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1ª GUERRA MUNDIAL (1914-1918) - Capitalismo, monopolismo e imperialismo no

século XX.
A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) marcou o início do século XX, revelando o
caráter irracional e inumano do modo capitalista de produção em seu estágio mais
avançado: o imperialismo.
Imperialismo:
- Monopólios (grandes empresas controlando imensas fatias de mercado e com produção
industrial em larga escala;
- Capital financeiro (associação entre indústria e bancos privados ou estatais);
- Exportação de capitais (empresas que investem na produção de suas mercadorias em
outras áreas do globo, especialmente aquelas onde encontram mão de obra mais barata);
- Exportação de excedentes de mercadorias (criação de mercados consumidores ao redor
do globo).
O início do século XX apresenta Alemanha e Estados Unidos da América como os
principais países de economia capitalista no mundo.
RETOMADA HISTÓRICA:
1873-1896 (século XIX): Primeira grande de crise do modo capitalista de produção.
Superprodução de mercadorias e mercado consumidor fragilizado (os trabalhadores
viviam superexplorados e recebiam salários baixíssimos nas indústrias).
1900-1903 (século XX): Tem início outra crise global. A saída para os países Europeus e
para a garantir a sobrevivência do capitalismo é a formação de carteis (empresas que
passam a se associar, garantindo a elevação dos preços de seus produtos/serviços,
dividindo mercados, em detrimento dos consumidores). A Alemanha sai fortalecida ao
final desse processo, o que ameaçava diretamente Inglaterra e França, nações pioneiras
no processo de dominação colonial e neocolonial.
Paz Armada: as maiores potências capitalistas do mundo (EUA, ALEMANHA,
INGLATERRA, FRANÇA e ITÁLIA) investem maciçamente em armamento.
Política internacional:

- Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália), formada em 1882.


- Tríplice entente (Inglaterra, Rússia e França), formada em 1907.
- Dois blocos poderosos que contavam com nações aliadas e que disputavam
economicamente entre si outras áreas do globo.
Questão Marroquina (1904-1911): Alemanha praticava seu imperialismo em áreas de
domínio francês e inglês, fruto do colonialismo europeu de séculos anteriores.
Questão Balcânica: opõe fortemente os países dos dois blocos.
- Havia, na Europa, um forte movimento nacionalista e anti-imperialismo alemão,
francês e inglês, por parte dos povos eslavos, desejosos de uma unificação nacional e
territorial. A Sérvia capitanearia a anexação dos territórios eslavos e era apoiada pela
Rússia czarista, servindo como porta de entrada para futura influência do império russo
naquela região.
A Questão Balcânica abriu o caminho para o início da Guerra. O império Austro-
Húngaro, contrário a ideia de unificação dos povos eslavos e a de acordo com os
interesses capitalistas da Alemanha, enviou o Arquiduque e herdeiro do trono austro-
húngaro, Francisco Ferdinando, à Sarajevo, capital da Bósnia para encontrar uma
“solução diplomática”. O Arquiduque foi assassinado, junto de sua esposa, em uma
atentado promovido por um grupo sérvio chamado de “Mão Negra”, o que desencadeou
o início do conflito.
O império Austro-Húngaro declarou guerra à Sérvia (aliada dos Russos da Entente) e as
demais potências foram acionadas para o combate sangrento que duraria cerca de quatro
anos.
O equilíbrio militar entre as nações envolvidas na guerra fez com que as batalhas se
arrastassem ao longo de quatro anos. Entre os meses de agosto e novembro de 1914, a
Primeira Guerra Mundial ficou marcada pelo período da chamada “guerra de
movimento”.
A partir de 1915, a guerra entrou em uma nova fase chamada “guerra de posições” ou
“guerra de trincheiras”. O avanço militar dos dois lados (Tríplice Aliança e Tríplice
Entente) era limitado e cada vitória era obtida a enormes custos financeiros e humanos.
Somente a partir de 1917 que esse quadro indefinido da Primeira Guerra ganhou novos
contornos. O uso de tanques e aviões possibilitou o fim da estagnação que marcou o
período das trincheiras. Entretanto, duas outras modificações políticas tiveram ainda
maior importância nos destinos do conflito: a saída da Rússia (que enfrentava o início de
sua revolução socialista); e a entrada dos Estados Unidos (que forneceram mais de um
milhão de soldados à Tríplice Entente).
A iminente derrota da Alemanha forçou o kaiser Guilherme II a renunciar ao seu cargo
político. Desestabilizado e sem nenhum apoio militar, o governo alemão assinou o
armistício de Compiègne, em novembro de 1918. Dessa maneira, a vitória da Tríplice
Entente estava assegurada. A partir de então, começaram as negociações diplomáticas
que resolveriam a situação dos vencedores e dos vencidos na Primeira Guerra Mundial.
O Tratado de Versalhes (1919): desmilitarização e enfraquecimento econômico da
Alemanha como forma de conter seu potencial imperialista. Deixou marcas profundas
que foram utilizadas posteriormente pelas forças reacionárias do nazismo (Segunda
Guerra Mundial).
Tanto a Primeira quando a Segunda guerras mundiais serviram para uma nova
reestruturação da economia mundial, para uma nova e profunda partilha do mundo
contemporâneo.
Ao final da Primeira Guerra, o mundo assiste aos Estados Unidos da América afirmarem
sua posição de grande país imperialista do mundo, superando os ingleses, franceses e
alemães.
“Entre Guerras” – A grande depressão e Fascismos
Os efeitos da Primeira Guerra Mundial foram devastadores na Europa , mas nos Estados
Unidos temos outra perspectiva. O seu território não foi atingido diretamente pela guerra,
por outro lado, a produção e venda de armas para o conflito influenciou diretamente no
seu arrecadamento, o que ampliou a ideia de que o EUA iria se consolidar como a maior
economia mundial.
Esse é o momento onde surge a expressão chamada American way of life (Estilo de vida
americano), onde o consumismo era exacerbado e incentivado. Existia um ideal de que o
homem e a família só seriam felizes através do consumo dos bens materiais, e para além
disso, também existia a propagação de que todo homem deveria ser um empreendedor, o
homem pobre, com muito trabalho duro, poderia se tornar o novo rico empresário.
A Grande Depressão ou também conhecida como Crise de 1929 (1929-1933) veio para
mostrar que o Capitalismo está em constante crise e agora o consumo dava lugar ao
desemprego, a miséria e a fome.
Essa crise se inicia a partir do momento em que, influenciados pela ideia de um lucro
fácil, muito empresários começam a investir suas economias em ações, que durante os
anos 1920 muitas vezes triplicavam de preço, mas isso também acarretou que em pouco
tempo as ações tinham preços que não correspondiam a realidade monetária das empresas.
A partir disso os investidores iniciam um processo de queda nos preços para que essas
ações fossem vendidas, mas não haviam compradores o suficiente. Estava formado o que
é chamado de “quebra da bolsa” e tal fato ocorre no dia 29 de outubro de 1929.
Outros fatores importantes que acarretaram da Crise.
- Concentração de Riquezas: 13% da população Americana concentrava 90% da riqueza
nacional.
- Não ajuste de salário de acordo com a economia: o consumo era incentivado, mas os
salários dos trabalhadores permanecia praticamente sem ajustes. Aos poucos o consumo
foi diminuindo.
- Superprodução: o incentivo desenfreado nas indústrias e na área agrícola não encontrou
mercado de venda internacional o suficiente. Muitos países que compravam dos EUA
estavam importando menos por conta dos gastos com a Guerra passada.
Medidas no EUA: Nas eleições de 1932, com um discurso de que resolveria a crise,
Roosevelt venceu com grande folga o segundo colocado, Herbert Hoover.
O grande plano de Roosevelt para resolver a crise era o New Deal, um plano de
intervenção que se caracterizava como:
- investimento em obras públicas – criação de escolas, usinas, aeroportos, pavimentações
de ruas.
- limitações industriais – medida que esperava frear a superprodução de bens de consumo.
- reajuste dos salários e alguns benefícios trabalhistas.
No Brasil: A crise de 1929 atinge o Brasil em um momento muito delicado, que
posteriormente será chamado de Era Vargas.
O Governo de Vargas se inicia de forma conturbada com uma derrota nas eleições para a
presidência em 1930 para o candidato Júlio Prestes, mas em meio a uma contestação,
alegação de fraude e ameaças de uma revolta armada, principalmente vinda do Rio
Grande do Sul, sem contar a morte do candidato a vice-presidente pela chapa de Getúlio,
João Pessoa, Júlio Prestes é deposto e Getúlio Vargas assume o Governo do País.
O café tinha caído no preço para a exportação, ao mesmo tempo em que a dívida externa
crescia e o preço dos importados subia. O problema geral era de que o trabalhador tinha
como seus bens de consumo os importados em geral e agora a situação era crítica. Houve
inflação, desemprego e fome.
Os Fascismos: É sempre válido ressaltar que não existe ou existiu apenas uma forma de
Fascismo, por isso devemos sempre usar esse termo no plural quando citado de forma
geral.

Mussolini (comandante Fascista Italiano) e Hitler (comandante Nazista alemão) em discurso

Segundo o Historiador Robert Paxton, são ideias fascistas:


- Abandono de Formas tradicionais para superar uma crise;
- subordinação do indivíduo ao grupo;
- tudo é justificável contra o inimigo;
- aversão a Democracia, ao Liberalismo ou ao Socialismo;
- machismo;
- culto à violência;
- domínio de um povo sobre o outro.
Na Itália Benito Mussolini foi o idealizador do Partido Nacional Fascista, que continha
as características citadas acima. Mussolini queria reviver as glórias do Império Romano
e para isso desejava uma nação unida e centralizada, totalmente subordinada ao Estado.
Incentivava ao máximo as práticas de guerra, ou seja, havia um forte apelo para que todo
homem soubesse manusear armas e lutasse contra o liberalismo e o comunismo.
A população apoiou inicialmente a ideia pois, apesar de estar no lado vencedor, a Itália
estava passando por grandes dificuldades pós a primeira guerra e os sindicatos italianos,
muitos de origem anarquista ou socialista, estavam ganhando mais força entre os
operários e os empresários acabaram apoiando as ideias do Partido Fascista em forma de
se opor as greves e as manifestações dos trabalhadores.
Nas eleições der 1924 muitas pessoas foram impedidas de votar, houve um grande
número de fraudes, repressão e violência contra aqueles que iam contra. Dessa forma o
partido venceu de forma “válida” nas eleições.
Sendo uma monarquia constitucional, uma das leis implementadas pelo partido de
Mussolini foi a de que seus atos só seriam subordinados ao rei da Itália. Não haviam mais
partidos políticos e todos os políticos de oposição foram caçados, alguns exilados e outros
assassinados. A pena de morte foi implementada na Itália fascista.
Além do fator violento, o governo utilizava de grande aparato de propaganda e cinema
para que o público se aproximasse do governo, principalmente os jovens, que eram o foco
do governo afim de não causar novas revoltas e de sempre ter uma força de exército
grande.
Cartaz de propaganda Nazista

Em 1929 foi assinado o Tratado de Latrão,


pelo papa Pio XI, que reconheceu o Vaticano
como Estado independente e inviolável. A
Igreja passou a reconhecer o governo de
Mussolini, o catolicismo se tornou a religião
oficial. Dessa forma ambos os lados saíram
ganhando na junção de Igreja e Fascismo.
Na Alemanha: também foi gravemente
afetada pela Primeira Guerra Mundial e tal
fato influenciou os acontecimentos
referentes ao Nazismo.
O Tratado de Versalhes foi uma condenação
para a Alemanha que obrigava que o efetivo
militar fosse diminuído, não fosse produzida
armas pesadas, que alguns territórios fossem
desocupados e que fosse pago uma indenização de 33 bilhões e dólares para os
vencedores. Tal fato gerou uma revolta geral em toda a sociedade alemã.
O Partido Nazista ou Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães
(Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP) defendia que a saída para
aquela situação pela qual passava o país era um estado forte e culpava o governo pela
derrota alemã. Foi ainda criado um braço paramilitar da organização, a SA (abreviação
de Sturmabteilung. Tropas de Assalto, em português), que ficou conhecida como
“camisas marrons”, pois era o uniforme de seus membros.
Em 1923, os nazistas de Munique, sul do país, tentaram dar um golpe de Estado, mas o
movimento fracassou e seu líder, Hitler, foi preso. Nesse momento a Alemanhã já havia
tentado romper com o tratado e com a dívida externa, mas era fortemente reprimida pela
França.
Durante os meses em que ficou preso, Hitler escreveu Mein Kampf (Minha luta), obra
em que expôs os princípios fundamentais do nazismo: anticomunismo, antiliberalismo,
antimarxismo, ultranacionalismo, militarismo, racismo e o ódio aos judeus
(antissemitismo), a quem atribuía a culpa pela situação econômica do país.
Enquanto Hitler estava preso, os Estados Unidos iniciaram um processo de mercado e
ingestão de dinheiro no país, e a economia voltou a crescer, mas isso duraria pouco, afinal,
1929 a economia americana foi totalmente desestabilizada.
Havia novamente então um aspecto favorável para o crescimento do partido Nazista. A
cada fala de Hitler, cada discurso, cada propaganda, mais seguidores ele conseguia. Em
1928 o partido havia conseguido 2,8% dos votos, em 1933 foi o mais votado, com quase
44% dos votos.
Hitler foi nomeado Chanceler, o chefe geral do governo e em 21 de março implementou
o Terceiro Reich, com o apoio de empresários da Krupp, Bosch e Siemens.
Outras empresas que apoiaram o Governo Nazista e existem ainda hoje – Kodak,
Volksvagen (FUSCA), Bayer, Coca Cola (Fanta), Ford (Herry Ford), BMW, General
Eletric (GE).
Nesse momento os primeiros atos foram criar uma polícia do governo, a GESTAPO que
atuava de forma violenta contra os adversários e iniciar um processo de censura nas artes
e produção de mídia e propaganda a favor do governo em proporção nunca antes vista.
No poder, o governo iniciou seu processo de fechar os sindicatos, eliminar partidos
políticos, fechar jornais, prender comunistas, judeus e democratas, onde vários deles
foram para os campos de concentração.
Os nazistas utilizaram amplamente a propaganda para difundir suas ideias. Joseph
Goebbels, ministro da propaganda, controlava a imprensa, o rádio, o teatro, o cinema, a
literatura, a música, e também as Belas Artes. A esta última, Hitler dedicava particular
atenção: fanático por arte, condenava a arte moderna, que chamava de degenerada, e
valorizava a arte clássica. Entendia que as artes deveriam ser realistas e apresentar a
perfeição do homem ariano e toda a arte produzida durante o Terceiro Reich tinha que
seguir essas premissas, sob pena de os artistas serem considerados inimigos do regime e
proibidos de comercializar e expor seus trabalhos.
Em 1934, com a morte do então presidente alemão Von Hindenburg, Hitler assume o
posto de Führer e passou a comandar sem ninguém como seu superior.
Em 1935, foram instituídas as Leis de Nuremberg, que determinavam a segregação racial
entre judeus e arianos - a “raça” pura que, para os nazistas, não poderia ser misturada com
outras e deveria ser sanada de imperfeições. A partir de então, o caráter racista do regime
só se intensificou, levando à perseguição e eliminação de judeus, ciganos, homossexuais
e deficientes físicos e mentais. A polícia política nazista, Gestapo, era a grande
responsável pela perseguição desses grupos. Posteriormente, além da perseguição, a
política nazista incluía o encarceramento, os campos de concentração e a chamada
"Solução Final", ou seja, a eliminação em massa dessas populações através das câmaras
de gás, culminando no Holocausto.
Na economia Hitler não cumpriu com diversas promessas que fez ao povo alemão, como
uma reforma agrária, reajuste de salários e ainda priorizou investimentos para grandes
barões das industrias, que acabariam por se tornar multinacionais no século XXI, como
já citado.
Por outro lado, com o grande investimento em obras públicas e com a criação de diversas
fábricas para material bélico, Hitler acabou gerando muitos empregos, mas acaba por
completo com todas as organizações sindicais existentes.
Outro fundamento do nazismo era a teoria do espaço vital (Lebensraum), que seria
utilizada para justificar a invasão alemã de territórios como os Sudetos, na
Tchecoslováquia. Segundo essa teoria, a chamada raça ariana deveria ser unificada em
um único território, reiterando o lema de Hitler: um povo, um império, um guia. A
determinação em perseguir esses ideais levou a Alemanha nazista à invasão da Polônia,
em 1º de setembro de 1939, o que deu início à Segunda Guerra Mundial.
Segunda Guerra Mundial
A Segunda Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945, é assim chamada por ter se
tratado de um conflito que extrapolou o espaço da Europa, continente dos principais
países envolvidos. Além do norte da África e a Ásia, o Havaí, território estadunidense,
com o ataque japonês a Pearl Harbor, foi também palco de disputas territoriais e ataques
inimigos.
Compreender o que levou à eclosão do conflito implica lembrar as consequências da
Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, culminando com a derrota alemã e a assinatura,
entre as potências europeias envolvidas, do Tratado de Versalhes, que, culpando a
Alemanha pela guerra, declarou a perda de suas colônias e forçou o desarmamento do
país. Diante desse quadro, o país derrotado enfrenta grande crise econômica, agravada
pela chamada Crise de 1929. Iniciada nos Estados Unidos da América, que ao fim da
Primeira Guerra tinham se estabelecido como a grande economia mundial e financiador
da reconstrução da Europa devastada pela guerra, entraram em colapso econômico,
levando consigo as economias de países dependentes da sua e agravando as dificuldades
econômicas na Europa.
O agravamento da crise econômica aumentou o sentimento de derrota e fracasso entre
alemães e alemãs, que viram nos ideais do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores
Alemães, o Partido Nazista, a saída para a situação enfrentada pelo país. A frente do
Partido, fundado em 1920, estava Adolf Hitler, que chegou ao poder em 1933, defendendo
ideias como a da superioridade do povo alemão, da culpabilização dos judeus pela crise
econômica e da perseguição, isolamento e eliminação dos mesmos e de outros grupos
como ciganos, homossexuais e deficientes físicos e mentais. Pregava ainda a teoria do
espaço vital (Lebensraum), a qual defendia a unificação do povo alemão, então, disperso
pela Europa e seria utilizada como justificativa para o expansionismo nazista.
Também na Itália a crise econômica do Período Entreguerras foi aproveitada por um
grupo político antiliberal e anticomunista, que via na formação de um Estado forte a
solução para os problemas econômicos e sociais. Tal grupo organizou-se como Partido
Fascista, liderado por Benito Mussolini, que em 1922 foi nomeado primeiro-ministro pelo
rei Vítor Emanuel III. Mussolini, chamado pelos italianos de duce, combateu rivais
políticos e defendeu a expansão territorial italiana, culminando na invasão da Etiópia em
1935 e na criação da chamada África Oriental Italiana, anexada à Itália.
Os dois líderes totalitários, Hitler e Mussolini, assinaram em 1936 um tratado de amizade
e colaboração entre seus países. Estava formado o Eixo Roma-Berlim, que em 1940
passaria a ser Eixo Roma-Berlim-Tóquio, marcando a aliança do Japão com os dois países
europeus, formalizada com a assinatura do Pacto Tripartite, que garantia a proteção dos
três países entre si. Estava formado o Eixo, que durante o conflito mundial enfrentaria os

Aliados, aliança formada inicialmente por Inglaterra e França que mais tarde contou com
a entrada de outros países, como os Estados Unidos, em 1941, após sofrer um ataque
japonês na ilha de Pearl Harbor, seu território no Oceano Pacífico; a União Soviética, em
1941, quando a Alemanha de Hitler quebrou o Pacto Germano-Soviético de não agressão
assinado dois anos antes; e até mesmo o Brasil, que em 1942 saiu da neutralidade e entrou
na Guerra, em 1944 enviou combatentes (Força Expedicionária Brasileira) para combater
na Europa.

Mas o que, afinal, levou à eclosão da guerra?


Os nazistas decidiram levar a teoria do espaço vital adiante, promovendo assim o
expansionismo alemão, primeiramente com a anexação da Áustria, em 1938, depois com
a tentativa de incorporar a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, pois ali viviam cerca
de 3 milhões de falantes da língua alemã. França e Reino Unido acordaram com a
Alemanha, na Conferência de Munique, a anexação de apenas 20% do território tcheco,
mas Hitler não respeitou acordo, ocupando e em 1939 todo o país. O próximo passo foi a
invasão da Polônia na tentativa de recuperar Danzig, cidade perdida pelos alemães na
Primeira Guerra. França e Reino Unido exigiram que os alemães voltassem atrás e, diante
da negativa de Hitler, declararam guerra à Alemanha em 3 de setembro de 1939. Tinha
início o conflito mais destrutivo da história.
A guerra relâmpago
Erich Von Manstein, general alemão, foi o principal responsável pelo desenvolvimento
da Blitzkrieg, a guerra relâmpago, uma tática militar que tinha como objetivo destruir o
inimigo por sua surpresa, rapidez e brutalidade. Tal técnica foi utilizada nas invasões
alemãs da Polônia e da França, que levaram pouco mais de um mês para se consolidar,
haja vista a eficiência da na África, Egito Marrocos e Argélia eram conquistados pelos
forças Aliadas.
Antissemitismo
Além do expansionismo e das disputas territoriais, a perseguição a grupos étnicos,
sobretudo aos judeus e ciganos, foi uma realidade na Segunda Guerra Mundial. Para o
nazismo, os judeus eram os grandes culpados pela crise do país passara no Período
Entreguerras, devendo, portanto, ser combatidos. Antes da eclosão da guerra, políticas
segregacionistas já eram colocadas em prática pelos nazistas, como a obrigatoriedade da
identificação pelo uso de uma Estrela de Davi, símbolo religioso do judaísmo; proibição
do casamento entre judeus e alemães; demissão de judeus de cargos públicos; criação dos
guetos e de campos de concentração; e a mais radical de todas, a chamada solução final,
que consistia na eliminação de prisioneiros através do uso de gás tóxico.
Propaganda Soviética contra o fascismo
Nazista

Fim da guerra
Os Aliados começaram a derrotar o Eixo
em 1942. No Pacífico, Estados Unidos e
Austrália derrotaram os japoneses. Em
fevereiro de 1943, os nazistas perderam a
batalha de Stalingrado, na União Soviética,
e foram expulsos da Bulgária, Hungria,
Polônia, Tchecoslováquia e Iugoslávia. Na
África, Egito Marrocos e Argélia foram
conquistados pelas forças Aliadas. Em
julho do mesmo ano, Vitor Emanuel III, rei
da Itália, destituiu Mussolini do governo e
assinou a rendição italiana aos Aliados. No
dia 6 de junho de 1944, os Aliados
desembarcaram na Normandia, França, na
operação que ficou conhecida como “Dia
D”. Era o início da libertação francesa e, no
fim da agosto, Paris estava livre. Em 2 de
maio de 1945, soviéticos e estadunidenses tomaram Berlim, dois dias depois do suicídio
de Hitler e do alto-comando do Partido Nazista. Iniciou-se o processo de rendição das
tropas nazistas, colocando, assim, fim à guerra na Europa. Só o Japão resistia, mas, em
agosto, diante das bombas atômicas jogadas pelos Estados Unidos em Hiroshima e
Nagasaki, o imperador Hirohito se rendeu aos Aliados. Chegava ao fim a Segunda Guerra
Mundial, deixando cerca de 50 milhões de mortos e 35 milhões de feridos.
Os países vencedores levaram oficiais nazistas a julgamento no Tribunal de Nuremberg,
criado para esse fim, sob acusação de crimes contra a humanidade. Outra consequência
da guerra foi a criação, em 1945, da Organização das Nações Unidas (ONU), cujo
objetivo é mediar conflitos entre países a fim de evitar novas guerras.
Brasil Pós Era Vargas e o Governo Dutra
Eurico Gaspar Dutra, 14º presidente do Brasil, governou o país de 1946-1951 após a
deposição do presidente Getúlio Vargas por um golpe militar.
A partir de 1932, Eurico Gaspar Dutra, esteve próximo ao presidente Vargas graças ao
seu combate ao movimento constitucionalista que atacava o governo federal. Também
teve papel importante ao reprimir a Intentona Comunista, em 1935. Durante a Segunda
Guerra Mundial defendeu a participação do Brasil ao lado das potências do Eixo
(Alemanha, Itália e Japão), mas apesar desta posição, coube ao general Eurico Gaspar
Dutra a organização da Força Expedicionária Brasileira (FEB), enviada para lutar na Itália
contra os exércitos fascistas.
Ao final do conflito, quando Governo Vargas perdia apoio, Dutra foi escolhido pela
oposição para ser o candidato à presidência. Vargas seria deposto por um golpe militar
que assegurou a eleição de Dutra.
No plano interno, coube ao governo Dutra promulgar uma Constituição que substituísse
à outorgada por Getúlio Vargas, em 1937. A nova Carta Magna, de 1946, garantia as
liberdades individuais e extinguia a pena de morte, além de:
Igualdade de todos perante a lei;
Inviolabilidade de correspondências;
Liberdade de crença;
Separação e equilíbrio dos três poderes.
O Governo Dutra tambpem foi marcado pelo crescimento do capital estrangeiro no Brasil.
Durante seu governo a missão conhecida como Abbink ocorreu e foi permitido a
instalação de multinacionais no país.
Segundo Governo Vargas ou Governo Democrático – 1950 a 1945
“Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar

O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar


O sorriso do velhinho faz a gente trabalhar” Era a música que ecoava durante o período
de campanha de Getúlio Vargas.
Em 1951, Getúlio Vargas retornou ao posto de Presidente da República, mas dessa vez
com os votos da população. Para voltar ao poder, o político gaúcho optou por deixar sua
imagem política afastada dos palcos do poder. Entre 1945 e 1947, ele assumiu, de forma
pouco atuante, o cargo de senador federal. Nas eleições de 1950, ele retornou ao cenário
político utilizando de alguns dos velhos bordões e estratagemas que elogiavam o seu
antigo governo.
Querendo buscar amplas alianças políticas, Getúlio abraçou setores com diferentes
aspirações políticas. Em um período de Guerra Fria, onde a polarização ideológica era
pauta do dia, Vargas se aliou tanto aos defensores do nacionalismo quanto do liberalismo.
Dessa maneira, ele parecia querer repetir o anterior “Estado de Compromisso” que
marcou seus primeiros anos frente à presidência do Brasil.
Por um lado, os liberalistas, representados pelo empresariado nacional, e militares,
defendiam a abertura da economia nacional ao capital estrangeiro e adoção de medidas
monetaristas que controlariam as atividades econômicas e os índices inflacionários. Por
outro, os nacionalistas, que contavam com trabalhadores e representantes de esquerda,
eram favoráveis a um projeto de desenvolvimento que contava com a participação maciça
do Estado na economia e a rejeição ao capital estrangeiro.
Dada essa explanação, perceberemos que liberalistas e nacionalistas tinham opiniões
diferentes sobre o destino do país e, até mesmo, antagonizavam em alguns temas e
questões. Dessa forma, Vargas teria a difícil missão de conseguir se equilibrar entre esses
dois grupos de orientação política dentro do país. Mais uma vez, sua função mediadora
entre diferentes setores político-sociais seria colocada à prova.
As ações polêmicas do governo
Entre as principais medidas por ele tomadas, podemos destacar a criação de duas grandes
estatais do setor energético: a Petrobrás, que viria a controlar toda atividade de
prospecção e refino de petróleo no país, gerando ainda a campanha “O Petróleo é
Nosso”; e a Eletrobrás, empresa responsável pela geração e distribuição de energia
elétrica. Além disso, Vargas convocou João Goulart para assumir o Ministério do
Trabalho. Em um período de intensa atividade grevista, João Goulart aplicou um reajuste
salarial de 100%.
Vargas com as mãos
“sujas” de Petróleo

Todas essas medidas


tinham forte tendência
nacionalista e foram
recebidas com tamanho
desagrado pelas elites e
setores do oficialato
nacional. Entre os
principais críticos do
governo, estava Carlos
Lacerda, membro da
UDN, que por meio dos
órgãos de imprensa
acusava o governo de promover a “esquerdização” do Brasil e praticar corrupção política.
Essa rixa entre Vargas e Lacerda, ganhou as páginas dos jornais quando, em agosto de
1954, Carlos Lacerda escapou de um atentado promovido por Gregório Fortunato, guarda
pessoal do presidente.
O suicídio de Vargas
A polêmica sob o envolvimento de Vargas no episódio serviu de justificativa para que as
forças oposicionistas exigissem a renúncia do presidente. Mediante a pressão política
estabelecida contra si, Vargas escolheu outra solução. Na manhã de 24 de agosto de 1954,
Vargas atentou contra a própria vida disparando um tiro contra o coração.
Na carta-testamento por ele escrita, Getúlio denunciou sua derrota perante “grupos
nacionais e internacionais” que desprezavam a sua luta pelo “povo e, principalmente, os
humildes”.
Depois dessa atitude trágica, a população entrou em grande comoção. Vargas passou a
ser celebrado como um herói nacional que teve sua vida ceifada por forças superiores à
sua luta popular. Com isso, todo grupo político, jornal e instituição que se pôs contra
Getúlio Vargas, sofreu intenso repúdio das massas. Tal reação veio a impedir a
consolidação de um possível golpe de estado. Dessa forma, o vice-presidente Café Filho
assumiu a vaga presidencial.
Leia a seguir a carta Testamento de Getúlio Vargas:
“Getúlio Vargas
Mais uma vez as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se
desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam, e não me
dão o direito de defesa.
Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender,
como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.
Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos
econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o
trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao
governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos
grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros
extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se
desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas
através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A
Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.
Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária
que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até
500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas
de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal
produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa
economia, a ponto de sermos obrigados a ceder. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a
hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo
esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda
desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o
sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a
minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis
minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso
peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no
pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa
bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e
manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que
pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me
liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de
ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu
resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado
de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha
vida. Agora vos ofereço a minha morte.
Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para
entrar na História.”

(Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas)


Governo JK – O Presidente “Bossa Nova” - 1956 a 1960
Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976), conhecido como JK, foi um médico e
político mineiro, presidente do Brasil, de 1956 a 1960, cuja época é lembrada como um
tempo de otimismo.
Entre 1940 e 1945 foi prefeito de Belo Horizonte, onde realizou obras importantes como
o complexo da Pampulha com projetos de Oscar Niemeyer.
Com a deposição de Getúlio Vargas, novas eleições são disputadas e Eurico Gaspar Dutra
é eleito presidente.
Por sua vez, JK se elege deputado federal e participa da elaboração da Constituição de
1946.
Em 1950 foi eleito governador de Minas Gerais. Durante seu governo no estado priorizou
o binômio “energia e transporte”. Desta maneira, criou a CEMIG (Centrais Elétricas de
Minas Gerais) e construiu cinco usinas para a produção de energia elétrica.
No dia 3 de outubro de 1955, Juscelino Kubitschek venceu as eleições para presidente e
João Goulart era o vice-presidente.
JK foi eleito por uma coligação entre o Partido Social Democrático (PSD) e o Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB), partidos de herança getulista. Assumiu a presidência no
dia 31 de janeiro de 1956.
Ao assumir o poder, Juscelino Kubitschek estabeleceu o lema de sua política econômica,
prometendo cinquenta anos de progresso em cinco de governo.
Plano de Metas para Desenvolver o Brasil
A coordenação global da política econômica do governo JK era feita com base no Plano
de Metas, 30 metas.
Apresentado na campanha eleitoral, o plano definia os principais objetivos a serem
atingidos, agrupados em cinco setores: energia meta 1 a 5, transporte 6 a 12, alimentação
13 a 18, indústria 19 a 29 e educação 30. A proposta de Construção de Brasília foi
colocada no Plano somente durante o período de campanha. A transferência da capital
para o interior do Brasil exigiu uma grande quantidade de recursos humanos e financeiros.
JK, ao centro da imagem, inaugurando obras em Brasília
O processo inflacionário era também alimentado pelas despesas das obras em Brasília,
que foi inaugurada em 1960.
Numa época de petróleo barato, o Plano de Metas fez a opção pelo transporte rodoviário.
Foram construídos 20 mil km de estradas de rodagem, a maioria com capital nacional
privado.
A produção de petróleo saltou de dois milhões de barris em 1955, para trinta milhões em
1960. A produção de aço que era de 1 milhão e 150 mil toneladas, chegou a 2 milhões e
500 mil toneladas em 1960.
No setor de bens de consumo duráveis foram instaladas inúmeras fábricas de automóveis
e caminhões, como Mercedes Benz, Volkswagen, Willis Overland, General Motors e
Ford.
Governo Jânio – Jango e o Golpe Civil-Militar
JK terminou seu governo com a vitória da inauguração de Brasília, mas não conseguiu
fazer com que seu sucessor General Henrique Teixeira Lott ganhasse força o suficiente,
sendo assim, com um discurso de “varrer a corrupção” Jânio da Silva Quadros, do PTN,
foi eleito para a presidência em 1961.
Jânio se dizia um não político, apesar de estar na vida política a vários anos, chegando a
ser vereador, deputado, governador e posteriormente prefeito, ao mesmo tempo, não
figurava numa posição de ser contra ou a favor das heranças getulistas, que marcavam os
partidos desse momento. Era um homem magro, caricato, e tinha na UDN e em Carlos
Lacerda grande apoio.
Com seu vice-presidente João Goulart (1918-1976), oriundo do PTB, formou a chapa
denominada “Jan-Jan”.
O cenário do Brasil era de crise, pois o governo de Juscelino Kubitschek (1956-1960)
deixou o país com a economia desestruturada, inflação e o dívida externa maior.
Para conter estes problemas, Quadros congelou salários, desvalorizou a moeda nacional
e restringiu o acesso de fundos de crédito, como tentativa de equilibrar a economia.
Quanto ao cenário externo, o mundo vivia a Guerra Fria (liderada pelas duas
superpotências mundiais, EUA, capitalista, e a URSS, socialista). Deste modo, Jânio
permaneceu numa posição neutra e, muitas vezes, sendo pragmático e privilegiando os
interesses econômicos.
A despeito de ser considerado conservador e anticomunista, esta posição não refletiu na
política externa de Jânio Quadros. Aproximou-se de nações socialistas como Cuba, China
e URSS.
Jânio, com a vassoura, símbolo da sua campanha anticorrupção

Em 1961, participou da
entrega da “Grã-Cruz do
Cruzeiro do Sul”, a mais
alta condecoração do
governo brasileiro a Che
Guevara (1928-1967),
líder do movimento
socialista na América
Latina. Este gesto
provocou críticas da
direita brasileira.
Foi um líder carismático
das massas, tentando
aproximar-se do povo
usando ternos escuros,
nos quais deixava cair caspa a fim parecer mais popular, por outro lado teve ações
controversas a esse ar carismático como a proibição do uso de biquínis nas praias,
suspensão das rinhas de galo e interdição do uso de lança perfume. Isso demonstrou
fragilidade nas metas do plano político proposto, afastando assim, a população e perdendo
sua popularidade.
Com efeito, após perder apoio dos militares e com a pressão de Carlos Lacerda (1914-
1977), líder da UDN, Jânio renunciou dia 25 de agosto de 1961.
Seu mandato presidencial foi um dos mais breves (quase sete meses) na história da
presidência do país. Numa carta ao Congresso Nacional, Jânio Quadros declarou a
pressão que estava sofrendo por “forças terríveis”, fator determinante para justificar sua
renúncia.
O cargo posteriormente foi assumido pelo vice-presidente: João Goulart, mas com uma
série de ressalvas da oposição. A UDN (União Democrática Nacional), se posicionou
contra sua ascensão à presidência, uma vez que Jango era visto como um elemento
perigoso da Esquerda.
João Goulart teve grande adesão das camadas populares como a classe operária, os
sindicatos, os estudantes. Quando assume a presidência, o país estava desestruturado,
marcado por crises políticas e econômicas.
Assim, Jango pretendia transformar o país, renovando a constituição e sobretudo,
propondo as reformas de base, nos setores educacional, fiscal, político e agrário, tal qual
a reforma agrária, reforma tributária, reforma eleitoral (com o voto para analfabetos), a
reforma universitária, dentre outras. Suas ações foram controversas, de modo que o país,
em 1963, atingiu um nível altíssimo de dívida externa e inflação, aproximando-se de 74%.
No dia 13 de março de 1964, Jango organizou o conhecido “Comício da Estação da
Central do Brasil”, para o lançamento de sua propostas e reformas. Foi o ápice para as
elites e a classe média do período.

Jango com apoiadores em comício

Dias depois a “Marcha da Família com deus pela Liberdade” foi organizada por
setores ligados a Igreja, o Empresariado e as classes médias conservadoras.
Posteriormente é sabido que as alas conservadoras do exército também estavam se
organizando. Cerca de 400 mil pessoas participaram da marcha.
Ao mesmo tempo os Estados Unidos e seu embaixador no período Lincoln Gordon,
juntamente com a CIA ajudaram e apoiaram o golpe militar de 1964.
Em 20 de março, Castelo Branco emitia uma circular aos oficiais do estado-maior
indicando que as medidas de João Goulart ameaçava a segurança nacional. Em 31 de
março, o general Olímpio Mourão Filho arregimentou tropas sediadas em Juiz de Fora -
MG para dirigirem-se ao Rio de Janeiro e instaurar um regime militar. Dessa maneira, no
1º de abril de 1964, foi realizado o golpe que implementou o regime militar.
João Goulart exilou-se no Uruguai e retomou a atividade pecuária. No exílio tentou
organizar, em 1966, uma Frente Ampla pela restauração do regime democrático liberal,
no entanto, fracassou. E, nos anos que seguiram, dedicou-se à administração das
propriedades rurais dele no Uruguai, Paraguai, Argentina e Brasil. João Goulart faleceu,
em dezembro de 1976, na fazenda La Villa situada na Argentina.

Ditadura Militar no Brasil (1964-1985)


No dia 31 de março de 1964, o presidente foi deposto, e as forças que tentaram resistir ao
golpe sofreram dura repressão. Jango refugiou-se no Uruguai e uma junta militar assumiu
o controle do país.
No dia 9 de abril foi decretado o Ato Institucional nº 1, dando poderes ao Congresso para
eleger o novo presidente. O escolhido foi o general Humberto de Alencar Castelo Branco,
que havia sido chefe do estado-maior do Exército.
Era apenas o início da interferência militar na gestão política da sociedade brasileira.
A Concentração do Poder
Depois do golpe de 1964, o modelo político visava fortalecer o poder executivo.
Dezessete atos institucionais e cerca de mil leis excepcionais foram impostas à sociedade
brasileira.
Com o Ato Institucional nº 2, os antigos partidos políticos foram fechados e foi adotado
o bipartidarismo.Desta forma surgiram:
Aliança Renovadora Nacional (Arena), que apoiava o governo;
Movimento Democrático Brasileiro (MDB), representando os opositores, mas cercado
por estreitos limites de atuação.
O governo montou um forte sistema de controle que dificultava a resistência ao regime,
através da criação do Serviço Nacional de Informação (SNI). Este era chefiado pelo
general Golbery do Couto e Silva.
Os atos institucionais foram promulgados durante os governos dos generais Castello
Branco (1964-1967) e Artur da Costa e Silva (1967-1969). Na prática, acabaram com o
Estado de direito e as instituições democráticas do país.
Em termos econômicos, os militares trataram de recuperar a credibilidade do país junto
ao capital estrangeiro. Assim foram tomadas as seguintes medidas:
contenção dos salários e dos direitos trabalhistas;
aumento das tarifas dos serviços públicos;
restrição ao crédito;
corte das despesa do governo;
diminuição da inflação, que estava em torno de 90% ao ano.
Entre os militares, porém, havia discordância. O grupo mais radical, conhecido como
"linha dura", pressionava o grupo de Castelo Branco, para que não admitisse atitudes de
insatisfação e afastasse os civis do núcleo de decisões políticas.
As divergências internas entre os militares influenciaram na escolha do novo general
presidente.

No dia 15 de março de 1967, assumiu o poder o general Artur da Costa e Silva, ligado
aos radicais. A nova Constituição de 1967 já havia sido aprovada pelo Congresso
Nacional.
Apesar de toda repressão, o novo presidente enfrentou dificuldades. Formou-se a Frente
Ampla para fazer oposição ao governo, tendo como líderes o jornalista Carlos Lacerda e
o ex-presidente Juscelino Kubitschek.
A Resistência da Sociedade
A sociedade reagia às arbitrariedades do governo. Em 1965 foi encenada a peça
"Liberdade, Liberdade", de Millôr Fernandes e Flavio Rangel, que criticava o governo
militar.

Civil pinta protesto contra a Ditadura

Os festivais de música brasileira foram cenários importantes para atuação dos


compositores, que compunham canções de protesto.
A Igreja Católica estava dividida: os grupos mais tradicionais apoiavam o governo, porém
os mais progressistas criticavam a doutrina da segurança nacional.
As greves operárias reivindicavam o fim do arrocho salarial e queriam liberdade para
estruturar seus sindicatos. Os estudantes realizavam passeatas reclamando da falta de
liberdade política.
Com o aumento da repressão e a dificuldade de mobilizar a população, alguns líderes de
esquerda organizaram grupos armados para lutar contra a ditadura.
Entre as diversas organizações de esquerda estavam a Aliança de Libertação Nacional
(ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8).
O forte clima de tensão foi agravado com o discurso do deputado Márcio Moreira Alves,
que pediu ao povo que não comparecesse às comemorações do dia 7 de setembro.
Para conter as manifestações de oposição e reprimir ainda mais a sociedade, o general
Costa e Silva decretou em dezembro de 1968, o Ato Institucional nº 5. Este suspendia as
atividades do Congresso e autorizava à perseguição de opositores.
General Costa e Silva

Em agosto
de 1969, o
presidente
Costa e Silva
sofreu um
derrame
cerebral e
assumiu o
vice-
presidente
Pedro
Aleixo,
político civil
mineiro.
Em outubro
de 1969, 240
oficiais generais indicam para presidente o general Emílio Garrastazu Médici (1969-
1974), ex-chefe do SNI. Em janeiro de 1970, um decreto-lei tornou mais rígida a censura
prévia à imprensa.
Na luta contra os grupos de esquerda, o exército criou o Departamento de Operações
Internas (DOI) e o Centro de Operações da Defesa Interna (CODI).
As atividades de órgãos repressivos desarticularam as organizações de guerrilhas urbana
e rural, que levaram à morte dezenas de militantes de esquerda.
Com um forte esquema repressivo montado, Médici governou procurando passar a
imagem de que o país encontrara o caminho do desenvolvimento econômico. Somado à
conquista da Copa de 70, isso acabou criando um clima de euforia no país.

A perda das liberdades políticas era compensada pela modernização crescente. O


petróleo, o trigo e os fertilizantes, que o Brasil importava em grandes quantidades,
estavam baratos, eram incorporados à pauta das exportação, soja, minérios e frutas.
O setor que mais cresceu foi o de bens duráveis, eletrodomésticos, carros, caminhões e
ônibus. A indústria da construção cresceu.
O período estava sendo chamado de “Milagre econômico”, mas em 1973, o "milagre"
sofreu sua primeira dificuldade, pois a crise internacional elevou abruptamente o preço
do petróleo, encarecendo as exportações.
O aumento dos juros no sistema financeiro internacional, elevou o juros da dívida externa
brasileira. Isto obrigou o governo a tomar novos empréstimos aumentando ainda mais a
dívida.
No dia 15 de março de 1974, Médici foi substituído na Presidência pelo general Ernesto
Geisel (1974-1979). Ele assumiu prometendo retomar o crescimento econômico e
restabelecer a democracia.
Mesmo lenta e controlada a abertura política começava, o que permitiu o crescimento das
oposições.
O governo Geisel aumentou a participação do Estado na economia. Vários projetos de
infraestrutura tiveram continuidade, entre elas, a Ferrovia do Aço, em Minas Gerais, a
construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Rio Tocantins e o Projeto Carajás.
Diversificou as relações diplomáticas comerciais e diplomáticas do Brasil, procurando
atrair novos investimentos.
Nas eleições de 1974, a oposição aglutinada no MDB, obteve ampla vitória. Ao mesmo
tempo, Geisel procurava conter este o avanço. Em 1976, limitou a propaganda eleitoral.
No ano seguinte, diante da recusa do MDB em aprovar a reforma da Constituição, o
Congresso foi fechado e o mandato do presidente foi aumentado para seis anos.
A oposição começou a pressionar o governo, junto com a sociedade civil. Com a crescente
pressão, o Congresso já reaberto aprovou, em 1979, a revogação do AI-5. O Congresso
não podia mais ser fechado, nem ser cassados os direitos políticos dos cidadãos.
Geisel escolheu como seu sucessor o general João Batista Figueiredo, eleito de forma
indireta. Figueiredo assumiu o cargo em 15 março de 1979, com o compromisso de
aprofundar o processo de abertura política.
No entanto, a crise econômica seguia adiante, e a dívida externa atingia mais de 100
bilhões de dólares, e a inflação, chegava a 200% ao ano.
As reformas políticas continuaram sendo realizadas, mas a linha dura continuava com o
terrorismo. Surgiram vários partidos, entre eles o Partido Democrático Social (PDS) e o
Partido dos Trabalhadores (PT). Foi fundada a Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Os espaços de luta pelo fim da presença dos militares no poder central foram se
multiplicando.
Nos últimos meses de 1983, teve início em todo o país uma campanha pelas eleições
diretas para presidente, as "Diretas Já", que uniram várias lideranças políticas como
Fernando Henrique Cardoso, Lula, Ulysses Guimarães, entre outros.
O movimento que chegou ao auge em 1984, quando seria votada a Emenda Dante de
Oliveira, que pretendia restabelecer as eleições diretas para presidente.
No dia 25 de abril, a emenda apesar de obter a maioria dos votos, não conseguiu os 2/3
necessários para sua aprovação.
Logo depois da derrota de 25 de abril, grande parte das forças de oposição resolveu
participar das eleições indiretas para presidente. O PMDB lançou Tancredo Neves, para
presidente e José Sarney, para vice-presidente.
Reunido o Colégio Eleitoral, a maioria dos votos foi para Tancredo Neves, que derrotou
Paulo Maluf, candidato do PDS. Desse modo encerrava-se os dias da ditadura militar.

Personalidades reunidas na Campanha “Diretas Já”

A Nova República Democrática e os dias Atuais – 1985 a 2016


No ano de 2018 a Constituição de 1988 completa 30 anos, e junto com ela 30 anos de
política e história no Brasil.
A lista de presidentes seguintes seria composta por:
Sarney – 1985 a 1989
Collor – 1990 a 1992, sendo “Impeachmado”
Itamar Franco – 1992 a 1995, assumindo como vice.
FHC – 1995 a 2002, sendo dois mandatos.
Luiz Inácio Lula da Silva - 2003 a 2010, sendo dois mandatos.
Dilma Rousseff – 2011 a 2016, sendo eleita para os dois mandatos, mas terminando em
2016 também “impeachmada”.
Constituição de 1988 , "Constituição Cidadã"
Desde os últimos governos militares (Geisel e Figueiredo), nosso país experimentou um
novo momento de redemocratização, conhecido como abertura. Esse processo se acelerou
a partir do governo Sarney, no qual o Congresso Nacional produziu nossa atual
constituição.
Características:
Nome do país – República Federativa do Brasil.
Carta promulgada (feita legalmente).
Reforma eleitoral (voltam a ser universais e diretas, sem distinção de classes ou gênero,
obrigatória para todos maiores de 18 anos).
Terra com função social.
Combate ao racismo (sua prática constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à
pena de reclusão).
Garantia aos índios da posse de suas terras (a serem demarcadas).
Novos direitos trabalhistas – redução da jornada semanal, seguro desemprego, férias
remuneradas acrescidas de 1/3 do salário, os direitos trabalhistas aplicam-se aos
trabalhadores urbanos e rurais e se estendem aos trabalhadores domésticos.
Obs.: Em 1993, 5 anos após a promulgação da constituição, o povo foi chamado a definir,
através de plebiscito, alguns pontos sobre os quais os constituintes não haviam chegado
a acordo, forma e sistema de governo. O resultado foi a manutenção da república
presidencialista.-
Governo Collor – 1990 a 1992
Na eleição de 1989, Collor destacou-se com o discurso contra a corrupção, vulgarizando
o termo marajá, ao qual
dizia que iria combater
no mandato
presidencial, além de
prometer governar para
os descamisados. Os
marajás seriam
funcionários públicos
que acumulavam
empregos e salários, no
entanto, sem trabalhar.
E os descamisados, aqueles que viviam abaixo da linha da pobreza. A disputa no segundo
turno das eleições foi bastante acirrada, Collor recebeu 35 milhões de votos, e Lula 31,1
milhões. Collor assumiu a presidência do país em 15 de março de 1990.
O governo de Collor herdou o alto índice inflacionário de 1764,8%, do governo
presidencial antecessor de José Sarney. A política econômica de Collor foi de cunho
neoliberal, e pretendia adotar a mínima intervenção do Estado nesse plano. O primeiro
pacote econômico desse governo, o Plano Collor, elaborado pelo então presidente e pela
ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello, propôs:
Congelamento de preços e aumento das taxas de juros;
Cortes de despesas públicas, elevação de impostos e demissão de funcionários públicos;
Privatizações de empresas estatais, como, por exemplo, as Usinas Siderúrgicas de Minas
Gerais;
Facilitou a entrada de mercadorias estrangeiras, com a redução de impostos sobre
mercadorias importadas;
Dentre outras medidas mais polêmicas que afetaram, sobretudo, a classe média, como o
bloqueio da retirada de depósitos bancários superiores ao valor de 50 mil cruzados novos.
Esse plano econômico gerou forte recessão no país, apesar de conter a inflação. A
diminuição das taxas sobre importação induziu a redução dos preços das mercadorias
nacionais, acarretando no encolhimento do comércio, fechamento de indústrias e aumento
substancial do número de desempregados. Para conter a recessão, lançou-se o II Plano
Collor que possuíam caráter similar ao pacote anterior para conter a inflação que voltava
a crescer. Esse segundo pacote propunha, dentre outras coisas, a redução em 10% das
despesas estatais, o aperfeiçoamento do combate à sonegação de impostos, ampliou
impostos sobre operações financeiras, e criou o Fundo de Desenvolvimento Social (FDS)
e investiu no setor privado para retomar a atividade produtiva. O II Plano Collor também
fracassou.
Ironicamente, o governo que dizia ter por alvo o combate à corrupção, foi acusado de
envolvido em diversos casos de desvio de dinheiro público. O caso PC Farias foi o mais
destacado desses casos. O irmão de Fernando Collor, Pedro Collor denunciou esse
esquema realizado entre o presidente e Paulo César Farias, tesoureiro da campanha de
Collor à presidência. PC Farias recebia altas quantias de dinheiro de empresários que
buscavam facilitação de recebimento de verbas públicas. Esses valores eram depositados
em contas fantasmas para despesas de Fernando Collor e da família dele. Esse esquema
foi denunciado em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), e confirmado pelo
depoimento do ex-motorista particular de Collor, Francisco Eriberto Freire França.
Diante desses escândalos, a população manifestou-se nas ruas, destacando-se os caras-
pintadas, jovens que pintavam o rosto de verde e amarelo. Essas manifestações pediam o
impeachment da presidência de Collor. Em setembro de 1992, a maioria da Câmara dos
Deputados votou favoravelmente ao pedido de impeachment redigido pela Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB) e pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Collor
renunciou à presidência antes de ser efetivado o impeachment. No entanto, o Senado
confirmou a cassação do mandato e perda dos direitos políticos de Collor por oito anos.
Em 29 de dezembro de 1992, Collor foi definitivamente impedido de exercer o mandato.
E foi sucedido pelo vice-presidente Itamar Franco, empossado em janeiro de 1993.
Governo Itamar Franco – 1992 a 1994
Itamar Franco nasceu em um voo entre Salvador – BA e Rio de Janeiro, em 28 de junho
de 1930, contudo, seu registro de nascimento constou que foi mineiro de Juiz de Fora,
nascido em 1931. Em 1954, graduou-se engenheiro pela Universidade Federal de Juiz de
Fora. Iniciou a carreira política durante o regime militar quando ingressou no partido
Movimento Democrático Brasileiro, oposição tímida e institucionalizada ao regime.
Elegeu-se, nesse período, duas vezes prefeito de Juiz de Fora (1967-1971 e 1973-1974),
e duas vezes senador (1974 e 1982). Após o regime militar, tornou-se vice-presidente da
República durante a gestão de Fernando Collor de Mello. Em razão do impeachment de
Collor da presidência, em decorrência de casos de corrupção nos quais ele havia se
envolvido, Itamar Franco assumiu a presidência do país, em 29 de dezembro de 1992.
Efetivamente empossado em janeiro de 1993.

Itamar Franco pretendeu estabilizar o governo presidencial por meio da realização de um


pacto de governabilidade entre os mais diversos partidos políticos, principalmente, com
membros do Partido Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e o Partido da Social
Democracia Brasileira (PSDB). A busca pela coalizão pretendia a superação da crise
política instalada no país, que recém-saído de um regime militar teve um governo eleito
impedido de ter continuidade. E como previsto na Constituição de 1988, naquele ano de
1993 realizou-se um plebiscito que definiu a forma e sistema de governos (monarquia ou
república; e parlamentarista ou presidencialista). Esse referendo, realizado em 21 de abril
de 1993, decidiu pela república presidencialista.

Economicamente, o país sofria com alta taxa de inflação (por volta de 30% ao mês),
tornando a vida do trabalhador ainda mais precária e
inibindo os investimentos no país. Com o objetivo de sanar
esse problema, foi indicado para o cargo de ministro da
Fazenda o sociólogo e fundador do PSDB, Fernando
Henrique Cardoso que elaborou o Plano Real. Esse plano
econômico, que passou a vigorar em julho de 1994, adotou
a moeda Real, equiparada ao dólar estadunidense, ou seja,
um real valeria um dólar. Além da criação da moeda real,
a gestão de Fernando Henrique Cardoso no ministério da
Fazenda propôs a redução de gastos públicos e a realização
de privatização de grandes empresas públicas como a
Açominas, a Companhia Siderúrgica Nacional, e a
Companhia Siderúrgica Paulista.
Dentre eventos que tiveram destaque no governo de Itamar
Franco esteve o caso de corrupção de vinte e dois deputados federais que desviaram mais
de cem milhões de dólares do orçamento do país, apenas seis desses deputados tiveram
os mandatos cassados. Esse caso ficou conhecido como “escândalo dos anões do
orçamento” devido à baixa estatura dos deputados envolvidos.
O Plano Real conteve o aumento da inflação e promoveu o crescimento do consumo.
Desse modo, cresceu a popularidade de FHC, que propiciou a candidatura dele à
presidência da República. Em abril de 1994, terminou o mandato de Itamar Franco, e em
outubro desse mesmo ano realizaram-se eleições para presidente da República. Fernando
Henrique Cardoso foi eleito no primeiro turno das eleições com mais de 54% dos votos,
em segundo lugar ficou o candidato Luís Inácio Lula da Silva com 27% dos votos.
Governo FHC – 1995 A 2002
A proposta política de Fernando Henrique Cardoso era adequar o Brasil ao
neoliberalismo. Assim declarou que o governo dele poria fim a Era Vargas, ou seja, a
intervenção do Estado na economia seria mínima, seriam realizadas privatizações de
empresas estatais, e reduzidos os direitos trabalhistas por meio de flexibilização das
legislações. O primeiro governo presidencial de Fernando Henrique Cardoso, portanto,
foi marcado por privatizações e pela entrada de capital estrangeiro no país. Dentre as
empresas que foram vendidas nesse período estiveram a Vale do Rio Doce, a Empresa
Brasileira de Telecomunicações (Embratel), e a Companhia Siderúrgica Nacional, todas
vendidas por valores muito aquém do estimado.
O aumento dos juros e a política de investimento das importações para o país geraram o
fechamento de empresas e a demissão de muitos trabalhadores. Em 1998, a taxa de
desemprego atingiu cerca de 9% da população economicamente ativa no país. Nesse
mesmo ano de 1998, o Congresso aprovou uma lei que possibilitou a reeleição para os
cargos de governadores, prefeitos, e presidente da República. Dessa forma, Fernando
Henrique Cardoso conseguiu reeleger-se presidente da República no primeiro turno das
eleições de 1998, com o total de 53% dos votos válidos. Em segundo lugar com 31% dos
votos, ficou o candidato do Partido dos Trabalhadores, Luís Inácio Lula da Silva.

No segundo governo de Fernando Henrique Cardoso houve a implementação da Lei de


Diretrizes e Bases da Educação, em 1996, que propunha a universalização do Ensino
Básico. Dessa maneira, reduziu o analfabetismo na população com mais de dez anos de
idade, em 4 pontos percentuais, entre os anos de 1995 e 2001. E ampliou,
progressivamente, a inclusão de crianças e jovens na escola, reduzindo em nove pontos
percentuais a evasão escolar entre os 7 e 14 anos de idade. No que se referiu à saúde, o
Brasil tornou-se referência no tratamento do HIV e Aids, e reduziu significativamente a
mortalidade infantil. Em 2000, foi criada a Lei de Responsabilidade Fiscal que previa
punições aos políticos que gastassem mais do que tivessem em caixa nos governos.
No segundo mandato, Fernando Henrique Cardoso teve a popularidade reduzida,
principalmente, pela ampliação do desemprego. Os movimentos sociais manifestavam-se
contra a política neoliberal de FHC que sujeitava o trabalhador à falta de emprego e a
baixos salários, gerando acentuada pauperização das camadas proletarizadas do país.
Outro fator que acarretou nessa diminuição de popularidade do governo FHC foi o
“apagão”, secas nas usinas hidrelétricas causavam falhas na geração de energia, deixando
vastas regiões do país sem o fornecimento de energia elétrica. O governo FHC foi acusado
de não ter investido e planejado o suficiente no setor de energia, ocasionando mudanças
nos hábitos da população para a economia desse bem.
Fernando Henrique Cardoso foi sucedido pelo candidato do Partido dos Trabalhadores
(PT), Luís Inácio Lula da Silva, na presidência da República. Nas eleições de 2002, Lula
obteve mais de 61% dos votos válidos, vencendo o candidato do PSDB, José Serra que
obteve mais de
38% dos votos.
Governo Lula –
2003 a 2010
Luís Inácio da
Silva é
pernambucano do
município de
Garanhuns,
nascido em 27 de
outubro de 1945.
No ano de 1952, a
família de Luís
Inácio emigrou de
Pernambuco para
São Paulo, em um
caminhão “pau de arara”. Aos doze anos, Luís Inácio teve o primeiro emprego em uma
tinturaria, e somente teve a Carteira de Trabalho assinada aos 14 anos. Atuou em diversas
profissões até cursar pelo Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) a
modalidade profissionalizante de torneiro mecânico, tornando-se operário em indústria
metalúrgica.
Durante a ditadura militar, migrou por diversas fábricas, até começar a trabalhar na
Fábrica Villares, em São Bernardo do Campo – SP.

A partir de 1969, começou a engajar-se nas atividades do Sindicato dos Metalúrgicos. E,


em 1975, foi eleito presidente do Sindicato, e passou a ser cognominado por Lula, apelido
que adotou como sobrenome. Em 1978, iniciou-se a Greve do ABC paulista que se
destacou no ano de 1979. Havia dez anos que não ocorriam greves, por conta da repressão
do regime militar. Desse modo, começou a carreira política de Lula, que em 1980 foi
indiciado pela Lei de Segurança Nacional, com outros operários e sindicalistas, presos
durante 31 dias. Também em 1980, foi fundado o Partido dos Trabalhadores por Lula,
operários e intelectuais. Em 1986, Lula foi o deputado federal eleito com mais votos, e
compôs a Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição de 1988.
Após ter ficado em segundo lugar nos pleitos eleitorais entre 1989 e 1998, Lula foi eleito
presidente da República com mais de 61% dos votos, no ano de 2002. Nesse mandato
estabeleceu como prioridade o combate à fome, lançando o projeto “Fome Zero”.
Segundo uma pesquisa feita no ano de 2001 havia, aproximadamente, 46 milhões de
pessoas em situação de “insegurança alimentar”, ou seja, que não consumiam os
alimentos necessários para estarem nutridas da forma adequada. Estavam relacionados ao
“Fome Zero” programas de educação alimentar e o projeto “Bolsa Família”. O “Bolsa
Família” consiste em um valor que é fornecido a famílias em situação de pobreza ou
extrema pobreza. Esse auxílio já existia no governo antecessor de Fernando Henrique
Cardoso dividido em quatro programas (auxílios para compra de gás, alimentação, e
artigos escolares), no governo Lula eles foram unificados e ampliados.
O governo Lula também manteve a política econômica neoliberal adotada pelo governo
antecessor, de Fernando Henrique Cardoso. O ministro da Fazenda do governo Lula,
Antonio Palocci deu continuidade às altas taxas de juros para conter a inflação, no
entanto, essas taxas eram menores do que as do governo anterior. O governo Lula ampliou
os parceiros comerciais estrangeiros com países da África, América do Sul e Oriente
(principalmente a China), anteriormente destacava-se apenas o comércio com o Estados
Unidos da América.

No final do primeiro mandato de Lula na presidência surgiram denúncias de corrupção


na base governista, destacadamente no Partido dos Trabalhadores (PT), Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB), e Partido Progressista (PP). Esses casos de corrupção
ficaram conhecidos como “mensalão”, que consistiram no desvio de dinheiro público para
as campanhas eleitorais do PT e para que deputados votassem nas pautas levantadas pelo
governo Lula. Esses casos foram investigados em Comissões Parlamentares de Inquérito
(CPI’s), e foram condenados ao cárcere o publicitário Marcos Valério, o ex-ministro da
Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-presidente do PP
Paulo Corrêa, o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha, e o delator,
deputado Roberto Jefferson (PTB).

Apesar de abalada a confiança dos eleitores do PT, Lula galgou o segundo mandato a
frente da presidência da República, nas eleições de 2006, obtendo no segundo turno mais
de 60% dos votos. Em segundo lugar ficou Geraldo Alckmin, do PSDB. Também
disputou pela primeira vez as eleições para a presidência da República a senadora Heloísa
Helena, pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Esse partido foi formado por uma
ala de dissidentes do PT que criticaram a adesão de uma agenda neoliberal pelo governo
Lula.
No segundo mandato do governo Lula a inflação foi controlada e o índice de desemprego
diminuiu. Para desenvolver a infraestrutura do país foi criado o Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC), em 2007, que construiu portos, rodovias, ferrovias, investiu-se
em saneamento básico. Com o crescimento da economia brasileira, o país ingressou no
Bloco de países emergentes (BRIC) formado também por Rússia, Índia e China, em 2011.
O crescimento econômico brasileiro também o levou ao ingresso no G-20, constituído
pela União Europeia e as dezenove maiores economias mundiais. A crise econômica
mundial de 2008 teve pouca ressonância no Brasil, gerando um clima de otimismo. Além
disso, houve a descoberta de jazidas de petróleo abaixo das camadas de sal no solo, que
ficaram conhecidas como Pré-sal, prometendo ainda maior crescimento econômico para
o país.

Houve crescimento dos níveis de escolarização, e foi criado o Programa Universidade


Para Todos (Prouni), que concede bolsas em universidades privadas para estudantes
carentes. Esse programa foi bastante criticado, pois se destinaram verbas para
universidades privadas que poderiam ser aplicadas nas universidades públicas. Nesse
período, mais de 20 milhões de pessoas saíram da pobreza e ingressaram na classe C (com
renda familiar entre 1126 e 4854 reais). Esse fenômeno foi considerando como inclusão
social; visto que na perspectiva neoliberal o crescimento de renda está associado à
inclusão social, mesmo que essa parcela da população não tenha acesso a serviços de
qualidade em setores básicos como educação e saúde. A prática de financiar com recursos
públicos a iniciativa privada para a resolução de problemas sociais passou a ser
largamente utilizada.
Em janeiro de 2011, o governo Lula foi sucedido pelo de Dilma Rousseff, candidata do
PT à presidência do país, que obteve a maioria dos votos no pleito de 2010.
Governo Dilma – 2011 a 2016
Dilma Vana Rousseff nasceu em Belo Horizonte – MG, em 14 de dezembro de 1947.
Iniciou a atividade política em grupo de oposição ao regime militar, aos dezesseis anos
de idade. Entre os anos de 1970 e 1972, esteve encarcerada em São Paulo por ser
considerada subversiva pelo regime militar. Em 1973, mudou-se para Porto Alegre, e
ingressou na faculdade de Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em
1979, participou da campanha pela anistia dos presos políticos e fundou o Partido
Democrático Trabalhista (PDT), no Rio Grande do Sul.Dilma atuou como secretária da
Fazenda (1986-1988), e secretária de Energia, Minas e Comunicação do Rio Grande do
Sul
(1993 e
1998).
No ano de 1998 ingressou no curso de Doutorado em Economia na Universidade Estadual
de Campinas, no entanto, não o concluiu por conta das atividades políticas. Já filiada ao
Partido dos Trabalhadores, tornou-se ministra de Minas e Energia (2003 a 2005), e depois
ministra da Casa Civil (2005-2010). Em 2010, concorreu às eleições presidenciais e
venceu o pleito com mais de 56% dos votos válidos, ficou em segundo lugar o candidato
do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), José Serra. Dilma Rousseff foi a
primeira mulher no Brasil a tornar-se presidente da República.
O governo de Dilma Rousseff deu continuidade a política do governo antecessor de Luís
Inácio Lula da Silva, também do Partido dos Trabalhadores (PT). Desse modo, foram
mantidos os programas de assistência social como “Bolsa Família” e “Minha Casa, minha
vida”. Economicamente, a pauta neoliberal continuou sendo adotada. Os problemas
sociais do país foram incumbidos à iniciativa privada, por meio de programas que
investiam dinheiro público no setor privado (“Minha casa, minha vida”, “Pro-uni”, dentre
outros).
Quando Dilma assumiu a presidência havia forte recessão econômica mundial, que
também atingiu a economia nacional. Tentando reverter essa crise, aumentou os
investimentos na infraestrutura do país por meio do Programa de Aceleração do
Crescimento 2 (PAC 2), em 2011. Como os países da União Europeia e Estados Unidos
estavam em crise, recorreu-se à continuidade de estender comércio com países da
América Latina e a China. As taxas de juros foram reduzidas, facilitando o crédito para
as empresas e pessoas físicas. Essas medidas, no entanto, não contiveram a crise
econômica, que acarretou em uma crise política do governo Dilma. A crise política
avultou, sobretudo, porque o governo Dilma não conseguiu apoio às pautas propostas no
Congresso Nacional.
A crise econômica que abateu a classe trabalhadora e setores proletarizados da população
não foi empecilho para o governo investir verbas bilionárias para a realização da Copa
das Confederações no Brasil. Em junho de 2013, a juventude brasileira tomou as ruas em
protesto contra a precarização da vida de modo geral, sendo o alto custo das passagens
do transporte público uma das questões principais levantadas pelos manifestantes. As
manifestações de junho de 2013 ocorreram em diversas cidades do país, destacadamente
São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, que contaram com atos com até um milhão de
pessoas. Em represália, grupos de manifestantes foram processados e presos por meses.
A insatisfação popular com o governo Dilma cresceu significativamente nesse período.
No ano de 2014 vieram à tona casos de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo a
Petrobrás. Esses casos foram investigados pela Polícia Federal, surgindo a operação
“Lava Jato”. Descobriu-se que grandes empreiteiras pagavam propinas para receberem
vantagens nos pleitos para escolha de empresas que executariam obras para a Petrobrás.
No mesmo ano de 2014, ocorreram as eleições para presidente do país e Dilma Rousseff
foi reeleita com mais de 51% dos votos válidos, em segundo lugar ficou o candidato Aécio
Neves do PSDB.
No segundo mandato de Dilma a situação econômica brasileira se agravou ainda mais, e
no ano de 2015 foi registrado PIB (Produto Interno Bruto) negativo no país (-3,8%). As
taxas de desemprego e inflação cresceram. Os aliados da presidência no Parlamento,
reduziram. Manifestantes foram às ruas pedindo o impeachment da presidente, e outros
em defesa do governo Dilma, gerando polarização política no país. Em abril de 2016, a
maioria dos deputados federais foi favorável ao impedimento do governo Dilma Rousseff.
Em maio de 2016, a maioria do Senado votou pela abertura de processo de impeachment
de Dilma, por crime de responsabilidade fiscal. Os senadores decidiram pelo
impeachment de Dilma Rousseff, que foi sucedida pelo vice em 31 de agosto de 2016.
Para muitos estudiosos, e grande parte da população, a forma como o processo de
Impeachment foi produzido se demonstrou como um Golpe. Tais ideias podem ser
conferidas em trabalhos escritos pelo sociólogo Jessé de Souza ou no famoso
Historiadores pela Democracia – O Golpe de 2016: a força do passado. Dentre os autores
de Historiadores pela democracia: o golpe de 2016 e a força do passado estão Sidney
Chaloub, Luiz Felipe de Alencastro, James Green, Luiz Carlos Villalta, Kátia Gerab
Baggio, Martha Abreu, Silvia Hunold Lara e Suzette Bloch, organizados pelas
historiadoras Hebe Mattos, Tânia Bessone e Beatriz G. Mamigonian.