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Elaboração de projetos e desenvolvimento de pesquisa1

Rita de Cássia Liberato2

A produção de conhecimento através da Pesquisa


A realidade, por se apresentar de forma múltipla, requer para o seu conhecimento a aplicação de método e técnicas
específicos para que a mesma possa ser conhecida. Apesar de reconhecer a existência de vários tipos de
conhecimento o nosso interesse aqui reside em um tipo específico: o conhecimento científico.

Antes de discutirmos o conhecimento científico, torna-se necessário informar sobre um outro tipo de conhecimento:
o de senso comum; também denominado como vulgar. A importância de se falar sobre esse reside no fato desse
nortear o nosso comportamento no cotidiano, resolvendo, muitas vezes, uma grande gama de problemas que
experimentamos no dia-a-dia. Esse tipo de conhecimento - definido como aquele que todas as pessoas adquirem na
vida cotidiana, seja através da(s) experiência(s) vivida(s), seja através da transmissão ou repasse por alguém - é uma
forma de conhecer a realidade e/ou de resolver problemas que por seu nível de complexidade não requerem
procedimentos sistemáticos. Em outras palavras, o pouco que se conhece sobre o assunto pode ser suficiente para
resolver o problema que se está vivenciando, ou mesmo para concluir que esse existe mas não temos capacidade de
resolvê-lo e, nesse caso, busca-se quem possa fazê-lo.

Ao contrário do conhecimento de senso comum, o conhecimento científico resulta da investigação metódica e


sistemática da realidade. Transcende os fenômenos, buscando analisá-los para descobrir suas causas e concluir as
leis gerais que os regem. A seguir apresentaremos as principais característica desse tipo de conhecimento.

O conhecimento científico deve, necessariamente: ater-se aos fatos, transcender aos fatos, ser sistemático, analítico,
aberto, verificável, explicativo, comunicável, útil, visar a busca e aplicação de leis e, por fim, fazer predições

Para atingir o acima exposto, o conhecimento científico requer: investigação metódica, exatidão e clareza

Para se alcançar este tipo de conhecimento é necessário recorrer a pesquisa, pois esse é o instrumento através do
qual é possível a produção do conhecimento científico. De acordo com Gil (1993:19),

“Há muitas razões que determinam a realização de um pesquisa. Podem, no


entanto, ser classificadas em dois grande grupos: razões de ordem intelectual
e razões de ordem prática. As primeiras decorrem do desejo de conhecer pela
própria satisfação de conhecer. As últimas decorrem do desejo de conhecer
com vistas a fazer algo de maneira mais eficiente ou eficaz. Tem sido comum
designar as pesquisas decorrentes desses dois grupos de questões como
“puras” e “aplicadas” e discuti-las como se mutuamente exclusivas. Essa
postura é inadequada, pois a ciência objetiva tanto conhecimento em si mesmo
quanto as contribuições práticas decorrentes desse conhecimento. Uma
pesquisa de problemas práticos pode conduzir à descoberta de princípios
científicos. Da mesma forma, uma pesquisa pura pode fornecer conhecimentos
passíveis de aplicação prática imediata.”

Segundo Rúdio (1989:9),

“Pesquisa, no sentido mais amplo, é um conjunto de atividades orientadas


para a busca de um determinado conhecimento. A fim de merecer o

1
Texto elaborado para subsidiar os alunos na elaboração de projetos de pesquisa, sujeito a
críticas e sugestões.
2
Professora do Departamentos de Ciências Sociais da PUCMinas.
qualificativo de científica, a pesquisa deve ser feita de modo sistematizado,
utilizando para isto método próprio e técnicas específicas e procurando um
conhecimento que se refira à realidade empírica.”

A realização de pesquisa científica requer utilização de método e de técnicas. Nesse caso torna-
se indispensável definirmos o que é método e o que é técnica. De acordo com Galliano (1986: 6)

Método é um conjunto de etapas, ordenadamente dispostas, a serem vencidas na


investigação da verdade, no estudo de uma ciência ou para alcançar determinado fim.

Técnica é o modo de fazer de forma mais hábil, mais segura, mais perfeita algum tipo de
atividade, arte ou ofício.

Um mesmo método permite a utilização de técnicas distintas; entre elas, porém,


haverá uma mais adequada do que as demais.

Método é a orientação básica para se atingir determinado fim. Assim, por analogia,
podemos entender método como estratégia.
Técnica é a forma de aplicação do método. Ainda por analogia, podemos comparar a
técnica com a tática.

O planejamento da pesquisa
A pesquisa científica deve ser planejada, antes de ser executada. Isso se faz através de uma
elaboração de um projeto de pesquisa.

“Embora, muitas vezes, as expressões projeto de pesquisa e plano de pesquisa


sejam tomadas como sinônimos, faremos a distinção em nosso estudo, dizendo
que o projeto é um todo, constituído por partes a que chamaremos, cada uma
delas, de plano: o plano será, portanto, uma parte do projeto.” (Rúdio,
1989:43)

Requisitos para elaboração de projetos de pesquisa

Segundo Rúdio (1989:45),

Fazer um projeto de pesquisa é traçar um caminho eficaz que conduza ao fim que se pretende
atingir, livrando o pesquisador do perigo de se perder, antes de o ter alcançado. Diz Churchman
que “planejar significa traçar um curso de ação que podemos seguir para que nos leve às nossas
finalidades desejadas”. (...) O objetivo do planejamento é organizar a ação de tal maneira que
nos leve a evitar surpresas, pois “para o planejador, a surpresa é uma situação insatisfatória” e
que “se pensarmos bem naquilo que vamos fazer, com antecedência, estaremos em melhores
condições.

Para Gil (1993:22),

O planejamento da pesquisa concretiza-se mediante a elaboração de um projeto, que é o


documento explicitador das ações a serem desenvolvidas ao longo do processo de pesquisa. O
projeto deve, portanto, especificar os objetivos da pesquisa, apresentar a justificativa de sua
realização, definir a modalidade de pesquisa e determinar os procedimentos de coleta e análise
2
de dados. Deve, ainda, esclarecer acerca do cronograma a ser seguido no desenvolvimento da
pesquisa e proporcionar a indicação dos recursos humanos, financeiros e materiais necessários
para assegurar o êxito da pesquisa.

Para Belchior3, um projeto serve essencialmente para responder às seguintes perguntas: o que
fazer? Por que, para que e para quem fazer? Onde fazer? Como, com que, quanto e quando
fazer? Com quanto fazer? Como pagar? Quem vai fazer?

Dentre os objetivos do Projeto de pesquisa, destacam-se: informar com clareza o assunto e o


tema que se pretende estudar/analisar, a importância de estudá-lo, até onde pretende fazê-lo,
como esse será abordado, quando será feito e quanto gastará para realizar o estudado.

a) decisão
b) especificação dos objetivos o que se vai estudar/analisar?
por que?
para que?
para quem?
c) elaboração de um esquema ante-projeto
d) constituição da equipe de quem? (recrutamento e treinamento)
trabalho
e) levantamento de recurso quanto?
f) cronograma quando?

No momento da decisão de se fazer a pesquisa é indispensável, para quem pretende realizá-la, ter claro qual é o
seu objetivo. Em outras palavras, antes de iniciar a elaboração de um projeto de pesquisa é imprescindível definir
o tipo de pesquisa que será realizado já que essa decisão permitirá estabelecer o marco teórico da pesquisa.

As pesquisas exploratórias, de acordo com Gil (1993:45)

têm como objetivo maior familiaridade com o problema, com vista a torná-lo mais explícito ou
a construir hipóteses. Pode se dizer que essas pesquisas têm como objetivo principal o
aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições. Seu planejamento é bastante flexível, de
modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. Na
maioria dos casos essas pesquisas envolvem: a) levantamento bibliográfico; b) entrevistas com
pessoas que tiveram experiências práticas com o problema pesquisado e c) análise de exemplos
que, de acordo com Selltiz et al4., estimulem a compreensão. (grifos nossos)

Pode-se inferir, a partir do exposto por Gil (1993:45), que as pesquisas exploratórias, como a própria denominação
já indica, são aquelas que têm por objetivo propiciar ao pesquisador:

1) contato com o objeto a ser pesquisado,


2) maior conhecimento sobre o objeto,
3) conhecer o que já foi produzido até o momento,
4) o(s) métodos e técnica(s) empregados nas investigações já realizadas.

Ainda de acordo com Gil (1993:46) as pesquisas descritivas

têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou


fenômeno, ou então o estabelecimento de relações entre variáveis. (...) uma de suas
características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de
dados, tais como questionário e observação sistemática.

3
Citado por Rudio, 1989 p. 46.
4
SELLTIZ, Clairem et al. Métodos de pesquisa nas relações sociais. São Paulo: Herder, 1967.
3
(...) São incluídas nesse grupo as pesquisas que têm por objetivo levantar as opiniões,
atitudes e crenças de uma população. Também são pesquisas descritivas aquelas que visam
descobrir a existência de associações entre variáveis. (...)
Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência de relações
entre variáveis, pretendendo determinar a natureza dessa relação. Neste caso tem-se uma
pesquisa descritiva que se aproxima da pesquisa explicativa. (...).(grifos nossos)

A descrição dos fenômenos ou mesmos das condições que favoreçam o seu


aparecimento e/ou desenvolvimento são inegavelmente importantes na produção de
conhecimento, muito especialmente, no campo das Ciências Sociais devido à
impossibilidade de se fazer pesquisas explicativas que, como veremos a seguir, exigem
controles rígidos que nas ciências sociais não podem ou não são possíveis de serem
efetivados.

Quanto as pesquisas explicativas, Gil (1993:46) nos informa que essas

têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuam
para a ocorrência dos fenômenos. Este é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o
conhecimento da realidade, porque explica a razão o porquê das coisas. Por isso mesmo é o
tipo mais complexo e delicado, já que o risco de cometer erros aumenta consideravelmente.
Pode-se se dizer que o conhecimento está assentado nos resultados oferecidos pelos estudos
explicativos. (...)
As pesquisas explicativas nas ciências naturais valem-se quase exclusivamente do método
experimental. Nas ciências sociais, a aplicação deste método reveste-se de muitas
dificuldades, razão pela qual recorre também a outros métodos, sobretudo o observacional.
Nem sempre se torna possível a realização de pesquisas rigidamente explicativas em
ciências sociais (...). (grifos nossos)

Apesar de inicialmente parecer a mais adequada à investigação dos fenômenos, as


pesquisas explicativas, por exigirem alto grau de controle das varáveis presentes no
fenômeno em estudo, muito raramente são empregadas no Campo das Ciências Sociais.
No entanto, em algumas de suas áreas, fundamentalmente naquelas próximas às
Ciências Naturais, é possível a realização de pesquisas explicativas. Nessas áreas é
possível trabalhar com experimentos e modelos e, por meio destes, selecionar as
varáveis, definir formas de controle e, por fim, observar se as mesmas produzem efeitos
ou não sobre o objeto em estudo.

Já nas áreas que se situam nas Ciências Sociais e/ou Humanas, não podemos por
imposição do próprio objeto de estudo (sujeitos sociais) utilizarmos, salvo raras
exceções, os experimentos e modelos. Nessas emprega-se método observacional mesmo
sabendo de suas limitações.

Ressalta-se que para efetuar pesquisas dos tipos descritivas e explicativas é necessário antes realizar a do
tipo exploratória.

Definição do tema
A definição do tema é talvez, ou melhor, com certeza, a parte mais difícil da elaboração
de um projeto, plano ou proposta quando não nos é dado. Cabe a quem quer, seja por
obrigação (alunos) ou por puro prazer/deleite (pesquisadores) escolher o que irá
trabalhar. A decisão não é fácil de ser produzida. São milhares de assuntos em cada uma
das áreas/disciplinas e a escolha chega mesmo a doer. Essa dor a qual me refiro é a da
decisão numa realidade múltipla, onde tanto está por fazer e só se pode fazer um, pelo
menos um de cada vez. Não dá para abarcar o mundo, pelo contrário. O bom andamento
4
do trabalho requer, por um lado, que sejamos objetivos, claros, precisos e, por outro,
que a escolha recaia sobre algo que de fato, reconhecendo as nossas capacidades, nível
de formação e área de conhecimento, seja possível de ser realizado.

Chamamos a atenção para o fato de que só se deve propor trabalhar sobre algo (tema)
que já se conhece, caso contrário, não que seja de todo inviável, mas certamente o
tempo e o esforço para a realização do trabalho será infinitamente superior se
considerarmos que os assuntos sobre os quais já temos conhecimento, por menor que
esse seja, nos permitirá partirmos de ponto já iniciado, ou melhor, por caminhos pelos
quais já começamos a caminhar e, por isso, não nos é de todo estranho e assustador.

Segundo OLIVEIRA( 1997:105),

O tema de pesquisa é, “a designação do problema (prático) e da área do conhecimento a


serem observados. (...) O tema pode ser definido em termos reais como relacionado a um
campo delimitado. (...) De maneira geral, o tema deve ser definido de modo simples e
sugerir os problemas e o enfoque que serão selecionados.
Na pesquisa, a concretização do tema e seu desmembramento em problemas a serem
detalhadamente pesquisados são realizados a partir de um processo de discussão com os
orientadores.
Torna-se necessário que a definição seja a mais precisa possível, isto e’, sem ambigüidades,
tanto no que se refere à delimitação empírica quanto no que se remete à delimitação
conceitual e também à forma da construção gramatical do tema.
Uma vez definido, o tema é utilizado como “chave” de identificação e de seleção de áreas
de conhecimento disponível (...)

RÚDIO (1989:72), informa que


Para termos os conhecimentos necessários, a fim de transformar um assunto geral (ainda
não convenientemente especificado) num tema de pesquisa, é necessário observarmos a
realidade, de maneira, cuidadosa e persistente, no âmbito do assunto que pretendemos
pesquisar. Concomitantemente, devemos consultar livros, obras especializadas, periódicos,
pessoas entendidas ou interessadas no assunto etc. (...)
O Tema da pesquisa, ao ser finalmente enunciado, deve indicar, não apenas o assunto que
se pretende tratar, mas o seu campo de observação e limites, mostrando as variáveis
relevantes que serão utilizadas e o tipo de relação que se estabelece entre elas. (...)

Definição e formulação do problema de pesquisa


Toda a pesquisa começa pela formulação de um problema e por buscar explicação/solução
do mesmo

De acordo com GEWANDSZNAJDER (1989: 35-36)

(...) os problemas surgem, como diz Popper, quando algo não ocorre conforme
esperávamos, quando algo não está em ordem, quando nossas teorias ou expectativas não
são confirmadas5. (...) Os problemas nascem a partir de algum conhecimento prévio (...).
(...) a formulação e resolução de problemas científicos só podem ser feitas por quem tem
um bom conhecimento das teorias científicas de sua área.

Voltando a OLIVEIRA ( 1997:107) temos:

No início de qualquer pesquisa, em qualquer área de conhecimento, seja qual for a sua
estratégia, ativa ou não, junto com a definição do tema e dos objetivos, torna-se necessário
dar atenção à colocação dos principais problemas, a partir dos quais a investigação será

5 POPPER, K. Conhecimento objetivo. p.66

5
desenvolvida. Em outros termos, trata-se de definir uma problemática na qual o tema
escolhido ou hipótese adquira sentido.(...)

Na perspectiva de RÚDIO (1989: 70-71)

Toda pesquisa científica começa pela formulação de um problema e tem por objetivo
buscar solução do mesmo. (...)
(...) o problema é uma questão proposta para ser discutida e resolvida pelas regras da lógica
e de outros meios de que se dispõe. Carosi diz “uma questão é um enunciado acerca de um
dado objeto, proposto de maneira interrogativa, de modo que se possa responder por dois
termos de uma alternativa, contraditoriamente opostos entre si”. (...)
Para se resolver a dificuldade, formulada no problema (...) o pesquisador não pode apenas
adivinhar, fazer suposições gratuitas ou emitir opiniões superficiais e inconsistentes, mas
deve realizar um processo pelo qual, ao mesmo tempo, se busca, examina e prova a solução
e ao qual se denomina pesquisa científica.

Continuando RÚDIO (1989:750 acrescenta:

Formular o problema consiste em dizer, de maneira explicita, clara, compreensível e


operacional, qual a dificuldade, com a qual nos defrontamos e que pretendemos resolver,
limitando o seu campo e apresentando suas características. (...)

Etapas para elaboração de projetos de pesquisa

Nº Etapas
1. Escolha do tema
2. Pesquisa exploratória (levantamento de informações sobre o tema escolhido)
3. Formulação do problema
4. Especificação dos objetivos
5. Construção de hipóteses
6. Definição do tipo de pesquisa (descritiva ou explicativa)
7. Determinação da estratégia a ser empregada na coleta de dados
8. Elaboração do(s) instrumento(s) de coleta de dados
9. Determinação do plano de análise dos dados
10. Previsão da forma de apresentação dos resultados
11. Cronograma da execução da pesquisa

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Elaboração de Projetos de Pesquisa
Um projeto só pode ser definitivamente elaborado quando se tem o problema claramente formulado,
os objetivos bem definidos e o plano de coleta e análise dos dados previamente determinado.

a) Escolha do tema: inclinações, possibilidades, aptidões, tendências de quem


selecionar um assunto se propõe a elaborá-lo

Encontrar um objeto que mereça ser estudado.
Que tenha condições de ser formulado e delimitado em função da pesquisa
b) Pesquisa exploratória pesquisa bibliográfica
(levantamento inicial): pesquisa documental
3 procedimentos contatos diretos
investigação preliminar → estudos exploratórios

Pesquisa bibliográfica (fontes fonte indispensável de informações ajuda na planificação do
secundárias - dados trabalhados) trabalho evita duplicações e erros.
Pesquisa documental (fontes dados históricos, estatísticos, informações de arquivos
primárias - dados não trabalhados) particulares e/ou oficiais, diários, memórias etc.
Contatos diretos pesquisa de campo ou de laboratório

c) Formulação do definir um problema significa especificá-lo em detalhes precisos e exatos.


problema

• deve ser formulado de preferência de forma interrogativa
• delimitado com indicações das variáveis que intervém no fenômeno e possíveis relações entre elas
Problema
muito Pesquisa complexa
abrangente (difícil de conduzir)
A formulação do problema define e
identifica o assunto em estudo.
Problema Pesquisa simplificada
delimitado (fácil de conduzir)

Viabilidade Pode ser eficazmente resolvido através da pesquisa?

Relevância Deve trazer conhecimentos novos?

O problema, antes de ser Esta adequado


considerado apropriado, deve ser Novidade ao estágio atual
analisado sob o aspecto de sua da evolução humana?
valoração:

Exeqüibilidade Pode chegar a uma conclusão válida?

Oportunidade Irá atender a interesses particulares e/ou


gerais

Deve responder: O que? Como? Por que?

d) construção de Hipótese • Preposição que se faz na tentativa de verificar a validade de


hipóteses respostas existentes para um problema
• Formulação provisória a ser testada

Geralmente aparece com sua negação. Ex. Resolve - não resolve


(para efeito de demonstração escolher apenas um aspecto, o outro é conseqüência).
Ao final do trabalho de pesquisa a hipótese será confirmada ou refutada
e) Indicação variável • Unidade básica do trabalho de pesquisa;
das variáveis • Pode ter várias categorias;
Ordenação de casos em duas ou mais categorias inclusivas e que se
excluem mutuamente. Exemplos, Sexo Masculino X feminino; Status: alto
X baixo
Quatro • nome;
partes • algum tipo de definição verbal;
ativas: • categoria a que se refere;
• processo de ordenação.
Nível de esquema lógico para classificar as inferências* desejadas quando se comparam
Mensuração casos atribuídos à categorias diferentes
* através da indução ou da dedução

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Diagrama da pesquisa

Formulação Construção Determinação Estabelecimento das


do de hipóteses do categorias de análise
problema Plano

Coleta Análise e Redação do


dos interpretação relatório da
dados dos dados pesquisa
Extraído e modificado de: GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1993 p. 24

Bibliografia
BRUYNE, Paul et alli. Dinâmica da pesquisa em Ciências Sociais: os pólos da
prática metodológica. (Trad. de Ruth Joffily). 3ª Ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves,
s/d.

GALLIANO, A Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: Harbra,


1986

GEWANDSZNAJDER, Fernando. O que é método científico. São Paulo: Pioneira,


1989.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1993

OLIVEIRA, Sílvio Luiz de. Tratado de metodologia científica: Projetos de pesquisa,


TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. São Paulo: Pioneira, 1997.

RÚDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. Petrópolis:


Vozes, 1986.

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Modelo para elaborar um projeto de pesquisa

Título

Formulação do Problema

Explicação sumária do embasamento teórico do problema da pesquisa

Justificativa

Por que fazer esse trabalho? Qual a sua importância e relevância para a área de conhecimento,
(no caso Ciências Sociais? Para o Curso ? Para quem pretende realizá-lo?)

Objetivos da pesquisa (Geral e específicos)

Geral: O que se quer de fato fazer? Até onde pretende chegar?


Específicos: Desdobramento do objetivo geral, ou melhor, etapas a serem realizadas de modo
que a consecução desses seja suficiente para o alcance do objetivo geral.

Procedimentos Metodológicos

Como será feito o trabalho? Descrição detalhada do método e das técnicas a serem empregadas
para alcançar o objetivo a que se propõe. Nessa fase deverão ser respondidas as seguintes
questões:

Qual método e técnica serão utilizados para coletar as informações necessárias? Por que de suas
escolhas? No caso da(s) técnica(s), deve estar explicito nessa etapa, como será(ão) aplicada(s)?

Cronograma

Quando cada etapa descrita na metodologia será realizada.

Exemplo: Indicar no espaço apropriado a atividade que será realizada e, a seguir, com um “X”
indicar o período em que se pretende realizá-la.

Atividade Mês/Quinzena
Ago. Set. Out. Nov.
1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª 1ª 2ª

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Elaboração das Técnicas/Instrumentos de Coleta de dados

Técnica/Instrumento Método O que se busca:


Observação Qualitativo Comportamentos/atitudes
Entrevista Qualitativo/quantitativo* Opiniões latentes
Questionário/Formulário Quantitativo Opiniões manifestas
* dependendo da forma como os dados serão posteriormente trabalhados.

Técnicas/Instrumentos O que considerar para elaborar:


Pesquisa Bibliográfica ou • Estabelecimento das categorias de análise;
documental • Elaboração de um roteiro para direcionar a
pesquisa/análise: os principais fatos, comportamentos
e atitudes, de acordo com as categorias pré-
estabelecidas;
• Leitura e fichamento das fontes consultadas;
• Definição do modelo de análise (codificação e
tabulação e análise dos dados).
Observação • Estabelecimento das categorias de observação: o que
observar;
• Elaboração de um roteiro para direcionar a
observação: os principais fatos, comportamentos e
atitudes a serem observados, de acordo com as
categorias pré-estabelecidas;
• Definição do modelo de análise (codificação e
tabulação e análise dos dados).
Entrevistas • Estabelecimento das categorias de análise;
• Elaboração de um roteiro para direcionar a entrevista:
questões essenciais que devam ser tratadas;
• pré-teste do instrumento;
• definição do modelo de análise (codificação e
tabulação e análise dos dados).
Questionário/Formulário • Estabelecimento das categorias de análise;
• Elaboração das questões que devam ser tratadas;
• Elaboração das perguntas que podem ser abertas,
fechadas e/ou de múltipla-escolha;
• pré-teste do instrumento;
• definição do modelo de análise (codificação e
tabulação e análise dos dados).

As categorias devem ser estabelecidas a partir da hipótese de pesquisa e abrigam um número


significativo de questões que, por sua vez, poderão ou não, de acordo com o objetivo da
pesquisa, serem desdobradas em perguntas.
As questões, por serem proposições mais amplas, podem ser apresentadas ou não de forma
interrogativa. Para serem respondidas necessitam de uma maior compreensão do fato/fenômeno
a que se referem.
As perguntas, ao contrário das questões, são interrogações objetivas, feitas pelo pesquisador de
forma direta não requerendo para produção de suas respostas análises profundas e exaustivas
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Técnicas ou Instrumentos de Coleta de Dados

Instrumento Tipos de informação Obstáculos a minimizar Vantagens relativas


Observação Sistemática • propriedades de um número de • definição dos objetos a serem observados • manifestações sensíveis (sinais a serem
(observador externo) acontecimentos ou de unidades e das unidades; interpretados);
(distribuições freqüências); • amostragem representativa; • diversidade de objetivos e de níveis de observação;
• ações constatadas, explicações • contagem; • quadro de referência “sobre-determinante”;
recebidas, significações dadas; • seleção dos dados; • sujeito observado comportando-se de modo diferente
• incidentes ou histórias, fatos • necessidade de sistematizar as do que sozinho; comportamento diferente do
recorrentes informações (categorias) pensamento, condutas ambíguas;
• impressão, acúmulo inútil dos dados, observação
intencional, interpretação expost das notas

Observação Participante • fatos tais como são para os • recusa possível do observador, ou • participação máxima do pesquisador;
(observador conhecido ou sujeitos observados; integração e socialização excessivas; • relação menos artificial.
oculto) • fenômenos latentes (que • o acontecimento que interessa
escapam aos sujeitos mas não freqüentemente é fortuito;
ao observador). • problemas de ética
Entrevista (oral) • fatos observados e/ou opiniões • barreira para comunicação, relação • Incitações a responder (acolhimento, desejo de
Estruturada; expressas sobre: artificial; comunicar etc.);
Em profundidade; - os acontecimentos; • mecanismos de defesa (fuga, recusa, • quantidade e qualidade aumentadas das informações,
Painel (entrevistas repetidas); - os outros; racionalização, conformismo etc.); problemas mais complexos ou mais carregados
Discussão em grupo - a própria pessoa • estado de informação aleatório dos afetivamente;
• mudanças de atitudes, de respondentes; • flexibilidade.
influências; • subjetividade;
• evolução dos fenômenos; • disparidade entre declarações e
• significação das respostas; comportamentos;
conteúdo latente. • inadequação dos conceitos com o real,
dificuldades de linguagem,
incompreensões
Instrumento Tipos de informação Obstáculos a minimizar Vantagens relativas
Questionário Idem aos obtidos através da idem aos encontrados na entrevista e mais: • economia de tempo
entrevista • desvios devidos à rigidez; • uniformidade das respostas
• exame e ordenação mais difíceis; • anonimato dos respondentes
• interpretação delicada (risco de erros); • facilidade de exame das respostas
• custo mais elevado. • filtragem das perguntas
Pesquisa Bibliográfica • fatos/acontecimentos, • dificuldade de acesso (não disponibilidade • conhecer o que foi já produzido sobre o assunto/tema
comportamentos, evoluções da obra, título); que está trabalhando ou quer trabalhar;
históricas, tendências. • dificuldade de interpretação (textos não • instrumentos “não reativos”;
traduzidos, não domínio da língua em que • economia de tempo
está escrito).
Análise Documental • fatos/acontecimentos, • dificuldade de acesso (segredo); • instrumentos “não reativos”;
atributos, opiniões, • dificuldade de interpretação (sentido das • economia de tempo e de dinheiro.
comportamentos, evoluções palavras, contexto);
históricas, tendências. • “reemprego” numa perspectiva de
pesquisa;
• o importante nem sempre está escrito.
Fonte: BRUYNE, P. et. al. Dinâmica de pesquisa em ciências Sociais. 3ª ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, sd. p. 211-213
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