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IFRJ – CAMPUS DUQUE DE CAXIAS

Aluno: ____________________________________n°: __ Turma: ___.

Disciplina: Sociologia.
Professor: Jorge Alexandre Alves.
Data: ___/___/___. ATIVIDADE – G2

Leia a opinião do sociólogo Fernando Henrique Cardoso sobre as obras de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda:
LIVROS QUE INVENTARAM O BRASIL
[...] Gilberto Freyre, de alguma maneira, introduz na literatura sobre o Brasil a vida cotidiana, a família, a cozinha, a vida
sexual, os maus hábitos, ou bons, não sei. Enfim, assume uma dimensão que não é a dimensão usual do intelectual brasileiro.
A dimensão usual é desconhecer – era, e ainda é, desconhecer – o peso da rotina e sublinhar os fatos que são mais significativos
e, portanto, esvaziá-los de vivência. Gilberto Freyre não. Descreve uma história social, à vezes idílica, mas mesmo quando
idílica, quando não corresponde a uma pesquisa ou a dados documentais, a referência analítica abrange aspectos
antropológicos do cotidiano. Isso num grande livro em que se está pensando o Brasil.
Depois, Gilberto proclama que nós somos mestiços e que ser mestiço é bom. Re não está isento de preconceitos, por
exemplo, com relação aos índios, que nunca foram de seu maior agrado. Mas com relação à cultura africana e aos negros,
Gilberto até os idealiza. E isso também é absolutamente revolucionário para a época. {...]
Já nosso outro autor – Sérgio Buarque de Holanda -, que escreveu três anos depois de Gilberto Freyre, a quem este agradece
no livro Casa Grande & Senzala, pela contribuição prestada (pois Sérgio traduziu algumas obras do alemão, para que Gilberto
Freyre pudesse usá-las) -, tem uma conotação distinta. [...] Ele está o tempo todo tratando de mostrar que temos raízes até
ibéricas – Gilberto Freyre também fala nisso, não em raízes portuguesas, mas ibéricas, mas, ao mesmo tempo em que está
procurando as raízes ibéricas, faz distinções. Distingue a América criada pelo português da América criada pelo espanhol, e,
sobretudo, reconhecendo, mostrando e criticando a formação patrimonialista brasileira [...] tenta vislumbrar brechas para a
emergência de um possível comportamento diferente do comportamento brasileiro tradicional. [...]
Sérgio vai construir sua interpretação – uma das suas, pois são tantas – ao redor da idéia de que, embora a nossa sociedade
seja uma sociedade de privilégios, esses privilégios – e ele diz que essa característica vem do mundo ibérico – não estão
baseados nas distâncias elásticas das hierarquias sociais pré-estabelecidas. [...] Curiosamente Sérgio Buarque contrasta essa
situação com outras nas quais existe um sistema de normas estruturadas que valorizam o exercício da motivação individual.
Entre nós acontece o oposto: a ação pessoal, em uma sociedade que não valoriza as regras abstratas, transforma a realização
individual em dom, acaso e sorte.
(CARDOSO, Fernando Henrique. “Livros que inventaram o Brasil”. In: Novos Estudos Cebrap, n. 37,1993. P. 21-35.)

RAÇA E CULTURA
Na América Latina e no Caribe, o africano transformou-se em negro e mulato. Ao longo de vários séculos, e sob as mais
variadas condições sociais, o africano passa por personificações ou figurações sociais como as seguintes: escravo, boçal, crioulo,
ladino, ingênuo, liberto, mulato ou negro. No confronto com o branco, o índio, o mestiço, o imigrante europeu, o imigrante
asiático e outros tipos sociais, paulatinamente, o africano é transformado em negro e mulato. [...} Na trama das relações
sociais, o branco e o próprio negro acabam por penar e agir como se o negro possuísse outra cultura, outro modo de avaliar
as relações dos homens entre si, com a natureza e o sobrenatural. Não é como o branco, é diferente, outro, estranho. [...]
Esse é o significado sociológico de raça negra. As diferenças raciais, socialmente reelaboradas, engendradas ou codificadas,
são continuamente recriadas e reproduzidas, preservando, alterando, reduzindo ou mesmo acentuando os característicos
físicos, fenotípicos, psicológicos ou culturais que distinguiriam o branco do negro. As distinções e diferenças biológicas,
nacionais, culturais, linguísticas, religiosas ou outras são continuamente recriadas e reproduzidas nas relações entre as pessoas,
as famílias, os grupos e as classes sociais. Nas várias esferas da organização social, nas relações de trabalho, na prática religiosa,
nas relações entre os sexos, na família, na produção artística, no lazer e em outras situações, as raças são seguidamente recriadas
e reproduzidas como socialmente distintas e desiguais. [...]
Nesses termos é que o negro surge no horizonte da análise científica. Ele aparece ao branco, e a si mesmo, como um tipo
social cuja sociabilidade e cultura apresentam características que o diferenciam do branco. Algumas das atividades, bem como
os valores que organizam essas atividades, parecem diferenciar e discriminar o negro, a ponto de transformá-lo num problema,
ou desafio, para o branco e a si mesmo. O branco procura encontrar no próprio negro os motivos da distância social, do
preconceito e das tensões que se revelam nas relações entre ambos. O negro, por seu lado, procura situar-se e movimentar-se
na trama das relações sociais, nas quais ele surge como diferente, afastado ou discriminado pelo branco.
(IANNI. Octavio. Escravidão e racismo. São Paulo: Hucitec, 1978. P. 51-2.)
Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia - Prof. Dr. Kabengele Munanga (USP)
A invalidação científica do conceito de raça não significa que todos os indivíduos ou todas as populações sejam geneticamente
semelhantes. Os patrimônios genéticos são diferentes, mas essas diferenças não são suficientes para classificá-las em raças. O maior
problema não está nem na classificação como tal, nem na inoperacionalidade científica do conceito de raça. Se os naturalistas dos
séculos XVIII-XIX tivessem limitado seus trabalhos somente à classificação dos grupos humanos em função das características físicas,
eles não teriam certamente causado nenhum problema à humanidade. Infelizmente, desde o início, eles se deram o direito de
hierarquizar, isto é, de estabelecer uma escala de valores entre as chamadas raças. O fizeram erigindo uma relação intrínseca entre o
biológico (cor da pele, traços morfológicos) e as qualidades psicológicas, morais, intelectuais e culturais. (..)
A classificação da humanidade em raças hierarquizadas desembocou numa teoria pseudocientífica, a raciologia (ou racismo
científico), que ganhou muito espaço no início do século XX. Na realidade, apesar da máscara científica, a raciologia tinha um conteúdo
mais doutrinário do que científico, pois seu discurso serviu mais para justificar e legitimar os sistemas de dominação racial do que como
explicação da variabilidade humana. Gradativamente, os conteúdos dessa doutrina chamada ciência, começaram a sair dos círculos
intelectuais e acadêmicos para se difundir no tecido social das populações ocidentais dominantes. Depois foram recuperados pelos
nacionalismos nascentes como o nazismo para legitimar as exterminações que causaram à humanidade durante a Segunda guerra
mundial. Podemos observar que o conceito de raça tal como o empregamos hoje, nada tem de biológico. É um conceito carregado de
ideologia, pois como todas as ideologias, ele esconde uma coisa não proclamada: a relação de poder e de dominação.
Assim, os indivíduos da raça “branca”, foram decretados coletivamente superiores aos da raça “negra” e “amarela”, em função de
suas características físicas hereditárias, tais como a cor clara da pele, o formato do crânio (dolicocefalia), a forma dos lábios, do nariz,
do queixo, etc. que segundo pensavam, os tornam mais bonitos, mais inteligentes, mais honestos, mais inventivos, etc. e
conseqüentemente mais aptos para dirigir e dominar as outras raças, principalmente a negra mais escura de todas e consequentemente
considerada como a mais estúpida, mais emocional, menos honesta, menos inteligente e portanto a mais sujeita à escravidão e a todas
as formas de dominação. Os conceitos de negro, branco e mestiço não significam a mesma coisa nos Estados Unidos, no Brasil, na
África do Sul, na Inglaterra, etc. (...) Se na cabeça de um geneticista contemporâneo ou de um biólogo molecular a raça não existe, no
imaginário e na representação coletivos de diversas populações contemporâneas existem ainda raças fictícias e outras construídas a
partir das diferenças fenotípicas como a cor da pele e outros critérios morfológicos. É a partir dessas raças fictícias ou “raças sociais”
que se reproduzem e se mantêm os racismos populares. (...)
O CONCEITO DE RACISMO - Criado por volta de 1920, o racismo enquanto conceito e realidade já foi objeto de diversas
leituras e interpretações. Já recebeu várias definições que nem sempre dizem a mesma coisa, nem sempre têm um denominador
comum. Quando utilizamos esse conceito em nosso cotidiano, não lhe atribuímos mesmos conteúdo e significado, daí a falta do
consenso até na busca de soluções contra o racismo. Por razões lógicas e ideológicas, o racismo é geralmente abordado a partir da
raça, dentro da extrema variedade das possíveis relações existentes entre as duas noções. Com efeito, com base nas relações entre
“raça” e “racismo”, o racismo seria teoricamente uma ideologia essencialista que postula a divisão da humanidade em grandes grupos
chamados raças contrastadas que têm características físicas hereditárias comuns, sendo estas últimas suportes das características
psicológicas, morais, intelectuais e estéticas e se situam numa escala de valores desiguais. Visto deste ponto de vista, o racismo é uma
crença na existência das raças naturalmente hierarquizadas pela relação intrínseca entre o físico e o moral, o físico e o intelecto, o físico
e o cultural. O racista cria a raça no sentido sociológico, ou seja, a raça no imaginário do racista não é exclusivamente um grupo definido
pelos traços físicos. A raça na cabeça dele é um grupo social com traços culturais, linguísticos, religiosos, etc. que ele considera
naturalmente inferiores ao grupo a qual ele pertence. De outro modo, o racismo é essa tendência que consiste em considerar que as
características intelectuais e morais de um dado grupo, são consequências diretas de suas características físicas ou biológicas. (...)
Estamos entrando no terceiro milênio carregando o saldo negativo de um racismo elaborado no fim do século XVIII aos
meados do século XIX. A consciência política reivindicativa das vítimas do racismo nas sociedades contemporâneas está cada vez
mais crescente, o que comprova que as práticas racistas ainda não recuaram. Estamos também entrando no novo milênio com a nova
forma de racismo: o racismo construído com base nas diferenças culturais e identitárias. Devemos, portanto observar um grande
paradoxo a partir dessa nova forma de racismo: racistas e antirracistas carregam a mesma bandeira baseada no respeito das diferenças
culturais e na construção de uma política multiculturalista. Se por um lado, os movimentos negros exigem o reconhecimento público de
sua identidade para a construção de uma nova imagem positiva que possa lhe devolver, entre outro, a sua autoestima rasgada pela
alienação racial, os partidos e movimentos de extrema direita na Europa, reivindicam o mesmo respeito à cultura “ocidental” local como
pretexto para viver separados dos imigrantes árabes, africanos e outros dos países não ocidentais.
Depois da supressão das leis do apartheid na África do sul, não existe mais, em nenhuma parte do mundo, um racismo
institucionalizado e explícito. O que significa que os Estados Unidos, a África do Sul e os países da Europa ocidental se encontram
todos hoje no mesmo pé de igualdade com o Brasil, caracterizado por um racismo de fato e implícito, as vezes sutil (salvo a violência
policial que nunca foi sutil). Os americanos evoluíram relativamente em relação ao Brasil, pois além da supressão das leis
segregacionistas no Sul, eles implantaram e incrementaram as políticas de “ação afirmativa”, cujos resultados na ascensão
socioeconômica dos afro-americanos são inegáveis. Os sul-africanos evoluíram também, pois colocaram fim às leis do apartheid e
estão hoje no caminho de construção de sua democracia, que eles definem como uma democracia “não racial”. No Brasil o mito de
democracia racial bloqueou durante muitos anos o debate nacional sobre as políticas de “ação afirmativa” e paralelamente o mito do
sincretismo cultural ou da cultura mestiça (nacional) atrasou também o debate nacional sobre a implantação do multiculturalismo no
sistema educacional brasileiro.
Rede ICM de Educação
Alunos: ____________________________________n°: __ Turma: ___.
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Disciplina: Sociologia.
Professor: Jorge Alexandre Alves. Nota:
Data: ___/___/___. ATIVIDADE – 2º Trimestre

INSTRUÇÕES:
1. As questões devem ser feitas com caneta azul ou preta.
2. A atividade poderá ser feita em duplas ou individualmente.
3. Respostas iguais ou semelhantes em trabalhos distintos será considerado COLA. Os alunos terão os trabalhos
cancelados e ficarão com zero.
4. O trabalho deverá ser entregue até o final da aula de sociologia. Atrasos não serão permitidos.
1) Aponte as principais diferenças, segundo Fernando Henrique, entre o pensamento de Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.
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2) Poderíamos afirmar que a abordagem teórica proposta por Gilberto Freire se opõe a discussão que Munanga faz a respeito do
conceito de raça? Por quê?
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3) De que maneira as teorias de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque ajudam a explicar o racismo no Brasil?
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4) Explique a crítica que Munanga faz ao uso do conceito de raça, descrevendo as suas consequências.
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5) Relacione, segundo Otávio Ianni, a transformação do africano em negro ou mulato, no Brasil, tem uma intensão. Relacione essa
afirmativa com a construção ideológica a respeito do conceito de racismo que o texto de Kabengele Munanga desenvolve.
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