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A História de Dürnir Stonebreaker

Por Luis Dias

A história de Dürnir Stonebreaker não se inicia em seus primeiros suspiros de


vida, muito menos nas suas primeiras batalhas, mas sim em uma era próspera, onde os
feudos das terras conquistadas pelos anões são ricos e desenvolvidos. Eartheart é uma
área que contém desde planícies de campos esverdeados á montanhas de picos congelan-
tes. O rei sobre a montanha, Lofarr, reúne os senhores anões e comanda uma defesa contra
ameaças externas jamais vista.

Dürnir é senhor de Thunderholme, uma fortaleza de porte médio em meio a


uma das planícies que compõe as terras anãs. Esta brigada é composta por grandes pedras
esculpidas a muitas eras por senhores que integravam a primeira geração de anões. Ro-
deada por um poço profundo e por muros tão espessos e resistentes, era um bastião de
segurança contra qualquer um que se atrevesse a atacá-lo.

No salão que se encontrava no centro da fortaleza, Hrothgar, Dürnir gerenci-


ava a comunidade e suas necessidades. Sentado em sua cadeira de madeira adornada,
recebia diversos camponeses, aventureiros e por fim membros do seu pequeno exército
que protegia o seu feudo até onde se estendia. Ao seu lado, uma cadeira vazia, já utilizada
por sua esposa, Benwelin, a qual havia falecido a cinco invernos atrás. Sua família agora
apenas compunha dele mesmo e seus dois filhos, Thrimir e Thromur, gêmeos de nascença
e exímios guerreiros, atuando como capitães do exército de seu próprio pai.

Dürnir possuía feições desgastadas pelos 125 anos de vida, olhos negros e
cansados, um nariz protuberante, características de muitos anões, e logo abaixo uma es-
pessa barba castanha escura a qual ia até sua cintura e era adornada por dois anéis de um
metal escuro, localizadas no meio da barba. Já não possuía mais cabelo e sua cabeça era
tatuada com runas de uma orelha a outra, formando Haus Khazâd, que significa “martelo
dos anões”.

Em sua cadeira, Dürnir estava sentado com roupas leves e longas, conver-
sando com um dos seus conselheiros. Um anão entra no salão um pouco apressado to-
mando a atenção do regente. Dürnir olha diretamente para o anão que havia acabado de
entrar e o reconhece como um dos mensageiros. Ele percebe que sua face possui expres-
sões confusas, mas nota principalmente a urgência. Ele ergue a mão ao conselheiro, indi-
cando para esperar um momento e sinaliza para o mensageiro se aproximar.

— Senhor, desculpe incomodar, mas chegaste esta carta com o selo real e
enrolado com uma fita preta. — O mensageiro mostra para Dürnir, que logo pega a carta.

— Obrigado — e gesticula para o mensageiro sair.

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Dürnir sabe que a fita preta só poderia denotar duas coisas, ou morte ou guerra
total. Ao abrir a carta e começar a ler, o regente solta um grande suspiro, olha para baixo
e volta a ler a carta. Ao terminar, ele enrola carta e entrega ao seu conselheiro. Alisando
sua barba ele solta mais um grande suspiro.

— Prepare uma comitiva. Inclua um local para mim e para mais quatro guar-
das. Estarei partindo ainda hoje para Hithaeglir — ele faz uma pausa — E informe a
população que o rei faleceu.

O conselheiro primeiramente ficou surpreso, mas logo assentiu saiu do salão.


Em poucos minutos ouviu-se o badalar do sino da torre. Sete badaladas, alguém havia
morrido.

II

O caminho à Hithaeglir durou dois dias. Ao chegar ao pé da montanha, ob-


servou-se que outras comitivas também haviam chegado. Todos os senhores anãos irão
participar da cerimônia onde o corpo do rei será velado.

Dürnir trajava sua armadura de batalha, produzida com um dos metais mais
resistentes e tão polida que reluzia a luz do sol. Ele portava seu martelo de guerra de duas
mãos e no metal que compunha o martelo, runas sobre batalhas, glória e honra.

Ao entrar nos grandes salões dentro da montanha avistou os outros senhores,


com suas armaduras e suas armas, preparados para se despedir do corpo de seu antigo rei.
Mais alguns lordes chegaram no salão principal e começou-se logo em seguida a cami-
nhada a sala do trono. Lá, veriam o seu rei.

A sala trono era adornados com todos os metais possíveis e mais raros. Era
um local não tão grande, porém era um grande prestígio estar naquele local. No centro da
sala, uma pira de madeira e em cima dela o corpo do rei. O homem antes vivo agora
descansa com seus pertences, sua armadura e sua arma. Lofarr já estava idoso, já quase
havia 300 anos de idade, o que podia ser denotado por sua barba branca e espessa.

Não havia conversas entre os senhores, apenas a contemplação da ida de seu


líder. As portas da sala se fecharam e iniciou-se o ritual para velar o corpo. Cânticos foram
pronunciados por um clérigo presente na sala, que nomeava cada uma das conquistas que
Lofarr havia adquirido. Ao final, todos ficaram em silêncio e o filho do rei, Skirfir, um
anão jovem, a barba ainda pequena que chegava apenas em seu peitoral, segurava uma
tocha. Ele se aproximou da pira e acendeu-a. Rapidamente o fogo se alastrou e começou
a consumir o corpo do falecido. E ali permaneceram os anões, que esperariam o fogo
consumir os restos até o fogo se dissipar e não existir mais nada. Durou algumas horas
até que o corpo estivesse totalmente consumido.

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Guardas começaram a retirar as cinzas da sala e diversos servos vinham atrás
limpando qualquer resto que tivesse permanecido. Naquele momento se preparava a co-
roação do novo rei de Eartheart, o herdeiro legítimo e filho do rei, Skirfir. Logo após que
os servos haviam limpado as cinzas da sala, começaram a se retirar e assim iniciou-se a
coroação.

Skirfir se senta no trono e logo em seguida o clérigo chega em sua frente, se


ajoelha pronunciando uma linguagem antiga anã já há muito tempo esquecida. Ele ergue
a coroa e se levanta, dispondo-a logo em seguida na cabeça do novo rei. Os senhores
anões batem o pé no chão criando um grande ruído e cada um deles se ajoelham. Dürnir
se ajoelha, e dessa forma, jura lealdade ao novo rei.

Após se ajoelharem, cada um dos senhores começa a se levantar e a se retirar


da sala, deixando apenas o novo rei na sala do trono. Dürnir se retira da sala, acompa-
nhando os lordes para a sala de reuniões, onde antes todos discutiam com o antigo rei os
problemas e soluções de suas terras. Agora, se preparavam para ouvir o seu novo líder e
quais serão suas pretensões para o seu reinado.

Neste momento, todos os senhores anãos se dispõem na sala de reuniões. Uma


mesa extensa esculpida na rocha da montanha em formato de U dá lugar para os lordes e
na entrada desta mesa, uma cadeira também esculpida na pedra dá lugar ao rei. O salão
se enche com o som de conversas entre os senhores, apesar de seu rei estar morto, alguns
riem e discutem sobre este novo reinado. Dürnir conversa com um lorde Nýr, o qual é
muito amigo e divide fronteira entre seus feudos. Entre eles discutisse a possibilidade de
um dos seus filhos passar a ser capitão do exército de Nýr. Na sala escuta-se várias dis-
cussões, questionamentos e dúvidas sobre o novo rei. Algumas expressões como “muito
novo” e “inexperiente” são repetidas diversas vezes.

Passado algum tempo ouve-se o abrir das portas a qual o rei normalmente
entra na sala de reuniões. Todos os senhores se levantam e esperam o novo rei se sentar.
Skirfir adentra a sala e logo em seguida se senta, sinalizando para os lordes com a mão
para que se sentem. Há um momento de silêncio absoluto antes que o novo rei se pronun-
cie.

— Meus senhores, a morte nos reuniu aqui hoje pela primeira vez e espero
que jamais se repita tal reunião. Mas acredito que não possuímos escolha e agora, após
uma reunião com meus conselheiros, darei meu primeiro pronunciamento como o novo
legítimo rei — Skirfir sinaliza para um de seus conselheiros se aproximar e pega um
papiro escrito. Ele começa a ler em voz alta — Meu pai foi um grande defensor de nossas
terras e foi bem-sucedido em sua tarefa de defender o reino, até diria o melhor defensor
de nosso reino, aquele que nunca se corrompeu as ameaças externas e lutou bravamente
pela nossa liberdade. Mas acredito que com um tempo, a ilusão de que viveríamos em
paz até o fim de nossas vidas começou a cegá-lo e sua idade já avançada o debilitava em
enxergar os reais problemas. Os seres humanos se denominam conquistadores e conquis-
tar é o que fazem de melhor. Cada dia avançam em direção a nossas terras, aos nossos

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lares, destruindo tudo em volta para construir suas cidades e seus mercados. Eles não vêm
informando que vão tomar nosso lar, eles apenas tomam. É por isto que nós devemos
aprender com os humanos e começar a conquistar. Meu propósito como rei é poder co-
mandar uma expansão das nossas terras e assim combater o homem com suas próprias
armas e por fim demonstrar a eles que não seremos os conquistados e sim os conquista-
dores.

Ao terminar de falar, a sala tomou-se por um silêncio, até o momento em que


todos os senhores anãos começaram a falar ao mesmo tempo aos prantos e ruídos. Alguns
gritavam enquanto outros pediam para que cada um falasse mais baixo e um por vez. Por
vários minutos todos discutiam, menos Dürnir, que sentado em sua cadeira, passando a
mão no cabo de seu martelo apenas refletindo as palavras do novo rei.

Dürnir se levanta da cadeira e com as duas mãos segurando o cabo do martelo,


bate o final do cabo do chão, causando um pequeno tremor na sala e um grande barulho
que cala todos imediatamente. Todos os presentes da sala se viram para Dürnir. Ele apoia
o martelo na mesa e olha diretamente para o rei.

— Meu rei, gostaria de me pronunciar que sou contra a tal ação e acredito que
outros senhores também — escuta-se alguns barulhos concordando — Os seres humanos
não devem ser temidos, porém não devemos conquistá-los. São seres que precisam de
ajuda mais do que imaginamos e que adoram retaliações. Se começarmos uma guerra
contra eles, farão de todo o possível para nos tornar um inimigo em comum de não um só
reino ou população, mas de todos as tribos humanas possíveis e eles nos atacarão com
força e sem piedade.

— Eles já nos atacam com força e sem piedade! — Skirfir se levanta e fala
em um tom alto — Você mesmo sabe meu caro Dürnir, suas terras estão na fronteira com
as terras dos humanos e quantos deles já apareceram em suas portas? Centenas? Milhares?
Sempre mercadores ou aventureiros que buscam nada além de fortuna através da neces-
sidade do nosso povo. Eles estão a um dedo de começar a se instalar aqui, no quintal de
seu lar. Como os seus camponeses irão competir com os grandes fazendeiros humanos,
que possuem uma legião de escravos? Você deixa um se instalar e ele apenas irá roubar
todos os nutrientes da terra, torná-lo infértil e se mudar para outro local, deixando assim
um rastro de sua presença.

— E é assim que lutamos contra isso? Guerra!? — Dürnir continua — Se não


quer que os humanos entrem em nossas terras que assim seja, não deixaremos eles se
instalar em nossas terras e expulsaremos quem tentar, mas lutar para tomar as terras dos
outros é insensatez. Estaremos apenas adquirindo um grande inimigo. Vivemos em tem-
pos de paz, porque não continuar assim?

Skirfir para um momento e começa a observar os outros senhores anãos e nota


que alguns cochicham e deferem olhares para ele, olhares de julgamento.

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— Acredito que alguns dos senhores concordem com nosso amigo Dürnir,
porém também sei que alguns concordam comigo, então proponho que nós votemos para
informar qual será o futuro de nossa nação, ser conquistado ou conquistador — Skirfir dá
uma pausa e eleva o tom — Que levantem as mãos aqueles que consentem com seu rei.

Ao se pronunciar, diversos senhores anãos levantam as mãos. Não demora


muito para Dürnir perceber que boa parte dos lordes concordam com o rei. Ao notar que
não havia nada mais a ser feito, ele se senta e começa a olhar para baixo.

— Não devemos ser obrigados a lutar e matar — Nýr fala par Dürnir bem
baixo.

Dürnir assente, mas não produz nenhuma reação.

— Que assim seja. Pela minha vontade e pela vontade dos senhores nós co-
meçaremos nossa incursão a conquista de novas terras. Em breve realizaremos mais uma
reunião com os planos de conquista — Skirfir ressalva mais uma vez — não seremos
conqu...

— Não devemos ser obrigados a lutar e matar! — Dürnir fala alto — Meu rei,
não irei mais contestar a sua ordem, mas eu e alguns senhores não devemos lutar e matar
inocentes. Defenderemos até a morte nossas terras, mas não seremos conquistadores!

Skirfir começar a refletir nas palavras de Dürnir, chama um de seus conse-


lheiros, cochicha algo no seu ouvido e replica.

— Meu senhor, defender nossa terra ainda será necessário e acredito que você
conseguirá defendê-la bravamente. Não há necessidade de animosidades entre nós. Se
deseja apenas defender nossas terras, não serei eu que irei impedi-lo. — Skirfir olha para
os outros lordes — E se for de desejo de mais alguns defender nossas terras, não se aca-
nhem, apenas me informem na nossa próxima reunião onde definiremos os papéis nesta
nova era da nossa sociedade. Agradeço a presença de todos no enterro de meu pai e em
minha coroação. Em breve os chamarei de novo. Até os mais tardar meus senhores!

Todos os senhores se levantam e esperam a saída do rei da sala e silêncio.


Após a saída de Skirfir, os anões começam a se despedir entre e si e sair da sala. Nýr
coloca a mão no ombro de Dürnir.

— Serão tempos obscuros meu caro, mas iremos sobreviver a todas as adver-
sidades — Nýr cumprimenta Dürnir e sai da sala.

Dürnir fica completamente sozinho na sala após todos os anões saírem. Ele
vai até a mesa pegar o seu martelo. Ele olha para o cabo e sente o peso do martelo em
suas mãos. Dürnir aperta as mãos nos cabos, fecha os olhos e dá um grande suspiro. Ele
começa a sair da sala.

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— Uma tempestade está a caminho — Dürnir fala para si.

Ele se reencontra com sua comitiva no salão principal e começa a se preparar


para sair. Ao sair da montanha ele contempla as terras as quais passa e apenas pensa no
pior que pode acontecer.
III
Amanhece. Nos últimos meses Thunderholme não se comporta mais como
uma cidade pacífica. Guerreiros agora tomam conta da fortaleza, sempre vigiando as ter-
ras, preparados para a defesa de suas casas. Dürnir comanda no pátio de treinamento es-
tratégias de defesa, certas posições de ataque e também lutas corpo a corpo. Junto de seu
filho, Thrimir, treina seu pequeno exército. Thromur não mais reside no mesmo teto de
seu pai, estabelecendo-se agora em Delhalls, cidadela comandada por Nýr.
Após os treinos cessarem, Dürnir caminha de volta a sua casa ao lado de Thri-
mir. Ambos observam o movimento da cidade, que mesmo transformando-se em um local
militarista, sorrisos são esboçados por diversos anões.
— Não há o que se preocupar meu pai — Thrimir quebra o silêncio — não
estamos lutando na fronteira e o povo agradece, reconhecem a sua decisão acerca desta
cruzada do rei.
Dürnir apenas murmura, concordando com seu filho. Ao chegarem na porta,
Dürnir para em um momento e se vira para Thrimir.

— Entendo que o povo me reconheça como alguém sensato e que não estão
sofrendo, mas o peso das mortes de muitos outros do nosso reino pesam para mim e não
trazem glória, apenas tristeza e eu não...

Dürnir para de falar. Cascos são escutados por ele. Olhando para uma das
passagens da cidade, entra rapidamente um guarda montado em um caprino gigante. Ele
segue em direção a Dürnir. Ao chegar próximo, ele desmonta do caprino e se reverencia.

— Senhor, trago informações da fronteira de nossas terras. Ao Norte, no final


de nossa fronteira, um acampamento de um exército de humanos reside. Estimo que em
dois dias chegarão em nossa fortaleza.
— Qual a quantidade de homens no exército? — pergunta Dürnir.
— Acredito que no máximo quinhentos.

Dürnir se vira para Thrimir.


— Se junte com o guarda e avise aos conselheiros que soem um alarme de
evacuação. Quero que em poucas horas toda a população que não esteja hábil a lutar se
retire da cidade siga em direção a Delhalls. Depois providencie que dois corvos sejam
mandados, um para Nýr, informando que seremos atacados e estamos mandando nossa

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população para se abrigar em sua cidade e outra para o rei, também informando do pro-
vável ataque e solicitando o reforço. Coloque que somos apenas 150 enquanto que o exér-
cito de humanos 500. Por fim, soe dez badaladas na torre do sino.
Thrimir sem questionar chamou o guarda e foi realizar os comandos de seu
pai. Dürnir é deixado sozinho em frente a Hrothgar. Ele olha para cima e avista dois
corvos voando em círculos, até que pousam em um local e o observa. Dürnir entra no
salão e fecha a porta, batendo-a com força.

IV
Dois dias se passam e Thunderholme está vazia. Não há vida percorrendo as
ruas da cidade. Todos se concentram na entrada da fortaleza. Anões de todos os gêneros,
armados e com armaduras pesadas apenas aguardam. O dia está nublado e uma fraca
neblina se estende pelos campos. Dürnir anda pelas muradas de um lado para o outro,
sempre olhando para o horizonte onde se encontraria os outros feudos anões, esperando
algum sinal de vida.
Thrimir observa seu pai calado, até que em um momento, Dürnir olha direta-
mente para ele e vai ao seu encontro.

— Reorganize os soldados, não iremos mais ficar dentro da cidade.


— Porquê? Se formos para campo aberto iremos perecer — replica Thrimir
— Se ficarmos aqui dentro eles começarão um cerco e tranquilamente espe-
rarão nós morremos de fome — Dürnir suspira — nenhuma ajuda vira dos outros senho-
res. O que nos resta a fazer é defender nossas terras em campo aberto. Prepare os homens
para sair de nossa fortaleza e entrarem em posição de batalha, os humanos devem estar
próximos.
Thrimir nada mais fala para o seu pai. Ele começa a informar os outros capi-
tães sobre o novo comando e logo em seguida chama a atenção dos guardas e dá as ordens
de sair da fortaleza e entrarem em formação de batalha em campo aberto.
Os soldados são disciplinados e rapidamente eles se retiram de seus postos e
saem da cidadela. Em poucos momentos, todos saem e deixam a cidade completamente
vazia, já se formando no campo em frente a fortaleza. Apenas Dürnir permanece na ci-
dade. Ele se direciona ao estábulo e pega sua montaria. Dos estábulos, Dürnir sai montado
em seu caprino gigante de grandes chifres que formam quase um escudo. O animal está
encouraçado com placas metálicas de proteção. Conduzindo o animal, Dürnir sai da ci-
dade e se junta aos soldados.

Dürnir se posiciona na frente da formação dos soldados. Todos observam o


anão montado em seu caprino, carregando o seu martelo de guerra e vestido de sua melhor
armadura. Thrimir chega ao seu lado a pé.

— Quais serão as próximas ordens?

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— Esperaremos o ataque deles e os seguraremos com uma parede de escudos.
Nada deve romper nossa formação. Alinhe arqueiros atrás da parede e os ordene assim
que os humanos estiverem em alcance, atirarem à vontade até todas as flechas acabarem.
Na pior das hipóteses, se nossa formação for quebrada, continuar lutando até o momento
que eu dê o sinal para recuarem de volta à cidade.
Thrimir acenou positivamente e voltou-se aos soldados para entregar as novas
ordens. Dürnir não se vira aos soldados, apenas olha fixamente para o norte, esperando a
chegada do exército. O seu martelo começa a pesar mais. A pouca neblina que havia se
dissipou e agora o horizonte estava limpo.
Passou alguns minutos e Dürnir começou a avistar homens no horizonte. Mar-
chando na direção deles, o horizonte revelava mais e mais soldados. Quanto mais perto
chegavam, mais se observava a magnitude do exército humano. Uma linha de soldados
montados em cavalos negros cobria a frente do batalhão.

Os humanos não paravam, não haveria acordo de rendição. Aqueles soldados


estavam preparados para a luta sem misericórdia. Quando estavam a um quilometro de
distância Dürnir se vira para os seus soldados e depois de volta para os humanos, er-
guendo o seu martelo de guerra ao alto.
— Eu dedico esta batalha a Odin! — Dürnir vocifera alto acompanhado pelos
urros de seus soldados.

Ele entra na formação do exército com seu caprino e aguarda a chegada dos
humanos.
Quando os humanos entram no alcance dos arqueiros, flechas zunem no ar.
Os humanos aceleram o passo ao encontro dos anões. Quando as primeiras flechas che-
gam nos homens a terceira flecha está sendo colocada nos arcos. Os cavaleiros que estão
na frente sofrem diversas baixas, acabando quase que totalmente com os cavaleiros. Hu-
manos também morrem em sua corrida, mas continuam em frente, sem em nenhum mo-
mento se sentir intimidados pelos anões.

Em alguns segundos o primeiro dos humanos entra em contato com a parede


de escudos. Ela é inquebrável, nada acontece quando eles a empurram e atacam. Mais e
mais humanos se juntam a parede e ela se mantém firme. Anões são empurrados, mas
eles se mantêm com sua base, sem mover nenhum centímetro. Quando uma grande quan-
tidade de homens se acumula na parede, todos escutam um apito e os anões empurram os
humanos com seus escudos. Alguns dos homens caem no chão e são pisoteados, enquanto
os que estavam atrás não percebem quando recebem o golpe de diversas lanças, perfu-
rando suas roupas rapidamente e desaparecendo na parede.
Isso continua por muito tempo, mais humanos chegam, porém não conseguem
quebrar a parede, e assim criando-se um carpete de corpos. Os anões avançam e matam
mais humanos com suas lanças e com seus arcos. A vitória parece ser demorada, mas
provável. Os humanos não param de vir até que em um momento são mandados recuar.
Com as espadas em mão, sem se virar de costas aos anões, os humanos recuam.

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Os humanos não se afastam muito e esperam o avanço dos anões. Os anões
se mantém firmes, porém em um momento, um soldado anão olha para cima e vê flechas
voando em sua direção. Os soldados gritam, avisando que flechas estão vindo e todos
levantam seus escudos. As flechas matam alguns anões, mas a maioria se protege com
seus escudos. Apenas uma saraivada de flechas acontece, o suficiente para os humanos
voltarem para a parede, agora desfeita e quebrar a formação.
Não há mais parede, a formação está quebrada. Agora humanos e anões se
misturam em uma luta corpo a corpo, matando uns aos outros. Não há mais ordem na
batalha, todos estão misturados, apenas resta sobreviver.
Dürnir, montado em seu caprino avança em direção aos humanos. Com seu
martelo ele apenas o balança rente ao chão, quebrando crânios humanos. Ele se vê dentro
da batalha e desmonta do seu animal. O caprino também luta dando coices em humanos
que se aproximam. Dürnir mata um a um do exército humano. Ele se utiliza de todas suas
habilidades de batalha para matar e sente prazer nisso.
Por alguns minutos, a batalha entra em uma espécie de rotina, sem novos ata-
ques, apenas a matança de humanos e anões. Matando mais um humano, Dürnir percebe
que ele saiu do centro da batalha e por um momento conseguiu perceber que a quantidade
de humanos havia diminuído e agora a quantidade de anões é superior à de homens. Ele
urra e logo em seguida mata um humano próximo.

Os anões começam a empurrar ordenados mais e mais os humanos para o


norte. Alguns homens começam a gritar para recuarem e saem correndo para o norte.
Thrimir começa a chamar os seus soldados para voltarem a formação e em seguida matar
os remanescentes. Poucos ficam e morrem pelo exército de anões, enquanto que boa parte
dos humanos correm para o norte.
Thrimir urra e corre em direção a estes soldados. Sedentos por sangue, todos
os soldados seguem o capitão para matar os remanescentes. Dürnir se ocupa em ajudar
um de seus soldados enquanto isso acontece, mas ele não presta atenção.

Dürnir se vira ao norte e vê seu filho e todos os seus soldados correndo atrás
dos humanos. Dürnir grita para Thrimir, mas ele já está longe demais. Tudo o que Dürnir
observa são uma nuvem de flechas avançando em cima de seu filho e de seus soldados.
Em poucos segundos quase todos caem, já mortos, enquanto outros tentam voltar. Thrimir
já está caído no chão, mas as flechas não param de vir. Todos aqueles que fugiam foram
alvejados, incluindo Thrimir, que perece com diversas flechas cravadas em seu corpo.

Dürnir apenas observa, agora sozinho com um soldado ferido. Ele chama seu
caprino que ainda permanece vivo. Quando o animal chega ele coloca o soldado ferido
em cima dele e monta e começa a sair do campo de batalha. Dürnir se vira mais uma vez
para o seu filho caído e observa ao norte mais homens marchando.
— Pai de todos me dê forças — Dürnir sussurra para si e começa a conduzir
o animal.

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O caprino corre rápido, tirando eles do perigo rapidamente. Dürnir conduz o
animal para Hithaeglir. Algumas vezes ele olha para trás, vedo os homens chegarem na
sua cidade e aos poucos entrando. Em um momento nada mais se vê, apenas o horizonte.
Dürnir começa a fazer o animal ir mais rápido. Para ele não há mais tempo a perder. Não
há nada a perder.

V
Em algumas horas Dürnir chega a Hithaeglir. Seu caprino está cansado, e
quando chegam ao estábulo, o animal apenas se deita e desmaia. Dürnir passa a mão no
caprino e começa a levar o seu soldado para um curandeiro. Rapidamente ele consegue
encontrar os guardas da cidade e pede para que leve o seu soldado para ter cuidados mé-
dicos. Os guardas acatam a ordem sem questionar, reconhecendo Dürnir como um lorde.
Dürnir não perde tempo e segue logo em direção a sala do trono. As portas
estão fechadas, mas ele apenas a arromba, causando um grande estrondo. O rei está sen-
tado no trono, falando com seus conselheiros quando isso acontece. Todos se viram para
a porta e guardas da sala apontam suas lanças para Dürnir.
— Não há necessidade disso, abaixem suas armas — comanda Skirfir.

Os guardas guardam suas armas e liberam a passagem para Dürnir.


— Meu rei, trago terríveis notícias. O meu lar foi atacado por uma grande
quantidade de humanos e meu exército se defendeu dessa ameaça, porém no final não
conseguimos derrotar os homens. Somente eu e mais um soldado sobreviveram desta ba-
talha.
Skirfir não esboça nenhuma reação.

— Mas não temos tempo a perder. Reúna seu exército para podermos atacar
os humanos e salvar minha cidade. Eles devem estar cansados da batalha e nós os pega-
remos despreparados. Eles também são poucos agora, o que facilitará nossa vitória —
Dürnir continua — e também agradeceria se pudesse me colocar no comando deste ata-
que.
— Receio que não Dürnir — replica Skirfir.
— Não há problema algum, mas o senhor deve imediatamente mandar um
exército para minhas terras.

— Receio que não farei isso Dürnir.


Dürnir fica paralisado por um momento, sem reação.
— Mas... porquê? Devemos imediatamente atacar! — fala Dürnir já um
pouco exaltado.
— Não podemos começar uma retaliação agora meu caro. As batalhas que
estamos realizando na outra parte do reino necessita de minha atenção total. Sim, perde-
mos uma parte de nossas terras, mas esta é a consequência da guerra. Em algum momento

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iríamos sofrer essas consequências. Apenas descanse Dürnir. Iremos em breve nos reunir
e ver o que fazemos com você — Skirfir conclui — Agora se permite, gostaria de conti-
nuar a resolver os meus problemas.
Dürnir está sem reações, sem conseguir proferir nenhuma palavra. Ele aperta
o cabo de seu martelo. Logo em seguida ele bate o final do cabo do chão, causando um
pequeno tremor na sala e um grande barulho, chamando a atenção de todos.
— Você nos negligenciou! — Urra Dürnir — Havia mandado um corvo in-
formando sobre o ataque a dois dias atrás e nada foi respondido. Você apenas nos ignorou
e deixou a gente perecer em batalha. Poderia ter enviado um exército para nos ajudar, ou
pedir ajuda para outro senhor, mas você quis ignorar por eu não lutar em sua cruzada
insana!
Skirfir apenas olha para Dürnir.
— Você não tem honra, mas mesmo assim lhe desafio para um combate de
honra! — Dürnir aponta com seu martelo para Skirfir.
Skirfir, sem esboçar nenhuma reação, passa a mão na barba e reflete.
— E se eu não aceitar?

Dürnir com o martelo em mãos entra em posição de combate, pronto para usar
seu martelo.
— Então terei que matá-lo aqui mesmo — Dürnir replica.

Skirfir esboça um sorriso.


— Então terá o seu combate meu caro. Mas antes, com a regra de ser sem
armas e de se eu vencer, você será banido de nossas terras. Levará consigo no final seus
pertences e suprimentos, e irá sair do reino — Skirfir se levanta ao falar isso — e qual
será sua condição?
— Primeiro que toda a população daqui veja e segundo, quando eu vencer,
me tornarei rei.
Skirfir começa a rir.

— Que assim seja. A luta será daqui a trinta minutos, esteja lá.
Antes que Skirfir terminasse a frase, Dürnir se retirará da sala. Escutou ao
fundo gritos de Skirfir e logo em seguida seus conselheiros saíram da sala correndo e
anunciando o evento que iria ocorrer. Dürnir se dirigiu ao estábulo para se preparar. De
lá ele ouvia a população correndo para o centro da cidade, comentando sobre o que iria
acontecer.

O tempo passou muito rápido e logo em seguida um guarda veio ao estábulo


e se colocou de frente a Dürnir.
— Irá começar — o guarda anuncia.

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Dürnir acena coma cabeça positivamente e se levanta para ir. Antes de sair, o
guarda o segura no braço e sussurra no ouvido do anão.
— Você irá perder — ao falar isso, o guarda passa uma lâmina na pele de
Dürnir, cortando-a superficialmente e sai correndo.

Dürnir coloca a mão na ferida, pressionando-a. Ele nota que a ferida foi su-
perficial mas sente algo no seu corpo. Sua testa começa a encher de suor e ficar quente,
enquanto sua visão de vez em quando começa a ficar turva. Dürnir balança a cabeça e
tenta respirar fundo e começa a andar em direção ao evento.
Dürnir não nota, mas em um piscar de olhos ele já está dentro da roda junto
com o rei. Guardas improvisam com seus escudos paredes para formar um círculo sepa-
rando a população deles. Skirfir já está no círculo, se preparando. Em um piscar de olhos,
Dürnir está no chão com uma enorme dor no peito. O povo clama, saudando o rei en-
quanto que o anão se levanta e parte para dar um golpe. Ele consegue deferir um soco em
Skirfir, porém logo em seguida recebe dois socos na cabeça, caindo mais uma vez. O rei
fica em cima de Dürnir e começa a deferir vários socos. O anão tenta se defender, mas
logo, ele apaga.

O anão acorda agora nos estábulos. Dürnir não sabe quanto tempo se passou,
mas próximo a ele está o rei com guardas o seu lado, sentado em um banco. Dürnir se
levanta já consciente e normal.

— Preparamos tudo para você. Sua montaria está pronta, abastecida com su-
primento suficiente para você sair de minha terra e ainda conseguir viver por mais um
tempo fora dela. Suas roupas estão aí do seu lado, junto sua armadura e seu martelo —
Skirfir se levanta e vai em direção a porta. Ele para e avisa — Estes guardas irão lhe
acompanhar até você sair da cidade, acredito que você cumprirá nosso acordo. Está de
noite, mas logo irá amanhecer. Na primeira luz do dia, você sai daqui.

Skirfir se retira dos estábulos. Dürnir não profere nenhuma palavra, apenas se
arruma para sua partida. Ele veste suas roupas e sua armadura. Seu martelo está encostado
na parede, ele pega para sentir o seu peso.
Em algumas horas amanhece. Dürnir monta em seu caprino e é escoltado para
fora da cidade. A população que transita pela cidade o observa, cochichando algo uns
para os outros. Logo ele chega na saída da cidade e é deixado pelos guardas. Dürnir co-
meça a conduzir o animal para fora. Ao olhar para o céu, agora claro, ele avista dois
corvos, voando em círculos. Dürnir abaixa a cabeça e segue o caminho.

Dürnir Stonebreaker agora segue o seu caminho só, sem sua família, sem seus
amigos e abandonado pelo seu reino. Ao fim das terras anãs, ele conhecerá o mundo.

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