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UMA

NOVA ERA
SEGUNDO AS
PROFECIAS
DO
APOCALIPSE
C. Mervyn Maxwell

Tradutor:
Hélio Luiz Grellmann

CASA PUBLICADORA BRASILEIRA


Tatuí - SP
Título do origina] em inglês:
Tm; MI-SSAGI-; oif RI-VI-LATION
Gon CA u ES - VOL. 2

Direitos tk tradução c publicação


un Ifn&ua portuguaa mofados ii
Casa Publícadora Brasileira
Rodovia SP 1 2 7 - k m 106
Caixa Postal 3-4- l 8270-970 - Tatuí, SP
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www.cpb.com.br

y- edição
511 impressão - • 2 mil exemplares
Tiragem acumulada: 19 m i l h e i r o s
2012

Editoração: Paulo P i n h e i r o e R u b e m M. Sclieffcl


ProgruiiMÇiio Vhmtl: Manoel A, Silva
Capa: Gacec/Leopoldo
UastraçSes: A. Rios

IMPRESSO NO BRASIL/Pm;ta//« Br.tzil

liados Internacional» de Catalogação na Publicarão (CIF)


(Câmara firasik-ira do Livro, SP, Brasil)

Miiwcll, C Mervyn, 1925-


l.'m:i nova t-rã secunda as profecias do Apocalipse /
(.. Mcrvyn Maxwtll ; tradutor l lílio l,u L/. C i rei l ma n n.
- Tatuf, SP : Casa Publicadora Bnisilfira, 21)08.

1. Advontistíis do Séciin» Dia — Doutrinas


2. Bílilia N .T. Apocalipse -Comentários 3- Bíblia
N.T, Apocalipse — Crítica e Interjiretação
•1. Bílilia N.T. Apocalipse - P rol te i as 5. Bíblia -
Pruíei ias (j. Tt-oloi;i.i I. Título.

08-01174 c:m>-228.0(í

lndicL'S para catálogo sislomático:


l . Apoc.ilipivf : Pnifetia.s : Interpretflçío : Bíblia
228.06

No/ii: Ao longo de todo o texto, as passagens bíblicas são extraídas da


Vt-rsão Almeida Revista e Atualizada, salvo quando houver indicação diferente.
Prefácio
O Amor de Deus Por Nós
// ff^ "% Espírito e a noiva dizem: Vem. Aquele que ouve diga:
Vem. Aquele que tem sede, venha, e quem quiser, receba
de graça a água da vida." Apocalipse 22:17.
Poderíamos esperar um convite mais generoso do que
esse? As cordiais palavras, mencionadas nas últimas linhas
do livro de Apocalipse, revelam de forma renovada o pro-
fundo desejo divino de conceder-nos o melhor e assegurar nossa amizade
pessoal.
O livro bíblico de Daniel demonstra, sob vários ângulos, quão intenso
é o interesse e cuidado de Deus por Seus filhos. O Senhor concedeu a
Daniel o sonho da estátua e seu significado, dentro de um prazo que per-
mitiu salvar a vida do profeta, a de seus companheiros e a de todos os
sábios babilónicos — além de revelar a Nabucodonosor e a nós, importantes
acontecimentos que deveriam ocorrer no futuro. Ele preservou os amigos
de Daniel da fornalha ardente. Enviou também um anjo para passar a
noite com Daniel, na cova dos leões. Ele prometeu que um dia colocará
um ponto final a todo tratamento injusto, instituindo o juízo final e
concedendo o domínio do mundo inteiro ao Seu povo fiel. Ele prometeu
que nos últimos dias da Terra conduzirá Seus seguidores desta vida para
uma outra, que jamais terá fim.
O livro do Apocalipse prossegue com o tema do cuidado e proteção de
Deus. Haverá ptovas e tribulações, em certos aspectos piores do que as
enfrentadas por Daniel. Semelhante às ondas cumulativas da maré cres-
cente, o Apocalipse registra repetidas afirmações da atenção divina às nos-
sas necessidades, bem como os Seus planos para o nosso futuro. Jesus ca-
minha amorosamente por entre os "candeeiros" que representam Sua igre-
ja imperfeita. Ele promete alimentar-nos com o "maná escondido". Ele Se
compromete a cuidar de nós durante estas horas em que o mundo enfrenta
sua prova final. Ele Se propõe "selar-nos", assentar-nos sobre tronos e con-
ceder-nos a água da vida. "O Espírito e a noiva dizem: Vem."
O Apocalipse c um livro aberto; a Bíblia não o descreve como sendo
fechado. Nesse aspecto, é claro o contraste com o livro de Daniel, apre-
sentado como um livro "fechado". Daniel 12:4. Porém, isso não significa
serem imediatamente compreensíveis todas as revelações do Apocalipse. O
mesmo ocorre com o restante da Bíblia. Existem muitas passagens cuja
compreensão requer análise cuidadosa. Mesmo textos bíblicos, aparente-
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
mente simples, parecem revelar novas pérolas de verdade quando tor-
namos a examiná-los vez após outra — como riquezas ocultas no subsolo.
Uma das principais chaves para a compreensão do Apocalipse é o livro
de Daniel. Ambos os livros apresentam visões paralelas do panorama
profético que se estende desde o tempo em que viveram os profetas, até o
fim do mundo. Ambos se valem profusamente do simbolismo de animais.
Ambos se referem ao período de 1.260 dias/anos, a predições amargas que
focalizam apostasias e perseguições, bem como a várias antevisões de
vitória e regozijo. Ambos os livros apresentam as mensagens do juízo, do
santuário e da lealdade às leis divinas. Ambos prometem, como clímax, um
retorno espctacular do Filho do homem nas nuvens. Ambos nos inspiram
a resistir às emergentes pressões na direçao do mal, c a desenvolvermos um
caráter íntegro. Ambos apresentam a Deus como sendo um Auxiliador
muito ativo cm tempos de dificuldade.
É, pois, cm função de tantos elementos comuns aos dois livros, que o
seu estudo em conjunto se torna altamente recomendável.
Muitos comentaristas reconhecem que Jesus também nos outorgou um
pequeno apocalipse, uma espécie de miniatura ou condensação de Daniel
ou do Apocalipse de S. João. Trata-se do Discurso do Olivete, pronuncia-
do na presença de quatro de Seus seguidores na noite da terça-feira que
antecedeu Sua crucifixão.
No referido discurso, Jesus mencionou especificamente o livro de
Daniel e um de seus mais visíveis símbolos, a "abominação desoladora".
Jesus, a exemplo dos dois outros protetas, também espraia ante nossos
olhos um panorama profético, que abrange desde os acontecimentos vivi-
dos em Seus dias até o fim do tempo. Jesus fala igualmente da apostasia e
da perseguição, secundadas pelo glorioso aparecimento do Filho do
homem nas nuvens. Ele também admoesta Seus seguidores a desenvolver
um caráter resoluto e vigoroso, capaz de resistir às pressões em direçao ao
erro, que logo seriam evidentes.
O estudo do Discurso do Olivete é ricamcnre compensador, por si
mesmo. Melhor ainda se considerado como uma introdução ao Apocalipse
e o elo de ligação entre Daniel e Apocalipse.
"As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus; porém as reveladas
nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre." Deuteronômio 29:29.
Os intrigantes símbolos profusamente usados no Apocalipse, e que por
vezes se nos assemelham a um desfile de componentes de desenho anima-
do, exercem um forte apelo sobre a mente infantil, despertando sua
curiosidade e provendo aos pais c professores a oportunidade para expli-
cações de seu significado.
Alguns aspectos do Discurso do Olivete e do Apocalipse adaptam-se
especialmente aos jovens e juvenis. A parábola das dez virgens sonolentas
Prefácio
fala de pessoas ainda em plena juventude. É interessante observar que Jesus
usou o simbolismo dessas moças para apresentar uma de Suas mais vi-
gorosas mensagens referentes ao preparo necessário à Sua segunda vinda.
Maís significativo ainda é o fato de que, no Apocalipse, Jesus é men-
cionado vinte e nove vezes como o Cordeiro de Deus. Nos tempos bíbli-
cos, o cordeiro era uma reminiscência da primeira páscoa, ocasião em que
o povo de Israel escapou dramaticamente de seu cativeiro egípcio. Aquela
noite pascal inesquecível foi comemorada sob grande risco de que o filho
primogénito de cada família viesse a ser destruído na praga final sofrida
pelos egípcios. De fato, os filhos mais velhos das famílias egípcias perece-
ram naquela noite. Porém, as famílias israelitas sacrificaram um cordeiro,
e cada pai tomou do sangue do animalzinho e o aspergiu sobre as
ombreiras de suas portas. Veja os capítulos 11 e 12 de Êxodo.
A aplicação do sangue às portas era uma expressão de fé na palavra de Deus
e na vinda do Messias Redentor. Ainda hoje, tal ato nos recorda que Jesus
morreu para salvar as crianças. Ele morreu para manter unidas as famílias.
Jesus também vive pelas crianças e famílias. Durante alguns anos, cerca
de vinte séculos atrás, Ele andou aqui, tentando por mil e uma formas
convencer-nos de que Deus nos ama e cuida de nós. Desde então, Ele está
assentado à direita de Deus, ministrando em nosso favor no santuário
celestial. Veja Hebreus 7:25.
Somente depois de aprendermos a depender totalmente de Deus nas
provações diárias, e a viver com Ele no conflito final da história do mundo;
somente depois de assistirmos à vinda de Jesus nas nuvens, e sermos arrebata-
dos para junto dEle, e bebermos a água da vida, e ao lado de nossa família,
contemplarmos pessoalmente a querida e santa face de Jesus, então sabere-
mos, sem qualquer sombra de dúvida, que Deus realmente cuida de nós.
CONTEÚDO
Prefácio: O Amor de Deus Por Nós
Primeira Parte: O Discurso do Olivete 13

Mateus 24 e 25
Introdução: Jesus Prediz o Futuro 13
A Mensagem de Mateus 24 e 25 18
I. A Precaução de Cristo Quanto aos "Sinais" 18
II. A Abominação Que Desola 24
III A Abominação e a Igreja Cristã 28
IV. A Tribulação Predita - e Você 32
V. Parábolas Acerca da Preparação 35
Respostas às Suas Perguntas 43

Segunda Parte: Apocalipse 49

Quem Era João? 49

A Organização do Apocalipse 55
Respostas às Suas Perguntas 65

Apocalipse l
Introdução: A Revelação de Jesus Cristo 69
A Mensagem de Apocalipse l 74
L Jesus Tern as "Chaves da Morte" 74
II. O Testemunho de Jesus 79
III. Em Espírito, no Dia do Senhor 84
Respostas às Suas Perguntas 88

Apocalipse 2 e 3
Introdução: Cristo Escreve às Sete Igrejas 91
A Mensagem de Apocalipse 2 e 3 98
I. O Cuidado de Cristo Por Igrejas "Fumegantes" 98
II. Estímulo ao Desenvolvimento Pessoal 116
IO. As Sete Igrejas Vistas Profeticamente 122
IV. Duas Portas Abertas 136
Respostas às Suas Perguntas 143

Apocalipse 4 e 5
Introdução: Deus Revela o Seu Trono 149
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
A Mensagem de Apocalipse 4 e 5 153
L Alguém Está no Comando 153
II. O Deus Que há de Vir 159
III. O Santuário é um Lugar de Paz 164
Respostas às Suas Perguntas 170

Apocalipse 6:1 a 8:1


Introdução: Cristo Protege o Seu Povo em Aflição 177
A Mensagem de Apocalipse 6:1 a 8:1 180
L Um dos Cavaleiros Tem um Cavalo Branco 180
II. Será Que Deus Realmente Se Interessa Por Nós? 187
III. Sinais do Tempo do Fim 195
IV. Por Que Somente o Cordeiro Pôde Abrir os Selos 206
Respostas às Suas Perguntas 213

Apocalipse 8:2 a 9:21


Introdução: Trombetas Dão Ciência do Julgamento 225
A Mensagem de Apocalipse 8:2 a 9:21 229
I. Por Vezes o Amor Tem Que Gritar - e Punir 229
II. Literal ou Impressionista? 235
III. As Quatro Primeiras Trombetas 240
IV. O Islamismo na Profecia 246
Respostas às Suas Perguntas 268

Apocalipse 10:1 a 11:18


Introdução: Um Anjo Anuncia o Tempo do Fim 275
A Mensagem de Apocalipse 10:1 a 11:18 279
I. Õ Tempo do Fim Começou 279
II. Reforma Rejeitada, Colheita de Revolução 286
III. Uma Vida Insuperável! 298
Respostas às Suas Perguntas 307

Apocalipse 11:19 a 14:20


Introdução: A Mãe Genuína e Seus Filhos 317
A Mensagem de Apocalipse 11:19 a 14:20 321
I. A Primeira Família Arma o Cenário 321
II. O Grande Conflito Entre Cristo e Satanás 325
III. Por Que Deus Não Destrói o Diabo? 339
IV. Os Estados Unidos na Profecia 350
V. A Mensagem do Primeiro Anjo: A Hora do Juízo 359
VI. O Despertamento do Segundo Advento 366
VII. Mensagem do Segundo Anjo: A Queda de Babilónia 375
Conteúdo
VIII. Mensagem do Terceiro Anjo: Os Guardadores dos
Mandamentos de Deus 380
IX. A Marca da Besta c o Selo de Deus 390
X. A Crise Final c Sua Família 400
XI. Quanto Merece Ele? 409
Respostas às Suas Perguntas 415

Apocalipse 15 e 16
Introdução: As Sete Ultimas Pragas 437
A Mensagem de Apocalipse 15 e 16 443
I. As Sete Ultimas Pragas 443
II. A Batalha do Armagedom 450
III. O Templo Enche-se de Fumaça 463

Apocalipse 17:1 a 19:10


Introdução: A Queda de Babilónia 471
A Mensagem de Apocalipse 17:1 a 19:10 474
I. A Prostituta e Suas Filhas 474
II. Saia de Babilónia - e Cante! 479
Respostas às Suas Perguntas 490

Apocalipse 19:11 a 21:8


Introdução: O Milénio 499
A Mensagem de Apocalipse 19:11 a 21:8 503
I. A Segunda Vinda de Cristo 503
II. A Grande Ceia de Deus 509
III. O Julgamento e a Primeira Ressurreição 514
IV. A Segunda Ressurreição e o Lago de Fogo 519
V. Nova Terra e Regozijo Eterno 525
Respostas às Suas Perguntas 534

Apocalipse 21:9 a 22:21


Introdução: A Noiva do Cordeiro 545
A Mensagem de Apocalipse 21:9 a 22:21 552
I. A Noiva, a Esposa do Cordeiro 552
II. Vem! Vem! Vem! 559

MAPAS
Ásia Menor no Primeiro Século d.C., Mostrando as Sete Igrejas....95
Alcance dos Gafanhotos do Deserto, Comparados à Expansão do
Islamismo até 750 d.C 249
Localização da Planície de Megido e do Vale de Josafá 455
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
QUADROS

Três Tribulações Notáveis Preditas na Bíblia 36


Prólogo, Epílogo 57
As Sete Igrejas, A Nova Jerusalém 58
Os Sete Selos, O Milénio 59
As Sete Trombetas, As Sete Ultimas Pragas 60
O Grande Conflito, A Queda de Babilónia 61
Organização do Livro de Apocalipse em Forma de Espelho
62, 63, 150, 178, 228, 277, 318, 438, 500, 546
O Fluxo dos Eventos nas Duas Porções do Apocalipse 64
Comparação das Sete Igrejas 100
Sete Selos: Cristo Protege o Seu Povo em Aflição 151, 179
Cinco Cenas Introdutórias Que Mostram o Santuário 167
Localização das Cenas Introdutórias Que Mostram o Santuário 169
Paralelismos Entre o Discurso do Olivete e os Sete Selos 183
As Doze Tribos de Israel 216
Sete Trombetas: Juízos Severos Que Advertem o Mundo ...226, 278
Sumário da Terminologia das Trombetas 264, 265
Lições Ministradas Pelas Sete Trombetas 266, 267
O Grande Conflito: Provações da Mãe Genuína e de Seus Filhos.,318
As Sete Referências aos 1260 Dias 334
O Chifre Pequeno Comparado Com a Besta Semelhante a
Leopardo 335,392
Esboço da Análise Bíblica Acerca do Sábado 387, 388
Os Dois Grupos no Tempo do Fim 395
Os Dez Mandamentos 412
As Sete Últimas Pragas: Juízos Severos Que Punem o Mundo ...440
A Segunda Metade do Apocalipse 442, 473, 501, 548
As Pragas do Êxodo Comparadas Com as Sete Ultimas Pragas .447
As Sete Cabeças e os Dez Chifres 491
As Quatro Bestas de Apocalipse 12, 13 e 17 492

ÍNDICE GERAL 563


São Mateus 24 e 25

Primeira Parte:
O Discurso do Olívete:
Jesus Prediz o Futuro
Introdução
f M m grupo de garotas estudantes frequentou a nossa
f /I casa Durante vários dias, a fim de aprender noções bá-
I / I sicas de culinária com minha esposa. Comemorando
^^j£^^^^^ o encerramento do curso, elas planejaram c prepara-
HMBBMMHB ram uma refeição, para a qual convidaram os país. Do
interior de meu escritório, embora a porta do mesmo estivesse fecha-
da, eu podia ouvir o excitamento e entusiasmo do grupo, à medida
que se aproximava a hora da refeição.
A porta de meu escritório ficava justamente ao lado da porta de en-
trada da casa. Como já estava quase na hora em que os pais chegariam,
senti vontade de fazer uma pequena brincadeira com as meninas. Bati
fortemente no lado interno da porta do escritório, como se fossem os
país que estivessem chegando. As meninas quase explodiram de excita-
ção. Livrando-se dos aventais, trataram de passar rapidamente o pente
no cabelo. Enquanto umas faziam os últimos arranjos na mesa, outras
foram abrir a porta.
Não permiti que o desapontamento durasse muito tempo. Abri a porta
do escritório e quando elas me viram rindo, não tiveram alternativa senão
fazer o mesmo. De fato, após a chegada dos pais, o assunto continuou sen-
do motivo para risadas durante toda a refeição.
O excitamento de nossas jovens cozinheiras preconiza idêntico senti-
mento que sentem todos os verdadeiros cristãos quando pensam a respei-
to da segunda vinda de Cristo. Quanto regozijo constituí a contemplação
Uma Nova Era Segundo as Proferias do Apocalipse
antecipada do momento em que Jesus haverá de retornar a fim de estabe-
lecer um ponto final a roda injustiça, enfermidade c pobreza, trazendo si-
multaneamente o início de interminável era de prosperidade e paz!
Naturalmente, notícias tão alvissareiras quanto essas, eram o assunto
prcdileto do próprio Jesus. Ele Se ocupou do tema em várias ocasiões, sen-
do que a mais notável ocorreu um pouco antes de Sua morte. Na noite de
tcrça-fcira da Semana da Paixão, semana que culminou com Sua crucifi-
xão na sexta-feira, Jesus descreveu Seu retorno glorioso numa exposição
que é conhecida como o Discurso do Olivcte.* A análise desse discurso nos
ajudará consideravelmente na compreensão do Apocalipse.
A perspectiva do retorno de Cristo é tão gloriosa que Ele sabia perfei-
tamente que Seus seguidores se impacientariam ante qualquer aparente
demora. Num semelhante estado mental (a exemplo do que ocorreu com
as nossas pequenas cozinheiras), poderiam facilmente cair presas de fal-
sos sinais (tais como as minhas batidas na porta do escritório), e de fal-
sos mestres que haveriam de desviá-los por completo de seu preparo ge-
nuíno. Por isso, Ele começou o discurso nos advertindo quanto ao peri-
go de sermos enganados.
Uma vez que "a esperança que se adia faz adoecer o coração" (Provér-
bios 13:12), Jesus avisou que haveria uma demora. Ele não estaria retor-
nando imediatamente. Contou - prevcnindo-os - a hístótia de dois servos,
colocando na boca de um deles as palavras: "O meu senhor tarde virá." S.
Mateus 24:48, Versão Almeida Revista e Corrigida.
Na conhecida parábola dos talentos, Ele descreve o senhor como regres-
sando "depois de muito tempo". S. Mateus 25:19. Na parábola das dez
virgens, também muito conhecida, Jesus Se identifica com o noivo e afir-
ma, explicitamente: "E tardando o noivo, foram todas tomadas de sono,
e adormeceram." S. Mateus 25:5.
Indicações de uma demora, ou tardança, estão implícitas em outros ver-
sículos: "E certamente ouvireis falar de guerras e rumores de guerras, ...
mas ainda não é o fim." S. Mateus 24:6. "Aquele, porém, que perseverar
até o fim, esse será salvo." S. Mateus 24:13. "E será pregado este evange-
lho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. En-
tão virá o fim." Verso 14. (Ao longo deste volume, a ênfase em textos bí-
blicos é sempre suprida pelo autor.)
Contudo, se a tardança é apresentada de modo bastante claro, mui-
to mais enfática é a necessidade de preparo para enfrentá-la; isso ocor-

* O Discurso do Olivcte encontra-se registrado principalmente em S. Marcus 2-Í e 25. Registros


paralelos são encontrados tambiím em S. Marcos 13 e S. Lucas 21. Lucas também apresenta aquilo
que, à primeira vista, parecem trechos do discurso, apresentados sol) um enfoque muito diferente.
Compare S. Lucas 17:22-37 com S. Maieus 24:23-28. Isso nos leva a compreender que Jesus deve ter
falado de Sua segunda vinda em várias ocasiões, e sob diferentes ângulos.
São Mateus 24 e 25
ré em várias observações de Cristo e em quatro parábolas distintas.
Veja as páginas 35-42.
O Cenário do Discurso do Olivete. O Discurso do Olivete foi proferido
após o entardecer de terça-feíra. O dia havia sido difícil. Durante horas, Je-
sus havia argumentado com multidões nos recintos do templo. Repetida-
mente, os inimigos haviam tentado envolvê-Lo em questões compromete-
doras. Boa parte das pessoas parecia apreciar as palavras que Ele dizia, mas
Jesus bem sabia que mesmo essas O estavam vislumbrando como um rei
militar e não como o Príncipe da Paz. Elas almejavam vê-Lo conquistar os
romanos. Não tinham a intenção, no entanto, de permitir que Ele lhes
conquistasse o coração com amor. Você pode ter uma ideia do que ocor-
reu naquela terça-feíra ao ler os capítulos 22 c 23 de S. Mateus.
Ao anoitecer, tornara-se evidente que os três anos e meio de abnegado
ministério de Cristo bem pouco haviam conseguido em termos de trans-
formação daquelas pessoas. Dentro de apenas dois dias estariam clamando
pelo sangue de Jesus, da mesma forma que seus antepassados haviam exi-
gido a morte dos profetas. Seus descendentes seriam tão maus quanto eles
próprios; perseguiriam os pregadores que tentassem ajudá-los.
Enquanto o dia findava, a dor comprimia o coração de Cristo. Ele sa-
bia muito bem que, a menos que o povo judeu se arrependesse, sofreria
terrível retribuição. Sua feroz intransigência acabaria enfurecendo de tal
forma os romanos que, por fim o imperador, no ano 70 de nossa era, en-
viaria exércitos que varreriam Jerusalém c seu templo do mapa. Quão tris-
te era saber que as coisas não precisavam ser assim!
"Jerusalém, Jerusalém! que matas os profetas e apedrejas os que te foram
enviados!" soluçou Jesus. "Quantas vexes quis Eu reunir os teus filhos,
como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, c vós não o qui-
sestes!"^. Mateus 23:37.
"Mas você não quis." A Bíblia, na Linguagem de Hoje.
"E vós não me quisestes permitir." O Novo Testamento Vivo.
A dor quase sufocou a angustiosa sentença seguinte: "Eis que a vossa
casa vos ficará deserta." S. Mateus 23:38.
Mesmo os discípulos de Cristo ficaram atordoados. O templo de Deus,
o orgulho da nação, a casa do Senhor, deveria ser abandonada por Deus e
arrasada!
Sentindo-se desconfortável, a multidão dispersou-se a fim de preparar a
refeição vespertina. Nervosamente, os discípulos chamaram a atenção de
Jesus para a arquitetura extraordinariamente primorosa do templo. Veja S.
Mateus 24:1. Durante quase cinquenta anos, o rei Herodes e seus sucesso-
res haviam estado a reconstruir o templo, sob enormes expensas. Veja S.
João 2:20. O mármore branco resplandecia ao sol poente. Em torno da en-
trada principal, placas de ouro faiscavam. Algumas das pedras do templo,
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
cortadas e buriladas de forma quase perfeita, apresentavam dimensões qua-
se inacreditáveis.*
"Não vedes tudo isto?" perguntou Jesus, como se nem houvesse escuta-
do as ponderações dos discípulos. "Em verdade vos digo que não ficará
aqui pedra sobre pedra, que não seja derrubada." S. Mateus 24:2,
Os discípulos se perturbaram muito. Como poderia Deus permitir tão
grande desastre? Porventura estaria assim tão próximo o fim do mundo?
Tendo chegado a noite, Jesus assentou-Se no Monte das Oliveiras. A Seu
lado estavam Pedro, seu irmão André, e os irmãos Tiago c João; os quatro
haviam sido pescadores, e foram os discípulos que acompanharam a Cristo
mais de perto durante todo o Seu ministério. Veja S. Marcos 13:3. Acima de
suas cabeças, a Lua quase cheia espantava as trevas. Abaixo de onde se en-
contravam, atravessando-se o ribeiro de Cedrom, e a não mais que uns cem
metros, a cidade de Jerusalém assomava em seu fulgor místico. Lamparinas
alimentadas com azeite de oliva bruxuleavam em inúmeras janelas. Um es-
tado de espírito equivalente ao do Natal, difundia-se pelos ares, em ante-
gozo da Páscoa que seria celebrada dentro de dois dias. Centenas de pessoas,
de perto e de longe, encontravam-se com os amigos para além dos muros da
cidade, ou acampavam-se do lado de fora. Uma mistura de sons — cães latin-
do, jumentos zurrando e famílias preparando-se para a noite — flutuava no
ar, chegando até onde se encontravam os cinco homens.
O templo parecia estar tão próximo, que qualquer um imaginaria po-
der tocá-lo. A luz argêntea da Lua destacava ainda mais sua alvura e di-
mensões. Os discípulos contemplavam suas pedras, maciças e polidas. Sen-
tiam-se profundamente perturbados com a predição de Jesus, feita um
pouco antes, de que chegaria a ocasião em que nem uma só daquelas pe-
dras ficaria no lugar em que se encontrava agora. Mas... será que o dia de
tão tremendo desastre corresponderia simultaneamente ao dia glorioso do
retorno do Mestre? Eles não conseguiam compreender!
Perplexos, suplicaram, por fim: "Dize-nos quando sucederão estas coi-
sas, e que sinal haverá da Tua vinda e da consumação dos séculos." S.
Mateus 24:3.
Você poderá ler a resposta de Cristo nos capítulos 24 e 25 de S. Mateus,
* O conhecido historiador judeu Flávio josefo, que se encontrava presente na destruição de
Jerusalém, escreveu que "nada faltava ao exterior do templo para deixar deslumbrados os olhos e a
mente. Sendo recoberto por todos os lados com placas maciças de ouro, tão logo despontava o sol,
começava o templo a emitir brilhantes raios, e com tal intensidade, que as pessoas que tentassem con-
templá-lo teriam que proteger os olhos, como fariam em relação aos raios do sol. Aos estranhos que se
aproximavam da cidade, o templo se assemelhava a uma montanha coberta de neve, pois tudo aquilo
que não estava recoberto de ouro era absolutamente brnnco. Das cumieiras do templo partiam ponti-
agudos prolongamentos de ouro, a fim de impedir os pássaros de pousarem ali e poluírem o teto.
Algumas das pedras da construção chegavam a medir quarenta e cinco còvados de comprimento, unce
côvados de altura e seis còvados de largura." - The javish War, 5.222 (Loeb 3:269). Na época, um
côvado equivalia a aproximadamente meio metro.
U,
São Mateus 24 e 25
em sua Bíblia. Tivemos o cuidado de inserir alguns intertítulos a fim de fa-
cilitar a compreensão. Depois que você ler as palavras pronunciadas por Je-
sus, vamos investigar o significado do que Ele quis dizer.

S. Mateus 24
Introdução (versos 1-3)

Vista geral do panorama profético (versos 4-14)


Dificuldades futuras que não são sinais (versos 4-8)

A tribulação e a apostasia futuras (versos 9-13)

O êxito na pregação do evangelho (verso 14)

O componente determinante do sinal da queda de Jerusalém


(versos 15-20)

O período de grande tribulação (versos 21-29)

Sinais astronómicos da segunda vinda


O retorno do Filho do homem (versos 30-31)

A certeza de que o Filho do homem retornará logo após o


cumprimento dos sinais (versos 32-41)

Não é conhecido o tempo exato


E essencial um estado de vigilância e preparo (versos 42-44)

Quatro parábolas que incentivam o preparo (caps. 24:45 a 25:46)


Os dois servos (versos 45-51)

S. Mateus 25

As dez virgens sonolentas (versos 1-13)

Os servos e os talentos (versos 14-30)

A separação entre ovelhas e bodes (versos 31-46)

17
A Mensagem de
S. Mateus 24 e 25
I. A Precaução de Cristo Quanto aos "Sinais"

uanto dependemos dos sinais, especialmente dos sinais de


trânsito! Procuramos por eles com interesse - muitas vezes em
vão - ao chegarmos a intersecções rodoviárias importantes ou
em lugares desconhecidos. Nas rodovias de alta velocidade,
apreciamos vê-los destacados, a fim de não nos confundirmos.
Recordo, de meus dias de infância, haver visto muitas vezes uma série
de placas de advertência que antecediam uma curva muito perigosa, em
Salísbury Plain, Inglaterra. A última placa era exageradamente grande e de-
clarava: "VOCÊ FOI AVISADO."
Pouco depois do nascimento de nosso filho, recebi uma multa de trân-
sito por haver avançado um sinal vermelho em Chicago. Para falar a ver-
dade, minha mente andava um tanto "fora de órbita". Entretanto, quando
tornei a passar pelo lugar em que fora multado, buscando descobrir como
poderia ter ocorrido aquela infração, dei-me conta de que havia um amon-
toado de placas luminosas, anunciando bares e bebidas por detrás do sinal
de trânsito. Duvido muito que não houvesse percebido o semáforo, mes-
mo sob a confusão mental de minha condição de "pai de primeira viagem",
se o sinal fosse visível como a placa de Salisbury Plain!
"DÍze-nos", suplicaram os discípulos, "quando sucederão estas coisas, e
que sinal haverá da Tua vinda e da consumação do século?" S. Mateus 24:3-
Uma Qiiestao Dupla. A pergunta dos discípulos revelava a confusão exis-
tente em sua mente. Eles combinaram num só o que, na verdade, eram
dois fatos distintos. "Quando sucederão estas coisas?" perguntaram eles,
referindo-se à destruição do templo; na mesma sequência, incluíram a per-
gunta seguinte: "Que sinal haverá de Tua vinda e da consumação do sé-
culo?", referindo-se agora ao fim do mundo. Aos olhos dos quatro discí-
pulos, era como se a destruição do templo e o fim do mundo por ocasião
da segunda vinda de Cristo fossem um só acontecimento. Eles supunham
que tão-somente o fim do mundo poderia ocasionar a destruição daquele
edifício, que era a sede principal da adoração ao Deus verdadeiro.
Combinando num só os dois eventos, eles pensavam obter uma só in-
formação: "Quando sucederão estas coisas?", ou seja, "que sinal haverá?",
indicando que chegou o tempo?
Os comentaristas bíblicos, de forma geral, concordam que Jesus mes-
clou, em Sua resposta, informações relativas ao fim do templo e ao fim do
18
Mateus 24, 25
mundo. Sem dúvida, até certo ponto, ocorreu tal mistura de informações.
Porem, os títulos c subtítulos que providenciamos para as palavtas de Jesus,
que foram transcritas nas páginas anteriores, deixam claro que as afirmações
por Ele feitas, referentes aos dois fatos, podem ser separadas com relativa fa-
cilidade. Para ambos os casos, Jesus mencionou sinais claros e distintos.
Sinais Distintos c Confiáveis. Em relação à queda de Jerusalém, Jesus
apontou um sinal inconfundível: a presença do "abominável da desola-
ção... no lugar santo". S. Mateus 24:15. Ele explica esse simbolismo em
S. Lucas 21:20 como sendo "Jerusalém sitiada de exércitos".
No tocante ao fim do mundo, Jesus apresentou uma lista particular e
bem resumida de sinais: a pregação do Evangelho em todo o mundo (S.
Mateus 24:14), um aglomerado de sinais relacionados com fenómenos as-
tronómicos (verso 29) e a maneira efetiva de Sua vinda — sobre as nuvens
e visível como um relâmpago (versos 27 c 30).
A Maneira de Sua Vinda. À primeira vista, Jesus parece ter fugido à per-
gunta feita pelos discípulos. O sinal mais enfático relacionado com a des-
truição de Jerusalém foi a chegada dos exércitos inimigos. O sinal mais en-
fático a respeito do fim do mundo foi a maneira de Sua própria vinda! Mas
Jesus estava sendo profundamente sincero.
Quando as coisas efetivamente aconteceram (e Jesus sabia de que forma
aconteceriam), a chegada dos soldados inimigos a Jerusalém, em 66 d.C.,
provou ser o único sinal de que necessitavam os cristãos judeus. Pouco
tempo depois de iniciado o cerco, os soldados romanos retiraram-se repen-
tinamente da cidade, e todos os habitantes de Jerusalém que quiseram es-
capar, puderam fazê-lo antes que os inimigos retornassem com um exérci-
to reforçado. Veja as páginas 27 e 28.
Quanto aos sinais de Sua segunda vinda, Jesus falou seriamente sobre a ma-
neira de Seu retorno. Ele disse: "Então aparecerá no céu o sinal do Filho do
homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do homem
vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória." S. Mateus 24:30.
O "sinal do Filho do homem" é o Seu aparecimento "sobre as nuvens
do Céu". Da mesma forma como a realeza britânica se dirige a eventos ofi-
ciais em sua conhecida carruagem dourada, e como o presidente da Repú-
blica costuma voar no "Boeing Presidencial" da Força Aérea, assim o Filho
do homem, em ocasiões de significado supremo, costuma viajar utilizan-
do nuvens sobrenaturais.
A Bíblia menciona três ocasiões em que foram (ou serão) utilizadas es-
sas nuvens: (1) Na ascensão de Cristo, da Terra aos Céus, quando "uma
nuvem O encobriu dos seus olhos [dos discípulos]". Atos 1:9. (2) No es-
tabelecimento do juízo pré-advcnto (juízo investígativo), quando o Filho
do homem dirigiu-Se, sobre nuvens, ao Ancião de Dias. Veja Daniel 7:9-
14; Apocalipse capítulos 12-14. (3) Por ocasião da segunda vinda quando,
19
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
de acordo com Apocalipse 1:7, "eis que vem com as nuvens, e todo olho
O verá". A chegada visível de Cristo, cavalgando as nuvens celestes, é o su-
premo sinal do Filho do homem.
Precauções e Advertências. Ao solicitarem a Cristo um sinal de Sua segunda
vinda, os discípulos estavam pensando em algum fato facilmente observável,
que pudesse caracterizar inequivocamente a chegada do último momento no
cronograma divino. E perfeitamente óbvio que, nos dias atuais, também gos-
taríamos de poder dispor de semelhante informação. Portanto, chegamos a nos
perguntar, mais ou menos decepcionados, de que utilidade nos é um sinal (do
retorno de Cristo) que é simplesmente a maneira de o mesmo acontecer!
Voltaremos a abordar essa pergunta um pouquinho adiante. Enquanto
isso, deveríamos impressionar-nos com o fato de que Jesus não estivesse
muito interessado em apontar qualquer dia definido, como sendo o últi-
mo dia. Seis semanas mais tarde, quando os discípulos Lhe perguntaram,
momentos antes da ascensão: "Senhor, será este o tempo em que restaures
o reino a Israel?", Ele replicou: "Não vos compete conhecer tempos ou
épocas que o Pai reservou para Sua exclusiva autoridade." Atos 1:6 e 7.
A primeiríssima coisa que Jesus mencionou no Discurso do Olivete, em
resposta ao pedido de um sinal — feito pelos discípulos — foi: "Vede que
ninguém vos engane." S. Mateus 24:4. Cuidado, para não serdes engana-
dos! Não sejais desencaminhados por falsos cristos e falsos sinais. Não de-
vereis ficar imaginando que o fim de Jerusalém ou o fim do mundo ocor-
rerão antes do tempo realmente determinado. Veja os versos 5 a 8. Tal qual
a placa de Salisbury Plain, Jesus estava declarando, alto e bom som:
"VOCÊS FORAM AVISADOS." Não se deixem iludir por qualquer ba-
teria de sinais que não são sinais!!
"Sinais" Qiie Não São Sinais. E no famoso Discurso do Olivete que
ocorre a frase acerca de "guerras e rumores de guerras". Verso 6. Durante
séculos, os cristãos bíblicos mencionaram essa frase enquanto refletiam so-
bre os acontecimentos internacionais contemporâneos. Vez após outra, ao
pensarem nessa expressão, convenceram-se a si próprios de que Jesus logo
estaria voltando. Contudo, Jesus mesmo declarara, cristalínamente, que
"guerras e rumores de guerras" não representavam, necessariamente, sinais
do fim. "Ainda não é o fim", declarou Ele no mesmo verso 6.
"Vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer, mas
ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino
contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares; porém, tudo
isso é o princípio das dores." Versos 6 a 8.
De qualquer modo, a menção de guerras, fomes e terremotos no con-
texto do Discurso do Olivete, mostra que Jesus tinha em mente que tais
eventos deveriam ocorrer durante o período de trinta e nove anos que ain-
da separavam Seus dias da destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. Somen-
20
Mateus 24, 25
te no curto reinado do imperador Cláudio (41 a 54 d.C.) há o registro de
quatro grandes ondas de fome, uma das quais é mencionada em Atos
11:28. Graves terremotos reconhecidamente ocorreram nos domínios do
Império, em Creta (46 ou 47) c em Roma (no ano 51). Roma desenvol-
veu guerras significativas na Maurltânía (41 a 42), Bretanha (43 a 61) e Ar-
ménia (no início dos anos 60 d.C.). Na Arménia, por exemplo, Roma so-
freu uma notável derrota durante o ano 62 d.C., o que deve ter encoraja-
do falsamente os revolucionários judeus na Palestina.
Guerrilhas e atividades terroristas envolveram a Palestina durante aque-
les anos. Flávío Josefo menciona, destacando uma área restrita da Palestina,
que "a Galiléia tornou-se de ponta a ponta um cenário de fogo e sangue".1
O ponto salientado por Cristo era que os desastres e derrotas, a fome e
as guerras, não deveriam ser considerados como "sinais" da aproximação
do fim, quer de Jerusalém, quer do mundo como um todo. Triste é dizê-
lo, mas para nosso mundo mergulhado em pecados, tais desgraças são sim-
plesmente rotineiras!
Falsos Cristos e Falsos Profetas. Jesus advertiu-nos também quanto ao apa-
recimento de falsos cristos e falsos profetas. Veja os versos 4, 5, 23 e 24;
compare-os com S. Marcos 13:6, 21-23.
No período de trinta e nove anos, que transcorreu entre o Discurso do
Olivete e a queda de Jerusalém, numerosos líderes falsos apareceram. Jose-
fo2 diz que a Palestina foi agitada por muitos enganadores e impostores,
que exploraram os temores e as esperanças do povo, fomentando a revolu-
ção contra Roma, sob pretensa inspiração divina. Um desses impostores,
de origem egípcia, "falso profeta", convidou judeus aventureiros a se uni-
rem a ele em seu acampamento no deserto. Milhares responderam, crendo
que cie era o messias que haveria de livrar Jerusalém das mãos romanas.
Acontece que os romanos logo lhe foram ao encalço. Quando ocorreu o
ataque, praticamente todos os judeus que se haviam unido a esse falso cris-
to particular perderam a vida. Somente escapou o próprio egípcio, com
um punhado de seguidores mais próximos. Algum tempo mais tarde, um
oficial romano confundiu-se imaginando que o apóstolo Paulo fosse o tal
egípcio. Veja Atos 21:38.
No Discurso do Olívetc, Jesus advertiu quanto ao surgimento de falsos
cristos e falsos profetas, e o fez tanto na seção relacionada com a segunda
vinda quanto em conexão com a queda de Jerusalém. Veja S. Mateus
24:23 c 24. A última porção da profecia já se cumpriu, pelo menos em
parte. Há poucos anos, tivemos Jim Jones c o massacre de Jonestown [na
Guiana]. Retrocedendo algumas décadas, o cenário aponta^nos a Adolf
Hitler, que chegou a convencer milhões de esclarecidos cidadãos do mun-
do ocidental de que seria capaz de introduzir o mundo num período de
mil anos de paz. Durante o século dezenove, Napoleão Bonaparte condu-
21
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
ziu à morte um número de seguidores vastamente superior àqueles arras-
tados por Jím Jones. "Pai Divino" apareceu em Filadélfia, proclamando-se
"Deus". Houve também a líder dos "shakers", Ann Lee, que se dizia Cris-
to encarnado numa mulher. A lista é comprida. Karl Marx foi, sem dúvi-
da, um falso cristo vestido de outras roupagens.
A Maneira ao Retorno de Cristo. Voltamos agora ao ponto que se refere
ao modo como Cristo haverá de retornar.
Jesus advertiu que alguns comunicadores apareceriam, clamando: "Eis
que ele está no deserto", ou: "Ei-lo no interior da casa". "Não acrediteis!"
insistiu Jesus. "Vede que Eu vo-lo tenho predito." VOCÊS FORAM AVI-
SADOS. Versos 25 e 26.
Retornará Jesus de forma reservada? Não, Ele diz claramente que não.
Retornará Ele secretamente? Não, certamente não.
Como, então, retornará Cristo? "Porque assim como o relâmpago sai
do oriente e se mostra até o ocidente, assim há de ser a vinda do Filho
do homem. . . . Todos os povos da Terra se lamentarão, e verão o Filho
do homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e muita glória. E Ele
enviará os Seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais reuni-
rão os Seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade
dos céus." Versos 27, 30 e 31.
Foi para prevenir Seus preciosos seguidores de desapontamentos e desastres
que Jesus Se esforçou por detalhar tanto a maneira de Sua vinda. Torna-sc cla-
ro que qualquer ensinador que apregoe uma volta de Cristo diferente daquela
que Ele próprio anunciou - sobre as nuvens do Céu - é um falso profeta.
O Espírito Santo inspirou o apóstolo Paulo a elaborar uma descrição da
"vinda do Senhor" que é similar àquela apresentada pelo próprio Cristo.
"Porquanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, descerá dos
Céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois nós, os vivos,
os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens,
para o encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o
Senhor." I Tessalonicenses 4:15-17.
Duas palavras, usadas por Paulo nesse texto, tornaram-se famosas nos
círculos cristãos. Uma delas éparousút, a palavra grega da qual obtivemos
nosso vocábulo "vinda". Parousia era o termo usado, em tempos antigos,
para se referir a importantes visitas do governo. Tive, certa vez, o privilé-
gio de ler essa palavra escrita num pedaço de cerâmica antiga, onde se en-
contrava registrada a chegada de um oficial a uma certa comunidade do
Egito antigo. Paroitsia é a palavra usada em S. Mateus 24:3 e em muitos
outros textos bíblicos, com referencia ao retorno de Jesus.
A outra palavra famosa, usada em algumas traduções de I Tessalonicen-
ses 4:15-17, é "arrebatar" (arrebatados). O termo que lhe corresponde em
latim é "rapicmur", que é usado na Vulgata. "Arrebatar" significa "trans-
22
Mateus 24, 25
portar com ímpeto". Modernamente, a palavra tem uma conotação agra-
dável, pois nos referimos ao fato de sermos "conduzidos em êxtase" - arre-
batados — por emoções positivas. Em tempos antigos, "rapiemur" era o ter-
mo usado no sentido de "roubar" algo ou "resgatar" alguém.
Por ocasião de Suaparousza (ou segunda vinda), Jesus irá "arrebatar" (ou
resgatar) Seu povo. Em que circunstâncias ocorrerá isso? Sob uma palavra
de ordem, ouvida a voz do arcanjo, ressoada a trombeta de Deus, nosso Se-
nhor descerá sobre as nuvens.
Qualquer "cristo" que venha, ou pretenda vir, de uma forma diferente dessa,
é um falso cristo. Conseqiientemente, qualquer pessoa que ensine que Cristo
voltará de modo diferente do descrito, deve ser também um falso ensinador.
A advertência de Cristo apresenta um caráter de urgência. No Discur-
so do Olivete, Jesus tornou bem claro que a rejeição de falsos ensinadores
é mais importante que a posse de "tabelas de tempo" ou cronogramas
aplicáveis à Sua volta.
"Vede que vo-lo tenho predito." Verso 25. Vocês não podem permitir
que alguém vos engane. VOCÊS FORAM AVISADOS.
Outros Sinais Verdadeiros. Se a maneira precisa de Seu retorno é um "si-
nal", convém observar que Jesus mencionou também uns poucos sinais
adicionais de Sua volta. Em S. Mateus 24:29 e 30, Ele disse: "O Sol escu-
recerá, a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento
e os poderes dos Céus serão abalados. Então aparecerá no céu o sínal do
Filho do homem." Suas palavras encontram-se registradas em S. Lucas
21:25-27, da seguinte forma: "Haverá sinais no Sol, na Lua e nas estrelas;
sobre a Terra, angústia entre as nações em perplexidade por causa do bra-
mido do mar e das ondas; haverá homens que desmaiarão de terror e pela
expectativa das coisas que sobrevirão ao mundo; pois os poderes dos Céus
icrão abalados. Então se verá o Filho do homem vindo numa nuvem, com
rjodcr e grande glória."
Em S. Mateus 24:33, Jesus disse: "Assim também vós, quando virdes
rodas estas coisas, sabei que [Ele] está próximo, às portas." O Senhor
;omplementa: "Ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as
mossas cabeças; porque a vossa redenção se aproxima." S. Lucas 21:28.
Muitos cristãos crêem que os sinais preditos, relativos ao Sol, à Lua e às es-
:relas, já se cumpriram. Uma possibilidade tão sensacional merece cuidadosa
ttenção de nossa parte. As evidências são discutidas nas páginas 195-205.
Entre "todas estas coisas" Jesus disse que, ao aproximar-se a Sua segun-
ía vinda, veríamos um sinal significativo que seria bem evidente: CÍE será
>regado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a
odas as nações. Então virá o fim." S. Mateus 24:14. Após nos concen-
rarmos na análise de outras questões importantes, retornaremos à discus-
ão dessa promessa, nas páginas 45-47.
23
L/rrja Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
II. A Abominação que Desola

Quando os discípulos pediram a Jesus: "Dize-nos, quando sucederão es-


tas coisas?", eles tinham em mente a destruição de Jerusalém c a segunda
vinda. Já chamamos a atenção para isso, por diversas vezes.
Em Sua resposta, Jesus fc/, referência ao "abominável da desolação de que
falou o profeta Daniel". S. Mateus 24:15. Outra expressão equivalente é
"abominação desoladora", que é utilizada em Daniel pela Versão Almeida Re-
vista e Atualizada. E nosso propósito estudar, no decorrer das próximas pági-
nas, o significado dessa "abominação" e da "desolação" por ela produzida.
Quando observamos quão precisamente se cumpriram as profecias de Cristo,
com respeito à queda de Jerusalém, ocorrida no ano 70 d.C., nossa confian-
ça no cumprimento das profecias referentes aos dias atuais também é fortale-
cida. Tal fato é muito importante, pois a abominação desoladora tem uma
aplicação aos nossos dias, assim como o teve na queda de Jerusalém.
"Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o pro-
feta Daniel, no lugar santo (quem lê, entenda), então, os que estiverem
na Judéia fujam para os montes; quem estiver sobre o eirado não desça a
tirar de casa alguma coisa; e quem estiver no campo não volte atrás para
buscar a sua capa. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem
naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no
sábado." S. Mateus 24:15-20.
Um Prelúdio à Destruição. A leitura acerca do cumprimento das pro-
fecias concernentes à destruição de Jerusalém é algo triste e mesmo cho-
cante, mas ela se constitui em vívida demonstração da confiabilídade das
profecias bíblicas.
Façamos uma breve retrospectiva. A minúscula nação da Judéia, cuja
capital era Jerusalém, fora incorporada ao Império Romano quando
Pompeu capturou a cidade, em 63 a.C. Ao passo que a maior parte dos
povos conquistados se sentiam orgulhosos por fazerem parte do Império,
muitos judeus na Judéia e na Galiléia nutriam um forte espírito de resis-
tência, e tornaram-se bem conhecidos por sua militância em oposição à
liderança romana.
Geralmente — embora nem sempre — os romanos tentaram dirigir paci-
ficamente a Palestina. Mas, à medida que o tempo transcorria, os inciden-
tes sangrentos foram se sucedendo. O pior deles ocorreu por volta da me-
tade dos anos 60 d.C. O número de judeus palestinos que perderam a vida
nesse distúrbio é estimado em cerca de 20 mil. Isso aconteceu quando os
sacerdotes do templo decidiram não rnais oferecer sacrifícios ou orações
cm favor do imperador romano. Naqueles dias, todos os grupos étnicos do
Império ofereciam sacrifícios e orações em favor do imperador. Ele era tra-
tado como se fosse um deus.
Mateus 24, 25
A decisão dos sacerdotes foi considerada como um ato de traição. Medi-
das punitivas eram inevitáveis.3 Cestius Gallus, governador da província ro-
mana da Síria — à qual estava incorporada a Judéía - partiu de Antioquia em
díreção ao sul, com o equivalente a duas legiões de soldados e numerosas tro-
pas auxiliares. (As legiões eram tropas de elite, cada uma composta por seis
míl homens. As tropas auxiliares correspondiam à nossa polícia militar.)
Quando Cestius Gallus chegou a Jerusalém, em outubro do ano 66 d.C-, en-
controu feroz resistência. Um grupo guerrilheiro atacou-o de surpresa, ma-
tando 515 romanos e perdendo apenas 22 homens. Mas o próprio êxito do
ataque fez com que os guerrilheiros temessem uma severa revanche, e eles se
retiraram para trás dos sólidos muros do complexo do templo.
Judeus moderados estimularam os romanos a invadir a área do templo
numa ação rápida, derrotando assim os rebeldes antes que estes pudessem
obter uma segunda vitória. Cestius Gallus iniciou sua marcha em direção
ao templo. Restaurar as orações do templo em favor do imperador tinha
sido a razão principal de sua campanha. Inexplicavelmente, porém, depois
de um esforço militar que não chegou a durar uma semana, e exatamente
quando a vitória lhe parecia assegurada, Gallus abandonou a cidade e retor-
nou a Antioquia. A decisão tomada pelo general revelou-se desastrosa para
suas tropas. Os líderes da resistência judaica ocuparam as montanhas que
margeavam a estrada que se dirigia ao norte. Com flechas, lanças e pedaços
de rocha, eles conseguiram matar quase seis mil soldados romanos.
Flávio Josefo, o historiador, serviu como general judeu durante a parte
inicial da guerra, antes de juntar-se ao lado romano. Vários anos mais tar-
de, ao volver seus olhos para o passado, ele analisou a decisão de retirada
do governador como tendo sido um ponto crítico. Houvesse Cestius
Gallus pressionado uni pouco mais fortemente em seu ataque, concluiu
Josefo, a "paz romana" teria sido imposta a Jerusalém com relativamente
poucas perdas humanas e materiais. Escreveu ele que "tivesse [Gallus] per-
sistido um pouquinho mais no cerco [do complexo do templo], teria con-
seguido em curto tempo tomar a cidade", e assim não teria ocorrido a
guerra judaica, nem a cidade sofrido destruição!
Magoados pela perda de seus homens, os romanos reforçaram a deter-
minação de retornar. O imperador Nero chamou da Bretanha um de seus
mais capazes generais, Vespasiano. Este traçou planos cuidadosos com o
auxílio de seu filho Tito (ambos, Vespasiano e Ti to, tornaram-se posterior-
mente imperadores). Juntos, paí e filho lançaram uma campanha durante
a qual possivelmente uns duzentos e cinquenta mil judeus palestinos pere-
ceram à mingua, queimados, atravessados por flechas, crucificados, parti-
dos em pedaços ou escravizados até a morte.
Templo c Cidade São Arrasados. Quando Tito, acompanhado de quatro
legiões e grande número de tropas auxiliares, começou o cerco de Jerusa-
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
lém na primavera de 70 d.C., a cidade estava cheia de judeus que se ha-
viam reunido para celebrar a páscoa.5
À medida que o cerco prosseguia, a doença, a falta de higiene e a fome
começaram a executar sua obra nefanda. Em meio a crescente pânico, três
organizações terroristas trataram de infernizar ainda mais a vida de seus
compatriotas judeus, inclusive procurando apoderar-se por completo dos
miseráveis suprimentos existentes. Uma pobre mãe, à beira da morte por
inanição, comeu seu próprio filhinho!6
Tito esforçou-se por salvar o templo, considerado um ornamento para o
império. De vários modos, tentou também poupar a cidade e seu povo. Mas
os líderes da nação recusaram todos os termos propostos por Tito. Acredita-
vam que Deus, ainda naquela circunstância, iria honrá-los como Seu povo
escolhido e haveria de preservar o templo como a Sua casa de adoração.
Próximo ao fim de agosto, alguns soldados romanos, enfurecidos pelo
incompreensível fanatismo da resistência judaica, atearam fogo à madeira
recoberta de placas de ouro, que cobria as paredes e o teto do templo. Os
judeus modernos ainda comemoram anualmente a subsequente conflagra-
ção; fazem-no ao nono dia do mês judaico de Ab.
Entretanto, mesmo após o incêndio do templo, os sobreviventes recu-
saram-sc inflexivelmente à rendição, o que levou Tito, exasperado, a libe-
rar por completo as suas tropas. Cidade e templo desapareceram literal-
mente. Com exceçao de uma pequena parte do muro e de três torres, "a
cidade foi tão completamente arrasada" - diz Josefo - "que os visitantes,
ao chegarem posteriormente ao lugar, não conseguiam acreditar que algu-
ma vez houvesse sido uma cidade habitada".7
A multidão, que habitava a cidade 110 início do cerco, parecia ter mor-
rido totalmente, exccto pelo fato de em Jerusalém — e na campanha pre-
cedente, na Galiléia e na Judéia - terem sido retirados como prisioneiros
cerca de 97 míl homens, mulheres e crianças. Muitos dos prisioneiros fo-
ram enviados às províncias, a fim de enfrentar animais selvagens nos an-
fiteatros. Outros foram destinados a abrir o canal de Corinto, na Grécia.
Muitos outros foram enviados para o Egito, a fim de trabalhar ardua-
mente como escravos, até lhes sobrevir a morte. Outros tantos foram
oferecidos à venda como escravos, para os gentios que viviam na Judéia;
foram vendidos "por qualquer ninharia, devido à abundância da oferta e
à escassez de compradores".8
O Cumprimento da Profecia. A destruição de Jerusalém cumpriu dolo-
rosamente a predição feita por Ctisto, cerca de trinta e nove anos antes:
"Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra, que não
seja derrubada." S. Mateus 24:2. Da mesma forma, cumpriram-se as Suas
profecias acerca da fome, terremotos, rumores de guerras c exércitos sitian-
do o local sagrado do templo.
Mateus 24, 25
A mulher que devorou seu próprio filho, os escravos que foram vendidos
por uma bagatela e os cativos que foram remetidos ao Egito, cumpriram
juntos outras profecias feitas por Moisés uns quinze séculos antes, confor-
me registradas cm Deuteronômío 28:15, 52, 53 e 68: "Será, porém, que se
não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, não cuidando em cumprir to-
dos os Seus mandamentos e os Seus estatutos, que hoje te ordeno, então...
[o teu inimigo] sítiar-tc-á em todas as tuas cidades, ... e comerás o fruto do
teu ventre, a carne de teus filhos e de tuas filhas. ... O Senhor te fará vol-
tar ao Egito em navios; ... sereis ali oferecidos para venda como escravos e
escravas aos vossos inimigos, mas não haverá quem vos compre."
Deus Cuida de Seu Povo. A destruição de Jerusalém pelos exércitos ro-
manos traz-nos à lembrança a queda da mesma cidade às mãos dos babi-
lónios, séculos antes. Com muíta relutância, Deus teve que entregar a ci-
dade ao rei Nabucodonosor, não sem antes enviar profeta após profeta, na
tentativa de evitar o desastre iminente.
Nos tempos inaugurais do Novo Testamento, Deus fez ainda mais a fim
de poupar o povo e a cidade da terrível sorte que, finalmente, encontraram
às mãos dos romanos. Por mais de trinta anos o próprio Filho de Deus per-
correu as estradas e ruas da Judéia, apontando-lhes o caminho da paz. Ele
lhes mostrou que deveriam perdoar, retribuindo o mal com o bem, e res-
peitar as autoridades legalmente constituídas. Quando um soldado roma-
no, exercendo seus privilégios, compelisse um judeu a carregar sua baga-
gem por uma milha, o judeu deveria, de acordo com o conselho de Jesus,
carregar o fardo também por uma segunda milha. Veja S. Mateus 5:41.
Se todos os judeus da Judéia c Galiléia houvessem aceitado os ensi-
namentos de Cristo, não se teriam envolvido no banditismo e sabota-
gens que instigaram os romanos à retaliação. Não se teriam recusado a
?agar seus impostos. Não se teriam negado a prosseguir orando e ofere-
;endo sacrifícios em benefício do imperador — o ato traiçoeiro que, em
íltima análise, desencadeou a guerra. Tampouco teriam chegado à cega
obstinação e hipocrisia, ao julgar que Deus - sem que eles se arrepen-
dessem — operaria milagres em favor de um povo que por longo tempo
anha desobedecendo ao Senhor. Tampouco teriam se esfacelado entre
;i, formando furiosas facções. Pelo contrário, teriam sustentado genero-
amente uns aos outros.
Felizmente, nem todos os judeus rejeitaram a Jesus. Na verdade, milha-
es O aceitaram. Veja Atos 2:4l. Confiaram não apenas nos ensinamentos
Io Messias, mas também em suas profecias. Lembraram-se de Suas pala-
ras: "Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o
irofeta Daniel, no lugar santo" — ou seja, "quando... virdes Jerusalém sí-
iada de exércitos" — "então, os que estiverem na Judéia, fujam para os
nontes". S. Mateus 24:15 e 16; S. Lucas 21:20.
27
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
A desconcertai!te partida de Ccstius Gallus em novembro de 66 d.C.,
quando a vitória já lhe estava praticamente assegurada, representou uma
inigualável oportunidade de escape. Flávio Josefo relata que "muitos ju-
deus, mesmo os de boa posição", naquele tempo "abandonaram a cidade,
como marinheiros que desertam de um navio que está indo a pique".9
É muito provável que os cristãos judeus abandonaram Jerusalém duran-
te esse período. Dirigindo-se rumo ao norte, eles fundaram uma colónia
em Pela, a sudeste do Lago da Galiléia. As palavras de Cristo, traduzidas
como "fujam para os montes" na versão que estamos usando (e em mui-
tas outras), podem ser apropriadamente expressas como "fujam para um
lugar no interior do país". Pela está localizada no interior do país, entre
montanhas onduladas.
Os cristãos judeus fizeram o que Jesus lhes aconselhara, pois creram em Suas
profecias. Tanto quanto se saiba, nenhum cristão judeu - mãe, pai ou criança —
pereceu no terrível morticínio que baniu Jerusalém da face do mapa.

III. A Abominação e a Igreja Cristã

Vimos, nas páginas anteriores, que Jesus, ao falar sobre o "abominável


da desolação" ou "abominação desoladora", estava Se referindo simbolica-
mente aos exércitos romanos que haveriam de cercar Jerusalém em 66 e 70
d.C. Compare com S. Lucas 21:20. Mas aquilo que Ele disse merece aten-
ção adicional. A "abominação desoladora" deveria representar muito mais
que os exércitos romanos.
Jesus mencionou que o abominável da desolação fora predito "pelo pro-
feta Daniel". Isso era verdade, pois Daniel — embora, por vezes, usando ex-
pressões um pouco diferentes, mas com a mesma ideia em mente — falara
em Daniel 11:31 da "abominação desoladora". Em Daniel 8:13, ele a qua-
lifica como "transgressão assoladora". Ele predisse que a tal "transgressão"
faria com que "o santuário e o exército" fossem pisados. Mencionando o
mesmo fenómeno em outros termos, conforme lemos no capítulo 9:24-
27, Daniel falou a respeito de um príncipe assolador que apareceria sobre
as asas da abominação, a fim de destruir a cidade de Jerusalém e o templo.
Portanto, o profeta Daniel, embora por vezes utilizasse palavras diferen-
tes, por certo falara a respeito do "abominável da desolação",
Ocorre que, no Antigo Testamento, a palavra "abominação" é por vezc;
usada como sinónimo de "adoração idolátrica" ou "ídolo". Veja II Rei;
23:13; Isaías 44:19. A palavra "transgressão" refere-se, obviamente, a algc
pecaminoso. A palavra "sacrilégio", encontrada em algumas versões (come
a Rcvised Standard Version, inglesa) em S. Mateus 24:15, refere-sc a algc
irreverente. Portanto, a "transgressão assoladora", a "abominação desolado-
ra" (ou "abominável da desolação") e o "sacrilégio desolador", menciona-
28
Mateus 24, 25
dos por Jesus e Daniel, são uma só coisa. Em essência, seria um sistema pe-
caminoso de adoração, que praticaria o sacrilégio de tripudiar sobre (e desolar)
a cidade de Deus, o santuário de Deus c o povo de Deus.
O exercito romano, que arrasou Jerusalém, indubitavelmente era uma
abominação desoladora que adorava ídolos. Em lugar de bandeiras, os sol-
dados romanos carregavam estandartes, os quais eram constituídos por
longas estacas com um travessão preso próximo à ponta, e nele cada legião
pendurava os seus símbolos característicos. (A "décima Fretensís" e a "duo-
décima Fulmínata" encontravam-se entre as legiões que lutaram em Jeru-
salém.10} Ao passo que os soldados de hoje saúdam sua bandeira, os roma-
nos frequentemente adoravam seus estandartes. O antigo escritor Tertulia-
no chegou mesmo a afirmar que "a única religião praticada nos acampa-
mentos romanos é a adoração dos estandartes".11
Depois que os soldados romanos haviam destruído o templo de Jerusa-
lém, enquanto a fumaça espessa ainda subia de suas ruínas e os derrotados
judeus ainda se esvaíam em sangue, amaldiçoando e morrendo por todos
os lados, os romanos "carregaram seus estandartes para dentro das câmaras
do templo" — diz Josefo - "e, colocando-os do lado oposto à porta orien-
tal, ofereceram sacrifícios aos estandartes".12
O exército romano que invadiu o lugar santo e destruiu e desolou Jeru-
salém, era intrinsecamente idólatra. Certamente constituiu-se numa "abo-
minação"; e a "profanação" por ele provocada foi "desoladora".
A Abominação era ''Roma". Percebamos agora que, em Daniel 8:13, a
expressão "transgressão assoladora" é aplicada a um outro símbolo apre-
sentado nesse mesmo capítulo: o "chifre pequeno". Muitos estudiosos do
Ívro de Daniel têm tentado aplicar esse simbolísmo ao rei Antíoco Epi-
rânio. Esse excêntrico rei da Síria reinou de 175 a 164 a.C., tendo inter-
•ompido os sacrifícios do templo entre 168 e 165 a.C. Entretanto, ele não
ireenche as várias especificações da ponta pequena, ou chifre pequeno.
Uém do mais, é bem evidente que Jesus, ao identificar a abominação (ou
ransgressao) assoladora com os exércitos romanos que haveriam de cer-
:ar Jerusalém (veja S. Mateus 24:15; S. Lucas 21:20), referia-Se a um
•vento futuro, que não ocorrera ainda em 31 d.C. Portanto, de nenhuma
brma a "transgressão assoladora" poderia ser Antíoco Epifânio, que vive-
a quase dois séculos antes.
Õ que constataremos é que o chifre pequeno de Daniel 8 representava
Roma". Roma pagã e Roma cristã. Ambas, sim: o Império Romano e a
greja Romana medieval.
As profecias de Daniel capítulos 2, 7 e 8 correm paralelamente. Cada
.ma das profecias começa nos dias de Daniel e percorre o tempo da exis-
mcia real das coisas, até o fim do mundo. Os vários símbolos usados para
•s impérios babilónico, medo-persa e grego, são seguidos, em cada capítu-
70
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Io, por símbolos aplicáveis a Roma: ferro cm Daniel 2, um monstro em
Daniel 7 e o chifre pequeno ern Daniel 8. Nas profecias de cada um des-
ses capítulos, Deus não teve o objetivo de analisar as boas coisas realizadas
pelo Império Romano e pela Igreja Romana. Seu propósito foi enfatizar os
aspectos negativos, de repressão, presentes cm Roma, a fim de ministrar-
nos importantes lições.
Estamos agora em condições de perguntar: Será que o chifre pequeno
de Daniel 8 - ou seja, será que a "transgressão assoladora" de Daniel 8:13
— "pisou" o "santuário" de Deus e Seu "exército" (ou povo)? A resposta é:
SIM. Em sua fase de império pagão, Roma destruiu o templo de Jerusa-
lém, que havia sido a principal sede de adoração pública a Deus durante
quase mil anos. Qualquer pessoa sabe que o Império Romano perseguiu as
pessoas que criam no Deus verdadeiro. Roma, em sua fase de igreja "cris-
tã", igualmente perseguiu os crentes. Além disso, o comportamento e en-
sinamentos da igreja medieval obscureceram seriamente o "contínuo" (TA-
MID, no hebraico) ministério de Cristo no santuário celestial. Entre Cris-
to e Seu povo, a igreja romana interpôs um falso sacerdócio, um falso sa-
crifício, uma falsa cabeça (liderança) para a igreja e uma forma falsificada
de se obter a salvação. Que a igreja medieval procedeu mal no passado, é
algo que tem sido francamente admitido por proeminentes autores jesuí-
tas nos anos posteriores ao segundo Concílio do Vaticano.
Observada a partir desse ponto de vista, a "abominação desoladora"
pode ser compreendida como um falso sistema de adoração: Roma em am-
bas as fases, pagã e crista. Roma pagã atacou o santuário visível de Deus,
o templo de Jerusalém, enquanto perseguia o cristianismo. Roma cristã
igualmente perseguiu, opondo-se ao santuário invisível de Deus, no Céu,
onde Cristo ministra em nosso favor.
A Apostasia e o Homem da Iniquidade. Mencionar a igreja cristã medie-
val como praticando coisas más, é algo que soa como um alarme. Como
poderiam os cristãos ter enveredado por caminhos tão tortuosos, a menos
que antes houvessem apostatado, ou abandonado a fé?
Essa legítima apostasia fora predita no Discurso do OHvete. Jesus disse-
ra: "Muitos abandonarão a fé." S. Mateus 24:10 (A Bíblia na Linguagem
de Hoje). Cerca de uns vinte e cinco anos após o discurso, o apóstolo Pau-
lo referiu-se à mesma tragédia. Dirigíndo-se aos líderes da igreja cm Efcso,
ele disse: "Eu sei que, depois da minha partida, entre vós penetrarão lobos
vorazes que não pouparão o rebanho. E que, dentre vós mesmos, se levan-
tarão homens falando coisas pervertidas, para arrastar os discípulos [os
membros da igreja] atrás deles." Atos 20:29 e 30.
"Ninguém de nenhum modo vos engane", escreveu Paulo aos novos
crentes de Tessalónica, que desejavam ardentemente que Jesus voltasse
logo. (As palavras de Paulo eram nitidamente um eco das advertências de
Mateus 24, 25
Jesus em S. Mateus 24.) "Porque isso [a vinda de Cristo] não acontecerá",
prossegue Paulo, "sem que primeiro venha a apostasia [queda], e seja reve-
lado o homem da iniquidade, o filho da perdição, o qual se opõe e se le-
vanta contra tudo que se chama Deus, ou objeto de culto, a ponto de as-
sentar-se no santuário de Deus, ostentando-se como se fosse o próprio
Deus. Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos
estas coisas?" II Tessalonicenses 2:3-5.
O "mistério da iniquidade" já efetuava seu trabalho, disse Paulo, refe-
rindo-se às condições religiosas prevalecentes na metade do primeiro sécu-
lo. No dizer do apóstolo, ele aguardava "somente que seja afastado aquele
que agora o detém; então será de fato revelado o iníquo, a quem o Senhor
Jesus matará com o sopro de Sua boca, e o destruirá, pela manifestação da
Sua vinda." Ií Tessalonicenses 2:7 e 8.
O ponto defendido por Paulo era que o homem da iniquidade, o filho
da perdição, ainda não havia sido manifestado em seus dias (do apósto-
lo), mas que, uma vez estabelecido, tal poder continuaria até a segunda
/índa de Cristo.
Pode parecer falta de amabilidade, ou mesmo uma atitude anticristã, su-
gerir que a Igreja Romana preencheu essa profecia. Mas Paulo estava se ré-
-erindo a uma apostasia, ou rebelião. Apostasias e rebeliões ocorrem sem-
3re dentro das fileiras, não fora. E fato notório que vários papas (e seus ad-
níradores) reclamaram para o papado um "status" que só Deus possui. Es-
:as pretensões (que ocorreram até épocas bem recentes, como na década de
1890), jamais foram repudiadas pela Igreja. E plenamente evidente, tam-
>ém, que a Igreja Romana, movida possivelmente pelas melhores ínten-
:Ões, opôs-se à lei de Deus, e até hoje não corrigiu o seu procedimento.
Líderes Cristãos Manifestaram sua Inquietação. A certa altura da Idade Me-
íia, muitos destacados líderes cristãos sentiram-se profundamente preocupa-
los com a apostasia da igreja. Trazendo risco real para a própria vida, eles ma-
lifestaram a perturbadora convicção de que o homem da iniquidade, a abo-
nínação desoladora, aparecera entre eles, naquela época. Eles concluíram que
igreja — os seus dogmas ou, pelo menos, sua liderança terrestre — era o "ho-
nem da iniquidade" de II Tessalonicenses e a "abominação" de S. Mateus 24.
Jan Milic (falecido em 1374) foi um desses líderes. Secretário do impe-
ador Carlos IV e arcediago da Catedral de Praga, Milic abriu mão de uma
iromoção e renunciou a seus cargos a fim de poder dispor de mais tempo
tara pregar. Durante urna peregrinação a Roma, dirigiu-se a uma enorme
ssembléía de clérigos e estudiosos, apresentando o tema: "O Anticristo
Chegou!" Aprisionado enquanto ainda em Roma, ele escreveu um tratado
o qual disse: "No ponto em que Cristo fala da 'abominação' no templo
5. Mateus 24:15], Ele nos convida a olhar ao nosso redor e a observar
omo, devido à negligência de seus pastores, a igreja jaz desolada."
31
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
João Wyclíffc (falecido cm 1384) foi um conhecido clérigo católico, ho-
mem de Estado na Inglaterra e professor em Oxford. Para ele, a "abomi-
nação desoladora" estava presente na doutrina da transubstanciação, Im-
posta ao povo pelos bispos sob ameaça de excomunhão.1
Sir John Oldcastle (falecido em 1417), também conhecido como Lord
Cobham, merece ser melhor conhecido. Depois da morte de Wycliffe, Su
John patrocinou estudantes de Oxford no estudo da Bíblia e proveu meios
para que os "Pregadores Pobres" ou "Lolardos" [adeptos de Wycliffe] pre-
gassem a Bíblia por todo o país. O arcebispo Arundel, de Cantuária, con-
seguiu que o rei da Inglaterra o repreendesse. Sir John respondeu que, em-
bora desejasse obedecer ao rei, em harmonia corn Romanos 13, ser-lhe-if
impossível obedecer a uma ordem da igreja que lhe ordenava parar de pre-
gar a Bíblia. Ele disse saber, pelas Escrituras, que o papa era o "filho da per-
dição" de II Tessalonicenses 2:3, c a "abominação desoladora no lugar san-
to". Sir John foi aprisionado, mas conseguiu escapar. Recapturado quatrc
anos mais tarde, recebeu como sentença ser assado lentamente, vivo. Mor-
reu cantando louvores a Deus.15
João Huss, natural da Boémia como Milic, também identificou o pap;
como o "homem do pecado". "Huss" quer dizer "ganso" no idioma boê
mio, e ele sabia que poderia muito bem ser assado. Assim aconteceu. N(
dia 6 de julho de 1415, os bispos reunidos no Concílio Eclesiástico di
Constança queimaram-no vivo.
Martinho Lutero (falecido em 1546) era um monge. Suas orações apro
fundaram-lhe a compreensão espiritual. Ele chegou a ver a igreja de seus dia
como "a abominação de que falou Jesus em S. Mateus 24:15". Viu-a tambén
como o homem da iniquidade de II Tessalonicenses 2, que se assenta "no tem
pio de Deus (ou seja, no seio da cristandade), querendo parecer Deus".17
Tragicamente, a abominação desoladora de que Jesus e Daniel falaram
sem qualquer dúvida, aplicou-se a Roma pagã e a Roma crista.

IV. A Tribulação Predita — e Você

Ao falarmos das mortes trágicas de Huss e Oldcastle, vem-nos à lembran


ca o fato de que Jesus, no Discurso do Olivete, predisse que os Seus segui
dores sofreriam tribulação. "Então sereis atribulados, e vos matarão. Serei
odiados de todas as nações, por causa do Meu nome." S. Mateus 24:9.
Naquela noite, essa não foi a única referência à tribulação. Nos verso
21 e 22 Ele fez menção à futura "grande tribulação", diferente de todas a
tribulações anteriores; tão severa que, "não tivessem aqueles dias sid
abreviados, e ninguém seria salvo".
Tribulação é tradução de uma palavra grega que significa perturbaçãt
angústia e sofrimento. Em adição às referências feitas por Cristo no Mont
32
Mateus 24, 25
das Oliveiras, a Bíblia contém várias outras predições relacionadas com pe-
ríodos de notável angústia. Veja o quadro à página 36.
A primeira tribulação mencionada no Discurso do Olivete, haveria de
começar muito cm breve, enquanto os discípulos ainda estivessem vivos.
"Sereis atribulados, e vos matarão", disse-lhes Jesus. Tal tratamento deve-
ria prosseguir de forma mais ou menos permanente. Quando Jesus acres-
centou: "Sereis odiados de todas as nações, por causa do Meu nome", Seu
olhar penetrava a história até o fim dos tempos, quando o Evangelho de-
veria se espalhar rapidamente de uma nação a outra. Algumas pessoas de
todas as nações haveriam de aceitar a mensagem, tornando-se seguidoras
de Jesus. Ele sabia que, tragicamente, muitas outras — de todas as nações —
não só O rejeitariam, como perseguiriam aquelas que O aceitassem.
A outra tribulação mencionada por Jesus, também sem nenhum similar
anterior (versos 21 c 22), foi concretizada durante os 1.260 dias/anos de
Daniel 7:25. Fez parte do terrível quadro de provações, amarguras e angús-
tias que frequentemente foi promovido pela Igreja Romana.
Mais uma tribulação, ou "tempo de angústia", pior que qualquer outra
ocorrida até então, foi profetizada por Daniel no capítulo 12, versos l e 2. Ela
ocorrerá quando "Miguel, o grande príncipe". Se levantai'. "Naquele tempo,
será salvo o teu povo, todo aquele que foi achado inscrito no livro", disse Ga-
briel a Daniel. E acrescentou: "Muitos dos que dormem no pó da terra res-
suscitarão, uns para a vida eterna, outros para vergonha e horror eterno."
Essa tribulação, de caráter único e específico, ocorrerá em conexão com a
ressurreição, na oportunidade da segunda vinda. Ela ocorrerá depois que a
corte judicial, descrita em Daniel 7:9-14, houver finalizado o exame dos li-
vros. Tal angústia resultará em profundo terror, mas só para os ímpios, pois o
povo de Deus será livrado, "todo aquele que for achado inscrito no livro".
A terrível angústia, que ocorrerá no tempo do fim, será singular e relativa-
mente breve, pois incluirá as sete últimas pragas. Por outro lado, a grande tri-
bulação dos 1.260 dias/anos, foi diferente de qualquer outra porque prolon-
gou-se por séculos. Afctou tanto a crentes como a descrentes. Por vezes chegou
i dizimar um quarto, ou mesmo uni terço de determinada população.
Teremos mais a dizer a respeito das diferentes tribulações quando exa-
minarmos Apocalipse 2:10; 3:10 e 6:9-11.
A Tribulação e VOCÊ. Na quietude daquele início de noite, ali no Monte das
Dlíveiras, Jesus disse aos quatro discípulos assentados em torno dElc: "Então
vocês serão torturados c mortos." S. Mateus 24:9, O Novo Testamento Vivo.
A tribulação é dolorosamente pessoal. Dentre aquele grupo de quatro
imigos fieis, Tiago e Pedro foram mais tarde aprisionados em Jerusalém
}elo rei Herodes, que atendeu solicitação dos líderes judeus. Veja Atos
12:1-19. Tiago foi decapitado. Pedro foi resgatado por um anjo naquela
jcasião — porém mais tarde sofreu o martírio em Roma, crucificado de ca-
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
beça para baixo. João, outro componente do grupo de quatro discípulos do
Olivete, foi jogado em azeite fervente. Veja a página 54, Tendo sobrevivi-
do miraculosamente, foi exilado na ilha de Patmos, onde Deus lhe conce-
deu as visões do Apocalipse.
Jesus, entretanto, estava pensando igualmente em muitos outros sofre-
dores. Bem sabia Ele que a tribulação não se limitaria a certos períodos ou
a indivíduos sclecionados. "No mundo tereis aflições", disse Ele. S. João
16:33, Versão Almeida Revista c Corrigida. Suas palavras constituem um
axioma universal, tanto quanto as afirmações: "Na escola existem profes-
sores", eu: "Na guerra existe morte." A tribulação é um aspecto inevitável
da vida humana. "Mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas
se levantam para voar." Jó 5:7, Versão Trinitariana.
O fato de ser cristão, contudo, ajuda o indivíduo a evitar uma série de an-
gústias e a mitigar outras tantas. A decisão de viver segundo hábitos corretos
de vida, de modo a glorificar a Deus (veja I Coríntios 10:31), ajuda o cristão
a evitar muitas dores e enfermidades. Sendo cortês com os outros, o cristão
muitas vezes evita a ira de outras pessoas: "A resposta branda desvia o furor."
Provérbios 15:1. A oração também produz uma grande diferença: "Invoca-
Me no dia da angústia: Eu te livrarei e tu Mc glorificarás." Salmo 50:15-
Apesar de tudo, é inevitável que sobrevenha alguma angústia. "No
mundo tereis aflições." Os cristãos judeus que deixaram Jerusalém em har-
monia com as instruções de Cristo foram gloriosamente poupados da hor-
renda carnificina que sobreveio aos seus compatriotas. Porem, não pude-
ram evitar o custo e as inconveniências de se mudarem para Pela e come-
çarem outra vez a vida ali. Veja as páginas 27 e 28. E óbvio, também, que
os mártires cristãos sofreram tribulação mui severa.
Observe, todavia, que ao Jesus dizer: "No mundo tereis aflições", Ele
acrescentou: "Mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo." S. João 16:33.
Cristo ainda mantém o controle, e Ele terá a última palavra no que diz res-
peito às nossas provações.
"Então sereis atribulados", disse Ele em S. Mateus 24:9. Na verdade,
"matarão alguns dentre vós". S. Lucas 21:16. Porém, jamais esqueçam:
"Não se perderá um só fio de cabelo de vossa cabeça." Verso 18.
Amorável paradoxo! Você poderá ser morto, mas nem uma única célula
de seu corpo se perderá. "Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos Seus
santos." Salmo 116:15- Por ocasião de Sua segunda vinda, o Cristo que já
obteve a vitória sobre a morte, haverá de restaurar à vida cada um de Seu;
filhos que dormem. Veja S. Mateus 24:31; I Tessalonicenses 4:15-18.
Deus cuida!
Ele cuida de nós e deseja que manifestemos o mesmo sentimento poi
outras pessoas. "A religião pura e sem mácula para com o nosso Deus e Pa
é esta: visitar os órfãos c as viúvas nas suas tribulações, e a si mesmo guar-
Mateus 24, 25
dar-sc incontaminado do mundo." S. Tiago 1:27. O cristão amadurecido
tende a não se concentrar nos próprios problemas quando outros carecem
de atenção. O cristão sabe que qualquer pessoa — não importando sua con-
dição social - enfrenta aflições. O verdadeiro cristão sempre encontra uma
forma de Visitá-los" "nas suas tribulações".
O verdadeiro cristão, apesat de manter a respiração suspensa diante dos efei-
tos iniciais da prova, "regozija-se na aflição". Por quê? Porque sabe que, mes-
mo durante as provações, ele é precioso para Deus. Também sabe que as difi-
culdades de ordem pessoal criam uma oportunidade para demonstrar na prá-
tica a perseverança, um testemunho cristão que poderá beneficiar outras pes-
soas. Veja Romanos 5:3; S. Tiago 1:2-4. Ajudar, sentindo satisfação no ato em
si, é uma oportunidade de se demonstrar aos sofredores o amor de Cristo.
"As [coisas] reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos." Dcutero-
nômio 29:29. Certos típos de provação costumam operar a união entre os
membros da família, pelo menos por algum tempo. A família equilibrada
sabe compartilhar as dificuldades e delas tirar lições positivas.

V. Parábolas Acerca da Preparação

No Discurso do Olívete, Jesus não tinha em mente prover um detalha-


do cronograma para a tribulação final da Terra. Seu propósito primário,
durante a maior parte de S. Mateus 24, foi o de advertir-nos quanto ao pe-
rigo de sermos enganados por falsos cristos, falsos profetas e falsos sinais.
Veja as páginas 20-22. Na parte final do capítulo 24 e durante o capítulo
25, Sua ênfase recaiu sobre a necessidade de estarmos preparados para a se-
gunda vinda, em qualquer época que ela vier a ocorrer.
Os cristãos necessitam saber quando o retorno de Cristo estará "próximo".
S. Mateus 24:33. Contudo, Jesus não especificou o "dia c a hora' de Seu re-
torno. Ao contrário, Ele indicou claramente que Seu aparecimento efetivo se
constituiria numa surpresa, mesmo aos Seus seguidores mais fieis.
"Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor."
S. Mateus 24:42.
"Por isso ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não
cuidais, o Filho do homem virá." S. Mateus 24:44,
Nos dias de Noé, o povo envolvía-se descuidadamente em suas azáfamas
diárias ou, como disse Jesus, "comiam, bebiam, casavam e davam-se em ca-
samento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam senão
quando veio o dilúvio e os levou a todos". S. Mateus 24:38 c 39.
Comer e casar-se não são pecados, mas fazer apenas isso não foi o sufi-
ciente nos dias de Noé, c tampouco o será em nossos dias. Necessitamos
sstar preparados, pois, tal como o dilúvio no tempo de Noé, "também será
a vinda do Filho do homem". Verso 37. As pessoas estarão envolvidas em
35
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
TRÊS TRIBULAÇÕES NOTÁVEIS PREDITAS NA BÍBLIA
"No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, Eu venci o mundo."
S. João 16:33, Versão Almeida Revista e Corrigida.
Profecia Cumprimento
\ PERSEGUIÇÃO NO IMPÉRIO ROMANO
Sofrimento do Povo de Deus
"Então sereis atribulados, o vos matarão." S. Ma- Os cristãos começaram a sor perseguidos pelos ju-
tous24:9. deun em 31 d.C., o poios romanos logo depois que Nero
incendiou Roma, em 64 d.C.
"Tereis tribulação do dez dias. Só liei ató á morte, e
dar-te-ei a coroa da vida." Apocalipse 2:10. Ocorreu uma notável onda do perseguição durante o
período da igreja de "Estnirna", a qual ficou conhecida
como a "perseguição do Dioclociano", ocorrida entre 303
e 313. Veja as páginas 102, 103 e 123,

II. A GRANDE TRIBULAÇÃO DOS 1.260 DIAS/ANOS (538-1798)


O Sofrimento de Todas as Pessoas
"Preterirá [o chilro pequeno] palavras contra o Altíssi- A repressão contra os que só desviassem do seu pare-
mo, magoará os santos do Altíssimo,... o os santos lho se- cer, foi sempro uma característica mnrcanle da Igreja Roma-
rão entregues por um lempo, dois tempos e metade cie um na durante os 1.260 dias/anos. Tal repressão tornou-so niti-
tempo [1.260 dias/anos]." Daniel 7:25. damente rnais radical com o estabelecimento da Inquisição
Papal em 1232, o novamente após a Reforma. Quando o
"Quando Ele abriu o quinto selo, vi debaixo do aliar Sol escureceu de modo notável, em 19 do maio de 1780, o
as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da pior havia passado. Veja Apocalipse 6 e 7.
palavra de Deus... Então, a cada um dolesfoi ciada uma
vestidura branca, o lhes disseram que repousassem ain- Rivalidades feudais, hostilidade religiosa o guerras
da por pouco tempo... Vi quando o Cordeiro abriu o sex- nacionalistas espalharam muita angústia durante esse
to selo... O sol se tomou negro..." Depois destas coisas período. Em ocasiões diferentes, a mortífera Peste Ne-
vi, e ois uma grande multidão... e [estavam] vestidos de gra e a pavorosa Guerra dos Trinta Anos chegaram a ti-
vestiduras brancas... São os que vêm da grande tribula- rar a vida do aproximadamonto um terço da população.
ção." Apocalipse 6:9-12; 7:9-14. Veja as páginas 127 e 12B.

"Porquo nesse lempo haverá grande tribulação, como


desde o princípio do mundo ató agora não tem havido, e
nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido abre-
viados, e ninguém soria salvo," "Logo em seguida à tribu-
lação daqueles dias, o Sol escurecerá, a Lua não dará a
sua claridade, e as estrelas cairão do firmamento." S.
Mateus 24:21, 22 o 29.

''Eis que a prostro [a Tiatira] de cama, bem como cm


grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se
arrependam das obras quo ela incita." Apocalipse 2:22.

l. O TEMPO DE TRIBULAÇÃO DOS ÚLTIMOS DIAS


O Povo de Deus é Livrado
"Nesse tempo Se levantará Miguel, o grande prínci- Depois do completar-se o juízo investigativo (pré
pe, o defensor dos filhos do tou povo, e haverá tempo do advento), as sole últimas pragas o outros eventos rela
angústia qual nunca houve, desdo quo houve nação até cionados com o lim, produzirão sotrimento inigualável
àquele tempo;' mas naquele tompo será salvo o leu mas o verdadeiro povo de Deus sorá livrado. Veja a:
povo, todo aquele quo lor achado inscrito no livro. Mui- páginas 111-113.
tos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns
para a vida oterna." Daniel 12:1 o 2.

"Porque guardaste a palavra do Minha perseverança,


também Eu te guardarei da hora da provação que há de vir
sobre o mundo inteiro, para experimentar os quo habitam
sobre a Terra. Venho som demora."Apocalipse 3:10 o 11.
Mateus U, 25
suas ocupações rotineiras, trabalhando "no campo" ou "num moinho";
uma será "tomada" e a outra "deixada". Versos 40 e 4l.
Noé e seus três filhos tinham esposas; portanto, sabemos que eram ca-
sados. Eles armazenaram bastante comida a bordo da arca; assim, torna-se
evidente que eles gostavam de comer. A construção do barco era a sua ocu-
pação diária. No que diz respeito à realização de suas tarefas rotineiras, vi-
viam como todas as outras pessoas. Mas, adicionalmente, eles estavam
"preparados". Eles foram "tomados" para um lugar seguro, e todos os de-
mais habitantes da Terra que viviam naquela ocasião, foram "deixados" à
mercê da destruição.
Nada há de errado em termos uma família, em nos dedicarmos a um
emprego, em desfrutar férias, ou em preencher o formulário do imposto
de renda. Contudo, enquanto desempenhamos essas funções básicas, te-
mos de estar sempre preparados.
Com o propósito de nos auxiliar na preparação para Sua segunda vin-
da, o Mestre dos mestres contou quatro famosas parábolas. A primeira
apresenta Os Dois Servos: um, "fiel e prudente"; o outro é descrito como
um servo "mau". O servo fiel era justo e honesto, tomando providências
para que os empregados sob suas ordens recebessem regularmente o paga-
mento que lhes era devido. O servo mau raciocinava que, como o seu se-
nhor se demorasse a voltar, provavelmente ainda demoraria muito. Assim,
farreava com os amigos, enquanto explorava os trabalhadores. Jesus disse
que o proprietário, ao retornar, promoveria o servo fiel à alta administra-
ção de todos os seus bens. Mas, castigaria o servo mau, reservando-lhe um
lugar junto aos "hipócritas", numa situação em que haveria "choro e ran-
ger de dentes". S. Mateus 24:45-51.
A lição fundamental dessa parábola é que o preparo para a volta de Cris-
to envolve a fidelidade nos deveres diários. Um dos servos realizou um tra-
balho digno de confiança. O outro esbanjou tempo e recursos, e na hora
quis atribuir às pessoas que com ele trabalhavam, a responsabilidade pelo
mau desempenho.
Por que íoi o segundo servo excluído do reino de Deus? Evidentemente,
porque Deus deseja a nossa felicidade eterna e não pode deixá-la à mercê de
garotos irresponsáveis e autoritários. Provavelmente isto signifique também
que Ele não pretende povoar o Céu com país briguemos, irascíveis, ou côn-
juges intratáveis que gastam horas intermináveis diante da TV e depois se
impacientam um com o outro porque o serviço ainda está por ser feito. Par-
te de nossa preparação para a eternidade é aprender — pela graça de Deus —
i usar sabiamente o tempo disponível, e a ser amáveis com os outros.
As Dez Virgens. A segunda parábola de Cristo sobre a preparação, girou
tm torno de uma festa de casamento. Nas bodas típicas dos tempos bíbli-
as, o noivo era conduzido - geralmente num carro de bois - até a casa da
37
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
noiva, para a primeira fase da celebração; depois ele conduzia a noiva à sua
própria casa, para a festa nupcial. Moças solteiras, a maior parte adolescen-
tes, esperavam diante da casa da noiva a fim de recepcionar o noivo e com-
partilhar de sua alegria. Para as cerimónias noturnas, as moças muniam-se
de lamparinas alimentadas com azeite de oliva.
Pude observar que, ainda hoje, em certos vilarejos do Oriente Médio
prevalece tal costume. As lamparinas usadas agora são bastante modernas,
mas tive a felicidade de conseguir uma que data dos tempos bíblicos.
Constatei que cabe nela azeite suficiente para mante-la acesa durante umas
seis horas, e que o ato de andar com ela não é razão suficiente para que o
vento apague a chama.
Na história contada por Cristo, certa noite dez moças reuniram-se dian-
te da casa da noiva, esperando o noivo. Imaginando que tudo correria con-
forme o programado, cinco moças "néscias" não tiveram o cuidado de le-
var azeite de reserva consigo. As cinco moças "prudentes", no entanto, le-
varam em conta que seu amigo, o noivo, poderia muito bern atrasar-se
para o grande compromisso. Sabiam perfeitamente que o costume reque-
ria dos convidados a preocupação com a iluminação do salão de festas e de
seus arredores. Assim, além de levarem consigo as lamparinas, as moças
"prudentes" também levaram um suprimento adicional de azeite.
O noivo atrasou. Enquanto as dez moças cochilavam, suas lamparinas
queimaram praticamente todo o azeite do reservatório. A meia-noite ou-
viu-se uma proclamação, e as moças acordaram com tempo suficiente para
ouvir o carro de bois do noivo dobrar a última curva. As virgens pruden-
tes reabasteceram rapidamente suas lamparinas. As cinco moças néscias,
vendo-se em dificuldades, suplicaram às companheiras que repartissem
com elas o azeite. Porém, as moças prudentes mal tinham azeite suficien-
te para atravessar a madrugada. Enquanto as néscias estiveram ausentes à
procura do mercador de azeite da vila, o noivo chegou. As "que estavam
apercebidas" entraram com cie no salão, para as festividades, c "fechou-se
a porta". Jesus concluiu, dizendo: "Vigiai, pois, porque não sabeis o dia,
nem a hora." S, Mateus 25:1-13.
O objetivo dessa história é que, para estarmos prontos por ocasião da
segunda vinda, necessitamos estar preparados individualmente. Não t
suficiente que apenas esposo ou esposa, pai ou mãe, estejam preparados.
Tampouco é suficiente pertencei' a uma igreja, mesmo que todos oí
membros dessa igreja falem um bocado a respeito da volta de Cristo
Todas as virgens sonolentas acreditavam que o noivo chegaria, e fizcrarr
até mesmo algum tipo de preparo para o encontro. Entretanto, somen-
te encontravam-se de fato preparadas aquelas que fizeram um prepare
individual adequado.
Podemos assumir que as criancinhas entrarão no reino dos Céus con
38
Mateus 24, 25
base na fé de seus pais. Referindo-Se aos filhos pequenos de Seus seguido-
res, Jesus disse: "Deixai vir a Mim os pequeninos, não os embaraceis de vir
a Mim, porque dos tais é o reino dos Céus." S. Mateus 19:14. Não obs-
tante, à medida que nossos filhos crescem, devemos estar seguros de que o
fazem no Senhor e que desenvolvem sua própria espiritualidade. Tão cedo
quanto possível, devem ser animados a ler a Bíblia, a fazer suas próprias
orações e a reunir-se com a família para louvar a Deus. Assim, quando es-
tiverem independentes, terão reserva de azeite para as suas lamparinas.
A Parábola dos Talentos. A terceira história de Cristo introduziu uma nova
palavra em muitos idiomas, inclusive no português. Hoje, talento significa a
habilidade para fazer algo especial. Nos tempos bíblicos, o talento era uma
medida de peso, que correspondia a 34 quilos. Mais tarde, passou a simbo-
lizar o valor desse peso ern prata, ouro ou bronze. Nos dias de Cristo, o ta-
lento significava uma elevada soma de dinheiro, correspondendo talvez ao
salário de um trabalhador comum durante um período de quinze anos.
Nessa terceira parábola sobre preparação, um homem que sairia a viajar
entregou cinco talentos a um servo, dois talentos ao segundo e um talento
ao terceiro servo. Ausentou-se, então. Depois que o patrão viajou, o primei-
ro servo tomou os cinco talentos e habilmente comercializou com eles, che-
gando a duplicar o capital inicial. O homem que recebera dois talentos
também conseguiu duplicá-los. Entretanto, o servo que recebera apenas um
talento ficou ressentido com a "injustiça" do patrão, em este dar-lhe tão
pouco, comparado aos demais. Imaginou que, não importava quanto con-
seguisse granjear com este único talento, afigurar-se-ia aos olhos do proprie-
tário como sendo muito pouco. Assim, num acesso de mau humor e auto-
piedade, cavou um buraco no solo e enterrou aí o seu único talento.
Quando o senhor retornou, "depois de muito tempo", os dois primei-
ros servos prestaram fielmente contas de sua administração, e foram cum-
primentados calorosamente pelo patrão, que disse a cada um deles: "Mui-
to bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei:
entra no gozo do teu senhor."
O terceiro servo, contudo, teve que devolver ao proprietário o único
talento que recebera. Muito sem graça, teve que ouvir como retribuição
3 juízo que dele fazia o patrão: "Servo mau e negligente." À semelhan-
ça do que acontecera com o servo mau da primeira parábola, também
:ste foi relegado a um lugar onde haveria "choro e ranger de dentes."
5. Mateus 25:14-30.
O ponto-chave nessa história é semelhante ao da primeira: enquanto
/ocê espera pela vinda do Senhor nas nuvens do Céu, seja fiel aqui, na Tcr-
-a! Não fique apenas sonhando com as delícias celestiais, mas empreenda
:om vigor o trabalho que está à sua mão!
A terceira parábola apresenta, adicionalmente, suas próprias peculiari-
39
l/ma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
dades importantes, O senhor atribuiu a cada servo uma responsabilidade.
Há nessa parábola urna promessa implícita, de que o Senhor duplicará em
nós aquilo que inicialmente nos concedeu. Outra indicação positiva nes-
sa parábola é que o mais importante não são os talentos em si, porem o
que fazemos com eles. O homem que trabalhou fielmente com dois ta-
lentos, recebeu a mesma recompensa recebida por aquele que trabalhara
fielmente com cinco.
O reino de Deus não poderá ser concedido a trabalhadores preguiçosos,
que nunca oferecem a seus empregadores um grama de esforço adicional,
além daquele pelo qual são pagos. De forma pitoresca, Paulo nos exorta a
trabalhar, "não servindo apenas sob vigilância, visando tão-só agradar ho-
mens, mas cm singeleza de coração, temendo ao Senhor. Tudo quanto fi-
zerdes", prossegue ele, "fazei-o de todo o coração, como para o Senhor, e
não para os homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da
herança. A Cristo, o Senhor, c que estais servindo". Colossenses 3:22-24.
Nosso trabalho diário pode ser a produção de carros ou casas, livros ou ali-
mentos, mas o modo como o fa/^emos estará determinando que tipo de produ-
to seremos nós, como pessoas. Há muito mais caráter do que madeira ou tijo-
los numa casa bem construída. Há muito mais cristianismo do que farinha
num pão saboroso, assado com dedicação para o bem-estar e saúde da família!
Se desejamos que nossos filhos estejam preparados para o retorno do Se-
nhor, haveremos de incentivá-los no desenvolvimento de hábitos laborio-
sos. Em estágios adequados à sua idade, haveremos de levá-los a ir deixan-
do de lado os brinquedos, a arrumar a cama, a lavar a louça, a cortar a gra-
ma e mesmo a pintar a casa. E provável que, a princípio, o trabalho seja
feito de modo vagaroso e imperfeito, mas eles podem ser treinados a reali-
zá-lo "de todo o coração, como para o Senhor". Ao estenderem colchas e
lençóis a cada manha, poderão estar fazendo mais do que simplesmente ar-
rumando camas. Ao prepararem as refeições na hora adequada, poderão
estar obtendo mais do que simples alimento material.
Uma vez que não é o número de talentos que faz a diferença, o homem
que recebeu apenas um talento poderia haver obtido o mesmo galardão
que obtiveram os servos de dois e cinco talentos; bastaria que ele houves-
se duplicado aquilo que recebera. Sem dúvida, é este o princípio que nor-
teia o procedimento divino; e todos nós recebemos pelo menos um talen-
to! A pessoa que precisa locomover-se numa cadeira de rodas, vê as pessoa;
que andam como indivíduos que receberam o talento de andar! A pessoí
cega imagina que somos pessoas que receberam o dom da visão! Saúde
tempo, influência, a capacidade de falar, e mesmo uma conta bancárk
pequena, são talentos, de um modo ou outro.
Deus deseja que usemos todos cies fielmente, a Seu serviço, benefician
do as demais pessoas. Li certa vez a respeito de um cristão completamen
An
Mateus 24, 25
te paralítico, que imaginou dispor de um único talento: orar. E como ora-
va em favor das missões estrangeiras! À medida que foi sendo divulgado
aquilo que ele fazia, milhares de dólares em contribuições para o serviço
missionário foram enviados, em seu nome. Se você é capaz de ler este tex-
to, certamente é porque possui mais talentos do que aquele cristão!
Qualquer coisa que tenhamos, é algo que podemos utilizar fielmente
para Cristo e para o bem dos outros. No processo de uso deste bem, esta-
mos preparando-nos, pela graça do Senhor, para o Seu retorno.
A Separação Entre Ovelhas e Bodes. Provavelmente a quarta parábola de
Cristo quanto à preparação, seja a mais conhecida de todas. Nela é descri-
to o regresso do Senhor cm glória, cercado por todos os Seus santos anjos.
Assentado sobre o trono, Ele reúne a multidão de pessoas à Sua volta e se-
para-os cm dois grupos, tal como ainda hoje o fazem os pastores no Orien-
te Médio, com suas ovelhas e bodes. No cenário provido pela história, as
ovelhas são colocadas à direita e os bodes à esquerda.
"Então dirá o Rei aos que estiverem à Sua direita: 'Vinde, benditos de
Meu Paí! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fun-
dação do mundo. Porque tive fome e Me destes de comer; tive sede e Me
destes de beber; era forasteiro e Me hospedastes; estava nu e Me vestis-
tes; enfermo e Me visitastes; preso e fostes ver-Me."'
Os justos sentír-se-ão perplexos com o louvor do Mestre e Lhe pergun-
tarão quando foi que O trataram com tamanha bondade. O Rei lhes res-
ponderá então: "Em verdade vos afirmo que sempre que o fizestes a um
destes Meus pequeninos irmãos, a Mim o fizestes."
Então, conforme bem o sabemos, o Rei volvcr-se-á em direção aos "bodes"
e lhes ordenará que se apartem dElc, porquanto O viram necessitado, famin-
to e na prisão, c não foram capazes de ajudá-Lo. S. Mateus 25:31-46.
A lição moral em destaque nessa última parábola é que nossa entrada no
reino dos Céus depende do tipo de vizinhos que seremos lá. E o teste-cha-
vc é: Que tipo de vizinhos fomos aqui na Terra?
"Se alguém disser: 'Amo a Deus', e odiar a seu irmão, é mentiroso."
I S. João 4:20. Esse texto produziu impressão indelével em minha men-
te quando eu era criança. Meus doís irmãos e eu frequentemente nos
envolvíamos naquilo que eufemisticamente é conhecido como "rivali-
dade entre irmãos". Mamãe experimentava qualquer coisa no intuito
de fazer-nos parar. Estávamos nos agarrando aos bofetões certo dia
quando ela — pela centésima vez — empreendeu mais uma tentativa. Na
parede da sala que ficava a leste, havia uma pequena janela. Mamãe
perguntou: "Como é que vocês haveriam de sentir-se caso, em meio a
uma briga, olhassem pela janela e vissem uma nuvem aproximar-se,
com Jesus assentado sobre ela?" Olhamos para mamãe, olhos arregala-
dos. Mamãe obtivera nossa atenção; a seguir, mencionou I S. João
41
l/ma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
4:20: "Aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a
Deus, a quem não vê."
Mamãe há muitos anos desceu ao descanso; cada um de nós, os irmãos,
contudo, mesmo sendo agora muito mais velhos do que cia era naquela
ocasião, podemos ainda recordar-nos vividamente do que ocorreu c de
como nos sentimos!
Ela estava certa, não é mesmo? A Bíblia também! Não podemos de-
monstrar o nosso amor a Deus, cxceto demonstrando-o às pessoas. Mes-
mo os dízimos c ofertas que depositamos nas salvas da igreja, não são en-
viados num foguete até o trono de Deus; são antes utilizados aqui na Ter-
ra, em favor de seres humanos. Demonstramos nosso amor a Deus quan-
do tratamos bem os Seus filhos, sem atentarmos à sua raça, situação eco-
nómica, condições de saúde c bondade ou maldade relativas.
As quatro parábolas de Cristo acerca da preparação nos ensinam que
o modo de nos prepararmos para o reino dos Céus é sermos fiéis aqui
naTerra! Deveremos usar nossos talentos e habilidades, sejam muitos ou
poucos, para servirmos aos outros da melhor forma possível. Trataremos
as pessoas de todas as espécies como se fossem o próprio Cristo. Man-
teremos também, individualmente, um relacionamento espiritual corre-
to com Deus.
Especialmente felÍ'/cs serão as famílias que procurarem obter em con-
junto esta preparação.

Leituras Adicionais Sugestivas

As Belas Histórias da Bíblia, vol. 8 {Artur S. Maxwcll):


"Jesus desvenda o futuro", pág. 155;
"Previstos o rádio e a televisão", pág. 174;
"Dez jovens sonolentas", pág. 178.
O Desejado de Todas as NitçÕes, (Ellen G. White):
"O Monte das Oliveiras", cap. 69;
"Um destes Meus pequeninos irmãos", cap. 70.
Respostas às
Suas Perguntas
l. Tiveram os cristãos que fugir no sábado ou no inverno?

Ê
. |gai>
1 -
m S. Mateus 24:20, Jesus aconselhou Seus seguidores a
orar para que a fuga de Jerusalém não ocorresse no sába-
do ou no inverno. Suas orações foram atendidas. Cestius
Gallus retirou-se de Jerusalém em novembro de 66 d.C.
^^^^H (veja as págs. 27 e 28), um mês em que usualmente o cli-
ma não c muito severo naquela parte do mundo. Assim, os cristãos não ti-
veram que fugir no inverno.
A preocupação de Jesus no tocante ao sábado é muito significativa.
Demonstrou que Ele sabia que, no ano 66 d.C., o sábado estaria em ple-
no vigor, ou seja, mais de trinta anos após a Sua morte. Jesus não aboliu
os Dez Mandamentos. Declarou enfaticamente no Sermão da Monta-
nha: "Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas: não vim para re-
vogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a
terra passem, nem um / ou um til jamais passará da lei, até que tudo se
cumpra." S. Mateus 5:17 e 18.

2. O que significa a expressão de Jesus: "Em verdade vos digo que não
passará esta geração"?
Depois de mencionar a breve lista de sinais referentes à Sua segunda vin-
da, Jesus disse: "Hm verdade vos digo que não passará esta geração sem que
tudo isto aconteça. Passará o céu e a terra, porém as Minhas palavras não
passarão." S. Mateus 24:34 e 35.
Jesus pretendia que esta expressão fosse levada a sério. Somente três ve-
zes, durante o Seu ministério, fórum registradas expressões Suas quanto a
"passarem" os céus e a terra. Duas dessas expressões foram contrastadas com
a permanência dos Dez Mandamentos. Veja a questão l desta seção e S. Lu-
cas 16:17. A terceira ocasião em que Ele usou essa frase foi em Mateus 24,
quando enfatizou a certeza de Suas predições acerca "dessa geração".
São quase incontáveis as interpretações que os comentaristas têm dado
aos termos sob enfoque. Talvez cias possam ser classificadas em dois gru-
pos básicos: (1) que a "geração" c um período de tempo e que (2) a gera-
ção c um tipo de pessoas.
Geração como um período de tempo. Sob o primeiro ponto de vista, as pa-
lavras de Jesus em S. Mateus 24:34 são tomadas no sentido de que o pe-
ríodo de tempo decorrente após o aparecimento dos sinais seria tão curto
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
que as pessoas que houvessem contemplado os sinais também veriam o
aparecimento físico de Jesus. De modo similar, uma predição que Ele fez
em S. Mateus 23:36, acerca "dessa geração" e a queda de Jerusalém, é in-
terpretada como significando que o período de tempo entre a predição e
seu cumprimento seria suficientemente curto, para permitir que as pessoas
que ouviam a predição também estivessem vivas para testemunhar os tene-
brosos acontecimentos.
Geração como um tipo de pessoas. Embora possa parecer surpreendente,
em várias ocasiões a Bíblia se refere a "geração" como um ripo de pessoas.
Ela fala, por exemplo, da "geração dos que O buscam" (Salmo 24:6) e so-
bre a "geração dos justos" (Salmo 112:2). Cada uma dessas "gerações" é um
tipo de pessoas boas. Por outro lado, cm S. Lucas 16:8 é-nos dito que os pe-
cadores são mais hábeis que os justos ao tratarem com os de "sua própria
geração", ou seja, com aqueles que, à sua semelhança, são um tipo pecami-
noso de pessoas. Noutra parte Jesus fala de uma "geração adúltera e má" (S.
Mateus 12:39), de uma "geração" que não se arrependerá (S. Mateus 12:41)
e de uma "geração" que se recusava a ouvi-Lo (S. Mateus 12:42).
Conclusão. Dos dois pontos de vista, o segundo parece mais plausível.
Além disso, parece mais compreensível. Apenas trinta c nove anos decor-
reram entre a predição de Cristo em 31 d.C. e a queda de Jerusalém no
ano 70; entretanto, consíderando-se a baixa expectativa de vida naqueles
dias, poucos adultos responsáveis, que ouviram Jesus falar, teriam estado
realmente vivos para testemunhar o cumprimento de Suas profecias. Mais
difícil ainda seria imaginar que alguém, tendo contemplado os sinais as-
tronómicos da volta de Cristo, no final do século dezoito e início do sé-
culo dezenove, pudesse estar vivo hoje a fim de contemplar o Seu retor-
no. Veja Apocalipse 6 e 7.
E melhor imaginar que, em S. Mateus 23:36 e em S. Mateus 24:34 e
35, Jesus tenha usado "esta geração" para designar a espécie de pessoas que
resistem a Deus c rejeitam a Sua mensagem. Não faz sentido imaginar que
o mundo se tornará melhor à medida que o tempo transcorre, pois a maio-
ria das pessoas continuará a rebelar-se contra Deus até que ocorra a segun-
da vinda. O tipo de pessoas que se rebela contra Deus, continuará existin-
do até o fim. Veja II Timóteo 3:1-9; Apocalipse 16:9-
Uma possibilidade específica é que Jesus houvesse Se referido ao povo ju-
deu, de cuja raça ou "geração" Ele próprio fazia parte. Se foi este o caso, Ele
quis dizer que a raça judaica, que em sua maioria havia se decidido a man-
ter inalterada sua posição quanto a Jesus, continuaria existindo até o fim
dos tempos, a despeito de todos os desastres que enfrentasse; a despeito, in-
clusive, da queda de Jerusalém, dos massacres medievais e do holocausto
nazista. A sobrevivência do povo judeu como uma raça distinta — ou "gera-
ção" - é, sem dúvida, um dos mais notáveis fenómenos da História.

Mateus 24, 25
3. Voltará Jesus esta noite?
Os cantores evangélicos frequentemente perguntam: "Estaria preparado
o seu coração, se Ele voltasse hoje à noite?"
Jesus declarou em S. Mateus 24:14: "E será pregado este evangelho do
reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá
o fim." Antes que falemos acerca da possibilidade de Cristo voltar ainda
hoje à noite, devemos perguntar: "Hoje à noite, terá o evangelho sido pre-
gado a todas as nações?" Antes, ainda, de pensarmos em responder a essa
última pergunta, devemos inquirir sobre o que teria Jesus desejado dizer
com o termo "todas as nações".
Frequentemente pensamos numa "nação" como sendo os Estados Uni-
dos, o Brasil, o México ou a Nigéria, ou seja, uma entidade político-social
que tem fronteiras internacionais e um governo central. Podemos esque-
cer-nos que, aqui no Brasil, por exemplo, existem os carajás, os xavantes e
muitos outros povos nativos, e que o dicionário define todas essas tribos
como "nações"! Na Europa — para citar só mais um exemplo — a antiga lu-
goslávia era constituída de vários grupos étnicos, cada um dos quais se
considerava como uma nação. E assim por diante.
Mais importante ainda: nos tempos do Novo Testamento, a palavra gre-
ga para "nações", nos manuscritos de S. Mateus 24:14, era "ethne" (de
onde derivam as nossas palavras etnia, étnico, ctc.). Ethne, nos dias de Cris-
to, significava "nações" — mas também significava "povos", "grupos de.pes-
soas", "classes", "castas" e "tribos". Na verdade, ela com frequência signifi-
ca simplesmente "estrangeiros", e no Novo Testamento foi traduzida mais
de noventa vezes utilizando-se a bem conhecida palavra "gentios".18 Veja,
como exemplo, Atos 10:45 e Efésios 2:11.
A fim de ajudar-nos, inteligentemente, a captar o escopo do desafio
missionário cristão, o Centro Missionário Avançado de Pesquisa e Co-
municação (MARC - Míssions Advanced Research and Communica-
tion Center), do sul da Califórnia, definiu a palavra "nações" (ethne)
como "povos" — grupos dos mais variados tamanhos, mas suficiente-
mente distintos de todos os demais grupos, por fatores como raça,
idioma, atívidade económica, ocupação ou classe social, de forma a
constituir um desafio distinto e separado, do ponto de vista evangelfs-
tico. Em sucessivas edições anuais de seu "índice de Povos Náo-Alcan-
çados",19 o MARC tem relacionado muitos milhares de grupos (povos)
distintos, mostrando que uma grande parte deles ainda estão esperan-
do o dia em que ouvirão as boas-novas do evangelho do reino de Cris-
to. Por exemplo, só na índia foram catalogados mais de 3.000 povos
distintos, separados uns dos outros pelo idioma, casta, religião ou cul-
tura. Menos de 100 destes mais de 3.000 povos contam em seu meio
com um número significativo de cristãos!2
V/ma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Como podem ser alcançados todos esses povos? - Se ainda existem tantos
povos não-evangelizados, como podemos manter a esperança de que Jesus
retornará em breve? Meios de comunicação de massa e satélites podem aju-
dar, mas não é provável que consigam anunciar rapidamente o evangelho
nas 5-390 línguas e dialetos do mundo. Em alguns milhares desses diale-
tos, ainda não existe um único cristão, que possa utilizar os meios de co-
municação com finalidade evangelística. Além disso, a maior parte das pes-
soas preferiria "ver um sermão do que apenas ouvi-lo".
Entre os professos cristãos, deveria haver um novo empenho quanto
ao evangelismo mundial. Por exemplo: na América do Norte, devería-
mos continuar gastando seis vezes mais com os animais domésticos do
que com missionários? 21 Deveríamos gastar boa parte de nossas tardes
envolvidos com esportes e lazer, se realmente desejamos que Cristo vol-
te em breve?
Os cristãos de países mais desenvolvidos podem contribuir generosa-
mente com meios materiais. Podem servir como missionários voluntários
leigos em países estrangeiros, durante algumas semanas ou meses. Profes-
sores e outros profissionais cristãos podem frequentemente desempenhar
trabalho ministerial de grande relevo. Famílias cristãs - como a sua! — po-
dem escolher uma área ou tribo em particular, estudar a seu respeito o que
for possível, e então orar em favor de sua evangelização.
Significativamente, os cristãos do Terceiro Mundo estão obtendo su-
cesso na evangelização de povos não-cristãos. Para mim, Billiat Sapa é um
símbolo da dedicação extraordinária desses missionários nativos. Sapa c
africano e obteve graduação universitária. Ele e sua esposa dispuseram-se
a ser pioneiros cristãos num determinado vale de Malawi, onde existem
plantações de arroz. Uma vez que os habitantes não-cristãos daquelas vi-
las impediram Sapa e sua família de morar em qualquer uma delas, os
missionários tiveram que construir uma plataforma sobre uma árvore, c
ali viviam. A estação chuvosa inundou os pântanos e seus arrozais. Um
dos filhos de Sapa apanhou malária e faleceu. Mas os pais não desanima-
ram. Seu segundo filho também morreu, mas os pais prosseguiram fir-
mes. Por fim, a esposa de Sapa juntou-se aos dois filhos no sono da mor-
te, mas ele recusou-se a partir. Depois de todos esses eventos, os habitan-
tes da vila convenceram-se de que Billiat Sapa os amava verdadeiramente
— e de que o Deus do qual Sapa lhes falara algumas vezes, também os
amava. Assim, permitiram que ele estabelecesse várias escolas cristãs na-
quelas vilas, com grandes frutos para o evangelho.22
Com um maior número de cristãos da têmpera de Billiat Sapa, e poden-
do seguir as ordens de um Senhor como Cristo, a comissão evangélica
pode ser cumprida cm pouco tempo. "Não por força, nem por poder, ma;
pelo Meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos." Zacarias 4:6. O Espirite
Mateus 24, 25
Santo, tendo repousado no Pentecoste sobre cento e vinte cristãos que ora-
vam — arrependidos e obedientes - ajudou-os a obter mais de três mil con-
versos num só dia. Veja Atos 2:1-41. O que acontecerá em nossos dias
quando milhares de cristãos fiéis, contritos, arrependidos e obedientes, no
mundo inteiro, abrirem seus corações a fim de receber plenamente o po-
der do Santo Espírito de Deus? Veja Jocl 2:28 e 29.
É bem provável que Jesus não venha esta noite, mas podemos crer con-
fiantemente que Ele retornará muito cm breve!

REFERÊNCIAS
mmmmmtmr?
1. Josephus, The Jewhh Wnr, 3.63. Texto c rrad. in H. St. J. Thackcray, Ralpli Marcus, c Louis
H. Fcldman, Josephus: Wiih an English Tmiislatioii, 9 vols., Loeb Classícal Library (London: Willíam
Heinemaiin, 1956-1965), 2:594, 595-
2. Josephus, War, 2.252-265; Loeb 2:420-427.
3. Joscphus, War, 2.409; Loeb 2:482, 483.
4.Joscpbus, VKw, 2.539: Loeb 2:531. Compare com Josephus, War, 2.531, 532; Loeb 2:528, 529.
5. Josephus, War, 6.420-427; Loeb 3:496-499. Joscfo informa que a população da cidade nessa
época era de 1.200.000 pessoas. Os estudiosos modernos dividem os seus cálculos por três, quatro e
até mesmo dez. Ver, por exemplo, Joachim Jeremias, Jerusalém in the Time ofJesus (London: SCM Press
Ltd., 1969), págs. 77-84.
6. Joscphus, War, 6.193-213; Loeb 3:434-437.
7. Josephus, War, 7.3; Loeb 3:504, 505. Três torres foram deixadas em pé para mostrar a fortaleza
das defesas da cidade, na época, c uma parte do muro ocidental foi conservado para defender a guarni-
çãii romana designada para vigiar as ruínas. O restante da cidade, bem como o templo, foram arrasados.
8. Josephus, War, 6.384; Loeb 3:486, 487.
9. Josephus, War, 2.556; Loeb 2:536, 537.
10. Joscphus, War, 7.17, 18; Loeb 3:508-511.
11. Tertullian, Apology, 16; ANF 3:31.
12. Josephus, War, 6.316; Loeb 3:468, 469.
13. LeRoy Eclwin Froom, The Prophetic Faith ofOar Fathers, 4 vols. (Washington, D.C.: Revicw
and Herald Publishing Assn., 1946-1954), 2:31-39.
14. lelfin, pág. 58.
15. Iilem, piigs. 87, 88, 91.
16. Jdem, págs. 116-121.
17. Ide m, págs. 277. 278.
18. Uma explicação de pauta ta cthne em Mateus é apresentada por John R Meier, "Nations or
Gcntilcs in Matthew28:19", The Catholic Biblical Qiiarterly 39 (1977):94-102, em resposta a um ar-
tigo de D. Harc c D. Harrington no mesmo periódico 37(1975):359-396. Meier prefere "nações" ou
"povos" a qualquer tradução que dê a impressão de excluir os judeus.
19. UnreachcdPeo/ilcs Dinrtory (Monrovía, Calif.: Míssions Advanced Research and Communica-
tion Center, 1974). C. Pé ter Wagner and Edward R. Dayton, cds., Vnreached Peoples'79 (Elgin, III.:
David C. Cook Publishing Co., 1978).
20. George Samuel, "Unreached Peoplcs: An Intlian Perspective", in Wagner and Dayron, Unrea-
ched 1'c-nples, pág. 82.
21. Ralph D. Winter, "Pcnctrating the New Fronticrs", in Wagner and Dayton, Unreached Peoples,
pág. 73.
22. S. G. Maxwell, ILovetl África (n.p.: The Autlior, 1975), págs. 150-156.

47
Introdução ao Apocalipse

Segunda Parte:
Apocalípse
Quem Era João?
/ B I. Um Resumo de Sua Vida e Época
• t livro de Apocalipse foi escrito pelo "Seu [de Deus] servo
l / João." Apocalipse 1:1.
^8*"*^^_-_ O nome "João" não era comum nos tempos do Novo Tcs-
! l tamento. Existem evidências convincentes de que o João
que escreveu o Apocalipse, foi o conhecido discípulo de Jesus. Veja a seção
"Respostas às Suas Perguntas", que se encontra às págs. 65 e 66. Encontra-
mos recentemente a João no Monte das Oliveiras, escutando atentamente
o Discurso do Olívete, à luz suave da Lua. Ver pág. 16. Ames que exami-
nemos o livro escrito por ele, seria bom que dedicássemos alguma atenção
a nove fatos relacionados com sua vida e com a época em que viveu.
1.. Ris o Cordeiro de Deus! João viu a Jesus pela primeira vez quando Este
Se encontrava em meio à multidão que acompanhava o (c participava do)
batismo efetuado por João Batista, no rio Jordão. João pôde observar
quando o Batista interrompeu subitamente sua pregação e, apontando ex-
citadamente em direção a um Estranho de impressionante porte, excla-
mou, como um arauto: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do
mundo!" S. João 1:29.'
A designação "Cordeiro de Deus" produziu impressões profundas so-
bre a consciência de João. Diariamente, nos serviços do templo, e de
modo especial durante a Páscoa, os cordeiros eram sacrificados em favor
dos pecados do povo. Convicto de que Jesus realmente era o "Cordeiro
de Deus", João utiliza tal designação para o Salvador, cerca de vinte c nove
vezes no Apocalipse.
2. O Discípulo Amado de Jesus. Quando viu a Jesus pela primeira vez,
João mal passava de um adolescente. Ao lado de João, na multidão que as-
49
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
sistia ao batísmo realizado por Racista, cncontrava-se o seu amigo íntimo,
André, que por sua vez era irmão de Símão Pedro. Quando João Batista
apontou ao "Cordeiro de Deus", tanto João quanto André decidiram co-
nhecer melhor a Jesus. Veja S. João 1:35-40.
Aparentemente, o contato de João com Jesus foi um tanto esporádico
durante os vários meses seguintes. E bem provável que ele tenha compare-
cido à festa de casamento em Cana, onde Jesus transformou a água em vi-
nho. Veja S. João 2:1-11. Durante a maior parte do tempo, João e seu ir-
mão Tiago - mais velho que ele — junto com André c seu irmão Pedro, de-
dicavam-se à pesca no Lago da Galiléia, como forma de subsistência. Entre-
tanto, quando Jesus iniciou uma longa campanha na Galiléia e convidou os
quatro jovens amigos a abandonarem suas atividades rotineiras e a se torna-
rem "pescadores de homens" (S. Mateus 4:18-22), eles deixaram para trás
suas redes e O seguiram. Sua vida jamais voltaria a ser a mesma.
Dentre os doze discípulos escolhidos por Jesus, três dos quatro amigos
— Pedro, Tiago e João — formaram o círculo mais íntimo. Não que Jesus os
distinguisse com favoritismós; ocorre que, para a vida dos três, Jesus era
Alguém ainda mais significativo do que para os outros nove. Dentre o cír-
culo íntimo, João é particularmente agraciado como o "discípulo a quem
Jesus amava". S. João 20:2; 21:7 e 20.
3. Ao Lado de Cristo, Junto à Cruz. Juntamente com Pedro e Tiago, João
esteve presente no quarto da filha de Jairo, quando Jesus a ressuscitou.
Veja S. Lucas 8:49-56. Ele esteve com Cristo no Monte da Transfigura-
ção. Veja S. Mateus 17:1-8. Esteve bem próximo ao Salvador enquanto
Este orava no Jardim do Cetsêmaní. Veja S, Mateus 26:36-45. Quando a
turba chegou e os outros discípulos fugiram, apenas Pedro c João atreve-
ram-se a acompanhar Jesus e a entrar no pátio da corte enquanto o Mes-
tre era julgado. Veja S. João 18:15. Quando até mesmo Pedro fraquejou,
negando conhecer a Jesus (veja S. Mateus 26:69-75), João permaneceu
sozinho junto a Cristo. Vamos ainda encontrá-lo postado junto à cruz en-
quanto o Salvador agonizava. Veja S. João 19:25-27. No domingo da res-
surreição, Pedro c João disputaram uma corrida até o túmulo vazio, João,
certamente transpirando muito c um tanto ofegante, chegou em primei-
ro lugar. Veja S. João 20:1-4.
Foi, portanto, a João - para quem Jesus era tão precioso - que Deus
confiou a "revelação de Jesus Cristo".
4. "Virei Outra Vez. "Durante a última Ceia, João compartilhou da apreen-
são dos demais discípulos quando Jesus anunciou: "Para onde Eu vou, vós não
podeis ir." S. João 13:33. João não conseguia compreender para onde Jesus es-
tava indo, e nem conseguia suportar o pensamento de ter que separar-se dEle.
Tampouco entendeu ele a promessa que Jesus proferiu logo depois: "E, se Eu
for, ... virei outra vez." S. João 14:3, Versão Almeida Revista c Corrigida.
50
Introdução ao Apocalipse
Exatamente seis semanas mais tarde, João pôde ao menos aprender o
que Jesus quisera dizer com o "Se Eu for". Junto aos demais discípulos,
ele ouviu Jesus fazer Suas últimas admoestações pessoais e viu, então, que
o Mestre Se elevava gradualmente da terra. Logo pôde perceber que os pés
de Jesus já alcançavam o nível da cintura e em breve já ultrapassavam o
nível da cabeça. Com os braços estendidos para abençoá-los e para ace-
nar-lhes um "até breve", Jesus subiu mais e mais, enquanto os discípulos
elevavam os olhos e a cabeça a fim de poder acompanhá-Lo. Passados
mais alguns momentos, uma nuvem O ocultou de seus olhos: Jesus havia
desaparecido!
Quase esmagados por maus presságios e desconsolo, João e seus amigos
viram ressurgir a esperança quando dois personagens, vestidos de branco,
apareceram junto a eles c interromperam sua angustiosa ansiedade com as
palavras: "Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Je-
sus, que dentre vós foi assunto ao Céu, assim virá do modo como O vistes
subir." Atos 1:11.
Agora João conseguiu compreender as palavras: "e, se Eu for, ... virei ou-
tra vez." Conseguiu também compreender melhor aquilo que Cristo dis-
sera no Olivetc, acerca do "Filho do homem vindo sobre as nuvens do Céu
com poder e muita glória". S. Mateus 24:30.
Não constituí, pois, qualquer surpresa que, ao ver Jesus novamente, na
primeira visão do Apocalipse, João tenha escrito: "Eis que vem com as nu-
vens, e todo olho O verá." Apocalipse 1:7. Finalizando seu livro, ele orou
fervorosamente: "Amém. Vem, Senhor Jesus." Apocalipse 22:20.
5. Um Lugar no Reino. Os irmãos Tiago e João eram conhecidos como os
"filhos do trovão". Veja S. Marcos 3:17. Certamente eram ruidosos debatedo-
res. Eram jovens, odiavam as injustiças de Roma, e foram atraídos inicialmen-
te a Cristo por crerem que Ele haveria de subverter o governo romano. Eles
desejavam lutar a Seu lado, para depois governarem junto com Ele!
Foi com isso em mente que persuadiram a mãe, Salomc, a que diri-
gisse um pedido a Jesus: que os dois filhos recebessem tronos à direita e
à esquerda do trono principal, o de Jesus, ao estabelecer-se o Seu novo
reino. Veja S. Mateus 20:21. Imagine quão irritados ficaram os demais
discípulos com o pedido! O que pensavam ser esses rapazes orgulhosos
e cheios de ambição?
Jesus, entretanto, preferiu ver, nesse pedido egoísta, um ato de amor da
parte deles para com a Sua pessoa. Ele não os repreendeu, perguntando-lhes
apenas: "Podeis vós beber o cálice que Eu estou para beber?" S. Mateus 20:22.
João e Tiago imaginaram que Jesus estava testando a sua disposição
de se engajarem em atividadcs guerrilheiras, e assim responderam afo-
badamente: "Sim." Eles não compreenderam que o "cálice" de Cristo
era pleno de abnegação. Veja S. Mateus 26:39. Eles não captaram o síg-
51
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
nifícado da intenção de Jesus: que eles atendessem às necessidades de
outras pessoas num espírito de corajosa humildade, valorosa bondade
e nobre paciência; que a qualificação para o reino de Cristo não é a dis-
posição de dar a vida em combate, mas a disposição de compartilhar e
servir, sofrer e perdoar e, se necessário, morrer em favor dos outros.
Veja S. Mateus 25:31-46; 10:38 e 39.
6. Um Obreiro Poderoso e Perseguido. João dissera-se disposto a beber
o cálice, e Jesus o atendeu. Depois da ascensão de Cristo ao Céu, João
fez parte dos cento e vinte crentes que oraram no cenáculo superior até
o Pentecoste, quando o Espírito Santo os encheu de modo muito espe-
cial. Veja Atos 1:12-14; 2:1-4. Ele testemunhou, cheio de regozijo, nas
ruas de Jerusalém e nas câmaras do templo. Ele c Pedro foram aprisiona-
dos e interrogados pelas autoridades. Quando lhes foi ordenado que pa-
rassem de falar ao povo acerca de Jesus, responderam corajosamente:
"Nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos." Atos
4:20. As autoridades admiraram-se muito de que "homens iletrados e in-
cultos" pudessem ser tão audazes, c "reconheceram que haviam eles esta-
do com Jesus". Atos 4:13.
Tiago, o irmão de João, foi posteriormente preso e decapitado. Veja
Atos 12:1 e 2. João, porem, viveu para servir ao Mestre e "beber o cálice"
durante um longo e variado ministério. Parece que ele morou em Jerusa-
lém durante certo tempo, quando a cidade foi "cercada por exércitos" (S.
Lucas 21:20; veja as págs. 27 e 28), ou talvez ern algum momento anterior
que não conseguimos situar com precisão, ele deixou a cidade a fim de tra-
balhar por Cristo onde houvesse oportunidade.
No ano 70 d.C., correram notícias de que os soldados romanos haviam
retornado a Jerusalém, destruindo-a e arrasando o templo. Quanta dor
deve ter atingido o coração daquele que, uma vez, houvera-se mostrado
disposto a morrer por Israel! João pôde compreender melhor que, efetiva-
mente, o reino de Cristo "não é deste mundo". S. João 18:36.
João, o filho do trovão, tornou-se João, o discípulo do amor. Escreveu
o Evangelho de S. João, e três de suas cartas foram igualmente preservadas
em o Novo Testamento. O tema do "amor" permeia o conteúdo de todas
elas. Ele escreveu que "nisto consiste o amor, não cm que nós tenhamos
amado a Deus, mas em que Ele nos amou". I S. João 4:10. Lembrava-se
ainda muito bem das palavras de Jesus: "Novo mandamento vos dou: que
vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei." S. João 13:34.
João possuía óleo em sua lamparina! (Veja as págs. 37-39.) O discípulo
amado de Jesus fora transformado pelo Senhor a quem tanto amava.
7. Antecedentes Familiares Excelentes. João proveio de uma família mui-
to unida e dedicada. Seu pai, Zebedeu, ensinou-lhe o valor do trabalho. Os
três homens — Zcbcdeu, Tiago c João — trabalhavam arduamente nas lides
52
Introdução ao Apocalipse
da pesca na ocasião em que Jesus chamou os rapazes para serem Seus dis-
cípulos. Salomé, a mãe, demonstrou pobreza de julgamento quando fez a
Jesus o pedido especial em favor dos filhos, mas sua disposição em advo-
gar a causa deles, mostra muito bem o interesse que revelava pelo bem-es-
tar dos mesmos. Aliás, parece claro que, no momento em que os rapazes
decidiram seguir a Jesus, ela os acompanhou, uníndo-se a outras mulheres
que cozinhavam e costuravam para Jesus e Seus discípulos. Compare entre
si as seguintes passagens: S. Marcos 15:40; S. Mateus 27:56 e 4:21.
Salomé acompanhava o filho ao pé da cruz, quando o Salvador pediu a
João que se encarregasse de Maria, a Sua mãe. O moribundo Redentor
bem sabia poder deixar Sua mãe aos cuidados de um homem que amava
sua própria mãe!
Enquanto Tiago viveu, ele e João foram companheiros quase insepará-
veis. Como ambos fossem "filhos do trovão", certamente envolveram-se
em muitas discussões azedas. Mas eles eram fiéis companheiros, e João
pôde dizer mais tarde, com autoridade: "Aquele que não ama a seu irmão,
a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê." I S. João 4:20.
8. O Curso do Império Romano. Tanto quanto possamos deduzir, João
deve ter nascido por volta do ano 10 d.C., enquanto o grande Augusto —
primeiro imperador romano — ainda ocupava o trono. A medida que os
anos passavam, os arauros imperiais anunciaram sucessivamente a eleição
do imperador Tibério em 14 d.C., do meio louco Calígula em 37 d.C., do
obscuro mas eficiente Cláudio em 41 d.C. e do infame Nero em 54 d.C.
O imperador Nero, ainda na casa dos vinte anos, ordenou a decapita-
ção de Paulo. Além do mais, incendiou Roma na tentativa de "limpar"
uma área suficiente para construir um novo e grande palácio. O fogo fu-
giu ao controle e devorou a cidade — noite e dia — até haver danificado gra-
vemente dez dos catorze distritos de Roma. Centenas de milhares de pes-
soas que perderam suas casas e negócios, ficaram quase fora de si. A fim de
pacificá-los, Nero mandou prender um bom grupo de cristãos como bo-
des expiatórios, e abriu seus jardins particulares à apresentação de um
grande "espetáculo" público. Tácito, historiador romano, conta-nos que
Nero "vestiu" alguns dos cristãos com peles de animais e depois os "serviu"
como banquete aos cães ferozes. Outros cristãos foram crucificados ou
queimados vivos, a fim de prover iluminação à noite — como se fossem lu-
minárias de vias públicas.2
Nero morreu em 68 d.C. Antes de findar o ano 69, morins armados em
vários pontos do Império produziram três imperadores transitórios: Gal-
ba, Oto e Vitélio. Um quarto imperador, Vespasiano, realizou excelente
governo durante uma década. Antes de tornar-se imperador, Vespasiano
comandou a Guerra Judaica. Quando faleceu em 79, sucedeu-o seu filho
Trto, que havia completado a conquista de Jerusalém e era o "mui queri-
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
do dos romanos". Em 81, dois anos mais tarde, Domícíano - irmão mais
velho de Ti to — chegou ao poder.
O imperador Tito fora atraente, venturoso e bem-sucedido. O impera-
dor Domiciano era rnal-humorado, perdedor nato e inepto. Quando a so-
ciedade romana lhe recusou o respeito do qual se julgava merecedor, ele
declarou-se a si próprio como divino, exigindo adoração. Intitulou-se ofi-
cialmente como "senhor" e "deus". Poetas subservientes chegaram a descre-
ver como "sagrados" até mesmo os peixes que ele comia.3
A perseguição promovida por Nero havia atingido apenas os cristãos re-
sidentes em Roma. A loucura de Domiciano chegou mais longe. Aos cris-
tãos de muitos lugares foi exigido por Domiciano que oferecessem incen-
so à sua estátua. Quando se recusavam a fazc-lo, os governadores do Im-
pério lhes aplicavam multas, exílios e, cm casos excepcionais, a pena de
morte. Em sua cólera, Domiciano chegou ao ponto de executar seu pró-
prio primo cristão, o cônsul Clemente, e baniu a esposa de seu primo, Do-
mitila — também cristã - para uma ilha.1
João, que aparentemente vivia em Efeso quando começaram as persegui-
ções de Domiciano, foi aprisionado e banido para a ilha de Patmos, situada
a aproximadamente noventa quilómetros ao sul de Efeso, no mar Egeu. Um
século mais tarde, o escritor cristão Tertuliano, recordava haver ouvido di/et
que, antes do exílio, João fora punido ern Roma, tendo sido "mergulhado
em azeite fervente; escapando incólume, foi remetido a sua ilha-exílio".
João não foi, por certo, o único a ser perseguido. Ele descreve-se aos lei-
tores como "irmão c vosso companheiro na tribulação". Apocalipse 1:9.
A perseguição de Domiciano começou em 95. Quando o imperadoí
Nerva o sucedeu no trono, em 96, crê-se que João tenha sido incluído
numa anistia geral de cristãos c tenha retornado a Efeso, ali completando
a redação do Apocalipse antes de morrer.
9. João e Daniel. Se, no ano 27 d.C. — ao ouvir o Batista dirigir-se a Je-
sus como o "Cordeiro de Deus" — João estava com dezcssete anos, deduz-
se que ele beirava os 85 anos quando foi deixado sozinho em Patmos, per-
dido no tempo e preparado "no Espírito" para contemplar a revelação.
Daniel contava com aproximadamente dezessetc anos quando foi con-
duzido cativo para Babilónia, e já avançava na casa dos oitenta quando re-
cebeu sua última visão. A ambos os profetas foram apresentados vastos pa-
noramas proféticos, os quais, em sucessivos paralelos, traçaram o curso dí
História desde os seus dias até o fim do tempo. A ambos foram outorga-
das mensagens ricas cm simbolismo. Ambos chamaram frequentemente í
atenção de seus leitores para o dia glorioso em que Deus assumirá outn
vez o pleno controle de nosso planeta. A ambo.s foi demonstrado o empe-
nho de Deus em permanecer a nosso lado dia após dia. Ambos revelarair
quão plenamente "DEUS CUIDA".
A Organização
do Apocalipse

V
ocê já leu alguma vez o Apocalipse de ponta a ponta? Por-
ventura já o fez muitas vezes?
Num e noutro caso, é bem provável que você tenha sido
profundamente impressionado com os vívidos quadros e
com as incandescentes promessas do livro; mas também é
^^^^^^^^^^ provável que finalmente tenha ficado perplexo ao pensar
nHHHBHiHI em como juntar todas as peças do quebra-cabeças.
À primeira vista e, para muitos leitores, mesmo à qiiinquagcsima vista,
o Apocalipse parece ser o mais desorganizado dentre todos os livros da Bí-
blia. Se esta é a impressão que você tem, talvez lhe cause muita surpresa a
afirmação de que, na verdade, ele é maravilhosamente organizado. De fato,
é possível que o Apocalipse, dentre todos os livros que têm o seu tamanho,
seja, em toda a Bíblia, o mais bem organizado!
Familiarizarmo-nos com a organização básica do Apocalipse é algo que
não nos tomará mais que algumas páginas, e o esforço empreendido em lê-
las será plenamente compensador. Em menos de quinze minutos, podere-
mos perceber facilmente a inteligência da estrutura simétrica que estabele-
ce ordem na aparente confusão. Nesse processo de análise, obteremos pro-
vavelmente a mais útil de todas as possíveis chaves, capazes de desvendar o
significado do livro. Como prémio adicional, começaremos também a en-
contrar a resposta à questão frequentemente repetida: "Quanto do livro de
Apocalipse ainda está por cumprir-se?"
Tendo em mente tantas recompensas possíveis, dediquemos alguns mo-
mentos de nossa atenção à forma como está organizado o Apocalipse.
Profetas-poetas. Com bastante frequência, os profetas do Antigo Testamen-
to foram também poetas, t, claro que escreveram em sua própria forma de fa-
zer poesia, não naquela que hoje conhecemos e usamos. Eles fizeram uso de
paralelísmos e contrastes, acrósticos, quiasmas e trocadilhos sérios. Por vezes
chegaram ao ponto desejado através do uso de um número preciso de pala-
vras. Em Daniel 9:24, por exemplo, é possível observar como três frases de
duas palavras são conectadas de modo significativo a três frases de três pala-
vras. Constatamos que uma certa familiaridade com a estrutura literária pode
auxiliar-nos definidamente na compreensão de uma passagem difícil.
Não deveria surpreender-nos o fato de que os profetas fossem poetas. A
composição da poesia exige mais esforço que o da prosa e, corretamente ela-
borada, torna-a mais atrativa que esta. Os profetas, impressionados com a
5S
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
importância das mensagens a cies confiadas, trabalharam arduamente para
bem expressá-las. Além disso, Deus - que os inspirou com as mensagens -
também ajudou-os a comunicá-las. Não esqueça, por outro lado, que por
ocasião do Pentecoste Deus concedeu a João o dom de línguas. Veja Atos
1:12-14; 2:1-4. Não admira, pois, que ele conseguisse expressar-se bem!
O Apocalipse não é poesia no sentido em que o são, por exemplo,
"Meus Oito Anos", de Casimiro de Abreu, ou "Navio Negreiro", de Cas-
tro Alves. Mas sim, no sentido em que constituem poesia o discurso de
Lincoln em Gettysburg, a alocução "Eu Tenho um Sonho", de Martin Lu-
ther King ou a "Oração aos Moços", de Rui Barbosa. E maestria literária.
E a eloquência emoldurada por um formato. E a inspiração expressa com
ordem c elegância.
Números Como Temas. Qualquer pessoa que leia o Apocalipse, mesmo
pela vez primeira, perceberá a ocorrência de muitos números "sete". Exis-
tem sete igrejas, sete anjos, sete selos, sete trombetas, sete pragas e muitos
outros "sete", incluindo alguns que não estão enumerados, mas ocultos.
Você e sua família podem ocupar-se na elaboração de uma lista própria.
Sugiro que comecem compilando os exemplos mais óbvios e depois avan-
cem para os que se encontram disfarçados.
Os números três, quatro e doze também desempenham um papel artís-
tico no Apocalipse. Os selos c trombetas encontram-se divididos em gru-
pos de três e quatro. Veja os capítulos 6 a 11. Três multiplicado por quatro
resulta nas doze portas da Nova Jerusalém. Veja o capítulo 21. Doze tribos
vezes 12.000 compõem os 144.000 no capítulo 7.
À medida que avançarmos, examinaremos a disposição artística interna
de passagens e hinos individuais, bem como a adequação dos símbolos
dramáticos utilizados no livro. Entretanto, é possível que a mais persuasi-
va evidência da qualidade literária do Apocalipse seja a sua organização ge-
ral na forma de um quíasma.
O Apocalipse Como um Quiasma.c' O quiasma é uma lista dupla de
itens correlacionados, em que a ordem da segunda lista se encontra em
oposição - ou antítese — à ordem da primeira lista. E algo parecido com
a divisão dos pares cm algumas danças antigas, ou grandes marchas,
com os homens e mulheres partindo, inicialmente, em direções opostas.
Tais quiasmas, aplicados ao entretenimento, ainda hoje são divertidos.
Nos tempos bíblicos, os quiasmas literários eram muito populares, sen-
do intensamente admirados.
Se dividirmos o Apocalipse ao final do capítulo 14, formando duas me-
tades não perfeitamente iguais, e então repartirmos cada metade em várias
divisões, constataremos que as divisões de cada metade podem ser arranja-
das em pares, os quais — a exemplo dos pares hornem/mulher das danças
antigas ou grandes marchas — relacionam-se uns com os outros, mas con-
Introdução ao Apocalipse
tinuam sendo diferentes, uma vez que se deslocam em díreções diferentes.
Veja os quadros às págs. 62 e 63.

PRÓLOGO EPÍLOGO
(1:1-8) (22:8-17)
Introdução Conclusão
Testemunho de Jesus. 1:2. Eu, Jesus, enviei esse testemunho.
22:16,
Bem-aventurados aqueles que lêem.
1:3. Bem-aveníurado aquele que guarda.
22:7.
Eis que vem com as nuvens. 1:7. Eis que venho sem demora. 22:12 e 20.
Eu sou o Alfa e o Ômega. 1:8. Eu sou o Alfa e o Ômega. 22:13.

A forma mais fácil de nos familiarizarmos com o quíasma do Apocalip-


se, é começar com a introdução ao livro (ou prólogo), e com a sua conclu-
são (ou epílogo). Comparando ambos entre sí, você pode facilmente cons-
tatar a existência de várías frases e sentenças admiravelmente semelhantes
em cada uma dessas partes.
As semelhanças não são, contudo, cegamente precisas. Por exemplo, exis-
te no epílogo uma advertência que não é encontrada no prólogo; a promes-
sa da breve volta de Cristo é encontrada duas vexes no epílogo, e só uma vez
no prólogo. Estamos tratando de similaridades literárias, não similaridades
mecânicas. Os grandes escritores seguem um método, mas jamais permitem
que o método se torne mais importante que suas mensagens.
Muitos comentaristas observaram a estreita relação que existe entre a pri-
meira divisão após o prólogo e a última divisão antes do epílogo. A primeira
divisão contém as cartas às sete igrejas (1:10 a 3:22) e a última divisão descre-
ve a Nova Jerusalém (21:9 a 22:9). Examinemos rapidamente cada uma delas.
Na primeira divisão você verá a igreja de Deus, representada por sete ci-
dades simbólicas, severamente tentada e perseguida. Na última divisão,
você poderá observar a igreja de Deus agregada novamente numa só cida-
de, a gloriosa Nova Jerusalém. Na primeira divisão, a igreja encontra-se em
.uta contra o pecado, na Terra que hoje conhecemos. Na última divisão, ela
vive em paz e perfeita bondade, junto com Deus em seu lar definitivo, a fu-
:ura Terra renovada. Também aqui, tal qual vimos no prólogo e no epílogo,
existem frases e sentenças extremamente semelhantes, nas duas divisões.
Dentre outras expressões similares, podemos mencionar as referências à
írvore da vida, a uma porta aberta (e a portões que nunca se fecham), bem
:omo à Nova Jerusalém que desce dos Céus.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Um lembrete ou observação: não se aborreça porque as nossas divisões
não correspondem aos capítulos. No Apocalipse, os capítulos não foram
determinados por João. Eles não existiam em sua presente forma, até mais
de mil anos após a morte do autor. O arranjo do Apocalipse em capítulos,
embora útil cm determinadas circunstâncias, não é inspirado. Veja a seção
"Respostas às Suas Perguntas", às págs. 66 e 67.
Avançando para a divisão que se segue à das sete igrejas, chegamos aos
sete selos (4: l a 8:1). Retrocedendo a partir da divisão que focaliza a Nova
Jerusalém, encontramos aquela que apresenta o Milénio e os eventos re-
lacionados com este (19:11 a 21:8). Dedique especial atenção ao texto do
capítulo 6, versos 9 e 10, nos sete selos. Ali você verá as almas dos márti-
res cristãos clamando a Deus que julgue os seus inimigos. Durante o mi-
lénio, os mártires, agora ressuscitados, são postos sobre tronos e designa-
dos por Deus (20:4) a fim de julgarem seus inimigos! Essas duas divisões
começam com uma referência aos céus sendo abertos. Em ambas, apare-
ce destacadamente um cavaleiro sobre um cavalo branco. Finalmente, nas
duas pode-sc ler de rcís, oficiais militares e pessoas de todas as classes que
se põem a clamar, pedindo a morte, ou morrem efetívãmente por ocasião
da segunda vinda.

AS SETE IGREJAS A NOVA JERUSALÉM


(1:10a3:22) (21:9 a 22:9}

Cristo Aconselha Sua Igreja, que Se Cristo Recompensa Sua Igreja, que
Encontra em Guerra e Espalhada em Agora Desfruta a Paz e Se Encontra
Várias Cidades Reunida Numa só Cidade.
Cristo caminha entre sete candeeiros. Cristo é a lâmpada eterna.
2:1. 21:23.
A árvore da vida. 2:7. A árvore da vida. 22:2.
A porta aberta. 3;8. Portas que jamais se fecham. 21:25.
Cristo assenta-Se no trono do Pai. 3:21. Trono de Deus e do Cordeiro, 22:1-3.
A Nova Jerusalém desce dos Céus. A Nova Jerusalém desce dos Céus.
3:12. 21:10.
Venho sem demora. 3:11. Venho sem demora. 22:7.

Deslocando-nos ainda mais de ambas as extremidades, em dircção ao


centro do livro, encontramos aquele par que provavelmente é o quiasma
de maior notabilidade. As sete trombetas (8:2 a 11:18) c as sete ultimai
pragas (15:1 a 16:21) são, em vários sentidos, muito diferentes. Diferem.
Introdução ao Apocalipse

OS SETE SELOS O MILÉNIO


{4:1 a 8:1) (19:11-21:8)

Cristo Protege o Seu Povo Afligido Cristo Entroniza o Seu Povo Ressuscitado
Os Céus abertos. 4:1. O Céu aberto. 19:11.
Cavaleiro sobre um cavalo branco, Cavaleiro sobre um cavalo branco,
seguido por cavaleiros que cavalgam seguido por cavaleiros que também
animais de outras cores. 6:2-8. cavalgam animais brancos, 19:11-16.
Almas dos mártires, sob o altar, cla- Almas dos mártires, ressuscitados,
mam por julgamento. 6:9 e 10. são entronizadas como juizes. 20:4-6.
Roupas brancas. 6:1; 7:9-14. Roupas brancas, 19:14,
Reis, generais e outros, clamam pe- Reis, comandantes e outras pessoas
dindo a morte. 6:15 e 16. importaníes são mortos. 19:17-21.

especialmente, em sua intensidade, pois as pragas são muito piores que as


trombetas. Todavia, olhe mais atentamente a ambas: você perceberá que
cinco das seis primeiras trombetas e cinco das seis primeiras pragas afe-
cam essencialmente os mesmos objctos, e na mesma ordem: terra, mar,
rios, corpos celestes e o rio Eufratcs! As sete trombetas representam seve-
ros juízos, enviados para advertir os maus a que modifiquem seu procedi-
mento. As sete últimas pragas representam juízos extremamente severos,
enviados para punir os maus depois que estes se recusaram a mudar os
seus caminhos de impiedade.
No diagrama da página seguinte, as sete trombetas e as sete últimas pra-
gas formam pares com "seções" intituladas "O Grande Conflito" e "A Que-
ia de Babilónia", respectivamente. Há uma razão para isso. E fascinante ob-
;ervar que, imediatamente após lermos sobre as sete trombetas, encontramos
) texto que focaliza uma mulher vestida de branco, uma genuína mãe, cujos
ilhofi guardam os mandamentos de Deus. Por outro lado, imediatamente
lepois de lermos sobre as sete últimas pragas, o texto que assoma diante de
lossos olhos, fala sobre uma mulher vestida de púrpura, uma prostituta
•ujas filhas são também prostitutas. Ambas as mulheres passam algum tem-
>o no deserto. Ambas têm de relacionar-sc com uma besta que apresenta sete
;abcças c dez chifres. Nessas duas divisões — como em outras partes do Apo-
:alipse - ouvimos o místico clamor: "Caiu, caiu a grande Babilónia!"
Necessitamos montar agora um diagrama geral, que organize em con-
unto todos os nossos diagramas individuais. Você encontrará exatamente
•sse diagrama às páginas 62 e 63, montado de tal rnodo que revela a sime-
ria - ou organização em forma de quíasma - de todo o livro. A firn de ob-
59
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
ter os benefícios do diagrama, leia a metade esquerda do mesmo, que o
conduzirá ao centro do livro de Apocalipse. Leia depois a metade direita,
que o conduzirá ao fim do livro. Paralelamente, observe as similaridades e
os contrastes existentes entre os itcns-pares.
Recompensas de Nossa Análise Literária
À página 55 fizemos a promessa de que o estudo da organização do
Apocalipse nos ajudaria a "começar" a responder a questão, frequentemen-
te repetida: "Quanto do livro de Apocalipse ainda está por cumprir-se?"
Quanto, no Apocalipse, ainda está no futuro? Bem, o csboço-quiasma
mostra que virtualmente toda a segunda metade ainda pertence ao futuro.
É certo que a descida da Nova Jerusalém ainda não ocorreu. Certamente
o milénio continua sendo aguardado. Não temos dúvida de que as sete úl-
timas pragas ainda são futuras. A queda última de Babilónia espiritual cer-
tamente ainda é futura, também. Vemos, pois, que a segunda metade do
Apocalipse, nesse momento, pertence virtualmente ao futuro.
Que dizer, entretanto, da primeira metade? Quando as cartas às sete igre-
jas foram escritas, os cristãos encontravam-se espalhados por muitas cidades.
Ainda hoje os cristãos continuam espalhados. Muitos comentaristas estão de
acordo em que as cartas às sete igrejas relacionam-se com a experiência aí
igreja em seu conjunto, ao longo de toda a era cristã. As cenas do grandt
conflito, apresentadas nos capítulos 12 a 14, começam com o nascimento de
Cristo (12:1, 2 e 5), prosseguem durante o longo período de perseguíçãc

AS SETE TROMBETAS O GRANDE CONFLITO AS SETE ÚLTIMAS A QUEDA DE


(8:2 a 11:18) (11:19 a 14:20) PRAGAS BABILÓNIA
(15:1 a 16:21) (17:1 a 19:10)
Juízos Severos que
Advertem o Mundo Juízos Extremamente Se-
veros, que Punem o Mundo
1. Terra. 8:7.
1. Terra. 16:2.
2. Mar. 8:8 e 9.
2. Mar. 16:3.
3. Rios e fontes de
água. 8:10 e 11, 3. Rios e fontes de
água. 16:4.
4. Sol, Lua e estrelas.
8:12. 4. Sol. 16:8 e 9.

5. Escuridão, abismo e 5. Escuridão sobre o trono


gafanhotos. 9:1-11. da besta. 16:10 e 11.
6. Rio Eufrates. 9:13- 6. Rio Eufrates. 16:12 e
21. 16.
7. Altas vozes: "O reino 7. Uma alta voz: "Está
éde Cristo!" 11:15-18. feito." 16:17-21.

60
Introdução ao Apocalipse
(12:6, 13 a 16; 13:5 a 8) que Daniel predisse em seus capítulos 7 e 8, e fi-
nalizam com a segunda vinda (14:14 a 20). Logo, as cenas do grande con-
flito que encerram a primeira metade do Apocalipse, dão cobertura à histó-
ria da igreja cristã. Os sete selos e as sete trombetas são descrições paralelas
das sete igrejas e das cenas do grande conflito, exatamente do modo como,
em Daniel, as visões dos capítulos 2, 7 e 8 são paralelas entre si.
Podemos constatar, portanto, que o quiasma que estrutura o Apocalip-
se, divide as profecias do livro em dois grupos principais: aquelas que tra-
tam quase exclusivamente dos eventos dos últimos dias (a segunda meta-
de do livro) e aquelas que se relacionam com a experiência do povo de
Deus durante a era crista (a primeira metade do livro). A primeira metade
podemos designar como "porção histórica", e a segunda como "porção es-
catológica". "Escatológica" provém do termo grego eschaton, que significa
"fim". É um termo usado frequentemente, tanto por leigos quanto por
eruditos. Seu sentido geral é "aquilo que tem a ver com o fim do mundo".
Nem tudo aquilo que tem a ver com a porção histórica sucedeu, pelo
simples fato de que nem toda a história da igreja cristã já se concretizou!
O sétimo selo, a sétima trombeta e as cenas finais da divisão do grande
conflito, ainda aguardam seu cumprimento. Já vimos que a segunda me-
tade do Apocalipse c escatológica. Podemos constatar, agora, que mesmo
na primeira metade — a histórica — cada uma das divisões atinge seu clímax
(no final), através de um desenvolvimento escatológico.

AS SETE TROMBETAS O GRANDE CONFLI- AS SETE ÚLTIMAS A QUEDA DE


(8:2 a 11:18} TO PRAGAS BABILÓNIA
(11:19 a 14:20) (15:1 a 16:21) (17:1 a 19:10)

As Provações da Mãe A Queda da Falsa Mãe


Genuína e de Seus Fi-
tas Falsa mãe, vestida em
púrpura. 17:4,
Mãe verdadeira, vesti-
da de branco. 12:1 e 2. Suas filhas são prostitu-
tas. 17:5.
Seus filhos guardam os
mandamentos. 12:17. A mulher no deserto.
17:3.
A mulher no deserto.
12:14. Besta com sete cabe-
ças e dez chifres. 17:3.
Besta com sete cabe-
ças e dez chifres. 12:3; Caiu Babilónia! 18:2.
13:1.Caiu Babilónia!
14:8. O testemunho de Je-
sus. 19:10.
O testemunho de Je-
sus. 12:17.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse

AS SETE IGREJAS ORGANIZAÇÃO DO LIVRO [


{1:10 a 3:22)
Cristo Aconselha Sua OS SETE SELOS
igreja, que se Encontra (4:1 a 8:1)
em Guerra e Espalhada
em Várias Cidades Cristo Protege o Seu AS SETE TROMBETAS 0 GRANDE CONFLIT
Povo Afligido (8:2 a 11:18) (11:19 a 14:20)
Cristo caminha entre
sele candeeiros. 2:1. Os Céus abertos. 4:1. Juízos Severos que Ad- As Provações da Mas
vertem o Mundo Genuína e de Seus
A árvore da vida. 27. Cavaleiro sobre urn ca- Filhos
valo branco, seguido por 1. Terra, 8:7.
A porta acerta- 3:8. cavaleiros que cavalgam Mãe verdadeira, vesíid
animais de outras cores. 2. Mar. 8:8 e 9. de branco. 12:1 e 2.
Cristo assenta-Se no 6:2 a 8.
trono do Pai. 3:21. 3, Rios e fontes de Seus filhos guardam o:
Almas dos mártires, sob água. 8:10 e 11. mandamentos. 12:17.
A Nova Jerusalém desce o altar, clamam por jul- A mulher no deserto.
dos Céus. 3:12. gamento. 6:9 e 10, 4. Sol, Lua e estrelas. 12:14.
8:12.
Venho sem demora. Roupas brancas. 6:1; Besta com sete cabeçi
3:1!. 7:9 a 14. 5. Escuridão, abismo e e dez chifres. 12:3; 13
gafanhotos. 9:1 a 11.
Reis, generais e outíos, Caiu Babilónia! 14:8.
6. RioEufrates. 9:13
clamam pedindo a mor-
a 21. 0 testemunho de Jesi
te. 6:15 e 16.
Prólogo e epílogo 12:17.
7. Altas vozes: "0 reino
omitidos tendo em édeCristo!"11:15a18.
vista a simplificação
^ PORÇÃO HISTÓRICA

Familiarize-se com esse diagrama! Mais adiante, vamos deparar-nos nova-


mente com ele. À medida que avançarmos no estudo do Apocalipse, as variai
partes "crescerão" em tamanho e receberão destaque, afim de mostrar como
cada seção se combina com o conjunto. Veja, por exemplo, as páginas 96 e 150.

Em resumo: quanto, do Apocalipse, situa-se ainda no futuro? Virtual-


mente toda a segunda metade, a escatológica, está por ser cumprida. Adi-
cionalmente, as cenas finais de cada uma das divisões da primeira metade,
a histórica, também aguardam seu cumprimento, pelo menos em parte.
A Organização Interna das Divisões
Antes de concluirmos nosso estudo sobre a organização do Apocalipse
há rnais um aspecto literário que necessariamente deveremos considerar
Quatro das divisões, sobre as quais estivemos falando, mantêm um arran-
jo interno praticamente idêntico. Cada uma dessas divisões começa coir
62
Introdução ao Apocalipse

>OCALIPSE EM FORMA DE ESPELHO A NOVA JERUSALÉM


í 21:9 • JM)

0 MILÉNIO Cristo RecompMWSuí


(19:11 a 21:8) igreja, que Agora Do-
fruta a Paz e se Erwn-
AS SETE ÚLTIMAS A QUEDA DE Cristo Entroniza o Seu tra Reunida Numa ló Ci-
PRAGAS BABILÓNIA Povo Ressuscitado dade m
(15:1 a 16:21) (17:1 a 19:10)
0 Céu aberto, 19:11. Cristo é a lâmpada elw-
uízos Extremamente A Queda da Falsa Mãe na, 21:23.
Cavaleiro sobre um ca- 'Hl
sveros, que Punem o valo branco, seguido por
Mundo Falsa mãe, vestida sm A árvore da vida. 222-,
púrpura. 17:4. cavaleiros que também
cavalgam cavalos bran- Portas qw Jamais se fe-
Terra. 16:2.
Suas filhas são prostitu- cos. 19:11 a 16. cham, 21:25,
fí ." , ' '''ti ' •
Mar. 16:3, tas. 17:5.
Almas dos mártires, res- TnmMfeDwseda •
Rios e fontes de A mulher no deserto. suscitados, 9ào entroni- Cordeiro. 22:1 a 3. li
ua. 16:4. 17:3. zadas como juizes. 20:4 A Nora tfenjsaJÃm ãàí»
a 6.
Sol. 16:8 e 9. dos Céus. 21:10.
Besta com sete cabeças
e dez chifres. 17:3. Roupas brancas. 19:14,
rscuridão sobre o tro- Venho sem demora,", -
da beata. 10:10011. Reis, comandantes e 22:7.
Caiu Babilónia! 18:2.
outras pessoas impor-
RioEufrates. 16:12 e tantes são mortos, 19:17
0 testemunho de Jesus.
19:10. a 21.
Jma alta voz: "Está
o."16:17a21.

PORÇÃO ESCATOLÓGICA ^

ima cena preparatória que retrata algo no santuário celestial. Da mesma


orma, cada uma apresenta uma interrupção entre os itens seis e sete; ou
eja, entre o sexto e o sétimo selo, entre a sexta e a sétima trombeta, entre
L sexta e a sétima cena do grande conflito, e entre a sexta e a sétima praga,
icorrem cenas intercaladas, que designaremos como "cenas de atribuição
: segurança (divina) no tempo do fim".
Mencionamos, à página 57, que os grandes escritores se orientam
>or um sistema quando escrevem, mas destacamos também que eles
ião permitem que o sistema se torne mais importante que a mensa-
;em. No Apocalipse, João arranjou de forma primorosa a informação
[ue Deus lhe concedeu em visão; mas ele providenciou também alguns
spaços (entre os itens seis e sete) para peças de informação inspirada
|uc dificilmente podetiam caber em qualquer outra parte. O arranjo
nterno providenciado por ele para as quatro divisões sob análise, é
nais ou menos a seguinte:
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse

O FLUXO DOS EVENTOS NAS DUAS PORÇÕES DO APOCALIPSE

AS ÍETE OS ÍETE AS 5ETE 0 GR WDE te quaíro (fissões na segunda porção do Apocalpse formar
IGR EJAS SE _OS TROMBETAS CON LITO Iro si urn quiasma, conforme indicam as setas curtas e br
Verifique aexplanação às páginas 439-442. Veja lambem o
dro à página 169.

AS SETE PRAGAS ff-

A QUEDA DE BABILÓNIA MMM^

r -» r ^ ' i r
A NOVA JERUSALÉM •
^
AS PROFECIAS DESSAS QUATRO DIVISÕES SÃO CUMPRIDAS UMA A AS PROFECIAS DESSAS QUATRO DIVISÕES SÃO CUMPR
UMft (PARALELAMENTE), DESDE OS TEMPOS DO MOVO TESTAMENTO AOS PARES, NO TEMPO DO FIM.
ATÉ O TEMPO DO FIM.

PORÇÃO HISTÓRICA PORÇÃO ESCATOLÓGICA (TEMPO DO l

Os eventos descritos na. primeira metade do Apocalipse ocorrem ao longo dt


um período de vinte séculos. Os eventos da segunda porção ocorrem durantt
um breve período, no tempo do fim (as setas indicam o fluxo dos eventos).

\ Cena introdutória, focalizando o santuário celestial.


2. Seis dos sete itens {selos, trombetas, etc.).
3. Cenas intercaladas de atribuição c segurança no tempo do fim.
4. O sétimo item (selo, trombeta, etc.),
Cenas deslumbrantes do trono de Deus, dos santos na glória e de ou
tros conceitos impressionantes ocorrem ao longo do Apocalipse, d<
modo aparentemente aleatório, sem relação evidente com o que é dite
antes ou depois. Mas o simples resumo que fizemos, encarrega-se de es
clarecer várias dessas ocorrências especiais. Com o seu auxílio, e apoia
dos no quadro geral que elaboramos, sornos capazes de ver imediatamcn
te onde se localizam essas cenas aparentemente aleatórias. Repetidamen
te necessitamos expressar nossa gratidão aos comentaristas bíblicos qir
observaram esse arranjo e para ele chamaram a nossa atenção. Ele
imensamente útil, conforme constataremos vez após outra. Veja especial
mente a nossa análise, às páginas 166-169.
O Apocalipse é um livro cujo ajuste artístico interno foi inspirado pó
Deus, rendo sido composto com disposição amável e inteligente. Até mês
mo a. forma como Deus e Seu servo João nos fizeram chegar a mensageir
ajuda a confirmar em nós a convicção de que "DUUS CUIDA".
Respostas às
Suas Perguntas
l. Podemos ter certeza de que foi o apóstolo João quem

A
escreveu o Apocalipse?
Iguns escritores levantaram a questão: foi realmente o
apóstolo João o autor do Apocalipse, ou foi algum outro
homem chamado João? Eles destacam que (a) o estilo do
grego, no Apocalipse, é diferente daquele usado no Evan-
gelho de S. João e nas cartas de João; além disso, (b) a
questão que envolve a identidade de João começou a ser levantada muito
cedo, ainda no terceiro século.
Respondendo a essas questões, podemos dizer: (a) sim, o grego utiliza-
do no Apocalipse é diferente daquele usado no Evangelho e nas crês epís-
tolas de João. O evangelho e as epístolas usam uma linguagem de tal pu-
reza gramatical, que normalmente são usados como textos para o estudo
de grego, por parte dos alunos de seminários. Por outro lado, o Apocalip-
se usa uma linguagem um tanto coloquial. Entretanto, R. H. Charles, um
notável erudito, demonstrou que o Apocalipse não se destaca tanto por in-
correções gramaticais, quanto por fugir à linguagem convencional, pos-
suindo a sua própria consistência gramatical interna. João cita o Antigo
Testamento algumas centenas de vezes. Charles e outros especialistas apon-
taram para o fato de que, ao fazer uso dos textos do Antigo Testamento,
João não utiliza a Septuagínta - a vetsão grega normalmente usada em seus
dias — mas prefere basear-se dirctamentc nos originais hebraicos ou em tra-
duções populares do aramaico. Portanto, João estava constantemente
adaptando o grego ao som hebraico e aramaico. Também tem sido desta-
cado por vários estudiosos que certos registros antigos, tais como o "Mu-
ratorian Canon" do segundo século, sugerem que João, ao escrever seu
Evangelho e suas cartas, pôde contar com a ajuda de assistentes literários,
que provavelmente o ajudaram a aperfeiçoar o grego empregado nesses es-
critos; ao escrever o Apocalipse, entretanto, ele não pôde contar com o au-
xílio desses assistentes.
Se, por um lado, existem efetivas diferenças linguísticas entre o Apocalip-
se c o Evangelho segundo S. João, também é certo que entre ambos existem
notáveis semelhanças. A mais destacada é o uso da palavra "Cordeiro" apli-
cada a Jesus. Tal emprego, que ocorre vinte e nove vezes no Apocalipse, não
aparece em nenhuma outra parte da Bíblia, exccto em S. João l :29 e 36.
Embora a questão da autoria do Apocalipse tenha sido levantada no ter-
ceiro século da era cristã, os crentes de idioma grego que viveram próximo
65
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
ao tempo c ao lugar em que o livro foi escrito sempre aceitaram-no entu-
siasticamente como sendo cie autoria do apóstolo João.
Justino Mártir viveu em Efeso por volta de 135 d.C. Alguns anos mais
tarde, ele atribuiu o livro de Apocalipse a "um certo homem... cujo nome
era João, um dos apóstolos de Cristo".9
Iríncu, um líder da igreja na França (Gália) próximo ao fim do segun-
do século, viveu como garoto na província romana da Ásia e chegou a co-
nhecer Policarpo; esse, na ocasião, era um homem avançado em idade, mas
em sua juventude fora amigo íntimo de João.10 Tal como Justino, Irineu
fala do autor do Apocalipse como sendo João, "o discípulo do Senhor". Ele
afirmou que João tivera a 'Visão do Apocalipse" "há não muito tempo, mas
quase em nossos dias, próximo ao fim do reinado de Domicíano". '
Clemente, que dirigiu urna escola cristã cm Alexandria, Egito, à mesma
época em que Irineu trabalhou cm França, também assegurou que foi o
"apóstolo João" que esteve em Patmos. Ele acrescentou a informação de
que, após a morte do imperador, João retornou a Efcso c então viajou mui-
to, ordenando ministros e organizando novas congregações.12
Hipólíto, outro letrado líder de igreja que viveu próximo a Roma na
primeira metade do terceiro século, escreveu que o Apocalipse foi escrito
pelo "bendito João, apóstolo e discípulo do Senhor".
Portanto, torna-sc claro que os cristãos que viveram próximo à autoria
do Apocalipse — no tempo e no espaço - criam firmemente que ele havia
sido produzido pela mão do apóstolo João.
Adicionalmente, convém observar que o autor do Apocalipse identifi-
ca-sc a si mesmo apenas como "João, vosso irmão". Apocalipse 1:9. Ele
sabia ser tão conhecido, que não havia o risco de ser confundido com
qualquer outro João.
De qualquer forma, fosse quem fosse João, a mensagem transmitida por ele
proveio de Deus, através do Espírito Santo, c era uma revelação de Jesus Cris-
to. Veja Apocalipse l: l. O João que recebeu essa mensagem foi inspirado.

2. Como e quando foi o Apocalipse dividido em capítulos e versículos?


Os sessenta e seis livros da Bíblia não foram originalmente escritos com
a divisão em capítulos e versículos, tais quais hoje os conhecemos. Isto é
plenamente compreensível, pois a maioria dos livros não se apresenta com
versículos numerados.
Embora a maioria dos livros modernos tenha ao menos os capítulos, QÍ
livros antigos cm geral não possuíam nem isso. E a Bíblia não era exceção.
Nos tempos antigos, o livro dos Salmos por certo possuía praticamente a
mesma divisão que hoje conhecemos, com a ressalva de que os salmos nãc
eram capítulos, eram poemas individuais.
A Bíblia tem sido estudada mais do que qualquer outro livro, pois terr
Introdução ao Apocalipse
sido valorizada mais do que qualquer outro. Conseqiientemente, muitos
sistemas diferentes foram empregados ao longo dos séculos, a fim de aju-
dar as pessoas a localizar as passagens desejadas.
Os versos do Antigo Testamento, tais quais os conhecemos hoje, são o
resultado do trabalho de diferentes rabis judaicos, especialmente os masso-
rctas, que se especializaram na arte de copiar manuscritos. A família mas-
sorética de Bcn Asher padronizou a versificação do Antigo Testamento em
23.100 versos, por volta do ano 900 d.C.
A atual versificação do Novo Testamento c uma modificação de vários sis-
temas anteriores, e é trabalho de Robcrt Stephcns. Em 1551, Stephens esta-
va preparando uma concordância para um Novo Testamento impresso em
grego c em latim, e sentiu que era necessária uma forma precisa para condu-
zir seus leitores ao texto bíblico. Seu filho revelou que ele dividiu o texto e nu-
merou os versos enquanto realizava uma viagem de Paris a Lyon, um fato que
talvez explique por que algumas divisões de versículos são inapropriadas.
Que dizer, porém, dos capítulos? A fundação da Universidade de Pa-
ris, no século doze, desenvolveu um crescente interesse no estudo da Bí-
blia. Numerosas cópias manuscritas da Bíblia Católica Latina foram pre-
paradas e vendidas, com vistas a atender parte da demanda. A fim de fa-
cilitar o estudo da Bíblia na ocasião em que despertava grande interesse,
Stephen Langton - então professor da Universidade de Paris - estabele-
ceu os capítulos que hoje conhecemos, tanto no livro de Apocalipse
quanto no restante da Bíblia.
Stephen Langton era de origem inglesa. Depois de deixar Paris, tornou-sc
o Arcebispo Católico Romano de Cantuária, e foi uma das pessoas que com-
peliram o Rei João a assinar a Carta Magna cm 1215- Faleceu em 1228.
O Apocalipse foi escrito por volta de 95 d.C. Dessa forma, os capítulos
presentes nas versões modernas de nossas Bíblias não existiam até uns
1,000 anos depois que o livro fora escrito. Os versículos, conforme hoje
são conhecidos, só apareceram depois de mais de 1.450 anos de haver sido
escrito o Apocalipse.14

REFERÊNCIAS

1. O apóstolo Jo.lt), na verdade, não afirma ter catado presumo à pregação de João Batista, mas a
nfcréncia cie que ele é o discípulo não mencionado pelo nónio nos versos 35-40, ú ciam. A humilda-
.Ic era um traço característico desse liomcm. Notem como ele evita citar o seu nome em relação com
i Ultima Ceia, o julgamento de Cristo c a ressurreição. Ver Joiio 1.3:23; 18:15; 20:2-5.
2. Tacitus, Anuais, l 5.44.2-8.
3. Dio Cassius, Epitome, 67.14. Ver Donald Mcl;ayden, "The Occasion of th c Domitianic Pcrse-
:ution", The American Journal nfThcoIogy 24 (Janeiro, 1920):46-66.
4. lIn't-h1'm.
5. Tcrtullian, Ou Prescri/>litni Agaiiist IJeretics, 36; ANF 3:260. F, de admirar que o azeite ferven-
e não tenha pegado fogo, uma eventualidade que TertuIiflDO leria mencionado, se livcsse ocorrido.

67
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Talve?, o azeite tivesse sido apenas aquecido a uma temperatura mortal. De qualquer maneira, lembra-
mo-nos de que Deus livrou os companheiros de Daniel da fornalha ardente. Ver Daniel 3-
6. Muitas das explicações expressas nos comentários quu se seguem sobre o Apocalipse, devo espe-
cial imn te a Kenneth A. Strand, Ihterpreting thc Book of Revcttttion, ed. rcv. e ampliada (Naplcs, Florida:
Anu Arhor Publishers, Inc., 1970, 1972, 1976, 1979). Discordei de Strand apenas em alguns detalhes.
7. R. H. Charles, A Criticai and Exegética! Commcntary on thc Rcvelation ofSt. John, 2 vok, The
International Criticai Commentary (Edinburgh: T. & T. Clark, 1920), I :cxvii-clix, csp. págs. cxlii-cxliv.
8. O Muratorian Canon se acha disponível em várias obras, como a de Daniel J. Theron, Eviden-
ce ofTradition (Grand Rapids, Mich.: Baker Book Housc, 1958), págs. 106-113. Ela afirma que João
escreveu o seu Evangelho e outros discípulos o revisaram. Nas páginas 32 e 33, Theron acrescenta uma
fonte anónima, a qual afirma que Papias de Hienipolis "escreveu o Evangelho corretamcnte, enquan-
to João o ditava".
9. Justin, Dialogue With Trypho, n]ew, 81; ANF 1:240.
10. Ircnaeus, Against Hemies, 3.3-4.; ANF:416.
11. Ircnaeus, Agahist Heresies, 4.20.11, 5.30.3; ANF 1:491, 558-560.
12. Clement of Alexandria, Who h the Kich Man That Sixtll Be Savctl? 42; ANF 2:603.
13- Hippolyuis. Christ and Antichrist, 36; ANF 5:211.
14. Ver, por exemplo, U F. B ruce, The Books and the Parchmenu, 3a cd., rcv. (London: Pickering
&Inglis, Ltd., 1963), págs. 120, 121; Ira Mauricc Pricc, rev. por William A. Irwín e Allen P. Wikgren,
TbeAiiccstry ofOnr English ISible (New York: Harper & Row, 1956), págs, 184, 185, 203; E. Ncsdc,
"Biblc "lext", secão III, Thc New Schdff-Herzog Encyclopeciia of Relígiom Knowlctlge (reimpressa em
1963), 2:113-115.
Apocalipse 1

A Revelação de
Jesus Cristo
Introdução

A primeira frase do último livro da Bíblia identifica-o como


sendo a "revelação de Jesus Cristo".
Ele é, pois, uma revelação. Não c algo oculto ou misterioso,
embora muitos o imaginem assim. A palavra grega subja-
cente à ideia introdutória é "apocalypsís", de onde obtive-
mos o nosso termo apocalipse, nome pelo qual o livro c mais comumentc
conhecido em português. De forma clara c simples, a palavra "apocalypsis"
significa "manifestação", "descoberta", "exposição" ou "revelação".
Muitas pessoas associam o significado de "apocalipse" com "cataclis-
mo" c "desastre", tal como um holocausto nuclear ou a terceira guerra
mundial. Na Bíblia, porém, o Apocalipse é a revelação de Jesus Cristo.
Este livro provê lampejos daquilo que Jesus tem feito por trás dos basti-
dores, do que faz atualmente, e do que ainda fará no futuro, em favor dos
seres humanos.
De que modo adquiriu o "apocalipse" esta conotação de "dia do juízo
final"? Provavelmente, pelo fato de a Revelação pintar vívidos quadros dos
desastres humanos. Entretanto, os referidos desastres são apresentados pri-
mariamente corno uma oportunidade para demonstrar que, em todos eles,
Deus procura ati vãmente confortar e livrar aqueles que nEle confiam.
DEUS CUIDA.
O primeiro versículo do livro diz que Deus deu a revelação a Jesus Cris-
to, o qual enviou o Seu anjo a João, Seu servo. João registrou a revelação
(verso 2) e pronunciou uma bênção (verso 3) sobre todos aqueles que lêem
as suas palavras, sobre os que as ouvem e sobre os que praticam o que no
livro está escrito. Acrescenta o verso 10 que João achou-se "em espírito" no
dia em que a revelação lhe foi concedida.
69
\Jrna Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Indubitavelmente, o anjo era Gabriel, o poderoso ser, amigo das criatu-
ras humanas, que fora o portador da mensagem divina a Daniel, nas gran-
des profecias dos capítulos 8 c 9 de seu livro, e que também aparecera a
Maria, comunicando-lhe o futuro nascimento de Jesus. Veja Daniel 8:16;
9:21; S. Lucas 1:26.
A referência à pessoa que lê a revelação ("lê em voz alta", no original),
faz-nos lembrar que antes da invenção da imprensa, os livros eram raros e
muitas pessoas não sabiam ler. Portanto, as Escrituras eram lidas em voz
alta, perante um grupo de ouvintes. Jesus leu a Bíblia cm voz alta, na sina-
goga de Nazaré (veja S. Lucas 4:16 a 20), c o costume prevalecia em todas
as congregações judaicas nos tempos do Novo Testamento (veja Atos
15:21). Ainda hoje muitas igrejas cristãs adotam tal prática.
Aqui está, pois, a cadeia de comunicação:
De Deus
para Jesus
pelo ministério de um anjo
a João
no Espírito
para o leitor
para o que ouve e obedece.
A Trindade e os mais exaltados anjos celestiais encontram-sc envolvidos
em revelar-nos alguns fatos de grande importância acerca de nosso Senhor.
"Ao Seu servo João". Quando João assentou-se no Monte das Oliveiras,
à luz prateada da Lua, a fim de ouvir Jesus proferir o Discurso do Olivete
(veja as páginas 15 e 16), era provavelmente uma pessoa ainda muito jo-
vem — assim como Daniel ainda se encontrava em tenra idade ao ser trans-
portado cativo para Babilónia. Agora, tal como Daniel ao encerrar o seu li-
vro, Joio — encerrando o cânon sagrado com o livro de sua autoria - era
um homem idoso c cativo. Veja a página 54.
João endereçou o livro "às sete igrejas que se encontram na Ásia". Ele
acrescenta: "Graça e pftz a vós outros, da parte dAquele que é, e que era,
e que há de vir, da parte dos sete Espíritos que se acham diante do Seu
trono, e da parte de Jesus Cristo, a fiel testemunha." Versos 4 c 5.
Nos tempos bíblicos, as cartas cristãs não começavam como hoje: "Querida
Maria" ou "Estimado senhor". Paulo, Pedro c o próprio João utilizaram a sauda-
ção cristã: "Graça e paz." Veja Romanos l :7; l Pedro l :2; II João l :3. "Graça" é
a bondade de Deus. "Paz" advém-nos quando cremos que Deus, em Sua mise-
ricórdia, nos perdoou. Experimentamos também a paz quando Lhe permitimos
que nos ajude a perdoar a nossos inimigos. E um maravilhoso sentimento estar
cm p;i/, com as pessoas às quais perdoamos, e com Deus, que nos perdoou.
Graça e paz precedem todos os dons qtie provêm de Deus — e nós sabemos
que, no verso 4, é Deus, o Eterno Pai, aquele "que é, e que era, c que há de vir".
Apocalipse 1
"Os sete Espíritos". A frase "os sete Espíritos que se acham diante do
Seu trono", faz parte do conjunto de referências ao número sete que en-
contramos no Apocalipse. Já fomos informados que o livro foi dirigido
às sete igrejas (verso 4). Antes de chegarmos ao fim do capítulo, leremos
a respeito de sete candeeiros (versos 12 e 20) e de sete estrelas (versos 16
e 20). Noutras partes do livro, leremos acerca de uma besta com sete ca-
beças (13:1), de um dragão com sete cabeças coroadas (12:3) e de sete
montes (17:9), que na verdade são sete "reis" (17:9 e 10). As principais
divisões do Apocalipse lidam com as sete igrejas que já mencionamos
(capítulos 2 e 3), com sete selos (4:1 a 8:1), com sete trombetas (8:2 a
11:18), com sete cenas do grande conflito (11:19 a 14:20) e com as sete
pragas finais (capítulos 15 e 16).
Com a presença de tantos "sete" no texto do livro, nós nos apercebemos
de que este número representa plenitude, inteireza e perfeição. Quanto aos
"sete Espíritos que se acham diante do Seu trono", podemos concluir que
eles representam simbolicamente a plenitude e perfeição do Espírito San-
to. (Portanto, todos os membros da Trindade não só participam do ato de
entregar-nos a Revelação, como também nos saúdam e abençoam.) O pro-
feta Isaías, cujo livro não foi baseado no número sete, referiu-se ao Santo
Espirito com base cm seis de Seus divinos atributos, quais sejam:

O Espírito de sabedoria e de entendimento,


o Espírito de conselho e de fortaleza,
o Espírito de conhecimento e de temor [reverência] do Senhor.
Isaías 11:2.

Características do livro. O uso múltiplo do número sete alínha-se com a


natureza simbólica geral do livro. Bestas c chifres, coroas c mulheres, can-
deeiros e oliveiras, enxames de gafanhotos procedendo de um abismo pro-
fundíssimo e, supremamente, o dragão c o Cordeiro, são apenas uns pou-
cos dos símbolos - semelhantes a personagens de desenho animado — des-
sa fascinante obra-prima.
Para analisarmos o Apocalipse, bom seria que antes estudássemos os nu-
merosos símbolos encontrados no livro de Daniel, uma vez que o
Apocalipse encontra-se profundamente enraizado em Daniel. Também se
acha fundamentado em muitos outros livros do Antigo Testamento. Al-
guém calculou que, dos 404 versos do Apocalipse, 278 contem material do
Antigo Testamento. Um colega de magistério diz haver encontrado 600
palavras e frases adaptadas do Antigo Testamento. Um estudante de nível
avançado declarou-me que encontrou cerca de 1.000 "raízes" do livro no
Antigo Testamento. Os elos de ligação entre o Apocalipse e o Antigo Tes-
tamento são muito importantes para a compreensão de sua mensagem.
71
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
O Apocalipse é, indubitavelmente, um livro de predições, embora haja
muita compreensão errónea quanto a isso. Algumas pessoas (futuristas)
concluíram que o livro é composto quase exclusivamente de profecias cujo
cumprimento — cm relação aos nossos dias — é ainda futuro. Por outro
lado, um grupo diferente de pessoas {preteristas) tem afirmado que o livro
relata apenas acontecimentos contemporâneos ao apóstolo João. Entre os
dois extremos encontram-se aqueles (historicistas) que crêem haver o após-
tolo falado de cenas relacionadas com os seus próprios dias, mas que ele
também falou de acontecimentos que, em relação a nós, ainda se encon-
tram no futuro e que, adicionalmente, foi ele inspirado na antevisão da ex-
periência da igreja cristã ao longo de toda a sua existência.
O terceiro grupo (historicista) deve estar com a razão, pois João foi co-
missionado a escrever "as [coisas] que são [aquelas de seus dias] e as que
hão de acontecer depois destas [as que se encontravam no futuro]". Apo-
calipse 1:19. Não é possível que o livro tenha sido devotado apenas ao dis-
tante futuro, pois o primeiro verso do primeiro capítulo declara que a re-
velação foi dada para mostrar as "coisas que em breve devem acontecer".
O verso três acrescenta: "O tempo está próximo."
Muitas coisas - mas de alguma forma todas - descritas no livro, estavam
"próximas" e "em breve [deveriam] acontecer", em relação aos dias de
João. Alguns outros acontecimentos deveriam ocorrer após aqueles primei-
ros e, por sua vez, outros eventos ainda mais distantes no futuro deveriam
vir depois dos anteriores. O Apocalipse não é um aglomerado de eventos
que explodem instantaneamente, a exemplo do que ocorre com uma clas-
se de escolares quando o professor abandona a sala. Não pode haver dúvi-
da de que os eventos Ao final do milénio, descrito em Apocalipse 20, de-
vem ocorrer depois daqueles que terão curso no começo do milénio!
Quando o Apocalipse - no primeiro capítulo, versos l a 3 - fala de coi-
sas que "em breve" devem acontecer e que estão "próximas", a referência
deve ser entendida em relação ao começo do cumprimento das predições
encontradas no livro. Nos dias de João, tais profecias encontravam-se
"pendentes por um fio", "ávidas" por iniciar seu desfile na longa jornada
através da História. A Daniel fora mostrada uma série de profecias que ini-
ciavam em seus próprios dias e corriam, paralelas, ao longo da História, até
chegar aos nossos dias; da mesma forma no Apocalipse, onde várias linhas
proféticas se desenvolvem num curso paralelo, dos dias de João ate o fim.
Se é verdade que o Apocalipse c um livro de predições, também c verda-
de que ele é um livro de grandes cânticos. Alguns são sublimemente alegres;
outros, incrivelmente tristes. Haendel obteve inspiração para seu oratório
"O Messias" em Apocalipse 19:6: "Aleluia! pois reina o Senhor nosso Deus,
o Todo-podcroso". Uni notável cântico pode ser vislumbrado mesmo no pri-
meiro capítulo, aquele que estamos examinando no presente momento:
-7")
Apocalipse 1
Àquele que nos ama,
e pelo Seu sangue nos libertou
de nossos pecados,
e nos constituiu reino,
sacerdotes para o Seu Deus e Pai,
a Ele a glória
e o domínio pelos séculos dos séculos.
Amém.
Versos 5 e 6.

O Apocalipse é também um livro de bênçãos. Bênçãos significam o mes-


mo que bcatitudes ou bem-aventuranças, e foi observado que existem sete
bênçãos no Apocalipse, da mesma forma que aparecem nove bem-aventu-
ranças no Sermão da Montanha. Veja S. Mateus 5:1 a 12. Nestas, lemos
acerca de benvavemuranças que repousam sobre os pobres de espírito, os
puros e os perseguidos. Naquelas, lemos de bênçãos (ou bem-aventuran-
ças} prometidas a todos aqueles que morrem no Senhor (14:13), àquele
que vigia (16:15), àqueles que são chamados para a ceia das bodas (19:9),
àquele que tem parte na primeira ressurreição (20:6), àquele que guarda as
palavras da profecia do livro (22:7) e aos que lavam as suas vestiduras no
sangue do Cordeiro (22:14). A primeira desta série de sete bem-aventuran-
ças ocorre no capítulo que estamos analisando: "Bem-aventurados aque-
les que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as
coisas nela escritas." Verso 3.
Vamos abrir a Bíblia no primeiro capítulo de Apocalipse. Comecemos a
lê-lo, acompanhando tal leitura com uma prece, e descubramos, a partir de
agora, a bênção que o Apocalipse entesoura para nós.
A Mensagem
de Apocalipse 1
I. Jesus Tem as "Chaves da Morte"

M inha mãe sofreu durante vários anos com a insinuante para-


lisia causada pela doença de Parkinson. A medida que se
aproximava de seus dias finais, ela perdeu a capacidade de
alimentar-se por si mesma, de tal forma que papai a visitava
frequentemente no hospital, a fim de ajudá-la. No entarde-
cer do dia em que recebi o telefonema que me comunicou haver ela passado
ao descanso, ajoelhci-mc ao lado da cama e recapitulei as promessas de Deus
a respeito da ressurreição. Fui confortado por promessas como estas:
"Porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvi-
rão a Sua voz c sairão; os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da
vida." S. João 5:28 e 29.
"Porque assim como em Adão todos morrem, assim também seremos
todos vivificados em Cristo." I Coríntios 15:22.
"Porquanto o Senhor mesmo... descerá dos Céus, e os mortos em Cris-
to ressuscitarão primeiro." I Tessalonicenses 4:16.
"E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá."
Apocalipse 21:4.
Quanto desejei que essas promessas se cumprissem naquele exato mo-
mento! Quanto desejo agora, que elas possam cumprir-se imediatamente,
antes que a morte conduza à sepultura outros queridos mais!
Na desértica c rochosa ilha de Patmos, João deve ter sido possuído por
semelhante sentimento. Sessenta c seis anos haviam transcorrido desde o
dia em que Jesus ascendera ao Céu, envolto pela nuvem, e os anjos prome-
teram que numa nuvem Ele haveria de retornar. No Discurso do Olívete,
Jesus prometera pessoalmente que retornaria. Um após outro, os amigos
de João haviam tombado ante a morte, alguns arrastados pela doença ou
pela idade, enquanto outros haviam sofrido o martírio. Seus país, Zebedeu
e Salomé haviam morrido. Seu querido irmão Tiago fora decapitado por
amor a Cristo. Maria, a mãe de Jesus, que João acolhera e protegera após
a crucifixão, obviamente não mais existia. Pedro fora crucificado em teste-
munho do Mestre, c Paulo havia sido decapitado, tal como Tiago. Todos
os doze - exceto ele próprio — já repousavam em seus sepulcros, e ele mes-
mo não dispunha de muito tempo mais. Quão triste era ver que Jesus ain-
da não retornara! Será que Ele retornaria, de fato, algum dia? Será que a
ressurreição realmente ocorreria?
Apocalipse 1
Quão ardorosamente ansiava João ter um novo encontro com Cristo,
antes de ser recolhido pelos braços da morte!
Começa a primeira visão de João. De repente, o devaneio de João se in-
terrompe bruscamente. "Grande voz, como de trombeta", explodiu por
detrás dele. "O que vês, escreve em livro e manda às sete igrejas", foi a or-
dem transmitida pela voz. Apocalipse 1:10 e 11.
Atónito, com o seu cansado coração pulsando disparadamente, João
volveu-se tão rápido quanto possível, a fim de ver quem estava falando.
Deslumbrado, pôde ver que o terreno vulcânico da ilha parecia incandes-
cente. Sete candeeiros de ouro ocupavam o espaço onde pouco tempo
antes havia apenas rochas desnudas. Ali, "no meio dos candeeiros", estava
de pç "um semelhante a filho de homem, com vestes talares, e cingido à
altura do peito com uma cinta de ouro". Apocalipse 1:13. Seu cabelo era
branco como a neve, e Sua face e pés - que não se encontravam cobertos
com as vestes - brilhavam de modo sobrenatural. Aqui estava o Ser que
Daniel contemplara em idade avançada. Veja Daniel 10. Tal como Daniel,
João caiu ao solo como morto.
João também ouviu palavras afáveis, como as ouvira Daniel. "Não te-
mas." Erguendo os olhos, ele pôde perceber - a despeito de toda a glória da-
quela cena - que era nada menos que o seu querido Senhor quem falava!
Foi o próprio Mestre que Se apresentou ao velho c fiel amigo, dizendo:
"Eu sou o primeiro e o último, e Aquele que vive; estive morto, mas eis
que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do
inferno." Apocalipse 1;17 e 18.
Então Jesus ainda estava vivo\o pelo curto período decorrido en-
tre a cruz e a ressurreição, Ele sempre estivera vivo; e vivo continuaria, para
sempre e sempre!
Ele também afirmava possuir as "chaves da morte". Naturalmente!
Quando Roma, o mais forte império do mundo, O crucificou, colocando-
O numa sepultura escavada na rocha e postando diante desta uma guarda
de cem soldados, Jesus retornou à vida, levantou-Se da tumba, c com Seus
próprios pés caminhou para fora, passando pelos guardas.
"Tenho as chaves da morte." Se Jesus, estando morto, pôde retornar à
vida e triunfar sobre Sua própria sepultura, não cabe agora qualquer dúvi-
da de que Ele pode colocar-Se diante de todos os demais túmulos e cha-
mar os seus adormecidos ocupantcs para que tornem a viver.
)oão, ali cm Patmos, deve ter lembrado nesse momento que Jesus havia
ressuscitado pessoas antes mesmo de Sua própria ressurreição. As palavras
de Cristo: "Eu sou... aquele que vive", relembravam expressão semelhan-
te que Ele utilizara havia muitos anos, diante do túmulo de Lázaro.
A morte c ressurreição de Lázaro, Foi o próprio João quem registrou a his-
tória de Jesus e Lázaro, no capítulo onze de seu evangelho. Lázaro de Betânia
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
adoecera. Suas irmãs, Marta c Maria, enviaram um mensageiro a Jesus, dan-
do-Lhe conta de que o amigo enfermara, mas nem passou pela mente delas
transmitir um pedido para que Jesus viesse vê-lo. Bem sabiam que o Mestre
amava suficientemente a Lázaro, a ponto de vir sem ser solicitado.
Entretanto, ao receber a ansiosa mensagem, Jesus "ainda Se demorou
dois dias no lugar em que estava". Verso 6. Somente quando Cristo - usan-
do Seu poder sobrenatural - certificou-Se de que Lázaro já havia morrido,
é que Ele iniciou com Seus discípulos a jornada em dircção a Betânia.
Quando iniciavam a caminhada, Jesus disse aos discípulos: "Nosso amigo
Lázaro adormeceu, mas vou para despertá-lo."
Surprecnderam-se os discípulos. "Senhor, se dorme, estará salvo." Ou
seja, o fato de que ele estivesse dormindo seria uma indicação de que a fe-
bre cedera e a recuperação da saúde estaria ocorrendo.
Jesus falou de forma tão natural a respeito da condição de Lázaro, que
os discípulos surpreenderam-se de "que tivesse falado do repouso do sono".
Cristo, contudo, falara a respeito da morte do amigo, pois logo depois lhes
disse francamente: "Lázaro morreu." Versos l 1 a 14.
A morte de Lázaro não trouxe qualquer temor ao coração de Jesus. Para
Ele, a morte de um crente era apenas um curto intervalo entre vida c vida
— um período apenas um pouquinho mais longo, pelo prisma da eternida-
de, que o tempo transcorrido entre a hora de irmos dormir c a hora de des-
pertarmos, na manha seguinte.
"Lázaro adormeceu."
"Lázaro morreu."
"Vou para despertá-lo,"
Quando Jesus e Sua caravana chegaram a Betânia, dois dias mais tar-
de, Marta e Maria choravam pesarosamente. Soluçando, cada uma delas
repetiu as mesmas palavras: "Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido
o meu irmão." Versos 21 c 32. Vez após outra, as palavras haviam brota-
do dos lábios de ambas durante as horas insones decorridas desde que
Lázaro falecera: "Se Jesus tão-somcnte houvesse chegado a tempo, nosso
irmão ainda estaria vivo."
Tenho repetido para mim mesmo idênticas palavras, pensando em mi-
nha mãe e em amigos que faleceram. Sem dúvida, cm Patmos, João pen-
sou a mesma coisa em relação à morte de seu irmão Tiago e de seus mui-
tos outros queridos. Se Jesus tao-somente tivesse voltado antes!
Jesus disse às duas irmãs: "Vosso irmão há de ressurgir."
Marta replicou: "Eu sei... que ele há de ressurgir na ressurreição do úl-
timo dia." Versos 23 e 24.
Jesus lhe disse então: "Eu, sou a ressurreição e a vida. Quem crê em Mim,
ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em Mím, não morrerá,
eternamente. Crês isto?" Versos 25 c 26. Marta não compreendeu o que
Apocalipse 1
Jesus quis dizer, mas sabia poder confiar plenamente no caráter do Mestre.
"Sim, Senhor", respondeu ela. "Eu tenho crido que Tu és o Cristo, o Filho
de Deus que devia vir ao mundo." Verso 27.
Ao Jesus dizer: "Todo o que vive c crê em Mim, não morrerá eterna-
mente", não era Seu propósito dar a entender que o crente não morre ja-
mais, ou seja, em nenhum sentido da palavra. Mesmo porque Lázaro con-
fiara nEle, entretanto morrera.
O que Jesus quis dizer é que a morte enfrentada por um cristão c ape-
nas um sono à vista de Deus, pois, ao chegar o tempo adequado - esta-
belecido pelo próprio Deus — esse cristão despertará para ingressar na
Vida Eterna. E a promessa de vida eterna cm Cristo é tão fidedigna, tão
absolutamente certa, que é como se a nossa vida infinita começasse aqui
e agora, é como se a morte nada mais fosse do que um descanso um pou-
co mais longo que o usual.
Jesus chorou. Contudo, embora a morte do amigo não infundisse qual-
quer horror a Jesus, diz o registro que, diante da tumba de Lázaro, "Je-
sus chorou". Verso 35. O ato de chorarmos quando nossos queridos
morrem, não é uma negação de nossa fé. Muitas vezes choramos quan-
do eles se separam, de nós para realizar uma simples viagem! E o amor
que nos leva a chorar por aqueles que perdemos, c "o amor procede de
Deus". I S. João 4:7. Os cristãos choram, sim; mas, tendo em vista a es-
perança da ressurreição, eles não se entristecem, "como os demais, que
não têm esperança". I Tessaloniccnses 4:13. Aqueles que dirigem atos fú-
nebres confirmam a observação de que crentes e incrédulos sofrem de
modo vastamente diferente uns dos outros.
Jesus não chorou por muito tempo. Lázaro fora sepultado numa peque-
na caverna escavada na rocha, sobre cuja entrada havia sido posta uma pe-
dra circular. Em breve o Mestre seria sepultado numa tumba semelhante.
(Por serem caros, tais túmulos não eram muito comuns. Recentemente,
meus colegas de universidade descobriram dois desses túmulos na área ao
leste do Jordão,1 e sabe-se de mais alguns em outras partes.)
Jesus tomou posição entre os que choravam à entrada do sepulcro, e so-
licitou que alguém afastasse a pedra. A essa altura, Lázaro já estivera mor-
to por quatro dias. À medida que o forte sol da Palestina iluminou o inte-
rior da caverna, o corpo enfaixado que jazia em seu interior passou a ser
objeto da atenção de todos. As pessoas mais idosas contemplavam-no so-
lenemente, bem sabendo que cm breve elas seriam enfaixadas da mesma
forma. As crianças arregalaram os olhos, gracejando nervosamente com a
aparência fantasmagórica do defunto. Maria e Marta ainda soluçavam ao
vê-lo, e em seus corações ardia o desejo de que Jesus tivesse vindo antes.
Foi quando Cristo emitiu a ordem simples, mas vitalizante: "Lázaro,
vem para fora!" No instante seguinte, o cadáver da caverna retomou à vida.
77
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Lázaro pisou firmemente no solo, endireitou-se e caminhou para fora, para
a companhia de seus amigos. Veja S. João 11:43 e 44.
Quantos abraços e lágrimas e risos aconteceram!
A mensagem de Cafarnnum. Sim, c certo que, num determinado senti-
do, o crente morre; noutro sentido, porém, cie desfruta de vida eterna aqui
e agora. Na sinagoga de Cafarnaum, algum tempo antes da ressurreição de
Lázaro, Jesus dissera à congregação: "De fato, a vontade de Meu Pai é que
todo homem que vir o Filho c nEle crer, tenha a vida eterna; e Eu o ressus-
citarei no último dia." "Em verdade, em verdade vos digo: quem crê, tem
a vida eterna." S. João 6:40 e 47.
Aquele que crê, tem a vida eterna.
Eu o ressuscitarei no último dia.
Se cremos cm Jesus, temos a vida eterna agora, sob a forma de uma pro-
messa viva e fidedigna. Cristo é vida; logo, se temos a Cristo, temos vida.
"Aquele que tem o Filho, tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus,
não cem ávida." I S. João 5:12. Observe, porém, que necessitamos ser res-
suscitados no último dia, de modo a podermos ver a promessa converten-
do-se em realidade. Se isso não fosse assim, não haveria qualquer necessi-
dade de urna ressurreição.
"Lázaro adormeceu."
"Lázaro morreu."
"Lázaro, vem para fora!"
Jesus é a ressurreição, tanto quanto a vida. Nele, nossa vida c eterna, não
que jamais venhamos a dormir, mas porque — a despeito de dormirmos e
depois de o fazermos - seremos ressuscitados por Cristo, por ocasião de
Sua segunda vinda, no último dia.
"Portanto o Senhor mesmo, dada a Sua palavra de ordem, ouvida a voz
do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos Céus, e os mortos
em Cristo ressuscitarão primeiro." I Tessalonicenses 4:16.
A ressurreição do próprio Cristo. "Estive morto", disse Jesus a loão na ilha
de Patmos, "mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as
chaves da morte e do inferno." Apocalipse 1:18.
A morte e ressurreição de Cristo constituem para nós a evidencia, a
garantia de que Ele realmente aniquilou a morte. Os turistas postam-se
admirados ante os túmulos em que estão sepultados Abraão Lincoln,
Napoleao Bonaparte, Simón Bolívar e outros; mas os cristãos dirigem-
se anualmente à Palestina — aos milhares — a fim de contemplar a tum-
ba vazia de Cristo. "Ele não está aqui; ressuscitou, como havia dito." O
texto de S. Mateus 28:6 é o brado triunfante que se repete ao amanhe-
cer de cada dia de Páscoa.
Cada uma de nossas esperanças repousa sobre a magnificente realida-
de da Páscoa. "E, se Cristo não ressuscitou", raciocina Paulo coerente-
Apocalipse 1
mente, "é vã a vossa fc, e ainda permaneceis em vossos pecados. E ainda
mais: os que dormiram em Cristo, pereceram. Se a nossa esperança em
Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os
homens." I Coríntios 15:17-19.
Paulo "colocava todos os ovos" nesta "cesta" da Páscoa, e fazia-o con-
fiantemente. Ele sahia que Cristo havia ressuscitado! Pessoas que ele co-
nhecia bem, haviam visto a Jesus. Relembrava o apóstolo: "[Ele] apareceu
a Cefas, e, depois, aos doze. Depois foi vísto por mais de quinhentos ir-
mãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora [cerca de uns
vinte e cinco anos após o evento], porém alguns já dormem. Depois foi
visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos. E, afinal, depois de to-
dos", acrescenta Paulo com incontestável convicção, "foi visto também por
mim." I Coríntios 15:5-8.
Em várias das ocasiões mencionadas por Paulo, João estivera presente e
vira a Jesus; agora, era seu elevado privilégio - sozinho e avançado em ida-
de — contemplar novamente a Jesus, na ilha de Patmos.
João escutou-O dizer: "Não temas; Eu sou o primeiro e o último, e
Aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos
séculos, e tenho as chaves da morte e do inferno."
Um dia, muito em breve, Jesus usará esta chave para abrir os sepulcros
de cada homem e mulher, cada menino e menina que adormeceram nEle.
Creio que minha mãe estará entre esses fiéis.
Esta certeza é uma parte da Revelação de Jesus Cristo.

II. O Testemunho de Jesus

"Eu, João, ... achei-me na ilha chamada Patmos, por causa da palavra
de Deus e do testemunho de Jesus." Apocalipse 1:9. Desejamos saber o
que João quis dizer com as expressões "palavra de Deus" e "testemunho
de Jesus". Desejamos compreender, também, todas as demais coisas que
cie disse a respeito de Jesus neste capítulo.
"Afiei testemunha." Diz o verso 5 que Jesus é "a fiel testemunha". Isto
significa que podemos confiar nEle. Talvez não possamos confiai: em quem
nos vendeu o automóvel, ou em quem construiu a casa na qual moramos,
ou em nosso senador, ou mesmo em nosso cônjuge, mas podemos confiar
em Jesus!
Na corte judicial, a testemunha testifica ou "dá testemunho". Jesus disse a
Pilatos, durante o julgamento que precedeu Sua crucifixão, que Ele havia vin-
do ao mundo "a fim de dar testemunho da verdade". S. João 18:37. À medi-
da que progredirmos em nosso estudo do Apocalipse, poderemos confirmar
que Jesus oferece um fiel testemunho, ao contar-nos a verdade: (a) acerca de
nós próprios e (b) acerca das debilidades, vícios e violência da natureza huma-
•70
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
na. Ele também nos apresenta a verdade (c) a respeito de Satanás e da feroz
oposição que este mantém contra Deus. De modo supremo, Jesus provê fiel
testemunho ao falar-nos a verdade (d) acerca de Si próprio. O livro de Apo-
calipse é, primariamente, uma revelação acerca de Jesus Cristo.
"O testemunho de Jesus." Jesus concedeu Seu testemunho a João, que
o recebeu "no Espírito". Verso 10. Somos lembrados de que um dos dons
do Espírito é o dom de profecia. Veja I Coríntios 12:10. Isso nos conduz a
Apocalipse 19:10, onde é afirmado categoricamente que "o testemunho de
Jesus é o espírito de profecia". Falaremos mais a este respeito quando ana-
lisarmos Apocalipse 12:17.
O Império Romano mandou João para o exílio em Patmos, como puni-
ção "por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus". Apocalipse
1:9. A palavra de Deus é a Bíblia, as Sagradas Escrituras. Veja, por exemplo,
Oséías 1:1; Joel 1:1; II Timóteo 3:15 c 16. Nos dias de João, o Novo Tes-
tamento ainda não havia sido completado, e a Palavra de Deus era basica-
mente o Antigo Testamento. Centenas de frases obtidas do Antigo Testa-
mento atestam quão carinhosamente João o prezava como a "palavra de
Deus". Ele cria nas profecias do Antigo Testamento que apontavam a Cris-
to e guardava os mandamentos que proibiam a idolatria, bern como os de-
mais. Fiel aos ensinamentos do Antigo Testamento, é evidente que ele se re-
cusara a prestar culto diante de um ídolo do imperador Domiciano. Por-
tanto, João se encontrava em Patmos "por causa da palavra de Deus".
João também se encontrava ali em virtude do "testemunho de Jesus".
Vimos há pouco que o testemunho de Jesus é o espírito de profecia. Os
profetas do Antigo Testamento foram inspirados pelo Espírito de Cristo.
Veja I S. Pedro 1:10-12. Nos tempos do Novo Testamento, muitas pessoas
também receberam o espírito de profecia. Mateus, Marcos, Lucas, Paulo,
Pedro e o próprio João foram inspirados pelo Espírito Santo a escreverem
o testemunho de Jesus, através dos Evangelhos, Aros dos Apóstolos e car-
tas do Novo Testamento. O "testemunho de Jesus" originou um corpo li-
terário vivo e crescente, que revelou a verdade acerca de Jesus.
Ao afirmar que se encontrava exilado em Patmos "por causa do tes-
temunho de Jesus", João queria dizer que se encontrava lá em virtude
de sua fé na (e pregação da) verdade que os escritores do Novo Testa-
mento — inclusive ele próprio — haviam sido inspirados a escrever a
respeito de Jesus.
"O primogénito dos mortos." No verso cinco, Jesus é identificado
como "o primogénito dos mortos". Não quer isso dizer que Ele foi a pri-
meira pessoa a ressuscitar dentre os mortos. Antes de experimentar pes-
soalmente a ressurreição, o próprio Jesus ergueu dentre os mortos a filha
de Jairo (S. Marcos 5:21-43), o filho da viúva de Naím (S. Lucas 7:11-17)
e Lázaro de Betânia (S. João 11). Veja as páginas 75-79.
Apocalipse 1
Sem a ressurreição de Cristo nenhuma outra poderia haver ocorrido. E tão-
somcnte "em Cristo" que alguém pode tornar a viver. Veja I Coríntios 15:22.
Nos tempos bíblicos, o primogénito da família recebia a herança prin-
cipal, ou "direito de primogenitura". Veja Génesis 43:33; Deuteronômio
21:17. Os privilégios dos primogénitos eram cão marcantes, que a própria
palavra primogénito ganhou a conotação de "destacado", "mais importan-
te" e "único". Assim, em Jó 18:13 até mesmo uma enfermidade relevante
c apresentada como "primogénito da morte"!
Jesus é o "primogénito dos mortos" por ser inquestionavelmente a pes-
soa mais importante a experimentar a morte e também a ressuscitar.
"Que nos ama." Com quanta simplicidade fala-nos ao coração o verso
cinco! Ele "nos ama". Como são confortantes essas palavras ditas, no exí-
lio, por João a respeito de Jesus. Como é bom sabermos que a afirmação é
verdadeira, sob quaisquer circunstâncias. Quão bondoso é Jesus, que nos
permite saber disso! Veja S. João 14:23.
A frase de ouro "eu te amo", não é própria apenas para namorados so-
nhadores. Todos nós deveríamos proferi-la, fazendo-o em relação a cada
um dos membros da família. Mamãe sempre beijava seus quatro filhos,
reafirmando que nos amava, e fazia-o praticamente todas as noites, à me-
dida que crescíamos. Na verdade, eu não me apercebi de que cia estivera
fazendo algo excepcional durante tantos anos, a não ser quando eu já bei-
rava os quarenta e fui visítá-ía em casa, e ela - que já não se encontrava
com boa saúde - rcafirmou-me afetuosamente o seu amor, com a mesma
naturalidade com que o fazia na época ern que eu tinha seis anos.
"Pelo Seu sangue nos libertou de nossos pecados." Verso 5. Amar não
é apenas proferir palavras. Amar é, sobretudo, realizar coisas. Jesus pagou
a penalidade por nossos pecados ao deixar os Céus e viver sobre a Terra
uma vida de intenso serviço, suportando todo tipo de críticas sem revidá-
las e morrendo, por fim, de forma humilhante c dolorosa sobre a cruz.
"Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em
favor de seus amigos." S. João 15:13. "Mas Deus prova o Seu próprio amor
para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pe-
cadores." Romanos 5:8. "Porque se nós, quando inimigos, fomos reconcilia-
dos com Deus mediante a morte do Seu Filho, muito mais, estando já re-
conciliados, seremos salvos pela Sua vida." Romanos 5:10.
Nosso filho, aos quinze meses de idade, foi internado num hospital, onde
a sua vida esteve por um fio durante quatro semanas. Minha esposa e eu en-
contramos conforto no pensamento de que Deus, a quem orávamos cons-
tantemente, amava ainda mais nosso garoto do que nós próprios. O Filho de
Deus morrera por nosso filho, e isso nós não tínhamos feito por ele.
"E nos constituiu reino, sacerdotes para o Seu Deus e Pai." Verso 6.
Quando Deus conduziu os israelitas para fora do Egito, Ele declarou que
RI
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
o povo Lhe seria um "reino de sacerdotes". Ao final das setenta semanas de
Daniel 9:24-27, Deus instituiu uma nova nação, que consiste dos cristãos
de todas as raças, inclusive os cristãos judeus. A esta nova nação, Ele desig-
nou como "sacerdócio real". I S. Pedro 2:9.
Se você é um cristão, Cristo o considera como parte de Seu "sacerdócio
real". O termo provoca reflexão. Qual é, de fato, o seu significado?
Há alguns anos, eu me encontrava memorizando o livro de Hebreus.
Havia chegado ao capítulo cinco quando me ocorreu fazer uma breve re-
capitulaçao de Apocalipse, livro que eu decorara vários anos antes. Ocor-
reu, pois, que ao dirigir o carro certo día, recitei para mim mesmo: "E nos
constituiu reino, sacerdotes para o Seu Deus e Pai." Quase ao mesmo
tempo, vi-me repetindo Hebreus 5:1, que diz: "Porque todo sumo sacer-
dote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernen-
tes a Deus, em favor dos homens."
Pelo fato de os sacerdotes comuns exercerem muitas das mesmas fun-
ções básicas exercidas pelo sumo sacerdote, dediquei especial atenção para
tentar compreender quais as funções que eu, como sacerdote real, terei o
privilégio — concedido por Deus - de exercer. Percebi que Hebreus 5 diz
que o sumo sacerdote c apontado por Deus para ministrar em Sua presen-
ça em favor dos homens e para oferecer dons e sacrifícios pelos seus pró-
prios pecados c pelos do povo. Eu sabia que nossos "dons" e "sacrifícios"
incluem nossas orações, oferecidas pela fé no sacrifício de Cristo realizado
na cruz. Veja Hebreus 13:15; S. Tiago 5:16. Pude ver que o significado de
nosso sacerdócio é no mínimo este: que devemos orar em nome de Jesus,
pedindo o perdão de nossos pecados e dos pecados de outras pessoas. So-
mos convidados, de modo especial, a orar em favor das pessoas que não
nos apreciam. Veja S. Mateus 5:44.
Entendi também que somos "nomeados" por Deus para sermos sacer-
dotes. Isto só pode significar que Deus deseja profundamente que atuemos
como sacerdotes. Ele deseja que oremos pelo perdão que nós mesmos ne-
cessitamos, c pela conversão c prosperidade dos outros - por nosso cônju-
ge, pais e filhos, nossos empregadores ou empregados, autoridades gover-
namentais c parceiros comerciais. Ele deseja ainda que oremos pelo pro-
gresso do Evangelho entre os não-cristãos. (A fim de desfrutar plenamen-
te do privilégio de meu sacerdócio, anotei nomes e necessidades numa pe-
quena caderneta, como apoio à minha memória.)
DEUS CUIDA e deseja nos ajudar. Ele nos instruiu a que peçamos as
coisas. Ele nos estabeleceu como sacerdotes.
As coisas reveladas são para nós e para nossos filhos. Veja Deuteronô-
mio 29:29. Deus designou que as crianças cristãs sejam sacerdotes, tão cer-
tamente como o fez com os adultos. Meninos e meninas que amam a Je-
sus, podem orar em favor dos outros, assim como o faz o ministro ordena-
Apocalipse 1
do. Muitas crianças já tiveram a alegria de ver - por intermédio de suas
orações - o papai ou a mamãe serem conduzidos a Cristo.
Jesus nos estabeleceu corno sacerdotes. Tornemos tão significativa quan-
to possível esta designação.
"Eis que vem com as nuvens, e todo olho O verá." Em Apocalipse 1:7
é repetida a promessa feita por Cristo no Discurso do Olivete. João a ou-
viu dos Seus lábios naquela noite enluarada de terça-feira, cerca de sessen-
ta anos antes. Veja S. Mateus 24:30 e também as páginas 22 e 23. O após-
tolo escutara a mesma promessa proferida pelos dois "varões" vestidos de
branco, que apareceram ao lado dos discípulos enquanto Jesus ascendia ao
Céu envolto em uma nuvem. Veja Atos 1:10 e 11. Paulo, igualmente ins-
pirado pelo Espírito de profecia, testemunhou que Jesus apareceria "nas
nuvens" por ocasião de Sua segunda vinda. I Tessalonicenses 4:17.
Mas, em Apocalipse 1:7, quem são as pessoas que "O traspassaram"? Em
Seu julgamento, Cristo dissera ao líder judeu, Caifás: "Desde agora vereis o
Filho do homem assentado à direita do Todo-poderoso, e vindo sobre as nu-
vens do céu." S. Mateus 26:64. Individualmente, ninguém teve tanta respon-
sabilidade pela morte de Cristo quanto Caifás. Ele certamente foi um dos que
"O traspassaram". E certo, contudo, que muitas outras pessoas envolveram-
se criminal mente com Jesus e parece, assim, que elas - juntamente com Cai-
fás — receberão o "privilégio" de uma ressurreição especial, que ocorrerá com
tempo suficiente para que vejam Jesus retornando, cercado da mesma glória
que eles tentaram obliterar. O texto de Daniel 12:1 e 2 ajuda-nos a confirmar
essa interpretação. Diz o referido texto que, ao erguer-Se Miguel no fim do
tempo, "muitos" (não todos) dentre os mortos ressuscitarão. Uma vez que to-
dos os justos despertarão nesse tempo (veja Apocalipse 20:6), parece-nos cla-
ro que somente alguns dos injustos terão idêntica experiência. (Os ímpios res-
tantes esperarão até o final dos mil anos. Veja Apocalipse 20:5.)
No grupo daqueles que "O traspassaram" devem ser incluídos todos os
que contribuíram diretamente para a Sua crucifixão. Porém, deve o termo
abranger mais alguém?
Em Atos 9:5 Jesus explicou a Saulo, o perseguidor - que logo se torna-
ria Paulo, o apóstolo - que, ao perseguir os cristãos, ele em verdade estava
perseguindo o próprio Cristo. "Eu sou Jesus, a quem tu persegues", disse
Cristo. Isso nos leva à melancólica conclusão de que os principais persegui-
dores do povo de Deus através dos séculos, devem também ser incluídos
no número daqueles que "O traspassaram", e que se levantarão do túmu-
lo numa ocasião que lhes permita testemunhar a segunda vínda.
"O Senhor Deus... que há de vir." Deverá Deus, o Pai, acompanhar Je-
sus em Sua segunda vinda? Apocalipse 1:4 descreve-O como "Aquele que
é, e que era e que ha de vir". Conforme vimos acima, eni S. Mateus 26:64
Jesus disse a Caifás que o Filho do homem haverá de retornar "assentado
83
l/ma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
à direita do Todo-poderoso". Esta última expressão é um dos nomes atri-
buídos a Deus. Em Apocalipse 6:16, os impenitentes — por ocasião da se-
gunda vinda - clamarão às rochas e montanhas que caiam sobre eles, a fim
de escondê-los "dAquele que Se assenta sobre o trono, e da ira do Cordei-
ro". A expressão "Aquele que Se assenta sobre o trono", é frequentemente
utilizada no Apocalipse em referência a Deus Pai. Veja, por exemplo, Apo-
calipse 5:6-8. A conclusão mais plausível é, pois: Sim, Deus acompanhará
Seu Filho por ocasião da segunda vida. Veja Apocalipse 7:15; 21:5.
"Eu sou o Alfa e o Omega." O Novo Testamento foi escrito em grego,
e nesse idioma a primeira letra do alfabeto é Alfa, e a última c Omega. Em
linguagem moderna, a expressão equivaleria a "Eu sou o A e o Z".
Ao intitular-Se a Si mesmo de Alfa e Omega no verso 8, Deus quer di-
zer que Ele é o primeiro e o último, o começo e o fim. Ele já existia quan-
do o Universo teve seu princípio, e existirá enquanto o mesmo persistir.
Incidentalmente, Omega é, na verdade, "O-mega', e significa " O grande" ou
"O maiúsculo". O formato do Omega provém do antigo costume de sublinhar
o O maiúsculo, a fim de diferenciá-lo do minúsculo, chamado "omicron".
Durante a Segunda Guerra Mundial, cerca de 1.700.000 homens, mulhe-
res e crianças iugoslavos morreram na tentativa — aliás bem-sucedida — de
manter em liberdade o seu país. Durante aqueles dias de violência, um re-
pórter e artista, chamado David Fredenthal, desenhou o quadro de um ve-
lho agricultor semeando grãos.2 Mesmo quando os soldados avançavam por
sobre o seu campo arado, abrindo caminho para um ataque militar, o pa-
ciente lavrador prosseguiu em seu trabalho habitual de primavera, semean-
do à mão o seu campo, da mesma forma como havia feito desde a juventu-
de. Sua irremovível firmeza em tempos de aguda crise provê, em sentido li-
mitado, uma ilustração da constância de nosso eterno Deus que nunca fa-
lha, e que merece nossa plena confiança em toda e qualquer ocasião. Tal qual
Jesus, Ele nunca muda. Ele é o mesmo "ontem e hoje... e o será para sem-
pre". Hebreus 13:8. Ele é o princípio e o fim, o Alfa e o Omega.

III. Em Espírito, no Dia do Senhor

Pelo fato de Deus ser o Alfa e o Omega, sabemos que Ele é eterno. Ele
é também o Senhor do Universo. João, entretanto, era mortal corno qual-
quer um de nós, limitado no tempo e espaço. Ele nos conta que, ao ter a
visão do Senhor, encontrava-se na ilha de Patmos e que aquele era o "dia
do Senhor". Apocalipse 1:10.
Era bastante apropriado que ele visse o Senhor em Seu dia. A visão
apanhou João de surpresa, pelo que sabemos que não foi ele quem esco-
lheu o dia. Foi, pois, o próprio Senhor que decidiu conceder uma visão
de Si mesmo, e em Seu dia.
84
Apocalipse 1
Mas... qual dia é o dia do Senhor?
Todos sabem que muitos cristãos associam a expressão "dia do Senhor"
ao dia de domingo. O costume de assim proceder pode até mesmo ser tra-
çado retrospectivamente até o segundo século da era cristã, onde talvez en-
contremos a expressão em cartas escritas por Inácio, dedicado mas excên-
trico bispo de Antioquia. Sendo as coisas assim, ou seja — sendo tão anti-
go e tão amplo o costume de chamar ao domingo de "o dia do Senhor" —
chegou-se ao ponto de a expressão ser mesmo usada em lugar do termo
"domingo" em muitos idiomas. O termo "domingo" é. designativo do pri-
meiro dia da semana em português e em espanhol, sendo que em francês
o termo correspondente é "dimanche". Tanto "domingo" quanto "diman-
che" são derivados de "domenica'\ palavra latina que designa "dia do Se-
nhor". Curiosamente, por volta do ano 1600 os puritanos ingleses come-
çaram a associar o nome "sábado" ao primeiro dia da semana. Na Gra-Bre-
tanha e na América do Norte, onde a influência exercida pelos puritanos
ainda permanece forte, milhões de cristãos chegaram ao ponto de crer que
o domingo é o sábado, e também o dia do Senhor.]
Reportando-nos agora à Bíblia, constataremos que é correto associar o
dia do Senhor ao sábado; mas constataremos, igualmente, que o dia do Se-
nhor não é o mesmo que o domingo.
Nos Dez Mandamentos, diz a Bíblia que "o sétimo dia é o sábado do Se-
nhor teu Deus". Êxodo 20:10. Nos tempos do Novo Testamento, Jesus dis-
se: "O Filho do homem c Senhor- também do sábado." S. Marcos 2:28. Por-
tanto, a Bíblia apresenta o sábado como sendo o dia do Senhor; o dia do
Senhor é o sétimo dia.
Como podemos estar certos, contudo, de que nos longos séculos decor-
ridos entre os tempos bíblicos e os nossos dias, não houve uma mudança?
Na verdade, houve uma mudança, ou pelo menos uma tentativa de ope-
rá-la. Há poucos momentos mencionamos a possibilidade de que em tem-
pos remotos como o segundo século d.C., o bispo Inácio tenha identifica-
do o domingo como o dia do Senhor. No capítulo 7 de Daniel, a profecia
nos indica que o chifre pequeno "cuidaria" em mudar os tempos e a lei. Já
comentamos nesse livro — no segundo capítulo - que a Igreja Cristã obri-
gou as pessoas à observância do primeiro dia da semana, em direta oposi-
ção à santificação do sétimo dia. Jesus, entretanto, advertiu Seus ouvintes
a que não pensassem que Ele viera revogar a lei. Sua expressão é: "Não
penseis que vim revogar a lei ou os profetas... Porque em verdade vos digo:
Até que os céus e a terra passem, nem um / ou um ;//jamais passará da lei,
até que tudo se cumpra." S. Mateus 5:16 e 17. Veja a seção Respostas às
Suas Perguntas^ às páginas 88 e 89.
Em várias partes do mundo uma outra mudança tem sido experimen-
tada. Os calendários começam a imprimir a segunda-feira como sendo o
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
primeiro dia da semana, aparecendo o domingo como o sétimo dia. A ra-
zão oferecida para esse procedimento - diz-se que para a maioria das pes-
soas o trabalho começa na segunda-feira - parece ser bastante superficial.
Contudo, a despeito da história da igreja, e a despeito das modernas
tentativas (via calendário), qualquer pessoa pode descobrir facilmente qual
dia é o sábado verdadeiro. S. Marcos 15:42 diz que Jesus foi crucificado no
"dia da preparação, isto é, a véspera do sábado". S. Lucas 23:36 mostra
como 110 sábado os seguidores de Jesus "descansaram, segundo o manda-
mento". S. Mateus 28:1 afirma que "no findar do sábado, ao entrar o pri-
meiro dia da semana", Maria Madalena c a outra Maria dirigiram-se ao se-
pulcro para ungir o corpo de Cristo, encontrando apenas uma tumba va-
zia. Em resumo, vemos que:
Um dia antes do sábado, Jesus morreu.
No sábado identificado pelos Dez Mandamentos, Seus seguidores
descansaram.
Um dia após o sábado, Ele levantou-Se dentre os mortos.
Qualquer cristão sabe que Jesus ressuscitou no domingo.
Portanto, o sábado bíblico era - e continua sendo — o dia que precede o
domingo, a despeito da história da igreja e dos modernos calendários, que
erroneamente localizam o domingo como sendo o sétimo dia da semana.
O aia do Senhor é para nós. Se o sábado bíblico é o "sábado do Se-
nhor" e o "dia do Senhor", torna-se claro que esse dia é o Seu dia. To-
davia, Ele o fez para nós! Jesus declara textualmente que "o sábado foi
estabelecido por causa do homem" — para todos os homens, para a hu-
manidade. Veja S. Marcos 2:27-
Por que, pois, foi o sábado feito para nós? A que propósito deveria ser-
vir esta providência? Uma das respostas a essa pergunta é dada em Géne-
sis 2:1-3, que é o relato original do primeiro sábado na Terra. Nesse texto,
a Bíblia afirma que, ao finalizar Sua obra criadora, Deus "descansou nesse
dia [o sétimo] de toda a Sua obra que tinha feiro. E abençoou Deus o dia
sétimo e o santificou". A palavra "santificar"significa "separar"— ou pôr à
parte - para uso sagrado".
Deus não descansou no primeiro sábado porque estivesse cansado. Ele
descansou de Sua obra criadora, uma vez que em seis dias havia completa-
do a criação da Terra. Ele descansou, abençoou e santificou o sétimo dia,
com o propósito de colocá-lo à parte (separá-lo) para um santo propósito.
Qual é este propósito santo? Ezequiel 20:12 diz: "Também lhes dei os
Meus sábados, para servirem de sinal entre Mím e eles, para que soubes-
sem que Eu sou o Senhor que os santificar
O sábado foi criado quando Deus santificou o sétimo dia. Ainda hoje,
tal fato nos relembra de que Deus também nos santifica, sempre que Lhe
permitimos fazê-lo! Ele deseja colocar-ra<« à parte, a fim de preenchermos
Apocalipse 1
um propósito santo, voltado exclusivamente para a prática do bem. Por
nosso intermédio deseja Ele que a parte do mundo em que vivemos seja
um lugar melhor. Ele nos designa para sermos um reino sacerdotal. Veja as
páginas 81-83. Ele nos convida a seguir o exemplo de Cristo, vivendo uma
vida de bondade, a serviço daqueles que nos estão mais próximos. Veja S.
João 13:12-17; I S. Pedro 2:21-24.
Uma vez que o sábado nos faz lembrar a criação do mundo, ele também
nos faz conscientes de que não podemos tornar-nos bons por nós mesmos,
assim como não podemos criar-nos a nós próprios. Tão-somente o Criador
pode criar em nós "um coração puro" e renovar dentro de nós "um espírito
inabalável". Veja o Salmo 51:10. "Se alguém está em Cristo, é nova criatura;
as coisas antigas já passaram; eís que se fizeram novas." II Coríntios 5:17.
Você poderá não ser um guardador do sábado, mas amda assim é pro-
vável que Deus tenha estado a trabalhar em seu íntimo, purificando-o do
pecado e recriando-o à Sua imagem. Agora que você está lendo essas pági-
nas, é desejo de Deus que saiba — pela Bíblia — que o sábado do sétimo dia
é o Seu dia, o dia que Ele escolheu para revelações especiais — c adicionais
- de Si próprio, e para cfetuar transformações em você. Ele também o lem-
bra de que o sábado foi feito "para o homem", para a humanidade, para
qualquer pessoa. O sábado foi feito para mim. Ele foi feito para você.
Por essa mesma razão, ele também foi feito para João. O dia do Senhor
em Patmos era o dia de João. Foi certamente um dos melhores dias em
toda a sua longa e maravilhosa vida sobre a Terra. Que bênção extraordi-
nária lhe adveio, pois ele achou-se "em espírito, no dia do Senhor", mes-
mo encontrando-se exilado e sozinho.
Quantas bênçãos podemos receber, você e eu, quando guardamos o sábado
do sérimo dia no poder do Santo Espírito; esse dia do Senhor é também o nos-
so dia! Guardemo-lo, pois, todos nós, junto com o nosso amante Senhor.

Leituras Adicionais Interessantes

Arthur S. Maxwell, As Belas Histórias da Bíblia, vol. 10:


"Uma Voz que Fala a Você", pág. 167.
Estudos Bíblicos - Ver a seção
"Vida Unicamente em Cristo".
Respostas às
Suas Perguntas
Quando começou o domingo a ser conhecido como o
"dia do Senhor"?
nome domingo provem, originalmente, dos rituais da
adoração do Sol, o que se torna bem evidente em alguns
idiomas, como o inglês ("sunday") e o alemão {"sontag").
iiir^MlíMii— • ^Oxford English Dicti.ona.ry (Dicionário Inglês de Ox-
^^•B^T1 '-r-^B ford) atesta que a primeira ocorrência escrita da palavra
data aproximadamente de 700 d.C. O dia que hoje chamamos de "domin-
go" era conhecido pelos autores do Novo Testamento como "o primeiro
dia da semana". Veja, por exemplo, S. Mateus 28:1; S. João 20:1; I Corín-
tios 16:2. Os cristãos do segundo século aparentemente o trataram corno
"o primeiro dia" e, por vezes, como "o oitavo dia" (por ser o dia que vem
após o sétimo dia, o sábado).'
O primeiro uso não-ambíguo do termo "dia do Senhor" em conexão
com o primeiro dia da semana - nesse caso, referindo-se ao domingo da
ressurreição do Senhor — aparece num pequeno livro intitulado "O Evan-
gelho de Pedro",4 composto provavelmente por volta de 175 d.C. (É ób-
vio que não foi Pedro quem o escreveu!)
Um exemplo posterior - embora um tanto ambíguo - do uso de "o dia
do Senhor" em referência ao domingo, ocorre cm certas traduções das car-
tas de Inácio. Este era um bispo bastante excêntrico, servindo em Antioquia
por volta de 110 d.C. Condenado a morrer em virtude de sua fé, ele foi em-
barcado para Roma a rim de ser comido por animais. Durante a viagem, es-
creveu sete cartas que se tornaram famosas. Na carta dirigida aos cristãos de
Magncsia, ele falou - de acordo com um tradutor típico'' - acerca de "vi-
ver. .. para o dia do Senhor". O tradutor concluiu que Inácio desejava ver os
cristãos pautando seu estilo de vida pela gloriosa ressurreição de Cristo.
Entretanto, a palavra grega para "dia" não aparece naquele que aparen-
ta ser o mais antigo texto grego dessa passagem. O adjetivo grego para "do
Senhor" encontra-se presente, implicando a presença de um nome por ele
(adjetivo) modificado. Contudo, o nome não aparece. Em alguma época
anterior ao undécimo século — não se sabe quando — um editor grego su-
priu o nome, mas o nome por ele escolhido não era a palavra correspon-
dente a "dia" e sim uma outra, que significa "vida". Logo, esse desconheci-
do editor grego fez com que a passagem rezasse: "Vivendo... para a vida
do Senhor", o que talvez significasse que o estilo de vida cristão deveria
harmonizar-se com o modo de Cristo viver.6
Apocalipse 1
A diferença de sentido c significativa. Se Inácio realmente quis dizer que
devemos viver em harmonia com a "vida do Senhor", é errado citar essa pas-
sagem como apoio para a menção têmpora da expressão "dia do Senhor".
De qualquer forma, ainda que Inácio tenha efetivamente considerado
o domingo como o "dia do Senhor", sua preferência jamais deveria ser
considerada como autoridade por parte de cristãos que desejam seguir
tãosomente a Bíblia.
Se alguém perguntar como pode ter sido possível que a aplicação da ex-
pressão "dia do Senhor" passasse do sábado para o domingo durante o se-
gundo século, nós responderemos apontando à rápida passagem - por vol-
ta do ano 1600 - do nome "sábado", do sétimo dia para o primeiro dia da
semana.7 Até que isso ocorresse, praticamente todos os cristãos reservavam
o termo "sábado" para o sétimo dia, em acordo com a Bíblia. Muitos não
observavam o sábado como dia de repouso, mas eles sabiam que o sábado
é o sétimo dia bíblico, mesmo que eles fossem à igreja no primeiro dia da
semana, para eles "o dia do Senhor". O fato de que, por volta de 1600, os
puritanos ingleses começaram repentinamente a chamar o domingo de sá-
bado, é análogo ao súbito início — talvez no segundo século da era crista —
da prática de intitular-se o domingo como "o dia do Senhor".

REFERÊNCIAS

1. Ver S. Douglas Watcrhousc, "Áreas H and F" [relatório parcial sobre a escavações do TelI Hes-
ban, cm 1971]. Andrews Univershy Seminary Studics 11 f 1973): 113-125.
2. Winston S. Churchill and the Editors of Life, The Secotid Worlei War, 2 vols. (New York: Time,
Inc., 1959), 2:514, 515.
3. Os exemplos incluem Barnabas, Epistle, 15; ANF 1:147; Justín, First Afiology, 67; ANF 1:186;
Dift/ogue, 24, 41; ANF 1:206, 215; Bardesancs, Discoime on Fatr, ANF 8:733.
4. The Gospcl According to Pé K r, 9, 12; ANF 10:8.
5. IgnadlU, To theMagnesians, 9; Loeb Classical Library, Apostolic Fathcrs, 1:205. Compare a tra-
dução em ANF 1:62, observando í]iie a coluna da direita representa uma edição interpolada espúria,
que surgiu mais de 200 anos após a morte de Inácio.
6. As evidências são analisadas sob dois pontos de vista um pouco diferentes por Fritz Guy, em
'"Lords Day' in Magncsians", Andrews Uniucrsity Seminary StttíSa, 2 (1964):1-17, e Richard B. I.e-
wis, "Ignatius and thc 'Lords Day'", Andrews Universiíy Seminary Stitdies, 6 (1968):46-59.
7. O novo costume foi sinrctr/.ado por Nicolas Bowmle, em The Doctrhie ofthe Sahhath, Plainely
Layde Forth (London, l 595) e comentado por Winsmn U. Solberg, em Reileem the Time (Cambridgc,
Mass.: Harvard University Press, 1977) e por Biyan W. Bali, em The Engtish Connectwn (Cambrídge,
F,ngfand: James Clarke, 1981).

89
,
Apocalipse 2 e 3

Cristo Escreve às
Sete Igrejas
Introdução
/\ cartas de Cristo às sete igrejas da Ásia provêem a
%^U—-\c para uma deleitosa experiência familiar no estu-
/ % do da Bíblia. Por exemplo, as crianças com idade su-
.. f —-^^m ficicnte P ara desfrutar da leitura, podem ajudar na
l preparação de um quadro das sete igrejas, à semelhan-
ça daquele encontrado à página 100.
As crianças podem auxiliar ao fazerem o desenho geral (os contornos)
do quadro. Depois, usando uns poucos minutos por dia, elas podem pes-
quisar - em companhia dos adultos - os itens que deverão ser anotados
nos respectivos "quadrados". À medida que adquirirem habilidade, elas se
sentirão ansiosas por descobrir em primeiro lugar cada um dos novos itens:
i descrição de Cristo, a advertência, a promessa especial e assim por dian-
te. A família inteira pode ajudar na tarefe de "condensar" a linguagem bí-
Mica, de modo que o essencial possa ser anotado no reduzido espaço dis-
ponível. Com o quadro afixado em lugar bem visível da casa, todos pode-
:ão acompanhar de perto o desenvolvimento do projeto.
Todos poderão memorizar as promessas aos ouvintes, tais como: "Sê fiel
ité à morte, e dar-te-ei a coroa da vida", de Apocalipse 2:10, ou ainda:
'Se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e
:earei com ele, e ele comigo" (Apocalipse 3:20).
Durante esta experiência, as crianças poderão chegar a compreender
Tielhor o quanto Jesus ama os cristãos inexperientes - cristãos que ainda
?stão aprendendo a se tornarem semelhantes a Jesus.
Tenho encontrado pessoas que se afastaram da igreja porque não apre-
:iavam algumas das pessoas que lá compareciam, ou porque pensavam que
)s membros de sua igreja eram hipócritas. Jesus sabe que os cristãos se en-
xmtram longe da perfeição (Veja S. João 2:25); mesmo assim, Ele de-
91
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
monstrou ser um fiel frequentador das reuniões. Ele explica que os "sete
candeeiros de ouro" de Apocalipse 1:20 representam as "sete igrejas"; de-
pois disso, Ele retrata a Si próprio como aquele "que anda no meio dos
sete candeeiros de ouro". Veja Apocalipse 2: l.
Um amigo genuíno conhece as nossas fraquezas e ainda assim nos ama!
Numa tarde, ao finalizar uma visita pastoral, sugeri a uma das pessoas
mais idosas dentre os membros de minha igreja, que convidasse a mulher
que compartilhava seu apartamento a reunir-se conosco em oração. Po-
rém, minha "ovelha" recusou a sugestão: "Entramos num acordo", expli-
cou ela, "segundo o qual ela jamais virá a este lado do apartamento, e eu
jamais irei para o outro lado."
Deus não ergue barreiras desnecessárias, e tampouco deseja que as erga-
mos. Ele sabe muito bem que, para ajudarmos as pessoas, necessitamos
aproximar-nos delas. Temos de empreender todos os esforços possíveis
para manter a comunicação. Hebreus 10:23-25 diz: "Guardemos firme a
confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Con-
sidcremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às
boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns;
antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia [da vol-
ta de Cristo] se aproxima."

Jesus caminha entre os candeeiros.


Como um pai se compadece de seus filhos,
assim o Senhor Se compadece dos que O temem.
Pois Ele conhece a nossa estrutura,
e sabe que somos pó.
Salmo 103:13 e 14.

Os sete "anjos". H surpreendente ouvir a ordem dada a João, de que de-


veria escrever estas sete cartas aos anjos das sete igrejas. Os anjos são men-
cionados frequentemente no Apocalipse, e normalmente são vistos como
seres sobrenaturais. Parece não fazer muito sentido que Deus tenha dito a
João para escrever as cartas aos sobrenaturais, invisíveis c celestes anjos.
A explicação lógica é que a palavra anjo provém de um termo grego,
aggelos, cujo significado real é "mensageiro". Certamente, os mensagei-
ros celestiais de Deus são seres sobrenaturais; mas a palavra grega agge-
los í traduzida simplesmente como "mensageiro" ou "mensageiros", ern
sua acepção ordinária, não aplicada a seres sobrenaturais, como em S.
Marcos 1:2; S. Lucas 7:24; S. Lucas 9:52 e em S. Tiago 2:25. Nesses
versos, os "mensageiros" (ou "anjos") são: (a) João Batista; (b) os discí-
pulos de João Batista; (c) os discípulos de Jesus Cristo e (d) dois espias
- sem dúvida, todos eles seres humanos.
09
Apocalipse 2, 3
Os "anjos" humanos - ou mensageiros — das sete igtejas, são os minis-
tros que apresentam as mensagens de Deus às congregações. Jesus declara
manter à Sua mão direita estes "anjos" ministros. Veja Apocalipse 1:1(5 e
2:1. Estimule os membros de sua família a verem o vosso pastor como es-
tando seguro à mão direita de Jesus. Observe o que isto representa sobre
os sentimentos dos membros em relação ao pastor.
Identificação das "sete igrejas". Na ocasião em que Jesus ordenou a João
que escrevesse essas sete cartas, uma congregação cristã fora estabelecida
em cada uma das sete cidades mencionadas. E fascinante observar que tais
cidades estavam situadas de tal modo ao longo das rodovias romanas, que
era possível visitá-las exatamcnte na ordem mencionada. E provável que o
correio de Roma Imperial realizasse o trajeto na referida ordem enquanto
distribuía as correspondências. "Todas as sete cidades localizavam-se à
margem da grande estrada circular que unia as cidades mais populosas,
mais ricas e mais influentes da província da Ásia Menor", diz W. M. Ram-
say em sua obra clássica, The Letters to The Seven Churches ofAsia1 [As Car-
tas às Sete Igrejas da Ásia].
Contudo, num livro abundante em simbolismos, como o Apocalipse,
deveríamos nós entender que as sete congregações estabelecidas nas sete ci-
iades, eram as únicas que deveriam servir de audiência às mensagens des-
;as cartas? Ou deveriam as sete igrejas representar, digamos assim, diferen-
:es condições de diferentes igrejas em qualquer tempo, e ao longo de todo
3 tempo? São as sete mensagens constituídas por admoestações gerais, des-
;inadas a qualquer um? Seria o caso, talvez, de elas se destinarem a sete fa-
;cs sucessivas na experiência da igreja como um todo, desde os dias de João
ité o fim do mundo? Destinam-se as mensagens de todas as cartas a qual-
juer pessoa? Examinemos as possibilidades aqui evocadas.
1. Para. congregações locais. As sete cartas falam de algumas coisas que
á haviam ocorrido, ou que estavam em processo de concretização nos
lias em que o Apocalipse foi escrito. "Tenho, porém, contra ti [Efeso]
me abandonaste o teu primeiro amor." Apocalipse 2:4. "Tens aí [em
'érgamo] os que sustentam a doutrina de Balaão." Apocalipse 2:14.
'Tenho, porém, contra ti [Tiatira] o tolerares... essa mulher, Jezabel."
Apocalipse 2:20. "Guardaste [em Filadélfia] a Minha palavra, e não ne-
;aste o Meu nome." Apocalipse 3:8. "Pois dizes [Laodicéia]: 'Estou rico
; abastado'." Apocalipse 3:17.
Obviamente, estas afirmações devem ter sido verdadeiras em relação
s congregações locais, no tempo em que João lhes escreveu; caso contra-
io, quando as cartas chegassem, os cristãos daquelas localidades diriam:
Oh, João não sabe o que está dizendo." Portanto, não resta dúvida de
ue as cartas tratavam de questões atinentes às respectivas congregações
acais, existentes nos dias de João.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
2. Pam qualquer pessoa. As cartas não podem restringir-se àquelas igrejas
específicas. O encerramento de cada uma delas contem palavras como es-
tas: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às sete igrejas." Ás li-
ções de todas as cartas aplicam-se a qualquer pessoa, cm qualquer lugar. Da
mesma forma, as promessas. Jesus introduz as promessas, vez após outra,
com a frase: "Ao vencedor..." Ele diz, por exemplo, que "ao vencedor" será
dado o maná escondido; "o vencedor" será vestido de vestiduras brancas; "o
vencedor" assentar-se-á com Ele em Seu trono, e assim por diante. As pro-
messas destinam-se a qualquer um que necessite de encorajamento — todos
aqueles que enfrentam aflições hoje, tal como os mártires que se defronta-
vam com as bestas selvagens naqueles dias. Elas se destinam a qualquer pes-
soa que "tem ouvidos", ou seja, a todos aqueles que desejam escutar.
3. Para denominações c movimentos. Se, por um lado, as promessas alcan-
çam a todos os que se dispõem a ouvir, convém notar, por outro lado, que
elas se dirigem às "igrejas". Primariamente, são destinadas a grupos. Na
qualidade de seres sociais, todos somos partes orgânicas das organizações
às quais pertencemos, influenciando-as e sendo por elas influenciados. Em
maior ou menor grau, somos todos responsáveis pelas faltas dos grupos
com os quais nos identificamos, merecendo também o galardão dos mes-
mos. Por essa razão, conforme observamos em Daniel 9, o profeta confes-
sou os pecados do seu grupo, pecados que ele não cometera pessoalmente,
e pediu a Deus: "Perdoa-nos". Daniel 9:19.
Assim, da mesma forma como as cartas se aplicavam a sete igrejas locais,
a um só tempo, e da mesma forma como elas se aplicam a todos os indi-
víduos em todos os tempos, é evidente que elas também se aplicam às vá-
rias condições da igreja — isto é, às várias condições de congregações, de-
nominações e movimentos — em todos os tempos.
4. Símbolos de sete fases. Necessitamos perguntar ainda: será que as car-
tas representam também sete fases na experiência da igreja, dos dias de
João até o fim do mundo? A resposta é: sim, como predições proféticas elas
cobrem toda a era cristã. Muitas razões fundamentam tal conclusão:
a. Paralelos com Daniel Já mencionamos que as profecias dos capítulos
2, 7 e 8 de Daniel são paralelas entre si, c ocorrem lado a lado ao longo do
tempo, desde os dias de Daniel ate o fim do mundo. Daniel c Apocalipse
foram ambos inspirados pelo mesmo Deus e revelam muitas similaridades
entre si. É razoável supor que as profecias do Apocalipse, acerca dos sete
selos, das sete trombetas e das sete igrejas — tal como ocorre cm Daniel —
são também paralelas entre si e ocorrem simultaneamente, cobrindo o
tempo desde os dias de João até o fim.
Nos dias de Cristo, quatro grandes poderes - os impérios Partiano,
Kusano, Han e Romano - controlavam os vastos domínios da civilização
entre os oceanos Atlântico e Pacífico; contudo, destes quatro impérios con-
ctA
Apocalipse 2, 3

[ia Laodiceia*
Caria
Patmos Ásia Menor no l Século d.C.
Um empregado do correio romano poderia entregar cartas nas sete cidades
da Ásia Menor, valendo-se da mesma sequência utilizada por Joíto.

temporâneos, apenas o Romano c focalizado em Daniel 2, 7 e 8. Da mes-


ma forma, outros impérios existiram contemporaneamente a Babilónia,
Média-Pérsia c Grécia, a maior parte dos quais nem sequer é mencionada
na Bíblia. Mas os grandes impériosfocalizadospela profecia bíblica - Babi-
lónia, Média-Pérsia, Grécia e Roma — controlaram, um após o outro, as
áreas do Oriente Médio e Europa onde — naquela época — vivia a maior par-
te do povo que lia a Palavra de Deus c cria nElc. De pouco proveito teria
íido que a profecia focalizasse os impérios Kusano ou Han, nos quais vi-
viam pessoas que não acreditavam na Bíblia, e a respeito deles a maioria dos
leitores bíblicos nem mesmo tinha informações ou conhecimento. As pro-
fecias bíblicas aplicadas às nações, tendem a tratar com aquela parte do
mundo na qual vivem as pessoas que — por intermédio de seu conhecimen-
to da Bíblia c de sua fé cm Deus — podem beneficiar-se mais com a profc-
;ia. Podemos, pois, assumir que é razoável considerar a porção histórica do
Apocalipse como sendo relacionada primariamente — embora não exclusi-
vamente - com aspectos observáveis no Oriente Médio e Europa, áreas às
]uais o cristianismo se restringiu durante uns 1.500 anos após a Cruz. Po-
demos concluir também que as cartas às sete igrejas estão relacionadas pri-
Tiordialmente com aspectos do desenvolvimento do cristianismo nessas
nesmas áreas geográficas.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
/ AS St IE IGREJAS
(110 «3:231
3AN1ZAÇÃO DO LIVRO DE APOCALIPSE EM FORMA DE ESPELHO ÍHOVAJtHU-
(>"*) Anxwma S.H lyep, (nnm
i na » Eira* 1 6m (i *na e i Cn»( Fittimpn
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PORÇÃO I iSTóiticA r| U PORÇÃO rscAToi.ót UCA

As sete igrejas são realçadas ao começarmos a estudar as cartas dirigidas a cias.

b. Predições evidentes. Certos elementos, especialmente nas mensagens £


Esmirna e Filadélfia, são claramente predições. Os crentes em Esmirna fo-
ram informados de que "o diabo está para lançar em prisão alguns dt
vós" e que "tereis tribulação de dez dias". Apocalipse 2:10. A igreja de Fi-
ladélfia é prometido: "Eis que farei [aos falsos judeus] vír e prostrar-se ao;
teus pés" e "também Eu te guardarei da hora da provação que há de vii
sobre o mundo inteiro." Apocalipse 3:9 c 10.
Adicionalmente, convém observar que estas e outras predições liaverian
de encontrar seu cumprimento em diferentes ocasiões, envolvendo dife
rentes grupos. Por exemplo, o diabo estava por impor a Esmirna uma "tri
bulação de dez dias", e isso ocorreria "para serdes [os cristãos genuínos
postos à prova". Apocalipse 2:10. Na carta aTiatira, contudo, é Deus — <
não o diabo - quem irá impor uma "grande tribulação" que deveria afe
tar exclusivamente os ímpios amantes de Jezabel. Veja Apocalipse 2:20-22
Uma vez rnais, a congregação de Filadélfia foi confortada quanto à "hor;
de provação" que haveria de sobrevir "sobre o inundo inteiro" (Apocalip
se 3:10), uma espantosa prova que um dia desafiará todas as pessoas, boa
ou más. Portanto, três diferentes tribulações foram preditas: urna para o
genuínos cristãos, outra para os amantes de "Jczabcl" c urna terceira par;
o mundo inteiro. A partir desses exemplos, já é possível ver que as sete car
tas contêm elementos preditivos (proféticos) que tratam de situações furu
rãs em relação aos dias de João. Veja o quadro à pág. 36.
c. Evidências do cumprimento. Um certo aspecto da maneira de Deus li
dar conosco, é que algumas de Suas profecias podem ser melhor com
preendidas após seu cumprimento. Por ocasião da última ceia, Jesus anun
Apocalipse 2, 3
ciou que um de Seus discípulos haveria de traí-Lo. Os discípulos ficaram
espantados, mas o Mestre explícou-lhcs: "Desde já vos tenho dito, antes
que aconteça, para que quando acontecer, creiais que Eu sou." S. João
13:19. Nesse momento, os companheiros nem mesmo poderiam supor
que Judas seria o traidor. Entretanto, depois de consumar-se a traição, os
discípulos remanescentes recordaram-se da profecia, viram como ela se
cumprira, e creram mais firmemente no Senhor.
Mantendo coerência com o princípio de que algumas profecias são me-
lhor compreendidas após seu cumprimento, podemos volver os olhos para
trás e contemplar os quase dois mil anos de experiência do cristianismo.
Perguntar-n os-íamos se os eventos da história cristã porventura guardam
qualquer relação com a sequência de eventos mencionados nas sete cartas.
A resposta certamente nos deixaria muito admirados, pois, efetivamente,
existe uma estreita relação entre as cartas e a história da igreja. As sete car-
tas, tomadas na sequência, andam passo a passo com a experiência predo-
minante da igreja cristã durante sete eras sucessivas. Agora que as coisas
aconteceram, nós cremos!
As igrejas como golfinhos. Num parque marítimo ou pela TV, é provável
que você já tenha visto os golfinhos. Estes mamíferos grandes e de boa ín-
dole nadam vigorosamente sob a superfície da água por algum tempo, e
então saltam para o alto, retornando depois para o seu passeio debaixo
tf água. Por vezes, um "esquadrão" de golfinhos rompe a superfície da água
em conjunto, repetida e ritmicamente. Outras vezes, é um golfinho isola-
do que inicia o espetáculo, seguido de outro e mais outro, como se se tra-
tasse de um desfile.
Talvez seria útil — ao prosseguirmos no estudo de Apocalipse 2 e 3 -
imaginarmos as sete igrejas como golfinhos! Pense nesses "golfinhos" como
movimentos e tendências na igreja, os quais sempre estiveram presentes -
nadando sob a superfície da água — mas que, individualmente, um após o
outro, aparecem acima da superfície, constituindo os movimentos ou ten-
dências dominantes, ou mais importantes, ou mais característicos do cris-
tianismo durante uma era em particular.
Lembre-se, porem: embora as sete igrejas, vistas sob uma perspectiva
profética, preconizem sete eras sucessivas, as mensagens a elas dirigidas
são aplicáveis a cada indivíduo que esteja disposto a atendê-las. Que
Deus o abençoe enquanto você lê o texto dos capítulos 2 e 3 do Apoca-
lipse, em sua Bíblia.

97
A Mensagem de
Apocalipse 2 e 3
I. O Cuidado de Cristo por Igrejas "Fumegantes"

T inha você, quando criança, uma lamparina a querosene


em sua casa? Tem você uma, ainda hoje? Se for esse o caso,
é de seu conhecimento quanto cuidado exige um tal utcn-
sílio. Praticamente após cada uso, faz-sc necessário empa-
i .v-i-NÉillL ._..• relhar ou substituir o pavio, completar o nível de quero-
sene e limpar o tubo de vidro, ou chaminé.
No santuário do Antigo Testamento, as sete lâmpadas, nos sete candeei-
ros, tinham que receber diariamente os cuidados do sumo sacerdote. Veja
Levítico 24:1-4. Mante-las limpas, ajustar ou substituir seus pavios e adi-
cionar óleo de oliva, fazia parte da contínua ["Tamid"*] responsabilidade
dos deveres sumo sacerdotais.
Apocalipse 2:1 diz que Jesus "anda no meio dos... candeeiros". Ele é
atualmente o nosso Sumo Sacerdote, ministrando no santuário celestial.
Veja Hebreus 3:1 e 8:1. Ele está "sempre" atendendo às nossas necessida-
des. Hebreus 7:25. Simbolicamente, o cuidado com as fumegantes lâmpa-
das que representam Sua igreja, é uma parte essencial de Seu "Tamid" mi-
nistério sumo sacerdotal.
Naturalmente, não devemos imaginar que Jesus está literalmente ocu-
pado em desbastar pavios e suprir óleo de oliva. A forma como Ele tem cui-
dado de Suas igrejas "fumegantes" e de Seus frequentemente ineptos cris-
tãos, é ilustrada nas sete cartas de Apocalipse 2 e 3. Aqui, Ele ajuda Suas
"lâmpadas" a brilhar com mais intensa luz: (a) ao exaltar as suas boas qua-
lidades, (b) ao reprovar suas faltas de forma cristalínamcnte clara, apelan-
do por uma genuína mudança (ou arrependimento), e fc) ao oferecer ex-
traordinárias recompensas a todo aquele que responder positivamente.

1. Efeso, a igreja que abandonou o primeiro amor.


Apocalipse 2:1-7.

O cenário. Efeso era a principal cidade da província romana da Ásia.


Não era a capital, uma vez que Pérgamo desempenhava este papel. Entre-
tanto, desfrutava de um excelente porto, e sua localização na extremidade
* "Tamid" significa "contínuo". De forma extremamente significativa, a palavra é usada nos ma-
nuscritos hebraicos relacionados com Daniel 8, onde se aplica especialmente ao contínuo ministério
SLimo-sacerdoial de Cristo em nosso favor.
Apocalipse 2, 3
de uma importante rodovia, que atravessava a província de leste a oeste,
certamente contribuiu para torná-la um grande centro comercial. Efeso
desfrutava também de ampla reputação como centro religioso do paganis-
mo. Artemis, a deusa da fertilidade que possuía muitos seios, e que tam-
bém era conhecida como Diana, era amplamente cultuada ali. Veja Atos
19:35. Seu magnífico templo era conhecido pelos contemporâneos como
uma das Sete Maravilhas do Mundo.
Na ativa e ímpia cidade de Efeso, a igreja cristã foi fundada por um de-
dicado casal de leigos: Áquila e Priscila. Apoio, eloquente evangelista, tam-
bém contribuiu com o início do trabalho, tendo o apóstolo Paulo feito o
mesmo. Veja Atos 18:18-26. Na verdade, Paulo gastou três anos em Efe-
so. Durante dois desses três anos, ele pregou diariamente a Palavra num
auditório alugado, fazendo-o durante as horas mais quentes do dia - 11:00
às 16:00 horas — pois nesse período as atividades da cidade reduziam-se e
o salão estava disponível. Veja Atos 19:8-10; 20:31.
Tantas pessoas pararam de comprar souvemrs de prata da deusa Arte-
mis, que os ourives locais promoveram um levante popular anticristão.
Veja Atos 19:23-41.
Ao visitar os líderes dos cristãos cfésios algum tempo mais tarde, Paulo
advertiu-os de que alguns dentre eles próprios em breve estariam ensinan-
do heresias. Veja Atos 20:29 e 30. Numa carta, ele os admoestou: "Nin-
guém vos engane com palavras vãs." "Não sejais participantes" com aque-
les que assim procedem. Efésios 5:6 c 7.
O elogio. Os cristãos cfésios aceitaram a advertência de Paulo. Trinta
anos mais tarde, no livro de Apocalipse, Jesus os elogiou porque eles ha-
viam posto "à prova os que a si mesmos se declaram apóstolos e não são",
e porque eles odiavam "as obras dos iiicolaítas, as quais", acrescentou Je-
sus, "Eu também odeio". Jesus exaltou também os efésios por suas
"obras", "labor" e "perseverança". Apocalipse 2:2 e 6.
Quem eram os nicolaítas? Irineu, um ministro do segundo século da era
crista, que viveu durante a infância c juventude próximo a Efeso, mencio-
na-os cm seus escritos. Os nicolaítas diziam-se cristãos, explica Irineu, mas
consideravam "não ter importância a pratica do adultério e o comer das
coisas sacrificadas aos ídolos".-' Parece, pois, que os nicolaítas eram cristãos
que pregavam que a fc cm Jesus os liberava da obediência de alguns dos
Dez Mandamentos. Em I S. João 2:4, o apóstolo escreveu contra seme-
lhantes pessoas, que dizem: "Eu O conheço f a Jesus]", mas não guardam
os mandamentos. Todo o que assim procede, explica João, "é mentiroso, e
nele não está a verdade".
Chamar de "mentiroso" um cristão que despreza os mandamentos, é, sem
dúvida, uma linguagem severa. Jesus também usou termos pesados ao dizer
que "odiava" as obras dos nicolaítas. Recordamo-nos que Jesus disse, no Ser-
00
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
ITEM ESMIRNA PERGAMO TIATIRA SARDES FILADÉLFIA LAODICÉIA

Até o ano 100. Déc. 1560- Déc. 1790 -


PERÍODO Conserva na 100-313 313-538 538-1560 Déc. 1790 Déc. 1840

Sete espíritos
DESCRIÇÃO de Deus
DE CRISTO Sete estrelas

Labuta Obras Obras


CRISTO Perseverança
CONHECE

Conservas o Uns poucos


LOUVOR/ Meu nome são fieis
ELOGIO Nào negaste
ale

Obras
REPROVAÇÃO imperfeitas
Pareces vivo,
mas estás
morto

Não temas Arrepende-te Arrepende-te! Conserva o


CONSELHO Sé fiel até à Conserva o Lembra-te! que tens
morte que tens Sê vigilante
Consolida-te

Pelejarei contra
ADVERTÊNCIA eles

Blasfemam Prostrar-se-ão
FALSOS a teus pés
JUDEUS

Comer da
PROMESSA DE árvore da vida
RECOMPENSA

EFESO
Alguns estudantes da Bíblia imaginam estar vendo um quiasma neste quadro, porque - por exemplo - a segunda o a sex
ta igrejas não solreram reprovação e, por outro lado, receberam as únicas referências a falsos judeus. A primeira e a última Io
ram ameaçadas com deslruição. Quo outras evidências existem, a favor ou conlra? Voc6 consegue ver um quiasma?
i nn
Apocalipse 2, 3
mão da Montanha: "Nem todo o que Me diz: 'Senhor, Senhor' entrará no
reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos
Céus." S. Mateus 7:21. Tal linguagem nos surpreende, especialmente hoje,
quando tantas pessoas afirmam qtie a fé libera o cristão da guarda de um ou
mais dos Dez Mandamentos. Usualmente esses cristãos relacionam-se levia-
namente com o sétimo mandamento - que condena o adultério — ou com
o quarto, que ordena a guarda do sétimo dia.
A reprovação. Scntimo-nos contentes ao descobrir que os cristãos efésios
rejeitaram os erróneos ensinamentos dos nicolaítas. Assim procedendo, se-
guiram o conselho de Paulo quanto a não se associarem com enganadores.
Aparentemente, porém, eles não tiveram a mesma atitude com relação a
outro aspecto da advertência de Paulo. Em Efésios 5:2, Paulo lhes reco-
mendara "andar em amor, como também Cristo vos amou". Lamentavel-
mente, cm Apocalipse 2:4 Jesus teve que dizer: "Tenho, porém, contra ri
que abandonaste o teu primeiro amor." Os crentes efésios haviam perdi-
do o "fogo" de seu primeiro amor a Deus. Claro está que também haviam
deixado de manifestar a cálida afeição inicial de uns para com os outros.
Jesus considerou esta perda de amor corno um pecado da maior magnitu-
de. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta à prática das pri-
meiras obras", insistiu. "E, se não", ameaçou Cristo, "venho a ti e moverei
de seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas." Apocalipse 2:5.
O trato de Jesus com os imperfeitos cristãos de Efeso foi jeitoso, porém
firme. Primeiro foram salientadas as suas boas qualidades, e então foram
expostas com franqueza as suas deficiências. Uma igreja crista, se de fato
quer ser uma igreja cristã, uma genuína luz no mundo, tem a inarredável
responsabilidade de viver o amor. "Nísto conhecerão todos que sois Meus
discípulos, se tiverdes amor uns aos outros." S. João 13:35. "Assim brilhe
também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas
obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus." S. Mateus 5:16.
As pessoas carentes que se encontram em desvantagem vêem a igreja
como uma luz, e glorificam a Deus quando os cristãos as auxiliam de
modo prático. Os homens de negócio vêem a igreja como uma luz e glo-
rificam a Deus, quando os cristãos pagarn as contas corretamente e em dia
e, se tiverem de fazer alguma reclamação, fazem-no sempre de forma amá-
vel e serena. Os não-crentcs maravilham-se com o poder de Deus quando
uma congregação, conhecida pelas suas desinteligências, deixa de ser uma
igreja "fumegante" c retorna à prática do primeiro amor.
As recompensas. A alegria de restaurar um relacionamento de "primeiro
amor" é também a primeira recompensa disponível aos crentes efésios. "Ao
vencedor" — isto é, a qualquer um que vencer o desamor — diz Jesus, "dar-
lhe-ei que se alimente da árvore da vida, que se encontra no paraíso de
Deus". A árvore da vida foi plantada originalmente no Éden. Veja Gêne-
101
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
sis 2:8 e 9. O paraíso encontra-se agora no Céu. Veja II Coríntios 12:2 e
3. Todos desejaríamos ler acesso à árvore da vida há muito tempo. Jesus
nos promete que poderemos obter tal acesso, no Céu, em breve.

2. Esmirna, n igreja, sob perseguição.


Apocalipse 2:8-1L

O cenário. A cidade de Ksmirna localizava-s e ao norte de Efeso, numa


bela enseada do mar Egeu. Comercialmente, Esmirna era rival de Efeso, c
com o passar do tempo sobrepujou-a vastamente. E interessante saber que
Esmirna possuía o único mercado público em três andares, do mundo an-
tigo (tanto quanto se tenha conhecimento), com dois níveis acima do piso
e outro abaixo. Sob o nome de Izmit, a cidade de Esmirna sobrevive ain-
da hoje, sendo a terceira maior cidade da Turquia. E modernamente a mais
próspera das sete cidades mencionadas cm Apocalipse 2 e 3.
A igreja de Esmirna era uma igreja perseguida. Fora difamada por falsos
judeus e pendia sobre ela a ameaça de que Satanás a atormentaria. "Dez
dias" de "tribulação" estavam diante dela, durante os quais o diabo apri-
sionaria alguns de seus membros, levando outros até à morte.
Aproximadamente setenta anos após ter sido proferida essa profecia, Es-
mirna tornou-se o palco de uma série notável de martírios, levados a cabo
durante considerável número de dias literais. O décimo segundo e último
desses martírios foi o do idoso e venerando Policarpo, que ao tempo de sua
morte havia servido como ministro da igreja de Esmirna durante pelo me-
nos quarenta anos. Hm idade muito avançada, Policarpo foi aprisionado
cm uma casa de fazenda, numa sexta-feira à noite. Imediatamente pediu à
esposa do dono da casa que preparasse a ceia para os soldados que haviam
vindo para prendê-lo. Enquanto os soldados comiam, Policarpo permane-
ceu numa pequena cabana, ao lado da casa, orando em voz alta durante
duas horas, suplicando por cada cristão existente no Império Romano, do
qual cie pudesse lembrar-se.
No anfiteatro de Esmirna, no dia seguinte, o governador Status Qua-
dratus impressionou-se profundamente com Policarpo, c tentou salvar-lhe
a vida. Quando seus esforços se comprovaram inúteis, o governador pediu
a Policarpo que amaldiçoasse a Cristo. Ele cria que um homem da enver-
gadura de Policarpo estivesse ansioso por separar-se de Jesus, a quem Roma
condenara como criminoso. A resposta de Policarpo foi retumbante:

Durante oitenta c seis anos servi-O,


e Ele nunca me tratou mal.
Como poderia eu então amaldiçoar o meu Rei,
o qual me salvou?
Apocalipse 2, 3
A multidão - incluindo, nesse momento, membros da sinagoga judaica
— clamou que Policarpo fosse servido aos leões. Mas os leões haviam se
banqueteado havia pouco com outras vítimas, não-cristãs. Um arauto ex-
plicou que, de qualquer forma, já era passada a hora cm que o uso de leões
para entretenimento poderia ser considerado legal. Então o populacho exi-
giu que Policarpo fosse queimado vivo. Quando o governador consentiu,
os judeus — num gesto não-usual de hostilidade — foram os primeiros em
atear fogo à lenha, embora fosse sábado.3
O elogio. Jesus conhecia tudo a respeito das provações presentes e futuras
dos crentes em Esmirna. Ele apreciava profundamente a qualidade da fé que
nEle depositavam. "Conheço a tua tribulação e a tua pobreza", disse Ele,
acrescentando rapidamente: "Mas tu és rico." Os cristãos de Esmirna não re-
ceberam nenhuma reprovação, apenas elogios e promessas de recompensa.
A recompensa. De fornia apropriada às dolorosas circunstâncias que
envolviam os crentes de Esmirna, Jesus apresenta-Se como "o primeiro e
o último", aquele que "esteve morto e tornou a viver". Ele concedeu-
lhes então uma dupla promessa de ressurreição: "Sê fiel até à morte, e
dar-te-ei a coroa da vida." "O vencedor, de nenhum modo sofrerá dano
da segunda morte."
Jesus é especialista em ressurreição e vida! Veja S. João 11:25. Ele ressus-
citou a Si próprio (S. João 10:17 e 18) e já fez o mesmo com várias outras
pessoas. Veja as páginas 74-77. Sua maravilhosa promessa à igreja de Es-
mirna é perfeitamente confiável.
Todavia, essas promessas são oferecidas ao "vencedor" e ao que permane-
cer "fiel até à morte". Pertencem aos cristãos que triunfam sobre o mal, aque-
les que preferem morrer a pecar. São para os crentes que preferirão depor a
vida a cometer um adultério, ou a tomar o nome de Deus cm vão, ou a trans-
gredir o sábado. Crentes que escolherão a morte, mas não serão desonestos.
Senhor Jesus, Guardador dos candeeiros, ajuda-nos a brilhar com uma
luz pura e clara.

3- Pérgamo, a igreja, localizada perto do trono de Satanás.


Apocalipse 2:12-17.

O cenário. A cidade de Pcrgamo estava localizada no espigão de uma ele-


vada montanha, o que tornava fácil a sua defesa. No terceiro e segundo sé-
culos antes de Cristo, Pcrgamo — capital de um reino de idêntico nome —
constituía-se num ilustre centro cultural. Sua biblioteca compunha-se de

* Vários autores cristãos do segundo c terceiro séculos afirmaram que os judeus trc(]ucntemcmc se
: n volve rã m cm atividudes persecutórias; entretanto, o Martírio âc Policarpo c o único registro fidedig-
no e contemporâneo que relata a participação de judeus. Veja Hcrbert Mufiurillo, editor c tradutor de
The Acis of the Cristina Martyn (Atos dos Mártires Cristãos).
IfH
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
200 mil rolos. Incidentalmente, muitos desses rolos eram feitos de perga-
minho, um tipo de couro altamente refinado. O pergaminho foi desenvol-
vido em Pérgamo quando o rei Ptolomeu V, do Egito, proibiu as exporta-
ções de papiro de seu país. As sanções económicas não funcionavam me-
lhor naquela época do que agora; tiveram antes o efeito de estimular a con-
corrência, provocando o aparecimento de um produto de superior quali-
dade. Pergaminho lembra-nos diretamente a origem do produto: Pérgamo.
O rei Átalo III estipulou em seu testamento que, após sua morte, o rei-
no de Pérgamo deveria tornar-se parte do Império Romano, o que acon-
teceu em 133 a.C. Tornando-se a nova capital da província da Ásia, Pér-
gamo passou a abrigar a residência do governador romano. Com o passar
do tempo, a cidade tornou-se também a sede de muitos templos pagãos,
inclusive - tragicamente - o primeiro templo conhecido (em 29 a.C.), eri-
gido ao imperador Augusto. Posteriormente, outro templo foi dedicado à
adoração do imperador Trajano c, bem mais tarde, um outro dedicado ao
imperador Severo. Você lembra-se ainda de que a adoração compulsória do
imperador resultou na perseguição geral nos dias de João, da qual ele pró-
prio tornou-se vítima, sendo exilado em Patmos.
"Conheço o lugar em que habitas", disse Jesus à congregação em Pér-
gamo, pois é "onde está o trono de Satanás"!
O elogio. Jesus expressa Seu contentamento porque, a despeito de um
ambiente tão ímpio circundando-a, a igreja de Pérgamo não havia negado
a fé, mesmo "nos dias de Antipas, Minha testemunha, Meu fiel, o qual
foi morto entre vós, onde Satanás habita". Apreciaríamos muito conhecer
algo mais sobre Antipas, porém nada nos é revelado além dessas poucas pa-
lavras. Quão feliz sentir-se-á esse cristão leal quando, por ocasião da res-
surreição, ouvir as congratulações de Cristo: "Antipas, Minha testemu-
nha, Meu fiel!"
A reprovação. Embora Antipas merecesse tais elogios, outros crentes cm
Pérgamo não podiam ser exaltados. Alguns deles haviam aceitado "a dou-
trina de Balaão, o qual ensinava Balaque a armar ciladas diante dos fi-
lhos de Israel, para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a
prostituição". Jesus acrescenta: "Também tu tens os que da mesma forma
sustentam a doutrina dos nicolaítas."
Poucas páginas atrás, lemos que a congregação de Efeso rejeitara os ni-
colaítas; portanto, como um todo, a igreja de Pérgamo encontrava-se em
píor situação que a de Eteso. Nas páginas anteriores, aprendemos que os
nicolaítas pregavam que a fé em Cristo liberava os crentes de observarem
o mandamento que proíbe o adultério e, cm certa medida, também deso-
brigava da proibição de praticar a idolatria. Parece, assim, que a doutrina
de Balaão era bastante semelhante à dos nicolaítas.
"Balaão" é aqui usado como uma metáfora. O Balaão histórico foi um no-
104
Apocalipse 2, 3
tório profeta do Antigo Testamento. Veja Números 25:1-9; 31:16. Depois de
servir a Deus por muitos anos, Balaão aceitou o suborno oferecido por Bala-
que, rei dos moabhas, que desejava ver o profeta amaldiçoar os filhos de Is-
rael, de modo que estes não pudessem derrotar os moabitas cm batalha.
Deus operou um milagre a fim de impedir que Balaão amaldiçoasse o
povo escolhido; contudo, Balaão estava determinado a obter a recompen-
sa oferecida por Balaque, e assim aconselhou este último a que convidasse
os israelitas para um festival pagão, no qual foram oferecidos muito vinho
c muitas mulheres. Aparentemente, Balaão raciocinou que, se fosse possí-
vel levar os filhos de Israel a pecarem gravemente, o próprio Deus Se en-
carregaria de amaldiçoá-los.
O rei Balaque aceitou o insidioso conselho de Balaão, e muitos israeli-
tas sucumbiram à tentação. Evidentemente, Deus não amaldiçoou o povo
como um todo, mas exigiu que os líderes que haviam cooperado com Ba-
laão fossem enforcados. Milhares de outras pessoas do povo, que também
se haviam contaminado, morreram vitimadas por uma peste.
Em Apocalipse 2:16, Jesus insiste em que o líder (o "anjo") da con-
gregação em Pérgamo tente persuadir o partido de "Balaão" a que se
"arrependa" e modifique os seus caminhos. Caso contrário, diz Jesus so-
lenemente: "Venho a tí sem demora, e contra eles pelejarei com a es-
pada da Minha boca."
A situação em Pérgamo talvez fosse mais sofisticada do que parece à
primeira vista. Podemos aprender um pouco sobre o caso ao examinar-
mos uma situação similar com a qual o apóstolo Paulo teve que lidar
na igreja de Corinto.
Banquetes populares, patrocinados por clubes sociais c ligas comerciais,
eram realizados frequentemente nos templos pagãos de Corinto (e certa-
mente o mesmo ocorria em Pérgamo). Os templos eram atrativos e gran-
des, possuindo instalações de cozinha apropriadas para preparar refeições
para multidões de considerável tamanho. Alguns dos crentes coríntios afir-
mavam que um ídolo, em realidade, nada significa, e que Cristo morreu
para tornar-nos livres. Convenceram-se, por isso, de que poderiam parti-
cipar de tais banquetes, e que nenhum dano sofreriam em consequência.
Eles sabiam que seu exemplo poderia arrastar cristãos mais fracos à práti-
ca aberta do paganismo; se tal acontecesse, contudo — raciocinavam - a fal-
ta seria daqueles que a cometessem. Veja I Coríntios 8:4-13.
Em resposta, Paulo concordou cm que os ídolos não têm existência pes-
soal; mas, disse ele, os demónios a têm. Participar de um festival pagão se-
ria o mesmo que ir a uma festa de demónios, em lugar de ir à Ceia do Se-
nhor. E que dizer da liberdade em Cristo? Influenciar um crente fraco a
pecar, seria o mesmo que destruir uma pessoa por quem Cristo havia mor-
rido. Veja I Coríntios 10:14-33; 8:9-13.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Aparentemente, o que perturbou Jesus na igreja de Pcrgamo foi a mes-
ma espécie pervertida de cristianismo, que afirma que somos livres em
Cristo para fa/,er o que bcrn nos parece, mesmo que façamos algo contrá-
rio aos mandamentos; e que os erros praticados por outros cm virtude de
nossa má influência, são erros deles apenas, não nossos.
Entretanto, ainda hoje - como em Pérgamo — existem cristãos que se
afastam de lugares de entretenimento objctáveis, tendo em vista não in-
fluenciar negativamente os cristãos mais fracos, que poderiam enraizar-se
em maus hábitos a partir de um exemplo negativo. Existem os irmãos e ir-
mãs mais velhos que selecionam cuidadosamente sua leitura c programas
de TV, de modo a evitar uma influência nociva para seus irmãos e irmãs
menores. Tais cristãos não são nicolaítas!
A recompensa. "Ao vencedor, dar-lhe-ei do maná escondido, bem como lhe
darei uma pedrinha branca, e sobre esta pedrinha escrito um novo nome, o
qual ninguém conhece, exceto aquele que o recebe." Apocalipse 2:17.
Em muitas culturas não-ocidentais, o nome da pessoa é escolhido de
forma a poder traduzir aspectos do caráter ou da personalidade, ou ain-
da algum evento importante da vida da pessoa. Por vezes o nome é alte-
rado depois de muitos anos, em virtude de mudanças no caráter ou na
experiência da pessoa.
Um exemplo bíblico: Jesus mudou o nome de Simão para Simão Pedro,
o que significava que sua personalidade era tal qual uma pedra ou rocha.
Veja S. Marcos 3:16 e S. Mateus 16:18. Pedro significa "rocha".
O nome de Cristo, Jesus, significa "a pessoa que salva". Veja S. Mateus 1:21.
Nos tempos do Antigo Testamento, outro exemplo: Jacó significava "su-
plantador", no mau sentido; alguém que ocupa o lugar de outro através do
engano ou fraude. Jacó era o "malandro Jacó". Mas ele mudou. Após aque-
la noite de luta bcm-sucedida com o Anjo de Deus em Peiiiel, seu nome foi
alterado para "Israel". "Já não te chamarás Jacó e sim, Israel", disse o Anjo,
"pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste."
Génesis 32:28. Como não mais fosse um trapaceiro, Jacó não deveria conti-
nuar sendo chamado por seu antigo nome. Agora ele era um vencedor, um
conquistador, e seu novo nome - Israel — retratava sua nova condição.
Não somos todos nós, de certa forma, tais quais Jacó? Assim como Ba-
laão ou os nicolaítas, somos muito prontos em encontrar raxões plausíveis
para crer que está tudo bem conosco, ainda que estejamos claramente pra-
ticando o que é errado. Mas se nos apegarmos a Deus com fé, por inter-
médio do estudo da Bíblia e da oração, poderemos ser modificados, até
que individualmente nos tornemos vencedores e conquistadores - corno
Israel. Deus nos concederá então um novo nome, também.
Cristo promete, adicionalmente, conceder-nos o "maná escondido".
No Antigo Testamento, um misterioso e nutritivo alimento apareceu no
Apocalipse 2, 3
chão do deserto a cada manha, enquanto os israelitas jomadeavam do
Egito para a Terra Prometida. Em S. João 6:31-35, Jesus explicou a Seus
ouvintes que, num sentido espiritual, Ele próprio c o Maná, o verdadei-
ro Pão que desceu dos Céus. Se nós, ao contrário dos seguidores de Ba-
laao e dos nicolaítas, nos recusarmos a participar de atividadcs e entrete-
nimentos questionáveis, encontraremos diariamente o tempo necessário
para "recolher o maná"; ou seja, para "alimcntarmo-nos" de Cristo, por
meio do estudo de Sua Palavra.

4. Tintim, a igreja que tolerou Jezabel.


Apocalipse 2:18-29.

O cenário. A cidade de Tiatira não era um porto marítimo, como o eram


Éfcso e Esmírna. Situada numa elevação suave, não se encontrava defendi-
da por cadeias de montanhas, como era o caso de Pérgamo. Entretanto,
sua localização junto a uma importante rodovia, num ponto em que dois
vales se encontravam, tornava-a uma importante cidade comercial. As raí-
zes de plantas tintoriais que cresciam nas proximidades proviam a seus ar-
tesãos e mercadores uma tinta vermelho-escuro, conhecida nos tempos an-
tigos como "púrpura". Lídia, a mulher comerciante que aceitou a Cristo na
cidade de Filipos, vendia tecidos vermelhos c lãs coloridas — "púrpura" -
que obtinha em (ou de) Tiatira. Veja Atos 16:11-1 5.
O elogio. Cristo saudou os cristãos de Tiatira em virtude de suas "obras"
e por seu "amor", mostrando conhecer ainda "o teu serviço e a tua perse-
verança". Efetivamente, Ele observou o fato de que eles cresciam em obras
à medida que o tempo transcorria: "as tuas últimas obras [são] mais nu-
merosas do que as primeiras." Apocalipse 2:19.
A reprovação. Entretanto, a despeito de sua abundante caridade e de vir-
tudes comcndáveís, os crentes de Tiatira necessitavam de mais ajuda do
Acendedor de Lâmpadas do que qualquer outra igreja, exceto Laodicéia.
Ao passo que os efcsios haviam rejeitado os nicolaítas e apenas uns poucos
dos pergamenses haviam aceitado a "doutrina de Balaão", em Tiatira a
igreja como um todo tolerava Jezabel, mulher que se dizia "profetisa", e
que seduzia os membros da igreja a "praticarem a prostituição e a come-
rem coisas sacrificadas aos ídolos". Verso 20.
Tal qual Balaão, a Jezabel real foi uma pessoa infame do Antigo Testamen-
to. Casou-se com o rei Acabe, tornando-sc, portanto, rainha de Israel, ou seja,
rainha do reino do norte, cuja sede de governo à época se encontrava em Sa-
maria. Filha do rei pagão de Tiro, Jezabel trouxe consigo sacerdotes pagãos
para Israel, e em breve a maioria do povo israelita estava praticando as imora-
lidades do culto a Baal. Muitos dos israelitas que se recusaram a abdicar da
adoração ao Deus verdadeiro, foram martirizados por ela. Veja I Reis 16 a 21.
107
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Reconhecemos que o problema de "Jezabcr em Tiatira - prática de imo-
ralidades e o comer dos alimentos oferecidos aos ídolos - era o mesmo com-
promisso com a cultura pagã, advogado pelos nicolaítas e balaamitas. O grau
de comprometimento, contudo, era devastadoramente pior. Jczabel endurc-
ceu-se em sua rebelião. Tendo recebido oportunidades para arrepcnder-se,
ela se recusara terminantemente a modificar os seus maus caminhos.
Como resultado, ela deveria sofrer de uma enfermidade maligna, pre-
sumivelmente resultante de seus próprios excessos. "Eís que a prostro
de cama." A menos que se arrependessem, seus seguidores teriam de su-
portar "grande tribulação".
Nos dias da Jezabel do Antigo Testamento, cerca de sete mil israelitas recu-
saram-se corajosamente a assumir qualquer compromisso com a cultura paga
contemporânea. Veja l Reis 19:18. Sentimo-nos confortados ao saber que, em
Tiatira, havia também um grupo que "não têm essa doutrina [de Jezabel]" e
que não tinha conhecido "as coisas profundas de Satanás". Cristo os encora-
jou, dizendo: "Tão-somente conservai o que tendes, até que Eu venha."
Juízo pré-advento. Em sequência às palavras sobre punição, Jesus disse:
"Todas as igrejas conhecerão que Eu sou Aquele que sonda mente e cora-
ções, e vos darei a cada um, segundo as vossas obras."
Nos tempos do Antigo Testamento, mesmo o profeta Elias desconhecia o
fato de que os sete mil, dos quais falamos há pouco, permaneciam fiéis. Ele
imaginava estar sendo o único a permanecer ao lado de Deus, mas o Senhor
conhecia a cada um dos sete mil. Deus observa co nstan temente a nossa con-
duta. Seus olhos amoráveis repousam sobre cada indivíduo que Lhe é fiel.
Quando Deus disse que "todas as igrejas" saberiam que Ele "sonda
mente e corações", e que em determinado dia ele daria "a cada um segun-
do as [suas] obras", Suas palavras referiam-se ao julgamento. Falava de Seu
papel pessoal como Juiz de todos os cristãos e de todas as igrejas cristãs.
A compreensão errónea das palavras de Cristo em S. João 5:24 produ-
ziu, infelizmente, a falsa impressão de que os crentes verdadeiros podem
considerar que o juízo não se aplica a eles. "Quem ouve a Minha palavra
e crê nAquele que Me enviou, tem a Vida Eterna, não entra em juízo,
mas passou da morte para a vida", são as palavras de Cristo no referido
texto, de acordo com a Versão Almeida Revista e Atualizada, Outras ver-
sões modernas dão a Suas palavras aproximadamente o mesmo sentido.
Entretanto, II Coríntios 5:10 diz claramente que "importa que todos
nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um rece-
ba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo". E a afir-
mação de Cristo aqui em Apocalipse 2:23 é inconfundível: "Todas as igre-
jas conhecerão que Eu sou Aquele que sonda mente e corações, e vos da-
rei a cada um, segundo as vossas obras."
Em vez de dizer que o verdadeiro cristão não virá a julgamento, a Ver-
1 f\Q
Apocalipse 2, 3
são Almeida Revista e Corrigida traduz corretamente S. João 5:24 ao di/.er
que ele [o cristão] "não entrará em condenação", uma tradução que é ple-
namente amparada pelas palavras gregas subjacentes ao texto. Este é, de
fato, o verdadeiro sentido da passagem, a tradução que é coerente com o
restante da Bíblia e com as palavras de Cristo à igreja de Tíatira.
O juízo de Deus é dividido em algumas fases, a primeira das quais é cha-
mada de "juízo investigativo"; e, pelo fato de ocorrer justamente antes da
segunda vinda de Cristo (ou segundo advento), esta fase é também conhe-
cida como "juízo pré-advento". Constatamos que ele se aplica a todos os
membros de "Israel", a todas as pessoas que em alguma ocasião de sua vida
professaram fé no Deus verdadeiro. Um dos propósitos dessa fase do juízo
é revelar ao Universo quem permaneceu c quem não permaneceu fiel à sua
decisão inicial de servir a Deus. Outro propósito é vindicar os crentes fiéis
que foram tratados rudemente pelos seus companheiros cristãos infiéis. Di-
remos mais a respeito desse julgamento nas próximas duas páginas, e tam-
bém quando chegarmos à análise de Apocalipse 14.
A recompensa. A todos aqueles que se recusam — não importa o preço —
a compactuar com a cultura mundana, Jesus promete conceder amizade,
poder e glória que transcendem qualquer ponto de comparação terrestre:
"Ao vencedor, e ao que guardar até o fim as Minhas obras, Eu lhe darei
autoridade sobre as nações, e com cetro de ferro as regerá... assim como
também Eu recebi de Meu Pai; dar-lhe-ei ainda a estrela da manhã."
Em tempos antigos, a "vara de ferro" era uma cana de metal que os
pastores de ovelhas usavam. Veja o Salmo 23:4, Sua função não era agre-
dir, mas defender o rebanho. A destruição de codos os iníquos salvaguar-
dará eternamente os inocentes. Zombarias, ameaças c obscenidades ja-
mais tornarão a atormentá-los.
A "estrela da manhã" prometida por Cristo é Ele próprio! Veja Apocalip-
se 22:16. Embora Ele seja Rei dos reis e Senhor dos senhores (Apocalipse
19:16), Ele Se nos oferece como real companheiro, e mesmo como nosso di-
vino Servo. Veja S. Lucas 12:37; 22:27. Maravilhoso Jesus! Quão persuasi-
vamente Ele nos induz a suportarmos amarga pressão e a perda de amigos
terrenos, quando formos tentados a comprometer-nos com o mundo!

5. San/es, a igreja estagnada.


Apocalipse 3:1-6.

O cenário. Sardes considerava-se inexpugnável. Semelhantemente a Pér-


gamo, ela estava situada na crista de uma elevada montanha. A maior par-
te da cidade acomodava-se a uns trezentos metros acima do vale, no topo
de penhascos praticamente verticais. Em tempos antigos, o rei Creso da Lí-
dia - famoso por sua proverbial riqueza — escolheu Sardes como capital de
109
l/ma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
seu reino, imaginando que aí o seu tesouro estaria em lugar seguro. As pri-
meiras moedas foram cunhadas cm Sardcs.
Nenhum exército conseguia transpor os precipícios que protegiam a ci-
dade; mas Ciro, o Grande, tomou de Creso a cidade e seus tesouros, cm
547 a.C. Antíoco, o Grande, em 218 a.C., conquistou novamente a cida-
de. Em ambas as ocasiões, um voluntário escalou as agudas escarpas, seme-
lhantes a paredes, e abriu os portões pelo lado de dentro, enquanto a po-
pulação, sentindo-se perfeitamente segura, dormia a sono solto.
/) reprovação. Os cristãos de Sardes, nos dias de João, sentiam-se suficien-
temente seguros para ficar dormindo. "Se não vigiares", disse Jesus ao "anjo"
dessa igreja, "virei a ti como ladrão, e não conhecerás de modo algum em
que hora virei contra ti." "Tens nome de que vives, e estás morto."
Todos nós por certo já nos decepcionamos com coisas ou pessoas nas
quais confiávamos, e que depois deixaram de ser aquilo que eram. Um res-
taurante, talvez, ou uma loja de departamentos, uma marca de ferramen-
tas, um time de futebol, um professor popular; quando os reencontramos
depois de alguns anos, talvez percebamos que "não são mais aqueles". Pro-
vavelmente tenham-se deixado enlevar por sua própria reputação, estag-
nando-se. Desejaríamos que eles fossem agora tão bons quanto a imagem
positiva que deles conserváramos.
A igreja de Sardes repousava sobre seus lauréis. Seus membros fundadores
haviam sido famosos por sua espiritualidade. Os evangelistas que os haviam
ganho para Cristo eram excelentes pregadores. Agora, entretanto, a igreja ne-
cessitava retornar àquilo que havia sido. "Tens nome de que vives, e estás
morto." "Lembra-te... de como tens recebido e ouvido, guarda-o, e arre-
pende-te." "Sê vigilante, e confirma o resto que estava para morrer."
A situação cm Sardes era séria, mas não desesperançada. A preocupação
de Cristo por cada pessoa individual era então - como ainda é agora - tão
cálida e atenciosa como se o indivíduo fosse a única pessoa pela qual Ele
houvesse sacrificado a vida. Assim, mesmo nesta "fumegante" igreja que se
satisfazia consigo mesma, Jesus conhecia "umas poucas pessoas" que não
haviam contaminado "as suas vestiduras".
A recompensa. Na verdade, ainda não era demasiado tarde para nenhum
dos membros da igreja. "O vencedor", disse Jesus tentando animar a to-
dos, "será vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o
seu nome do livro da vida; pelo contrário, confessarei o seu nome dian-
te de Meu Pai e diante dos Seus anjos."
O "vencedor", no contexto da carta a Sardes, quer dizer: "Aquele que
triunfar sobre a sua sonolência e despertar." Portanto, Jesus estava dizen-
do: "Se você acordar e retornar à vitalidade religiosa que já possuiu, Eu
não apagarei o seu nome do livro da vida, antes confessarei o seu nome
diante de Meu Pai e dos anjos."
\t
Apocalipse 2, 3
Ao dizer que, se a pessoa despertasse, Ele não apagaria o seu nome da
vida, antes o confessaria diante de Deus e dos anjos, Jesus estava deixando
claro que, se o cristão de Sardes não despertasse, o Senhor teria que apagar
seu nome do livro. Apercebemo-nos de que, ao falar a respeito do livro da
vida e de confessar nomes perante Deus e os anjos, Cristo tinha em men-
te o mesmo juízo pré-advento do qual falamos há pouco, em conexão com
a igreja de Tiacira. É o juízo de Daniel, capítulo sete:

Continuei olhando, até que foram postos uns tronos,


e o Ancião de Dias Se assentou; ...
assentou-se o tribunal
e se abriram os livros.
Daniel 7:9 e 10.

Aqui é exibida evidência adicional de que todos os cristãos, tanto quan-


to quaisquer outras pessoas, estão igualmente sujeitos ao juízo final.
Temos fortes razões para crer que, no dia do juízo, os nicolaítas e balaa-
mítas não receberão a vida eterna. Os que seguem Jezabel, tampouco. Cris-
tãos adormecidos também não.
Jesus morreu a fim de tornar possível que qualquer um de nós viva para
sempre. Nem por ocasião de Sua morte, nem agora, Jesus está encenando.
Ele trata conosco de modo sério e honesto; portanto, tem o direito de es-
perar que também sejamos sérios e honestos com Ele.

6. Filadélfia, a igreja da porta aberta.


Apocalipse 3:7-13.

O cenário. Não muitos quilómetros a sudeste de Sardes, localizava-se Fi-


ladélfia. Tal como Tiatira, estava situada numa ampla colina, entre dois fér-
teis vales. Um dos vales oferecia um portão natural — uma "porta aberta"
- através das montanhas que ficavam a leste, contribuindo consíderavel-
mente para o sucesso comercial e influência cultural de Filadélfia. A exem-
plo do que ocorria com as outras cidades da lista, de tempos em tempos
Filadélfia era sacudida por terremotos. Parece que seus habitantes senti-
ram-se particularmente amedrontados depois de um desses terremotos, vi-
vendo nos campos adjacentes, cm cabanas c barracas durante o longo pe-
ríodo de tremores secundários posteriores.4
Filadélfia significa "amor fraternal". Este bonito nome foi dado à cidade
pelo rei Atalo II de Pérgamo, em memória de seu irmão mais velho, o rei Eu-
menes II. Sob o nome de Alasehir, a "cidade avermelhada", é ainda hoje um
centro razoavelmente próspero, com uma população de 20 mil pessoas.
O elogio. Jesus elogiou os cristãos filadelfos, e preferiu passar por alto as
1 11
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
suas faltas. Assim como fizera com os crentes de Esmirna, também a estes
não enviou qualquer reprovação. Mencionou que eles tinham apenas
"pouca força", desculpando-os sem acusá-los. Justamente antes de enfren-
tar a cruz, Ele dissera que todos somos impotentes: "Sem Mim nada po-
deis fazer", foram Suas palavras naquela ocasião. Veja S. João 15:5. "Guar-
daste a Minha palavra e não negaste o Meu nome", disse Ele com satis-
fação à igreja ern Filadélfia.
A recompensa. Cristo prodigalizou promessas aos crentes dessa igreja.
A "sinagoga de Satanás", disse Ele, prostrar-se-ia aos pés desses crentes,
reconhecendo o quanto Jesus os amava. Por "sinagoga de Satanás", Ele
poderia estar fazendo referência aos judeus renegados ou, mais provavel-
mente, a pessoas que pretendiam ser cristãs, mas eram falsas. Ele prome-
teu aos filadelfos vencedores, que seriam feitos colunas do templo de
Deus, jamais saindo de tal posição. A estabilidade c segurança da vida
eterna junto a Deus, é aqui contrastada com o nervosismo e temor do
povo de Filadélfia após o terremoto.
Jesus também prometeu que os vencedores receberiam "o nome de Meu
Deus, o nome da cidade de Meu Deus, a nova Jerusalém... e o Meu novo
nome". Já estudamos sobre a importância do nome de uma pessoa, como
indicativo de seu carátcr. Veja as páginas 106 c 107. Ao prometer-nos o
nome do Pai, Jesus quis dizer que, Sc cooperarmos com Ele, de Sua parte
nos virá auxílio para desenvolvermos caracteres da mais alta qualidade, à
semelhança de Seu próprio caráter. Que promessa extraordinária!
Prometendo-nos o "nome da cidade de Meu Deus" Cristo quis di/.cr
que nos tornaremos cidadãos da Nova Jerusalém, a capital do reino uni-
versal de Deus. Veja Hebreus 11:14-16; Filipenses 3:20. Esta promessa
faz-nos lembrar de outra, encontrada em Daniel 7:27: "O reino, e o do-
mínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o Céu, serão dados ao
povo dos santos do Altíssimo."
Proteção na tribulação. Quão confortante é ler que Cristo prometeu
"guardar" os crentes de Filadélfia durante "a hora de provação que há de vir
sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a Terra."
A referência aplica-sc à tribulação antevista por Daniel, no capítulo 12, ver-
so l, um "tempo de angústia qual nunca houve, desde que houve nação até
àquele tempo". Dessa tribulação, diz Gabriel a Daniel, no mesmo texto,
"será salvo o teu povo". De idêntico modo, Jesus prometeu em Apocalipse
3:10 que "guardaria" os cristãos de Filadélfia "da hora da provação"."
A hora da suprema prova final ocorrerá no fim do mundo, quando Mi-
guel Se levantar (Daniel 12:1) depois que os livros tiverem sido examina-
* A promessa de guardar os cremes de Filadóliia durante a hora tl;i tribulação, não significa que
Cristo os retirará do mundo antes que a prova inicie. Sua providência finde ser comparada à oração
proferida por 1'Je em S. João 17:15: "Não peço que os tires do mundo, e sim, que os guardes do mal."
119
Apocalipse 2, 3
dos no juízo prc-advcnto (Daniel 7:9-14) e exatameme antes da ressurrei-
ção (Daniel 12:2), por ocasião da segunda vinda.
Esmirna defrontara-se com uma tribulação de dez dias, durante a qual
houvera necessidade de ser fiel "até à morte". Fora uma tribulação ou per-
seguição dirigida contra os cristãos genuínos, e, durante a mesma vários
fiéis tiveram que selar com a própria vida a sua determinação de permane-
cerem ao lado de Cristo. Tiatira também fora advertida de uma tribulação
vindoura, mas esta seria uma era de punição, durante a qual sofreriam os
ímpios seguidores de Jezabel. Veja o quadro à página 36.
Observamos, pois, que as cartas às sete igrejas falam de três "eras" de
tribulação diferentes: (1) a perseguição em Esmirna, durante a qual mor-
reriam alguns fiéis; (2) a punição de Tiatira, durante a qual sofreriam os
seguidores de Jczabcl; e (3) a hora da provação final, durante a qual o
mundo inteiro será testado, mas da qual o povo de Deus será liberto. Veja
as páginas 32-35. Necessitaremos manter em mente essas tribulações dis-
tintas quando perguntarmos fàs páginas 122-136) se as sete igrejas sim-
bolizam sete eras na história da igreja.
Antes de o fazermos, entretanto, examinemos o que é necessário a fim
de sermos preservados durante a tribulação vindoura. Interessa-nos sabê-
lo, pois somos lembrados de que a promessa é para todo aquele que "tem
ouvidos", ou seja, que deseja escutar.
Jesus esclarece a questão ao dizer: "Porque guardaste a palavra cia Mi-
nha perseverança, também Eu te guardarei da hora da provação que há
de vir." No idioma grego, usado para escrever o Apocalipse, o termo aqui
traduzido por palavra, pode significar "mensagem", "instrução" ou "or-
dem". Uma versão moderna, A Bíblia na Linguagem de Hoje, traduz assim
o texto: "Vocês têm obedecido a Minha ordem para terem paciência, e por
isso Eu os guardarei no tempo de aflição..." Os pontos em destaque são:
(a) Cristo nos instruí a suportar pacientemente as provas do viver diário e
(b) Ele nos promete que, se repousarmos nEIe agora, vencendo cm Seu po-
der as tentações ordinárias do dia-a-dia, Ele com toda certeza irá sustentar-
nos quando chegar a crise mais aguda.
Iniciamos a análise de Filadélfia identificando-a como a igreja da porta
aberta. Jesus Se apresenta à igreja em questão, como sendo "Aquele que tem
a chave de Davi, que abre e ninguém fechará, e que fecha e ninguém abre."
A imagem pictórica é buscada em Isaías 22:22 onde, em um nível estrita-
mente local, as palavras são aplicadas a um oficial do governo, Eliaquim, que
desempenhou suas funções durante um breve período. Em contrapartida, Je-
sus é o verdadeiro e eterno Guardador da Chave, o possuidor de autoridade
transcendente. Cristo acrescenta, em Apocalipse 3:8: "Eís que tenho posto
diante de ti [da igreja em Filadélfia] uma porta aberta, a qual ninguém
pode fechar." Analisaremos esse conceito às páginas 136-142.
i1 a
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
7. Laodicéín, a igreja insípida.
Apocalipse 3:14-22.

O cenário. Laodicéia, a sétima e última igreja a receber uma carta de


Cristo, constituía-se no paraíso dos homens de negócios. Era muitíssimo
rica, e orgulhava-se desse fato. Quando um terremoto arrasou a cidade por
volta de 60 d.C., Laodicéia - contrariando a atitude de outras cidades afe-
fadas — não aceitou o auxílio oferecido por Roma. A cidade foi reconstruí-
da às expensas de sua própria riqueza.
Grande parte da riqueza laodiceana provinha de seu ^comércio? c de suas
atividades bancárias. E significativo observar que uma lã preta, macia e lus-
trosa — e muito cara - era comercializada ali sob a forma de vestimentas e
cobertores muito apreciados. Laodicéia notabilizara-se também por sua es-
cola de medicina e por um colírio fabricado com ingredientes locais. Para
l a cidade afluíam muitas pessoas. 'Fontes de água quente borbulhavam nas
colinas, a pequena distância ao sul da cidade/A água era conduzida até a
cidade por um aqueduto, e assim chegava morna — imprópria para ser be-
bida, mas apropriada para o banho./
Á reprovação. Parece que a congregação cristã de Laodicéia compartilha-
va do sentimento de orgulho e auto-suficiência da cidade, mas sem razão.
Jesus lhe enviou uma reprovação particularmente severa, e nenhum elogio.
"Pois dizes: 'Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma'," dís-
se-lhes Jesus, como que lendo os seus pensamentos, "e nem sabes que tu
és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu." Acrescentou, a seguir: "Nem
és frio nem quente: és morno."
A forma de Cristo apresentar-Se à igreja de Laodicéia, era particular-
mente apropriada. Intitulou-Se a Si mesmo como "a testemunha fiel e
verdadeira". Ele usou esse título porque Se dirigia a pessoas que engana-
vam a si mesmas. Seu desejo era que elas confiassem no desagradável diag-
nóstico que Ele lhes propunha.
Cristo apresentou-Se também como o "Amém", um rermo hebraico que
significa "o que é verdade". Era outra forma de relembrar aos auto-iludidos
laodiceanos de que Ele poderia demonstrar-lhes sua verdadeira situação.
Entretanto, ao identificar-Se como "o princípio da criação de Deus",
Ele tinha algo diferente em vista: queria dizer que, se eles admitissem a
verdade que acabavam de ouvir, Seu divino poder seria capaz de modifi-
car completamente a situação. Ele poderia..r^qrjájos! (Para uma análise
adicional de "o princípio da criação de Deus", veja a seção Respostas às
Suas Perguntas, às páginas 143, 144.
Jesus preocupou-Se em fazer a prescrição para a enfermidade dos laodi-
ceanos numa linguagem que cies pudessem entender facilmente. Ele apre-
sentou-Se como o Divino Mercador que oferece exatamente os produtos
Apocalipse 2, 3
mais necessários a eles, embora não reconheçam sua desesperada necessi-
dade dos mesmos. "Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado
pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim
de que não seja manifesta a vergonha da tua nudez, e colírio para ungi-
res os teus olhos, a fim de que vejas."
-+ A pessoas que se consideravam ricas, Ele apresenta-Se como a fonte
das verdadeiras riquezas. A indivíduos que julgavam possuir toda sorte
de remédio para os olhos, Ele oferece o único medicamento eficaz. A
pessoas que se imaginavam como fabricantes de alguns dos melhores te-
cidos do mundo, Ele Se dirige oferecendo roupas brancas, não pretas —
as roupas de Sua própria justiça.
As "vestiduras^ brancas" são identificadas em Apocalipse 19:7 e 8, onde le-
mos a respeito das vestes de "linho finíssimo" da esposa do Cordeiro, defini-
das como "os atos de justiça dos santos". De onde provêm tais atos de justiça?
De Cristo, pois Ele é o "Senhor, Justiça Nossa". Veja Jeremias 23:6. Somente
á medida que Cristo intercede por nossos pecados, modifica nossos motivos,
nos encoraja e ajuda, é que podemos ser bons ou praticar algum bem.
Quanto ao medicamento para os olhos, é cie o Espírito Santo, o qual
sensibiliza a nossa consciência depois que procedemos mal, e npsjijuda a
veras nossas faltas. Veja S. João 16:8-10. Podemos pensar no bálsamo para
os olhos, como sendo um símbolo do Espírito Santo.
As coisas mais valiosas da vida são a fé' c o amor. Assim, podemos pen-
sat cm ambos como sendo o ouro. Mas... está a graça de Deus à venda?
Podemos nós comprar a fé, o amor, a justiça e o Espírito Santo?
"Ah! todos vós os que tendes sede", diz Cristo em Isaías 55:1, "vinde às
águas... vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho c leite." Entre-
tanto, em S. Lucas 14:33, Jesus adverte: "Todo aquele que dentre vós não
renuncia a tudo quanto tem, não pode ser Meu discípulo."
Os maiores dons de Cristo são gratuitos, mas eles custam algo. Moedas, ^ fc-
cheques ou cartões de crédito não podem comprá-los — apenas a inteireza ^
de nosso coração.
A recompensa. Mesmo as recompensas prometidas a Laodicéia implicam 'j> ?
uma reprimenda. "Eis que estou à porta e bato", diz Cristo, deixando implí-
cito que, no momento presente, Ele não Se encontra no interior do coração
dos laodiceanos. Mas, "se alguém... abrir a porta, entrarei em sua casa".
As vestiduras brancas, o ouro e o colírio oferecidos por Cristo são gratuitos,
mas não podem ser remetidos pelo correio. Só podem ser recebidos por entre-
ga domiciliar e pessoal; a entrega será feita por Cristo, e Ele não nos forçará a
aceitarmos os dons. Ele não entrará em nossa casa, nem colocará aí as Suas ^K
ofertas, enquanto estivermos dormindo. Necessitamos despertar e levantar. Te-
mos que admitir que realmente nada temos para vestir. Temos que nos dispor
a abrir a porta, aceitar Suas vestiduras brancas e convidá-Lo a entrar.
i1 ç
Uma Nova Era Segundo as Proferias do Apocalipse
E bom desejar ser um cristão, mas é óbvio que não basta desejá-lo. Mui-
tas pessoas se perderão, embora tenham a esperança de serem salvas e de-
sejem, de fato, sê-lo. Temos que decidir que seremos cristãos. Temos que
escolher viver pela fé quando nos sentimos vacilantes; viver o amor quando
nos sentimos amargurados; fazer o bem quando nada desejamos fazer, ou
quando nos sentirmos desprezíveis. E temos que decidir fazer tudo isso
através da única forma possível, que é por intermédio de uma relação pes-
soal e vital com Jesus Cristo. Temos que abrir a porta e dcixá-Lo entrar.
# Os laodiceanos eram "mornos", a exemplo da água que vinha pelo
aqueduto. Não muito maus, nem muito bons. Não hostis a Cristo, nem
comprometidos vitalmente com Ele. Não absolutamente mesquinhos,
nem entusiasticamente generosos. Não opondo-se a ajudar as pessoas,
tampouco fazendo muito por elas.
Nem frios nem quentes. "Quem dera fosses frio, ou quente!" suspirou
Jesus. Entendemos facilmente por que Ele gostaria que fôssemos quentes,
pois então desejaríamos avidamente fazer o bem, transbordantes do pri-
meiro amor, plenos de louvor e alegria. Por que, no entanto, desejaria Ele
que fôssemos frios? Porque então nos sentiríamos desconfortáveis, o sufi-
ciente para perceber que algo estaria mal.
"Assim, porque és morno,; e nem és quente nem frio, estou a ponto de
vomitar-te de Minha boca." í'ly'
Palavras duras. Mas não foram as últimas palavras. "Eu repreendo e dis-
ciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso, e arrepende-te." Cristo aos re-
prova com o propósito de reerguer-nos. "Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-
se comigo no Meu trono, assim como também Eu venci, e Me assentei
com Meu Pai no Seu trono." /-l^r--** v,0 -^v •• õ c]
O laodiceanismo é a pior das enfermidades mortais que afligem as igre-
jas. Mornidão. Linguagem empolada. Falta de sabor. Porém, mesmo tais
pessoas podem se tornar vencedoras. Se deixarmos que Cristo entre plena-
mente em nosso coração agora, Ele nos levará para a Vida Eterna junto a
Si. Ele pode fazer com que mesmo a "fumegantc" Laodicéía resplandeça
"como as estrelas, sempre e eternamente". Veja Daniel 12:3.

II. Estímulo ao Desenvolvimento Pessoal

Nem todos os casamentos são iguais.


Um dos casamentos mais curtos de que tive notícia, terminou quando
urna ambulância e um carro-forte policial apareceram na festa de recepção.
A ambulância levou a noiva e suas acompanhantes para o hospital. A via-
tura polícia! levou o noivo e seus amigos para o presídio local.
São poucos os casamentos tão curtos! Mesmo na moderna América do
Norte, predisposta ao divórcio, mais de 50% dos casamentos de "primeira
Apocalipse 2, 3
mão" persistem "até que a morte nos separe". Contudo, nem todos os ca-
samentos vitalícios são felizes; na verdade, alguns deles sobrevivem num
clima de ódio e rancor. Quando foi perguntado a uma esposa "belicosa" se
alguma vez ela pensara em pôr termo ao casamento, ela respondeu: "Pelo
divórcio? Nunca! Por meio de um assassinato? Todos os dias!"5
É triste reconhecer que, dentre tantos casamentos que persistem por
longo tempo - ou por toda a existência — uma boa parte não apresenta
quaisquer traços de felicidade.
Casamentos e divórcios ocorrem com as pessoas. Pessoas casadas, real-
mente felizes, revelam características pessoais que constituem o que desig-
namos por "maturidade". Nas palavras de um livro-texto vastamente utili-
zado, pessoas casadas felizes "tendem a ser emocionalmente estáveis, têm
consideração pelos outros, são complacentes, apreciam o companheirismo,
são autoconfiantes e emocionalmente dependentes".
A Bíblia apresenta Jesus Cristo como possuindo as características huma-
nas ideais. Que esposo maravilhoso teria sido Jesus! Varonil, corajoso e au-
tocoiifiante, era bastante ponderado e camarada para apreciar crianças,
perdoar os inimigos pessoais, atrair multidões de pessoas desfavorecidas e
passar Sua enorme sabedoria por meio de histórias de fácil compreensão a
pessoas consideradas incultas. Ele possuía integridade suficiente para viver
Seus sublimes princípios, praticando aquilo que pregava. Colocou-Se co-
rajosamente contra os abusos da classe dominante de Seus dias, chegando
até mesmo a expulsar dos aposentos do templo um bando de trapaceiros
que eram protegidos dos líderes religiosos.
JC A maioria de nós admira Jesus e gostaria de ser tal qual Ele - se isso não pa-
recesse tão difícil. Ao chegar o momento da tentação, com excessiva freqiiên-
cia^esquecemos de nossas boas resoluções. Com o propósito de ajudar-nos a
agir melhor e amadurecer a nossa personalidade, as cartas de Cristo as sete igre-
jas podem ser vistas como uma série de estímulos que visam a nos encorajar.
Nas sete cartas, Jesus expressa Seu apreço pelas boas qualidades revela-
das em Seus seguidores, características pessoais que fazem lembrar as Suas
próprias. Em nível familiar, deveríamos manifestar nosso apreço pelas boas
qualidades que observamos nos outros membros da família. Jesus refere-Se
com satisfação ao "labor", "perseverança", "fé", "serviço" e "amor".
Promessas encorajadoras. Encontramos também encorajamento nas gran-
diosas promessas que Ele oferece às pessoas que venceram as tentações pe-
culiares e específicas de sua época e lugar. As tentações mencionadas nas
sete cartas ainda nos atacam hoje, mesmo que o façam sob forma diferen-
te. Por exemplo, em três das igrejas — Éfeso, Pérgamo e Tiatira - a grande
tentação era o comprometimento com aspectos da cultura contemporânea
que cfetivamente eram incompatíveis com o cristianismo, mas que muitas
pessoas não entendiam como tais.
i iv
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
* Cristãos jovens, novos conversos e mesmo membros da igreja que pode-
riam ser considerados como pilares da fé, mas que já se encontravam cansa-
dos, eram todos alvos fáceis para amigos que insistiam cm ver aspectos dese-
jáveis naquilo que a Bíblia proibia. Tormwa-se especialmente difícil para esses
cristãos jovens, fracos ou cansados, resistir à persuasão quando ela provinha
de companheiros cristãos - nicolaítas, balaamitas e admiradores de "Jezabel".
Para o cristão da atualidade, é penoso resistir aos amigos que tentam
persuadi-lo de que este ou aquele aspecto pecaminoso da cultura mo-
derna, na verdade não é prejudicial. O historiador Wíllíarn Warrcn
Swcet observou há vários anos que, quando as opiniões da América se
dividiam quanto à escravatura, as denominações religiosas debatiam-se
sobre o mesmo assunto. Quando a guerra civil começou, os cristãos
norte-americanos vestiram-se de azul ou de cinza e mataram-se uns aos
outros. Quando a América viveu o ísolacionismo da década de 1920, o
apoio financeiro dos cristãos para as missões de além-mar arrefeceu. 7
Quando (na década de 1840) milhões de cristãos americanos defende-
ram ardorosamente a escravidão; quando (na década de 1860) eles saí-
ram à caça de escravocratas, a fim de matá-los; e quando (na década de
1920) eles se negaram a conceder às missões estrangeiras o necessário
suporte material e gastaram seu dinheiro erigindo grandes igrejas na
América, esses cristãos persuadiram-se a si próprios de que estavam
cumprindo a vontade de Deus. Contudo, em todos esses casos, na ver-
dade estavam acompanhando a tendência popular daquele momento.
Tais quais os nicoiaítas e balaamitas, estavam sucumbindo prontamen-
te à tentação, ao invés de resistir às pressões da cultura contemporânea
e realmente buscar cumprir a vontade de Deus.
Os cristãos evangélicos têm-se regozijado quando os estudantes, jovens
e adolescentes, demonstram interesse crescente na religião, tal como acon-
teceu na América em meados da década de 1920, no começo da década de
1950, no anos finais da década de 1960 e, aparentemente, no presente mo-
mento. O deão R. Hoge, sociólogo da Universidade Católica dos Estados
Unidos, pesquisou semelhantes tendências do comportamento religioso e
constatou que elas se acentuam ou arrefecem, guardando notável paralelo
com o interesse desses mesmos estudantes por outros assuntos, tais como,
"medo do comunismo" e "conformidade às normas sociais do estabeleci-
mento de ensino". À semelhança da maioria dos adultos, muitos estudan-
tes são bons ou maus, dependendo em grande parte daquilo que estejam
sendo os demais membros de seu grupo social."
Mesmo que tudo isto não constitua nenhuma surpresa, algo pode ser
feito. Eunice Kenncdy Shriver, vice-presidente executiva da Fundação
Joseph P. Kennedy — que dedica especial atenção à gravidez na adoles-
cência — disse em certa ocasião que "nossa juventude deseja receber
l 1 Q
Apocalipse 2, 3
apoio moral c possuir senso de valores". (Suas conclusões coincidem
com as de muitos outros pesquisadores que trabalham na mesma área
de interesse, e de cujos trabalhos tenho conhecimento.) Ela constatou
que "é possível que a própria sociedade esteja estimulando o sexo na
adolescência, para depois condenar hipocritamente os seus resultados".
Com base em sua experiência de vinte e cinco anos no trato com garo-
tas adolescentes, ela firmou que "havia descoberto ser melhor prover a
elas padrões de comportamento do que anticoncepcionais". Para ilus-
trar seu ponto de vista, ela mencionou a experiência que teve ao com-
parecer em determinada classe de adolescentes do sexo feminino, onde
observou as reações das alunas frente a uma série de tópicos - seme-
lhantes entre si — sugeridos pela professora, nenhum dos quais desper-
tou o interesse da classe. Contudo, quando a professora perguntou:
"Vocês gostariam de discutir como di/.er NÃO ao namoradinho sem
perder seu amor?", todas as mãos se ergueram. 9
O ponto destacado pela senhora Shriver era que muitos jovens gosta-
riam de ser bons. Muitos deles apreciariam resistir às pressões emergentes
se soubessem como fazê-lo, e se recebessem o estímulo adequado. Por de-
trás de uma fachada de aparente rebeldia, muitos jovens "possuem um sen-
so de valores" e "desejam apoio".
As promessas bíblicas podem prover esse apoio, desde que profunda-
mente incorporadas à vida da juventude.

De que maneira poderá o jovem


guardar puro o seu caminho?
Observando-o segundo a Tua palavra...
Guardo no coração as Tuas palavras
para não pecar contra TÍ.
Salmo 119:9-11-

Algumas das maiores promessas da Palavra de Deus nos são oferecidas


nas cartas dirigidas às sete igrejas: "Sê fiel [a Deusj até à morte, e dar-te-
ei a coroa da vida." Apocalipse 2:10. "Ao vencedor [isto é, àquele que
triunfar sobre a tentação], dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida."
Apocalipse 2:7. "Ao vencedor, e ao que guardar até ao fim as Minhas
obras, Eu lhe darei autoridade sobre as nações." Apocalipse 2:26. "O ven-
cedor será... vestido de vestiduras brancas." Apocalipse 3:5. "Se alguém
ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele,
e ele comigo." Apocalipse 3:20.
É demasiado tarde para oferecer tais promessas pela primeira vez a um
jovcrn casal quando os dois já se encontram respirando aceleradamente em
um banco traseiro de automóvel. Necessitam conhecer as promessas antes
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
de chegarem a esse ponto. Os comerciantes cristãos necessitam conhecê-las
antes de serem tentados a fraudar suas declarações do imposto de renda,
ou antes de gastarem, num coquetel para os amigos, milhares de reais que
poderiam haver destinado a uma instituição de caridade.
Personalize as promessas. Tente visualizar a alegria da presença de
Cristo agora conosco, c ainda passar com Ele durante toda a eternidade.
A vida na Terra c curta. Embora tenha sido arruinada em muitos aspec-
tos, ela ainda c agradável. Eu amo viver. Você também. A ressurreição de
Cristo significa tudo para nós, pois significa que Ele está vivo c que nós
poderemos viver Felizes para sempre. Sc nós e os membros de nossa fa-
mília implantarmos no consciente c no subconsciente de nossa mente a
realidade da ressurreição e das promessas de vida a nós concedidas nas
cartas do Apocalipse, poderemos desenvolver um embasamento quase
instintivo no sentido de fazer o que é corrcto, quando provocados ou se-
duzidos. O Espírito Santo relembrar-nos-á as promessas em todo o seu
vigor, quando mais necessitarmos de ajuda. Dessa forma, nosso caráter
se desenvolverá, amadurecendo.
Advertências solícitas. Paralelamente às promessas que promovem o nos-
so desenvolvimento pessoal, as cartas do Apocalipse nos alertam quanto à
perigosa tendência de nos tornarmos excessivamente confiantes. Os cren-
tes de Sardes e de Laodícéia sentiam-se tão seguros de que tudo corria bem
com eles, que chegaram ao ponto de cair num estado de desânimo e sono-
lência. Os efésíos abandonaram seu primeiro amor. O risco de nos tornar-
mos excessivamente confiantes c inerente ao cristianismo. Conhecemos
tanto a respeito do amor de Deus, de Sua disposição em perdoar-nos e
aceitar-nos tais quais estamos (e é certo que devemos conhecer essas verda-
des maravilhosas), que podemos facilmente equivocar-nos e pensar que Ele
estará satisfeito se permanecermos corno estamos.
Porventura os parentes já chegaram em sua casa no momento em
que você está voltando de férias, com todas as crianças, seu enorme ca-
chorro e uma montanha de roupas sujas? Você os convidou a passar a
noite, e eles se "acamparam" durante uma semana? Eles esvaziaram a
geladeira, rasgaram o sofá, mancharam o carpete e, finalmente, foram
embora mal-humorados?
Pois bem, você os recebeu inicialmente com boas-vindas, não é certo?
Você os aceitou tais quais estavam, não é? Entretanto, desejava você que
eles se comportassem da forma como se comportaram?
Certamente não podemos pagar a Deus pelo alimento que Ele nos ser-
ve, ou pelas vestiduras e ouro que Ele nos vende. Não é Seu desejo que
Lhe paguemos. Nem mesmo deseja que Lhe ofereçamos qualquer paga-
mento. Mas é Seu desejo que nos desenvolvamos como homens e mulhe-
res de caráter, servindo inteligentemente às outras pessoas por amor a Ele,
Apocalipse 2, 3
falando às mesmas de Sua bondade e provendo-lh.es, de nossa parte, um
exemplo que sirva como inspiração. Ele almeja que nossa família se torne
uma inspiração para toda a vizinhança.
Os próprios membros de nossa família desejam que cada um de nós
modifique o procedimento em vários pontos, "crescendo" nos mesmos, e
nós o sabemos perfeitamente bem.
Chamado ao arrependimento. Uma vez que ainda não alcançamos o ideal,
outro tema palpitante nas sete cartas é o chamado ao arrependimento. Arre-
pendimento significa "experimentar mudança da mente". Deus deseja que
hoje pensemos de modo diferente daquele que pensávamos ontem, especial-
mente no que diz respeito ao tipo de pessoa que imaginávamos sei? Ele al-
meja que admitamos que não somos tão amáveis quanto deveríamos ser; que
nos comprometemos com o mundo, quando deveríamos permanecer fir-
mes; que somos impacientes e irritáveis, quando deveríamos usar de com-
preensão; e que, de forma praticamente total, temos um conceito excessiva-
mente elevado de nós mesmos. O arrependimento envolve a admissão da
verdade a nosso próprio respeito, e uma resposta apropriada ante tal fato.
Uma resposta apropriada, nesse caso, é uma corajosa determinação de
sermos diferentes, pela graça de Deus. Outra resposta apropriada é nos
desculparmos ante as pessoas às quais prejudicamos.
Tive que pedir desculpas a meu filho muitas vezes, por havê-lo tratado im-
pacientemente, "explodindo" com ele. O mesmo tíve que fazer com minha
esposa, por não ter sido propriamente gentil com ela. Sinto-me contente ao
dizer que esses pedidos de desculpas não afetaram negativamente as nossas re-
lações familiares; pelo contrário, parecem havê-las auxiliado bastante.
Para os que acompanharam o episódio de Watergate (que finalmente le-
vou o presidente dos Estados Unidos Richard Nixon à renúncia), seria
bom recordá-lo agora. Se, ao invés de negar o conhecimento dos erros de
assessores e envolver-se cada vez mais num emaranhado de inverdades, o
presidente houvesse, logo de início, admitido seus erros, o resultado final
poderia ter sido bem diferente. Imagine o seguinte cenário:

Apresentador: Senhoras e cavalheiros, aprese n to-lhes o Presidente dos


Estados Unidos.
Presidente: Meus irmãos americanos, pratiquei um grave erro. Quan-
do o cometi, julgava estar procedendo corretamente, mas agora per-
cebo que me enganei. Devo pedir desculpas a cada um de vocês. Em-
bora não tenha o direito de esperar sua confiança, peco-lhes que me
ajudem a reparar o dano que causei com minha atitude.

Algumas pessoas teriam considerado tal medida como sinal de hipocri-


sia e fraqueza. Creio, porém, que a maioria dos cidadãos tería dito: "Isto
121
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
foi duro para o presidente! Parabéns a ele!" Penso que o sentimento de fal-
ta de credibilidade do povo teria diminuído, e a confiança no governo,
conseqiientemente, ter-se-ia reforçado.
-*< Muitos de nós sentimos medo de arrepender-nos e pedir desculpas por-
que pensamos que, assim procedendo, estaremos explicitamente admitin-
do que fizemos algo errado, e as pessoas crerão que realmente erramos. Por
que não temos suficiente clareza mental para perceber que elas já estão
crendo isso há muito tempo?
Você já ouviu falar do homem que, por engano, colocou sal nos moran-
guinhos, em lugar de açúcar? Ele detestava morangos com sal, mas para
não permitir que sua esposa percebesse que o sal fora colocado por enga-
no, ele continuou salgando os morangos durante uma década ou mais.
Nossas faltas são tão evidentes, que as pessoas pasmam ao ver que só
mesmo nós próprios somos cegos para reconhecê-las.
^ Foi o que Jesus disse em relação aos iaodiceaiios: eles eram cegos, e não
o percebiam.
*E nus. E pobres. E insípidos.
Para ajudar-nos a despertar c a nos tornai: pessoas de personalidade
atraente, homens e mulheres amadurecidos, esposas e esposos bem-sucedí-
dos, Jesus Cristo nos oferece tudo aquilo de que necessitamos: o ouro da
amorável fidelidade, as brancas vestes de Sua bondade, o colírio da integri-
dade dirigida pelo Espírito Santo, comunhão com Ele, vida após a morte
e um lugar cm Seu trono, para sempre.
Que extraordinário encorajamento para desenvolvermos o caráter!

III. As Sete Igrejas Vistas Profeticamente

% Sir Isaa.c Newton e considerável número de outros expositores bri-


lhantes de Daniel c Apocalipse sugerem que as sete igrejas do Apoca-
lipse prefiguravam sete eras futuras da história da igreja. Essa forma
de interpretar as cartas, ou seja, como portadoras de um conteúdo
profético, é um benefício adicional que se soma ao já examinado be-
nefício espiritual que provém das mensagens dirigidas às sete igrejas
que as receberam, e igualmente endereçadas a todas as demais igrejas
cristas, em todos os tempos.
Examinamos brevemente a hipótese prcditiva - ou profética — das sete
cartas, c fizemo-lo às páginas 94-96. Considerações adicionais serão provi-
das às páginas 145, 146, na seção Respostas às Suas Perguntas. Em vista das
evidências persuasivas que apontam nessa direção, parece-nos proveitoso
despender mais alguns momentos no exame das cartas, a partir da perspec-
tiva de que elas representam sete fases da experiência da igreja, no período
compreendido entre a ascensão de Cristo c Sua segunda vinda.
122
Apocalipse 2, 3
l.Éfeso, 31-100.'
Efeso foi censurada por haver abandonado o seu primeiro amor. Simul-
taneamente, foi elogiada por sua perseverança e boas obras e, particular-
mente, por haver testado e repudiado falsos ensinadores. Seu zelo se obs-
curecera, mas suas crenças eram radiantes. Qualquer estudioso concorda-
rá que tal descrição se ajusta muito bem ao período da igreja do Novo Tes-
tamento, que se estendeu aproximadamente ao ano 100 d.C. A pureza da
igreja apostólica representa um ideal ao qual numerosos movimentos re-
formatórios têm procurado retornar.

2. Esmirna, 100-313-
Nada é dito nas sete cartas a respeito das doutrinas da igreja de Esmir-
na. Em lugar disso, nossa atenção é dirigida à sua lealdade sob persegui-
ção. Uma vez mais, todos concordarão que a descrição corresponde ade-
quadamente à experiência da igreja no segundo e terceiro séculos, ou seja,
entre o ano 100 e o término da feroz perseguição movida por Dioclecia-
no, em 313. Algumas importantes aberrações doutrinárias desenvolveram-
se na igreja durante esse período; aos olhos de Cristo, porém, foi digna de
nota a perseverança de Seus seguidores sob o fogo da perseguição.
A referência, na carta de Esmirna, a indivíduos "que a si mesmos se de-
claram judeus, e não são" (Apocalipse 2:9), talvez se aplique literalmente
àqueles judeus que, cm seu excitamcnro, assistiram ao martírio de Polícar-
po. Na interpretação simbólica de Esmirna como um período da história
da igreja, os falsos "judeus" possivelmente devam ser entendidos como fal-
sos cristãos. Tal interpretação bem poderia corresponder ao elevado núme-
ro de cristãos gnósticos, cujas engenhosas reinterpretações da Bíblia signi-
ficaram um pesado fardo de preocupações para os genuínos cristãos bíbli-
cos desse período.

3. Pérgamo, 313-538. 4. Tintim, 538-1565.


Em doloroso contraste com as duas primeiras igrejas, a dupla se-
guinte — Pérgamo e Tíatira — mereceu severa censura em virtude de
suas doutrinas erróneas. Pérgamo necessitava arrepender-se, como igre-
ja, do pecado de haver permitido cm seu meio os nicolaítas e os balaa-
mitas. Em Tiatira ocorrera algo ainda pior, pois essa igreja tolerara Je-
zabel.
Poucas pessoas que estejam informadas dos fatos, ousarão negar que o
cristianismo sofreu graves retrocessos com a assim chamada cristianização
do Império Romano e com o avanço da Idade Média.
* As datas sugeridas para as scrc eras da igreja cristã são, um geral, apenas aproximadas. Na expe-
riência e pensamento humanos, as eras usualmente não começam nem terminam exaiamente em um
momento específico.

123
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Quando as sete igrejas são visualizadas como agora o estamos fazendo -
ou seja, como símbolos — os pecados dos nicolaítas, dos balaarnitas c de Je-
zabel também devem ser tomados no sentido simbólico. Os profetas do
Antigo Testamento utilizavam a palavra adultério para descrever a malda-
de do povo de Deus quando este entrava em aliança política e religiosa com
as nações da época. Veja, por exemplo, Ezequiel 16 e 23. Os antigos israe-
litas adulteravam a pureza da verdade de Deus com a filosofia, imoralida-
de e técnicas coercitivas das nações que lhes estavam à volta. No decorrer
de semelhante processo, eles abriam mão de sua fé no Senhor, perdiam de
vista a responsabilidade como povo escolhido de Deus, e acabavam por de-
gradar-se terrivelmente a si próprios. Os termos "nicolaítas", "balaarnitas"
e "Jezabel" simbolizam o gradativo aprofundamento da apostasia crista.
Nos tempos do Antigo Testamento, Jezabel representou o mais degradan-
te "adultério" do povo de Deus face à nociva cultura de seus vizinhos.
Pois bem: já destacamos que, nos capítulos 7 e 8 de Daniel, as profecias
quanto ao "chifre pequeno" estão primariamente relacionadas com o lado
pior da igreja Romana. É confortante observar que, nas cartas às sete igre-
jas, Cristo enfatizou consideravelmente os bons aspectos dessa igreja, os
quais aparecem mesclados com aquilo que é negativo.
A despeito da presença dos nicolaítas e balaarnitas na igreja de Pérgamo,
Jesus pôde dizer: "Conservas o Meu nome, e não negaste a Minha fé."
Um aspecto excelente a ser destacado nesse período — um dentre vários as-
pectos positivos que poderiam ser mencionados - foi a profunda atenção
dedicada à compreensão da Pessoa de Jesus Cristo. O grande Concílio de
Nicéia (cm 325 d.C.) concluiu, após muito estudo e deliberação, que Je-
sus era verdadeiramente Deus. O Concílio de Constantinopla (em 381)
concluiu que Ele também era verdadeiramente homem. O Concílio de
Efeso (em 431) concluiu que Sua divindade e Sua humanidade estão com-
binadas e unificadas numa só Pessoa; e o Concílio de Calcedônia (em 451)
afirmou que Ele continua a possuir as duas naturezas distintas, a divina e
a humana. Cada uma dessas decisões foi tomada em resposta aos desafios
representados por indivíduos que haviam sustentado as respectivas posi-
ções opostas. As afirmações desses pontos basilares, ocorridas no período
de Pérgamo, estão em harmonia com a Bíblia e continuam sendo acaricia-
das por milhões de católicos e protestantes em todo o mundo.
Quanto ao período de Tiatira, Cristo falou, não apenas de Jezabel e seus se-
guidores, como também a respeito de suas "obras, ... amor, ... fé, ... servi-
ço. .. [e] perseverança". Ele pôde até mesmo dizer que, com o passar do tem-
po, suas boas obras haviam-se tornado melhores: "As tuas últimas obras [são]
mais numerosas do que as primeiras." Apocalipse 2:19. Jesus mencionou tam-
bém "os demais de Tiatira, ... todos quantos não têm essa doutrina [de Jeza-
bel], e que não conheceram... as coisas profundas de Satanás." Verso 24.
Apocalipse 2, 3
Aqui somos alegremente lembrados de que, durante o período de Tiati-
ra (que, a grosso modo, pode ser considerado como estendendo-se de 538
a 1565), a Igreja Romana mereceu elevados elogios pelos seus hospitais, or-
fanatos, escolas e missões. Mesmo Martinho Lutero, que em seus últimos
anos se destacou em seu posicionamento não-propriamente elogioso à
Igreja Católica, falou com entusiasmo dos "magníficos edifícios" hospita-
lares na Itália, com suas enfermeiras "muito diligentes", leitos "extrema-
mente limpos" e médicos "esclarecidos".11
Jesus refere-Se aos "demais de Tiatira, a todos quantos não têm" a dou-
trina de Jezabel e que "não conheceram, como eles dizem, as coisas pro-
fundas de Satanás". Parece que Sua expressão deve aplicar-se a cristãos sin-
ceros, tais como Jan Milic, de Praga; João Wycliffe e seus seguidores, os lo-
lardos; e João Huss e seus numerosos "hussitas". Veja as páginas 31 e 32.
Vêm-nos também à mente Pedro Waldo e os valdenses, e - possivelmente
— São Francisco de Assis e os primeiros franciscanos.
Embora as boas obras da igreja medieval fossem maravilhosas, e muitos
de seus membros se caracterizassem como bravos cristãos, algo de muito
grave ocorria no seio dessa igreja. Há um acordo generalizado entre os ob-
servadores, de que a igreja desceu a nível extremamente baixo durante a
Idade Média, quando toda a Europa era nominalmente cristã. A triste his-
tória desse período já foi analisada previamente, às páginas 28-32, e não
necessita ser repetida aqui. A profecia paulina, de que haveria de sobrevir
uma grave apostasia (II Tessalonicenses 2:3) foi tragicamente cumprida,
em sua plenitude, durante esse período.
Um dos aspectos básicos da "apostasia" foi a prontidão da igreja medie-
val em substituir o divino pelo humano. As Escrituras, a cruz e o ministé-
rio sacerdotal de Cristo jamais foram formalmente negados; pelo contrá-
rio, frequentemente foram mencionados com reverência. Entretanto, na
prática do día-a-dia, as verdades celestiais foram sendo obscurecidas pelas
tradições humanas. As boas obras, até mesmo aquelas atribuídas aos "san-
tos" do passado, chegaram a ser consideradas como tão essenciais quanto
a demonstração de fé em Jesus.
O resultado desse volver as costas ao divino para valorizar, em seu lugar,
o humano, refletiu-se notoriamente sobre a moral da igreja e de sua lide-
rança. Por volta de 1500, poucos anos antes da Reforma Protestante, o fa-
moso intelectual católico Erasmo disse que, em seus dias, a melhor forma
de ofender um leigo era chamá-lo de sacerdote ou monge! Volvendo seus
olhos para esse mesmo período, o historiador Owen Chadwik, da Univer-
sidade de Cambridge, diz que "qualquer um que se interessasse pela Igre-
ja Ocidental clamava por reforma".1
"Dei-lhe tempo para que se arrependesse", disse Jesus profeticamente a
respeito de "Jezabel", mas ela "não quis arrepender-se de sua prostituição."
125
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Apocalipse 2:21. Movimentos que proclamavam reforma vieram repetida-
mente - do monastério de Cluny no décimo século e mesmo mais tarde; de
São Francisco de Assis no decimo terceiro século; de concílios gerais 110 dé-
cimo quarto e decimo quinto séculos; de Martinho Lutero e outros, no dê-
cirno sexto século. Todos reconhecem o quanto Deus abençoou o mundo
por intermédio de Martinho Lutero, mesmo no início de sua carreira, quan-
do ainda era um professor católico numa universidade católica, e adminis-
trador de vários conventos. Enquanto estudava a versão católica da Bíblia,
encontrou, para seu grande deleite, o texto de Romanos 3:28: "O homem é
justificado pela fé, independentemente das obras da lei."
Obviamente, ele leu o texto em latim, que mais tarde seria traduzido
pela versão de Douay: "... pela fé, sem as obras da lei."
Lutero encontrou a mesma bendita mensagem em Efésios 2:8 e 9: "Por-
que pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de
Deus; não de obras, para que ninguém se glorie."
A grande descoberta da Reforma foi que a salvação não é obtida por mé-
rito; ela é aceita. E c gratuita.
Já foi contada inúmeras vezes a história do velho "quaker" americano
que sobrepujou todos os competidores na oferta de compra de um escra-
vo negro particularmente robusto c indomável. À medida que o leilão
prosseguia, o comprador ouviu o homem negro expressar repetidamente
sua indignação face a sua condição de escravo, dizendo: "Não irei traba-
lhar! Não irei trabalhar!"
O fazendeiro levou o escravo para casa c explicou-lhe várias vezes que o
comprara tão-sornente para colocá-lo cm liberdade. Quando, por fim, a ver-
dade se evidenciou ao entendimento do escravo, este ajoelhou-se aos pés do
amo, exclamando com os olhos rasos de lágrimas: "Trabalharei para o senhor
por toda a vida. Servi-lo-ei enquanto eu viver."
Tal é a simplicidade do evangelho - bem como o seu efeito. Jesus pa-
gou o preço, o preço completo, a fim de pôr-nos em liberdade. Quandc
conseguimos ver-nos como verdadeiros pecadores e a Jesus como nossc
Salvador pessoal, pendurado na cruz para libertar-nos, sentimos profun-
do desejo de ajoelhar-nos a Seus pés em gratidão e almejamos consagrar-
nos a Ele para sempre.
A descoberta de Lutero modificou o rumo da história. Ainda hoje, a Re-
forma é vista como um divisor de águas.
Aqui estava a maior oportunidade para Ti atira marcar época, "Dei-lhe
tempo para que se arrependesse." Tristemente, porém, scgucm-se as pala-
vras: "Ela, todavia, não quer arrepender-se de sua prostituição,"
E bem conhecida a reação oficial a Lutero. O papa considerou-o come
um "javali" em 1520 e excomungou-o em 1521. Mais rarde, o célebre
Concílio de Tremo (1545-1563) insistiu13 em que após o batismo a justi
126
Apocalipse 2, 3
ficaçao não ocorre pela fé somente, mas requer o perdão sacerdotal, peni-
tências e um período no purgatório.
O Concílio de Trento é frequentemente mencionado como um dos as-
pectos salientes da Contra-reforma católica. Em resposta ao desafio ergui-
do por Lutero, o Concílio estabeleceu efetivamcntc uma série de reformas;
não obstante, elas foram em grande medida de natureza administrativa.
Dos sacerdotes, por exemplo, requereu-se que obtivessem um melhor pre-
paro e que observassem padrões morais mais elevados. Dos bispos foi exi-
gido que morassem no território de sua diocese, em vez de em qualquer
palácio, e assim por diante. O Concílio de Trento também codificou a teo-
logia católica em um sistema oficial, pela primeira vez. Ao assim proceder,
desafortunadamente, ele alinhou-se solidamente com os procedimentos da
Era Medieval. Durante o Concílio, foram sustentados vigorosos debates
acerca de muitos pontos importantes, que um bom número de líderes ca-
tólicos desejava ver urgentemente modificados, de modo a se harmoniza-
rem com a Reforma Protestante. Entretanto, os debates foram mantidos
até que os pontos de vista tradicionais prevaleceram. Pouco depois do en-
cerramento do Concílio, o papa Pio V declarou que São Tomás de Aqui-
no era um doutor (ou seja, um ensinador de destaque) da igreja. Aquino
foi o maior teólogo dos últimos anos da Idade Média.
O término do Concílio de Trento em 1563, parece ser um ponto apro-
priado para o fim do período de Tiatira. Contudo, no decurso da Histó-
ria, tendências e movimentos não começam ou terminam, ordinariamen-
te, em datas específicas. Tampouco foi a igreja crista homogénea em qual-
quer época. Observe as diferenças existentes entre as sete igrejas literais du-
rante o período simbólico de Efeso! Assim, se pensarmos em Tiatíra como
sendo urn golfinho (veja a página 97) que dominou o cenário cristão du-
rante um período particular, somos levados também a pensar nela como
estando a nadar logo abaixo da superfície à medida que avançamos em di-
reção a períodos posteriores.
Williston Walker, cujo livro foi usado como texto básico em colégios e
seminários durante aproximadamente um século, diz que por volta dessa
época (década de 1560) um novo espírito agitou aquelas partes da Europa
que continuaram a ser católicas. Esse novo espírito caracterizou-se por (a)
''intensa oposição ao protestantismo, (b) um pensamento medieval nos as-
pectos teológicos, mas (c) disposição para lutar ou sofrer por sua fé."14
Lutar pela fé é algo intrinsecamente diferente de sofrer pela fé. Se
ilgo caracterizou os novos católicos, foi sua extrema disposição para a
luta. O mesmo ocorreu com os protestantes, conforme veremos em
nossa análise de Sardes.
Jesus dissera que se "Jezabel" se recusasse a arrepender-se, Ele teria de
deixar os eventos seguirem seu curso natural. Suas palavras foram: "Eís que
127
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
a prostro [a Jezabei] de cama, bem como em grande tribulação os que
com ela adulteram, caso não se arrependam das obras que ela incita. Ma-
tarei os seus filhos." Apocalipse 2:22 e 23-
Essa "grande tribulação" não c o tempo de angústia do tempo do fim, do
qual serão livrados todos os verdadeiros cristãos (Apocalipse 3:10); tampou-
co é a tribulação vivida por Esmirna, quando os santos enfrentaram o sofri-
mento (Apocalipse 2:10). Parece, isto sim, corresponder à mesma "grande
tribulação" prevista 110 Discurso do Olívete, uma crise tão severa que have-
ria de ameaçar a própria existência da humanidade. Veja as páginas 32-35-
Em virtude de haver a Europa rejeitado, como nunca dantes, sucessivas
oportunidades de reforma, — nem mesmo durante o século que correspon-
deu ao colapso do Império Romano Ocidental - "o povo do Ocidente ca-
minhou pelo vale da Sombra da Morte. A maior fome da Idade Média
ocorreu na segunda década do décimo quarto século, e estima-se que dois
quintos de toda a população da Europa tenha morrido quando a peste bu-
bônica, ou peste negra, irrompeu em meados do século, seguindo o traça-
do das rotas comerciais. A Guerra dos Cem Anos, entre Inglaterra e Fran-
ça, não apenas marcou o decimo quarto c o décimo quinto séculos como
também introduziu os modernos armamentos bélicos, sob a forma de pól-
vora e artilharia pesada, em seus estágios finais. Grandes revoltas agrárias e
urbanas, por parte da população pobre, laceraram a estrutura social, tanto
na cidade quanto no campo."15
A Peste Negra foí unia fornia de peste bubônica que causava manchas
escutas sob a pele. A maioria de suas vítimas morria cm poucos dias, quan-
do não em poucas horas. Em algumas comunidades, não restou um único
sobrevivente para sepultar os mortos. A praga manteve o estágio endémi-
co por três séculos, leria sido este o "leito de dor" de Tiatira?
à par da presença contínua da praga, a Europa dos anos 1600 acumu-
lou as hostilidades religiosas entre católicos ao sul, e protestantes ao norte.
O populacho envolveu-se obstinadamente na Guerra dos Trinta Anos, de
161 8 a 1648. Quando, ao final desse horrendo conflito, o bom senso con-
seguiu impor-se, os sobreviventes constataram que a Europa Central fora
saqueada de ponta a ponta por soldados e brigadas de bandidos; que ban-
dos de órfãos marginalizados vagueavam por toda parte; que um número
incontável de mulheres fora violentado; e que tanto a indústria quanto a
agricultura achavam-se paralisadas. As estimativas de perdas humanas che-
gam a apontar 10 milhões de mortos, numa população inicial de apenas
18 milhões, isso para se mencionar apenas a Alemanha!16
Se a católica Europa meridional tão-somentc houvesse aceitado a justi-
ficação pela fé e os princípios correspondentes da Reforma, c se a Europa
setentrional protestante os houvesse praticado, a espantosa Guerra dos Tri-
na Anos não teria acontecido!
128
Apocalipse 9,, 3
5. Sardes, 1565-1740.
Contemplada como um símbolo profético, Sardes reflete apropriada-
mente a condição estagnada e de auto-satisfação do Protestantismo duran-
te dois séculos (de 1565 até aproximadamente 1740), que foi observada
após o brilho inicial da Reforma. Ao repousar sobre a reputação que ad-
quirira na Reforma, Sardes tinha "nome" de que vivia, mas em grande me-
dida estava "morta". Apocalipse 3:1.
A Reforma Luterana como que representou um novo começo para o
cristianismo. Durante certo tempo, milhões de pessoas festejaram por te-
rem recebido uma visão mais clara de nosso gracioso Deus, mais clara, sim,
do que jamais haviam tido antes. A Bíblia foi colocada em realce. A edu-
cação melhorou marcantemente, pois os reformadores desejavam que
qualquer pessoa fosse capaz de ler a Bíblia e compreendê-la por si própria.
Grandes somas anteriormente gastas no pagamento de sacerdotes que pro-
feriam missas intermináveis em favor dos mortos, agora eram aplicadas em
benefício dos pobres. Monges deixaram seus conventos e foram procurar
trabalho no mundo comercial. Sacerdotes, monges e freiras foram estimu-
lados a casar. Inúmeros pais conduziam diariamente o culto familiar.
Mas a doçura tornou-se azeda. Através de uma trágica sucessão de even-
tos, chegou a parecer mais importante expressar em termos corretos a jus-
tificação pela fé, do que experimentá-la na vida pessoal. Lars Qualben, his-
toriador luterano, diz: "O evangelho passou a ser tratado como doutrina
em vez de o poder de Deus para salvação, e o cristianismo passou a ser
apresentado como a religião do correio pensar, sem uma ênfase correspon-
dente nas correias condições do coração." A Bíblia tornou-se uma espécie
de arsenal de armas teológicas. Os debates produziram "teólogos briguen-
íos e um protestantismo árido." 17 Tão desagradáveis tornaram-se esses de-
bates, que Filipe Melâncton, o mais íntimo colaborador de Lutero, regozi-
jou-se ao perceber que se aproximava da morte, em 1560, pois assim ele
escaparia da "fúria dos teólogos".18
Em 1577, uma paz rígida foi alcançada entre os luteranos corn a Fór-
mula da Concórdia e, em 1580, com o Livro da Concórdia, assinado pe-
los representantes de oitenta e seis pequenas igrcjas-estados luteranas e por
cerca de 8 mil pastores e professores luteranos. Os seguidores de Lutero
possuíam agora seu credo dogmático definitivo, exatamente pelo modo
como, através do Concílio de Trento, os católicos romanos possuíam o seu.
O luteranismo tornou-sc uma "Sardes" em seu contraforte montanhoso,
protegido pelos precipícios aparentemente inacessíveis e — triste é dizê-lo —
estranhamente frios, formais c estagnados.
Na Grã-Bretanha, a Igreja da Inglaterra também perdeu muito de seu
fervor original e refugiou-se orgulhosamente por detrás de seu credo, os
"Trinta e Nove Artigos".
170
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Os seguidores de João Calvíno, o segundo maior líder da Reforma, de-
monstraram notável criatividade por um período mais longo. Eles se torna-
ram conhecidos como Cristãos Reformados na Europa Central, como Hu-
gucnotes na França c como Puritanos na Inglaterra. No transcurso do tempo,
os puritanos vieram a ser identificados como Presbiterianos e Congregacíona-
listas e, ainda mais tarde, nos Estados Unidos, também como Batistas.
A despeito da heróica contribuição inicial de cada movimento refor-
mador, a Europa protestante dos anos 1700 tornara-se vastamente dife-
rente daquilo que os reformadores haviam preconizado. Intelectuais pas-
saram a negar a ressurreição e a segunda vinda e se tornaram racionalis-
tas, liderando o período negro que estranhamente recebeu o nome de
Iluminismo. Do povo comum passou-se a esperar que apenas frequentas-
se a igreja e cresse naquilo que era pregado. A Inglaterra foi conduzida à
beira do ateísmo. Nesse país, no começo do século dezoito, "as diversões
populares eram vulgares, o analfabetismo era muito amplo, a lei era sel-
vagem em sua coação e os presídios eram antros de doença e iniquidade.
O alcoolismo achava-se mais difundido que em qualquer outro período
da história da Inglaterra".19
Se tão-somente os protestantes de Sardes houvessem recordado as coisas
gloriosas que tinham "recebido e ouvido" (Apocalipse 3:3) quando a Re-
forma começou, quão diferentes teriam sido os acontecimentos seguintes!
O que di?,cr daquelas "poucas pessoas" que, em Sardes, "não contami-
naram as suas vestimentas", as que se encontravam plenamente despertas
c eram "dignas"? Verso 4.
Os luteranos possuíam cm suas fileiras um bom número de tais pessoas.
Paul Gerhardt (1607-1676) escreveu hinos profundamente espirituais —
que ainda hoje são apreciados por muitas denominações — e dentre os
quais podemos citar "Oh! Fronte Ensanguentada". George Fredericlc
Haendel (1685-1759) compôs o "Messias". Johann Sebastian Bach (1685-
1750) enriqueceu a adoração de toda a igreja do Ocidente. Johannes Ben-
getl (1687-1752) produziu um notável comentário do Novo Testamento.
Não desejamos omitir George Fox (1624-1691), o ardente religioso
fundador dos "quakers". Ou John Bunyan (1628-1688), o batista que au-
xiliou multidões em todas as denominações com o seu O Peregrino e tam-
bém com Grace Abounâhig to the Chíef of Sínners (Graça Abundante Para
o Principal dos Pecadores). Ou Dorothy Traske (que faleceu por volta de
1640). Ela sofreu dczcsseis anos na prisão, cm virtude de seu amor ao sá-
bado de Cristo.
Philipp Jacob Spencr (1635-1705) ofereceu uma grande contribuição.
Ele convenceu os cristãos a se reunirem em pequenos grupos, com a Fina-
lidade de praticarem o estudo devocional da Bíblia e a oração. Seu "pictis-
mo" produziu efeitos profundos. Em parte devido à influência do pietis-
Apocalipse 2,3
mo de Spener, o Conde Nicolaus von Zinzendorf (1700-1760) favoreceu
um grupo de Irmãos Morávíos que se radicaram numa vila chamada
Herrnhut, situada em suas vastas propriedades pessoais. Esses morávios,
que mantinham vínculos com os luteranos, desenvolveram um profundo
relacionamento espiritual com Deus e uns com os outros. Em atenção ao
mandado de Cristo, de pregar o evangelho em todas as partes antes de Sua
segunda vinda, eles enviaram membros de seu movimento como missio-
nários às regiões mais difíceis que se possa imaginar — do Artico à África
do Sul, por exemplo, numa ocasião em que esses lugares eram verdadeira-
mente considerados como os pontos mais distantes da Terra.
Vinte c seis morávios foram enviados como missionários à Geórgia, logo
depois de ter sido fundada essa colónia americana. Durante um temporal
no Atlântico, eles permaneceram surpreendentemente calmos e em paz. O
mesmo temporal causou profundo pavor cm João Wesley, que igualmente
se achava a bordo. Wesley, o futuro fundador do Metodismo, era então um
jovem e piedoso ministro da Igreja da Inglaterra que se dirigia à América na
qualidade de missionário. Sua curiosidade foi despertada no sentido de des-
cobrir o que possuíam aqueles morávios, e que ele não possuía.
Mais tarde, já em terra, A. G. Spangenberg, um proeminente líder mo-
rávio, conversou pessoalmente com o jovem João. Perguntou-lhe:
- Você conhece a Cristo?
- Eu sei que Ele é o Salvador do mundo - respondeu Wesley.
- Sim — concordou Spangenberg - mas você sabe que Ele salvou você?
Wesley retornou à Inglaterra dois ou três anos mais tarde, decidido a co-
nhecer mais a respeito do Jesus dos morávios. Enquanto orava pedindo ilu-
minação, em 24 de maio de 1738, ele assistiu a um encontro da Igreja An-
glicana, que se realizou numa capela da Rua Aldersgate, cm Londres. Ou-
viu alguém que, em voz alta, lia o prefácio do "Comentário de Romanos",
da autoria de Lutcro. Isto significava que ele estava ouvindo acerca da jus-
tificação pela fé, em palavras escritas pelo reformador que tanto pesquisa-
ra a respeito do assunto.
"Cerca de quinze para as nove", escreveu Wesley mais tarde, em pa-
lavras que parecem imortais, "enquanto ele [Eutero] descrevia a mudan-
ça que Deus opera no coração por intermédio da fé em Cristo, senti o
meu coração estranhamente aquecido. Percebi que deveria confiar em
Cristo, e em Cristo somente, para a salvação; senti então a certeza de
que ele removera os meus pecados, os meus próprios, e que me livrara
da lei do pecado e da morte."
Nesse momento de iluminação, Wesley "lembrou-se" daquilo que os
cristãos haviam "recebido e ouvido" nos maravilhosos e renovadores dias
da Reforma. Mas o resultado de sua descoberta de Jesus como seu próprio
Salvador pessoal, pertence à era eclesiástica de Eiladélfia.
131
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
6. Filadélfia, 1750-1844.
A era de Filadélfia pode ser imaginada como ocorrendo dos meados do sé-
culo dezoito a meados do século dezenove. Jesus mencionou apenas coisas po-
sitivas a respeito da igreja de Filadélfia. "Guardaste a Minha palavra, e não
negaste o Meu nome", disse Cristo. "Porque guardaste a palavra da Minha
perseverança." O nome Filadélfia tem a conotação de amor fraternal.
Filadélfia era uma bela igreja e preconizou uma bela era na experiência
futura da igreja. (Analisaremos sua "porta aberta" na próxima seção.)
Depois que o coração de João Wesley foi "estranhamente aquecido",
algo muito especial ocorreu em seu ministério, e as pessoas em grande nú-
mero sentiram atração por suas mensagens. A maioria dessas pessoas era
constituída pelos indivíduos menos favorecidos daqueles dias difíceis -
pessoas rudes, iletradas e alcoólatras - das quais falamos à página 130. Os
ministros que possuíam igrejas suficientemente grandes para comportar
tais multidões, desdenhavam-nas, de modo que Wesley dirigiu-se para os
campos. Ele pregava ao ar livre, em dias úteis, ao nascer do sol, antes que
os homens fossem para o trabalho. Ele estimulava seus ouvintes e respec-
tivas famílias a frequentarem os cultos regulares da Igreja Anglicana, mas
organizou-os cm sociedades, a exemplo dos grupos de oração dos pietistas.
Georgc Whitefield, amigo íntimo de João Wesley, também cativava
enormes audiências com suas mensagens. Carlos Wesley, o irmão de João,
escreveu centenas de hinos, dentre os quais se destacam: "O Jesus, Meu
Bom Pastor" e "Glória ao I^ei que vos Nasceu".
Ocorreu na Inglaterra uma poderosa mudança que, por sua expressão,
recebeu o norne de "despertamento evangélico". Esse movimento condu-
ziu à formação da Igreja Metodista, que hoje conta com milhões de mem-
bros em todo o mundo, A pregação de George Whitefield contribuiu vas-
tamente para o Grande Despertamento na Nova Inglaterra (1740), que al-
cançou as igrejas Congregacional c Presbiteriana da região e levou à forma-
ção da Igreja Batista. Essa, a exemplo da Igreja Metodista, igualmente pos-
sui um grande quadro de membros ao redor do rnundo.
Enquanto o despertamento evangélico prosseguia na Inglaterra, ou-
tro despertamento ocorria mais tarde, no mesmo século, na América;
outro, ainda maior, acontecia no começo dos anos 1800. Efetivamente,
os anos iniciais do século dezenove testemunharam um prodigioso êxi-
to evangelístico nas cidades, vilas e florestas do novo país, os Estados
Unidos. Um surto de piedade tez pulsar também o coração da França
católica, à medida que o povo cristão daquele país reagia contra o ateís-
mo popular da Revolução Francesa.
A era dos reavivamentos incentivou extraordinárias realizações missio-
nárias. Os cristãos britânicos, por exemplo, decidiram empreender o má-
ximo esforço para levar a mensagem de salvação em Cristo às muitas par-
132
Apocalipse 2, 3
tes do emergente Império Britânico, onde as armas da coroa implantavam
o imperialismo.
Diz-se que, em 1785, existiam apenas vinte postos missionários pro-
testantes no mundo, metade dos quais eram operados pelo pequeno gru-
po de morávios. Foi quando William Carey — sapateiro c pregador baris-
ta leigo - ouviu o chamado de Deus. Antes de Carey deixar a Inglaterra
e navegar para a índia em 1793, ele ajudou a organizar a Sociedade Mis-
sionária Batista, que se incumbiu de conseguir fundos e selccionar ou-
tros indivíduos para enviá-los como missionários. Três anos mais tarde,
a Sociedade Missionária de Londres, interdenominacional, foi organiza-
da; e após dois anos mais, uma terceira sociedade missionária foi aberta
na Holanda. Logo abriu-se outra em Berlim; e em 1810, ajunta Ameri-
cana de Comissários Para Missões Estrangeiras, nos Estados Unidos; ou-
tras sociedades foram abertas, de modo que em breve houve dezenas de
sociedades missionárias protestantes. Em 1804 veio à existência a Socie-
dade Bíblica Britânica e Estrangeira, que auxiliou grandemente na pro-
visão económica de Bíblias e porções da Bíblia, redigidas nos novos idio-
mas que os missionários necessitavam. Ela foi seguida por numerosas ou-
tras sociedades bíblicas na Europa e América.
As missões de além-mar de forma alguma esgotaram as energias dos
bem-despertos representantes de Filadélfia. "A religião é uma mercadoria
que, quanto mais exportamos, mais retemos para nós próprios", observou
um cristão americano no início do século dezenove. °
As crianças passaram a ser vistas com renovado interesse. Robert Raikes
lançou na Inglaterra o movimento da Escola Dominical, que exerceu in-
fluência sobre milhões de crianças na Europa e na América. George Miil-
ler iniciou um orfanato cm 1832, o qual cresceu até ao ponto de abrigar
duas mil crianças desamparadas ao mesmo tempo, e era apenas um dos
muitos orfanatos que surgiram. William Wilberforce conseguiu colocar a
escravidão fora da lei no Império Britânico, em 1833; outros cristãos luta-
ram pela sua abolição na América. Centenas de escolas vinculadas às igre-
jas nasceram nessa época. Muitas e muitas sociedades e associações cristãs
vieram à existência com o objetivo de melhorar o bem-estar das pessoas. A
maior parte dos grandes projetos era interdenominacional, sendo dirigidos
e financiados principalmente por leigos. Foi uma era de cooperação inter-
denominacional e de marcante entusiasmo e auto-sacrifício. Tais realiza-
ções vincularam-se, por outro lado, com uma crença devocional em Jesus
Cristo como o Salvador pessoal de todos. Portanto, é apropriado conside-
rar essa igreja como "Filadélfia".
Ainda não mencionamos coisa alguma acerca do tremendo e renovado
interesse nas profecias bíblicas que explodiu em muitas denominações du-
rante esse excitante período. Deus prometera a Daniel que no "tempo do
133
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
fim", ao encerrar-se os 1.260 dias/anos, seu livro seria aberto. Veja Daniel
12:4. Postergaremos nossa análise desses eventos até chegarmos aos capí-
tulos 11 c 14 de Apocalipse.

7. Laodicéia, 1844-?
Defrontamo-nos agora com um desapontamento. Após a era de Filadél-
fia, vem Laodicéia. A beleza do amor fraternal é substituída, pela tibieza e
presunção. Durante o período de Filadélfia, Jesus declarara: "Venho sem
demora." Apocalipse 3:11. Jesus virá em breve. Mas, a despeito da pro-
messa que Fie fé'/,, Sua igreja parece pouco Ímportar-se.
Não é feita aqui qualquer referência direta, de um modo ou de outro,
às crenças doutrinárias de Laodicéia. O problema que constitui o ponto fo-
cal de Cristo é algo ainda mais básico, que reflete uma atitude profunda-
mente arraigada. A igreja de Laodicéia está indiferente e contente consigo
mesma. Está indiferente em relação a suas boas obras e auto-satisfeita com
uma experiência religiosa que aparenta ser espiritual, mas que virtualmen-
te não possuí a Cristo!
* Já aprendemos que, num dado período, alguns cristãos e mesmo con-
gregações inteiras podem estar a rcfletir qualquer uma das sete igrejas.
Como símbolos prcditivos, as sete igrejas representam apenas a..cxper.i_ên-
cia dominante da igreja de Cristo cm cada uma das eras representadas.
Muito depois da metade do século dezenove (quando se encerrou o
período de Filadélfia), o cristianismo, como um todo, parecia ainda
continuar viril e vital, até mesmo dando a impressão de progresso cm
alguns aspectos. Os projetos missionários expandiram-se. Novas deno-
minações emergiram, cheias de zelo. Somas imensas foram doadas
para fins caritativos. Na realidade, porém, haviam começado a ser efc-
tuadas profundas alterações, que compreenderemos melhor ao anali-
sarmos Apocalipse 1 2 a 14.
* Por ora, será suficiente chamar a atenção para fatos tais como a
alarmante fissura que dividiu os Metodistas e Batisuis da América em
1844, com a metade de cada uma dessas denominações assumindo
posição de defesa radical da escravatura, ao considerá-la como uma
instituição abençoada por Deus! Mais sutil e mais permanentemente
penetrante foi a espontaneidade com que o Protestantismo se apres-
sou em adaptar-se à evolução darwiniana. Novas ideias acerca da ine-
vitabilidade do progresso humano - baseado na evolução - combina-
das com novas e estranhas ideias a respeito do segundo advento de
Cristo, começaram a desviar a atenção de milhões de cristãos de sua
necessidade de Jesus como um Salvador pessoal. Paralelamente a es-
ses acontecimentos, surgiu uma surpreendente hostilidade em relaçãc
ao sábado do sétimo dia.
Apocalipse 2, 3
Alem disso, um insinuante materialismo provocou a erosão dos va-
lores cristãos.
Quando uma pessoa possui seguro de vida, um iate, três carros e duas
casas, torna-se-lhe fácil pensar que não necessita de um relacionamento
pessoal com Deus. Jesus disse: "Não podeis servir a Deus e às riquezas," S.
Mateus 6:24. Ou, de acordo com O Novo Testamento Vivo: "Vocês não po-
dem servir a dois patrões: Deus e o dinheiro." Contudo, a maior parte de
nós tenta servir a ambos — e o resultado é que nem desfrutamos plenamen-
te o mundo, nem somos bons cristãos.
Em 2 de maio de 1980, o periódico Chrtstianity Today, que é o
principal porta-voz dos protestantes conservadores na América, publi-
cou os resultados de uma pesquisa, mostrando que 94 por cento de to-
dos os norte-americanos criam em Deus, 79 por cento diziam-se con-
vertidos, e 45 por cento criam que a salvação é obtida através da fé em
Cristo. O periódico concluiu que "de modo bem claro, o pulsar reli-
gioso do país está forte".
Tragicamente, Christianity Today também revelou que um terço dos ca-
tólicos entrevistados disseram jamais haver lido a Bíblia, que somente 24
por cento dos protestantes afirmaram frequentar a igreja semanalmente, e
que 42 por cento - até mesmo dos conservadores! — não foram capazes de
mencionar mais que quatro dos Dez Mandamentos da lei de Deus.
Assim, 94 por cento dos americanos professam crer em Deus - o que
não os impede de gastar seis vezes mais dinheiro com seus animais domés-
ticos que com as missões estrangeiras. Veja a página 46.
Quinze milhões de crianças com menos de cinco anos de idade mor-
rem anualmente no terceiro mundo. As Nações Unidas afirmam que 90
por cento dessas crianças (ou seja, mais de treze milhões de meninos e
meninas, anualmente) poderiam sobreviver se tão-somente as suas famí-
lias tivessem acesso à água potável. O custo para tornar potável o supri-
mento de água do Terceiro Mundo foi estimado em três a quatro bilhões
de dólares por ano, durante um período de dez anos. Essas cifras pare-
cem elevadas, e eferivamente o são. Representam, no entanto, apenas
uma fração daquilo que é gasto anualmente em bebidas alcoólicas pelo
país quase-cristão dos Estados Unidos!
"De modo bem claro, o pulsar religioso do país está forte", afirmou
Ghristiantiy Today. Pode ser verdade, mas esse pulso deveria ser ainda mui-
to mais forte.
Se a América se encontra distante do ideal de Cristo, a condição da igre-
ja na Europa e em outras nações do Ocidente é ainda pior.
Que a igreja dos últimos dias seria frouxa e morna foi previsto não ape-
nas pelas sete cartas, mas também pela angustiante pergunta de Cristo:
"Quando vier o Filho do homem, achará porventura fé na Terra?" S. Lu-
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
cãs 18:8. O mesmo fato foi ainda revelado em Sua parábola das dez vir-
gens sonolentas, cinco das quais procederam tolamente, não providencian-
do suficiente óleo para as suas lâmpadas. Veja as páginas 37-39. Como
grupo, as dez virgens eram um meio-termo, tal qual a igreja de Laodicéia.
Em estilo semelhante, o apóstolo Paulo fala de cristãos "dos últimos dias",
que se apresentariam "tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o
poder". II Timóteo 3:1-5.
Nossa pesquisa da história da igreja justifica a nossa expectativa. Quan-
do contempladas como símbolos proféticos, as sete igrejas correspondem,
de fato, a sete grandes eras. Quão paciente tem sido Cristo ao longo dos
anos! Quanto cuidado tem demonstrado o divino Acendedor de Lâmpa-
das por Suas fumegantes igrejas e por Seus ineptos cristãos!
Quão solene é constatar que, a despeito de estar tão próxima a segunda
vinda de Cristo, estamos hoje vivendo em Laodicéia.
Agradeçamos a Deus porque Jesus representa a Si próprio como estan-
do em pé e batendo à nossa porta.

IV. Duas Portas Abertas

À igreja de Filadélfia Jesus disse: "Eis que tenho posto diante de ti uma
porta aberta, a qual ninguém pode fechar." Apocalipse 3:8.
Aos laodiceanos Cristo falou: "Eis que estou à porta e bato; se al-
guém... abrir a porta... entrarei em sua casa." Apocalipse 3:20.
Duas portas — uma no Céu, já aberta; a outra na Terra, necessitan-
do ser aberta.
A primeira é uma porta que nenhum de nós pode fechar; a outra, só
mesmo nós, individualmente, podemos abrir.
A primeira é uma porta que Cristo abriu para que possamos passar por
ela; a última, nós necessitamos abrir para que Cristo por ela passe.
A porta aberta de Cristo. Pelo fato de Paulo referir-se frequentemen-
te às oportunidades de serviço missionário como sendo uma porta
aberta (veja I Coríntios 16:9 e II Coríntios 2:12), alguns comentaris-
tas têm interpretado a porta aberta da carta a Filadélfia como sendo,
também, uma oportunidade missionária. Convém observar que as
portas da oportunidade missionária podem — desgraçadamente - ser
fechadas por toda sorte de pessoas, ao passo que a porta de Apocalip-
se 3:8 "ninguém pode fechar".
Para identificar essa porta aberta, é melhor examinar o conteúdo inter-
no do livro de Apocalipse. E o primeiro verso de Apocalipse 4 diz: "Eis...
uma porta aberta no Céu."
Em Seu Sermão do Monte, Jesus disse: "Pedi, e dar-se-vos~á; ... batei, e
abrir-se-vos-á." S. Mateus 7:7. Ao convidar-nos nesta passagem a "bater",
Apocalipse 2, 3
Ele nos incentivou a orar, e isto ainda é válido hoje. No Apocalipse, entre-
tanto, Ele nos faz saber que a porta, no Céu, já se encontra aberta. Tudo o
que necessitamos fazer é entrar por ela, pela fé.
Não há necessidade de marcarmos uma entrevista. Não há demora na
linha. Nenhuma recepcionista diz: "Lamento muito, mas o chefe está
muito ocupado."
Não existe mediador entre Deus e os homens, excero o homem Cristo
Jesus {veja I Timóteo 2:5); e Jesus diz: "Eis que tenho posto diante de ti
uma porta aberta."
Quando o rei Henrique IV tentou pedir desculpas ao Papa Gregório VII
em janeiro de 1077, lá entre os altos Alpes do norte da Itália, o pontífice
— que reclama para si o título de representante de Cristo — manteve o mo-
narca à espera, em meio à neve, durante três dias. Finalmente ele permitiu
que o rei comparecesse à sua presença, mas, segundo a própria correspon-
dência do papa,21 fê-lo com grande relutância. Foi através de atitudes
como essa, que o tamiddc. Cristo, Seu ministério "contínuo" no santuário
celestial, foi obscurecido.
Muitas portas, em edifícios públicos, ostentam os dizeres: "Mantenha
esta porta fechada". Jesus diz que a porta de Seu santuário celestial acha-se
aberta — "Por bondade, entre".
Pelo fato de que temos "a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sa-
cerdote, ... acheguemo-nos... confiadamente junto ao trono da graça, a
fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião
oportuna". Hebreus 4:14-16.
Todos nós temos lutas, tanto crianças quanto adultos. Jesus deseja que
todos, ao surgirem provas e tentações, nos acostumemos a pensar que en-
tre nós e nosso Pai celestial coisa alguma se interpõe, exceto uma grande
porta, aberta tão amplamente quanto o próprio Céu.
Ele não nos afirma que, sempre que entrarmos correndo por essa
porta aberta para ir à Sua presença, Ele nos dará tudo aquilo que pe-
dirmos. Ele é demasiado sábio e amorável para assim proceder. Sua ga-
rantia é de que realmente cuida de nós e fará além do que pedimos.
Conforme acabamos de ler, Ele certamente dará "misericórdia" e "gra-
ça para socorro em ocasião oportuna".
A sua porta está aberta? A porta do Céu acha-se escancarada. Mas o que
dizer da nossa porta? "Eis que estou à porta e bato", diz Jesus. "Se alguém
ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele,
e ele comigo." Apocalipse 3:20.
Pessoalmente, é claro, Jesus reside com Seu Pai no santuário celestial.
Lemos a esse respeito momentos atrás, em Hebreus 4:14-16. Mas, na Ter-
ra, o Santo Espírito é o representante de Cristo tão real e plenamente, que
Jesus fala do Espirito quase como se Este fosse Ele próprio, Cristo. Veja,
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
por exemplo, S. João 14:16-18. Portanto, nós também falaremos, como o
faz a Bíblia, de Jesus como estando à nossa porta.
Jesus possuí a "chave de Davi". Apocalipse 3:7. Ele concentra autorida-
de para abrir qualquer porta. Por que, então, Ele não abre a nossa porta e
entra livremente por ela?
É porque Ele não deseja forçar a entrada. Ele valoriza a nossa liberdade
de escolha. Efetivamente, Ele veio para nos tornar livres. "Se, pois, o Filho
vos libertar, verdadeiramente sereis livres." S. João 8:36. Sua vida, morte e
ministério contínuo em nosso favor no Céu (Hebreus 7:25), mostram
quão elevado valor Ele atribui à nossa liberdade.
Pelo fato de querer que sejamos livres - livres do pecado c verda-
deiramente livres para escolher o nosso próprio modo de vida — Ele
nem mesmo chega a considerar a hipótese de interferir cm nossa pri-
vacidade sem ser convidado. Assim, olhemos pela janela e observe-
mo-Lo de pç à nossa porta.
Ele percorreu um longo caminho.
Tiago e Ellcn White, jovens que participaram da fundação da Igreja
Adventista do Sétimo Dia, certa vez aperceberam-se da condição espiri-
tual de alguns de seus amigos, que moravam a uma distância de aproxi-
madamente 240 quilómetros de onde vivia o próprio casal. O único
meio de transporte de que dispunham — no início do inverno de 1856 —
era um trenó aberto. Neve intensa e ventos fortes reduziam sua velocida-
de a 40 quilómetros diários.
O poderoso rio Mississipi, sern ponte, representava uma ameaça. O
gelo que o cobria ainda não era sólido, mas já se achava demasiado endu-
recido para permitir a passagem de uma barca. À medida que os cascos
dos cavalos se cravavam no gelo flutuante c as águas do Mississipi espir-
ravam para cima do piso de madeira do trenó, Tiago c Ellen puderam ver
que, às margens do rio, fazendeiros locais os contemplavam, esperando
vê-los afundar a qualquer momento.
Tiago c Ellen realmente desejavam alcançar o coração de seus amigos,
persuadindo-os a novamente entregarem-se a Cristo. Sinto-me feliz por
poder relatar que seu ingente esforço c extensa viagem não foram em vão.
As pessoas reabriram o coração.
Jesus viajou muito mais c com dificuldade muito maior, a fim de alcan-
çar o nosso coração. Ele veio pela estrada da cruz. E Ele bateu amavelmen-
te em todas as portas que encontrou ao longo do caminho.
Você pode vê-Lo nesse momento do lado de fora. Ele carrega consigo os
presentes: roupas brancas, colírio e ouro. E, embora esteja tão envolvido
com a salvação do mundo inteiro, dispõe de tanto tempo para cada um de
nós, quanto o tempo que dispomos para Ele. "Se alguém abrir... entrarei
e cearei com ele, e ele comigo."
Apocalipse 2, 3
Entrada Jesus quer em teu coração,
Por que não Lho abres então?
Não deixes que nada Lhe ocupe o lugar,
Que resposta hoje vais dar?

Vezes sem conta esperado Ele tem


E agora, eís que espera também,
A ver se Lhe queres a porta franquear
Oh! Quanto almeja Ele entrar!22

Reis e minhas com Ele. O propósito último de Cristo ao bater à porta de


nosso coração não é meramente fazer-nos uma breve visita aqui e agora
mas — conforme revela o versículo seguinte — ajudar-nos a "vencer", de
modo a podermos reinar com Ele para sempre. A vida cristã é plena de ale-
gria, mas c também uma batalha contra a tentação e o pecado. "Ao vence-
dor", disse Jesus, referindo-Se àquele que derrotar o pecado e se tornar vi-
torioso, "dar-íhe-ei sentar-se comigo no Meu trono, assim como também
Eu venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono." Apocalipse 3:21.
O propósito de todas as promessas contidas nas cartas às sete igrejas é
encorajar-nos para que nos tornemos vitoriosos na batalha vital contra a
tentação e o pecado. A árvore da vida é prometida na carta de Cristo à igre-
ja de Efeso, e a promessa pertence "ao vencedor"; é prometida à pessoa que
sobrepujar a tentação de ser espiritualmente fria c, simultaneamente, retor-
nar ao seu primeiro amor. O livramento da segunda morte c prometido ao
"vencedor" da igreja de Esmirna, isto é, àquele que bravamente superar to-
das as tentações no sentido de duvidar e de amargurar-se, mantendo por
ourro lado uma alegre disposição cristã, mesmo sob perseguição. O cetro
de ferro e a estrela da manhã são prometidos "ao vencedor" da igreja de
Tiatira, à pessoa que de modo coerente resiste às tentações sensuais de Je-
zabel. E assim por diante.
Cristo foi um vitorioso. "Assim corno também Eu venci, e Me assentei
com Meu Pa! no Seu trono." Agora Ele vem para auxiliar-nos a nos tor-
narmos vencedores.
"Tudo posso nAquele que me fortalece", escreveu Paulo triunfantemen-
te em sua prisão. Filipenses 4:13. Noutra ocasião cxpresson-se ele, dizen-
do: "Se alguém está em Cristo, c nova criatura; as coisas antigas já passa-
ram; eis que se fizeram novas." II Coríntios 5:17.
"Cristo em vós, a esperança da glória." Colossenses 1:27.
Conquistadores. Apocalipse 2 e 3. Novas criaturas. II Coríntios 5- Uma
noiva "sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante". Hfésios 5. "O povo
dos santos do Altíssimo." Daniel 7. Todas essas figuras são quadros dife-
rentes do glorioso objetivo de Cristo: uma vasta reunião de cristãos genní-
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
nos - homens e mulheres, meninos e meninas - que estarão aptos a viver
juntos e felizes na maravilhosa Nova Terra por toda a eternidade. Pessoas
que na presente vida, na Terra, conhecem por experiência o poder de
"Cristo em vós", um poder que nem a terra, nem a morte e nem o infer-
no podem subjugar. E por essa razão que Ele deseja entrar. E por isso que
Ele deseja que Lhe abramos a porta.
Muitos cristãos estão satisfeitos com um desempenho medíocre. São
cristãos e sentem-se contentes com isso. Quando percebem que eles pró-
prios não são muito diferentes de outras pessoas, dão pouca importância
ao fato. Contudo, Jesus almeja que sejamos mais que cristãos comuns.
Por vezes tento levar jovens cristãos a pensar em Cristo como estando
de pé diante das portas de vários cómodos, dentro da "casa" do seu cora-
ção. Eles convidaram Jesus a entrar cm suas respectivas "casas". Desejam
ser cristãos. Porém, com muita frequência, deixam Jesus sozinho na sala de
estar, enquanto escapam para o quarto de seu pecado favorito, lá no fun-
do da mente.
Quando somos jovens, muitos de nós temos — digamos assim — um
quarto verde. As paredes, a mobília e o carpete são verdes. Ali nos acomo-
damos para acariciar o brinquedo verde da inveja. "O que faz Luísa pen-
sar que ela é a melhor?" murmuramos. "Se os seus familiares não fossem
ricos, ninguém lhe prestaria atenção. Sou bem mais inteligente que ela."
Ou coisa que o valha.
Repentinamente, somos surpreendidos com uma batida à porta. Jesus Se
encontra diante de nosso quarto verde, solicitando permissão para entrar.
Ou então temos um quarto vermelho, onde ficamos remoendo frases
raivosas que gostaríamos de dizer às pessoas que nos trataram mal — frases
que, naturalmente, "jamais pensaríamos em proferir".
Temos ainda os quartos de cor cinza, onde ficamos nos compadecendo
de nós mesmos. (Parece-nos tão boa a sensação de nos sentirmos mal!) Há
também os quartos da ambição, das diversões, das amizades, da música, do
sexo, e outros mais.
Cristãos mais maduros, cronologicamente falando, também possuem
quartos semelhantes.
Jesus almeja entrar em todos esse quartos íntimos. Ele c o grande Rede-
corador, e pretende ajudar-nos a escolher cores diferentes. Ele aguarda a
oportunidade de sugerir-nos pensamentos diferentes. Muito apreciaria
mostrar-nos como é possível triunfar sobre a amargura e o egoísmo, pro-
fundamente arraigados em nossa mente. Ele gostaria de auxiliar-nos na ta-
refa de convertermos nossos inimigos em amigos íntimos; de direcionar
nossas ambições para a felicidade de outras pessoas, e de nos tornar reis e
rainhas sobre nossos maus hábitos.
Quando, na primavera, minha esposa c eu saímos a caminhar no jardim,
Apocalipse 2, 3
os melros que ali se aninham, ficam agitados e nervosos. Eles se alimentam
da comida que nós colocamos no "refeitório" de pássaros, mas não conse-
guem ver qualquer relação entre nossa generosidade c nossa presença. Te-
mem que, se nos aproximarmos demasiadamente, iremos causar-lhes dano,
ou aos seus filhotes. "Os pássaros têm falta de fé", disse certa vez Lutero.
"Eles esvocjam quando entro no pomar, embora eu não tenha a menor in-
tenção de prejudicá-los. Da mesma forma, ternos falta de fé em Deus."23
Será que estamos temerosos de deixar Jesus entrar plenamente em nos-
so coração, mesmo sabendo que Ele é nosso Amigo? Ou estamos ansiosos
por confiar nEle e Lhe entregar todo o nosso ser?
Com quanta seriedade consideramos a hipótese de sermos inteiramen-
te Seus, junto com nossas famílias?
Os crentes efésíos encararam com seriedade tal perspectiva por algum
tempo, mas logo decaíram de seu entusiasmo inicial. Os cristãos de Pérga-
mo toleraram a heresia nicolaíta, argumentando que não importava o que
fizessem, desde que "cressem em Jesus". Em Tiatira, muitos cristãos deseja-
vam ser cristãos, mas ao mesmo tempo flertavam abertamente com Jezabel.
Nesse processo, permitiram que o sacerdócio terreno dessa "mulher" se in-
terpusesse entre eles e seu Sumo Sacerdote celestial. Eles optaram por crer
que seus próprios esforços e doações materiais lhes seriam de utilidade na
compra da vida eterna. Negligenciaram voluntariamente o estudo da Bíblia.
Ignoraram o divino sábado. Aceitaram a filosofia grega pagã e a opressão de
Roma imperial como componentes de seu viver diário. Quando apareceu a
Reforma, muitos desses cristãos continuaram a dar maior valor às tradições
familiares que às verdades bíblicas reccm-redescobertas. Os cristãos de Sar-
des pareciam estar vivos, mas na verdade achavam-se praticamente mortos.
Pretendiam ter sido reformados, mas não tinham efetuado uma entrega de
coração inteiro. Os cristãos íaodíceanos não manifestavam interesse.
Quanto interesse temos nós? "Santifica-os na verdade; a Tua palavra é a
verdade." S. João 17:17. Será que realmente desejamos um relacionamen-
to inteligente, pessoal e vitorioso com o amorável Deus da Bíblia? Será que
desejamos, mais que qualquer outra coisa, que a verdade da Palavra de
Deus transforme e vitalize a nossa existência?
O Indómito Homem da Neve, Creio que Kim Bin Lim desejava tal coisa. De
acordo com o boletim da Sociedade Bíblica Americana, Kim Bin Lim e sua fa-
mília - que viviam na Coreia do Sul, a cerca de oitenta quilómetros de Seul —
eram cristãos que não possuíam uma Bíblia para ajudá-los na conservação de
sua fé. A igreja mais próxima ficava numa vila, do outro lado da montanha.
Certo día correu a notícia de que um representante da Sociedade Bíbli-
ca planejava visitar a igreja da vila, na encosta da montanha. Pelo fato de
os agricultores da região disporem de pouquíssimo dinheiro, a Sociedade
Bíblica lhes permitiria pagar as Bíblias com produtos agrícolas: uma Bíblia
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
em troca de certa quantidade de cereal, um Novo Testamento por um fran-
go, uma porção dos Evangelhos em troca de dois ovos, e assim por diante.
No dia indicado, a pequena igreja da vila achava-se repleta. Frangos, fei-
jões, cereais e pessoas disputavam o pequeno espaço interno. Lá fora, uma
tempestade de neve assolava as montanhas.
Em breve a Palavra de Deus estava sendo trocada por produtos agríco-
las, aves e ovos, e muitos proprietários de Bíblias, felizes, murmuravam cal-
mamente enquanto liam o sagrado texto.
A porta abriu-se repentinamente. Uma feroz lufada de vento penetrou
no pequeno templo, e após ela apareceu um diminuto homem da neve, ca-
minhando dificultosa me n te. Houve silêncio por um momento. Seguiram-
se vozes ruidosas. Alguém fechou rapidamente a porta, enquanto outros
sacudiam a neve das roupas da estranha figura que acabara de entrar.
Sob as roupas encontraram um garoto de doze anos. Sobre os ombros,
trazia ele dois pesados volumes com feijão. Sua face, ainda que extrema-
mente fria, resplandecia de excitação.
O garoto dÍrigiu-sc à frente, em passos firmes. O representante da So-
ciedade Bíblica perguntou-lhe o nome.
- Sou Kim Bin Lim - respondeu o garoto. — Moro do outro lado da
montanha, a dezoito quilómetros daqui. Vim para comprar uma Bíblia,
pois ouvi dizer que vocês estão vendendo Bíblias em troca de cereais ou fei-
jões. Posso obter uma?
Demorou alguns instantes para que sua história pudesse ser entendida.
Dezoito quilómetros sobre uma estreita passagem nas montanhas, palmi-
lhando um caminho coberto de neve, em meio a uma furiosa tempestade.
E ele tinha apenas doze anos.
- Você c muito bem-vindo, Kim Bin Lim — respondeu o distribuidor de
Bíblias. — Mas por que o seu pai não veio?
— Ele não pôde deixar a granja. Temos uns poucos animais, que neces-
sitam ser cuidados por ele cm meio a um tempo como este. E mamãe não
se encontra com boa saúde.
— Mas como você conseguiu encontrar o caminho?
— Perdi várias vezes a trilha c quase caí num precipício, pois o caminho
era escorregadio e estreito. Tive temor de não chegar aqui a tempo, e as-
sim vim correndo durante todo o trajero. Posso obter uma Bíblia?
Claro que poderia. Deram-lhe uma Bíblia e o retiveram na igrejinha até
que o temporal amainou. Então, ele saiu dali muito feliz, carregando o Li-
vro para cuja obtenção ele enfrentara tantos riscos.24
Penso que Kim Bin Lim desejava que Jesus entrasse em seu coração.
Creio que sua "porta" achava-se bem aberta.
Respostas às
Suas Perguntas

O
l. Em que sentido é Jesus o "princípio da criação de
Deus" (Apocalipse 3:14)?
ponto em questão, aqui, é todo o conceito cristão de se
oferecer adoração a Jesus como sendo Deus. Tal como se
encontra traduzida na Versão Almeida e em outras, a fra-
i^BÃjcMKiic-- • se P°de scr interpretada como significando que Jesus é
F^"^^KT.T* • meramente um ser criado, o primeiro ser criado por Deus
em todos os tempos. Se esse for realmente o sentido da passagem, Jesus
não deve receber a adoração devida somente a Deus.
Uma compreensão plena do texto deve começar com a análise do original
grego da passagem. Princípio é tradução de arch'e (ar-CE ou ar-QUl), uma
palavra que serve, por exemplo, como prefixo dos termos arcebispo (bispo
principal) e rfív/zmnimigo (inimigo principal). Ela também está presente em
monarca (um dirigente singular, tal como um rei ou uma rainha). Para as
pessoas que falavam grego, arch'e frequentemente representava o significado
de nosso termo princípio ou começo, mas de forma alguma este era sempre o
seu sentido, como os exemplos que citamos bem demonstram.
O Theological Dictíonaiy ofthe New Testament (Dicionário Teológico do
Novo Testamento), de Gerhard Kittel, diz que arctfe "Sempre significa 'pri-
mazia, quer em ordem cronológica, ... quer em importância." Quando apli-
cado à primazia no tempo, o termo tem o nosso significado de "princípio",
o primeiro dentro de uma certa ordem temporal; quando aplicado à prima-
zia em importância, o sentido é de "poder", "domínio" e "posição", apresen-
tando a conotação de "primeiro em ordem de autoridade". Walter Bauer, em
A Greek-Englhh Lexicon ofthe New Testament, em adição a "princípio", pro-
vê o significado de "causa primária" e "origem", ou seja, primeiro (ou prin-
cípio) no sentido de "origem de todas as coisas". A revisão do Greek-English
Lexicon de H. G. Liddell e R. Scott, feita por H. S. Jones, semelhantemen-
te provê o sentido de "primeiro lugar", "princípio primário" e "origem" -
além de muitos outros significados - para o termo arclfe.
Assim, em Apocalipse 3:14 — a passagem que estamos discutindo- o
grego subjacente, tomado por si só, pode significar que Jesus é, em certo
sentido, a primeira das criaturas de Deus, mas também pode comportar a
conclusão, diametralmente oposta, de que Ele é a "origem" ou "causa pri-
mária" da criação de Deus.
Ora, em certo sentido Jesus é um ser criado. Em vista de Sua encarna-
ção, a Bíblia refere-se a Ele — mesmo agora, em Seu estado glorificado —
143
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
como sendo "homem". I Timóteo 2:5. Mas, se cm Apocalipse 3:14 a refe-
rência a Cristo se dirige à Sua situação de criatura cm virtude da encarna-
ção, impróprio é considera-Lo como o primeiro dos seres criados. Incon-
testavelmente, Jesus não Sc tornou homem a não ser depois que milhões e
milhões de homens c mulheres já haviam nascido aqui no mundo.
Outras passagens do Novo Testamento conduzem a uma visão ainda
mais grandiosa. S. João 1:1-3 observa a existência de Cristo com Deus "no
princípio [arch"e]", e então prossegue dizendo que "todas as coisas foram
feitas por intermédio dEle, e sem Ele nada do que foi feito se fez". Jesus é
apresentado aqui, não como um ser criado, mas como o Agente por meio
de quem todas as coisas criadas chegaram a existir. Ele aparece, ao lado do
Pai, como co-criador de todas as coisas.
O livro de Colossenses é de especial interesse no presente quadro, pois,
tal como a carta à igreja de Laodicéía que agora estamos analisando, ele
também foi designado como devendo ser lido pela congregação sediada em
Laodicéia. Veja Colossenses 4:16. Uma das mais conhecidas passagens des-
se livro, Colossenses 1:15-20, identifica a Jesus como "o primogénito de
toda a criação", e prossegue afirmando, em linguagem ainda mais vigoro-
sa e mais específica que a de S. João 1:1-3, que "nEle foram criadas todas
as coisas, nos Céus e sobre a Terra, as visíveis c as invisíveis, sejam tronos,
sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por
meio dElc e para Ele. Ele é antes de todas as coisas". Sc em Seu ser essen-
cial Jesus foi antes de todas as coisas, e se todas elas foram criadas através
dEle e para Ele, então Ele próprio não pode, adequadamente, ser conside-
rado meramente como um ser criado.
Em Apocalipse 22:13, Jesus identifica a Si mesmo como o Alfa e o
Ômega, utilizando exatamente o termo que o Pai usa para identíficar-Se
em Apocalipse 1:8. Somente a Infinita Divindade tem o direito de osten-
tar essa descrição todo-abrangente.
Em vista dessas considerações e de outras, muitas versões modernas
da Bíblia diferem significativamente da Almeida Revista, da Kingjames
Version (inglesa) e de outras, no tratamento de Apocalipse 3:14. Em
vez de identificar a Cristo como "o princípio da criação de Deus", elas
0 identificam como:
'A fonte primitiva da criação de Deus" — O Novo Testamento Vivo. "A
origem de tudo o que Deus criou1' — A Bíblia na Linguagem de Hoje.
"O regenre da criação de Deus" - New EngHsh Version.
"A fonte última da criação de Deus" - The Jerusalém Bible.
"A fonte de onde começou a criação de Deus" - Monsenhor Knox.
Qualquer tradução que retrate a Cristo como estando acima da criação,
quer seja como a sua fonte ou, pelo menos, como o seu Regente, capca fiel-
mente o significado do original grego. Coisa alguma, em Apocalipse 3:14,
1/ . / .
Apocalipse 2, 3
pode ser usada corretamcnte com a intenção de minimizar a posição de
Cristo quanto ao Seu direito de receber genuína adoração. A mesma men-
sagem a Laodicéia afirma, logo adiante, que Ele Se encontra assentado com
Deus, no divino trono! Veja o verso 21.

2. Que evidências adicionais existem de que as sete cartas prefiguram


sete eras da história da igreja?
À página 122 prometemos alinhar algumas considerações adicionais em
apoio ao ponto de vista de que as cartas às sete igrejas simbolizam as eras
(ou épocas) no curso da história da igreja. Já analisamos três razões:
a. A visão da estátua de Daniel 2 é a chave para a compreensão tanto
de Daniel quanto do Apocalipse. Ela abrange claramente o curso da his-
tória secular desde os dias do profeta até o fim do mundo. Ela nos pre-
para, convincentemente, para percebermos que as outras grandes visões,
encontradas nos capítulos 7, 8 e 11 de Daniel, também começam nos
dias do profeta e correm - paralelamente - até o fim da história terres-
tre. O Apocalipse encontra-se solidamente edificado sobre Daniel. Con-
seqiientemente, Daniel 2 forma a base para compreendermos que pelo
menos as principais visões da primeira parte do Apocalipse, a porção his-
tórica - e que compreendem os sete selos, as sete trombetas, as cenas do
grande conflito c as sete igrejas - também correm paralelas, dos dias do
profeta até o fim do mundo.
b. As sete cartas contem distintamente elementos preditivos, tais como
"tereis tribulação" (Apocalipse 2:10, carta escrita à igreja de Esmirna) e
"Eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo intei-
ro" (Apocalipse 3:10, carta escrita à igreja de Filadélfia).
c. Em S. João 13:19 Jesus disse: "Desde já vos digo, antes que aconte-
ça, para que quando acontecer, creiais que Eu sou." Aplicando o princípio
de interpretação estabelecido pelo próprio Cristo, nas páginas 122-136, es-
tivemos voltados em direção ao passado, partindo de nossos próprios dias,
e constatamos que as sete cartas se relacionam intimamente com os fatos
da história eclesiástica.
A essas considerações podemos acrescentar, dentre outras, as seguintes:
d. No Discurso do Olivete, Jesus - a exemplo de Daniel — perscrutou
todo o curso da história da igreja, de Seus próprios dias até o segundo ad-
vento. Se Daniel e Jesus o fizeram, é razoável concluir que João também o
tenha feito.
e. Os cristãos de Esmirna foram avisados de que teriam uma tribulação
de~"dez dias". Apocalipse 2:10. Ao tempo do martírio de Policarpo, por
volta de 155 ou 156 (ou, ainda, segundo alguns historiadores, em 166),
houve urna perseguição que se prolongou por vários dias literais. Veja as
páginas 102 e 103. Mas a igreja voltou a sofrer sob o imperador Décio, em
145
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
250 d.C., e novamente enfrentou uma terrível perseguição de dez anos, de
303 a 313, sob o comando do imperador Díocleciano e seus sucessores.
Muitos séculos mais tarde, em 1402, 1424 e 1922, os cristãos foram mas-
sacrados aos milhares, em meio a uma carnificina que excedeu grandemen-
te até mesmo os horrores da perseguição de Dioclcciano. Sc os "dez dias"
devessem ser interpretados apenas literalmente, ficaríamos a perguntar por
que teria Jesus prevenido os crentes de Esmirna contra apenas uma dessas
perseguições. Mas, se Esmirna representa uma das primeiras eras da igreja
como um todo, então a mensagem contida nessa carta faz sentido.
f. De fato, todas as sete igrejas literais sofreram a perseguição promovi-
da por Diocleciano, cm 303 a 313. Se as sete cartas devessem destinar-se
exclusivamente às sete igrejas locais c literais, ficaríamos intrigados corn o
fato de apenas Esmirna ser prevenida, enquanto as demais não receberam
nenhum alerta. Por outro lado, se as cartas às sete igrejas representam sete
períodos sucessivos de tempo, c lógico que a perseguição de Diocleciano -
que afligiria todos os cristãos durante um desses períodos — tenha sido
predita apenas à igreja de Esmirna, que simboliza o referido período.
g. A promessa da segunda vinda cm Apocalipse 1:7 é incondicional.
"Eis que vem com as nuvens, c todo olho O verá." Outras promessas — ou,
se se preferir, outras advertências - que focalizam a volta de Cristo, ocor-
rem na carta a Efeso (capítulo 2:5), Pérgamo (capítulo 2:16) e Sardes (ca-
pítulo 3:3), mas todas essas são condicionais. Elas indicam o que Cristo
poderia vir a fazer se as congregações não se arrependessem. Em contraste,
os crentes leais em Tiatira foram estimulados a "conservar o que tinham",
"até que Eu venha" (capítulo 2:25); e, a fim de animar os crentes em Fila-
délfia a "conservar o que tinham", Cristo lhes dirige uma firme promessa:
"Venho sem demora" (capítulo 3:11). Essas promessas incondicionais re-
ferem-se à Sua segunda vinda, por ocasião do fim do mundo. Ao mesmo
tempo, a insistência em "conservar" pressupõe uma certa tardança. E dig-
no de nota que a única referência à breve ("sem demora") volta de Cristo
é feita na carta à sexta igreja, quase no fim do tempo.
Tomadas em conjunto, as considerações aqui expostas nos estimulam a ver
as cartas às sete igrejas como simbólicas, a exemplo de tantos outros quadros
de Daniel e Apocalipse. Elas nos persuadem a vê-las, tais como as profecias de
Daniel e o Discurso do Olivete de Jesus Cristo, como estando a dar cobertu-
ra ao curso da História, desde os dias do profeta até o fim do mundo.

REFERÊNCIAS:

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Mich.: Baker Book House, 1979), pág. 183. (Muitos comentários sobre as sete igrejas, neste capítulo, são
baseados nesta obra.)

146
Apocalipse 2, 3
2. liemeus, Agaiwt Heresia, 1:26; ANF 1:352.
3. '/'b? Mariyr/loin <>fPolycar/>, cm The Apostolic Fathcrs-, LCC 2:312-345.
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21. Oliver J. Thatclier and Edgar Holmcs McNcal, cds., A Sourcc Book for Mcdiaeval History (New
York: Charles Scríi>ner's Sons, 1905, 1933), págs. 158, 159.
22. Rnlph Carmichael. Copyright 1958 de Sacrcd Songs, uma seção ilnWord, Inc. Usado a»n permissão.
23. Em Roland H. Bainton, Here I Stand: A Life of Martin Lutlier (New Yurk: Abingdon-Cokesbury
Press, 1950), pág. 295.
24. Adaptado de "The Strange Case ofthe Indomisable Snownian", American Biblc Socicty Rccord, Agos-
to-Setembro, 1978, págs. 20-22.
Apocalipse 4 e 5

Deus Revela
Seu Trono
Introdução
/ 1 s quatro cavaleiros do Apocalipse. Um leão que é um
• t cordeiro. Um anjo misterioso que "sela" os servos de
l / Deus. Almas debaixo de um altar, clamando: "Ate quan-
^^^te^^^^^ do?" Uma voz do Céu ordena a quatro anjos que rete-
E^^HHBWWI nham os quatro ventos.
Os quatro capítulos que se estendem do primeiro verso do capítulo 4 do Apo-
calipse até o primeiro verso do capítulo 8 desse livro, retratam o interesse de Cris-
to por Sua igreja, à medida que ela enfrenta crescentes adversídades. Na ocasião
em que analisamos a organização do livro, às páginas 55-64, intitulamos essa di-
visão do Apocalipse como "Cristo Protege Seu Povo Afligido". A divisão contém
os sete selos e duas cenas do tempo do fim: atribuição e segurança. A abertura
dessa divisão faz-se por meio de um extraordinário descortinar do santuário ce-
lestial. Veja o resumo nos quadros das próximas duas páginas.
Embora a cena do santuário sirva basicamente como introdução aos sete
selos, possui grande importância própria, chegando mesmo a ocupar dois
capítulos inteiros: Apocalipse 4 e 5. Em vista de seu significado, tomare-
mos tempo para analisar separadamente esses capítulos, postergando para
o próximo capítulo a discussão de Apocalipse 6:1 a 8:1.
A existência do santuário celestial e a presença de Cristo ali, ao lado de Seu
Pai, é apresentada no livto de Hebreus. Veja, especialmente, Hebreus 8:1 e 2.
À medida que prosseguirmos em nosso estudo do Apocalipse, perceberemos
que nos primeiros capítulos a atenção do apóstolo João se centraliza no lugar
santo do santuário celestial, em conexão com as sete igrejas, os sete selos e as
sete trombetas. Mais tarde, em conexão com as sete cenas do grande confli-
to, sua atenção é dirigida para o lugar santíssimo. Veja as páginas 164-169.
Apocalipse 4 começa com as palavras: "Depois destas coisas olhei, e eís
não somente uma porta aberta no Céu, como também a primeira voz
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
DEUS REVELA SEU TRONO
ORGANIZAÇÃO DO APOCALIPSE

XI OS SETE SELOS iO LIVRO DE APOCALIPSE EM FORMA DE ESPELHO

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Somente parta do painel dos sete selos foi colocado em destaque, pois o presen-
te capítulo analisa apenas a introdução aos selos.

que ouvi, como de trombeta ao falar comigo, dizendo: 'Sobe para aqui,
e te mostrarei o que deve acontecer depois destas coisas'. Imediatamen-
te eu me achei em Espírito, e eis armado no Céu um trono, e no trono
alguém assentado." Versos l c 2.
A "primeira voz" que João ouvira "ao falar comigo", parecendo uma
"trombeta", foi a voz de Jesus. Ele a ouvira falar-lhe quando estivera "em Es-
pírito no dia do Senhor", "na ilha chamada Patmos". Apocalipse 1:9 e 10.
Isso acontecera havia algum tempo. Agora, na presente ocasião, ele ouve
novamente a voz de Cristo e, uma vez mais, acha-sc "em Espírito". Não há
qualquer indicação de que esta experiência lhe tenha sido outorgada no dia
do Senhor. O lugar pode não mais ter sido a ilha de Patmos. Mas João foi
envolvido pelo Espírito. Portanto, podemos confiar naquilo que cie relata.
Jesus disse: "Sobe para aqui, e te mostrarei o que deve acontecer de-
pois destas coisas." Cristo dísptmha-Se a desvendar perante João — e, por
intermédio dele, a nós - Seu conhecimento antecipado do sofrimento que
Seu povo teria de suportar nos séculos futuros. Ele desejava igualmente
mostrar a João e a nós alguma coisa quanto à Sua atividade em proteger-
nos e planejar em nosso favor, mesmo quando nos sentimos um tanto
abandonados. Antes de revelar esses aspectos, Jesus convidou João a subir
para um lugar mais alto e, perante a porta aberta no Céu, contemplar a
sala do trono de Deus em atividade.
Que cena João contemplou! Não lhe restou qualquer motivo para duvi-
dar de que Alguém está no comando do Universo. Alguém está operando.
Os capítulos 4 e 5 dú Apocalipse são de fácil leitura e, em termos gerais,
Apocalipse 4, 5

SETE SELOS: Cristo Protege o Seu Povo em Aflição. 4:1 a 8:1.

1. Cena introdutória mostrando o santuário. Deus sentado em Seu


trono; o Cordeiro é declarado digno de abrir os selos. 4:1 a 5:14.
2. Os seis primeiros selos. 6:1 a 17.
3. Cenas do tempo do fim: atribuição e segurança. 7:1 a 17.
a. Atribuição: os servos de Deus são selados (na Terra).
b. Segurança: 144 mil e a grande multidão (no Céu).
4. Consumação: Sétimo selo, silêncio no Céu. 8:1.

O item 1 é analisado no presente capítulo. Os itens 2,3 e 4 são ana-


lisados no próximo capítulo, que inicia à página 177.

auto-explanatóríos. O capítulo 4 focaliza a Deus, sentado sobre Seu trono c


cercado por seres inteligentes que O admiram profundamente. Estes seres
incluem os "quatro seres viventes", os "vinte e quatro anciãos" e "milhões
e milhões" de anjos. Â medida que João contemplava, extasiado, os anciãos
e os seres viventes renderam uma antífona magnificente à honra de Deus.
Ao avançarmos para o capítulo 5, observamos que Deus graciosamente
desvia a nossa atenção de Si próprio e a canaliza para Jesus Cristo. Ele pro-
duz um misterioso rolo, selado com sete selos, o qual ninguém pode abrir,
a não ser Cristo. No momento em que Jesus Se ergue para receber o rolo
c abrir os selos, os seres viventes e os vinte c quatro anciãos cantam nova-
mente, só que agora o cântico é diferente; o cântico prossegue até que o
Céu inteiro ressoa. Sua música é demasiado contagiantc, demasiado exci-
tante, para que os anjos assistentes fiquem meramente a contemplar a
cena. Eles se unem à grandiosa música. De fato, aos olhos de João parece
que cada ser e cada coisa criada do Universo deseja unir-se à música.
E efctivarncnte eles cantam, com "grande voz" — sem dúvida, com voz
altíssima, e muito gloriosa: "Aquele que está sentado tio trono, e ao Cor-
deiro, seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos
séculos." Verso 13.
Haendel utilizou as suas palavras no oratório Messias. E possível que o
compositor também tenha usado as melodias celestiais. Ele nos conta que
enquanto escrevia o Messias, uma tarefa na qual se ocupou durante vinte e
três dias maravilhosos, frequentemente podia sentir, à semelhança de João,
que os anjos do Céu cantavam.
1S1
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Finda o cântico dos anjos. Segue-se um tremendo silêncio. O Universo
encontra-se assombrado com tamanha glória e beleza.
Então os quatro seres viventes, profundamente comovidos, fazem o que
os adoradores cristãos ainda hoje costumam fazer após uma impressionan-
te apresentação musical. Eles dizem, com voz vibrante: "Amém".
Nós dizemos: "Amém". E bom e correto que o Cordeiro e Aquele que Se en-
contra assentado no trono sejam exaltados. Nós também queremos louvá-los.
Já é hora de lermos os capítulos 4 e 5 — mas, por bondade, espere um
momento! O livro que você está lendo, tem o objetivo de ajudar-nos a ver
como Daniel e Apocalipse podem auxiliar nossas famílias. Por favor, faça
uma pequena pausa e pergunte a si mesmo: "O que é louvor em família^
Douglas Coopcr, um piloto do Alasca, expressou elegantemente uma es-
pécie de louvor familiar em seu agradável livreto Living God's Joy (Viven-
do o Regozijo Divino). "Louvor", diz ele, "é algo muito mais profundo
que apenas agradecer a alguém. Após uma refeição, posso agradecer a mi-
nha esposa por ela haver preparado a comida c então simplesmente reto-
mar a leitura do jornal. Ou, então, posso enlaçá-la enquanto ela estiver de-
satenta, apertá-la com carinho e dizer: 'Querida, a comida estava delicio-
sa! Você é uma cozinheira extraordinária! Deixe-me ajudá-la a lavar a lou-
ça.' Isso é louvor!"1
O louvor, diz ele, destaca as finas qualidades inerentes que existem na
pessoa. E uma atitude de gratidão, não apenas por aquilo que a pessoa faz,
mas também por aquilo que ela é.
Obrigado por permitir a interrupção. Agora, você pode ler os capítulos
4 e 5 do Apocalipse.
A Mensagem
de Apocalipse 4 e 5
^ ^ I. AJguéin Está no Comando

/ ^ ínguém pode ler o capítulo quatro de Apocalipse sem per-


/ ^ ceber a mensagem de que — não importa quão confusas as
i V7 coisas nos pareçam nesse triste e perturbado planeta - reaJ-
^b • raente ex'ste "Alguém lá no alto", que está no comando.
HHRH^BB *'í Obtemos a mesma mensagem ao lermos o livro de Da-
niel. "O Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens." Daniel 4:25.
"Há uni Deus nos Céus." Daniel 2:28.
Na visão dos animais selvagens c do juízo, Daniel viu um trono sobre o
qual assentou-Se o Ancião de Dias. Veja Daniel 7:9 e 10. Agora foi a vez
de João ver algo semelhante: "Eis... uma porta aberta no Céu" e, para
alem da porta aberta, "eis armado... um trono, e no trono Alguém sen-
tado." Apocalipse 4:1 e 2. Foi a bondade de Deus que O levou a abrir a
porta e a pedir a João (Apocalipse 1:11) que nos contasse o que ele viu ali.
Deus o fez para o nosso encorajamento, assim corno para o de João.
Outras pessoas que viram o trono de Deus. Além de Daniel e João, Deus
também propiciou a outras pessoas urna visão de Seu trono. Viram-no os
profetas do Antigo Testamento: Isaías, Miquéias e Ezequiel; viram-no tam-
bém, em o Novo Testamento: Estêvão e Paulo. Em visão, Isaías escreveu:
"Eu ví o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono." Ao redor do
trono, Isaías viu serafins que possuíam seis asas c que cantavam: "Santo,
Santo, Santo é o Senhor dos exércitos." A visão levou-o a sentir profundo
arrependimento de seus pecados. Veja Isaías 6:1-5-
Para Isaías, o trono de Deus era um lugar santíssimo.
Para o profeta Ezequiel, o trono de Deus era um lugar muito dinâmico. Ao
sair da visão, ele scntia-sc impressionado com brasas ardentes e tochas, com
rodas sobrenaturais e criaturas viventes que brilhavam, com um arco-íris que
resplandecia, e com "a aparência da glória do Senhor". Veja Ezequiel 1.
Para Estêvão, um dos sete primeiros diáconos que assistiram os apóstolos,
o trono de Deus pareceu um lugar de paz. A Estêvão foi permitido contem-
plar esse trono momentos antes de ele depor a vida como o primeiro mártir
cristão. Regozijando-se por ver a Jesus e sentindo-se possuído de grande co-
ragem, ele exclamou aos ouvidos de seus perseguidores: "Eis que vejo os Céus
abertos e o Filho do homem em. pé à destra de Deus." Atos 7:56.
Foi assim, também, que João o viu: Deus em Seu trono, com Jesus a Seu
lado, num tempo de provação para a igreja.
153
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
O mar de vidro. Diante do trono de Deus, viu João um "mar de vidro".
Apocalipse 4:6. Talvez esse mar fosse feito daquilo que hoje conhecemos
como vidro, ou talvez fosse algum outro material que refletia como vidro.
João contemplara frequentemente o pôr-de-sol que parecia transformar o
Mediterrâneo em um mar de vidro, resplandecente como fogo.
O mar de vidro no Céu por certo ainda reflete o brilho de jaspe e ága-
ta dAquele que Se assenta no trono, e o incandescente fulgor do arcoíris
e os raios à semelhança de relâmpagos dos anjos que vão e vêm. Almejo es-
tar um dia diante desse mar. Espero que você ali esteja também. Deus nos
ofereceu tal oportunidade. Veja Apocalipse 7:9; 15:2.
Os vinte e quatro anciãos. Sobre o mar de vidro e muito próximos ao tro-
no, João viu "vinte e quatro anciãos" sentados em "vinte e quatro tronos".
O número vinte e quatro relembra os vinte e quatro turnos nos quais os
sacerdotes foram organizados pelo rei Davi nos tempos do Antigo Testa-
mento. Veja I Crónicas 24, especialmente o verso 18. À semelhança dos sa-
cerdotes, os anciãos celestiais foram apresentados a João portando incensá-
rios e oferecendo incenso quando as pessoas oram. Veja Apocalipse 5:8.
A Kingjamcs Version, inglesa, apresenta os vinte e quatro anciãos como di-
zendo: "Com o Teu sangue nos compraste para Deus... e para o nosso Deus
nos constituíste... sacerdotes." Essa tradução conduziu à atraente suposição
de que os anciãos são seres humanos, pessoas escolhidas dentre aquelas que
ressuscitaram por ocasião da ressurreição de Jesus. Muitas pessoas fiéis foram
efetivamente ressuscitadas na madrugada de domingo, e aparentemente Je-
sus as levou consigo para o Céu. Veja S. Mateus 27:51-53; Efésios 4:8.
Os pesquisadores bíblicos, porém, estão de acordo com o que os vinte
e quatro anciãos realmente disseram, que Cristo redimiu "homens" (e não
"nós") e que Jesus "os" (c não "nos") fez sacerdotes para Deus. Os manus-
critos gregos do Apocalipse apoiam plenamente os pesquisadores, o mes-
mo ocorrendo com as traduções modernas da Bíblia (inclusive a versão Al-
meida Revista e Atualizada).
Mesmo que os vinte c quatro anciãos não sejam necessariamente seres
humanos, não resta dúvida de que são nossos amigos. Eles nos assistem nas
orações. João contemplou-os simbolicamente ao oferecerem incenso en-
quanto oramos. Deveríamos ser gratos por cada um deles.
Os quatro seres viventes. Dos quatro lados do trono, dentro do círculo
formado pelos anciãos, João viu "quatro seres viventes", diferentes de
qualquer outro ser que ele tenha contemplado antes.
Ele já lera previamente a respeito deles. Tratava-se dos mesmos seres que
Isaías mencionou como estando próximos ao trono, e que cantavam: "San-
to, Santo, Santo". Isaías Ídentificou-os como serafins (ou seraphim, plural
do termo hebraico seraph}. Ao descrever a visão, ele rccordou-sc dele;
como possuindo, cada urn, seis asas. Veja Isaías 6.
Apocalipse 4, 5
Ezequiel cambem contempiou-os em sua visão do trono. Ao escrever a
respeito deles em Ezequiel l, o profeta — à semelhança de João - chamou-
os de "criaturas viventes", mas em Ezequicl 10 ele os identifica como que-
rubins (ou chentbim, plural do termo hebraico cherub}. Para Ezequiel, cada
um deles parecia ter quatro asas e quatro cabeças, essas assemelhando-se às
cabeças de homem, leão, boi e águia. Veja Ezequiel 1:6-10. Cada um de-
les, estando próximo ao trono, achava-se associado com a roda que pare-
cia estar cheia de olhos. Para onde quer que Deus quisesse ir, os querubins
também iam, velozes como uma seta, à velocidade da luz.
Quando João viu os querubins, ou serafins, ou seres viventes, ele — tal
qual Isaías — pensou qtic eles possuíssem seis asas. Ao contrário de Eze-
quiel, ele imaginou-os como tendo apenas um rosto; mas as quatro faces
que ele viu, eram as mesmas que Ezequiel contemplara: faces de um ho-
mem, de um leão, de um boi (ou novilho) e de uma águia. João não ob-
servou rodas cheias de olhos; para ele, as criaturas viventes pareceram, elas
próprias, "cheias de olhos".
De qualquer modo, é provável que as formas físicas dos seres viventes
sejam simbólicas. (Nessa mesma visão, Jesus foi representado tanto por um
leão quanto por um cordeiro, que simbolizavam simultaneamente Seu po-
der e Sua mansidão.) A face humana provavelmente simbolizava a inteli-
gência das criaturas viventes; a face de leão, sua força; a face de boi, sua dis-
posição para o serviço; a face de águia, sua rapidez c percepção.
Tal como Isaías, João ouviu os seres viventes cantando: "Santo, Santo,
Santo". Efetivamentc, João diz que "não têm descanso nem de dia nem de
noite, proclamando: 'Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-pode-
roso, Aquele que era, que é e que há de vir"'. Apocalipse 4:8. Com seus
numerosos olhos e visão sobrenatural, os seres viventes observam conti-
nuamente as coisas gloriosas do Universo de Deus, e eles O louvam por
isso — por todas as coisas gloriosas que eles vêem, uma após a outra.
Todos aqueles que já participaram de um quarteto sabem quão prazen-
teira pode ser essa participação. Que enorme privilégio deve ser pertencer
ao Quarteto dos Seres Viventes! Quanta honra viver junto ao próprio co-
ração das coisas, junto ao próprio Deus, aí podendo observar Sua bonda-
de, de día e de noite! E claro que eles se sentem impulsionados a cantar!
Evidentemente, não foi intenção do apóstolo dizer que eles cantam exa-
tamente as mesmas palavras, sempre c sempre. No curto cenário provido
pelos dois capítulos em questão, podemos ver que eles cantam em outras
palavras e também dizem: "Amém". No capítulo 6, veremos que eles toma-
ram parte ativa na tarefa de ajudar João a compreender os sete selos. E as-
sim por diante. Mas o ato de exaltar a Deus é-lhes um prazer. Eles contem-
plam, no Universo, tanta beleza e benevolência, que sentem ser seu dever
cantar como resposta a essa contemplação.
1SS
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Satanás foi no passado um "ser vivente". Sentímo-nos intrigados ao des-
cobrir, em Ezequiel 28, que em certa ocasião, no passado, um dos queru-
bins guardadores originais, ou seres viventes, teve de ser removido de sua
posição e, em desgraça, afastado do trono de Deus. Indubitavelmente, este
ser privilegiado foi Lúcifer, o Portador de Luz. Veja Isaías 14:12. Ele servi-
ra como querubim nos bons dias do passado, antes de converter-se cm Sa-
tanás. A New International Version provê a seguinte tradução para o relato
de Ezequiel:

Tu foste ungido como querubim guardador,


pois assim Eu te ordenei.
Tu estavas no santo monte de Deus;
caminhavas entre as pedras flamejantes.
Eras perfeito em teus caminhos
desde o dia cm que foste criado
até que em ti se achou iniquidade. ...

Teu coração tornou-se orgulhoso


por causa da tua beleza,
e corrompeste a tua sabedoria
por causa do teu resplendor.
Assim lancci-te para a Terra.
Ezequiel 28:14-17.

É difícil imaginar como pôde um ser tão privilegiado desperdiçar a ma-


ravilhosa felicidade celestial. Entretanto, está-nos sendo oferecido o privi-
légio de um dia desfrutarmos dessa mesma felicidade. Asseguremo-nos de
que não estamos, igualmente, desperdiçando semelhante oportunidade.
Aquele que Se assenta no trono. João achava-se interessado nos vinte e
quatro anciãos e nos quatro seres viventes. Nós também o estamos. Mas
ele demonstrou que o principal objeto de interesse destes seres, como o
dele próprio, era a Pessoa que Se assentava no trono. Ele era o Autor do
Universo. Era o Centro último das coisas. Ele era Deus.
Esse Deus estava no comando. Uma dúzia de vezes ou mais (nos capí-
tulos 4, 5, 6, 7, 20 e 21) João define a Deus como Aquele "que esrá sen-
tado no trono". No trono. Naquele trono que realmente tem importância.
Ao permanecermos em pé atrás de João e espiarmos intencionalmente
por sobre os seus ombros, dar-nos-emos conta de que não estamos obser-
vando a Casa Branca, ou o Kremlim, ou o Palácio de Buckingham, ou o
Palácio da Alvorada! Pela televisão, temos visto o Centro de Controle da
NASA despachar artefatos espaciais para a Lua e guiar os veículos espaciais
de volta à Terra. Mas o Centro de Controle Cósmico (como poderíamos
Apocalipse H, 5
intitular o trono de Deus) guia as galáxias, centenas de bilhões das mes-
mas, cada uma delas parecendo um universo isolado.
Miríades de anjos. João pensou estar ouvindo um trovão quando Deus
e as criaturas viventes falaram. Compare Apocalipse 4:5 e 6:1. Ele con-
templou relâmpagos à medida que os anjos voavam para cumprir os amo-
ráveis requisitos divinos. Compare com Hebreus 1:7. Mas... para onde
envia Deus os anjos? E, já que fazemos tal pergunta, eis aqui outra: com
tantas coisas acontecendo permanentemente cm volta do trono de Deus,
como podem chegar à Sua presença nossas tímidas e mal-pronunciadas
orações? Como podem ser ouvidas até mesmo nossas preces angustiosas,
pronunciadas em alta voz?
A gloriosa resposta é que, durante a emergência ainda vigente, represen-
tada pelo aparecimento do pecado, todos os recursos celestiais estão con-
centrados em nossas necessidades. A atividade que O circunda, não desvia
de nós a atenção de Deus; pelo contrário, ela é dirigida por Deus, para nós
e em nosso favor.
Deus colocou a nosso serviço tudo o que há no Universo. "Deus faz
com que todas as coisas operem juntamente para o bem daqueles que O
amam." Romanos 8:28 (The New American Standard Biblé). Colocou-
Se até mesmo a Si e a Seu Filho à nossa disposição. "Aquele que não
poupou a Seu próprio Filho, antes por todos nós O entregou, porven-
tura não nos dará graciosamente com Ele todas as coisas?" Romanos
8:32. Ele colocou também os anjos a nosso serviço. "Não são todos eles
espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de
herdar a salvação?" Hebreus 1:14.
Os seres que rodeiam o trono de Deus encontram o seu maior deleite
:m contemplar o amor de Deus por nós — e cm observar nossa resposta vo-
.untaria a Seu amor. "Há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador
}ue se arrepende", disse Jesus em S. Lucas 15:10. O pensamento que cau-
;ou o êxtase celestial, descrito em Apocalipse 5:9 e 10, foi que Cristo ha-
áa sido "morto" pelos "homens", tendo-os "comprado" para que eles —
'ocê e eu — pudessem um dia "reinar sobre a Terra". O Universo está pro-
undamcnte interessado em nós!
O ministério dos anjos. Certamente sentir-nos-íamos muito melhor se
lensássemos com mais frequência naquilo que os anjos realizam em nosso
avor. Ao longo de toda a Bíblia os anjos são representados como tendo in-
eresse em nossos assuntos. Jacó, por exemplo, viu os anjos subirem e des-
;erem entre os Céus e a Terra (Génesis 28:12). Anjos trouxeram alimento
)ara Elias (I Reis 19:5), destruíram uni exército inteiro (U Reis 19:35) e sal-
'aram Daniel dos leões famintos (Daniel 6:22). Um anjo prometeu a Za-
:arias que lhe nasceria um menino (S. Lucas 1:13). Anjos cantaram quan-
lo Jesus nasceu (S. Lucas 2:13), animaram-nO no deserto da tentação (S.
1S7
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Mateus 4:11) c removeram a pedra de Sua sepultura (S. Mateus 28:2). Eles
abriram as portas da prisão para Pedro (Aros 5:19) e estiveram ao lado de
Paulo durante uma tormenta marítima (Atos 27:23). Eles também anima-
ram não-cristãos a falarem do evangelho nos tempos bíblicos (Atos 10:1-7).
Os anjos acompanham-nos ainda hoje. "O anjo do Senhor acampa-se
ao redor dos que O temem e os livra." Salmo 34:7.
Devo confessar que muitas vezes me esqueci de meu anjo. Quanto per-
di com isso! Mas, algumas vezes, quando estou dirigindo o carro, penso
nele como estando sentado ao meu lado. Até mesmo falo com ele - exata-
mente para tornar maís real a sua presença. Uma ou duas vezes, ao iniciar
uma viagem aparentemente sozinho, abri a porta do carro, do lado do "ca-
rona", como para ele poder entrar.
Não esqueça de que são designados anjos para o cuidado de meninas e
meninos. Jesus, que Se achava bem familiarizado com essas atívidades huma-
nas, disse certo dia: "Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; por-
que Eu vos afirmo que os seus anjos nos Céus vêem incessantemente a face
de Meu Pai celeste." S. Mateus 18:10. Conte a suas crianças que os anjos que
as assistem têm acesso direto ao trono de Deus, que eles podem voar díreta-
mcnte pela porta aberta sempre que sentem necessidade de fazê-lo.
O Centro de Controle Cósmico troveja à medida que Deus designa
Seus anjos para ajudar-nos. Relâmpagos reverberam enquanto eles voam
em grande velocidade para atender-nos em nossas necessidades. Raios re-
fulgem outra vez ao eles retornarem à presença de Deus com a expressão
de nossas orações e o louvor de nossa gratidão.
O arco-íris ãa promessa. Acima do trono viu João um "arco-íris", no qual
predominavam os raios verdes ou "de esmeralda". Conta-nos a Bíblia que
nos primórdios da História da Terra, quando Noé agradeceu a Deus por
havê-lo livrado, com a família, do tremendo dilúvio, Deus chamou-lhe a
atenção para urn arco-íris que se abria no Céu. O Senhor explicou a Noé
que aquele era o símbolo do Seu concerto, de que jamais haveria um ou-
tro dilúvio de extensão mundial. Veja Génesis 9-
Um concerto é também uma promessa. O arco-íris acima do trono de
Deus lembra-nos de que o Senhor nos faz promessas e as sustenta. Ele
nunca Se encontra demasiado ocupado para honrar os compromissos que
assumiu através de centenas de promessas bíblicas.
O Cordeiro. Apocalipse 4 fala principalmente acerca de Deus, Aquele "que
Se assenta no trono". No capítulo 5, a atenção é desviada para o Cordeiro,
Aquele que também é chamado o "Leão da tribo de Judá" e a "Raiz de Davi".
Jesus era membro da tribo de Judá. Hebreus 7:14. O leão era um antigo
símbolo dessa tribo. Veja Génesis 49:9. A expressão "Raiz de Davi" pode ser
melhor entendida como "Rebento de Davi", isto é, um de seus descenden-
tes, antes que um de seus ancestrais. E uma expressão literária antiga. Po t
1S8
Apocalipse 4, 5
exemplo, em I Macabeus 1:10, Antíoco Epifânio é identificado como "raiz
pecaminosa", isto c, "descendente pecaminoso" de seu pai, Antíoco III, o
Grande. Quando viveu sobre a Terra, Jesus foi frequentemente tratado como
"Filho de Davi". Portanto, em Apocalipse 5, Ele é a Raiz de Davi.
Mas como pode um leão ser também um cordeiro? Quase qualquer coi-
sa pode acontecer nas visões e sonhos divinos! Para identificar Cristo com
um cordeiro, você recorda a primeira vez em que João pôs os olhos em Je-
sus? Foi lá junto ao rio Jordão, enquanto João Batísta pregava. Repentina-
mente, João Batista parou seu sermão, apontou para Jesus — que acabara
de chegar — e disse: "Eís o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mun-
do!" S. João 1:29. Veja a página 49.
As margens do Jordão, Jesus não era literalmente um cordeiro. No Céu,
Ele também não é um cordeiro nem um leão literal. Mas, para aqueles que
buscam a Sua misericórdia com arrependimento c confissão, Ele ainda é o
Cordeiro que tira o pecado. Para aqueles que O rejeitam persistentemen-
te, Ele aparecerá um dia como leão. Por ocasião do sexto selo, os que rejei-
taram Sua misericórdia clamarão às rochas e montanhas que caiam sobre
eles c os escondam da "ira do Cordeiro". Apocalipse 6:16.
Gostaríamos de saber por que apenas o Cordeiro foi capaz de abrir o li-
vro selado com sete selos. Temos igualmente interesse em conhecer mais a
respeito do próprio livro, ou rolo. Estaremos em melhores condições de
compreender esses elementos depois que tivermos examinado os sete selos,
em Apocalipse 6:1 a 8:1.
Enquanto isso, unamo-nos aos coros celestiais ao atribuir louvor Aque-
le que Se assenta no trono. Ele nos criou. Ele comissionou anjos para nos
assistirem constantemente. Ele mantém as promessas que nos fez. Ele en-
viou Seu Filho, o Cordeiro, num empreendimento extremamente custoso,
a fim de redimir-nos. Logo Ele estará nos estendendo — a nós e às nossas
famílias — as boas-víndas junto ao mar de vidro, onde poderemos ouvir
pessoalmente os hinos e ver a Sua face.

II. O Deus que Há de Vir

Quando os quatro seres viventes cantam: "Santo, Santo, Santo é o Se-


nhor Deus, o Todo-poderoso", eles prosseguem descrevendo a Deus como
\quele que "era, que é e que há de vir". Apocalipse 4:8.
Alguns comentaristas têm assumido a posição de que a expressão "que
!iá de vir" deveria simplesmente ser traduzida como "que há de ser", de
nodo que a frase completa seria: "Aquele que era, que é e que há de ser."
liles entendem a expressão como significando apenas que Deus é eterno;
Ele sempre existiu, existe agora c há de existir no futuro.
Sem sombra de dúvida, Deus é eterno. O verso 9 fala dEle, efetivamen-
IV)
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
te, como Aquele "que vive pelos séculos dos séculos". Mas na frase que es-
tamos focalizando, Sua eternidade está implícita, no termo "que é". A pa-
lavra grega traduzida como "que é", equivale ao nome que Deus escolheu
para Si próprio junto à sarça ardente, quando Se apresentou a Moisés
como o "EU SOU". Veja Êxodo 3:14.
O idioma grego possuí palavras para dizer "que há de ser", exatamente
como as possuímos cm português. Mas em Apocalipse 4:8, o verso que es-
tamos analisando, as criaturas viventes não usam tais palavras. Em lugar
delas, o grego utiliza termos que significam "que há de vir", ou, traduzi-
das com mais simplicidade, "aquele que virá".
O professor Marvin Vincent esclarece este ponto em sua obra, ampla-
mente utilizada, WordStudics in thc New Tcstament [Estudo de Palavras do
Novo Testamento]. Diz ele, citando o texto:

Qiie há de vir (ho erchomenos). ... A expressão não é equivalente a


"que há de ser"; ou seja, o autor não tem a intenção de descrever a exis-
tência abstrata de Deus como estando a preencher o futuro, tal como o
passado e o presente. Se esse fosse o caso, ele teria escrito ho esomenos,
"que há de ser". ... O nome não enfatiza tanto a existência abstrata de
Deus, e sim Sua permanente relação de concerto com Seu povo.2

Algo similar ocorre duas vezes em Apocalipse 1. O verso 4 diz: "Graçs


e paz a vós outros, da parte dAqucle que é, que era e que ha de vir." O ver-
so 8 assim reza: "Eu sou o Alfa c o Omcga, diz o Senhor Deus, Aquele qut
é, que era e que há de vir, o Todo-podcroso."
Portanto, em três ocasiões (capítulo 1, versos 4 e 8; capítulo 4, verso 8)
o Apocalipse fala de Deus como o Vindouro, Aquele que virá. Far-nos-;
bem pensar nElc desta forma.
As mães conhecem a diferença entre as crianças que vêm, assim que são cha-
madas — deixando para trás a brincadeira na areia — daquelas que precisam se
arrastadas para dentro. A Bíblia diz que, tão logo dEle necessitamos, Deus vem
Na verdade, muitas vezes Deus nem espera que O chamemos. Sabendt
que nos encontramos em dificuldade, Ele vem à nossa procura. Ele tom;
a iniciativa de nossa salvação. "Nisto consiste o amor> não em que nós te-
nhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou, e enviou o Seu Fílru
como propiciação pelos nossos pecados." I S. João 4:10.
O "Deus que Vem" no Antigo Testamento. Durante os preparativos para ;
comunicação dos Dez Mandamentos no Monte Sinai, Deus disse a Mói
sés: "Eis que virei a ti numa nuvem escura." Êxodo 19:9. Ele queria torna
conhecido o fato de que, no momento cm que Seu povo necessitasse d<
instruções especiais a respeito do que era certo ou errado, Ele viria pessoal
mente ao Monte Sinai a fim de ensiná-los.
160
Apocaíípse 4, 5
Ao instruir os israelitas no sentido de erigirem centros de adoração onde
quer que peregrinassem, Ele prometeu: "Em todo lugar onde Eu fizer cele-
brar a memória do Meu nome, virei a ti e te abençoarei." Êxodo 20:24.
Muitas religiões da antiguidade criam que os seus deuses restringiam a pre-
sença a certas áreas locais, ou nações. Deus, porém, queria que as pessoas
soubessem que, onde quer que busquemos a Sua presença em oração, Ele
virá ali para abençoar-nos.
O profeta Oséias mostrou que Deus virá com graça restauradora sem-
pre que confessarmos nossos pecados e necessitarmos a segurança do per-
dão. Disse ele: "E tempo de buscar ao Senhor, até que Ele venha e chova
a justiça sobre vós." Oséias 10:12.
Outra vex:

"Ele descerá sobre nós como a chuva,


como chuva serôdia
que rega a Terra."
Oséias 6:3.

Deus por ocasião da segunda vinda. Alguns cristãos que crêem arden-
temente na segunda vinda de Cristo, jamais imaginaram que Deus, o
Pai, acompanhará Seu Eilho. Abordamos brevemente esta questão à pá-
gina 83. As evidências apontam para uma resposta: SIM, Ele virá com
Jesus. Em Apocalipse 6:16, atíngindo-se o clímax do sexto selo, os iní-
quos clamarão às rochas e às montanhas: "Caí sobre nós, e escondei-
nos da face dAquele que Se assenta sobre o trono, e da ira do Cordei-
ro." Já aprendemos que "Aquele que Se assenta sobre o trono" é Deus,
o Pai. Veja a página 156.
O Salmo 50, versos 3 a 6, prediz o fim do mundo, quando Deus virá
como um fogo ardente c como tormenta arrebatadora, para resgatar Seu
povo de todos os seus inimigos:

Vem o nosso Deus,


e não guarda silêncio;
perante Ele arde um fogo devorador,
ao Seu redor esbraveja grande tormenta.
Intima os Céus lá em cima,
e a Terra, para julgar o Seu povo.
Congregai os Meus santos,
os que comigo fizeram a aliança
por meio de sacrifícios.
Os Céus anunciam a Sua justiça,
porque é o próprio Deus que julga!
161
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Talvez esses textos nos ajudem a compreender o temporário "silêncio no
Céu" que ocorrerá na abertura do sétimo selo. "Quando o Cordeiro abriu
o sétimo selo, houve silêncio no Céu cerca de meia hora." Apocalipse 8:1.
Se Jesus está "nos ares" (I Tessalonicenses 4:17), exatamente por sobre a
Terra nessa ocasião; se "todos os anjos" estão na Terra "com Ele" (veja S.
Mateus 25:31), c se o Pai está na nuvem, acompanhando Seu Filho, quem
permanece no Céu? Momentaneamente, cessa a música que ali é executa-
da, c a sala do trono celestial encontra-sc cm quietude.
Jesus e o Espírito Santo como "Aqueles que vêm". Quando um ccnturiao
pediu « Jesus que curasse o seu servo paralisado, o Mestre respondeu ra-
pidamente: "Eu irei curá-lo". S. Mateus 8:7. Quando um líder religioso
Lhe pediu que fosse curar sua moribunda filha de doze anos de idade, Je-
sus dirigiu-Se imediatamente a sua casa. Veja S. Lucas 8:40-56. Suas pa-
lavras e atitudes eram simbólicas. A Bíblia também apresenta a Jesus
como Aquele que vem.
O povo judeu, que por longo tempo havia esperado o Messias, pergun-
tou a Cristo: "Es Tu Aquele que estava para vir, ou havemos de esperar
outro?" S. Mateus 11:3. A mulher samaritana perguntou-Lhe se Ele era o
Messias prometido, e Ele respondeu afirmativamente. Veja S. João 4:26.
Em certa ocasião, Ele disse de Si próprio: "O Filho do homem veio bus-
car e salvar o perdido." S. Lucas 19:10. Noutra oportunidade, expressou-
Se assim: "Eu vim para que tenham vida." S. João 10:10. "Veio para o que
era Seu." S. João 1:11.
Tal qual o Pai, Jesus também é Alguém que vem. Foi no passado e ainda
é assim hoje. Referindo-Se à Sua segunda vinda, Ele disse durante a Última
Ceia: "Virei outra vez." S. João 14:3, Versão Almeida Revista e Corrigida.
E muito bom saber que Jesus veio e que virá outra vez. Mas o que acon-
tece nesse intervalo? Será que Ele vem agora, sempre que necessitamos de
Sua presença?
Por ocasião da Ultima Ceia, depois de prometer que viria pela se-
gunda vez, Jesus falou acerca do espaço que mediaria Sua volta ao Céu
e Sua segunda vinda. Disse Ele: "Não vos deixarei órfãos, voltarei para
vós outros." S. João 14:18. Ele mencionou então Seu Pai, acrescentan-
do: "Viremos." Verso 23.
Este c um lindo pensamento; se, entretanto, Jesus e o Pai Se encontram
no Céu - e foi ali que João Os viu — como pode ser verdade o "viremos"?
O próprio Cristo explicou: "E Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Con-
solador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade." S.
João 14:16 c 17. "O Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em
Meu nome, esse vos ensinará todas as coisas." Verso 26. Jesus quis di?xr que
Ele e o Pai enviariam o Santo Espírito corno Seu representante e que, dessa
forma — antes da segunda vinda literal — Ele e Deus poderiam vir a nós.
Apocalipse 4, 5
Quando o Espírito Santo vem até nós, Ele cfetua por nós aquilo que a
Bíblia diz que Deus e Jesus fariam em nosso favor. O Espírito Santo nos
ensina e conduz na verdade. Veja S. João 14:26. Ele nos convence do pe-
cado e da necessidade de sermos justificados. S. João 16:8. Ele também in-
tercede por nós. Romanos 8:26.
Jesus atribuiu ao Santo Espírito o título de Consolador. S. João 14:26.
Efe ti vá mente, em S. João 14:16 Jesus O identifica como outro Consolador,
ou seja, um consolador que viria em adição a Ele próprio, Jesus. A palavra
grega aqui presente é parakletos, "paracleto", "pessoa que é chamada em au-
xílio de alguém". Em I S. João 2:1, Jesus é apresentado como nosso Advo-
gado, pessoa que é chamada em auxílio de alguém que enfrenta um tribu-
nal. Uma vez mais, o termo grego é parãklctos. Jesus é nosso Paracleto, a
Pessoa especial a quem podemos convidar como fonte de auxílio, sempre
que deste necessitarmos. O Espírito Santo c um outro Paracleto (S. João
14:16), a quem podemos igualmente recorrer em ocasião de necessidade.
Ao passo que Jesus e o Pai ministram em nosso favor no santuário celestial,
o Espírito Santo serve em nosso meio, aqui na Terra. Ele habita entre nós. De
alguma forma misteriosa, Ele também habita em nós. Veja I Coríntios 6:19.
O Espírito Santo, o terceiro membro da Trindade Divina, é um Deus
que vem; um Deus que vem para ficar. A autora de O Desejado de Todas as
Nações expressou essa verdade nos seguintes termos:

Em todos os tempos c lugares,


em todas as dores e aflições,
quando a perspectiva se afigura sombria
c cheio de perplexidade o futuro,
c nos sentimos desamparados e sós,
o Consolador será enviado
em resposta à oração da fé.

As circunstâncias podem separar-nos


de todos os amigos terrestres;
nenhuma, porém, nem mesmo a distância,
nos pode separar do celeste Consolador.

Onde quer que estejamos,


aonde quer que vamos,
Ele Se encontra sempre à nossa direita,
para apoiar,
suster,
erguer
e animar. 3
163
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Muitos cristãos consideram ser útil - tendo em vista relembrarmos que
Deus deseja muito estar conosco em toda parte e em todo tempo - reali-
zar pausas regulares, em lugares predeterminados, a fim de recarregar a ba-
teria de nossa memória. Necessitamos parar regularmente para falar com
Deus e refletír sobre Suas promessas.
Você mantém um período e lugar regulares para a oração? Esse lugar
godé ser o lado de sua cama, ou a sala de estar, ou a de jantar. Deus diz em
Êxodo 20:24: "Em todo lugar" em que tu Me adorares, "virei a ti e te aben-
çoarei".
Não cometa, porém, o erro de entrar nesse lugar especial, e sair cor-
rendo dele com tal pressa que você não chegue a reconhecer a Sua presen-
ça ali. Não saia carregando consigo, inalterados, os seus temores e dúvidas.
Silencie por um momento, ate que você saiba novamente que Ele está com
você, ajudando-o e guiando-o.
"As [coisas] reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sem-
pre." Deuteronômio 29:29. Deus também atende as crianças. A promessa
do Santo Espírito, diz Pedro, c "para vós outros [e]... para vossos filhos".
Atos 2:39. As palavras de S. João 14:18 (em O Novo Testamento Vivo) são
especialmente apropriadas para as crianças, quando estas se sentirem negli-
genciadas e sozinhas: "Não, Eu não abandonarei vocês nem os deixarei
como órfãos na tempestade — Eu voltarei a vocês."
Um dos temas dominantes na mensagem do Apocalipse — para você e
para todos os membros de sua família — é que Deus não Se encontra re-
motamente distante de nossas necessidades diárias. Mesmo no capítulo
que O descreve como estando assentado no trono celestial, no Centro de
Controle Cósmico, Ele nos é apresentado pelas criaturas viventes como o
Deus que vem.
Deus cuida de nós.

III. O Santuário é um Lugar de Paz

Uma das mais amáveis verdades relacionadas com Jesus, é o Seu sacer-
dócio. Somos profundamente impressionados - por vezes até mesmo tor-
namo-nos extasiados — ao contemplar o amor que Ele demonstrou por nós
ao vir à Terra e morrer em nosso lugar, há tanto tempo. Mas existe mais,
muito mais, que apenas o Seu ministério em nosso favor, realizado através
de Sua vida e morte há muitos séculos. Durante todo o tempo, século após
século, depois da cruz, Jesus tem estado a ministrar como nosso Sumo Sa-
cerdote, junto ao trono de Deus. Encontra-Se "vivendo sempre para inter-
ceder" por nós. Hebreus 7:25.
O sacerdócio celestial de Cristo é um dos grandes ensinamentos do
Novo Testamento. Quando os primeiros cristãos judeus se perguntavam
164
Apocalipse 4, 5
por que a segunda vinda de Jesus ainda não havia ocorrido, c se questio-
navam se porventura deveriam retornar aos seus sacerdotes judaicos e aos
sacrifícios em Jerusalém - os quais lhes eram tão familiares — foi escrito o
livro aos Hebreus. Evidência sobre evidência foi apresentada, a fim de pro-
var a realidade do sacerdócio celestial de Cristo, bem como sua rematada
superioridade em relação a qualquer outro sacerdócio terrestre. O resumo
dessa análise está em Hebreus 8:1 e 2: "Ora, o essencial das coisas que te-
mos dito, é que possuímos tal sumo sacerdote, que Se assenta à destra do
trono da Majestade nos Céus, como ministro do santuário e do verdadei-
ro tabernáculo que o Senhor erigiu, não o homem."
Enquanto o próprio João, em Patmos, se admirava de que Jesus ainda
não houvesse retornado, o Senhor apareceu-lhe na qualidade de sacerdote
no santuário celestial, vestido de branco e caminhando por entre os casti-
çais que estão junto ao trono do Pai. A todo crente que hoje pergunta:
"Onde está Jesus e o que está Ele fazendo durante a demora que precede
Sua segunda vinda?", a resposta provém do Novo Testamento, especial-
mente de Hebreus e Apocalipse: Ele está operando por nós, Ele está atuan-
do como nosso Sumo Sacerdote na presença de Deus!
O professor Fritz Guy, um de meus colegas de seminário, expressou o
assunto nos seguintes termos:

Nós não dizemos que Cristo foi nosso Sumo Sacerdote; afirma-
mos, sim, que Ele é. Ele não apenas fez alguma coisa para salvar-nos,
há cerca de dezenove séculos e meio; Ele Se encontra em ativídade
por nós agora, hoje, neste exato momento. O processo de reconcilia-
ção, de perdão, de cura, de restauração das relações rompidas, de re-
composição das vidas fragmentadas — tudo isso está em andamento,
pois Ele Sc acha "vivendo sempre para interceder" em favor daqueles
"que por Ele se chegam a Deus" (Hebreus 7:25).4

Nos tempos bíblicos, o ministério celestial de Cristo foi ilustrado pelos


sacerdotes que ministravam na tenda-santuário que Deus ordenou a Moí-
sés fosse construída. Veja Êxodo 25 a 30 e Hebreus 8 c 9. Aquele era ape-
nas um modelo do santuário, lembre-se. Na verdade, tratava-se apenas de
uma tenda transportável, um "tabernáculo". Com o passar do tempo, ele
foi substituído pelo magnificcntc templo d.c Jerusalém, que se baseou na
mesma planta. O templo celestial é vastamente mais amplo, é indescriti-
velmcnte mais glorioso, quando comparado com a tenda ou com o tem-
plo em Jerusalém. E bom manter isso em mente. Ainda assim, por vezes a
Bíblia chama o santuário celestial de templo-, tal como o de Jerusalém. Ou-
tras vezes a Bíblia o denomina tabernáculo, o "verdadeiro tabernáculo"
(Hebreus 8:2), em consideração ao antigo modelo transportável.
165
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
No pátio externo do pequeno modelo terrestre do santuário, os cordeiros
eram sacrificados diariamente sobre o altar dos holocaustos. O altar representa-
va a cruz. A morte diária dos cordeiros mostrava que tão-somente por meio da
morte de Cristo na cruz por nós, somos capazes de receber nossa vida diária.
No interior do santuário, o primeiro compartimento chamava-se lugar
santo. A mesa com os pães da proposição (ou pão contínuo; veja Números
4:7) ali se encontrava. Ela representava o trono celestial de Deus, ao passo
que o pão sobre ela colocado, simbolizava nosso Salvador. Jesus disse: "Eu
sou o Pão da vida." S. João 6:35 e 48. O castiçal com sete lâmpadas, tam-
bém situado no lugar santo, simbolizava - entre outras coisas - a luz que
o Espírito Santo espalha em nossa vida, proveniente de Jesus, a Luz do
mundo. O incenso que subia do pequeno altar de ouro, significava a con-
tínua intercessão de Cristo em nosso favor.
O segundo compartimento, mais interno, recebia o nome de lugar san-
tíssimo. Ele continha urna arca de madeira, toda revestida de ouro, dentro
da qual estavam as tábuas de pedra dos Dez Mandamentos. Por vezes, esta
arca é referida como a arca do concerto. Ela também representa o trono de
Deus. A presença dos Dez Mandamentos, dentro da arca, mostra que o go-
verno de Deus não é arbitrário. Baseia-se, antes, na lei, uma lei escrita, uma
lei de amor que nos mostra como podemos amar uns aos outros e como
podemos expressar nosso amor a Deus.. O sumo sacerdote adentrava o lu-
gar santíssimo uma vez ao ano, no chamado Dia da Expiação, que era tam-
bém o dia anual de juízo. O dia anual de juízo mostra que nossas ações são
importantes à vista de Deus. Somos criaturas responsáveis, e Deus respei-
ta nossas decisões e as avalia.
Jesus morreu por nós sobre a cruz (o altar dos holocaustos). O próprio
Jesus é o Pão da vida (os pães da Proposição, sobre a mesa). Jesus é a Luz
do mundo {que brilhava das sete lâmpadas do castiçal). Veja S. João 9:5.
Jesus é o Sumo Sacerdote no Dia da Expiação/Dia do Juízo. Em favor de
todo aquele que se arrepende genuinamente, Jesus Se encontra de pé dian-
te do íntimo trono de Deus (a arca do concerto que contém os De/ Man-
damentos por nós quebrados), e assegura ali o nosso perdão.
Graças a Deus! Exatamente agora, neste preciso momento, temos no san-
tuário celestial um Sumo Sacerdote que vive para realizar intercessão por nós.
Apocalipse e o santuário. Pelo fato de o Apocalipse ser um livro que revela
a Jesus, e em virtude de Jesus estar agora no santuário celestial, não nos cau-
sa surpresa constatar que o santuário (ou templo) celestial é mencionado re-
petidamente nesse livro. De fato, existem catorze referências ao templo em
Apocalipse — e destaca-se a sua localização no dHi. Ele é identificado como
o "santuário que se encontra no Céu" (14:17), como o "santuário de Deus,
que se acha no Céu" (l 1:19) e como o "santuário do tabernáculo do teste-
munho" que se abriu "no Céu" (15:5). O trono de Deus, que se acha loca-
166
Apocalipse 4, 5

CINCO CENAS INTRODUTÓRIAS QUE MOSTRAM O SANTUÁRIO

LUGAR SANTÍSSIMO LUGAR SANTO


í.1e;,i dos Pàoic i F>rr>pcs ;<"i •>
n n lUmTiono)
íí SETE SELOS
1 1 Arei da Conceito fl::.ii is Oura ——
4 |[Umimro) 3 SETE TROMBETAS

n
GRANDE
CONFLITO i CB!.;í1
1 SETE IGREJAS

O templo de Deus - o santuário celestial - é amplo e glorioso. Não podemos vê-lo,


mas podemos conhecer muitas coisas importantes a_seu respeito, com base no pe-
queno santuário terrestre que Moisés construiu. Veja Êxodo 25 a 30 e Hebreus 8 e 9.
Cinco divisões do Apocalipse têm como introdução cenas relacionadas com o san-
tuário celestial. O diagrama provê uma planta baixa do santuário terrestre ao qual
se integram essas divisões. Os móveis do modelo apenas simbolizam as coisas
celestiais, evidentemente.

PORÇÃO HISTÓRICA DO APOCALIPSE, CAPÍTULOS 1 a 14


Cenas do Lugar Santo

1. SETE IGREJAS. Jesus vestido como sacerdote, caminha entre os castiçais,


que aqui representam as igrejas que transmitem a luz de Cristo ao mundo.
Jesus envia cartas às igrejas.
2. SETE SELOS. Jesus, o Cordeiro morto e ressurreto, abre os sete selos de
um livro, enquanto Se encontra de pé ao lado da mesa-trono. Sua mensa-
gem é que, embora o sofrimento esteja por sobrevir, Ele é apto para prote-
ger Seu povo e selá-lo.
3. SETE TROMBETAS. Junto ao altar de ouro, um anjo que representa Jesus
oferece o incenso que simboliza a Sua intercessão, e então joga fogo em di-
reção à Terra - símbolo dos flagelos enviados com amor, tendo em vista en-
sinar, restringir e punir.

A Cena do Lugar Santíssimo

4. O GRANDE CONFLITO. A arca do concerto é exposta, contendo os Dez


Mandamentos. As mensagens enfatizam os mandamentos, o juízo final e a
condenação derradeira daqueles que transgridem os mandamentos.

PORÇÃO ESCATOLÓGICA DO APOCALIPSE, CAPÍTULOS 15 a 22

Uma Cena Externa ao Templo

5- SETE ÚLTIMAS PRAGAS. O santuário abre-se para permitir a saída dos an-
jos que derramarão as sete últimas pragas e então se fecha, simbolizando
o fim da provação humana.

167
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
lizado no interior do templo celestial, recebe quarenta referências. Deus é ca-
racteristicamente identificado como "Aquele que Se assenta no trono".
O santuário celestial é um ponto central cia mensagem do Apocalipse.
Cinco das grandes divisões do livro começam com cenas centralizadas no
santuário. As cenas introdutórias - relacionadas com o santuário — das três
primeiras divisões, têm a ver com o lugar santo. A visão do santuário na
quarta divisão, tem a ver com o lugar santíssimo; na quinta divisão, foca-
liza-se o santuário como um todo.
As cinco cenas do santuário são verdadeiros marcos, que nos condu-
zem à compreensão do significado do Apocalipse. Examine o esquema da
página anterior.
1. As sete igrejas. Antes de ouvir Jesus "ditar" as cartas às sete igrejas, João víu-
O representado como estando a andai" entre os candeeiros (ou castiçais] do lu-
gar santo. Jesus identificou os castiçais como representando, naquela ocasião,
a Sua igreja, que supostamente deve refletir ao mundo a Sua luz. ("Vós sois a
luz do mundo", dissera Ele a Seus leais seguidores. S. Mateus 5:14.) O ponto
era bem claro. Cristo estava com Sua igreja, servindo-lhe de pastor e sacerdo-
te, zelando por ela, encorajando-a e purificando-a, ajudando-a a brilhar inten-
samente com a Sua própria luz pura e amorável. Veja a página 98.
2. Os sete selos. João viu quando Jesus abriu os sete selos. Ouviu adver-
tências quanto a perturbações que se achavam à frente; escutou promessas,
também, de que Jesus escudaria e selaria o Seu povo. Antes, porém, ele viu
a Jesus como um Cordeiro morto, de pé junto ao trono de Deus (a "mesa
dos pães da proposição"), no lugar santo. Uma vez mais, o ponto focal era
claro. Cristo compreende nossos sofrimentos e é mais que igual a nós a esse
respeito. Depois de ter sido torturado até a morte, Ele retornou à vida. Se
tremendas provas encurtarem a nossa existência terrestre, Ele nos trará um
dia de volta à vida. Veja as páginas 217-223.
3. As sete trombetas. Imediatamente antes de ver os flagelos de Deus caírem
sobre a Terra, em conexão com as sete trombetas, João observou um anjo que
representava a Jesus, no ato de oferecer incenso sobre o altar de ouro, e que
cm seguida jogou fogo à Terra. Cristo ouve nossas orações. Em resposta às
nossas preces, por vezes Ele envia ferozes provas para restringir nossos inimi-
gos e para punir as pessoas que procedem mal. Veja as páginas 229-235-
4. As cenas do grande conflito. A última divisão da primeira porção do
livro de Apocalipse (a porção histórica), esboça o grande conflito entre
Cristo e Satanás. Ao assim proceder, ela enfatiza os mandamentos de
Deus e anuncia o julgamento final. Apropriadamente, a cena do santuá-
rio que abre esta divisão, mostra as áreas mais íntimas do templo como
estando "abertas" (Apocalipse 11:19), de tal forma que "foi vista a arca da
aliança no Seu santuário". Ao vislumbrar o julgamento final da Terra,
João contemplou o trono de Deus no lugar santíssimo, exatamente como
168
Apocalipse 4, 5
o via o sumo sacerdote no dia anual da Expiação/Julgamento, aqui no
modelo terrestre do santuário.
5. As sete últimas pragas. A quinta visão do santuário celestial que João
contempla, ocorre na porção final, ou cscatológica, do livro de Apocalip-
se. O santuário abre-se, mas apenas durante o tempo suficiente para que
dele saíam os anjos que carregam consigo as sete últimas pragas. Ele torna
a fechar-se depois. A glória de Deus enche-o, e ninguém é capaz de nele
entrar. Para os ímpios que recusaram arrepender-se, a misericórdia final-
mente cessou. Começam a cair as sete últimas pragas.
Apropriadamente, as demais divisões do Apocalipse não são iniciadas com
cenas do santuário. Na ocasião em que se cumprirem essas divisões, os servi-
ços do santuário terão cessado. Não é de surpreender, pois, que em Apocalip-
se 21:22 João diga que não existirá um templo estrutural na Nova Jerusalém.
Quando a cidade descer do Céu até a Terra, os santos já terão sido redi-
midos. Estarão aptos a contemplar diretamente a amorável face de Deus.
Ele certamente ainda ocupará um trono, mas já não haverá necessidade de
um santuário, tal qual o conhecemos.
Neste preciso momento, contudo, ainda necessitamos um santuário ce-
lestial. Agradeçamos a Deus porque o templo ainda se encontra lá, e den-
tro dele está o nosso vivificante e terno sumo Sacerdote.
Quão bom é sabermos que Aquele que Sc assenta no trono nos ama tan-
to quanto o próprio Jesus - c que cm torno dEle, no Centro de Controle
Cósmico, existem quatro criaturas viventes, vinte c quatro anciãos e incon-
táveis anjos, cada um dos quais sente no coração o mais profundo interes-
se por nós. O santuário celestial é um lugar de paz.

LOCALIZAÇÃO DAS CENAS INTRODUTÓRIAS QUE MOSTRAM O SANTUÁRIO


SETE SETE SETE GRANDE Coras que uliizam símbolos do santuário (ou templo) celestial aírem
3REJAS SELOS TROMBETAS CONFLITO cada uma das divisões da primeira porção do Apoca'psa, o a prmc:ra
divisão da segunda porção. Cada cena do santuário relaciona-se com
MO LUGAR B mBnsag«ndadh»0(|ueaap(esenla. Veja lambem a página 441.
• NO LUGAR SANTO

AS SETE PRAGAS

A QUEDA DE BABILÓNIA

O MILÉNIO

A NOVAJERUSALÉM

SSAS QUATHO DIVISÕES TEM SEU CUMPRIMENTO PARALELAMENTE. DOS


EMPOS DO NOVO l tKTAMENTO MH O TEMR l DO FIM A MAIORIA DOS EVEN-
cà CCC;-:MÊ ENCUJNIO CRIS SEU MINISTÉRIO NO SAN-
UAPIO CELESTIAL, ESTANDO. P" - MESCL AIjOS COM -\A MISERICÓRDIA

PORÇÃO HISTÓRICA PORÇÃO ESCATOLÓGICAfFIM DO TEMPO)


Respostas às
Suas Perguntas
l. É o santuário celestial uma estrutura física literal?

A descrição que João faz do trono de Deus, no santuário celes-


tial, é vivida e brilhante; entretanto, alguns comentaristas têm
imaginado que o santuário celeste não é uma estrutura literal.
Eles chamam a atenção ao texto de Apocalipse 21:22, no qual
é dito que o templo da Nova Jerusalém "é o Senhor, o Deus
todo-poderoso e o Cordeiro". Eles também destacam que um escritor judeu do
primeiro século, Filo, falou das coisas celestiais de uma tal forma que negou a
sua realidade, exceto no domínio dos pensamentos. Esses comentaristas enten-
dem que os autores neotestamentários de Hebreus e Apocalipse foram forte-
mente influenciados pela mesma forma de pensamento exposta por Filo. Afir-
mam tais comentaristas que, no momento em que Hebreus e Apocalipse men-
cionam um santuário celestial, o que existe por detrás é meramente uma reali-
dade conceituai que, a exemplo de Filo, ocorre apenas no reino da imaginação.
Por mais popular que tenha sido o argumento de Filo durante algum
tempo, entre certos estudiosos preeminentes e seus respectivos discípulos,
em anos recentes Ronald Wllliamson e D. McNichol* opuseram a esses
elaborados argumentos outros argumentos igualmente profundos, de-
monstrando que o livro de Hebreus certamente não foi influenciado pelas
ideias de Filo. Williamson fala, na conclusão de sua gigantesca obra, das
"marcantes e fundamentais" diferenças entre Filo e Hebreus, e estabelece:
"Em aspectos tão fundamentais como o tempo, a história, a escatologia,
natureza do mundo físico, etc., as ideias de Filo e do autor de Hebreus en-
contram-se em pólos opostos."7
É de estarrecer o pensamento sobre o que terá motivado outros intelectuais
a descrever o livro de Hebreus como apenas um eco do pensamento de Filo!
Quanto ao texto de Apocalipse 21:22, que afirma ser o templo da Nova
Jerusalém "o Senhor, o Deus todo-poderoso c o Cordeiro", devemos ob-
servar que ele ocorre no final do Apocalipse, depois de João ter contempla-
do muitas vezes o templo celestial e seus equipamentos. Veja, por exemplo,
Apocalipse 4:1-5; 8:3; 11:1 e 19; 15:5 e 8. O templo divino, ou santuário
celestial, c necessário durante o período emergencial do pecado. Evidente-
mente, porém, ele não mais será necessário em sua presente forma depois
que essa emergência tiver recebido o devido tratamento. Usando uma fi-
gura de linguagem, poderíamos dizer que Deus Se envolverá numa subli-
me obra de reurbanização celestial, eliminando o atual santuário do Céu e
Apocalipse 4, 5
utilizando o espaço correspondente para algum outro propósito. Já sabe-
mos que haveremos de ter um. novo Céu e uma nova Terra em lugar da-
queles que hoje existem. Veja Apocalipse 21:1. Por certo, teremos também
alguma coisa nova em lugar do celeste santuário que hoje ali está.
Várias evidências nos estimulam a crer que o santuário atualmente em
uso é, de fato, uma estrutura literal.
1. Hebreus 8:2 fala enfaticamente do "verdadeiro tabernáculo que o Se-
nhor erigiu, não o homem". Esse tabernáculo verdadeiro ou santuário ce-
lestial é o lugar onde Jesus ministra, z Jesus é um ser humano. Ele não é um
espírito intangível. Após a ressurreição, Ele convidou os discípulos a toca-
rem nEle: "Apalpai-Me e verificai, porque um espírito não tem carne nem
ossos, como vedes que Eu tenho." S. Lucas 24:39. Um ser humano que
possuí corpo real, necessita uma estrutura literal para nela trabalhar.
2. Deus é o Criador. Ele é o único Criador, a única Pessoa que em todos os
rempos trouxe algo à existência. Ele é o único Ser que verdadeiramente criou al-
guma coisa. (O restante dos seres, nós inclusive, podemos apenas modificar a
forma daquilo que Ele criou!) Deus fez a nossa Terra. Ele fez as estrelas. Ele fez
os "vários universos". Ele fez a Nova Jerusalém, "a cidade... da qual Deus é o
Arquiteto e Edificador". Hebreus 11:10. De forma alguma Lhe teria sido difí-
cil construir um santuário celeste real. Seria bem ao Seu estilo pessoal fazê-lo.
3. A cena de abertura do julgamento final, descrita cm Daniel 7:9 a
14, é apresentada cm linguagem literal. São colocados tronos, determi-
nados livros são abertos, c aparece o Filho do homem. A cena pressupõe
uma localização literal.
4. O santuário deve ser muito grande c muito glorioso. Em Daniel 7:9
a 14, o Filho do homem viaja sobre "as nuvens do Céu". As nuvens são
sempre feitas de alguma coisa — nuvens de pó, nuvens de gafanhotos, nu-
vens de vapor d'água, por exemplo. E muito provável que, nesse caso, as
nuvens sejam compostas por anjos leais. Adicionalmente, "milhões de mi-
lhões" de outros anjos circundam o trono de Deus. Veja Apocalipse 5:11-
O santuário celestial não pode ser pequeno.
5. Apesar disso, algumas outras referências bíblicas parecem apontar a um
santuário celestial pequeno, uma estrutura que faz lembrar o tabernáculo ter-
restre em tamanho e forma. Em Êxodo 25:40, Moisés foi instruído a cons-
truir seu tabernáculo c respectivo mobiliário "segundo o modelo que te foi
mostrado no monte". Na tradução grega (Septuaginta) de Êxodo 25:40 e de
Hebreus 8:5 (que cita o texto de Êxodo), a palavra usada para "modelo" é
TUPOS, tipo. Desde os dias de Leíevre D'Étaples (1450-1537)8 alguns co-
mentaristas tem visto nessa linguagem uma possível referência a um santuá-
rio-modelo - um "tipo" do verdadeiro santuário funcional — que também es-
taria localizado no Céu. A linguagem do texto permite admitir-se a possibi-
lidade de que Deus tenha criado um modelo arquitetônico no Céu, para que
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Moisés o estudasse e, com base nele, construísse o seu próprio tabernáculo.
Tal modelo teria encontrado utilidade secundária em auxiliar os seres inteli-
gentes de outras partes do Universo a se familiarizarem com o tabernáculo
terrestre, sua função e mensagem. Um outro autor da atualídade que admi-
tiu semelhante possibilidade, foi Richard Davidson, em sua tese doutoral,
Tipology in Scripture [Tipologia nas Escrituras].9
Estejamos ou não no caminho correio ao falar de um pequeno modelo
arquitetônico no Céu, a existência literal de uma estrutura para o templo,
ampla e gloriosa, parece altamente provável em vista das muitas visões que
dela teve João, da linguagem literal de Daniel 7, das claras afirmações de
Hebreus 8 e 9, da capacidade criativa única de Deus e da realidade literal
de um corpo humano em Cristo.
William Johnsson, um outro estudioso recente desses assuntos,10 mos-
trou que o livro de Hebreus estimula a fé "na divindade literal, humanida-
de literal, sacerdócio literal, concerto literal, sacrifício literal, purificação li-
teral, literal acesso (a Deus) c, em harmonia com isso, um santuário celes-
te literal ", Podemos descansar na certeza de que o Apocalipse também
apresenta um santuário celeste real, literal.

2. Porventura os textos de Apocalipse 4 e 5 e de Daniel 7:9 a 14 des-


crevem o julgamento?
Quando comparamos Apocalipse 4 c 5 com a cena do juízo apresenta-
da em Daniel 7:9 a 14, à primeira vista ocorrem muitas semelhanças apa-
rentes. Cada um dos relatos inicia com referências ao trono de Deus, tro-
nos adicionais e um vasto número de assistentes; cada uma delas fala a res-
peito de livros (ou, pelo menos, um livro); as duas falam do subsequente
aparecimento de Cristo Jesus. Em vista de tais semelhanças, bastante cla-
ras, muitos comentaristas têm considerado as duas cenas como virtual-
mente idênticas. E, desde que Daniel 7:9 a 14 trata explicitamente de uma
cena judicial, eles têm sustentado que Apocalipse 4 e 5 também trata de
um quadro de juízo - a mesma cena de juízo.
Existem, contudo, marcantes diferenças entre ambas, de tal modo que
se pode concluir que as duas cenas não são, realmente, uma só.
As diferenças. Daniel 7:9 a 14 começa com a colocação de tronos em al-
gum lugar novo do Céu, e com Deus assentando-Se num dos tronos. Apo-
calipse 4 e 5, entretanto, começa com Deus já assentado em Seu trono.
Daniel 7:9 a 14 apresenta um dramático aparecimento do Filho do ho-
mem nas nuvens dos Céus. Em Apocalipse 4 e 5, por outro lado, João sim-
plesmente se dá conta, repentinamente, de que o Cordeiro está presente.
Em Daniel 7:9 a 14 os livros já estão abertos, antes que o 1'ilho do homem
apareça. Em flagrante contraste, a ênfase focal de Apocalipse 4 e 5 é de que o
pequeno livro está fechado — complctamentc fechado; encontra-se selado com
Apocalipse 4, 5
sete selos - até que o Cordeiro assume a tarefa de abri-los. A porção restante
da divisão dos sete selos (Apocalipse 6:1 a 8:1) continua a descrever a ativída-
de do Cordeiro, à medida que Ele prossegue na tarefa de abrir os selos.
Não somos informados a respeito de quem abriu os livros apresentados por
Daniel. Apenas nos é dito que eles foram abertos. Mas em Apocalipse 4 e 5,
o ponto enfaticamente salientado é que nenhum ser criado, no Universo intei-
ro, foi capaz de abrir os selos do livro! Somente o Cordeiro pôde fazc-lo.
Daniel 7:9 a 14 é inquestionavelmente uma cena de juízo. Daniel 7:10,
22 e 26 indica expressamente que este é o caso. Em contraste, a cena de
Apocalipse 4 e 5 não é rotulada como sendo de juízo.
Concluímos, pois, que Daniel 7:9 a 14 c Apocalipse 4 e 5 não descre-
vem a mesma realidade, mas dois eventos diferentes.
O trono de Deus: fixo ou móvel? Se as diferenças são tão óbvias, como po-
dem comentaristas inteligentes concluir que ambas as cenas são uma só?
As palavras de um desses comentaristas retratam a pressuposição de mui-
tos outros: "O lugar da habitação de Deus no santuário é o santo dos san-
tos" {ênfase suprida).11 Em outras palavras, muitos comentaristas assumi-
ram, incorretamente, que Deus possui apenas um trono no santuário ce-
lestial, e que o lugar desse trono corresponde ao compartimento íntimo —
muitas vezes identificado como o lugar santíssimo* do santuário do Antigo
Testamento. Eles concluíram — desnecessariamente — que pelo fato de
Apocalipse 4 e 5 mostrar a Deus em Seu trono celestial, a cena deve ser
uma representação pictórica do lugar santíssimo do santuário celestial.
A suposição de que o trono celestial de Deus está localizado apenas no
lugar santíssimo do santuário celeste, ignora o fato de que, nos tempos do
Antigo Testamento, a presença de Deus não se confinava sempre ao santo
dos santos, mas por vezes era representada no lugar santo. Veja, por exem-
plo, Êxodo 33:9 e Ezequiel 9:3. Ignora igualmente o propósito simbólico
da mesa dos pães da proposição (ou pão contínuo).
Hebreus 8:1 e 2, texto escrito no primeiro século depois de Cristo, ine-
quivocamente rctrata a Jesus como Sumo Sacerdote já assentado no trono
do Pai, no santuário celeste. Apocalipse 4 e 5, também escrito no primei-
ro século, igualmente situa o Cordeiro no trono de Deus.
Em contraste, Daniel 7:9 a 14 prevê um ato contínuo, que ocorreria
após os 1.260 dias-anos (ou seja, em algum ponto após 1798), quando tro-
nos seriam colocados em urna nova posição, o Pai deslocar-Se-ia até esses
tronos e tomaria assento num deles, e numerosos outros seres viventes
* Hm Levítico 16 fo principal capítulo da Bíblia a tratar da área geralmente conhecida como "san-
to dos santos" ou "santíssimo") a área Interna c simplesmente designada como "santuário". Vários no-
mes diferentes são usados para os dois compartimentos. Em Números 18:10, Moisés identifica o pri-
meiro compartimento como "santíssimo". Portanto, não necessitamos fazer tanta questão do nome
"santíssimo" quando nos referimos a localização do trono de Deus. Qualquer lugar em que Deus este-
ja, é santo, mesmo que se trate de uma sarça ardente no deserto. Veja Êxodo 3:2-5.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
unir-se-iam a Ele. Depois que os livros fossem abertos e o juízo se estabe-
lecesse, o Filho do homem deslocar-Se-ia até esse novo lugar, de forma a
reassumir Sua posição junto ao trono do Pai.
A conclusão lógica e simples a ser traçada é que, por ocasião de Sua ascen-
são em 31 d.C., Jesus ocupou a posição ao lado do Pai, sentado num lugar
do santuário celestial que equivale à mesa dos pães da proposição (ou contí-
nuo), no vasto e glorioso "lugar santo" do santuário celestial. Nesse lugar, João
O viu abrir os sete selos. Subsequentemente, após o término dos 1.260 clías-
anos, ou mais especificamente, em 1844 - ao findarem os 2.300 dias-anos —
tronos foram postos em outro lugar sagrado, no vasto c glorioso santuário ce-
leste. Para alertai- o Universo sobre o impressionante fato de que o julgamen-
to furai estava finalmente pronto para começar, o Pai mudou-Se para essa
nova localização, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos muda-
ram-se para seus novos tronos, os livros foram colocados na devida posição, e
quando tudo havia sido preparado, o Filho do homem também mudou-Se.
Esse novo lugar, essa segunda arena do vasto e glorioso santuário celestial é
equivalente ao lugar santíssimo do tabernáculo do Antigo Testamento.
O ponto de vhta de Uriah Smith quanto ao trono móvd de Detis. Uriah Smith
foi um comentarista bíblico do século dezenove que percebeu a mobilidade do
trono de Deus c a verdadeira localização do trono em Apocalipse 4 e 5:

Que Deus tenha Se fixado de forma irremovível na posição em


que está, entre os querubins sobre a arca, e que não possa comungar
ou encontrar-Se com Seu povo a partir de nenhum outro lugar, ... é
algo contrário ao registro; pois às vezes Ele Se encontrou tanto com
Moisés quanto com os filhos de Israel, à porta do tabernáculo. Êxodo
29:42 e 43; 33:9 e 10. Além disso, estaria Deus habitando entre os
querubins, sobre a arca, quando os filhos de Eli a levaram precipita-
damente à batalha, e ela caiu nas mãos dos filisteus?...
Mesmo que Deus efetivamente, aqui na Terra, Se encontrasse c co-
mungasse com Seus servos ali entre os querubins sobre a arca, de tal
modo que esse lugar viesse a ser conhecido como o lugar de Sua habi-
tação, ... não se deveria estabelecer um paralelo [que também deva ser
assim no Céu]; se em Seu relacionamento com os homens esse fosse o
melhor modo de proceder, não necessariamente assim seria no Céu. ...
Da visão que Ézequiel teve de Deus c Seu trono, nos capítulos l e
10 de seu livro, parece que o trono de Deus é, por si mesmo, um tro-
no vivente, apoiado pela mais exaltada ordem de querubins. ...
Que o trono de Deus, no Céu, está irremovivclmente fixado num
lugar... é algo que não pode ser demonstrado; pois na visão de Ezc-
quiel, acima referida, ele é representado como cheio de sublime vida
e inabordável majestade, e movendo-se para onde quer que fosse o
Apocalipse 4, 5
Espírito. No que diz respeito ao tabernáculo terrestre, por vezes ele
[o trono] situava-se à porta da. casa do Senhor. Ezequiel 10:18 e 19...
Vimos, a partir da sublime descrição de Ezequiel, que o trono de
Deus é, por si só, um trono de vida e movimento. O Criador do Uni-
verso, o Sustentador e Regente de todo esse vasto reino, não está fi-
xamente confinado a qualquer localidade. Ainda assim, Ele habita
entre os querubins, pois Seu trono é sustentado por estes seres ex-
traordinários. Temos agora evidências para demonstrar que, ao Cris-
to iniciar Seu ministério lá em cima, no trono de Seu Pai, esse trono
se encontrava no primeiro compartimento do santuário celestial. ...
A cena [de Apocalipse 4 e 5] abre com o início do ministério de
Cristo, e nesse tempo o trono de Deus achava-se no primeiro com-
partimento do santuário.12

Conclusão. Considerando que os eventos, a descrição, a ênfase e a loca-


lização das duas cenas são todas diferentes, devemos concluir que Apoca-
lipse 4 e 5 e Daniel 7:9 a 14 descrevem duas cenas diferentes, e não ape-
nas uma. Unicamente Daniel 7:9 a 14 retrata o julgamento.

REFERÊNCIAS:

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Creek, Mich.: Struni Prrss ofthr Seventh-day Advenlisí Publishing Associníian, 1877). págs. 231-234.
Apocalipse 6:1 a 8:1

Cristo Protege o Seu


Povo em Aflição
Introdução
/\o de sua avançada idade, o apóstolo João scntia-se
^^^_A tão curioso quanto uma criança, querendo descobrir o que
^^^^\e achava no interior do livro selado com sete selos.
_ f ^^^ Jesus havia prometido mostrar-lhe "o que deve acontecer
B depois destas coisas". Apocalipse 4:1. Indubitavelmente,
João sabia que o profeta Ezequiel certa vez segurara um rolo escrito de am-
bos os lados, similar a esse que Jesus agora recebera das mãos de Deus. O
rolo de Ezcquíel achava-se cheio de "lamentações, suspiros e ais". Ezequiel
2:8-10. Seria o futuro do mundo marcado por contínuas lamentações, sus-
piros e ais?, teria perguntado o apóstolo João.
Sim, evidentemente seria. Mas esse não era o ponto principal que Je-
sus desejava que João — e nós — conhecêssemos. Em vez disso, Ele dese-
java dizer-nos que em todas as nossas aflições Se ofereceria como nosso
protetor e escudo.
Muitas vezes, na Bíblia, Deus é apresentado como escudo. Durante
um período de tensão militar, o próprio Deus incentivou Abraão a lem-
brar-se de que "Eu sou o teu escudo". Génesis 15:1. Frequentemente sob
fogo inimigo, Davi animava-se com a mesma promessa: "O Senhor é a
minha força e o meu escudo." Salmo 28:7. "Tu és o meu refúgio e o meu
escudo." Salmo 119:114.
Aflição, opressão e angústia sobrevêm a todos nós. Mas, na divisão
do sétimo selo de Apocalipse, Jesus nos faz saber que, através do poder
do evangelho, Ele nos pode escudar de muitos dos efeitos devastadores
dos desastres rotineiros (Apocalipse 6:1-8); na hora da morte, Ele pode
livrar-nos do temor, ao garantir a nossa ressurreição (6:9-1 1; 7:9-17);
e mesmo durante a pior angústia, na crise do fim do tempo, Ele pode
proteger-nos com o "selo do Deus vivo". Apocalipse 7:1-3.
177
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse

ORGANIZAÇÃO DO APOCALIPSE
OS SETE SELOS O LIVRO DE APOCALIPSE EM FORMA DE ESPELHO
Efcltfci)
Custo P-aHty. u S«J

CÍ.I.TOÍH ixw.ndo a motw

O quadro mostra que estamos a ponto de descobrir os segredos dos sete selos.

A abertura dos sete selos foi precedida pela dramática cena da sala do
trono, que examinamos no capítulo anterior. Ela é interrompida entre o
sexto e o sétimo selos, pela apresentação de cenas de atribuição e segu-
rança do tempo do fim. Um importante aviso é feito ao grupo de anjos
que conservam "seguros os quatro ventos da Terra", para que a nenhum
vento seja permitido soprar, até que "os servos do nosso Deus" tenham
sido selados "em suas frontes". Apocalipse 7:1-3. Há aqui um trocadi-
lho sério c sagrado. (Palavras intimamente relacionadas aparecem no ori-
ginal grego.) Enquanto Jesus abre os sete selos do livro, um anjo sela o
povo de Deus cm suas testas.
Nestas cenas de atribuição e segurança, João vê os 144 mil e então,
adicionalmente, uma grande multidão de outras pessoas. Felizes c re-
gozijantes, eles estão em pé junto ao trono de Deus, ao lado do Cor-
deiro, das criaturas viventes e dos anjos. A despeito de guerras, epide-
mias, fomes e perseguições, Cristo terá conduzido Seu povo à vitória
e ao gozo eterno.
Estas são boas novas; elas se aplicam a nós, pois através do "sangue
do Cordeiro" (7:14) nós e nossas famílias podemos nutrir a esperan-
ça de estarmos lá com a feliz multidão, qualquer dia desses. Podemos
ser agradecidos porque o Cordeiro abriu os sete selos, dando-nos a
conhecer o seu conteúdo. Podemos sentir-nos alegres porque Ele nos
amparará ao longo do caminho que temos de percorrer entre o dia de
hoje e aquele dia.

178
Apocalipse 6:1 a 8:1

SETE SELOS: Cristo Protege o Seu Povo em Aflição. 4:1 a 8:1.

1. Cena introdutória mostrando o santuário: Deus sentado em Seu


trono; o Cordeiro é declarado digno de abrir os selos. 4:1 a 5:14.

2. Os seis primeiros sefos. 6:1-

3. Cenas do tempo do fim: atribuição e segurança. 7:1-17.


a. Atribuição: os servos de Deus são selados (na Terra).
b. Segurança: os 144 mil e a grande multidão (no Céu).

4. Consumação: sétimo selo, silêncio no Céu. 8:1.


A Mensagem de
Apocalipse 6:1 a 8:1
I. Um dos Cavaleiros Tem um Cavalo Branco

M uitas pessoas já ouviram falar dos "quatro cavaleiros do


Apocalipse". A maioria pensa que eles reprcsenram epide-
mias, fomes e guerras.
Isso confere; mas não com todos eles. Não é o que ocorre
com aquele que cavalga um cavalo branco. Esse é diferente.
Por falar nisso, acha-se a sua família envolvida com os sete selos? As
crianças pequenas estão familiarizadas com os desenhos de TV, especial-
mente aqueles que representam animais. E, desgraçadamente, elas também
estão muito familiarizadas com a violência e morte repentina. Conte às
suas crianças a respeito dos quatro cavaleiros c, especialmente, acerca do
homem que monta o cavalo branco, c que c diferente dos demais.
Os quatro cavaleiros c seus cavalos de batalha. Um de cada vez, Jesus
abriu os quatro primeiros selos. A medida que Ele o fazia, uma das cria-
turas viventes que estavam junto ao trono de Deus, dizia, com voz como
de trovão: "Vem!"
A participação das quatro criaturas nos impressiona. Elas se acham mui-
to preocupadas com o nosso bem-estar.
Em resposta ao seu convite, quatro cavaleiros, os quatro cavaleiros do
Apocalipse, apareceram galopando no cenário, um de cada vez. Cada um
deles utilizava um cavalo de cor diferente.
Quando Jesus abriu o primeiro selo, apareceu um cavalo "branco". "O
seu cavaleiro [tinha] ... um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu ven-
cendo e para vencer." Apocalipse 6:2. Ao Jesus abrir o segundo selo, o ca-
valo que entrou em cena era "vermelho". "E ao seu cavaleiro foi-lhe dado
tirar a paz da Terra para que os homens se matassem uns aos outros;
também lhe foi dada uma grande espada." Versos 3 e 4.
O cavalo do terceiro selo era "preto". "E o seu cavaleiro [tinha] ... uma
balança na mão. E ouvi uma voz no meío dos quatro seres viventes, di-
zendo: 'Uma medida de trigo por um denário; três medidas de cevada
por um denário; e não danifiqueis o azeite e o vinho.'" Versos 5 a 7.
O quarto animal era "amarelo". A versão New English Bible diz que ele
era "de uma palidez doentia". A New American Standard Biblc apresenta-o
como "acinzentado". Seu cavaleiro chamava-se "Morte", e o "Inferno" (ou
"Hades") o seguia.
Em conjunto, esses três medonhos cavaleiros (os três últimos) recebe-
Apocalipse 6:1 a 8:1
ram "autoridade sobre a quarta parte da Terra, para matar à espada, pela
fome, com a mortandade e por meio das feras da Terra". Versos 7 e 8.
Cavalos de cores semelhantes são encontrados em duas séries no livro de
Zacarias. No primeiro capítulo desse livro, há dois cavalos vermelhos e ne-
nhum preto. Zacarias 6 apresenta pelo menos oito cavalos, dispostos em uma
ordem diferente: vermelhos, pretos, brancos e salpicados de cinza, todos eles
atrelados a carruagens. Seu trabalho é "percorrer a Terra". Eles não possuem
cavaleiros. E evidente que não são os mesmos cavalos do Apocalipse.
No Apocalipse, ao cavaleiro do animal vermelho é dada uma "espada"
e lhe c permitido "tirar a paz da Terra" e induzir os homens a se matarem
"uns aos outros". Claramente, ele é um símbolo de violência e guerra.
O homem do cavalo preto, que pesa alimentos a preço fixo, representa
escassez e fome. "Trigo", "cevada", "azeite" e "vinho" eram géneros de pri-
meira necessidade nos tempos antigos. A cevada, sendo mais facilmente
cultivada e recebendo menor apreço das pessoas, era vendida por um pre-
ço inferior, e revelava-se especialmente importante para os pobres, em de-
terminadas áreas. O azeite era essencial na panificação. O vinho aparenta-
va ser mais saudável que a água de velhas cisternas e cursos d'água poluí-
dos. Os limites superiores dos preços eram frequentemente estabelecidos
por lei, especialmente em tempos de escassez. Padeiros que cobrassem ex-
cessivamente em tais épocas, achavam-se sob risco de severas punições.1
A Bíblia identifica o quarto cavaleiro como "Morte". O sepulcro, "Hades" ou
"Inferno", acompanhava-o por todas as partes, sempre disponível e insaciável.
Em resumo, João nos diz que os cavaleiros dos cavalos vermelho, preto
c amarelo cncontravam-se horrivelmente equipados para as suas "carrei-
ras" mortíferas, com "espada", "fome", "pestilência" e "feras da terra".
À primeira vista, não há muita coisa realmente nova aqui. Tragicamente,
guerras, fomes e epidemias têrn sido reconhecidas há muito tempo em sua
clássica função, como representantes dos flagelos que assolam a humanidade.
Em Seu Discurso do Olivete, Jesus explicou que "guerras e rumores de
guerras", "fomes" e "terremotos cm vários lugares" não eram sinais espe-
ciais, restritos ao tempo do fim do mundo. S. Mateus 24:6 e 7. Deveriam
ser aguardados como calamidades normais ao longo da História. (Veja as
páginas 20 e 21. Para uma comparação elucidativa com o Discurso do Oli-
vete, veja o quadro que está na página 183.)
Como vencer os três cavaleiros maus, E evidente, contudo, que as guerras,
fomes e epidemias não necessitariam ser algo normal ou, pelo menos, não
para todas as pessoas. Em Levítico 26, logo depois que os israelitas saíram
do Egíto, Deus lhes prometeu, por intermédio de Moisés, que - se perma-
necessem leais aos mandamentos do Senhor e cumprissem fielmente os
Seus ensinamentos - Ele os manteria prósperos, saudáveis e em paz. Ou
seja, Deus os escudaria contra a ruína causada pelos três cavaleiros maus.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Observe atentamente estas promessas:

Guardareis os Meus sábados e reverenciareis o Meu santuário:


Eu sou o Senhor.

Se andardes nos Meus estatutos, guardardes os Meus mandamentos


e os cumprirdes,
então Eu vos darei as vossas chuvas a seu tempo. ...

Comereis o vosso pão a fartar. ...

Estabelecerei paz na Terra. ..,

Perseguíreis os vossos inimigos. ...

Andarei entre vós, e serei o vosso Deus,


e vós sereis o Meu povo.
Levítico 26:2-12.

Por outro lado, disse Moisés, se Israel transgredisse os mandamentos de


Deus e escolhesse o estilo de vida dos incrédulos, o povo teria de sofrer os
mesmos infortúnios que os descrentes sofreriam. Em outras palavras, Deus
não teria qualquer base para protegê-los dos maus cavaleiros. Enfermida-
des degenerariam em epidemias, escassez se converteria em fome e a der-
rota progrediria até total devastação. Veja Levítico 26:14-33.
O cavaleiro do cavalo branco. Retornamos agora ao cavaleiro do cavalo
branco. Quem é esse cavaleiro misterioso, e o que significa a cor branca?
Georgc Eldon Ladd destacou que

no Apocalipse, o branco é sempre um símbolo de Cristo, ou de algo


associado a Cristo, ou de vitória espiritual. Assim, o exaltado Cristo tem
cabelos brancos, tão brancos quanto a neve (1:4); os fiéis receberão uma
pedrinha branca, com um novo nome escrito sobre ela (2:17); eles usa-
rão vestiduras brancas (3:4, 5 e 18); os vinte e quatro anciãos estão ves-
tidos de branco (4:4); aos mártires são dadas vestes brancas (6:11) e ves-
tidos de branco acham-se os componentes da grande multidão (7:9-13);
o Filho do homem é visto sobre uma nuvem branca (14:14); Ele retor-
na à Terra montado num cavalo branco, acompanhado pelos exércitos
do Céu, que também se acham trajando vestes brancas c cavalgam ani-
mais brancos (19:11 e 14); no julgamento final, Deus é visto assentado
num trono branco (20:11). 2
Apocalipse 6:1 a 8:1

PARALELISMOS ENTRE O DISCURSO DO OLIVETE E


OS SETE SELOS
Começamos este livro com a análise do Discurso do Olivete, pro-
ferido por Cristo, antes de estudar o Apocalipse propriamente dito,
O Discurso do Olivete é um elo vital entre Daniel e Apocalipse, e
lança muita luz sobre ambos.
Quando o esboço do Discurso é posto lado a lado com o esboço
dos sete selos, a relação existente entre o Discurso e o Apocalipse,
aparece com clareza,

O DISCURSO DO OLIVETE OS SETE SELOS

(S. Mateus 24 e 25) (Apocalipse 4:1 a 8:1)


Panorama Profético Geral Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse
Este evangelho será pregado. 1Q selo. Cavaleiro sobre um cavalo
24:14. branco proclama o cristianismo.
6:1 e 2.
Guerras e rumores de guerras:
fome e terremotos. Ainda não é o 2Q, 3Q e 4Q selos. Cavaleiros sobre
fim. 24:6-8. cavalos vermelho, preto e amarelo
infligem fome, guerra e epidemias.
6:3-8.
Período de Tribulação
Período de tribulação
Haverá grande tribulação. 24:21. 5° selo. Almas sob o altar protes-
tam pela perseguição. 6:9-11.
Sinais e o Fim'
Sinais no Tempo do Fim
Sinais no Sol, Lua e estrelas, ime- 6° selo. Grande terremoto; sinais no
diatamente após a tribulação. Sol, Lua e estrelas. 6:12 e 13.
24:29.
Céu enrola-se como um livro. Apa-
O retorno do Filho do homem. rece o Cordeiro. 6:14-17.
24:30. 7° selo. Meia hora de silêncio no
Anjos reúnem os escolhidos. Céu (enquanto os seres celestiais
24:31. acompanham a Cristo em Sua vin-
da à Terra para buscar os escolhi-
dos). 8:1.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Assim, o branco é a cor de Cristo e de Sua justiça.
Significa que o primeiro cavaleiro é Jesus Cristo? Em Apocalipse 19,
conforme observou Ladd, Jesus aparece inconfundivelmente cavalgando
um cavalo branco. Ele é expressamente apresentado como Rei dos reis e
Senhor dos senhores, e como a Palavra de Deus. Veja Apocalipse 19:11-16.
Em S. João 1:1 a 3, "Palavra de Deus" é o nome atribuído a Jesus. Em
Apocalipse 19, Jesus possui uma armadura c "faz guerra", num aspecto
muito semelhante ao cavaleiro do cavalo branco, o do primeiro selo.
Queremos saber o que a Bíblia nos diz a esse respeito. Numa segunda leitura,
parece mais claro, apesar de tudo, que o cavaleiro do primeiro selo na verdade
não é Jesus. Jesus é o Cordeiro que abre o selo; portanto, c pouco provável que
deva ser simbolizado pelo cavaleiro do .selo. Em todos os demais casos, os cava-
leiros não são pessoas literais. "Morte" e "Inferno" por certo não são pessoas.
Ainda assim, a estreita semelhança com o cavaleiro de Apocalipse 19
deve ser intencional. Da mesma forma que os três outros cavaleiros dos se-
los representam conceitos - guerra, escassez e morte - esse também deve re-
presentar um conceito, e será um conceito baseado em Jesus Cristo. Este
conceito é, naturalmente, a verdadeira religião bíblica ou, rnaís especifica-
mente, o verdadeiro cristianismo. O homem do cavalo branco relaciona-se
com os demais cavaleiros num modo similar àquele em que se relacionam
o dia e a noite. Oferecendo paz interior e o pão da vida, o verdadeiro cris-
tianismo é o oposto da guerra, da fome e da morte.
Antes da ascensão, Jesus comissionou Seus seguidores a irem por todo o
mundo para pregar o evangelho, a mensagem do cristianismo genuíno.
Veja S. Mateus 28:18-20. Ele prometeu acompanhá-los, mas não literal-
mente, é claro, já que Ele estaria no Céu. Acompanhá-los-ia na Pessoa de
Seu representante, o Espírito Santo. Veja as páginas 162-164
O cristianismo estendeu-se de Jerusalém para a Judéia, para Samaria e
até os confins da Terra, vitorioso e para vencer. Veja Atos l :8. Paulo pôde
dizer que, em seus dias, o mundo inteiro - tal qual ele o conhecia — tinha
ouvido o evangelho. Veja Colossenses 1:6 e 23. Os opositores diziam que
o cristianismo havia "transtornado o mundo". Veja Atos 17:6.
Tragicamente, no decurso do tempo foi o mundo que transtornou a
igreja. Roma pagã adotou algumas das doutrinas, costumes e nomes do
cristianismo. Este, por sua vez, adotou o autoritarismo daquela, suas intri-
gas políticas, grande parte de sua filosofia c mesmo o seu nome pagão.
Houve mudanças. Roma cristã não crucificou pessoas como o fizera
Roma pagã. Não, Roma cristã queimou-as vivas!
Roma pagã torturou criminosos que roubavam. Roma cristã torturou os
seguidores de Cristo que liam a Bíblia por si próprios.
Foi a igreja que conquistou o mundo, ou foi o mundo que conquistou
a igreja?
Apocalipse 6:1 a 8:1
A fim de preparar as pessoas para receberem a pregação do evangelho,
parece que Deus propositalmente permitiu que as arividades políticas es-
tabelecessem a paz à moda de Roma, a Pax Romana. Viagens e comunica-
ções no mundo romano eram, de várias formas, mais fáceis no início da
era cristã que em qualquer outra época anterior. "Os países do Império Ro-
mano nunca dantes e nunca depois estiveram tão livres das sombras da
guerra, que nos primeiros dois séculos da era crista."3
Em tal ambiente, o evangelho espalhou-se com rapidez, sem ser impe-
dido por barreiras políticas. Muitas pessoas no império se converteram.
Sc a igreja permanecesse pura e o império tivesse sido inteiramente in-
fluenciado por ela, imagine o que seria a plenitude do amor em lugar do
ódio, da generosidade em lugar da avareza, da confiança em lugar da trai-
ção! "Deus não faz acepção de pessoas." Atos 10:34. "Deus trata a todos
igualmente." A Bíblia na Linguagem de Hoje. Ele teria tratado o Império
Romano e a Igreja Romana da mesma forma como prometera tratar os ju-
deus em Levítico 26 (veja as páginas anteriores). Prosperidade, saúde e paz
teriam persistido e mesmo se ampliado. Ele teria mantido acuados os três
cavaleiros maus.
Em nossa análise da queda de Jerusalém, vimos que, se os judeus tives-
sem aceitado o conselho de Cristo quanto à forma de eles tratarem os ro-
manos e também de se tratarem uns aos outros, Jerusalém não necessitaria
jamais ser destruída. Veja as páginas 26-28.
No Monte das Oliveiras, porém, Jesus sabia que as coisas não corre-
riam bem para os judeus. Ao abrir os sete selos, Ele demonstrou tam-
bém conhecer que as coisas não iriam bem para Roma Ocidental. E as-
sim foi. Quando o genuíno amor foi amplamente deixado à parte, a
unidade e a paz começaram a romper-se. Povos bárbaros dividiram o
império e lutaram sobre suas ruínas. Eles adotaram o conceito corrom-
pido de cristianismo que aprenderam de suas próprias vítimas romanas,
c prosseguiram lutando.
Durante a Idade Média, Inglaterra e França - países supostamente cris-
tãos — empenharam-se mutuamente na Guerra dos Cem Anos (1337 a
1453). A Europa Central, professamcntc cristã, dividiu-se em centenas de
pequenos e invejosos estados. A peste bubônica, ou Peste Negra, grassou
na década de 1340 e marcou repetidamente sua presença durante séculos,
matando milhões que haviam escapado das guerras. No Ocidente cristão,
os três cavaleiros maus estiveram bastante ocupados!
Causa maior perplexidade constatar que a própria igreja tornou-se fonte
primordial de guerra, fome e desolação. Protestantes de um lado, católicos
de outro, empenharam-se na devastadora Guerra dos Trinta Anos (1618 a
1648), à qual nos referimos à página 128. A igreja varreu os huguenotes da
França, privando o país de uma incalculável fonte de recursos. Demandas
185
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
políticas e económicas dos bispos e sacerdotes conduziram diretamente - e
todos conhecem tais fatos - ao negro terror da Revolução Francesa.
A Primeira Guerra Mundial foi travada especialmente entre nações
auto-rotuladas como cristãs — a Alemanha luterana, a Grã-Brctanha angli-
cana, a América protestante, a Rússia ortodoxa e a França vastamente ca-
tólica. Milhões pereceram. Centenas de milhares morreram ou foram fe-
ridos, no campo de batalha de Verdun. Ao final da guerra, outros milhões
morreram de fome e epidemias na União Soviética. Os três cavaleiros
maus estiveram outra vez muito ocupados - enquanto o homem do cava-
lo branco, que quase todos professavam admirar, passou ao largo, quase
inteiramente ignorado.
De fato, a brutal e marcante contribuição feita por entidades nominal-
mente cristãs aos desastres que afetaram a Terra, levou alguns inteligentes
comentaristas a identificar os quatro cavaleiros do Apocalipse com a igre-
ja cristã! A igreja do Novo Testamento, com toda a sua encantadora pure-
za, é identificada por esses comentaristas como sendo o cavaleiro do cava-
lo branco. O declínio moral da igreja medieval é por eles associado aos ca-
valeiros dos cavalos vermelho, preto e amarelo. Eles podem estar certos.*
Seja como for, o homem do cavalo branco ainda está cavalgando! Na
verdade, ele está hoje conquistando mais corações, em maior número de
lugares ao redor do mundo, que em qualquer outta ocasião anterior, cum-
prindo assim a profecia de S. Mateus 24:14. Seus melhores dias de con-
quista ainda se encontram no futuro. "E será pregado este evangelho do
reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o
fim." Enquanto você lê a respeito dele em sua Bíblia, talvez possa vê-lo,
agora mesmo, aproximando-se de sua casa.
Se você pode vê-lo aproximando-se agora, dê-lhe as boas-vindas. Embo-
ra os três cavaleiros maus tenham preenchido seu papel histórico através de
desastres cm larga escala, em certo sentido temos que suportá-los diaria-
mente. Incessantes intrigas, reveses económicos e enfermidade prematura
representam sérias ameaças para as famílias. Mas o cristianismo verdadeiro,
a genuína religião bíblica, pode proteger nossos lares dessas ameaças.
O amor de Cristo pode livrar-nos das lutas familiares. "A resposta bran-
da desvia o furor." Provérbios 15:1. O falar bondosamente, com voz gen-
til — como o faria Jesus se cm nossa casa estivesse — pode operar maravilhas
ao reduzir a tensão e restaurar a afeição.
O cristianismo genuíno pode ajudar na vitória sobre as crises econômi-

*A identificação dos quatro cavaleiros com a.s quatro j imeiras igrejas simbólicas — Efeso, Esmir-
na, Pérgamo c '['latira — também tem .sido tentada. Mas ES irna, a segunda igreja, em vez de usar uma
espada para maçar as pessoas, à semelhança do segundo c; valeiro, foi, cia própria, objeio de grande
perseguição. Em lugar de comparar os sete selos com as se e igrejas, é melhor cumpará-los com a se-
quínaa de eventos esboçados por Jesus no Discurso do OI vete. Veja o quadro à página 183.

186
Apocalipse 6:1 a 8:1
cãs. No Sermão da Montanha, Jesus salientou que nosso Pai celestial sabe
que necessitamos de alimento, vestuário e abrigo. Assim, Ele nos aconselha
quanto às verdadeiras prioridades. Ponha a Deus em primeiro lugar! "Bus-
cai, pois, em primeiro lugar o Seu reino e a Sua justiça, e todas estas coisas
[alimento, vestuário e abrigo] vos serão acrescentadas." S, Mateus 6:33.
O profeta Malaquias foi específico. Coloque Deus "à prova", insiste ele.
Devolva o dízimo pleno — um décimo de sua renda. Veja, então, com seus
próprios olhos, se Deus irá ou não "abrir as janelas do Céu e... derramar
sobre vós bênção sem medida". Malaquias 3:10. Deus Se assenta em Seu
trono, no Centro de Controle Cósmico, ocupando-Se de todo o Univer-
so. Você pode contar corn Ele. Em consideração a sua fraqueza, Ele prova-
velmente não o tornará rico; mas certamente providenciará aquilo que
você realmente necessita. Milhões de prósperos dizimistas testificam que a
experiência funciona. Deus sustenta as Suas promessas financeiras.
O cristianismo verdadeiro, a genuína religião da Bíblia, pode melho-
rar a saúde de sua família. "Portanto, quer comais, quer bebais, ou façais
outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus." I Coríntios
10:31. Diversas pesquisas, em anos recentes, têm demonstrado a supe-
rioridade da saúde em grupos que procuram manter hábitos regulares de
vida, para a "glória de Deus". Os adventistas do sétimo dia, por exem-
plo, apresentam visivelmente menos doenças e tendem a viver vários
anos a mais que a população em geral.
Deus vela por Seu povo. Ele cuida de nossa saúde, de nossos problemas
financeiros e da qualidade do amor em nossos lares. Ele possui mil manei-
ras de ajudar-nos.
Os três cavaleiros maus, que têm causado tantas dificuldades ao mun-
do, ameaçam nossas famílias. Uma das mensagens do livro de Apocalipse
é que o homem que monta o cavalo branco - o cristianismo genuíno —
pode estabelecer toda a diferença.

II. Será que Deus Realmente Se Interessa por nós?

Cremos que o cristianismo verdadeiro pode proteger-nos de muitas das


agudas provações da vida. Entretanto, parece às vezes que sinceros crentes
em Deus sofrem tanto quanto qualquer outra pessoa.
Recentemente, um de meus alunos e sua esposa deslizaram para fora da
estrada cheia de neve, enquanto viajavam para casa. Ao conseguirem recu-
perar o controle do carro, pararam no acostamento a fim de orar, pedindo
protcção. Todavia, uns poucos quilómetros adiante, um carro que trafega-
va em sentido oposto cruzou a linha dupla, avançou contra o pequeno car-
ro de meu aluno c matou sua jovem esposa.
Há poucas semanas, uma querida menininha de quatro anos de idade,
187
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
pertencente à minha igreja, foi esmagada num acidente de carro. Mais ou
menos à mesma época, o noivo de uma de nossas alunas morreu durante
um acidente aéreo, dois meses antes da data do casamento.
Temos lido acerca de tribos cristãs massacradas na África Oriental, ou de
freiras missionárias raptadas e assassinadas na América Central, ou de batis-
tas evangélicos aprisionados na Ásia. Talvez você seja um crente sincero, e
ainda assim a sua própria vida possivelmente tenha sido turvada pela doen-
ça, divórcio, morte de familiar ou algum outro amargo desapontamento.
Por vezes até mesmo o mais resoluto dentre nós sente-se tentado a duvidar
que o cavaleiro do cavalo branco faça alguma diferença, ou seja, que Deus
realmente cuida de nós. Habacuque foi um profeta inspirado, mas mesmo as-
sim ele clamou:

Até quando, Senhor, clamarei eu


e Tu não me escutarás?
gritar-Te-ei: "Violência!"
e não me ouvirás?
Por que me mostras a iniquidade,
e me fazes ver a opressão?
Habacuque 1:2 e 3.

Num momento de trágico desapontamento, o born rei Davi soluçou:


"Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" Salmo 22:1.
C. S. Lcwis, o conhecido professor cristão da Universidade de Cambrid-
ge, sentiu semelhante desamparo depois que sua esposa faleceu, vitimada
pelo câncer. Ante a sua mente angustiada, o Céu parecia silente e vazio, sua
porta completamente lacrada. Desalentado, ele analisou seus pensamentos
nesses termos:

Entrementes, onde está Deus? Esse é um dos mais ínquietantes


sintomas. Quando você está contente, tão contente que não sente ne-
cessidade dEle, tão contente que é tentado a ver Seus reclamos em re-
lação a você como sendo uma intromissão, se você lembrar-se... c se
volver para Ele com gratidão e louvor, você será — ou assim lhe pare-
ce — recebido de braços abertos. Vá, porém, a Ele quando a sua ne-
cessidade c desesperada, quando qualquer outro auxílio é vão, e o que
encontrará? Uma porta que se fecha na sua cara, e um som de chave
a trancar a porta, sim, um duplo trancar de porta, pelo lado interno.
Depois disto, silêncio. Você pode retirar-se. Quanto mais esperar,
mais enfático se tornará o silêncio. Não há luzes nas janelas.

O sofrimento humano c os sete selos. Se Deus está no comando (veja a pá-


188
Apocalipse 6:1 a 8:1
gina 153), por que Ele não toma alguma providência? Se Ele realmente Se
interessa por nós, por que não responde às nossas preces?
E particularmente apropriado levantar questões tão dolorosas no con-
texto dos sete selos. A cena introdutória, que focaliza o santuário, mostra
Deus em Seu trono. O primeiro selo apresenta o cristianismo que galopa
sobre a extensão da Terra, trazendo consigo alegria, segurança e proteção
aos fieis, contra a ação danosa dos cavaleiros da guerra, da fome e da pes-
tilência. Mas o quinto selo mostra as "almas" dos mártires desfalecendo
sob um "altar", clamando em angústia: "Até quando, ó Soberano Senhor,
santo e verdadeiro, não julgas nem vingas o nosso sangue dos que habi-
tam sobre a Terra?" Apocalipse 6:9 e 10.
Há uma diferença marcante - como que dois mundos opostos - entre a
cena do trono, em Apocalipse 4 e 5, onde Deus governa e os anjos cantam,
e a cena do altar no capítulo 6, em que as almas clamam: "Até quando?"
As almas sob o altar representam mártires fiéis, sacrificados como que
sobre o altar, "por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho
que sustentavam". Verso 9. Se Deus estava no comando, se Ele cuida de
Seus filhos, por que Ele não respondeu às orações deles! Por certo eles me-
reciam Sua atenção.
O fato é, naturalmente, que Deus cuida de Seus filhos e por eles Se in-
teressa. Ele não explicou a Seus preciosos mártires a razão da demora ou
precisamente quando suas orações seriam atendidas, mas isso não signifi-
cava falta de amor por eles, de Sua parte. Em certa ocasião, Jesus disse a
Seus discípulos: "Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai
reservou para Sua exclusiva autoridade." Atos 1:7.
Ainda assim, Deus fez algo muito maravilhoso por Seus mártires. Con-
vidou-os a "repousar ainda por pouco tempo" - a repousar, deixando seus
~asos inteiramente nas mãos dEle — "até que também se completasse o nú-
mero dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igual-
mente eles foram". Apocalipse 6:11.
Jesus explicou em uma de Suas parábolas (S. Mateus 22:1-14), que
:udo o que Deus requer de nós para admitir-nos ao Seu banquete celes-
:ial é a posse das vestes nupciais, Sua própria vestimenta branca. Receber
i roupa branca é o mesmo que receber o homem do cavalo branco. A ves-
:imenta simboliza Sua própria pureza e justiça, que aceitamos e tornamos
lossa através da fé.
Quando os mártires receberam a vestimenta branca, obtiveram também
;udo aquilo que realmente importa - vida, saúde e gozo com Deus e Seu
3ovo em Seu reino, eternamente.
Conforto para os 1.260 dias-anos. Os sete selos, a exemplo das cartas às
:cte igrejas, ocorrem na primeira porção do Apocalipse; pertencem à par-
e histórica do livro, que se estende dos dias de Cristo até a segunda vin-
189
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
da. Veja as páginas 62-64. A perseguição sob o quinto selo ocorre parale-
lamente à "grande tribulação" que se abate sobre "Tiatira" (Apocalipse
2:22) e à "guerra" que a ponta pequena move contra os "santos" (Daniel
7:24 e 25). Veja as páginas 127 e 128.
Os mártires clamavam por julgamento. "Até quando... não julgas nem
vingas o nosso sangue?" perguntaram eles. Seu pedido posicionou o quin-
to selo antes do julgamento final. A primeira fase desse julgamento deve-
ria começar em 1844, ao fim dos 2.300 dias-anos de Daniel 8:14. Os már-
tires não sabiam quando teria início o julgamento e, como acabamos de
ver, Deus escolheu não lhes revelar isso.
Séculos antes, na visão de Daniel 8, o profeta Daniel ouvira o anúncio
quanto ao tempo do julgamento. A princípio, ele ouviu alguém formular
a mesma pergunta que os mártires (c Habacuque) fizeram: "Até quando?"
Mas a resposta que Daniel ouviu, foi dada cm linguagem simbólica, a lin-
guagem dos 2.300 dias, e o profeta foi instruído a deixar seu livro fechado
- não plenamente compreendido - até que chegasse o tempo do fim. Veja
Daniel 12:4. Esse fato ajuda a explicar por que os mártires não obtiveram
a resposta ao levantarem novamente a questão.
Já vimos que os 1.260 dias-anos correm de 538 a 1798. Portanto, eles
terminaram pouco antes de iniciar-se o julgamento em 1844. Mais de uma
vez analisamos também a tribulação dos 1.260 dias-anos em conexão com
as profecias relacionadas com esse quadro. Veja as páginas 33, 35, 125 e
126. Um aspecto que ainda não abordamos é o efeito que a perseguição
exerceu sobre os familiares de um mártir. W. E. H. Lecky, um historiador
vastamente lido e ex-membro da Academia Britânica, prove-nos alguma
ideia do que sentiram os membros da família de um mártir:

E apavorante refletir sobre o que sofreram a mãe, a esposa, a irmã ou


a filha de um herege. ... Ela via o corpo daquele que lhe era mais pre-
cioso que a própria vida, deslocar-se, tremer e contorcer-se em dor; ela
contemplava o crepitante fogo brando alcançar-lhe membro após mem-
bro, até transformá-lo numa peça única de agonia; quando, por fim, ...
o torturado corpo alcançava o descanso, ela ainda tinha que ouvir que
tudo aquilo era aceitável aos olhos do Deus que ela servia, e que a cena
que acabara de transcorrer não era mais que uma pálida imagem dos so-
frimentos que Ele haveria de infligir ao morto por toda a eternidade.6

Com quanta frequência terão clamado os familiares dos mártires: "Até


quando?" "Por que me desamparaste?" Quantas vezes terão eles sentido,
como C. S. Lewís, que os Céus se haviam transformado num deserto, t
que a porta fora chaveada duas vezes!
Lecky observa, no mesmo texto, que "o herege espanhol era conduzido aí
190
Apocalipse 6:1 a 8:1
chamas, coberto com uma roupa cheia de representações de demónios e de
cenas de horrendas torturas, para lembrar aos expectadores a sorte última
que o aguardava. Lecky poderia também haver mencionado o grande gorro
cónico que era igualmente decorado em combinação com a roupa. As auto-
ridades asseguravam - sinceramente, sem dúvida - que os mártires arderiam
eternamente no inferno, a menos que se arrependessem de suas estranhas
convicções. Elas tinham esperança de que as espantosas vestes amedronta-
riam suas vítimas, levando-as a um arrependimento de último minuto.
Os verdadeiros mártires não vacilavam. Fixavam o olhar além das vesti-
mentas do diabo; olhavam para as vestimentas de Deus. Que bênção é pos-
suir as vestimentas celestiais e poder usá-las! Todos anelamos que os fami-
liares dos mártires também tenham mantido os olhares nas vestimentas
brancas. Muitos deles certamente o fizeram, e somos grandemente confor-
tados com esse pensamento.
Nas cenas de atribuição e segurança dos últimos dias, próximo ao tér-
mino dos sete selos, Deus mostrou a João Seus mártires como estando em
pé ao redor de Seu trono - tal como um dia estarão — "vestidos de vesti-
duras brancas [lá estão novamente aquelas vestes gloriosas!], com palmas
nas mãos [tal como o povo que, regozíjante, recepcionou Jesus no Domin-
go de Ramos (veja S. João 12:13)]", com seu coração expressando cânticos
de grande louvor. Apocalipse 7:9.
Enquanto João os contemplava em visão profética, um dos vinte e
quatro anciãos assegurou-lhe que eles terão o privilégio de servir a Deus
"de dia e de noite" [a exemplo dos quatro seres viventes], e também que
eles "jamais terão fome, nunca mais terão sede", "pois o Cordeiro que
Se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fon-
tes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima".
Apocalipse 7:13-17.
Seus inimigos intentaram destruí-los, mas Jesus os protegeu da final
destruição. Deu-lhes roupas brancas, permitiu-lhes descansar enquanto
mortos e garantiu-lhes a vida eterna.*
O selamento dos 144 mil. Em adição aos mártires, outro grupo significa-
:ivo foi selecionado para uma referência especial. Trata-se dos 144 mil, que
ião deveriam viver durante os 1.260 dias-anos, mas durante as décadas do
zempo do fim. Antes que os quatro ventos da provação final tenham per-
Tiissão de liberar forças destrutivas sern precedentes, um anjo é especial-
mente comissionado para "selar" cada um dos 144 mil com o "selo do
Deus vivo". Veja Apocalipse 7:1-3.
O "selo do Deus vivo" que aqui aparece, bem pode ser o mesmo que "o
nome do Pai" que encontramos em Apocalipse 14:1. Ambos, o "selo" de
* Para a importante questão quanto a se as almas debaixo do alrar ainda estão vivas, veja a seção
'iesposMs às Suas Perguntai, páginas 218-223.

191
L/ma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Deus e o Seu "nome" são colocados na fronte das pessoas. O "nome" de
Deus é um termo frequentemente usado para representar Seu caráter. O sig-
nificado parece ser que Cristo sela Seu povo no tempo do fim, ao desenvol-
ver em cada um deles uma formosa reprodução de Seu próprio caráter de
amor. Falaremos mais acerca do selo ao chegarmos nos capítulos 12 a 14.
Assim, pois, Cristo vestiu os mártires com Sua justiça a fim de protegê-
los da morte eterna. Ele prometeu desenvolver Seu caráter de justiça nos
144 mil, de modo a selá-los dos terrores dos quatro ventos. O sexto e o sé-
timo selos lembram-nos também da firme promessa da segunda vinda de
Cristo à Terra.
Sinais extraordinários por ocasião da segunda vinda. Quando o Cordeiro
abriu o sexto selo, após a perseguição dos 1.260 dias-anos, diz João que "so-
breveio um grande terremoto. O Sol se tornou negro como saco de crina,
a Lua toda como sangue, as estrelas do céu caíram pela terra, como a fi-
gueira, quando abalada por vento forte, deixa cair os seus figos verdes, e o
céu recolheu-se como um pergaminho quando se enrola. Então todos os
montes e ilhas foram removidos dos seus lugares". Apocalipse 6:12-14.
Analisaremos estes sinais extraordinários na próxima seçao. Por ora, di-
remos apenas que muitos estudiosos da Bíblia crêem que os primeiros si-
nais já ocorreram, e que estamos vivendo atualmentc entre a queda das es-
trelas e o enrolar ("recolher-se") do céu.
Até agora, os céus não se enrolaram como um pergaminho, nem saíram
as montanhas e ilhas de seus lugares; mas quando isso acontecer, diz João,
observando os acontecimentos proféticos como se eles já houvessem ocor-
rido, "os reis da Terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os podero-
sos, e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhas-
cos dos montes, e disseram aos montes e aos rochedos: 'Caí sobre nós, e
escondei-nos da face dAquele que Se assenta no trono, e da ira do Cor-
deiro, porque chegou o grande dia da ira dEles; e quem é que pode sus-
ter-se?" Versos 15 a 17.
Que flagrante contraste entre as multidões debaixo cias rochas e as al-
mas debaixo do altar! Quanta diferença entre o clamor dos perversos às ro-
chas e montanhas, pedindo-lhes que completem a destruição deles, c a ora-
ção dos mártires ao Senhor, a Rocha de Sua salvação! Veja o Salmo 95:1.
Quanto contraste existe entre o pavor daqueles que almejam esconder-
se do Senhor e o gozo daqueles que dão as boas-vindas ao Seu retorno! Vejc
Isaías 25:9. Que enorme diferença entre sentir-se aterrorizado ante a ira de
Cordeiro e ser revestido por Sua justiça!
Aqueles que desejam esconder-se do Cordeiro, querem igualmente es-
conder-se "dAquele que Se assenta sobre o trono". Deus, o Pai, acom-
panha Seu Filho. Com eles vêm igualmente todos os santos anjos. Vej;
S. Mateus 25:31. Isto explica por qvie, sob o sétimo selo, há um brevi
192
Apocalipse 6:1 a 8:1
período de silêncio no Céu. Apocalipse 8:1. Ninguém permanece !á para
entoar algum cântico.
Auxílio suficiente em nossas provações. Para os cristãos genuínos, a segun-
da vinda é a "bendita esperança". Tito 2:13. Paulo referiu-se confiante-
mente a ela quando cm necessidade de confortar cristãos cujos queridos
haviam passado recentemente ao descanso. Veja I Tessalonicenses 4:13-18.
A resposta que agora almejamos obter para nossas orações, não é a respos-
ta final de Deus. A segunda vinda o é.
Mas quando nos encontramos enfermos ou solitários ou maltratados ou
tristes, a segunda vinda pode parecer ainda muito distante. Não deveríamos
permitir que ela parecesse estar tão longe. Deveríamos treinar a mente no
exercício de desfrutar habitualmente o gozo cia segunda vinda. Deveríamos
habituar-nos a pensar naquilo que o aparecimento de Cristo significará para
nós próprios e para as pessoas que conhecemos. Quando eu penso assim,
sinto-me sempre refrigerado. Foi por essa razão que o Cordeiro abriu o sex-
to selo e nos contou acerca do significado deste.
Quando, porém, tanto Deus quanto a segunda vinda parecem distan-
tes, e quando temos a impressão de que Deus não Se interessa por nós, es-
tamos sob a necessidade de reavaliar aquilo que podemos esperar como res-
posta razoável do Senhor às nossas orações. Com demasiada frequência,
penso eu, interpretamos erroneamente os ensinamentos bíblicos a respeito
da oração. Focalizamos com visão demasiado estreita a afirmação de Cris-
to: "Tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis." S. Mateus
21:22. Deveríamos procurar entender Suas palavras no contexto de outras
coisas que a Bíblia ensina.
Porventura Jesus não disse também: "No mundo passais por aflições"?
S.João 16:33.
Porventura não permitiu Jesus que Lázaro morresse?
Porventura não permitiu Ele que João Batista perecesse, decapitado, na
prisão?
Porventura não retratou Ele Seus mártires fiéis como sendo almas de-
baixo do altar?
Em certa ocasião Jesus disse: "E tudo quanto pedirdes em Meu nome,
sso farei." S. João 14:13. Ele acrescentou, aqui, uma condição que neces-
litamos preencher. "Em Meu nome" significa "em Meu caráter." A tradu-
ção do professor Goodspeed tenta esclarecer tal implicação. "Eu vos con-
:ederei qualquer coisa que Me pedirdes como Meus seguidores." Ou seja, Eu
'os concederei aquilo que pedirdes se observardes a Minha forma de agir
í pensar, e se seguirdes a Minha forma de orar.
Quando Jesus, no Getsêmani, orou três vezes pedindo para escapar da
:rucifixão, acrescentou: "Todavia, não seja como Eu quero, e, sim, como
Tu queres." S. Mateus 26:39. Orar em nome de Cristo, em Seu caráter
193
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
como Seus genuínos seguidores, significa submeter sempre nossos desejos
ao amor e sabedoria de Deus, e deixar que Ele faça o que sabe ser melhor,
mesmo que a resposta por ora pareça ser um NÃO.
O maís profundo desejo de Cristo, mesmo no Getsêmani, era ajudar os
outros a glorificar a Deus. Quão diferentes eram os Seus motivos dos nos-
sos, muitas vezes egoístas. Explicando por que muitas de nossas orações
não são atendidas, S. Tiago, no capítulo 4, verso 3, diz: "Pedis, e não rece-
beis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres."
Assim, pois, devemos entregar nossos desejos à decisão de Deus, e deve-
ríamos orar sempre sem qualquer egoísmo. Podemos, entretanto, estar sen-
do egoístas quando oramos em favor de outras pessoas, ou quando oramos
pedindo saúde para que possamos servir aos outros?
Nossas preces podem parecer altruístas, c ainda assim estarem carrega-
das de egoísmo.
Será que somos incapazes de crer que Deus ama os nossos queridos ainda
mais do que nós próprios os amamos? Não conseguimos crer que Ele fará por
nós, a longo prazo, ainda muito melhor do que somos capazes de pedir? Ou
será que desejamos que Deus faça por nós algo menos que o melhor?
As almas sob o altar oravam por vingança e vindicação. Deus ofereceu-
lhes algo muito melhor: as vestes brancas de Sua justiça e a vida eterna.
O apóstolo Paulo esteve doente por muitos anos. Ele almejava ser cura-
do de sua misteriosa moléstia, de forma a poder oferecer melhor serviço
aos outros. Mas quando ele orou pedindo a cura, Deus, em vez de dar-lhe
o que pedia, deu-lhe graça. "A Minha graça te basta", respondeu o Senhor,
"porque o Meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Paulo aprendeu que a es-
colha de Deus para ele era, afinal de contas, a melhor; que ele era, na ver-
dade, um homem melhor, um melhor ministro, quando sob enfermidade.
Para sua surpresa, ele descobriu que orava mais, dependia mais de Deus e
confiava mais plenamente nEle. Portanto, ele disse: "De boa vontade, pois
mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de
Cristo. Pelo que sinro prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades,
nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando sou fra-
co, então é que sou forte." II Coríntios 12:9 e 10.
"No mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo, Eu venci o
mundo." S. João 16:33.
A porta do Céu apenas parece estar chaveada duas vezes. Deus diz: "Eis
que tenho posto diante de ti uma porta aberta." Apocalipse 3:8. Ele real-
mente ouve as nossas orações. Ele também as atende, da forma que será
melhor para nós.
O profeta Habacuquc, com quem já nos encontramos à página 188,
com o passar do tempo aprendeu a deixar de lado suas dúvidas. Ele até
mesmo apanhou um instrumento musical e começou a cantar. Em vez de
194
Apocalipse 6:1 a 8:1
ficar reclamando: "Ate quando, ó Senhor, clamarei eu, e Tu não me escu-
tarás?", ele decidiu dizer, utilizando a linguagem do agricultor de seus dias:

Ainda que a figueira não floresce,


nem há fruto na vide;
o produto da oliveira mente
e os campos não produzem mantimento;
as ovelhas foram arrebatadas do aprisco
e nos currais não há gado,
todavia eu me alegro no Senhor,
exulto no Deus da minha salvação.
Habacuque 3:17 c 18.

A certa altura da década de 1530, durante a perseguição dos 1.260 dias-


anos, Anthony Parsons, um sacerdote, tornou-se protestante. Profunda-
mente irado, o bispo de Salisbuiy sentenciou-o, junto com outros protes-
tantes, a serem queimados publicamente na estaca.
Enquanto cies estavam sendo amarrados à estaca, bem cedo pela manhã,
Parsons pediu de beber a alguém. Quando obteve a água, propôs corajosa-
mente uma espécie de brinde, utilizando linguagem figurada. "Alegrai-vos,
meus irmãos", disse ele, exortando os outros, "e erguei vossos corações a
Deus. Pois depois desse duro desjejum, eu creio que teremos uma boa ceia
no reino de Cristo, nosso Senhor e Redentor".
Parsons subiu ao monte de lenha e aproximou de si os materiais com-
bustíveis que logo haveriam de queimá-lo, e então falou aos expectadores:
"Sou um soldado cristão, pronto para a batalha. Não procuro misericór-
dia, mas os méritos de Cristo. Ele é o meu único Salvador. NEle confio
para a salvação."
Anthony Parsons decidiu ter fé cm Deus, nas vestiduras brancas e no fu-
turo regozijo ao redor do trono. A despeito da dolorosa morte que estava
por sofrer, cie escolheu crer que Deus realmente cuida de nós.

III. Sinais do Tempo do Fim

Mais de uma vez prometemos que haveríamos de examinar a lista de si-


nais do tempo do fim, apresentada no Apocalipse. A medida que agora o
fizermos, tenhamos em mente que, no Discurso do Olivete, Jesus não pa-
receu ansioso por fornecer muitos sinais aos discípulos.
Os apóstolos desejavam ter um sinal que lhes indicasse quando Jerusa-
lém cairia e Cristo haveria de retornar. Veja S. Mateus 24:3. Em resposta,
Jesus bondosamente lhes mostrou que a queda de Jerusalém não seria a
mesma coisa que o fim do mundo. Mas, em vez de prover muitos sinais,
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Jesus discorreu sobre a necessidade e importância do preparo para a segun-
da vinda, por meio de religião pessoal, serviço altruísta c desenvolvimento
do caráter. Veja as páginas 1.8-20 e 35-42,
Ainda assim, Jesus mencionou alguns sinais aos discípulos. No tocante
à queda de Jerusalém, Ele mencionou um sinal: a "abominação desolado-
ra" ou o "abominável da desolação" - os exércitos romanos (S. Lucas
21:20) que cercariam o templo de Jerusalém. Veja S. Mateus 24:15- Em
conexão com Sua segunda vinda, Jesus falou do evangelho que deveria che-
gar a todas as partes do mundo. Ele mencionou especialmente o "sinal do
Filho do homem", Seu aparecimento pessoal nas nuvens do Céu, tão visí-
vel quanto o relâmpago. Versos 30 e 27.
Mas, no decorrer do Discurso do Olivete, Jesus também falou acerca da
"grande tribulação" dos l .260 dias-anos, e acrescentou que "logo em segui-
da à tribulação daqueles dias" e antes do Seu aparecimento, "o Sol escure-
cerá, a Lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento e os
poderes dos Céus serão abalados". S. Mateus 24:29.
A lista de sinais cspetaculares é extremamente semelhante àquela que João
registrou em Apocalipse 6:12 a 14, cxceto que a lista de João é mais longa e
mais detalhada. A semelhança não deve surpreender-nos, uma vez que Jesus
foi a fonte de informação para ambas as listas. João utiliza esses termos:
"Vi quando o Cordeiro abriu o sexto selo, e sobreveio grande terremo-
to. O Sol se tornou negro como saco de crina, a Lua toda como sangue,
as estrelas do céu caíram pela Terra, como a figueira, quando abalada por
forte vento, deixa cair os seus figos verdes; e o céu recolheu-se como um
pergaminho quando se enrola. Então todos os montes e ilhas foram mo-
vidos dos seus lugares."
Ao compararem as duas listas, muitos estudiosos da Bíblia chegaram a
convencer-se de que a lista provida por Cristo no Olivete já se cumpriu, e
que a lista mais longa dada por Ele a João também já se concretizou em
grande parte. O céu ainda não se enrolou, nem ocorreu ainda o terremo-
to final. Mas as demais predições, dizem esses estudiosos, já se cumpriram
com o terremoto de Lisboa, em 1Q de novembro de 1755, com o Dia Es-
curo (seguido de um luar peculiarmente avermelhado) cm 19 de maio de
1780, e pela rnagnificente "chuva" de meteoros ocorrida na madrugada de
13 de novembro de 1833.
Vale a pena examinar cada um dos eventos sugeridos.
O terremoto de Lisboa. O terremoto de Lisboa, ocorrido em 1° de no-
vembro de 1755, não foi um mero tremor de terra. Até hoje ele permane-
ce apontado nos almanaques e enciclopédias como um dos principais ter-
remotos da história terrestre.
Lisboa, a capital de Portugal, é um porto comercial junto ao rio Tejo
Rica e religiosa na década de 1750, nela viviam abastados comerciantes t
196
Apocalipse 6;1 a 8:1
ali existiam mais de quarenta grandes igrejas, A Inquisição estabelecera ali
um de seus quartéis-gcnerais.
1° de novembro de 1755. Dia de Todos os Santos, sábado; o dia ama-
nhecera brilhante e límpido. Mas, às 9:30 da manhã, o solo rugiu e tre-
meu, rasgando enormes fissuras nas paredes dos edifícios públicos. Após
uma pausa, casas, igrejas, edifícios públicos e palácios oscilaram duran-
te dois minutos eternos, parecendo juncos sob a ação do vento. A alve-
naria desintegrou-se, arcos e pilares de mármore rasgaram-se como teci-
do, tetos e paredes ruíram ao solo. Após uma nova pausa, outro feroz
ataque. Então uma nuvem sufocante e todo-abrangente transformou a
manhã em noite, à medida que o pó resultante da alvenaria fragmenta-
da se ergueu por sobre a cidade.
Quando a escuridão se dissipou, as pessoas foram vistas a engatinhar
para fora dos escombros, feridas e sangrando, com um braço ou uma per-
na inutilizados. Crianças corriam em volta, gritando por seus pais. Estes
procuravam e chamavam por seus filhos. Cães e cavalos feridos debatiam-
se. Sacerdotes, alguns dos quais gravemente feridos, proferiam palavras de
conforto e erguiam ao alto seus crucifixos.
Gritos podiam ser ouvidos, provindo de sob as ruínas. Seriam ouvidos
ainda durante vários dias. Chamas tremclu/jram, iniciando uma semana
de holocausto. Macaréus subiram pelo rio Tejo, engolindo multidões que
imaginaram ser a praia aberta mais segura que as ruas da cidade.
Alguns registros antigos, inclusive um que foi deixado pelo eminente
geólogo Sír Charles Lyell, relatam que o fogo brotou misteriosamente das
fendas do solo. Surpreendentemente, um estudo recente provê apoio cien-
tífico para essa possibilidade.8
Quantas vítimas perderam a vida? Os números iniciais falavam de cem
mil pessoas. Almanaques e enciclopédias modernas registram em torno de
sessenta mil. Mais recentemente, a quota foi reduzida para quinze mil ou
dez mil pessoas.
As baixas registradas cm outros terremotos têm sido muito mais eleva-
das; ainda assim, o terremoto de Lisboa foi impressionante. Seria mais cor-
reto identificá-lo como o terremoto de Lisboa-Fes, pois, se Lisboa sofreu,
a cidade norte-africana de Fés - distante mais de 600 quilómetros de Lis-
boa - e sua cidade-írmã, Meknes, foram completamente arrasadas, com
grande perda de vidas. O solo tremeu notoriamente em outras cidades do
norte da África, bem como na Europa, como, por exemplo, em Estrasbur-
go, a uns 1.800 quilómetros de Lisboa. Rios e lagos foram agitados em
toda a Escandinávia, a distâncias que superaram os três mil quilómetros.
Por volta das 6 horas da tarde, um macaréu varreu a ilha de Barbados, no
Caribe, a uns 6.500 quilómetros de Lisboa.
Para uma comparação com a geografia brasileira, imagine um terre-
107
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
moto que destruísse Belo Horizonte e São Paulo, que fica 600 quilóme-
tros ao sul. Esse mesmo terremoto sacudiria ainda o extremo oeste do
país, agitando as águas do rio Amazonas no ponto em que esse curso
d'água entra no Brasil, ao mesmo tempo em que o Amapá, a leste, sen-
tiria os efeitos da convulsão.
Para grande parte dessas considerações, baseamo-nos em The Lisbon
Ectrthqiiake (O Terremoto de Lisboa), um excelente estudo escrito em
1955 por Sir Thomas Kendrick - então diretor do Museu Britânico - em
lembrança ao bicentenário do evento.9 Kendrick diz que, embora não te-
nha sido o maior desastre de sua espécie, "o terremoto de 1° de novembro
foi entretanto um colossal distúrbio sísmico, que foi sentido numa área tão
ampla, que chegou a causar alarme c perplexidade geral, e um grande vo-
lume de especulação científica".1
Kendrick demonstrou que o sismo também produziu considerável espe-
culação teológica e filosófica, a maior parte dela centralizada no relaciona-
mento do desastre com Deus, a antiga questão "teodíciana" acerca de Deus
e a presença do mal. O capítulo do trabalho de Kendrick, intitulado "O
Otimismo c Atacado", cita as lutas de renomados filósofos, tais como
Kant, Rousseau e Voltaire. A obra de Voltaire, Candice, altamente influen-
te, incluiu cenas ocorridas no desastre de Lisboa e muito fez para estimu-
lar o cetícismo. Com o apoio de Voltaire e outros, o terremoto contribuiu
para trazer o "fim do otimísmo". Desse ponto em diante, diz Kendrick, "o
pessimismo tornou-se o humor mais familiar e mais compreensível"."
Um número crescente de pessoas começou a dizer: "Se Deus não está Se
interessando por nós, é melhor que nós mesmos nos interessemos." Foi
uma disposição de espírito que germinou até chegar a expressar-se plena-
mente uma geração mais tarde, por meio da extrema violência da Revolu-
ção Francesa, um terremoto de outro tipo, que certamente ajudou a mu-
dar o curso da História.
O Dia Escuro cm 19 de maio de 1780. O dia escuro em 19 de maio de
1780 ocorreu após um rigoroso inverno na Nova Inglaterra.12 Montes de
neve resistiam teimosamente nos campos. A Declaração da Independência
Americana ainda não completara seu quarto aniversário. A Guerra Revo-
lucionária afastara muitos maridos c filhos de suas terras. A inflação era ga-
lopante e o futuro, incerto.
No dia 12 de maio os céus acima da Nova Inglaterra tornaram-se visivel-
mente enublados e o ar, obscuro. O Sol, por vezes, era tão fraco que podia
ser contemplado a olho nu. No dia dezessete, um fazendeiro que estivesse
plantando milho, não seria capaz de ver a extremidade de sua lavoura. No
dia dezoito, uma pesada escuridão abateu-se sobre as planícies. O Sol desa-
pareceu meia hora mais cedo. A calmaria era portentosa. Quando apareceu
a lua cheia, sua cor era vermelha como cobre, e assim permaneceu.
1QS
Apocalipse 6:1 a 8:1
O nascer do sol na sexta-feira, dia dezenove, foi visível na maior parte
da Nova Inglaterra, mas — tal como a Lua na noite anterior — o Sol perma-
neceu vermelho à medida que se erguia. Uma grande nuvem negra asso-
mou, agourenra, no sudoeste. Um vento fresco proveniente da mesma dí-
reçao, espalhou rapidamente a nuvem para os lados do nordeste. Ela pros-
seguiu até Boston, Portland (Maine) c mais alem, afetando mais de seten-
ta mil quilómetros quadrados.
Arvores e vegetação rasteira mudaram sua cor verde primaveril para um
marrom amarelado c desapareceram na escuridão. As vacas retornaram,
mugindo, para seus currais. Galos voltaram, cantando, a seus poleiros. As
pessoas, amedrontadas, correram para as ruas e daí dirigiram-se às igrejas,
tentando compreender o que estava ocorrendo.
A Assembleia Legislativa de Connectícut suspendeu a sessão às onze ho-
ras, pois os deputados não conseguiam ver os rostos, uns dos outros. Na
Junta Administrativa de Connectícut, porém, uma proposta para a suspen-
são das atividades foi rejeitada quando o Coronel Davenport salientou que
aquele, ou era o dia do juízo final, ou não era. Se não era, disse ele, não ha-
veria qualquer razão para alarme. Se era, seria melhor que tal dia os encon-
trasse no cumprimento do dever. E solicitou que alguém trouxesse velas.
Velas foram trazidas às salas do Conselho. Elas também foram utiliza-
das em muitas outras partes, pois as trevas tornaram-se tão densas, ainda
que fosse meio-dia, que os jornais e almanaques não podiam ser lidos, e as
mulheres não viam o suficiente para cozinhar.
Os setenta mil quilómetros quadrados que mencionamos há pouco, e
que abrangiam a parte ocidental de Nova Iorque, norte de Nova Jersey e
sul da Nova Inglaterra, não se tornaram completamente escuros a um só
tempo, em todas as partes. O centro da escuridão manteve-se em movi-
mento, de tal forma que a sua intensidade aferoti tipicamente uma deter-
minada região durante duas ou três horas. Durante a tarde, em horários
variados, ela cedeu bastante, tao-somentc para retornar corn redobrado ví-
gor antes da chegada da noite. Em muitos lugares a Lua, ainda que quase
cheia, não foi vista senão muitas horas depois do horário em que era espe-
rada. A estranha escuridão, em alguns lugares, parecia até mesmo impedir
que se propagasse a luz das velas.
Os contemporâneos atribuíram o fenómeno tanto a causas naturais
quanto a Deus. Um cheiro de fumaça no ar, uma certa espuma fuliginosa
sobre as águas paradas, um cinturão de cinza estendido ao longo da praia,
tudo atestava a ação de fogo. Numerosos incêndios cm florestas foram di-
vulgados, como ocorrendo ao norte de Vermont, norte de Nova Hamp-
shire e no Canadá, alguns dos quais foram iniciados por lavradores que
pretendiam limpar suas terras.
O tempo calmo, que ocorreu durante vários dias, impediu a dissipação da
199
Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
fumaça. Teria ocorrido, então, que as lufadas de vento transportando a fu-
maça acumulada ao norte, em conexão com as nuvens oceânicas provindas
do leste, produziram a intensa escuridão que eclipsou complctamentc o Sol.
Mas... por que naquela ocasião? Por que naquele lugar? Houve outros
dias excepcionalmente escuros, mesmo na América do Norte, antes e de-
pois. Nenhum deles, porém - pelo menos na América do Norte - foi cão
intenso ou perdurou por tanto tempo.13 Muitos leitores deste livro podem
recordar a estranha escuridão que ocorreu no período de 24 a 30 de setem-
bro de 1950, quando a fumaça produzida pela queima de uma vasta flo-
resta em Alberta lançou escuro manto sobre a região compreendida entre
os Grandes Lagos e a costa leste dos Estados Unidos. Mas, como em ou-
tras ocasiões, a escuridão desse período não alcançou a intensidade obser-
vada em 19 de maio de 1780, exceto, talvez, por uns poucos minutos em
algumas localidades. Nem teve, evidentemente, a mesma repercussão.
No Discurso do Olivete, Jesus disse: "Logo em seguida à tribulação da-
queles dias [os l .260 dias-anosj, o Sol se escurecerá e a Lua não dará a sua
claridade." S. Mateus 24:29. A perseguição católica virtualmente cessou na
Europa em meados do século dezoito. O último "herege" a ser martiriza-
do na França, um pastor da Igreja Reformada, morreu em 1762. O papa
Clemente XIV pessoalmente declarou ilegal a Ordem Religiosa dos Jesuí-
tas (Companhia de Jesus) em 1773.
Portanto, a colocação do dia 19 de maio de 1780, no tempo, é correta.
O povo meditou sobre o evento, pois o lugar também era correto. A Nova
Inglaterra era um centro de estudo da Bíblia, destacando-se nesse aspecto
ate mesmo quando posta em comparação com os demais Estados da Amé-
rica que acabavam de obter sua independência.
A queda das estrelas "leônidas" em 13 de novembro de 1833. As mesmas
observações referentes a tempo e lugar aplicam-se ao brilhante espetáculo
de estrelas cadentes que foi contemplado na memorável madrugada de 13
de novembro de 1833.M
Esse extraordinário espetáculo estelar começou a atrair a atenção das
pessoas que viviam ao longo da costa leste da América do Norte, por vol-
ta das vinte e uma horas, quando a frequência de meteoros se tornou
maior que a normal. Por volta das duas horas da madrugada, a exibição
era tão grande que chegou a acordar as pessoas. O clímax foi atingido às
quatro horas, e só com muita dificuldade o alvorecer encerrou a mani-
festação. Na região das Grandes Planícies, os índios americanos registra-
ram o evento em seus calendários c deram à estação seguinte o nome de
"Inverno Cheio de Estrelas" ou "Inverno da Tormenta de Estrelas". Na
Califórnia, enrão pouco povoada, um grupamento militar viu o Céu
"completamente coberto" de meteoros. Seus cavalos de montaria tenta-
ram repetidamente debandar, em pânico.
?nn
Apocalipse 6:1 a 8:1
Em condições normais, um observador atento pode ver, durante uma
hora, num céu limpo e escuro, cerca de dez meteoros coriscantes. Cálculos
subjetivos por ocasião do evento de 1833 estimaram em mais cie 60 mil os
meteoros observados durante uma hora. Algumas pessoas falaram de uma
"tempestade de neve" ou "nevasca" de estrelas. Significativamente, os me-
teoros pareciam provir de um ponto central. Muitos deles deixavam após si
um rasto ou trilho incandescente. Quando os milhares de trilhos lumino-
sos se uniam momentaneamente, todos eles partindo de um centro co-
mum, sua aparência era a de varetas de um enorme guarda-chuva.
Muitos dos meteoros pareciam ter o tamanho de estrelas; uns poucos
pareciam tão grandes quanto a Lua. Boa parte deles explodiu, gerando
muitos fragmentos luminosos. Eles explodiram silenciosamente, como se o
vasto c deslumbrante espetáculo celestial navegasse encantadoramente por
sobre o enrcgelante frio da madrugada.
A queda de estrelas em 1833, íoi significativa tanto para a astronomia
quanto para a profecia. Ela deu origem ao moderno estudo da queda de
meteoros. Denison Olmstead, professor de ciências e matemática em Yale,
preparou um cuidadoso relatório para o exemplar de janeiro de 1834 do
The American Journal of Science anã the Ârts (Jornal Americano de Ciência
e Artes). Nesse artigo, ele observou que os meteoros provinham de um
ponto (o "radiante") na "foice" da constelação de Leão. Ele fez também a
fecunda observação de que esse ponto prosseguiu em dircção ao oeste, des-
locando-se com a constelação à medida que a noite avançou. Essa queda
de estrelas foi conhecida como a das estrelas "leônidas" em virtude da
constelação de Leão, e começou-se a pesquisar a respeito da queda de ou-
tras estrelas leônidas. H. A. Newton, também de Yale, descobriu registros
de quedas ocasionais datadas até em 902 d.C.
Cálculos foram efetuados e desenvolveu-se uma teoria. De acordo com
ela, um certo cometa, mais tarde identificado como Temple-Tiittle, move-se
em torno do Sol numa órbita elíptica de longo percurso, que o faz passar
pela órbita da Terra e dirigir-se para além da órbita de Urano, a mais de três
bilhões de quilómetros do Sol. O cometa está se desintegrando lentamen-
te. Ao longo de toda a sua órbita, a muitos quilómetros de distância, partí-
culas chamadas meteoritos desprendem-se individualmente; c logo após o
cometa, um grande número dessas partículas se reúne num só conjunto.
Nossa Terra passa pela órbita do cometa a cada mês de novembro. Ao
fazê-lo, nossa gravidade intercepta algumas dessas partículas desgarradas e as
atrai para dentro de nossa atmosfera, levando-as ao seu momento de incan-
descente glória. Portanto, anualmente, em meados de novembro, um núme-
ro de meteoros maior que o usual cai, proveniente da constelação de Leão.
Na verdade, eles não provem de Leão. Aparentam fazê-lo, pois muito
além deles, c por detrás dos mesmos, a constelação lança sua luz direta-
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
mente sobre esses meteoros. Não c verdade, tampouco> que eles se irra-
diam como as varetas de um guarda-chuva. Eles caem paralelamente uns
aos outros, mas a perspectiva provê essa ilusão de ótica.
A cada 33 e 34 anos, a Terra poderá, se tivermos sorte, cruzar, a duzentos
e quarenta mil quilómetros horários, a esteira principal de corpos celestes,
justamente na cauda do cometa. Se assim acontecer, a gravidade terrestre
atrairá um vasto número de meteoritos à nossa atmosfera, e desfrutaremos de
uma comemoração celestial semelhante à de 13 de novembro de 1833.
O seguinte espetáculo divino foi previsto para novembro de 1866 e
1867, e os observadores em várias partes do mundo foram gratificados.
Mas, ao contrário das elaboradas previsões dos astrónomos, nenhuma chu-
va especial de estrelas encheu os olhos ansiosos em 1899. Ou em 1933. A
teoria foi reestudada, e as esperanças se voltaram para 1966.
Aguardei fora de casa, vestido em meu roupão, nas curtas horas de 17
de novembro de 1966, e senti-me profundamente desapontado ao ver que
o céu de Lincoln, Ncbraska - onde eu morava então - achava-se coberto
de nuvens. Nem me dei ao trabalho de despertar minha esposa. O céu es-
teve igualmente encoberto na maior parte do leste da América do Norte,
desapontando milhões de candidatos a contem p l adores de estrelas. Mas,
afinal de contas, a camada de nuvens fez pouca diferença. Astrónomos que
sobrevoaram a região observaram apenas uma dcsanímadora ativídadc.
Mas por volta das cinco horas da manhã, quando o sol já brilhava na
costa leste e Leão passava à grande altura por sobre o Arizona, os céus do
sudoeste dos Estados Unidos contaram uma história muito diferente. Du-
rante uma encantadora hora, antes do alvorecer, uma pequena reprise de
1833 foi observada. Enquanto os observadores exultavam, insttumentos
de precisão registravam a cifra de 100 mil meteoros horários!
Contudo, retornemos ao passado por um momento. Se os astrónomos
aprenderam bastante ern 1833, muitas pessoas comuns sentíram-se terrifi-
cadas. Alguns se deitaram por terra, suplicando que o Senhor tivesse mise-
ricórdia. Muitos outros, alarmados com o pensamento de que o dia do juí-
zo os pudesse encontrar na condição de ladrões, devolveram aos respecti-
vos donos aquilo que haviam roubado, o que levou aquela noite a receber
apropriadamente o título de "Noite da Restituição".
Muitas pessoas comuns, porém, cheias de reverência, encheram-sc tam-
bém de júbilo intenso, sob o esperançoso pensamento da segunda vinda.
Frederick Douglass, futuro jornalista e diplomata, em 1833 era ainda um
escravo. Para ele, o chuveiro de estrelas foi uma "cena sublime", um "sun-
tuoso espetáculo", o "arauto do retorno do Filho do homem". Ele havia
Jido na Bíblia que as estrelas cairiam, e eis que agora isto se cumpria. "Eu
achava-me sob grande sofrimento mental", escreveu ele em sua autobio-
grafia. "Volvia meu olhar para o Céu, esperando obter do mesmo aquilo
Apocalipse 6:1 a 8:1
que na Terra me era negado." "Achava-me preparado para saudá-Lo como
meu amigo e Redentor."1''
Outro observador serio mas regozijante foi Henry Dana Ward, gradua-
do por Harvard e dirigente da Igreja Anglicana de São Judas, em Nova Ior-
que. Ward despertou subitamente de um profundo sono, ao ouvir alguém
que gritava. Deu uma espiada pela janela, despertou a esposa e vestiu apres-
sadamente as roupas. Em breve encontrava-se na rua e, em virtude do pros-
seguimento do cspctáculo, caminhou com um casal de amigos até um par-
que próximo, a fim de obter um ponto de observação mais privilegiado.
"Sentimos em nosso coração", escreveu ele, quase imediatamente após, no
New York Journal of Connnerce (Jornal do Comércio de Nova Iorque), "que
aquilo era um sinal dos últimos dias. Pois, verdadeiramente, 'as estrelas do
Céu caíram sobre a Terra, como a figueira que, sob forte vento, lança de si os
seus figos ainda verdes1. Apocalipse 6:13. Essa linguagem do profeta sempre
fora recebida como metafórica. Ontem ela cumpriu-se literalmente.
"De que fornia caíram elas?" pergunta Ward, para responder em segui-
da. "As estrelas cadentes não vieram, como que provindo de muitas árvo-
res sacudidas, mas de apenas uma: aquelas que apareceram no Leste, caí-
ram para o Leste; as que apareceram no Norte, para o Norte caíram; aque-
las que apareceram no Oeste, caíram em direção ao Oeste e aquelas que
surgiram no Sul (pois eu saí de minha residência c me dirigi ao parque)
caíram no rumo do sul; c elas caíram, não como frutos maduros. Longe
disso. Elas voaram, elasjvram lançadas, tais como frutos verdes, que a prin-
cípio se recusam a abandonar os galhos; quando, por fim, sua resistência é
vencida, eles voam rápida e diretamente para baixo."
Ward considerou que "causas naturais" indubitavelmente produziram o
fenómeno; contudo, ele o viu como o indiscutível cumprimento da profe-
cia, feita mais de 1.800 anos antes.
O significado desses eventos. Antes de encerrarmos a consideração desses
eventos - o terremoto de Lisboa em 1755, o dia escuro em 1780 e a que-
da de estrelas leônidas em 1833 — vamos examiná-los um pouquinho mais.
Com quanta precisão cumprem eles a predição de Cristo, feita no Discur-
so do OHvcte, e a predição do apóstolo João sob o sexto selo?
l. Sua magnitude. Cada um desses eventos foi notável em sua esfera. O ter-
remoto de Lisboa sacudiu uma porção incomum da superfície terrestre. Sa-
cudiu também a forma de pensar do povo, contribuindo para encerrar uma
era de otimismo e inaugurar um período de melancolia. O dia escuro em 19
de maio de 1780 jamais foi igualado nestes últimos duzentos anos, pelo me-
nos na América do Norre. A queda de estrelas leônidas em 13 de novembro
de 1833, inaugurou uma nova era na astronomia e tampouco encontrou na
História um espetáculo equivalente, apesar da expectativa dos cientistas de
que isso deveria ocorrer. O chuveiro celeste de 1966, embora tenha sido tão
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
brilhante como o de 1833, foí muito mais curto e só pôde ser observado
numa área muito restrita. Portanto, esses três eventos foram notáveis.
2. Sua localização. Esses fatos ocorreram principalmente na Europa e na
América do Norte, onde o povo se preocupava com o estudo da Bíblia e o
cumprimento das profecias. Eles ocorreram onde o povo se encontrava pre-
parado para compreender sua importância e divulgar suas implicações. Um
dia escuro sobre o Saara ou a Nova Guiné, pouco teria dito acerca da volta
de Cristo a canibais caçadores de cabeças ou a nómades muçulmanos.
Os eventos não necessitam ser universais para que transmitam uma
mensagem global. Alguns quilómetros quadrados em Hiroshima e Naga-
saki foram suficientes para anunciar a era atómica. Um estábulo em Belém
introduziu-nos à era crista.
Apenas poucas centenas de pessoas viram Jesus após Sua ressurreição
{veja I Coríntios 15:3-8), mas essas anunciaram o fato a outras. Tomé afir-
mou que não creria se não visse pessoalmente a Jesus. O Mestre apareceu-
lhe, c Tomé acreditou. "Senhor meu c Deus meu!" exclamou ele. Mas Je-
sus retrucou: "Bem-aventurados os que não viram, c creram." S. João
20:28 e 29. Nenhum de nós, que vivemos hoje, estava presente quando Ele
Se ergueu dentre os mortos, mas algumas pessoas ali se encontravam e pas-
saram adiante a boa nova, o que foi suficiente.
Tempos atrás, uma revista contou a história de um trem, cujo apito
soou regular e rapidamente à medida que ele se aproximava da estação. Os
passageiros que o aguardavam, praticamente não prestaram qualquer aten-
ção ao fato. Os poucos funcionários da estrada de ferro, contudo, reconhe-
ceram o insistente apito como um sinal - um indicador de que o trem se
encontrava sem freios. Imediatamente, ordenaram a todos que se encon-
travam na plataforma c nas salas de espera que evacuassem esses locais. O
trem se precipitou de encontro à plataforma ao chegar à estação. As insta-
lações foram danificadas, mas ninguém feriu-se, pois umas poucas pessoas
compreenderam o "sinal" c o interpretaram para as demais. Pelo fato de os
eventos sob análise terem ocorrido onde ocorreram, algumas pessoas com-
preenderam e divulgaram o seu significado. Foi o suficiente.
3- Seit posicionamento no tempo. Jesus dissera que o Sol e a Lua escure-
ceriam, e as estrelas cairiam "imediatamente após a tribulação daqueles
dias". Assim aconteceu. Nossos eventos surgiram no tempo correto.
Observemos, porém, que Jesus também declarou: "Então aparecerá no
céu o sinal do Filho do homem; todos os povos da Terra... verão o Filho
do homem vindo sobre as nuvens do céu... E Ele enviará os Seus anjos,
... os quais reunirão os Seus escolhidos." S. Mateus 24:30 e 31. Estes even-
tos ainda não ocorreram.
Assim, o que diremos a respeito do tempo? Bem, uns poucos anos de-
pois do espetáculo estelar de 1833, Jesus cumpriu uma das mais notá-
?.n4
Apocalipse 6:1 a 8:1
veis profecias bíblicas. Em 1844, no encerramento dos 2.300 dias-anos
de Daniel 8:14, Ele cavalgou as nuvens do Céu e dirigíu-Se ao Ancião
de Dias (veja Daniel 7:9-14) a fim de inaugurar o julgamento final.
Desde então, Ele tem estado a segurar os quatro ventos, enquanto Se
empenha ativamente no selamento dos 144 mil, Seu precioso povo do
tempo do fim. Veja Apocalipse 7:1-8. Por intermédio dos anjos simbó-
licos de Apocalipse 14, Ele tem estado a expandir notavelmente a pro-
clamação do evangelho, em cumprimento a Seu alvo de alcançar cada
nação, tribo, língua c povo.
Quando todas as pessoas que estiverem vivendo nesse tempo tiverem a
oportunidade de aceitar ou rejeitar o evangelho, as pragas deverão cair sobre
aqueles que, cm última instância, permaneceram impenitentes. Deus está
postergando esse infausto acontecimento, pois "é longânimo para conosco,
não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependi-
mento." II S. Pedro 3:9. Quando, porém, o evangelho tiver sido pregado no
mundo inteiro, "virá o fim". S. Mateus 24:14. Veja as páginas 45-47.
Os eventos físicos relacionados com a Terra, o Sol, a Lua e as estrelas, e
que estivemos analisando, desempenharam um papel duplo como indica-
dores. Eles testemunharam a vinda do Filho do homem na qualidade de
juiz, ao mesmo tempo em que testificam a proximidade de Sua vinda
como Filho do homem por ocasião do segundo advento.
Porventura serão repetidos os sinais - como alguns têm sugerido - ime-
diatamente antes do retorno de Cristo? Talvez. Veja a seção Respostas tis
Suas Perguntas, à página 217. No excitamento que acompanhará o efeti-
vo regresso de Cristo, nosso sistema solar talvez execute alguns artifícios
surpreendentes e assustadores. Mas a série de sinais que deveriam ocorrer
"imediatamente após a tribulação daqueles dias", evidentemente já se
completou.
Em termos de sexto selo, localizamo-nos hoje entre a queda de estrelas
de Apocalipse 6:13 e os tempos momentosos do verso 14, quando os Céus
se enrolarão como um pergaminho, as montanhas e ilhas serão removidas
de seus lugares e os pecadores impenitentes clamarão às rochas que os es-
condam da ira do Cordeiro.
A informação que nos foi comunicada através dos eventos que acaba-
mos de analisar, pode ser considerada como parte do processo de "sela-
mento". Ser advertido equivale a estar prevenido. O conhecimento de que
estamos vivendo cfetívamentc no tempo do fim e que o julgamento já se
encontra em processo, ajuda-nos a avaliar nossas prioridades. Vitaliza o
nosso desejo de vivermos bem perto do Senhor e de estarmos prontos para
o Seu aparecimento.
O Cordeiro nos sela e protege, não apenas com Seu sangue e Seu nome, mas
também ao abrir os sete selos e revelar-nos o curso da História e da profecia.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
IV. Por Que Somente o Cordeiro Pôde Abrir os Selos

Antes de nos afastarmos da divisão apocalíptica dos sete selos, devemos


fazer a pergunta básica: Por que foi o Cordeiro o único ser capaz de rom-
per os sete selos e abrir o livro? Quando João contemplou inicialmente o
rolo selado na mão de Deus, lembre-se de que ele "chorou muito" porque
ninguém fora achado "digno de abrir o livro, nem mesmo de olhar para
ele." Veja Apocalipse 5:1-4.
Entretanto, um dos vinte c quatro anciãos confortou o apóstolo. O
"Leão" da tribo de Judá poderia abri-lo porque vencera, disse ele. No mo-
mento seguinte, o Cordeiro "com sete chifres, bem como sete olhos" er-
gueu-se e tomou o rolo da mão de Deus. Verso 6. Ao Ele assim proceder,
um cântico de louvor irrompeu nos ares:

Digno és de tomar o livro


e abrir-lhe os selos,
porque foste morto
c com o Teu sangue
compraste para Deus os que procedem
de toda tribo, língua, povo e nação,
e para o nosso Deus os constituíste
reino c sacerdotes;
e reinarão sobre a Terra.
Versos 9 c 10.

Aqui, pois, estão as razões, ou pelo menos parte delas, pelas quais apenas o
Cordeiro pôde abrir os selos. A questão requer, entretanto, um pouco de aná-
lise adicional — e razões adicionais podem também ser encontradas em outras
partes do livro. À medida que estivemos estudando acerca dos selos, você c
sua tamília, ou o seu grupo de estudo, por certo desenvolveram seus próprios
pontos de vista sobre a questão. Compartilhe-os com outros. Para sua análi-
se, relacionei a seguir mais sete razões, conforme eu as compreendo.
1. O Cordeiro é nosso Mediador. O primeiro verso de Apocalipse mostra
que a mensagem inteira do livro é uma revelação "que Deus Lhe deu [a Je-
sus Cristo], para mostrar aos Seus servos as coisas que cm breve devem
acontecer". Quando o Cordeiro, Jesus Cristo, tomou o rolo do livro da
mão do Pai e abriu os selos de modo a revelar-nos o futuro, Ele estava
cumprindo o papel que esse verso Lhe atribui. Efetivamente, Cristo é o ca-
nal ou "Mediador entre Deus e os homens" {I Timóteo 2:5) para toda c
qualquer bênção que procede de Deus.
2. O Cordeiro vi- o futuro. Os "sete olhos" (Apocalipse 5:6) do Cordeiro
representam plenitude de percepção, discernimento e antevisão. Tal como
Apocalipse 6:1 a 8:1
o Pai, Jesus é o "Alfa c o Ômcga", o princípio e o fim. Apocalipse 22:13;
1:8; compare com Isaías 44:6 a 8. Ele vê o futuro com tanta clareza quan-
to vê o presente e o passado. Jesus sabia "desde o princípio", por exemplo,
qual de Seus discípulos haveria de traí-Lo. S. João 6:64. Apenas a Divin-
dade pode predizer corretamente o futuro. Quando o rei Nabucodonosor
pediu a Daniel que explanasse a visão da esrátua profética, o profeta res-
pondeu: "O mistério que o rei exige, nem encantadores, nem magos, nem
astrólogos, o podem revelar ao rei; mas há um Deus nos Céus, o qual re-
vela os mistérios; Ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonosor o que há de ser
nos últimos dias." Daniel 2:27 e 28.
3. O Cordeiro possui "sete chifres". Os sete chifres do Cordeiro (Apocalip-
se 5:6) representam, de acordo com a maioria dos comentaristas, a pleni-
tude de Sua autoridade. "Toda autoridade Me foi dada no Céu e na Ter-
ra." S. Mateus 28:18. Ao sumo sacerdote que presidia Seu julgamento, Je-
sus disse: "Vereis o Filho do homem assentado à direita do Todo-podero-
so [por ocasião da Sua segunda vinda], e vindo sobre as nuvens do céu." S.
Mateus 26:64.
O sexto selo aberto pelo Cordeiro descreve a segunda vinda. Apocalipse
6:16 e 17. O Cordeiro estava tentando dizer-nos algo. As perturbações diá-
rias que nos são ocasionadas pelos três cavaleiros maus, e as dolorosas provas
que nos infligem nossos perseguidores pessoais, não são o fim do mundo.
Mesmo nossa morte não é o fim do mundo. Mas a segunda vinda sim, -
quando Jesus, o Cordeiro, interferirá com "toda autoridade" nos assuntos
humanos e assumirá o comando. Por ocasião da segunda vinda, o Cordeiro
usará Sua autoridade para corrigir todo o mal que estivermos sofrendo.
4. O Cordeiro sofreu. Quando Jesus Se ergueu para apanhar o livro, Seu
parecer era o de um Cordeiro "como tendo sido morto". Apocalipse 5:6.
A linguagem provém de Isaías 53: "Como um cordeiro que é levado ao
matadouro". "Homem de dores, e que sabe o que é padecer." "Ele foi tras-
passado." Jesus conhece por experiência o que significa ter uma angustio-
sa oração não-atcndída; sabe o que é sentir (com C. S. Lewis) que a porta
do Céu foi fechada com duas voltas na chave; experimentou, com o rei
Davi, o que é clamar: "Deus Meu, por que Me desamparaste?" S. Mateus
27:45. Compare com o Salmo 22:1 e veja as páginas 187-188. Por um mo-
mento, Jesus foi até mesmo uma "alma debaixo do altar".
"Pois naquilo que Ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para
socorrer os que são tentados". Hebreus 2:18. Grande parte da informação
profética revelada pela ruptura dos sete selos, era extremamente ruim. Os ca-
valeiros maus haveriam de atormentar horrivelmente a humanidade. Os
crentes fiéis seriam martirizados. O inocente sofreria junto com o culpado e,
muitas vezes, mais do que este. As orações por justiça c em favor da segun-
da vinda seriam grandemente postergadas em seu atendimento.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Deus anteviu essas más notícias. Foi em Sua preocupação por nós que
Ele permitiu a Jesus abrir os selos. Por experiência, o Cordeiro compreende
tais problemas, e isto pode nos servir de conforto.
Cristo, o Cordeiro, sofreu e morreu por nós. Não deveríamos lem-
brar-nos desse fato sempre que somos tentados a pensar que Deus não
tem interesse por nós?
Em compensação, quanto O amamos? Nos tempos do Antigo Testa-
mento, Satanás disse a Deus que Jó O servia tão-somcnte porque o Senhor
o fazia prosperar. Se sua prosperidade fosse removida, escarneceu Satanás,
Jó amaldiçoaria a Deus como qualquer outra pessoa. Os amigos de Jó apa-
rentemente concordaram com o inimigo. Mas Deus compreendia a Jó. Ele
sabia que o patriarca continuaria a ser-Lhe fiel, acontecesse o que aconte-
cesse. Portanto, concedeu a Satanás permissão para arruinar a Jó; e o ten-
tador dirigiu todas as suas baterias contra Jó num só dia. Veja Jó 1:6-19.
Leal à confiança que sempre depositara em Deus, Jó apenas disse:
"O Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Se-
nhor." Jó 1:21.
No devido tempo, Deus recompensou a Jó com prosperidade ainda
maior que a anterior, mas esse não era o ponto focal. O ponto é que Jó
amava a Deus e nEle confiaria, não importando o que lhe sobreviesse. O
exemplo de Jó, a "paciência de Jó", tem sido uma inspiração para as pes-
soas aflitas, desde então.
Jesus sofreu por nós. Ofereceu-nos também roupas brancas e a vida eter-
na. Se depois de fazer tudo isto por nós, Ele (digamos assim) decidir não
ajudar-nos a encontrar uma carteira que extraviamos por negligência,
abandoná-Lo-emos por isso? Abandoná-Lo-emos se, numa situação bem
mais séria, Ele permitir que soframos durante vinte intermináveis anos, de
forma a poder usar-nos - à semelhança de Jó - com o propósito de ilus-
trar a fé c a paciência perante nossos vizinhos? O que são vinte anos de dor
quando comparados com a Vida Eterna?
"As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios afogá-lo",
diz um provérbio bíblico. Cantares 8:7.
A própria morte não pôde apagar o amor de Cristo por nós. Ele almeja
que nos lembremos disso quando os três cavaleiros maus aparecerem,
quando nossas preces não forem respondidas e quando o,s nossos persegui-
dores pessoais nos chutarem para debaixo de um altar.
5- O Cordeiro venceu. Durante os anos em que esteve na Terra, Jesus foi
vítima de difamação, suborno, "justiça" do populacho e brutalidade poli-
cial. Foí zombado, mal-interprctado, torturado e morto. Ainda assim, o
ancião que O apresentou a João como o Cordeiro morto, disse que Ele
vencera! Apocalipse 5:5. Jesus venceu toda amargura, sobrepujou toda ten-
tação de "vingar-se" das pessoas. Nas cartas às sete igrejas, Ele próprio Se
Apocalipse 6:1 a 8:1
apresenta como Aquele que venceu, e atribuí à sua vitória o fato de achar-
Se assentado no trono de Deus. Veja Apocalipse 3:21. Ele nos convida a
também vencermos e assim nos assentarmos com Ele em Seu trono.
Pedro diz que, ao proceder da forma como procedeu na ocasião em que
foi maltratado, Jesus nos deixou "um exemplo". E a seguir, o apóstolo ex-
plica: "Pois Ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando mal-
tratado não fazia ameaças, mas entregava-Se Àquele que julga retamente."
I S. Pedro 2:23. Ele cria que Deus cuida de Seus filhos.
Soldados grosseiros limparam suas gargantas e escarraram na face de
Cristo enquanto Suas mãos se achavam atadas, Eles arrancaram tufos de
Sua barba. Bateram nEle até que Ele Se transformou num amontoado de
feridas. Mas Jesus permaneceu calmo. Séculos antes, o profeta Isaías, a
exemplo de Pedro, percebera o segredo de Seu sucesso. Foi mostrado pro-
feticamente que Cristo manteria a confiança de que, a longo prazo, Deus
Se encarregaria de reivindicar-Lhe os direitos, de tal maneira que Ele pró-
prio não necessitaria lutai- pelos mesmos. Manteve em mente que "o Meu
direito está perante o Senhor" e que "perto está o que Me justifica". Isaías
49:4; 50:6-8.
Os mais poderosos inimigos que Jesus venceu foram, naturalmente, o
diabo, "aquele que tem o poder da morte", e a própria morte. Hebreus
2:14. Torturado e morto, Jesus retornou à vida e trouxe outros consigo. Ele
é "a ressurreição e a vida". S. João 11:25- Ele segura as "chaves da morte".
Apocalipse 1:18.
Em virtude de haver vencido o pecado, a morte e Satanás, Jesus é Aquele
que nos fala acerca dos cavaleiros maus e das almas debaixo do altar. Ao con-
fiarmos que Deus Se encarregará de defender os nossos direitos, nós também
poderemos vencer as dificuldades, a amargura, o demónio e a morte.
6. O Cordeiro foi "morto", cantaram os anciãos e as criaturas viventes.
Ele redimiu e resgatou homens para Deus. Ele os ajuntou "de toda tribo,
língua, povo e nação", reunindo-os num "reino e sacerdotes" "para Deus",
c os fará reinar "sobre a Terra". Apocalipse 5:9 e 10. Escravos, cativos e se-
questrados são resgatados ou redimidos quando alguém paga por eles o
montante de seu resgate. Jesus nos redimiu ou resgatou ao morrer para pa-
gar nossa taxa de resgate no Calvário. O conceito de tomar escravos redi-
midos e organizá-los em um reino de sacerdotes, nos conduz à mais bási-
ca de todas as razões pelas quais o Cordeiro pôde abrir os selos.
7. Jesus é nosso Cordeiro Pascal. Nas cerimónias do Antigo Testamento, os
cordeiros que representavam a Jesus eram oferecidos diariamente no tem-
plo, ao lado de muitos outros animais sacrificais. De todas as ocasiões, po-
rém, a mais especial era aquela em que os cordeiros eram empregados na
cerimónia anual da Páscoa. O cordeiro pascal era o principal dos cordei-
ros. Jesus morreu como nosso resgate no próprio dia da Páscoa. Paulo es-
209
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
creveu em I Coríntios 5:7 que "Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imola-
do". Noutras versões, encontramos expressões semelhantes, "Pois nossa
Páscoa, Cristo, foi imolada." A Bíblia de Jerusalém, "Cristo, nosso cordei-
ro da Páscoa, já foi sacrificado." A Bíblia na Linguagem de Hoje.
Cristo é nosso Cordeiro Pascal. É importante que nos lembremos disso.
Sempre que lemos "Cordeiro" no Apocalipse, devemos ter em mente o
"Cordeiro da Páscoa".
Nos tempos bíblicos, como ainda hoje, a Páscoa era celebrada anual-
mente em comemoração à maravilhosa c inesquecível noite em que os is-
raelitas escaparam, depois de décadas de escravidão no Egito. Ã Páscoa
também lhes lembrava a ocasião em que sua nação foi constituída. Ao reu-
nir os triunfantes ex-escravos junto ao pé do Monte Sinai, o Senhor lhes
disse, por intermédio de Moisés: "Vós Me sereis reino de sacerdotes e na-
ção santa." Êxodo 19:6,
Por definição, sacerdotes têm o privilégio de desfrutar de acesso pessoal
a Deus. Ser um reino de sacerdotes, é sem dúvida uma elevadíssima honra.
Antes desse privilégio, porém, ocorreu o escape do Egito. E um dos pre-
ços do escape foi o cordeiro pascal. Veja logo abaixo.
Hoje Cristo está ajudando, não apenas israelitas, mas indivíduos de
"toda tribo, língua, povo e nação", a escaparem de seus "Egitos" particula-
res, de escravidão do pecado e do temor da morte. Seu cavaleiro, o do ca-
valo branco, galopa ao redor do mundo e espalha o convite. Todo aquele
que responde torna-se membro da "raça escolhida". I S. Pedro 2:9. João
contemplou o feliz povo que circundava o trono de Deus nas cenas de
atribuição e segurança dos últimos dias, já próximo ao final do período dos
sete selos. O preço de seu novo status foi a morte do Cordeiro Pascal.
O Cordeiro da Páscoa e sua família. Tendo em vista compreender melhor
a Páscoa, necessitamos saber que ela não era apenas uma celebração nacio-
nal, mas também uma festa familiar. A cerimónia envolvia os membros da
família c realizava-se, em sua maior parte, nos lares.
Na ocasião da noite da Páscoa original, Deus estivera durante algumas
semanas a tentar - sem sucesso - convencer os governantes egípcios a libe-
rarem pacificamente o Seu povo. Nem palavras bondosas, nem uma série
de terríveis pragas pareciam ter a capacidade de ajudar. Poucos dias antes
de ocorrer a décima e mais terrível de todas as pragas, Deus instruiu Moi-
sés a tornar pública a informação de que a punição final seria muito seve-
ra, e que teria como consequência levar o cruel governo egípcio a deixar
sair o Seu povo. Na décima praga, Deus visitaria a ímpía terra do Egito e
mataria o filho primogénito em todos os lares.
Graciosamente, antes de dar a terrível informação, Deus disse aos israe-
litas, por intermédio de Moisés, o que eles poderiam fazer a fim de prote-
ger suas próprias famílias. Deus pouparia o primogénito de rodas as famí-
Apocalipse 6:1 a 8:1
Hás se estas matassem um cordeiro à tardinha. O animalzinho deveria ser
assado e comido ao pôr-do-sol, e uma parte de seu sangue deveria neces-
sariamente ser espargido nos lados e no topo dos umbrais da porta da casa.
Durante a noite, toda a família deveria permanecer reunida dentro de casa.
À meia-noite, Deus observaria o sangue do cordeiro nos umbrais a passa-
ria por alto aquela casa. Nessas casas, o filho mais velho estaria em segu-
rança. (O próprio termo PÁSCOA está relacionado com esse "passar por
alto". No idioma inglês, PÁSCOA É PASSOVER, ou seja, PASS OVER,
"passar por alto". - Nota do tradutor.) Veja Êxodo 12.
As famílias israelitas decidiram seguir o esquema divino. Tipicamen-
te, o pai de cada família assumiu o controle. Embora se tratasse de famí-
lias escravas, pareceu-lhes que o alto preço relativo de um cordeiro não
era excessivo, se isso lhes era requerido como forma de salvar seus filhos
primogénitos.
Enquanto a meía-noite se aproximava, crianças nervosas e mães aflitas
devem ter feito, em muitos lares, a repetida pergunta: "Papai, você tem
certeza de que aplicou o sangue do cordeiro à porta? Tem certeza de que
aplicou o suficiente para que Deus possa vê-lo na escuridão?"
Ao chegar a meia-noite e nas horas seguintes um grande clamor soou
dos lares egípcios, onde o sangue não fora aplicado. Entretanto, gritos de
alegria e lágrimas de alívio encheram cada lar israelita, onde o sangue fora
aspergido.
Na verdade, ocorreu uma morte em cada lar — ou a morte do filho mais
velho, ou a do cordeiro pascal. O cordeiro pascal original foi morto para sal-
var as crianças. Ele morreu para manter a unidade e a integridade familiar.
Jamais esqueçamos tal fato. De todos os símbolos que Jesus poderia haver
selecíonado para representar a SÍ próprio no Apocalipse, a escolha recaiu so-
bre o cordeiro pascal. Este símbolo ocorre vinte e nove vezes. Cada vez que
o encontrarmos, Icmbremo-nos de que ele traz à lembrança o Seu amor, tan-
to pelas crianças quanto pelos adultos, Seu interesse por famílias completas,
bem como por Sua nova e grande nação real e reino de sacerdotes.
As crianças cristãs são, frequentemente, maltratadas por professores e
colegas descrentes. Por vezes, quando elas se colocam ao lado do direito,
sentem-se tão desconcertadas que chegam a pensar que melhor seria mor-
rer. Sentem-se como as almas debaixo cio altar. Mas as roupas brancas de
Cristo, Seu selo, Sua segunda vinda e a alegria junto ao trono e Sua mor-
te sobre a cruz, destinam-se tão verdadeiramente às crianças como a qual-
quer outra pessoa.
Há muito tempo, os pais aplicaram o sangue do cordeiro. Nas casas is-
raelitas cm que não havia um pai, a tarefa coube às mães, tios e avós. Os
adultos podem ainda hoje aplicar o sangue por Intermédio da oração diá-
ria em favor de suas crianças, pedindo pelos méritos de Cristo que Deus as
211
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
abençoe, as guie e as perdoe, e também ao convidar o cavaleiro do cavalo
branco - a mensagem do cristianismo genuíno - para que visite diaria-
mente os seus lares.
Sem Jesus Cristo, não haveria multidão alegre ao redor do trono, nem
vestimentas brancas, nem o ginete do cavalo branco, nem cristianismo! Je-
sus Cristo é o nosso Mediador. Jesus Cristo, o que tem sete olhos, o Cor-
deiro pascal de sete chifres, redimiu-nos por Sua morte e nos reúne crn Sua
nação real, destinada esplendidamente à vida eterna. Ele nos protege das
piores coisas dessa vida e nos sela para o melhor da vida porvir. Quem, se-
não Ele, seria digno de abrir os sete selos?
"Digno, digno é o Cordeiro!"

Leitura Adicional Interessante

As Belas Histórias da Bíblia, vol. 10 (Arthur S. Maxwell):


"Cavalos da História", pág. 184;
"Deus Assinala os Seus", pág. 189.

717.
Respostas às
Suas Perguntas
l. Com que se pareciam os rolos selados dos tempos

A
bíblicos?
Iguns rolos dos tempos bíblicos eram feitos com uma es-
pécie de couro chamado pergaminho, mas a maior parte
deles era de papiro. O papiro era um papel grosseiro, fa-
bricado no Egito a partir dos delgados juncos de papiro.
(Nosso rermo papel provém àe papiro.) Duas camadas de
juncos eram arranjadas de forma cruzada, no tamanho e formato de uma
folha de papel; eram então umedecidas e prensadas até que aderissem, e
depois eram secadas. Veja a página 104. Uma folha era suficiente para uma
carta simples. Para documentos maiores, um número maior de páginas era
unido num conjunto que por vezes formava tiras de vários metros de com-
primento. Ao serem enroladas, essas tiras formavam um rolo.
Documentos importantes de várias espécies eram frequentemente sela-
dos de modo a impedir que pessoas não-autorizadas abrissem os docu-
mentos e lessem o seu conteúdo. No caso do rolo, um cordão era amar-
rado à sua volta, um punhado de barro úmido era colocado sobre o cor-
dão e uma estampa ou selo era impresso sobre o barro. Tanto o sinete gra-
vado quanto o barro estampado, eram conhecidos como selos. Após a se-
cagem do barro, ele não podia ser removido, a menos que fosse quebra-
do. Muitas vezes era usada a cera, com o mesmo propósito que o barro.
Uma história interessante a respeito do selamento de um contrato, encon-
tra-se no capítulo 32 de Jeremias.
Tanto particulares quanto oficiais do governo ou estabelecimentos co-
merciais, usavam selos, os quais eram gravados com o nome de seu possui-
dor e, por vezes, também retratavam deuses pagãos e animais estranhos.
Cada selo representava distintivamente o seu proprietário e servia como
uma assinatura.
Documentos como escrituras, decretos de divórcio, contratos, alianças
e testamentos, poderiam receber vários selos. Ncemías 10 fala sobre uma
aliança que recebeu mais de oitenta selos.

2. O que estava escrito no livro dos sete selos, do Cordeiro?


Apocalipse 5:1 diz que o livro sete vezes selado que o Cordeiro tomou
nas mãos, a exemplo do rolo de Ezequiel, achava-se escrito de ambos os la-
dos - o que era incomum - mas nada mais é dito acerca do conteúdo efe-
tivo do rolo. Embora o Cordeiro estivesse qualificado a quebrar os selos e
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
abrir o livro, a Bíblia não afirma que o livro tenha sido efctívamcnte aber-
to. Sabemos apenas o que ocorreu quando da abertura dos selos.
O silêncio acerca do conteúdo do livro conduziu a especulações. Um
bom número de estudiosos tem observado que sob a legislação romana vi-
gente ao tempo em que João escreveu o Apocalipse, o testamento de uma
pessoa requeria o selo de sete testemunhas. Uma das sete testemunhas era
conhecida, incidentalmente, como o homem da balança, como se o seu tra-
balho fosse pesar o valor do conjunto de bens nurna velha balança.17 Após
a morte da pessoa, as sete testemunhas reuniam-se na presença de uma au-
toridade governamental. A autoridade requeria que cada testemunha iden-
tificasse o seu próprio selo e o rompesse, de modo que o conteúdo do tes-
tamento pudesse ser lido.
Por vezes, ao lermos Apocalipse 7, vem-nos à mente uma idêntica cena,
a da abertura de um documento. Ao ser rompido cada um dos quatro pri-
meiros selos, uma das quatro criaturas viventes emite a ordem: "VEM!" Em
resposta, aparece em cena um cavaleiro montado, sugerindo não apenas a
presença de uma testemunha chamada para identificar o seu selo, como
também - talvez — os animais gravados que por vezes eram utilizados nos
selos (veja a pergunta anterior). Um dos cavaleiros segurava uma balança na
mão, fazendo lembrar o antigo homem da balança. Alguns comentaristas
têm sugerido que o rolo selado com sete selos, no Apocalipse, é de fato o
Novo Concerto, o desejo ou testamento de Deus para o Seu povo.
Indiscutivelmente, a visão utiliza costumes familiares daquele tempo a
fim de ilustrar a comunicação das verdades celestiais; contudo, são tantos
os aspectos da visão que diferem de costumes conhecidos, que não pode-
mos basear-nos nesses costumes para identificar o rolo como sendo uma
expressão de vontade ou testamento.18 Outros documentos também pos-
suíam sete (ou mais) selos, de modo que o número de selos, por si só, não
é capaz de identificar o rolo do Cordeiro como sendo um testamento. Di-
ferentemente da cena de abertura de um testamento, os cavaleiros apare-
cem apenas depois que cada selo é rompido. Eles não abrem - a exemplo
das testemunhas legais — cada um o seu próprio selo; é o Cordeiro quem
os abre. Por outro lado, ao serem abertos os três últimos selos, nenhum ca-
valeiro aparece. De fato, na abertura do sétimo selo nada acontece. "Hou-
ve silêncio no Céu." Apocalipse 8:1.
Mais ainda: a melhor prática romana não teria sido a de usar um rolo
como opção primária para escrever um testamento. Para esse tipo de do-
cumento, os romanos preferiam o tradicional par articulado de tabletes de
madeira, cobertos com uma camada de cera. A escrita era obtida ao se pres-
sionar a cera com um estiletc à imitação de lápis. Quando o testamento se
achava pronto, os tabletes eram fechados um sobre o outro, à semelhança
de um livro, e selados com os selos.19
214
Apocalipse 6:1 a 8:1
Reconhecendo os problemas envolvidos na identificação do livro do
Cordeiro como um testamento ou aliança, alguns comentaristas têm su-
gerido que ele c o livro da vida do Cordeiro, e que contém os nomes de
todos os salvos. Compare com Apocalipse 13:8. Mas a Bíblia não afirma
que o livro é isso.
De fato, a Bíblia não identifica especificamente o verdadeiro conteúdo
do livro, e não deveríamos especular! Ela relata apenas o que ocorreu sob
a abertura de cada um dos selos. Estaremos pisando em chão mais firme se
nos limitarmos ao que está expresso.

3. Devemos considerar os 144 mil como literais ou simbólicos?


O Apocalipse é tão abundante em símbolos, que sempre é bom nos per-
guntarmos se um determinado item no livro não seria simbólico em vez de
literal. Naturalmente, ao tratarmos com detalhes de profecias não cumpri-
das, modéstia e precaução deveriam prevalecer; tais ocorrências poderão
não acontecer da forma como as imaginamos.
Apesar disso, temos que admitir que, se tomarmos o número 144 mil
como sendo literal, confrontar-nos-emos com muitas dificuldades. Das
144 mil pessoas seladas, diz-sc que provêm "de todas as tribos dos filhos
de Israel". Apocalipse 7:4. Cada tribo dá origem a 12 mil pessoas, ou seja:
Judá, Rúben, Gadc, Aser, Naftali, Manasscs, Simeão, Levi, Issacar, Zebu-
lom, José e Benjamim. Nós estamos habituados a pensar em Deus como
Alguém que estende livremente a Sua graça e que aceita todos aqueles que
respondem positivamente. Conhecendo isso, e conhecendo a natureza hu-
mana, sentimo-nos estupefatos de que exatamente 12 mil, nem mais nem
menos, responderão ao convite divino em cada uma das tribos. Nunca
dantes aconteceu qualquer coisa semelhante.
Desde que os israelitas retornaram do exílio babilónico no sexto século
a.C., há aproximadamente 2.500 anos, nenhuma tentativa séria — e, por
vezes, nenhuma tentativa de qualquer espécie — tem sido feita para preve-
nir os casamentos intertribais, com exceção, talvez, de uma tentativa feita
neste sentido em relação à tribo sacerdotal de Levi. Já nos dias de Cristo as
doze tribos encontravam-se profundamente amalgamadas, e foi sugerido
que, num sentido genético, praticamente todo judeu era um "filho de
Davi". Torna-se extremamente difícil conceber a ideia de que hoje possam
existir 12 mil representantes "puro sangue" em cada uma das doze tribos
relacionadas em Apocalipse 17.
Para isso, aliás, a lista de doze tribos apresentada em Apocalipse 7 ofere-
ce os seus próprios problemas, se tomada literalmente. Ela é diferente de to-
das as listas tribais encontradas em outras partes da Bíblia. E diferente até
mesmo da relação de tribos encontrada em Ezequiel 48, a qual - tal como
a de Apocalipse 7 — é cscatológica. Compare as listas da próxima página.
7.1 S
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse

AS DOZE TRIBOS DE ISRAEL


Conforme listadas em três diferentes passagens bíblicas

Génesis 49 Ezequiel 48 Apocalipse 7

Rúben Da Judá
Simeão Aser Rúben
Levi Naftali Gade
Judá Manassés Aser
Zebulom Efraim Naftali
Issacar Rúben Manassés
Da Judá Simeão
Gade Benjamim Levi
Aser Simeão Issacar
Naftali Issacar Zebulom
José Zebulom José
Benjamim Gade Benjamim

Ezequiel 48 prevê a salvação final de Israel e a divisão escatológica da terra da


Palestina. Se a sua profecia e a de Apocalipse 7 realmente falam acerca da salva-
ção escatológica do Israel literal, seria de se esperar que suas listas fossem iguais.
A lista de João, no Apocalipse, difere de outras por omitir Da e Efraim.
Pode-se argumentar que Efraim acha-se incluído indiretamente, uma vez
que José é mencionado e Efraim era filho de José; utilizando o mesmo ar-
gumento, porém, teríamos de chegar à conclusão de que Manassés foi in-
cluído duas vezes, pois ele também era Pilho de José.

Nenhuma explicação satisfatória tem sido oferecida para a existên-


cia dessa lista irregular de nomes, a menos que seja esta: a intenção
de João era dizer que as doze tribos de Israel não são, realmente, o Is-
rael literal, mas o verdadeiro Israel espiritual — a igreja. Alguns intér-
pretes têm tentado afastar a dificuldade maior — a omissão da tribo
de Da (que é a primeira tribo mencionada no povo escatológico de
Ezequiel 48) — ao sugerir que se esperava que o Anticristo surgisse da
tribo de Da. Essa tribo é, pois, considerada como apóstata e excluída
do povo de Deus e de sua herança da Terra. Essa ídéia persiste desde
os dias de Irincu. Ela naufraga, entretanto, ante o fato de que Da
acha-se incluído na salvação do povo escatológico em Ezequiel 48.20

A dificuldade desaparece quando os 144 mil passam a ser vistos não


como um ressurgimento do Israel literal (e isso, efctivamcnte, eles não po-
Apocalipse 6:1 a 8:1
dem ser, uma vez que as listas das tribos são tão diferentes), mas corno um
símbolo do Israel espiritual de Cristo, Sua igreja verdadeira.
Para muitos comentaristas, o número 12 mil atribuído a cada tribo e o nú-
mero 144 mil, baseado no quadrado de 12, representam plenitude, ou seja,
uma promessa de que o povo de Deus nos últimos dias incluirá todas as pessoas
que O invocarem por fé, e que elas, juntas, tornarão a igreja de Cristo comple-
ta, simétrica, gloriosa e linda, de modo que ela não tenha "mácula nem ruga,
nem coisa semelhante." Veja Efésios 5:25-27; compare com Apocalipse 14:5.

4. Repetir-se-ao, porventura, os "sinais" de S. Mateus 24:29?


A Bíblia não nega a possibilidade de que imediatamente antes do retorno de
Cristo, possam existir um novo dia escuro, Lua cor de sangue e queda de estre-
las. Jesus não disse quantas vezes esses eventos iriam ocorrer, e tampouco o dis-
se João ao apresentar uma lista semelhante à de Jesus, sob os eventos do sexto
selo. Depois de 1833 já houve outra queda notável de estrelas. Depois de 1755
ocorreram muitos terremotos graves. Muitos outros dias escuros aconteceram.
Pode ser significativo observar que o profeta Joel fornece duas listas de
sinais, similares àquelas enunciadas por Jesus e João, mas em alguns aspec-
tos diferentes das mesmas, e até mesmo diferentes uma da outra. Em am-
aas as listas de Joel, tanto quanto nas outras, díz-se do Sol que ele escure-
:eria. Mas apenas uma das listas de Joel fala sobre a Lua que adquire a cor
/ermclho-sangue, e essa mesma lista fala também de "sangue, fogo e colu-
las de fumo". Joel 2:30. A outra lista de Joel diz que a Lua, semelhante-
mente ao Sol, "se escurece", e acrescenta que as estrelas também "retiram
3 seu resplendor". Joel 3:15. As estrelas, em 13 de novembro de 1833, não
perderam o seu brilho!
As listas de Joeí não se encontram vinculadas à "tribulação daqueles
lias". Talvez essas duas listas permaneçam ainda inteiramente por cum-
5rir-se, em alguma vasta escala cósmica, enquanto Deus procura miseri-
;oodiosamente atrair a atenção da Terra para o breve retorno de Cristo.
Ou, talvez, as listas de João e de Jesus sejam apenas formulações diferen-
es da mesma informação prestada através de Joel.
No Discurso do Olivete, Cristo não foi generoso em multiplicar sinais
los últimos dias. A evidência que já se nos apresenta é impressionante. O
crremoto de Lisboa cm 1755, o dia escuro em 19 de maio de 1780, e a
jueda de estrelas leônidas cm novembro de l 833 foram, cada um por sua
rez, eventos notáveis. Corno série, eles ocorreram na ordem correta e no
empo apropriado. Efetivaram-se onde as pessoas poderiam aperceber-se
.propríadameme de seu significado. Estimularam ampla reflexão. Desem-
)enharam um papel distintivo em alertar aqueles que têm "ouvidos para
mvir", no tocante ao início do julgamento final e à chegada do tempo do
im. "Bem-avemurados os que não viram, e creram." S. João 20:29.
917
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
5. Estão realmente vivas as "almas" que se encontram sob o "altar"?
Uma boa parte dos leitores têm acreditado que as almas dos mártires de
Apocalipse 6:9 a l i estão vivas e no Céu. As almas "clamaram" e recebe-
ram "vestiduras brancas", o que parece provar que elas estão vivas — mes-
mo tendo sido "mortas" c cncontrando-sc elas sob um "altar".
Na análise dessa interessante e importante questão, ser-nos-á útil reco-
nhecer, logo de início, que todos nós usamos hoje palavras que não pos-
suem atualmentc o mesmo significado que antigamente.
Cemitério c um caso especialmente apropriado. Hoje, a palavra c usada
para identificar o lugar em que são sepultados os mortos. Mas a antiga pala-
vra grega de onde provém o nosso vocábulo c coimaterion, e seu significado
é "lugar apropriado para dormir". O cemitério é, pois, um dormitório! Para
certificar-se do que estamos dizendo, consulte um dicionário etimológico.
Alma é outro termo com uma história interessante. A maioria das pes-
soas usa atualmente o termo para referir-se a uma entidade abstrata, sepa-
rada do corpo, algo imortal que abandona o corpo quando este morte, e
que permanece viva. Crêem tais pessoas que a Bíblia utiliza a palavra nes-
te sentido. Mas, embora pareça muito estranho afirmá-lo, a Bíblia em ne-
nhum momento diz que a alma é imortal. Pelo contrário, ela afirma que
unicamente Deus é imortal. Veja l Timóteo 6:16; compare com o capítu-
lo 1:17. No que diz respeito à alma, o pensamento bíblico é de que ela [a
alma] é antes algo que somos, em vez de algo que temos.
A Bíblia que temos cm português é sempre uma tradução. Nos manus-
critos gregos do Novo Testamento, alma é tradução do termo PSYCHE.
Nos manuscritos hebraicos do Velho Testamento, a palavra corresponden-
te é NEPHESH.
NEPHESH é um termo extremamente comum. Ocorre 755 vezes no
Antigo Testamento. A declaração clássica a respeito da origem da alma (ou
seja, da origem de NEPHESH) c encontrada no relato da criação. Géne-
sis 2:7, conforme traduzido pela versão básica por nós utilizada, a Almei-
da Revista e Atualizada, diz: "Então formou o Senhor Deus ao homem do
pó da terra, c lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou
a ser alma vivente." No caso, alma é a tradução de NEPHESH.
Observe que Adão não obteve uma alma vivente; antes, tornou-se alma
vivente. O homem vivente, Adão, era uma alma vivente.*
Perceba que foram dois os ingredientes que formaram essa alma viven-
te. Nosso Pai celestial tomou (1) "o pó da terra" e a este acrescentou (2) "o
fôlego de vida".

* O erudito Thenlogical Dictionary oftne New Testam f m [Dicionário Teológico do Novo Testamen-
to] de Kíttel, vol. 9, nágs. 619 e 620, d i/.: "NRPH1ÍLSH c o termo usualmente empregado para desig-
nar a natureza total do homem, aquilo que clc c c não apenas aquilo que ele tem. ..- NEPHF.SH...
não tem existência separada do corpo."
Apocalipse 6:1 a 8:1
Na sentença: "fôlego de vida", a palavra hebraica para fôlego é
RUACH, um termo que também significa "vento" ou "brisa". Em
português, RUACH é frequentemente traduzido como "fôlego" e às
vezes como "espírito". A palavra portuguesa espírito provém de uma
antiga palavra latina, SPIRITUS, que também significa fôlego ou bri-
sa. Pense em nossa palavra respiração (derivada de espírito), e que sig-
nifica "tomar fôlego".
Tanto Adão quanto Eva foram feitos "à imagem de Deus". Génesis
1:27. Essa distinção posicionou-os a uma grande distância acima dos
animais. Mas no relato da criação, cada animal, à semelhança de Adão,
é também identificado como "NEPHESH vivente", cuja tradução em
Génesis 2:19 é "ser vivente". Observe que, no original, aquilo que tradu-
zimos como "alma vivente" ou "ser vivente" é um só termo. Os animais,
de modo idêntico às pessoas, foram feitos dos mesmos dois ingredientes:
(1) terra e (2) fôlego de vida. Veja Génesis 1:24 e 30. Nosso cãozinho de
estimação, ou o gato, ou o porquinho-da-índia, são almas viventes. Os
cavalos também são almas viventes. O mesmo ocorre com os animais do
zoológico.
Mas... o que ocorre quando a pessoa morre? De acordo com a Bíblia,
por ocasião da morte os dois ingredientes, (1) o pó da terra e (2) o fôlego
de vida, separam-se um do outro. Temporariamente, o pó e o fôlego retor-
nam a sua própria origem.

E o pó volte à terra, como o era,


e o espírito (RUACH, fôlego) volte a Deus, que o deu.
Eclesiastes 12:7.

A "Bíblia de Jerusalém" traduz o mesmo texto nos seguintes termos:

e o pó volte à terra, como antes,


e o espírito volte a Deus, seu Autor.

Como nota de rodapé ao referido texto, essa versão diz o seguinte:


"Aquele elemento no homem, que veio da terra, deve voltar para lá. ...
Deve-se concluir que este [o homem] não provém totalmente da terra e,
por isso, aquilo que vem de Deus a Ele retornará."
A Todays English Version traz essa tradução: "Nossos corpos retornarão
ao pó da terra, e o fôlego de vida retornará a Deus, que no-lo deu."
Portanto, o que acontece à alma (NEPHESH) por ocasião da morte?
Bem, o que ocorre com o balanço (brinquedo) de suas crianças quando
você se muda de uma cidade para outra? Quando você constrói inicial-
mente o balanço, você combina dois ingredientes básicos: (1) uma ar-
219
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
mação composta por um par de tubos de ferro - geralmente de duplo
apoio no solo — cano-suporcc de colocação horizontal, correntes ou cor-
das e algumas tabuinhas que constituirão o assento, e (2) uma sacola
cheia de parafusos e porcas que servem para a união e coesão das várias
partes do item l.
Ao preparar a mudança, você necessita desmontar o brinquedo das
crianças, e uma vez mais terá diante de si os componentes originais do
mesmo: (1) uma armação composta de um par de tubos de ferro — geral-
mente de duplo apoio no solo — cano-suporce de colocação horizontal,
correntes ou cordas e algumas tabuinhas que constituirão o assento e (2)
uma sacola cheia de parafusos c porcas. Assim, pois, o que acontece com
o balanço? Ele deixa de existir como tal, e não será mais um balanço ate
que você torne a montá-lo no pátio da nova casa.
Ainda assim, de acordo com um certo modo de expressão, você pode fa-
lar, nesse meio tempo, do "balanço que está na caixa de papelão".
As almas debaixo do altar. Ainda estamos à procura de esclarecimento
quanto às almas que estavam debaixo do altar. Apocalipse 6:10 diz que elas
clamavam com grande voz: "Até quando, ó Soberano Senhor, santo e ver-
dadeiro, não julgas nem vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a
Terra?" As almas são mencionadas como estando "debaixo do altar" pelo
fato de, à semelhança de animais sacrificais, terem sido oferecidas em sa-
crifício. Trata-se de mártires. Elas foram "mortas", "assassinadas", e seu
"sangue" necessita ser vingado. O problema jaz em nosso costume de pen-
sar na alma como sendo imortal.
A Bíblia, porém, não diz que a alma é imortal. Conforme vimos há pou-
co, ela afirma que tão-somente Deus possui a imortalidade. Veja I Timó-
teo 6:16 e compare com o capítulo 1:17.
Ao Deus criar o primeiro homem e a primeira mulher, Seu profun-
do desejo era que eles vivessem para sempre. Ele não fez os seres hu-
manos para que morressem! Ele é o Autor da vida, Ele nos criou para
que vivêssemos. Para que a vida infinita estivesse plenamente disponí-
vel, Deus proveu a Adão e Eva o fruto da árvore da vida. Veja Géne-
sis 2:9, 16 e 17- Mas eles pecaram. E Deus, sabendo quanto sofrimen-
to produziria o seu pecado, abreviou-lhes a vida, impcdindo-os de, em
qualquer ocasião posterior, voltar a comer do fruto da árvore da vida.
Veja Génesis 3:24.
Se fizessem uso do fruto da árvore da vida, os seres humanos poderiam
ter permanecido em estado imortal. Sem tal fruto, todos nós devemos
morrer. A alma não é imortal. A alma é aquilo que somos, e todos nós
somos mortais. Quando morremos, morre a nossa alma. Ao ocorrer tal
evento, todos os nossos pensamentos e planos e esperanças chegam ao
fim imediatamente.
220
Apocalipse 6:1 a 8:1
A sepultura não Tc pode louvar,
nem a rnorte glorificar-Te;
não esperam em Tua fidelidade
os que descem à cova.
Os vivos, somente os vivos,
esses Te louvam
como hoje eu o faço;
o pai fará notório aos filhos
a Tua fidelidade.
Isaías38:18e 19.

Não confieis em príncipes,


nem nos filhos dos homens,
em quem não há salvação.
Sai-lhes o espírito
e eles tornam ao pó;
nesse mesmo dia
perecem todos os seus desígnios.
Salmo 146:3 e 4.

Sc, de acordo com versos bíblicos semelhantes a esses, as almas sob o al-
tar não podem nem mesmo pensar enquanto mortas, como podem elas
orar em voz alta? A resposta é que elas clamam por vingança no mesmo sen-
tido em que o sangue de Abel clamava por vingança depois que seu irmão
Caim o assassinou. Deus disse a Caim: "A voz do sangue de teu irmão cla-
ma da terra a Mim" Génesis 4:10.
É simplesmente isso. É tão simples quanto uma de nossas formas comuns
de expressão. Dizemos que "um crime grave exige uma punição grave".
Não são os próprios mártires que estão exigindo vingança. Em sua hora
de sofrimento supremo, eles provavelmente morreram tendo em seu cora-
ção pensamentos de perdão para com seus perseguidores, tal como ocor-
reu com Jesus e com Estêvão. Veja S. Lucas 23:34 e Atos 7:60. É a mons-
truosa desumanidade de seus assassinos que exige punição, que "clama a
Deus" por vingança. O simples fato de que alguém obriga essas almas a
permanecerem sob o altar, já requer reparação.
As palavras de Cristo quanto à morte. Se tivemos recentemente o profun-
do dissabor de levar ao descanso um de nossos queridos, pode ser um cho-
que desconfortável o ouvir dizer que a alma não é imortal. A perda de seu
mte querido talvez lhe tenha parecido mais fácil de suportar, exatamente ao
/ocê imaginá-lo como que vivendo de modo semelhante aos anjos, contem-
plando a Jesus, desfrutando o Céu e velando por você. Talvez você sinta que
ião pode abrir mão do pensamento que até aqui o confortou.
221
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Pensar em Maria Madalena talvez seja algo que ajude você. No domin-
go da ressurreição, Maria Madalena veio até o sepulcro de Jesus para cho-
rar. Ela imaginava que lhe faria bem chorar um pouco junto a Sua sepul-
tura. Ela ainda não ouvira falar de Sua ressurreição. Quando percebeu que
a pedra-porta fora removida de diante da tumba, c que o corpo de Jesus
não se encontrava lá dentro, sentíu-se desconsolada.
Quando, após alguns momentos, Jesus apareceu calmamente diante
dela, não lhe foi possível crer no que viam seus olhos, de modo que pen-
sou ser Jesus o jardineiro. "Senhor, se tu O tiraste, dize-mc onde Õ puses-
te, e eu O levarei", soluçou Maria.
Foi então que Jesus a chamou pelo nome, e ela reconheceu Sua voz. Ele
estava vivo! Veja S. João 20:11-18.
Jesus ainda está vivo, embora os Seus amados possam não estar, por ora.
Deixe que Jesus lhe fale acerca de seu pesar. Permita que Ele conforte você.
Já lhe é fato notório que Ele tem cuidado de nós! Folheie este livro de vol-
ta, e torne a ler as outras verdades que já analisamos às páginas 74-79,
onde Jesus é apresentado corno o Doador da vida. Em nossa análise de
Apocalipse 20, haverá maiores considerações sobre o mesmo assunto.
Embora nossa alma pereça por algum tempo quando morremos, a morte
não é o fim. Deus nos relembra isto. (Ele continua a ver "o balanço na cai-
xa de papelão".) O dia de nossa ressurreição aproxima-se rapidamente.
O que necessitamos é de uma palavra que descreva essa interrup-
ção temporária de nossas atívídades. Há muito tempo esta palavra foi
provida por Jesus. Referindo-Se à morte de Lázaro, Ele disse: "Nosso
amigo Lázaro adormeceu." "Lázaro morreu." S. João 11:11 e 14. Veja
as páginas 75-78.
O povo surpreendeu-se de que Jesus não tenha Se lamentado diante da
morte da pequena filha de Jairo. "Ela não está morta", afirmou Ele, "mas
dorme". Ele comprovou Sua afirmação ao entrar no quarto da menina
(onde ela certamente jazia morta) e despcrtando-a. Depois disso, ninguém
mais chorou por ela! Veja S. Lucas 8:49-56.
Annie Smith faleceu com tuberculose, à idade de 27 anos. Em seus dias,
a doença era conhecida como "tísica", e constituía-se em terrível causa
mortis de jovens. Em 1853, poucos anos antes de seu próprio passamento,
ela compôs um poema dedicado a amigos que choravam a morte de um
amigo comum, Robert Harmon, que também morrera de tísica, com a
mesma idade de 27 anos.

Ele dorme em Jesus — pacífico descanso —


Contenda humana não mais invade seu peito;
Nenhuma dor, nem pecado, tristeza ou cuidado
Pode atingir quem ali dorme ern silêncio.
222
Apocalipse 6:1 a 8:1
Ele dorme cm Jesus - cesse o pesar;
Que isso traga a você doce alívio,
Pois, liberto do reino triunfal da morte,
No Céu ele viverá outra vez.

Nos tempos antigos, as pessoas não-cristas utilizavam palavras tais como


sepulcro, tumba e túmido para designar o lugar em que os mortos eram en-
terrados. Os escritores bíblicos usaram as mesmas palavras, adotando-as as-
sim da cultura comum. Mas, em vista do que Jesus falou a respeito da mor-
te, os cristãos desenvolveram sua própria palavra para referir-se ao lugar de
sepultamento. No início do terceiro século, ou mesmo antes, os cristãos
passaram a designar a morada de seus mortos como "cemitério", ou seja,
dormitório, lugar apropriado para dormir. Os cristãos primitivos criam
que seus amados mortos achavam-se apenas adormecidos temporariamen-
te. Baseavam-se, para tanto, na autoridade das palavras de Cristo.
Como cristãos, temos o maravilhoso privilegio de fazer o mesmo.

REFERÊNCIAS;

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Oklahoma Press, 1964), vol. ], págs. 445-449, 735.
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torizada, 2 vols. cm l (London: Longmans, Green and Co., 1910), 2:36.
7. J. Byron Forbush, ed., Foxe's Boólt nfMttrtyrs (Philadelphia: John C. Winston Company, 1926),
:apítulo sobre perseguições na Grã-Bretanha c Irlanda, antes do reinado de Maiy I, adaptado.
8. Thomas Gold c Stcvcn Soter, "The Dcep-Eanh-Gas Hypothesís", Scientific American, Junho de
1980, págs. 154-161. Após examinar muitos relatos sobre tetremotos, este artigo sugere que o vaza-
nento de metano e/ou outros gases do manto da Terra, pode explicar borbulhamentos no oceano,
norte de peixes, relatos sobre fogo fluindo de fendas, e até mesmo ondas gigantescas, melhor do que
.juaisqucr outras explanações quanto a esses fenómenos.
9. T. D. Kendrick, The LÍS/I//II Earthijiinke (Philadelphia: J. B. Lippincott Co., n.d.).
10. Iiiem, págs. 46, 47.
11. Idem, prefácio e pág. 209.
12. A informação sobre o dia escuro, incluindo algumas paráfrases, foi tomada de várias fomes,
nas principalmente de Dcryl Hcrbert Leggit, "An Invcstigation Into the Dark Day of May 19, 1780:
ts Causes, Extent and Durado n" (tese de mestrado, Sevenrh-day Adventist Theological Seminary,
1951).
13. Leggitt, "Dnrk Day", págs. 60, 105-
14. A informação sobre a queda das estrelas, em 1833, se baseia em várias fontes, tais como: Fncy-
ilopaedia Britamiica, 15a ed., 1979, art. "Mcteors", de P. M. Millman; "Novcmber Showcrs", Time,

223
L/ma Nova Era Segundo as Proferias do Apocalipse
18 de novembro de 1966, págs. 118c 119; "Stars Fcll ou Arizona", Time, 25 de novembro de 1966,
págs. 71 c 72; e I_eRoy Edwin Froom, The Prophctic Faith ofOtir Fathcrs, 4 vols. (Washington, D.C.:
Rcvicw and Herald Publishing Assn., 1946-1954), 4:289-300.
15- Fredcrick Douglass, Life and Times offrcdcríck Douglass (New York: Padifmder Press, 1941),
in Froom, Prophetic Faith, 4:298.
16. A carta de Ward foi publicada na edição de 16 de novembro de 1833, do The New York Jour-
nalofCommene (erroneamente datado de ]4 de novembro), e parre dela foi repelida na edição de 27
de novembro. Ver Froom, Prophetic !7nith, 4:298, 299-
17. Ver, e.g., James Mtlírhcad, flisinrical íittroduction ia lhe Priva te Law of Konie, 3a ed. (London:
A. & C. Black, 1916), págs. 262, 263; John Cmak.Law and Ufe0fKome(li\wn,N?f.: Cornei] Uni-
versity Press, 1967), pág. 128; c R. W. Leage, Hnman Private Law, ed. C. H. Ziegler (London: Mac-
millan and Co., 1946), págs. 204, 205. Parece liaver dúvida quanto a ser o "homem da balança", ou
farnfàae emptor, contado como testemunha..
18. Gotcfricd Fitzcr, "Sphragis, Sphragizo, Karasphragize", Gerhard Kittel e Cicrhard l ; riedrich,
Theological Diclionary ofshc New Testament, trad. e ed., Geoffrcy W. Bromily, 9 vols. (Grantl liapids,
Mich.: Wm. B. Eerdmans Publisliing Company, 1964-1974), 7:950. Embora Fitzcr observe semelhan-
ças enrrc um rolo c um testamento legal, clc nem de longe identifica um rolo com um testamento, ob-
servando que a metáfora apocalíptica não é elaborada coerentemente, enumerando vários pontos em
que o cenário apocalíptico é bem diferente do que se esperaria com relação a um testamento romano
legal. Uma nota de rodapé airibui a F,, l.ohmcycr que "A escolha do número sete não está baseada na
lei romana; o número é um símbolo religioso."
19. Quanto ao uso de tabletes para testamentos, ver e.g-, Allan Watson, The Law afilie Ancient Ro-
inans (Dálias: Somhern Methodist University Press, 1970), págs. 84, 85; Muirhead, Private l.ino of
Rome, págs. 154, 155; Leage, Rotnan Private Law, págs. 201, 202.
20. Ladd, Revelation, pág. 115.

224
Apocalipse 8:2 a 9:21

Trombetas Dão
Ciência do Julgamento
Introdução
/^j afanhotos que saltam de um medonho abismo.
m l Uma águia que fala em alta voz.
l ^\s de milhões de cavalos.
p , ,^h*xT ^^ Uma grande montanha ardente que, lançada ao mar, o faz
HHI * •'• •'-• ferver e silvar.
Chegamos agora ao estudo das sete trombetas. Mas não apenas às sete
trombetas - pois, antes de mais nada, conforme já nos acostumamos a es-
perar, encontraremos uma cena introdutória que se localiza no santuário
celestial. E entre a sexta e a sétima trombetas, encontraremos as cenas fi-
nais de atribuição c segurança.
Você se lembra ainda que encontramos um arranjo similar - cenas do
santuário e cenas do tempo do fim — quando estudamos os sete selos,
não é certo?
As íeíf? trombetas e os sete selos. Podemos, efetivamente, estabelecer
uma série de comparações entre as sete trombetas e os sete selos, em adi-
ção ao assunto abrangido pelas respectivas cenas do santuário e fim do
tempo. Por exemplo, tanto as trombetas quanto os selos estão arranja-
dos em grupos de quatro e de três. Os quatro primeiros selos formam
um grupo — os quatro cavaleiros do Apocalipse. Veja Apocalipse 6:1-8.
As últimas três trombetas também formam um grupo, os três medonhos
ais. Veja capítulos 8:13 a 9:21; 11:14 a 18. Além disso, quatro anjos sus-
tentam os quatro ventos entre o sexto e o sétimo selos; por outro lado,
quatro anjos são vistos atados junto ao rio Eufrates sob a sexta trombe-
ta. Veja os capítulos 7:1-3; 9:14 e 15.
Existem igualmente interessantes contrastes. Os quatro anjos que se-
guram os quatro ventos, nos sete selos, recebem a instrução de segurá-los,
de modo a retardar o juízo. Veja Apocalipse 7:3. Mas os quatro anjos
225
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse

SETE TROMBETAS: Juízos Severos que Advertem o Mundo. 8:2 a 11:18


1. Cena introdutória mostrando o santuário: anjo junto ao altar oferece
incenso e atira fogo à Terra. 8:2-5.
2. As seis primeiras trombetas. 8:7 a 9:21.

3. Cenas do tempo do fim: atribuição e segurança. 10:1 a 11:14.


a, Atribuição: João é instruído a comer um pequeno rolo.
Um anjo diz a João que torne a profetizar (na Terra).
João é instruído a "medir o templo" (no Céu).
b. Segurança: o anjo (na Terra) assegura que o fim está próximo.
Duas testemunhas são levadas (ao Céu).
O mistério de Deus será cumprido.
4. Consumação: Sétima trombeta, Cristo reina, chegou o juízo!
11:15-18.
Os itens 1 e 2 serão discutidos no presente capítulo. Os itens 3 e 4
serão analisados no próximo capítulo, a partir da página 275.

amarrados junto ao Eufrates na sexta trombeta, são liberados para que


possam infligir juízos. Capítulo 9:14 c l 5. Sob o sétimo selo ocorre "si-
lencio no Céu". Capítulo 8:1. Sob a sétima trombeta, a coroação de
Cristo é aclamada por "grandes vozes".
As trombetas como juízos de advertência. Existem também várias com-
parações interessantes a serem Feitas entre as sete trombetas e as sete úl-
timas pragas; tantas, na verdade, que alguns leitores cem sugerido que
trombetas e pragas são a mesma coisa. Veja a seção Respostas às Suas
Perguntas, à página 268. As diferenças entre as trombetas e as pragas,
contudo, levam-nos a identificar as sete trombetas como "juízos de ad-
vertência". As pessoas que aprenderem as lições que as trombetas se
destinam a ensinar, não terão de sofrer as catastróficas consequências
das sete últimas pragas.
Oiga-se, porém, que as sete trombetas são suficientemente más por si
próprias. Constituem-se cm severos juízos de advertência. Em muitas par-
tes da Bíblia, Deus nos fala calmamente, mas aqui não é isso que ocorre.
Através das trombetas, Ele clama vivamente: "Cuidado! Vejam por onde
vocês estão indo! Atenção!"
Numa escala extremamente menor e muito mais particular, existem ra-
ras ocasiões no seio de cada família em que nosso amor de uns pelos ou-
Apocalipse 8:2 a 9:21
tros nos leva a gritar, proferindo uma necessária advertência. Por vezes o
amor também necessita punir, além de gritar. Existe um enorme grau de
diferença, porém, entre dar umas palmadas no fofo traseiro de um peque-
no travesso de três anos de idade, e a emissão de uma decisão divina no
sentido de entregar à crueldade de seus inimigos toda uma sociedade que
durante centenas de anos fustigou seus vizinhos e se opôs à verdade. Ain-
da assim, os juízos de advertência das sete trombetas podem ser considera-
dos como uma expressão de amor. Seu propósito foi persuadir "o restante
da humanidade" a "arrepender-se" — mas, tragicamente, os restantes "não
se arrependeram". Apocalipse 9:20.
Os juízos das trombetas são iniciados pelo ato de um dos anjos que mi-
nistram no santuário celestial. A página 164, rcferimo-nos ao santuário ce-
lestial como sendo um lugar de paz. De fato, ele é um lugar de amor e paz.
Às páginas l 56 e 158 nós o identificamos como o Centro de Controle
Cósmico, uma vez que o santuário é o lugar de onde Deus, assentado em
Seu trono, conduz os negócios do Universo inteiro.
Ao mesmo tempo em que dirige os assuntos de todo o Universo, Deus
observa cada pardal que cai. Conhece o número de cabelos em nossa cabe-
ça. Veja S. Mateus 10:29 e 30. Os anjos também demonstram um profun-
do interesse pessoal em nós, sendo "enviados para serviço" dos filhos de
Deus em todas as partes. Hebreus 1:14.
Em Daniel 4:13 a 18, lemos a respeito de um anjo "vigilante" que de-
terminou a humilhação do rei Nabucodonosor quando este, em virtude de
seu orgulho e ambição, se tornou excessivamente opressivo em relação a
seus súditos. O grande interesse de Deus por nós, na qualidade de nosso
Pai celestial, leva-O a observar profundamente a realidade quando nós,
como "irmãos e irmãs" em Sua enorme família, não tratamos uns aos ou-
tros como deveríamos.
Há uma grandeza verdadeiramente impressionante no que diz res-
peito ao objetivo das sete trombetas. Tais quais as sete cartas e os sete
selos, as sete trombetas localizam-se na porção histórica do quiasma
da Revelação. De modo idêntico aos outros símbolos, as sete trombe-
tas tratam do fluxo da história do cristianismo. Entretanto, ao passo
que as sete cartas lidam quase exclusivamente com a igreja crista, e os
sete selos têm a ver principalmente com a civilização ocidental cristia-
nizada, as sete trombetas relacionam-se com os três grandes ramos re-
ligiosos que professam adorar o Deus da Bíblia. As trombetas revelam
o envolvimento de Deus com o judaísmo e o islamismo, além do cris-
tianismo; e ao lidar com o cristianismo, seu foco é dirigido também
para o Oriente Ortodoxo, além da Igreja do Ocidente. As sete trom-
betas envolvem toda a humanidade. Pesquisar acerca das trombetas é
uma experiência empolgante.
777
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse

ALIPSE EM FORMA DE ES ELHO «HCVAJEWJSAI.il

1' - h-?. -,- ': -


AS ÍEIE TROMBETAS «í»
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Observe onde as sete trombetas se encaixam no quiasma global do Apocalipse.

A fim de facilitar nossa análise dos quatro capítulos do Apocalipse que


tratam dos sete selos (capítulos 4:1 a 8:1), devotamos-lbes dois capítulos
em nosso livro. Faremos o mesmo no que d i/- respeito aos capítulos do
Apocalipse (8:2 a 11:18) que contém as sete trombetas. Isto significa que
deixaremos as cenas do fim do tempo (atribuição e segurança) e a sétima
trombeta (descrita nos capítulos 10:1 a 11:18) para análise em nosso pró-
ximo capítulo.
A Mensagem de
Apocalipse 8:2 a 9:21
I. Por Vezes o Amor Tem que Gritar — e Punir

oão/inho! Saia da rua! Imediatamente!"


Tranquilos lembretes não são suficientes quando uma
criança sai perseguindo a bola em meio ao trânsito da rua.
Geralmente, suaves tons de voz tampouco resolvem quan-
do um pequenino está a ponto de virar sobre si uma cha-
leira com água fervente. Qualquer pai ou mãe sabe disso. Por vezes o amor
tem que gritar.
Deus prefere falar-nos calmamente. Jesus deixou isso bem claro. A
maior parte do tempo de Jesus, quando Ele esteve na Terra, foi gasto em
contar histórias e ajudar pessoas. Quando, porém, encontrou o pátio do
templo invadido por mercadores implacáveis e piedosos caloteiros, Ele
brandiu um pequeno chicote no ar e gritou: "Tirai daqui estas coisas!" Veja
S. Mateus 2:13-17. A turba dispersou-se, em pânico.
Todos os outonos, em tempos bíblicos, Deus tinha para Seus sacerdotes
uma tarefa especial: tocar trombetas para advertir o povo de que deveria
preparar-se para o Dia da Expiação que se aproximava. Esse dia era tam-
bém o dia anual de juízo. Ern Apocalipse 8 a 11, Deus nos adverte sobre
nossa necessidade de nos arrependermos e de modificarmos os nossos ca-
minhos, e o faz ao enviar sete de Seus anjos com as sete trombetas.
Cena introdutória, focalizando o santuário. Antes, porem, que os anjos
toquem suas sete trombetas de advertência, Apocalipse 8:2 a 5 apresenta
uma cena introdutória, do santuário.
Já nos habituamos a aguardar estas cenas do santuário! Imediatamente
antes de ler as cartas às sete igrejas, encontramos Jesus em Seu santuário,
vestido como Sumo Sacerdote, caminhando entre os candeeiros. Antes da
abertura dos sete selos, vimos Jesus simbolizado como um Cordeiro Pas-
cal, em pé junto ao trono de Deus. Agora, um anjo oferece incenso sobre
o altar de ouro. (Um castiçal, uma mesa e um altar de ouro encontravam-
se no primeiro compartimento, ou lugar santo, do santuário simbólico do
Antigo Testamento. Veja o quadro à página 169.)
"Veio outro anjo", diz João, "e ficou de pé junto ao altar, com um in-
censário de ouro, e foí-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as
orações de todos os santos sobre o altar de ouro que se acha diante do
trono; e da mão do anjo subiu à presença de Deus o fumo do incenso,
com as orações dos santos. E o anjo tomou o incensário, encheu-o do
229
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
fogo do altar e o atirou à Terra. E houve trovões, vozes, relâmpagos e ter-
remoto." Apocalipse 8:3-5.
Em vez de encontrarmos um anjo, nossa expectativa seria a de ver Jesus
em pé ao lado do altar de ouro, oferecendo incenso com as nossas orações.
Alguns autores têm assumido, de fato, que esse anjo é Jesus. Não há dúvi-
da de que a Bíblia por vezes apresenta a Jesus como sendo um anjo. Veja,
por exemplo, Êxodo 3:1-6; Génesis 48:16. Obviamente, Jesus não é um
anjo qualquer. De nenhuma forma é Ele aquilo que normalmente imagi-
namos ser um anjo. Ele é Deus! A palavra anjo significa "mensageiro", e Je-
sus é o supremo portador das mensagens de Deus.
Mas o anjo junto ao altar, nessa passagem que estamos examinando, não
parece ser Jesus. Na verdade, parece tratar-se do mesmo anjo do altar e do
fogo que é mencionado em Apocalipse 14:18.
Em Apocalipse 5:8 observamos alegremente que as quatro criaturas vi-
ventes e os vinte e quatro anciãos, que ocupam assentos em torno do tro-
no de Deus, seguram "incensários de ouro, cheios de incenso", o que re-
presenta as orações dos santos. No presente capítulo, aprendemos que
também um importante anjo oferece incenso enquanto oramos. Sentimo-
nos encorajados quando contemplamos a compassiva preocupação por
nosso bem-estar que demonstram essas magnificcntcs criaturas celestiais.
Ao anjo foi dado "muito incenso para oferecê-lo com as orações de
todos os santos". Não há dúvida de que o incenso lhe foi dado por Je-
sus Cristo, nosso Sumo Sacerdote. Os sacerdotes ofereciam incenso de
aroma suave sobre o pequeno altar de ouro, no santuário do Antigo Tes-
tamento. Pode ser que, no Ccu, Jesus tenha esse anjo a oferecer incenso
literal. De qualquer modo, o incenso c um símbolo do próprio Jesus. Re-
presenta a doçura e bondade de Cristo, e especialmente Sua morte sacri-
ficai na cruz. O incenso representa tudo aquilo que constitui a bondade
de Cristo — Seus "méritos", para usar um termo teológico - que conven-
ce o Universo de que Deus está procedendo de forma perfeitamente cor-
reta ao atender as nossas orações. O incenso, seja ele o que for, não é ofe-
recido para persuadir Deus a amar-nos. Ele já nos ama. Veja S. João
16:27. Foi pelo fato de já nos amar que Deus enviou Jesus para viver e
morrer por nós. Veja S. João 3:16.
A Bíblia não explica tudo aquilo que gostaríamos de ver explicado. Mas
uma coisa ela expõe com clareza: que o Céu está pessoalmente interessado
em nossas orações, João viu um anjo junto ao altar de ouro do Ccu, ofe-
recendo incenso enquanto oramos.
João nos conta, porém, que viu o anjo fazer mais alguma coisa. "E o
anjo tomou o incensário, encheu-o de fogo do altar e o atirou à Terra. E
houve trovões, vozes, relâmpagos e terremoto." Apocalipse 8:5.
Sob a primeira trombeta nos é revelado o que aconteceu quando esse
Apocalipse 8:2 a 9:21
fogo atingiu a Terra. "Foi, então, queimada a terça parte da Terra, e das
árvores, e também toda erva verde." Verso 7.
De que forma podemos explicar uma modificação tão repentina de
comportamento? Se o altar de ouro está associado às nossas preces since-
ras, deveria também conscituir-se em fonte de nosso sofrimento? Porven-
tura Deus nos ama e ao mesmo tempo nos fere? Será que o nosso Sumo
Sacerdote, que vive "sempre para interceder" por nós (Hebreus 7:25), por
vezes também nos pune?
Evidentemente, sim. Por vezes o amor tem que gritar - e punir. Quan-
do examinamos as cartas às sete igrejas, ouvimos Cristo dizer aos pecado-
res renitentes da igreja de Pcrgamo que, se eles não se arrependessem, Ele
"pelejaria" contra eles com a "espada" de Sua boca. Apocalipse 2:16. Ou-
vimo-Lo dizer à igreja autocompíacente de Laodicéia: "Eu repreendo e dis-
ciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso e arrepende-te." Apocalipse 3:19.
Esse último versículo é assim apresentado em versões modernas: "Eu
corrijo e castigo todos os que amo. Portanto, levem as coisas a sério e se
arrependam." A Bíblia na Linguagem de Hoje. "Eu corrijo e castigo cons-
tantcmente todo aquele a quem amo; portanto, devo castigá-lo, a menos
que você abandone a sua indiferença e se torne um entusiasta das coisas
de Deus." O Novo Testamento Vivo. Por vezes o amor necessita gritar — e
também castigar.
Algumas razões por que o amor pune. A punição é ordinariamente aplica-
da para fazer-nos sofrer as merecidas consequências de nosso comporta-
mento errado. Há, porém, outras razões básicas por que o amor grita co-
nosco e nos pune: (1) O amor frequentemente nos pune (como acabamos
de ver), a fim de persuadir a nos arrependermos e a modificarmos o curso
de nossa vida. (2) O amor muitas vezes pune nossos inimigos, a fim de pro-
teger-nos de sua crueldade.
Quando Guilherme afasta rudemente o pequeno Henrique da lata de
biscoitos, mamãe ou papai afastam Guilherme com firmeza da mesma lata
e ministram-lhe um breve "sermão" sobre boas maneiras. Por que o fazem?
Fazem-no com o objetivo de (1) ajudar Guilherme a arrepender-se e deixar
de ser egoísta e (2) proteger os legítimos interesses do pequeno Henrique.
Portanto, devemos afastar Guilherme com firmeza, desde que nós pró-
prios estejamos sob controle. Se Guilherme é um reincidente e se medidas
mais brandas não apresentam resultados positivos, e assim concluímos ser
necessário aquele toque físico que os conselheiros apelidaram de "estímu-
lo negativo", antes de bater em Guilherme poderemos falar com ele a esse
respeito. Podemos afirmar nossa confiança nele e nossa disposição em aju-
dá-lo a desenvolver meios para o controle de suas ambições. Podemos até
mesmo orar brevemente com ele, pedindo a Deus que o perdoe e o ajude.
Se naquele momento estivermos por demais agitados para falar sobre o as-
231
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
sunto, poderemos dizer-lhe: "Guilherme, você terá de ser castigado pelo
que fez, mas estou muito agitado para analisar agora o assunto. Hoje à tar-
de teremos uma boa conversa."
Conheço pais que tratam seus filhos dessa maneira.
Há mais de um século, uma mãe bem-sucedida, cujos escritos algu-
mas pessoas consideram como sendo inspirados, registrou o seguinte
conselho prático:

Ralhar e irritar-se nunca ajudam. Em vez disso, despertam os pio-


res sentimentos do coração humano. Quando os vossos filhos come-
tem um erro e estão cheios de rebelião, e sois tentados a falar e a agir
asperamente, esperai antes de corrigi-los. Dai-lhes uma oportunida-
de para pensar, c deixai que vosso temperamento acalme.
Pode ser que vossos filhos tenham feito algo que exija correção;
mas se lidardes com eles no espírito de Cristo, seus braços enlaçarão
o vosso pescoço; eles se humilharão diante do Senhor e reconhecerão
seu erro, e isto basta.
Antes de corrigi-los, ide à parte e pedi ao Senhor que abrande e do-
mine o coração de vossos filhos c que vos dê sabedoria ao lidar com eles.
Deveis corrigir vossos filhos com amor.'

Este é o modo como Deus nos corrige e pune. Em amor. Deus não fica
zangado, como frequentemente acontece conosco. Ele é extraordinaria-
mente paciente. E um "Deus perdoador, clemente e misericordioso, tardio
em iras e grande em bondade". Neemias 9:17.
Lembremo-nos de quão paciente é Deus! Da próxima vez em que dese-
jarmos que ele opere um milagre para afastar ou restringir alguém que nos
trata mal, lembrcmo-nos de que Deus é tão paciente com essa pessoa
quanto o é conosco!
De que forma Deus pune? Um dos modos como Deus pune, pode ser
observado na experiência de Belsazar, o rei babilónico, segundo o registro
do capítulo 5 de Daniel. Esta forma c a remoção de parte de Sua prote-
ção de sobre nós, permitindo assim que nosso comportamento colha seus
resultados naturais. Do texto de Romanos 1:18, 26 a 28, obtemos as se-
guintes citações: "Pois vemos que o castigo de Deus cai do Céu contra
todo pecado e contra toda a maldade dos homens que, por meio de suas
más ações, impedem que a verdade seja conhecida." "Por causa do que es-
ses homens fazem, Deus os entregou às paixões vergonhosas. ... Ele os en-
tregou aos seus maus pensamentos, para que façam o que não devem fa-
zer. " A Bíblia na Linguagem de Hoje.
Nunca saberemos, até vermos Sua face e ouvirmos Sua voz, quantas ve-
zes ou de quantos modos Deus nos protegeu diariamente de nós mesmos.
232
Apocalipse 8:2 a 9:21
Entretanto, Sua proteção é frequentemente mal-interpretada. "Visto
como não se executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos fi-
lhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal." Eclesiastes
8:11. Na maioria das vezes, Deus nos fala calmamente; Ele prefere não
gritar. Mas se nós recusamos persistentemente mudar nosso procedimen-
to, chegaremos ao ponto em que Ele considerará ser melbor remover de
sobre nós uma parte de Sua proteção especial. Ele nos pune ao permitir
que nós próprios nos punamos.
Outro modo pelo qual Deus nos pune, é removendo de sobre nós Sua
proteção e permitindo que nossos inimigos nos aflijam.
Quando Deus permite que nossos inimigos nos inílijam o castigo, mui-
tas vezes a Bíblia apresenta a questão como se o próprio Deus chamasse os
nossos inimigos para a açao. Historiadores seculares, ao analisar a marcha
da História sem crerem em Deus, consideram diante de tais circunstâncias
que tão-somente fatores humanos estão atuando.
Um exemplo clássico do ato de Deus utilizar inimigos para punir as pes-
soas, encontra-se em Is aias 10:5 e 6. Deus informou os israelitas de que es-
taria comissionando a incrédula e cruel nação da Assíria para trazer opres-
são sobre o Seu povo. Ele diz: "Assíria, cetro da Minha ira! ... Dou-lhe or-
dens para que... roube a presa e lhe tome o despojo."
Devemos observar, porém, que isso não é tudo o que Deus diz da Assí-
ria. No verso 12, Ele prossegue: "Por isso acontecerá que havendo o Se-
nhor acabado toda a Sua obra no monte Siao e em Jerusalém" [ou seja,
quando Ele visse que a Assíria já impusera suficiente punição ao povo de
Israel], "então castigará a arrogância do coração do rei da Assíria e a des-
medida altivez dos seus olhos."
Na verdade, a Assíria poderia estar cometendo um pecado ao conquis-
tar c oprimir os israelitas. Os assírios foram, provavelmente, os mais san-
guinários c opressivos dentre os principais povos da antiguidade. Portan-
to, a seu devido tempo Deus teria que castígá-Ios também. E de que for-
ma Ele o faria? Ao remover Sua proteção da Assíria, permitindo que os ba-
bilónios a conquistassem.
Portanto, Deus castiga (1) ao remover parcialmente Sua proteção, per-
mitindo que nós mesmos nos punamos, e (2) ao remover parcialmente Sua
proteção, permitindo que outros pecadores nos punam. Ele dispõe ainda
de outros mecanismos. Seu castigo final será (3) enviar um fogo abrasador
dos Céus, o qual consumirá por inteiro o nosso planera. "Terra e Céu" de-
saparecerão. Veja Apocalipse 20:9-11. Nesse fogo, todas as pessoas incorri-
givclmentc más serão consumidas. Este será o meio extremo que Deus usa-
rá para livrar Seus verdadeiros filhos de seus opressores. Algum tempo an-
tes desse castigo derradeiro, Deus (4) derramará sobre o mundo os Seus
juízos, conhecidos como as sete últimas pragas.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Qiiem recebe a punição das trombetas? Examinaremos cuidadosamente as
sete últimas pragas e o fogo do juízo final quando chegar a ocasião apro-
priada. Por ora, desejamos apenas saber quem as sete trombetas se destinam
a punir.
Em resposta, podemos dizer que parece existir um princípio bíblico se-
gundo o qual a punição começa caracteristicamente com o povo de Deus. Por
exemplo: Israel, o povo de Deus, foi punido pela Assíria antes que esse
país, por sua vez, fosse punido pelos babilónios, como vimos há pouco.
Judá, o povo de Deus, foi punido pelos babilónios, tempos mais tarde, an-
tes que estes sofressem derrota.
"Começai pelo Meu santuário", ordenou Deus aos Seus anjos encarre-
gados do juízo, em Ezequiel 9:6. "Jerusalém e as cidades de Judá" foram as
primeiras de uma lista de comunidades que deveriam receber a taça da íra
de Deus, em Jeremias 25:17-26. "Porque a ocasião de começar o juízo pela
casa de Deus é chegada", diz Pedro em o Novo Testamento. I S. Pedro
4:17. "Pois o tempo de começar o julgamento já chegou, e os que perten-
cem ao povo de Deus serão os primeiros a serem julgados", diz A Bíblia na
Linguagem de Hoje.
E por que não? "Aquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigi-
do." S. Lucas 12:48. Quanto mais conhecemos a respeito da verdade de
Deus e de Sua bondade, melhores pessoas devemos ser — e tanto mais re-
preensíveis nos tornaremos se não formos melhores.
Assim, pois, será lícito procurarmos ver a primeira trombeta como sen-
do um juízo que se abate sobre o povo de Deus. Quanto às demais trom-
betas, procuraremos vê-las como juízos que descem tanto sobre o povo de
Deus quanto sobre as demais pessoas, os inimigos do povo de Deus.
Têm sido propostas muitas interpretações para as sete trombetas. Uma
das mais úteis foi sugerida pelo Professor Edwin R. Thiele. Eruditos bíbli-
cos — protestantes, católicos e judeus - aplaudem a vigorosa análise da cro-
nologia da história do Velho Testamento que o Professor Thiele estabelece
em sua obra, The Mysteríous Numbers ofthe Hebrew Knigs [Os Números
Misteriosos dos Reis Hebreus].2 Em outro trabalho de sua autoria, Outli-
ne Stndies in Revelation [Estudos Resumidos do Apocalipse], o Professor
Thiele oferece outra proposta inteligente:

[1] A primeira trombeta simboliza os juízos divinos que sobrevie-


ram a Jerusalém e à nação judaica quando o povo judeu rejeitou a
Cristo e Seus seguidores; [2] a segunda representa juízos que cairiam
sobre o mundo romano ocidental, [3] a terceira caiu sobre a professa
igreja cristã quando esta concordou cm ser contaminada e passou a
produzir torrentes de morte, e não de vida; [4] a quarta foi a subse-
quente escuridão da Idade Média\] a quinta constituiu-se noflage-
Apocalipse 8:2 a 9:21
Io maometano que se estendeu sobre o Oriente Médio e avançou para
a Europa: [6] a sexta consistiu dos castigos que prosseguiram abatcn-
do-se sobre vastas porções da Ásia, África c Europa, sob o controle
turco otomano; [7] a sétima trombeta engloba & final c terrível explo-
são do ódio e paixão humanos, que caracteriza o período final da his-
tória terrestre, justo antes da segunda vinda de Cristo.

As trombetas como juízos de advertência. Dissemos que as sete trombe-


tas são "juízos severos" que "advertem o mundo". Veja as páginas 60 e
226. Uma vez que as sete trombetas, mesmo que severas, não são as sete
últimas pragas, elas têm funcionado como advertências ao mundo, mos-
trando que aqueles sete últimos juízos, ainda muito mais severos, conti-
nuam reservados para o futuro. Os castigos que se abateram sobre comu-
nidades específicas no passado, avisam-nos em alta voz que devemos mo-
dificar nossos caminhos — não meramente para que possamos ser livrados
da esmagadora dor futura, mas também, evidentemente, para que seja-
mos aptos a viver na radiante presença de Deus por toda a eternidade.
Numa escala momentosa c cósmica, eles gritam para nós: "Joãozinho — e
Lúcia - saiam da rua! Imediatamente!"
Estudaremos em detalhe cada uma das trombetas, a partir da página
240. Antes disso, necessitamos dirigir a nós mesmos uma pergunta muito
básica: E a linguagem das trombetas literal ou impressionista?

II. Literal ou Impressionista?

Você deve ter lido no Apocalipse o texto que corresponde às seis primei-
ras trombetas. Ao terminar a leitura, sua mente ocupava-se com gafanho-
tos que possuíam dentes de leão. Neía martelavam os cascos de cavalos que
corriam a galope junto ao rio Eufrates. Você leu a respeito de coisas lava-
das com sangue, levadas à incandescência pelo togo, e obteve uma descri-
ção do escurecimento do Sol.
Como devemos entender semelhantes expressões? São esses quadros
descritivos literais ou simbólicos?
Auxílio do Antigo Testamento. Observamos bem mais de uma vez que o
Apocalipse faz uso frequente do Antigo Testamento, tomando emprestado
frases e ideias, talvez urnas mil vezes. João tinha em sua mente a linguagem
do Antigo Testamento quando escreveu o Apocalipse! Em ocasiões anterio-
res, o exame de passagens do Antigo Testamento ajudou-nos a compreender
textos difíceis do Apocalipse. Fazê-lo agora poderá auxiliar-nos novamente.
Encontramos auxílio imediato no Antigo Testamento ao folhearmos o
livro de Jocl. Esse pequeno livro possuí apenas três capítulos, mas sua lin-
guagem c colorida e dramática, fazendo lembrar, em muitos aspectos, a
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
linguagem do Apocalipse. Joel l :4 a 7 e 2:2 a 11 falam acerca de gafanho-
tos que possuem dentes como de leão e que agem à semelhança de mana-
das de cavalos; esta é uma linguagem muito semelhante à do Apocalipse.
Os gafanhotos de Joel tinham a aparência de cavalos e eram equipados
com dentes de leão porque se abateram sobre a terra sob a forma de um
devastador enxame migratório. Suas inumeráveis mandíbulas consumiram
praticamente tudo, os grãos que deveriam ter sido o alimento de vastas po-
pulações e até mesmo as cascas de árvores adultas. Veja Joel 1:7. Abando-
nando os campos abertos, os gafanhotos de Joel - tal qual um exército dis-
ciplinado — subiram pelos muros das cidades c entraram pelas janelas aber-
tas. Veja Joel 2:7-9. (ImagÍne-os entrar através de suas portas, pousando so-
bre o piso de sua casa e sobre os seus móveis, "aterrissando" em sua cabeça
e rastejando em suas roupas. Você não poderia dar sequer um passo sem es-
magar muitos deles ou sem interromper o seu voo.)
Quando todo esse enxame de Joel se erguia no ar, seus milhões de corpos
invertebrados c asas quitinosas formavam uma nuvem que escurecia grande
parte do céu. Quando eles pousavam, a própria Terra parecia tremer:

Diante deles treme a Terra


e os céus se abalam;
O Sol e a Lua se escurecem,
e as estrelas retiram o seu resplendor.
Joel 2:10.

Sendo um profeta, Joel utilizou seu enxame de gafanhotos como razão


para um reavívamento religioso. Ele insistiu com país, mães, crianças e fa-
mílias inteiras, para que se unissem a seus ministros num sincero e com-
pleto arrependimento:

Tocai a trombeta em Sião,


promulgai um santo jejum,
proclamai uma assembleia solene.
Congregai o povo,
santificai a congregação,
ajuntai os anciãos,
reuni os filhinhos
e os que mamam;
saia o noivo da sua recamara,
e a noiva do seu aposento.
Chorem os sacerdotes,
ministros do Senhor.
Joel 2:15-17.
Apocalipse 8:2 a 9:21
Deus prometeu que, se o povo respondesse sinceramente, Ele haveria de
restaurar-lhes plenamente a prosperidade. "Restituir-vos-ei os anos que fo-
ram consumidos pelo gafanhoto.1' Joel 2:25.
Mas... e se o povo não se arrependesse? O olho profético de Joel pers-
crutou o futuro até que pôde contemplar o tempo do fim, o nosso tem-
po. Ele viu soldados reais ajuntando-se, à semelhança do bando de gafa-
nhotos. Ele contemplou o último engajamento militar da Terra - e o juí-
zo final - ocorrendo no vale de Josafá, seu nome para o Armagedom.
Sendo um profeta divinamente inspirado, Joel percebeu o enxame de ga-
fanhotos de seus dias como uma advertência enviada por Deus com o
propósito de levar o povo ao arrependimento e à mudança de vida. O
Armagedom acabaria ocorrendo um dia, sob a forma de juízo final, se o
povo se recusasse a atender.
Mantenha em mente que Joel disse: "Tocai a trombeta", quando dese-
jou que o povo se reunisse e se arrependesse. Joel relacionou trombetas e
gafanhotos ao genuíno arrependimento nacional e familiar. Apocalipse
também estabelece conexão entre trombetas e arrependimento. Veja
Apocalipse 9:20 e 21.
Antes, porém, de retornarmos ao Apocalipse, gastemos alguns momentos
adicionais no Antigo Testamento, primeiro com Isaías, e depois com Davi.
O profeta Isaías, antevendo uma iminente invasão de inimigos no
território do impenitente Judá, isto por volta de 700 a.C., predisse
que "naquele dia assobiará o Senhor às moscas que há no extremo dos
rios do Egito, e às abelhas que andam na terra da Assíria; elas virão e
pousarão... em todos os espinhos e em todos os pastios" da terra de
Judá. Isaías 7:18 e 19.
Por certo Isaías não tinha em mente que abelhas e moscas literais pou-
sariam em espinheiros e pastagens literais. Ele utilizou linguagem impres-
sionista para descrever os invasores enxames do Egito e da Assíria, com-
postos por soldados, administradores e coíetores de impostos. O uso que
ele fez de moscas ao referir-se ao Egito, foi especialmente apropriado, ten-
do em vista a desagradável abundância de moscas nesse país, tanto naque-
la época como agora.
Poucos capítulos adiante (Isaías 10:16-19), o profeta associa à Assíria a
imagem de uma floresta sendo consumida por fogo devorador.
Ainda no Antigo Testamento, Davi também utilizou linguagem impres-
sionista - imagens espetacularmente poéticas — para descrever suas expe-
riências militares. No Salmo 18:7 a 14, uma de suas muitas batalhas apa-
rece descrita como se tivesse sido um temporal. O ribombar dos trovões sa-
code as montanhas. Negras nuvens fazem o Céu baixar até a altura das co-
pas das árvores. Relâmpagos brilham e queimam como bolas de fogo;
Deus desbaratou inapelavelmente todos os inimigos de Davi.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Então a Terra se abalou e tremeu,
vacilaram também os fundamentos dos montes
e se estremeceram,
porque Ele Se indignou.
Das Suas narinas subiu fumaça,
e fogo devorador da Sua boca;
dEle saíram brasas ardentes.

Trovejou, então, o Senhor, nos Céus;


o Altíssimo levantou a Sua voz,
c houve granizo e brasas de fogo.
Despediu as Suas setas
e espalhou os meus inimigos,
multiplicou os Seus raios
c os desbaratou.
Salmo 18:7, 8, 13 c 14.

Enquanto ainda estamos em Salmos, examinemos por um momento o


Salmo 11:4 a 6. Aqui, o salmista fala de Deus como estando "em Seu san-
to templo". Acrescenta, então: "Fará chover sobre os perversos brasas de
fogo e enxofre." A Bíblia nu Linguagem de Hoje mostra que Davi estava
descrevendo uma ação costumeira de Deus. Diz ele que Deus, a partir de
Seu santo templo, "faz [ação costumeira de Sua parte] cair enxofre e brasas
sobre os maus". Outras versões modernas, como a de Moffatt, também res-
saltam esse aspecto de ação habitual. Deus "faz descer" brasas flamejantes.
Ele "faz chover" brasas de fogo.
Lá do Céu, o Senhor fez chover literalmente fogo e enxofre sobre as ci-
dades de homossexuais, Sodoma e Gomorra, nos dias de Abraão. Veja Gé-
nesis 19:24. Ele enviou fogo sobre a injusta e idólatra Jerusalém nos dias
de Davi, Jeremias e Ezequiel. Veja Jeremias 17:27; Lamentações 2:4; Eze-
quíel 15:6 a 8. Certa vez Ele utilizou Israel como "fogo" para queimar o
seco "restolho" do pecaminoso Edom. Veja Obadias 18. Evidentemente,
em nossos próprios dias e de tempos cm tempos, e em muitas diferentes
ocasiões, Deus tem enviado c ainda continuará enviando "fogo" de várias
espécies para queimar e punir os pecadores.
Voltando ao Apocalipse. Por certo estamos agora em melhores condições
para examinar as sete trombetas do Apocalipse! Ao retornarmos às mes-
mas, podemos facilmente reconhecer os quadros verbais de tormentas, flo-
restas incendiadas e enxames de insctos que Jocl, Davi e Isaías utilizaram.
Na primeira trombeta somos capazes de reconhecer o fogo que, Davi
disse, Deus de tempos em tempos faz chover desde o Seu santuário celes-
tial, sobre a Terra. Na cena introdutória (Apocalipse 8:2-5), o anjo próxi-
Apocalipse 8:2 a 9:21
mo ao altar de ouro encheu o incensário com fogo "e o atirou à Terra".
Verso 5. No momento em que soou a primeira trombeta, "saraiva e fogo,
de mistura com sangue, foram atirados à Terra". Verso 7.
Podemos concluir que a linguagem das sete trombetas é vastamente
impressionista.
Uma vez que é vastamente impressionista, ela não deve ser usualmente
tomada no sentido literal; ainda assim, ela guarda íntima relação com a
realidade. A Bíblia não utiliza tempestades e enxames de ínsetos para pre-
figurar prosperidade e paz! As sete trombetas do Apocalipse representam
flagelos, guerras e juízos.
As trombetas estão associadas a beligerância e juízos em muitas partes
da Bíblia. Nos tempos antigos, as trombetas convocavam os soldados
para a guerra e comunicavam mensagens durante as batalhas. Veja Jere-
mias 4:19; í Coríntios 14:8. As trombetas eram tocadas dez dias antes do
dia anual de julgamento. Nas sete trombetas do Apocalipse, operações
militares e juízos encontram-se expressamente combinados. "As nações
se enfureceram"; "chegou... o tempo determinado para serem julgados
os mortos". Apocalipse 11:18.
Mantenhamos, porém, em mente que Joel disse: "Tocai a trombe-
ta", quando foi seu intento levar o povo ao arrependimento por causa
do enxame de gafanhotos. À medida que prosseguirmos em nosso es-
tudo das sete trombetas do Apocalipse, devemos conservar cm mente
que elas também lançam um apelo ao arrependimento. A sétima trom-
beta fala do julgamento final, quando, para o arrependimento, será
demasiado tarde; mas as seis primeiras trombetas anunciam juízos me-
nos decisivos — embora tremendamente sérios — enviados para persua-
dir as pessoas a se arrependerem enquanto ainda resta oportunidade
para fazê-lo.

Tocai a trombeta cm Sião,


promulgai um santo jejum,
proclamai uma assembleia solene.
Congregai o povo,
santificai a congregação,
ajuntai os anciãos,
reuni os filhinhos
e os que mamam;
saia o noivo da sua recamara,
e a noiva do seu aposento.
Chorem os sacerdotes,
ministros do Senhor.
Joel 2:15 a 17.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
III. As Quatro Primeiras Trombetas

A primeira trombeta. "O primeiro anjo tocou a trombeta, e houve sa-


raiva e fogo de mistura com sangue, e foram atirados à Terra. Foi, então,
queimada a terça parte da Terra, e das árvores, e também toda erva ver-
de." Apocalipse 8:7.
Como já vimos, "saraiva" e "fogo" provêm de descrições poéticas de ba-
talhas e tempestades. Saraiva, fogo c "sangue", tomados em conjunto, ca-
racterizam um estado de guerra. Destruição de aproximadamente uma
"terça parte" da vegetação indica significativa atividade militar, mas não,
por certo, aniquilação global.
Estabelecemos também o importante princípio bíblico de que (1) o juí-
zo cai cm primeiro lugar sobre o apóstata povo de Deus. "Porque a hora
do julgamento chegou, e deve começar primeiro entre os próprios filhos
de Deus." O Novo Testamento Vivo. "Começai em Meu santuário." Eze-
quiel 9:6. Veja a página 234. Observamos também um outro princípio: (2)
que as sete igrejas e os sete selos abrangem todo o período da história do
cristianismo, c que a primeira igreja e o primeiro selo tiveram seu cumpri-
mento durante o primeiro século — ou seja, enquanto João, que escreveu o
Apocalipse, ainda vivia. Assim, para o cumprimento da primeira trombe-
ta, nós temos que encontrar um destacado evento militar que tenha afeta-
do o professo povo de Deus, e que tenha ocorrido enquanto o apóstolo
João vivia.
Inquestionavelmente, o evento que preenche essas características foi a
memorável destruição da nação judaica c a queda de sua capital, Jerusalém,
no ano 70 de nossa era.
Na seção anterior, registramos como terceiro princípio (3) que a lingua-
gem impressionista das trombetas pode ser compreendida ao compará-la
com a linguagem de outras partes da Bíblia. Se aplicarmos este princípio,
confirmaremos a nossa forma de entender a primeira trombeta. No Antigo
Testamento, erva verde representa uni povo que floresce em justiça (veja
Isaías 44:3 c 4), c árvores também são símbolos do povo de Deus (veja os
Salmos 1:3; 52:8; 92:12). O profeta Jeremias identificou a nação judaica
como uma oliveira c disse que os babilónios viriam (de fato, eles vieram em
587 a.C.) c queimariam seus ramos tal como o fogo que devora a floresta.
Veja Jeremias 11:16 e 17. Jesus retratou a nação judaica de Seus dias como
sendo uma figueira que não produzia frutos. Numa parábola (S. Lucas
13:6-9), Ele apresentou os Céus como concedendo pacientemente uma
nova oportunidade à figueira. Um pouquinho antes de Sua crucifixão, Je-
sus completou a parábola. Ao passar próximo a uma figueira estéril planta-
da junto ao caminho, Ele parou diante dela e disse: "Nunca mais nasça fru-
to de ti." A figueira secou imediatamente. Veja S. Mateus 21:18 e 19.
Apocalipse 8:2 a 9:21
Não é necessário contar novamente a terrível história da queda de Jerusa-
lém. Ao longo das páginas 24 a 26, vimos como em 70 d.C. os exércitos ro-
manos fizeram perecer à míngua, crucificaram, vararam com flechas ou gol-
pearam até a morte centenas de milhares de judeus. Jerusalém desapareceu.
Nas palavras de Flávio Josefo, o historiador judeu que presenciou todo o dra-
ma, os romanos fizeram com que "futuros visitantes do local não conseguis-
sem crer que cia [Jerusalém] alguma vez tivesse sido habitada."4
A nação judaica rejeitara persistentemente os profetas. Por fim eles exigiram
a morte do Filho de Deus, que viera salvar a todos nós. Assim Deus, relutante-
mente, teve que deixá-los colher o resultado de suas próprias escolhas. "Eis que
a vossa casa vos ficará deserta", dissera Jesus, com os olhos rasos de lágrimas. S.
Mateus 23:38. Jerusalém caiu diante de seus inimigos porque antes decaíra da
presença de Deus. A decisão de deixar Jerusalém entregue à própria sorte, caiu
do Céu como fogo, mas a terrível destruição foi levada a efeito pelos inimigos
pagãos da cidade, os romanos. Veja a nossa análise às páginas 232 e 233.
Felizmente, muitas pessoas aprenderam a lição provida por essa "trom-
beta de advertência". Muitos judeus, individualmente, tornaram-se valoro-
sos cristãos. Nos escritos dos primeiros líderes cristãos, a queda de Jerusa-
lém era citada como evidência de que o verdadeiro povo de Deus necessi-
tava de maior profundidade espiritual do que aquela que haviam tido os
judeus que adoravam a Deus mas rejeitaram Seu Filho.3
Antes de avançarmos para a segunda trombeta, podemos inferir da pri-
meira um quarto princípio para a compreensão das trombetas: (4) que
"um terço" ou a "terça parte" de algo representa alguma entidade específi-
ca, tal como certa nação e sua capital (como a Judéía e Jerusalém) ou, tal-
vez, uma religião e seu principal centro de adoração (como o judaísmo e o
templo de Jerusalém), Podemos ainda acrescentar que (5) as entidades que
são selecionadas para menção específica na profecia bíblica, tendem a ser
aquelas que envolvem quantidades relativamente grandes do povo de
Deus, aparentemente porque esse povo tem acesso às Escrituras e oportu-
nidade de observar o cumprimento das profecias escriturísticas.
A segunda trombeta. "O segundo anjo tocou a trombeta, e uma como
que grande montanha ardendo em chamas foi atirada ao mar, cuja terça
parte se tornou em sangue, e morreu a terça parte da criação que tinha
vida, existente no mar, e foi destruída a terça parte das embarcações."
Apocalipse 8:8 e 9.
Em Apocalipse 17:1 e 15, águas simbolizam "povos, multidões, nações
c línguas". Nos tempos do Antigo Testamento, o Império Babilónico,
constituído por vários povos e idiomas, é identificado como "monte que
destrói". Veja Jeremias 51:24 e 25. O reino futuro de Cristo, incluindo as
Suas muitas "nações" c "povos" felizes e leais, também é identificado como
um "monte" cm Daniel 2:35, 44 e 45.
241
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
Portanto, o "mar" da segunda trombeta é o mar da humanidade. A
"criação que tinha vida, existente no mar", e seus "navios" são pessoas e
suas possessões materiais. A "montanha" ardente que é lançada ao mar, e
que destrói os que habitam no mar e seus navios, são rapinames tribos in-
vasoras, um complexo de povos hostis que se infiltram em algumas seçoes
do mar da humanidade, à semelhança de uma bola de boliche que vai ba-
tendo em sucessivos paus durante o jogo.
Tal invasão ocorreu durante o último século do Império Romano
Ocidental, entre 378 e 476, à medida que os "dez reis" de Daniel 7:24
avançavam pelas fronteiras do império. Por exemplo, em Adrianópolis
(atualmente Edirne, na fronteira ocidental da Turquia), os invasores ví-
sigodos eliminaram todo um exército romano em 378, inclusive o im-
perador romano, Valendo. Em 410 eles saquearam a própria cidade de
Roma, fato que ocorreu pela primeira vez em 800 anos. A consternação
abateu-se sobre o império.
Imagine um exército, durante a Terceira Guerra Mundial, invadir
Washington e atear fogo à Casa Branca e ao Pentágono!
Em 455, os vândalos — para mencionar mais uma tribo invasora - pi-
lharam Roma numa segunda investida. Eles vandalizamm a cidade duran-
te duas semanas, sistemática e persistentemente. Carregaram consigo pra-
ticamente toda e qualquer coisa de valor que puderam encontrar. Levaram
para Cartago {norte da África) o sólido castiçal de sete lâmpadas, o mesmo
que no ano 70 Tito levara para Roma, proveniente do templo de Jerusa-
lém.6
Genserico, o líder dos vândalos, era um predador humano. A partir de
sua base naval no Norte da África, ele navegava regularmente com o pro-
pósito de devastar e despovoar qualquer região costeira romana que lhe es-
timulasse a imaginação." "Para onde nos dirigiremos hoje?" perguntou-lhe
seu navegador. "Contra aqueles com os quais Deus está irado", teria res-
pondido Genserico.
Genserico estava mais correto do que ele mesmo era capaz de imaginar.
Não que Deus fosse responsável por seus crimes; evidentemente que não.
Deus meramente removeu parte de Sua proteção do Império Romano e
permitiu que seus inimigos saciassem seus desejos pecaminosos.
Tal como a Assíria e Babilónia, muito tempo antes {veja as páginas 232,
233), Roma também havia castigado o povo de Deus. E como a Assíria e
Babilónia, Roma, por sua vez, teria que ser punida, também. Uma vez os
romanos haviam roubado o castiçal de ouro dos judeus; agora, os vânda-
los o roubaram dos romanos. O Império Romano, ao contrário da Assíria
* Incidental mente, Geiueríco dciTQfOU duas vuzcs as esquadras romanas enviadas para COfTlbatí-lo.
Uma delas possuía l. 100 navios. Nessas ocasiões, a montanha ardente lançou literalmente navios c ma-
rinheiros ao mar.

242
Apocalipse 8;2 a 9:21
e de Babilónia, professara aceitar o cristianismo; contudo, o fato de Roma
afirmar que aceitara a Cristo, tornava tanto mais repulsivos os seus crimes.
O imperador Valendo (364-378) decidiu favorecer os cristãos arianos e
perseguir os cristãos trinitarianos. O imperador Tcodósio (379-395) favo-
receu os cristãos trinitarianos e perseguiu tanto os pagãos quanto os cris-
tãos arianos. Revogou também uma ordem para reparar uma sinagoga ju-
daica que os cristãos haviam incendiado; foi pressionado no sentido da re-
vogação quando o seu ministro, o Bispo Ambrósío, recusou-se a dar-lhe a
comunhão até que a revogação fosse obtida.
Exemplos individuais dos crimes de Roma são excessivamente numero-
sos para serem mencionados. Por exemplo, o imperador cristão Arcádio or-
denou ao idoso e abnegado arcebispo, João Crisóstomo, que marchasse
com uma unidade do exército romano até a morte.9 O imperador cristão
Zeno baniu um inimigo político para a montanhosa região da Capadócia
cm pleno inverno, ordenando que ele, sua esposa e filhos fossem deixados
no frio e sem alimentos. Eles morreram aconchegados uns aos outros, à
procura de algum calor.10
Secularmente imoral, corrupto e opressivo, o Império Romano tornara-
se agora cristão - c continuava imoral, corrupto e opressivo. C. D. Gor-
don é apenas um dos historiadores dentre os que observaram que "os pa-
drões de condura pública certamente não foram melhorados com a cristia-
nização do império".1
E digno de nota que o século de desastres (378-476) a respeito do qual te-
mos falado, abateu-se sobre Roma depois que cia adotou o cristianismo. Em
certo sentido, o Império Romano tornou-se o povo apóstata de Deus, amadu-
recido para experimentar os juízos de Deus, infligidos por seus inJmigos.
A terceira trombeta. "O terceiro anjo tocou a trombeta e caiu do Céu
sobre a terça parte dos rios e sobre as fontes das águas uma grande estre-
la ardendo como tocha. O nome da estrela é Absinto; e a terça parte das
águas se tornou em absinto, e muitos dos homens morreram por causa
dessas águas, porque se tornaram amargosas." Apocalipse 8:10 e 11.
Absinto (ou absíntio) é uma planta amarga, que produz um suco vene-
noso. A "estrela" chamada Absinto, encontrada na terceira trombeta, tal
como o fogo da primeira trombeta, "caiu do Céu". Em Jó 38:7, anjos são
identificados como estrelas. O anjo "Absinto" c um anjo amargo e veneno-
so. Em S. Lucas 10:18, Jesus falou de Satanás como estando a cair do Céu.
Apocalipse 12:7 a 9 indica que Jesus — na passagem osrentando o nome de
Miguel - expulsou Satanás do Céu. Podemos crer, pois, que a estrela Ab-
sinto da terceira trombeta é Satanás, caído do Céu.
"Fontes" ou nascentes, sempre têm sido preciosas como lugares que pro-
vêem água potável. Apocalipse 21:6 oferece ao povo espiritualmente se-
dento uma oportunidade para beber gratuitamente "da fonte da água da
243
Uma Nova Era Segundo as Proferias do Apocalipse
vida". Em ísaías 12:3, Provérbios 13:14 c S. João 7:37, a salvação, a verda-
deira sabedoria e o próprio Cristo são vinculados a nascentes, poços c água.
Em Jeremias 2:13 Deus reprova Seu povo que O abandonou, a Ele que é
o "manancial de águas vivas"; eles providenciaram para sí "cisternas rotas,
que não retêm as águas".
Contudo, Satanás espalhou seus erros por intermédio de professores hu-
manos. As fontes das águas, em contraste com os corpos celestes da trom-
beta seguinte, encontram-se na Terra. Devemos concluir, pois, que a ter-
ceira trombeta preconizava a contaminação das verdades cristãs no seio da
igreja de Deus sobre a Terra, por meio dos venenosos erros satânicos, mi-
nistrados por professores ditos cristãos.
Uma vez mais Deus deixou Seu povo entregue aos resultados de sua pró-
pria escolha. Oséias 4:17 diz: "Efraim está entregue aos ídolos, é dcixá-Lo."
S. Mateus 23:38: "Eís que a vossa casa vos ficará deserta." A igreja medie-
val do ocidente sucumbiu às seduções de Satanás, o anjo Absinto que caiu
do Céu, conformando-se passo a passo com os padrões da cultura secular e
pagã. Deus permitiu que as coisas ocorressem dessa forma. Durante tal pro-
cesso, a igreja perdeu a maior parte de seu poder de transformar pessoas. Na
verdade, ela muitas vezes estimulou os indivíduos à prática de crimes. A
doce e efervescente fonte de vida tornou-se barrenta e amarga.
A quarta trombeta. "O quarto anjo tocou a trombeta, e foi ferida a ter-
ça parte do Sol, da Lua e das estrelas, para que a terça parte deles escu-
recesse e, na sua terça parte, não brilhasse assim o dia corno também a
noite." Apocalipse 8:12.
Da mesma forma como Jesus é a fonte última de vida (veja acima), Ele
é também o "Sol da justiça" (Malaquias 4:2), a origem de toda verdadeira
luz. Por duas vezes João ouviu Jesus dizer: "Eu sou a luz do mundo." S.
João 8:12; 9:5. Numa dessas ocasiões, Jesus acrescentou: "Quem Me segue
não andará em trevas."
As duas primeiras trombetas constituem um par. Na primeira, o Impé-
rio Romano devastou a nação judaica; na segunda, tribos invasoras causa-
ram desolação ao Império Romano. A terceira e a quarta trombetas tam-
bém constituem um par. Na terceira, o erro poluiu a igreja de Cristo na
Terra; na quarta, o erro obscureceu o trabalho de Cristo no Céu.
A quarta trombeta forma um paralelo com a igreja de Tiatira, a quar-
ta igreja de Apocalipse 2. Forma igualmente um paralelo com o chifre
pequeno de Daniel 7 e 8. Veja as páginas 107-109. Ela faz com que nos-
sos olhares se volvam para o obscurecimento da verdade acerca de Deus
e a respeito do ministério sacerdotal de Cristo (o Seu TAMID) no san-
tuário celestial. Não seria, entretanto, uma remoção total da verdade
acerca de Deus e de nosso Sumo Sacerdote! Apenas a "terça parte" da luz
deixaria de brilhar!
244
Apocalipse 8:2 a 9:21
Os vários séculos que sucederam a queda do Império Romano, são
apropriadamente conhecidos como a Idade Escura. Durante dois séculos,
aproximadamente, o único centro de estudos sérios de toda a Europa este-
ve localizado na Irlanda. Depois, por volta do ano 800, o rei Carlos Mag-
no estimulou a pesquisa em Aachen (atualmente na Alemanha Ocidental,
junto à fronteira com a Bélgica). Restou apenas um pouquinho de civili-
zação e uma forma aparente de cristianismo.
Daniel 7:25 previra que o chifre pequeno (a igreja crista medieval) ha-
veria de proferir "palavras contra o Altíssimo", magoar (ou guerrear) "os
santos do Altíssimo", e que teria o empenho de "mudar os tempos e a lei".
A profecia acrescentara: "Os santos lhe serão entregues nas mãos por um
tempo, dois tempos e metade de um tempo."
O cumprimento desta solene passagem foi extremamente amplo.
Dignitários eclesiásticos estimularam, e até mesmo exigiram, a perse-
guição e a tortura, a despeito da Regra Áurea e dos Dez Mandamen-
tos. A despeito dos Dez Mandamentos, também, eles exigiram a ob-
servância do domingo e proibiram a guarda do sábado bíblico. Em
1054 a Igreja Romana excomungou iradamente a Igreja Greco-Orto-
doxa e seus milhões de membros porque, entre outras coisas, os cris-
tãos greco-ortodoxos insistiam em continuar observando o sábado do
sétimo dia. 12 Por volta dos anos 1500, a mesma Igreja Romana causa-
ra um escândalo, pelo fato de ter imposto à população da Europa mais
de 150 dias santificados não-bíblicos, a seu bel-prazcr. 13 Num cálculo
grosseiro, cerca da metade de todos os dias do ano haviam sido decla-
rados como "dias santos", nos quais o trabalho era proibido. Não é tde
admirar que a economia tivesse ficado severamente enfraquecida, e a
religião desacreditada. A lei de Deus e o ministério sacerdotal de Cris-
to no santuário celestial (SeuTAMID, ou contínua intercessão) certa-
mente foram obscurecidos por um sistema totalmente terrestre de leis
c sacerdotes e sacrifícios.
A igreja medieval manteve escolas e hospitais. Elaborou cópias da
Bíblia. Incentivou numerosos sacerdotes e freiras a desenvolverem
um caráter exemplar. Mas é inquestionável que ela interpretou erro-
neamente as Escrituras e exemplificou equivocadamente a Cristo.
Sob sua administração, a "Luz" do Céu foi "obscurecida". Cumpriu-
se a quarta trombeta.
Dissemos anteriormente que as sete trombetas constituir-se-iam em
"juízos de advertência". Esses juízos ocorrem a tempo de poder levar-nos
ao arrependimento; o contrário ocorre com as sete últimas pragas, pois es-
tas cairão quando já será demasiado tarde para que alguém se arrependa
verdadeiramente. As trombetas clamam a nós, para que nos tornemos cris-
tãos reais e sinceros, obedientes de coração à vontade de Deus, e genuína-
245
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
mente bondosos e generosos para com nossos vizinhos. Ao longo dos sé-
culos, um bom número de pessoas aceitou essas advertências. Grande nú-
mero de judeus aprendeu a lição de seu desastre nacional e se converteu
em cristãos. Durante a Idade Escura, ergueram-se vários grupos reforma-
dores, tais como os Cistercienses, Valdenses e Franciscanos. No século de-
zesseís apareceram outros grupos mais: Luteranos, Calvinistas e outros,
que se baseavam mais amplamente na Bíblia.
Ontem à noite meu filho pediu-me que eu o despertasse a certa hora,
pela manhã. Ele possui um despertador, mas este não mais consegue
acordá-lo. Muitas c muitas vezes ele prosseguiu dormindo depois que o
despertador soou.
Pode alguém dentre nós permanecer adormecido enquanto soam as
trombetas?

IV. A Quinta e a Sexta Trombetas: o Islamismo na Profecia

Enquanto João ponderava sobre o significado das quatro primeiras


trombetas, a cena mudou novamente cm sua tela profética. Urn brado de
alerta o fez perscrutar o Céu carregado. Por sobre a sua cabeça, uma águia
clamou com grande voz: "Ai, ai, ai dos que moram na Terra, por causa
das restantes vozes da trombeta dos três anjos que ainda têm de tocar!"
Apocalipse 8:13.
As quatro primeiras trombetas já haviam sido suficientemente horren-
das; mas se as três trombetas que ainda se achavam à frente eram traduzi-
das por três "ais", que castigos medonhos não significariam elas? Por certo
João esteve a perguntar-se a esse respeito.
Ele não teve que esperar muito tempo com a pergunta em mente. Re-
pentinamente, ao soar a trombeta do quinto anjo, João percebeu uma "es-
trela" que anteriormente caíra do Céu. Enquanto observava, ele viu que a
estrela cadente - um anjo caído, na verdade — recebeu "a chave do poço
do abismo". No momento cm que o anjo caído utilizou a chave, grandes
nuvens ergueram-se do poço do abismo, nuvens "como fumaça de gran-
de fornalha", de tal forma que escureceu-se o "sol" e o "ar".
Observando atentamente a assombrosa escuridão, o apóstolo foi sur-
preendido por um enxame de gafanhotos voadores. Não se tratava de inse-
tos comuns, pois esses gafanhotos pareciam ter "rostos de homens", carre-
gavam "coroas de ouro" sobre suas cabeças, enquanto estas eram cobertas
de cabelos, "como cabelos de mulheres". Eles apareceram cm cena agressi-
vamente, com aspecto "semelhante a cavalos preparados para a peleja".
Gafanhotos comuns não ferroam; estes, porém, pareciam possuir "cau-
das como escorpiões, e ferrões". (Os escorpiões ferroam com a cauda; sua
picada costuma ser muito dolorosa, mas geralmente não é fatal.) Foram
246
Apocalipse 8:2 a 9:21
instruídos a "atormentar" as pessoas, com a notável exceção daqueles que
haviam recebido "o selo de Deus". Gafanhotos comuns morrem rapida-
mente sem alimento; mas, embora esses gafanhotos, à semelhança dos de
Joel, tivessem "dentes, como dentes de leão", aparentemente lhes foi proi-
bido comer qualquer coisa durante "cinco meses".
De modo dessemelhante aos gafanhotos, estes ínsetos assombrosos
mantinham sobre si um "rei". Seu rei era o "anjo do abismo". O nome
deste rei era "Abadom" cm hebraico e "Apoliom" em grego, o que em por-
tuguês significa "destruidor". Apocalipse 9:1-11.
Não cessou aí a visão de João. Uma sexta trombeta, o segundo ai, se-
guiu-se imediatamente à quinta trombeta (o primeiro "ai", a respeito do
qual acabamos de falar).
Enquanto João escutava, uma "voz" procedente do "altar de ouro" do
santuário celestial ordenou ao anjo da sexta trombeta que "soltasse" os
"quatro anjos que se encontram amarrados junto ao grande rio Eufra-
tes". Presumivelmente a voz proveio do mesmo anjo do altar e do fogo que
foi apresentado na visão do santuário. Os quatro anjos aos quais ele se re-
feria, haviam sido "preparados para a hora, o dia, o mês e o ano, para que
matassem a terça parte dos homens".
Repentinamente, os quatro anjos foram substituídos, no panorama da
visão do apóstolo, por um exército quase incompreensivelmente grande,
composto por cerca de 200 milhões de cavaleiros. Seu número era duas ve-
zes maior que o número de anjos que se acham reunidos em volta do tro-
no, em Apocalipse 5:11. À medida que suas aparentemente intermináveis
fileiras avançavam ameaçadoramente na tela da visão, João percebeu que
os cavaleiros pareciam estar usando couraças vermelhas, azuis e amarelas,
ou seja, "cor de fogo, de jacinto e de enxofre". Tratava-se de uma multi-
dão assassina, que massacrou a "terça parte dos homens" com o "fogo e
enxofre" que parecia ser expelido da boca de seus cavalos.
Interpretações sugestivas. O que podemos fazer com esses medonhos
quadros descritivos? Alguns interpretadores (chamados preteristas) assu-
mem a posição de que tudo aquilo que foi predito nessas trombetas, en-
contra-se atualmente no passado. Dizem eles que ao escrever acerca da
quinta e da sexta trombetas, João estava predizendo a futura invasão do
Império Romano pelos imensos exércitos do Império Partiano, os fre-
quentemente hostis vizinhos de Roma ao leste. Nos dias de João, os ro-
manos temiam semelhante invasão, é-nos dito, mais ou menos da mes-
ma forma como algumas nações modernas temem a invasão de seus vi-
zinhos na atualidade. Entretanto, não ocorreu efetívamcntc uma tal in-
vasão dos Pártios contra o Império Romano.
Em harmonia com o renomado comentarista jesuíta Francisco Ribera
(1537-1591), alguns outros interpretadores (futuristas) vinculam essas
947
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
duas trombetas (junto com todas as demais) a um período de tempo que,
em relação aos nossos dias, ainda se encontra no futuro. Muitos futuristas
vêem nos gafanhotos o voar de muitos demónios que aparecerão um pou-
co antes da segunda vinda de Cristo, e que sairão enxameando do inferno
à semelhança de morcegos que abandonam as cavernas.
Entretanto, muitos expositores cristãos, inclusive Martínho Lutero, o
grande reformador; Joseph Mede, o professor da Universidade de Cam-
bridge que auxiliou no ressurgimento do prcmilenialismo (veja as páginas
535-542); e Sir Isaac Newton, o famoso cientista, têm visto na quinta e na
sexta trombetas o surgimento e o progresso do Islamismo.1 Em vista do tre-
mendo impacto militar, cultural, religioso e económico causado pelo Islã
sobre o cristianismo e nações cristãs durante mil e trezentos anos, desde
seu aparecimento nos anos 600, a terceira interpretação merece nossa aná-
lise mais detalhada.
Um exame mais detido. Examinemos com mais cuidado a quinta e a sex-
ta trombetas. Observemos, inicialmente, as notáveis semelhanças existentes
entre ambas. Tanto numa quanto noutra aparece um grande número de
criaturas (gafanhotos com aparência de cavalos e cavalos com aparência de
gafanhotos), nas quais se observam caudas especializadas (como caudas de
escorpiões e caudas de serpentes); em ambos os casos, há uma relação com
períodos específicos de tempo (cínco meses e hora, dia, mês e ano), c nos
dois casos o surgimento ocorre cm lugares específicos (o poço do abismo e
as margens do rio Eufrates).
Ao lado dessas semelhanças, aparecem, é claro, algumas diferenças. As
caudas, períodos de tempo e lugares não são idênticos. Como desseme-
lhança mais notável, observamos que os gafanhotos com aparência de ca-
valos da quinta trombeta receberam permissão para apenas atormentar as
pessoas, ao passo que aos cavaleiros montados da sexta trombeta foi orde-
nado que matassem a terça parte dos homens". E apenas os cavaleiros pos-
suem os "três flagelos" representados pelo fogo, pela fumaça e pelo enxo-
fre, com os quais matam as pessoas.
Já observamos anteriormente que, na linguagem pictórica das trombe-
tas, a "terça parte" de alguma coisa representa uma entidade específica em
todos os casos: (1) A nação judaica e sua capital, Jerusalém (ou o judaísmo
e seu templo em Jerusalém), (2) o Império Romano Ocidental e sua capi-
tal, Roma, (3) o cristianismo ocidental, encabeçado pela Igreja Romana,
(4) o retno de Deus, centralizado no santuário celestial. Sob a quinta e sex-
ta trombetas, "um terço dos homens" pode ser entendido como represen-
tando (5) o Império Romano Oriental, ou Greco-Ortodoxo, e sua capital
política e religiosa, a cidade de Constantinopla.
O império Bizantino. O Império Romano Oriental é frequentemente re-
ferido como Império Bizantino. O nome provém de Bizâncio, a vila que
74.8
Apocalipse 8:2 a 9:21
ALCANCE DOS
GAFANHOTOS DO DESERTO GAFANHOTO DO DESERTO
O mopo revelo que há um wtrsito relotkiiwrrwitto FASE
entre n piesenta desses gafanhotos e a difusão
(7 /"? f\l do ida miirno. SOLITÁRIA
"^ •- *J

FASE
COLETIVA

DESERTO ARÁBIA

Os leitores do Apocalipse têm


especulado vastamente sobre
os gafanhotos da quinta trom-
A EXPANSÃO DO ISLAMISMO beta. Eles não comem capim,
ATÉ 750 D.C.
possuem ferrões à semelhan-
• áreas cristãs ça de escorpião e se parecem
'" IV? O E ^reas k^035 com cavalos, com faces de
homem e cabelo de mulher.
Quem são eles? Esses dois
mapas - conforme explica o
texto - sugerem uma solução
satisfatória para esse intrigante
problema.

NOTA: A batalha de Manzikeit é apresentada por


conveniência, mesmo que se aplique a um estágio
posterior, turco, das tonquistas islâmicas.
em 330 tornou-se Constantinopla (atualmente Istambul), a capital. O Im-
pério Bizantino mantinha vínculos ainda mais estreitos com a Igreja Orto-
doxa do Oriente, do que aqueles vínculos mantidos pelo Império Ociden-
tal com a igreja Católica Romana. O Império Bizantino sobreviveu duran-
te aproximadamente mil anos depois do desaparecimento do Império Ro-
mano Ocidental, o que sem dúvida foi um longo período. Chegou ao fim
quando um exército islâmico finalmente derrotou Constantinopla e dela se
apossou, em 1453.
Tal fato nos traz de voíta ao nosso estudo do Islã. Uma vez, porém, que
estaremos tratando com o Islã sob a figura bíblica dos gafanhotos, ser-nos-
á útil realizar uma breve pausa a fim de nos familiarizarmos com essas pe-
quenas, fascinantes e devastadoras criaturas.
O gafanhoto do deserto. Os biólogos nos dizem que o principal gafa-
nhoto dos tempos bíblicos — como ainda hoje - é conhecido como
Schistoccrca gregária, ou gafanhoto do deserto. Dizem esses estudiosos
249
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
que em anos desfavoráveis, quando a água c o alimento são de difícil ob-
tenção, relativamente poucos ovos de gafanhotos conseguem desenvol-
vcr-se, e aqueles que o conseguem, produzem insetos verdes que salti-
tam individualmente por aí.
Contudo, em anos favoráveis, os gafanhotos do deserto procriam em
grande número e adotam seu característico comportamento coletivo. Sua
cor também é modificada, tornando-se eles fortemente manchados c apre-
sentando listas pretas e amarelo-forte ou alaranjadas.
Depois de devorar o suprimento local de comida, os jovens gafanhotos,
que até então não possuem asas, põem-se em marcha à semelhança de um
exército. Comem praticamente qualquer coisa verde que encontram e
marcham implacavelmente sobre muros, sobre fossos e até mesmo atraves-
sam pequenos cursos d'água. À medida que crescem, desenvolvem asas, e
o vento os carrega por centenas e até milhares de quilómetros. Onde quer
que toquem o solo, consomem tudo aquilo que cresce, deixando após si a
fome e o sofrimento.
Ao alcançarem a maturidade, as fêmeas do gafanhoto põem, cada uma,
várias centenas de ovos, em tubos cavados na terra, e que são cobertos de
espuma. Sua próxima geração pode atingir centenas de milhões de indiví-
duos, cobrindo uma área de muitos quilómetros quadrados. Mediante a
repetição deste ciclo de vida, uma praga de gafanhotos pode prosseguir en-
quanto persistirem as condições favoráveis. Uma praga moderna prevale-
ceu de 1950 a 1962. (Felizmente, centros nacionais c internacionais de
controle de gafanhotos foram estabelecidos, e se espera que, no futuro, se-
melhantes pragas possam ser evitadas através da prevenção.)
A área de atuação do gafanhoto do deserto é notável, tendo em vista
nossos propósitos. Eles se espalham por aproximadamente sessenta países
diferentes - todo o Norte da África, atingindo a Espanha ao ocidente,
avançam em direção norte até a Ásia Menor (Turquia), sendo que ao leste
avançam pelo Ira c atingem o Paquistão e a índia. Conforme veremos den-
tro de poucos momentos, sua fronteira setentrional compara-se aproxi-
madamente à área de difusão do hlnmumo durante a Idade Média.
Na quinta trombeta presenciamos um enxame de gafanhotos voadores.
João menciona o ruído feito por suas asas. Na sexta trombeta observamos
uma geração subsequente dos mesmos gafanhotos, mas eles aparecem em
seu estágio jovem, sem asas. Suas faces e cotovelos erguidos dão-lhes o as-
pecto de cavalaria montada. Avançam no estilo dos antigos exércitos. Suas
cores são berrantes. Seu número é extremamente elevado. João diz ter
visto 200 milhões deles. Sua capacidade destrutiva aumentou grandemen-
te. Os anteriores eram capazes de torturar, apenas, mas estes têm a capa-
cidade de matar.
A linguagem é impressionista. Alguns itens provavelmente não possam
2SO
Apocalipse 8:2 a 9:21
ser aplicados a gafanhotos literais, tais como as coroas, os cabelos e faces
humanas, os dentes de leão e a fumaça que procede de sua boca. A quinta
e a sexta trombetas representam os dois estágios de uma invasão levada a
efeito por exércitos ferozes.
Conforme dissemos há alguns momentos, grandes expositores cristãos,
tais como Martinho Lutero, Joseph Mede e Sir Isaac Newton, acham-se
entre aqueles comentaristas bíblicos que percebem nestas cenas de gafa-
nhotos uma representação dos grandes exércitos muçulmanos que repeti-
damente guerrearam contra os cristãos durante os longos séculos que de-
correram desde o nascimento de Maomé. Poderíamos ter acrescentado o
nome de outros expositores que têm mantido ponto de vista semelhante,
tais como: Heinrich Bullinger, o conhecido reformador suíço; Thomas
Goodwin, destacado congregadonalista de primeira geração e vice-reitor
da Universidade de Oxford; Thomas Newton, o bispo anglicano cujo co-
mentário do Apocalipse alcançou dezoito edições; e Cotton Mather, des-
crito como "o mais destacado clérigo de seus dias, e um dos mais notáveis
homens de sua geração".16
Todos estão interessados em acompanhar o papel que o Islã desempe-
nha nos dias atuais. De fato, o islamismo exerceu um papel decisivo nas
questões mundiais durante os últimos mil e trezentos anos. Por certo um
poder tão notável merece lugar na profecia bíblica.
Pois bem, aquilo que os maometanos tem feito em termos políticos e
militares, com grande frequência esteve enraizado naquilo que eles crêem.
Um rápido exame de suas crenças ajudar-nos-á a compreender melhor o
seu papel nas profecias da Bíblia.
Crenças aos maometanos. O islamismo, religião oficial dos seguidores de
Maomé, originou-se por volta de 612 d.C., quando este começou a crer
que Deus lhe estava concedendo visões. Por essa época, ele era um comer-
ciante que vivia em Meca, cidade da Arábia.
A convicção fundamental de Maomé era a de que só existe um Deus
verdadeiro, o Deus que ele chamou pelo nome de Alá, a forma arábica de
um dos nomes de Deus na Bíblia hebraica. Ele identificou Alá como sen-
do o mesmo Deus adorado anteriormente por Abraão, os judeus e Jesus.
Recomendou a seus seguidores que desistissem de seus ídolos e da adora-
ção de tantos deuses (politeísmo). Contou-lhes também que Deus tivera
muitos profetas, tais como Noé, Abraão e Jesus, mas que ele próprio,
Maomé, era o último e mais importante profeta de Alá. Cinco vezes ao
dia, do alto dos grandes minaretes que equipam as mesquitas presentes
em todas as comunidades Islâmicas da atualídade, o aviso em alta voz ain-
da é proclamado, tal como Maomé o requeria, convidando todos os fiéis
à prece: "Não há Deus além de Alá, e Maomé é o Seu Profeta." Pude ou-
vir essa proclamação muitas vezes. O primeiro chamado do dia, feito
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
aproximadamente uma hora antes de o sol nascer, representa por certo
um som marcante e claro.
Maomé estabeleceu muitas regras para os seus seguidores. Após sua
morte, essas regras foram compiladas em um livro chamado Corão, ou
Qur'an, a Bíblia islâmica. Corno significa "um livro de leituras que deve ser
recitado de memória". Islã significa "inteiramente submetido" à vontade
de Alá, conforme ensinada pelo Corão. O maometano é uma pessoa sub-
metida com semelhante inteireza.
O Corão contém muitas profecias atinentes ao tempo do fim. Diz o
Corão que no último dia — que é mencionado como estando muito pró-
ximo — Deus ressuscitará os mortos c reunirá todas as pessoas para o jul-
gamento final. Por ocasião do julgamento, Alá irá consignar os ímpios ao
inferno, onde beberão sangue e água fervente, e queimarão em agonia
por toda a eternidade. Mas Alá será muito compassivo com os justos.
Convidá-los-á para irem ao Céu, onde se banquetearão em companhia
de formosas virgens.
O Corão defende inquestionavelmente a guerra santa, ou jihaã. Ele
afirma que, embora todos os crentes venham um dia a encontrar prazer
no Céu, aqueles fiéis que arriscaram a vida na guerra santa encontrarão
no futuro prazeres muito maiores. Alá, diz o Corão, "prometeu a todos
uma boa recompensa; mas reserva recompensas muito maiores para
aqueles que lutaram por Ele."18 "Alá ama aqueles que lutam por Sua
causa." "Ele irá hospedá-los em prazenteiras mansões nos jardins do
Éden. Este é o supremo triunfo."
Maomé requeria definidamente a guerra santa. Por ela é que se con-
quistaram vastos territórios novos e foram providenciadas abundantes ri-
quezas novas como despojo. Enganar-nos-íamos, entretanto, se imaginás-
semos que ele forçou os judeus e cristãos a escolherem entre "Alá e a es-
pada". Maomé admirava judeus e cristãos, considerando que eram, tanto
quanto ele, adoradores de Alá, o Deus verdadeiro de Abraão e Jesus. Pelo
fato de eles crerem no Antigo Testamento, ele os respeitava como o "Povo
do Livro".20 A moderna hostilidade árabe contra os judeus apóia-se no
anti-semitismo nazista e no militarismo de Israel, c contraria fortemente
a tradição islâmica.21
Indubitavelmente, um grande número de judeus c cristãos foram
mortos durante o andamento de muitas guerras santas; todos eles, po-
rém, foram mortos como inimigos comuns, e não meramente em virtu-
de de suas crenças. Uma vez que a paz era restaurada, cra-lhcs permiti-
do continuar na prática de sua fé. Para sermos mais exatos, eles eram
considerados como cidadãos de segunda classe, aos quais era proibido,
por exemplo, utilizar cavalos para montaria ou possuir armas, e dos
quais se exigia o pagamento de impostos adicionais e, por vezes, o LISO
Apocalipse 8:2 a 9:21
de uma indumentária distinta. Indiscutivelmente, era-lhes negado o di-
reito de conquistar conversos. Aos maometanos, por outro lado, era ne-
gado o direito de mudarem de religião. Para garantir tal proibição, o
Corão ordena especificamente que os maometanos executem qualquer
membro de seu próprio povo que se converta ao cristianismo. "Se eles
vos abandonarem [tornando-se judeus ou cristãos], capturem-nos e
matem-nos", instruí o Corão.22
Ao longo do tempo, nos países conquistados pelos muçulmanos, um
grande número de cristãos - não todos eles, em todos os países - torna-
ram-se maometanos por uma ou outra razão. E, uma vez que os cristãos
remanescentes eram proibidos de converter outros à fé cristã, as igrejas so-
breviventes tornaram-se crescentemente estéreis c ritualísticãs. Nos países
islâmicos, o cristianismo não foi necessariamente destruído, mas tornou-se
em grande medida paralisado.
A expansão islâmica. O islamísmo é uma religião missionária, que tem o
objetivo de angariar conversos. Os primeiros conversos de Maomé foram sua
primeira esposa, Khadija, seu amigo íntimo, Abu Bakr, e seu primo Ali, que
se casou com a filha de Maomé, Fátima. O islamismo começou, pois, como
uma religião familiar. Por ocasião da morte de Maomé, entretanto, pratica-
mente todos os habitantes da Arábia eram seus seguidores. As tribos árabes,
habitualmente em guerra umas com as outras, uniram-se sob o estandarte da
guerra santa. Havia muita riqueza a ser obtida pela luta unida em nome do
profeta, contra os seguidores de Zoroastro no Ira e contra os cristãos do Im-
pério Romano (agora conhecido como Império Bizantino).
Após a morte de Maomé, Abu Bakr tornou-se o seu primeiro sucessor,
ou "califa". Ele reuniu os árabes e iniciou uma agressiva campanha de ex-
pansão militar.
Em nome de Maomé ou de Alá, os exércitos árabes unidos, já por vol-
ta de 651, controlavam a Síria, o Iraque, a Mcsopotâmia, o Ira e o Egito.
Imagine as manchetes e os informativos especiais de TV se uma nação do
Oriente Médio mudasse repentinamente sua religião e logo depois se em-
penhasse em semelhante série de conquistas militares benvsucedidas!
Pois diga-se que o Oriente Médio foi apenas o início de suas conquis-
tas. Os maometanos em breve estenderam seu controle em direção les-
te, até as fronteiras da índia, e para o oeste, passando pelo norte da
África e chegando ao Oceano Atlântico. Em 711, sete mil muçulmanos
cruzaram o Mediterrâneo, provindo do norte da África, e invadiram a
Espanha. O nome Gibraltar significa "o monte [Jabal, em árabe] de Tá-
rique". Traz à memória o nome de Táríque, o general muçulmano que
dirigiu a invasão.23
O sul da Espanha caiu. A França era o próximo alvo. Na verdade, a
meta parecia ser a conquista de toda a Europa. Mas em 732 a boa estrela
253
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
maometana apagou-sc, por ação de Carlos Martel, um general cristão.
Exércitos cristãos e muçulmanos enfrentaram-se em campo aberto, entre
as cidades de Poitiers e Tours. Os cavaleiros cristãos possuíam a vantagem
do recém-descoberco estribo, que lhes provia, quando em luta, uma esta-
bilidade e força que os cavaleiros maometanos não possuíam.2' Mas os
muçulmanos eram guerreiros denodados e experientes. Tão equilibradas
eram as forças de ambos os exércitos, que durante sete dias nenhum deles
ousou disparar a primeira flecha.
Por fim, os muçulmanos invasores arremeteram. Antes do escurecer, mi-
lhares de homens de ambos os lados jaziam mortos ou moribundos sobre
a grama. Entretanto, os treinados cavaleiros islâmicos não foram capazes
de bater o exército cristão, solidamente unido e melhor equipado.
Ao aparecer o sol no dia seguinte, os cristãos constataram, com grande
alívio, que durante a noite os muçulmanos haviam abandonado suas bar-
racas c fugido de volta para a Espanha. Com exceção do sul desse país, a
Europa continuava a ser nominalmente cristã.
Aquele foi um conflito decisivo. Sem a vitória crista nos campos que cir-
cundam a cidade de Tours, toda a Europa poderia ser hoje islâmica.
A Batalha de Tours e sua família. Não é fantasioso aventar que, sem a vi-
tória cristã nos campos próximos a Tours, ate mesmo você e sua família po-
deriam ser hoje muçulmanos. Já observamos que, onde quer que os primi-
tivos exércitos islâmicos triunfaram, o cristianismo foi grandemente enfra-
quecido ou simplesmente eliminado. As assim chamadas nações árabes do
Oriente Médio e do Norte da África, eram nações cristãs até a chegada dos
muçulmanos. Qualquer pessoa sabe que hoje elas não são mais cristãs.
Se as tropas islâmicas não tivessem sido detidas na Batalha de Tours,
o cristianismo poderia ter sobrevivido na Europa, mas o mais provável é
que a França, a Alemanha, a Itália, a Grã-Bretanha, a Bélgica, a Holan-
da e a Espanha teriam sido invadidas, em todas as partes, por mesquitas
e minaretes muçulmanos; nesses países, todas as pessoas - a exemplo do
que ocorre no Marrocos, na Argélia, na Turquia, na Arábia Saudita e no
Ira - seriam despertadas pela manhã através do convite muçulmano à
oração, provindo de todos os minaretes: "Não há Deus além de Alá, e
Maomé é o Seu Profeta."
Uma vez que a América foi colonizada a partir da Europa, até mes-
mo os Estados Unidos, Canadá, México, Brasil e demais países da Amé-
rica provavelmente seriam hoje nações islâmicas. Se assim fosse, ameri-
canos, canadenses, mexicanos e brasileiros seriam despertados pelo con-
vite islâmico à oração; dessa forma, suas crianças estariam crescendo
numa cultura essencialmente islâmica. Sua família poderia muito bem
ser islâmica, também.
Mas não deveria ser assim. Devemos crer que Deus, em Sua providên-
254
Apocalipse 8:2 a 9:21
cia especial, dotou de forças extraordinárias o exército de Carlos Marrei em
732. Deus cuida dos Seus! Você e sua família podem agradecer-Lhe, em
seu culto doméstico, pelo fato de a estratégica Batalha de Tours ter sido
vencida por bravos homens cristãos, que ali lutaram e morreram.
Os maometanos atacam a Europa Oriental. A Europa Ocidental perma-
neceu nominalmente cristã. A Europa Oriental fez o mesmo, embora a um
preço bastante elevado. Víu-se obrigada a enfrentar sucessivos ataques dos
exércitos muçulmanos. Entre os anos 674 e 677, e em 717 e 718, os mu-
çulmanos lançaram verdadeiros ataques anfíbios contra Constantinopla.
Diz-se que a sua segunda tentativa envolveu l .800 navios!2
Os cristãos contra-atacaram com uma terrível arma secreta, conhecida
como fogo grego. Queimando com intenso calor, o fogo grego era posto a
flutuar entre os navios maometanos, sobre pequenas barcaças ou amarra-
do às flechas e expedido a partir de arcos e catapultas, ou ainda assoprado
através de tubos. Sua fórmula completa até hoje é um segredo.27 Queima-
va mais ferozmente sobre a água do que sobre a terra. Provocou terrível de-
vastação entre os atacantes muçulmanos.
Decididas forças maometanas lançaram posteriormente vigorosos
ataques sobre Constantinopla, sob o comando de Aarão, o Justo (Ca-
lifa Harun-al-Rashid, 786-809). Mas por volta de 821 a 823, os mu-
çulmanos, que uma vez haviam trazido 1.800 navios contra Constan-
tinopla, achavam-se reduzidos a meros espectadores que assistiam à
frustrada tentativa de um rebelde cristão em tomar a cidade.28 Na Eu-
ropa oriental, tanto quanto na ocidental, os muçulmanos haviam ba-
tido em retirada.
Pequenos grupos de seguidores de Maomé, naquela ocasião e mais tar-
de, conduziram o Islã a pontos tão distantes quanto a Indonésia e mesmo
a Chína. Entretanto, se você observar atentamente os mapas que se encon-
tram à página 249, perceberá que o principal progresso do islamismo, em
seu primeiro surto de expansão, coincidiu notavelmente com a presença
setentrional dos gafanhotos do deserto!
O Islamismo e a quinta trombeta. Os gafanhotos da quinta trombeta saí-
ram voando com a "fumaça" que se ergueu do "poço do abismo". A escu-
ridão, pensamos, representa aqui a mesma coisa que sob a quarta trombe-
ta: ensinamentos erróneos que encobrem ou negam a verdade acerca de
Deus e de Jesus Cristo. Estamos pensando no Corao.
"Poço do abismo" é tradução de aèusíos, palavra grega cujo significa-
do é "imensurável" ou "ilimitado". Abttssos aparece também em Génesis
1:2, bem como rio Salmo 71:20, onde é sinónimo de "sepultura". Nos
tempos antigos, a profundidade do oceano era "imensurável", e o apetite
da sepultura por corpos mortos era "ilimitado", e assim permanece ate
hoje. No Apocalipse, abussos é linguagem impressionista. A completa vo-
255
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
cação mortal da sepultura é apropriadamente um símbolo dos vastos de-
sertos da Arábia, a pátria de Maomé, a maior parte dos quais permane-
cem, ainda hoje, inabitáveis.
A "estrela" que anteriormente "caíra do Céu" — o "rei" chamado
"Abadom" e "Apolíom", ou destruidor — é obviamente Satanás, operan-
do através de instrutores e califas islâmicos. (Recorde, uma vez mais, que
o Apocalipse chama a atenção para o lado pior das sociedades humanas.)
As "coroas" sobre as cabeças dos gafanhotos, podem ser vistas como os
longos cabelos que, segundo se diz, os árabes usavam naquele tempo. A
aparência semelhante a cavalos, dos gafanhotos, pode ser associada com
a grande quantidade de cavalos literais que os árabes utilizavam habili-
dosamente. As "asas" dos gafanhotos, tais como as asas do leopardo em
Daniel 7, representam a velocidade das primeiras conquistas árabes.
Numa época em que não existiam caminhões, navios a vapor ou rádios,
as forças islâmicas dominaram territórios hostis desde o Oriente Médio
até o Atlântico, numa direção, e até as fronteiras da índia na outra dire-
cão (com postos avançados na distante China), e tudo isso ocorreu em
menos de cem anos. Na maior parte das áreas conquistadas, eles se esta-
beleceram permanentemente.
Nossos gafanhotos simbólicos foram proibidos de comer qualquer
coisa "verde" ou ferir as pessoas que tivessem o "selo de Deus". Vimos à
página 240 que a "erva verde" representa o povo de Deus. Já observa-
mos, igualmente, que o islamismo garantiu aos judeus e cristãos uma boa
dose de liberdade, por serem estes o "Povo do Livro". Notavelmente,
cristãos guardadores do sábado sobreviveram na Arménia c na Etiópia.
Aos "gafanhotos" foi permitido infligir "torturas" por "cinco meses".
Quando examinarmos a sexta trombeta, constataremos que àquele poder
foi concedido "matar a terça parte dos homens". Conforme sugerimos
à página 248, essa "terça parte" parece ser o Império Bizantino e sua re-
ligião, e Constantinopla, a capital oriental do cristianismo. "Cinco me-
ses" proféticos, à base de trinta dias por mês, representam um total de
150 anos. Veja Apocalipse 11:2 c 3.
Do primeiro ataque feroz, mas inócuo, dos muçulmanos contra Cons-
tantinopla, em 674, até o último ataque fútil dos mesmos em 823, decor-
reu um período de 149 anos, apenas um ano a menos que os 150 anos!
O aparecimento dos turcos. Depois de falhar durante cento c cinquenta
anos virtuais em suas repetidas tentativas para conquistar Constantinopla,
os povos islâmicos desistiram de seus esforços. Começaram a lutar uns
contra os outros, dividindo-se em várias nações menores. Deixado em paz,
o Império Bizantino viveu seus próprios altos e baixos.
Por volta do ano 1000 correram notícias que devem ter alarmado am-
bos os lados. Os turcos seljúcidas estavam a caminho!
256
Apocalipse 8:2 a 9:21
Durante algum tempo, hordas de tribos turcas haviam estado a movi-
mentar-se em direção oeste, a partir das grandes pradarias do sul da Rús-
sia. Destacando-se das demais tribos, os turcos seljúcidas dirigiram seus ca-
valos para o sul, invadiram o Ira e adotamm a religião maometana. Imedia-
tamente os turcos seljúcidas tornaram-se a mais dinâmica e enérgica de to-
das as nações islâmicas. Briguemos, agressivos e numerosos, eles logo se di-
vidiram em facções, gravitando em torno de líderes populares (possivel-
mente os "quatro anjos") e forçaram caminho até as cabeceiras do "rio Eu-
frates".* Seu objetivo era a Ásia Menor, o coração do Império Bizantino.
Mas durante muito tempo eles foram refreados ("atados" junto ao "rio Eu-
frates") pelas tropas bizantinas estacionadas no Ponto e nas Montanhas
Touro.
Nesse momento crítico faleceu o imperador bizantino, deixando
como seu sucessor apenas um menino. A imperatriz casou rapidamente
com um general, de nome Romano, o qual - segundo a melhor tradição
da época — conduziu pessoalmente suas forças contra os turcos seljúci-
das, apenas para ser decisivamente batido em 1071, na memorável Bata-
lha de Manzikert (atualmcnte Malazgirt), próximo às cabeceiras do rio
Eufrates. O exército bizantino foi dizimado e Romano foi tomado como
prisioneiro. Quando, após algum tempo, Romano recebeu liberdade
para voltar para casa, seu filho cegou-o e tratou-o com tanta crueldade,
que ele morreu em seguida.29
Enquanto isso, tendo destruído o principal exército bizantino em
Manzikert, os turcos penetraram pelas passagens guarnecidas das Mon-
tanhas Touro e do Ponto, e rapidamente assumiram o controle da
maior parte da Ásia Menor. Eles até mesmo deram a essa região o nome
de Turquia, pelo qual é conhecida até hoje. À medida que enxameavam
pelos passos das montanhas — muitos deles cavalgando habilmente e es-
palhando-se por todas as partes, enquanto consumiam os recursos do
país - eles seguramente assumiram a aparência de um exército de 200
milhões de cavaleiros.
Os turcos "matam" o Império Bizantino. Com o passar do tempo, a li-
derança dos turcos seljúcidas recaiu sobre Otmã e seus sucessores, os
"otomanos". Foi assim que, no devido tempo, os turcos otomanos de-
senvolveram o Império Otomano, o qual é muito importante para a
nossa História.
Apocalipse 9:15 indica que o "enxame de gafanhotos" constituído pelos
turcos muçulmanos haveria de "matar a terça parte dos homens", uma en-
tidade que já identificamos com o Império Bizantino e sua capital, Cons-
" Este uso metafórico do rio Eufrates nos provê uma referência geográfica geral. O mesmo rio é ci-
tado metaforicamente em Isafa.s 8:7, como referência ao império que, nos dias de Isaías, crescia às mar-
gens do rio.

257
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
taminopla. De acordo com a profecia, os maometanos conquistariam o
império através do uso de "fogo, fumaça e enxofre" que parecia provir da
boca de seus cavalos. Apocalipse 9:17 a 19.
A fumaça que saía da boca dos cavalos - e as caudas semelhantes a
serpentes, que tinham o poder de matar, bem como o exagerado núme-
ro de 200 milhões - são, evidentemente, figuras de linguagem, tal
como o são os próprios cavalos; eram, entretanto, figuras relacionadas
com aquilo que representavam. Os turcos otomanos efetivamente uti-
lizaram muitos cavaleiros habilidosos, c tornaram-se capazes de con-
quistai Constantinopla depois que incorporaram o uso de armamentos
à base de pólvora.
Um dos principais ingredientes da pólvora (ao lado do carbono e do sa-
litre), é o enxofre. A pólvora queima-se produzindo grande quantidade de
fumaça, o que constitui uma das razoes por que ela não tem sido muito
utilizada desde o fim da Primeira Guerra Mundial. A pólvora é usada para
expulsar projéteis de longos tubos, os quais poderão ter sido apresentados
a João como se fossem as "caudas" mortais dos cavalos.
As primeiras armas que utilizavam pólvora, usadas tanto pelos oto-
manos quanto pelos europeus, incluíam algumas armas de fogo de uso
pessoal, especialmente o desajeitado arcabuz ou bacamarte. Incluíam
também as granadas de mão, morteiros e canhões. Os canhões maiores,
feitos inicialmente de bronze, eram tão pesados para serem transporta-
dos de um lado a outro pelos bois, que os turcos otomanos por vezes
carregavam pedaços de tubos de bronze em suas carretas militares e de-
pois soldavam as partes c lhes davam o formato de canhão no próprio
local de uso. Aqueles canhões primitivos não possuíam precisão sufi-
ciente para serem usados contra soldados no campo de batalha, mas
eram altamente eficientes no lançamento de pedras contra os muros de
tijolos e pedras que ainda defendiam os castelos e as principais cidades.
Uma bateria de, digamos, uma dúzia de armas semelhantes, cada uma
delas disparando uma dúzia de tiros por dia, em breve abriria uma bre-
cha, mesmo no mais sólido muro imaginável.
Constantinopla possuía sólidos muros de alvenaria. Utilizando maciça-
mente seus canhões de bronze, os turcos otomanos finalmente conquista-
ram a cidade em 29 de maio de 1453, e assim "mataram" o Império Bi-
zantino que sobrevivera por tanto tempo.
O homem que conduziu os turcos na vitória sobre Constantinopla foi
Maomé (Mehrnet) II, que então estava com apenas vinte e três anos de ida-
de. O povo deu-lhe o título de Maomé, o Conquistador. Ele morreu antes
dos cinquenta anos, mas não antes de haver estabelecido o poderoso e rico
Império Otomano que mencionamos há pouco.
O Império Otomano auxilia a Reforma. Enquanto a lembrança da inol-
258
Apocalipse 8:2 a 9:21
vidávcl queda de Constantinopla ainda se achava bem viva, os turcos oto-
manos — por mais surpreendente que isso possa parecer — desempenharam
um papel vital no sucesso da Reforma Protestante! O mais ilustre sucessor
de Maomé, o Conquistador, foi Suleíman, o Magnífico, cujo reinado
(1520-1566) sobre o Império Otomano coincidiu estreitamente com o
reinado (1519-1556) de Carlos V, o imperador da Alemanha na época em
que a Reforma começou.
Carlos V era um devoto católico romano, bem como um devotado e
inteligente administrador. SentÍu-se amplamente perturbado com a
Reforma iniciada por Martinho Lutero em 1517. Mais perturbado ain-
da ficou quando percebeu o rápido progresso da mesma no norte da
Europa. Ele reconhecia que a Igreja Católica necessitava de algurn tipo
de reforma, porém imaginava que era principalmente o comportamen-
to dos sacerdotes que tinha de ser melhorado, e não tanto o que eles
pensavam e criam.
O território governado por Carlos V incluía a Espanha, partes da Eu-
ropa Oriental e as vastas e novas colónias espanholas na América do Sul
e do Norte. Incluía também o que naqueles dias se chamava Sacro Im-
pério Romano Germânico, e que hoje está representado pela Holanda,
Suíça, a maior parte da Alemanha e partes da Itália. Bem que ele mere-
cia o título de Imperador!
Pois bem, uma vez que Carlos V se achava à frente de tamanho poder e
riqueza, por que ele não eliminou o Protestantismo que enxergava com tão
maus olhos?
Parcialmente, por causa dos turcos otomanos e da queda de Constantinopla.
O rei da França (chamado Francisco I), alguns dos príncipes alemães
e mesmo o papa, tinham medo de Carlos V e pensavam que ele con-
centrava excessivos poderes. Nem Francisco I, nem qualquer dos prín-
cipes alemães, nem o papa eram suficientemente fortes para, sozinhos,
enfrentar Carlos V; mas qualquer urn deles seria capaz de enfrentá-lo,
desde que dispusesse do apoio de Suleiman, o Magnífico, o líder do
Império Otomano!
Foi assim que os exércitos armados e o apoío financeiro dos muçulma-
nos frequentemente vieram em auxílio dos cristãos, em suas batalhas
contra Carlos V.
Ocorreu também, por outro lado, que durante os anos iniciais do Pro-
testantismo, Carlos V não pôde guerreá-lo por achar-se demasiado ocupa-
do na luta contra a católica França e o papa. (Em 1527, suas tropas saquea-
ram Roma e puseram o papa na prisão!)
Em 1529, o próprio ano em que a palavra Protestante foi pela primeira
vez usada para descrever o novo movimento religioso, Carlos V imaginou
por um momento que as circunstâncias eram favoráveis a um ataque con-
259
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
tra os "hereges". Justamente nesta ocasião — por solicitação pessoal do ca-
tólico rei da França — Suleiman, o Magnífico, enviou um exército islâmi-
co para atacar a cidade católica de Viena.30 Provavelmente Carlos V não
conseguiria combater simultaneamente a ambos, protestantes e maometa-
nos. Na verdade, dependia do apoio dos protestantes se quisesse fazer re-
troceder os invasores islâmicos. Uma vez mais, as diferenças religiosas fo-
ram passadas por alto.
"A pressão otomana sobre os Habsburgos [isto é, sobre Carlos V e seus
parentes] ... foi um importante fator na consolidação das forças da Refor-
ma e no seu final reconhecimento", observa tipicamente um pesquisador
moderno. "No décimo sexto e décimo sétimo séculos, o apoio aos Protes-
tantes e Calvinistas constituiu... um dos princípios fundamentais da polí-
tica otomana."31 "Poderia não ter existido o Protestantismo se não tivesse
existido a Turquia", diz outro pesquisador.32
Foi somente em 1547, um ano após a morte de Lutero, que Carlos V
finalmente viu-se em condições de combater os príncipes luteranos. De-
pois de tanta espera, ele marchou à frente de um exército de soldados es-
panhóis, católicos, e invadiu o território de seus próprios príncipes alemães
luteranos — e os venceu! Mas sua vitória falhou totalmente quanto ao ob-
jetivo de desarraigar o Protestantismo, pois este já se estabelecera profun-
damente no coração e na mente das pessoas.
As palavras seguintes pertencem ao historiador Thomas M. Lindsay:
"O idioma alemão substituíra o latim medieval no culto público, e agora
os adoradores podiam tornar parte nos serviços e compreender plenamen-
te os solenes atos com os quais se achavam envolvidos. Uma Bíblia em
alemão jazia sobre cada púlpito, e o povo dispunha de cópias nos bancos.
Traduções dos salmos e hinos evangélicos alemães eram cantados, e ser-
mões eram pregados em alemão." "Provisões foram também feitas para a
educação das crianças."33
Carlos V abdicou de seu trono imperial em frustração, profundamente
desapontado face ao seu fracasso em extinguir o protestantismo. Retirou-
se para "San Gerónimo de Yuste", uma pequena mas bem suprida casa de
campo, construída ao lado de um mosteiro, na Espanha. Um de seus últi-
mos atos foi incumbir seu filho Filipe de "tomar conta dos hereges" na Es-
panha, "para que fossem reprimidos... sem demonstração de qualquer mi-
sericórdia em seu favor". Faleceu tendo em mãos o mesmo crucifixo pri-
moroso que sua ruiva esposa Isabel segurara na hora da morte. "Estou che-
gando, Jesus", sussurrou ele.3 Não podemos questionar sua sinceridade.
O apogeu do Império Otomano estendeu-se apenas da época da queda
de Constantinopla até por volta de 1600. No final do século dezessete, "o
Império Otomano, que terrificara a cristandade por mais de trezentos
anos, deixara de ser um poder agressivo." Na providência divina, sua su-
260
Apocalipse 8:2 a 9:21
premacia exercera-se no preciso momento em que sua influência era neces-
sária para preservar a existência do Protestantismo.
A hora, o dia, o mês e o ano. Um dos mais desafiadores símbolos na sex-
ta trombeta é a referência a "a hora, o dia, o mês e o ano". A Bíblia ingle-
sa KingJames Version traz o seguinte texto: "uma hora, e um dia, e um mês,
e um ano", e parece sugerir-nos que somemos estes períodos de tempo. A
partir do estudo de Daniel, estamos perfeitamente cientes de que um dia
simbólico, em profecias bíblicas que cobrem longos períodos, representa
um ano literal. Em Apocalipse 11:2 e 3, um mês é composto por 30 dias.
Nessa base, um ano com doze meses de 30 dias, representa 360 anos.
Quando somamos um ano e mais 30 anos (um dia e um mês) aos 360
anos, o resultado é 391 anos.
Entretanto, a versão básica que aqui utilizamos (Almeida Revista e
Atualizada), bem como algumas outras versões modernas, como a Revised
Standard Version, traduzem essa passagem como "a hora, o dia, o mês e o
ano", dando a entender que ela aponta para um momento específico no tem-
po, ao invés de aplicar-se a um período de tempo. Existem, contudo, boas
razões para se preferir o texto conforme apresentado pela King James Ver-
sion. Veja a seção "Respostas às Suas Perguntas", páginas 269-271.
Supondo, então, que a expressão se refere a 391 anos, perguntamos:
Que datas específicas, para o começo e fim desse período, se encontravam
na mente de Deus?
Mencionamos antes que a Batalha de Manzikert, em 1071 — a qual
possibilitou aos turcos deixarem o vale do Eufrates e se deslocarem até o
coração do Império Bizantino cristão — foi um evento muito importante.
O período que se estendeu dessa batalha até o ano 1453, quando os tur-
cos finalmente "mataram" o Império Bizantino, foi de 382 anos. Isto
pode ser um número suficientemente próximo para satisfazer algumas
mentes, mas não é suficiente para satisfazer outras. Mais notável é o fato
de que a partir de 1453 - fim do Império Bizantino - até 1844 - o final
do mais longo e significativo período profético na Bíblia - decorreram
exatamente 391 anos.
Em 1453 o Império Otomano constituía-se numa poderosa e perigosa
ameaça à Europa cristã. Por volta de 1844, entretanto, o império uma vez
invencível descera a nível tão baixo, que não lhe teria sido possível sobre-
viver, a menos que nações cristãs corressem em seu auxílio! De fato, uma
série de eventos significativos ocorreu por volta de 1453 e por volta de
1844. Informações adicionais a esse respeito serão encontradas na seção
"Respostas às Suas Perguntas", páginas 270 e 271.
As trombetas e sua família. "As [coisas] reveladas nos pertencem, a nós e
a nossos filhos para sempre." Deuteronômio 29:29. Observamos, de pas-
sagem (pág. 231), que as trombetas nos fazem lembrar alguns aspectos da
261
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
disciplina familiar. Nossa atenção fixou-se igualmente na derrota muçul-
mana, na Batalha de Tours (págs. 253-255) e na contribuição do Império
Otomano à causa da Reforma Protestante (págs. 258-261), sendo que es-
ses acontecimentos tiveram marcante influência sobre o caráter religioso
das comunidades às quais nós e nossas famílias pertencemos.
Parece, entretanto, haver algo ainda mais profundo. A maior parte
das pessoas sobre as quais estivemos falando na exposição das seis pri-
meiras trombetas — pessoas que enganaram, excomungaram e, quando
as oportunidades se fizeram presentes, saquearam, queimaram, assassi-
naram e massacraram umas às outras - professavam crer em Deus. Na
verdade, mesmo que elas Lhe atribuíssem diferentes nomes — Alá, Jeová
(Yahweh) e Senhor - esses muçulmanos, judeus c cristãos adoravam o
mesmo Deus. Eram todos membros das três grandes religiões mundiais
que adoram o Deus da Bíblia.
Tratava-se de pessoas religiosas — até certo ponto. Os judeus eram mui-
to leais a seu templo e respectivo ritual. Os muçulmanos ajoelhavam-se
para orar, cínco vezes ao dia. Os cristãos de Constantinopla, por ocasião
da queda da cidade, comprimiram-se dentro da grande catedral de Santa
Sofia, crendo que Deus certamente os protegeria nesse lugar.
Em seus primeiros anos de vida, esses reis e rainhas, sacerdotes, solda-
dos e povo comum - cujas vidas teceram a trágica história que estivemos
a analisar — foram meninos c meninas que cresceram em lares que profes-
savam crer em Deus. Não lhe causa curiosidade saber o que terão dito os
pais dessas crianças, acerca de Deus e de como Ele espera que Seus filhos
vivam:
Em setembro de 1982, 800 pessoas - pais, avós, jovens e bebés - foram
massacradas num campo de refugiados de Beirute. Tratores de esteiras es-
magaram as casas enquanto as pessoas ainda se encontravam no interior
das mesmas. Meninas pequenas apresentavam orifícios de balas em sua ca-
beça. O rosto de um bebé foi deixado saliente em um aterro de cascalhes.
As pessoas que morreram eram muçulmanas. As pessoas que mataram
eram cristãs. Os guardas que ficaram observando enquanto as pessoas gri-
tavam eram judeus.36
Todos os que estiveram envolvidos no massacre criam em Deus. O que
lhes haviam ensinado seus pais a respeito da Pessoa de Deus e quanto à ma-
neira como Ele deseja que os Seus filhos vivam?
Estivemos a examinar, especialmente quando estudamos Apocalipse 4 e
5, que o Céu é um lugar muito feliz, e quão grande interesse têm as cria-
turas celestes em nosso bem-estar, e quão felizes elas se sentem pelo fato de
Jesus haver morrido para redimir-nos. Algumas criaturas celestiais, inclu-
sive o anjo do fogo e do altar que aparece no começo das sete tromberas,
oferecem incenso enquanto oramos.
262
Apocalipse 8:2 a 9:21
Mas as criaturas celestes não desejam que trapaceiros, intrigantes e bri-
guentos maculem a paz celestial. Claro que não! Em benefício dessas cria-
turas e em nosso próprio benefício, Jesus nos pede que sejamos verazes e
honestos, e que amemos os nossos inimigos. No Sermão da Montanha Ele
advertiu que somente aqueles que vivem de semelhante modo "entrarão no
reino do Céu". S. Mateus 7:21.
Porventura estamos oferecendo todo o nosso empenho para que os
membros de nossa família se tornem amáveis, honestos, atenciosos e gene-
rosos — verdadeiros e íntegros cristãos, que no mais íntimo de sua vida pro-
curam seguir todos os aspectos da vontade de Deus?
Os membros de nossa família possuem liberdade de escolha. Eles pode-
rão recusar-se a ser cristãos, a despeito de tudo que façamos por eles. Não
nos iludamos jamais, no entanto, com o pensamento de que se tornarão
cristãos sem que façamos algo especial em seu favor. James Dobson, um
conhecido conselheiro familiar que mantém programas radiofónicos com
esse propósito, diz sabiamente em seu livro Stmight Talk to Men anã Their
Wives (Conversa Franca com Homens e Suas Esposas): "A maior de todas
as ilusões é supor que nossos filhos serão devotos cristãos pelo simples fato
de que seus pais o foram."37
Ao insistir que os país lutem em oração, em benefício de seus filhos,
Dobson acrescenta que, por muitos anos, uma das coisas que ele e sua
esposa fizeram em favor de seus filhos, foi jejuar e orar por eles uma
vez por semana. Sua oração especial, apresentada diante do Senhor nes-
se dia de jejum, era algo mais ou menos assim: "ó Senhor, mantém o
nosso pequeno círculo familiar em perfeita integridade quando tiver-
mos que comparecer em Tua presença no Dia do Juízo. Compensa os
nossos erros e fracassos corno pais, e neutraliza a influência de um
mundo mau, que possa vir a corroer a fé de nossos filhos. Pedimos es-
pecialmente, Senhor, o Teu envolvimento quando nosso filho e nossa
filha pararem nas encruzilhadas da vida, e aí tiverem que decidir se se-
guirão o caminho cristão ou deixarão de fazê-lo. Talvez estejam então
além do nosso cuidado e proreçao, e por isso Te pedimos humildemen-
te que Tu estejas lã. Envia um líder capaz ou um amigo que nesse mo-
mento os ajude a escolher a direçao correta. Eles já eram Teus antes de
nascerem, e por isso agora os devolvemos a Ti em fé, sabendo que os
amas ainda muito mais do que nós. Com vistas a este propósito, nós
dedicamos esse dia de oração e jejum." 38
Quando oramos de semelhante forma, as quatro criaturas viventes, os
vinte e quatro anciãos e o anjo que está junto do altar de ouro oferecem
fragrante incenso. Jesus, o Cordeiro que morreu para que nossos familia-
res pudessem viver, intercede. E todo o Céu observa atentamente, pronto
para converter nossas orações em realidade.
263
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse

SUMARIO DA TERMINOLOGIA DAS TROMBETAS

As Quatro Primeiras Trombetas

A Primeira Trombeta. 8:7.

Saraiva e fogo misturados com sangue: a guerra dos romanos con-


tra a Judéia.

A terça parte da terra, e das árvores, e também toda erva verde: O


povo de Deus, ainda no sentido do Velho Testamento, ou seja, da na-
ção judaica e de sua capital, Jerusalém, ao ser destruída pelos roma-
nos em 70 d.C. "Começai no Meu santuário". Ezequiel 9:6.

A Segunda Trombeta. 8:8 e 9.

Uma grande montanha ardente: As tribos belicosas que invadiram o


Império Romano.

A terça parte do mar, das criaturas marítimas e dos navios: O Im-


pério Romano Ocidental, seus habitantes e sua capital, Roma, der-
rotados pelas tribos invasoras em 476.

A Terceira Trombeta. 8:10 e 11.

"Absinto", a estrela cadente e ardente: Satanás e os mestres cris-


tãos que se prestaram a cumprir os satânicos propósitos.

A terça parte dos rios e das fontes: A verdadeira religião de Jesus e


a verdade a Seu respeito, confiada à Igreja Cristã da Idade Média,
especialmente aquela centralizada em torno da Igreja de Roma, ao
ser poluída pelos erros do "absinto".

A Quarta Trombeta. 8:12.

A terça parte da luz e dos corpos celestes: O ministério sacerdotal


de Jesus - O Sol da Justiça, a Luz do Mundo - centralizado no san-
tuário celestial e obscurecido por um novo sacerdócio, interposto en-
tre Deus e o homem pela Igreja.

264
Apocalipse 8:2 a 9:21

Os Três Ais
A Quinta e a Sexta Trombetas. 9:1-19.
Uma estrela caída: Satanás e os líderes islâmicos que cumpriram os
seus propósitos.
O poço do abismo: A Arábia, vista como um vasto e quase desabita-
do deserto, um lugar de morte.
Gafanhotos voadores parecidos com cavalos: Exércitos islâmicos
em sua primeira fase de conquistas, a fase árabe.
Relva e árvores verdes: O povo de Deus, a quem os muçulmanos
concederam o direito de viver.
Pessoas que têm o selo de Deus em suas testas: Cristãos sinceros
a quem os muçulmanos permitiram sobreviver.
Cinco meses de tormento: Aproximadamente 150 anos, que são pro-
vavelmente os anos entre o início (674) e o fim (823) da primeira sé-
rie de ataques islâmicos à cidade de Constantinopla.
"Destruidor", "Abadom" e "Apoliom", o rei dos gafanhotos: Maomé,
observado intencionalmente a partir do lado pior de sua vida.
Os quatro anjos: Líderes islâmicos ou, talvez, "príncipes demoníacos".
O Eufrates: Termo geográfico genérico para a Mesopotámia, a área
imediatamente a leste e sudeste da Ásia Menor.
Os 200 milhões de cavaleiros: Os exércitos islâmicos posteriores,
dominados pelos turcos, e especialmente pelos turcos otomanos.
Fogo, fumaça e enxofre: O uso de armas que utilizavam pólvora, por
parte dos turcos otomanos.
A terça parte dos homens: O Império Romano do Oriente, ou Impé-
rio Bizantino; ou, ainda, a Igreja Ortodoxa do Oriente e sua capital,
Constantinopla, que caiu diante dos turcos otomanos em 1453.
Uma hora, e um dia, e um mês, e um ano (King James Version): Um
período de 391 anos que separa (1) uma série de eventos que gra-
vitam em torno da queda de Constantinopla em 1453 e (2) outra sé-
rie de eventos, oposta, que ocorreram por volta de 1844, ano que re-
presenta o fim dos 2.300 dias-anos.

A Sétima Trombeta. 11:15-18.


A linguagem dessa trombeta, que se aplica ao tempo do fim, é intei-
ramente literal. Ela anuncia uma fase do julgamento final.
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse

LIÇÕES MINISTRADAS PELAS SETE TROMBETAS

Lição básica: O Céu não sente prazer com nações, impérios e igrejas que ado-
ram a Deus e ao mesmo tempo representam erroneamente o Seu caráter ao con-
duzir erradamente as pessoas e ao íratá-las mal. Depois de proteger tais socieda-
des por longos períodos, Deus remove Sua proteção e permite que os erros dessas
pessoas os confundam e que seus inimigos as conquistem. As sete últimas pragas
constituirão o último castigo de todas as sociedades humanas corruptas. Entretan-
to, podemos aprender uma lição a partir das sete trombetas. Deus não apenas de-
seja que O adoremos, mas também que sejamos genuínos, generosos, amáveis e
que Sua lei esteja em nós (veja também Apocalipse 2 e 3). Se nos arrependermos
e nos tornarmos verdadeiramente cristãos desta espécie, Ele nos selará (Apocalip-
se 7) e também nos preservará das sete últimas pragas (Apocalipse 16).
Primeira e Segunda Trombetas: A destruição de Jerusalém em 70 d.C. mos-
trou que, em virtude de a nação judaica (o povo de Deus do Velho Testamento)
haver rejeitado o modo de vida estabelecido por Deus, Ele relutantemente dei-
xou a nação à mercê dos romanos. Ao contemplarem essa rejeição, milhares de
judeus e milhões de gentios decidiram tornar-se membros do novo povo de
Deus, a igreja cristã.
O declínio do Império Romano do Ocidente e sua queda em 476, muito de-
pois de ele ter sido nominalmente cristianizado, mostrou que a religião cristã,
sem a prática genuína do cristianismo, é algo muito semelhante a ser nominal-
mente judeu. Relutantemente, Deus por fim deixou o Império Romano Ocidental
à mercê das tribos invasoras.
Terceira e Quarta Trombetas: As tribos invasoras em breve constituíram o vo-
lume principal da Igreja Romana do Ocidente - a igreja que decidiu opor-se à ob-
servância do sábado, impôs a guarda do domingo, venerou imagens, envolveu-
se em repetidos conflitos militares, silenciou os "hereges" e interpôs seu próprio
sistema de sacerdotes, sacrifícios, penitências e políticas entre o povo e o sacer-
dócio ceiestial de Cristo (o seu TAMID). Deus permitiu essas coisas porque Ele
respeita o livre-arbítrio. Ele não obrigou a igreja a obedecer-Lhe ou a ensinar tão-
somente a verdade. Os indivíduos "perecem, porque não acolheram o amor da
verdade para serem salvos." II Tessalonicenses 2:10.
Quinta e Sexta Trombetas: O Império Romano Oriental, ou Império Bizantino,
achava-se intimamente relacionado com a Igreja Ortodoxa do Oriente. Distinta-
mente da igreja ocidental, a Igreja Ortodoxa do Oriente decidiu guardar tanto o
sábado quanto o domingo, e não venerou as imagens; entretanto, decidiu vene-
rar pinturas conhecidas como "ícones" e também silenciou os "hereges", além de
interpor seu próprio sacerdócio entre o povo e o sacerdócio celestial de Cristo. A
exemplo da Igreja Romana ocidental, ela igualmente se envolveu em escânda-
los políticos, frequentemente encorajando o império a engajar-se em injustiças e
agressões militares. Deus permitiu, por fim, que Roma Oriental fosse atacada pe-
los exércitos islâmicos.
Apocalipse 8:2 a 9:21
Para o observador, parece que muitos indivíduos alcançaram um cristianismo
mais puro durante a Reforma; mas - e triste é dizê-lo - não importa se católicas,
ortodoxas ou protestantes, as nações cristãs prosseguiram, em vários aspectos,
sendo tão agressivas, injustas e corruptas quanto as demais nações. Elas "não
se arrependeram das obras de suas mãos, deixando de adorar os demónios
e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e de pau...; nem ainda se
arrependeram dos seus assassínios, nem das suas feitiçarias, nem das
suas prostituições, nem dos seus furtos". Apocalipse 9:20 e 21. Os impérios
islâmicos, depois de terem cumprido seu papel na profecia, sofreram também a
punição, como havia acontecido com as entidades judaicas e cristãs. A lição é ex-
tremamente clara: ninguém é melhor que outrem, a menos que a adoração de
Deus seja combinada com genuíno e generoso relacionamento com as pessoas.
Sétima Trombeta: A despeito de todas as evidências providas pela história
das seis primeiras trombetas, as nações continuaram - e ainda continuam - a
operar em seus maus caminhos. Da mesma forma como Deus até então puniu
relutantemente nações e igrejas (ao deixá-las finalmente à mercê de seus erros
e de seus inimigos), sob a sétima trombeta Ele irá julgar e punir a humanidade
como um todo. "Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a Tua
ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, ... e para destruíres
os que destroem a Terra." Apocalipse 11:18.
Respostas às Suas
Perguntas
v
"^k 1. São as trombetas e as sete últimas pragas a mesma coisa?

^ / \a 60 e em nosso quadro geral da organização do li-


jF*"^% vro, observamos a existência de algumas semelhanças en-
/ \e as sete trombetas e as sete últimas pragas. Influencia-
*>r .... dos por tais similaridades, alguns leitores têm sugerido
r ~-~-'*'- — l que as sete trombetas e as sete pragas são a mcsrna coisa.
Entretanto, apesar de algumas marcantes semelhanças, as trombetas e as
pragas, na verdade, não podem ser a mesma coisa. Pelo menos quatro di-
ferenças inequívocas as distinguem:
1. A extensão das áreas afetadas. A maioria das trombetas afetam uma
simbólica "terça parte" das áreas sobre as quais ocorrem. Veja Apocalipse
8:7-12. Não existe semelhante restrição no tocante às pragas.
2. O tempo envolvido. Nos capítulos que tratam das trombetas, encontramos
períodos de tempo relativamente longos, tais como "cinco meses", "quarenta e
dois meses" e outros. Apocalipse 9:5 e 15; 11:2 c 11. Em contraste, as sete pra-
gas caem "cm um só dia" ou mesmo "em uma só hora". Apocalipse 18:8 e 10.
3- O relacionamento com o santuário. As cenas do santuário que intro-
duzem as trombetas, retratam o ministério intcrcessório como estando cm
andamento. Observa-se um anjo a oferecer incenso. Veja Apocalipse 8:2-
5. Por outro lado, na cena que introduz as sete pragas, o santuário é fecha-
do, de tal forma que "ninguém pode entrar" nele. Apocalipse 15:5-8.
4. Localização no quiasma. Nosso quadro da organização do livro mos-
tra que as trombetas aparecem na primeira porção — a histórica - do quias-
ma do Apocalipse, ao passo que as pragas aparecem na porção cscatológi-
ca, que corresponde ao tempo do firn.
Concluímos que, em relação aos nossos dias, as pragas ainda são futu-
ras. Elas serão derramadas durante um período de tempo' muito curto,
imediatamente após o encerramento do tempo de graça, quando o arre-
pendimento não mais será possível, e imediatamente antes da segunda vin-
da. As trombetas, por sua vez, têm estado a soar desde os dias do apóstolo
João. Elas representam advertências enviadas com amor, visando levar-nos
ao arrependimento de nossos pecados enquanto ainda dispomos de tempo
para fazê-lo. Se nós, os que estamos vivendo no tempo do fim, responder-
mos apropriadamente às advertências das trombetas, seremos poupados
diante da horrenda punição representada pelas sete últimas pragas.
Veja também nossa análise de Apocalipse 15 e 16.
Apocalipse 8:2 a 9:21
2. O que é a "hora, e um dia, e um mês, e um ano"?
Observamos à página 261 que, na sexta trombeta, a versão King James
nos sugere que somemos "a hora, e um dia, c um mês, e um ano", perfa-
zendo assim 391 anos. Assim procedendo, porém, defrontamo-nos com
duas questões: E correta a tradução adorada pela Kingjamest Em caso po-
sitivo, o que devemos entender pela "hora"?
Examinemos primeiro a questão da "hora". Uma vez que a hora é a
vigésima quarta porção de um dia, alguns leitores têm sugerido que
essa hora representa a vigésima quarta porção de um ano, ou seja, 15
dias, levando assim a um total de 391 anos e 15 dias. Existe, contudo,
uma outra interpretação atraente. Em Apocalipse 14:6 e 7, um anjo
utiliza o termo "hora" na frase "vinda é a hora do Seu juízo", referin-
do-se ao juízo final. Apocalipse 20 mostra que o juízo final durará pelo
menos mil anos. Assim — pelo fato de os 391 anos estarem relaciona-
dos com o juízo de uma das trombetas - alguns comentaristas sugerem
que a "hora" de nossa passagem representa outra "hora de juízo", esten-
dendo-se esta por 391 anos.
Qual das traduções é correta? A Revised Standard Version, inglesa, apre-
senta a passagem como "a hora, o dia, o mês e o ano", que parece querer
sugerir um ponto específico no tempo, em vez de um período extenso de
julgamento. A nossa versão Almeida Revista c Atualizada acompanha a Re-
vised Standard Version, o mesmo ocorrendo com certo número de tradu-
ções mais recentes. Algumas, como a Todays English Version, chegam a di-
zer: "nesta exata hora, neste exato dia, neste exato mês e ano."
Que dizer do original grego aí subjacente? O grego dessa passagem apre-
senta apenas a frase simples: "para a hora, e dia, e mês e ano", na qual ape-
nas o termo "hora" é precedido pelo artigo definido.
Portanto, o grego não dá margem a que se traduza o texto como
"esta exata hora" ou "este exato dia" ou "este exato mês". As versões
mais antigas eram mais fiéis à frase original de João do que o são as
versões modernas.
Os comentaristas que preferem pensar em uma "hora" de juízo que se
estende por 391 anos, chamam a atenção (1) para o uso do artigo defi-
nido a (no original grego), relacionado apenas com o termo "hora", o
que o separa dos demais termos da sequência. Portanto, dizem eles, a
"hora" pode efetivamente significar "hora do juízo", mesmo que dia,
mês e ano retenham o seu significado ordinário. Esses comentaristas
também nos fazem lembrar (2) que nos tempos do Novo Testamento
era prática comum do grego utilizar o e de forma explanatória e epexe-
gética. Veja, por exemplo, I Coríntíos 15:38: "Deus lhe dá corpo
como Lhe aprouve dar, e [em outras palavras: quer dizer,] a cada uma
das sementes o seu corpo apropriado."
Uma Nova Era Segundo as Profecias do Apocalipse
À luz dessas considerações, podemos traduzir significativamente a
frase desta forma: "para a hora: e [ou seja: quer dizer} para um dia, c
um mês, e um ano." Assim, pois, se interpretarmos a "hora" como sen-
do a hora do juízo, obteremos: "Para a hora do juízo; quer dizer, para
um período de juízo que se estende por um dia c um mês c um ano,
simbolizando 391 anos."

3. O que aconteceu para delimitar os 391 anos?


Se admitirmos que a expressão se refere a 391 anos, quais as datas
particulares, para início e fim do período, tinha Deus em mente ao con-
ceder a João a visão da sexta trombeta?
Dissemos à página 261 que, de 1453 - a morte do Império Bizantino —
até 1844 — o fim do mais significativo período profético de longo alcance
encontrado na Bíblia - ocorreram precisamente 391 anos. Dissemos tam-
bém que uma série de eventos marcantes ocorreram por volta de 1453 e
de 1844; c que, se em torno de 1453 o Império Otomano se constituía
numa grande ameaça às nações cristãs, em meados da década de 1840 o
outrora poderoso império tornara-se tão fraco que não poderia ter sobre-
vivido sem a assistência de nações cristas. 1
Em 1451 (próximo ao início dos 391 anos) um sultão chamado Mao-
mé II, o Conquistador, começou a reinar, baseado no poder armado dos
janízaros. Os janízaros eram um corpo militar composto de milhares de
homens, muitos dos quais, quando meninos, haviam sido entregues por
seus pais cristãos como tributo aos governantes turcos. Os otomanos
educavam esses janízaros dentro das estritas regras da religião islâmica,
treinavam-nos muito bern como soldados e oficiais do governo c proi-
biam-lhes o casamento.' ll
Durante longo tempo a habilidade, lealdade c bravura dos janízaros
fez deles a essência da autoridade dos sultões. Em 1451 Maomé II lan-
çou um programa de um século de duração, com o objetivo de criar um
novo código legal islâmico, intitulado "regras do Kanun". Em 1826 (pró-
ximo ao fim dos 391 anos), um outro sultão, chamado Mahmud II, mas-
sacrou os janízaros; e em novembro de l 839 {391 anos depois que os ja-
nízaros chegaram à sua posição de influencia), seu sucessor, Abdulmecid
l, sob a pressão de governos cristãos, emitiu o Edito Nobre da Câmara
Rosada, anunciando a criação de uma nova série de leis islâmicas intitu-
ladas tanzimat, que deveriam ocupar o lugar do antigo código legal, as
regras do Kanun. Entre outras provisões, o tanzimat "garantia certos di-
reitos fundamentais a todos os súditos otomanos, sem distinção de reli-
gião". Essas provisões garantiam aos cristãos não apenas o direito de pra-
ticarem sua religião — cujo exercício os maometanos haviam nominal-
mente permitido cm todo o tempo — mas também uma