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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS


COLEGIADO DE DIREITO

NATHALIA SALOMAO SILVA

IMÓVEL RURAL

ILHÉUS-BA
2019
Imóvel rural é uma área formada de uma ou mais matrículas de terras contínuas, do
mesmo detentor (seja ele proprietário ou posseiro), podendo ser localizada tanto na zona
rural quanto urbana do município. O que caracteriza o imóvel rural para a legislação agrária
é a sua “destinação agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial.” Lei n.º
8.629, de 25 de fevereiro de 1993, artigo 4.º, inciso I). O termo áreas contínuas significa
áreas confrontantes do mesmo detentor, que são consideradas um único imóvel, ainda que
cada uma tenha Registro/Matrícula próprios, ou que haja interrupções físicas como estradas,
cursos d’água, etc, desde que o tipo de exploração seja o mesmo.

De acordo com a Lei 4.504 de 30 de novembro de 1964 - Estatuto da Terra, o imóvel


rural é classificado em propriedade familiar, minifúndio, latifúndio e empresa rural.

A propriedade familiar vem definida no Estatuto da Terra, em seu art. 4º, II, como
sendo:

O móvel rural que, direta e pessoalmente explorado pelo


agricultor e sua família, lhes absorva toda a força de trabalho,
garantindo-lhes a subsistência e o progresso social e econômico, com
área máxima fixada para cada região e tipo de exploração, e
eventualmente trabalho com a ajuda de terceiros.

Do enunciado, observa-se que a propriedade familiar deve ser explorada


diretamente pelo proprietário e seu conjunto familiar, podendo a ajuda de terceiros ser
utilizada apenas de forma eventual, caso contrário a sua função social não será atendida.

Leciona Lucas de Abreu Barroso (2015) que a propriedade familiar deve ter área
equivalente a um módulo rural, calculado de acordo com cada região do país e o seu tipo de
exploração. Não podendo ser mais nem menos, pois, se for menor, caracteriza minifúndio e
se for maior, poder ser latifúndio ou empresa rural.

O minifúndio ou "parvifúndio", como é conhecido na Argentina, se caracteriza por


ser uma pequena gleba deficitária, insuficiente e desfavorável a subsistência e ao progresso
econômico e social familiar e por isso não cumpre a sua função social.

De acordo com o Estatuto da Terra, art. 4º, IV, deve ser entendido como "o imóvel
rural de área e possibilidades inferiores às da propriedade familiar." Já o Decreto n.
55.891, de 31 de março de 1965, classifica o imóvel rural como minifúndio, "quando tiver
área agricultável inferior à do módulo fixado para a respectiva região e tipo de
exploração."

Ressalta Benedito Ferreira Marques (2015, p. 56), que:

O minifúndio é combatido e desestimulado no ordenamento


jurídico agrário, na medida em que constitui uma distorção do sistema
fundiário brasileiro, porque não cumpre a função social. Além disso não
gera impostos nem viabiliza a obtenção de financiamentos bancários
pelo minifundiário.

Vários instrumentos são utilizados para combater ou coibir a ploriferação do


minifúndio, tais como: a desapropriação, de acordo com o art. 20, inciso I, do Estatuto da
Terra; o rembramento ou aglutinamento de áreas classificadas como minifúndio, nos termos
do art. 21 do Estatuto da Terra e a vedação ao desmembramento ou divisão de áreas
inferiores ao módulo rural ou a fração mínima de parcelamento, de acordo com o art. 8º da
Lei 5.868 de 12 de dezembro de 1972.

O termo latifúndio vem caracterizado no art. 4º do Estatuto da Terra da seguinte


forma:

V - "Latifúndio", o imóvel rural que:

a) exceda a dimensão máxima fixada na forma do artigo 46, §


1°, alínea b, desta Lei, tendo-se em vista as condições ecológicas,
sistemas agrícolas regionais e o fim a que se destine;

b) não excedendo o limite referido na alínea anterior, e tendo


área igual ou superior à dimensão do módulo de propriedade rural, seja
mantido inexplorado em relação às possibilidades físicas, econômicas e
sociais do meio, com fins especulativos, ou seja deficiente ou
inadequadamente explorado, de modo a vedar-lhe a inclusão no
conceito de empresa rural;
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NATHALIA SALOMAO SILVA

EMPRESA RURAL

ILHÉUS-BA
2019
Segundo o Estatuto da Terra, é o empreendimento de pessoa física ou jurídica,
pública ou privada, que explore econômica e racionalmente imóvel rural, dentro de condição
de rendimento econômico da região em que se situe e que explore área mínima agricultável
do imóvel segundo padrões fixados, pública e previamente, pelo Poder Executivo.

Para esse fim, equiparam-se às áreas cultivadas, as pastagens, as matas naturais e


artificiais e as áreas ocupadas com benfeitorias. Nota-se que empreendimento é atividade
dirigida à exploração econômica e racional do prédio rústico, isto é, a exploração extrativa,
agrícola, pecuária ou agroindustrial. Ademais, a exploração organizada por pessoa física ou
jurídica com fins agrícolas, pecuários ou agroindustriais constitui o conteúdo da atividade da
empresa rural.

No que se refere à forma da empresa, ela pode ser propriedade de um particular ou


de uma sociedade, ou seja, o empresário será uma pessoa física ou jurídica que organiza e
põe em atividade os fatores da produção agrícola, pecuária etc. Distinguem-se entre si a
empresa individual e a coletiva.

Na primeira, o empresário assume toda a responsabilidade e risco do


empreendimento rural, comprometendo todo o seu patrimônio. Por sua vez, na coletiva, a
responsabilidade e os riscos do empreendimento dividem-se entre os associados.

O imóvel rural, objeto do empreendimento, pode ser ou não propriedade da pessoa


física ou jurídica. Por fim, a empresa agrária pode organizar-se para a exploração
econômica e racional de imóvel rural de outrem, mediante qualquer das formas de contrato
agrário existentes no Estatuto da Terra.

Fundamentação:

Artigo 4º, inciso VI, do Estatuto da Terra

Referências bibliográficas:

OPITZ, Silvia C. B.; OPITZ, Oswaldo. Curso completo de direito agrário. 8. ed. São Paulo:
Saraiva, 2014.
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NATHALIA SALOMAO SILVA

CONTRATOS AGRÁRIOS

ILHÉUS-BA
2019
Nas relações contratuais que versam sobre a posse e o uso de imóveis rurais,
destinadas a implantação de atividades rurícolas (agrícolas, pecuária, agroindustrial,
extrativista e mista), não é incomum a formatação de negócios confusos, obscuros e até
mesmo equivocados, por absoluto desconhecimento, desrespeito ou má interpretação da
legislação agrária.
No âmbito rural, muito se fala de contrato de arrendamento ou parceria, mas nem
sempre a nomenclatura atribuída pelas partes a esses contratos, se coaduna com a efetiva
vontade dos contratantes e os limites fixados pela legislação específica.
O que define a natureza jurídica do contrato não é o “nomen juris” (nome do
contrato) atribuído pelas partes, tampouco os termos eventualmente utilizados na redação
do instrumento, mas sim a sua configuração real que ressalta não só da vontade das
partes, como também a forma que se dá sua execução.
No arrendamento rural, a terra é cedida a terceiro, mediante remuneração certa em
dinheiro ou o equivalente em produtos, sendo a contraprestação invariável, suportando o
arrendatário, exclusivamente, os riscos do empreendimento e amealhado com
exclusividade os frutos. Já na parceria rural, em qualquer de suas modalidades, ao
contrário, a renda pelo uso do imóvel é variável, suportando ambos os contratantes os
riscos do empreendimento e dividindo entre si os frutos e lucros, conforme tiverem
estipulado em contrato, devendo obedecer, em qualquer caso, os percentuais previstos em
lei. A caracterização da natureza do contrato é de extrema importância, em razão das
consequências diversas que emanam de sua identificação para os contratantes, diante da
diversidade normativa de sua regência. Afinal, se porventura um contrato for denominado
de parceria, mas na sua essência for caracterizado como arrendamento, em função de
suas cláusulas e em atenção aos termos do Estatuto da Terra , como tal será apreciado e
cumprido, para todos os efeitos legais.
Da mesma forma, por exemplo, se um contrato for denominado de arrendamento ou
parceria, mas na sua essência for caracterizado como contrato de trabalho, independente
da sua denominação, será tratado pela legislação trabalhista, inclusive quanto ao privilégio
de foro.
Outra peculiaridade destes contratos é quanto fixação da remuneração, que na
prática, também é pouco observada pelos envolvidos nessa relação contratual. A
legislação agrária limita a vontade dos contratantes, quanto ao preço do arrendamento e a
forma de pagamento, fixando condições que devem constar obrigatoriamente nos
respectivos contratos, conforme tratado nos incisos XI, alínea a, e XII do
artigo 95 do Estatuto da Terra e regulamentada pelos artigos 13, inciso III e 16, caput,
a 19 do Decreto nº. 59.566/66.
(Estatuto da Terra)

Art. 95. Quanto ao arrendamento rural, observar-se-ão os seguintes princípios:


XI - na regulamentação desta Lei, serão complementadas as seguintes condições
que, obrigatoriamente, constarão dos contratos de arrendamento:
a) limites da remuneração e formas de pagamento em dinheiro ou no seu
equivalente em produtos;
XII - a remuneração do arrendamento, sob qualquer forma de pagamento, não
poderá ser superior a 15% (quinze por cento) do valor cadastral do imóvel, incluídas
as benfeitorias que entrarem na composição do contrato, salvo se o arrendamento
for parcial e recair apenas em glebas selecionadas para fins de exploração
intensiva de alta rentabilidade, caso em que a remuneração poderá ir até o limite de
30% (trinta por cento).

(Decreto nº. 59.566/66)

Art 13. Nos contratos agrários, qualquer que seja a sua forma, contarão
obrigatoriamente, clausulas que assegurem a conservação dos recursos naturais e
a proteção social e econômica dos arrendatários e dos parceiros-outorgados a
saber:
III - Fixação, em quantia certa, do preço do arrendamento, a ser pago em
dinheiro ou no seu equivalente em frutos ou produtos, na forma do art. 95,
inciso XII, do Estatuto da Terra e do art. 17 deste Regulamento, e das condições de
partilha dos frutos, produtos ou lucros havidos na parceria, conforme preceitua
o art. 96 do Estatuto da Terra e o art. 39 deste Regulamento.
Art 16. A renda anual dos contratos de arrendamento será ajustada pelas
partes contratantes, tendo como limite o estabelecido no art. 95, inciso XII,
do Estatuto da Terra .
Art 19. Nos contratos em que o pagamento do preço do arrendamento deva ser
realizado em frutos ou produtos agrícolas, fica assegurado ao arrendatário o direito
de pagar em moeda corrente, caso o arrendador exija que a equivalência seja
calculada com base em preços inferiores aos vigentes na região, à época desse
pagamento, ou fique comprovada qualquer outra modalidade de simulação ou
fraude por parte do arrendador (art. 92, § 7º do Estatuto da Terra ).
De acordo com o Estatuto da Terra , a remuneração do arrendamento, sob
qualquer forma de pagamento, não poderá ser superior a 15% (quinze por cento) do
valor cadastral do imóvel, incluído as benfeitorias que entrarem na composição do
contrato, salvo se o arrendamento for parcial e recair apenas em glebas
selecionadas para fins de exploração intensiva de alta rentabilidade, caso em que a
remuneração poderá ir até o limite de 30% (trinta por cento).
No que se refere ao valor cadastral do imóvel, vale destacar que a
jurisprudência tem admitido que os percentuais limitativos do preço do
arrendamento incidam sobre o valor real do imóvel e das benfeitorias e não sobre o
mero valor cadastral, que geralmente está desatualizado.

De outro lado, com relação aos contratos de parceria rural, o Estatuto da Terra, em
seu artigo 96 inciso V, também remete à sua regulamentação o estabelecimento de
normas complementares que devem ser incluídas no contrato, fixando a quota-limite de
participação do proprietário nos frutos obtidos.
Segundo o inciso IV do citado artigo, os percentuais das quotas-limites de repartição
dos frutos na parceria, variam entre 20% a 75%, conforme seu concurso na parceria, ou
seja, na hipótese de nela ingressar apenas com a terra nua ou com esta e benfeitorias,
determinando o menor ou maior percentual de participação, conforme suas quantidades e
segundo suas utilidades e melhor aproveitamento na atividade.
(Estatuto da Terra)
Art. 96. Na parceria agrícola, pecuária, agro-industrial e extrativa, observar-se-ão
os seguintes princípios:
V - no Regulamento desta Lei, serão complementadas, conforme o caso, as
seguintes condições, que constarão, obrigatoriamente, dos contratos de parceria
agrícola, pecuária, agro-industrial ou extrativa:
a) quota-limite do proprietário na participação dos frutos, segundo a natureza de
atividade agropecuária e facilidades oferecidas ao parceiro;
b) prazos mínimos de duração e os limites de vigência segundo os vários tipos de
atividade agrícola;
c) bases para as renovações convencionadas;
d) formas de extinção ou rescisão;
e) direitos e obrigações quanto às indenizações por benfeitorias levantadas com
consentimento do proprietário e aos danos substanciais causados pelo parceiro, por
práticas predatórias na área de exploração ou nas benfeitorias, nos equipamentos,
ferramentas e implementos agrícolas a ele cedidos;
f) direito e oportunidade de dispor sobre os frutos repartidos;
VI - na participação dos frutos da parceria, a quota do proprietário não poderá ser
superior a:
a) 20% (vinte por cento), quando concorrer apenas com a terra nua;
b) 25% (vinte e cinco por cento), quando concorrer com a terra preparada;
c) 30% (trinta por cento), quando concorrer com a terra preparada e moradia;
d) 40% (quarenta por cento), caso concorra com o conjunto básico de benfeitorias,
constituído especialmente de casa de moradia, galpões, banheiro para gado,
cercas, valas ou currais, conforme o caso;
e) 50% (cinqüenta por cento), caso concorra com a terra preparada e o conjunto
básico de benfeitorias enumeradas na alínea d deste inciso e mais o fornecimento
de máquinas e implementos agrícolas, para atender aos tratos culturais, bem como
as sementes e animais de tração, e, no caso de parceria pecuária, com animais de
cria em proporção superior a 50% (cinqüenta por cento) do número total de cabeças
objeto de parceria;
f) 75% (setenta e cinco por cento), nas zonas de pecuária ultra-extensiva em que
forem os animais de cria em proporção superior a 25% (vinte e cinco por cento) do
rebanho e onde se adotarem a meação do leite e a comissão mínima de 5% (cinco
por cento) por animal vendido;

Quanto a forma, os contratos agrários podem ser ajustados por prazo certo ou
determinado e com prazo indeterminado, podendo ainda, ter forma escrita ou não, ou ser
meramente verbais, em face de sua informalidade.
Agora em relação ao prazo desses contratos, convém destacar que o Estatuto da
Terra também impõe limites temporais. De um lado, dispõe ser presumido o prazo mínimo
de três anos para os contratos de arrendamento, quando celebrados por tempo
indeterminado, estatuindo ainda que, em sua regulamentação, seriam complementadas as
condições, a contarem obrigatoriamente dos contratos, sobre prazos mínimos de duração
segundo os vários tipos de atividades agrícolas. E de outro, quando trata dos contratos de
parceria, fixa o prazo mínimo de três anos, desde que não convencionadas pelas partes,
segundo a dicção legal.
Como se vê, ainda que esses contratos sejam utilizados de forma equivocada e ou
dissociada da sua natureza jurídica pelos próprios contratantes, o arrendamento e a
parceria são contratos distintos e essencialmente reconhecidos e delimitados pela
legislação agrária, que deve ser sempre observada como fonte norteadora das relações
contratuais que versam sobre as atividades rurícolas.