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Direito Constitucional I – Turma da Noite

GRELHA DE CORRECÇÃO

I - Questões

a) Compare o sistema político português consagrado nas Constituições de 1911 e 1933.

Jorge Miranda, Manual de Direito Constitucional, tomo I, pp.277-317, em particular 282-284 e 301-305

b) Refira pontos de semelhança e diferença entre a natureza das normas constitucionais típicas das “constituições utilitárias”, próprias do Estado liberal de Direito, e das “constituições programáticas”, próprias do Estado social de Direito.

Jorge Miranda, Manual de Direito Constitucional, tomo II, pp.283-291

c) Reporte-se ao chamado “poder moderador” do Chefe de Estado na Carta Constitucional portuguesa e na Constituição de 1976.

Carlos Blanco de Morais, As metamorfoses do semi-presidencialismo português” Revista Jurídica da AAFDL, n.º 22, 1998

Jorge Miranda, Manual de Direito Constitucional, tomo I, pp.266-268 e 409-

415

d) Analise as relações de responsabilidade política e institucional do Governo português perante outros órgãos de soberania.

Carlos Blanco de Morais, As metamorfoses do semi-presidencialismo português” Revista Jurídica da AAFDL, n.º 22, 1998

Marcelo Rebelo de Sousa, “O sistema de Governo Português”- Lisboa, AAFDL,

1992

Jorge Miranda, Manual de Direito Constitucional, tomo I, pp. 405-415

e) Refira-se à aquisição derivada da nacionalidade portuguesa por efeito da vontade.

Jorge Miranda, Manual de Direito Constitucional, tomo III, pp. 109-126

Vitalino Canas, Nacionalidade portuguesa depois de 2006, Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, vol. 48, nºs 1-2 (2007)

f) Em que consiste o critério da interdependência de poderes previsto no artigo 111.º da CRP.

Carlos Blanco de Morais, Curso de Direito Constitucional, tomo I, pp. 39-45

II - Caso prático

1. Em 25 de Abril de 2010 realizaram-se eleições legislativas, determinando os resultados eleitorais a seguinte composição da Assembleia da República:

PSD – 99 Deputados PS – 95 Deputados BE – 22 Deputados CDS – 7 Deputados CDU – 5 Deputados

Na noite eleitoral, os líderes do PS e do BE indicaram a sua intenção de formar uma coligação governamental e comunicaram à imprensa que aguardariam a indigitação pelo Presidente da República. Determinado a empossar rapidamente o novo Governo, o Presidente ouviu o Primeiro-Ministro cessante e convocou o Conselho de Estado no dia seguinte às eleições, que se pronunciou pela indigitação do líder do PSD como Primeiro-Ministro, enquanto líder do partido mais votado, o que o Presidente decidiu fazer, no dia 27 de Abril.

Contudo, de forma a dotar o novo Governo de maior estabilidade, o Presidente comunicou ao novo Primeiro-Ministro que o Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Ministério do Ambiente e o Ministério da Cultura deveriam ser confiados a ministros a indicar pelo CDS.

O novo Governo tomou posse no dia 1 de Maio de 2010 e logo no dia 2 aprovou um decreto- lei contemplando linhas de crédito urgentes para acorrer às cheias verificadas pouco antes nalgumas zonas do país e propôs ao Presidente a designação de um novo Representante da República para os Açores.

a) O processo de designação do novo Governo e os actos por este praticados são conformes à Constituição?

Processo de formação do Governo

Audição obrigatória dos partidos representados na AR – artigo 187.º, n.º 1

Casos em que o Conselho de Estado é ouvido obrigatoriamente são outros – artigo 145.º, alíneas a) a d)

Necessidade de o PR ter em conta os resultados eleitorais na designação do PM. Discussão em torno da margem de actuação do PR, nomeadamente da opção pelo líder do partido mais votado, articulando-a com a proibição dos designados governos de confronto – artigo 187.º, n.º 1

Nomeação dos restantes membros do Governo é sob proposta do PM – artigo 187.º, n.º 2

Actos praticados pelo novo Governo

Governo está em gestão – artigo 186.º, n.º 5 – discutir da admissibilidade da aprovação do decreto-lei face ao conceito de actos estritamente necessários

Designação do representante da República é competência do PR, que tem iniciativa, ouvido o Governo – artigo 133.º, alínea l)

2. O PS e o BE, seguindo aquilo que já haviam anunciado publicamente, apresentaram uma moção de rejeição do Programa do Governo. Numa sessão realizada em 15 de Maio, votaram favoravelmente a moção 110 Deputados, votaram contra 100 Deputados e abstiveram-se 20 Deputados. Na sequência da votação, o Primeiro-Ministro considerou o Governo demitido e fez aprovar de imediato em Conselho de Ministros uma proposta de lei à Assembleia da República, no sentido de alterar o sistema eleitoral, abandonando o sistema proporcional e introduzindo um sistema maioritário, capaz de assegurar maior estabilidade governativa. A Assembleia da República aprovou a proposta apresentada por 115 votos a favor e 53 contra e 20 abstenções, que remeteu ao Presidente da República para promulgação no dia 1 de Junho.

b) Analise a conformidade constitucional dos actos praticados pela Assembleia da República.

Apreciação Programa do Governo

A apreciação do Programa do Governo deve ter lugar no prazo máximo de 10 dias após a nomeação – artigo 192.º, n.º 1

Qualquer grupo parlamentar pode apresentar moção de rejeição – artigo192.º, n.º 3

Rejeição do Programa do Governo carece de maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções – artigo 192.º, n.º 4

Apenas implica a demissão do Governo a rejeição do programa do Governo, nos termos referidos no ponto anterior – artigo 195.º, n.º 1, alínea d)

Alteração ao sistema eleitoral

Governo pode apresentar propostas de lei – artigo 167.º, n.º 1 e artigo 197.º, n.º 1, alínea d)

Sistema eleitoral para a AR tem de assegurar o sistema de representação proporcional – artigo 149.º, n.º 1

Sistema eleitoral para a AR é matéria da reserva absoluta de competência legislativa da AR – artigo 164.º, n.º 1 alínea a)

Sistema eleitoral para a AR reveste a forma de lei orgânica - artigo 166.º, n.º 2

Sistema eleitoral para a AR é matéria que carece de aprovação por dois terços dos Deputados presentes, desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções – artigo 168.º, n.º 6, alínea d)

3. O Presidente da República entende ser extemporânea a intervenção parlamentar e veta o diploma no dia 10 de Junho. A Assembleia da República, contudo, opta por confirmar o diploma a 1 de Julho, desta vez com uma votação de 130 votos a favor e 120 contra. Entendendo já não haver condições para assegurar a governabilidade e face à obrigatoriedade constitucional de convocar eleições na sequência da referida demissão do Governo, o Presidente da República dissolve a Assembleia da República no dia 15 de Julho e marcou novo acto eleitoral ao qual se iria aplicar a nova legislação eleitoral, que o Presidente promulgaria no final da semana seguinte, a 25 de Julho.

c) Pronuncie-se sobre a conduta do Presidente da República referida no ponto 3.

Veto e confirmação

Possibilidade de veto presidencial – artigo 136.º, n.º 1

Confirmação pela Assembleia da República tem de ter lugar por dois terços dos Deputados presentes, desde que superior à maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções, uma vez que se trata de lei orgânica – artigo 136.º, n.º 3

Número máximo de Deputados à AR é de 230 – artigo 148.º

Demissão do Governo não acarreta dissolução obrigatória da AR – artigo 133.º, alínea e) e artigo 172.º

Dissolução da AR

A AR não pode ser dissolvida nos seis meses posteriores à sua eleição, sob pena de inexistência do acto de dissolução – artigo 172.º, n.º 1 e 2

Eleições que se realizem na sequência da dissolução do órgão regem-se pela lei eleitoral vigente ao tempo da dissolução, sob pena de inexistência do acto de dissolução - artigo 113.º, n.º 6

Prazo para promulgação é de 20 dias contados da recepção do decreto pelo PR – artigo 136.º, n.º 1