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Revista Acadêmica Educação e Cultura em Debate

A EDUCAÇÃO COMO APARELHO IDEOLÓGICO DE DOMINAÇÃO CAPITALISTA: A DISCIPLINA QUE DOCILIZA CORPOS E MENTES

Halana Joyce Souza de Oliveira

Resumo: Esta pesquisa tem por objetivo analisar as relações de exploração do trabalho no mundo capitalista, discutir sobre o papel que a educação vem desempenhando neste cenário, como aparelho ideológico da classe dominante, assim como refletir acerca do real papel da educação frente às desigualdades impostas pela luta de classes no sistema capitalista. Buscar- se-á, deste modo, por intermédio da leitura dos autores Marx (2004), Gramsci (2001) e Chauí (1984) pensar sobre a relação entre homem, trabalho e educação, a fim de desvelar a face oculta da escola enquanto mecanismo de transformação social pelo viés da alienação e da inculcação dos ideais dominantes como únicos vigentes, de modo que as condições sociais e materiais da classe dominada sejam enxergadas como imutáveis. Analisar-se-á, ainda, no contato com o pensamento de Freire (2005), Tonet (2016), Rodrigues (2007) e Althusser (2007), os meios pelos quais a escola pode configurar como mecanismo de redenção e/ou de autonomia frente às desigualdades impostas pelo capitalismo.

Palavras-Chave: Capitalismo. Educação. Trabalho. Alienação.

INTRODUÇÃO

O intuito desta pesquisa é analisar os aspectos alienantes do processo educacional

frente às desigualdades ocasionadas pelo capitalismo. Buscar-se-á compreender os

pormenores de um sistema educacional rendido aos moldes impostos pelo sistema capitalista.

Para assim pensar criticamente sobre como a educação no sistema capitalista não se configura

em um espaço de debate, reflexão e saber, opondo-se totalmente aos ideais utópicos

veiculados a seu respeito. Em contrapartida, têm-se uma educação voltada a servir e atender

às necessidades dos capitalistas, servindo à classes dominantes como mero aparelho

ideológico, no qual a repetição de conteúdos programáticos toma o espaço da reflexão crítica,

da análise sociológica e da busca pela construção da identidade e consciência de classe.

Dito isto, fez-se desafio a reflexão acerca da maneira como a mão-de-obra, fator

fundamental na produção e obtenção do lucro, é forjada nos mesmos moldes da produção

fabril, ou seja, é possível que a educação esteja configurada no mesmo modelo de produção

capitalista de uma fábrica, produzindo, ao invés de pensadores críticos e conscientes de seu

tempo, trabalhadores obedientes e alienados que irão contribuir para a manutenção e

perpetuação das desigualdades estabelecidas entre as classes.

Graduada em Pedagogia pela Faculdade Alfredo Nasser no semestre letivo 2018/2.

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Daí a importância de se pensar sobre o tema proposto, a fim de compreender melhor o meio social. É fundamental para tanto entender o real papel da educação frente às desigualdades sociais e à exploração burguesa sobre as classes menos abastadas. Para que, partindo deste princípio, se possa buscar compreender a maneira como a educação é condicionada à estrutura do capitalismo. Pensar sobre o que o sistema de ensino está ensinando e a serviço de quem se aprende. Refletir sobre como o espaço escolar, que, em tese, é enxergado por muitos como lugar de reflexão, adéqua-se ao modelo industrial capitalista. E, assim, buscar pensar sobre possíveis maneiras de amenizar os impactos de um ensino excludente, a favor de um espaço educacional justo, imparcial e equitativo.

1. O CAPITALISMO E A REIFICAÇÃO DO SER

Nas mais diversas definições do conceito de trabalho, desde as mais simples às mais complexas, é lugar comum a relação entre a natureza humana e a transformação que o homem produz na natureza mediante seus esforços. Tais concepções compreendem o trabalho como elemento intrínseco à humanidade. O trabalho é visto como elemento essencial para a construção e transformação do espaço. E, logo, na construção humana como reflexo do meio construído individual ou coletivamente. Segundo Marx, nos Manuscritos Econômico-Filosóficos, o trabalho humano é o que diferencia os indivíduos dos demais animais, tornando-os conscientes de si mesmos, a ponto de cada sujeito se ver como produtor de sua própria existência material que, por sua vez, reflete na essência espiritual.

O engendrar prático de um mundo objetivo, a elaboração da natureza inorgânica é a prova do homem enquanto ser genérico consciente, isto é, um ser que se relaciona com o gênero enquanto sua própria essência ou [se relaciona] consigo enquanto ser genérico. É verdade que também o animal produz. Constrói para si um ninho, habitações, como a abelha, castor, formiga etc. No entanto, produz apenas aquilo de

que necessita imediatamente para si ou sua cria; produz unilateral[mente], enquanto

Precisamente por isso, na elaboração do

o homem produz universal[mente]; [

mundo objetivo [é que] o homem se confirma, em primeiro lugar e efetivamente, como ser genérico. Esta produção é a sua vida genérica operativa. Através dela a natureza aparece como sua obra e a sua efetividade (Wirklichkeit). O objeto do trabalho é portanto a objetivação da vida genérica do homem: quando o homem se

duplica não apenas na consciência, intelectual[mente], mas operativa, efetiva[mente], contemplando-se, por isso, a si mesmo num mundo criado por ele. (MARX, 2004, p. 85)

]

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O trabalho humano permite-lhe relacionar-se com o gênero humano enquanto sociedade, relacionar-se consigo mesmo quanto pertencente à humanidade e relacionar-se com o objeto de sua criação como reflexo desta humanidade, para que assim possa contemplar um mundo criado por seu próprio esforço. No entanto, o capitalismo que tem como força motriz a exploração do homem pelo homem alterou as relações dos sujeitos para com o trabalho. Aqueles que possuem as condições necessárias para produzir, donos dos meios de produção, oferecem aos não possuidores a oportunidade do trabalho assalariado. Desta forma, surge assim, a classe trabalhadora que troca sua força de trabalho (trabalho alienado) por dinheiro.

Na particularidade capitalista a atividade produtiva do homem só se manifesta

enquanto trabalho assalariado. Isto implica que o objeto de produção e o produto do trabalho (trabalho que se objetivou) não pertencem ao trabalhador, lhe são retirados pelo capitalista, o qual detém a propriedade privada dos meios de produção e, logo, dos meios de vida do trabalhador. Seu produto lhe aparece então como estranho:

o objeto (Gegenstand) que o trabalho produz, o seu produto, se lhe defronta

“[

como um ser estranho, como um poder independente do produtor” (MARX, 2004,

80).

]

A propriedade privada propiciou, num cenário capitalista, a dominação do homem sobre o homem por meio do trabalho. Aquele que possui os meios necessários para produzir e transformar não é o mesmo que produz e transforma, ocasionando, assim, um distanciamento e estranhamento entre o homem e o trabalho. Aquele que fabrica não é mais o fabricante e aquele a quem pertence o objeto fabricado não é mais o que fabricou. Configura-se assim o trabalho alienado.

] [

ápice: de um lado, os proprietários privados do capital (portanto dos meios, condições e instrumentos da produção e da distribuição), que são também os proprietários do produto do trabalho, e, de outro lado, a massa dos assalariados ou dos trabalhadores despossuídos, que dispõem exclusivamente de sua força de trabalho, que vendem como mercadoria ao proprietário do capital. (CHAUÍ, 1984,

p.63)

a propriedade privada capitalista. Aqui a divisão social do trabalho alcança seu

Nesse sentido ocorre a reificação do ser. A estrutura trabalhista no capitalismo desenvolveu uma relação entre empregado e empregador, na qual o sujeito foi transformado em mercadoria. Neste caso, a mercadoria lhe causa estranhamento, ao passo que o sujeito não mais consegue se reconhecer quanto ser genérico no objeto fabricado.

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Consequentemente, quando arranca (entreisst) do homem o objeto de sua produção,

o trabalho estranhado arranca-lhe sua vida genérica, sua efetiva objetividade

genérica (wirkliche Gattungsgegenständlichkeit) e transforma a sua vantagem em relação ao animal na desvantagem de lhe ser tirado o seu corpo inorgânico, a

natureza” (MARX, 2004, p. 85).

Desse modo, o trabalho como resultado da produção do meio pelo homem é substituído pelo trabalho alienado. A alienação do trabalho acarreta no distanciamento do homem consigo mesmo, como se a produção material interviesse diretamente na produção espiritual.

O trabalho externo, o trabalho no qual o homem se exterioriza, é um trabalho de

autossacrifício, de mortificação. Finalmente, a externalidade (Äusserlichkeit) do trabalho aparece para o trabalhador como se [o trabalho] não fosse seu próprio, mas de outro, como se [o trabalho] não lhe pertencesse, como se ele no trabalho não

Esta relação é a relação do trabalhador

com a sua própria atividade como uma [atividade] estranha, não pertencente a ele, a atividade da miséria, a força como impotência, a procriação como castração. A energia espiritual e física própria do trabalhador, a sua vida pessoal pois o que é a vida senão atividade como uma atividade voltada contra ele mesmo, independente dele, não pertencente a ele. O estranhamento-de-si (Selbstentfremdung), tal qual acima o estranhamento da coisa. (MARX, 2004, p. 83)

pertencesse a si mesmo, mas a um outro. [

]

Segundo Marx e Engels (2007) no período medieval o trabalho ainda possuía caráter humano, uma vez que o trabalhador, ao executá-lo, sentia-se inteiramente ligado ao seu objeto de trabalho. Diferente do trabalhador moderno que tem no objeto de trabalho apenas o meio de obtenção de seu salário. A indústria moderna distanciou o trabalhador da concepção genérica de trabalho. O caráter satisfatório do trabalho deu lugar ao descontentamento do trabalhador que não se reconhece em sua produção.

É por isso que, nos artesãos medievais, ainda se encontrava um interesse por seu

trabalho específico e pela habilidade em executá-lo, o que muitas vezes podia elevar-se até a um limitado sentido artístico. Mas é por isso, também, que cada artesão medieval estava plenamente absorvido em seu trabalho, tinha com ele uma

aprazível relação servil e estava mais submetido a ele do que o trabalhador moderno,

para quem seu trabalho é indiferente [

tem em todas as nações o mesmo interesse e na qual toda nacionalidade já está destruída; uma classe que, de fato, está livre de todo o mundo antigo e, ao mesmo tempo, com ele se defronta. A grande indústria torna insuportável para o trabalhador não apenas a relação com o capitalista, mas sim o próprio trabalho. (MARX; ENGELS, 2007, p.61)

A grande indústria criou uma classe que

]

Essas transformações nas relações de trabalho, advento do sistema capitalista, são frutos da divisão social de classes. A classe detentora do poder que, no caso do capitalismo, é a classe que detém os meios necessários para a produção e fabricação de produtos com o objetivo de gerar lucro e a classe não possuidora dos meios de produção que para satisfazer suas

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necessidades básicas, não possuindo meios para tal feito, fica a depender do trabalho que lhes é ofertado trocam a única coisa que lhes é cabível por outra coisa, o dinheiro. Nas palavras dos autores:

O proletário, por exemplo, que, como qualquer outro ser humano, tem a vocação de satisfazer as suas necessidades e que não consegue satisfazer nem mesmo as necessidades que tem em comum com qualquer outro ser humano, que é subjugado pela obrigatoriedade da jornada de trabalho de catorze horas diárias no mesmo nível do animal de carga, rebaixado pela concorrência à condição de coisa, de mercadoria, que é desalojado de sua posição de mera força produtiva, a única que lhe deixaram, por outras forças produtivas mais poderosas este proletário tem, já por isso, a missão real de revolucionar suas condições. É claro que ele pode conceber isso como sua “vocação”; ele também pode, caso queira fazer propaganda, expressar essa sua “vocação” de tal maneira que a vocação humana do proletário seja fazer isto e aquilo, tanto mais porque sua posição não lhe permite satisfazer nem mesmo as necessidades que decorrem de sua condição natural mais imediata. (MARX; ENGELS, 2007, p.280)

No modo de produção capitalista o homem não é mais visto como indivíduo, mas como mão-de-obra, fonte de riquezas para aquele que paga por seu trabalho. Segundo Lombardi, Saviani e Sanfelice (2002) Gaudêncio Frigotto afirma que:

Diferente do animal, que vem regulado por relações causais, programado por sua natureza, e por isso não projeta sua existência, não a modifica, mas se adapta e responde instintivamente ao meio, os seres humanos criam e recriam, pela ação consciente do trabalho, sua própria existência. O trabalho humano, enquanto

atividade consciente, não é de caráter causal, mas teleológico. Engendra, por isso,

Não se trata, porém, de uma escolha isolada, fora de

condições históricas socialmente construídas. Trata-se da célebre tese de Marx de que “os homens fazem a história, mas não em condições escolhidas por eles”. As condições não escolhidas se referem a um conjunto de determinações que produziram uma determinada estrutura e superestrutura social que nos condiciona. Não se trata, porém de uma estrutura e superestrutura produzidas por uma

opção, escolha e liberdade. [

]

causalidade relacionada às forças da natureza, mas de um processo teleológico tecido nas relações de força ou de poder entre os próprios seres humanos. (FRIGOTTO, 2002, p. 63).

O trabalhador, sujeitado a essa estrutura pré-determinada de relações de trabalho, ainda se vê de certa forma agradecido pela oportunidade de ter um emprego. É uma relação de dependência, na qual o empregador detentor dos meios de produção ao empregar o trabalhador imagina fazer a este uma espécie de favor social. Isso ocorre principalmente mediante a concorrência por vagas entre os próprios trabalhadores e a baixa oferta de empregos, decorrente da implantação crescente de técnicas de produção cada vez mais avançadas, por meio das quais o homem é substituído em larga escala por equipamentos mais eficientes e com menor custo de produção para a burguesia.

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Um incremento no capital humano individual aumenta as condições de empregabilidade do indivíduo, o que não significa, necessariamente que por aumentar suas condições de empregabilidade, todo indivíduo terá seu lugar

Simplesmente, porque no mercado não há lugar para

todos. “Empregabilidade” não significa, então, para o discurso dominante, garantia

garantido no mercado [

]

de integração, se não melhores condições de competição para sobreviver na luta pelos poucos empregos disponíveis: alguns sobreviverão, outros não. (GENTILI, 2002, p. 54).

Essa parcela de seres humanos vende a sua força de trabalho em troca dos subsídios necessários à obtenção dos recursos mínimos para a sua sobrevivência, como moradia, alimentação e vestuário. Apesar da relação de exploração entre as classes, a sociedade de massas, maior parte da população, se mantém refém deste processo. Submissa, aceita a realidade na qual está inserida como verdade absoluta e vê no modo como vive o único possível.

os indivíduos não podem perceber que a realidade da classe decorre da

atividade de seus membros. Pelo contrário, a classe aparece como uma coisa em si e por si e da qual o indivíduo se converte numa parte, quer queira, quer não. É uma fatalidade do destino. (CHAUÍ, 1984, p.78)

] [

Parte deste controle social é possibilitada pelo fato de que a classe dominante vende, através de um processo ideológico, suas ideias como universais. A ideologia dominante aparece como a única válida no imaginário coletivo e serve como mecanismo de alienação e submissão da classe dominada perante os ideais elaborados pelos dominantes.

As ideias da classe dominante são, em cada época, as ideias dominantes, isto é, a classe que é a força material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, sua força espiritual dominante. A classe que tem à sua disposição os meios da produção material dispõe também dos meios da produção espiritual, de modo que a ela estão submetidos aproximadamente ao mesmo tempo os pensamentos daqueles aos quais faltam os meios da produção espiritual. As ideias dominantes não são nada mais do que a expressão ideal a das relações materiais dominantes, são as relações materiais dominantes apreendidas como ideias; portanto, são a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante, são as ideias de sua dominação. (MARX; ENGELS, 2007, p.48)

Parte deste processo ideológico, a ideia da meritocracia. No mundo capitalista, a competição é enxergada pelos sujeitos como elemento natural. É fato que o ser humano, por sua natureza animal, compete com outros desde seu estado primitivo. Entretanto, a ideia que é vendida e aceita pela classe explorada é a de que existe igualdade neste processo competitivo.

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A ideologia dominante prega a ilusão de que, através de seus esforços, qualquer indivíduo conseguirá atingir altos patamares sociais na sociedade na qual está inserido. Faz parte da mentalidade do proletariado a ideia de que sua situação de subordinado é passageira, fruto de seu desempenho, relacionada ao tamanho de seu esforço e que, no entanto, depende apenas dele a obtenção dos meios necessários para melhorar sua condição de vida.

A ideologia burguesa, através de seus intelectuais, irá produzir ideias que confirmem

essa alienação, fazendo, por exemplo, com que os homens creiam que são desiguais por natureza e por talentos, ou que são desiguais por desejo próprio, isto é, os que honestamente trabalham enriquecem e os preguiçosos, empobrecem. Ou, então, faz com que creiam que são desiguais por natureza, mas que a vida social, permitindo a todos o direito de trabalhar, lhes dá iguais chances de melhorar ocultando, assim, que os que trabalham não são senhores de seu trabalho e que, portanto, suas “chances de melhorar” não dependem deles, mas de quem possui os meios e

condições do trabalho. Ou, ainda, faz com que os homens creiam que são desiguais por natureza e pelas condições sociais, mas que são iguais perante a lei e perante o Estado, escondendo que a lei foi feita pelos dominantes e que o Estado é instrumento dos dominantes.(CHAUÍ, 1984, p.78-79)

Neste cenário, burguesia e Estado trabalham juntos. Um financiando os interesses do outro. Toda classe que alcança o poder produzirá meios para se manter no poder. O poder que o Estado possui, de decisão e criação de leis, é muita das vezes, refém do poder financeiro das grandes corporações. O que move o mundo capitalista é o capital e, nesta realidade, o dinheiro compra e transforma até mesmo as ideias.

Os burgueses pagam bem o seu Estado e fazem com que a nação inteira também o faça para que eles, os burgueses, possam pagar mal sem correr perigo; eles asseguram para si, mediante bom pagamento aos serviçais do Estado, uma força protetora, uma polícia; eles contribuem de bom grado e fazem toda a nação pagar altos tributos para que eles possam, sem correr riscos, descontar novamente dos seus trabalhadores, como tributo (como desconto do salário), aquilo que pagaram. (MARX; ENGELS, 2007, p. 198)

O Estado serve assim aos interesses da burguesia. E se coloca muita das vezes como mecanismo de alienação. Propaga os ideais dominantes como se fossem interesses gerais. Criam leis que os beneficiam, dissemina sua ideologia como se fosse para o bem geral e promovem uma política ideológica que oprime e dá poder a quem se quer oprimir e a quem paga por poder.

O Estado aparece como a realização do interesse geral (por isso Hegel dizia que o

Estado era a universalidade da vida social), mas, na realidade, ele é a forma pela

qual os interesses da parte mais forte e poderosa da sociedade (a classe dos

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proprietários) ganham a aparência de interesses de toda a sociedade. (CHAUÍ, 1984,

p.69)

A concepção que faz parte do imaginário coletivo da classe dominada é de que, sob o domínio da burguesia, são mais livres que antes, uma vez que o emprego garante a estes os recursos mínimos para sua sobrevivência, que outrora eram incertos e duvidosos. Porém, a realidade é que o proletariado vive uma falsa liberdade, em um mundo que, apesar de ser criado através do seu trabalho, não reflete suas vontades e no qual o indivíduo, construtor do meio no qual está inserido, não se reconhece enquanto construtor. Um lugar em que as coisas fabricadas não espelham o reflexo do fabricante, onde o artesão, o construtor, o operário não passam de uma coisa.

2. CAPITALISMO, ALIENAÇÃO E EDUCAÇÃO

Segundo Marx, a sociedade capitalista é resultado do domínio da classe burguesa sobre a classe proletariada. Para ele, toda a história humana se resume nesse jogo de dominação social. A história da humanidade baseia-se na disputa pelo poder entre as camadas sociais. Através de uma luta incessante as classes intercalam-se no poder durante todo o curso da existência humana.

A história de todas as sociedades até hoje existentes é a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor feudal e servo, burgueses de corporação e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que terminou sempre ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em conflito. (MARX, ENGELS, 2005,

p.40)

Através de seu trabalho, o homem transformou por milênios o meio social ao qual esteve inserido. Essas transformações, por sua vez, transcendem gerações e influenciam os homens em seu pensamento e aprendizado, geração após geração. Desse modo, o homem de seu tempo parece possuir uma visão embaçada da realidade na qual está inserido. Segundo Rodrigues, o trabalhador não reconhece a relação de exploração a que está sujeitado e assimila tal realidade como a única possível.

Na cabeça dos homens que vivem sob este sistema, isso é percebido, no plano das ideias, como algo normal, natural. Ao trabalhador lhe parece natural que certas pessoas tenham que trabalhar em troca de um salário para viver, como se isso

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sempre houvesse existido e, mais ainda, como se tivesse que continuar existindo para sempre. Esse indivíduo não vê a sociedade capitalista como uma sociedade historicamente construída pela luta entre uma classe com intenção de ser a classe dominante e outras classes, que acabaram sendo submetidas a esta. (RODRIGUES, 2007, p.37)

Essa concepção de mundo pronto e acabado, como se a realidade fosse imutável, expressa a representação dos ideais dominantes propagados pelo senso comum como verdade absoluta. A classe dominante de seu tempo dissemina suas ideias como universais e estas, por sua vez, são absorvidas pela classe dominada e assimiladas com um único propósito: manté-la sob controle.

toda nova classe que toma o lugar de outra que dominava anteriormente é

obrigada, para atingir seus fins, a apresentar seu interesse como o interesse comum de todos os membros da sociedade, quer dizer, expresso de forma ideal: é obrigada a dar às suas ideias a forma da universalidade, a apresentá-las como as únicas racionais, universalmente válidas. (MARX; ENGELS, 2007, p. 48)

] [

Toda classe que assume o poder busca, através da dominação, manter-se no poder. Isso ocorre de maneira ostensiva e na maioria das vezes de maneira silenciosa, ideológica. Para isso, a classe dominante conta com um aparelho ideológico irrefutável, a escola. A educação figura neste cenário como mecanismo de afirmação das ideologias dominantes, auxiliando na disseminação de sua cultura como única e universal.

Os Aparelhos ideológicos de Estado funcionam de um modo massivamente prevalente pela ideologia, embora funcionando secundariamente pela repressão, mesmo que no limite, mas apenas no limite, esta seja bastante atenuada, dissimulada ou até simbólica. (Não há aparelho puramente ideológico). Assim a escola e as Igrejas <educam> por métodos apropriados de sanções, de exclusões, de seleção, etc., não só os seus oficiantes, mas as suas ovelhas. (ALTHUSSER, 2007, p. 47)

A classe dominada é insistentemente atacada por silenciosos e penetrantes açoites simbólicos, que são deferidos com uma única finalidade, manter a ordem social estabelecida. Segundo Althusser, várias são as estratégias dominantes para difundir seus ideais. A família, a igreja, o exército, mas nenhum tão eficaz quanto a escola.

Grande número destas virtudes contrastadas (modéstia, resignação, submissão, por um lado, cinismo, desprezo, altivez, segurança, categoria, capacidade para bem-falar e habilidade) aprende-se também nas Famílias, nas Igrejas, na Tropa, nos Livros, nos filmes e até nos estádios. Mas nenhum Aparelho Ideológico de Estado dispõe durante tanto tempo da audiência obrigatória (e ainda por cima gratuita) (ALTHUSSER, 2007, p. 66)

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Por meio de uma educação técnica voltada a atender às necessidades do mercado de trabalho, a escola vende a ideia de um mundo em que o trabalho é, de fato, o caminho mais provável, quando não, o único. Todo o apanhado de regras a que os alunos são submetidos causa a sensação de destinação e submissão necessárias para que a ordem estabelecida seja vista como natural.

A escola ensina também as <regras> dos bons costumes, isto é, o comportamento que todo o agente da divisão do trabalho deve observar, segundo o lugar que está destinado a ocupar: regras da moral, da consciência cívica e profissional, o que significa exatamente regras de respeito pela divisão social-técnica do trabalho, pelas regras da ordem estabelecida pela dominação de classe. (ALTHUSSER, 2007, p. 21)

Não se pode negar, contudo, a existência de uma dicotomia na educação atual. Enquanto a classe dominada recebe uma educação técnica em escolas sucateadas com caráter puramente profissionalizante, a classe dominante recebe uma educação elitizada mais completa e complexa, com a finalidade de manter a desigualdade social e aumentar o distanciamento intelectual e cultural entre dominante e dominado.

Na escola atual, em função da crise profunda da tradição cultural e da concepção da vida e do homem, verifica-se um processo de progressiva degenerescência: as escolas de tipo profissional, isto é, preocupadas em satisfazer interesses práticos imediatos, predominam sobre a escola formativa, imediatamente desinteressada. O aspecto mais paradoxal reside em que este novo tipo de escola aparece e é louvado como democrático, quando na realidade, não só é destinado a perpetuar as diferenças sociais, como ainda a cristalizá-las em formas chinesas. (GRAMSCI, 2001, p. 49).

Para Gramsci (2001), a escola não pode ser dividida em classes. O autor defende a ideia de escola unitária, sem distinção entre os valores absorvidos por classes diferentes, para que desta forma cada classe possa produzir seus próprios intelectuais. Segundo Rodrigues,

Fica claro que a preocupação de Gramsci é abrir a todas as classes, e não apenas às dominantes, a capacidade de formar seus próprios intelectuais, pois sem isso a luta pelo poder fica extremamente desequilibrada nas sociedades complexas. Se todos não tiverem acesso a uma escola que lhes permita uma formação cultural básica, que possa ser eventualmente expandida em seguida, a "batalha das ideias’' vai ser sempre ganha pelas classes dominantes. (RODRIGUES, 2007, p. 80)

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Assim, torna-se inevitável a formação de uma consciência coletiva pouco lúcida e esclarecida, distante de uma consciência de classe que possa defender o interesse dos trabalhadores e que lute por uma possível ascensão. O espaço escolar deveria ser o lugar propício para o desenvolvimento da tomada de consciência e do esclarecimento intelectual dos sujeitos. No entanto, até mesmo a figura do professor, que remete ao esclarecimento intelectual, aparece na maioria dos casos, na luta de classes, como mera ferramenta de perpetuação dos interesses de uma classe que não é a dele. Segundo Althusser, são raros os professores, que lutam pelo fim da perpetuação das desigualdades, pois a maioria sequer tem consciência deste processo.

Peço desculpa aos professores que, em condições terríveis, tentam voltar contra a ideologia, contra o sistema e contra as práticas em que este os encerra, as armas que podem encontrar na história e no saber que «ensinam». Em certa medida são heróis. Mas são raros, e quantos (a maioria) não têm sequer um vislumbre de dúvida quanto ao «trabalho» que o sistema (que os ultrapassa e esmaga) os obriga a fazer, pior, dedicam-se, inteiramente e em toda a consciência à realização desse trabalho (os famosos métodos novos!). Têm tão poucas dúvidas, que contribuem até pelo seu devotamento a manter e a alimentar a representação ideológica da Escola que a torna hoje tão «natural», indispensável-útil e até benfazeja aos nossos contemporâneos, quanto a Igreja era «natural», indispensável e generosa para os nossos antepassados

de há séculos. (ALTHUSSER, 2007, p. 67-68)

Chega-se, assim, à concepção de intelectual orgânico de Gramsci. O intelectual orgânico, como sujeito transformador social, defende sua classe e os valores que ela produz em si, não estimulando a luta pela ascensão de classes, mas pelos valores intrínsecos contidos em seu próprio espaço como abrangentes e significativos, em um contexto amplo e universalizado. Rodrigues afirma que,

A burguesia, as classes dominantes em geral, possuem seus intelectuais orgânicos,

cuja função é fazer com que todos pensem com a cabeça da classe dominante, inclusive e principalmente os dominados. Esta é a fonte da persuasão, do convencimento, enfim, da hegemonia da classe burguesa. Do mesmo modo, os dominados, a classe trabalhadora, possuem seus intelectuais, cujo objetivo é desenvolver a concepção de uma contra-hegemonia. (RODRIGUES, 2007, p. 78)

Frente a todo esse emaranhado de aparelhos ideológicos, o intelectual orgânico, que pode ser materializado na figura do professor, tem a função de buscar meios para que se estabeleça uma relação igualitária entre as classes. Sua luta não deve ser em busca de uma ascensão da classe dominada sobre a classe dominante. O que se espera é que, mesmo frente

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às desigualdades impostas pela exploração de uma classe sobre a outra através da

manipulação dos meios de produção, a classe dominada não acabe por internalizar de forma

errônea a ideia de que a única maneira de se emancipar deste processo aprisionador é se

tornando classe dominante. Segundo Paulo Freire,

O ser menos leva os oprimidos, cedo ou tarde, a lutar contra quem os fez menos. E

esta luta somente tem sentido quando os oprimidos, ao buscarem recuperar sua

humanidade, que é uma forma de criá-la, não se sintam opressores, nem se tornem, de fato, opressores dos opressores, mas restauradores da humanidade em ambos. E

está a grande tarefa humanista e histórica dos oprimidos libertar-se a si mesmos

e

aos opressores. (FREIRE, 2005, p. 40)

Entretanto, é preciso observar que, apesar de o professor ser caracterizado como uma

figura pública, e de sua função poder ser exercida em diferentes lugares dentro do espaço

social, existe um lugar específico onde seu papel possui maior relevância e visibilidade: a

escola. O espaço escolar deveria permitir com maior intensidade que o professor

desempenhasse sua função enquanto intelectual orgânico, quando, no entanto, este se encontra

limitado e refém de um sistema educacional condicionado às necessidades capitalistas.

3.

A

CAPITALISTAS

EDUCAÇÃO

CONTEMPORÂNEA

CONDICIONADA

ÀS

NECESSIDADES

A educação, em muitos casos, é vista como mecanismo de redenção social. É lugar

comum depositar na educação a esperança de um futuro melhor. É atribuída à escola a tarefa de

ascender socialmente o indivíduo que, por meio de seus esforços e de seu merecimento. poderá

alcançar patamares elevados na sociedade em que vive.

Todavia, faz-se necessário salientar que os valores atribuídos à educação não se

relacionam com os fins a que esta instituição está condicionada. O progresso que se almeja

alcançar, mediante a quantidade de horas acadêmicas ou de certificados adquiridos, não passa

de utopia. Segundo o autor:

O que incorpora à sua prática é a ideia de progresso pessoal como algo cumulativo e

carente de limites, através da experiência da soma de anos de escolaridade, matérias cursadas, créditos, títulos, etc., e de sua sempiterna insuficiência. Por outro lado, não

é difícil associar à escola a convicção de que qualquer tempo futuro será melhor:

frente ao cinza do presente escolar, o futuro de trabalho pode parecer pintado com

todas as cores do arco-íris; e, mesmo que se o anteveja cinza, pelo menos será remunerado. (ENGUITA, 1989, p. 179).

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O espaço escolar passa a ser a esperança de ascensão econômica de milhares de

pessoas das classes financeiras menos favorecidas dentro do sistema capitalista, chamada por Marx de Proletariado. Entretanto, a rotina escolar nada mais é para o autor do que um preparatório para o mercado de trabalho, onde crianças e jovens são ensinados, desde cedo, a adaptar-se à rotina de trabalho imposta pelas fábricas. No sistema capitalista, o trabalhador, através de uma rotina desgastante, enriquece o empresário, seja ele um operário de uma fábrica ou um professor em uma escola. Segundo Marx, no mundo capitalista, em uma instituição de ensino privada, por exemplo, o ensino é visto como mercadoria e o professor como o operário.

Se for permitido escolher um exemplo fora da esfera da produção material, então um mestre-escola é um trabalhador produtivo se ele não apenas trabalha as cabeças das crianças, mas extenua a si mesmo para enriquecer o empresário. O fato de que este último tenha investido seu capital numa fábrica de ensinar, em vez de numa fábrica de salsichas, não altera nada na relação (MARX, 2011, p. 706-707).

Segundo Marx (2011), no sistema capitalista, o controle social é exercido pelas pessoas que detêm o maior poder financeiro, ou seja, a classe mais alta economicamente, chamada pelo autor de Burguesia. O Proletariado vende sua força de trabalho para a Burguesia em troca de dinheiro. Os donos dos meios de produção, através da exploração desta força de trabalho, acumulam riquezas, enquanto o trabalhador garante, com o trabalho oferecido, apenas a sua subsistência. Para Marx:

No mercado, o que se contrapõe diretamente ao possuidor de dinheiro não é, na realidade, o trabalho, mas o trabalhador. O que este último vende é sua força de trabalho. Mal seu trabalho tem início efetivamente e a força de trabalho já deixou de lhe pertencer, não podendo mais, portanto, ser vendida por ele. O trabalho é a substância e a medida imanente dos valores, mas ele mesmo não tem valor nenhum. (MARX, 2011, p. 742).

A organização do sistema capitalista quebra toda a possibilidade de resistência por

parte da classe operária que, mesmo compondo a maior parte da população, mantém-se dominada por uma minoria burguesa. Neste sentido, a educação figura como um dos principais mecanismos de dominação social no sistema capitalista. Nas palavras do autor, mediante a “coerção muda”, a classe dominante sela o domínio capitalista sobre o trabalhador.

Não basta que as condições de trabalho apareçam num pólo como capital e no outro como pessoas que não têm nada para vender, a não ser sua força de trabalho.

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Tampouco basta obrigá-las a se venderem voluntariamente. No evolver da produção capitalista desenvolve-se uma classe de trabalhadores que, por educação, tradição e hábito, reconhece as exigências desse modo de produção como leis naturais e evidentes por si mesmas. (MARX, 2011, p.983).

Desse modo, a educação se configura refém do sistema capitalista. Um treinamento

sobre como seguir regras e se adaptar ao tempo do relógio, usar uniformes, fazer filas e seguir

as instruções do chefe sem esclarecimento intelectual, apenas cumprindo rotinas enfadonhas e

tarefas complexas das quais nem se faz ideia de sua funcionalidade. Segundo o autor:

as relações sociais em seu

interior preparam os indivíduos para aceitar e incorporar-se sem muitas fricções às relações de produção, mais exatamente, às relações ou ao processo de trabalho

dominantes. (ENGUITA, 1989, p. 191).

A escola, entretanto, exerce um importante papel. [

]

Assim, a classe operária assume seu papel, internalizando os discursos de um futuro

melhor, obtido através de uma educação redentora e indispensável ao sucesso futuro.

Entretanto, o que se percebe é uma educação seletiva, elitista e meritocrática, que prepara

desde a infância a criança para aceitar esta realidade sem que nenhum questionamento ou

movimento contrário adquira maior relevância.

4.

O SISTEMA DE ENSINO A SERVIÇO DA REPRODUÇÃO DOS VALORES DA CLASSE DOMINANTE

O trabalho sempre esteve vinculado à humanidade. Através dele, o homem obteve seu

sustento e os meios cabíveis para alcançar o progresso que se vislumbra hoje. Ainda através

do trabalho, foram formados os laços entre os sujeitos e forjada a sociedade humana. No

mundo antigo, ainda que o trabalho fosse destinado às classes inferiores, girava em torno dele

uma atmosfera criativa e potencializadora das habilidades humanas. Nessa perspectiva, o

trabalho na sociedade capitalista moderna teve sua gênese alterada.

Com o crescimento do capitalismo e a divisão social em classes, o trabalho passou a

ser objeto de negação humana. O trabalho deixa de ser voltado para o atendimento às

necessidades humanas e adquire caráter de mera reprodução e acumulação do capital: o

indivíduo que possuir meios para não trabalhar é também o mais poderoso. Não trabalhar

passa a ser sinônimo de status, até mesmo diante daqueles que trabalham. Para Marx (apud

TONET, 2016, p. 77):

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A força de trabalho é, pois, uma mercadoria que seu proprietário, o trabalhador assalariado, vende ao capital. Para que? Para viver. Pois bem, a força de trabalho em ação, o trabalho mesmo, é a própria atividade vital do trabalhador, a própria manifestação da sua vida. E é esta atividade vital que ele tem que vender a outro para assegurar-se os meios de vida necessários. Quer dizer que sua atividade vital não é para ele mais do que um meio para poder existir. Trabalha para viver. O trabalhador nem sequer considera o trabalho parte da sua vida; para ele é muito mais

Para ele a vida começa ali onde terminam estas

um sacrifício da sua vida. [ atividades.

]

Na sociedade capitalista atual, a maioria da população é excluída do acesso aos produtos materiais que ela mesma ajudou a produzir. Para além dos bens materiais, é excluída ainda do acesso a aspectos espirituais, morais, artísticos, criativos e intelectuais, que passam a figurar como privilégios de poucos, não por seu esforço, mas pela simples acumulação do capital a qual esse grupo está vinculado.

Essa forma de trabalho foi denominada por Marx de “trabalho associado” ou “associação livre dos produtores livres”. Uma forma de trabalho que se caracteriza pelo domínio livre, consciente e coletivo dos produtores sobre o processo de produção e distribuição da riqueza. Na medida em que todos trabalhem, segundo as suas possibilidades, e possam apropriar-se daquilo de que necessitam, segundo as suas necessidades, estará posta a matriz para a justa articulação entre espírito e matéria, subjetividade e objetividade (TONET, 2016, p.78)

Neste cenário, figura a educação como elemento dominante de formação social. A classe dominante, chamada por Marx de burguesia, utiliza-se da educação como mecanismo de manutenção do seu poder na sociedade atual. Os valores ensinados na escola para crianças das classes menos abastadas, são superficiais e imbuídos de ideologias, com um único propósito: a formação de mão-de-obra para o capital. Com a entrada em cena da sociedade de classes, também a educação foi, por assim dizer, “sequestrada”, isto é, organizada, em seu conteúdo e em seus métodos, de modo a atender os interesses das classes dominantes. (TONET, 2016, p.

79)

A educação é configurada, assim, de maneira a reproduzir os valores da classe dominante, fazendo com que a classe dominada aproprie-se deles como se fossem seus. O conteúdo é ministrado nas escolas como se o aluno fosse um recipiente vazio, no qual todo aquele emaranhado de informações sobre como ele deve ser e agir é depositado.

Ora, a educação é um poderoso instrumento para a formação dos indivíduos. Mas, como já vimos, nas sociedades de classes ela é organizada de modo a servir à reprodução dos interesses das classes dominantes. Na sociedade capitalista isto é ainda mais forte e insidioso porque as aparências indicam que uma formação de boa

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qualidade é acessível a todos, enquanto a essência evidencia que tanto o acesso universal quanto a qualidade não passam de uma falácia. (TONET, 2016, p. 81)

Assim, é mantida a desigualdade que afeta a classe dominada e esta se mantém sob controle, aceitando seu destino, como se toda a segregação a qual é submetida fosse parte natural de sua existência.

Na realidade, a escola é hoje o principal mecanismo de legitimação meritocática de nossa sociedade, pois supõe-se que através dela tem lugar uma seleção objetiva dos mais capazes para o desempenho das funções mais relevantes, às quais se associam também recompensas mais elevadas. (ENGUITA, 1989, p. 192).

Paulo Freire (2005), ao desenvolver sua crítica à educação, utiliza-se do termo “educação bancária” para descrever o modelo de educação no qual o aluno é visto como recipiente vazio. Neste modelo, o conteúdo é depositado de modo direto, sem que haja a necessidade de problematizá-lo e contextualizá-lo. No segundo modelo de educação, chamado pelo autor de “educação problematizadora”, o conteúdo é apresentado de maneira a promover

o autoconhecimento, ou conhecimento de si mesmo e do mundo em que se encontra inserido

o sujeito capaz de desmitificar, por meio da reflexão crítica e do diálogo, o universo que o cerca. O autor argumenta sobre este aspecto:

Mais uma vez se antagonizam as duas concepções e as duas práticas que estamos analisando. A “bancária”, por óbvios motivos, insiste em manter ocultas certas razões que explicam a maneira como estão sendo os homens no mundo e, para isto, mistifica a realidade. A problematizadora, comprometida com a libertação, se empenha na desmitificação. Por isto, a primeira nega o diálogo, enquanto a segunda tem nele o selo do ato cognoscente, desvelador da realidade. (FREIRE, 2005, p. 83).

A educação não reflexiva é fruto do desejo da classe dominante de se manter no poder.

Por este motivo, é manipulada para que a maioria da população seja envolta em conteúdos aplicados de acordo com o que se deseja que aprendam. A verdade apresentada como absoluta mantém o universo do aluno finito e fácil de manobrar. Assim, mantém-se uma população

dócil e submissa, onde a maioria dominada serve aos interesses da minoria dominante.

5. EDUCAÇÃO PARA ALÉM DO CAPITALISMO

O homem, ao longo da história, através de suas relações naturais e culturais, produziu,

acumulou e transmitiu uma quantidade sem fim de informações e conhecimento por todo o globo. Faz parte da formação social humana se apropriar destes saberes acumulados, para que,

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assim, possam transformar o mundo em que se vive ao mesmo passo que o indivíduo é transformado por ele.

A educação é, certamente, uma das dimensões de grande importância para a reprodução social. Ela existe desde os primeiros momentos da vida social, pois, ao contrário dos animais, os homens não nascem sabendo o que devem fazer para se reproduzir socialmente. A educação é condição imprescindível para que os seres humanos singulares se tornem, de fato, membros do gênero humano. Por isso eles precisam se apropriar do patrimônio material e intelectual/cultural - acumulado, em cada momento, pela humanidade contribuindo, ao mesmo tempo, para a construção deste mesmo patrimônio. A forma e a medida em que este processo de apropriação/efetivação se derem nos permitirá aferir o estágio concreto em que se encontra o ser social. (TONET, 2012, p.144)

A educação configura-se, deste modo, como elemento específico do gênero humano na compreensão do mundo e dos sujeitos que nele habitam. No entanto, a educação ofertada nas escolas, educação transmitida através do ensino de conteúdos programáticos, robóticos e alienantes, representa, na verdade, o simples repasse dos valores da classe burguesa como universais, com o intuito de manter a classe trabalhadora imergida no modelo de dominação econômica capitalista.

Sem dúvida, é necessário que a classe trabalhadora tenha acesso ao conhecimento historicamente sistematizado e acumulado, pois sem o patrimônio cognitivo, tecnológico e artístico - amealhado até o momento pela humanidade seria, para ela, impossível tanto iluminar o processo da sua libertação como construir uma outra e superior forma de sociabilidade. A burguesia pode opor a isso inúmeros obstáculos, mas não pode impedir totalmente, pois isso significaria a sua própria morte! Contudo, ainda que este acesso da classe trabalhadora ao conhecimento historicamente sistematizado seja necessário, não é condição suficiente para embasar a luta pela sua emancipação. (TONET, 2012, p.146)

Far-se-á necessário, para além desta educação conteudista, pragmática e imbuída de valores intencionalmente pensados como anestesias sociais, pensar um modelo de ensino que atenda às necessidades imediatas dos discentes. Uma educação que utilize uma roupagem socialmente concreta, para que, assim, se possa intermediar uma relação entre discentes e o contexto social no qual estes estão inseridos.

Por que não estabelecer uma “intimidade” entre os saberes curriculares fundamentais aos alunos e a experiência social que eles têm como indivíduos? Por que não discutir as implicações políticas e ideológicas de um tal descaso dos dominantes pelas áreas pobres da cidade? A ética de classe embutida neste descaso? (FREIRE, 1996, p. 30)

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Neste cenário, faz-se de fundamental importância a figura do professor como intelectual formador de opiniões, mediador do conhecimento. Não apenas transmissor dos conteúdos, mas como orientador no sentido de conduzir o discente a pensar sobre si e sobre o meio no qual está inserido. Orientar sobre a importância da reflexão crítica e sobre o exercício da dúvida, fazer saber, como sugere Freire, que “uma das condições necessárias a pensar certo é não estarmos demasiado certos de nossas certezas.” (FREIRE, 1996, p.28).

Percebe-se, assim, a importância do papel do educador, o mérito da paz com que viva a certeza de que faz parte de sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos, mas também, ensinar a pensar certo. Daí a impossibilidade de vir a tornar-se um professor crítico se, mecanicamente memorizador, é muito mais um repetidor cadenciado de frases e de ideias inertes do que um desafiador. O intelectual memorizador, que lê horas a fio, domesticando-se ao texto, temeroso de arriscar-se, fala de suas leituras quase como se estivesse recitando-as de memória não percebe, quando realmente existe, nenhuma relação entre o que leu e o que vem ocorrendo no seu país, na sua cidade, no seu bairro. Repete o lido com precisão, mas raramente ensaia algo pessoal. Fala bonito de dialética, mas pensa mecanicistamente. Pensa errado. É como se os livros todos, a cuja leitura dedica tempo farto, nada devessem ter com a realidade de seu mundo. A realidade com que eles têm que ver é a realidade idealizada de uma escola que vai virando cada vez mais um dado aí, desconectado do concreto. (FREIRE, 1996, p. 27).

O modelo de ensino ofertado à classe trabalhadora tem seu alicerce na distinção de classes. Auxilia a burguesia na produção de mão-de-obra alienada, não somente pelo conteúdo oferecido, mas, pela forma como este é conduzido em sala de aula pelo professor. Uma das armadilhas mais eficazes deste sistema de ensino é a naturalização da exploração capitalista. O sujeito é impossibilitado de reconhecer as reais condições em que se materializa sua existência. Uma relação de exploração que, através da educação, é internalizada como realidade imutável.

A ideologia fatalista, imobilizante, que anima o discurso neoliberal anda solta no mundo. Com ares de pós-modernidade, insiste em convencer-nos de que nada podemos contra a realidade social que, de histórica e cultural, passa a ser ou a virar “quase natural”. Frases como “a realidade é assim mesmo, que podemos fazer?” ou “o desemprego no mundo é uma fatalidade do fim do século” expressam bem o fatalismo desta ideologia e sua indiscutível vontade imobilizadora. É importante ter sempre claro que faz parte do poder ideológico dominante a inculcação nos dominados da responsabilidade por sua situação. Daí a culpa que sentem eles, em determinado momento de suas relações com seu contexto e com as classes dominantes por se acharem nesta ou naquela situação desvantajosa. (FREIRE, 1996, p. 83)

Neste sentido, a educação deve adquirir um viés transformador. Far-se-á tarefa importante da prática decente promover de maneira integral a formação da consciência crítica e

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social dos discentes. Assim a educação, poderá, através da figura do professor enquanto intelectual orgânico da classe proletária, incutir nos sujeitos a ideia da consciência de classe, contra o individualismo e contra o fatalismo, mostrando-lhes a possibilidade de se assumir como agente transformador do mundo no qual estão inseridos.

Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar as condições em que os educandos em suas relações uns com os outros e todos com o professor ou a professora ensaiam a experiência profunda de assumir-se. Assumir-se como ser social e histórico, como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque capaz de amar. (FREIRE, 1996, p.

41)

Do mesmo modo que a escola serve aos interesses dominantes, ela também poderá servir ao desmantelamento deste sistema desigual. A educação segundo Freire, é “uma forma de intervenção no mundo. Intervenção que além do conhecimento dos conteúdos, bem ou mal ensinados e/ou aprendidos, implica tanto o esforço de reprodução da ideologia dominante, quanto o seu desmascaramento.” (FREIRE, 1996, p. 98). É preciso, no entanto, ter cuidado com os extremos. Esta transformação, por sua vez, não representa necessariamente um movimento de rebeldia, nem de tomada do poder de uma classe sobre outra, mas da importância de se ter consciência das classes estabelecidas para que se possa, a partir dessa percepção, evidenciar ações que amenizem as diferenças pela promoção gradual da equidade entre elas. Como nas palavras de Freire:

Não se trata obviamente de impor à população explorada e sofrida que se rebele, que se organize para defender-se, vale dizer, para mudar o mundo. Trata-se, na verdade, de simultaneamente com o trabalho específico de cada um desses campos, desafiar os grupos populares para que percebam, em termos críticos, a violência e a profunda injustiça que caracterizam sua situação concreta. Mais ainda, que sua situação concreta não é destino certo ou vontade de Deus, algo que não pode ser mudado. (FREIRE, 1996, p. 79-80)

A verdadeira e única luta na qual a educação não peca ao entrar, é a luta pela equidade de direitos, pelo respeito ao gênero humano em sua totalidade e da consciência e criticidade a respeito do mundo. E neste sentido fazer-se entender que por mais que este sistema pareça imutável, há no simples ato de reconhecê-lo, uma forma de protesto.

Tenho afirmado e reafirmado o quanto realmente me alegra saber-me um ser condicionado, mas capaz de ultrapassar o próprio condicionamento. A grande força sobre que alicerçar-se a nova rebeldia é a ética universal do ser humano e não a do mercado, insensível a todo reclamo das gentes e apenas aberta à gulodice do lucro. É a ética da solidariedade humana. (FREIRE, 1996, p. 129)

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Segundo Paulo Freire, o ideal do oprimido não deve jamais ser o de assumir o lugar dos que oprimem, mas libertar a si e aos oprimidos. Afinal, uma vez que uma classe usa de seu conhecimento para promover a dominação sobre a outra, o verdadeiro propósito da aventura da educação fracassou. Segundo Freire “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. (apud BIAGOLINI, 2009, p. 66).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento do presente estudo possibilitou a análise e reflexão acerca do papel

da escola e do professor em uma perspectiva que se mostra atual e condizente com a realidade do processo educacional na sociedade capitalista. A escola, pensada por este viés, foi apresentada como mera ferramenta de repetição, reprodução e alienação, fatores que a tornam distante da escola pensada como espaço de produção intelectual. Pôde-se desta forma, refletir acerca de vários aspectos referentes à prática educacional

no que diz respeito ao seu desígnio e ao modo como, de fato, ela é concretizada. Buscou-se, assim, entender as razões por que ela é ofertada de maneira diferente, de acordo com a classe social e com o perfil do aluno e da escola que este pertence. Entender as razões que levam a educação das classes menos abastadas a ensinar valores voltados a políticas elitistas como, por exemplo, a ideia da meritocracia, que defende uma verdade incorreta a respeito da ascensão social, vista como diretamente ligada ao tamanho do esforço do discente durante seu período escolar.

É fundamental compreender também que a educação ofertada para a classe proletária

baseia-se em princípios educativos voltados aos interesses dominantes e distantes da realidade do aluno, com o único propósito de reafirmar este distanciamento. Enquanto o que se espera do espaço escolar é que atenda de maneira igualitária a todas as classes. Com isso, pode-se refletir acerca das reais condições de ensino, as quais as classes menos abastadas estão sujeitas, para assim poder pensar estratégias para que as disparidades apontadas neste artigo possam ser amenizadas. Através de uma educação menos mecânica, entende-se que o aluno poderá ser conduzido a um esclarecimento e a uma maturidade intelectual que o permita enxergar as configurações reais do mundo no qual ele está inserido, a fim de que, partindo disso, seja possível para ele permear este sistema de maneira menos

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CONSIDERAÇÕES FINAIS273

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alienada e que, de modo mais consciente, crítico, por meio do enfrentamento da mera educação

disciplinadora de corpos e mentes alienadas.

Abstract: This research aims to analyze the relations of labor exploitation in the capitalist world, discuss the role that education has played in this scenario as the ideological apparatus of the ruling class, as well as to reflect on the real role of education in face of the inequalities imposed by the struggle of classes in the capitalist system. In this way, through the authors Marx (2004), Gramsci (2001), Chauí (1984), we try to think about the relation between man, work and education, in order to unveil the hidden side of the school as a mechanism of social transformation by the bias of alienation and inculcation of dominant ideals as unique. So that, through this, the conditions, social and material, of the dominated class are seen by them as immutable. It will also be analyzed through Freire (2005), Tonet (2016), Rodrigues (2007), Althusser (2007) the means by which the school can be configured as a mechanism of redemption and / or autonomy in face of the imposed inequalities by capitalism.

Keywords: Capitalism. Work. Education. Alienation.

ALTHUSSER, Louis. Ideologia presença, 2007.

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e aparelhos ideológicos do

estado. Lisboa: Editorial

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LOMBARDI, J. C; SAVIANI, Dermeval; SANFELICE, José Luís. (Org.). Capitalismo, trabalho e educação. Campinas: Autores Associados, 2002.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS274

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