à maioria das associações
voluntárias (como clubes recreativos, partidos políticos, sindicatos) onde
os participantes se orientam por regulamentos que eles estabelecem ou
aceitam livremente.
2ª Atividade por entendimento, envolvendo relações cujo conteúdo
signi cativo não é estabelecido por regulamento formal, mas mesmo
assim é obrigatório pelos participantes. Ações efêmeras de pessoas que
se unem para socorrer uma que se afoga.
3ª Atividade Institucional, característica de organizações políticas como
Estado ou a tribo, assim como a família, das quais o indivíduo participa e
cujas normas se submete por nascimento, independentemente de sua
vontade.
4ª Atividade de agrupamento, da qual os indivíduos participam sem
obrigação e na ausência de qualquer regulamento explícito, mas que,
mesmo assim envolve uma autoridade capaz de determinar o sentido da
ação recíproca. É por exemplo, o caso ente o mestre e o discípulo, entre
o profeta e os adeptos, entre chefe carismático e partidários.
3

92 A sociologia weberiana distingue três tipos de dominação


legítima: a legalidade, a tradição, o carisma.
Para Weber, três tipos puros de dominação legítima: a racional (legal ou
burocrática), a tradicional, e a carismática.
Legitimidade por tradição
A dominação tradicional ocorre
"... em virtude da crença na santidade das ordenações e dos poderes
senhoriais de há muito existentes. Seu tipo mais puro é o da dominação
patriarcal. A associação dominante é de caráter comunitário. O tipo
daquele que ordena é o 'senhor', e os que obedecem são 'súditos',
enquanto que o quadro administrativo é formado por 'servidores'.
Obedece-se à pessoa em virtude de sua dignidade própria, santi cada
pela tradição: por delidade. O conteúdo das ordens está xado pela
tradição, cuja violação desconsiderada por parte do senhor poria em
perigo a legitimidade do seu próprio domínio, que repousa
exclusivamente na santidade delas. (...) No quadro administrativo, as
coisas ocorrem exatamente da mesma forma. (...) Conforme a
modalidade de posição dese quadro administrativo, é possível observar,
contudo, duas formas distintas em suas características:

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93 1. A estrutura puramente patriarcal de administração: os
servidores são recrutados em completa dependência pessoal do senhor,
seja sob a forma puramente patrimonial (escravos, servos, eunucos) ou
extrapatrimonial, de camadas não totalmente desprovidas de direitos
(favoritos, plebeus). Sua administração é totalmente heterônoma e
heterocéfala: não existe direito próprio algum do administrador sobre o
cargo, mas tampouco existem seleção pro ssional nem honra
estamental para o funcionário; os meios materiais da administração são
aplicados em nome do senhor e por sua conta. Sendo o quadro
administrativo inteiramente dependente dele, não existe nenhuma
garantia contra o seu arbítrio, cuja extensão possível é, por conseguinte,
maior aqui do que em qualquer outra parte. O tipo mais puro dessa
dominação é o sultanato. Todos os verdadeiros 'despotismos' tiveram
esse caráter, segundo o qual o domínio é tratado como um direito
corrente de exercício do senhor.

94 2. A estrutura estamental: os servidores não o são pessoalmente


do senhor, e sim pessoas independentes, de posição própria que lhes
angaria proeminência social. Estão investidos em seus cargos (de modo
efetivo ou conforme a cção de legitimidade) por privilégio ou concessão
do senhor, ou possuem, em virtude de um negócio jurídico (compra,
penhora ou arrendamento) um direito próprio do cargo, do qual não se
pode despojá-lo sem mais. Assim, sua administração, embora limitada, é
autocéfala e autônoma, exercendo-se por conta própria e não por conta
do senhor. É a dominação estamental. A competição dos titulares dos
cargos em relação ao âmbito dos mesmos (e de suas rendas) determina
a relação recíproca dos seus conteúdos administrativos e gura no lugar
da 'competência'. (...)
A dominação patriarcal (do pai de família, do chefe da parentela ou do
'soberano') não é senão o tipo mais puro da dominação tradicional.

95 Legitimidade por carisma


A dominação carismática ocorre
"...em virtude de devoção afetiva à pessoa do senhor e a seus dotes
sobrenaturais (carisma) e, particularmente: a faculdades mágicas,
revelações ou heroísmo, poder intelectual ou de oratória. O sempre
novo, o extracotidiano, o inaudito e o arrebatamento emotivo que
provocam constituem aqui a fonte de devoção pessoal. Seus tipos mais
puros são a dominação do profeta, do herói guerreiro e do grande
demagogo. A associação dominante é de caráter comunitário, na
comunidade ou no séquito. O tipo que manda é o líder. O tipo que
obedece é o 'apóstolo'. Obedece-se exclusivamente à pessoa do líder por
suas qualidades excepcionais e não em virtude de sua posição estatuída
ou de sua dignidade tradicional; e, portanto, também somente enquanto
essas qualidades lhe são atribuídas, ou seja, enquanto seu carisma
subsiste. Por outro lado, quando é 'abandonado' pelo seu deus ou
quando decaem a sua força heróica ou a fé dos que crêem em suas
qualidades de líder, então seu domínio também se torna caduco.

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96 O quadro administrativo é escolhido segundo carisma e vocação
pessoais, e não devido à sua quali cação pro ssional (como o
funcionário), à sua posição (como no quadro administrativo estamental)
ou à sua dependência pessoal, de caráter doméstico ou outro (como é o
caso do quadro administrativo patriarcal). Falta aqui o conceito racional
de 'competência', assim como o estamental de 'privilégio'. São
exclusivamente determinantes da extensão da legitimidade do sequaz
designado ou do apóstolo a missão do senhor e sua quali cação
carismática pessoal. A administração - na medida em que assim se possa
dizer - carece de qualquer orientação dada por regras, sejam elas
estatuídas ou tradicionais. São características dela, sobretudo, a
revelação ou a criação momentâneas, a ação e o exemplo, as decisões
particulares, ou seja, em qualquer caso - medido com a escala das
relações estatuídas - o irracional."

97 CABE RESSALTAR UM ASPECTO DA DOMINAÇÃO CARISMÁTICA


BASTANTE PRESENTE NAS ORGANIZAÇÕES CARISMÁTICAS DE NOSSOS
DIAS: a rotinização ou a racionalização do carisma:
"Em sua forma genuína, a dominação carismática é de caráter
especi camente extracotidiano e representa uma relação social
estritamente pessoal, ligada à validade carismática de determinadas
qualidades pessoais e à prova destas. Quando esta relação não é
puramente efêmera, mas assume o caráter de uma relação permanente
- 'comunidade' de correligionários, guerreiros ou discípulos, ou
associação de partido, ou associação política ou hierocrática - a
dominação carismática, que, por assim dizer, somente in statu nascendi
existiu em pureza típico-ideal, tem de modi car substancialmente seu
caráter: tradicionaliza-se ou racionaliza-se (legaliza-se), ou ambas as
coisas, em vários aspectos. Os motivos que impulsionam para isso são
os seguintes:

98 a) o interesse ideal ou material dos adeptos na persistência


e reanimação contínua da comunidade;
b) o interesse ideal ou material, ambos mais fortes, do quadro
administrativo: dos sequazes, discípulos, homens de con ança de um
partido, etc., em
1. continuar a existência da relação, e isto
2. de tal forma que esteja colocada, ideal e materialmente, a posição
própria sobre um fundamento cotidiano duradouro: externamente, o
estabelecimento da existência familiar ou, pelo menos, da existência
saturada, em lugar das 'missões' estranhas à família e à economia, e
isoladas do mundo.
Esses interesses tornam-se tipicamente atuais quando desaparece a
pessoa portadora do carisma e surge a questão da sucessão.(...)"

99 A BUROCRACIA Legitimidade legal, racional ou burocrática


Ressaltou-se as outras duas categorias (tradicional e carismática)
servem-nos como o estudo de tribos distantes servem ao antropólogo
urbano: fornecem a alteridade necessária à análise de nosso tipo de
organização social.
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É esta dominação racional que se faz acompanhar do aparato legal-
burocrático como quadro administrativo. Suas características são o
exercício impessoal da autoridade, vinculado sempre a normas aceitas
pelos membros da comunidade, exercidas em geral por delegação
através dos membros do aparato administrativo, de acordo com uma
hierarquia de nida. Necessita ainda de quali cação técnica de seus
membros, que caracteriza a competência através da qual estes podem
galgar a hierarquia, num sistema meritocrático. Objetiva, através de tais
meios, a racionalidade dos ns organizacionais:

100 "[§3.] A dominação legal baseia-se na vigência das


seguintes idéias, entrelaçadas entre si:
1. que todo direito, mediante pacto ou imposição, pode ser estatuído de
modo racional - racional referente a ns ou racional referente a valores
(ou ambas as coisas) - com a pretensão de ser respeitado pelo menos
pelos membros da associação, mas também, em regra, por pessoas que,
dentro do âmbito de poder desta (...), realizem ações sociais ou entrem
em determinadas relações sociais, declaradas relevantes pela ordem da
associação;
2. que todo direito é, segundo sua essência, normalmente estatuídas
com determinadas intenções; que a judicatura é a aplicação dessas
regras ao caso particular e que a administração é o cuidado racional de
interesses previstos pelas ordens da associação, dentro dos limites das
normas jurídicas e segundo princípios indicáveis de forma geral, os quais
encontram aprovação ou pelo menos não são desaprovados nas ordens
da associação;

101 3. que, portanto, o senhor legal típico, o 'superior', enquanto


ordena e, com isso, manda, obedece por sua parte à ordem impessoal
pela qual orienta suas disposições; (...)
4. que - como se costuma expressá-lo - quem obedece só o faz como
membro da associação e só obedece 'ao direito'; (...)
5. que se aplica, em correspondência com o tópico 3, a idéia de que os
membros da associação, ao obedecerem ao senhor, não o fazem à
pessoa deste mas, sim, àquelas ordens impessoais e que, por isso, só
estão obrigados à obediência dentro da competência objetiva,
racionalmente limitada, que lhe foi atribuída por essas ordens.

102 As categorias fundamentais da dominação racional são,


portanto,
1. um exercício contínuo, vinculado a determinadas regras, de funções
o ciais, dentro de
2. determinada competência, o que signi ca:
a) um âmbito objetivamente limitado, em virtude da distribuição dos
serviços, de serviços obrigatórios,
b) com atribuição dos poderes de mando eventualmente requeridos e

103 c) limitação xa dos meios coercivos eventualmentee


admissíveis
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A um exercício organizado dessa forma denominamos 'autoridade
institucional'. (...)
A essas categorias se junta
3. o princípio da hierarquia o cial, isto é, de organização de instâncias
xas de controle e supervisão para cada autoridade institucional, com o
direito de apelação ou reclamação das subordinadas às superiores.
Regula-se de forma diversa a questão de se e quando a própria instância
de reclamação repõe a disposição de ser alterada por outra 'correta' ou
dá as respectivas instruções à instância subordinada à qual se refere a
reclamação.

104 4. As 'regras' segundo as quais se procede podem ser:


a) regras técnicas;
b) normas.
Na aplicação destas, para atingir a racionalidade plena, é necessária, em
ambos os casos, uma quali cação pro ssional. Normalmente, portanto,
só estão quali cados à participação no quadro administrativo de uma
associação os que podem comprovar uma especialização pro ssional, e
só estes podem ser aceitos como funcionários. Os 'funcionários'
constituem tipicamente o quadro administrativo de associações
racionais, sejam estas políticas, hierocráticas, econômicas
(especialmente, capitalistas) ou outras.

105 5. Aplica-se (em caso de racionalidade) o princípio da separação


absoluta entre o quadro administrativo e os meios de administração e
produção. Os funcionários, empregados e trabalhadores do quadro
administrativo não estão de posse dos meios materiais de administração
e produção, mas os recebem em espécie ou em dinheiro e têm
responsabilidade contábil. Aplica-se o princípio da separação absoluta
entre o patrimônio (ou capital) da instituição (empresa) e o patrimônio
privado (da gestão patrimonial), bem como entre o local das atividades
pro ssionais (escritório) e o domicílio dos funcionários.

106 6. Em caso de racionalidade plena, não há qualquer


apropriação do cargo pelo detentor. Quando está constituído um
'direito' ao 'cargo' (como, por exemplo, no caso dos juízes, e,
recentemente, no de seções crescentes dos funcionários públicos e
mesmo dos trabalhadores), ele não serve normalmente para o m de
uma apropriação pelo funcionário, mas sim para garantir [investir] seu
trabalho de caráter puramente objetivo ('independente'), apenas
vinculado a determinadas normas, no respectivo cargo.

107 7. Aplica-se o princípio da documentação dos processos


administrativos, mesmo nos casos em que a discussão oral é, na prática,
a regra ou até consta no regulamento: pelo menos as considerações
preliminares e requisitos, bem como as decisões, disposições e
ordenações nais, de todas as espécies, estão xadas por escrito. A
documentação e o exercício contínuo de atividades pelos funcionários
constituem, em conjunto, o escritório, como ponto essencial de toda a
moderna ação da associação.
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8. A dominação legal pode assumir formas muito diversas. Limitar-nos-
emos, em seguida, à análise típico-ideal da estrutura de dominação mais
pura dentro do quadro administrativo: do 'funcionalismo', ou seja, da
'burocracia'.

108 [§4.] O tipo mais puro de dominação legal é aquele que se


exerce por meio de um quadro administrativo burocrático. Somente o
dirigente da associação possui sua posição de senhor, em virtude ou de
apropriação ou de eleição ou de designação da sucessão. Mas suas
competências senhoriais são também competências legais. O conjunto
do quadro administrativo se compõe, no tipo mais puro, de funcionários
individuais (monocracia, em oposição à 'colegialidade' [...]), os quais:
1. são pessoalmente livres; obedecem somente às obrigações objetivas
de seu cargo;
2. são nomeados (e não eleitos) numa hierarquia rigorosa dos cargos;
3. têm competências funcionais xas;
4. em virtude de um contrato, portanto, (em princípio) sobre a base de
livre seleção segundo

109 5. a quali cação pro ssional - no caso mais racional:


quali cação veri cada mediante prova e certi cada por diploma;
6. são remunerados com salários xos em dinheiro, na maioria dos
casos com direito a aposentadoria; em certas circunstâncias
(especialmente em empresas privadas), podem ser demitidos pelo
patrão, porém sempre podem demitir-se por sua vez; seu salário está
escalonado, em primeiro lugar, segundo a posição na hierarquia e, além
disso, segundo a responsabilidade do cargo e o princípio da
correspondência à posição social;
7. exercem seu cargo como pro ssão única ou principal;
8. têm a perspectiva de uma carreira: 'progressão' por tempo de serviço
ou e ciência, ou ambas as coisas, dependendo dos critérios dos
superiores;
9. trabalham em 'separação absoluta dos meios administrativos' e sem
apropriação do cargo;
10. estão submetidos a um sistema rigoroso e homogêneo de disciplina
e controle do serviço.

110 [§5.] A administração puramente burocrática, portanto, a


administração burocrática-monocrática mediante documentação,
considerada do ponto de vista formal, é, segundo toda a experiência, a
forma mais racional de exercício de dominação, porque nela se alcança
tecnicamente o máximo de rendimento em virtude de precisão,
continuidade, disciplina, rigor e con abilidade - isto é, calculabilidade
tanto para o senhor quanto para os demais interessados -, intensidade e
extensibilidade dos serviços, e aplicabilidade formalmente universal a
todas as espécies de tarefas.

111 Marx:conceitos fundamentais. Classe, ideologia, modos de


produção.
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Idéias notáveis materialismo histórico, materialismo dialético, socialismo
cientí co, modo de produção, mais-valia, luta de classes, teoria marxista
da ideologia, teoria marxista da alienação
In uências Kant, Hegel, Feuerbach, Rousseau, Vico, Robert Owen,
Charles Fourier, Dante, Goethe, Ésquilo, Balzac, Adam Smith, David
Ricardo

112 Nascimento 5 de Maio de 1818 Tréveris, Alemanha


Falecimento14 de Março de Londres, Inglaterra
Nacionalidade alemã
Ocupação economista, sociólogo e lósofo Magnum opus O Capital
Escola/tradiçãoMarxismo (co-fundador, junto com Engels),
Principais interesses sociologia, economia, história, política, teoria social,
ideologia
In uenciados marxistas,Mikhail Bakunin, Karl Kautsky, Antonio Labriola,
Benedetto Croce, Rosa Luxembourg, Leon Trotsky, Vladimir Lênin, Georg
Lukács, Henri Lefebvre, Antonio Gramsci, Lucien Goldman, Max Weber,
Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamin, Erich Fromm,
Louis Althusser, Guy Debord, Galvano Della Volpe, Lucio Colletti,
Domenico Losurdo, Slavoj Zizek, Jon Elster, Claude Lévi-Strauss, Bertold
Brecht, Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Fredric Jameson, Terry
Eagleton, Eric John Hobsbawm, E. P. Thompson, Marshall Berman, Peter
Dews, Ferdinand Braudel , Wilhelm Reich

113 KARL MARX


Marx e Engels formularam seu pensamento a partir da realidade social
por eles observada: • De um lado o avanço técnico, aumento do poder
etc X empobrecimento da classe operária Hegel
CONCEITO DE DIALÉTICA
TEORIA MARXISTA COMPÕE-SE DE UMA TEORIA CIENTÍFICA –
MATERIALISMO HISTÓRICO E DE UMA FILOSOFIA – MATERIALISMO
DIALÉTICO. Materialismo = mundo material é anterior ao espírito e este
deriva daquele.

114 MATERIALISMO DIALÉTICO –


OS FENÔMENOS MATERIAIS SÃO PROCESSOS. O mundo é uma realidade
dinâmica, é um complexo de processos. Por isso a abordagem da
realidade só pode ser feita de uma maneira dialética, que considera as
coisas na sua dependência recíproca, e não linear. O espírito não é
conseqüência passiva da ação da matéria, podendo reagir sobre aquilo
que o determina. Isso implica dizer que a consciência do homem,
mesmo sendo determinada pela matéria, e estando historicamente
situada, não é pura passividade: o conhecimento do determinismo
liberta o homem por meio da ação deste sobre o mundo, possibilitando
inclusive a ação revolucionária.

115 MATERIALISMO HISTÓRICO – É a aplicação do materialismo


dialético na história. É a explicação da história por fatos materiais
(econômicos,
To make técnicos).
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sociedade – sua base econômica – que consiste nas formas pelas quais
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os homens produzem os bens necessários à sua vida. SUPERESTRUTURA
– estrutura jurídico –política (Estado, direito etc) e à estrutura ideológica
(formas da consciência social). A infra-estrutura determina a
superestrutura. Ex.: As manifestações da superestrutura (moral e direito)
passam a ser determinadas pelas alterações da infra-estrutura
decorrentes da passagem econômica do sistema feudal para o
capitalista. Para se estudar a sociedade não se deve partir do que os
homens dizem, imaginam ou pensam, mas da forma como produzem os
bens materiais necessários à sua vida.

116 RELAÇÕES FUNDAMENTAIS DE TODA SOCIEDADE – relações de


produção que revelam a maneira pela qual os homens, a partir das
condições naturais, usam as técnicas e se organizam através de uma
divisão do trabalho social. As relações de produção correspondem a um
certo estágio das forças produtivas (conjunto formado pelo clima, água,
solo, matérias-primas, máquinas, mão-de-obra,instrumentos de
trabalho). MODO DE PRODUÇÃO – a maneira pela qual as forças
produtivas se organizam em determinadas relações de produção num
dado momento histórico.

117 A luta de classes é o motor da história – movimento


dialético
A luta de classes é o motor da história – movimento dialético. O sistema
capitalista consiste na produção de mercadorias (é tudo o que é
produzido não tendo em vista o valor de uso), mas o valor de troca (a
venda do produto).

118 ...
IDEOLOGIA – faz com que os homens não percebam a rei cação e não
reajam prontamente à exploração.

119 O PRINCÍPIO DA CONTRADIÇÃO: CONFLITO E


TRANSFORMAÇÃO(MARX)
Método dialético
Os elementos do esquema básico do método dialético são a tese, a
antítese e a síntese.
A tese é uma a rmação ou situação inicialmente dada.
A antítese é uma oposição à tese.
Do con ito entre tese e antítese surge a síntese, que é uma situação
nova que carrega dentro de si elementos resultantes desse embate. A
síntese, então, torna-se uma nova tese, que contrasta com uma nova
antítese gerando uma nova síntese, em um processo em cadeia in nito.
A loso a descreve a realidade e a re ete, portanto a dialética busca,
não interpretar, mas re etir acerca da realidade. Por isso, seus três
momentos (tese, antítese e síntese) não são um método, mas derivam
da dialética mesma, da natureza das coisas.

120 A dialética é a história do espírito, das contradições do


pensamento que ela repassa ao ir da a rmação à negação. Em alemão
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mesmo tempo
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suprimida. O reprimido ou negado permanece dentro da totalidade. I agree.     
Esta contradição não é apenas do pensamento, mas da realidade, já que
ser e pensamento são idênticos. Esta é a proposição da dialética como
método a partir de Hegel. Tudo se desenvolve pela oposição dos
contrários: loso a, arte, ciência e religião são vivos devido a esta
dialética. Então, tudo está em processo de constante devir.

121 História da dialética


A dialética hegeliana é idealista, aborda o movimento do espírito. A
dialética marxista é um método de análise da realidade, que vai do
concreto ao abstrato e que oferece um papel fundamental para o
processo de abstração. Engels retomou, em seu livro, "A Dialética da
Natureza", alguns elementos de Hegel, concebendo a dialética como
sendo formada por leis; esta tese será desenvolvida por Lênin e Stálin.
Por outro lado, outros pensadores irão criticar ferrenhamente esta
posição, quali cando-a de não-marxista. Assim, se instaurou uma
polêmica em torno da dialética.

122 Heráclito foi o pensador dialético mais radical da Grécia


Antiga
Heráclito foi o pensador dialético mais radical da Grécia Antiga. Para ele,
os seres não têm estabilidade nenhuma, estão em constante
movimento, modi cando-se. É dele a famosa frase “um homem não
toma banho duas vezes no mesmo rio”, porque nem o homem nem o rio
serão os mesmos.
No Século XX, Osho Rajneesh, nascido na Índia, retoma o pensamento de
Heráclito sobre a dialética com a publicação do livro "A Harmonia
Oculta:Discursos sobre os fragmentos de Heráclito".
Na época, os gregos preferiram acreditar na metafísica de Parmênides,
da qual pregava que a essência do ser é imutável, e as mudanças só
acontecem na superfície. Esse pensamento prevaleceu, por atender aos
interesses da classe dominante, na época. Para sobreviver, a dialética
precisou renunciar às expressões mais radicais, conciliando-se com a
metafísica.

123 Depois de um século, Aristóteles reintroduziu a dialética, sendo


responsável, em boa parte, pela sua sobrevivência. Ele estudou muito
sobre o conceito de movimento, que seriam potencialidades,
atualizando-se. Graças a isso, os lósofos não deixaram de estudar o
lado dinâmico e mutável do real. Com a chegada do feudalismo, a
dialética perdeu forças novamente, reaparecendo, no Renascimento e
no Iluminismo

124 Dialética e trabalho


Com o trabalho surge a primeira oportunidade do ser humano em
contraposição atuar como participante sujeito à natureza. O homem faz
parte da natureza, mas com o trabalho, ele vai além.
Para Hegel, o trabalho é o conceito chave para compreensão da
superação da dialética, atribuindo o verbo suspender (com três
signi cados): negação de uma determinada realidade, conservação de
algothis
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elevação a um
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criticou Hegel, pois Hegel não viveu nessa realidade, apenas em sala de
aula e bibliotecas, não enxergando problemas como a alienação nesse
trabalho.
Na ordem, a segunda contradição é justamente essa alienação. O
trabalho é a atividade que o homem domina as forças naturais, se cria a
si mesmo, e tornou-se seu algoz. Tudo isso devido à divisão do trabalho,
propriedade privada e o agravamento da exploração do trabalho sob o
capitalismo. Mas não são apenas os trabalhadores que foram afetados.
A burguesia também, pela busca do lucro não consegue ter uma
perspectiva totalizante.

125 Método Dialético


As Leis da Dialética
Por causa das diferentes interpretações quanto ao número de leis
fundamentais do método dialético pelos autores, para facilitar, podemos
dizer que são quatro leis:
ação recíproca, unidade polar ou "tudo se relaciona";
mudança dialética, negação da negação ou "tudo se transforma";
passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa;
interpenetração dos contrários

126 Ação recíproca


Segundo Engels (In: Politizer, 1979:214), a dialética é a "grande idéia
fundamental segundo a qual o mundo não dever ser considerado como
um complexo de coisas acabadas, mas como um complexo de processos
em que as coisas, na aparência estáveis, do mesmo modo que os seus
re exos intelectuais no nosso cérebro, as idéias, passam por uma
mudança ininterrupta de devir e decadência, em que nalmente, apesar
de todos os insucessos aparentes e retrocessos momentâneos, um
desenvolvimento progressivo acaba por se fazer hoje".

127 Isso signi ca que para a dialética, as coisas não são analisadas
na qualidade de objetos xos, mas em movimento: nenhuma coisa está
"acabada", encontrando-se sempre em vias de se transformar,
desenvolver; o m de um processo é sempre o começo de outro.

128 Stalin, pelo metódo de interdependência e ação recíproca,


a rma "que o método dialético considera que nenhum fenômeno da
natureza pode ser compreendido, quando encarado isoladamente, fora
dos fenômenos circundantes; porque, qualquer fenômeno, não importa
em que domínio da natureza, pode ser convertido num contra-senso
quando considerado fora das condições que o cercam, quando
destacado destas condições; ao contrário, qualquer fenômeno pode ser
compreendido e explicado, quando considerado do ponto de vista de
sua ligação indissolúvel com os fenômenos que o rodeiam, quando
considerado tal como ele é, condicionado pelos fenômenos que o
circundam".

129 Politizer et al. citam dois exemplos referentes à primeira lei do


método
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à parte do universo que a rodeia, pois foi produzida pelo homem com o     
metal extraído da natureza. Ela está sujeita a modi cação pelo fato de
atuar sobre a gravidade, o calor, a oxidação e assim por diante. Se um
pedaço de chumbo for suspenso na mola, este distenderá seu ponto de
resistência de modo a formar, junto à mola, um todo, tendo estes
interação e conexão recíproca. A mola é formada por moléculas ligadas
entre si e quando não pode se distender mais, quebra, ou seja, rompe-se
da ligação entre determinadas moléculas. Portanto, a mola não
distendida, a distendida e rompida apresentam, de cada vez, um tipo
diferente de ligações entre as moléculas.

130 A planta não existe a não ser em unidade e ação que


provoca com o meio ambiente.
Todos os aspectos da realidade prendem-se por laços necessários e
recíprocos.
Mudança Dialética
Todo movimento, transformação ou desenvolvimento opera-se por meio
das contradições ou mediante a negação de uma coisa - essa negação se
refere à transformação das coisas. A dialetica é a negação da negação.
A negação da a rmação implica negação, mas a negação da negação
implica a rmação. "Quando se nega algo, diz-se não. Ora, a negação, por
sua vez, é negada. Por isso se diz que a mudança dialética é a negação
da negação.

131 A união dialética não é uma simples adição de propriedades de


duas coisas opostas, simples mistura de contrários, por isso seria um
obstáculo ao desenvolvimento. A característica do desenvolvimento
dialético é que ele prossegue através de negações.
Segundo Engels (In: Politzer, 1979:2002), "para a dialética não há nada de
de nitivo, de absoluto, de sagrado; apresenta a caducidade de todas as
coisas e em todas as coisas e, para ela, nada existe além do processo
ininterrupto do devir e do transitório".

132 Escola de Frankfurt


A Escola de Frankfurt é nome dado a um grupo de lósofos e cientistas
sociais de tendências marxistas que se encontram no nal dos anos A
Escola de Frankfurt se associa diretamente à chamada Teoria Crítica da
Sociedade. Deve-se à Escola de Frankfurt a criação de conceitos como
"indústria cultural" e "cultura de massa".

133 Escola de Frankfurt, corrente clássica da Sociologia, sobretudo


nas guras de Adorno Horkheimer, procurou questionar as amarras
sociais que impediam o indivíduo de tornar-se pleno.
Os autores procuraram fazer a crítica do pensamento do século XIX,
particularmente o evolucionismo.
O evolucionismo signi cava uma apologia ao desenvolvimento
tecnológico e cientí co como caminho necessário da humanização do
homem e da sociedade.
Tomava o progresso material como mola propulsora da sociedade e
visava o aperfeiçoamento da humanidade e à crítica ao obscurantismo.
Essathisconcepção
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natureza do desenvolvimento do homem em sua individualidade e em
sua autonomia e da diminuição das contradições sociais;
pelo contrário o evolucionismo aumentava a divisão aumentava a
divisão social do trabalho e postulava a estandartização da cultura e dos
hábitos, ou seja, a inseparabilidade da apropriação da natureza e da
subjugação do homem .

134 Ao fazer sua crítica, essa escola procurou integrar as


perspectivas de Marx e Weber. Na obra de Adorno e Horkheimer, é
possível ver a demarcação dos limites da razão ocidental quando separa
o sujeito e o objeto do conhecimento. A técnica, que tinha como m
tornar o mundo acessível através do domínio da natureza, “coisi ca” o
homem.
A técnica opera como “instrumento”de dominação.

135 “(...) o preço da dominação não é meramente a alienação dos


homens com relação aos objetos dominados; com a “coisi cação” do
espírito, as próprias relações dos homens foram enfeitiçadas, inclusive
as relações de cada indivíduo consigo mesmo. O animismo havia dotado
a coisa de uma alma, o industrialismo coisi ca as almas”.
Para eles, o avanço dos recursos técnicos de informação é acompanhado
de um processo de desumanização, no qual o homem passa a ser
dependente da máquina.
O papel da razão ocidental no domínio dos homens e da natureza
tornou-se valor operacional, o único critério para avaliá-la.

136 As necessidades do capital zeram com que o particular


tomasse o lugar do universal. A própria razão identi cou-se com essa
faculdade reguladora. Ao invés de buscar nas entranhas do processo
industrial e da tecnicização da cultura ocidental, a libertação do homem,
a razão ocidental contribuiu, cada vez mais, para a dominação do
homem, por meio de uma sociedade e de um Estado.
A história da civilização ocidental poderia ser escrita em termos de
interiorização das ordens do senhor por parte do subordinado.Todos os
meios da cultura de massas servem para reforçar as pressões sociais
sobre a individualidade, evitando todas as possibilidades de que o
indivíduo preserve-se de algum modo em face dos mecanismos de
dominação da sociedade.

137 Frase lapidar de Theodor Adorno e Max Horkheimer


“O esclarecimento tem perseguido sempre o objetivo de livrar os
homens do medo e de investi-los na posição de senhor. Mas a terra
resplandece sob o signo de uma calamidade triunfal.”
O mérito dessa crítica é justamente mostrar que não basta somente a
crítica interna ao conhecimento para denunciar a arrogância da razão
ocidental. É preciso demonstrar os problemas surgidos em uma ordem
social e econômica que subjugou os homens e enumerar os vencidos
pelo processo de acumulação de homens e bens.
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138 A Sociologia percebeu o quanto a razão ocidental não cumpriu
suas promessas, em grande parte devido aos condicionamentos sociais
existentes no capitalismo. A antiga continuidade homem-natureza e a
autonomia do indivíduo perderam chão, na nossa modernidade, em prol
da abissal separação entre um e outra pela determinação do indivíduo
pela sociedade. A Sociologia da escola procurou dar prosseguimento ao
projeto iluminista na qual razão e sociedade eram consideradas
inseparáveis, embora, no contexto histórico tenham separado-se.

139 ...
A contribuição do pensamento sociológico não se restringe a uma
discussão acadêmica de autores clássicos; mais do que isso, permiti
compreender os dilemas nos quais se assentou a própria idéia de
sociedade e possibilita en leirarmos nossas perguntas á nossa
modernidade. As respostas continuam ser aguardadas.

140 Dados Biográ cos


O grupo emergiu no Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt (em
alemão: Institut für Sozialforschung) da Universidade de Frankfurt-am-
Main na Alemanha.
O instituto tinha sido fundado com o apoio nanceiro do mecenas judeu
Felix Weil em Em 1931, Max Horkheimer, discípulo de Guile, tornou-se
director do Instituto. É a partir da gestão de Horkheimer que se
desenvolve aquilo que cou conhecido como a Teoria Crítica da
Sociedade, comumente associada à Escola de Frankfurt.

141 ...
Com a chegada de Hitler ao poder na Alemanha, os membros do
Instituto, na sua maioria judeus, migraram para Genebra, depois a Paris
e nalmente, para a Universidade de Columbia, em Nova Iorque.
A primeira obra coletiva dos frankfurtianos são os Estudos sobre
Autoridade e Família, escritos em Paris, onde estes fazem um
diagnóstico da estabilidade social e cultural das sociedade burguesas
contemporâneas. Nestes estudos, os lósofos põem em questão a
capacidade das classes trabalhadoras em levar a cabo transformações
sociais importantes.

142 ...
Esta descon ança, que os afasta progressivamente do marxismo
"operário", se consuma na Dialética do Esclarecimento de 1947,
publicado em Amsterdã onde o termo marxismo já se encontra quase
ausente. Em publicam os Estudos sobre o Preconceito que representa
uma inovação signi cativa nas metodologias de pesquisa social, embora
de pouca signi cação teórica.
Com Erich Fromm e Herbert Marcuse inicia-se uma frente de trabalho
que associa a Teoria Crítica da Sociedade à psicanálise. Fromm,
precursor desta frente de trabalho, logo se distancia do núcleo da Escola,
e este perde o interesse pela Psicanálise até o início dos trabalhos de
Marcuse.
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143 ...
Marcuse, que permanece nos EUA após o retorno do Instituto para a
Alemanha em 1948, foi o mais signi cativo dos frankfurtianos, do ponto
de vista das repercussões práticas de seu trabalho teórico, já que teve
in uência notável nas insurreições anti-bélicas e nas revoltas estudantis
de 1968 e 1969.
Adorno continuará o trabalho iniciado na Dialética do Esclarecimento, de
reformulação dialética da razão ocidental, em sua Dialética Negativa,
sendo considerado ainda hoje, o mais importante dos lósofos da
Escola. Com a sua morte, começa o que alguns chamam de segundo
período da Escola de Frankfurt, tendo como principal articulador o antes
assistente de Adorno e, depois, seu crítico mais ferrenho: Jürgen
Habermas.

144 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA


Textos: “A SOCIOLOGIA, SUA HISTÓRIA E SUAS PRINCIPAIS
ABORDAGENS” p. 09 – 35 ; (LOCHE, Adriana et al. Sociologia Jurídica.
Porto Alegre: Síntese, p. LOCHE, Adriana et al. Sociologia jurídica. Porto
Alegre: Síntese, p.)
GALLIANO, A. Guilherme. Introdução à Sociologia. São Paulo: Harper&
Row do Brasil, ( Capítulo 3)

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