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UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO

ENGENHARIA CIVIL

CLAUDINEY OTAVIO DE MATOS

ESTUDO DA RESISTÊNCIA MECÂNICA DE BLOCOS CONSTRUÍDOS


COM AGREGADO RECICLADO DA CONSTRUÇÃO CIVIL

GUARUJÁ – SP
2017
i

CLAUDINEY OTAVIO DE MATOS

ESTUDO DA RESISTÊNCIA MECÂNICA DE BLOCOS CONSTRUÍDOS


COM AGREGADO RECICLADO DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Monografia de Graduação apresentada à


Universidade de Ribeirão Preto– UNAERP
Campus Guarujá, como exigência parcial
para a obtenção do título de Bacharel em
Engenharia Civil, sob orientação da
Professora Dra. Juliane Carla Bernardi.

GUARUJÁ – SP
2017
ii

FICHA CATALOGRÁFICA

MATOS, Claudiney Otavio, 1984.

Estudo da produção de blocos em concreto reciclado/ Claudiney


Otavio de Matos. – Guarujá, SP, 2017.
p. 45.

Orientadora: Profª. Dra. Juliane Carla Bernardi

Monografia (Bacharelado) – Universidade de Ribeirão


Preto, UNAERP, Campus Guarujá. Engenharia Civil, Guarujá,
2017.

1. Resíduos. 2. Concreto reciclado. 3. Blocos


iii

CLAUDINEY OTAVIO DE MATOS


ESTUDO DA RESISTÊNCIA MECÂNICA DE BLOCOS CONSTRUÍDOS
COM AGREGADO RECICLADO DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Monografia de Graduação apresentada à


Universidade de Ribeirão Preto– UNAERP
Campus Guarujá, como exigência parcial
para a obtenção do título de Bacharel em
Engenharia Civil, sob a orientação do Prof.
Dra. Juliane Carla Bernardi.

Área de concentração:

Data de defesa:
Resultado:
BANCA EXAMINADORA

___________________________________
Universidade de Ribeirão Preto

__________________________________________
Universidade de Ribeirão Preto

__________________________________________
Universidade de Ribeirão Preto

__________________________________________
Universidade de Ribeirão Preto
iv

AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus e meus pais Luiz e Maria.

Agradeço ao apoio da minha esposa Ane, filha Caroline e filho Luigi,


Ao engenheiro civil Ricardo proprietário da RECENTULHO,
A Professora Dra. Juliane Carla Bernardi,
Ao Professor MS. Marcelo Costa Choukri,
Ao professor MS. Marcio de Morais Tavares,
Ao Beto da fábrica de Blocos,
Ao Abel da fábrica de blocos e seus colaboradores,
Ao Luiz e Adriano da fábrica de pisograma,
Ao Diego do laboratório UNAERP,
Ao meu irmão Sirley pelo apoio,
Agradeço a Juliana Pontes,
Agradeço a Família Delfim por ajudar na realização desse sonho
Gervasia Diorio Delfim e Antônio Delfim Netto.
E à todos que de alguma forma contribuíram para realização desta
Monografia.
v

“Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no


trabalho, na ação-reflexão”.
Paulo Freire.
vi

RESUMO

A utilização do agregado reciclado é realidade em muitos países visto que as


legislações ambientais têm ganhado cada vez mais espaço devido à grande geração
de resíduos, nesta pesquisa são citados França, Portugal, Alemanha, Japão, nos USA
a capital Washington e no Brasil as cidades de Belo Horizonte (MG), Guarulhos (SP)
e São José do Rio Preto (SP) (destaques no sistema de integração e reciclagem). Em
todos esses exemplos a principal destinação é para obras de terraplanagem e base
sub-base de estradas. Belo Horizonte, Guarulhos e São José do Rio Preto possuem
sistemas que integram parte da produção de agregados a produção de elementos pré-
moldados sem fins estruturais. Este trabalho analisou a possibilidade de redução do
cimento na produção de blocos de vedação classe D sem comprometer a qualidade
exigida pela NBR. Para isso foram produzidos corpos de prova para analisar o
comportamento do resíduo da construção e demolição e posteriormente produzidos
blocos para analisar a resistência a compressão. Após obtenção os resultados foram
reduzidos à proporção de cimento na produção de novos blocos em 100% reciclado
com três traços e uma amostra com 50% reciclado em um traço. Com os elementos
produzidos avaliou-se a resistência à compressão e a absorção de líquido.

Palavras-Chave: resíduos, reciclagem, blocos.


vii

SUMMARY

The use of the aggregate recycled is a reality in many countries, since environmental
laws has gained more and more space due to the large generation of waste, in this
research are cited France, Portugal, Germany, Japan, in USA the capital Washington
and in Brazil cities of Belo Horizonte (MG), Guarulhos (SP) and Sáo José do Rio Preto
(SP) (Highlights in the integration and recycling system). In all these examples the
main destination is for earthworks and base sub-base of roads. Belo Horizonte,
Guarulhos and Sao José do Rio Preto have systems that integrate part of the
production of aggregates to the production of precast elements without estructural
purposes. This research analyzed the possibility of reducing the cement in the
production of sealing blocks class D without compromising the quality required by the
NBR. For this, test specimens were produced to analyze the behavior of the
construction and demolition residue and later produced blocks to analyze the
compressive strength. After the obtained results were reduced to the proportion of
cement in the production of new blocks in 100% recycled with three traces and a
sample with 50% recycled in a trace. With the produced elements, the compressive
strength and liquid absorption were evaluated.

Keywords: waste, recycling, blocks.


viii

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Produção de RCD Guarulhos, (PROGUARU, 2017). ..................................... 20


Figura 2: Analise dos preços de recebimento dos RCD (ABRECON, 2015). .............. 24
Figura 3: Dificuldades do Setor de RCD, ABRECON, 2015. .......................................... 26
Figura 4: Diagramado experimento. ................................................................................... 29
Figura 5: Google mapas da localização da usina Recentulho. ...................................... 30
Figura 6: Brita Zero Reciclada. ............................................................................................ 32
Figura 7: Areia Reciclada ..................................................................................................... 32
Figura 8: Bloco 100% reciclado traço 1:8:8. ...................................................................... 34
Figura 9: Blocos fabricados com 50% de Agregado Natural traço 1:8:8. ..................... 34
Figura 10: Blocos 100% reciclado traço 1:5:5. ................................................................. 35
Figura 11:a) Imagem dos corpos de prova construídos com o material reciclado. b)
alinhamento do corpo de prova cilíndrico na prensa. ...................................................... 37
Figura 12: Ruptura do corpo de prova produzido com material reciclado. ................... 38
Figura 13: A) alinhamento do bloco cilíndrico 2 na prensa. B) corpo de prova
cilíndrico 2 após o rompimento. ........................................................................................... 39
Figura 14: Relação do peso da amostra natural em relação as amostras com
agregado reciclado. ............................................................................................................... 40
Figura15: Compressão das Amostras 1:8:8 ...................................................................... 42
Figura 16: A) Bloco 100% natural e B) bloco 100% reciclado........................................ 43
Figura 17: Compressão das amostras de blocos com traço 1:5:5. ............................... 44
ix

LISTA ABREVIATURAS E SIGLAS

ABRECON: Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil


e Demolição.
CP: Cimento Portland Alto Forno
Kg/m³: Quilograma por metro cúbico
Mm: Milímetro
Mpa: Mega Pascal
RCD: Resíduos da Construção e Demolição
NBR: Norma Brasileira Regulamentadora
URVs: Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes
CTRS: Central de Tratamento de Resíduos Sólidos
PEVs: Pontos de Entrega Voluntária
EC: Comissão Européia
SIGOR: Sistema Estadual de Gerenciamento Online de Resíduos
CTR: Controle de Transporte de Resíduos
Secovi: Sindicato das Imobiliárias e construtoras
IPT: Instituto de Pesquisas Tecnológicas
RSU: Resíduos Sólidos Urbanos
x

SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 15
2. OBJETIVOS ........................................................................................................ 16
2.1. GERAL ............................................................................................................. 16
2.2. ESPECÍFICOS .................................................................................................. 16
3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................ 17
3.1. O SETOR DE RCD NO BRASIL. ...................................................................... 18
3.2. PROJETOS EM DESTAQUE............................................................................ 19
3.2.1. BELO HORIZONTE ....................................................................................... 19
3.2.2. GUARULHOS ................................................................................................ 19
3.2.3. SÃO JOSÉ DO RIO PRETO .......................................................................... 20
3.3. DESPERDÍCIOS ............................................................................................... 21
3.3.1. CLASSIFICAÇÕES DOS RESÍDUOS SÓLIDOS. .......................................... 22
3.3.2. DESTINAÇÕES DOS RESÍDUOS DE RCD. .................................................. 22
3.3.3. APLICAÇÕES DO RCD. ................................................................................ 23
3.3.4. COMPOSIÇÃO DO MATERIAL SEGUNDO FABRICANTE. ......................... 23
3.4. PREÇO MÉDIO COBRADO PELO RECEBIMENTO DE RCD. ........................ 23
3.5. DISTRIBUIÇÃO DAS USINAS PELO BRASIL ................................................. 24
3.6. PRINCIPAIS CLIENTES ................................................................................... 25
3.7. PREÇO MÉDIO DO AGREGADO RECICLADO ............................................... 25
3.8. DIFICULDADE DO SETOR DE RECICLAGEM ................................................ 26
3.9. BLOCOS EM CONCRETO ............................................................................... 26
3.9.1. CLASSIFICAÇÃO DOS BLOCOS. ................................................................ 27
4. MATERIAL E MÉTODOS .................................................................................... 28
4.1. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL ................................................................ 28
4.2. COLETA DO MATERIAL NA USINA RECENTULHO ...................................... 30
4.2.2. COMPOSIÇÃO DO MATERIAL ..................................................................... 31
4.2.3. DEFINIÇÃO DO TRAÇO................................................................................ 32
4.2.4. PRODUÇÃO DOS BLOCOS ......................................................................... 33
4.2.5. PRODUÇÃO DE AMOSTRA EM NOVO TRAÇO .......................................... 34
4.3. ENSAIO DE ABSORÇÃO DE LÍQUIDO ........................................................... 35
5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................... 37
5.1 COMPRESSÕES DOS CORPOS DE PROVA CILÍNDRICOS ........................... 37
5.2 ANÁLISES DOS BLOCOS ................................................................................ 39
5.3. COMPRESSÃO DAS AMOSTRAS 1:5:5. ........................................................ 42
5.4. VERIFICAÇÃO DE CUSTOS ............................................................................ 44
6. CONCLUSÃO ...................................................................................................... 45
xi

REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 46
xii

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Quantidade de RCD coletados no país (IBGE, 2015). .................................. 18


Tabela 2: Reciclagem De RCD, (ABRECON, 2015). ....................................................... 18
Tabela 3: Distribuição de Usinas de RCD no Brasil, (ABRECON 2015). ..................... 25
Tabela 4: Principais Consumidores de Agregados Reciclados, (ABRECON 2015). .. 25
Tabela 5: Materiais granulométricos utilizados na confecção dos blocos. ................... 31
Tabela 6: Blocos de concreto Reciclado............................................................................ 33
Tabela 7: Amostras no traço 1:5:5. ..................................................................................... 35
Tabela 8: Resistência característica dos blocos, (ABNT 6163, 2007). ......................... 36
Tabela 9: Teste de Compressão, (Rodrigues; Fucale,2014). ......................................... 39
Tabela 10: Saturação de água das amostras ................................................................... 41
Tabela 11: Verificação de custos. ....................................................................................... 44
15

1. INTRODUÇÃO

Os resíduos de construção e demolição (RCD) são considerados grandes


causadores da degradação ambiental, devido ao grande volume e disposições
inadequadas, no Brasil representam 61% dos RSUs em massa (Pinto; González,
2005).
A construção civil consome mais de 50% dos recursos naturais extraídos, e
consequentemente produz grandes volumes de resíduos sólidos. Esses resíduos por
muitos anos foram depositados na natureza sem nenhum cuidado, salvo alguns
projetos que os reutilizam como agregados os reinserindo no processo produtivo.
Apesar da construção e demolição proporcionar grandes volumes de resíduos
e a própria construção civil que tem maior potencial de absorção deste material em
sua totalidade.
Esta pesquisa buscou responder questionamentos sobre a viabilidade técnica e
econômica da utilização do agregado reciclado “vermelho” na produção de blocos.
Foram produzidos blocos em concreto reciclado com três traços e em uma amostra
ainda foi estudada a substituição parcial do agregado natural pelo reciclado.
O bloco de concreto reciclado é uma excelente alternativa para a destinação
do agregado reciclado, pois, no país o sistema construtivo ainda é conservador
utilizando esse sistema em larga escala, estimativas da Associação Nacional de
Blocos em Concreto que a utilização do bloco esteja em 50% dos empreendimentos
no país.
16

2. OBJETIVOS

2.1. GERAL

Estudar a resistência mecânica de blocos construídos com agregado reciclado


“vermelho” da construção civil.

2.2. ESPECÍFICOS

Este trabalho contemplou as seguintes atividades:


a) Escolha e coleta do material reciclado;
b) Delineamento experimental;
c) Construção de blocos utilizando agregado da construção civil em três tipos
de traço;
d) Teste de compressão dos corpos de provas
17

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

O uso do agregado reciclado não é recente, já no Império Romano há registros


de sua utilização na produção dos pavimentos, (SCHULZ e HENDRICKS, 1992). A
utilização em larga escala ocorreu na Alemanha após a segunda guerra mundial
em1945, onde os resíduos da construção civil foram britados para reutilização devido
à escassez de matéria prima para reconstrução dos prédios demolidos por
bombardeios (HELLER, citado por SCHULZ e HENDRICKS). Em 1977, Japão cria
suas primeiras normas para o uso do agregado reciclado, (HANSEN, 1992).
Atualmente existe varios paises empenhados com a reutilização e reciclagem
dos residuos solidos, aborda-se nessa pesquisa particularmente os provinintes da
construção e demolição inertes e não perigosos.
Em 2012 a Alemanha gerou 201 milhões de toneladas de resíduos de
construção e demolição (perigosos e não perigosos).Tijolos, azulejos e cerâmica
representam26% o que equivale a cerca de 56 milhões de toneladas, deste total
foram reciclados 90%, e a principal destinação foram para obras de engenharia no
setor de terraplanagem e construção de estradas, (EC. EUROPA, 2015). Em Portugal
no ano de 2013 foram gerados cerca 1,7 milhões de toneladas de resíduos da
construção e demolição, foram recicladas58% deste total o equivalente a 1,03 milhões
de toneladas, (EC. EUROPA, 2015).
No ano de 2012 na França foram gerados 246,7 milhões de toneladas de
resíduos de construção e demolição, deste total cerca de 80% são residuos inertes.
Dos resíduos inertes 75% foram reciclados dos resíduos perigosos e40% foram
enviados diretamente aos aterros sanitários, (EC. EUROPA, 2015).
Em 2000, estima-se que Japão produziu 85 milhões de toneladas de RCD,
deste total 95% foram utilizados como leito de estradas (GREENWOOD & EGBU,
2005).
Em 2013, os programas de reciclagem de Washington (USA) coletaram e
reciclaram 3,4 milhões de toneladas de RCD. Com isso gerou economia de energia
equivalente a 62 milhões de galões de gasolina evitou mais de 69.000 toneladas de
emissões de gases de efeito estufa, (EPA, 2015).
No Brasil os registros de gestão de resíduos sólios iniciam-se de 1983, Campos
cita que nesta época nasce à consciência ecologia com a implantação da usina de
reciclagem em Blumenau e em Florianópolis instalada a usina de compostagem.
18

O primeiro estudo sobre agregado reciclado na produção de argamassa foi


realizado em 1986, pelo arquiteto Tarcísio de Paula Pinto, (PINTO, 1999).
Efetivamente a reciclagem do RCD teve início em 1991 em Belo Horizontes. E
atualmente existem usinas de britagem de resíduos da construção civil em diversos
estados brasileiros. O último levantamento constatou 310 usinas (ABRECON, 2015).
Dados do IBGE apontam a quantidade de RCD coletados no país em 2015,
descritos na Tabela 1.

Tabela 1: Quantidade de RCD coletados no país (IBGE, 2015).

2014 2015
Região RCD Coletado (t/dia) /índice RCD Coletado RCD Coletado
(kg/hab./dia) (t/dia) (kg/hab./dia)

Brasil 122.262/0, 603 123.121 0, 605

Este volume corresponde apenas aos resíduos coletados pelos municípios sem
a contabilização da produção total, visto que esse montante se refere à coleta de
materiais depostos em locais inapropriados.
Estimativas da ABRECON foram de21% de reciclagem de RCD no Brasil no
ano de 2015, como mostra a Tabela 2, que também exibe os dados da capacidade de
produção das usinas.

Tabela 2: Reciclagem De RCD, (ABRECON, 2015).

Produção atual Capacidade máxima de produção


2015 2013 2015 2013
Para 96 usinas 6% 6% 14% 13%
Proporcional 21% 19% 46% 42%
para 310 usinas

3.1. O SETOR DE RCD NO BRASIL.

As pesquisas setoriais demonstram o crescente número de usinas de


processamento de RCD pelo país ao logo dos anos, com maior significância após a
publicação da resolução 307 do CONAMA em 2002.Constatou através de estudos que
em 2002 havia apenas 16 usinas instaladas no Brasil, (Miranda etal. 2009). Após esse
período o setor cresceu gradativamente atingindo segundo ABRECON 310 usinas de
processamento localizadas nos estados de São Paulo, Bahia, Ceará, Espírito Santo,
19

Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do
Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ABRECON (2015). Em análise geral
conclui-se que a consciência ecológica vem se formando em decorrência dos retornos
financeiros proporcionados pelo reuso, e as leis que os regulamentam.

3.2. PROJETOS EM DESTAQUE

Destaque para as três cidades, Belo Horizonte MG, Guarulhos SP, e São José
do Rio Preto SP.

3.2.1. BELO HORIZONTE

Belo Horizonte conta com 32 Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes


(URVs) duas estações de reciclagem de RCD: Pampulha e CTRS/BR-040. No ano
2014, foram destinadas às estações de reciclagem de entulho 3 9.000 mil toneladas
distribuídas da seguinte forma: Na Estação CTRS BR 040 foram processadas 23.000
mil toneladas. Na Estação Pampulha foram processadas16000 mil toneladas.
No ano de 2014as atividades da Estação de Reciclagem do Bairro Estoril foram
encerradas, em atendimento de Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério
Público Estadual. Uma nova área está em estudo para a implantação de uma nova
Estação de Reciclagem.
Em 2015 as quantidades de resíduos destinados às estações de reciclagem de
RCD foram equivalentes a 67.865 mil toneladas, distribuídas da seguinte forma: Na
Estação CTRS BR 040 foram processadas 55.061 mil toneladas. Na Estação
Pampulha foram processadas 12.804 toneladas. Os materiais reciclados nas usinas
são utilizados na infra-estrutura do município, na pavimentação, obras de
terraplanagem e produção de pré-moldados como guias, blocos, bloquetes, tampas
de bueiro, bancos e sinalizadores, (SLU, 2015)

3.2.2. GUARULHOS

Guarulhos possui 19 Pontos de Entrega Voluntária de RCD os (PEVs). Após


triagem o material é encaminhado à usina de beneficiamento, para produção de
agregados. O RCD após passar pelo processo de beneficiamento é utilizado em
fabricação de pré-moldados, meio fio, blocos de concreto e calçadas, os resíduos com
20

maior teor de vermelhos por conter cerâmicas são utilizados na conservação e


pavimentação de vias urbanas. A usina possui capacidade de beneficiar 45 toneladas
por hora. A Figura 1 apresenta a produção até julho de 2017 e é descrita como:
Dezoito mil metros cúbicos que correspondem a vinte e duas mil toneladas
(PROGUARU, 2017).

Figura 1: Produção de RCD Guarulhos, (PROGUARU, 2017).

3.2.3. SÃO JOSÉ DO RIO PRETO

São José do Rio Preto dispõe-se de um programa de gestação de resíduos e


possui estruturas para o recebimento e processamento do RCD, aderiu-se a um
sistema informatizado no dia 18 de dezembro de 2015 o SIGOR, sendo o primeiro
município brasileiro a aderir a este sistema.
O SIGOR o Sistema Estadual de Gerenciamento Online de Resíduos Sólidos –
(Decreto Nº 60.520 de cinco de junho de 2014), com esse sistema é possível o
monitoramento das atividades que geram RCD no município para garantir a
aplicabilidade das leis ambientais.
São no total 15 pontos de apoio para receber volumes até 1m³, acima desse
volume o gerador contratar um serviço os transportadores para levar o RCD até as
usinas. Nos pontos de apoio é realizada a triagem do material para a destinação
correta de reciclagem. O serviço de coleta dos maiores volumes de agregado devem
21

possuir autorização específica para executar o transporte de resíduos. Essa


autorização é expedida no CTR (Controle de Transporte de Resíduos).
Dentre as políticas de incentivo ao gerenciamento correto do RCD, o município
não emite autorização de construções para empreendimentos que não se dispuser de
programa de gerenciamento do RCD. Ao final da construção na solicitação do habite-
se o interessado deverá apresentar as copias devidamente aprovadas do projeto de
gerenciamento de resíduos acompanhado dos CTRs referentes a todas as caçambas
de resíduos geradas na obra.
No ano de 2011 foram recolhidas cerca de 30 mil toneladas de RCD e destinada
a reciclagem. Após o processamento o material foi destinado para base e sub-base
de pavimentação e fabricação de artefatos em concreto, como tubos de água pluvial,
guia de sarjetas, postinhos para alambrado, filetes para guias de praças, tampa de
boca-de-lobo, bancos, mesas, blocos e peças para fazer calçadas de terreno público,
(PORTALGOV. RIO PRETO, 2017).

3.3. DESPERDÍCIOS

Realizou-se um estudo em parceiras com diversas Universidades coordenadas


pela Universidade de São Paulo (Poli-USP), onde foi identificado grandes variações
de desperdícios entre as diversas construtoras analisadas, estes índices incidem de
8% a 30%, valor considerado alto pela baixa taxa de lucros, que estão de 10% a 15%
do investimento total, segundo o Secovi (Sindicato das Imobiliárias e construtoras). O
desperdício contribui para geração de resíduos da construção civil, mas as demolições
e reformas geram um volume muito maior.
Observa-se que o maior empenho com o manejo de resíduos acontece quando
as leis e fiscalização se somam. No Brasil isso ocorre de forma regionalizar apesar
das leis federais serem rígidas as fiscalizações são insuficientes, contudo, ainda
existem cidades que dão bons exemplos com projetos que seguem as leis federais
para o manejo correto do RCD.
Segundo Pinto (1999), a geração de resíduos sólidos na civil supera mais de
50% do total de resíduos sólidos, porém a construção civil tem maior potencial para
absorção desse resíduo em forma de agregado.
22

3.3.1. CLASSIFICAÇÕES DOS RESÍDUOS SÓLIDOS.

Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT NBR 10004:


2004, as classificações dos resíduos sólidos são dívidas em:
Classe I, classe II A e classe II B, onde se dividem da seguinte forma:
Classe I são considerados perigosos como tintas e solventes.
Classe II, são considerados não perigosos e se subdividem em:
Classe II A, são considerados não inertes como lixo doméstico.
Classe II B são inertes como RCD (os entulhos de demolição, pedras e areias retirados
de escavações).
Neste estudo foi abordado o resíduo da classe II B, especificamente os
provindos da construção civil, derivados de concretos, argamassas e cerâmicas.
A Resolução CONAMA 307/2002, Art. 3º ainda faz a seguintes classificações.
Classe A - são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis, exemplo os
componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento), argamassa
e concreto;
Classe B - são os resíduos recicláveis para outras destinações, tais como:
plásticos, papel/papelão, metais, vidros, madeiras e outros;
Classe C - são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias
ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação,
tais como os produtos oriundos do gesso;
Classe D - são os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais
como: tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de
demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e
outros.

3.3.2. DESTINAÇÕES DOS RESÍDUOS DE RCD.

A legislação brasileira possui algumas leis como a nº 12.305/10 que institui a


Política Nacional de Resíduos Sólidos, com objetivo de gestão integrado e para o
gerenciamento de resíduos sólidos incluindo os resíduos perigosos, esta lei
23

responsabiliza os geradores e ao poder público para o controle e destinação dos


RCDs, e aplicam-se sanções ao descumprimento da mesma.

A resolução CONAMA 307: 2002 determinam que todos os municípios criem


projetos de manejo para redução e reutilização dos resíduos sólidos produzidos.
Atualmente a maior parte dos RCD’s seguem disposições como aterros e
terrenos baldios e em menor quantidade seguem para as usinas de reciclagem. Nas
usinas de reciclagem o RCD se torna fonte de renda e solução ecologicamente
correta, (ABRECON, 2015).

3.3.3. APLICAÇÕES DO RCD.

Ainda que a utilização do RCD, em grande parte é na pavimentação com


reforço de base e sub-base regulamentado pela ABNT NBR 15115:2004 e em sistema
de terraplanem, identificaram-se as usinas de Guarulhos, São José do Rio Preto e
Belo Horizonte que utilizam parte dos agregados reciclados para a produção de
artefatos em concreto pré-moldados, como blocos de vedação, tubos, tampas de
bueiros, meio fio e bloquetes.

3.3.4. COMPOSIÇÃO DO MATERIAL SEGUNDO FABRICANTE.

A brita zero ou pedrisco reciclado que possuem cerca de 6,3 mm são obtidos
diretamente da britagem de material misto, composto por fragmentos de concreto e
material vermelho. A areia reciclada é um produto com dimensão máxima inferior a
4,8 mm, sua composição básica são fragmentos de concreto e material vermelho.

3.4. PREÇO MÉDIO COBRADO PELO RECEBIMENTO DE RCD.

A pesquisa da ABRECON aponta os valores cobrados no ano de 2015 pelas


usinas de reciclagem por metro cúbico. Na Figura 2 podemos observar a analise em
porcentagem acompanhados dos respectivos valores. Verificou-se que os preços
médios para de destinação do RCD variam de R$ 5,00 a R$ 10,00 o metro cúbico.
24

Figura 2: Analise dos preços de recebimento dos RCD (ABRECON, 2015).

3.5. DISTRIBUIÇÃO DAS USINAS PELO BRASIL

São Paulo é o estado com o maior número de usinas de reciclagem instaladas,


cerca de 110.A grande atividade na construção civil consequentemente produz maior
volume na geração de RCD somados a maior fiscalização quanto a destinação do
RCD, justificar essa maior porcentagem. A Tabela 3 exibe a distribuição de usinas de
reciclagem pelo País.
25

Tabela 3: Distribuição de Usinas de RCD no Brasil, (ABRECON 2015).

São Paulo 54%


Bahia 1%
Ceará 2%
Espírito Santo 1%
Goiás 2%
Minas Gerais 3%
Paraíba 4%
Paraná 7%
Pernambuco 4%
Rio de Janeiro 7%
Rio Grande do Norte 3%
Rio Grande do Sul 7%
Santa Catarina 3%

3.6. PRINCIPAIS CLIENTES

O setor de RCD produz agregados reciclados e os distribui de diferentes formas


em cada município. A Tabela 4 aponta os principais clientes.

Tabela 4: Principais Consumidores de Agregados Reciclados, (ABRECON 2015).

Principais clientes

Órgão Público 24%


Pessoas físicas 20%
Construtoras 28%
Pavimentadoras 14%
Outros 14%

3.7. PREÇO MÉDIO DO AGREGADO RECICLADO

Em Jacareí o agregado reciclado é comercializado a R$ 43,00 o metro cúbico,


em Guarulhos a produção é utilizada em obras públicas, em Belo Horizonte e São
José do Rio preto o agregado produzido também é utilizado na infraestrutura da
cidade.
26

3.8. DIFICULDADE DO SETOR DE RECICLAGEM

Os setores de reciclagem de RCD enfrentam algumas dificuldades pela falta de


conhecimento da população com relação aos produtos provindos da reciclagem,
considerando-os com baixa qualidade. Em alguns municípios o setor público se
desmotiva com o sistema de reciclagem devido falta de comprometimento com o meio
ambiente. A Figura 3 aponta que a maior dificuldade do setor é falta de legislações
que criem métodos de incentivos.

Figura 3: Dificuldades do Setor de RCD, ABRECON, 2015.

3.9. BLOCOS EM CONCRETO

O bloco de concreto surge é um elemento comum no canteiro de obras pelo


Brasil. Este elemento é constituído de mistura homogêneo composto por cimento
Portland agregados e água.
Atualmente é produzido por prensas vibratórias, mas no passado eram
basicamente confeccionados por formas manuais, ainda encontradas em algumas
fabricas de pequeno porte.
As prensas possibilitam melhor desempenho dos elementos e maior
conformidade com os padrões de qualidade e requisitos exigidos pela ABNT NBR
6136.
27

No Brasil a utilização do bloco em concreto teve início na década de 40 (ABIBC,


2008). Sendo a primeira NBR específica datada de 1982 a NBR 7173/82 para blocos
simples de seis furos com utilização apenas para vedação (ABIBC, 2008)
As principais vantagens dos blocos em concreto são;
a) Uniformidades das peças.
b) Maior economia no acabamento final das paredes.
c) Redução do tempo da obra.
Desvantagens são;
a) Menor isolamento térmico
b) Maior peso na estrutura
c) Maior absorção de água nas peças expostas a intempérie.

3.9.1. CLASSIFICAÇÃO DOS BLOCOS.

A classificação dos blocos em concreto segundo a NBR 6136: 2007 são:


Classe A – com função estrutural, para uso em elementos acima ou abaixo do solo
Classe B – com função estrutural, para uso em elementos de alvenaria acima do nível
do solo
Classe C – com função estrutural, para uso em elementos acima do solo (M10 para
edificações de no máximo um pavimento, M12, 5 para edificações de no máximo dois
pavimentos, M15 e M20 edificações maiores).
Classe D – sem função estrutural, para uso em elementos acima do solo.
A norma também recomenda que os elementos possuam arestas vivas e livres
de trincas, fraturas e outros defeitos que possam prejudicar a resistência e a
durabilidade.

O bloco utilizado neste obedecera a requisitos da NBR 6136:2007 para


elementos classe D, utilizado para vedação acima do solo.
28

4. MATERIAL E MÉTODOS
4.1. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Foram utilizados nesta pesquisa dois procedimentos metodológicos, o primeiro


consta do estudo teórico para coleta de dados a respeito das produções de agregados
reciclados. Foram analisadas teses, relatórios de pesquisas setoriais, periódicos,
revistas e sites especializados, a partir desses dados traçou-se um perfil atual do país
com relação à reciclagem e uso dos agregados.
O segundo método, consta da coleta de dados a partir do estudo do
comportamento do material reciclado na produção de blocos, foi confeccionado corpos
de prova e feito a verificação da resistência a compressão, posteriormente foram
confeccionados blocos para a verificação da resistência e a verificação da absorção
de água.
Os agregados utilizados nesta pesquisa foram doados pela Usina Recentulho
e os blocos foram produzidos na fábrica de pré-moldados Rio Verde em Vista Linda,
Bertioga SP, para produção dos blocos utilizou-se uma prensa modeladora automática
modelo B153000 da fabricante COLEVATTI.
A análise granulométrica foi fornecida pela empresa Recentulho, com diâmetro
media do pedrisco em 6,3 mm e da areia 4,8 mm.
A Figura 4 a seguir descreve o diagrama de produção dos blocos com agregado
reciclado.
29

Figura 4: Diagramado experimento.

Coleta do material

Analise dos materiais

Definição do traço

Confecção dos blocos

Cura dos blocos

Pesagem dos blocos e mensuração

Rompimento dos blocos

Analise dos resultados

Para esse experimento foram utilizados uma série de materiais que são
descritos a seguir:
• Tanque de PVC;
• Brita zero reciclada;
• Areia reciclada;
• Pó de pedra natural;
• Cimento CP V Ari;
• Balança digital;
• Balança mecânica;
• 15 blocos de concreto14X19X39cm;
• 16 blocos de concreto 9X19X39 cm;
• Maquina automática para produção de bloco;
• Paquímetro;
• Estufa;
• Prensa capacidade 70 toneladas
• 4 chapas de aço 10 mm.
30

Para realização dos ensaios utilizou-se uma prensa de compressão com


capacidade de 70 Toneladas e 4 chapas de aço para distribuição da carga na área do
bloco. Para o ensaio de absorção de líquido utilizou-se o método descrito na
NBR6136, onde os elementos foram submetidos à estufa por 24 horas, após esse
período foram pesados e mensurados, posteriormente os blocos foram imersos em
água com auxílio de um tanque de PVC, esse procedimento perdurou por mais 24
horas, ao retirá-los da água foram pesados.

4.2. COLETA DO MATERIAL NA USINA RECENTULHO

A coleta do material foi realizada na usina Recentulho localizada na cidade de


Jacareí estado de São Paulo, é mantida pelo setor privado. A figura cinco exibe o
mapa da localização da usina.

Figura 5: Google mapas da localização da usina Recentulho.

Esta usina produz cinco tipos de agregados para construção civil, brita (1),
pedrisco, areia, rachão e bica corrida. O processo inicia com a triagem manual onde
são separados os plásticos, papéis, vidros e metais, em seguida o RCD segue para a
britagem onde passa por um triturador de martelo e segue através de uma esteira até
o separador mecânico e possui peneiras em diferentes granulometrias, este material
é destinado para o uso em terraplanagem e concreto sem fins estruturais.
31

A qualidade do material reciclado está diretamente ligada ao processo de


triagem nas usinas. A usina Recentulho, recebe o RCD, e espalha com o auxílio de
uma retroescavadeira para separação dos matériais tais como, plásticos, papelão,
vidro, metais, madeira e borracha. Após ser processado no triturado o material
percorrer uma esteira equipada com um eletroímã onde é coletado os metais
menores. Os agregados produzidos na Rencentulho obedecem às normas NBR
15115 e NBR 15116.A coleta do material foi realizada no dia 16/06/2016.

4.2.1. ANÁLISE DO MATERIAL

A Tabela 5 possui a descrição granulométrica do material utilizado para


confecção dos blocos.

Tabela 5: Materiais granulométricos utilizados na confecção dos blocos.

REGIÃO/ Jacareí Tamanho do Agregado


Pedrisco 6,3 mm
Areia 4,8 mm

4.2.2. COMPOSIÇÃO DO MATERIAL

O material é composto por argamassas, blocos em concreto, concreto


estrutural, tijolos cerâmicos e telhas em menores quantidades madeira, metais
plásticos e gesso.
As Figuras 6 e 7 expõem os agregados utilizados nesta pesquisa.
32

Figura 6: Brita Zero Reciclada.

Figura 7: Areia Reciclada

4.2.3. DEFINIÇÃO DO TRAÇO

Na fabricação de blocos segundo o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas),


não existe receita pronta, mas a necessidade de amostras experimentais, com base
nesta premissa, realizou-se o primeiro traço para analisar o comportamento do
agregado reciclado estudado.
Produziu-se dois corpos de prova cilíndrico no traço de 1:3:3;0,8 (cimento:
areia: brita 1: água), para definir a possibilidade de otimização o uso do cimento na
produção de blocos. A composição dos copos de prova foram 50% areia reciclada e
50% pedrisco reciclado.
33

As amostras foram preparadas no centro tecnológico da UNAERP, e após a


desenforma permaneceu em processo de cura por 28 dias, e foram rompidas em
laboratório especializado.
Os resultados deste experimento estão detalhados no capitulo seis.

4.2.4. PRODUÇÃO DOS BLOCOS

Para a produção dos blocos utilizou-se o seguinte procedimento: Pesou-se o


cimento na proporção equivalente ao traço definido e o RCD. Após a pesagem faz-se
a mistura dos materiais secos com o auxílio de uma betoneira. Para dar
trabalhabilidade a mistura foi utilizado o procedimento táctil-visual. Esse teste é
adotado para o que ocorra o funcionamento adequado do equipamento de moldagem
dos blocos, pois a mistura deve possuir hidratação adequada para que ocorra a
desenforma.
Foram produzidos 9 blocos com concreto reciclado no traço 1:8:8 esse traço
tem como objetivo analisar o comportamento do agregado reciclado com a quantidade
mínima de cimento.
Os testes compressão e absorção de liquido obedeceram ao tempo de cura de
28 dias. A Tabela 6 descreve a quantidade de agregado usado na produção das
unidades experimentais de blocos, bem como as unidades produzidas.

Tabela 6: Blocos de concreto Reciclado.

Dimensões (cm) 14 x 19 x 29
Cimento 6,2 kg
Agregados 100 kg
Unidades produzidas 9
34

Figura 8: Bloco 100% reciclado traço 1:8:8.

Figura 9: Blocos fabricados com 50% de Agregado Natural traço 1:8:8.

4.2.5. PRODUÇÃO DE AMOSTRA EM NOVO TRAÇO

Para esta analise foram produzidos oito blocos em 100% reciclados (Figura 10).
Considerando as proporções 1:5:5 a/c 0,6 (cimento: areia: pedrisco: água) e 8 blocos
em agregado natural nas mesmas proporções.
35

Na Tabela 7 segue a descrição para obtenção dos blocos, e a Figura 10


apresenta os blocos produzidos com 100% de agregado reciclado no traço de 1:5:5.

Tabela 7: Amostras no traço 1:5:5.

Dimensões (cm) 10 x 19 x 29
Cimento 8,4 kg
Agregados 84 kg
a/c 0,6
Unidades produzidas 8

Figura 10: Blocos 100% reciclado traço 1:5:5.

4.3. ENSAIO DE ABSORÇÃO DE LÍQUIDO

O ensaio de absorção de líquido ocorreu de acordo com a NBR 6136, onde os


blocos foram submetidos à estufa por 24 horas, após esse período foram pesados e
mensurados. Na segunda etapa do processo, os blocos são imersos em água por um
período de 24 horas, posteriormente são pesados e novamente mensurados. Ao obter
os resultados da massa seca e saturada, aplica-se na equação abaixo descrita para
obter a porcentagem de absorção de líquido.
36

Os valores são expressos em; m1 = massa da amostra seca em estufa (g); m2


= massa da amostra saturada.
Os valores desse ensaio devem obedecer a limites estabelecidos pela norma
expressos na tabela 8, e o cálculo da absorção de liquido deve ser calculado com a
equação um.

Equação 1.
𝑚2 − 𝑚1
𝑎=( ) 𝑥 100
𝑚1

Tabela 8: Resistência característica dos blocos, (ABNT 6163, 2007).


37

5. RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 COMPRESSÕES DOS CORPOS DE PROVA CILÍNDRICOS

A sequência de testes realizados com os corpos de prova cilíndricos descreve


o comportamento do concreto reciclado na compressão. A Figura 11 a apresenta os
corpos de prova produzidos com o material reciclado.

Figura 11:a) Imagem dos corpos de prova construídos com o material reciclado. b)
alinhamento do corpo de prova cilíndrico na prensa.

A B

A Figura 11b apresenta o alinhamento do corpo de prova na prensa. Após a


aplicação da carga, a amostra rompeu com 13,4 Mpa. Esse comportamento equivale
ao identificado na literatura com características de produção semelhantes descrito na
Tabela 9 da página 38.

A Figura 12 a seguir, apresenta o corpo de prova rompido pela ação da força


aplicada.
38

Figura 12: Ruptura do corpo de prova produzido com material reciclado.

A Figura 13 a apresenta o alinhamento do corpo de prova cilíndrico 2 na prensa.


Podemos verificar de acordo com a Figura 13b, que a mostra sofre o rompimento com
15,99 Mpa, valor seis vezes superior ao exigido pela Norma NBR 6136 que é de 2
Mpa para blocos de vedação classe D.
39

Figura 13: A) alinhamento do bloco cilíndrico 2 na prensa. B) corpo de prova cilíndrico 2 após
o rompimento.

A B

Tabela 9: Teste de Compressão, (Rodrigues; Fucale,2014).

Teste de Compressão
100% Natural Traço 1:6,5 a/c 0,86 10,7 Mpa
100% Reciclado Traço 1:6,5 a/c 0,91 12,8 Mpa

Os testes nos corpos de prova cilíndricos demonstraram melhor desempenho


que os mencionados na Tabela 9, essa influência pode ter ocorrido em função
relação a/c.

5.2 ANÁLISES DOS BLOCOS

A seguir são apresentados os resultados obtidos para os corpos de prova


produzidos em forma de blocos.
A Figura 14 apresenta o gráfico com 3 lotes de amostras produzidas, sendo
uma 100% natural, uma com 50% de agregado e a outra com 100% de agregado
reciclado, o detalhamento do peso das amostras é em relação a quantidade de
agregado reciclado na composição dos blocos.
40

Figura 14: Relação do peso da amostra natural em relação as amostras com agregado
reciclado.

Relação de Massa
Peso (kg) 12

10

0
1 2 3
100% Natural 10,36 10,4 9,6
50 % Reciclado 9,47 9,3 9,5
100% Reciclado 8,6 8,3 8,4

Os blocos em agregado reciclado obtiveram menor peso 1,76 kg com relação


ao bloco em agregado natural adquirido no comercial. Esta relação de peso significa
mais economia no dimensionamento estrutural.
Neste teste as amostras foram mantidas na estufa por 24 horas e pesadas,
posteriormente foram imensas em um tanque com água por mais 24 horas, após a
saturação foi calculado absorção de líquido. Este cálculo permite avaliar se a estrutura
poderá se sobrecarregar em caso exposição à umidade.
A Tabela 10 apresenta os valores obtidos pelos cálculos de absorção de líquido
nas amostras.
41

Tabela 10: Saturação de água das amostras

100% Reciclado 50% Natural / 50% Reciclado 100 % Natural

Média da massa Média da massa seca Média da massa


seca seca

8,10 kg 9,10 kg 10,05 kg

Media da massa Media da massa saturada Media da massa


saturada saturada

9,10 kg 10,09 kg 10,60 kg

12% 10,8% 5,47%

De acordo com estes dados, apenas as amostras de agregado natural


estiveram abaixo dos 10% estipulados pela NBR 6163. Segundo QUEBAUD (1996),
a taxas de absorção de líquido em média é de 12,2 % para agregado miúdo,
reafirmado os valores encontrados no teste de absorção de liquido desta pesquisa.

A Figura 15 apresenta os resultados de compressão dos 3 lotes de amostras


produzidos.
Neste teste não houve cálculo de Fbk devido ao baixo valor dos resultados.
Para as amostras confeccionadas no traço 1:8:8, apesar do desempenho razoável
considerando a baixa adição de cimento, os valores não atingiram resistência
aceitável pela Norma, que determina que o bloco possua valor de 2 Mpa.
Nesta análise a amostra de bloco com agregado natural também não atingiu o
valor estipulado pela NBR 6163. Isso pode estar associado a forma de rompimento
dos blocos, uma vez que a prensa utilizada não era apropriada para o rompimento de
blocos.
42

Figura15: Compressão das Amostras 1:8:8

RESISTÊNCIA A COMPRESSÃO
Carga 2
(MPa) 1,8
1,6
1,4
1,2
1
0,8
0,6
0,4
0,2
0
1 2 3
100%reciclado 1 0,97 0,98
50 % reciclado 1,05 1,31 1,31
100% natural 1,53 1,35 1,45

5.3. COMPRESSÃO DAS AMOSTRAS 1:5:5.

Essas amostras foram produzidas com uma proporção maior de cimento,


visando melhorar o resultado na compressão. A Figura 16 exibe o resultado das
amostras 100% reciclada e 100% natural.
43

Figura 16: A) Bloco 100% natural e B) bloco 100% reciclado.

A B

Os resultados dos novos blocos obtidos com traço 1:5:5, estão representados
na Figura 17. Podemos verificar nesse gráfico que as amostras com 100% de material
reciclado apresentaram-se inferiores as amostras 100% natural, isso ocorre devido à
baixa hidratação do cimento
O material reciclado apresenta valores de absorção de liquido mais altos
comparados com os agregados naturais, fator que influencia na pega do cimento,
(Leite, 2001). Neste caso a água é absorvida pelo agregado antes da pega do cimento
influenciando na resistência a compressão do mesmo do bloco em agregado natural.

Existem produtos capazes de melhorar a resistência dos blocos sem


comprometer a trabalhabilidade da mistura, como o DESMOLPLAST-700e
DESMOLPLAST 900, esses aditivos plastificantes permitem redução da relação a/c,
e contribui para aumentar resistência mecânica das peças.
Ao calcular média simples dos blocos em agregado reciclado e natural a
redução de resistência a compressão do reciclado foi de 32%. Estudos realizados no
Japão concluem que a redução das resistências de concretos reciclados oscila entre
14 e 32 % (TOPÇU, citado por BAZUCO, 1999).
44

Figura 17: Compressão das amostras de blocos com traço 1:5:5.

MPa Amostras com o traço 1:5:5


2,50

2,00

1,50

1,00

0,50

0,00
1 2 3 4 5 6
100% Reciclado 1,37 1,38 1,40 1,49 1,52 1,53
100 % Natural 1,95 2,01 2,15 2,17 2,25 2,35

5.4. VERIFICAÇÃO DE CUSTOS

Um estudo foi realizado, para verificar qual o custo da produção dos blocos e a
eficácia da utilização de agregado reciclado na fabricação de blocos para vedação. A
Tabela 11 a seguir apresenta os valores obtidos para a produção dos blocos deste
trabalho.

Tabela 11: Verificação de custos.

Bloco (Traço 1:5:5) 9x19x29 cm


1 saco de cimento 48 unidades
Cimento / unidade R$ 22,00 R$ 16.000
Agregados1m³=R$43,00 R$ 4.536,00
Mão de obra três funcionários/mês R$ 5.000,00
Energia Elétrica, telefone internet/mês R$ 1.000,00
Total R$ 26.577,00
Nesta analise considerou produção de 1800 blocos dia, ou 36 mil unidades por
mês. Considerando a fabricação dos blocos na unidade recicladora, a produção de
um bloco em agregado reciclado custa R$ 0,73 centavos e o natural custa em média
R$ 1,16 reais. Em suma o valor dessa redução foi de 37%.
45

6. CONCLUSÃO

As pesquisas indicaram que grandes partes dos resíduos reciclados são


utilizadas nas estradas para nivelamento e reforço dos leitos e subleitos. E apesar
dos benefícios da reciclagem é necessário maior empenho para melhorar o
aproveitamento dos agregados reciclados.
Os corpos de prova cilíndricos tiveram bom desempenho na compressão, no
entanto as amostras de blocos no traço 1:8:8 não atingiram a resistência exigida pela
ABNT, sendo necessário novas pesquisas para melhorar este resultado.
As amostras recicladas fabricadas no traço 1:5:5 a/c 0,6 apesar do acréscimo
significativo de cimento não obtiveram resultados positivos, reforçando a tese em que
o fator de água/cimento é a principal característica de influência na resistência a
compressão. Fator que pode ser corrigido com adição de aditivos plastificantes como
o DESMOLPLAST-700 e DESMOLPLAST 900, esses aditivos plastificantes permitem
redução da relação a/c, e contribui para aumentar resistência mecânica das peças
As amostras de agregado natural no traço 1:5:5 a/c 0,6 todos atingiram valores
aceitáveis na compressão, ou seja, não houve prejuízo na hidratação do cimento.
O custo do material reciclado é menor que o agregado natural, o que
proporciona menor valor na produção dos blocos, neste experimento redução de 37%.
Contudo, conclui-se que a produção de blocos a partir de agregados reciclados
é sim eficaz, minimizando o custo da obra, além de contribuir com a diminuição de
entulho gerado na construção civil.
46

REFERÊNCIAS

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concreto simples para alvenaria estrutural - Requisitos. Rio de Janeiro, 2006.

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vazado de concreto simples para alvenaria estrutura – Método de ensaio: Análise
dimensional e determinação da absorção de água, da resistência à compressão e da
retração por secagem. Rio de Janeiro, 2006.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 7184:


BLOCOS VAZADOS DE CONCRETO SIMPLES PARA ALVENARIA, determinação
da resistência à compressão - método de ensaio. Rio de Janeiro, 1992.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT) NBR5733:


CIMENTO PORTLAND DE ALTA RESISTÊNCIA INICIAL. Rio de Janeiro, julho,1992.

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<http://dx.doi.org/10.1590/S1678-86212014000100009> acesso em novembro,2017.

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Pós-graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina.

BELO HORIZONTE, MINAS GERAIS. Prefeitura Municipal. Reciclagem de


Resíduos da Construção Civil, Seção de estatística da superintendência de
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LEITE, M. B. Avaliação de propriedades mecânicas de concretos produzidos


com agregados reciclados de resíduos de construção e demolição. 2001. 266p.
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