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Administração Financeira

Autores: Prof. Maurício Felippe Manzalli


Prof. Antonio Salvador Morante
Colaboradores: Prof. Flávio Celso Müller Martin
Prof. Fábio Gomes da Silva
Prof. Livaldo dos Santos
Professor conteudista: Maurício Felippe Manzalli / Antonio Salvador Morante

Maurício Felippe Manzalli

Economista pela Universidade Paulista – UNIP e mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo. Atualmente é professor da UNIP nos cursos de Ciências Econômicas e Administração e também é
coordenador do curso de Ciências Econômicas na mesma universidade. Tem experiência em administração e finanças,
notadamente naquelas ligadas ao setor de transporte de passageiros, atuando há 29 anos no ramo.

Antonio Salvador Morante

Possui mestrado em Ciências Contábeis e Atuariais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1991)
e doutorado em Administração pela Florida Christian University (2003). Atualmente ministra aulas de finanças no
MBA da FIA‑USP, e até 2010 foi professor de controladoria, contabilidade, análise das demonstrações financeiras
e administração financeira da Universidade Paulista. No campo empresarial, é presidente da Proteção Especial de
Vigilância Ltda. – PROEVI, e outras empresas do Grupo FB, organizações com aproximadamente 2.500 colaboradores.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

M296a Manzalli, Maurício Felippe.

Administração financeira. / Maurício Felippe Manzalli, Antonio


Salvador Morante. – São Paulo: Editora Sol, 2014.
124 p. il.

Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e


Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XIX, n. 2-001/14, ISSN 1517-9230.

1. Administração financeira. 2. Ambiente operacional. 3.


Indicadores de desempenho. I. Título.
CDU 658.15

U500.74– 19

© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem
permissão escrita da Universidade Paulista.
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor

Prof. Fábio Romeu de Carvalho


Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças

Profa. Melânia Dalla Torre


Vice-Reitora de Unidades Universitárias

Prof. Dr. Yugo Okida


Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa

Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez


Vice-Reitora de Graduação

Unip Interativa – EaD

Profa. Elisabete Brihy


Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli

Material Didático – EaD

Comissão editorial:
Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)

Apoio:
Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos

Projeto gráfico:
Prof. Alexandre Ponzetto

Revisão:
Virgínia Bilatto
Carla Moro
Sumário
Administração Financeira

APRESENTAÇÃO.......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................8

Unidade I
1 OBJETIVO E AMBIENTE DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA............................................................. 13
1.1 Papel de finanças e do administrador financeiro..................................................................... 13
1.2 Tarefas básicas da função financeira: funções e objetivos.................................................. 15
1.3 Objetivos estratégicos do administrador financeiro............................................................... 21
1.4 A interação da Administração Financeira com outras áreas do conhecimento.......... 22
2 O AMBIENTE OPERACIONAL DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO E DA
PRÓPRIA EMPRESA............................................................................................................................................. 24
2.1 Agentes operadores do Sistema Financeiro Nacional............................................................ 31
3 DECISÕES DE FINANCIAMENTO EM CURTO PRAZO........................................................................... 39
3.1 Planejamento de caixa........................................................................................................................ 42
3.2 Administração do caixa...................................................................................................................... 44
3.3 Orçamento diário de caixa................................................................................................................ 45
3.4 Capital Circulante Líquido................................................................................................................. 49
3.5 Administração do capital de giro.................................................................................................... 56
3.6 Administração do disponível............................................................................................................ 57
3.7 Administração das duplicatas a receber...................................................................................... 60
3.8 Políticas de crédito............................................................................................................................... 61
3.9 Segurança do crédito: os Cs do crédito....................................................................................... 62
3.10 Modelo de limitação de crédito.................................................................................................... 63
3.11 Aplicação do modelo de limitação de crédito......................................................................... 65
3.12 Administração dos estoques.......................................................................................................... 67
3.13 Necessidade de capital de giro...................................................................................................... 70
4 EXEMPLO DE APLICAÇÃO DE CICLO OPERACIONAL E CICLO FINANCEIRO............................... 72

Unidade II
5 DECISÕES DE FINANCIAMENTO EM LONGO PRAZO.......................................................................... 76
5.1 Fontes de recursos para o financiamento empresarial.......................................................... 76
5.2 O dilema entre capital próprio e capital de terceiros............................................................. 80
6 ALAVANCAGEM FINANCEIRA...................................................................................................................... 81
6.1 Retorno sobre o Ativo (RsA).............................................................................................................. 81
6.2 Retorno sobre o Patrimônio Líquido (RsPL)................................................................................ 82
6.3 Aplicação do GAF, do RsA e do RsPL............................................................................................. 84
6.4 Financiamento de Ativos fixos......................................................................................................... 85

Unidade III
7 INDICADORES E AVALIAÇÃO DE EMPRESAS......................................................................................... 92
7.1 Risco e retorno....................................................................................................................................... 92
7.2 Indicadores Fiesp‑Serasa e Revista Exame.................................................................................. 96
7.3 Avaliação de empresas: diagnóstico empresarial..................................................................... 98
7.3.1 Desempenhos setoriais.......................................................................................................................... 99
8 HEDGE (PROTEÇÃO).......................................................................................................................................113
APRESENTAÇÃO

O livro‑texto que aqui apresentamos servirá de apoio ao estudo da disciplina Administração


Financeira, que trata do papel do administrador financeiro na organização, do planejamento, do controle
e da responsabilidade, destacando as atividades realizadas em curto prazo, como: contas a receber e
a pagar, administração do capital de giro, elaboração do fluxo de caixa, apresentação das análises das
demonstrações financeiras, além de cuidar do nível de estoque ideal nas atividades produtivas. Em
seguida, a disciplina foca as atividades realizadas em longo prazo, apresentando as possibilidades de
investimentos e financiamento que o administrador financeiro poderá realizar no mercado de capital, na
Bolsa de Valores (Bovespa&BMF), nas ações, nos derivativos (commodities), nas instituições financeiras,
nos títulos públicos e privados. Trata também de mostrar os riscos inerentes às atividades (de curto e
longo prazo) na busca de lucratividade para seus acionistas e stakeholders. Estuda, ainda, a governança
corporativa quanto à responsabilidade social e à preservação do meio ambiente em que está inserida.
Por fim, busca mostrar os indicadores de desempenho e diagnóstico empresarial, instrumento necessário
para avaliar e comparar os resultados planejados e realizados pela instituição com os seus concorrentes.

O objetivo principal da disciplina Administração Financeira é trabalhar com ferramentas e conceitos


que permitam aos alunos identificar necessidades atuais e futuras de recursos, avaliar a saúde financeira
das organizações e tomar decisões a partir dessas avaliações, sempre utilizando casos práticos e reais.
Além desse objetivo, há ainda o de fazer os alunos adquirirem e/ou produzirem os conhecimentos
necessários para o desenvolvimento das seguintes competências:

• planejamento estratégico;

• senso crítico e capacidade de contextualização;

• visão sistêmica;

• orientação para resultados;

• capacidade de identificar e solucionar problemas;

• orientação para o empreendedorismo;

• trabalho em equipe;

• desenvolvimento pessoal e profissional.

Note que o livro‑texto está dividido em quatro unidades. Em cada unidade você encontrará:

• textos explicativos que elucidam a matéria;

• resumos do conteúdo estudado;

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• exercícios comentados;

• tópicos para refletir, por meio dos quais convidamos você a pensar sobre assuntos da atualidade;

• a seção “Saiba Mais”, em que indicamos filmes, livros e demais fontes que, de alguma forma,
complementam os temas investigados. Não deixe de explorar essas sugestões, garantimos que
você irá ampliar seu conhecimento sobre os temas apresentados e que essa ampliação será
extremamente útil, não apenas na questão específica da disciplina, mas na sua vida profissional;

• os “Lembretes” – anotações pontuais que remetem a alguma informação já conhecida;

• e as “Observações” – apontamentos que chamam sua atenção para algum ponto a ser destacado
sobre o assunto em desenvolvimento – são recursos que reforçam algumas questões.

É importante também salientar que, neste livro‑texto, construiremos juntos os conhecimentos


relativos à importância e aplicação da administração financeira, em particular no tocante à administração
do capital empresarial. Nossa proposta, portanto, não é a de tão somente transferirmos um conjunto
predeterminado de saberes. As escolhas metodológicas e didáticas a partir das quais o livro‑texto foi
confeccionado incluem o aperfeiçoamento do espírito crítico e o desenvolvimento das capacidades e
habilidades de produção e geração de conhecimento. Dessa forma, você poderá notar que os conteúdos
estão sempre entrelaçados às situações concretas das organizações, e tal estratégia permitirá que você
desenvolva, com autonomia, o seu próprio saber em relação à administração das finanças empresariais.

As unidades foram elaboradas para atender a determinados objetivos. Você entrará em contato
com os objetivos e com o ambiente da administração financeira em um contexto empresarial, em que
são apresentadas as tarefas básicas da função financeira bem como os objetivos do administrador
financeiro num contexto de administração estratégica. Apresentaremos as opções para tomada de
decisão de financiamento de capital de giro, ou de Ativo Circulante, no curto prazo. Versaremos sobre
o assunto “indicadores de desempenho”, apresentando medidas preventivas no que se refere à área
financeira das organizações. Por fim, mostraremos ferramentas para traçar diagnóstico empresarial a
partir dos conceitos e definições que foram apresentadas nas unidades anteriores.

Esperamos que você aprecie a leitura e que, a partir dela, possa conhecer e dominar os processos de
administração financeira e os seus impactos nas organizações. Bom trabalho!

INTRODUÇÃO

Você deve estar se perguntando: por qual motivo devo estudar Administração Financeira?

A resposta poderia ser direta e simples! Porque todos os assuntos que envolvem dinheiro e finanças
são interessantes. A resposta até pode ser simples e direta, mas trata‑se de um assunto demasiado
complexo no tratamento.

Como entender as finanças empresariais? No mundo contemporâneo, mapeado pela chamada


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globalização econômica, em que uma de suas características preponderantes é a competição empresarial,
a administração das finanças por parte das empresas torna‑se de extrema importância para a conquista
e permanência competitiva.

Tratar do assunto finanças é abordar de qual forma os recursos financeiros são organizados dentro
das empresas para que o lucro seja gerado e, mais do que isso, significa também ajudar na administração
estratégica, lembrando que nem só de finanças vive uma empresa.

Pense, por exemplo, numa empresa industrial de um setor qualquer, digamos o setor calçadista.
Uma empresa que produza calçados, tanto masculinos quanto femininos de todas as linhas, tanto
adulto quanto infantil. Procure imaginar a quantidade de departamentos que essa empresa industrial
tenha: produção industrial, compras de matéria‑prima e material de escritório, vendas e relações com
consumidores, recursos humanos, departamento contábil, além de todo o staff no nível estratégico.

Procure agora pensar na organização e no desempenho de cada departamento, desses que foram
oferecidos como exemplo e mais outra quantidade que possa imaginar. Para que o departamento
operacional de produção industrial possa bem desempenhar suas funções, do que necessita? Primeiro,
de bens de capital, máquinas e equipamentos que serão utilizados na produção de sapatos. Máquinas
e equipamentos custam dinheiro, muito dinheiro! As máquinas não trabalham sozinhas: necessitam de
alguns elementos que as façam operar. Podemos pensar em energia elétrica ou outra forma de energia
que faça com que as máquinas possam ser operadas. Operadas por quem? Pessoas, talvez. Sim, pessoas,
recursos humanos, trabalhadores que também custam, recebem remuneração por seu trabalho.

Contudo, o que fazem as máquinas e as pessoas sem os meios de produção para surgirem
os sapatos? Há, portanto, a necessidade de mais gastos com a aquisição de meios de produção, as
chamadas matérias‑primas do processo produtivo, que também custam. E as ferramentas e tudo mais
que é utilizado no nível operacional? De onde sai o recurso monetário para manter esta estrutura? Veja,
estamos tratando somente da estrutura operacional.

Para um calçado ser produzido, é necessário pensar em seu modelo. Eis a equipe de criação, capital
intelectual, que também custa dinheiro. Então, fazemos uma pergunta: é um custo, uma despesa ou
um investimento? Não responderemos agora. Vamos pensar mais um pouco sobre nossa indústria de
calçados. Já temos pessoas no nível operacional e nos níveis estratégicos e táticos, que são, de certa
forma, administradas por outras pessoas responsáveis pela folha de salários da empresa: o departamento
de recursos humanos, que também custa. Este departamento cuida, dentre outras preocupações, da
remuneração dos vendedores, fixas ou variáveis. Não importa. O que importa é que sem vendedores essa
empresa de calçados não consegue se fazer conhecer e expandir mercados.

Pois bem, você é capaz de pensar nos demais departamentos e do que necessitam. Cada departamento
dentro de qualquer organização tem um orçamento, aquilo que a ele é pertinente. Todavia, cada
departamento “briga” por orçamentos maiores ao longo do tempo. A produção requer maior orçamento
para poder adquirir máquinas novas; o departamento comercial requer orçamento maior para poder bem
remunerar seus representantes; o departamento de marketing requer maior orçamento para bem poder
desenvolver nova campanha publicitária; o departamento de criação também solicita maior orçamento
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para poder desenvolver novos modelos, o que solicita, muita das vezes, pesquisa. Caso o departamento
de criação desenvolva novo modelo de calçado que utilize matéria‑prima diferente daquela que a
produção estava acostumada a trabalhar, pode ser que isso seja motivo de treinamento ou capacitação
de operários que também custa. Ainda, pode ser que mudança de uma linha de produção requeira
mudança também do parque tecnológico que a empresa tenha instalado. Do que necessitará, então, o
setor operacional? De mais recursos para investimentos em modernidade.

Qual a fonte de todos esses recursos? Bem sabemos que a fonte primária de recursos financeiros
numa organização é o Patrimônio Líquido, representado pelo ingresso de recursos financeiros dos sócios
naquela empresa. O Patrimônio Líquido é uma conta do Passivo no Balanço Patrimonial em que são
apresentadas as fontes de recursos empresarias que também podem ser de terceiros, não necessariamente
os sócios.

Se a fonte de recursos financeiros empresariais está nas contas do Passivo, as contas do Ativo
representam a forma com que tais recursos são utilizados, se circulantes ou permanentes. Ao administrador
financeiro caberá a decisão de como canalizar, na forma de Ativo, os recursos pertencentes à empresa
que ingressam pelo Passivo. Não só isso: com a administração eficiente do Ativo, seja circulante ou
permanente, geram‑se condições de a empresa apresentar lucro e reforçar o Patrimônio Líquido, bem
como remunerar o capital dos sócios que ali foram empregados.

O fato é que estamos chamando a atenção para que você perceba que, para a empresa de calçados
ser bem administrada, as finanças estão no centro disso. Entradas e saídas de recursos são uma das
principais preocupações do administrador financeiro. Podemos falar, então, de administração de fluxo
de caixa? Sim. Podemos falar de preocupação do tempo de retorno de um investimento efetuado em
nova máquina? Sim. Podemos falar de como encontrar melhor forma de financiamento de uma despesa
inesperada quando o caixa está negativo? Sim.

Pense na seguinte situação: a folha de salários da empresa vence no quinto dia útil do próximo mês
e, pelo fluxo de caixa, deverá ser paga com as entradas de recursos dos últimos três dias. Tais entradas
de recursos são provenientes do recebimento das faturas que representam as vendas de determinado
período. Pense, ainda, que uma dessas faturas seja de um cliente muito bom, que não atrasa seus
pagamentos, e que, justamente neste mês, passou por problemas financeiros e não pagará no prazo
a fatura devida à nossa empresa de calçados do exemplo, certo? E agora? Você é o administrador
financeiro dessa empresa, sabe que não haverá a entrada de tal recurso esperado em seu fluxo de caixa
e que deverá pagar os salários dos funcionários daqui a alguns dias. O que fazer? Simplesmente pagar
os salários que der? Não, obviamente. Esta até pode ser uma alternativa, no limite. Para que a empresa
de calçados honre com seus compromissos, onde você buscará recursos para cobrir o fluxo de caixa?
Quais são as principais, e mais adequadas, fontes de recursos para este caso? Daí a importância de
conhecermos o “mundo” das finanças.

Oferecemos outro exemplo: essa mesma empresa está pensando em ampliar suas instalações por
conta do maior market share conquistado nos últimos tempos. A decisão é por abertura de uma filial
que ficará responsável por uma linha específica de produção de calçados com vistas à exportação. É
uma linha de calçados que não será oferecida para o mercado interno, doméstico, mas somente para o
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mercado internacional.

Qual a relação disso com o administrador financeiro? Total. Ele deverá conhecer quanto de recursos
financeiros a empresa necessitará para o investimento inicial na nova unidade fabril. Por exemplo, será
um local alugado ou local próprio com construção a ser efetuada? Quanto de recursos financeiros para
o investimento, portanto, será necessário? E qual a fonte desses recursos? Uso de recursos próprios
acumulados de lucros de períodos anteriores? Reforço de capital por parte dos sócios existentes?
Chamada de novos sócios para reforço do Patrimônio Líquido? Abertura de capital, transformando a
empresa em sociedade anônima, negociando ações em bolsa de valores para reforço de capital e futura
distribuição de dividendos da operação?

Acha que acabaram as opções, não. Em que momento e em quais condições a empresa deverá
optar por financiamentos bancários para proceder tal investimento e quais são as principais fontes
para financiamento? Quanto combinar financiamentos bancários com recursos próprios no novo
investimento? Que taxa de retorno o novo investimento deve gerar para poder cobrir a despesa financeira
com juros dos empréstimos obtidos e a remuneração do capital dos sócios? Qual o prazo de retorno
desse novo investimento para repor totalmente o capital empregado? São questões que o administrador
financeiro deverá estar apto a responder.

Lembre‑se de que, no exemplo que estamos desenvolvendo, o novo investimento será para a produção
que terá como destino o mercado internacional. O que mais deve ser levado em consideração? Será
que a taxa de câmbio está nessa conversa? Sim, está. Conhecimento do mercado cambial e da política
econômica governamental, nacional e internacional também faz parte do ambiente da administração
financeira.

Estas são apenas algumas considerações que efetuamos para que você consiga ver a importância
do estudo desta área. Esperamos, sinceramente, que faça bom proveito do estudo desta disciplina e que
possa bem desenvolver suas funções profissionais, mesmo que não seja diretamente com esta área.

11
12
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Unidade I
Nesta unidade você entrará em contato com os objetivos e o ambiente da administração financeira
em um contexto empresarial, em que serão apresentadas as tarefas básicas da função financeira bem
como os objetivos do administrador financeiro num contexto de administração estratégica. Entretanto,o
tratamento não será somente intraorganização: deve‑se também levar em consideração o ambiente
externo operacional do administrador financeiro proporcionado pela existência do mercado financeiro.
Seu uso é de grande valia ao administrador financeiro por permitir possibilidade para a administração
estratégica de recursos à disposição da empresa. Para tanto, a unidade apresenta características dos
diversos mercados que compõem o mercado de capitais, quais sejam, o mercado cambial, o monetário,
o de crédito e o de capitais, onde o papel das bolsas de valores é o preponderante.

Esperamos que aproveite a leitura. Vamos a ela.

1 OBJETIVO E AMBIENTE DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Qual o real objetivo da administração financeira, já parou para pensar? Você administra suas finanças?
É tarefa fácil? A nós parece que não, assim como de uma empresa também não é. Por vezes, o que fazer
quando há sobras de recursos? Onde aplicar, de que forma aplicar, por qual prazo e com qual objetivo
são algumas das questões que as pessoas sempre estão inclinadas a responder, ainda mais quando a
opção não é pela aplicação financeira dos recursos excedentes e sim por seu uso como consumo. E
no caso inverso, quando há falta de recursos? Como financiar os gastos excedentes também é uma
preocupação. Envolva as questões anteriores no âmbito de uma empresa e verá que o problema será
maior ainda. Portanto, o papel das finanças e do administrador financeiro é o que passaremos a tratar.

1.1 Papel de finanças e do administrador financeiro

O fluxo de fundos em uma empresa industrial envolve operações de uma empresa industrial,
mas, de maneira idêntica, outros empreendimentos, no âmbito comercial ou de prestação de serviços,
também apresentam uma dinâmica semelhante ao de uma empresa industrial, no que se refere às
entradas e saídas de recursos financeiros, que é o que visa demonstrar este fluxo. Analisemo‑lo, passo
a passo.

A constituição de qualquer empresa, de qualquer empreendimento, portanto, requere um aporte de


capital ou a tomada de empréstimos e financiamentos. Esses recursos constituirão as disponibilidades
financeiras do empreendimento, utilizadas para saldar os compromissos com os fornecedores tanto de
matérias‑primas, materiais auxiliares e outros insumos utilizados no processo produtivo, a exemplo
de equipamentos, instrumentos, utensílios, edificações e outros Ativos permanentes indispensáveis à
operacionalização do negócio. E também para saldar compromissos financeiros com os prestadores de
serviço, aí incluída a mão de obra direta – relacionada aos que se dedicam diretamente à operação do
13
Unidade I

empreendimento, como os operadores de máquinas industriais – e a execução de serviços especializados


por terceiros – manutenção industrial, por exemplo. Com base nesses fatores de produção – máquinas
industriais, matérias‑primas, mão de obra direta, tecnologia de produto e de processo e, sobretudo,
capacidade empresarial para aglutinar todos estes fatores – surgem os produtos que serão, finalmente,
adquiridos pelos indivíduos para suprir determinadas necessidades.

Durante o processo de produção e comercialização ocorrem despesas operacionais – aquelas decorrentes


do suprimento de energia elétrica, pagamento de aluguel, mão de obra indireta e outras –, despesas financeiras
– decorrentes de antecipações de valores a receber mediante desconto de duplicatas, por exemplo, ou decorrentes
de empréstimos e financiamentos – e receitas financeiras – resultado da aplicação de recursos financeiros
disponíveis no mercado de capitais, por exemplo. Essas despesas operacionais e despesas financeiras serão
cobertas pelo lucro advindo das operações – resultado da diferença entre a receita proveniente das vendas e
custos relacionados diretamente com a obtenção do produto ou mercadoria vendida ou prestação do serviço
ao cliente. Essas vendas, quando realizadas à vista, irão ampliar imediatamente as disponibilidades financeiras
da organização. Se realizadas a prazo, constituirão um bem ou direito a ser posteriormente recebido, como as
duplicatas a receber. Por último, mas não menos importante, existirão ainda os impostos incidentes sobre o
lucro da atividade, o pagamento de dividendos aos acionistas ou cotistas do empreendimento e, o que sobrar,
será incluído em contas de reservas e lucros retidos do empreendimento.

Observação

Observe que administrar recursos financeiros requer habilidade para


gerenciar limites. Nem sempre uma empresa consegue obter recursos na
quantidade desejada, da mesma forma que não consegue gastar menos
recursos conforme planejamento.

Qualquer que seja o tipo de empreendimento, é fato que as atividades empresariais requerem recursos
financeiros para a sua operação. E dessa operação resultam recursos financeiros que constituirão os
lucros do negócio.

As atividades empresariais envolvem funções relacionadas entre si, tais como produção, vendas,
administração, contabilidade, finanças e outras. A gestão dos recursos financeiros movimentados por
todas as áreas da empresa é parte essencial da função financeira. Por um lado, a função financeira
responde pela obtenção dos recursos necessários ao desenvolvimento das atividades da organização.
Por outro lado, deve participar ativamente da formulação de uma estratégia, sua implementação e
controle, no que se referir à otimização do uso desses fundos.

Lembrete

Lembra‑se dos exemplos oferecidos na introdução deste texto? Das


preocupações da empresa de calçados? É disto que estamos tratando, agora
de forma mais aprofundada.
14
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

A eficiente gestão financeira contribuirá para o bom desenvolvimento de todas as atividades


pertinentes a qualquer organização. Para tanto, há a necessidade de se conhecer as tarefas básicas da
função financeira.

1.2 Tarefas básicas da função financeira: funções e objetivos

Ainda com base no fluxo de fundos de uma empresa industrial hipotética, de que forma são
desenvolvidas as tarefas básicas da função financeira? As “válvulas” que estão dispostas entre um e outro
“reservatório” de fontes e de usos dos recursos financeiros são, de fato, as oportunidades de atuação
do gestor financeiro. A ele compete, diretamente, regular o fluxo de entrada e saída de recursos que, ao
final, serão canalizados para o Patrimônio Líquido da empresa, sob a forma de capital, reservas e lucros
retidos. E é do conhecimento das peculiaridades de cada uma dessas fontes e dessas possibilidades de
utilização dos recursos financeiros que surge a indispensável qualificação do gestor financeiro.

Na busca de soluções que visam a um adequado levantamento de recursos, o profissional da área


de finanças deve explorar todas as fontes de recursos que são colocadas à disposição de uma empresa.
Essas fontes e usos estão relacionados diretamente com o próprio empreendimento, mas também com
o mercado financeiro e com o de fatores de produção e de bens e serviços finais onde a empresa atua.

A figura 1 apresenta a ação do administrador financeiro.


Empresa
Passivo e
Ativo Patrimônio Líquido

Mercado

Ativo circulante Passivo circulante

Risco/retorno
Valor da ação
Fatores econômicos

Exigível a LP
Ativo permanente
Patrimônio Líquido

Figura 1 – Âmbito de ação do administrador financeiro

O administrador financeiro age sobre o Ativo Circulante do negócio, dimensionando adequadamente


os investimentos que serão realizados na sua operação, financiando clientes, investindo em estoques
e nas demais rubricas que configuram os bens e direitos num horizonte de 360 dias contados da data
do balanço. Também dimensiona, da forma mais adequada possível, os financiamentos tomados que
serão utilizados nos investimentos no Ativo Operacional do empreendimento e que irão consubstanciar
o Passivo Circulante.
15
Unidade I

Lembrete

Lembre‑se de que os estoques que estão lançados no Ativo Circulante


representam tanto o estoque de matérias‑primas e materiais auxiliares,
como o estoque de produtos acabados.

A atuação do administrador financeiro, quanto às condições de pagamento das compras e uma


apropriada administração das rubricas que compõem o Contas a pagar, é de fundamental importância para
a configuração de um adequado ciclo financeiro do negócio, coerentemente com as reais possibilidades
que o mercado e o próprio negócio oferecem. Para tanto, as compras tanto de matéria‑prima como de
materiais auxiliares devem estar em consonância com as condições de pagamento dessas compras que
a empresa pode gerenciar. Devem estar consubstanciadas com as condições de entradas de recursos na
empresa de forma que tenha condições de efetuar os pagamentos nos prazos estabelecidos.

Muitas vezes, condições mercadológicas, preço baixo, por exemplo, faz com que determinada empresa
efetue compras de matéria‑prima além do necessário para aquele momento. Trata‑se de uma questão
de escolha entre as opções que lhe são oferecidas: aproveitar uma queda de preços de matéria‑prima e
reforçar estoque na crença de possibilidade de diminuição do custo dos produtos, o que impacta saídas
de caixa para retorno de produção futura, ou simplesmente não “cair na tentação” das oportunidades
ditas mercadológicas, focalizando as ações na racionalidade.

Observação

Observe que ciclo financeiro é o resultado da composição dos prazos


médios de recebimento das vendas, de renovação dos estoques e de
pagamento das compras.

Saiba mais

É possível perceber que o gestor financeiro deve ter amplo conhecimento


das demonstrações contábeis, desde sua estruturação até a interpretação
para acertada tomada de decisão. Sobre o assunto, é sempre válida a
consulta à obra:

MARION, J. C. Contabilidade Básica. 10. ed. São Paulo: Editora Atlas, 2009.

Nesta obra, você poderá relembrar alguns conceitos pertinentes à


contabilidade, notadamente aqueles que remetem ao Balanço Patrimonial
e suas rubricas. Fica a dica.

16
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Ainda com relação às principais rubricas do Balanço Patrimonial constantes da figura 1, o


administrador financeiro também atua sobre a composição do Ativo Permanente do negócio, interagindo
com as demais funções no sentido de estabelecimento das melhores condições possíveis para a alocação
dos recursos de terceiros resultantes de empréstimos e financiamentos, além dos recursos próprios,
contrapartida da aquisição dos indispensáveis, bens que configuram o imobilizado do empreendimento.
E também na evolução que se verifica na atividade, pelos investimentos que darão origem à ampliação
do próprio negócio, explorando as oportunidades que se oferecerem para tal.

Lembrete

Lembre‑se de que o Ativo Permanente é composto de bens da empresa


de difícil conversão em caixa no curto prazo. Não apresenta liquidez
imediata e pode impactar negativamente os resultados financeiros.

Saindo do âmbito interno da empresa, o administrador financeiro coloca um olho atento nas
condições oferecidas pelo mercado quanto ao risco e retorno das diversas possibilidades de aplicação
financeira de recursos disponíveis. Nesta condição, municia‑se adequadamente de informações sobre
todos os fatores de ordem econômica que possam interferir direta ou indiretamente na condução das
atividades, quer sejam elas derivadas do mercado de atuação como de forças econômicas, sociais, legais
e tecnológicas provenientes do macroambiente de atuação da organização.

No caso de empresas de capital aberto, sua atuação se concentra, por vezes, em atividades que
possam interferir diretamente na avaliação do valor da ação do empreendimento no mercado, zelando
por uma valorização crescente do valor de mercado, coerentemente com o valor patrimonial e com as
possibilidades de retorno do investimento em níveis compatíveis com a taxa de atratividade do mercado
específico de atuação.

Tem‑se, portanto, em uma síntese, que o papel do administrador financeiro é exercido


tanto sobre os recursos próprios – aqueles que configuram o Patrimônio Líquido do negócio,
como capital integralizado, reservas e lucros retidos – como recursos de terceiros – aqueles
que compreendem as contas do Passivo Circulante e do Exigível de Longo Prazo. São recursos
permanentes quando provenientes de recursos próprios ou de dívidas de longo prazo, e
constituem recursos temporários quando se referirem a compromissos e dívidas em curto prazo.
Podem, ainda, serem recursos onerosos – que implicam pagamento de despesas financeiras daí
decorrentes –, ou recursos não onerosos – quando não constituírem recursos que irão exigir o
pagamento de algum tipo de ônus financeiro para a sua obtenção.

Do lado da alocação de recursos, ou seja, destinação e uso dos recursos financeiros obtidos, quaisquer
que sejam as fontes de recursos, cabe ao administrador financeiro uma análise visando compatibilizar
prazos e custos desta tomada de recursos com a potencial geração dos lucros do negócio, que irão
suportar tais custos em volume e em determinado momento. Assim, o financiamento de um torno
mecânico, por exemplo, deverá considerar as reais possibilidades de geração de receita com o produto
advindo da operação deste item que irá compor o Ativo imobilizado do empreendimento, na época e
17
Unidade I

no volume de lucro compatível com os desembolsos financeiros por conta de um financiamento daí
originado para a aquisição do bem.

Entretanto, a atuação do administrador financeiro não se faz unicamente pela obtenção e alocação
de recursos financeiros destinados à aquisição de bens que irão compor o Ativo Permanente da empresa.
Também se observa uma acentuada atuação do administrador financeiro no desenvolvimento das
operações da organização. Nesse conteúdo operacional da função financeira, os recursos podem ser
alocados tanto em Ativos fixos como em Ativos Circulantes, ou seja, nas disponibilidades, composição
da carteira de contas a receber de clientes e administração dos estoques de matérias‑primas, materiais
auxiliares e produtos acabados. Por vezes, a atuação do administrador financeiro é de fundamental
importância para a constituição de outros Ativos, tais como participação societária em outras empresas
e determinadas aplicações financeiras.

No processo de administração das fontes de recursos e sua destinação, desponta um aspecto de


extrema importância para o sucesso da administração financeira: a relação entre liquidez e rentabilidade.
Sobre o assunto, Cheng e Mendes (1989) exploram que:

Gestão financeira pode ser definida como a gestão dos fluxos monetários
derivados da atividade operacional da empresa, em termos de suas
respectivas ocorrências no tempo. Ela objetiva encontrar o equilíbrio entre
a “rentabilidade” (maximização dos retornos dos proprietários da empresa)
e a “liquidez” (que se refere à capacidade de a empresa honrar seus
compromissos nos prazos contratados). Isto é, está implícita na necessidade
da gestão financeira a busca do equilíbrio entre gerar lucros e manter caixa.

Observação

Acabamos de apresentar duas grandes funções da área financeira:


manter caixa positivo e gerar lucros para a empresa.

A liquidez, traduzida pela capacidade da organização em liquidar seus compromissos financeiros


de curto prazo, tem a ver com o correto dimensionamento dos prazos médios a que nos referimos
anteriormente. Entre a aquisição da matéria‑prima e dos componentes necessários para a fabricação
do produto até a efetivação da venda propriamente dita, existem custos e despesas que deverão ser
suportados pela empresa.

A definição dos prazos de pagamento desses materiais será importante para a “saúde” financeira do
empreendimento: se os prazos de pagamento não forem compatíveis com o prazo de recebimento das
vendas, poderá ocorrer um descompasso entre a entrada e a saída de recursos. Sabe‑se que tais prazos
médios de pagamento e de recebimento das vendas nem sempre são ditados pela própria empresa. Na
maioria das vezes, essas condições são estabelecidas “no mercado”, quando todos os principais agentes
econômicos envolvidos ficam dispersos em torno de uma média de dias, sob dependência do custo
financeiro nas operações de refinanciamento existentes neste mercado.
18
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Por isso, compete ao gestor financeiro a conciliação dos interesses envolvidos na área de produção e
de vendas, por exemplo, funções em que se processam paradoxos: para a área de produção interessa
dispor de um elevado estoque de matéria‑prima, componentes e partes e peças indispensáveis à
elaboração do produto final. Desta maneira, se poderá cumprir, com a máxima segurança, o cronograma
de produção que for destinado. Isso requer uma disponibilidade de área, entendido como espaço físico,
com todos os custos e despesas ali envolvidos, tais como aluguel ou amortização de investimento ou
empréstimo para a aquisição do imóvel; despesas com a administração do estoque, com zeladoria,
com vigilância e segurança etc.; além de disponibilidade de capital de giro que, muitas vezes, não são
facilmente suportados pela geração da receita e dos lucros.

Por seu turno, a área de vendas certamente se sentiria mais capacitada a cumprir suas metas de
vendas se lhe fossem disponibilizados produtos para pronta entrega a preços inferiores aos praticados
pelo mercado e com condições de pagamento a perder de vista.

Assim, diante tal paradoxo, cabe ao gestor financeiro a decisão de a qual interesse atender, visto
que os dois lados representam importâncias relativas e, por vezes, no mesmo momento. Daí, então, a
necessidade do fluxo de caixa compatibilizar as saídas e as entradas de recursos financeiros.

Saiba mais

Cheng e Mendes (1989) ressaltam que o administrador financeiro não


pode ser o único responsável pela eficiente administração do fluxo de caixa,
uma vez que este representa o fluxo de entradas e saídas das operações
que foram geradas por toda a empresa. Neste aspecto, recomendamos
a leitura de tal artigo, intitulado A Importância e a Responsabilidade da
Gestão Financeira na Empresa (CHENG, A.; MENDES, M. M. Cadernos de
Estudos. n. 1. São Paulo, out. 1989). Você perceberá que a responsabilização
por boa parte da administração de caixa dependerá também das ações dos
departamentos indiretamente envolvidos.

A compatibilidade entre as saídas e as entradas de recursos financeiros para a operação do


empreendimento é decorrência do volume de recursos que são alocados no Ativo Circulante
Operacional (ACO) – duplicatas a receber, estoques e certos ajustes no Ativo Circulante – e no
Passivo Circulante Operacional (PCO) – fornecedores, contas a pagar e também certos ajustes
no Passivo Circulante relacionados com a operação do empreendimento. A diferença entre ACO
e PCO constitui a necessidade de capital de giro (NCG) do negócio. Sabidamente, quanto menor
for o capital de giro do empreendimento, mais recursos poderão ser utilizados em outras áreas
do empreendimento.

A maioria das empresas apresenta um ACO maior do que o PCO. Neste caso, compete ao gestor
financeiro a obtenção de recursos para financiamento desses Ativos em condições adequadas ao
negócio. Se, no entanto, o ACO for menor do que o PCO, sobram recursos na empresa, aos quais deverão
19
Unidade I

ser aplicadas as melhores taxas do mercado financeiro ou mesmo deverão ser utilizados para a expansão
da planta, ou seja, investimento em Ativos fixos.

No tocante ao segundo aspecto desta análise sobre a eficácia da administração, devemos


considerar a rentabilidade como um “grau de êxito econômico obtido pela empresa em relação ao
capital nela investido” (BRAGA, 1989, p. 30). A relação entre o lucro operacional e o Ativo Operacional
a que nos referimos anteriormente já indicará uma medida da eficiência na gestão dos recursos
próprios e de terceiros, independentemente dos custos financeiros e de outros fatores. Por sua vez,
uma relação entre o lucro líquido do negócio em determinado período de tempo associado ao volume
de capital próprio médio no período será um importante indicador, para o acionista, da rentabilidade
do capital investido que, cotejado com outras taxas de atratividade no mercado financeiro, indicará se
o investimento realizado no empreendimento está proporcionando uma rentabilidade adequada, em
termos de custo de oportunidade do investimento. Ainda nesta ligeira digressão sobre a rentabilidade,
a relação entre o lucro antes das despesas financeiras e o volume total de Ativos do empreendimento
proporciona outra medida da eficiência da empresa.

Este retorno sobre o Ativo, como também é conhecido, comparado com o custo da dívida – relação
entre a despesa financeira e o volume de empréstimos bancários existentes na organização – poderá
indicar se houve uma adequada alavancagem financeira do negócio, ou seja, se terá ou não valido a
pena o endividamento bancário.

Como se observa, portanto, o equilíbrio entre uma adequada liquidez corrente – o volume de
bens e direitos de curto prazo, comparados com as obrigações de curto prazo – e rentabilidade do
empreendimento são uma permanente preocupação do administrador financeiro e um constante
desafio que se interpõe na consecução dos seus objetivos.

Saiba mais

Sobre o assunto rentabilidade versus liquidez, indicamos a leitura do


artigo Uma Proposta para a Análise Integrada da Liquidez e Rentabilidade
das Empresas, de autoria dos professores Roberto Braga, Valcemiro
Nossa e José Augusto Veiga da Costa Marques, encontrado na Revista de
Contabilidade e Finanças, v. 15, São Paulo, jun. 2004.

Neste artigo, é apresentado um novo modelo de análise das


demonstrações contábeis que permite integrar as avaliações da situação
financeira e da rentabilidade do capital próprio em uma única medida,
denominada Indicador da Saúde Econômico‑Financeira das Empresas (Isef).
Estamos certos de que apreciará a leitura.

20
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

1.3 Objetivos estratégicos do administrador financeiro

Com as informações reunidas até aqui, já pudemos observar que as funções do administrador
financeiro de uma organização estão reunidas em algumas atividades básicas, quais sejam:

• análise e planejamento de todas as informações de cunho financeiro, que possam se relacionar,


direta ou indiretamente, com as operações da organização, com a expansão do negócio frente às
oportunidades e mesmo com ameaças derivadas do ambiente externo, isto é, do macroambiente
e, sobretudo, do ambiente setorial, no processo de administração estratégica do empreendimento;

• administração da estrutura dos Ativos da empresa e de que forma tais Ativos implicam a
obtenção de recursos financeiros para a sua aquisição e operacionalização, coerentemente com
as possibilidades de geração de caixa desses Ativos;

• administração da estrutura financeira da empresa, aí incluídos os aspectos relacionados com a


composição mais adequada de financiamentos em curto, médio e longo prazos, dadas as suas
implicações com a liquidez e rentabilidade do negócio, e também com a própria determinação
das melhores fontes de financiamento em curto, médio e longo prazos para suprimento das
necessidades de capital de giro e recursos financeiros destinados à composição do Ativo fixo
da empresa.

Essas funções são desempenhadas com um primordial objetivo: a maximização do Patrimônio


Líquido da organização. Isto significa a ampliação da riqueza dos proprietários do empreendimento.
Este é o fundamento de todos aqueles que investem seu capital em um empreendimento considerado
de risco. Risco porque envolve a possibilidade de perda total ou parcial desses recursos. Assim, o risco
é inerente a todos os empreendimentos e aplicações, podendo ser eficientemente avaliado, calculado,
suportado ou mesmo eliminado, com base nas condições do macroambiente e ambiente setorial e,
sobretudo, nas competências e habilidades desenvolvidas e aplicadas pelos gestores do empreendimento
no planejamento, operacionalização, controle e condução do negócio.

Saiba mais

Já que tocamos no assunto risco, indicamos fortemente a leitura do


livro de Peter L. Bernstein, Desafio aos Deuses: a Fascinante História do
Risco (Rio de Janeiro: Campus, 1997). Em uma narrativa que se assemelha
a um romance, o autor argumenta que a concepção do risco constitui uma
das ideias centrais que distinguem os tempos modernos do passado mais
remoto. Vela a leitura.

Neste sentido, é preciso considerar, neste estágio de nossa digressão, o que significa a maximização
do Patrimônio Líquido do negócio ou a ampliação da riqueza dos seus donos. Em outras palavras, quanto
vale o negócio?
21
Unidade I

Existem várias formas para a medição do valor de um empreendimento. Vão desde o valor dos
Ativos, o valor da marca, o valor do Patrimônio Líquido e outros Ativos tangíveis (Ativo Permanente)
e intangíveis (marcas e patentes, licenças de produção etc.). Mas, o que melhor reflete o valor de um
empreendimento é a capacidade de geração de caixa deste. Ou seja, a capacidade de gerar lucros,
mediante o uso de seus Ativos, o emprego de determinada tecnologia, sua competência gerencial e o
seu próprio conceito junto a fornecedores, clientes e credores em geral. É sobre tais aspectos que deve
se concentrar a atuação dos gestores do empreendimento, porque daí deriva o valor do negócio.

Maximização da riqueza dos acionistas não significa necessariamente maximização dos lucros.
Enquanto este último resulta de ações imediatas, por vezes inconstantes e esporádicas e de curto efeito
no tempo, a maximização do valor das ações ou cotas dos acionistas ou proprietários é fruto de uma
perspectiva de longo prazo, com investimentos que visem, além de outros aspectos, à perpetuidade
do empreendimento. Também é preciso atentar para o valor do dinheiro no tempo, que implica uma
análise de valor presente líquido dos retornos anuais esperados para o negócio, descontados a uma
determinada taxa de atratividade para os investimentos que serão cotejados com outras aplicações
financeiras.

Em se tratando de uma empresa que possui ações no mercado de capitais, a valorização dessas ações
também é de extrema importância para a fundamentação da maximização da riqueza do acionista, bem
como os dividendos proporcionados por essa fração do capital. Neste particular aspecto, a periodicidade
dos recebimentos de dividendos pode ser um interessante apelo para a atração de investidores.
Dentre eles, aqueles que preferem receber dividendos de uma forma regular, independentemente das
flutuações dos lucros. Desta forma, a empresa estará minimizando os efeitos negativos que possam
afetar as cotações das ações.

Além disso, há que se considerar a relação entre risco e retorno do investimento. Sabidamente,
quanto maior o risco, maior a exigência de retorno do investimento por aqueles que irão disponibilizar
os recursos.

1.4 A interação da Administração Financeira com outras áreas do


conhecimento

Feita esta distinção, vejamos de que maneira a função da administração financeira se relaciona
com outras áreas do conhecimento. Esta relação se dá principalmente no âmbito da Economia e da
Contabilidade.

A Administração Financeira se vale dos conceitos compreendidos tanto na macroeconomia


quanto na microeconomia. São dois ramos teóricos da mesma ciência. A microeconomia estuda o
comportamento dos consumidores e, por outro lado, certos aspectos relacionados ao funcionamento
das empresas, no tocante a custos e produção de bens e serviços e, também, receita e fatores produtivos.
As teorias microeconômicas fornecem a base para a operação eficiente da empresa, sobre a qual se
assentam os estudos e conceitos da administração em suas várias funções empresariais. Os conceitos
envolvidos nas relações de oferta e demanda e as estratégias de maximização do lucro são extraídas
da teoria microeconômica. Questões relativas à composição de fatores produtivos, níveis ”ótimos” de
22
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

vendas e estratégias de determinação de preço do produto são todas afetadas por teorias no nível
microeconômico e, por isso, constituem um campo especial de atuação do administrador financeiro.

A macroeconomia compreen­de o estudo dos agregados – a produção ou renda nacional, o consumo, o


emprego, a moeda, o nível de preços, o comércio internacional. Estes são, pois, aspectos amplos e globais
da realidade econômica, abordados de forma “macroscópica”. Esta mudança de enfoque – do micro para
o macro – requer boa dose de abs­tração. Antes, no enfoque “microscópico”, podíamos observar de perto
nossa partici­pação na realidade econômica do país, ganhando e gastando, e economizando sempre que
possível. Agora, ao tratarmos dos agregados, abordando aspectos como o custo de vida em contínua,
imperceptível – até certo ponto – e persistente ascensão, o nível de emprego em volume inferior às
ne­cessidades, nos sentiremos alheios à própria evolução dos fatos, porque, aparentemen­te, as coisas
fogem completamente do nosso controle pessoal.

Vê‑se, portanto, que a dúvida se deslocará de uma visão individualizada para uma visão da econo­mia
como um todo, na mudança de uma abordagem microeconômica para uma abordagem macroeconômica.
Ambos os ramos teóricos são importantes para o administrador financeiro, dadas as implicações sobre
sua atividade e seus objetivos em geral.

Observação

Observe que a microeconomia trata da economia aplicada ao mundo


empresarial tomado como unidade de produção, enquanto a macroeconomia
observa todas as unidades de produção em conjunto.

Saiba mais

Para um maior aprofundamento do que vem a ser microeconomia e


macroeconomia, vale a consulta ao livro de Otto Nogami e Carlos Roberto
Martins Passos, intitulado Princípios de Economia (6. ed. São Paulo: Cengage,
2011). Os autores foram muito felizes na descrição, análise e aplicação de
diversos conceitos da economia para o ambiente organizacional. Temos
certeza de que aprenderá bastante acerca desta ciência.

Em relação à Contabilidade, a Administração Financeira dela se utiliza para uma visão acurada da
posição financeira da organização. O contador, utilizando certos princípios padronizados e geralmente
aceitos, prepara as demonstrações financeiras com base na premissa de que as receitas devem ser
reconhecidas por ocasião das vendas. Por sua vez, as despesas devem ser reconhecidas quando incorridas,
isto é, na sua geração.

Este método é geralmente chamado de regime de competência dos exercícios contábeis. Por este
método, o valor da venda comprovado por uma nota fiscal de venda emitida hoje, que será recebido
23
Unidade I

no mês seguinte, deve ser registrado já neste mês. Por seu turno, uma despesa comprovada por uma
determinada nota fiscal de fornecimento ou prestação de serviço com data de hoje deve ser assumida
hoje, independentemente de ter seu pagamento realizado, por exemplo, daqui a um mês.

Para o administrador financeiro, sua tarefa consiste em proporcionar os fluxos de caixa necessários
para atingir as metas da empresa. Sua preocupação se relaciona à solvência da empresa, ou seja, à
capacidade da empresa de gerar receita e efetuar pagamentos por conta de custos e despesas,
investimentos e outros que tais. Assim, ao invés de reconhecer receitas no ponto de vendas e despesas,
quando incorridas, reconhece receitas e despesas somente com respeito a entradas e saídas de caixa.
São elas que, efetivamente, importam.

Observa‑se, portanto, que, a partir dos registros contábeis, são elaboradas as demonstrações
financeiras, que irão proporcionar ao administrador financeiro uma avaliação, o desenvolvimento de
dados adicionais e posteriores decisões com base em análises subsequentes, com vistas ao equilíbrio entre
as entradas e saídas de recursos e, sobretudo, com vistas à maximização do valor do empreendimento,
conforme já visto.

2 O AMBIENTE OPERACIONAL DO ADMINISTRADOR FINANCEIRO E DA


PRÓPRIA EMPRESA

Qualquer que seja o tipo de empreendimento – empresa industrial, comercial, prestadora de serviços
ou financeira –, a origem do capital – empresa privada ou empresa pública –, bem como seu tamanho
– grande ou pequena –, ou sua finalidade – com ou sem fins lucrativos –, haverá um lugar para um
gestor dos seus Ativos financeiros. São profissionais que se dedicam a uma série de tarefas financeiras
da empresa, voltada para o planejamento financeiro, fluxo de caixa, gestão e concessão de crédito a
clientes, avaliação de projetos de investimento, captação de recursos para financiamento das atividades
da empresa e alocação adequada desses recursos em operações geradoras de caixa.

Observação

Devido à complexidade nas operações das organizações, temos visto


aumentar a importância das tarefas do administrador financeiro e, como
consequência, estes profissionais têm assumido posições privilegiadas no
organograma das empresas.

Outro fato que dá forma e substância ao ambiente operacional do administrador financeiro e


da organização no conjunto das atividades empresariais é a própria globalização das atividades
empresariais. A cada dia, mais e mais negócios são realizados no mundo todo, usufruindo das facilidades
de uma ampla comunicação proporcionada pela internet, com um fabuloso tráfego de dados sob as
mais diversas formas – imagens, texto, planilhas etc. –, proporcionando mais vendas, mais compras, mais
investimentos e, sobretudo, um fluxo maior de recursos financeiros entre as diversas nações empenhadas
no comércio mundial.

24
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Saiba mais

Sobre o assunto globalização, notadamente a financeira, vale a leitura


do livro O Mundo Globalizado, de Alexandre de Freitas Barbosa (São Paulo:
Contexto, 2001). Nesse livro, o autor apresenta diversas características da
globalização financeira, mostrando a importância das finanças empresariais
em ambiente de economia aberta. Temos certeza de que gostará do assunto.

Esses profissionais interagem em um complexo conjunto de instituições financeiras, dotadas de


instrumentos financeiros que possibilitam a transferência de recursos dos ofertadores últimos – aqueles
que se encontram em posição de superávit financeiro, isto é, que dispõem de recursos financeiros e estão
dispostos a cedê‑los sob a forma de empréstimo ou investimento – e os tomadores últimos – aqueles
que demandam recursos financeiros, isto é, que estão em posição de déficit financeiro e, portanto,
buscam esses recursos no mercado.

Entre um e outro, conciliando os interesses entre os tomadores e os aplicadores, surgem os


intermediários financeiros. São componentes vitais do sistema financeiro que, por intermédio de suas
instituições, tem como função a captação de recursos financeiros, a distribuição e circulação de valores
e títulos mobiliários e a regulação deste processo.

As operações no mercado financeiro estão classificadas em quatro grandes grupos:

• mercado cambial, que compreende operações à vista e em curto prazo, transformando moeda
estrangeira em moeda nacional e vice‑versa;

• mercado monetário, compreendendo operações à vista, de curto e de curtíssimo prazo, para


controle da liquidez bancária;

• mercado de crédito, por meio do qual se processam operações de prazos curto, médio e aleatórios,
com financiamentos de capital de giro, capital fixo, habitação, rural e consumo de bens e serviços;

• mercado de valores mobiliários, com operações de prazos curto, médio, longo e indeterminado,
igualmente para financiamentos de capital de giro, capital fixo, underwriting ou subscrição de
ações, ações e debêntures.

Saiba mais

Dois livros são muito importantes para que você possa aprofundar
seus conhecimentos quanto aos mercados de capitais, crédito, cambial e
monetário. O primeiro deles é o livro de Eduardo Fortuna intitulado Mercado
25
Unidade I

Financeiro: Produtos e Serviços (19. ed. São Paulo: Qualitymark, 2013). O


outro é o de Alexandre Assaf Neto, cujo título é Mercado Financeiro (11.
ed. São Paulo: Atlas, 2012). São duas obras consagradas no assunto e você
poderá observar com maior precisão a importância dos quatro grandes
grupos a que o texto anterior se refere.

A regulamentação governamental desses mercados é realizada pelas autoridades monetárias, que são
os órgãos normativos que regulam, controlam e exercem a fiscalização do sistema financeiro nacional
e das instituições de intermediação, disciplinando todas as modalidades e operações de crédito, assim
como a distribuição de valores mobiliários.

Constituem as autoridades monetárias do país o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Banco


Central do Brasil (Bacen), o Tesouro Nacional e a Comissão de Valores Monetários (CVM). As normas
e a disciplina operacional são impostas ao sistema por meio de resoluções, circulares, instruções
e atos declaratórios, emanados direta ou indiretamente das decisões do CMN. Ao CMN e ao BC
compete um conjunto de atribuições, relacionadas à adaptação do volume de meios de pagamento
– que, em sua forma mais simples, conhecida por M1, compreende os depósitos à vista, do público,
nos bancos comerciais, somados ao total do papel‑moeda em poder do público.

Vejamos algumas das principais atribuições dos órgãos que compõem as autoridades monetárias
do país:

• Conselho Monetário Nacional – CMN

É o órgão deliberativo máximo do Sistema Financeiro Nacional. É composto pelo Ministro da Fazenda
(que é o Presidente do CMN), o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, e pelo Presidente do
Banco Central. Entre suas funções destacam‑se:

– adaptar o volume de meios de pagamento às reais necessidades da economia;

– regular o valor interno e externo da moeda e o equilíbrio do balanço de pagamentos, que


consiste no registro sistemático das operações comerciais e financeiras entre residentes e não
residentes do país;

– orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras;

– propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros;

– zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras;

– coordenar as políticas monetária, creditícia, orçamentária e da dívida pública interna e externa.

26
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

• Tesouro Nacional

Consubstanciado na Secretaria do Tesouro Nacional (STN), consiste no caixa do governo, pois capta
recursos no mercado, via emissão primária – pela primeira vez em circulação – de títulos – Letras
Financeiras do Tesouro (LFT), Notas do Tesouro Nacional (NTN), Letras do Tesouro Nacional (LTN) –, para
financiamento da dívida interna do governo, por intermédio do Bacen. A STN é o órgão central do
Sistema de Administração Financeira Federal e do Sistema de Contabilidade Federal, responsável pela
administração e controle da dívida pública federal, tanto interna como externa.

• Banco Central do Brasil (Bacen)

É uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, criada em fins de 1964, juntamente com o
Conselho Monetário Nacional. É o principal executor das orientações deste conselho e responsável por
garantir o poder de compra da moeda nacional, ou seja, pelo controle da inflação. Dentre seus objetivos,
destacam‑se:

– zelar pela adequada liquidez da economia;

– manter as reservas internacionais em nível adequado;

– estimular a formação de poupança;

– zelar pela estabilidade e promoção do aperfeiçoamento do sistema financeiro.

Para o cumprimento de suas obrigações, compete ao Bacen:

– a emissão de papel‑moeda e moeda metálica;

– executar os serviços do meio circulante;

– receber recolhimentos compulsórios e voluntários das instituições financeiras e bancárias;

– realizar operações de redesconto e empréstimo às instituições financeiras;

– regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis;

– efetuar operações de compra e venda de títulos públicos federais;

– executar o controle de crédito;

– exercer a fiscalização das instituições financeiras;

– autorizar o funcionamento das instituições financeiras;

27
Unidade I

– estabelecer as condições para o exercício de quaisquer cargos de direção nas instituições financeiras;

– vigiar a interferência de outras empresas nos mercados financeiros e de capitais e controlar o


fluxo de capitais estrangeiros no país.

Em 1996, instituiu‑se o Comitê de Política Monetária (Copom), com o objetivo de estabelecer as


diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros básica da economia e seu viés, ou seja, a
tendência de alta, baixa ou sua manutenção para um período próximo. Este Comitê é composto pelos
membros da Diretoria Colegiada do BC, a saber, o Presidente, o Diretor de Política Monetária, o Diretor
de Política Econômica, o Diretor de Estudos Especiais, o Diretor de Assuntos Internacionais, o Diretor
de Normas e Organização do Sistema Financeiro, o Diretor de Fiscalização, o Diretor de Liquidação e
Desestatização e o Diretor de Administração. Cabe ao Presidente o voto decisório, em caso de empate
na decisão de política monetária.

A taxa Selic, que se constitui no instrumento primário de política monetária, é a taxa de


juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil (conhecido
por overnight) lastreados por títulos públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação e
Custódia (Selic).

Observação

O Copom estabelece a meta para a taxa Selic, e é função da mesa de


operações do mercado aberto do Bacen manter a taxa Selic diária próxima
à meta.

Dada a sua importância na economia, pois constitui um balizador para as taxas de juros praticadas
em todo o mercado financeiro, a Selic é reconhecida como a “taxa básica de juros da economia” e “custo
primário do dinheiro”.

Saiba mais

Você pode acessar o site do Banco Central do Brasil para obter mais
informações acerca deste órgão, bem como do Conselho Monetário
Nacional. O site do Banco Central oferece enorme quantidade de
informações sobre o sistema de metas para inflação, economia e finanças,
câmbio e capitais internacionais, sistema de pagamento brasileiro, sistema
financeiro nacional, além de informações sobre intervenções, liquidações e
privatizações. O endereço eletrônico é <http://www.bcb.gov.br>. Há muita
coisa interessante.

28
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

• Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

Trata‑se de entidade autárquica em regime especial, vinculada ao Ministério da Fazenda, com


personalidade jurídica e patrimônio próprios, dotada de autoridade administrativa independente,
ausência de subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes, e autonomia
financeira e orçamentária. Foi criada para disciplinar o funcionamento do mercado de valores
mobiliários e a atuação de seus protagonistas – as companhias abertas, os intermediários financeiros e
os investidores. Compete à CVM:

– assegurar o funcionamento eficiente e regular dos mercados de bolsa – bolsa de valores e bolsa
de futuros – e de balcão;

– proteger os titulares de valores mobiliários contra emissões irregulares e atos ilegais de


administradores e acionistas controladores de companhias ou de administradores de carteira
de valores mobiliários;

– evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar condições artificiais


de demanda, oferta ou preço de valores mobiliários negociados no mercado;

– assegurar a observância de práticas comerciais equitativas no mercado de valores mobiliários;

– estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários;

– promover a expansão e o funcionamento eficiente e regular dos mercados de ações


e de futuros e estimular as aplicações permanentes em ações do capital social das
companhias abertas.

Para o cumprimento de suas funções, cabe à CVM disciplinar as seguintes matérias, dentre outras:

– registro de companhias abertas;

– registro de distribuições de valores mobiliários;

– credenciamento de auditores independentes e administradores de carteiras de valores


mobiliários;

– organização, funcionamento e operações das bolsas de valores;

– organização, funcionamento e operações das bolsas de mercadorias e de futuros;

– negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários;

– administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários;

29
Unidade I

– suspensão ou cancelamento de registros, credenciamentos ou autorizações;

– suspensão de emissão, distribuição ou negociação de determinado valor mobiliário ou decretar


recesso de bolsa de valores.

Saiba mais

Vale uma visita ao site da Comissão de Valores Mobiliários: <http://


www.cvm.gov.br/>. Ali, você encontrará excelentes informações para
seu aprendizado nesta área. Pode ser que esteja trabalhando em alguma
empresa de capital aberto e seria interessante ter maior contato com o
assunto. Se não estiver trabalhando em empresa de capital aberto, vale o
conhecimento da mesma forma. Temos que pensar no futuro.

Estendendo a compreensão destas informações, verifica‑se que as instituições financeiras captadoras


de depósitos à vista compreendem os bancos comerciais e múltiplos com carteira comercial, a Caixa
Econômica Federal e as cooperativas de crédito. Por demais instituições financeiras entendem‑se:

• os bancos múltiplos sem carteira comercial;

• os bancos de investimento;

• os bancos de desenvolvimento;

• as sociedades de crédito, financiamento e investimento;

• as sociedades de crédito imobiliário;

• as agências de fomento;

• a Associação de Poupança e Empréstimo;

• as companhias hipotecárias;

• as cooperativas centrais de crédito.

Os outros intermediários financeiros e administradores de recursos de terceiros compreendem:

• as sociedades corretoras de valores mobiliários;

• as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários;

30
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

• as sociedades de arrendamento mercantil;

• as sociedades corretoras de câmbio e;

• os administradores de consórcio.

Estendendo nosso reconhecimento do ambiente operacional das empresas tomadoras e aplicadoras


de recursos financeiros, reproduzimos, a seguir, a conceituação expressa no site do Banco Central do
Brasil1, sobre os agentes operadores do Sistema Financeiro Nacional:

2.1 Agentes operadores do Sistema Financeiro Nacional

Bancos múltiplos

Os bancos múltiplos são instituições financeiras privadas ou públicas que realizam as operações
ativas, passivas e acessórias das diversas instituições financeiras, por intermédio das seguintes carteiras:
comercial, de investimento e/ou de desenvolvimento, de crédito imobiliário, de arrendamento mercantil
e de crédito, financiamento e investimento.

Lembrete

Essas operações estão sujeitas às mesmas normas legais e


regulamentares aplicáveis às instituições singulares correspondentes às
suas carteiras. A carteira de desenvolvimento somente poderá ser operada
por banco público.

O banco múltiplo deve ser constituído com, no mínimo, duas carteiras, sendo uma delas,
obrigatoriamente, comercial ou de investimento, e ser organizado sob a forma de sociedade anônima.
As instituições com carteira comercial podem captar depósitos à vista. Na sua denominação social deve
constar a expressão “Banco” (Resolução CMN nº 2.099, de 1994).

Bancos comerciais

Os bancos comerciais são instituições financeiras privadas ou públicas que têm como objetivo
principal proporcionar suprimento de recursos necessários para financiar, em curto e médio
prazos, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de serviços, as pessoas físicas e terceiros
em geral. A captação de depósitos à vista, livremente movimentáveis, é atividade típica do banco
comercial, o qual pode também captar depósitos a prazo. Deve ser constituído sob a forma de
sociedade anônima e na sua denominação social deve constar a expressão “Banco” (Resolução
CMN nº 2.099, de 1994).

1 Adaptado de textos do site do Bacen: <http://www.bcb.gov.br/?SFNCOMP>. Acesso em: 6 nov. 2013.


31
Unidade I

Caixa Econômica Federal

A Caixa Econômica Federal, criada em 1861, está regulada pelo Decreto‑Lei nº 759, de 12 de agosto
de 1969, como empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda. Trata‑se de instituição assemelhada
aos bancos comerciais, podendo captar depósitos à vista, realizar operações ativas e efetuar prestação
de serviços.

Uma característica distintiva da Caixa é que ela prioriza a concessão de empréstimos e financiamentos
a programas e projetos nas áreas de assistência social, saúde, educação, trabalho, transportes urbanos
e esporte. Pode operar com crédito direto ao consumidor, financiando bens de consumo duráveis,
emprestar sob garantia de penhor industrial e caução de títulos, tem o monopólio do empréstimo sob
penhor de bens pessoais e sob consignação e tem o monopólio da venda de bilhetes de loteria federal.
Além de centralizar o recolhimento e posterior aplicação de todos os recursos oriundos do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), integra o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e o
Sistema Financeiro da Habitação (SFH).

Cooperativas de créditos

As cooperativas de crédito observam, além da legislação e normas do sistema financeiro, a Lei nº


5.764, de 16 de dezembro de 1971, que define a política nacional de cooperativismo e institui o regime
jurídico das sociedades cooperativas. Atuando tanto no setor rural quanto no urbano, as cooperativas
de crédito podem se originar da associação de funcionários de uma mesma empresa ou grupo de
empresas, de profissionais de determinado segmento, de empresários, ou mesmo adotar a livre admissão
de associados em uma área determinada de atuação, sob certas condições.

Observação

Os eventuais lucros auferidos com suas operações – prestação de


serviços e oferecimento de crédito aos cooperados – são repartidos entre
os associados.

As cooperativas de crédito devem adotar, obrigatoriamente, em sua denominação social, a expressão


“Cooperativa”, vedada a utilização da palavra “Banco”. Devem possuir o número mínimo de vinte
cooperados e adequar sua área de ação às possibilidades de reunião, controle, operações e prestações
de serviços. Estão autorizadas a realizar operações de captação por meio de depósitos à vista e a prazo
somente de associados, de empréstimos, repasses e refinanciamentos de outras entidades financeiras, e de
doações. Podem conceder crédito, somente a associados, por meio de desconto de títulos, empréstimos,
financiamentos, e realizar aplicação de recursos no mercado financeiro (Resolução CMN nº 3.106, de 2003).

Agências de fomento

As agências de fomento têm como objeto social a concessão de financiamento de capital fixo e de
giro associado a projetos nas unidades da Federação onde tenham sede. Devem ser constituídas sob a
32
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

forma de sociedade anônima de capital fechado e estar sob o controle de unidade da Federação, sendo
que cada unidade só pode constituir uma agência. Tais entidades têm status de instituição financeira,
mas não podem captar recursos junto ao público, recorrer ao redesconto, ter conta de reserva no Banco
Central, contratar depósitos interfinanceiros na qualidade de depositante ou de depositária e nem ter
participação societária em outras instituições financeiras.

De sua denominação social deve constar a expressão “Agência de Fomento” acrescida da indicação
da unidade da Federação Controladora. É vedada a sua transformação em qualquer outro tipo de
instituição integrante do Sistema Financeiro Nacional. As agências de fomento devem constituir e manter,
permanentemente, fundo de liquidez equivalente, no mínimo, a 10% do valor de suas obrigações, a ser
integralmente aplicado em títulos públicos federais (Resolução CMN nº 2.828, de 2001).

Associações de poupança e empréstimo

As associações de poupança e empréstimo são constituídas sob a forma de sociedade civil, sendo
de propriedade comum de seus associados. Suas operações ativas são, basicamente, direcionadas ao
mercado imobiliário e ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH). As operações passivas são constituídas de
emissão de letras e cédulas hipotecárias, depósitos de cadernetas de poupança, depósitos interfinanceiros
e empréstimos externos. Os depositantes dessas entidades são considerados acionistas da associação e, por
isso, não recebem rendimentos, mas dividendos. Os recursos dos depositantes são, assim, classificados no
Patrimônio Líquido da associação e não no Passivo exigível (Resolução CMN nº 52, de 1967).

Bancos de desenvolvimento

Os bancos de desenvolvimento são instituições financeiras controladas pelos governos estaduais,


e têm como objetivo precípuo proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos
necessários ao financiamento, em médio e longo prazos, de programas e projetos que visem promover o
desenvolvimento econômico e social do respectivo estado. As operações passivas são depósitos a prazo,
empréstimos externos, emissão ou endosso de cédulas hipotecárias, emissão de cédulas pignoratícias
de debêntures e de títulos de desenvolvimento econômico. As operações ativas são empréstimos e
financiamentos, dirigidos prioritariamente ao setor privado. Devem ser constituídos sob a forma de
sociedade anônima, com sede na capital do estado que detiver seu controle acionário, devendo adotar,
obrigatória e privativamente, em sua denominação social, a expressão “Banco de Desenvolvimento”,
seguida do nome do estado em que tenha sede (Resolução CMN nº 394, de 1976).

Bancos de investimento

Os bancos de investimento são instituições financeiras privadas especializadas em operações


de participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva
para suprimento de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros. Devem ser
constituídos sob a forma de sociedade anônima e adotar, obrigatoriamente, em sua denominação
social, a expressão “Banco de Investimento”. Não possuem contas correntes e captam recursos via
depósitos a prazo, repasses de recursos externos, internos e venda de cotas de fundos de investimento
por eles administrados. As principais operações ativas são financiamento de capital de giro e capital
33
Unidade I

fixo, subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários, depósitos interfinanceiros e repasses de


empréstimos externos (Resolução CMN nº 2.624, de 1999).

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), criado em 1952 como autarquia
federal, foi enquadrado como uma empresa pública federal, com personalidade jurídica de direito privado
e patrimônio próprio, pela Lei nº 5.662, de 21 de junho de 1971.

O BNDES é um órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e


tem como objetivo apoiar empreendimentos que contribuam para o desenvolvimento do país. Suas linhas
de apoio contemplam financiamentos de longo prazo e custos competitivos, para o desenvolvimento de
projetos de investimentos e para a comercialização de máquinas e equipamentos novos fabricados no
país, bem como para o incremento das exportações brasileiras. Contribui, também, para o fortalecimento
da estrutura de capital das empresas privadas e desenvolvimento do mercado de capitais.

A BNDESPAR, subsidiária integral, investe em empresas nacionais por meio da subscrição de ações e
debêntures conversíveis. O BNDES considera ser de fundamental importância, na execução de sua política
de apoio, a observância de princípios ético‑ambientais e assume o compromisso com os princípios
do desenvolvimento sustentável. As linhas de apoio financeiro e os programas do BNDES atendem às
necessidades de investimentos das empresas de qualquer porte e setor, estabelecidas no país. A parceria
com instituições financeiras, com agências estabelecidas em todo o país, permite a disseminação do
crédito, possibilitando um maior acesso aos recursos do BNDES.

Companhias hipotecárias

As companhias hipotecárias são instituições financeiras constituídas sob a forma de sociedade


anônima, que têm por objeto social conceder financiamentos destinados à produção, reforma ou
comercialização de imóveis residenciais ou comerciais aos quais não se aplicam as normas do Sistema
Financeiro da Habitação (SFH). Suas principais operações passivas são: letras hipotecárias, debêntures,
empréstimos e financiamentos no país e no exterior. Suas principais operações ativas são: financiamentos
imobiliários residenciais ou comerciais, aquisição de créditos hipotecários, refinanciamentos de créditos
hipotecários e repasses de recursos para financiamentos imobiliários. Tais entidades têm como operações
especiais a administração de créditos hipotecários de terceiros e de fundos de investimento imobiliário
(Resolução CMN nº 2.122, de 1994).

Cooperativas centrais de crédito

As cooperativas centrais de crédito, formadas por cooperativas singulares, organizam em maior


escala as estruturas de administração e suporte de interesse comum das cooperativas singulares
filiadas, exercendo sobre elas, entre outras funções, supervisão de funcionamento, capacitação de
administradores, gerentes e associados, e auditoria de demonstrações financeiras (Resolução CMN
nº 3.106, de 2003).

34
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Sociedades de créditos, financiamento e investimento

As sociedades de crédito, financiamento e investimento, também conhecidas por financeiras,


foram instituídas pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 309, de 30 de novembro de 1959. São
instituições financeiras privadas que têm como objetivo básico a realização de financiamento para
a aquisição de bens, serviços e capital de giro. Devem ser constituídas sob a forma de sociedade
anônima e na sua denominação social deve constar a expressão “Crédito, Financiamento e
Investimento”. Tais entidades captam recursos por meio de aceite e colocação de Letras de Câmbio
(Resolução CMN nº 45, de 1966).

Sociedades de crédito imobiliário

As sociedades de crédito imobiliário são instituições financeiras criadas pela Lei nº 4.380, de 21
de agosto de 1964, para atuar no financiamento habitacional. Constituem operações passivas
dessas instituições os depósitos de poupança, a emissão de letras e cédulas hipotecárias e depósitos
interfinanceiros. Suas operações ativas são: financiamento para construção de habitações, abertura
de crédito para compra ou construção de casa própria, financiamento de capital de giro a empresas
incorporadoras, produtoras e distribuidoras de material de construção. Devem ser constituídas sob a
forma de sociedade anônima, adotando obrigatoriamente em sua denominação social a expressão
“Crédito Imobiliário” (Resolução CMN nº 2.735, de 2000).

Sociedades de crédito ao microempreendedor

As sociedades de crédito ao microempreendedor, criadas pela Lei nº 10.194, de 14 de fevereiro de


2001, são entidades que têm por objeto social exclusivo a concessão de financiamentos e a prestação
de garantias a pessoas físicas, bem como a pessoas jurídicas classificadas como microempresas, com
vistas a viabilizar empreendimentos de natureza profissional, comercial ou industrial de pequeno porte.
São impedidas de captar, sob qualquer forma, recursos junto ao público, ou emitir títulos e valores
mobiliários destinados à colocação e oferta públicas. Devem ser constituídas sob a forma de companhia
fechada ou de sociedade por quotas de responsabilidade limitada, adotando obrigatoriamente em sua
denominação social a expressão “Sociedade de Crédito ao Microempreendedor”, vedada a utilização da
palavra “Banco” (Resolução CMN nº 2.874, de 2001).

Administradoras de consórcio

As administradoras de consórcio são pessoas jurídicas prestadoras de serviços relativos à formação,


organização e administração de grupos de consórcio, cujas operações estão estabelecidas na Lei nº
5.768, de 20 de dezembro de 1971. Ao Banco Central do Brasil (Bacen), por força do disposto no art. 33
da Lei nº 8.177, de 1º de março de 1991, cabe autorizar a constituição de grupos de consórcio, a pedido
de administradoras previamente constituídas sem interferência expressa da referida autarquia, mas
que atendam a requisitos estabelecidos, particularmente quanto à capacidade financeira, econômica
e gerencial da empresa. Também cumpre ao Bacen fiscalizar as operações da espécie e aplicar as
penalidades cabíveis. Ademais, com base no art. 10 da Lei nº 5.768, o Bacen pode intervir nas empresas
de consórcio e decretar sua liquidação extrajudicial. O grupo é uma sociedade de fato, constituída na
35
Unidade I

data da realização da primeira assembleia geral ordinária por consorciados reunidos pela administradora,
que coletam poupança com vistas à aquisição de bens, conjunto de bens ou serviço turístico, por meio
de autofinanciamento (Circular BCB nº 2.766, de 1997).

Sociedades de arrendamento mercantil

As sociedades de arrendamento mercantil são constituídas sob a forma de sociedade anônima, devendo
constar obrigatoriamente na sua denominação social a expressão “Arrendamento Mercantil”. As operações
passivas dessas sociedades são emissão de debêntures, dívida externa, empréstimos e financiamentos de
instituições financeiras. Suas operações ativas são constituídas por títulos da dívida pública, cessão de
direitos creditórios e, principalmente, por operações de arrendamento mercantil de bens móveis, de produção
nacional ou estrangeira, e bens imóveis adquiridos pela entidade arrendadora para fins de uso próprio do
arrendatário. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN nº 2.309, de 1996).

Sociedade corretoras de câmbio

As sociedades corretoras de câmbio são constituídas sob a forma de sociedade anônima ou por
quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social a expressão “Corretora
de Câmbio”. Têm por objeto social exclusivo a intermediação em operações de câmbio e a prática de
operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes. São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil
(Resolução CMN nº 1.770, de 1990).

Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários

As sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de sociedade
anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. Dentre seus objetivos estão:

• operar em bolsas de valores;

• subscrever emissões de títulos e valores mobiliários no mercado;

• comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros;

• encarregar‑se da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores mobiliários;

• exercer funções de agente fiduciário;

• instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento;

• emitir certificados de depósito de ações e cédulas pignoratícias de debêntures;

• intermediar operações de câmbio;

• praticar operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes;


36
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

• praticar operações de conta margem;

• realizar operações compromissadas;

• praticar operações de compra e venda de metais preciosos, no mercado físico, por conta própria e
de terceiros;

• operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros.

São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN nº 1.655, de 1989). Os fundos de
investimento, administrados por corretoras ou outros intermediários financeiros, são constituídos sob
forma de condomínio e representam a reunião de recursos para a aplicação em carteira diversificada de
títulos e valores mobiliários, com o objetivo de propiciar aos condôminos valorização de quotas, a um
custo global mais baixo. A normatização, concessão de autorização, registro e a supervisão dos fundos
de investimento são de competência da Comissão de Valores Mobiliários.

Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários

As sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma de sociedade
anônima ou por quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua denominação social a
expressão “Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários”. Algumas de suas atividades:

• intermedeiam a oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado;

• administram e custodiam as carteiras de títulos e valores mobiliários;

• instituem, organizam e administram fundos e clubes de investimento;

• operam no mercado acionário, comprando, vendendo e distribuindo títulos e valores mobiliários,


inclusive ouro financeiro, por conta de terceiros;

• fazem a intermediação com as bolsas de valores e de mercadorias;

• efetuam lançamentos públicos de ações;

• operam no mercado aberto e intermedeiam operações de câmbio.

São supervisionadas pelo Banco Central do Brasil (Resolução CMN nº 1.120, de 1986).

Bolsas de mercadorias e futuros

As bolsas de mercadorias e futuros são associações privadas civis, sem finalidade lucrativa, com
objetivo de efetuar o registro, a compensação e a liquidação, física e financeira, das operações realizadas
em pregão ou em sistema eletrônico. Para tanto, devem desenvolver, organizar e operacionalizar um
37
Unidade I

mercado de derivativos livre e transparente, que proporcione aos agentes econômicos a oportunidade
de efetuarem operações de hedging (proteção) ante flutuações de preço de commodities agropecuárias,
índices, taxas de juro, moedas e metais, bem como de todo e qualquer instrumento ou variável
macroeconômica cuja incerteza de preço no futuro possa influenciar negativamente suas atividades.
Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa e são fiscalizadas pela Comissão de Valores
Mobiliários.

Bolsas de valores

As bolsas de valores são associações privadas civis, sem finalidade lucrativa, com objetivo de
manter local adequado ao encontro de seus membros e à realização, entre eles, de transações de
compra e venda de títulos e valores mobiliários pertencentes a pessoas jurídicas públicas e privadas,
em mercado livre e aberto, especialmente organizado e fiscalizado por seus membros e pela Comissão
de Valores Mobiliários. Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa (Resolução CMN
nº 2.690, de 2000).

Sociedades seguradoras

São entidades, constituídas sob a forma de sociedades anônimas, especializadas em pactuar contrato,
por meio do qual assumem a obrigação de pagar ao contratante (segurado), ou a quem este designar,
uma indenização, no caso em que advenha o risco indicado e temido, recebendo, para isso, o prêmio
estabelecido.

Sociedades de capitalização

São entidades, constituídas sob a forma de sociedades anônimas, que negociam contratos (títulos
de capitalização) que têm por objeto o depósito periódico de prestações pecuniárias pelo contratante,
o qual terá, depois de cumprido o prazo contratado, o direito de resgatar parte dos valores depositados
corrigidos por uma taxa de juros estabelecida contratualmente; conferindo, ainda, quando previsto, o
direito de concorrer a sorteios de prêmios em dinheiro.

Entidades abertas de previdência complementar

São entidades constituídas unicamente sob a forma de sociedades anônimas e têm por objetivo
instituir e operar planos de benefícios de caráter previdenciário concedidos em forma de renda
continuada ou pagamento único, acessíveis a quaisquer pessoas físicas. São regidas pelo Decreto‑Lei nº
73, de 21 de novembro de 1966, e pela Lei Complementar nº 109, de 29 de maio de 2001. As funções
do órgão regulador e do órgão fiscalizador são exercidas pelo Ministério da Fazenda, por intermédio
do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP).

Entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão)

As entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão) são organizadas sob


a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins lucrativos e são acessíveis, exclusivamente, aos
38
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

empregados de uma empresa ou grupo de empresas ou aos servidores da União, dos estados, do
Distrito Federal e dos municípios, entes denominados patrocinadores ou aos associados ou membros
de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial, denominadas instituidores. As
entidades de previdência fechada devem seguir as diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário
Nacional, por meio da Resolução nº 3.121, de 25 de setembro de 2003, no que tange à aplicação
dos recursos dos planos de benefícios. Também são regidas pela Lei Complementar nº 109, de 29
de maio de 2001.

No desenvolvimento deste livro‑texto, serão analisadas as decisões sobre financiamento em


curto prazo. Serão examinadas, portanto, as condições para uma apropriada administração das
contas que configuram o Ativo Circulante – ou o Capital Circulante – das organizações e sua
interação com o Passivo Circulante. Desta maneira, serão abordadas a administração do caixa,
do disponível, das duplicatas a receber, dos estoques e, ao final, a constatação da necessidade de
capital de giro da empresa.

3 DECISÕES DE FINANCIAMENTO EM CURTO PRAZO

Nossa experiência, após centenas de demonstrações financeiras examinadas, sinaliza que as empresas
entram num cenário de dificuldades financeiras basicamente por meio de duas consequências: má
formação do capital social inicial ou busca de empréstimos bancários para sanar esta má formação,
redundando em excesso de despesas financeiras e baixa lucratividade.

Quando uma empresa inicia suas atividades, em seu Balanço Patrimonial há a entrada de dois tipos
de investimentos: um deles cobre o investimento fixo devido aquisição de máquinas, equipamentos
e demais itens que comporão o Ativo imobilizado. O outro compõe os saldos em caixa ou mesmo em
bancos para gastos rotineiros ou emergenciais e apresentam liquidez imediata ou de curtíssimo prazo.
Estoques também fazem parte desse componente, bem como contas a receber. A esta outra parte do
investimento inicial, as reservas de recursos, dá‑se o nome de capital de giro.

Pelas palavras de Hoji (2012, p. 107),

O capital de giro é conhecido também como capital circulante e corresponde


aos recursos aplicados em Ativos Circulantes, que se transformam
constantemente dentro do ciclo operacional. [...]. Como o próprio nome
dá a entender, o capital de giro fica girando dentro da empresa e, a cada
vez que sofre transformação em seu estado patrimonial, produz reflexo
na contabilidade. [...]. O estudo do capital de giro é fundamental para a
Administração Financeira, porque a empresa precisa recuperar todos
os custos e despesas (inclusive financeiras) incorridos durante o ciclo
operacional e obter o lucro desejado, por meio da venda do produto ou
prestação do serviço.

Mais adiante voltaremos ao assunto administração de capital de giro. Por enquanto, vamos ilustrar
dois exemplos típicos de formação de capital com valores hipotéticos.
39
Unidade I

Empresa com má formação do capital social inicial

Iniciaremos com a consideração de uma empresa em que a formação de capital não é das melhores:

• Empresa com má formação do capital social inicial

Quadro 1

Ativo Passivo

Disponível 1.000,00
Imobilizado 2.000,00 Capital social 3.000,00

Total
3.000,00
Total 3.000,00

Neste caso, os acionistas ou sócios dimensionaram sua participação em $3.000,00 no capital


social. Tal dimensionamento demonstrou ser, a princípio, provavelmente insuficiente, uma vez que dos
$3.000,00 um percentual de 66,6% ou $2.000,00 foram aplicados na aquisição de imobilizado, sendo
certo que esta participação é altíssima e poderá levar a empresa a uma busca de empréstimos bancários,
se os restantes $1.000,00 não forem suficientes para o giro da empresa.

Observação

Observe que mais da metade do capital social foi imobilizado,


representando baixa liquidez imediata.

O erro de má formação de capital inicial da empresa, em termos financeiros, poderá ser constatado
ao calcularmos a necessidade de capital de giro. O capital de giro da empresa é a parte das fontes de
longo prazo, representadas pelo Passivo Não Circulante não comprometidas com o financiamento das
aplicações de longo prazo, e que estão no Ativo Não Circulante. De outra forma,

CDG = PNC – ANC

onde,

CDG = capital de giro;

PNC = Passivo não circulante;

ANC = Ativo não circulante.

40
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Para o caso do exemplo hipotético, se este cálculo indicar o valor, digamos de $800, isso significa
que a empresa deverá tomar um empréstimo bancário em idêntico valor. Se não for assim, não terá
como financiar o giro dos estoques e das vendas a prazo.

Tomando‑se o mesmo exemplo, e em continuidade, a empresa toma os $800 como empréstimo


bancário para satisfazer seu giro, e daí resultará o seguinte Balanço Patrimonial, também com dados
hipotéticos sendo o disponível dividido em duas contas: disponível e estoques.

• Empresa buscando empréstimos bancários

Quadro 2

Ativo Passivo

Disponível 400,00 Empréstimos bancários 800,00


Duplicatas a receber 800,00
Estoques 600,00
Imobilizado 2.000,00 Capital social 3.000,00

Total 3.800,00 Total 3.800,00

Após a tomada do empréstimo, vê‑se que a composição do Balanço Patrimonial sofre alguma alteração:
no lado do Passivo temos o aumento de 800,00 representados pelos empréstimos tomados e que deverão
ser pagos no curto prazo, pois está no Passivo Circulante. O lado do Ativo também evoluiu em termos
monetários, permanecendo o mesmo valor para o imobilizado (investimento inicial). É possível perceber
que, ainda no Ativo, os 1.000,00 iniciais também lá estão, só que agora desmembrados em disponível,
supostamente caixa e bancos e estoques. O acréscimo dos 800,00 está em duplicatas a receber.

Lembrete

Lembre‑se do que foi afirmado anteriormente: o capital de giro fica


girando dentro da empresa e, a cada vez que sofre transformação em seu
estado patrimonial, produz reflexo na contabilidade.

Com esta alternativa, a empresa inicia um ciclo de decisões que poderá ser correto e adequado, ou
então, vicioso, chegando até a provocar o encerramento de suas atividades. Isto porque os acionistas
cobrarão um retorno sobre o capital social de $3.000,00 e os bancos financiadores cobrarão despesas
financeiras sobre o valor de $800,00.

Assim, os gestores da empresa terão duas obrigações, simultaneamente: por um lado, atender aos acionistas
e, por outro, atender aos bancos. Se os concorrentes não têm esta obrigação, certamente trabalharão com
preços menores porque não terão as mesmas despesas financeiras, e, com isso, suas vendas serão mais estáveis
e muito provavelmente com menores sacrifícios de preço e, portanto, melhores margens.
41
Unidade I

Portanto, tratamos aqui de um das fontes de capital de giro e para Hoji (2012, p. 110),

Algumas fontes são geradas pelas próprias operações, tais como duplicatas a
pagar aos fornecedores, impostos a recolher, salários e encargos sociais a pagar.
Outras são provenientes de atividades financeiras, como os financiamentos e
empréstimos bancários. As principais fontes de financiamento são onerosas,
pois geram encargos financeiros, tais como empréstimos e financiamentos
bancários e parcelamento de impostos vencidos. As duplicatas a pagar
aos fornecedores de materiais e serviços, se forem financiadas, embutem
encargos financeiros, de uma forma ou de outra. [...]. Existem fontes de
financiamento não onerosas geradas naturalmente pelas operações normais
da empresa. As principais são: salários a pagar, encargos sociais a recolher,
impostos a recolher e provisões para férias e 13º salários.

Essas decisões são as que norteiam esta parte do livro‑texto, cujo objetivo principal será o de trazer
exemplos de controles que as facilitem e que permitam evitar as já conhecidas “cirandas financeiras”,
que têm levado à bancarrota milhares de bons empreendimentos.

3.1 Planejamento de caixa

Planejar o caixa consiste em estabelecermos, com antecedência, as decisões financeiras que serão
tomadas em circunstâncias e condições previamente estabelecidas, com a propriedade de previsão dos
recursos que serão utilizados para que os objetivos traçados possam ser atingidos.

Lembrete

Quando se fala de “caixa”, a abrangência é para todo o disponível, ou


seja, para todo recurso em dinheiro que circula pelo Ativo das empresas.

Na realidade, o Ativo Circulante é um “grande caixa” que, partindo do dinheiro propriamente


dito, se “desmancha” por utilização em outras contas que compõem o Ativo como um todo, desde
o Circulante (estoques, duplicatas a receber) ao Ativo fixo (imobilizações), retornando a ser “caixa” e
assim sucessivamente.

Observação

Deve‑se levar em consideração que nem sempre a opção pela manutenção


de elevados saldos em caixa seja a melhor alternativa do gestor financeiro. A
escolha deve levar em consideração as características da empresa.

É notória a percepção e o objetivo dos empreendedores em geral em manter o maior volume de


recursos no caixa, no saldo bancário, mas isso nem sempre é possível pela própria circulação e giro que
42
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

a empresa tem, e o gestor não consegue manipular de acordo com sua conveniência. Afinal, a empresa
tem sua dinâmica e o caixa é, em particular, o representante desse dinamismo e dessa circulação diária
de recursos.

Um planejamento de caixa comporta três tipos específicos:

• o planejamento estratégico de caixa, que é de longo prazo, antecipado aos fatores externos e
internos à empresa, sinalizando quase sempre decisões complexas e que envolvem grande volume
de recursos;

• o planejamento tático de caixa, que tem um alcance mais curto em termos de prazo, envolvendo
o resultado particular de alguma área, como a de marketing, por exemplo;

• o planejamento operacional de caixa, que tem a finalidade de maximizar os recursos aplicados


em operações de determinado período, geralmente de curto e médio prazos.

Qual, então, a essência de um planejamento de caixa? Trata‑se, a nosso ver, de uma ação estratégica,
razão de ser de um sistema orçamentário. Todos os orçamentos são elaborados – orçamento de
pessoal, orçamento de despesas, orçamento de investimentos, orçamento de vendas e custos – e
culminam no orçamento do caixa, que dá o tratamento final às possibilidades financeiras objetivadas
nestes orçamentos.

Sobre o assunto, Hoji (2012) salienta que o gestor financeiro deve ter uma visão integrada
do fluxo de caixa. Para ele, quando a área que chama de tesouraria efetua pagamentos e/ou
recebimentos, pouca coisa há a fazer: os fatos geradores não estão sob seu controle. As decisões
foram tomadas anteriormente. Se há um pagamento a fazer, é porque alguma despesa/compra
foi gerada. Se há recebimento, houve venda. Trabalha, muitas das vezes, no presente com fatos
geradores do passado. Assim, ao gestor financeiro – ou qualquer outro nome que ocupe o cargo
da administração das finanças – cabe interagir preventivamente junto a áreas geradoras de
recebimentos e de pagamentos.

Muitas vezes as empresas adotam estratégias diante da tomada de decisão. Podemos dizer que, vez
ou outra, as empresas adotam política de caixa. Política, de modo geral, é um modo de ação que norteia
a direção e o sentido para um processo de tomada de decisões que podem se repetir continuamente, ou
que ocorram para atingirmos um objetivo.

Como exemplo de uma política financeira tem‑se o caso de uma empresa que adota uma política
de preços do tipo “cobrimos qualquer oferta” para crescer seu faturamento e, com isso, alcançar
um acréscimo de 20% em suas vendas anuais. Visando atingir tal objetivo, a empresa autoriza a
concessão de descontos de até 10% em seus preços de venda, independentemente de autorização
superior, bastando que os clientes apresentem os preços anunciados pelos concorrentes. Tal política
pode ser adotada quando o que interessa para a empresa, naquele momento, seja um reforço de caixa
lançando mão de lucratividade.

43
Unidade I

Vários são os motivos que levam as empresas a tomar tal atitude: possibilidade de entrada de
um produto substituto ao seu ou mesmo entrada de novo concorrente; estoque elevado de produtos
acabados e assim por diante.

Saiba mais

Do ponto de vista de tomada de decisão estratégica com relação a


preços, a leitura do livro de Thomas Nagli e John Hogan, Estratégia e Táticas
de Preços: um Guia para Crescer com Lucratividade (4. ed. São Paulo:
Prentice Hall Brasil, 2007), apresenta‑se bastante interessante.

Não é propósito, neste livro, estabelecermos um modelo de planejamento de caixa, à margem dos
demais orçamentos. Procuraremos, nesta obra, tratar dos cenários existentes e que envolvam situações
que possibilitem o conhecimento das variáveis que induzem a um planejamento eficiente de caixa e
que, ao mesmo tempo, contribuam para a superação de algumas das dificuldades que, por vezes, tornam
o planejamento inadequado como elemento vital no processo decisório.

3.2 Administração do caixa

É o aspecto mais prático e que envolve os saldos bancários de livre movimentação e as aplicações
financeiras de resgate ou liquidez mais ou menos imediatas.

O nível de saldos médios ou reserva de segurança, deve ser objetivado pelo que denominamos de fluxo
diário de caixa. As empresas devem ter uma previsão do seu dia a dia, dos valores que provavelmente
serão depositados nos bancos nos diversos dias, e dos valores que, com certeza, deverão ser pagos
naquelas datas.

Este fluxo diário é que norteia o nível de saldo médio, que, se constituírem sobras financeiras, devem
ser aplicadas no mercado financeiro, observadas as condições de liquidez, segurança, risco e rentabilidade
inerentes a qualquer aplicação financeira.

É importante destacar que saldo bancário excessivo não significa necessariamente a existência de
lucro. O lucro pode, sim, se transformar em saldo bancário, bastando que se tenha uma política de
remuneração do acionista/cotista definida para tal transformação. Mas o lucro também pode estar em
qualquer conta do Ativo – nos estoques ou mesmo no financiamento do total de contas a receber, por
exemplo – e não necessariamente à disposição para que se paguem contas, ou se adquiram bens para
circulação ou não.

Há vários outros motivos para que se tenha um maior ou, por vezes, um menor saldo médio
bancário, ou, como também é reconhecido, uma reserva de segurança. Entre os mais comuns, se
situam uma especulação de preços junto a fornecedores, e aquisição de algum item imobilizado
que esteja em promoção por tempo limitado nos fornecedores ou em razão direta de alguma
44
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

condição específica da parte dos proprietários de um terreno para investimento em ampliação


futura, por exemplo.

Uma das finalidades da gestão do caixa é manter um saldo mínimo de recursos que possa ser
utilizado imediatamente, em função da incerteza associada aos fluxos de recebimentos e pagamentos,
pois, caso os recebimentos previstos não se concretizem conforme a previsão, a empresa pode incorrer
em problemas de inadimplência temporária.

Saiba mais

Até meados da década de 1990, no Brasil, as altas taxas de inflação


ameaçavam a sobrevivência das empresas que dependiam fortemente
da eficiência de uma boa administração de caixa. Cada recurso parado
representava incorrer em custo financeiro e perda de capital devido
à inflação e perda do poder de compra do dinheiro no tempo. Caso
deseje saber mais sobre o assunto “inflação brasileira”, bem como
o relacionamento empresarial diante de tal processo, leia o livro de
Marco Antonio Sandoval Vasconcelos, Rudinei Toneto Jr. e Amaury
Patrick Gremaud, cujo título é Economia Brasileira Contemporânea
(7.  ed. São Paulo: Atlas, 2007). Ali você encontrará os fatores geradores
da inflação, bem como as tentativas de combate e as repercussões no
mundo dos negócios.

Para Hoji (2012, p. 113),

[...] na gestão de caixa, é importante conhecer a capacidade de obtenção de


caixa em longo prazo da empresa. Conhecendo antecipadamente o limite
máximo de recursos financeiros que a empresa poderá tomar emprestado
de terceiros e do próprio acionista, é possível planejar com maior eficácia a
expansão do nível de atividades e resolver eventuais problemas de oscilação
nas disponibilidades de caixa.

3.3 Orçamento diário de caixa

Um orçamento diário de caixa é uma projeção diária das entradas e saídas para um período de
tempo imediatamente seguinte ao da data da sua elaboração. Vamos exemplificar, com uma situação
existente numa indústria têxtil.

Com base na publicação das demonstrações financeiras de uma Indústria Textil S.A. de 31 de
dezembro de 2006, é possível elaborar um fluxo diário de caixa para o próximo período, utilizando‑se
das informações hipotéticas que são a seguir apresentadas:

45
Unidade I

Quadro 3 – Balanço Patrimonial padronizado, em 31 de dezembro de 2006

Indústria Têxtil S.A.


Ativo Circulante 22,224 Passivo Circulante 14,189
Disponível 466 Fornecedores 7,295
Duplicatas a receber 11,327 Contas a pagar 3,600
Estoques 12,161 Empréstimos bancários 3,294
Outras contas (1,730)
Exigível Longo Prazo 2,926
Realizável Longo Prazo 171 Financiamentos 1,300
Outras contas 1,626
Permanente 9,385
Investimentos 322 Patrimônio Líquido 14,665
Imobilizado 9,063 Capital social 21,541
Diferido – Reservas e lucros acumulados (6,876)

Total do Ativo 31,780 Total do Passivo 31,780

Podemos observar a previsão de vendas para o período 2007.

Quadro 4

1. Previsão das vendas para 2007

À vista 02 dias – 14.412


A prazo 13 dias – 16.955
A prazo 26 dias – 35.111
Não recebidas – 15.596 82.074

A previsão de compras também traz importantes informações.

Quadro 5

2. Previsão das compras de matérias‑primas para 2007

À vista 05 dias – 3.226


A prazo 16 dias – 10.643
A prazo 19 dias – 8.449
Não pagas – 8.403 30.721

46
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Há, ainda, que se considerar a previsão de pagamento dos impostos, dos custos e das despesas
operacionais para o ano de 2007.

Quadro 6

3. Previsão de pagamento dos impostos, custos e despesas operacionais para 2007

Mão de obra direta 4 dias – 9.425


Cifs – financeiros 13 dias – 6.713
Cifs – depreciação não desembolsável – 2.246
Impostos sobre vendas 14 dias – 15.594
Despesa com vendas 19 dias – 5.663
Despesas administrativas 23 dias – 2.513
Despesas financeiras 28 dias – 1.198

Para o dimensionamento do fluxo de caixa, considerem‑se as seguintes informações:

• desses pagamentos, 10% a empresa deixará de pagar, e o saldo permanecerá no Passivo.

• se houver necessidade de tomar empréstimos diários, a taxa a ser considerada é de 0,2% ao


dia. Se houver possibilidade de aplicações diárias, taxa de 0,1% ao dia.

Mais informações são necessárias, só que agora referentes ao ano de 2006.

Quadro 7

4. Passivo Circulante de 2006

Fornecedores 12 dias – 7.295


Demais contas a pagar 18 dias – 3.600
Empréstimos bancários 13 dias – 3.294

Quadro 8

5. Ativo Circulante de 2006

Disponível 1 dia – 466


Duplicatas a receber 19 dias – 10.432
Estoques realizado através das vendas
Créditos diversos 12 dias – 644

47
Unidade I

Informações adicionais e relevantes:

Quadro 9

6. Outras informações

a) o Realizável em Longo Prazo terá o valor de $40 como Receitas financeiras, adicionadas a seu saldo;
b) o Exigível em Longo Prazo terá o valor de $730 como Despesas financeiras, adicionadas a seu saldo;
c) o exercício é feito com dados hipoteticamente anuais, porém com movimentações de caixa
simuladas dentro do período de um mês (31 dias);
d) caso, no dia 31, o saldo de caixa esteja negativo, a empresa recorrerá a um empréstimo bancário
10% maior que esta diferença.

Como solução, temos a seguinte planilha de fluxo de caixa:

Tabela 1

Entradas Pagtos. Saídas Saldos


Ren. Desp. Mat. Desp./
Data Vendas At. Circ. Emprest. P. Circ.
Empr. Financ. Prim. Cust.

1 466 466,00
- -

2 14.412,00 14878,47
- -

3 14893,34
- -

4 8.482,00 6426,24
- -

5 3.226,00 3206,66
- -

6 3209,87
- -

7 3213,08
- -

8 3216,29
- -

9 3219,51
- -

10 3222,73
- -

11 3225,95
- -
12 644 (3419,82) (6,84) 7.293,00 (3419,82)

13 16.955,00 6.041,00 3.294,00 4193,34


- -
14 (9836,47) (19,67) 14.034,00 (9836,47)
15 (9856,14) (19,71) (9856,14)

48
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

16 (20518,85) (41,04) 10.643,00 (20518,85)


17 (20559,89) (41,12) (20559,89)
18 (24201,01) (48,40) 3.600,00 (24201,01)
19 10.432,00 (27362,41) (54,72) 8.449,00 5.096,00 (27362,41)
20 (27417,14) (54,83) (27417,14)
21 (27471,97) (54,94) (27471,97)
22 (27526,92) (55,05) (27526,92)
23 (29842,97) (59,69) 2.261,00 (29842,97)
24 (29902,66) (59,81) (29902,66)
25 (29962,46) (59,92) (29962,46)
26 35.111,00 - - 5088,61
27 - - 5093,70
28 - - 1.078,00 4020,80
29 - - 4024,82
30 - - 4028,84
31 - - 4032,87
Totais 66.478,00 11.542,00 (575,76) 22.318,00 36.992,00 14.187,00

3.4 Capital Circulante Líquido

O fluxo diário de caixa é uma previsão próxima da realidade, num horizonte de tempo de, por
exemplo, um mês seguinte. Quanto maior o período de tempo a ser previsto, maior será a probabilidade
de desvios em relação a esta previsão, porque aumenta o grau de incerteza dos lançamentos esperados.
As atividades de estocagem, produção, vendas e recebimento das vendas têm determinação de épocas
mais difícil de se prever.

Há, normalmente, uma dificuldade nessa previsão diária, e para tal surge o Capital Circulante Líquido
(CCL) que, por sua natureza, apresenta dados mais abrangentes.

Observando a figura extraída do Balanço Patrimonial, podemos notar o Capital Circulante Líquido:
Ativo Passivo

Passivo Circulante
Ativo Circulante

Capital Circulante
Liquido (CCL) Patrimônio
Líquido
Ativo Permanente

Figura 2 – Como localizar o Capital Circulante no Balanço

49
Unidade I

A figura demonstra que o Capital Circulante Líquido é a diferença entre o Ativo Circulante e o
Passivo Circulante, constituindo‑se na diferença positiva ou negativa entre estes grandes grupos pelos
quais circulam os recursos. Numa situação em que haja carência de CCL, esta poderá ser corrigida por
meio de financiamentos de longo prazo, que entrarão pelo Passivo de terceiros ou, ainda, por aporte de
capital próprio.

De outra forma, quando a soma dos elementos do Ativo corrente é maior do que a soma dos
elementos do Passivo corrente, o CCL é positivo. Em caso contrário, o CCL é negativo. Quando a soma
dos elementos do Ativo corrente é igual à soma dos elementos do Passivo corrente, o CCl é nulo.

Na situação de CCL positivo uma parte do Ativo corrente está sendo financiada pelo Passivo não
corrente, que são recursos de longo prazo representados pelos grupos do Exigível em Longo Prazo e
Patrimônio Líquido.

Em caso de CCL negativo, o Passivo corrente está financiando parte do Ativo não corrente, que são
investimentos de longo prazo classificados em Ativo Realizável em Longo Prazo e em Ativo Permanente.

Na situação do CCL nulo, existe um equilíbrio entre o Ativo corrente e o Passivo corrente.

Exemplificando, observe as informações a seguir:

Quadro 10

Ativo Circulante 1.000,00


Passivo Circulante 800,00

CCL 200,00

Se desejarmos um CCL de $300,00, não devem ser realizados empréstimos bancários de curto prazo,
sob pena de anulação da operação, porque tanto o Ativo Circulante como o Passivo Circulante serão
ampliados no montante do empréstimo contraído, conforme se demonstra na sequência:

Quadro 11

Ativo Circulante 1.300,00 (com o recebimento do empréstimo)


Passivo Circulante 1.100,00 (com o recebimento do empréstimo)

CCL 200,00

Desta forma, para termos um CCL maior, ou maior folga financeira, precisamos optar por outros
canais de financiamento, preferivelmente por meio de recursos financeiros obtidos em longo prazo, ou,
então, mediante aumento do capital próprio proveniente de acionistas ou cotistas.

50
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Exemplificando com os mesmos dados, e obtendo‑se ao mesmo tempo um empréstimo de $200,00


em longo prazo, e um aumento de $300,00 de capital:

Quadro 12

Ativo Circulante 1.800,00 (com o recebimento de $200 + $300 )


Passivo Circulante 1.100,00 (continuou com os mesmos saldos )

CCL 700,00 ( os $200 anteriores + os $500 atuais )

Entende‑se, portanto, que o Capital Circulante Líquido seja um estudo que atinge apenas a dois
grupos financeiros do Balanço Patrimonial: o Ativo Circulante e o Passivo Circulante.

Observação

Por isso mesmo, eles têm uma abrangência de curto prazo – um ano
após o encerramento do Balanço Patrimonial, com base nos critérios legais
de classificação.

Como conclusões a respeito do CCL, podemos relacionar algumas afirmações e suas comprovações
financeiras logo a seguir:

• quanto maior o CCL, menor será o risco de a empresa enfrentar problemas financeiros envolvendo
pagamentos atrasados ou descumprimento de obrigações nas datas previstas.

Veja, no quadro a seguir, tal situação.

Quadro 13

Ativo Circulante 1.800,00


Passivo Circulante 1.100,00

CCL 700,00

Comentários: a empresa conta com uma folga de $1.800,00 para pagar compromissos de $1.100,00.

• se a participação dos estoques no Ativo Circulante da empresa for muito elevada, o CCL poderá
não significar folga financeira, conforme o que se demonstra a seguir.

51
Unidade I

Quadro 14

Ativo Circulante 1.800,00 Passivo Circulante 1.100,00


Estoques 1.000,00
Demais contas 800,00

CCL 700,00

Comentários: o Ativo Circulante ficaria restrito a $800 ($1.800 – $1.000) e com um Passivo Circulante
de $1.100 – o CCL seria reduzido para apenas $100, diminuindo, como consequência, a folga financeira,
e com grandes probabilidades de surgirem problemas de pontualidade nos pagamentos

• se a conta de duplicatas a receber apresentar prazos extensos, ou seja, com um prazo médio de
recebimento das vendas excessivo, o CCL poderá não significar folga financeira, senão vejamos:

Quadro 15

Ativo Circulante 1.800,00 Passivo Circulante 1.100,00


Estoques 1.000,00
Dupl. a receber 500,00
Demais contas 300,00

CCL 700,00

Comentários: o Ativo Circulante ficaria restrito a $300 porque extraímos os saldos dos estoques
(1.000) e das duplicatas a receber (500) do total de $1.800. Assim, o CCL ficaria negativo em 800 (300 –
1.100) e com totais probabilidades de a empresa ter problemas de pontualidade, ou até de insolvência
em seus compromissos.

• o CCL de valor baixo pode não necessariamente implicar problemas como pontualidade no
cumprimento das obrigações diárias:

Quadro 16

Ativo Circulante 1.800,00 Passivo Circulante 1.600,00

CCL 200,00

Comentários: dependendo do tempo, ou até mesmo dos dias, em que os valores do Ativo Circulante
serão transformados em dinheiro, e do tempo ou dos dias que os vencimentos das obrigações do
Passivo Circulante ocorrerão, os compromissos podem ser saldados sem qualquer problema até uma
determinada data que a deficiência aparecerá.
52
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

• quando um gestor financeiro aplicar recursos no Ativo Permanente, ele deve ter noção de que
poderá provocar diminuição no CCL se estes recursos forem suprimidos do Ativo Circulante. De
nada adiantará, também, neste caso, se os recursos forem obtidos em curto prazo:

Quadro 17

Ativo Circulante 1.800 Passivo Circulante 1.100

CCL 700

Comentários: se houver a aquisição de um imóvel para utilização da empresa, por exemplo, no valor
de $500, a demonstração do CCL passará a ser de:

Quadro 18

Ativo Circulante 1.300 (houve a redução de 1.800 (‑) 500 = $1.300)


Passivo Circulante 1.100

CCL 200 (houve a redução dos $500 pela aplicação)

• quando um gestor financeiro aplicar recursos no Ativo permanente, o ideal é que obtenha esses
mesmos recursos por meio do exigível em longo prazo ou por meio dos acionistas ou sócios:

Quadro 19

Ativo Circulante 1.800 Passivo Circulante 1.100

CCL 700

Comentários: se, por exemplo, esta aquisição fosse de $500 – teríamos um Balanço Patrimonial
demonstrado da forma seguinte, em que não se alterariam os valores do Ativo e Passivo Circulantes.

Quadro 20

Ativo Circulante 1.800 Passivo Circulante 1.100


Ativo Permanente 500 Exigível em Longo Prazo 500
Patrimônio Líquido 700
Total 2.300 Total 2.300

• um CCL elevado significa sem dúvida um índice de liquidez corrente saudável:

53
Unidade I

Quadro 21

Ativo Circulante 1.800 Ativo Circulante 3.000


Passivo Circulante 1.100 Passivo Circulante 1.100

CCL 700 CCL 2.100

Comentários: no primeiro exemplo, à esquerda, a liquidez corrente teria ao resultado de 1,63 –


enquanto no segundo exemplo, à direita, o resultado seria de 2,72.

• o CCL elevado tem limites quanto à sua influência junto à rentabilidade da empresa. Ele pode
estar concentrado em contas cujo excesso não traz rentabilidade, como estoques excessivos, ou
saldos médios excessivos nas contas a receber:

Quadro 22

Realidade da empresa Ideal da empresa

Ativo Circulante 1.800 Ativo Circulante 1.500


Disponível 300 Disponível 300
Estoques 1.000 Estoques 800
Dupl. a receber 500 Dupl. a receber 400
Passivo Circulante 1.100 Passivo Circulante 1.100

CCL 700 CCL 400

Comentários: neste exemplo, haveria um excesso de $200 em estoques e $100 em duplicatas a


receber, totalizando $300. Na pior das hipóteses, se a empresa não trabalhar este excesso de $300
em mais produção e mais vendas, portanto mais lucros, poderia aplicá‑lo objetivando geração de
receitas financeiras.

O Capital Circulante Líquido é evidenciado na Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos


– DOAR. Para Groppelli e Nikbakht (1999, p. 405),

[...] a maioria das origens (fundos) vem dos lucros, da depreciação, dos
aumentos de capital e de empréstimos de longo prazo, enquanto aumentos
em contas a receber, em títulos negociáveis e Ativos imobilizados
representam os principais usos desses fundos. Descobrir de onde esses
fundos vieram e para onde eles foram é extremamente importante, porque
isso ajuda os gerentes financeiros a encontrar os melhores caminhos para
gerá‑los e utilizá‑los.

54
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Ainda, de acordo com os mesmos autores, para calcular as origens e as aplicações dos fundos,
utilizam‑se as seguintes regras simples: origens de caixa ocorrem quando:

• existe uma diminuição nos Ativos de um período para outro;

• existe um aumento no Passivo de um ano para outro;

• existem despesas de depreciação no demonstrativo de resultado no último ano;

• uma empresa vende ações;

• uma empresa obteve lucro no último exercício.

De outra forma, aplicações de recursos ocorrem quando:

• os Ativos aumentam de um ano para outro;

• passivos diminuem de um ano para outro;

• a empresa incorreu em prejuízo no último exercício;

• a empresa pagou dividendos em dinheiro;

• a empresa recomprou ou retirou ações.

Voltando então ao nosso exemplo, demonstramos da seguinte forma:

Quadro 23

Origens de recursos

Lucro Líquido do exercício 6.431


Depreciação 5.219
Aumento de capital 21.782
Aumento do Exigível Longo Prazo 73.742
Venda de imobilizado 3.344
Redução do Realizável Longo Prazo 3.704 114.222

55
Unidade I

Quadro 24

Aplicações de recursos

Aquisição de imobilizado 9.459


Aquisição de investimentos 791
Aumento do Realizável Longo Prazo 2.375
Redução do Exigível Longo Prazo 35.795 48.420

Aumento do Capital Circulante Líquido 65.802

A conclusão, pelo que expõe a DOAR, é a de que, logo após a obtenção desses dados, a empresa
terá $65.802 a mais em seu Ativo Circulante, identificando para o CCL uma variação positiva, ou um
aumento deste em relação ao período anterior.

Lembrete

Lembre‑se de que a diminuição nos estoques resulta em fonte de fundos


e aumentos em títulos negociáveis. Nas contas a receber, nos estoques e
nos Ativos brutos representam usos de fundos.

3.5 Administração do capital de giro

Administrar o capital de giro pode ser sinônimo de administrar o Ativo Circulante, composto das
disponibilidades, das contas a receber, dos estoques e de outros créditos.

Nesta análise, não importam os vários conceitos de capital de giro, pois todos eles convergem para
o mesmo ponto:

• é a soma dos recursos que giram (ou circulam);

• são os Ativos que devem transformar‑se em dinheiro;

• são os recursos que financiam o ciclo operacional e financeiro.

Observação

Dentro desse panorama, vamos estudar a administração do capital


de giro situando‑a nos seus componentes fundamentais: o disponível, o
contas a receber e os estoques.

56
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Pode‑se dizer que a política de administração de capital de giro envolve duas questões básicas: a
primeira é saber qual a quantidade apropriada de Ativos Circulantes que uma empresa deve manter,
tanto no total quanto para cada conta específica. A segunda, saber como devem ser financiados os
Ativos Circulantes.

Saiba mais

A obra de Eugene Brighan, Louis Gapenski e Michael Ehrhardt, cujo


título é Administração Financeira: Teoria e Prática (São Paulo: Atlas, 2001),
aborda o assunto com maestria. O capítulo 21, “Administração do Ativo
Circulante”, é bastante interessante e repleto de informações que elucidam
o assunto. Fica aqui a nossa recomendação.

3.6 Administração do disponível

Administrar o disponível – ou o caixa – é cuidar cotidianamente dos Ativos cuja característica seja a
sua transformação em dinheiro ou liquidez imediata, de forma natural e sem interferências de terceiros.

Tradicionalmente, a contabilidade os classifica em:

• valores em moeda corrente;

• saldos bancários;

• aplicações de liquidez imediata;

• aplicações de liquidez em curto prazo;

• aplicações em moeda estrangeira.

O trabalho do gestor da tesouraria, ou administrador do caixa, é cuidar diariamente para que a


liquidez da empresa se mantenha nos níveis planejados, com observação da pontualidade e obediência
aos vencimentos e contratos com seus fornecedores, governo etc.

Basicamente, suas preocupações são com as entradas e saídas previstas de caixa. Se a empresa tem
filiais, ou várias unidades que podem interferir nesse processo, esta característica poderá ampliar seus
controles e preocupações.

A manutenção adequada e dentro das expectativas nas entradas e saídas de recursos previstas são
o principal escopo diário.

57
Unidade I

Como entradas típicas ou comuns, podemos relacionar:

• vendas à vista;

• recebimento de vendas a prazo (duplicatas a receber);

• recebimento de outras contas a receber;

• crédito de empréstimo bancário;

• crédito de receitas financeiras;

• recebimento de empréstimos de terceiros;

• aumento do capital social;

Como saídas típicas ou comuns, podemos relacionar:

• pagamento de despesas diárias;

• pagamento de fornecedores;

• pagamento de empréstimos bancários;

• aquisição de Ativos Permanentes;

• pagamento de despesas financeiras;

• empréstimos a terceiros;

• pagamento de dividendos ou distribuição de lucros.

O caixa muitas vezes é chamado de Ativo não lucrativo. Ele é necessário para o pagamento de mão
de obra e de matérias‑primas, para a compra de Ativos fixos, pagamento de dividendos etc. Entretanto,
o caixa em si, não recebe juros. Assim, o objetivo do administrador de caixa é minimizar a quantia de
caixa que a empresa deve manter para a conduta de suas atividades normais de negócio, ainda assim,
ao mesmo tempo, manter caixa suficiente para:

• obter descontos de compra;

• manter a classificação de crédito;

• arcar com necessidades inesperadas de caixa.

58
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Uma dificuldade bastante significativa que se coloca ao gestor financeiro é a manutenção de um


saldo mínimo de caixa. Estudos feitos por Baumol e Miller‑Orr levam‑nos a este assunto, até com
muita propriedade; contudo, sua aplicabilidade no Brasil é vedada pela impossibilidade, no momento,
de os saldos excedentes serem aplicados no sistema de open market (mercado aberto, com operações
conhecidas por overnight, isto é, de um dia).

De qualquer forma, abordaremos os tópicos mais relevantes que interferem ou colaboram para o
controle desse saldo mínimo de caixa:

• tipo de atividade exercida – uma loja apresenta um caixa mínimo substancialmente diferente de
uma indústria ou de um prestador de serviço;

• histórico anterior – o passado pode razoavelmente indicar‑nos qual o valor mínimo que devemos
manter em determinadas situações, mesmo nas ocasiões sazonais;

• reciprocidade bancária – mesmo que não existam empréstimos bancários, a reciprocidade (saldos
médios diários) é um fator de aproximação e exigência para futuros e eventuais empréstimos;

• política de vencimentos – podemos negociar alterações mínimas nas datas de nossos fornecedores
mais comuns e constantes;

• uso de meios eletrônicos – facilitam as transações mas nos escravizam na obediência aos
vencimentos. Entretanto, podemos exigir o mesmo procedimento por parte de nossos clientes,
por meio da utilização do meio mais rápido de crédito que possamos ter;

• acúmulo de vencimentos – é prática, no Brasil, que a maioria dos vencimentos salariais, locatícios,
tributários e governamentais, venham a ocorrer do dia 1 ao dia 10 de cada mês. Se este acúmulo
não se coaduna com a situação, devemos tentar alterá‑lo no que for possível, ou antecipar aquele
que favoravelmente colabora para quitá‑lo.

Para melhor gerenciar o fluxo de caixa, é necessário que ele seja um instrumento gerencial para
tomada de decisões, tanto para coletar e organizar os dados como para gerar subsídios que permitam a
análise de desempenho financeiro da empresa.

Com o manejo do fluxo de caixa, o gestor financeiro tem condições de compatibilizar, no tempo, as contas
a pagar com as contas a receber, e, consequentemente, tomar decisões sobre situações importantes, como:

• o melhor momento de comprar e pagar;

• o melhor momento de vender e receber;

• os momentos mais acumulados de contas a pagar;

• projeção de sobras, e faltas de caixa.


59
Unidade I

3.7 Administração das duplicatas a receber

As empresas, em geral, preferem vendas à vista em vez de vendas a crédito, entretanto, pressões
competitivas forçam a maioria das empresas a oferecer crédito.

Observação

Observe que a administração de contas a receber começa com a decisão


de oferecer crédito ou não.

Administrar as duplicatas a receber ou, como também é chamado, o contas a receber, significa cuidar
do crédito e da cobrança nas transações a prazo.

A decisão sobre vendas a prazo passa pelo estabelecimento de uma política de concessão
do crédito, sem o qual se podem ter problemas com a cobrança. Crédito é o instrumento de
política financeira a serviço das entidades, quando estas correm o risco de transferir a posse de
dinheiro, mercadorias ou serviços, mediante a promessa de reembolso futuro. Tem característica de
reciprocidade, uma vez que, ao ser concedido por alguém, é automaticamente recebido por alguém.

Nos regimes capitalistas, pressupõe‑se que haja ao concessor uma vantagem financeira pelo
ato de conceder, e, ao tomador, uma desvantagem financeira pelo ato de tomar. Esta vantagem/
desvantagem financeira é geralmente determinada pelo valor dos juros compreendidos na
operação de crédito.

Sob o ângulo estritamente comercial, quando a concessão está ligada à transferência de mercadorias
ou serviços, admite‑se que o concessor esteja ligado ao interesse em obter maior lucratividade em
suas transações, e ao tomador resta‑lhe a obtenção de capitais de terceiros de que necessita também
em seu negócio.

O crédito cumpre uma série de funções específicas:

• movimentar o processo de produção em todas as suas etapas, possibilitando maior volume


de operações;

• estimular o consumo, tal que a produção crescente possa ser absorvida pela sociedade;

• possibilitar aos investidores a aplicação de suas economias no processo produtivo, ou em


nível de consumo;

• reunir capitais que, sozinhos, não conseguiriam financiar grandes projetos sociais, levando a
sociedade a um bem‑estar econômico e adequada distribuição da renda.

60
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Saiba mais

Se você acessar o site do Banco Central do Brasil, encontrará um excelente


artigo sobre o crédito no Brasil. O nome do artigo é Democratização do
Crédito no Brasil: Atuação do Banco Central (ALVES, 2004). Vale a leitura.

O crédito divide‑se em dois tipos da forma mais ampla: o crédito público e o crédito privado. O
crédito público trata das relações entre entidades públicas – governo federal, estadual e municipal – e
as pessoas ou empresas. O crédito privado trata das relações entre as pessoas ou entre as empresas.

O crédito privado, nosso foco nesta obra, pode subdividir‑se em: crédito mercantil e crédito bancário.

O crédito mercantil é a forma mais comum de financiamento em curto prazo, e também


é conhecida como crédito comercial. Podemos definir crédito mercantil como sendo o crédito
em curto prazo concedido por um fornecedor a um comprador, em decorrência da compra de
mercadorias, matérias‑primas ou serviços para posterior revenda ou utilização. O produtor
concede o crédito, quando vende seus produtos, a prazo, ao atacadista. Concede‑o depois, o
atacadista, quando faz a venda desses mesmos produtos ao varejista. E concede‑o, finalmente, o
varejista, quando por sua vez, vende esses mesmos produtos ao consumidor final, a prazo.

3.8 Políticas de crédito

Para conceder crédito, as empresas precisam estabelecer, entre as políticas possíveis, aquela que irão
adotar. Há três políticas para concessão de crédito:

• Política de crédito liberal

As empresas que adotam normas que determinam e controlam este tipo de política devem ser
aquelas cuja situação financeira é razoavelmente boa. É comum o estabelecimento deste tipo de política
pelas empresas novas no mercado, e que precisam se tornar conhecidas rapidamente, a fim de que suas
vendas aconteçam.

Esta política pode ser utilizada também pelas empresas cuja margem de lucratividade seja considerada
alta. A competição de mercado, por seu lado, pode ser elemento impulsionador para a prática da política
de crédito liberal. Pode ocorrer sua prática em circunstâncias especiais, quando em promoções gerais ou
específicas a produtos de pouco giro, ou até obsoletos ou fora de linha de comercialização ou produção.

O que, por seu turno, deverá ser objeto de consequência ao adotá‑la, é que, como fator de um maior
volume de vendas que poderá trazer, seguir‑se‑á um risco maior no crédito, com possibilidades de maior
atraso nas contas as receber e, com isso, maiores possibilidades de perdas.

61
Unidade I

• Política de crédito rígida

As empresas que adotam normas que determinam e controlam esse tipo de política devem ser aquelas
cuja situação financeira não permite maiores riscos por falta de capital de giro. É comum encontrá‑la nas
empresas que comandam determinados mercados com poucos concorrentes, ou nas monopolistas, como
também em épocas de demanda elevada de consumo com produção insuficiente para atendê‑la.

Observação

De modo geral, fatores como falta de capital de giro, margem de


lucratividade pequena e tendência à inadimplência por parte dos clientes são
motivos adicionais a serem considerados na adoção desse tipo de política.

Como consequência, poderemos ter menores vendas, menor lucratividade, menor quantidade de
clientes atendidos e menor risco de crédito. Em contraposição, teremos possibilidades maiores de as
contas a receber estarem sendo pontualmente quitadas.

• Política de crédito compatível

As empresas que seguem normas que determinam e controlam esse tipo de política são aquelas que
adotam uma linha de flexibilidade de ação, levando em conta as condições do mercado e de seus clientes.

É a política moderada que leva em conta, sobretudo, as possibilidades de capital de giro da empresa
ao empreender sua linha de financiamento aos clientes. Não deixa de pertencer ao tipo de empresa com
alto grau de controle em seus negócios.

Como consequência desse tipo de ação, espera‑se obter vendas de acordo com o planejamento e com
o mercado, um maior equilíbrio entre as vendas e os recebimentos, permitindo uma situação financeira
controlável no decorrer do tempo, pois todos os riscos do crédito são absolutamente planejados.

Observação

Cada uma dessas políticas de crédito apresenta riscos inerentes, que se


traduzem nas possibilidades de perda e incerteza nas previsões de recebimento.

3.9 Segurança do crédito: os Cs do crédito

A análise de crédito pode ser feita com base em técnica conhecida como 5 Cs, que se referem aos
seguintes aspectos: caráter, capacidade, capital, colateral e condições (HOJI, 2012, p. 127). Em termos
de risco de crédito, segurança absoluta é uma utopia. Segurança relativa com base nas técnicas mais
apropriadas de concessão de crédito é o objetivo mais adequado. Os 5 Cs buscam esta segurança relativa.
São eles:
62
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Caráter

Refere‑se à determinação de pagar. É a integridade ou qualidade moral que se traduz em honestidade


em todas as transações comerciais. O caráter é o item mais importante na análise de crédito. A avaliação
da cultura da empresa e do caráter de seus administradores, apesar do alto grau de subjetividade, por
se referir a aspectos morais e éticos, é muito importante, porque vai depender da sua integridade ética
(honestidade) para saldar compromissos financeiros.

O levantamento de dados históricos, tais como pontualidade nos pagamentos, protestos de títulos e
pendências judiciais, pode auxiliar na avaliação do caráter. Se o caráter do cliente não for aceitável, os
outros itens da análise ficam prejudicados (HOJI, 2012).

Condições

Referem‑se às condições financeiras ligadas à conjuntura econômica, do país ou entre as nações, ao


ambiente econômico e sua organização ou desorganização. Condições econômicas atuais e o cenário
econômico em que a empresa estará inserida devem ser avaliados em conjunto com o ramo de atividade
em que ela atua.

Capacidade

Refere‑se às condições de gerenciamento do negócio que o cliente possui, à sua competência


administrativa e às suas habilidades no negócio. Para Hoji (2012, p. 128), “a firme determinação de pagar
(caráter) não terá validade se o cliente não tiver capacidade de saldar seus compromissos financeiros.
O potencial de o cliente saldar os compromissos financeiros pode ser obtido por meio da análise das
demonstrações financeiras e informações financeiras adicionais, em instituições como a Serasa”.

Capital

Refere‑se às condições materiais de que dispõe o cliente, se ele possui ou não capital de giro
suficiente para trabalhar e gerir o negócio.

Colateral

Refere‑se às garantias e bens pessoais que o cliente oferecerá na hipótese do negócio ruir ou fracassar.

3.10 Modelo de limitação de crédito

Finalizando o assunto, apresentaremos um modelo de limitação de crédito, de nossa autoria, o qual


pretende determinar um limite à concessão e que seja compatível com as possibilidades de cada cliente.

A fase de compra e venda mediante o prazo inicia‑se pela visita de um vendedor ao cliente e é
materializada pela efetiva compra de mercadorias, matérias‑primas ou serviços.

63
Unidade I

Há duas possibilidades: de a venda ser feita à vista ou de ser feita a prazo. Se ela for efetuada a
prazo, teremos o preenchimento de uma ficha cadastral, com dados de bancos, fornecedores e demais
fontes de informação.

Essa ficha será analisada, as confirmações de idoneidade serão colhidas, serão ouvidas entidades
ligadas ao crédito, como a Serasa e a Associação Comercial, e quando for o caso, analisadas as
demonstrações financeiras fornecidas.

Se todas as informações forem favoráveis e a análise das demonstrações financeiras sinalizar a


concessão do crédito solicitado, virá a questão importante: qual o valor do acúmulo de vendas a prazo
que poderá ser concedido para aquele cliente, ou, em outras palavras, qual será o limite de crédito que
aquele cliente suporta ou merece, da parte de um só fornecedor?

A fórmula a seguir apresentada foi discutida em apresentação para a obtenção do título de


mestre em ciências contábeis por um dos autores, em 1990, tendo sido plenamente aprovada pela
banca de exame.

Seus parâmetros financeiros são os seguintes:

LC = {[(0,10 x PL) + (0,05 x EST) + (0,08 x DR) + (0,02 x DISP)] – [(0,10 x FORN) +
(0,02 x SAL) + (0,10 x EBCP) + (0,03 x OC)]}

A primeira somatória de informações é denominada de fontes positivas de crédito, e os significados


das abreviaturas são os seguintes:

Quadro 25

PL Patrimônio Líquido
EST Estoques
DR Duplicatas a receber
DISP Disponibilidades

A segunda somatória de informações é denominada de fontes negativas de crédito, e os significados


das abreviaturas são os seguintes:

Quadro 26

FORN Fornecedores
SAL Salários, contribuições e tributos
EBCP Empréstimos bancários de curto prazo
OC Outras contas a pagar

64
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

3.11 Aplicação do modelo de limitação de crédito

Analisaremos três empresas do ramo de produção de alimentos, com situações totalmente diferentes,
e cujas demonstrações apresentam‑se a seguir.

A aplicação da fórmula determinou:

Tabela 2

Fontes positivas Indústria A Indústria B Indústria C


0,10 x PL 2.703 797 11.581
0,05 x EST 908 459 2.706
0,08 x DR 916 305 5.451
0,02 x DISP 14 7 72

Tabela 3

Fontes negativas
0,10 x FORN 563 663 2.978
0,02 x SAL 136 46 228
0,10 x EBCP 1.475 447 –––
0,03 x OC 10 13 70
Limite de crédito 2.357 399 16.534

Tabela 4

Comparações
Faturamento anual 117.786 103.388 449.085
Liquidez corrente 1,41 1,22 2,20
Retorno sobre o Patrimônio Líquido 8,28% 2,05% 5,26%

Podemos notar que os limites são bastante heterogêneos, o que justifica a necessidade da análise
das demonstrações financeiras, conforme se procede.

Quadro 27 – Balanço Patrimonial padronizado, em 31 de dezembro de 2006

Indústria A
Ativo Circulante 32,497 Passivo Circulante 23,032
Disponível 593 Fornecedores 5,633
Duplicatas a receber 6,961 Contas a pagar 7,148
Estoques 18,170 Empréstimos bancários 10,251
Outras contas 6,773  
Exigível Longo Prazo 15,369

65
Unidade I

Realizável Longo Prazo 4,182 Financiamentos 398


Outras contas 14,971
Permanente 28,759  
Investimentos 1,938 Patrimônio Líquido 27,037
Imobilizado – Capital social 21,404
Diferido 26,821 Reservas e lucros acumulados 5,633
 
Total do Ativo 65,438 Total do Passivo 65,438

Quadro 28 – Balanço Patrimonial padronizado, em 31 de dezembro de 2006

Indústria B
Ativo Circulante 16,978 Passivo Circulante 13,870
Disponível 358 Fornecedores 6,631
Duplicatas a receber 3,817 Contas a pagar 2,769
Estoques 9,183 Empréstimos bancários 4,470
Outras contas 3,620  
Realizável Longo Prazo 1,036 Exigível Longo Prazo 9,053
Financiamentos 8,824
Outras contas 229
Permanente 12,880  Patrimônio Líquido 7,971
Investimentos 1,911
Imobilizado 10,969 Capital social 4,300
Diferido – Reservas e lucros acumulados 3,671
Total do Ativo 30,894 Total do Passivo 30,894

Quadro 29 – Balanço Patrimonial padronizado, em 31 de dezembro de 2006

Indústria C
Ativo Circulante 196 Passivo Circulante 86
Disponível 3 Fornecedores 29
Duplicatas a receber 68 Contas a pagar 57
Estoques 54 Empréstimos bancários –
Outras contas 71  
Exigível Longo Prazo 65
Realizável Longo Prazo 1 Financiamentos 9
Outras contas 56
Permanente 72  
Investimentos – Patrimônio Líquido 118
Imobilizado 71 Capital social 6
Diferido 1 Reservas e lucros acumulados 112
Total do Ativo 269 Total do Passivo 269

66
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

É interessante observar que a utilização da fórmula evidenciou que a empresa com menor liquidez
corrente foi aquela que apresentou menor limite de crédito, enquanto a de maior liquidez corrente foi
a que apresentou maior limite de crédito.

Lembrete

Lembre‑se de que a liquidez corrente representa o volume de bens e


direitos de curto prazo, comparados com as obrigações de curto prazo.

3.12 Administração dos estoques

Os estoques têm grande importância dentro do grupo do Ativo Circulante. Apesar da moderna
administração dos estoques, pela aplicação contínua da logística, eles representam volumes consideráveis
entre as demais contas do Ativo Circulante.

Nas empresas comerciais, os estoques são chamados de mercadorias e, nas empresas industriais,
subdividem‑se em: matérias‑primas, produtos semiacabados, produtos acabados e materiais diversos.

Três situações são fundamentais na administração dos estoques:


• quanto e quando comprar;
• quanto e quando produzir;
• quais os itens que merecem maiores cuidados.
Controles estatísticos e informações instantâneas são pontos básicos para que tenhamos uma boa
administração dos estoques. Uma gestão eficiente de estoques implica manter o menor volume possível
de recursos financeiros nesse Ativo, de modo que os recursos disponíveis sejam aplicados em outros
Ativos Circulantes mais rentáveis, maximizando o resultado operacional da organização.

Os erros mais comuns que podem ser encontrados na administração dos estoques são:

• compra em quantidade maior do que a necessária. Muitas vezes provocada por informação deficiente
sobre o volume e andamento das vendas, ou mesmo com intenções de especulação. Corre‑se o risco
de, por modificação no mercado, o excesso permanecer ocioso e sem movimentação.

• compras efetuadas no tempo errado. Se antecipada à produção ou momento da venda, poderá


permanecer ociosa com risco de obsolescência ou de avarias. Se feita em descompasso com a
produção ou momento da venda, permanecerá dispensável e também com riscos de perdas.

• compra sem conhecimento da produção. Quando há produção sob encomenda, ou produção feita
antecipadamente à venda. Como no comércio, compramos para vender posteriormente. Controles
estatísticos e compras moderadas são formas de tentar errar menos ou não errar neste instante.
67
Unidade I

• itens de maior densidade. Quer de saída, quer de produção, quer estratégicos, requerem cuidados
especiais. Suas informações precisam ser tratadas com maior frequência que os demais.

• armazenagem deficiente. Que prejudique a movimentação dos estoques, sua requisição


natural para a produção ou para as lojas, pode ser fator preponderante na manutenção de
estoques excessivos,

• seguros de valor inadequado. Os itens estocados devem ter um valor segurado que seja adequado
à reposição, e ao tempo em que isso se dará, entre o sinistro e o recebimento de novos estoques.

• desuso e obsolescência. Nas fábricas, pela desativação de alguns produtos, e no comércio pela
mudança de estação ou mudança de hábitos, merecem cuidados especiais os itens mais sujeitos
a este tipo de alteração.

• políticas definidas. É comum as áreas interessadas nos estoques terem atenção focada em
pensamentos divergentes. Assim, o departamento de compras deseja comprar para que não faltem
os insumos necessários. O departamento de produção gostaria de grandes volumes para atender
melhor suas máquinas. O departamento comercial gostaria de mais produtos ou mercadorias
estocadas a fim de nenhum cliente viesse a reclamar de faltas. Finalmente, a área de finanças
precisa ajustar recursos para atender a todos os anseios, mesmo os exagerados.

Segundo Hoji (2012), a responsabilidade direta pela administração dos estoques não é do
administrador financeiro, mas ele pode influir sobre os resultados globais da empresa, interagindo junto
a áreas operacionais responsáveis pelo controle do giro e níveis adequados de estoques. Ainda para Hoji,

[...] os responsáveis pelas diversas áreas de uma empresa procuram cumprir


bem seu papel, esquecendo, muitas vezes, o objetivo principal da empresa,
A principal atribuição do gerente de compras é a de assegurar os estoques
em nível suficiente, adquiridos a preços mínimos, para não interromper
o processo de produção, o que poderia levá‑lo a comprar grandes lotes,
desnecessariamente, para obter descontos. A principal atribuição do gerente
industrial é a de produzir com boa qualidade em quantidade suficiente para
atender à demanda, o que poderia levá‑lo a manter alto nível de estoques de
matéria‑prima e de produtos acabados, além de consumir tempo excessivo
de produção. O gerente de vendas tenderia, também, a manter alto volume
de estoques de produtos acabados e em grande variedade, para atender
rapidamente a todos os pedidos. (HOJI, 2012, p. 122).

Observação

Observe que o principal propósito da administração de estoques


é determinar e manter o nível de estoque que satisfaça os pedidos dos
clientes em quantidades suficientes e a tempo.
68
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Como a manutenção de estoques é dispendiosa devido à imobilização monetária, o custo do estoque


impede que outras oportunidades lucrativas sejam aproveitadas. Assim, como bem ressaltam Groppelli
e Nikbakht (1999, p. 388), quando se pensa em administração de estoques deve‑se pensar em lote
econômico de compra, mais conhecido como LEC. Entende‑se por LEC, a quantidade de um item que,
quando pedido regularmente, resulta em custos mínimos de pedido e manutenção. Pode ser obtido pela
seguinte equação:
2QxCp
LEC = , onde:
Cm
Q = número de unidades requeridas por período de tempo.

Cp = custo por pedido de compra.

Cm = custo de manutenção.

Vamos a um exemplo de aplicação da fórmula do conhecimento do LEC?

Admita uma empresa cujo consumo anual de um item seja de 25.000 unidades, o custo do
pedido de compra seja de R$215,00, e o custo de manutenção por unidade igual a R$5,00. Nestas
condições, o lote econômico de compra será de 1.466 unidades, com valores arredondados. Vejamos
a aplicação da fórmula.

Fórmula do lote econômico de compra:


2QxCp
LEC =
Cm
Substituindo os valores do enunciado na fórmula do lote econômico de compra:

(2x25000)x215
LEC =
5

Efetuando, então, as operações:

50000x215
LEC =
5

10750000
LEC =
5

LEC = 2150000

LEC = 1.466

69
Unidade I

A empresa minimizará o custo total de pedir e manter se 1.466 unidades forem requisitadas em cada
pedido de compra. Já que o consumo anual é de 25.000 unidades, a empresa deve emitir 17 pedidos de
compra, solicitando 1.466 unidades de cada vez.

Como determinar o número de pedidos por ano?

Número de pedidos no ano = Consumo Anual


LEC
Do exemplo:
25000
Número de pedidos no ano =
1466
O conhecimento do lote econômico de compra pode até não ser responsabilidade do gestor financeiro
– aliás, está mais para a responsabilidade do departamento de logística e distribuição. Como o gestor
financeiro precisa ter uma visão integrada, deve, portanto, ter noção de sua representatividade.

3.13 Necessidade de capital de giro

O livro Análise das Demonstrações Financeiras, de Antonio Salvador Morante, apresenta amplas
observações a respeito do capital de giro, que culminou com a fórmula do Prof. Dante Carmine Matarazzo,
que estabeleceu um modelo utilizando os prazos médios de recebimento das vendas, de renovação dos
estoques e de pagamento das compras.

Os estudos sinalizam várias opções, a fim de que tenhamos o valor adequado para dimensionar a
necessidade do capital de giro.

Neste mesmo capítulo, ao estudarmos a administração do capital de giro, demos especial atenção às
contas duplicatas a receber e estoques.

Vamos iniciar este tópico evidenciando os ciclos existentes: o operacional e o financeiro.

Ciclo operacional é o tempo decorrente desde a compra da matéria‑prima para a produção


(indústria) ou as mercadorias para revenda (comércio), passando pela venda do produto (indústria) ou
as mercadorias (comércio), até o recebimento dessa venda.

Assim, é a soma de dois prazos médios: o prazo médio de renovação dos estoques e o prazo médio
de recebimento das vendas.

Ciclo financeiro é o tempo decorrente entre todas as movimentações de caixa. Abrange o período
compreendido desde a compra dos estoques, mais o período até o recebimento das vendas, menos o
período do pagamento das compras.

Podemos evidenciar as seguintes fórmulas:

70
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

Ciclo Operacional = PMRE + PMRV


Ciclo Financeiro = PMRE + PMRV (–) PMPC

Onde:

PMRE = Prazo Médio de Renovação dos Estoques.

PMRV = Prazo Médio de Recebimento das Vendas.

PMPC = Prazo Médio do Pagamento das Compras.

Entretanto, devido ao PMRE e PMPC conterem em seus dados somatórias de informações a preço de
custo, precisamos fazer sua equivalência ao preço de venda.

A fórmula do ciclo financeiro, que é base para a determinação do capital de giro, teria sua equivalência
da seguinte maneira:

CFeq = PMREeq + PMRV (–) PMPCeq

PMREeq = PMRE x Custo das Vendas x 100


Vendas

PMPCeq = PMPC x Compras x 100


Vendas

A fórmula desenvolvida para a necessidade de capital de giro, pelo mesmo autor é:

NCG = CFeq x VD + (OAC – OPC)

Onde:

NCG = Necessidade de Capital de Giro.

CFeq = Ciclo Financeiro Equivalente.

VD = Vendas Diárias.

OAC = Outros Ativos Circulantes.

OPC = Outros Passivos Circulantes.

71
Unidade I

4 EXEMPLO DE APLICAÇÃO DE CICLO OPERACIONAL E CICLO FINANCEIRO

Desenvolvidas as fórmulas da equivalência e da necessidade de capital de giro, processaremos alguns


exemplos, extraídos das informações contidas nas empresas relacionadas anteriormente, com base no
ano de 2006.

Tabela 5

Informações Básicas Empresa A Empresa B Empresa C


Compra de matérias‑primas 57.008 41.272 179.000
Consumo de matérias‑primas 49.540 37.702 178.687
Vendas anuais 117.786 103.388 449.085
Estoques em 31.12.06 18.170 9.183 54.135
Fornecedores em 31.12.06 5.633 6.631 29.786
Outros Ativos Circulantes 2.866 3.981 74.901
Outros Passivos Circulantes 21.899 7.242 59.720

Saindo do curto para o longo prazo, o próximo capítulo versará sobre as decisões de financiamento
em longo prazo à disposição do gestor financeiro. O dilema entre a utilização de capital próprio como
fonte de financiamento das necessidades de capital ou capital de terceiros para amortização em longo
prazo passa pela análise da alavancagem financeira. Este conceito, ao lado de outros conceitos relativos
aos principais papéis que são oferecidos no mercado de capitais, serão vistos a seguir, juntamente com
formas alternativas de financiamento de Ativos fixos, indispensáveis às operações industriais.

Resumo

Nesta unidade, vimos basicamente aquilo que envolve os objetivos e o


ambiente da Administração Financeira de forma geral. Mapeamos o papel
das finanças e do administrador financeiro como uma peça fundamental
na gestão de qualquer organização. Mais: pela leitura, foi possível perceber
que as funções e os objetivos do gestor financeiro não ficam internos à
sua área: faz parte de um todo. Daí que o tratamento da Administração
Financeira deve fazer‑se por estratégia em que este setor esteja interligado
aos demais da organização.

Pois, então, não podemos pensar que a Administração Financeira


esteja somente voltada para o ambiente interno da organização. Há a
necessidade de considerar o ambiente operacional em que o administrador
financeiro habita. Sobre o assunto, a unidade apresentou considerações
acerca do mercado financeiro, dividindo‑o em mercado monetário, de
capitais, de crédito e cambial. Depois, tratou‑se de abordar o Sistema
Financeiro Nacional e seus participantes, para que você possa ter noção
do que ronda o mundo das finanças externamente às empresas. Mas por
72
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

qual motivo há necessidade de aprender o que acontece no mercado


financeiro? Pelo simples motivo de que muitas vezes as empresas
necessitam financiar suas atividades de curto ou de longo prazo e tais
financiamentos têm no mercado financeiro diversas opções. As decisões
de financiamento, diante diferentes necessidades, são objeto da discussão
da próxima unidade.

Apresentamos também a necessidade de tomada de decisão de


financiamento de curto prazo, a partir de um exemplo de empresa formando
o capital. Lembramos que o capital social de uma empresa é formado
a partir das contas do Passivo e que são levadas a Ativo para produzir
Patrimônio Líquido. Para tanto, a unidade considerou alternativas de
formação de capital, bem como planejamento de caixa, sua administração
e seu orçamento.

Exercícios

Questão 1 (Enade 2012, adaptada). Leia o texto abaixo:

Na Hora de Investir na Bolsa de Valores, Conte com a Gente!

• Oferecemos ajuda para escolher seus investimentos, de acordo com o seu objetivo financeiro;

• Suporte necessário para entender o funcionamento da Bolsa;

• Definição do seu perfil de investidor;

• Diversos serviços, como home broker (site para você investir via internet), relatórios de
recomendação de ações, informativos etc.;

• Informamos você sobre novos produtos no mercado, para garantir a diversificação da sua carteira
de investimentos;

• Informamos você sobre o recebimento de dividendos e outros bônus que as empresas pagam
aos acionistas.

Fonte: Disponível em: <http://www.bmfbovespa.com.br>.

A principal vantagem dos fundos é possibilitar que investidores de perfil similar ― com objetivos
comuns, estratégias de investimento semelhantes e mesmo grau de tolerância a risco ― concentrem
recursos para aumentar seu poder de negociação e diluir os custos de administração, além de contarem
com profissionais especializados, dedicados exclusivamente à gestão dos recursos.

73
Unidade I

Já as desvantagens estão associadas ao fato de o investidor delegar a terceiros a administração de


seus recursos ― falta de autonomia na tomada de decisão, submissão a regras previamente estabelecidas
e à vontade da maioria dos cotistas, entre outras.

O texto acima trata de uma oferta de serviços ao investidor que necessita da intermediação
de um agente financeiro autorizado pelo Banco Central do Brasil (BACEN) e pela Comissão de
Valores Mobiliários (CVM) para operar diretamente na Bolsa de Valores. Este agente financeiro
é um(a):

A) Banco múltiplo.

B) Fundo de pensão.

C) Banco de investimento.

D) Sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários.

E) Sociedade corretora de títulos e valores mobiliários.

Resposta correta: alternativa E.

Análise das alternativas

A) Alternativa incorreta.

Justificativa: os bancos múltiplos são instituições financeiras privadas ou públicas que realizam as
operações ativas, passivas e acessórias das diversas instituições financeiras, por intermédio das seguintes
carteiras: comercial, de investimento e/ou de desenvolvimento, de crédito imobiliário, de arrendamento
mercantil e de crédito, financiamento e investimento.

B) Alternativa incorreta.

Justificativa: no Brasil, com origem nos anos 1960, os fundos de pensão foram criados para resolver
situações trabalhistas de funcionários de empresas estatais. Apresentam-se como uma fundação,
ou sociedade civil sem fins lucrativos, que, a partir da contribuição de participantes, resulta em um
patrimônio que gera renda ou pecúlio aos seus participantes.

C) Alternativa incorreta.

Justificativa: os bancos de investimento são instituições financeiras privadas especializadas em


operações de participação societária de caráter temporário, de financiamento da atividade produtiva
para suprimento de capital fixo e de giro e de administração de recursos de terceiros. Não possuem
contas correntes e captam recursos via depósitos a prazo, repasses de recursos externos, internos e
venda de cotas de fundos de investimento por eles administrados. As principais operações ativas são
74
ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA

financiamento de capital de giro e capital fixo, subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários,
depósitos interfinanceiros e repasses de empréstimos externos.

D) Alternativa incorreta.

Justificativa: as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob


a forma de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na
sua denominação social a expressão “Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários”. Algumas de
suas atividades são: intermediar a oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no
mercado; administrar e custodiar as carteiras de títulos e valores mobiliários; instituir, organizar e
administrar fundos e clubes de investimento; operar no mercado acionário, comprando, vendendo
e distribuindo títulos e valores mobiliários, inclusive ouro financeiro, por conta de terceiros; fazer a
intermediação com as bolsas de valores e de mercadorias; efetuar lançamentos públicos de ações;
operar no mercado aberto e intermediar operações de câmbio. São supervisionadas pelo Banco
Central do Brasil.

E) Alternativa correta.

Justificativa: as sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários são constituídas sob a forma
de sociedade anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. Dentre seus objetivos estão: operar
em bolsas de valores; subscrever emissões de títulos e valores mobiliários no mercado; comprar e vender
títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros; encarregar-se da administração de carteiras
e da custódia de títulos e valores mobiliários; exercer funções de agente fiduciário; instituir, organizar
e administrar fundos e clubes de investimento; emitir certificados de depósito de ações e cédulas
pignoratícias de debêntures; intermediar operações de câmbio; praticar operações no mercado de câmbio
de taxas flutuantes; praticar operações de conta margem; realizar operações compromissadas; praticar
operações de compra e venda de metais preciosos, no mercado físico, por conta própria e de terceiros;
operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros. São supervisionadas pelo
Banco Central do Brasil.

Questão 2 (Enade 2009). Se você for analisar a saúde financeira de uma empresa, mas dispuser de
pouco tempo, o que deve primordialmente observar?

A) Atividades de financiamento.

B) Atividades de investimento de longo prazo.

C) Fluxo de caixa livre gerado por atividades operacionais.

D) Lucro líquido (LL) da empresa.

E) Lucro operacional da empresa.

Resolução desta questão na plataforma.


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