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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

FDas, Braja M.
Fundamentos de engenharia geotécnica / Braja M.
Das tradução EZ2Translate revisão técnica
Leonardo R. Miranda. -- São Paulo : Cengage
Learning, 2011.

Título original: Principies of geotechnical


engineering.
Tradução da 7. ed. americana.
Bibliografia.
ISBN 978-85-221-1112-1

1. Geologia de engenharia 2. Geotécnica 3.


Mecânica do solo I. Miranda, Leonardo R.. II.
Título.

11-04985 CDD-624.15136

Índice para catálogo sistemático:


1. Engenharia geotécnica 624.15136
ISBN 13 978-85-221-1112-1
ISBN 10 85-221-1112-X

; CENGAGE
Learning
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visite www.cengage.com.br 9 7 8 8 5 22 11 1 12 1
Fundamentos de
Engenharia Geotécnica
Tradução da sétima edição norte-americana

BRAJA M. DAS

Tradução
EZ2Trans late

Revisão técnica
Leonardo Fagundes Rosemback Miranda

; CENGAGE
41

* Learning
Austrália Brasil Japão. Coreia • México . Cingapura . Espanha . Reino Unido • Estados Unidos
; CENGAGE
1 Learning
Fundamentos de engenharia geotécnica © 2010,2006 Cengage Learning.
Tradução da 7R edição norte-americana
© 2012 Cengage Learning Edições.
Braja M. Das
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro poderá
ser reproduzida, sejam quais forem os meios empregados, sem a
permissão, por escrito, da Editora.
Gerente Editorial: Patricia La Rosa
Aos infratores aplicam-se as sanções previstas nos artigos 102,
Supervisora Editorial: Noelma Brocanelli 104,106 e 107 da Lei n2 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Supervisora de Produção Gráfica: Fabiana AlencarAlbuquerque Esta editora empenhou-se em contatar os responsáveis pelos
direitos autorais de todas as imagens e de outros materiais
Editora de Desenvolvimento: Gisela Carniceili
utilizados neste livro. Se porventura for constatada a omissão
Título Original: Principies ofGeotechnical Engineering, involuntária na identificação de alguns deles, dispomo-nos a
seventh edition (ISBN 978-0-495-41132-1) efetuar, futuramente, os possíveis acertos.

Tradução: EZ2Translate
Para informações sobre nossos produtos, entre em
Revisão técnica: Leonardo F. R. Miranda contato pelo telefone 0800111939
Copidesque: Cristiane M. Morinaga Para permissão de uso de material desta obra,
envie seu pedido para
Revisão: Maria Dolores D. S. Mata,
direitosautorais@cengage.com
Fernanda B. dos Santos e Renata Alves

Diagramaço: PC Editorial Ltda. © 2012 Cengage Learning. Todos os direitos reservados.


Capa: Heber Alvares
ISBN-13: 978-85-221-1112-1
Pesquisa iconográfica interna ISBN-10: 85-221-1112-X

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Rua Werner Siemens, 111 - Prédio 20 - Espaço 04
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Impresso no Brasil.
Printed in Brczzil.
1234 1615141312
Para nossa neta, Elizabeth Madison
1 Sumário

Prefácio xv

Engenharia geotécnica - uma perspectiva histórica


1.1 A engenharia geotécnica antes do século XVIII 1
1.2 Período pré-clássico da mecânica dos solos (1700-1776 d.C.) 3
1.3 Mecânica dos solos clássica - Fase 1(1776-1856 d.C.) 3
1.4 Mecânica dos solos clássica - Fase 11(1856-1910 d.C.) 4
1.5 Mecânica dos solos moderna (1910-1927 d.C.) 4
1.6 Engenharia geotécnica após 1927 5
1.7 Fim de uma era 8
Referências 10

Origem do solo e tamanho dos grãos 11


2.1 O ciclo das rochas e a origem do solo 11
2.2 Tamanho das partículas do solo 19
2.3 Argilominerais 21
2.4 Peso específico relativo (G) 27
2.5 Análise granulométrica do solo 29
2.6 Curva de distribuição granulométrica 35
2.7 Forma das partículas 38
2.8 Resumo e considerações gerais 39
Problemas 40
Referências 42

Relações peso-volume 43
3.1 Relações peso-volume 43
3.2 Relações entre peso específico, índice de vazios, teor de
umidade e peso específico relativo 45
3.3 Relações entre peso específico, porosidade e teor de umidade 48
3.4 Várias relações entre pesos específicos 49
3.5 Compacidade relativa 55
3.6 Notas sobre o emax e o emjn57
3.7 Resumo e considerações gerais 59
Problemas 60
Referências 62
VII
viii Fundamentos de engenharia geotécnica

1
Plasticidade e estrutura do solo 63
4.1 Introdução 63
4.2 Limite de liquidez (LL) 63
4.3 Limite de plasticidade (LP) 68
4.4 Limite de contração (LC) 70
4.5 Índice de liquidez e índice de consistência 72
4.6 Atividade 73
4.7 Gráfico de plasticidade 75
4.8 Estrutura dos solos 77
4.9 Resumo e considerações gerais 81
Problemas 81
Referências 82

Classificação do solo 83
5.1 Classificação textural 83
5.2 Classificação de acordo com o comportamento da
engenharia 85
5.3 Sistema de classificação da AASHTO 85
5.4 Sistema unificado de classificação de solos 89
5.5 Resumo e comparação entre o sistema da AASHTO e o sistema
unificado 92
Problemas 99
Referências 100

r. Compactação dos solos 101


6.1 Compactação -princípios gerais 101
6.2 Ensaio Proctor normal 102
6.3 Fatores que afetam a compactação 105
6.4 Ensaio Proctor modificado 108
6.5 Estrutura do solo argiloso compactado 113
6.6 Efeitos da compactação nas propriedades de solos
coesivos 113
6.7 Compactação em campo 117
6.8 Especificações para a compactação no campo 121
6.9 Determinação do peso específico de campo de
compactação 122
6.10 Compactação de solos orgânicos e detritos 128
6.11 Técnicas especiais de compactação 131
6.12 Resumo e considerações gerais 138
Problemas 138
Referências 140

,pr
Permeabilidade 143
7.1 Equação de Bernoulli 143
7.2 Lei de Darcy 145
7.3 Condutividade hidráulica 147
Sumário ix

7.4 Determinação laboratorial da condutividade hidráulica 148


7.5 Relações para a condutividade hidráulica - solo granular 153
7.6 Relações para a condutividade hidráulica - solos coesivos 159
7.7 Variação direcional da permeabilidade 162
7.8 Condutividade hidráulica equivalente em solo estratificado 164
7.9 Ensaio de permeabilidade em campo pelo bombeamento a partir
de poços 168
7.10 Condutividade hidráulica in situ de solos argilosos
compactados 170
7.11 Resumo e considerações gerais 174
Problemas 174
Referências 178

Percolação 179
8.1 Equação da continuidade de Laplace 179
8.2 Equação da continuidade para a solução de problemas de
escoamento simples 181
8.3 Redes de fluxo 184
8.4 Cálculo da percolação para uma rede de fluxo 184
8.5 Redes de fluxo em solos anisotrópicos 189
8.6 Solução matemática do problema da percolação 191
8.7 Subpressão sob estruturas hidráulicas 192
8.8 Percolação através de uma barragem de terra sobre uma base
impermeável 194
8.9 Solução de L. Casagrande para o problema da percolação através
de uma barragem de terra 197
8.10 Dimensionamento de filtros 198
8.11 Resumo e considerações gerais 201
Problemas 201
Referências 204

Tensões in situ 205


9.1 Tensões em solos saturados sem percolação 205
9.2 Tensões em solos saturados com percolação ascendente 209
9.3 Tensões em solos saturados com percolação descendente 212
9.4 Força da percolação 213
9.5 Levantamento do solo em virtude do fluxo ao redor de cortinas
de estacas-prancha 215
9.6 O uso de filtros para aumentar o fator de segurança contra o
levantamento 218
9.7 Tensão efetiva em solos parcialmente saturados 219
9.8 Ascensão capilar em solos 221
9.9 Tensão efetiva na zona de ascensão capilar 223
9.10 Resumo e comentários gerais 225
Problemas 225
Referências 228
X Fundamentos de engenharia geo técnica

1 Tensões em uma massa de solo 229


10.1 Tensões normais e de cisalhamento em um plano 229
10.2 O método do poio para encontrar as tensões ao longo de um
plano 233
10.3 Tensões causadas por uma carga pontual 235
10.4 Tensão vertical causada por uma linha de carga vertical 237
10.5 Tensão vertical causada por uma linha de carga horizontal 239
10.6 Tensão vertical causada por uma faixa de carga vertical (largura
finita e comprimento infmito) 240
10.7 Tensão vertical devida à carga de um aterro 244
10.8 Tensão vertical abaixo do centro de uma área circular
uniformemente carregada 247
10.9 Tensão vertical em qualquer ponto abaixo de uma área circular
uniformemente carregada 249
10.10 Tensão vertical causada por uma área retangular carregada 252
10.11 Isobárias da tensão 258
10.12 Gráfico de influência para pressão vertical 258
10.13 Resumo e considerações gerais 261
Problemas 262
Referências 266

M Compressibilidade do solo 267


11.1 Pressão de contato e perfil do recalque 267
11.2 Relações para cálculo de recalque elástico 268
11.3 Fundamentos do adensamento 277
11.4 Ensaio de adensamento unidimensional em laboratório 280
11.5 Índice de vazios - Gráficos de pressão 280
11.6 Argilas normalmente adensadas e sobreadensadas 285
11.7 Efeito do amolgamento na relação índice de vazios/pressão 287
11.8 Cálculo do recalque a partir do adensamento primário
unidimensional 288
11.9 Índice de compressão (Ç) 290
11.10 índice de expansão (Ç) 291
11.11 Recalque por compressão secundária 296
11.12 Taxa temporal de adensamento 299
11.13 Coeficiente de adensamento 308
11.14 Cálculo do recalque de adensamento sob uma fundação 313
11.15 Um caso real -Adensamento devido a uma pré-carga de aterro
para construção do Tampa VA Hospital 315
11.16 Métodos para acelerar o recalque por adensamento 319
11.17 Pré-compressão 320
11.18 Resumo e considerações gerais 324
Problemas 324
Referências 328
Sumário xi

Resistência ao cisalhamento do solo 331


12.1 Critério de ruptura de Mohr-Coulomb 331
12.2 Inclinação do plano de ruptura causada por cisalhamento 332
12.3 Ensaios de laboratório para a determinação dos parâmetros da
resistência ao cisalhamento 334
12.4 Ensaio de cisalhamento direto 334
12.5 Ensaio de cisalhamento direto drenado em areia e argila
saturada 339
12.6 Comentários gerais sobre o ensaio de cisalhamento direto 341
12.7 Ensaio de compressão triaxial (geral) 345
12.8 Ensaio triaxial adensado drenado 346
12.9 Ensaio triaxial adensado não drenado 354
12.10 Ensaio triaxial não adensado não drenado 359
12.11 Ensaio de compressão não confinado em argila saturada 361
12.12 Relação empírica entre coesão não drenada (cv) e pressão de
sobrecarga efetiva (o) 363
12.13 Sensibilidade e tixotropia da argila 364
12.14 Anisotropia da resistência na argila 366
12.15 Ensaio de cisalhamento de palheta 368
12.16 Outros métodos para a determinação da resistência ao
cisalhamento não drenado 372
12.17 Resistência ao cisalhamento de solos coesivos não saturados 374
12.18 Trajetória de tensão 376
12.19 Resumo e considerações gerais 380
Problemas 381
Referências 384

Pressão lateral de terra: em repouso, Rankine,


Coulomb 387
13.1 Pressões em repouso, ativo e passivo 387
13.2 Pressão de terra em repouso 389
13.3 Pressão de terra em repouso para solo parcialmente submerso 391
13.4 Teoria de Rankine da pressão ativa 394
13.5 Teoria de Rankine da pressão passiva 396
13.6 Deslocamento de um muro de altura limitada 398
13.7 Um caso generalizado para a pressão ativa e passiva de Rankine
- Aterro granular 399
13.8 Diagramas para a distribuição de pressão lateral de terra contra
os muros de arrimo 402
13.9 Pressão de Rankine para solo c'-0' - Aterro inclinado 414
13.10 Empuxo ativo de Coulomb 417
13.11 Solução gráfica para empuxo ativo de Coulomb 421
13.12 Empuxo passivo de Coulomb 426
13.13 Empuxo ativo sobre muros de arrimo com forças sísmicas 428
13.14 Tipos comuns de muros de arrimo em campo 438
xii Fundamentos de engenharia geo técnica

13.15 Resumo e considerações gerais 440


Problemas 442
Referências 445

Empuxo lateral de terra: superfície de ruptura curva 447


14.1 Muros de arrimo com atrito 447
14.2 Propriedades de uma espiral logarítmica 449
14.3 Procedimento para a determinação do empuxo passivo de terra
(P) - Aterro sem coesão 450
14.4 Coeficiente do empuxo passivo da terra (K) 452
14.5 Empuxo passivo sobre muros combinado com forças
sísmicas 456
14.6 Cortes escorados - Conceitos gerais 457
14.7 Determinação do empuxo ativo aplicado sobre sistemas de
escoramentos em cortes a céu aberto - Solo granular 460
14.8 Determinação do empuxo ativo aplicado sobre sistemas de
escoramentos em cortes - solo coesivo 462
14.9 Variação da pressão para projetos de pranchas, escoras e
longarinas 462
14.10 Resumo e considerações gerais 466
Problemas 466
Referências 468

Estabilidade de taludes 469


15.1 Introdução - Modos de ruptura em taludes 469
15.2 Fatores de segurança 471
15.3 Estabilidade de taludes infinitos 472
15.4 Taludes finitos - Conceitos gerais 476
15.5 Análise de taludes finitos com superficies de ruptura planas
(Método de Culmann) 476
15.6 Análise de taludes finitos com superficies de ruptura circulares -
Conceitos gerais 479
15.7 Procedimento de massa - Taludes em solo argiloso homogêneo
com 5=0 480
15.8 Procedimento de massa - Estabilidade de taludes de argila
saturada (condição 0 = 0) com forças sísmicas 486
15.9 Procedimento de massa— Taludes em solos homogêneos c'-O' 489
15.10 Método comum das fatias 497
15.11 Método das fatias simplificado de Bishop 501
15.12 Análise de estabilidade pelo método das fatias para percolação
em regime permanente 503
15.13 Outras soluções para condições de percolação em regime
permanente 510
15.14 Caso histórico de ruptura de talude 514
15.15 Método das fatias de Morgenstern para condições de
rebaixamento rápido 518
SL/n7ár/o Xiii

15.16 Flutuação do coeficiente de segurança de taludes em aterros de


argila sobre argila saturada 518
Problemas 523
Referências 526

Capacidade de carga do solo


para fundações rasas 529
16.1 Capacidade de carga última do solo para fundações rasas 530
16.2 Equação de Terzaghi para a capacidade de carga última 532
16.3 Efeito do nível do lençol freático 536
16.4 Fatores de segurança 538
16.5 Equação geral da capacidade de carga 541
16.6 Histórico de caso da avaliação da capacidade de carga
última 545
16.7 Carga última para fundações rasas sob cargas excêntricas 548
16.8 Capacidade de carga da areia com base no recalque 553
16.9 Prova de carga em placa 554
16.10 Resumo e comentários gerais 557
Problemas 557
Referências 560

Revestimento de aterros e geossintéticos 561


17.1 Impermeabilização de aterros - Visão geral 561
17.2 Compactação do solo argiloso para construção de
revestimentos 562
17.3 Geossintéticos 565
17.4 Geotêxteis 566
17.5 Geomembranas 568
17.6 Georredes 570
17.7 Sistemas de revestimento simples de argila e de
geomembrana 570
17.8 Avanços recentes nos sistemas de revestimento para aterros
sanitários 571
17.9 Sistema de remoção de chorume 572
17.10 Fechamento de aterros 575
17.11 Resumo e considerações gerais 575
Referências 576

Exploração do subsolo 577


18.1 Planejamento da exploração do solo 577
18.2 Métodos de perfuração 579
18.3 Métodos comuns de amostragem 582
18.4 Amolgamento da amostra 586
18.5 Correlações para o ensaio de penetração-padrão (SPT) 586
xiv Fundamentos de engenharia geotécnica

18.6 Outros ensaios in situ 591


18.7 Testemunhagem de rocha 595
18.8 Relatório de exploração do solo 596
Problemas 597
Referências 600

Respostas de problemas selecionados 601

Índice remissivo 607


1 Prefácio

O livro Fundamentos de Engenharia Geotécnica foi publicado originalmente em 1985 nos Estados
Unidos. A finalidade do livro era servir como texto teórico para o curso introdutório de engenharia
geotécnica, lecionado para praticamente todos os alunos de engenharia, e também almejava servir
como referência para engenheiros formados. O livro foi revisado em 1990, 1994, 1998, 2002 e 2006.
Esta sétima edição norte-americana marca o vigésimo quinto aniversário da primeira. Como nas edi-
ções anteriores do livro, esta nova tiragem fornece uma visão geral das propriedades e da mecânica
do solo, com práticas de campo e procedimentos básicos de engenharia, sem alterar a filosofia básica
usada no texto da primeira edição.
Diferentemente da tradução da sexta edição, que continha 17 capítulos, esta nova apresenta
18 capítulos. Para melhor compreensão e abordagem mais abrangente, as relações de peso-volume
e plasticidade e estrutura dos solos são agora divididos em duas seções distintas (Capítulos 3 e 4).
A maior parte dos exemplos e exercícios foi alterada. Outras mudanças dignas de nota desta sétima
edição são:

• Novas micrografias eletrônicas de varredura para quartzo, mica, calcário, grãos de areia e argilo-
minerais, como caulinita e montmorilonita, foram adicionadas ao Capítulo 2.
• Um resumo das relações empíricas publicadas recentemente entre limite de liquidez, limite de
plasticidade, índice de plasticidade, atividade e frações granulométricas em uma massa de solo foi
incorporado ao Capítulo 4.
• A classificação textural de solos da USDA foi acrescentada ao Capítulo 5 (Classificação do Solo).
• Outras relações empíricas para a condutividade hidráulica de solos coesivos e granulares foram
incorporadas, respectivamente, ao Capítulo 7 (Permeabilidade) e ao Capítulo 17 (Revestimento
de aterros e geossintéticos).
• A apresentação dos critérios de projeto de filtros foi aprimorada no Capítulo 8 (Percolação).
• No Capítulo 11 (Compressibilidade do solo), os procedimentos para calcular o recalque elástico
de fundações foi totalmente revisado, e foram incluídas as teorias de Steinbrenner (1934) e Fox
(1948). Um estudo de caso relacionado com o recalque por adensamento devido à pré-carga de
aterro na construção do Tampa VA Hospital também foi incluído neste capítulo.
• A apresentação de estimativas de tensões ativas em muros de arrimo com forças sísmicas no Ca-
pítulo 13 (Pressão lateral de terra: em repouso, Rankine e Coulumb) foi aprimorada.
• O Capítulo 14 (Empuxo lateral de terra: superficie de ruptura curva) agora inclui os procedimen-
tos para calcular os empuxos de terra passivos em muros de arrimo com face posterior inclinada
e aterro granular horizontal, utilizando o método de fatias triangulares. Esse capítulo também
engloba as relações de empuxos passivos de terra em muros de arrimo com aterro granular ho-
rizontal e face posterior vertical sob condições de forças sísmicas, calculadas através do método
pseudoestático.
• Um método para calcular a capacidade de carga última de fundações contínuas rasas, excentrica-
mente carregadas em solo granular, usando o fator de redução, foi acrescentado ao Capítulo 16
(Capacidade de carga do solo em fundações rasas).
xv
xvi Fundamentos de engenharia geo técnica

Sou muito grato a minha esposa, Janice, por sua ajuda, deixando o manuscrito pronto para publi-
cação. Por último, muito obrigado a Christopher Carson, Diretor Executivo do Programa de Publica-
ção Global; à Hilda Gowans, Editora Sênior de Desenvolvimento e à equipe de produção da Cengage
Leaming (Engenharia), nos Estados Unidos, pelo desenvolvimento final e produção do livro.

BRAJA M. DAS
Henderson, Nevada

Material complementar (para professores que comprovadamente adotam a obra): slides em


Powerpoint e manual de soluções dos problemas propostos no livro. Disponível na página deste
livro no site da Cengage - www.cengage.com.br.
1 Engenharia geotécnica -
uma perspectiva histórica

Para fins de engenharia, solo é definido como um agregado não cimentado de grãos minerais e ma-
téria orgânica decomposta (partículas sólidas), com líquido e gás preenchendo os espaços vazios
existentes entre as partículas sólidas. O solo é usado como material de construção em diversos pro-
jetos da engenharia civil e suporta fundações estruturais. Dessa forma, os engenheiros civis devem
estudar as propriedades do solo, como origem, distribuição do tamanho dos grãos, permeabilidade,
compressibilidade, resistência ao cisalhamento e capacidade de carga. O ramo da ciência que estuda
as propriedades fisicas e o comportamento de massas do solo submetidas a diversos tipos de tensão é
a mecânica dos solos. A aplicação dos princípios dessa mecânica a problemas práticos é denominada
engenharia dos solos. A engenharia geotécnica é a subdisciplina da engenharia civil que estuda mate-
riais naturais encontrados próximos à superficie da terra. Ela engloba desde a aplicação dos princípios
da mecânica dos solos e das rochas até o desenvolvimento de fundações, estruturas de contenção e
estruturas de terra.

A engenharia geotécnica antes do século XVIII


O registro da primeira aplicação do solo como material de construção perdeu-se no tempo. Em termos
técnicos oficiais de engenharia, o entendimento da geotécnica como é conhecida hoje data do início
do século XVIII (Skempton, 1985). Durante anos, a arte da engenharia geotécnica foi baseada apenas
em experiências passadas por meio da sucessão de experimentos, sem qualquer característica cientí-
fica real. Muitas estruturas foram construídas com base nesses experimentos. Algumas delas ruíram,
enquanto outras continuam de pé.
Segundo dados históricos, civilizações antigas floresceram às margens de rios, como o Nilo
(Egito), Tigres e Eufrates (Mesopotâmia), Huang Ho (Rio Amarelo, China) e Indus (Índia). Diques
que datam de cerca de 2000 a.C. foram construídos na bacia do Indus para proteger a cidade de
Mohenjo Dara (que se tomou o Paquistão depois de 1947). Durante a dinastia Chan, na China (1120
a.C. a 249 a.C.), muitos diques foram construídos para a irrigação. Não há evidências de que foram
tomadas medidas para estabilizar as fundações ou verificar a erosão causada por inundações (Kerisel,
1985). A antiga civilização grega usou sapatas isoladas, sapatas corridas e radiers nas construções.
A construção das cinco pirâmides mais importantes do Egito começou por volta do ano 2750 a.C.
e durou menos de um século (Saqqara, Dahshur sul e norte, Meidum e Quéops). Essas construções
representaram grandes desafios com relação à fundação, estabilidade de encostas e construção de
câmaras subterrâneas. Com a chegada do budismo na China, durante a dinastia Han oriental em 68
d.C., milhares de pagodes foram construídos. Muitas dessas estruturas foram erguidas sobre camadas
de silte e argila mole. Em alguns casos, a pressão na fundação excedeu a capacidade de carga do solo,
causando, portanto, extensos danos estruturais.
Um dos exemplos mais famosos de problemas relacionados à capacidade de carga do solo na
construção de estruturas antes do século XVIII é a Torre de Pisa, na Itália. (Veja a Figura 1. L) A cons-
trução da torre teve início no ano 1173 d.C., quando a República de Pisa estava em desenvolvimento,
e continuou em vários estágios por mais de 200 anos. A estrutura pesa cerca de 15.700 toneladas
métricas e é suportada por uma base circular com diâmetro de 20 m. No passado, a torre inclinou na
2 FLinda/rientos de engenharia geotécnica

direção leste, norte, oeste e, finalmente, na direção sul. Pesquisas recentes mostraram que existe uma
frágil camada de argila a uma profundidade de cerca de 11 m abaixo da superficie do terreno, o que
causou a inclinação da torre. A construção ficou mais de cinco metros fora do prumo com 54 m de
altura e foi fechada em 1990, pois havia o temor de que tombasse ou ruísse. A torre foi recentemente
estabilizada com escavações no solo sob o lado norte. Cerca de 70 toneladas métricas de terra foram
removidas em 41 extrações, expandindo a largura da torre. À medida que o solo era gradualmente
colocado para preencher o espaço, a inclinação era amenizada, e agora tem cinco graus. A alteração
de meio grau não é perceptível, mas faz com que a estrutura fique consideravelmente mais estável. A
Figura 1.2 é um exemplo de um problema semelhante: as torres mostradas estão localizadas em Bolo-
nha, na Itália, e foram construídas no século XII. A torre à esquerda é comumente chamada de Torre
Garisenda, e possui 48 m de altura, pesa cerca de 4.210 toneladas métricas e tem inclinação de cerca
de quatro graus. A torre à direita é a Torre Asinelli, que possui 97 m de altura, pesa 7.300 toneladas
métricas e possui inclinação de 1,3 graus.
Engenheiros e cientistas começaram a se preocupar com as propriedades e o comportamento
dos solos de forma mais metódica a partir da primeira metade do século XVIII, após se depararem
diversos problemas relacionados à fundação durante a construção em séculos passados. Com base na
ênfase e na natureza do estudo na área da engenharia geotécnica, o espaço de tempo entre 1700 e 1927
pode ser dividido em quatro períodos principais (Skempton, 1985):

1. Pré-clássico (1700 a 1776 d.C.)


2. Mecânica dos solos clássica - Fase 1(1776 a 1856 d.C.)
3. Mecânica dos solos clássica - Fase 11 (1856 a 1910 d.C.)
4. Mecânica dos solos moderna (1910 a 1927 d.C.)

Figura 1. 1 Torre de Pisa, Itália (Cortesia de


Figura 1.2 Inclinação da Torre Garisenda (esquerda)
Braja M Das, Henderson, Nevada.) e Torre Asineili (direita) em Bolonha, Itália (Cortesia
de Braja M Das, Henderson, Nevada.)
Engenharia geotécnica - uma perspectiva histórica

Breves descrições de alguns estudos importantes de cada um dos quatro períodos são discutidas
a seguir.

Período pré-clássico da mecânica dos solos


(1700-1776 d.C.)
Esse período foi dedicado a estudos relacionados com encostas naturais, pesos específicos de vários
tipos de solo e teorias semiempíricas de empuxos de terra. Em 1717, ao estudar as encostas naturais
dos solos, o engenheiro real francês Henri Gautier (1660-1737) teve a ideia de formular os proce-
dimentos de projeto de muros de arrimo. A encosta natural é o que agora chamamos de ângulo de
repouso. De acordo com esse estudo, a encosta natural da areia limpa e seca e da terra comum foram
312 e 45 2, respectivamente. Além disso, os pesos específicos recomendados para a areia seca e limpa
e para terra comum eram de 18,1 kN/m3 e 13,4 kN/m3, respectivamente. Não foram reportados resul-
tados de ensaio para a argila. Em 1729, Bernard Forest de Belidor (1671-1761) publicou um livro-
-texto para engenheiros militares e civis na França. Nesse livro ele propôs uma teoria para a pressão
lateral de terra em muros de arrimo, dando continuidade ao estudo original de Gautier (1717). Beli-
dor determinou também um sistema de classificação do solo, apresentado na tabela a seguir.

Peso específico
Classificação kN/m3

Rocha -
Areia firme ou dura 16,7 a
Areia compressível 18,4
Terra comum (encontrada em locais secos) 13,4
Terra fofa(principalmente silte) 16,0
Argila 18,9
Turfa

Os primeiros resultados de ensaio de laboratório em um modelo de muro de arrimo com 76


mm de altura construído com areia foram reportados em 1746 por um engenheiro francês chamado
François Gadroy (1705-1759), que observou a existência de planos de escorregamento no solo sob
ruptura. O estudo de Gadroy foi resumido por J. J. Mayniel em 1808.

Mecânica dos solos clássica -


Fase 1(1776-1856 d.C.)
Nesse período, a maior parte do desenvolvimento na área da engenharia geotécnica veio de engenhei-
ros e cientistas da França. No pré-clássico, praticamente todas as considerações teóricas usadas para
cálculo da pressão lateral de terra em muros de arrimo foram baseadas em uma superfície de ruptura
do solo definida arbitrariamente. Em seu famoso trabalho apresentado em 1776, o cientista francês
Charles Augustin Coulomb (1736-1806) usou os princípios de cálculo de máximos e mínimos a fim
de determinar a posição exata de uma superfície de deslizamento no solo atrás de um muro de arrimo.
Nessa análise, Coulomb usou as leis de atrito e coesão para corpos sólidos. Em 1820, casos espe-
ciais do trabalho de Coulomb foram estudados pelo engenheiro francês Jacques Frederic Français
(1775-1833) e pelo professor de mecânica aplicada Claude Louis Marie Henri Navier (1785-1836).
Esses casos especiais eram relacionados a aterros inclinados e aterros com sobrecargas. Em 1840,
o engenheiro militar e professor de mecânica Jean Victor Poncelet (1788-1867) ampliou a teoria de
Coulomb, concebendo um método gráfico para determinar a magnitude da pressão lateral de terra em
muros de arrimo verticais e inclinados, com superfícies poligonais rompidas arbitrariamente. Ponce-
let também foi o precursor ao usar o símbolo 0 para representar o ângulo de atrito do solo. Além disso,
Fundamentos de engenharia geotécnica

concebeu a primeira teoria de limite de capacidade de carga para fundações rasas. Em 1846, o enge-
nheiro Alexandre Coilin (1808-1890) forneceu os detalhes para deslizamentos profundos em taludes
de argila, cortes e aterros. Collin criou a teoria de que, em todos os casos, as rupturas ocorrem quando
a coesão mobilizada excede a coesão existente no solo. Ele também observou que as superficies de
rupturas reais poderiam ser aproximadas como arcos de cicloides.
O fim da Fase 1 do período clássico da mecânica dos solos é geralmente marcado pelo ano 1857,
data da primeira publicação de William John Macquorn Rankine (1820-1872), um professor de en-
genharia civil da Universidade de Glasgow. Esse estudo elucidou uma notável teoria sobre o empuxo
de terra e o equilíbrio de massas de terra. A teoria de Rankine é uma versão simplificada da teoria de
Coulomb.

1
Mecânica dos solos clássica -
Fase 11(1856-1910 d. C.)
Nessa fase, diversos resultados experimentais de ensaios de laboratório sobre a areia foram registra-
dos na literatura. Uma das mais recentes e importantes publicações é a do engenheiro francês Henri
Philibert GaspardDarcy (1803-1858), publicada em 1856, que trata sobre apermeabilidade de filtros
de areia. Com base nesses ensaios, Darcy definiu o termo coeficiente de permeabilidade (ou conduti-
vidade hidráulica) do solo, um parâmetro muito útil na engenharia geotécnica até hoje.
Sir George Howard Darwin (1845-1912), professor de astronomia, conduziu ensaios de labora-
tório para determinar o momento de tombamento de uma parede articulada contendo areia nos esta-
dos fofo e compacto. Outra importante contribuição, publicada em 1885 por Joseph Valentin Boussi-
nesq (1842-1929), foi o desenvolvimento da teoria da distribuição de tensão sob áreas carregadas em
um meio homogêneo, semi-infinito, elástico e isotrópico. Em 1887, Osborne Reynolds (1842-1912)
demonstrou o fenômeno da dilatância em areia.

Mecânica dos solos moderna (1910-1927 d. C.)


Nesse período, foram publicados resultados de pesquisas conduzidas em argila, onde foram estabe-
lecidas as propriedades e os parâmetros fundamentais desse elemento como conhecemos hoje. As
publicações mais notáveis são descritas a seguir.
Por volta de 1908, Albert Mauritz Atterberg (1846-1916), químico e cientista de solo da
Suécia, definiu frações de argila como a percentagem em massa de partículas menores que dois
mícrons. Ele percebeu o papel importante que as partículas de argila representam em um solo e
em sua plasticidade. Em 1911, explicou a consistência de solos coesivos definindo os limites de
liquidez, de plasticidade e de contração. Também definiu o índice de plasticidade como a diferen-
ça entre o limite de liquidez e o limite de plasticidade (consulte Atterberg, 1911).
Em outubro de 1909, a barragem de terra de 17 m de altura em Charmes, na França, rompeu.
Ela foi construída entre 1902 e 1906. Um engenheiro francês, Jean Fontard (1884-1962), pesquisou
as causas da falha. Naquele contexto, ele conduziu ensaios de cisalhamento duplo não drenado em
amostras de argila (0,77 m2 de área e 200 mm de espessura), sob pressão vertical constante, para
determinar seus parâmetros de resistência ao cisalhamento (consulte Frontard, 1914). Os tempos de
ruptura dessas amostras ficaram entre 10 e 20 minutos.
Arthur Langley Bel! (1874-1956), um engenheiro civil da Inglaterra, trabalhou no projeto e na
construção da muralha litorânea de Rosyth Dockyard. Com base em seu trabalho, desenvolveu rela-
ções para a pressão lateral e a resistência da argila, assim como a capacidade de carga de fundações
rasas em argila (consulte Bell, 1915). Beli também usou ensaios de cisalhamento direto para medir a
resistência ao cisalhamento não drenado de amostras indeformadas de argila.
Wolmar Felienius (1876-1957), um engenheiro da Suécia, desenvolveu a análise do círculo de
deslizamento em taludes de argila saturada (ou seja, condição de 0 = 0), considerando que a super-
ficie critica de escorregamento era o arco de um círculo. Essa análise foi demonstrada em trabalhos
Engenharia geotécnica - uma perspectiva histórica

publicados em 1918 e em 1926. Porém, apenas no trabalho publicado em 1926 forneceu soluções
matemáticas corretas para os números de estabilidade de superficies de deslizamento circulares que
passam pelo pé do talude.
Karl Terzaghi (1883-1963), da Áustria, desenvolveu a teoria de consolidação para argila como
conhecemos hoje. A teoria foi desenvolvida quando Terzaghi lecionava na American Roberts Coile-
ge, em Istambul, na Turquia. Seu estudo expandiu-se por cinco anos, entre 1919 e 1924. Cinco solos
argilosos diferentes foram usados, sendo que o limite de liquidez desses solos variou entre 36% e 67%
e o índice de plasticidade ficou entre 18% e 38%. A teoria da consolidação foi publicada em seu livro
Erdbaumechanik, em 1925.

Engenharia geotécnica após 1927


A publicação de Erdbaumechanik aufBodenphysikalisher Grundiage, por Karl Terzaghi em 1925,
deu origem a uma nova era no desenvolvimento de mecânicas dos solos. Karl Terzaghi é merecida-
mente conhecido como o pai da mecânica moderna dos solos. Nasceu em 2 de outubro de 1883, em
Praga, capital da província austríaca da Boêmia. Em 1904, formou-se na Technische Hochschule, em
Graz, Áustria, como engenheiro mecânico e, em seguida, serviu um ano no exército do país. Após o
tempo de serviço militar, Terzaghi estudou mais um ano, concentrando-se em assuntos geológicos.
Em janeiro de 1912, terminou o doutorado em Ciências Técnicas, na mesma universidade na qual
se formou em Graz. Em 1916, aceitou uma posição acadêmica na Imperial School of Engineers, em
Istambul. Ao final da Primeira Guerra Mundial, aceitou um cargo de professor na Arnerican Robert
College, ainda em Istambul (1918-1925), onde deu início à sua pesquisa sobre o comportamento dos
solos, o recalque de argilas e as rupturas que acontecem devido ao piping em areia sob barragem. A
publicação Erdbaumechanik foi o primeiro resultado de sua pesquisa.
Em 1925, Terzaghi aceitou um cargo de professor no Instituto de Tecnologia de Massachusetts,
onde trabalhou até 1929. Nesse período, tomou-se líder da nova área da engenharia civil chamada
mecânica dos solos. Em outubro de 1929, retomou à Europa para aceitar um cargo de professor na
Universidade Técnica de Viena, que logo tomou-se um núcleo para engenheiros civis interessa-
dos em mecânica dos solos. Em 1939, retomou aos Estados Unidos para lecionar na Universidade
de Harvard.
A primeira conferência da International Society ofSoil Mechanics and Foundation Engineering
(ISSMFE - Sociedade Internacional de Mecânica dos Solos e Engenharia de Fundações) foi realizada
na Universidade de Harvard, em 1936, sob a presidência de Karl Terzaghi. A realização dessa confe-
rência só foi possível graças à convicção e aos esforços do professor Arthur Casagrande, da Univer-
sidade de Harvard. Cerca de 200 pessoas representando 21 países participaram desse evento. Foi por
meio da inspiração e orientação de Terzaghi, nos 25 anos anteriores, que artigos técnicos puderam ser
apresentados na conferência, cobrindo uma abrangente variedade de tópicos, como:

• Tensão efetiva
• Resistência ao cisalhamento
• Ensaio com penetrômetro de cone holandês
• Adensamento
• Ensaio centrífugo
• Teoria elástica e distribuição de tensão
• Pré-carregamento para controle de recalques
• Argilas expansivas
• Ação de congelamento
• Terremotos e a liquefação do solo
• Vibração de máquinas
• Teoria de arqueamento da pressão da terra
Fundamentos de engenharia geotécnica

Pelos 25 anos seguintes, Terzaghi foi o papa do desenvolvimento da mecânica dos solos e da en-
genharia geotécnica por todo o mundo. Em 1985, Ralph Peck escreveu que "poucas pessoas durante a
vida de Terzaghi teriam discordado de que ele era não apenas o papa da mecânica dos solos, mas tam-
bém centro de intercâmbio para a pesquisa e aplicação em todo o mundo. Nos anos seguintes, ele se
envolveria em projetos em todos os continentes, exceto na Austrália e na Antártida". Peck continuou:
"Portanto, mesmo hoje em dia, mal podemos aprimorar as avaliações de seu tempo a respeito dos de-
safios da mecânica dos solos em seus artigos de síntese e palestras". Em 1939, Terzaghi apresentou-se
na 49 Palestra de James Forrest na Instituição de Engenheiros Civis, em Londres. Sua palestra foi
intitulada "Soil Mechanics —A New Chapter in Engineering Science" (Mecânica dos solos - um novo
capítulo na ciência da engenharia). Nessa ocasião, Terzaghi declarou que a maior parte das falhas que
ocorreram nas fundações não era mais "caso de força maior".
A seguir, estão alguns destaques no desenvolvimento da mecânica dos solos e engenharia geo-
técnica que evoluíram após a primeira conferência da ISSMFE, em 1936:

• Publicação do livro Theoretical Soil Mechanics, escrito por Karl Terzaghi, em 1943 (Wiley,
Nova York);
• Publicação do livro Soil Mechanics in Engineering Practice, escrito por Karl Terzaghi e Ralph
Peck, em 1948 (Wiley, Nova York);
• Publicação do livro Fundamentais of Soil Mechanics, escrito por Donald W. Taylor, em 1948
(Wiley, Nova York);
• Início da publicação de Geotechnique, o periódico internacional da mecânica dos solos, em 1948,
na Inglaterra.

Após uma breve interrupção, em razão da Segunda Guerra Mundial, a segunda conferência da
ISSMFE foi realizada em Roterdã, Holanda, em 1948. Estiveram presentes cerca de 600 participantes
e foram publicados sete volumes de artigos. Nessa conferência, A. W. Skempton apresentou o artigo
fundamental sobre o conceito de f= 0 para argilas. Após Roterdã, as conferências da ISSMFE foram
organizadas com um intervalo de cerca de quatro anos, em diferentes países do mundo. O resultado
da conferência de Roterdã foi o crescimento das conferências regionais sobre engenharia geotécnica,
tais como:

• Conferência regional europeia sobre a estabilidade de encostas de terra, Estocolmo (1954)


• Primeira conferência Austrália-Nova Zelândia sobre características de cisalhamento dos solos (1952)
• Primeira conferência pan-americana, Cidade do México (1960)
• Conferência de pesquisa sobre a resistência ao cisalhamento de solos coesivos, Boulder, Cobra-
do, EUA (1960)

Outros dois marcos importantes entre 1948 e 1960 foram: (a) a publicação do artigo de A. W.
Skempton sobre os parâmetros de poropressão de A e B, que tomaram os cálculos de tensão efetiva
mais práticos para vários trabalhos de engenharia, e (b) a publicação do livro intitulado The Measu-
rement of Soil Properties in the Triaxial Text (A medida das propriedades do solo em ensaio triaxial),
escrito por A. W. Bishop e B. J. Henkel (Arnold, Londres) em 1957.
No início dos anos 1950, foram obtidas soluções para vários tipos de problemas da engenharia
geotécnica utilizando-se de métodos de diferenças finitas e de elementos finitos auxiliados pela in-
formática. Esses métodos ainda são uma ferramenta de cálculo útil e importante em nossa profissão.
Desde o início, a profissão dos engenheiros geotécnicos percorreu um longo caminho, amadureceu, e
é agora uma área estabelecida da engenharia civil. Milhares de engenheiros civis declaram sua prefe-
rência pela área de engenharia geotécnica.
Em 1997, a ISSMFE mudou para ISSMGE Intemational Society of Soil Mechanics and
Geotechnical Engineering (Sociedade Internacional da Mecânica dos Solos e Engenharia Geotéc-
nica) para refletir seu verdadeiro objetivo. Essas conferências internacionais foram instrumento
Engenharia geo técnica - uma perspectiva histórica 7

para intercâmbio de informações relacionadas ao desenvolvimento de pesquisas contínuas da en-


genharia geotécnica. A Tabela 1.1 mostra o local e o ano no qual cada conferência da ISSMFE/
ISSMGE aconteceu. A Tabela 1.2 apresenta uma lista de todos os presidentes da sociedade. Em
1997, existia um total de 30 comitês técnicos da ISSMGE. Os nomes desses comitês técnicos são
exibidos na Tabela 1.3.

Tabela 1. 1 Detalhes das conferências da ISSMFE (1936 a 1997) e da ISSMGE


(1997 até 2009)
Conferência Local Ano

1 Universidade de Harvard, Boston, EUA 1936


II Roterdã, Holanda 1948
III Zurique, Suíça 1953
IV Londres, Inglaterra 1957
V Paris, França 1961
VI Montreal, Canadá 1965
VII Cidade do México, México 1969
VIII Moscou, Rússia 1973
IX Tóquio, Japão 1977
X Estocolmo, Suécia 1981
XI São Francisco, EUA 1985
XII Rio de Janeiro, Brasil 1989
XIII Nova Deli, Índia 1994
XIV Hamburgo, Alemanha 1997
XV Istambul, Turquia 2001
XVI Osaka, Japão 2005
XVII Alexandria, Egito 2009

Tabela 1.2 Presidentes das conferências da ISSMFE (1936 a


1997) e da ISSMGE (1997 até 2009)
Ano Presidente

1936-1957 K. Terzaghi (EUA)


1957-1961 A. W. Skempton (Reino Unido)
1961-1965 A. Casagrande (EUA)
1965-1969 L. Bjerrum (Noruega)
1969-1973 R. B. Peck (EUA)
1973-1977 J. Kerisel (França)
1977-1981 M. Fukuoka (Japão)
1981-1985 V. F. B. de Mello (Brasil)
1985-1989 B. B. Broms (Cingapura)
1989-1994 N. R. Morgenstern (Canadá)
1994-1997 M. Jamiolkowski (Itália)
1997-2001 K. Ishihara (Japão)
2001-2005 W. F. Van Impe (Bélgica)
2005-2009 P. S. Sêco e Pinto (Portugal)
8 Fundamentos de engenharia geotécnica

Tabela 1.3 Comitês técnicos da ISSMGE de 1997 a 2001 (com base em Ishihara, 1999)
Número do comitê Nome do comitê

TC-1 Instrumentação para monitoramento geotécnico


TC-2 Ensaio centrífugo
TC-3 Geotécnica de pavimentos e trilhos ferroviários
TC-4 Engenharia geotécnica sísmica
TC-5 Geotécnica ambiental
TC-6 Solos não saturados
TC-7 Barragens de resíduos
TC-8 Congelamento
TC-9 Geosintéticos e reforço da terra
TC-10 Caracterização geofisica
TC-11 Deslizamentos de terra
TC-12 Validação de simulação por computador
TC-14 Engenharia geotécnica offshore
TC-15 Turfa e solos orgânicos
TC-16 Caracterização de propriedades do terreno com ensaios in situ
TC-17 Melhoria do terreno
TC-18 Fundações com estacas
TC-19 Preservação de sítios históricos
TC-20 Prática profissional
TC-22 Solos e rochas brandas enrijecidos
TC-23 Engenharia geotécnica de projeto de estado limite
TC-24 Amostragem de solos, avaliação e interpretação
TC-25 Solos tropicais e residuais
TC-26 Sedimentos calcários
TC-28 Construção subterrânea em terreno brando
TC-29 Ensaios de tensão-deformação de geomateriais em laboratório
TC-30 Engenharia geotécnica costeira
TC-31 Educação em engenharia geotécnica
TC-32 Avaliação e administração de riscos
TC-33 Escoramento de fundações
TC-34 Deformação de materiais terrosos

Fim de uma era

Na seção anterior foi apresentada uma breve descrição de contribuições para a mecânica dos solos
por pioneiros tais como Karl Terzaghi, Arthur Casagrande, Donald W. Taylor, Laurits Bjerrum e
Ralph B. Peck. O último dos primeiros gigantes da área, Ralph B. Peck, faleceu em 18 de fevereiro
de 2008, aos 95 anos.
O professor Ralph B. Peck nasceu em Winnipeg, Canadá, no dia 23 de junho de 1912. Filho
de pais americanos, Orwin K. e Ethel H. Peck, Ralph se formou bacharel e doutor em 1934 e 1937,
respectivamente, no Instituto Politécnico Rensselaer, em Troy, Nova York. De 1938 a 1939, teve aulas
com Arthur Casagrande sobre um novo assunto chamado "mecânica dos solos", na Universidade de
Harvard. De 1939 a 1943, Doutor Peck trabalhou no projeto do metrô de Chicago como assistente
de Karl Terzaghi, pai da mecânica dos solos moderna. Em 1943, Peck entrou para a Universidade de
Ilinois, em Champaign, Urbana, e foi professor de engenharia de fundações, do ano 1948 até 1974,
quando se aposentou e passou a trabalhar com consultoria, atendendo grandes projetos geotécnicos
Engenharia geotécnica uma perspectiva histórica

em 44 estados nos Estados Unidos e em 28 outros países de cinco continentes. Alguns exemplos de
seus maiores projetos de consultoria incluíram:

• Sistemas de trânsito rápido em Chicago, São Francisco e Washington, D.C.


• Sistema de dutos no Alaska
• Projeto de James Bay em Quebec, Canadá
• Projeto ferroviário Heathrow Express, Reino Unido
• Diques do mar Morto

Seu último projeto foi a Ponte Rion-Antirionna, na Grécia. Em 13 de março de 2008, o The
Times do Reino Unido escreveu que "Ralph B. Peck foi um engenheiro civil americano que inventou
urna técnica de construção controversa, que seria usada em algumas das maravilhas da engenharia
moderna no mundo, incluindo o Túnel do Canal. Conhecido como "padrinho da mecânica dos solos",
foi o responsável direto por uma sucessão de famosos túneis e projetos de barragens de terra que
elevaram os padrões do que se acreditava ser possível.
Doutor Peck escreveu mais de 250 publicações técnicas altamente qualificadas. Foi o presidente
da ISSMGE, de 1969 a 1973. Em 1974, recebeu a medalha nacional de ciência do presidente Ge-
rald R. Ford. Além disso, Peck foi professor, mentor, amigo e consultor de gerações de engenheiros
geotécnicos em todos os países do mundo. A XVI Conferência da ISSMGE em Osaka, Japão (2005),
seria a última grande conferência desse tipo da qual participaria. Durante essa viagem, mesmo aos 93
anos, dedicou-se a explicar ao autor a importância dos ensaios em campo e das avaliações claras no
processo de decisão envolvido no desenvolvimento e na construção de projetos de engenharia geotéc-
nica (como havia feito para diversos engenheiros geotécnicos pelo mundo - Figura 1.3)
Esse é, realmente, o fim de uma era.

Figura 1.3 Professor Ralph B. Peck (direita) com o autor, Braja Das, durante sua viagem para
participar da XVI Conferência da ISSMGE em Osaka, Japão - a última conferência desse tipo da
qual participaria (Cortesia de Braja M Das, Henderson, Nevada.)
10 Fundamentos de engenharia geotécnica

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TERZAGHI, K., e Peck, R. B. Soil Mechanics in Engineering Practice. Nova York: John Wiley, 1948.
2 Origem do solo
e tamanho dos grãos

Em geral, solos são formados a partir do intemperismo das rochas. As propriedades físicas do solo são
determinadas, em princípio, pelos minerais que constituem suas partículas e, portanto, pelas rochas
das quais se derivam. Este capitulo fornece uma descrição sobre o ciclo das rochas, a origem do solo
e a distribuição do tamanho das partículas em uma massa de solo.

O ciclo das rochas e a origem do solo


Os grãos minerais que formam a fase sólida de um agregado são resultado da erosão de rochas.
O tamanho de grãos individuais varia amplamente. Muitas das propriedades físicas do solo são deter-
minadas por tamanho, formato e composição química desses grãos. Para compreender melhor esses
fatores, é necessário estar familiarizado com os tipos básicos de rocha que formam a crosta terrestre,
os minerais que formam as rochas e o processo de inteinperismo.
Quanto a sua origem, as rochas podem ser divididas em três tipos básicos: ígneas, sedimentares e
metamórficas. A Figura 2.1 mostra um diagrama do ciclo de formação de diferentes tipos de rocha e os
processos associados a eles, chamado de ciclo das rochas. A seguir, temos urna breve análise de cada
elemento do ciclo das rochas.

0tuefltaÇãO erIstaJj

Sedimentos

Rocha
sedimentar

Rocha Rocha
metamorfsca inea

Magma

Figura 2. Ciclo da rocha


11
12 Fundamentos de engenharia geotécnica

Rocha ígnea

Rochas ígneas são formadas pela solidificação de magma fundido expelido pelo manto terrestre.
Após ser expelido através de erupção fissura! ou erupção vulcânica, uma quantidade desse mag-
ma resfria na superficie da Terra. Às vezes, a mobilidade do magma cessa abaixo da superficie e
esse se resfria, formando rochas ígneas intrusivas chamadas rochas plutônicas. A rocha intrusiva
formada no passado pode atingir a superficie como resultado de um processo contínuo de erosão
dos materiais que a cobriam.
A classificação dos tipos de rochas ígneas, formadas pelo resfriamento de magma, depende de
fatores como a composição do magma e a taxa de resfriamento desta composição. Após conduzir di-
versos ensaios de laboratório, Bowen (1922) conseguiu explicar a relação da taxa de resfriamento do
magma com a formação de diferentes tipos de rocha. Sua explicação - conhecida como Princípio da
reação de Bowen - descreve a sequência na qual novos minerais são formados à medida que o magma
resfria. Os cristais minerais ficam maiores e alguns se sedimentam. Aqueles que permanecem sus-
pensos no líquido reagem com o material fundido para formar um novo mineral, a uma temperatura
mais baixa. Esse processo continua até que todo corpo fundido esteja solidificado. Bowen classificou
essas reações em dois grupos: (1) série de reação ferromagnesiana descontínua, na qual os minerais
formados são diferentes em suas composições químicas e estrutura cristalina, e (2) série de reação
defeldspato plagioclásio contínua, na qual os minerais formados têm diferentes composições com
estruturas cristalinas semelhantes. A Figura 2.2 mostra a série de reação de Bowen, já as composições
químicas de minerais são apresentadas na Tabela 2. 1, e a Figura 2.3 é uma microscopia eletrônica de

Menor resistência Cristalização a


ao intemperismo temperaturas mais altas
Olivina Feldspato cálcico

Augita

151 Hornblenda Feldspato sódico

Biotita (mica preta) CIO

Ortoclasio
(Feldspato potássico)

Muscovita
(mica branca)
+ 1
Maior resistência + Cristalização a
ao intemperismo Quartzo temperaturas mais baixas
Figura 2.2 Série de reação de Bowen

Tabela 2. 1 Composição dos minerais presentes nas séries de reação de Bowen

Mineral Composição

Olivina (Mg, Fe)2SiO4


Augita Ca, Na(Mg, Fe, Al)(Al, Si206)
Hornblenda Silicato ferromagnesiano complexo de Ca, Na, Mg, Ti e Al
Biotita (mica preta) K(Mg, Fe)3A1Si3010(OH)2
Plagioclásio feldspato cálcico Ca(Al2Si2O5)
feldspato sódico Na(A1Si3O8 )
Ortoclásio (feldspato potássico) K(A1Si3O8 )
Muscovita (mica branca) KA13Si3010(OH)2
Quartzo sio
Origem do solo e tamanho dos grãos 13

varredura de uma superficie fraturada de quartzo, exibindo fraturas vítreas sem clivagem planar dis-
creta. A Figura 2.4 é uma microscopia eletrônica de varredura que mostra a clivagem basal de grãos
individuais de mica.
Desta forma, dependendo das proporções dos minerais disponíveis, são formados diferentes ti-
pos de rocha ígnea. Granito, gabro e basalto são alguns dos tipos comuns de rocha ígnea, geralmente
encontrados em campo. A Tabela 2.2 refere-se a composição geral de algumas dessas rochas.

Figura 2.3 Microscopia


eletrônica de varredura de uma
superficie fraturada de quartzo,
exibindo fraturas semelhantes
a vidro sem superficie planar
discreta (Cortesia de David 1
White, Iowa State University,
A,nes, Iowa.)

Figura 2.4 Microscopia


eletrônica de varredura
mostrando clivagem basal
de grãos individuais de
mica (Cortesia de David
J. 9,7iite, Iowa State
University Á,nes, Iowa.)
14 /Lj, r/:-de enc/(?n/)aíIa (]CO[ó(flf(

Tabela 2.2 Composição de algumas rochas ígneas


Nome da Modo de
rocha ocorrência Textura Minerais abundantes Minerais menos abundantes

Granito Intrusivo Grossa Quartzo, feldspato sódico, Biotita, muscovita,


Riólito Extrusivo Fina feldspato potássico hornblenda
Gabro Intrusivo Grossa Plagioclásio, piroxênios, Hornblenda, biotita,
Basalto Extrusivo Fina olivina magnetita
Diorita Intrusivo Grossa Plagioclásio, hornblenda Biotita, piroxênios (quartzo
Andesita Extrusivo Fina geralmente ausente)
Sienita Intrusivo Grossa Feldspato potássico Feldspato sódico, biotita,
Traquito Extrusivo Fina hombienda
Peridotito Intrusivo Grossa Olivina, piroxênios Óxidos de ferro

Intemperismo
Intemperismo é o processo de desgaste rochoso por meio de processos mecânicos e químicos. O in-
temperismo mecânico pode ser causado pela expansão e contração das rochas em função do cons-
tante ganho e perda de calor, resultando na desintegração. Muitas vezes, a água penetra nos poros
e nas rachaduras existentes nas rochas. Com a queda da temperatura, a água congela e expande.
A pressão exercida pelo gelo em função da expansão do volume é forte o suficiente para quebrar as
rochas, mesmo as maiores. Outros agentes fisicos que ajudam a desintegrar as rochas são as geleiras
glaciais, o vento, a água corrente de riachos ou rios e as ondas do mar. É importante saber que, no
intemperismo mecânico, rochas grandes são quebradas em pedaços menores sem qualquer alteração
na composição química. A Figura 2.5 mostra diversos exemplos de intemperismo mecânico resul-
tante do impacto das ondas do mar e do vento em Yehliu, Taiwan. Essa área está localizada em um
cabo longo e estreito no lado noroeste de Keelung, cerca de quinze quilômetros entre a costa norte
de Chin Shan e Wanli.

Figura 2.5
- . 'A.

Erosão mecânica devida a ondas oceânicas evento em Yehliu, Taiwan (Cortesia de


Braja M. Das, Henderson, Nevada.)
Origem do solo e tamanho dos grãos 15

(continuação)
16 Fundamentos de engenharia geotécnica

- 4
• . -' •%..
: •'-
I.

Figura 2.5 (continuação)

No intemperismo químico, os minerais originais da rocha são transformados em novos minerais


por meio de reações químicas. A água e o dióxido de carbono da atmosfera formam o ácido carbônico,
que reage com os minerais existentes nas rochas, formando novos minerais e sais solúveis. Os sais
solúveis presentes nos lençóis freáticos e os ácidos orgânicos formados pela decomposição de matéria
também contribuem para o intemperismo químico. Um exemplo de intemperismo químico do orto-
clásio para formar minerais da argila, sílica e carbonato de potássio solúvel é apresentado a seguir:

H20 + CO2 - H2CO3 - H + (HCO3 )


Ácido carbônico

2K(A1Si308 )+ 2H + H20 - 2K + 4Si02 + Al2Si2 05 (OH)4


ortoclásio sílica caulinita

A maior parte dos íons de potássio liberados é levada em solução como carbonato de potássio e ab-
sorvida pelas plantas.
O intemperismo químico do feldspato plagioclásio é semelhante ao do ortoclásio, uma vez que
produz minerais de argila, sílica e diferentes sais solúveis. Os minerais ferromagnesianos também
formam esses produtos químicos. Além disso, o ferro e o magnésio, em minerais desse tipo, resultam
em outros produtos como hematita e limonita. O quartzo é altamente resistente ao intemperismo e
apenas levemente solúvel em água. A Figura 2.2 mostra a susceptibilidade ao intemperismo dos
elementos que formam as rochas. Os minerais formados a altas temperaturas na série da reação de
Bowen são menos resistentes à erosão do que aqueles formados a temperaturas mais baixas.
O processo de intemperismo não está limitado a rochas ígneas. Como mostrado no ciclo das rochas
(Figura 2. 1), rochas sedimentares e metamórficas também sofrem intemperismo de forma semelhante.
Portanto, com base na breve análise anterior, podemos ver como o processo de intemperismo
quebra formações rochosas sólidas em fragmentos menores de vários tamanhos, que variam desde
grandes rochas até partículas minúsculas de argila. Agregados não cimentados de pequenos grãos em
Origem do solo e tamanho dos grãos 17

várias proporções formam diferentes tipos de solo. Os minerais de argila, produto do intemperismo
químico de feldspatos, ferromagnesianos e micas, fornecem a propriedade plástica dos solos. Há três
importantes minerais de argila: (1) caulinita, (2) juta e (3) inontinorilonita. (Discutiremos os minerais
de argila posteriormente neste capítulo.)

Transporte de produtos do intemperismo


Os produtos do intemperismo podem ficar no mesmo lugar ou ser deslocados através do gelo, da
água, do vento e da gravidade.
Os solos formados por produtos do intemperismo em seu lugar de origem são chamados solos
residuais, que têm como característica importante a graduação do tamanho das suas partículas. Solos
de grãos refinados são encontrados na superficie e o tamanho dos grãos aumenta conforme a profun-
didade. Em locais mais profundos, também podem ser encontrados fragmentos de rocha angulares.
Os solos transportados podem ser classificados em diversos grupos, dependendo do seu modo
de transporte e sedimentação:

1. Solos glaciais - formados pelo transporte e sedimentação de geleiras.


2. Solos aluviais - transportados pela água corrente e depositados ao longo dos rios.
3. Solos lacustres - formados pela sedimentação em lagos de água parada.
4. Solos marinhos - formados pela sedimentação nos oceanos.
5. Solos eólicos - transportados e depositados pela ação dos ventos.
6. Solos coluviais - formados pelo transporte do solo de seu local original pela gravidade, como em
deslizamentos de terra.

Rocha sedimentar
Os depósitos de pedregulhos, areia, silte e argila formados pelo intemperismo podem ser compacta-
dos pela sobrecarga de pressão e cimentados por agentes corno o óxido de ferro, a calcita, a dolomita
e o quartzo. Os agentes de cimentação são geralmente carregados em forma de solução pelas águas
subterrâneas. Eles preenchem os espaços entre as partículas e formam rochas sedimentares. As rochas
formadas desta maneira são chamadas rochas sedimentares detríticas.
Todas as rochas detríticas têm uma textura elástica. A seguir, são apresentados exemplos de
rochas detríticas com textura elástica.

Tamanho da partícula Rocha sedimentar

Granular ou maior (tamanho do grão de 2 mm-4 mm ou maior) Conglomerado


Areia Arenito
Silte e argila Argilito e folhelho

No caso dos conglomerados, quando as partículas são mais angulares, a rocha é chamada de brecha.
Em arenitos, o tamanho das partículas pode variar de mm a 2 mm. Quando os grãos do arenito são
em sua maioria de quartzo, a rocha é chamada de orto quartzito. Em argilito e folhelho, o tamanho das
partículas tem em geral menos de - g mm. O argilito possui aspecto compactado. Porém, no caso do
folhelho, a rocha é dividida em placas laminadas.
A rocha sedimentar também pode ser formada por processos químicos. Esses tipos de rocha são
classificados como rochas sedimentares químicas, e podem apresentar uma textura elástica ou não
elástica. A seguir, estão alguns exemplos de rochas sedimentares.

Composição Rocha

Calcita (CaCO3) Calcário


Halita (NaC1) Cloreto de sódio
Dolomita [CaMg(CO3)] Dolomita
Gipsita (CaSO4 x 2H20) Gipso
18 Funclarnen tos de engenharia geo técnica

O calcário é formado principalmente por carbonato de cálcio, depositado tanto por organismos quanto
por processos inorgânicos. A maioria dos calcários tem textura clástica, embora texturas não elásti-
cas também possam ser comumente encontradas. A Figura 2.6 mostra a microscopia eletrônica de
varredura de uma superficie fraturada de calcário. Os grãos individuais de calcita indicam clivagem
romboédrica. O giz é uma rocha não sedimentar constituída, em parte, por calcita de derivação bio-
química, que é um conjunto de fragmentos estruturais de plantas e animais microscópicos. A dolo-
mita é formada tanto pela sedimentação química de carbonatos misturados, quanto pela reação do
magnésio presente na água com o calcário. A gipsita e a anidrita resultam da precipitação de CaSO4
solúvel, devido à evaporação da água do mar, e pertencem a uma classe de rochas geralmente conhe-
cidas como evaporitos. O cloreto de sódio (NaCl) é outro exemplo de evaporito que tem origem nos
depósitos de sal da água do mar.
A rocha sedimentar pode passar por intemperismo e formar sedimentos ou ser submetida ao
processo de metamorfismo e transformar-se em rocha metamórfica.

Rocha metamórfica
Meta,noifismo é o processo de alteração da composição e textura das rochas (sem fusão) em razão
do calor e da pressão. Durante a metamorfose, novos minerais são formados e os grãos são eisa-
lhados, conferindo uma textura foliada à rocha metamórfica. Gnaisse é uma rocha metamórfica
derivada do metamorfismo regional de grau elevado de rochas ígneas, como granito, gabro e diorita.
O metamorfismo de grau baixo de folhelhos e argilitos forma a ardósia. Os minerais de argila pre-
sentes no folhelho transformam-se em clorita e mica pelo calor. Desta forma, a ardósia é composta
principalmente por placas desses elementos. O filito é uma rocha metamórfica derivada da ardósia
que passou por mais processos metamórficos, sendo submetida a uma temperatura entre os 250 e
300 °C. O xisto é um tipo de rocha metamórfica derivada de diversas rochas ígneas, sedimentares
e metamórficas de grau baixo com uma textura bem foliada e placas visíveis de minerais em lami-
nares e micáceos. Em geral a rocha metamórfica também contém grandes quantidades de quartzo e
feldspato.

?ura 2.6 Microscopia


eletrônica de varredura de uma
superfície fraturada de calcário
(Cortesia de David 1 White, Iowa
State University, Ames, Iowa.)
Origem do solo e tamanho dos grãos 19

O mármore é formado por calcita e dolomita, por meio de recristalização. Os grãos minerais
do mármore são maiores que aqueles presentes na rocha original. O mármore verde é colorido por
hornblendas, serpentina ou talco. O mármore preto contém material betuminoso e o mármore marrom
contém óxido de ferro e limonita. O quartzito é uma rocha metamórfica formada de arenito, rica em
quartzo. A sílica entra nos espaços vazios entre o quartzo e os grãos de areia, atuando como um agente
cimentador. O quartzito é uma das rochas mais duras na natureza. Quando submetidas ao calor e pres-
são extremos, rochas metamórficas fundem-se e formam o magma, reiniciando o ciclo.

Tamanho das partículas do solo


Como discutido na seção anterior, o tamanho das partículas que compõem o solo variam muito. O
solo geralmente recebe a denominação pedregulhos, areia, silte ou argila, dependendo do tamanho
predominante das partículas presentes. Para descrever os solos pelo tamanho das partículas, diver-
sas organizações desenvolveram classificações de tamanho. A Tabela 2.3 mostra as classificações
de tamanho de partícula desenvolvidas pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), pelo
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), pela Associação Americana de Rodovias
Estaduais e Autoridades de Transporte (AASHTO), pelo Corpo de Engenharia do Exército dos Esta-
dos Unidos (U.S. Army Corps ofEngineers) e pelo Bureau de Reclamações dos Estados Unidos (U.S.
Bureau of Reclamation). Nessa tabela, o sistema MIT é apresentado apenas para fins de ilustração.
Esse sistema é importante na história do desenvolvimento dos limites de tamanho de partículas pre-
sentes nos solos. Porém, o Sistema Unificado de Classificação de Solos agora é aceito de maneira
quase universal e foi adotado pela Sociedade Americana para Testes e Materiais (ASTM). A Figura
2.7 mostra os limites de tamanho em forma de gráfico.
Pedregulhos são pedaços de rochas com algumas partículas de quartzo, feldspato e outros mi-
nerais. Partículas de areia são constituídas principalmente por quartzo e feldspato, mas outros grãos
minerais também podem estar presentes. A Figura 2.8 mostra a microscopia eletrônica de varredura
de alguns grãos de areia. Observe que os grãos maiores mostram o arredondamento que pode ocorrer
como resultado do desgaste durante o transporte intermitente pelo vento e/ou água. A Figura 2.9 é
uma ampliação dos grãos destacados na Figura 2.8 e revela algumas pequenas partículas de argila
grudadas a grãos de areia maiores. Siltes são frações de solo microscópicas que consistem em grãos
de quartzo bem refinados e algumas partículas em forma de placas, que são fragmentos de minerais

Tabela 2.3 Classificações do tamanho das partículas


Tamanho do grão (mm)

Nome da organização Pedregulho Areia Silte Argila

Instituto de Tecnologia de Massachusetts >2 2 a 0,06 0,06 a 0,002 <0,002


(MIT)
Departamento de Agricultura dos Estados >2 2 a 0,05 0,05 a 0,002 <0,002
Unidos (USDA)
Associação Americana de Rodovias 76,2 a 2 2 a 0,075 0,075 a 0,002 < 0,002
Estaduais e Autoridades de Transporte
(AASHTO)
Sistema Unificado de Classificação 76,2 a 4,75 4,75 a 0,075 Grãos finos
de Solos (Corpo de Engenharia do (por exemplo, siltes e argilas)
Exército dos Estados Unidos, Bureau < 0,075
de Reclamações dos Estados Unidos
e Sociedade Americana para Testes e
Materiais)
Observação: Aberturas de peneiras de 4,75 mm são encontradas em uma peneira no padrão americano n2 4;
aberturas de 2 mm, em uma peneira no padrão americano n° 10; aberturas de 0,075, em uma peneira no padrão
americano ne 200. Observe a Tabela 2.5.
20 Fundamentos de engenharia geo técnica

Instituto de Tecnologia
de Massachusetts

Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos

Associação Americana de Rodovias


Estaduais e Autoridades de Transporte

Sistema Unificado de
Classificação do Solo

100 10 1,0 0,1 0,01 0,001


Tamanho do grão (mm)

• Pedregulho • Areia LII Silte 0 Silte e argila 0 Argila


Figura 2. 7 Limites de tamanhos de partículas desolo por vários sistemas de classificação

2. 6 Microscopia eletrônica de varredura de alguns grãos de areia (Cortesia de


David J. White, Iowa State University, Ames, Iowa.)

micáceos. Argilas são formadas principalmente por partículas lamelares, microscópicas e submicros-
cópicas de mica, argilominerais e outros minerais.
Como apresentado na Tabela 2.3 e na Figura 2.7, argilas geralmente são definidas como partí-
culas menores que 0,002 mm. No entanto, em alguns casos, partículas de 0,002 e 0,005 mm também
são definidas como argila. Partículas classificadas corno argila com base em seu tamanho podem não
conter argilominerais. As argilas foram definidas como partículas que "desenvolvem plasticidade ao
serem misturadas a uma quantidade de água limitada" (Grim, 1953). (A plasticidade é a propriedade
que as argilas possuem de se tomarem urna massa plástica quando contêm certa quantidade de água.)
Origem do solo e tamanho dos grãos 21

Ampliação dos grãos de areia mostrados ria ligura 2.8 (Cortesia mie Dam'idJ.
White, Iowa State University, Ames, Iowa.)

Solos não argilosos podem conter pequenas partículas de quartzo, feldspato ou mica que se encaixam
nesta classificação. Consequentemente, é adequado que partículas de solo menores que 2 micrôme-
tros (2 m) ou 5 micrômetros (5 jim) sejam chamadas de partículas com tamanho de argila e não de
argila, como definido em sistemas diferentes. As partículas de argila possuem principalmente tama-
nho coloidal (< 1 um), e 2 im parece ser o limite superior.

A rgilominerais
Argilominerais são silicatos de alumínio complexos compostos por duas unidades básicas: (1) tetrae-
dro de sílica e (2) octaedro de alumina. Cada unidade de tetraedro consiste em um átomo de silício
rodeado por quatro átomos de oxigênio (Figura 2.1 Oa). A combinação de unidades de sílica tetraé-
dricas resulta em urna lâmina de sílica (Figura 2.10h). Os três átomos de oxigênio na base de cada
tetraedro são compartilhados pelos tetraedros vizinhos. As unidades octaédricas consistem em um
átomo de alumínio rodeado de seis hidroxilas (Figura 2.10c), e a combinação de unidades octaédricas
de hidróxido de alumínio formam uma lâmina octaédrica. (Também chamada de lâmina de gibsita -
Figura 2.1 Od.) Algumas vezes, o magnésio substitui os átomos de alumínio nas unidades octaédricas.
Nesse caso, a lâmina octaédrica é chamada de lâmina de brucita.
Em uma lâmina de sílica, cada átomo de silício com urna carga positiva de quatro é ligado a qua-
tro átomos de oxigênio com um total de carga negativa de oito. No entanto, cada átomo de oxigênio
na base do tetraedro é ligado a dois átomos de silício, ou seja, o átomo de oxigênio do topo de cada
unidade tetraédrica possui uma carga negativa de um, para balancear. Quando a lâmina de sílica é co-
locada sobre a lâmina octaédrica, como mostra a Figura 2. lOe, esses átomos de oxigênio substituem
as hidroxilas para balancear suas cargas.
A caulinita, um dos três importantes argilominerais, consiste em repetidas camadas de lâmina
de sílica e gibsita elementares em uma estrutura 1:1, como mostram as Figuras 2.11 e 2.12a. Cada ca-
mada tem cerca de 7,2 À de espessura. As camadas são mantidas unidas por pontes de hidrogênio. A
caulinita aparece como um conjunto de lamelas, cada uma com dimensão lateral de 1.000 a 20.000 À
e espessura de 100 a 1.000 À. A área da superficie das partículas de caulinita por massa de unidade
22 Fundamentos de engenharia geo técnica

e Oxigênio 4 e j Silício
(a) (b)

e ( flidroxila Alumínio
(c) (d)

(e)

Oxigênio ) Hidroxila Alumínio q# 4 Silício

Figura 2. 10 (a) Tetraedro de sílica; (b) lâmina de sílica; (c) octaedro de alumina; (d) lâmina octaédrica
(gibsita); (e) lâmina elementar de sílica-gibsita (Segundo Grim, 1959. Com permissão da ÁSCE.)

tem cerca de 15 m2/g. A área da superficie por massa de unidade é definida como superficie espe-
cifica. A Figura 2.13 mostra uma microscopia eletrônica de varredura de uma amostra de caulinita.
A juta, às vezes chamada de hidromica, consiste em uma lâmina de gibsita ligada a duas lâminas
de sílica - uma na parte superior e outra na parte inferior (Figuras 2.14 e 2.12b). As camadas de ilita
são ligadas por íons de potássio. A carga negativa para balancear os íons de potássio vem da substi-
tuição de alumínio por silício nas lâminas tetraédricas. A substituição de um elemento por outro sem
nenhuma alteração na forma cristalina é conhecida como substituição isomórfica. Partículas de jUta
geralmente têm dimensões laterais que variam de 1.000 a 5.000 À e espessuras entre 50 e 500 À.
A superficie específica das partículas é de cerca de 80 m2/g.
Origem do solo e tamanho dos grãos 23

• Oxigênio . Hidroxila a
Alumínio • J Silício
Figura 2. 11 Estrutura atômica da montmorilonita (Segundo Grim, 1959. Com
permissão da ASCE.)

Lâmina de sílica Lâmina de sílica

Lâmina de gibsita Lâmina de gibsita

Lâmina de gibsita Lâmina de sílica Lâmina de sílica

Lâmina de Sílica -- Potássio nH20 e cátions intercambiáveis


Espaçamento
t bÁ
Lâmina de sílica basal
variável - de
Lâmina de sílica

7,2 Á Lâmina de gibsita Lâmina de gibsita 9,6 Á até a completa Lâmina de gibsita
separação
Lâmina de sílica Lâmina de sílica Lâmina de sílica
(a) (b) (c)

LI Lâmina de gibsita LII Lâmina de sílica Potássio


Figura 2. 12 Diagrama das estruturas da (a) caulinita; (b) ilita; (c) montmorilonita

A montmorilonita tem uma estrutura semelhante à da ilita, ou seja, uma lâmina de gibsita entre
duas lâminas de sílica (veja as Figuras 2.15 e 2.12c.) Na montmorilonita há substituição isomórfica
de magnésio e ferro por alumínio nas lâminas octaédricas. Os íons de potássio não estão presentes
como na juta e uma grande quantidade de água é atraída para os espaços entre as camadas. Partículas
de montmorilonita geralmente têm dimensões laterais que variam de 1.000 a 5.000 À e espessuras
entre 10 e 50 À. A superficie específica das partículas é de cerca de 800 m2/g. A Figura 2.16 é uma
microscopia eletrônica de varredura do tecido de montmorilonita.
24 Fundamentos de engenharia geo técnica

.ura 2.13 Microscopia


eletrônica de varredura de algumas
amostras de caulinita (Cortesia
de David J. White, Iowa State
University, Ames, Iowa.)

J Oxigênio Hidroxila
4 Alumínio Q Potássio 4 # Silício

Figura 2. 14 Estrutura atômica da juta


Origem do solo e tamanho dos grãos 25

Cátions intercambiáveis
de nH2O

Oxigênio Hidroxila Alumínio, ferro e magnésio J .. Silício, ocasionalmente alumínio

Figura 2.15 Estrutura atômica da rnontmorilonita (Segundo Grim, 1959. Com


permissão da ASCE.)

Figura 2.16 Microscopia eletrônica


de varredura mostrando concentração
de montmorilonita (Cortesia de David
J. White, Iowa State University, Ames,
Iowa.)
26 Fundamentos de engenharia geotécnica

Além da caulinita, juta e montmorilonita, os outros minerais de argila comuns geralmente en-
contrados são a clorita, a haloisita, a vermiculita e a atapulgita.
As partículas de argila possuem uma carga negativa em suas superfícies, que é resultado da subs-
tituição isomórfica e da quebra da continuidade da estrutura em suas extremidades. Cargas negativas
grandes são derivadas de superfícies específicas maiores. Também há alguns locais com carga positiva
nas extremidades das partículas. Uma lista dos inversos das médias das densidades de carga superfi-
ciais negativas de alguns minerais de argila pode ser encontrada a seguir (Yong e Warkentin, 1996):

Inverso da média de
densidade de carga de superfície
Mineral de argila (Á2
/carga eletrônica)

Caulinita 25
Mica de argila e clorita 50
Montmorilonita 100
Vermiculita 75

Em argila seca, a carga negativa é balanceada por cátions intercambiáveis como Ca2+, Mg2 +,
Na+ e K+ rodeando as partículas mantidas por atração eletrostática. Quando a água é adicionada à
argila, esses cátions e alguns ânions flutuam em volta das partículas de argila. Essa configuração é
chamada de dupla camada difusa (Figura 2.17a). A concentração de cátions diminui conforme a dis-
tância da superfície da partícula (Figura 2.17b).
As moléculas de água são polares. Os átomos de hidrogênio não são axissimétricos em volta de
um átomo de oxigênio, mas apresentam um ângulo de ligação de 105° (Figura 2.18). Como resultado,
uma molécula de água possui uma carga positiva de um lado e uma carga negativa de outro, fenôme-
no este conhecido como dipolo.
A água dipolar é atraída tanto pela superfície negativamente carregada das partículas de argila
quanto pelos cátions na camada dupla. Os cátions, por sua vez, são atraídos pelas partículas do solo.
Um terceiro mecanismo onde a água é atraída para as partículas de argila é aponte de hidrogênio, na
qual os átomos de hidrogênio presentes nas moléculas de água são compartilhados com os átomos
de oxigênio na superfície da argila. Alguns cátions parcialmente hidratados na água intersticial tam-
bém são atraídos para a superfície das partículas de argila. Esses cátions atraem moléculas de água
dipolares. Todos os mecanismos de atração da água para a argila são apresentados na Figura 2.19.
A força de atração entre a água e a argila diminui de acordo com a distância das partículas em relação
à superficie. Toda água presa às partículas de argila pela força da atração é conhecida como água de

+ +
•; +++

Distância da partícula de argila


Superfície da partícula de argila
(a) (b)
Figura 2. 17 Dupla camada difusa
Origem do solo e tamanho dos grãos 27

Oxigênio

Hidrogênio) Hidrogênio
1w 1
105°

Figura 2. 18 Caráter dipolar da água

Molécula de agua dipolar

'•i• .Iè d

átion
Molécula de água dipolar

,•; .
'I• 'b + +
+ -

± +
+

• -- Partícula de argila
Figura 2.19 Atração de moléculas dipolares em dupla camada difusa

dupla camada. A camada mais interna desta água, que é bem presa pela argila, é conhecida como
água adsorvida, sendo mais viscosa que a água livre.
A Figura 2.20 mostra a água absorvida e a de dupla camada em partículas típicas de montmori-
lonita e caulinita. Esta orientação da água em volta das partículas de argila dá aos solos de argila suas
propriedades plásticas.
É necessário compreender que a presença de argilominerais em um agregado de solo influencia
muito as propriedades de engenharia do solo como um todo. Quando a umidade está presente, o com-
portamento de um solo será bastante alterado à medida que a porcentagem do conteúdo de mineral de
argila aumenta. Para todos os fins práticos, quando o conteúdo argiloso é de cerca de 50% ou mais, as
partículas de areia e de silte flutuam em uma matriz de argila, e os minerais desse elemento determi-
nam as propriedades de engenharia do solo.

Peso especifico relativo (G5 )


O peso específico relativo é definido como a razão do peso específico de determinado material para o
peso específico da água. O peso específico relativo dos sólidos geralmente é necessário para executar
diversos cálculos na mecânica dos solos, e pode ser determinado mais precisamente em laboratório. A
Tabela 2.4 mostra o peso específico relativo de alguns minerais comuns encontrados nos solos, sendo
a maioria dos valores em um intervalo de 2,6 a 2,9. O peso específico dos sólidos de uma areia de cor
clara, composta principalmente por quartzo, pode ser estimada em cerca de 2,65; para solos de argila
e silte, esse valor pode variar de 2,6 a 2,9.
28 Ftindairientos de engenharia geotécnica

1
200Ã

+oÁ ------' '

200À .

Partícula de montmorilonita típica, 1.000 À por 10 À

(a)

400 À

T10 +

--

400 À

Partícula de caulinita típica, 10.000 A por 1.000 A

(b)

E1 Cristal de montmorilonita E Água absorvida


• Cristal de caulinita E Água de dupla camada
Figura 2.20 Água na argila (Reproduzido segundo Lambe, 1958. Com permissão da ÁSCE.)

Tabela 2.4 Peso específico relativo de minerais comuns


Mineral Peso específico, G

Quartzo 2,65
Caulinita 2,6
luta 2,8
Montmorilonita 2,65-2,80
Haloisita 2,0-2,55
Feldspato potássico 2,57
Feldspato sódico e cálcico 2,62-2,76
Clorita 2,6-2,9
Biotita 2,8-3,2
Muscovita 2,76-3,1
Hornblenda 3,0-3,47
Limonita 3,6-4,0
Olivina 3,27-3,7
Orgern cio solo e [amanho dos grãos 29

Análise granulométrica do solo


Análise granulométrica é a determinação do tamanho das partículas presentes em um solo, expressa
como uma percentagem do peso seco total. Em geral, são utilizados dois métodos para encontrar a
distribuição do tamanho dos grãos do solo: (1) ensaio de peneiramento - para partículas com diâme-
tros maiores que 0,075 mm; (2) ensaio de sedimentação - para partículas com diâmetros menores
que 0,075 mm. Os princípios básicos do ensaio de peneiramento e do ensaio de sedimentação são
descritos brevemente nas duas seções seguintes.

Ensaio de peneiramento
O ensaio de peneiramento consiste em agitar uma amostra do solo em um conjunto de peneiras que
possuem furos progressivamente menores. Os números das peneiras no padrão americano e o tama-
nho das aberturas são fornecidos na Tabela 2.5.
As peneiras usadas para análise do solo geralmente possuem 203 mm (8 p01.) de diâmetro. Para
realizar o ensaio de peneiramento, deve-se primeiro secar o solo na estufa e quebrar todos os torrões
em partículas pequenas. A amostra é então peneirada por uma pilha de peneiras com aberturas de
malha de tamanho decrescente, do topo para o final (é colocado um recipiente embaixo da pilha
chamado fundo). A Figura 2.21 mostra um conjunto de peneiras em um agitador usado para realizar
o ensaio em laboratório. A peneira com a menor abertura que deve ser usada para esse tipo de ensaio
é a peneira n° 200. Após o solo ser peneirado, a massa retida em cada peneira é determinada. Quando
solos coesivos são analisados, pode ser dificil quebrar os torrões. Nesse caso, o material deve ser
misturado com água para formar um líquido e, então, ser despejado nas peneiras. As porções retidas
em cada peneira são coletadas separadamente e secas em uma estufa antes que a massa retida em cada
peneira seja medida.

1. Determine a massa de solo retida em cada peneira (por exemplo, M1 , M2 , ... M,) e no fundo (por
exemplo, M)
1. Determine a massa total do solo: M1 + M2 + + M,. + + M +M =EM
Determine a massa acumulada de solo retida acima de cada peneira. Para a i-ésima peneira, é de
M1+M2+... +M
4. A massa de solo que passa na i-ésima peneira é EM— (M1 + M2 + ... + M)
- A porcentagem de solo que passa pela i-ésima peneira (ou percentagem passante) é
F= EM (MI M2+M) X 10
EM

Tabela 2.5 Tamanhos de peneiras segundo o padrão americano


N2 da peneira Abertura (mm) N° da peneira Abertura (mm)

4 4,75 35 0,500
5 4,00 40 0,425
6 3,35 50 0,355
7 2,80 60 0,250
8 2,36 70 0,212
10 2,00 80 0,180
12 1,70 100 0,150
14 1,40 120 0,125
16 1,18 140 0,106
18 1,00 170 0,090
20 0,850 200 0,075
25 0,710 270 0,053
30 0,600
30 Fundamentos de engenharia geo técnica

Figura 2.21 Conjunto de peneiras para ensaio em


laboratório (Cortesia de Braja M Das, Henderson,
Nevada.)

Assim que a percentagem passante em cada peneira é calculada (etapa 5), os cálculos são regis-
trados em um papel de gráfico semilogarítmico (Figura 2.22), com a percentagem passante indicada
na ordenada do gráfico (escala aritmética) e o tamanho da abertura da peneira, na abscissa do gráfico
(escala logarítmica). Esse registro é chamado de curva de distribuição granulométrica.

Ensaio de sedimentação
O ensaio de sedimentação é baseado no princípio da sedimentação dos grãos de solo na água. Quando
uma amostra de solo é dispersa na água, as partículas sedimentam em velocidades diferentes, depen-

100

80

20

10,0 5,0 1,0 0,5 0,1 0,05


Tamanho da partícula (mm) - escala logarítmica
Figura 2.22 Curva de distribuição granulométrica
Origem do solo e tamanho dos grãos 31

dendo de sua forma, tamanho, peso e da viscosidade da água. Para simplificar, supõe-se que todas as
partículas do solo sejam esferas e que sua velocidade possa ser expressa pela lei de Stokes, segundo
a qual:

V=PSPWD2 (2.1)
1871

onde v =velocidade
ps = massa específica das partículas do solo
= massa específica da água
71 = viscosidade da água
D = diâmetro das partículas do solo

Portanto, a partir da Equação (2. 1),


1871v / 1871
D= /
(2.2)
ps — pw Ps — P" Kt

onde v= Distância L
Tempo t

Observe que
ps = (2.3)
Portanto, ao combinar as Eqs. (2.2) e (2.3) temos

D=
/1871 fT (2.4)
(G - 1)

Se ,q for dado em (g x s)/cm2, P em g/cm3, L em cm, t em mm, e D em mm, então

D (mm) =/ 1877 [(g x s)/cm2] / L (cm)


10 \ (G5 - l)p(gIcm3) t(min) x 60J
ou
3071 rL
D= \/ (G
__ -
Considere aproximadamente igual a 1 g/cm3, de forma que

D(mm)=K /L (cm) (2.5)


t(min)

onde
3Q
K= / (2.6)
(G8 - 1)

Observe que o valor de K é uma função de G e 71, que depende da temperatura do ensaio. A Tabe-
la 2.6 mostra a variação de K com a temperatura de ensaio e o peso específico relativo dos sólidos
do solo.
32 Fundamentos de engenharia geotécnica

Tabela 2.6 Valores de K da Eq. (2.6)"


G
Temperatura
(°C} 2,45 2,50 2.55 2,60 2.65 2.70 2.75 2,80

16 0,01510 0,01505 0,01481 0,01457 0,01435 0,01414 0,01394 0,01374


17 0,01511 0,01486 0,01462 0,01439 0,01417 0,01396 0,01376 0,01356
18 0,01492 0,01467 0,01443 0,01421 0,01399 0,01378 0,01359 0,01339
19 0,01474 0,01449 0,01425 0,01403 0,01382 0,01361 0,01342 0,01323
20 0,01456 0,01431 0,01408 0,01386 0,01365 0,01344 0,01325 0,01307
21 0,01438 0,01414 0,01391 0,01369 0,01348 0,01328 0,01309 0,01291
22 0,01421 0,01397 0,01374 0,01353 0,01332 0,01312 0,01294 0,01276
23 0,01404 0,01381 0,01358 0,01337 0,01317 0,01297 0,01279 0,01261
24 0,01388 0,01365 0,01342 0,01321 0,01301 0,01282 0,01264 0,01246
25 0,01372 0,01349 0,01327 0,01306 0,01286 0,01267 0,01249 0,01232
26 0,01357 0,01334 0,01312 0,01291 0,01272 0,01253 0,01235 0,01218
27 0,01342 0,01319 0,01297 0,01277 0,01258 0,01239 0,01221 0,01204
28 0,01327 0,01304 0,01283 0,01264 0,01244 0,01225 0,01208 0,01191
29 0,01312 0,01290 0,01269 0,01249 0,01230 0,01212 0,01195 0,01178
30 0,01298 0,01276 0,01256 0,01236 0,01217 0,01199 0,01182 0,01169

"De acordo com ASTM (2007)

No laboratório, o ensaio de sedimentação é conduzido em um cilindro de sedimentação, geral-


mente com 50 g de amostra seca em estufa. Algumas vezes, também são usadas amostras de 100 g.
O cilindro de sedimentação tem 457 mm de altura, 63,5 mm de diâmetro e é preparado para um
volume de 1000 ml. O hexametafosfato de sódio é normalmente usado como agente defloculante.
O volume da suspensão dispersa do solo é elevado para 1000 ml pela adição de água destilada. A Fi-
gura 2.23 mostra um densímetro tipo ASTM 152H.
Quando o densímetro é colocado na suspensão de solo por um tempo t, medido a partir do início
da sedimentação, ele mede o peso específico ao redor do bulbo a uma profundidade L (Figura 2.24).
O peso específico é uma função da quantidade de partículas de solo presentes por volume de sus-
pensão àquela profundidade. Além disso, em um tempo t, as partículas de solo em suspensão a urna
profundidade L apresentarão um diâmetro menor que D, como calculado na Eq. (2.5). As partículas
menores teriam sedimentado além da zona de medição. Os densímetros são desenvolvidos para deter-
minar a quantidade de solo, em gramas, que ainda está em suspensão. Eles são calibrados para solos
que possuem um peso específico relativo, G de 2,65; para solos com outro peso específico relativo é
necessário fazer uma correção.
Sabendo a quantidade de solo em suspensão, L e t, podemos calcular a percentagem de solo em
massa cujo diâmetro é menor que dado diâmetro. Observe que L é a profundidade medida a partir da
superfície da água até o centro de gravidade do bulbo do densímetro, no qual a densidade da suspen-
são é medida. O valor de L mudará com o tempo t. O ensaio de sedimentação é eficaz para separar
frações de solo até um tamanho de cerca de 0,5im. O valor de L (cm) para o densímetro ASTM 152H
pode ser dado pela expressão (Figura 2.24)

L=L1 +1 L - (2.7)
22
AJ
onde L1 = distância ao longo da haste do densímetro do topo do bulbo até a marca para a leitura do
densímetro (cm)
= comprimento do bulbo do densímetro = 14 cm
Vb = volume do bulbo do densímetro = 67 cm3
A = área da seção transversal do cilindro de sedimentação = 27,8 cm2
Origem do solo e tamanho dos grãos 33

.. '•:•
1

•._:
.._.. _.....
+

.-• 1.'.
•:. ;•.
L2 '.
.....'.I...
60
• :..
'

•'.v. •.. .. -'.. ••.-


a

Figura 2.23 Densímetro ASTM 152H


(Cortesia de ELE International.) Figura 2.24 Definição de L no ensaio de sedimentação

O valor de L1 é 10,5 cm para uma leitura de = O e 2,3 cm para uma leitura de = 50. Consequen-
temente, para qualquer leitura de R,

(10,5- 2,3)
Li = 10,5— R = 10,5— 0,164R (cm)
50

Portanto, a partir da Eq. (2.7),

L = 10,5 - 0,164R + 2
67
1Íl4 - 27,8J = 16,29— 0,164R (2.8)

onde R = leitura do densímetro corrigida para o menisco.


Com base na Eq. (2,8), as variações de L com as leituras do densímetro R são dadas na Tabela 2.7.
Em muitos casos, os resultados do ensaio de peneirarnento e de sedimentação para frações mais
finas de determinado solo são combinados em um gráfico, como o da Figura 2.25. Quando esses re-
sultados são combinados, geralmente ocorre urna descontinuidade no intervalo no qual se sobrepõem.
Esta descontinuidade ocorre porque as partículas de solo possuem formas irregulares. O ensaio de
peneiramento determina as dimensões intermediárias de urna partícula. O ensaio de sedimentação
determina o diâmetro de uma esfera equivalente que sedimentaria a uma velocidade igual à da partí-
cula de solo.
34 Fundamentos de engenharia geo técnica

Tabela 2.7 -
Variação de L com a Leitura do Densímetro Densímetro ASTM 152H
Leitura do densímetro, R L (cm) Leitura do densímetro, R L (cm)
O 16,3 31 11,2
1 16,1 32 11,1
2 16,0 33 10,9
3 15,8 34 10,7
4 15,6 35 10,6
5 15,5 36 10,4
6 15,3 37 10,2
7 15,2 38 10,1
8 15,0 39 9,9
9 14,8 40 9,7
10 14,7 41 9,6
11 14,5 42 9,4
12 14,3 43 9,2
13 14,2 44 9,1
14 14,0 45 8,9
15 13,8 46 8,8
16 13,7 47 8,6
17 13,5 48 8,4
18 13,3 49 8,3
19 13,2 50 8,1
20 13,0 51 7,9
21 12,9 52 7,8
22 12,7 53 7,6
23 12,5 54 7,4
24 12,4 55 7,3
25 12,2 56 7,1
26 12,0 57 7,0
27 11,9 58 6,8
28 11,7 59 6,6
29 11,5 60 6,5
30 11,4

Classificação unificada
Areia Silte e argila
Ensaio de peneiramento Ensaio de sedimentação
peneira n1 10 16 30 40 60 100 200
100

80

o. 60
r-
40
o
o
o
20

o
5 2 1 0,5 0,2 0,1 0,05 0,02 0,01 0,005 0,002 0,001
Diâmetro da partícula (mm) - escala logarítmica

• Ensaio de peneiramento A Análise com densímetro


Figura 2.25 Curva de distribuição granulométrica - ensaio de peneiramento e ensaio de sedimentação
Origem do solo e tamanho dos grãos 35

Curva de distribuição granulométrica


Uma curva de distribuição granulométrica pode ser usada para determinar os quatro parâmetros a
seguir para um dado solo (Figura 2.26):

1. Diâmetro efetivo (D10): esse parâmetro indica o diâmetro (mm) onde passa apenas 10% em massa
da amostra (ou seja, tem-se apenas 10% de material com diâmetro inferior a ele). O diâmetro efe-
tivo de um solo granular é uma boa medida para estimar a condutividade hidráulica e drenagem
através do solo.
2. Coeficiente de uniformidade (Cv): esse parâmetro é definido como

C =:Q (2.9)
U D10

onde D60 = diâmetro 60% mais fino.


3. Coeficiente de curvatura (Co): esse parâmetro é definido como

D30
CC = (2.10)
D60 x D10

4. Coeficiente de segregação (S0 ): esse parâmetro é outra medida de uniformidade e, em geral, é


encontrado em trabalhos geológicos e expressado como

so = Ii i (2.11)
D25

O coeficiente de segregação não é normalmente usado como um parâmetro por engenhei-


ros geotécnicos.

As percentagens de partículas de pedregulho, areia, silte e argila presentes no solo podem ser
obtidas a partir da curva de distribuição granulométrica. Como exemplo, usaremos a curva de dis-
tribuição granulométrica mostrada na Figura 2.25 para determinar o tamanho das partículas de pe-
dregulho, areia e argila como segue (de acordo com o Sistema Unificado de Classificação do Solo
- veja a Tabela 2.3):

100

80
75
a)

60
o,

40

30
25
20

10
'Da, D1 D,

10,0 5,0 1,0 0,5 0,1 0,05


Tamanho da partícula (mm) - escala logarítmica
Figura 2.26 Definição de D751 D601 D301 D25 e D10
36 Fundamentos de engenharia geo técnica

Tamanho (mm) Percentagem passante

76,2 100
100— 100 = 0% de cascalho
4,75 100
62 = 38% de areia
0,075 62
62— O = 62% de silte e argila
- o

A curva de distribuição granulométrica mostra não apenas a variação do tamanho das partículas
presentes em um solo, mas também o tipo de distribuição de partículas de diversos tamanhos. Esses
tipos de distribuição são exibidos na Figura 2.27. A curva 1 representa um tipo de solo no qual a
maioria dos grãos de solo possui o mesmo tamanho chamado solo maigraduado ou uniforme. A curva
II representa um solo no qual os tamanhos da partícula são distribuídos em uma ampla faixa, chama-
do bem graduado ou desunforme. Um solo bem graduado possui um coeficiente de uniformidade
maior que cerca de 4 para pedregulhos e 6 para areias, e um coeficiente de curvatura entre 1 e 3 (J)ara
pedregulhos e areias). Um solo pode ter uma combinação de duas ou mais frações com granulação
uniforme. A curva III representa esse tipo de solo, chamado granulometria descontínua.

100

80 Mal graduado
e
e. 60 -
E
Bem graduado regular
e 40 -
Q

20 -

0-
2,0 1,0 0,5 0,2 0,1 0,05 0,02 0,01 0,005 Figura 2.27 Diferentes tipos de curvas de
Diâmetro da partícula (mm) - escala logarítmica distribuição granulométrica

Exemplo 2.1
A seguir, estão os resultados de um ensaio de peneiramento. Faça os cálculos necessários e trace
uma curva de distribuição granulométrica.

NP da peneira Massa de solo


padrão americano retida em cada peneira (g)
4 O
10 40
20 60
40 89
60 140
80 122
100 210
200 56
Fundo 12
Origem do solo e tamanho dos grãos 37

Solução
A tabela, a seguir, pode agora ser preparada.

N2 da peneira Abertura Massa retida em Massa acumulada retida Percentagem passante


padrão americano (mm) cada peneira (g) em cada peneira (g) em cada peneira,
(1) (2) (3) (4) (5)

4 4,75 O O 100
10 2,00 40 0+40=40 94,5
20 0,850 60 40 + 60 = 100 86,3
40 0,425 89 100+89=189 74,1
60 0,250 140 189 + 140 = 329 54,9
80 0,180 122 329+122=451 38,1
100 0,150 210 451+210=661 9,3
200 0,075 56 661+56=717 1,7
Fundo - 12 717+12=729=M

aM_ col. 4 100 729col.4 100


EM 729

A curva de distribuição granulométrica é mostrada na Figura 2.28.


100 r-

60

c
'-> 40

30

20

10

o
10 5 3 1 0,5 0,3 0,1 0,05
Tamanho da partícula (mm)

Figura 2.28 Curva de distribuição granulométrica ai

Exemplo 2.2
Para a curva de distribuição granulométrica mostrada na Figura 2.28, determine:
a. D10 , D30 e D60
b. coeficiente de uniformidade, C
c. coeficiente de curvatura, C
('continua)
38 Fundamentos de engenharia geo técnica

Solução
Parte a
A partir da Figura 2.28,
D10 = 0,15 mm
D30 = 0,17 mm
D60 = 0,27 mm

Parte b

C.U
D10 0,15
D30
= (0,17)2
C, = -0 71
D60 x D10 (0,27)(0,15)

Exemplo 2.3
Para a curva de distribuição granulométrica mostrada na Figura 2.28, determine as percentagens de
partículas de pedregulho, areia, silte e argila presentes. Use o Sistema Unificado de Classificação
de Solo.

Solução
A partir da Figura 2.28, podemos criar a seguinte tabela.

Tamanho (mm) Percentagem passante

76,2 100
100-100=0% de pedregulho
4,75 100
100 - 1,7 = 98,3% de areia
0,075
1,7-0 = 1,7% de silte e argila
o7

Formadas partículas
A forma das partículas presentes em uma massa de solo tem a mesma importância da distribuição gra-
nulométrica, porque tem influência significativa sobre as propriedades fisicas de determinado solo.
No entanto, não é dada muita atenção à forma da partícula porque é mais dificil de determinar. A
forma da partícula geralmente pode ser dividida em três principais categorias:
1. Volumosa
2. Lamelar
3. Fibrilar

As partículas volumosas são formadas principalmente pelo intemperismo mecânico de rochas


e minerais. Os geologistas usam termos como angular, subangular, subarredondado e arredondado
para descrever os formatos de partículas volumosas, mostrados qualitativamente na Figura 2.29. Pe-
quenas partículas de areia localizadas próximas de sua origem são geralmente muito angulares. As
partículas de areia carregadas pelo vento e pela água, por longas distâncias, podem apresentar forma-
Origem do solo e tamanho dos grãos 39

•:-':'.

Angular Subangular

0 O O O

Subarredondada Arredondada
Figura 2.29 Formato de partículas volumosas

tos que vão desde o subangular ao arredondado. O formato de partículas granulares em uma massa
de solo exerce grande influência sobre suas propriedades fisicas, como no índice de vazios máximo e
mínimo, parâmetros de resistência ao cisalhamento, compressibilidade etc.
A angularidade, A, é definida como
= Raio médio dos cantos e bordas
Á (2.12)
Raio da esfera máxima inscrita

A esfericidade de partículas volumosas é definida como


D
(2.13)
LP

onde De = diâmetro equivalente da partícula =


V =volume da partícula
L = comprimento da partícula
As partículas lamelares possuem uma esfericidade muito baixa - geralmente de 0,01 ou menos
- e são predominantemente argilominerais.
As partículas fibrilares são muito menos comuns que os outros dois tipos de partícula. Alguns
depósitos de corais e argilas atapulgitas são exemplos de solo contendo partículas fibrilares.

Resumo e considerações gerais


Neste capítulo, analisamos o ciclo das rochas, a origem do solo pelo intemperismo, a distribuição
granulométrica em uma massa de solo, o formato de partículas e os minerais de argila. Alguns pontos
importantes incluem:
1. As rochas podem ser classificadas em três categorias básicas: (a) ígneas, (b) sedimentares e
(c) metamórficas.
2. Os solos são formados por intemperismo químico e mecânico de rochas.
3. Com base no tamanho de partículas do solo, ele pode ser classificado como pedregulho, areia,
silte ou argila.
40 Fundamentos de engenharia geo técnica

4. As argilas são formadas principalmente por partículas lamelares microscópicas e submicroscópi-


cas de mica, argilominerais e outros minerais.
5. Os argilominerais são silicatos de alumínio complexos que desenvolvem plasticidade quando
misturados a uma quantidade limitada de água.
6. A análise granulométrica é um processo para determinar a variação do tamanho das partículas
presentes em uma massa de solo. O peneiramento e a sedimentação são dois ensaios usados na
análise granulométrica dos solos.

Problemas
2.1 Para um solo, considere que D10 = 0,08 mm, D30 = 0,22 mm e D60 = 0,41 mm. Calcule o coe-
ficiente de uniformidade e de curvatura.

2.2 Repita o Problema 2.1 considerando o seguinte: D10 = 0,24 mm, D30 = 0,82 mm e D6,= 1,81 mm.

2.3 Repita o Problema 2.1 considerando o seguinte: D10 = 0,18 mm, D30 = 0,32 mm e D60 = 0,78 mm.

2.4 A seguir, estão os resultados de uma análise granulométrica:

N2 da peneira Massa de
padrão americano solo retida (g)

4 O
10 18,5
20 53,2
40 90,5
60 81,8
100 92,2
200 58,5
Fundo 26,5

a. Determine a percentagem passante em cada peneira e trace uma curva de distribuição gra-
nulométrica.
b. Determine D10 , D30 e D60 a partir da curva de distribuição granulométrica.
e. Calcule o coeficiente de uniformidade C.
d. Calcule o coeficiente de curvatura, C.

2.5 Repita o Problema 2.4 considerando:

N° da peneira Massa de
padrão americano solo retida (g)

4 O
10 44
20 56
40 82
60 51
80 106
100 92
200 85
Fundo 35
Origem do solo e tamanho dos grãos 41

2.6 Repita o Problema 2.4 considerando:

N2 da peneira Massa de
padrão americano solo retida (g)

4 O
10 41,2
20 55,1
40 80,0
60 91,6
100 60,5
200 35,6
Fundo 21,5

2.7 Repita o Problema 2.4 com os seguintes resultados de uma análise granulométrica:

N° da peneira Massa de solo retida


padrão americano em cada peneira (g)

4 O
6 O
10 O
20 9,1
40 249,4
60 179,8
100 22,7
200 15,5
Fundo 23,5

2.8 A seguir, estão os resultados de ensaios de peneiramento e sedimentação:

Peneira número! Porcentagem


Análise tamanho do grão passante

Peneiramento 40 100
80 97
170 92
200 90
Sedimentação 0,04 mm 74
0,015 mm 42
0,008 mm 27
0,004 mm 17
0,002 mm 11

a. Trace a curva de distribuição granulométrica.


b. Determine as percentagens de pedregulho, areia, silte e argila, de acordo com o sistema do
MIT.
e. Repita a parte b de acordo com o sistema da USDA.
d. Repita a parte b de acordo com o sistema da AASHTO.
42 Fundamentos de engenharia geo técnica

2.9 As características granulométricas do solo são apresentadas na tabela a seguir. Trace a curva de
distribuição granulométrica.

Tamanho (mm) Percentagem passante

0,425 100
0,033 90
0,018 80
0,01 70
0,0062 60
0,0035 50
0,0018 40
0,001 35

Determine as percentagens de pedregulho, areia, silte e argila:


a. De acordo com o sistema da USDA.
b. De acordo com o sistema da AASHTO.

2.10 Repita o Problema 2.9 considerando os dados a seguir:

Tamanho (mm) Percentagem passante

0,425 100
0,1 92
0,052 84
0,02 62
0,01 46
0,004 32
0,001 22

2.11 Em um ensaio de sedimentação, os resultados são os seguintes: G = 2,60, temperatura da


água = 24 °C e R = 43, 60 minutos após o início da sedimentação (veja a Figura 2.24). Qual
é o diâmetro, D, das partículas de menor tamanho que sedimentaram além da zona de medição
naquele momento (ou seja, t = 60 mm)?

2.12 Repita o Problema 2.11 considerando os seguintes valores: GS = 2,70, temperatura = 23 °C,
t= 120 mine R=25.

Referências
AMERICAN SOCIETY FOR TESTINU AND MATER1ALS. ASTMBook ofStandards, seção 4, v. 04.08, West Conshohocken,
Pa, 2007.
BOWEN, N. L. The Reaction Principies in Petrogenesis, Journal of Geology, v. 30, p. 177-198, 1922.
GRIM, R. E. Clay Mineralogy. Nova York: McGraw-Hill, 1953.
GIOM, R. E. Physico-Chemicai Properties of Soiis: Ciay Minerais, Journal ofthe Soil Mechanics and Founda-
tions Division, ASCE, v. 85,n. SM2,p. 1-17, 1959.
LAMBE, T. W. The Structure ofCompacted Ciay, Journal ofthe Soil Mechanics and Foundations Division, ASCE,
v. 84, n. SM2, p. 1655-1 e 1655-35, 1958.
YONG, R. N.; WARKENTIN, B. P. Introduction ofSoil Behavior Nova York: Macmiilan, 1966.
3 Relações peso-volume

O Capítulo 2 apresentou os processos geológicos por meio dos quais os solos são formados, a des-
crição dos limites de tamanhos de partículas e a análise granulométrica dos solos. Na natureza, os
solos são sistemas trifásicos constituídos de sólidos, água e ar. Este capítulo aborda as relações peso-
-volume do solo.

Relações peso-volume
A Figura 3.1a mostra um elemento de solo com volume V peso Wem seu estado natural. Para de-
senvolver as relações peso-volume, é preciso separar as três fases (ou seja, sólidos, água e ar), como
mostra a Figura 3. ib. Assim, o volume total de uma dada amostra de solo pode ser expresso como
v= ç+ v= ç+ IV a
(3.1)
onde J' = volume de sólidos no solo
J'Ç = volume de vazios
IV
= volume de água nos vazios
Va = volume de ar nos vazios
Supondo que o peso do ar seja desprezível, podemos obter o peso total da amostra como
w= ;4;ç + W (3.2)

--
---

Peso Volume W
total total
=V

=r y-
(a) (b)

E Ar E Água 0 Sólidos
Figura 3. 1 (a) Solo em estado natural; (b) três fases do solo

43
44 Fundamentos de engenharia geo técnica

onde W = peso dos sólidos do solo


= peso da água

As relações de volume comumente utilizadas para as três fases em um elemento de solo são
índice de vazios, porosidade e grau de saturação. O índice de vazios (e) é definido como a relação
entre o volume de vazios e o volume de sólidos. Assim,

e= - (3.3)

A porosidade (n) é definida pela relação entre o volume de vazios e o volume total, ou

v
n= - (3.4)

O grau de saturação (8) é definido pela relação entre o volume de água e o volume de vazios, ou seja,

(3.5)

É geralmente expresso em percentagem.


A relação entre o índice de vazios e a porosidade pode ser obtida a partir das Equações (3. 1),
(3.3) e (3.4) como segue:

= ~ VV
e== (3.6)
J' V— V, ~ V.
L l—n
v
Além disso, a partir de Equação (3.6),
e
(3.7)
l +e

Os termos mais comuns usados para as relações de peso são teor de umidade e peso especifico.
O teor de umidade (w), também chamado de teor de água, é definido pela relação entre o peso da
água e o peso de sólidos, em um determinado volume de solo:

w
w= — (3.8)
ws
Peso específico 'y é o peso do solo por unidade de volume. Assim,

w
(3.9)

O peso específico também pode ser expresso em termos de peso dos sólidos do solo, do teor de umi-
dade e do volume total. A partir das Equações (3.2), (3.8) e (3.9),

1+ Í!J 1
W ;+w ÇJj(l+w)
(3.10)
= -
Relações peso volume 45

Os engenheiros de solo algumas vezes referem-se ao peso específico definido pela Equação (3.9)
como peso específico natural.
Em muitas situações, para resolver problemas de obras de terra, é preciso saber o peso por unidade
de volume de solo, excluindo toda água. Esse peso é chamado de peso específico seco, d• Assim,

w
"Yd = (3.11)

A partir das Equações (3.10) e (3.11), a relação de peso específico, peso específico seco e teor de
umidade pode ser dada por

ly
'yd (3.12)

No Sistema Internacional (SI), a unidade utilizada é o quilonewtons por metro cúbico (kN/m3).
Como newton é uma unidade derivada, algumas vezes pode ser mais conveniente trabalhar com
massa específica (p) do solo. A unidade para massa específica no SI é o quilograma por metro cúbico
(kg/m3). Podemos escrever as equações de massa específica [semelhante às Equações (3.9) e (3.11)]
corno:
M
(3.13)

Pd =M (3.14)

onde p = massa específica do solo (kg/M3)


Pd = massa específica seca do solo (kg/m3)
M = massa total da amostra de solo (kg)
M, = massa de sólidos do solo na amostra (kg)
A unidade de volume total, V, é o m3.
O peso específico em kNIm3 pode ser obtido a partir das massas específicas em kg/m3 como

3)
y(kN/m3) - gp(kg/m
1000

e
gp (kgIm)
''J (kN/m3) =
1000

onde g = aceleração da gravidade = 9,81 mis'.


Observe que o peso específico da água (y,,) é igual a 9,81 kNlm3, ou 62,4 lb/fi3 ou ainda
1000 kgf/m3.

Relações entre peso específico, índice de vazios,


teor de umidade e peso específico relativo
Para obter a relação entre o peso específico (ou massa específica), o índice de vazios e teor de umida-
de, vamos considerar uma quantidade de solo no qual o volume dos sólidos do solo é 1, como mostra
a Figura 3.2. Quando o volume dos sólidos do solo é 1, então o volume de vazios é numericamente
igual ao índice de vazios e [da Equação (3.3)]. Os pesos dos sólidos do solo e da água podem ser
dados por
46 Fundamentos de engenharia geo técnica

Peso Volume

II V=e
W= wG V. = wG
1
. - V= 1+ e

W8 = vs =l

--- --- - - Figura 3.2 Três fases separadas de um


elemento de solo, com volume de sólidos do
E Ar B Água • Sólido solo igual a 1

W=Gy
= wW = WG,71,

onde G peso específico relativo dos sólidos do solo


w = teor de umidade
= peso específico da água
Agora, usando as definições de peso específico e peso específico seco [Equações (3.9) e (3.11)1,
podemos escrever

W = w: + W G7 + WGS 'YW= (1 + w)G'y


(3.15)
V - l+e l+e

e
W Gy1
(3.16)

ou
e=2í_i (3.17)
"Id

Como o peso da água para o elemento de solo, de acordo com as considerações anteriores, é
wG37, o volume ocupado pela água é
V = WW WGSyWG
w -
"1w "1w

Assim, a partir da definição do grau de saturação [Equação (3.5)],

Vw
S== -
V e
Relações peso-volume 47

ou

Se==wG (3.18)

Essa equação é útil para resolver problemas que envolvam relações de três fases.
Se a amostra de solo estiver saturada - isto é, com os espaços vazios completamente preen-
chidos com água (Figura 3.3) - a relação para o peso específico saturado (Ysat) pode ser obtida de
maneira similar:
W w, + W. - G'y.+ ey. = (G5 + e)'y
'Ysat 2 = v - 1+e 1+e
(3.19)

Além disso, a partir da Equação (3.18) com S = 1,

e=wG (3.20)

Como mencionado anteriormente, as seguintes equações, semelhantes às relações de peso espe-


cífico dadas nas Equações (3.15), (3.16) e (3.19), serão úteis devido à conveniência de se trabalhar
com massas específicas no sistema SI:

(1 + w)Gp
Massa específica = = (3.21)
1+e

Massa específica seca = Pd = ( 3.22)


1+e

= (G +e)p
Massa específica saturada = Psat (3.23)
1+e

onde p,, = massa específica da água = 1000 kg/m3.


A Equação (3.2 1) pode ser deduzida consultando-se o elemento do solo mostrado na Figura 3.4,
na qual o volume de sólidos do solo é igual a 1 e o volume de vazios é igual a e.

Figura 3.3 Elemento de solo saturado, com


volume de sólidos do solo igual a 1
48 Fundamentos de engenharia geotécnica

M = wGp

vs ='

Figura 34 Três fases separadas de um elemento de solo


LI] Ar PI Água [] Sólido mostrando a relação massa-volume

Assim, a massa de sólidos do solo M é igual a O teor de umidade foi definido na Equa-
ção (3.8) como

= W, = (massa da água). g
W (massa dos sólidos). g
M
M

onde M = massa da água.


Como a massa de solo no elemento é igual a GpÇ, a massa da água

M = wM = wG5 p3
Da Equação (3.13), massa específica

- - M + M,, = Gp + wG5 p,
1+e
- (1+w)Gp
l+e

As Equações (3.22) e (3.23) podem ser calculadas de forma similar.

Relações entre peso específico, porosidade e


teor de umidade
A relação entre peso específico, porosidade e teor de umidade pode ser desenvolvida de maneira
similar à apresentada na seção anterior. Considere um solo que tenha volume total igual a 1, como
mostra a Figura 3.5. Da Equação (3.4),

n= Íp-
v
Relações peso-volume 49

Peso Volume

=o

1 v=1

Ir
Figura 3.5 Elemento de solo com volume
0 Ar [3 Água 0 Sólido total igual a 1

Se V for igual a 1, então J', é igual a n, portanto V = 1 - n. O peso dos sólidos do solo (W) e o
peso da água (W) podem, então, ser expressos da seguinte forma:

W= G'y(1 —n) (3.24)

Ww =wWs =wGs'i
' (1—n)
w (3.25)

Assim, o peso específico seco é igual a


W G'y(l—n)
Yd = = G5'y1(1 - n) (3.26)
=

O peso específico natural é igual a

= W, + w5
'1' = G'y15(1 - n)(1 + w) (3.27)
v
A Figura 3.6 apresenta uma amostra de solo que está saturado em que V= 1. De acordo com esta
figura,
W+ - (1 - n) G5 , + 1v

Ysat - 1 - n) G,+ n]
= [( (3.28)
v
O teor de umidade de uma amostra de solo saturado pode ser expresso por

n,.Yw fl
w=—= = (3.29)
W (1 - n)'y%5G5 (1 - n)G

Várias relações entre pesos específicos


Nas Seções 3.2 e 3.3, vimos as relações fundamentais para o peso específico natural, peso específico
seco e peso específico saturado do solo. Os diversos tipos de relações que podem ser obtidas para y, 'y, e
Ysat são dados na Tabela
3.1. Alguns valores típicos de índices de vazios, teores de umidade na condição
saturada e peso específico seco para os solos em estado natural são apresentados na Tabela 3.2.
50 Fundamentos de engenharia geo técnica

Peso Volume

----ww T ----
=

= G'Y(l —n) Vl—n

L Água M Sólido
Figura 3.6 Elemento de solo saturado com
volume total igual a 1

Tabela 3. 1 Diversas relações para 'Y, 'Y, e


Peso específico natural (Y) Peso específico seco (') Peso específico saturado (y)

Dado Relação Dado Relação Dado Relação

(1 + w)G (G + e)y,
wGS e ,yw Gs, e
1+e ' l+w 1+e

(G + Se)'y G y
S,G,e G,e G,n {(1—n)G,+n]y
1+e

(1+w)Gy,
1+w
w, G, S
1
wG
+ G5, fl G( 1 -n) G, Wsat
+
G
[1 w5
]

Gçy,
e
w, G, 'y (1
Gsw - n) (1 + w) G, w, S
1+ e, Wsat
sat) 1+e )
S )
eS (i +Wsatl
S, G, n Gy(1 -n) + nS-y1 e, w, S
(1 + e) w /1, Wsat
Wsat )
ey ( e 1
'7sat' e Ysat -1 Yd' e Ya + 1-- 1
1 + e)

'sat' Ysat -'Yw 1a' ' 'Ya + ny.,

(satY)Gs Í1 1 '1
(G 1) - Yd' S - +'

Yd' Wsat Ya (1 + Wt)


Relações peso-volume 51

Tabela 3.2 Índice de vazios, teor de umidade e peso específico seco para alguns solos típicos em estado natural
- Teor de umidade
índice de natural no Peso específico
vazios, estado saturado seco,
Tipo de solo (e) (%) 'Yd (kNlm3)

Areia uniforme fofa ou solta 0,8 30 14,5


Areia uniforme compacta 0,45 16 18
Areia siltosa com granulação angular fofa 0,65 25 16
Areia siltosa com granulação angular compacta 0,4 15 19
Argila rija 0,6 21 17
Argila mole 0,9-1,4 30-50 11,5-14,5
Loess' 0,9 25 13,5
Argila orgânica mole 2,5-3,2 90-120 6-8
Till glacial 0,3 10 21
* Loess é um solo fértil de coloração amarela ou marrom-amarelada, com granulometria variando de argila a areia fina. É formado por sedimentos
depositados pelo vento e encontrado na América do Norte, em parte da Europa (França e Países Baixos) e principalmente na China.

3.1
Em um solo saturado, mostre que

(e'I(1+w)
'YsatHH 1,7W
w)1+e)

Solução
A partir de Equações (3.19) e (3.20),
(G5 +e),7w
'Ysat= (a)
1 +e
e
e = wG5
ou
e
G= — (b)
w
Combinando as Equações (a) e (b) obtém-se

w e 1+w
1+e

Exemplo 3.2
Para uma amostra de solo úmido, são fornecidos os seguintes valores.
• Volume total: V= 1,2m3
• Massa total: M = 2350 kg
• Índice de umidade: w = 8,6%
• Peso específico relativo dos sólidos do solo: G5 = 2,71
(continua)
52 Fundamentos de engenharia geotécnica

Determine:
a. Massa específica úmida
b. Massa específica seca
c. Índice de vazios
d. Porosidade
e. Grau de saturação
f. Volume de água na amostra de solo

Solução
Parte a
Da Equação (3.13),
M 2350
= 1958,5 kg/m3

Parte b
Da Equação (3.14),
M - M = 2350
Pdj7_(1) = 1803,3 kg/m3
(1+!)(12)
100

Parte c
Da Equação (3.22),
G3 p
Pd =
1+e
e= = (2,71)(l000) i = 0,503
Pd 1803,3

Parte d
Da Equação (3.7),
e 0,503
=0,335
1+e 1+0,503

Parte e
Da Equação (3.18),

í!')(2,7I)
wGs =
S= = 0,463 = 46,3%
e 0,503

Parte f
Volume de água:

2350 {
M
M—
MW M — MS 1+w 100 J =0,186m3
P. pw P. 1000
Relações peso-volume 53

Solução alternativa
Consulte a Figura 3.7.
Parte a
-M
= 1958,3 kg/m3
V 1,2

Massa (kg) Volume (m3)

__iiiii
t M.= 186,1 _——_—_—__ V,= 0,186
= 0,402

M=2350 -- - ri V= 1,2

/4=2163,9 J=0,798

Ar 0 Água M Sólido
Figura 3.7

Parte b
= M
M = 2350 = 2163,9 kg
1+w 1— + 8,6
100
M - M = 2350
Pa = -:;- - ( = 1803,3 kg/m3
1 + w)V [i +
100

Parte c

O volume de sólidos:
dos: = 2163,9 = O 798 m3
Gp (2,71)(1000)
O volume de vazios: JÇ = V - V = 1,2— 0,798 = 0,402 m3
0,402
índice de vazios: e = r'
-= = 0,503
J'Ç 0,798

Parte d
- 0,402
Porosidade: n = - - = 0,335
V 1,2

(continua)
54 Fundamentos de engenharia geo técnica

Parte e

vv
Volume de água: V = = 186,1 = 0,186 m3
p 1000

Assim,

S = 0,186 = 0,463 = 46,3%


0,402

Parte f
Da Parte e,
Vw = 0,186 m3 .
ExemDlo 3.3
Os valores a seguir são dados para um solo:
• Porosidade: 0,4
• Peso específico relativo dos sólidos do solo: 2,68
• Teor de umidade: 12%
Determine a massa de água a ser adicionada a 10 m3 de solo para a saturação total.

Solução
A Equação (3.27) pode ser reescrita em termos de massa específica, como
p= Gp( 1 — n)(l + W)
Da mesma forma, a partir da Equação (3.28)
Psat=[(l —n)G+n]p
Assim,
p = (2,68) (1000)(1 - 0,4)(1 + 0,12) = 1800,96 kg/m3
1 - 0,4)(2,68) + 0,41 = 2008 kg/m3
Psat = [(

A massa de água necessária por metro cúbico equivale a


Psat - p = 2008 - 1800,96 = 207,04 kg
Portanto, a massa total de água a ser adicionada é igual a
207,04 x 10 = 2070,4 kg a

Exemplo 3.4
Um solo saturado tem um peso específico seco de 16,19 kN/m3. Seu teor de umidade é de 23%.
Determine:
a. Peso específico saturado, 'sat
Relações peso-volume 55

b. Peso específico relativo, G5


c. Índice de vazios, e

Solução
Parte a: Peso específico saturado
Da Equação (3.12),
'
sat = d(1 + w) = (169)[1 + —I
23 = 19,91 Im3
100)

Parte b: Peso específico relativo, G


Da Equação (3.16),
G,
'Yd -G
1+e

Também a partir de Equação (3.20) para solos saturados, e = wG. Assim,


Gy
- 1+ wG

Portanto,
G5(9,81)
16,19 =
1 + (0,23)(G)

ou
16,19 + 3,72G5 = 9,81 G
= 2,66
Parte c: Índice de Vazios e
Para solos saturados,
e = wG = (0,23)(2,66) = 0,61

Compacidade relativa
O termo compacidade relativa ou grau de compacidade ou densidadé relativa geralmente é usado
para indicar o estado mais fofo ou mais compactado do solo granular in situ. Sua definição é

Dr = e -e
(3.30)
e - emin

onde Dr = compacidade relativa, normalmente expressa em percentagem


e = índice de vazios do solo in situ
emax = índice de vazios do solo no estado mais fofo
emin = índice de vazios do solo no estado mais compacto
Os valores do Dr podem variar de um mínimo de 0%, para solos muito fofos, até um máximo de
100%, para os solos muito compactos. Os engenheiros de solo descrevem qualitativamente os depósi-
tos de solo granular de acordo com suas compacidades relativas, como mostra a Tabela 3.3. No local,
56 Fundamentos de engenharia geo técnica

Tabela 3.3 Descrição qualitativa de depósitos de solo granular


Compacidade relativa (%) Descrição do depósito de solo

0-15 Muito fofo


15-50 Fofo
50-70 Medianamente compacto
70-85 Compacto
85-100 Muito compacto

os solos raramente têm compacidade relativa inferior a 20-30%. A compactação de um solo granular
com uma compacidade relativa maior que cerca de 85% é rara.
As relações de compacidade relativa também podem ser definidas em termos de porosidade, ou

max
e11 = (3.31)
1 - max

min
em (3.32)
1 - 11min

n
e= (3.33)
l —n

onde n.. e tmin = porosidade do solo no estado mais fofo e mais compacto possível, respectivamen-
te. Substituindo as Equações (3.31), (3.32) e (3.33) na Equação (3.30), obtemos

D = (l—nmjn )(n —n)


(3.34)
(n - min)O - n)

Usando a definição de peso específico seco fornecido pela Equação (3.16), podemos expressar
a compacidade relativa em termos de pesos unitários secos máximos e mínimos possíveis. Assim,

[7d(min)] 'ydÍd - d(min) 1 Hd(max) 1


D =
=1 (3.35)
['Yd(max) - 'Yd(min) ii 'Ya j

d(min) d(max)

onde = peso específico seco no estado mais fofo possível (com índice de vazios em )
= peso específico seco in situ (com índice de vazios e)
'Yd(max) =
peso específico seco no estado mais compacto possível (com um índice de vazios emjn)

Em termos de massa específica, a Equação (3.35) pode ser expressa por

Pd - Pd() Pa'(max)
Dr = (3.36)
Pd(max) - Pd(mjn) Pd

A norma D-4253 da ASTM (2007) fornecem um procedimento para determinar os pesos espe-
cíficos máximo e mínimo de solos granulares, para que possam ser utilizados na Equação (3.35) para
cálculo da compacidade relativa no campo. No caso das areias, esse procedimento envolve a utili-
zação de um molde com um volume de 2830 cm3. Para determinar o peso específico seco mínimo, a
areia é despejada livremente dentro do molde por um funil com bico de 12,7 mm de diâmetro. A altura
Relações peso-volume 57

média de queda de areia dentro do molde é mantida em tomo de 25,4 milímetros. O valor da d(min)
pode, então, ser calculado, usando a equação a seguir

'Yd(min) = (3.37)
V.

onde W5 = peso da areia necessário para encher o molde


V = volume do molde

O peso específico seco máximo é determinado pela da vibração da areia no molde por 8 minutos.
Uma sobrecarga de 14 kN/m2 é adicionada ao topo da areia no molde. O molde é colocado sobre
uma mesa que vibra a uma frequência de 3600 ciclos/min e tem amplitude de vibração de 0,635
milímetros. O valor do 'd(m) pode ser determinado no final do período de vibração, conhecendo-se
o peso e o volume da areia. Vários fatores controlam a magnitude do a aceleração, o valor da
sobrecarga e a geometria da aceleração. Assim, é possível obter um valor de d(m) maior que o obtido
pelos métodos da norma ASTM D-4253 descrita anteriormente.
No Brasil, utilizam-se os ensaios descritos pelas normas NBR 12004/90 - Solo - Determinação
do índice de vazios máximo de solos não coesivos e NBR 12051/91 - Solo - Determinação do índice
de vazios mínimo de solos não coesivos.

ExemDlo 3.5
Para um dado tipo de solo arenoso, em 0,75 e emin = 0,4. Seja G5 = 2,68. No campo, o solo é
compactado a uma massa específica úmida de 1797,4 kg/m3, para um teor de umidade de 12%.
Determine a compacidade relativa do solo.

Solução
Da Equação (3.21),

= (1+w)Gp,4,
1+e

ou

G5 p(1 + w) 1 = (2,68)(1000)(1 + 0,12) —1 = 0,67


e=
p 1797,4

Da Equação (3.30),

Dr = em - e — 0,75 -0,67
= 0,229 = 22,9%
em - emin 0,75 - 0,4

Notas sobre oe
max
eoe m .m
Os índices de vazios máximo e mínimo dos solos granulares descritos na Seção 3.5 dependerão de
vários fatores, tais como:

• Tamanho dos grãos


• Formato dos grãos
58 Fundamentos de engenharia geotécnica

• Perfil da curva de distribuição granulométrica


• Teor de finos, F (isto é, teor de partículas menores que 0,075 mm)

A quantidade de finos não plásticos presentes em um solo granular tem grande influência sobre o
em e o emin. A Figura 3.8 mostra um gráfico da variação do em e do emjn com o percentual de finos
não plásticos (por volume) para areia do tipo Nevada 50/80 (Lade, et ai., 1998). A razão entre o D50
(tamanho que permite a passagem de 50% do solo) da areia e o D50 dos finos não plásticos usados
nos ensaios mostrados na Figura 3.8 (isto é, D5øia/D500nos) foi de 4,2. Na Figura 3.8, é possível
observar que, quando a percentagem de finos por volume aumentou de zero para cerca de 30%, as
magnitudes de em e de e, diminuíram. Essa é a fase de preenchimento de vazios, na qual os fi-
nos tendem a preencher os espaços vazios entre as partículas maiores de areia. Existe uma zona de
transição, quando o percentual de finos está entre 30 e 40%. Porém, quando a percentagem de finos
eleva-se acima de cerca de 40%, as magnitudes de em e de emjn começam a aumentar. Essa é a fase
de substituição de sólidos, em que as partículas grandes são empurradas para fora e gradativamente
substituídas por finos.
Cubrinovski e Ishihara (2002) estudaram a variação do em e do emin em um grande número de
solos. Com base nas retas de regressão linear, eles forneceram as seguintes relações.
Areia pura (F= O a 5%)
emax = 0,072 + 1,53 emin (3.38)
Areia com finos (5 <F < 15%)
em = 0,25 + 1,37 em in (3.39)
Areia com finos e argila (15 <F30%;P=5a20%)

1,2

1,0

0,8

0,4

0,2

0,0
O 20 40 60 80 100
Percentagem de finos (por volume)
0 emax •emm
Figura 3.8 Variação do em,, e emin (para areia Nevada 50/80) com percentagem
de finos não plásticos (Reimpresso com permissão de Lade et a!, 1998.
Copyright da ÁSTMlnternatjonal, 100 Barr Harbor Drive, West Conshohocken,
PA 19428, USA.
Relações peso-volume 59

em = 0,44 + 1,21 em (3.40)


• Solos siltosos (30 <F 70%; P = 5 a 20%)
em = 0,44 + 1,32 emin (3.41)

onde P = teor de finos menores que 0,075 mm


= teor de argila (< 0,005 mm)
A Figura 3.9 mostra um gráfico do em em jn em relação ao tamanho médio das partículas (D50)
para vários solos (Cubrinovski e Ishihara, 1999 e 2002). A partir desses valores, a curva média para
solos arenosos e pedregulhosos pode ser obtida pela relação

06
emax - emjn = 0,23 + 0, (3.42)
D50 (mm)

Resumo e considerações gerais


Neste capítulo, discutimos as relações peso-volume e o conceito de compacidade relativa. As relações
de volume são aquelas usadas para o índice de vazios, porosidade e grau de saturação. As relações de
peso incluem cálculos de teor de umidade e peso específico seco, úmido e saturado.

1,0

kk A
E A A
A À
£A

5 A
A
A:
0,6

-e e. - em = 0,23 + D50

0,4

0,2

0,0
0,1 1,0 10
Tamanho médio das partículas, D50 (mm)

O Areias puras (Fc=0 -5%)


i Areias com finos (5 <Fc< 15%)
• Areias com argila (15 <Fc 30%, °c = 5_20%)
A Solos siltosos (30 <Fc <70%, °c = - 20%)
Areias com pedregulho (Fc <6%, P = 17-36%)
o Pedregulhos
Figura 3.9 Gráfico do e.- emjn em relação ao tamanho médio das partículas
(Cubrinovski e Ishihara, 2002.)
60 Fundamentos de engenharia geo técnica

Compacidade relativa é um termo que descreve o grau de compactação de um solo granular.


A compacidade relativa pode ser expressa em termos de valores máximos, mínimos e in situ de pesos
específicos/massas específicas de um solo. Geralmente é expressa em percentagem.

Problemas
3.1 Para um dado tipo de solo, mostre que
'Ysat = 'd + fl'y

3.2 Para um dado tipo de solo, mostre que

'Ysat = Yd +

3.3 Para um dado tipo de solo, mostre que


eSy
Yd - (1+e)w

3.4 Uma amostra de solo úmido de 0,4 m3 possui:


• Massa úmida = 711,2 kg
• Massa seca = 623,9 kg
• Peso específico relativo a dos sólidos do solo = 2,68
Calcule:
a. Teor de umidade
b. Massa específica úmida
c. Massa específica seca
d. Índice de vazios
e. Porosidade

3.5 Em seu estado natural, um solo úmido tem um volume de 9,35 x 101 ia3 e pesa 177,6 x 10
kN. O peso do solo seco em estufa é 153,6 x I W3 kN. Se G5 = 2,67, calcule o teor de umidade,
peso específico úmido, peso específico seco, índice de vazios, porosidade e grau de saturação.

3.6 O peso úmido de 5,66 x 10 m3 de um solo é 102,3 x 10 kN. O teor de umidade e o peso
específico relativo dos sólidos do solo foram determinados em laboratório e valem 11% e 2,7,
respectivamente. Calcule:
a. Peso específico úmido (kN/m3 )
b. Peso específico seco (kN/m3 )
c. Índice de vazios
d. Porosidade
e. Grau de saturação (%)
E Volume ocupado pela água (m3)

3.7 O peso específico saturado de um solo é de 19,8 kN/m3. O teor de umidade do solo é de 17,1%.
Determine:
a. Peso específico seco
b. Peso específico relativo dos sólidos do solo
c. índice de vazios

3.8 O peso específico de um solo é 14,94 kN/m3. O teor de umidade do solo é de 19,2% quando o
grau de saturação é de 60%. Determine:
a. índice de vazios
b. Peso específico relativo dos sólidos do solo
c. Peso específico saturado
Relações peso- volume 61

3.9 Para um determinado solo, são dados os seguintes valores: G5 = 2,67; peso específico úmido
= 17,61 kN/m3 e teor de umidade w = 10,8%. Determine:
a. Peso específico seco
b. Índice de vazios
e. Porosidade
d. Grau de saturação
3.10 Consulte o Problema 3.9. Determine o peso da água, em kN, a ser adicionado por metro cúbico
de solo para:
a. 80% de grau de saturação
b. 100% de grau de saturação
3.11 Amassa específica úmida do solo é de 1680 kg/m3. Dados w = 18% e G = 2,73, determine:
a. Massa específica seca
b. Porosidade
c. Grau de saturação
d. Massa da água, em kg/m3, a ser adicionada para atingir a saturação completa
3.12 Amassa específica seca de um solo é 1780 kg/m3. Dado G 2,68, qual seria o teor de umidade
do solo quando saturado?
3.13 A porosidade do solo é de 0,35. Dado G = 2,69, calcule:
a. O peso específico saturado (kN/m3)
b. O teor de umidade quando o peso específico úmido = 17,5 kN/m3
3.14 Um solo saturado apresenta w = 23% e G = 2,62. Determine sua massa específica saturada e
seca em kg/ml.
3.15 Um solo apresenta e = 0,75, w = 21,5% e G = 2,7 1. Determine:
a. Peso específico úmido (kN/m3)
b. Peso específico seco (kN/m3)
e. Grau de saturação (%)
3.16 Um solo apresenta w = 18,2%, G5 = 2,67 e S = 80%. Determine e o peso específico úmido e
seco do solo em kN/m3.
3.17 O peso específico úmido de um solo é de 17,66 kN/m3 a um teor de umidade de 10%. Dado
G = 2,7, determine:
a. e
b. Peso específico saturado
3.18 O peso específico úmido e os graus de saturação de um solo são fornecidos na tabela.

1' (kN/m) S(%)

16,62 50
17,71 75

Determine:
a. e
b. G5
3.19 Consulte o Problema 3.18. Determine o peso da água em kN que haverá em 0,0708 m3 de solo,
quando saturado.
3.20 Para uma dada areia, os índices de vazios máximo e mínimo são 0,78 e 0,43, respectivamente.
Dado G5 = 2,67, determine o peso específico seco do solo em kN/m3 quando a compacidade
relativa estiver em 65%.
62 Fundamentos de engenharia geotécnica

3.21 Para um dado solo arenoso, em = 0,75, em111 = 0,46 e G5 = 2,68. Qual será o peso unitário
úmido de compactação (kNIm3) no campo se Dr = 78% e w = 9%?

3.22 Para um dado solo arenoso, os pesos específicos secos máximo e mínimo são 16,98 kN/m3 e
14,46 kN/m3, respectivamente. Dado G5 = 2,65, determine o peso específico úmido do solo
quando a compacidade relativa é de 60% e o teor de umidade é de 8%.

3.23 O teor de umidade de uma amostra de solo é de 18,4%, e seu peso específico seco é 15,72 kN/m3 .
Presumindo que o peso específico relativo dos sólidos é 2,65,
a. Calcule o grau de saturação.
b. Qual é o peso específico seco máximo para que esse solo possa ser compactado sem alterar
seu teor de umidade?

3.24 Uma aterro de areia fofa não compactada tem 1,83 m de profundidade e compacidade relativa
de 40%. Testes de laboratório indicaram que os índices de vazios mínimo e máximo da areia são
de 0,46 e 0,90, respectivamente. O peso específico relativo dos sólidos da areia é 2,65.
a. Qual é o peso específico seco da areia?
b. Se a areia for compactada a uma compacidade relativa de 75%, qual será a diminuição da
altura do aterro de 1,83 m?

Referências
AMERICAN Socirrv FOR TESTING AND MATERIALS. Annual Book ofASTMStandards, seção 4, v. 04.08. West Consho-
hocken, Pa. 2007.
CUBRINOVSKI, M.; ISHJHARA, K. Empirical Correlation Between SPT N-Value and Relative Density for Sandy
Soils. Soils and Foundations, v. 39, n. 5, 61-71, 1999.
CuBRlNovsu, M.; Isuiu.i, K. Maximum and Mimmum Void Ratio Characteristics of Sands. Soils and Founda-
tions, v. 42, n. 6, 65-78, 2002.
LADE, P. V.; LIGGI0, C. D. e YAMAMURO, J. A. Effects of Non-Plastic Fines on Minimum and Maximum Void
Ratios of Sand, Geotechnical Testing Journal, ASTM. Volume 21, n. 4,336-347, 1998.
4 Plasticidade e
estrutura do solo

Introdução
Quando existe a presença de materiais argilosos em um solo granular fino, esse pode ser remoldado
na presença de alguma umidade sem desagregar. Esta natureza coesiva é causada pela água absorvida
ao redor das partículas de argila. No início do século XX, um cientista sueco chamado Atterberg de-
senvolveu um método para descrever a consistência de solos granulares finos com teores de umidade
variados. Com teores de umidade muito baixos, o solo se comporta como sólido. Quando o teor de
umidade é muito alto, o solo e a água podem fluir como um líquido. Portanto, em uma base arbitrária
e dependendo do teor de umidade, o comportamento do solo pode ser dividido em quatro estados
básicos - sólido, semissólido, plástico e líquido -, como mostra a Figura 4.1.
O teor de umidade no qual ocorre a transição do estado sólido para o semissólido é definido
como limite de contração, e é expresso em termos percentuais. O teor de umidade no ponto de transi-
ção do estado semissólido para o estado plástico é o limite de plasticidade, e do estado plástico para
o líquido é o limite de liquidez. Esses parâmetros também são conhecidos como limites de Atterberg.
Este capítulo descreve os procedimentos para determinar os limites de Atterberg. Também serão dis-
cutidos a estrutura do solo e os parâmetros geotédnicos, tais como atividade e índice de liquidez, que
estão relacionados aos limites de Atterberg.

Limite de liquidez (LL)


Um diagrama esquemático (vista lateral) de um aparelho de ensaio do limite de liquidez é apresen-
tado na Figura 4.2a. Esse aparelho é composto por uma concha de latão e uma base de borracha
rígida. A concha de latão pode ser golpeada contra a base através de um excêntrico acionado por uma
manivela. Para efetuar o teste de limite de liquidez é necessário colocar a pasta de solo na concha.

Deformação Deformação Deformação


Diagrama de tensão-deformação em vários estados
Aumento
do teor
Sólido 1 Semissólido 1 Plástico 1 Líquido de umidade
Limite de Limite de Limite de
contração, LC plasticidade, LP liquidez, LL
Figura 4. 1 Limites de Atterberg

63
64 Fundamentos de engenharia geo técnica

Em seguida, uma ranhura deve ser aberta no centro da amostra de solo com um cinzel padronizado
(Figura 4.2b). Usando o excêntrico acionado pela manivela, a concha é erguida e derrubada de uma
altura de 10 mm. O teor de umidade, em termos percentuais, necessário para fechar uma distância
de 12,7 mm ao longo da base da ranhura (Figuras 4.2c e 4.2d) após 25 golpes, é definido como o
limite de liquidez. *
É dificil ajustar o teor de umidade no solo para obter o fechamento de 12,7 mm requerido na
ranhura da pasta com 25 golpes. Por isso, pelo menos três testes são realizados no mesmo solo com
teores de umidade diferentes, com o número de golpes N necessários para obter um fechamento,

46
'N4 mm
27mm\

Amostra de solo

(a)

4 SOmm

mml

11 nim

(b)

Seção

--
2 mm
Plana

--
12,7mm
Figura 4.2 Ensaio de limite de
-- • liquidez: (a) aparelho de teste de
j '•(• limite de liquidez; (b) cinzel;
' ]--------uI. " (c) amostra de solo antes do ensaio;
(e) (d) (d) amostra de solo após o ensaio

* N.R.T.: No Brasil, o procedimento para determinação do limite de liquidez é definido pela norma ABNT NBR
6459/84, Solo - Determinação do Limite de Liquidez.
Plasticidade e estrutura do solo 65

variando entre 15 e 35. A Figura 4.3 mostra a foto de um equipamento de teste do limite de liquidez
e dos cinzéis. A Figura 4.4 mostra as fotos da amostra de solo no equipamento antes e depois do teste
de limite de liquidez. O teor de umidade em termos percentuais e o número de golpes corresponden-
tes são plotados em um gráfico semilogarítmico (Figura 4.5). A relação entre o teor de umidade e o
log N forma uma linha aproximadamente reta. Esta linha é chamada curva de fluidez. O teor de umi-
dade correspondente a N = 25, determinado a partir da curva de fluidez, fornece o limite de liquidez
do solo. A inclinação da linha de fluidez é definida como índice de fluidez, e pode ser escrita como

- w2
lF =
W1 (4.1)
log 1
N)

onde 'F
= índice de fluidez
w1 = teor de umidade do solo, em percentagem, correspondente ao número de golpes N1
w2 = teor de umidade do solo, em percentagem, correspondente ao número de golpes N2

Observe que w2 e w1 são invertidos para fornecer um valor positivo, embora a inclinação da curva de
fluidez seja negativa. Assim, a equação da curva de fluidez pode ser escrita de forma genérica como

w= -ilogN+C (4.2)

onde C = constante.
A partir da análise de centenas de ensaios de limite de liquidez, o Corpo de Engenheiros do
Exército Americano (1949) na Estação Experimental Waterways, em Vicksburg, Mississippi, propôs
uma equação empírica para a fórmula
tg
N
LL=wN I — (4.3)
25

Figura 4.3 Aparelho de ensaio de limite de liquidez e cinzéis para abertura de sulco (Cortesia da ELE
Iiiternational.)
66 Fur7clmnentos de engenharia geotói:iiica

onde N = número de golpes no aparelho de ensaio para fechamento de uma ranhura de 12,7 mm
WN = teor de umidade correspondente
tg o = 0,121 (porém, observe que tg 3 não é igual a 0,121 para todos os solos)

(a)

Figura 44 As fotos mostram


a amostra de solo no aparelho
de ensaio de limite de liquidez:
(a) antes do teste; (b) após o teste
[Observação: O fechamento na
ranhura de 12,7 mm na figura
(b) está marcada para melhor
compreensão.] (Cortesia de Braja
(c) M. Das, Henderson, Nevada.)

50

Curva de fluidez
45.
Limite de liqui
'
40

t2 35-

Figura 4.5 Curva de fluidez


30-
para determinação do limite
10 20 25 30 40 50
de liquidez de um silte
Número de golpes, N (escala logarítmica) argiloso
Plasticidade e estrutura do solo 67

A Equação (4.3) geralmente fornece bons resultados para número de golpes entre 20 e 30. Para en-
saios rotineiros de laboratório, a equação pode ser usada para determinar o limite de liquidez quando
somente um teste é realizado para um solo. Esse procedimento geralmente é chamado de método de
uni ponto e também foi adotado pela ASTM, sob a designação D4318. A razão pela qual o método de
um ponto produz resultados relativamente bons é o fato de que uma pequena escala de teor de umida-
de é utilizada quando Nvaria de 20 a 30.
Outro método para determinar o limite de liquidez, mais popular na Europa e na Ásia, é o cone
de penetração (Norma Britânica BS 1377). Nesse ensaio, o limite de liquidez é definido como o teor
de umidade no qual um cone padrão com ângulo do vértice de 30° e peso de 0,78 N penetra a uma
profundidade de d = 20 mm em 5 segundos quando liberado em queda livre a partir da posição do
ponto de contato com a superficie do solo (Figura 4.6a). Devido à dificuldade em obter o limite de
liquidez em um único ensaio, podem ser realizados quatro ou mais testes, com vários teores de umi-
dade, para determinar a penetração d do cone. Um gráfico semilogarítmico pode então ser plotado
com o teor de umidade (w) em função da penetração d do cone. O gráfico resulta em uma linha reta.
O teor de umidade correspondente a d = 20 mm é o limite de liquidez (Figura 4.6b). A partir da Figu-
ra 46(b), o índice de fluidez pode ser definido como
- w2(%)—w1(%)
IFc - (4.4)
logd2 - logd1

onde w1 , w2 = teores de umidade nas penetrações do cone d1 e d2, respectivamente.

Peso, W = 0,78 N
30

Solo

4O mm

..I •1 -

55 mm

(a)

50

40
o

30
Figura 4.6 (a) Ensaio do cone de penetração;
10 20 40 60 80 100
(b) gráfico do teor de umidade em função da
Penetração, d (mm) penetração do cone para determinação do limite
(b) de liquidez
68 Fundamentos de engenharia geotécníca

ffl Limite de plasticidade (LP)


O limite de plasticidade é definido como o percentual de teor de umidade no qual o solo colapsa,
quando moldados fios com 3,2 mm de diâmetro. O limite de plasticidade é o limite inferior do inter-
valo plástico do solo. O teste do limite de plasticidade é simples e realizado enrolando-se repetida-
mente uma massa de solo de formato elipsoidal com as mãos sobre urna placa de vidro (Figura 4.7).
Os procedimentos para o teste do limite de plasticidade são dados pela norma D-4318, da ASTM.*
Como no caso da determinação do limite de liquidez, o método de penetração do cone pode
ser usado para obter o limite de plasticidade. Isso pode ser feito usando-se um cone com geometria
similar, mas com urna massa de 2,35 N. São realizados de três a quatro testes com vários teores de
umidade, e as penetrações do cone correspondente (d) são determinadas. O teor de umidade corres-
pondente a urna penetração do cone de d = 20 mm é o limite de plasticidade. A Figura 4.8 mostra a
determinação dos limites de liquidez e de plasticidade para a argila Cambridge Gault, relatada por
Wroth e Wood (1978).

Rolagem da massa de solo em uma placa de vidro para determinação do limite de


plasticidade (Cortesia de Braja M. Das, Henderson, Nevada.)

W= 0,78 N
70-
Limite de liquid

60
Peso do cone
*-
Limite deplasticida / W= 2,35 N

so /
/ / 1

Figura 4.3 Limites de liquidez e


40- O
plasticidade para argila Cambridge
1 2 5 10 20 50 Gault determinados pelo ensaio do cone
Penetração do cone, cl (mm) de penetração

* N.R.T.: No Brasil, utiliza-se o procedimento de ensaio definido pela norma ABNT NBR 7180/84, Solo - Determina-
ção do Limite de Plasticidade.
Plasticidade e estrutura do solo 69

O índice de plasticidade (IP) é a diferença entre o limite de liquidez e o limite de plasticidade


de um solo, ou seja

IP=LL—LP (4.5)

A Tabela 4.1 fornece as escalas do limite de liquidez, limite de plasticidade e a atividade (veja a
Seção 4.6) de alguns minerais de argila (Mitchell, 1976; Skempton, 1953).
Burmister (1949) classificou o índice de plasticidade de forma qualitativa, como mostra o
quadro a seguir:

IP Descrição

O Não plástico
1-5 Ligeiramente plástico
5-10 Plasticidade baixa
10-20 Plasticidade média
20-40 Plasticidade alta
>40 Plasticidade muito alta

O índice de plasticidade é importante na classificação de solos granulares finos. O índice é fun-


damental para o gráfico de plasticidade de Casagrande (apresentado na Seção 4.7), atualmente a base
do Sistema Unificado de Classificação do Solo. (Veja o Capítulo 5.)
Sridharan et al. (1999) demonstraram que o índice de plasticidade pode estar correlacionado
com o índice de fluidez, obtido a partir dos ensaios de limite de liquidez (veja a Seção 4.2). De acordo
com seus estudos,
IP (%) = 4'121F (%) (4.6)
e
IP (%) = 0'741FC (%) (4.7)

Em um estudo recente de Polidori (2007) envolvendo seis solos inorgânicos e suas respectivas
misturas com areia silicosa fina, foi demonstrado que

LP = 0,04(LL) + 0,26(CF) + 10 (4.8)


e
IP = 0,96(LL) - 0,26(CF) - 10 (4.9)

onde CF = fração argila (< 2 m) em percentagem. Os resultados experimentais de Polidori (2007)


mostraram que as relações anteriores ainda eram válidas para CF aproximadamente igual ou maior
que 30%.

Tabela 4. 1 Valores típicos do limite de liquidez, limite de plasticidade e atividade de alguns minerais de
argila
Mineral Limite de liquidez, LL Limite de plasticidade, LP Atividade, A

Caulinita 35-100 20-40 0,3-0,5


Ilita 60-120 35-60 0,5-1,2
Montmorilonita 100-900 50-100 1,5-7,0
Haloisita (hidratada) 50-70 40-60 0,1-0,2
Haloisita (desidratada) 40-55 30-45 0,4-0,6
Atapulgita 150-250 100-125 0,4-1,3
Alofano 200-250 120-150 0,4-1,3
70 Fundamentos de engenharia geotécnica

Limite de contração (LC)


O solo se contrai com a perda gradativa de sua umidade. No entanto, com a continuação da perda
de umidade, é alcançado um estado de equilíbrio no qual uma perda ainda maior de umidade não
resultará em mais alterações no volume do solo em questão (veja a Figura 4.9). O teor de umidade,
em termos percentuais, no qual o volume da massa de solo se mantém constante, é definido como o
limite de contração.
Os ensaios de limite de contração (norma D-427 da ASTM) são realizados em laboratório, com
uma cápsula de porcelana com aproximadamente 44 mm de diâmetro e 12,7 mm de altura. A parte
interna da cápsula é recoberta com vaselina e, em seguida, preenchida totalmente com solo úmido.
O excesso de solo que permanece acima da borda da cápsula é removido com uma régua. A massa de
solo úmido dentro da cápsula é registrada. Em seguida, a amostra de solo na cápsula é seca em estufa.
O volume de amostra de solo seca em estufa é determinado pelo deslocamento de mercúrio. Uma vez
que o manuseio do mercúrio pode ser perigoso, a norma ASTM D-4943 descreve um método para
imergir a amostra de solo seco em estufa em um pote com parafina derretida. O solo recoberto com
parafina é então resfriado. Seu volume é determinado por meio da imersão em água.*
Com referência à Figura 4.9, o limite de contração pode ser determinado como
(4.10)
onde w = teor de umidade inicial quando o solo inserido na cápsula de limite de contração
= diferença no teor de umidade (isto é, o teor de umidade inicial e o teor de umidade no
limite de contração)

Porém,
M1 —M2
w(%)= X 10 (4.11)
M2

onde M1 = massa da amostra de solo úmido na cápsula no início do ensaio (g)


M2 = massa da amostra de solo seco (g) (veja a Figura 4.10)

Também,
(V. - Vf)pW
= xlOO (4.12)
M2

Limite de Limite de Limite de w


contração plasticidade liquidez
Teor de umidade (%)

Figura 4.9 Definição do limite de contração

* N.R.T.: No Brasil, a NBR 7183/82, Determinação do Limite e Relação de Contração de Solos, é a norma ABNT que
descreve este procedimento de ensaio.
Plasticidade e estrutura do solo 71

Volume do solo = J7
Volume do solo = M1 , Volume do solo = Vf
Volume do solo = M2
Cápsula de
porcelana
.
• .. _______________________________

(a) (b)
Figura 4. 10 Ensaio delimite de contração: (a) amostra desolo antes da
secagem; (b) amostra de solo após a secagem

onde V = volume inicial da amostra de solo úmido (isto é, volume interno da cápsula, em3)
V.= volume da amostra de solo seca em estufa (em3)
= massa específica da água (g/cm3)
Por último, combinando as Eqs. (4.10), (4.11) e (4.12), obtemos

M1 —M2 (Vl —V f ')


LC J(100) ()(l°°) (4.13)
=[ M2 1M2J

Outro parâmetro que pode ser determinado a partir do ensaio do limite de contração é a razão
de contração, que é a relação entre a diferença de volume do solo, em termos percentuais do volume
seco, com a diferença correspondente no teor de umidade, ou

{
RC= [ zlvfv] = I'V'fv j - M2
(4.14)
[/Mj Í/Vp) 11
V1p,,,
M2 M2

onde V = diferença de volume


LM = diferença correspondente na massa de água

Também pode ser demonstrado que

1
G5 = (4.15)
( LC"
RC

onde G = peso específico relativo dos sólidos do solo.

ExemDlo 4.1
A seguir, são mostrados os resultados de um ensaio do limite de contração:
• Volume inicial do solo no estado saturado = 24,6 em3
• Volume final do solo no estado seco = 15,9 em3
• Massa inicial no estado saturado = 44,0 g
• Massa final no estado seco = 30,1 g
(continua)
72 Fundamentos de engenharia geo técnica

Determine o limite de contração do solo.

Solução
Da Equação (4.13),

LC = ÍMi - M2 1(lOO) -1(_]


Vi
í (p) (l 00)
M2 ) M2
M1 = 44,Og Vi = 24,6 em3 p, = 1 glcm3
M2 = 30,1g Vf = 15,9 cm3
= 44,0-30,1 (100) - 24,6-15,9 (1)(100)
LC
30,1 ) 30,1
= 46,18-28,9 = 17,28%

Os valores típicos do limite de contração para alguns argilominerais são (Mitchell, 1976):

Mineral Limite de contração

Montmorilonita 8,5-15
luta 15-17
Caulinita 25-29

IM Índice de liquidez e índice de consistência


A consistência relativa de um solo coesivo em estado natural pode ser definida pela relação chamada
de índice de liquidez, que é dada por
IL= w—LP
(4.16)
LL - LP

onde w = teor de umidade do solo in situ.


O teor de umidade em uma argila sensível in situ pode ser maior que o limite de liquidez. Nesse
caso (Figura 4.11),
IL> 1
Esses solos, quando amolgados, podem ser transformados em uma forma viscosa para fluírem como
um líquido.
Os depósitos de solo que são altamente sobreadensados podem ter um teor de umidade natural
menor que o limite de plasticidade. Nesse caso (Figura 4.11),
IL < O

IL=O IL=1
IL> 1
Teor de umidade, w
LP LL
II' Figura 4. 11 Índice de liquidez
Plasticidade e estrutura do solo 73

Outro índice normalmente usado para fins de engenharia é o índice de consistência (IC), que
pode ser definido como
LL — w
(4.17)
LL - LP

onde w = teor de umidade in situ. Se w for igual ao limite de liquidez, o índice de consistência é zero.
Novamente, se w = IP, então IC = 1.
Chama-se a atenção para o fato de que IC + IL = 1.

Atividade
Como a plasticidade do solo é causada pela água adsorvida que envolve as partículas, podemos es-
perar que o tipo de argilominerais e suas quantidades proporcionais em um solo afetarão os limites
de liquidez e de plasticidade. Skempton (195 3) observou que o índice de plasticidade de um solo au-
menta linearmente com a porcentagem da fração de argila (% menor ou mais fina que 2 tm por peso)
presente (Figura 4.12). As correlações de IP com a fração de argila para diferentes argilas formam um
gráfico com linhas separadas. Essa diferença deve-se à diversidade das características de plasticidade
dos vários tipos de minerais de argila. Com base nesses resultados, Skempton definiu um índice cha-
mado atividade, que é a inclinação da linha que correlaciona IP e a percentagem mais fina que 2 tm.
Essa atividade pode ser expressa como

IP
(4.18)
(% da fração de argila, em peso)

onde A = atividade. A atividade é usada como um índice para identificar o potencial de expansão
de solos argilosos. Os valores típicos para a atividade de vários minerais de argila são apresentados
na Tabela 4.1.
Seed, Woodward e Lundgren (1964a) estudaram as propriedades plásticas de várias misturas
de areia e argila preparadas artificialmente e concluíram que, apesar de a relação entre o índice de

100

80]

60 -
00
00
.•
40 H •• •

40

20

20 40 60 80 100
Percentagem da fração argila (< 2 /tm)
Figura 4.12
o Argila ShellhavenA = 1,33 Á Argila WealdÁ = 0,63 Atividade (Baseada em
• Argila London A = 0,95 + Argila Horten Á = 0,42 Skempton, 1953.)
74 Fundamentos de engenharia geo técnica

plasticidade e o percentual da fração de argila ser linear (como observado por Skempton), ela pode
não passar sempre pela origem, como mostram as Figuras 4.13 e 4.14. Assim, a atividade pode ser
redefinida como

(4.19)
%deargila — C'

onde C é uma constante para um determinado solo.


Para os resultados experimentais mostrados nas Figuras 4.13 e 4.14, C = 9.
Trabalhos posteriores de Seed, Woodward e Lundgren (1964b) mostraram que a relação entre
o índice de plasticidade e a percentagem de argila em um solo pode ser representada por duas linhas
retas, como mostra de forma qualitativa a Figura 4.15. Para frações de argila maiores que 40%, a linha
reta passa pela origem quando é extrapolada para trás.
Baseado nas Eqs. (4.8) e (4.9), Polidori (2007) forneceu uma relação empírica para a atividade
como (para CF igual ou maior que 30%)

= 0,96(LL) - 0,26(CF) - 10
A (4.20)
CF

onde CF é a fração argila (< 2 ,um).

500
Á = 5,4

400

300
a

J 200

100

O 20 40 60 80 100
Percentagem de argila (< 2im)

o Bentonita comercial • Caulinita/bentonita —4: 1


• Bentonitalcaulinita —4: 1 o Caulinita/bentonita —9 : 1
Bentonita/caulinita - 1,5: 1 v Caulinita/bentonita - 19: 1
À Caulinita/bentonita - 1,5 : 1 V Caulinita comercial

Figura 4. 13 Relação entre o índice de plasticidade e a fração de argila por peso para
misturas de argila caulinita/bentonita (De Seed, Woodward e Lundgren, 1964a. Com
permissão da ÁSCE.)
Plasticidade e estrutura do solo 75

500
A = 5,4

400

a
0
a
300

a
a
0
200

100

o 20 40 60 80 100
Percentagem de argila (< 2pm)
o Bentonita comercial Á Ilita/bentonita - 1,5: 1
• Bentonitalilita - 4: 1 V Juta comercial
Bentonita/ilita - 1,5: 1
Figura 4. 14 Relação entre o índice de plasticidade e a fração de argila por peso
para misturas de argila ilitalbentonita (De Seed, Woodward e Lundgren, 1964a. Com
permissão da ÁSCE.)

Figura 4.15 Relação simplificada entre índice


de plasticidade e percentagem de fração argila por
O 10 40 peso (De Seed, Woodward e Lundgren, 1964b. Com
Percentagem do tamanho da fração argila (< 2 jm) permissão da ASCE.)

Gráfico de plasticidade
Os limites de liquidez e de plasticidade são determinados por ensaios de laboratório relativamente sim-
ples que fornecem informações sobre a natureza de solos coesivos. Os engenheiros têm usado os ensaios
intensivamente para obter as correlações de parâmetros fisicos e para identificação de solo. Casagrande
(1932) estudou a relação entre o índice de plasticidade e o limite de liquidez em uma grande variedade
de solos naturais. Tendo como base os resultados dos ensaios, ele propôs um gráfico de plasticidade,
como mostra a Figura 4.16. A característica mais importante desse gráfico é a linha empírica, Á dada pela
equação IP = 0,73(LL 20). A linha A separa as argilas inorgânicas dos siltes inorgânicos. Os valores
76 Fundamentos de engenharia geotécnica

70
-

60-

50
Linha UIP

40

30
- LinhaA IP = 0,73(LL-20)
20

10

o
o 20 40 6'O 8'O 10
Limite de liquidez

Solo sem coesão


Argilas inorgânicas de baixa plasticidade
Siltes inorgânicos de baixa compressibilidade
Argilas inorgânicas de média plasticidade
Siltes inorgânicos de média compressibilidade e siltes orgânicos
Argilas inorgânicas de alta plasticidade
Siltes inorgânicos de alta compressibilidade e argilas orgânicas Figura 4. 16 Gráfico de plasticidade

das argilas inorgânicas permanecem acima da linha A, e os valores dos siltes inorgânicos ficam abaixo
desta linha. Os siltes orgânicos são plotados na mesma região (abaixo da linha A e com LL variando de
30 a 50) que os siltes inorgânicos de compressibilidade mediana. As argilas orgânicas se posicionam na
mesma região dos siltes inorgânicos de alta compressibilidade (abaixo da linha A e LL maior que 50). As
informações fornecidas pelo gráfico de plasticidade têm grande valor e são a base de classificação de so-
los granulares finos no Sistema Unificado de Classificação do Solo (Unified Soil Classification System).
(Veja o Capítulo 5.)
Observe que a linha chamada U permanece acima da linha A. A linha U é aproximadamente
o limite superior da relação entre o índice de plasticidade e o limite de liquidez para qualquer solo
conhecido atualmente. A equação para a linha Upode ser dada como

IP=0,9(LL-8) (4.21)

Existe outro uso para as linhas A e U. Casagrande sugeriu que o limite de contração de um solo
pode ser determinado, aproximadamente, se seu índice de plasticidade e o limite de liquidez forem
conhecidos (consulte Holtz e Kovacs, 1981). Isso pode ser feito da seguinte maneira, com referência
à Figura 4.17.

a. Trace o gráfico do índice de plasticidade em relação ao limite de liquidez de um determinado solo


como o ponto A na Figura 4.17.
b. Projete a linha A e a linha Upara baixo, até interceptarem o ponto B. O ponto B terá as coordena-
das do LL = — 43,5 e IP = —46,4.
e. Una os pontos B e A com uma linha reta. Esta interceptará o eixo do limite de liquidez no ponto C.
A abscissa do ponto C é o limite de contração estimado.
Plasticidade e estrutura do solo 77

60

,
,,
/

B LL=-43,5
IP 46,4

Figura 4. 17 Estimativa de contração com base no gráfico de plasticidade (Adaptado


de Holtz e Kovacs, 1981.)

Estrutura dos solos


A estrutura do solo é definida como o arranjo ou a disposição geométrica das partículas de um solo
entre si. Entre os inúmeros fatores que afetam a estrutura estão o formato, o tamanho e a composição
mineralógica das partículas do solo e a natureza e composição da água do solo. Em geral, os solos
podem ser divididos em dois grupos: não coesivos e coesivos. As estruturas encontradas nos solos em
cada grupo estão descritas a seguir.

Estruturas em solos não coes/vos


As estruturas geralmente encontradas em solos não coesivos podem ser divididas em duas catego-
rias principais: granular simples (ou de grãos isolados) e em favos (ou alveolares). Nas estruturas
granulares simples, as partículas do solo estão em posição estável e em contato com as outras partí-
culas ao redor. A forma e a distribuição do tamanho das partículas do solo e suas posições relativas
influenciam na densidade do empacotamento desse solo (Figura 4.18); assim, é possível que haja uma
grande variedade de índices de vazios. Para uma ideia sobre a variação do índice de vazios causada
pelas posições relativas das partículas, vamos considerar o modo de empacotamento com esferas
iguais, como mostra a Figura 4.19.

Vazio • i )S do solo
Sólidos do solo Figura 4.18 Estrutura
granular simples: (a) fofa;
(a) (b) (b) compacta
78 Fundamentos de engenharia geo técnica

L\i
'...

r --
Figura 4.19 Modo de
1 empacotamento com esferas
d '> iguais (vistas planas):
(a) empacotamento muito fofo
k iii k (e = 0,91); (b) empacotamento
(a) (b) muito compacto (e = 0,35)

A Figura 4.19a mostra um caso de estado de empacotamento do solo muito fofo. Se isolarmos
um cubo no qual cada lado mede d, que é igual ao diâmetro de cada esfera, como mostra a ilustração,
é possível calcular o índice de vazios como

e
rzç

onde V= volume do cubo = d 3


= volume da esfera (isto é, o sólido) dentro do cubo

Observando que V= dm e T'Ç= mrdm/6 obtemos

d-
6
e= =091
~ 7rd3
6

Da mesma forma, a Figura 4.19b mostra um caso de estado de empacotamento do solo muito
compacto. A Figura 4.19b também mostra um cubo isolado, no qual a medida de cada lado é
Nesse caso pode-se demonstrar que e = 0,35.
O solo verdadeiro difere do modelo com esferas idênticas, pois nesse caso as partículas não
têm o mesmo tamanho e também não são esféricas. As partículas menores podem ocupar os espaços
vazios entre as partículas maiores e, portanto, o índice de vazios do solo é reduzido em comparação
ao modelo com esferas idênticas. No entanto, a irregularidade nos formatos das partículas geralmente
produz um aumento no índice de vazios dos solos. Como resultado desses dois fatores, o índice de
vazios encontrado no solo real tem aproximadamente o mesmo valor obtido com esferas iguais.
Na estrutura alveolar (Figura 4.20), o silte e a areia relativamente fina formam pequenos arcos com
correntes de partículas. Os solos que apresentam estrutura alveolar possuem maior índice de vazios e
podem suportar uma carga estática moderada. Porém, sob condições de carga mais pesadas ou quando
submetidos a cargas de impacto, a estrutura colapsa, o que resulta em um grande recalque do solo.

Estruturas em solos coesivos


Para compreender a estrutura básica de solos coesivos, precisamos conhecer os tipos de forças que
atuam entre as partículas de argila suspensas em água. No Capítulo 2, discutimos a carga negativa
sobre a superficie das partículas de argila e a camada dupla difusa ao redor de cada partícula. Quando
duas partículas de argila em suspensão se aproximam uma da outra, a tendência para interpenetração
Plasticidade e estrutura do solo 79

das camadas duplas difusas gera repulsão entre as partículas. Ao mesmo tempo, existe uma força de
atração entre as partículas de argila causada pelas forças de van der Waals independente das carac-
terísticas da água. Tanto a força de repulsão como a força de atração aumentam com a diminuição
da distância entre as partículas, mas em taxas diferentes. Quando o espaçamento entre as partículas
é muito pequeno, a força de atração é maior que a força de repulsão. Essas são as forças estudadas
pelas teorias coloidais.
O fato de que ocorrem concentrações locais de cargas positivas nas bordas das partículas de argila
foi discutido no Capítulo 2. Quando as partículas de argila estiverem muito próximas entre si, as bor-
das carregadas positivamente podem ser atraídas pelas faces carregadas negativamente das partículas.
Vamos considerar o comportamento da argila na forma de uma suspensão diluída. Quando a
argila é inicialmente dispersa na água, as partículas se repelem entre si. Esta repulsão ocorre porque,
com o maior espaçamento interpartículas, as forças de repulsão entre elas são maiores que as forças
de atração (forças de van der Waals). A força da gravidade sobre cada partícula é desprezível. Assim,
cada partícula individual pode se sedimentar muito lentamente ou, então, permanecer em suspensão,
submetida a um movimento Browniano (um movimento aleatório em zigue-zague de partículas coloi-
dais em suspensão). O sedimento formado pela decantação de partículas individuais apresenta uma
estrutura dispersa e uma orientação aproximadamente paralela entre si (Figura 4.2 Ia).
Se as partículas de argila dispersas inicialmente na água se aproximarem umas da outras durante
o movimento aleatório em suspensão, elas podem se agregar formando flocos visíveis com contato
entre as bordas. Nesse caso, as partículas são mantidas unidas pela atração eletrostática das bordas

Sólidos do solo

Vazio
1

Figura 4.20 Estrutura alveolar ou em favo de abelha

(a) (b)

Figura 4.21 Estruturas sedimentares:


(a) dispersão; (b) floculação sem adição de sal;
(e) floculação com adição de sal (Adaptado de
(e) Lambe, 1958.)
80 Fundamentos de engenharia geotécnica

carregadas positivamente com faces com cargas negativas. Essa agregação é conhecida corno flocula-
ção. Quando ficam maiores, os flocos decantam pela ação da gravidade. O sedimento formado dessa
maneira possui uma estrutura floculada (Figura 4.21b).
Quando se adiciona sal a uma suspensão de argila-água que tenha sido inicialmente dispersa,
os íons tendem a enfraquecer a camada dupla ao redor das partículas. Esse enfraquecimento reduz
a repulsão entre partículas e estas são atraídas urnas para as outras, formando flocos e decantando.
A estrutura floculada de sedimentos formada é mostrada na Figura 4.21c. Nas estruturas floculadas
sedimentares salinas, a orientação da partícula se aproxima de um alto grau de paralelismo, devido às
forças de van der Waals.
As argilas que apresentam estruturas floculares são leves e possuem um alto índice de vazios.
Os depósitos de argila formados no mar são altamente floculados. A maioria dos depósitos de sedi-
mentos formados em água doce possui uma estrutura intermediária entre dispersa e floculada.
Um depósito puro de argilominerais é raro na natureza. Quando um solo apresenta 50% ou mais
de partículas com tamanho menor ou igual a 0,002 mm, geralmente é chamado de argila. Estudos
realizados com microscópio eletrônico de varredura (Collins e McGown, 1974; Pusch, 1978; Yong e
Sheeran, 1973) mostraram que as partículas individuais de argila tendem a se agregar ou flocular em
unidades submicroscópicas. Essas unidades são chamadas de domínios. Em seguida, os domínios se
agrupam e esses grupos são chamados de aglomerados. Os aglomerados podem ser observados em
um microscópio óptico. Esse agrupamento para formar aglomerados é causado principalmente pelas
forças entre partículas. Os aglomerados, por sua vez, se atraem para formar agregados de solo, que
podem ser observados sem o uso do microscópio. Os grupos de agregados são unidades macroestrutu-
rais com juntas e fissuras. A Figura 4.22a mostra o arranjo de agregados e os espaços dos macroporos.
O arranjo de domínios e aglomerados com partículas do tamanho de silte é mostrado na Figura 4.22b.
Com base na discussão anterior, podemos ver que a estrutura dos solos coesivos é altamente
complexa. As macroestruturas têm grande influência no comportamento dos solos do ponto de vista
da engenharia, e a microestrutura é mais importante do ponto de vista fundamental. A Tabela 4.2
apresenta um resumo das macroestruturas de solos argilosos.

Silte Domínio
Macroporo
Figura 4.22
: Aglomerado Estrutura do solo:
Agregado
- - - - Microporo (a) arranjo dos
\ agregadoseespaços
. :
'.'•:. •' 1 dos macroporos;
N (b)arranjo dos
Silte domínios e
aglomerados com
partículas do
(a) (b) tamanho de silte.

Tabela 4.2 Estrutura de solos argilosos


Item Observações

Estruturas dispersas Formadas pela sedimentação de partículas isoladas de argila; orientação mais ou
menos paralela (veja a Figura 4.2 Ia)
Estruturas floculadas Formadas pela sedimentação de flocos de partículas de argila (veja as Figuras
4.21be4.21c)
Domínios Unidades submicroscópicas agrupadas ou floculadas de partículas de argila
Aglomerados Os domínios se agrupam para formar os aglomerados; podem ser observados em
microscópio óptico
Agregados Os aglomerados se agrupam para formar os agregados; podem ser vistos sem
microscópio
Plasticidade e estrutura do solo 81

Resumo e considerações gerais


Este capítulo aborda dois dos principais componentes no estudo de mecânica dos solos. São eles (a) a
plasticidade do solo e tópicos relacionados (veja as Seções 4.2 a 4.7); (b) a estrutura do solo (veja a
Seção 4.8).
Os ensaios do limite de liquidez, limite de plasticidade e limite de contração de solos de granula-
ção fina são indicadores da natureza da plasticidade de um solo. A diferença entre o limite de liquidez
e o limite de plasticidade é chamado de índice de plasticidade. O limite de liquidez e o índice de plas-
ticidade são os parâmetros necessários para a classificação de solos de granulação fina.
A estrutura de solos não coesivos pode ir de granular simples (ou grãos isolados) a alveolar (ou
favo de abelha). As estruturas alveolares são encontradas em siltes e areias relativamente finas. A ma-
croestrutura dos solos argilosos pode ser amplamente dividida em categorias, tais como: estruturas
dispersas, estruturas floculadas, domínios, aglomerados e agregados.

Problemas
4.1 Os resultados dos testes dos limites de liquidez e de plasticidade para um solo são mostrados a
seguir. Ensaio de limite de liquidez:

Número de golpes, N Teor de umidade (%)

16 36,5
20 34,1
28 27,0

Ensaio de limite de plasticidade: LP = 12,2%


a. Trace a curva de fluidez e obtenha o limite de liquidez.
b. Qual é o índice de plasticidade do solo?

4.2 Determine o índice de liquidez do solo descrito no Problema 4.1 se n si


—31%.

4.3 Os resultados dos testes dos limites de liquidez e de plasticidade para um solo são mostrados a
seguir. Ensaio de limite de liquidez:

Número de golpes. N Teor de umidade (%)

15 42
20 40,8
28 39,1

Teste delimite de plasticidade: LP = 18,7%


a. Trace a curva de fluidez e obtenha o limite de liquidez.
b. Qual é o índice de plasticidade do solo?

4.4 Consulte o Problema 4.3. Determine o índice de liquidez do solo quando o teor de umidade in
situ é de 26%.
4.5 Um solo saturado apresenta as seguintes características: volume inicial (V1) = 19,65 em', volu-
me final (J) = 13,5 em3, massa do solo úmido (Mj) = 36 g e massa do solo seco (M2) = 25 g.
Determine o limite de contração e a razão de contração.

4.6 Repita o Problema 4.5 com os seguintes valores: V = 24,6 em3, V= 15,9 em3, M = 44 g e
M2 = 30,1 g.
82 Fundamentos de engenharia geotécnica

Referências
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Classificação do solo

Diferentes solos com propriedades semelhantes podem ser classificados em grupos e subgrupos, de
acordo com seu comportamento. Os sistemas de classificação fornecem uma linguagem simples para
expressar de forma concisa as características dos solos, que são infinitamente variadas, sem des-
crições detalhadas. A maioria dos sistemas de classificação que foram desenvolvidos para fins de
engenharia tem como base propriedades de índice simples, como a distribuição granulométrica e a
plasticidade. Embora existam diversos sistemas de classificação em uso, nenhum é totalmente defi-
nitivo para todos os elementos e para todas as aplicações possíveis, pois há uma grande diversidade
de propriedades de cada solo.

Classificação textural
De forma geral, a textura dos solos refere-se à aparência de sua superficie e é influenciada pelo tama-
nho das partículas individuais que ele contém. A Tabela 2.3 divide os solos em categorias de pedre-
gulho, areia, silte e argila com base no tamanho das partículas. Na maioria dos casos, solos naturais
são misturas de partículas de diversos tamanhos. No sistema de classificação textural, os solos são no-
meados a partir de seus componentes principais como argila arenosa, argila siltosa e assim por diante.
No passado, foram desenvolvidos diversos sistemas de classificação textural por diferentes orga-
nizações para atender a suas necessidades individuais, e muitos deles são utilizados até hoje. A Figura
5.1 mostra os sistemas de classificação textural desenvolvidos pelo Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA). Esse método de classificação é baseado nos limites granulométricos, como
descritos pelo sistema do USDAna Tabela 2.3; ou seja

• Tamanho da partícula de areia: 2,0 a 0,05 mm de diâmetro


• Tamanho da partícula de silte: 0,05 a 0,002 mm de diâmetro
• Tamanho da partícula de argila: menor que 0,002 mm de diâmetro

O uso desse quadro pode ser melhor representado com um exemplo. Se a distribuição granulo-
métrica do solo A apresenta 30% de partículas com o tamanho de areia, 40% de silte e 30% de argila,
sua classificação textural pode ser determinada da maneira indicada pelas setas na Figura 5.1. Esse
solo cai na zona de lemo argiloso. Esse gráfico é baseado apenas na fração de solo que passa atra-
vés da peneira de n 10. Consequentemente, se a distribuição granulométrica de um solo for tal que
determinada percentagem das partículas do solo seja maior que 2 mm de diâmetro, será necessário
fazer urna correção. Por exemplo, se o solo B apresentar uma distribuição granulométrica de 20% de
pedregulho, 10% de areia, 30% de silte e 40% de argila, as composições de textura modificadas são

Percentagem de areia: 10 x 100= 12,5%


100 - 20

Percentagem de silte: 30 x 100= 37,5%


100 - 20

83
84 Fundamentos de engenharia geo técnica

(1

100

100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 O
Percentagem de areia
Figura 5. 1 Classificação textural do USDA

40 x 100
Percentagem de argila: = 50,0%
100 - 20

Com base nas percentagens modificadas anteriormente, a classificação textural do USDA é argila.
No entanto, devido à grande percentagem de pedregulho, pode ser chamada de argila pedregulhosa.
Há diversos sistemas de classificação textural também em uso, mas não são úteis para os fins da
engenharia civil.

Exemplo 5.1
Classifique os seguintes solos de acordo com o sistema de classificação textural do USDA.

Distribuição Solo
granulométrica (%)
A B C D

Pedregulho 10 21 O 12
Areia 20 12 18 22
Silte 41 35 24 26
Argila 29 32 58 40

Solução
Etapa 1. Calcule as percentagens modificadas de areia, pedregulho e silte como segue:
% areia
% modificada de areia = x 100
100 - % pedregulho
Classificação do solo 85

% silte
% modificada de silte = x 100
100 - % pedregulho

% argila
% modificada de argila = x 100
100 - % pedregulho

Portanto, a tabela a seguir resulta em:

Solo
Distribuição
granulométrica (%) A B C D

Areia 22,2 15,2 18 25


Silte 45,6 44,3 24 29,5
Argila 32,2 40,5 58 45,5

Etapa 2. Com a composição modificada calculada, consulte a Figura 5.1 para determinar a zona
na qual cada solo se enquadra. Os resultados são:

Classificação do solo

A B C D

Lemo argilo pedregulhoso Argila silto-pedregulhosa Argila Argila pedregulhosa


Observação: Apalavra pedregulhoso foi adicionada à classificação dos solos Á, B e D em função da gran-
de percentagem de pedregulho presente em cada um.

Classificação de acordo com o comportamento


da engenharia
Embora a classificação textural do solo seja relativamente simples, ela é totalmente baseada na dis-
tribuição granulométrica. A quantidade e o tipo de argilominerais presentes em um solo de grãos
finos determinam, em grande parte, suas propriedades fisicas. Consequentemente, os engenheiros
geotécnicos devem considerar a plasticidade, que resulta da presença de argilominerais, para inter-
pretar as características do solo de forma adequada. Como os sistemas de classificação textural não
consideram a plasticidade e não indicam de forma precisa muitas das importantes propriedades do
solo, eles não são adequados para a maior parte das metas da engenharia. Atualmente, os engenheiros
geotécnicos usam dois sistemas de classificação mais elaborados, considerando a distribuição granu-
lométrica e os limites de Atterberg: o Sistema de Classificação da Associação Americana de Rodovias
Estaduais e Autoridades de Transporte (AASHTO) e o Sistema Unificado de Classificação de Solos.
O sistema de classificação da AASHTO é usado principalmente pelos departamentos de estradas do
estado e município. Os engenheiros geotécnicos, em geral, preferem usar o Sistema Unificado.

Sistema de classificação da AASHTO


O sistema de classificação de solos da AASHTO foi desenvolvido em 1929 como o sistema de clas-
sificação da Administração de Vias Públicas. Passou por diversas revisões e a presente versão foi
86 Fundamentos de engenharia geo técnica

proposta pelo Committee 011 Classification of Materiais for Subgrades and Granular Type Roads da
Highway Research Board em 1945 (norma D-3282 da ASTM; método M145 da AASHTO).
A classificação da AASHTO atualmente é mostrada na Tabela 5.1. De acordo com esse sistema,
o solo é classificado em sete grandes grupos: A-1 aA-7. Os solos classificados como pertencentes aos
grupos A-1, A-2 e A-3 são materiais granulares nos quais 35% ou menos das partículas passam pela
peneira n2 200. Os solos nos quais mais de 35% das partículas passam pela peneira n2 200 pertencem
aos grupos A-4, A-5, A-6 e A-7. Esses solos contêm principalmente materiais do tipo silte e argila.
Esse sistema de classificação é baseado nos seguintes critérios:

1. Tamanho dos grãos


a. Pedregulho: fração que passa na peneira com abertura de 75 mm e fica retida na peneira pa-
drão americano n 10 (2 mm).
h. Areia: fração que passa na peneira padrão americano n2 10 (2 mm) e fica retida na peneira
padrão americano n 200 (0,075 mm).
c. Silte e argila: fração que passa na peneira de padrão americano n2 200.
2. Plasticidade: o termo siltoso é aplicado quando as porções finas do solo apresentam índice de
plasticidade de 10 ou menos. Já o termo argiloso é aplicado quando as porções finas apresentam
índice de plasticidade de 11 ou mais.
3. Caso sejam encontradas pedras de mão e matacões (maiores que 75 mm), elas serão removidas da
porção da amostra de solo que será usada para determinar a classificação. No entanto, a percenta-
gem desse material é registrada.

Para classificar um solo de acordo com a Tabela 5. 1, é necessário aplicar os dados de ensaios da
esquerda para a direita. Por meio do processo de eliminação, o primeiro grupo da esquerda, no qual os
dados de ensaio se enquadram, é a classificação correta. A Figura 5.2 mostra um gráfico da variação
do limite de liquidez e do índice de plasticidade para solos que se enquadram nos grupos A-2, A-4,
A-5, A-6 e A-7.
Para avaliar a qualidade de um solo corno material de subleito de rodovias, é necessário também
incorporar um número chamado índice de grupo (IG) com os grupos e subgrupos do solo. Esse índice
é escrito entre parênteses depois da definição do grupo ou subgrupo. O índice de grupo é determinado
pela equação

IG = (F —35)[0,2+0,005 (LL-40)]+0,0l(F200 —15) (IP —l0) (5.1)

onde F200 = percentagem que passa pela peneira n 200


LL = limite de liquidez
IP = índice de plasticidade

O primeiro termo da Equação (5. 1), ou seja, (F200 - 35)[0,2 + 0,005(LL - 40)], é o índice
de grupo parcial determinado a partir do limite de liquidez. Já o segundo termo 0,01 (F200 - 15)
(IP - 10) é o índice de grupo parcial determinado a partir do índice de plasticidade. A seguir, conheça
algumas regras para determinar o índice de grupo:

1. Se a Eq. (5.1) resultarem um valor negativo para o IG, é considerado o resultado 0.


2. O índice de grupo calculado com a Eq. (5.1) é arredondado para o valor inteiro mais próximo (por
exemplo, IG = 3,4 é arredondado para 3; IG = 3,5 é arredondado para 4).
3. Não há limite superior para o índice de grupo.
Classificação do solo 87

Tabela 5. 1 Classificação de materiais de subleito de rodovias


Materiais granulares
Classificação geral (35% ou menos da amostra total passam pela peneira n° 200)

A-1 A-2

Classificação do grupo A-1-a A-1-b A-3 A-2-4 A-2-5 A2-6 A-2-7

Análise granulométrica
(percentagem que
passa)
NQ 10 máx. 50
N40 máx. 30 máx. 50 mín. 51
NQ 200 máx. 15 máx. 25 máx. 10 máx. 35 máx. 35 máx. 35 máx. 35
Características da fração
na peneira n 40
Limite de liquidez máx. 40 mm. 41 máx. 40 mm. 41
Índice de plasticidade máx. 6 NP máx. 10 máx. 10 mín. 11 mín. 11
Tipos comuns de Fragmentos de pedra, Areia Pedregulho e areia siltosos ou argilosos
materiais constituintes pedregulho e areia fina
significativos
Classificação geral como De excelente a bom
subleito

Materiais argilo-siltosos
Classificação geral (mais de 35% da amostra total passante na n2 200)

A-7
A-7-5
Classificação do grupo A-4 A-5 A-6 A-7-6b

Análise granulométrica (percentagem que


passa)
N2 10
N 40
NQ 200 mín. 36 mín. 36 mín. 36 mín. 36
Características da fração que passa através da
peneira n2 40
Limite de liquidez máx. 40 mín. 41 máx. 40 mín. 41
Índice de plasticidade máx. 10 máx. 10 mín. 11 mín. 11
Tipos comuns de componentes significativos Solos siltosos Solos argilosos
Classificação geral como subleito Mediano a ruim
apara A-7-5, IP < LL —30
bpara A7.6, IP > LL —30

4. O índice de grupo de solos pertencentes aos grupos A- 1-a, A- 1 -b, A-2-4, A-2-5 e A-3 é sempre 0.
5. Ao calcular o índice do grupo para solos que pertencem aos grupos A-2-6 e A-2-7, use o índice do
grupo parcial para o IP, ou

IG=0,01 (F200 —15) (IP — 10) (5.2)

Em geral, a qualidade do desempenho de um solo como um material de subleito é inversamente pro-


porcional ao índice de grupo.
88 Fundamentos de engenharia geo técnica

70

60

20

10
Figura 5.2 Faixa do limite
de liquidez e índice de
plasticidade para solos dos
O 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 grupos A-2, A-4, A-5, A-6 e
Limite de liquidez A-7

Exemplo 5.2
Os resultados da análise granulométrica de um solo são:

• Percentagem que passa pela peneira n° 10 = 100


• Percentagem que passa pela peneira n°40 = 80
• Percentagem que passa pela peneira n° 200 = 58

O limite de liquidez e o índice de plasticidade da fração de solo que passa na peneira n°40 é 30 e
10, respectivamente. Classifique o solo de acordo com o sistema da AASHTO.

Solução
Usando a Tabela 5.1 e considerando que 58% do solo passa pela peneira n° 200, ele se enquadra
nas classificações de silte e argila - ou seja, enquadra-se no grupo A-4, A-5, A-6 ou A-7. Indo da
esquerda para a direita, enquadra-se no grupo A-4.
DaEq. (5.1)

IG = (F200 —35) [0,2 + 0,005(LL —40)] + 0,01 (F200 - 15)(IP - 10)


=(58-35)[0,2+0,005(30-40)] +(0,01)(58-15)(10- 10)
= 3,45 3

Então, o solo será classificado como A-4(3).

Exemplo 5.3
Noventa e cinco por cento de um solo passa pela peneira n° 200 e apresenta um limite de liquidez
de 60 e um índice de plasticidade de 40. Classifique o solo de acordo com o sistema da AASHTO.
Classificação do solo 89

Solução
De acordo com a Tabela 5. 1, esse solo se enquadra no grupo A-7 (proceda de forma semelhante ao
Exemplo 5.2). Desde que

40> 60-30
t t
IP LL
esse é um solo A-7-6.
IG= (F200 -35)[0,2 + 0,005(LL-40)] + 0,01(F200 — 15)(IP— 10)
=(95-35)[0,2+0,005(60-40)1+ (0,01)(95 - 15)(40 - 10)
=42

Então, a classificação é A-7-6(42).

Exemplo 5.4
Classifique o seguinte solo de acordo com o sistema de classificação da AASHTO:

• Percentagem que passa pela peneira n2 10 = 90


• Percentagem que passa pela peneira n 40 = 76
• Percentagem que passa pela peneira n2 200 = 34
• Limite de liquidez (fração que passa na n2 40) = 37
• Índice de plasticidade (fração que passa na n2 40) = 12

Solução
A percentagem que passa pela peneira n2 200 é menor que 35%, então o solo é um material granu-
lar. A partir da Tabela 5. 1, podemos notar que esse é do tipo A-2-6. Da Eq. (5.2),

IG = 0,01(F200 — 15) (IP — 10)

Para esse solo, F200 = 34 e IP = 12, então

IG=0,01(34— 15)(12-10)= 0,38 0

Portanto, o solo é do tipo A-2-6(0).

Sistema unificado de classificação de solos


A forma original desse sistema foi proposta por Casagrande em 1942 para ser utilizado em trabalhos
de construção em campos de aviação realizados pelo Corpo de Engenheiros do Exército, durante a
Segunda Guerra Mundial. Em conjunto com o Bureau de Reclamações dos Estados Unidos, esse
sistema foi revisado em 1952. Atualmente, é amplamente usado pelos engenheiros (norma D-2487 da
ASTM). O sistema unificado de classificação é apresentado na Tabela 5.2.
Esse sistema classifica os solos em duas grandes categorias:

1. Solos de granulação grossa que são naturalmente pedregulho e areia, cujo material que passa pela
peneira n2 200 é menor que 50%. Os símbolos de grupo começam com um prefixo G ou 5, onde
G representa pedregulho ou solo pedregulhoso e S representa areia ou solo arenoso.
90 Fundamentos de engenharia geotécnica

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Classificação do solo 91

70

60

- 50

/CL
CL-ML
ML
10 ou
1::
o
O 10 1620 30 40 50 60 70 80 90 100
Limite de liquidez
Figura 5.3 Gráfico de plasticidade

2. Solos de granulação fina cujo material passa 50% ou mais pela peneira ne 200. Os símbolos de
grupo começam com prefixo M, que representa silte inorgânico, C para argila inorgânica ou O para
siltes e argilas orgânicos. O símbolo Pt é usado para turfa, humo e outros solos altamente orgânicos.

Outros símbolos usados para a classificação são:

• W - bem graduado
• P - mal graduado
• L - baixa plasticidade (limite de liquidez menor que 50%)
• H - alta plasticidade (limite de liquidez maior que 50%)
Para uma classificação correta de acordo com o sistema, é importante conhecer as informações
a seguir:

1. Percentagem de pedregulho, ou seja, a fração que passa pela peneira de 76,2 mm e fica retida na
peneira ng 4 (abertura de 4,75 mm);
2. Percentagem de areia, ou seja, a fração que passa pela peneira n 4 (furos de 4,75 mm) e fica retida
na peneira n2 200 (abertura de 0,075 mm);
3. Percentagem de silte e argila, ou seja, a fração que passa pela peneira n2 200 (furos de 0,075 mm)
4. Coeficiente de uniformidade (C) e coeficiente de curvatura (Co);
5. Limite de liquidez e índice de plasticidade da porção de solo que passa pela peneira n° 40.

Os símbolos de grupo para solos grossos pedregulhosos são GW, GP, GM, GC, GC-GM, GW-
-GM, GW-GC, GP-GM e GP-GC. De forma semelhante, os símbolos de grupo para solos de grãos
finos são CL, ML, OL, CH, MB, OH, CL-ML e Pt.
Mais recentemente, a designação D2487 da ASTM criou um sistema para atribuir nomes de gru-
po aos solos. Esses nomes são resumidos nas Figuras 5.4, 5.5 e 5.6. Ao usar estas figuras, é necessário
lembrar que, em determinado solo,

• Fração fina = percentagem que passa pela peneira n2 200


• Fração grossa = percentagem retida na peneira n2 200
• Fração de pedregulho = percentagem retida na peneira n° 4
• Fração de areia =(percentagem retida na peneira nu 200) - (percentagem retida na peneira nQ 4).
92 Fundamentos de engenharia geotécnica

Resumo e comparação entre o sistema da


AASHTO e o sistema unificado
Ambos os sistemas de classificação de solo, AASHTO e Unificado, são baseados na textura e plasti-
cidade do solo. Além disso, os sistemas dividem os solos em duas categorias principais, grãos grossos
e finos, separados pela peneira n°200. De acordo com o sistema da AASHTO, um solo é considerado
fino quando mais de 35% passa pela peneira n° 200. De acordo com o sistema Unificado, um solo é
considerado fino quando mais de 50% passa pela peneira n° 200. Um solo grosso que contém cerca
de 35% de grãos finos se comportará como um material de granulação fina. Isso acontece porque há
grãos finos suficientes para preencher os vazios entre os grãos grossos e mantê-los separados. Desta
forma, o sistema AASHTO parece ser mais adequado. Nesse sistema, a peneira n° 10 é usada para se-
parar pedregulhos de areia; no sistema Unificado, é usada a peneira n2 4. A partir do ponto de vista dos
limites de tamanho de solo separado, a peneira n0 10 é a mais aceita como limite superior para areia.
Esse limite é usado em tecnologias de concreto e camada de base de rodovias.

Símbolo de grupo Nome de grupo

GW > <15% de areia -- Pedregulho bem graduado


>15% de areia ) Pedregulho bem graduado com areia
GP <15% de areia ' Pedregulho mal graduado
>15% de areia » Pedregulho mal graduado com areia

GW-GM <15% de areia —) Areia bem graduada com silte


>15% de areia
- ---»- Pedregulho bem graduado com silte e areia
GW-GC -* <15% de areia --' Pedregulho bem graduado com argila (ou argila siltosa)
>15% de areia -- Pedregulho bem graduado com argila e areia (ou areia e argila siltosa)

GP-GM - <15% de areia


- -»- Pedregulho mal graduado com silte
>15% de areia > Pedregulho mal graduado com silte e areia
GP-GC —* <15% de areia -»- Pedregulho mal graduado com argila (ou argila siltosa)
>15% de areia -»- Pedregulho mal graduado com argila e areia (ou argila siltosa e areia)

GM ---------- <15% de areia Pedregulho siltoso


>l5% de areia
-
$ Pedregulho siltoso com areia
GC » <15% de areia --* Pedregulho argiloso
>15% de areia --- Pedregulho argiloso com areia
GC-GM »- <15% de areia -»- Pedregulho argilo-siltoso
>l5% de areia ----»- Pedregulho argilo-siltoso com areia

SW -»- <15% de pedregulho --»- Areia bem graduada


>15% de pedregulho -> Areia bem graduada com pedregulho
SP '- <15% de pedregulho -»- Areia mal graduada
>15% de pedregulho - Areia mal graduada com pedregulho

SW-SM - »- <15% de pedregulho Areia bem graduada com silte


>15% de pedregulho Areia bem graduada com silte e pedregulho


SW-SC »- <15% de pedregulho -* Areia bem graduada com argila (ou argila siltosa)

- >15% de pedregulho -»-Areia bem graduada com argila e pedregulho (ou argila siltosa e pedregulho)

SP-SM » <15% de pedregulho -* Areia mal graduada com silte


>15% de pedregulho - - Areia mal graduada com silte e pedregulho
SP-SC - » <15% de pedregulho - Areia mal graduada com argila (ou argila siltosa)
> 15% de pedregulho - Areia mal graduada com argila e pedregulho (ou argila siltosa e pedregulho)

SM >-<15%depedregulho »- Areia siltosa


>15% de pedregulho -»- Areia siltosa com pedregulho
SC --- » <15% de pedregulho -*- Areia argilosa
~ 15% de pedregulho -----»- Areia argilosa com pedregulho
SC-SM --- » <15% de pedregulho -»- Areia argilo-siltosa
> 15% de pedregulho -* Areia argilo-siltosa com pedregulho

Figura 5.4 Fluxograma de nomes de grupos para solos com pedregulho e areia (Fonte: Reimpresso com
permissão de "Annual Book ofASTM Standards, 04.08". Copyright ASTM Intemational, 100 Barr Harbor
Drive, West Conshohocken, PA 19428, USA.)
Classificação do solo 93

tJ 0

OUVII
o
o. 2
o
00

°'oo
EU
0O09
.9 00
121
0000000
0000000 o. 9 O 45
E
00000 O 00000 Q0 o.O. flOCOO 0000000
E
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Al 2 Al 2 AI v AI v AI v
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00
94 Fundamentos de engenharia geo técnica

vv vvv v vvv

2 2
coco
V AIO

N N
Classificação do solo 95

Exemplo 5.5
A Figura 5.7 fornece a distribuição granulométrica de dois solos. Os limites de liquidez e plastici-
dade da fração de solo passante na peneira fl0 40 são:
Solo A Solo B

Limite de liquidez 30 26
Limite de plasticidade 22 20

Determine os símbolos e nomes de grupo de acordo com o Sistema Unificado de Classificação


de Solos.

Peneira nQ 200
100

80

60

J40

20 D10

o
1,0 0,1 0,01 0,001
Figura 5.7 Distribuição
Diâmetro da partícula (mm) - escala logarítmica
granulométrica de dois solos

Solução
Solo A
A curva de distribuição granulométrica (Figura 5.7) indica que a percentagem que passa pela
peneira n° 200 é 8. De acordo com a Tabela 5.2, esse é um solo grosso. Além disso, a partir da Fi-
gura 5.7, a percentagem retida na peneira n°4 é zero. Consequentemente, esse é um solo arenoso.
Apartir da Figura 5.7, D10 = 0,085 mm, D30 = 0,12 mm e D60 = 0,135 mm. Portanto,

D0, 351596
c U
1
D60 0,085
20 (0,12)2
C =
C
= =1,25>1
D60 x D10 (0,135)(0, 085)

Com LL = 30 e IP = 30 - 22 = 8 (que é maior que 7), ele é representado acima da linha A na


Figura 5.3. Portanto, o símbolo do grupo é SP-SC.
Para determinar o nome do grupo, consultamos a Figura 5.4.

Percentagem de pedregulho = O (que é < 15%)

Então, o nome do grupo é areia mal graduada com argila.


(continua)
96 Fundamentos de engenharia geo técnica

Solo B
A curva de distribuição granulométrica na Figura 5.7 indica que a percentagem que passa pela
peneira n2 200 é 61 (>50%); portanto, ele é um solo fino. Dados: LL = 26 e IP = 26-20 = 6. Na
Figura 5.3, o IP é representado na área hachurada. Então, de acordo com a Tabela 5.2, o símbolo
do grupo é CL-ML.
Para o nome do grupo (considerando que o solo seja inorgânico), partimos para a Figura 5.5 e
obtemos a percentagem de material retido na peneira n0 200 = 100-61 = 39 (que é maior que 30).

Percentagem de pedregulho = 0; percentagem de areia = 100 - 61= 39

Portanto, como a percentagem de areia é maior que a percentagem de pedregulho, o solo é argila
silto-arenosa.

Exemplo 5.6
Para um determinado solo, são fornecidos os seguintes dados:

• Percentagem que passa pela peneira r1 = 70


• Percentagem que passa pela peneira n2 200 = 30
• Limite de liquidez = 33
• Limite de plasticidade = 12

Classifique o solo usando o Sistema Unificado de Classificação de Solos. Determine o símbolo e


o nome do grupo.

Solução
Considere a Tabela 5.2. A percentagem que passa pela peneira n2 200 é 30%, que é menor que
50%. Então, é um solo grosso. Portanto,

Fração grossa = 100 - 30 = 70%

Fração de pedregulho = percentagem retida na peneira n2 4 = 100 - 70 = 30%. Portanto,


mais de 50% de fração grossa passa pela peneira nQ 4. Portanto, é um solo arenoso. Já que mais
de 12% passa pela peneira n2 200, é um solo SM ou SC. Para esse solo, IP = 33 - 12 = 21 (que é
maior que 7). Com LL = 33 e IP = 21, ele é representado acima da linha A na Figura 5.3. Portanto,
o símbolo do grupo é SC.
Para determinar o nome do grupo, consulte a Figura 5.4. Já que a percentagem de pedregulho
é superior a 15%, ele é classificado como areia argilosa com pedregulho. •

No sistema Unificado, os solos com pedregulho e areia são separados, o que não acontece no
sistema da AASHTO. O grupo A-2, em especial, contém uma grande variedade de solos. Símbolos
como GW, SM, CH e outros que são usados no sistema Unificado são mais descritivos quanto às
propriedades do solo do que os símbolos A usados no sistema da AASHTO.
Classificação do solo 97

A classificação de solos orgânicos, como OL, OH e Pt, é definida no sistema Unificado. No sis-
tema da AASHTO, não há lugar para solos orgânicos. As turfas geralmente apresentam alto teor de
umidade, baixo peso específico relativo dos sólidos do solo e baixo peso específico. A Figura 5.8
mostra a micrografia eletrônica de varredura de quatro amostras de turfa coletadas em Wisconsin.
Algumas das propriedades das turfas são fornecidas na Tabela 5.3.
Liu (1967) comparou o sistema da AASHTO com o sistema Unificado. Os resultados desse
estudo são apresentados nas Tabelas 5.4 e 5.5.

TURFA DE MIDDLETON TURFA


RFA DE WAUPACA

TURFA DE PORTAGE TURFA DE FOND DU LAC

100P

Figura 5.8 Micrografias eletrônicas de varredura de quatro amostras de turfa (De acordo com
Dhowian and Edil, 1980. Reimpresso com permissão. Copyright ASTM International, 100 Barr
Harbor Drive, West Conshohocken, PA 19428, USA.)

Tabela 5.3 Propriedades das turfas apresentadas na Figura 5.8


Teor de umidade Peso específico Peso específico Teor de cinzas
Origem da turfa (%) (kN/m3) relativo. G (%)

Middleton 510 9,1 1,41 12,0


WaupacaCounty 460 9,6 1,68 15,0
Portage 600 9,6 1,72 19,5
FondduLacCounty 240 10,2 1,94 39,8
98 Fundamentos de engenharia geo técnica

Tabela 5.4 Comparação entre o sistema da AASHTO e o sistema Unificado*


Grupo de solo Grupos de solo comparáveis no sistema Unificado
no sistema
da ASSHTO Mais provável Possível Possível, mas improvável

A-1-a GW, GP SW, SP GM, SM


A-1-b SW, SP, GM, SM GP -
A-3 SP - SW, GP
A-2-4 GM, SM GC, SC GW, GP, SW, SP
A-2-5 GM, SM - GW, GP, SW, SP
A-2-6 GC, SC GM, SM GW, GP, SW, SP
A-2-7 GM, GC, SM, SC - GW, GP, SW SP
A-4 ML, OL CL, SM, SC GM, GC
A-5 OH, MH, ML, OL SM, GM
A-6 CL ML, OL, SC GC, GM, SM
A-7-5 OH, MH ML, OL, CH GM, SM, GC, SC
A-7-6 CH, CL ML, OL, SC OH, MH, GC, GM, SM
*Segundo Liu (1967)

Tabela 5.5 Comparação entre o sistema Unificado e o sistema da AASHTO*


Grupo de solo Grupos de solo comparáveis no sistema da AASHTO
no sistema
Unificado Mais provável Possível Possível, mas improvável

GW A-1-a - A-2-4, A-2-5, A-2-6, A-2-7


GP A-1-a A-1-b A-3, A-2-4, A-2-5, A2-6, A-2-7
GM A-1-b, A-2-4, A-2-5, A-2-7 A-2-6 A-4, A-5, A-6, A-7-5, A-7-6, A-1-a
GC A-2-6, A-2-7 A-2-4 A-4, A-6, A-7-6, A-7-5
SW A-1-b A-1-a A-3, A-2-4, A-2-5, A-2-6, A-2-7
SP A-3, A-1-b A-1-a A-2-4, A-2-5, A-2-6, A-2-7
SM A-1-b, A-2-4, A-2-5, A-2-7 A-2-6, A-4 A-5, A-6, A-7-5, A-7-6, A-1-a
SC A-2-6, A-2-7 A-2-4, A-6, A-4, A-7-6 A-7-5
ML A-41 A-5 A-6, A-7-5, A-7-6 -
CL A-6, A-7-6 A-4 -
OL A-4, A-5 A-6, A-7-5, A-7-6 -
MH A-7-5,A-5 - A-7-6
CH A-7-6 A-7-5 -
OH A-7-5, A-5 - A-7-6
Pt - - -
*Segundo Liu (1967)
Classificação do solo 99

Problemas
5.1 Classifique os seguintes solos usando o gráfico de classificação textural do Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos.

Distribuição
granulométrica (%)

Solo Areia Silte Argila

A 20 20 60
B 55 5 40
C 45 35 20
D 50 15 35
E 70 15 15

5.2 Foram fornecidos a seguir as análises granulométricas de dez solos, os limites de liquidez e os
limites de plasticidade da fração que passa pela peneira n° 40. Classifique os solos usando o
sistema de classificação da AASHTO e determine os índices de grupo.

Análise granulométrica
(percentagem que passa) Limite Limite
N° ---- de de
do solo N° 10 N2 40 N2 200 liquidez plasticidade

1 98 80 50 38 29
2 100 92 80 56 23
3 100 88 65 37 22
4 85 55 45 28 20
5 92 75 62 43 28
6 48 28 6 NP
7 87 62 30 32 24
8 90 76 34 37 25
9 100 78 8 - NP
10 92 74 32 44 35

5.3 Classifique os solos a seguir usando o Sistema Unificado de Classificação de Solos. Forneça os
símbolos e os nomes do grupo.

Análise granulométrica
(percentagem que passa) Limite Limite
Ne de de
do solo N° 4 N2 200 liquidez plasticidade Comentários

1 94 3 - NP C, = 4,48 e C = 1,22
2 100 77 63 25
3 100 86 55 28
4 100 45 36 22
5 92 48 30 8
6 60 40 26 4
7 99 76 60 32
100 Fundamentos de engenharia geotécnica

5,4 Para um solo inorgânico, é fornecida a seguinte análise granulométrica.

N2 da peneira Percentagem que


(norma americana) passa pela peneira

4 100
lo 90
20 64
40 38
80 18
200 13

Para esse solo, LL = 23 e LP = 19. Classifique os solos usando


a. Sistema de Classificação de Solos da AASHTO
b. Sistema Unificado de Classificação de Solos
Forneça os símbolos e os nomes do grupo.

Referências
AMERICAN AssoclATIoN OF STATE HIGI-IWAY AND TRANSPORTATION OFFIcIAI5. AÁSHTO Materiais, Part 1, Specifica-
tions, Washington, DC, 1982.
AMERIcAN SocmTY FOR TESTING AND MATERIALS. Annuai Book of ÁSTM Standards, seção 4, v. 04.08, West
Conshohoken, Pa, 2007.
CASAGRANDE, A. "Classification and Identification of Soils", Transactions, ASCE, v. 113, p. 901-930, 1948.
DHOWLAN, A. W.; EDIL, T. B. "Consolidation Behavior of Peats", Geotechnicai Testing Journai, ASTM, v. 3, n.
3, p. 105-14, 1980.
Liu, T. K. "A Review of Engineering Soil Classification Systems", Highway Research Record n. 156, National
Academy of Sciences, Washington, D.C., p. 1-22, 1967.
6 Compactação dos solos

Na construção de taludes rodoviários, barragens de terra ou quaisquer outras estruturas, os solos


soltos devem ser compactados para que seus pesos específicos sejam aumentados. A compactação
aumenta a resistência dos solos, o que, por sua vez, aumenta a resistência das fundações construídas
sobre sua superficie. A compactação também reduz o recalque indesejado das estruturas e aumenta a
estabilidade dos taludes de aterros. Rolos compactadores lisos, pé de carneiro, de pneus de borracha e
vibratórios geralmente são empregados no campo para compactação do solo. Os rolos compactadores
vibratórios são utilizados principalmente na densificação dos solos granulares. Equipamentos Vibro-
fiot também servem para compactação de depósitos de solo granular até uma profundidade considerá-
vel, método este chamado vibroflutuação (vibroflotation).Este capítulo descreve alguns detalhes dos
princípios da compactação do solo em laboratório e no campo.

Compacta ção - princípios gerais


A compactação, em termos gerais, é a densificação do solo por meio da remoção de ar, o que requer
energia mecânica. O grau de compactação de um solo é medido com base no peso específico seco.
Quando adicionada ao solo durante a compactação, a água atua como um agente de amolecimento de
partículas. As partículas do solo deslizam umas sobre as outras e se movem para uma posição den-
samente compactada. Após a compactação, o peso específico seco aumenta, em princípio, conforme
aumenta o teor de umidade. (Veja a Figura 6. 1.) Observe que a um teor de umidade w = O, o peso
específico natural ('y) é igual ao peso específico seco (7d)' ou

7= =

O
Teor de umidade, w

E Sólidos do solo Água Figura 6. 1 Princípios de compactação

101
102 Fundamentos de engenharia geo técnica

Quando o teor de umidade é gradativamente aumentado sob a mesma força de compactação, o peso
dos sólidos do solo, em um volume unitário, aumenta gradativamente. Por exemplo, com w = w1 ,

=72
Porém, o peso específico seco neste teor de umidade é dado por

7d(w=w 1) = 7d(w=0) + 7d

Acima de um determinado teor de umidade w = w2 (Figura 6. 1), qualquer aumento tende a reduzir o
peso específico seco. Esse fenômeno ocorre porque a água ocupa os espaços que eram ocupados pelas
partículas sólidas. O teor de umidade no qual o peso específico seco máximo é obtido geralmente é
chamado de teor de umidade ótimo.
O teste de laboratório geralmente usado para determinar o peso específico seco máximo de com-
pactação e o teor de umidade ótimo é chamado de ensaio de compactação Proctor (Proctor, 1933).
Os procedimentos para realizar esse ensaio estão descritos na próxima seção.

Ensaio Proctor normal


No ensaio Proctor normal, o solo é compactado em um molde com volume de 944 em3. O diâmetro
do molde é de 101,6 mm. Durante o ensaio em laboratório, o molde é fixado a uma chapa de apoio no
fundo e a uma extensão no topo (Figura 6.2a). O solo é misturado com várias quantidades de água e,
depois, compactado em três camadas iguais por um soquete (Figura 6.2b) que golpeia 25 vezes cada
camada. A massa do soquete é de 2,5 kg e a altura da queda é de 30,5 cm. A Figura 6.2c é uma foto
do equipamento de laboratório necessário para realizar o ensaio Proctor normal.
Para cada teste, o peso específico natural de compactação, y, pode ser calculado por

w (6.1)

onde W = peso do solo compactado no molde


V ) = volume do molde (944 em3 )

Em cada ensaio, o teor de umidade do solo compactado pode ser determinado no laboratório. Com o
teor de umidade conhecido, o peso específico seco pode ser calculado por

7
(6.2)
= w(%)
1+
100

onde w (%) = teor de umidade.


Os valores de determinados a partir da Eq. (6.2) podem ser plotados em um gráfico, em fun-
ção dos teores de umidade correspondentes, para obter o peso específico seco máximo e o teor de
umidade ótimo do solo. A Figura 6.3 mostra o gráfico de um solo argilo-siltoso.
O procedimento para o ensaio Proctor normal está definido na Designação de Ensaio D-698 da
ASTM (ASTM, 2007) e na Designação de Ensaio T-99 daAASHTO (AAS}{TO, 1982).*

* N.R.T.: No Brasil, a norma que especifica o procedimento de ensaio é a NBR 7182, Solo - Ensaio de Compactação
(ABNT, 1986), com a diferença de se golpear 26 vezes cada uma das três camadas e utilizar um molde de 100 mm de
diâmetro (volume igual a 1000 cm'), resultando em uma energia de compactação igual à das normas internacionais.
Compactacão dos solos 103

1 114,3mm
diâmetro

Extensão
Altura
de queda
304,8 mm

1
=

116,43 irmi

4 eso do soquete

J!
= 2,5 kgf

1 101,6 mm k50,8 mm
1-
diâmetro 1

,%%h, ~#< '1


9 ai
(e)
A
Figura 6.2 Equipamento de ensaio Proctor normal: (a) molde; (b) soquete; (e) foto dos
equipamentos de laboratório usados no ensaio (Cortesia de Braja M Das, Henderson, Nevada.)
104 Fundamentos de engenharia geotécnica

19,5

19,0
Curva de saturação
(G5 = 2,69)
18,5
o Máximo 'y

17,0-

Teor de umidade ótimo


16,5-
5 10 15 18 Figura 6.3 Resultados do ensaio de compactação
Teor de umidade, w (%) Proctor normal de argila siltosa

Para um determinado teor de umidade w e grau de saturação S, o peso específico seco de com-
pactação pode ser calculado como mostrado a seguir. Do Capítulo 3 [Eq. (3.16)], para qualquer solo,

Gy
Yd -
1+e

onde G = peso específico relativo dos sólidos do solo


= peso específico da água
e = índice de vazios

e, da Eq. (3.18),

Se = Gw

ou

w
e = G8
5

Assim,

Gy
(6.3)
Gw
1+--

Para dado teor de umidade, o peso específico seco máximo teórico é obtido quando não há pre-
sença de ar nos espaços vazios - isto é, quando o grau de saturação é igual a 100%. Portanto, o peso
específico seco máximo em um dado teor de umidade com os vazios sem ar (ou seja, com os vazios
saturados) pode ser obtido substituindo-se S = 1 na Eq. (6.3), ou
Compactacão dos solos 105

G5 '7 'Yu'
'Yzav = 1+wG5 = (6.4)
w+ 1

onde Yzav
= pesoespecífico com vazios sem ar (vazios saturados).
Para obter a variação da com o teor de umidade, use o seguinte procedimento:
1. Determine o peso específico relativo dos sólidos do solo.
2. Obtenha o peso específico da água ('y,).
3. Adote vários valores para w, como 5%, 10%, 15% e assim por diante.
I. Use a Eq. (6.4) para calcular o 'YzaV para vários valores de w.
A Figura 6.3 também mostra a variação de com o teor de umidade e sua respectiva locali-
zação em relação à curva de compactação. Sob nenhuma circunstância qualquer parte da curva de
compactação deve se posicionar à direita da curva de saturação (vazios sem ar).

Fatores que afetam a compactação


A seção anterior mostrou que o teor de umidade tem forte influência sobre o grau de compactação
alcançado em um determinado solo. Além do teor de umidade, outros fatores importantes que afetam
a compactação são o tipo do solo e o esforço de compactação (energia por unidade de volume). A im-
portância de cada um desses dois fatores é descrita mais detalhadamente nas duas próximas seções.

Efeito do tipo de solo


O tipo de solo isto é, tamanho dos grãos, distribuição granulométrica destes grãos, formato de partí-
culas, peso específico relativo dos sólidos do solo e quantidade e tipos de minerais de argila presentes
- exerce grande influência sobre o peso
específico seco máximo e o teor de umi- 19,0
dade ótimo. A Figura 6.4 mostra curvas 1
de compactação típicas obtidas de quatro
solos. Os ensaios de laboratório foram 18,5- Si1te arenoso
realizados conforme a Designação de En-
saio D-698, daASTM.
Observe que a curva de compacta- 18,0
ção em formato de sino mostrada na Fi- E
gura 6.3 é típica para a maioria dos solos Argila siltosa
argilosos. A Figura 6.4 mostra que, para
a areia, o peso específico seco tem uma
tendência geral de primeiro diminuir con- / Argila altamente
forme o teor de umidade aumenta, e de-
pois aumentar até o valor máximo, con-
forme a umidade continua aumentando.
A redução inicial do peso específico seco
em função do aumento do teor de umida-
de pode ser atribuída ao efeito da tensão
16,0
capilar. Em teores de umidades menores,
a tensão capilar na água do poro inibe a
tendência que as partículas do solo têm 15,5
de se movimentar e se organizar de forma 10 15 20
mais compacta. Teor de umidade, se (%)
Lee e Suedkamp (1972) estudaram Figura 6.4 Curvas de compactação típicas para quatro
as curvas de compactação de 35 amos- solos (ASTMD-698.)
106 Fundamentos de engenharia geotécnica

tras de solo. Eles observaram que quatro tipos de curva de compactação podem ser obtidos, que são
apresentados na Figura 6.5. A tabela a seguir é um resumo dos tipos de curvas de compactação encon-
tradas em vários solos, com referência à Figura 6.5.

Tipo de curva de compactação


(Figura 6.5) Descrição da curva Limite de liquidez

A Formato de sino Entre 30 e 70


B Um pico e meio Menor que 30
C Pico duplo Menor que 30 e maior que 70
D Formato assimétrico Maior que 70

Teor de umidade Teor de umidade

(a) (b)

o
o
o
o
o
'a
o
o
o.
o
o
o
o.

Teor de umidade Teor de umidade

(e) (d)
Figura 6.5 Vários tipos de curvas de compactação encontradas nos solos
Compacta ção dos solos 107

Efeito do esforço de compactação


A energia de compactação por unidade de volume usada no ensaio Proctor normal, descrito na Seção
6.2, pode ser dada em

NúmeroNúmero Peso Altura de


de golpes x de x do x queda do
por camada camadas soquete soquete
E - (6.5)
- Volume do molde

ou, em unidades SI,

[25 x 981
(25)(3) d](0305m)
1000
E = 594kN-m!m3 600kJ/m3
944x106m3

Se o esforço de compactação por unidade de volume do solo for alterado, a curva de peso específico
versus umidade também será. Este fato pode ser demonstrado com ajuda da Figura 6.6, que mostra
quatro curvas de compactação de uma argila arenosa. O molde Proctor normal e o soquete foram
utilizados para obtenção dessas curvas de compactação. O número de camadas de solos usadas para
a compactação foi três em todos os casos. Porém, o número de golpes do soquete para cada camada
variou de 20 a 50, o que alterou a energia por unidade de volume.

19,85

Curva de saturação (G = 2,7)

19,00
Linha de valor ótimo

50golpes/ \
18,00 camada
o
30 golpes!
o
o camadas
o

o 2
17,00 25 golpes! /
camadas/1
20 golpe
camadas

16,00

15,20
10 1214 16 18 20 22 24
Figura 6.6 Efeito da energia de
Teor de umidade, w (%) compactação sobre a compactação
Argila arenosa: Limite de liquidez = 31 Limite de plasticidade = 26 de uma argila arenosa
108 Fundamentos de engenharia geotécnica

Com base na observação anterior e na Figura 6.6, podemos estabelecer que

1 Conforme aumenta o esforço de compactação, aumenta o peso específico seco máximo.


2. Conforme o esforço de compactação aumenta, o teor de umidade ótimo diminui levemente.

As afirmações anteriores são válidas para todos os solos. No entanto, observe que o grau de
compactação não é diretamente proporcional ao esforço de compactação.

• 1 Ensaio Proctor modificado


Com o desenvolvimento de rolos compactadores mais pesados, o ensaio Proctor normal foi modifi-
cado para melhor representar as condições em campo. Essa versão revisada é também chamada de
ensaio Proctor modificado (Designação de Ensaio D- 1557 da ASTM T- 180 da AASHTO). Para reali-
zar o ensaio Proctor modificado, usa-se o mesmo molde utilizado no ensaio normal com um volume
de 944 cm3. Porém, o solo é compactado em cinco camadas com um soquete de massa igual a 4,54
kg e a altura de queda do soquete é de 457 mm. O número de golpes do soquete para cada camada foi
mantido em 25, o mesmo número do ensaio Proctor normal. A Figura 6.7 mostra uma comparação
entre os soquetes usados no ensaio de Proctor normal e no modificado.*

igura 6.7 Comparação entre soquetes do ensaio


Proctor normal (à esquerda) e do Proctor modificado
(à direita) (Cortesia de Braja M Das, Henderson,
Nevada.)

* N.R.T.: No Brasil, utiliza-se o ensaio descrito na norma ABNT NBR 7182/86, Solo Ensaio de Compactação.
Compactacão dos solos 109

A energia de compactação para esse tipo de ensaio pode ser calculada em 2700 kN-mIm3 .
Como aumenta o esforço de compactação, o resultado do ensaio de Proctor modificado apresen-
ta um aumento no peso específico seco máximo do solo. Tal aumento é acompanhado de um decrés-
cimo no teor de umidade ótimo.
Nas questões abordadas anteriormente, as especificações fornecidas para o ensaio Proctor adota-
das pela ASTM e pela AASHTO com relação ao volume do molde e ao número de golpes são, geral-
mente, adotadas para solos granulares finos que passam pela peneira americana n°4. Porém, em cada
designação de ensaio existem três métodos sugeridos que estabelecem o tamanho do molde, o número
de golpes por camada e o tamanho máximo da partícula de um solo usado para o ensaio. A Tabela 6.1
fornece um resumo desses métodos de teste.
Ornar et ai. (2003) recentemente apresentaram resultados dos ensaios de compactação de Proc-
tor modificado em 311 amostras de solo. Dessas amostras, 45 eram de solos pedregulhosos (GP,
GP-GM, GW, GW-GM e GM), 264 eram solos arenosos (SP, SP-SM, SW-SM, SW, SC-SM, SC
e SM) e dois eram solos argilosos com baixa plasticidade (CL). Todos os ensaios de compactação
foram realizados em conformidade com a norma 1577, método C da ASTM, para evitar excessiva

Tabela 6. 1 Resumo dos ensaios de compactação proctor normal e modificado (normas D-698 e D-1557 da
ASTM)
Descrição Método A Método B Método C

Dados fisicos dos Material Passante na peneira Passante na peneira Passante na peneira
ensaios n°4 de 9,5 mm de 19 mm
Uso Usado se 20% ou Usado se 20% ou Usado se 20% ou
menos do material, mais do material, mais do material,
por peso, ficar reti- por peso, ficar por peso, ficar
do na peneira retido na peneira retido na peneira de
n°4(4,75 mm) n°4 (4,75 mm) e 9,5 mm e 30% ou
20% ou menos do menos do material,
material, por peso, por peso, ficar
ficar retido na pe- retido na peneira de
neira de 9,5 mm 19 mm
Volume do molde 944 cm3 944 cm3 2124 cm3
Diâmetro do molde 101,6 min 101,6 min 152,4 min
Altura do molde 116,4 mm 116,4 mm 116,4 mm

Ensaio Proctor Peso do soquete 24,4 N 24,4 N 24,4 N


normal
Altura de queda 305 mm 305 mm 305 mm
Número de camadas 3 3 3
de solo
Número de golpes! 25 25 56
camada

Ensaio Proctor Peso do soquete 44,5 N 44,5 N 44,5 N


modificado
Altura de queda 457 mm 457 mm 457 mm
Número de camadas 5 5 5
de solo
Número de golpes! 25 25 56
camada
110 Fundamentos de engenharia geotécnica

correção de tamanho do diâmetro máximo. Com base nos ensaios, foram desenvolvidas as seguin-
tes correlações.

Pd(...) (kg/m3) = [4.804.574G — 195,55(LL)2 + 156.971(R#4)°'5 (6.6)


- 9.527.830]0'

ln(w0 )= 1,195 x 10(LL)2 — 1,964G-6,617 x 10-5(R#4) (6.7)


+7,651

onde Pd(máx) = massa específica seca máxima (kg/ml)


w0 = teor de umidade ótimo (%)
G = peso específico relativo dos sólidos do solo
LL = limite de liquidez, em percentagem
R#4 = percentual retido na peneira n°4

Gurtug e Sridharan (2004) propuseram correlações para o teor de umidade ótimo e peso específico
seco máximo com o limite de plasticidade (LP) de solos coesivos. Essas correlações podem ser ex-
pressas como:

w0 (%) = { 1,95 - 0,38(log EC)](LP) (6.8)

W(%)
7d(máx) (kN/m3 ) = 22, 68e°'°18 (6.9)

onde LP = limite de plasticidade (%)


EC = energia de compactação (kNm/m3)
Para o ensaio Proctor modificado, EC = 2.700 kNIm3. Assim,

w0 (%) 0,65 (LP)


e
'Yd(máx)(7m) 22,68e0'2"

ExemDlo 6.1
Os resultados dos ensaios de laboratório de Proctor modificado são fornecidos na tabela a seguir.

Volume Peso do solo úmido Teor de


do molde no molde umidade. w
(cm3) (N) (%)

944 16,81 10
944 17,84 12
944 18,41 14
944 18,33 16
944 17,84 18
944 17,35 20

a. Determine o peso específico seco máximo de compactação e o teor de umidade ótimo.


Compactacão dos solos 111

b. Calcule e trace o gráfico de versus o teor de umidade para os graus de saturação S = 80%,
90% e 100% (isto é, 'Yzaj)' Dado: G = 2,72.

Solução
Parte a
A seguinte tabela pode agora ser preparada.

Volume Peso do Peso específico Teor de Peso específico


do molde solo, úmido, umidade, seco,
V (cm3) W (N) 7(kN/m3 ) w (%) '7d (kN/m3)1'

944 16,81 17,81 10 16,19


944 17,84 18,90 12 16,79
944 18,41 19,50 14 17,11
944 18,33 19,42 16 17,04
944 17,84 18,90 18 16,02
944 17,35 18,38 20 15,32

a _W
'7—
v

=
1 100

O gráfico de versus w é mostrado na parte inferior da Figura 6.8. Com base nele, é possível ver
que o peso específico seco máximo Yd(m) = 17,15 kNIm3 e o teor de umidade ótimo é de 14,4%.

22

20

'Yd (máx) S = 100%

S = 90%
80%

14 1
6 8 10 12 14 16 18 20 Figura 6.8 Curvas peso
Teor de umidade, w (%) específico-umidade

(continua)
112 Fundamentos de engenharia geotécnica

Parte b
Da Equação (6.3),

G8'y
Yd
Gw
- l+*L_
s
A seguinte tabela pode ser preparada.

Yd (kNIm3)
G3 w(%) S=8O% S=90% S=100%

2,7 8 20,86 21,37 21,79


2,7 10 19,81 20,37 20,86
2,7 12 18,85 19,48 20,01
2,7 14 17,99 18,65 19,23
2,7 16 17,20 17,89 18,50
2,7 18 16,48 17,20 17,83
2,7 20 15,82 16,55 17,20

O gráfico de 'd versus w para vários graus de saturação também é apresentado na Figura 6.8. •

Exemplo 6.2
Para um solo granular, são fornecidos os seguintes dados:
• Gs :=2,6
• Limite de liquidez da fração passante pela peneira n2 40 = 20
• Percentual retido na peneira n 4 = 20
Usando as Eqs. (6.6) e (6.7), calcule a massa específica seca máxima estimada de compactação e
o teor de umidade ótimo, baseado no ensaio Proctor modificado.

Solução
DaEq. (6.6),

pd(l )(kWm) = [4.804.574G - 195,55(LL)2 + 156.971(R#4)°'5 - 9.527.830] 05


= [4.804574(2,6) - 195,55(20)2 + 156.971(20)°' - 9.527.830]0.5
= 1.894kg/n

Da Eq. (6.7),

1n(w0) = 1,195 x 10 4(LL)2 - 1,964G - 6,617 x 10 5 (R#4) + 7.651


= 1,195 x 10-4(20)2 - 1,964(2,6) - 6,617 x 10(20)+7.651
= 2,591
= 13,35%
Compactaclio dos solos 113

Estrutura do solo argiloso compactado


Lambe (1958) estudou os efeitos da compactação em estruturas de solos argilosos. Os resultados de
seus estudos estão ilustrados na Figura 6.9. Se a argila for compactada com um teor de umidade no lado
seco do teor ótimo, representado pelo ponto Á, ela terá uma estrutura floculada. Esse tipo de estrutura
ocorre porque, em baixos teores de umidade, as camadas duplas difusas de íons ao redor das partículas
de argila podem não estar completamente desenvolvidas, assim a repulsão interpartículas é reduzida.
Esta repulsão reduzida resulta em uma orientação aleatória das partículas e peso específico seco menor.
Quando o teor de umidade da compactação é aumentado, como mostra o ponto B, as camadas duplas
difusas ao redor das partículas se expandem, o que aumenta a repulsão entre as partículas de argila e
produz um menor grau de floculação e um maior peso específico seco. Um aumento contínuo no teor
de umidade de B para C expande ainda mais as camadas duplas. Essa expansão resulta em um contínuo
aumento da repulsão entre as partículas e, consequentemente, maior grau de orientação das partículas
e estrutura mais ou menos dispersa. Porém, o peso específico seco diminui porque a água adicionada
dilui a concentração de sólidos do solo por unidade de volume.
Em determinado teor de umidade, maior esforço de compactação produz orientação mais parale-
la das partículas de argila, o que resulta em uma estrutura mais dispersa. Essas partículas ficam mais
próximas e o solo apresenta maior peso específico de compactação. Tal fenômeno pode ser observado
comparando-se o ponto A com o ponto E na Figura 6.9.
A Figura 6.10 mostra a variação no grau de orientação das partículas com o teor de água de
moldagem para argila azul de Boston compactada. Os trabalhos de Seed e Chan (1959) mostraram
resultados similares em argila de caulim compactada.

Efeitos da compactação nas propriedades de


solos coesivos
A compactação induz variações na estrutura de solos coesivos. Os resultados destas variações estru-
turais incluem alterações na condutividade hidráulica, na compressibilidade e na resistência. A Figu-
ra 6.11 mostra os resultados dos ensaios de permeabilidade (Capítulo 7) em argila arenosa da Jamaica.
As amostras usadas nos ensaios foram compactadas com vários teores de umidade, com o mesmo es-

Esforço de compactação alto

Esforço de compactação baixo

Figura 69 Efeitos da compactação em


estruturas de solos argilosos (Redesenhado
segundo Lambe, 1958a. Com permissão da
Teor de umidade na moldagem ASCE.)
114 Fundamentos de engenharia geotécnica

100

75

1
350

25

10 12 14 16 18 20 22 24

18

14
10 12 14 16 18 20 22 24
Teor de umidade de moldagem (%)

• Energia de compactação mais alta • Energia de compactação mais baixa


Figura 6.10 Orientação em função do teor de umidade para argila azul de
Boston (Segundo Lambe, 1958a. Com permissão da ASCE.)

forço de compactação. A condutividade hidráulica, medida da facilidade com que a água flui através
do solo, diminui com o aumento do teor de umidade e atinge um valor mínimo, aproximadamente,
no teor de umidade ótimo. Além do teor de umidade ótimo, a condutividade hidráulica aumenta ligei-
ramente. O alto valor da condutividade hidráulica no lado seco do teor de umidade ótimo é devido à
orientação aleatória das partículas de argila, que resulta em poros maiores.
As características de compressibilidade unidimensional (Capítulo 11) de solos argilosos com-
pactados no lado seco do teor ótimo e compactados no lado úmido do teor ótimo são mostradas na
Figura 6.12. Sob pressão menor, um solo que é compactado no lado úmido do teor ótimo é mais
compressível que um solo compactado no lado seco do teor ótimo mostrado na Figura 6.12a. Sob
pressão mais alta, a tendência é exatamente o oposto, que é mostrado na Figura 6.12b. Em amostras
compactadas no lado seco do teor ótimo, a pressão tende a orientar as partículas para suas direções
normais de aplicação. Ao mesmo tempo, o espaço entre as partículas de argila também é reduzido.
Porém, em amostras compactadas no lado úmido do teor ótimo, a pressão produz apenas uma redução
do espaço entre as partículas de argila. Em pressões muito altas, é possível ter estruturas idênticas em
amostras compactadas nos lados seco e úmido do teor ótimo.
A resistência de solos argilosos compactados (Capítulo 12) geralmente diminui com o teor de
umidade de moldagem e pode ser observado na Figura 6.13, que é o resultado de vários ensaios de
Compacta cão dos solos 115

10-4

10-a
12 13 14 15 16 17 18 19

20,44

20,00

o
1)
19,00
o
o
o1)

o
1800

17,29
12 13 14 15 16 17 18 19
Teor de umidade (%)
- - -A Mostra a alteração da umidade e do peso específico causado pela infiltração
Figura 6. 11 Efeito da compactação na condutividade hidráulica de solo
argiloso (Redesenhado segundo Lambe, 1958b. Com permissão da ASCE.)

esforços de compressão não confinados em amostras compactas de solos argilo-siltosos. As amostras


para o ensaio foram preparadas pelo método de compactação por amassamento. A inserção na Figura
6.13 mostra a relação entre o peso específico seco e o teor de umidade do solo. Observe que as amos-
tras A, B, e C foram compactadas, respectivamente, no lado seco do teor ótimo, próximo do teor de
umidade ótimo e no lado úmido do teor de umidade ótimo. O esforço de compressão não confinado,
é muito reduzido em amostras compactadas no lado úmido do teor de umidade ótimo.
Algumas argilas expansivas no campo não permanecem compactadas, mas se expandem com a
entrada de água e se retraem com a perda de umidade. Esta retração e expansão do solo podem cau-
sar sérios desastres nas fundações de edificações. A natureza da variação de expansão e de retração
de argilas expansivas é mostrada na Figura 6.14. Observações em laboratório como esta ajudarão o
engenheiro geotécnico a adotar um teor de umidade para a compactação que minimize a expansão e
a retração.
116 Fundamentos de engenharia geotécnica

"C' Amostra compactada seca ou indeformada

1,1

Amostra compactada úmida


ou amolgada
Pressão (escala natural)
(a) Adensamento a baixa pressão

I
Amostra compactada seca ou indeformada

o
Amostra compactada úmida
ou amolgada
Figura 6.12 Efeito da compactação na
compressibilidade unidimensional de solos argilosos
Pressão (escala logarítmica) (Redesenhado segundo Lambe, 1958b. Com
(b) Adensamento a alta pressão permissão da ÁSCE.)

300 16

'14
o
o
Q

, 200 l2
E
o
A
'10
10 14 18 22 26
q Teor de umidade (%)
E' 100

o
"0 5 10 15 20
Deformação axial (%)
Figura 6.13 Ensaio de compressão em corpos de prova compactados de argila siltosa
Compactacão rios solos 117

Expansão devido
à umidificacão
Retração devido
à secagem

Teor de umidade de moldagem (%)

Figura 6.14 Natureza da variação da


Teor de umidade (%) expansão e retração de argila expansiva

Compacta ção em campo


Equipamentos de compactação
A maior parte dos serviços de compactação em campo é realizada com rolos compactadores. Os qua-
tro tipos mais comuns de rolos são:

1. Rolo compactador liso (ou de tambor liso)


2. Rolo compactador de pneus de borracha
3. Rolo compactador pé de carneiro
4. Rolo compactador vibratório

Os rolos compactadores lisos (Figura 6.15) são adequados para provas de carga de subleitos e
serviços de acabamento de aterros com solos arenosos e argilosos. Esses rolos fornecem 100% de co-
bertura sob as rodas, com pressões de contato com o solo de 310 a 380 kN/m2. Estes rolos não são ade-
quados para produzir um alto peso específico compactado quando usados em camadas mais espessas.
Os rolos compactadores de pneus de borracha (Figura 6.16) são, em muitos aspectos, melhores
que os rolos compactadores lisos, e apresentam uma carga pesada com várias fileiras de pneus. Os
pneus ficam proximamente espaçados - quatro a seis pneus por fileira. A pressão de contato entre o
solo e os pneus pode variar de 600 a 700 kN/m2 e pode produzir uma cobertura de 70% a 80% em
média. Os rolos compactadores de pneus podem ser usados na compactação de solos argilosos e solos
arenosos. A compactação é obtida por meio de uma combinação de pressão e ação de amassamento.
Os rolos compactadores pé de carneiro (Figura 6.17) estão equipados com tambores com várias
projeções. A área de cada projeção pode variar de 25 a 85 em2. Estes compactadores são mais eficien-
tes na compactação de solos argilosos. A pressão de contato sob as projeções pode variar de 1400 a
7000 kN/m2. Durante a compactação no campo, as passagens iniciais compactam a porção inferior
de uma camada. A compactação das porções intermediária e superior da camada é realizada em uma
etapa posterior.
118 Fundamentos de engenharia geotécnica

Figura 6. 15 Rolo compactador liso (Ingram Compaction LLC.)

Figura 3. 3 Rolo compactador de pneus de borracha (Ingrwn Compaclion LLC.)

Os rolos compactadores vibratórios são de alta eficiência na compactação de solos granulares.


Dispositivos vibratórios podem ser montados em rolos compactadores lisos, de pneus de borracha
ou pé de carneiro para aplicar os efeitos vibratórios no solo. A Figura 6.18 demonstra o princípio
de funcionamento dos rolos compactadores vibratórios. A vibração é produzida por pesos girató-
rios excêntricos.
Compactacão dos solos 119

Figura 6. 17 Rolo compactador pé de carneiro (SuperStock/Alamy.)

Vibrador Peso giratório excêntrico

/1 Figura 6. 18 Princípio de funcionamento


Vibrador / Peso giratório excêntrico dos rolos compactadores vibratórios

Placas vibratórias manuais podem ser empregadas na compactação eficiente de solos granulares
em uma área limitada. As placas vibratórias também podem ser instaladas em conjunto nas máquinas.
Tais placas podem ser utilizadas em áreas menos restritas.

Fatores que afetam a compacta cão em campo


Além do teor de umidade e do tipo de solo, outros fatores devem ser levados em consideração para
alcançar o peso específico de compactação no campo. Entre esses fatores estão a espessura da cama-
da, a intensidade da pressão aplicada pelo equipamento de compactação e a área na qual será aplicada.
Tais fatores são importantes, pois a pressão aplicada na superficie diminui em função da profundida-
de, o que resulta em um decréscimo no grau de compactação do solo. Durante a compactação, o peso
específico seco do solo também é afetado pelo número de passagens do rolo. A Figura 6.19 mostra as
curvas de crescimento de um solo argilo-siltoso. O peso específico seco de um solo a um determinado
teor de umidade aumenta, até certo ponto, com o número de passagens do rolo. Além desse ponto, o
peso específico permanece aproximadamente constante. Na maioria dos casos, cerca de 10 a 15 pas-
sagens do rolo produzem um peso específico seco máximo economicamente viável.
120 Fundamentos de engenharia geo técnica

A Figura 6.20a mostra a variação no peso específico de compactação com a profundidade para
uma areia mal graduada, com um rolo vibratório. A vibração foi produzida instalando um peso excên-
trico em um eixo giratório simples dentro do tambor cilíndrico. O peso do rolo usado nessa compac-
tação tinha 55,6 kN e o diâmetro do tambor era de 1,19 m (47 pol.). A camada foi mantida em 2,44 m.
Observe que, a uma dada profundidade, o peso específico seco de compactação aumenta em função
do número de passagens do rolo. Porém, a taxa de aumento do peso específico diminui gradativamen-

18

17

16

Figura 6. 19 Curva de crescimento


para argila siltosa - relação entre o peso
específico seco e o número de passagens
de um rolo compactador de três rodas de
84,5 kN quando o solo está compactado
em camadas soltas de 229 mm com
diferentes teores de umidade (Adaptado
de Testes de campo em escala real de
rolos compactadores de 3 rodas. In:
iii Highway Research Bulietin 272, Highway
O 8 16 24 32 Research Board, National Research
Número de passagens do rolo compactador Council, Washington, D. C., 1960, Figura
15, p. 23. Reproduzido com permissão do
Argila siltosa: Limite de liquidez = 43 Índice de plasticidade = 19 Transportation Research Board.)

0,00 0,00 0,00


Compactação
após 5 passagens
0,50 0,50 I do rolo / 0,50
-eoo 0,4
-e cOmPT o7/
1,00 -e 1,00 ---

1,50 1,50

1,83 1 1,83 1 1,83 1


15,72 16,00 16,50 17,00 50 60 70 80 90 50 60 70 80 90
Peso específico seco, 'Yd (kN/M 3 ) Compacidade relativa, D,. (%) Compacidade relativa, Dr (°")
(a) (b)
Figura 6.20 (a) Compactação vibratória de areia -variação do peso específico seco das passagens do
rolo compactador; espessura da camada = 2,45 m; (b) estimativa de compactação da camada para obter
a compacidade relativa mínima necessária de 75% com cinco passagens do rolo (Segundo D 'Appolonia,
Whitman e D 'Appolonia. 1969. Com permissão da ASCE.)
Con7pactscão dos solos 121

te depois de 15 passagens. Outro fator que deve ser observado na Figura 6.20a é a variação do peso
específico seco para um dado número de passagens do rolo. O peso específico seco e, consequente-
mente, a compacidade relativa D, alcançam seus valores máximos a uma profundidade de cerca de
0,5 m e diminuem gradativamente em profundidades menores. O decréscimo ocorre em razão da
falta de pressão de confinamento em direção à superficie. Depois que a relação entre a profundidade
e a compacidade relativa (ou peso específico seco) para um dado solo, com determinado número de
passagens do rolo compactador, for definida, é fácil estimar a espessura aproximada de cada camada.
Este procedimento é mostrado na Figura 6.20b (D'Appolonia, Whitman e D'Appolonia, 1969).

.: Especificações para a compactação no campo


Na maior parte das especificações de terraplanagem, a contratada é instruída a obter um peso especí-
fico seco de compactação do campo de 90% a 95% do peso específico seco máximo, determinado em
laboratório por meio do ensaio Proctor normal ou modificado. Essa é uma especificação de grau de
compactação, que pode ser expressa por

'Yd(campo)
R(%)= xlOO (6.10)
'd(máx--lab)

onde R = grau de compactação.


Para a compactação de solos granulares, as especificações são, algumas vezes, escritas em fun-
ção da compacidade relativa requerida D, ou do grau de compactação requerido. A compacidade re-
lativa não deve ser confundida com o grau compactação. Com base no Capítulo 3, podemos escrever

'Yd(campo) - 'Yd(mfn) 11 'Yd(máx)


Dr = (6.11)
'd(máx) 'Yd(mfn) 1 1 'Yd(campo) 1

Comparando as Eqs. (6.10) e (6.11), vemos que

R= (6.12)
1 Dr(1 - R0 )

onde

'Yd(mfn)
Ro — (6.13)
'Yd(máx)

Com base na observação de 47 amostras de solo, Lee e Singh (197 1) elaboraram uma correlação
entre R e D, para solos granulares:

R = 80 + 0,2D (6.14)

A especificação para compactação no campo com base no grau de compactação ou na compaci-


dade relativa é uma especificação de produto final. A contratada deve alcançar um peso específico seco
mínimo, independentemente do procedimento adotado em campo. A condição de compactação mais
econômica pode ser explicada com ajuda da Figura 6.21. As curvas de compactação Á, B e C são re-
122 Fundamentos de engenharia geotécnica

Linha de valor ótimo


j,2n

61
01

o!
01

0I
Yd(má

AI BI

W1 W4 w3 w2
Teor de umidade, w
Figura 6.21 Condição mais econômica para compactação

lativas ao mesmo solo, com variação do esforço de compactação. Admite-se que a curva A represente
as condições de esforço de compactação máximo que podem ser obtidas por meio do equipamento
disponível e que a contratada deva alcançar um peso específico seco mínimo d(C ) = R'Yd(m)• Para
obter esses resultados, a contratada deve certificar-se de que o teor de umidade w está entre w1 e w2.
Como é possível ver na curva de compactação c o pode ser obtido com um menor esforço
de compactação a um teor de umidade w = w3. Porém, na maioria das condições práticas, 'Yd(campo)
R'yd(ffl) não pode ser obtido por meio do esforço de compactação mínimo. Portanto, deve ser usado
um equipamento com esforço de compactação ligeiramente maior que o esforço mínimo e a curva de
compactação B representa esta condição. É possível observar na Figura 6.2 1, que o teor de umidade
mais econômico está entre w3 e w4. Observe que w = w4 é o teor de umidade ótimo para a curva A,
que é o esforço de compactação máximo.
O conceito descrito no parágrafo anterior, juntamente com a Figura 6.21, é historicamente atri-
buído a Seed (1964) e foi elaborado de maneira mais detalhada por Holtz e Kovacs (1981).
A Tabela 6.2 define alguns requisitos para a obtenção do grau de compactação de 95% a 100%
(com base no peso específico seco máximo do ensaio Proctor normal) obtido por vários equipamentos
de compactação de campo (U.S. Department ofNavy, 1971).

.. Determinação do peso específico de


campo de compactação
Quando o trabalho de compactação é executado no campo, é importante saber se o peso específico
definido no projeto foi alcançado. Os procedimentos padrão para a determinação do peso específico de
compactação no campo incluem os seguintes métodos:

1. Método do frasco de areia


2. Método do balão de borracha
3. Método nuclear

A seguir, uma breve descrição de cada método.


Compacta ção dos solos 123

000 O COQ
CO
'000O '0

O
O)

Eoa) COoO.
CO00 C>00 E E -.o E
o
O
0000
oE
°o
O a a)E
'EE•-
O E , a
0O.0CS 000CO
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CD CD CD C) o a
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'0 0 '0
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124 Fundamentos de engenharia geo técnica

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Compactacão dos solos 125

Método do frasco de areia (Designação 01556 da AS TM)


O equipamento para ensaio consiste em um frasco de vidro ou de plástico com um cone de metal ins-
talado no topo (Figura 6.22). O frasco é cheio com areia Ottawa uniforme e seca. O peso combinado
do frasco, do cone e da areia no frasco é determinado (W1). No campo, um pequeno furo é escavado na
área em que o solo foi compactado. Se o peso do solo úmido retirado do furo (W) for determinado e
sabendo-se o teor de umidade do solo escavado, o peso seco do solo pode ser obtido por

- w2
w(%) (6.15)
1+
100

onde w = teor de umidade.


Após a escavação, o frasco cheio de areia com o cone instalado é posicionado de cabeça para
baixo sobre o furo (Figura 6.23). A areia é liberada do frasco e enche o furo e o frasco. Em seguida, o
peso combinado do frasco, do cone e da areia restante no frasco é determinado (W4), portanto

W5 W1 —W4 (6.16)

onde W5 = peso da areia para preencher o furo e o cone.


O volume do furo escavado pode ser determinado por

v__w5_wc (6.17)
'Yd(areja)

onde W = peso da areia necessária para encher apenas o cone


'Yd(areia) = peso específico da areia Ottawa usada

Frasco

Areia Ottawa

Registro
Placa de metal
N Cone

-. •e.- e.' A .' -. .. .. -

'.'IS.• _'.dI.• _',•dI.

Furo preenchido com areia Ottawa


Frasco dc vidro cheio com areia de
Ottawa e com o cone de areia anexado (Cortesia Figura 6.23 Peso unitário em campo,
de Braja Mi Das, Henderson, Nevada.) determinado pelo método do frasco de areia
126 Fundamentos de engenharia geotécnica

Os valores de W e 7d(areia) são calculados pela calibração realizada em laboratório. O peso específico
seco de compactação realizada em campo é então determinado da seguinte forma:*

Peso seco do solo escavado do furo =


Yd = (6.18)
Volume do furo V

Método do balão de borracha (Designação D-2167 da ASTM)


O procedimento adotado no método do balão de borracha é similar ao do método do frasco de areia.
Um furo de teste é aberto e o peso úmido e o teor de umidade do solo removido do furo são determi-
nados. No entanto, o volume do furo é determinado inserindo-se um balão de borracha cheio de água
retirada de um recipiente graduado, permitindo que o volume possa ser lido de forma direta. O peso
específico seco do solo compactado pode ser determinado usando-se a Eq. (6.18). A Figura 6.24 mos-
tra um recipiente graduado que seria usado com o balão de borracha.

Método nuclear
Os densímetros nucleares são utilizados com frequência para a determinação do peso específico seco
compactado do solo. Esse equipamento opera tanto em furos escavados como na superficie do solo.
Um isótopo radioativo é usado como fonte e libera raios gama, que são irradiados de volta para o
detector do densímetro. Os solos densos absorvem mais radiação do que os solos fofos. O instrumento
mede o peso de solo úmido por unidade de volume e o peso da água existente em uma unidade de
volume do solo. O peso específico seco do solo compactado pode ser calculado subtraindo-se o peso
da água do peso específico úmido do solo. A Figura 6.25 mostra uma foto de um densímetro nuclear.

t ..

• -.

Figura 6.24 Frasco graduado usado com o Figura 6.25 Densímetro nuclear (Cortesia de Braja
balão de borracha (não mostrado) (Cortesia M Das, Henderson, Nevada.)
de John Hester; Cartervilie, Illinois.)

* N.R.T.: No Brasil, utiliza-se o ensaio descrito na norma ABNT NBR 7185/86, Solo Determinação da massa especí-
fica aparente, in sito, com emprego do frasco de areia.
Compacta ção dos solos 127

Exemplo 6.3
Os resultados de um ensaio de compactação em laboratório para um silte argiloso são mostrados
na tabela a seguir.

Teor de umidade Peso específico seco


(%) (kN/m3)

6 14,80
8 17,45
9 18,52
11 18,9
12 18,5
14 16,9

Os dados a seguir são resultado de um ensaio de determinação em campo do peso específico por
meio do método do frasco de areia:
• Massa específica seca calibrada da areia Ottawa = 1570 kg/m3
• Massa calibrada de areia Ottawa necessária para encher o cone = 0,545 kg
• Massa do frasco + cone + areia (antes da utilização) = 7,59 kg
• Massa do frasco + cone + areia (após a utilização) = 4,78 kg
• Massa do solo úmido retirado do furo = 3,007 kg
• Teor de umidade do solo úmido = 10,2%
Determine:
a. O peso específico seco da compactação em campo
b. O grau de compactação em campo

Solução
Parte a
No campo,
Massa da areia usada para preencher o furo e o cone = 7,59 kg —4,78 kg = 2,81 kg
Massa da areia usada para preencher o furo = 2,81 kg - 0,545 kg = 2,265 kg

2,265 kg
Volume do furo (V)
= Massa específica seca de areia Ottawa
2,265
kg = 0, 0014426 m3
= 1570 kg/m3

Massa especifica úmida do solo compactado = Massa de solo úmido


Volume do furo
3,007 = 2084,4 kg/m3
0,0014426

(2084,4) (9,81)
Peso específico úmido do solo compactado = = 20,45 kN/m3
1000

(continua)
128 Fundamentos de engenharia geotécnica

Assim,

20,45
'Yd - 18,56kN/m3
w(%) - 10,2
= 1+ 1+ —_
100 100

Parte b
Os resultados do ensaio de compactação em laboratório são mostrados no gráfico da Figura 6.26.
A partir do gráfico, podemos observar que 'd(máx) = 19 kN/m3. Portanto, da Eq. (6.10),

19

12 16 20 Figura 626 Gráfico dos resultados em


w (%) laboratório do ensaio de compactação

R
= 'Yd(campo) - 18,56
'Yd(campo) 19,0
= 97,7% .

Compacta ção de solos orgânicos e detritos


A presença de matéria orgânica no solo reduz sua resistência. Em muitos casos, os solos de alto con-
teúdo orgânico são descartados como material de aterro. No entanto, em determinadas circunstâncias
econômicas, solos com baixo conteúdo orgânico são utilizados para compactação. De fato, este tipo
de solo é desejável em muitas circunstâncias, como em aplicações na agricultura, na mitigação da de-
sertificação e no planejamento urbano. Os altos custos do descarte do lixo aumentaram o interesse na
possível utilização de materiais descartados (por exemplo, as cinzas pesadas produzidas pela queima
do carvão, a escória de cobre, os sedimentos produzidos por fábricas de papel, os restos triturados
de pneus usados misturados com solo inorgânico etc.) em várias operações de terraplenagem. Tal
utilização de resíduos é uma das principais forças da geotecnologia ambiental moderna. A seguir,
discutiremos as características de compactação de alguns destes materiais.

Solo orgânico

Franklin, Orozco e Semrau (1973) realizaram vários ensaios em laboratório para observar o efeito do
conteúdo orgânico sobre as características de compactação do solo. No programa de ensaios, vários
solos naturais e misturas de solos foram testados. A Figura 6.27 mostra o efeito do conteúdo orgânico
sobre o peso específico seco máximo. Quando o conteúdo orgânico excede 8% a 10%, o peso espe-
cífico seco máximo de compactação diminui rapidamente. Por outro lado, o teor de umidade ótimo
para um dado esforço de compactação fica maior em função do aumento do conteúdo orgânico. Esta
tendência é mostrada na Figura 6.28. Da mesma forma, a resistência à compressão não confinada
Compacta ção dos solos 129

máxima (veja o Capítulo 11) obtida de um solo compactado (com determinado esforço de compacta-
ção) decresce com o aumento do conteúdo orgânico do solo. Em razão desses fatos, conclui-se que os
solos com conteúdo orgânico superior a 10% são inadequados para compactação.

16,00

15,00

14,00

pl 12,00

11,00

10,22
o 5 10 15 20 25 30
Conteúdo orgânico (%)
Figura 6.27 Variação do peso específico
O Mistura seca em estufa seco máximo com o conteúdo orgânico
• Amostra natural - seca em estufa (Segundo Franklin Orozco e Semrau, 1973.
Á Mistura - seca ao ar Com permissão da ASCE.)

35

30

10
O 5 10 15 20 25 Figura 6.28 Variação do teor de umidade
Conteúdo orgânico (%) ótimo como conteúdo orgânico (Segundo
Fran/clin, Urozco e Semrau, lYli.
• Seca em estufa Á Seco ao ar Com permissão da ASCE.)
130 Fundamentos de engenharia geotécnica

Mistura de solos e materiais orgânícos


Lancaster et ai. (1996) realizaram vários ensaios Proctor modificados para determinar o efeito do
conteúdo orgânico sobre o peso específico seco máximo e o teor de umidade ótimo de misturas de
solo e material orgânico. Os solos testados eram compostos de solo arenoso mal graduado (SP-SM)
misturado com casca de sequoia triturada, casca de arroz triturada ou lodo de sistemas municipais de
esgoto. As Figuras 6.29 e 6.30 mostram as variações do peso específico seco máximo de compacta-
ção e do teor de umidade ótimo, respectivamente, com o conteúdo orgânico. Como mostra a Figura
6.27, o peso específico seco máximo decresceu com o conteúdo orgânico em todos os casos (veja
a Figura 6.29). Por outro lado, o teor de umidade ótimo aumentou com o conteúdo orgânico para o
solo misturado com cascas trituradas de sequoia ou arroz (veja a Figura 6.30), de modo similar ao
padrão mostrado na Figura 6.28. Entretanto, para misturas de solo e lodo de esgoto municipal, o teor
de umidade ótimo permaneceu praticamente constante (veja a Figura 6.30).

18

16
E
14

12

10
Figura 6.29 Variação do peso
específico seco máximo de
compactação com o conteúdo
orgânico - mistura de solo
e material orgânico. (Fonte:
Segundo "The Effect ofOrganic
Content on Soil Compaction
por J. Lancaster, R. Waco, 1
Towle e R. Chaney, 1996. In
O 20 40 60 80 100 Proceedings, Third International
Conteúdo orgânico (%) Symposium on Environmental
Geotechnology, p. 159. Usado
• Casca de sequoia • Casca de arroz <O> Lodo com permissão do autor.)

26

24

22
o
E
°5) 20
-o
0
18
Figura 6.30 Variação do teor de
umidade ótimo com o conteúdo
16 orgânico - mistura de solo e
material orgânico. (Fonte: Segundo
14 "The Effect ofOrganic Content on
Soil C'ompaction ", por
J. Lancaste,; R. Waco, 1 Towle
12 e R. Chaney, 1996
5 10 15 20 25 30 35 In Proceedings, Third Iriternational
Conteúdo orgânico (%) Symposium on Environmental
Geotechnology, p. 159. Usado com
+ Casca de sequoia • Casca de arroz Lodo permissão do autor.)
Compactacão dos solos 131

Cinzas pesadas da queima de carvão e escória de cobre


Resultados de ensaio Proctor normal em laboratório para cinzas pesadas produzidas em usinas ter-
melétricas de queima de carvão e para escória de cobre também estão disponíveis na literatura. Esses
produtos residuais têm se mostrado seguros para o meio ambiente quando utilizados em aterros. Um
resumo dos resultados desses ensaios é mostrado na Tabela 6.3.

Técnicas especiais de compactação


Vários tipos especiais de técnicas de compactação foram desenvolvidos para compactação profunda
de solos no local. Tais técnicas são aplicadas no campo para compactação em grande escala. Entre
elas, os métodos mais empregados são a vibroflutuação (vibroflotation), a compactação dinâmica e a
detonação. As próximas seções detalham estes métodos.

Vibro flutuação
A vibroflutuação é uma técnica para densificação in situ de camadas espessas de depósitos de solos
granulares fofos. Essa técnica foi desenvolvida na Alemanha, na década de 1930. O primeiro equipa-
mento de vibroflutuação, nos Estados Unidos, foi usado há cerca de dez anos. O processo envolve o
uso de uma unidade Vibroflot (também chamada de unidade vibratória), que tem cerca de 2,1 m de
comprimento (corno mostra a Figura 6.31). A unidade vibratória está equipada com um peso excên-
trico em seu interior, capaz de gerar força centrífuga, o que permite que a unidade vibre na posição
horizontal. Existem aberturas nas partes inferior e superior da unidade, as quais permitem a passagem
de jatos de água. Um tubo de acompanhamento é conectado à unidade vibratória. A Figura 6.31 mostra
o conjunto completo do equipamento necessário para realizar compactações em campo.
O processo completo de vibroflutuação em campo pode ser dividido em quatro estágios (Figu-
ra6.32):

Estágio]: O jato de água na base do Vibroflot é ligado e baixado até o solo.


Estágio 2: O jato de água cria uma condição de solo movediço e permite que a unidade vibra-
tória afunde no terreno.
Estágio 3: O material granular é derramado pela abertura superior do furo. A água do jato
inferior é transferida para o jato na parte superior da unidade vibratória. Essa água
carrega o material granular em direção ao fundo do furo.
Estágio 4: A unidade vibratória é gradualmente levantada em passos de cerca de 0,3 m e man-
tém a vibração em cada passo por cerca de 30 segundos. Esse processo compacta o
solo até o peso específico desejado.

Tabela 6.3 Resultados do ensaio Proctor normal de cinzas pesadas e escória de cobre
Peso específico Teor de
seco máximo umidade ótimo
Tipo Local (kN/m3 ) (%) Fonte

Cinzas pesadas - Fort Martin 13,4 24,8 Seals, Moulton e Ruth


carvão betuminoso Kammer 16,0 13,8 (1972)
(Virginia Ocidental) Rio Kanawha 11,4 26,2
Mitchell 18,3 14,6
Muskingham 14,3 22.0
Ilha Willow 14,5 21,2
Cinzas pesadas - Usina Elétrica Big Stone 16,4 20,5 Das, Selim, e Pfeifle
Carvão linhita Planta, Dakota do Sul (1978)
Escória de cobre American Smelter e 19,8 18,8 Das, Tarquin e Jones
Refinery Company, (1983)
El Paso, Texas
132 Fundamentos de engenharia geotécnica

Tubo de
acompanhamento
+ '
Cilindro de material compactado,
•1 '• acrescido da superficie para compensar
Unidade a perda de volume causada pelo aumento
vibratória da densidade do solo compactado

- Cilindro de material compactado,


produzido por uma única
compactaço por Vibroflot Figura 6.31 Unidade de
vibroflutuação (vibroflotation)
(Segundo Brown, 1977. Com
permissão da ASCE.)

ri

Estágio 1 Estágio 2 Estágio 3 Estágio 4


Figura 6.32 Compactação pelo processo de vibroflotation (Segundo Brown, 1977. Com permissão da ASCE.)
Compacta cão dos solos 133

Detalhes sobre os vários tipos de unidades Vibroflot usadas nos Estados Unidos são fornecidos na
Tabela 6.4. Observe que unidades elétricas de 23 kW (30 hp) são empregadas desde o fim da década
de 1940. As unidades de 75 kW (100 hp) foram introduzidas no início da década de 1970.
A zona de compactação ao redor de uma sonda varia de acordo com o tipo de Vibroflot usado.
A zona de compactação cilíndrica possui um raio de cerca de 2 rn no caso da unidade de 23 kW. Este
raio pode aumentar para 3 m nas unidades de 75 kW.
Os padrões de espaçamento típicos das sondas Vibroflot são mostrados na Figura 6.33. Padrões
quadrados e retangulares geralmente são usados para compactar o solo para fundações rasas e isola-
das. Os padrões de triângulos equiláteros geralmente são usados na compactação de grandes áreas.
O sucesso da densificação do solo in situ depende de vários fatores, dos quais o mais importante é a
distribuição granulométrica do solo e o tipo de aterro usado para preencher os furos durante a remoção
da unidade Vibroflot. A faixa granulométrica do solo in situ, marcada como Zona 1 na Figura 6.34, é
a mais adequada para compactação pelo método de vibroflutuação. Os solos que contêm quantidades
excessivas de areia fina e partículas com dimensões de silte são de dificil compactação, e um esforço
considerável deve ser aplicado para que a compacidade relativa de compactação correta seja alcan-
çada. A Zona 2, na Figura 6.34, é o limite inferior aproximado da distribuição granulométrica para a
qual a compactação por vibroflutuação é eficiente. Os depósitos do solo nos quais a distribuição gra-
nulométrica esteja na Zona 3 contém quantidades consideráveis de pedregulho. Para este tipo de solo,
a velocidade de penetração da sonda pode ser baixa e economicamente desfavorável em longo prazo.
A distribuição granulométrica do material de aterro é um fator importante que determina a taxa
de densificação. Brown (1977) definiu uma quantidade denominada número de aplicabilidade para
classificar os aterros, expressa pela seguinte equação

2+ 2 (6.19)
SN = "7(D50)2 +

onde D50, D20 e D10 são os diâmetros (em mm) através dos quais passam, respectivamente, 50%, 20%
e 10% do material.

Tabela 6.4 Tipos de unidade de Vibroflot*

Hidráulico e elétrico Elétrico


Tipo de motor de 75 kW de 23 kW

a. Extremidade vibratória
Comprimento 2,1 m 1,86 m
Diâmetro 406 mm 381 mm
Peso 17,8 kN 17,8 kN
Deslocamento máximo carregado 12,5 mm 7,6 mm
Força centrífuga 160 kN 89 kN
b. Excêntrico
Peso 1,2 kN 0,76 kN
Deslocamento 38 mm 32 mm
Comprimento 610 mm 390 mm
Velocidade 1800 rpm 1800 rpm
c. Bomba
Proporção de escoamento operacional 0-1,6 m3/min 0-0,6 m3/min
Pressão 700-1050 kN/m2 700-1050 kN/M2
d. Extensões e tubo de acompanhamento inferior
Diâmetro 305 mm 305 mm
Peso 3,65 kN/m 3,65 kN/m
* De acordo com Brown, 1977
134 Fundamentos de engenharia geotécnica

(a) (b) (e) (d)

(e)
Figura 6.33 Padrões de espaçamento típicos das sondas Vibrofiot para a fundação de uma coluna (a, b, e, e d)
e para compactação de áreas muito grandes (e)

Sistema Unificado de Classificação de Solos


Pedremilho Areia erossa Areia fina Siltes e areilas
100

80

60
O)

! 40
O)
O)

20
Figura 6.34 Faixa
'V 'VS / efetiva de distribuição
0 ±- granulométrica do solo
100,0 10,0 1,0 0,1 0,01 0,001 para compactação por
Tamanho do grão (mm) vibroflutuação

Quanto menor o valor de SN, melhor é o material de aterro. A seguir, um sistema de classificação
de aterro proposto por Brown:

Faixa de SN Classificação do aterro

0-10 Excelente
10-20 Bom
20-30 Regular
30-50 Ruim
>50 Inadequado
Compactacão dos solos 135

Compacta ção dinâmica


Compactação dinâmica é uma técnica de densificação de depósitos de solos granulares que se tornou
popular nos Estados Unidos. Esse processo consiste, basicamente, em utilizar um grande peso para
golpear o solo de modo sucessivo e em intervalos regulares. O martelete pesa de 80 a 360 kN, e sua
altura de queda varia entre 7,5 e 30,5 m. As ondas de pressão geradas pelos golpes do martelete aju-
dam no processo de densificação. O grau de compactação alcançado em determinado local depende
dos três fatores a seguir:
1 Peso do martelete
2. Altura de queda do martelete
3. Espaçamento entre os pontos golpeados pelo martelete
Leonards, Cutter e Holtz (1980) sugeriram que o valor aproximado da profundidade significati-
va que afeta a compactação pode ser expresso pela equação a seguir:

D = (.-)..jwHh (6.20)

onde D = profundidade significativa de densificação (m)


WH = peso em queda (toneladas métricas)
h = altura da queda (m)
Em 1992, Poran e Rodrigues sugeriram um método racional para compactação dinâmica de
solos granulares em campo. Segundo tal método, para um martelete de largura D com peso WH e
altura de queda h, a forma aproximada da área densificada será do tipo mostrado na Figura 6.35 (isto
é, um esferoide semialongado). Observe que nesta figura b = DI (onde DI é a profundidade de den-
sificação significativa). A Figura 6.36 é o gráfico de projeto para a/D e b/D em relação a NWRh/Áb
(D = largura do martelete caso não seja circular na seção transversal; Á = área da seção transversal
do martelete; e N = número de quedas necessárias do martelete). Esse método consiste nas etapas
a seguir:
Etapa 1: Determine a profundidade de densificação significativa necessária, DI (= b).
Etapa 2: Determine o peso do martelete (WH), a altura de queda (h), as dimensões da seção
transversal e, com isso, a área Á e a largura D.
Etapa 3: Determine DI/D = b/D.
Etapa 4: Use a Figura 6.36 e determine a magnitude de N WJJh/Ab para o valor de b/D obtido
na Etapa 3.
Etapa 5: Como as magnitudes de WH, h, Á e b são conhecidas (ou presumidas) com base na
Etapa 2, o número de golpes do martelete pode ser estimado a partir do valor de
NW1/z/Áb obtido na Etapa 4.

2a

Vista superior Vista lateral Forma aproximada


Figura 6.35 Forma aproximada da área adensada por compactação dinâmica
136 Fundamentos de engenharia geotécnica

10 1 1 1 1 1
1 1 1 II
1 1 1 II
1 1 1 1 II
1 11111 30
1 1 1 1 II
8 1 1 1 1 II
1 1 1 1 II
1 1 1 1 II
Média 1 1 II II
a 1
1
1 1 1 1
1 1 II
1 1 1
2,0
a
lflH 1,5

-1,0
2

o 40,0
100 1000 10.000

Ab
Figura 6.36 Gráfico de Poran e Rodriguez para a/D, b/D em relação à NWHhIAb

Etapa 6: Com os valores conhecidos de NWHh/Áb, determine a/D e, com isso, a, a partir da
Figura 6.36.
Etapa 7: Agora, o espaçamento, Sg para compactação dinâmica pode ser considerado igual
ou ligeiramente inferior a a. (Veja a Figura 6.37.)

Detonação
A detonação é uma técnica que tem sido utilizada com sucesso em muitos projetos de densificação de
solos granulares (Mitchell, 1970). Em geral, as granulometrias de solo adequadas para compactação
por detonação são as mesmas da compactação por vibroflutuação. O processo envolve a detonação de
cargas explosivas, como 60% de dinamite, a certa profundidade abaixo da superficie, em solo satu-
rado. O espaçamento lateral das cargas varia de cerca de 3 a 9 m. Normalmente, são necessárias de
três a cinco detonações bem-sucedidas para a obtenção da compactação desejada. A compactação (até

- H- a --- H
; -

Figura 6.37 Espaçamento aproximado


para a compactação dinâmica
Compacta ção dos solos 137

uma compacidade relativa de cerca de 80%) a uma profundidade de aproximadamente 18 m sobre


uma área ampla pode ser facilmente obtida por meio desse processo. Em geral, as cargas explosivas
são posicionadas a uma profundidade de cerca de dois terços da espessura da camada de solo a ser
compactada. A zona de influência de compactação produzida por uma carga de 60% de dinamite pode
ser determinada pela equação a seguir (Mitchell, 1970).

r=
C
[!~EX
(6.21)

onde r = zona de influência


WEX = peso do explosivo 60% dinamite
-

C = 0,0122 quando WEX está em kg e r está em m

A Figura 6.38 mostra os resultados dos ensaios de densificação do solo por detonação em uma
área de 15 m por 9 m (Mitchell, 1970). Para estes ensaios, foram utilizadas 20 cargas de 2,09 kg de
Gelamite n° 1 (Hercules Powder Company, Wilmington, Delaware).

1,0

0,8

0,6

0,4

0,2

0,0
O 5 10 15 20 25 Figura 6.38 Recalque do solo em
Número de cargas função do número de cargas explosivas

Exemnio 64
Os dados a seguir são do material de aterro utilizado em um projeto de vibroflutuação:
• D10 =0,36min
• D20 =0,52min
• D50 = 1,42 mm
Determine o número de aplicabilidade S. Qual seria a classificação do material de aterro?
(continua)

*
N.R.T.: E a marca registrada de uma semigelatina altamente explosiva com uma carga de dinamite de 65% e ótima
resistência à água.
138 Fundamentos de engenharia georécnica

Solução
Da Eq. (6.19),

SN = 1,7 2 +2 +(D)2

=
1,7
= 6,1
v
3 1
+ (0, 52)2
1
(0,36)2

Classificação: Excelente

Resumo e considerações gerais


Os ensaios de compactação Proctor normal e modificado realizados em laboratório e descritos neste
capítulo são essenciais na compactação de impacto ou compactação dinâmica do solo. No laborató-
rio, porém, a compactação estática e a compactação por amassamento também podem ser usadas.
É importante entender que a compactação no campo de solos argilosos por meio de rolos compac-
tadores é essencialmente por amassamento. As relações do peso específico seco ('Yd) e do teor de
umidade (w) obtidos por compactação de amassamento ou compactação dinâmica são diferentes.
Os resultados dos ensaios de compactação Proctor obtidos em laboratório são utilizados, basicamen-
te, para determinar se o uso de rolos compactadores em campo é suficiente. As estruturas de solo
coesivo compactado com um peso específico seco similar obtidas por compactação dinâmica e por
amassamento podem ser diferentes. Por sua vez, essa diferença afeta as propriedades fisicas, tais
como a condutividade hidráulica, a compressibilidade e a resistência.
No caso da maioria das operações de terraplenagem, a seleção final da área de empréstimo de-
pende de fatores como o tipo do solo e os custos de escavação e transporte.

Problemas
6.1 Dado G 2,75, calcule o peso específico, em kN/m3, de um solo saturado a w = 5%, 8%, 10%,
12%e15%.

6.2 Repita o Problema 6.1 com G = 2,65.

6.3 Calcule a variação da massa específica seca (kg/m3) de um solo (G = 2,67) a w = 10% e 20%
nos graus de saturação (5) = 80%, 90% e 100%.

6.4 Os resultados de um ensaio Proctor normal são mostrados a seguir. Determine o peso específico
seco máximo de compactação e o teor de umidade ótimo.

Volume do molde Peso do solo úmido Teor


do ensaio Proctor no molde de umidade
(cm3) ( N) 1%)

943 14,5 8,4


943 18,46 10,2
943 20,77 12,3
943 17,88 14,6
943 16,15 16,8
Compactacão dos solos 139

6.5 No solo descrito no Problema 6.4, se G = 2,72, determine o índice de vazios e o grau de satu-
ração no teor de umidade ótimo.

6.6 Os resultados de um ensaio Proctor normal são mostrados na tabela a seguir. Determine amassa
específica máxima (kg/m3) de compactação e o teor de umidade ótimo.

Volume do molde Peso do solo úmido Teor


do ensaio Proctor dentro do molde de umidade
(cm3 ) (kg) (%)

943,3 1,68 9,9


943,3 1,71 10,6
943,3 1,77 12,1
943,3 1,83 13,8
943,3 1,86 15,1
943,3 1,88 17,4
943,3 1,87 19,4
943,3 1,85 21,2

6.7 O ensaio da determinação do peso específico em campo para o solo descrito no Proble-
ma 6.6 forneceu os seguintes resultados: teor de umidade = 10,5% e massa específica úmi-
da = 1705 kg/m3. Determine o grau de compactação.

6.8 O teor de umidade in situ de um solo é de 18% e o peso específico úmido é de 16,5 kN/m3 .
O peso específico relativo dos sólidos do solo é de 2,75. Esse solo tem de ser escavado e
transportado para o canteiro de obras a fim de ser usado em um aterro compactado. Se as espe-
cificações determinam que o solo deve ser compactado com um peso específico seco mínimo
de 16,27 kN/m3 e com o mesmo teor de umidade de 18%, quantos metros cúbicos de solo da
escavação são necessários para produzir 7651 m3 de aterro compactado? Quantos caminhões
com carga de 178 kN são necessários para transportar o solo escavado?

6.9 Um projeto de aterro requer 8000 m3 de solo compactado. O índice de vazios especificado para
o aterro compactado é de 0,7. Quatro áreas de empréstimo estão disponíveis como indicado na
tabela a seguir, que relaciona os respectivos índices de vazios do solo e o custo por metro cúbico
do transporte para o canteiro de obras proposto. Efetue os cálculos necessários para selecionar
a área de empréstimo da qual o solo deverá ser trazido para minimizar os custos. Considere o
mesmo G para todas as áreas de empréstimo.

Área de empréstimo Índice de vazios Custo ($1m3 )

A 0,82 8
B 1,1 5
C 0,90 9
D 0,78 12

6.10 Os pesos específicos secos máximo e mínimo de uma areia foram determinados em laboratório
como 16,35 kN/m3 e 14,62 kN/m3, respectivamente. Qual seria o grau de compactação em
campo se a compacidade relativa for de 78%?

6.11 A massa específica seca máxima e mínima de uma areia foi determinada em laboratório como
1682 kg/m3 e 1510 kg/ml, respectivamente. No campo, se a compacidade relativa da mesma
areia é de 70%, quais os valores do grau de compactação (%) e da massa específica seca (kg/m3 )?

6.12 O grau de compactação de uma areia em campo é de 90%. Os pesos específicos secos máximo
e mínimo de uma areia têm 16,98 kN/m3 e 14,94 kN/m3, respectivamente. Para as condições em
campo, determine:
140 Fundamentos de engenharia geotécnica

a. Peso específico seco


b. Compacidade relativa de compactação
c. Peso específico úmido com teor de umidade de 12%

6.13 Os dados a seguir são os resultados de um ensaio de determinação do peso específico em campo
por meio do método do frasco de areia:
• Densidade seca calibrada de areia Ottawa = 1667 kg/ml
• Massa calibrada de areia Ottawa necessária para encher o cone = 0,117 kg
• Massa do frasco + cone + areia (antes da utilização) = 5,99 kg
• Massa do frasco + cone + areia (após a utilização) = 2,81 kg
• Massa do solo úmido retirado do furo = 3,331 kg
• Teor de umidade do solo úmido = 11,6%
Determine o peso específico seco da compactação em campo.

6.14 O material de aterro para um projeto de vibroflutuação apresenta as seguintes granularidades


• D10 = 0,11 mm
• D20 =0,l9mm
• D50 = 1,3 mm

Determine o número de aplicabilidade, SN, para cada valor.

6.15 Repita o Problema 6.14 usando os seguintes valores:


• D10 = 0,09 mm
• D20 0,25 mm
• D50 = 0,61 mm

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Compacta cão dos solos 141

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Permeabílidade

Os solos são permeáveis devido à existência de espaços vazios interconectados, através dos quais a
água consegue fluir de pontos de alta energia para pontos de baixa energia. O estudo do fluxo de água
em solos permeáveis é importante para a mecânica dos solos. Tal estudo é necessário para estimar a
quantidade de fluxo subterrâneo sob diversas condições hidráulicas, a fim de investigar problemas
envolvidos no bombeamento de água em construções subterrâneas e realizar análises de estabilidade
de barragens e estruturas de contenção de terra sujeitas a forças de percolação.

Equação de Bernoulli
Da mecânica de fluidos sabemos que, de acordo com a equação de Bernoulli, a carga total de um
ponto na água em movimento pode ser dada pela soma das cargas piezométrica, cinética e altimétrica,
ou seja

h=U + + Z (7.1)
lyl 2g
1 1 1
Carga Carga Carga
piezométrica cinética altimétrica

onde h = carga total


u = pressão
v = velocidade
g = aceleração da gravidade
= peso específico da água

A carga altimétrica Z é a distância vertical de um determinado ponto acima ou abaixo de um plano


de referência. A carga piezométrica é a pressão da água, u, em um determinado ponto, dividida pelo
peso específico da água, -y•
Se a equação de Bernoulli é aplicada ao fluxo de água através de um solo poroso, o termo que
contém a carga cinética pode ser ignorado, pois a velocidade de percolação é pequena e a carga total
em qualquer ponto pode ser adequadamente representada por

U
(7.2)
-Yw
A Figura 7.1 mostra a relação entre as cargas piezométricas, altimétricas e total para o fluxo da
água através do solo. Tubos abertos posicionados verticalmente chamados piezômetros são instalados
nos pontos A e B. Os níveis até os quais a água sobe nos piezômetros situados nestes pontos são co-
nhecidos como níveis piezométricos dos pontos A e B, respectivamente. A carga piezométrica em um
ponto é a altura da coluna vertical da água no piezômetro instalado em tal ponto.
143
144 Fundamentos de engenharia geotécnica

-- UA ----
;
UB
P2u::ni ^fw

Á /
L hB

ZA
Z
/
B
Figura 7. 1 Cargas piezométrica, altimétrica e
Referência
---1 -t total para o fluxo de água através do solo

A perda de carga entre dois pontos, Á e B, pode ser determinada por

Ah = hÁ -h = + ZA1 - + ZB 1 (7.3)
IY1 ) -Yw

A perda de carga, Ah, pode ser expressa em uma forma adimensional por

Ah
(7.4)
1L

onde i = gradiente hidráulico


L = distância entre os pontos Á e B - ou seja, o comprimento do fluxo no qual ocorreu a perda
de carga

Em geral, a variação da velocidade v com o gradiente hidráulico i é dada como mostra a Figu-
ra 7.2. A figura é dividida em três zonas:
J)t
1. Zona de fluxo laminar (Zona
2. Zona de transição (Zona II)
3. Zona de fluxo turbulento (Zona III)

Quando o gradiente hidráulico é aumentado gradualmente, o fluxo permanece laminar nas Zonas 1 e
II, e a velocidade, v, tem uma relação linear com o gradiente hidráulico. Com o gradiente hidráulico
mais alto, o fluxo toma-se turbulento (Zona III). Quando é reduzido, as condições do fluxo laminar
existem apenas na Zona I.
Na maioria dos solos, o fluxo da água através de espaços vazios pode ser considerado lami-
nar; portanto,

vi (7.5)

Em rochas fraturadas, pedras, pedregulhos e areias bem grossas, podem existir condições de fluxo
turbulento e a Equação (7.5) pode não ser válida.

escoamento laminar quando as trajetórias das partículas de água não se cortam. Caso contrário, o fluxo é
* Fluxo ou
chamado de turbulento.
Permeabilidade 145

Zona III
Zona de fluxo
turbulento

Zona II
Zona de transição
--------------------

Zonal
Zona de fluxo
laminar

Figura7.2 Natureza da variação de v em


Gradiente hidráulico, i função do gradiente hidráulico, i

Lei de Darcy
Em 1856, Darcy publicou uma equação simples para a velocidade de descarga da água através de
solos saturados, que pode ser expressa por

v = ki (7.6)

onde v = velocidade de descarga, que é a quantidade de água fluindo em uma unidade de tempo
através de uma unidade da área da seção transversal bruta do solo em ângulos retos em
relação à direção do fluxo
k = condutividade hidráulica (também conhecida como coeficiente de permeabilidade)

Essa equação foi baseada principalmente em observações de Darcy sobre o fluxo de água através
de areias puras. A Equação (7.6) é semelhante à Equação (7.5): ambas são válidas para condições de
fluxo laminar e são aplicáveis para uma grande variedade de solos.
Na Equação (7.6), v é a velocidade de descarga da água com base na área de seção transversal
bruta do solo. No entanto, a velocidade efetiva da água (chamada de velocidade de fluxo ou de per-
colação*) através de espaços vazios é maior que v. Uma relação entre a velocidade de descarga e a
velocidade de percolação pode ser determinada de acordo com a Figura 7.3, que mostra um solo de
comprimento L, com uma área de seção transversal bruta A. Se a quantidade de água que flui através
do solo em unidade de tempo for q, então
q=vA=Á0v5 (7.7)

onde v = velocidade de percolação


= área de vazios na seção transversal do corpo de prova
Porém,

A=A+A (7.8)

onde A = área de sólidos do solo na seção transversal da amostra.


Combinando as Equações (7.7) e (7.8), obtém-se

q = v(A +A) =Av

* É importante lembrar que a velocidade de fluxo ou de percolação da água ainda não é sua velocidade real, uma vez
que o caminho percorrido por ela é não linear.
146 Fundamentos de engenharia geotécnica

'.'V. Área do corpo de


Vazão q prova do solo = A
..
»
L
Área de vazios na

Q
seção transversal =
s. Área de sólidos do solo
na seção transversal =
Figura 7.3 Dedução da Equação (7.10)

ou
v(4+A)v(4+4)Lv(V+J')
v (7.9)
4 4L

onde = volume de vazios no corpo de prova


V = volume de sólidos do solo no corpo de prova

A Equação (7.9) pode ser reescrita como

1+ ÍJ1
J'Çjl + )
(le
vS__v (7.10)
en
)ÇJ
onde e = índice de vazios
n = porosidade
A lei de Darcy definida pela Equação (7.6) implica que a velocidade v de descarga tem relação
linear com o gradiente hidráulico i e passa pela origem, como mostra a Figura 7.4. Hansbo (1960), no
entanto, reportou resultados do ensaio para quatro argilas naturais intactas. Com base nos resultados
obtidos por ele, parece existir um gradiente hidráulico i' (veja a Figura 7.4), em que

v—k(i---i0 ) ( para i>i') (7.11)


e
v = kitm (para 1< i') (7.12)

/
/
/

/
/
J
v

,
/
Solo argiloso

'o Figura 7.4 Variação da velocidade de descarga com o


Gradiente hidráulico, i gradiente hidráulico em argila
Permeabilidade 147

A equação anterior implica que, para gradientes hidráulicos muito baixos, a relação entre v e i não
é linear. O valor de m na Equação (7.12) para quatro argilas suecas era próximo de 1,5. No entanto,
vários outros estudos refutam as descobertas anteriores. Mitchell (1976) analisou esses estudos em
detalhes. Levando todos os pontos em consideração, ele concluiu que a lei de Darcy é válida.

Condutividade hidráulica
A condutividade hidráulica é geralmente expressa em cm/s ou mis, em unidades no SI:
A condutividade hidráulica dos solos depende de vários fatores: viscosidade do fluido, distri-
buição do tamanho de poros, distribuição granulométrica, índice de vazios, rugosidade das partícu-
las minerais e grau de saturação do solo. Em solos argilosos, a estrutura tem função importante na
condutividade hidráulica. Outros fatores importantes que afetam a permeabilidade das argilas são a
concentração iônica e a espessura das camadas de água retidas nas partículas argilosas.
O valor da condutividade hidráulica (k) varia muito entre diferentes solos. Alguns valores típicos
para solos saturados são apresentados na Tabela 7.1. A condutividade hidráulica de solos não satura-
dos é menor e aumenta rapidamente com o grau de saturação.
A condutividade hidráulica de um solo também está relacionada com as propriedades do fluido
que passa através dele, por meio da equação

k=K (7.13)
'17

onde 'y,, = peso específico da água


77 = viscosidade da água
= permeabilidade absoluta

A permeabilidade absoluta ou intrínseca K é expressa em unidades de L2 (ou seja, em' e assim


por diante).
A Equação (7.13) mostrou que a condutividade hidráulica é função do peso específico e da vis-
cosidade da água, que por sua vez é função da temperatura na qual o ensaio é conduzido. Então, da
Equação (7.13),

í7W(T1))
= (7.14)
77r; 17wr2J

onde k7 ., kT = condutividade hidráulica nas temperaturas T1 e T2, respectivamente


77T' 777. = viscosidade da água nas temperaturas T1 e T2, respectivamente
'w(T) =
peso específico da água nas temperaturas T1 e T2, respectivamente

Tabela 7. 1 Valores típicos da condutividade hidráulica dos solos


saturados
k
Tipo de solo
cm/s

Pedregulho limpo 100 - 1,0


Areia grossa 1,0-0,01
Areia fina 0,01 -0,001
Argila siltosa 0,001 - 0,00001
Argila <0,000001
148 Fundamentos de engenharia geotécníca

É convencional expressar o valor de k a uma temperatura de 20 °C. Dentro da variação de temperatu-


ras, podemos assumir que, a partir da Equação (7.14),

Í
k20 -- I) k0 (7.15)
(.o'c)

A variação de com a temperatura de ensaio de T variando de 15 a 30 °C é determinada na


Tabela 7.2.

ri
Determinação laboratorial da condutividade
hidráulica
Dois tipos de teste laboratorial padrão são usados para determinar a condutividade hidráulica do solo:
ensaio de carga constante e ensaio de carga variável. Conheça a seguir uma breve descrição de cada um.

Ensaio de carga constante


Um arranjo típico do ensaio de permeabilidade com carga constante é exibido na Figura 7.5. Neste
tipo de configuração laboratorial, o abastecimento de água na entrada é ajustado de forma que a di-
ferença de cargas entre a entrada e a saída permaneça constante durante o período do ensaio. Depois
que uma vazão constante é estabelecida, a água é coletada em um recipiente graduado durante um
tempo conhecido.
O volume total de água coletada pode ser expresso por

Q =Avç =Á(ki)t (7.16)

onde Q = volume de água coletada


Á = área da seção transversal do corpo de prova do solo
t = duração da coleta de água

E porque
h
(7.17)
L
onde L = comprimento da amostra, a Equação (7.17) pode ser substituída na Equação (7.16) para
obter

Q=A[k!]t (7.18)

Tabela 7.2 Variação de


Temperatura, T Temperatura, T
177-c1,120'c IrcI2Q'c
(°C) (°C)

15 1,135 23 0,931
16 1,106 24 0,910
17 1,077 25 0,889
18 1,051 26 0,869
19 1,025 27 0,850
20 1,000 28 0,832
21 0,976 29 0,814
22 0,953 30 0,797
Permeabilidade 149

Frasco graduado

Pedra porosa [EI Corpo de prova do solo


Figura 7.5 Ensaio de permeabilidade de carga constante

ou

k = -QL (7.19)
Aht

Ensaio com carga variável


Um típico ensaio de permeabilidade com carga variável é exibido na Figura 7.6. A água de um pie-
zômetro flui através do solo. A diferença da carga inicial h1 a um tempo t = ø é registrada, e a água
pode fluir através da amostra de solo de forma que a diferença de carga final no tempo t = t2 seja h2.
A vazão da água através da amostra, em qualquer tempo t, pode ser determinada por

h
q=k A = —a (7.20)
L dt

onde q = vazão
a = área da seção transversal do piezômetro
A = área da seção transversal da amostra de solo

Uma reorganização da Equação (7.20) resulta em

aL ( dh'
dt= — l— —I (7.21)
Ak h)

* O ensaio com carga variável é mais preciso que o de carga constante quando a condutividade hidráulica é muito baixa
(por exemplo, em solos finos).
150 Fundamentos de engenharia geotécnica

ri
0.
Piezômetro

1h2
% •I• .._•
- Id • •. •

•. .-.v.. 1 I\
1 I\
......
'

1k

Pedra porosa 1Corpo de prova do solo


Figura 7.6 Ensaio de permeabilidade com
carga variável

A integração do lado esquerdo da Equação (7.2 1) com limites de tempo de O para t, e do lado direito
com limites de diferença de carga de h1 para h2, resulta em

aL h
t —log -
Aeh

ou

aL h1
k = 2,3O3—log10 - (7.22)

71
Consulte o ensaio de permeabilidade de carga constante exibido na Figura 7.5. Um ensaio fornece
os seguintes valores:

• L=3Ocm
• Á=e área da amostra = 177 cm,2
• Diferença da carga constante, h = 50 cm
• Água coletada em um período de 5 min = 350 cm3

Calcule a condutividade hidráulica em cm/s.


Permeabilidade 151

Solução
Da Equação (7.19),

At

Dados Q = 350 em', L = 30 cm, A = 177 cm2, h = 50 cm e t = 5 mm, temos


(350) (30)
k =3,95XlO3 crnIs
(177)(50) (5) (60)

Exemplo 7.2
Para um ensaio de permeabilidade com carga variável, são dados os seguintes valores:
• Comprimento da amostra = 203 mm
• Área da amostra de solo = 10,3 em2
• Área do piezômetro = 0,39 em2
• Diferença de carga no tempo t = O = 508 mm
• Diferença de carga no tempo t = 180 s = 305 mm
Determine a condutividade hidráulica do solo em cm/s.

Solução
Da Equação (7.22),

k = 2,303log10 --

Ai' h

Temos a = 0,39 em', L = 203 mm, A = 10,3 em2, t = 180s, h1 = 508 mm e h 2 = 305 mm,

(0,39)(20,3) 5o8'l
k = 2,303
(lO,3)(180) 1og10 ~ 305 •J

= 2,18 x 10 3cm/s

Exemplo 7.3 -

A condutividade hidráulica de um solo argiloso é 3 x 10-7 cm/s. A viscosidade da água a 25 °C é


0,0911 x 10 g s/cm2. Calcule a permeabilidade absoluta K do solo.

Solução
Da Equação (7.13),

k=-K=3xl0 cm/s
ri
assim

X 10-7 =( 1 g/cm3 1
k
0,0911 x 10 4 J
K = 0,2733 x 10A1cm2
152 Fundamentos de engenharia geotécnica

ExemDlo 7.4
Uma camada de solo permeável possui uma camada impermeável abaixo dele, como mostra a
Figura 7.7a. Com k = 5,3 x 10 mis para a camada permeável, calcule a vazão através dele em
m3Ihlm de largura se H = 3 m e a = 80.

Solução
Da Figura 7.7b,

= perda decarga Ltga


= sena
comprimento L 1 (
cos a)
q = kiA = (k)(sena)(3cosa)(1)
k = 5,3x10 5 mis
q = (5,3 x 10 5)(sen 8°)(3 cos 8° )(3600) = 0,0789m3/h/m

Para alterar para a mlh

--- - Nível da água (superfície livre)

H
Direção
1
defluxo
- /

-
Camada impermeável Camada permeável
(a)

Superfície do solo

---------------------------
--------
-
3 cos o(m) 1
--- --
cosa

(b)

Figura 7.7 .
Permeabiídade 153

ExemDlo 7.5
Determine a vazão em m3 IsIm de comprimento (normal à seção transversal mostrada) através da
camada permeável do solo mostrada na Figura 7.8, considerando H = 8 m, H1 = 3 m, h = 4 m,
L = 50 m, a = 8°ek= 0,08 cm/s.

é - _e. ;; •-

H - ..• ...
f . '-'.'•;• .'. •-'.:..--
, 1 e

EI1

2jS•
-
- L
1 1

L

EA Camada impermeável EJ Camada permeável


Figura 7.8 Fluxo através da camada permeável

Solução

Gradiente hidráulico (i)


=
cos a

Das Equações (7.17) e (7.18),

q=kiA=k osce
[h cL J(Hi cos axl)

4cos8° '
= (0,08 x 102 s) [ I(3 cos 8° xl)
50 J
= 0,19 x 10 3 m3 /s/m .

Relações para a condutividade hidráulica -


solo granular
Para areia bastante uniforme (ou seja, com baixo coeficiente de uniformidade), Hazen (1930) propôs
uma relação empírica para a condutividade hidráulica sob a forma

k(cm/s) = cD (7.23)

onde c = uma constante que varia de 1,0 a 1,5


D10 = tamanho efetivo, em mm
154 Fundamentos de engenharia geo técnica

A Equação (7.23) tem como base, em princípio, as observações de Hazen sobre areias fofas, limpas
e filtrantes. Uma pequena quantidade de siltes e argilas, quando presente em um solo arenoso, pode
alterar substancialmente a condutividade hidráulica.
Nos últimos anos, as observações experimentais mostraram que a magnitude de c para vários
tipos de solos granulares pode variar em três ordens de magnitude (Carrier, 2003) e, portanto, não é
muito confiável.
Outra forma de equação que dá resultados ótimos na estimativa da condutividade hidráulica de
solos arenosos é baseada na equação de Carman-Kozeny (Kozeny, 1927; Carman, 1938, 1956). A de-
dução dessa equação não está presente aqui. Os leitores interessados podem consultar qualquer livro
de mecânica dos solos avançada. Segundo a equação de Kozeny-Carman

k= (7.24)
CSST2 ii 1+e

onde C = fator de forma, que é uma função da forma dos canais de fluxo
S5 = área superficial específica por unidade de volume de partículas
T = tortuosidade dos canais de fluxo
= peso específico da água

71 = viscosidade do permeante
e = índice de vazios

Para uso prático, Carrier (2003) modificou a Equação (7.24) da seguinte maneira. A 20 °C, "y,/ij para a
água é de cerca de 9,93 x 1 Além disso, (C3T 2) é aproximadamente igual a 5. Substituindo
.

cm• s
estes valores na Equação (7.24), temos
2
i e3
k =1,99x104 — (7.25)
~S j 1+e
Novamente,

SI
= i Í_j_) (7.26)
Def cm J

com
= 100% (7.27)
DCf
L

~ (m
féd)Íj

onde J fração de partículas entre dois tamanhos de peneira, em percentagem


=

(Observação: peneira maior, a; peneira menor, b.)


D(méd)i (cm) = [L 1(cm)]°'5 x [Db(cm)]°
(7.28)
SF = fator de forma

Combinando as Equações (7.25), (7.26), (7.27) e (7.28),


2

1 100% 1 ( 1 2( e3
k=1,99x104 1 11 —1 —1 (7.29)
__
fi SF) 1-i-e J
[ Dai
°' xDj
5

A magnitude de SF pode variar entre 6 e 8, dependendo da angularidade das partículas do solo.


Permeabilidade 155

Carrier (2003) posteriormente sugeriu uma pequena modificação na Equação (7.29), que pode
ser expressa por
2

100% 1(1 )2 í e3 )
k=1,99x104i
E .1; 1 liJ i'rj (7.30)

1 '-'ai D595
bi

A Equação (7.30) sugere que


e
(7.31)
l+e

O autor recomenda o uso das Equações (7.30) e (7.31). É importante notar que as Equações (7.23) e
(7.31) assumem a existência da condição de fluxo laminar.
Mais recentemente, Chapuis (2004) propôs uma relação empírica para k em conjunto com a
Equação (7.31), que pode ser expressa por

0,7825
e3
k(cm/s) = 2,4622 D120 1
(7.32)
(1+ e)]

onde D10 = diâmetro efetivo (mm).


A equação anterior é válida para areia e pedregulho uniformes e naturais para determinar k, que
está no intervalo de 10 a 10- em/s. Isso vale para areias argilosas naturais sem plasticidade e não
vale para materiais triturados ou solos siltosos com certa plasticidade.
Com base em resultados laboratoriais experimentais, Amer e Award (1974) propuseram a rela-
ção a seguir, para k em solo granular

( e3
k=3,5x1041—I' Co,62,32
-'io 1
íi (7.33)
1+ej 77
onde k está em cm/s
C = coeficiente de uniformidade
D10 = tamanho efetivo (mm)
= massa específica da água (g/cm3)

77 = viscosidade (g - s/cm2)

A20°C,p1 = 1gIcm3 e77n0,1 x 10g.s/cm2.Assim

e3 1
k=3,5xl0 4 _—L,-0,6 ,-2,32
'
'

~ l+ e )
ou

k(cmls) = 35 í1c0,6(D)2,32 (7.34)


l+e)

Foi mencionado no final da Seção 7.1 que as condições de fluxo turbulento podem existir em
areias muito grossas e pedregulhos, e que a lei de Darcy pode não ser válida para esses materiais.
No entanto, sob um gradiente hidráulico baixo, as condições de fluxo laminar geralmente existem.
156 Fundamentos de engenharia geo técnica

Kenney, Lau e Ofoegbu (1984) realizaram ensaios em laboratório em solos granulares nos quais o
tamanho das partículas em muitas amostras variaram de 0,074 a 25,4 mm. Os coeficientes de uni-
formidade C dessas amostras variaram entre 1,04 e 12. Todos os ensaios de permeabilidade foram
realizados em um grau de compacidade (Ds) de 80% ou mais. Esses ensaios mostraram que, para
condições de fluxo laminar,

K(mm2 ) = ( 0,05 para I) D5 (7.35)

onde D5 = diâmetro (mm) através do qual passa 5% do solo.


Com base nas experiências laboratoriais, o U.S. Department of Navy (197 1) forneceu uma cor-
relação empírica entre k (cm/min) e D10 (mm) para solos granulares com o coeficiente de uniformida-
de variando entre 2 e 12, e D1Ç/D5 < 1,4. Essa correlação é mostrada na Figura 7.9.

300

índice de
e=(

1,0

0,3 L
0,1 1,0 3,0
D10 (mm)

Figura 7.9 Condutividade hidráulica de solos granulares


(Segundo o U.S. Department ofNavy, 19 71)
Permeabilidade 157

ExemDlo 7.6
A condutividade hidráulica de uma areia com índice de vazios de 0,5 é 0,02 cm/s. Estime sua con-
dutividade hidráulica a um índice de vazios de 0,65.

Soluço
Da Equação (7.3 1),

e
= 1+ e1
1 3
2 e2

1 + e2
(Ø,5)3
0,02 1+0,5
(0,65)
1+ 0,65
k2 = 0,04cm/s

ExemDlo 7.7
A curva de distribuição granulométrica para a areia é mostrada na Figura 7.10. Estime a conduti-
vidade hidráulica usando a Equação (7.30). Dado: o índice de vazios da areia é 0,6. Use SF = 7.

100

80

a
. 60
1
1
1
40

20

o
1,0 0,4 0,2 0,1 0,04 0,02 0,01
Tamanho dos grãos (mm)
Figura 7. 10

(continua)
158 Fundamentos de engenharia geotécnica

Solução
Da Figura 7. 10, a tabela a seguir pode ser determinada.

Abertura Percentagem Fração de partículas


N° da cia peneira que passa pela entre duas peneiras
peneira (cm) peneira consecutivas (%)

30 0,06 100 4
40 0,0425 96 12
60 0,02 84 34
100 0,015 50 50
200 0,0075 O

Para a fração entre as peneiras n 30 e 40:


fi 4
-8162
x D bi595 - (0, 06)°' °' x (0, 0425)0' -

Para a fração entre as peneiras n 40 e 60:


___ - 12
—44076
D;404 x D 595 - (0,0425)°' ° x (0,02)°' -

Da mesma forma, para a fração entre as peneiras n 60 e 100:


34
)0595 = 2009,5
D;404 x D 595 = (0, 02)°' ° x (0,015

E, para a fração entre as peneiras n 100 e 200:


- 50
—50138
Doai 404 x D bi595 - (0,015)°' ° x (0,0075)o' 595-
100% = 100
0,0133
DO,595 81,62+440,76+2009,5+5013,8
___________
Daio,404
X i

Da Equação (7.30),
(ifl
104) (0,0133)2
0,6
k = (1,99 x 0,0097 cmls
7l+O,6J

7.8
Resolva o Exemplo 7.7 usando a Equação (7.32).

Solução
Da Figura 7. 10, D10 = 0,09 mm. Da Equação (7.32),
0,7825 0,7825
k= = 2,4622 (0,09)2 °' 6 0,0119cm/s •
1+0,61
Permeabilidade 159

Exemplo 7.9
Resolva o Exemplo 7.7 usando a Equação (7.34).

Solução
Da Figura 7.10, D60 = 0,16 mm e D10 = 0,09 mm. Portanto,

c =-=-=1,78
D10 0,09

Da Equação (7.34),

k 35L —_)C.6(D10)2,32 "0' 6


_________
J(178)0.6 (009)2.32 = O,O2Scm/s
i+eJ = 1+0,6

Relações para a condutividade hidráulica -


solos coes/vos
A equação de Kozeny-Carman [Equação (7.24)] foi usada no passado para verificar a aplicabilida-
de em solos coesivos. Olsen (1961) realizou ensaios de condutividade hidráulica em ilita sódica e
comparou os resultados com a Equação (7.24). Tal comparação é mostrada na Figura 7.11. Os graus
de variação marcados entre os valores teóricos e experimentais surgem de vários fatores, incluindo
desvios da lei de Darcy, alta viscosidade da água nos poros e tamanho de poros desigual.

10-

10-6

1
/
/
/
/
/

10-8
Equação (6.24)

/
/
/
/
/
10-o
0,2 0,4 0,6 0,8
Porosidade, n

I— Juta sódica O—O Juta sódica Figura 7. 11 Coeficiente de permeabilidade para ilita
10 N-NaC1 10 N-NaC1 sódica (Baseada em Olsen, 1961.)
160 Fundamentos de engenharia geotécnica

Taylor (1948) propôs uma relação linear entre o logaritmo de k e o índice de vazios, que pode
ser expressa por

logk=logk e0—e (7.36)


Ck

onde k = condutividade hidráulica in situ a um índice de vazios de e0


k = condutividade hidráulica a um índice de vazios de e
Ck = índice de variação da condutividade hidráulica
A equação anterior é uma boa correlação para e0 menor que 2,5. Nessa equação, o valor de Ck pode
ser considerado cerca de 0,5e0.
Para um amplo intervalo de índice de vazios, Mesri e Olson (1971) sugeriram o uso de urna
relação linear entre o logaritmo k e logaritmo e na forma

log k = Á'log e + B' (7.37)

A Figura 7.12 mostra a representação do logaritmo k em função do logaritmo e obtido em laboratório,


com base no qual a Equação (7.37) foi proposta.
Samarasinghe et ai. (1982) realizaram ensaios de laboratório na argila de New Liskeard e propu-
seram que, para argilas normalmente adensadas,

(7.38)
1+e

onde C e n são constantes a serem determinadas experimentalmente.

Caulinita

A Át
A .
/
•i Juta
.,./

• .9"
//

•. /•

Á"Montmori1onita

10_lo

J Figura 7.12 Variação da condutividade


1,0 3,0 10 30 hidráulica de minerais de argila sódica
Índice de vazios, e (Baseada em Mesri e Olson, 1971.)
Permeabilidade 161

Tavenas et ai. (1983) também fornecem correlação entre o índice de vazios e a condutividade
hidráulica do solo argiloso. Esta relação é mostrada na Figura 7.13. Um importante ponto, no entanto,
é que na Figura 7.13 oIP, índice de plasticidade, e a FC, fração de argila no solo, estão na forma de
fração (decimal). No entanto, é necessário ter em mente que qualquer relação empírica desse tipo ser-
ve apenas para estimativas, pois a magnitude de k é altamente variável e depende de diversos fatores.

2,8 )

1,0

2,4

2,0
o 0,75

1,2 0,5

0,8

0,4 *
10-11 10-10 10-9 5 >< 10-
k(mls)
Figura 7.13 Variação do índice de vazios com a condutividade hidráulica de solos
argilosos (Baseada em Tavenas et ai., 1983.)

Exemplo 7.10
Para um solo de argila normalmente adensada, são dados os seguintes valores:

Índice de vazios k (cm/9)

1,1 0,302 x 10
0,9 0,12 x 10

Estime a condutividade hidráulica da argila a um índice de vazios de 0,75. Use a Equação (7.38).

Solução
Da Equação (7.38),
n

k=C
1+e

(continua)
162 Fundamentos de engenharia geotécnica

1+e
k2
1 + e2
(1,1)
0,302x107 - 1+ 1,1
- (0,9) fl
0,12x107
1 + 0,9

~ 1,9(1,1r
2,517 =
2,1)(0,9)
2,782 = (1,222)
log (2,782) 0,444
- =5,1
log (1,222) 0,087

assim

Para determinar C,
(1,1)51 =~ l,626~
0,302 x iø = c C
1+1,1 2,1
(0,302 x l0)(2,1)
C - 0,39 x iO
1,626

Assim,

k = (0,39 x 10 cm/s) ---

1+e

Aum índice de vazios de 0,75,


Ø,755.1
k = (0,39 x iØ-7)í 1 = 0,514 x 10-8 cm/s .
1 + 0,75)

Variação direcional da permeabilidade


A maioria dos solos não é isotrópica em relação à permeabilidade. Em um determinado depósito de
solo, a magnitude de k muda em função da direção do fluxo. A Figura 7.14 mostra uma camada de solo
através da qual a água flui em uma direção inclinada, a um ângulo a com a vertical. Consideramos
as condutividades hidráulicas na direção vertical (a = 0) e na direção horizontal (a = 90°), kv e kjp
respectivamente. As magnitudes de kv e kH em um dado solo dependem de vários fatores, incluindo o
método de deposição no campo.
Permeabilidade 163

A Figura 7.15 mostra os resultados do ensaio de laboratório obtidos por Fukushima e Ushii
(1986) com relação a kV e kHpara solo Masado compactado (granito intemperizado). As amostras de
solo foram inicialmente compactadas a um determinado teor de umidade, e a condutividade hidráu-
lica foi determinada a 100% de saturação. Para qualquer teor de umidade de moldagem e pressão de
confinamento, kH é maior que k
Há vários resultados publicados para solos finos que mostram que uma razão de k13/k pode va-
riar bastante. A Tabela 7.3 mostra um resumo de alguns desses estudos.

..

- • • • _•_
• •
;•:.

i i 4 i i i'
. • i' iI i
• 4 .Camada
'-- •-' -' -' •
desolo
44' Ii' 44 • 44' • 44 • 44
4

' .•' 54

Figura 7.14 Variação direcional da permeabilidade

oo Pressão de
confinamento -

20

o
o
200

o
200

12 16 20 24
Teor de umidade de moldagem (%)
Figura 7.15 Variação de kv e kH para solo Masado
compactado em laboratório (Baseado nos resultados de
Fukushima e Ishii, 1986.)
164 Fundamentos de engenharia geo técnica

Tabela 7.3 k1/k para solos finos -Resumo de vários estudos

Tipo de solo kHIkv Referência

Silte orgânico com turfa 1,2 a 1,7 Tsien (1955)


Argila marinha plástica 1,2 Lumb e Holt (1968)
Argila mole 1,5 Basett e Brodie (196 1)
Argila varvítica 1,5 a 1,7 Chan e Kenney (1973)
Argila varvítica 1,5 Kenney e Chan (1973)
Argila varvítica 3 a 15 Wu et al. (1978)
Argila varvítica 4 a 40 Casagrande e Poulos (1969)

Condutividade hidráulica equivalente em solo


estratificado
Em um depósito de solo estratificado, onde a condutividade hidráulica para o fluxo em uma deter-
minada direção muda de camada a camada, uma condutividade hidráulica equivalente pode ser cal-
culada, para simplificar. As deduções a seguir referem-se a condutividades hidráulicas equivalentes para
fluxo nas direções vertical e horizontal através de solos de várias camadas com estratificação horizontal.
A Figura 7.16 mostra n camadas de solo com fluxo na direção horizontal. Vamos considerar
uma seção transversal de comprimento unitário passando pela camada n e perpendicular à direção
do fluxo. O fluxo total que passa pela seção transversal em unidade de tempo pode ser expresso por

q 1 .H
=v11'H1+v2lH2+v31H3+ --- +vl•H (7.39)
onde v = velocidade de descarga média
V 1, v2, v3 , ..., v = velocidades de descarga do fluxo nas camadas indicadas pelos índices

Se kH, kH, kH . .... kH são as condutividades hidráulicas das camadas individuais na direção
11
horizontal e kH(eq) é a condutividade hidráulica equivalente na direção horizontal, então, com base
na lei de Darcy,
v = kH(eq)ieq; V, = kH1 il; V2 = kH2i2; v3 kH3i3; ... = kH il

kviL H1
4.

kv2t
Direção k H2
do fluxo
kv4 H3 H

H Figura 7.16 Cálculo da condutividade


kH hidráulica equivalente - fluxo horizontal em
4' solo estratificado
Permeabilidade 165

Substituindo as relações anteriores para velocidades na Equação (7.39) e notando que ieq =
i3 = . . . temos

kH() = -- (k H1 + kHH2 + / 113 H3 + ... + kH H fl) (7.40)

A Figura 7.17 mostra n camadas de solo com fluxo na direção vertical. Neste caso, a velocidade
do fluxo que passa através de todas as camadas é a mesma. No entanto, a perda de carga total, h, é
igual à soma das perdas de cargas em todas as camadas. Portanto,

v = v1 = v2 = v3 = ...
= vil (7.41)

(7.42)
Usando a lei de Darcy, podemos reescrever a Equação (7.41) da seguinte forma
h
kv() = - = kvl = ki2 = ki3 = ... = (7.43)

onde k, k, k, k, são as condutividades hidráulicas das camadas individuais na direção vertical


...,

e kV(eq) é a condutividade hidráulica equivalente.


Novamente, da Equação (7.42),
h = H1i1 + H2i2 + H3i3 + ... + I-I,1 i,1 (7.44)
Resolvendo as Equações (7.43) e (7.44) temos

kv() H(7.45)
=
j+
+~ H íH3
H) +
(
+
1"V 'v

1 i_H -

1/3
h 4.
4. h

,1 "i t
.t.
H,

H H3
if
-
Figura 7.17 Cálculo da
4 4 4 4 condutívidade hidráulica
equivalente fluxo vertical
-

em solo estratificado
166 Fundamentos de engenharia geo técnica

Um excelente exemplo de solo sedimentado naturalmente em camadas é o solo varvítico, que é


um sedimento ritmicamente depositado em camadas de minerais finos e grossos. Os solos varviticos
são resultado da flutuação sazonal anual das condições de sedimento em lagos glaciais. A Figura 7.18
mostra a variação do teor de umidade e a distribuição granulométrica no solo varvítico de New
Liskeard, Canadá. Cada varve possui cerca de 41-51 mm (1,6 a 2,0 polegadas) de espessura e consiste
em uma sequência de uma camada de solo grosso e outra de solo fino, com uma camada de transição
entre os dois.

Tamanho
Teor de umidade dos grãos

!1i11 Amostra no 14
1UProfundidade, 16,16 m
Cota, 174 ra
o
20 30 40 50 60 70 80 O 50 100
Teor de umidade (%) Porcentagem menor que
Figura 7. 18 Variação do teor de umidade e granulometria em solo varvítico de
New Liskeard. (Fonte: Segundo "Laboratory Investigation ofPermeabilily Ratio
ofNew Liskeard Varved Clay por H. T Chan and T C. Kenney, 1973, Canadian
Geotechnical Journal, 10(3), p. 453-472. Copyright (0 2008 NRC Canadá ou
licenciadores. Reproduzido com permissão.)

711
Um solo estratificado é mostrado na Figura 7.19. Dados:
• H1 =2m k1 =10cm/s
• H2=3m k2 =3,2x 102 cm/s
• H3 =4m k3 =4,lxlO 5 cm/s

Calcule a razão da condutividade hidráulica equivalente,


kH(eq)
Kv(eq)
Permeabilidade 167

113 k3

Figura 7.19 Perfil desolo estratificado

Solução
Da Equação (7.40),

kH(eq) = + kH2 + k , H3 )
1
- [(10r4 )(2) + (3,2 x 10_2)(3) + (4,1 x 10- )(4)]
(2+3+4)
107,07 x 10-4 cm/s

Novamente, da Equação (7.45),


H

= Í (
+
kvJ +
2+3+4
34
3,2 x 1O_2 ) +[41 xi05J
= 0,765 x 10 4cm/s

Portanto,
kH( = 107,07 x10 4
= 139,96
Kv ( 0,765 x 10 4

Exemplo 7.12
A Figura 7.20 mostra três camadas de solo em um tubo com 100 x 100 mm na seção transver-
sal. A água é fornecida para manter uma diferença de carga constante de 300 mm em toda a
amostra. A condutividade hidráulica do solo na direção do fluxo que passa por eles são:

(continua)
168 Fundamentos de engenharia geotécnica

Solo k (cm/s)

A 1O2
B 3x10 3
c 4,9x10

Determine a taxa de fornecimento de água em cm3/h.

Solução
Da Equação (7.45),
H - 450
kV(e@ 150
- (iso (150 )
=
02J 3
k J LJ JJ + 3 x 10- J + 4,9X10 -.

= 0,001213 cm/s

3oo1oo ioo
q = kV (Ø iÁ =(0,001213)IIx I
) 10
~ 450'( 10 )

= 0,0809 em 3/S = 291,24cm3 /h

Fonte de água

Diferença de carga
constante = 300 mm
1'
4

.L---------

A
1 1

..'

150 mm -)*- 150 mm 150 mm

Figura 7.20 Camadas de solo em um tubo de 100 mm x 100 mm na seção transversal 1

Ensaio de permeabilidade em campo pelo


bombeamento a partir de poços
No campo, a condutividade hidráulica média de um depósito de solo na direção do fluxo pode ser
determinada realizando ensaios de bombeamento a de poços. A Figura 7.21 mostra um caso
partir

no qual a camada permeável superior, cuja condutividade hidráulica deve ser determinada, não está
confinada e possui uma camada impermeável abaixo dela. Durante o ensaio, a água é bombeada a
uma taxa constante para fora de um poço de ensaio com uma camisa perfurada. São escavados vários
Permeabilidade 169

4— r r1
di -J r
Nível da agua antes Curva de rebaixamento
do bombeamento 1 1 durante o bombeamento

dli

Camada impermeável EI Poço de ensaio Poços de observação


Figura 7.21 Ensaio de bombeamento de um poço em uma camada penneável não
confinada, localizada acima de um estrato impermeável

poços de observação a várias distâncias radiais em volta do poço do ensaio. Contínuas observações
são feitas levando em conta o nível da água no poço do ensaio e nos poços de observação depois de
iniciar o bombeamento, até que se atinja alguma estabilidade. O momento estável é determinado
quando o nível da água nos poços de ensaio e de observação toma-se constante. A vazão de água do
solo para dentro do poço, que é igual à vazão do bombeamento, pode ser expressa por

q = kÍ27rrh (7.46)
dr)
ou
í dr (27rk h1
f =
Logo,

(r
2,303q1og10 1 -
r)
k (7.47)
= -ff (h12 - h)

A partir das medidas obtidas no campo, se q, r1 , r2, h1 e h2 forem conhecidas, a condutividade hidráu-
lica pode ser calculada a partir da relação simples apresentada na Equação (7.47).
A condutividade hidráulica média de um aquífero confinado pode também ser determinada pela
realização de teste de bombeamento a partir de um poço com camisa perfurada que penetra por toda
a profundidade do aquífero. Observa-se o nível piezométrico em alguns poços a diferentes distâncias
radiais (Figura 7.22). O bombeamento é mantido a uma taxa uniforme q até que um regime estável
seja atingido.
Devido à possibilidade de a água entrar no poço de ensaio apenas a partir do aquífero de espes-
sura H, a percolação em regime estável é

q = k[J]27rrH (7.48)
170 Fundamentos de engenharia geotécnica

dr -* r

Nível piezométrico Z'.• Nível piezométrico


antes do bombeamento durante o bombeamento

0 0 -

'

• -- e. - ;.•
II,

¼ ¼ 1 ¼

_.•...'-• • ''1 #C.


e e e

Camada impermeável LI Poço de ensaio


Aquífero confinado LI Poços de observação
Figura 7.22 Ensaio de bombeamento em um poço que penetra até a profundidade total de um aquífero
confinado

ou

rrdr k2rkH
a dh
J2-;:--=f12

Isso determina a condutividade hidráulica na direção de fluxo da seguinte forma

Í)
qlog10 j—j
r2)
k (7.49)
2,727H(h1 —h2 )

1 Condutividade hidráulica in situ de solos


argilosos compactados
Daniel (1989) realizou uma excelente revisão, de nove métodos para calcular a condutividade hidráu-
lica in situ de camadas de argila compactadas. Três desses métodos são descritos.

Permeâmetro de Boutwell
Um diagrama esquemático do permeâmetro de Boutwell é mostrado na Figura 7.23. Primeiro é feito
um furo e instalada uma camisa (Figura 7.23a). A camisa é preenchida com água e é realizado um
ensaio de permeabilidade com carga variável. Com base nos resultados do ensaio, a condutividade
hidráulica k1 é calculada por
Permeabilidade 171

d2 h
k1 = inJ (7.50)
7rD(t2 - t1 ) h2

onde d = diâmetro do piezômetro


D = diâmetro da camisa
= carga no instante t1
carga no instante t2

Após determinar a condutividade hidráulica, o furo é aprofundado pela sondagem e o permeâ-


metro é remontado como mostra a Figura 7.23b. Um ensaio de condutividade hidráulica com carga
variável é realizado novamente. A condutividade hidráulica é calculada por

Á' h
k2 = —71n (7.51)

onde
++ [LI]2 }
Á' = d 2 {In ( 7.52)

B'= 8D (t - ti ) { l - (753)

A anisotropia com relação à condutividade hidráulica é determinada pela Figura 7.24, que é um
gráfico de k2/k1 em função de m (m = j k /k ) para vários valores de L'/D. A Figura 7.24 pode ser
usada para determinar m usando os valores experimentais de k2/k1 e L'/D. Os gráficos nesta figura são
determinados a partir de

-= ln[(LfID+j1+(Lh/D)2] m
(7.54)
k1 ln[(n2L'ID + (ML'ID)2]
1+

-H d -
------- - - --------------------- - -----------

j
. ..
L

(a) (b) Figura 7.23 Ensaio


de permeabilidade com
Argila compactada Argamassa LII Camisa permeâmetro de Boutwell
172 Fundamentos de engenharia geotécnica

L'ID=l,O 1,5
12
2,0

1 2 3 4
Figura 7.24 Variação de k2/k1 com m
k2/k 1 [Equação (7.54)]

Assim que in é determinado, podemos calcular

kH—mkl (7.55)

Kv - (7.56)
M

Permeâmetro de furo de carga constante


A Figura 7.25 mostra um penneâmetro de furo de carga constante. Desta forma, uma carga constante
h é mantida pelo fornecimento de água, e a vazão q é medida. A condutividade hidráulica pode ser
calculada por

q
k= (7.57)
r2iR2 —1[F1 +(F2 IÁ")]

onde

R= (7.58)

= 4,117(1 —R2 )
F1 (7.59)
In (R + ,1R2 - 1) —[1 - (1/R2 )]0'5

4,280
= (7.60)
In (R + .JR2 1)

1
A" = - ar (7.61)
2

Os valores típicos de a variam de 0,002 a 0,001 cm 1 para solos finos.


Permeabjildade 173

Piezômetro

- •-'.'
-
-. . .-

' •';;- • :.«_ •:.';

,
v

• -': •..

'•1 __________

:_'•:. ;J• :_:. '•_..-'+


- 4J*'••• •,_

Aterro granular Argila compactada


ii Camisa perfurada • Vedação
Figura 7.25 Ensaio de furo com nível de água
constante

Sondas porosas
As sondas porosas (Figura 7.26) são empurradas ou cravadas ao solo. São realizados ensaios de per-
meabilidade com carga constante e variável. A condutividade hidráulica pode ser calculada como segue:
A carga constante é dada por

k= (7.62)
Fh

A carga variável é dada por

7rd2/4 hi
In (7.63)
F(t2

±
Vedação Vedação

*— —~
--
-4--- --

+ -4— —

Figura 7.26 Sonda porosa: (a) ensaio


D D com base permeável; (b) ensaio com
(a) (b) base impermeável
174 Fundamentos de engenharia geo técnica

Para sondas com bases permeáveis (Figura 7.26a),

27rL1
F= ( 7.64)
ln[(L1 ID) + ji + ( L1!D)2 ]

Para sondas com bases impermeáveis (Figura 7.26b),

27rL1
F= —2,8D (7.65)
hi[(L1 ID) + + (L i ID)]

Resumo e considerações gerais


Neste capítulo, discutimos a lei de Darcy, a definição de condutividade hidráulica, as determina-
ções laboratoriais da condutividade hidráulica, as relações empíricas para elas e as determinações de
campo da condutividade hidráulica de vários tipos de solo. A condutividade hidráulica de diferentes
camadas de solo é altamente variável. As relações empíricas para a condutividade hidráulica devem
ser utilizadas como um guia geral para todas as considerações práticas. A precisão dos valores de k
determinados no laboratório depende de vários fatores:

Temperatura do fluido
Viscosidade do fluido
Bolhas de ar aprisionadas presentes na amostra de solo
Grau de saturação da amostra de solo
Migração de finos durante o ensaio
Simulação das condições de campo em laboratório

A condutividade hidráulica de solos saturados coesivos também pode ser determinada por en-
saios de adensamento em laboratório. O valor real da condutividade hidráulica no campo pode ser
um pouco diferente do que o obtido em laboratório em função da falta de homogeneidade do solo.
Portanto, deve-se sempre ter cuidado ao avaliar a ordem de magnitude de k para todas as considera-
ções do projeto.

Problemas
7.1 Consulte o ensaio de permeabilidade de carga constante exibido na Figura 7.5. Para um ensaio,
são fornecidos os dados:
• L=457mm
• A = área da amostra = 22,6 em2
• Diferença da carga constante = h = 711 mm
• Água coletada em 3 min = 356,6 cm'
Calcule a condutividade hidráulica em cm/s.
7.2 Consulte a Figura 7.5. Para um ensaio de pern-ieabilidade com carga constante, são dados os
seguintes valores:
• L=300mm
• A=175cm2
• h=500rnm
• Água coletada em 3 min = 620 em3
• Índice de vazios da areia = 0,58
Permeabilldade 175

Determine
a. Condutividade hidráulica, k (cm/s)
b. Velocidade de percolação

7.3 Em um ensaio de permeabilidade com carga constante em laboratório, são fornecidos os seguin-
tes valores: L = 305 mm e A = 96,8 cm2. Se o valor de k = 0,015 cm/s e uma taxa de fluxo de
7374 cm3/h devem ser mantidos em todo o solo, qual é a diferença de carga h na amostra? Além
disso, determine a velocidade de descarga nas condições do ensaio.

7.4 Para um ensaio de permeabilidade de carga variável, são dados os seguintes valores:
• Comprimento da amostra de solo = 508 mm
• Área da amostra de solo = 25,8 cm2
• Área do piezômetro = 1,29 cm2
• A diferença de carga no tempo t = O é de 762 mm
• A diferença de carga no tempo t = 10 mm é de 305 mm
a. Determine a condutividade hidráulica do solo (cm/min).
b. Qual foi a diferença de carga no tempo t = 5 mm?
7.5 Para um ensaio de permeabilidade variável, são fornecidos os seguintes valores: comprimento
da amostra = 380 mm; área da amostra = 6,5 cm2; k = 0,175 cm/min. Qual deve ser a área do
piezômetro para que a carga diminua de 650 cm para 300 cm em 8 mm?

7.6 Para um ensaio de permeabilidade de carga variável, são dados os seguintes valores:
• Comprimento da amostra de solo = 700 mm
• Área da amostra de solo = 20 cm2
• Área do piezômetro = 1,05 cm2
• A diferença de carga no tempo t = O é de 800 mm
• A diferença de carga no tempo t = 8 min é de 500 mm
a. Determine a permeabilidade absoluta do solo.
b. Qual é a diferença de carga a um tempo t = 6 mm?
Suponha que o ensaio seja conduzido a 20 °C, e a 20 °C, = 9,789 kN/m3 e 77 = 1,005 x
101N s/m2 .
7.7 Uma camada de areia de área transversal mostrada na Figura 7.27 foi determinada para um dique
com comprimento de 800 m. A condutividade hidráulica da camada de areia é de 2,8 mldia. De-
termine a quantidade de água que flui para a vala em m3/min.

Cota 160m -

Dique

Cota 145 m
1,6m
-- 1
Vala
- --

- ,'. '-. '..- . I'• '-•


. , 1

180

Impermeável 0 Areia
Figura 7.27
176 Fundamentos de engenharia geotécnica

7.8 Uma camada de solo permeável possui uma camada impermeável abaixo dele, como mostra a
Figura 7.28. Com k = 5,2 x 10 cm/s para a camada permeável, calcule a vazão através dele
em m3/hlm de largura se H = 3,8 me a = 8°.
7.9 Consulte a Figura 7.29. Determine a taxa de percolação em m3/slrn de comprimento (normal à
seção transversal mostrada) através da camada de solo permeável. Dados: H= 5 m, H1 = 2,8 m,
h = 3,1 m, L = 60 m, a = 5°, k = 0,05 cm/s.
7.10 A condutividade hidráulica de uma areia a um índice de vazios de 0,5 é 0,022 cm/s. Estime sua
condutividade hidráulica a um índice de vazios de 0,7. Use a Equação (7.31).
7.11 Para uma areia, são fornecidos os seguintes valores: n = 0,31 e k = 6,1 em/min. Determine k
quando n = 0,4. Use a Equação (7.31).
7.12 A massa específica seca máxima determinada em laboratório para areia de quartzo é de
1800 kglm3. No campo, se o grau de compactação for de 80%, determine a condutividade
hidráulica da areia na condição de compactação no campo (dado que D10 = 0,15 mm, C,,= 2,2
e G = 2,66). Use a Equação (7.34).
7.13 Para um solo arenoso, são fornecidos os seguintes dados:
• Índice de vazios = 0,7
• Índice de vazios = 0,46
• D10 = 0,2 mm
Determine a condutividade hidráulica da areia a um grau de compacidade de 60%. Use a Equa-
ção (7.32).

..
-
íveldaáasuperficieli

Direção da
Percolação

Camada impermeável El Superficie do solo

Figura 7.28

vfl
=

I ZO-
Dlreçao do

Camada impermeável

Figura 7.29
Peinea5 1/idade 177

7.14 A análise granulométrica de uma areia é mostrada na tabela a seguir. Estime a condutividade
hidráulica da areia a um índice de vazios de 0,5. Use a Equação (7.30) e SF = 6,5.

Peneira padrão Percentagem que passa


americano n° pela peneira

30 100
40 80
60 68
100 28
200 O

7.15 Para uma argila normalmente adensada, são fornecidos os seguintes dados:

Índice de vazios, e k (cmls)

0,8 1,2 x 10 6
1,4 3,6 x 10'

Estime a condutividade hidráulica da argila a um índice de vazios e = 0,9. Use a Equação (7.38).

16 O índice de vazios in sitt, de um depósito de argila mole é de 2,1 e a condutividade hidráulica


da argila com esse índice é de 0,91 x 10 cm/s. Qual é a condutividade hidráulica se o solo é
compactado para apresentar um índice de vazios de 1,1? Use a Equação (7.3 6).

7.17 Um solo em camadas é mostrado na Figura 7.30. Considerando


• = 1,5 rn • = iO cm/s
• H7 =2,5m k=3,0 x 10 crnls
• H3 =3,Om • k=3,5 x 10 cmls
Calcule a estimativa da razão da condutividade hidráulica equivalente, kH(C!kC.

7.18 Uni solo estratificado é mostrado na Figura 7.31. Estime a razão da condutividade hidráulica
equivalente, kH(eq)/kv(eq )

k = 2 x 10 cm/s (camada superior)


k=2x 10-4 CM/S
k= 10 cm/s
[2 k,k2 Lk3 El k= 3 x 10 cm/s (camada inferior)
Figura 7.30 Figura 7.31
178 Fundamentos de engenhara geotécnica

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8 Percolação

No capítulo anterior, vimos alguns casos simples nos quais a aplicação direta da lei de Darcy era ne-
cessária para o cálculo da percolação da água através do solo. Em muitas situações, a percolação da
água no solo não é unidirecional nem uniforme ao longo de toda a área perpendicular ao fluxo. Em
tais casos, a percolação da água em lençóis freáticos geralmente é calculada por meio de gráficos cha-
mados redes defluxos. O conceito de rede de fluxo é baseado na equação de continuidade de Laplace,
que regula a condição de percolação de um regime permanente em determinado ponto na massa de
solo. As próximas seções, deste capítulo, apresentarão a dedução da equação da continuidade de La-
place juntamente com sua aplicação em problemas que envolvam percolação.

Equação da continuidade de Laplace


Para derivar a equação diferencial da continuidade de Laplace, vamos considerar uma única cor-
tina de estacas-prancha que tenha sido cravada em urna camada de solo permeável, como mostra
a Figura 8.1a. Presume-se que a cortina de estacas-prancha seja impermeável. O escoamento em
regime permanente da água do lado de montante para o lado de jusante através da camada permeá-
vel é bidirnensional. Para o escoamento em um ponto A, vamos considerar um bloco elementar de
solo. O bloco, com dimensões dx, dy e dz (o comprimento dy é perpendicular ao plano do papel),
é mostrado em escala ampliada na Figura 8.1b. Considere que v, e v sejam os componentes da
velocidade de percolação nas direções horizontal e vertical, respectivamente. A vazão da água para
dentro do bloco elementar na direção horizontal é igual a v dz dy, e na direção vertical é v dx dy
As vazões de saída do bloco nas direções horizontal e vertical são, respectivamente,

+ 9--5--dx] dz dy
ax

+ ?L dz] dx dy
OZ

Presumindo que a água é incompressível e que não ocorre nenhuma alteração de volume na massa
de solo, podemos afirmar que a vazão total de entrada deve ser igual à vazão total de saída. Assim,

[vx +dx] dzd+[vZ +dz]dxdY_[vdzdY+vdxdy]= o

ou

(8.1)
x az

179
180 Fundamentos de engenharia geotécnica

*- Estaca-prancha

dz

.1.
- ' - Camada impermeável
f4

d.
(a)

v, +
av~ dz dx d
az

dy

(v +dx]dzd
vdz
! dY:___
-

vdxdy

(b)

Figura 8. 1 (a) Estacas-prancha cravadas em cortina única na camada


permeável; (b) fluxo em A

Com a lei de Darcy, as velocidades de percolação podem ser expressas por

vx = ki = k, 9h (8.2)

3h
(8.3)
az

onde lç e k são os valores de condutividade hidráulica nas direções horizontal e vertical, respectivamente.
Das Equações (8.1), (8.2) e (8.3), podemos afirmar que

8 2h
(8.4)
Perco/ação 181

Se o solo for isotrópico em relação à condutividade hidráulica - isto é, k = -, é possível


simplificar a equação da continuidade anterior de escoamento bidirecional para

82 h a2
(8.5)

Equação da continuidade para a solução de


problemas de escoamento simples
A equação da continuidade dada pela Equação (8.5) pode ser usada para solucionar alguns problemas
de escoamento simples. Para demonstrar isso, consideremos um problema de escoamento unidimen-
sional, como mostra a Figura 8.2, na qual uma carga constante é mantida pelas duas camadas de
solo. A diferença da carga entre a camada de solo superior, nQ 1, e a camada de solo inferior, n° 2, é
h1 . Como o fluxo ocorre apenas na direção z, a equação da continuidade [Equação (8.5)] pode ser
simplificada para

02
h
(8.6)
5z2
ou
h=Á1z+Á2 (8.7)

onde Á1 e A2 são constantes.


Para obter Á1 e Á2 para o escoamento através da camada de solo n° 1, precisamos conhecer as
condições de contorno, mostradas a seguir:
Condição 1: Em z = O, h = h1 .
Condição 2: Em z = H1 , h = h2 .

Fonte de água

fJ

4,-

Figura 8.2 Fluxo através de


Solo 1(k1) E Solo 2 (k2) duas camadas de solo
182 Fundamentos do engenharia geotécnica

Combinando a Equação (8.7) e a Condição 1, obtemos


(8.8)
De forma similar, combinando a Equação (8.7) e a Condição 2 com a Equação (8.8), obtemos
h2 =A1H1 +h1
ou
hi —h2
A1 = [ (8.9)
H1 J

Combinando as Equações (8.7), (8.8) e (8.9), obtemos

h=_[h1h2)z+h1 (para o<z<H1 ) (8.10)

Para o fluxo através da camada de solo no 2, as condições de contorno são:


Condição 1: Em z = H1, h = h2.
Condição 2: Em z = 111 + H2, h = O.
A partir da Condição 1 e da Equação (8.7),
(8.11)
E também da Condição 2 e das Equações (8.7) e (8.11),
O = Á(H + 112) + (h2 - A1H1)
Á1H1 + A1H2 + h2 —A1H1 = O
ou

A1 = (8.12)
H2

Portanto, das Equações (8.7), (8.11) e (8.12),

= + li2 {i + (para H, z < H1 + H2) (8.13)

Em qualquer instante, o fluxo através da camada de solo n° 1 é igual ao fluxo através da camada
n2 2, portanto

q=ki{h1 _h2)Ak[h2_0]Á
H1 J

onde Á = área da seção transversal do solo


= condutividade hidráulica da camada de solo n 1
= condutividade hidráulica da camada de solo n2 2
ou
kk1
li2 = (8.14)
H1 ("1 + k2)
iJ
Perco/ação 183

Substituindo a Equação (8.14) na Equação (8.10), obtemos

k2z
h= hjl - ) (para 0z<H1) (8.15)
1. kH2 + k2H1 )

Da mesma forma, combinando as Equações (8.13) e (8.14), temos

h=/Í (H1 + H 2 - z) (para H1 z <H1 + H2) (8.16)


k1H2 +k2H1 J

Exemplo 8.1
Consulte aFig. 8.2. Dados: H1 = 305 mm; ''2 = 508 mm; h1 = 610 mm; h = 508 mm;z = 203 mm;
ki = 0,066 cm/s e diâmetro da amostra de solo D = 76 mm. Determine o escoamento da água
através de um solo com duas camadas (cm3/h).

Solução
Como z = 203 mm está localizado na camada de solo n 1, a Equação (8.15) é válida. Portanto,

k2z ) z
h=hl [1_ I=h1 1—
k1H2 + k2H1)
ÍL1 H2 + H1
k J

203
508 = 610 1 -
508+305
k2 1

= 1, 795 1,8
k2

Dado k1 = 0,066 cm/s. Portanto,


- - 0,066
k = 0,037 cm/s
218 1,8

O escoamento é de
q = keq lA
h1 610
1= = =0,75
H1 +H2 305+508

A = D2 = (7,6)2 = 45,36 cm2


4 4

(continua)
184 Fundamentos de engenharia geo técnica

H, +H 2 30,5 cm + 50,8 em
keq = 0,0443 cm/s = 159,48 cm/h
H2 30,5 + 50,8
k1 + k2 0,066 0,037

Assim,
q = kCqÁ = (159,48)(0,75)(45,36) 5426 cm3!h

Redes de fluxo
A equação da continuidade [Equação (8.5)] em um meio isotrópico representa duas famílias de curvas
ortogonais - ou seja, as linhas de fluxo e as linhas equipotenciais. Uma linha defluxo é a linha ao
longo da qual a partícula de água se desloca da montante para a jusante, no meio de solo permeável.
Uma linha equ4otencial é a linha ao longo da qual a carga potencial tem o mesmo valor em todos os
pontos. Logo, se piezômetros forem posicionados em vários pontos ao longo de uma linha equipoten-
cial, o nível da água subirá até o mesmo nível de elevação em todos os pontos. A Figura 8.3a mostra
como são definidas as linhas de fluxo e as linhas equipotenciais para a percolação na camada de solo
permeável em torno da cortina de estacas-prancha mostrada na Figura 8.1 (com k = /ç = k).
A combinação entre várias linhas de fluxo e equipotenciais é denominada rede defluxo. Como
mencionado na introdução, as redes de fluxo são construídas para o cálculo da percolação da água
subterrânea e avaliação da carga nesse meio. Para concluir a construção do gráfico de uma rede de
fluxo, é necessário traçar as linhas de fluxo e equipotenciais de forma que

1. As linhas equipotenciais interceptam as linhas de fluxo em ângulos retos.


2. Os elementos de fluxo formados tenham a forma aproximada de um quadrado.

A Figura 8.3b mostra um exemplo de rede de fluxo completa. Outro exemplo de rede de fluxo
em camada isotrópica permeável é mostrado na Figura 8.4. Nessas figuras, Nf é o número de canais
de fluxo na rede e Nd é o número de quedas de potencial (definido mais adiante, neste capítulo).
Desenhar uma rede de fluxo requer várias tentativas. Enquanto constrói a rede de fluxo, tenha
em mente as condições de contorno. Na rede de fluxo mostrada na Figura 8.3b, aplicam-se as quatro
condições de contorno definidas a seguir:

Condição 1: As superficies a jusante e a montante na camada permeável (linhas ah e de) são


equipotenciais.
Condição 2: Como as linhas ab e de são linhas equipotenciais, todas as linhas de fluxo as
interceptam em ângulos retos.
Condição 3: O contorno da camada impermeável - isto é, a linhafg - é uma linha de fluxo,
bem como a superficie da estaca-prancha impermeável, a linha acd.
Condição 4: As linhas equipotenciais interceptam as linhas acd efg em ângulos retos.

UM Cálculo da Percolação para uma rede de fluxo


Em qualquer rede de fluxo, a faixa entre duas linhas de fluxo adjacentes quaisquer é denominada ca-
nal defluxo. A Figura 8.5 mostra um canal de fluxo com as linhas equipotenciais formando elementos
quadrados. Sejam h1, h2, h3 , h4, ..., h, os níveis piezométricos correspondentes às linhas equipoten-
ciais. A vazão através do canal de fluxo por unidade de comprimento (perpendicular à seção vertical
através da camada permeável) pode ser calculada como descrito a seguir. Por não existir escoamento
transversal às linhas de fluxo,
q1 =q2 =q3 =... =Aq (8.17)
Percolação 185

- Estaca-prancha

H1
1

Linha de fluxo
k=k=k

Linha equipotencial o

e $
e e - $
e
Camada impermeável
• e
f
'e e e e
1
' e

(a)

- Estaca-prancha
Nível da água --

H1
Nível da água
ad - e H2
4 , b

Camada impermeável
- . ....: •.. •.
(b)

Figura 8.3 (a) Definição das linhas de fluxo e equipotenciais; (b) rede de fluxo concluída

-!--
H
11 à-" '»'
+ --

Filtro de pé

Figura 8.4 Rede de fluxo sob uma barragem com filtro de pé


186 Fundamentos de engenharia geotécnica

2q~ h2

11 1

12

13
13

Lq Figura 8.5 Percolação através de um canal de


fluxo com elementos quadrados

Com base na lei de Darcy, a vazão é igual a kiA. Portanto, a Equação (8.17) pode ser escrita como

Aq = k{h1 kí h2 kíh3 _h4113 (8.18)


li 1l2 =
l ) 12 ) . 13 )

A Equação (8.18) mostra que, se os elementos de fluxo forem traçados com uma forma aproximada-
mente quadrada, a queda do nível piezométrico entre duas linhas equipotenciais adjacentes quaisquer
será a mesma. Esta condição é chamada de queda de potencial. Assim,

k-h2 =h2 -hh3 -h4 =»=-- (8.19)


Nd

zq = k—
H (8.20)
Nd

onde H = diferença de carga entre os lados à montante e à jusante


Nd = número de quedas de potencial
Na Figura 8.3b, para qualquer canal de fluxo, H = II H. e Nd = 6. -

Se o número de canais de fluxo em uma rede for igual a Nf, a vazão total através de todos os
canais por unidade de comprimento pode ser obtida pela equação

HN
q = k —'- (8.21)
Nd

Apesar de ser conveniente, não é necessário traçar sempre elementos quadrados para uma rede
de fluxo. Como alternativa, podemos traçar uma malha retangular para o canal de fluxo, como mostra
a Figura 8.6, desde que as proporções entre largura e comprimento para todos os elementos retangu-
lares da rede de fluxo sejam iguais. Neste caso, a Equação (8.18) da taxa de fluxo através do canal
pode ser modificada para

Aq =
k[h1 lb1 = k~h2 3 ]b2 =
k[ _h4)b =
... (8.22)
li J 12 13 J
Se b1/l1 = b2112 = b3/l = = n (isto é, caso os elementos não sejam quadrados), as Equações
...

(8.20) e (8.21) podem ser modificadas para

Aq = kH[-j _J (8.23)
Perco/ação 187

Figura 8.6 Percolação através de um canal de


fluxo com elementos retangulares

q = kH _L
N (8.24)
Nd

A Figura 8.7 mostra a rede de fluxo para a percolação em torno de uma cortina de estacas-pran-
cha. Observe que os canais de fluxo 1 e 2 possuem elementos quadrados. Portanto, a taxa de fluxo
através destes dois canais pode ser calculada usando a Equação (8.20):

/q 1 + /q 2 = H + —--H- 2kH
Nd Nd Nd

Porém, o canal de fluxo 3 apresenta elementos retangulares. Estes elementos têm uma proporção
entre a largura e o comprimento de cerca de 0,38; assim, da Equação (8.23)

Lq3 = J_H(O,38)
Nd

Nível da água v

5,6m 4 Lençol freático


2,2 m
Superfície do solo
Canal de fluxo 1 =1

-_ Jb _
Canal de fluxo 2 =1
\ c\ II
Canal de fluxo 3
Escala

Camada impermeável
:-.- . '- .' e.'-. '_•' '- .s
Figura 8.7 Rede de fluxo para a percolação em tomo de urna cortina de estacas-pranchas
188 Fundamentos de engenharia geotécnica

Portanto, a vazão total pode ser expressa como

kH
q = /q1 + / q2 + Lq3 = 2,38 — (8.25)
Nd

Exemplo 8.2
A Figura 8.7 mostra uma rede de fluxo em tomo de uma única cortina de estacas-prancha em uma
camada de solo permeável. Se k = k = k = 5 x 10-3 cm/s, determine
a. A que altura (acima da superfície do solo) a água se elevará se os piezômetros forem posi-
cionados nos pontos a e b.
b. A vazão total através da camada permeável por unidade de comprimento.
c. O gradiente hidráulico médio aproximado em c.

Solução
Parte a
A partir da Figura 8.7, temos Nd = 6, H1 = 5,6 m eH2 = 2,2 m. Portanto, a queda de carga de cada
queda de potencial é

= H1 = 5,6-2,2 =
Ali 0,567m
Nd 6

No ponto a, passamos por uma queda de potencial. Portanto, a água no piezômetro se elevará
até

(5,6 - 0,567) = 5,033 m acima da superfície do solo

No ponto b, temos cinco quedas de potencial. Portanto, a água no piezômetro se elevará até

[5,6 - (5)(0,567)] = 2,765 m acima da superfície do solo

Parte b
Da Equação (8.25),

k(H1 - H2 ) = (2,38)(5 x 10 5 m/s)(5,6 - 2,2)


q = 2,38
Nd 6
= 6,74 x 10 5 m3/s!m

Parte c
O gradiente hidráulico médio em c pode ser dado corno

- perda de carga - AH - 0,567m =


0,138
- comprimento médio do fluxo entre d e e - - 4,1m

(Observação: O comprimento médio do fluxo foi colocado em escala.)


Perco/ação 189

Redes de fluxo em solos aniso trópicos


A descrição do traçado da rede de fluxo e a derivação das Equações (8.21) e (8.24) para o cálculo da
percolação têm como base a suposição de que o solo é isotrópico. Na natureza, porém, a maioria dos
solos apresenta algum grau de anisotropia. Para considerarmos a anisotropia do solo em relação à
condutividade hidráulica, devemos modificar o traçado da rede de fluxo.
A equação diferencial da continuidade para um escoamento bidimensional [Equação (8.4)] é

32h a2
k—+k
X32 —=0
Z3z2

Nos solos anisotrópicos, k k. Neste caso, a equação representa duas famílias de curvas que
não se interceptam em 90°. Porém, podemos reescrever a equação anterior da seguinte forma

32h 02/i
+— (8.26)
(k/k)8x2 3z2 =0

Substituindo x' = , 7ix, podemos expressar a Equação (8.26) como

32h 32h
(8.27)

Agora, a Equação (8.27) está em uma forma similar à Equação (8.5), com x substituído por x', que
é a nova coordenada transformada. Para desenhar a rede de fluxo, usamos o seguinte procedimento:

Etapa 1: Adote uma escala vertical (isto é, o eixo z) para desenhar a seção transversal.
Etapa 2: Adote uma escala horizontal (ou seja, o eixo x) de tal forma que a escala horizontal
seja = \/:-/ k:- >< escala vertical.
Etapa 3: Utilizando as escalas adotadas nas Etapas 1 e 2, trace a seção vertical através da ca-
mada permeável, paralela ao sentido do escoamento.
Etapa 4: Trace a rede de fluxo da camada permeável da seção obtida na Etapa 3, com as linhas
de fluxo cruzando as linhas equipotenciais em ângulos retos e os elementos com for-
matos aproximadamente quadrados.

A vazão por unidade de comprimento pode ser calculada modificando-se a Equação (8.2 1) para

HN
q= (8.28)
Nd

onde H = perda de carga total


Nf e Nd = número de canais de fluxo e quedas potenciais, respectivamente
(da rede de fluxo desenhada na Etapa 4)

Observe que se as redes de fluxo forem traçadas em seções transformadas (em solos anisotrópi-
cos), as linhas de fluxo e equipotenciais serão ortogonais. Entretanto, quando traçadas em uma seção
real, estas linhas não formam ângulos retos entre si. Esse fato é mostrado na Figura 8.8 onde presume-
-se que k = 6k2. A Figura 8.8a mostra um elemento de fluxo em uma seção transformada. O elemento
de fluxo foi redesenhado em uma seção real na Figura 8.8b.
190 Fundamentos de engenharia geotécnlca

1 k 6
Escala vertical 6 m
I
• Escala horizontal = 6(I) = 14,7 m

(a)

Escala 6m

.• -
'•e /p 'O, 'e e /
..............
...... .'..S. • ........... F. /••S. ..

(b)
Figura 8.8 Um elemento de fluxo em solo anisotrópico: (a) em uma seção transformada;
(b) na seção real

Exemplo 8.3
Uma seção de barragem é mostrada na Figura 8.9a. Os valores de condutividade hidráulica da ca-
mada permeável na vertical e na horizontal são, respectivamente, 2 x 10-2 mmls e 4 x 101 mm/s.
Trace uma rede de fluxo e calcule a perda por percolação da barragem em m3/dia/m.

Solução
De acordo com os dados fornecidos,

k, = 2 >< 10-2 mm/s = 1,728 m/dia


= 4 x 101mm/s = 3,456 m/dia

e h = 6,1 m. Para traçar a rede de fluxo,

/2 10_2
Escala horizontal = 1 (escala vertical)
4x
x 10 I
= ---- (escala vertical)
,12
Perco/ação 191

Camada permeável LI Camada impermeável


Figura 8.9

Com base nestes dados, a seção da barragem é traçada novamente e a rede de fluxo é esboçada,
corno mostra a Figura 8.9b. A vazão é dada por q = /k7H ( Nf /Nd). Com base na Figura 8.9b,
= 8 e I\. = 2,5 (o canal de fluxo mais inferior possui urna proporção de 0,5 entre a largura e o
comprimento). Assim,

q = ,j(1,728)(3,456) (6,1) (2,5/8) = 4,66 m3ldialm

Solução matemática do problema da percolação


O problema da percolação em vários tipos de estrutura hidráulica simples pode ser solucionado de
modo matemático. Harr (1962) analisou muitas destas condições. A Figura 8.10 mostra um gráfico
adirnensional da vazão em tomo de urna cortina única de estacas-prancha. De forma similar, a Figu-
ra 8.11 é um gráfico adirnensional da vazão sob urna barragem. Na Figura 8. 10, a profundidade de
penetração da estaca-prancha é S, e a espessura da camada de solo permeável é T'.

Exemplo 8.4
Consulte a Figura 8.11. Dados: largura da barragem B = 6 m; comprimento da barragem L = 120 m;
S = 3 m; T' = 6 ai; x = 2,4 in eH1 - = 5 m. Se a condutividade hidráulica da camada permeável
é de 0,008 cm/s, calcule a percolação sob a barragem (Q) em m3/dia/m.

(continua)
192 Fundamentos de engenharia geotécnica

Solução
Dado que B=6m,T'=6meS3m, então b=B!2=3m.

-- = -- = 0,5
T' 6

= 1= 0, 5
T' 6
= =08
b 3

Com base na Figura 8.11, para b/T'= 0,5, S/T' = 0,5 ex/b = 0,8, o valor de q/kH 0,378. Logo,

Q = q L = kHL = (0,008 x 10 2 x 60 x 60 x 24 m/dia) (5) (120) = 4147,2 m3/dia .

1,4 Lençol freático v


1
v Lençol freático
- -
12 S
\ Ti --------
\ ,.
1,0
\
\ Camada impermeável

0,8
q
kH
0,6

0,4

0,2

________________________________________ Figura 8. 10 Gráfico de q/kH em relação a


0,0 1 S/T'para o fluxo em torno de uma cortina
0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 única de estacas-prancha (The McGraw-
S/T' Hill Companies)

ZM Subpressão sob estruturas hidráulicas


As redes de fluxo podem ser utilizadas para determinar a subpressão na base de uma estrutura hidráu-
lica. Este conceito geral pode ser demonstrado por um exemplo simples. A Figura 8.12a mostra um
dique cuja base está 2 m abaixo da superficie do solo. A rede de fluxo requerida também foi traçada
(presumindo que k = k= k). O diagrama de distribuição de pressão na base do dique pode ser obtido
pelas linhas equipotenciais, como mostrado a seguir.
Perco/ação 193

B
-- 1 H=H1 —H2
Á B 1
"1
-.
t
s
T' ------------- Estaca-prancha k=k=k

-- - s Camada impermeável

0,6

0,5

q
kH

0,4

0,3
±1,00 ±0,75 ±0,50 ±0,25 ±0,00
X
b
Figura 8.11 Percolação sob uma barragem (17w McGraw-Hill Companies)

Existem sete quedas equipotenciais (Nd) na rede de fluxo, e a diferença nos níveis de água
entre os lados à jusante e à montante é de H = 7 m. A perda de carga em cada queda de potencial é
H/7 = 7/7 = 1 m. A subpressão em

a (canto esquerdo da base) = (Carga piezométrica em a) x


= [(7 + 2) - 11-y.,, =

De modo similar, a subpressão em

e em

f= [9— (6)(1)]'y =
O gráfico dos valores de subpressão é mostrado na Figura 8.12b. A força de levantamento por unidade
de comprimento medida ao longo do eixo do dique pode ser calculada pela determinação da área do
diagrama de subpressão.
194 Fundamentos de engenharia geo técnica

14 m

Sm
,ab :Cd
P.
lOm / 1 1
k=k=k
t 1 '
- .I.;-s.'. -. •-'•-'. '-
- Camada impermeável
_a _a I ._• _t -

(a)

14m
a b c d e f

kNIm2
12

8'y kN/m2
(b)
Figura 8,12 (a) Um dique; (b) força de levantamento sob a estrutura hidráulica

Perco/ação através de uma barragem de terra


sobre uma base impermeável
A Figura 8.13 mostra uma barragem de terra homogênea sobre uma base impermeável. Admite-se que
a condutividade hidráulica do material compactado do qual a barragem é composta é igual a k. A su-
perficie livre da água que escoa através da barragem é dada por abcd. Presume-se que dbc seja pa-
rabólico. O desnível da superficie livre pode ser assumido como sendo igual ao gradiente hidráulico.
Presume-se também que, sendo o gradiente hidráulico constante com a profundidade (Dupuit, 1863),

dz
(8.29)
dx

Considerando o triângulo cde, podemos calcular a vazão por unidade de comprimento da barragem
(em ângulos retos com relação à seção transversal mostrada na Figura 8.13) como

q = kiA

dz
= = tg a
dx
A = (ce)(1) = Lsena
Perco/ação 195

0 3A

Nível da água Y a -

dz' ______
H
-
\/3 L

i
'4 +
Camada impermeável
Figura 8,13 Fluxo através de uma barragem de terra construída sobre uma camada impermeável

Logo,

q = k(tg a)(L sen a) = kL tg a sen a (8.30)

Novamente, a vazão (por unidade de comprimento da barragem) através da seção bf é de

dz
q=kiA=k--' (zxl)=kz (8.31)
cfrj dx

Para um fluxo contínuo,

Eq. (8.30) = qnq. (8.3 1)


ou
dz
kz— = kL tga sena
cfr

ou

pz=H px
kzdz=J (kLtgasena)d
J z=L sena x= Lcosa

-í (H2 - L2 sen2a) = Ltga sena(d - L cosa)

H2 L2 sen2 a = LdÍsdl a) - L
2 sen2 a
2 2 cosa)

H2 cos a L2 cos a
= Ld - L2 cos a
2sen2a - 2

ou
cos a
L2 cosa —2Ld+ =0
sen2a
196 Fundamentos de engenharia geotécnica

Portanto,

1 d2 H2
(8.32)
cosa S2 asen2a

A seguir, temos um procedimento passo a passo para o cálculo da vazão q (por unidade de com-
primento da barragem):

Etapa 1: Obtenha a.
Etapa 2: Calcule A (veja a Figura 8.13) e depois 0,3 A.
Etapa 3: Calcule d.
Etapa 4: Conhecendo-se os valores de a e d, calcule L usando a Equação (8.32).
Etapa 5: Conhecendo-se o valor de L, calcule q usando a Equação (8.30).

Em geral, a solução anterior é denominada solução de Schaffemak (1917) com correção de


Casagrande, pois este último demonstrou experimentalmente que a superficie parabólica livre tem
origem em a', não em a (Figura 8.13).

Exemplo 8.5
Consulte a barragem de terra mostrada na Figura 8.13. Dado que /3 = 45°, a = 30°, B = 3 m,
H = 6 m, altura da barragem = 7,6 m e k = 61 x 10 m/min, calcule a vazão q, em m3/dialm de
comprimento.

Solução
Sabemos que /3 = 45° e a = 30°. Assim,

H 20
=6m 0,3=(0,3)(6)=1,8m
t9 /3 tg 45-

d= 0,3+ 7' 66 +B+ 1 -


tg/3 tga

= 1,8 + (7,6_6)+3+7,6 23,36m


tg 45° tg 30

Da Equação (8.32),

- _
L= d - /_d2
cos a cos2 a sen2a

23,36
cos 30
23,36 r6 2
[cos30J [sen30] =2,81m

Da Equação (8.30)

q = kL tg a sen a = (61 x 10-6) (tg 30)(sen 30)


= 49,48 x 10 m3/min/m = 7,13 x 10-2 m3/dia/m
Perco/ação 197

Solução de L. Casagrande para o problema da


perco/ação através de uma barragem de terra
A Equação (8.32) é deduzida com base na suposição de Dupuit (isto é, i dz/dx). Casagrande (1932)
demonstrou que quando o ângulo da face à jusante a na Figura 8.13 fica maior que 3Ø0, as diver-
gências em relação à suposição de Dupuit se tornam mais evidentes. Assim (veja a Figura 8.13),
L. Casagrande (1932) sugeriu que
dz
== sena (8.33)

j2
onde ds = +dz2
Portanto, a Equação (8.30) pode ser modificada para

q = kiA = ksena(L sena) = kL sen2a (8.34)

Novamente,

q = kiA=k[LJ(1xz) (8.35)
ds

Combinando as Equações (8.34) e (8.35) obtêm-se

L..zdz = fSLsen2 ads


JL
(8.36)

onde s = comprimento da curva a'bc

I(H2 - L2 sen2a) = Lsen2a(s - L)

ou

- - JS2 H2
L—s (8.37)
- sen2a

Com erro de 4% a 5%, podemos escrever

5 = Jd + H2 (8.38)

Combinando as Equações (8.37) e (8.38) obtém-se

L=Jd 2 +H2 _Jd2_H2cot2a (8.39)

Depois que a magnitude de L for conhecida, a vazão pode ser calculada a partir da Equação (8.34)
na forma
q = kL sen2 a

Uma solução foi apresentada por Gilboy (1934) para evitar a aproximação introduzida nas Equações
(8.38) e (8.39). Esta solução é mostrada na forma gráfica na Figura 8.14. Observe, neste gráfico,
Lsena
M (8.40)
= H
198 Fundamentos de engenharia geo técnica

100
0,40,3 0,2 0,15 in=0,l

80

60

cs (graus)

40
0,5

0,6

0,7
20
0,8

0
O 1 2 3 4 5 6 7 8
d/H

Figura 8.14 Gráfico da solução por meio do método de L. Casagrande, baseado na solução
de Gilboy

Para utilizar o gráfico,

Etapa 1. Determine d/H.


Etapa 2: Para um determinado d/H e a, calcule ai
Etapa 3: Calcule L = mH
sen a
Etapa 4: Calcule kL sen2 a.

Dimensionamento de filtros
Quando a água percola de um solo com grãos relativamente finos para um material grosso, existe o
perigo de que as partículas finas do solo sejam transportadas pela água para dentro deste material. Ao
longo do tempo, este processo pode obstruir os espaços vazios no material grosso. Portanto, a distri-
buição granulométrica do material grosso deve ser adequadamente manipulada para evitar essa situa-
ção. O material mais grosso dimensionado corretamente é chamado de filtro. A Figura 8.15 mostra a
condição de um estado de percolação estável em uma barragem com um filtro instalado no pé. Para a
seleção dos materiais adequados para o filtro, duas condições devem ser atendidas:

Condição 1: As dimensões dos vazios no material do filtro devem ser suficientemente peque-
nas para reter as partículas maiores do material protegido.
Condição 2: O material do filtro deve ter alta condutividade hidráulica para impedir a geração
de grandes forças de percolação e pressões hidrostáticas aplicadas aos filtros.

Pode-se notar que se três esferas perfeitas têm diâmetro 6,5 vezes maior que uma esfera menor,
esta última pode movimentar-se através dos espaços vazios das esferas maiores (Figura 8.16a). Ge-
nericamente falando, em um determinado solo o tamanho dos grãos pode variar grandemente dentro
de uma faixa ampla. Se os espaços vazios (poros) de um filtro forem pequenos o suficiente para
Perco/ação 199

Filtro de pé
Percolaçâo

Camada
impermeável
Figura 8.15 Percolação em regime constante em urna barragem de terra com
um filtro de instalado no pé

deterem D85 do solo a ser protegido, então as partículas de solo mais fino também estarão protegidas
(Figura 8.16b). Isso significa que o diâmetro efetivo dos poros no filtro deve ser menor que D85 do
solo a ser protegido. O diâmetro efetivo dos poros corresponde a cerca de 1 D15 do filtro. Tendo isto
em mente e com base nas investigações experimentais de filtros, Terzaghi e Peck (1948) elaboraram
os seguintes critérios para atender a Condição 1:

'1F
5(
<4a5 (para satisfazer a Condição 1) (8.41)
D85(5)

Para satisfazer a Condição 2, eles sugeriram que

>4a5 (para satisfazer a Condição 2) (8.42)


D15(5)

Esfera grande

Esfera pequena

..
_,-•_._•.s
Percolação
de agua

• '•_.'.i I.•_..'.' I
••• I '
\ -
o
Solo a ser
Filtro protegido

Figura 8.16 (a) Esferas grandes, com


diâmetro 6,5 vezes maior que o diâmetro
das esferas pequenas; (b) limite entre um
filtro e o solo a ser protegido
200 Fundamentos de engenharia geotécnica

onde D15(F) = diâmetro através do qual 15% do material do filtro passará


D5(s) = diâmetro através do qual 15% do solo a ser protegido passará
D55(s) = diâmetro através do qual 85% do solo a ser protegido passará

O uso correto das Equações (8.41) e (8.42), para determinar a distribuição granulométrica dos
solos usados como filtro, é mostrado na Figura 8.17. Considere o solo usado para construção da bar-
ragem de terra mostrada na Figura 8.15. A distribuição granulométrica deste solo pode ser fornecida
pela curva a na Figura 8.17. A partir disto, podemos determinar 5D85(s) e 5D15(S) e traçar seus gráficos,
como mostra a Figura 8.17. A distribuição granulométrica aceitável do material de filtro deve estar na
área sombreada. (Observação: O formato das curvas b e e é aproximadamente igual ao da curva a.)
A Marinha norte-americana definiu os requisitos a seguir [U.S. Navy (1971)1 para o projeto
de filtros.

Condição 1: Para impedir o deslocamento das partículas do solo protegido:

Dl5(F) <5

D85(S)
D50(F) <25

D50(S)
1 15(F <20
DIs(s)

Se o coeficiente de uniformidade C do solo protegido for menor que 1,5, D15(F)/


D85(5) pode ser aumentado para 6. Além disso, se C do solo protegido for maior
que 4, Dls(F)/Dls(s) pode ser aumentado para 40.
Condição 2: Para impedir a geração de grandes forças de percolação aplicadas ao filtro:

D15(F) > 4
D15(S)

Curva a
Curva c Curva b (solo a ser protegido)
100•
5D85(5) 0,5im
5sï0J1 mm
80

60
Faixa de
filtro adequada
40

20 mm
= 0,009 mm

o
10,0 5,0 1,0 0,5 0,1 0,05 0,01 0,005 0,002
Distribuição granulométrica (mm)
Figura S. 17 Determinação da distribuição granulométrica, usando as Equações (8.41) e (8.42)
Perco/ação 201

Condição 3: O material de filtro não deve ter tamanhos de grão superiores a 76,2 mm. (Isso
evita a segregação de partículas no filtro.)
Condição 4: Para impedir o deslocamento interno de grãos finos no filtro, este não deve ser
composto de material que passe em mais de 5% através de uma peneira n2 200.
Condição 5: Caso tubos perfurados sejam utilizados para a coleta da água de percolação, filtros
também devem ser utilizados em tomo dos tubos para impedir que os finos sejam
transportados para dentro deles. Para evitar o deslocamento do material de filtro
para dentro dos tubos de drenagem através das perfurações, os seguintes requisi-
tos adicionais devem ser atendidos:

D85(F)
> 1,2 a 1,4
largura da fenda

> 1,0 a 1,2


diâmetro do furo

Resumo e considerações gerais


Neste capítulo, estudamos a equação da continuidade de Laplace e suas aplicações na resolução de
problemas relacionados ao cálculo da percolação. A equação da continuidade é a base fundamental
do conceito do projeto de redes de fluxo. As redes de fluxo são ferramentas poderosas para o cálculo
da percolação, assim como da subpressão de vários tipos de estruturas hidráulicas.
Também foram abordados, neste capítulo (Seções 8.8 e 8.9), os procedimentos para calcular a
percolação através de urna barragem de terra construída sobre uma base impermeável. Na Seção 8.8
foi calculada a relação da percolação, com base na suposição de Dupuit de que o gradiente hidráulico
se mantém constante com a profundidade. Um procedimento aprimorado para o cálculo da percola-
ção (a solução de L. Casagrande) foi mostrado na Seção 8.9. Os fundamentos para o dimensionamen-
to de um filtro protetor foram mostrados na Seção 8.10.

Problemas
8.1 Consulte a Figura 8.2, que mostra o arranjo para ensaio de permeabilidade de carga constante
em um solo com duas camadas. Durante o ensaio foi observado que, enquanto foi mantida uma
carga constante de h 1 = 200 mm, a magnitude de h2 foi de 80 mm. Se k1 tem 0,004 cm/s, deter-
mine o valor dek2 para H1 =lOO min eH2 =l5Omm.
8.2 Consulte a Figura 8.18. Dados:
• H1 =6m D=3m
• H2 = 1,5 m • D =6m
Trace a rede de fluxo. Calcule a perda por percolação por metro de estaca-prancha (formando
um ângulo reto com a seção transversal mostrada).

8.3 Trace uma rede de fluxo em tomo de urna cortina única de estacas-prancha inserida em urna
camada de solo permeável, como mostra a Figura 8.18. Dados:
• H1 =3m ° D=1,5m
• H2 =0,5m ' D1 =3,75m
Calcule a perda por percolação por metro de estaca-prancha (formando ângulos retos com a
seção transversal mostrada).
202 Fundamentos de engenharia geo técnica

[« Estaca-prancha
--

I1 k
1
D

£ Ii
•i. - r_
, 2 .. a
_...t' _._____i_ . - -
D1

k =4 10-4 CM /8

Camada impermeável
1

Figura 8. 18

8.4 Consulte a Figura 8.18. Dados:


• H1 =4m • D, =6m
• H2 =1,5m • D=3,6rn
Calcule a perda por percolação em m3/dia e por metro de estaca-prancha (formando ângulos
retos com a seção transversal mostrada). Utilize a Figura 8.10.
8.5 Na estrutura hidráulica mostrada na Figura 8.19, trace a rede de fluxo através da camada per-
meável e calcule a perda por percolação em m3/dia/m.
8.6 Consulte o Problema 8.5. Usando a rede de fluxo traçada, calcule a força hidráulica de levantamento
na base da estrutura hidráulica por metro de comprimento (medida ao longo do eixo da estrutura).
8.7 Trace a rede de fluxo para o dique mostrado na Figura 8.20. Calcule a vazão sob o dique.
8.8 No dique mostrado na Figura 8.21, calcule a percolação na camada permeável em m3/dia!m
para (a)x'=lme(b)x'=2m. Use a Figura 8.11.
8.9 A Figura 8.22 mostra uma barragem de terra. Determine a vazão q em m3/dia/m. Dados: ai = 350,
a2 = 40°, L1 = 5 m, H= 7 m,111 = 10 me k = 3 x 101cm/s. Utilize a solução de Schaffernak.
8.10 Repita o Problema 8.9 usando o método de L. Casagrande.

25m

1,67 m

20m - -
- k= 0,002 cm/s

- 11
II 1
II 1

1,67m 1,67m

Camada permeável Camada impermeável


Figura 8.19
Percolação 203

37m
-- y
4'
lOm 4
•-' - . 15
: -. - * ' ," •-=•. -: -. - - 3'm
:. .-
J Ëstoa prancha 9
24m - - --. -. •'. -•-- .-
k= 10-a cm/s

Camada
impermeavel

Figura 8.20

8m
v

6m
V 4''4
v'qbvq .
-- - L' 7 •.'i! ,t\ - --

4m
Estaca prancha ------------------------------

8m

k= 10-a cm/s

• ''*''-'---.'-'
It
-.''•- _
4
-H x'

Camada permeável Camada impermeável


Figura 8.21

Nível da água -

k
H1

e
Base impermeável
a2(

1 e
1
Figura 8.22
204 Fundamentos de engenharia geo técnica

Referências
CASAGRANDE, L. "NaeherungsmethodenzurBestimmurg von Art und Menge der Sickerung durch geschuettete
Daemme", Tese, Technische Hochschule, Viena, 1932.
DUPUIT, J. Etudes Theoriques et Practiques sur le Mouvement des Eaux dans les Ca naux Decouverts eta Travers
les Terrains Permeables. Paris: Dunod, 1863.
GILuoy, G. "Mechanics ofHydraulic Fui Dams", in Contributions to Soil Mechanics 1925-1940. Boston: Boston
Society of Civil Engineers, 1934.
Huut, M. E. Ground Water and Seepage. Nova York: McGraw-Hill, 1962.
SCHAFFERNAK, F. "Über die Standicherheit durchlaessiger geschuetteter Dmme", Aligem, Bauzeitung. 1917.
TERZAGHI, K. e PECK, R. B. Soil Mechanics in Engineering Practice. Nova York: Wiley, 1948.
U.S. DEPARTMENT OF THE NAvY, NAVAL Facilities Engineering Command. "Design Manual Soil Mechanics,
Foundations, and Earth Structures", NA VFAC DM-7, Washington, D.C., 1971.
9 Tensões in sítu

Como foi descrito no Capítulo 3, os solos são sistemas multifásicos. Em um determinado volume, as
partículas sólidas são distribuídas aleatoriarnente, com espaços vazios entre elas. Os espaços vazios
são contínuos e ocupados por água e/ou ar. Para analisar problemas (corno a compressibilidade dos
solos, a resistência das fundações, a estabilidade de taludes e a pressão lateral sobre as estruturas
de contenção de terra), é necessário conhecer a natureza da distribuição de tensão ao longo de urna
determinada seção transversal do perfil do solo. Podemos começar a análise considerando um solo
saturado sem percolação.

Tensô m so/o saturado semi percolação


A Figura 9.1 a mostra uma coluna de massa de solo saturado sem percolação de água em nenhuma
direção. A tensão total no nível do ponto A pode ser obtida a partir do peso específico saturado do solo
e da água acima dela. Assim,

a = H'y + (NA —11) 'Ysa t (9.1)

onde a = tensão total na elevação do ponto A


= peso específico da água
'Ysat= peso específico do solo saturado
H = altura do nível da água a partir do topo da coluna de solo
HA = distância entre o ponto A e o nível da água
A tensão total, a, resultante da Equação (9.1) pode ser dividida em duas partes:
1. Uma parte é suportada pela água nos espaços vazios contínuos. Esta parte atua com intensidade
igual em todas as direções.
2. O restante da tensão total é suportada pelos sólidos do solo em seus pontos de contato. A sorna
dos componentes verticais das forças exercidas nos pontos de contato das partículas sólidas por
unidade de área transversal da massa do solo é chamada de tensão efetiva.
Isso pode ser notado desenhando uma linha ondulada a—a através do ponto A, que passa somen-
te pelos pontos de contato das partículas sólidas. Considere que P1 , P21 P31 ..., P sejam forças que
atuam nos pontos de contato das partículas sólidas (Figura 9.1h). A soma dos componentes verticais
destas forças sobre a unidade da área transversal é igual à tensão efetiva a ou

l(v) + P2() + P3(V) + ... + P,


(9.2)
A
onde PI(,), P2(V), '3(v)'"' P, (V) são componentes verticais de P1 , P21 P31 ..., P, respectivamente, e
é a área transversal da massa do solo em questão.
Novamente, se a5 for a área transversal ocupada por contatos de sólido com sólido (ou seja,
as = a1 + a2 + a3 + + ao), então o espaço ocupado pela água é igual a (A - a5). Desta forma,
podemos ter
205
206 Fundamentos de engenharia geo técnica

• '::•. :
11,1
1 •
: Agua dos vazios

a..j Partícula sólida


'.

,.•-• -
ê.......
••:. -.. .• •-•.- .
Área da seção transversal - A
(a)

a1 a2 a3 a4
HH-
-. 4.

Figura 9. 1 (a) Considerações sobre a


1 tensão efetiva para uma coluna de solo
p2 '3 saturado sem percolação; (b) forças
Área da seção transversal = A que atuam nos pontos de contato das
(b) partículas do solo no nível do ponto Á

u( - a)
a=a'+ - =a+u(l —a) (9.3)
A

onde u = Hp = poropressão (ou seja, a pressão hidrostática em A)


= a/ = fração da área de seção transversal da massa de solo ocupada pelos contatos
de sólido com sólido

O valor de a' é extremamente pequeno e pode ser ignorado, pois a variação de pressão geralmen-
te apresenta problemas práticos. Portanto, a Equação (9.3) pode ser aproximada por

a = a1 + li (9.4)

onde u também é chamado de tensão neutra. Substituir a pela Equação (9.1) na Equação (9.4) resulta em

a' = [H + (HA - H) sa ] H,,-y,,


= (HA - H) (sat -
= (Altura da coluna do solo) x '-y' (9.5)

onde -y`= - é igual ao peso específico do solo submerso. Portanto, podemos ver que a tensão
efetiva em qualquer ponto A não depende da coluna de água H acima do solo submerso.
Tensões in situ 207

A Figura 9.2a mostra uma camada de solo submersa em um tanque onde não há percolação.
As Figuras 9.2b a 9.2d mostram gráficos das variações de tensão total, de poropressão (ou pressão
neutra) e de tensão efetiva, respectivamente, em função da profundidade de uma camada submersa de
solo colocada em um tanque sem percolação.
O princípio da tensão efetiva [Equação (9.4)] foi desenvolvido por Terzaghi (1925, 1936).
Skempton (1960) estendeu o trabalho de Terzaghi e propôs a relação entre tensão total e tensão efeti-
va na forma de Equação (9.3).
Em resumo, tensão efetiva é aproximadamente a força por unidade de área exercida pelo es-
queleto do solo. A tensão efetiva em uma massa de solo controla a alteração de seu volume e força.
Aumentar esta tensão induz o solo a assumir um estado mais denso de compactação.
O princípio da tensão efetiva é provavelmente o conceito mais importante na engenharia geo-
técnica. A compressibilidade e a resistência ao cisalhamento de um solo dependem, em grande parte,
de sua tensão efetiva. Portanto, este conceito é importante na solução de problemas da engenharia
geotécnica, como a pressão lateral da terra em estruturas de contenção, a capacidade de carga e o
recalque das fundações, bem como a estabilidade de taludes de terra.

--
=
7

H1 Á
4 4 i.._•
1
•..•.', •e.•-• 1.
Z

.J
H2 --
i ..... -.
-. ...

Válvula (fechada)

(a)

Tensão total, a Poropressão, u - Tensão efetiva, a'


op » o.

H1 _fi!'----------

H1 +z

P11 + 112
*— + H27sat -H -

Profundidade Profundidade Profundidade


(b) (e) (d)
Figura 9.2 (a) Camada de solo em um tanque onde não há percolação;
variação da (b) tensão total, (c) poropressão e (d) tensão efetiva em função da
profundidade para uma camada de solo submersa sem percolação.
208 Fundamentos de engenharia geotécnica

Na Equação (9.2), a tensão efetiva a' é definida como a soma dos componentes verticais de
todas as forças de contato intergranular sobre uma unidade de área da seção transversal bruta. Esta de-
finição é verdadeira principalmente para solos granulares. No entanto, para solos de granulação fina,
o contato intergranular pode não estar fisicamente presente, pois as partículas de argila são envoltas
por um filme de água firmemente coeso. De forma mais geral, a Equação (9.3) pode ser reescrita da
seguinte forma:

a = a + u(1 - as') - Á' + R' (9.6)

onde a g = tensão intergranular


A' = força de atração elétrica por unidade de área de seção transversal de solo
R' = força de repulsão elétrica por unidade de área de seção transversal de solo
Para solos granulares, siltes e argilas de baixa plasticidade, as magnitudes de A' e R' são pequenas.
Portanto, para fins práticos,

=° o — ii
o_is

Porém, se A' R' for grande, então a 5 :~-- a'. Tais situações podem ser encontradas na argila dispersa
altamente plástica. Foram feitas muitas interpretações no passado para diferenciar a tensão intergra-
nular da tensão efetiva. Em qualquer um dos casos, o princípio da tensão efetiva é uma ótima aproxi-
mação usada para solucionar problemas de engenharia.

ExemDlo 9.1
Um perfil de solo é mostrado na Figura 9.3. Calcule a tensão total, a poropressão (ou pressão neu-
tra) e a tensão efetiva nos pontos Á, B e C.

Areia seca
'Ydy = 16,5 kN/m3

Nível do lençol freático

Areia saturada
Ysat 19,25 kN/rn3
=

Areia seca 0 Areia saturada Argila

Figura 9.3 Perfil do solo


Tensões in situ 209

Solução
No ponto A,

Tensão total: cIA = O


Poropressão: UA = O
Tensão efetiva: cr = O

No ponto B,

= 6-yd(areia) 6 x 16,5 = 99 kN/m


UB = O kN/m2
UB
= 99—O = 99 kN/m2

No ponto C,

Orc = 6y, + 13'Ysa t( gila)


= 6 x 16,5 + 13 x 19,25
= 99 + 250,25 = 349,25 kN/m2
u= 13'y,= 13 x 9,81 = 127,53 kN/m2
= 349,25 - 127,53 = 221,72 kN/m2

Tensões em solos saturados com perco/ação


ascendente
Se houver percolação de água, a tensão efetiva em qualquer ponto de uma massa de solo será di-
ferente da tensão no caso estático. Esta tensão vai aumentar ou diminuir, dependendo da direção
da percolação.
A Figura 9.4a mostra uma camada de solo granular em um tanque onde a percolação ascendente
é causada pela adição de água pela válvula localizada no fundo do tanque. A vazão de água é mantida
constante. A perda de carga causada pela percolação ascendente entre os níveis A e B é h. Tendo em
mente que a tensão total em qualquer ponto da massa de solo é causada exclusivamente pelo peso do
solo e da água acima dele, descobrimos que os cálculos de tensão efetiva nos pontos A e B são:

Em A,
• Tensão total: cIA = H1'y,
• Poropressão: UA = H,-y,,
• Tensão efetiva: or = - UA = O

Em B,
• Tensão total: cTB = H,-y,,+ H2
• Poropressão: UB = (11i + H2 + h)
• Tensão efetiva: = uB - UB
= - h'y
=H2 y'—h'y,,
onde y' representa o peso específico submerso do solo.
Da mesma forma, a tensão efetiva em um ponto C, localizado a uma profundidade z abaixo da
superficie do solo, pode ser calculado da forma a seguir:
210 Fundamentos de engenharia geotécnica

H1
* A

IT -
z

iJH1iHiH -
TV Válvula (aberta)
Fluxo de entrada
(a)

Tensão total, u Poropressão, u Tensão efetiva, o-'


o o o

17 o
H1 H

(H1 + z + iz)7 - iz
H, +z -------t--------

Hi+H21 '—H-(Hi +H2+h)'y,,,


Hyy+H2'y -H H27'—hy,,*

Profundidade Profundidade Profundidade


(b) (c) (d)
Figura 9.4 (a) Camada desolo em um tanque com percolação ascendente.
Variação da (b) tensão total; (e) poropressão; e (d) tensão efetiva em função
da profundidade para uma camada de solo com percolação ascendente

Em C,

• Tensão total: a = H1-y + Z'ft

• Poropressão da água: u = [ ii1 + z +

• Tensão efetiva: o = -u

= zey, —') —

=zY ----z,yw
H2
Observe que WH2 é o gradiente hidráulico i causado pelo fluxo e, portanto,

01C = z'y' — iz (9.7)


Tensões in situ 211

As variações de tensão total, poropressão e tensão efetiva com a profundidade são iepresenta-
das nas Figuras 9.4b até 9.4d, respectivamente. A comparação entre as Figuras 9.2d e 9.3d mostra
que a tensão efetiva em um ponto localizado a uma profundidade z medida a partir da superficie de
uma camada de solo é reduzida a um valor iz, devido à percolação de água ascendente. Se a vazão
e, consequentemente, o gradiente hidráulico forem aumentando gradualmente, uma condição limite
será atingida, na qual

cr = z-y' crZ711 = O (9.8)

onde lcr = gradiente hidráulico crítico (para tensão efetiva nula).


Nesta situação, a estabilidade do solo é perdida. Esta situação geralmente é chamada de ebulição
ou condição movediça.
Da Equação (9.8),

7/ (9.9)
icr =

Para a maioria dos solos, o valor de cr varia de 0,9 a 1, 1, com uma média de 1.

Uma camada de 6 metros de espessura de argila saturada rígida é sustentada por uma camada de
areia (Figura 9.5). A areia está sob pressão artesiana. Calcule a profundidade máxima do corte H
que pode ser feito na argila.

7sat = 18,87 kN/rn


1
1 fl
'; '.•_,.'.I II •.•,•H'••1 s.. --
6rn

•_.#... 366m
b.,." 1.>.' •p. td... I.e.* be>.. 4.0 1
•:. ., •:. , •_-. ._ •:. •:. ;,•:. ._ •:. '•,' •:.
1 Á
1

122m
7 =1698kN/rn

Argila saturada E Areia

Figura 95

Solução
Devido à escavação, haverá redução da pressão geostática. Seja a profundidade do corte H, ponto
em que o fundo levantará. Consideremos a estabilidade do ponto A naquele momento:

UA = (6 - H)7sat(argila)
uA = 3,66 ,

(continua)
212 Fundamentos de engenharia geo técnica

Para que o levantamento ocorra, o deve ser O. Então

OIÁ- uA = (6 - H)'Ysat(argila) 3'66Yw


ou
(6— H)18,87 - (3,66)9,81
= (6)1887
, - (3,66)9,81
H= = 4,62m
18,87

1
Tensões em solos saturados com perco/ação
descendente
A condição de percolação descendente é mostrada na Figura 9.6a. O nível de água no tanque do solo
é mantido constante, ajustando o abastecimento na parte superior e o fluxo de saída na parte inferior.

Fluxo de
entrada
v
4'
A

- 1

T é.

Válvula (aberta)
Fluxo de
saída
(a)

Tensão total, a Poropressão, u Tensão efetiva, a'

;1r
ÇZ7w

Figura 9.6 (a) Camada de solo


em um tanque com percolação
H:H2 ________ descendente. Variação da (b)
- + H2at - (H1 + H, - h)y tensão total; (e) poropressão;
e (d) tensão efetiva em função
da profundidade para uma
Profundidade Profundidade Profundidade camada de solo com percolação
(b) (e) (d) descendente
Tensões in situ 213

O gradiente hidráulico causado pela percolação descendente é igual a i = h/H2. A tensão total, a
poropressão e a tensão efetiva em qualquer ponto C são, respectivamente,

uc = H1'1 + zysat
= (H + z - iz)"y
o-:: = (H1'y. + Z'Ysat) - ( H1 + z - iz) "
= z,y' + iz-y
As variações de tensão total, poropressão e tensão efetiva com a profundidade são representadas
nas Figuras de 9.6b até 9.6d.

Força da perco/ação
A seção anterior mostrou que o efeito da percolação é aumentar ou diminuir a tensão efetiva em um
ponto em uma camada do solo. Geralmente, é conveniente expressar a força de percolação por uni-
dade de volume do solo.
Na Figura 9.2 foi mostrado que, sem percolação, a tensão efetiva a uma profundidade z, medida a
partir da superficie da camada de solo no tanque, é igual a z'y'. Assim, a força efetiva em uma área A é

PI' = z71Á (9.10)

(A direção da força P í é mostrada na Figura 9.7a.)


Novamente, se houver uma percolação ascendente de água na direção vertical através da mesma
camada de solo (Figura 9.4), a força efetiva em uma área A, a uma profundidade z, poderá ser deter-
minada por
= (zy' - izy)A (9.11)

Volume do solo = zA

H1ê.
zy'A .. Z
1
--
(a)

Volume do solo = zA
Id ' '.. 4 '.. - •
Z
• •. e.' se.-.
(z7 / —lz7)A ..'.
Se
1
1 z7A
/ 's
". +
"•' •

izA = força de percolação

d • 4 4, -
z
-. I.. ' ' . 5, • s_'• -. s.''
1 = zy 'A ::•..: +
..'.' . -.
4.. ''

(z-y'+izy)A
'.-- ;4•.'•s':."
iz') A = força de percolação

(e)
Figura 9.7 Forças devidas a (a) falta de percolação; (b) percolação ascendente; (e) percolação
descendente em um volume de solo
214 Fundamentos de engenharia geo técnica

Consequentemente, a redução da força total devida à percolação é de

= izyA (9.12)

O volume de solo que contribui para a força efetiva é igual a zA. Assim, a força da percolação
por unidade de volume de solo é
f
1 P2 izyÁ
=1,yw (9.13)
(Volume do solo) - zÁ

A força por unidade de volume i neste caso, atua no sentido ascendente, ou seja, na direção
do fluxo. Essa força ascendente é demonstrada na Figura 9.7b. Da mesma forma, para o sentido des-
cendente, pode-se notar que a força de percolação, neste sentido, por unidade de volume de solo, é
j' (Figura 9.7c).
A partir das discussões anteriores, podemos concluir que a força de percolação por unidade de
volume de solo é igual a i-y,,, e que em solos isotrópicos a força atua na mesma direção que a do fluxo.
Esta afirmação é verdadeira para fluxos em qualquer direção. As redes de fluxo podem ser usadas
para encontrar o gradiente hidráulico em qualquer ponto e, assim, a força de percolação por unidade
de volume de solo.

Exemplo 9.3
Considere um fluxo ascendente de água através de uma camada de areia cm um tanque, como
mostra a Figura 9.8. Para a areia, são fornecidos os seguintes valores: índice de vazios(e) = 0,52
e peso específico relativo dos sólidos = 2,67.
a. Calcule a tensão total, a poropressão da água e a tensão efetiva nos pontos A e B.
b. Qual é a força de percolação ascendente por unidade de volume de solo?

Solução
Parte a
O peso específico saturado da areia é calculado da seguinte forma:

(G5 + e)7 - (2,67 + 0,52)9,81 = 20,59 kN/m


sat= 3
l+e - 1+0,52

Válvula (aberta)
Fluxo de
Figura 9.8 Fluxo de água ascendente
entrada
através de uma camada de areia em um
Areia tanque
Tensões in situ 215

Agora, a seguinte tabela pode ser criada:

Tensão efetiva,
Ponto Tensão total, o- (kN/m2) Poropressão u (kN/m2) o, = o- - u (kN/m2 )

A 0,7y,, + "Ysat = (0, 7) (9,81) 15 3,43


(1+0,7)+ -- (1) 'y
+ (1)(20,59) = 27,46
= (2,45)(9,8 1) = 24,03

B 0,7-y , + 2'YSat = (0,7)(9,81) (2 + 0,7 + l,S)y 6,85

+ (2) (20,59) = 48,05 = (4,2)(9,81) = 41,2

Parte b
Gradiente hidráulico (i) = 1,5/2 = 0,75. Portanto, a força de percolação por unidade de volume
pode ser calculada por

= (0,75) (9,81) = 7,36 kN/m3 .

Levantamento do solo em virtude do fluxo ao


redor de cortinas de estacas-prancha
A força de percolação por unidade de volume de solo pode ser utilizada para verificar possíveis falhas
nas cortinas de estacas-prancha onde a percolação subterrânea pode causar levantamento do solo no
lado de jusante (Figura 9.9a). Depois de realizar testes em vários modelos, Terzaghi (1922) concluiu
que o levantamento geralmente ocorre dentro de urna distância D12 a partir da cortina de estacas-
-prancha (onde D é igual à profundidade de cravarnento de estacas-prancha na camada permeável).
Portanto, precisamos analisar a estabilidade do solo em urna zona de medição D por D/2 na seção
transversal, como mostra a Figura 9.9b.

1 - Estaca-prancha

111
=
(
t &
L D
L
D
T
1V'

Figura 99 (a) Verificação de


T r' U
levantamento no lado de jusante para
urna linha de cortinas de estacas-
(a) (b) -prancha cravadas em uma camada
permeável; (b) ampliação da zona de
Zona de levantamento E Camada impermeável levantamento
216 Fundamentos de engenharia geotécnica

O fator de segurança contra o levantamento pode ser determinado por

FS=— (9.14)
U

onde FS = fator de segurança


W' = peso submerso do solo na zona de levantamento por unidade de comprimento de esta-
ca-prancha
U = força de levantamento causada pela percolação no mesmo volume de solo

Da Equação (9.13),

U = (Volume do solo) x (meci7w)D21med7w

onde Çied = gradiente hidráulico médio no fundo do bloco de solo (veja o Exemplo 9.4).
Substituindo os valores de W' e Una Equação (9.14), podemos escrever

FS = . (9.15)
1med'Yw

Para o caso de fluxo ao redor da cortina de estacas-prancha em um solo homogêneo, como


mostra a Figura 9.9, pode ser demonstrado que

=C (9.16)
0,57D(H1 —H2 )

onde C. é uma função de D/T (veja a Tabela 9.1). Assim, da Equação (9.14),

0,5D27' - D7'
FS= — = (9.17)
U O, 5C07D (H1 - H2 ) - C07 (H - H2)

Tabela 9.1 Variação de C0 com D/T


D/T C.

0,1 0,385
0,2 0,365
0,3 0,359
0,4 0,353
0,5 0,347
0,6 0,339
0,7 0,327
0,8 0,309
0,9 0,274
Tensões in situ 217

Exemplo 9.4
A Figura 9.10 mostra a rede de fluxo para percolação da água ao redor de uma única cortina de
estacas-prancha cravada em uma camada permeável. Calcule o fator de segurança contra levanta-
mento ajusante, dado que 'Sat para a camada permeável = 17,6 kN/m3. (Observação: espessura da
camada permeável T = 18,3 m.)

incha

Ii +
-- H2=1,52m
4

7sat = 17,6 kN/m3

Zona de levantamento E1 Camada impermeável


Figura 9. 10 Rede de fluxo para percolação de água ao redor de cortinas de estacas-prancha cravadas em
uma camada permeável

Solução
Apartir das dimensões dadas na Figura 9.10,0 prisma desolo a ser considerado é de 6,1 m x 3,05 m,
na seção transversal.
O prisma de solo é desenhado em uma escala ampliada na Figura 9.11. Com o uso da rede de
fluxo, podemos calcular a perda de carga através do prisma da seguinte forma:

• Em b, carga hidráulica de levantamento = (H1 - H2 )


• Em e, carga hidráulica de levantamento (H - H2 )
De forma semelhante, para outros pontos intermediários ao longo de bc, as cargas hidráulicas de
levantamento aproximadas foram calculadas e são mostradas na Figura 9.11.
O valor médio da perda de carga no prisma é de 0,36 (kf1 H2) e o gradiente hidráulico mé-
dio é de
0,36(H1 —H2 )
tmed =
D

Portanto, o fator de segurança [Equação (9.15)] é

FS= '
ly = 'Y 1D = (17,6— 9,81)6,1
= 1,76
1rncd'Yis' 0,36 (H1 - H 2 )7 0,36(9,15-1,52) x 9,81

(continua)
218 Fundamentos de engenharia geotécnica

a H305 m —*c/
-..-. ._.•-• '
-- -

Prisma de solo 6 1 rn

• - -
-..-.
•:.

; EJ 1
05
L

Média =0,36

Figura 9. 11 Prisma de solo-escala ampliada

Solução alternativa
Para este caso, D/T = 1/3. Da Tabela 9. 1, para D/T = 1/3, o valor de C0 = 0,357. Portanto, da
Equação (9.17),

D'y' = (6,1)(17,6 - 9,81)


FS = 1,78
C0 'y.(H, - H2 ) (0,357)(9,81)(9,15 —1,52) =

O uso de filtros para aumentar o fator de


segurança contra o levantamento
O fator de segurança contra o levantamento calculado no Exemplo 9.4 é baixo. Na prática, um fator
mínimo de cerca de 4 a 5 é necessário para a estabilidade da estrutura. Um fator alto de segurança
é recomendado principalmente porque os dados imprecisos são inerentes à análise. Um modo de
aumentar o fator de segurança contra o levantamento é usar um filtro a jusante da cortina de estacas-
-prancha (Figura 9.12a). Filtro é um material granular com aberturas pequenas o suficiente para im-
pedir o movimento das partículas de solo sobre o qual é colocado. Ao mesmo tempo, é penetrável e
oferece pouca resistência à percolação (veja a Seção 8.10). Na Figura 9.12a, a espessura do material
do filtro é D1. Neste caso, o fator de segurança contra levantamento pode ser calculado da forma
descrita a seguir (Figura 9.12b).
O peso do solo submerso e do filtro na zona de levantamento por unidade de comprimento das
estacas-prancha = W, + W'., onde

= (D)()('Ysat - -) =

= (Di )(]() =

em que 'y = peso específico efetivo do filtro.


Tensões in situ 219

+ k D/2
f-:-•;!'. W'F
v D1 • , -
4!

'•;s .-
7
_+------------
D1 .- Filtro
44 .»
is:

-s
S
jJ • •'

s:
•J • ,•
-' JS •

-. s..'• -. 1
_
-- â••.-

(a) (b)
Figura 9. 12 Fator de segurança contra levantamento, com filtro

A força de levantamento causada pela percolação no mesmo volume de solo é determinada por

U =

A relação anterior foi obtida na Seção 9.5.


O fator de segurança contra o levantamento é, portanto,

~ DI
= D' + D1D = ' +
= ' + J
FS (9.18)
U 1 2j y 1rnedYw
2

Os princípios para a seleção de materiais filtrantes foram determinados na Seção 8.10.


Se a Equação (9.16) for usada,

lD2YI+!DD,YI
= D'y 1 +D17
FS (9.19)
= 0,5 C0D(H1 - H2) C0 (H1 - H2)

O valor de C0 é determinado na Tabela 9.1.

Tensão efetiva em solos parcialmente saturados


Em solos parcialmente saturados, a água nos espaços vazios não é contínua, mas um sistema trifásico,
ou seja, com a presença de sólido, água e ar nos poros (Figura 9.13). Assim, a tensão total em qualquer
ponto do perfil do solo é constituída de tensão intergranular, tensão do ar nos poros e poropressão.
A partir dos resultados dos ensaios em laboratório, Bishop et al. (1960) obtiveram a seguinte equação
para a tensão efetiva em solos parcialmente saturados

o-' =OUa +X(U a Uw ) (9.20)

onde a = tensão efetiva


a = tensão total
U a = pressão de ar nos poros
= pressão de água nos poros
220 Fundamentos de engenharia geotécnica

Asno
poro r Partícula
sólida

: 1'

Água no
poro
Figura 9.13 Solo parcialmente saturado

Na Equação (9.20), x representa a fração de uma área transversal do solo ocupada pela água.
Para solo seco X = O e para solo saturado X = 1.
Bishop et ai. destacaram que os valores intermediários de X dependerão, em princípio, do grau
de saturação S. No entanto, esses valores também serão influenciados por fatores como a estrutura do
solo. A natureza da variação de X com o grau de saturação para um silte é mostrada na Figura 9.14.

1,0

0,8

0,6

0,4

0,2

0,0
O 20 40 60 80 100
Grau de saturação, S (%)

• Ensaio drenado
Figura 9.14 Relação entre o parâmetro X e o grau de saturação para
silte Bearhead. (Segundo Bishop et ai, 1960. Com permissão da ASCE.)
Tensões in situ 221

Ascensão capilar em solos


Os espaços vazios contínuos no solo podem se comportar como feixes de tubos capilares de seção
transversal variável. Devido à força de tensão superficial, a água pode passar da superfície freática.
A Figura 9.15 mostra o conceito fundamental da altura da ascensão em um tubo capilar. Esta
altura da água no tubo capilar pode ser determinada pela soma das forças na direção vertical, ou

ir
[d 2 ]hc yw = irdTcos a

4Tcos a
(9.21)
=
onde T = tensão superficial (força/comprimento)
a = ângulo de contato
d = diâmetro do tubo capilar
= peso específico da água

Para água pura e vidro limpo, a = 0. Portanto, a Equação (9.2 1) se transforma em

4T
h C (9.22)
d

Para água, T= 72 mN/m (ou 0,072 N/m). Da Equação (9.22), notamos que a altura da ascensão capilar é

(9.23)

Portanto, quanto menor for o diâmetro do tubo capilar, maior será a ascensão capilar.
Embora o conceito de ascensão capilar, como demonstrado por um tubo capilar ideal, possa
ser aplicado a solos, deve-se notar que os tubos capilares formados em solos devido à continuidade

T. 1,1 4T

n
a

\., 7 Pressão atmosférica

______ t
Tubo capilar » h Superficie
livre de água
Pressão

(a) (b)
Figura 9. 15 (a) Ascensão de água no tubo capilar; (b) pressão dentro da altura
de ascensão no tubo capilar (adotando a pressão atmosférica como referência)
222 Fundamentos de engenharia geo técnica

dos vazios têm seções transversais variáveis. Os resultados da não uniformidade na ascensão capilar
podem ser vistos quando uma coluna seca de solo arenoso é colocada em contato com a água (Figu-
ra 9.16). Após um determinado período, a variação do grau de saturação com a altura da coluna do
solo causada pela ascensão capilar é, aproximadamente, como mostra a Figura 9.16b. O grau de satu-
ração é de cerca de 100% até uma altura de h2, o que corresponde aos espaços vazios maiores. Além
da altura h2, a água pode ocupar apenas os espaços vazios menores e, consequentemente, o grau de
saturação é inferior a 100%. A altura máxima de ascensão capilar corresponde aos espaços vazios me-
nores. Hazen (1930) criou uma fórmula para a aproximação da altura da ascensão capilar em forma.

c
h, (mm) = - (9.24)
eD10

onde D10 = diâmetro efetivo (mm)


e = índice de vazios
C = uma constante que varia de 10 a 50 mm2

A Equação (9.24) apresenta uma abordagem semelhante à da Equação (9.23). Com a diminuição
de D10, o tamanho dos poros no solo diminui, o que aumenta a ascensão capilar. A Tabela 9.2 mostra
o intervalo aproximado de ascensão capilar encontrado em vários tipos de solo.

O 100
Grau de saturação (%)

(a) (b)

E Solo arenoso E Água


Figura 9. 16 Efeito capilar em solo arenoso: (a) uma coluna de solo em
contato com água; (b) variação do grau de saturação na coluna de solo

Tabela 9.2 Intervalo aproximado da ascensão capilar nos solos


Intervalo de ascensão capilar

Tipo de solo m

Areia grossa 0,1-0,2


Areia fina 0,3-1,2
Silte 0,75-7,5
Argila 7,5-23
Tensões in StLi 223

A ascensão capilar é importante na formação de alguns tipos de solo como o caliche, que pode
ser encontrado no deserto do sudeste dos Estados Unidos. O caliche é uma mistura de areia, silte e
pedregulhos ligados por depósitos calcários. Estes depósitos são trazidos à superfície pela migração
ascendente da água por ação capilar. A água evapora devido à alta temperatura local. Em razão da
escassez de chuvas, os carbonatos não são eliminados da camada superior do solo.

Tensão efetiva na zona de ascensão capilar


A relação geral entre tensão total, tensão efetiva e poropressão foi determinada na Equação (9.4) por
0. = 0.1+ U

A poropressão ti a um ponto em uma camada do solo completamente saturado pela ascensão


capilar é igual a -yJi (h = altura do ponto em questão, medida a partir do lençol freático), com a
pressão atmosférica tomada como referência. Se a saturação parcial é causada por ação capilar, pode
ser aproximada por

s
u= - (9.25)
100

onde S = grau de saturação, em percentagem.

Exemplo 9.5
Um perfil de solo é mostrado na Figura 9.17. São dados os seguintes valores: H1 = 1,83 m,
H2 = 0,91 m, I{3 = 1,83 m. Trace o gráfico da variação de a, ti e a' em função da profundidade.

(
- 2.65

Iwia de ascensão capilar


1-1,
c Grau de saturação = 5 50" o
Nível do lençol frcátieo
•i :--'. •.-:-.- :»:'.i :.'.I •.'
• .•... .••.• -•..• .••-.• ...-• ._.... _.... •.:
._,•:- •• •
•;•:. ,•'.. •.. •".............u' 42",o licor de umidade)
Gs 2,71

— '_-.• .'
e e e e e e e e

-. -': ;. - •.•,' . . -. -

Areia [II] Argila saturada Rocha


Figura 9.77

(continua)
224 Fundamentos de engenharia geo técnica

Solução
Determinação do peso especifico

Areia seca.

-(2,65)(9,81) = 17,33
Yd(areja) kN/m3
= 1+e - 1+ 0,5

Areia úmida:

(G5 + Se) 'y - [2,65 + (0,5) (0,5) ] 9,81 = 18,97 kN/m


(areia) = 3
1+ e - 1 +0,5

Argila saturada:

Gw —(2,71)(0,42) 1,1382
e=
S 1,0
(G5 + e) 'y,4, = ( 2,71 +1,1382)9,81 = 17,66 kN/m
'Ysai(argila) 3
1+ e 1+1,1382

Cálculo da tensão
Na superfície do solo (ou seja, no ponto A).
a=O
U
a' = a - u = O

À profundidade H1 (ou seja, no ponto B).

a = 'Yd(areia)(1'83) = (17,33)(1,83) = 31,71 kN/rn2


u = O (imediatamente acima)
u = - (S-yH2) = - (0,5)(9,81)(0,91) = —4,46 kN/m2 (imediatamente abaixo)
a'= 31,71 —0 = 31,71 kNIm2 (imediatamente acima)
U'= 31,71 - (-4,46) = 36,17 kNlm2 (imediatamente abaixo)

À profundidade H1 + H2 (ou seja, no ponto C):


a = (17,33)(1,83) + (18,97)(0,91) = 48,97 kN/m2
u=O
u' = 48,97-0 = 48,97 kN/m2

À profundidade H1 + H2 + H3 (ou seja, no ponto D):

a = 48,97 + (17,66)(1,83) = 81,29 kNIm2


u = 1,837ç= (1,83)(9,8 1) = 17,95 kN/m2
o,'= 81,29— 17,95 = 63,34 kN/m2

0 gráfico da variação de tensão é mostrado na Figura 9.18.


Tensões in situ 225

a (kN/m2) u (kN/m2) a' (kN/rn


0,0 00 > 0,0

0,0 171
1,83 —4,46 1,83 1,83 36,17

2,74 2,74 2,74 1 • 48,97

4,57 4,57 ... 4,57


29 17,95 63,34

Profundidade (m) Profundidade (m) Profundidade (m)

Figura 9. 18

L Resumo e comentários gerais


O princípio da tensão efetiva é provavelmente o mais importante na engenharia geotédnica. A com-
pressibilidade e a resistência ao cisalhamento de um solo dependem, em grande parte, deste tipo de
tensão. Portanto, o conceito de tensão efetiva é importante na solução de problemas da engenharia
geotécnica, como a pressão lateral da terra em estruturas de contenção, a capacidade de carga, o aden-
samento das fundações e a estabilidade de taludes de terra.
Na Equação (9.2), a tensão efetiva a" é definida como a soma dos componentes verticais de
todas as forças de contato intergranular sobre uma unidade de área da seção transversal bruta. Essa
definição é mais verdadeira para solos granulares. No entanto, para solos de granulação fina, o contato
intergranular pode não estar fisicamente presente, pois as partículas de argila são envoltas por um filme
de água firmemente coeso. De forma mais geral, a Equação (9.3) pode ser reescrita da seguinte forma

01 =a 5 +u(l—a)—A'+R' (9.26)

onde ajg = tensão intergranular


A'= força de atração elétrica por unidade de área de seção transversal de solo
R' = força de repulsão elétrica por unidade de área de seção transversal de solo
Para solos granulares, siltes e argilas de baixa plasticidade, as magnitudes de A' e R' são pequenas.
Assim, para todos os fins práticos,
aiga'R a—a

Porém, se A' R' for grande, então aig a'. Tais situações podem ser encontradas na argila dispersa
altamente plástica. Foram feitas muitas interpretações no passado para diferenciar a tensão intergra-
nular da tensão efetiva. Em qualquer um dos casos, o princípio da tensão efetiva é uma ótima aproxi-
mação usada para solucionar problemas de engenharia.

Problemas
9.1 a 9.5 Consulte a Figura 9.19. Calcule a, a ea'emA, B, C e D para os seguintes casos e deter-
mine as variações em função da profundidade. (Observação: e = índice de vazios, w = teor
de umidade, G5 = peso específico relativo dos sólidos do solo, Yd = peso específico seco e
'7sat = peso específico saturado.)
226 Fundamentos de engenharia geo técnica

Detalhes da camada de solo

Problema 1 II

9.1 H1 =l,5m H2 =1,83rn H3 =2,44m


Ya 17,6 kN/rn3 Ysat 18,87 kN/m3 'sat =
19,65 kN/1fl3
9.2 H1 =1,5m H2 =3,05rn H3 =2,74m
'Yd— 15,72 kN/m3 ')'sat 18,24 kN,'ni3 'sat=19,18 kN/m3
9.3 H1 =3m H2 =4m H3 =5m
15 kN/m3 16 kN/m3
Ysat= 'lsat =
18 kN/m3

9.4 H1 =4m H2 =5m H3 =3m


e=0,4 e=0,6 e=0,81
G= 2,62 G= 2,68 2,73

9.5 H1 =4m H2 =3rn H3 =1,5m


e=0,6 e=0,52 w=40%
G= 2,65 G= 2,68 e=1,1

H1 Camada 1

_L v Nível do lençol freático

H2 Camada II

C'
- 1 - • 1S -
H3 f Camada III
Li

1 - a

EI Areia seca 0 Areia Argila Pedra


Figura 9.19

9.6 Consulte o perfil do solo mostrado na Figura 9.20.


a. Calcule a variação de a, u e a' em função da profundidade.
b. Se o lençol freático sobe para a superficie do solo, qual é a alteração na tensão efetiva na
parte inferior da camada de argila?
c. Quantos metros o lençol freático deverá subir para diminuir a tensão efetiva para 15 kN/m2
na parte inferior da camada de argila?

9.7 Um furo de sondagem explanatória foi feito em urna argila dura saturada (veja a Figura 9.21).
Constatou-se que a camada de areia abaixo da argila estava sob pressão artesiana. O furo de son-
dagem subiu a uma altura de 3,66 m acima da superficie da camada de areia. Se uma escavação
aberta for feita na argila, qual a profundidade que poderá ser atingida antes que o fundo levante?

9.8 Um corte é feito em uma argila dura saturada sustentada por urna camada de areia. (veja a Figu-
ra 9.22.) Qual deve ser a altura da água h no corte para que a estabilidade da argila saturada não
seja perdida?
Tensões in situ 227

• . . •..•. • . . .• . . .
. . . .
1 •
..
e -0,52
5m
G=266

-— . - . • .; •.; . . - • y .: :. Nível do lençol freático


- - •
..-S. b,..••S.• b..'..-b..''I

'-'.'I '''.I ''-'.'I ''.d '_ ' I • _',' i ''.'." '.'_'.í e— 1,0
4m
G =275
-.•' __s •_s

•f. . f b
_+__

Areia seca Argila


Figura 9.20

Furo de sondagem exploratória


I• 1.'" Ie.'• be. I.. 4
v

•.; .L -
T -• "--' '-•-' '-.•--' '-' - '''-.•.
G=2,72
6,1 m - - -
• Teor de umidade — w=35%
—• ...% .... I. .. .
3,6 m • • -• • Id' •
1'_ lI - ia • - - 1
1. .'-. .•-' ,'-. ..-•. ..-. ...- ..-.
';-:. •:. '.,.-:
• :•. .....
t . é.
3,66m •• •. .........................•. ...... . • . . . :. . : .•

Argila saturada 0 Areia


Figura 9.21

.•-••
'Àrila saturada

• H=m
fl
-- . 1 --h
-:E-
7m
4,
- • - • - - • 30m

-- — -:
Areia ; • •
2m ..................• • .• •• •• .• ..............
psa = 1800 kg/m
4,

Figura 9.22

9.9 Consulte a Figura 9.4a. Se H,= 1,5 m, H2 = 2,5 m, h = 1,5 m, 'Sat = 18,6 kN/m3, condutividade
hidráulica da areia (k) = 0,12 cm/s e área do tanque = 0,45 m2, qual é a vazão ascendente da
água (m3/min)?
228 Fundamentos de engenharia geo técnica

9.10 Consulte a Figura 9.4a. São dados os valores: H1 = 1 m, H2 = 2 m, h = 1,2 m, índice de vazios
da areia (e) = 0,55, peso específico relativo dos sólidos no solo (G) = 2,68, área do tanque
= 0,5 m2 e condutividade hidráulica da areia = 0,1 cm/s.
a. Qual é a vazão ascendente?
b. Se h = 1,2 m, a condição movediça ocorrerá? Por quê?
c. Qual deve ser o valor de h para causar a condição movediça?

9.11 Encontre o fator de segurança contra levantamento no lado jusante da cortina única de estacas-
-prancha mostrada na Figura 8.7. (Observação: Espessura da camada permeável = 10 m e
profundidade da penetração da cortina de estacas-prancha = 6 m.) Considere sat = 19 kNIm3 .

9.12 até 9.13 Consulte a Figura 9.23. Para as seguintes variáveis, calcule e trace o gráfico a, u e a'
em função da profundidade.

Grau de saturação
na zona de ascensão
Problema I-I H H3 capilar, S (%)

9.12 2,44 m 1,22 m 2,13 m


9.13 5m 3m 3,5m 65

= 2,72
3 Ib i - - i I e095
t..'' *J•' •#''' ,.t*'

e e e

e e e e e

E Areia seca
ftIJ] Argila; zona de ascensão capilar
E Argila
E Rocha
Figura 9.23

Referências
Bisnop, A. W.; ALPAN, 1., BLIGHT, G. E. e DONALD, 1. B. "Factors Controlling the Strength of Partially Saturated
Cohesive Soils", Proceedings, Research Conference on Shear Strength ofCohesive Soils, ASCE, p. 502-532,
1960.
HAZEN, A. "Water Supply", in A,nerican Civil Engineering Handbook. Nova York: Wiley, 1930.
SKEMPTON, A. W. "Correspondence", Geotechnique, v. 10, n. 4, p. 186, 1960.
TERZAGHI, K. "Der GrundbruchanStauwerken und seine Verhütung", Die Wasserkraft, v. 17, p. 445-449, 1922.
TERZAGHI, K. Erdbaumechanik auf BodenphysikalischerGrundlage. Viena: Dueticke, 1925.
TERZAGHI, K. "Relation Between Soil Mechanics and Foundation Engineering: Presidential Address", Procee-
dings, First International Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, Boston, v. 3, p. 13-18,
1936.
TERZAGHI, K. e PECK, R. B. Soil Mechanics in Engineering Practice. Nova York: Wiley, 1948.
iii Tensões em uma massa de solo

A construção de uma fundação geralmente causa aumento na tensão média do solo. A tensão média no
solo depende da carga por unidade de área á qual a fundação está submetida, da profundidade abaixo
da fundação na qual a estimativa da tensão é desejada e de outros fatores. E necessário estimar o au-
mento da tensão vertical média no solo decorrente desta construção de tal forma que o recalque possa
ser calculado. O cálculo do recalque será discutido mais detalhadarnente no Capítulo 11. Este capítulo
aborda os princípios da estimativa do aumento da tensão vertical no solo causado por vários tipos de
carga, com base na teoria da elasticidade. Embora os depósitos naturais de solo, na maioria dos casos,
não sejam materiais totalmente elásticos, isotrópicos ou homogêneos, os cálculos usados para estimar
os aumentos na tensão vertical produzem resultados razoavelmente bons para o trabalho prático.

Tensões normais e de cisalhamento em


um plano
Alunos de mecânica dos solos estão familiarizados com os princípios fundamentais da mecânica de
sólidos deformáveis. Esta seção é uma breve revisão dos conceitos básicos das tensões normais e de
cisalhamento em um plano, que podem ser encontrados em qualquer curso de mecânica dos materiais.
A Figura 10.1 a mostra um elemento bidimensional do solo que está sendo submetido a esforços
normais e de cisalhamento (ar > ok). Para determinar estas tensões em um plano EF, que forma um
ângulo O com o plano AB, precisamos considerar o diagrama de corpo livre de EFB mostrado na Fi-
gura 10.1b. Sejam o e r, as tensões normal e de cisalhamento, respectivamente, no plano EF Com
base na geometria, sabemos que

EB = EFcosO (10.1)

FB=EFsenO (10.2)

Figura 10. 1 (a) Um elemento desolo


com as tensões normal e de cisalhamento
atuando sobre ele; (b) diagrama de corpo
(a) livre de EFB como mostrado em (a)

229
230 Fundamentos de engenharia geotécnica

Somando-se as componentes das forças que agem no elemento na direção de N e T, temos

a(EF) = a(EF) sen2 8 + a(EF) cos2 O + 27-,,(EF) sen8 cosO

ou

ci = cs sen2 O + a, cos2 O + 2'r senO cosO

ou

o- +o- a —a
2 + 2 X28+28 (10.3)

Novamente,

(EF) =—o(EF) senO cosO + a(EF) sen8 cosO


—r (EF) cos2 O + y (EF) seu2 O

ou

= a senO cos O - asenO cos O - r(cos2 O - sen2 O)

ou

= o- o-
sen 28 - cos 28 (10.4)
-

A partir da Equação (10.4), podemos ver que é possível escolher o valor de Ode tal forma que r
seja zero. Substituindo -r,, = 0, temos

tg2O = 2T (10.5)
Uy -

Para os valores fornecidos de r, a e uY, a Equação (10.5) fornece dois valores de 8, distintos de
90° um do outro. Isso significa que existem dois planos que são perpendiculares entre si, nos quais a
tensão de cisalhamento é igual a zero, chamados de planos principais. As tensões normais que atuam
nos planos principais são chamadas de tensões principais. Os valores das tensões principais podem
ser obtidas substituindo-se a Equação (10.5) na Equação (10.3), o que produz

Tensão principal maior:


2
or + a - a )l
+T 2 (10.6)
2 + 2

Tensão principal menor:

a,+a (a— a)l 2


a,,= a3 = _______ - 1 +T (10.7)
2 2 ]2
Tensões em urna massa de solo 231

A tensão normal e a tensão de cisalhamento que agem em qualquer plano podem também ser
determinadas traçando-se um círculo de Mohr, como mostra a Figura 10.2. As seguintes convenções
de sinais são utilizadas nos círculos de Mohr: as tensões normais de compressão são consideradas
positivas. As tensões de cisalhamento só são consideradas positivas se atuarem em faces opostas do
elemento, de tal modo que tendam a produzir uma rotação no sentido anti-horário.
No plano AD do elemento do solo mostrado na Figura 10.1 a, a tensão normal equivale a e
a tensão de cisalhamento equivale a +'r. No plano AB, a tensão normal é igual a +a e a tensão de
cisalhamento é igual a
Os pontos R e Mna Figura 10.2 representam as condições da tensão nos planos AD e AB, respec-
tivamente. O é o ponto de intersecção do eixo da tensão normal com a linha RM. O círculo MNQRS
traçado, tendo como centro o ponto O e raio OR, é o círculo de Mohr para as condições de tensões
consideradas. O raio deste círculo é igual a

2
f(a3, —a) 1
-Vil
2

A tensão no plano EF pode ser determinada movendo-se um ângulo 20 (que é duas vezes o ângulo
que o plano EF faz na direção anti-horária com o plano AB, na Figura 10.1 a) na direção anti-horária a
partir do ponto M, ao longo da circunferência do círculo de Mohr, para alcançar o ponto Q. A abscissa
e a ordenada do ponto Q, respectivamente, fornecem a tensão normal o- e a tensão de cisalhamento
no plano EF
Como as ordenadas (ou seja, as tensões de cisalhamento) dos pontos N e S são zero, elas re-
presentam as tensões nos planos principais. A abscissa do ponto N é igual a o [Equação (10.6)], e a
abscissa do ponto Sé a3 [Equação (10.7)].
Como um caso especial, se os planos AB e AD forem os planos principais maior e menor, a ten-
são normal e a tensão de cisalhamento no plano EF podem ser calculadas, considerando-se = 0.
As Equações (10.3) e (10.4) mostram que o, = ui e o cr3 (Figura 10.3a). Assim,

0, +a3
a = 1 +0 cos20 (10.8)
2 2

= O i 2 sen 20 (10.9

) Tensão normal, a

Figura 10.2 Princípios do círculo de Mohr


232 Fundamentos de engenharia geo técnica

0•1

o
o

O•3 U3 Tensão normal

1
o
19

0,1

(a) (b)
Figura 10.3 (a) Elemento de solo com AB e AD como planos principais maior e menor; (b) círculo
de Mohr para o elemento de solo mostrado em (a)

O círculo de Mohr para tais condições de tensão é mostrado na Figura 10.3b. A abscissa e a orde-
nada do ponto Q fornecem a tensão normal e a tensão de cisalhamento, respectivamente, no plano ER

Exemplo 10.1
Um elemento do solo é mostrado na Figura 10.4. As magnitudes das tensões são o = 96 kN/m2,
T= 38 kN/m2, cx = 120 kN/m2 e O = 200. Determine
a. As magnitudes das tensões principais
b. As tensões normais e de cisalhamento no plano AB. Utilize as Eqs. (10.3), (10.4), (10.6)
e(10.7).

Figura 10.4 Elemento de solo com tensões atuando sobre ele

Solução
Parte a
Das Eqs. (10.6) e (10. 7),
2
0'3laY_0X i[ - 1
Xj72
+I
0,1 2 2
Tensões em uma massa de solo 233

120+96 ±,j1209612 ±(38)2

a1 = 147,85 kN/m2
= 68,15 kN/m2

Parte b
Da Equação (10.3),
0,Y + U + -
01X
orn cos 20 + rsen20
2 2
120+96 120-96
cos (2 x 20) + (-38) sen(2 x 20)
- 2 + 2
= 92,76kN/m2

Da Equação (10.4),

0- , X
= sen 26— 'r cos 20
2
120 - 96
= sen(2 x 20)— (-38) cos (2 x 20)
2
=36,82kN1m2

O método do poio para encontrar as tensões ao


longo de um plano
Outra técnica importante para encontrar as tensões ao longo de um plano a partir do círculo de Mohr é
o método do polo ou método das origens dos planos. Esta técnica é mostrada na Figura 10.5. A Figura
10.5a é o mesmo elemento da Figura 10.1a. A Figura 10.5b é o círculo de Mohr para as condições de
tensão indicadas. De acordo com o método do poio, desenhamos uma linha paralela ao plano no qual

UX

'\Z c71
Tensão normal
E9

(a) (b)
Figura 10.5 (a) Elemento de solo com tensões normal e de cisalhamento atuando sobre ele;
(b) uso do método do poio para encontrar as tensões ao longo de um plano
234 Fundamentos de engenharia geotécnica

o estado da tensão atua, a partir de um ponto conhecido no círculo de Mohr. O ponto de intersecção
desta linha como círculo de Mohr é chamado polo e é o único para o estado de tensão considerado. Por
exemplo, o ponto Mno círculo de Mohr na Figura 10.5b representa as tensões no plano AB. A linha MP
é traçada paralela à linha AB. Assim, o ponto P é o polo (origem dos planos) neste caso. Se for preciso
encontrar as tensões em um plano EF, desenhamos uma linha do polo, paralela a EF O ponto de inter-
secção desta linha com o círculo de Mohr é o ponto Q. As coordenadas de Q fornecem as tensões no
plano EF (Observação: Da geometria, o ângulo QOM é duas vezes o ângulo QPM)

Exemplo 10.2
Para o elemento do solo sob tensão mostrado na Figura 10.6a, determine
a. A tensão principal maior
b. A tensão principal menor
c. As tensões normal e de cisalhamento no plano AE
Use o método do polo.

Tensão de cisalhamento
kN/m2
1035 kN/m2
414 kN/m2 —I—
D + c N(1035,
414)

Q
(414,207
62flIm2
) Tensão normal

M(621,14)

(a) (b)

Figura 10.6 (a) Elemento de solo com tensões atuando sobre ele; (b) círculo de Mohr

Solução
No plano AD:

Tensão normal = 621 kN/m2


Tensão de cisalhamento = —414 kN/m2
No plano AB:

Tensão normal = 1035 kN/m2


Tensão de cisalhamento = 414 kN/m2

O círculo de Mohr está traçado na Figura 10.6b. A partir do círculo,


Parte a

Tensão principal maior = 1291 kN/m2


Tensões em uma massa de solo 235

Parte b

Tensão principal menor = 365 kNlm2

Parte c
NP é a linha traçada paralela ao plano CD. P é o polo. PQ é traçado paralelo a ÁE (veja a Figura
10.6a). As coordenadas do ponto Q fornecem as tensões no plano AE. Assim,

Tensão normal = 414 kN/m2


Tensão de cisalhamento = 207 kN/m2

Tensões causadas por uma carga pontual


Boussinesq (1883) resolveu o problema das tensões produzidas como resultado de uma carga pontual
aplicada na superficie de um semiespaço infinitamente grande, em qualquer ponto de um meio ho-
mogêneo, elástico e isotrópico. De acordo com a Figura 10.7, a solução de Boussinesq para tensões
normais em um ponto causadas pela carga pontual P é

p í 3x2 z x2 - y2 y2z 11
La =- (10.10)
27rLL5(l2/)tLr2(L+)+_T]Í

P{2yz __2X2 x2zll


(1 (10.11)
2ijL5 -
2 Lr 2 (L+z) + L3r 2 ]Í

3Pz3 3P
-z - -L 5 = 2r (r 2 +Loz3z2)512
= 27r (10.12)

onde r = x2 +y2

L=x2+y2+z2 T2+2
= Coeficiente de Poisson

--
x

y
- - - - -----------------------------

Figura 10. 7 Tensões em um


meio elástico causadas por uma
Z carga pontual
236 Fundamentos de engenharia geo técnica

Observe que as Eqs. (10.10) e (10.11), que são expressões para tensões normais horizontais,
dependem do coeficiente de Poisson do meio. Entretanto, a relação para a tensão normal vertical
Auz dada pela Equação (10.12) é independente do coeficiente de Poisson. A relação para zo é
reescrita como

p 3
=-Jí
1 1 P
(10.13)
z2 2ir [(r/z)2 + 1]5/2 j

onde

1
= (10.14)
2ir
,ff [(r + 115/2

A variação de 11 para diversos valores de rlz é mostrada na Tabela 10.1.

Tabela 10.1 Variação deI1 para diversos valores de r/z [Equação (10.14)]

riz 1 riz 11 rlz I


O 0,4775 0,36 0,3521 1,80 0,0129
0,02 0,4770 0,38 0,3408 2,00 0,0085
0,04 0,4756 0,40 0,3294 2,20 0,0058
0,06 0,4732 0,45 0,3011 2,40 0,0040
0,08 0,4699 0,50 0,2733 2,60 0,0029
0,10 0,4657 0,55 0,2466 2,80 0,0021
0,12 0,4607 0,60 0,2214 3,00 0,0015
0,14 0,4548 0,65 0,1978 3,20 0,0011
0,16 0,4482 0,70 0,1762 3,40 0,00085
0,18 0,4409 0,75 0,1565 3,60 0,00066
0,20 0,4329 0,80 0,1386 3,80 0,00051
0,22 0,4242 0,85 0,1226 4,00 0,00040
0,24 0,4151 0,90 0,1083 4,20 0,00032
0,26 0,4054 0,95 0,0956 4,40 0,00026
0,28 0,3954 1,00 0,0844 4,60 0,00021
0,30 0,3849 1,20 0,0513 4,80 0,00017
0,32 0,3742 1,40 0,0317 5,00 0,00014
0,34 0,3632 1,60 0,0200

Exemplo 10.3
Considere uma carga pontual P = 5 kN (Figura 10.7). Calcule o aumento da tensão vertical (cr)
a z = 0, 2 m, 4 m, 6 m, l0me20m. Dados: x=3mey=4m.

Solução

r=x2+y2 = 32+42 =5m


Tensões em uma massa de solo 237

A tabela seguinte pode agora ser preparada.

P
r z -r Z2

(ml (m) Z
(kN/m2)

5 O 00 O O
2 2,5 0,0034 0,0043
4 1,25 0,0424 0,0133
6 0,83 0,1295 0,0180
10 0,5 0,2733 0,0137
20 025 04103 00051

LL Tensão vertical causada por uma linha de


carga vertical
A Figura 10.8 mostra uma linha de carga vertical flexível de comprimento infinito, que possui inten-
sidade q por unidade de comprimento, na superficie de uma massa de solo semi-infinita. O aumento
da tensão vertical Lo dentro da massa de solo pode ser determinado utilizando-se os princípios da
teoria da elasticidade, ou

2 qz
Lcr= (10.15)
ir (x2 + z 2 )2

Esta equação pode ser reescrita como

2q
7rz[(x/z)2 + 112

ou

Au 2
(10.16)
(qiz) - 'ir[(x/z)2 + 112

qlUnidade de comprimento

rr--.
. '.'I i .•_-'.1

Ao
Z

1
Figura 10.8 Linha de carga sobre
a superficie de uma massa de solo
2 semi-infmita
238 Fundamentos de engenharia geo técnica

Observe que a Equação (10.16) está em uma forma adimensional. Usando esta equação, podemos cal-
cular a variação de &r/(q/z) com xlz. Isso é mostrado na Tabela 10.2. O valor de Ao calculado por
meio da Equação (10.16) corresponde à tensão adicional no solo causada pela linha de carga. O valor
de Lo não inclui a pressão da sobrecarga do solo sobre o ponto Á.

Tabela 10.2 Variação de of(q/z) com xlz [Equação (10.16)]

xlz A.oI(qlz) X/Z iI(q/z)

o 0,637 1,3 0,088


0,1 0,624 1,4 0,073
0,2 0,589 1,5 0,060
0,3 0,536 1,6 0,050
0,4 0,473 1,7 0,042
0,5 0,407 1,8 0,035
0,6 0,344 1,9 0,030
0,7 0,287 2,0 0,025
0,8 0,237 2,2 0,019
0,9 0,194 2,4 0,014
1,0 0,159 2,6 0,011
1,1 0,130 2,8 0,008
1,2 0,107 3,0 0,006

Exemplo 10.4
A Figura 10.9a mostra duas linhas de carga na superficie do solo. Determine o aumento da tensão
no ponto A.

14,6 kN/m q1 = 7,3 kN/m

15m 15m

T
•Á +
(a)

7,3 kN/m 14,6 kN/m

x1 .. x2
_'. • .•__'.;i
-.
17z(1

+
1,5m 3m

z VA

(b)

Figura 109 (a) Duas linhas de carga na superficie do solo; (b) uso do princípio da sobreposição para obter
a tensão no ponto A
Tensões em uma massa de solo 239

Solução
Consulte a Figura 10.9b. A tensão total em Á é

= 60'z(l) + z(2)
- 2q1z 3 - (2)(7,3)(1,2) = 0,59 i2
- ir (x + z2)2 - «1,52 + 1,22)2
- 2q2z 3 - (2)(14,6)(1,2) = 0,147 kN/m2
- ir (x + z2)2 - «32 + 1,2)2 2
Auz = 0,59 + 0,147 = 0,737 kN/m2

Tensão vertical causada por uma linha de


carga horizontal
A Figura 10.10 mostra uma linha de carga flexível horizontal na superfície de uma massa de solo
semi-infinita. O aumento da tensão vertical no ponto A, nesta massa, pode ser dada como

(10.17)
W (x2 +z 2 )2

A Tabela 10.3 fornece a variação de L\o/(q/z) com x/z.

q/ Unidade de comprimento
;•:.

Figura 10. 10 Linha de carga horizontal sobre a


superficie de uma massa de solo semi-infinita

Tabela 10.3 Variação de z.a/(q/z) com x/z

xlz .al(qlz} x/z oI(q/z)

o O 0,7 0,201
0,1 0,062 0,8 0,189
0,2 0,118 0,9 0,175
0,3 0,161 1,0 0,159
0,4 0,189 1,5 0,090
0,5 0,204 2,0 0,051
0,6 0,207 3,0 0,019
240 Fundamentos de engenharia geotécnica

Exemølo 10.5
Uma carga de linha inclinada com magnitude de 14,6 kN/m é mostrada na Figura 10.11. Determine
o aumento da tensão vertical Lo no ponto Á decorrente da linha de carga.

14,6 kN/m
200

1,5m
: x
1,2 m
Á.1

Z
Figura 10.11

Solução
Considere o componente vertical da carga inclinada q= 14,6 cos 20 = 13,72 kN/m e o compo-
nente horizontal q = 14,6 sen 20 = 5 kN/m. No ponto Á, x/z = 1,5/1,2 = 1,25. Usando a Tabe-
la 10.2, o aumento da tensão vertical no ponto Á devido a q é de

LcT z( =
0,098

= (O,O9S)Í--) = (0,098)Í_!i1 = 1,12 kN/m2


Z ) l,2)

Usando a Tabela 10.3 de forma similar, o aumento da tensão vertical no ponto A devido a q11 é de

LcT ff'
= O 125
~ qH
Z

z(V) = (0125)[__J = 0,52 kN/m2

Portanto, o total é de
Ao,Z z(J)) +.Uz(JJ) = 1,12 + 0,52 = 1,64 kN/m2

M7M Tensão vertical causada por uma faixa de carga


vertical (largura finita e comprimento infinito)
A equação fundamental para o aumento da tensão vertical de um ponto em uma massa de solo,
como resultado de uma linha de carga (Seção 10.4), pode ser usada para determinar a tensão ver-
Tensões em uma massa de solo 241

tical em um ponto causada por uma faixa de carga flexível de largura B. (Veja a Figura 10.12.)
Suponha a carga por unidade de área da faixa mostrada na Figura 10.12 como sendo igual a q. Se
considerarmos uma faixa elementar de largura dr, a carga por unidade de comprimento para ela
é igual a q dr Esta faixa elementar pode ser tratada como uma linha de carga. A Equação (10.15)
dá o aumento da tensão vertical dcr no ponto Á, dentro da massa de solo causada por esta faixa
elementar de carga. Para calcular o aumento da tensão vertical, é necessário substituir q dr por q e
(x r) por x. Portanto,
-

= 2(q dr)z3
da (10.18)
7r[(x-r)2 +z2 ii 2

O aumento total na tensão vertical (&r) no ponto Á causado pela faixa de carga inteira de largura B
pode ser determinado pela integração da Equação (10.18), com os limites de r variando entre -B/2 e
+B/2, ou

=
= r +B/2 Íq) { z3
+ 22 dr
J-B/2 J [(x - r)2 }
tg-j[
=-9~ l-tg '[_z 1 (10.19)
1x-(B12)i [x+(B/2)I

- Bz[x2 - - (B2 /4)]


[x2 + Z -(B2 /4)] 2 + B 2 z2

A Tabela 10.4 mostra a variação de LïcrJq com 2z/B para 2x/B. Esta tabela pode ser utilizada
convenientemente para o cálculo da tensão vertical causada por uma faixa de carga flexível, em um
determinado ponto.

B
q = Carga por unidade de área

;..

x-r

Figura 10. 12 Tensão vertical causada por uma faixa de carga


flexível
242 Fundamentos de engenharia geo técnica

Tabela lOA Variação de o/q com 2z/B e 2x/B [Equação (10.19)]


2x/B
2z18 0,0 0.1 0,2 0.3 0.4 0.5 0,6 0.7 0.8 0.9 1.0
0,00 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 1,000 0,000
0,10 1,000 1,000 0,999 0,999 0,999 0,998 0,997 0,993 0,980 0,909 0,500
0,20 0,997 0,997 0,996 0,995 0,992 0,988 0,979 0,959 0,909 0,775 0,500
0,30 0,990 0,989 0,987 0,984 0,978 0,967 0,947 0,908 0,833 0,697 0,499
0,40 0,977 0,976 0,973 0,966 0,955 0,937 0,906 0,855 0,773 0,651 0,498
0,50 0,959 0,958 0,953 0,943 0,927 0,902 0,864 0,808 0,727 0,620 0,497
0,60 0,937 0,935 0,928 0,915 0,896 0,866 0,825 0,767 0,691 0,598 0,495
0,70 0,910 0,908 0,899 0,885 0,863 0,831 0,788 0,732 0,662 0,581 0,492
0,80 0,881 0,878 0,869 0,853 0,829 0,797 0,755 0,701 0,638 0,566 0,489
0,90 0,850 0,847 0,837 0,821 0,797 0,765 0,724 0,675 0,617 0,552 0,485
1,00 0,818 0,815 0,805 0,789 0,766 0,735 0,696 0,650 0,598 0,540 0,480
1,10 0,787 0,783 0,774 0,758 0,735 0,706 0,670 0,628 0,580 0,529 0,474
1,20 0,755 0,752 0,743 0,728 0,707 0,679 0,646 0,607 0,564 0,517 0,468
1,30 0,725 0,722 0,714 0,699 0,679 0,654 0,623 0,588 0,548 0,506 0,462
1,40 0,696 0693 0,685 0,672 0,653 0,630 0,602 0,569 0,534 0,495 0,455
1,50 0,668 0,666 0,658 0,646 0,629 0,607 0,581 0,552 0,519 0,484 0,448
1,60 0,642 0,639 0,633 0,621 0,605 0,586 0,562 0,535 0,506 0,474 0,440
1,70 0,617 0,615 0,608 0,598 0,583 0,565 0,544 0,519 0,492 0,463 0,433
1,80 0,593 0,591 0,585 0,576 0,563 0,546 0,526 0,504 0,479 0,453 0,425
1,90 0,571 0,569 0,564 0,555 0,543 0,528 0,510 0,489 0,467 0,443 0,417
2,00 0,550 0,548 0,543 0,535 0,524 0,510 0,494 0,475 0,455 0,433 0,409
2,10 0,530 0,529 0,524 0,517 0,507 0,494 0,479 0,462 0,443 0,423 0,401
2,20 0,511 0,510 0,506 0,499 0,490 0,479 0,465 0,449 0,432 0,413 0,393
2,30 0,494 0,493 0,489 0,483 0,474 0,464 0,451 0,437 0,421 0,404 0,385
2,40 0,477 0,476 0,473 0,467 0,460 0,450 0,438 0,425 0,410 0,395 0,378
2,50 0,462 0,461 0,458 0,452 0,445 0,436 0,426 0,414 0,400 0,386 0,370
2,60 0,447 0,446 0,443 0,439 0,432 0,424 0,414 0,403 0,390 0,377 0,363
2,70 0,433 0,432 0,430 0,425 0,419 0,412 0,403 0,393 0,381 0,369 0,355
2,80 0,420 0,419 0,417 0,413 0,407 0,400 0,392 0,383 0,372 0,360 0,348
2,90 0,408 0,407 0,405 0,401 0,396 0,389 0,382 0,373 0,363 0,352 0,341
3,00 0,396 0,395 0,393 0,390 0,385 0,379 0,372 0,364 0,355 0,345 0,334
3,10 0,385 0,384 0,382 0,379 0,375 0,369 0,363 0,355 0,347 0,337 0,327
3,20 0,374 0,373 0,372 0,369 0,365 0,360 0,354 0,347 0,339 0,330 0,321
3,30 0,364 0,363 0,362 0,359 0,355 0,351 0,345 0,339 0,331 0,323 0,315
3,40 0,354 0,354 0,352 0,350 0,346 0,342 0,337 0,331 0,324 0,316 0,308
3,50 0,345 0,345 0,343 0,341 0,338 0,334 0,329 0,323 0,317 0,310 0,302
3,60 0,337 0,336 0,335 0,333 0,330 0,326 0,321 0,316 0,310 0,304 0,297
3,70 0,328 0,328 0,327 0,325 0,322 0,318 0,314 0,309 0,304 0,298 0,291
3,80 0,320 0,320 0,319 0,317 0,315 0,311 0,307 0,303 0,297 0,292 0,285
3,90 0,313 0,313 0,312 0,310 0,307 0,304 0,301 0,296 0,291 0,286 0,280
4,00 0,306 0,305 0,304 0,303 0,301 0,298 0,294 0,290 0,285 0,280 0,275
4,10 0,299 0,299 0,298 0,296 0,294 0,291 0,288 0,284 0,280 0,275 0,270
4,20 0,292 0,292 0,291 0,290 0,288 0,285 0,282 0,278 0,274 0,270 0,265
4,30 0,286 0,286 0,285 0,283 0,282 0,279 0,276 0,273 0,269 0,265 0,260
4,40 0,280 0,280 0,279 0,278 0,276 0,274 0,271 0,268 0,264 0,260 0,256
4,50 0,274 0,274 0,273 0,272 0,270 0,268 0,266 0,263 0,259 0,255 0,251
4,60 0,268 0,268 0,268 0,266 0,265 0,263 0,260 0,258 0,254 0,251 0,247
4,70 0,263 0,263 0,262 0,261 0,260 0,258 0,255 0,253 0,250 0,246 0,243
4,80 0,258 0,258 0,257 0,256 0,255 0,253 0,251 0,248 0,245 0,242 0,239
4,90 0,253 0,253 0,252 0,251 0,250 0,248 0,246 0,244 0,241 0,238 0,235
5,00 0,248 0,248 0,247 0,246 0,245 0,244 0,242 0,239 0,237 0,234 0,231
Tensões em uma massa de solo 243

Tabela 10.4 (continuação)


2x/B

2z/8 1,1 1,2 1,3 1,4 1.5 1,6 1.7 1.8 1.9 2,0
0,00 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000
0,10 0,091 0,020 0,007 0,003 0,002 0,001 0,001 0,000 0,000 0,000
0,20 0,225 0,091 0,040 0,020 0,011 0,007 0,004 0,003 0,002 0,002
0,30 0,301 0,165 0,090 0,052 0,031 0,020 0,013 0,009 0,007 0,005
0,40 0,346 0,224 0,141 0,090 0,059 0,040 0,027 0,020 0,014 0,011
0,50 0,373 0,267 0,185 0,128 0,089 0,063 0,046 0,034 0,025 0,019
0,60 0,391 0,298 0,222 0,163 0,120 0,088 0,066 0,050 0,038 0,030
0,70 0,403 0,321 0,250 0,193 0,148 0,113 0,087 0,068 0,053 0,042
0,80 0,411 0,338 0,273 0,218 0,173 0,137 0,108 0,086 0,069 0,056
0,90 0,416 0,351 0,291 0,239 0,195 0,158 0,128 0,104 0,085 0,070
1,00 0,419 0,360 0,305 0,256 0,214 0,177 0,147 0,122 0,101 0,084
1,10 0,420 0,366 0,316 0,271 0,230 0,194 0,164 0,138 0,116 0,098
1,20 0,419 0,371 0,325 0,282 0,243 0,209 0,178 0,152 0,130 0,111
1,30 0,417 0,373 0,331 0,291 0,254 0,221 0,191 0,166 0,143 0,123
1,40 0,414 0,374 0,335 0,298 0,263 0,232 0,203 0,177 0,155 0,135
1,50 0,411 0,374 0,338 0,303 0,271 0,240 0,213 0,188 0,165 0,146
1,60 0,407 0,373 0,339 0,307 0,276 0,248 0,221 0,197 0,175 0,155
1,70 0,402 0,370 0,339 0,309 0,281 0,254 0,228 0,205 0,183 0,164
1,80 0,396 0,368 0,339 0,311 0,284 0,258 0,234 0,212 0,191 0,172
1,90 0,391 0,364 0,338 0,312 0,286 0,262 0,239 0,217 0,197 0,179
2,00 0,385 0,360 0,336 0,311 0,288 0,265 0,243 0,222 0,203 0,185
2,10 0,379 0,356 0,333 0,311 0,288 0,267 0,246 0,226 0,208 0,190
2,20 0,373 0,352 0,330 0,309 0,288 0,268 0,248 0,229 0,212 0,195
2,30 0,366 0,347 0,327 0,307 0,288 0,268 0,250 0,232 0,215 0,199
2,40 0,360 0,342 0,323 0,305 0,287 0,268 0,251 0,234 0,217 0,202
2,50 0,354 0,337 0,320 0,302 0,285 0,268 0,251 0,235 0,220 0,205
2,60 0,347 0,332 0,316 0,299 0,283 0,267 0,251 0,236 0,221 0,207
2,70 0,341 0,327 0,312 0,296 0,281 0,266 0,251 0,236 0,222 0,208
2,80 0,335 0,321 0,307 0,293 0,279 0,265 0,250 0,236 0,223 0,210
2,90 0,329 0,316 0,303 0,290 0,276 0,263 0,249 0,236 0,223 0,211
3,00 0,323 0,311 0,299 0,286 0,274 0,261 0,248 0,236 0,223 0,211
3,10 0,317 0,306 0,294 0,283 0,271 0,259 0,247 0,235 0,223 0,212
3,20 0,311 0,301 0,290 0,279 0,268 0,256 0,245 0,234 0,223 0,212
3,30 0,305 0,296 0,286 0,275 0,265 0,254 0,243 0,232 0,222 0,211
3,40 0,300 0,291 0,281 0,271 0,261 0,251 0,241 0,231 0,221 0,211
3,50 0,294 0,286 0,277 0,268 0,258 0,249 0,239 0,229 0,220 0,210
3,60 0,289 0,281 0,273 0,264 0,255 0,246 0,237 0,228 0,218 0,209
3,70 0,284 0,276 0,268 0,260 0,252 0,243 0,235 0,226 0,217 0,208
3,80 0,279 0,272 0,264 0,256 0,249 0,240 0,232 0,224 0,216 0,207
3,90 0,274 0,267 0,260 0,253 0,245 0,238 0,230 0,222 0,214 0,206
4,00 0,269 0,263 0,256 0,249 0,242 0,235 0,227 0,220 0,212 0,205
4,10 0,264 0,258 0,252 0,246 0,239 0,232 0,225 0,218 0,211 0,203
4,20 0,260 0,254 0,248 0,242 0,236 0,229 0,222 0,216 0,209 0,202
4,30 0,255 0,250 0,244 0,239 0,233 0,226 0,220 0,213 0,207 0,200
4,40 0,251 0,246 0,241 0,235 0,229 0,224 0,217 0,211 0,205 0,199
4,50 0,247 0,242 0,237 0,232 0,226 0,221 0,215 0,209 0,203 0,197
4,60 0,243 0,238 0,234 0,229 0,223 0,218 0,212 0,207 0,201 0,195
4,70 0,239 0,235 0,230 0,225 0,220 0,215 0,210 0,205 0,199 0,194
4,80 0,235 0,231 0,227 0,222 0,217 0,213 0,208 0,202 0,197 0,192
4,90 0,231 0,227 0,223 0,219 0,215 0,210 0,205 0,200 0,195 0,190
5,00 0,227 0,224 0,220 0,216 0,212 0,207 0,203 0,198 0,193 0,188
244 Fundamentos de engenharia geo técnica

1 Tensão vertical devida ao carregamento de


um aterro
A Figura 10.14 mostra a seção transversal de um aterro de altura H. Para esta condição de carrega-
mento bidimensional, o aumento da tensão vertical pode ser expresso como

S0_ ~B j +B2 ) B1 1
+a2)--(a2 )! (10.20)
B j B2
j

onde q0 = 'YH
= peso específico do solo do aterro

H = altura do aterro
(B1 +B2 ) _1 ÍB1 )
c 1 (radianos) = I-tg —1 (10.21)
z ) z)

(B
2 =tgj (10.22)
zJ

Exemplo 10.6
Com referência à Figura 10. 12, são dados q = 200 kN/m2, B =6 me z =3 m.Determine o aumen-
to da tensão vertical em x = ±9, ±6, ±3 e O m. Trace o gráfico de Ao em relação a x.
Solução
A seguinte tabela pode ser elaborada:

x(m) 2x/8 2zI8 o- /q Aa,I (kN/m2)

±9 ±3 1 0,017 3,4
±6 ±2 1 0,084 16,8
±3 ±1 1 0,480 96,0
O O 1 0,818 163,6
"Da Tabela 10.4
"q = 200 kN/m2

O gráfico de Ao em relação a é mostrado na Figura 10.13.

200

160

120

80

40

o
-10 -8 -6 -4 -2 O 2 4 6 8 10 Figura 10. 13 Gráfico de Aor.em
(m) relação à distância x .
Tensões em uma massa de solo 245

( B2 B1

TI
JJL::
-- Figura 10 14 Carregamento do aterro

Para a derivação completa da equação, veja Das (2008). Uma forma simplificada da Equação (10.20) é
Loq0 I2 (10.23)
onde 12 = uma função de B1/z e B2/z.
A variação de 12 com B1 /z e B2/z é mostrado na Figura 10.15 (Osterberg, 1957).

0,50
3,0
2,0
1,6
1,4
0,45
1,2

1,0
0,40 0,9
0,8

0,7
0,35
0,6

0,30 0,5

0,4
-. 0,25

0,3 /
0,20

0,2

0,15

0,1
0,10

0,05 B1 /z = O

Ii Figura 10. 15
Gráfico de Osterberg
0,00 i-l-- para a determinação da
0,01 0,1 1,0 10,0 tensão vertical devida ao
B2 /z carregamento do aterro
246 Fundamentos de engenharia geotécnica

Exemplo 107
Um aterro é mostrado na Figura 10.1 6a. Determine o aumento da tensão sob o aterro no ponto A.

IV. 1,5H lOm IV-.2H


= 18 kN/m3

6m
cr z.A
-+- (a)

4- 15m 6m 20m

IOM

(b)

Figura 10.16

Solução
Consulte as Figuras 10.16b e e.

No ponto Á:

5. = az(I) - z(2)
q0(l) = q0(2) = ( 10)(18) = 180 kN/m2

Da Fig. 10.16h, B1 = 21 m e B2 = 20 m. Assim,

= = 3,5
z 6
= = 3,33
z 6
Tensões em uma massa de solo 247

Da Fig. 10. 15, 12(1) 0,495. Novamente, da Fig. 10.16c, B1 = O e B2 = 15 m. Assim,

o
z 6
B2 15
z 6

Da Fig. 10. 15, 12(2) 0,39. Consequentemente,

z(i) - Z(2) = q0(1)12(1) - q0(2)12(2) = 180 [0,490 - 0,39] = 18,9 kN/m2

Tensão vertical abaixo do centro de uma


área circular uníformemente carregada
Usando a solução de Boussinesq para a tensão vertical Auz causada por uma carga pontual [Equação
(10. 12)], é possível desenvolver uma expressão envolvendo a tensão vertical abaixo do centro de uma
área circular flexível uniformemente carregada.
Da Figura 10. 17, adotamos que a intensidade da pressão da área circular com raio R é igual a q.
A carga total na área elementar (área sombreada na figura) é igual a qr dr da. A tensão vertical do', no
ponto A, causada pela carga da área elementar (que podemos presumir como sendo a carga concen-
trada) pode ser obtida da Equação (10.12):

= 3 (qr dr do) z3
duz
27r (r 2 + z2
712 (10.24)

Carga por unidade de área = q

Figura 10. 17 Tensão vertical abaixo do centro de


uma área circular flexível uniformemente carregada
248 Fundamentos de engenharia geo técnica

O aumento da tensão no ponto Á causado pela área carregada inteira pode ser obtido pela inte-
gração da Equação (10.24):

a=2ir r=R 3q
AUZ fd dr da
= L0 fr=O 2 (r2 + z)
2 5/2

Portanto,

Auz = q {i [(RIz) (10.25)


2 + 113/2 }

A variação de Lx/q com zIR, como obtido da Equação (10.25), é dada na Tabela 10.5. A Figu-
ra 10.18 mostra um gráfico desta variação. O valor de zo diminui rapidamente em função da pro-
fundidade e, em z = 5R, tem cerca de 6% de q, que é a intensidade da pressão na superficie do solo.

Tabela 10.5 Variação de oIq com zIR [Equação (10.25)]


zIR AUZIq zIR ho-lq

o i 1,0 0,6465
0,02 0,9999 1,5 0,4240
0,05 0,9998 2,0 0,2845
0,10 0,9990 2,5 0,1996
0,2 0,9925 3,0 0,1462
0,4 0,9488 4,0 0,0869
0,5 0,9106 5,0 0,0571
0,8 0,7562

z
R 3

0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0

Figura 10. 18 Tensão abaixo do centro de uma


q área circular flexível uniformemente carregada
Tensões em uma massa de solo 249

Tensão vertical em qualquer ponto abaixo de


uma área cfrcular uniformemente carregada
Uma tabela detalhada para o cálculo da tensão vertical abaixo de uma área circular flexível uniforme-
mente carregada foi apresentada por Ahlvin e Ulery (1962). Consultando a Figura 10. 19, descobrimos
que, em qualquer ponto A localizado a uma profundidade z a qualquer distância r do centro da área
carregada, & pode ser dado como

Au,=q(Á'+B)
(10.26)

onde A' e B' são funções de zIR e rIR. (Veja as Tabelas 10.6 e 10.7.)

.:

Iz

r az

Lo

Figura 10.19 Tensão vertical abaixo


de qualquer ponto de uma área circular
uniformemente carregada

Exemolo 10.8
Considere uma área circular flexível uniformemente carregada na superfície do solo, como mostra
a Figura 10.19. Dados: R = 3 m e carga uniforme q = 100 kN/m2.
Calcule o aumento da tensão vertical nas profundidades de 1,5 m, 3 m, 4,5 m, 6 m e 12 m
abaixo da superfície do solo para os pontos em (a) r = O e (b) r = 4,5 m.

Solução
Da Equação (10.26),

= q(A' + B)

Dados = 3 m e q = 100 kN/m2.


(continua)
Fundamentos de engenharia geo técnica

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Tensões em uma massa de solo 251

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252 Fundamentos de engenharia geo técnica

Parte a
Podemos preparara tabela a seguir: (Observação: r/R =0. A' e B' são valores das Tabelas 10.6 e 10.7.)

Profundidade, z (m) zIR A' 8' àcr (kNIm2)

1,5 0,5 0,553 0,358 91,1


3 1,0 0,293 0,354 64,7
4,5 1,5 0,168 0,256 42,4
6 2,0 0,106 0,179 28,5
12 4,0 0,03 0,057 8,7

Parte b

r/R = 4,5/3 = 1,5

Profundidade, z (m) z/R A' 8' Auz (kN/m)


1,5 0,5 0,095 —0,035 6,0
3 1,0 0,098 0,028 12,6
4,5 1,5 0,08 0,057 13,7
6 2,0 0,063 0,064 12,7
12 40 0,025 004 6,5

se Tensão vertical causada por uma


área retangular carregada
A solução de Boussincsq também pode ser utilizada para calcular o aumento da tensão vertical abaixo
de uma área flexível retangular carregada, como foi mostrado na Figura 10.20. A área carregada está
localizada na superficie do solo, tem comprimento L e largura B. A carga uniformemente distribuída
por unidade de área é igual a q. Para determinar o aumento da tensão vertical (cr) no ponto A, que
está localizado em z abaixo do canto da área retangular, precisamos considerar uma pequena área
elementar dx dy do retângulo. (Isso é mostrado na Figura 10.20.) A carga nesta área elementar pode
ser dada por

dq=qdxdy (10.27)

O aumento na tensão (dar) no ponto A causado pela carga dq pode ser determinado por meio da Equa-
ção (10.12). Porém, é necessário substituir P com dq = q dx dy e r2 com x2 + y2. Assim,

da= 3qdxdyz3
(10.28)
2(x2 + y 2 + z 2 )5

O aumento da tensão no ponto A causado por toda a área carregada agora pode ser determinado pela
integração da equação anterior. É obtido

B L 3qz3(dxdy)
= fd q13 (10.29)
= L=0f=0 2(x2 + y2 + z2)512 =
Tensões em uma massa de solo 253

q
X

Figura 10.20 Tensão vertical abaixo


do canto de uma área retangular flexível
uniformemente carregada

onde

1[2mnm2 +n2 +1 (m2 + n2 +2 j2mnV m2 + n2 +1l


+ tg 2 (1030)
4 [ m +n2 + m2 n2 +1 m2 +n2 + ii
1 m2 +n2 - m n 2 + 1
B
(10.31)
z

L
(10.32)
z

A variação de 13 com m e n é mostrada na Tabela 10.8 e na Figura 10.21.


O aumento da tensão em qualquer ponto abaixo da área retangular carregada pode ser determi-
nado usando-se a Equação (10.29). Isso pode ser explicado consultando a referência na Figura 10.22.
Vamos determinar a tensão em um ponto abaixo do ponto Á', à profundidade z. A área carregada pode
ser dividida em quatro retângulos, como mostra a ilustração. O ponto A' é o canto comum a todos os
retângulos. O aumento da tensão na profundidade z, abaixo do ponto A' correspondente a cada área
retangular, pode agora ser calculado usando-se a Equação (10.29). O aumento total da tensão causado
pela área inteira carregada pode ser dado por

o-Z = q[13(1) +'3(2) +13(3) + 13(4) 1 (10.33)

onde 13(1)' '3(2)' 13(3) e 13(4) = valores de 13 para os retângulos 1, 2, 3 e 4, respectivamente.


Na maioria dos casos, o aumento da tensão vertical abaixo do centro da área do retângulo (Fi-
gura 10.23) é importante. Este aumento da tensão pode ser obtido pela relação

q14 (10.34)
254 Fundamentos de engenharia geotécnica

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Tensões em uma massa de solo 255

0,26

00

0,24 2,0
18

0,22 1,2

1,0
0,20
0,9

0,8
0,18
0,7

0,16 0,6

0,14 0,5

0,12
0,4

:::

0,2
0,06

0,04
n = 0,1

0,02

0,00
10,0 1,0 0,1
M

Figura 10.21 Variação de 13 com m e n

1 3
B
A'
2 4

L
Figura 10.22 Aumento da tensão em
qualquer ponto abaixo de uma área
retangular flexível carregada
256 Fundamentos de engenharia geotécnica

B •-
:;1.I.v,._-'-T.. •.'IV..• x

L>B

LoTz

Figura 10.23 Tensão vertical abaixo do centro de uma


área retangular flexível uniformemente carregada

onde

= 2[ » 1n1 1 + m + 2n 1
14 M12 12
+ sen1 (10.35)
(1+n)(m+n) Jm+nHi+nj

L
MI =- (10.36)
B

nl = (10.37)

B
b= (10.38)

A variação de 14 com m1 e n, é mostrada na Tabela 10.9.

Exemplo 10.9
O piano de uma área retangular uniformemente carregada é mostrado na Figura 10.24a. Determine
o aumento da tensão vertical Lcr abaixo do ponto A ', a uma profundidade z =4 m.

Solução
O aumento da tensão zcr pode ser escrito corno

L.0z = z(1) -Ao-


Tensões em uma massa de solo 257

(b)

Figura 1024

onde
= aumento da tensão devido à área carregada, mostrado na Figura 10.24b
z(2) = aumento da tensão devido à área carregada, mostrado na Figura 10.24c
Para a área carregada mostrada na Figura 10.24b:

B2
M = -= - = 0,5
z 4
L 4
n = - = -= 1
z 4

Da Figura 10.21, param = 0,5 e n = 1, o valor de 13 = 0,1225. Portanto,

z(1) = q13 = (150)(0,1202) = 18,38 kN/m2

De forma similar, para a área carregada mostrada na Figura 10.24c:

fll = = 1 = 025
z 4
L 2
n = - = - = 0,5
z 4

Logo, J = 0,0473. Portanto

zaz(2) = ( 150)(0,0473) = 7,1 kN/rn2

Assim,

z = Ao,z(1) z = 18,38-7,1 = 11,28 kN/m2


258 Fundamentos de engenharia geo técnica

Tabela 10.9 Variação de 14 com m1 e n 1 [Equação (10.35)]


m1
n1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
0,20 0,994 0,997 0,997 0,997 0,997 0,997 0,997 0,997 0,997 0,997
0,40 0,960 0,976 0,977 0,977 0,977 0,977 0,977 0,977 0,977 0,977
0,60 0,892 0,932 0,936 0,936 0,937 0,937 0,937 0,937 0,937 0,937
0,80 0,800 0,870 0,878 0,880 0,881 0,881 0,881 0,881 0,881 0,881
1,00 0,701 0,800 0,814 0,817 0,818 0,818 0,818 0,818 0,818 0,818
1,20 0,606 0,727 0,748 0,753 0,754 0,755 0,755 0,755 0,755 0,755
1,40 0,522 0,658 0,685 0,692 0,694 0,695 0,695 0,696 0,696 0,696
1,60 0,449 0,593 0,627 0,636 0,639 0,640 0,641 0,641 0,641 0,642
1,80 0,388 0,534 0,573 0,585 0,590 0,591 0,592 0,592 0,593 0,593
2,00 0,336 0,481 0,525 0,540 0,545 0,547 0,548 0,549 0,549 0,549
3,00 0,179 0,293 0,348 0,373 0,384 0,389 0,392 0,393 0,394 0,395
4,00 0,108 0,190 0,241 0,269 0,285 0,293 0,298 0,301 0,302 0,303
5,00 0,072 0,131 0,174 0,202 0,219 0,229 0,236 0,240 0,242 0,244
6,00 0,051 0,095 0,130 0,155 0,172 0,184 0,192 0,197 0,200 0,202
7,00 0,038 0,072 0,100 0,122 0,139 0,150 0,158 0,164 0,168 0,171
8,00 0,029 0,056 0,079 0,098 0,113 0,125 0,133 0,139 0,144 0,147
9,00 0,023 0,045 0,064 0,081 0,094 0,105 0,113 0,119 0,124 0,128
10,00 0,019 0,037 0,053 0,067 0,079 0,089 0,097 0,103 0,108 0,112

Isobárias da tensão
Na Seção 10.6, desenvolvemos uma relação para estimar zcr2 em qualquer ponto, devido a uma faixa
de carregamento vertical. Além disso, a Seção 10.10 forneceu as relações para calcular Auz em qual-
quer ponto devido a urna área retangular uniformemente carregada. Essas relações para Auz podem
ser usadas para calcular o aumento da tensão em vários pontos da grade abaixo da área carregada.
Com base nesses aumentos de tensão calculados, as isobárias de tensão podem ser representadas em
gráficos. As Figuras 10.25 e 10.26 mostram tais isobárias de tensão sob a faixa e as áreas quadradas
uniformemente (verticalmente) carregadas.

Gráfico de influência para pressão vertical


A Equação (10.25) pode ser rearranjada e escrita na forma

-2/3
-1 (10.39)
z qJ

Observe que R/z e /o- Iq, nesta equação, são quantidades adimensionais. Os valores de R/z que
correspondem a várias relações de pressão são fornecidos na Tabela 10.10.
Usando os valores de R/z obtidos da Equação (10.39) para várias relações de pressão, Newmark
(1942) apresentou um gráfico de influência que pode ser usado para determinar a pressão vertical
abaixo de urna área flexível uniformemente carregada de qualquer formato, em qualquer ponto.
A Figura 10.27 mostra um gráfico de influência que foi construído por meio de desenhos de cír-
culos concêntricos. Os raios dos círculos são iguais aos valores R/z, correspondentes a oIq = 0, 0,1,
0,2,..., 1. (Observação: Para = 0, R/z = 0, e para La/q = 1, RIz = oO, assim, são mostrados
nove círculos.) 0 comprimento unitário para representação gráfica dos círculos é AB. Os círculos são
Tensões em uma massa de solo 259

HH - - - _H- ? 1,1 Área quadrada


- uniformemente
carregada (flexível)
*- Faixa de carga flexível Ba

a a Planta Planta

o 0
0,9 =
La0,9
q 0,7 q
0,7 0,5
B B
0,5 0,3
0,2

21? 2B 0,1
0,3
0,08
Gráfico
Gráfico
0,06
3B 3B
= 0,2
q 0,04

4B 4B

0,02=
q
5B 5B 1 1 1 1
O B 2B 2,51? 2,5B 2B B O
Figura 10.25 Isobárias da pressão vertical Figura 10.26 Isobárias da pressão vertical sob uma
sob uma faixa de carga flexível (Observação área quadrada uniformemente carregada (Observação:
As isobárias são para a linha a-a conforme As isobárias são para a linha a-a conforme mostrado na
mostrado na planta.) planta.)

Tabela 10. 10 Valores de Riz para várias relações de pressão [Equação (10.39)]
iir,lq Rlz Alq Riz

o O 0,55 0,8384
0,05 0,1865 0,60 0,9176
0,10 0,2698 0,65 1,0067
0,15 0,3383 0,70 1,1097
0,20 0,4005 0,75 1,2328
0,25 0,4598 0,80 1,3871
0,30 0,5181 0,85 1,5943
0,35 0,5768 0,90 1,9084
0,40 0,6370 0,95 2,5232
0,45 0,6997 1,00
0,50 0,7664

divididos por várias linhas radiais igualmente espaçadas. O valor de influência do gráfico é fornecido
por 1/N, onde N igual ao número de elementos no gráfico. Na Figura 10.27 existem 200 elementos,
portanto o valor de influência é 0,005.
O procedimento para a obtenção da pressão vertical em qualquer ponto abaixo da área carregada
é o seguinte:
1. Determine a profundidade z abaixo da área uniformemente carregada na qual o aumento de tensão
é requerido.
260 Fundamentos de engenharia geotécnica

Figura 10.27 Gráfico de influência para pressão


vertical, baseado na teoria de Boussinesq (Segundo
Valor de Builetin n 2 338. Influence Charts or Computation of
influência = 0,005 Stresses in Elastic. Foundations, by Nathan M Newmark
Universily ofIllinois.)

2. Represente graficamente a planta da área carregada com a escala z igual ao comprimento unitário
do gráfico.
3. Coloque a planta (representada graficamente no passo 2) no gráfico de influência de tal modo que
o ponto abaixo do qual a tensão deve ser determinada fique localizado no centro do gráfico.
4. Conte o número de elementos (M) incluídos na planta da área carregada.
O aumento da pressão no ponto sob consideração é fornecido por

= (IV) qM (10.40)

onde IV = valor de influência


q = pressão na área carregada

Ex 10.10
A seção transversal e a planta de uma sapata de um pilar são mostrados na Figura 10.28. Encontre
o aumento da tensão vertical produzido pela sapata do pilar no ponto A.

Solução
O ponto A está localizado a uma profundidade de 3 rn abaixo da base da sapata. A planta da sapata
quadrada foi desenhada novamente com uma escala de = 3 m e inserida no gráfico de influên-
cia (Figura 10.29), de tal forma que o ponto A na planta fique posicionado diretamente sobre o cen-
tro do gráfico. O número de elementos dentro do perímetro da planta é de cerca de 48,5. Portanto,

= (IV)qM = 0005[__]485 = 17,78kN/m2


3x3
Tensões em uma massa de solo 261

660 kN

1,5 m r Dimensões
da sapata
3mx3m

3m

--

k 1,5m»:
3m -~

A
1 ra

1 Figura 10.28 Seção transversal e plantada sapata de um pilar

Figura 10.29 Determinação da tensão em um ponto,


usando o gráfico de influência de Newmark

Resumo e considerações gerais


Este capítulo apresentou as relações para a determinação da tensão vertical devida à aplicação de
vários tipos de carregamento na superfície de uma massa de solo, em um ponto. Os tipos de carre-
gamento considerados aqui são pontual, linha, faixa, aterro, circular e retangular. Essas relações são
decorrentes da integração da equação de Boussincsq para uma carga pontual.
As equações e gráficos apresentados neste capítulo têm como base os princípios da teoria da
elasticidade. Entretanto, deve-se compreender as limitações destas teorias quando forem aplicadas
a um meio de solo. Isso porque os depósitos de solo, em geral, não são homogêneos, perfeitamente
262 Fundamentos de engenharia geo técnica

elásticos ou isotrópicos. Portanto, alguns desvios dos cálculos teóricos da tensão podem ser espera-
dos no campo. Somente um número limitado de observações de campo está disponível na literatura
atualmente. Com base nesses resultados, pode-se esperar uma diferença de ±25% a 30% entre as
estimativas teóricas e os valores reais encontrados no solo.

Problemas
10.1 Um elemento de solo é mostrado na Figura 10.30. Determine:
a. As tensões principais máxima e mínima.
b. As tensões normal e de cisalhamento no plano AB.
Utilize as Eqs. (10.3), (10.4), (10.6) e (10.7).
10.2 Repita o Problema 10.1 para o elemento mostrado na Figura 10.31.
10.3 Usando os princípios dos círculos de Mohr para o elemento de solo mostrado na Figura 10.32,
determine:
a. As tensões principais máxima e mínima.
b. As tensões normal e de cisalhamento no plano AR.
10.4 Repita o Problema 10.3 para o elemento do solo mostrado na Figura 10.33.
10.5 Um elemento de solo é mostrado na Figura 10.34. Determine:
a. As tensões principais máxima e mínima.
b. As tensões normal e de cisalhamento no plano AR.
Use o método do poio.
10.6 Repita o Problema 10.5 para o elemento do solo mostrado na Figura 10.35.

100 kNfm2 19 kN/m2

'Im2

60 kNIm2 36 kNIm2

1m2

Figura 1030 Figura 10.31

80 kN/m2 6 kN/m2

41m2

150 kNIm2 14,4 kN/m2

/m2

Figura 10.32 Figura 10.33


Tensões em uma massa de solo 263

75 kNl& 4,3 kN/m2

50 kN/m2 2,2 kNlm2

/m2 /m2

Figura 10.34 Figura 10.35

10.7 As cargas pontuais de magnitude 8,9, 17,8 e 26,7 kN atuam em A, B e C, respectivamente


(Figura 10.36). Determine o aumento na tensão vertical a uma profundidade de 3 m abaixo do
ponto D. Use a equação de Boussinesq.
10.8 Consulte a Figura 10.37. Determine o aumento da tensão vertical Õo no ponto Á, com os
seguintes valores:
• q1 =7SkN/m • x=2m
• q2 =300/m • x=3m
• z2m
10.9 Repita o Problema 10.8 com os dados a seguir:
• q1 =300kN/m • x1 =4m
• q2 = 260 kN/m • x2 = 3 m
• z=3m
10.10 Consulte a Figura 10.37. Dados: q1 = 10,9 kN/m, x1 = 2,45 m, x2 = 1,22 m e z = 0,9 m. Se
o aumento da tensão vertical no ponto Á devido ao carregamento é de 1,7 kN/m2, determine a
magnitude de q2 .
10.11 Consulte a Figura 10.38. Devido à aplicação de linhas das cargas q1 e q2, o aumento da tensão
vertical ia em A é de 30 kN/m2. Determine a magnitude de q2.
10.12 Consulte aFigura 10.12. Dados: B = 3,7 m, q = 16,8 kNIm2,x = 2,7 m ez = 1,5 m. Determine
o aumento da tensão vertical ICr no ponto A.

B 3m A

Linha de carga =q1 Linha de carga = q2


X]

3m

z
Loz

Á
1,5m D X21
Figura 10.36 Figura 1037
264 Fundamentos de engenharia geo técnica

q250kNIm
q2
450
-
3m 2m
2m

4A 1
Figura 10.38

10.13 Repita o Exercício 10.12 para = 3m, q = 60kN/m2,x = 1,5 m e = 3m.


10.14 Um aterro é mostrado na Figura 10.39. Determine o aumento da tensão no ponto Á devido à
carga do aterro.
10.15 A Figura 10.40 mostra a carga de um aterro para uma camada desolo argilo-siltoso. Determine
o aumento da tensão vertical nos pontos Á, B e C.

9111
Peso específico 'y = 16,5 kN/m3

1
8m

6m

--
A
Figura 10.39

3m 3m

Peso específico y= 18,87 kN/m2

12m 1
--- -a--

1 . -4 ......... .

6m

Figura 10.40
H '
Tensões em uma massa de solo 265

10.16 Considere uma área circular flexível uniformemente carregada na superficie do solo. Dado que
o raio da área circular é R = 4 m e que a carga uniformemente distribuída é q = 200 kJNim2 ,
calcule o aumento da tensão vertical Auz nos pontos 1,5, 3, 6, 9 e 12 m abaixo da superficie
do solo (imediatamente abaixo do centro da área circular).

10.17 A Figura 10.19 mostra uma área circular flexível de raio R = 3 m. A carga uniformemente
distribuída na área circular é de 96 kN/m2. Calcule o aumento da tensão vertical em r = 0, 0,6,
1,2, 2,4 e 3,6 e z = 1,5m.

10.18 Consulte a Figura 10.41. Uma área circular flexível está uniformemente carregada. Dados
q = 300 kIN/m2 e usando o gráfico de Newmark, determine o aumento da tensão vertical Aaz
no ponto A.

10.19 O plano de uma área retangular flexível uniformemente carregada é mostrado na Figura 10.42.
A carga uniformemente distribuída na área circular q tem 100 kNIm2. Determine o aumento na
tensão vertical cr a uma profundidade z = 2 m abaixo
a. Ponto
b. Ponto
c. Ponto

10.20 Consulte a área flexível retangular mostrada na Figura 10.42. Usando a Equação (10.34), de-
termine o aumento da tensão vertical abaixo do centro da área a 3,5 m de profundidade.

Planta

ti
A
Seção transversal
Figura 10.41

4 4m

1,6 m—* 2 m
1
0,8 m

qlOOkN/m2 A C
4-1,2 m—*
Figura 10.42
266 Fundamentos de engenharia geotécnica

Referências
AIILvIN, R.G. e ULERY, H. H. "Tabulated Values for Determining the Complete Pattem of Stresses, Strains, and
Deflections Beneath a Uniform Circular Load on a Homogeneous Haif Space", m Highway Research Builetin
342, Transportation Research Board, National Research Council, Washington, D.C., 1-13, 1962.
BOUSSINESQ, J. Ápplication des Potentiais à L 'Etude de L 'Equilibreet du Mouvement des Solides Elastiques.
Paris: Gauthier-Villars, 1883.
DAS, B. Advanced Soll Mechanics, 3. ed. Londres: Taylor and Francis, 2008.
NEwMARK, N. M. "Influence Charts for Computation of Stresses in Elastic Sou", University of flhinois Enginee-
ring Experiment Station, Bullelln n. 338, 1942.
OSTERBERG, J. O. "Influence Values for Vertical Stresses in Semi-Infinite Mass Due to Embankment Loading",
Proceedings, Fourth Intemational Conference on Soil Mechanics and Foundation Engineering, London, v. 1,
393-396, 1957.
11 Compressibilidade do solo

Um aumento na tensão causado pela construção de fundações ou outras cargas comprime as camadas
do solo. A compressão é causada por (a) deformação das partículas do solo; (b) deslocamento de
partículas do solo; e (c) expulsão da água ou do ar dos espaços vazios. Em geral, o recalque do solo
causado por cargas pode ser dividido em três categorias amplas:
1. O recalque elástico (ou recalque imediato) é causado pela deformação elástica do solo seco e dos
solos úmidos e saturados sem qualquer alteração no teor de umidade. Os cálculos do recalque
elástico geralmente têm base nas equações derivadas da teoria de elasticidade.
.2. O recalque por adensamento primário, resultado de uma alteração de volume em solos coesivos
saturados devido à expulsão da água que ocupa os espaços vazios.
2. O recalque por compressão secundária, presente cm solos coesivos saturados, é resultado do
ajuste plástico da estrutura do solo. Esta é outra forma de compressão que ocorre sob tensão efe-
tiva constante.
Este capítulo apresenta os princípios fundamentais para calcular a estimativa do recalque elásti-
co e por adensamento das camadas do solo sob cargas sobrepostas.
O recalque total de uma fundação pode, então, ser determinado por

ST = S +S5 + Se
onde ST = recalque total
Se = consolidação do recalque primário
S = consolidação do recalque secundário
Se = recalque elástico

Quando as fundações são construídas sobre argilas muito compressíveis, o recalque de adensamento
pode ser várias vezes maior que o recalque elástico.

RECALQUE ELÁSTICO

Pressão de contato e perfil do recalque


O recalque elástico ou imediato das fundações (Se) ocorre diretamente depois da aplicação de uma
determinada carga, sem alteração no teor de umidade do solo. A magnitude do recalque de contato
dependerá da flexibilidade da fundação e do tipo de material sobre o qual ele é colocado.
No Capítulo 10, as relações para determinar o aumento da tensão geradora de recalque elástico
devido à aplicação da linha de carga, da faixa de carga, da carga de aterro, da carga circular e da carga
retangular tiveram como base as seguintes hipóteses:
• A carga é aplicada na superfície do solo.
• A área carregada é flexível.
O meio do solo é homogêneo, elástico, isotrópico e estende-se a uma grande profundidade.
267
268 Fundamentos de engenharia geotécnica

Distribuição da pressão de contato

Perfil do recalque
(a)

Distribuição da pressão de contato

Figura 11 1 Perfil do recalque


elástico e pressão de contato em
*- Perfil do recalque argila: (a) fundação flexível;
(b) (b) fundação rígida

Em geral, as fundações não são perfeitamente flexíveis e são assentadas a determinada profun-
didade abaixo da superficie do solo. É interessante, no entanto, avaliar a distribuição da pressão de
contato sob uma fundação, juntamente com o perfil de recalque sob condições ideais. A Figura 11.1 a
mostra uma fundação perfeitamente flexível sobre um material elástico, corno a argila saturada. Se
a fundação é submetida a uma carga distribuída uniformemente, a pressão de contato será uniforme e
a fundação apresentará perfil arqueado. Por outro lado, se considerarmos uma fundação perfeitamen-
te rígida sobre a superficie do solo submetido a uma carga distribuída uniformemente, a pressão de
contato e o perfil de recalque da fundação será como o mostrado na Figura 11. ib: a fundação passará
por recalque uniforme e a pressão de contato será redistribuída.
O perfil de recalque e a distribuição da pressão de contato descritos anterionnente são válidos
para os solos nos quais o módulo de elasticidade é razoavelmente constante com a profundidade.
No caso da areia sem coesão, o módulo de elasticidade aumenta com a profundidade. Além disso,
há uma falta de confinamento lateral na borda da fundação na superficie do solo. A areia na borda
de uma fundação flexível é empurrada para fora, e a curva de deflexão da fundação assume uma
forma côncava voltada para baixo. As distribuições de pressão de contato e os perfis de recalque de
uma fundação flexível e rígida sobre a areia e submetidos a uma carga uniforme são mostrados nas
Figuras 11.2a e 11.2b, respectivamente.

J Relações para cálculo de recalque elástico


A Figura 11.3 mostra uma fundação rasa submetida a uma força resultante por unidade de área igual
a Au. Considere o coeficiente de Poisson e o módulo de elasticidade do solo que a está suportando
corno li,,e E5, respectivamente. Teoricamente, se a fundação for perfeitamente flexível, o recalque
pode ser expresso por

onde Lo =pressão líquida aplicada à fundação


= coeficiente de Poisson do solo
Compressibi/idade do solo 269

Distribuição da pressão de contato

... . . i...• -

Perfil do recalque

(a)

Distribuição da pressão de contato

Figura 11.2 Perfil do recalque


elástico e pressão de contato
Perfil do recalque em areia: (a) fundação flexível;
(b) (b) fundação rígida

Fundação

-- ---------
Recalque de Recalque de
fundação fundação
rígida flexível H
= coeficiente de Poisson
E = modulo de elasticidade
Solo
Figura 11.3 Recalques elásticos de fundações
Dcha rígidas e flexíveis

E. =módulo de elasticidade média do solo sob a fundação, medido a partir de z = O até


cerca de z = 4B
B' =B/2 para o centro da fundação
=B para o canto da fundação
= fator de forma (Steinbrenner, 1934)

=F1 + 2 (11.2)
1—

F1 = 1(Á + Á1 ) (11.3)
270 Fundamentos de engenharia geo técnica

F2 =tg_1Á2 (11.4)
2ir

(1+ m 2 +1)m!2 +n'2


A0 =m'ln (11.5)
mF(l+m/2 +n'2 +i)

(m' +mI2 + i)i + n72


A1 = In (11.6)
m/+VmF2 +n'2 +1

= m
A2 (11.7)
+n 2 +1

D L
J.= fator de profundidade (Fox, 1948) = f e - (11.8)

oz = fator dependente do local da fundação onde o recalque está sendo calculado


o Para o cálculo do recalque no centro da fundação:

L
M
B
/ H
n = -

~B~
2

Para o cálculo do recalque em um dos cantos da fundação:


o=1
L
M = -

B
H
n
B

Considere as variações de F1 e F2 [Equações (11.3) e (11.4)] com m' e n'fornecidos nas Tabelas 11.1
e 11.2. Além disso, a variação de I.com Df /B e jié dada na Tabela 11.3. Observe que, quando Df = O,
o valor de I. = 1 em todos os casos.
O recalque elástico de uma fundação rígida pode ser estimado por

Se(rígido) O, 93Se(flexível centro) (11.9)

Devido à natureza não homogênea dos depósitos de solo, a magnitude de E5 pode variar com
a profundidade. Por esta razão, Bowies (1987) recomenda utilizar uma média ponderada de E5 na
Equação (11.1) ou

=
E5 (11.10)
Z

onde E5( = módulo de elasticidade do solo em uma profundidade Az


= H ou 5B, o que tiver o menor valor
Compressibi idade do solo 271

Tabela 71. 1 Variação de F1 com m n'


m'
n' 1,0 1,2 1,4 1.6 1,8 2.0 2.5 3.0 3,5 4,0

0,25 0,014 0,013 0,012 0,011 0,011 0,011 0,010 0,010 0,010 0,010
0,50 0,049 0,046 0,044 0,042 0,041 0,040 0,038 0,038 0,037 0,037
0,75 0,095 0,090 0,087 0,084 0,082 0,080 0,077 0,076 0,074 0,074
1,00 0,142 0,138 0,134 0,130 0,127 0,125 0,121 0,118 0,116 0,115
1,25 0,186 0,183 0,179 0,176 0,173 0,170 0,165 0,161 0,158 0,157
1,50 0,224 0,224 0,222 0,219 0,216 0,213 0,207 0,203 0,199 0,197
1,75 0,257 0,259 0,259 0,258 0,255 0,253 0,247 0,242 0,238 0,235
2,00 0,285 0,290 0,292 0,292 0,291 0,289 0,284 0,279 0,275 0,271
2,25 0,309 0,317 0,321 0,323 0,323 0,322 0,317 0,313 0,308 0,305
2,50 0,330 0,341 0,347 0,350 0,351 0,351 0,348 0,344 0,340 0,336
2,75 0,348 0,361 0,369 0,374 0,377 0,378 0,377 0,373 0,369 0,365
3,00 0,363 0,379 0,389 0,396 0,400 0,402 0,402 0,400 0,396 0,392
3,25 0,376 0,394 0,406 0,415 0,420 0,423 0,426 0,424 0,421 0,418
3,50 0,388 0,408 0,422 0,431 0,438 0,442 0,447 0,447 0,444 0,441
3,75 0,399 0,420 0,436 0,447 0,454 0,460 0,467 0,468 0.466 0,464
4,00 0,408 0,431 0,448 0,460 0,469 0,476 0,484 0,487 0,486 0,484
4,25 0,417 0,441 0,459 0,473 0,483 0,490 0,450 0,505 0,505 0,503
4,50 0,424 0,450 0,469 0,484 0,495 0,503 0,516 0,521 0,522 0,522
4,75 0,431 0,458 0,478 0,494 0,506 0,515 0,530 0,536 0,539 0,539
5,00 0,437 0,465 0,487 0,503 0,516 0,526 0,543 0,551 0,554 0,554
5,25 0,443 0,472 0,494 0,512 0,526 0,537 0,555 0,564 0,568 0,569
5,50 0,448 0,478 0,501 0,520 0,534 0,546 0,566 0,576 0,581 0,584
5,75 0,453 0,483 0,508 0,527 0,542 0,555 0,576 0,588 0,594 0,597
6,00 0,457 0,489 0,514 0,534 0,550 0,563 0,585 0,598 0,606 0,609
6,25 0,461 0,493 0,519 0,540 0,557 0,570 0,594 0,609 0,617 0,621
6,50 0,465 0,498 0,524 0,546 0,563 0,577 0,603 0,618 0,627 0,632
6,75 0,468 0,502 0,529 0,551 0,569 0,584 0,610 0,627 0,637 0,643
7,00 0,471 0,506 0,533 0,556 0,575 0,590 0,618 0,635 0,646 0,653
7,25 0,474 0,509 0,538 0,561 0,580 0,596 0,625 0,643 0,655 0,662
7,50 0,477 0,513 0,541 0,565 0,585 0,601 0,631 0,650 0,663 0,671
7,75 0,480 0,516 0,545 0,569 0,589 0,606 0,637 0,658 0,671 0,680
8,00 0,482 0,519 0,549 0,573 0,594 0,611 0,643 0,664 0,678 0,688
8,25 0,485 0,522 0,552 0,577 0,598 0,615 0,648 0,670 0,685 0,695
8,50 0,487 0,524 0,555 0,580 0,601 0,619 0,653 0,676 0,692 0,703
8,75 0,489 0,527 0,558 0,583 0,605 0,623 0,658 0,682 0,698 0,710
9,00 0,491 0,529 0,560 0,587 0,609 0,627 0,663 0,687 0,705 0,716
9,25 0,493 0,531 0,563 0,589 0,612 0,631 0,667 0,693 0,710 0,723
9,50 0,495 0,533 0,565 0,592 0,615 0,634 0,671 0,697 0,716 0,729
9,75 0,496 0,535 0,568 0,595 0,618 0,638 0,675 0,702 0,721 0,735
10,00 0,498 0,537 0,570 0,597 0,621 0,641 0,679 0,707 0,726 0,740
20,00 0,529 0,575 0,614 0,647 0,677 0,702 0,756 0,797 0,830 0,856
50,00 0,548 0,598 0,640 0,678 0,711 0,740 0,803 0,853 0,895 0,931
100,00 0,555 0,605 0,649 0,688 0,722 0,753 0,819 0,872 0,918 0,956
272 Fundamentos de engenharia geotécnica

Tabela 111 (continuação)

ii' 4,5 5.0 6.0 7.0 8.0 9.0 10.0 25.0 50,0 100,0

0,25 0,010 0,010 0,010 0,010 0,010 0,010 0,010 0,010 0,010 0,010
0,50 0,036 0,036 0,036 0,036 0,036 0,036 0,036 0,036 0,036 0,036
0,75 0,073 0,073 0,072 0,072 0,072 0,072 0,071 0,071 0,071 0,071
1,00 0,114 0,113 0,112 0,112 0,112 0,111 0,111 0,110 0,110 0,110
1,25 0,155 0,154 0,153 0,152 0,152 0,151 0,151 0,150 0,150 0,150
1,50 0,195 0,194 0,192 0,191 0,190 0,190 0,189 0,188 0,188 0,188
1,75 0,233 0,232 0,229 0,228 0,227 0,226 0,225 0,223 0,223 0,223
2,00 0,269 0,267 0,264 0,262 0,261 0,260 0,259 0,257 0,256 0,256
2,25 0,302 0,300 0,296 0,294 0,293 0,291 0,291 0,287 0,287 0,287
2,50 0,333 0,331 0,327 0,324 0,322 0,321 0,320 0,316 0,315 0,315
2,75 0,362 0,359 0,355 0,352 0,350 0,348 0,347 0,343 0,342 0,342
3,00 0,389 0,386 0,382 0,378 0,376 0,374 0,373 0,368 0,367 0,367
3,25 0,415 0,412 0,407 0,403 0,401 0,399 0,397 0,391 0,390 0,390
3,50 0,438 0,435 0,430 0,427 0,424 0,421 0,420 0,413 0,412 0,411

3,75 0,461 0,458 0,453 0,449 0,446 0,443 0,441 0,433 0,432 0,432

4,00 0,482 0,479 0,474 0,470 0,466 0,464 0,462 0,453 0,451 0,451

4,25 0,501 0,499 0,494 0,489 0,485 0,483 0,481 0,471 0,470 0,469

4,50 0,520 0,517 0,513 0,508 0,505 0,502 0,499 0,489 0,487 0,487

4,75 0,537 0,535 0,530 0,526 0,523 0,519 0,517 0,506 0,504 0,503

5,00 0,554 0,552 0,548 0,543 0,540 0,536 0,534 0,522 0,519 0,519

5,25 0,569 0,568 0,564 0,560 0,556 0,553 0,550 0,537 0,534 0,534

5,50 0,584 0,583 0,579 0,575 0,571 0,568 0,565 0,551 0,549 0,548

5,75 0,597 0,597 0,594 0,590 0,586 0,583 0,580 0,565 0,583 0,562

6,00 0,611 0,610 0,608 0,604 0,601 0,598 0,595 0,579 0,576 0,575

6,25 0,623 0,623 0,621 0,618 0,615 0,611 0,608 0,592 0,589 0,588

6,50 0,635 0,635 0,634 0,631 0,628 0,625 0,622 0,605 0,601 0,600

6,75 0,646 0,647 0,646 0,644 0,641 0,637 0,634 0,617 0,613 0,612

7,00 0,656 0,658 0,658 0,656 0,653 0,650 0,647 0,628 0,624 0,623

7,25 0,666 0,669 0,669 0,668 0,665 0,662 0,659 0,640 0,635 0,634

7,50 0,676 0,679 0,680 0,679 0,676 0,673 0,670 0,651 0,646 0,645

7,75 0,685 0,688 0,690 0,689 0,687 0,684 0,681 0,661 0,656 0,655
8,00 0,694 0,697 0,700 0,700 0,698 0,695 0,692 0,672 0,666 0,665

8,25 0,702 0,706 0,710 0,710 0,708 0,705 0,703 0,682 0,676 0,675
8,50 0,710 0,714 0,719 0,719 0,718 0,715 0,713 0,692 0,686 0,684
8,75 0,717 0,722 0,727 0,728 0,727 0,725 0,723 0,701 0,695 0,693
9,00 0,725 0,730 0,736 0,737 0,736 0,735 0,732 0,710 0,704 0,702
9,25 0,731 0,737 0,744 0,746 0,745 0,744 0,742 0,719 0,713 0,711
9,50 0,738 0,744 0,752 0,754 0,754 0,753 0,751 0,728 0,721 0,719
9,75 0,744 0,751 0,759 0,762 0,762 0,761 0,759 0,737 0,729 0,727
10,00 0,750 0,758 0,766 0,770 0,770 0,770 0,768 0,745 0,738 0,735
20,00 0,878 0,896 0,925 0,945 0,959 0,969 0,977 0,982 0,965 0,957
50,00 0,962 0,989 1,034 1,070 1,100 1,125 1,146 1,268 1,279 1,261
100,00 0,990 1,020 1,072 1,114 1,150 1,182 1,209 1,408 1,489 1,499
Compressibilidade do solo 273

Tabela 112 Variação de F2 com m'e n'

n' 1,0 1.2 1,4 1,6 1,8 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0

0,25 0,049 0,050 0,051 0,051 0,051 0,052 0,052 0,052 0,052 0,052
0,50 0,074 0,077 0,080 0,081 0,083 0,084 0,086 0,085 0,087 0,087
0,75 0,083 0,089 0,093 0,097 0,099 0,101 0,104 0,106 0,107 0,108
1,00 0,083 0,091 0,098 0,102 0,106 0,109 0,114 0,117 0,119 0,120
1,25 0,080 0,089 0,096 0,102 0,107 0,111 0,118 0,122 0,125 0,127
1,50 0,075 0,084 0,093 0,099 0,105 0,110 0,118 0,124 0,128 0,130
1,75 0,069 0,079 0,088 0,095 0,101 0,107 0,117 0,123 0,128 0,131
2,00 0,064 0,074 0,083 0,090 0,097 0,102 0,114 0,121 0,127 0,131
2,25 0,059 0,069 0,077