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O livro de Lévi-Strauss As estruturas elementares do parentesco marcou o campo de estudos

sobre o parentesco ao deslocar os debates sobre esse tema das explicações centradas no
biológico (consanguinidade e descendência) para as explicações centradas no social (aliança).
Um dos princípios empregados por Lévi-Strauss para realizar este deslocamento é o princípio
da reciprocidade. Qual o papel e a importância do princípio da reciprocidade na teoria de Lévi-
Strauss sobre o parentesco? Este autor sugere que o princípio da reciprocidade não está
presente apenas nas sociedades tribais, mas também na sociedade ocidental. Você consegue
pensar em exemplos nos quais podemos perceber este princípio atuando na nossa própria
sociedade?

Ao contrário de Radcliffe-Brown e outros, Lévi-Strauss acreditava que o parentesco se


estabelecia não somente por ligações de consanguinidade e princípios biológicos, mas sim
através da criação de aliança entre grupos distintos. Para ele os casos de exogamia onde o
indivíduo busca parceiros matrimoniais fora de seu grupo, criam essas alianças, o que estabelece
ligação entre os mais variados grupos.

O princípio de reciprocidade é essencial para o deslocamento das explicações pautadas no


campo biológico, para as pautadas no campo social, pois mostra como as trocas recíprocas
estabelecem certa ordem social, muitas trocas foram realizadas para evitar conflitos e formar
alianças. Nesse sentido, a forma primitiva de trocas não tem necessariamente um teor
econômico, mas nos revela o que é colocado no texto como “um fato social total”, dotado de
significados sociais, religiosos, utilitários, jurídicos, sentimentais e morais; não se tratando de
transições econômicas, mas de dons recíprocos.

Um dos exemplos usados no texto é o Potlach das tribos do noroeste da América do Norte, uma
cerimônia destinada a troca de presentes ou destruição de bens materiais como forma de
exaltação, onde existem 3 finalidades diferentes: A primeira é retribuir presentes recebidos, a
segunda é lançar pretensão a títulos ou direitos e a terceira é disputar com rivais, de modo a dar
tantos presentes que ele não seja capaz de retribuir, tirando dele prestígio e respeito social. Fica
claro nesse caso que os recursos (bens) não servem somente de maneira utilitária, ou para
satisfazer um desejo, mas para aquisição de prestígio e poder e ascensão e locomoção nas
hierarquias sociais.

Nas trocas que acompanham o casamento Yukaghir, os pais recebem uma rena e retribuem com
outra. Na cultura Samona, depois de terem recebido e retribuído os bens femininos ou
masculinos após o nascimento de uma criança, o marido e a mulher não saem mais ricos que
antes, pois eles não retiram das trocas benefícios materiais, muitas vezes as trocas são feitas
entre coisas exatamente iguais (elementos de mesma natureza), sendo o sentido da troca
apenas manutenção ou estabelecimento de vínculos sociais e não aquisição material.

“ Os bens não são somente comodidades econômicas, mas veículos e instrumentos de


realidades de outra ordem, potência, simpatia, posição, emoção. ” p.94

O papel da reciprocidade na sociedade primitiva é essencial pois engloba e estabelece circulação


ao mesmo tempo de objetos, valores sociais e mulheres, onde a permanência do tabu do incesto
por exemplo, remete na expectativa que o indivíduo constitua laços familiares com pessoas de
outros grupos, fora de seu núcleo consanguíneo, criando assim alianças não só econômicas, mas
sociais e até mesmo sentimentais. Além disso, essas transações recíprocas são também uma
forma de se prevenir contra riscos de confrontos tanto com suas próprias alianças estabelecidas,
quanto nos grupos rivais.
Em nossa própria sociedade podemos observar como os jogos nos remetem à busca por
aquisição de prestígio, onde para se manter em primeiro lugar e ter reconhecimento, o
indivíduo investe dinheiro ou bens materiais que ele não receberá de volta, pois o que ele
considera importante é o reconhecimento e o título de campeão. Outro exemplo nos leva a
uma associação à Karl Marx em relação ao fetiche da mercadoria, onde o consumo de
produtos não está relacionado à nossas necessidades, mas sim ao consumo exacerbado, e a
associação do produto com determinadas datas (Natal, dia dos namorados...), não pensando
no essencial ao indivíduo que irá receber o presente, mas sim no que faz mais sentido em ser
comprado naquela época.