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Sumário

Aula 10 – Introdução às funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

Aula 11 – Gráficos de funções: as funções linear e quadrática . . . . 21

Aula 12 – Funções polinomiais: determinação de gráficos por seus


pontos e gráficos de regiões do plano . . . . . . . . . . . . . . . 35

Aula 13 – Aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 43

Aula 14 – Funções compostas e inversas . . . . . . . . . . . . . . . 57

Aula 15 – As funções exponencial e logaritma . . . . . . . . . . . . 69

Aula 16 – Uma idéia para quem quer viver no limite! . . . . . . . . 83

Aula 17 – Limites de funções – algumas propriedades . . . . . . . . 97

Aula 18 – Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites


de funções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111

Aula 19 – Limites envolvendo infinito – primeira parte . . . . . . . . 125

Aula 20 – Limites envolvendo infinito – segunda parte . . . . . . . . 139

7
Introdução às funções
MÓDULO 2 - AULA 10

Aula 10 – Introdução às funções

Objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• reconhecer os atributos de uma função;


• conceituar domı́nio, contradomı́nio, imagem de uma função;
• identificar domı́nios de funções reais.

Introdução

O conceito de função é fundamental em qualquer área da Matemática, seja


teórica ou aplicada, oferecendo suporte para modelar aplicações nas diferentes
áreas da atividade humana. No Curso de Administração, nosso foco principal no
momento, a ferramenta função auxilia na formulação de conceitos e na resolução
de problemas; e isto você irá constatar no desenvolvimento desta disciplina.
A idéia de função é a de relacionar elementos entre dois conjuntos através de uma
regra com propriedades especiais. Esta regra deve associar a cada elemento do
primeiro conjunto um único elemento do segundo conjunto. No entanto, antes
de entrar em detalhes, vamos levantar algumas situações para que você possa
ter a primeira percepção da presença das funções no dia-a-dia.

Exemplo 10.1 (o caso da inflação)

Depois de todas as dificuldades econômicas vividas recentemente pelo Brasil,


mesmo sem grandes conhecimentos de economia, eu e você, temos uma noção
intuitiva do que é a inflação. Em sua generalidade, o fenômeno inflação pode
ser visto por dois ângulos equivalentes. Por um lado, inflação é um aumento
generalizado, continuado e persistente dos preços. Por outro ângulo, constitui
uma diminuição persistente e continuada do poder aquisitivo do dinheiro.

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acements
Introdução às funções
Método Determinı́stico

Veja a tabela da Figura 10.1, que relaciona as taxas de inflação no Brasil,


medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do IBGE, na primeira metade
da década de 90 do século passado

Ano Taxa de Inflação (%)


1990 1585,18
1991 475,10
1992 1149,06
1993 2489,11
1994 929,32
1995 21,98

Figura 10.1: A inflação nos anos 1990-1995.

Esta tabela configura uma função. Veja os atributos principais. Cada coluna da
tabela representa um conjunto, onde os elementos são listados um a um. Existe
uma regra exatamente a que associa a cada elemento do primeiro conjunto (pri-
meira coluna) o correspondente elemento do segundo conjunto (segunda coluna)
situado na mesma linha. Neste exemplo, se denominarmos por

A = {x | x é um ano da década 1990 - 1995}

e
B = {y | y é uma taxa porcentual} ,

então a tabela da Figura 10.1, representa uma função do conjunto A no conjunto


B.

Além da apresentação em tabelas, como feito no exemplo anterior, no dia-a-dia


dos meios de comunicação, as informações sobre as funções aparecem através
de gráficos. Mais, à frente trataremos especificamente de gráficos, no momento
vamos tratar ligeiramente deste tema, mostrando outros modos como podem ser
organizados os dados da função taxa de inflação da década 1990-1995, para a
comunicação entre as pessoas. Por exemplo, o gráfico da Figura 10.2 é auto-
explicativo e mostra, de uma maneira alternativa à tabela da Figura 10.1, o
comportamento da inflação na década 1990-1995. Este é um gráfico que usa
colunas.

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Introdução às funções
PSfrag replacements MÓDULO 2 - AULA 10

inflação (%)
ano
90
91
92
93
94
95
1585,18
475,10
1149,06
2489,11
929,32
21,98

Figura 10.2: As barras representando a inflação.

O exemplo anterior retrata a época do pesadelo da inflação brasileira. No pre-


sente ano de 2005, apesar da economia apresentar fraco crescimento, os juros
estarem na estratosfera, temos estabilidade na inflação. Os dois últimos ı́ndices
de 2004 e 2005 registrados pelo IBGE, foram, respectivamente, de 5% e 6%,
respectivamente.

Exemplo 10.2 (o vôo Rio-São Paulo)

Um cronômetro assinala 50 minutos desde o momento em que um avião decola


do Rio de Janeiro até o momento em que toca o solo em São Paulo, em sua
chegada. A altura do avião do vôo 3224 em relação ao solo, durante a duração
da viagem é uma função do tempo de vôo. Mais precisamente, para qualquer
tempo t entre 0 e 50 minutos corresponde um número real que representa a
altura do avião. Examine a seguir, na Figura 10.3, um possı́vel gráfico para
representar esta função. Note que para os tempos t = 0 e t = 50 (avião no solo)
a altura é nula. Para t = 25 a altura é 10 km e para t = 5 a altura é 1 km.
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acements
PSfrag replacements Introdução às funções
Método Determinı́stico

h=10 km
h=1 km


0 5 25 50 tempo

Figura 10.3: A altura do avião em função do tempo.

Esta função tem como conjunto de partida os números do intervalo fechado


[0, 50] e como conjunto de chegada os números reais positivos ou nulo [0, ∞].

O conceito de função

Para definir uma função precisamos de dois conjuntos e uma regra que estabeleça
uma associação entre os elementos dos conjuntos, com propriedades especiais.
Acompanhe os detalhes.

Uma função entre dois conjuntos A e B fica definida a partir de uma regra
que associa a cada elemento do conjunto A um e apenas um elemento do
conjunto B. A notação usada é

f : A −→ B
,
x 7−→ y = f (x)

para representar uma função entre os conjuntos A e B. O conjuntos A e B


são denominados, respectivamente, o domı́nio e o contradomı́nio da função.

A definição que acabamos de estabelecer envolve muitos detalhes, precisamente


definidos, que podem escapar numa primeira leitura. Por prevenção, vamos fazer
uma radiografia completa deste conceito.

Na notação usada para representar a função a primeira seta significa que ele-
mentos x do conjunto A são levados pela função a elementos y do conjunto B.
A segunda seta especifica, por determinação da regra, qual é o elemento y que
corresponde a um elemento x.

Para aprofundar a radiografia do conceito função volte a ler a definição destacada


em box anteriormente e veja que
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Introdução às funções
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1) todo elemento do conjunto A está envolvido na definição. Ou seja, para


todo x ∈ A existe um único elemento y ∈ B tal que y = f (x). O elemento
y é dito a imagem de x pela função f . Também x é chamado a variável
independente e y a variável dependente.

2) Não existe nenhuma obrigatoriedade de que todo elemento de B seja ima-


gem de um elemento de A. Veja no exemplo de função apresentado a
seguir, verificando especialmente no gráfico da função na Figura 10.4,
que o elemento 4 não é imagem de nenhum elemento do conjunto A.

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acements
Introdução às funções
Método Determinı́stico

Exemplo 10.3

Considere os conjuntos A = {1, 2, 3} e B = {0, 1, 2, 3, 4, 5} e a função

f : A −→ B
x 7−→ y = f (x) = 2x − 1 .

Veja uma tabela, na Figura 10.4, relacionando os valores da variável indepen-


dente x da função, com aqueles da variável dependente y.

x y = f(x)
1 1
2 3
3 5

Figura 10.4: Correspondência entre elementos da função.

Em contrapartida,
PSfrag é possı́vel construir uma outra imagem visual da função.
replacements
Acompanhe a Figura 10.5, a seguir.

A B
0
1
1
2 2
3
3 4
5

Figura 10.5: Representação diagramática da função.

Este modo de representar deixa evidente que a regra x 7→ y = 2x − 1, que


relaciona elementos de A a elementos de B, define uma função. Veja que a cada
elemento de A corresponde um e apenas um elemento de B. Observe que de
cada elemento de A parte uma única seta que atinge um único elemento de B.

Note na Figura 10.5, que nem todo elemento de B faz parte da imagem da
função. Por exemplo, os elementos 0, 2 e 4. Aqui fica em evidência mais uma
propriedade de que você deve ter em mente acerca de funções: todo elemento
do domı́nio participa da função, no entanto podem existir elementos do contra-
domı́nio que ficam fora da imagem da função.

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Introdução às funções
MÓDULO 2 - AULA 10

Nota

Ao examinar os detalhes do exemplo anterior, constatamos in lócus, a partir da


Figura 10.5, a propriedade fundamental da regra que define a função: de cada
elemento de A parte uma única seta que atinge um único elemento de B. E
não poderia ser diferente senão a regra não definiria uma função. Por exemplo,
uma regra que produzisse um esquema diagramático do tipo como reproduzido
naPSfrag replacements
Figura 10.6 a seguir, não definiria uma função, pois do elemento 1 ∈ A
partem duas flechas.

A B
0
1
1
2 2
3
3 4
5

Figura 10.6: Regra que não define função.

Exemplo 10.4

Considere agora a função


g : A −→ B
x 7−→ y = g(x) = x2 + 1 ,
PSfrag
sobre os replacements
conjuntos A = {−1, 0, 1} e B = {0, 1, 2, 3, 4, 5}. Constate que te-
mos uma nova regra definindo uma nova função. Examine na Figura 10.7, a
representação diagramática da função g.

A B
0
−1
1
2
0
3
1 4
5

Figura 10.7: Representação da função g.

Note uma situação nova neste exemplo. Para dois valores distintos x = −1 e
x = 1, corresponde como imagem o mesmo valor para y = 2. Isto não aconteceu
no exemplo anterior.

15 CEDERJ
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Introdução às funções
Método Determinı́stico

Funções reais de variável real

A partir de agora, passamos ao estudo de funções que fazem parte de nosso


objetivo principal: funções reais de variável real. Ou seja, estudaremos apenas
funções para quais o domı́nio D é um subconjunto de números reais e o con-
tradomı́nio B é a totalidade dos números reais, isto é B = R. Então, podemos
representar a função como

f : D −→ R , onde D ⊂ B .

Portanto, tanto a variável dependente x quanto a independente y = f (x) são


números reais.

Igualdade de funções

Duas funções f e g são iguais quando possuem o mesmo domı́nio D e


f (x) = g(x) para todo x ∈ D.

Operações entre funções

A vantagem de trabalhar com funções é o fato que, como no caso de números re-
ais, podemos somar, subtrair, multiplicar e dividir funções que possuem o mesmo
domı́nio. Veja as definições a seguir, onde estamos supondo que f , g são funções
definidas num mesmo domı́nio D ⊂ R.

Soma de funções

A soma de duas funções f e g é uma nova função s definida no mesmo domı́nio


D, tal que
s(x) = f (x) + g(x), para todo x ∈ D .

Produto de funções

O produto de duas funções f e g é uma nova função p definida no mesmo domı́nio


D, tal que
p(x) = f (x) · g(x), para todo x ∈ D .

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Introdução às funções
MÓDULO 2 - AULA 10

Exemplo 10.5

Considere as funções f : R → R e g : R → R definidas por f (x) = −2x e


g(x) = x2 + 1. Então as funções s(x) e p(x), respectivamente, a soma e o
produto das funções são definidas por

s(x) = −2x + x2 + 1 = x2 + 1 − 2x = (x − 1)2 ;

p(x) = (−2x) · x2 + 1 = −2x3 − 2x .




Quociente de funções

Dadas duas funções f e g definida no mesmo domı́nio D e onde g(x) 6= 0, para


todo x, fica definida a função quociente q, tal que
f (x)
g(x) = , para todo x ∈ D .
g(x)

Exemplo 10.6

Usando as mesmas funções f e g do exemplo anterior e observando que g(x) 6= 0


para todo número real x então, a função quociente q(x) é expressa pela equação
−2x 2x
g(x) = 2
=− 2 .
x +1 x +1

Notas

1) As operações entre funções que vem de ser estabelecidas, permitem realizar


soma e produtos de um número finito qualquer de funções. Assim, dadas as
funções f1 (x), f2 (x), · · · , fn−1 (x), fn (x), todas com o mesmo domı́nio de de-
finição D, as funções soma s e produto p, ficam definidas, respectivamente,
pelas fórmulas:

s(x) = f1 (x) + f2 (x) + · · · + fn−1 (x) + fn (x) ;

p(x) = f1 (x) · f 2(x) · ... · fn−1 (x) · fn (x) .

2) As vezes é vantajoso representar o produto de uma função por ela mesma pelo
sı́mbolo f 2 . Ou seja, a função f 2 é a função que para cada valor da variável x,
fornece
f 2 (x) = f (x) · f (x) .
A mesma situação se aplicaria à potência enésima, onde o sı́mbolo f n representa
a função produto de n fatores iguais a f (x).
17 CEDERJ
acements
Introdução às funções
Método Determinı́stico

Domı́nio de existência de uma função

As funções que estamos estudando, funções reais de variável real, necessitam de


dois ingredientes para sua definição:

• O domı́nio D da função;

• A regra que associa a cada elemento x ∈ D um único número real


y = f (x).

A partir desta dupla necessidade constatamos, por um lado, que, sobre o domı́nio
D ⊂ R, podemos construir uma infinidade de funções, basta variar a regra.

Por outro lado, se uma regra é especificada, em geral, podemos considerar uma
infinidade de domı́nios diferentes para a mesma regra, obtendo infinitas funções
distintas.

Então não esqueça! É preciso o domı́nio D e a regra y = f (x), para termos a


função.

No entanto, por economia de meios e sem prejuı́zo do entendimento, nos livros


didáticos freqüentemente uma função aparece definida apenas por uma regra.
Nesta situação, a convenção é que o domı́nio D da função é o maior subconjunto
de números reais para o qual a regra se aplica, ou faz sentido. Vamos nesta
disciplina seguir esta convenção. Veja esta situação no próximo exemplo.

Exemplo 10.7

Se uma função f é definida simplesmente pela regra (fórmula) y = f (x) =



= x − 3 , então seu domı́nio D de definição está subentendido.

Neste caso, para que a função tenha sentido é preciso que dado um particular

número real x exista x − 3 . Para isto, basta que x − 3 ≥ 0. Portanto, se
x ≥ 3, a regra está bem definida. Logo D = [3, +∞) é o domı́nio da função.

Exemplo 10.8

1 − 2x
Considere a função definida pela fórmula y = f (x) = e vamos deter-
x+6
minar seu domı́nio D de definição.

Note que precisamos ter 1−2x ≥ 0 e x+6 6= 0, para que estejam bem definidos,
respectivamente, o numerador e o denominador da fórmula (regra) pela qual a
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Introdução às funções
MÓDULO 2 - AULA 10

função se expressa.
1
Faça então as contas para concluir que é suficiente que x ≤ 2
e x 6= −6

Portanto, o domı́nio D da função é obtido como interseção do intervalo


I = − ∞, 1/2 com o conjunto B = {x ∈ R | x 6= −6}. Logo,



D = (−∞, −6) ∪ − 6, 1/2

é o domı́nio da função.

Atividade 10.1

Encontre os domı́nios das funções



x √
3
a) y = f (x) = 2 b) y = g(x) = x2 − 6
x −6
r
2−x x−3
c) y = h(x) = √ d) y = q(x) =
2
x − 2x − 3 2 − 3x

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Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
MÓDULO 2 - AULA 11

Aula 11 – Gráficos de funções: as funções linear


e quadrática

Objetivo

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• compreender o conceito de gráfico de uma função.

A visualização geométrica de funções é muito importante, principalmente para


resolver problemas e entender os conceitos. Também por que, ao representar
as funções através de gráficos estamos introduzindo um sistema de coordenadas
como ferramenta que certamente auxilia na solução de problemas.

Considere a função y = f (x), x ∈ D, onde D ⊂ R é um conjunto de números


reais. Ora, a fórmula da função expressa que para cada x ∈ D existe um
único y ∈ R tal que y = f (x). Este par (x, y) define um ponto do plano
com coordenadas. O conjunto destes pontos quando x varia em todo o domı́nio
D, formam o gráfico da função. Portanto, o gráfico da função f (x) é um
subconjunto de R2 , o qual é representado simbolicamente por G(f ) e como
conjunto se expressa como

G(f ) = {(x, y) | y = f (x)} .

Construção do Gráfico

Dada a função y = f (x) o desafio é fazer uma representação a mais correta


possı́vel de seu gráfico. A técnica consiste em dois passos principais que vamos
destacar:

• usar uma quantidade suficiente de valores numéricos para a variável x e


definir, através da fórmula da função, os pontos (x, y) correspondentes do
plano que estão no gráfico da função;

• usar, possivelmente, outros conhecimentos geométricos da função para


completar um esboço do gráfico.

21 CEDERJ
acements
Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
Método Determinı́stico

Uma pausa para comentar os dois passos que vem de ser delineados. Veja que o
primeiro passo, encerra com o desenho de uma quantidade finita de pontos (x, y)
no plano, enquanto que o segundo passo corresponde a intuir a forma do gráfico.
Neste segundo passo é muito importante informações gerais conhecidas sobre
gráfico de funções. Por exemplo, com o estudo é possı́vel identificar funções
cujos gráficos são representados por parábolas, cı́rculos, retas e outras figuras
geométricas. Portanto, estes conhecimentos gerais permitem intuir, a partir de
um número finito de pontos conhecidos, a forma do gráfico. Acompanhe um
exemplo.

Exemplo 11.1

Construa aproximadamente o gráfico da função y = x + 2.

Solução

Começamos construindo uma tabela de valores (x, y), onde y = x + 2 e locali-


zando estes pontos no plano. Na Figura 11.1, temos à esquerda três colunas
onde os pontos A = (−1, 1), B = (0, 2), C = (1, 3) e D = (2, 4), foram
definidos através da fórmula da função.

PSfrag replacements
y
D
x y = f (x) 4
A -1 1
B 0 2 C
3
C 1 3
D 2 4
B
2
A
1

−1 1 2 x

Figura 11.1: Gráfico da função y = x + 2.

Assim, por exemplo, para a determinação do ponto A = (−1, 1), usamos que

x = −1 em y = x + 2 ⇒ y = −1 + 2 ⇒ y = 1 .

CEDERJ 22
Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
MÓDULO 2 - AULA 11

Para o ponto B = (0, 2) usamos que

x = 0 em y = x + 2 ⇒ y = 0 + 2 ⇒ y = 2

e assim igualmente, para os outros pontos.

Na direita da Figura 11.1, os pontos A, B, C e D estão localizados no plano R 2


com sistema de coordenadas. A partir das posições dos pontos é possı́vel deduzir
que o gráfico é uma reta. Na verdade, um pouco mais adiante estabeleceremos
que toda função do tipo y = ax + b, onde a, b ∈ R e a 6= 0, tem como gráfico
uma reta. Veja a Figura 11.2, onde temos que A = (0, b) e B = − ab , 0 e


a 6= 0.

PSfrag replacements y

A
b y = ax + b

B
b
− x
a

Figura 11.2: Gráfico de uma reta.

Atividade 11.1

Observe que o gráfico da função y = x + 2 intersecta o eixo Oy no ponto


B = (0, 2). Quais são as coordenadas do ponto E de interseção do gráfico com
o eixo Ox?

Exemplo 11.2
4
Construir a representação gráfica da função y = , x ∈ D = [1, 4].
5−x
Solução

Inicialmente construı́mos uma tabela de pontos, veja a Figura 11.3.

23 CEDERJ
acements
Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
Método Determinı́stico

PSfrag replacements
y
4
x y=
5−x
A 1 1 4 D
4
B 2
3
C 3 2
D 4 4
2 C
4
3 B
1
A

1 2 3 4 x
4
Figura 11.3: Gráfico da função y = .
5−x

Unindo um a um os pontos do gráfico, e sabendo que a função representa uma


hipérbole, chegamos a um esboço do gráfico da função, que está representado à
direita da Figura 11.3.

Exemplo 11.3

Construa o gráfico da função f tal que



 −1 se x ≤ −1

y= x se −1 < x < 1 .

1 se x ≥ 1

Solução

O domı́nio D da função é todo o conjunto dos números reais, isto é, D = R.


A definição da função explicita que para qualquer valor x ∈ (−∞, −1] o valor
y = f (x) assinalado é o mesmo e constante y = −1. Portanto a função é
constante neste intervalo. Também a função é constante y = 1 para todo
x ∈ (1, +∞). Agora precisamos trabalhar os valores y quando x está no intervalo
aberto (−1, 1). Para estes casos, veja que y = x. Por exemplo, os pontos
− 12 , − 21 , (0, 0) e 12 , 21 estão no gráfico. Veja a Figura 11.4 a seguir.
 

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Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
MÓDULO 2 - AULA 11

1
PSfrag replacements
−1
1 x

−1

Figura 11.4: Gráfico da função f .

Atividade 11.2

Construa uma representação aproximada dos gráficos das funções:

a) y = 10 − x


 x se x ≤ 1
b) y = 2

 se x > 1
x+1

Nosso próximo objetivo de estudo é destacar algumas funções especiais. Começamos


com a mais simples delas: a função constante.

Funções constantes

Dado o número real c, a função y = c é uma função constante. Como para todo
x ∈ R o valor y correspondente da função permanece constante então o gráfico
da função é uma reta paralela ao eixo Ox e passando pelo ponto (0, c). Examine
o gráfico da função na Figura 11.5, onde é representada uma função constante
donde c < 0.
y

PSfrag replacements
x

Figura 11.5: Gráfico de função constante.

25 CEDERJ
acements
Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
Método Determinı́stico

A função linear afim

Neste ponto, avançando mais um degrau na escala de complexidade. Vamos


considerar uma função ainda muito simples, que, no entanto, serve para modelar
muitos fenômenos que ocorrem na prática. Trata-se da função linear afim.

A função
y = ax + b , a, b ∈ R a 6= 0 ,
é dita uma função linear afim.

O gráfico de qualquer função linear afim é uma reta. No caso especial em que o
coeficiente b = 0, a função é comumente denominada função linear.

Considere então a função linear afim

y = ax + b , a, b ∈ R a 6= 0 .

Veja a construção do gráfico para o caso em que a > 0 e b < 0 como representado
na Figura 11.6.

PSfrag replacements

b x

a
b

Figura 11.6: Gráfico da função linear.

Note que os pontos (0, b) e − ab , 0 estão no gráfico da função linear afim.




Como dois pontos determinam uma reta, o gráfico pode ser construı́do.

Interpretação do coeficiente a

Considere uma função linear y = ax + b, a > 0 e dois pontos (x 1 , y1 ) e (x2 , y2 )


no gráfico da função.

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Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
MÓDULO 2 - AULA 11

PSfrag replacements y2

∆y

y1

x1 x2 x

∆x

Figura 11.7: Acréscimo nas variáveis.

Veja que ∆x = x2 − x1 corresponde ao acréscimo que devemos dar ao valor x1


para chegar ao valor x2 . De fato, veja que

x2 = x2 + x1 − x1 = x1 + x2 − x1 = x1 + ∆x .

Assim, o acréscimo ∆x à variável x1 resulta no valor x2 . Por outro lado, para


passar de y1 para y2 a variável dependente sofre um acréscimo de ∆y = y2 − y1 .
Ou seja,
y2 = y2 + y1 − y1 = y1 + y2 − y1 = y1 + ∆y .

Veja que

∆y y2 − y 1 ax2 + b − (ax1 + b) a(x2 − x1 )


= = = = a.
∆x x2 − x 1 x2 − x 1 x2 − x 1

Portanto, o coeficiente a representa o quociente entre as variações, ou ainda


define que a variação ∆y é proporcional à variação ∆x com fator de proporcio-
nalidade a. Em função disto, a é chamado o coeficiente angular da reta.

Note que, em particular, quando ∆x = 1 então ∆y = a. Ou seja, quando a


variável independente passa de x1 para x1 + 1, a variável dependente oscila de
y1 para y1 + a.

Finalmente, veja que quando x = 0 na equação y = ax + b resulta que y = b.


Isto identifica (0, b) como o ponto onde o gráfico da função corta o eixo y.
Portanto o coeficiente b identifica o ponto de interseção da reta com o eixo y.

27 CEDERJ
acements
Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
Método Determinı́stico

Exemplo 11.4 (Equação da reta por dois pontos)

Considere no plano a reta que passaPSfrag replacements


pelos pontos A = (−1, 2) e B = (0, 5) e
encontre a função linear afim cujo gráfico é a reta.
y
Solução B 5
Veja o gráfico da reta representado na figu-
ra 11.8. Uma função linear afim se expressa
como y = ax + b e precisamos usar os dados 1
A 2
do exemplo para definir os coeficientes a e b e
encontrar a equação particular que expressa a 3
função procurada. 4
−1 x

Figura 11.8: Reta por dois pontos.

Portanto, usando os dados encontramos que

A = (−1, 2) em y = ax + b ⇒ 2 = −a + b
B = (0, 5) em y = ax + b ⇒ b = 5 .

Basta então resolver o sistema de equações nas variáveis a e b. Como b = 5,


então
2 = −a + b ⇒ a = 3 .

Logo, a função linear afim procurada é

y = 3x + 5 .

Exemplo 11.5

Sabendo que numa função linear afim, toda vez que a variável independente
x sofre um acréscimo ∆x = 1, a variável dependente y sofre um acréscimo
correspondente de ∆y = −2. Além disso, para x = 3, y = −1, encontre a
fórmula que expressa a função linear afim e represente o gráfico correspondente.

Solução

Seja y = ax + b a função linear afim procurada. Como para ∆x = 1 corresponde


∆y = −2, encontramos que
∆y −2
=a⇒ = a ⇒ a = −2 .
∆x 1

CEDERJ 28
Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
MÓDULO 2 - AULA 11

Por outro lado, o ponto A = (3, −1) pertence ao gráfico da função.

Substituindo todos estes dados na equação vem que

y = ax + b ⇒ y = −2x + b ⇒ −1 = −2(3) + b ⇒ b = 5 .

Com os valores a = −2 e b = 5 definidos, chegamos à expressão da função:

y = −2x + 5 .

Como o gráfico da função é uma reta, dois ponto são suficientes para determina-
lo. Já temos o ponto A = (3, −1) e precisamos de mais um ponto B. Fazendo
x = 0 na equação, vem que

y = −2x + 5 e x = 0 ⇒ y = −2(0) + 5 ⇒ y = 5 .
PSfrag replacements
Portanto B = (0, 5) é o outro ponto procurado e o gráfico pode ser construı́do.
Veja a Figura 11.9.
y

1
3 5
2 x
−1 B
A
4

Figura 11.9: Gráfico de função linear afim.

A função quadrática

Toda função
y = ax2 + bx + c ,
onde os coeficientes a, b e c são números reais e a 6= 0, é uma função quadrática.

Com um pouco de esforço matemático, envolvendo estudo do lugar geométrico


num plano eqüidistante de uma reta e de um ponto, pode ser provado que a
parábola é a curva que num plano com coordenadas é representada por uma
equação quadrática. E pode se ir mais além, mostrando que o eixo de simetria
da parábola é uma reta paralela ao eixo Oy. Observamos de passagem que este

29 CEDERJ
acements
Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
Método Determinı́stico

eixo de simetria contém o vértice da parábola. Vamos destacar os elementos


principais que ajudam a elaborar gráficos de funções quadráticas.

1) É importante calcular, caso existam, as raı́zes da equação

ax2 + bx + c = 0 .

Pois, se x0 é uma raiz então o ponto (x0 , 0) pertence à parábola e representa no


plano o ponto onde a parábola cruza o eixo Ox.

2) Se a > 0 a concavidade da parábola é voltada para cima (direção positiva do


eixo Oy) e no caso de a < 0 a concavidade da parábola é voltada para baixo
(direção negativa do eixo Oy)

3) O vértice V da parábola tem como coordenadas,


 
b ∆
V = − ,− , onde ∆ = b2 − 4ac .
2a 4a
Note que no caso em que a parábola corta o eixo Ox, isto é, quando a equação
quadrática possui raı́zes x1 e x2 então, as coordenadas do vértice pode ser ex-
pressas como  
x1 + x 2 ∆
V = ,− .
2 4a
4) O ponto (0, c) é a interseção da parábola com o eixo y.

Veja dois exemplos.

Exemplo 11.6

Construir o gráfico da função quadrática y = x2 − x − 2.

Solução

Em primeiro lugar é preciso determinar as raı́zes da equação x 2 − x − 2 = 0.


Temos que:

a = 1, b = −1 e c = −2 ⇒ ∆ = b2 − 4ac = 9 .

Logo,
√ √ (
−b ± ∆ 1± 9 x1 = 2
x= = ⇒
2a 2 x2 = −1
Portanto, os pontos A = (2, 0) e B = (−1, 0) definem a interseção da parábola
com o eixo Ox. Calculando as coordenadas do vértice V = (x v , yv ) encontramos
x1 + x 2 2−1 1
xv = = = .
2 2 2

CEDERJ 30
Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
MÓDULO 2 - AULA 11

1
Para xv = , encontramos
2
 2
2 1 1 9
y = x − x − 2 ⇒ yv = − − 2 ⇒ yv = − .
2 2 4

Então, as coordenadas do vértice V = (xv , yv ) fornecem

 
1 9
V = ,− .
2 4

Por outro lado, se x = 0 então a função quadrática y = x 2 − x − 2 fornece


y = −2.

Isto mostra que C = (0, −2) é o ponto de encontro da parábola com o eixo Oy.

Finalmente, com a = 1 > 0, a parábola possui concavidade para cima.

Estes dados permitem traçar o esboço do gráfico da parábola, como mostrado


na Figura 11.10.

y
Eixo de simetria
PSfrag replacements

1
2

−1 1 2 x
−1
−2 C
9

4 V

Figura 11.10: Parábola y = x2 − x − 2.

Exemplo 11.7

Construir, aproximadamente, o gráfico da função quadrática y = −x 2 + 2x.

31 CEDERJ
acements
Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
Método Determinı́stico

Solução

Em primeiro lugar a equação −x2 + 2x = 0 pode ser resolvida definindo suas


raı́zes (
x1 = 0
−x2 − 2x = 0 ⇒ −x(x − 2) = 0 ⇒
x2 = 2
Também
x1 + x 2 0+2
xv = = =1
2 2
e
yv = −x2v + 2xv ⇒ yv = −12 + 2(1) ⇒ yv = 1 .

Então, o vértice V = (xv , yv ) está definido:

V = (1, 1) .

Para encontrar o ponto C onde a parábola corta o eixo Oy, colocamos x = 0


na equação quadrática. Assim,

x = 0 e y = −x2 + 2x ⇒ y = −02 + 2(0) ⇒ y = 0 .

Então C = (0, 0).

Veja agora a Figura 11.11 que pode ser construida a partir destes dados.

PSfrag replacements

C 1 2 x

Figura 11.11: Parábola y = −x2 + 2x.

Exemplo 11.8

Construir, aproximadamente, o gráfico da função quadrática y = x 2 + 2x + 2.

CEDERJ 32
Gráficos de funções: as funções linear e quadrática
MÓDULO 2 - AULA 11

Solução

Veja que
a = 1, b = 2 e c = 2 ⇒ ∆ = b2 − 4ac = −4 < 0 .
Portanto, a equação x2 + 2x + 2 = 0 não tem solução. Isto evidencia que a
parábola não corta o eixo Ox. Como a = 1 > 0, a parábola tem concavidade
para cima. Como não corta o eixo Ox, a parábola fica toda acima do eixo Ox.

Vamos calcular as coordenadas do vértice V = (xv , yv ). Temos que

b ∆
xv = − , yv = ⇒ xv = −1 , yv = 1 .
2a 4a
Logo, V = (−1, 1) é o vértice.

Também fazendo x = 0 na equação y = x2 + 2x + 2 encontramos y = 2. Logo,


(0, 2) é o ponto de encontro da parábola com o eixo Oy. Estes dados permitem
um esboço da parábola como o da Figura 11.12

PSfrag replacements
2

1
V

−1 x

Figura 11.12: Parábola y = x2 + 2x + 2.

Atividade 11.3

Construa, aproximadamente, os gráficos das equações quadráticas:

a) y = −x2 + x + 6

b) y = x2 − 3x + 3

33 CEDERJ
Funções polinomiais: determinação de gráficos por seus pontos e gráficos de regiões do plano

MÓDULO 2 - AULA 12
Aula 12 – Funções polinomiais: determinação de
gráficos por seus pontos e gráficos de regiões
do plano

Objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• entender o conceito de função polinomial;


• saber construir regiões do plano definidas por equações e inequações;
• poder construir a reta que se ajusta a um conjunto de pontos.

Nas aulas anteriores introduzimos o conceito de função e tratamos os primeiros


exemplos que foram as funções constante, lineares afins e as funções quadráticas.
Na verdade, estas funções são casos particulares de uma classe mais ampla de
funções: as funções polinomiais. Veja a definição seguinte.

Definição

Dado um número natural n ≥ 1, uma função polinomial de grau n é uma função


expressa por uma equação do tipo

y = an xn + an−1 xn−1 + · · · + a2 x2 + a1 x1 + a0 (1)

onde, x é uma variável real, an , an−1 , · · · , a2 , a1 e a0 são números reais e an 6= 0.

Notas

1) Os números reais an , an−1 , · · · , a2 , a1 e a0 são os coeficientes da função po-


linomial. Observe a obrigatoriedade an 6= 0. A não nulidade deste coeficiente
determina o grau da função polinomial.

2) Associado à função polinomial (1) é definida a equação polinomial de grau n

an xn + an−1 xn−1 + · · · + a2 x2 + a1 x1 + a0 = 0 , x ∈ R .

35 CEDERJ
Funções polinomiais: determinação de gráficos por seus pontos e gráficos de regiões do plano
acements
Método Determinı́stico
3) O número real c é uma raiz da equação polinomial se o valor x = c anula o
primeiro membro da equação, isto é,

an cn + an−1 cn−1 + · · · + a2 c2 + a1 c1 + a0 = 0 .

4) As funções constantes, linear afim e quadrática, são funções polinomiais


de grau zero, um e dois, respectivamente. Por exemplo, a função quadrática
y = −3x2 + 2x − 1 é uma função polinomial de grau 2, que se identifica com a
forma geral y = a2 x2 + a1 x + a0 , onde a2 = −3, a1 = 2 e a0 = −1.

5) É possı́vel definir função polinomiais a partir de monômios. Assim, por exemplo


o produto

y = (x − 1) · (x + 1) · (x − 2) ⇒ y = x3 − 2x2 − x + 2 .

Dado uma função polinomial está colocado o problema de construir no plano,


mesmo aproximadamente, o gráfico da função. A técnica que permite a cons-
trução destes gráficos é a mesma usada nos casos anteriores de funções lineares
afins e quadráticas. É preciso determinar um número suficiente de pontos do
gráfico que permitam a forma geral do gráfico. Este é um modo de construção
artesanal. Hoje com os computadores que disponho, existem ferramentas que
permitem a construção de qualquer gráfico de função polinomial num piscar de
olhos e mesmos funções mais complexas. A técnica do computador não foge
muito do princı́pio artesanal que temos usado. A diferença é que o computador
pode realizar milhões de operações por segundo e localizar uma quantidade muito
grande de pontos. Depois é só unir estes pontos que estão suficientemente
próximos. Na verdade, quando olhamos para a tela do computador para apreciar
o gráfico de uma função temos a impressão de continuidade (não existe espaço
entre um e outro ponto do gráfico). Mas isto é resultado da nossa limitada
acuidade visual, uma vez que o computador sempre trabalha com um número
finito de pontos.

Vamos tratar, apenas a tı́tulo de ilustração, e com o intuito de esquentar os


tamborins, um caso simples de função polinomial de grau 3.

Exemplo 12.1

A função y = x3 − 2x2 − x + 2 é uma função polinomial de grau 3. Veja que para


esta função a3 = 1, a2 = −2, a1 = −1 e a0 = 2. Veja que os valores x = 1,

CEDERJ 36
Funções polinomiais: determinação de gráficos por seus pontos e gráficos de regiões do plano

MÓDULO 2 - AULA 12
x = −1 e x = 2, anulam o valor da função. Isto pode ser visto simplesmente
fazendo as contas e verificando que

y = x3 − 2x2 − x + 2 = (x − 1) · (x + 1) · (x − 2) ,

conforme já trabalhado anteriormente. Este resultado mostra que os pontos

A = (1, 0), B = (−1, 0) e C = (2, 0)

pertencem ao gráfico da função. Além disso, podemos definir mais alguns pontos,
o que faremos na tabela que aparece na Figura 12.1, a seguir.

y
x y
D 0 2
E -2 4
F 3 8
G -3 4 −1 1
PSfrag replacements
2 x

Figura 12.1: Função polinomial y = x3 − 2x − x + 2.

Curvas que se ajustam a um conjunto de pontos

As funções com as quais estamos trabalhando, funções lineares afins, quadráticas


e mais geralmente polinomiais, são modelos matemáticos que se ajustam a pro-
blemas práticos nas áreas de Economia e Administração. Mas, como são modelos,
precisam ser ajustados, em maior ou menor precisão, para responder a situações
concretas.

Até agora tratamos o problema de construir gráficos de alguns tipos de funções.


O objetivo agora é oferecer uma idéia num caso bem simples de como atacar o
problema inverso: dado um certo número de pontos no plano, determinar a curva

37 CEDERJ
Funções polinomiais: determinação de gráficos por seus pontos e gráficos de regiões do plano
acements
Método Determinı́stico
polinomial que mais se ajusta a estes pontos. Um comentário faz sentido sobre
a natureza do problema. Dependendo da posição dos pontos, a curva polinomial
que mais se aproxima pode ser uma reta, ou uma parábola ou o gráfico de um
polinômio de grau superior a dois. No entanto, por questão de simplicidade, e
para não fugir ao objetivo da disciplina, trataremos de resolver apenas o caso de
definir a reta que mais se aproxima de um conjunto de ponto pré-fixados.

Método dos mı́nimos quadrados

Considere três pontos A = (0, −1), B = 12 , 0 e C = (2, 1) e o problema de




determinar a reta que mais se ajusta a estes pontos. Ou dito de outra maneira
queremos determinar a reta que passa o mais perto possı́vel dos pontos, do ponto
de vista global. Na Figura 12.2, a seguir, onde são apresentadas quatro retas.
Note que as retas r, q e t como candidatas a solução do problema possuem a
vantagem comum de passar por dois dentre os pontos e a desvantagem comum
de deixar um terceiro ponto muito longe da reta.

Por outro lado a reta s não contém nenhum dos pontos, mas resolve o problema,
tratando os três pontos de modo uniforme e portanto possui a melhor proximidade
possı́vel em relação aos pontos.

s q
y t
r

PSfrag replacements C

B
x

Figura 12.2: Curva ajustando pontos.

O método que permite encontrar a reta s que resolve o problema é denominado


método dos mı́nimos quadrados cujo enunciado agora apresentamos.

CEDERJ 38
Funções polinomiais: determinação de gráficos por seus pontos e gráficos de regiões do plano

MÓDULO 2 - AULA 12
Dado um conjunto de n pontos no plano, A1 (x1 , y1 ), A2 (x2 , y2 ), · · · , An (xn , yn ),
a reta que melhor se aproxima destes pontos é definida por y = ax + b, onde,
X
xy − nxy
a= X 2 e b = y − ax .
x2 − n x

Nesta fórmula os sı́mbolos significam:

X
xy = é a soma dos n produtos xi yi
X
x2 = é a soma dos n quadrados x2i

x1 + x 2 + · · · + x n y1 + y 2 + · · · + y n
x= ,y= são médias aritméticas.
n n

Acompanhe pelo exemplo a seguir a aplicação do método para encontrar a reta


que melhor aproxima 4 pontos.

Exemplo 12.2

Vamos encontrar pelo método dos mı́nimos quadrados a reta que melhor aproxima
os pontos A1 = (10, 27), A2 = (20, 20), A3 = (30, 14) e A4 = (40, 7).

Solução

Para melhor organizar os cálculos, tendo em vista calcular os somatórios lançamos


mão de uma tabela. Veja a tabela abaixo.

Pontos x i yi xi y i x2i
A1 10 27 270 100
A2 20 20 400 400
A3 30 14 420 900
A4 40 7 280 1600
X
1370 3000

Também
10 + 20 + 30 + 40
x= = 25
4
27 + 20 + 14 + 7
y= = 17 .
4

39 CEDERJ
Funções polinomiais: determinação de gráficos por seus pontos e gráficos de regiões do plano
acements
Método Determinı́stico
Então: X
xy − nxy = 1370 − 4 × 25 × 17 = −330
X 2 2500
x2 − n x = 3000 − 4 × = −500 .
4
Logo, replacements
PSfrag
−330 33 67
a= 33.5
= −0, 66 e b = y − ax = 17 + × 25 =
500 50 2
27
e então a reta procurada é
20
y = −0, 66x + 33, 5 .
14
7
Veja a representação da solução do problema na Figura a seguir.
10
20
30
40
50.7
A1
A2
A3
A4

Figura 12.3: Reta que aproxima 4 pontos.

Gráficos de segmentos de retas e regiões do plano

Muitas vezes os dados de um problema exigem a consideração de funções lineares


afins ou funções quadráticas definidas em domı́nios D que são apenas parte dos
números reais. Os gráficos das funções, nestes casos, podem ser segmentos de
reta, parte de parábolas. Vejam um exemplo.

Exemplo 12.3

Representar graficamente y = −x − 1, x ∈ (−2, 1].

Solução

O gráfico será parte de uma reta, uma vez que y = −x − 1 é uma função linear
afim. Veja que x = 0 e x = 1 estão no domı́nio da função. Então:
x = 0 e y = −x − 1 ⇒ y = −1
x = 1 e y = −x − 1 ⇒ y = −2

CEDERJ 40
Funções polinomiais: determinação de gráficos por seus pontos e gráficos de regiões do plano

MÓDULO 2 - AULA 12
Logo A = (0, −1) e B = (1, −2) são pontos que definem o gráfico. Veja a
Figura 12.4.

1
PSfrag replacements
1
−2 −1 x

−2 B

Figura 12.4: Segmento de reta.

Note que o ponto (−2, 1) não pertence ao gráfico uma vez que o domı́nio
D = (−2, 1] é aberto à esquerda. Por isto, este ponto é representado vazado no
gráfico. No entanto, o ponto B = (1, −2) é representado cheio, uma vez que
este ponto pertence ao domı́nio.

Exemplo 12.4

Representar graficamente o conjunto do plano definido por y ≤ 2x − 1 e


0 ≤ x ≤ 2.

Solução

Note que a equação linear afim y = 2x − 1 é representada por uma reta.


A condição y ≤ 2x − 1 indica os pontos que ficam abaixo da reta.

Por outro lado, todos os pontos (x, y) do plano que verificam 0 ≤ x ≤ 2 é uma
faixa vertical. Juntando estas duas condições, chegamos à região hachurada da
Figura 12.5 que representa o gráfico procurado.

41 CEDERJ
Funções polinomiais: determinação de gráficos por seus pontos e gráficos de regiões do plano
acements
Método Determinı́stico
y



3 
 
 

 
 
 
 

 

 
 

 
PSfrag replacements 
  2 x
 

 
−1  
 

 
 

 
 
 

Figura 12.5: Gráfico da região procurada.

Atividade 12.1

Representar graficamente os conjuntos do plano definido por

a) y ≤ −x + 3 e −1 < x < 1

b) −2 ≤ y ≤ −x + 3

CEDERJ 42
Aplicações
MÓDULO 2 - AULA 13

Aula 13 – Aplicações

Objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• perceber a importância de funções e seus gráficos para resolver problemas


práticos;
• poder representar graficamente a função demanda de mercado;
• poder representar graficamente a função oferta de mercado;
• ser capaz de resolver problemas relacionados às funções de demanda e
de oferta de mercado, bem como encontrar os preços e quantidades de
equilı́brio do mercado.

Nesta aula vamos olhar, como se fosse uma caixa de ferramentas, as técnicas
desenvolvidas nas aulas de 10 até 12. Com estas ferramentas em mãos, vamos
procurar motivar o uso de funções e gráficos para abordar questões relaciona-
das com a lei da oferta e da procura, e os assuntos relacionados: demanda de
mercado, oferta de mercado e preços.

Para um certo produto colocado no mercado, a Lei da Procura e Oferta procura


regular a relação entre a procura (ou demanda) pelo produto e a quantidade de
oferta deste produto. Em linhas gerais, em perı́odos de grande oferta de um
determinado produto, o seu preço cai, provocando um aumento no consumo.
E em contrapartida, em face de uma grande demanda por um determinado pro-
duto, os preços tendem a subir, ocorrendo uma retração no consumo.

Mas é preciso lembrar que nesta aula, trataremos a lei da oferta e da procura
como um modelo ideal, para explicar fenômenos complexos do mercado. Por
isto, é importante ter em mente, que conclusões simplistas, frequentemente não
são verdadeiras, como a que quanto menor o preço de um determinado pro-
duto, maior a quantidade procurada e vendida. Ou que quanto maior o preço,
menor a quantidade procurada. No fenômeno da oferta e da demanda, outras
variáveis influenciam a equação que traduz a lei da oferta e da procura, tornando-
a muito complexa. Entre estas variáveis, destacam-se, por exemplo, os desejos

43 CEDERJ
acements
Aplicações
Método Determinı́stico

e necessidades das pessoas; o poder de compra; o nı́vel de desemprego; a dispo-


nibilidade dos serviços; a produção regional e nacional; a sazonalidade da oferta
e condições climáticas, por exemplo, para os produtos agrı́colas; fluxo de ex-
portações e importações e também a intervenção reguladora dos governos, por
exemplo, liberando de impostos ou incentivando a importação do produto.

Para examinar, ainda que de modo ideal a lei da oferta e da procura, vamos con-
siderar como exemplo a questão do preço do feijão, um alimento com limitadas
possibilidades de armazenamento. O feijão uma vez colhido deve ser consumido
dentro de seis meses, a partir deste tempo há um processo de endurecimento do
grão, caindo muito a qualidade do produto. Assim no pico da colheita, a oferta
do produto no mercado aumenta muito e nesta ocasião os preços são relativa-
mente menores. Por outro lado, no perı́odo que antecede a colheita, a escassez
do produto limita sua oferta e pressiona a procura (ou demanda).

Portanto, em linhas gerais, uma oferta menor do feijão aumenta os preços e pro-
voca uma retração na demanda. No entanto, isto não significa, necessariamente,
um consumo menor de proteı́na. O consumidor, pressionado pelo preço alto, pro-
cura outras fontes proteicas cujo preço está mais em conta. Por exemplo, nesta
situação, pode ocorrer que preço do frango seja mais em conta na equação da
economia doméstica. Assim, idealmente, a população consome mais feijão na
época de mais oferta, substituindo o feijão por outros alimentos na época de
menos oferta.

Demanda de mercado

Considere uma utilidade qualquer U que pode ser um bem ou um serviço.


A demanda D desta utilidade pode ser entendida como a soma de todas as
quantidades desta utilidade que os consumidores estarão dispostos a adquirir a
um preço P , num determinado perı́odo de tempo, que pode ser um dia, um mês
ou um ano.

A função demanda é a função que a cada preço P associa a demanda D cor-


respondente. A representação gráfica desta função é referida como a curva de
demanda ou curva de procura desta utilidade.

Veja que a demanda (ou procura) a que nos referimos corresponde ao conjunto
de todos os compradores da utilidade e não a um comprador individual. Portanto,
a demanda de mercado é obtida pelo somatório de todas as demandas de consu-

CEDERJ 44
Aplicações
MÓDULO 2 - AULA 13

midores individuais. Vamos dar um exemplo que pode esclarecer esta situação,
considerando primeiramente o caso simples de demanda individual, para depois
considerar o caso geral.

Demanda individual

Vamos tomar como exemplo, a carne de boi e estudar o conceito de demanda


individual para este item de consumo. Vamos nos fixar num perı́odo de consumo
semanal de uma famı́lia, cuja fonte de renda é o salário do chefe da famı́lia o
Sr. Pedro. A demanda da famı́lia durante uma semana, representa a quantidade
de carne bovina que Pedro estaria disposto a adquirir a vários preços alternativos.
Por exemplo, se o preço for R$ 1,00 por quilo, Pedro estaria disposto a adquirir
no máximo 10 kg. Se o preço for aumentado para R$ 2,00 o quilo, Pedro estaria
disposto a adquirir no máximo 8 quilos por semana. E assim sucessivamente, a
medida que o preço de oferta sobe, o chefe de famı́lia manifesta menor desejo de
adquirir o produto. A tabela da Figura 13.1 mostra na primeira coluna o preço
de oferta do produto e na segunda coluna a quantidade máxima por semana que
Pedro estaria disposto a adquirir pelo preço estipulado.

Preço (R$/quilo) Quantidade (Quilo/semana)


1 10
2 8
3 6
4 4
5 2

Figura 13.1: Demanda de uma famı́lia pela carne de boi.

A primeira coluna representa a oferta, caracterizando o preço P do produto,


enquanto que a coluna da direita representa a demanda D pelo produto a um
preço P . Portanto a demanda D é uma função do preço P . A partir dos dados
da tabela podemos descrever globalmente a função demanda. A idéia é que
uma vez definida a função, ela pode predizer qual é a quantidade de carne de
boi que Pedro compraria se o preço fosse um valor não constante na tabela da
Figura 13.1. Vamos colocar os dados da tabela em um gráfico, obtendo o que
denominamos a curva de demanda. Veja a Figura 13.2, a seguir.

45 CEDERJ
acements
Aplicações
Método Determinı́stico

D
10
PSfrag replacements
8

1 2 3 4 5 P

Figura 13.2: Curva de demanda para carne de boi.

Examinando o gráfico concluı́mos que a função que traduz a demanda D em


função do preço P é dada pela equação:

D = −2P + 12 ,

onde P ∈ (0, +∞).

Note que o preço sendo sempre positivo, o domı́nio de definição da função é o


conjunto dos números maiores que zero.

A construção da curva de demanda, representada pelo gráfico da função de-


manda, permite prever o comportamento do consumidor. Por exemplo, se a
oferta da carne bovina, for colocada a R$ 2,40 o quilo ou a R$ 5,80 o quilo,
então o chefe de famı́lia estaria disposto a adquirir no máximo, respectivamente,
7,2 quilos ou 0,40 quilos (400 gramas). Veja as contas.

P = 2, 40 em D = −2P + 12 ⇒ D = −2(2, 40) + 12 ⇒ D = 7, 20;


P = 5, 80 em D = −2P + 12 ⇒ D = −2(5, 80) + 12 ⇒ D = 0, 40 .

Note que o preço da carne bovina não pode atingir o preço P = R$ 6,00, sob
pena da demanda D ser nula. Examine o gráfico e faça contas com a função
demanda para comprovar este fato.

Com este exemplo, que caracterizou uma demanda individual para um certo
produto num perı́odo determinado, podemos passar ao caso geral da demanda

CEDERJ 46
Aplicações
MÓDULO 2 - AULA 13

de mercado, que é o conceito correto trabalhado em Economia. Para encontrar


a demanda de mercado basta somar os valores das demandas individuas. Por
isto, a função demanda de mercado é a soma de todas as funções demandas
individuais.

Notas

1) No nosso exemplo obtivemos a demanda D como uma função linear afim,


cuja variável independente é o preço P . Evidentemente, que nos casos concretos
esta função é muito complicada, uma vez que é influenciada por fatores de difı́cil
controle, como por exemplo, o desejo subjetivo dos consumidores em adquirir o
produto, a renda dos consumidores, polı́tica global do governo, etc.

2) Em Economia, a representação gráfica da função demanda é costumeiramente


realizada invertendo os eixos, colocando preços no eixo vertical e demanda no
eixo horizontal. Assim, trabalhando o exemplo anterior, onde D = −2P + 12,
podemos expressar D em função de P e encontrar que

1
P = − D +6.
2
PSfrag replacements
A representação gráfica com os eixos invertidos fica então como mostrado na
Figura 13.3.

P
5
4
3
2
1

2 4 6 8 10 D

Figura 13.3: O preço como função da demanda.

Vamos ver mais um exemplo.

Exemplo 13.1

A função D = 16 − P 2 representa a demanda de mercado D de um produto em


função do preço P .

47 CEDERJ
acements
Aplicações
Método Determinı́stico

Note que a equação que representa a função demanda só tem sentido econômico,
quando os preços e as demandas têm valores positivos. Estas condições deter-
minam o PSfrag
domı́nioreplacements
da função demanda. Portanto,

P > 0 e D > 0 ⇒ PP > 0 e 16 − P 2 > 0 ⇒ P > 0 e P < 4 .


D
Logo, (0, 4) é o intervalo −4
de números reais que define o domı́nio da função
demanda D. Ou seja, P ∈−2 (0, 4).
2
O gráfico da função é parte de uma parábola e representa a curva de demanda.
4
Veja a Figura 13.4 a seguir.
16
curva demanda

Figura 13.4: Curva de demanda de D = 16 − P 2 .

Exemplo 13.2

Considere a função quadrática D = −2P 2 + 9P + 18, onde P representa o preço


unitário de um certo produto e D a demanda de mercado correspondente, num
certo perı́odo de tempo. Vamos determinar a curva de demanda e analisar seus
aspectos principais.

Em primeiro lugar, vamos encontrar as raı́zes da equação quadrática


−2P 2 + 9P + 18 = 0.

Temos que a = −2, b = 9 e c = 18. Portanto,

∆ = b2 − 4ac = 225 .

Então,


−b ± ∆ −9 ± 15  P1 = 6
P = ⇒ P = ⇒ 3 .
2a −4  P2 = −
2
O vértice V da parábola é definida por
   
b ∆ 9 225
V = − ,− ⇒V = , .
2a 4a 4 8

Além disso, como a equação que representa a função demanda só tem sentido
econômico, quando os preços e as demandas tem valores positivos. Portanto,
temos que
P > 0 e D > 0 ⇒ P ∈ (0, 6) .

CEDERJ 48
Aplicações
MÓDULO 2 - AULA 13

Logo, (0, 6) é o intervalo de números reais que define o domı́nio da função


demanda D.

O gráfico da função é parte de uma parábola e representa a curva de demanda.


Veja a Figura 13.5 a seguir.

225/8
PSfrag replacements

18 Demanda

−3/2 9/4 6 P

Figura 13.5: Curva de demanda de D = −2P 2 + 9P + 18.

Exemplo 13.3

Uma pesquisa de mercado procura estabelecer a curva de demanda para um certo


bem de consumo B. Veja a tabela da Figura 13.6 que assinala os valores da
demanda D do mercado correspondentes aos preços de oferta P .

Preço P (R$ por unidade) Demanda D


20 320
40 250
60 150
80 100

Figura 13.6: Pesquisa de demanda de mercado.

Dado um conjunto de 4 pontos no plano A1 = (20, 320), A2 = (40, 250),


A3 = (60, 150) e A4 = (80, 100), a reta que melhor se aproxima destes pontos
é definida por y = ax + b, onde,
X
xy − nxy
a= X 2 e b = y − ax .
x2 − n x

49 CEDERJ
acements
Aplicações
Método Determinı́stico

Nesta fórmula os sı́mbolos significam:

X
xy = é a soma dos n produtos xi yi
X
x2 = é a soma dos n quadrados x2i

x1 + x 2 + · · · + x n y1 + y 2 + · · · + y n
x= ,y= são médias aritméticas.
n n

Para melhor organizar os cálculos, tendo em vista calcular os somatórios lançamos


mão de uma tabela. Veja a tabela a seguir.

Pontos xi yi xi y i x2i
A1 20 320 6400 400
A2 40 250 10000 1600
A3 60 150 9000 3600
A4 80 100 8000 6400
X
200 820 23400 120000

Também
200
x= = 50
40
820
y= = 205 .
4
Então:
X
xy − nxy = 23400 − 4 × 50 × 205 = 23400 − 41000 = −17600
X 2
x2 − n x = 12000 − 4 × 2500 = 2000 .

Logo,
−17600 88 88
a= = − = −8, 8 e b = y − ax = 205 + × 50 = 645
2000 10 10
e então a reta procurada é

y = −8, 8x + 645 .

Veja a representação da solução do problema na Figura a seguir.

Exemplo 13.4

CEDERJ 50
40
150 Aplicações
MÓDULO 2 - AULA 13
100
20
40
60
80
73, 3
A1
A2
A3
A4

Figura 13.7: Reta que aproxima 4 pontos.

O diretor de um museu em Londres observou que, aos domingos, quando o preço


da entrada é R$ 4,00, em média, o número de visitantes diários é 320 e quando
o preço para a entrada de domingo aumenta para R$ 6,00, em média, o número
de visitantes cai para 240. Supondo que a demanda D é uma função linear afim
do preço P , encontre a função e represente a curva de demanda.

Solução

Como se trata de uma função linear afim, então para determinados números reais
a e b teremos que
D = aP + b .

Como (P, D) = (4, 320) e (P, D) = (6, 240), então substituindo na função
demanda encontramos que

320 = 4a + b e 240 = 6a + b ⇒ a = −40 e b = 480 .

Assim,
D = −40P + 480 ,

é a função procurada e o gráfico pode ser observado na Figura 13.8 a seguir.

Oferta de mercado

Considere uma utilidade qualquer U que pode ser um bem ou um serviço. A oferta
Q desta utilidade pode ser entendida como a soma de todas as quantidades desta
utilidade que os produtores estarão dispostos a colocar a venda no mercado a
um preço P , num determinado perı́odo de tempo.

51 CEDERJ
acements
Aplicações
Método Determinı́stico

480

PSfrag replacements

12 P

Figura 13.8: Demanda por ingressos no museu.

A função oferta é uma função que associa a cada preço P fixado a oferta Q
correspondente. A representação gráfica desta função é referida como a curva
de oferta desta utilidade.

Veja que a oferta a que nos referimos corresponde à de todos os produtores da


utilidade e não de um produtor individual. Portanto, é evidente que a oferta de
mercado é obtida pelo somatório de todas as ofertas dos produtores individuais.
Vamos dar um exemplo para esclarecer esta situação.

Exemplo 13.5

A função linear afim Q = −10 + P , com 10 < P ≤ 40, representa a oferta de


mercado Q de uma certa utilidade ao preço unitário P .

Vamos construir a curva de oferta. Acompanhe pela Figura 13.9. Inicialmente,


encontramos que se

P = 20 e Q = −10 + P ⇒ Q = 10 ;
P = 40 e Q = −10 + P ⇒ Q = 30 .

Logo, (P, Q) = (20, 10) e (P, Q) = (40, 30) são pontos da curva de oferta e
determinam o gráfico da função oferta. Veja a Figura 13.9.

Exemplo 13.6

A função quadrática Q = 2P 2 +5P −3, representa a oferta de mercado Q de uma


certa utilidade ao preço unitário P , onde o preço máximo que os consumidores
estão dispostos a pagar é P = R$ 2,00.

CEDERJ 52
Aplicações
MÓDULO 2 - AULA 13

PSfrag replacements

10 40 P

Figura 13.9: Gráfico da oferta Q = −10 + P .

Vamos construir a curva de oferta. Acompanhe pela Figura 13.10. Inicialmente,


vamos resolver a equação 2P 2 + 5P − 3 = 0. Temos que

∆ = 52 − 4(2)(−3) = 49 ⇒ ∆ = 7 .

Logo 
 P1 =
 1
−5 ± 7 2 .
P = ⇒
4  P = −3

2

Note que o vértice V = (Pv , Qv ) tem como abcissa Pv a média aritmética das
raı́zes P1 e P2 . Ou seja,
1
P1 + P 2 −3 +
Pv = = 2 = −5 .
2 2 4
Continuando o cálculo do vértice, encontramos que
5 49
Pv = − e Q = 2P 2 + 5P − 3 ⇒ Qv = − .
4 8
Portanto,  
5 49
V = (Pv , Qv ) = − , −
4 8
é o vértice da parábola.

Com estes dados podemos construir a parábola que representa a curva de oferta.
Acompanhe pela Figura 13.10.

Preço de equilı́brio e quantidade de equilı́brio

O preço de equilı́brio PE para um dado bem ou utilidade é o preço para o


qual a demanda e oferta de mercado desta utilidade coincidem. A quantidade

53 CEDERJ
acements
Aplicações
Método Determinı́stico
PSfrag replacements
Q
15
Oferta

−3 1/2 2 P
−49/8

Figura 13.10: Gráfico da oferta Q = 2P 2 + 5P − 3.

correspondente ao preço de equilı́brio é denominada quantidade de equilı́brio,


representada pelo sı́mbolo QE . Vejam um exemplo.

Exemplo 13.7

Considere a demanda de mercado D = 225 − 2P e a oferta Q = P − 21. Vamos


determinar os gráficos das curvas de demanda e de oferta e os valores P E e QE ,
respectivamente, o preço e a quantidade de equilı́brio.

Solução

Para determinar o preço de equilı́brio PE é suficiente encontrar o preço P para


o qual D = Q. Ou seja,

225 − 2P = P − 21 ⇒ 225 + 21 = P + 2P ⇒ PE = 82 .

Um vez determinado o preço de equilı́brio PE a quantidade de equilibrio QE pode


ser calculada:

Q = P − 21 e PE = 82 ⇒ QE = PE − 21 ⇒ QE = 61 .

Veja a seguir, na Figura 13.11, a representação gráfica das curvas de demanda e


oferta com os valores do preço de equilı́brio e quantidade de equilı́brio assinalados.

Atividade 13.1

Considere a demanda de mercado D = 136 − 2P e a oferta Q = 10P − 80.


Faça os gráficos das curvas de demanda e de oferta e determine P E e QE ,
respectivamente, o preço e a quantidade de equilı́brio.

Exemplo 13.8

CEDERJ 54
Aplicações
MÓDULO 2 - AULA 13

Sfrag replacements
Q D

225

183/2
Oferta
DE = Q E

21 PE 225/2 P

Figura 13.11: O preço e a quantidade de equilı́brio I.

Considere a demanda de mercado D = 600 − 2P e a oferta Q = P 2 − 52P .


Vamos determinar os gráficos das curvas de demanda e de oferta e os valores P E
e QE , respectivamente, o preço e a quantidade de equilı́brio.

Solução

Para determinar o preço de equilı́brio PE é suficiente encontrar o preço P para


o qual D = Q. Ou seja,

600 − 2P = P 2 − 52P ⇒ P 2 − 50P − 600 = 0 .

Resolvendo a equação encontramos os valores P = −10 e P = 60. Como o


preço deve ser positivo, concluı́mos que

PE = 60 .

Um vez determinado o preço de equilı́brio PE a quantidade de equilı́brio QE pode


ser calculada:

D = 600 − 2P e PE = 60 ⇒ QE = 600 − PE ⇒ QE = 540 .

Veja a seguir, na Figura 13.12, a representação gráfica das curvas de demanda e


oferta com os valores do preço de equilı́brio e quantidade de equilı́brio assinalados.

Atividade 13.2

Considere a demanda de mercado D = P 2 − 18P + 10 e a oferta Q = 82 − 12P .


Faça os gráficos das curvas de demanda e de oferta e determine P E e QE ,
respectivamente, o preço e a quantidade de equilı́brio.

55 CEDERJ
Q D

600
Oferta

DE = Q E
Demanda
26
−676 52 PE 300 P

Figura 13.12: O preço e a quantidade de equilı́brio II.


Funções compostas e inversas
MÓDULO 2 - AULA 14

Aula 14 – Funções compostas e inversas

Objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• entender e trabalhar com o conceito de função crescente e de função com-


posta;
• entender os conceitos de função sobrejetiva, injetiva, bijetiva e de função
inversa;
• decidir se uma função possui ou não inversa;
• resolver problemas envolvendo funções inversas e representar graficamente
as soluções.

Nesta aula vamos identificar propriedades importantes das funções. Continuamos


nosso trabalho considerando funções reais de variável real. Ou seja, os domı́nios
D = D(f ) das funções f são sempre subconjuntos de números reais, isto é,
D ⊂ R, enquanto que o contradomı́nio é constituı́do de todos os números reais
R. Para iniciar, eis o conceito de função composta.

Funções compostas

Considere uma função f cujo domı́nio é Df e outra função g cujo domı́nio é Dg .


Suponha ainda que a imagem de f , Im(f ), esteja contida no domı́nio de g, isto
é, Im(f ) ⊂ D. Veja a representação da situação no esquema a seguir.

f : Df −→ R , Im(f ) ⊂ Dg e g : Dg −→ R .

Note que como Im(f ) ⊂ Dg então para todo número x ∈ Df , f (x) ∈ Dg .


Logo é permitido aplicar a função g ao número f (x), isto é, calcular o resultado
g(f (x)). Assim procedendo, estaremos associando a cada número real x ∈ D f
um número real g(f (x)). Portanto, este esquema permite definir uma nova
função h, a partir das funções f e g de partida, pela fórmula

h : Df −→ R ,

onde h(x) = g (f (x)).

57 CEDERJ
acements
Funções compostas e inversas
Método Determinı́stico

A nova função h é denominada a composta de f com g. Para facilitar, a notação


e o cálculo da função composta, vamos considerar x a variável para a função f
e y a variável para a função g. Como Im(f ) ⊂ Df , a imagem da função f está
contida no domı́nio da função g e então y = f (x). Também representando por
w os elementos que estão na Im(g), podemos escrever que

y = f (x) , w = g(y) ⇒ w = h(x) = g(f (x)) .

Usamos a notação h = g ◦ f para representar a função obtida pela composição


PSfrag replacements
das funções f e g. Veja também a Figura 14.1 que simboliza a composição de
funções.

f g

Imf
R
( x
) (( ))
y = f (x) g(y) = g (f (x))
Df
Dg

Figura 14.1: A função composta h = g ◦ f .

Exemplo 14.1

Considere as funções f : R → R e g : R → R dadas por

y = f (x) = x − 2
w = g(y) = y 3 .

a) Encontre a função composta h = g ◦ f .

b) Mostre que x = 2 é uma das raı́zes da equação h(x) = 0.

Solução

a) A função composta h = g ◦ f tem como fórmula a expressão

h(x) = g(f (x)) = g(x − 2) = (x − 2)3 = x3 − 6x2 + 12x − 8 .

b) Usando a fórmula da função encontramos que

h(2) = 23 − 6(2)2 + 12(2) − 8 = 8 − 24 + 24 − 8 = 0 .

Portanto x = 2 é raiz da equação h(x) = 0.

CEDERJ 58
Funções compostas e inversas
MÓDULO 2 - AULA 14

Exemplo 14.2

Sejam as funções g : R → R e f : R → R definidas por


(
x2 se x ≥ 0
g(x) = e f (x) = x − 3 .
x se x < 0
Encontre a expressão que define g ◦ f = h.

Solução

Temos que
h(x) = g(f (x)) = g(x − 3) .
Em virtude da definição de g precisamos saber quando x − 3 ≥ 0 e quando
x − 3 < 0.

Ora
x −3 ≥ 0 ⇔ x ≥ 3 e x −3 < 0 ⇔ x < 3.
Logo (
(x − 3)2 se x ≥ 3
h(x) =
x−3 se x < 3

Exemplo 14.3

Sejam as funções reais f (x) = 3x + 2 e (g ◦ f )(x) = x2 − x + 1. Determine a


expressão de g.

Solução

Temos que
(g ◦ f )(x) = g(f (x)) = g(3x + 2) = x2 − x + 1 .
Façamos agora
y−2
3x + 2 = y ⇒ x = .
3
Logo,  2
y−2 y−2
g(y) = − +1
3 3
y 2 − 4y + 4 y − 2
g(y) = − +1
9 3
1
g(y) = (y 2 − 4y + 4 − 3(y − 2) + 9)
9
1
g(y) = (y 2 − 7y + 19) .
9

59 CEDERJ
acements
Funções compostas e inversas
Método Determinı́stico

Funções sobrejetora, injetora e bijetora

Até agora, ao tratar das funções, estamos sempre supondo que o contradomı́nio
é todo o conjunto R. Neste momento é útil para explicar os conceitos desta parte
do nosso estudo, considerar que o contradomı́nio das funções é um subconjunto
B ⊂ R.

Uma função f : A → B é sobrejetora se Im(f ) = B. Ou seja, para todo


elemento y ∈ B existe x ∈ A tal que f (x) = y.

Uma função g : A → B é injetora (ou injetiva) se elementos diferentes x 1 e x2


do domı́nio A dão como imagens elementos g(x1 ) e g(x2 ) também diferentes.
Ou seja, vale a propriedade:
x1 , x2 ∈ A, x1 6= x2 ⇒ g(x1 ), g(x) ∈ Im(g) e g(x1 ) 6= g(x2 ) .
Uma função f : A → B que tem ambas as propriedades injetora e sobrejetora, é
dita uma função bijetora.

Exemplo 14.4

Sejam A = {0, 1, 2}, BPSfrag


PSfrag replacements = {1,replacements
2, 3} e f, g : A → B como nos diagramas
abaixo.

A função f não é injetora, nem sobrejetora. A função g é bijetora.

f g
Im(f ) 6= B
A B A B
Im(g) = B 0 1 1
0
f
g 1 2 1 2
2 3 2 3

D=A D=A
Im(f ) 6= B Im(g) = B

Figura 14.2: As funções f e g.

Função inversa

Sobre qualquer conjunto não vazio de números reais A ⊂ R, podemos definir


uma função chamada identidade Id : A → A pela equação Id (x) = x. A partir da

CEDERJ 60
Funções compostas e inversas
MÓDULO 2 - AULA 14

função identidade e do conceito de composição de funções, podemos perguntar


sobre a existência de funções inversas. Veja como o problema é colocado.

Considere uma função f : A → B onde A e B são subconjuntos de números


reais. Estamos interessados em encontrar condições para que exista uma função
g : B → A que seja a função inversa de f . Esta nova função deve ter a
propriedade que g ◦ f (x) = Id . Veja esta propriedade expressa no seguinte
diagrama de funções.
f g
A −→ B −→ A
x 7−→ f (x) 7−→ g (f (x)) = x

Examine o diagrama e verifique que x é o ponto de partida e de chegada. Mas,


quais são as propriedades que devem verificar uma função f : A → B para
garantir a existência de uma função inversa, conforme o diagrama anterior?

Vamos dedicar nossa energia para encontrar uma resposta, em dois tempos.

Primeiramente, afirmamos que a função deve ser injetiva. De fato, se uma


função f não é injetiva então não existe inversa. Veja um exemplo, representado
no diagrama a seguir, onde

A = {5, 6, 7} e B = {1, 2} .

PSfrag
A funçãoreplacements
inversa não pode ser definida para o elemento 1, pois f (5) = f (6) = 1.

f
A B
5 1

7 2

Figura 14.3: Temos que f (5) = f (6) = 1.

Em segundo lugar, se a função não é sobrejetora então não existe inversa. Veja
um exemplo de uma função f não sobrejetora, representado no diagrama a seguir,
onde
A = {5, 6, 7} e B = {1, 2, 3, 4} .
A função inversa não pode ser definida em 4 ∈ B.

61 CEDERJ
acements
Funções compostas e inversas
Método Determinı́stico

f
A B
5 1

6 2
3
7
4

Figura 14.4: Não existe x ∈ A tal que f (x) = 4.

Finalmente, para uma função f bijetora está claro, depois da discussão que
fizemos, que existe uma função inversa. Vamos denotar de agora em diante por
f −1 : B → A a função inversa de f

Portanto, uma função f : A → B, possui a função inversa f −1 se e somente se


f é bijetora.

Além disso a função inversa f −1 : B → A tem as seguintes propriedades:

(i) f −1 é uma função bijetora de B em A.

(ii) D (f −1 ) = Im(f ) = B.

(iii) Im (f −1 ) = D(f ) = A.

A relação entre os pares ordenados que compõem os gráficos de f e f −1 , os



quais são denotados por G(f ) e G f −1 , pode ser expressa simbolicamente por

(x, y) ∈ G(f ) ⇔ (y, x) ∈ G f −1




ou

y = f (x) ⇔ x = f −1 (y) .

Exemplo 14.5

As funções f : R − {0} → R − {0} e f (x) = x1 é tal que f = f −1 . Veja as


contas para comprovar:
 
−1 −1 −1 1 1
= x ⇒ f −1 (x) = .
 
f ◦ f (x) = f f (x) = f
x x

CEDERJ 62
Funções compostas e inversas
MÓDULO 2 - AULA 14

Exemplo 14.6

Qual a função inversa da função bijetora f : R → R definida por f (x) = 3x + 2?

Solução

Se y = f (x) então f −1 (y) = x.

Partindo de y = f (x), y = 3x + 2, procuramos isolar x.


y−2
y = 3x + 2 ⇒ x = .
3
Logo,
y−2
f −1 (y) = x = .
3

Nota

Como a variável independente pode indiferentemente ser trocada também pode-


mos escrever, para a função inversa f −1 do exemplo anterior, que
x−2
f −1 (x) = .
3

Exemplo 14.7

Qual é a função inversa da função bijetora em f : R → R definida por f (x) = x 3 ?

Solução

Temos que
y = f (x) = x3 ,
logo,

x= 3
y.
Portanto

f −1 (y) = x = 3
y.
Ou seja

f −1 (x) = 3
x.

63 CEDERJ
acements
Funções compostas e inversas
Método Determinı́stico

Exemplo 14.8

Um exemplo interessante é o da função identidade. I : R → R, I(x) = x. Isto


é, se escrevermos y = I(x), temos que y = x. A representação gráfica desta
função resulta na bissetriz do primeiro quadrante. Veja a Figura abaixo.

y=x
PSfrag replacements
2

2 x

Figura 14.5: A função I(x) = x.

É claro que I −1 = I. Isto é, a função identidade e sua inversa coincidem.

Os gráficos de uma função e sua inversa

Um exame do gráfico abaixo nos leva à conclusão que os pontos (x, y) e (y, x)
do plano, abaixo representados, são simétricos com relação à reta y = x.

(x, y)
y y=x
PSfrag replacements

x (y, x)

x y

Figura 14.6: Simetria dos pontos (x, y) e (y, x).

Lembrando a relação
(x, y) ∈ f ⇔ (y, x) ∈ f −1

CEDERJ 64
Funções compostas e inversas
MÓDULO 2 - AULA 14

podemos concluir que, no plano, os pontos que representam uma função e sua
inversa são simétricos em relação à reta y = x. Isto é, os gráficos que repre-
sentam f e f −1 são simétricos em relação à reta bissetriz do 1o e 4o quadrante.
Veja um exemplo deste fato a seguir.

Exemplo 14.9

Considere a função f e sua inversa f −1 definidas por


f : (0, +∞) −→ (0, +∞) f −1 : (0, +∞) −→ (0, +∞)
e √
x 7−→ f (x) = x2 x 7−→ f (x) = x .
−1

Observe a propriedade de simetria dos gráficos a seguir.


y

PSfrag replacements y = x2
y=x

y= x
1

1 x

Figura 14.7: Gráficos de funções inversas.

Funções monótonas

Dentre as funções que são injetivas destacam-se as funções crescentes, decres-


centes e similares. Acompanhe a formulação destes conceitos.

Considere uma função f : A → B onde A e B são subconjuntos de números


reais. Então a função é dita:

• crescente se

para todo x1 , x2 ∈ A , x1 < x2 ⇒ f (x1 ) < f (x2 ) ;

• decrescente se para todo

para todo x1 , x2 ∈ A , x1 < x2 ⇒ f (x1 ) > f (x2 ) ;

65 CEDERJ
acements
Funções compostas e inversas
Método Determinı́stico

• não-crescente se para todo

para todo x1 , x2 ∈ A , x1 < x2 ⇒ f (x1 ) ≥ f (x2 ) ;

• não-decrescente se para todo

para todo x1 , x2 ∈ A , x1 < x2 ⇒ f (x1 ) ≤ f (x2 ) ;

Veja nas Figuras 14.8 e 14.9, representações gráficas de funções com as pro-
priedade que vem de serem conceituadas.

y = f (x) y = f (x)

PSfrag replacements PSfrag replacements

x x

Figura 14.8: Função f crescente e decrescente.

y = f (x) y = f (x)

PSfrag replacements PSfrag replacements

x x

Figura 14.9: Função f não-crescente e não-decrescente.

Exemplo 14.10

A função f : (0, ∞) → (0, ∞), f (x) = x2 é crescente. Veja a justificativa.

Suponha dois números reais a e b positivos, devemos mostrar que se

a < b ⇒ f (a) < f (b) ⇔ a2 < b2 .

Para comprovar, acompanhe as contas:

a2 < b2 ⇔ a2 − b2 < 0 ⇔ (a − b) · (a + b) < 0 (1)

CEDERJ 66
Funções compostas e inversas
MÓDULO 2 - AULA 14

Como os números são positivos então (a + b) > 0. Também, como a < b então
a − b < 0. Logo (a − b) · (a + b) < 0. Isto mostra que (1) é verdadeiro e que
portanto a2 < b2 é verdadeiro. Portanto a função é crescente. Veja o gráfico da
função representado na Figura 14.10.

y = x2

PSfrag replacements
9

2 3 x

Figura 14.10: Gráfico de uma função crescente.

Exemplo 14.11

Considere a função h : R → R, onde



 2 se x ≤ −2

h(x) = −x se −2 < x ≤ 0

 2
x se x > 0

Então f é constante no intervalo (−∞, 2], decrescente no intervalo (−2, 0] e


crescente no intervalo (0, +∞). Examine estas propriedades no gráfico da função
apresentado na Figura 14.11.

h(x)

PSfrag replacements

9
3 −2 x

Figura 14.11: Gráfico da função h(x).

67 CEDERJ
acements
Funções compostas e inversas
Método Determinı́stico

Atividade 14.1

Examine, nos intervalos (−∞, 2], (−2, 2] e (2, +∞), o comportamento da função
g : R → R, onde


 −x2 se x ≤ −2
g(x) = −4 se −2 < x ≤ 2

−x − 2 se x > 2

Exercı́cios

1. Dados f (x) = x2 − 1, g(x) = 2x, determine:


a) f ◦ g(x) b) f ◦ f (x) c) g ◦ f (x) d) g ◦ g(x).

2. Sendo f a função real definida por f (x) = x2 − 6x + 8, para todos os


valores x > 3. Construa o gráfico de f , conclua que existe a inversa f −1
e determine o valor de f −1 (3).

3. A função inversa da função bijetora f : R − {−4} → R − {2} definida por


2x − 3
f (x) = é:
x+4
x+4 4x + 3 4x + 3
a) f −1 (x) = c) f −1 (x) = e) f −1 (x) =
2x + 3 2−x x+2
x − 4 4x + 3
b) f −1 (x) = d) f −1 (x) =
2x − 3 x−2
x+1
4. Dada a função real de variável real f , definida por f (x) = , x 6= 1:
x−1
a) determine (f ◦ f )(x)
b) escreva uma expressão para f −1 (x)

5. Suponha que f : R → R é da forma f (x) = ax + b e verifica f [f (x)] =


x + 1. Calcule a e b.
x−2
6. Seja a função f tal que f : (R − {−2}) → R, onde f (x) = .
x+2
Encontre o número real x que satisfaz f (f (x)) = −1.

7. Sendo f (x − 1) = 2x + 3 uma função de R em R, a função inversa f −1 (x)


é igual a:
x−3
a) (3x + 1) · 2−1 b) (x − 5) · 2−1 c) 2x + 2 d) e) (x + 3) · 2−1
2
1
8. Seja f : (0, +∞) → (0, +∞) a função dada por f (x) = 2 e f −1 a função
x
inversa de f . Calcule o valor de f −1 (4).

CEDERJ 68
As funções exponencial e logaritma
MÓDULO 2 - AULA 15

Aula 15 – As funções exponencial e logaritma

Objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• entender os conceitos de função exponencial, função logaritmo e expressar


gráficos destas funções;
• resolver problemas envolvendo as funções exponenciais e logaritmicas.

Os conceitos de funções exponenciais e funções logarı́tmicas estão baseados em


operações de potenciação. Por isso, antes de definir esta funções, vamos re-
cordar brevemente como funciona a potenciação quando a base é um número
real positivo diferente de 1 e o expoente um número real. A justificativa para
considerar como base apenas números reais b tais que b > 0 e b 6= 1, é porque
apenas neste contexto são definidas as funções logaritmas.

Para o número racional m/p, onde o denominador é um número positivo, defini-


mos a potência m/p de b, denotada por bm/p como sendo
√ m
bm/p =
p
b .

Note que na definição o número m/p pode ser negativo. Nesta situação como p
é sempre um número inteiro positivo, então m é um número negativo.

Também, precisamos dar sentido à expressão br quando r é um número real.


Neste ponto vamos colocar o carro na frente dos bois, apelando para um conceito
que só será visto nas próximas aulas: o conceito de limite.

Nesta configuração definimos br , a r-ésima potência de b, onde r é um número


real positivo, como o limite

br = lim (brn ) ,
n→∞

onde rn é uma seqüência de números racionais que convergem para r. Note que
o processo de limite significa que rn está arbitrariamente próximo de r, se n é

69 CEDERJ
acements
As funções exponencial e logaritma
Método Determinı́stico

muito grande. Se você preferir, deixe este conceito para ser melhor entendido
quando estudar o conceito de limite nas aulas seguintes.

Para completar todas as possibilidades para o expoente x, definimos que para


„ «−x
x < 0, bx = 1b e convencionamos que b0 = 1.

Destas definições decorrem as propriedades tradicionais da potenciação e radi-


ciação, que também vamos recordar. Para todos os números reais m, r e s e
qualquer número inteiro positivo p,

1) br · bs = br+s
br
2) s = br−s
b

3) bm/p = p bm

A função exponencial

Uma função exponencial é uma função f : R → R definida por f (x) = a x , onde


a > 0 e a 6= 1. O número real fixo a é denominado a base da função exponencial.

Precisamos fazer um comentário e uma observação de caráter geral decorrentes


da definição de função exponencial. Acompanhe a nota que vem a seguir.

Nota

1) Veja que a vantagem de excluir o valor a = 1 da definição é porque para


todo número real x, 1x = 1. Portanto, se forçamos uma definição com a = 1, a
função exponencial assim definida seria uma função constante, não acrescentando
nenhuma novidade.

2) O domı́nio D = D(f ) de uma função exponencial é todo o conjunto R.


Quanto ao conjunto imagem da função, confira logo a seguir nas propriedades
que Im(f ) = (0, +∞).

Propriedades das funções exponenciais

1) Como a base da função exponencial é um número real a que satisfaz a > 0 e


a 6= 1, então para todo número real x temos que f (x) = ax > 0. Ou seja, os

CEDERJ 70
As funções exponencial e logaritma
MÓDULO 2 - AULA 15

valores da função são todos positivos. Mais do que isso, o conjunto a imagem da
função coincide com os números positivos. Ou seja Im(f ) = (0, +∞). Portanto,
o gráfico de qualquer função exponencial está situado acima do eixo dos x. Esta
situação pode ser constatada nos gráficos apresentados um pouco mais adiante.

2) Para todo valor da base a > 0 e a 6= 1, temos que f (0) = a0 = 1. Logo o


gráfico de qualquer função exponencial passa pelo ponto A = (0, 1). Veja este
detalhe nos gráficos apresentados logo a seguir.

Gráfico de uma função exponencial

Antes de tratar o caso geral, vamos trabalhar um exemplo particular, traçando o


gráfico da função exponencial
PSfrag replacements
f : R −→ R
x −→ f (x) = 2x .

Seguindo nossa técnica geral, precisamos construir uma quantidade de pon-


tos da curva que permitam intuir o grafico da função. Veja a tabela anexa à
Figura 15.1.

y = f (x)
x
Pontos x f (x) = 2
A -3 23 = 18
8 G
B -2 22 = 41
C -1 21 = 21
D 0 20 = 1 4 F
E 1 21 = 2
2 E
F 2 22 = 4 A B C D
G 3 23 = 8
−3 −2 −1 1 2 3 x

Figura 15.1: Gráfico da função exponencial f (x) = 2x .

Com os dados usados para construir anteriormente o gráfico da função exponen-


cial f (x) = 2x , podemos definir um conjunto de pontos suficientes para esboçar
o gráfico de da função exponencial de base 12 .

71 CEDERJ
acements
As funções exponencial e logaritma
Método Determinı́stico
PSfrag replacements
Considere então a função

f : R −→ R
 x
1
x −→ f (x) = .
2

Adaptando os dados da tabela anterior, definimos alguns pontos do gráfico desta


nova função exponencial.
 x
1
Pontos x f (x) = y = f (x)
2
13
A -3 = 23 = 8
22 A
1 8
B -2 = 22 = 4
21
1
C -1 = 21 = 2
20
1 B 4
D 0 = 20 = 1
2 1
1 1 2
E 1 = C
22 2 E F
1 1 D G
F 2 =
23 4
1 1 −3 −2 −1 1 2 3 x
G 3 =
2 8
 x
1
Figura 15.2: Gráfico da função exponencial f (x) = .
2

A partir do gráfico de duas funções exponenciais, que acabamos de construir,


podemos intuir que, de modo geral, os gráficos das funções exponenciais são
de dois tipos dependendo do valor da base ser um número real maior que zero
e menor que um ou um número real maior que um. Veja os gráficos a seguir,
representados na Figura 15.3.
y y

PSfrag replacements PSfrag replacements


1 1

x x

Figura 15.3: As funções f (x) = ax , a > 1 e f (x) = ax , 0 < a < 1.

CEDERJ 72
As funções exponencial e logaritma
MÓDULO 2 - AULA 15

Atividade 15.1

Mostre através de representação gráfica que os gráficos das funções


f (x) = −3x + 14 e g(x) = 3x possuem um ponto de interseção.

Atividade 15.2

Determine o domı́nio das funções


s 
x
1 1
a) f (x) = b) − 3x
4x − 3x 3

A função logaritmo, uma pitada da história

No século 17, o desenvolvimento da Matemática na Europa embora continuasse


avançando em suas conquistas teóricas, rende-se à necessidade de realização
de cálculos concretos, para modelar dados obtidos através da experimentação
empı́rica. A nova exigência é provocada pelo momento que a ciência e o comércio
vivem na Europa. Destaque, de um lado, para a Astronomia, às voltas com uma
descrição do sistema solar compatı́vel com as observações; de outro lado, para as
necessidades do comércio, principalmente devido à construção de mapas náuticos
para as grandes navegações.

As rotinas de trabalho nestas duas frentes exigiam uma infinidade de longos


e fatigantes cálculos, todos feitos manualmente. Tudo se complicava, princi-
palmente, quando havia necessidade de multiplicar dois ou mais números grandes.
Por exemplo, o algorı́tmo usual para a multiplicação de dois números de sete
algarismos necessita de 49 multiplicações e uma adição!

A situação colocava um grande desafio às mentes matemáticas da época. Como


produzir um método confortável e eficiente, menos sujeito a erros, para dar conta
das laboriosas operações numéricas exigidas?

Este quadro mudou espetacularmente em 1614, quando John Neper (1550 -


1617) introduziu o cálculo logarı́tmico e construiu a primeira tábua de logaritmos.

O logaritmo neperiano

Neper trabalhou mais de vinte anos na formulação de suas idéias de cálculo


com logaritmos. Em 1614, publicou a obra Descrição da Maravilhosa Regra dos

73 CEDERJ
acements
As funções exponencial e logaritma
Método Determinı́stico

Logaritmos, causando forte impacto. A palavra ”logaritmo” foi inventada por


Neper a partir das palavras gregas logos razão e aritmos número.

O método dos logaritmos, como passou a ser conhecido, simplificava muito as


rotinas dos longos cálculos de então, facilitando, por exemplo, a construção de
cartas náuticas e impulsionando o desenvolvimento da Astronomia e do comércio.

Um dos maiores trunfos obtidos pelo projeto de Neper foi o auxı́lio que forne-
ceu às pesquisas de Johann Kepler. Na tarefa de encontrar um modelo para
o sistema solar, Kepler lidava com intermináveis cálculos, com base em dados
experimentais. Sem a ajuda da técnica dos logaritmos, provavelmente não teria
conseguido emergir do mar de cálculos.

Os logaritmos foram essenciais para a formulação de seu modelo do sistema solar


em três proposições fundamentais:

• o sol é o centro do sistema e os astros giram ao redor dele em órbitas que


descrevem uma elipse;
• os movimentos elı́pticos dos planetas em torno do sol são tais que o sol
ocupa um dos focos;
• colocando o astro em um dos focos e definindo a cada momento um raio
imaginário partindo do sol até um planeta, o movimento do planeta em
órbita em torno do sol faz com que os raios, ao variarem, varram áreas
iguais em tempos iguais.

A obra de Neper envolvia de uma forma não explı́cita o número que hoje é
representado pelo sı́mbolo e, um dos mais importantes da Matemática rivalizando
com o número π. Um pouco mais tarde voltaremos a focalizar atenção no
número e.

Logaritmo na base b

Como no caso da definição das funções exponenciais, definiremos funções


logaritmos com bases b tais que b > 0 e b 6= 1. Além disso, o domı́nio D
de definição de uma função logaritmo é o conjunto dos números positivos, isto é,
D = (0, +∞). Reservando a notação logb para representar a função logaritmo
na base b, definimos o valor da função para um número positivo x através da
equivalência,

logb : (0, +∞) −→ R onde logb (x) = y ⇔ by = x .

CEDERJ 74
As funções exponencial e logaritma
MÓDULO 2 - AULA 15

Na definição de logaritmo, logb (x) = y, o número b é denominado base do


logaritmo. Lemos então a expressão dizendo que o logaritmo de x na base b é y.

Exemplo 15.1

a) log2 64 = 6, pois 26 = 64

b) log1 20 = 0, pois 200 = 1

c) log15 15 = 1, pois 151 = 15


1 1
d) log5 = −2, pois 5−2 =
25 25

Propriedades da função logaritmo

Já vimos propriedades que decorrem diretamente da definição. Veremos agora


outras propriedades.

a) logb (x · y) = logb x + logb y (logaritmo do produto)


b) logb aw = w · logb a (logaritmo da potência)
x
c) logb = logb x − logb y (logaritmo do quociente)
y
1
d) logbz a = · logb a
z
w
e) logbz aw = z
· logb a

Vamos mostrar por que valem as propriedades enunciadas. Precisamos apenas


trabalhar cuidadosamente com a definição de logaritmo.

Prova da propriedade (a)

Seja logb (x · y) = z, logb x = z1 e logb y = z2 . Queremos provar que


z = z1 + z2 . Podemos escrever,

bz = x · y, bz1 = x e bz2 = y .

Logo,
bz1 · bz2 = xy ⇒ bz1 +z2 = xy .
Então,
bz = bz1 +z2 ⇒ z = z1 + z2 .
Esta última igualdade era o que precisávamos provar.

75 CEDERJ
acements
As funções exponencial e logaritma
Método Determinı́stico

Prova da propriedade (b)

Seja logb aw = x e w logb a = y. Precisamos provar que x = y. Temos,

y
bx = aw e logb a = .
w

Logo,
bx = aw e by/w = a .

Elevando à potência w a última igualdade vem que

bx = a w e b y = a w ⇒ x = y .

Esta última igualdade era o que precisávamos provar.

Prova da propriedade (c)

Usando as propriedades (a) e (b) anteriores escrevemos


 
x 1 1
logb = logb x · = logb x + logb .
y y y

Mas,
 
1
logb = logb y −1 = −1 · logb y .
y
Juntando os dois resultados está completa a prova da propriedade (c).

Prova da propriedade (d)


1
Seja logbz a = x e logb a = y. Precisamos provar que x = y. Temos
z

bzx = a e logb a1/z = y .

Ou seja
bx = a1/z e by = a1/z ⇒ x = y .

Esta última igualdade prova a propriedade (d).

Prova da propriedade (e)

Usando a propriedade (b) e em seguida a propriedade d), escrevemos

w
logbz aw = w logbz a = logb a .
z

CEDERJ 76
As funções exponencial e logaritma
MÓDULO 2 - AULA 15

Mudança na base de um logaritmo

Todos as propriedades que vimos até agora envolvem logaritmos de mesma base.
Em algumas aplicações é interessante transformar um logaritmo de uma base
para outra. Conseguimos isto com a propriedade:
logc a
logb a = ,
logc b
onde a, b, c > 0, b 6= 1 e c 6= 1.

Vamos provar este resultado.


y
Se logb a = x, logc a = y e logc b = z, precisamos provar que x = .
z
De fato,
bx = a, cy = a e cz = b ⇒ bx = cy e cz = b .
Logo,
bx = cy e czx = bx ⇒ zx = y .
Esta última igualdade prova o que querı́amos.

Exemplo 15.2

Se log2 x = 3 e log2 y = 5, então


log2 x 3
logy x = = .
log2 y 5

Observações

a) Os logaritmos de base 10 são chamados decimais. O logaritmo decimal de


um número x (com x > 0) é indicado por log x (pode-se omitir o 10 na base).

b) Mais adiante um pouco, vamos introduzir um dos mais importantes números


da Matemática: o número e. Também, adiante, justificaremos porque este
número é importante. Os logaritmos de base e, são chamados logaritimos natu-
rais ou neperianos. O logaritmo neperiano de x é indicado por `n x ou lg x.

A função exponencial como inversa do logaritmo

Considere b um número real positivo. A partir da recordação feita sobre o estudo


de potenciação, no inı́cio desta aula, ficaram definidas a potência b x , para todo

77 CEDERJ
acements
As funções exponencial e logaritma
Método Determinı́stico

número real x. e como conseqüência uma função exponencial f (x) na base b,


pela expressão
f : R −→ R
x −→ f (x) = bx .

Nota

Como b > 0 e b 6= 1, as definições tornam a função exponencial f (x) de base


b e logb funções inversas uma da outra. Veja por quê. Se x é um número real,
então
logb (f (x)) = y ⇔ by = f (x) = bx ⇔ y = x .

Portanto, está mostrado que logb (f (x)) = x e, daı́, que logb e f (x) são funções
inversas.

Número e

Dentro deste contexto, vamos receber um personagem importante do conjunto


dos números reais: o número e. Este número, denominado número de Neper,
constitui a base dos logaritmos neperianos. O número e é um número irracional,
cujo valor com três casas decimais é e ≈ 2, 716. Em aulas futuras, quando você
estudar o processo de limite poderá apreciar o valor exato de e dado por uma
série infinita convergente:

1 1 1 1
e=1+ + + +···+ +··· .
1! 2! 3! n!

Logaritmo natural e função exponencial

Quando a base b para uma função logaritmo é o número e então a função


recebe uma notação mais simplificada: simplesmente log. Ou seja, quando a
base é o número e, isto é, loge , é simplesmente escrito como log e é denominada
função logaritmo neperiano, ou logaritmo natural. A função inversa do logaritmo
neperiano será denominada, simplesmente, função exponencial e denotada por
exp. Portanto,
exp : R −→ R
x −→ exp(x) = ex .

CEDERJ 78
As funções exponencial e logaritma
MÓDULO 2 - AULA 15

Gráficos da função logaritmo

A função logaritmo é a função inversa da função exponencial. Portanto, a partir


dos gráficos das função exponencial, veja o inı́cio da aula anterior; concluimos
que:

a) Se a > 1 (base > 1).

PSfrag replacements 1 x

Figura 15.4: Gráfico de y = loga x.

b) Se 0 < a < 1 (base entre 0 e 1).

PSfrag replacements

1 x

Figura 15.5: Gráfico de y = loga x.

Nota

É importante revisar o método que permite a construção dos gráficos da função


logaritmo.

Como a função logarı́tmica y = log a x é a inversa da função exponencial y = ax ,


podemos obter seu gráfico a partir do gráfico da exponencial. Basta usar o fato
de que o gráfico de uma função e sua inversa são simétricos em relação à reta

79 CEDERJ
acements
As funções exponencial e logaritma
Método Determinı́stico

y = x, que é a reta bissetriz do 1o e 2o quadrantes. Representando em um


mesmo gráfico as funções logaritmo e exponencial, temos:

(I) base b > 1

PSfrag replacements y = bx
y=x

1 y = logb x

1 x

Figura 15.6: Simetria das funções y = bx e y = logb x com respeito à reta y = x.

(II) 0 < base b < 1

y
x
PSfrag replacements y = b
y=x

1
1 x

y = logb x

Figura 15.7: Simetria das funções y = bx e y = logb x com respeito à reta y = x.

Nos dois casos, para a função f (x) = log b x, vale que D(f ) = (0, +∞) e
Im(f ) = R.

Observando os gráficos anteriores e notando que log b 1 = 0, pois b0 = 1, qual-


quer que seja a base b, concluı́mos que o gráfico da função y = log b x sempre
passa pelo ponto (1, 0)

CEDERJ 80
As funções exponencial e logaritma
MÓDULO 2 - AULA 15

Nota

A função exp(x) = ex é uma das mais importantes funções da Matemática.


Quando tratarmos do assunto derivada, nas próximas aulas, colocaremos em
relevância uma singuları́ssima qualidade de exp(x) = e x : Ela é a única função
com a propriedade que todas as suas derivadas coincidem com a própria função.

Comparação de gráficos
y

PSfrag replacements y=x


Ao construir o gráfico de y = log(x), fica y = log x
evidente que, embora essa função seja
crescente, seu gráfico fica sempre abaixo 1 x
do gráfico da função y = x. Observe a
Figura 15.8.

Figura 15.8: Comparação entre y =


log(x) e y = x.

Analiticamente, as informações dos gráficos garantem que, para todo número


real x, vale

log(x) < x .

Exemplo 15.3

Usando log 2 = 0, 3010 calcule

a) log 200 b) log 0, 0128

Solução

a) log 200 = log 2 · 102 = log 2 + 2 = 2, 3010

b) log 0, 0128 = log 128 × 10−4 = log 128 + log 10−4 = log 27 − 4 =
= −4 + 7 · log 2 = −4 + 7 × (0, 3010) = −1, 893

81 CEDERJ
acements
As funções exponencial e logaritma
Método Determinı́stico

Exemplo 15.4

Determine o número de dı́gitos do inteiro 250 .

Solução

Calculamos seu logaritmo decimal,

log 250 = 50 × log 2 = 50 × 0, 3010 = 15, 05 .

Como 15 ≤ log250 < 16, então 250 é um inteiro de 16 dı́gitos.

Exercı́cios

1. Calcule:
1 √
3
a) log3 c) log 1 64 e) log0,01 10
27 4

b) log25 125 d) log13 13 · log15 1

2. Sendo f (x) = 32x e g(x) = log4 x, calcule f (g(2)).

3. Calcule o valor de 4log2 9 .

4. Determine o domı́nio da função f (x) = log x x2 − 3x + 2.


 3 
a
5. Sendo logx a = 4, logx b = 2 e logx c = 1, calcule logx 2 2 .
b c
6. Usando log 3 = 0, 4771, calcule:
a) log 3000 b) log 0, 003 c) log 0, 81

7. Calcule log0,04 125, usando que log 2 = 0, 3010.

8. Um número x tem logaritmo igual a 4 na base a e tem logaritmo igual a


a
8 na base · Calcule x e a.
3
9. Simplifique a expressão (logx 9) · (log81 16) · (log4 3).

CEDERJ 82
Uma idéia para quem quer viver no limite!
MÓDULO 2 - AULA 16

Aula 16 – Uma idéia para quem quer viver no


limite!

Apesar da fonte ser obscura,


ainda assim o regato corre.
Poincaré

Objetivo

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• calcular limites finitos de funções racionais.

A partir desta aula, você entrará num universo novo, surpreendente. As idéias, os
conceitos e as técnicas que você aprenderá, a partir de agora, permitirão resolver
problemas que eram completamente inacessı́veis mesmo aos matemáticos mais
geniais da Antigüidade. Estamos falando das técnicas do Cálculo Diferencial e
Integral.

O que vai diferenciar o Cálculo de todas as outras disciplinas que você já cursou
até agora é a maneira como lidaremos com as idéias que envolvem o conceito de
infinito.

Neste sentido, o Cálculo é um portal que separa a Matemática Clássica – ge-


rada na Grécia antiga e aprofundada ao longo dos séculos, passando pela Idade
Média, recebendo contribuições de diversas culturas, como a hindu e a árabe –
da Matemática Contemporânea, que lida com problemas elaborados, tais como
o cálculo de órbitas de satélites, problemas avançados de Economia e Adminis-
tração, ou que serve para expressar as mais diversas teorias da Fı́sica Moderna,
por exemplo.

O vulto da Antigüidade que mais se aproximou dos mistérios que seriam revelados
com o advento do Cálculo foi Arquimedes, certamente um dos maiores gênios
matemáticos de todos os tempos.

83 CEDERJ
acements
Uma idéia para quem quer viver no limite!
Método Determinı́stico

A principal ferramenta matemática que será usada para lidar com o infinito, seja
infinitamente grande ou infinitamente pequeno, é chamada limite.

Nossa tarefa será estudar o limite aplicado às funções reais, de uma variável real.
O limite será peça fundamental para estabelecer as noções de continuidade e
diferenciabilidade dessas funções, assim como na definição de integral, que será
apresentada nas aulas posteriores.

Nesta primeira abordagem, optamos por um foco mais prático que teórico. In-
clusive, porque estamos falando de um curso de Cálculo! No entanto, isto não
impedirá que tratemos esses conteúdos com clareza e precisão.

Muito bem! Mãos à obra!

Funções

As funções reais, de uma variável real, serão o nosso principal objeto de estudo.
Elas já tiveram uma grande participação nos conteúdos das auls anteriores.

Na verdade, lidaremos com as funções f : A ⊂ R → R, nas quais o subconjunto


A, da reta real, é uma união de intervalos.

Você já sabe, uma função consiste de uma tripla – o kit função: o domı́nio, o
contradomı́nio e a lei de definição. Aqui está um exemplo.

Exemplo 16.1
1
Considere f : R − {3} → R a função definida por f (x) = + 2.
x−3

f : R − {3} −→ R
1
x 7−→ +2
x−3
Neste caso, o domı́nio é R − {3}, o contradomı́nio é R e a lei de definição é
1
f (x) = + 2.
x−3
Observe que o conjunto imagem de f , Im(f ), é uma conseqüência da própria
definição e, portanto, não precisa ser declarado.

CEDERJ 84
Uma idéia para quem quer viver no limite!
MÓDULO 2 - AULA 16

Atividade 16.1

Determine o conjunto imagem da função f , dada no exemplo anterior.

Vamos recordar uma convenção adotada na Aula 10 e que continua válida.Trata-


-se da convenção estabelecendo que quando nos referimos a uma função e men-
cionamos apenas a sua lei de definição, estamos considerando que seu domı́nio
é o maior subconjunto de R no qual esta lei de definição faz sentido. No caso
do contradomı́nio está implicitamente admitido que é o conjunto R dos números
reais.

Atividade 16.2
r
1−x
Determine o domı́nio da função f (x) = .
x+2

Gráficos de funções

Antes de iniciarmos o estudo dos limites de funções, vamos recordar também um


aspecto da teoria de funções – os gráficos.

Você sabe que, dada uma função f , digamos,

f : A −→ R
,
x 7−→ f (x)

podemos considerar

Gf = (x, y) ∈ A × R | y = f (x) ,


o gráfico de f , um subconjunto do produto cartesiano A × R.

O gráfico da função f é uma conseqüência de sua definição, mas, dado G f ,


podemos reconstruir a função f . Dessa forma, podemos nos referir à função f
ou ao seu gráfico como se fossem, essencialmente, o mesmo objeto.

A grande vantagem do gráfico, especialmente no caso das funções reais de uma


variável real, é que ele pode ser esboçado como um subconjunto do plano car-
tesiano. Isso permite uma enorme interface entre a álgebra (ou talvez, mais
apropriadamente, a análise matemática) e a geometria. Dessa maneira, pode-
mos simplesmente desenhar funções, ampliando enormemente nosso estoque de
exemplos.

85 CEDERJ
acements
Uma idéia para quem quer viver no limite!
Método Determinı́stico

Na verdade, uma das principais metas nesta disciplina consiste em desenvol-


ver ferramentas matemáticas que permitirão, a partir da lei de definição de f ,
esboçar, com bastante precisão, o seu gráfico. Assim fazendo, estaremos abrindo
uma grande via de utilização da Matemática nas áreas de Economia e Adminis-
tração.

Só para lembrar uma técnica elementar de esboçar gráficos, veja o exemplo a
seguir.

Exemplo 16.2
1
Sabendo que o gráfico da função f (x) = é a hipérbole esboçada na Figura a
x
2x + 3
seguir, vamos esboçar o gráfico da função g(x) = .
x+1

f (x)

x
PSfrag replacements

1
Figura 16.1: Gráfico da função f (x) = .
x

Você deve ter notado que o domı́nio de f é o conjunto R − {0} e que o domı́nio
de g é R − {−1}.

A idéia aqui será escrever g em termos de f , a menos de operações algébricas


simples, que possam ser interpretadas geometricamente.

Um truque algébrico muito útil consiste em reescrever certas expressões algébricas


de forma que elas possam ser lidas mais facilmente. Veja como isso funciona
neste caso.
2x + 3 2x + 2 + 1 2(x + 1) 1 1
= = + =2+ .
x+1 x+1 x+1 x+1 x+1
Ou seja, podemos reescrever a lei de definição de g como
1
g(x) = +2.
x+1

CEDERJ 86
Uma idéia para quem quer viver no limite!
MÓDULO 2 - AULA 16

Assim fica mais fácil perceber o parentesco que há entre f e g,

g(x) = f (x + 1) + 2 .

Essa fórmula nos diz que, para obter o gráfico de g a partir do gráfico de f ,
precisamos fazer duas translações: uma na direção do eixo Ox e outra na
direção do eixo Oy.

Aqui está um estágio intermediário. O gráfico da função

1
h(x) = f (x + 1) = ,
x+1
cujo domı́nio é R − {−1}, pode ser obtido transladando o gráfico de f de uma
unidade para a esquerda. Veja que o fenômeno que ocorre em x = 0, no gráfico
de f , ocorre em x = −1, no gráfico de h.

f (x)
h(x)

PSfrag replacements x
f (x)

h(x)

Figura 16.2: Gráfico de h obtido do gráfico de f por uma translação.

Para obter o gráfico de g, observe que

1
g(x) = + 2 = h(x) + 2.
x+1

Isto quer dizer que você pode obter o gráfico de g a partir do gráfico de h,
transladando-o duas unidades para cima. O fenômeno que ocorre em y = 0 no
gráfico de h ocorre também em y = 2 no gráfico de g.

Atividade 16.3
1
Esboce o gráfico da função g(x) = + 1.
x−2

87 CEDERJ
acements
Uma idéia para quem quer viver no limite!
Método Determinı́stico

g(x)

h(x)

PSfrag replacements g(x)


x
h(x)

Figura 16.3: Gráfico de g obtido do gráfico de h por uma translação.

Funções à beira de um ataque de limites

Nesta seção, queremos lhe dar uma clara idéia do que significa o sı́mbolo

lim f (x) = L
x→a

sem escrever uma definição oficial.

Caso isso seja contra os seus princı́pios, ou ainda, se a sua curiosidade for do
tamanho daquela que matou o gato, você poderá encontrar a definição (oficial) de
limites de funções reais, de uma variável real, no material didático do CEDERJ,
a disposição na biblioteca. Veja a aula Limite e continuidade, do Módulo 2,
Volume 2, de Cálculo II.

No entanto, acreditamos que, por agora, esta abordagem informal será mais
conveniente.

Começamos com aquela atitude de reconhecimento tı́pica das crianças que des-
montam o brinquedo “para saber como é por dentro”, antes de qualquer coisa.

Muito bem, temos a função f (ou melhor, a lei de definição de f ), uma constante
a, que aparece em x → a, logo abaixo da abreviação de limite, e outra constante,
o L.

A frase matemática, lim f (x) = L, deve ser lida da seguinte maneira: o limite
x→a
da função f , quando x tende para a, é L. Ou ainda, o limite de f (x) quando x
tende a a é L.

CEDERJ 88
Uma idéia para quem quer viver no limite!
MÓDULO 2 - AULA 16

Ótimo! Acredito que você deve estar cheio de perguntas a respeito disso tudo.
Veja se acerta algumas delas:

1. Qual é a relação de a com o domı́nio de f ? Será que a pertence ao domı́nio


de f ? Será que não?

2. Por que usamos letra minúscula para a constante a e letra maiúscula para
a constante L?

3. Para que serve o limite? Teria a resposta desta pergunta algo a ver com a
definição não-oficial que pretendemos dar para o limite?

Puxa! Vamos respirar um pouco!

Agora, podemos responder à primeira pergunta assim: o ponto a não precisa,


necessariamente, pertencer ao domı́nio de f , mas deve estar bem posicionado
em relação a ele.

É importante esclarecer este ponto. Em primeiro lugar, estaremos lidando apenas


com funções cujos domı́nios são uniões de intervalos. Esses intervalos podem ser
abertos, fechados, semi-fechados, infinitos etc.

Muito bem, queremos que haja um número r > 0, tal que

(a − r, a) ∪ (a, a + r) ⊂ Dom(f ) .

Em termos menos técnicos, queremos que a função esteja definida em alguma


Esta frase nos coloca bem no
vizinhança em torno de a, exceto, possivelmente, em a. espı́rito da coisa. O limite lida,
o tempo todo, com proximi-
Veja, uma vizinhança em torno de a é um intervalo aberto contendo a. dade, vizinhanças, tão próximo
quanto quisermos etc.

Exemplo 16.3

Se o domı́nio de f é (−∞, 3) ∪ (3, +∞), podemos considerar

lim f (x) ,
x→3
PSfrag replacements
apesar de f não estar definida em 3.

( )
3−r 3 3+r

Figura 16.4: A região sombreada indica a vizinhança de 3.

89 CEDERJ
acements
Uma idéia para quem quer viver no limite!
Método Determinı́stico

Observe que os casos nos quais f está definida apenas em um dos lados do ponto,
ocorrendo, por exemplo, na situação em que a = 2 ou a = 5 e Dom(f ) = (2, 5].
Estes casos serão abordados futuramente quando estudarmos o conceito limites
laterais.

Portanto, focando na primeira pergunta, queremos que haja um número r > 0


(que pode ser tão pequeno quanto precisarmos), tal que

(a − r, a) ∪ (a, a + r) ⊂ Dom(f ) .

Qual era mesmo a segunda pergunta? Ah, sim! Usamos letra minúscula para a
e letra maiúscula para L por tradição. Quase todo mundo faz assim.

Decepcionado? Bem, na verdade, uma boa razão para isso é enfatizar que a se
relaciona com o domı́nio de f enquanto L se relaciona com a imagem, contida
no contradomı́nio de f .

f (x)

PSfrag replacements

a x

Figura 16.5: Exemplo de uma tı́pica situação onde lim f (x) = L.


x→a

Agora, a última pergunta: para que serve o limite?

O limite é uma ferramenta que permite descrever o comportamento da função f


nas vizinhanças de um dado ponto x = a. Esse momento exige de você um certo
esforço. Veja, você já sabe que a função pode ser vista como um instrumento
que transforma a variável independente x na variável dependente y = f (x).
Podemos, portanto, imaginar uma situação dinâmica: a cada valor atribuı́do a x,
obtemos correspondente valor f (x). Muito bem, o limite descreve como f (x) se
comporta quando a variável x toma valores mais e mais próximos de a. É claro
que, nas situações em que o comportamento da função é previsı́vel, o limite não
acrescenta informações muito surpreendentes. Por exemplo,

lim x2 + 1 = 5.
x→2

CEDERJ 90
Uma idéia para quem quer viver no limite!
MÓDULO 2 - AULA 16

Isso significa que, se tomarmos valores próximos de 2, x2 + 1 assumirá valores


próximos de 5. Realmente, se fizermos x = 2 + h, teremos

f (2 + h) = (2 + h)2 + 1 = 4 + 2h + h2 + 1 = 5 + 2h + h2 .

Para valores pequenos de h, os valores correspondentes de f (2 + h) estarão


próximos de 5. Neste caso, 2 é elemento do domı́nio de f , uma função polinomial,
e o limite coincide com o valor da função no ponto f (2) = 5. Veja, esta é uma
situação de muita regularidade, como veremos mais adiante. De uma certa
forma, o limite não foi criado para essas situações. Vamos, portanto, considerar
uma situação mais interessante. Como diria o investigador, diga-me algo que eu
ainda não sei!

Um exemplo de importância histórica – velocidade média e


velocidade instantânea

Velocidade é um conceito tão divulgado na nossa cultura que não pensamos


muito nela. Mas, se considerarmos a questão da velocidade instantânea – o
carro do piloto campeão cruzou a linha de chegada a 187,56 km/h – mesmo
que por um breve instante, veremos que estamos lançando mão de um conceito
sofisticado. A velocidade instantânea é a taxa de variação da posição em relação
ao tempo calculada no preciso momento em que, digamos, o carro cruzou a linha
de chegada.

Pense um pouco: do que, realmente, dispomos para estabelecer essa velocidade


instantânea?

Pensou? Muito bem! Para começar, dispomos das velocidades médias. Este será
nosso modelo nesta seção: a velocidade instantânea será obtida como um limite
das velocidades médias. Vamos a um exemplo.

Exemplo 16.4

Digamos que, após uma série de testes num laboratório, chegou-se à conclusão
de que a função
s(t) = t2 + 3t + 10
descreve o deslocamento de um carrinho de experiências. Isto é, s(t) é a posição,
dada em centı́metros, em função do tempo t, dado em segundos (digamos).

91 CEDERJ
acements
Uma idéia para quem quer viver no limite!
Método Determinı́stico

Assim, no tempo t = 0, o carrinho estava a 10cm do ponto de referência, na


direção positiva, uma vez que s(0) = 02 + 3 × 0 + 10 = 10.

Queremos calcular a velocidade do carrinho no instante t = 1.

Começamos com o que dispomos: a velocidade média do carro entre os instantes


t e 1:
s(t) − s(1)
vm (t) = .
t−1
Usamos o ı́ndice m para indicar que essa é uma velocidade média. Além disso,
como estamos interessados no especı́fico instante 1, consideramos v m como uma
função apenas de t.

Veja, a função s(t) = t2 + 3t + 10 está bem definida, a priori, para quaisquer


valores de t, apesar de o trilho onde a experiência foi feita ser finito. No entanto,
estamos interessados na nova função vm (t), que está bem definida em todos os
valores de t menos, exatamente, no ponto 1, em questão. De uma certa forma,
gostarı́amos de dizer que a velocidade no instante 1 é v m (1), mas não podemos
fazer isso.

Para contornar esse impasse, vamos estudar o comportamento da função v m (t)


quando os valores de t estão sendo tomados mais e mais próximos de 1, justa-
mente no ponto em que ela não está definida e no qual estamos interessados.

s(t) − s(1) t2 + 3t + 10 − 14 t2 + 3t − 4
lim vm (t) = lim = lim = lim .
t→1 t→1 t−1 t→1 t−1 t→1 t−1

Atenção! Está na hora de aprender algo novo! É inútil tentar calcular diretamente
2
o valor da expressão t + 3t − 4 , para t = 1. No entanto, podemos descobrir os
t−1
valores de vm (t), para valores próximos de 1, porém diferentes.

Faremos isso de duas maneiras (ligeiramente diferentes).

Primeiro, vamos fazer t = 1 + h, com h 6= 0. Assim,

(1 + h)2 + 3(1 + h) − 4 1 + 2h + h2 + 3 + 3h − 4 5h + h2
vm (1+h) = = = .
1+h−1 h h
Veja, para h 6= 0, vm (1 + h) = 5 + h e, para valores de h mais e mais próximos
de 0, temos vm (1 + h) mais e mais próximo de 5.

Assim, diremos que


lim vm (t) = 5 .
t→1

Parece bom, não?

CEDERJ 92
Uma idéia para quem quer viver no limite!
MÓDULO 2 - AULA 16

Vamos tentar a segunda abordagem. Você observou que 1 é uma raiz do po-
linômio t2 + 3t − 4. Portanto, este polinômio se fatora, sendo t − 1 um dos seus
fatores. Na verdade, t2 + 3t − 4 = (t − 1)(t + 4).

Ótimo! Observe as expressões

(t + 4)(t − 1)
e t+4.
t−1
Elas são diferentes, pois a primeira não está definida em t = 1.

No entanto, se t 6= 1, então podemos usar qualquer uma delas para calcular


vm (t).

Assim,
(t + 4)(t − 1)
lim vm (t) = lim = lim t + 4 ,
t→1 t→1 t−1 t→1

e o último limite é, claramente, 5.

Concluı́mos que a velocidade do carrinho no instante t = 1 é 5 cm/s .

Considerações finais

Você deve estar cansado e com várias coisas para pensar. Pare por aqui, pois
você ainda tem os exercı́cios para fazer.

Veja, esta aula foi o seu primeiro contato com um conceito importante e difı́cil:
o limite de uma função.

Você deve guardar que o limite serve para indicar o comportamento de uma
função nas vizinhanças de um certo ponto sem que seja necessário saber o valor
da função neste ponto. Na verdade, a função não precisa estar definida no ponto
para que consideremos o limite, basta que ela esteja definida em torno dele. Na
verdade, as principais situações de interesse ocorrem quando não sabemos o valor
da função no ponto em questão, como no exemplo 1.4.

Na próxima aula nos concentraremos mais no aspecto gráfico do limite e apro-


fundaremos as idéias que foram apresentadas aqui. Até lá!

93 CEDERJ
acements
Uma idéia para quem quer viver no limite!
Método Determinı́stico

Exercı́cios

1. Calcule o domı́nio das seguintes funções:


r
x2 − x − 6  x 
(a) f (x) = (b) g(x) = ln 1 −
1−x x−3
√ 1
(c) h(t) = t − 2 + √
5−t
2. Use a técnica ilustrada no exemplo 1.2 para esboçar os gráficos das seguin-
tes funções:
3x − 2
(a) f (x) = (b) g(x) = |x + 2 | − 2
x−1

(c) h(x) = 2 + x − 4 (d) k(x) = − 1 + ln (x + 3) .
3. Da mesma forma que obtivemos a velocidade instantânea a partir das
velocidades médias, podemos obter a aceleração instantânea.
Suponha que v(t) = t2 − 4t + 2 descreva a velocidade de uma partı́cula
que se desloca em uma trajetória retilı́nea, dada em cm/s. Considerando
v(t) − v(1)
am (t) = ,
t−1
a aceleração média desse movimento, entre os instantes t e 1, calcule a
aceleração desse movimento no instante t = 1.
Você poderia interpretar o resultado obtido?
Qual é a aceleração desse movimento no instante 2s?

4. O custo da produção de sabonetes por dia de trabalho em uma certa fábrica


é dado pela equação

c(x) = 300 + 0.0005x2 − 0.02x ,

onde x é o número de sabonetes produzidos no dia e c(x) é dado em reais.


Assim, para produzir 1000 sabonetes em um dia, gasta-se c(1000) = 780,
ou seja, setecentos e oitenta reais.
Nesta escala, podemos considerar um sabonete a mais, por dia, um infi-
nitésimo.
Calcule, então, a taxa de variação do custo por dia, se a produção de 1000
sabonetes for passada para 1001 e compare o resultado com
c(x) − c(1000)
lim .
x→1000x − 1000
Acho que você pode usar uma calculadora.

CEDERJ 94
Uma idéia para quem quer viver no limite!
MÓDULO 2 - AULA 16

5. Calcule os seguintes limites:


x2 − 9 x2 + 2x − 3
(a) lim (b) lim
x→3 x − 3 x→1 x2 − 3x + 2

x3 − 8 x2 − 2
(c) lim 2 (d) lim
√ √
x→2 x − 4 x→ 2 x2 + 2x − 4

95 CEDERJ
Limites de funções – algumas propriedades
MÓDULO 2 - AULA 17

Aula 17 – Limites de funções – algumas


propriedades

Good girls go to heaven;

Bad girls go everywhere.


Frase de pára-choque de caminhão
americano, que diz algo como
Garotas bem comportadas vão para o céu;
Garotas sapecas vão a todos os lugares

Objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• calcular graficamente limites finitos de funções;


• usar certas propriedades de limites para calculá-los.

Nesta aula, você dará continuidade à construção do conceito

lim f (x) = L ,
x→a

que foi iniciada na aula anterior. Será dada atenção especial ao aspecto gráfico
do conceito. Você aprenderá algumas propriedades que permitirão determinar
o limite em alguns casos, além de entender que algumas funções não são tão
bem comportadas nas vizinhanças de certos pontos, ou seja, começaremos a
reconhecer algumas situações em que as funções não admitem limites.

Muito bem, você aprendeu que usamos o limite para descrever o comportamento
de uma função f nas vizinhanças de um dado ponto, digamos a. Veja o exemplo
a seguir.

Exemplo 17.1

Considere o limite lim x3 − 2x = 1 . Realmente, se x toma valores próximos



x→−1
de −1, o valor da função f (x) = x3 − 2x toma valores próximos de 1.

97 CEDERJ
acements
Limites de funções – algumas propriedades
Método Determinı́stico
f (x)

Essa é uma situação de bastante regularidade.


Veja o gráfico de f (x) = x3 − PSfrag
2x na Figura ao
replacements
lado. 1
Vamos, no próximo exemplo, fazer um exercı́cio x
inverso. Em cada caso, primeiro observe o −1
gráfico e, em seguida, veja como o gráfico
determina o limite, indicado abaixo da Figura.
Figura 17.1: Gráfico de f (x) = x3 −
2x.

Exemplo 17.2

Em cada caso, a informação será obtida diretamente do gráfico da função. Em


muitas situações, é mais simples desenhar o gráfico de uma função que ilustra
uma certa propriedade do que encontrar especificamente sua lei de definição.

g(x)
f (x)

L
M
PSfrag replacements
PSfrag replacements
a x x
b

lim f (x) = L lim g(x) = M


x→a x→b

PSfrag replacements PSfrag replacements

P h(x) k(x)
Q

k(x)
P
h(x)
N Q
d
c x c d x
N

lim h(x) = N lim k(x) = P e k(d) = Q


x→c x→c

Figura 17.2: Gráficos das funções f , g, h e k, respectivamente.

CEDERJ 98
Limites de funções – algumas propriedades
MÓDULO 2 - AULA 17

Você percebeu que a função f não precisa estar definida no ponto em questão
para que consideremos o limite neste ponto. No entanto, é necessário que f
esteja definida numa região em torno do ponto considerado.

Também é possı́vel que a função esteja definida no ponto em que calculamos o


limite e o valor do limite não coincida com o valor da função, como foi ilustrado
no caso da função representada pela função k no exemplo 17.2.

Atividade 17.1

Considerando o gráfico de f : R → R, esboçado na Figura a seguir, determine:

(a) f (−2) (b) f (0) (c) f (2)

(d) lim f (x) (e) lim f (x) (f) lim f (x)


x→−2 x→0 x→2

f (x)
PSfrag replacements
4

2
−2 2 x

Figura 17.3: Gráfico da função f .


Você viu que situações mais interessantes ocorrem quando a função não está
definida no ponto em questão ou a lei de definição da função se aplica aos
pontos próximos dele mas não se aplica nele, especificamente. Veja mais um
exemplo no qual algo assim ocorre.

Exemplo 17.3

Considere f : [0, +∞) → R a função definida por


 √ √
x− 2
se x ≥ 0 e x 6= 2



 x−2
f (x) = .



 1 se x = 2

Vamos calcular lim f (x).


x→2

Costumamos dizer que tal função tem uma indeterminação em x = 2, pois,


apesar de f estar definida em x = 2, não sabemos qual é o seu comportamento

99 CEDERJ
acements
Limites de funções – algumas propriedades
Método Determinı́stico

nas vizinhanças √desse ponto. Queremos saber, então, o que acontece com os

valores de xx −−2
2
quando tomamos valores para x próximos porém diferentes
de 2.

Calcular o limite significa levantar a indeterminação.

Na aula anterior, você aprendeu um truque para fazer isso: usar álgebra elemen-
tar. Resumindo: fatorar!

Basta lembrar que (a − b)(a + b) = a2 − b2 . Assim, a expressão x − 2 pode ser


fatorada da seguinte forma:
√ √ √ √
x − 2 = ( x − 2 )( x + 2 ) .
√ √
Veja, x x = x, pois estamos assumindo que x ∈ [0, +∞).

Portanto,
√ √ √ √
x− 2 x− 2
lim f (x) = lim = lim √ √ √ √
x→2 x→2 x−2 x→2 ( x − 2)( x + 2)
1
= lim √ √
x→2 x+ 2
1
= √
2 2

2
= .
4
Veja o gráfico de f na Figura a seguir.

f (x)
PSfrag replacements


2/4

2 x

Figura 17.4: Gráfico da função f .

Atividade 17.2
x−1
Calcule lim √ .
x→1 x−1

CEDERJ 100
Limites de funções – algumas propriedades
MÓDULO 2 - AULA 17

Distância entre números reais

Está na hora de aprofundarmos um pouco mais o nosso conceito de lim f (x) = L.


x→a
Temos usado, com freqüência, termos como: vizinhança, proximidade e outros,
semelhantes. Esses termos são úteis, pois apelam para a nossa intuição, ajudando-
-nos a construir o entendimento do conceito, mas precisamos tornar estas idéias
um pouco mais precisas, mais matemáticas. Para isso, precisamos de uma pro-
priedade do conjunto dos números reais.

O conjunto R é munido de uma distância, definida pelo módulo de números reais.

Veja, dizemos que a distância entre os números a e b é |a − b|. Este conceito é


tão natural que quase não notamos a sua importância. Aqui estão algumas de
suas propriedades.

(a) A distância entre dois números é sempre maior ou igual a zero. Na verdade,
a distância entre dois números é nula se, e somente se, os números são iguais.

 ∀ a, b ∈ R, |a − b| ≥ 0
.
|a − b| = 0 ⇔ a = b


 ∀ x ∈ R, |x| ≥ 0
Isto decorre dos fatos .
|x| = 0 ⇔ x = 0

(b) A distância entre dois números independe da ordem em que os tomamos.


Em sı́mbolos matemáticos, temos:

∀ a, b ∈ R, |a − b| = |b − a| .

Isso é decorrência de
∀ x ∈ R, |x| = | − x| .

(c) Esta terceira propriedade é muito importante, como você verá em breve. Ela
será usada diversas vezes ao longo de seus estudos. É chamada desigualdade
triangular, e envolve três elementos. Para todo a, b e c ∈ R,
replacements PSfrag replacements
|a − b| ≤ |a − c| + |c − b| .

a b c a c b

|a − b| = |a − c| + |c − b| |a − b| < |a − c| + |c − b|

Figura 17.5: Diagrama com duas situações possı́veis.

101 CEDERJ
acements
Limites de funções – algumas propriedades
Método Determinı́stico

Se c estiver entre a e b, ocorre a igualdade. No outro caso, |a − b| é estritamente


menor do que a soma das outras duas distâncias. No entanto, em ambas as
situações, vale
|a − b| ≤ |a − c| + |c − b| .
Podemos usar, por exemplo, a distância para expressar certos conjuntos. Veja
na igualdade a seguir.

(a − r, a) ∪ (a, a + r) = {x ∈ R | 0 < |x − a| < r} .

A desigualdade 0 < |x−a| garante que x deve ser diferente de a e a desigualdade


PSfrag replacements
|x − a| < r nos diz que x está a um raio menor do que r de a.

( )
a−r a a+r

Figura 17.6: {x ∈ R | |x − a| < r}.

Atividade 17.3

Expresse os seguintes conjuntos usando uniões de intervalos e represente-os gra-


ficamente.
(a) {x ∈ R | 0 < |x − 2| < 3} (b) {x ∈ R | 0 < |x + 2| ≤ 1}

(c) {x ∈ R | |x − 5| < 4} (d) {x ∈ R | |x + 4| ≥ 3}

Chamamos o intervalo aberto (a−r, a+r) = {x ∈ R | |x−a| < r} de vizinhança


do ponto a, de raio r.

Voltamos, agora, nossa atenção para

lim f (x) = L .
x→a

Essa expressão significa que, para cada vizinhança de L, por menor que seja o seu
raio, existe uma vizinhança de a, de algum raio, tal que as imagens dos pontos
dessa vizinhança de a, porém diferentes do próprio a, pertencem à vizinhança de
L.

CEDERJ 102
Limites de funções – algumas propriedades
MÓDULO 2 - AULA 17

Parece complicado, mas é assim mesmo. Leia o parágrafo anterior novamente e


compare com a Figura a seguir.

f (x)

)
L
PSfrag replacements

(
( a )
x

Figura 17.7: Gráfico de função f tal que lim f (x) = L.


x→a

A faixa horizontal indica a vizinhança em torno de L. A faixa vertical indica a


vizinhança em torno de a. Observe que todos os pontos pertencentes à vizinhança
de a têm imagem por f na vizinhança de L. Mais uma vez, essa Figura representa
uma situação de muita regularidade.

Muito bem! Voltaremos a esse assunto em outras ocasiões. Isso tomou um certo
tempo e esforço, mas agora temos mais elementos para discutir algumas das
propriedades dos limites de funções.

Propriedade de unicidade do limite de funções

A primeira propriedade dos limites de funções que estudaremos é a de sua unici-


dade. Veja, se
lim f (x) = L e lim f (x) = M ,
x→a x→a

então,
L=M.

Para demonstrar essa propriedade, usaremos um argumento bastante tı́pico.


Preste atenção, pois ele lhe será útil.

O argumento é o seguinte: se |x| for tão pequeno quanto se queira, então x = 0.


Em sı́mbolos, temos:
∀ r > 0, |x| < r ⇒ x = 0 .

103 CEDERJ
acements
Limites de funções – algumas propriedades
Método Determinı́stico

Muito bem, vamos demonstrar a propriedade da unicidade do limite. Sabemos


que
lim f (x) = L e lim f (x) = M .
x→a x→a

Da nossa descrição de limite, sabemos que existem valores de x suficiente-


mente próximos de a, tais que suas imagens estão arbitrariamente próximas de L
e de M .

Digamos assim: dado r > 0 qualquer, existe x suficientemente próximo de a tal


que
r r
|f (x) − L| < e |f (x) − M | < .
2 2
Agora, usamos a desigualdade triangular para x, L e M :

|L − M | ≤ |L − f (x)| + |f (x) − M |

= |f (x) − L| + |f (x) − M |
r r
< + = r.
2 2

Resumindo, para qualquer r > 0, conseguimos mostrar que |L − M | < r. Ora,


isso quer dizer que L = M .

Exemplos de funções completamente sem limites!

Você acaba de passar por uma espécie de prova de fogo. A argumentação que
você acabou de ler é tı́pica de análise matemática. Ela lhe será apresentada
novamente, com mais detalhes e, provavelmente, em diferentes versões. Mas,
calma, tudo a seu tempo. Agora é hora de colher os frutos desse resultado.
Veremos exemplos de funções malcomportadas, isto é, veremos algumas situações
em que a função f não admite limite quando x tende a um determinado ponto.

Como é possı́vel detectar tal coisa?

Veja, sabemos que, se o limite de f , quando x tende a a, é L, sempre que os


valores de x são tomados arbitrariamente próximos de a, suas imagens devem
estar próximas de L. O limite é único, como acabamos de mostrar. Portanto, se
em alguma situação tivermos pontos arbitrariamente próximos de a, com imagens
arbitrariamente próximas de valores diferentes, digamos L 1 6= L2 , saberemos que
a função, neste caso, não admite limite.

CEDERJ 104
Limites de funções – algumas propriedades
MÓDULO 2 - AULA 17

É comum usar a expressão não existe limite de f quando x tende a a, em tais cir-
cunstâncias. Confesso uma certa antipatia pela expressão. Daremos preferência
à expressão a função f não admite limite quando x tende a a.

Exemplo 17.4

Aqui estão três funções que, de um modo ou de outro, não admitem limite em
algum ponto. Primeiro, as suas leis de definições e seus domı́nios. Veja:
( (
1−x 1 se x ∈ R − Q 1 se x ∈ R − A
f (x) = ; h(x) = ; k(x) = ,
|x − 1| −1 se x ∈ Q −1 se x ∈ A

n 1 o
onde A = x ∈ R | x = , ∀ n ∈ N .
n

A função f está definida em todos os x 6= 1. As funções h e k estão definidas


em toda a reta real. Assim,

Dom(f ) = R − {1} e Dom(h) = Dom(k) = R .

f (x) h(x)

replacements
1 PSfragx replacements x

−1

@ lim f (x) @ lim h(x), ∀ a ∈ R


x→1 x→a

k(x)
PSfrag replacements
1

1
3
1
2 1 x

−1

@ lim k(x)
x→0

Figura 17.8: Gráficos das funções f , h e k, respectivamente.


105 CEDERJ
acements
Limites de funções – algumas propriedades
Método Determinı́stico

Vamos, agora, discutir cada um dos três casos.

A função f
(
1 se x < 1
Você pode reescrever a lei de definição de f como f (x) = .
−1 se x > 1

Realmente, se x < 1, x − 1 < 0 e |x − 1| = −(x − 1) = 1 − x. Assim,

1−x 1−x
x < 1 ⇒ f (x) = = = 1.
|x − 1| 1−x

Analogamente,
x > 1 ⇒ f (x) = −1 .

Para valores próximos de 1, porém maiores do que 1, a função f assume o valor


−1. Já para valores próximos de 1, porém menores do que 1, f assume o valor 1.
Assim, tão próximo de 1 quanto quisermos, a função f assume valores diferentes,
1 ou −1. Ora, isso indica que f não admite limite quando x tende a 1, pois caso
admitisse, as imagens deveriam estar mais e mais próximas do mesmo ponto: o
limite.

A função h

Parece que há algo de errado com o gráfico desta função, não é? Realmente,
duas retas horizontais paralelas não podem ser o gráfico de uma função, pois cada
ponto do domı́nio deve ser associado a um único ponto do contradomı́nio. Bem,
o fato é que esse esboço parece ter duas retas horizontais. Na verdade, essas
retas são como que porosas, isto é, na reta superior só aparecem os pontos de
primeira coordenada irracional, enquanto a reta inferior é formada pelos pontos
de primeira coordenada racional.

Portanto, tão próximo de qualquer ponto quanto quisermos, haverá pontos com
valor por h igual a 1 e pontos com valor por h igual a −1. Isso nos diz que essa
função não admite limite em nenhum dos pontos de seu domı́nio.

Isso a torna um pouco diferente dos dois casos anteriores, nos quais as funções
não admitiam limite em algum determinado ponto da reta real, mas elas admitem
limite em todo os outros pontos.

CEDERJ 106
Limites de funções – algumas propriedades
MÓDULO 2 - AULA 17

A função k

Nesse caso, o gráfico só está sugerido, pois os pontos cujas primeiras coordenadas
são da forma 1/n, para algum número natural n, pertencem ao gráfico com
segunda coordenada −1 (são as bolinhas preenchidas, indicadas embaixo). Ora,
tão próximo de zero quanto quisermos, haverá pontos desse tipo, cujas imagens
por k são iguais a −1, e também haverá pontos que não são dessa forma, e
nestes casos, a imagem por k será 1. Novamente, a função não admite limite
em x = 0.

Esses foram apenas alguns casos de funções que não admitem limites. Há uma
infinidade de outros exemplos, incluindo casos em que a função não admite limite
por outras razões. Veremos mais exemplos nas próximas aulas.

Para terminar esta aula, que já vai um pouco longa, veremos mais uma proprie-
dade dos limites.

A condição de localidade do limite

Essa propriedade justifica, de alguma forma, a estratégia que temos usado para
levantar a indeterminação de alguns limites. Ela realça o fato de que o limite
depende apenas do comportamento da função em uma pequena vizinhança do
ponto em questão.
Sejam f e g duas funções tais que, para algum
número r > 0, sempre que x ∈ (a − r, a) ∪
∪ (a, a + r), teremos f (x) = g(x). Dessa
forma, existe r > 0, tal que

0 < |x − a| < r ⇒ f (x) = g(x) .

Mais uma vez, as funções f e g coincidem em


alguma vizinhança do ponto a, com possı́vel
exceção do que ocorre no próprio ponto a.
Então, Figura 17.9: Gráficos das funções f e
lim f (x) = lim g(x) . g, coincidentes em alguma vizinhança de
x→a x→a
zero.

Essa propriedade decorre diretamente da definição do limite. Ela permite que


substituamos uma função complicada por uma mais simples, no cálculo do limi-

107 CEDERJ
acements
Limites de funções – algumas propriedades
Método Determinı́stico

te, contanto que essas funções coincidam em alguma vizinhança do ponto em


questão, tal como:
x2 − 1 (x − 1)(x + 1) x+1
lim 2
= lim = lim = −2 .
x→1 x − 3x + 2 x→1 (x − 1)(x − 2) x→1 x − 2

Considerações finais

Nesta aula, você explorou ainda mais o conceito de limite de uma função num
dado ponto. É importante que você crie o hábito de imaginar a situação gráfica
correspondente ao cálculo do limite. Isso fortalecerá a sua visão geométrica do
conceito.

Nas próximas aulas, continuaremos a lidar com esse tema. Você aprenderá outras
propriedades dos limites, assim como os limites laterais.

Não deixe de fazer os exercı́cios propostos. Até a próxima aula!

Exercı́cios

1. Calcule os seguintes limites:


x2 − 3x − 4 x+1
(a) lim (b) lim
x→4 x2 − 16 x→−1 x2 − 1

x−9 x−1
(c) lim (d) lim √
x→3 x − 3 x→1 3
x−1
|x| − 4 x3/2 − 1
(e) lim (f) lim
x→−4 x2 − 16 x→1 x1/2 − 1

Lembre-se: (a − b) a2 + ab + b2 = a3 − b3 .
 

2. Calcule o valor de a, tal que


x2 + ax2 − 3x − 2ax + 2 3
lim = .
x→2 x2 − 4 4
3. Considere f : R → R a função definida por

f (x) = |x − 1| − 2 .

Esboce o gráfico de f e determine os valores de a, tais que

lim f (x) = −1 .
x→a

CEDERJ 108
Limites de funções – algumas propriedades
MÓDULO 2 - AULA 17

4. Usando como modelos as funções apresentadas no exemplo 17.4, desenhe


gráficos de funções que não admitem limite quando x tende a 1.

5. Considere g : R → R a função cujo gráfico está esboçado na Figura a se-


guir. Determine os limites, caso existam, e os valores da função indicados.

g(x)

PSfrag replacements
−2 2 x

−2

Figura 17.10: Gráfico da função g.

(a) lim g(x) (b) lim g(x) (c) lim g(x)


x→−2 x→0 x→2

(d) lim g(x) (e) g(−2) (f) g(2)


x→−3

109 CEDERJ
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
MÓDULO 2 - AULA 18

Aula 18 – Limites laterais e mais algumas


propriedades dos limites de funções

Objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• calcular limites de funções usando os limites laterais;


• calcular limites de funções aplicando as propriedades elementares.

Antes de abordar os principais temas desta aula, você aprenderá mais uma es-
tratégia de cálculo de limites, ampliando, assim, o seu já não tão pequeno con-
junto de técnicas para levantar indeterminações.

Exemplo 18.1

Vamos calcular o limite a seguir.



2t + 1 − 3
lim .
t→4 t2 − 3t − 4
O limite está indeterminado. Realmente temos,

lim( 2t + 1 − 3) = 0 e lim(t2 − 3t − 4) = 0 .
t→4 t→4

A técnica que conhecemos para levantar esse tipo de indeterminação é fatorar


e simplificar. É claro que o termo que se encontra no denominador se fatora:

t2 − 3t − 4 = (t − 4)(t + 1). No entanto, 2t + 1 − 3 não é, exatamente, divisı́vel
por t − 4. Sendo assim, usaremos uma estratégia diferente. Tentaremos tornar

2t + 1 − 3 um fator de t − 4.

A chave para resolver o problema está na seguinte identidade algébrica:

(a − b)(a + b) = a2 − b2 .

A idéia é modificar a expressão que define a função, multiplicando o numerador


√ √
e o denominador pelo conjugado do termo 2t + 1 − 3, que é 2t + 1 + 3. Isso

111 CEDERJ
acements
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
Método Determinı́stico

não altera o resultado do limite. Lembra-se da última propriedade de limites de


funções, apresentada na aula anterior?

Muito bem, aqui está o cálculo do limite.


√ √ √
2t + 1 − 3 ( 2t + 1 − 3)( 2t + 1 + 3)
lim 2 = lim √
t→4 t − 3t − 4 t→4 (t − 4)(t + 1)( 2t + 1 + 3)

2t + 1 − 9
= lim √
t→4 (t − 4)(t + 1)( 2t + 1 + 3)
2t − 8
= lim √
t→4 (t − 4)(t + 1)( 2t + 1 + 3)
2
= lim √
t→4 (t + 1)( 2t + 1 + 3)
2
=
5×6
1
= .
15

Veja, ( 2t + 1 )2 = 2t + 1, pois 2t + 1 ≥ 0, uma vez que o domı́nio da função
é [−1/2, +∞).

Gostou da estratégia? Tente aplicá-la na situação a seguir.

Atividade 18.1

Calcule o limite dado a seguir.



2− 9−x
lim .
x→5 x2 − 6x + 5

Agora, vamos ao primeiro assunto da aula.

Propriedades elementares dos limites de funções

Uma das coisas que torna o estudo das funções tão interessante é a profusão
delas. Há uma quantidade estonteante de funções. Essa abundância se reflete
no fato de que, a partir de alguns poucos exemplos, podemos gerar muitos e
muitos outros, usando operações que você já conhece do Pré-Cálculo. Vamos
listar algumas delas.

CEDERJ 112
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
MÓDULO 2 - AULA 18

Considere as funções f : A ⊂ R → R e g : B ⊂ R → R, tais que A∩B = C 6= ∅.

A partir das funções f e g, nessas condições, podemos obter as seguintes funções:

Soma

(f + g) : C −→ R
x 7−→ f (x) + g(x)

Multiplicação por constante

(α f ) : A −→ R
x 7−→ α · f (x)

Produto

(f g) : C −→ R
x 7−→ f (x) · g(x)

Inverso multiplicativo

 
1
: D −→ R
f
1
x 7−→
f (x)
onde D = {x ∈ A | f (x) 6= 0}.

Veja, usando essas operações de funções, a função identidade f (x) = x e a


função constante g(x) = 1, podemos obter todas as funções polinomiais, como,

por exemplo, h(x) = 3x7 − x2 − 5x + 2 .

Como você já deve estar antecipando, o limite de funções funciona muito bem
no que diz respeito a essas operações. Veja, se

lim f (x) = L e lim g(x) = M ,


x→a x→a

113 CEDERJ
acements
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
Método Determinı́stico

então

(a) lim (f + g)(x) = lim f (x) + g(x) = L + M


x→a x→a

(b) para α ∈ R, lim (αf )(x) = lim αf (x) = αL


x→a x→a

(c) lim (f · g)(x) = lim f (x) · g(x) = L · M


x→a x→a
 
1 1 1
(d) se, além disso, L 6= 0, lim (x) = lim = .
x→a f x→a f (x) L
As demonstrações dessas propriedades passam da mais simples rotina até o caso
de envolver alguma sofisticação. Você terá, ainda nas disciplinas de Cálculo,
oportunidade de lidar com elas. No momento, no entanto, nosso principal obje-
tivo é usá-las para calcular limites. Veja, agora, os próximos dois exemplos.

Exemplo 18.2
»√ –
x−1 x−1
Vamos calcular lim + √
3
. Nesses casos, calculamos separadamente
x→1 x −1 x−1
os limites das parcelas.

Primeiro, o cálculo de lim x − 1 , que apresenta uma indeterminação. Vamos
x→1 x − 1
aplicar, alternativamente, a técnica do conjugado, já utilizada anteriormente no
exemplo 18.1.
√ √ √
x−1 ( x − 1)( x + 1)
lim = lim √
x→1 x−1 x→1 (x − 1)( x + 1)
x−1
= lim √
x→1 (x − 1)( x + 1)
1
= lim √
x→1 x+1
1
= .
2
x−1
Note que a segunda parcela também apresenta uma indeterminação: lim √
3
.
x→1 x−1
Neste caso, observe que (a − b) (a2 + ab + b2 ) = a3 − b3 . Assim, podemos fazer,
por exemplo:
x − 1 = x1/3 − 1 x2/3 + x1/3 + 1 .
 

Portanto,
x1/3 − 1 x2/3 + x1/3 + 1
 
x−1
lim √ = lim
x→1 3 x − 1 x→1 x1/3 − 1
x2/3 + x1/3 + 1 = 3 .

= lim
x→1

CEDERJ 114
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
MÓDULO 2 - AULA 18

Como sabemos quais são os limites das parcelas, podemos obter o limite dado
inicialmente:
"√ # √
x−1 x−1 x−1 x−1 1 7
lim + √ = lim + lim √ = +3 = .
x→1 x−1 3
x−1 x→1 x − 1 x→1 3
x−1 2 2

Veja, a seguir, mais um exemplo do uso das propriedades elementares para o


cálculo dos limites.

Exemplo 18.3

Considere f e g funções definidas em toda a reta real, tais que

lim f (x) = 3 e lim g(x) = −2 .


x→2 x→2

Então,
  
(a) lim 2f (x) − g(x) = 2 lim f (x) − lim g(x) = 2 · 3 − (−2) = 8
x→2 x→2 x→2
2
f (x) + 1 32 + 1
(b) lim = = −5
x→2 g(x) −2
f (x) − g(x) 3+2
(c) lim = = 5.
x→2 f (x) + g(x) 3−2

Atenção:

Fórmulas como
  
lim f (x) + g(x) = lim f (x) + lim g(x)
x→a x→a x→a

ou

lim f (x) · g(x) = lim f (x) · lim g(x)
x→a x→a x→a

só fazem sentido se soubermos, de antemão, que os limites das parcelas (ou
fatores, dependendo do caso), são números:

lim f (x) = L e lim g(x) = M .


x→a x→a

Há uma outra operação com funções, um pouco mais sofisticada do que as
que vimos até agora, que permite gerar ainda mais funções – a composição de
funções.

O limite também comporta-se muito bem em relação a esta operação. Veja o


próximo exemplo.

115 CEDERJ
acements
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
Método Determinı́stico

Exemplo 18.4

Sabemos que

lim 2x − 4 = 0 e lim cos t = 1.
x→2 t→0

Então,

lim cos 2x − 4 = 1 .
x→2

Voltaremos a considerar esse assunto em breve, quando estudarmos a noção de


continuidade de funções.

Para encerrar essa etapa da aula, sobre as propriedades elementares dos limites,
aqui está uma oportunidade para você aplicar o que já aprendeu.

Atividade 18.2

Sabendo que lim g(x) = −2 e lim h(x) = 4, calcule:


x→a x→2

(a) lim 2 g(x) − 3h(x)
x→a

g(x) + (h(x))2
(b) lim
x→a 2
h(x) − g(x)
(c) lim .
x→a 2g(x) − h(x)

Limites laterais

Uma das propriedades que caracterizam o conjunto dos números reais é a boa
ordem. Estamos tão habituados a usá-la que não nos damos conta de sua im-
portância. Ela garante que, dados dois números reais a e b, temos

a>b ou (exclusivo) a < b.

Portanto, dado um número real a, podemos considerar o conjunto dos números


que são maiores do que a e o conjunto dos números que são menores do que a.

Esta é uma boa ocasião para estabelecermos uma combinação: tratamos indi-
ferentemente os elementos do conjunto R como números reais ou como pontos
da reta real, dependendo da situação. Se um apelo geométrico for mais forte,
usaremos pontos, caso contrário, usaremos números.

CEDERJ 116
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
MÓDULO 2 - AULA 18

Podemos, portanto, considerar os pontos que estão à direita de a e os pontos


PSfrag replacements
que estão à esquerda de a.

x<a a x>a

Figura 18.1: Representação dos pontos da reta real em relação ao ponto a.

A propriedade da boa ordem é crucial na definição dos intervalos. Veja, a seguir,


um exemplo.
[a, b) = {x ∈ R | a ≤ x < b} .
Isso permite uma certa adaptação da definição de limites de funções – os limites
laterais.

A idéia é a seguinte: queremos estudar o comportamento de uma dada função f


nas vizinhanças de um certo ponto a, mas queremos considerar, digamos, apenas
o caso em que os pontos analisados estão à direita de a.

Há pelo menos duas situações tı́picas nas quais tal abordagem pode ser útil:

(a) a função está definida apenas em um dos lados do ponto em questão;

(b) a lei de definição da função f é dada por diferentes expressões, uma para os
pontos à direita de a, outra para os pontos à esquerda.

Exemplo 18.5
( √
√ x2 + 1 se x ≥ 0
As funções f (x) = 9 − x2 e g(x) = ilustram as duas
3x + 5 se x < 0
situações. O domı́nio da função f é o intervalo fechado [−3, 3]. Veja a Figura
18.2. Portanto, f está bem definida à direita de −3, por exemplo, mas não
está definida à sua esquerda. A função g é definida em R, mas por expressões
distintas, conforme consideramos x < 0 ou x > 0.
PSfrag replacements
[ ]
−3 3

Figura 18.2: Dom(f ).

Aqui estão os limites laterais.

117 CEDERJ
acements
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
Método Determinı́stico

Limite lateral à direita de a

Considere f uma função tal que, para algum r > 0, (a, a + r) ⊂ Dom(f ).
Dizemos que
Leia: limite de f quando x
tende a a, pela direita, é igual
a L. lim f (x) = L
x→a+

se, para cada vizinhança de L, por menor que seja o seu raio, encontramos uma
vizinhança de a, tal que as imagens dos pontos nesta vizinhança, mas que estão
à direita de a, e diferentes de a, pertencem à vizinhança de L.

Assim, impomos a condição que x tende a a, porém, apenas pelo lado direito.

PSfrag replacements L
f (x)

a x

Figura 18.3: Limite lateral à direita.

Limite lateral à esquerda de a

Analogamente, seja g uma função tal que, para algum número real positivo r > 0,
(a − r, a) ⊂ Dom(g).
Leia: limite de g quando x
tende a a, pela esquerda, é
igual a M .
lim g(x) = M
x→a−

indica o limite de g quando x tende a a, considerando apenas os pontos à


esquerda de a.

CEDERJ 118
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
MÓDULO 2 - AULA 18

M
G(x)

PSfrag replacements

xa

Figura 18.4: Limite lateral à esquerda.

O limite e os limites laterais

Decorre da própria construção dos limites laterais que



 lim = L
x→a+





lim f (x) = L ⇐⇒ e
x→a 



 lim = L.

x→a−

Assim, no caso de lim+ f (x) 6= lim− f (x), concluı́mos que f não admite limite
x→a x→a
quando x tende a a.

Exemplo 18.6

Considere a função f dada pela seguinte lei de definição:



5 3−x
f (x) = .
x−4
O domı́nio de f é determinado pelas condições

3−x≥ 0 e x 6= 4 .

Ou seja, Dom(f ) = (−∞, 3]. Veja, f não está definida em pontos à direita de 3,
mas podemos considerar o comportamento dos valores por f de pontos próximos
a 3, pelo lado esquerdo: √
5 3−x
lim = 0,
x→3− x−4

pois lim− 5 3 − x = 0 e lim− x − 4 = −1.
x→3 x→3

119 CEDERJ
acements
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
Método Determinı́stico

Note que as propriedades elementares de limites também valem para os limites


laterais.

Veja o esboço do gráfico de f .

PSfrag replacements

Figura 18.5: Gráfico de f tal que lim− f (x) = 0 .



x→3

Exemplo 18.7

Considere, agora, a função g : R → R, definida por


(
sen(x − 1) + 2 se x ≥ 1
g(x) = .
|x + 1| se x < 1

Essa função é definida por duas sentenças. Para analisar o comportamento da


função g, nas vizinhanças do ponto 1, usamos os limites laterais.

Vamos considerar, inicialmente, o limite de g quando x tende a 1, pela direita.

lim g(x) = lim+ sen(x − 1) + 2 = 2 .


x→1+ x→1

Note que x → 1+ significa que estamos considerando x > 1 e, portanto,


g(x) = sen(x − 1) + 2.

Agora, o limite quando x tende a 1, pela esquerda.

lim g(x) = lim− |x + 1|+ = 2 .


x→1− x→1

Veja, agora, x → 1− significa que x < 1 e, assim, g(x) = |x + 1|.

Você observou que, apesar das diferentes expressões para g, à direita e à esquerda
de 1,
lim g(x) = 2 = lim− g(x) .
x→1+ x→1

CEDERJ 120
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
MÓDULO 2 - AULA 18

Como os limites laterais são iguais a 2, podemos concluir que g admite limite
quando x tende a 1:
lim g(x) = 2 .
x→1

Veja, a seguir, o gráfico de g.

2
PSfrag replacements

Figura 18.6: Gráfico de g (tal que lim− g(x) = 2 = lim+ g(x)).


x→1 x→1

Veja, agora, um exemplo no qual os limites laterais são diferentes.

Exemplo 18.8
|x − 1|
Considere a função definida por h(x) = , cujo domı́nio é o conjunto
1 − x2
R − {−1, 1}.

Veja, apesar de a lei de definição da função ser dada por uma única sentença, há
duas situações a considerar: x > 1 e x < 1. Isso se deve à presença do módulo
na definição. Novamente, para analisarmos o comportamento da função h nas
vizinhanças de 1, temos de usar os limites laterais.

Primeiro, o limite à esquerda (para variar).

|x − 1|
lim− h(x) = lim−
x→1 x→1 1 − x2
−(x − 1)
= lim−
x→1 (1 − x)(1 + x)
1−x
= lim−
x→1 (1 − x)(1 + x)
1
= lim−
x→1 (1 + x)
1
= .
2

121 CEDERJ
acements
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
Método Determinı́stico

Observe que a condição x < 1, equivalente a x − 1 < 0, nos diz que


|x − 1| = −(x − 1).

Agora, o limite à direita.


|x − 1|
lim h(x) = lim
x→1+ x→1+ 1 − x2
(x − 1)
= lim
x→1+ (1 − x)(1 + x)
−(1 − x)
= lim
x→1+ (1 − x)(1 + x)
−1
= lim
x→1+ (1 + x)
1
= − .
2
Neste caso, a condição x > 1 garante |x − 1| = x − 1.

Veja, a seguir, o gráfico de h numa vizinhança de 1.

1/2
PSfrag replacements
1
−1/2

Figura 18.7: Gráfico de h tal que lim− h(x) 6= lim+ h(x) .



x→1 x→1

Com essa série de exemplos, terminamos a aula!

Considerações finais

Nesta aula, você aprendeu mais algumas técnicas para levantar indeterminações,
mais algumas propriedades dos limites e conceito de limites laterais.

Não deixe de colocar esses novos conhecimentos em prática, na lista de problemas


apresentada a seguir.
CEDERJ 122
Limites laterais e mais algumas propriedades dos limites de funções
MÓDULO 2 - AULA 18

Exercı́cios

1. Considere f , g e h, funções definidas nas vizinhanças de 2, tais que


lim f (x) = −1, lim g(x) = 2 e lim h(x) = 3. Usando essas informações
x→2 x→2 x→2
e as propriedades de limites, calcule:
 
(a) lim f (x) + g(x) − h(x) (b) lim |f (x)g(x) − h(x)|
x→2 x→2
h f (x) − g(x) i p
(c) lim (d) lim h(x) − f (x)
x→2 h(x) x→2

2. Diga se é verdadeira ou falsa cada uma das afirmações a seguir, justificando


a sua resposta.
a) Se lim f (x) = 0 e lim g(x) = −1, então lim [f (x) − g(x)] = 1.
x→3 x→3 x→3
b) Se lim f (x) = 5, então f (3) = 5.
x→3
c) Se f (3) = 5, então lim f (x) = 5.
x→3
d) Se lim f (x) = −5, então lim |f (x)| = 5.
x→3 x→3

3. Calcule os seguintes limites:


√ x−8
(a) lim− 4 − x2 (b) lim √
x→2 x→8 3 x − 2

3+t x2 + 4 − 2
(c) lim+ √ (d) lim
t→−3 9 − t2 x→0 x2

x3/2 − 2 2 1−x
(e) lim √ (f) lim √
x→2 x1/2 − 2 x→1 2 − x2 + 3
4. Trace o gráfico da função
(
x2 − 4x + 5 se x ≥ 2
f (x) =
x+1 se x < 2
e calcule, se existirem, lim− f (x), lim+ f (x) e lim f (x).
x→2 x→2 x→2
Esboce o gráfico de f .

5. Considere a função

 |x − 2| + 4 se x ≥ 2


g(x) = 2

|x − a| se x < 2

onde a é uma constante. Sabendo que lim− g(x) = lim+ g(x), determine
x→2 x→2
a e calcule lim g(x).
x→2
Esboce o gráfico de g.

123 CEDERJ
Limites envolvendo infinito – primeira parte
MÓDULO 2 - AULA 19

Aula 19 – Limites envolvendo infinito – primeira


parte

Ao infinito . . . e além!
Buzz Lightyear, Toy Story

Objetivos

Ao final desta aula você deverá ser capaz de:

• calcular limites infinitos quando x → a, x → a+ ou x → a− ;


• identificar e representar geometricamente as assı́ntotas verticais dos gráficos
de funções.

Este é um bom momento para fazer um balanço dos conteúdos que você apren-
deu nas três aulas anteriores. Em outras palavras, quais conceitos novos você
conheceu? Quais limites você é ser capaz de calcular? Quais serão os próximos
passos? Bem, vejamos.

Em primeiro lugar, você deve ter uma clara idéia do significado da frase ma-
temática
lim f (x) = L ,
x→a
inclusive de sua interpretação geométrica.

Isso cobre uma boa parte do conteúdo teórico apresentado, digamos assim. Do
ponto de vista prático, você deve saber que a partir das propriedades elementares
dos limites de funções, se p(x) é uma função polinomial, então

lim p(x) = p(a) .


x→a

Por exemplo,
2
 √
lim
√ 2x − x − 2 = 2 − 2.
x→ 2

Mais ainda, você já deve dar conta de algumas complicações, tais como calcular

x3 − 8 t+2−2
lim 2 ou lim .
x→2 x − 4 t→2 t−2

125 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – primeira parte
Método Determinı́stico

Praticando bem, você deve ter encontrado as respostas 3 e 1/4.

Finalmente, você deve estar fluente na linguagem dos limites laterais.

Você deve ter notado que as funções com que temos lidado até agora são, essen-
cialmente, funções algébricas. Veja, as funções algébricas são aquelas funções
cujas leis de definição envolvem um número finito de operações elementares,
além das inversas de funções que podem ser assim construı́das. Por exemplo, as
funções
3x − 7
f (x) = e g(x) = (2x + 5)2/3
2x + 1
são funções algébricas.

Nesta aula vamos ampliar o conceito de limite envolvendo o infinito. Você apren-
derá o significado de sı́mbolos tais como
lim f (x) = +∞ ,
x→a+

e descobrirá como reconhecer quando isso ocorre. Assim você aprenderá a cal-
cular estes limites. Além disso, também conhecerá a interpretação geométrica
desses limites. Antes de mais nada, leia a seguir um pequeno histórico sobre o
assunto.

Breve histórico

Infinito não é uma noção exclusiva dos matemáticos. Nas mais diferentes áreas do
Nanotecnologia é um conjunto
de técnicas que visam a esten- conhecimento humano, deparamo-nos com coisas que são muito, muito grandes
der a capacidade humana de e, também, coisas extremamente pequenas.
manipular a matéria até os li-
mites do átomo.
O domı́nio da nanotecnologia
Veja a manchete estampada numa certa página de internet em 23 de setembro
permitiria criar novos materi- de 2004: “Cientistas registram colisão frontal de galáxias”. Uma equipe inter-
ais e produtos usando a capa-
cidade da tecnologia moderna
nacional de cientistas observou a colisão frontal de dois conjuntos de galáxias
de ver e manipular átomos e – uma “tempestade cósmica perfeita”. Segundo um dos cientistas, “viu-se a
moléculas.
Ela permitiria entre outras formação de um dos maiores objetos do universo”.
coisas, aumentar exponencial-
mente a capacidade de ar- No outro extremo deste espectro, encontramos, já sem surpresas, coisas como
mazenar e processar dados
dos computadores, criar novos
exames de DNA, que revelam as partes mais ı́nfimas de que somos feitos, ou
meios de aplicar medicamentos ainda, lemos reportagens que nos preparam para um novo mundo servido por
e gerar materiais mais leves e
mais resistentes do que os co- novidades da nanotecnologia.
nhecidos.
Só para citar dois pioneiros, Anaximandro (610 - 540 a.C.) inaugurou esse debate
posicionando-se favoravelmente ao infinito: o universo contém uma infinidade de

CEDERJ 126
Limites envolvendo infinito – primeira parte
MÓDULO 2 - AULA 19

mundos, a duração do universo é infinita, e assim por diante. Ele foi citado e
rebatido por Aristóteles (384 - 322 a.C.).

Você deve concordar que o conjunto dos números naturais é, pelo menos poten-
cialmente, infinito, no sentido que, não importa até quanto contamos, sempre
podemos seguir adiante. Sobre isso, Aristóteles poderia dizer que os números
não são coisas que existem fora da mente humana e, portanto, não formam algo
realmente infinito.

Como você pode ver, a questão é, no mı́nimo, delicada. Mas nós vamos nos refu-
giar nas águas tranqüilas da Matemática. Nossa tarefa será bem mais simples.
Muito bem, vamos a isso!

Limites infinitos

O sı́mbolo lim+ f (x) = +∞ será usado para indicar situações nas quais os valores
x→a
de f (x) tornam-se arbitrariamente grandes, na medida em que calculamos f em
valores de x > a, mais e mais próximos de a.

Um exemplo simples dessa situação ocorre nas vizinhanças de zero, no caso da


1
função f (x) = .
x

Exemplo 19.1

Veja, a seguir, uma tabela com alguns valores de x e de f (x), assim como um
esboço do seu gráfico.

x f (x)
1 1
0.5 2
0.25 4
0.01 100
0.0001 10000 1

1
Figura 19.1: Gráfico da função f (x) = , para x > 0.
x

127 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – primeira parte
Método Determinı́stico

Na verdade, essa tabela sugere o comportamento dos valores de f (x), na medida


em que tomamos, para x, valores mais e mais próximos de zero, pela direita. Esse
comportamento será expresso por
1
lim+ = + ∞.
x→0 x
Geometricamente, esta situação corresponde ao que chamamos assı́ntota vertical
do gráfico da função.

No entanto, precisamos explicitar um pouco mais o que queremos dizer com


lim+ f (x) = + ∞. É verdade que o exemplo é eloqüente, mas a questão é
x→a
delicada. Parte do problema está no fato de que grande, assim como pequeno,
são conceitos relativos. Veja, nos dois próximos exemplos, as dificuldades que
podemos encontrar.

Exemplo 19.2
1 − 2000 x
Vamos considerar o lim+ .
x→0 1000 x2

Olhando a tabela a seguir, assim como o gráfico da função g(x) = 1 − 2000x ,


1000x2
gerado num computador, sobre o intervalo [0.001, 0.1], a qual conclusão você
chegaria?
x
0.002 0.006 0.01 0.014 0.018
x g(x) 0
–100
0.1 −19.9
–200
0.01 −190 –300
0.009 −209.8765432 y–400
0.004 −437.5 –500
PSfrag replacements
0.002 −750 –600

0.001 −1000 –700

–800

1 − 2000x
Figura 19.2: Gráfico da função g(x) = .
1000x2

A impressão é que, ao tomarmos valores de x mais e mais perto de zero, passando


de 0.1 para 0.001, os valores de f (x) se afastam de zero, na direção negativa,
passando de aproximadamente −20 para −1 000. Se baseássemos nosso estudo
apenas nessas informações, tenderı́amos a responder lim+ g(x) = −∞. No en-
x→0
tanto, resta a pergunta: terı́amos tomado valores de x suficientemente próximos

CEDERJ 128
Limites envolvendo infinito – primeira parte
MÓDULO 2 - AULA 19

de zero para determinar o comportamento da função? A resposta é não! Veja a


próxima série de valores assim como o gráfico de g sobre um intervalo um pouco
maior.
1500
x g(x)
1000
0.1 −19.9
y
0.0009 −987.654321 500
0.0006 −555.555556
0
0.00051 −76.893503 0.002 0.006 0.01
x 0.014 0.018

0.0005 0 –500

0.0002 PSfrag
15000 replacements
–1000
0.0001 80000
–1500

1 − 2000x
Figura 19.3: Gráfico da função g(x) = .
1000x2

Você deve ter notado que os gráficos estão com a escala de x diferente da escala
de y. Caso contrário, não poderı́amos interpretá-los adequadamente.

Na verdade, o que ocorre é


1 − 2000x
lim+ = +∞ .
x→0 1000x2
Até o fim da aula você aprenderá a fazer este tipo de cálculo.

O exemplo a seguir nos reserva ainda outro tipo de surpresa.

Exemplo 19.3
1000 + x
Agora, vamos estudar o lim+ .
x→0 8x2 + 0.01

1000 + x
Veja uma tabela com alguns valores de x e de h(x) = , assim como o
8x2 + 0.01
seu gráfico, no intervalo [0.0009, 1].

129 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – primeira parte
Método Determinı́stico

80000
x g(x)
10 1.262484219
60000
2 31.3027179
1 124.968789 y
40000
0.2 3030.909091
0.05 33335.0
PSfrag replacements20000
0.001 99920.16387
0.0009 99935.33190
0 0.2 0.4 x 0.6 0.8

100 + x
Figura 19.4: Gráfico da função g(x) = .
8x2 + 0.01

Novamente, uma análise precipitada, que levas-


se em conta apenas esses dados, nos leva-
ria a crer que lim+ 10002
+x
= +∞. Se 100000
x→0 8x + 0.01
fizéssemos isso, estarı́amos incorrendo em outro
erro. Neste caso, a função tem limite (finito) 80000

no ponto zero. Veja o seu gráfico numa outra


perspectiva. 60000
1000 + x
Um simples cálculo nos mostra lim+ 2
x→0 8x + 0.01
= 100.000. 40000

Portanto, ao estabelecer o significado do sı́m-


PSfrag replacements
bolo 20000

lim f (x) = +∞ ,
x→a+ y –0.1 –0.06 –0.02 00.02 x
0.06 0.1

precisamos ter a certeza de que os valores de


f (x) não apresentam comportamentos do tipo Figura 19.5: Gráfico da função h(x).
daqueles ilustrados nos dois exemplos anterio-
res.
A definição que apresentaremos a seguir nos garantirá a exclusão de tais proble-
mas.

A condição Definição 1
(a, a + R) ⊂ Dom(f ) ,

para um certo R > 0, garante


Considere f uma função tal que, para um certo R > 0, (a, a + R) ⊂ Dom(f ).
que a função f está definida Dizemos que lim+ f (x) = +∞ se, para cada M > 0, existe um r > 0
à direita de a e, portanto, faz x→a
sentido considerar lim f (x). (R > r > 0) tal que, se x ∈ (a, a + r), então f (x) > M .
x→a+

CEDERJ 130
Limites envolvendo infinito – primeira parte
MÓDULO 2 - AULA 19

Assim, quando afirmamos

lim f (x) = +∞ ,
x→a+

estamos dizendo que, para cada reta horizontal y = M , há um (pequeno) inter-
valo de comprimento r >, (a, a + r), tal que, se x ∈ (a, a + r), então

f (x) > M .

Isso quer dizer que a restrição do gráfico de f ao intervalo (a, a + r) está acima
da reta y = M , conforme a ilustração a seguir.

a a+r

Figura 19.6: Gráfico de função tal que lim x → a+ f (x) = +∞.

Lembre-se do exemplo 19.3. Como o gráfico de h(x)= 8x1000 +x


2 + 0.01
não ultrapassa
a reta y = 100 001, o limite de h(x), quando x tende a zero, pela direita, não
pode ser infinito.

Fazendo as devidas adaptações, obtemos as definições para


lim f (x) = −∞
x→a+

lim f (x) = +∞
x→a−

lim f (x) = −∞ .
x→a−

Veja mais um caso.

Definição 2

Considere f uma função tal que, para um certo R > 0, (a − R, a) ⊂ Dom(f ).


Dizemos que lim− f (x) = −∞ se, para cada M > 0, existe um r > 0
x→a
(R > r > 0) tal que, se x ∈ (a − r, a), então f (x) < −M .

131 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – primeira parte
Método Determinı́stico

Veja a representação gráfica desta situação.


a−r a

−M

Figura 19.7: Gráfico de função tal que lim x → a− f (x) = −∞.

Exemplo 19.4

Aqui estão alguns exemplos de limites infinitos.


1 3
(a) lim− = −∞ (b) lim+ √ = +∞
x→0 x x→9 x−3
3x2 + 1
(d) lim+ = +∞
x→0 (x − 1)2
Além disso, se lim− f (x) = +∞ e lim+ f (x) = +∞, dizemos simplesmente que
x→a x→a

lim f (x) = +∞ .
x→a

Da mesma forma, se lim− f (x) = −∞ e lim+ f (x) = −∞, dizemos simples-


x→a x→a
mente que
lim f (x) = −∞ .
x→a

Atividade 19.1

Considerando o gráfico da função f na Figura


ao lado, determine os limites indicados. 2 4
−2

Figura 19.8: Gráfico da função f .

CEDERJ 132
Limites envolvendo infinito – primeira parte
MÓDULO 2 - AULA 19

(a) lim − f (x) (b) lim + f (x) (c) lim− f (x)


x→−2 x→−2 x→2

(d) lim+ f (x) (e) lim− f (x) (f) lim+ f (x)


x→2 x→4 x→4

(g) lim f (x) (h) lim f (x) (i) lim f (x).


x→−2 x→2 x→4

Assı́ntotas verticais

Dizemos que a reta x = a é uma assı́ntota vertical do gráfico de f se ocorrer


algum dos seguintes limites:

lim f (x) = −∞ ; lim f (x) = +∞ ;


x→a− x→a−

lim f (x) = −∞ ; lim f (x) = +∞ .


x→a+ x→a+

Exemplo 19.5
2x − 3
Vamos determinar as assı́ntotas verticais da função f (x) = .
x2 − x − 6

Aqui está a oportunidade de você aprender a calcular os limites infinitos. As


situações tı́picas são de funções cuja lei de definição é dada por um quociente.
Para que o limite de f (x) seja infinito, quando x tende a a, é preciso que o limite
do denominador, quando x tende a a, seja zero, e o limite do numerador seja
diferente de zero. Neste caso, todo o trabalho consistirá em fazer uma análise
dos sinais para determinar se o limite será +∞ ou −∞.

Começamos calculando o domı́nio da função, determinando as retas candidatas


a assı́ntotas verticais. Nesse caso, para que f esteja bem definida, é necessário
que x2 − x − 6 6= 0. Portanto, Dom(f ) = R − {−2, 3}.

Vamos estudar o comportamento de f nas vizinhanças dos pontos −2 e 3. Para


isso, usaremos os limites laterais. Veja, a seguir, a análise dos sinais da função
PSfrag replacements
que está no denominador, y = x2 − x − 6.
+ + _ _ _ _ _ + +

−2 3

Figura 19.9: Análise do sinal da função y = x2 − x − 6.

Muito bem, estamos preparados para calcular os limites.

133 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – primeira parte
Método Determinı́stico

2x − 3
(a) lim − = −∞.
x→−2 x2 −x−6
Realmente, quando x tende a −2, o numerador y = 2x − 3 tende a −6. A
análise de sinais feita anteriormente mostra que, se x tende a −2, pela es-
querda, o denominador tende a zero com sinal positivo. Assim, o limite de
f (x) = 22x − 3 , quando x tende a −2, pela direita, será −∞.
x −x−6

2x − 3
(b) lim + = +∞.
x→−2 x2 −x−6
Neste caso, o numerador continua com o sinal negativo, mas quando x tende
a 2, pela direita, o denominador tente a zero com sinal negativo, como pode
ser visto na sua análise de sinal. Portanto, o limite de f (x) = x22x− −x −3 6 , com x
tendendo a −2 pela direita, será +∞.
2x − 3
(c) lim− = −∞.
x→3 x2−x−6
Veja como a situação mudou, uma vez que o limite do numerador, quando x
tende a 3, é positivo. Quando x tende a 3, pela esquerda, o denominador tende
a zero com sinal negativo. Concluı́mos que o limite de f (x) = 22x − 3 , com x
x −x−6
tendendo a 3 pela esquerda, será −∞.
2x − 3
(d) lim+ = +∞.
x→3 x2−x−6
Neste caso, a situação do numerador não se alterou e o denominador tende a
zero com sinal positivo. O limite de f (x) = 22x − 3 , com x tendendo a 3 pela
x −x−6
direita, +∞.

Assim, o gráfico de f tem duas assı́ntotas verticais: x = −2 e x = 3. Veja um


esboço de seu gráfico.

−2
3

Figura 19.10: Gráfico da função f .

CEDERJ 134
Limites envolvendo infinito – primeira parte
MÓDULO 2 - AULA 19

Exemplo 19.6

Vamos encontrar as assı́ntotas verticais da função

x
g(x) = ,
(x − 1)2 (x + 2)

calculando todos os possı́veis limites infinitos.

Começamos determinando o domı́nio da função. Essa parte é fácil: o domı́nio


de g é o conjunto R − {−2, 1}.

Agora, a análise do sinal da função que se encontra no denominador,


y = (x − 1)2 (x + 2).

+ + + + + + + + + + + + + + +
(x − 1)2
− − − − − + + + + + + + + + +
(x + 2)
− − − − − + + + + + + + + + +
(x + 2)(x − 1)2
−2 1

Como não há mudança de sinal de y = (x − 1)2 (x + 2) nas vizinhanças de 1,


podemos calcular diretamente o limite da função.

x
lim = +∞ ,
x→1 (x − 1)2 (x + 2)

pois, quando x tende a 1, o limite do numerador é 1 > 0 e o limite do denomi-


nador é zero, mas a função y = (x − 1)2 (x + 2) é positiva em todos os pontos
de uma certa vizinhança em torno de 1.

Para −2 usaremos os limites laterais, pois y = (x − 1)2 (x + 2) é negativa à


esquerda de −2 e positiva à direita. Como o limite do numerador, quando x
tende a −2, é negativo,

x
lim − = +∞
x→−2 (x − 1)2 (x + 2)
x
lim = −∞ .
x→−2+ (x − 1)2 (x + 2)

135 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – primeira parte
Método Determinı́stico

Veja um esboço do gráfico de g, na Figura a seguir.

−2 1

Figura 19.11: Gráfico da função g.

Resumo da ópera

Limites infinitos, com x → a, ocorrem quando há um quociente, com o limite do


numerador sendo um número diferente de zero e o limite do denominador igual
a zero.

Geometricamente, esses limites correspondem às assı́ntotas verticais.

Veja também que é possı́vel termos um dos limites laterais sendo infinito e o
outro finito. Isso é suficiente para caracterizar uma assı́ntota vertical.

Do ponto de vista operacional, tudo o que temos de fazer é uma análise de sinal,
do tipo que você aprendeu a fazer no Pré-Cálculo.

O limite do numerador é positivo? É negativo? E o limite do denominador vai a


zero com sinal positivo? Com sinal negativo?

Os limites laterais desempenham um importante papel. Veja ainda mais um


exemplo.

Exemplo 19.7
2x + 1
Calcule lim± , para a = −1 e a = 3.
x→a x2 − 2x − 3
2x + 1
lim − = −∞ ,
x→−1 x2 − 2x − 3
pois lim − 2x + 1 = −1 e lim − x2 − 2x − 3 = 0+ .
x→−1 x→−1
CEDERJ 136
Limites envolvendo infinito – primeira parte
MÓDULO 2 - AULA 19

As outras respostas são:


2x + 1 2x + 1
lim + = +∞ ; lim− = −∞
x→−1 x2 − 2x − 3 x→3 x2 − 2x − 3
2x + 1
lim+ = +∞ .
x→3 x2 − 2x − 3

Veja o gráfico da função.

−1
3

2x + 1
Figura 19.12: Gráfico da função f (x) = .
x2 − 2x − 3

É bom saber da existência de coisas menos comportadas. Por exemplo, há casos
de funções não limitadas, quando x → a± e o limite não é do tipo f (x) → ∞
ou f (x) → −∞.
1 1
Aqui está um tal exemplo: @ lim+ cos . O gráfico de f oscila de valores
x→0 x2 x
positivos para negativos e vice-versa, tomando valores cada vez mais afastados
da origem.
1000
800
600
y
400
200

0 0.2 0.4 x 0.6 0.8 1


–200
PSfrag replacements –400
–600
–800
–1000

1 1
Figura 19.13: Gráfico da função f (x) = cos , para x > 0.
x2 x

137 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – primeira parte
Método Determinı́stico

Você sabia que, em alemão, se diz unendlich para infinito? Soa bem poético, não?
Muito bem, está na hora de parar, pois você ainda tem a lista de problemas para
fazer. Na próxima aula continuaremos a falar sobre limites envolvendo infinito.

Exercı́cios

1. Calcule os seguintes limites:


x+2 x2 − 4
(a) lim+ (b) lim+
x→3 x−3 x→1 x2 − 1
x − 3) x2 − 1
(c) lim + (d) lim −
x→−1 x2 − 1 x→−1 x+1

x−5 x
(e) lim− √ (f) lim +
x→1 1− x x→2/3 2 − 3x
(g) lim+ sec x (h) lim+ cotgx
x→π x→2π

3x 2x
(i) lim− (j) lim+ .
x→0 1 − ex x→1 ln x
8
2. Determine as assı́ntotas verticais da função f (x) = , calculando todos
4 − x2
os seus possı́veis limites infinitos.
1−x
3. Determine as assı́ntotas verticais da função g(x) = , calcu-
x3 − 2x2 − x + 2
lando todos os seus possı́veis limites infinitos.

4. Dê um exemplo de uma função definida em R − Z que tenha x = n como


uma assı́ntota vertical, para cada n ∈ Z.

5. Determine o valor de a tal que


x−3
lim+ = −∞ .
x→1 x2 − ax+1

CEDERJ 138
Limites envolvendo infinito – segunda parte
MÓDULO 2 - AULA 20

Aula 20 – Limites envolvendo infinito – segunda


parte

Ao infinito . . . e além!
Buzz Lightyear, Toy Story

Objetivos

Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:

• calcular limites do tipo lim f (x) = L e lim f (x) = +∞;


x→+∞ x→+∞

• identificar e representar geometricamente as assı́ntotas horizontais dos


gráficos de funções.

Na aula anterior, você aprendeu a usar o sı́mbolo ∞ para indicar na expressão


lim f (x) = + ∞, por exemplo, que para valores suficientemente próximos a a,
x→a
os valores correspondentes f (x) tornam-se arbitrariamente grandes. Além disso,
a expressão lim f (x) = + ∞ deve ser lida assim: limite de f (x), quando x
x→a
tende a a, é infinito.
John Wallis (1642 - 1727) foi
um precursor do Cálculo. Sua
Até 1655, o sı́mbolo ∞ era usado como uma alternativa para M, representando
principal obra é Arithmetica
1000 em algarismos romanos quando, por sugestão do matemático inglês John Infinitorum (Aritmética do
Infinito), publicada em 1656.
Wallis, passou a representar infinito. Como você pode ver, a sugestão foi bem Há uma tradução recente
aceita pela comunidade matemática. desse livro para o inglês,
publicada pela
Springer-Verlag. Apesar de
algumas imprecisões, esse
livro desempenhou papel
Algumas propriedades dos limites infinitos importante ao aprofundar e
divulgar as idéias de Descartes
e de Cavalieri, sobre a
Com a extensão da definição de limites de funções a casos envolvendo infinito, Geometria Analı́tica e sobre o
obtemos uma série nova de propriedades que estabelecem algo assim como uma cálculo de áreas de regiões
delimitadas por curvas
aritmética com infinito. algébricas.

Suponha que lim f (x) = +∞, lim g(x) = +∞ e lim h(x) = L. Então,
x→a x→a x→a

139 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – segunda parte
Método Determinı́stico
 
1) lim f (x) + g(x) = +∞
x→a
 
2) lim f (x) · g(x) = +∞
x→a
 
3) lim f (x) + h(x) = +∞
x→a
(
  +∞ se L > 0
4) lim h(x) · f (x) =
x→a −∞ se L < 0
(
+∞ se α > 0
5) se α ∈ R, α 6= 0, lim αf (x) = .
x→a −∞ se α < 0

Além disso, as afirmações continuam verdadeiras se trocarmos x → a por x → a +


ou x → a− .

Exemplo 20.1
sen x 1
Já sabemos que lim = 1 e lim = +∞. Portanto,
x→0 x x→0 x
h sen x 1i
lim+ + = +∞ .
x→0 x x

Atenção!

Se lim f (x) = +∞ e lim g(x) = −∞, o limite da soma das funções,


x→a x→a
 
lim f (x) + g(x)
x→a

é uma indeterminação do tipo ∞ − ∞, pois o resultado é imprevisı́vel. Veja o


exemplo a seguir.

Exemplo 20.2

Aqui está a análise do sinal de Você verá que uma pequena alteração na função pode modificar, de maneira
y = x2 − 2x − 3.
dramática, o resultado do limite.
+ + +
s− − − + + +
s
−2 3 Vamos calcular " #
1 a
lim + ,
x→3+ x − 3 x2 − 2x − 3
para os seguintes valores de a: −3, −4 e −5.
1
É claro que lim+ = +∞.
x→3 x−3

CEDERJ 140
Limites envolvendo infinito – segunda parte
MÓDULO 2 - AULA 20

Para a < 0, como x2 − 2x − 3 = (x + 1)(x − 3),


a
lim+ = −∞ ,
x→3 x2 − 2x − 3

pois lim+ x2 − 2x − 3 = 0, mas, se x > 3, y = x2 − 2x − 3 > 0.


x→3
 
1 a
Portanto, se a < 0, lim+ + é uma indeterminação do tipo
x→3 x − 3 x2 − 2x − 3
∞ − ∞.

No entanto,
1 a x+1+a
+ = .
x − 3 (x + 1)(x − 3) (x + 1)(x − 3)

Caso a = −3

Se fizermos a igual a −3, o limite será +∞. Veja:


x−2
lim+ = + ∞,
x→3 (x + 1)(x − 3)

pois lim (x − 2) = 1 > 0.


x→3+

Caso a = −4

Neste caso, o resultado é finito.


x−3 1 1
lim+ = lim+ = .
x→3 (x + 1)(x − 3) x→3 x + 1 4

Caso a = −5

Finalmente, para a = −5, o limite será −∞.


x−4
lim+ = −∞ ,
x→3 (x + 1)(x − 3)

pois lim+ (x − 4) = −1 < 0.


x→3

Conclusão

Para diferentes valores atribuı́dos à constante a, o limite resultou, ora +∞, ora
um número real, ora −∞, ou seja, em situações como essa, não descuide, aja
com cuidado!

141 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – segunda parte
Método Determinı́stico

Atividade 20.1

Determine o valor de k, tal que


 
3 k
lim + 2
x→−2− x+2 x −4

seja finito. Para quais valores de k o limite anterior será −∞?

Limites de funções no infinito

Até agora nós temos usado o limite como uma ferramenta para estudar o com-
portamento dos valores de uma dada função f , nas vizinhanças de um certo
ponto a.

Nosso próximo passo será usar o limite para estudar o comportamento dos valores
de f (x) quando tomamos para x (ou para −x, dependendo do caso) valores
arbitrariamente grandes. Isto é, queremos estabelecer sentido para as expressões

lim f (x) e lim f (x) .


x→+∞ x→−∞

Devido à similaridade entre as duas situações, vamos nos concentrar no caso


lim f (x).
x→+∞

Para que a expressão possa ter algum sentido, é necessário que

[b, +∞) ⊂ Dom(f ) ,

para algum número b, caso contrário, não poderı́amos tomar valores de f (x),
para valores arbitrariamente grandes de x.

Há duas situações especiais que queremos distinguir:

(a) para valores arbitrariamente grandes de x, os valores de f (x) também se


tornam arbitrariamente grandes (ou então os valores de −f (x) tornam-se arbi-
trariamente grandes);

(b) na medida em que tomamos valores maiores e maiores para x, os valores


correspondentes f (x) tornam-se arbitrariamente próximos de um certo número
L.

CEDERJ 142
Limites envolvendo infinito – segunda parte
MÓDULO 2 - AULA 20

Essas situações serão denotadas por

(a) lim f (x) = +∞ (ou − ∞)


x→+∞

(b) lim f (x) = L .


x→+∞

Exemplo 20.3

Considere n um inteiro não-nulo. Então,


(
+∞ se n ≥ 1
lim xn =
x→+∞ 0 se n ≤ −1 .

Em particular,

1
lim x2 = +∞, lim = 0,
x→+∞ x→+∞ x2

− 2
lim −2x3 = −∞, lim = −∞.
x→+∞ x→+∞ x

Interpretação geométrica

É muito importante saber interpretar geometricamente o significado desses limi-



tes no infinito. Começaremos com o caso lim f (x) = L ou lim f (x) = M .
x→+∞ x→−∞
Se lim f (x) = L (respectivamente, lim f (x) = M ), diremos que a reta
x→+∞ x→−∞
y = L (respectivamente, y = M ) é uma assı́ntota horizontal do gráfico de f .
Isso quer dizer que, para valores cada vez maiores de x (respectivamente, de
−x) o gráfico de f torna-se mais e mais próximo da reta y = L (y = M ). Veja
alguns exemplos.

Exemplo 20.4

Veja, nas Figuras a seguir, gráficos de funções com assı́ntotas horizontais.

143 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – segunda parte
Método Determinı́stico

−2 2
2
−2

Figura 20.1 Figura 20.2


Função f Função g
Assı́ntota horizontal y = 2. Assı́ntotas horizontais y = 2 e y = −2.

−3

Figura 20.3 Figura 20.4


Função h Função k
Assı́ntota horizontal y = 2. Assı́ntotas horizontais y = 3 e y = −3.

A função f (Figura 20.1) tem uma única assı́ntota horizontal. Neste caso,
lim f (x) = lim f (x) = 2.
x→−∞ x→+∞

A função g (Figura 20.2) tem quatro assı́ntotas: duas verticais e duas horizon-
tais. Veja quais são seus limites infinitos e no infinito:

lim g(x) = 2 , lim g(x) = −2


x→−∞ x→+∞

lim g(x) = +∞ , lim g(x) = −∞


x→−2 x→2

Algo interessante ocorre no caso da função h (Figura 20.3). Esta função certa-
mente não é polinomial (por quê?). A reta y = 2 é a única assı́ntota do gráfico
da função, pois lim h(x) = 2, mas o gráfico de h oscila em torno da reta, com
x→+∞
amplitude cada vez menor, na medida em que tomamos valores cada vez maiores
para x.

Finalmente, no caso da função k, não há assı́ntota vertical, mas duas assı́ntotas
horizontais, pois lim k(x) = −3 e lim k(x) = 3.
x→−∞ x→+∞

CEDERJ 144
Limites envolvendo infinito – segunda parte
MÓDULO 2 - AULA 20

Interpretação geométrica de lim f (x) = +∞


x→+∞

Aqui está a definição de lim f (x) = +∞, necessária para podermos interpretá-
x→+∞
la geometricamente.

Definição

Dizemos que lim f (x) = +∞ se, e somente se, para cada M > 0 existe um
x→+∞
número r > 0, tal que, se x > r, então f (x) > M .

Isso significa geometricamente que, dada uma altura M > 0 qualquer, existe
um número r suficientemente grande, tal que a parte do gráfico de f sobre o
intervalo [r, +∞) fica acima da reta y = M .

r
Figura 20.5
Gráfico de função em que lim f (x) = +∞.
x→+∞

Na Figura 20.5, você nota que o gráfico de f sobre o intervalo [r, +∞) está
contido na região com hachuras, isto é, acima da reta y = M .

Note que essa situação é dinâmica. Isso deve ocorrer para todos os valores de
M . Dessa forma, para valores de M cada vez maiores, possivelmente teremos
de aumentar os valores de r.

Na Figura a seguir, você poderá ver como, para três diferentes valores de M ,
precisamos, para o exemplo em questão, de três diferentes valores de r, indicados
pelos correspondentes ı́ndices. Assim, se x > r1 , então f (x) > M1 . Se x > r2 ,
então f (x) > M2 . Finalmente, para x > r3 , temos f (x) > M3 . Essa última
afirmação está enfatizada na Figura pelo fato de o gráfico de f estar contido
na região com hachuras. E assim, para cada novo M , maior que o anterior,
seguirı́amos obtendo um novo r, tal que, se x > r, f (x) > M .

145 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – segunda parte
Método Determinı́stico

M3
M2
M1

r1 r2 r3
Figura 6.6
Gráfico de função em que lim f (x) = +∞.
x→+∞

Comportamento das funções polinomiais no infinito

É muito importante saber o comportamento no infinito das polinomiais. Além


disso, é muito fácil. Tudo depende do termo de maior grau. Lembre-se, uma
função polinomial é dada por uma equação do tipo

p(x) = an xn + an−1 xn−1 + · · · + a1 x + a0 ,

na qual ai são números reais e estamos supondo que an 6= 0 e n ≥ 1.

Dizemos que p(x) é uma função polinomial de grau n, e a n xn é o termo de maior


grau. Então,
(
+∞ se an > 0
lim p(x) =
x→+∞ −∞ se an < 0

e
 (
 n é par e an > 0

 +∞ se
n é ı́mpar e an < 0




lim p(x) =
x→−∞  (
n é ı́mpar e an > 0


 −∞ se



n é par e an < 0

Parece complicado, mas não é. Veja, nas Figuras a seguir, quatro exemplos que
indicarão todas as possibilidades.

CEDERJ 146
Limites envolvendo infinito – segunda parte
MÓDULO 2 - AULA 20

600 600

400 400
y y
200 200

–10 –5 0 5 x 10 –10 –5 0 5 x 10
–200 –200

–400 –400

–600 –600

Figura 20.7 Figura 20.8


n ı́mpar, an > 0 n ı́mpar, an < 0

800
600
600
y400
y400
200
200 –10 –5 5 x 10
0
–10 –5 5 x 10 –200
–200 –400
–400 –600

–600 –800

Figura 20.9 Figura 20.10


n par, an > 0 n par, an < 0

Cálculo dos limites no infinito

Vamos começar com o cálculo dos limites no infinito das funções polinomiais.
Assim, você compreenderá como chegamos às conclusões apresentadas na seção
anterior e aprenderá uma primeira técnica para levantar essas indeterminações.
Desse modo, você perceberá, algebricamente, por que o comportamento das
funções polinomiais no infinito é determinado pelo termo de maior grau. Pa-
rece estranho, mas, na verdade, se alterarmos a função polinomial, mudando
apenas os coeficientes dos termos de graus menores, a função sofre alterações
numa região limitada em torno da origem, mas seu comportamento para valores
muito grandes de |x| permanece, essencialmente, o mesmo. Isso é ilustrado pelo
próximo exemplo.

147 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – segunda parte
Método Determinı́stico

Exemplo 20.5

A função f (x) = x2 − 2x tem duas raı́zes reais (2 e 0), enquanto a função


g(x) = x2 − 2x + 2, diferente de f apenas pelo termo constante, não tem raı́zes
reais. No entanto,
lim f (x) = lim g(x) = +∞ .
x→±∞ x→±∞

Veja os gráficos sob duas diferentes perspectivas, nas Figuras a seguir.

Figura 20.11 Figura 20.12


Gráficos de f e g em torno da origem. Funções f e g numa vizinhança maior.

Agora, veja um exemplo de como calculamos o limite de um polinômio quando


x tende a +∞ ou −∞.

Exemplo 20.6

3x3 − 5x2 − 2x − 7 e lim 3x3 − 5x2 − 2x − 7 .


 
Vamos calcular lim
x→+∞ x→−∞

O termo de maior grau é 3x3 , isto é, an > 0 e n ı́mpar. Portanto, a resposta do
cálculo deve ser
lim 3x3 − 5x2 − 2x − 7 = +∞ ;

x→+∞

3x3 − 5x2 − 2x − 7 = −∞ .

lim
x→−∞

Note que, como lim 3x3 = +∞ e lim −5x2 = −∞, o limite


x→+∞ x→+∞
lim 3x3 − 5x2 − 2x − 7 está indeterminado. Mas veja como podemos contor-
x→+∞
nar isso. Como estamos interessados no comportamento de 3x 3 − 5x2 − 2x − 7,
para valores muito grandes de x, podemos supor x > 0 e colocar 3x 3 em
evidência. Assim,
 
3 2
 3 5 2 7
lim 3x − 5x − 2x − 7 = lim 3x 1 − − − .
x→+∞ x→+∞ 3x 3x2 3x3

CEDERJ 148
Limites envolvendo infinito – segunda parte
MÓDULO 2 - AULA 20

5 2 7
Agora, o limite de cada uma das parcelas, − , − 2 e − 3 , quando
3x 3x 3x
x → +∞, é zero. Isto é,
 
5 2 7
lim 1 − − − =1
x→+∞ 3x 3x2 3x3
e, portanto,
 
3 2
 3 5 2 7
lim 3x − 5x − 2x − 7 = lim 3x 1− − 2− 3
x→+∞ x→+∞ 3x 3x 3x
= lim 3x3 = +∞ .
x→+∞

Analogamente,
 
3 2
 3 5 2 7
lim 3x − 5x − 2x − 7 = lim 3x 1− − 2− 3
x→−∞ x→−∞ 3x 3x 3x
= lim 3x3 = −∞ .
x→−∞

Vejamos se você está pronto para um pouco de ação.

Atividade 20.2

Calcule os seguintes limites:

(a) lim x2 − 5x + 2 (b) lim 3x5 + 7x2 − 8


x→+∞ x→−∞

(c) lim 4x2 − 5x3 (d) lim 17x − 0.4x5 + 7x2


x→+∞ x→−∞

(e) lim 2x2 − 3|x|3 (f) lim 5x3/2 + 2x1/2 + 4 .


x→−∞ x→+∞

Cálculo de limites no infinito de funções racionais

O comportamento no infinito de funções racionais (definidas pelo quociente de


dois polinômios) também é definido pelos graus dos polinômios envolvidos. Veja
o resumo, a seguir. Considere p(x) e q(x) duas funções polinomiais, cujos coe-
ficientes dos termos de maior grau são a e b, respectivamente. Então,


 ±∞ se grau(p) > grau(q)


p(x)  a
lim = se grau(p) = grau(q)
x→+∞ q(x) 
 b


0 se grau(p) < grau(q)

149 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – segunda parte
Método Determinı́stico

O sinal do limite, no caso em que grau(p) > grau(q) é determinado pelos sinais
dos coeficientes dos termos de maior grau.

A maneira de obter esse resultado é semelhante à que usamos no caso dos


polinômios. Veja como usar essa estratégia no próximo exemplo.

Exemplo 20.7

Vamos calcular alguns limites. Começaremos com um exemplo em que o grau


do numerador é maior do que o grau do denominador.

 
33 2 5
x 3− + 2 − 3
3x3 − 3x2 + 2x − 5 x x x
lim 2
= lim  
x→+∞ 3 − x − 2x x→+∞ 3 1
x2 2
− −2
x x
 
3 2 5
x 3− + 2 − 3
x x x
= lim  
x→+∞ 3 1
2
− −2
x x
3  
= − · lim x
2 x→+∞

= −∞ ,

c
pois o limite de cada fração do tipo , com x → ∞, é igual a zero.
xm

Veja um caso no qual o numerador e o denominador têm o mesmo grau.

√ !
1 2
√ x2 3 − + 2
3x2 − x + 2 x x
lim = lim  
x→−∞ 5 − x2 x→−∞
2
5
x −1
x2

1 2
3− + 2
= lim x x = −3 .
x→−∞ 5
−1
x2

CEDERJ 150
Limites envolvendo infinito – segunda parte
MÓDULO 2 - AULA 20

Finalmente, um caso em que o limite será infinito.


 
3
x 2+
2x + 3 x
lim = lim  
x→+∞ 3x2 + x − 4 x→+∞ 1 4
x2 3 + − 2
x x
3
2+
= lim  x 
x→+∞ 1 4
x 3+ − 2
x x
2 1
= · lim
3 x→+∞ x
= 0.

A mesma estratégia pode ser usada para calcular limites no infinito de funções
algébricas envolvendo radicais. Mas, neste caso, é necessário atenção com a
situação x → −∞, devido ao sinal negativo dos valores de x.

Exemplo 20.8
10 − 3x
Vamos determinar as assı́ntotas horizontais da função f (x) = √ .
x2 + 4
10 − 3x
Para calcular lim √ , lembramos que estamos considerando valores muito
x→+∞ x2 + 4
grandes de x. Portanto, podemos supor que x > 0. Isso permite escrever
s   √

r r
4 4 4
x 2 + 4 = x2 1 + 2 = x 2 · 1 + 2 = x · 1 + 2 ,
x x x

pois x > 0 e x2 = |x| = x. Assim,
 
10 10
x −3 −3
10 − 3x x
lim √ = lim r = lim rx = −3 .
x→+∞ x2 + 4 x→+∞ 4 x→+ ∞ 4
x· 1+ 2 1+ 2
x x
Raciocı́nio semelhante se aplica para calcular o limite com x → −∞, porém,

neste caso, x < 0, e, portanto, x2 = |x| = −x. Isso significa que o cálculo do
limite fica
 
10 10
x −3 −3
10 − 3x x
lim √ = lim r = lim − rx = 3.
x→−∞ x2 + 4 x→−∞ 4 x→+∞ 4
−x · 1 + 2 1+ 2
x x

151 CEDERJ
acements
Limites envolvendo infinito – segunda parte
Método Determinı́stico

Parece um pouco estranho, mas veja o gráfico da função.

−3

Figura 6.13
10 − 3x
Gráfico da função f (x) = √ .
x2 + 4

Considerações finais

Nesta aula, você aprendeu que o limite serve para descrever o comportamento das
funções quando a variável dependente assume valores muito grandes (x → +∞)
ou quando −x assume valores muito grandes (x → −∞).

É muito importante saber o comportamento no infinito dos polinômios, assim


como das funções racionais.

Voltaremos a esse tema em breve. Agora, não deixe de praticar as idéias que
aprendeu nos exercı́cios propostos a seguir.

Exercı́cios

1. Calcule os seguintes limites:


(a) lim (2x − x3 ) 2x2 + 3x − 5

(b) lim
x→+∞ x→−∞

5x7 + 8 3x − 8x2
 
(c) lim (d) lim
x→+∞ x→+∞

x−5 x2 − 3x + 4
(e) lim √ (f) lim
x→+∞ 1− x x→+∞ 1 + 3x2
5x − 2 2x2 − 5
(g) lim (h) lim
x→−∞ x3 + 7x − 8 x→−∞ 5x + 4
x3 + 7x2 √ 2x − 2
(i) lim (j) lim 2− 2
x→−∞ 3x − 2x2 + 8 x→+∞ x +3
2 h 4x2 + 3 i
(l) lim (m) lim + cos x2
x→−∞ 4 x→+∞ x−5
3+
x
x3/2 + 2x1/2 + 1
(n) lim
x→+∞ x+4
CEDERJ 152
Limites envolvendo infinito – segunda parte
MÓDULO 2 - AULA 20

2. Determine as assı́ntotas verticais e horizontais, caso estas existam, de cada


uma das funções a seguir.
1 3x + 2
(a) f (x) = (b) g(x) =
x−3 x−5
x2 − 1 x − 2x2
(c) h(x) = (d) k(x) =
x x2 − 1
3x + 1 x2 + 2x − 8
(e) l(x) = 2
(f) m(x) = √
x −x−6 5 + x4
√ 3 √
7 x + 2x − 8 x2 + 1
(g) n(x) = (h) u(x) =
1 − x 2 − x3 2x − 4
3. Calcule os seguintes limites:
x3 − 3x + 2 h5 2i
(a) lim (b) lim −
x→+∞ x5 /2 − 4x2 + 3 x→+∞ x2 x4
1 − x3
r
x
(c) lim (d) lim
x→−∞ x2 + 5 x→+∞ 2
x + 2x + 4

√ x+2
(e) lim x − x2 + 1 (f) lim
x→+∞ x→+∞ 1 + x

4. Seja a 6= 0 um número real e n um número inteiro. Determine condições


sobre a e b, tais que o limite
2xn + 3x + 4
lim
x→+∞ ax2 + x + 1
seja:
(a) +∞; (b) −∞; (c) 2; (d) −2; (e) 0.
f (x)
5. Sabendo que lim = 2, calcule lim f (x).
x→−1 x3 x→−1

153 CEDERJ
Autores

Celso José da Costa

Professor titular do Departamento de Geometria da Universidade Federal Flumi-


nense (UFF), onde trabalha desde 1981. Bacharel em Matemática pela Univer-
sidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o professor Celso Costa é Mestre e
Doutor em Matemática pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA).
É coordenador do Núcleo de Educação Assistida por Meios Interativos (NEAMI),
órgão responsável pela educação a distância na UFF, coordenador do curso de
Licenciatura em Matemática da UFF-CEDERJ e vice-presidente do Consórcio
CEDERJ, que une as seis universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro,
para a oferta de cursos de graduação a distância. Professor responsável pelos
conteúdos das Aulas 10 a 15 desta disciplina.