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ANÁLISE QUÍMICA DE SOLO E TECIDO VEGETAL:

PRÁTICAS DE LABORATÓRIO

Maria do Carmo Lana UNIOESTE, Doutora - UFV


Rubens Fey UNIOESTE, Doutor - UEL
Jucenei Fernando Frandoloso UNIOESTE, Mestre – UNIOESTE
Alfredo Richart PUC/PR, Doutor - UEL
Silvano Fontaniva Eng. Agrônomo - UNIOESTE

MARECHAL CÂNDIDO RONDON


2009
APRESENTAÇÃO

Este material aborda assuntos da área de fertilidade do solo relacionados às práticas


para realização de análise de solos e tecido vegetal, bem como, cuidados na amostragem
de solo, unidades utilizadas na ciência do solo e tabelas para interpretação dos resultados
de análise de solo. Este material é o resultado do esforço conjunto de estudantes, técnico do
Laboratório de Fertilidade do Solo e Nutrição Mineral de Plantas, pesquisador visitante e
professores que atuam na área de fertilidade do solo, para servir como material didático para
estudantes dos cursos de Agronomia e de Pós-Graduação em Agronomia, no
acompanhamento das aulas práticas ministradas e análises químicas de experimentos. Os
métodos adotados descritos a seguir foram previamente testados e adaptados, em alguns
casos, da bibliografia para atender às possibilidades e equipamentos disponíveis no
Laboratório de Fertilidade do Solo e Nutrição Mineral de Plantas.

2
SUMÁRIO

1. AMOSTRAGEM DO SOLO ............................................................................................ 9

1.1 Introdução ....................................................................................................... 9


1.2 Tipo de amostra de solo................................................................................ 10
1.3 Época e freqüência de amostragem ............................................................. 11
1.4 Profundidade de amostragem ....................................................................... 11
1.6 Materiais utilizados para amostragem do solo .............................................. 14
1.7 Efeitos da adubação na variabilidade do solo ............................................... 14
1.8 Amostragem de solo em sistema plantio direto ............................................ 16
1.9 Amostragem de solo em culturas perenes .................................................... 17
1.10 Amostragens de solo em áreas de pastagens ........................................... 18
1.11 Preparação da Amostra em Laboratório .................................................... 19
1.12 Equipamentos ............................................................................................ 19

2. UNIDADES ................................................................................................................... 20

2.1 Unidades usualmente utilizadas em ciência do solo. .................................... 20


2.2 Conversão de unidades ................................................................................ 21
2.3 Conversões de formas químicas ................................................................... 22
2.4 Conversão de formas químicas e unidades ao mesmo tempo ..................... 24
2.5 Lista de exercícios ........................................................................................ 25

3. Acidez do Solo ............................................................................................................ 28

3.1 Introdução ..................................................................................................... 28


3.2 Conceitos e Componentes da Acidez ........................................................... 28
3.3 Reações do Solo ........................................................................................... 29
3.4 Tipos de Acidez ............................................................................................ 29
3.4.1 ACIDEZ ATIVA ................................................................................................. 30
3.4.1.1 Métodos de Determinação da Acidez Ativa .................................................. 30
a) Método Colorimétricos ......................................................................................... 30
b) Método Potenciométrico ...................................................................................... 31
b1) pH em Água ...................................................................................................... 31
b2) pH em solução de Cloreto de Cálcio (CaCl2) .................................................... 31
b3) pH em Cloreto de Potássio (KCl) ...................................................................... 32

3
3.1.1.1 Interpretação dos Resultados ........................................................................... 33
3.1.1.2 Solos Eletropositivos e Eletronegativos ............................................................ 33
3.1.2 ACIDEZ POTENCIAL ........................................................................................ 34
3.1.2.1 Por Titulometria ................................................................................................. 36
3.1.2.2 Cálculos ............................................................................................................ 37
3.1.3 ACIDEZ TROCÁVEL......................................................................................... 40
3.1.3.1 Cálculo .............................................................................................................. 42
3.1.3.2 Interpretação dos Resultados ........................................................................... 43

6. ANÁLISE DE CORRETIVOS DA ACIDEZ DO SOLO .................................................. 44

6.1 Introdução ..................................................................................................... 44


6.2 Classificação dos Calcários .......................................................................... 44
6.3 Eficiência dos Corretivos............................................................................... 45
6.4 Determinação da Eficiência Relativa............................................................. 47

7. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE CaO E MgO DO CORRETIVO ................................ 48

7.1 Introdução ..................................................................................................... 48


7.2 Determinação do Valor de Neutralização...................................................... 48
7.3 Determinação do teor de CaO e MgO (EAA) ................................................ 49
7.4 Cálculos do % CaO e do % MgO .................................................................. 50

8. CURVA DE INCUBAÇÃO COM CaCO3 ....................................................................... 52

8.1 Introdução ..................................................................................................... 52


8.2 Método da Incubação com CaCO3................................................................ 52
8.3 Determinação da Curva de Incubação de CaCO3 ........................................ 53
8.4 Cálculo para obtenção da equação de incubação e r ................................... 54
8.5 Cálculo da necessidade de CaCO3 ............................................................... 55

9. USO DE GESSO NA AGRICULTURA ......................................................................... 56

9.1 Introdução ..................................................................................................... 56


9.2 Teste Biológico ............................................................................................. 56
9.3 Interpretação do teste ................................................................................... 58
9.4 Quanto de gesso aplicar ............................................................................... 58

10 DETERMINAÇÃO DE CÁLCIO DE MAGNÉSIO TROCÁVEIS NO SOLO .................. 59

10.1 Introdução .................................................................................................. 59

4
10.2 Reagentes.................................................................................................. 59
10.3 Curva Padrão de Ca e Mg ......................................................................... 59
10.4 Procedimento ............................................................................................. 60
10.5 Cálculos ..................................................................................................... 60
10.6 Interpretação dos Resultados .................................................................... 61

11. DETERMINAÇÃO DE FÓSFORO DISPONÍVEL NO SOLO ........................................ 62

11.1 Introdução .................................................................................................. 62


11.2 Reagentes.................................................................................................. 63
11.3 Procedimento ............................................................................................. 63
11.4 Curva de Calibração de P .......................................................................... 64
11.5 Preparo do reagente de trabalho ............................................................... 64
11.6 Cálculos ..................................................................................................... 65
11.7 Interpretação dos Resultados .................................................................... 65

12. DETERMINAÇÃO DE FÓSFORO REMANESCENTE ................................................. 66

12.1 Introdução .................................................................................................. 66


12.2 Procedimento ............................................................................................. 66
12.3 Reagentes.................................................................................................. 66
12.4 Preparo da Curva Padrão de P .................................................................. 68
12.5 Cálculos ..................................................................................................... 69
12.6 Interpretação dos Resultados .................................................................... 69

13. DETERMINAÇÃO DE POTÁSSIO DISPONÍVEL NO SOLO ....................................... 70

13.1 Introdução .................................................................................................. 70


13.2 Reagentes.................................................................................................. 70
13.3 Procedimento ............................................................................................. 71
13.4 Curva de calibração K+ por fotômetro de chama ....................................... 71
13.5 Cálculos ..................................................................................................... 71
13.6 Determinação por espectrofotometria de absorção atômica ...................... 72
13.7 Interpretação dos Resultados .................................................................... 72

14 DETERMINAÇÃO DO ENXOFRE DISPONÍVEL NO SOLO ........................................ 74

14.1 Introdução .................................................................................................. 74


14.2 Reagentes.................................................................................................. 74

5
14.3 Procedimento para extração ...................................................................... 75
14.4 Curva de Calibração de enxofre ................................................................ 75
14.5 Cálculos ..................................................................................................... 77
14.6 Interpretação dos Resultados .................................................................... 77

15 DETERMINAÇÃO DE BORO DISPONÍVEL NO SOLO ............................................... 78

15.1 Introdução .................................................................................................. 78


15.2 Reagentes.................................................................................................. 78
15.3 Curva de calibração ................................................................................... 79
15.4 Procedimento ............................................................................................. 79
15.5 Cálculos ..................................................................................................... 80
15.6 Interpretação dos Resultados .................................................................... 80

16. DETERMINAÇÃO DO NITROGÊNIO MINERAL NO SOLO ........................................ 82

16.1 Introdução .................................................................................................. 82


16.2 Reagentes.................................................................................................. 83
16.3 Procedimento ............................................................................................. 83
16.4 Cálculos ..................................................................................................... 85

17 DETERMINAÇÃO DE COBRE, ZINCO, FERRO E MANGANÊS NO SOLO............... 87

17.1 Introdução .................................................................................................. 87


17.2 Reagentes.................................................................................................. 87
17.3 Procedimento ............................................................................................. 87
17.4 Curva Padrão de Cu , Zn, Fe e Mn ............................................................ 87
17.5 Cálculos ..................................................................................................... 88
17.6 Interpretação dos Resultados .................................................................... 88

18 DETERMINAÇÃO DE CARBONO ORGÂNICO DO SOLO ......................................... 89

18.1 Introdução .................................................................................................. 89


18.2 Reagentes.................................................................................................. 90
18.3 Procedimento ............................................................................................. 90
18.4 Cálculos ..................................................................................................... 91
18.5 Interpretação dos Resultados .................................................................... 91

19. ANÁLISE QUÍMICA EM TECIDO VEGETAL ................................................................. 92

19.1 Introdução .................................................................................................. 92

6
19.2 Coleta e preparo da amostra para análise ................................................. 92
19.3 Preparo de extratos para análise de tecido vegetal ..................................... 93
19.4.1 Digestão Seca ...........................................................................................93
19.4.2 Digestão úmida em forno microondas (sistema fechado) ..........................93
19.4.3 Extração com solução de HCl 1 mol L-1 – sem digestão ............................94
19.4.4 Digestão úmida (sistema aberto) ................................................................94

20 DIGESTÃO SULFÚRICA.............................................................................................. 96

20.1 Introdução ...................................................................................................... 96


20.2 Reagentes...................................................................................................... 96
20.3 Procedimento ................................................................................................. 96
20.4 Cálculos ......................................................................................................... 97

21 DIGESTÃO NÍTRICO-PERCLÓRICA (3:1) .................................................................. 98

21.1 Introdução ...................................................................................................... 98


21.2 Reagentes...................................................................................................... 98
21.3 Procedimento ................................................................................................. 98
21.4 Cálculos ......................................................................................................... 99

22 DETERMINAÇÃO DE NITROGÊNIO EM MATERIAL VEGETAL ............................. 100

22.1 Introdução .................................................................................................... 100


22.2 Reagentes.................................................................................................... 100
22.3 Procedimento ............................................................................................... 100
22.4 Cálculos ....................................................................................................... 101

23 DETERMINAÇÃO DE FÓSFORO EM TECIDO VEGETAL ....................................... 103

23.1 Introdução .................................................................................................... 103


23.2 Preparo de Soluções e Reagentes ............................................................. 103
23.3 Curva de Calibração de P ............................................................................ 104
23.4 Determinação ............................................................................................... 105
23.5 Cálculos ....................................................................................................... 105

24. DETERMINAÇÃO DE POTÁSSIO EM TECIDO VEGETAL .......................................... 106

24.1 Introdução .................................................................................................... 106


24.2 Reagentes.................................................................................................... 106
24.3 Curva de Calibração de K ............................................................................ 106

7
24.4 Procedimento ............................................................................................... 107
24.5 Cálculos ....................................................................................................... 107

25 DETERMINAÇÃO DE CÁLCIO E MAGNÉSIO EM TECIDO VEGETAL ...................... 108

25.1 Introdução .................................................................................................... 108


25.2 Reagentes.................................................................................................... 108
25.3 Curva de Calibração de Ca e Mg ................................................................. 109
25.4 Procedimento ............................................................................................... 109
25.5 Cálculos ....................................................................................................... 109

26. DETERMINAÇÃO DE COBRE, ZINCO, FERRO e MANGANÊS EM TECIDO VEGETAL


............................................................................................................................................. 110

26.1 Introdução .................................................................................................... 110


26.2 Reagentes.................................................................................................... 110
26.3 Curva de Calibração de Cu, Fe, Mn e Zn..................................................... 110
26.4 Procedimento ............................................................................................... 111
26.5 Cálculos ....................................................................................................... 111

27. DETERMINAÇÃO DE ENXOFRE EM TECIDO VEGETAL ........................................... 112

27.1 Introdução .................................................................................................... 112


27.2 Reagentes................................................................................................... 112
27.3 Curva de Calibração de S. ........................................................................... 112
27.4 Procedimento ............................................................................................... 113
27.5 Cálculos ....................................................................................................... 114

28. DETERMINAÇÃO DE BORO EM TECIDO VEGETAL ................................................. 115

28.1 Introdução .................................................................................................... 115


28.2 Reagentes.................................................................................................... 115
28.3 Curva de calibração de boro ........................................................................ 116
28.4 Procedimento ............................................................................................... 116
28.5 Cálculos ....................................................................................................... 116

29. LITERATURA CONSULTADA ...................................................................................... 117

8
Aula Prática nº 1

1. AMOSTRAGEM DO SOLO

1.1 Introdução

A análise de solo provavelmente começou quando o homem se interessou em saber


como as plantas crescem. Ela é o instrumento básico para a transferência de informações,
da pesquisa para o agricultor, sobre calagem e adubação.
Pela análise de solo é possível avaliar o índice de disponibilidade dos nutrientes e
determinar as quantidades a serem aplicadas nas adubações. Pode-se concluir que a
análise de solo para avaliação da fertilidade tem como objetivo conhecer o nível de
fertilidade para uma adequada recomendação de corretivos e fertilizantes com vista à
produção.
A amostragem constitui a primeira etapa de uma avaliação racional da quantidade
de calcário e adubo a ser aplicado. A amostragem é uma fase crítica e deve ser feita com
todo o cuidado: quando bem feita origina uma interpretação adequada. A análise química,
não pode corrigir falhas na retirada da amostra.
Divisão da área em talhões ou glebas homogêneas no máximo de 20 ha. Para cada
gleba devem ser coletadas amostras separadas. Considerando topografia, cor do solo,
textura, vegetação natural, sistema agrícola, preparo anterior, adubação, calagem e outros
critérios que façam diferença nos talhões (Figura 1.1).
No caso de deficiência nutricional na lavoura, coletar uma amostra composta de solo
na área com sintoma (reboleira) e outra na área sem sintoma. Lembre-se, se a amostra não
representar, de fato, o talhão, todos as demais decisões e orientações estarão
comprometidas.

9
Figura 1.1 Divisão das áreas de amostragem de solo para análise conforme as diferenças no
terreno.

1.2 Tipo de amostra de solo


Amostra simples é a porção coletada em cada ponto do terreno (Figura 1.2)
Amostra composta ou padrão é a mistura homogênea de várias amostras simples
coletadas. Dessa mistura, retiramos cerca de 300 g para enviar para análise laboratorial, que
constitui a amostra composta.

Figura 1.2 Coleta de amostra simples para formar amostras compostas em área com
manejo sob o sistema de plantio direto.

Nota: para que os resultados da análise química do solo expressem um valor


representativo da média dos nutrientes, é necessário que a amostra padrão seja formada
por várias amostras simples, conforme a tabela 1.1. (Ex: no mínimo 12 e no máximo 107
amostras simples para formar uma amostra composta ou padrão, independentemente da

10
área, seja 1,0; 5,0; 10,0 e 20,0 ha).

Tabela 1.1 Número de amostras de solo necessárias para estimar a média dos nutrientes
em função dos níveis de significância

Nº amostras para níveis significativos


Nutriente
80% 90% 95%
MO % 1 1 1
pH CaCl2 2 2 2
3+ -3
Al cmolc dm 2 4 6
+ -3
K cmolc dm 5 10 30
2+ -3
Ca cmolc dm 11 19 35
2+ -3
Mg cmolc dm 11 18 25
P mg dm-3 12 27 107
V% 9 15 21
CTC cmolc dm-3 1 1 1
Fonte: Raij (1991).

1.3 Época e freqüência de amostragem


A amostra de solo pode ser coletada em qualquer época do ano, no mínimo dois
meses antes do início do plantio, possibilitando o uso da análise química no planejamento da
compra dos insumos agrícolas.
A freqüência da amostragem deve ser bianual para atendimento ao crédito rural e/ou
no mínimo 2 - 3 anos para avaliar as mudanças na fertilidade do solo.

1.4 Profundidade de amostragem


Quando o terreno a ser amostrado estiver plantado deve-se observar com atenção a
profundidade de amostragem, devendo as sub amostras ser coletadas todas na mesma
profundidade (Figura 1.3), que varia em função da cultura e da condição do cultivo (Tabela
1.2).

11
Tabela 1.2 Profundidade de amostragem para alguns tipos de cultura

Cultura Profundidade (fonte) Condição


(cm)
Pastagem 0 - 7 ou 8 0 – 10 -
Anual 0 – 20 Primeiro cultivo
Anual 0 - 15 a 20 0 – 20 Cultivos sucessivos
0 - 30 e 30 - 60
Perene 0 - 20 e 20 – 40 Implantação
0 - 20, 20 - 40 e 40 - 60
Perene 0 – 20 Cultura já implantada
Fonte: Siqueira et al. (1987) ; CFSEMG (1989) .

Figura 1.3 Profundidade de amostragem em área plantada.

Uma vez definida qual a profundidade de amostragem, cada sub amostra deverá ter
o mesmo volume, a fim de que a amostra composta seja formada por sub amostras que
apresentem cada uma a mesma porção de solo, condição indispensável para que esta seja
representativa da unidade de amostragem. Para ter esse mesmo volume, o prisma (enxada,
pá, faca) e o cilindro (trado) devem ter a mesma superfície na coleta das amostras simples.
Em áreas sob preparo convencional (arado de disco e aiveca), preparo mínimo
(escarificador, grades, subsolador, pé de pato, etc.), retirar amostra na camada de 0 - 20 cm
de profundidade.
Em áreas sob plantio direto retirar amostra estratificada na camada de 0 - 10 e 10 -
20 cm de profundidade. Usar a primeira para recomendação da adubação e calagem
superficial. A segunda para avaliar a necessidade da incorporação em profundidade,
principalmente de calcário e fósforo.
Para cultura sensível ao alumínio (trigo), convém retirar amostra na profundidade de
20 - 40 cm para avaliar a acidez do subsolo.

12
No caso do enxofre e boro, a amostra não deve ser restrita apenas a profundidade
de 0 - 20 cm. Devido à movimentação para camadas mais profundas, retirar amostra na
profundidade de 20 - 40 cm, para análise.

1.5 Cuidado na amostragem

Limpar o local a ser amostrado, retirando restos de plantas, folha e principalmente


não remover o solo superficial (Figura 1.3).
Não retirar amostra próxima a casa, sulco de erosão, linha de plantio das culturas,
barranco e beira de estrada, árvores, formigueiros, base de terraço ou camalhão do terraço.
Colocar as amostras para envio ao laboratório em recipientes limpos, identificando o
local da amostra, talhão, lote rural, nome do proprietário, etc (Figura 1.4).

Figura 1.4 Seqüência de operações na coleta de amostra de solo, utilizando-se enxadão e


pá reta (pá-de-corte).

13
1.6 Materiais utilizados para amostragem do solo
- Trado de rosca, adequado para solo arenoso e úmido (Figura 1.5-a);
- Trado calador, adequado para solo fofo e ligeiramente úmido (Figura 1.5-b);
- Trado holandês, adequado em qualquer tipo de solo (exige grande esforço
físico) , conforme figura 1.5(c);
- Trado caneco, adequado para solo seco e compactado, exigindo pouco esforço
físico;
- Pá de corte, adequado para solo úmido e fofo (Figura 1.5-d);
- Enxadão, adequado para solo seco e compactado;
- Trado COAMO, especial para amostragem estratificada (plantio direto).

(d
(a (b (c) )
) )

(e
)

Figura 1.5 Equipamentos utilizados para amostragem de solo e como encaminhar


amostra para laboratório.
1.7 Efeitos da adubação na variabilidade do solo
A variabilidade do solo vai depender também da forma e da dose de fertilizantes
usados. Um exemplo da variabilidade de um solo após ter sido adubado em sulco encontra-
se na figura 1.6. Os teores de P determinados em amostras simples foram bem maiores na

14
linha do sulco, e reduziram à medida que a distância em relação ao sulco aumentava. As
amostras foram colhidas a cada 4 cm, perpendiculares ao sulco.
Genta e Carnelli (1983), observaram que em solo cultivado com cana-de-açúcar que
recebeu adubação fosfatada no sulco, as médias de três formas de amostragem (no sulco,
ao lado do sulco e uma mistura dos dois locais) apresentaram valores diferentes, o que
mostra que a recomendação de fertilizantes baseada na análise do solo depende da forma
de amostragem e que a média das amostras retiradas no sulco e ao lado, e a mistura das
duas representaram melhor o fósforo do solo.
Amostras simples de um solo cultivado com algodão e adubado com potássio foram
retiradas no sulco, na entrelinha e casualizadas. A amostragem casualizada resultou em
teores de potássio semelhantes à média dos valores obtidos nas amostras tomadas no sulco e
na entrelinha. A amostragem somente no sulco onde o fertilizante havia sido colocado resultou
em teores mais altos de potássio revelados pela análise (VARCO, 1994).

Figura 1.6 Variação da concentração de P em função da distância de coleta da amostra e


em relação ao sulco de plantio.
FONTE: Adaptado de Westerman (1990).

Também a dose do fertilizante aplicado pode aumentar a variabilidade do solo. A


figura 1.7 expressa essa variabilidade quando doses crescentes de adubo fosfatado foram
aplicadas ao solo. Pode-se observar que a variabilidade do P aumenta à medida que aumenta
a dose de P aplicado.

15
(cm)

Figura 1.7 - Distribuição de P (extrator Olsen) a partir da linha de plantio com quatro doses
de adubação em um solo franco-argiloso com 24% de argila.
Fonte: Kitchen et al. (1990).

Além da variabilidade horizontal causada pela adubação em sulco de plantio (Figura


1.6 e 1.7), em SPD, é mais abrupta a redução da concentração dos nutrientes em
profundidade que em sistema convencional (Tabela 1.3).

Tabela 1.3 Estratificação de nutrientes em sistemas de manejo de solo

Profundidade Convencional Plantio Direto


P K P K
----- cm ----- ----------------------mg dm-3 -------------------------
0 - 7,5 39 143 91 283
7,5 – 15 49 175 31 120
15 - 22,5 31 135 17 105
22,5 – 30 13 110 13 105

1.8 Amostragem de solo em sistema plantio direto


1.8.1 Quando as linhas de plantio direto da cultura anterior não são visíveis no campo
ou a adubação foi feita a lanço:
Sistema de amostragem aleatório intensificado: Kovar (1994) recomendam que se
aumente o número de sub-amostras: das 15 a 20 sugeridas para o sistema convencional -
passando para 40 ou mesmo 50 por gleba homogênea.
1.8.2 Quando as linhas de plantio da cultura anterior são visíveis: Amostragem
dirigida - linha e entrelinha: Kitchen et al. (1990) propuseram uma estratégia de amostragem

16
que estabelece uma relação entre nº de subamostras a serem coletadas na linha e na
entrelinha de acordo com o espaçamento da cultura.
Para cada amostra na linha de plantio, coletar:
8 x [espaçamento da cultura (cm) / 30] de sub amostras nas entrelinhas
Ex: soja espaçamento 50 cm, para cada amostra na linha:
8 x (50/30) = 13 sub amostras nas entrelinhas.
Considerando 30 sub amostras por gleba amostrada: coletar 2 sub amostras na
linha e 26 sub amostras nas entrelinhas.
Outros autores defendem ainda um método mais simples. Veja um exemplo para a
cultura do milho, com espaçamento de 80 cm entre sulcos (Figura 1.8).
Segundo o modelo proposto, ¼ (assumindo que a fertilização localizada exerce
influência em uma faixa de 20 cm) das amostras simples seriam retiradas no sulco de plantio
e ¾ destas entre os sulcos. Deve-se lembrar que nesse caso a adubação foi feita no sulco.

80 cm

20 cm
60 cm

1/4 amostras 3/4 amostras

Figura 1.8 Distribuição das amostras simples perpendicularmente à linha de plantio.

1.8.3. Amostragem segundo a Comissão de Fertilidade do Solo do RS:

Coletar com pá de corte reto uma fatia (2 - 5 cm de espessura) centralizada na linha


da cultura anterior de comprimento equivalente a distância entrelinhas.
Número de amostras em função do tempo de adoção do SPD:
- Em implantação: 10 a 12 sub amostras
- Estabilizado: 8 a 10 sub amostras.

1.9 Amostragem de solo em culturas perenes

17
Quando realizado antes da implantação da lavoura, fazer a coleta nas camadas:
Camadas 0 – 20 cm e 20 – 40 cm.
Em lavouras implantadas:
 Amostrar sob a projeção da copa;
 Profundidade: 0 - 20 cm (Figura 1.9);
 Periodicidade: anual e aproximadamente 60 dias após última adubação.

Dependendo o objetivo, fazer coletas de amostras em posições deferentes;


 4/4 anos: fazer a amostragem sob a projeção da copa;
Profundidade de 20 - 40 cm;
Objetivo: acidez e lixiviação de nutrientes.

 4/4 anos: Fazer a análise solo com amostra coletada nas entrelinhas;
Profundidade: 0 - 20 cm;
Objetivo: grau de acidificação e teores de nutrientes.

Figura 1.9 Áreas de coleta de amostras de solo em culturas perenes.


Fonte: CFSEMG (1989).

1.10 Amostragens de solo em áreas de pastagens


Realizada com objetivo de reposição de nutrientes em áreas destinadas a sua
formação ou recuperação.

18
Coletar amostras entre março a maio para forrageiras de verão e entre outubro a
dezembro para pastagens de inverno.

Amostrar de 10 a 15 pontos evitando locais próximos a cercas, cochos de sal,


bebedouro, árvores, áreas erodidas.

Em capineiras realizar amostragem nas entrelinhas, pois é o local onde serão feitas
as adubações.
A profundidade de amostragem será de 0 -10 cm, porque as adubações e
aplicações de corretivos são feitas à lanço. Pastagens e capineiras degradadas com alta
incidência de invasoras e exigem reforma: 0 -20 cm.
A freqüência de amostragem depende da espécie forrageira, manejo e nível
tecnológico. A amostragem anual é recomendada para espécies exigentes e sob pastoreio
(capim colonião, grama estrela, napier, alfafa, tifton, capim pioneiro, etc). E amostragem com
intervalos de 2 a 3 anos em áreas com forragem menos exigente como braquiárias
(decumbens, humidícola) andropogon, capim gordura, etc.

1.11 Preparação da Amostra em Laboratório


Após identificação da amostra em laboratório, faz-se a secagem (65oC por 24hs),
destorroamento, separação das frações do solo por tamização (peneirar) e homogeneização
da fração < 2 mm. O resultado deste processo chama-se “terra fina seca ao ar” (TFSA), que
é usada para as determinações.

1.12 Equipamentos
Estufa de circulação do ar forçada e peneira de 2 mm.

1.13 Interpretação da Análise do Solo


A interpretação dos resultados das análises dos solos realizadas em laboratórios
assim como os cálculos de doses de calcário e adubos, para cada cultura em particular,
devem ser feitos sob a orientação de um engenheiro agrônomo. Esse profissional, com base
nas recomendações oficiais por Estado, de calagem e adubação para as mais diversas
culturas, das informações que constam do questionário sobre o ambiente geral da gleba ou
talhão e do histórico de manejo irá ajudá-lo na tomada de decisão que seja técnica e
economicamente mais adequada.

19
Aula Prática nº 2

2. UNIDADES
2.1 Unidades usualmente utilizadas em ciência do solo.

a) Percentagem (%)

Aceita em alguns casos:

- Textura do solo (% areia, % silte, % argila – o mais usual é expressar em g kg-1);


SB
- Saturação de bases (V): CTC total × 100

Al 3+
- Saturação de Al (m): CTC efetiva × 100

.
- Composição de Fertilizantes (KCl – 60% K2O)

N total: 18% N Uréia: 45%N


P total: 2% P2O5 Fórmula 4:14:8 – 4% N; 14% P2O5; 8% K2O.
Matéria Orgânica: 3% - 3 dag kg-1 ou 30 g kg-1, 30 g dm-3.

Obs: considerar densidade do solo 1,3 g cm-3 ou 1,3 kg dm-3.

- Macronutrientes (%): dag kg-1 ou x 10 = g kg-1.

b) ppm (parte por milhão)

- Amostra pesada: mg kg-1, µg g-1;


- Amostra volume: mg dm-3, g m-3, µg cm-3; mg L-1; µg mL-1;
- Solução: mg L-1, µg mL-1.
- Micronutrientes (ppm): mg kg-1, µg g-1.

Errado: 3 mg P dm-3  Correto: 3 mg dm-3 P

c) Capacidade de Troca Catiônica

meq/100 g ou meq/100 cm3


↓ ↓
cmolc kg-1 cmolc dm-3  mmolc dm-3, mmolc kg-1.

d) Molaridade e Normalidade
𝑛° 𝑚𝑜𝑙𝑠 𝑚
- Molaridade: mol L-1  𝑀 =  𝑛° 𝑚𝑜𝑙𝑠 = 𝑃𝑀
𝑉

𝑛°𝐸
- Normalidade: 𝑁 = 𝑉

20
Algumas unidades em ciência do solo mudaram (Tabela 2.1). Com isso, muita
atenção deve ser dada a esse fator, para evitar erros na interpretação de resultados.

Tabela 2.1 Alguns exemplos de unidades que tiveram mudanças no últimos anos

Unidades Antigas Unidades Recomendadas


3% 3 dag kg-1; 30 g kg-1
10 ppm Zn 10 mg kg-1; 10 mg dm-3; 10 mg L-1
5% matéria orgânica 5 dag kg-1; 50 g kg-1; 50 g dm-3
HCl 0,5 M HCl 0,5 mol L-1
Ca(CH3COO)2 1 N Ca(CH3COO)2 0,5 mol L-1
H2SO4 0,025 N H2SO4 0,0125 mol L-1

2.2 Conversão de unidades


a) Normal para mol L-1
HCl
-1
HCl 0,05 N ---- x mol L
𝑛° 𝐸 𝑚 𝑚
𝑜, 𝑜5 =  𝑛° 𝐸 =  0,05 =  𝑚 = 1,8
𝐿 𝑃𝐸 36

𝑚 1,8
𝑛° 𝑚𝑜𝑙𝑠 =  𝑛° 𝑚𝑜𝑙𝑠 =  𝑛° 𝑚𝑜𝑙𝑠 = 0,05 𝑚𝑜𝑙 𝐿−1
𝑃𝑀 36

Ca(CH3COO)2

1 N ----- x mol L-1


𝑛°𝐸 𝑚 𝑚
1,0 =  𝑛° 𝐸 =  1,0 =  𝑚 = 79
𝐿 𝑃𝐸 79

𝑚 79
𝑛° 𝑚𝑜𝑙𝑠 =  𝑛° 𝑚𝑜𝑙𝑠 =  0,5 𝑚𝑜𝑙 𝐿−1
𝑃𝑀 158

H2SO4

Mehlich (H2SO4 0,025 N + HCl 0,05 N)

H2SO4 0,025 ---- x mol L-1


𝑛°𝐸 𝑚 𝑚
0,025 =  𝑛° 𝐸 =  0,025 =  𝑚 = 1,225
𝐿 𝑃𝐸 49

1,225
 𝑛° 𝑚𝑜𝑙𝑠 =  0,0125 𝑚𝑜𝑙 𝐿−1
98

b) % para ppm ou dag kg-1 para mg kg-1

21
0,3 dag kg-1 de N
0,3 mg N ----- 100 mg
3 mg ----- 1.000 mg
3 mg ----- 1g
3.000 mg ----- 1 kg  3.000 mg kg-1

mg kg-1 = 10.000 x dag kg-1

c) ppm para % ou mg kg-1 para dag kg-1

125 mg kg-1 de S ----- x dag kg-1


12,5 mg/ 100 g
0,0125 g/ 100g  0,0125 dag kg-1 S

mg kg −1
dag kg −1 = 10.000

d) ppm para meq/ 100g ou mg kg-1 para cmolc kg-1

400 mg kg-1 de Ca ------- x cmolc kg-1

1mmol Ca ----- 40 mg
10 mmol Ca ----- 400 mg
1 cmol Ca ----- 400 mg
1cmolc Ca ----- 200 mg

400 mg kg-1 ----- 2 cmolc dm-3 Ca

cmolc kg-1 = 400  2 cmolc dm-3


20 x 10

mg kg −1
cmolc kg −1 = PE X 10

e) meq/ 100 g para % ou cmolc kg-1 para dag kg-1

1 cmolc K+ ----- x dag kg-1

1 cmolc K+ ----- 390 mg kg-1


390 mg/ 1000 g
0,39 g/ 1000 g
0,039 g/ 100 g  0,039 dag kg-1

dag kg −1 = cmolc kg −1 x PE x 0,001

2.3 Conversões de formas químicas

a) N para NO3-

22
0,3% N ----- x % NO3-

N ---- NO3-
14 (PE) ---- 62
0,3 ---- x  x = 1,33% de NO3-

b) P2O5 para P

 20% P2O5 ----- xP

Este problema pode ser resolvido de duas formas:

1) Considerando os pesos atômicos e pesos moleculares junto com o nº de átomos


envolvidos:

P2O5 ---- 2P
142 ---- 62
20 ---- x x=8,73 % P

2) Considerando Pesos Equivalentes:

P2O5 ----- P
23,67 ----- 10,33
20 ---- x x = 8,73% P

c) CaCO3 para CaO


 35% CaCO3 ----- x CaO

CaCO3 ----- CaO


50 ----- 28
35 ----- x x = 19,6%

d) K para K2O
 40 mg kg-1 K ----- x mg kg-1 K2O

K2 ---- K2O
78 ---- 94
40 ---- x x = 48,21 mg kg-1 de K2O

e) Al3+ para Al2O3


 0,9 cmolc dm-3 Al3+ ----- x cmolc dm-3 de Al2O3

Al3+ ---- Al2O3


9 ---- 17
0,9 ---- x x= 1,70 cmolc dm-3

23
2.4 Conversão de formas químicas e unidades ao mesmo tempo

a) mg kg-1 K para kg ha-1 K2O

45 mg kg-1 K ----- x kg ha-1 K2O

45 mg ----- 1kg
x ----- 2.000.000 kg x = 90 kg ha-1 K

2K ----- K2O
78 ----- 94
90 ----- x x = 108,46 kg ha-1 de K2O

b) mg dm-3 CaCO3 para cmolc dm-3 de CaO

` 100 mg dm-3 CaCO3 ----- x cmolc dm-3 CaO

1 mmol CaCO3 --- 100 mg


10 mmol CaCO3 --- 1000 mg
1 cmol CaCO3 --- 1000 mg
1 cmolc CaCO3 --- 500 mg
x --- 100 mg x = 0,2 cmolc dm-3 CaCO3

1 cmolc dm-3 CaCO3 = 1 cmolc dm-3 CaO

Como:

0,2 cmolc dm-3 CaCO3 = 0,2 cmolc dm-3 de CaO

100 mg dm-3 CaCO3 = 0,2 cmolc dm-3 CaO

24
2.5 Lista de exercícios

Tabela 2.2 Valores de peso equivalente de alguns elementos e compostos químicos de uso
freqüente na ciência do solo

Peso equivalente
N 14,0
NO3- 62,0
NH4+ 18,0
P 10,33
P2O5 23,67
PO43- 31,67
S 16,0
SO42- 48,0
K+ 39,0
K2O 47,0
Ca2+ 20,0
CaO 28,0
CaCO3 50,0
Mg2+ 12,15
MgO 20,15
MgCO3 42,15
Al3+ 9,0
Al2O3 17,0

Complete o quadro abaixo:


Solo P disponível K disponível
mg dm-3 % P2O5 kg ha -1
mg dm-3 % K2O cmolc dm-3 kg ha-1
P2O5 K2O
1 3,0 110
2 30 50
3 0,004 3,0
-3
considere a densidade do solo 1g cm e profundidade igual a 20 cm.

Os resultados da análise química de um solo são apresentados no quadro abaixo. Expresse


esses resultados nas demais unidades sugeridas:

Elemento cmolc dm-3 mg dm-3 kg ha-1


Ca2+ 0,40
Mg2+ 0,30
K+ 0,10
Al3+ 1,20
N 2,20

25
O teor de N de um solo analisado foi de 0,1%. Expresse esse resultado em outras unidades
e outras formas de nitrogênio propostas no quadro abaixo.
Forma de N cmolc dm-3 mg dm-3 kg ha-1
N
NO3-
NH4+

Aplicando-se 0,500 g de CaCO3 por vaso com 2 kg de solo, tem-se uma dose
correspondente a:
_____________ mg dm-3 CaCO3
_____________ cmolc dm-3 Ca2+
_____________ % CaO
_____________ cmolc dm-3 CaCO3

Há um vaso de 2 kg de solo, o qual contêm 20 mg kg-1 de K trocável. Qual a quantidade de


adubo com 60% de K2O que deve ser adicionada aos 2 Kg de solo para se ter 50 mg kg-1 de
K total?
R. 120,5 mg/vaso do adubo

Uma análise mostra que o Ca trocável é de 1 cmolc dm-3 de solo. Expresse esse resultado
em mg dm-3 de Ca e em kg ha-1 de Ca.
R. 200 mg dm-3; 400 kg ha-1 de Ca

Um solo com 0,32 cmolc dm-3 de K+ tem quantos mg dm-3 de K?


R. 124,8 mg dm-3 de K

Um solo com 200 mg dm-3 de Ca terá quantos cmolc dm-3 de CaO?


1 cmolc dm-3 de CaO
Para elevar 6 mg kg-1 de P quanto precisa de P2O5 de superfosfato triplo com 45 % de P2O5
em um ha?
R. 61 kg ha-1 ST

Quantos kg ha-1 de KCl com 63% de K2O deverá ser aplicado para elevar a concentração
de K em 0,3 cmolc dm-3.
R. 448 kg ha-1

Quanto pesa o elemento N em 300 kg de nitrato de amônio, uréia e amônia?


NH4NO3: PM=80  R. 105 kg de N
NH2CONH2: PM=60  R. 140 kg de N
NH3: PM=17  R. 247 kg de N

12) Na recomendação de adubação potássica para cultura do trigo cujo laudo apresenta
0,12 cmolc dm-3 e a tabela recomenda 0,40 cmolc dm-3. Quanto deve-se adicionar de KCl em
kg ha-1 com 60 % de K2O.
R. 438,7 kg ha-1

Quantos kg/ha de (NH4)2SO4 com 20% de N serão necessários para acrescentar 20 kg ha-1
de N?
R. 100 kg ha-1

26
Qual a quantidade de P em 300 Kg de P2O5 e 2492 kg de H3PO4?
R. 130,99 kg de P e 788,28 kg de P

Qual é a quantidade de K em 200 Kg de K2O?


R. 165,96 kg de K

16) 200 kg de K2O equivale a quantos quilos de K2SO4?


R. 370,21 kg de K2SO4

17) Qual a quantidade de N em 150 kg de (NH4)2SO4?


R. 31,82 kg de N

18) Qual é a concentração final de fósforo em um solo onde já existiam 3 mg dm-3 deste
elemento e foi acrescentado 100 kg de P2O5 em um hectare?
R. 24,83 mg dm-3 de P

19) Demonstre que 0,5 meq/ 100 cm3 de Al3+ = 0,5 cmolc dm-3

20) Na tabela abaixo existem alguns resultados analíticos expressos de maneira


desatualizada, corrija tais valores e efetue as conversões solicitada.

Elemento Unidade antiga Unidade atual Converter para:


Ca2+ 2,05 meq/100g ---------mg kg-1
Mg2+ 1,09 meq/100g ---------mg dm-3
K+ 78 ppm -------cmolc dm-3
Na+ 0,0023% ---------- µg g-1
Al3+ 540 ppm ------- cmolc dm-3
HNO3 0,5 M --------- mol L-1
H2SO4 0,05 N --------- mol L-1
HCl 0,05 N ----------mol L-1

27
Aula Prática no 3

3. Acidez do Solo
3.1 Introdução

A reação do solo é o primeiro fator que precisa ser conhecido em uma área a ser
cultivada. Isso porque, caso ela não seja favorável as culturas, devem ser tomadas medidas
corretivas com antecedência.
A condição desfavorável de reação do solo mais comum nos solos brasileiros é a
acidez excessiva. Assim, a correção da acidez dos solos pela calagem é uma prática
fundamental, nas condições em que as culturas respondem a essa atividade.
Existem, atualmente, técnicas seguras para caracterizar a acidez dos solos e para
avaliar a necessidade de calagem, permitindo dimensionar as quantidades de corretivos
para a exigência diferenciada de culturas.
A determinação da acidez do solo será objeto de estudos em aulas práticas e a
avaliação e a quantificação da necessidade de calagem, estudar-se-á em aulas teóricas.

3.2 Conceitos e Componentes da Acidez

Do ponto de vista químico, ácidos são substâncias que, em solução, liberam prótons
(íons hidrogênio). Ao contrário, bases são substâncias capazes de receber prótons. Em
solos, os sistemas de interesse são em geral aquosos e pode-se utilizar, com vantagem, as
expressões em íons hidrogênio (H+) e hidroxilas (OH-). A dissociação de um ácido em
solução pode ser representada por:
HA H+ + A-

O ácido HA dissocia-se no cátion H+ e no ânion (simbólico) A-. Os chamados ácidos


fortes dissociam-se completamente. Já os ácidos fracos, dissociam-se muito pouco.
Em condições normais, a reação ácida do solo tende a ser similar como a dos
ácidos fracos. Nem todos os H+ do solo estão em solução (dissociáveis), ao contrário, só em
pequena quantidade. A grande reserva está adsorvida no complexo de troca.
Pelo fato de ácidos fracos dissociarem-se muito pouco, ocorrem em soluções
concentrações muito baixas, tão baixa que seria difícil representá-las na notação de frações
decimais. O conceito de pH, introduzido para representar concentrações (atividades do íon
H+) muito baixas de íons hidrogênio, é definido por:

28
1
𝑝𝐻 = − log(𝐻)+ = log
(𝐻 +)

Como exemplo, a uma concentração 0,00001 mol L -1 ou 10-5 mol L-1 de H+ ,


corresponderia a:

1
𝑝𝐻 = log ⇒ 𝑝𝐻 = log 105 ⇒ 𝑝𝐻 = 5
10−5

A escala de pH varia de 0 a 14. Em solos, podem ser encontrados valores de menos


de 3 até cerca de 9, embora os valores mais comuns ocorram na faixa intermediária.

3.3 Reações do Solo

Reação Ácida (pH < 7,0)


Em solos distribuídos nas regiões de altas pluviosidades, os elementos alcalinos Na,
Ca, Mg, K, são lixiviados e substituídos por íons H+ e Al3+.
Reação Básica (pH > 7,0)
Em solos distribuídos nas regiões áridas (evapotranspiração maior que
precipitação), ocorre condições favoráveis para o acúmulo de elementos alcalinos na
solução do solo, e um predomínio de íons OH- sobre os íons H+ .
Reação Neutra (pH = 7,0)
Em solos normais, os valores de pH geralmente encontram-se no intervalo de 4,0 a
7,0.

3.4 Tipos de Acidez


Os solos apresentam diversos componentes que possuem a propriedade de troca
iônica. Essa capacidade de troca de cátions dos solos é contrabalançada, em parte, por
cátions trocáveis, existindo também grupamentos ionogênicos ocupados por hidrogênio não
dissociado.
Os tipos de acidez do solo são os seguintes:
- Acidez ativa
- Acidez potencial
- Acidez trocável

29
3.4.1 ACIDEZ ATIVA
É a acidez devido à concentração de íons de hidrogênio (H+) que se encontram
livres ou dissociados na solução do solo, fase líquida (Figura 3.1). A determinação mais
comum em amostras de solo é a que estima a atividade do íon H +, o pH. Determina-se a
atividade dos íons H+ em suspensão com água ou solução salina.

FASE SÓLIDA FASE LÍQUIDA

-Ca
ARGILA -Al Al3+
AlO-H Ca2+
H+
COO-Al H+
HÚMUS COO-H H+
-O-H
H+
ÓXIDOS FeO-H H+
AlO-H H+

acidez potencial acidez ativa

Figura 3.1 - Representação esquemática da acidez potencial e da acidez ativa do solo.


Fonte: adaptado de Quaggio (1986).

3.4.1.1 Métodos de Determinação da Acidez Ativa

a) Método Colorimétricos

Baseiam-se na capacidade de certas substâncias químicas (compostos orgânicos ou


alcalinos fracos), em desenvolverem uma coloração conhecida, de acordo com o pH da
solução.
Utilizam indicadores ácido-base na forma de fitas ou soluções que mudam de cor
pela atividade do íon H+ (Tabela 3.1). São métodos rápidos, apresentando apenas o
inconveniente de serem pouco precisos.

30
Tabela 3.1. Indicadores de pH utilizados no método colorimétrico

INDICADOR VIRAGEM pH
Azul de bromofenol Azul-amarelo 3,0 – 4,6
Vermelho de metila Amarelo-vermelho 4,4 – 6,4
Azul de bromotimol Azul-amarelo 6,0 – 7,6
Azul de timol Azul-amarelo 8,0 – 9,6

b) Método Potenciométrico

É medida da concentração efetiva dos íons H+ na suspensão do solo. Os medidores


de pH são conhecidos como potenciômetros ou peagâmetros. São aparelhos, cujo detector
é constituído de um par de eletrodos, sendo um destes sensível a variações de H + da
solução. O outro eletrodo, que é inerte a estas oscilações é o eletrodo de referência. A
diferença de potencial entre estes eletrodos é acusada em um mostrador, sendo
apresentada em volts ou diretamente em pH.

b1) pH em Água
Princípio

Medição eletroquímica da concentração efetiva de íons H+ na solução do solo, por


meio de eletrodo combinado, imerso em suspensão solo: água na proporção 1 : 2,5.
Reagentes
Solução-padrão pH 4,00 - Solução-padrão pH 7,00
Equipamento
Potenciômetro com eletrodo combinado

Procedimento
Transferir 10 cm3 de TFSA para um recipiente (becker) e adicionar, com uma
proveta, 25 mL de água destilada. Agitar durante 15 minutos a 250 rpm . Deixar em repouso
por 30 min e depois efetuar a leitura no potenciômetro.
Observação: O potenciômetro tem que ser calibrado com as soluções tampão pH
7,0 e pH 4,0, após 20 minutos de aquecimento.

b2) pH em solução de Cloreto de Cálcio (CaCl2)


Princípio

31
O método estima a atividade do íon H+ na suspensão do solo utilizando-se a solução
de CaCl2 0,01 mol L-1 na proporção de 1: 2,5.

Reagentes
Solução-padrão pH 4,00
Solução-padrão pH 7,00
Solução de Cloreto de Cálcio (CaCl2) 0,01 mol L-1 : Dissolver 1,47 g de CaCl2.2H2O
em água destilada e completar o volume para 1 litro.

Procedimento

Transferir 10 cm3 de TFSA para um recipiente (becker) e adicionar 25 mL da solução


de CaCl2 0,01 mol L-1. Agitar durante 15 minutos a 250 rpm . Deixar em repouso por 30 min
e depois efetuar a leitura no potenciômetro previamente calibrado com as soluções - padrão.

b3) pH em Cloreto de Potássio (KCl)


Princípio
O método estima a atividade do íon H+ na suspensão do solo utilizando-se a solução
de KCl 1 mol L-1 na proporção de 1:2,5.

Reagentes
Solução-padrão pH 4,00
Solução-padrão pH 7,00
Solução de cloreto de potássio (KCl) 1 mol L-1: Dissolver 74,56 g de KCl em água
destilada e completar o volume para 1 litro.

Procedimento
Transferir 8 cm3 de TFSA para um recipiente (becker) e adicionar, com uma proveta,
20 mL da solução de KCl 1 mol L-1. Agitar durante 15 minutos a 250 rpm . Deixar em
repouso por 30 minutos e depois efetuar a leitura no potenciômetro previamente calibrado
com as soluções - padrão. Em seguida faz-se a interpretação dos resultados (Tabela 3.2).

32
3.1.1.1 Interpretação dos Resultados

Tabela 3.2 Interpretação de resultados de acidez do solo

Classificação da Acidez pH em H2O pH em CaCl2 0,01M (1:2,5)


Muito Alta <5,0 <4,3
Alta 5,0 – 5,6 4,4 – 5,0
Média 5,7 – 6,1 5,1 -5,5
Baixa 6,2- 6,6 5,6 – 6,0
Muito baixa >6,6 >6,0
Fonte: EMATER/PR (1995).

3.1.1.2 Solos Eletropositivos e Eletronegativos

Para determinar se o solo é eletronegativo ou eletropositivo estima-se o valor de


pH. Este índice fornece a idéia do grau de intemperização do solo.
pH = pH (KCl) - pH (H2O)

pH é negativo para solos eletronegativos. É o caso mais comum que acontece. Isto
estará indicando que o solo tem predominância de cargas negativas e que uma parte delas
está ocupada pelo H+ e Al3+.
Em solos eletronegativos o pH diminui com a concentração salina da solução:
solo– H+ + H2O solo– H+ + H2O pH = x
solo– H+ + KCl solo– K+ + Cl- + H+ pH < x
pH é positivo para solos eletropositivos. Isto pode ocorrer em horizontes mais
profundos de solos muito intemperizados, com altos teores de óxidos e hidróxidos de Fe e
Al.
Em solos eletropositivos o pH aumenta com a concentração salina da solução, isso
acontece em razão da troca entre o ânion do sal e OH- na superfície das argilas.
solo+ OH + H2O solo+ OH + H2O pH = x
solo+ OH + KCl solo+ Cl + K+ + OH- pH > x

33
3.1.2 ACIDEZ POTENCIAL
Em SMP

Princípio

Esta solução consiste em uma mistura de sais neutros com vários tampões, estando
tamponada a um pH 7,5. Quando a solução SMP entra em contato com o solo, a acidez
potencial do solo irá forçar uma redução do pH da solução. Portanto, o pH será menor do
que 7,5. Dependendo da acidez potencial (H + Al) haverá maior ou menor variação do pH
da solução SMP.
Existe alta correlação entre valores de pH SMP com o valor de H + + Al3+ (acidez
potencial dos solos) determinada pela extração com acetato de cálcio.

Reagentes

Solução-padrão pH 4,00
Solução-padrão pH 7,00
Solução Tampão SMP: Transferir para balão volumétrico de 1 L, os seguintes
reagentes e nessa ordem: 106,2 g cloreto de cálcio (CaCl 2.2H2O); 6,0 g de cromato de
potássio (K2CrO4), 4,0 g de acetato de cálcio Ca(CH3CO2)2 e 5,0 mL de trietanolamina.
Adicionar água destilada até cerca de 700 mL. Dissolver separadamente em becker 3,6 g de
p-nitrofenol em 200 mL de água quente a 80 a 90 oC. Após a dissolução, misturar as duas
soluções e completar o volume para 1 litro com água destilada. Deixar em repouso por um
dia e ajustar pH para 7,5 com NaOH.

Procedimento

- Utilizar a suspensão em que foi determinado o pH em CaCl2 0,01 mol L-1;


- Adicionar 5,0 mL de solução tampão SMP;
- Agitar durante 20 min a 250 rpm;
- Deixar em repouso por uma noite;
- Agitar por mais 10 minutos e deixar em repouso por 30 minutos;
- Calibrar o aparelho com as soluções tampões a pH 7,0 e 4,0;
- Efetuar a leitura no potenciômetro;
- Correlacionar o valor obtido do pH SMP com acidez potencial utilizando a tabela 3.3.

34
Tabela 3.3. Relação entre pH SMP e H+ + Al3+

pH SMP H+ + Al3+ pH SMP H+ + Al3+


3,5 31,92 5,8 5,76
3,6 29,63 5,9 5,35
3,7 27,50 6,0 4,96
3,8 25,53 6,1 4,61
3,9 23,70 6,2 4,28
4,0 22,00 6,3 3,97
4,1 20,42 6,4 3,68
4,2 18,96 6,5 3,42
4,3 17,60 6,6 3,18
4,4 16,33 6,7 2,95
4,5 15,16 6,8 2,74
4,6 14,08 6,9 2,54
4,7 13,06 7,0 2,36
4,8 12,13 7,1 2,19
4,9 11,26 7,2 2,03
5,0 10,45 7,3 1,89
5,1 9,70 7,4 1,75
5,2 9,00 7,5 1,62
5,3 8,36 7,6 1,51
5,4 7,76 7,7 1,40
5,5 7,20 7,8 1,30
5,6 6,69 7,9 1,21
5,7 6,21 8,0 1,12
Fonte: Pavan et al. (1992).

35
Aula Prática no 4

3.1.2.1 Por Titulometria

Introdução

O conceito de acidez potencial (Figura 3.1) está relacionado diretamente


com a capacidade tampão do solo. Ela irá se manifestar quando se tentar elevar o
pH do solo mediante calagem. A acidez potencial constitui-se de duas formas: a
acidez trocável, representada por íons Al3+, e a residual, representada por H+ não
dissociado. Na determinação do pH em solução tampão SMP é possível estimar a
acidez potencial via tabela. De acordo com o valor do pH SMP, há uma
correspondência quanto ao nº de cmolc dm-3 de (H + Al). No entanto, pode-se
determinar a acidez potencial via titulação, utilizando-se como extrator o Acetato de
Cálcio 1 mol L-1 pH 7,0.
Nesta determinação são avaliados os íons dissociáveis (H + Al) de várias
fontes: colóides do solo, grupos fenólicos e carboxílicos de matéria orgânica e dos
óxidos de ferro e de alumínio. Para avaliar a acidez potencial é necessário usar um
forte receptor de prótons (este receptor deve estar numa faixa de pH 7,0 a 8,2).
Será utilizado o acetato de cálcio (Ca(CH3COO)2), que quando em solução
apresenta-se dissociado em íon acetato (CH3COO-) e o íon cálcio (Ca3+). O íon
acetato vai retirar o maior número possível de prótons (H+). Essa solução de acetato
de cálcio 1 mol L-1 pH 7,0 extrai tanto os íons (H+) como os íons Al3+.

Reagentes e soluções
Solução de acetato de cálcio 0,5 mol L-1 pH 7,0: transferir 88,1 g de acetato
de cálcio(Ca(CH3COO)2.H2O) para balão volumétrico de 1000 mL, adicionar 900 mL
de água destilada, ajustar o pH da solução para 7,0 com HCl 1 mol L -1 ou NaOH 1
mol L-1 e completar o volume com água destilada.
Solução de fenolftaleína 1,0%: transferir 1 g de fenolftaleína para frasco de
100 mL e completar o volume com etanol.
Solução de NaOH 0,1 mol L-1: transferir 4 g de NaOH para balão volumétrico
de 1000 mL e completar o volume com água destilada. Fatorar semanalmente com
ftalato ácido de potássio.
Procedimento
Prova sem solo (Branco)
- Pegar uma alíquota de 50 mL de acetato de cálcio 0,5 mol L-1 pH 7,0
e transferir para erlenmeyer 125 mL;
- Adicionar 4 gotas de fenolftaléina 1%;
- Titular com NaOH 0,1 mol L-1;
- A viragem se dá do incolor para o róseo.

Prova com Solo (amostra)


Extração
- Transferir 5 cm3 de TFSA para erlenmeyer 125 mL;
- Adicionar 75 mL de solução de acetato de cálcio 1 mol L-1 pH 7,0;
- Agitar por 15 minutos; deixar decantar por uma noite.

Determinação
- Transferir 50 mL do sobrenadante para erlenmeyer de 125 mL;
- Adicionar 4 gotas de fenolftaleína 1 %;
- Titular com NaOH 0,1 mol L-1 até coloração rósea.

3.1.2.2 Cálculos

cmolc dm−3 H + Al = 3,33 x Vamostra − Vbranco . f


Onde:
Vamostra: volume de NaOH 0,1 mol L-1 gasto na titulação da amostra;
Vbranco: volume de NaOH 0,1 mol L-1 gasto na titulação da prova em branco;
f: fator de eficiência do método.

volume do extrator 100


3,33 = concentração do titulante . . /0,9
volume da alíquota volume do solo

0,9 = fator de eficiência do método

75 ml 100cm3
3,33 = 0,1 . . /0,9
50 ml 5 cm3

37
Padronização das soluções de ácido e base
- Solução de ácido clorídrico 0,5 mol L-1 padronizada
Tomar 40 mL de ácido clorídrico p.a. e transferir para balão de 1000 mL.
Completar o volume com água destilada.
Para padronizar a solução:
- Pesar exatamente 0,5000 g de carbonato de sódio p.a., seco por 2
horas a 110º C;
- Transferir para erlenmeyer de 125 mL e juntar 50 mL de água destilada
e 5 gotas do indicador vermelho de metila;
- Titular com a solução do ácido (ácido clorídrico) a padronizar;
- Fazer pelo menos três repetições. Anotar o volume médio gasto (V).
Calcular a molaridade do ácido por:

500
M=
105,988. V

- Solução de hidróxido de sódio a 0,25 mol L-1 padronizada


Pesar 10,0000 g de hidróxido de sódio p.a. e transferir para béquer de 250
mL. Dissolver com água destilada e depois completar até 1000 mL com água
destilada. Padronizar.
Para padronizar a solução:
 Tomar 10 mL da solução padronizada de ácido clorídrico e transferir
para erlenmeyer de 125 mL. Adicionar 50 mL de água destilada e 3
gotas de fenolftaleína a 1% em álcool. Titular com a solução de NaOH
0,25 padronizada até o aparecimento da cor rosa e anotar o volume
gasto (V). Repetir por 3 vezes e tirar a média do volume gasto.
Calcular a molaridade da solução de hidróxido de sódio, dada por:

M determinada 0,5 .10


MA . VA = MB . VB f= MB =
M esperada VB

- Solução padronizada de NaOH contendo 0,025 mol L-1


Para determinar a concentração da solução de NaOH, pesar, com precisão de
0,0001 g, cerca de 0,2 g de biftalato ácido de potássio p.a. (KHC 8H4O4, massa

38
molar: 204,23 g mol-1), seco em estufa a 110 º C por 60 minutos e esfriado em
dissecador. Dissolver, em béquer de 250 mL, o biftalato em 50 mL de água destilada
ou deionizada a 50-70º C, previamente fervida para eliminar o CO2; adicionar 1 ou 2
gotas de fenolftaleína alcoólica e, em seguida, gota a gota, a solução de NaOH a ser
padronizada (0,025 mol L-1) contida em bureta, até a viragem de incolor para
levemente róseo. Repetir essa titulação três vezes e anotar os volumes gastos, em
mL. Com o volume médio de NaOH gasto na titulação, calcular a concentração da
solução usando a equação:
mBi
CNaOH =
0,20423 . VNaOH

em que:
CNaOH é a concentração exata de NaOH em mol L -1, mBi é a massa de biftalato ácido
de potássio usada, em g, e VNaOH é o volume, de NaOH gasto na titulação, em mL.

39
Aula Prática no 5

3.1.3 ACIDEZ TROCÁVEL


Introdução

O Al3+ trocável ou Al3+ livre é um dos componentes da acidez potencial mais


importantes nos solos ácidos muito intemperizados. Termo referente aos íon Al 3+ e
H+ que estão trocáveis, ou seja, adsorvidos aos colóides dos solo e que podem ser
trocados por outros cátions, desde que em concentrações mas elevadas. A
quantidade de íons H+ que existem na forma trocável, nos solos, pode ser
considerada desprezível, pois são muito poucos. Daí quando se diz acidez trocável,
isto se refere apenas ao íon Al3+. Para que o alumínio esteja adsorvido aos colóides
do solo na forma trocável, ele deve estar solubilizado.

Al3+ + 3 H2O Al(OH)3 + 3H+


Al(OH)3 + 3H+ Al3+ + 3 H2O
Precipitado Solúvel

Portanto, a chamada acidez trocável, só ocorre em solos com baixo pH.

Prova sem solo


- Pipetar uma alíquota de 15 mL de KCl 1 mol L-1 e transferir para
erlenmeyer 125 mL (Figura 3.2).
- Adicionar 25 mL de H2O destilada;
- Adicionar 3 gotas de azul de bromotimol;
- Titular com NaOH 0,015 mol L-1;
- Anotar o volume de NaOH gasto em mL.

40
-1
Indicador (3 gotas) NaOH 0,015 mol L

KCl 1 mol
-1
L

Transferir
15
mL

Observar
viragem

Transferir Titular
25 mL
H2O

Figura 3.2 Condução da prova sem solo (Branco).

Prova com amostra

Extração

- Medir 5 cm3 de TFSA (Terra Fina Seca ao Ar) e transferir para frasco
plástico de 100 mL (Figura 3.3);
- Adicionar 50 ml de KCl 1 mol L-1;
- Agitar em agitador horizontal durante 15 min;
- Deixar decantar por uma noite.

SOLO erlermeyer
TFSA Transferir Transferir
3
5 cm 50 mL KCl 1mol L-1

Agitar por 15 minutos


(deixar decantar por uma
noite)

Figura 3.3. Extração de alumínio no solo (amostra).

41
DETERMINAÇÒES

- Pipetar uma alíquota de 15 mL do sobrenadante e transferir para


erlenmeyer 125 mL (Figura 3.4);
- Pipetar 25 mL de água destilada para o mesmo erlenmeyer anterior;
- Adicionar 3 gotas de azul de bromotimol;
- Titular com NaOH 0,015 mol L-1;
- Anotar o volume de NaOH gasto em mL.

Indicador (3 gotas) NaOH


-1
0,015 mol L

H20 Dest.

Transferir
25 mL

Observar
viragem

Transferir Titular
15 mL

solo

Figura 3.4. Determinação do Alumínio no solo.

3.1.3.1 Cálculo

50 100
N° Eq Al 100 cm3 = Vamostra − Vsem solo . 0,015 . .
5 5

cmolc dm−3 Al+3 = Vamostra − Vsem solo .1

cmolc dm−3 Al+3 = Vamostra − Vsem solo

42
3.1.3.2 Interpretação dos Resultados
- Níveis

Tabela 3.1. Interpretação de resultados de concentração de Al no solo

Classificação Al
cmolc dm-3
Baixo <0,5
Médio 0,5 – 1,0
Alto >1,0
Fonte: Emater PR (1995).

- Saturação com Al (calculado) dado em %

Tabela 3.2. Interpretação de resultados de saturação por Al no solo

Classificação Níveis
-------- % -------
Muito Baixo <5,0
Baixo 5,1 – 10,0
Médio 10,1 – 20,0
Alto 20,1 – 45,0
Muito Alto >45,0
Fonte: Emater PR (1995).

43
Aula Prática nº 6

6. ANÁLISE DE CORRETIVOS DA ACIDEZ DO SOLO

6.1 Introdução

Corretivos da acidez do solo são compostos que liberam HCO 3- ou OH-. Os


calcários representam quase que a totalidade dos corretivos de acidez empregados
no nosso País.
A substância padrão é o CaCO3 o qual é atribuído o índice 100 e possui molc
= 50 mg. A equivalência de outros compostos em CaCO3 é feita pela relação entre
pesos de mol carga.
Exemplo: Ca(OH)2 tem peso molc = 37
Relação: 50/37 = 1,35
Significa que 100 kg de Ca(OH)2 tem mesmo poder de correção que 135
kg de CaCO3 (Tabela 6.1).

Tabela 6.1 - Equivalência em CaCO3 de alguns corretivos

Substância Multiplicar por


CaCO3 1,00
MgCO3 1,19
CaCO3.MgCO3 1,19
Ca(OH)2 1,35
CaO 1,79
MgO 2,48

6.2 Classificação dos Calcários


6.2.1. Os calcários são classificados quanto à concentração de MgO da seguinte
forma, conforme Portaria nº 03 do Ministério da Agricultura, de 12 de junho de 1986.

a) Calcários Calcíticos: 1 – 5% de MgO;


b) Calcários Magnesianos: 6 – 12% de MgO;
c) Calcários Dolomíticos: 13 – 20% de MgO.
6.2.2. Os calcários são classificados quanto ao PRNT (% do corretivo que
reagirá com os ácidos do solo dentro de 1 a 3 anos) da seguinte forma:

44
 A  45 – 60%
 B  60,1 – 75%;
 C  75,1 – 90%;
 D  > 90%.

6.3 Eficiência dos Corretivos

A qualidade e o valor agronômico dos corretivos como neutralizantes da


acidez não basta, porém, que possuam altos teores de CaO ou de MgO ou de
ambos. A solubilização no solo será mais ou menos rápida, segundo a maior ou
menor granulometria da moagem. A separação é realizada em peneiras, conforme,
figura 6.1.

Figura 6.1 - Conjunto de peneiras dispostas no agitador mecânico, ficando em cima


a de maior abertura.

O poder corretivo dos materiais é expresso em termos de sua equivalência


em carbonato. Quanto maior o teor equivalente em carbonato, melhor sua qualidade.
O teor equivalente em carbonato expressa o Poder de Neutralização (PN). O grau
de moagem do corretivo expressa a Eficiência Relativa (ER).
Poder de Neutralização: é a capacidade do calcário em neutralizar ácidos
do solo. É expresso em equivalente de CaCO3 (%).

45
Eficiência Relativa: é a quantidade real de calcário que reage com o solo
em um período mínimo de 3 (três) anos, é medida através da granulometria (%).
Observação: O Poder de Neutralização dos corretivos pode também ser
obtido através da concentração de CaO e MgO. Neste caso, é denominado Valor de
Neutralização (VN):

VN = (% CaO x 1,79) + (% MgO x 2,48)

A granulometria é determinada pelas peneiras ABNT nº 10 (2 mm), ABNT nº


20 (0,84 mm) e ABNT nº 50 (0,30 mm) (Figura 6.1).
Segundo a legislação, os corretivos de acidez do solo deverão possuir as
seguintes características físicas mínimas: passar 100% em peneira de 2 mm; 70%
em peneira 0,84 mm e 50% em peneira de 0,30 mm, sendo permitida uma tolerância
de 5% na peneira de 2 mm (Tabela 6.2).

Tabela 6.2 - Fração granulométrica e reatividade dos calcários

Fração granulométrica Peneira ABNT Reatividade


(2 – 3 anos)
-------mm ------- -------- % ---------
> 2,00 Retida nº 10 0
0,84 – 2,00 Passa nº 10, retida nº 20 20
0,30 – 0,84 Passa nº 20, retida nº 50 60
0,30 Passa nº 50 100

Importante: O Poder de Neutralização e a Eficiência Relativa podem ser


englobados num único valor, que define a qualidade do corretivo, denominado
“Poder Relativo de Neutralização Total” ou PRNT.

PN % . ER(%)
PRNT =
100

As recomendações de calagem são para PRNT 100%, caso o calcário


utilizado tenha um PRNT menor deve-se fazer os ajustes necessários.
Exemplo: Recomendação de Calcário: 2,50 t ha-1.
Calcário disponível possui PRNT 85%.
Quanto aplicar (QC)?

46
2,5
QC = .100 = 2.94 t ha−1
85

6.4 Determinação da Eficiência Relativa


Procedimento
- Pesar 100 g da amostra de calcário;
- Transferir para as peneiras, encaixadas umas sobre as outras,
mantendo a de malha maior por cima;
- Agitar por 5 minutos em regulagem de 50 rpm;
- Retirar e pesar as frações retidas em cada peneira;
- Calcular o percentual que passa por cada peneira pela fórmula:

(A .0,0 + B. 20 + C. 60 + D. 100)
E % =
100
onde:
A = g de calcário que fica retido na peneira 10
B = g de calcário que fica retido na peneira 20
C = g de calcário que fica retido na peneira 50
D = g de calcário que passa pela peneira 50.
Ou
(A .0,0 + B. 0,2 + C. 0,6 + D. 1,0)
E % = . 100
100

Veja o exemplo da tabela 6.3.

Tabela 6.3 – Exemplo de determinação da Eficiência Relativa dos Calcários


Peneira Retido % Eficiência
10 1g 0 0,0
20 15 g 20 3,0
50 25 g 60 15,0
Passou na 50 59 g 100 59,0
TOTAL 100 g 77,0

47
Aula Prática nº 7

7. DETERMINAÇÃO DO TEOR DE CaO E MgO DO CORRETIVO

7.1 Introdução
O valor de neutralização (VN) e a eficiência relativa (ER) nos permitem
calcular o poder relativo de neutralização total (PRNT).

ER % . VN(%)
PRNT =
100

A concentração de CaO e MgO dos corretivos expressa o Valor de


Neutralização, que é calculado pela fórmula:
𝑉𝑁 % = 1,78 . %𝐶𝑎𝑂 + 2,5 . (%𝑀𝑔𝑂)

Solução de HCl 1 mol L-1: transferir 83,3 mL de HCl para balão de 1 L e


completar o volume com água destilada.
Solução de NaOH 1 mol L-1: Dissolver 40 g de NaOH, transferir para balão
de 1 L e completar o volume com água destilada.
Solução de Lantânio 0,1%: transferir 2,67g de LaCl3.7 H2O para balão de
1.000 mL, adicionar solução de HNO3 10% (v/v) até dissolução total do cloreto e
completar o volume com H2O deionizada.

7.2 Determinação do Valor de Neutralização


- Pesar 0,5 g de corretivo, moído (peneira de 60 mesh), e colocar em
erlenmeyer de 250 mL;
- Adicionar 12,5 mL HCl 1 mol L-1;
- Deixar em chapa quente até iniciar a fervura;
- Retirar da placa e deixar esfriar um pouco;
- Adicionar 50 mL de água destilada;
- Retornar a placa aquecedora e deixar ferver por mais 5 min;
- Retirar da placa e deixar esfriar;
- Titular com NaOH 1 mol L-1 na presença de fenolftaleina (4 gotas).

48
Fazer uma prova em branco (sem amostra)
- Adicionar 12,5 mL do HCl 1 mol L-1 + 50 mL de água em um erlenmeyer e
titular com NaOH 1 mol L-1 na presença de fenolftaleina (4 gotas).
A amostra de calcário é neutralizada em duas etapas:
 Na primeira com X meq de CO32- contidas no calcário;
 Na segunda com Y meq de OH- na titulação do excesso de ácido com
NaOH.
A diferença de volume de NaOH gastos na prova em branco e na titulação
da amostra vezes a normalidade do NaOH, que é 1 representa o número de meq de
carbonatos que existem em 0,5 g de corretivo.
Como mmolc CaCO3 = 50 mg, calcula-se a massa de CaCO3 em 0,5 g de
corretivo e em seguida o valor neutralizante.

Exemplo com 0,5 g de corretivo:


(Vbranco – Vamostra) x N x 50 mg CaCO3/ 500 mg
(Vbranco – Vamostra) x 1 x 5 mg CaCO3/ 50 mg
(Vbranco – Vamostra) x 10 mg CaCO3/100 mg

Exemplo de cálculo (0,5 g de corretivo):


Vbranco = 19,3 mL
Vamostra = 2,5 mL NaOH 1 mol L-1
VN = (19,3 – 2,5) x 10 = 168%

Ou: (Vbranco – Vamostra) x M = mmolc

 (19,3 – 2,5) = 16,8


 1 mmolc CaCO3 ------ 50 mg
x ------------ 500 mg x = 10 mmolc acidez

 10 mmolc -------- 100%


16,8 -------- x x = 168%

7.3 Determinação do teor de CaO e MgO (EAA)


- Pesar 0,5 g de corretivo, moído (peneira de 60 mesh), e colocar em
erlenmeyer de 250 mL;
- Adicionar 12,5 mL HCl 1 mol L-1;
- Deixar ferver em chapa quente até iniciar a fervura;
- Retirar da placa, deixar esfriar um pouco;

49
- Adicionar 50 mL de água destilada;
- Retornar sobre a placa aquecedora e deixar ferver por mais 5 min;
- Retirar da placa, esfriar e completar o volume para 250 mL em balão
volumétrico e, em seguida, filtrar;
- Guardar em frasco fechado na geladeira;
- Diluir 1mL em balão de 100 mL.

Próxima aula
- Retirar uma alíquota de 1 mL da determinação do teor de CaO e de MgO na
amostra por espectrometria de absorção atômica (EAA) e adicionar 4 mL de
solução de cloreto de lantânio a 0,1%.

7.4 Cálculos do % CaO e do % MgO

250 ml 100 ml 5 ml
fator de Diluição = . . = 250.000
0,5 g 1ml 1 ml alíquota

 Concentração de Ca (mg L-1):


1,6 x 250.000 = 400.000 mg L-1 de Ca

CaO Ca
56 40
x 400.000 x = 560.000

x = 560.000 mg L-1 de CaO = 56% de CaO


10.000

 Concentração do Mg (mg L-1)

0,17 x 250.000 = 42.500 mg L-1 de Mg

MgO Mg
40,3 24,3
x 42.500 x = 70.483,54

x = 70.483,54 mg L-1 de MgO = 7,048% de MgO


10.000

50
VN = 1,78 (56) + 2,50 (7,048)
VN = 99,68 + 17,62
VN = 117,3%

PRNT = ER(%) x VN(%) = 117,3 x 84


100 100
PRNT = 98,5%

51
Aula Prática nº 8
8. CURVA DE INCUBAÇÃO COM CaCO3

8.1 Introdução
Solos em regiões tropicais têm em geral reação ácida devido à sua gênese
ou à pobreza natural em bases. Nessas regiões a correção da acidez do solo
constitui uma prática agrícola muito importante, com boa viabilidade técnica e
econômica, sendo por isso largamente utilizada.
Para o cálculo da correção da acidez do solo não deve considerar apenas os
+
íons H presentes na solução do solo (corresponde a acidez ativa do solo), deve-se
neutralizar também o Al3+, que é fonte de acidez trocável no solo, e as cargas que
surgem em função do pH, que constituem a acidez potencial do solo. À medida que
se altera a concentração dos íons H+ da solução, o solo tende a restabelecê-la, o
que é chamado de capacidade tampão do solo. O poder tampão é importante na
determinação da necessidade de calagem e pode ser estimada por fatores como
teor de matéria orgânica, teor e tipo de argila entre outros.

8.2 Método da Incubação com CaCO3


Existem vários métodos para determinar a necessidade de calagem que são
de uma forma ou outra empíricos e consideram a acidez potencial do solo e/ou o seu
poder tampão. Entre os mais usados estão o do Al e Ca+Mg, o de SMP e o da
saturação de bases.
Esses métodos são calibrados pelo método padrão que é a Curva de
Calibração com Carbonato de Cálcio, que é o método usado nesta aula prática.
Este método consiste na obtenção de curvas de neutralização do solo por
meio da incubação com CaCO3.
As amostras de solo são incubadas com doses crescentes de CaCO 3 com
umidade mantida próxima da capacidade de campo por um período de 15 dias.
Procedimento
Para desenvolver está prática, serão utilizados dois solos, um argiloso e
outro arenoso.
As doses de CaCO3 que vão ser utilizadas são as seguintes: 0,0, 1,0, 2,0,
4,0 e 8,0 t ha-1.

52
- Pesar 500 g de solo, colocando em 5 sacos plásticos separados (isto será
feito para cada solo);
- Adicionar as doses de CaCO3 em cada saco respectivamente;
arenoso: 0, 1, 2, 3, 4 t ha-1
(g/500g): (0; 0,25; 0,5; 0,75; 1,0;)
argiloso: 0, 1, 2, 4 , 8 t ha-1
(g/500g): (0; 0,25; 0,5; 1,0; 2,0)
Cálculo da quantidade a aplicar no saco de 500g

1.000 kg ---- 2.000.000 kg


x ---- 0,5 kg x = 0,25 g

- Adicionar água: Solo arenoso - 58 mL;


Textura média - 100 mL;
Solo argiloso - 150 mL.
- Fechar os sacos plásticos e colocar para incubar;
- Apos 15 dias de incubação, determinar o valor do pH em água e fazer a curva
de incubação.

8.3 Determinação da Curva de Incubação de CaCO3


Os valores de pH lidos, deverão ser plotados em gráfico, onde o eixo X
representa as doses de CaCO3 e do eixo Y os valores de pH (Tabela 8.1 e Figura
8.1).
Tabela 8.1 Dados obtidos em um experimento de aula prática com solo
arenoso
X Y
(CaCO3) t ha-1 (pH)
0,0 4,5 (a)
1,0 5,1
2,0 6,0
3,0 6,8
4,0 7,0

53
7,50
7,00
6,50
6,00
pH

5,50
5,00
y = 4,54 + 0,67x
4,50 R2 = 0,97

4,00
0,00 1,00 2,00 3,00 4,00
t ha-1 de CaCO3

Figura 8.1 Curva de incubação de CaCO3 obtida com dados da tabela 8.1.

8.4 Cálculo para obtenção da equação de incubação e r


Equação da reta: y = a + bx
Onde:
y = valores de pH
x = doses de CaCO3

𝑥. 𝑦 10 .29,4
𝑥𝑦 − 65,5 − 6,7
𝑏= 𝑛 = 5 = = 0,67
( 𝑥)2 (10)2 10
𝑥2 − 30 −
𝑛 5

𝑎 = 𝑦 − 𝑏. 𝑥

xy = 65,5 x = 10 y = 29,4 x2 = 30

Equação da reta:
y = a + bx
y = 4,54 + 0,67x
R2 = 0,97 (coeficiente de determinação) R2 = (r)2
R2 = é a variação em Y que é explicada por X.

54
𝑥. 𝑦
𝑥𝑦 −
𝑛
𝑟= 2
2 ( 𝑥)2 2 ( 𝑦)
𝑥 − . 𝑦 −
𝑛 𝑛

(r = coeficiente de correlação)

Obs.: Para encontrar a equação da reta com a Hp – 48G, proceder da


seguinte forma:

STAT selecionar com o cursor FIT DATA, pressionar ENTER, vai


aparecer tela DAT: pressionar ENTER, vai abrir uma tela com uma matriz, inserir
os dados como apresentado acima, para coluna x os as doses de CaCO 3 e para
coluna y os valores de pH obtidos após a incubação. Feito isto pressionar ENTER e
ai vai voltar para a tela anterior onde aparecia DAT: vão estar os dados, agora
pressione OK, aparecerá „4,54 + 0,67.x‟ ; Correlation (R2): 0,9848.

8.5 Cálculo da necessidade de CaCO3

y = 4,54 + 0,67x
6,5 = 4,54 + 0,67x
- 0,67x = 4,54 – 6,5
x = - 1,96
- 0,67

x = 2,92 ton ha-1 de CaCO3

55
Aula Prática nº 9

9. USO DE GESSO NA AGRICULTURA

9.1 Introdução
O gesso agrícola (CaSO4.2H2O – sulfato de cálcio) um subproduto da
indústria de fertilizantes fosfatados, que ocorre em forma similar também em jazidas,
pode ser usado na melhoria do ambiente radicular em profundidade. Este produto
quando aplicado ao solo, após dissolução, devido à sua rápida mobilidade na
camada arável, irá se fixar abaixo desta, favorecendo o aprofundamento das raízes
e permitindo às plantas superar veranicos e usar com mais eficiência os nutrientes
aplicados ao solo.
Ao se aplicar gesso agrícola no solo, cuja acidez da camada arável foi
corrigida com calcário, após sua dissolução o sulfato movimenta-se para camadas
inferiores acompanhado por cátions, especialmente o cálcio.
Com a movimentação de cátions para a subsuperfície, o teor de cálcio e
magnésio aumenta e a toxidez de alumínio reduz, o que melhora o ambiente do solo
para as raízes desenvolverem. Estes efeitos já são observados no ano agrícola de
aplicação do gesso.
A resposta do gesso agrícola como melhorador do ambiente radicular em
profundidade tem sido observado para a maioria das culturas anuais.

9.2 Teste Biológico


O teste biológico consta de dois tratamentos (sem e com gesso) e é
desenvolvido em quatro etapas:
1a etapa: Separar a amostra de solo seca ao ar em duas porções de
aproximadamente 200 cm3 (um copo). Em uma delas acrescentar uma colher de
café com gesso agrícola, misturar bem o solo com o gesso e em seguida colocar no
copo plástico (com pequenos furos na base), identificando a amostra e com
presença de gesso. A outra porção, sem gesso, é colocada também em copo
plástico igual ao anterior e identificado a amostra como sem gesso. Adicionar em
cada copo um volume de água equivalente a 1/3 de seu volume. Preparar 4 copos
por tratamento (sem e com gesso) (Figura 9.1a);

56
2a etapa: Semear duas sementes de milho pré-germinadas em cada copo.
Para pré-germinar as sementes, deve-se colocá-las em papel toalha umedecido,
enrolar o mesmo em forma de charuto, colocando-o em local sem incidência direta
da luz solar e de forma que uma das pontas fique em contato com água, após cerca
de quatro dias a pré-germinação estará concluída (Figura 9.1b);
3a etapa: Transferir os copos para uma caixa que pode ser coberta com
plástico transparente para evitar evaporação da água. A caixa deve permanecer por
quatro dias em um lugar fresco e iluminado (Figura 9.1c);

(a)

(b)

(c)
(d)

Figura 9.1 - Esquema do teste biológico para avaliar a necessidade de uso do


gesso.
Fonte: Sousa (1996).

4a etapa: Após quatro dias, retirar as plantas de cada copo, alinhar as raízes
e medir o comprimento das raízes principais, em centímetros, com uma régua
comum. Anotar os valores ao lado da identificação da amostra (Figura 9.1d).

57
9.3 Interpretação do teste
- Dividir o valor médio obtido do comprimento das raízes com gesso pelo
valor médio das raízes sem gesso.
- O gesso agrícola deverá ser utilizado toda vez que este índice for maior
que 1,15.

9.4 Quanto de gesso aplicar


Para se recomendar o gesso agrícola, é necessário conhecer o teor de argila
do solo, de posse desse valor, o cálculo pode ser feito utilizando-se as fórmulas
abaixo:
 Culturas anuais
D.G. (kg ha-1) = 50 x Argila (%)

 Culturas perenes
D.G. (kg ha-1) = 75 x Argila (%)
D.G. = dose de gesso agrícola com 15% de enxofre.

Obs.: As doses de gesso recomendadas por estes critérios apresentam


efeito residual de, no mínimo, 5 anos, podendo se estender até 15 anos,
dependendo do solo.

58
Aula Prática nº 10

10 DETERMINAÇÃO DE CÁLCIO DE MAGNÉSIO TROCÁVEIS NO SOLO

10.1 Introdução
Dois métodos de determinação de Ca2+ e Mg2+ em extratos de solo são de
uso mais comum:
- Complexometria com EDTA (titulação);
- Espectrofotômetria de absorção atômica (medida por Absorbância).
Após extração do solo, uma alíquota do extrato é diluída em Cloreto de
Lantânio (LaCl3) ou (LaO3) ou Cloreto de Estrôncio (SrCl2), para prevenir
interferências ocasionadas pela presença de fosfatos, evitando a formação de
compostos estáveis com Ca e Mg. Após, é submetida à leitura num
espectrofotômetro de absorção atômica, devidamente calibrado.
Para calibração são feitas soluções padrões com diferentes concentrações
de Ca e de Mg.
Nos dois métodos de determinação de Ca e Mg (complexometria e
espectrofotometria) o processo de extração se processa com a solução de KCl 1 mol
L-1.

10.2 Reagentes
Solução KCl 1 mol L-1: transferir 74,55g de KCl para balão de 1.000 mL e
completar o volume com água deionizada;
Solução de Lantânio 0,1%: transferir 2,67g de LaCl3.7 H2O para balão de
1.000 mL, adicionar solução de HNO3 10% (v/v) até dissolução total do cloreto e
completar o volume com H2O deionizada.
Solução Padrão de Mg (100 mg L-1): transferir 5 mL da solução de Mg 1.000
mg L-1 para balão de 50 mL e completar com água deionizada;
Solução padrão de Ca (25 mg L-1) e Mg (2,5 mg L-1): transferir 2 mL da
Solução de Ca 1.000 mg L-1 para o balão de 100 mL. Neste mesmo balão, adicionar
2,5 mL da de solução 100 mg L-1 de Mg e completar com água deionizada.

10.3 Curva Padrão de Ca e Mg


Fazer curva de calibração, conforme tabela 10.1.

59
Tabela 10.1 Curva de Calibração de Ca e Mg

Concentração Padrão (25 mg L-1 Ca


KCl 1 mol L-1
Ca Mg e 2,5 mg L-1 Mg)
--------------- mg L-1 -------------------- ----------------------- mL ---------------------
0,0 0,00 0,0 0,5
0,5 0,05 0,5 0,5
1,0 0,10 1,0 0,5
2,0 0,20 2,0 0,5
4,0 0,40 4,0 0,5
8,0 0,80 8,0 0,5
Obs. Completar o volume da solução para 25 mL com solução de LaCl3.

10.4 Procedimento
- Transferir 5 cm3 de TFSA para recipiente (copo de extração);
- Adicionar 50 mL do extrator KCl 1 mol L-1;
- Agitar por 15 min e deixar em repouso por uma noite;
- Retirar uma alíquota de 0,1 mL do sobrenadante e adicionar 4,9 mL da
solução de cloreto de lantânio 0,1%;
- Fazer as leituras das concentrações de Ca e Mg no espectrofotômetro de
absorção atômica (EAA).

10.5 Cálculos

Fator de Diluição:
50 𝑚𝑙 5 𝑚𝑙
. = 500
5𝑐𝑚3 0,1

Leitura do aparelho: em mg L-1


Transformar para cmolc dm3
Lembrar que :

1 cmolc Ca = 200 mg
1 cmolc Mg = 121,5 mg

Leitura X Fator de diluição ÷ por 200 para Ca e 121,5 para Mg = cmolcdm-3 de Ca e


Mg respectivamente.
Ou
Leitura x 2,495 para Ca
Leitura x 4,115 para Mg

60
10.6 Interpretação dos Resultados

Interpretação dos resultados de Ca e Mg (Tabela 10.2).

Tabela 10.2 Níveis de interpretação dos teores de cálcio (Ca2+), magnésio (Mg2+) e
CTC na análise de solo, independente da cultura e solo *

Níveis ou Nutriente
Classes Ca2+ Mg2+ Ca2 + Mg2+ CTC
----------------------------------- cmolc dm-3 -----------------------------------------
M. baixo -- ≤0,40 ≤2,40 ≤5,00
Baixo ≤ 2,00 0,40 - 0,60 2,40 – 2,60 5,00 – 8,00
Médio 2,00 - 4,00 0,61 - 0,80 2,61 – 4,80 8,01 – 15,00
Alto ≥4,00 ≥ 0,8 ≥ 4,80 15,01 – 20,00
M. Alto -- -- -- ≥ 20,00
Fonte: Costa e Oliveira (2001).
* Esses níveis são gerais e podem ter significado diferente dependendo da CTC do
solo. Para uma adequada interpretação dos teores deve ser considerada, a
porcentagem de saturação do nutriente no complexo de troca.

61
Aula Prática nº 11

11. DETERMINAÇÃO DE FÓSFORO DISPONÍVEL NO SOLO

11.1 Introdução

A solução extratora de Mehlich-1, também chamada de solução duplo-ácida, é


constituída por uma mistura de HCl 0,05 mol L -1 + H2SO4 0,0125 mol L-1. O emprego
dessa solução como extratora de fósforo, potássio, sódio e micronutrientes do solo
baseia-se na solubilização desses elementos pelo efeito do pH, entre 2 e 3, sendo o
papel do Cl- o de restringir o processo de readsorção dos fosfatos recém-extraídos
(SILVA, 1999).

a) Dinámica de fósforo no solo

FONTES MINERAIS

P não lábil P solução P adsorvido


P lábil

FONTES ORGÂNICAS

A avaliação do P disponível tem sido feita por meio do uso de soluções diluídas
(ácidas ou básicas) e também pela resina de troca de aniônica. O P extraível vem todo
do P adsorvido porque o P solução é muito pequeno. Na verdade é apenas uma fração
do P adsorvido, podendo esta fração variar de solo para solo, para um mesmo extrator.

b) Principais Extratores

Mehlich-1: P-Ca >>> P-Fe > P-Al (H2SO4 0,0125 mol L-1 + HCl 0,05 mol L-1)
Bray-1: P-Al >>> P-Fe (NH4F 0,05 mol L-1 + HCl 0,025 mol L-1)
Bray-2: P-Ca >>> P-Al > P-Fe (NH4F 0,03 mol L-1 + HCl 0,10 mol L-1)
Olsen: P-Al >>> P-Fe (NaHCO3 0,5 mol L-1)
Resina de troca aniônica

62
Os extratores ácidos dissolvem, predominantemente, o P ligado ao Ca e
quantidades menores de P ligado a Fe e Al, em razão das diferenças de solubilidade
desses fosfatos.
Em virtude de se extrair pouco P ligado a Fe e Al, obtém-se, comumente, um
valor baixo de P em solos argilosos, mesmo os que vêm sendo adubado com fosfatos
solúveis em água ao longo dos anos e nos quais as culturas produzem bem. Entretanto,
os extratores ácidos extraem excessivamente o P dos solos que receberam aplicação
de fosfatos naturais, e essa porção não fica disponível paras as plantas.
Um dos métodos que vem apresentando bons resultados para a determinação
do P disponível é o que utiliza na extração, a resina trocadora de ânions (AMBERLITE –
IRA-400) saturada com bicarbonato.

11.2 Reagentes
Considerando a determinação de fósforo com uso da solução extratora Mehlich -1:
Solução de HCl 1 mol L-1: transferir 83,3 mL de HCl concentrado (37%) para
frasco de 1000 mL e completar volume com água destilada.
Solução de H2SO4 0,5 mol L-1: transferir 27,7 mL de H2SO4 concentrado (96%)
para frasco de 1000 mL e completar volume com água destilada.
Solução de Mehlich (H2SO4 0,0125 mol L-1 + HCl 0,05 mol L-1 ): transferir
25 mL da solução de H2SO4 0,5 mol L-1 e 50 mL de HCl 1 mol L-1 para frasco de 1000
mL e completar o volume com água destilada.
Reagente 725: Solução A: Dissolver 20g de (NH4+)6.Mo7O24 4H2O p.a. em 200
mL de água num Becker; Solução B: Em outro becker contendo 500 mL de H2O,
dissolver 1 g de subcarbonato de bismuto e adicionar 139 mL de H2SO4 concentrado.
Esfriar, misturar as duas soluções em balão de 1.000 mL e completar o volume com
H2O deionizada (solução 725);
Reagente de Trabalho (RT): Pesar 0,67g de ácido ascórbico e 83,33 mL de
reagente 725 e completar o volume com 500 mL de água destilada. Este reagente deve
ser preparado na hora da utilização.

11.3 Procedimento
Padrão de Fósforo

Pesar exatamente 0,4394g de KH2PO4 p.a. (seco em estufa por 2 horas a 70 –


80℃ e resfriado em dessecador) em balão volumétrico de 1000 mL, adicionar 3 mL de
63
H2SO4 PA concentrado e completar o volume com água destilada. Esta solução
contém 100 mg L-1 de P.

11.4 Curva de Calibração de P


` Para a solução de 10 mg L-1 de P, pipete 10 mL da solução 100 mg L-1 de P e
complete com água destilada em balão de 100 mL. Fazer a curva conforme tabela 11.1.

Tabela 11.1- Curva de calibração de fósforo

Concentração Vol. sol. 10 mg Reagente de


H2O Extrator
de P L-1 de P trabalho
---- mg L-1 --- ------------------------------------ mL -----------------------------------
0,0 0,0 6,0 2,0 2,0
0,4 0,4 6,0 1,6 2,0
0,8 0,8 6,0 1,2 2,0
1,2 1,2 6,0 0,8 2,0
1,6 1,6 6,0 0,4 2,0
2,0 2,0 6,0 0,0 2,0

Extração
- Transferir 5 cm3 de TFSA para Erlemeyer de 125 mL;
- Adicionar 50 mL da solução de Mehlich-1;
- Agitar a 250 rpm durante 5 minutos e decantar durante uma noite.

Determinação
- Pipetar 2 mL do sobrenadante em tubos de ensaio de 30 mL;
- Adicionar 6 mL do Reagente de Trabalho (RT) e 2 mL de água destilada;
- Aguardar 30 min e prodecer leitura em espectrofotômetro a 725 nm.

11.5 Preparo do reagente de trabalho

Obs.: Prepara-se no máximo 10 mL

Para 6 mL de RT:
 x mL de alíquota (x = 2,0 mL);
 1,0 mL de 725;
 0,4 mL de vitamina C (2%) = 0,008g;

64
 6,6 mL H2O.

2 g --- 100 mL 0,008 g ----- 6 mL RT 1 mL „725‟ ---- 6 mL


x 0,4 mL x 500 mL x 500 mL
x = 0,008 g x = 0,67 g vit. C x = 83,3 mL

Para preparar 500 mL de reagente de trabalho:


 0,67g de ácido ascórbico e 83,33 mL do reagente 725 e completar o
volume com 500 mL de água destilada.

11.6 Cálculos

50 ml 10 ml
Fator de diluição = . = 50
5cm3 2 ml

Concentração mg dm3 = leitura . 50

11.7 Interpretação dos Resultados


Comparar dos resultados obtidos de acordo com a cultura e textura do solo
(Tabela 11.2).

Tabela 11.2 Níveis de interpretação do fósforo (P) na análise de solo para as culturas
(Método – Mehlich-1)

Cultura
Níveis Milho
ou Soja Algodão
Classes Normal Feijão Trigo
Safrinha
Argiloso* Arenoso* Argiloso* Arenoso* Argiloso* Arenoso*
-3
--------------------------------------------------------------- mg dm ----------------------------------
M. Baixo --  5,0 -- -- -- -- -- -- --
Baixo  3,0 5,1 - 10,0  2,0  3,0  2,0  3,0  5,0  2,0  4,0
Médio 3,1 - 6,0 10,1 – 14,0 2,1 – 4,5 3,1 – 9,0 2,1 – 4,5 3,1 - 8,0 5,1 - 11,0 2,1- 5,0 4,1 - 9,0
Alto 6,1 - 9,0  14,1 4,6 – 11,0 9,1 – 36,0 4,6 – 11,0  8,1  11,1 5,1 - 13,0  9,1
M. Alto  9,1 --  11,1  36,1  11,1 -- --  13,1 --
*solos argilosos com teores de argila  360 g ha e arenosos  350 g ha
-1 -1

Fonte: Costa e Oliveira (2001).

65
Aula Prática nº 12

12. DETERMINAÇÃO DE FÓSFORO REMANESCENTE

12.1 Introdução
Cada tipo de solo possui capacidades diferentes de adsorção/fixação de P no
solo, função da textura e grau de intemperização. Quanto maior a capacidade do solo
em adsorver/fixar fósforo, menor é a sua disponibilidade as plantas.
Para fazer esta determinação, uma solução de CaCl2 10 mmol L-1 contendo 60
mg/L de P é agitada com uma amostra de TFSA, na proporção 1 : 10, durante 1 hora.
Feita a agitação, separam-se as fases sólida e líquida e na solução de equilíbrio
determina-se a concentração de P, utilizando o método da vitamina C.

12.2 Procedimento
- Medir 5 cm3 de TFSA e adicionar 50 mL de solução de CaCl2 10 mmol L-1
contendo 60 mg L-1 de P;
- Agitar em agitador horizontal por 1 hora;
- Transferir o sobrenadante para tubo de centrífuga e centrifugar a 3.000 rpm por 5
min. Filtrar em papel de filtragem lenta tipo Whatman 42.

Procedimento para Laboratórios de Rotina

- Colocar 5 cm3 de TFSA e adicionar 50 mL de solução de CaCl2 10 mmol L-1


contendo 60 mg L-1 de P;
- Agitar por unicamente 5 min., deixando em repouso durante o pernoite (tempo =
16 horas);
- Após repouso, retirar uma alíquota de 2,0 mL do sobrenadante e adiconar 8 mL
do RT (caso precisar diluir, retirar 1 mL do sobrenadante e colocar 1 mL de
solução extratora). Decorridos 30 min. proceder à leitura em espectrofotômetro
no comprimento de onda de 725 nm.

12.3 Reagentes
Solução-padrão 500 mg L-1 de P: Dissolver 2,1964 g de KH2PO4 (secado em
estufa durante 2h a 105 oC) em 800 mL de água destilada e completar o volume em
balão volumétrico de 1 L;
Solução de cloreto de cálcio 20 mmol L-1: Dissolver 5,8848 g de CaCl2.2H2O
em  1.000 mL de água destilada e completar o volume em balão volumétrico de 2 L;
66
Solução de cloreto de cálcio 10 mmol L-1 contendo 60 mg L-1 de P: Misturar
500 mL da solução de CaCl2 20 mmol L-1 com 120 mL da solução de 500 mL de P.
Completar o volume para 1 litro.
Solução de CaCl2 10 mmol L-1 livre de P. ( se houver necessidade de diluição):
Em balão de 200 mL, colocar 100 mL da solução de CaCl2 20 mmol L-1 e completar o
volume com água destilada.
Solução-padrão de 20 mg L-1 de P: Em balão volumétrico de 100 mL colocar
4,0 mL da solução-padrão 500 mg L-1 de P e completar o volume com água destilada.
Reagente 725: Solução A: Dissolver 20g de (NH4+)6.Mo7O24 4H2O p.a. em 200
mL de água num Becker; Solução B: Em outro becker contendo 500 mL de H2O,
dissolver 1 g de subcarbonato de bismuto e adicionar 139 mL de H2SO4 concentrado.
Esfriar, misturar as duas soluções em balão de 1.000 mL e completar o volume com
H2O deionizada (solução 725).
Solução de Vitamina C 2%: Dissolver 20 g de ácido ascórbico em 1 litro de
água destilada.
Reagente de Trabalho: Deve ser preparado na hora da utilização. Para preparar
500 mL.
Para volume final da solução de leitura de 10 mL.

1ª alternativa: 2 mL de alíquota + 8 mL de reagente de trabalho

- 2 mL de alíquota do extrato.
- 1 mL do reagente 725
- 0,4 mL vitamina C 8 mL de RT
- 6,6 mL de H20

Esperar 30 min. para completa formação da cor, ler em espectrofotômetro ou


fotocolorímetro no comprimento de onda de 725 nm.

Quantos mL de reagente 725 : 62,5 mL


500 mL
Quantas gramas de vitamina C: 0,50 g

1 mL 725 ------------ 8 mL
x ------------ 500 mL  x = 62,5 mL

67
20 g L-1 : 2 g ------------- 100 mL
x ------------- 0,4 mL  x = 0,008 g

0,008 g ------------ 8 mL
x ------------ 500 mL  x = 0,50 g

2ª alternativa: 5 mL de alíquota + 5 mL de RT: solos alta CMAP.


- 5 mL de alíquota do extrato.
- 1,0 mL do reagente 725
- 0,4 mL vitamina C 5 mL de RT
- 3,6 mL de H20

12.4 Preparo da Curva Padrão de P


As soluções de leitura dos pontos da curva-padrão de P devem seguir procedimento
análogo ao das soluções de leitura das amostras (Tabela 12.1).

Tabela 12.1 - Curva padrão de P para determinação do P-remanescente

Concentração Padrão 20 mg H2O CaCl2 RT


de P L-1 de P 20 mmol L-1
---- mg L-1 ---- ------------------------------------- mL -------------------------------------
0 0,0 1,0 1,0 8
0,4 0,2 0,8 1,0 8
0,8 0,4 0,6 1,0 8
1,2 0,6 0,4 1,0 8
1,6 0,8 0,2 1,0 8
2,0 1,0 0,0 1,0 8
-1
Obs: alíquota de leitura das amostras é 2,0 mL que contém 10 mmol L de CaCl2, como
está usando 20 mmol L-1 usa-se 1,0 mL de CaCl2 20 mmol L-1.

Supor que uma amostra o P rem. for 50 mg L -1 equivaleria uma leitura de 5 mg


L-1, a curva vai até 1 mg L-1.
Diluição da solução de leitura de P: pipetar X mL da solução de equilíbrio (X< 1,0
mL) e adicionar (1 - X ) mL de CaCl2 10 mmol L-1, livre de P.
Usa-se 9,0 mL RT e alíquota = 1 mL
Fazer diluição: 0,2 mL alíquota + 0,8 mL CaCl2 10 mmol L-1 + 9 mL RT

68
12.5 Cálculos

10 𝑚𝑙
𝐹𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑙𝑢𝑖çã𝑜 (𝐹𝐷) = =5
2 𝑚𝑙 𝑎𝑙í𝑞𝑢𝑜𝑡𝑎
10 𝑚𝑙
𝐹𝐷 = Sendo x mL da solução de equilíbrio.
𝑥

12.6 Interpretação dos Resultados

Comparar os resultados com a tabela 12.2 quanto as classes de adsorção de P.

Tabela 12.2 Interpretação dos resultados de P remanescente

P remanescente(mg L-1 ) Classe


0–4 Extremamente Alta
4 – 10 Muito Alta
10 – 19 Alta
19 – 30 Média
30 – 44 Baixa
44 – 60 Muito Baixa
Fonte: Alvarez V. et al.(2000).

69
Aula Prática nº 13

13. DETERMINAÇÃO DE POTÁSSIO DISPONÍVEL NO SOLO

13.1 Introdução
É o segundo nutriente mais consumido como fertilizante pela agricultura
brasileira. Praticamente só há um adubo potássico de grande importância (KCl).
O comportamento do potássio no solo tropical é relativamente simples; 90% do K
no solo é transportado por difusão.

Potássio no Solo
O potássio é um elemento muito abundante em rochas e em solos. Os teores
totais, em solos bem supridos, podem superar 1%. Grande parte desse potássio
encontra-se em minerais que contém o elemento nas estruturas cristalinas.
O K é absorvido pelas plantas da solução do solo, na forma iônica de K +. A
absorção depende principalmente da difusão do elemento, através da solução do solo
e, em proporção menor, de fluxo de massa. O potássio tem alguma semelhança com o
fósforo, no que diz respeito ao transporte no solo, pois os dois nutrientes dependem de
difusão para chegar na superfície das raízes. Admite-se que o teor trocável é disponível
para as plantas, sendo a principal fonte para reposição do K da solução, que é
absorvido pelas plantas.
O K apresenta em geral alta solubilidade, os teores de K + na solução do solo
podem atingir concentrações bastante elevadas, dependendo do teor de ânions
presentes.
O Princípio de determinação é do fotômetro de chama.

13.2 Reagentes
Extração com utilização do extrator Mehlich-1.

Solução de HCl 1 mol L-1: transferir 83,3 mL de HCl concentrado (37%) para
frasco de 1000 mL e completar volume com água destilada.
Solução de H2SO4 0,5 mol L-1: transferir 27,7 mL de H2SO4 concentrado (96%)
para frasco de 1000 mL e completar volume com água destilada.

70
Solução de Mehlich (H2SO4 0,0125 mol L-1 + HCl 0,05 mol L-1): transferir 25
mL da solução de H2SO4 0,5 mol L-1 e 50 mL de HCl 1 mol L-1 para balão de 1.000 mL e
completar volume com água destilada.
Solução de K+ 1000 ppm: secar 3 g de KCl PA durante 2 horas a 200 ºC na
mufla e esfriar no dessecador. Transferir 1,907 g do sal para frasco de 1.000 mL e
completar volume com água destilada.

13.3 Procedimento
Extração
- Transferir 5 cm3 de TFSA para erlemeyer de 125 mL;
- Adicionar 50 mL da solução de Mehlich-1;
- Agitar durante 5 minutos e decantar durante uma noite.

13.4 Curva de calibração K+ por fotômetro de chama


Preparar conforme tabela 13.1. Estes padrões conterão respectivamente: 0,0;
5,0; 10; 20; 30; 40 e 50 mg L-1 de K.

Tabela 13.1. Curva de calibração para K

Vol. padrão de 1.000 mg L-1 Vol. (mL) de H2O destilada


----------------------------------------- mL ------------------------------------
0 5,0
0,5 4,5
1,0 4,0
2,0 3,0
4,0 1,0
5,0 0,0
Completar com KCl 1 mol L-1 em balão de 100 mL.

Determinação

- Transferir 20 mL do extrato para tubos de ensaio descartável e efetuar leitura


no Fotômetro de Chama.

13.5 Cálculos
K+ cmolc dm3 = concentração (ajustar pela equação de calibração) x 0,0256

0,0256 = FD (10) = cmolc dm-3


390

71
13.6 Determinação por espectrofotometria de absorção atômica

 Transferir 0,2 mL de alíquota do extrato para copo de café descartável;


 Adicionar 4,8 mL de água destilada;
 Efetuar a leitura no espectrofotômetro.

Fator de diluição: 5 cm3 solo  50 mL do extrato (0,2 mL  5mL)


FD = 10 X 25 = 250 (10) (25)

Fazer a curva de calibração, conforme tabela 13.2.

Tabela 13.2 Curva padrão de potássio para leitura utilizando espectrofotômetro de


absorção atômica
Conc. Vol solução
Vol Mehlich-1
K padrão 100 mg L-1
-- mg L-1 -- --------------------- mL ---------------------------
0,0 0,0 4,0
0,4 0,4 4,0
0,8 0,8 4,0
1,2 1,2 4,0
1,6 1,6 4,0
Completar volume com água destilada para balão de 100 mL.

13.7 Interpretação dos Resultados


Conforme tabela 13.3.

72
Tabela 13.3 . Níveis de interpretação dos teores de potássio (K+) na análise de solo para as
culturas (extrator Mehlich-1)
Cultura
Níveis
Milho
ou Soja Algodão
Normal Feijão Trigo
Safrinha
Classes Argiloso* Arenoso* Argiloso* Arenoso* Argiloso* Arenoso*
-3
---------------------------------------------------------------- cmolc dm --------------------------------------------------------
Baixo  0,10  0,25  0,10  0,10  0,10  0,15  0,12  0,10  0,10
0,11- 0,26- 0,11- 0,11- 0,16- 0,13- 0,11- 0,11-
Médio 011–0,30
0,20 0,50 0,30 0,30 0,40 0,24 0,30 0,30
0,21- 0,31-
Alto  0,51  0,31  0,31  0,31  0,41  0,25  0,31
0,30 0,60
M. Alto  0,31 -- -- -- -- --  0,61 --
* solos argilosos com teores de argila  360 g ha e arenosos  350 g ha .
-1 -1

Fonte: Costa e Oliveira (2001).

- Saturação da CTC por K.


𝐾
𝑆𝑎𝑡𝑢𝑟𝑎çã𝑜 𝑝𝑜𝑟 𝐾 𝑛𝑎 𝐶𝑇𝐶 = .100
𝐶𝑇𝐶𝑝𝐻7

Faixa ótima = 2 – 5%

73
Aula Prática nº 14

14 DETERMINAÇÃO DO ENXOFRE DISPONÍVEL NO SOLO

14.1 Introdução
O método baseia-se na extração de sulfato de amostras de terra por uma
solução de fosfato de cálcio, Ca(H2PO4)2 500 mg L-1 de P em ácido acético (HOAc) 2
mol L-1. A quantificação é feita por turbidimetria, provocada pela presença de BaSO4,
formado pela reação do BaCl2.2H2O com o S-SO42-, extraído das amostras de terra. É
importante que a determinação da turbidez seja feita logo após a adição dos reagentes
e agitação, pois o material em suspensão tende a precipitar com o tempo, causando
erros na leitura.
Este extrator avalia o S em solução e frações do S-SO42- adsorvido às frações
coloidais do solo e do S orgânico e da porção solúvel (HOEF et al., 1973 citado por
ALVAREZ V. et al., 2001). Sua grande vantagem é o fato de o fosfato adicionado ao
solo deslocar o SO42- adsorvido. Este extrator é colocado entre os que melhor
expressam a disponibilidade do S para as plantas.

14.2 Reagentes
Solução-padrão 500 mg L-1 de S: Pesar 1,5589 g de K2SO4 p.a. (seco por 1
hora a 105 ºC) diluir em balão de 500 mL e completar o volume com H2O destilada e
deionizada.
Solução-padrão 100 mg L-1 de S:Transferir uma alíquota de 20 mL da solução-
padrão 500 mg L-1, para balão volumétrico de 100 mL e completar o volume com H2O
destilada e deionizada.
Solução extratora Ca(H2PO4)2.H2O, 500 mg L-1 de P: Pesar 2,034 g
Ca(H2PO4)2.H2O (PM: 252,05), transferir para balão volumétrico de 1 L e dissolver .
Completar o volume com solução ácido acético 2 mol L-1.
Solução ácido acético 2 mol L-1: Medir 120 mL de acido acético (CH3COOH
P.A.), (d=1,05), transferir para balão volumétrico de 1 L e completar o volume com água
destilada e deionizada.
Solução de ácido clorídrico 6,0 mol L-1 com enxofre (20 mg L-1): Em balão
volumétrico de 1.000 mL, adicionar 200 mL de água deionizada, em seguida 500 mL de
HCl p.a. (d=1,19) e 0,1087 g de K2SO4 p.a. (seco em estufa a 105 ºC por 2 horas).
Completar o volume com água deionizada.

74
Cristais de BaCl2.2H2O p.a: Peneirar os cristais em peneiras de 20 e 60 mesh.
Usar os cristais que ficarem retidos na peneira 60.
Carvão ativado: Usar produto de boa qualidade, livre de enxofre.
Soluções-padrão diluídas: Transferir 0; 1,0; 2,5; 5,0; 10,0; 12,5; 15,0; 20,0 e 25
mL da solução contendo 100 mg L-1 de S para balões de 50 mL (Tabela 14.1).
Completar o volume com extrator Ca(H2PO4)2.H2O, 500 mg L-1 de P, e agitar. Essas
soluções contem respectivamente, 0, 2, 5, 10, 20, 25, 30, 40, 50 mg L -1 de S-SO42-.

14.3 Procedimento para extração

- Transferir 10 cm-3 de TFSA para copo extrator;


- Adicionar 25 mL da solução extratora;
- Agitar 30 minutos em agitador circular;
- Adicionar ± 0,25 g de carvão ativado, usar medida calibrada;
- Agitar por mais 3 minutos;
- Decantar por 3 a 5 minutos e filtrar em papel de filtração lenta tipo Whatman 42 (ou
equivalente) umedecido com solução extratora e adicionar ± 0,25g de carvão ativado
(lavar o carvão por 2X com solução extratora).
Obs: extrato deve ficar cristalino e incolor.
Nas mesmas condições de extração deve ser feita uma prova em branco, ou
seja, seguir os passos da extração sem adicionar os 10 cm 3 de solo.

14.4 Curva de Calibração de enxofre


- Pipetar 25 mL das soluções-padrão diluídas 0, 2, 5, 10, 20, 25, 30, 40, 50 mg L -1
de S-SO42- em copos extratores (mesmos utilizados para extração das amostras de
solo);
- Acrescentar ± 0,25 g de carvão ativado;
- Agitar por 3 minutos, em seguida filtrar em papel de filtração lenta tipo Whatman 42
(ou equivalente) com adição de ± 0,25g de carvão ativado;
- Pipetar 10 mL das soluções padrão (0, 2, 5, 10, 20, 25, 30, 40, 50 mg L -1 de S-
SO42-) para frasco plástico, acrescentar 1 mL da solução de ácido clorídrico 6,0 mol L-1
com enxofre (20 mg L-1) e cerca de 0,5 g de BaCl2.2H2O peneirado. Pode-se utilizar
medida volumétrica calibrada. Esperar um minuto e, agitar manualmente até a
dissolução dos cristais. Ler a absorbância num prazo máximo de 8 minutos após a

75
dissolução dos cristais, em espectrofotômetro a 420 nm. Zerar o aparelho com a
solução em branco (ponto 0 mg dm-3 de S-SO42- da curva-padrão).
- Construir uma curva-padrão plotando os valores de absorbância contra as
concentrações das soluções-padrão 0, 2, 5, 10, 20, 25, 30, 40, 50 mg L -1 de S-SO42-
(Tabela 14.1 e Tabela 14.2).

Tabela 14.1 Preparo das soluções-padrão 0, 2, 5, 10, 20, 25, 30, 40, e 50 mg dm -3 de S-
SO42-

Solução-padrão 100 mg L-1


Concentração de S1/ Extrator balão 50 mL
de S
-----mg L-1----- -------------------- mL ----------------------
0,0 0,0 50,0
2,0 1,0 49,0
5,0 2,5 47,5
10,0 5,0 45,0
20,0 10,0 40,0
25,0 12,5 37,5
30,0 15,0 35,0
40,0 20,0 30,0
50,0 25,0 25,0
1/
Concentração dos extratos-padrão.

Tabela 14.2 Preparo da curva-padrão de S

Concentração de S Solução-padrão diluídas Carvão ativado


-- g L-1 --- ----- mL ----- ---- g ---
0,0 25,0 0,25
2,0 25,0 0,25
5,0 25,0 0,25
10,0 25,0 0,25
20,0 25,0 0,25
25,0 25,0 0,25
30,0 25,0 0,25
40,0 25,0 0,25
50,0 25,0 0,25

Determinação

- Pipetar 10 mL do extrato para frasco plástico, acrescentar 1 mL da solução de HCl 6


mol L-1 com S (20 mg L-1);
- Acrescentar cerca de 0,5 g de BaCl2.2H2O peneirado. Pode-se utilizar medida
volumétrica calibrada. Esperar um minuto e, agitar manualmente até a dissolução dos
cristais (30 segundos). Ler a absorbância e concentração até 8 minutos após as

76
amostras serem agitadas, em espectrofotômetro a leitura a 420 nm em cubetas de 1,0
cm de largura. Essa etapa deve ser feita com, no máximo, 10 a 12 amostras de cada
vez para se efetuar a leitura no tempo especificado.
14.5 Cálculos

S-SO42- (mg dm-3) = Concentração de S da amostra (leitura) x fd


fd = fator de diluição = 2,5, obtido pela diluição durante a etapa de extração, de
10 cm3 de solo em 25 mL de solução extratora (25/10).

14.6 Interpretação dos Resultados

Tabela 14.3 Níveis de interpretação do enxofre (S-SO42-) na análise do solo,


independente da cultura

Níveis Ca(H2PO4)2
-----------mg dm-3---------
Muito baixo ≤ 2,5
Baixo 2,6 – 5,0
Médio 5,1 – 10,0
Alto > 10,0
Muito alto ---
Fonte: Viti (1982).

Tabela 14.4 Classes de interpretação da disponibilidade para o enxofre *, de acordo


com o P remanescente

Classificação
P-rem
Muito baixo Baixo Médio Bom Muito Bom

mg L-1 ---------------------------------- mg dm-3 -----------------------------------


Enxofre disponível (S)
0–4 ≤1,7 1,8 – 2,5 2,6 – 3,6 3,7 – 5,4 >5,4
4 – 10 ≤ 2,4 2,5 – 3,6 3,7 – 5,0 5,1 – 7,5 >7,5
10 – 19 ≤ 3,3 3,4 – 5,0 5,1 – 6,9 7,0 – 10,3 >14,2
19 – 30 ≤ 4,6 4,7 – 6,9 7,0 – 9,4 9,5 – 14,2 >14,2
30 – 44 ≤ 6,4 6,5 – 9,4 9,5 – 13,0 13,1 – 19,6 >19,6
44 – 60 ≤ 8,9 9,0 – 13,0 13,1 – 18,0 18,1 – 27,0 >27

* Método Hoeft et al., 1973 (Ca(H2PO4)2, 500 mg L-1 de P, em HOAc 2 mol L-1.
Fonte: CFSEMG (1989).

Aula Prática nº 15
77
15 DETERMINAÇÃO DE BORO DISPONÍVEL NO SOLO

15.1 Introdução
A extração com água quente sob refluxo, proposta por Berger e Truog (1939) é o
método mais empregado para avaliar a disponibilidade de B em solos, mas apresenta
certas dificuldades como: as amostras são aquecidas sob refluxo, o que é um processo
trabalhoso para ser realizado em laboratórios de rotina; tem-se a necessidade de
vidrarias livre de boro; realiza-se um pequeno número de amostras por dia e é difícil o
controle preciso do tempo de aquecimento e resfriamento da suspensão do
solo/solução.
Abreu et. al. (1994), substituíram a água quente pela solução de cloreto de bário,
e o aquecimento sobre refluxo pelo aquecimento assistido por microondas. Com isso,
foi possível eliminar interferências na extração via microondas e na determinação tanto
pela espectrometria de emissão atômica em plasma (ICP-AES), como pelo método
colorimétrico, além de conseguir um melhor controle no tempo de fervura, e ser um
método mais rápido.
A azometria-H é o reagente colorimétrico mais utilizado para a determinação de
boro em solos e o aspecto mais favorável está no meio reacional aquoso, que é mais
simples e mais sensível quando comparado a outros método (Wolf, 1971). Em solução
aquosa a Azometina-H se dissocia no ácido-H (ácido 4 – amino-5-hidroxi-
2,7naftalenodisulfônico) e aldeído salicílico, resultando, em presença do ácido bórico,
no deslocamento do equilíbrio no sentido da formação da azometrina –H, intensificando
a cor amarela. Assim, o ácido bórico se comporta como um catalisador da reação e a
determinação é feita colorimetricamente no comprimento de onda de 420 nm . Para
essa determinação é necessária a adição de carvão ativado durante o processo de
extração , para prevenir a interferência da cor amarela produzida pela matéria orgânica
removida do solo pela água quente.

15.2 Reagentes

Solução extratora de cloreto de bário (1,25 g L-1): Dissolver 1,25 g de cloreto


de bário em balão de 1 L e completar o volume com água deionizada.

78
Solução Tampão: Em 160 mL de H2O destilada, dissolver 100 g de acetato de
amônio p.a. e 6 g de EDTA ácido. Em seguida adicionar vagarosamente 50 mL de
ácido acético glacial p.a..Transferir para frasco plástico.
Solução de azometina – H a 0,9% em ácido ascórbico – L: Dissolver 0,9 g de
azometina-H em 100 mL de Solução de ácido ascórbico a 2% ( 2,00 g 100 mL-1)
OBS: Este reagente deve ser preparado semanalmente e guardado em refrigerador.
Solução padrão estoque de 1000 mg de B L-1: Dissolver 5,7178 g de ácido
bórico p.a (reagente de grau analítico ) em balão volumétrico de 1,0 L e completar o
volume utilizando água destilada.
Solução intermediária I (40 mg L-1 de B): Transferir uma alíquota de 4 mL da
solução estoque e diluir a 100 mL com a solução extratora. Estocagem máxima de uma
semana.
Solução intermediária II (4 mg L-1 de B): Transferir uma alíquota de 10 mL da
solução intermediária I e diluir a 100 mL com a solução extratora. Preparada
diariamente.

15.3 Curva de calibração


Transferir os volumes abaixo indicados da solução intermediária II para bolões
de 100 mL e completar o volume com a solução extratora de cloreto de bário.

Tabela15.1 Soluções-padrão de trabalho usadas na construção da curva de calibração


de boro por espectrofotometria

Concentração de B Volume da solução intermediária II

----- mg L-1 ----- ----------------- mL -----------------

0,20 5,0
0,40 10,0
0,60 15,0
0,80 20,0
1,00 25,0

15.4 Procedimento
Extração
- Transferir 10 cm3 de solos para copinhos de polipropileno cap. 60 ou 80 mL ;
- Adicionar 20 mL da solução extratora de cloreto de bário 0,125%;
- Adicionar 0,5 cm3 de carvão Ativo;
- Tampar os copinhos ;
79
- Transferir os copinhos para Microondas, (23 unidades) 14 com solos e 9 com
areia (podendo variar conforme o capacidade do microondas) e aquecer por um período
de 4 minutos a temperatura máxima (700w) .
*Se o forno de microondas tiver potência maior que 700w, deve-se avaliar qual a
potência e o tempo necessários para a suspensão (solo/solução) iniciar a fervura, e
então deixar ferver por 5 minutos em uma potência média que deve estar em torno de
490 w.
*O forno de microondas deve ser periodicamente calibrado para aferir a potência. O
procedimento para calibração do forno pode ser realizado de acordo com Raij et al.
(2001).
- Retirar do forno, agitar levemente os copinhos e soltar um pouco a tampa
- Deixar esfriar um pouco e filtrar o extrato em filtros de filtração lenta
umedecidos com água. O extrato deve ficar cristalino e incolor.
OBS: Não esquecer prova em branco.
Determinação:
- Transferir 4 mL da prova em branco, do extrato de solo ou de cada solução
padrão de trabalho para copinhos de café;
- Adicionar 1 mL de solução tampão e homogenizar;
- Adicionar 1 mL de azometina e homogeneizar;
- Deixar de repouso no escuro durante 30 minutos;
- Efetuar leitura em espctofotômetro UV a 420 nm, começando pelas soluções
padrões (curva).

15.5 Cálculos
𝐵 𝑚𝑔 𝑑𝑚−3 = 𝐿𝑒𝑖𝑡𝑢𝑟𝑎 . 2
Onde:
20 𝑚𝑙
2 = Fator de diluição 𝐹𝐷 = =2
10 𝑐𝑚 3

15.6 Interpretação dos Resultados

80
Tabela15.2 Níveis de interpretação de análise do solo, independente da cultura

Níveis Teores de boro


---------- mg dm3 ---------
Baixo1 ≤ 0,2
Médio1 0,3 – 0,4
Alto1 > 0,5
Bom2 0,5 – 1,5
Excesso2 3,0
1
Níveis padrão para interpretação.
2
Outras referências para interpretação .
Fonte: Costa e Oliveira (2001).

Aula Prática nº 16
81
16. DETERMINAÇÃO DO NITROGÊNIO MINERAL NO SOLO

16.1 Introdução

A quantidade do N mineral no solo não é utilizada para recomendação de


adubação em função da dinâmica do N no solo, em função dos seguintes fatores:

a) Amostragem: Alta solubilidade do NO3- (deslocar NO3- para fora da área


amostrada).
b) Dificuldade armazenamento da amostra: Atividade microbiológica na amostra
dever ser paralisada imediatamente após amostragem (congelar a amostra em
frezzer).
c) NO3- determinado num dia pode não se correlacionar com o NO 3- disponível no
ciclo de uma cultura.

As recomendação de adubações com N tem sido baseada no teor de matéria


orgânica, por estimativa de mineralização.
% M.O./20 = N total
5% da M.O. é N orgânico.
Ex: Solo com 2% M.O. = 2/20= 0,10% de N total
1ha--------------2.000.000 kg ha-1 de N
0,10% = 2.000 kg de solo por ha
Considerando taxa de mineralização 1-2% = 20 – 40 kg/ha/ano de N
Mas para quantificar a quantidade de N-Mineral no solo ( NO3- e NH4+), um dos
métodos utilizados é a destilação por arraste de vapores em aparelho simi-micro-
kjeldahl.

Princípios do Método Kjeldahl

Para determinação de NH4+ + NO3- + NO2-, faz-se previamente a extração


destes elementos do solo através de solução de KCl 1 mol L-1. Esta extração ocorre
apenas para as fontes minerais trocáveis, ou seja, aqueles minerais fixados na argila
não são extraídos com este método.

82
Reações

A liberação da NH3 na destilação é obtida pela alcalinização do extrato em


MgO:
1. MgO + H2O Mg2+ + 2OH-
2. NH4+ + OH- NH3 + H2O
A amônia é recolhida em erlenmeyer contendo ácido bórico;
3. H3BO3 + NH3 NH4+ + H2BO3-

Titulação para repor H+ consumido para formar NH4+;

4. H+ + H2BO3- H3BO3 (Contra – titulação)

Após a destilação da NH3 em presença de NO2- e NO3- (que não são


destilados), adiciona-se a liga Devarda (50% Cu, 45% Al e 5 % Zn) para reduzir esses a
NH4+ o qual a seguir destilado na forma de NH3. Em seguida ocorre conforme as
reações 3 e 4 acima.
A quantidade de ácido consumido na titulação, em meq, corresponde a igual
quantidade de NH4+ , ou seja, do N existente na alíquota.

16.2 Reagentes
MgO calcinado: Levar MgO no forno a 700o C por 2 horas. Deixar esfriar e
guardar em frasco com tampa;
H2SO4 0,0025 mol L-1: dissolver 1,4 mL de H2SO4 concentrado em balão de
1.000 mL de completar volume com água destilada. Pipetar 10 mL desta solução em
balão de 100 mL e completar volume com água destilada;
KCl 1 mol L-1: dissolver 74,5 g de KCl em balão 1.000 mL e completar volume
com água destilada.

16.3 Procedimento

Extração

Realizada conforme figura 16.1.

83
5 g Solo 50 mL de KCl
1 mol L-1
(a)
(b)

Agitar por 30 Minutos e em seguida


deixar decantar por mais 30 min.
(c)

30 minutos
Figura 16.1 Procedimentos para extração de N-Mineral do solo. (a) Pesar 5g de solo
(em unidade natural) e colocar com frasco “snap-cap”; (b) Adicionar 50 mL
de KCl 1 mol L-1; (c) Agitar por 30 minutos.

Destilação para determinar (NH4++ NO3- + NO2-).

Conforme a figura 16.2, acopla-se um tubo de digestão com 20 mL do extrato


com 0,2 g de MgO calcinado (a), na saída do vapor coloca-se um erlenmyer contendo 5
mL de H3BO3 com 3 gotas de indicador para receber o NH3, que é o resultado da
destilação (b). Recomenda-se coletar entre 35 e 40 mL de destilado.
-1
c) NaOH 10 mol L

a)
10 mL do extrato

b)

5 mL de H3BO3 (2%) com 3 gotas indicador


(destilar 35 - 40 mL)

Figura 16.2 Destilação de amostras de solo para determinação de N-Mineral.

84
- Titulação

Por último, fazer a titulação com H2SO4 0,0025 mol L-1 sobre o volume
coletado na destilação. Pare de titular quando a amostra mudar da cor verde para vinho
(Figura 16.3). Para cada mL de H2SO4 0,0025 mol L-1, correspondem a 700 µg de N ou
0,7 mg de N.

H2SO4 0,0025 mol L-1

Volta cor original (vinho)

Figura 16.3 Titulação de amostras para determinação de Nitrogênio mineral em solo.

16.4 Cálculos

N mineral (mg kg-1) = (mL H+ am – mL H+ Br) x 0,07 x 2,5 x 1000


5g

Cada mL H2SO4 0,0025 mol L-1 corresponde 0,07 mg N e 0,005 mmol N.

Onde:
1000 = para expressar o resultado em mg kg-1
2,5 = 50 mL
20 mL aliq.

1 mL H2SO4 0,0025 mol L-1 ----- 0,005 mmol N


1 mmol N -------------- 14 mg
0,005 mmol -------------- x

85
x = 0,07 mg ou 70 µg

Obs.: Cada mL de H2SO4 (0,0025 mol L-1) utilizado na titulação correspondem a


70 g de nitrogênio N-NH4.

Determinação de NH4+ e NO3-


Fazem-se duas destilações e duas titulações no mesmo extrato. Na primeira,
adiciona-se somente o MgO e na segunda, adiciona-se a Liga de devarda. Os cálculos
proceder conforme o item 16.4.

86
Aula Prática nº 17

17 DETERMINAÇÃO DE COBRE, ZINCO, FERRO E MANGANÊS NO SOLO

17.1 Introdução
A análise e recomendação de micronutrientes ainda é alvo de muitos estudos.
Poucos são os trabalhos de correlação entre os extratores empregados para a análise
com a produtividade das plantas. Além disso, em estudos conduzidos por Fey et al.
(2002) demonstram que para um mesmo extrator, a forma de coleta do extrato para
fazer a leitura (superior, médio inferior e todo o sobrenadante) é determinante, e
interfere nos resultados. O mesmo trabalho, encontrou-se que o extrator que mais
extraiu os nutrientes Cu e Zn foi o Mehlich-1.

17.2 Reagentes
Solução de HCl 1 mol L-1: transferir 85,3 mL de HCl concentrado (36%) para
frasco de 1000 mL e completar volume com água destilada.
Solução de H2SO4 1 mol L-1: transferir 27,7 mL de H2SO4 concentrado (96%)
para frasco de 1000 mL e completar volume com água destilada.
Solução de Mehlich-1 (H2SO4 0,025 mol L-1 + HCl 0,05 mol L-1): transferir 25
mL da solução de H2SO4 1 mol L-1 e 50 mL de HCl 1 mol L-1 para balão de 1000 mL e
completar volume com água destilada.

17.3 Procedimento
Extração

O processo de extração é idêntico aquele realizado para extração de P e K,


podendo-se utilizar o mesmo extrato.
- Transferir 5 cm3 de TFSA para erlemeyer de 125 mL;
- Adicionar 50 mL da solução de Mehlich-1;
- Agitar durante 5 minutos e decantar durante uma noite.

17.4 Curva Padrão de Cu , Zn, Fe e Mn


- Solução 50 mg L-1 de Cu ; 20 mg L-1 de Zn; 25 mg L-1 de Mn e 100 mg L-1 de
Fe (Solução intermediária): Transferir 5,0; 2,0; 2,5; 10,0 mL das soluções padrão de
Cobre, Zinco, Manganês e Ferro de 1.000 mg L-1 ,respectivamente, para balões de 100
mL e completar volume com água deionizada.

87
Tabela 17.1. Curva de Calibração de Cu, Zn, Mn e Fe

Volume da Solução Volume de H2O


Concentração
intermediária Destilada
Cu Zn Mn Fe
----------------- mg L-1 --------------- ---------------------- mL ------------------------
0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 4,0
1,0 0,4 0,5 2,0 1,0 3,0
2,0 0,8 1,0 4,0 2,0 2,0
3,0 1,2 1,5 6,0 3,0 1,0
4,0 1,6 2,0 8,0 4,0 0,0
Completar o volume com Mehlich-1 em balão de 50 mL.

Determinação

- Transferir 20 mL do extrato para tubos de ensaio descartável e efetuar leitura


no espectrofotômetro de absorção atômica.

17.5 Cálculos
50 ml
Fator de diluição (FD) = = 10
5 cm3

Concentração mg dm−3 = Leitura .10

17.6 Interpretação dos Resultados


Conforme Tabela 17.2

Tabela 17.2 Níveis de interpretação da análise de solo, independente da cultura.

Níveis ou Extrator – Mehlich-1


Classes Cu Fe Mn Zn
-3
------------------------------------- mg dm --------------------------------------
Baixo  0,4  15,0  4,0  0,8
Médio 0,5 – 1,5 16,0 - 40,0 5,0 - 8,0 0,9 - 1,5
Alto  1,6  40,1  9,0  1,6
Bom 1,5 – 2,0 40,1 – 60,0 9,0 – 12,0 1,5 – 2,0
Excesso 8,0 300,0 150,0 30,0
Fonte: Costa e Oliveira (2001).

88
Aula Prática nº 18

18 DETERMINAÇÃO DE CARBONO ORGÂNICO DO SOLO


18.1 Introdução
O carbono orgânico presente no solo pode ser encontrado em diversas formas:
- Resíduos alterados e muito resistentes de plantas, animais e microrganismos
denominados húmus.
- Resíduos orgânicos pouco alterados de plantas, animais e microorganismos
vivos e mortos.

O Carbono orgânico pode ser determinado por:


- Combustão seca em forno, sendo o Carbono determinado como CO 2
desprendido (C orgânico total).
- Oxidação com ácido crômio na presença de H2SO4

Este último tem sido preferido em função da simplicidade e a conveniência de


usar pouca aparelhagem, visto que os procedimentos de oxidação são rápidos e estão
sujeitos a oxidação incompleta do carbono, sendo, desta forma, necessário determinar
um fator de correção dos dados obtidos.
A eficiência da oxidação do carbono orgânico do solo com K 2Cr2O7 apresenta
em média 77%, isto é o Cr2O2-7 pode oxidar somente 77% do C do solo.

Princípio

A matéria orgânica do solo é oxidada pelo Cr2O2-7 no meio ácido, sendo a


reação acelerada pelo aquecimento gerado na adição de ácido sulfúrico concentrado. O
excesso de Cr2O2-7, que não foi gasto na oxidação, é dosado pela titulação com solução
de FeSO4 e o teor de matéria orgânica calculado pela quantidade de Cr2O2-7 reduzido.

Reações

1. 2K2Cr2+6O7 + 3C + 8H2SO4 2Cr2+3(SO4)32- + 3CO2 + 2K2SO4


2. O excesso de Cr2O72- é determinado por titulação com Fe2+.
6Fe2+ = 6Fe3+ + 6e-

Cr2O72- + 14H+ + 6e- = 2Cr3+ + 7H2O


Fe2+ + Cr2O72- + 14H+ = 6Fe3+ + 2Cr3+ + 7H2O
89
18.2 Reagentes
Solução de dicromato de potássio (K2Cr2O7 0,167 mol L-1): dissolver 49,09g
de K2Cr2O7 (seco a 105ºC) em 1 litro de água destilada;
Ácido ortofosfórico concentrado (H3PO4);
Ácido sulfúrico concentrado (H2SO4);
Solução de sulfato ferroso (FeSO4 . 7H2O 1 mol L-1): dissolver 280g de
FeSO4 . 7H2O em água destilada, adicionar 80 mL de H2SO4 concentrado, esfriar e
diluir para 1 litro. Padronizar freqüentemente a solução titulando contra 10 mL de
K2Cr2O7 1 mol L-1;
Solução de difenilamina 1%: dissolver 1g de difenilamina em 100 mL de
H2SO4 concentrado.

18.3 Procedimento
Oxidação da Matéria Orgânica

- Transferir 1 cm3 de TFSA para erlenmeyer de 250 mL, adicionar 10 mL da


solução de K2Cr2O7 1 mol L-1 e 10 mL de H2SO4 concentrado.
- Esfriar durante 30 minutos;

Titulação com Sulfato Ferroso

- Adicionar 50 mL de água destilada, 3 mL de H3PO4 concentrado e 0,5 mL do


indicador (difenilamina 1%).
- Titular lentamente com a solução de FeSO2 1 mol L-1 até a coloração verde .
Caso a coloração torne-se verde antes da titulação adicionar mais 10 mL de dicromato
de potássio e ácido sulfúrico.

Prova em Branco

- Pipetar 10 mL da solução de K2Cr2O7 1 mol L-1 e adicionar 10 mL de H2SO4


concentrado e esfriar. Após, adicionar 50 mL de água destilada, 3 mL de H3PO4
concentrado e 0,5 mL do indicador difenilamina .
- Titular com a solução de sulfato ferroso (FeSO4) 1 mol L-1.

90
18.4 Cálculos

(𝑉2 − 𝑉2 )
%𝐶 = . 𝑓. 0,3896
𝑔

Onde: V1 = volume de FeSO4 1 mol L-1, gasto na amostra;


V2 = volume de FeSO4 1 mol L-1, gasto na prova \em branco;
f = fator da correção da solução de FeSO4 i mol L-1;
0,3896 – é o valor obtido da relação 0,30 / 0,77
0,30 = é o equivalente grama de C em 100g;
0,70 = indica a eficiência do método (77%).

Comentário

A eficiência da oxidação do carbono orgânico do solo com K 2Cr2O7 em meio


H2SO4 concentrado apresenta uma média de 77%. Isto é o Cr2O72- pode oxidar
somente 77% do C do solo.

Matéria Orgânica
A porcentagem de matéria orgânica é calculada multiplicando-se o resultado do
carbono orgânico por 1,724. Este fator é utilizado em virtude de se admitir que na
composição média dos compostos orgânicos do solo, o carbono participe com 58%.

Matéria Orgânica (g/kg) = C (%) x 1,724

18.5 Interpretação dos Resultados


Interpretar os teores no solo de acordo com a tabela 18.1.

Tabela 18.1 Níveis de interpretação da matéria orgânica na análise do solo

Níveis ou
Carbono Matéria orgânica Observação
Classes
------------------------ g dm-3 ---------------------------- * para transformar
M. Baixo 8  14 carbono em matéria
orgânica
Baixo 9 – 14 15 – 25
M.O (g dm-3) = 1,72 x
Médio 14 – 20 26 – 35 Carbono
Alto 20 – 35 36 – 60
*para percentagem
M. Alto  36  61
dividir por 10
Fonte: Costa e Oliveira (2001).

91
Aula Prática nº 19

19. ANÁLISE QUÍMICA EM TECIDO VEGETAL


19.1 Introdução

A análise química de tecido vegetal é um dos métodos utilizados para avaliar o


estado nutricional das plantas. Segundo Miyazawa et al. (1992), os principais objetivos
desta análise são: (1) diagnosticar um problema nutricional não identificado
visualmente; (2) confirmar sintomas visuais identificados no campo; (3) localizar áreas
que apresentam suprimento marginal de nutrientes; (4) identificar se um determinado
nutriente aplicado foi absorvido pela planta; (5) identificar interações e antagonismos
entre nutrientes; (6) identificar mobilidade, redistribuição, flutuação estacional e o local
de armazenamento de um determinado nutriente; (7) indicar a necessidade de uma
análise complementar do solo para identificar a causa específica de um problema
nutricional e (8) juntamente com a análise do solo, auxiliar o programa de
recomendação de fertilizantes e corretivos.

19.2 Coleta e preparo da amostra para análise

Para a coleta de uma amostra com objetivo de avaliação de estado nutricional de


determinada planta, sugere-se seguir os passos determinados por Malavolta et al.
(1997).
Segundo Silva (1999) as folhas verdes recém-coletadas no campo são lavadas
rapidamente com água de torneira e enxaguadas com água destilada. Em tecidos
vegetais contendo resíduos de pesticidas ou adubos foliares, recomenda-se um
primeira lavagem com HCl 3% (v/v), seguida de água de torneira e água destilada.
Folhas secas, murchas ou deterioradas não são recomendadas para análise, porque os
elementos químicos podem ser dissolvidos na água de lavagem, causando perdas
irreversíveis. Após as lavagens, as folhas são colocadas em sacos de papel perfurados
e postas a secar em estufa com circulação forçada de ar a 60º C até peso constante
(+ou- 48 horas). Em seguida, são moídas em moinho de aço inoxidável, para evitar a
contaminação da amostra com ferro, zinco e cobre, passando a amostra em peneiras
de 1mm de malha ou 20 mesh no caso de moinhos do tipo Wiley. Finalmente
acondicionar a amostra moída em frascos de vidro com tampa plástica devidamente
identificados.
92
19.3 Preparo de extratos para análise de tecido vegetal

Neste processo, é realizada a retirada de todos os elementos ligados e


adsorvidos aos compostos orgânicos (MALAVOLTA et al., 1992).
Os métodos mais utilizados para a extração de minerais de uma amostra de
tecido vegetal são: digestão seca, digestão úmida (sistema aberto), digestão úmida em
forno de microondas (sistema fechado) e solubilização em HCl 1 mol L -1 (SILVA, 1999).

19.4.1 Digestão Seca

A digestão seca é uma das técnicas mais antigas e simples de análise de tecido
vegetal. A matéria orgânica do tecido vegetal é incinerada na mufla elétrica a 450º -
550ºC, e o resíduo inorgânico (cinza) é dissolvido na solução de ácido diluído (HCl 1
mol L-1). Pode-se determinar os seguintes elementos nessa solução: Al, B, Ca, Cd, Cr,
Co, Cu, Fe, K, Mg, Mn, Na, Ni, P, Pb, S, Se, Si e Zn.
O procedimento é simples: Transferir 500 mg de amostra para um cadinho de
porcelana de 100 mL e levar para mufla por 3 horas. Diluir as cinzas em 25 mL de
HNO3 1 mol L-1.
Vantagens: simplicidade de execução, possibilidade da determinação de vários
elementos no material digerido e a não poluição do ambiente do laboratório com gases
ou vapores tóxicos.
Desvantagens: lentidão (gasta mais de 24h), trabalhoso (filtração), dificuldade de
automação, possibilidade de perdas de elementos por volatilização e exigência de
equipamentos especiais (mufla).

19.4.2 Digestão úmida em forno microondas (sistema fechado)

O tecido vegetal é digerido com HNO3 65% em vaso de teflon fechado a 170º -
180ºC e pressão de 20 a 25 bar. A fonte de energia da digestão é a onda de rádio 2.450
MHz com potência de 600 a 1.000 W. O vaso de teflon é utilizado na digestão porque é
um material que não absorve a energia de microondas e resiste aos ácidos oxidantes a
quente, até 230ºC e pressão de 25 bar. Pode-se determinar os seguintes elementos
nessa digestão: Al, Ca, Cd, Cr, Co, Cu, Fe, Mg, Mn, Mo, Ni, P, Pb, S e Zn.

93
Vantagens: Não existem perdas por volatilização de elementos; menor tempo de
digestão (10 min); menor consumo de HNO3; mínima contaminação externa; sem
desprendimento de gases e vapores tóxicos.
Desvantagens: dificuldade de análise em série; número reduzido de amostras
para cada fornada (cerca de 4 a 10 amostras); custo elevado do forno de microondas e
do vaso de teflon.

19.4.3 Extração com solução de HCl 1 mol L-1 – sem digestão

Os elementos químicos do tecido vegetal são solubilizados na solução de HCl


1mol L-1. A solução de HCl 1mol L-1 é capaz de extrair elementos químicos do tecido
vegetal sem oxidação da matéria orgânica. O método é aplicável para a determinação
total de B, Ca, Ca, Cd, Co, Cu, K, Mg, Mn, Na, Ni, P, Pb e Zn. É possível determinar
também nitrato nesse extrato. A solução de HCl 1mol L-1 pode ser substituída por HNO3
1mol L-1, sendo, neste caso, possível a determinação, além dos elementos citados
acima, do Cl- (Miyazawa et al. 1992).
Procedimento: Transferir 400 mg da amostra do material vegetal para frasco de
vidro cilíndrico de 50 mL, adicionar 20 mL da solução de HCl 1 mol L-1, levar à balança
e registrar o peso. A seguir, aquecer durante 15 min a 80 oC em banho-maria, esfriar à
temperatura ambiente, agitar por 45 minutos em agitador horizontal circular a 250 rpm,
voltar a balança, completar o peso inicial com água destilada para reposição da água
evaporada durante o aquecimento e filtrar utilizando-se papel de filtro qualitativo de 15
mm de diâmetro (extrato – A). O extrato –A, é utilizado para as determinações de B,
Mn, Cu e Zn. Para determinação de K, Na, Ca, e Mg, transferir 1 mL do Extrato-A para
um frasco e completar o volume de 20 mL com água destilada (extrato-B).
Vantagens: não polui o ambiente do laboratório com gases e vapores tóxicos ou
corrosivos; dispensa materiais e aparelhos específicos, como por exemplo – capela,
mufla, bloco digestor, cadinho e tubo digestor; é simples, rápido e adaptável em sistema
em série; pode utilizar HCl comercial com baixo custo de extração.
Desvantagem: extração parcial dos elementos Al, Fe e S.

19.4.4 Digestão úmida (sistema aberto)

Esta é a extração mais comumente utilizada. O princípio geral deste método é


que toda a matéria orgânica é oxidada com ácidos concentrados em alta temperatura.
94
A escolha dos reagentes depende da natureza da amostra e dos elementos que
se deseja determinar.
Desvantagem: maior consumo de reagentes e a poluição do ambiente com
gases e vapores tóxicos.
Para a determinação de nitrogênio é utilizada a digestão sulfúrica e para a
determinação de Al, Ca, Cd, Cr, Co, Cu, Fe, Mg, Mn, Mo, Ni, P, Pb, S e Zn é utilizada a
digestão nítrico-perclórica.

95
Aula Prática nº 20

20 DIGESTÃO SULFÚRICA

20.1 Introdução
A digestão sulfúrica é realizada na determinação de nitrogênio.

20.2 Reagentes

Ácido sulfúrico P.A. (H2SO4);


Peróxido de hidrogênio P.A. (H2O2);
Mistura digestora (100 g de Na2SO4; 10 g de CuSO4; 1 g de selênio).

OBS: Para preparar a mistura digestora colocar primeiro o CuSO 4 em um (gral


ou almofariz) e macerar com pistilo até ficar bem fino, em seguida colocar o
Na2SO4 e macerar novamente. O selênio será colocado por último devendo
todos os componentes formar uma mistura homogênea. Armazenar a mistura
em recipiente fechado.

20.3 Procedimento

Colocar primeiro a amostra de tecido vegetal nos tubos de ensaio (tubos


digestores), em seguida adicionar o H2SO4 e o H2O2 na capela com o exaustor
ligado. A mistura digestora deve ser colocada utilizando funil de haste longa a
fim de evitar que a mesma fique aderida na parede do tubo (Esquema 20.1).

- Colocar os tubos digestores no bloco a temperatura de ± 100 ºC por 10 a


15 minutos (pré-digestão). Após este período elevar a temperatura para 350 –
375ºC até clarear a amostra (verde-amarelo), manter por uma hora;
- Retirar do bloco e deixar esfriar (± 20 minutos), passar para balão de 50
mL e completar o volume com água deionizada;
- Fazer o mesmo procedimento com 5 provas de branco (sem amostra).

Com amostras líquidas, por exemplo dejetos de suínos, pipetar 5 ml em


tubo digestor, adicionar 4 ml de H2SO4 e 1 g de mistura digestora. Deixar em
96
pré digestão por 30 min. Colocar no bloco digestor e proceder conforme
realizado para tecido vegetal.

2 mL H2SO4 conc.
+ 1 mL H2O2 b)
c)
a)

0,7 g de mistura
0,2 g Tecido digestora (100 g
Vegetal Na2SO4; 10 g
CuSO4; 1 g Se

Esquema 20.1 Passos para realizar a digestão sulfúrica: a) colocar amostra, b)


adicionar os ácidos e c) adicionar a mistura digestora.

20.4 Cálculos

𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 50 𝑚𝑙
𝐹𝐷 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑙𝑢𝑖çã𝑜 = = = 250
𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 0,2 𝑔

97
Aula Prática nº 21

21 DIGESTÃO NÍTRICO-PERCLÓRICA (3:1)

21.1 Introdução
A digestão nítrico-perclórica pode ser utilizada na determinação de P,S,
Ca, Mg, K, P e micronutrientes em tecido vegetal (SILVA,1999).
Neste procedimento, é necessário bloco digestor com controlador de
temperatura e tudos de digestão.
21.2 Reagentes
Solução digestora nítrico-perclórica: Misturar 750 mL de ácido nítrico p.a.
concentrado com 250 mL de ácido perclórico p.a. concentrado.

21.3 Procedimento

- Pesar 0,2 g de amostra e transferir para tubos de digestão;


- Adicionar 4 mL de solução nítrico-perclórica, deixar em repouso para
pre´-digestão (12 – 16 horas), isso evita que durante o aquecimento ocorra
perda do material. Esta pré-digestão pode ser evitada, mas durante o
aquecimento há necessidade de cuidados freqüentes para que não ocorra
perda de material;
- Levar para o bloco digestor e elevar a temperatura até 220 ºC,
lentamente;
- Observar a quantidade de solução nos tubos, jamais deixando secar.
Adicionar lentamente 1 mL da solução digestora quando o volume diminuir para
menos de ¼ (1 mL) durante o processo;
- Observar e esperar a eliminação total de fumaça branca e densa pela
boca do tubo e uma coloração amarela bem pálida a incolor do extrato. Neste
ponto esta pronta para os demais elementos menos para o S (enxofre).
Continuar a digestão por mais 45 minutos a 1 hora, deixando reduzir o volume
ao mínimo possível, sem secar;
- Fazer 5 provas em branco nas mesmas condições;
- Completada a digestão, com o tubo levemente aquecido, adicionar ± 20
mL de H2O lavando o tubo e homogeneizando a solução, passar para balão de
50 mL e aferir (filtrar se necessário). Este será o extrato utilizado para a

98
determinação dos teores de nutrientes (P, S, Ca, Mg, K e micronutrientes) em
tecido vegetal.
- As provas em branco, juntar as 5 em um balão de 50 mL e completar o
volume. Retirar 20 mL e transferir para balão de 100 mL e completar o volume
(branco 1x) esta solução será usada para eventuais diluições.
Com amostras líquidas, por exemplo dejetos de suínos, pipetar 5 ml da
amostra em tubo digestor, e proceder conforme demonstrado para tecido
vegetal.

Observações:
Para sementes com alto teor de óleo, recomenda-se efetuar a pré-digestão
com HNO3 + H2O2, para prevenir uma possível explosão do ClO 4- na presença
do carbono.
Dejetos em geral deixar pré-digestão por 24 hs com a solução digestora.

21.4 Cálculos

𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙 50 𝑚𝑙
𝐹𝐷 𝑓𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑙𝑢𝑖çã𝑜 = = = 250
𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 0,2 𝑔

99
Aula Prática no 22

22 DETERMINAÇÃO DE NITROGÊNIO EM MATERIAL VEGETAL

22.1 Introdução

Na digestão sulfúrica, o N da amostra é convertido na forma amoniacal


(NH4+) na presença de H2SO4 mais substâncias que auxiliam na conversão:
- Sulfato de Potássio ( K2SO4) ou Sulfato de Sódio (Na2SO4)
- Sulfato de Cobre (CuSO4)
- Selênio, mercúrio (catalisadores).

O produto da digestão [ (NH4)2SO4 ] é tratado com excesso de base forte


(NaOH – 10 mol L-1) e submetido a destilação. A amônia (NH3) é recolhida em
meio ácido e titulada, com H2SO4 0,025 mol L-1.

22.2 Reagentes

Solução NaOH 10 mol L-1: Dissolver 400g de NaOH técnico em H2O


destilada, e completar o volume para 1 L com água destilada;
Solução de H2SO4 0,025 mol L-1 ou 0,05 N: Dissolver 1,4 mL de H2SO4
concentrado em 1 litro de água destilada;
Solução ácido bórico com indicador: Dissolver 20g de ácido bórico
em 700 mL de água quente. Após esfriar, transferir para um balão de 1 litro
contendo 200 mL de álcool etílico 95%. Juntar 15 mL de uma solução alcoólica
de verde de bromocresol a 0,1% (pesar 0,015 g de verde de bromocressol e
dissolver em 15 mL de álcool etílico) e 6 mL de vermelho de metila a 0,1%
(pesar 0,006 g de vermelho de metila e dissolver em 6 mL de álcool etílico).
Completar o volume do balão com água destilada

22.3 Procedimento

- Pipetar 10 mL da extrato resultante da digestão sulfúrica para um tubo de


Kjeldahl. Conectar um erlenmyer de 125 mL contendo 5 mL da H3BO3 com
indicador no suporte abaixo do condensador e fazer com que a saída do
100
microdestilador mergulhe nesta solução. Adicionar NaOH 10 mol L -1
lentamente abrindo o dosador até a amostra neutralizar (cor azul ou marrom).
Destilar aproximadamente de 35 – 40 mL (Figura 22.1);
- Titular o destilado com H2SO4 0,025 mol L-1 . O líquido passará de verde
para rosa.

-1
c) NaOH 10 mol L

a)
10 mL do extrato

b)

5 mL de H3BO3 (2%) com 3 gotas indicador


(destilar 35 - 40 mL)

Figura 22.1 Procedimentos para determinação de N-total em tecido vegetal. a)


adicionar 10 mL do extrato da digestão sulfúrica; b) conectar um
erlermeyer contendo ácido bórico e indicador e c) acrescentar a amostra
NaOH 10 mol L-1.

22.4 Cálculos
A determinação do nitrogênio é uma medida de quantidade, e não de
concentração, como nos demais elementos. Por isso, não se considera o fator
de diluição da digestão no cálculo.

𝑉𝑜𝑙𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 − 𝑉𝑜𝑙𝑏𝑟𝑎𝑛𝑐𝑜 . 0,7 . 5 . 5000


𝑁 % =
10.000
Onde:
0,7 = equivalente a mg de N para cada mL de H2SO4 0,025 mol L-1 gasto;
101
50 𝑚𝑙 𝑑𝑜 𝑒𝑥𝑡𝑟𝑎𝑡𝑜 𝑑𝑖𝑔𝑒𝑟𝑖𝑑𝑜
5 = fator de multiplicação da determinação
10 𝑚𝑙 𝑑𝑎 𝑎𝑙í𝑞. 𝑢𝑡𝑖𝑙𝑖𝑧𝑎𝑑𝑎 𝑛𝑎 𝑑𝑒𝑠𝑡𝑖𝑙𝑎 çã𝑜

5.000 = resultado expresso mg kg-1 (1000g/0,2g)


10.000 = transformar de mg kg-1 para %

Passar para g/kg 𝑁 (𝑔/𝑘𝑔) = × 10

Outra forma de cálculo pode ser utilizada, partindo-se dos mili


equivalentes de nitrogênio gastos, sendo:
Exemplo:
meq de N = (Vamostra - Vbranco) x 0,05
meq de N = (0,6 – V branco) x 0,05
meq de N = 0,03 meq na alíquota de 10 mL do extrato

0,03 meq -------------10 mL alíquota 1 meq de N ------------ 14 mg


x -------------50 mL 0,15 meq ------------- x
x = 0,15 meq x = 2,1 mg de N

2,1 mg de N 200 mg amostra


x 100 mg
x = 1,05 % = 1,05 dag kg-1 = 10,5 g kg-1

Proteína = N x 6,25 (lembrando que deve ser ajustada a matéria seca para
105oC)

102
Aula Prática no 23

23 DETERMINAÇÃO DE FÓSFORO EM TECIDO VEGETAL

23.1 Introdução

A determinação de P é realizada a partir do extrato da digestão nítrico-


perclórica. O ânion H2PO4- em presença do ânion molibdato (MoO4-2) em meio
redutor (Acido Ascórbico, estanho metálico ou cloreto estanhoso), origina um
complexo de cor azul, cuja intensidade é proporcional à quantidade de fósforo.

H2PO4- + MoO4-2 + AA (H3PO4 MoxOy)


Azul
23.2 Preparo de Soluções e Reagentes

Solução Estoque de molibdato de amônio 2% - Solução "725":


Solução A: Dissolver 1,0 g de carbonato básico de bismuto ou
subcarbonato de bismuto ( (BiO)2CO3) em  200 mL de água. Adicionar 139 mL
de H2SO4 concentrado;
Solução B: Dissolver 20,0 g de molibdato de amônio ((NH4)6Mo7O24.
H2O) em  500 mL de água.
Misturar cuidadosamente a solução A sobre a B, esfriar e completar o
volume para 1 litro. Guardar em frasco ambar na geladeira.
Solução-padrão de 1.000 mg L-1 P: Transferir 4,3928 g de KH2PO4
p.a. (seco em estufa por 2 horas a 70 – 80º C e resfriado em dessecador) em
balão de 1.000 mL, adicionar 3 mL de H2SO4 concentrado e completar o
volume com H2O;
Solução-padrão de 100 mg L-1 de P: Transferir 5 mL da solução
padrão de 1.000 mg L-1 para balão de 50 mL e completar com H2O deionizada.

Reagente de trabalho (RT): Obs.: Prepara-se no máximo 10 mL

Para 6 mL de RT:
 x mL de alíquota (x = 2,0 mL);
 1,0 mL de 725;

103
 0,4 mL de vitamina C (2%) = 0,008g;
 6,6 mL H2O.
2 g ------ 100 mL 0,008 g ----- 6 mL RT 1 mL „725‟ -- 6 mL
x ------ 0,4 mL x ----- 500 mL x -- 500 mL

x = 0,008 g x = 0,67 g vit. C x = 83,3 mL

Assim, para preparar 500 mL de reagente de trabalho: 0,67g de ácido


ascórbico e 83,33 mL do reagente 725 e completar o volume com 500 mL de
água destilada.

23.3 Curva de Calibração de P

Preparar soluções de 0,0; 2,5; 5,0; 10,0; 15,0 e 20,0 mg L-1 de P.


Para isso, pipete os mesmos valores citados, respectivamente, em mL, da
solução 100 mg L-1 de P para balões de 100 mL e completar com água
destilada. Em seguida construa a curva conforme tabela 23.1.

Tabela 23.1 - Curva de calibração de fósforo

Reagente de
Concentração de P Soluções de P Branco
trabalho
--- mg L-1---- -------------------------- mL -----------------------------
0,0 2,0 6,0 2,0
0,5 2,0 6,0 2,0
1,0 2,0 6,0 2,0
2,0 2,0 6,0 2,0
3,0 2,0 6,0 2,0
4,0 2,0 6,0 2,0

104
23.4 Determinação

- Pipetar 2 mL de alíquota em frascos de 30 mL;


- Adicionar 6 mL do reagente de trabalho;
- Adicionar 2 mL de água;
- Após 30 minutos, efetuar a leitura de absorbância no espectrofotômetro
a 725 nm.

23.5 Cálculos

50 ml
Fator de diluição da digestão = = 250
0,2 g

10 ml
Fator de diluição da determinação = 2,0 ml = 5

Leitura . 250 . 5
Concentração g kg −1 =
1.000 (para transformar de mg para g)

105
Aula Prática no 24

24. DETERMINAÇÃO DE POTÁSSIO EM TECIDO VEGETAL

24.1 Introdução

A determinação de K é realizada no Fotômetro de Chama. Quando uma


solução que contém diversas substâncias é atomizada e as minúsculas
partículas da solução são projetadas sobre uma chama, há uma excitação dos
átomos, isto é, há o deslocamento de certos elétrons para níveis energéticos
mais elevados; quando os elétrons voltam ao nível energético normal, há
emissão da energia absorvida na forma de radiações. A intensidade das
radiações emitidas, num determinado comprimento de onda (λ=766 a 767 nm),
é relacionada com a concentração dos elementos.

24.2 Reagentes

Solução Padrão 1.000 mg L-1 de K: Dissolver 1,907g de KCl p.a., seco


previamente em estufa a 100º C por 2 horas, em água deionizada,
completando a 1.000 mL;
Solução Padrão 25 mg L-1 de K: Pipetar 2,5 mL da solução de K de
1.000 mg L-1 em balão de 100 mL e completar o volume com água destilada.

24.3 Curva de Calibração de K

Em balões de 25 mL, preparar curva de calibração de K conforme tabela


24.1.
Tabela 24.1 Curva de calibração do K
Padrão de K Volume do
Concentração de K Água destilada
25 mg L-1 Branco
--- mg L-1---- -------------------------- mL -----------------------------
0,0 0,0 2,0 23,0
2,5 2,5 2,0 21,5
5,0 5,0 2,0 18,0
10,0 10,0 2,0 13,0
15,0 15,0 2,0 8,0
20,0 20,0 2,0 3,0
106
24.4 Procedimento

- Em copos de café, transferir 2 mL do extrato da digestão nítrico-perclórica


mais 23 mL de água destilada;
- Efetuar a leitura em fotômetro de chama, previamente calibrado.

24.5 Cálculos

50 ml
Fator de diluição da digestão = = 250
0,2 g

25 ml
Fator de diluição da determinação = 2,0 ml = 12,5

Leitura . 250 . 12,5


Concentração g kg −1 =
1.000 (para transformar de mg para g)

107
Aula Prática no 25

25 DETERMINAÇÃO DE CÁLCIO E MAGNÉSIO EM TECIDO VEGETAL

25.1 Introdução

A determinação dos teores de Ca e Mg é realizada no espectrofotômetro


de absorção atômica. O metal das soluções é aspirado na chama de 2.000 –
2.500ºC transforma-se em estado fundamental dos átomos (M0). O átomo
absorve a energia em um comprimento de onda definida (422,7 e 285,2 nm Ca
e Mg, respectivamente). A quantidade de energia absorvida é proporcional à
população do átomo na chama, que por sua vez, é proporcional a concentração
da solução. Na determinação de um metal por EAA, utiliza-se a lâmpada de
cátodo oco do próprio metal como fonte de energia. A espectrofotometria de
absorção atômica é uma das técnicas com menor interferência na análise. No
entanto, é necessária a adição de lantânio ou estrôncio para prevenir
interferências ocasionadas pela presença de fosfatos, alumínio e ferro. Assim,
o lantânio ou estrôncio evitam a formação de compostos termicamente estáveis
entre o cálcio com fosfatos, alumínio e ferro.

25.2 Reagentes

Solução de Lantânio: Transferir 2,67g de La2O3.7H2O para balão de


1.000 mL, adicionar solução de HNO3 10% (v/v) até dissolução total do óxido e
completar o volume com H2O deionizada;
Solução Padrão de Mg (100 mg L-1): transferir 5 mL da solução de Mg
1.000 mg L-1 para balão de 50 mL e completar com água deionizada;
Solução padrão de Ca (25 mg L-1) e Mg (2,5 mg L-1); Transferir 2,5 mL
da Solução de Ca 1.000 mg L-1 para o balão de 100 mL. Neste mesmo balão,
adicionar 2,5 mL da de solução 100 mg L-1 de Mg e completar com água
deionizada.

108
25.3 Curva de Calibração de Ca e Mg
Partindo-se da solução padrão de Ca e Mg, preparar a curva de
calibração, conforme tabela 25.1.

Tabela 25.1 Curva de calibração de Ca e Mg

Concentração Vol. da solução de Volume do Branco


Ca Mg Ca 25 mg L-1 e Mg 2,5 mg L-1
-------------- mg L-1 ----------- ----------------------- mL -----------------------
0,0 0,0 0,0 0,5
0,5 0,05 0,5 0,5
1,0 0,1 1,0 0,5
2,0 0,2 2,0 0,5
4,0 0,4 4,0 0,5
8,0 0,8 8,0 0,5
Completar o volume em balão de 25 mL com solução de lantânio.

25.4 Procedimento

- Retirar uma alíquota de 0,1 mL do extrato nítrico-perclórico e adicionar 4,9 mL


da solução de lantânio;
- Fazer as leituras das concentrações de Ca e Mg no espectrofotômetro de
absorção atômica (EAA).

25.5 Cálculos

50 ml
Fator de diluição da digestão = = 250
0,2 g

5 ml
Fator de diluição da determinação = 0,1 ml = 50

Leitura . 250 . 50
Concentração g kg −1 =
1.000 (para transformar de mg para g)

109
Aula Prática no 26

26. DETERMINAÇÃO DE COBRE, ZINCO, FERRO e MANGANÊS EM


TECIDO VEGETAL

26.1 Introdução

Cobre e zinco, assim como ferro, manganês e sódio, podem ser


determinados diretamente em extrato nítrico-perclórico de vegetais, por
espectrofotometria de absorção atômica, sem praticamente haver problemas
de interferência ou de ionização, usando as lâmpadas de cátodo oco
respectivas. A energia absorvida a 324,7 nm é proporcional à concentração de
Cu da solução aspirada na chama ar-acetileno. O Zn aspirada pela chama
transforma-se em estado fundamental, absorvendo a luz na região de 213,9
nm.

26.2 Reagentes

Solução padrão de Cu 100 mg L-1, 100 mg L-1 Fe, 100 mg L-1 Mn, 100
mg L-1 Zn : Pipetar 5 mL dos padrões de 1.000 mg L-1 dos respectivos
elementos em balões de 50 mL, isoladamente, completando-se o volume com
água deionizada;
Solução padrão múltipla de 3 mg L-1 Cu, 30 mg L-1 Fe, 7,5 mg L-1 de
Mn e 3 mg L-1 de Zn: Pipetar 3 mL do padrão de Cu 100 mg L-1 em balão de
100 mL + 30 mL do padrão de Fe 100 mg L-1 + 7,5 mL do padrão de Mn 100
mg L-1 + 3 mL da solução padrão de Zn 100 mg L-1 no mesmo balão e
completar o volume com água deionizada.

26.3 Curva de Calibração de Cu, Fe, Mn e Zn

Preparar os padrões conforme tabela 26.1.

110
Tabela 26.1 Curva de Calibração Cu, Fe, Mn e Zn

Vol. do padrão Vol. Água


Cu Fe Mn Zn Vol. Branco
Múltiplo destilada
-------------- mg L-1 ------------------ -------------------------- mL -----------------------
0,0 0 0 0,0 0 5 10
0,2 2,0 0,5 0,2 1 5 9
0,4 4,0 1,0 0,4 2 5 8
0,6 6,0 1,5 0,6 3 5 7
0,8 8,0 2,0 0,8 4 5 6
1,0 10,0 2,5 1,0 5 5 5

26.4 Procedimento

- Pipetar 5 mL do extrato nítrico-perclórico e copo de café e adicionar 10 mL de


água destilada;
- Fazer a leitura no espectrofotômetro de Absorção atômica primeiro da curva
e em seguida das amostras.

26.5 Cálculos

50 ml
Fator de diluição da digestão = = 250
0,2 g

15 ml
Fator de diluição da determinação = =3
5 ml

Concentração mg kg −1 = Leitura . 250 . 3

111
Aula Prática no 27

27. DETERMINAÇÃO DE ENXOFRE EM TECIDO VEGETAL

27.1 Introdução

Pela digestão ácida, todo enxofre contido no tecido vegetal é colocado em


solução na forma de sulfato que é dosado por turbidimetria. A determinação por
turbidimetria do sulfato baseia-se na turbidez formada pela precipitação do enxofre
pelo cloreto de bário, na forma de sulfato de bário medida em colorímetro ou
espectrofotometria.

27.2 Reagentes

Solução-estoque de enxofre contendo 1.000 mg L-1 de S: Em balão


volumétrico de 1.000 mL adicionar 5,434 g de K2SO4 p.a. seco em estufa (105 ºC
por 2 horas), dissolver e completar o volume com água destilada e deionizada.
Soluções-padrão de sulfato (0,0, 10,0, 15,0, 20,0, 30,0, 40,0 e 50,0 mg L -1
de S) : Em balões volumétricos de 100 mL acrescentar, respectivamente, 0,0, 1,0,
1,5, 2,0, 3,0, 4,0 e 5,0 mL da solução-estoque de enxofre (1000 mg L-1 de S),
completando, a seguir, o volume com água deionizada (tabela 19.1).
Solução de HCl 6,0 mol L-1 contendo 20 mg de enxofre: Em balão
volumétrico de 1.000 mL acrescentar aproximadamente 200 mL de água deionizada,
em seguida 500 mL de HCl p.a. (d=1,19 kg L-1) e 0,1087 g de K2SO4 p.a., seco
previamente em estufa. Agitar até dissolver o sal. Completar o volume com água
deionizada.
Cristais de cloreto de bário (BaCl2.2H2O pureza 99%): devem ser utilizados
obrigatoriamente cristais de cloreto de bário que passem pela peneira de 20 mesh e
que fiquem retidos na peneira de 60 mesh.

27.3 Curva de Calibração de S.


Tabela 19.1 – Quantidades de solução padrão de 1000 mg L -1 de S a ser
adicionada em balão de 100 mL para se obter a curva de calibração

Concentração Vol. solução 1.000 mg L-1


--------------- mg L-1 ------------- ----------- mL -----------
0,0 0,0
10,0 1,0
15,0 1,5
20,0 2,0
30,0 3,0
40,0 4,0
50,0 5,0
Completar para 100 mL com a solução da prova em branco.

27.4 Procedimento

- Em tubos de ensaio ou em copo descartável adicionar 10 mL das soluções-padrão


de sulfato (0,0, 10,0, 15,0, 20,0, 30,0, 40,0 e 50,0 mg L -1 de S) .
- Em seguida adicionar 1 mL da solução de HCl 6 mol L-1 contendo 20 mg L-1 de S;
- Juntar cerca de 0,5 g de cristais de BaCl2.2H2O (peneirado), esperar cerca de um
minuto sem agitar (a adição dos cristais pode ser feita utilizando-se um tubinho de
vidro previamente calibrado e introduzido diretamente no frasco contendo esse
reativo).
- Agitar durante 30 segundos, dissolvendo os cristais, e fazer a leitura num prazo
máximo de até oito minutos após a adição do cloreto de bário, em colorímetro ou
espectrofotômetro a 420 nm, zerando a absorbância (A) com água o padrão 0,0.
- Nesse processo podem ser analisadas até 11 (onze) amostras simultaneamente,
atingindo um tempo total de cerca de seis minutos, desde a adição do BaCl 2.2H2O
na prova em branco até a leitura da 11ª amostra, num espectrofotômetro dotado de
um sistema em fluxo continuo.

27.4.1 No extrato vegetal

- Tomar uma alíquota de 10,0 mL do extrato nítrico-perclórico de cada amostra


(digestão) e transferir para tubo de ensaio ou para copo descartável;
-Em seguida, proceder conforme o descrito para obtenção da curva-padrão.

113
27.5 Cálculos

𝑙𝑒𝑖𝑡𝑢𝑟𝑎 .250
𝑆 𝑔 𝑘𝑔−1 = 1.000

Onde:

50 𝑚𝑙
250 = Fator de diluição da digestão: ( )
0,2 𝑔

1.000 = Para transformar de mg para g.

114
Aula Prática no 28

28. DETERMINAÇÃO DE BORO EM TECIDO VEGETAL

28.1 Introdução
A determinação é baseada na formação de um complexo colorido pela reação
do ácido bórico com o reagente azometina-H.

28.2 Reagentes
Solução de ácido ascórbico (vitamina C) a 1%: dissolver 1g de ácido
ascórbico-L em 100 mL de água deionizada.
Solução tampão: dissolver 500g de NH4OAc e 30 g de EDTA-2Na em 800mL
de água deionizada. Juntar lentamente 250 mL de ácido acético glacial e
homogeneizar.
Solução de azometina-H 0,45%: dissolver 0,45 g de azometrina-H em 100
mL de uma solução de ácido ascórbico a 1%. Guardar em frasco escuro, no
refrigerador, conservando no máximo por uma semana.
Solução-padrão estoque de boro (contendo 50 mg L-1 de B): dissolver
0,286 g de ácido bórico (H2BO3 p.a.) em HCl 0,1 mol L-1, completar o volume para
100mL com o mesmo e guardar em frasco plástico.
Solução-padrão de trabalho: pipetar para balões volumétricos de 100 mL
0,0, 0,5, 1,0, 2,0, 3,0, 4,0, 5,0 mL da solução-estoque de (50 mg L-1) e completar o
volume com HCl 0,1 mol L-1, guardando em frasco plástico. Essas soluções contêm
respectivamente, 0,0, 0,25, 0,5, 1,0, 1,5, 2,0, 2,5 mg L-1 de B, conforme tabela 28.1.

Tabela 28.1 Solução-padrão de trabalho de Boro


Concentração de B Vol. solução-padrão de 50 mg L-1 de B
--------------- mg L-1 ------------- ----------- mL -----------
0,00 0,0
0,25 0,5
0,50 1,0
1,00 2,0
1,50 3,0
2,00 4,0
2,50 5,0
-1
Completar para 100 mL com a solução HCl 0,1 mol L .

115
Ácido clorídrico 0,1 mol L-1: diluir 8,3 mL de HCl contendo a 1.000 mL com
H2O destilada em frasco plástico.

28.3 Curva de calibração de boro

- Transferir para copinhos de café 2,0 mL das soluções-padrão de trabalho;


- Juntar 2,0 mL da solução tampão e homogeneizar;
- Adicionar 2,0 mL da solução de azometina-H 0,45% e agitar;
- Depois de meia hora de repouso em local que não receba luminosidade, transferir
as solução amarelo-avermelhadas para tubos de colorímetro e proceder a leitura no
espectrofotômetro (420nm), acertando o zero do aparelho com HCI 0,1 mol L-1.

28.4 Procedimento

Digestão por via seca (incineração);


- Transferir 200 mg de amostra para cadinho e incinerar em forno elétrico a 550C até
obtenção de cinza branca (cerca de 3 horas);
- Esfriar e adicionar exatamente 10 mL de HCI 0,1mol L-1, dissolvendo toda cinza;
- Deixar repousar o resíduo se houver.

Determinação na amostra
- Transferir para tubo de ensaio uma alíquota de 2,0 mL do extrato (0,2 g MS / 10
mL);
- Proceder conforme o descrito para curva-padrão

28.5 Cálculos

.
𝐵 𝑚𝑔 𝑘𝑔−1 = 𝐶 . 50
Onde:
C = Concentração de boro (mg L-1) no extrato, determinada pela de curva-padrão
50 = FD = 10/0,2g

116
29. LITERATURA CONSULTADA

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