Vous êtes sur la page 1sur 53

SAÚDE MENTAL

JULIANA FIALHO
PLANEJAMENTO

• A loucura e suas instituições

• A loucura silenciada

• A loucura no Brasil

• As primeiras instituições

• A psiquiatria de massa no Brasil

• As funções da prática psiquiátrica


A LOUCURA E SUAS INSTITUIÇÕES

 Falta de registros que mostrem, de fato, como os


tratamentos foram evoluindo, qual a clientela dos nossos
hospitais e ambulatórios, modos se entrada, estratégias de
intervenção;

 Impossível se descrever a loucura;

 Loucura como as paixões (inato ao homem) –


comportamento sensato como o raciocínio (imposto de
fora);
A LOUCURA E SUAS INSTITUIÇÕES

 Além disso, o próprio comportamento sensato e racional


pode deixar de sê-lo, se ocorre fora de contexto;

 “Se um sábio, dirigindo-se a alguém que chorasse a morte


do pai, o exortasse a rir, dizendo-lhe que esta vida não
passa, na realidade, de uma contínua morte e que, por
conseguinte, seu pai só fez cessar de morrer, ...passaria
decerto, aos olhos de todos, por louco furioso”.
ANTIGUIDADE E IDADE MÉDIA - TRANSIÇÃO

PODER
PÚBLICO
INTERVINH
DOENÇA A EM
MENTAL - ASSUNTOS
QUESTÃO DE DIREITO
LARGAMEN
LOUCO FAZIA TE PRIVADA
PARTE DE UM
CENÁRIO
COMUM
REVOLUÇÃO BURGUESA

 Lança bases de um novo conceito de natureza humana;

 Normal e patológico não mais a partir de uma


normatividade pessoal de cada um, mas de um eixo de
referência supra-individual;

 voltados para as necessidades econômicas – práxis posta


a serviço da produção e da reprodução da vida social;
REVOLUÇÃO BURGUESA

 Alargou-se o poder da norma e estreita-se os horizontes


da loucura;

 Permanece até hoje na ordem do dia como uma das


questões centrais da problemática da doença mental e
das instituições que dela se ocuparam.

Porquê a doença mental era


comum ou menos percebida?
A LOUCURA SILENCIADA

 As pessoas viviam menos tempo;

 No trabalho exigia-se pouco de diferenças individuais,


aptidão e inaptidão não eram um critério importante na
determinação do NORAMAL e do PATOLÓGICO

 O conceito de doença mental era mais restrito somente


ao que era observável, normalmente quando este se
constituía em estorvo para o ambiente familiar imediato e
para a comunidade.
A LOUCURA SILENCIADA

 Princípio do campesinato o trabalho campestre, de


subsistência;

 Declínio dos ofícios artesanais;

 Elevação da loucura a categoria de PROBLEMA


SOCIAL;

 Advento da manufatura – forma rudimentar de divisão


social do trabalho – problemas aos artesãos
A LOUCURA SILENCIADA

MUDANÇA DE PARADIGMA:
 Trabalhar para viver – viver para trabalhar

 “primeiramente, foi necessário descartar um sentimento


ainda profundamente arraigado, próprio tanto do homem
rural como do urbano, de que a liberdade individual é
incompatível com a subordinação a um processo de
trabalho estritamente vigiado e totalmente racionalizado
que até aquele momento só era conhecido nos presídios e
nas casas de correção;
A LOUCURA SILENCIADA

 Fato que esclarece essa situação: as cidades


regurgitaram de desocupados, mendigos e
vagabundos – escassez de mão de obra!
HOSPÍCIO DOM PEDRO II – RIO DE JANEIRO
CONTEXTO BRASILEIRO

 Marco institucional da assistência psiquiátrica brasileira:


1852.

 Inauguração Hospício Dom Pedro II – Rio de Janeiro

 Capacidade para 350 pacientes

 Destinava-se a receber pessoas de todo o Império

 Ao abrir, abrigava já 144 doentes

 Um ano depois, atingiu a lotação completa


CONTEXTO BRASILEIRO

 Anos seguintes: Construções em São Paulo,


Pernambuco, Bahia e Pará;

 A urgência que a situação exigia não permitia que se


esperasse por hospícios definitivos, recorrendo-se a
instalações provisórias, meio caminho entre as
internações nos porões das Santas Casas e as celas das
prisões e a solução final
CONTEXTO BRASILEIRO
CONTEXTO BRASILEIRO

 As primeiras instituições psiquiátricas no Brasil


surgem em meio a um contexto de ameaças à
ordem e à paz social
CONTEXTO BRASILEIRO

Existiam três proposições contraditórias entre si:

1. Remoção e exclusão do elemento perturbador,

visando a preservação dos bens e da segurança


dos cidadãos;

2. Instituições de caridade, que buscavam confortar os

doentes mentais;

3. Indicação clínica de internação visando a cura


CONTEXTO BRASILEIRO

 O peso pendeu para a remoção e exclusão;

 Durante os primeiros 40 anos de existência, os hospícios

tiveram função exclusivamente segregadora;

 Podemos confirmar isso através da análise de sua

clientela: homens livres (escravos eram raridade), pobres,


a maioria mestiços, uma amostragem fiel da população
errante dos marginalizados das cidades, os vadios,
arruaceiros e sem-trabalho
CONTEXTO BRASILEIRO

 Persistiram as denúncias de maus-tratos, imundice,

superlotação e baixa qualificação.

 Hospício Dom Pedro II: camisas de força, jejuns

impostos, cacetadas e até assassinatos

 Olinda: em alguns anos, a mortalidade ultrapassou

50% da população internada

 Hospícios são anteriores à entrada da psiquiatria


CONTEXTO BRASILEIRO

 Haviam poucos médicos, e estes não tinham nenhuma

influência nas questões administrativas, nem na seleção


da clientela;

 Visitas esporádicas e somente atendimentos a


recorrências clínicas

 As irmãs de caridade eram as diretoras de fato dos

estabelecimentos: tudo estava e elas subordinado


AS SANTAS CASAS DE MISERICÓRDIA

 Incluem os “doidos” entre seus hóspedes;

 Tratamento diferenciado: amontoando-os em porões;

 Sem assistência médica;

 Entregues a guardas e carcereiros;

 Delírios e agitações reprimidos por espancamentos ou


contenção em troncos;

 Condenando-os literalmente à morte por maus tratos


físicos e doenças infecciosas;
CONTEXTO BRASILEIRO

 Diante da afirmação da medicina científica, das descobertas


da bacteriologia e da neurologia, parecia irresponsável
deixar o cuidado dos doentes mentais entregues às
religiosas;

 Problemas que dizimaram a população de recém chegados,


tão necessários à economia paulista;

 Problemas para os quais, na área da saúde mental, a


“psiquiatria” das freiras, os asilos provisórios despovoados
de médicos soavam como soluções de amadores!
CONTEXTO BRASILEIRO

 Após essa fase inicial, a psiquiatria adentra ao


manicômio;

 Neste período, ocorre uma profunda mudança na


sociedade brasileira;

 Desenvolvimento do comércio importador/exportador


através do porto do Rio de Janeiro;

 Imigrantes estrangeiros – São Paulo;

 Urbanização acelerada;

 Surtos epidêmicos;
CONTEXTO BRASILEIRO

 Deterioração das condições de vida da população


trabalhadora, de higiene e saneamento das cidades

 Proliferação de cortiços e favelas;

 Proclamação da República (1898): psiquiatria


científica, laicização do asilo, ascensão dos médicos no
controle das instituições;

 Oswaldo Cruz: Saúde Pública e Psiquiatria – tarefa


comum de sanear a cidade;
 Tratamentos: clinoterapia (repouso no leito)
TRATAMENTOS
TRATAMENTOS

• Open-door: trabalho onde se pretendia reproduzir a vida


de uma comunidade rural

• Ambiente político e ideológico ao seu florescimento:


incipiente capitalismo brasileiro;

• A maioria dos Estados brasileiros incorporam colônias


agrícolas à sua rede de ofertas de serviços

• Pretendia-se tratar o doente, recuperá-lo pelo trabalho e


devolvê-lo à comunidade como cidadão “útil”;

• Trabalho e não-trabalho como forma de normal e anormal


TRATAMENTOS

 No Brasil, a entusiástica adesão à política de


construção de colônias agrícolas não se deu
apenas por exclusão das outras estratégias
terapêuticas, de eficiência duvidosa mas também
por ter encontrado ambiente político e ideológico
propício ao seu florescimento!
 Problema: a sociedade para a qual o doente seria
devolvido não era mais uma sociedade agrícola

 “Malogradas as intenções de recuperação do doente

contidas nas propostas de seus criadores (...), restava


ao hospital agrícola ater-se à única função que já
caracterizava a assistência ao alienado, no país, desde
a sua criação: a de excluir o doente de seu convívio
social e, a propósito de lhe proporcionar espaço e
liberdade, escondê-lo dos olhos da sociedade”.
CAOS...

• Ao final da década de 50, a situação era caótica:

• Hospital São Pedro (Porto Alegre): capacidade:


1700, abrigava: mais de 3000 pacientes

• Curitiba e Florianópolis: Capacidade: 400 Abrigava:


800

• Bahia: não recebia mais ninguém, por estar com


mais de 200 pacientes ultrapassando sua lotação
 Maranhão e Niterói: tiveram que dispensar o uso de camas e
deixar os pacientes dormirem no chão

 Sergipe: Hospital-Colônia Eronildes de Carvalho: ameaçado de


ruir

 Cuiabá: “o velhíssimo Asilo de Caxipó da Ponte oferecia o mais


lúgubre cenário aos olhos das desalentadas autoridades que
sofrem verdadeiros arrepios ante as cenas medievais ali
existentes”;

 Barbacena: fornecedor de cadáveres para institutos


anatômicos das faculdades de medicina de Belo Horizonte
 Superlotação

 Deficiência de
pessoal

 Maus tratos
 Condições tão más ou piores do que os piores
presídios
A PSIQUIATRIA DE MASSA NO BRASIL

 Primeiros vinte ou trinta anos deste século - questão social não


era uma preocupação devido, economia agrário – exportadora,
pouco exigente em termos de qualificação de mão de obra;

 Não havia preocupação em preservar mão de obra;

 À psiquiatria cabia simplesmente recolher e excluir as sobras


humanas que cada organização social, de cada momento
histórico – homens livres num determinado período, imigrantes
estrangeiros, de outro.

 Caixas de Aposentadoria e Pensão – as margens do Estado –


recursos das instituições de caridade;
A PSIQUIATRIA DAS MASSAS NO BRASIL

 Viés do Trabalho: 1). Estado entra na regulamentação


das condições de venda da força de trabalho e 2).
Preocupações de preservação da mercadoria “força de
trabalho” -> SAÚDE, ALIMENTAÇÃO, EDUCAÇÃO.

 Década de 30: Saúde incorporada pelo Estado e


organizada nos Institutos de Aposentadoria e Pensões –
parte dos benefícios concedidos;

 Década de 50: apenas aqui a atenção psiquiatra é


incorporada às demais especialidades;
AO QUE ATRIBUIR ESSA INCORPORAÇÃO TARDIA
DA PSIQUIATRIA AO CONJUNTO DAS PRÁTICAS
DE SAÚDE DA PREVIDÊNCIA SOCIAL?
A PSIQUIATRIA DE MASSA NO BRASIL

 Se igualar às outras especialidades médicas – provas de


eficiência;

 Incapacidade dos hospitais públicos da década de 50 em


abrigar dignamente os pacientes, muito menos curá-los –
falta de prognóstico otimista;

 OMS (comitê de peritos em saúde mental) – recomendou às


nações membros (principalmente aos países em
desenvolvimento), que investissem em saúde mental –
ARGUMENTOS:
A PSIQUIATRIA DE MASSA NO BRASIL

 Alto custo da doença mental para o processo produtivo;

 Exemplificava: os transtornos psiconeuróticos produziam


uma perda de tempo de produção na indústria superior
àquela do resfriado comum;

 Investimentos em saúde mental era uma proposta “rentável”


economicamente, além de ajudar a evitar os desajustes
que podem acompanhar a industrialização;

 Contribuição efetiva da psiquiatria: prática social de


massa após 1964
 “A prática psiquiátrica é a prática de uma

contradição (...) entre uma finalidade terapêutica

e certas funções político-administrativas”


ESSAS FUNÇÕES SE RESUMIRAM EM:

1) Curar;

2) Recuperar a força de trabalho;

3) Abrir e criar novas fontes de trabalho para o pessoal de


saúde mental;

4) Auto-reproduzir o próprio sistema de assistência e de


outros setores da economia a ele ligados: hospitais,
indústrias de medicamentos, etc.;

5) Ideologizar as relações sociais, conferindo, dessa forma,


racionalidade à irracionalidade do sistema;
6) Dar um lugar aos desviados, excluindo-os;

7) Difundir normas de comportamento, visando homogeneizar


as diferenças individuais;
CONTROLE DAS INTERNAÇÕES

 Pouco controle – frouxidão;

 Aumento das internações;

 Mudança do perfil nosológico: neuróticos e alcoolistas faziam


parte da clientela – proporções expressivas.

 Simples avidez da indústria de hospitais por mais pacientes e


mais lucro? – cenário não só brasileiro;

 Especulações acerca do Brasil: sob o elástico rótulo da


neurose ou outra categoria nosológica igualmente imprecisa, se
escondam problemas sociais diversos que têm no asilo a única
solução possível;
MUDANÇA DE CENÁRIO

 Ano de 1968 – início de um período de grande

aquecimento da economia;

 Escassez de mão de obra;

 A partir da década de 70: Reinserção dessas pessoas por

causa das demandas de trabalho;

 Controle do tempo de permanência dos doentes nos

hospitais;
MUDANÇA DE CENÁRIO

 Ambulatório – limitar as internações


 Índices de encaminhamentos de 36% para 12% nesta
década;
 Volta o foco sanitário– casos de tuberculose, doenças
crônico-degenerativas, meningites – prioridade,
antecede.